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Teste de avaliação de Português, 11.

º Ano
(Aluno ao abrigo do Decreto-Lei n.º 3/2008, de 7 de janeiro)

Unidade 5 Antero de Quental, Sonetos Completos

Utiliza apenas caneta ou esferográfica de tinta azul ou preta.


Não é permitida a consulta de dicionário.
Não é permitido o uso de corretor. Deves riscar aquilo que pretendes que não seja classificado.
Para cada resposta, identifica o grupo e o item.
Apresenta as tuas respostas de forma legível.
Ao responderes, diferencia corretamente as maiúsculas das minúsculas.
Apresenta apenas uma resposta para cada item.
As cotações dos itens encontram-se no final dos mesmos.

GRUPO I (100 PONTOS)

A
Lê o texto a seguir transcrito. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário apresentado.

Lacrimae Rerum1
(A Tommaso Cannizzaro)
Noite, irmã da Razão e irmã da Morte,
Quantas vezes tenho eu interrogado
Teu verbo, teu oráculo sagrado,
Confidente e intérprete da Sorte!

5 Aonde são teus sóis, como coorte


De almas inquietas, que conduz o Fado?
E o homem porque vaga desolado
E em vão busca a certeza que o conforte?

Mas, na pompa de imenso funeral,


10 Muda, a noite, sinistra e triunfal,
Passa volvendo as horas vagarosas…

É tudo, em torno a mim, dúvida e luto;


E, perdido num sonho imenso, escuto
O suspiro das coisas tenebrosas…

QUENTAL, Antero de (2016). Os Sonetos Completos.


Porto: Porto Editora [p. 142]
1. Lacrimae Rerum: lágrimas das coisas. Trata-se de uma expressão utilizada por Virgílio, na Eneida (I, 462).

Encontros • Português, 11.º ano ©Porto Editora


Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem.
1. Indica duas características psicológicas do sujeito poético. (20 pontos)

2. Identifica um recurso expressivo presente na primeira quadra,


exemplificando a tua resposta. (20 pontos)

3. Classifica o poema quanto ao género literário. (10 pontos)

3.1. Identifica os tipos de rima presentes no poema. (10 pontos)

B
Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem.
4. Identifica a característica da poesia de Antero de Quental que predomina em cada terceto.
a. “À bela luz da vida, ampla, infinita,
Só vê com tédio. Em tudo quanto fita,
A ilusão e o vazio universais.”
(“Nirvana”) (20 pontos)

b. “Mas a ideia é num mundo inalterável,


Num cristalino véu, que vive estável…
/ Tu, pensamento, não és fogo, és luz!”
(“Tese e Antítese”) (20 pontos)

G R U P O II (50 PONTOS)

Lê o texto. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário apresentado.

O século XIX foi o século em que pela primeira vez alguns portugueses puseram
em causa, sob todos os planos, a sua imagem de povo com vocação autónoma, tanto
no ponto de vista político como cultural. Interrogávamo-nos apenas pela boca de
Antero e de parte da sua geração, para saber se éramos ainda “viáveis”, dada a, para
5 eles, ofuscante “decadência”.
Na balança da Europa, Antero de Quental e os outros intelectuais/poetas golpea-
vam o país de uma ironia salvífica1 ou de um pessimismo decantista2, onde não havia
lugar para o Presente, porque o Passado era um cadáver putrefacto e o Futuro uma
utopia longínqua. Sobravam, portanto, como dá a entender Fernando Catroga, o Pas-
10 sado e o Futuro, utópicos e assombrosos, para estes intelectuais farpeadores3 […].
Neste século, nem a Regeneração mobilizou ou reforçou o sentido da identidade
nacional. As manifestações nacionalistas surgidas na época, quase sempre saídas das
classes mais letradas e não de movimentos populares, terão de ser inseridas no seu
contexto histórico, ideológico, cultural, económico e político, isto é, na desilusão acu-
15 mulada pelo insucesso gerado pelos movimentos Setembrista e, posteriormente,
Regenerador (período da difusão da imprensa e da multiplicação das escolas, aumen-
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tando o número de portugueses capazes de captar a consciência da identidade nacio-
nal e de assumir como um valor os interesses da Pátria), e no fervilhar dos ideais socia-
listas e republicanos (vítimas “ingénuos” do seu próprio otimismo voluntarista e
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revolucionário porque reagiram positivisticamente4 ao decantismo mas não conse-
guiram dominar as forças que desencadearam), então em voga por toda a Europa.
Vejamos a desilusão que se sente nas palavras sentidas de Eça de Queirós em
As Farpas:

O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissol-


25 vidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos. A prática
da vida tem por única direção a conveniência. Não há princípio que não
seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se
respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na
honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe
média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está
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na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua ação fiscal como um ladrão e tratado como
um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
(1871: n.º 1)
FERNANDES, Adriano (2010-2012).
O que significa ser Português. Braga: Edições Vercial [pp. 31-32]

1. salvífica: que salva; salvadora. 2. decantista: divulgado oralmente; cantado; celebrado; exaltado. 3. farpeadores:
aqueles que dirigem críticas mordazes. 4. positivisticamente: de forma positivista (relativo ao positivismo, sistema
filosófico que defende que só é cognoscível o que a observação e a experiência podem verificar).

1. Para responderes a cada um dos itens de 1.1. a 1.7., seleciona a opção correta.
Escreve, na folha de respostas, o número de cada item e a letra que identifica a opção
escolhida.
1.1. Neste texto aborda-se como tema predominante (5 pontos)
a. as características da poesia de Antero de Quental.
b. a Regeneração.
c. o pessimismo que marcou alguns intelectuais e artistas do século XIX.
1.2. Na expressão “cadáver putrefacto” (l. 8) está presente (5 pontos)
a. a aliteração.
b. a gradação.
c. a metáfora.
1.3. Segundo o autor, as manifestações nacionalistas surgidas no século XIX (5 pontos)

a. originaram o sentido da identidade nacional.


b. foram protagonizadas pelas classes populares.
c. foram determinadas pelo contexto histórico.

1.4. Na linha 15, “movimentos” encontra-se no plural pois concorda em número com (5 pontos)
a. “movimentos populares” (l. 13).
b. “histórico, ideológico, cultural, económico e político” (l. 14).
c. “Setembrista e […] Regenerador” (ll. 15-16).

Encontros • Português, 11.º ano ©Porto Editora


1.5. Nas linhas 24-33 o discurso reproduzido é apresentado sob a forma de (5 pontos)

a. discurso direto.
b. discurso indireto.
c. citação.
1.6. A forma verbal “seja desmentido” (l. 27) encontra-se flexionada (5 pontos)
a. no presente do conjuntivo passivo.
b. no futuro composto do indicativo ativo.
c. no futuro simples do conjuntivo ativo.

1.7. Na frase “Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.” (ll. 28-29), o constituinte sublinhado
desempenha a função sintática de (5 pontos)
a. complemento oblíquo.
b. complemento do nome.
c. modificador restritivo do nome.

2. Responde ao item apresentado.


2.1. Explicita a função desempenhada pelos conectores seguintes, associando a cada
elemento da coluna A um elemento da coluna B. (15 pontos)

Coluna A Coluna B
a. “porque” (l. 8) 1. Contraste
b. “portanto” (l. 9) 2. Causalidade
c. “isto é” (l. 14) 3. Explicitação
4. Alternativa
5. Conclusão

G R U P O III (50 PONTOS)

Faz uma apreciação crítica da pintura de José Malhoa, descrevendo-a sucintamente e


acompanhando a descrição de um comentário crítico.
A tua apreciação crítica deverá conter um mínimo de cem e um máximo de duzentas
palavras.

José Malhoa, As Padeiras – Mercado em Figueiró (1898)