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VERIFICAÇÃO DO POTENCIAL DE ESTABILIZAÇÃO DE UM SOLO

LATERÍTICO COM USO DE ÁCIDO FOSFÓRICO, ÁCIDO CITRICO E


CINZA DE CASCA DE ARROZ

Jaelson Budny

Tese de Doutorado apresentada ao Programa de


Pós-graduação em Engenharia Civil, COPPE, da
Universidade Federal do Rio de Janeiro, como
parte dos requisitos necessários à obtenção do
título de Doutor em Engenharia Civil.

Orientadora: Laura Maria Goretti da Motta

Rio de Janeiro
Abril de 2018

i
ii
Budny, Jaelson
Verificação do Potencial de Estabilização de um Solo
Laterítico com uso de Ácido Fosfórico, Ácido Cítrico e
Cinza de Casca de Arroz/ Jaelson Budny. – Rio de Janeiro:
UFRJ/COPPE, 2018.
XXII, 232 p.: il.; 29,7 cm.
Orientador: Laura Maria Goretti da Motta
Tese (doutorado) – UFRJ/ COPPE/ Programa de
Engenharia Civil, 2018.
Referências Bibliográficas: p. 171-188.
1. Estabilização de Solos. 2. Solos Lateríticos. 3.
Aproveitamento de Resíduos. I. Motta, Laura Maria Goretti
da. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE,
Programa de Engenharia Civil. III. Título.

iii
Aos meus Pais Leandro e Francisca, ao mano Acsiel,

e à minha querida Raquel Caroline, dedico este trabalho.

iv
AGRADECIMENTOS

Tentarei expressar aqui meus sinceros agradecimentos aos que contribuíram para
a realização desta tese, mesmo correndo o risco de neste momento não lembrar de
mencionar alguns neste espaço, caso aconteça já peço desculpas pelo indesculpável.

À Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, ao Programa de Pós-


Graduação em Engenharia Civil, COPPE e aos professores desta instituição pela
oportunidade de qualificação. Em especial quero externar minha admiração à pessoa que
acompanhou e guiou todos os meus passos no Mestrado e no Doutorado. Professora
Laura, pela oportunidade, pela orientação, pelo grande exemplo que és com sua
motivação e profissionalismo, muito obrigado.

Ao corpo técnico do laboratório de pavimentos: Marcos e Álvaro, grandes amigos.


Mari e “meninos” (Washington, Alan, Leandro e Beto) pela amizade e por todo o grande
apoio para a realização das moldagens e ensaios.

Ao amigo João de Almeida Melo Filho, pelo acolhimento nos primeiros dias de
Rio de Janeiro ainda durante o mestrado, e ter assim permitido criar a família da Cambucá
(Andrea, Bel, Cayto, Cristiano, Diego, Dimas, Ederli, Fabricio, João, Magno, Pedro,
Rafaela, Ricardo, Saulo, Tamile)

Ao Magno, por sempre ter um cantinho para me acolher nas idas ao Rio, e por ter
realizado os tramites finais.

Ao José Luiz, pela realização dos ensaios de Difração de Raios X no Instituto de


Engenharia Nuclear IEN. Obrigado Mari e Caroline por fazerem as amostras chegar até
o IEN.

Agradeço à Leni, Margareth e ao Luís Alberto, do CENPES, por providenciarem


o ensaio de Raio X em algumas amostras desta pesquisa.

Ao Professor Jacques de Medina, que foi o grande inspirador desta tese, guiando
os primeiros passos, e contribuindo com suas valiosas orientações.

Ao Professor Casanova, que possibilitou um delineamento mais químico ao


estudo, contribuindo tecnicamente com este trabalho.
v
Ao Instituto Militar de Engenharia, pelas realizações dos ensaios de MEV e EDS.

Aos amigos André Luiz Bock, pela grande ajuda com o transporte do Ácido
Fosfórico, Alisson Milani e Mauricio Thomas pelas ajudas nos ensaios na UNIPAMPA.

Aos colegas e alunos da Universidade Federal do Pampa, agradeço pelo apoio


recebido.

À banca avaliadora, que contribuiu com seus comentários e observações para o


fechamento deste trabalho.

Aos meus pais, Leandro Budny e Francisca Cristina Budny, e meu irmão Acsiel
Budny, agradeço por todo o apoio. Todas as conquistas sempre serão nossas e são frutos
do que vocês semearam. Agradeço a minha companheira, Raquel Caroline Zydeck por
estar sempre ao meu lado, pelos inúmeros dias de laboratório, pela paciência e pelo
entendimento de nossas prioridades, tenha certeza que sem a sua ajuda, esta etapa tão
importante em nosso futuro não seria concluída, seu apoio nos momentos difíceis ao
longo desta dura caminhada, tanto no aspecto profissional como pessoal foi fundamental.
Família: tudo sempre será para vocês e por vocês.

vi
Resumo da Tese apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos necessários para
a obtenção do grau de Doutor em Ciências (D.Sc.)

VERIFICAÇÃO DO POTENCIAL DE ESTABILIZAÇÃO DE UM SOLO


LATERÍTICO COM USO DE ÁCIDO FOSFÓRICO, ÁCIDO CITRICO E CINZA DE
CASCA DE ARROZ

Jaelson Budny

Abril/2018

Orientadora: Laura Maria Goretti da Motta


Programa: Engenharia Civil

A engenharia civil tem papel importante no desenvolvimento sustentável e a


pavimentação, pelo grande consumo de materiais pode contribuir de maneira significativa
neste quesito. A cinza de casca de arroz é um passivo ambiental resultante da queima da
casca de arroz usada para gerar energia calorífera e o ácido fosfórico é um subproduto da
fabricação de fertilizantes. A presente tese trata do uso de ácido fosfórico, ácido cítrico e
cinza de casca de arroz na estabilização de um solo laterítico para uso em camadas de
pavimentos rodoviários. O programa experimental consistiu na caracterização física,
química e mecânica dos materiais. A partir da análise dos resultados mecânicos de
resistência à tração e da resistência à compressão simples e dos ensaios dinâmicos de
módulo de resiliência e deformação permanente, conclui-se que o ácido fosfórico melhora
significativamente as propriedades mecânicas, entretanto apresenta um inconveniente de
criar grumos na homogeneização, e quando adicionados cinza de casca de arroz ou ácido
cítrico de maneira combinada ao ácido fosfórico tem-se misturas mais homogêneas e
resultados mecânicos satisfatórios. A cinza de casca de arroz adicionada de maneira
isolada ao solo não foi satisfatória, mas em conjunto com o ácido fosfórico contribuiu
positivamente na estabilização do solo laterítico deste estudo, representando uma
alternativa para a redução de um grave problema ambiental regional.

vii
Abstract of Thesis presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements
for the degree of Doctor of Science (D.Sc.)

VERIFICATION OF THE STABILIZATION POTENTIAL OF A LATERITIC SOIL


WITH USE OF PHOSPHORIC ACID, CITRIC ACID AND RICE HUSK ASH

Jaelson Budny

April/2018

Advisor: Laura Maria Goretti da Motta


Department: Civil Engineering

Civil Engineering had an important role on the sustainable development and


paving, due to the great amount of materials involved it can make a significant
contribution to this issue. Rice husk ash is an environmental liability resulting from the
burning of the rice husk used to generate heat energy and phosphoric acid is a by-product
of fertilizer manufacturing. The present thesis deals with the use of phosphoric acid, citric
acid and rice husk ash in the stabilization of a lateritic soil used in layers of roadways.
The experimental program consisted in the physical, chemical and mechanical
characterization of the materials. Results from the mechanical tests of tensile strength and
compressive strength and the dynamic tests of resilient modulus and permanent
deformation were analyzed. It was concluded that phosphoric acid significantly improves
the mechanical properties; however, it has the disadvantage of creating lumps during the
homogenization. When rice husk ash or citric acid in combination with phosphoric acid
were added, the mixture was comparatively more homogeneous, with more satisfactory
mechanical results. The incorporation of rice husk ash did not present satisfactory
contributions. However, when added together with phosphoric acid, it contributed
positively to the lateritic soil stabilization, representing an alternative for the reduction of
the serious regional environmental problem.

viii
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .........................................................................................................1
2. REVISÃO DE LITERATURA ...............................................................................11
2.1. Solos tropicais .................................................................................................. 14

2.2. Estabilização dos solos para fins de pavimentação ......................................... 19

2.3. Estabilização com Ácido Fosfórico ................................................................. 21

2.4. Estabilização com Cinza de casca de arroz ..................................................... 26

3. MATERIAIS E MÉTODOS....................................................................................32
3.1. Considerações Iniciais ..................................................................................... 32

3.2. Planejamento deste estudo ............................................................................... 33

3.3. Materiais, Métodos e Ensaios preliminares. .................................................... 37

3.3.1. Solo ........................................................................................................... 37

3.3.2. Ácido Fosfórico ........................................................................................ 41

3.3.3. Ácido Cítrico ............................................................................................ 42

3.3.4. Cinza de Casca de Arroz .......................................................................... 43

3.3.5. Cal............................................................................................................. 44

3.3.6. Ataque Sulfúrico e pH .............................................................................. 45

3.3.7. Limites de Atterberg e pH ........................................................................ 47

3.3.8. Determinação do teor de cal ..................................................................... 48

3.3.9. Ensaio de compactação ............................................................................. 50

3.3.10. Ensaio de Resistência à tração por Compressão Diametral ...................... 50

3.3.11. Ensaio de Compressão Simples ................................................................ 52

3.3.12. Ensaio de Módulo de Resiliência ............................................................. 53

3.3.13. Ensaio de Deformação Permanente .......................................................... 55

3.3.14. Microscopia eletrônica de varredura ........................................................ 58


ix
3.3.15. Ensaio de Difração por Raios-X ............................................................... 59

3.3.16. Ensaio de Fluorescência de Raios-X ........................................................ 60

4. RESULTADOS .......................................................................................................61
4.1. Ensaio de compactação ............................................................................. 61

4.2. Ensaio de Deformação Permanente .......................................................... 68

4.3. Ensaio de Resistência à Tração por Compressão Diametral .................... 69

4.4. Ensaio de Resistência à Compressão Simples .......................................... 75

4.5. Ensaio de Módulo de Resiliência ............................................................. 81

4.5.1. Solo sem adições (Energia Proctor Intermediário) ................................... 82

4.5.2. Solo sem adições (Energia Proctor Modificado) ...................................... 86

4.5.3. Solo +1% H3PO4....................................................................................... 87

4.5.4. Solo +3% H3PO4....................................................................................... 89

4.5.5. Solo +5% H3PO4....................................................................................... 90

4.5.6. Solo +5% Cinza de Casca de Arroz ......................................................... 92

4.5.7. Solo +10% Cinza de Casca de Arroz ....................................................... 93

4.5.8. Solo +15% Cinza de Casca de Arroz ....................................................... 95

4.5.9. Parâmetros k1, k2 e k3 do modelo composto de MR para o solo puro e para

o solo com adição de H3PO4 e solo com adição de Cinza de Casca de Arroz ........ 96

4.5.10. Solo +5% Cinza de Casca de Arroz +1% H3PO4 ..................................... 99

4.5.11. Solo +10% Cinza de Casca de Arroz +1% H3PO4 ................................. 101

4.5.12. Solo +15% Cinza de Casca de Arroz +1% H3PO4 ................................. 102

4.5.13. Solo +5% Cinza de Casca de Arroz +3% H3PO4 ................................... 104

4.5.14. Solo +10% Cinza de Casca de Arroz +3% H3PO4 ................................. 105
x
4.5.15. Solo +15% Cinza de Casca de Arroz +3% H3PO4 ................................. 107

4.5.16. Parâmetros k1, k2 e k3 do modelo composto de MR ............................. 108

4.5.17. Solo + 1% C6H8O7 + 3% H3PO4............................................................. 111

4.5.18. Solo + 3% C6H8O7 + 3% H3PO4............................................................. 113

4.5.19. Solo 3% C6H8O7 ..................................................................................... 114

4.5.20. Solo +3% C6H8O7 + 10% Cinza de Casca de Arroz .............................. 116

4.5.21. Parâmetros k1, k2 e k3 do modelo composto de MR ............................. 117

4.5.22. Solo + 5% Cinza de Casca de Arroz+ 3% H3PO4 +5% Cal ................... 119

4.5.23. Solo + 10% Cinza de Casca de Arroz+ 3 H3PO4 +5% Cal .................... 121

4.5.24. Solo +3% H3PO4 + 5% Cal .................................................................... 122

4.5.25. Solo + 5% Cal ......................................................................................... 124

4.5.26. Parâmetros k1, k2 e k3 do modelo composto de MR ............................. 125

4.5.27. Solo + 3% H3PO4 (Energia Proctor Modificado) ................................... 128

4.5.28. Solo + 10% Cinza de Casca de Arroz .................................................... 130

4.5.29. Solo + 10% Cinza de Casca de Arroz + 3% H3PO4 ............................... 131

4.5.30. Parâmetros k1, k2 e k3 do modelo composto de MR ............................. 133

4.6. Imagens de Microscopia Eletrônica de Varredura ................................. 135

4.6.1. Espectroscopia de energia dispersiva (EDS) .......................................... 144

4.7. Análises de fluorescência de raios x ....................................................... 150

4.8. Correlações de resultados. ...................................................................... 153

4.9. Considerações finais ............................................................................... 155

4.10. Dimensionamento de estruturas usando o programa MeDiNa ............... 160

xi
5. CONCLUSÕES .....................................................................................................168
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 171

ANEXO I .......................................................................................................................189
ANEXO II .....................................................................................................................224

xii
LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Distribuição das áreas de ocorrência de Latossolos no Brasil. Fonte:

CAMARGO et al., 1986. ........................................................................................ 16

Figura 2: Grumos formados na mistura de solo + 3% H3PO4 desta pesquisa ....... 35

Figura 3: Aparência do solo desta pesquisa na umidade ótima de compactação ... 36

Figura 4: Aparência da mistura de solo + 10% CCA + 3% H3PO4 desta pesquisa36

Figura 5: Localização da Jazida do solo utilizado no estudo (Fonte: Google Maps,

Maio 2018) ............................................................................................................. 38

Figura 6: Jazida do solo utilizado nesta pesquisa ................................................... 39

Figura 7: Curva Granulométrica do solo utilizado nesta pesquisa ......................... 39

Figura 8: Classificação MCT do solo utilizado nessa pesquisa ............................. 40

Figura 9: Difratograma de DRX do solo desta pesquisa. ....................................... 41

Figura 10: Cinza de Casca de Arroz usada na presente pesquisa ........................... 43

Figura 11: Difratograma de DRX da Cinza de Casca de Arroz desta pesquisa ..... 44

Figura 12: Difratograma de DRX da Cal utilizada neste estudo ............................ 45

Figura 13: Método Físico-químico de dosagem solo/cal desta pesquisa ............... 49

Figura 14: Dosagem Método Eades e Grim – pH para o solo/cal .......................... 49

Figura 15: Moldagem dos corpos de prova para o ensaio de tração por compressão

diametral nesta pesquisa ......................................................................................... 51

Figura 16: Exemplos de Corpos de prova moldados para o ensaio de RCS envoltos

em parafina nesta pesquisa ..................................................................................... 52

Figura 17: Execução do Ensaio de Compressão Simples e alguns tipos de ruptura

encontrados nesta pesquisa ..................................................................................... 53

xiii
Figura 18: Microscópio eletrônico de varredura utilizado nesta pesquisa ............. 58

Figura 19: Amostra de solo sem metalização e com metalização para ensaio de MEV

59

Figura 20: Curvas de compactação na energia Intermediária do solo, do solo com

adição de H3PO4 e do solo com adição de CCA ................................................... 62

Figura 21: Curvas de compactação na energia Intermediária do solo e do solo com

adição de H3PO4 e CCA ........................................................................................ 63

Figura 22: Curvas de compactação na energia Intermediária do solo com

combinações de H3PO4, C6H8O7 e CCA ............................................................. 64

Figura 23: Curvas de compactação na energia Intermediária do solo com

combinações de H3PO4, cal e CCA ....................................................................... 65

Figura 24: Curvas de compactação na energia intermediária e na energia modificada

do solo, do solo com adição de H3PO4 e de CCA ................................................. 66

Figura 25: Variação da Deformação Permanente total do solo utilizado nesta

pesquisa para os diferentes pares de tensão (desvio e confinante) utilizados em cada

corpo de prova. ....................................................................................................... 68

Figura 26: Resistência à Tração do solo, e do solo com adição de H3PO4 e do solo

com adição de CCA ................................................................................................ 70

Figura 27: Resistência à Tração do solo e do solo com adição de H3PO4 e CCA. 71

Figura 28: Resistência à Tração do solo com combinações de H3PO4, C6H8O7 e

CCA 72

Figura 29: Resistência à Tração do solo com combinações de H3PO4, cal e CCA73

Figura 30: Resistência à Tração das amostras de solo, de solo com adição de H3PO4

e de CCA compactadas nas energias Intermediária e Modificada ......................... 74


xiv
Figura 31: Resistência à Compressão Simples das amostras de solo, de solo com

adição de H3PO4 e de CCA compactadas nas energias Intermediária e Modificada

76

Figura 32: Resistência à Compressão Simples do solo e do solo com adições de

H3PO4 e CCA desta pesquisa ................................................................................ 77

Figura 33: Resistência à Compressão Simples do solo com combinações de H3PO4,

C6H8O7 e CCA desta pesquisa .............................................................................. 78

Figura 34: Resistência à Compressão Simples do solo com combinações de H3PO4,

cal e CCA ............................................................................................................... 79

Figura 35: Resistência à Compressão Simples das amostras de solo, de solo com

adição de H3PO4 e de CCA compactadas nas energias Intermediária e Modificada

80

Figura 36: Módulo de Resiliência versus Tensão Confinante do Solo para diferentes

períodos de cura. ..................................................................................................... 83

Figura 37: Módulo de Resiliência versus Tensão Desvio do Solo para diferentes

períodos de cura. ..................................................................................................... 84

Figura 38: Modelo composto de Módulo de Resiliência do Solo para diferentes

períodos de cura. ..................................................................................................... 85

Figura 39: Modelo composto de Módulo de Resiliência para o solo puro compactado

na energia Proctor modificado................................................................................ 87

Figura 40: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

adição de 1% de H3PO4. ........................................................................................ 88

Figura 41: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

adição de 3% de H3PO4. ........................................................................................ 89

xv
Figura 42: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

adição de 5% de H3PO4. ........................................................................................ 91

Figura 43: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

5% de Cinza de Casca de Arroz. ............................................................................ 92

Figura 44: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

10% de Cinza de Casca de Arroz. .......................................................................... 94

Figura 45: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

15% de Cinza de Casca de Arroz. .......................................................................... 95

Figura 46: Parâmetro k1 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo e

do solo com adição de H3PO4 e do solo com adição de CCA............................... 97

Figura 47: Parâmetro k2 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo e

do solo com adição de H3PO4 e do solo com adição de CCA............................... 98

Figura 48: Parâmetro k3 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo e

do solo com adição de H3PO4 e do solo com adição de CCA............................... 99

Figura 49: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

5% de Cinza de Casca de Arroz e 1% de H3PO4. ............................................... 100

Figura 50: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

10% de Cinza de Casca de Arroz e 1% de H3PO4. ............................................. 101

Figura 51: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

15% de Cinza de Casca de Arroz e 1% de H3PO4. ............................................. 103

Figura 52: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

5% de Cinza de Casca de Arroz e 3% de H3PO4. ............................................... 104

Figura 53: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

10% de Cinza de Casca de Arroz e 3% de H3PO4. ............................................. 106


xvi
Figura 54: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

15% de Cinza de Casca de Arroz e 3% de H3PO4. ............................................. 107

Figura 55: Parâmetro k1 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo e

do solo com adição combinada de CCA e H3PO4 ............................................... 109

Figura 56: Parâmetro k2 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo e

do solo com adição combinada de H3PO4 e CCA ............................................... 110

Figura 57: Parâmetro k3 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo e

do solo com adição combinada de H3PO4 e CCA ............................................... 111

Figura 58: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

1% C6H8O7 + 3% de H3PO4. ............................................................................. 112

Figura 59: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

3% C6H8O7 + 3% de H3PO4. ............................................................................. 113

Figura 60: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

3% C6H8O7 ......................................................................................................... 115

Figura 61: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

3% C6H8O7 e 10% de cinza de casca de arroz.................................................... 116

Figura 62: Parâmetro k1 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo com

combinações de H3PO4, C6H8O7 e CCA ........................................................... 117

Figura 63: Parâmetro k2 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo com

combinações de H3PO4, C6H8O7 e CCA ........................................................... 118

Figura 64: Parâmetro k3 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo com

combinações de H3PO4, C6H8O7 e CCA ........................................................... 119

Figura 65: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

5% de cinza de casca de arroz + 3% de H3PO4 + 5% Cal ................................... 120


xvii
Figura 66: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

10% cinza de casca de arroz + 3% H3PO4 + 5% cal ........................................... 121

Figura 67: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

3% de H3PO4 + 5% Cal. ...................................................................................... 123

Figura 68: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

5% Cal. 124

Figura 69: Parâmetro k1 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo com

combinações de H3PO4, cal e CCA ..................................................................... 126

Figura 70: Parâmetro k2 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo com

combinações de H3PO4, cal e CCA ..................................................................... 127

Figura 71: Parâmetro k3 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo com

combinações de H3PO4, cal e CCA ..................................................................... 128

Figura 72: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

3% H3PO4 compactada na energia Proctor modificado. ..................................... 129

Figura 73: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

10% CCA compactada na energia Proctor modificado. ....................................... 130

Figura 74: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com

10% CCA + 3% H3PO4 compactada na energia Proctor modificado. ................ 132

Figura 75: Parâmetro k1 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo, do

solo com adição de H3PO4 e de CCA compactados nas energias Intermediária e

Modificada ............................................................................................................ 133

Figura 76: Parâmetro k2 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo, do

solo com adição de H3PO4 e de CCA compactados nas energias Intermediária e

Modificada ............................................................................................................ 134

xviii
Figura 77: Parâmetro k3 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo, do

solo com adição de H3PO4 e de CCA compactados nas energias Intermediária e

Modificada ............................................................................................................ 135

Figura 78: Imagem de MEV do solo desta pesquisa sem adições ........................ 136

Figura 79: Imagem do MEV da fração argila do solo desta pesquisa sem adições

136

Figura 80: Imagem do MEV da mistura solo com 3% H3PO4 ............................ 137

Figura 81: Imagem do MEV da fração argila da mistura solo com 3% H3PO4 .. 137

Figura 82: Imagem do MEV do solo com adição de 10% de CCA+ 3% H3PO4. 138

Figura 83: Imagem do MEV da fração argila do solo com adição de 10% de CCA+

3% H3PO4. ........................................................................................................... 138

Figura 84: Imagem do MEV da mistura solo com 10% CCA .............................. 139

Figura 85: Imagem do MEV da fração argila da mistura solo com 10% CCA .... 140

Figura 86: Imagem do MEV da mistura solo com adição de C6H8O7 ................ 140

Figura 87: Imagem do MEV da fração argila da mistura solo com adição de C6H8O7

141

Figura 88: Imagem do MEV da mistura solo com 3% H3PO4 + 3% C6H8O7. .. 141

Figura 89: Imagem do MEV da fração argila da mistura solo com 3% H3PO4 + 3%

C6H8O7. ............................................................................................................... 142

Figura 90: Imagem do MEV da mistura solo com adição de 5% de cal .............. 142

Figura 91: Imagem do MEV da fração argila da mistura solo com adição de 5% de

cal 143

Figura 92: Imagem do MEV da mistura solo com 3% H3PO4 + 5% de cal ........ 143

xix
Figura 93: Imagem do MEV da fração argila da mistura solo com 3% H3PO4 + 5%

de cal 144

Figura 94: Eixo Padrão Rodoviário utilizado para dimensionamentos no Brasil 160

Figura 95: Estrutura de pavimento analisada nesta pesquisa ............................... 162

Figura 96: Estrutura 2 de pavimento analisada nesta pesquisa ............................ 166

xx
LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Composição Química de Várias CCA .................................................... 28

Tabela 2: Resultados do ataque sulfúrico no solo utilizado na presente pesquisa . 46

Tabela 3: Resultados de pH e limites de Atterberg do solo desta pesquisa com

algumas adições ...................................................................................................... 47

Tabela 4: Pares de tensões utilizados na etapa de condicionamento dos ensaios

triaxiais de carga repetida para obtenção do Módulo de Resiliência ..................... 54

Tabela 5: Pares de tensões utilizados nos ensaios triaxiais de carga repetida para

obtenção do Módulo de Resiliência ....................................................................... 54

Tabela 6: Relação de tensões utilizadas para o ensaio de deformação permanente

(Guimarães, 2009) .................................................................................................. 57

Tabela 7: Resultados obtidos do ensaio de compactação das misturas desta pesquisa

67

Tabela 8: Resultados de espectroscopia de energia dispersiva para o solo, e para o

solo com adição de H3PO4 .................................................................................. 145

Tabela 9: Resultados de espectroscopia de energia dispersiva para o solo, e para o

solo com adição de CCA ...................................................................................... 146

Tabela 10: Resultados de espectroscopia de energia dispersiva para o solo, e para o

solo com adição combinada de CCA e H3PO4 .................................................... 147

Tabela 11: Resultados de espectroscopia de energia dispersiva para o solo, e para o

solo com adição de C6H8O7 e adição combinada de H3PO4 e C6H8O7 ........... 148

Tabela 12: Resultados de espectroscopia de energia dispersiva para o solo, e para o

solo com adição de cal, adição combinada de H3PO4 e cal, e adição combinada de

CCA e H3PO4 e cal .............................................................................................. 149


xxi
Tabela 13: Fluorescência de Raios X do Solo Natural ......................................... 151

Tabela 14: Fluorescência de Raios X do Solo + 3% de H3PO4 .......................... 151

Tabela 15: Fluorescência de Raios X do Solo + 3% de H3PO4 + 3% C6H8O7 . 152

Tabela 16: Fluorescência de Raios X do Solo + 5% de Cinza de Casca de Arroz +

3% de H3PO4 ....................................................................................................... 152

Tabela 13: Correlações entre propriedades para 07 dias de cura ......................... 153

Tabela 14: Correlações entre propriedades para 14 dias de cura ......................... 154

Tabela 15: Correlações entre propriedades para 28 dias de cura ......................... 154

Tabela 16: Correlações entre propriedades para 56 dias de cura ......................... 154

Tabela 17: Correlações entre propriedades com resultados dos 4 períodos de cura

154

Tabela 18: Características das seis curvas de fadiga sugeridas no Programa MeDiNa

para anteprojeto .................................................................................................... 162

Tabela 19: Espessuras de revestimento encontradas para os materiais de base

compactados na energia Proctor Intermediário .................................................... 163

Tabela 20: Espessuras de revestimento encontradas para os materiais de base

compactados na energia Proctor Modificado ....................................................... 165

Tabela 21: Espessuras de revestimento encontradas para a estrutura 2 ............... 166

xxii
1. INTRODUÇÃO

O pavimento por definição é uma estrutura de múltiplas camadas construídas após


a camada final de terraplenagem, constituído de espessuras pré-determinadas em projeto,
que dependem das características dos materiais que as constituem e dos carregamentos
atuantes sobre as mesmas. Essas espessuras devem ser dimensionadas levando em conta
a técnica e a economia, de tal forma a resistir aos esforços oriundos do tráfego de veículos
e do clima.

Para tornar o projeto econômico, recomenda-se sempre que possível utilizar os


materiais da própria região da obra para a construção das camadas. A utilização de
materiais granulares nas bases e sub-bases de pavimentos é uma prática universal.
Entretanto, a escassez de agregados pétreos em determinada região resulta em grandes
distâncias de transporte, tornando sua utilização inviável do ponto de vista econômico.

Sabe-se que o solo natural é um material complexo e muito variável e, devido à


sua abundância, tem grande emprego na engenharia rodoviária. Porém, nem sempre o
solo local satisfaz as especificações para sua utilização em camadas de base e/ou sub-base
de pavimentos. Surge, assim, a necessidade de buscar outros tipos de materiais, ou
técnicas de melhorias dos materiais locais, que apresentem características necessárias ao
emprego nessas camadas de pavimentos.

Atualmente, diante da busca cada vez maior por soluções de custo reduzido, que
visem a preservação dos recursos naturais, a estabilização de solos surge como uma boa
alternativa ao emprego de britas, tradicionalmente usadas em camadas de pavimentos. O
processo de estabilização química de solos é uma das alternativas que conduz a estruturas
de pavimentos com bom desempenho e durabilidade.

A busca por materiais alternativos para uso na construção de pavimentos justifica-


se pelo fato de que o setor rodoviário é responsável pelo consumo intensivo de recursos
naturais (britas, areias, solos) e, o modo rodoviário de transportes é o mais usado no país:
pelas rodovias pavimentadas trafegam mais de 70% das cargas transportadas bem como
pela extensão das estradas públicas vicinais. Associa-se a esse fato a necessidade de que
as rodovias sejam trafegáveis durante todo o ano com qualidade e segurança, diminuindo,

1
assim, o número excessivo de acidentes nas estradas, a perda de produtos, danos à frota
nacional de veículos e ao meio ambiente.

Em regiões tropicais e subtropicais bem drenadas, a alteração ou intemperismo


das rochas origina dois grupos de solos: solos saprolíticos e lateríticos. Os solos
saprolíticos estão em contato direto com a rocha, preservando sua mineralogia e estrutura.
Devido a essa estrutura singular eles também são chamados de solos residuais genuínos.
Nos níveis superiores do perfil, os solos maduros ou lateríticos podem ser encontrados, e
nestes, a estrutura da rocha não é mais facilmente identificada (NOGAMI & VILLIBOR,
1995; CERATTI et al. 2004).

Os solos residuais são produtos de intemperismo químico e físico, portanto, suas


características dependem de fatores ambientais como o clima, tipo de rocha, topografia,
drenagem e idade. Uma intensificação desses fatores ocorre em regiões tropicais onde
fortes chuvas e temperaturas quentes são mais favoráveis ao intemperismo químico e ao
desenvolvimento de perfis profundos de solo residuais que podem evoluir em solos
lateríticos ou lateritas. Os solos lateríticos são solos tropicais avermelhados ou
amarelados altamente degradados que concentram óxidos e hidróxidos de ferro e
alumínio com a caulinita sendo o mineral de argila predominante (TOWNSEND, 1985;
MEDINA 1987). Existem seis áreas do globo onde este grupo de solo laterítico é
encontrado em abundância, que são: África, Índia, Sudeste Asiático, Austrália, América
Central e do Sul (ZELALEM, 2005).

A maioria dos solos lateríticos finos, em suas condições naturais são adequados,
principalmente para a camada de sub-base, mas não para o material padrão de construção
da base do pavimento quando o volume de tráfego é alto (OLA, 1983; OSINUBI, 2000a).

Muitas vezes, o engenheiro civil, não encontrando solo adequado no local para
utilização em obras geotécnicas, usa de procedimentos diversos para promover a melhoria
do solo local para torná-lo adequado à função a que se destina, e os processos são
agrupados sob o nome de estabilização. Classicamente entende-se por estabilização de
solo qualquer tratamento a que se submete um solo para melhorar-lhe as características
de resistência de forma geral. As principais propriedades de engenharia que se visa
modificar na estabilização de um solo para fins geotécnicos são (Medina, 1988):

2
− a resistência ao cisalhamento, tornando-o menos sensível às mudanças ambientais,
principalmente à umidade, além de torná-lo compatível com as cargas que a
estrutura vai absorver;
− a permeabilidade, aumentando-a ou diminuindo-a;
− a compressibilidade, reduzindo-a.

Assim, o termo "estabilização do solo" corresponde a qualquer processo, natural


ou artificial, pelo qual um solo, sob o efeito de cargas aplicadas, se torna mais resistente
à deformação e ao deslocamento, do que o solo original. Tais processos consistem em
modificar as características do sistema solo-água-ar com a finalidade de se obter
propriedades de longa duração compatíveis com uma aplicação particular (HOUBEN &
GUILLAUD, 1994).

As alterações às propriedades de um solo neste processo de estabilização podem


ser de ordem química, física e biológica. Contudo, devido à grande variabilidade dos solos
nenhum método será bem-sucedido em mais do que alguns tipos de solos. De fato, visto
que as características de um solo se alteram em intervalos de alguns metros, a escolha de
um método de estabilização é normalmente condicionada pelo número e tipo de solos
sobre os quais este processo provou ter uma ação efetiva (CRISTELO, 2001).

Geralmente, os propósitos da melhoria química incluem aumentar a resistência a


tração e a compressão, aumentar a rigidez ou diminuir a permeabilidade. Na prática, esses
métodos de melhoria têm sido utilizados para aumentar a rigidez de camadas de
pavimentos, aumentar a capacidade de suporte das fundações, diminuir os recalques,
reforçar encostas e escavações e controlar a infiltração em barragens e locais
contaminados, entre outras aplicações (PORBAHA et al., 1998; ANDROMALOS et al.
2001; SHEN et al., 2012).

O tipo de solo e o tipo de estabilizador desempenham um papel importante no


processo de estabilização (EISAZADEH, 2012; TINGLE & SANTONI, 2003). Além
disso, verificam-se diferenças importantes no mecanismo de estabilização dos solos
tropicais em relação aos dos climas moderados (EISAZADEH, 2010).

Os estabilizantes químicos mais comuns na pavimentação são o cimento Portland


e a cal. Mas, vem crescendo o uso de aditivos ou estabilizadores de solo não tradicionais

3
para o tratamento de materiais pouco resistentes e alguns destes aditivos são soluções
viáveis aos tradicionais, como a cal e o cimento. O tratamento do solo natural com
aditivos químicos pode afetar o tamanho, a forma e o arranjo das partículas do solo. Além
disso, o grau de melhoria depende da quantidade e do padrão de novos produtos formados
ao redor das partículas do solo (LATIFI et al., 2015a).

Sarkar et al. (2000) e Katz et al. (2001) verificaram o comportamento de argilas


com adição de aditivos não tradicionais iônicos. Nestes estudos, os resultados de
microscopia eletrônica (MEV) mostraram evidências de uma mudança na estrutura da
argila, incluindo uma aparente perda de expansão mineral da argila.

Classicamente, para pavimentação, os solos têm sido estabilizados no país por


adição de cal ou cimento, sendo na prática, pouco utilizados outros aditivos. Porém, com
a consciência ambiental cada vez mais presente nas soluções de engenharia e levando em
conta que as atividades desenvolvidas pelas diversas áreas da engenharia podem gerar
grandes impactos ambientais, cresce a busca pelo uso de resíduos diversos na
pavimentação. Muitos resíduos provenientes de processos industriais podem ter potencial
de estabilizador de solo. Além disso, a construção e manutenção de estradas representa
uma participação econômica significativa, o que a posiciona, em caráter mundial, como
um dos setores estratégicos para incentivar mudanças efetivas que diminuam seu impacto
na degradação do planeta, e a engenharia civil pode atuar como um agente para o
reaproveitamento de materiais, resíduos e rejeitos. Vale a pena salientar, também, o papel
importante que a reciclagem e a reutilização de resíduos industriais desempenham no
desenvolvimento sustentável.

A tendência crescente na estabilização do solo para pavimentação é considerar a


reutilização de resíduos das indústrias. Como exemplos, Ingles e Metcalf (1972)
relataram o uso de cinzas volantes para a estabilização do solo, processo também
empregado no Brasil e relatado por Pinto (1971) e Nardi (1975) entre outros. Escórias de
aciaria têm sido usadas há vários anos na pavimentação, no exterior e no Brasil. Osinubi
(1998, 2000b, 2006) mostrou que os resíduos fosfatados, um subproduto da produção de
adubo de superfosfato, cinzas de carvão mineral e escória do alto-forno podem ser
efetivamente utilizados para melhorar solos lateríticos.

4
Em outra linha de resíduos, Ubaldo e Motta (2014) relatam a experiência com o
uso de cinzas de resíduo sólido urbano (RSU), cinzas de carvão mineral e resíduo sólido
de construção e demolição (RCD). Estes resíduos foram utilizados em misturas com solos
e testados em diferentes proporções e os resultados dos ensaios triaxiais de carga repetida
e a avaliação do pavimento pelo método mecanístico, comprovam a viabilidade técnica
de utilização destes em pavimentação.

Tapahuasco et al. (2012) estudaram o aproveitamento do resíduo de corte de


rochas graníticas como agregados para uso em misturas de concreto asfáltico. Os resíduos
coletados foram submetidos a processos de britagem, visando obter granulometrias
apropriadas. Foram executados ensaios de resistência à abrasão, forma das partículas,
absorção, adesividade ao ligante asfáltico, sanidade, massa específica do agregado graúdo
e miúdo. Finalmente, com o propósito de avaliar o efeito da incorporação dos resíduos de
rocha no comportamento mecânico das misturas asfálticas, foram executados ensaios de
estabilidade utilizando a prensa Marshall. A partir dos diferentes ensaios realizados, foi
verificada a potencialidade do uso dos resíduos oriundos do corte de rochas graníticas em
misturas de concreto asfalto usinado a quente.

Alecrim (2009) e Oliveira et al. (2012) mostram o uso de resíduos de pedras


ornamentais, respectivamente de quartzito e ardósia, para pavimentação, entre outros
autores que avaliaram o mesmo tipo de resíduos.

Kelm (2014) realizou estudos com uso de lodo de Estação de Tratamento de


Esgoto (ETE) na estabilização de materiais para pavimentação em suas diferentes formas
(in natura, seco e calcinado). O programa experimental consistiu na caracterização física,
química e mecânica dos materiais. A partir da análise mecânica e ambiental das misturas,
pode-se concluir que a mistura composta por lodo in natura, pó de pedra e cimento,
apresentou os melhores resultados, podendo ser utilizada em camadas de base e sub-base
de pavimentos, representando uma alternativa para a redução do grave problema
ambiental resultante da disposição inadequada deste resíduo no meio ambiente.

Delgado (2016) estudou a incorporação de lodo de Estação de tratamento de Água


(ETA) na estabilização de solos e pó de pedra para pavimentação. O programa
experimental consistiu na caracterização física, química e mecânica dos materiais. A
partir da análise mecânica e ambiental das misturas, também se viu que a mistura
5
composta por lodo in natura, pó de pedra e cimento, apresentou os melhores resultados,
podendo ser utilizada em camadas de base e sub-base de pavimentos.

Osinubi et al. (2009) estudaram o efeito da adição de cinzas da queima de bagaço


de cana de açúcar em um solo laterítico da Nigéria, no qual observou-se que pequenas
adições de cinzas melhoram as características do solo, porém não são suficientes para o
material a ser utilizado como material de base.

Bello et al. (2015) avaliaram o efeito da adição de cinza resultante da queima de


casca de mandioca, observaram que a cinza melhorou as características de 3 solos
argilosos, reduzindo significativamente os índices de plasticidade e o teor de umidade
ótima de todas as amostras enquanto a massa específica aparente máxima aumentou
consideravelmente. Os valores CBR e resistência ao cisalhamento das amostras
aumentaram. O estudo concluiu que a cinza de casca de mandioca tem potencial para
estabilizar efetivamente os solos lateríticos da região da Nigéria.

Em geral, a adição de cinzas de casca de arroz produz amostras mais resistentes,


e mais duráveis em comparação com as tratadas apenas com cal e/ou cimento. Isto implica
que os custos de manutenção para estradas serão reduzidos consideravelmente,
particularmente nas áreas rurais dos países menos desenvolvidos (ANISUR, 1986; ALI
et al. 1992a; JHA & GILL, 2006; RATHAN et al., 2016)

Durante as últimas décadas, foram realizadas pesquisas para investigar a


utilização de cinzas de casca de arroz como material estabilizador e melhorador do solo
(LAZARO & MOH, 1970; RAHMAN, 1987; ALI et al., 1992a; BASHA et al., 2005;
HOSSAIN, 2011). Muitos destes estudos de forma geral mostraram que a cinza de casca
de arroz é um resíduo promissor para melhorar os solos estabilizados com cal ou cimento.

Eisazadeh et al. (2010, 2011, 2012) verificaram, em amostras tratadas com cal,
que a ação do revestimento de óxidos de ferro livres nas partículas de argila impôs efeitos
inibidores na estabilização. Por outro lado, quando o solo foi estabilizado com ácido
fosfórico, devido ao aumento da solubilidade dos óxidos metálicos e também à
subsequente liberação de alumina, a formação de compostos de cimentados ficou mais
evidente. Do ponto de vista de propriedades mecânicas, o solo laterítico estabilizado com

6
ácido fosfórico mostrou melhoria com aumento de aproximadamente três vezes em
relação ao solo natural ao longo de um período de cura de 8 meses.

Um estudo pioneiro no Brasil que trata do uso de ácido fosfórico na estabilização


de solos lateríticos, é o realizado por Guida (1971) que, em seu trabalho de mestrado na
COPPE/UFRJ, estudou o comportamento de um latossolo do estado de São Paulo quanto
às mudanças de resistência à compressão simples. O autor observou que ocorriam
mudanças significativas nas propriedades do solo em estudo e que o mesmo apresentava
ganho de resistência à compressão simples quando tinha em sua composição o acréscimo
de ácido fosfórico. Os estudos apresentaram resultados promissores, entretanto não foram
mais aprofundados frente à Resiliência de solos estabilizados com essa técnica, já que
não se dispunham destes ensaios no Brasil, e até mesmo fora do Brasil eram poucos os
locais que dispunham dessa aparelhagem à época.

Em 1995, Medina e Guida publicaram trabalho ampliando o estudo de Guida


(1971) no qual fizeram um estudo de estabilização de solos lateríticos com ácido
fosfórico. Quatro tipos diferentes de solo foram estabilizados com solução aquosa de
ácido fosfórico em porcentagens variáveis de até 5% do peso. Os resultados dos ensaios
confirmaram o potencial de estabilização de solos tropicais que tenham teores de ferro
livre e óxido de alumínio com ácido fosfórico (MEDINA & GUIDA, 1995).

O fósforo existe com certa abundância na natureza (é o décimo elemento mais


comum): 1.050 ppm na crosta terrestre e teores médios de 8.690 ppm em carbonatitos,
650 ppm em granitos e 390 ppm em diabásios. Seus minérios são rochas naturais que se
formam em ambientes geológicos variados. Habitualmente, contém mais de um tipo de
fosfato, sendo os mais comuns os fosfatos de cálcio do grupo da apatita. Quando em
quantidade e concentração suficientes, formam depósitos de valor econômico. Estes
minérios podem então ser utilizados diretamente, ou após beneficiamento, na manufatura
de produtos comerciais. Sua principal aplicação é na agricultura, como fertilizante
(HEINRICH, 1966; MASON, 1971).

O ácido fosfórico (H3PO4) é um importante composto químico na indústria dos


fertilizantes, intermediário entre os minérios fosfatados e os principais produtos utilizados
na agricultura, tais como: fosfato de amônio, superfosfato triplo, nutrientes líquidos
mistos, nutrientes sólidos mistos de alta pureza e vários tipos de fosfatos nítricos. As
7
principais matérias-primas na produção de ácido fosfórico são o concentrado fosfático e
o ácido sulfúrico. A produção brasileira de ácido fosfórico em 2007 foi de cerca de
2.500.000 toneladas ano (LOUREIRO et al. 2008).

O Pentóxido de difósforo é o composto químico com fórmula P2O5, utilizado


como elemento básico dos fertilizantes fosfatados. Este sólido cristalino branco é o
anidrido do ácido fosfórico. É um poderoso dessecante. Segundo o Departamento
Nacional de Produção Mineral, a produção de P2O5 no Brasil, em 2013, foi de 6,7 milhões
toneladas, considerado o maior produtor de fosfato na América do Sul (DNPM, 2014).
As reservas mundiais ocorrem em rochas sedimentares, com teores entre 25% e 33% de
P2O5, com maior uniformidade e mineralogia mais simples. As reservas brasileiras
ocorrem em rochas ígneas carbonatíticas, com teores médios de 10-11% de P2O5 e com
mineralogia mais complexa e baixo grau de uniformidade, resultando em um
aproveitamento industrial mais complexo e com custos mais elevados.

Aproveitar o fósforo sob a forma de pentóxido de fósforo (P2O5) é necessário para


que, em proporções com outros compostos, resulte um fertilizante (adubo) mineral ou
orgânico, que misturado ao solo, substitua as quantidades dos elementos vitais nutrientes
(oxigênio, carbono, nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre, ferro, cobre,
zinco, manganês, boro, molibdênio e hidrogênio e água) que foram retirados pelas
plantas, tornando-o apto para novas plantações ou utilizações. Assim se procede, no
Brasil e no mundo, para garantir solos férteis para manter a agro - pecuária. Como um
dos principais usos do ácido fosfórico é para fertilizantes e o agronegócio no Brasil é
forte, há necessidade de produção elevada tendo inclusive importação de produto. Há no
Rio Grande do Sul o uso intensivo deste produto.

No Estado do Rio Grande do Sul há também uma grande produção agrícola,


especialmente de arroz, com 1.088.566 t produzidas na safra 2016/2017 e 1.104.732 t em
2017/2018, segundo previsão do IRGA (2018). Está grande produção de arroz resulta em
uma grande geração de casca de arroz, que precisa de destinos ambientalmente
adequados.

Assim, visando retomar a pesquisa iniciada na COPPE na década de 1970, sobre


o uso do ácido fosfórico como estabilizante de solos tropicais e também o aproveitamento
da casca de arroz, foi feita a definição do tema da presente pesquisa.
8
O objetivo principal desta pesquisa é verificar a aplicabilidade técnica do ácido
fosfórico e cinzas de casca de arroz, combinadas adicionalmente com ácido cítrico e cal,
separados ou combinados, na estabilização de um solo argiloso de comportamento
laterítico do estado do RS. Este tipo de solo é abundante na região sul e em outras partes
do país. Esta pesquisa visa ampliar o conhecimento das propriedades e características
deste tipo de solo estabilizado com estes materiais, comparando com o uso tradicional de
estabilização de cal. Pretende-se verificar o comportamento mecânico, e também buscar
entender as mudanças das propriedades do solo provocadas pelas adições.

Como objetivos específicos da presente pesquisa têm-se:

• Contribuir com o meio técnico rodoviário sobre o comportamento de solos


lateríticos para uso em pavimentação, estabilizado quimicamente ou não.
• Verificar se as reações químicas que ocorrem com o solo e com o Ácido Fosfórico
(H3PO4) são suficientes para permitir seu uso em camadas de pavimentos.
• Observar se existe a possibilidade de postergar as reações que ocorrem
imediatamente após a adição do H3PO4 ao solo, permitindo assim maior período
de transporte, espalhamento e compactação, gerando maior cimentação no solo.
• Avaliar as mudanças de propriedades do solo com o acréscimo de cinza de casca
de arroz (CCA), ácido fosfórico e ácido cítrico.
• Verificar se a CCA em conjunto com o H3PO4 resultam em ganho de desempenho
nas propriedades mecânicas do solo.
• Verificar as mudanças que ocorrem no solo com as adições, a nível microscópico
e químico.

Para cumprir os objetivos específicos serão realizados os seguintes ensaios ou


procedimentos:

• Caracterização e classificação do solo


• Ensaios de Deformação Permanente
• Ensaios de Resistência à Compressão Simples
• Ensaios de Resistência à Tração por Compressão Diametral
• Ensaios de Módulo de Resiliência
• Análises com uso de Microscópio Eletrônico de Varredura

9
• Análises de Difração de Raios-X e Fluorescência de Raios-X.

Esta tese está estruturada em cinco capítulos assim configurados:

O Capítulo 1 é o presente capítulo de introdução ao tema desta tese, em que


também são apresentados os objetivos e a justificativa desta pesquisa.

O Capítulo 2 apresenta uma revisão bibliográfica a respeito de temas relacionados


à estabilização de solos, principalmente os de comportamento laterítico, usando ácido
fosfórico e cinzas de casca de arroz.

O Capítulo 3 descreve os materiais utilizados nesta pesquisa, os métodos adotados


para a realização dos ensaios de laboratório e os resultados básicos de caracterização.

O Capítulo 4 mostra os resultados obtidos ao longo da tese nos ensaios mecânicos


e nos ensaios especiais de microscopia e DRX, e as análises destes resultados visando
contribuir para o conhecimento dos mecanismos da estabilização.

O Capítulo 5 relata as conclusões e recomendações para trabalhos futuros.

No Anexo I tem-se os gráficos obtidos da microscopia e do DRX. No Anexo II


consta uma ficha de cuidados para o uso do ácido fosfórico.

10
2. REVISÃO DE LITERATURA

As rodovias desenvolvem-se ao longo de grandes distâncias e, muitas vezes


atravessam regiões que apresentam diferentes constituições geotécnicas. Logo, toda essa
variabilidade, acaba dificultando a utilização de muitos ensaios laboratoriais para a
determinação das propriedades dos solos constituintes de cada perfil numa fase inicial do
projeto. Assim, defronta-se com a necessidade de se obter os parâmetros necessários à
identificação dos solos e seu comportamento a partir de ensaios mais simples, quando
comparados aos ensaios convencionais utilizados na avaliação da resistência,
deformabilidade e permeabilidade (SANTOS, 2006).

Com este intuito, foram criadas as classificações geotécnicas, que permitem


agrupar os diferentes materiais segundo categorias que têm características comuns
relacionadas ao comportamento geotécnico.

Dentre as classificações geotécnicas mais difundidas, destacam-se o Sistema


Unificado de Classificação dos Solos (USCS – Unified Soil Classification System) e a
classificação para fins rodoviários HRB (Highway Research Board). Estas classificações,
desenvolvidas em países de clima temperado e baseada na distribuição granulométrica e
nos limites de Atterberg (LL e LP), são denominadas classificações tradicionais.

O método do Highway Research Board (HRB), aprovado em 1945 constitui um


aperfeiçoamento do antigo sistema da Public Roads Administration, proposto em 1929.
Neste sistema, denominado inicialmente HRB e hoje TRB ou AASTHO, considera-se a
granulometria, o limite de liquidez, o limite de liquidez e o índice de grupo. Este sistema
de classificação liga-se intimamente ao método de dimensionamento de pavimentos atual,
empírico, pelo índice de grupo.

O Sistema Unificado de Classificação de Solo (SUCS) é resultante de um trabalho


conjunto do Bureau of Reclamation e do Corps of Engineers, assistido pelo professor
Arthur Casagrande, da Universidade de Harvard, e foi publicado, em 1953, pelo
Waterways Experiment Station como aperfeiçoamento e ampliação do sistema elaborado
por Casagrande para aeroportos em 1943. O SUCS baseia-se na identificação dos solos
de acordo com as suas qualidades de textura e plasticidade, agrupando-os de acordo com
seu comportamento quando usados em estradas, aeroportos, aterros e fundações.

11
Porém, estas duas classificações, embora correntes na Geotecnia e na
pavimentação brasileiras, apresentam limitações quando utilizadas para a previsão de
propriedades dos solos tropicais.

Algumas destas limitações ocorrem, principalmente, devido às diferenças


existentes entre a natureza da fração de argila e de areia de solos de regiões tropicais e de
regiões temperadas. Estas limitações podem ser observadas na falta de correlação
existente entre os resultados de ensaios tradicionais de classificação de alguns solos
tropicais e o seu comportamento geotécnico real (NOGAMI & VILLIBOR, 1995).

Segundo NOGAMI & VILLIBOR (1981), os métodos tradicionais de


classificação de solos desenvolvidos no exterior não têm sido satisfatórios quando
aplicados aos solos tropicais, pois, com frequência as recomendações neles baseados não
coincidem com o comportamento de muitos dos solos utilizados com sucesso nas
rodovias brasileiras.

A partir da década de 1970, a sistemática de caracterização e classificação de solos


evoluiu significativamente, com os estudos desenvolvidos por Nogami e Villibor, que
tratam da aplicação do princípio do ensaio MCV (moisture condition value) na
identificação do comportamento de solos tropicais, bem como os estudos de resiliência
de materiais iniciados na COPPE/UFRJ.

Até então, os solos brasileiros eram caracterizados e classificados por


metodologias baseadas nas determinações da granulometria, limite de liquidez e índice
de plasticidade, com a finalidade de avaliar preliminarmente a qualidade dos solos, com
base na experiência norte-americana, e delimitar o universo de solos para escolha de
amostras representativas para execução de ensaios com vistas ao projeto rodoviário.

Os solos lateríticos, estabilizados ou não, têm ampla utilização na engenharia


rodoviária e, segundo Martins et al. (2000), ocorrem em mais de 60% do território
brasileiro e geralmente estão presentes no horizonte B de perfis classificados pela
pedologia como Latossolos, Argissolos e Nitossolos.

Dos estudos de Nogami e Villibor, surgiu uma nova classificação de solos


tropicais que permite retratar as peculiaridades dos solos quanto ao comportamento
laterítico ou saprolítico. Já os estudos com uso dos ensaios triaxiais de carga repetida
12
iniciados na COPPE/UFRJ em 1976, resultaram inicialmente numa Classificação
Resiliente que qualificava os solos quanto ao comportamento mecânico em termos de
deformabilidade elástica. Com o passar dos anos, o número de laboratórios que tem
aparelhagem para a realização dos ensaios de carga repetida aumentou muito e julgou-se
não mais necessário o investimento em definição de classificação sob o ponto de vista de
deformabilidade.

Devido às limitações e deficiências existentes na utilização das classificações


tradicionais para solos tropicais e com o objetivo de diferenciar este tipo de solo dos
demais, no início da década de 1980, Nogami e Villibor desenvolveram uma classificação
denominada MCT (Miniatura, Compactada, Tropical), específica para solos finos
tropicais (passantes na peneira de 2 mm). Esta classificação não se baseia nas
propriedades índices como as classificações tradicionais e sim em ensaio de compactação
e perda de massa por imersão, obtidos por métodos criados pelos dois pesquisadores
citados.

A MCT é considerada uma sistemática de caracterização e classificação de solos


tropicais finos, integralmente passantes na peneira de 2 mm, baseada em ensaios de
laboratório, como compactação e imersão em água, a partir de corpos de prova
compactados, de dimensões reduzidas, que representam, de certa forma, as situações a
que os solos finos são submetidos quando compactados e utilizados em obras viárias.

A metodologia MCT, que também é composta de outros ensaios além destes da


classificação, permite separar os solos quanto ao seu comportamento, quando
compactado, como solo laterítico ou solo não laterítico. Segundo Nogami e Villibor
(1995), os solos lateríticos, no sentido pedológico, são caracterizados por serem uma
variação de solos superficiais pedogenéticos, típicos de partes bem drenadas de regiões
tropicais úmidas.

Os solos de comportamento laterítico, quando compactados em condições


específicas previamente determinadas, adquirem altas resistências e uma excelente
capacidade de suporte apresentando pequena perda dessa capacidade quando imersos em
água (GODOY, 1998).

13
Os estudos geotécnicos no meio rodoviário têm se baseado historicamente na
geologia. Como afirmam Marangon e Motta (2001), a utilização de mapas geotécnicos,
obtidos a partir de informações geológicas e pedológicas, possibilita a associação de
dados geomecânicos dos solos com os de sua gênese. Essa reunião de dados fornece um
índice mais confiável para a organização e troca de conhecimento e de informações de
regiões distintas, podendo contribuir para a localização de áreas potenciais de ocorrência
de materiais a serem explorados.

Entretanto, a correspondência entre características geomecânicas do solo e sua


gênese pode ser complexa. Por exemplo, segundo Nogami e Villibor (1983), do ponto de
vista geotécnico, uma camada poderá ter comportamento laterítico, apesar de não
pertencer a um perfil pedológico laterítico e, eventualmente solos que pertençam a um
perfil pedológico laterítico podem não ter comportamento geotécnico laterítico. A MCT
delimita sete classes de solo a partir de três parâmetros, denominados c’, d’ e PI, descritos
no próximo item. As sete classes são as seguintes: três lateríticos, denominadas LA, LA’
e LG’; e quatro ditas não lateríticos, denominadas NA, NA’, NG’ e NS’.

2.1.Solos tropicais

Nogami e Villibor (1995) definem solo tropical como sendo aquele que apresenta
propriedades e comportamento decorrentes de processos geológicos e/ou pedológicos
típicos de regiões tropicais úmidas. Os solos tropicais sob o ponto de vista dos autores
citados, e visando seu uso na pavimentação, são divididos em duas grandes classes: solos
lateríticos e solos saprolíticos.

Os solos lateríticos são solos bem intemperizados, característicos de áreas bem


drenadas, que ocupam as camadas mais superficiais. Apresentam coloração em que
predominam os matizes vermelho e amarelo, com uma macroestrutura aparentemente
homogênea e isotrópica. Sua constituição mineralógica é caracterizada pela presença de
quartzo e de outros minerais resistentes mecânica e quimicamente (magnetita, ilmenita,
turmalina, zircão) na fração areia. A fração argila é constituída de argilominerais
(geralmente a caulinita) e óxidos e hidróxidos de ferro e alumínio (Nogami e Villibor,
1983).

14
Segundo Nogami e Villibor (1983), os solos saprolíticos são originados pela
decomposição e/ou desagregação de uma rocha consolidada e, em condições naturais,
constituem camadas subjacentes às lateríticas. Sua macroestrutura se caracteriza pela
heterogeneidade e anisotropia, geralmente com cores variadas, manchas e
mosqueamentos herdados da rocha matriz ou desenvolvidos pelo intemperismo.
Apresentam uma constituição mineralógica muito variada, que depende do tipo de rocha
matriz e de seu grau de intemperização. Na fração areia podem ocorrer minerais como
mica e feldspatos e, na fração argila, minerais expansivos da família da ilita,
montmorilonita, esmectita entre outros.

No Rio Grande do Sul, a combinação da diversidade geológica, climática e de


relevo originou uma grande variedade de tipos de solos que contribuíram para os
diferentes padrões de ocupação das terras, do seu uso agrícola e do desenvolvimento
regional.

Considerando esses vários aspectos, os solos podem ser definidos como corpos
naturais que recobrem a superfície terrestre, constituídos por materiais minerais e
orgânicos, que contém organismos vivos e apresenta potencial para o desenvolvimento
de vegetação, podendo também ser empregados em trabalhos de engenharia (STRECK et
al., 2002).

Os Latossolos encontram-se amplamente distribuídos pelo Brasil (Figura 1).


Como unidade dominante, ocupa cerca de um terço da superfície do território nacional,
ocorrendo praticamente em todas as regiões do país, em diferentes condições climáticas,
relevo e material de origem.

15
Figura 1: Distribuição das áreas de ocorrência de Latossolos no Brasil. Fonte:
CAMARGO et al., 1986.

Segundo Dias (1989), os solos com horizonte latossólico classificados como


lateríticos ocorrem em cerca de 20% do Estado do Rio Grande do Sul, formados por solos
oriundos de basalto e arenito. A partir de levantamento realizado pelo Ministério da
Agricultura, identificou-se que a estação de mapeamento Santo Ângelo é a estação que
apresenta o maior grau de laterização no Rio Grande do Sul. Os solos deste tipo foram
considerados profundos, com profundidade variando entre 2 e 4 metros, bem drenados,
friáveis, de coloração vermelha escura e desenvolvidos a partir de rochas eruptivas
basálticas (DNPEA, 1973).

Os Latossolos (solos com horizonte B latossólico) apresentam os horizontes A, B


e C, com pouca diferenciação textural entre os horizontes A e B. O horizonte B,
geralmente mais espesso (pelo menos 50 cm), é homogêneo, em geral com estrutura do
tipo granular, micro agregada ou maciça-porosa. A fração argila, com alto grau de

16
floculação, é constituída predominantemente por óxidos e hidróxidos de ferro (hematita
e goetita), óxidos de alumínio (gibbsita) e argilominerais do grupo 1:1 (caulinita), com
baixa relação sílica/sesquióxidos (kr) e baixa capacidade de troca catiônica (SALOMÃO
& ANTUNES, 1998).

Klamt (1989) observa que, em geral, solos com elevada capacidade de troca
catiônica e/ou altos índice ki (SiO2 / Al2O3) e kr (SiO2 / Al2O3+Fe2O3) contém
argilominerais do tipo 2:1, expansivos ou parcialmente expansivos (esmectita ou
vermiculita); e os de baixa capacidade catiônica e índices ki e kr menores que 2, contém
argilominerais do tipo 1:1 e óxidos como caulinita e hematita.

Segundo Martins et al. (2000), em grandes extensões do Planalto das Missões há


ocorrência do Latossolo Roxo derivado do basalto da Formação Serra Geral. Conforme
estes autores, este solo apresenta horizonte B latossólico, teores de óxido de ferro
superiores a 18%, e relação molecular sílica/alumina (ki) mais baixa. Sua textura é muito
argilosa.

Conforme relatório da EMBRAPA - CNPS (1999), o Latossolo Vermelho é


constituído por gibbsita, caulinita e teores elevados de óxidos de ferro, com poucos grãos
de quartzo e minerais opacos, como a ilmenita e magnetita. Tremocoldi (2003) constatou,
além da gibbsita, a presença de minerais do tipo interestratificado em alguns tipos de
latossolos do Estado de São Paulo. Segundo este autor, estes minerais são provavelmente
do tipo vermiculita com Alhidróxi nas entrecamadas, comuns em solos intemperizados
devido à sua estabilidade estrutural.

Godoy et al. (1998) observaram uma correlação importante entre as classes


pedológicas e os grupos da classificação MCT. Constataram, para alguns latossolos do
Estado de São Paulo, que a classe dos Latossolos Roxos apresentou coeficientes c’
elevados (>1,68), pertencendo praticamente sempre ao grupo LG’ (solos argilosos de
comportamento laterítico). Os Latossolos Vermelho-Escuros apresentaram
comportamento similar, mas os valores de c’ tenderam a ser menores (aproximando-se de
uma transição entre os grupos LG’ – LA’).

Conforme KER (1998) os Latossolos são considerados poli genéticos.


Experimentaram diferentes situações climáticas ao longo de sua formação, o que tende a

17
homogeneizar suas características químicas, morfológicas e mineralógicas. Assim, são
considerados solos de mineralogia relativamente simples. Na sua fração grosseira (silte +
areia) prevalece quartzo, com menores quantidades de muscovita e alguns feldspatos
potássicos quando derivados de rochas ácidas. Magnetita e ilmenita com pequena
proporção de quartzo prevalecem quando se desenvolvem a partir de rochas básicas, com
destaque para o basalto, no caso do Brasil.

Na fração argila são variadas as quantidades de caulinita, gibbsita, goethita e


hematita, dependendo do tipo de material de origem, da intensidade do intemperismo e
drenagem do sistema, entre outros fatores. Menores proporções de vermiculita com
hidroxi entre camadas, ilita, atanásio, rutilo, maghemita e mesmo haloisita, também são
constatados com frequência em determinados Latossolos (baseado em vários autores que
estudaram Latossolos). Assim, o conceito central dos Latossolos, prevê o domínio de
caulinita e óxidos de ferro e alumínio, com menores proporções de outros componentes
na fração argila.

Os Latossolos têm alto poder de adsorção de fósforo (LEAL, 1971; NOVAIS et


al., 1991; KER, 1995). A adsorção tende a aumentar com os teores de argila, de goethita
e de gibbsita no solo. A adsorção de fósforo é rápida e uma vez adsorvido sua dessorção
se torna tão mais difícil quanto maiores os teores de goethita e gibbsita. Isso reduz muito
os perigos de eutrofização de lagos - uma preocupação constante dos ambientalistas.

Segundo GUIDA (1971), há muito já se sabia que somente 10 a 30% do fósforo


usado na adubação química como fertilizante é aproveitado pelas plantas. Os restantes 70
a 90% sofrem ação de precipitação química e de sorção físico-química. Desde 1850 foi
reconhecido na Europa que o fósforo tornado insolúvel é fixado pelo solo, mas foi por
volta de 1930 que os fenômenos químicos começaram a ser estudados.

As argilas fixam o fósforo lentamente e por longos períodos de tempo, sendo que
os solos alcalinos e calcários fixam o fósforo pela formação de fosfatos de cálcio, fixação,
ainda, pouco conhecida, mas tendo o ferro e o alumínio atuantes como elementos no
processo de fixação. A responsabilidade pela fixação do fósforo por um solo ácido está
dividida entre os compostos de ferro, alumínio e os minerais argilosos existentes no solo
(MEDINA e GUIDA, 1995).

18
2.2.Estabilização dos solos para fins de pavimentação

Na execução de pavimentos de baixo custo, especificamente de tráfego muito leve


a médio, uma solução que tem sido implantada em muitos locais, graças às pesquisas
realizadas no Brasil, é a utilização de solos lateríticos de textura fina. Destacam-se neste
sentido os trabalhos produzidos pelos pesquisadores Nogami e Villibor, que dedicaram
boa parte de suas pesquisas para desenvolver a classificação MCT e os métodos que
permitiram um arcabouço teórico experimental para promover a utilização de solos
tropicais com sucesso em camadas de pavimentos (VILIBOR, 1974; VILIBOR, 1981;
NOGAMI & VILLIBOR, 1995; VILLIBOR & NOGAMI, 2009).

Sabe-se que o solo natural é um material complexo e muito variável e, devido à


sua abundância, tem grande emprego na engenharia rodoviária. Porém, nem sempre o
solo local satisfaz às especificações para sua utilização em camadas de base e/ou sub-base
de pavimentos. Neste caso, conforme NÚÑEZ (1991) deve-se optar por alternativas
como:

• Dimensionar os pavimentos considerando as limitações do solo;


• Substituir o material existente por outro de melhor qualidade;
• Ou corrigi-lo, alterando suas propriedades e criando um novo material que
atenda às necessidades do projeto. Esta última alternativa é chamada de
estabilização de solos

Estabilizar um solo significa conferir-lhe a capacidade de resistir e suportar as


cargas e os esforços induzidos pelo tráfego normalmente aplicados sobre o pavimento e
também às ações erosivas de agentes naturais sob as condições mais adversas de
solicitação consideradas no projeto.

O domínio das técnicas de estabilização pode conduzir a sensíveis reduções nos


tempos de execução das obras, viabilizando a industrialização do processo construtivo,
propiciando uma economia substancial para o empreendimento. Neste contexto, os
aditivos não tradicionais, mas disponíveis localmente, podem ser interessantes, muitos
deles que eram resíduos passam a ser considerados como produtos nobres perante o uso
da engenharia rodoviária ((KATZ et al., 2001; RAUCH et al., 2002; SANTONI et al.

19
2002; BROUGH & ATKINSON, 2002; TINGLE & SANTONI, 2003; LIU et al., 2011;
OU et al., 2011; LATIFI et al., 2014; LATIFI et al., 2015a; LATIFI et al., 2015b)

Devido às disparidades e semelhanças nos processos e mecanismos utilizados para


a estabilização de solos, adota-se a natureza da energia transmitida ao solo como um
critério para a classificação dos métodos de estabilização. Desta forma podem ser citados
os seguintes tipos de estabilização: mecânica, granulométrica, química, elétrica e térmica.

A Estabilização Mecânica visa dar ao solo (ou mistura de solos) a ser usado como
camada do pavimento uma condição de densificação máxima relacionada a uma energia
de compactação e a uma umidade ótima. É também conhecida como estabilização por
compactação. É um método que sempre é utilizado na execução das camadas do
pavimento, sendo complementar a outros métodos de estabilização.

A Estabilização Granulométrica consiste na alteração das propriedades dos solos


através da adição ou retirada de partículas do solo. Este método consiste, basicamente, no
emprego de um material modificado ou na mistura de dois ou mais materiais, de modo
que a combinação se enquadre dentro de uma determinada especificação granulométrica
ou de plasticidade.

A Estabilização Química quando utilizada para solos granulares visa


principalmente melhorar sua resistência ao cisalhamento (dada pelo atrito produzido
pelos contatos das superfícies das partículas) por meio de adição de pequenas quantidades
de ligantes nos pontos de contato dos grãos. Os ligantes mais utilizados são o Cimento
Portland, Cal, Pozolanas, materiais betuminosos, resinas, etc.

Nos solos argilosos (coesivos) são encontradas estruturas floculadas e dispersas


que são mais sensíveis à presença de água, influenciando a resistência ao cisalhamento.
É comum a adição de agentes químicos que provoquem a dispersão ou floculação das
partículas ou uma substituição prévia de cátions inorgânicos por cátions orgânicos hidro-
repelentes, seguida de adição de cimento.

A Estabilização Elétrica consiste na passagem de uma corrente elétrica pelo solo


a estabilizar. As descargas sucessivas de alta tensão são usadas no adensamento de solos
arenosos saturados e as de baixa tensão contínua são usadas em solos argilosos

20
empregando os fenômenos de eletrosmose, eletroforese e consolidação eletroquímica.
(BARBER, 1948; SCHAAD, 1948; KRAVATH, 1954; WES, 1961)

A Estabilização Térmica é pelo emprego da energia térmica por meio de


congelamento, aquecimento ou termo - osmose. A solução do congelamento normalmente
é temporária, alterando-se a textura do solo. O aquecimento busca rearranjos na rede
cristalina dos minerais constituintes do solo. A osmose é uma técnica de drenagem onde
se promove a difusão de um fluído em um meio poroso pela ação de gradientes de
temperatura. (WINTERKORN & PAMUKCU, 1991; MILLER & DICK, 1995;
SCHULTEN & LEINWEBER, 1999)

Além destes, tem surgido nos últimos tempos, uma grande variedade de outros
métodos e processos construtivos que visam oferecer ao solo, características de
resistência e melhoria de suas qualidades naturais e que podem ser classificados como
métodos especiais de estabilização: Solos Reforçados com Geossintéticos; Solo
grampeado; Colunas de Solo-Cal; Colunas de Solo Brita; Compactação Dinâmica; Jet
Grounting; Compaction Grounting; Drenos Verticais de Areia; Micro Estacas;
Estabilização Via Fenômenos de Condução em Solos.

2.3.Estabilização com Ácido Fosfórico

Representado pela fórmula química H3PO4, o ácido fosfórico é um composto


líquido, incolor, solúvel em água e etanol, deliquescente, isto é, absorve a umidade do ar
e consegue se dissolver, formando uma solução aquosa concentrada. Reage com metais,
liberando gás hidrogênio inflamável, incompatível com bases fortes e com a maior parte
dos metais.

Industrialmente, o ácido fosfórico pode ser obtido a partir de dois processos


diferentes. No primeiro, via úmida, rochas sedimentares ou magmáticas que contêm o
mineral denominado apatita reagem com o ácido sulfúrico, formando o ácido fosfórico e
outros subprodutos como o CaSO4 e o H2SiF6. No segundo processo, via seca ou térmica,
o fósforo é submetido a uma queima ao ar livre, formando o P4O10, que depois sofre
hidrólise, dando origem ao ácido fosfórico. A forma mais utilizada para obtenção desse
ácido é a via úmida, sendo que a via seca é mais usada no ramo farmacêutico (SWANN,
1922; SLACK & NASON, 1961; GILBERT & MORENO, 1965).

21
O ácido fosfórico é muito empregado na indústria alimentícia como acidulante de
refrigerantes (principalmente os de cola), doces, molhos para saladas, geleias, fermentos
biológicos, refinação do açúcar, estabilizante de óleos vegetais, usinas de chocolate; na
indústria farmacêutica é usado na obtenção de insulina, produção de antibióticos,
fortificantes, etc.; na indústria química, na fabricação de fertilizantes agrícolas, fosfato
bicálcico para ração animal, produção de carvão, formulação de detergentes, decapante,
antiferrugem. O ácido fosfórico também é utilizado no tratamento biológico de efluentes
e no polimento químico ou eletroquímico de peças de alumínio entre muitas outras
aplicações e usos (LEVENE, 1917; ZUCKER & GUTMAN, 1923; ARMSTRONG et al.,
1942; BUONOCORE, 1955; DALDERUP, 1960; GUERRERO & PARODI, 1962;
WILSON et al., 1968; RETIEF, 1973; BECKER, 1989; CORMA, 1995; ASADU &
NWEKE, 1998; ABDERRAZAK et al., 2000; GAO et al., 2003; CAMPARIN et al.,
2007; PUZIY et al., 2008; FURTADO, 2010; DONATELLO et al., 2010;
ZAPOROZHETS et al., 2011; TEZVERGIL-MUTLUAY et al., 2012).

A estabilização de solos com ácido fosfórico pode ser compreendida como aquela
que ocorre a partir de reações químicas deste ácido com os elementos do solo, com a
formação de fosfatos de ferro ou de alumínio, que se mostram como compostos duros e
insolúveis (MEDINA, 1987). O ácido fosfórico em particular é extremamente reativo
(reação exotérmica intensa) com os solos tropicais que tenham óxidos de ferro e de
alumínio livres. Dado o fato de que a estabilização se processa por ação química do
aditivo sobre os minerais do solo, os solos finos são os mais adequados para esta
estabilização. Do ponto de vista de acidez, os solos ácidos são favoráveis, no sentido de
não se neutralizar a ação do ácido fosfórico (MEDINA e GUIDA, 1995).

Os aspectos de mineralogia e acidez diferenciam os solos tropicais daqueles de


regiões temperadas para o uso deste aditivo. Segundo ALCÂNTARA et al. (1995), a
princípio estas diferenças sugerem um bom desempenho para o ácido fosfórico quando
aplicado nas regiões tropicais, contudo, os custos do aditivo, para algumas destas regiões,
poderiam inviabilizar a sua utilização, na época desta pesquisa citada.

Em geral, são duas as reações que ocorrem quando o ácido fosfórico entra em
contato com os óxidos e hidróxidos de ferro e alumínio presentes no solo. Tem-se uma
primeira reação rápida, que ocorre imediatamente após o contato do ácido com o solo, e

22
outra reação que ocorre em longo prazo (NANZYOU 1984; LAITI et al. 1996; PERSON
et al., 1996).

O ácido fosfórico numa concentração entre 1% e 10% em peso é um estabilizador


promissor para uma ampla variedade de solos de grãos finos. Solos finos requerem mais
ácido para a estabilização eficaz do que solos grossos. Sob condições de cura úmida, a
resistência à compressão aumenta significativamente em 12 a 24 horas, e continua a
aumentar ao longo de um período de várias semanas (MICHAELS et al. 1958).

Estabilização com ácido fosfórico é muito dependente do teor de umidade do solo.


A resistência é maior quando a umidade de compactação proporciona a máxima
densidade compactada, e sua resistência decresce rapidamente quando a umidade é
aumentada. Os solos tratados com H3PO4 atingem resistência à compressão máxima
quando curado em condições úmidas (MICHAELS et al. 1958).

As pesquisas realizadas a respeito das alterações morfológicas associadas com a


utilização de estabilizadores não tradicionais, como o ácido fosfórico, têm sido bastante
limitadas, mas percebeu-se que a superfície específica é uma característica importante na
determinação da interação química e física do solo com o seu entorno. Isto é devido a que
a maioria das reações químicas nos solos ocorre na superfície das partículas (MITCHELL
e SOGA, 2005).

Em 1971, Guida estudou a estabilização de um solo laterítico fino pelo ácido


fosfórico para uso como camada de pavimento. O solo em questão foi um latossolo,
oriundo da cidade de Campinas, Estado de São Paulo. O solo laterítico, proveniente da
alteração de diabásio, contendo 20% de Fe2O3 livre, que é inicialmente inadequado para
uso como camada de pavimento pelos critérios tradicionais, se mostrou apto a utilização
após as investigações de tratamento com ácido fosfórico. Em 1995, este trabalho foi
ampliado para 4 solos, e o potencial foi confirmado, sendo melhores os resultados para
os solos com maiores teores de óxidos de ferro e alumínio (GUIDA, 1971, MEDINA e
GUIDA, 1995).

Eisazadeh (2010) estudou o comportamento de um solo laterítico da Malásia, por


meio de ensaios de compressão simples e análises micro estruturais, moleculares, e de
lixiviação do solo e do solo tratado com cal e ácido fosfórico. Este estudo foi realizado

23
em uma tentativa de identificar os mecanismos que contribuíram para o processo de
estabilização. De acordo com os dados obtidos para as misturas, verificou-se que o
processo de estabilização é altamente sensível para as impurezas presentes na superfície
da argila, e que as reações mais significativas ocorriam após cerca de 4 meses de cura.
De acordo com os ensaios de compressão simples, a amostra tratada com 7% de ácido
fosfórico resultou numa melhora da resistência em quase três vezes em comparação com
o solo natural.

O tratamento de solos finos, argilosos, pelo ácido fosfórico, tem como resultado a
formação de compostos de fósforo e ferro ou alumínio, que são duros, insolúveis e
cristalinos. O Fe2O3 livre propicia a formação destes compostos, que fazem com que a
capacidade de suporte do solo, assim tratado, seja grandemente aumentada (MEDINA e
GUIDA, 1995).

Esses pesquisadores, reportando-se a outros autores, citam que a reação do ácido


fosfórico com o solo pode ser representada como se segue:

Equação 1

Onde: Al (solo) é o alumínio originário do solo, que pode ser gibbsita – Al(OH)3
ou a caulinita e MPO4 é o fosfato adicionado ao solo.

A Equação 1, prediz que a reação se dá até que a concentração de [Al] 3+ mais


[H2PO4], em equilíbrio com as respectivas fontes sejam iguais a concentração em
equilíbrio com o alumínio fosfato cimentado. Esse produto – Al(OH)2H2PO4 é duro e
altamente insolúvel. Uma reação similar se dá entre o Fe (solo), principalmente a hematita
(Fe2O3) e o fosfato. O produto é o Fe(OH)2H2PO4xH2O que também é duro e altamente
insolúvel (MEDINA e GUIDA, 1995).

Quando o ácido fosfórico é usado no lugar do fosfato, como representado na


equação 1, o íon de hidrogênio ajuda a dissociar a estrutura do mineral e mais reagentes
são mobilizados (FAY, 2006).

24
Em regra, os solos tropicais residuais contêm SiO2 e Al2O3 como principais
compostos, porém em alguns deles, como o Latossolo Roxo, o Fe2O3 livre (goetita e
hematita) predomina. O processo de ferralitização (laterização) de solos envolve 65% dos
solos expostos no Brasil e dependendo da intensidade do processo tanto a gibbsita e
hidratos férricos quanto a caulinita e hidratos férricos são os produtos finais das alterações
superficiais (MEDINA e GUIDA, 1995).

Em 1955, Kitrick & Jackson estudaram os mecanismos de reação de quatro solos


e quatro minerais (gibbsita, caulinita, hematita e grenalita) com fosfato. Foram realizados
ensaios laboratoriais da reação de pequenas partículas de ferro e lâminas de alumínio com
fosfato e com uma amostra representativa de latossolo, proveniente de Porto Rico, com
alto teor de caulinita, 19,2% de óxido de ferro disponível e pH de 6,2, que revelou que o
solo em contato com o fosfato (solução aquosa de KH2PO4) sofreu forte reação nos
primeiros 3 minutos, mas, que após um mês, a reação sofrida foi muito pequena. A
microscopia eletrônica desse material revelou que novos cristais hexagonais e
retangulares foram formados de 0,1 μm a 0,5 μm em arranjos coloidais, quando o fosfato
reagiu com o óxido de ferro livre. Também foram observados cristais hexagonais de
fosfato de alumínio de 0,02 μm a 0,08 μm. O experimento laboratorial da reação do
fosfato com as lâminas de hidróxido pode ser considerado representativo do que ocorre
com os solos, de modo geral (KITRICK & JACKSON, 1955).

Em 1960, Michaels eTausch compararam o uso potencial de diferentes produtos


químicos fosfatados. O uso do ácido fosfórico foi efetivo em solos moderadamente finos,
mas argilas muito plásticas necessitaram da adição de um estabilizante principal. Duas
alternativas foram propostas: fosfato de cálcio com ácido Sulfúrico e Pentóxido de
Fósforo. O primeiro tinha uso potencial de baixo custo substituindo o ácido fosfórico na
estabilização de argilas “magras” sendo competitivo com a cal e o cimento. O segundo
era um sólido granular não higroscópico que dissolvia lentamente na água para formar
ácido polifosfórico e podia ser usado como aditivo ao ácido fosfórico (MICHAELS &
TAUSCH, 1960).

Winterkorn (1962) em comentário introdutório no Highway Research Board


Symposium relatou que as pesquisas realizadas até 1961 em estabilização de solos com
compostos fosfóricos e aditivos apresentaram bons resultados de reação entre o ácido

25
fosfórico e os minerais de alumínio e ferro contidos no solo e as conclusões podiam ser
resumidas como:

1) A maioria dos solos que contém uma quantidade apreciável de


argilominerais responde bem ao tratamento com ácido fosfórico;
2) O ácido fosfórico reage com os óxidos de ferro e alumínio livres,
produzindo calor e rápida formação de produtos reativos insolúveis;
3) Adição de Inibidores corrosivos que são usados para proteger os
equipamentos construídos em aço mole, em valores em torno de 1% da
quantidade de ácido fosfórico produz efeitos insignificantes na
resistência e densidade do solo estabilizado;
4) Alguns ensaios mostraram que o ácido sulfúrico, quando usado em
conjunto com outros fosfatos rochosos ou com o ácido fosfórico
melhorava os resultados dos tratamentos. Entretanto o excesso de ácido
sulfúrico diminuiu o poder de cimentação fosfórica;
5) A concentração efetiva de ácido fosfórico foi de 1 a 5% por peso. A
adição de 2% foi considerada como suficiente para dar baixos níveis de
resistência, entretanto, provavelmente, níveis mais elevados seriam
requeridos para bases e sub-bases de pavimento;
6) Para estabilizar argilas muito plásticas, o uso conjunto de pequenas
quantidades de outros aditivos pode ser benéfico.

2.4. Estabilização com Cinza de casca de arroz

A casca de arroz é um resíduo da cultura orizícola. A incineração deste resíduo


tem sido utilizada como forma de reduzir seu volume e gerar energia. Porém, a queima
ainda produz a cinza da casca de arroz (CCA) que é outro resíduo. Juliano (1985) concluiu
que a casca de arroz, quando incinerada, produz aproximadamente 20% de seu peso em
cinza. Ainda, segundo Ali et al. (1992a) a cada 4 toneladas de arroz gera-se 1 tonelada de
casca.

O Brasil, na última década, produziu cerca de 12 milhões de toneladas de arroz,


sendo que 8 milhões foram colhidas no estado do Rio Grande do Sul (CONAB, 2017). A
partir dos dados de produção apresentados, pode-se estimar que cerca de 400 mil
toneladas de cinza poderiam ter sido produzidas a partir da incineração de toda a casca

26
proveniente da referida safra. A casca é o mais abundante entre os subprodutos resultantes
da produção de arroz, e sua deposição final é um dos maiores problemas existentes nos
países produtores de arroz.

Korisa (1958), Juliano (1985) e Basha et al. (2003) afirmam que mais de 90% da
composição química da CCA é sílica, valor este superior ao encontrado na cinza volante
que é resultante da queima de carvão mineral. Entretanto o teor de sílica na casca de arroz
depende da variedade de arroz, tipo de solo, condições climáticas, temperatura e práticas
agrícolas (aplicação de fertilizantes, inseticidas, etc.) como observado por Ali, et al.
(1992a).

Usualmente, a cinza da casca de arroz é queimada nas próprias indústrias que


beneficiam o arroz. A casca serve como combustível para fazer a secagem do próprio
grão. A queima da casca de arroz produz cinza, o que reduz seu volume de resíduo,
produzindo aproximadamente 20% em peso de cinza (JULIANO, 1985).

Vários pesquisadores citados por Behak (2007) conseguiram desenvolver técnicas


com a Cinza de Casca de Arroz (CCA) aplicável na Engenharia Civil, dentre elas pode-
se destacar:

• Adição de CCA para telhas de blocos de cimento de alta qualidade;


• Tijolos isoladores provenientes das misturas de cimento e CCA;
• CCA e cal como estabilizadores de argilas sedimentares;
• Manufatura de cimentos com base em CCA;
• Estabilização de solos com CCA e cal ou cimento;
• Utilização da CCA como cimento para concretos convencionais e de alto
desempenho.

Portanto, a CCA com o passar dos anos adquiriu espaço na Engenharia Civil,
tornando-se um material de grande utilização e com bom desempenho no ramo no
concreto, principalmente, desde que bem processada.

A casca de arroz é uma capa lenhosa do grão, dura, com alto teor de sílica,
composta aproximadamente de 50% de celulose, 30% de lignina e 20% de sílica

27
(METHA, 1975). Quando queimada, a lignina e a celulose podem ser removidas,
resultando em uma estrutura celular e porosa.

Korisa (1958), Lazaro e Moh (1970) e Basha et al. (2003) determinaram a


composição química de várias CCA que estão agrupadas na Tabela 1.

Tabela 1: Composição Química de Várias CCA

Óxido de Magnésio (MgO) 0,23 --- 3,53 0,45

Óxido de Sódio (Na2O) 0,78 --- --- ---

Óxido de Potássio (K2O) 1,1 3,15 --- 2,31

Óxido de Ferro (Fe2O3) Traços 1,01 0,36 0,21

Óxido Fosfórico (P2O5) 0,53 --- --- ---

Alumina (Al2O3) Traços Traços 1,48 0,21

Óxido de Manganês (MnO2) Traços Traços --- ---

Dióxido de Carbono (CO2) --- --- 0,51 ---


(Fonte: Korisa, 1958; Lazaro e Moh, 1970; Basha et al., 2003)

As propriedades da CCA dependem do processo de queima, sendo que a qualidade


da cinza depende da temperatura e tempo de incineração, do tempo de resfriamento e das
condições de moagem (JAMES E RAO, 1986).

Boateng e Skeete (1990) afirmam que o tipo de cinza apropriada para as reações
pozolânicas é a amorfa. A incineração da casca de arroz em uma faixa de temperatura de
550°C a 700°C é geralmente determinada para produzir sílica amorfa, entretanto
temperaturas além de 900°C produzem formas cristalinas. Segundo a American Society
for Testing and Materials (ASTM, 1998), a CCA composta com mais de 90% por sílica
(SiO2) é uma pozolana.

Quando queimada a céu aberto ou em fornos convencionais, a casca produz cinza


silícea cristalina. Porém, quando incinerada em fornos a temperatura controlada, o resíduo
é uma cinza branca altamente reagente que misturada com cal, se transforma em um

28
cimento estrutural tão bom quanto o cimento Portland (METHA, 1975; METHA &
GJØRV, 1982).

A adição de CCA conjuntamente com a cal ou o cimento a solos arenosos ou


areno-siltosos altera suas propriedades físicas e mecânicas, ocasionando melhorias na
plasticidade, resistência, tensão-deformação e durabilidade. Essas alterações dependem
do tipo de solo, tempo de incineração da casca, tipo e teor de cal, energia de compactação,
período e condições de cura (BEHAK, 2007). Muntohar e Hantoro (2000) analisaram o
efeito sobre as propriedades físicas e mecânicas de um solo argiloso e concluíram que as
propriedades foram melhoradas com a adição de cal e CCA.

Rahman (1986) e Basha et al. (2003) estudaram os Limites de Atterberg de solos


lateríticos, comparando os resultados para o solo natural com o solo estabilizado com
CCA e cal. Na opinião dos autores, a adição de CCA e cal a solos finos causam a
floculação do solo, produzindo a diminuição do Índice de Plasticidade.

Ali et al. (1992a), Muntohar & Hantoro (2000) e Behak (2007), estudaram os
efeitos nos parâmetros de compactação da estabilização de CCA e cal ou cimento de uma
areia argilosa. Os autores descobriram que o decréscimo do γdMax da mistura é devido à
baixa densidade real dos grãos da CCA. O aumento da wot pode ser devido à absorção de
água pela CCA. A resistência aumenta rapidamente com a adição de CCA até atingir um
máximo. Porém, teores de CCA além do ótimo podem diminuir a resistência, devido a
diminuição do γdMax pela presença de CCA. Segundo os autores, a resistência das misturas
solo + cal pode ser aumentada adicionando 6% a 12% de CCA.

Ali et al (1992a) também compararam o ganho de resistência à compressão


simples do solo areno-argiloso estabilizado com CCA + cal e CCA + cimento, fixando
em 12% o teor de CCA. Com isso, observaram que a cal propicia maiores ganhos de
resistência do que o cimento nas misturas solo + CCA. Concluíram que o aumento da
temperatura de cura aumenta a resistência à compressão simples do solo + Cal + CCA.

Muntohar e Hantoro (2000) pesquisaram os efeitos da estabilização com CCA e


cal nas propriedades de um solo silto-argiloso e observaram que a densidade real dos
grãos decresce à medida que é adicionada CCA, o mesmo acontece ao fixar-se o teor de
CCA e aumentar o teor de cal. Para o Índice de Suporte Califórnia (ISC) de um solo

29
argiloso estabilizado com CCA e cal concluíram que os valores de ISC para diferentes
teores de CCA, com teor de cal constante, não diferiram significativamente. Por outro
lado, Basha et al. (2003) observaram uma diminuição nos valores de ISC das misturas
solo silto-arenoso-CCA. Portanto, segundo os autores a CCA não é apropriada como
estabilizante por si só.

A cinza apropriada para o desenvolvimento de reações pozolânicas é a cinza


amorfa, por apresentar uma maior superfície específica, o que possibilita uma melhor
interação química com a cal. A fim de produzir a variedade amorfa, a temperatura de
incineração deve ser controlada entre 550ºC e 700ºC. Temperaturas abaixo de 500ºC
podem não garantir a queima de todo o material orgânico, enquanto temperaturas acima
de 900ºC produzem cinzas cristalinas (BOATENG & SKEETE, 1990). De acordo com
Metha (1975), quando incinerado em temperatura controlada, o resíduo misturado com a
cal se transforma em um cimento estruturalmente tão bom quanto o cimento Portland.

A cinza da casca de arroz, assim como a cinza volante, por si só não produzem
cimentação. O poder cimentício é garantido a partir da reação química da sílica amorfa
com a cal, produzindo silicatos hidratados de cálcio (BOATENG & SKEETE, 1990).

Segundo Behak (2007), as reações químicas produzidas entre a cal e a cinza da


casca de arroz, e seus efeitos físicos sobre os solos, são muito similares aos que acontecem
entre a cal e os argilominerais de solos argilosos. As vantagens da adição de CCA ao solo
estão relacionadas à melhoria das propriedades físicas e mecânicas dos solos e a
disposição adequada de um resíduo nocivo à saúde humana.

Rahman (1986) utilizou CCA para estabilizar um solo laterítico e concluiu que
este é um material com potencial para substituir a cal ou o cimento, porém o autor não
explica o motivo do aumento da capacidade de suporte a partir da adição somente de
cinza. Tempos depois, Muntohar e Hantoro (2000) atribuíram o aumento de resistência
verificado por Rahman ao ângulo de atrito interno da mistura. Assim, a estabilização
realizada por Rahman foi muito mais granulométrica do que química, devido ao baixo
efeito pozolânico produzido apenas pela CCA no solo.

Okafor & Okonkwo (2009) verificaram o comportamento de um solo arenoso de


comportamento laterítico, adicionando CCA nos teores de 5%, 7,5%, 10% e 12,5% em

30
peso do solo seco. Os resultados obtidos mostram que o aumento do teor de CCA
aumentou o teor de umidade ótima e diminuiu a densidade máxima seca. Observou-se
também que, com o aumento do teor de CCA, ocorria a redução da plasticidade e da
resistência do solo. O teor de 10% de CCA também foi observado como o teor ideal.

Rathan et al. (2016) estudaram a influência da adição de CCA a dois solos, em


seus estudos observaram que o aumento dos teores de CCA aumenta o valor do ângulo
de atrito, mas em contrapartida diminui os valores de coesão. Os valores de limite de
liquidez diminuem proporcionalmente com o aumento do teor de CCA e ainda
observaram que o aumento dos teores de CCA proporcionou um aumento significativo
do Índice de Suporte Califórnia (ISC).

31
3. MATERIAIS E MÉTODOS

Neste capítulo serão descritos os procedimentos utilizados durante a fase


experimental desta pesquisa, os materiais utilizados e os resultados de caracterização dos
materiais e das misturas.

3.1.Considerações Iniciais

Este estudo, inicialmente tinha por objetivo verificar a estabilização de solos


argilosos lateríticos utilizando ácido fosfórico (H3PO4), dando prosseguimento aos
estudos promissores iniciados pelo Professor Medina na década de 1970 na
COPPE/UFRJ. Nestes estudos anteriores (GUIDA, 1971 e MEDINA & GUIDA, 1995)
foram encontrados resultados muito promissores para a estabilização dos solos tropicais
que tenham óxidos de ferro e de alumínio livres com o ácido fosfórico. Os resultados
ficaram limitados em avaliar a resistência à compressão simples.

Neste contexto, caberia a essa atual pesquisa, verificar por meio de ensaios mais
representativos dos carregamentos de uma rodovia, no caso o ensaio de módulo de
resiliência, a aplicabilidade da técnica de estabilização de solos argilosos ricos em óxidos
de ferro e alumínio com uso de H3PO4.

Para permitir que a análise pudesse ter maior aplicabilidade em termos de


distribuição geográfica, foi escolhido um solo residual de basalto, que ocupa cerca de
20% da área do estado do Rio Grande do Sul, além de partes significativas dos estados
do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso de Sul e
Goiás.

A justificativa pela escolha deste solo se deu pelo fato de que os latossolos
encontram-se amplamente distribuídos pelo Brasil. Como unidade dominante, ocupa
cerca de um terço da superfície do território nacional, ocorrendo praticamente em todas
regiões do país sob diferentes condições climáticas, relevo e material de origem. Os
Latossolos experimentaram diferentes situações climáticas ao longo de sua formação, e
isso homogeneíza suas características químicas, morfológicas e mineralógicas.

32
Os óxidos de ferro, termo genérico aqui empregado incluindo óxidos, hidróxidos
e oxi-hidróxidos, encontram-se entre os principais componentes da fração argila dos
Latossolos. Normalmente, ocorrem dispersos na massa do solo sob a forma de partículas
finamente divididas, com grau de cristalinidade variado, capeando minerais de argila, ou
mesmo sob a forma de complexos orgânicos (OADES, 1963; SCHWERTMANN, 1985;
KÄMPF, 1988).

Assim, os resultados encontrados para o solo analisado na presente pesquisa


poderão ser utilizados como base para estudos com diferentes latossolos, quando as
quantidades dos componentes químicos (SiO2, Al2O3, Fe2O3) diferir um pouco dos aqui
estudados.

Ao serem realizadas as primeiras misturas de solo com H3PO4, foram observadas


algumas dificuldades de homogeneização do solo com o H3PO4. No intuito de facilitar
uma possível aplicação da técnica, foram feitos estudos com uso combinado do H3PO4 e
Cinza de Casca de Arroz (CCA) e Ácido Cítrico (C6H8O7), este usado para neutralizar
parte da ação imediata do ácido fosfórico.

O Ácido fosfórico ou ácido ortofosfórico é um composto químico de fórmula


molecular H3PO4, sendo classificado, dentre os ácidos minerais, como um ácido fraco,
oxiácido derivado do anidrido fosfórico. É o mais importante dos ácidos derivados do
fósforo. O ácido cítrico é um ácido orgânico fraco, de fórmula molecular C6H8O7, solúvel
em água, biodegradável, atóxico, presente no limão e na laranja.

3.2.Planejamento deste estudo

Para atingir o objetivo deste trabalho, o programa experimental consistiu na


realização de ensaios mecânicos de:

• Resistência à Compressão Simples;


• Resistência à tração por Compressão Diametral;
• Módulo de Resiliência.

Os ensaios de resistência à compressão simples e resistência à tração indireta,


foram realizados para permitir um comparativo das misturas deste estudo com demais

33
pesquisas encontradas na literatura mais antiga, principalmente para estabilização com
cal hidratada ou cimento Portland. No estado da arte atual, para o dimensionamento de
estruturas de pavimentos com a utilização de métodos mecanístico-empíricos os
resultados que interessam são os ensaios de módulo de resiliência e de deformação
permanente.

Para facilitar o entendimento dos resultados mecânicos, foram realizados ensaios


complementares de Microscopia de Varredura Eletrônica (MEV) e ensaios de Difração
de Raios X (DRX) e fluorescência de Raios X (FRX), este em algumas amostras somente.

Para a realização dos ensaios mecânicos de resistência à tração, resistência à


compressão e módulo de resiliência, as seguintes situações foram analisadas na energia
de compactação intermediária do ensaio de compactação mini-Proctor:

a) Solo Natural
b) Solo + 1% de H3PO4
c) Solo + 3% de H3PO4
d) Solo + 5% de H3PO4
e) Solo + 5% de CCA
f) Solo + 10% de CCA
g) Solo + 15% de CCA

Na sequência foram feitas combinação de cinza de casca de arroz e H3PO4 com


o solo, foram então realizadas as seguintes misturas:

h) Solo + 5% de CCA + 1% de H3PO4


i) Solo + 5% de CCA + 3% de H3PO4
j) Solo + 10% de CCA + 1% de H3PO4
k) Solo + 10% de CCA + 3% de H3PO4
l) Solo + 15% de CCA + 1% de H3PO4
m) Solo + 15% de CCA + 3% de H3PO4

Os teores aqui determinados como “ponto de partida” para a adição de H3PO4


foram guiados pelos estudos iniciais de Guida (1971), onde foi estudado por meio de
ensaios de compressão simples um latossolo do estado de São Paulo, e observado que
ocorriam mudanças significativas nas resistências do solo com até 5% de ácido.
34
Os teores de CCA partiram dos estudos de Basha et al. (2003), onde os autores
observaram que teores ótimos de cinza aplicados não deveriam exceder 15%. Nesta
presente pesquisa foram, portanto, analisados os teores de 5%,10% e 15% de CCA.

Nas misturas dos dois primeiros delineamentos, foram observadas algumas situações:

✓ O H3PO4 quando adicionado ao solo resultava em uma mistura com


dificuldade de ser homogeneizada, acarretando a formação de grumos (Figura
2), mais difíceis de serem desfeitos quanto mais elevado fosse o teor de H3PO4.
A formação de grumos não foi observada no solo puro (Figura 3).
✓ A adição de cinza de casca de arroz facilitou a homogeneização do H3PO4 no
solo, sendo mais fácil a mistura quanto mais elevado fosse o teor de cinza de
casca de arroz (Figura 4).
✓ A adição do H3PO4 ao solo resultava em um aquecimento do solo
instantaneamente após a adição do H3PO4. Esse aquecimento é resultante das
reações rápidas do H3PO4 com o solo.

Figura 2: Grumos formados na mistura de solo + 3% H3PO4 desta pesquisa

35
Figura 3: Aparência do solo desta pesquisa na umidade ótima de compactação

Figura 4: Aparência da mistura de solo + 10% CCA + 3% H3PO4 desta pesquisa

36
Nas misturas iniciais de solo e H3PO4 foi possível observar que ocorriam reações
instantaneamente após o contato do ácido com o solo. No intuito de postergar as reações
do H3PO4 com o solo foram realizadas misturas com a adição de Ácido Cítrico (C6H8O7).
Foram feitas as seguintes combinações:

n) Solo + 3% de H3PO4 + 1% C6H8O7


o) Solo + 3% de H3PO4 + 3% C6H8O7
p) Solo + 3% C6H8O7
q) Solo + 3% C6H8O7 + 10% de CCA

Foi também realizada uma tentativa de adição de Cal do tipo calcítica ao solo, e
com este aditivo, foram realizadas as seguintes situações:

r) Solo + 5% de Cinza de Casca de Arroz + 3% de H3PO4 + 5% cal


s) Solo + 10% de Cinza de Casca de Arroz + 3% de H3PO4 + 5% cal
t) Solo + 3% de H3PO4 + 5% de Cal
u) Solo + 5% de Cal

Após a análise dos resultados das misturas moldadas na energia de compactação


Proctor Intermediário foram realizadas 4 moldagens na energia de compactação Proctor
Modificado:

A) Solo Natural
B) Solo + 3% de H3PO4
C) Solo + 10% de Cinza de Casca de Arroz
D) Solo + 10% de Cinza de Casca de Arroz + 3% de H3PO4

3.3.Materiais, Métodos e Ensaios preliminares.

3.3.1. Solo

O solo utilizado nesta pesquisa foi coletado em jazida localizada às margens da


rodovia RSC 307 km 28, distante 05 km da entrada da cidade de Cândido Godói, estado
do Rio Grande do Sul. A localização da jazida pode ser observada na Figura 5.

37
27°55'57.1"S
54°44'14.2"W

Figura 5: Localização da Jazida do solo utilizado no estudo (Fonte: Google Maps, Maio 2018)

Este solo foi escolhido pelo fato de ter comportamento Laterítico e ser solo com
características próximas das encontradas em mais de 20000 km² do estado do Rio Grande
do Sul e compreendendo grande parcela dos solos do estado do Paraná, Santa Catarina,
São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso de Sul e Goiás.

Os derrames de basalto, que deram origem ao solo deste estudo, correspondem a


um magma relativamente homogêneo, resultando em pequenas mudanças nas
características dos solos gerados pelo intemperismo, mudanças essas decorrentes
principalmente devido aos climas que os mesmos estão expostos (CARVALHO et al.
1981)

Tomando-se por base os estudos iniciados por Guida (1971), este solo tende a ter
características próximas das que foram estudadas em seu trabalho, mesmo o solo utilizado
em seu estudo sendo do estado de São Paulo. Isso demonstra a unificação de algumas
características químicas dos latossolos.

38
O solo utilizado na presente pesquisa (Figura 6) foi ensaiado para a determinação
do tamanho de suas partículas (ABNT NBR 7181, 2017). Para tal, foram realizados os
ensaios de granulometria por peneiramento e granulometria por sedimentação. A curva
granulométrica da amostra de solo é apresentada na Figura 7. O ensaio de sedimentação
foi realizado com e sem uso de defloculante (hexametafosfato de sódio).

Figura 6: Jazida do solo utilizado nesta pesquisa

100
90
Percentagem Passante (%)

80
70 Com Defloculante
60
Sem Defloculante
50
40
30
20
10
0
0,001 0,01 0,1 1 10 100
Diâmetro dos Grãos (mm)

Figura 7: Curva Granulométrica do solo utilizado nesta pesquisa

39
Percebe-se que se trata de um solo fino, com aproximadamente 98% passante na
peneira #200. A porcentagem de argila no solo é de 86 %, de silte 10%, de areia fina 3,5%
e de areia média apenas 0,5%. Observa-se um visível comportamento distinto do solo
quando ensaiado com e sem defloculante, essa mudança na granulometria é mais
percebida em campo, onde mesmo o solo sendo muito fino, o mesmo apresenta
características de um material ligeiramente mais grosso pela aglomeração entre as
partículas de argila.

O solo utilizado na presente pesquisa foi classificado segundo o Sistema


Unificado de Classificação como um Silte de Alta Compressibilidade (MH),
correspondente ao grupo A 7-5 pela Classificação Rodoviária (TRB).

Plotando os resultados do Índice e´ versus o Coeficiente c´, foi permitida a


classificação do solo segundo a metodologia MCT. Conforme pode ser observado na
Figura 8, o solo classificou-se como Laterítico Argiloso.

Figura 8: Classificação MCT do solo utilizado nessa pesquisa

Do ponto de vista da constituição mineralógica, estes latossolos roxos são


altamente ferruginosos. O ferro assume papel importante neste tipo de solo, não somente
em função da quantidade, mas principalmente pela forma de individualização
apresentada: a hematita é rara, podendo mesmo estar ausente, a goethita é comum, mas
raramente chega a 10%. Estes solos são constituídos essencialmente por minerais do

40
grupo da caulinita, que podem atingir valores da ordem de 60% (CARVALHO et al.,
1981).

As amostras de solo foram conduzidas ao laboratório de Raios-X do


Departamento de Química e Rejeitos do Instituto de Engenharia Nuclear, para realização
de análises de Difração por Raios-X. Na Figura 9, é apresentado o difratograma de DRX
do solo desta pesquisa.

Figura 9: Difratograma de DRX do solo desta pesquisa.

O difratograma do solo apresenta resultados que indicam baixa cristalinidade.


Suas identificações correspondem a uma mistura de mineral do grupo da Caulinita,
provavelmente Caulinita (Al2Si2O5(OH)4 + Hematita, Fe2O3 + Quartzo, SiO2 e provável
presença de material Não-Cristalino.

3.3.2. Ácido Fosfórico

O H3PO4 utilizado na presente pesquisa foi adquirido da empresa QUIMICAMAR


na composição de 85%. O produto se apresenta como um líquido, de densidade de 1,68 e
pH 0,9. A natureza química do produto é um Ácido Inorgânico. Pode ainda ser
considerado um produto corrosivo que ataca diversos metais. Reage como um ácido forte
41
com muitos produtos químicos e materiais. Está apresentada em anexo (Anexo II) uma
ficha FISPQ de cuidados de como manipular este produto.

O H3PO4 foi adicionado ao solo diluído em 30% da água de moldagem, e


aguardado o tempo de 15 minutos para a compactação a fim de observar um tempo para
que quando a mistura estiver sendo aplicada em campo, possa ocorrer a compactação e
ter melhor correlação de resultados.

3.3.3. Ácido Cítrico

Também conhecido como citrato de hidrogênio, o ácido cítrico é um ácido


orgânico fraco, de fórmula molecular C6H8O7, encontrado sob o estado sólido em
temperatura ambiente, de cor branca ou translúcida, inodoro, de sabor azedo,
completamente solúvel em água, biodegradável, de baixo ponto de fusão, atóxico, não
inflamável, presente nos compostos cítricos, como por exemplo, limão e laranja.

O ácido cítrico é obtido na indústria graças à fermentação da sacarose realizada


por um micro-organismo chamado Aspergillus Níger. O processo de obtenção apresenta
várias fases como a preparação do substrato de melaço, a fermentação aeróbica da
sacarose pelo Aspergillus, a separação do ácido cítrico do substrato por precipitação ao
adicionar hidróxido de cálcio, ou cal apagada ou extinta, para formar citrato de cálcio e,
depois, é adicionado ácido sulfúrico para decompor o citrato de cálcio. A eliminação das
impurezas é realizada com carvão ativado ou resinas de troca iônica, continuando com a
cristalização do ácido cítrico, secagem ou desidratação e o empacotamento do produto
(SOCCOL et al., 2006).

Aproximadamente 70 % do ácido cítrico produzido é utilizado na indústria


alimentícia e de bebidas, 12 % na farmacêutica e 18 % é destinado a outros usos
industriais (LEONEL & CEREDA 1995).

O Ácido cítrico utilizado nessa pesquisa da marca TATE LYLE, é utilizado na


indústria alimentícia, e foi adquirido como sólido granular, de cor branca, e para os usos
desta pesquisa foi previamente diluído na água de compactação.

42
3.3.4. Cinza de Casca de Arroz

A cinza de casca de arroz empregada nesta pesquisa foi cedida pela CAAL
(Cooperativa Agroindustrial Alegrete Ltda.), localizada no município de Alegrete, Estado
do Rio Grande do Sul. A cinza é resultado da queima da casca de arroz, utilizada no forno
de secagem do arroz, e sua queima não é feita à temperatura controlada. Ela tem coloração
escura conforme mostra a Figura 10.

Figura 10: Cinza de Casca de Arroz usada na presente pesquisa

Foi realizada uma tentativa de verificar o tamanho de suas partículas, entretanto a


cinza apresenta comportamento frágil e foi quebrando suas partículas à medida que foi
feito o peneiramento, e, quanto mais tempo era peneirando o material, mais fina sua
granulometria. Foi feita uma tentativa de análise granulométrica da mistura solo + cinza,
entretanto boa parcela da mistura é passante na peneira de 0,075 mm e necessita do ensaio
de sedimentação, e nessa etapa, quando agitados os dois materiais a cinza tendeu a ficar
em suspensão dentro da proveta de ensaio, impossibilitando sua análise.

Na Figura 11, está apresentado o difratograma de DRX da Cinza de Casca de


Arroz desta pesquisa. Esta análise foi feita com a Cinza de Casca de Arroz moída até
passar pela peneira de 0,075mm.

43
Figura 11: Difratograma de DRX da Cinza de Casca de Arroz desta pesquisa

Da análise da Figura 11, tem-se que a Cinza de Casca de Arroz é composta por
cristobalita (SiO2) + provável presença de material Não-Cristalino.

3.3.5. Cal

A cal utilizada no presente estudo é uma cal calcítica (Proviacal H) proveniente


do estado de Minas Gerais. Como no estado do Rio Grande do Sul são produzidas apenas
cales dolomíticas, e estas não são as mais indicadas para estabilização de solos, neste
contexto, justifica-se a procedência desta cal. Na Figura 12 está apresentado o
difratograma de DRX da cal utilizada. Ficou assim caracterizado como um hidróxido de
cálcio Ca (OH)2.

44
Figura 12: Difratograma de DRX da Cal utilizada neste estudo

3.3.6. Ataque Sulfúrico e pH

O solo em questão foi analisado quimicamente pelo método do ataque sulfúrico e


os resultados desta análise estão resumidos na Tabela 2. O procedimento adotado resume-
se da seguinte maneira:

• pH: medição do potencial eletronicamente (Aparelho: Analion Modelo


PM606F) por meio de eletrodo combinado (Analion – mod: V620) imerso
em suspensão solo: líquido (H2O e KCl 1N) na proporção 1:2,5.

• Perda ao Fogo (%ΔP): obtida pela diferença de peso do solo ao ser


calcinado à 550ºC em relação ao solo seco à 105ºC.

• Ataque Sulfúrico: A amostra calcinada foi tratada com ácido sulfúrico


(H2SO4 1:1) e no extrato obtido foram analisados os teores de Ferro
(Fe2O3) e Alumínio (Al2O3).

• O resíduo foi tratado com hidróxido de sódio (NaOH 0,5N) e no extrato


assim obtido foi analisada a percentagem de sílica (SiO2).

45
• O resíduo final foi calcinado à 1000ºC, calculando-se então a percentagem
de material primário não atacado pelo tratamento (% Res.)

• Determinação de Fe2O3 (%): por complexometria pelo EDTA, utilizando


ácido salicílico como indicador.

• Determinação de Al2O3 (%): por Espectrofotometria de Absorção Atômica


(Perkin Elmer - mod: AAnalyst 300)

• Determinação de SiO2 (%): por colorimetria com molibdato de amônio,


desenvolvendo o composto amarelo que absorve no comprimento de onda
de 410 nm. Leitura no Espectrofotômetro HACH mod: DR/2000.

• Índices de Intemperismo (Ki e Kr): são calculados pelas relações


moleculares sílica/alumina (Ki) e sílica/sesquióxidos (Kr).

• Carbono Orgânico: utilizada amostra seca ao ar e passada na peneira nº80.


Determinado por oxidação com Dicromato de Potássio em meio sulfúrico
a quente, usando Sulfato de Prata como catalizador, sendo o excesso de
dicromato após a oxidação, dosado por titulação com solução padrão de
Sulfato Ferroso Amoniacal, utilizando difenilamina como indicador. O
teor de Matéria Orgânica foi calculado multiplicando o resultado do
Carbono Orgânico por 1,724.

Tabela 2: Resultados do ataque sulfúrico no solo utilizado na presente pesquisa

pH ATAQUE SULFÚRICO
M.O
(g/kg)
KCl SiO2 Al2O3 Fe2O3 Res.
H2O ΔP (%) Ki Kr
1M (%) (%) (%) (%)

4,87 4,01 9,24 30,1 22,8 26,9 2,24 1,28 8,05 2,70

46
3.3.7. Limites de Atterberg e pH

Os ensaios de limite de liquidez e de plasticidade foram realizados segundo a NBR


6459/1984 –Solo – Determinação do Limite de Liquidez (LL) e a NBR 7180/1984 – Solo
–Determinação do Limite de Plasticidade (LP). Através dos resultados obtidos por esses
ensaios é possível determinar o Índice de Plasticidade (IP), que é resultado da diferença
do LL e do LP.

Foram realizados os ensaios para o solo natural e para algumas misturas de solo
com Cinza de Casca de Arroz, H3PO4 e C6H8O7.

Os ensaios de LL e LP foram realizados com a função apenas de expressar as


diferenças no comportamento das misturas que eram perceptíveis durante a
homogeneização e moldagem das amostras.

Tabela 3: Resultados de pH e limites de Atterberg do solo desta pesquisa com


algumas adições

Limite de Índice de
Limite de
Plasticidade Plasticidade pH
Liquidez (LL)
(LP) (IP)
Solo 55,0% 45,5% 9,5% 4,82
Solo + 1% H3PO4 55,8% 28,5% 27,3% 1,58
Solo + 3% H3PO4 56,5% 28,0% 28,5% 1,26
Solo + 5% H3PO4 57,0% 28,0% 29,0% 1,15
Solo + 3% C6H8O7 55,4% 35,2% 20,2% 2,25
Solo + 3% C6H8O7 + 3% H3PO4 54,5% 29,2% 25,3% 1,23
Solo + 5% de Cinza de Casca de
38,3% 31,5% 6,8% 4,98
Arroz
Solo + 5% de Cinza de Casca de
42,2% 25,3% 16,9% 1,27
Arroz + 3% de H3PO4
Solo + 10% de Cinza de Casca
27,1% 22,2% 4,9% 4,95
de Arroz
Solo + 10% de Cinza de Casca
30,6% 18,5% 12,1% 1,25
de Arroz + 3% de H3PO4
Solo + 15% de Cinza de Casca
14,8% ---- 4,96
de Arroz
Solo + 15% de Cinza de Casca
22,5% 11,3% 11,2% 1,24
de Arroz + 3% de H3PO4

47
Percebeu-se que ao adicionar o C6H8O7 ou o H3PO4 ao solo não ocorre mudança
do limite de liquidez, entretanto ocorre significativa redução do limite de plasticidade. A
CCA tende a diminuir os valores do limite de liquidez e do limite de plasticidade.

3.3.8. Determinação do teor de cal

A dosagem da cal no solo é a determinação de uma quantidade ideal do aditivo


que irá alterar as propriedades da mistura, resultando em acréscimos na resistência
mecânica e até em melhorias na durabilidade. O desenvolvimento de técnicas para a
determinação da quantidade ideal de cal conduziu a criação de diversos métodos de
dosagem, que têm como principal objetivo indicar o teor ótimo de cal.

Segundo Little (1995), essa variedade de métodos de dosagem reflete uma


necessidade de adequação das propriedades buscadas na mistura solo-cal às
especificidades de projeto de regiões diferentes. Assim, quando se utiliza um método de
dosagem desenvolvido em uma região de características muito diferentes da região de
aplicação, pode-se incorrer em discrepâncias graves.

Neste estudo foram utilizados dois métodos: o método Físico-químico e o método


do pH.

O método Físico-químico proposto por Casanova et al. (1992) permite quantificar


a quantidade necessária de cal para estabilizar o solo quimicamente. O ensaio mede a
variação volumétrica das misturas e o teor de cal que produziu a máxima variação
volumétrica, foi considerado como o mínimo requerido para a estabilização o que neste
caso foi 5% de peso de cal em relação ao solo.

48
60%

Expansão volumétrica (%)


50% 5,0%
40% 6,0%
7,0%
30%
4,0%
20%
8,0%
10% 9,0%
0% 3,0%
0 2 4 6 8 10 12 14 1,5%
Tempo (dias)

Figura 13: Método Físico-químico de dosagem solo/cal desta pesquisa

O método do pH, normatizado pela ASTM D 6276 (2006) é baseado no método


de Eades e Grim. Nele se objetiva encontrar a quantidade de cal que seja suficiente para
que o solo satisfaça a capacidade de troca catiônica e outras reações iniciais na mistura
solo-cal, assim como manter o pH alcalino e concentração livre de Ca++ para as reações
pozolânicas (TRB, 1987; LITTLE, 1995). O princípio básico deste procedimento é
adicionar suficiente quantidade de cal de modo a assegurar um pH de 12,4. Neste estudo,
o teor seria por volta de 4,8%.

12,60
Potencial Hidrogeniônico - pH

12,40
12,20 pH
12,00
11,80
11,60
11,40
11,20
11,00
0% 1% 2% 3% 4% 5% 6% 7% 8% 9% 10%
Teor de cal (%)

Figura 14: Dosagem Método Eades e Grim – pH para o solo/cal

De acordo com TRB (1987), o método do pH apresenta algumas limitações, visto


que com ele não é possível determinar se o solo reagirá com a cal para produzir um
49
aumento substancial de resistência, tampouco recomenda monitoramento de dados de
resistência para avaliar a qualidade da mistura.

3.3.9. Ensaio de compactação

Para determinar qual a umidade ótima para cada composição analisada, foram
realizados ensaios de compactação Mini-Proctor proposto por Nogami em 1972
(NOGAMI & VILLIBOR, 1995). O Mini-Proctor corresponde à miniaturização do
Proctor Tradicional, cujos resultados dos parâmetros obtidos (Massa Específica Aparente
Seca Máxima e Umidade Ótima) para ambos os métodos são praticamente iguais.
Diferem do Proctor Tradicional pela massa de solo compactada, pelo peso do soquete,
altura de queda, número de golpes e o diâmetro do molde cilíndrico. Possui como
característica principal, ser um processo de compactação à seção plena, ou seja, o pé do
soquete possui a mesma área do corpo de prova. Em relação ao Proctor Tradicional
apresenta as seguintes vantagens:

• Diminuição considerável da quantidade de amostra para ensaio;


• Diminuição do esforço na aplicação dos golpes do soquete;
• Maior uniformidade dos corpos de prova compactados (CPs);

Os ensaios de compactação foram realizados no Laboratório de Solos e


Pavimentação da UNIPAMPA, utilizando o método de compactação Mini-Proctor, com
o solo sendo destorroado até ter a sua graduação passante na peneira de abertura de 2mm,
e assim a granulometria apresenta 100% de material passante nessa peneira.

Foram utilizadas para o presente estudo as energias Intermediárias e Modificadas


do ensaio Proctor, sendo que a grande maioria das amostras foram moldadas na energia
intermediária, visto que o uso da energia do Proctor intermediário busca representar
condições de emprego dos solos melhorados com cimento e com cal em trabalhos de
pavimentação rodoviária, nas funções de melhoria do subleito, reforço, sub-base e, se
aplicável tecnicamente, base.

3.3.10. Ensaio de Resistência à tração por Compressão Diametral

Os corpos de prova para serem submetidos à ruptura por compressão diametral


foram compactados com 10 cm de diâmetro e a altura variando de 5cm a 6cm. Os corpos
50
de prova foram moldados no teor de umidade ótima e peso específico máximo,
encontrados usando o ensaio Mini-Proctor.

As moldagens dos corpos de prova foram feitas com o auxílio do compactador


Marshall. Para utilização desse método de compactação foi realizado um reajuste no
número de golpes efetuados pelo aparelho para coincidir com a energia gerada pelo
compactador do Mini-Proctor.

Para cada situação, foram moldados 12 corpos de prova, totalizando 300 corpos
de prova no total. Na sequência os mesmos foram curados por 07, 14, 28 e 56 dias, em
temperatura controlada, a 25°C. A Figura 15 apresenta aspectos do processo de moldagem
para o ensaio em questão. Para evitar a perda de umidade durante a cura, os corpos de
prova foram envoltos em plástico filme e depois recobertos por uma camada de parafina.

Figura 15: Moldagem dos corpos de prova para o ensaio de tração por
compressão diametral nesta pesquisa

51
3.3.11. Ensaio de Compressão Simples

Os corpos de prova foram moldados em cilindros de dimensões 5cm de diâmetro


e 10cm de altura, na umidade ótima e peso específico máximo para cada dosagem,
determinados a partir do ensaio de compactação Mini-Proctor.

A moldagem se deu de forma estática, com uso de um macaco hidráulico e sistema


de duplo êmbolo, em que a amostra de solo é colocada dentro do molde e compactada por
prensagem até atingir a altura desejada. Foram moldados 3 corpos de prova para cada
dosagem para cada tempo de cura. Após a moldagem, os corpos de prova foram
embalados em plástico filme e em parafina e seguiram para cura, em ambiente com
temperatura controlada, durante 7, 14, 28 e 56 dias. Alguns corpos de prova após
moldados estão apresentados na Figura 16.

Figura 16: Exemplos de Corpos de prova moldados para o ensaio de RCS envoltos em
parafina nesta pesquisa

O ensaio obedeceu aos preceitos da NBR 12025 (ABNT, 2012). O carregamento


foi aplicado com deformação controlada de 1 mm/minuto. Exemplos de corpos de prova
durante e após rompimento podem ser observados na Figura 17.

52
Figura 17: Execução do Ensaio de Compressão Simples e alguns tipos de ruptura
encontrados nesta pesquisa

3.3.12. Ensaio de Módulo de Resiliência

Os ensaios triaxiais de cargas repetidas foram realizados no Laboratório de


Geotecnia e Pavimentação da COPPE de acordo com a norma DNIT-ME 134/2010 –
Solos - Determinação do Módulo de Resiliência.

O módulo de resiliência dos solos é por definição a relação entre tensão vertical
desvio e a deformação específica correspondente, e é obtido para vários pares de tensões,
confinante e desviadora, para representar melhor o comportamento dos materiais de
pavimentação.

No ensaio triaxial de cargas repetidas, a tensão vertical ou tensão desvio (σ1–σ3)


é aplicada no topo da amostra, sempre no sentido de compressão, de forma cíclica,
promovendo carregamento e descarregamento repetidos, dependendo da frequência e
magnitude que se deseja, enquanto a tensão confinante σ3 permanece constante.

Foram moldados três corpos de prova para cada mistura estudada, na umidade
ótima, na energia de compactação intermediária ou modificada. Todos os corpos de prova
foram compactados em molde tripartido com 10cm de diâmetro e 20cm de altura.

53
O ensaio é executado em duas etapas: a primeira etapa consiste no
condicionamento do material ensaiado, com a finalidade de minimizar os efeitos de
deformação plástica e da história de tensões, nesta etapa são aplicados 500 carregamentos
para cada par te tensões (Tabela 4).

A segunda etapa consiste na realização do ensaio propriamente dito, visando a


obtenção do Módulo de Resiliência, aplicando-se pares de tensão confinante e desviadora,
pré-definidos, e medindo-se a deformação elástica ou resiliente correspondente.

Os pares de tensões aplicados durante as duas etapas, de condicionamento


(Tabela 4) e de obtenção do módulo de resiliência estão apresentados na Tabela 5.

Tabela 4: Pares de tensões utilizados na etapa de condicionamento dos ensaios


triaxiais de carga repetida para obtenção do Módulo de Resiliência

Etapa de Condicionamento

σ3 (kPa) σd (kPa) σ1/σ3


70 70 2

70 210 4

105 315 4

Pares de tensões utilizados nos ensaios triaxiais de carga repetida para obtenção do
Módulo de Resiliência.

54
Tabela 5: Pares de tensões utilizados nos ensaios triaxiais de carga repetida para
obtenção do Módulo de Resiliência

Etapa de obtenção do Módulo de Resiliência

σ3 (MPa) σd (MPa) σ1/σ3


0,020 2

0,020 0,040 3

0,060 4

0,035 2

0,035 0,070 3

0,105 4

0,050 2

0,050 0,100 3

0,150 4

0,070 2

0,070 0,140 3

0,210 4

0,105 2

0,105 0,210 3

0,315 4

0,140 2

0,140 0,280 3

0,420 4

3.3.13. Ensaio de Deformação Permanente

O ensaio de deformação permanente foi realizado no mesmo equipamento de


ensaio triaxial de cargas repetidas, do Laboratório de Geotecnia e Pavimentação da
COPPE.

55
O procedimento de preparação do ensaio de deformação permanente é idêntico ao
do ensaio de módulo de resiliência. Entretanto, não é realizado o período de
condicionamento do corpo de prova, pois todas as deformações permanentes observadas
são importantes para a pesquisa, sendo que o programa que gerencia o equipamento
triaxial de cargas repetidas já possui um módulo para o ensaio de deformação permanente
com este requisito implantado. Também, para cada corpo de prova aplica-se somente um
par de tensões durante todo o ensaio.

Faz-se necessária a aplicação de um golpe inicial para garantia de total contato


entre o pistão e o top cap, evitando que eventuais folgas sejam lidas como deformação
permanente. Este golpe inicial será de número zero e a deformação permanente obtida
não será considerada como deformação do corpo de prova, sendo o estado de tensões para
este golpe padronizado para todos os ensaios e materiais estudados da seguinte maneira:
tensão desvio igual a 30kPa e tensão confinante igual a 30kPa.

Segundo Guimarães (2009), deverão ser realizados 9 ensaios válidos de


deformação permanente com 9 estados de tensões distintos, permanecendo cada estado
de tensão constante ao longo do mesmo ensaio, com pelo menos 150.000 ciclos de
aplicação de carga.

A quantidade de ensaios prevista na Tabela 6, é aquela considerada mínima para


uma eficaz modelagem da influência do estado de tensão na deformação permanente, e
que devem ser considerados como dados iniciais e sujeitos à alteração na medida em que
as interpretações dos resultados forem sendo elaboradas.

56
Tabela 6: Relação de tensões utilizadas para o ensaio de deformação permanente
(Guimarães, 2009)

Tensão (kPa)
Ensaio N
σd σ3
1 40
2 80 40
3 120
4 80
5 160 80 150000
6 240
7 120
8 240 120
9 360

Segundo a Tabela 6, para um mesmo nível de tensão confinante são realizados


três ensaios tais que a razão σd/σ3 seja 1, 2 e 3 respectivamente, permitindo a avaliação
da influência de cada tensão isoladamente.

A representação dos resultados de deformação permanente, pode ser feita por


meio da Equação 2, sendo utilizada para o cálculo dos parâmetros a técnica de regressão
não-linear múltipla.

𝜎3 ψ2 𝜎𝑑 ψ3 Equação 2
𝜀𝑝 (%) = ψ1 ∗ ( ) ∗ ( ) ∗ 𝑁 ψ4
ρ0 ρ0
Onde:
𝜀𝑝 (%): Deformação Permanente Específica;

ψ1, ψ2, ψ3, ψ4: parâmetros de regressão;


σ3: tensão confinante em kgf/cm2;
σd: tensão desvio em kgf/cm2;
ρ0: tensão de referência, considerada com a pressão atmosférica igual a 1 kgf/cm2;
N: número de ciclos de aplicação de carga.

57
3.3.14. Microscopia eletrônica de varredura

O microscópio eletrônico de varredura, MEV, tem por finalidade


verificar/observar modificações superficiais que ocorrem nas amostras. O MEV utilizado
é da marca ZEISS, com modelo EVO MA10 (Figura 18), que faz a leitura por emissão de
elétrons através da metalização da amostra.

As amostras utilizadas para o MEV foram obtidas a partir de corpos de prova


utilizados para os ensaios de RCS. Após ser realizado o ensaio de RCS eram retiradas
amostras de cerca de 1cm de diâmetro com espessura de cerca de 0,5cm. As amostras
foram secas em estufa a 60°C para permitir melhor análise microscópica. A metalização
foi realizada colocando uma camada de átomos de ouro (Au) na superfície da amostra
(Figura 19). Estes ensaios foram realizados no laboratório de Microscopia Eletrônica da
Universidade Federal do Pampa.

Figura 18: Microscópio eletrônico de varredura utilizado nesta pesquisa

58
Figura 19: Amostra de solo sem metalização e com metalização para ensaio de MEV

Foram também realizados ensaios de MEV na fração argila do solo, com o intuito
de observar mudanças que possam ter ocorrido devido a adição dos diferentes aditivos ao
solo. A fração argila foi obtida pelo mesmo procedimento utilizado para o ensaio de
Difração por Raios-X, descrito no item 3.3.15.

Estes ensaios foram realizados no Laboratório de Materiais do Instituto Militar de


Engenharia – IME, e, junto dos ensaios de MEV foram feitas análises de espectroscopia
de energia dispersiva (EDS) com o objetivo de verificar possíveis mudanças químicas
ocorridas na fração fina do solo devido a adição dos diferentes aditivos.

3.3.15. Ensaio de Difração por Raios-X

As amostras originais de solo foram conduzidas ao laboratório de Raios-X do


Departamento de Química e Rejeitos do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN),
localizado na Cidade Universitária da UFRJ, para realização de análises de Difração por
Raios-X (DRX). As amostras submetidas para este ensaio, pelo método do pó na fração
argila, foram obtidas dos corpos de prova utilizados para realizar os ensaios de RT após
serem curadas por 56 dias. Algumas amostras também foram ensaiadas no Centro de
Pesquisas da Petrobras, CENPES, situado também na Cidade Universitária da UFRJ.

Após o rompimento das amostras, foi realizado o destorroamento de cada corpo


de prova e os mesmos passaram pelo processo de dispersão utilizado para a realização de
ensaios de granulometria por sedimentação, e na sequencia foi realizada a preparação
como segue:

59
• Suspender a argila desagregada em 1000 ml de água destilada.
• Adicionar 20 ml de hidróxido de sódio
• Agitar a suspensão e transferir para uma proveta de 1000 ml.
• Deixar a suspensão em repouso durante 24 h.
• Com o auxílio de uma pipeta retirar a fração fina superior da suspensão
(200ml), evitando perturbação da mesma e coleta do material grosseiro
depositado.
• Secar a fração fina da suspensão em estufa a 60 °C, posteriormente
desaglomerá-la e realizar o ensaio de DRX.

As características do equipamento e do método de ensaio usados pelo IEN nesta


pesquisa são as que seguem:

Difratômetro de Raios X (DRX)


Modelo XRD-6000
Marca: Shimadzu
Anodo: Cobre (Cu)
Detetor: contador de cintilação – NaI – Acoplado com monocromador de grafite
Velocidade de varredura de 4 graus/minuto
Potência: 30mA X 40KV
Arco de varredura: 5º a 80º

3.3.16. Ensaio de Fluorescência de Raios-X

Visando complementar as análises realizadas com DRX, foram realizados ensaios


de Fluorescência em algumas das combinações de materiais desta pesquisa. A análise
multi-elementar instrumental por fluorescência de raios X (XRF) é baseada na medida
das intensidades dos raios X característicos emitidos pelos elementos químicos
componentes da amostra, quando devidamente excitada.

As amostras, nas mesmas condições de preparação usadas para o DRX, foram


ensaiadas no Laboratório do CENPES seguindo procedimentos estabelecidos nesse
laboratório (método interno).

60
4. RESULTADOS

Neste capítulo são apresentados os resultados dos principais ensaios realizados


para a presente pesquisa, que objetiva avaliar o comportamento de um solo laterítico com
incorporação de H3PO4, C6H8O7 e cinza de casca de arroz (CCA) para uso em obras
rodoviárias. Os resultados de caracterização e ensaios preliminares dos materiais
individuais foram apresentados no capítulo anterior.

São apresentadas as curvas de compactação das diferentes situações analisadas,


os resultados de deformação permanente para o solo estudado e os resultados mecânicos
de resistências à tração por compressão diametral e resistência à compressão simples,
além dos ensaios de módulo de resiliência para as diferentes situações. Para os ensaios
mecânicos foram observados os tempos de cura de 07, 14, 28 e 56 dias.

Além destes resultados mecânicos, são apresentados resultados de Microscopia


Eletrônica de Varredura (MEV) e de Difração de Raios X (DRX), no intuito de observar
mudanças que ocorreram com a adição dos materiais ao solo, bem como quantificar os
minerais gerados pelas reações dos aditivos.

De maneira a permitir um comparativo com o estado da arte, serão, ao longo da


apresentação e discussão dos resultados, apresentados valores encontrados na literatura
para misturas com correlação com o presente estudo.

4.1.Ensaio de compactação

Os ensaios de compactação foram realizados no Laboratório de Geotecnia e


Pavimentos da UNIPAMPA, utilizando o método de compactação Mini-Proctor com a
fração de solo passante na peneira de abertura de 2mm. De acordo com o apresentado no
item 3.3.1, 100% do solo tem a sua granulometria passante nessa abertura de peneira, e o
material foi somente destorroado para maior uniformidade das misturas.

Na Figura 20 são apresentadas as curvas de compactação do solo laterítico puro,


do solo com adição de 1%, 3% e 5% de H3PO4, e do solo com adições de 5%, 10% e 15%
de CCA.

61
16,00
Massa Específica Aparente Seca (kN/m³)
15,50

15,00

14,50

14,00

13,50
Solo + 5% de H3PO4
13,00 Solo + 3% de H3PO4
Solo + 1% de H3PO4
Solo Natural
12,50 Solo + 5% de CCA
Solo + 10% de CCA
Solo + 15% de CCA
12,00
20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38
Teor de Umidade (%)

Figura 20: Curvas de compactação na energia Intermediária do solo, do solo com adição
de H3PO4 e do solo com adição de CCA

De posse dos dados da Figura 20 obteve-se que a umidade ótima do solo puro na
energia de compactação intermediária foi de cerca de 29%, com massa específica aparente
seca máxima de 15,15kN/m³. Este resultado confirma a tendência estabelecida por Pinto
(2006) no comparativo de solos típicos brasileiros, onde o mesmo descreve que, em geral,
solos argilosos apresentam valores de umidade ótima entre 25 a 30% com sua respectiva
massa específica podendo variar geralmente de 14 a 15 kN/m³.

Quando adicionado 5% de CCA neste solo observou-se um pequeno aumento da


umidade ótima, que chegou a 30%. Quando o teor de cinza foi aumentado para 10% a
umidade ótima ficou em 29,5% e para 15% em 29,20%. A maior diferença observada, foi
na diminuição da massa específica aparente seca máxima que diminuiu dos 15,15kN/m³
para 13,81kN/m³ quando a mistura continha 15% de CCA, isso se justifica pela baixa
densidade dos grãos da CCA.

62
Quando foi adicionado H3PO4 ao solo, foi observado comportamento distinto das
misturas com CCA, ou seja, a umidade ótima diminuiu à medida que foi adicionado mais
H3PO4 ao solo e a massa específica seca das amostras aumentou. A umidade ótima ficou
em 27% para 1% de H3PO4, 26,7% para 3% de H3PO4 e 26,3% para 5% de H3PO4. A
massa específica seca no teor ótimo de umidade atingiu 15,7kN/m³ para o teor de 5% de
H3PO4.

Na Figura 21, são apresentadas as curvas de compactação para as misturas que


tiveram a adição combinada de CCA e H3PO4. Foram avaliadas as combinações de 5%,
10% e 15% de CCA com 1% e 3% de H3PO4.

16,00
Massa Específica Aparente Seca (kN/m³)

15,50

15,00

14,50

14,00

13,50 Solo + 15% de CCA + 1% de H3PO4


Solo + 10% de CCA + 1% de H3PO4
13,00 Solo + 5% de CCA + 1% de H3PO4
Solo Natural
Solo + 5% de CCA + 3% de H3PO4
12,50 Solo + 10% de CCA + 3% de H3PO4
Solo + 15% de CCA + 3% de H3PO4
12,00
20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38
Teor de Umidade (%)

Figura 21: Curvas de compactação na energia Intermediária do solo e do solo com


adição de H3PO4 e CCA

Dos dados da Figura 21, tem-se que a umidade ótima de compactação para as
diferentes situações permaneceu praticamente inalterada, ficando em cerca de 28% em
todas as situações que continham a combinação de CCA e H3PO4. Ficou caracterizada

63
uma significativa redução da massa específica aparente seca para as situações que
continham 15% de CCA. Observa-se também que o aumento do teor de H3PO4 de 1%
para 3% aumenta os valores da massa específica aparente seca para todos os teores de
CCA analisados. O teor de 5% de CCA pouco influenciou na massa específica das
amostras se comparado ao solo sem adições.

Na Figura 22 tem-se apresentadas as curvas de compactação das misturas que


tiveram a adição de C6H8O7. Foram estudadas 4 situações, Solo + 3% de H3PO4 + 1%
C6H8O7, Solo + 3% de H3PO4 + 3% C6H8O7, Solo + 3% C6H8O7 e Solo + 3% C6H8O7 +
10% de CCA.

16,00
Massa Específica Aparente Seca (kN/m³)

15,50

15,00

14,50

14,00

13,50 Solo + 3% C6H8O7 + 10% de CCA


Solo Natural
13,00 Solo + 3% de H3PO4 + 1% C6H8O7
Solo + 3% de H3PO4 + 3% C6H8O7
12,50 Solo + 3% C6H8O7

12,00
20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38
Teor de Umidade (%)

Figura 22: Curvas de compactação na energia Intermediária do solo com combinações


de H3PO4, C6H8O7 e CCA

Observa-se que a adição de C6H8O7 ao solo praticamente manteve inalterados os


parâmetros da curva de compactação, permanecendo a mesma umidade ótima e
apresentando uma mínima queda na massa específica aparente seca apenas quando

64
adicionada CCA à mistura. Houve redução dos valores de massa específica aparente seca
de 15,05 kN/m³ na situação apenas com 3% de C6H8O7 para 14,70kN/m³ quando
acrescidos 10% de CCA. A combinação de C6H8O7 e H3PO4 resultou em uma diminuição
da umidade ótima de 29% para 27% para as duas situações analisadas.

Na Figura 23 são apresentadas as situações estudadas que tiveram a incorporação


de cal calcítica, e combinações de cal com H3PO4 e CCA.

16,00
Massa Específica Aparente Seca (kN/m³)

15,50

15,00

14,50

14,00

13,50

Solo + 10% de CCA + 3% de H3PO4 + 5% cal


13,00
Solo Natural
Solo + 3% de H3PO4 + 5% de Cal
12,50 Solo + 5% de CCA + 3% de H3PO4 + 5% cal
Solo + 5% de Cal
12,00
20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38
Teor de Umidade (%)

Figura 23: Curvas de compactação na energia Intermediária do solo com combinações


de H3PO4, cal e CCA

Dos dados da Figura 23 observa-se que a adição de 5% de cal resulta em um


aumento da umidade ótima e uma redução da massa específica aparente, como esperado.
As demais situações analisadas: Solo + 5% de CCA + 3% de H3PO4 + 5% cal, Solo +
10% de CCA + 3% de H3PO4 + 5% cal e Solo + 3% de H3PO4 + 5% de Cal apresentaram
uma pequena diminuição da umidade ótima e uma considerável redução da massa
específica aparente seca à medida que o teor de cinza foi maior.

65
Os resultados para as misturas que foram realizadas na energia de compactação
modificada são apresentados na Figura 24.

16,00
Massa Específica Aparente Seca (kN/m³)

15,50

15,00

14,50

14,00

13,50 EM Solo + 3% de H3PO4


Solo + 3% de H3PO4
EM SoloNatural
13,00 Solo Natural
EM Solo + 10% de CCA + 3% de H3PO4
12,50 Solo + 10% de CCA + 3% de H3PO4
EM Solo + 10% de CCA
Solo + 10% de CCA
12,00
20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38
Teor de Umidade (%)

Figura 24: Curvas de compactação na energia intermediária e na energia modificada do


solo, do solo com adição de H3PO4 e de CCA

Na energia modificada de compactação foram analisadas somente as misturas de


Solo + 10% de CCA + 3% de H3PO4, Solo + 10% de CCA e Solo + 3% de H3PO4 além
do Solo Natural. As curvas apresentadas na Figura 24 resultaram em uma diminuição da
umidade ótima e um aumento da massa específica aparente seca para todas as situações
analisadas.

Os dados de umidade ótima (W) e massa específica aparente seca máxima


(MEAS) de todas as misturas estudadas (Figura 20, Figura 21, Figura 22, Figura 23 e
Figura 24) estão resumidos na Tabela 7. Todos os corpos de prova para os ensaios
mecânicos foram preparados nessas condições, em cada cenário.

66
Tabela 7: Resultados obtidos do ensaio de compactação das misturas desta pesquisa

Material/Mistura MEAS W (%)

Solo Natural 15,15 29,00


Solo + 1% de H3PO4 15,57 27,00
Solo + 3% de H3PO4 15,60 26,70
Solo + 5% de H3PO4 15,70 26,30
Solo + 5% de CCA 14,78 30,00
Solo + 10% de CCA 14,20 29,50
Solo + 15% de CCA 13,81 29,20
Solo + 5% de CCA + 1% de H3PO4 15,15 28,20
Solo + 5% de CCA + 3% de H3PO4 15,25 27,50
Solo + 10% de CCA + 1% de H3PO4 15,00 28,00
Solo + 10% de CCA + 3% de H3PO4 15,12 27,70
Solo + 15% de CCA + 1% de H3PO4 14,55 28,00
Solo + 15% de CCA + 3% de H3PO4 14,65 28,00
Solo + 3% de H3PO4 + 1% C6H8O7 15,28 27,20
Solo + 3% de H3PO4 + 3% C6H8O7 15,28 27,20
Solo + 3% C6H8O7 15,05 29,00
Solo + 3% C6H8O7 + 10% de CCA 14,70 29,00
Solo + 5% de CCA + 3% de H3PO4 + 5% cal 14,50 28,20
Solo + 10% de CCA + 3% de H3PO4 + 5% cal 14,25 28,00
Solo + 3% de H3PO4 + 5% de Cal 14,94 28,20
Solo + 5% de Cal 14,73 30,00
Energia Modificada Solo Natural 15,35 27,90
Energia Modificada Solo + 3% de H3PO4 15,25 26,80
Energia Modificada Solo + 10% de CCA 14,48 28,00
Energia Modificada Solo + 10% de CCA + 3% de H3PO4 15,65 26,20

67
4.2.Ensaio de Deformação Permanente

O ensaio de Deformação Permanente do solo foi realizado de acordo com o


procedimento descrito em 0. A variação da deformação permanente ao longo dos ciclos
de aplicação de cargas é mostrada na Figura 25 para cada par de tensões desvio e
confinantes aplicados na amostra durante o ensaio.

0,9 3,6-1,2
Deformação Permanente Acumulada (mm)

0,8 2,4-1,2

0,7 1,2-1,2

0,6 2,4-0,8

0,5 1,6-0,8

0,4 0,8-0,8

0,3 1,2-0,4

0,2 0,8-,04

0,1 0,4-0,4

0
0 50000 100000 150000
Número de Ciclos de Aplicação de Carga

Figura 25: Variação da Deformação Permanente total do solo utilizado nesta pesquisa
para os diferentes pares de tensão (desvio e confinante) utilizados em cada corpo de
prova.

As curvas obtidas apresentam formas similares, mostrando um crescimento muito


rápido até os 10.000 ciclos iniciais, em geral, e depois tendendo a um valor constante à
medida que se aumenta o número de aplicação de cargas. Nota-se também a dependência
das tensões que são aplicadas nos corpos de prova durante o ensaio, sendo as maiores
deformações obtidas para os estados de tensões mais elevados.

68
Nas menores tensões aplicadas (0,4-0,4) foi obtida ao final de 150000 ciclos uma
deformação de 0,182mm, e quando as tensões de ensaio foram aumentadas até o máximo
(3,6-1,2) a deformação permanente total foi de apenas 0,78mm. Isso comprova o
excelente desempenho deste solo laterítico argiloso, que embora sendo muito fino tem
ótima capacidade de resistência quanto à deformação permanente, quando compactado
na umidade ótima.

Com os resultados de ensaios de deformação permanente obtidos foi possível


obter, utilizando-se regressão não-linear múltipla, a Equação 3 que relaciona a
deformação permanente específica, em função da tensão confinante e da tensão desvio,
ambas em kgf/cm2, e o número N de aplicações de cargas (modelo de Guimarães 2009).

𝜀𝑝 (%) = 0,2056 ∗ (𝜎3 )0,6093 ∗ (𝜎𝑑 )0,2146 ∗ 𝑁 0,0898 𝑅 2 = 0,96 Equação 3

Não foram feitos ensaios de Deformação Permanente para as misturas de solo com
os aditivos, visto que se admite que a estabilização química proporciona ainda maior
resistência a este tipo de defeito, ainda mais considerando a excelente qualidade deste
solo.

4.3.Ensaio de Resistência à Tração por Compressão Diametral

Na Figura 26, Figura 27, Figura 28, Figura 29 e Figura 30 são apresentados os
valores médios para o ensaio de Resistência à Tração por Compressão Diametral das
amostras analisadas no presente estudo.

As resistências à tração foram obtidas em amostras moldadas de acordo com o


apresentado no item 3.3.10, e os valores médios correspondem ao rompimento de 3
corpos de prova em cada idade de cura. Junto dos valores médios são apresentados os
valores de máximas e mínimas resistências, representados pela barra de erros no gráfico.

Na Figura 26, são apresentadas as resistências à tração do solo laterítico puro, e


do solo com adição de 1%, 3% e 5% de H3PO4, e do solo com adições de 5%, 10% e 15%
de CCA.

69
0,24
0,22

Resistência à Tração Indireta (MPa)


0,20
0,18
0,16
0,14
0,12
0,10
0,08
0,06
0,04
0,02
0,00
Solo + Solo + Solo + Solo Solo
Solo Solo +5%
1% de 3% de 5% de +10% +15%
Natural CCA
H3PO4 H3PO4 H3PO4 CCA CCA
07 Dias de Cura (MPa) 0,091 0,109 0,153 0,173 0,075 0,071 0,066
14 Dias de Cura (MPa) 0,091 0,112 0,161 0,174 0,075 0,069 0,069
28 Dias de Cura (MPa) 0,092 0,115 0,165 0,179 0,073 0,073 0,071
56 Dias de Cura (MPa) 0,090 0,121 0,178 0,192 0,071 0,071 0,070

Figura 26: Resistência à Tração do solo, e do solo com adição de H3PO4 e do solo com
adição de CCA

Pelos dados da Figura 26, onde foram apresentadas as resistências à tração das
misturas com a incorporação de 1%, 3% e 5% de H3PO4 e 5%, 10% e 15% de CCA de
maneira isolada, além do solo puro, nota-se que a incorporação de H3PO4 resulta em um
aumento significativo da resistência à tração das misturas, aumentando em cerca de 40%
para o teor de 1% de H3PO4, e mais de 100% para o teor de 5% aos 56 dias de cura.

Observa-se que o tempo de cura influencia positivamente para as misturas com


H3PO4, visto que ocorre um aumento da resistência à tração para todos os teores de ácido
testados. Essa situação não ocorre nas misturas com acréscimo de CCA, nem no solo
puro. A adição de CCA não foi eficiente, visto que houve queda de resistência de cerca
de 25% para todos os teores testados em relação ao solo puro, e praticamente não houve
influência do tempo de cura. Assim, a CCA tem mais uma ação física que química dentro
da mistura.

70
Na Figura 27 são apresentados de maneira gráfica, os resultados de resistência à
tração do solo com incorporação conjunta de H3PO4 e CCA. Foram realizadas
combinações com 1% e 3% de H3PO4 com 5%, 10% e 15% de CCA.

Resistência à Tração Indireta (MPa) 0,24


0,22
0,20
0,18
0,16
0,14
0,12
0,10
0,08
0,06
0,04
0,02
0,00
Solo Solo Solo Solo
Solo +5% Solo +5%
+10% +15% +10% +15%
Solo CCA + CCA +
CCA + CCA + CCA + CCA +
Natural 1% de 3% de
1% de 1% de 3% de 3% de
H3PO4 H3PO4
H3PO4 H3PO4 H3PO4 H3PO4
07 Dias de Cura (MPa) 0,091 0,107 0,092 0,078 0,143 0,116 0,088
14 Dias de Cura (MPa) 0,091 0,109 0,093 0,085 0,145 0,117 0,092
28 Dias de Cura (MPa) 0,092 0,110 0,084 0,085 0,149 0,120 0,097
56 Dias de Cura (MPa) 0,090 0,116 0,091 0,084 0,159 0,128 0,099

Figura 27: Resistência à Tração do solo e do solo com adição de H3PO4 e CCA.

Quando adicionado de maneira conjunta o H3PO4 + CCA ao solo, percebe-se uma


tendência do aumento de H3PO4 melhorar a resistência à tração e o aumento do teor de
cinza diminuir a resistência à tração. Quanto maior o teor de H3PO4 maior a resistência à
tração e quanto mais CCA menores as resistências à tração obtidas.

Observa-se que o teor de 1% de H3PO4 quando combinado com a CCA não é


suficiente para agregar valores de resistência à tração ao solo puro, quando o teor de
H3PO4 é aumentado para 3% observa-se ganho em relação ao solo puro com teores de
CCA de 5% e 10%. Todas as situações com CCA apresentam comportamento
ligeiramente inferior se comparadas as misturas apenas com solo e H3PO4 (Figura 26).

71
Na Figura 28 estão apresentadas as resistências à tração das misturas que tiveram
misturas de solo com combinações de H3PO4, C6H8O7 e CCA.

0,24

Resistência à Tração Indireta (MPa)


0,22
0,20
0,18
0,16
0,14
0,12
0,10
0,08
0,06
0,04
0,02
0,00
Solo + 3% de Solo + 3% de Solo + 3%
Solo + 3%
Solo Natural H3PO4 + 1% H3PO4 + 3% C6H8O7 +
C6H8O7
C6H8O7 C6H8O7 10% de CCA
07 Dias de Cura (MPa) 0,091 0,145 0,150 0,125 0,076
14 Dias de Cura (MPa) 0,091 0,149 0,152 0,123 0,080
28 Dias de Cura (MPa) 0,092 0,152 0,161 0,129 0,082
56 Dias de Cura (MPa) 0,090 0,187 0,216 0,142 0,085

Figura 28: Resistência à Tração do solo com combinações de H3PO4, C6H8O7 e CCA

Observou-se que a adição de C6H8O7 foi benéfica, visto que os valores de


resistência à tração melhoraram se comparados os valores do solo puro. Houve um
incremento de cerca de 50% nos valores de resistência à tração com incorporação de 3%
de C6H8O7 em relação ao solo puro.

Entretanto, os melhores resultados ocorreram quando foram adicionados de


maneira conjunta C6H8O7 e H3PO4. Nessa situação observou-se um considerável
incremento de resistência à tração nas amostras, sendo um incremento mais expressivo
encontrado dos 28 para os 56 dias de cura. Com 1% e 3% de C6H8O7 + 3% de H3PO4
ocorreram cerca de 100 e 140% de incremento de resistência.

A adição de 3% de C6H8O7 e 10% CCA se mostrou pouco eficiente, visto que a


resistência obtida ficou aquém dos valores do solo puro, e pouco superior à mistura de
solo + 10% de CCA.

72
Na Figura 29 são apresentadas as situações de misturas que tiveram a
incorporação de cal calcítica. Foi adotado o teor de 5% de cal por este ter sido o teor
determinado pelo ensaio físico químico (capitulo 3.3.5). Foram testadas as seguintes
situações: Solo + 3% de H3PO4 + 5% de Cal, Solo + 5% de CCA + 3% de H3PO4 + 5%
cal, Solo + 10% de CCA + 3% de H3PO4 + 5% cal e Solo + 5% de Cal.

0,24
Resistência à Tração Indireta (MPa)

0,22
0,20
0,18
0,16
0,14
0,12
0,10
0,08
0,06
0,04
0,02
0,00
Solo + 5% de Solo + 10%
Solo + 3% de
CCA + 3% deCCA + 3% Solo + 5% de
Solo Natural H3PO4 + 5%
de H3PO4 + de H3PO4 + Cal
de Cal
5% cal 5% cal
07 Dias de Cura (MPa) 0,091 0,138 0,098 0,090 0,119
14 Dias de Cura (MPa) 0,091 0,138 0,099 0,089 0,139
28 Dias de Cura (MPa) 0,092 0,140 0,102 0,089 0,156
56 Dias de Cura (MPa) 0,090 0,142 0,108 0,096 0,202

Figura 29: Resistência à Tração do solo com combinações de H3PO4, cal e CCA

Foi observado que o teor de 5% de cal, ocasiona ao final do tempo de cura um


incremento de cerca de 125% da resistência à tração em relação ao solo puro. Nota-se que
existe um expressivo incremento de resistência à tração com o tempo de cura da mistura
de solo com cal, e pode ser que ainda houvesse maior ganho se o tempo de cura tivesse
sido maior, tendo em vista que a cal pode ter reações bem lentas de cimentação.

Quando adicionados 10% de CCA e 5% de cal, observa-se que praticamente não


ocorre aumento da resistência à tração do solo. Situação também observada na mistura
que continha o acréscimo de 3% de H3PO4 e 5% de cal, nessa situação, foi observado que
ocorriam reações muito rápidas entre o solo/cal com o H3PO4, antes da amostra ter sido

73
compactada. Possivelmente tenha ocorrido a reação indicada na equação 4 e o fosfato
formado não tem poder cimentante junto às partículas do solo.

Ca (OH)2 + H3PO4 = CaHPO4 + 2 H2O Equação 4

Nas misturas que tiveram a combinação de cal, CCA e H3PO4, foi observado um
acréscimo de resistência à tração, entretanto estes valores são inferiores aos que se tem
apenas com o H3PO4 adicionado ao solo.

Na Figura 30 são apresentados os resultados das 4 situações que tiveram corpos


de prova preparados na energia de compactação Proctor Modificado (EM). Foram
realizados ensaios com o solo puro, solo com adição de 10% de CCA, solo com adição
de 3% de H3PO4 e a última mistura com adição combinada de 10% de CCA e 3% de
H3PO4. Para fins comparativos, são apresentadas as 4 misturas que foram compactadas
na energia Proctor Intermediário (EI).

0,24
Resistência à Tração Indireta (MPa)

0,22
0,20
0,18
0,16
0,14
0,12
0,10
0,08
0,06
0,04
0,02
0,00
EI - EM -
EI - EI - Solo + EM - EM - Solo +
EI - EM -
Solo + Solo + 10% de Solo + Solo + 10% de
Solo Solo
10% de 3% de CCA + 10% de 3% de CCA +
Natural Natural
CCA H3PO4 3% de CCA H3PO4 3% de
H3PO4 H3PO4
07 Dias de Cura (MPa) 0,091 0,071 0,153 0,116 0,107 0,085 0,162 0,124
14 Dias de Cura (MPa) 0,091 0,069 0,161 0,117 0,104 0,085 0,169 0,152
28 Dias de Cura (MPa) 0,092 0,073 0,165 0,120 0,104 0,086 0,198 0,182
56 Dias de Cura (MPa) 0,090 0,071 0,178 0,128 0,104 0,087 0,218 0,207

Figura 30: Resistência à Tração das amostras de solo, de solo com adição de H3PO4 e de
CCA compactadas nas energias Intermediária e Modificada
74
De posse dos resultados apresentados na Figura 30, observa-se que a energia de
compactação tem influência nos valores de resistência à tração; quanto maior a energia,
maiores os valores de resistência das amostras.

Nas misturas contendo adição de H3PO4 observou-se um ganho de mais de 100%


em relação ao solo puro, destaca-se ainda que a adição de CCA em 10% junto de 3% de
H3PO4 proporcionou comportamento similar à mistura apenas com H3PO4, com a grande
vantagem de, durante a mistura, possibilitar melhor homogeneização dos materiais,
evitando a formação dos grumos característicos que se formam nas misturas apenas com
H3PO4.

4.4.Ensaio de Resistência à Compressão Simples

Na Figura 31, Figura 32, Figura 33, Figura 34 e Figura 35 são apresentados os
valores médios para o ensaio de Resistência à Compressão Simples (RCS) das amostras
analisadas na presente pesquisa.

As resistências à compressão foram obtidas em amostras moldadas de acordo com


o apresentado no item 3.3.11, e os valores médios correspondem ao rompimento de 3
corpos de prova em cada idade de cura. Junto dos valores médios são representados os
valores de máximas e mínimas resistências.

Na Figura 31, são apresentadas as resistências à compressão do solo laterítico


puro, e do solo com adição de 1%, 3% e 5% de H3PO4, e do solo com adições de 5%,
10% e 15% de CCA.

75
2,50

Resistência à Compressão Simples (MPa)


2,25

2,00

1,75

1,50

1,25

1,00

0,75

0,50

0,25

0,00
Solo + Solo + Solo + Solo Solo
Solo Solo +5%
1% de 3% de 5% de +10% +15%
Natural CCA
H3PO4 H3PO4 H3PO4 CCA CCA
07 Dias de Cura (MPa) 0,959 1,051 1,484 1,746 0,750 0,522 0,455
14 Dias de Cura (MPa) 0,971 1,250 1,640 1,883 0,830 0,524 0,492
28 Dias de Cura (MPa) 1,022 1,359 1,733 1,918 0,895 0,547 0,481
56 Dias de Cura (MPa) 0,986 1,389 1,748 1,991 0,870 0,582 0,553
Figura 31: Resistência à Compressão Simples das amostras de solo, de solo com adição
de H3PO4 e de CCA compactadas nas energias Intermediária e Modificada

Observa-se que os resultados de RCS das misturas com adição de H3PO4 seguem
a mesma tendência de comportamento dos resultados do ensaio de resistência à tração.
As maiores resistências são obtidas para maiores tempos de cura e para maiores teores de
H3PO4. Os valores de resistência à compressão aumentaram de cerca de 1MPa do solo
puro para 1,39MPa com 1% de H3PO4, 1,75MPa com 3% de H3PO4 e 1,99MPa com 5%
de H3PO4. Quando foi adicionada CCA, foi observada uma queda de RCS de cerca de
50% para o teor de 15% de cinza, e mesmo com teores mais baixos (5% e 10%) houve
significativa queda de resistência à compressão.

No estudo de Medina e Guida (1995), em que foram realizados ensaios de RCS


em 4 diferentes tipos de solo, em amostras de 50mm de altura e 50mm de diâmetro,
compactadas na energia Proctor Modificado, utilizando 5% de H3PO4 foram atingidas
RCS de até 4,0MPa ao final de 28 dias de cura, resistências essas superiores as
encontradas no presente estudo, entretanto em parte pode ser influência do tamanho das
amostras utilizadas nos ensaios: a relação de 1:1 dos corpos de prova desta referência
pode ter aumentado a resistência medida.

76
Na Figura 32 são apresentados os resultados de resistência à compressão do solo
com incorporação conjunta de H3PO4 e CCA. Foram realizadas combinações com 1% e
3% de H3PO4 com 5%, 10% e 15% de CCA.

Resistência à Compressão Simples (MPa) 2,50

2,25

2,00

1,75

1,50

1,25

1,00

0,75

0,50

0,25

0,00
Solo Solo Solo Solo
Solo +5% Solo +5%
+10% +15% +10% +15%
Solo CCA + CCA +
CCA + CCA + CCA + CCA +
Natural 1% de 3% de
1% de 1% de 3% de 3% de
H3PO4 H3PO4
H3PO4 H3PO4 H3PO4 H3PO4
07 Dias de Cura (MPa) 0,959 0,956 0,816 0,732 1,206 1,033 0,824
14 Dias de Cura (MPa) 0,971 0,990 0,825 0,772 1,251 1,030 0,847
28 Dias de Cura (MPa) 1,022 1,028 0,820 0,799 1,277 1,127 0,857
56 Dias de Cura (MPa) 0,986 1,040 0,708 0,780 1,357 1,257 0,880

Figura 32: Resistência à Compressão Simples do solo e do solo com adições de H3PO4
e CCA desta pesquisa

Quando combinados o H3PO4 e a CCA, percebe-se que a porcentagem de 1% de


H3PO4 se torna insuficiente para apresentar melhoria na RCS, piorando os resultados,
inclusive para os teores de 10% e 15% de CCA. Quando se aumentou o teor de H3PO4
para 3%, é possível observar um pequeno ganho para o teor de cinza de 5%, entretanto
para teores de cinza mais elevados, este teor de H3PO4 se torna ainda insuficiente para
agregar RCS ao solo tratado.

Na Figura 33 estão apresentadas as resistências à compressão simples das misturas


que tiveram misturas de solo com combinações de H3PO4, C6H8O7 e CCA.

77
2,50

Resistência à Compressão Simples (MPa)


2,25

2,00

1,75

1,50

1,25

1,00

0,75

0,50

0,25

0,00
Solo + 3% de Solo + 3% de Solo + 3%
Solo + 3%
Solo Natural H3PO4 + 1% H3PO4 + 3% C6H8O7 +
C6H8O7
C6H8O7 C6H8O7 10% de CCA
07 Dias de Cura (MPa) 0,959 1,179 1,115 1,212 0,870
14 Dias de Cura (MPa) 0,971 1,210 1,230 1,197 0,964
28 Dias de Cura (MPa) 1,022 1,684 1,590 1,228 1,008
56 Dias de Cura (MPa) 0,986 2,150 2,120 1,277 1,040

Figura 33: Resistência à Compressão Simples do solo com combinações de H3PO4,


C6H8O7 e CCA desta pesquisa

É possível perceber que o C6H8O7 quando adicionado de maneira isolada,


apresenta um leve ganho de resistência (25%), e o tempo de cura não agrega RCS. Mas
com a adição de CCA e C6H8O7 observa-se inicialmente RCS menores que do solo puro,
entretanto com o tempo de cura, os valores aos 56 dias mostram-se iguais a RCS do solo
puro.

Os maiores ganhos são observados quando combinados os dois ácidos (H3PO4 e


C6H8O7). Neste caso percebeu-se que nos maiores tempos de cura foi possível dobrar as
resistências a compressão simples do solo com o teor de 3% de H3PO4 e 1% de C6H8O7.

Na Figura 34 são apresentadas as RCS das misturas que tiveram a incorporação


de cal calcítica. Foram testadas as seguintes situações: Solo + 3% de H3PO4 + 5% de Cal,
Solo + 5% de CCA + 3% de H3PO4 + 5% cal, Solo + 10% de CCA + 3% de H3PO4 + 5%
cal e Solo + 5% de Cal.
78
2,50

Resistência à Compressão Simples (MPa)


2,25
2,00
1,75
1,50
1,25
1,00
0,75
0,50
0,25
0,00
Solo + 5% de Solo + 10%
Solo + 3% de
CCA + 3% deCCA + 3% Solo + 5% de
Solo Natural H3PO4 + 5%
de H3PO4 + de H3PO4 + Cal
de Cal
5% cal 5% cal
07 Dias de Cura (MPa) 0,959 1,023 0,830 0,860 0,921
14 Dias de Cura (MPa) 0,971 1,053 0,850 0,860 1,236
28 Dias de Cura (MPa) 1,022 1,104 0,861 0,883 1,531
56 Dias de Cura (MPa) 0,986 1,091 0,850 0,860 1,563

Figura 34: Resistência à Compressão Simples do solo com combinações de H3PO4, cal e
CCA

Observa-se que a cal no teor de 5%, quando adicionada de maneira isolada ao solo
proporciona uma melhoria de cerca de 50% na RCS, enquanto nas situações onde foi feita
a combinação com o H3PO4 houve uma perda de RCS. Este fato pode ser observado
durante a etapa de mistura dos materiais, em que quando o H3PO4 entrava em contato
com a cal ocorriam reações instantâneas, perceptíveis pelo aquecimento da mistura. Essas
reações ocorriam de maneira muito rápida, antes mesmo da compactação da amostra, e
assim, ocorria a neutralização dos dois estabilizantes.

Observa-se que a RCS do solo com adição de cal aos 7 dias de cura é menor que
a do solo puro, o que pode estar associado a duas situações: a primeira é que a cal provoca
mudança na estrutura do solo e isso pode ter gerado a perda de RCS, e a segunda é que a
cal apresenta reações pozolânicas lentas, que tendem a se desenvolver em idades de cura
maiores como se sabe.

Leon et al. (2016) observaram o comportamento de misturas com adição de cal


hidratada dolomítica e CCA na adição a uma amostra de solo da mesma jazida deste
79
estudo. No ensaio de RCS com adição de 6% de cal hidratada dolomítica CH-II, e 2,4%
de cal combinada com 3,6% de CCA, e ainda uma mistura com 6% de CCA. Observaram
que nenhuma das composições resultou em mudanças nos valores de RCS ao final dos 56
dias de cura, e na idade de cura de 7 dias, ocorreu também perda de RCS em relação ao
solo puro. A cal dolomítica utilizada tem menor poder cimentício do que a calcítica usada
na presente tese, o que influenciou diretamente nos resultados encontrados pelos autores
citados.

Na Figura 35 são apresentados os resultados de compressão simples das 4


situações que tiveram amostras preparadas na energia de compactação Proctor
modificado. Foram realizados ensaios com o solo puro, solo com adição de 10% de CCA,
solo com adição de 3% de H3PO4 e a última mistura com adição combinada de 10% de
CCA e 3% de H3PO4. Na mesma figura, para fins de comparação são repetidos os ensaios
na energia intermediária.

2,50
Resistência à Compressão Simples (MPa)

2,25
2,00
1,75
1,50
1,25
1,00
0,75
0,50
0,25
0,00
EI - EM -
EI - EI - Solo + EM - EM - Solo +
EI - EM -
Solo + Solo + 10% de Solo + Solo + 10% de
Solo Solo
10% de 3% de CCA + 10% de 3% de CCA +
Natural Natural
CCA H3PO4 3% de CCA H3PO4 3% de
H3PO4 H3PO4
07 Dias de Cura (MPa) 0,959 0,522 1,484 1,033 1,022 0,650 1,620 1,480
14 Dias de Cura (MPa) 0,971 0,524 1,640 1,030 1,124 0,630 1,950 1,880
28 Dias de Cura (MPa) 1,022 0,547 1,733 1,127 1,121 0,647 2,060 2,040
56 Dias de Cura (MPa) 0,986 0,582 1,748 1,257 1,123 0,652 2,250 2,390

Figura 35: Resistência à Compressão Simples das amostras de solo, de solo com adição
de H3PO4 e de CCA compactadas nas energias Intermediária e Modificada

80
De posse dos resultados, comparando as amostras moldadas nas duas energias de
compactação (Proctor Intermediário e Proctor Modificado), observa-se que a energia de
compactação tem influência positiva nos valores de RCS: quanto maior a energia, maiores
os valores de RCS das amostras.

Nas misturas contendo adição de H3PO4 observou-se um ganho de mais de 100%


em relação ao solo puro. Destaca-se ainda que a adição de CCA em 10% junto de 3% de
H3PO4 proporcionou comportamento similar à mistura apenas com H3PO4, com a grande
vantagem de, durante a mistura, possibilitar uma melhor homogeneização dos materiais,
evitando a formação dos grumos característicos que ocorrem nas misturas apenas com
H3PO4.

Bica et al. (2016) estudaram o comportamento de um solo da mesma jazida deste


estudo com adições de cimento Portland. Observaram que com a adição de 10% de
cimento, após decorridos 56 dias de cura, foi atingida uma resistência à compressão
simples de 2,48MPa, valores estes superiores aos 1,99MPa encontrados com 5% de
H3PO4, entretanto com teor de aditivo bem superior (o dobro).

4.5.Ensaio de Módulo de Resiliência

Foram moldados três corpos de prova (10cm x 20cm) para cada mistura estudada,
na umidade ótima, na energia de compactação intermediária, e ensaiados no equipamento
triaxial de carga repetida do laboratório de Geotecnia e Pavimentação da COPPE/UFRJ.

Foram realizados ensaios de módulo de resiliência para as misturas em tempos de


cura de 7, 14, 28 e 56 dias. Os três corpos de prova moldados foram ensaiados em todos
os tempos de cura determinados, ou seja, o mesmo corpo de prova foi submetido ao
Ensaio de Módulo de Resiliência nas diferentes idades de cura. Esta opção foi escolhida,
para diminuir a influência de outros fatores na análise, como por exemplo, os fatores
envolvidos no processo de moldagem – umidade e massa específica aparente seca de cada
corpo de prova.

Após cada ensaio, o corpo de prova era colocado dentro de saco plástico, retirado
o ar, e conduzido novamente para cura em câmara úmida do Laboratório de Geotecnia e
Pavimentação da COPPE/UFRJ.

81
O módulo de resiliência pode ser expresso como uma função do estado de tensões,
aplicado durante o ensaio, por modelos matemáticos com constantes experimentais.

Entre os modelos existentes, foram utilizados os que relacionam o módulo de


resiliência com a tensão desvio (Equação 5), com a tensão de confinante (Equação 6) e
também o modelo composto que relaciona o módulo de resiliência em função das tensões
de confinamento e tensão desvio simultaneamente (Equação 7).

𝑀𝑅 = 𝑘1 ∗ (𝜎𝑑 )𝑘2 Equação 5

𝑀𝑅 = 𝑘1 ∗ (𝜎3 )𝑘2 Equação 6

𝑀𝑅 = 𝑘1 ∗ (𝜎3 ) 𝑘2 ∗ (𝜎𝑑 )𝑘2 Equação 7

Onde:

σ3= tensão confinante,


σd= tensão desvio,
k = parâmetros de modelagem que definem numericamente cada modelo

As equações dos modelos clássicos em função da tensão desvio ou da tensão


confinante foram determinados com os resultados do conjunto de valores dos três corpos
de prova, utilizando o Software Microsoft Excel, e os parâmetros do modelo composto,
para o conjunto de dados dos 3 corpos de prova, foram obtidos utilizando o Software
STATISTICA 8.0.

4.5.1. Solo sem adições (Energia Proctor Intermediário)

Os valores de Módulo de Resiliência do solo sem adições são apresentados na


Figura 36 em função da Tensão Confinante e na Figura 37 os mesmos valores de Módulo
de Resiliência apresentados em função da Tensão Desvio.

82
Figura 36: Módulo de Resiliência versus Tensão Confinante do Solo para diferentes
períodos de cura.

83
Figura 37: Módulo de Resiliência versus Tensão Desvio do Solo para diferentes
períodos de cura.

De posse dos valores de MR obtidos por meio dos modelos simplificados,


observa-se que os mesmos apresentam, na grande maioria dos casos, um coeficiente de
correlação baixo. Observa-se que o solo não sofre influência significativa do tempo de
cura e apresenta uma pequena dependência da tensão desvio aplicada, sendo maiores os
valores de MR para os menores valores de tensão desvio.

Os resultados do solo puro, ou seja, sem adições, para o modelo composto que
leva em conta a tensão desvio e a tensão confinante, simultaneamente, são apresentados
na Figura 38 para todas as idades de cura analisadas. As equações que representam o
modelo composto são apresentadas nas Equações 8, 9, 10 e 11 para 7, 14, 28 e 56 dias de
cura, respectivamente.

84
(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 38: Modelo composto de Módulo de Resiliência do Solo para diferentes períodos
de cura.

De posse dos dados da Figura 38 foram determinadas a Equação 8, Equação 9,


Equação 10 e Equação 11 que representam o MR para o modelo composto para os
períodos de cura analisados.

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 224,14 ∗ (𝜎3 ) 0,218 ∗ (𝜎𝑑 )−0,320 𝑅 2 = 0,86 Equação 8

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 238,68 ∗ (𝜎3 ) 0,229 ∗ (𝜎𝑑 )−0,320 𝑅 2 = 0,88 Equação 9

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 222,96 ∗ (𝜎3 ) 0,217 ∗ (𝜎𝑑 )−0,323 𝑅 2 = 0,86 Equação 10

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 234,22 ∗ (𝜎3 ) 0,231 ∗ (𝜎𝑑 )−0,322 𝑅 2 = 0,83 Equação 11

85
Quando os valores de Módulo de Resiliência são apresentados em função conjunta
da Tensão Desvio e da Tensão Confinante, observa-se um melhor ajuste destes resultados,
visto que os valores de R² das equações obtidas para o modelo são todos superiores a
0,80. Assim, para as demais situações analisadas, os valores de MR serão expressos
apenas em função do modelo composto.

Observa-se que o solo não sofre influência do tempo de cura, isso demonstra que,
como esperado, não ocorreram reações químicas no mesmo que gerassem mudança do
comportamento ao longo do tempo.

Quando se analisam comparativamente os valores de k2 e k3 do modelo


composto, expoentes, respectivamente, das tensões desvio e confinante, é possível
associar ao valor mais elevado de um deles, a maior influência no MR da tensão que lhe
é relacionada, visto que as variações dessas tensões durante os ensaios são de mesma
ordem. Por outro lado, expoentes positivos ou negativos indicam que variações positivas
da tensão contribuem, respectivamente, para o aumento ou negativas, diminuição do
módulo de resiliência.

É possível ainda observar que o solo em questão apresenta uma pequena


influência das tensões aplicadas, sendo maiores os valores de MR para maiores tensões
confinantes e menores tensões desvio.

4.5.2. Solo sem adições (Energia Proctor Modificado)

Os resultados de MR do solo puro, na energia de compactação Proctor Modificada


para o modelo composto que leva em conta a Tensão Desvio e a Tensão Confinante são
apresentados na Figura 39 para o período de cura de 7 dias, como o solo não sofre
interferência do tempo de cura, optou-se por não realizar os ensaios nas idades de cura
mais avançadas.

86
(7 dias de cura)

Figura 39: Modelo composto de Módulo de Resiliência para o solo puro compactado na
energia Proctor modificado.

De posse dos dados da Figura 39 foi possível determinar a equação de Módulo de


Resiliência para o modelo composto.

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 373,6 (𝜎3 ) 0,132 ∗ (𝜎𝑑 )−0,320 𝑅 2 = 0,86 Equação 12

Comparando a equação 12 com a equação 8, percebe-se aumento do parâmetro k1


do modelo composto de cerca de 224 para 374, o k2 diminuiu para 0,132 em relação a
0,218, e o k3 permaneceu o mesmo, com a mudança da energia de compactação. Portanto,
foi observada a mesma dependência da tensão desvio e menor dependência da tensão
confinante para a energia modificada se comparado ao ensaio realizado com corpos de
prova preparados na energia intermediária para o solo puro.

4.5.3. Solo +1% H3PO4

Os resultados de MR do solo com adição de 1% H3PO4 para o modelo composto,


que leva em conta a Tensão Desvio e a Tensão Confinante são apresentados na Figura 40
para todas as idades de cura analisadas.
87
(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 40: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com
adição de 1% de H3PO4.

De posse dos dados da Figura 40 foi possível determinar as equações de MR para


o modelo composto, para as 4 idades de cura. Os modelos são apresentados na Equação
13, 14, 15 e 16 para 7, 14, 28 e 56 dias de cura respectivamente.

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 446,21 (𝜎3 ) 0,498 ∗ (𝜎𝑑 )−0,327 𝑅2 = 0,86 Equação 13

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 660,87 (𝜎3 ) 0,380 ∗ (𝜎𝑑 )−0,269 𝑅 2 = 0,88 Equação 14

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 734,07 (𝜎3 ) 0,350 ∗ (𝜎𝑑 )−0,246 𝑅2 = 0,86 Equação 15

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 830,98 (𝜎3 ) 0,323 ∗ (𝜎𝑑 )−0,231 𝑅2 = 0,83 Equação 16

88
É possível observar que o H3PO4 age de maneira positiva no solo, pois os valores
de MR são maiores que os apresentados no solo puro, e ainda se observa que os valores
de MR são maiores com o aumento do tempo de cura. Isso demonstra que o H3PO4 está
reagindo com o solo e melhorando as suas propriedades de resiliência. O tempo de cura
proporciona um aumento dos parâmetros k1 e k2, e uma diminuição do parâmetro k3.

4.5.4. Solo +3% H3PO4

Os resultados de MR do solo com adição de 3% H3PO4 para o modelo composto


são apresentados na Figura 41 para todas as idades de cura analisadas.

(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 41: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com
adição de 3% de H3PO4.

89
De posse dos dados da Figura 41, foi possível determinar a Equação 17, Equação
18, Equação 19 e Equação 20, que representam o comportamento do módulo de
resiliência para 7, 14, 28 e 56 dias de cura.

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 452,64 (𝜎3 ) 0,357 ∗ (𝜎𝑑 )−0,310 𝑅 2 = 0,86 Equação 17

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 613,82 (𝜎3 ) 0,282 ∗ (𝜎𝑑 )−0,205 𝑅 2 = 0,88 Equação 18

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 730,21 (𝜎3 ) 0,299 ∗ (𝜎𝑑 )−0,195 𝑅 2 = 0,86 Equação 19

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 946,84 (𝜎3 ) 0,296 ∗ (𝜎𝑑 )−0,176 𝑅 2 = 0,83 Equação 20

Observa-se que o comportamento da mistura com 3% de H3PO4 é similar quando


comparada à mistura com 1% de H3PO4, tendo o valor do parâmetro k1 assumido valor
superior e os parâmetros k2 e k3 valores ligeiramente inferiores aos encontrados para a
mistura com 1% de H3PO4, considerando o tempo de cura de 56 dias. Nota-se também
que a mistura com 3% de H3PO4 diminuiu a dependência das tensões desvio e confinante
com o aumento do tempo de cura.

4.5.5. Solo +5% H3PO4

Os resultados de MR do solo com adição de 5% H3PO4 para o modelo composto,


que leva em conta a Tensão Desvio e a Tensão Confinante, são apresentados na Figura
42 para todas as idades de cura analisadas.

90
(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 42: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com
adição de 5% de H3PO4.

De posse dos dados da Figura 42, foram determinadas as equações de MR para o


modelo composto. Os modelos estão representados pela Equação 21, Equação 22,
Equação 23 e Equação 24, para 7, 14, 28 e 56 dias de cura respectivamente.

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 491,13 (𝜎3 ) 0,347 ∗ (𝜎𝑑 )−0,490 𝑅 2 = 0,86 Equação 21

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 619,46 (𝜎3 ) 0,411 ∗ (𝜎𝑑 )−0,465 𝑅 2 = 0,88 Equação 22

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 780,15 (𝜎3 ) 0,330 ∗ (𝜎𝑑 )−0,330 𝑅 2 = 0,86 Equação 23

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 924,28 (𝜎3 ) 0,361 ∗ (𝜎𝑑 )−0,174 𝑅 2 = 0,83 Equação 24

O aumento do teor de H3PO4 para 5% não mostrou muito ganho em relação ao


teor de 3%. Comparando somente o tempo de 56 dias, vê-se que ocorreu uma leve
91
diminuição do parâmetro k1 do modelo composto de MR em relação a 3% de H3PO4.
Nota-se também que a mistura com o tempo de cura fica menos dependente da tensão
desvio. Ao comparar os resultados de MR das misturas com adição de H3PO4 em relação
ao solo puro, observa-se que as misturas com H3PO4 tem maior dependência das tensões
desvio e menor das confinantes.

4.5.6. Solo +5% Cinza de Casca de Arroz

Foram realizados ensaios com adição de CCA, para a adição do teor de 5% em


peso ao solo, e obteve-se, para o modelo composto de MR, os resultados da Figura 43
para os 4 períodos de cura estabelecidos.

(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 43: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com 5%
de Cinza de Casca de Arroz.

92
De posse dos dados da Figura 43, foram determinadas as equações MR para o
modelo composto, que estão representados pela Equação 25, Equação 26, Equação 27 e
Equação 28, para os 4 períodos de cura.

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 216,52 (𝜎3 ) 0,245 ∗ (𝜎𝑑 )−0,330 𝑅 2 = 0,86 Equação 25

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 277,88 (𝜎3 ) 0,303 ∗ (𝜎𝑑 )−0,310 𝑅 2 = 0,88 Equação 26

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 349,89 (𝜎3 ) 0,383 ∗ (𝜎𝑑 )−0,198 𝑅 2 = 0,86 Equação 27

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 385,60 (𝜎3 ) 0,393 ∗ (𝜎𝑑 )−0,194 𝑅 2 = 0,85 Equação 28

Observa-se que a adição de 5% de CCA ao solo não ocasionou mudanças


significativas nos primeiros dias de cura, entretanto, após 56 dias de cura, obteve-se
valores cerca de duas vezes maiores para o parâmetro k1 do modelo composto, o que
indica que podem estar ocorrendo algumas reações a longo prazo entre o solo e a CCA.
Observa-se ainda que o parâmetro k3 diminui e o k2 aumenta com o tempo de cura.

A tendência de mudança de comportamento com 5% de CCA foi também


observada quando determinada a RCS, em que, com o aumento do tempo de cura, maiores
foram os valores de RCS. Esses resultados indicam que a CCA usada nesta pesquisa,
mesmo não tendo sido obtida com temperatura controlada em sua queima, acabou
gerando um material com pequena capacidade pozolânica.

4.5.7. Solo +10% Cinza de Casca de Arroz

Para a adição do teor de 10% em peso de CCA ao solo, obteve-se, para o modelo
composto de módulo de resiliência, os resultados da Figura 44 para os 4 períodos de cura
estabelecidos.

93
(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 44: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com 10%
de Cinza de Casca de Arroz.

De posse dos dados da Figura 44, foram determinadas a Equação 29, Equação 30,
Equação 31 e Equação 32, que representam o comportamento do Módulo de Resiliência,
para o modelo composto, nas 4 idades de cura ensaiadas.

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 184,87 (𝜎3 ) 0,246 ∗ (𝜎𝑑 )−0,369 𝑅 2 = 0,86 Equação 29

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 212,76 (𝜎3 ) 0,213 ∗ (𝜎𝑑 )−0,277 𝑅 2 = 0,88 Equação 30

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 240,01(𝜎3 ) 0,240 ∗ (𝜎𝑑 )−0,237 𝑅 2 = 0,86 Equação 31

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 345,96 (𝜎3 ) 0,346 ∗ (𝜎𝑑 )−0,232 𝑅 2 = 0,83 Equação 32

94
Observa-se que a adição de 10% de cinza de casca de arroz ao solo ocasionou uma
leve queda do parâmetro k1, quando comparado o teor de 5% de cinza de casca de arroz.
Nas primeiras idades de cura, a mistura apresenta comportamento inferior ao solo puro,
entretanto as reações que ocorrem com o tempo de cura, acabam agregando rigidez,
fazendo o seu comportamento ser superior ao do solo puro.

4.5.8. Solo +15% Cinza de Casca de Arroz

Os resultados de módulo de resiliência do solo com adição de 15% de cinza de


casca de arroz são apresentados na Figura 45, para todas as idades de cura analisadas.

(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 45: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com 15%
de Cinza de Casca de Arroz.

95
De posse dos dados da Figura 45, foram determinadas as equações de MR para o
modelo composto. As equações que representam o MR para 07, 14, 28 e 56 dias são,
respectivamente, a Equação 33, Equação 34, Equação 35 e a Equação 36.

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 119,28 (𝜎3 ) 0,274 ∗ (𝜎𝑑 )−0,299 𝑅 2 = 0,86 Equação 33

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 131,89 (𝜎3 ) 0,271 ∗ (𝜎𝑑 )−0,218 𝑅 2 = 0,88 Equação 34

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 141,91 (𝜎3 ) 0,289 ∗ (𝜎𝑑 )−0,153 𝑅 2 = 0,86 Equação 35

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 191,58 (𝜎3 ) 0,279 ∗ (𝜎𝑑 )−0,145 𝑅 2 = 0,83 Equação 36

Observa-se que a adição de 15% de cinza de casca de arroz ao solo diminuiu os


valores de k1 em relação às misturas com menos cinza, sendo os valores inferiores aos
apresentados pelo solo nas idades iniciais de cura. Quando analisada a amostra com tempo
de cura de 56 dias, observa-se que a mesma apresentou um comportamento ligeiramente
superior ao do solo puro, quando submetidas aos níveis de tensões mais elevados.

4.5.9. Parâmetros k1, k2 e k3 do modelo composto de MR para o solo


puro e para o solo com adição de H3PO4 e solo com adição de Cinza
de Casca de Arroz

Na Figura 46 é apresentado o parâmetro k1, na Figura 47 o parâmetro k2 e na


Figura 48 o parâmetro k3, do modelo composto de MR, para o solo laterítico puro, e do
solo com adição de 1%, 3% e 5% de H3PO4, e do solo com adições de 5%, 10% e 15% de
CCA.

96
1600

Parâmetro k1 do modelo composto


1400

de Módulo de Resiliência
1200

1000

800

600

400

200

0
Solo + Solo + Solo + Solo Solo Solo
Solo
1% de 3% de 5% de +5% +10% +15%
Natural
H3PO4 H3PO4 H3PO4 CCA CCA CCA
07 Dias de Cura (MPa) 224 446 453 491 217 185 119
14 Dias de Cura (MPa) 239 661 614 619 278 213 131
28 Dias de Cura (MPa) 223 734 730 780 350 240 141
56 Dias de Cura (MPa) 234 831 947 924 386 346 192
Figura 46: Parâmetro k1 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo e do
solo com adição de H3PO4 e do solo com adição de CCA

Nota-se um comportamento diferente do solo puro em relação às misturas com


adição de H3PO4 ou CCA. No solo puro não ocorre variação do parâmetro k1 ao longo do
tempo de cura. Nas misturas com adição de H3PO4 ou CCA o parâmetro k1 é maior quanto
maior o tempo de cura. O aumento dos teores de H3PO4 praticamente não alteram o
comportamento deste parâmetro, já para a CCA quanto maiores os teores, menores os
valores de k1.

A adição de H3PO4 aumentou em cerca de 4 vezes os valores de k1 para 56 dias


de cura, enquanto a CCA aumentou em 65% para 5% de CCA, 50% para 10% de CCA e
uma pequena diminuição (15%) aos 56 dias de cura.

97
1,00

Parâmetro k2 do modelo composto


0,90

de Módulo de Resiliência
0,80

0,70

0,60

0,50

0,40

0,30

0,20

0,10

0,00
Solo + Solo + Solo + Solo Solo
Solo Solo +5%
1% de 3% de 5% de +10% +15%
Natural CCA
H3PO4 H3PO4 H3PO4 CCA CCA
07 Dias de Cura (MPa) 0,218 0,397 0,357 0,346 0,245 0,246 0,274
14 Dias de Cura (MPa) 0,229 0,280 0,282 0,411 0,303 0,246 0,271
28 Dias de Cura (MPa) 0,217 0,320 0,299 0,449 0,383 0,237 0,289
56 Dias de Cura (MPa) 0,231 0,323 0,296 0,361 0,393 0,264 0,279

Figura 47: Parâmetro k2 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo e do


solo com adição de H3PO4 e do solo com adição de CCA

Para o parâmetro k2 do modelo composto de MR, que representa a influência da


tensão confinante, se observa uma tendência de os valores diminuírem ao longo do tempo
de cura para os teores de 1% e 3% de H3PO4, para 5% de H3PO4 se observa um
crescimento do parâmetro k2 até os 28 dias de cura e uma queda aos 56 dias de cura. Em
todas as situações com H3PO4 o valor do parâmetro k2 é maior que o do solo puro em
cerca de 50% para o período de cura de 56 dias.

Quando adicionado 5% de cinza de casca de arroz, o parâmetro k2 tende a


aumentar em todos os períodos de cura. Aos 56 dias de cura, os valores são cerca de 70%
maiores que os do solo puro. Os teores de 10% e 15% mantiveram praticamente
inalterados os valores durante os tempos de cura testados, ficando os valores finais para
os dois teores cerca de 20% maiores que os encontrados para o solo puro.

98
0,00

Parâmetro k3 do modelo composto


-0,10

de Módulo de Resiliência
-0,20

-0,30

-0,40

-0,50

-0,60
Solo + Solo + Solo + Solo Solo Solo
Solo
1% de 3% de 5% de +5% +10% +15%
Natural
H3PO4 H3PO4 H3PO4 CCA CCA CCA
07 Dias de Cura (MPa) -0,320 -0,327 -0,310 -0,490 -0,330 -0,369 -0,299
14 Dias de Cura (MPa) -0,320 -0,269 -0,205 -0,465 -0,310 -0,277 -0,218
28 Dias de Cura (MPa) -0,323 -0,246 -0,195 -0,330 -0,198 -0,229 -0,153
56 Dias de Cura (MPa) -0,322 -0,231 -0,176 -0,174 -0,194 -0,232 -0,145
Figura 48: Parâmetro k3 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo e do
solo com adição de H3PO4 e do solo com adição de CCA

Quando analisado o parâmetro k3 do modelo composto de MR observa-se que


tanto a adição de H3PO4 quanto de CCA, quando adicionados de maneira isolada ao solo,
promovem uma redução do mesmo com o tempo de cura. Situação distinta do solo puro,
que ao decorrer do tempo de cura mantém inalterados os valores de k3. Nas condições
com adição de CCA observa-se uma tendência de estabilização do parâmetro k3 com 28
dias de cura.

Ao final do tempo de cura de 56 dias, foi observado que, tanto a adição de H3PO4
quanto de CCA, proporcionam menor dependência das tensões desvio aplicadas nos
corpos de prova.

4.5.10. Solo +5% Cinza de Casca de Arroz +1% H3PO4

Os ensaios para o solo laterítico tendo a adição combinada de 5% de cinza de


casca de arroz e 1% H3PO4 resultaram nos valores de módulo de resiliência apresentados
na Figura 49 para todas as idades de cura analisadas.

99
(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 49: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com 5%
de Cinza de Casca de Arroz e 1% de H3PO4.

De posse dos dados da Figura 49, foram determinadas expressões que representam
o MR para o modelo composto, para as 4 idades de cura ensaiadas, representadas pelas
equações a seguir:

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 313,19 (𝜎3 ) 0,321 ∗ (𝜎𝑑 )−0,383 𝑅 2 = 0,86 Equação 37

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 370,27 (𝜎3 ) 0,306 ∗ (𝜎𝑑 )−0,308 𝑅 2 = 0,88 Equação 38

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 404,46 (𝜎3 ) 0,299 ∗ (𝜎𝑑 )−0,266 𝑅 2 = 0,86 Equação 39

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 439,40 (𝜎3 ) 0,261 ∗ (𝜎𝑑 )−0,165 𝑅 2 = 0,83 Equação 40

100
De posse dos resultados, nota-se que a adição combinada de 5% de CCA e 1% de
H3PO4 resultou em uma mistura que apresenta comportamento similar à mistura com 5%
de cinza de casca de arroz. Como os resultados foram inferiores ao da mistura apenas com
1% de H3PO4 pode-se afirmar que o teor de 1% de H3PO4 é insuficiente para gerar reações
na mistura que alterem os parâmetros de MR de maneira significativa, a CCA nessa
situação acabou atrapalhando o desempenho da mistura Solo + 1% H3PO4.

4.5.11. Solo +10% Cinza de Casca de Arroz +1% H3PO4

Os ensaios de MR para o solo laterítico tendo a adição combinada de 10% de CCA


e 1% H3PO4 para o modelo composto, que leva em conta a Tensão Desvio e a Tensão
Confinante, são apresentados na Figura 50 para todas as idades de cura.

(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 50: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com 10%
de Cinza de Casca de Arroz e 1% de H3PO4.

101
De posse dos dados da Figura 50, foram determinadas a Equação 41, Equação 42,
Equação 43 e Equação 44, que representam os valores de MR para os períodos de 7, 14,
28 e 56 dias de cura.

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 283,24 (𝜎3 ) 0,311 ∗ (𝜎𝑑 )−0,328 𝑅 2 = 0,86 Equação 41

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 311,14 (𝜎3 ) 0,282 ∗ (𝜎𝑑 )−0,302 𝑅 2 = 0,88 Equação 42

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 343,80 (𝜎3 ) 0,275 ∗ (𝜎𝑑 )−0,258 𝑅 2 = 0,86 Equação 43

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 390,24 (𝜎3 ) 0,268 ∗ (𝜎𝑑 )−0,161 𝑅 2 = 0,83 Equação 44

Observa-se, nos resultados encontrados, para a mistura de solo com adição de 10%
de CCA e 1% H3PO4 que os resultados foram superiores ao solo puro, entretanto inferiores
quando foi adicionado apenas 1% de H3PO4.

Todavia houve uma expressiva melhoria se comparado ao solo com a adição de


5% de cinza de casca de arroz e 1% de H3PO4, isso se deve provavelmente, pelo fato de
que foi possível uma mistura mais homogênea, sem a formação de grumos do solo com
H3PO4, atuando a cinza mais na estabilização granulométrica nesta combinação.

4.5.12. Solo +15% Cinza de Casca de Arroz +1% H3PO4

Os ensaios de MR para o solo laterítico tendo a adição combinada de 15% de CCA


e 1% H3PO4 para o modelo composto, que leva em conta a Tensão Desvio e a Tensão
Confinante, são apresentados na Figura 51, para todas as idades de cura analisadas.

102
(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 51: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com 15%
de Cinza de Casca de Arroz e 1% de H3PO4.

De posse dos dados da Figura 51 foram determinadas as expressões que


representam os valores de MR pelas equações:

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 270,89 (𝜎3 ) 0,312 ∗ (𝜎𝑑 )−0,318 𝑅 2 = 0,86 Equação 45

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 283,41 (𝜎3 ) 0,273 ∗ (𝜎𝑑 )−0,303 𝑅 2 = 0,88 Equação 46

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 331,72 (𝜎3 ) 0,275 ∗ (𝜎𝑑 )−0,253 𝑅 2 = 0,86 Equação 47

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 345,46(𝜎3 ) 0,280 ∗ (𝜎𝑑 )−0,166 𝑅 2 = 0,83 Equação 48

Quando o teor de CCA foi aumentado para 15% e mantido o teor de H3PO4 em
1%, observou-se um comportamento similar ao apresentado com 5% de CCA e 1% de
103
H3PO4, nessa situação, possivelmente ocorre o excesso de cinza, visto que o
comportamento foi pior do que quando o teor era 10%. Aparentemente, há uma
“saturação” da quantidade de cinza para adicionar a esta mistura, provavelmente devido
a que a proporção em peso não está levando em conta a diferença de densidades entre o
solo e a cinza, o que se reflete em volume relativo muito influenciado por estas proporções
em peso.

4.5.13. Solo +5% Cinza de Casca de Arroz +3% H3PO4

Os resultados do solo com adição de 5% de CCA e 3% H3PO4 representados


utilizando o modelo composto de MR são apresentados na Figura 52, para todas as idades
de cura analisadas.

(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 52: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com 5%
de Cinza de Casca de Arroz e 3% de H3PO4.

104
De posse dos dados da Figura 52, foram determinadas as equações de MR para o
modelo composto indicadas a seguir:

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 543,34 (𝜎3 ) 0,325 ∗ (𝜎𝑑 )−0,356 𝑅 2 = 0,86 Equação 49

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 614,71 (𝜎3 ) 0,327 ∗ (𝜎𝑑 )−0,294 𝑅 2 = 0,88 Equação 50

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 751,44 (𝜎3 ) 0,329 ∗ (𝜎𝑑 )−0,254 𝑅 2 = 0,86 Equação 51

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 770,38 (𝜎3 ) 0,341 ∗ (𝜎𝑑 )−0,166 𝑅 2 = 0,83 Equação 52

Nessa condição de 5% de cinza de casca de arroz e 3% de H3PO4 observou-se


comportamento muito superior às condições de solo + 5% cinza de casca de arroz e solo
+ 5% cinza de casca de arroz + 1% de H3PO4. O comportamento foi equivalente a mistura
com solo + 3% H3PO4.

Notou-se que o parâmetro k1 aumentou à medida que o tempo de cura foi maior,
o parâmetro k2 praticamente não mudou seus valores e o parâmetro k3 demonstrou que
o tempo de cura faz diminuir a dependência das tensões desvio.

4.5.14. Solo +10% Cinza de Casca de Arroz +3% H3PO4

Os resultados do solo com adição de 10% de cinza de casca de arroz e 3% H3PO4


utilizando o modelo composto de módulo de resiliência são apresentados na Figura 53
para todas as idades de cura analisadas.

105
(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 53: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com 10%
de Cinza de Casca de Arroz e 3% de H3PO4.

De posse dos dados da Figura 53 foram determinadas as equações de MR para o


modelo composto, e todas as idades de cura, de acordo com as equações seguintes:

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 586,01 (𝜎3 ) 0,332 ∗ (𝜎𝑑 )−0,362 𝑅 2 = 0,86 Equação 53

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 698,48 (𝜎3 ) 0,334 ∗ (𝜎𝑑 )−0,365 𝑅 2 = 0,88 Equação 54

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 739,06 (𝜎3 ) 0,352 ∗ (𝜎𝑑 )−0,273 𝑅 2 = 0,86 Equação 55

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 772,59 (𝜎3 ) 0,323 ∗ (𝜎𝑑 )−0,168 𝑅 2 = 0,83 Equação 56

106
Para o teor de 10% de CCA e 3% de H3PO4 os resultados ficaram muito próximos
dos obtidos para a situação com 5% de CCA e 3% de H3PO4. Se a intenção é consumir
mais resíduo que é a cinza de casca de arroz, então estas proporções são melhores já que
a ordem de grandeza dos módulos é parecida.

4.5.15. Solo +15% Cinza de Casca de Arroz +3% H3PO4

Os resultados do solo com adição de 15% de CCA e 3% H3PO4 estão


representados, utilizando o modelo composto de MR, na Figura 54, para todas as idades
de cura analisadas.

(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 54: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com 15%
de Cinza de Casca de Arroz e 3% de H3PO4.

107
De posse dos dados da Figura 54 foram determinadas as equações de MR para o
modelo composto segundo as equações a seguir:

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 316,57 (𝜎3 ) 0,275 ∗ (𝜎𝑑 )−0,541 𝑅 2 = 0,86 Equação 57

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 345,79 (𝜎3 ) 0,267 ∗ (𝜎𝑑 )−0,434 𝑅 2 = 0,88 Equação 58

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 358,64 (𝜎3 ) 0,302 ∗ (𝜎𝑑 )−0,398 𝑅 2 = 0,86 Equação 59

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 393,64 (𝜎3 ) 0,289 ∗ (𝜎𝑑 )−0,393 𝑅 2 = 0,83 Equação 60

Com a adição de 15% de cinza de casca de arroz e 3% de H3PO4 foi observada a


mesma tendência de desempenho para as demais misturas com 15% de CCA, em que
houve queda significativa de valores se comparados aos teores menores de CCA. Nessa
situação mesmo havendo perda nos valores de MR ainda assim, o comportamento foi
muito superior ao solo puro.

Durante a mistura do H3PO4 com a mistura do solo com a CCA nestas proporções
não foi observada a formação de grumos, considerando que no teor de 5% de CCA a
mistura ainda ocasionava alguns pequenos grumos, com 10% praticamente não foi mais
observado este problema e a mistura foi muito mais simples para homogeneizar, com 15%
nenhum grumo era notado. Esta característica é importante de ser considerada pensando
na aplicação em campo, podendo ser determinante para permitir a aplicação da técnica de
estabilização de solos argiloso com uso de H3PO4.

4.5.16. Parâmetros k1, k2 e k3 do modelo composto de MR

Na Figura 55, Figura 56 e Figura 57 são apresentados os valores de k1, k2 e k3


para as misturas que tiveram a adição combinada de 1% e 3% de H3PO4 com 5%, 10% e
15% de CCA.

108
1400

Parâmetro k1 do modelo composto


1200

de Módulo de Resiliência
1000

800

600

400

200

0
Solo Solo Solo Solo Solo Solo
+5% +10% +15% +5% +10% +15%
Solo
CCA + CCA + CCA + CCA + CCA + CCA +
Natural
1% de 1% de 1% de 3% de 3% de 3% de
H3PO4 H3PO4 H3PO4 H3PO4 H3PO4 H3PO4
07 Dias de Cura (MPa) 224 313 283 271 543 586 317
14 Dias de Cura (MPa) 239 370 311 283 615 698 346
28 Dias de Cura (MPa) 223 404 343 332 751 739 359
56 Dias de Cura (MPa) 234 439 390 345 770 773 394
Figura 55: Parâmetro k1 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo e do
solo com adição combinada de CCA e H3PO4

Quando realizada a adição combinada de CCA e H3PO4 (Figura 55) teve-se os


valores de k1 crescentes com o tempo de cura, sendo maiores os valores de k1 para
menores teores de CCA e maiores teores de H3PO4. O maior crescimento foi observado
nos menores teores de CCA.

Essa mesma tendência de maiores valores de k1 serem encontrados para misturas


com menos CCA e mais H3PO4 e em idades de cura mais elevadas, foi verificada para as
misturas com adição isolada de CCA ou H3PO4 (Figura 46).

As misturas que continham 1% de H3PO4 apresentaram valores mais próximos


entre os diferentes (5%, 10% e 15%) teores de CCA. A proximidade se deu
principalmente ao fato de não ter ocorrido um incremento do parâmetro k1 tão expressivo
como ocorreu com a adição de 3% de H3PO4. Com 3% de H3PO4 o comportamento para
5% e 10% de CCA foi praticamente o mesmo, resultando em um incremento de cerca de
3,3 vezes se comparado ao solo natural.

109
1,00

0,90

Parâmetro k2 do modelo composto


0,80

de Módulo de Resiliência 0,70

0,60

0,50

0,40

0,30

0,20

0,10

0,00
Solo Solo Solo Solo
Solo +5% Solo +5%
+10% +15% +10% +15%
Solo CCA + CCA +
CCA + CCA + CCA + CCA +
Natural 1% de 3% de
1% de 1% de 3% de 3% de
H3PO4 H3PO4
H3PO4 H3PO4 H3PO4 H3PO4
07 Dias de Cura (MPa) 0,218 0,321 0,311 0,312 0,325 0,332 0,275
14 Dias de Cura (MPa) 0,229 0,306 0,282 0,273 0,327 0,334 0,267
28 Dias de Cura (MPa) 0,217 0,299 0,275 0,251 0,329 0,352 0,302
56 Dias de Cura (MPa) 0,231 0,261 0,268 0,280 0,341 0,323 0,289

Figura 56: Parâmetro k2 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo e do


solo com adição combinada de H3PO4 e CCA

O parâmetro k2, apresenta pouca variação com o tempo de cura, tendendo a


diminuir um pouco (cerca de 20%) com 1% de H3PO4 e mantendo seu valor praticamente
inalterado nas quatro idades de cura, nas situações com 3% de H3PO4.

Quando se comparam os valores de k2 das misturas ao do solo natural, percebe-


se que todas as situações tiveram maior dependência da tensão confinante durante o
ensaio de módulo de resiliência. Os maiores valores foram observados nas misturas que
continham 3% de H3PO4 com 5% ou 10% de CCA.

Observou-se também um comportamento muito similar entre as misturas com 5%


e 10% de CCA com 3% de H3PO4 entre todos os parâmetros (k1, k2 e k3).

110
0,00

Parâmetro k3 do modelo composto


de Módulo de Resiliência
-0,10

-0,20

-0,30

-0,40

-0,50

-0,60
Solo Solo Solo Solo Solo Solo
+5% +10% +15% +5% +10% +15%
Solo
CCA + CCA + CCA + CCA + CCA + CCA +
Natural
1% de 1% de 1% de 3% de 3% de 3% de
H3PO4 H3PO4 H3PO4 H3PO4 H3PO4 H3PO4
07 Dias de Cura (MPa) -0,320 -0,383 -0,328 -0,318 -0,356 -0,362 -0,541
14 Dias de Cura (MPa) -0,320 -0,308 -0,302 -0,303 -0,294 -0,365 -0,434
28 Dias de Cura (MPa) -0,323 -0,266 -0,258 -0,253 -0,254 -0,273 -0,398
56 Dias de Cura (MPa) -0,322 -0,165 -0,111 -0,166 -0,166 -0,168 -0,393
Figura 57: Parâmetro k3 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo e do
solo com adição combinada de H3PO4 e CCA

Quando verificada a influência que as tensões confinantes provocam nas misturas


que tiveram adição combinada de CCA e H3PO4 verifica-se que, em todas as misturas,
ocorre a diminuição dos valores de k3 com o período de cura, com exceção da mistura
que continha 15% de CCA e 3% de H3PO4 que aumentou a influência da tensão desvio
ao final do tempo de cura. Se comparados os valores das misturas com o de solo puro
todas diminuíram pela metade os valores de k3 aos 56 dias de cura.

4.5.17. Solo + 1% C6H8O7 + 3% H3PO4

Os resultados do solo com adição de 1% C6H8O7 e 3% H3PO4 estão representados,


utilizando o modelo composto de módulo de resiliência, na Figura 58 para todas as idades
de cura analisadas.

111
(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 58: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com 1%
C6H8O7 + 3% de H3PO4.

De posse dos dados da Figura 58, foram determinadas as equações de MR para o


modelo composto, apresentados nas equações seguintes:

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 319,91 (𝜎3 ) 0,073 ∗ (𝜎𝑑 )−0,114 𝑅 2 = 0,86 Equação 61

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 741,44 (𝜎3 ) 0,088 ∗ (𝜎𝑑 )−0,117 𝑅 2 = 0,88 Equação 62

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 1104,34 (𝜎3 ) 0,346 ∗ (𝜎𝑑 )−0,094 𝑅 2 = 0,86 Equação 63

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 1494,41 (𝜎3 ) 0,392 ∗ (𝜎𝑑 )−0,032 𝑅 2 = 0,83 Equação 64

Nessa situação em que foram adicionados ao solo 1% C6H8O7 + 3% de H3PO4


observou-se o mais expressivo aumento de rigidez com o tempo de cura. O parâmetro k1
112
aumentou quase 5 vezes dos 7 dias para os 56 dias de cura, e ficou muito evidenciado
também que o tempo de cura aumenta a dependência das tensões confinantes e diminui a
dependência das tensões desvio.

Durante a etapa de mistura dos materiais, não foi observada a formação de muitos
grumos, nem foi constatado o aquecimento da mistura, como ocorria nas demais situações
que continham o H3PO4.

4.5.18. Solo + 3% C6H8O7 + 3% H3PO4

Os resultados do solo com adição de 3% C6H8O7 e 3% H3PO4 estão


representados, utilizando o modelo composto de MR, na Figura 59, para todas as idades
de cura analisadas.

(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 59: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com 3%
C6H8O7 + 3% de H3PO4.
113
De posse dos dados da Figura 59, foram determinadas as equações de MR para o
modelo composto (Equação 65, Equação 66, Equação 67 e Equação 68).

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 473,41 (𝜎3 ) 0,215 ∗ (𝜎𝑑 )−0,184 𝑅 2 = 0,86 Equação 65

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 753,09 (𝜎3 ) 0,233 ∗ (𝜎𝑑 )−0,224 𝑅 2 = 0,88 Equação 66

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 883,21 (𝜎3 ) 0,225 ∗ (𝜎𝑑 )−0,178 𝑅 2 = 0,86 Equação 67

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 984,65 (𝜎3 ) 0,384 ∗ (𝜎𝑑 )−0,171 𝑅 2 = 0,83 Equação 68

Quando testados os teores de 3% C6H8O7 + 3% de H3PO4, tem-se um


comportamento melhor nas primeiras idades de cura e um comportamento não tão efetivo
aos 56 dias de cura se comparados os teores de 1% C6H8O7 + 3% de H3PO4.

Foi observado um aumento do parâmetro k1 já aos sete dias, se comparado ao


solo puro, e um aumento deste com o tempo de cura, esta condição de mistura mostrou
bom desempenho, mas não foi melhor do que a anterior, quando somente 1% do ácido
cítrico foi adicionado ao solo e 3% de ácido fosfórico.

4.5.19. Solo 3% C6H8O7

Os resultados de MR, representados pelo modelo composto, para todos os tempos


de cura analisados, para a mistura de solo com adição de 3% de C6H8O7 são apresentados
na Figura 60.

114
(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 60: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com 3%
C6H8O7

De posse dos dados da Figura 60 foram determinadas as equações (Equação 69,


Equação 70, Equação 71 e Equação 72) de MR para o modelo composto para todos
períodos de cura analisados.

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 546,22 (𝜎3 ) 0,284 ∗ (𝜎𝑑 )−0,340 𝑅 2 = 0,86 Equação 69

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 651,02 (𝜎3 ) 0,344 ∗ (𝜎𝑑 )−0,308 𝑅 2 = 0,88 Equação 70

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 713,22 (𝜎3 ) 0,343 ∗ (𝜎𝑑 )−0,276 𝑅 2 = 0,86 Equação 71

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 886,92 (𝜎3 ) 0,399 ∗ (𝜎𝑑 )−0,259 𝑅 2 = 0,83 Equação 72

115
A adição de 3% de C6H8O7 ao solo, resultou em amostras que tem o k1
aumentando com o tempo de cura, e os parâmetros k2 e k3 decrescendo com o tempo de
cura. O comportamento em relação ao solo puro foi melhorado consideravelmente, mas
o melhor uso ainda é de maneira combinada com o H3PO4.

4.5.20. Solo +3% C6H8O7 + 10% Cinza de Casca de Arroz

Os resultados do solo com adição de ácido cítrico e cinza de casca de arroz (3%
C6H8O7 e 10% de CCA) estão representados utilizando o modelo composto MR na Figura
61 para todas as idades de cura analisadas.

(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 61: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com 3%
C6H8O7 e 10% de cinza de casca de arroz

116
De posse dos dados da Figura 61 foram determinadas as equações (Equação 61,
Equação 62, Equação 63 e Equação 64) de MR para o modelo composto.

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 246,23 ∗ (𝜎3 ) 0,183 ∗ (𝜎𝑑 )−0,277 𝑅 2 = 0,86 Equação 73

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 246,66 ∗ (𝜎3 ) 0,158 ∗ (𝜎𝑑 )−0,247 𝑅 2 = 0,88 Equação 74

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 249,25 ∗ (𝜎3 ) 0,161 ∗ (𝜎𝑑 )−0,173 𝑅 2 = 0,86 Equação 75

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 390,25 ∗ (𝜎3 ) 0,171 ∗ (𝜎𝑑 )−0,172 𝑅 2 = 0,83 Equação 76

Quando adicionado 3% C6H8O7 e 10% de CCA, o comportamento foi similar a


mistura com solo +10% de CCA, mesmo havendo um pequeno enrijecimento ao longo
do tempo de cura, este foi insuficiente para resultar em melhorarias com ácido cítrico
além da adição de apenas cinza de casca de arroz ao solo.

4.5.21. Parâmetros k1, k2 e k3 do modelo composto de MR

Na Figura 62, Figura 63 e Figura 64 são apresentados os valores de k1, k2 e k3


para as misturas com combinações de H3PO4, C6H8O7 e CCA.

1600
Parâmetro k1 do modelo composto

1400
de Módulo de Resiliência

1200

1000

800

600

400

200

0
Solo + 3% de Solo + 3% de Solo + 3%
Solo + 3%
Solo Natural H3PO4 + 1% H3PO4 + 3% C6H8O7 +
C6H8O7
C6H8O7 C6H8O7 10% de CCA
07 Dias de Cura (MPa) 224 320 475 546 246
14 Dias de Cura (MPa) 239 741 753 651 247
28 Dias de Cura (MPa) 223 1104 883 713 249
56 Dias de Cura (MPa) 234 1494 985 897 390
Figura 62: Parâmetro k1 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo com
combinações de H3PO4, C6H8O7 e CCA
117
A adição de 1% de C6H8O7 combinado com 3% de H3PO4 se mostrou muito
eficiente, visto que o parâmetro k1 chegou ao valor de 1494, cerca de 6,5 vezes superior
ao encontrado no solo puro. Quando foi aumentado o teor de 1% para 3% do C6H8O7 e
mantido em 3% o H3PO4 o aumento não é tão expressivo, o k1 atinge o valor de 985,
valor este observado na mistura com adição de 5% de H3PO4.

Nessas duas situações, que continham a adição combinada de C6H8O7 e H3PO4


não ficou evidenciado o aquecimento da mistura, como era notado nas demais misturas
que continham H3PO4, isso mostra que ao se adicionar primeiramente o C6H8O7 está-se
protegendo o solo do ataque imediato do H3PO4. E desta maneira, as reações que são
geradas dentro da mistura ocorrem com ela já compactada, e acabam agregando rigidez
às misturas com combinação dos dois ácidos. A idade de cura de 56 dias, pode ser ainda
pequena para verificar um potencial ganho mais evidente na mistura com 3% de C6H8O7
e 3% de H3PO4.

O teor de 3% de C6H8O7 ocasiona comportamento similar do parâmetro k1 da


mistura com 3% de H3PO4, entretanto quando adicionado 10% de CCA observa-se uma
constância até os 28 dias de cura, mas aos 56 dias o mesmo aumenta cerca de 70%.

1,00
Parâmetro k2 do modelo composto

0,90
de Módulo de Resiliência

0,80
0,70
0,60
0,50
0,40
0,30
0,20
0,10
0,00
Solo + 3% de Solo + 3% de Solo + 3%
Solo + 3%
Solo Natural H3PO4 + 1% H3PO4 + 3% C6H8O7 +
C6H8O7
C6H8O7 C6H8O7 10% de CCA
07 Dias de Cura (MPa) 0,218 0,073 0,215 0,384 0,183
14 Dias de Cura (MPa) 0,229 0,088 0,233 0,344 0,158
28 Dias de Cura (MPa) 0,217 0,347 0,225 0,343 0,161
56 Dias de Cura (MPa) 0,231 0,392 0,384 0,399 0,171
Figura 63: Parâmetro k2 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo com
combinações de H3PO4, C6H8O7 e CCA
118
Dos resultados apresentados na Figura 63 observa-se que os valores de k2 para a
situação com 3% de C6H8O7 e combinações de 1% e 3% de C6H8O7 com 3% de H3PO4
resultam em maior dependência das tensões confinantes que para o solo puro, apenas para
a adição de 10% de CCA e 3% de C6H8O7 que se nota uma menor dependência das tensões
confinantes em relação ao solo puro.

0,00
Parâmetro k3 do modelo composto
de Módulo de Resiliência

-0,10

-0,20

-0,30

-0,40

-0,50

-0,60
Solo + 3% de Solo + 3% de Solo + 3%
Solo + 3%
Solo Natural H3PO4 + 1% H3PO4 + 3% C6H8O7 +
C6H8O7
C6H8O7 C6H8O7 10% de CCA
07 Dias de Cura (MPa) -0,320 -0,114 -0,184 -0,340 -0,277
14 Dias de Cura (MPa) -0,320 -0,117 -0,224 -0,308 -0,247
28 Dias de Cura (MPa) -0,323 -0,094 -0,178 -0,276 -0,173
56 Dias de Cura (MPa) -0,322 -0,032 -0,171 -0,259 -0,172

Figura 64: Parâmetro k3 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo com


combinações de H3PO4, C6H8O7 e CCA

Na análise do comportamento da influência das tensões desvio (k3), tem-se uma


menor dependência desta com o aumento do tempo de cura para todas as misturas que
tiveram a adição de C6H8O7, sendo praticamente nula a influência das tensões desvio na
mistura com adição combinada de 1% C6H8O7 e 3% de H3PO4.

4.5.22. Solo + 5% Cinza de Casca de Arroz+ 3% H3PO4 +5% Cal

Os resultados de módulo de resiliência para o solo com adição de 5% de cinza de


casca de arroz + 3% de H3PO4 + 5% Cal são apresentados na Figura 65 para todas as
idades de cura analisadas.

119
(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 65: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com 5%
de cinza de casca de arroz + 3% de H3PO4 + 5% Cal

De posse dos dados da Figura 65 foram determinadas as equações (Equação 77,


Equação 78, Equação 79 e Equação 80) de MR para o modelo composto e idades de cura.

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 481,94 (𝜎3 ) 0,278 ∗ (𝜎𝑑 )−0,230 𝑅 2 = 0,86 Equação 77

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 460,02 (𝜎3 ) 0,289 ∗ (𝜎𝑑 )−0,221 𝑅 2 = 0,88 Equação 78

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 486,99 (𝜎3 ) 0,313 ∗ (𝜎𝑑 )−0,188 𝑅 2 = 0,86 Equação 79

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 483,14 (𝜎3 ) 0,275 ∗ (𝜎𝑑 )−0,185 𝑅 2 = 0,83 Equação 80

120
Na mistura com adição combinada de 5% de cinza de casca de arroz + 3% de
H3PO4 + 5% Cal ao solo não se observou influência do tempo de cura, e o comportamento
foi de melhora dos parâmetros se comparado ao solo puro, porém não evidenciando ganho
acentuado de rigidez, e apresentando certa similaridade aos 56 dias de cura da mistura
solo +5% de CCA.

4.5.23. Solo + 10% Cinza de Casca de Arroz+ 3 H3PO4 +5% Cal

Os resultados de módulo de resiliência para o solo com adição de 10% de cinza


de casca de arroz + 3% de H3PO4 + 5% Cal são apresentados na Figura 66, para todas as
idades de cura analisadas.

(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 66: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com 10%
cinza de casca de arroz + 3% H3PO4 + 5% cal

121
De posse dos dados da Figura 66 foram determinadas as equações (81 a 84) de
MR para o modelo composto.

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 430,89 (𝜎3 ) 0,270 ∗ (𝜎𝑑 )−0,236 𝑅 2 = 0,86 Equação 81

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 426,87 (𝜎3 ) 0,253 ∗ (𝜎𝑑 )−0,221 𝑅 2 = 0,88 Equação 82

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 506,76 (𝜎3 ) 0,270 ∗ (𝜎𝑑 )−0,168 𝑅 2 = 0,86 Equação 83

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 413,15 (𝜎3 ) 0,275 ∗ (𝜎𝑑 )−0,218 𝑅 2 = 0,83 Equação 84

A mistura de solo com 10% cinza de casca de arroz + 3% H3PO4 + 5% cal não
teve mudanças significativas em seus parâmetros de resiliência com o tempo de cura. O
comportamento foi similar ao da mistura com 5% de CCA + 3% de H3PO4 + 5% Cal.

Não parece ter vantagem a combinação cal e ácido fosfórico, provavelmente


porque a cal pode estar sendo usada para neutralizar o ácido fosfórico, sem ficar
disponível para melhorar muito a rigidez do conjunto.

4.5.24. Solo +3% H3PO4 + 5% Cal

Os resultados do solo com adição de 3% H3PO4 e 5% cal estão representados


utilizando o modelo composto de módulo de resiliência na Figura 67 para todas as idades
de cura analisadas.

122
(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 67: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com 3%
de H3PO4 + 5% Cal.

De posse dos dados da Figura 67, foram determinadas as expressões de MR, para
o modelo composto, para as idades de cura, apresentados nas seguintes equações:

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 557,36 (𝜎3 ) 0,289 ∗ (𝜎𝑑 )−0,197 𝑅 2 = 0,86 Equação 85

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 483,29 (𝜎3 ) 0,266 ∗ (𝜎𝑑 )−0,225 𝑅 2 = 0,88 Equação 86

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 579,18 (𝜎3 ) 0,274 ∗ (𝜎𝑑 )−0,217 𝑅 2 = 0,86 Equação 87

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 513,35 (𝜎3 ) 0,248 ∗ (𝜎𝑑 )−0,241 𝑅 2 = 0,83 Equação 88

123
Quando retirada a cinza de casca de arroz das misturas com combinação de H3PO4
e cal, houve uma pequena melhoria no comportamento do solo quanto à resiliência,
entretanto o tempo de cura continuou não tendo influência.

Nas misturas que continham a combinação de H3PO4 e cal, observou-se uma


reação muito rápida instantaneamente após o contato dos mesmos, possivelmente as
reações que ocorriam acabam por neutralizar a função de estabilização dos dois
elementos, ficando apenas a mudança na estrutura/granulometria do solo.

4.5.25. Solo + 5% Cal

Os resultados de MR do solo com adição de 5% cal, para o modelo composto, são


apresentados na Figura 68, para todas as idades de cura analisadas.

(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 68: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com 5%
Cal.
124
De posse dos dados da Figura 68, foram determinadas as expressões de MR, para
o modelo composto, para as idades de cura, apresentadas nas seguintes equações:

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 602,22 (𝜎3 ) 0,302 ∗ (𝜎𝑑 )−0,047 𝑅 2 = 0,86 Equação 89

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 441,46 (𝜎3 ) 0,432 ∗ (𝜎𝑑 )−0,102 𝑅 2 = 0,88 Equação 90

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 528,02 (𝜎3 ) 0,436 ∗ (𝜎𝑑 )−0,129 𝑅 2 = 0,86 Equação 91

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 521,44 (𝜎3 ) 0,430 ∗ (𝜎𝑑 )−0,115 𝑅 2 = 0,83 Equação 92

Quando adicionado o teor de 5% de cal ao solo, observou-se uma pequena queda


dos parâmetros ki dos 7 para os 14 dias de cura, retornando praticamente aos mesmos
valores aos 28 e 56 dias. As mudanças ao decorrer do tempo foram pequenas, sendo que
as amostras ficaram mais dependentes da tensão confinante e menos dependentes da
tensão desvio com o aumento do tempo de cura.

Talvez fosse preciso acompanhar o processo de estabilização do solo com cal por
maiores tempos de cura, mas como o objetivo maior desta pesquisa se prende ao uso do
ácido fosfórico e da cinza de casca de arroz, não foi feito este estudo de mais longo prazo.

4.5.26. Parâmetros k1, k2 e k3 do modelo composto de MR

Na Figura 69, Figura 70 e Figura 71 estão apresentados os parâmetros k1, k2 e k3


do modelo composto de MR para as misturas de Solo + 3% de H3PO4 + 5% de Cal, Solo
+ 5% de CCA + 3% de H3PO4 + 5% cal, Solo + 10% de CCA + 3% de H3PO4 + 5% cal
e Solo + 5% de Cal.

125
1600

1400
Parâmetro k1 do modelo composto
de Módulo de Resiliência 1200

1000

800

600

400

200

0
Solo + 5% de Solo + 10%
Solo + 3% de
CCA + 3% deCCA + 3% Solo + 5% de
Solo Natural H3PO4 + 5%
de H3PO4 + de H3PO4 + Cal
de Cal
5% cal 5% cal
07 Dias de Cura (MPa) 224 482 431 557 602
14 Dias de Cura (MPa) 239 460 427 483 441
28 Dias de Cura (MPa) 223 487 507 579 528
56 Dias de Cura (MPa) 234 483 413 513 521

Figura 69: Parâmetro k1 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo com


combinações de H3PO4, cal e CCA

Nas misturas com adição de cal, observa-se maiores valores de k1 para todas as
situações. Observa-se também que o tempo de cura pouca influência exerce na variação
do parâmetro k1 do modelo composto de MR em todas as misturas que contém cal.

Os maiores valores de k1 são observados após os 56 dias de cura para a mistura


de solo com adição de 5% de cal, nessa situação o k1 é cerca de 125% maior que o
observado no solo puro. A mistura que teve o menor valor do parâmetro k1 do modelo
composto foi a que teve a adição de 10% de CCA + 3% de H3PO4 + 5% de cal, nessa
situação o aumento em relação ao solo puro foi cerca de 80%.

126
1,00

Parâmetro k2 do modelo composto


0,90

de Módulo de Resiliência
0,80

0,70

0,60

0,50

0,40

0,30

0,20

0,10

0,00
Solo + 5% de Solo + 10%
Solo + 3% de
CCA + 3% deCCA + 3% Solo + 5% de
Solo Natural H3PO4 + 5%
de H3PO4 + de H3PO4 + Cal
de Cal
5% cal 5% cal
07 Dias de Cura (MPa) 0,218 0,278 0,270 0,289 0,302
14 Dias de Cura (MPa) 0,229 0,290 0,253 0,266 0,432
28 Dias de Cura (MPa) 0,217 0,313 0,281 0,274 0,436
56 Dias de Cura (MPa) 0,231 0,275 0,275 0,248 0,430

Figura 70: Parâmetro k2 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo com


combinações de H3PO4, cal e CCA

Na análise do parâmetro k2, observa-se que a adição de 5% de cal, proporcionou


uma maior dependência da mistura das tensões confinante, sendo mais expressiva a
dependência na mistura de solo + 5% de cal somente.

Nas misturas combinadas de solo com adição de cal e H3PO4 ou solo com adição
de cal, H3PO4 e CCA a dependência das tensões confinante é um pouco menor que apenas
da mistura solo/cal, entretanto ainda estes valores são cerca de 20% maiores que os do
solo puro.

127
0,00

Parâmetro k3 do modelo composto


de Módulo de Resiliência
-0,10

-0,20

-0,30

-0,40

-0,50

-0,60
Solo + 5% de Solo + 10%
Solo + 3% de
CCA + 3% deCCA + 3% Solo + 5% de
Solo Natural H3PO4 + 5%
de H3PO4 + de H3PO4 + Cal
de Cal
5% cal 5% cal
07 Dias de Cura (MPa) -0,320 -0,230 -0,236 -0,197 -0,047
14 Dias de Cura (MPa) -0,320 -0,221 -0,221 -0,225 -0,102
28 Dias de Cura (MPa) -0,323 -0,188 -0,198 -0,217 -0,129
56 Dias de Cura (MPa) -0,322 -0,185 -0,172 -0,241 -0,115

Figura 71: Parâmetro k3 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo com


combinações de H3PO4, cal e CCA

O parâmetro k3 do modelo composto de MR, apresentou dois comportamentos,


para as misturas que continham CCA, H3PO4 e cal, ocorreu a diminuição da influência da
tensão desvio na representação do MR. Para as misturas de solo + 5% de cal e solo + 3%
H3PO4 houve o aumento da dependência das tensões desvio no MR. Entretanto todas as
misturas apresentaram menor dependência da tensão desvio que o solo puro.

Corrêa (2008) estudou 3 solos argilosos finos, um laterítico e dois não lateríticos
com adição de cal, e concluiu que a cal aumenta os valores de MR, e observou maior
dependência das tensões desvio para as amostras com cal.

4.5.27. Solo + 3% H3PO4 (Energia Proctor Modificado)

Os resultados de módulo de resiliência do solo com adição de 3% de H3PO4 para


um nível maior de energia de compactação, representados pelo modelo composto, que
leva em conta a Tensão Desvio e a Tensão Confinante, são apresentados na Figura 72
para as idades de 07, 28 e 56 dias de cura, a idade de 14 dias de cura não foi analisada
nessa situação.
128
(7 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 72: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com 3%
H3PO4 compactada na energia Proctor modificado.

De posse dos dados da Figura 72, foram determinadas as expressões de MR para


o modelo composto, dadas pelas equações seguintes:

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 502,02 (𝜎3 ) 0,267 ∗ (𝜎𝑑 )−0,277 𝑅 2 = 0,86 Equação 93

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 919,36 (𝜎3 ) 0,285 ∗ (𝜎𝑑 )−0,185 𝑅 2 = 0,86 Equação 94

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 1103,12 (𝜎3 ) 0,200 ∗ (𝜎𝑑 )−0,069 𝑅 2 = 0,83 Equação 95

Observa-se que o comportamento da mistura com 3% de H3PO4 compactada na


energia Proctor modificado apresenta aumento do parâmetro k1, um pequeno aumento
129
dos 07 para os 28 dias de cura do parâmetro k2 e na sequência uma diminuição do mesmo
na idade de 56 dias. O parâmetro k3 vai diminuindo à medida que o tempo de cura
aumenta, resultando na idade de 56 dias em não dependência dos valores de MR das
tensões desvio aplicadas.

4.5.28. Solo + 10% Cinza de Casca de Arroz

Os resultados de MR do solo com adição de 10% de CCA compactada na energia


Proctor Modificado, representados pelo modelo composto que leva em conta a Tensão
Desvio e a Tensão Confinante, são apresentados na Figura 73 para todas as idades de cura
analisadas.

(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 73: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com 10%
CCA compactada na energia Proctor modificado.

130
De posse dos dados da Figura 73, foram determinadas as expressões de MR para
o modelo composto, dadas pelas equações seguintes:

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 181,07 (𝜎3 ) 0,119 ∗ (𝜎𝑑 )−0,345 𝑅 2 = 0,86 Equação 96

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 271,99 (𝜎3 ) 0,340 ∗ (𝜎𝑑 )−0,308 𝑅 2 = 0,88 Equação 97

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 346,85 (𝜎3 ) 0,355 ∗ (𝜎𝑑 )−0,296 𝑅 2 = 0,86 Equação 98

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 371,73(𝜎3 ) 0377 ∗ (𝜎𝑑 )−0,268 𝑅 2 = 0,83 Equação 99

Na mistura solo +10% de CCA, compactados na energia Proctor modificado,


observou-se aumento do parâmetro k1 com o tempo de cura. Ao se comparar os valores
de k1 encontrados para a mesma mistura tendo os corpos de prova compactados na
energia intermediária, observa-se um aumento dos valores de k1 com o aumento da
energia de compactação.

Ocorre também, aumento da dependência das tensões confinantes e diminuição da


dependência das tensões desvio. Entretanto essa mistura resulta em valores de MR que
dependem das tensões confinantes e desvio, visto que a diminuição do parâmetro k3 não
foi suficiente para permitir desprezar o mesmo.

4.5.29. Solo + 10% Cinza de Casca de Arroz + 3% H3PO4

Os resultados de módulo de resiliência do solo com adição de 10% de cinza de


casca de arroz e 3% de H3PO4 representados pelo modelo composto, que leva em conta a
Tensão Desvio e a Tensão Confinante, são apresentados na Figura 74, para todas as idades
de cura analisadas.

131
(7 dias de cura) (14 dias de cura)

(28 dias de cura) (56 dias de cura)

Figura 74: Modelo composto de Módulo de Resiliência para a mistura de solo com 10%
CCA + 3% H3PO4 compactada na energia Proctor modificado.

De posse dos dados da Figura 74, foram determinadas as expressões de MR para


o modelo composto, para as idades de cura, dadas pelas equações seguintes:

𝑀𝑅 (07 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 1013,32 (𝜎3 ) 0,216 ∗ (𝜎𝑑 )−0,207 𝑅 2 = 0,86 Equação 100

𝑀𝑅 (14 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 1139,24 (𝜎3 ) 0,255 ∗ (𝜎𝑑 )−0,151 𝑅 2 = 0,88 Equação 101

𝑀𝑅 (28 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 1144,7 (𝜎3 ) 0,277 ∗ (𝜎𝑑 )−0,132 𝑅 2 = 0,86 Equação 102

𝑀𝑅 (56 𝑑𝑖𝑎𝑠) = 1335,02 (𝜎3 ) 0,311 ∗ (𝜎𝑑 )−0,069 𝑅 2 = 0,83 Equação 103

132
Os resultados de MR do solo com adição de 10% de cinza de casca de arroz e 3%
de H3PO4 compactados na energia Proctor modificado, resultaram em expressivos valores
de rigidez. Já na idade de 7 dias de cura, o parâmetro k1 do modelo composto atingiu
valor superior a 1000, chegando a 1335 aos 56 dias de cura. O tempo de cura proporcionou
menor dependência das tensões desvio e confinante.

4.5.30. Parâmetros k1, k2 e k3 do modelo composto de MR

Na Figura 75, Figura 76 e Figura 77 estão apresentados os parâmetros k1, k2 e k3


das situações analisadas na energia de compactação Proctor modificado (solo natural, solo
+ 10% CCA, solo + 3% H3PO4 e solo + 10% CCA + 3% H3PO4). Na análise do solo puro
na energia Proctor Modificado foram feitos os ensaios apenas na idade de cura de sete
dias, pois como observado anteriormente, o tempo de cura não mudava os valores de
resiliência ao longo do tempo de cura. A mistura de solo com 3% de H3PO4 não foi
analisada aos 14 dias de cura devido a problemas no laboratório.

1600
Parâmetro k1 do modelo composto

1400
de Módulo de Resiliência

1200

1000

800

600

400

200

0
EI - EM -
EI - EI - Solo + EM - EM - Solo +
EI - EM -
Solo + Solo + 10% de Solo + Solo + 10% de
Solo Solo
10% de 3% de CCA + 10% de 3% de CCA +
Natural Natural
CCA H3PO4 3% de CCA H3PO4 3% de
H3PO4 H3PO4
07 Dias de Cura (MPa) 224 586 453 586 374 181 502 1013
14 Dias de Cura (MPa) 239 698 914 698 272 1139
28 Dias de Cura (MPa) 223 739 930 739 347 919 1145
56 Dias de Cura (MPa) 234 773 947 773 372 1103 1335

Figura 75: Parâmetro k1 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo, do


solo com adição de H3PO4 e de CCA compactados nas energias Intermediária e
Modificada

133
Observa-se que a energia de compactação atua diretamente nos valores de MR,
visto que em todas as situações estudadas, houve um aumento do parâmetro k1. A mistura
com o melhor comportamento na energia modificada foi a com incorporação de 10%
CCA + 3% H3PO4 ao solo, possivelmente a melhora desta se deu devido ao H3PO4 ter
sido homogeneizado de maneira mais satisfatória que a mistura apenas de solo com
H3PO4.

1,00
Parâmetro k2 do modelo composto

0,90

0,80
de Módulo de Resiliência

0,70

0,60

0,50

0,40

0,30

0,20

0,10

0,00
EI - EM -
EI - EI - Solo + EM - EM - Solo +
EI - EM -
Solo + Solo + 10% de Solo + Solo + 10% de
Solo Solo
10% de 3% de CCA + 10% de 3% de CCA +
Natural Natural
CCA H3PO4 3% de CCA H3PO4 3% de
H3PO4 H3PO4
07 Dias de Cura (MPa) 0,218 0,332 0,357 0,332 0,132 0,119 0,267 0,216
14 Dias de Cura (MPa) 0,229 0,334 0,282 0,334 0,340 0,255
28 Dias de Cura (MPa) 0,217 0,352 0,299 0,352 0,355 0,285 0,277
56 Dias de Cura (MPa) 0,231 0,323 0,296 0,323 0,410 0,200 0,311

Figura 76: Parâmetro k2 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo, do


solo com adição de H3PO4 e de CCA compactados nas energias Intermediária e
Modificada

A análise do k2 da tensão confinante remete a misturas ligeiramente menos


influenciadas pela tensão confinante, entretanto os valores ainda são significativos e não
podem ser desprezados nas análises.

134
0,00

Parâmetro k3 do modelo composto


-0,10

de Módulo de Resiliência
-0,20

-0,30

-0,40

-0,50

-0,60
EI - EM -
EI - EI - Solo + EM - EM - Solo +
EI - EM -
Solo + Solo + 10% de Solo + Solo + 10% de
Solo Solo
10% de 3% de CCA + 10% de 3% de CCA +
Natural Natural
CCA H3PO4 3% de CCA H3PO4 3% de
H3PO4 H3PO4
07 Dias de Cura (MPa) -0,320 -0,362 -0,310 -0,362 -0,320 -0,345 -0,277 -0,207
14 Dias de Cura (MPa) -0,320 -0,365 -0,205 -0,365 -0,308 -0,051
28 Dias de Cura (MPa) -0,323 -0,273 -0,195 -0,273 -0,296 -0,185 -0,132
56 Dias de Cura (MPa) -0,322 -0,168 -0,176 -0,168 -0,268 -0,022 -0,069

Figura 77: Parâmetro k3 do modelo composto de Módulo de Resiliência do solo, do


solo com adição de H3PO4 e de CCA compactados nas energias Intermediária e
Modificada

Quando analisada a influência das tensões desvio, nota-se que o aumento da


energia de compactação resultou em misturas com adição de H3PO4 independentes das
tensões desvio e foram as únicas misturas em todo o estudo que apresentaram
comportamento independentes das tensões desvio.

4.6.Imagens de Microscopia Eletrônica de Varredura

Com o objetivo de verificar se ocorriam mudanças na estrutura e composição do


solo após as adições dos diferentes aditivos, foram realizados ensaios de MEV na
superfície da amostra rompida no ensaio de RCS e na fração argila em algumas amostras.
Na Figura 78 é mostrada uma imagem a nível microscópico da amostra de solo puro e na
Figura 79 a fração argila deste solo.

135
Figura 78: Imagem de MEV do solo desta pesquisa sem adições

Figura 79: Imagem do MEV da fração argila do solo desta pesquisa sem adições

Observa-se na Figura 78 e Figura 79 que o solo apresenta estrutura característica


de solos argilosos, com estrutura formada por lamelas sobrepostas, e ainda é possível
observar o comportamento como sendo típico de solos lateríticos, conforme descrevem
Villibor & Nogami (2009), por meio da aparência de estrutura do tipo “pipoca” em volta
de cada lamela de argila.

136
Na Figura 80 e Figura 81 é mostrada uma imagem a nível microscópico do solo
com adição de 3% de H3PO4.

Pontos com mais H3PO4

Figura 80: Imagem do MEV da mistura solo com 3% H3PO4

Figura 81: Imagem do MEV da fração argila da mistura solo com 3% H3PO4

Da análise da Figura 80 destacam-se os pontos com maior concentração de H3PO4.


Os grumos que foram formados e não puderam ser totalmente desfeitos durante a
homogeneização da mistura, resultaram em pontos de maior concentração de H3PO4 e por
consequência disso, maiores mudanças na estrutura do solo nestes pontos. Na análise da

137
fração argila (Figura 81), observa-se que o H3PO4 formou uma estrutura mais floculada
em volta das partículas de argila.

A imagem a nível microscópico da mistura de solo com adição de 10% de CCA


+ 3% H3PO4 é apresentado na Figura 82 e Figura 83.

Figura 82: Imagem do MEV do solo com adição de 10% de CCA+ 3% H3PO4.

Figura 83: Imagem do MEV da fração argila do solo com adição de 10% de CCA+ 3%
H3PO4.
138
É possível observar uma estrutura mais homogênea em toda a superfície de análise
(Figura 82), não sendo mais observados os pontos com maior concentração de H3PO4.
Isto está de acordo com o que já havia sido observado de maneira empírica durante a
homogeneização dos materiais. A estrutura apresenta características similares ao solo
puro, tendo apenas as lamelas de argila formado uma mistura mais “fechada”.

Esse comportamento, de menos vazios aparentes entre as lamelas, é devido ao


processo de reação que ocorreu entre o solo e o H3PO4. Esse comportamento corrobora os
resultados mecânicos de maiores resistências encontrados nessas misturas em relação ao
solo sem adições. A estrutura em volta das partículas de argila (Figura 83) apresenta as
mesmas características da mistura solo + H3PO4.

A imagem a nível microscópico da mistura de solo com adição de 10% CCA é


apresentado na Figura 84 e Figura 85.

Figura 84: Imagem do MEV da mistura solo com 10% CCA

139
Figura 85: Imagem do MEV da fração argila da mistura solo com 10% CCA

O comportamento do solo com adição de CCA é similar ao solo puro, ficando


apenas menos evidenciadas as lamelas de argila que no solo puro, e na análise da fração
argila a estrutura é similar ao solo puro, apenas tendendo a apresentar alguns pequenos
pontos com formação de “flocos” na superfície.

Na Figura 86 e na Figura 87 é mostrado a nível microscópico o arranjo estrutural


da mistura de solo com adição de C6H8O7.

Figura 86: Imagem do MEV da mistura solo com adição de C6H8O7

140
Figura 87: Imagem do MEV da fração argila da mistura solo com adição de C6H8O7

Nota-se (Figura 86) que a adição de C6H8O7 ao solo resulta em um aspecto


estrutural semelhante à de solo puro, ainda sendo notadas as lamelas de argila, entretanto
com um aspecto não tão bem definido (Figura 87), o que pode caracterizar a formação de
ligações entre as partículas, visto que na fração argila são observados “flocos” não
característicos do solo puro.

Na Figura 88 e na Figura 89 são apresentadas as imagens do MEV da mistura de


solo com adição de 3% H3PO4 + 3% C6H8O7.

Figura 88: Imagem do MEV da mistura solo com 3% H3PO4 + 3% C6H8O7.

141
Figura 89: Imagem do MEV da fração argila da mistura solo com 3% H3PO4 + 3%
C6H8O7.

Observa-se que a adição combinada de 3% H3PO4 + 3% C6H8O7 ao solo resultou


em uma estrutura bem “fechada” (Figura 88), não sendo percebidas as lamelas
características do solo puro. Nota-se que a estrutura do solo foi modificada totalmente,
desta maneira fica claro que a combinação dos dois ácidos resultou nas mais significativas
mudanças a nível micro estrutural de todos os casos analisados. Na análise das partículas
finas, observa-se a mesma tendência de flocos das demais misturas com adições de ácidos.

Na Figura 90 e Figura 91 estão apresentadas imagens microscópicas da mistura


de solo com adição de 5% de cal.

Figura 90: Imagem do MEV da mistura solo com adição de 5% de cal

142
Figura 91: Imagem do MEV da fração argila da mistura solo com adição de 5% de cal

A estabilização do solo com adição de 5% de cal resultou em uma mudança


principalmente observada nas faces das lamelas de argila (Figura 90), onde são
observadas pequenas floculações nas bordas das lamelas do solo natural (Figura 91),
tendência também observada por Velasco (2013) e Silva (2016).

Na Figura 92 tem-se apresentada a nível microscópico a mistura de solo com


adição de 3% H3PO4 + 5% cal.

Figura 92: Imagem do MEV da mistura solo com 3% H3PO4 + 5% de cal

143
Figura 93: Imagem do MEV da fração argila da mistura solo com 3% H3PO4 + 5% de
cal

A adição de 3% H3PO4 + 5% cal ao solo resultou em uma estrutura superficial


mais granular (Figura 92), possivelmente as reações instantâneas entre o H3PO4 e a cal,
que geravam um aquecimento muito grande da amostra, podem ter provocado a quebra
das partículas características do solo argiloso, enquanto na fração fina isolada, foi
observada a mesma tendência de flocos na superfície das partículas (Figura 93).

4.6.1. Espectroscopia de energia dispersiva (EDS)

No Anexo I estão apresentados os resultados de MEV da fração argila de todas as


amostras deste estudo, junto são apresentados os resultados de espectroscopia de energia
dispersiva (EDS). Os resultados de EDS estão resumidamente apresentados na Tabela 8,
Tabela 9, Tabela 10, Tabela 11 e Tabela 12.

144
Tabela 8: Resultados de espectroscopia de energia dispersiva para o solo, e para o solo
com adição de H3PO4

Solo Argiloso Solo + 1% de Solo + 3% de Solo + 5% de


Laterítico H3PO4 H3PO4 H3PO4
norm. Atom. norm. Atom. norm. Atom. norm. Atom.
Elemento C C C C C C C C
[wt.%] [at.%] [wt.%] [at.%] [wt.%] [at.%] [wt.%] [at.%]
C 9.55 18.42 7.91 16.85 2.28 5.82 2.69 5.91
O 37.60 54.44 29.75 47.57 22.27 42.68 33.08 54.53
Na 0.13 0.13 0.00 0.00 0.33 0.44 0.00 0.00
Mg 0.09 0.10
Al 11.16 9.58 12.93 12.26 13.91 15.81 12.79 12.50
Si 12.61 10.40 13.45 12.26 14.56 15.89 13.36 12.55
P
K 0.19 0.15 0.15 0.10
Ca
Ti 0.34 0.16 0.41 0.22 1.03 0.66 1.08 0.59
Cr
Fe 11.55 4.79 18.41 8.43 29.09 15.97 25.33 11.96
Ni 0.16 0.06
Cu 0.60 0.24 0.74 0.31
Zn
Zr
Pt 16.89 2.01 16.53 2.17 16.33 2.57 10.70 1.45
total 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00
Onde:
• Elemento = Elemento químico
• norm. C [wt.%] = concentração normalizada em peso atômico (%)
• C Atom. [at.%] Porcentagem em peso atômico (%)

Embora os resultados não sejam simples de serem interpretados, podem ser feitas
algumas observações sobre estes resultados. Na Tabela 8 chama atenção o fato que o
carbono diminui à medida que a porcentagem de ácido fosfórico aumenta, aparece
potássio nas porcentagens de 3 e 5% de ácido, e o ferro e o silício aumentam.
145
Tabela 9: Resultados de espectroscopia de energia dispersiva para o solo, e para o solo
com adição de CCA

Solo Argiloso Solo + 5% de Solo + 10% de Solo + 15% de


Laterítico CCA CCA CCA
norm. Atom. norm. Atom. norm. Atom. norm. Atom.
C C C C C C C C
Elemento [wt.%] [at.%] [wt.%] [at.%] [wt.%] [at.%] [wt.%] [at.%]
C 9.55 18.42 2.39 5.96 1.08 2.54 2.05 5.90
O 37.60 54.44 29.21 54.77 27.14 48.11 21.61 46.68
Na 0.13 0.13 0.21 0.28 0.27 0.33 0.21 0.32
Mg 0.10 0.12 0.10 0.12 0.12 0.17
Al 11.16 9.58 12.52 13.92 16.42 17.26 11.70 14.99
Si 12.61 10.40 11.42 12.20 15.01 15.15 11.48 14.13
P
K 0.21 0.15 0.18 0.16
Ca
Ti 0.34 0.16 0.53 0.33 1.47 0.87 0.89 0.64
Cr
Fe 11.55 4.79 14.90 8.00 27.30 13.86 17.76 10.99
Ni 0.16 0.06
Cu
Zn
Zr
Pt 16.89 2.01 28.72 4.42 11.00 1.60 34.00 6.02
total 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00
Onde:
• Elemento = Elemento químico
• norm. C [wt.%] = concentração normalizada em peso atômico (%)
• C Atom. [at.%] Porcentagem em peso atômico (%)

Dos resultados da Tabela 9, que compara o solo puro com solo com CCA, o
carbono diminui, e aumentam as porcentagens de alumínio, ferro, silício e platina, e
aparece também o potássio.
146
Tabela 10: Resultados de espectroscopia de energia dispersiva para o solo, e para o solo
com adição combinada de CCA e H3PO4

Solo + 15% Solo + 15%


Solo + 5% de Solo + 5% de de CCA + de CCA +
Solo Argiloso CCA + 1% CCA + 3% 1% de 3% de
Laterítico de H3PO4 de H3PO4 H3PO4 H3PO4
norm. Atom. norm. Atom. norm. Atom. norm. Atom. norm. Atom.
C C C C C C C C C C
Elemento [wt.%] [at.%] [wt.%] [at.%] [wt.%] [at.%] [wt.%] [at.%] [wt.%] [at.%]

C 9.55 18.42 21.80 33.08 21.80 33.08 0.73 3.64 0.00 0.00

O 37.60 54.44 42.16 48.01 42.16 48.01 8.88 33.09 6.50 24.29

Na 0.13 0.13 0.19 0.15 0.19 0.15

Mg
Al 11.16 9.58 10.44 7.05 10.44 7.05 3.93 8.68 3.25 7.20

Si 12.61 10.40 10.48 6.80 10.48 6.80 3.26 6.92 2.57 5.46

P 0.00 0.00 0.00 0.00

K 0.15 0.22 0.15 0.23

Ca
Ti 0.34 0.16 0.68 0.26 0.68 0.26 1.53 1.90 2.26 2.82

Cr
Fe 11.55 4.79 14.25 4.65 14.25 4.65 27.09 28.92 44.38 47.48

Ni 0.16 0.06

Cu
Zn
Zr
Pt 16.89 2.01 54.43 16.63 40.88 12.52

total 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00
Onde:
• Elemento = Elemento químico
• norm. C [wt.%] = concentração normalizada em peso atômico (%)
• C Atom. [at.%] Porcentagem em peso atômico (%)

Na Tabela 10, que apresenta as porcentagens dos elementos quando a mistura é


de CCA e H3PO4, percebe-se que o carbono diminui muito, alumínio e sílica diminuem e
ferro e platina aumentam muito com 15% de CCA e 1% e 3% de H3PO4.
147
Tabela 11: Resultados de espectroscopia de energia dispersiva para o solo, e para o solo
com adição de C6H8O7 e adição combinada de H3PO4 e C6H8O7

Solo + 3% de
Solo Argiloso H3PO4 + 3% Solo + 3%
Laterítico C6H8O7 C6H8O7
norm. Atom. Atom. Atom.
C C norm. C C norm. C C
Elemento [wt.%] [at.%] [wt.%] [at.%] [wt.%] [at.%]
C 9.55 18.42 1.09 3.38 2.65 5.98
O 37.60 54.44 15.77 36.62 32.56 55.04
Na 0.13 0.13 0.28 0.32
Mg
Al 11.16 9.58 10.29 14.17 12.94 12.97
Si 12.61 10.40 10.30 13.62 14.61 14.07
P
K
Ca
Ti 0.34 0.16 2.10 1.63
Cr
Fe 11.55 4.79 40.18 26.73 18.81 9.11
Ni 0.16 0.06
Cu
Zn
Zr
Pt 16.89 2.01 20.26 3.86 18.15 2.52
total 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00
Onde:
• Elemento = Elemento químico
• norm. C [wt.%] = concentração normalizada em peso atômico (%)
• C Atom. [at.%] Porcentagem em peso atômico (%)

Dos resultados da Tabela 11, que apresenta os resultados de EDS das combinações
dos dois ácidos e do ácido cítrico isolado com o solo, percebe-se que o carbono diminui,
o silício aumenta pouco e o ferro aumenta com combinação dos dois ácidos e diminui só
com o cítrico puro.
148
Tabela 12: Resultados de espectroscopia de energia dispersiva para o solo, e para o solo
com adição de cal, adição combinada de H3PO4 e cal, e adição combinada de CCA e
H3PO4 e cal

Solo + 10% de Solo + 5% de


CCA + 3% de CCA + 3% de Solo + 3% de
Solo Argiloso H3PO4 + 5% H3PO4 + 5% H3PO4 + 5% Solo + 5% de
Laterítico cal cal de Cal Cal
norm. Atom. norm. Atom. norm. Atom. norm. Atom. norm. Atom.
C C C C C C C C C C
Element [wt.%
o ] [at.%] [wt.%] [at.%] [wt.%] [at.%] [wt.%] [at.%] [wt.%] [at.%]

C 9.55 18.42 5.21 13.58 0.93 2.87 0.63 1.36

O 37.60 54.44 20.26 39.64 14.83 34.32 30.51 51.45 32.96 53.65

Na 0.13 0.13 0.37 0.42

Mg 0.11 0.17

Al 11.16 9.58 9.84 11.42 7.41 10.17 14.04 14.04 13.00 12.54

Si 12.61 10.40 9.76 10.88 8.08 10.66 14.87 14.28 18.21 16.88

P 0.14 0.12

K 0.18 0.14 0.02 0.02 0.26 0.18

Ca 1.86 1.45 2.67 2.46 2.90 1.95 1.05 0.69

Ti 0.34 0.16 1.62 1.06 2.72 2.11 2.01 1.13 1.31 0.71

Cr 1.16 0.83

Fe 11.55 4.79 29.94 16.78 48.99 32.48 32.04 15.48 24.79 11.56

Ni 0.16 0.06 3.25 2.05

Cu 2.94 1.45 1.78 0.76

Zn 2.01 0.96 1.45 0.60

Zr 7.69 2.19

Pt 16.89 2.01 16.39 2.63 9.82 1.86


100.0 100.0
total 0 0 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00 100.00
Onde:
• Elemento = Elemento químico
• norm. C [wt.%] = concentração normalizada em peso atômico (%)
• C Atom. [at.%] Porcentagem em peso atômico (%)

149
Na tabela 12, que confronta a adição de cal, H3PO4 + cal, CCA+ H3PO4 + cal,
vê-se que o carbono diminui, o ferro e o silício variam para mais ou para menos, o cálcio
aparece, a platina aparece em algumas combinações assim como o Zircônio.

Portanto, de forma global, pode-se concluir que as várias adições e combinações


de aditivos realmente causam modificações no solo laterítico que foi usado nesta
pesquisa, e, mesmo que não se possa, somente com estes resultados, estimar com precisão
as diversas mudanças, vê-se efeitos diversos.

O intuito do EDS era observar mudanças químicas na fração fina do solo,


possibilitando concluir, de maneira mais completa, sobre as reações entre os diferentes
aditivos com o solo. Entretanto como o EDS analisa apenas um ponto e não a amostra
toda, os resultados encontrados não seguiram uma tendência única, não sendo possível
tirar maiores conclusões sobre isso.

Desta maneira, para permitir realizar a análise da amostra de uma maneira mais
completa, foram realizados os ensaios de DRX constantes no Anexo I, porém nem com
essa análise não se observou mudanças significativas do solo puro, ficando evidentes os
mesmos argilominerais do solo puro, com predomínio de minerais do grupo da Caulinita,
provavelmente Caulinita (Al2Si2O5(OH)4 + Hematita (Fe2O3) + Quartzo (SiO2).

4.7.Análises de fluorescência de raios x

Visando complementar as análises realizadas com DRX, foram realizados ensaios


de Fluorescência em algumas das combinações de materiais desta pesquisa. Nas tabelas
13 a 16, a seguir, estão indicados os elementos químicos detectados. Foram feitos ensaios
de fluorescência de raios X nas seguintes situações:

• Solo Natural (Tabela 13)


• Solo + 3% de H3PO4 (Tabela 14)
• Solo + 3% de H3PO4 + 3% C6H8O7 (Tabela 15)
• Solo + 5% de Cinza de Casca de Arroz + 3% de H3PO4 (
• Tabela 16)

150
Tabela 13: Fluorescência de Raios X do Solo Natural

Tabela 14: Fluorescência de Raios X do Solo + 3% de H3PO4

151
Tabela 15: Fluorescência de Raios X do Solo + 3% de H3PO4 + 3% C6H8O7

Tabela 16: Fluorescência de Raios X do Solo + 5% de Cinza de Casca de Arroz + 3%


de H3PO4

De maneira geral, a análise de fluorescência de raios X permitiu identificar que as


amostras são constituídas basicamente por Silício, Alumínio e Ferro. Apresentam também
traços de Fósforo (sendo este presente em maior quantidade nas amostras com adição de
H3PO4) Sódio, Titânio, Magnésio e Potássio.

152
4.8.Correlações de resultados.

Numa tentativa de observar se ocorrem correlações entre os vários resultados


mecânicos, foram verificadas as correlações entre os ensaios de Resistência à Tração
(RT), Resistência à Compressão Simples (RCS) e o ensaio de Módulo de Resiliência. Os
resultados de Módulo de Resiliência são avaliados por meio dos parâmetros k1, k2 e k3
do modelo composto.

Durante a análise, foram determinados os coeficientes de correlação linear (r)


entre as variáveis. Este índice é adimensional e pode assumir valores entre -1 e 1, que são
indicadores da intensidade da relação linear entre dois conjuntos de dados. O grau de
correlação é máximo quando o módulo de r é 1. Os coeficientes podem ser positivos,
quando os dois conjuntos de dados aumentam simultaneamente, ou negativos, quando há
tendência de uma variável diminuir quando a outra aumenta. Finalmente, correlações
nulas indicam que os dados não dependem linearmente um do outro.

O objetivo de verificar alguma correlação é poder estimar principalmente


parâmetros de resiliência por meio de ensaios correntes, facilmente encontrados nos
laboratórios mais simples, para permitir realizar a pré-seleção de materiais para
anteprojetos, por exemplo. Ou ainda avaliar a viabilidade econômica da estabilização de
um solo semelhante em termos de porcentagens dos aditivos.

Os dados são apresentados para 07 dias (Tabela 17), 14 dias (Tabela 18), 28 dias
(Tabela 19), 56 dias de cura (Tabela 20) e para todos os dados das 4 idades de cura juntos
(Tabela 21).

Tabela 17: Correlações entre propriedades para 07 dias de cura

RT RCS k1 k2 k3
RT 1
RCS 0,927 1
k1 0,813 0,837 1
k2 0,136 0,276 0,325 1
k3 0,090 -0,009 0,336 -0,261 1

153
Tabela 18: Correlações entre propriedades para 14 dias de cura

RT RCS k1 k2 k3
RT 1
RCS 0,917 1
k1 0,774 0,897 1
k2 0,244 0,337 0,243 1
k3 0,254 0,124 -0,008 -0,209 1

Tabela 19: Correlações entre propriedades para 28 dias de cura

RT RCS k1 k2 k3
RT 1
RCS 0,939 1
k1 0,849 0,910 1
k2 0,295 0,341 0,393 1
k3 0,277 0,359 0,286 -0,262 1

Tabela 20: Correlações entre propriedades para 56 dias de cura

RT RCS k1 k2 k3
RT 1
RCS 0,943 1
k1 0,807 0,919 1
k2 0,414 0,460 0,457 1
k3 0,574 0,628 0,626 0,039 1

Tabela 21: Correlações entre propriedades com resultados dos 4 períodos de cura

RT RCS k1 k2 k3
RT 1
RCS 0,933 1
k1 0,769 0,897 1
k2 0,312 0,400 0,427 1
k3 0,351 0,353 0,425 -0,056 1
154
De posse dos dados da Tabela 17, Tabela 18, Tabela 19, Tabela 20 e Tabela 21,
pode- se observar que existe uma boa correlação linear entre os dois ensaios comumente
encontrados nos laboratórios, até mesmo nos laboratórios mais simples, que são os
ensaios de resistência à tração por compressão diametral (RT) e o ensaio de resistência à
compressão simples (RCS), e neste caso observou-se valores de r maiores que 0,90 em
todas as situações.

Outra correlação interessante foi do parâmetro k1 do modelo composto de Módulo


de Resiliência, que teve boa correlação com o ensaio de resistência à tração (RT),
entretanto, melhores valores de r foram encontrados com o ensaio resistência à
compressão simples (RCS), neste caso os valores de correlação estiveram sempre
próximos a 0,9. Essa correlação alta implica dizer que quanto maiores os valores de RCS
maiores serão os valores do parâmetro k1 do modelo composto de módulo de resiliência.

Para os parâmetros k2 e k3 do modelo composto de módulo de resiliência não foi


verificada boa correlação com os demais parâmetros, isso demonstra que não é possível
simular/estimar a influência das tensões confinantes e desvio por meio de ensaios simples
como RT ou RCS.

4.9.Considerações finais

Com base nos ensaios mecânicos de Resistência à Tração (RT), Resistência à


Compressão Simples (RCS) e Módulo de Resiliência (MR) tem-se resumidamente:

• Com adições de 1%, 3% e 5% de H3PO4:


- RT aumentou de 0,090 MPa do solo puro para 0,121MPa com 1%,
0,178MPa com 3% e 0,192MPa com 5% de H3PO4.
- RCS aumentou de 1,00 MPa do solo puro para 1,39MPa, 1,75MPa
para 3% e 1,99MPa com 5% de H3PO4.
- No ensaio de MR o parâmetro k1 do modelo composto aumentou
de 234 do solo puro para 831 com 1%, 947 com 3% e 924 com 5%
de H3PO4, ficando assim evidenciado que o H3PO4 agrega rigidez
às misturas e ainda pelo comportamento dos parâmetros k2 e k3 do
modelo composto de MR que mostram que as misturas com H3PO4

155
ficam mais dependentes das tensões confinantes e menos
dependentes das tensões desvio que o solo puro.
• Com adições de 5%, 10% e 15% de CCA:
- RT diminuiu com a adição de CCA, todos os teores de CCA
resultaram em uma RT de cerca de 0,070MPa.
- RCS diminuiu com a adição de CCA, sendo menores os valores
para maiores teores de CCA, os valores diminuíram de 0,99MPa
do solo puro para 0,87MPa com 5% de CCA, 0,58 com 10% de
CCA e 0,55 com 15% de CCA.
- Os parâmetros do modelo composto de MR resultaram em um
aumento do k1 de 234 do solo puro para 386 com 5% de CCA, 346
com 10% de CCA e uma diminuição para 192 com 15% de CCA.
Todas as misturas ficaram mais dependentes das tensões
confinantes e menos das tensões desvio se comparado ao solo puro.
Em relação às misturas com H3PO4 observa-se diminuição
considerável do parâmetro k1 e comportamento similar quanto a
influência das tensões desvio e confinantes.
• Com (5%, 10% e 15%CCA) + 1% de H3PO4:
✓ A adição conjunta de H3PO4 e CCA proporcionou uma melhoria
na homogeneização dos materiais, e a formação de grumos foi
diminuída.

Foram observados os seguintes comportamentos nos ensaios


mecânicos:

- RT aumentou de 0,090MPa do solo puro para 0,116MPa (5% CCA


+ 1% H3PO4), 0,091MPa (10% CCA + 1% H3PO4) e redução para
0,084MPa com 15% CCA + 1% H3PO4.
- RCS aumentou de 0,99MPa do solo puro para 1,04MPa (5% CCA
+ 1% H3PO4), e diminuiu para 0,708 com 10% CCA + 1% H3PO4
e 0,68 para a adição de 15% CCA + 1% H3PO4.
- No ensaio de MR o parâmetro k1 do modelo composto aumentou
de 235 do solo puro para 439, 390 e 345 com, respectivamente,
5%, 10% e 15% de CCA mais adição de 1% de H3PO4.

156
Demonstra-se que houve enrijecimento da mistura comparada ao
solo natural e perda de rigidez se comparada à mistura somente
com adição de 1% de H3PO4, e ainda resultando em uma mistura
mais dependente das tensões confinantes e menos dependente das
tensões desvio que o solo puro.

• Com (5%, 10% e 15%CCA) + 3% de H3PO4:


- RT aumentou de 0,090MPa do solo puro para 0,159MPa (5% CCA
+ 3% H3PO4); 0,128MPa (10% CCA + 3% H3PO4) e 0,099MPa
com 15% CCA + 3% H3PO4. Resultados superiores às misturas
apenas com CCA e combinações de CCA com 1% de H3PO4, mas
inferiores à mistura apenas com 3% de H3PO4.
- RCS aumentou de 0,99MPa do solo puro para 1,36MPa (5% CCA
+ 1% H3PO4), 1,26 com 10% CCA + 1% H3PO4 e diminuiu para
0,88 para a adição de 15% CCA + 1% H3PO4. Os resultados de
RCS seguem a tendência do ensaio de RT, com valores superiores
para as misturas apenas com CCA e combinações de CCA com 1%
de H3PO4, mas inferiores à mistura apenas com 3% de H3PO4.
- No ensaio de MR o parâmetro k1 do modelo composto aumentou
de 235 do solo puro para 770, 773 e 394 com respectivamente 5%,
10% e 15% de CCA mais adição de 3% de H3PO4. Demonstra-se
que houve enrijecimento da mistura comparado ao solo natural e
uma leve queda nas misturas com 5% e 10% de CCA mais 3% de
H3PO4 se comparadas às misturas apenas com H3PO4. De maneira
geral as misturas ficaram um pouco menos dependentes das
tensões desvio e confinantes, mas ainda mais dependentes da
tensão confinante que o solo puro.
• Com combinações de C6H8O7, H3PO4 e CCA:
- RT aumentou com o tempo de cura em todas as situações com
adição de C6H8O7, o aumento mais expressivo ocorreu nas
misturas que continham adição combinada de C6H8O7 e H3PO4.
Com a adição de 1% de C6H8O7 e 3% de H3PO4 ocorreu o aumento
de 0,090MPa do solo puro para 0,187 MPa, com 3% de C6H8O7 e
3% de H3PO4 foi atingida a RT de 0,216 MPa, com 3% de C6H8O7
157
0,142 MPa, na situação com adição combinada de 3% de C6H8O7
e 10% de CCA houve queda nos valores de RT para 0,085 MPa.
- Para a RCS os maiores ganhos são observados quando combinados
os dois ácidos (C6H8O7 e H3PO4). Neste caso percebeu-se que, nos
maiores tempos de cura, foi possível dobrar as resistências a
compressão simples, aumento de 0,99MPa do solo puro para 2,15
MPa (1% C6H8O7 + 3% H3PO4) e 2,12MPa (3% C6H8O7 + 3%
H3PO4). Na mistura solo + 3% de C6H8O7 o aumento foi para
1,28MPa e para o solo + 3% C6H8O7 + 10% CCA praticamente se
manteve inalterado o valor de RCS.
- No ensaio de MR o parâmetro k1 aumentou em todas as situações
com C6H8O7, os resultados mais efetivos foram encontrados na
mistura com adição de 1% de C6H8O7 combinado com 3% de
H3PO4, nessa situação o parâmetro k1 chegou ao valor de 1494,
cerca de 6,5 vezes superior ao encontrado no solo puro. Os valores
de k2 para a situação com 3% de C6H8O7 e combinações de 1% e
3% de C6H8O7 com 3% de H3PO4 resultam em maior dependência
das tensões confinantes que para o solo puro, apenas para a adição
de 10% de CCA e 3% de C6H8O7 que se nota uma menor
dependência das tensões confinantes em relação ao solo puro. Na
análise do parâmetro k3, observa-se que todas as misturas se
tornam menos dependentes das tensões desvio, podendo
praticamente ser descartada a influência das tensões desvio para a
mistura contendo 1% de C6H8O7 com 3% de H3PO4.
• Com combinações de H3PO4, CCA e cal:
- RT aumentou de maneira significativa na mistura de solo e 5% cal,
foi atingido o valor de 0,20MPa, nas demais situações (Solo + 3%
de H3PO4 + 5% de Cal, Solo + 5% de CCA + 3% de H3PO4 + 5%
cal, Solo + 10% de CCA + 3% de H3PO4 + 5% cal) o ganho não
foi tão efetivo (0,096MPa, 0,142MPa e 0,108MPa).
- RCS foi maior na mistura solo + 5% cal com 1,56MPa, na mistura
Solo + 5% de CCA + 3% de H3PO4 + 5% cal o ganho foi menos
efetivo, chegando a 1,09MPa. Na mistura de Solo + 10% de CCA
+ 3% de H3PO4 + 5% cal e na mistura de solo + 3% de H3PO4 +
158
5% de Cal a RCS foi menor que no solo puro, tendo atingido
0,85MPa e 0,86MPa respectivamente.
- Nas misturas com adição de cal, o tempo de cura pouca influência
exerce na variação do parâmetro k1 do modelo composto de MR.
Os maiores valores de k1 são observados após os 56 dias de cura
para a mistura de solo com adição de 5% de cal (521), para a
mistura de solo com 3% de H3PO4 + 5% de Cal obteve-se 513, para
o solo com 5% CCA +3% de H3PO4 + 5% de Cal foi atingido o
valor de 483, e 413 para a mista com 10% CCA +3% de H3PO4 +
5% de cal.
• Com aumento da energia de compactação de Intermediária para
Modificada:
- Ficou evidenciado que a energia de compactação influenciou no
comportamento das misturas, visto que o desempenho da mistura
com solo + 3% de H3PO4 compactada na energia intermediária foi
inferior aos valores encontrados para a energia de compactação
modificada. O comportamento das amostras foi o mesmo com o
tempo de cura, ficou apenas constatado um pequeno aumento do
parâmetro k1, e uma maior dependência da tensão confinante e
menor da tensão desvio.

Com base nos ensaios de Difração de raios X e de Fluorescência de raios X, tem se que:

- não foi possível identificar mudanças significativas nas amostras a


nível químico, e observando que ocorreram mudanças nos
resultados mecânicos (ensaios de resistência à compressão
simples, resistência à tração por compressão diametral e ensaios de
modulo de resiliência), e ainda mudanças estruturais observadas a
nível microscópico, possivelmente a maneira de se obter as
amostras para os ensaios químicos não foi a mais adequada,
podendo ter ocorrido segregação dos diferentes elementos durante
a etapa de sedimentação da argila para a coleta da fração fina do
solo, e o método utilizado para o preparo das lâminas para os
ensaios de DR-X poderiam obter resultados mais satisfatórios se

159
fossem preparadas de maneira a orientar os elementos, e não pelo
método do pó.

4.10. Dimensionamento de estruturas usando o programa MeDiNa

Com o intuito de observar o comportamento das misturas perante o desempenho


de estruturas de pavimentos, foram feitos dimensionamentos com os parâmetros de
Módulo de Resiliência encontrados para cada mistura. Para tanto foi utilizado o novo
método de dimensionamento de pavimentos asfálticos do Brasil (MeDiNa V1.0.0). O
programa é fruto do Termo de Execução Descentralizada celebrado de 2015 a 2018 entre
o Instituto de Pesquisas Rodoviárias - IPR e o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-
Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro -
COPPE, bem como da colaboração do Centro de Pesquisas da Petrobras - CENPES e de
diversas Universidades brasileiras participantes da Rede Temática de Asfalto.

Para essas análises foi considerado inicialmente um carregamento N (DNIT) de


5.00 x 106 passagens do Eixo Padrão. O Eixo Padrão Rodoviário (Figura 94) é o eixo
utilizado nas análises e no dimensionamento das estruturas de pavimento

Figura 94: Eixo Padrão Rodoviário utilizado para dimensionamentos no Brasil

As características deste eixo padrão são as seguintes:

• Carga de Eixo: 8,2 tf


• Pressão de Pneus: 0,56 MPa
• Raio da área de contato: 10,8 cm
• Distância entre rodas: 16,2cm

160
As estruturas (Figura 95) foram simuladas considerando dois tipos de
revestimentos asfálticos, todas as demais camadas tiveram suas espessuras fixadas para
observar a influência de cada material na espessura do revestimento asfáltico para atender
este tráfego. Foi considerada uma via do tipo, Sistema Coletor Primário, que apresenta
dentro do MeDiNa um nível de confiabilidade da análise de 85%.

• Concreto Asfáltico Nível 1: representa no banco de dados do MeDiNa uma


mistura asfáltica com um módulo de resiliência de 7200 MPa e um
comportamento à fadiga indicado na Tabela 22, representando o menor
nível em relação ao banco de dados existente na COPPE, de cerca de 200
curvas analisadas;
• Concreto Asfáltico Nível 6: representa no banco de dados do MeDiNa uma
mistura asfáltica com um módulo de resiliência de 5000 MPa e um
comportamento à fadiga indicado na Tabela 22, com comportamento
melhor à fadiga de forma geral, utilizando ligante modificado.

A camada de Base foi fixada em 20 cm, e foram utilizados os parâmetros k1, k2


e k3 do modelo composto de módulos de resiliência obtidos nos ensaios para as diferentes
misturas estudadas nesta tese. Foi variado o coeficiente de Poisson entre 0,30 e 0,45,
porque, como este parâmetro não foi obtido em laboratório, assume-se de maneira geral
para solos sem cimentação o valor de 0,45, contudo nas misturas do presente estudo, não
se sabe ao certo se as cimentações foram suficientes para aumentar a rigidez de maneira
a considerar o material como estabilizado, neste contexto as simulações consideraram as
duas hipóteses, material estabilizado (Poisson de 0,30) e material não estabilizado ou
melhorado (Poisson 0,45).

A camada de Sub-Base foi fixada em 40 cm, e foram considerados os parâmetros


k1, k2 e k3 do modelo composto de Módulo de Resiliência e os parâmetros de
Deformação Permanente obtidos para o solo desta pesquisa, e assumindo Coeficiente de
Poisson de 0,45.

Para a camada de Subleito, foi considerado um material em duas situações, solo


com módulo de resiliência de 50MPa, e solo com módulo de resiliência de 100MPa, e
assumindo coeficiente de Poisson de 0,45.

161
Na Tabela 2 estão apresentados os resultados da análise considerando os dados
descritos e usando a função “dimensionar” do programa para calcular qual espessura de
revestimento atenderia ao N proposto, para um período de projeto de 10 anos, para cada
uma das misturas escolhidas.

Revestimento
Concreto Asfáltico

Base 20 cm - Misturas

Sub-Base 40cm
Solo LG' Proctor Intermediário

Subleito Solo
Módulo de Resiliência
50 MPa ou 100 MPa

Figura 95: Estrutura de pavimento analisada nesta pesquisa

Tabela 22: Características das seis curvas de fadiga sugeridas no Programa MeDiNa
para anteprojeto
N = K1.εk2 MR
Nível
K1 K2 (MPa)

6 1,25e-14 -4,25 5000

5 7,50e-14 -4,00 5500

4 5,00e-13 -3,75 6000

3 3,00e-12 -3,50 6500

2 1,75e-11 -3,25 7000

1 1,00e-10 -3,00 7200

162
Tabela 23: Espessuras de revestimento encontradas para os materiais de base
compactados na energia Proctor Intermediário
MR do Subleito MR do Subleito
50 50 100 100 50 50 100 100
MPa MPa MPa MPa MPa MPa MPa MPa
Coeficiente de Poisson Coeficiente de Poisson
da Base da Base
0,45 0,3 0,45 0,3 0,45 0,3 0,45 0,3

Concreto asfáltico Nível Concreto asfáltico Nível


1 (Espessura cm) 6 (Espessura cm)

Solo Natural 14,7 14,8 14,1 14,2 11,5 11,5 11 11


Solo + 1% de H3PO4 14,4 14,4 13 13,5 10 10,7 9,2 10
Solo + 3% de H3PO4 14,1 14,6 12,9 13,2 9,4 10,3 8,9 9,7
Solo + 5% de H3PO4 13,8 14 12,8 12,9 8,8 10 7,5 9,2
Solo + 5% de CCA >15 >15 14,7 14,7 12,2 12,6 11,7 12,1
Solo + 10% de CCA 15 >15 14,4 14,4 12,2 12,4 11,5 11,9
Solo + 15% de CCA >15 >15 14,7 15 12,9 13,2 12,2 12,6
Solo + 5% de CCA + 1% de H3PO4 14,7 15 13,8 14,1 11,3 11,7 10,7 10,9
Solo + 5% de CCA + 3% de H3PO4 14,4 15 13,6 13,8 10,7 11,3 10 10,7
Solo + 10% de CCA + 1% de H3PO4 14,9 15 14,1 14,4 11,8 11,9 11 11,5
Solo + 10% de CCA + 3% de H3PO4 14,3 14,7 13,5 13,8 10,7 11,3 9,8 10,4
Solo + 15% de CCA + 1% de H3PO4 15 >15 14,4 14,4 11,9 12,3 11,3 11,7
Solo + 15% de CCA + 3% de H3PO4 14,4 14,7 13,3 13,8 10,7 11,3 10 10,7
Solo + 3% de H3PO4 + 1% C6H8O7 14,6 14,7 13,2 13,8 10,4 11,3 9,5 10,4
Solo + 3% de H3PO4 + 3% C6H8O7 14,4 14,7 13,3 13,8 10,7 11,3 9,6 10,4
Solo + 3% C6H8O7 14,6 14,7 13,2 13,5 10,7 11,3 9,5 10,4
Solo + 3% C6H8O7 + 10% de CCA 14,4 14,7 13,8 13,8 11 11,5 10,2 10,7
Solo + 5% de CCA + 3% de H3PO4 +
5% cal 14,7 15 13,8 13,8 11,3 11,7 10,4 11
Solo + 10% de CCA + 3% de H3PO4
+ 5% cal 14,7 15 13,8 14,1 11,3 11,8 10,7 11

Solo + 3% de H3PO4 + 5% de Cal 14,4 14,4 13,3 13,8 10,7 11 9,7 10,3
Solo + 5% de Cal >15 >15 14,4 14,7 12,5 12,9 11,8 12,2

163
Dos dados da Tabela 23, observa-se que a adição de H3PO4 ao solo, usada a
mistura como camada de base, resultou em espessuras de revestimento menores, tanto
menores as espessuras para maiores teores de H3PO4. A diminuição foi maior quando o
revestimento adotado foi de melhor qualidade (nível 6).

A adição de Cinza de Casca de Arroz (CCA) ocasionou em aumento das


espessuras de revestimento asfáltico. Quando feita a adição combinada de H3PO4 e CCA
houve diminuição das espessuras de revestimento asfáltico até o teor de 10% de CCA,
confirmando, portanto, o que foi observado na prática: que o teor de 15% de CCA ao solo
resulta em comportamento de uma mistura mais deformável.

A adição de cal não foi efetiva, possivelmente o teor testado (5%) não foi
suficiente para gerar muita cimentação no solo e/ou adicionalmente o tempo de 56 dias
de cura pode não ter sido suficiente para o desenvolvimento integral da cimentação. A
única situação com cal que reduziu a espessura de revestimento foi a que continha a
adição combinada de 3% de H3PO4, entretanto a redução foi pequena (menos de 10%) e
inferior ao que se tinha apenas com o H3PO4 como aditivo ao solo.

A adição de C6H8O7 de maneira isolada ou combinada com o H3PO4 resultou em


comportamento similar entre todas as misturas, com redução de cerca de 6% na espessura
da camada de revestimento.

Na Tabela 24, estão apresentados os resultados para as misturas que tiveram os


ensaios de módulo de resiliência realizados com amostras compactadas na energia Proctor
Modificado.

164
Tabela 24: Espessuras de revestimento encontradas para os materiais de base
compactados na energia Proctor Modificado

MR do Subleito MR do Subleito
50 50 100 100 50 50 100 100
MPa MPa MPa MPa MPa MPa MPa MPa
Coeficiente de Poisson Coeficiente de Poisson
da Base da Base
0,45 0,3 0,45 0,3 0,45 0,3 0,45 0,3
Concreto asfáltico Nível Concreto asfáltico Nível
1 (Espessura cm) 6 (Espessura cm)
Energia Modificada Solo Natural 14,1 14,1 13,2 13,2 9,7 10,3 9,1 9,8
Energia Modificada Solo + 3% de
H3PO4 13,8 14 12,3 12,9 8,1 9,4 6,3 8,6

Energia Modificada Solo + 10% de CCA 15 >15 14,4 14,4 11,9 12,3 11,3 11,7
Energia Modificada Solo + 10% de CCA
+ 3% de H3PO4 13,8 13,8 12,5 12,9 7,5 9,4 6,0 8,3

Dos dados da Tabela 24, observa-se que as adições isoladas de H3PO4 ou CCA
seguiram a mesma tendência de resultados encontrados para as amostras moldadas na
energia Proctor Intermediário, com redução de espessuras de camadas de revestimento
para a mistura com H3PO4 e aumento da espessura para a camada com CCA,
isoladamente.

Na adição combinada de 3% de H3PO4 e 10% de CCA houve redução da espessura


da camada de revestimento inclusive se comparada à mistura apenas com 3% de H3PO4.
Essa situação, aliada à facilidade de homogeneização do H3PO4 com o solo, justifica a
utilização da CCA nas camadas de pavimentos, combinada com energia de compactação
mais alta.

Ao se comparar os resultados da Tabela 23 e da Tabela 24, nota-se que a energia


de compactação exerceu influência direta no dimensionamento, sendo menores as
espessuras para todas as situações que a energia de compactação foi maior.

Na tentativa de criar uma estrutura que permita um tráfego mais elevado, foi
possível, com os materiais disponíveis, propor uma estrutura (Figura 96 e Tabela 25) para
o carregamento N (DNIT) de 1.00 x 107 passagens do Eixo Padrão. Para carregamentos

165
maiores, seria necessário adicionar outro material com melhor capacidade de suporte na
camada de base.

Revestimento
Concreto Asfáltico Nível 06

Base 20 cm
Solo + 3% H3PO4 + 10% CCA

Sub-Base 40cm
Solo LG' Proctor Modificado

Subleito Solo
Módulo de Resiliência
50 MPa ou 100 MPa

Figura 96: Estrutura 2 de pavimento analisada nesta pesquisa

Tabela 25: Espessuras de revestimento encontradas para a estrutura 2

MR do Subleito
50 MPa 50 MPa 100 MPa 100 MPa
Coeficiente de Poisson da Base
0,45 0,3 0,45 0,3
Concreto asfáltico Nível 6 (Espessura cm)
13,3 13,8 12,1 13,1

Tecnicamente, a adição de CCA de maneira isolada não permite atender este


tráfego, entretanto se torna satisfatória quando utilizada de maneira combinada ao H3PO4
compactada na energia Proctor modificado.

Ao se considerar a situação hipotética da Tabela 25, em uma via com 12 m de


largura (duas faixas de rolamento com 3,5m de pista de rolamento + 2,5m de
acostamento), com camada de 20 cm de espessura, contendo adição de 10% de CCA, ao

166
longo de 1km de rodovia teria sido consumido cerca de 350 toneladas de resíduo (CCA),
evitando assim que esse volume fosse disposto inadequadamente no meio ambiente e
ainda economizando essa quantidade de solo de jazidas.

167
5. CONCLUSÕES

Ao término da presente pesquisa, que avaliou o comportamento de um solo


laterítico com adição de ácido fosfórico, cinza de casca de arroz, ácido cítrico e cal
calcítica, pode-se concluir que:

1. O solo puro, classificado como argiloso laterítico (LG’ pela classificação


MCT), quando ensaiado puro, apresentou características satisfatórias
quanto à deformação permanente, em que nas condições mais severas de
ensaio apresentou menos de 1mm de deformação permanente acumulada.
Porém em termos de rigidez para uso em base de pavimentos considera-se
que para tráfegos médios a elevado não satisfaria.
2. O solo com adições de H3PO4 apresentou mudanças em suas propriedades
mecânicas (RT, RCS e MR), e, mesmo apresentando certa dificuldade de
homogeneização, melhorou o comportamento frente a todos os ensaios
realizados, e os resultados nos ensaios mecânicos melhoram com o tempo
de cura. Melhores resultados foram encontrados para teores mais elevados
de H3PO4. Nas análises no método de dimensionamento (MeDiNa), foi
possível obter estruturas para um carregamento N (DNIT) de 1.00 x 107
passagens do Eixo Padrão para as combinações admitidas.
3. A adição de CCA de maneira isolada não foi satisfatória, visto que todas
as estruturas simuladas no MeDiNa resultaram em estruturas com
espessuras maiores de revestimento que as obtidas apenas com o solo puro.
4. Quando a CCA foi incorporada de maneira conjunta com H3PO4 na
energia de compactação Proctor Intermediaria perdeu um pouco de
desempenho mecânico se comparadas às misturas apenas com H3PO4.
Entretanto, com teores de 5% e 10% de CCA em conjunto com 3% de
H3PO4 apresentaram características semelhantes às misturas apenas com
H3PO4 com a grande vantagem de a homogeneização dos materiais ter sido
facilitada e se usar resíduos disponíveis em grandes proporções na região
da pesquisa. Na energia Proctor modificado, os resultados foram os mais
satisfatórios, resultando assim em misturas bem homogeneizadas e
mecanicamente superiores às misturas apenas com H3PO4.
5. A adição de C6H8O7 não foi muito eficiente, mesmo as reações sendo
postergadas, os resultados foram similares nas misturas apenas com
168
C6H8O7 e nas misturas com adição combinada dos dois ácidos (C6H8O7 +
H3PO4), contudo estes resultados foram inferiores às misturas apenas com
H3PO4.
6. A adição de cal não foi satisfatória, visto que o desempenho do solo quanto
à rigidez foi inferior ao solo puro, e quando adicionados de maneira
combinada (cal e H3PO4) resultaram em misturas relativamente frágeis,
comprovando que os dois materiais se anularam instantemente após o
contato.
7. As análises das imagens de MEV mostraram mudanças texturais dos
materiais, indicando a ocorrência de reações com a adição dos ácidos ao
solo, entretanto as análises de Difração de Raios-X, apontam que em
termos mineralógicos as misturas continuaram semelhantes ao solo puro,
com predomínio de minerais do grupo da Caulinita.

Sugestões para trabalhos futuros:

1) Com o intuito de observar o comportamento das misturas aqui estudadas de


maneira laboratorial quanto à aplicação em campo, sugere-se construir trechos
experimentais compactados nas energias intermediária e modificada e
monitorar os mesmos, utilizando as seguintes misturas que foram as mais
promissoras:

• Solo + 3% de H3PO4

• Solo + 5% de CCA + 3% de H3PO4

• Solo + 10% de CCA + 3% de H3PO4

• Solo + 3% de H3PO4 + 1% C6H8O7

2) Realizar estudos com solos lateríticos de granulometrias mais arenosas, para


observar se a homogeneização pode ser mais fácil entre o solo e o H3PO4.
3) Realizar testes de Microscopia Eletrônica de Varredura com análise de
Espectroscopia de Energia Dispersiva e ensaios de Difração de Raios X e
Fluorescência de Raios X visando determinar se há formação de novos
compostos nas misturas de solo e H3PO4 em diferentes latossolos. O objetivo

169
é de entender os mecanismos e compostos das reações. Realizar estes ensaios
na fração argila e na amostra total.

170
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188
ANEXO I

A) Imagens de microscopia eletrônica de varredura


B) Espectro de EDS (EDS - Energy Dispersive Spectrometry)
C) Relatório quantitativo do EDS (EDS - Energy Dispersive Spectrometry)
D) Difratograma por DRX (DRX - Difração por raios-X)

189
Solo Argiloso Laterítico

A)

B)

C)

190
D) Solo Argiloso Laterítico

191
Solo + 1% de H3PO4

A)

B)

C)

192
D) Solo + 1% de H3PO4

193
Solo + 3% de H3PO4

A)

B)

C)

194
D) Solo + 3% de H3PO4

195
Solo + 5% de H3PO4

A)

B)

C)

196
6. D) Solo + 5% de H3PO4

197
Solo + 5% de Cinza de Casca de Arroz

A)

B)

C)

198
D) Solo + 5% de Cinza de Casca de Arroz

199
Solo + 10% de Cinza de Casca de Arroz

A)

B)

C)

200
D) Solo + 10% de Cinza de Casca de Arroz

201
Solo + 15% de Cinza de Casca de Arroz
A)

B)

C)

202
D) Solo + 15% de Cinza de Casca de Arroz

203
Solo + 5% de Cinza de Casca de Arroz + 1% de H3PO4
A)

B)

C)

204
D) Solo + 5% de Cinza de Casca de Arroz + 1% de H3PO4

205
Solo + 15% de Cinza de Casca de Arroz + 1% de H3PO4

A)

B)

C)

206
D) Solo + 15% de Cinza de Casca de Arroz + 1% de H3PO4

207
Solo + 5% de Cinza de Casca de Arroz + 3% de H3PO4

A)

B)

C)

208
D) Solo + 5% de Cinza de Casca de Arroz + 3% de H3PO4

209
Solo + 10% de Cinza de Casca de Arroz + 3% de H3PO4 + 5%
cal

A)

B)

C)

210
D) Solo + 10% de Cinza de Casca de Arroz + 3% de H3PO4 + 5% cal

211
Solo + 15% de Cinza de Casca de Arroz + 3% de H3PO4

A)

B)

C)

212
D) Solo + 15% de Cinza de Casca de Arroz + 3% de H3PO4

213
Solo + 3% de H3PO4 + 3% C6H8O7

A)

B)

C)

214
D) Solo + 3% de H3PO4 + 3% C6H8O7

215
Solo + 3% C6H8O7

A)

B)

C)

216
D) Solo + 3% C6H8O7

217
Solo + 5% de Cinza de Casca de Arroz + 3% de H3PO4 + 5%
cal
A)

B)

C)

218
D) Solo + 5% de Cinza de Casca de Arroz + 3% de H3PO4 + 5% cal

219
Solo + 3% de H3PO4 + 5% de Cal
A)

B)

C)

220
D) Solo + 3% de H3PO4 + 5% de Cal

221
Solo + 5% de Cal
A)

B)

C)

222
D) Solo + 5% de Cal

223
ANEXO II

Ficha de informações de segurança de produto químico FISPQ do H3PO4

224
225
226
227
228
229
230
231
232