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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

(catalogação na fonte)
Throup, marcus Oliver (1978)
O valor inestimável da pragação: a homilética em
meio aos desafios da atualidade/
Marcus Oliver Throup. - São Paulo : Editora
Candeia, 2009
1. Pregação 2. Homilética 3. Cristianismo I. Título
Índices para catálogo sistemátio
1. Pregação 2. Homilética 3 . Cristinaismo 251
Copyright©2009 - Marcus Throup
Edição de texto: Aldo Menezes
Diagramação para e-book: BVA Editora
Coordenação de produção: Claudia Vaz
Capa: BVA Editora
Publicado no Brasil com a devida autorização
e com todos os direitos reservados pela: Editora Candeia
www.editoracandeia.com.br

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Ao pastor Luiz Souza de França, que nunca subestimou a importância da
pregação.

Em memória de Frank Adcock, meu avô e o primeiro crítico dos meus sermões.
*************
PREFÁCIO
A Pregação fiel das escrituras a maior tarefa da igreja e a maior necessidade do

mundo. A primeira responsabilidade de uma igreja verdadeira, segundo o


reformador João Calvino, é a pregação fiel da Palavra de Deus. Ele entendia que o

púlpito é o trono de onde Deus governa seu povo. Nada pode substituir a pregação.
Ela deve ter sempre a primazia.

Estamos vendo com tristeza muitos pastores abandonando a fiel pregação da

Palavra, substituindo-a por expedientes que exaltam o homem em vez de levá-lo ao

pó do arrependimento. A prédica tem sido centrada no homem e não em Deus,

oferecendo-lhe conforto imediato em vez de salvação eterna. Esse discurso atrai

multidões, enaltece o pregador, mas não glorifica a Deus nem despovoa o inferno.
A mais urgente necessidade da igreja contemporânea é voltar às Escrituras.

Precisamos de outra Reforma. Quando os púlpitos se tornarem agências de

proclamação da verdade, então uma bendita revolução se espalhará pela Nação e

multidões se renderão aos pés do Salvador.

Vemos, por outro lado, um sinal que nos traz esperança. Deus tem despertado

muitos pastores para estudar com zelo as Escrituras. Muitos livros de excelente

qualidade, à semelhança deste, têm sido publicados no vernáculo, propiciando que

pastores recebam ferramentas próprias para a preparação da mensagem.

Tenho percorrido o Brasil e pregado em centenas de igrejas de matizes diversos;

por onde passo, encorajo fortemente pastores a se voltarem para a Palavra e a

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pregarem as Escrituras com zelo e fervor. Não há outra esperança para a igreja a não
ser se voltar para a Palavra. Deus age por meio dela e a honra.

Parabenizo o pastor Marcus Throup. Esta obra traz a lume conceitos, orientações
e exemplos simples e profundos ao alcance de pregadores tanto novatos como

experientes. Ela é fruto de labor, de pesquisa e, certamente, de profunda vivência na

seara da pregação. Além disso, é uma ferramenta importante para a vida de pastores,
seminaristas e obreiros que anunciam o evangelho da graça.

Minha oração é que Deus use este livro para inflamar milhares de pregadores em
nossa nação e, quiçá, além-fronteiras.

Hernandes Dias Lopes

Doutor em Ministério, conferencista e escritor


*************
INTRODUÇÃO
“Ai de mim se eu não pregar o evangelho”. Essas palavras do apóstolo Paulo se

encontram inscritas em uma placa fixada na parede da reitoria do seminário de Saint


John, em Nottingham, Inglaterra. Para os seminaristas que passam por ali — os

futuros ministros do evangelho de Jesus Cristo e a próxima geração de pregadores —

a placa serve de estímulo e aviso para que, diante dos desafios do mundo atual,

levem a sério a tarefa que lhes foi legada pelo Senhor.

Quando essas palavras foram escritas, em meados do século I d.C., a fervorosa e

corajosa pregação do evangelho fez com que o cristianismo, então conhecido

simplesmente como “o Caminho”, crescesse exponencialmente, como constata Atos

dos Apóstolos. Contudo, seria ingênuo imaginar que as primeiras comunidades

cristãs desfrutassem de uma existência harmoniosa, intocada por más influências

externas. A igreja primitiva teve os seus problemas, e a Bíblia recorda que surgiram

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muitos impostores, falsos profetas, lobos disfarçados de ovelhas, além de
interesseiros que distorciam a mensagem da graça de Deus.

Na atualidade percebe-se que a situação não é muito diferente. Por um lado, a


Igreja de Cristo avança no mundo todo sob o estandarte da salvação pela fé; mas,

infelizmente, nem todos os seminaristas prestam atenção nas placas, nem atentam às

advertências da Palavra de Deus. Hoje em dia muitos visam a tornar a pregação um


meio conveniente para a realização de suas indignas ambições pessoais — fama,

status, poder, dinheiro e até carreira política —, assim suplantando e relegando o


mandamento do Senhor Jesus de buscar em primeiro lugar o Reino de Deus (Mt

6.33). Como afirma o teólogo asiático Vinoth Ramachandra, “Tal tipo de ‘evangelho’

[...] é simplesmente uma imagem religiosa da cultura de consumo secular em que o

homem moderno vive”. 1

Todavia, embora a tarefa do pregador seja em parte expor e corrigir erros (2Tm

3.16), não basta apenas apontar para os problemas, e não convém simplesmente
criticar as falhas dos outros. O “Ai de você” é demasiadamente fácil pronunciar;

porém, segundo o exemplo do apóstolo Paulo, cada um que ousar subir ao púlpito

deve se sujeitar ao autoexame implícito na advertência “Ai de mim se eu não pregar

o evangelho”. Parte do propósito deste livro, que teve origem numa palestra para

pastores de João Pessoa, PB, em 2006, é apresentar certas considerações para que

tal autoavaliação se torne possível.

O capítulo 1, “A natureza teológica da pregação”, oferece um panorama teológico

da arte de pregar; o capítulo 2, “A mensagem e a forma da pregação”, fortalece a

base mais teórica da obra; e os capítulos 3 e 4, respectivamente “O preparo

responsável da pregação” e “No púlpito: a realização da pregação”, também contêm

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elementos teóricos, mas sua preocupação central é fornecer ferramentas e sugestões
técnicas, e sobretudo práticas, que sirvam ao pregador que deseja progredir no

ministério de proclamação em face dos desafios da atual conjuntura.


É importante apontar as limitações desta obra dado que a Homilética,

diferentemente de outras disciplinas teológicas, não se aprende geralmente ou

principalmente por meio de livros. Para aprender a pregar, é preciso VOAR:


Ver

Ouvir
Absorver

Reproduzir

Esse acróstico ensina que se aprende a pregar através de paradigmas e dos

sentidos — vendo, ouvindo, absorvendo e reproduzindo aquilo que o fiel e hábil

pregador nos oferece do púlpito da igreja e, digamos, do púlpito da sua vida

cotidiana.
Como jovem estudante na Universidade de Oxford, tive a oportunidade e o

verdadeiro privilégio de acompanhar o ministério de um grande pregador. Bem sei o

quanto aprendi dele, e dou graças a Deus pela vida e pelo testemunho desse homem

de Deus. Ele foi o tipo de pregador dedicado inteiramente ao Senhor e à tarefa do

anúncio do evangelho, cujo sermão dominical parecia haver sido elaborado para

falar precisamente à realidade da minha vida naquela semana, e cuja mensagem

permanecia comigo durante toda a semana até o próximo domingo, quando estaria

sentado novamente com avidez para ouvir mais! A minha experiência foi também a

mesma de muitos outros membros daquela igreja.

Evidentemente existe o perigo sutil de idolatrar determinado líder, de

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superelevar um mero mortal ao status de semidivindade, semelhante ao que
aconteceu com Paulo e Barnabé (At 14). Em nosso contexto brasileiro, essa tentação

parece ser bastante comum. Hoje em dia não faltam líderes que têm uma espécie de
torcida organizada, clubes virtuais na Internet que exaltam o seu pastor. Isso nos faz

perguntar: Onde está o foco dos pregadores, das igrejas e da pregação na atualidade?

Observe que os melhores pregadores, apesar da atenção que recebam, têm certa
habilidade de se fazerem menores e de deixar o Senhor Jesus ocupar o devido lugar

no centro da existência e no trono do nosso coração. Seguindo o modelo de


aprendizagem VOAR (ver, ouvir, absorver e reproduzir), aquele que procura um

pregador experiente com quem aprender fará bem em começar a sua busca por

alguém que tenha a atitude de Paulo e Barnabé, que rejeitaram a adulação dos

homens, ou então a de João Batista, que declarou: “Convém que ele cresça e que eu

diminua” (Jo 3.30).

Com certas notáveis exceções, ninguém se torna bom pregador da noite para o
dia. De modo geral, a arte sagrada da pregação é aprendida e apreendida com o

tempo, e exige oração, dedicação a Deus, dependência do Espírito Santo, aplicação

ao estudo da Palavra, humildade, perseverança, paciência e disciplina entre outras

qualidades. Por um lado o pregador deve buscar a unção do Espírito, mas nada

substitui o fruto do Espírito operante no seu viver.

Richard Baxter (1615-1691), escritor e pastor puritano inglês, dizia que o

importante não é a leitura de muitos livros, mas a de alguns poucos bem escolhidos.

Assim, que este livro esteja entre os valiosos, e que Deus tenha misericórdia de nós

para que o sirvamos de forma digna, perante os desafios da nossa era.


*************
1 A NATUREZA TEOLÓGICA DA PREGAÇÃO

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UMA ARTE SAGRADA
A oratória é denominada adequadamente de arte. Cremos, porém, que a pregação

é arte sagrada, pois diferente dos discursos e das lecções, que têm como objeto e
objetivo o saber e as palavras dos homens, a pregação lida com a Palavra de Deus e

a nova ordem do Reino dos Céus. Em outras palavras, “lecção visa esclarecer a

mente; pregação procura mudar a vida”. 2

Ousamos afirmar que a pregação, em tese, é instrumento divino, e que a princípio

deve ser apreendida e aceita como tal. Contemplar a pregação sob outra ótica
qualquer seria arriscado, como advertiu o teólogo Richard Hooker no século XVI:

“Se não considerássemos a pregação como ordenança bendita de Deus — sermões

como as chaves do céu, como asas da alma, alimento saudável e cura para mentes

doentias — injuriaríamos gravemente tão digna parte do serviço divino.3

É necessário, em outras palavras, conceber a pregação em termos espirituais,

contemplá-la com os olhos da fé e compreendê-la dentro do contexto da revelação


divina e do plano da salvação. A postura do pregador, portanto, é de fé; fé no poder

transformativo de Deus, fé na relevância contemporânea da Bíblia e fé na eficácia da

mensagem do evangelho para salvar e mudar vidas.

Quando estudamos a história da igreja primitiva — o impressionante crescimento

da comunidade cristã como resultado da pregação apostólica — lembremos com o

apóstolo Paulo que a maioria daqueles chamados não era nem sábios, nem

poderosos, nem nobres (1Co 1.27). O currículo daqueles que primeiro foram às

praças públicas, às ruas e ao fórum romano para proclamar Jesus Cristo como

Senhor e Salvador não teria impressionado muita gente; todavia, esse bando eclético

de ex-pescadores, ex-cobradores de impostos e ex-revolucionários foi responsável

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pela evangelização de milhares de pessoas e pela fundamentação da Igreja cristã.
Sem querer diminuir a importância do papel do Espírito Santo no avanço do

evangelho nesse período, afirmamos que a seriedade com que os apóstolos levaram
a pregação contribuiu em grande medida ao êxito obtido.

De maneira semelhante, sempre havia nos grandes avivamentos históricos do

cristianismo indivíduos e grupos absolutamente convencidos do poder divino que se


manifesta na e através da pregação. Por exemplo, George Whitefield (1714-1770),

John Wesley (1703-1791), John Berridge (1716-1793) e tantos outros grandes


pregadores do Avivamento Inglês do século XVIII jamais teriam viajado por aquele

país inteiro pregando nas igrejas, nos campos e nas feiras das vilas e cidades se não

tivessem acreditado no caráter essencialmente divino dos seus empreendimentos.

Por outro lado, se pensarmos sobre a pregação apenas em termos humanos, é

bastante provável que os efeitos dos nossos sermões se limitarão à esfera humana.

Mentes podem ser temporariamente persuadidas, mas almas não serão


verdadeiramente convertidas a Deus; consciências se doam durante alguns instantes,

mas corações não serão conquistados para Cristo; ânimos se despertam em virtude

do discurso eloquente do pregador, mas vidas não serão verdadeiramente

transformadas pelo Espírito Santo. Descobriremos eventualmente que o pão que

estamos oferecendo ao povo falta o fermento da vida, falta o sabor do sagrado, falta,

enfim, exatamente os ingredientes que as multidões espiritualmente famintas

necessitam.

Não pode ser assim. Quando anunciamos as boas novas de Jesus Cristo,

precisamos acreditar tanto na afirmação que a Palavra não volta vazia quanto na

promessa que Deus é capaz de fazer muito mais do que imaginamos. Como o

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arcebispo Thomas Cranmer afirmou, citando a Vulgata (a versão latina da Bíblia):
...a palavra de Deus é luz, lucerna pedibus méis verbum tuum (Sua palavra é

luz para meus pés): é alimento; non in solo pane vivit homo, sed in omni verbo
Dei (Não é somente pelo pão que vive o homem mas por todas as palavras de

Deus), e, é fogo; ignem veni mittere in terram, et quid volo, misi ut ardeat?

(Eu vim para lançar fogo sobre a terra e bem quisera que já estivesse a arder.). 4

Luz, alimento e fogo. Antigamente, nos centros históricos da cristandade, houve

convicção singular quanto ao poder transformador da pregação da Palavra de Deus.


Atualmente, porém, a maré alta do secularismo tem provocado a erosão das

fortalezas tradicionais, e na Europa Ocidental, por exemplo, os púlpitos passam por

uma crise de confiança. O pregador começa a temer que o evangelho não esteja

relevante ao homem moderno, e ao tentar moldar a mensagem ao gosto da sociedade

pós-moderna, cai facilmente no liberalismo teológico e deixa de pregar o que a

Bíblia de fato diz.


Já na América Latina, e no Brasil, esse problema — embora detectável — não

seria o principal. Aqui a dificuldade é menos de confiança; trata-se, em linhas

gerais, de uma questão sobre motivação e, crucialmente, autoridade. Onde o

personalismo fala mais alto do que a mensagem do Reino, onde o ministério se

transforma em mera profissão, não existe verdadeira autoridade espiritual, e a

pregação deixa de ser uma arte sagrada. 5

Conforme J. I. Packer, a pregação é um processo sobrenatural através do qual

Deus nos profere lições sobre si. Segundo Packer, existe quatro sinais da verdadeira

autoridade na pregação:
1. A Bíblia fala.
2. A congregação é estimulada a encontrar-se com Deus.
3. A pregação é prática, centrada na vida real e perspicaz.
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4. A presença e o poder de Deus são experimentados.6
Esses sinais podem ser considerados princípios norteadores para o

pregador e a sua pregação. Neles está implícita a virtude dourada do ministro


cristão: a humildade. A leitura das biografias dos maiores pregadores da

história do cristianismo impressiona pelas declarações transparentes que


mostram quanto que esses homens estavam cientes da sua imperfeição intrínseca

como pecadores e quanto dependiam da graça e da misericórdia de Deus para


executar o ministério da pregação. Tais declarações ecoam o sentimento do

apóstolo Paulo de ser “o primeiro dos pecadores” e se assemelham ao

pronunciamento de João Batista: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo

3.30). George Whitefield, por exemplo, chegou a afirmar: “Que o meu nome

seja esquecido, que eu seja pisado pelos pés de todos os homens se assim Jesus

for glorificado. Não me interesso em quem seria o maior, conheço meu lugar, a
saber, ser o servo de todos”. 7

A verdadeira autoridade na pregação é oriunda da humildade do pregador

diante de Deus. Os missionários estrangeiros que primeiro trouxeram o

Evangelho ao Brasil, adeptos da teologia reformada, como Whitefield, sempre

insistiram que o pregador fosse, sobretudo, servo do Senhor Jesus e submisso à

Palavra de Deus. É preciso que se tenha uma atitude reverencial perante Deus e

a Bíblia, que considera a Escritura como sagrada, divinamente inspirada e

inerrante.

Na atualidade, é raro encontrar pregadores que tenham tal visão de

submissão; pelo contrário, a Bíblia tende a ser desvalorizada e negligenciada, e


a mensagem de Deus é subordinada à agenda pessoal do ministro, estado

lamentável que deixa alguns com saudades dos velhos tempos, como o pastor

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Ricardo Gondim:
Com a igreja muito influenciada pelo alucinante ritmo da pós-

modernidade, infelizmente nossos púlpitos estão cada vez mais


empobrecidos. Pastores animam seus auditórios com frases de efeito,

contentam suas igrejas com mensagens superficiais e sem beleza. Sinto

saudade de pregadores eloqüentes, argutos: que saibam combinar a lógica


com a emoção, a força profética com a doçura poética, a paixão com a

lucidez.8

Não quero ser mal-entendido: ninguém questiona o fato de o nosso mundo

ser inteiramente diferente daquele em que os nossos avós foram criados.

Igualmente, ninguém deve imaginar que o sermão pregado na igreja hoje

assumirá exatamente a mesma forma daquele pregado cem anos atrás, pois o

conhecimento aumenta, formas e técnicas evoluem, assim como os próprios

meios da comunicação à nossa disposição. Contudo, o homem atual é tão


pecador como o homem do passado, e o conteúdo libertador do evangelho

continua o mesmo, pois o próprio Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre (Hb

13.8).

Muitos pastores falam sobre a necessidade de reformar o púlpito por se

darem conta do fato de que faltam conteúdo e caráter aos pregadores atuais.

Em minha opinião, o primeiro passo em direção a uma possível reforma seria

recuperar a essência e a consciência do que estamos fazendo quando nos

levantamos para pregar. Para ser bastante claro: subir ao púlpito significa pisar

em terra santa, testificar a Verdade e interagir com o Sagrado, o mundo e o ser

humano.

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Estou convicto de que o ministro que vive com temor e tremor, atuando
como servo de Deus, debaixo da autoridade das Sagradas Escrituras, e

revestido do espírito humilde de oração, exercerá essa arte sagrada. A ousada


letra de uma velha canção pentecostal se aplicará ao seu esforço: “Ninguém

detém! É obra santa. Essa causa é do Senhor!”

UM TESTEMUNHO VIVO
O Senhor Jesus afirmou aos seus discípulos que receberiam poder no

Espírito Santo para serem suas “testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e


Samaria, e até os confins da terra” (At 1.8). A Igreja de Cristo tem conhecido o

poder da pregação como testemunho da verdade desde Pentecostes e o primeiro

sermão do apóstolo Pedro ao ar livre. A igreja primitiva testemunhava sobre o

Senhor da Vida. O nome de Jesus foi anunciado e glorificado diante dos

homens, seja pela pregação, seja pela vivência da fé, seja pelo martírio nos

anfiteatros do Império Romano.


A pregação — do púlpito ou em um contexto informal — é um testemunho

vivo e o veículo principal utilizado por Deus na comunicação da mensagem da

salvação e da nova vida em Cristo. Duas experiências pessoais ilustram o que

se afirma aqui.

Na primeira, um membro da nossa igreja havia falecido. Eu estava no

cemitério para oficiar no funeral junto com o pastor titular. À nossa frente, o

caixão ainda aberto decorado com flores; ao redor, a parentela reunida e

derramando lágrimas (como é de esperar). Sendo o velório grande, em outros

cantos havia diversos caixões e outras famílias solenemente congregadas.

Depois de cumprimentar e, na medida do possível, consolar os familiares, o

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pastor se preparou para falar. Em seguida, pregava um dos sermões mais
emocionantes, eloquentes e poderosos que eu já ouvi. Ele relembrava o grupo

de parentes e amigos da viva fé da pessoa falecida, e, em voz bastante alta e a


Bíblia na mão, anunciava as boas novas da vida eterna que há em Jesus Cristo.

Naquele local de morte, choro e desespero, da Palavra de Deus vinha uma

palavra de vida, alegria e esperança. Pouco a pouco, ouvindo aquela


mensagem, indivíduos e casais de outros enterros saíram de onde estavam e

aproximavam-se para escutar. Através da pregação, corações foram tocados,


almas confortadas e a paz de Deus fluiu como bálsamo.

A segunda experiência diz respeito a um movimento evangelístico da Igreja

Anglicana chamado “A praça da paz”. Anualmente, na época do carnaval em

Olinda, PE, milhões de pernambucanos, turistas brasileiros e internacionais

superlotam as estreitas ruas da histórica cidade em busca do tipo de alegria e

felicidade que a “festa da carne” vende. Nesse âmbito, muitas vezes depravado,
onde dominam os vícios autodestrutivos, uma dedicada equipe de cristãos

comprometidos vai às ruas para proclamar a verdade do evangelho, oferecendo

aos foliões um caminho alternativo com outro ritmo: o da verdadeira alegria da

salvação e vida em Cristo.

Das inumeráveis experiências memoráveis que presenciei nesse movimento

durante vários anos, mencionarei apenas uma: o grupo da igreja apresentou uma

peça teatral fazendo clara referência à história da cruz, seguida por uma breve

pregação do evangelho. Muitas pessoas foram tocadas pela peça e impactadas

pela mensagem, entre elas um casal jovem israelense. Junto com outro irmão,

fui até eles para conversar sobre a peça. Em poucos minutos foi possível

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explicar em linguagem simples e direta que Jesus foi o Messias profetizado nas
Escrituras judaicas, que é o Filho de Deus que morreu para nos salvar e que

vive e reina hoje. O casal derramou muitas lágrimas, abriu o coração para Jesus
naquela noite e acrescentou: “Já tínhamos ouvido alguma coisa sobre Jesus, mas

nunca imaginávamos que o encontraríamos no Brasil!”

No prólogo do Evangelho de João encontramos a seguinte afirmação: “a luz


brilhou na escuridão, e a escuridão não tinha como superá-la”. Como

pregadores, cremos que as promessas das Sagradas Escrituras são tão


relevantes hoje como dois mil anos atrás. A vitória de Cristo na cruz e no

túmulo vazio não se confina aos capítulos da história, nem ao futuro

escatológico da nova Jerusalém. Agora, na e através da fiel pregação do

evangelho, no dia-a-dia da nossa vida, a escuridão do pecado, da ignorância e

da morte retrocede, e a luz de Deus prevalece.

Nesse meio de modismos mercantilistas, não podemos esquecer que


cristianismo é vida. Como bem afirmou o poeta romanticista Samuel Taylor

Coleridge: “O cristianismo não é uma teoria ou especulação, mas vida; não se

trata de uma filosofia de vida, antes é uma vida e um processo vivo”. 9

Hoje, assim como em épocas anteriores, o poder da pregação como

testemunho vivo é evidenciado em vidas e situações transformadas pela graça

de Deus. Percebe-se que, quando devidamente ministrado e compreendido, o

sermão “oferece amor aos não amados, e justiça aos oprimidos — em outras

palavras, Deus age na e através da pregação”. 10

UM KAIRÓS DE MEDIAÇÃO

É tragicamente irônico que aquilo que os reformadores entenderam como o

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meio principal pelo qual a graça de Deus é comunicada aos homens assuma
hoje com alarmante frequência o papel do principal meio lucrativo na indústria

da fé. Ressaltamos: a pregação é arte sagrada, testemunho vivo e, como Calvino


enxergava, o principal meio da graça divina que precede, prefigura e enraíza os

sacramentos, evocando em nós a solene contemplação do sacrifício de Cristo na

cruz do Calvário. Como confirma o Catecismo de Heidelberg:


Então tanto a Palavra como os Sacramentos têm a finalidade de apontar

nossa fé para o sacrifício de Jesus Cristo na cruz, como o único


fundamento da nossa salvação? Sim, pois o Espírito Santo ensina no

evangelho e confirma pelos sacramentos que toda a nossa salvação está

baseada no único sacrifício de Cristo na cruz. 11

Além de testemunho, cremos que a pregação representa o kairós de Deus,

isto é, o momento e evento em que Deus se faz presente aos homens no poder do

Espírito Santo. De forma milagrosa, nas palavras humanas e falíveis do


pregador, a voz de Deus sussurra à alma de um amor infalível nos tons

preciosos da graça divina. Nessa convergência da vontade divina e da vontade

humana, nesse encontro, ocorre o que Daniel Larsen chama de “paradoxo da

pregação”: “O paradoxo da pregação é profundo: ‘Eu, mas não eu...’. É o que

está além de nós mesmos e vem do próprio Deus e de sua Palavra que vai

deixar pegadas na areia do tempo”. 12

Aqui, por certo, entramos no território da Terceira Pessoa da Santíssima

Trindade, a qual, conforme Charles Haddon Spurgeon, “tem uma maneira de

abrir nossa mente e as Escrituras, e por esse processo duplo nos apresenta o

nosso Senhor a nós”. Nessa ação do Espírito Santo, a Palavra de Deus penetra
13

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o coração como uma espada de dois gumes, e Jesus vai ao encontro do pecador.
Nesse encontro pessoal do ouvinte com Deus, é lançado o convite divino ao

arrependimento e à vida. Na e através da pregação, Deus nos chama de volta a


ele e nos recebe de braços abertos como o Pai na parábola do filho pródigo.

Além de ser espiritual por natureza, a pregação representa algo

profundamente ontológico e sobretudo relacional. Esse aspecto relacional tem


essencialmente dois lados: nossa relação com Deus e nosso amor ao próximo.

Se no sermão por um lado somos chamados a examinar nossa vida e retornar a


Deus, por outro lado recebemos o chamado de amar nosso próximo. Se por um

lado somos transformados pela graça de Deus, por outro lado somos desafiados

a ser agentes de transformação no mundo. Como está escrito em letras grandes

acima da saída em algumas igrejas inglesas: “Agora você está entrando no

campo de missões!”

Em toda pregação deveria ser possível detectar a presença inerente do


Grande Mandamento e da Grande Comissão de Cristo, isto é, a dinâmica

paralela do convite e do envio divino. Porém, na atualidade, a natureza

transformativa e relacional da pregação é prejudicada ao passo que, motivados

por interesses pessoais e influenciados pelo neoliberalismo do nosso mundo

globalizado, os pregadores tendem a reduzir a mensagem do Evangelho a um

apelo puramente individualista nos moldes saúde e prosperidade. Isso se faz

jogando para a plateia num sentimentalismo exacerbado onde o culto passa a

ser uma espécie de peça teatral com direito a gritaria e até palhaçada. Longe de

ser o momento de encontro profundo com Deus, a pregação vira show e acaba

num emocionalismo superficial e até artificial, despida de toda dimensão de

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koinonia (comunhão com próximo), e sem fazer menção das responsabilidades
éticas e sociais que compõem o verdadeiro e bíblico discipulado cristão.

Novamente, se coloca em jogo o caráter essencialmente relacional da


pregação. Em algumas igrejas reformadas, por exemplo, um rígido racionalismo

— que remonta ao Iluminismo Ocidental — faz com que o sermão seja visto

sobretudo como exercício intelectual, cuja meta maior seria convencer a razão
de uma série de fórmulas doutrinais predeterminadas. Tal visão representa

“aquela religião cerebral e estática que tem nenhum poder de comover,


abençoar ou dar vida”. Além de antibíblica, na medida que divorcia mente de
14

coração, frequentemente acarreta um legalismo agudo, diametricamente oposta à

mensagem da maravilhosa graça de Deus. Como adverte Ricardo Barbosa:

Esta espiritualidade que nasce da razão corre o risco de se tornar mais

teológica e menos afetiva, mais dogmática e menos pessoal, na medida em

que ela se centraliza no dogma e não na pessoa. Deus é transformado numa


ideia ou conceito abstrato com o qual eu me relaciono racionalmente. 15

Sem desconsiderar nem diminuir a importância do aspecto genuinamente

pedagógico da homilética (voltaremos a esse ponto mais adiante), é necessário

afirmar que em primeiro lugar a pregação deve ser compreendida como

momento em que a pessoa de Jesus Cristo se encontra conosco para efetuar em

nós profunda transformação e para nos enviar novamente ao mundo como

arautos do Reino de Deus.

Martinho Lutero, de todos os reformadores, parecia especialmente

consciente da natureza essencialmente espiritual e relacional da pregação. Para

Lutero, “A pregação do Evangelho é nada mais do que Cristo vindo a nós, ou

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nós indo a Ele”. Fazendo alusão às Obras de Lutero, Skevington Wood explica
16

a teologia da Palavra que está por trás dessa dimensão de encontro:

A Palavra Escrita e a Palavra Viva são quase inseparavelmente


conjuntadas, pois para Lutero, Cristo é o núcleo da Escritura. Ele chegou a

sugerir ate que a Bíblia fosse o corpo espiritual de Cristo pelo qual ele se

faz presente aos atuais crentes.


17

Buscamos, portanto, nas pegadas do grande reformador, uma visão mais

integral da pregação, em termos de um kairós de mediação, onde a


convergência paradoxal das esferas divina e humana se realize através do

Espírito Santo, onde o pregador tem o papel de intermédio ou mensageiro de

Deus, e onde Cristo se faz presente, como Senhor e Salvador. Nessa conexão,

vale citar o teólogo-mártir Dietrich Bonhoeffer, o qual ecoa os sentimentos de

Lutero: “O pregador deve ficar seguro de que Cristo entra na congregação por

meio das palavras que ele proclama das Sagradas Escrituras”. Novamente:
18

“Cristo está presente não somente na palavra da igreja, mas também como a

palavra da igreja, isto é, como a palavra falada da pregação”.19

Segundo essa linha de raciocínio essencialmente luterana, a pregação possui

caráter sacramental (conclusão que segue do próprio argumento dos

reformadores) e é devidamente compreendida como milagre e mistério

sobrenatural. Pode-se argumentar que em certo sentido ela contém dimensão

mística. É de certa forma irônico, então, que foi na Segunda Confissão

Helvética de 1566 — de cunho calvinista — que primeiro apareceu a fórmula A

pregação da Palavra de Deus é a Palavra de Deus.

Embora apreciemos o sentimento expresso tanto por Bonhoeffer quanto pela

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Segunda Confissão Helvética ante aos exageros e às distorções típicas do
pulpitismo da nossa era, tal estrita identificação talvez pareça um tanto

idealista e acrítica. Em nosso contexto, é preferível, portanto, o equilibrado


veredicto de Charles Simeon:

Os ministros [...] Se pregarem aquilo que se fundamenta nas Escrituras, a

palavra deles, se for de acordo com a mente de Deus, deve ser


considerada a de Deus. Isso é asseverado por nosso Senhor e pelos seus

apóstolos. Devemos, portanto, acolher a palavra do pregador como a


palavra do próprio Deus. 20

A sabedoria de Simeon reflete as considerações das próprias Escrituras no

que diz respeito à avaliação do ensino cristão. O apóstolo Paulo, por exemplo,

aconselha: “julgai todas as coisas, retende o que é bom” (1Ts 5.20). Ele

também adverte quanto aos últimos tempos em que aparecerão aqueles “tendo

forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder” (2Tm 3.5).


Portanto, se o pregador pregar o evangelho, a sua palavra deverá ser

recebida como a mensagem de Deus para seu povo no seu devido tempo. Mas

onde há tanta confusão teológica, como saber o que representa autenticamente

o evangelho? John Stott identifica seis aspectos centrais do evangelho:

O evangelho é cristológico. O centro da mensagem Cristã é que “Cristo

morreu pelos nossos pecados”. [...] O evangelho é bíblico. O Cristo que

Paulo proclamava era o Cristo bíblico, que morreu por nossos pecados

“segundo as Escrituras”. [...] O evangelho é histórico. Precisamos notar

as referências tanto ao sepultamento de Jesus como às suas aparições,

pois, o sepultamento atestava a realidade da sua morte, enquanto que as

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aparições testificavam da realidade da sua ressurreição. [...] O evangelho
é teológico. A morte e a ressurreição de Jesus não foram apenas

acontecimentos históricos; eles têm um significado teológico ou resgatador


[...] O evangelho é apostólico. Isso significa que é uma parte essencial da

mensagem autêntica recebida e transmitida pelos apóstolos. [...] O

evangelho é pessoal. Isto é, a morte e a ressurreição de Jesus não são


apenas história e teologia, mas são o caminho da salvação individual. 21

O fato de termos que recorrer aos fundamentos do evangelho, de


estipularmos a sua natureza e relembrarmos as suas características essenciais

mostra mais uma vez o quanto o evangelicalismo nacional e global tem perdido

a sua identidade histórica, teológica e missiológica. 22


Se pregarmos o

evangelho, experimentaremos o kairós de Deus — se e quando. Senhor tem

misericórdia de nós!

UM MANDAMENTO MISSIOLÓGICO
Na homilética, o termo grego kerygma refere-se à mensagem salvífica, ou

seja, “a fé uma vez confiada aos santos”, e essa mensagem foi confiada

justamente para que fosse proclamada no e para o mundo inteiro. A pregação do

evangelho é algo missiologicamente indispensável, e por isso está implícita na

exortação que Jesus fez aos seus seguidores na Grande Comissão: “Ide,

portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e

do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos

tenho ordenado” (Mt 28.19-20).

Não é à toa que o primeiro sermão registrado em Atos dos Apóstolos é

evangelístico e apelativo. O doutor James K. Palmer, do Seminário Anglicano


23

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de Chile, infere o seguinte: “A Igreja nasceu com a pregação, e sem a pregação,
ela morre”. Omitir do sermão a mensagem da cruz e proferir do púlpito meras
24

historinhas, contos e reflexões que, em última análise, não têm nada a ver com
a salvação em Cristo é matar a pregação e desmembrar a missão da igreja. Há

cinquenta anos Francis Schaeffer identificou esse problema dos púlpitos

referente ao declínio do cristianismo nos Estados Unidos, e desabafou:


É uma coisa horrível, um homem como eu olhar para trás e ver meu país e

a minha nação sair pelo ralo no meu tempo de vida. É uma coisa horrível
[ter de reconhecer] que há quarenta anos você passava por esse país e

quase todo mundo, mesmo os não cristãos, teriam conhecido em tese a

mensagem do evangelho. É uma coisa horrível que trinta ou quarenta anos

atrás a nossa cultura foi fundamentada no consenso cristão e que agora

somos uma minoria absoluta. 25

A minha experiência da cultura inglesa é parecida. Segundo Philip Jenkins,


o cristianismo britânico serve na atualidade como arquétipo de

descristianização, passando por um declínio de 22% (de 4,7 milhões para 3,7

milhões de fiéis de todas as denominações) só entre 1989 e 1998. A igreja e o


26

pregador que substituem a missão pela manutenção se tornam na linguagem

luterana inteiramente voltados para si, introspectivos e egocêntricos, sem

interesse real em alcançar a geração atual que se perde. 27

Em contrapartida, as pesquisas revelam que enquanto grosso modo o

cristianismo se esgota no hemisfério norte, hoje há um crescimento sem

precedentes no hemisfério sul. Na África, Ásia e América do Sul as boas novas

do evangelho estão alcançando milhões de pessoas, e isso porque existe plena

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consciência do elemento missiológico da pregação. Todavia, nem todos estão
sempre tão dispostos a reconhecer a primazia da pregação na missão da Igreja.

A partir da década de 1960, com o impressionante crescimento da Teologia


da Libertação na América Latina, e posteriormente no estrangeiro, surgiu em

alguns setores certo questionamento quanto à prioridade da proclamação

audível do evangelho nos moldes tradicionais. Ao combater uma forma de


cristianismo bastante individualista e acomodada, influenciados por uma

escatologia realizada (a esperança do evangelho reserve-se ao tempo presente)


e aproveitando-se das ferramentas críticas do marxismo, alguns teólogos

passaram a defender uma prática religiosa que se voltava inteiramente para a

esfera da ação social. Dessa forma, negavam, ou pelo menos relegavam, a

importância da pregação da Palavra de Deus na sua dimensão soteriológica.

Embora seja uma simplificação, percebe-se que, em parte, a conscientização

substituiu a conversão.
Tal polarização — da proclamação audível do evangelho do engajamento

social da igreja — perpetuada até hoje em certos círculos, representa, na

verdade, uma falsa dicotomia inteiramente desconhecida às Escrituras

Sagradas. A vida e o ministério de Jesus Cristo se caracterizaram pela

proclamação verbal do evangelho e através de ações concretas no seu cotidiano

(a prática do evangelho). Ressaltamos que não bastam meras palavras nem

ações dissociadas do anúncio kerygmático: a preocupação de Jesus foi tanto

com a condição presente e material das pessoas no seu dia a dia quanto com a

condição eterna e espiritual no que diz respeito ao destino da alma. Segue,

portanto, que a proclamação audível do evangelho e a prática da fé em termos

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de ações (especialmente a chamada social) são componentes complementares e
inseparáveis do anúncio do Reino de Deus.

Assim, afirmamos que a verdadeira teologia e missão integral reconhecem


ambas: a relevância e a urgência da tarefa evangelística da pregação. Estas se

resumem neste apelo do apóstolo Paulo: “Como, porém, invocarão aquele em

quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como
ouvirão, se não há quem pregue?” (Rm 10.14).

Essas francas palavras do apóstolo funcionam como corretivo tanto para a


lógica fria do fundamentalismo hipercalvinista (já que Deus escolhe os seus,

qualquer iniciativa evangelística torna-se supérflua) quanto para a visão

ultrarreducionista dos teólogos liberais (já que as antigas categorias

soteriológicas devem ser traduzidas em termos exclusivamente existenciais, o

evangelismo em si torna-se obsoleto). Contra todo dogmatismo farisaico e todo

ceticismo antievangelical o pregador recorre à sua suprema fonte, as Escrituras


Sagradas, e se apoia nas suas afirmações, como a seguinte do profeta Isaías:

“Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que

faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a

Sião: O teu Deus reina!” (Is 52.7).

UM IMPERATIVO ECLESIOLÓGICO

Em um mundo obcecado pelo consumismo, e numa época caracterizada pelo

individualismo e o relativismo extremado, ocorre algo que se pode chamar da

mundialização da igreja. Há uma inversão de valores. Em vez de ser agente de

transformação no mundo, a igreja é transformada pelo etos secular que a invade

e contamina. Em vez de resistir ao conformismo com este século (Rm 12.2) por

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falta de base teológica e por ter perdido sua identidade histórica como Igreja
una, santa, apostólica, católica e reformada, a igreja deixa se levar pela onda

secularista e acaba se conformando com os padrões éticos e morais da filosofia


popular.

Onde há essa inversão de valores não é de surpreender que existam aqueles

que transformariam as Ordens Sagradas numa simples carreira, e o sermão em


uma tarefa rotineira semanal. Tais pessoas, segundo Joel Beeke, são:

“‘pulpiteiros’, ao invés de pregadores; atores, ao invés de aplicadores [da


Palavra]; egocêntricos, ao invés de teocêntricos”. 28

Em meio a tantos abusos, exageros e distorções é preciso recordar que

desde o reformador escocês John Knox, no protestantismo a fiel pregação da

Palavra, a disciplina cristã e a administração correta do batismo e da Ceia do

Senhor têm sido reconhecidas como as marcas da Igreja. Conforme esse tríplice

esquema, a pregação da Palavra de Deus exerce uma clara função eclesiológica


no que diz respeito à preservação da sã doutrina e a alimentação espiritual da

igreja.

Já no século XIX, o bispo Ryle, atribuindo autoria diabólica às

pseudodoutrinas da sua época, afirmava:

A Palavra exposta e desdobrada, a Palavra explicada e reaberta, a Palavra

compreendida pelo intelecto e aplicada ao coração — a Palavra é a arma

especial com a qual o Diabo deve ser confrontada e superada. A Palavra

era a espada manuseada pelo Senhor Jesus durante as tentações. [...] A

Palavra é a arma que seus ministros deveriam utilizar na atualidade se

resistissem o Diabo. 29

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Observe-se que para Ryle a eficácia das Sagradas Escrituras em defender a
ortodoxia e em combater as heresias depende não apenas do estudo racional

delas, mas de sua aplicação ao coração. Se o mero intelectualismo teológico


não tinha lugar na pregação apostólica, ele tampouco tem lugar na pregação

atual. G. K. Chesterton descreveu esse intelectualismo como “luz sem calor” e

“uma luz secundária refletida de um mundo morto”. Pode-se afirmar que o


gnosticismo combatido pela igreja primitiva foi uma manifestação dessa luz

secundária. 30

Longe de operar apenas na esfera abstrata de ideias, consoante com os

termos da Grande Comissão, a pregação tem função didática e pedagógica, isto

é, procura identificar e aplicar as verdades do Evangelho à situação concreta da

vida do indivíduo e da congregação. Em última análise, segundo o ensino

neotestamentário, sabe-se que é o Espírito Santo de Deus que convence do

pecado e que guia na verdade, e de fato só Deus é capaz de penetrar o coração


e efetuar douradora transformação. A tarefa do pregador, no entanto, é falar a

verdade de Deus em um mundo de mentiras, e pela sua aplicação prática da

Palavra, fornecer as condições em que o encontro transformativo com o

Espírito de Deus suceda.

O pregador, portanto, se envolve em um processo pedagógico à medida que,

com ajuda do Espírito de Deus, ensina e contextualiza a sã doutrina contida nas

Escrituras Sagradas, visando à aprendizagem nos níveis intelectual, emocional

e espiritual. Sem querer me tornar demasiado repetitivo, creio que se faz

necessário alertar que o sermão — em circunstância alguma — deveria ser

tratado como se fosse uma forma alternativa ou superior de escola dominical.

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A escola bíblica e o estudo da Palavra de Deus em pequenos grupos, ou células,
têm o seu lugar, a sua metodologia e a sua finalidade. A finalidade da pregação,

tal como a sua metodologia, é outra, onde o dinamismo no Espírito Santo


conduz a igreja ao encontro pessoal com o Senhor Ressurreto. Digamos, de

passagem, que tal observação implica que há algo inerentemente errado com o

modelo prevalente de escola dominical nas nossas igrejas, a saber, a tendência


a engajar-se num mero exercício racional — mas esse problema não é o objeto

deste livro.
Outro perigo que me sinto obrigado a apontar aqui é o do personalismo. Já o

mencionamos, mas agora se torna especialmente relevante. É natural que essa

seja uma tentação de primeira ordem para o pregador, poistoda semana esse

ocupa uma posição exaltada no púlpito, se não literalmente, então

figurativamente, de onde comanda a atenção de uma plateia em ininterrupto

monólogo. Mas existe um antídoto para o personalismo.


Afirmamos que a pregação está relacionada com a preservação da sã

doutrina e a aplicação desta à congregação. Implícito nisso é a ideia de que o

pregador é servo — primeiro de Deus, e segundo da igreja. Essa dupla lealdade

e responsabilidade é claramente presente no ministério do apóstolo Paulo, o

qual se apresenta nas suas epístolas como “apóstolo” ou “servo” de Cristo a

favor da Igreja. Entre diversos textos que ilustram isso, há o seguinte da

epístola aos Colossenses: Agora me alegro em meus sofrimentos por vocês, e

completo no meu corpo o que resta das aflições de Cristo, em favor do seu

corpo que é a igreja. Dela me tornei ministro de acordo com a

responsabilidade, por Deus a mim atribuída, de apresentar-lhes plenamente a

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palavra de Deus (Cl 1.24-25).
Para o apóstolo Paulo, o ministro do evangelho tem de exercer a diaconia,

isto é, o pregador está a serviço de Cristo, e simultaneamente a serviço da


Igreja. Como comentamos, desde a era apostólica até os dias atuais a igreja lida

com o problema do charlatanismo, com aqueles que intencionam aproveitar o

ministério para usurpar poder e gerar lucro. Todavia, existe uma dificuldade
mais sutil que diz respeito àqueles pregadores — até sinceros e bem

intencionados — cuja personalidade tende à auto-obsessão e cuja inclinação a


centralizar é essencialmente inconsciente. As pregações dessas pessoas

geralmente dizem mais sobre elas mesmas do que de Deus e o seu Reino.

Killinger explica:

Alguns pregadores, aparentemente tão impressionados pelas próprias

qualificações acadêmicas ou pelos trajes do ofício, acreditam de forma

inconsciente que a pregação existe para o seu usufruto, como sublime


justificativa por pontificar na frente de centenas de pessoas. 31

Repito: essa é uma tentação comum aos pregadores e uma armadilha em que

todo e qualquer deles podem cair, e é uma para a qual todos deveriam atentar

para não serem pegos de surpresa. O antídoto é manter o foco no Senhor Jesus e

preservar a humildade — característica primordial do servo do Senhor. Mais

concretamente, é importante receber feedback de uma pessoa de confiança,

talvez um mentor, que possa criticá-lo de forma construtiva e alertá-lo quando o

perigo do personalismo ameaça comprometer os sermões e o ministério.

Afirmar que a pregação é um imperativo eclesiológico é afirmar que a

pregação é direcionada para o crescimento e fortalecimento da igreja de Cristo

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na verdade do evangelho. O pregador que se coloca a serviço da congregação
conhecerá as suas ovelhas, assim como o bom pastor. Desse conhecimento (e

não apenas o dos livros) o pregador terá os recursos básicos e o material para
os seus sermões. Para citar Killinger novamente:

A verdadeira pregação é oriunda da sessão pastoral, das reuniões com os

fiéis, da visita, do encontro casual num restaurante ou numa loja. [...] Ela
relaciona o evangelho às situações humanas num vai e vem como o da

maquina da tecelagem. A pregação que não o faz não é verdadeira


pregação. Não tem compreendido a natureza do Evangelho. 32

Por mais tentador que seja o pensamento (para uns é mais tentador que para

outros!), o pregador responsável não pode viver encarcerado dentro do seu

gabinete rodeado de livros! Para combater o bom combate e minimizar os

efeitos da mundialização da igreja ele precisa interagir com o povo de Deus,

precisa ouvir as pessoas, precisa orar com elas, conversar, rir, chorar com elas.
A sã doutrina não existe num vácuo. A igreja (a comunidade, o povo de Deus

reunido) só vai crescer e amadurecer na sã doutrina quando o pregador souber

com quem está lidando, e quais as necessidades existenciais e espirituais da sua

comunidade. Afinal, a pregação tem de ser arraigada na prática pastoral e,

sobretudo, na intercessão.

UMA VOCAÇÃO PROFÉTICA

A palavra “profética” é polissêmica, sendo empregada em diversos

contextos com significados distintos. Portanto, é importante distinguir entre as

categorias; estamos cansados de ver pastores e pregadores centralizadores do

tipo dominador e autocrático, se autointitulando “profeta” ou então “apóstolo”,

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e logo concordamos com John Stott, quando ele afirma no seu livro O perfil do
pregador:

...o pregador cristão não é um profeta. Ele não recebe nenhuma revelação
original; sua tarefa é expor a revelação que já foi definitivamente dada. E

embora pregue no poder do Espírito Santo, ele não é “inspirado” pelo

Espírito no sentido em que os profetas o foram.33

Aqui fazemos uma distinção sutil: o pregador não é um profeta no estrito

sentido da palavra, mas não deixa de exercer um papel profético à medida que
sua mensagem e postura se assemelham àquela tradição fiel, atestada tanto nos

arquivos bíblicos como históricos da Igreja, de homens e mulheres zelosos que

buscaram a justiça de Deus incessantemente, apesar dos obstáculos.

Cristo é o Senhor do Universo. O seu Evangelho tem de ser proclamado, os

valores do Reino de Deus têm de ser vivenciado e anunciado, e os valores

pervertidos deste século encarados, enfrentados, desmascarados e denunciados


aberta e publicamente. A verdade tem de ser declarada, e a mentira precisa ser

exposta. Essa dimensão radical da pregação é a que poderíamos chamar, no

sentido abrangente, de profética — o que não concerne a alguma revelação

nova, nem à predição de eventos futuros.

Quando falamos da dimensão profética da pregação, temos em mente dois

aspectos complementares: a mensagem em si e a forma corajosa pela qual a

mensagem é transmitida. Percebe-se que existe toda uma linhagem a ser levada

em consideração. A começar, em termos tanto da mensagem como da forma pela

qual ela foi passada, recordamo-nos dos anúncios e das denúncias dos profetas

no Antigo Testamento, que prefiguravam Jesus e a sua missão aos pobres na

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periferia da sociedade israelita. Essas figuras, com intrepidez e audácia,
apontavam para os abusos cometidos pelas autoridades governamentais de

Israel e outras nações, de ordem espiritual (a idolatria), política (a usurpação e


o abuso de poder, e a megalomania), e material e social (a exploração

econômica dos fracos e a injustiça). 34

Dos muitos exemplos bíblicos que poderíamos citar, o profeta Amós é uma
voz que precisa ser ouvida no contexto político brasileiro, como Júlio

Zabatiero já destacou. 35
Através da sua infatigável pregação contra os
governantes corruptos e negligentes de Israel, Amós defendeu os direitos dos

marginalizados e oprimidos, condenando os crimes da elite em nome de Deus.

Veja os seguintes exemplos da denúncia do pastor de Tecoa:

Ouvi esta palavra, vacas de Basã, que estais no monte de Samaria,

oprimis os pobres, esmagais os necessitados e dizeis a vosso marido: Dá

cá, e bebamos. Jurou o Senhor Deus, pela sua santidade, que dias estão
para vir sobre vós, em que vos levarão com anzóis e as vossas restantes

com fisga de pesca. [...] Vós que converteis o juízo em alosna e deitais

por terra e justiça. [...] Aborreceis na porta ao que vos repreende e

abominais o que fala sinceramente. Portanto, visto que pisais o pobre e

dele exigis tributo de trigo, não habitareis nas casas de pedras lavradas

que tendes edificado; nem bebereis do vinho das vides desejáveis que

tendes plantado (Am 4.1-2; 5.7,10-11).

O ousado discurso do profeta, enraizado nos conceitos da justiça e retidão

de Deus — mesmo dirigido no seu contexto original às autoridades de Israel do

século VIII a.C. — é de extrema relevância para uma série de questões

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modernas de cunho político, como a reforma agrária, a desigualdade social, a
má distribuição de renda, a impunidade etc.

Aqui se faz necessário abrir um parêntese para uma palavra de


esclarecimento, pois ainda existe confusão e certo preconceito no meio

evangélico quanto a questões políticas. Por um lado, se reproduz o velho (e mui

equivocado) discurso de que “o evangelho não tem nada a ver com a política”,
enquanto, por outro lado, quando se aproxima a época das eleições se propaga

o impensado e irresponsável partidarismo “irmão vota em irmão” da máquina


imperialista neopentecostal.

Sem querer cair nesse último erro — o púlpito, em circunstância alguma,

deve ser utilizado como pódio para campanhas eleitorais —, afirmamos, no

entanto, que fé em Deus sempre remete a posicionamentos conscientes e

coerentes referente a assuntos políticos, como explica o bispo anglicano e

cientista político Robinson Cavalcanti:


Sendo a atividade política algo necessário, válido e digno, os cristãos,

esclarecidos, devem se fazer presentes, interessados em gerir alguma

coisa pública (res publica), não só para assegurar os seus direitos e

cumprir os seus deveres (e os de sua família, de sua igreja, de sua

categoria profissional etc.), mas também para permear a sociedade de

valores que redundem em uma maior benefício para todos e cada um. É o

que a Bíblia nos ensina e o que a história atesta. 36

Pronunciar-se do púlpito sobre questões sociopolíticas — assuntos que

tangem ao bem-estar da sociedade — é parte do ministério do pregador, pois a

transformação que Deus efetua no poder do Espírito Santo não se restringe ao

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indivíduo, nem ao escatológico amanhã. Pelo contrário, o Reino de Deus é
inclusivo e atual; por isso, a máxima utilizada pela caridade cristã —

“Acreditamos na vida antes da morte” — era bíblica antes de tudo, inteiramente


consoante com as categorias patentes da pregação e da oração dominical do

Senhor Jesus.

Assim como os profetas do Antigo Testamento denunciaram os males


políticos e sociais do seu tempo, o pregador da atualidade também precisa

erguer a voz profética e apelar pela justiça dos desfavorecidos e lutar em


defesa dos direitos daqueles que a elite e a sociedade como um todo geralmente

não contempla. Não há dúvida de que essa dimensão tem sido negligenciada na

igreja evangélica brasileira durante muito tempo, uma omissão que a chamada

teologia ou missão integral hoje busca retificar.

Está evidente que a tarefa profética do pregador não é fácil, pois levantar a

voz dessa maneira inevitavelmente envolve certo elemento de risco. Isso é


especialmente o caso quando se trata de uma palavra de desafio dirigida à

própria congregação. De maneira geral, a mensagem dos profetas do Antigo

Testamento não foi bem-vinda, exatamente porque dizia respeito à rebeldia e

obstinação recalcitrante do povo de Deus! Dizer verdades que o povo preferiria

não ouvir, tocar na ferida da consciência — tudo isso faz parte do ministério da

pregação, como afirmava Lutero no seu comentário sobre o Sermão do Monte:

...o Evangelho ou o ministério da pregação não deve ser exercido na

clandestinidade, mas deve fazer-se ouvir no alto do monte e abertamente,

em público, à luz do dia. [...] [É necessário que o pregador] pregue a

verdade e o que lhe foi ordenado; que não silencie nem murmure, mas

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confesse sem medo e destemidamente e fale francamente, sem qualquer
acepção de pessoas e sem poupar ninguém, atinja quem e o que quiser. 37

Já no início do século XX, o teólogo suíço Karl Barth dizia algo


semelhante:

O mensageiro — [o pregador, o pastor, o homem da Igreja] — tem de

fazer valer a Palavra de Deus tanto na Igreja quanto contra ela e não é
responsável pelo fato de a Igreja também ser atingida. [Ele seria, sim,

culpado perante Deus e os homens se tergiversasse, se concedesse


contemporizações, se procurasse apresentar mensagem atenuada,

suavizada, alentadora, ao gosto do mundo...]. 38

Tanto Barth como seu amigo Dietrich Bonhoeffer levantaram a voz contra o

nazismo de Adolf Hitler. Nas pregações, eles criticaram a Igreja do Estado que

compactuou com o regime totalitário. Resultado: tentaram censurar Barth, e

Bonhoeffer foi encarcerado e enforcado em 9 de abril de 1945 por ordem direta


de Hitler. Esse exemplo de firmeza ante ao mal e a determinação de pregar o

evangelho custe o que custar nos leva ao princípio paulino de que a pregação

em primeiro lugar é para Deus: “Acaso busco eu agora a aprovação dos homens

ou a de Deus? Ou estou tentando agradar a homens? Se eu ainda estivesse

procurando agradar a homens, não seria servo de Cristo” (Gl 1.10). 39

O pregador não pode se calar nem se curvar diante das polêmicas que

surgem na sociedade e na igreja, pois ele é servo de Cristo e tem de declarar o

evangelho do seu Senhor. A vocação profética demanda que o pregador se

posicione de forma corajosa contra o mal, como arauto do bem. Não há lugar

para o escapismo dos três macacos do provérbio: os que fecham os olhos, os

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ouvidos e a boca perante o mal. Essa atitude, longe de ser um paradigma da
prudência, representa na realidade uma postura obsequiosa, omissa, e anticristã.

A posição do pregador deveria ser aquela do profeta Daniel, cuja fidelidade


a Deus fez com que não dobrasse o joelho perante os ídolos, e que não

capitulasse diante da pressão que as autoridades lhe impuseram. Deus versus

ídolos, verdade versus mentira, vida versus morte, leões versus


pseudossossego: a coragem de Daniel e a firmeza das suas atitudes e ações

fizeram com que ele permanecesse como testemunho e inspiração para muitos
durante séculos até os nossos dias.

Falamos do Antigo Testamento. Agora nos voltemos para o Novo

Testamento, onde encontramos esse espírito de ousadia, essa atitude tudo ou

nada expresso através do termo grego parrhesia. Conforme o dicionário

Strong, o campo semântico de parrhesia abrange franqueza e fala direta,

confiante e aberta. Já no mundo clássico da antiguidade, essa palavra denotava


40

o ato de falar a verdade de forma destemida, geralmente em circunstâncias de

risco ou quando a plateia estivesse indisposta a ouvir a mensagem e/ou fosse

hostil a ela. Quando o apóstolo Paulo declarou “Ai de mim, se eu não pregar o
41

evangelho”, obstinadamente determinado a anunciar as boas novas do Reino de

Deus, aconteça o que acontecer, se tratava de parrhesia. No primeiro século

d.C. declarar o senhorio exclusivo de Jesus Cristo significava necessariamente

ser subversivo e desafiar a lógica da teologia interna do sistema dominante, o

Império Romano.

Desde o tempo de Otaviano, o que se tornou César Augusto, os imperadores

romanos se consideravam divinos, se autodenominando kurios (senhor), vendo-

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se como os mestres do universo. Embora a religião romana tivesse seu panteão,
a história sangrenta dos líderes de Roma demonstra que os imperadores não

toleravam rivais. Assim, muitos cristãos tiveram que escolher: ou renunciar a fé


cristã por queimar incenso a César, ou manter a fé em Cristo como único Senhor

e Salvador e pagar o último preço no Coliseu.

Semelhante a João Batista e ao próprio Senhor Jesus, o apóstolo Paulo


incomodava as autoridades locais do império com as suas pregações contra a

idolatria, a imoralidade, a corrupção etc., e em denunciar os males da


sociedade na ágora de Atenas, Eféso e Corinto. Ele se fez pouco popular com a

elite dominante, cujas consciências devem ter doído ao ouvir o pregador expor

os seus pecados e exigir arrependimento. Para o mundo greco-romano, as

virtudes do cristianismo, como mansidão e amor, pareciam ridículos; eram

sinais de fraqueza, não de graça interior. Os romanos não costumavam virar a

outra face, e o fato de que o suposto Senhor do Universo havia sido crucificado
como um revolucionário ou criminoso qualquer era inaceitável para eles. Como

escreveu o próprio apóstolo: “Certamente, a palavra da cruz é loucura para os

que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus” (1Co 1.18).

Entretanto, contra toda oposição e todos os empecilhos, foi essa a mensagem

que o apóstolo Paulo pregou, e conforme a tradição da igreja, depois da sua

prisão no seio do império, ele teria pago o mais alto preço pela sua parrhesia,

pois as suas convicções de fé não se calariam diante das acusações do Estado.

Afinal, Jesus era o Senhor, e César, um mero mortal; o império era passageiro,

mas o Reino de Deus eterno. Paulo fez a sua escolha.

Assim como Paulo, na era patrística outros homens corajosos levantaram a

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bandeira da fé e o estandarte da salvação em Cristo, e muitos deles foram
martirizados. Entre esses encontram-se Justino de Roma (c.100-c.165),

Policarpo de Esmirna (c.70-c.160), Atanásio de Alexandria (c.296-c.373), e o


próprio Agostinho (c.354-c.430). Pensamos também no martírio durante o

período dos precursores da Reforma, homens como João Huss (c.1370-1415),

queimado vivo em Praga.


Vaughan Roberts conta que na época da Reforma protestante o rei Henrique

VIII ficou enfurecido com um sermão do bispo Hugh Latimer (1485-1555),


mandando que o pregador voltasse ao dia seguinte com uma mensagem mais

aceitável. No dia seguinte Latimer voltou e pregou o mesmo sermão, palavra

por palavra. O rei aplaudia a sua coragem e persistência — não foi essa vez
42

— mas Hugh Latimer foi queimado vivo com o seu amigo, o erudito Nicholas

Ridley (c.1500-1555) nas perseguições da rainha Maria. Ao incendiaram a

fogueira, Latimer gritou ao companheiro: “Fique firme, mestre Ridley, hoje


acenderemos uma vela na Inglaterra, que, pela graça de Deus, nunca se

extinguirá”. 43

Seja na igreja primitiva, seja na Reforma protestante, seja em qualquer outra

época, as páginas da história da igreja são repletas de pregadores conhecidos e

desconhecidos que não se calaram apesar do custo pessoal. Até hoje, em nações

distantes (e outras nem tão distantes) onde os cristãos são perseguidos, existem

aqueles que praticam a parrhesia, falando fervorosamente do evangelho e

correndo o risco de perder a vida.

Tudo isso é capaz de nos constranger, pois, diferente dos heróis da fé

citados, nós (pelo menos no momento) não corremos risco de vida quando

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pregamos o evangelho. Na realidade, pelo menos por enquanto, temos toda
liberdade de abrir a boca e declarar as boas novas de Cristo com ousadia.

Todavia, muitas vezes optamos pelo comodismo e sucumbimos à timidez infiel


e descrente.

Fica evidente que como parte da vocação profética os pregadores da

atualidade necessitam resgatar o conceito de parrhesia. Precisamos falar da


verdade do evangelho do púlpito e das praças, pois a despeito da teoria pós-

moderna que enquadra a crença religiosa como apenas preferência,


acreditamos que o evangelho é a verdade (e não uma delas, ou a verdade para

nós), e estamos convencidos de que a verdade precisa ser declarada

publicamente. De certo, a proclamação consistente e insistente da exclusividade

da salvação em Cristo tem previsíveis repercussões, como explica Gustavo L.

Castello Branco:

Se os pregadores do evangelho no contexto da modernidade foram


considerados personalidades fracas que retrocederam para a superstição,

no contexto pós-moderno são taxados de “intolerantes” e “arrogantes”,

incapazes de aceitar que existem modos diversos e igualmente válidos de

interpretar o mundo. 44

Mas é esse tipo de oposição que se espera quando o evangelho é anunciado.

Se não houver, significa que a vocação profética da pregação está sendo

omitida ou negligenciada. O evangelho autêntico sempre continha elementos

transformadores e revolucionários (cf. Rm12.2). Jesus Cristo foi ousado, ou, no

bom sentido do termo, subversivo. Para recorrer à teologia barthiana, o “NÃO”

de Deus ao “SIM” dos homens (o não de julgamento ao sim do egocentrismo e

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autojustificação da humanidade) é também subversivo. Enquanto a verdade não
se cala, os falsos profetas clamam paz quando não há paz (Ez 13.10), optando

pelo caminho do comodismo que tenta silenciar a Palavra de Deus quando ela
se choca com a sabedoria convencional.

O nosso caminho não pode ser esse. O caminho da cruz não é esse. Diante

das questões contemporâneas de cunho polêmico — como aborto, divórcio e


homossexualidade —, independente do que dirão a nosso respeito, subimos no

púlpito relembrados da linhagem vermelha dos mártires. Ai de mim se eu não


pregar o evangelho!
*************
2 A MENSAGEM E A FORMA DA PREGAÇÃO
“Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer:

Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 4.17).

No início do capítulo anterior afirmamos que a pregação tem como objetivo

transformar vidas para a glória de Deus. A pregação do evangelho é o anúncio


das boas novas, a saber: Cristo morreu na cruz para nos salvar, Cristo

ressuscitou e nele encontramos vida nova. Mas essa mensagem demanda uma

resposta da nossa parte.

Segundo Jesus, a primeira palavra da mensagem do evangelho é

“arrependimento” (do grego metanoia), uma mudança radical no interior da

pessoa, que, além de remorso e penitência, implica o abandono do antigo modo

de viver e a decisão de adotar e abraçar um novo modus vivendi. Essa atitude é

vista na seguinte oração da sétima estrofe da litania da Igreja da Inglaterra:

Concede-nos verdadeiro arrependimento;

Perdoa os nossos pecados de negligência e ignorância,

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E os pecados cometidos propositalmente;
E concede-nos a graça do Espírito Santo

Para que emendemos nossa vida conforme a tua Santa Palavra. 45

Foi essa mensagem que o apóstolo Pedro proclamava aos judeus:

“Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam

cancelados” (At 3.19). Paulo, por sua vez, escreveu sobre essa mudança radical
nas suas cartas aos gentios, explicando que o crente é “nova criatura” (2Co

5.17), e “novo homem”, “criado para ser semelhante a Deus em justiça e em


santidade” Ef 4.21).
(

O PROBLEMA COM MUITAS MENSAGENS ATUAIS

Ao que parece, o problema com muitas mensagens atuais é que lhes falta

justamente a Mensagem (com “M” maiúsculo): ou seja, a mensagem central do

evangelho da salvação pela graça mediante a fé em Cristo e a transformação no

Espírito Santo! Eu sustento que enquanto muitos pregadores escolhem textos e


temas que têm a ver com prosperidade, vitória na vida financeira, saúde,

sucesso na vida profissional etc., o próprio coração do evangelho —

arrependei-vos e crede —, o apelo ao fiel discipulado, a importância dos

sacramentos, a instrução nos valores do Reino e a santidade no Espírito Santo

está praticamente ausente da pregação contemporânea.

Não estou dizendo que os tópicos enumerados anteriormente deveriam ser

excluídos ou banidos dos sermões. É claro que podem ser tratados, contanto

que haja uma perspectiva autenticamente bíblica sobre esses assuntos evitando

os erros e excessos da chamada teologia da prosperidade. A questão, porém, é

de prioridades e objetivos, sem falar nos motivos por trás da pregação.

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Ora, numa churrascaria ninguém deixaria de fora a carne para servir apenas
os acompanhamentos; em casa ninguém prepararia um sanduíche sem o recheio;

mas, nas igrejas, os ingredientes essenciais estão cada vez mais escassos. Para
modificar a metáfora, parece existir tanta preocupação em agradar a clientela

que entradas enfeitadas e tira-gostos saborosos acabam substituindo o prato

principal. Os restaurantes fast food nunca ganharam fama por oferecer comida
saudável, e a mesma coisa pode ser dito no caso do estilo drive thru de culto,

em que falta uma alimentação espiritual substancial. Quando o sermão passa a


ser antropocêntrico, tendo como objetivo máximo entreter, falar de conversão

não faz sentido — a palavra correta seria adesão.

Em Pregação pura e simples, Stuart Olyott escreve:

As pessoas não-convertidas têm de se arrepender. Precisam ver o seu

pecado, admiti-lo, envergonhar-se por causa dele e abandoná-lo. Têm de

ser gratas pela bondade e misericórdia de Deus, e vir a Cristo, dispondo


sua mente a amá-lo e segui-lo. Precisam entender que seguir significa

viver pela Palavra dele, associar-se abertamente com o povo dele em uma

igreja que ama o evangelho e andar com ele em oração. 46

O que Olyott afirma a respeito dos não-convertidos é igualmente válido no

que diz respeito aos convertidos. Se não houver a clara exposição do evangelho

do púlpito e o chamado regular à confissão dos pecados, mesmo os crentes bem

instruídos e experientes correriam o risco de tornar-se acomodados e

infrutíferos. Onde falta o elemento de desafio inerente da mensagem de Cristo e

onde se omite a dimensão dos deveres e das responsabilidades cristãos, o povo

passa a viver na graça barata. Isso gera o seguinte efeito:

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[...] meu único dever como cristão é me ausentar do mundo durante algum
tempo no domingo pela manhã e ir à igreja para ser assegurado do fato de

que todos os meus pecados foram perdoados”. 47

A maravilhosa mensagem da graça de Deus é severamente comprometida

quando o sermão se limita ao que o sujeito mundanizado quer ouvir, e quando o

pregador se torna mais um guru da psicologia do pensamento positivo.


Preocupamo-nos muito em encher templos, mas nos preocupamos pouco com o

que estamos enchendo a mente e o coração dos congregados. Como opina


Ariovaldo Ramos, “trocamos o amadurecimento pelo crescimento”. 48

O pastor presbiteriano Hernandes Dias Lopes escreve sobre a tendência ao

puro pragmatismo que leva, muitas vezes, ao abandono do evangelho. Sobre os

pregadores da atualidade, ele afirma:

Buscam não a verdade, mas o que funciona; não o que é certo, mas o que

dá certo. Pregam para agradar os seus ouvintes e não para levá-los ao


arrependimento. Pregam o que eles querem ouvir e não o que eles

precisam ouvir. Pregam um outro evangelho, um evangelho

antropocêntrico, de curas, milagres e prosperidade, e não o evangelho da

cruz de Cristo. Pregam não todo o conselho de Deus, mas doutrinas

engendradas pelos homens. Pregam não as Escrituras, mas revelações de

seus próprios corações. 49

Percebe-se que nesse contexto — no personalismo exagerado do pulpitismo

— a personalidade do pregador acaba sacrificando a proposta da pregação no

altar do egocentrismo, e a forma acaba substituindo o conteúdo no triste triunfo

da superficialidade. Escrevendo no contexto britânico de 1971, D. Martyn

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Lloyd-Jones já se mostrava preocupado com a vitória dos meios da
comunicação sobre a substância da mensagem em si:

[...] a forma tornou-se mais importante do que a substância, a oratória e a


eloquência tornaram-se coisas valiosas por si mesmas, e, por fim, a

pregação se tornou uma forma de entretenimento”. 50

É especialmente isto o que acontece hoje: seguidores da moda aderem aos


novos movimentos e, num piscar de olhos, tornam-se pregadores que falam

indiscriminadamente em avivamento ou reavivamento. Entende-se, todavia, que


um discurso emocional e emocionante complementado por um envolvente

louvor e gritos de aleluia nunca foi, por si só, o suficiente para comprovar a

renovação de um povo no Espírito Santo de Deus. Desde a pregação do

apóstolo Pedro em Jerusalém, avivamento tem sido caracterizado por uma

mensagem direcionada ao arrependimento e o resultante quebrantamento da

multidão no Espírito Santo ao ser confrontado simultaneamente com a realidade


horrorosa do seu pecado e a realidade libertadora da misericórdia e do amor de

Deus.

Ao pregar sobre o tema “Pecadores nas mãos de um Deus irado”, em 1741,

Jonathan Edwards salientou a importância do arrependimento. O efeito disso foi

que seus ouvintes berraram com choro, caíram prostrados e se agarraram nas

pilastras da igreja, apavorados com a possibilidade de seus delitos encaminhá-

los ao inferno. Isso é muito diferente de ficar rindo descontroladamente sem

saber por que ou então rugir como um leão. 51


A convicção do pecado

acompanhado por sinais de arrependimento e transformação de caráter seriam

os verdadeiros indicadores de um avivamento genuíno segundo o padrão

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bíblico e histórico.
As reformas sociais efetuadas no auge do avivamento wesleyano atestam

que o genuíno avivamento traz transformação não apenas ao individuo, mas à


sociedade . O avivamento autêntico diz respeito ao combate do pecado, do mal

e da injustiça em todos os níveis, como bem demonstra o reavivamento

evangelical inglês dos séculos XVIII-XIX, que de certa forma culminou na


abolição da escravatura como fruto dos corajosos e insistentes protestos de

William Wilberforce.
Vários autores brasileiros questionam o suposto “avivamento” evangélico

no Brasil, alegando que as estatísticas mostram uma história enquanto a

realidade social brasileira mostra outra. 52


Sustentam que, se houvesse

avivamento genuíno nesta Nação, a transformação positiva das estruturas da

sociedade seria evidente; todavia, apesar de as pesquisas revelarem que a

porcentagem de evangélicos gira em torno de 20 a 25% da população (em pleno


crescimento), os males sociais aumentam e o estado do Estado continua a

deteriorar. Adesão não significa conversão, e conversão não significa adesão.

MENSAGEM E MENSAGENS

Creio que a ausência da Mensagem nas mensagens despachadas do púlpito é

em grande parte o fator determinante no atual triunfo da forma sobre o conteúdo

e da adesão sobre a conversão. Assim como a sociedade pós-moderna se afoga

no vazio consumista, se entrega ao relativismo absoluto e se rende ao destrutivo

neo-hedonismo, as pregações se tornam comercializadas, e os pregadores se

tornam céticos profissionais olhando cada um para o próprio umbigo. Onde

falta a Mensagem, as mensagens são ocas, sem substância, sombras pálidas da

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verdadeira pregação e, ao mesmo tempo, reflexos vivos da cultura doentia.
Aparentemente, a situação dos nossos púlpitos hoje é a de ichabod — a

glória partiu. A palavra hebraica kabod (glória) carrega o sentido de peso,


substância e conteúdo real, enquanto ichabod, por tabela, implica o vazio.

Referindo-se ao problema da crise da civilização, o abismo cultural e o vácuo

de valores na contemporaneidade, Os Guiness escreveu que “o oposto e o


antídoto à falta de substancialidade e conteúdo é glória”. O mesmo raciocínio
53

e a mesma solução é aplicável à crise dos púlpitos.


Para que haja uma mudança do status quo desanimador é preciso que a

glória do Senhor volte a radiar do púlpito brasileiro a iluminar a Nação. Para

isso acontecer é necessário, primeiro, que abramos nossa vida à glória de Deus

para que tenhamos conteúdo — o conteúdo precioso da santidade. É

necessário voltar aos princípios do cristianismo e aos básicos da fé,

precisamos orar para que a glória de Deus molde e forme nossa vida assim
como nossa pregação. É imprescindível recuperar a Mensagem pura, simples e

libertadora da cruz de Cristo. É essencial que nossas mensagens dependam

dessa Mensagem, e que elas provenham de um coração sincero, humilde,

quebrantado e disposto.

A MENSAGEM ATRAVÉS DAS MENSAGENS

É evidente que existem diversas formas de pregação (a serem tratadas mais

adiante), assim como diversos estilos homiléticos. Há todo tipo de mensagem, e

diante do pregador se desdobra um infinito espectro de textos, tópicos, temas,

doutrinas, questões atuais, situações locais e questões problemáticas ou

assuntos espinhosos para abordar do púlpito, mas todas as mensagens

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necessitam ser enraizadas na Mensagem, isto é, no solo sólido, rico e fértil do
evangelho da salvação pela fé em Cristo.

No capítulo 1 argumentamos que a pregação é uma arte sagrada, um


testemunho vivo, um kairós de mediação, um mandamento missiológico, um

imperativo eclesiológico e uma vocação profética. Tal categorização vale para

todo sermão e para todas as possíveis mensagens. Da mesma maneira,


enumerávamos uma série de princípios gerais que deveriam governar a arte

sagrada da pregação, e afirmamos, citando o célebre pregador e teólogo John


Stott, que toda pregação deveria ser cristocêntrica. Acrescentamos que a

pregação visa ao encontro com Cristo e precisa conter a dinâmica dupla

“convite” e “envio divino”, isto é, precisa levar em conta o Grande

Mandamento e a Grande Comissão.

Independente do gênero e da especificidade da mensagem, em minha opinião

a Mensagem do evangelho necessita estar inerentemente presente no sermão. As


boas novas da salvação, da graça e da misericórdia de Deus, assim como as

diretrizes referentes à conduta cristã, precisam ser anunciadas de forma

implícita e explícita em cada oportunidade que Deus nos der.

Isso não é diferente quando a pregação se baseia em algum texto do Antigo

Testamento, pois, como John Goldingay afirma:

O evangelho explícito do Antigo Testamento é que “Seu Deus reina [...]

Javé tem confortado seu povo, restaurado Jerusalém e demonstrado a sua

força à vista das nações” (Is 52.7-10; é da tradução grega dessa passagem

que o verbo euangelizomai, “trazer boas novas”, entra no vocabulário

cristão) [...] O evangelho começa no início do Antigo Testamento, passa

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por sua história e entra no Novo Testamento. 54

Embora, como Goldingay, valorizemos e respeitemos o Antigo Testamento

por tudo o que ele ensina independentemente do Novo Testamento, como


pregadores, reconhecemos e defendemos a essencial unidade da Escritura

Sagrada como um todo, reconhecemos e atestamos a qualidade linear e

consistente do plano soteriológico de Deus revelado na história com Cristo no


centro e reconhecemos e celebramos que é o mesmo Deus, o mesmo amor

divino e o mesmo Espírito que inspiraram os autores humanos dos dois


Testamentos.

Mesmo que não assuma a mesma forma, dimensão ou intensidade, o

evangelho se faz presente no Antigo Testamento como no Novo. Sem ferir a sua

particularidade, a pregação que parte do texto do Antigo Testamento não deixa

de conter elementos cristológicos, pois, o próprio Antigo Testamento antecipa,

aponta e, permitindo essa forma de expressão, praticamente grita Cristo.


Portanto, a pregação da Mensagem em mensagens baseados no Antigo

Testamento — embora exija mais labor intelectual em fazer as relevantes

conexões exegéticas — não deveria causar nenhum problema sério para o

pregador sério.

Mas o que dizer de mensagens temáticas que visam a esclarecer, por

exemplo, a ética no lugar do trabalho, ou o dízimo? E no caso de questões

atuais relacionadas ao aborto ou ao meio ambiente? É necessário apresentar a

Mensagem através dessas mensagens? E, mesmo se for necessário, seria

possível na prática?

Mesmo que nem todos estejam de acordo, minha leitura é que ambos são

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necessários e possíveis. Julgo necessário em vista da essência missiológica da
pregação, sobre a qual já discursamos, e à base da premissa teológica da

supremacia de Cristo. O apóstolo Paulo declara: “Ele é a imagem do Deus


invisível, o primogênito de toda a criação, pois nele foram criadas todas as

coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou

soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas formas criadas por ele e


para ele. Ele é antes de todas as coisas e nele tudo subsiste” (Colossenses 1.15-

17).
Confome esse antigo poema cristológico, e outras passagens afins, o
55

cristianismo postula a doutrina segundo a qual, Cristo, de forma objetiva, está

por trás e no centro do universo e da história humana. Sendo assim, creio que

sua Mensagem (o evangelho de Jesus Cristo) — percebida ou despercebida —

diz respeito às mais variadas dimensões da condição humana e, de alguma

forma, tange à totalidade da experiência humana. Subjetivamente, como


seguidor de Jesus, tenho como meta moldar cada área da minha vida conforme

os seus ensinamentos e o seu exemplo, de forma que ele esteja no centro do meu

universo e da minha história particular.

A partir desse princípio, teorizemos quanto à possibilidade de incluir a

Mensagem nas mensagens na prática, retomando os tópicos citados como

exemplos. Tanto “ética no lugar do trabalho” quanto “dízimo” são diretamente

relacionados ao discipulado cristão e à obediência a Deus — aspectos-chave

do evangelho de Cristo. Mesmo que Cristo não houvesse se pronunciado

diretamente sobre esses assuntos, recorrendo, por exemplo, ao Sermão do

Monte, a Mensagem informará a nossa mensagem.

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Igualmente, em casos de questões atuais, como o aborto e a ecologia,
descobriremos que a verdade do evangelho fala ainda hoje como realidade

presente. Mesmo que o aborto (como praticado modernamente) não seja


contemplado na Bíblia, os preceitos teológicos ensinados por Cristo sobre o

valor e o caráter sagrado da vida humana ocupariam lugar central em qualquer

sermão nessa área. Como preocupação pastoral (o pregador lida não apenas
com temas, mas com pessoas), ao tratar desse tipo de polêmica, os elementos

de arrependimento, graça divina e perdão receberiam a devida ênfase.


Novamente, é lógico que o aquecimento global não constava entre as

preocupações principais dos palestinos do primeiro século; todavia, a salvação

que há em Cristo tem clara dimensão cósmica, contempla a renovação de todas

as coisas e engloba a relação do homem ao mundo natural. Se em Cristo os

propósitos originais de Deus para a humanidade começam a ser resgatados,

retomando o princípio da mordomia, é inteiramente apropriado que a igreja dê


respostas à depredação acelerada do jardim de Deus na atualidade, como

teologia do Reino. 56

Por mais variadas que sejam as nossas mensagens em termos de forma,

estilo, temática etc., a presença da Mensagem nelas deveria ser o fio comum

que transcende as divergências e une os pregadores como servos de Cristo,

independentemente da afiliação denominacional. Afinal de contas, é a

fidelidade (ou não) das nossas mensagens à Mensagem que mais importa, pois

concerne à nossa obediência a Cristo.

AS VARIADAS FORMAS DA PREGAÇÃO

Os manuais de homilética reconhecem que há diversos tipos de sermões.

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Braga e Marinho, por exemplo, identificam três tipos: temático, textual e
expositivo; enquanto Lloyd-Jones menciona as categorias “interdependentes” de

sermão evangelístico, didático e puramente doutrinário.57 Não existe uma


categorização fixa e determinante no que diz respeito a essas formas; mas, em

consideração do contexto brasileiro, creio que aqui seja proveitoso organizá-

las em quatro grupos distintos: sermão ocasional, sermão evangelístico, sermão


temático e sermão expositivo. ( No apêndice “Modelos e Sermões, o leitor

encontrará um exemplo de cada um desses grupos, escrito na íntegra e de foram


consensada, em esboço).

Sermão ocasional

É aquela mensagem proferida numa ocasião ou num momento único e

significativo na vida de alguém, como formaturas, casamentos e funerais. Por

natureza, o sermão ocasional tem um aspecto profundamente pessoal, pois diz

respeito a um dado fato ou acontecimento na vida de um indivíduo ou grupo de


pessoas. Ao mesmo tempo, já que de certa forma essas ocasiões tratam da vida

em si, há também um aspecto universal, de modo que o sermão se destine ora

ao(s) indivíduo(s) ora aos que estão presentes em favor/apoio desse(s).

No caso do sermão ocasional, eu diria que há três elementos-chave que

devem ser observados pelo pregador: a brevidade, a objetividade e a

amabilidade. Nesses momentos, é imprescindível ter consciência do tempo. Em

tais ocasiões, as pessoas estão reunidas, primeiramente, para apoiar e

representar o parente ou amigo — não estão reunidas com o objetivo de ouvir

sermão —; por isso, é importante que o pregador seja breve; uma palavra de 15

a 20 minutos geralmente basta, 25 minutos seria o tempo máximo da pregação.

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Além da brevidade, é importante ser objetivo, fazendo menção dos detalhes
relevantes ao momento e aos que participam dele. O sermão no culto de

formatura, por exemplo, levará em conta o elemento de vitória, a sensação de


missão comprida da parte da turma, as oportunidades e as responsabilidades do

novo profissional etc. Já que essas são ocasiões em que pessoas não

convertidas estarão presentes, a mensagem deverá ser simples e de tom


evangelístico.

Por fim, pelo mesmo motivo, a amabilidade constitui um terceiro elemento


para que como representante de Cristo, o pregador deixe uma boa impressão.

Conta-se a história do pastor britânico que numa cerimônia fúnebre encostou-se

ao caixão e ameaçou a congregação assim: “Se vocês querem evitar ir para

onde ele foi (apontando em direção ao caixão), me escutem!” Geralmente, esse

tipo de discurso ameaçador só faz o povo se afastar. De modo contrário, falar

de maneira respeitosa e carinhosa (além de demonstrar amor cristão) ganhará a


atenção do auditório, e toques de humor podem ser utilizados com

discernimento.

Sermão evangelístico

É aquele que tem como propósito explícito a conversão dos ouvintes.

Naturalmente, existem diversos cenários para o sermão evangelístico: do

pregador pentecostal, que anuncia a mensagem do Evangelho aos gritos na

esquina da rua, àquele que, dentro do próprio templo, prega a salvação de

Cristo e faz apelo aos congregados, lembrado da parábola sobre o joio e o

trigo. Os sermões ocasionais, como vimos no subtítulo anterior, frequentemente

são de caráter evangelístico, e lembramos que as nossas categorias de sermão

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são fluídas e inter-relacionadas.
Existem certas igrejas cuja visão estratégica é pregar sempre sermões

evangelísticos e fazer sempre um apelo e convite para que os ouvintes aceitem


Jesus Cristo como Senhor e Salvador de forma visível e pública. Na Flórida,

Estados Unidos, visitei a Calvary Chapel, uma igreja com mais de 5.000

membros, que emprega essa metodologia com grande êxito missionário. A


igreja cresceu tanto que nos cultos dominicais a polícia rodoviária teve de

intervir para controlar o trânsito ao redor daquele local!


No meio das diversas práticas, estratégias, dos eventos e movimentos

utilizados pelas igrejas no evangelismo é possível identificar pelo menos três

elementos comuns que pertencem a esse gênero de sermão: a clareza, a

reiteração e o convite (apelo). Já que o sermão atende sobretudo aos ainda não

convertidos, é preciso empregar uma linguagem simples e transparente, despida

da verbosidade eclesiástica, que é, infelizmente, típica do vocabulário de


muitos pregadores e pastores.

Em segundo lugar, a mensagem da salvação em Cristo poderá ser uma

novidade absoluta para os ouvintes, por isso, a mensagem central do evangelho

deve ser repetida várias vezes, para que seja apreendida e bem captada por

eles. Isso se dá, é claro, não de forma monótona; antes, de maneira criativa

através de analogias e ilustrações apropriadas.

Por fim, o sermão evangelístico é por natureza convidativo. O que importa é

apresentar a mensagem do evangelho e oferecer aos ouvintes a oportunidade de

aceitá-la em oração — na frente do santuário, de pé ou sentados nos seus

lugares etc. A forma não importa, e cabe ao ministro determiná-la. O objetivo

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aqui é prover as condições necessárias para a manifestação aberta de
arrependimento dos pecados e a confissão de fé em Cristo como Senhor e

Salvador. Existe, porém, uma ressalva: que os pregadores façam o apelo sem
pressionar ou obrigar ninguém a responder, afinal, Deus não obriga ninguém a

segui-lo, e seria imprudente da nossa parte confundir entusiasmo pelo

evangelho com manipulação psicológica.


Sermão temático

É aquele que apresenta um tema específico — doutrinário ou contemporâneo


— e procura abordar e esclarecê-lo sistematicamente à luz do ensino das

Escrituras Sagradas. Enquanto alguns pregadores se limitam a uma só passagem

bíblica na elaboração do sermão temático, a grande maioria prefere aglomerar

um espectro de passagens relevantes em torno do assunto a ser tratado.

Frequentemente, a pregação temática se desenvolve semanalmente através

de séries que contêm tópicos relacionados — por exemplo: 1.º domingo: “A


perspectiva bíblica sobre amizade”; 2.º domingo: “A perspectiva bíblica sobre

namoro e casamento”; 3.º domingo: “A perspectiva bíblica sobre filhos”; 4.º

domingo: “A perspectiva bíblica sobre problemas conjugais e familiares”. Para

citar um grande pregador, em 1746, John Wesley passou a escrever a substância

dos sermões doutrinários e temáticos que havia pregado durante nove anos.

Entre os 44 sermões encontramos títulos como “Salvação pela fé”, “O quase

cristão”, “O caminho ao Reino”, “A circuncisão do coração”, “O novo

nascimento”, “O uso de dinheiro”, além de uma série de 12 sermões baseados

no Sermão do Monte. 58

Enquanto o sermão temático tem ilustres representantes como Wesley,

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pregadores e teólogos que advogam o método expositivo às vezes criticam o
sermão temático, afirmando que ele tende a iniciar com as ideias do pregador

sobre um dado assunto e que recorre ao texto bíblico somente em um segundo


momento com intuito de justificar as ideias pré-formadas. De fato, tal perigo

pode estar associado com a pregação temática, mas, como Hernandes Dias

Lopes reconhece, o sermão temático (o que ele chama de tópico) pode ser
expositivo também, contanto que seja permitido ao pensamento da Escritura

moldar o que é afirmado na definição e desenvolvimento do tema. 59

Em termos de suas vantagens, quando organizado de forma lógica, o sermão

temático é didático e prático. Embora oponentes questionem a prática de

trabalhar vários textos bíblicos ao mesmo tempo, a capacidade de reunir

diversas passagens bíblicas sobre um tema comum reforça a ideia da unidade e

coerência do ensino da Escritura e pode ser visto como virtude.

Pragmaticamente, mensagens baseadas em tópicos apresentadas em forma de


série tem certo apelo e o potencial de atrair pessoas à igreja.

Se o sermão ocasional é caracterizado por brevidade, objetividade e

amabilidade, e o sermão evangelístico por clareza, reiteração e convite (apelo),

o sermão temático é chamativo, organizado, e definitivo. É chamativo já que o

título, que anuncia o tema a ser abordado, intenciona gerar interesse da parte

dos ouvintes. Da mesma maneira, as subdivisões dentro do planejamento da

pregação deveriam ser formuladas de forma que os ouvintes queiram se

envolver com o tema.

Em segundo lugar, o sermão temático é cuidadosamente organizado —

estrutural e logicamente — para que a passagem (ou passagens bíblicas) fale

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claramente a respeito do tópico a ser apresentado. Através do texto bíblico o
tema pode ser explicado de diversos ângulos na sequência determinada pelo

pregador, o que culminará, usualmente, em uma conclusão geral e aplicações à


vida dos ouvintes.

Por fim, o sermão temático é definitivo no sentido de reunir o material

bíblico sobre algum tema e indica concretamente qual o ensino da Escritura


sobre aquele tema. Mesmo que alguns assuntos sejam extensos demais para

serem esgotados no tempo de um sermão, a pregação temática objetiva amarra


o tópico sob consideração. Sempre que pregamos um sermão temático, devemos

sentir, ao chegar à conclusão, que de certa forma estamos batendo o martelo

sobre aquele assunto, pelo menos, por enquanto.

Sermão expositivo

Segundo Hernandes Dias Lopes, a definição da pregação expositiva é

“pregar a Palavra de Deus e não sobre a Palavra de Deus”. P. J. H. Adam


60

afirma que a metodologia da pregação expositiva tende a tratar um dado livro

bíblico sequencialmente, lectio continua, do começo ao fim, o que ele

considera vantajosa por corresponder à maneira natural de se ler um livro, e

nos relembra que essa foi a prática de grandes pregadores como Agostinho,

João Crisóstomo, Zuínglio, Lutero e Calvino. 61

Em outras palavras, o sermão expositivo tem como objetivo fundamental

deixar o texto bíblico falar nos seus termos através do pregador. Russell

Champlin observa que por se basear rigidamente num dado trecho da Palavra

de Deus a pregação expositiva pode se tornar enfadonha e pedante. Todavia,


62

o mesmo autor reconhece a necessidade desse tipo de pregação para o

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crescimento doutrinário dos crentes, e entende que quando ministrado por um
pregador capaz e experiente o sermão expositivo não é enfadonho. 63

Em termos das três características definitivas do sermão expositivo, penso


que as palavras “exegético”, “sistemático” e “doutrinário” se aplicam de forma

especial a essa categoria de pregação. O sermão expositivo é por natureza

exegético, pois se detém a dada passagem do texto sagrado e visa a extrair da


mesma o seu sentido pleno. Isso não é dizer que outras formas de pregação não

apoiem no método exegético, antes, é reconhecer que a pregação expositiva é o


veículo tradicional e principal da exegese bíblica quando empregada na

homilética.

O sermão expositivo é também sistemático. Novamente, não estamos

afirmando que outras formas de pregação careçam de uma organização lógica e

racional. Estamos afirmando apenas que, por desenvolver o trecho bíblico de

forma linear — versículo por versículo, ou pelo menos, ponto por ponto —, a
pregação expositiva, por definição, é sistemática.

Por fim, entende-se que a pregação expositiva é, sobretudo, doutrinária, isto

é, visa ao ensino da doutrina teológica através da explanação de blocos de

material da Palavra de Deus. Um erro, do tipo que Champlin aponta, é supor

que pregação que envolve doutrina cristã é de natureza pedante e abstrata. É o

pregador que determina como a pregação será apresentada, e não há por que o

sermão expositivo tem de se reservar à esfera abstrata. Como veremos no

modelo desse tipo de sermão, os princípios e as lições trazidas à luz pelo texto

bíblico podem, e eu diria devem, ser aplicados de forma viva à realidade

concreta da nossa situação vivencial, passo a passo no sermão.


*************
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3 O PREPARO DA PREGAÇÃO
O ministro cristão tem grandes responsabilidades perante Deus, e seria

imprudente subestimar o peso dessas responsabilidades que afetam diretamente


a pregação. Vejamos quais são.

RESPONSABILIDADE PASTORAL
O pregador perante Deus

Recebemos um chamado de Deus, somos servos dele, e prestaremos contas

a ele pelo que fazemos e também pelo que deixamos de fazer. Os primeiros
pregadores do evangelho tinham clara consciência disso: “Meus irmãos, não

vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior

juízo” (Tito 3.1).

Para nós que somos líderes, pregadores da Palavra de Deus, é importante

estruturar o cotidiano para que haja amplo espaço para comunhão pessoal com

o Senhor. Eugene Peterson apresenta o modelo de um triângulo em que as linhas

que formam o pastorado representam sermões, o ensino e a administração,


enquanto os pequenos ângulos do triângulo representam a oração, a Bíblia e a

orientação espiritual. Para os nossos propósitos aqui, são os pequenos ângulos


64

que nos concernem, a começar com a Bíblia.

O ilustre pregador D. Martyn Lloyd-Jones afirmou: “Não existe nada mais

importante na vida cristã do que a maneira pela qual abordamos e lemos a

Bíblia. É o nosso manual, é a nossa única fonte, é a nossa única autoridade.

Sem a Bíblia, propriamente dito, não saberíamos nada sobre Deus e a vida

cristã”. 65

Para o pregador, o aspecto devocional da leitura bíblica é absolutamente


imprescindível, pois, como reconhece Richard Lischer: “A Bíblia é a fonte da

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pregação e o que sustenta os pregadores. Antes que alguém pregue um sermão
bíblico, ele precisa se encontrar com Cristo através da Bíblia”. 66

Contudo, ler a Palavra de Deus não é sinônimo de encontrar-se com Cristo:


se o pregador não se cuidar, facilmente a leitura diária se torna mecânica,

apenas mais uma coisa na infinita lista de afazeres no ritmo puxado da vida.

Para evitar que a leitura apenas entre e saia sem surtir nenhum efeito
significativo, sugerimos que se separe um tempo só para a meditação do texto

sagrado debaixo de oração, num lugar isolado onde não haverá distração
(apenas 5 minutos de leitura realizada nessas condições é mais valioso do que

15 minutos interruptos e interrompidos em que falta concentração). O uso de

livros devocionais com comentários sobre leituras bíblicas é aconselhável,

assim como a utilização de diversas versões da Bíblia para que o texto continue

sendo novo mesmo no caso do ministro experiente.

Quanto à oração, cabe a cada pregador cultivar a sua prática, mas que todos
sejam cientes da absoluta importância dessa faceta do ministério. Sem a oração

não existe comunicação com Deus, pois, como expressa Simon Tugwell: “A

oração não é mais um papel para cumprir, mais uma habilidade para adquirir,

mais um assunto para estudar para a prova: é um relacionamento, e um

relacionamento com Deus. Mesmo hoje nessa época de namoro virtual, você só

pode conhecer a alguém de verdade por estar na companhia dele...”. 67

A oração diz respeito a relacionamento com Deus, o Todo-Poderoso, fato

que deveria nos convencer da realidade do seu poder e dos seus efeitos.

Crisóstomo (345[?]-407), talvez o maior expoente da escola antioquena de

interpretação bíblica, e pregador sem par na antiga igreja oriental, deixou-nos a

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sua opinião sobre a oração na sua “Quinta Homilia” da obra Da
incompreensibilidade de Deus. Vale a pena citá-la de forma extensiva:

A força da oração extinguiu o poder do fogo, freou o furor dos leões, pôs
termo às guerras, interrompeu os combates, acalmou as tempestades,

expulsou os demônios, abriu as portas do céu, rompeu as cadeias da

morte, afugentou as doenças, repeliu as intrigas, consolidou as cidades


abaladas, afastou os flagelos vindos do alto e as ciladas armadas pelos

homens, em uma palavra, todos os perigos. Por oração mais uma vez
entendo, não a dos lábios, mas a que brota do fundo do coração. Ora à

semelhança de árvores cujas raízes penetram profundamente, mesmo se os

ventos se desencadeiam mil vezes contra elas, não se quebram nem são

arrancadas, porque suas raízes estão fortemente fincadas no chão, assim as

orações que sobem do fundo do coração, cuidadosamente arraigadas,

elevam-se ao céu com toda segurança e não se desviam por pensamentos


que a assaltem. 68

Os grandes pregadores do cristianismo foram (e são) também grandes

homens de oração, enraizados nela para reiterar a metáfora de Crisóstomo. J.

W. Alexander afirma que Charles Simeon costumava madrugar em intercessão,

e conta também como certa vez o pregador John Welsh, enquanto exilado na

França, recebeu na sua residência um frei católico, cuja superstição o levou a

acreditar que as casas de pastores eram todas mal-assombradas. As piores

suspeitas do frei pareciam haver sido confirmadas, pois durante a noite ouvia-

se uma voz a sussurrar. Todavia, a voz era justamente a do Welsh, assiduamente

em oração!69

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O terceiro ângulo, segundo o modelo de Peterson, é a orientação espiritual.
Às vezes chamado de “mentoreamento”, as raízes dessa prática salutar

remontam ao antigo cristianismo celta das Ilhas Britânicas, mas podem ser
detectadas nas Escrituras Sagradas, como no relacionamento de discipulado que

Jesus manteve com os doze e na parceria em ministério do apóstolo Paulo com

Timóteo. Trata-se do relacionamento entre um líder experiente (o mentor,


orientador etc.) e outro líder, geralmente menos experiente, onde há mútuo

apoio espiritual, uma prestação de contas e um ambiente seguro em que


dificuldades, falhas, alegrias e conquistas podem ser compartilhadas e

entregues a Deus em oração.

Embora alguns achem desnecessário esse tipo de acompanhamento, o

pregador que visa a crescer e a amadurecer procurará um orientador, e atentará

para as dicas e as críticas construtivas que tal pessoa poderá apresentar. Se

você não tem um orientador ou mentor ainda, mas acha importante tê-lo, ore e
procure alguém de confiança que seja devidamente qualificado e

suficientemente maduro para te acompanhar.

Assim como cuidamos da nossa saúde ou da manutenção dos automóveis, o

pregador necessita fazer o check-up da sua vida espiritual com certa

frequência. No livro Liderança corajosa, de Bill Hybels, existe uma série de

perguntas que nos ajuda a fazer uma avaliação da nossa vida e do nosso

ministério diante de Deus, ou sozinhos, ou no contexto da orientação espiritual,

e é uma lista que vale a pena rever rotineiramente:

Você tem se rendido suficientemente a Deus?

Você tem pedido a Deus a revelação da visão que ele tem para você,

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ou você tem pedido que ele abençoe um plano que já existe em seu
coração?

Você tem jejuado?


Você tem orado?

Você tem se aquietado e esperado por Deus em solidão?

Você tem eliminado a prática do pecado em sua vida?


Você tem expurgado as distrações e o barulho ambiental que o

impediram de ouvir o que Deus tenta lhe dizer? 70

Por fim, já que estamos tratando da responsabilidade do pregador debaixo da

autoridade de Deus, uma palavra de advertência. Jesus Cristo não tolerava a

hipocrisia, e tampouco deveríamos tolerá-la, principalmente no tocante à nossa

própria vida. O pregador precisa viver aquilo que prega. A palavra hipocrisia é

oriunda do cenário teatral dos gregos antigos, e, conforme os dicionários, a sua

etimologia e seu campo semântico abrangem pantomima, dissimulação, falsa


aparência etc. Segundo Hernandes Dias Lopes:

“Quando o pregador vive uma duplicidade, quando usa máscaras vivendo como

um ator, quando fala uma coisa e vive outra, quando há um abismo entre o que

professa e o que pratica, quando os seus atos reprovam as suas palavras, então

ficamos confusos e decepcionados”. 71

Em minha opinião, foi Richard Baxter (1615-1691) quem melhor elaborou a

temática da responsabilidade do pregador diante de Deus no seu célebre livro O

pastor aprovado, obra essa que deveria ser lida e relida por todos os que ousam

subir no púlpito. Aqui me limito à apresentação de uns poucos excertos a fim de

ilustrar aquilo que intento sustentar: “... cada qual de vocês olhe por si mesmo. Veja

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que você seja o adorador que persuade outros a serem. Certifique-se de que crê
naquilo que diariamente persuade outros a crerem”. 72

A franqueza com a qual Baxter nos desafia conduz à introspecção e à reflexão


penitente. Na atualidade, quando o ministério é considerado por muitos como

profissão, e quando o liberalismo teológico tenta distanciar a vida pessoal que o

ministro leva do ofício que exerce, as palavras perspicazes do puritano são no


mínimo inconvenientes. A advertência não poderia ser mais clara:

“É um erro patente aos olhos de todos o daqueles ministros da Igreja que abrem
grande abismo entre a sua pregação e o seu viver. Eles estudam arduamente

para pregar com exatidão, e, todavia, estudam pouco ou nada para viver com

exatidão. [...] Devemos preparar-nos tão arduamente para viver bem, como

para pregar bem”. 73

Como comentamos acima, não basta elaborar sermões eloquentes e mensagens

que movam montanhas. O pregador precisa ocupar o púlpito da vida e expor o


evangelho dele em cada instante do seu viver. Ninguém é infalível, e não imaginemos

que os pregadores são cristãos mais santos ou superiores — reconhecemos que não

é assim porque conhecemos a nós mesmos —; todavia, temos de nos esforçar

decididamente a evitar qualquer duplicidade e queimar no fogo da santidade as

máscaras que acabam com a nossa intimidade com Deus e com a nossa

credibilidade.

O pregador perante a sua congregação

Charles Spurgeon apontou um problema muito comum a certos pregadores:

“O sermão foi pregado, mas o pregador não orou pelo povo em segredo; ele

não foi em busca do povo, assim como os homens buscam as coisas preciosas,

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não chorou por eles, não tinha nenhum cuidado com eles...”. 74

Percebe-se que essa crítica é tão pertinente hoje como era no século XIX. Onde

prevalecem o personalismo e o estrelismo evangélico, é fácil esquecer que o


pregador é servo de Deus e que, no serviço do Reino, é servo — embora não

subserviente — da sua congregação.

Já que a grande maioria de pregadores está vinculada a uma dada congregação,


na qual se realiza alguma ou outra função pastoral, cabe a cada um se perguntar:

Estou orando pelos membros da minha igreja? Conheço o coração daqueles para
quem estou ministrando? Até que ponto estou preocupado com o destino final dessas

almas, e até que ponto estou interessado na realidade do cotidiano de cada?

O bispo anglicano J. C. Ryle relata o exemplo de um pregador britânico que em

outra época foi conhecido pelo zelo que tinha pelos membros da sua igreja. Ele era

tão preocupado com o estado espiritual do povo que, aos domingos, ía de bar em bar

atrás dos que se desviavam da igreja para levá-los de volta ao santuário — usando
como meio de persuasão um chicote! Embora tais métodos radicais não sejam
75

recomendáveis, a dedicação e a energia daquele pastor em literalmente correr atrás

daquelas pessoas para que se relacionassem com Deus de forma séria nos ensina

uma importante lição.

Está claro, portanto, que não há lugar para a letargia pastoral na vida do

pregador. Porém, é preciso esclarecer um ponto relevante: a preocupação com

pessoas não é a mesma coisa de preocupação com eventos e movimentos. Na curiosa

ficção de C. S. Lewis, Cartas de um diabo a seu aprendiz, onde o imaginário

cenário é de um diabo aconselhando seu aprendiz como perturbar a vida de um

crente, o sutil perigo do superativismo é exposto nos seguintes termos:

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“Ele (o crente) será nosso, contanto que encontros, panfletos, politicagens,
movimentos, causas e cruzadas sejam mais importantes para ele do que preces,

sacramentos e caridade — e quanto mais “religiosos” (nesses termos) eles


forem, mais controle teremos sobre eles.” 76

Buscamos, é claro, igrejas ativas e engajadas, mas, na atualidade, existe uma

expectativa generalizada da parte das congregações de que a igreja saudável esteja


sempre empenhada em tal evento ou em tal movimento, e, como consequência, a vida

ministerial se reduz a um ciclo perpétuo de reuniões e encontros. De repente, os


ministros ficam sobrecarregados com as demandas administrativas dessas

mobilizações, de forma que as prioridades espirituais e pastorais se afoguem no

business da organização de inumeráveis e intermináveis reuniões. Enquanto isso,

voltando-se com júbilo para a oba-oba, o povo perde o gosto pelo estudo diligente

da Palavra de Deus e a vida devocional cai por terra.

O superativismo é duplamente perigoso. Ele desordena as prioridades


ministeriais (a pregação da Palavra de Deus, a ministração dos sacramentos, a visita

pastoral, o trabalho pastoral nas escolas, nos hospitais e presídios e o socorro aos

necessitados) e desfoca a verdadeira vocação pastoral. Além disso, o fato de o

ministro passar tanto tempo na igreja envolvido com os afazeres dos movimentos,

das causas e das cruzadas pode criar nele a falsa sensação de que está cumprindo os

seus deveres e as suas responsabilidades pastorais quando, na verdade, estas estão

sendo negligenciadas.

É assim que C. S. Lewis emprega a palavra religioso negativamente em Cartas

de um diabo a seu aprendiz, e vale lembrar nessa conexão que os responsáveis pelo

superativismo na época de Jesus foram os fariseus, que estavam convencidos de que

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eram justos perante Deus por conta da sua latente religiosidade; contudo, na
realidade, eles haviam perdido a visão e a vocação pastoral e endurecido o coração.

A vitalidade de uma igreja não se mede simplesmente pelo número de eventos e


do tamanho dos movimentos que realiza, nem somente pelo número de fieis. É

instrutivo levar em consideração a confissão do pastor Bill Hybels, fundador da

Igreja Willow Creek, que conta com mais de 20 mil membros: “Nós cometemos um
erro. O que deveríamos ter dito e ensinado às pessoas quando elas atravessaram a

linha da fé e se tornaram cristãs é que devem tomar responsabilidade para se


nutrirem. Nós deveríamos ter cuidado das pessoas, ensinando-as a ler suas Bíblias

entre os cultos, bem como praticar suas disciplinas espirituais mais agressivamente,

de forma individual”. 77

O artigo no qual essa citação aparece afirma então que Hybels havia apostado em

programas e eventos, quando o que faltava era o simples feijão e arroz de um sólido

discipulado. O ativismo eclesiástico e evangelístico é bem-vindo, celebramos a


existência de igrejas que crescem em número e maturidade, mas o superativismo

deve ser evitado, custe o que custar. Em vez de centralizar as funções da igreja, é por

meio da prudente delegação e do trabalho em equipe que o pastor e pregador protege

a sua verdadeira vocação, reservando-se assim para a obra espiritual da pregação,

da intercessão, da administração dos sacramentos, da instrução e da caridade.

RESPONSABILIDADE TEXTUAL
Exposição bíblica: a escolha do texto

O sermão não surge do nada, nem tampouco da mente do pregador. Quando Jesus

pregou a sua homilia mais famosa, o Sermão do Monte, o seu ponto de partida era

justamente o texto do Antigo Testamento. A plataforma de toda pregação é o texto

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bíblico, e todo sermão precisa se basear e se enraizar nele para que haja uma
verdadeira exposição da Palavra de Deus e não um mero discurso sentimental ou

“historinhas”. Como salienta o teólogo alemão Von Rad: “Os textos bíblicos devem
ser pregados em toda circunstância, custe o que custar. O povo pelo qual somos

responsáveis necessita disso para a vida (e para a morte)”. 78

Ao seguir o tradicional calendário litúrgico, as grandes e históricas


denominações cristãs formularam seus respectivos lecionários em sintonia com as

festas cristãs. Na Igreja Anglicana, por exemplo, as chamadas Quadras — do


Advento, do Natal, da Epifania, da Quaresma, da Páscoa, de Pentecostes, da

Ascensão e da Trindade — são pontos de referência litúrgicos conforme os quais as

leituras bíblicas do lecionário são organizadas. É evidente que em tais igrejas onde

existe um roteiro de leituras esquematizadas a tarefa da seleção do texto é eliminada,

a não ser que, por algum motivo, o ministro opte por substituir as leituras prescritas

do dia com outra(s).


Muitas igrejas, porém, não desfrutam dessa ferramenta. Como, então, selecionar

o texto bíblico nesse caso? Primeiramente, deve-se entregar o assunto a Deus em

oração, pedindo a iluminação do Espírito Santo. Em segundo lugar, deve-se buscar

um trecho apropriado, dependendo, é claro, da ocasião e do propósito do sermão.

Por exemplo, o sermão evangelístico que visa à conversão dos ouvintes se basearia

em um tipo de texto, enquanto o sermão que trata, digamos, da disciplina eclesiástica

(para os convertidos), enraizaria em outro texto ou textos

No caso de o pastor que prega regularmente para a sua congregação, o fator mais

importante será o pastoral. Com o conhecimento prévio das suas ovelhas e com

discernimento no Espírito Santo, o pastor procurará o texto que fale para a realidade

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do estado espiritual da sua congregação. Muitas vezes, essa preocupação pastoral
leva o ministro a selecionar um dado livro da Bíblia que sirva como a base da sua

pregação durante um dado período.


É verdade que frequentemente o pregador selecionará um texto que Deus colocou

no seu coração, do qual o próprio pregador tem se abastecido espiritualmente. Em

princípio, não há problemas com isso. Como é sabido, o sermão é pregado


primeiramente para nós, os pregadores, conforme Deus nos norteia. Porém, ao

utilizar esse aspecto pessoal como critério para a escolha do texto, o pregador tem
de se cuidar contra a tentação de pregar em cima de uma meia dúzia dos seus textos

prediletos em detrimento de outras passagens bíblicas.

Novamente, quando se trata de um texto que Deus colocou no coração, é

importante indagar se a palavra recebida era destinada apenas para minha

edificação ou para a edificação do corpo de Cristo de forma mais ampla. Essa

cautela se faz necessário devido àqueles pregadores que acabam projetando na


congregação seus problemas e suas lutas pessoais nos sermões. Eu já ouvi a seguinte

reclamação de uma pessoa não-convertida sobre um sermão que havia ouvido: “O

ministro usou o sermão para contar todas as desgraças que aconteceram na sua vida

até agora”. Evidentemente, levar ao púlpito um texto que foi dado para edificação

pessoal pode acarretar constrangimento.

Outras considerações na escolha do texto dizem respeito aos eventos e

acontecimentos externos da sociedade e do mundo. Por exemplo, depois dos

inesquecíveis ataques em Nova York no dia 11 de setembro de 2001, pregadores no

mundo inteiro selecionaram textos que diziam respeito ao pecado, ao Maligno e ao

juízo de Deus contra eles. Em Nova York, os pregadores selecionaram textos que

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trouxessem conforto e consolo às suas congregações.
Da mesma forma, na sociedade brasileira, um dado acontecimento qualquer é

capaz de influenciar a escolha do texto. Por exemplo, na época da marcha gay em


São Paulo certos pregadores acham apropriado a seleção de passagens bíblicas que

dizem respeito à ética sexual como apresentada na Bíblia. Novamente, os

intermináveis escândalos políticos de corrupção levam alguns pregadores a buscar


na Bíblia textos que abordam a justiça de Deus e as virtudes cristãs em relação à

cidadania e ética social. Para dar um exemplo concreto, citamos o caso de Isabella
Nardoni; a morte violenta dessa menina em São Paulo, com o pai e a madrasta sendo

apontados pela justiça como autores do crime, chocou a Nação em 2009. No período

em que esse caso dominava as notícias da mídia, eu achei pertinente pregar alguns

sermões sobre a família, utilizando como base Salmo 127 e Josué 24.15.

No caso do sermão temático, o pregador procurará textos que dizem respeito ao

tema escolhido, tarefa que é facilitada hoje por vários programas de computador. Se
você não pesquisou ainda o que está disponível no mercado como recurso em termos

de software, vale a pena investir tempo e dinheiro nisso. Existem programas que

fazem o trabalho da concordância bíblica, trazendo à tona todas as referências

vinculadas a um dado assunto ao clique do mouse. Além do mais, tais programas

oferecem várias versões da Bíblia, que podem ser consultadas simultaneamente na

tela. São ferramentas que ajudam economizar tempo, e que são facilmente aprendidas

com um pouco de aplicação.

Uma vez escolhido o texto, é importante lê-lo várias vezes de forma meditativa

para que se familiarize com a substância e com a mensagem do texto. Já que muitas

vezes o pregador escolhe o seu texto na base de considerações pastorais, sociais

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etc., antes ainda de preparar o sermão, é preciso se precaver de um erro comum, a
saber, o de distorcer o texto de forma que dele explicite uma mensagem que na

verdade não se encontra nele. Esse é o erro da eisegesis, e será tratado em seguida.
Exegese x eisegesis

Como precursor de tudo o que segue aqui, afirmamos que Deus se revela através
da sua Palavra. Eis o fundamental corolário dessa verdade básica: conhecemos o

coração de Deus e os seus propósitos para a nossa vida de forma plena pela fiel
exposição do coração do texto sagrado. É justamente por isso que o apóstolo Paulo

aconselhou o jovem Timóteo: “Aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino (1Timóteo

4.13), e novamente: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para

a repreensão, para a correção, para a educação na justiça...” (2Timóteo 3.16).

De fato, há certa preguiça intelectual da parte de alguns ministros com relação ao

estudo das Sagradas Escrituras. Isso é inteiramente incompatível com o oficio e a


vocação do pregador. Tal irreverência é irresponsável, indesculpável e repleto de

perigo; basta citar a frase com que C. H. Spurgeon desafiava seus estudantes: “Para

serem pregadores eficazes, é preciso ser bons teólogos”. 79

Isso não significa que todo ministro deva ser ph.D em Teologia e especialista em

Bíblia, porém, implica que o estudo bíblico do pregador será mantido durante o seu

ministério inteiro, e que deveria ser levado com a máxima de seriedade. Portanto,

questões textuais e teológicas no campo da hermenêutica, embora complexas, não

acabam com a colação do grau no fim da carreira no seminário ou com a ordenação

ao ministério pastoral — para o pregador, pode-se dizer que essas coisas são o pão
de cada dia.

Como ensinam os mais diversos manuais da homilética, observe que para chegar

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ao coração do texto de forma responsável é necessário utilizar o método da exegese.
A exegese, do grego exegomai “extrair”, refere-se à leitura que se inicia com um

dado texto, e daí se extrai o sentido expresso pelas palavras no(s) seu(s) contexto(s).
É o exato oposto de eisegesis, o processo pelo qual leitores imputam ao texto suas

próprias ideias de forma acrítica.

Já no cristianismo patrístico, detectamos a tensão exegese x eisegesis. A escola


de Antoquia, da Síria, fundada por Luciano (240-312 d.C.), desenvolveu a sua

metodologia exegética com a finalidade consciente de corrigir o método


hermenêutico empregado pela escola de Alexandria, no Egito. Os alexandrinos, cujo

expoente mais famoso era Orígenes (185-253 d.C.), para demonstrar a

verossimilhança (coerência interna) das Escrituras Sagradas e desvelar supostos

significados espirituais e ocultos da Bíblia, empregavam uma interpretação

alegórica que tendia ao subjetivismo à medida que dependia da criatividade da

imaginação do intérprete.
Ambrósio de Milão (m. 397), adepto da metodologia alexandrina, nos fornece um

exemplo da leitura alegórica na sua obra Sobre os mistérios. Dando ênfase aos

sacramentos, Ambrósio procurou explanar o sentido oculto da narrativa do dilúvio

em Gênesis 6—9 à luz do batismo praticado e ensinado por Cristo:

A água é o elemento em que a carne submerge para lavar todo pecado carnal.

Aí fica sepultado todo crime. O madeiro é aquele no qual foi pregado o Senhor

Jesus, quando sofreu por nós. A pomba é o aspecto no qual desceu o Espírito

Santo, como aprendeste no Novo Testamento, aquele que te inspira a paz da

alma e a tranquilidade do espírito. O corvo é a imagem do pecado que sai e não

volta, contanto que se conserve em ti a observância e o exemplo do justo. 80

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Observe que ao tecer comentários que harmonizam os eventos do Antigo e Novo
Testamentos, Ambrósio mostrou a tendência típica dos alexandrinos a espiritualizar

o texto veterotestamentário, nesse caso o relato do dilúvio, o que uma interpretação


mais literal do texto não permitiria. O resultado desse tipo de abordagem simbólica

e tipológica — como nesse caso específico — é uma interpretação fascinante por um

lado, mas aparentemente fantástica por outro.


Os teólogos da escola de Antioquia questionavam o abandono da exegese que

procurava expor o sentido literal do texto — considerado por Orígenes como menos
importante do que o sentido oculto —, assim como questionavam a falta de

objetividade na análise dos alexandrinos. Não é que desacreditavam na harmonia

que existe entre os dois Testamentos, nem que negavam a existência de tipologias

(por exemplo, que Moisés fosse um tipo de Cristo); contudo, onde o Novo

Testamento não explicasse uma passagem do Antigo de forma alegórica, afirmavam

ser arriscado voltar ao texto do Antigo Testamento e extrair dele determinada


mensagem. 81

Os antioquenos, homens como Deodoro de Tarso (c. 330-c. 390) e Teodoro de

Mopsuéstia (c. 350- 428), desenvolveram uma metodologia que buscava descobrir a

intenção autoral (a humana e a divina seriam a mesma) da Bíblia para determinar o

significado do texto. Em vez de fazer especulações sobre possíveis sentidos ocultos

no texto, se esforçaram por estabelecer o significado das passagens bíblicas através

da análise do contexto histórico da narrativa.

Como explica Augustus Nicodemus, a escola de Antioquia nos deixou

importantes princípios, que são atualíssimos em virtude da tendência hodierna a

interpretar a Bíblia a partir do misticismo e das questionáveis experiências e

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revelações pessoais. Dos antioquenos aprendemos que “O melhor caminho para
evitar a subjetividade descontrolada de uma interpretação alegorista é nos atermos

ao texto das Escrituras, ao seu sentido simples e evidente”. 82

A ênfase no sentido literal e historicamente contextualizado das Sagradas

Escrituras como o árbitro do sentido do texto foi retomada a partir da Reforma

protestante. Foram os reformadores que abriram o caminho para o estudo gramático-


histórico da Palavra de Deus.

Às vezes temida ou até rejeitada em círculos evangélicos, a leitura crítica da


Bíblia precisa ser desmistificada. Enquanto no liberalismo clássico os eruditos

empregavam essa metodologia para levantar dúvidas quanto à historicidade e

veracidade da narrativa, desacreditando os milagres e a corporalidade da

ressurreição de Cristo, a metodologia crítica representa para muitos comentaristas

evangélicos uma caixa que contém ferramentas indispensáveis.

Como Bruce Chilton explica: “... textos deveriam ser lidos criticamente antes de
serem os objetos de reflexão teológica. A teologia deveria se iniciar com aquilo que

os textos de fato dizem, e não com aquilo que nós desejamos que eles digam”. 83

Novamente, o dr. D. A. Carson desmistifica o que seria essa leitura crítica:

A essência de toda crítica, no melhor sentido dessa palavra tão mal usada, é a

justificação de opiniões. Uma interpretação crítica das Escrituras é aquela que

possui justificativa adequada — lexical, gramatical, cultural, teológica,

histórica, geográfica ou de qualquer outro tipo. Em outras palavras, exegese

crítica, nesse sentido, é aquela que dá boas razões para as escolhas que faz e as

posições que adota. 84

Na verdade, onde se faz a indiscriminada rejeição da metodologia crítica, a

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igreja fica desprotegida diante das neo-heresias provenientes do neopentecostalismo,
pois os porquês pelas posturas doutrinais e apologéticas da fé cristã são

ironicamente desconhecidos por aqueles que as advogam! Joel Green faz a seguinte
distinção importante, dizendo que o problema “consiste não no estudo histórico

(crítico) em si, mas nos pressupostos que frequentemente estão por trás de tal

estudo”.85

N. T. Wright, bispo anglicano e renomado especialista do Novo Testamento,

elucida ainda mais essa questão desmascarando a suposta neutralidade


epistemológica de posicionamentos ostensivamente científicos: “Muitos métodos

‘críticos’ parecem ser ‘neutros’, quando, na verdade, encapsulam posições

filosóficas inteiras que, em si, são altamente questionáveis”. Portanto, é importante


86

que discirnamos cuidadosamente entre o exercício responsável da leitura crítica das

Sagradas Escrituras e o abuso do método a serviço de uma agenda oculta.

Repudiamos esse último, e, de modo igual, rejeitamos o anti-intelectualismo do


fundamentalismo arcaico que recusa obstinadamente levar em conta as ferramentas

exegéticas que estão ao dispor do pastor e do pregador.

Da mesma maneira, alertamos contra aqueles pregadores que interpretam a Bíblia

meramente na base de revelações alegadamente recebidas do alto. Sem se

comprometer exegeticamente com o texto, sem fazer uma leitura crítica, não teremos

como descobrir o claro ensino da Escritura (Agostinho) e tenderemos a distorcer a

passagem bíblica — mesmo que os nossos motivos e alvos estejam puros.

A leitura crítica relevante à tarefa do pregador aborda o texto bíblico como

documento de fé, mas também é capaz de levantar questões difíceis. Paul Wilson

identifica certas perguntas essenciais que emergem no processo preparativo da

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interação do pregador com o texto, sugerindo que indaguemos de todo texto bíblico o
que Deus está fazendo no ou através dos eventos da passagem. 87

Como parte desse processo, para evitar os erros de eisegesis, é preciso buscar
certa objetividade científica, ou “distanciamento”, deixando de lado — na medida
88

do possível — noções preconcebidas na tentativa de “ouvir” o texto nos seus termos.

Logo se faz necessário uma ampla consideração do contexto do trecho bíblico.


“Contexto” é uma palavra-chave em toda obra exegética.

Com o texto em mãos, a primeira questão contextual diz respeito ao gênero


literário. Para compreender o que um dado autor pretende comunicar, é preciso

identificar o gênero ou a categoria literária do texto. Assim como seria um absurdo

ler Romeu e Julieta de Shakespeare como se fosse uma comédia, ou A República de

Platão como se fosse uma tragédia, a falta de precisão na identificação do gênero do

texto poderá suscitar resultados infelizes.

Normalmente, o gênero é facilmente estabelecido — por exemplo, o livro de


Salmos pode ser classificado universalmente como “hinologia” ou “liturgia”;

Provérbios, como “sabedoria” etc. Igualmente, os “livros” escritos pelos apóstolos

Paulo, Pedro e João têm a forma de “epístolas”, embora isso nem sempre seja tão

óbvio. Tomemos como exemplo Cantares de Salomão. Seria esse a simples

celebração do amor romântico e afeição mútua que existe entre um homem

(Salomão) e a sua esposa, ou estamos diante de uma alegoria na qual o autor

caracteriza o relacionamento de Deus e Israel em termos de uma relação

matrimonial? Não é necessário resolver essa questão aqui; ela é mencionada apenas

para ilustrar o fato de que as decisões tomadas quanto ao gênero do texto

influenciarão a lógica interna da pregação e o rumo que ela tomará.

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Vale acrescentar que, frequentemente, dentro do mesmo texto, autores utilizam
diversos gêneros para surtir vários efeitos nos seus leitores — assim como num

filme dado momento nos leva a rir, enquanto em outro instante choramos de tristeza.
Na epístola do apóstolo Paulo aos Romanos (e nas demais epístolas paulinas) a

fluidez estilista do autor se manifesta na justaposição de diversos gêneros: encontra-

se homologia (3.25s; 5:8), doxologia (11.36; 16.27), exortação (6.12-13; 12.1-2) e


eulogia (1.25; 9.5), entre outras categorias. Para os propósitos do planejamento do
89

sermão, o pregador precisa estar, no mínimo, ciente das considerações referentes ao


gênero; em caso de dúvida, será prudente recorrer aos comentários bíblicos e

manuais de exegese bíblica em busca de esclarecimento. 90

Após identificar o gênero literário do texto, as subsequentes perguntas

contextuais são da ordem: Onde? Quando? Quem? Em que circunstâncias? Por

quê? Qual o tom e quais os eventos chaves? Assim como se conhece melhor uma
91

pessoa depois de perguntar sobre o seu contexto de vida, assim é com o texto
bíblico. Quando, por exemplo, começamos a conhecer alguém, os pormenores

(embora significantes) não são de interesse imediato. Em primeiro lugar, queremos

saber do quadro maior, do passado daquela pessoa, de como ela chegou onde está,

de quem ela é — enfim, queremos visualizar o todo. No preparo do sermão, do

mesmo modo, se deve iniciar com a dimensão maior do texto bíblico, lembrado de

que cada trecho tem seu lugar dentro de um dado livro, e que cada livro por sua vez

faz parte da biblioteca sagrada de 66 livros, e, notadamente, tem sua importância

peculiar como componente da narrativa de salvação.

Daí em diante, será necessário examinar o contexto mais imediato da passagem

de forma analítica, observando a importância do texto na sequência da narrativa, o

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sentido e significância dos eventos que ocorrem no texto, e os pontos principais que
lhe interessam ou lhe impressionam. A análise do contexto funciona em vários

níveis:
Contexto imediato: uma dada palavra, frase ou sentença.

Contexto semi-imediato: o capítulo, a maior parte da narrativa, o livro

bíblico.
Contexto maior: o cânon, a narrativa bíblica.

O pregador deve se esforçar para compreender o sentido da passagem conforme


os vários níveis contextuais para que assim obtenha uma ampla visão daquilo que o

autor trata. Ademais, durante os preparativos do sermão, é natural que o pregador

queira consultar os comentários bíblicos e outros livros que funcionam como

ferramentas para se informar melhor quanto às informações teológicas, semânticas,

geográficas, históricas e sociopolíticas pertinentes ao texto. Tais ferramentas têm

muito para contribuir e são imprescindíveis ao labor preparatório; porém, existem


dois perigos que se deve evitar: primeiro, o uso prematuro dos comentários;

segundo, o uso indiscriminado dos comentários.

Por “uso prematuro” dos comentários, referimo-nos à tentação de recorrer aos

livros logo no início, sem considerar o texto bíblico por si só. Isso é

desaconselhável, pois, em vez de se engajar criticamente e criteriosamente com a

Escritura a fim de discernir que tipo de sermão pregar para a sua congregação, o

pregador tenderá a simplesmente reproduzir aquilo oferecido no livro, deixando de

lado questões existenciais e espirituais no que diz respeito à congregação.

Paul Scott Wilson nos incentiva, como primeiro passo, a examinar as implicações

do texto para a nossa vida pessoal, argumentando que as nossas percepções

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pessoais, por extensão, podem ajudar outras pessoas. Novamente, isso não é dar
92

razão àqueles pregadores que se enlacem no ato de autoafirmação através de

miríades de ilustrações tiradas de suas experiências próprias (uma grande quantia de


referências pessoais é contraproducente, pois nutre o personalismo e compromete a

transmissão da mensagem do Evangelho), nem é abrir o caminho para a eisegesis;

antes, é reconhecer que certas reações e insights que nos ocorrem durante a leitura
do texto sejam compartilhadas para o beneficio dos nossos semelhantes.

A leitura dos comentários, então, não constitui o primeiro momento do preparo


do sermão, mas entra como fase secundária, com o objetivo de complementar as

impressões iniciais do pregador e suplementar com informações relevantes o

esqueleto ou estrutura básica da pregação. Por oferecerem opiniões de outros

intérpretes, introduzidos em um segundo momento, os comentários também ajudam o

pregador a avaliar a sua leitura pessoal do texto, prevenindo a imputação no texto de

mensagens e valores que não se encontram nele.


Por “uso indiscriminado” dos comentários, referimo-nos à tentação de exagerar

na quantidade de informações técnicas citadas no sermão. Como pregador, é

importante que se saiba algo dos detalhes concernentes a um dado texto; porém, o

sermão não é uma palestra em Teologia, e os fieis não precisam saber todos os

pormenores. Por exemplo, os comentários geralmente incluem informações (por

vezes extensas) sobre a data, a composição literária, a situação histórica e a autoria

dos livros; tais dados, embora importantes no âmbito do seminário teológico, em

geral, não têm lugar no sermão, a não ser que haja clara relevância a algo no texto

que precisa ser esclarecido através deles.

Seria fatal, por exemplo, iniciar uma pregação no livro de Daniel com uma

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detalhada pesquisa dos intermináveis debates sobre a composição e data do livro
etc. Assim se mataria tanto o texto como a congregação (de sono e desinteresse). O

uso indiscriminado e irresponsável dos comentários faz com que o pregador lecione
prolixamente sobre questões irrelevantes e distantes da realidade do povo. Se quiser

esvaziar a igreja é só adotar essa prática.

Por outro lado, o uso seletivo e responsável dos comentários naturalmente


enriquece e fortalece a pregação. Breves esclarecimentos históricos (extraídos e

condensados dos comentários) devem ser apropriados para fazer a associação entre
o texto e o mundo bíblico.

Para citar um conhecido exemplo, consideremos o seguinte trecho de Apocalipse:

“Ao anjo da igreja em Laodiceia escreve: ‘Estas são as palavras do Amém, a

testemunha fiel e verdadeira, o soberano da criação de Deus. Conheço as suas obras,

sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente!

Assim, porque você é morno, não é frio, nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da
minha boca’” (Apocalipse 3.14-16). Sobre essa passagem, os comentários informam

que Laodiceia era “uma estância hidromineral de águas mornas que vinham de fontes

próximas à cidade”. Esse simples dado histórico, fruto da obra arqueológica, nos
93

ajuda a entender o contexto em que a mensagem foi transmitida à igreja de Laodiceia,

de forma que compreendemos que Deus, através de João, utiliza a situação física

daquele povo para falar à sua situação espiritual.

É claro que a pregação vai além de extrair o sentido original — a intenção

autoral do texto —, pois enquanto a exegese nos ajuda a fazer pontes entre a Bíblia e

o universo físico em que ela foi escrita, o pregador tem a tarefa extra de aplicar a

Escritura à realidade vivencial dos seus ouvintes. Essa aplicação necessita a

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construção de novas pontes, o que exige do pregador uma efetiva interação
hermenêutica.

RESPONSABILIDADE DIALOGAL
As ilustrações e as aplicações do sermão

A homilética exige a interação de essencialmente três esferas: o mundo bíblico, o

mundo contemporâneo e aquele mundo específico no qual o ministro é chamado para


pregar. Portanto, embora geralmente assuma a forma de um monólogo, a pregação
94

pode ser compreendida como processo dialogal em que a Bíblia fala à realidade
atual, que, por sua vez, tem indagações e dúvidas para levar ante a revelação bíblica

e ante o próprio Deus, indagações e dúvidas antecipadas e levadas em conta no

preparo do sermão.

Como mediador desse processo, o pregador experiente consegue reunir no seu

sermão, de forma sintética, os elementos das três esferas. É capaz de passar

fluidamente do texto e do mundo bíblico para o cenário atual e vice-versa. De modo


igual, ele sabe aplicar as verdades da Palavra de Deus à situação particular em que

os seus ouvintes vivem. Nesse sentido, o pregador entende que a pregação é

fundamentalmente um exercício de “edificação de pontes”. 95

A tarefa de aplicar o sermão à vida dos ouvintes de forma clara e direta exige

conhecimento da condição humana (universal) e conhecimento da situação em que o

povo vive (particular). Conforme Jilton Moraes:

“Precisamos considerar a realidade dos ouvintes. O bom pregador estuda com

zelo o texto de sua mensagem e com amor as pessoas que o ouvirão. [...] A

exposição da Palavra de Deus no púlpito não pode ficar limitada apenas à

interpretação. Se não houver contextualização, não há boa pregação”. 96

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Essa contextualização, essa construção de pontes entre o mundo bíblico e o
mundo moderno, entre o texto e o contexto contemporâneo, leva em direção ao que

Moraes chama de cumplicidade. Jesus, no seu uso de figuras retóricas (as parábolas)
inspiradas no cotidiano do povo, mostrou-se extraordinariamente hábil na arte da

comunicação e verdadeiro Mestre da cumplicidade. Para citar Moraes novamente:

A cumplicidade acontece quando as pessoas deixam de ser simples ouvintes e


se tornam participantes na pregação. O abismo entre o mundo da pregação e o

mundo do ouvinte deixa de existir; o pregador entra no mundo do ouvinte com a


mensagem e possibilita ao ouvinte entrar no mundo fascinante da Revelação

Bíblica; o pregador dá ao auditório a oportunidade de interagir, sentindo-se

assim como co-autor e co-apresentador do que está sendo dito no púlpito.97

Ilustrações, analogias e breves histórias são as principais ferramentas à

disposição do pregador que visa a evitar o abismo e alcançar a congregação dessa

maneira. Todavia, é preciso saber como utilizar essas ferramentas proveitosamente,


pois o mau uso delas pode resultar na demolição de pontes em vez da sua edificação!

Vejamos as seguintes dicas relativas a essas ferramentas:

1. As ilustrações, analogias, histórias etc. devem ser empregadas de forma

que explicitem o sentido do texto sagrado em vez de obscurecer o seu

entendimento. Faça um teste: Essa ilustração esclarece ou obscurece a

mensagem da passagem bíblica?

2. Existem figuras retóricas e certo gênero de contos que se encontram

facilmente em qualquer bar de esquina — esses devem ser evitados no

púlpito. No plano divino, quando necessário, compete ao Espírito Santo

incomodar os seres humanos: não cabe ao pregador chocar os ouvintes

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com analogias e palavras inapropriadas; tal prática é contraproducente ao
passo que desvia atenção da Palavra de Deus e fere o princípio de

“ordem e decência”. Pergunte-se: Essa história edifica ou danifica o


corpo de Cristo?

3. As parábolas de Jesus eram veículos eficazes na construção de pontes

porque partiram daquilo que era familiar ao universo dos ouvintes. Em


linhas gerais, ilustrações extraídas do sólido material do dia a dia do

povo suscitarão uma reação positiva, enquanto abstrações e ideias


estranhas a uma dada cultura tenderão a complicar o sermão e frustrar a

congregação. Novamente, avalie a sua ilustração, e, antes de inseri-la

definitivamente na pregação, questione: Essa ilustração é relevante ou

irrelevante à cultura do povo?

4. É natural que o pregador utilize analogias e histórias oriundas da sua

experiência pessoal. Todavia, é preciso exercer um grau de cautela para


que o sermão não se torne um discurso antropocêntrico e autobiográfico.

Avalie: A ilustração comunica a verdade de Deus ou está a serviço da

minha verdade?

5. Existe outro perigo no uso de ilustrações extraídas da experiência

pessoal, a saber, o de expor a família do pregador ou outra pessoa. Tanto

a família como o gabinete pastoral necessitam ser respeitadas no púlpito.

Se existir o risco de expor alguém é melhor repensar a ilustração. Por

isso, pergunta-se: Esse relato preserva ou fere a integridade da pessoa?

6. Alguns pregadores insistem em recorrer a uma única fonte para as suas

ilustrações, digamos, o futebol e o time favorito do pastor. Para quem não

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se interessa por tal coisa (nesse caso a maioria das mulheres), o sermão
se torna monótono. A falta de variedade e originalidade nos modelos de

ilustração demonstra uma falta de sensibilidade e carinho da parte do


pregador referente aos ouvintes. Considere: Esse tipo de história

aproxima ou afasta a congregação da mensagem da Palavra de Deus?

7. William Shakespeare disse que “a brevidade é a alma do engenho”.


Ilustrações prolongadas e histórias compridas correm o risco de fatigar o

auditório (além de deslocar a centralidade do texto sagrado na pregação).


Por outro lado, aquilo que é condensado é mais potente. Tenha cuidado de

economizar tempo e palavras. Reflita: Essa analogia desperta ou dispersa

o interesse dos ouvintes?

Embora seja um clichê dizer que o pregador precisa andar com a Bíblia na mão

direita e o jornal na mão esquerda, cremos na atualidade da mensagem da Palavra de

Deus, e cremos que o pregador precisa estar atualizado para ser um bom construtor
de pontes. A contextualização da mensagem acontece quando o pregador é

contextualizado, e as ligações entre o coração de Deus e o coração dos ouvintes

ocorrem quando o pregador está ligado na realidade da Bíblia, do mundo e da igreja.

Segundo a didática de Jesus, as ilustrações de sermões dependem da observância

das pessoas e da vida. O poeta britânico Michael Rosen andava com um caderninho

no qual anotava acontecimentos e observações que pudessem ser aproveitados em

data posterior nas suas poesias. Tal costume poderia ser adotado pelo pregador, e é

no mínimo recomendável que este organize o material útil para ilustrações em um

acervo.

Em termos de possíveis fontes para as ilustrações, veja a seguinte relação:

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Fontes literárias
1. Jornais. Os mais recentes eventos e manchetes podem ser aproveitados

no púlpito para descrever o status quo social. Como recurso visual,


quando se trata de alguma manchete, o próprio jornal pode ser levado ao

púlpito e mostrado ao auditório.

2. Revistas cristãs e devocionais. No mercado há várias revistas


evangélicas de excelente qualidade. Muitas vezes essas revistas contêm

insights e comentários sobre temas contemporâneos, de forma que,


preservando o princípio da brevidade, podem ser citados do púlpito. O

mesmo vale no caso dos devocionais diários.

3. Livros. De autoria cristã ou não, contanto que convenham, os livros

representam outro recurso útil, pois contêm frases e histórias capazes de

fortalecer o argumento que o pregador apresenta do púlpito. À base do

princípio da familiaridade, livros populares lidos pelos ouvintes


constituem uma excelente fonte. Tenho tirado frases e histórias dos livros

de Augusto Cury, C. S. Lewis e J. R. R. Tolkein.

4. Poesia. A poesia é um gênero utilizado na Bíblia e pode ser aproveitado

no sermão também. Às vezes a inserção de um poema na introdução ou na

conclusão de um sermão desperta as emoções da congregação e permite

que o pregador enfatize com profundidade a mensagem que traz da

Escritura Sagrada.

5. A própria Bíblia. Cremos que a Bíblia representa um todo e que, no

esquema da revelação divina, uma parte informa às outras. O pregador

não deve negligenciar a própria Palavra de Deus quando o assunto é

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ilustrações. Em uma pregação sobre o Bom Samaritano, eu recorri à
história de Caim e Abel, de Gênesis 4, e ao ensino de Jesus sobre amor

aos inimigos no Sermão do Monte quando a questão era “Quem é o meu


próximo?”. A narrativa bíblica está repleta de personalidades e

acontecimentos que podem ser incluídos como analogias no sermão.

6. A teologia e teólogos. Às vezes a citação de uma confissão reformada


reforça o ponto que está sendo trabalhado no sermão e acrescenta

autoridade à mensagem pelo bom uso da tradição cristã. As obras de


teologia contêm material que pode ser útil na pregação, mas é importante

lembrar que os ouvintes não conhecem os conceitos e o vocabulário da

teologia tão bem como o pastor. A vida e os escritos de grandes teólogos

e pregadores como Agostinho, Calvino, Lutero e Spurgeon são úteis em

certos contextos, e as biografias de missionários geralmente contam com

material inspirador que pode ser empregado no curso do sermão.


Fontes culturais

1. História nacional e mundial. Os arquivos da história mundial e nacional

contêm inumeráveis eventos e personagens que podem entrar como

matéria de ilustração de pregação. Novamente, a citação de eventos

conhecidos que fazem parte da memória nacional criarão interesse, ao

passo que o uso de dados desconhecidos talvez desviem a atenção dos

ouvintes.

2. Lendas e contos. Na minha região da Inglaterra existe uma lenda, hoje

bastante conhecida graças a Hollywood: a de Robin Hood. Essa lenda faz

parte da memória cultural do povo da minha terra, e, sendo assim, passa a

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ser potencial material para ilustrações. No Nordeste do Brasil existe a
dúbia história de Lampião e Maria Bonita — figuras históricas que

possuem status lendário — e muitos outros contos. Cada região tem as


suas tradições e seus contos tradicionais. O que diz respeito à identidade

cultural de um povo pode ser uma fonte rica para ilustrações; todavia, é

preciso utilizar o bom senso e o discernimento espiritual; nem tudo


constitui material apropriado para a igreja, pois na esfera do folclore as

influências nem sempre são saudáveis.


3. A TV. Penso que a TV tem a ver com a cultura nacional, e por isso pode

ser aproveitada como fonte. Os personagens e temas de programas

populares com conteúdo para a família serão conhecidos pela igreja, e de

vez em quando fornecem material para ilustrações de sermão.

4. Filmes. Filmes são excelentes recursos no arsenal do pregador. Além dos

personagens e das histórias serem conhecidos e amados pelo público,


muitas vezes os filmes trazem alguma lição moral, ou pelo menos tais

conclusões podem ser extraídas deles. Já utilizei o filme Homem-Aranha

em três continentes, aproveitando a frase “Com grande poder vem grandes

responsabilidades”, e com sucesso em cada ocasião. Outro exemplo seria

uma frase do filme Uma mente brilhante, que aplico a resistência às

tentações: “ainda ouço vozes e vejo aquelas coisas, mas tenho aprendido

a ignorá-las”. Outros filmes aproveitados por mim até agora incluem

Soldado Ryan (extremamente aplicável a mensagens evangelísticas), Os

Incríveis (excelente na área da família), e Matrix (sobre destino e livre-

arbítrio). Onde a multimídia permite, é interessante, às vezes, mostrar um

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breve clip do filme ao auditório, com a ressalva essencial que a forma
seja submetida ao conteúdo e a serviço dele, e não o contrário.

5. As artes. Teólogos contemporâneos, como N. T. Wright, aproveitam o


mundo das artes para criar analogias que ajudam a esclarecer pontos

complexos da teologia. O pregador também tem as artes à sua disposição,

não menos a arte religiosa, que capta visualmente episódios da Sagrada


Escritura. Novamente, onde existe acesso à devida tecnologia, tais

recursos visuais podem enriquecer a mensagem e facilitar a participação


da igreja no evento da pregação.

Fontes musicais

1. Hinos e canções cristãs. Eu aprendi a apreciar o valor dos hinos cristãos

como recursos para a pregação ouvindo os sermões do reverendo Bob

Key em Oxford. Bob amava os velhos hinos não apenas por causa das

suas belas melodias, mas pela letra deles — combinando muitas vezes o
melhor da poesia com a melhor da teologia. Pessoalmente, de forma

espontânea, gosto de aproveitar a letra de alguma música cantada durante

o culto para destacar algum ponto do sermão. O pregador que ignora os

hinos e as canções cristãs é como um menino que sai pelas ruas em busca

de frutas para comer quando existe um belo pomar no próprio quintal.

2. Músicas seculares. Existem certas músicas seculares conhecidas de

forma geral que trazem alguma lição ou mensagem positiva. Na

construção de pontes, penso que tais músicas são aproveitáveis. A

juventude é especialmente interessada em música, e frases tiradas de

músicas do seu gosto têm o potencial de conquistar a plateia e comandar a

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sua atenção. Existem também aquelas músicas seculares que resumem em
si os piores elementos da cultura popular. Tais músicas não seriam a

escolha natural de muitos pregadores, pois são inapropriadas, mas podem


servir de vez em quando se tratadas com sabedoria, numa palavra

profética que aponta para os males e as necessidades da atual geração.

Por exemplo, já citei do púlpito uma música que tocava quase que
constantemente aqui na região Nordeste: Beber, cair, levantar. Daí em

diante, utilizando essa letra como ponte, demonstrei o triste vazio em que
muita gente vive hoje, e apresentei a solução bíblica para essa situação:

comunhão com Jesus Cristo e um verdadeiro relacionamento com Deus.

Fontes pessoais

1. Experiências pessoais. É claro que experiências pessoais vão iluminar o

nosso discurso. Sejam experiências da nossa infância, sejam da vida

adulta, as mais variadas esferas da vida entram em campo aqui, pois


experiências na escola, na rua, no esporte, na estação de trem, no

supermercado, na igreja, no trabalho, de amizades, de conflitos etc. dizem

respeito ao mundo em que vivemos e mantêm a pregação viva.

Observando os cuidados relatados acima — talvez especialmente o

critério que diz respeito à brevidade —, essas experiências devem

proporcionar ao sermão um desejável toque pessoal e humano.

2. Objetos pessoais. Não se deve subestimar o poder do recurso visual.

Objetos pessoais, geralmente combinados com o relatar de experiências

pessoais, são de grande ajuda na transmissão da mensagem. Pessoalmente,

já levei ao púlpito inumeráveis objetos, como um espelho, uma pedra, um

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anel e até uma camisa com a mensagem “A serviço do Rei Jesus”, que
utilizei em conexão com o Sermão do Monte e o mandamento de Jesus de

buscar em primeiro lugar o Reino de Deus. Do púlpito, fiz a pergunta:


“Tenho, de fato, vestido a camisa do discipulado cristão?” Eu confessei

que muitas vezes a resposta era “não”, o que nos leva ao próximo item.

3. Confissão pessoal. De vez em quando é saudável o pregador reconhecer


diante da congregação a sua humanidade, apontando (sem necessariamente

entrar em detalhes) para a sua falibilidade. Isso não deveria ser


confundido com aquela falsa modéstia que, por natureza, é repulsiva e

facilmente identificada, nem com uma falta de confiança. É simplesmente

a asserção de que o pregador, tal como a igreja, necessita da graça de

Deus na sua vida, que depende dessa graça e que precisa dela para viver.

Tal reflexão funciona como ilustração na medida que traz a mensagem de

forma dramática para a realidade do pregador e, por tabela, para a


realidade dos ouvintes.

Fontes diversas

1. A natureza. O salmista meditava na beleza da criação de Deus, e

Provérbios faz menção favorável até do humilde formiga! Sem dúvida, na

natureza encontramos uma valiosa fonte para ilustrações. Em uma

pregação evangelística ao ar livre no ano novo, o meu ponto de partida

era a lua cheia que iluminava ao céu.

2. A ciência e tecnologia. Analogias do mundo da ciência e da tecnologia

podem ser utilizadas. Hoje em dia, a comunidade virtual é tão atual como

a comunidade física, e a maioria das pessoas nos centros urbanos do país

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já está acostumada com o computador e a Internet. Com criatividade
existe muito material para ser aproveitado nessa área.

3. O teatro. Falo especificamente de peças teatrais executadas por um grupo


de teatro da igreja. Recentemente chamei o nosso grupo de teatro para

apresentar uma versão atualizada do Bom Samaritano logo no início do

sermão. A apresentação foi impactante: ganhou a atenção do auditório e


criou uma excelente plataforma da qual foi possível aplicar às verdades

contidas nessa conhecida parábola.


4. Testemunhos. Na conferência “Global Glory of God Conference”,

realizada em setembro de 2007, em Abingdon, nos Estados Unidos, o

influente pastor e pregador Rick Warren falou do poder do testemunho

como ilustração no sermão. Convidar um membro da igreja a dar um

testemunho no começo ou mesmo no meio do sermão é capaz de gerar um

profundo impacto na congregação. Pessoalmente, gosto de fazer isso


através de uma entrevista, pois assim fica mais fácil controlar o aspecto

do tempo e direcionar a fala para as áreas mais relevantes ao sermão.

Percebe-se que as fontes das quais podemos tirar as nossas ilustrações são

bastante numerosas. Portanto, é importante que sejamos criteriosos na seleção do

material e na sua apresentação. Conforme a analogia comum, o sermão sem

ilustrações é como a casa sem janelas, mas para inverter a metáfora, o sermão que

exagera na quantidade de ilustrações é como uma casa construída apenas de janelas

— extremamente frágil e sem a devida fundamentação. O texto sagrado é o alicerce

do sermão, os versículos bíblicos são os tijolos na estrutura da casa e as ilustrações

bem encaixadas são as janelas que permitem a iluminação.

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Segundo a noção de cumplicidade, as ilustrações fazem parte da aplicação da
pregação à vida dos ouvintes, mas a categoria aplicações abrange mais do que as

analogias e histórias empregadas no sermão. As aplicações fazem com que a


mensagem da Bíblia penetre e viva no coração do ouvinte. Além de ilustrações, o

pregador aplica os princípios bíblicos através de perguntas diretas, como: “Jesus

nos ensinou a amar os não-amados. Você tem feito isso no seu cotidiano?”.
Exortações e desafios também entram aqui, como: “A partir desta noite, em nome de

Jesus, essa igreja vai ser diferente!”. Às vezes é útil avisar a congregação que você
está a ponto de aplicar um bloco de ensinamento bíblico à vida dela; para tanto,

pode-se utilizar a retórica de uma simples frase introdutória — “Trazendo isso para

a nossa realidade...”; ou então uma pergunta: “O que isso tem a ver com a minha e a

sua vida?”; ou ainda: “O que isso significa na prática?”.

Na conferência “Global Glory of God Conference”, o pastor Rick Warren falou

da sensação de frustração que sentiu ao ter de passar por um túnel completamente


escuro durante meia hora em um trem no Japão. Se não houver aplicação na

pregação, disse Warren, a congregação é forçada a passar por uma experiência

semelhante. Por outro lado, uma coisa tem ficado clara para mim: os melhores

pregadores expositivos são aqueles que conseguem aplicar consistentemente e quase

constantemente aquilo que expõem do texto bíblico. Acreditamos na relevância da

mensagem, então que os pregadores sejam igualmente relevantes!

Comunicação pura e simples: a linguagem do sermão

O pregador pode ter se preparado adequadamente perante Deus e a sua

congregação, pode ter na sua mão um sermão bem pesquisado, exegeticamente sólido

e cuidadosamente elaborado com ilustrações e aplicações, mas se ele não tiver uma

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comunicação pura e simples, falando a linguagem do povo, os seus maiores
esforços serão em vão. C. H. Spurgeon escreveu: “O homem que vai ao encontro de

mineiros e operários com termos técnicos da teologia e frases do gabinete age como
um idiota”. 98

Traduzindo isso para o nosso contexto, digamos, o pregador que prega ao povo

semianalfabeto em uma favela ou em um assentamento rural com palavras enfeitadas


e conceitos complexos age como o “idiota” de Spurgeon. Geralmente, não é apenas

bom senso que falta quando o pregador se comporta desse jeito; o desejo ardente de
aparecer revela uma falta aguda de humildade e de questões psicológicas pessoais

que precisam ser resolvidas com ajuda profissional.

George Whitefield, talvez o melhor pregador dos últimos quinhentos anos, dizia

que pregava na linguagem da “feira”. Em Atos dos Apóstolos, o apóstolo Paulo

aparece adaptando seu discurso conforme a cultura e a capacidade intelectual da sua

audiência. Jesus, o nosso maior modelo de um pregador, foi incomparavelmente


hábil na arte da comunicação, e sempre falou a linguagem de Deus (o amor) no

idioma transparente do dia a dia do povo.

Como Haddon Robinson relembra, Napoleão requeria três coisas dos seus

mensageiros: “Seja claro, seja claro e seja claro!” Deus requer o mesmo de seus
99

mensageiros. O pregador precisa moldar a sua linguagem ao padrão cultural e

educacional dos seus ouvintes, sendo sempre mais seguro nivelar por baixo. O

vocabulário da audiência determinará o vocabulário utilizado pelo pregador, isso

significa que às vezes o pregador terá que se policiar e se limitar a palavras simples;

por outro lado, às vezes terá de se esforçar para produzir algo de tom mais

elaborado, assim como fez um colega meu quando pregou para uma conferência de

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profissionais da medicina.
Da mesma maneira, o jargão teológico e religioso geralmente frustra a proposta

da boa comunicação. Pode ser que você ande fascinado com a teoria de C. H. Dodd
quanto à escatologia realizada, pode ser que a fenomenologia da teologia

existencial é a sua praia; todavia, falar tais coisas do púlpito para a igreja vai levá-

la a achar que você desceu de outro planeta e mentalmente acionará o botão


“desligar”. Nós precisamos conhecer razoavelmente os preceitos da ciência da

teologia, precisamos conteúdo e base teológica, mas nem tudo o que aprendemos e
sabemos precisa ser transmitido do púlpito.

Igualmente existe um perigo em querer citar tal pensador ou querer incluir várias

citações durante o sermão para passar a impressão de erudição e sofisticação. Jesus

pregou sermões profundamente teológicos sem recorrer a frases complicadas, termos

técnicos e grandes nomes; portanto, é importante que filtremos a nossa linguagem e

os nossos conceitos. Na rara instância que o pregador acha imprescindível empregar


algum termo teológico, que o faça com uma clara explicação do termo e o porquê de

citá-lo. Novamente, citações são ferramentas úteis contanto que sejam empregadas

para acrescentar algo ao sermão; citar um dado nome só por citar não passa

erudição. É bobagem.

À luz dessas considerações é importante fazer uma qualificação: o fato de a

comunicação ser pura e simples não significa que será privada de estética. Em sua

Doutrina cristã, Agostinho, inspirado no orador romano Cícero, escreveu o

seguinte: “... é preciso falar ‘de maneira a instruir, a agradar e a convencer’. Depois

ele (Cícero) acrescentou: ‘Instruir é uma necessidade; agradar um prazer; convencer

uma vitória’”. 100

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Essas três regras da oratória valem para a pregação no que diz respeito à arte da
comunicação. O mais eloquente dos pregadores não é aquele que possui o maior

vocabulário ou aquele que sabe elaborar complicadas frases; antes, é aquele que é
perfeitamente compreendido pelo auditório, cujas palavras instruem, agradam e

convencem. Dessa maneira, com a beleza da fala que flui naturalmente, o material da

pregação é apresentado de forma transparente, lógica, coerente e convincente.


RESPONSABILIDADE ORGANIZACIONAL
A estrutura do sermão

Todo sermão precisa de uma estrutura. Sem uma estrutura é provável que o

pregador se perca no que Robson Mouro Marinho chama do sermão “salada de

frutas”, sem começo, meio e fim, e a congregação (coitada da congregação!) será

perdoada por contemplar o relógio com certa ansiedade. 101

Pode parecer demasiado simples, mas afirmamos que o sermão precisa de um

início, um meio e um fim. Tradicionalmente, a fórmula do sermão de três pontos têm


sido popular com pregadores no mundo todo, e continua a ter um amplo uso, pois é

relativamente simples de elaborar e estruturalmente acessível, o que ajuda a igreja a

captar e memorizar a mensagem. Porém, essa fórmula não deveria ser considerada a

única, como se fosse uma camisa-de-força. Às vezes, pregadores oferecem sermões

em cinco pontos, e na época dos puritanos foi comum estender a dezenas de pontos!

Hoje em dia, a maioria dos ouvintes não tem a capacidade de absorver tanta

informação, e concordo com John Stott, que costuma dizer que o sermão de um só

ponto principal apresentado de várias formas e de vários ângulos representa,

geralmente, a forma mais apropriada de sermão para nossa geração.


O título

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Embora não seja obrigatório, é natural que o sermão conte com um título. O bom
título de sermão ajuda os ouvintes a se situarem logo no início do discurso do

pregador. Geralmente os títulos são elaborados por último, após o pregador ter
organizado o seu material em casa, e, grosso modo, devem ser curtos e chamativos.
A introdução

Às vezes o sermão é comparado a um voo; segundo essa analogia, o início — a


introdução — seria a decolagem, momento em que é preciso um esforço especial

adicional para dar aquele impulso que coloca o todo no seu curso. Não podemos
ignorar o tempo em que vivemos, tempo de comunicação ultrarrápida em que o

clique de um mouse é capaz de acessar um universo de informações na Internet, e em

que um simples “zap” do controle remoto muda o canal da TV: discursos imagens e

matérias existem em um constante estado de fluxo, e os que não prendem a nossa

atenção são filtrados e descartados em um instante. Para evitar que seja filtrado e

rejeitado, o sermão tem de prender a atenção da congregação de imediato.


Existem diversos tipos chamativos e envolventes de introdução. Os que costumo

utilizar incluem perguntas diretas à igreja, citações impressionantes, manchetes

curiosas ou chocantes (de preferência recentes, pois estarão na memória das

pessoas), estatísticas surpreendentes, afirmações fora do comum ou um breve

testemunho pessoal com um toque de humor. É importante que a introdução seja

breve — nada de histórias longas ou de contos — o objetivo é atrair a audiência e

prosseguir com ela ao corpo da mensagem.

Existem também formas mais extravagantes de iniciar o sermão. No meu caso,

como eu já disse, às vezes inicio com uma curta peça do grupo teatral da igreja, ou

então com uma entrevista de alguém que tem um testemunho comovente para

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compartilhar. De vez em quando, levo um objeto pessoal ao púlpito que crie
interesse. Onde a multimídia está disponível, costumo jogar uma imagem na tela para

chamar a atenção das pessoas, e ponho também o título da pregação para dar o norte
de tudo que vai seguir.

Em princípio, a introdução não precisa estar estritamente vinculada com o corpo

do sermão; todavia, é claro que precisa existir alguma ligação entre a introdução e o
que será trabalhado em seguida, se não, a congregação será levada em uma direção

somente para ser escoltada, de repente, em outra, ou que a deixará confusa e


desorientada. Talvez imaginemos a introdução como o solo fértil que dá o

embasamento adequado para que a árvore se desenvolva copiosa e frutífera.

É verdade que muitos pregadores deixam a elaboração da introdução por último

na fase preparatória uma vez que tenham organizado o corpo do sermão, o que faz

perfeito sentido; mas, pessoalmente, com o texto e o tema central da pregação em

mãos, gosto de iniciar com a introdução como espécie de linha guia para o que vai
seguir. Não há certo ou errado em termos do método, o importante é que a introdução

desperte interesse, prenda a atenção dos ouvintes e funcione como plataforma sólida

para o que será ministrado em seguida.


As transições e o corpo da mensagem

Voltando à analogia do voo, o pregador deve se esforçar para prover suaves

transições. Assim como o piloto tenta evitar um nivelamento de altitude abrupto (o

que desnorteia os passageiros), o pregador precisa trabalhar as diversas seções da

pregação sem pular do assunto “x” para “y”, ou ponto “a” para “b” de forma

desanexa. Como comentamos, a introdução deve conduzir a congregação à temática

do sermão, de forma natural, e o primeiro ponto deve ser ligado ao segundo como se

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tratasse de uma cadeia de pensamento.
Sem dúvida, as transições da pregação exigem trabalho da parte do pregador,

pois nem sempre é óbvio como o ponto “a” se liga ao “b”. Embora cada pregação
seja única, posso afirmar por experiência própria que a repetição de palavras e

frases na elaboração das divisões da pregação pode suavizar a transição. Por

exemplo:
Ponto A — Deus como nossa âncora.

Ponto B — Deus como nosso refúgio.


Ponto C — Deus como nossa esperança

Além de ajudar o fluxo da pregação, o uso de uma simples fórmula verbal, nesse

caso “Deus como nosso...” facilita a memorização dos ouvintes. Haddon Robinson

observa que os pregadores bíblicos tendem a empregar a técnica de reiteração, e

cita Gálatas 1.8-9 e Jeremias 50.35-38 como exemplos dessa técnica. 102

Às vezes, modificando ligeiramente essa técnica de reiteração, o uso de uma


série de indagações ajuda na transição e no desenvolvimento lógico do sermão. Por

exemplo:

O que Jesus está dizendo nesse texto?

Por que Jesus disse isso?

Por que eu preciso me preocupar com o que Jesus disse?

Vale lembrar que as divisões do sermão não devem ser muito numerosas (o que

confunde os ouvintes), e não devem ser demasiadamente repetitivas (o que frustra os

ouvintes). Os pontos do sermão devem ser breves, simples, distintos e claramente

apresentados. Novamente, afirmações do próprio texto podem ser utilizadas para

organizar o corpo da mensagem em blocos facilmente digeríveis. Isso também

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promove uma transição que soa natural. Veja o seguinte exemplo:
Gálatas 5.16 — “Digo, porém: andai no Espírito”.

Gálatas 5.18 — “Se sois guiados pelo Espírito”.


Gálatas 5.25 — “Se vivemos no Espírito”.

Em termos da progressão lógica do sermão, na conferência “The Glory of God

Conference”, Rick Warren afirmou com razão que a pregação expositiva e textual
não precisa necessariamente seguir a ordem em que o texto trata um dado assunto.

Embora a ordem cronológica do texto seja geralmente a ordem mais natural para o
pregador trabalhar suas ideias e seus pontos, às vezes o sermão flui melhor e tem

uma estrutura mais coerente começando com algum versículo ou ocorrência que

consta no fim do texto bíblico. Novamente, não há certo ou errado aqui, e, como

Warren enfatizou, é um engano pensar que exista alguma regra que diga que o sermão

tem que se desenvolver versículo por versículo, passo a passo paralelo à estrutura

linear da Escritura.
Semelhantemente, embora haja quem defenda a ideia de que as aplicações do

sermão pertencem ao fim, ou até na própria conclusão da pregação, tal noção não é

uma regra. Pelo contrário, na minha experiência, os melhores pregadores são

aqueles que conseguem aplicar o ensino da Palavra a cada passo do sermão. Quando

um tema é apresentado, em seguida há a aplicação desse tema à vida do individuo

e/ou à vida da comunidade. Cada ponto do sermão é acompanhado pela

contextualização, prática que faz a Bíblia viver e reviver na vida do crente — e

vice-versa.
A conclusão

Particularmente, acho a conclusão a parte mais difícil do sermão. Ao terminar o

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voo, o piloto do avião tem de evitar dois perigos: o de aterrissar muito abruptamente
e o de passar da zona de aterrissagem. São muitos os pregadores que terminam o

sermão de repente, sem um fechamento final, geralmente com as palavras, vamos


orar, como se a oração pudesse substituir a reflexão final. A oração pode e muitas

vezes deve seguir o sermão, mas ela não dispensa uma sólida conclusão.

Mais comum ainda é o pregador não saber concluir. Como o avião que fica
circulando no ar esperando autorização para aterrissar, o sermão se dissolve em um

vai-e-vem aparentemente infinito, de forma que quando finalmente chega ao fim já


passou por completo a zona de chegada. Tal indecisão e hesitação é inteiramente

capaz de arruinar um sermão perfeito em todos os outros aspectos.

Como, então, elaborar uma boa conclusão e terminar o sermão devidamente?

Primeiro, precisamos entender o que a conclusão deve e não deve dizer. Assim como

ditam as rubricas da pesquisa científica, geralmente a conclusão não é o lugar em

que inserir material novo. Porém, é o melhor momento para recapitular (com
brevidade) os pontos-chave explorados e explanados através do sermão.

Embora a conclusão contenha esse elemento de recapitulação, ela não se

restringe ao resumo. Pelo contrário, ela pedirá alguma reação da parte dos ouvintes,

desafiará, apelará e encorajará a igreja a tomar uma atitude ou postura diante da

mensagem. Por isso, a conclusão é aplicação por excelência. Tenha cuidado, todavia,

de não passar da hora: a conclusão é para concluir.

Por meio do reverendo Bob Key, aprendi a importância de encerrar a pregação

apontando para Jesus. Se o propósito principal do sermão é transformar vidas, então

precisamos finalizar com Jesus, ou pelo menos com alguma referência a ele. Além de

indicar uma direção ao povo, finalizando dessa forma tende a levar a mensagem a um

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clímax emocional e espiritual, sem forçar a barra.
No que diz respeito ao preparo da conclusão, considere a seguinte afirmação de

Stuart Olyott: “Afie a ponta da flecha! Prepare com cuidado a conclusão do seu
sermão. Escreva exatamente o que você quer deixar retinindo nos ouvidos do seu

povo, ou memorize-o, ou inclua-o (na íntegra) em suas notas”. 103

Uma vez que a conclusão é a palavra final do pregador, ela merece ser bem
pensada e cuidadosamente elaborada. Nas palavras de Olyott, vale a pena afiar

aquela ponta; porém, isso exige tempo. Na realidade, depois de criar uma introdução
e esquematizar a mensagem inteira do sermão, a tentação quanto à conclusão é

empurrar com a barriga, esperar outro momento (que nunca virá) para trabalhá-la.

Evite essa tentação. Ao elaborar a conclusão, peça a Deus uma renovação das suas

forças para que você cruze a linha final com êxito!


A redação do sermão

Digamos que o pregador esteja com o rascunho do seu sermão em mente ou no


papel, qual o próximo passo? Ele precisa escrever “o roteiro” da pregação palavra

por palavra ou basta um esboço dos pontos centrais? É importante memorizar a

pregação ou isso seria interferir com a liberdade e espontaneidade da ação do

Espírito Santo?

As opiniões divergem quanto a essas perguntas. D. Martyn Lloyd-Jones se

posiciona contra a prática de escrever e memorizar a pregação, alegando que agir

assim é “escravizar” o pregador. 104


Certamente, aquele que simplesmente sobe ao

púlpito para ler palavra por palavra o que está escrito no papel em sonolento

monótono não é um pregador, ou pelo menos, não é um que eu gostaria de ouvir.

Por outro lado, Haddon Robinson apresenta o seguinte argumento: “A disciplina

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de preparar um manuscrito melhora a pregação. O ato de escrever tira o fungo dos
nossos pensamentos, arranja as nossas ideias em uma ordem decente e salienta a

importância das ideias”.105

Acho que a prática de escrever e memorizar é saudável — principalmente

quando se trata de pregadores inexperientes —, contanto que algumas reservas e

restrições sejam feitas. Primeiro, no que diz respeito à escrita, o pregador que leva
seu sermão escrito deve saber que o que está escrito não precisa ser reproduzido

ipsis literis do púlpito, e que a pregação não é um simples exercício de leitura. Pelo
contrário, dentro da estrutura do sermão deve haver espaços e momentos em que o

pregador fica livre, conforme o Espírito Santo conduzir, para falar livre e

espontaneamente. O que está escrito no papel funciona como um plano, o qual o

pregador consultará e seguirá, porém, com liberdade e não em conformidade aos

detalhes. Dessa maneira, na medida que o pregador vai ganhando experiência, se ele

achar interessante, pode passar a levar um simples esboço ao púlpito e, com base
nele, desenvolver a pregação.

Veremos mais adiante a importância de manter o contato visual com os ouvintes,

mas advertimos aqui contra o hábito de se ater excessiva e indevidamente ao papel

que está à sua frente. É importante que o pregador se familiarize o máximo possível

com o que está escrito para seguir tranquilamente com o sermão sem ter de escrutinar

o que está escrito ou se referir constantemente ao roteiro. A familiarização também

ajuda caso se perca no meio da pregação, pois, nesse caso, basta uma breve olhada

para se achar rapidamente e voltar à apresentação da mensagem.

No que se refere especificamente à memorização, embora seja de grande

utilidade memorizar a sequência básica do sermão e algumas frases importantes (ou

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perguntas diretas que podem ser dirigidas com impacto através do pleno contato
visual), geralmente não é aconselhável memorizar, ou tentar memorizar,

absolutamente tudo, palavra por palavra. Além de cair na armadilha sobre a qual
Lloyd-Jones advertiu, a mente humana e, em especial, a nossa memória, é

caracteristicamente traiçoeira, ou seja, é demasiadamente fácil que ela esqueça

palavras e frases. Do púlpito isso tende a resultar em constrangimento, com o


pregador tentando se esforçar para lembrar o que falar, ora numa repetição lenta e

mecânica, as palavras vindo aos poucos à mente, ora na busca frenética e ansiosa
num monte de papeis para algo que parece ter fugido das notas!

Contanto que haja um sólido preparo, que o pregador se familiarize

intensivamente com o seu material, memorizando pontos principais e a sequência

geral da pregação, não importa se a pregação é inteiramente escrita ou apenas

esboçada. Todavia, é importante que o pregador leve alguma coisa consigo, com

pelo menos o esqueleto do que será falado, pois, se subir ao púlpito com mãos
vazias, além do risco de esquecer aspectos importantes do sermão, a falta de uma

estrutura e de direção claramente delineada poderá resultar numa pregação “salada

de frutas”, sem conteúdo e hora para terminar.

Buscar a dependência total de Deus e deixar o Espírito Santo falar não é

justificativa válida para rejeitar o devido preparo. Embora Deus capacite e nos use

mesmo quando despreparados, não existe desculpa para o despreparo intelectual e

teológico. A fim de justificar sua preguiça, há ministros que utilizam o argumento de

que o Espírito Santo só fala no momento da pregação. Desse jeito, o pregador não

irá muito longe. Além de falar na pregação, o Espírito Santo também fala enquanto o

sermão está sendo preparado.

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É evidente que os mais eficazes pregadores sempre gastaram (e gastam) horas em
aplicado estudo das Sagradas Escrituras e em oração fervorosa. Para dar uma ideia

do que seria o ideal, Paul Wilson sugere que para a pregação no domingo, o
pregador deve começar a se preparar a partir da terça-feira.106

Sugestão de um método para preparar sermões

Tomando as divisões utilizadas neste capítulo como etapas no preparo do


sermão, chegamos ao seguinte método prático:

1ª. Etapa: Faça um auto-exame perante Deus, ore e medite na Palavra de Deus,
pedindo que o Senhor faça a sua obra transformativa na sua vida e na vida dos

ouvintes através do seu sermão. Interceda a favor dos seus ouvintes.

2ª. Etapa: Escolha o texto bíblico e faça o trabalho exegético. Anote as suas

primeiras impressões e observações do texto, leia-o e releia-o levando em conta

diversas traduções. Consulte comentários e outros livros apropriados.

3ª. Etapa: Pense sobre as possíveis ilustrações e aplicações que podem ser
incorporados na sua mensagem, lembrando que a linguagem da pregação precisa ser

clara, direta e simples.

4ª. Etapa: Estruture o seu sermão com “início” (com uma breve e dinâmica

introdução), “meio” (com claras divisões de pontos e suaves transições) e “fim”

(com uma conclusão concisa e impactante). Escreva o seu sermão por inteiro ou por

meio de um esboço e familiarize-se com ele o máximo possível.

É claro que existe certa fluidez nesse método, de forma que as etapas sejam

interligadas — por exemplo, a primeira etapa continua através do processo inteiro e

a quarta etapa pode ser iniciada aos poucos, quando se formula o rascunho do

sermão, sendo transformado em versão final por último. Não se trata de algo fixo;

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antes, é uma sugestão. Que cada pregador se sinta à vontade de modificar conforme
ache necessário.

Um método alternativo, embora parecido e compatível com esse, é aquele que foi
proposto por Rick Warren na conferência “The Global Glory of God Conference”, o

que corresponde essencialmente ao descrito por Carlito Paes em Como preparar

mensagens para transformar vidas:


1.º Princípio: Colete, categorize e arquive boas informações.

2.º Princípio: Reflita sobre o material pesquisado.


3.º Princípio: Faça uso de aplicações.

4.º Princípio: Organize seu esboço.

5.º Princípio: Torne sua mensagem agradável.

6.º Princípio: Trabalhe a unidade da mensagem. 107

Em última análise, a experiência própria e o autoconhecimento ajudarão cada

pregador a adotar um método e um estilo essencialmente próprio; o importante é


utilizar algum método, seguir um plano, inclusive um planejamento do tempo

dedicado a essa tarefa preparatória. Assim, o cumprimento da missão do pregador

será facilitado, com a devida organização, responsabilidade e fé.


*************
4 NO PÚLPITO: A REALIZAÇÃO DA PREGAÇÃO
O ASPECTO AMBIENTAL

Imaginemos que o pregador tenha se preparado devidamente, que o culto já

começou e que já está na hora de se colocar no púlpito para pregar. O modo pelo

qual o pregador se comporta nesse momento diz muito sobre o tipo de pessoa que é,

e o tipo de sermão que pregará. Como salientamos no decorrer deste livro, a

humildade é a atitude própria de qualquer um que ousa subir ao púlpito; portanto,

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longe de nós o velho veredicto de Terêncio: “Vejo que este homem com grande
pompa vai dizer grandes besteiras”! 108

Certa vez, um velho pastor comentou: “O pregador deve se colocar na


dependência total do Senhor, isto é, deve subir ao púlpito de cabeça baixa, e descer

dele do mesmo jeito”. Em outras palavras, o sermão se inicia com a reverência da

humilde oração e termina da mesma forma. Aliás, no que simbolize talvez um retorno
ao paradigma agostiniano, proponho que a pregação, do momento do seu preparo até

o momento da sua execução, seja visto como ato de louvor.


O pregador, portanto, precisa estar ciente de si, ciente do fato de que todos os

olhos no auditório se fixarão nele e de que (como há de esperar) todos os ouvidos

estarão abertos para ouvir o seu discurso. É claro que todos têm a sua própria

personalidade, uns são extrovertidos e outros introvertidos, e Deus não quer que

deixemos de ser nós mesmos (lembro-me de um pregador nos Estados Unidos que,

antes de se converter, era comediante, cujo estilo no púlpito era utilizar o bom humor
para a glória de Deus!); não obstante, em todos os casos, a linguagem corporal tal

como a linguagem audível serão aquelas próprias de um servo do Senhor. Isso quer

dizer que não há lugar para a ostentação e autoafirmação.

Além de estar ciente de si, o pregador precisa estar ciente do seu ambiente e do

seu público. Microfones e sistemas de som são de grande ajuda contanto que

funcionem bem, e que o usuário saiba usá-los corretamente — caso contrário podem

ser prejudiciais. É importante chegar bem antes do início de qualquer culto ou

encontro, primeiro para orar e se preparar diante do Senhor, e segundo para se

preparar in loco de forma que fale com as pessoas envolvidas na condução do culto

e que cheque o som do microfone, a distância que precisa se manter do microfone

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para falar claramente etc. Contrário ao que alguns pregadores aparentemente pensam,
o microfone foi inventado para que você não precisasse gritar!

Certos cuidados ambientais são importantes. Por exemplo, no Nordeste a maioria


dos templos conta com ventiladores permanentemente ligados nos dias de culto,

alguns dos quais são capazes de levar as notas do pregador, como eu já descobri! A

situação piorou quando o rapaz que cuidava do som da igreja se levantou para
buscar os meus papéis e tropeçou num amplificador, o que gerou risos da

congregação. Tudo isso podia ter sido facilmente evitado se eu tivesse colocado um
clipe nas minhas notas para segurá-las, como meu amigo e pastor daquela igreja,

Márcio Meira, após o culto, me informou (não sem certa ironia!). Vivendo e

aprendendo!

Além de um clipe, outro objeto que o pregador deve levar ao púlpito é o relógio.

É importante registrar mentalmente a hora do início do sermão e já ter em mente a

hora em que gostaria de encerrar. O tempo de sermão varia de pregador, igreja e até
cultura (por exemplo, na Inglaterra um sermão de 20 minutos é considerado aceitável

em muitas denominações, enquanto no Brasil 20 minutos seria muito curto na

avaliação da maioria). O importante é que o pregador seja sensível aos tempos

modernos e aos ouvintes e suas limitações.

Antigamente a sociedade era logocêntrica, movida pela palavra, e as pessoas

tinham o costume de ouvir longos discursos sem perder a concentração. Hoje o

mundo é iconocêntrico, ou seja, a imagem domina, o que significa que as pessoas

facilmente perdem a concentração durante um discurso. Embora alguns achem

chocante o que direi, penso que 25 a 30 minutos é o tempo ideal para um sermão (no

Brasil), 40 minutos no máximo. Isso não quer dizer que ninguém pregue mais ou

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menos tempo; existem pregadores capazes de prender a atenção da plateia durante
uma hora ou mais, mas esses são uma minoria, e eles têm consciência do fato de que

muito do que falam será esquecido pelos fiéis. Como regra, o que for dito depois dos
primeiros vinte minutos do sermão será dificilmente absorvido e lembrado pelos

ouvintes.

Em resumo, o pregador que está ciente de si, ciente do ambiente e sensível aos
ouvintes dará um grande passo para frente. Agora voltemos nossa atenção a um

aspecto absolutamente fundamental para todos os pregadores, mas, por incrível que
pareça, é frequentemente negligenciado: o vocal.

O aspecto vocal: dicas da fonoaudiologia

É altamente recomendável que o pregador consulte um orientador de técnicas

vocais, ou um fonoaudiólogo para que maximize o potencial da sua voz e corrija

quaisquer erros ou impedimentos naturais. À medida que o pregador for ganhando

experiência, conhecerá melhor a sua voz e saberá como utilizá-la para surtir o efeito
desejado; porém, nada substitui a opinião e a ajuda profissional no que diz respeito

ao principal instrumento do pregador.

Conforme os princípios básicos da fonoaudiologia, há certos cuidados

fundamentais com a voz que todos precisam levar a sério. Em seguida, destacamos

os mais relevantes à pregação:

Antes de pregar

Evite o excesso alimentar.

Evite o ressecamento da mucosa: resguarde-se da cafeína, por exemplo.

Evite roupas demasiadamente apertadas, pois atrapalham a respiração.

Aumente a hidratação, bebendo água, especialmente em ambientes com

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ar-condicionado.
Faça um aquecimento vocal (assim como os cantores).

Durante a pregação
Mantenha a postura do corpo ereta, o que ajuda com a projeção da voz.

Mantenha a respiração regular.

Ingira água em temperatura ambiente.


Evite gritaria (a boa teologia fala por si só).

Em termos da comunicação em si, a arte de falar em público exige o equilíbrio e


a síntese de uma série de elementos. Em primeiro lugar, nota-se que o pregador

precisa procurar ser natural no púlpito. Embora os manuais antigos da homilética

prescrevam de que forma o pregador deva se posicionar no púlpito, proibindo uma

postura mais informal, hoje em dia existe o pensamento de o pregador ficar à

vontade — dentro dos limites da razoabilidade. Assim, certas proibições, como

“Não se apoie no púlpito”, nem sempre são válidas.


Em segundo lugar, o pregador tem de desenvolver a expressividade da sua fala,

trabalhando a entonação e a intensidade da voz. O sentido das palavras é passada

não somente pela grafia delas, mas pela forma do anúncio. A mensagem é transmitida

pelo tom, pelo ritmo e pela emoção da voz. Novamente, o silêncio pode ser utilizado

como ferramenta: não se deve subestimar o valor de pausas momentâneas, pois assim

como um aumento súbito no volume da voz chama a atenção dos ouvintes, o silêncio

também funciona para chamar atenção. Antes de apresentar um conceito importante

ou um novo ponto, pode-se pausar brevemente.

Já afirmamos que se deve evitar a gritaria. Embora exista um ou outro pregador

cujo estilo profético depende de um método técnico que gira em torno do grito, tal

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modo é atípico. O reverendo John Stott, um dos melhores pregadores anglicanos da
atualidade (embora recentemente aposentado), fala do púlpito com a maior

suavidade, e raramente levanta a voz. Gritar do púlpito na tentativa de compensar a


falta de conteúdo e preparo teológico é simplesmente inaceitável e nunca compensa.

Por outro lado, o pregador não pode ser vítima da timidez exagerada. É

constrangedor assistir o pregador que, olhos para baixo, murmura inaudivelmente no


microfone. Como adverte Ivo Xavier de Oliveira: “Uma voz mal trabalhada, mal

exercitada, colocada num resmungo, num murmúrio ou com estridência, na maioria


das vezes, põe a perder o brilho de textos bem estruturados, repletos de informações

e citações educativas e evangelizadores, além de cansar quem ouve”. 109

Em terceiro lugar, consideremos a linguagem corporal. Muito mais do que

normalmente se reconhece, no cotidiano, nós nos comunicamos através de

expressões faciais e gestos corporais. Não deveria ser diferente no púlpito. Sem cair

no erro de nos tornarmos exageradamente teatrais — o sermão não é um show —,


podemos aproveitar tais gestos para melhor transmitir a mensagem. Perco a conta do

número de vezes que literalmente apontei para a cruz (vazia) no nosso templo, ou

então aberto literalmente os braços enquanto falava do sacrifício de Jesus na cruz.

Esse tipo de simbologia corporal vem de forma natural e não deve estar ausente nem

ser reprimido no púlpito.

Igualmente importante seria o pregador manter o contato visual com o auditório.

Eu fui ensinado que a melhor técnica para isso é selecionar alguns indivíduos em

lugares diferentes do auditório e tentar estabelecer e manter o contato visual com

esses indivíduos. O fato de esses indivíduos estarem sentados em diversos pontos do

auditório ajuda a dar a impressão de o pregador estar falando para toda a plateia, e

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as pessoas ao redor de cada indivíduo sentirão que o pregador está olhando para
elas.

Cada ministro evoluirá segundo o seu estilo, e, diga-se de passagem, assim como
a imitação de sermões pregados por outras pessoas não convence, a tentativa de

imitar a voz de outro pregador é desaconselhável, pois pode parecer ridículo. Seja

você mesmo, mas seja dedicado e humilde.


Há alguns anos, um membro de uma igreja que pastoreei comentou: “Pastor,

quando o senhor prega, eu me desligo. Não é por nada não, mas o sotaque do senhor
é muito difícil!” Para mim, essa revelação (felizmente não partilhada pelos outros

membros) foi fatal! Porém, mesmo que a maioria não tivesse grandes dificuldades de

me entender, resolvi melhorar a minha pronúncia e a minha fala a partir do

comentário daquele membro. Mas, sendo honesto, não são apenas os pregadores

estrangeiros que precisam melhorar a sua pronúncia — e até, às vezes, o próprio

português!
O ASPECTO VISUAL: A EXECUÇÃO EFETIVA DE UM SERMÃO

PREPARADO

PARA O DATA SHOW

Futuramente, os nossos tempos serão conhecidos como a grande era tecnológica e

a era da comunicação eletrônica. A Internet está presente praticamente no mundo

todo, e tem revolucionado a maneira pela qual vivemos, trazendo a sua mescla de

bênçãos e maldições — sendo grandemente útil ou grandemente perigoso,

dependendo de como ela é utilizada.


Crescentemente, a tecnologia está sendo incorporada nas nossas igrejas e nos

cultos, abrindo novas dimensões e possibilidades — por exemplo, cem anos atrás o

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missionário servindo na África enviaria uma carta à sua igreja para informá-la
quanto ao progresso da obra missionária, processo que levaria algumas semanas;

hoje é comum para missionários falar ao vivo com a sua igreja diretamente da África
através de um video link, com áudio e contato visual, ao simples clicar do mouse,

processo que levaria uns poucos minutos ou até segundos.

A pregação também passa por mudanças com a chegada das novas tecnologias
amplamente disponíveis no terceiro milênio. O retroprojetor, emblema da multimídia

do século XX, está cedendo lugar ao notebook e ao datashow, muitas vezes


conectado à Internet no próprio templo. Os melhores comunicadores — e muitos dos

melhores comunicadores do evangelho — estão cientes do poder da imagem

projetada na tela e não a negligenciam, recorrendo a programas de computador ao

elaborarem seus sermões.

Todavia, é importante que se saiba que com o advento dos novos meios de

comunicação vêm novas armadilhas e novos problemas potenciais. Knud Jorgensen


pergunta: “Como podemos evitar um processo pelo qual os meios de comunicação

transformam o Evangelho em entretenimento?” Existe, de fato, um grande risco de


110

que a mensagem do evangelho seja ocultada pela forma, onde se joga imagens na tela

com uma pletora de enfeites e efeitos especiais. Por isso, é preciso saber como

utilizar a tecnologia com sabedoria e bom senso.

Não pretendo ensinar como utilizar um dado programa de software —

certamente haverá jovens na sua congregação que saberão lhe instruir, caso não tenha

adquirido esse tipo de conhecimento ainda — antes, consideremos como executar

um sermão preparado no computador para a datashow.

Em primeiro lugar, segundo a expressão inglesa, o cachorro tem de balançar o

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rabo, e não vice-versa, ou seja, consoante com a citada advertência de Jorgensen, a
apresentação visual que acompanha o sermão está a serviço do sermão, para

enriquecê-lo e melhor comunicar a mensagem. Em outras palavras, a imagem na tela


nunca substitui a proclamação audível da Palavra de Deus. Isso precisa ser dito, pois

alguns poderiam achar que o uso de datashow durante a pregação significasse uma

economia de tempo em termos da fase preparatória do sermão; mas não é assim. O


pregador tem de estar preparado para pregar, independentemente do datashow

(afinal, às vezes ocorre um problema técnico com a tecnologia, o que impossibilita o


seu uso), e a mensagem deve ser caracterizada por excelência, mesmo sem contar

com as imagens na tela.

Em segundo lugar, qualquer apresentação de sermão na tela deve ser resumir a

um esboço, cuja natureza é concisa. A ideia é simplesmente destacar os elementos-

chave da pregação e apresentá-los de forma clara, simples e direta — facilitando a

compreensão e a memorização do material oferecido. É útil, por exemplo, incluir o


título da pregação e os principais pontos, um por um, à medida que foram abordados

do púlpito. Podem-se aproveitar fotos, figuras e desenhos na apresentação, contanto

que somem ao objetivo e não o desviem dele.

Em terceiro e último lugar, o pregador precisa ter cuidado para que não fique

olhando para a tela. O seu dever como pregador é manter contato visual com os

ouvintes, e embora seja inevitável que olhe de relance ocasionalmente, não deve, em

circunstância alguma, virar de costas para o auditório para verificar o que está

passando no datashow! Enquanto o pregador estiver falando, as imagens e frases

pertinentes a cada fase do sermão serão projetadas por um individuo da confiança do

pregador, cuja tarefa é operar o notebook. O operador do notebook e do datashow

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tem de estar em sintonia com o pregador; por isso, o pregador deve se organizar de
forma que veja todo o esquema do sermão junto com o operador antes de o culto

começar. Novamente, o apoio visual que o datashow traz não reduz o nível de
organização necessária para efetuar uma boa pregação.

Para concluir, talvez alguns estejam pensando que devido à realidade econômica

da sua igreja o tipo de recurso mencionado aqui é simplesmente um sonho


inalcançável. Todavia, no que diz respeito aos equipamentos eletrônicos, a

experiência ensina que com o tempo os preços tendem a cair, e o datashow será
presente em quase todas as igrejas (a não ser naquelas que por algum motivo fazem

objeção ao uso da tecnologia no templo). Igualmente, talvez haja alguns que se

autodenominem tecnofóbicos, afirmando que “não sabem mexer em computador”; se

esse for o caso, então chegou a hora de se atualizar! Não tenha medo, afinal, nada

pode ser mais desafiador do que o próprio ato de pregar o evangelho em público —

algo que você já faz toda semana!


*************
APÊNDICE: MODELOS SE SERMÕES
SERMÃO OCASIONAL (INTEGRAL)
Culto de formatura universitária111
Estimados colegas palestrantes, queridos formandos, familiares, amigos, torcida

geral, é um privilégio estar com vocês hoje para comemorarmos, diante de Deus,

esta ocasião tão especial, a conquista da nossa amada turma.

Queria iniciar com as palavras de Jacob Freud: “Meu filho Sigmund? Esse

menino não vai dar em nada. Esse garoto não tem futuro”. Formandos, durante cinco

anos vocês têm enfrentado lutas e provações diversas. Às vezes vocês têm escutado

vozes negativas de desânimo, desestímulo e dúvidas; não necessariamente a voz


crítica proveniente de outras pessoas; antes, aquela voz interior — “Será que vou

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conseguir terminar esse trabalho? Será que vou conseguir fazer aquela pesquisa?
Será que consigo passar na prova? Será que vou conseguir concluir o meu curso?”

Hoje, podemos dizer com toda certeza: Você conseguiu. Parabéns! Vocês
conseguiram. Parabéns!

Esta noite eu trouxe comigo um dos objetos preferidos das meninas (e de alguns

meninos também): é um espelho. Sabemos para que serve o espelho, não é? Claro, é
para ver se a nossa aparência está em ordem, checar o cabelo etc. (sim, o meu está

bem, estou vendo!), mas se eu pudesse colocar um espelho no seu coração hoje, o
que você veria? Um coração contente com esse tão merecido triunfo, um coração

esperançoso com essa nova etapa na sua vida, um coração cheio de expectativas

quanto à atuação profissional que há de vir.

Como o ilustre prof. Sílvio afirmou ontem: no meio do imediatismo hodierno, no

meio da fragmentação socioexistencial, vocês, cada um e cada uma, estão

construindo a sua história de vida, a sua própria grande narrativa, por assim dizer.
Mas todo construtor precisa de um fundamento sólido para que quando vierem as

tempestades da vida, o edifício permaneça enraizado, firme e forte. Então,

formandos, eu lhes pergunto: Sobre que tipo de fundamento, que tipo de alicerce

você vai construir a sua vida profissional, pessoal e familiar?

O escritor Mark Baker escreveu um livro intitulado Jesus, o maior psicólogo que

já existiu. Por melhor que seja esse livro, Jesus nunca fez tal afirmação. Na verdade,

o que Jesus Cristo afirmou sobre si era muito mais ousado: “Eu sou o caminho, a

verdade, e a vida”. Que afirmação impressionante!

Para a frustração da teoria pós-moderna, Jesus não disse: “Sou um caminho

possível de vários”, nem tampouco: “Sou uma entre várias verdades”, como se a

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verdade fosse parecida com uma televisão — basta escolher o modelo e a marca.
Não! Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade, e a vida”.

Ou ele é, ou ele não é. Ou Jesus se equivocou, ou ele era mentiroso, um charlatão


enganando o povo, ou então um louco se achando o próprio Deus. Ou, por outro lado,

ele era realmente o que afirmava ser, o Filho de Deus, o caminho, a verdade e a

vida.
Eu creio nas afirmações do Senhor Jesus. Creio que Jesus é a resposta divina

para um mundo aparentemente sem respostas. Creio que Jesus é a esperança divina
para um mundo aparentemente sem esperança e creio que Jesus Cristo, o Filho de

Deus, que morreu na cruz do Calvário por mim e você, é o fundamento e o alicerce

sobre o qual cada um de nós podemos construir a nossa vida, na certeza de que ele

nunca nos decepcionará e nunca nos abandonará.

Queridos formandos, muita gente vai voluntariamente abrir a mente e o coração

para vocês na sua vida profissional. Jesus Cristo quer que você abra o seu coração
para ele; daí, sim, você terá um alicerce inabalável, como o salmista diz: “Socorro

bem presente nas tribulações”. Desejo-lhes o maior sucesso nas esferas profissional,

pessoal e familiar. Como diz o autor evangélico Augusto Cury: “Nunca desista dos

seus sonhos”.

Contem com minhas orações e, sobretudo, contem com Deus.

Muito obrigado, e que Deus abençoe a todos vocês.

(ESBOÇO)

Título

Jesus: o caminho, a verdade e a vida.

Saudações

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Saudar as autoridades presentes, os formandos e seus familia- res e amigos.
Abertura

Citação de Jacob Freud: “Meu filho Sigmund? Esse meni- no não vai dar
em nada. Esse garoto não tem futuro”.

As diversas lutas experimentadas durante o curso.

Congratulações pela conquista da formatura.


Ponto 1

Ilustração do espelho.
Pergunta 1: “Se eu pudesse colocar o espelho no seu cora- ção, o que

você veria?”. Corações felizes com muitos pla- nos para o futuro.

Pergunta 2: Sobre que tipo de fundamento ou alicerce vo-

cê vai construir sua vida profissional, pessoal e familiar?

Ponto 2

Livro de Mark Baker: Jesus, o maior psicólogo que já existiu.


Jesus não apresentou como o maior psicólogo. Ele afir- mou: “Eu sou o

Caminho, a Verdade e a Vida”. Ele podia afirmar tal coisa? Ele era

mentiroso, charlatão, louco ou estava realmente dizendo a verdade?

Ponto 3

Jesus é o Filho de Deus: (1) a resposta divina para um mundo

aparentemente sem respostas; (2) a esperança di- vina para um mundo

aparentemente sem esperança.

Ele é o fundamento sobre o qual possamos construir a

nossa vida profissional, pessoal e familiar com segurança!

Conclusão

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Congratular novamente os formandos e incentivar os pre- sentes a buscar Jesus
como fundamento e alicerce da vida.
*************
SERMÃO EVANGELÍSTICO
(INTEGRAL)
O que devo fazer para ser salvo?
Atos dos Apóstolos é um dos livros da Bíblia. Há uma his- tória interessante no

capítulo 16. Dois homens estão presos: o apóstolo Paulo e seu companheiro Silas.

De que foram acusa- dos? Simplesmente de pregar o evangelho de Jesus Cristo.


Na prisão, eles oraram a Deus. Em resposta às orações des- ses missionários,

Deus mandou um imenso tremor, que sacu- diu a cadeia tão violentamente que as

portas das celas acabaram se abrindo, e as cadeias se soltaram, libertando assim os

presos.

A princípio, diante desse acontecimento visivelmente so- brenatural, o carcereiro

(ou agente penitenciário) desesperou- se ao pensar que os presos tivessem fugido.

Ele está a ponto de se suicidar, quando Paulo diz a ele que os prisioneiros estão
presentes ainda, que ele não precisa se precipitar. A pergunta do carcereiro revela

que ele entende que esse foi um ato de Deus. Ele perguntou: “O que devo fazer para

ser salvo?”

Tomamos essa pergunta como tema da nossa pregação. “O que devo fazer para

ser salvo?” Estritamente falando, a resposta é nada. Por quê? Porque Deus já fez

tudo. Deus já fez tudo. A Bíblia diz em 1Timóteo 1.15: “Fiel é a palavra e digna de

toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores...”.

Jesus veio — vejam que o tempo do verbo é passado. Jesus veio para salvar os

pecadores. É o que diz a passagem mais co- nhecida da Bíblia, João 3.16: “Porque
Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o

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que nele crê tenha a vida eterna”. Deus amou ao mundo, e Deus deu seu Filho —
novamente, tempo passado.

Ou seja, a iniciativa da salvação era de Deus, e a salvação já é um fato


consumado, algo já realizado, já feito. Na semana passada eu e a minha esposa

estávamos jantando com um ca- sal amigo nosso. De repente, o meu amigo se

levantou da mesa, falou no ouvido da sua esposa e saiu. Depois de um tempo ele
voltou à mesa e me entregou um papelzinho com aquele ca- rimbo: “Pago”. “Ah!”,

pensei, “esse meu amigo é demais! Foi esperto e pagou a conta sem eu ter visto! É
um amigo bom mesmo; até o estacionamento de R$ 3,00 ele pagou!” Mas ve- jam: o

preço foi pago, a minha dívida foi anulada, acabou.

A Bíblia toda é como se fosse aquele papelzinho com aquele carimbo “Pago”. A

mensagem da Bíblia é resumida nisto: Jesus morreu na cruz; “o justo pelo injusto”, e

pagou com a sua vida o preço dos meus pecados para que eu pudesse ser

reconciliado com Deus, para que eu pudesse viver nova e eternamente.


Diferente de outras religiões e crenças — e entendam que falo dessas religiões

não com desrespeito nem desprezo, an- tes, as vejo como alvo do amor de Deus e do

meu amor — o cristianismo afirma de forma radical: “Você não pode fazer nada para

ser salvo”. Por mais que a pessoa se esforce para ser boa, nunca vai ser

suficientemente boa para Deus, porque continua pecadora. Os padrões de Deus são

dos mais altos, pois ele é totalmente santo (a Bíblia usa uma fórmula tríplice para

destacar essa santidade: “Santo, Santo, Santo”). Alguém pode ser uma boa pessoa;

porém, por melhor que seja, ele nunca vai ser bom o suficiente para entrar no céu. A

salvação não é algo que se compre; não é algo que se possa obter ou adquirir através

das suas boas intenções, boas ações etc. A sal- vação é dada, e foi dada livremente

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por Deus.
Que devo fazer para ser salvo? Uma coisa apenas. “Crê no Senhor Jesus e serás

salvo, tu e tua casa” (Atos 16.31). Em ou- tras palavras, aceitar o convite que Deus e
ser seguidor de Jesus.

Responda-me: O que você faria se ganhasse um belo e caríssimo carro de alguém

que você ama e confia, com tudo pago, incluindo a documentação e o seguro? Alguns
talvez respondam: “Aceitaria no ato”. E o que você pensaria de al- guém que

recusasse o presente? A resposta talvez fosse esta: “Essa pessoa só pode estar louca.
Como alguém poderia rejei- tar um presente tão bom? Já está tudo pago. Basta

aceitar e levar!” Todavia, é isso o que acontece todos os dias quando alguém que já

conhece a mensagem do Evangelho, alguém que já sabe algo da cruz de Cristo e da

salvação se fecha para essa mensagem, não abre o coração para Deus e assim rejeita

o dom da vida eterna. Digamos que aquele carro valesse uns 200 mil reais. E qual o

preço da vida eterna? O que poderia se comparar com uma eternidade na glória, em
felicidade cons- tante e infinita na presença de Deus?

O que é que devo fazer para ser salvo? Nada, a não ser crer, e crer significa,

como disse um teólogo, aceitar que, embora inaceitável, Deus me aceitou e me

aceita. Deixe-eu dizer isto novamente: “Aceitar que, embora inaceitável — sou

inaceitá- vel, pois sou pecador, com mil defeitos, fraquezas e pecados —, mesmo

assim Deus me aceitou e Deus me aceita. Deus acei- tou e Deus aceita você, o amou

e o ama, mesmo com os defei- tos, as fraquezas e os pecados que você tem.

Reconhecer essa necessidade de aceitar a salvação de Deus, reconhecer que é

pecador que precisa de um Salvador leva em direção ao arrependimento pelos

pecados e o começo de uma nova vida seguindo Jesus. Isso é o que se chama

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conversão. Está lá em 2Coríntios 5.17: aqueles que estão em Cristo Jesus são novas
criaturas, com uma nova vida, uma vida transforma- da por Deus.

Um bom símbolo dessa transformação é a borboleta. Ela passa por várias fases
na vida, mas, no fim, se torna uma linda criatura. A verdadeira conversão traz

transformação verda- deira. Com Cristo, é possível o avarento se tornar generoso;

pela graça de Deus, o amargo se torna doce, o soberbo se tor- na humilde e a


fofoqueira (ou o fofoqueiro) se torna alguém que tem algo bom para dizer sobre

todos. Enfim, o que era perdido se transforma em servo do Senhor, e a que vagueava
pelos caminhos escuros da vida se transforma em filha da luz, para a honra e glória

do Senhor Jesus.

O que é que Jesus diz para cada um de nós, para cada um de vocês nesta hora?

Arrependa-se e creia, porque o Reino de Deus está próximo. Não deixe para amanhã

— Jesus chama você hoje. O presente já está ganho, já foi dado. Jesus estendeu suas

mãos na cruz por mim e você, e neste momento ele estende a mão a você em convite.
Entregue seu coração a ele. Aceite o perdão de Deus e viva uma nova vida

transformada no e pelo poder do Espírito Santo, em nome de Jesus. Amém.


(ESBOÇO)
Título

O que devo fazer para ser salvo?

Abertura

Breve descrição dos eventos do trecho em Atos 16.

Ponto 1

O que devo fazer para ser salvo? Resposta: Nada.

A salvação é pela graça, mediante a fé em Cristo (Jo 3.16; Ef 2.8).


Ilustração: uma conta paga por outra pessoa.

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A mensagem da Bíblia é: Jesus morreu na cruz, “o justo pelo injusto”, e
pagou com a sua vida o preço dos meus pecados, para que eu pudesse ser

reconciliado com Deus, e viver uma nova vida e eternamente.


Ponto 2

O que devo fazer para ser salvo? Resposta: Uma coisa ape- nas: Crer no

Senhor Jesus (Atos 16.31).


Deus não obriga ninguém é crer nele, mas oferece o seu

amor e a salvação à humanidade. Ilustração: um sujeito ganha o prêmio


precioso no sorteio, mas, acaba rejeitan- do-o: não faz sentido rejeitar

aquilo que é valioso e dado de graça, mas muita gente age assim em

relação à salva- ção que Deus livremente dá.

Ponto 3

O que é que devo fazer para ser salvo? Nada, a não ser crer.

Crer significa, como disse um teólogo, aceitar que, embo- ra inaceitável,


Deus me aceitou e me aceita.

Sou inaceitável, pois sou pecador, com mil defeitos, fraquezas

e pecados. Mesmo assim, Deus me aceitou e me aceita. Ele aceitou você e

o aceita, amou você e o ama, mesmo com os defeitos, as fraquezas e os

pecados que você tem.

Arrependa-se e creia, porque o Reino de Deus está próximo.

Conclusão

Jesus, que estendeu os braços na cruz do Calvário para salvar você, hoje estende

os braços em sua direção, para que você possa crer nele e ser salvo.
*************
SERMÃO TEMÁTICO

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(INTEGRAL)
Sendo um Timóteo:

Vivendo na fé com coragem e ousadia!


“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas trans- formem-se pela renovação

da sua mente para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável

e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2)


O apóstolo Paulo confiava no jovem pastor Timóteo. Ape- sar de ser jovem, o

coração de Timóteo era voltado para Deus. O Senhor ainda procura Timóteos e
Timóteas para construir seu Reino.

Para você se tornar eficaz no serviço ao Senhor, basta apli- car os seguintes

princípios na sua vida:

1. CONDUTA EXEMPLAR (1TM 4.12)

Na fala, nas ações, no amor, na fé e na pureza.

Timóteo tem os seus olhos no alvo, que é Cristo. O após- tolo Paulo o aconselhou
a ser “diligente” (1Tm 4.15), e o mes- mo se aplica a nós. A vida para a qual Jesus

nos chama é a vida no Espírito Santo. Isso quer dizer libertação do pecado, dos

valores errados e dos vícios, e liberdade para viver uma nova vida caracterizada

pela santidade.

Posso honestamente levantar a minha mão e dizer das minhas conversas, atitudes,

ações etc. que tenho dado 100% para Deus? A minha conduta tem sido exemplar? Se

você tivesse de dar uma nota de 1 a 10 referente à sua conduta como seguidor(a) de

Jesus, qual seria essa nota (faça para as cinco áreas: fala, ações, amor, fé e pureza)?

Você precisa de um novo começo em alguma área da sua vida? Em Cristo nós temos

perdão e um novo começo, apesar dos nossos er- ros! Contemple o sacrifício de

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Jesus na cruz do Calvário e renove o seu coração diante de Deus hoje: sendo
exemplo na fala, nas ações, no amor de Deus e do próximo, na fé e na pureza.

2. CUIDADO COM A DOUTRINA (1TM 1.3-5)


Vocês conhecem uma música infantil cuja letra diz “Leia a Bíblia e faça oração,

se quiser crescer”? Isso tem a ver com fundamento e base. A sua fé tem base? Que

tipo de base? O entusiasmo para o Reino de Deus é característico dos jovens


cristãos e dos novos convertidos. Contudo, fortes emoções têm que ter uma base

sólida — essa base é a Palavra de Deus (cf. 2Tm 3.16). Quem não leva a leitura da
Palavra a sério terá grandes dificuldades em responder ao amigo que é espírita, ao

colega ateu, e ao próprio irmão da igreja que quer ajuda em entender algum

passagem da Escritura. Se a sua leitura da Bí- blia refletisse o seu compromisso com

Deus, como seria o seu compromisso — forte ou fraco? O meu conselho para você é

o seguinte: Beba, beba sem moderação, beba profundamente e se embriague — nas

Escrituras Sagradas! Jesus é a fonte da vida; portanto, beba na Palavra todo dia, e
daí você crescerá em conhecimento, sabedoria e graça. Renove hoje o seu com-

promisso com a Palavra de Deus.

3. COLABORAÇÃO COM A LIDERANÇA (1TM 1.18)

“Este é o dever de que te encarrego...”. Timóteo era o seu braço direito do

apóstolo Paulo. Confiava nele e dependia dele para cuidar do povo de Deus quando

ele não pôde estar presente. Submissão e parceria — foram essas as expectativas

que o apóstolo Paulo tinha de Timóteo. O Reino de Deus não autoriza a carreira

solo: somos uma equipe (com o me- lhor técnico de todos os tempos!).

Assim, como têm sido as suas atitudes perante a liderança da sua igreja? Até que

ponto seus líderes espirituais podem confiar em você? Você tem se mostrado

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respeitoso e submis- so diante deles? Se você ocupa algum cargo de liderança, está
trabalhando em parceria com seus liderados? Você consegue valorizar as outras

pessoas, ou existe ainda um egoísmo do qual Deus precisa libertá-lo? Paulo e


Timóteo trabalharam em equipe. Como está a sua equipe? Não perca tempo: reno- ve

hoje o seu compromisso com a liderança da igreja, renove seu compromisso com o

Senhor.
4. COMBATENTE NA GUERRA ESPIRITUAL (1TM 6.11-12)

“Tu, porém [...] combate o bom combate da fé”. Romanos


12.2 nos relembra que o mundo caminha conforme a sua di- reção, mas que o

nosso dever é buscar os padrões divinos e viver conforme eles. Essas duas palavras

“Tu, porém” nos advertem que somos chamados para pertencer a Deus, e para viver

para a honra e glória dele. Ninguém disse que isso seria fácil. Na verdade, somos

combatentes na guerra espiritual — combate o bom combate da fé. Existe um trecho

no livro O Peregrino, de John Bunyan, que fala da luta do cristão para chegar a seu
destino celestial, e o autor diz que o cristão é atingido e ferido diversas vezes, mas

que não desiste da luta. Muitas vezes é assim. A vida nos fere, as pessoas nos ferem,

nós mesmos somos capazes de acionar o botão da autodes- truição, mas Deus sempre

nos chama de volta a ele. Nesse combate, sabemos que existe um mundo de diferença

entre o soldado comum e a tropa de elite! E você, é do BOPE de Cristo? Renove o

seu compromisso a lutar pelo evangelho de Cristo.

CONCLUSÃO

A partir de hoje, no poder do Espírito Santo de Deus, a sua vida pode mudar.

Basta abrir o seu coração e deixar Jesus vol- tar ao centro dele. Tenha fé — não nas

suas habilidades, mas no poder de Deus. Fique firme na doutrina de Deus. Seja co-

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rajoso no combate, seja ousado na santidade do seu viver, co- labore com a
liderança da sua igreja e renove o seu coração. Assim você será um Timóteo em e

para a sua geração!


Oremos.

(ESBOÇO)

Título
Sendo um Timóteo: vivendo na fé com coragem e ousadia!

Abertura
Iniciar com a leitura de Romanos 12.2: uma orientação para os Timóteos da

atualidade.

Ponto 1

Conduta exemplar (1Tm 4.12).

Auto-avaliação para os ouvintes: uma nota de 1 a 10 como forma de

avaliar o seu testemunho cristão.


Perguntas: O seu comportamento tem sido exemplar? A sua fala e sua vida

têm sido caracterizadas pela santidade de Deus?

Ponto 2

Cuidado com doutrina (1Tm 1.3-5).

Perguntas: Será que temos estudado a Palavra de Deus de- vidamente?

Será que estamos separando tempo para ler a Bíblia? Como

responderemos aos descrentes e adeptos de outras religiões não tivermos

conhecimento bíblico?

Ponto 3

Colaboração com a liderança (1Tm 1.18).

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O apóstolo Paulo contava com a ajuda de Timóteo. Per- gunta: Os seus
líderes confiam em você?

Na igreja, a obra deve ser feita por uma equipe. Não existe carreira solo.
Pergunta: Como tem sido a sua atitude pe- rante outros irmãos e irmãs?

Se o seu relacionamento com irmãos e com a liderança não está bom, não

perca tempo: renove hoje o seu com- promisso com a liderança da igreja,
renove seu compro- misso com o Senhor.

Ponto 4
Combatente na guerra espiritual (1 Tm 6.11-12).

“Tu porém...” O cristão necessita remar contra a maré do mundo secular

(Rm 12.2). Existe uma luta na vida cristã, e sabemos que há toda

diferença no mundo entre o solda- do comum e a tropa de elite! Você é do

BOPE de Cristo?

Conclusão
Você pode ser um Timóteo!

Seja corajoso no combate e ousado na santidade de vida. Colabore com a

liderança da igreja e renove o coração.

Assim você será um Timóteo em e para a sua geração!


*************
SERMÃO EXPOSITIVO112

GÊNESIS 37.1-11 E 45.1-15

(INTEGRAL)

Assim como a prosperidade e a riqueza nem sempre du- ram para sempre, em

pouco tempo, José está sonhando so- nhos não como o filho mimado de papai, mas
como jovem preocupado e emocionalmente ferido em uma prisão no Egito. Como foi

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que ele chegou lá? Afinal, todo líder tem um começo, e em Gênesis 37, logo no
início, vemos que José está vibrando com o presente que acaba de ganhar do pai. O

que é essa túnica longa (NVI), ou como outra tradução diz “túnica com mangas”, que
ele ganhou? O que representa essa veste colorida?

O fato de ter sido presenteado a ele por Jacó nos diz sobre o que se trata esse

momento. José não é o primogênito, talvez nem seja o filho mais inteligente, mas era
o filho favorito do pai, e essa túnica colorida, essa túnica de mangas longas era o

sinal que José era o herdeiro. Vocês entendem por que os seus irmãos o odiaram?
Deveria ter sido Rúben, ou se ele não ti- vesse sido bom o suficiente, algum outro;

mas não, foi o filho da sua esposa favorita que Jacó escolheu para ser seu número

um. Então, quando José começa a ter esses sonhos dos feixes de trigo se curvando

diante do dele, e do sol, da lua e das estrelas — bem, se você vai sonhar, vale a pena

sonhar grande — representando a sua mãe, seu pai e os seus irmãos se pros- trando

diante dele, penso que é justo afirmar que a culpa não foi apenas de José. Tudo o que
o seu pai fez em relação a ele, fez com José acreditasse que ele era o favorito, a

grande estrela da história. E José foi criado assim — mimado e ferido, tanto pelo

favoritismo do pai quanto pelo ódio e pela traição dos seus ir- mãos. Eis a família

disfuncional de Jacó, incluindo duas esposas e duas concubinas que passam a

maioria dessa parte de Gênesis brigando entre si. Não é o tipo de lar que leva o

adolescente a uma vida equilibrada — e foi nesse contexto que José estava inserido.

Mas isso não muda o fato dos erros do próprio José. Fal- tou-lhe diplomacia. Ele

compartilha o sonho com os irmãos e logo corre ao pai — isso está em Gênesis 37.4

— como dedo-duro, contando a Jacó quem está bebendo, quem está dormindo

quando deveria estar trabalhando, quem está sen- do preguiçoso etc. Esse orgulho,

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essa aceitação do favoritis- mo do pai mostra que não há nenhum grau de humildade
da parte de José. Por outro lado, lembramos que ele era jovem, talvez não

deveríamos ter expectativas tão altas dele, afinal, uma vez que alguém seja tratado
como se fosse a estrela da história, é natural que desenvolva um caráter soberbo. Ou

talvez seja uma daquelas ocasiões em que a fraqueza natural do indivíduo e a

maneira pela qual é tratado pelos pais com- binam de forma que ele é transformado
numa versão vetero- testamentária de John McEnroe, o tenista que ficou famoso pela

atitude soberba e pela tendência a agir descontrolada- mente.


Bem, não é para surpreender que os seus irmãos come- cem a odiá-lo. Eles

maquinaram um plano para assassiná-lo, plano que é reduzido em seguida ao

sequestro e a venda dele à escravidão. Chegam até a enganar o velho pai deles, pri-

vando-o de qualquer esperança quanto à sobrevivência de José ao mostrar a túnica

que molharam no sangue de um ani- mal. Veja o que nós achamos pai, o que é que o

senhor acha? Jacó conclui: “Algum animal o pegou — lamentarei o resto dos meus
dias até que os meus olhos se fechem em morte”.

Realmente, José era um caso sério, não era? O favoritis- mo do pai, o seu

próprio caráter — mais orgulho do que humildade, mais egocentrismo do que

serviço — e, para com- pletar, o ódio e a traição dos irmãos que fizeram com que o

garoto fosse levado em cativeiro por mercadores de Midiã, e vendido a Potifar,

capitão da guarda do faraó. Tudo bem, José foi tratado razoavelmente bem ao chegar

ao Egito, mas eu o imagino sonhando enquanto deitado no seu quarto — trabalhando

na tentativa de subir na hierarquia dos escravos —, agora não eram sonhos de feixes

de trigo se curvando diante do dele, nem do sol ou da lua, esses não eram sonhos

aquecidos à luz do riso do seu pai, e sim, sonhos lavados pelas lágrimas fúteis da

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sua juventude.
Aqui é alguém, contaminado e ferido pelos próprios pe- cados, pela sua livre

escolha a andar pelo caminho errado, o mesmo caminho em que as livres escolhas de
outras pessoas foram executadas de forma que ele acabou sendo o vítima. E é aqui

onde José começa.

Às vezes, quando estamos sentados ouvindo a Palavra de Deus, ficamos com


vontade de dizer algo do tipo: “Você não pode aplicar isso à minha vida porque eu

não fui criado assim”. Ou: “Não entendo como poderia servir a Jesus da- quela
forma porque a minha experiência não foi essa”. Ou: “Não podem me pedir para

trabalhar nessa área porque já vivo sob muita pressão no meu trabalho”. Ou: “Tenho

esses problemas do meu passado”. Ou francamente: “Sou um pe- cador miserável e

não presto”. Na realidade, todos somos“miseráveis pecadores”, mas Deus conta

conosco mesmo as- sim. Quero que entendamos que todos somos contamina- dos

pelo pecado, mas também quero dizer que somos, ao mesmo tempo, “salvos em
Cristo Jesus”. Deus seja louvado!

Você percebeu na leitura de Gênesis 37 (e teria sido a mes- ma coisa se

tivéssemos lido o capítulo inteiro) que Deus não entra na história? Deus é deixado

fora. Quando Deus é dei- xado fora, vejam o que acontece. Talvez ele seja deixado

fora por causa do sofrimento pelo qual um dia passamos: “Se Deus realmente

existisse, isso ou aquilo não teria acontecido co- migo; eu não teria sido

ridicularizado na escola, não teria contraído aquela doença, não teria perdido o

emprego etc.”. Talvez ele seja deixado fora por causa do relacionamento que

iniciamos, ou pelo zelo com o qual vamos atrás da nossa carreira ou do nosso

caminho na vida. Quando Deus é dei- xado fora, como diz a música José, de Andrew

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Lloyd Web- ber, “qualquer sonho serve”. É essa a lição de Gênesis 37. Até que Deus
entrasse na história, José estava ferido, sonhan- do que a sua vida iria para algum

lugar. Mas faltava Deus, faltava paz e faltava a esperança eterna.


Ora, não duvido que alguns de nós, hoje, pelo menos em alguma parte da nossa

vida, estejam passando por uma situação semelhante. Há gente incrivelmente

inteligente, o mundo aos seus pés, oportunidades de emprego, maravi- lhosos


relacionamentos (namoro e casamento) e tal, ou tal- vez haja gente se sentindo

inadequada por causa da falta dessas coisas. E o sentimento é que “qualquer sonho
serve” para minha vida, e Deus torce para que a gente vire a pági- na do capítulo 37

para o capítulo 39, pois é precisamente quando José sente que ele está perdido e

ferido que Deus vai intervir.

Tudo começa na casa de Potifar, quando José entendeu o que significava

realmente esse negócio de escravidão. Gêne- sis 39.2 diz: “O SENHOR estava com

José”. Nessa seção, é a primeira vez que Deus é mencionado, de forma que José tem
que chegar ao fundo do poço para seja permitido a Deus entrar na sua vida. Ora, isso

é interessante, não é? Você já sentiu que, às vezes, quando tudo vai muito bem, Deus

tem que bater bem forte na sua porta, quando, na verdade, você está ocupado demais

para atendê-lo? Pelo menos, na minha experiência é assim. Nos dias em que tudo

está uma maravi- lha, a equipe pastoral está indo bem, os computadores estão

funcionando, os dízimos entrando e os convites para eu pre- gar chegando, é a coisa

mais fácil do mundo esquecer que existe um Deus que estamos servindo.

Por outro lado, naqueles momentos quando a tarefa pa- rece maior do que eu, os

desafios maiores que os dons e quan- do você acaba de ser mal-interpretado por

alguém, você diz: “O.k., Senhor, preciso de ti agora”. Se você está em uma situação

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semelhante a essa, isso é para você. E se a sua vida está tão bem-sucedida, tão
estressante ou ocupada, por que você não deixa Deus entrar agora antes que você

chegue ao fundo do poço?


Então, José está aprendendo a liderar — e nós notamos que agora Deus está em

primeiro lugar. É a história da mu- lher de Potifar. Eu não posso garantir que ela se

parecia com uma linda loira, mas, certamente, ela era muito atra- ente, e não era uma
prioridade do seu marido, que a deixa- va sozinha em casa. Eis José, com toda

aquela testosterona sem destino, e a esposa de Potifar quer ser o seu destino. Deve
ter sido realmente tentador, pois a tentação é real, não é? Não importa o tipo de

tentação, você conhece a sua fraqueza particular, e sabe como isso é real. Se não

fosse tenta- dor, a tentação não seria tentação não é? Por que será que são aqueles

pães doces de chocolate cheios de calorias que são tão tentadores? Bem, não para

alguns de vocês, mas para alguns de nós... Por que será? Bem, porque a tentação é

tentadora. É por isso que é tão maravilhoso seguir um Salvador que, con- forme a
Escritura, “foi tentado em tudo, mas sem pecar”.

Gostaria de lhes perguntar o seguinte: Vocês realmente acreditam que Jesus

passou por todas as tentações, inclusive aquelas às quais nós não queríamos ser

sujeitados? Às vezes pensamos que Jesus experimentou só as “tentações respeitá-

veis”, que tenha sido tentado a falar dos outros talvez, mas não que tenha passado

pelas tentações menos respeitáveis. Mas isso não é o que a Bíblia diz, não é? A

humanidade de Jesus significa que ele experimentou todas, e que, portanto, ele sabe

como é para José ser tentado por aquela mulher lindíssima.

Vejam, por favor, o que José disse: “Não posso fazer isso, não posso ultrajar seu

marido, e não posso pecar contra Deus”. Algo aconteceu na vida de José na

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escravidão. Ele se lembrou da fé dos seus pais: Deus está em primeiro lugar. Afirmo
que, se nós queremos liderar, e na verdade, servir a Jesus, temos que aprender esta

lição logo cedo enquanto jovem: Deus tem de estar em primeiro lugar. Uma das
maiores tentações hoje para essa gente que vive sobrecarregada e ocupadíssima no

meio de suas carreiras é dizer: “Quando chego a tal cargo na empresa... quando

organizo tal relacionamento... quando nós tivermos três filhos... quando o que for que
seja, então, terei tempo de buscar Deus em primeiro lugar. Quero dizer que se

pensamos assim, estaremos pensando do mesmo jeito no dia antes da nossa morte. O
momento nunca chegará. Tome uma posição agora!

José, aprendendo a liderar, tem que colocar Deus em primei- ro lugar. Assim,

notamos nos capítulos 39 e 40 que ele desen- volve os dons que tem, e esses dons

vêm em duas categorias: primeiro, os dons naturais, digamos, da criação. José é

excelente administrador. Quem me dera possuir esse dom! Não o tenho, mas deve ser

uma maravilha. José entra na presença do faraó, diz que haverá sete anos de fome e
antes sete anos de plenitude, e em vez de entrar em pânico, mantém a calma e diz:

“Vossa Majestade, precisamos fazer o seguinte: achar um cara que te- nha visão, mas

que seja detalhista ao mesmo tempo (uma com- binação rara), e daí, vamos separar e

armazenar a comida, então faremos isso e aquilo etc.”

Observe, por gentileza, que Deus utiliza esses dons de José. Por favor, não

subestime os dons que você tem naturalmente como alguém criado à imagem e

semelhança de Deus. Esses dons são válidos tanto quanto aos mencionados no Novo

Testamento como dons do Espírito, pois todos vêm do mes- mo Deus doador, e ele

quer que você use esses dons para ser- vi-lo melhor. Você é administrador

competente? Ótimo! Aplique o seu dom para que aquilo que você está gerenciando

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se organize conforme princípios cristãos — que todos traba- lhando sob a sua
autoridade saibam o que significa trabalhar por alguém que está sob a autoridade de

Deus e a seu serviço. Você trabalha de forma que os colegas percebam em você o
caráter de Jesus?

José também aprendia a utilizar outros dons — dons espiri- tuais, nesse caso, a

interpretação de sonhos. Sonhos, no mun- do antigo, eram considerados muito


importantes, como ve- mos no livro de Daniel. Os sonhos têm um significado. Deus,

como evangelista sem par, fala à cultura em uma linguagem que ela compreende;
nesse caso, a linguagem dos sonhos. E José aprende a desenvolver os seus dons em

paralelo harmonioso — seja a administração da cadeia, da casa de Potifar ou do

Egito inteiro, seja a interpretação do sonho de um colega prisioneiro (onde a um ele

noticia a execução pendente em três dias, e a outro noticia a reconquista do emprego

em três dias), seja a interpreta- ção do sonho que dará pão a milhares de pessoas

durante sete anos de fome. São essas duas categorias de dons que José aprende a
desenvolver sob a soberania de Deus.

Quero lhes perguntar: Aqueles dons que Deus lhe deu, os naturais e os

espirituais, estão genuinamente a serviço dele? Você já disse alguma vez: “Senhor,

eis os meus dons, como é que o senhor pode usá-los? Ou: Posso utilizá-los na igreja

os dons que utilizo no trabalho? Novamente: Os dons que utilizo na igreja serão de

alguma utilidade no mundo? Aquela habili- dade de escutar os problemas dos outros

não seria bem empre- gada no ambiente do trabalho, depois do jogo, ou no colégio?

Vejam que José faz o seu trabalho em parceria com Deus. Quando Potifar diz:

“Saquei, José, você consegue interpretar sonhos”, assim como Daniel séculos

depois, José diz: “Bem, eu não, mas Deus sim — me diga qual o sonho e Deus dará

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ao faraó a interpretação”. Há uma parceria com Deus da mesma maneira que o Novo
Testamento dirá que somos co-obreiros de Cristo. Assim como José aprende a

liderar, ele aprende a ser parceiro de Deus. Pois bem, se já falamos sobre o que
acon- tece quando Deus é deixado fora, vamos ver agora o que acon- tece quando a

Deus é permitido entrar na vida.

José executa seu plano para salvar o Egito, e sentimos que há uma empolgação
naquilo que ele está fazendo. É o prazer do bom administrador desempenhando seu

papel. Mas eu pergunto: Quando aprendemos a liderar com Deus, será que
planejaremos para crescer, e será que cresceremos conforme o plano de Deus para

nossa vida? Estamos nos empenhando para desenvolver os dons outorgados por ele,

ou estamos conten- tes em deixá-los no nível que atualmente estão?

Eu preguei em uma igreja de uma pequena vila de 1.300 habitantes. A igreja

lotou, e aquela congregação conta com mais de cem membros; pelos padrões da

Igreja da Inglaterra essa é uma igreja que está indo bem. Qual o grande perigo para
aquela igreja? O comodismo. A questão para eles e a ques- tão para nós é, vocês

estão dispostos a desenvolver os seus dons ainda mais? Será que estamos crescendo

dentro daquele plano que Deus tem para a nossa vida?

Por último, pensemos sobre o final da história que vocês podem ler depois, a

parte em que a comida da família de José acaba e os irmãos, menos Benjamim, vão

ao Egito em busca de alimento. A esses é dado o trigo e devolvido o dinheiro com

que pagaram, pois José os reconhece. Eles voltam para casa, mas são informados de

que não receberão mais trigo a não ser que levem o caçula Benjamim na próxima

vez. Jacó acaba per- mitindo essa ida de Benjamim, mas essa vez o cálice prateado

de José é encontrado entre os pertences dos irmãos, e José cria essa encenação

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aparentemente para ensinar uma lição aos ir- mãos sobre o pecado deles de outrora.
José, contudo, não con- segue guardar as suas emoções durante muito tempo, e manda

os seus servos saírem, chora copiosamente e, em seguida, há essa maravilhosa


reunião com os seus irmãos (Gênesis 45).

Se você quer viver e liderar como o Senhor, e sob o Se- nhor, aqui estão algumas

coisas que deveriam acontecer se- gundo José. Primeiro, perdoe com a graça de
Deus. De todas as pessoas que não mereciam ser perdoadas por José, os seus irmãos

deveriam estar no topo da lista. Mas, na verdade, José tem grande prazer em
comunicar-lhes que estão perdoados. E isso não apenas uma vez, pois quando Jacó

faleceu, os irmãos pensavam “talvez José nos tratou bem até agora somente por

causa do nosso pai”, então se prostraram e disseram “somos os teus escravos”, mas

José disse: “Não, vocês não são meus escravos. Falei sério quando eu disse que

havia vos perdoado... Vocês intencionavam o mal, mas Deus usou as circunstâncias

para o bem”.
Se você está liderando algum ministério, e não está perdo- ando, então não está

liderando como Jesus. Caso você diga que não pode perdoar aquele mal ou aquele

pecado específico, então você está se comportando mais como uma caixa d’água do

que como uma mangueira. A caixa de água coleta tudo, mas não necessariamente dá

nada, mas nós somos chamados a ser canais de perdão, somos reconciliados com

Deus para que, assim como somos livres diante de Deus, outros possam saber que

são plenamente perdoados por quaisquer ofensas que nos causaram. Se isso é difícil

para você, ore para que Deus libere seu perdão através da sua vida, para que ele

faça o que é im- possível para a gente fazer sozinho.

José ama com o coração de Deus, não ama? Leia esses últi- mos capítulos.

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Quando Jacó chega é uma festa e tanto, não é? E José trabalha conforme o plano de
Deus para a sua vida. Se existe um só versículo nessa história toda que eu gostaria

de frisar, vejam comigo, é Gênesis 50.20. Eu chamo esse versícu- lo de “Quando


Deus é soberano” — e o verso diz: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim;

porém, Deus o tor- nou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita

gente em vida”.
Se o Antigo Testamento nos ajuda a ver Jesus, não é difícil entender onde isso

entra, não é? As origens traumáticas e tor- tuosas de José, os altos e baixos do seu
tempo encarcerado, o desenvolvimento nem sempre fácil dos seus dons naturais e

espirituais, Deus o tornou em bem. Como Paulo escreve aos Romanos: “Sabemos

que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que

são chamados se- gundo o seu propósito” (8.28).

A liderança cristã é liderar e saber que você também é lide- rado. É governar e

saber que você é governado, chefiar e saber que você é chefiado. Se nós lideraremos
assim como Deus quer, então não basta “qualquer sonho”. Ele nos colocou aqui para

fazer o que está sendo realizado: a conservação — a salva- ção de muitas vidas. Não

com o trigo do Egito, mas com o pão da vida, que é Jesus. Cabe a nós viver e liderar

para que muitos vivam nele.

(ESBOÇO)

Título

Qualquer sonho serve? (Gênesis 37.1-11 e 45.1-15)

Abertura

Pergunta: Como o menino José saiu do seu lar e acabou apri- sionado no Egito?

Ponto 1

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Pano de fundo da história de José: o favoritismo do pai (a túnica longa) e
a difícil relação com os irmãos.

O fato de José ter contado aos irmãos a natureza dos seus sonhos mostra
uma falta de diplomacia e humildade da parte dele.

A ação traiçoeira dos irmãos culmina com as desventuras de José no

Egito.
Detalhe de Gênesis 37: Deus é omitido da história.

Quando Deus é deixado fora, há desarmonia no lar, o pecado prevalece e


as consequências dele podem ser ter- ríveis.

Aplicação: É provável que haja gente na congregação — até bem-

sucedida na vida profissional — que esteja pas- sando por situações

difíceis e trágicas por ter deixado Deus fora da sua vida, da família, dos

planos etc.

Parece que qualquer sonho serve quando tudo der errado.


Ponto 2

A história de José — quando Deus é permitido a entrar na nossa vida

Capítulo 39 — José reconhece que está ferido e desamparado.

Deus entra na história em favor de José (Gn 39.2). Agora Deus está em

primeiro lugar.

José resiste à tentação da mulher de Potifar, pois se recusa a pecar contra

Deus.

Apesar das dificuldades, José, tendo colocado Deus em pri- meiro lugar

na sua vida, vai vencendo, e os seus dons e talentos naturais (era

excelente administrador) e espiritu- ais (como intérprete de sonhos) são

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usados para a glória de Deus.
Aplicação: Às vezes, só quando chegamos ao fundo do poço é que

voltamos para Deus


Precisamos evitar esse tipo de comportamento e buscar Deus a todo

tempo.

Quando Deus está em primeiro lugar, embora venham tribulações e


tentações, teremos vitória nele, e os nossos dons e talentos serão

utilizados para a glória de dele.


Ponto 3

O final feliz da história de José — reconciliação entre ele e os irmãos.

Descrição da narrativa e a ênfase sobre o perdão.

A restauração do lar e dos relacionamentos se torna pos- sível quando a

Deus é permitido entrar na história.

Aplicação: A importância de perdoar.


Conclusão

Deus é soberano (Gn 50.2) — a providência e a soberania de Deus na

vida de José.

A soberania de Deus na vida dos seguidores de Jesus (Rm 8.28).


*************
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1 RAMACHANDRA, V. A falência dos deuses. São Paulo: ABU, 1996, p. 58.

2 PACKER, J. I. Em: JACKMAN, David (Ed.). Preaching the Living Word:

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1999, p. 31.

3 HOOKER, R. Hooker’s Ecclesiastical Polity Vol. V. London: J. M. Dent & Co.

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4 MEYER, C.S. Cranmer’s Selected Writings. Londres: SPCK, 1961, p. xii.

5 Em JACKMAN, David (Ed.). Preaching the Living Word: Addresses from the
Evangelical Ministry Assembly. Ross-shire: Christian Focus, 1999, p. 36.

6 Em JACKMAN, David (Ed.). Preaching the Living Word: Addresses from the

Evangelical Ministry Assembly. Ross-shire: Christian Focus, 1999, p. 37-38.

7 Disponível em: www.swordofthelord.com. Acesso em: 26/5/2008.

8 GONDIM, Ricardo. Orgulho de ser evangélico: por que continuar na igreja.

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Viçosa: Ultimato, 2003, p. 72.
9 COLERIDGE, S.T. Aids to Reflection. Ed. J. Beer, Londres: Routledge, 1993, p.

224. Em: HARDY, D. Finding the Church. Londres: SCM, 2001, p. 103.
10 WILSON, Paul Scott. The Practice of Preaching. Nashville: Abingdon Press,

1995, p. 23.

11 Confissao Belga e Catecismo de Heidelberg. São Paulo: Cultura Cristã,


2005, pergunta 67.

12 LARSEN, Daniel. L. Anatomia da pregação: Identificando os aspectos


relevantes para a pregação de hoje. São Paulo: Vida, 2005, p. 164.

13 SPURGEON, C.H. Faith’s Check Book: A devotional. Springdale: Whitaker

House, 1992, p.281.

14 BARRINGTON-WARD, Simon; RAMON, Brother. Praying the Jesus Prayer

Together. Oxford: BRF, 2001, p. 7

15 SOUSA, Ricardo Barbosa de. O caminho do coração: ensaios sobre a


Trindade e a espiritualidade cristã. Curitiba: Encontro, 2004, p. 79.

16 In LISCHER, Richard. The Company of the Preachers: Wisdom on Preaching

Augustine to the Present. Grand Rapids Michigan: William B. Eerdmans, 2002, p.

118.

17 WOOD, Skevington A. Captive to the Word: Martin Luther: Doctor of Sacred

Scripture. Toronto: Paternoster, 1969, p. 135.

18 In LISCHER, Richard. The Company of the Preachers: Wisdom on Preaching

Augustine to the Present. Grand Rapids Michigan: William B. Eerdmans, 2002, p.

37.

19 BONHOEFFER, Dietrich. Christology. Londres: Collins, 1966, p. 52.

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20 SIMEON, Charles. Let Wisdom Judge. Ed. Arthur Pollard Londres IVF, 1959, p.
188. In STOTT, John. Eu creio na pregação. São Paulo: Vida, 2003, p. 36.

21 STOTT, John. A verdade o Evangelho: um apelo à unidade. São Paulo: ABU,


2000. p.29-30.

22 A crise de identidade do evangelicalismo no cenário norte-americano foi

tratado recentemente através de um documento chamado An Evangelical Manifesto:


a declaration of evangelical identity and publica commitment. Washington, 7 de

maio, 2008.
23 Vide Atos 2.14-40.

24 PALMER, J. K. Numa correspondência pessoal.

25 SCHAEFFER, A. Francis. Death in the city. Downers Grove: IVP, 1969, p. 15.

26 JENKINS, Philip. A Próxima Cristandade: a chegada do cristianismo global.

Rio de Janeiro: Record, 2004, p. 134.

27 Cf. BONHOEFFER, Dietrich. Act and Being. Londres: Collins, 1956, p.72, 89 e
158.

28 Revista, Os Puritanos. No. 2: 2006, p. 31.

2929 RYLE, J.C. Knots Untied: being plain statements on disputed points in

Religion from the standpoint of an Evangelical Churchman. Cambridge: James

Clarke, 1977, p. 273.

30 CHESTERTON, G.K. Orthodoxy. Londres: The Bodley Head, 1908, p. 37.

31 KILLINGER, John. Fundamentals of Preaching. Londres: SCM, 1985, p. 22.

32 KILLINGER, John. Fundamentals of Preaching, p. 23.

33 STOTT, John. O perfil do pregador. São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 12.

34 Não há dúvida de que os pronunciamentos e as pregações dos profetas

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bíblicos contêm significados escatológicos que devem ser compreendidos no nível
do plano divino da salvação, porém, a priori, se trata de mensagens que diziam

respeito a situações concretas na época em que foram falados.


35 ZABATIERO, Júlio. Liberdade e paixão. Londrina: Descoberta Editora, 2000.

36 CAVALCANTI, Robinson. Cristianismo e política: teoria bíblica e prática

histórica. Viçosa: Ultimato, 2002, p. 17.


37 LUTERO, Martinho. Obras selecionadas. São Leopoldo: Comissão

Interluterana de Literatura, 2005, p. 27.


38 BARTH, Karl. Carta aos Romanos. São Paulo: Novo Século, 2003, p. 572.

39 Contra a estranha afirmação de KILLINGER, John. Fundamentals of Preaching.

Londres: SCM, 1985, p. 23, “O sermão não existe ao serviço de Deus, existe ao

serviço do povo”.

40 STRONG, James. The New Strong’s Complete Dictionary of Bible Words.

Nashville: Thomas Nelson, 1996, p.677.


41 Cf. Seções relevantes em FOUCAULT, Michel. In: Ed. PEARSON, Joseph. Fearless

Speech. Los Angeles: Semiotexte Foreign Agents, 2001.

42 Em ROBERTS, Vaughan. “But you…” A call to be different. Disponível em

<www.kairosjournal.org>. Consultado em 30/7/2008.

43 Em LATIMER, Hugh. Disponível em <www.anglicanlibrary.org>. Acesso em

30/7/2008.

44 CASTELLO BRANCO, Gustavo L. The Gospel as Public Truth and the Problem of

the Privatization of the Christian Faith in the Western World: how Lesslie

Newbigin may help Brazilian Evangelicals to give a proper witness of the Gospel.

Ambridge, Trinity Episcopal School of Ministry, 2008, p. 39. Monografia de

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Mestrado.
45 Common Worship: Services and prayers for the Church of England. Londres:

Church House Publishing, 2000, p. 114.


46 OLYOTT, Stuart. Pregação pura e simples. São Paulo: Fiel, 2008, p. 59.

47 BONHOEFFER, Dietrich. The Cost of Discipleship. Londres: SCM, 1996, p. 42.

48 RAMOS, Ariovaldo. Nossa igreja brasileira: uma opinião sobre a história


recente. São Paulo: Hagnos, 2002, p. 40.

49 LOPES, Dias, Hernandes. A importância da pregação expositiva para o


crescimento da igreja. São Paulo: Candeia, 2007, p 163.

50 LLOYD-JONES, D. Martyn. Pregação e pregadores. São Paulo: Fiel, 2003, p.

11.

51 Cf. HANEGRAAFF, Hank. Counterfeit Revival: Looking for God in all the

wrong places. Dallas: Word, 1997, p. 47-57.

52 Cf. PINTO, O. A. Davi, “Religiosidade brasileira x religiosos evangélicos”. In:


Respostas evangélicas à religiosidade brasileira. São Paulo: Vida Nova, 2004, p.

53.

53 GUINESS, Os. Mission modernity: seven checkpoints on mission in the

modern world. In: SUGDEN, C; SAMUEL, V; SAMPSON, P. Faith and Modernity.

Oxford:Regnum, 1994, p. 325.

54 GOLDINGAY, John. Old Testament Theology: Vol. 1 Israel’s gospel. Downers

Grove: IVP, 2003, p. 31.

55 WRIGHT, N. T. The Climax of the Covenant: Christ and the law in Pauline

theology. Edimburgo: T&T Clark, 1991, p. 99-118.

56 Cf. SCHAEFFER. A. Francis. Poluição e a morte do homem. São Paulo: Cultura

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Cristã, 2003, p. 52.
57 BRAGA, James. Como preparar mensagens bíblicas. São Paulo: Vida, 1986.

MARINHO, Mouro, Robson. A arte de pregar: A comunicação na homilética. São


Paulo: Vida Nova, 1999. LLOYD-JONES, Martin. D. Pregação e Pregadores. São

Paulo: Fiel, 2003, p. 46-7.

58 WESLEY, John. Sermons on Several Occasions — John Wesley’s Forty-Four


sermons. Londres: Epworth, 1988, viii ss.

59 LOPES, Dias Hernandes. A importância da pregação expositiva para o


crescimento da igreja. São Paulo: Candeia, 2007, p. 131.

60 LOPES, Dias Hernandes. A importância da pregação expositiva para o

crescimento da igreja. São Paulo: Candeia, 2007, p. 135.

61 ADAMS, P. J. H. Preaching and Biblical Theology. In: ALEXANDER, T. D;

ROSNER, S. Brian; CARSON, D. A; GOLDSWORTHY, Graeme. New Dictionary of

Biblical Theology. Downer’s Grove: IVP, 2000, p. 108.


62 CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia.Vol. V. São

Paulo: Hagnos, 2004, p. 367.

63 Veja o exemplo de um sermão desse tipo no final deste capítulo; trata-se de

um excelente exemplo da pregação expositiva na sua forma moderna (o que difere

um pouco da pregação literalmente versículo por versículo de Calvino, por

exemplo). Esse sermão foi ministrado por um pregador habilidoso e experiente;

nesse exemplo, o texto bíblico fala para o nosso contexto, a história bíblica interage

com a nossa história e as aplicações são consistentes e profundas. Que cada um tire

as suas conclusões se esse sermão é enfadonho ou pedante!

64 PETERSON, Eugene. Um pastor segundo o coração de Deus. Rio de Janeiro:

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Textus, 2000, p. 5.
65 LLOYD-JONES, Martyn, D. Studies in the Sermon on the Mount. Leicester: IVP,

1959, p. 10.
66 LISCHER, Richard. A Theology of Preaching: the dynamics of the Gospel.

Nashville: Abingdon, 1981, p. 95.

67 TUGWELL, Simon. Prayer: Volume 1 living with God. Dublin: Veritas, 1974, p.
vii.

68 CRISÓSTOMO, João. Da incompreensibilidade de Deus; Da providência de


Deus; Cartas a Olímpia. São Paulo: Paulus, 2007, p. 102.

69 ALEXANDER, J.W. Thoughts on preaching. Edinburgh: Banner of Truth, 1975, p.

111.

7070 HYBELS, Bill. Liderança corajosa. São Paulo: Vida, 2002, p. 37.

71 LOPES, Dias, Hernandes. A importância da pregação expositiva para o

crescimento da igreja. São Paulo: Candeia, 2007, p. 161-162.


72 BAXTER, Richard. O pastor aprovado. São Paulo: PES, 2006, p. 59.

73 BAXTER, Richard. O pastor aprovado, p. 66-67.

74 SPURGEON, C. H. An all round ministry. Londres: The Banner of Truth Trust,

1960, p. 22.

75 RYLE, J.C. Christian Leaders of the 18th. Century. Londres: The Banner of

Truth Trust, 1997, p. 140.

76 LEWIS, C.S. Cartas de um diabo a seu aprendiz. Sao Paulo: Martin Fontes,

2005, p. 35.

77 Na revista Cristianismo Hoje. Dezembro/Janeiro 2007/2008 No. 2. p. 28.

78 VON RAD, Gerhard. Biblical Interpretations in Preaching. Nashville:

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Abingdon, 1977.
79 SPURGEON, C.H. An All Round Ministry. Londres: The Banner of Truth Trust,

1960, p. xiv.
80 AMBRÓSIO DE MILÃO. Explicação do símbolo. Sobre os sacramentos. Sobre os

mistérios. Sobre a penitência. São Paulo: Paulus, 2005, p. 83.

81 Cf. KELLY, J. N. D. Early Christian Doctrines. Londres: A&C Black, 1993, p.


76.

82 LOPES, Nicodemus, Augustus. A Bíblia e seus intérpretes. São Paulo: Cultura


Cristã, 2004, p.139. Os comentários acima quanto às escolas de Alexandria e

Antioquia dependem em parte do sétimo capítulo dessa excelente obra.

83 CHILTON, Bruce. Beginning New Testament Study. Londres: SPCK, 1986, p.

23.

84 CARSON, D.A. Os perigos da interpretação bíblica. São Paulo: Vida Nova,

2002, p.14.
85 GREEN, B. Joel. How to Read Prophecy. Leicester: IVP, 1984, p. 20.

86 WRIGHT, N. T. The New Testament and the people of God. Londres: SPCK,

1992, p. 54.

87 WILSON, Scott. Paul. The Practice of Preaching. Nashville: Abingdon, 1995,

p.145.

88 CARSON, D. A. Os Perigos da Interpretacao Bíblica. São Paulo: Vida Nova,

2002, p. 21.

89 Homologias são confissões de fé, Doxologias são declarações de louvor a

Deus, Exortações são palavras de incentivo, encorajamento, e motivação, e

Eulogias são invocações da bênção divina.

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90 Uma detalhada abordagem da questão de gênero se encontra em, WEGNER,
Uwe. Exegese do Novo Testamento: manual de metodologia. São Paulo: Sinodal,

2002, p.165 – 229.


91 Veja LACHER, Karl. Prega a Palavra: passos para a pregação expositiva. São

Paulo: Vida Nova, 2007, p. 99.

92 WILSON, Scott Paul. The Practice of Preaching. Nashville: Abingdon, 1995,


p.145.

93 WILCOCK, Michael. A mensagem de Apocalipse: eu vi o céu aberto. São


Paulo: ABU, 2003, p.34.

94 ROBINSON, Haddon. Expository Preaching: Principles and Practice.

Leicester: IVP, 1980, p. 73.

95 STOTT, John. Eu creio na pregação. São Paulo: Vida, 2003, p.143.

96 MORAES, Jilton. Homilética: da pesquisa ao púlpito. São Paulo: Vida, 2005,

p. 71.
97 MORAES, Jilton. “A cumplicidade na pregação”. Revista Reflexão e fé. Recife:

STBNB Edições, n. 1, ago, 1999, p. 105.

98 SPURGEON, C. H. An all- round ministry. Londres: The Banner of Truth Trust,

1960, p. 44.

99 ROBINSON, W. Haddon. Expository Preaching: principles and practice.

Leicester: IVP, 1980, p. 79.

100 AGOSTINHO. A doutrina cristã. São Paulo: Paulus, 2007, p. 233.

101 MARINHO, Mouro, Robson. A arte de pregar: a comunicação na homilética.

São Paulo: Vida Nova, 1999, p.57.

102 ROBINSON, W. Haddon. Expository Preaching: Principles and practice.

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Leicester: IVP, 1980, p. 76.
103 OLYOTT, Stuart. Pregação pura e simples. São Paulo: Fiel, 2008, p.78.

104 LLOYD-JONES, Martyn. D. Pregação e pregadores. São Paulo: Fiel, 2003, p.


166.

105 ROBINSON, W. Haddon. Expository Preaching: principles and practice.

Leicester: IVP, 1980, p.183.


106 WILSON, Scott Paul. The Practice of Preaching. Nashville: Abingdon, 1995,

p. 146.
107 PAES, Carlito. Como preparar mensagens para transformar vidas. Vida: São

Paulo, 2004, p. 33-45.

108 TERÊNCIO. Heautontimorumenos. III V, 8.

109 OLIVEIRA, Ivo Xavier de. Comunicando a Palavra de Deus: técnicas de

comunicação e utilização de multimídia em homilias. Salvador: A Partilha, 2005,

p. 50.
110 JORGENSEN, Knud. Modernity, information technology and the Christian faith em Ed. SUGDEN,

C. SAMUEL, V. SAMSON, P. Faith and Modernity. Oxford: Regnum Books, 1994, p.282.

111 Sermão preferido para a turma de Psicologia da Universidade Federal de

Pernambuco.

112 Proferido pelo reverendo inglês Bob Key na Igreja de St. Andrew, em

Oxford.

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