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Quantos an gran coita d’amor Quantos o amor faz padecer

Quantos an gran coita d’amor Quantos o amor faz padecer


eno mundo, qual og’ eu ei, penas que tenho padecido
querrian morrer, eu o sei, querem morrer e não duvido
o averrian én sabor. que alegremente queiram morrer.
Mais mentr’ eu vos vir’, mia senhor, Porém enquanto vos puder ver,
sempre m’eu querria viver, vivendo assim eu quero estar
e atender e atender! e esperar, e esperar.

Pero já non posso guarir, Sei que a sofrer estou condenado


ca ja cegan os olhos meus e por vós cegam os olhos meus.
por vos, e non me val i Deus Não me acudis; nem vós, nem Deus
nen vos; mais por vos non mentir, Mas, se sabendo-me abandonado,
enquant’ eu vos, mia senhor, vir’, ver-vos, senhora, me for dado.
sempre m’eu querria viver, vivendo assim eu quero estar
e atender e atender! e esperar, e esperar.

E tenho que fazem mal sem Esses que veem tristemente


quantos d’amor coitados som desamparada sua paixão
de querer sa morte, se nom querendo morrer, loucos estão.
houverom nunca d’amor bem Minha fortuna não é diferente;
com’eu faç’. E, senhor, por en porém eu digo constantemente:
sempre m’eu querria viver, vivendo assim eu quero estar
e atender e atender. e esperar e esperar.

GUILHADE, João Garcia de. In: CORREIA,


Natália. Cantares dos trovadores galego-
portugueses.