Você está na página 1de 3

Alcione Albanesi começou a se aventurar pelo caminho do empreendedorismo ainda pequena.

Na infância, fazia rifas dos presentes que ganhava no aniversário. Aos 14, trabalhando como
modelo, mergulhou no universo do corte e costura e com apenas 17 anos montava sua própria
confecção, com 80 funcionários. E foi justamente esta curiosidade pelo novo, o olhar atento às
inovações e seu potencial valor que a levaram a abrir, em 1992, a FLC, primeira empresa a vender
as lâmpadas fluorescentes e a fabricar lâmpadas de LED no Brasil. Mas ser pioneira neste setor
não bastou para Alcione. Preocupada com os problemas sociais do país, ela fundou a “Amigos do
Bem”, uma instituição que transforma a vida de milhares de pessoas, nos estados de Alagoas,
Pernambuco e Ceará. Aqui, ela nos conta a sua história, seus desafios e os planos para o futuro.
Eu já trabalhava com materiais elétricos, fui a primeira mulher a abrir uma loja deste setor na
Santa Ifigênia. Naquela época, eu já havia implantado o sistema de autosserviço, diferentemente
da tradicional venda de materiais elétricos, que acontecia através de balcões de atendimento. Mas
um dia, numa viagem aos Estados Unidos, eu encontrei uma lâmpada três vezes mais barata do
que as usadas no Brasil. Olhei a embalagem e vi que estava escrito "made in China". Decidi então
ir para a China, em 1992, numa época que poucas pessoas iam para lá, quase ninguém sabia falar
inglês, havia acabado de abrir as importações. Quando cheguei ao país, foi realmente uma
aventura: sem saber ao certo por onde começar, olhei as "páginas amarelas" e decidi enviar fax
para as empresas de lâmpadas chinesas. Aguardava os fornecedores na recepção do hotel com as
amostras. Foi quando colocaram em minhas mãos uma lâmpada compacta fluorescente,
conhecida como lâmpada econômica. Eles falaram: "This is good!". Mas a primeira compra,
infelizmente, não foi das melhores. Tinha comprado 134 mil unidades, mas quando retornei ao
Brasil vi que o modelo não funcionava nos nossos reatores. Resultado: retornei à China no mês
seguinte e comprei mais produtos, desta vez, os corretos. Foi assim que trouxemos a primeira
lâmpada econômica ao país, que se tornou líder de mercado. Eu sabia que essa lâmpada iria
substituir as incandescentes tradicionais, por ser muito mais eficiente e econômica. Para chegar
até aqui, foi necessário adquirir muitas experiências, ser persistente, aprender com os erros. Além
das compras de lâmpadas erradas, já vivenciei diferentes momentos da economia, etc., porém o
maior desafio sempre foi manter a liderança à frente de multinacionais. Para isso, foram
necessárias muitas horas de trabalho, noites sem dormir e a busca constante de inovação. O grande
desafio é a empresa sempre superar a si mesma, caso contrário, em algum momento, ela não
sobrevive mais. Acredito que a minha visão humana sempre favoreceu minha trajetória
profissional. Eu sempre criei pontes com meus colaboradores e clientes, por meio de uma
liderança baseada no exemplo e de uma relação legítima com cada um. Sempre trabalhei muito
com minha equipe, sabia que um dos diferenciais da FLC eram as pessoas, o envolvimento, a
agilidade e paixão com que elas atuavam. Sempre acreditar que é possível. Não desistir, persistir.
Traçar planos claros, estipular objetivos seguros e concretizá-los através da humildade, trabalho
e determinação.Sempre aprendi demais com as pessoas. Clientes, amigos, consumidores,
colaboradores. São com elas que trabalhamos e para elas que desenvolvemos produtos.
Precisamos aprender não apenas a ouvi-las, mas principalmente a enxergá-las. Além disso,
sempre busquei informações de mercado e dados que contribuam para que minhas decisões sejam
mais assertivas. É importante conciliar dados numéricos com nossas percepções sobre as pessoas
e o mundo.Em 1993 decidi reunir alguns amigos de São Paulo e fazer um Natal diferente, levando
alimentos, brinquedos, roupas e atendimento médico e odontológico às pessoas carentes do sertão
nordestino. O que encontramos lá mudou a nossa forma de ver e sentir o mundo e, nos próximos
10 anos, decidimos passar o Natal e Ano Novo no sertão. Em 2002 iniciamos um trabalho de
transformação, com inúmeros projetos autossustentáveis e educacionais que hoje movimentam a
vida de milhares de pessoas, nos estados de Alagoas, Pernambuco e Ceará.Centenas de milhares
de pessoas já foram beneficiadas. Hoje, estamos entre as maiores instituições sociais do país. Nós
atendemos regularmente 60 mil pessoas e promovemos uma transformação efetiva na vida delas,
através do trabalho, educação, infraestrutura e saúde. Quatro Cidades do Bem foram construídas
com completa infraestrutura, famílias que moravam em casas de barro passaram a viver com
dignidade, 10 mil crianças e jovens são atendidas em nossos Centros de Transformação, onde
recebem ensino regular e atividades como informática, dança, teatro, aulas de inglês, manicure,
culinária, etc., além de diversos outros projetos, como o de água, com perfuração de poços
artesianos e cisternas, de saúde, com atendimento médico e odontológico regular, e de trabalho,
por meio da plantação de caju, fábrica de castanha e de doces e do artesanato, gerando renda e
autos sustentabilidade. Acredito que o empreendedor nasceu com um dom de realizar e que
devemos utilizá-lo para o bem. Para manter um projeto como este são necessários muitos recursos,
planejamento, acompanhamento e, principalmente amor. A minha visão humana também
contribui para este trabalho de transformação. Eu acompanho de perto as famílias, os professores,
as Cidades do Bem, interagindo com as pessoas e identificando como podemos ser melhores.
Atualmente, mais de 5 mil voluntários caminham com o lema "Se não posso fazer tudo o que
devo, devo, ao menos, fazer tudo o que posso".
A inovadora e visionária
Esta empreendedora foca na criação de produtos ou serviços. A inovação é mais importante para
empreendedores inovadores do que realmente possuir uma empresa. Este perfil tem uma
habilidade para aparecer com ideias novas ou fazer velhas ideias funcionarem melhor. No entanto,
isso também significa que podem precisar delegar mais e contratar profissionais qualificados para
cuidar das tarefas que não gosta de fazer. Enquanto você confia em seus instintos, você também
faz muita pesquisa. É provável que este profissional tenha o objetivo de criar um império dos
negócios, e buscará sempre anotar novas ideias num papel ou bloco de notas no computador,
smartphone, ou tablet.