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KOPNIN, P. V. A Dialética como Lógica e Teoria do Conhecimento.

Rio:
Civilização Brasileira, 1978.

Kopnin voltava seus interesses de estudo para os problemas atuais da dialética,


lógica e metodologia do conhecimento científico e metodologia da ciência.
" A lógica dialética não surge para substituir a lógica formal; ambas estudam o
processo de pensamento e conhecimento em aspectos diversos e posições diferentes."(p.
10).
A lógica formal é apenas uma parte integrante da lógica dialética.
" A concepção de mundo determina também o nosso método: com o mesmo
grau de precisão e profundidade com que a concepção de mundo reflete as leis objetivas
[...]"(p.15)

Introdução
Crescimento da importância da ciência. Muito do que é produzida por ela pode
ser convertida em detrimento da humanidade.
" [...] é necessário unir a revolução técnico-científica com a transformação do
mundo, segundo princípios socialistas [...]"(p.20)
ciência --> "[...] um sistema de conhecimento humano com objeto determinado e
método de conhecimento."(p.20)
O autor apresenta as peculiaridades que surgiram a partir da revolução nos dois
últimos séculos das ciências naturais.
. matematização e formalização do conhecimento e valorização da consciência
intuitiva
. Construção do conhecimento em cima do próprio conhecimento: metaciência e
metateorias
. desmembramento da análise do objeto em análises menores

Lógica: " [...] estudo da estrutura, dos meios de demonstração, do surgimento e


evolução científico."(p.21)
" A lógica não deve estudar algum pensamento correto, conhecido de antemão,
mas o movimento do conhecimento humano no sentido da verdade, desmembrando
deste formas e leis, em cuja observância o pensamento atinge a verdade objetiva."(p.21)
Lógica ficou muito conectada a passagem de um conhecimento para outro por
meio da dedução, porém a lógica é muito mais do que isso.
Neopositivismo --> " [...] um dos problemas centrais na lógica da ciência é a
questão da fundamentação empírica do conhecimento."(p.23)
" [...] o conhecimento sempre se apóia na experiência, mas ao mesmo tempo a
ciência real opera com princípios e leis distanciados da experiência."(p.23). Os
neopositivistas tentaram reduzir essas leis.
" A passagem do nível empírico ao teórico não é uma simples transferência de
conhecimento da linguagem cotidiana para a científica mas uma mudança de conteúdo e
forma do conhecimento."(p.24)
Filósofos burgueses percebendo a falência do positivismo tentaram superar o
positivismo criticando o caráter empírico de seu ponto de partida.
Se a lógica se coloca antes da ciência ela abre espaço para concepções do
intuitivismo.
As categorias filosóficas do materialismo histórico dialético "[...] podem servir
de base para uma atividade sintética do pensamento, dirigir-lhe o movimento não de
símbolo a símbolo, mas de um conceito a outro que apreende o objeto de modo mais
profundo e multilateral."(p.29)
Símbolo a símbolo --> deduções da lógica formal
"[...] o pensamento necessita sempre de algum apoio em seu movimento. E esse
apoio lógico é criado precisamente pela experiência antecedente do conhecimento, que é
a que se fixa nas categorias da dialética materialista."(p.29)
Conceitos criados e os dispositivos lógicos caminham juntamente com a
liberdade do pensamento apesar de limitá-los. Porém essa limitação é benéfica, pois isso
leva a resultados concretos resultados dos dispositivos lógicos e dos conceitos criados.--
> criação de novos conceitos científicos.
Lógica dialética --> "[...] seu próprio conteúdo elas determinam o movimento do
pensamento."(p.30)

Sistema científico atual --> experimento; dispositivo lógico e matemático


avançado.

Kant --> conhecimento --> " [...] resultado da síntese do espírito e da


observação."(p.32)
Ciência contemporânea --> " [... ] reconhece como fontes do conhecimento
apenas a percepção sensorial e os princípios analíticos da lógica."(p.32)

Positivistas lógicos --> reconhecem dois momentos do conhecimento --> " [...]
os princípios da dedução e as percepções sensoriais."(p.32)

Reichenbach --> " O processo de pensamento não passa de operações


analíticas"(p.33)
" A história da filosofia mostra que o método filosófico de cada época surge
como resultado da apreensão do quadro científico do mundo, criado para atender às
necessidades das ações teóricas e práticas do homem."(p.34)
" [...] a experiência conjunta do conhecimento e da atividade prática se constitui
na base em que a dialética cria as suas categorias."(p.34)
"[...] síntese gera novas ideias, à base das quais surge um novo enfoque dos
fenômenos da realidade."(p.34)
A síntese é resultado --> generalização de toda a experiência do conhecimento e
da reconstrução prática do mundo que realizam a síntese nas categorias.
Elaboração teórica dos resultados da física moderna.
Com o desenvolvimento científico moderno as categorias devem ser
remodeladas. "[...] mudar incessantemente o seu conteúdo, desenvolver-se."(p.36)
Filosofia naturalista empreendia a tentativa de construir um sistema fechado.
Muitas vezes tomava ilusões como verdades e era muito heterogênea.--> motivo de sua
própria destruição.

A filosofia naturalista funcionava por meio de um método lógico. Este método


alternava-se entre momentos tanto metafísicos ( que predominava) quanto dialéticos. O
método da filosofia naturalista era o silogismo aristotélico. Ela fracassou, pois o
desenvolvimento da ciência se tornou independente da filosofia naturalista. Seus
filósofos converteram o silogismo aristotélico nas regras gerais da metafísica.
" As categorias da dialética materialista diferem basicamente das construções da
filosofia naturalista; surgem como resultado da síntese do conhecimento oriundo de
diversos campos da cultura espiritual do homem."(p.41)
Quando busco uma metodologia para um trabalho cientifico --> lógica da ciência
--> À apreensão dos fundamentos lógicos, da organização e estrutura dos campos
isolados da ciência
" O fundamento filosófico da análise lógica do conhecimento científico moderno
é constituído pela dialética materialista, que se apresenta como lógica e teoria marxista
do conhecimento."(p.43).

I - A Concepção Marxista-Lenista da Dialética como Lógica e Teoria do


Conhecimento

1. Coincidência entre Dialética, lógica e teoria do conhecimento.

Herança filosófica lenista --> "[...] desenvolvimento da ideia da identidade entre


a dialética, a lógica e a teoria do conhecimento."(p.45) --> caráter universal
Porque é universal ?
No capital, Marx parte da análise do embrião central da sociedade capitalista, a
troca de mercadorias, a relação mais básica e fundamental. A partir daí revela as
contradições ( embriões). Vai desvelando o seu método até o fim.
dialética --> " [...] dialética materialista como ciência, 'das leis gerais do
movimento tanto do mundo exterior como do pensamento humano'"(p.47)
Erro de Kant foi ter realizado uma " [...] redução da teoria do conhecimento ao
simples estudo das formas da atividade subjetiva do homem."(p.48) --> kantismo --> "
[...] isolada do estudo das leis e formas do próprio ser [...]"(p.48) --> critica as
faculdades cognitivas do homem.
Hegel --> unificação entre a lógica e a doutrina do ser --> identidade nas leis do
ser e leis do pensamento --> elas são reflexos do mundo objetivo --> identidade era
idealista --> " Para ele, as leis do pensamento são, simultaneamente, as leis da realidade
objetiva, porquanto o pensamento é a base de tudo e todo o processo de
desenvolvimento não é mais que a apreensão do pensamento por si mesmo, isto é, o
autoconhecimento."(p.49) --> pensamento é a realidade

" A medida que o conceito é a própria realidade, a lógica em Hegel engloba


tudo; em lógica se converte toda a filosofia."(p.50).
Leis do mundo objetivo são as mesmas leis do pensamento --> mas elas
acontecem em outro plano --> das ideias
prática-sensorial é o ponto de partida de " todas as faculdades intelectuais"
Princípio do reflexo --> relação das leis do mundo objetivo e do pensamento
O marxismo relaciona sujeito e objeto. A dialética subjetiva é o mesmo
movimento objetivo, porém em um plano diferente.
" Na atividade prática dos homens verifica-se a coincidência mais plena de
sujeito e objeto, a atividade humana se processa e é dirigida por leis objetivas."(p.51)
" A evolução do nosso pensamento é apenas o reflexo da dialética objetiva, as
leis do pensamento são o reflexo das leis da natureza."(p.51)
" A compreensão da dialética do processo de reflexo permite conhecer mais a
fundo a unidade entre as leis do pensamento e as leis do ser."(p.52)
Marxismo --> olha para a natureza --> " [...] base mais essencial e próxima do
pensamento humano é a mudança da natureza pelo homem: a prática."(p.52) --> é nela
que acontece a coincidência entre as leis do ser e as leis do pensamento --> é a base para
coincidência da dialética, lógica e teoria do conhecimento. --> a dialética é lógica e
teoria do conhecimento. --> por meio da dialética eu revelo novas leis e novos processos
e novas relações.
A dialética entre onde nisso ? " Enquanto lógica, a dialética materialista se
distingue de qualquer outra ciência pelo fato de tomar como base o conhecimento das
leis de desenvolvimento de qualquer objeto, do objeto em geral, e criar um método
universal de movimento do pensamento no sentido da verdade [...]"(p.54) --> a ciência
no geral " [...] concretiza e aplica essa lógica ao conhecimento do seu objeto
específico."(p.54)

2. Separação da Ontologia, Gnosiologia, Lógica e Antropologia Filosófica na


Dialética Marxista
A dialética materialista entende a metafísica como um método do conhecimento
muito ligado a ciência do século XVII e XVIII. " A especificidade do método é
absolutização de aspectos isolados do mundo objetivo."(p.56). É importante destacar
que a dialética materialista não exclui a metafísica, porém conserva seus momentos
positivos.
" Entende-se por metafísica a parte da filosofia que se dedica à elaboração dos
princípios, dos conceitos gerais aplicáveis ao ser."(p.56)
Vários sentidos da metafísica. O neotomismo em que se encaixa a metafísica
geral --> " [...] redução dos princípios aplicados a todo o existente: a Deus e ao mundo
criado [...]"(p.56) e ao particular " [...] estende-se somente ao mundo criado [...]"(p.56)
além dos existencialistas --> "[...] só se pode saber o que é o mundo, o que é a realidade
quando se sabe o que é o homem [..."(p.56). O positivismo se coloca contra a metafísica
e admite sua existência somente no âmbito religioso.
"[...] o materialismo histórico dialético não concebe a apreensão das leis da
realidade fora da generalização dos resultados dos diversos campos da ciência."(p.58)
O problema nos neotomistas e dos existencialistas é que eles deixaram a ciência
marginalizada ao não considerá-la, buscando essências...Historicamente a filosofia do
ser se distancia de todo o resto ao se afastar do pensamento.
"[...] a matéria é uma realidade objetiva que existe por si só, independentemente
da consciência e nisto está a sua definição primeira, essencial, sem a qual é impossível
avançar na doutrina da matéria."(p.60)
" A matéria não é uma essência material jacente na base de todas as coisas; é
todos os fenômenos, coisas e processos que existem fora e independentemente da
consciência do homem. Fora da relação do ser com o pensamento, o conceito de matéria
carece de sentido."(p.60)
" [...] ser e consciência se contrapõe e, consequentemente defini-se o conceito
filosófico de ser."(p.60)
Pensamento e ser --> base das categorias filosóficas do materialismo--> todas as
categorias são ao mesmo tempo ontológicos como gnosiológicas
" [...] o materialismo dialético reúne duas filosofias diferentes: a metafísica e a
lógica.Na realidade, porém, o materialismo é irredutível a qualquer das duas
separadamente ou à soma delas."(p.61)
" O materialismo dialético aborda o ser e suas formas partindo das necessidades
da atividade transformadora do homem".(p.61)
" Em sua atividade prática, o homem parte do mundo objetivo, que é o seu
objeto."(p.62).
" [...] a filosofia marxista tem como objeto o estudo das leis do desenvolvimento
da sociedade."(p.63)
" A compreensão das leis do desenvolvimento da sociedade é indispensável para
a fundamentação da tese sobre a consciência enquanto propriedade da matéria e produto
do desenvolvimento social, sobre a prática como fundamento e critério da verdade
[...]"(p.64)
3. Dialética e Lógica Formal: Duas Diferentes Ciências do Pensamento
Em Engels a filosofia é substituída pelos ciência positiva da natureza e da
história , a filosofia inclusive se torna uma ciência isolada.
A filosofia marxista deve ter um caminho próprio, revelar-se --> " É nessas
ciências reais que ela se manifesta enquanto método, enquanto lógica da evolução do
conhecimento no sentido de novos resultados objetivos verdadeiros."(p.68)

" A lógica surgiu e se desenvolveu como análise do pensamento cognitivo, sua


estrutura e as leis do seu funcionamento."(p.68)

Aristóteles foi o precursor da análise lógica revelando características mesmo não


usando o termo diretamente. Foram os estoicos que realizaram o seu acabamento a
partir da lógica dos enunciados completando assim a silogística aristotélica. Essa foi a
herança herdada na idade média.

" [...] na Idade Moderna o centro da atenção já é ocupado por outro aspecto da
lógica de Aristóteles: o processo do movimento do pensamento no sentido de um novo
conhecimento."(p.69). Era necessário a criação de uma lógica nova, pois o silogismo
aristotélico passou a ser duramente criticado. Bacon, por exemplo utilizou a indução e a
valorização da experiência. " Ele converte o empírico na premissa e principal da
dedução. O sensualismo materialista serve de base teórico-cognitiva à sua lógica."(p.70)
--> marcas da metafísica

Descartes --> " Ele construiu o seu método partindo do reconhecimento do papel
decisivo da intuição e da dedução. A experiência e a indução desempenham papel
apenas secundário."(p.71)

Lógica Clássica --> determinadas leis --> identidade, a inadmissibilidade da


contradição lógica, do terceiro excluído e do fundamento suficiente

" [...] a lógica formal foi, desde os seus primórdios, um campo de intensa luta
entre materialismo e idealismo."(p.73) --> lógica clássica confere valor a forma e não ao
que seus procedimentos significam.
" O conteúdo formal é extremamente amplo, reflete as propriedades e relações
mais gerais, inerentes a todos os fenômenos do mundo material e por isso se encontram
fora da dependência do conteúdo concreto dos juízos."p.(73)

Distinção entre a lógica formal e a dialética --> é a ciência que expõe


minuciosamente e demonstra rigorosamente apenas as regras formais de todo o
pensamento. --> citação de kant

Kant com seu apriorismo e formalismo lógico separou completamente o


conteúdo material e pensamento. O pensamento é feito de formas puras independentes
dos fenômenos. ---> iniciou o formalismo lógico --> necessidade de criar uma nova
lógica.

A lógica formal no século XIX se desmembrou em lógica matemática, algo


inevitável os enunciados lógicos tornaram-se matemáticos. Com o desenvolvimento da
lógica matemática criou-se a lógica matemática simbólica quando se passou a utilizar a
lógica formal na resolução dos problemas --> " Esse método consiste na transformação
do conhecimento num modelo ideal construído sobre os princípios do cálculo formal,
numa linguagem artificialmente criada."(p.76). Houve uma nítida e clara evolução.

A lógica tem como objeto a linguagem e não o pensamento."Para ser assimilada


e reconhecida, toda verdade científica deve ser materializada numa forma exterior
inteligível para cada um."(p.78) " A lógica formal contemporânea, por conseguinte, dá
enorme atenção à precisão da linguagem."(p.78), mas o pensamento sempre está ligado
a lógica, ao fazer determinada operação lógica estamos também operacionalizando o
pensamento. A lógica formal só encontra espaço para se desenvolver dentro da lógica
matemática. A lógica matemática meio que venceu a lógica formal, pois resolveu todos
os seus problemas além de atingir um elevado nível de precisão.

" A lógica formal estuda apenas um aspecto especial do pensamento e por isso
não pode pretender a condição de método universal de conhecimento."(p.80). A lógica
formal é palco de luta entre o materialismo e o idealismo.

" [...] a dialética visa ainda criar e aperfeiçoar um dispositivo para o pensamento
teórico-científico que conduza a verdade objetiva."(p.81)
" As formas e leis do pensamento que a dialética como lógica estuda não são
mais que formar e leis do movimento do mundo material, incorporado ao processo
conjunto de trabalho e inserido no campo da atividade humana."(p.81). A atividade
humana diferentemente dos outros animais a qual está atrelada a sua condição biológica.
O homem social é " [...] capaz de transformar qualquer objeto da natureza objeto e
condição de sua atividade vital."(p.81)

Leis ontológicas são absorvidas inconscientemente

Leis lógicas --> se relacionam --> com a atuação consciente de acordo com essas
leis.

Não sei se posso dizer isso, mas uma age mais passivamente enquanto a outra
mais ativamento.

" As leis e formas do pensamento, sistematizadas pela lógica, são apenas leis e
formas do mundo que o homem aprende, da natureza e da sociedade, formas e leis do
mundo representado e representável na consciência."(p.82).

Lênin --> exigências básicas da lógica dialética: conhecer o objeto é necessário


estudar todas os seus aspectos e mediações

- Objeto precisa ser tomado em seu desenvolvimento, automovimento

- prática humana é o critério da verdade ou um determinante prático da relação


entre o objeto e aquilo que o homem necessita

- verdade é sempre concreta e nunca abstrata

Dialética é um organon --> " meio e método" --> " [...] de transformação do
conhecimento real por meio da análise crítica do material conceitual [...]"(p.83)

" [...] a demonstração de uma teoria se apresenta ao mesmo tempo com seu
desenvolvimento, complemento e concretização."(p.83)
" O processo de demonstração não tem qualquer outro objetivo senão o do
estabelecimento da verdade objetiva e, ao contrário, o conhecimento desta compreende
tanto o movimento quanto a demonstração."(p.83).

O automovimento do objeto é a sua próprio demonstração. É o caminho e ao


mesmo tempo a própria demonstração. Super importante neste processo a prática. A
união entre a teoria e a prática " [...] é a mais importante tese metodológica na filosofia
marxista [...]”(p.84)

Lenin --> a dialética das coisas cria a dialética das ideias e não ao contrario

" Para o marxismo, o lógico ( movimento do pensamento) é o reflexo do


histórico ( movimento dos fenômenos da realidade objetiva)."(p.84)

"[...] o desenvolvimento dos juízos, conceitos, deduções, teorias científicas e


hipóteses não é senão um processo de ascensão do abstrato ao concreto."(p.85)

Lógica dialética --> analisa as estruturas da forma do pensamento --> relação


entre --> singular, particular e universal ( interrelação) --> reflexo do mundo objetivo..

A lógica dialética não apenas recai na linguagem."[...] ela procura penetrar no


próprio no próprio processo de aquisição do conhecimento, no próprio processo de
pensamento, no modo em que nele se reflete a realidade objetiva."(p.85)

" [...] a lógica dialética se apresenta como ciência da verdade, do processo de


coincidência do conteúdo do conhecimento com o objeto, ciência das categorias à base
das quais o pensamento coincide, coaduna-se com a realidade material."(p.86)

categorias filosóficas --> coincidência entre o pensamento e a realidade

Dialética e lógica formal não se excluem ou se negam. " No pensamento teórico-


científico, a dialética e a lógica abordam aspectos diferentes."(p.88)

" Por lógica tradicional eles subentendem, em essência, a silogística aristotélica,


acrescida da doutrina da indução e de questões da dialética que se referem aos
problemas da essência dos conceitos, da sua formação e de algumas premissas teórico-
cognitivas."(p.90)
II - Dialética : Método do Pensamento Teórico-Científico

" Todo método compreende o conhecimento das leis objetivas."(p.91)

Os recursos que surgem ao longo da pesquisa dos fenômenos são os aspectos


subjetivos --> surgem sempre com base nas leis objetivas.

" Do aspecto externo, todo método científico atua sob forma de aplicação de
certo sistema racional a diversos objetos no processo da atividade teórica e prática do
sujeito."(p.92)

" [...] um conjunto de meios e ações exercidas sobre o objeto estudado"(p.92)

Colocado desta maneira parece que o método é uma espécie de contraposição ao


objeto ou de forma distante.

O método é o reflexo do mundo objetivo --> regularidade do pensamento -->


espelhamento da consciência

" No método do conhecimento, a lei objetiva se converte em regra de ação do


sujeito."(p.92)

Categoria
da precisão --> categoria que expressa as relações lógico formais além da
relações existentes em um espectro mais amplos das ideias com a atividade prática.

" A veracidade se revela imediatamente por meio da comparação do conteúdo do


pensamento com o objeto, estabelecendo-se entre eles uma identidade, enquanto que a
precisão se revela por meio da comparação da ação ( teórico ou prática) com a situação (
regra, procedimento) [...]"(p.93)

Acontece no método científico a transição entre a precisão e a veracidade.


Tanto a precisão quanto a veracidade --> " [...] trata-se da orientação da
atividade do sujeito, voltada para a obtenção de resultados científicos."(p.94).--> seja a
veracidade ou precisão / todos eles se respaldam nas leis objetivas.
" O método são regras de ação, padronizadas e unívocas; não havendo padrão
nem univalência, então não há regra [...]"(p.94)
" [...] o método de conhecimento implica sempre dois aspectos organicamente
relacionados: um objetivo e um subjetivo, sendo que, no método, o primeiro deve
converter-se no segundo."(p.95) --> conversão da veracidade em precisão ( gnosiologia)
" A unidade entre o sistema e o método tem caráter dialético."(p.95)
" O sistema é mais conservador, procura manter-se e aperfeiçoar-se. O método é
por natureza mais móvel, volta-se ao incremento do conhecimento e a criação de um
novo sistema."(p.95). O sistema é sempre mais rico que o método, mas o método é
capaz de ultrapassar o sistema e produzir um conhecimento novo.
Todo método é baseado em um sistema verdadeiro. O autor coloca a questão do
método filosófico e aponta a dialética que ao capturar momentos do movimento dos
fenômenos da realidade objetiva acabou criando métodos em cima deles. A metafísica
também é um reflexo das leis objetivas e se configura com vários métodos, porém ela se
absolutiza tem pretensões universais.
Distinção de método e metodologia "[...] a dialética não se volta contra qualquer
forma de metafísica enquanto método de conhecimento aplicável em certos limites mas
contra a metodologia que procura omitir esses limites e convertê-lo em método
filosófico da ciência moderna."(p.96)
2. As Inter-relações do Método Filosófico com os métodos especiais de
conhecimento
Métodos filosóficos e métodos especiais --> baseados em sistemas teóricos -->
conceitos e leis
" O conhecimento filosófico tem o seu objeto, as categorias que o refletem, e
consequentemente o seu método."(p.97). Uma dos objetivos exigidos da filosofia é a
universalidade,porém não há método que se coloque como universal. A universalidade
só pode ser atingida.
"[...] esta se estabelece na prática do conhecimento científico e depende do nível
em que este se encontre."(p.97). A metafísica em determinado estágio de evolução do
conhecimento científico foi tomada como universal. Especialmente pela sua
característica como desintegração da natureza e fragmentação da realidade em que cada
parte era considerada como um aspecto isolado. Esse isolamento obteve grandes
resultados. O problema é que este tipo de método nos deixou incapaz de reconhecer o
todo assim como o seu movimento. Observamos assim objetos e fenômenos de maneira
isolada e imóveis.
Dialética materialista --> "O importante para o método filosófico não é o fato de
aplicar-se em toda a parte mas o fato de ele tentar descobrir as leis da evolução do
conhecimento humano no sentido da verdade."(p.98)
" A dialética marxista não serve a si mesma nem é necessária à sua
autojustificação; ela é um método de aquisição da verdade objetiva e está subordinada à
tarefa de representar as leis da natureza e da vida social tais quais elas existem na
realidade."(p.99). A própria dialética muda com o processo de aquisição do
conhecimento e evolução da ciência.
Filosofia burguesa o método filosófico se resume à " [...] indução, dedução e
verificação da teoria no experimento.A indução conduz à construção teórica, a dedução
permite conseguir o efeito da teoria e o experimento verifica esses efeitos."(p.99)
" As leis da dialética materialista explicam o conhecimento como sendo um
processo em desenvolvimento, que incorpora necessariamente saltos, interrupções do
processo de graduação, a aquisição de resultados basicamente novos à base da solução
das contradições que surgem entre sujeito e objeto."(p.100)
" O método filosófico surge como a generalização de todos os outros
métodos."(p.100)--> levam em conta os resultados dos métodos especiais, porém a
dialética não é apenas uma soma dos métodos especiais ou mesmo apenas um reflexo.
" Cada método especial é original, não sendo nenhuma modificação 'pequena',
'medíocre ' da dialética."(p.101)
" As principais intenções dos filósofos dos séculos XVII-XVIII eram a procura
de um novo método cuja aplicação permitisse atingir o domínio sobre a natureza; fazer
descobertas científicas [...]"(p.101)
Descartes--> filosofia prática-->soberanos da natureza.
A partir do século XVII a filosofia percebeu que sem o método nada mais
poderia ser feito, ele adquiriu uma categoria central na filosofia. As ciências da natureza
saíram na frente e acabou servindo de exemplo para o próprio método filosófico. Bacon
por exemplo usou as ciências naturais na elaboração do seu método. Parte da base
materialista e ascende até o sujeito pela indução " produção de axiomas a partir da
experiência"(p.102)
Galileu e Descartes foram por outro caminho
" O traço característico de Galileu é a combinação da experiência (observação e
experimento) com uma precisa análise matemática e com a expressão quantitativa dos
resultados obtidos no experimento."(p.102).
Descartes diferente de Bacon coloca a dedução em primeiro plano
" [...] o filósofo racionalista não tomava como base sólida a experiência e a
indução, mas a intuição racional e a dedução."(p.102)
Os idealistas clássicos alemães ao invés de usar este método de extração de
método de outras áreas para aplicar na filosofia se diferenciavam pelo fato de
considerarem que "[...] a tarefa da filosofia é extrair da análise do próprio pensamento
(sob forma concreta geral) os caminhos do movimento no sentido da verdade."(p.103)
3. Leis e Categorias: conteúdo do método dialético marxista
Leis Básicas da dialética materialista: 1) Lei da unidade e luta dos contrários -->
ocupa uma posição especial
2) Lei da transformação das mudanças quantitativas em qualitativas
3) Lei da negação da negação
Essas leis " [...] revelam a fonte de desenvolvimento do mundo objetivo e do
pensamento humano [...] " (p.104). Existem aquelas que se convencionou-se chamar de
leis não-básicas.
Lênin --> definição da dialética como unidade dos contrários.
" [...] categorias são termos mais gerais."(p.105)
" [...] as categorias são reduções nas quais se abrange, em consonância com as
propriedades gerais, a multiplicidade de diversos objetivos, fenômenos e processos
sensorialmente perceptíveis."(p.105) --> isso poderia levar uma confusão, pois outras
ciências como a matemática e a física possuem categorias muito amplas.
" No seu conjunto, as categorias do materialismo dialético refletem as
leis mais gerais do desenvolvimento do mundo objetivo."(p.106). As categorias são
reflexo do mundo objetivo.(p.107)
" As categorias filosóficas têm conteúdo lógico por serem formas de pensamento
[...]"(p.107)
" O processo de abstração não é um esvaziamento do conteúdo do conceito mas,
ao contrário, um aprofundamento do nosso conhecimento na essência dos fenômenos.
Sob a forma de categorias refletem-se as leis mais gerais e importantes dos fenômenos
do mundo."(p.107).
" O universal implica a riqueza do singular e do particular no sentido de que,
apreendendo as leis, ele está refletindo, nessa ou naquela medida, todos os casos
particulares de manifestação do singular."(p.108). A dedução parte do universal para
então chegar no singular. Sem o universal não haveria o singular. " [...] o próprio
universal é um degrau do conhecimento do singular, caso abranja o essencial e o
necessário."(p.108).
4. Desenvolvimento do conhecimento como Mudança do Conteúdo das
categorias e seu sistema.
" Atribui-se a dialética materialista e às suas categorias a função de método do
conhecimento científico."(p.109). As categorias precisam sempre estar atualizadas com
o conhecimento científico moderno.
" Um sistema teórico se constrói com base numa determinada estruturas de
categorias filosóficas."(p.108)
" [...] as categorias da dialética devem sempre combinar em si a objetividade
possível no nível contemporâneo da ciência com uma clareza igualmente elevada de
objetivo na transformação do mundo para o bem da humanidade."(p.109)
" As categorias do materialismo dialético são ricas de conteúdo, nelas está
generalizada, sintetizada, a experiência anterior do conhecimento do mundo."(p.109).
As categorias são enriquecidas conforme o conhecimento científico da época. Nesse
processo gera uma contradição entre o conhecimento teórico e a assimilação nas
categorias filosóficas do conhecimento.
Inicialmente as categorias filosóficas abrangiam tudo, era consideradas a
ciências da ciências. Tinha importância primária e fundamental. Com o
desenvolvimento a filosofia se viu diante de novas tarefas.
" As leis da dialética materialista só se manifestam em suas categorias."(p.108)
" Estudar as categorias da dialética implica antes de tudo em esclarecer que leis
do mundo objetivo elas refletem, e é esse conteúdo objetivo que define a importância
metodológica, gnosiológica e lógica daquelas categorias."(p.108)
4. Desenvolvimento do Conhecimento como Mudança do Conteúdo das
Categorias e seu Sistema.
" Atribui-se à dialética materialista e às suas categorias a função de método do
conhecimento científico. A dialética marxista visa a orientar o pensamento humano no
sentido da procura de novos resultados, da criação de teorias que descubram os
mistérios da natureza e da sociedade."(p.109)
" [...] aplicação consciente da dialética leva realmente do desconhecido ao
conhecido, a construções teóricas de objetos novos, antes pouco ou inteiramente não-
estudados."(p.113).
Ascender uma descoberta científica ou um sistema científico a condição de
categoria leva ao positivismo.
" Antes de construir um sistema de categorias, é preciso definir rigorosamente
aqueles princípios que devem ser tomados como base desse sistema."(p.116) -->
coincidência entra a dialética, lógica e teoria do conhecimento.
Unidade entre o lógico e o histórico --> importante princípio metodológico de
construção do sistema da filosofia, do sistema de suas categorias.
"A aplicação desse princípio ao estudo das categorias e à construção do sistema
destas significa que o desenvolvimento e a sucessão de categorias devem refletir, em
forma sucinta e generalizada, toda a história da sua formação e evolução."(p.117)
Lênin --> A princípio vislumbram-se impressões, em seguida distingue-se algo,
depois se desenvolvem os conceitos de qualidade...(definição da coisa ou fenômeno) e
quantidade. A seguir o estudo e a reflexão encaminham o pensamento para o
conhecimento da identidade - diferença - fundamento - essência versus fenômeno -
causalidade, etc"
" Existe apenas uma saída: na construção do sistema de categorias do
materialismo dialético, tomar por base o processo de desenvolvimento e conhecimento
do simples ao complexo, do abstrato ao concreto."(p.119)
" Para a dialética, o importante está no conhecimento - conteúdo objetivo; o
processo de desenvolvimento do conhecimento não implica na substituição de
concepções puramente subjetivas mas em mudança no campo do conteúdo objetivo da
imagem cognitiva."(p.119)

III - O Pensamento: Objeto da Lógica Dialética

1 - O Movimento como Reflexo Subjetivo e Objetivo.

" Uma das definições mais gerais e primeiras do pensamento é esta: o


pensamento é o reflexo da realidade sob a forma de abstrações. O pensamento é um
modo de conhecimento da realidade objetiva pelo homem."(p.121)
O que é o conhecimento? --> sinal condicionado ou reflexo? --> parte da noção
do reflexo é criticada, porém " [...] o conhecimento não segue servilmente o objeto mas
o reflete de modo criativo."(p.122).
" O conhecimento não só se opõe como coincide com o objeto, porquanto o
reproduz."(p.122). Nas ideias refletem as leis objetivas.
" [...] o reflexo enquanto atividade orientada a um fim compreende a apreensão
do objeto não só como ele existe em dado período mas em todas as suas
potencialidades, em todas as possíveis formas de mudanças por meio da atividade
prática do homem."(p.123)
" A dialética materialista não pode omitir que o próprio conhecimento é um
meio espiritual, humano de assimilação da realidade e tem por natureza caráter
histórico-social."(p.123).
" Os adversários da teoria marxista do reflexo entendem o reflexo como uma
correspondência do juízo ao objeto, como uma consonância entre a estrutura do juízo (
ou da teoria) e a estrutura da respectiva coisa ou processo na realidade."(p.124)
Teoria Marxista --> " O reflexo é o resultado da atividade subjetiva que parte da
fonte objetiva e conduz à imagem cognitiva, superando por conteúdo qualquer objeto ou
processo tomado separadamente."(p.124)
" A prática verdadeira que serve de base à atividade criadora do homem,
necessita do pensamento que é objetivo por conteúdo, ou seja, tem objetivo definido,
reflete de modo ativamente criador os objetos e processos da realidade objetiva."(p.125)
" O paradoxo consiste em que a objetividade autêntica do objeto é captada
mediante a crescente atividade do sujeito, seus meios, aspirações, fins, planos e
métodos."(p.125).
" O conhecimento está necessariamente incluído no campo da atividade prática
do homem, mas para garantir o êxito dessa atividade ele deve relacionar-se
necessariamente com a realidade objetiva que existe fora do homem e serve de objeto a
essa atividade."(p.125)
" O conhecimento só pode ser ativo, um reflexo da realidade objetiva
praticamente dirigido."(p.126)
O marxismo coloca um novo conteúdo. A prática sensorial do homem.
" Enquanto reflexo,o pensamento não é uma cópia do objeto em certas formas
materiais, não é a criação do objeto-duplo mas uma forma de atividade humana
determinada pelas propriedades e leis do objeto tomadas em seu
desenvolvimento."(p.126).
" Essa unificação consiste em que, do pensamento, resulta a criação de uma
imagem subjetiva do mundo objetivo."(p.126). O pensamento unifica o homem e a
natureza. " No pensamento sempre operamos com a imagem ideal do objeto e não com
o próprio objeto."(p.127). A forma de representação deste objeto é variável --> " [...]
depende do sujeito, da posição do homem na sociedade."(p.127)
2. A natureza social do pensamento: o material e o ideal,o físico e o psíquico
Marx e Engels em ideologia alemã mostram que houve uma separação entre o
pensamento e o material. O pensamento adquire relativa autonomia com isso
desenvolve-se questões não necessariamente relacionadas com problemas materiais
como a moral.
" Mas é relativa a autonomia, a independência do pensamento como atividade
intelectual, em face da atitude prática do homem ante o mundo objetivo; em qualquer
caso, o pensamento nada mais é senão a consciência do ser; seja como for, o mundo
objetivo é o conteúdo do pensamento."(p.128).
Essa separação pode ser o motivo que muitas vezes descola o pensamento de sua
prática social. Essa separação também é grave, porém mostra o " [...] o caráter criador
do pensamento, condicionando-o."(p.129).
" A força principal que dirige a evolução do pensamento é em última
instância a prática, mas só em última instância."(p.129)
" [...] o desenvolvimento de uma teoria incorpora não só o movimento dentro de
conceitos anteriormente atingidos como também a superação dos limites destes, a
formação de construções teóricas novas por princípio, baseadas na nova experiência do
conhecimento e da prática."(p.129).
Pensamento assume um caráter categorial.
" A imagem cognitiva e o objeto nela refletido constituem a unidade dos
contrários. São únicos, pois a imagem é a cópia do objeto, sua fotografia, mas são
também opostos, pois um atua em relação ao outro como o ideal em relação ao
material."(p.130)
" Por mais diverso que seja o conteúdo da ideia sobre o objeto em diferentes
pessoas, esse conteúdo é a imagem ideal do objeto materialmente existente."(p.131)
" O pensamento não cria o seu objeto material ou ideal, a coisa; cria uma
imagem do objeto material."(p.131)
" [...] o ideal não existe fora da atividade material do homem, podendo ser
desmembrado apenas como forma dessa atividade."(p.132)
" A matéria, como é sabido, possui muitas propriedades diversas, pois suas
formas e aspectos são multifacéticos."(p.133)
" O homem entra em interação com o objeto do mundo exterior; nesta interação
manifesta-se as propriedades do seu cérebro - o pensamento, que consiste na capacidade
do cérebro de criar o ideal, a imagem, de refletir de maneira especial as propriedades
dos objetos do mundo exterior."(p.133). O autor coloca o pensamento em uma posição
especial, pois ele " enquanto propriedade da matéria", consegue refletir, reproduzir a
realidade exterior.
Materialismo vulgar --> percebe o pensamento como propriedade da matéria.

3. A Importância do Chamado Pensamento Automático


A cibernética, a máquina é uma " faculdade puramente humana."(p.135)
" A máquina não pode criar uma imagem ideal da realidade por meio de
abstrações; esta é uma função exclusiva do cérebro humano, pois onde não há criação
da imagem ideal da realidade por meio de abstrações não há pensamento na forma mais
rudimentar."(p.135) --> a questão que se coloca é como a máquina ajuda o ser humano a
pensar.
" O pensamento surge como resultado da ação do objeto sobre o sujeito, o
homem."(p.135).
Cibernética --> " Não é a simples cópia ou imitação da natureza mas a criação
do novo, inexistente na natureza mas indispensável para a vida social, que constitui a
via magistral de desenvolvimento da produção e do conhecimento humano."(p.137)
" A máquina não opera as imagens ideais dos objetos; lida apenas com uma
variedade de sinais sensoriais e opera somente com o conteúdo material destes; o
sistema de sinais determinados é o resultado da ação da máquina."(p.138)
" A máquina é instrumento do homem e de seu pensamento ajuda-lhe a pensar,
liberta-o de uma série de operações que ele mesmo produziu no processo de
pensamento."(p.139)
4. O Racional e o Não-Racional, o Racional e o Judicativo, o Intuitivo e o
Discursivo.
" [...] nós criamos a nossa natureza humanizada."(p.140)
" [...] o homem insere no mundo a sua razão, porém apenas sob a forma de
reflexo da natureza e da ação prática que materializa o racional, reflexo esse que é
voltado para um objetivo e dirigido."(p.140)
" O racional tem caráter histórico, desenvolve-se junto com a prática humana e
mostra o grau do domínio do homem sobre os fenômenos da realidade objetiva, da
capacidade do homem para dirigir-lhe os processos."(p.140)
Questão do racional se revela no momento em que o homem estabelece a
comparação entre "[...] os produtos de sua atividade com as necessidades socialmente
significativas e define em que medida esses produtos levam à realização dos seus
objetivos."(p.141). " O não-racional se opõe ao racional como algo que não satisfaz o
homem nem reconhece para este forma racionais."(p.141). Para o marxismo o racional é
aquilo que reside no pensamento ( reflexo do material ), cuja ação prática produz sobre
o mesmo meio material algo útil ao homem, finalidade, objetivo.
" O racional e o não-racional são momento de um único processo de
desenvolvimento da prática e do conhecimento do homem."(p.141).
" Supera-se o não-racional à medida do desenvolvimento da humanidade e seu
pensamento."(p.141).
" No pensamento, o próprio racional existe em duas formas: o racional e o
razoável."(p.142).
Racional --> " [...] operação com conceitos e o estudo da própria natureza
destes."(p.142) --> racional se manifesta como autoconhecimento.
" Para apreender com mais plenitude e profundidade o objeto, o sujeito deve
interpretar os seus meios e métodos de conhecimento."(p.142)
Grau de conhecimento racional --> determinado pelo grau de penetração nas
essências --> "[...] estudar a natureza dos próprios conceitos."(p.142).
" A função criativa da razão era enfatizada e hipertrofiada com empenho
especial pelo idealismo, que a transformava em criador da realidade."(p.143)
" Em realidade, o homem muda o mundo com sua ação prática, enquanto a razão
dirige essa ação com o seu reflexo do objeto ativo e voltado para um fim."(p.143)
" O reflexo criativamente ativo pressupõe forçosamente a síntese do
conhecimento."(p.143)
" A razão pode ser definida como forma superior de conhecimento teórico da
realidade."(p.143)
" A função principal do juízo é desmembrar e avaliar."(p.143)
" [...] o pensamento deve ser simultaneamente judicativo e racional."(p.143)
"[...] juízo dá ao pensamento sistematicidade e rigorosidade."(p.143)
" A transição de um sistema de conhecimento a outro se realiza por meio da
razão, que cria novas ideias que ultrapassam os limites dos sistemas anteriores."(p.144)
" Sem a razão não haveria progresso, evolução do conhecimento científico, o
movimento existiria apenas dentro de alguns sistemas anteriormente criados e estes não
poderiam surgir sem ela."(p.144).
" A inter-relação entre o juízo e a razão no desenvolvimento do pensamento
teórico se manifesta ainda em que o pensamento judicativo deve necessariamente
converter-se em racional, culminar neste, ao passo que este, ao atingir certo grau de
maturidade, torna-se judicativo."(p.145)
O algoritmo por exemplo é a formalização da razão na forma judicativa.
" Em cada campo do conhecimento científico somos testemunhas do lançamento
de novas ideias, que subvertem os velhos sistemas de conhecimento acabados. Verifica-
se, concomitantemente, um processo de formalização do conhecimento, que chega à
criação de algoritmos."(p.146) --> " A alta razão se coaduna com o mais perfeito
juízo."(p.146).
" [...] a premissa necessária para o desenvolvimento do juízo é constituída
justamente --> pela elevada razão humana, sem a qual é impossível a criação de novos
sistemas formais."(p.146) --> isso não limita a razão humana, mas a amplia o
conhecimento teórico para rumos cada vez mais novos.
" O juízo e a razão são dois momentos indispensáveis na atividade do
pensamento teórico."(p.146). Qual o papel da intuição no processo, materialmente
falando.
" [...] é dialética também a transição de uma ideia a outra, de uma construção
teórica a outra."(p.148).
" Já a dialética materialista parte de que os saltos aqui abordados são saltos no
movimento do próprio pensamento, em sua transição dos dados da experiência às teses
teóricas, de uma teoria a outra."(p.148).
" As necessidades da interação prática do sujeito com o objeto levam o
pensamento teórico a ultrapassar os limites daquilo que é dado na experiência
antecedente do conhecimento."(p.149).
" Ao desenvolver-se, o pensamento procura libertar-se dos elementos intuitivos,
fundamentá-los logicamente e deduzi-los, mas a destruição do intuitivo em um caso
leva a deduzi-lo em outro."(p.149)
" A razão não é geralmente contra toda a discursividade, é contra apenas a
absolutização de um sistema qualquer de conhecimento."(p.149).
A intuição só pode ser entendida depois de desenvolvida dentro de uma
discursividade e sistema teórico que lhe serve de base, pois senão se torna mistificada.

5. Pensamento e Experiência: o sensorial e o racional, o empírico e o teórico, o


abstrato e o concreto.
O pensamento carrega em si e surge com o sensorial - concreto. Porém também
carrega " [...] o momento contrário sensorial."(p.150)
" A unidade do racional com o não-racional no pensamento atua antes de tudo
como inter-relação entre o racional e sensorial."(p.150)
Sensorial --> não-racional --> é independente do pensamento/não envolve o
pensamento.
" O sensorial e o racional não são dois degraus do conhecimento mas dois
momentos que o penetram em todas as formas e em todas as etapas de
desenvolvimento."(p.150)
" Não podemos imaginar o conhecimento do homem sem a linguagem, pois a
linguagem consubstancia nas palavras os resultados do pensamento."(p.150).
" As sensações e percepções do homem constituem o fundamento de todos os
nossos conhecimentos do mundo exterior."(p.151)
" No homem nem se pode falar de conhecimento sensorial como tal. A prática
do homem e seu pensamento introduziram mudança substancial, transformaram a
experiência sensorial do homem, daí o conhecimento, independentemente da fase em
que se encontre, implicar sempre, nessa ou naquela medida, momentos de
processamento racional dos dados dos sentidos, razão porque ele é sempre
pensamento."(p.151)
" [...] no homem surgiu um nível especial de conhecimento - o racional, quando
tudo assume a forma de pensamento, inclusive os resultados da representação sensorial
da realidade."(p.151). Não se pode dividir entre conhecimento racional e sensorial o que
historicamente se manifestou na separação entre conhecimento empírico e teórico.
" Seria incorreto identificar o sensorial com o empírico, o racional com o
teórico."(p.152) --> níveis
Empírico --> "[...] o objeto é representado no aspecto das suas relações e
manifestações exteriores acessíveis à contemplação viva."(p.152) --> ponte de partida.
" O pensamento teórico reflete o objeto no aspecto das relações internas e leis do
movimento deste, cognoscíveis por meio da elaboração racional dos dados do
conhecimento empírico."(p.152) -->forma lógica é o sistema de abstrações

Ciência --> Marx ---> A tarefa da ciência é reduzir ao movimento interno real o
movimento visível, que se manifesta apenas no fenômeno
O racional não é dado na experiência.
" Em realidade, não há conceitos puros do pensamento mas construções teóricos
e formas de pensar que se distanciaram muito da experiência e se transformaram em
meio de conscientização de dados empíricos."(p.154)
Kant separou entre a priori e a posteriori
" O abstrato e o concreto são categorias da dialética materialista elaboradas para
refletir a mudança da imagem cognitiva tanto no que concerne a multilateralidade da
abrangência do objeto nessa imagem quanto à profundidade da penetração na essência
dele."(p.154)
Lênin --> " A abstração da matéria, da lei da natureza é uma abstração de valor,
etc., em suma, todas as abstrações ( corretas, sérias, não-absurdas) científicas refletem a
natureza com mais profundidade, mais fidelidade, mais plenitude."(p.159).
A abstração funciona como um degrau na contemplação viva, ele revela aquilo
que está inacessível. " Por meio da abstração os homens apreendem os mais profundos
processos da natureza e da vida social."(p.159)
" As abstrações são tão boas quanto têm a tarefa de desvendar as leis reais da
natureza e da sociedade, quando armam o homem com o conhecimento de processos
profundos, inacessíveis à contemplação imediata, sensorial."(p.160).
O empirista encara a abstração apenas como copia daquilo que se observa no
concreto-sensorial.O concreto sensorial para o empírico é apenas um aspecto separado."
[...] abstração apenas por forma e não por conteúdo."(p.161)
" Na abstração autêntica não se isola simplesmente algum indício sensorialmente
perceptível do objeto mas atrás do sensorialmente perceptível descobrem-se as
propriedades, aspectos, indícios e relações que constituem a essência do objeto."(p.161).
Existe também um problema na abstração de uma certa maneira ela simplifica a
realidade, a deixa rudimentar.
" A dialética estabelece que o concreto no pensamento se manifesta como forma
superior do conhecimento concreto."(p.162) --> o concreto no pensamento se manifesta
como forma de síntese de muitas definições --> unidade do diverso
Primeiro o abstrato uso do concreto sensorial e se afasta dele depois ele o retoma
criando assim um novo concreto.
" O concreto no pensamento é o conhecimento mais profundo e substancial dos
fenômenos da realidade, pois reflete com o seu conteúdo não as definibilidades
exteriores do objeto em sua relação imediata, acessível à contemplação viva, mas
diversos aspectos substanciais, conexões, relações em sua vinculação interna e
necessária."(p.162) --> fornece uma identidade dos contrários
" O movimento do conhecimento do sensorial-concreto - através do abstrato - ao
concreto, que reproduz o objeto no conjunto de abstrações é uma manifestação da lei da
negação da negação."(p.162)
" Abstrações isoladas elevam o nosso conhecimento da apreensão do geral
empírico ao universal, enquanto o concreto no pensamento fundamenta a conexão do
singular com o universal, fornece não uma simples unidade de aspectos diversos mas a
identidade dos contrários."(p.162). Lembrando que este novo concreto mental difere do
concreto inicial, ele é mais rico, mais substancial.
" [...] síntese de abstrações que corresponde às relações internas, às relações no
objeto."(p.163)
" O movimento do sensorial-concreto ao concreto através do abstrato no
pensamento é a lei universal do desenvolvimento do conhecimento humano, a qual
ocupa posição especial na dialética materialista."(p.163)

6. A Verdade Objetiva do Pensamento: O absoluto e o relativo. O teórico e o


Prático.
" A lógica dialética tem como objeto o estudo do movimento do pensamento no
sentido da verdade."(p.164)
" A concepção marxista da verdade incorpora antes de tudo a tese da
objetividade desta."(p.164)
" A verdade é subjetiva no sentido de que é conhecimento humano, mas é
objetiva no sentido de que o conteúdo do conhecimento verdadeiro não depende do
homem nem da humanidade."(p.165)
" A verdade é algo subjetivo que por conteúdo passa do campo do subjetivo para
o campo do objetivo."(p.165).
" As peculiaridades da verdade enquanto processo são expressas pelas categorias
de verdade absoluta e relativa."(p.165)
" O absoluto expressa o estável. O imutável no fenômeno, enquanto o relativo
expressa o mutável, o transitório."(p.165). Estes, no entanto são intercambiáveis, uma
vez que algo que é absoluto em determinadas condições torna-se relativo ou vice-
versa."Só a matéria e seu atributo - o movimento - são absolutamente absolutos;
[...]"(p.165) enquanto que também continua matéria móvel.
O pensamento é absoluto e relativo ao mesmo tempo. O absoluto no pensamento
é provocado pela condição de objetividade já que o pensamento é reflexo do mundo
objetivo.
" O pensamento é absoluto porque segue o caminho da verdade objetiva; e só
neste sentido ele assume seu caráter absoluto."(p.166)
" [...] se tomarmos os resultados concretos do pensamento, estes são relativos,
mutáveis refletem a realidade de maneira incompleta, aproximada."(p.166)
"Com base na análise de toda a história do desenvolvimento do conhecimento, a
dialética materialista estabeleceu que o conhecimento pode tornar-se absoluto
unicamente através do relativo."(p.167). "A verdade absoluta e a relativa diferem entre
si não pela fonte mas pelo grau de precisão e a plenitude com que refletem o mundo
objetivo e atuam como momentos de uma verdade [...]"(p.167)
" A verdade é um processo de pensamento cujo conteúdo é o movimento no
sentido do objetivo, do absoluto."(p.167). O pensamento está relacionado com o
conteúdo objetivo e por isso se distancia.
" Através do relativo, de verdades relativas particulares apreende-s o absoluto, a
verdade objetiva, plena, acabada."(p.167).
O que é o relativo então ?
Eu vi que o absoluto e o relativo são termos intercambiáveis. O relativo é aquilo
que é instável na verdade objetiva, se transmuta com facilidade, mas quando
verdadeiramente apreendido no processo pode se tornar absoluto.
" O pensamento como relação teórica do sujeito com o objeto surge e se
desenvolve à base da interação prática entre eles [...]"(p.168)
Interação entre sujeito e objeto tem caráter material.
" A prática é uma forma especificamente humana de atividade, de interação entre
o homem e os fenômenos da natureza. Neste sentido o homem não atua como indivíduo
mas como membro da sociedade, do próprio sujeito."(p.168).
Deve-se entender qual é o papel da prática na atividade humana. Alguns apenas
transferem a prática para o campo do idealismo ou diferenciam ambos os processos.
Uma contraposição ou apenas uma identificação." A prática é a unidade do sujeito com
o objeto, é ativa por forma porém concreta-sensorial por conteúdo e resultados."(p.169)
" Se a prática em si muda a realidade, então o conhecimento por si só não muda
a realidade, não cria o objeto e suas necessárias conexões e relações internas mas
subentende e destaca o objeto como sendo algo presentemente dado, algo que se deve
representar, idealmente reproduzir."(p.169) --> já que o conhecimento, o pensamento é
reflexo da prática.
" Na unidade entre o sujeito e o objeto na prática o sujeito atua como a parte
ativa, sendo o objeto o lado determinante."(p.169)
" O nível da prática humana depende do grau de desenvolvimento do sujeito,
mas ela é condicionada por um tipo preciso de realidade objetiva, a medida e as formas
sob as quais esta se inseriu e determinou a atividade do sujeito."(p.169). Com a
evolução do conhecimento se incorporam novos objetos a prática humana que
modificam o campo da atividade humana.
" A importância da prática é multilateral no movimento do pensamento: ela é
base do pensamento, determina-lhe o fim e atua como critério da verdade."(p.170)
" O pensamento nasce de necessidades práticas para satisfazer as necessidades
da prática, é um processo dirigido a um fim."(p.170)
" A prática determina precisamente o que é necessário ao homem, a que fim ele
deve visar no processo de conhecimento do objeto e que aspecto do objeto deve ser
estudado prioritariamente, etc."(p.170)"Com base na prática, o fim subjetivo do homem
coincide com o mundo objetivo."(p.170).
" A prática define os objetivos do pensamento e este, por sua vez, desempenha
papel essencial na determinação dos fins da atividade prática - , então a prática atua
legitimamente com critério ativo do pensamento em sua atitude em face a
prática."(p.170). O objeto se relaciona com o pensamento definindo-o, pela prática que
é a unidade entre o sujeito e o objeto, o sujeito define os objetivos que depende do
objeto e este aplica os objetivos pela prática. Logo quem define a veracidade é a prática,
pois ela une o objeto, os objetivos que ocorrem no pensamento. São os objetivos que
irão definir o caráter da prática, porém estes mesmos objetivos nascem do objeto e de
qual tipo de atividade se pretende realizar.
A prática --> no sentido teórico-cognitivo ---> "[...] ela incorpora tanto o mérito
da contemplação viva ( por ser atividade sensorial-material do homem) quanto os
aspectos fortes do pensamento abstrato ( por ter caráter universal e nela se realizarem os
conceitos)."(p.170) --> conceitos que derivavam da própria lei.
" [...] o teórico encontra no prático sua consubstanciação material."(p.170)
" Em cada instrumento de produção, em cada experimento científico acha-se
materializada certa ideia, uma construção teórica. É justamente por meio da
consubstanciação material, prática, que se dá o processo de verificação da veracidade
objetiva do conteúdo do pensamento."(p.170). Quando realiza a prática em determinado
objeto, ela vem com as objetividades do pensamento que vão definir a própria atividade
baseado em qual objeto estamos querendo atuar sobre.
Pensamento é ligado e condicionado a prática, mas pode se tornar relativamente
autônomo. Este afastamento pode ser ruim, distanciando a prática do pensamento, o
pensamento se fecha em si mesmo, torna-se autônomo, absoluto e independente da
prática. Porém em alguns casos este afastamento é benéfico inclusive para a própria
prática atuando pela lógica interna do seu próprio desenvolvimento o que leva
resultados práticos muito mais promissores. A prática não pode ser apenas um degrau
do conhecimento.
" É por isso que a prática é a base, o fim e o critério de veracidade do
conhecimento, que ela não é conhecimento mas determina a atividade radicalmente
diversa dele."(p.171).
" Enquanto critério da verdade, a prática tem caráter dialético."(p.171). Ela é ao
mesmo tempo absoluta e relativa. É absoluta porque é critério da verdade, porém é
relativa Lênin --> o critério da prática, no fundo, nunca pode confirmar ou rejeitar
inteiramente nenhuma espécie de concepção humana.
7. As Contradições no Pensamento e as suas Partes.
O pensamento deve ser contraditório ou não-contraditória. Existem contradições
no pensamento que são inaceitáveis, porém sua característica é lógico-formal, não
contraria a luta dos contrários.
" A lei da inaceitabilidade da contradição não se refere ao conteúdo concreto dos
juízos, não resolve o problema de qual é o juízo verdadeiro entre os
contraditórios."(p.172). As contradições destacadas são lógico formais.
" As contradições lógico-formais são subjetivas pois o seu conteúdo não reflete
as contradições verdadeiramente objetivas, que existem no movimento do próprio
objeto."(p.173) --> não leva a um conhecimento necessariamente verdadeiro,
meramente objetivas. Apenas uma regra de dedução, ela não admite juízos
contraditórios.
" O objeto implica definições contraditórias."(p.174) --> luz tem natureza
corpuscular e ondulatória. A lei lógico formal está relacionada diretamente com a
questão da dedução. A lei lógico formal pensando na contraditoriedade do conteúdo é
impossível--> incompatível na dedução.
" [...] as contradições são a essência das coisas."(p.174)
" [...] a exigência da lei da inaceitabilidade da contradição se refere à linguagem
enquanto forma de existência do pensamento que não deve implicar paradoxalidade
lógico-formal."(p.174).
O problema é que historicamente a inaceitabilidade da contradição dentro da
lógica formal foi tomado como base metafísica do mundo." O caráter contraditório
lógico é inaceitável porque sua existência exclui a possibilidade de aquisição do
conhecimento objetivo-verdadeiro."(p.175). No entanto a contradição lógico formal não
consegue "[...] resolver as contradições reais que surgem no processo de apreensão do
objeto pelo pensamento."(p.175). A lógica formal não resolve o problema da apreensão
da essência dos objetos enquanto movimentação.
" [...] o caráter contraditório lógico não resolve o problema da correspondência
da teoria ao objeto, e isto é a questão central na construção de uma teoria."(p.176)
" A lei lógico-formal da inaceitabilidade da contradição, por ser verdadeira, tem
certa importância metodológica na construção de qualquer teoria científica."(p.176)
" O que é falho não é propriamente o critério da não- contraditoriedade lógica
mas a sua absolutização, a sua transformação no único critério possível de
conhecimento."(p.176)" A contradição lógica surge constantemente no processo de
pensamento e oblitera-se."(p.177) --> oblitera-se para que o pensamento possa avançar.
Existem contradições mais profundas que radicam no próprio pensamento,
contradições presentes no próprio pensamento.
" O estudo das contradições que no pensamento refletem as contradições
objetivas constitui o conteúdo fundamental da lógica dialética."(p.177)
" A ciência deve procurar obliterar não todas as contradições mas só aquelas que
dificultam o movimento do pensamento no sentido da verdade objetiva."(p.177)
" O conteúdo do pensamento deve refletir o mundo objetivo em toda a sua
autêntica contrariedade dialética."(p.177)
" Em realidade, porém, as contradições no pensamento surgem, em termos
rigorosos, não como simples resultado do reflexo das contradições da realidade objetiva
mas devido à incapacidade do sujeito para abranger, no pensamento, de forma imediata
e plena, o objeto em toda a sua diversidade, com todas as contradições."(p.178). Isto é
resolvido de forma teórica, cria " [...] a imagem de um novo objeto, determinando as
vias de movimento no sentido deste."(p.178).
" Mas o pensamento não só contribui para a solução das contradições entre o
sujeito e objeto; ele mesmo é a expressão dessas contradições, sendo tanto subjetivo
como objetivo."(p.179). O subjetivo, no pensamento, pode ser entendido como ilusório.
" Neste sentido cada passo no movimento do pensamento representa a eliminação do
subjetivo em seu conteúdo."(p.179). Novas construções são lançadas. " Oblitera-se um
subjetivo mediante a inserção do outro e isto, no todo, atua como movimento do
pensamento visando à aquisição da objetividade do seu conteúdo."(p.179)
" As contradições, inclusive as lógicas, surgem de maneira absolutamente
natural no processo de apreensão do objeto pelo sujeito. Esse processo é por si mesmo
muito complexo, o objeto é contraditório, incorpora aspectos, propriedades e relações
que se excluem mutamente."(p.179)
" A complexidade consiste em que o pensamento deve refletir em forma
subjetivamente essas contradições objetivas. Isto é muito difícil, o sujeito cai em
contradições que não são próprias do objeto como tal."(p.179). Quando nos
encontramos diante de contradições tão profundas que somos incapazes de reproduzi-las
subjetivamente, a obliteração destas impulsiona o pensamento"[...] no sentido da
obtenção da objetividade do conteúdo."(p.180)
" Essas contradições atuam não só sob a forma de dois juízos contraditórios,
incompatíveis nos limites de uma dada teoria; em semelhantes contradições podem
atuar duas diferentes teorias ( mais frequentemente hipotética ) que explicam de maneira
diversa um mesmo processo. A existência dessas teorias diametralmente opostas, que
explicam o mesmo processo, é uma prova da incapacidade do sujeito para, no presente,
interpretar a natureza em forma subjetivamente não-contraditória."(p.180).
Teoria ondulatória e corpuscular --> superação em um nova teoria.
Contradições na teoria --> impulsionam --> por meio de desenvolvimento do
conhecimento.
" Não basta fixar as contradições no objeto, é necessário entender e explicar a
natureza delas."(p.181). Essas contradições se transformam ao longo do
desenvolvimento em novas contradições e contradições lógicas. Contradições são
resolvidas pela criação de uma teoria nova.
" O pensamento cai em contradições ao tentar abranger a nova realidade através
de conceitos velhos."(p.181)
" Só a base da atividade prática,o homem estabelece o caráter das contradições
no pensamento, afasta aquelas que não levam o pensamento à aquisição da verdade
objetiva,e mantém e desenvolve aquelas que expressam a dialética objetiva."(p.182)
" [...] todas as contradições surgem no pensamento a partir da contradição entre
o sujeito e objeto. O fim do desenvolvimento do pensamento é a obtenção da autêntica
objetividade do seu conteúdo. O pensamento deve refletir o objeto com todas as suas
contradições internas."(p.182). Surgem neste processo várias teorias errôneas baseadas
em reflexões incorretas, a ciência com a sua construção elimina as contradições
subjetivas.

IV - A Dialética das Formas de Pensamento.

1. O Histórico e o Lógica. O Conceito de Forma de Pensamento.


" Por histórico subentende-se o processo de mudança do objeto, as etapas de seu
surgimento e desenvolvimento."(p.183). Histórico é o reflexo do pensamento.
" O histórico é primário em relação ao lógico, a lógica reflete os principais
períodos da história."(p.184)
" O pensamento não é obrigado a seguir cegamente o movimento do objeto em
toda a parte. Por isso o lógico é o histórico libertado de das casualidades que o
pertubam."(p.184). " [...] a forma lógica de desenvolvimento reflete o processo
histórico, daí ser ela necessária para interpretá-lo."(p.184)
" Para revelar a essência do objeto, é necessário reproduzir o processo histórico
real de seu desenvolvimento, mas este é possível somente se conhecemos a essência do
objeto."(p.184) --> e no caso das ciências naturais.
A dialética materialista o cientista estuda seu objeto pelo fim, no seu estado
mais maduro. A partir deste estágio superior "[...] fazem-se as definições primárias de
sua essência."(p.185) --> caráter puramente abstrato, porém ainda insuficiente.
Fundamental como ponto de partida e "[...] processo de afirmação e desenvolvimento do
objeto estudado."(p.185). O degrau supremo do desenvolvimento incorpora degraus
inferiores. "[...] a reprodução da essência desse ou daquele fenômeno no pensamento
constitui ao mesmo tempo a descoberta da história desse fenômeno, que a teoria de
qualquer objeto não pode deixar de ser também a sua história."(p.185)
É fundamental reconhecer que a história para se atingi um grau mais elevado do
conhecimento.
" O lógico atua como meio de conhecimento do histórico, fornece o princípio
para o estudo multilateal deste."(p.185)
" O estudo da história do desenvolvimento do objeto cria, por sua vez, as
premissas indispensáveis para uma compreensão mais profunda de sua essência, razão
porque, enriquecidos com o conhecimento da história do objeto, devemos retomar mais
uma vez a definição da essência, corrigir, complementar e desenvolver os conceitos que
o expressam."(p.186). O estudo da história enriquece a teoria, corrigindo-
a,enriquecendo-a. Pensamento se desenvolve conforme um círculo --> teoria ( lógica) --
> história --> teoria. --> lei da negação da negação --> um conceito novo surge.
" O lógico reflete não só a história do próprio objeto como também a história do
seu conhecimento."(p.186)
" [...] em seu desenvolvimento intelectual individual o homem repete em forma
resumida toda a história do pensamento humano."(p.186)
" Em termos breves pode-se definir a forma de pensamento como modo de
representação da realidade por meio de abstrações."(p.187).
" A função cognitiva da forma de pensamento se baseia no conteúdo objetivo
desta, no fato de nela refletir-se de certo modo a realidade objetiva. Fora desse conteúdo
objetivo nem se pode falar da função gnosiológica da forma de pensamento."(p.187)
" No estudo das formas de pensamento a tarefa da lógica é bem mais ampla e
profunda: definir o lugar de uma dada forma lógica de obtenção do conteúdo objetivo-
verdadeiro pelo pensamento, de reprodução do concreto em toda a sua
diversidade."(p.187)

2. A Inter-relação das Formas de Pensamento.


Principais formas de pensamento --> conceito, juízo e dedução
" O juízo é uma relação de conceitos, ao passo que a dedução surge como
resultado da soma, da unificação dos juízos."(p.188). O conceito antecedia os dois. Isso
foi uma solução muito útil para os racionalistas --> " [...] reconhecimento da existência
do conhecimento acabado antes da experiência e independentemente desta sob a forma
de conceitos mais simples e importantes [...]" (p.188). Kant inverte esta lógica coloca os
juízos e deduções como primários em relação aos conceitos.
Hegel relacionou o conceito, juízo e dedução com o universal, o singular e o
particular." No conceito esses momentos não são desmembrados mas dados como algo
totalizado;[...]"(p.189)
" [...]o singular e o universal atuam como sujeito e predicado unificados por uma
cópula."(p.189)
" Na dedução restaura-se a unidade entre o singular e o universal."(p.189)
" Na dedução, as definições do conceito são independentes com os termos do
juízo, estando ao mesmo tempo determinada certa unidade dos mesmos."(p.189)
" O desenvolvimento do juízo leva à dedução, que não subentende simplesmente
mas fundamenta a conexão entre o singular e o universal. A dedução atua como
unidade entre o conceito e o juízo."(p.190) faz a ligação dos dois. Problema de Hegel é
que isso tem base idealista o conceito no final é um retornar-se a si, mais enriquecido. "
Sob a forma de dedução disjuntiva, o conceito se converte em objeto."(p.190)
K.D. Uchinsky --> O Juízo - escreve ele - não é mais que o próprio conceito,
mas ainda em processo de formação."(p.190) --> " O juízo definitivo se converte em
conceito. " (p.190) " Podemos dividir cada conceito nos juízos que o constituem cada
juízo novamente em conceitos, os conceitos novamente em juízos, etc."
" É correta a ideia básica de Uchinsky, segundo a qual o conceito e o juízo -
acrescente-se ainda a dedução - estão indissoluvelmente ligados entre si e no processo
de desenvolvimento do conhecimento se transformam um no outro [...]"(p.190) o
conceito também se converte em juízo.
" Para encontrar nos fenômenos o universal que é refletido no conceito, é
necessário abranger o objeto de todos os lados, emitir toda uma série de juízos sobre
aspectos isolados do mesmo."(p.191)
" Na formação dos conceitos cabe enorme papel à análise enquanto movimento
que parte do concreto, dado nas sensações, ao abstrato, cabendo também à síntese
enquanto movimento do abstrato a um novo concreto, que é o conjunto das definições
abstratas."(p.191) --> " O processo analítico é inconcebível sem indução e
dedução."(p.191)
" O conceito é a confluência a síntese das mais diversas ideias, o resultado de um
longo processo de conhecimento."(p.191)
" A dedução é constituída de um sistema de juízos e o enunciado de qualquer
juízo pressupõe um conceito."(p.191)
" Na lógica aristotélica não há confronto entre juízo e conceito mas a
comparação de duas formas de enunciado, de proposição."(p.191) --> " Aristóteles não
separava a forma de pensamento da forma de enunciado."(p.192).
" A veracidade da forma de dedução se apoia na veracidade do juízo que
constitui o conhecimento que fundamenta."(p.192) " Refletem-se na forma de juízo não
só os aspectos gerais e essenciais mais quaisquer aspectos do objeto."(p.192)
" Por isto a dedução provinda do conceito difere da dedução procedente do juízo
que ainda não se tornou conceito."(p.192) --> o Juízo não precisa necessariamente que
seu predicado " seja o reflexo do universal no objeto."(p.192) ---> porém o juízo só se
converte em conceito quando seu predicado reflete a essência e o geral do objeto.
Portanto eu posso por meio de uma dedução partir de um juízo e chegar em
outro juízo ainda distanciado do objeto, porém quando o juízo reflete o geral e a
essência do objeto ele se torna conceito.
" Por ser o conceito o reflexo do geral e do essencial no fenômeno, ele é mais
sólido, mais constante em comparação com o juízo, que reflete todas as propriedades,
conexões e relações, até as casuais, exteriores."(p.193). O conceito aponta a essência
enquanto o juízo apontas as propriedades, os indícios.
" Os conceitos, juízos e deduções são diversos pelas funções que exercem no
movimento do pensamento."(p.193)
" O juízo serve para fixar rigorosamente certo resultado no movimento do
pensamento, enquanto o conceito resume todo o conhecimento antecedente do objeto
mediante a reunião de inúmeros juízos num todo único."(p.193). O conceito se constitui
com um degrau no movimento do pensamento.
" A dedução expressa o movimento a transição do pensamento e uns juízos e
conceitos a outros, de um conteúdo do conhecimento a outro."(p.193)

Juízo --> relação entre o singular e o universal --> sujeito e predicado


Dedução --> --> revelamos, mostramos como, porque e em que base o dado
singular está relacionado com esse universal, o que constitui o especial através do qual
se estabeleceu a relação entre o singular e o universal. Tanto o especial quanto o
singular são obliterados nos conceitos.
Desde os primórdios o pensamento incorpora
" a distinção, fixação de propriedades, indícios do objeto (juízo) 2) o resumo do
conhecimento antecedente, a reunião dos juízos em conceitos 3) as formas de transição
de um conhecimento anteriormente adquirido a outro."((p.194)
" A teoria é essa forma madura do conhecimento científico moderno. A ciência
se apresenta com um sistema de teorias relacionadas com o objeto por ela
estudado."(p.195)
" Por isto a tarefa da dialética no estudo das formas de pensamento é descobrir
as leis de surgimento, construção e desenvolvimento das teorias científicas."(p.195)
" [...] a lógica formal pode estudar apenas as relações lógico-formais entre os
elementos da linguagem da teoria científica e não o conteúdo dessa mesma
teoria."(p.195)
" O juízo é a forma mais simples e mais importante de abstração, que constitui
simultaneamente o traço característico de todo o processo de pensamento."(p.195).
Tudo se manifesta na forma de juízo.
" Não há pensamento se não há o ato de predicação cuja expressão é o
juízo."(p.196).
" A teoria científica é um sistema, um conjunto de juízos unificados por um
princípio único."(p.196) " No juízo e sua contradição jazem todos os traços
característicos da teoria científica."(p.196).
" Assim, o conceito é um juízo, cujo predicado é a ideia do universal no
fenômeno. "(p.196). A teoria é a síntese.
" A dedução é uma forma de mediação dos juízos, um meio de obter de juízos
antes estabelecidos um novo conhecimento."(p.196) --> processo de transição de um
juízo a outro.
" A abstração surge justamente como ideia sobre a propriedade ou indício do
objeto."(p.197). O juízo é a célula fundamental do pensamento, pois nele já se
encontram elementos do conceito ( o volume e o conteúdo). O conceito ele mais
complexo do que as deduções e juízos.
" A dialética tem como tarefa revelar o papel das formas de pensamento no
processo de evolução deste no sentido da aquisição de um conhecimento profundo,
objetivo-verdadeiro do mundo exterior."(p.197).

3. Conceito, Juízo e Dedução: formas do movimento do pensamento no sentido


da verdade.
Aristóteles foi o primeiro a estudar o juízo, de maneira limitada, porém em sua
forma materialista. Distingue duas formas de pensamento perante a realdade. " 1) a
forma de pensamento na qual a atitude em face da realidade não atua sob o aspecto
afirmação ou negação, logo não é verdade nem falsidade ( problema, prece, etc.); 2) o
pensamento como afirmação imediata ou negação, que é necessariamente ou verdadeiro,
ou falso."(p.198). Aristóteles coloca o juízo como classe final, uma conclusão, ideia
acabada, era a conclusão do silogismo.
Juízo é algo mais amplo " Juízo é toda ideia relativamente acabada, que reflete
as coisas, os fenômenos do mundo material, as propriedade, conexões e relações
destes."(p.198). Como o juízo pode colocar uma ideia verdadeira ou deturpá-la.
Questionar a sua veracidade é importante. " O Juízo é um processo de apreensão do
objeto pelo pensamento."(p.198)
" A forma de juízo foi historicamente elaborada como reflexo da dialética do
mundo objetivo."(p.199)
" A relação entre as partes do juízo - o sujeito e o predicado - reflete a dialética
da inter-relação do singular e do universal do mundo objetivo."(p.199).
Hegel --> juízo --> unidade do universal e do singular
" Essa unidade e diferença entre o singular e o universal ( sujeito e predicado))
no juízo se constitui na fonte do desenvolvimento, do movimento do juízo."(p.199)
" Lênin observa que na oração ( juízo) há a dialética da relação entre o singular e
o universal, dialética que reflete a dialética objetiva nas mesmas qualidades (
transformação do particular em geral, do casual em necessário, as transformações,
irisações, a mútua conexão dos contrários.
" No mundo objetivo existe não só a relação entre singular e universal como
também outras formas de inter-relação: tudo está ligado a tudo, cada coisa está direta ou
indiretamente em ligação com outra coisa qualquer."(p.200) inter-relação entre sujeito e
predicado.
" A lei é sempre algo geral em relação a coisa singulares isoladas [...]" (p.200).
Em relação ao predicado o sujeito é sempre singular.
" Entre o sujeito e o predicado do juízo a inter-relação é complexa."(p.200) " [...]
o predicado em certo sentido repete o objeto;por isso todo juízo estabelece que o sujeito
é predicado."(p.200) , porém o predicado também difere do sujeito. " Entre o sujeito e o
predicado existe uma relação de unidade dialética, que abrange tanto identidade como
diferença."(p.200). O predicado deve conter algo diferente do sujeito, ou seja, algo que
não há no sujeito. O juízo " [...] não reflete todo o objeto, mas apenas alguma parte
deste, por isso cada novo juízo nos faz avançar cada vez mais no sentido do
conhecimento do objeto."(p.200). É muito importante a classificação dos juízos para
que eles não se tornem algo mecânico.
" A descrição e classificação de uma forma de juízo depende segundo o princípio
da coordenação é uma tarefa da lógica formal."(p.201). Hegel --> a diferença entre os
juízos depende da importância do seu predicado.
" Á evolução do juízo se realiza não por um esquema irreal, construído
independentemente do desenvolvimento real do conhecimento, mas sob a forma em que
ela se desenrola no processo real de conhecimento científico."(p.202). Não é uma
relação de subordinação do conhecimento científico em relação ao juízo, mas o
conhecimento científico se constrói a base dos juízos.
" Como se sabe, no processo de conhecimento da realidade objetiva partimos
contemplação viva, sensorial, que nos propicia o conhecimento dos objetos singulares, e
remontamos ao conhecimento do geral: da lei, da essência do fenômeno."(p.202)
Engels divide os juízos em : singularidade, particularidade e universalidade.
Juízo da singularidade --> um fato qualquer / o atrito produz calor
Juízo da particularidade --> certa forma especial de matéria pode se transformar
em outra sob determinadas condições --> ex: o movimento mecânico se converte em
calor
Juízo da universalidade --> expressa a lei universal do movimento dos
fenômenos--> toda a forma de movimento da matéria é capaz de transformar-se em
qualquer outra forma de movimento. Essa classificação de Engels reflete diferenças na
essência " [...] diferentes juízos se encontram em diferentes níveis, degraus de
conhecimento das leis da conexão dos fenômenos."(p.203)
" O conhecimento da lei, da essência dos fenômenos atua sob a forma de
conceitos, categorias."(p.203). O conceito não é momento, mas resultado." O conceito
reflete o conteúdo que as coisas encerram."(p.204)
" Deste modo o conceito, por um lado, não é idêntico à realidade e, por outro,
não é ficção em relação a ela e nessa ou naquela medida, desse ou daquela aspecto a
incorpora ao seu conteúdo."(p.204)
" O conceito não reflete tudo no objeto, não reflete todo o processo em toda a
sua a naturalidade mas as propriedades essenciais, os seus aspectos, laços e relações a
lei do movimento, da evolução do objeto."(p.204)
" A universalidade do conceito tem seu fundamento objetivo: a existência, no
próprio mundo objetivo. de propriedades gerais, relações das leis objetivas do mundo
exterior."(p.205)" Enquanto forma especial de juízo, o conceito não reflete apenas o
universal mas o universal em relação com o singular."(p.205)
" O singular ( as coisas, fenômenos, acontecimentos) é o ponto de partida na
formação do conceito."(p.205)
Separação entre o singular e o universal --> fonte do idealismo --> " Sabe-se que
no processo de formação dos conceitos os estudiosos retomam o conhecimento do
universal. O idealismo interpreta essa retomada como autonomia do conceito, como sua
independência face aos fenômenos sigulares."(p.205)
" Não se pode entender a essência do conceito sem examinar o processo de sua
formação e desenvolvimento."(p.206).
Kopnin traça um percurso do desenvolvimento de conceitos. Locke por exemplo
utilizava-se do " desmembramento do objeto em indícios (propriedades) particulares, à
comparação com dos indícios das coisas e a distinção dos comuns o semelhantes entre
eles."(p.206) Isto era típico da ciência desse período. A abstração deve contemplar
exclusivamente aquilo obtido via percepção. Era uma operação de juízos dados
imediatamente.
Berkeley também tentou com sua teoria da substituição ou representação " [...]
não existem conceitos e ideias gerais. Existe apenas uma ideia particular isolada ( noção
), que, ao substituir todas as outras ideias particulares desse gênero, é considerada como
uma espécie de ideia geral."(p.207) " Não há conceitos, há apenas ideias particulres (
noções) empregáveis como sinais para outras noções congêneres."(p.207) --> existem
apenas percepções isoladas --> puro empirismo, erguer-se ao conceito via abstração é
um risco.
Cassirer --> conceito --> o conceito se forma em uma experiência progressiva
Lógica dialética --> " É justamente do mundo objetivo que todos os conceitos
extraem o seu conteúdo."(p.208). " A atividade prática do homem antecede à formação
dos conceitos."(p.208)
" A mente humana fixa sua atenção nos objetos e seus aspectos que na prática
são úteis e necessários às pessoas."(p.208)
" A princípio os objetos do mundo exterior atuam como veículos de satisfação
das necessidades humanas, depois, visando já os fins do sucessivo domínio desses
objetos as pessoas os apreendem e formam conceitos sobre eles.A prática, a atividade
social do homem determina a essencialidade ou não - essencialidade desse ou daquele
aspecto do objeto."(p.208).
" Os conceitos da ciência surgem da necessidade da atividade prática dos
homens."(p.208)
" [...] a limitação da prática histórico-social determina a limitação dos nossos
conceitos sobre o mundo exterior."(p.208) --> muitos conceitos nascem e se constituem,
porém são ilusórios, não por erros, mas sim pela limitação da prática.
" Na formação dos conceitos são de grande importância o experimento e a
simplificação teórica [...] e outras operações do pensamento."(p.209)
" Nas ciências naturais a mudança do nosso conhecimento do mundo exterior e
seu adentramento na essência do fenômeno."(p.210)
" O processo de desenvolvimento dos novos conceitos segue várias direções: 1)
surgem novos conceitos, 2) aprofundam-se os velhos, concretizam-se e atingem um
nível mais elevado de abstração."(p.210).
Metafísica atual ( sofística) " [...] reconhece o movimento dos conceitos mas o
separa da fonte objetiva, do movimento do mundo material.O movimento dos conceitos
é visto em si mesmo fora de relação com o movimento dos objetos."(p.21)
A flexibilidade da metafísica sofística reconhece a reflexibilidade dos conceitos,
mas a trata como mudança arbitrária.
"A flexibilidade e mutabilidade dos conceitos é reflexo da mutabilidade e
multilateralidade do mundo material."(p.211)
" A relação entre os conceitos se revelam nas noções."(p.211)
" No processo de surgimento e desenvolvimento dos conceitos cabe enorme
papel à dedução."(p.212) --> o estudo da dedução, extrair juízos a partir de outros é
tarefa da lógica formal.
" A dedução é um processo de mediação e extração de juízos dos quais ela é
sistema. Este sistema consiste de três gêneros de conhecimento: o básico ( que contém
deduções nas premissas), o dedutivo ( que se obtém como resultado do processo de
dedução) e o arguente ( o que determina a possibilidade de transição das premissas e
conclusão)."(p.212) O arguente ---> axiomas, regras, definições leis --> existência de
leis objetivas na natureza é base da possibilidade do processo de dedução, da transição
do conhecido ao desconhecido.
" [...] a dialética materialista não extrai a prática da dedução como fazia
Hegel, mas, ao contrário, extrai a dedução da prática."(p.213)
" A dedução é elemento indispensável do caráter criativo do trabalho
humano."(p.213) --> o homem pelo trabalho vivo e criativo produz "[...] sob as
condições existentes e com os meios existentes, coisa que não existe na natureza." -->
muitas vezes se tornam elementos de novos produtos.
" A peculiaridade específica da atividade produtiva do homem consiste em que,
em sua consciência, já preexiste ao início do trabalho uma espécie de resultado pronto
desse trabalho."(p.214)
" O homem abrange mentalmente os meios de produção e o processo de sua
transformação em produto, isto é, produz mentalmente todo o processo de produção do
início ao fim, dos meios iniciais de produção ao produto final do trabalho."(p.214) -->
este processo mental é uma dedução
" Por meio da dedução reproduzimos idealmente mentalmente, os processos que
nos são inacessíveis na prática imediata e acompanhamos o desenrolar."(p.214) -->
confirmar com a experiência --> nos convencemos da justeza da dedução.
" [...] não só a prática gera a dedução como a dedução suscita a necessidade da
prática, dos experimentos e observações."(p.214). Alguns filósofos não consideram a
dedução como meio de obtenção de um novo conhecimento, ela apenas revela um
conhecimento contido em certas premissas.
Obviamente que " A conclusão deve dimanar das premissas à base de certos
princípios e regras." (p.215).
" Mas a par dessa unidade, dessa relação, existe também a diferença, a unidade,
o desenvolvimento do conhecimento obtido nas premissas."(p.215)
" A novidade do conhecimento em qualquer dedução surge à base da síntese.
Nela se unifica tudo aquilo que estava separado antes do processo de dedução."(p.215)
" Logo a essência da dedução é constituída pela síntese e não pela análise do
conhecimento antes conhecido.(p.216) --> se as deduções não levassem ao
conhecimento não sairíamos da experiência.
Foi-se adicionado um defeito na dedução --> " [...] abismo metafísico entre um
tipo de dedução e outro."(p.216)
" A doutrina da indução surgiu bem mais tarde."(p.216) --> evolução das
ciências naturais --> no seio de uma nova classe a burguesia, era um embate também
ideológico contra o feudalismo e a idade média
Leonardo da Vince e Galeileu Galilei --> " Esses pensadores distinguiam antes
de tudo dois momentos na aquisição do conhecimento verdadeiro, ou seja, o
experimento e a matemática."(p.217)
" A ciência verdadeira se baseia n experimento minuciosamente colocado e
verificado e na dupla observação: do experimento mediante conclusões verdadeiras ela
caminha para o conhecimento da lei."(p.217) --> forte envolvimento da matemática-->
predominância ela decodificava aquilo que era observado no experimento.
Hegel também se utilizava da indução --> " Partindo da experiência, ele
formulava as teses gerais das quais deduzia novos fatos particulares. A verificação
destes através de novas observações confirmava a veracidade das teses gerais
anteriormente formuladas. O método científico de investigação de Hegel incorporava,
deste modo, a indução e a dedução em sua unidade."(p.217)
Dedução Baconiana se volta contra ao silogismo, a lógica escolástica. " A
doutrina baconiana da indução surgiu como método de formação de conceitos
sólidos."(p.218).
" Na indução baconiana o evento empírico tornou-se a premissa primeira e
principal da dedução."(p.218). Já em Descartes a experiência tem papel menor, a
dedução e a intuição tem papel mais relevante.
" Assim se formaram duas tendências que se excluem mutuamente: uma
enfatizava demasiadamente o papel da experiência e da indução ignorando a dedução, a
outra estava relacionada com o reconhecimento do papel decisivo da intuição e da
dedução."(p.218). Uma enfatiza o papel das ciências naturais e outra da matemática.
Experiência e não experiêmcia. --> Hegel tentou superar o abismo que se criou entre
dedução e indução." A teoria hegeliana da dedução teve como momento positivo o
empenho em descobrir a inter-relação, o movimento das formas de dedução, definindo-
lhes o valor cognitivo. Para Hegel o mais importante era fixar as transições de uma
forma de dedução a outra, da dedução à indução e desta novamente à dedução por meio
da analogia [...]"(p.219)
" A indução é impossível sem a dedução pelo simples fato de que a própria
indução é incapaz de explicar o processo de dedução indutiva."(p.220)
" Indução e dedução são a unidade dialética de dois aspectos de um mesmo
processo de pensamento em forma de dedução."(p.220)
" A indução é uma conclusão que conduz do conhecimento de um grau inferior
de generalidade a um conhecimento de maior grau de generalidade, enquanto a dedução
é o oposto."(p.220). " Unidade de métodos lógicos" --> intercambiáveis --> métodos
opostos de aquisição do conhecimento.
V - A Dialética e o Processo de Investigação Científica.
" O resultado da investigação científica deve ser a aquisição de um novo
conhecimento dos fenômenos da natureza e da sociedade."(p.223)
Muitos filósofos se dedicaram ao estudo de uma lógica que levaria a
descobrimentos científicos. --> Uma utopia, irrealizável.--> " [...] cada descobrimento é
bastante complexo por sua estrutura lógica e reúne traços estritamente individuais, que
não se repetem."(p.223). Novos conhecimentos não se limitam a ser uma mera
continuidade do anterior. Pode também ser uma contradição.Não há nenhum
descobrimento sem lógica.
" A criação de uma nova teoria incorpora um momento obrigatório o surgimento
de uma nova qualidade, a negação dos resultados antecedentes com a repetição de
alguns momentos destes na nova síntese."(p.224)---> dialético
" A dialética e a lógica formal abrangem todo o campo do lógico na forma mais
desenvolvida e aperfeiçoada."(p.224)
" Até hoje a lógica tem estudado de modo até certo ponto contemplativo o
processo de pensamento humano, desmembrando-o em formas isoladas para descrevê-
las e interpretá-las."(p.225)
" Dominar o pensamento significa transformá-lo em meio ainda mais eficiente
na conquista prática das potencialidades da natureza e da sociedade, relacioná-lo de
modo ainda mais estreito com o objeto que ele reflete."(p.225)
" A base metodológica desse sistema é constituída pela lógica dialética, cujas
leis e categorias caracterizam o processo de conhecimento do aspecto
epistemológico."(p.226)
" A investigação científica é um conhecimento imediatamente voltado para a
obtenção, no pensamento, de novo resultado não só para um sujeito dado mas para o
sujeito em geral."(p.226)
" A investigação científica enquanto ato de conhecimento se realiza à base da
interação prática do sujeito com o objeto."(p.226)--> se expressa a natureza social do
sujeito --> marca humana
autores positivistas
- análise rigorosa/lógico formal --> aplicação do dispositivo em ideias --> foco
na demonstraçãi/não penetra na essência
- Não revela qualquer lei do processo de investigação científica

" Isso significa que se deve tomar como basilar um elemento de investigação
científica que nos leve à teoria e sirva de linha na compreensão do surgimento e
evolução desta."(p.229)
" Enquanto forma de conhecimento o fato tem valor por sempre conservar certo
conteúdo, ao passo que as teorias desmoronam; além do mais, ele conserva sua
importância em diversos sistemas."(p.229), porém por si só carece de conteúdo. " [...] os
fatos nunca são um objetivo em si, sendo sempre utilizados apenas como meio de
solução das tarefas que se impõem."(p.230)
" [...] é necessário incluir todos os fatos colhidos em um sistema qualquer para
dar sentido e importância."(p.230)
" Por si só o fato não leva implícito semelhante fim e por isto não pode ser célula
basilar no estudo da pesquisa científica."(p.230)
" [...][ esse momento basilar é a prática é constituído pela prática, dado que ela
leva implícito o objetivo da pesquisa científica. [...] são justamente as necessidades
práticas do mais diverso caráter que motivam os cientistas a desenvolverem a
ciência."(p.230) --> a prática enfim não é conhecimento.
" No estudo das pesquisa científica pode ser basilar somente aquilo que, por um
lado, é elemento dela, e por outro, expressão das necessidades práticas que impulsionam
o pensamento no sentido da procura de novos resultados."(p.230)
" Não se escolhe como problema qualquer objeto que o pesquisador queira
conhecer, o que esse objeto constitui, as leis que ele se subordina, mas só um objeto
sobre o qual o conhecimento é realmente possível sob as condições vigentes."(p.230)
" Os problemas surgem diante da ciência no processo de desenvolvimento da
sociedade e a partir das necessidades desta."(p.231)
" É evidente que a sistematização do conhecimento não é uma simples
totalização de conceitos, juízos e deduções isolados, não é uma incorporação mecânica
destes, uns aos outros, mas a síntese em sua forma superior."(p.231)
" [...] conceitos de análise e síntese permaneceram o círculo das conclusões
indutivas e dedutivas --> característica do método geométrica (p.231)
Segundo Euclides --> " [...] na análise toma-se algo desconhecido, suscetível de
investigação, como indiscutível com o fim de chegar a verdades realmente
indiscutíveis."(p.231)
" Na síntese, ao contrário, parte-se de verdades realmente indiscutíveis e chega-
se àquilo que antes não era evidente.(p.231)
2 modos opostos de demonstração dedutiva

Síntese --> verdades indiscutíveis --> chega-se a conclusão --> demonstração de


teses prontas --> não é um movimento próprio do desconhecido ao conhecido -->
somente meios de estabelecimento de sua evidência
Posteriormente a lógica incluiu a análise e a síntese como elementos opostos,
como dois diferentes tipos de movimento, o indutivo e o dedutivo.
" [...] as categorias de análise e síntese assumiram significado universalmente
lógico mais amplo enquanto aspectos do método científico de pensamento."(p.232)

Hobbes --> analítico --> divisor


'' ---> síntese --> unificador sintético

Fazem parte exclusivamente no método dedutivo ( movimento do desconhecido


ao conhecido). " Toda a dedução unifica, combina ou divide, desintegra. Newton
expressou com mais nitidez a relação da análise com a indução e da síntese com a
dedução; [...]"(p.232)
" O método analítico consiste em produzir experimentos, observações, em
deduzir destes conclusões gerais; mediante sua aplicação realiza-se a transição do
complexo ao simples, das causas as ações, de causas particulares a causas mais
gerais."(p.232)
Novas verdades são descobertas por meio da análise --> fundamentadas ,
demonstradas por meio da síntese. Já é um avanço em relação a geometria. Porém toma
ambos os momentos isoladamente. Um serve para adquirir a verdade e a outra a sua
demonstração.
" Achava Kant que todo conhecimento só é possível como síntese, sendo que
esta pressupõe forçosamente a unificação dos conceitos e das noções evidentes."(p.233)
"Conforme Kant, no objeto não há nada unificado que antes não tenha sido
unificado em nós mesmos; a síntese, a unificação, é a única noção 'que não é dada pelo
objeto mas pode ser criada somente pelo próprio objeto, pois ela é um ato de iniciativa
deste'."(p.233) --> objeto é o ato de iniciativa. --> " Kant nega a existência da fonte
objetiva da síntese."(p.233).
Não superou a contradição existente entre análise e síntese. " A síntese, alega-se,
se realiza por si mesma, independentemente da análise. A primeira tem a sua lógica - a
trasncendental, a segunda, a geral ou formal. Ademais a síntese antecede à
análise."(p.234)
Hegel --> " A inter-relação dialética da análise e da síntese no processo de
conhecimento foi bem revelado por Hegel, para quem o conhecimento analítico e o
sintético são momentos de obtenção da verdade."(p.234)
" O conhecimento começa pelo processo analítico, que consiste 'na
decomposição de um dado objeto concreto, do isolamento do seu desenvolvimento e da
comunicação, por ele, da forma de universalidade abstrata.'"(p.234)
" [...] a essência da análise consiste em estabelecer a identidade formal entre o
objeto e a universalidade abstrata."(p.234)
" Ao contrário do conhecimento analítico, o sintético 'procura apreender aquilo
que existe, ou seja, entender a variedade de definições em sua unidade'."(p.235). A
síntese não reúne os resultados da análise.
" Partindo-se do universal na síntese, chega-se ao conhecimento do singular em
sua necessidade e universaldade."(p.235)
Processo sintético : 1) a definição 2) a subdivisão 3) o teorema
" A definição dá o universal, que se deve isolar, o que se consegue na
subdivisão; no teorema ocorre a conclusão do processo sintético, o particular se
converte em singular, realiza-se a unidade entre conceito e realidade."(p.235)
A base objetiva dos processos analítico e sintético no conhecimento é a
existência de uma variedade de formas de movimento da matéria em sua unidade
essencial, interna e necessária. Dado que o próprio mundo é uno e multiforme, nele
existem identidade e diversidade, sendo que o uno existe no diverso ( o idêntico no
diverso e o diverso no uno ( o diverso no idêntico)."(p.235)
" É tarefa tanto da análise quanto da síntese a reprodução do objeto no
pensamento conforme a natureza e as leis do próprio mundo objetivo."(p.236).
" O marxismo vê a fonte da atividade sintética do pensamento não na unidade
transcendental da apercepção mas na unidade material do mundo."(p.236)
" A atividade analítico-sintética do pensamento humano é livre e ilimitada na
representação objetiva dos fenômenos da realidade."(p.236)
" A relação entre análise e síntese é orgânica, interior; ao realizarmos o processo
analítico nós sintetizamos, e a síntese incorpora também a análise como
momento."(p.236)
" A atividade analítico-sintética é momento indispensável de todo o processo de
pensamento, mas a conexão dialética, a unidade dessa atividade, vale dizer, da análise e
da síntese se manifesta com mais nitidez, plenitude e maturidade no processo de
formação e evolução da teoria científica."(p.237)
" A unificação do conhecimento em teoria é realizada antes de tudo pelo próprio
objeto e suas leis. É justamente isto que determina a relação entre juízos isolados,
conceitos e deduções na teoria."(p.237)
" Para se converter em teoria o conhecimento deve atingir em seu
desenvolvimento certo grau de maturidade."(p.237)
Aristóteles --> conhecimento é antes de tudo descobrimento das causas dos
fenômenos."(p.238)
" A teoria deve compreender não só a descrição de certo conjunto de fatos mas
também sua explicação, o descobrimento das leis a que eles estão subordinados. É claro
que por explicação entende-se o descobrimento não só das causas (pois a causalidade é
apenas uma partícula da conexão universal) mas também das leis das relações em
geral."(p.238). Várias teses que se relacionam em um único todo.
" [...] essas teses estão unificadas por um princípio geral, que reflete a lei
fundamental de um dado objeto ( ou conjunto de fenômenos)."(p.238)
" A amplitude da teoria é determinada, por sua vez, pelo caráter de princípio nela
unificador."(p.238) --> maior generalidade --> conteúdo mais vasto
" Por último, o caráter da teoria é determinado pelo grau de fundamentabilidade
de seu princípio determinante."(p.238)

3 - Hipótese: Forma de Desenvolvimento da Ciência