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Pégasus Lançamentos

Apresenta

Livro único

julie kriss
EQUIPE

Tradução: Gil, Thizi, Keila, Isabel


Cané, Kemilly. A

Revisão Inicial: Carly, Aurora,


Claudia M.

Revisão final: Lfrosa


STEPBROTHER
Leitura Final: Aline André
JULIE KRISS
Formatação: Daniela Rodrigues
SINOPSE
O bad boy mais badalado do futebol é meu meio-
irmão. E ele está voltando para casa.

Sophie
Não consigo tirar Dex Carter da minha cabeça. Ele está
nas telas de TV, anúncios de roupas íntimas e na minha
família. Agora seu mau comportamento o colocou em
dificuldades e aqui está ele em carne e osso, desgraçado.

O mínimo que ele pode fazer é resolver o meu problema,


sou uma virgem de vinte e três anos. Ele é o candidato
perfeito, só preciso dele por uma noite. A última coisa que eu
preciso é me apaixonar...

Dex
Eu tenho um corpo atlético, nasci para vencer, mas no
meu mundo, cheio de falsidades, Sophie é a única coisa real.
Se ela quiser uma noite, eu aceito. Até que eu queira mais.

Minha vida é bem bagunçada. Nossos pais vão surtar.


Sophie não quer nada comigo, mas ela não tem ideia de quão
determinado eu posso ser.

Porque nunca faço nada pela metade, nem esporte, nem


sexo e nem Sophie...
CAPÍTULO UM

Eu sabia que o meu dia de trabalho estava indo pelo ralo


quando olhei para o meu computador e vi meu meio-irmão de
cueca. Dex Carter com o peito nu, o abdômen definido,
braços tatuados, usando praticamente um pedaço de tecido e
elástico.

— Você viu isso?

Anna, minha colega de trabalho, pergunta.

Ela agita a revista mais perto do meu rosto e mordo meu


lábio, tentando não olhar muito de perto.

— Hum, claro que eu vi. — Respondo.

— Ele tirou no ano passado.

— Dex está praticamente nu!

Anna insiste. Ela tem cinquenta anos, é elegante, com


cabelos grisalhos e óculos de armação escura, é a chefe do
escritório de advocacia. Em outras palavras, minha
supervisora.
— Quero dizer, eu sei que é um anúncio de cueca, mas é
praticamente obsceno.

Ela ajeita os óculos e olha atentamente para o anúncio,


examinando-o.

— Você pode ver o pequeno rastro de cabelo que está


abaixo do cós em direção a ele.

— Sim, posso. — Eu falo meu rosto corando.

— Aonde você quer chegar?

Ela pisca para mim e percebo que falei bruscamente. Dex


sempre fez isso comigo.

— Meu ponto é que você só trabalha aqui há dois meses,


Sophie. Wells e Anderson é um escritório de advocacia de
grande prestígio. Se um de nossos clientes viu isso...

Ela franze a testa para a foto novamente.

— Temos uma reputação a defender. — Engulo.

— Os sócios sabiam quem era o meu meio-irmão quando


me contrataram. — Protesto.

— Ele não é apenas um modelo de lingerie. Isso foi uma


coisa única. Dex é um grande jogador de futebol, um dos
melhores do mundo.

— Não mais, ele não é mais, de acordo com as notícias.


— Diz Anna.
— Eles estão relatando que foi expulso da liga.

Ela acena com a mão descuidadamente.

— Ou seja, qual for o termo no esporte. Acabei de ouvir.

— O quê? Não! — Protesto.

— Ele só está cumprindo uma ação disciplinar. Eles iam


falar com ele e...

— Esta notícia está por todo o escritório.

Diz ela, sua voz suave com pena de mim.

— É oficial. Sophie, seu meio-irmão está desmoralizado.


E se eu ouvi falar sobre isso, acredite em mim, os sócios
também.

Olho ao redor da área do meu cubículo aberto, mas as


portas dos escritórios dos sócios continuam fechadas e
silenciosas. Tento não entrar em pânico. Gosto do meu
trabalho. Acabo de sair da faculdade e uma posição como
funcionária do escritório de advocacia Wells e Anderson é um
ótimo primeiro emprego para qualquer formando. Trabalhei
duro durante toda a faculdade, sempre com nota máxima.
Trabalhei como louca desde que comecei aqui. Mereço estar
aqui, foi tudo por meus próprios méritos.

Tudo isso pode ser arruinado, porque o meu meio-irmão,


mundialmente famoso, tem sua carreira no futebol
desmoronando.
Dex nunca fez nada pela metade.

Seu pai se casou com minha mãe há quatro anos,


quando eu tinha dezenove anos e ele vinte e dois. Na época
Dex já era um jogador incrível que estava em ascensão e
desde então não parou de brilhar. Passamos pouco tempo
juntos, pois ele estava constantemente treinando ou viajando
pelo mundo, jogando campeonatos um atrás do outro,
negociando contratos cada vez maiores e melhores. Quando
estava no meu último ano de faculdade, Dex era um
superstar e eu não era mais Sophie Breen, aspirante a
escritora. Era a meia-irmã de Dex Carter. Esta era uma
identidade a qual não tive escolha.

— Ainda não entendo por que isso importa. — Falo a


Anna.

— Quero dizer, não tenho contato direto com os clientes.


Apenas os advogados fazem os telefonemas e as reuniões
pessoalmente. Então, o que Dex faz é irrelevante, certo?

— Isso é com os sócios. — Responde Anna.

— Como eu disse, nós temos uma reputação a zelar. Se


isso, (ela balança a página da revista com o corpo quase nu
de Dex) esta situação ficar feia pode refletir em nós. Apenas
tenha cuidado, é tudo o que estou dizendo.

Quando Anna sai, rapidamente pego meu lanche da


gaveta e vou para a sala de descanso. Ainda faltavam vinte
minutos para a hora do almoço, mas não conseguiria ler as
notícias no meu computador de trabalho porque o
departamento de TI monitora nosso uso da internet e não
queria ser taxada como uma preguiçosa. Então entrei na sala
de descanso enquanto estava vazia.

Ligo a TV, o som baixo. Estava no canal de notícias, com


a manchete rolando ao fundo da tela:

DEX CARTER EXPULSO DEPOIS DO INCIDENTE DA


COPA DO MUNDO, CONSIDERADO 'UMA VERGONHA PARA
O ESPORTE'.

O locutor dizia:

— No início pensou-se que medidas disciplinares seriam


tomadas, mas a Liga Internacional decidiu que Dex Carter
será permanentemente proibido de jogar futebol
profissionalmente, em qualquer liga.

E então eles passaram a filmagem que foi o motivo.

Não queria assistir. Já vi uma dúzia de vezes e doeu


muito, mas ainda assim, me inclinei para frente, o sanduíche
na minha mão esquecido enquanto assistia a filmagem do
jogo, a final da Copa do Mundo acontecerá em apenas três
dias na Argentina. Era como um acidente de carro em câmera
lenta, o tipo de coisa que você simplesmente não consegue
desviar o olhar.

Dex estava no campo, parecendo sombrio e perigoso,


correndo tão facilmente quanto mercúrio líquido, seu corpo
poderoso em shorts e sua camisa dos EUA. Lá estava ele
discutindo com o árbitro e recebendo um cartão amarelo.
Depois discutindo com Sebastião Santos, jogador brasileiro,
ambos gritando e com os rostos vermelhos. E então Dex
recua e dá um soco no rosto de Santos, quebrando seu nariz,
um poderoso ataque de direita enviando um jato de sangue
sobre o gramado verde.

Oh, Dex, pensei enquanto o noticiário mostrava o soco de


novo em câmera lenta e observei seu poderoso braço balançar
em um arco perfeito pelo ar antes que se conectasse com o
rosto de Santos. O que é que você fez?

— Não há dúvida de que a carreira de Dex Carter acabou.

Disse o apresentador, quando finalmente cortaram as


filmagens dolorosas.

— A grife Espanhola declarou oficialmente que a marca


não trabalhará mais com ele em suas campanhas de roupas
íntimas e seus outros patrocinadores devem seguir o mesmo
exemplo. O presidente da Liga Internacional disse e cito:
―Violência desse tipo não tem lugar no futebol e não será
tolerada em nenhum nível. Valorizamos o espírito esportivo e o
respeito mútuo acima de tudo.” O próprio Dex Carter não fez
uma declaração à imprensa, em vez disso, se retirou para
Milão, na Itália, onde podemos vê-lo desembarcando nesta
manhã acompanhado pela supermodelo internacional Jesetta
Bibliona.

Assisti com minha boca fechada, enquanto eles


destacavam uma filmagem de Dex, usando um terno e óculos
escuros, andando rapidamente de um avião na pista até uma
limusine que estava à espera. Em seu braço havia uma
mulher alta e esbelta, a mulher mais linda que já vi, também
usando óculos escuros, seus cabelos longos impecáveis
balançando com o vento enquanto o seguia para o carro.

Desliguei a TV e olhei em volta, atordoada. A sala de


descanso parecia a mesma de sempre, com suas poucas
mesas, cafeteira barata e o quadro de avisos dos
funcionários. Podia ouvir o barulho das atividades lá fora, os
telefones tocando e as vozes baixas, assim como o zumbido
das luzes fluorescentes. Apenas mais um dia no escritório
Wells e Anderson. Embalei meu sanduíche intocado, peguei
meu telefone e olhei para ele.

Fizeram muitas perguntas sobre Dex, mas de longe a


pergunta mais comum era ―Como ele realmente é?” Eu
sempre respondi da mesma maneira ―Ele não tem estado
muito por perto desde que nossos pais se casaram, então,
realmente não o conheço muito bem”.

As pessoas sempre balançavam a cabeça, que fazia


sentido. Claro, se o seu famoso meio-irmão nunca esteve por
perto, como você o conheceria? Eu não poderia.

Nunca contei a ninguém sobre as mensagens.

A ninguém mesmo. Nem a minha melhor amiga Dana,


nem minha colega de faculdade e muito menos a minha
própria mãe. Ninguém. Não poderia dizer por que, de alguma
forma as mensagens eram... Todas minhas.
Hesitei. Deveria mandar uma mensagem para ele? Mas
Dex estava em Milão com uma supermodelo, as chances eram
poucas dele precisar da minha preocupação. Provavelmente
estava sendo consolado por Jesetta Bibliona. Com certeza
não pensava em mim.

Mas ainda assim, aquela filmagem do jogo. Talvez não o


conhecesse muito bem, mas nunca pareceu tão agressivo e
bravo antes. O que porra foi tão errado para que ele fizesse
uma coisa dessas?

Isso não foi Dex. Isso eu sabia.

Prendi a respiração e rapidamente digitei uma


mensagem. Você está bem?

Apertei o botão enviar antes que pudesse mudar de ideia,


então coloquei meu celular de volta no bolso como se
estivesse desligado. Não queria saber se ele digitou de volta
um emoticon apressado ou um agora não posso falar. Ou
nada.

A porta da sala de descanso abriu e dois dos meus


colegas entraram, conversando e rindo. Eles ficaram quietos
quando me viram.

— Sophie. — Disse um deles.

— Meu Deus! Você ouviu?

Estava começando. Peguei meu sanduíche e fiquei de pé.

— Sim, claro. — Eu disse.


— Hum, falo com vocês mais tarde.

— Voltei para a minha mesa no meu cubículo. Comerei


lá. Com certeza, devo trabalhar na hora do almoço de
qualquer maneira para manter meus números altos. Então
terei algo a meu favor caso os sócios queiram me demitir.

Ignorei os olhares dos outros cubículos enquanto voltava


para a minha mesa. Trabalhei durante o almoço e trabalhei o
resto da tarde sem olhar para cima, sem falar com ninguém.
Desliguei meu telefone caso alguém na imprensa descobrisse
meu número particular e me ligasse. Precisava começar
minha própria carreira. Dex Carter não era a única pessoa no
mundo, afinal.

Então, depois do trabalho, finalmente liguei meu telefone


e vi que ele não tinha me respondido.
CAPÍTULO DOIS
Do meu histórico de mensagens

Quatro anos atrás

SOPHIE: Dex sou eu, Sophie. Mamãe me deu esse telefone


para que possa manter contato quando for para a faculdade.
Quero ver se o envio de mensagens de texto funciona e só
tenho seu número. Então, oi!

DEX: Ei. Sim, as mensagens de texto funcionam, é legal.


Faculdade hein?

SOPHIE: No outono. Onde você está agora?

DEX: No aeroporto de Cingapura. Temos uma partida em


Hong Kong depois de amanhã. Está chovendo aqui, estamos
esperando o tempo melhorar e pela autorização da alfândega
para podermos partir. O horizonte aqui é tão estranho.

SOPHIE: O que você quer dizer com o horizonte é


estranho?

DEX: Como um daqueles filmes futuristas. Não consigo


parar de encarar isso. Onde você está agora?
SOPHIE: Cafeteria. Usando meu laptop para procurar uma
colega de quarto. Não é tão interessante, acho.

DEX: Confie em mim, os aeroportos são entediantes. Estou


tão fora do fuso horário que não consigo dormir. Mataria por
um saco de batatas fritas e uma Coca-Cola, mas estas coisas
colocam o meu treino no lixo. Então, estou olhando para o
horizonte, além das enormes janelas e passando os planos de
jogo na minha cabeça. Conte-me alguma coisa sobre a
faculdade.

SOPHIE: Não estou lá ainda, então não posso. Estou


animada. Não tenho ideia do que vai acontecer. É como um
grande espaço em branco. É aterrorizante e excitante ao
mesmo tempo. Deus, não estou dizendo isso certo e pareço
uma idiota.

DEX: Você não parece idiota. Sei exatamente como é isso.


Como se tivesse um buraco no seu estômago e você não
pudesse acreditar que as pessoas ao seu redor estão em seu
dia normal, enquanto esta coisa está acontecendo dentro de
você.

SOPHIE: É exatamente isso! Exatamente.

DEX: Envie-me uma mensagem quando você tiver uma


colega de quarto. Quero ouvir sobre isso.

SOPHIE: Você não está muito ocupado?

DEX: Claro que não. Escreva-me, essa é uma ordem.


Vamos pelo menos nos divertir.
CAPÍTULO TRÊS

Depois do trabalho, escapei para o banheiro feminino


com meu nécessaire e peguei meus acessórios de beleza,
maquiagem, escova e spray de cabelo, tenho um encontro.

Seu nome é Dan. O conheci online através de um site de


namoro. Seu perfil dizia que tinha vinte e oito anos,
terminando a faculdade de odontologia, nunca foi casado e
não tinha filhos. Nós estamos indo para uma bebida depois
do trabalho, eu sempre insistia nisso quando conhecia caras
pela primeira vez. Uma bebida depois do trabalho deixa um
primeiro encontro perfeito e seguro. Se as coisas corressem
bem, posso continuar e sair para jantar. Se não, posso tomar
uma bebida e ir para casa sem ficar estranho.

Sou bem experiente com esse tipo de coisa.

Com certeza, o namoro online é uma ferramenta dos


desesperados e tenho apenas vinte e três anos. Não sou
gorda, nem feia e nem mesmo tímida. Posso encontrar caras
de outra maneira, bares, clubes ou posso pedir a uma das
minhas amigas para me apresentar a um. Mas o fato é que
gosto do namoro online, gosto do anonimato. Você verifica o
perfil de alguém e se gostar, propõe um encontro. Se não
funcionar, é compreensivo e não há perguntas. Você passa
para a próxima pessoa e ele também.

Isso soa frio, mas é o que preciso. Tenho trabalhado


muito e estou começando a ter sucesso em minha carreira.
Não há razão para não aplicar os mesmos métodos no
namoro. Não precisa ser confuso, certo?

Optei por ficar solteira, só que tem um problema que só


um homem pode consertar, sou uma virgem de vinte e três
anos e a piada está ficando velha. Não é intencional, foi
apenas porque estava tão focada na faculdade que não
conheci ninguém. E agora, estou formada e trabalhando no
mundo real, com adultos não virginais e me sinto uma
alienígena. Não quero uma simples conexão e é por isso que
não me importo em estar em sites de namoro. Quero um
namorado, só não sei quais qualidades exatas quero neste
namorado. Não sei o que me fascina e não sei o que me
excita.

Mentirosa, mentirosa. Sim, você sabe.

Torci meu cabelo escuro em um coque atrás da minha


cabeça e tirei a sua imagem da minha mente. Claro que Dex
era quente, eu não era cega. Mas ele era Dex. Estava em
outro continente com uma supermodelo neste minuto.
Segundo a imprensa, suas namoradas eram modelos de
moda praia e… não eram só as modelos de moda praia. Nesse
meio tempo, vivi no mundo real. Desejá-lo não irá resolver o
problema do namorado e com certeza não irá resolver o meu
problema de virgindade.

Quando fiquei satisfeita com o coque, borrifei spray no


cabelo, retoquei minha maquiagem e guardei todas as coisas
em meu nécessaire. Talvez Dan, o dentista, fosse meu tipo.
Talvez faíscas voassem. Talvez fosse o único a me fazer
esquecer a imagem do meu meio-irmão de cueca. O cara
antes dele não foi capaz de fazê-lo e nem o cara antes disso,
mas posso sonhar, não posso?

Nós nos encontramos em um bar de vinhos a poucas


quadras do escritório, um local chique, mas não muito
sofisticado. Dan estava decentemente bonito, era um pouco
musculoso, tinha a cabeça raspada, me confessou que
começou a perder os cabelos então resolveu raspar a cabeça.
Achei isso admirável e legal.

Conversamos sobre algumas coisas neutras, o tempo


daqui no norte da Califórnia, nossos programas de TV
favoritos, nossos vinhos favoritos, mas as coisas ficaram
estranhas, como sempre, quando perguntou onde morava.

— Oh, hum. — Disse, envergonhada.

— Estou vivendo com minha mãe e meu padrasto agora.


Você sabe, só por alguns meses enquanto economizo
dinheiro.
Era isso. Esperei por isso. Essa era a parte em que me
perguntava se meu padrasto era o pai de Dex Carter e então
perguntava sobre Dex e a casa.

Mas Dan apenas assentiu.

— Isso faz sentido. — Disse ele.

— Muitas pessoas não conseguem morar com os pais


depois da faculdade, sabia? Os pais tendem a deixá-los
loucos por estarem tão próximos.

Sorri e tomei um gole de vinho, sem mencionar que


morávamos em uma mansão e que foi Dex quem comprou
para o pai e para a madrasta quando decidiram morar juntos.
―É claro que estou comprando uma casa para eles”, ele
escreveu durante uma de nossas mensagens de texto na
época. ―Qual é o objetivo do dinheiro se você não puder cuidar
dos seus pais?”. Eu era apenas uma espectadora, obtendo o
benefício da fama de Dex com uma mansão livre para viver no
verão. Embora não tivesse intenção de ficar, pois era
importante para mim que o pagasse de algum jeito.

— Não é tão ruim. — Disse.

— Na verdade, minha mãe e meu padrasto estão longe


agora, então tenho o lugar só para mim. — Dan assentiu.

— Eles estão tirando férias?


— Não. A empresa do meu padrasto tem um escritório em
Nova York e ele tem que passar parte do ano lá, então leva a
minha mãe junto.

E os dois queriam escapar da repercussão que a


imprensa deu sobre os problemas da carreira de Dex, então
conseguiram um avião o mais rápido que puderam e com
uma passagem só de ida.

— Isso é bom. — Disse Dan.

— Moro em um apartamento em um condomínio.


Comprei-o há três meses.

Continuamos falando sobre seu apartamento e suas


ambições de ser um dentista. Parecia bom o suficiente, o cara
mais legal com quem já saí há algum tempo e estava apenas
me perguntando se deveria sugerir o jantar quando seu olhar
viajou por cima do meu ombro para uma tela de TV acima do
bar.

Virei-me e olhei. Era Dex novamente, desta vez no


noticiário nacional, a manchete sobre sua expulsão e a
filmagem da luta. Virei-me antes de ver novamente, mas Dan
ficou fascinado.

Finalmente olhou para mim e me deu um meio sorriso.


Seu olhar dizia que sabia quem era meu meio-irmão o tempo
todo.

— O vi jogar uma vez, sabe. Um jogo de exibição que fez


aqui há dois anos.
Lembrei-me disso. Foi uma das poucas vezes em que Dex
esteve em algum lugar próximo de casa por mais de um dia e
ele nos levou para jantar em um restaurante de alta classe
antes de desaparecer novamente.

— É um jogador incrível.

Continuou Dan, com uma expressão melancólica no


rosto.

— Um dos melhores que o esporte já viu. Tenho uma


réplica de uma de suas camisas em casa.

Oh, não, pensei. Droga.

— O que aconteceu?

Dan me perguntou.

— Quero dizer, ele é um ótimo jogador. O que estava


pensando?

Eu balancei a cabeça.

— Não sei.

Dan toma o último gole de seu vinho.

— Queria falar com ele, sabe. Acompanhei o futebol


muito de perto a vida toda. Acho que poderia dar-lhe um bom
conselho.

Olhei para expressão de seu rosto, Dan estava mais


animado falando sobre Dex do que comigo.
— Este foi o motivo de você aceitar o convite, não foi?
Acabou de sair comigo para que eu pudesse apresentá-lo a
ele.

— Não sou uma daquelas pessoas fanáticas ou qualquer


outra coisa. — Argumentou ele.

— Sou apenas um fã dedicado. Acho que nós seriamos


bons amigos se eu tivesse uma chance.

Tirei vinte da minha bolsa e coloquei na mesa. Não ia


deixar esse cara me comprar uma bebida.

— Tenho que ir.

— Espere!

Sai do meu banquinho e peguei minha bolsa.

— Adeus. Não me envie mensagens novamente.

— Você nem vai me ouvir?

Dan realmente pareceu surpreso.

— Qual o problema com você? Isso é importante! É mais


importante que um encontro estúpido!

Joguei o dedo do meio sobre o meu ombro enquanto saía


do bar, mas não olhei para trás. Não era elegante, mas estava
chateada. Esta foi a segunda vez que isso aconteceu. Dex
estava invadindo meus encontros, pelo amor de Deus. Estava
dormindo com modelos, e eu, uma humilde funcionária de
advocacia, não conseguia que um careca me pagasse uma
bebida por causa de Dex Carter.

Tentei respirar fundo quando entrei em meu carro, mas


ainda estava fervendo. Meu telefone tocou na bolsa e por um
segundo, pensei com pavor de que poderia ser Dan, que havia
conseguido meu número de alguma forma, mas quando olhei
para a tela era minha melhor amiga, Dana.

— Não recebi um texto de perigo. — Disse ela.

— Isso significa que está indo bem ou acabou?

— Opção B.

Respondo. Dana se comprometeu em me salvar de


qualquer encontro ruim em que ficasse presa se eu mandasse
para ela um texto SOS debaixo da mesa.

— Errei de novo.

— Droga.

Disse Dana. Ela tinha um namorado de longa duração,


mas se interessava pela minha vida amorosa, principalmente
porque temia que um dos caras que eu conhecesse online
fosse um assassino do machado.

— O que estava errado desta vez?

— Ele só estava interessado em Dex.

— De novo?
— Sim. Novamente.

— Sophie, isso não está funcionando. Essa coisa da


Internet. Você está apenas encontrando perdedores. É uma
garota gostosa e com um bom trabalho. Não há razão para
estar indo para casa sozinha. Precisa dar um soco em seu
cartão V e logo.

Eu estremeço.

— Isso é realmente uma coisa que as pessoas dizem?


Soco em seu cartão V? É tão estranho.

— Não tenho ideia, mas é uma coisa que eu digo. E estou


preocupada que a qualquer hora você vá secar, você sabe, lá
embaixo.

— Você também se preocupa que conheça Ted Bundy.

— Isso também. Isso é loucura, Soph. Você tem feito


esses primeiros encontros há meses e nunca há um segundo.
Não há nada de errado com você, mas você tem que transar.
É como se estivesse presa no Dia da Marmota. Já pensou em
fazer isso com Dex?

— O quê? Fazer o quê?

— Que coma você, querida. — Disse Dana.

— Faça com que foda você. Você sabe, para ajudá-la.

Eu deixo cair minha cabeça contra o assento do


motorista e fecho meus olhos.
— Você não acabou de dizer isso! Este dia já está ruim o
suficiente.

— Você tem que admitir que a ideia seja boa. — Diz ela.

— O conhece, pelo menos um pouco. Dex é insanamente


gostoso. Provavelmente faz sexo o tempo todo, então não seria
um grande problema. E aposto que é muito bom na cama.
Seria um favor.

— Ugh.

Esfrego minha testa, massageando minhas têmporas.

— Isso é... Eu só... Não posso fazer isso. Não posso


simplesmente perguntar a ele. Além disso, não quero foder
com o Dex.

Mentirosa, mentirosa. Sim, você quer. Era errado. Isso


estava bagunçando minha vida amorosa, mas era impossível.
Além do fato dele estar na Itália, ele não está interessado em
mim assim. Dex é um astro do futebol quente e eu sou uma
funcionária chata. Precisava ser prática aqui.

— Soph, você não precisa pegá-lo. — Explica Dana.

— Dex pega e te fode. É assim que funciona.

— De qualquer forma, isso não está acontecendo. Não viu


as notícias? Dex está neste momento em Milão com uma
modelo.

— Pfft. — Dana descarta o fato.


— Voltaria se você oferecesse sexo. E aposto que ela
compartilharia.

— Você esquece que não estou apenas querendo ser


fodida, como diz tão eloquentemente. — Argumento.

— Poderia conseguir isso em um bar desprezível. Estou


procurando por algo estável. Isso não é Dex.

— Eu sei, mas talvez deva mudar o plano. Saia desta


rotina. Está presa porque sua virgindade é um grande
negócio. Talvez fosse mais fácil encontrar alguém se o negócio
da defloração de sua virgindade acabasse. Então poderia
simplesmente continuar com a vida.

Fui salva de ter que responder por que meu telefone


estava apitando com alguém na outra linha.

— Minha mãe está ligando. Ligo mais tarde. Tenho que ir.

— Pense nisso. — Dana fala e desliga.

— Mãe.

Digo mudando de linha.

— Oi, querida. O que você está fazendo?

— Apenas indo para casa.

Pulo a parte sobre estar em um encontro, minha mãe


desaprovava meu namoro pela Internet ainda mais do que
Dana.
— Você está bem? Você já ouviu falar de Dex?

Tento não pensar na conversa que acabo de ter com


Dana.

— Não. Nada. Ele não respondeu minha mensagem.

As palavras saem amargas.

— Nem nós. Jim tem tentado ligar e mandou mensagens,


mas ele não respondeu. Estamos um pouco preocupados.

— Dex está em Milão. Pousou lá esta manhã. Está no


noticiário.

— Sim, mas Jim só falou com Dex uma vez desde que o
jogo horrível aconteceu e Dex parecia mal. Ele não falou com
nenhum de nós desde então.

Eu sento no meu lugar.

— O que você quer dizer com mal?

— Bem, você sabe desanimado. Deprimido. Quem não


estaria afinal de contas? Mas Dex nunca se fechou para Jim
assim antes. Nós sempre fomos capazes de conversar com
ele, mesmo que fosse apenas uma sequência de respostas
com uma só palavra. Mas agora nada.

Lembrei-me das filmagens de Dex atravessando a pista


até sua limusine, Jesetta Bibliona em seu abraço. Parecia
deprimido? Era impossível decifrar por trás de seus óculos
escuros. Parecia com Dex, sua expressão impassível, um
terno de grife caro moldando cada parte do seu corpo.

Claro, Dex era um atleta imune e rico que podia se dar ao


luxo de voar pelo mundo. Mas toda a sua carreira acabara de
desaparecer da noite para o dia, não apenas seu sustento,
mas sua capacidade de praticar o esporte que amava. Talvez
fosse um pouco chata por estar tão preocupada com o meu
encontro com um estudante de odontologia.

— Tentei mandar mensagens para ele.

Confesso para mamãe.

— Dex não respondeu. Talvez o telefone dele esteja sem


bateria ou algo assim?

O telefone de Dex nunca esteve sem bateria para mim,


em quatro anos, não importava em que parte do mundo
estivesse ou quão ocupado. Provavelmente tinha um
assistente em tempo integral só para ter certeza de que seu
telefone estivesse ligado.

— Por favor. Basta ligar-nos imediatamente se você ouvir


dele, ok?

— Ok, contanto que você faça o mesmo por mim.

Ela concordou e desligamos. Quando liguei meu carro e


dirigi para casa, comecei a me preocupar um pouco mais.
Mamãe estava certa, Dex tinha períodos em que estava tão
ocupado que não falava, mas nunca ficava completamente em
silêncio. Nunca nos ignorou ou se calou. Tinha treinadores e
agentes, mas e se todos eles estivessem o abandonando
agora? E se não tivesse ninguém com quem conversar, exceto
Jesetta Bibliona, cabeça oca? E se ele se sentir sozinho?

Saio do centro e atravesso os subúrbios até o bairro mais


rico de Franklin, onde fica nossa casa. Deveria parecer
estranho dirigir por ruas alinhadas com mansões como esta,
mas agora me acostumei com isso. De qualquer forma, não vi
nenhum cenário diferente enquanto percorria o caminho.
Estava muito presa em meus pensamentos.

Estaciono na nossa imensa garagem e olho para a casa


escura. Não temos empregados em período integral, não
precisamos deles, já que somente eu ficaria aqui pelos
próximos dois meses. Peguei meu telefone e olhei de novo
com a esperança de receber uma mensagem de texto do Dex,
mas até agora nada.

Droga. Mandei uma mensagem novamente para ele,


apenas no caso de estar prestes a pular de uma ponte ou algo
assim. Não queria isso na minha consciência. Você sabe que
pode sempre voltar para casa, certo? Eu digitei. Quando você
quiser.

Guardo o telefone e pego minha bolsa quando ele toca


alto e forte. Quase pulo do meu lugar.

Era Dex, respondendo a mensagem. Essa é uma ideia


interessante, disse.
Suspiro. Ok, pelo menos está vivo e conversando comigo.
Iria entrar e tentar conversar com ele, mas quando subi os
degraus até a porta da frente, vi que o alarme estava
desativado e a luz esta verde. Também vi uma luz acesa vindo
de um dos quartos do corredor da frente.

Com meu coração na garganta, respirei fundo e caminhei


pelo corredor. Tínhamos criados que iam e vinham, faxineiros
uma vez por semana, um jardineiro e uma empresa que
entregava alimentos. Será que, por algum motivo algum deles
veio em sua noite de folga? Parecia improvável que um ladrão
soubesse o código do alarme da porta da frente. Nosso
sistema era avançado, caro, com os códigos mudando
regularmente e uma empresa de segurança eficiente.

A luz vinha da sala de TV mais próxima da cozinha. Não


havia som. Endireitei meus ombros e caminhei
corajosamente, recusando-me a andar na ponta dos pés pelo
meu próprio corredor.

— Olá? — Disse e caminhei até a porta da sala de TV.

Dex estava no sofá grande e macio em frente à TV de tela


grande. A TV estava desligada e havia apenas uma lâmpada
acesa na sala. Estava esparramado, as costas contra um dos
braços do sofá, as longas pernas esticadas e os pés
pressionados contra o outro braço. Usava jeans desgastados
e um moletom cinza de zíper. Seus pés estavam descalços e
não usava camiseta por baixo do moletom. Seus cabelos
escuros estavam úmidos do chuveiro, despenteado em sua
testa. Tinha uma barba escura no queixo. Segurou seu
telefone em uma mão e abaixo de suas lindas sobrancelhas
haviam cortes, seus olhos azuis me observavam com muita
atenção.

Olhei para ele, sem palavras.

O mundo girou, a casa ficou em um silêncio


ensurdecedor e Dex me deu um meio sorriso. Um que parecia
triste.

— Ei, Sophie. — disse Dex Carter — Como você está?


CAPÍTULO QUATRO

Eu tenho isso comigo, quando encontro alguém olho


diretamente em seus olhos. Meus olhos são azuis, não estou
me gabando nasci com eles não os ganhei e muitas pessoas
os acham intensos. Então, quando encontro alguém pela
primeira vez, a melhor maneira de obter a verdade sobre essa
pessoa é olhar diretamente em seus olhos e ver o que ela é.

Algumas pessoas sorriem, outras desviam o olhar.


Algumas coram, outras falam e algumas ficam em silêncio.
Qualquer reação que façam, uso para categorizá-los
rapidamente. É uma tática de sobrevivência, saber o que
alguém quer de você imediatamente.

Então, quando Sophie entrou na sala, olhei para ela.


Intencionalmente, ela parou na porta, os lábios entreabertos
e olhou para mim. Seu rosto mostrava surpresa, preocupação
e uma mistura de alguma outra emoção que não consegui
decifrar.

— Você deveria estar em Milão. — Disse ela.

Seus cabelos castanho-escuros estavam puxados para


trás em um coque confuso com mechas caindo dele. Sua
franja estava lisa na testa, enfatizando seus olhos castanhos.
Percebi que conhecia suas outras emoções, estava assustada
e aliviada.

Parte dela estava feliz em me ver.

Pisquei e parte da tensão deixou meu corpo. Percebi que


estava esperando, temendo, alguma outra reação dela. Raiva,
talvez. Nojo. Que porra, não sei. Fosse o que fosse, não vi,
então dei a ela um sorriso.

— Você viu não é? Estou feliz que funcionou.

— O que funcionou?

— Meu truque.

Agora dediquei um tempo maior para olhá-la. Uma blusa


de trabalho, uma saia, salto alto, sem meias. Podia ver as
linhas lisas e musculosas de suas panturrilhas.

— Onde estão Jim e Patty?

Usamos seus nomes para evitar o constrangimento de


mamãe e papai.

— Nova York. — Responde Sophie.

O que saberia se tivesse respondido a qualquer uma das


ligações do papai. Deveria estar bravo por eles serem
covardes e evitarem a imprensa, mas não podia culpá-los.
Coloquei meu telefone de lado e tirei minhas pernas do sofá.
Porra estava quebrado, mas agora que Sophie estava na sala
não estava mais cansado. Estava bem acordado. Quanto
tempo demorou? Meses? Não tinha feito nada além de treinar
no período que antecedeu a Copa do Mundo e nem sabia que
dia era hoje.

— Você não me respondeu.

Disse Sophie quando me levantei.

— Porque não está na Itália?

— Porque depois que saí do avião e deixei a imprensa


filmar, dirigi pelas ruas secundárias em círculo até a outra
extremidade do aeroporto, voltei para o avião e vim para cá.
Essa parte, eles não viram.

— Porque a artimanha? — Ela pergunta.

Porra gostei dessa mulher usando palavras como


artimanha.

— Para obter alguns dias de privacidade sem a imprensa


na minha cola.

Sophie muda de posição e franze a testa. Suas


expressões eram sempre tão fáceis de ler.

— E Jesetta Bibliona? Onde ela está?

— Jes? Ela é uma garota legal.

Virei ao redor do sofá, na direção dela.

— Você está com ciúmes?


Estava. Estava totalmente.

— Não disse isso.

Protestou. Sophie observa-me ir a sua direção e as


palavras parecem sair por vontade própria, duras e amargas.

— Tenho certeza que ela é uma garota muito legal.

— Ela é.

Chego perto dela, coloco meus dedos em seu queixo e


inclino seu rosto para mim. Não pude evitar. Queria olhar
para ela de perto, ver todos os detalhes. Sonhei com ela.
Sophie. Porra, por meses.

— É especialmente legal com o homem por quem está


apaixonada, que é dono de uma cadeia mundial de café e vai
se casar com ele em poucos meses. Só estava me ajudando a
enganar a imprensa.

Sophie me deixa inclinar sua cabeça para cima e me olha


nos olhos.

— Funcionou.

— Sim.

Ela parece bem, sua pele impecável, seus olhos tão


honestos, mas tão insondáveis sob as extremidades de sua
franja. Mas me distraí, porque usava maquiagem para os
olhos e brilho labial, que brilhavam sexy em seus lábios
entreabertos. E percebi que podia sentir o cheiro do spray de
cabelo. Parecia muito gostosa e acho que não se arrumou
assim para o trabalho.

— Você estava em um encontro.

Disse, percebendo isso enquanto falava as palavras.

Ela se encolhe e por um momento parece infeliz.

— Esqueça. — Ela diz.

Olho para ela. Aquele momento de tristeza some


rapidamente.

— Que porra aconteceu?

Disse, mais agudamente do que pretendia.

Sophie estende a mão e toca meu pulso, pressionando


minha mão longe de seu rosto. Relutantemente, deixo ir.

— Não quero falar sobre isso. — Diz recuando.

— Não importa. E você, Dex? Você está bem?

Dou uma risada amarga e passo a mão nos cabelos.

— Claro, estou bem. Sou bom. Tenho uma bela


lembrança da Copa do Mundo.

Levanto a mão direita para que pudesse ver os nós dos


dedos, que estavam inchados, vermelhos e machucados.

— Preciso de uma bebida. Você quer uma?

— Claro que sim.


Disse naquela voz sexy dela. Viro para a cozinha. Naquele
momento, ouvindo Sophie dizer isso, estava tão feliz por
voltar para casa que poderia cair de joelhos e beijar seus pés.
Então poderia empurrar a saia para cima e beijar alguns
outros lugares.

Claro, era minha meia-irmã. Era também uma morena


quente com pernas longas e fortes, uma bunda que parecia
deliciosa e seios redondos, pequenos e firmes como peras.
Desde que conheci Sophie, estive muito, muito interessado
em ter a oportunidade de olhar seu corpo nu. Queria ver cada
curva e fenda dela. Queria ver como ficava com as costas
arqueadas e as pernas sensuais abertas para mim. Mas
sempre soube que era uma má ideia, além do fato de que
nossos pais ficariam loucos. O futebol era minha vida,
consumia toda minha existência e qualquer coisa que
começasse não seria capaz de terminar. Sophie não era o tipo
de garota que você fodia e esquecia.

Demorei um minuto, mas encontrei o armário onde meu


pai guardava as coisas boas e tirei dois copos. Não perguntei
o que queria, deduzi. Pensar em fodê-la me lembrou que ela
tinha se arrumado para ir a um encontro com outro cara e
isso estava me distraindo.

— Então você vai me contar o que aconteceu?

Ela perguntou.

— O que quer dizer?


Por um segundo, fiquei tão incomodado que
sinceramente não sabia.

— Hum, esse pequeno incidente que está em todos os


noticiários.

Disse sua voz soando divertida. Joguei gelo nos copos e


servi um pouco de uísque para nós. Quando entreguei o copo,
me olhou cinicamente.

— Vai dizer alguma coisa?

— Não quero falar sobre isso.

Ela inclinou a cabeça e olhou para mim. Não reclamou da


bebida.

— Muito traumático?

— Muito chato. Não fiz nada além de falar sobre aquele


soco por três dias. Aos executivos da Liga, ao meu agente, ao
meu treinador e aos meus colegas de equipe. Fiquei furioso e
dei um soco no rosto de Sebastião Santos, quebrei seu nariz.
Fiz isso, todos viram. Fim da história. Se tiver que falar sobre
isso mais uma vez, acho que vou perder a minha mente.

Sophie tomou um gole de sua bebida e engoliu, tocando o


lábio superior com a língua para tirar uma última gota de
uísque. Observei-a e imaginei se ela tinha alguma ideia das
coisas sujas que estava pensando. Talvez tenha.

— Então, a resposta é que não tem ideia por qual motivo


você fez isso. É isso?
— Isso mesmo. Foi um impulso, foi ruim e agora estou
fodido. É tudo o que há para dizer.

— Sinto muito, Dex. Nós vamos falar sobre outra coisa.

Bebi o uísque em um único gole. Não costumava beber,


mas me permiti, já que minha carreira tinha virado cinzas.

— Quero falar sobre esse encontro em que estava. Foi um


primeiro encontro?

Ela encolhe os ombros.

— Todos eles são.

Mais uma vez fiquei chocado.

— O que diabos isso significa?

— Isso significa que todos os encontros que eu vou são os


primeiros. Um após o outro.

Olhou para o copo por um segundo e depois bebeu o


resto de seu uísque em um único gole.

Meu sangue estava fervendo. Queria tirar mais palavras


dela, sacudi-la até entender.

— Não sabia que você estava namorando.

Digo, mantendo minha voz sob controle.

— Você não me contou. — Ela desvia o olhar.

— Não parecia o tipo de coisa que poderia dizer.


Isso doeu. Aquelas mensagens de textos que trocamos
nos últimos quatro anos foi minha tábua de salvação.

— Sempre fui honesto com você.

— Oh, sim, você sempre foi? Sobre tudo, incluindo as


modelos de biquínis que você estava namorando?

— Teria, se você quisesse. Você não perguntou.

— Não. Eu não perguntei.

Sophie estava com ciúmes novamente. Gostei. E, de


repente, ocorreu em minha mente suja que não estava
entrando em um avião amanhã. Não estava na minha agenda
habitual ter algumas horas em casa antes de voar para algum
lugar do mundo. Sophie e eu estávamos sozinhos nesta casa
pelos próximos dias. Só eu e aquele corpo doce e sexy.

Talvez finalmente tenha a chance de começar algo e


terminar.

Meu corpo inteiro ficou duro com a ideia. Não apenas


meu pau, que estava definitivamente interessado, mas o resto
de mim. Minhas costas, meus ombros. Os músculos das
minhas pernas. De repente, estava preparado, meu corpo
estava do mesmo jeito que ficava antes de entrar em campo.
Era uma fera quando praticava meu esporte, um filho da mãe
obstinado que tinha um objetivo e não desistia. Os analistas
gostavam de falar sobre a minha estratégia quando jogava,
mas sempre soube que minha força estava em querer ganhar
um jogo. Não desanimava quando as coisas não iam do jeito
que esperava. Não fiquei intimidado por jogadores que eram
melhores que eu. Meu corpo não diminuía ou parava, não
importando quanto tempo estivesse no campo. Se não
estivéssemos vencendo, continuaria jogando até vencermos.
Quando tinha a chance de fazer um gol, não perdia a
oportunidade.

Olhei para Sophie e vi um novo objetivo.

Não apenas um incomodo em minha calça. De jeito


nenhum. Havia algo diferente sobre Sophie, alguma razão
pela qual queria ou não tinha o direito de me gabar. O que
quer que fosse diferente, não queria analisá-lo agora. Só
sabia que nunca ficamos sozinhos antes com todo esse tempo
que disponho agora e queria tirar sua calcinha, além de
colocar minhas mãos nela. Agora.

Acalmei-me. Sophie precisaria de um pouco de sedução,


não apenas uma abordagem de quero fodê-la. Precisaria de
delicadeza. Teria que entrar em contato com minha mente de
homem das cavernas que neste momento estava furioso com
a ideia de caras terem fodido uma série de primeiros
encontros com ela, como se não a achassem importante e
muito delicada.

Tirei o copo vazio dela e joguei o gelo na pia.

— Você deveria comer alguma coisa.

— Vou fazer um sanduíche. — Ela responde.

— Provavelmente há algo na geladeira. Está com fome?


Precisei pensar sobre isso. Eu tinha acabado de voar da
América do Sul para a Europa e depois para a costa oeste dos
EUA, e sinceramente não sabia.

— Não. Qual é o problema com este lugar, afinal? Jim e


Patty não mantêm criados?

Ela faz uma pausa. Sabia que ficou surpresa por eu não
saber. Era estranho, desde que comprei esta casa, mas o fato
era que quase nunca passava tempo aqui.

— Não, morando aqui, não. Há um serviço de limpeza


uma vez por semana e um serviço de mercearia. Contratamos
fornecedores quando fazemos festas.

Então éramos só nós dois. Isso era bom para o que tinha
em mente. Joguei meu próprio gelo e coloquei os copos para
baixo, virando e me apoiando no balcão.

— Onde é o seu quarto? — Perguntei.

Sophie olhou para mim, em silêncio, os olhos


arregalados. Eu sorri para ela.

— Não se preocupe, não estou planejando me juntar a


você. Só quero saber para não escolher o mesmo.

Suas bochechas coram. Eu queria lamber o gloss de seus


lábios e mordê-los até ficarem vermelhos.

— Oh. No andar de cima. A segunda porta à direita. —


Assenti.
— Ainda há um quarto no terceiro andar? Lembro-me de
uma espécie de sótão, com um teto alto e inclinado, que fora
feito como um quarto de hóspedes.

— Sim, existe.

— Ficarei com ele. Então não precisamos dividir um


banheiro.

Ainda estava corando, mas assentiu.

— OK.

Dou a ela meu olhar intenso que intimidava as pessoas e


deixo aprofundar por um longo momento até que ela se mexe.

— Sei que não preciso pedir isso, mas tenho que fazê-lo.
Não conte a ninguém que estou aqui.

Sophie encontra meu olhar como sempre faz e cruza os


braços.

— E Jim e Patty? Eles estão preocupados com você.

Isso foi legal da parte deles, mas Jim e Patty estão do


outro lado do país agora, exatamente onde os queria.

— Eles podem saber, mas são os únicos. E não quero que


eles voltem aqui.

Sophie assente.

— Entendi. Eles se preocupam com você, deveria dizer a


eles. Mas Dex, quando sair, será reconhecido.
— É por isso que não estou planejando sair. — Digo.

Suas sobrancelhas sobem.

— Em absoluto?

— A imprensa não sabe onde estou. Nem meu agente ou


qualquer outra pessoa com quem trabalho. Nem sequer
contei a Jesetta. Dessa forma, ela não pode contar à
imprensa.

— Você quer dizer que ninguém sabe? Você tem carro


aqui?

— Só os que ficam aqui.

Tenho dois carros esportivos, ambos mantidos na


garagem.

— Vim do aeroporto de carro alugado.

Posso vê-la intrigada por esta informação.

— Se você não pode sair de casa, o que estava planejando


fazer?

— Honestamente? Dormir. Comer. Assistir TV, ler um


jornal. Posso cuidar dos negócios por e-mail e telefone. Caso
contrário, estou apenas absorvendo um pouco de paz e
tranquilidade, sem o mundo inteiro nas minhas costas.

E tentando descobrir como voltar ao jogo. O jogo era tudo


que eu tinha.
Suas feições se suavizam.

— Compreendo.

— Mas isso significa que você tem que manter até o fim
este acordo e ficar quieta.

Caminho em direção a ela e pego seu rosto na minha mão


novamente, inclinando-a para mim.

— Sou seu pequeno segredo agora, Sophie. Todo seu.

Ouço-a prender a respiração. Estou perto, tão perto que


posso sentir o cheiro suave de seu perfume, tão perto que
poderia esfregar meus lábios nos dela. Deixei que me sentisse
lá, o quão perto estava, cada centímetro de mim. Então a
deixei ir.

— Coma seu sanduíche.

Eu disse a ela quando saí da sala.

— Vou desfazer as malas e descansar um pouco.


CAPÍTULO CINCO
Do histórico das minhas mensagens.

Três anos atrás

DEX: Onde você está?

SOPHIE: Oh meu Deus! Estou em uma festa, acabaram


as provas.

DEX: Em uma festa? Você bebeu?

SOPHIE: Coquetel. Pêssego e limão. Tão gostoso!!!

DEX: Uau!

SOPHIE: Onde você está Dex?

DEX: Novo México. Acabou o treino. Como você está?

SOPHIE: Amy veio comigo, mas já foi embora com o seu


namorado. Não conheço ninguém aqui.

DEX: Está sozinha em uma festa? Faça-me um favor. Vá


beber um copo com água.

SOPHIE: Este coquetel está tão bom. Se você estivesse


aqui, eu conheceria alguém.
DEX: Água, Sophie.

SOPHIE: Vem para cá.

DEX: Qual é o endereço?

SOPHIE: Não sei.

DEX: Pergunta.

SOPHIE: Alguém disse Avenida Pine Grove 3314.

DEX: Obrigado.

SOPHIE: Dex vem para cá.

DEX: Vá para a porta da frente.

SOPHIE: De jeito nenhum, se você está no Novo México


como pode estar aqui?

DEX: Vá para a porta da frente e olhe.

SOPHIE: Não vejo nada. Espere, há um táxi.

DEX: É o seu táxi. Entre.

SOPHIE: Oh meu Deus, o que você fez?

DEX: Chamei um táxi para você. Entre.


CAPÍTULO SEIS

Sou o seu pequeno segredo.

Não consigo dormir. Olho para o teto, a minha mente


está a mil por hora. Como posso dormir?

Estou com calor, então me descubro. Agora sinto frio,


coloco novamente os cobertores. É muito para mim ter Dex
aqui, dormindo no andar de cima e ficar sozinha com ele
nesta casa silenciosa. Nos quatro anos de casado dos nossos
pais, nunca ficamos sozinhos.

E é por isso que gosto das mensagens. Quando


mandamos mensagens, parece que… estamos sozinhos.
Posso falar o que quiser e ele me escuta. É íntimo, mas sem
estar presente no quarto, não há consequências.
Conversávamos e isto é tudo. Nada mais acontece.

O jogo mudou a partir desta noite.

Faça com que a queira. Você precisa de ajuda.

Dex está aqui. Aqui. Aquele corpo lindo, musculoso,


flexível e firme, dentro de um suéter e um par de calças jeans
usadas. Por causa daquele maldito anúncio de cuecas,
conheço muito do seu corpo. As tatuagens em seus braços.
Os cabelos ralos do peito. Os gominhos do abdômen. O
contorno do quadril. Os músculos definidos da coxa. E a sua
bunda, Oh, Deus, estou ficando molhada.

Ele deve transar o tempo todo. Aposto que é ótimo na


cama.

Sei o porquê que não consigo dormir. Não é por causa do


calor ou do frio ou por que o meu travesseiro está
desconfortável. É por que imaginá-lo faz minha vagina doer
muito. Nos últimos meses que saí para um encontro nenhum
cara teve o efeito que Dex tem sobre mim em dez minutos que
ficamos juntos. Nem de perto. Quando pôs as suas mãos em
mim e se abaixou, senti o cheiro da sua pele. E neste
momento, minha mente ficou maluca com a ideia de tirar as
suas calças e ficar de joelhos. Algo que nunca fiz. Com
ninguém.

Todo seu.

Não. Não, não, não. Não com ele.

Não posso contar que sou virgem. E definitivamente não


pedirei que a tire. Nem mesmo para sair da minha rotina.

Respiro fundo, atiro os cobertores para o lado, sento-me e


jogo as minhas pernas para fora da cama. Olho o meu
celular, são três da manhã. Droga. Passo a mão pelos meus
cabelos. Dex ficará aqui por alguns dias, mas ele não é meu.
Ele nunca será meu. Eu nem sei se o quero para mim. Neste
momento a sua vida está um desastre, para não dizer o pior.
Tenho um trabalho, uma carreira para construir. Ele é a
definição de uma boa confusão.

Deus, embora o seu corpo naquelas calças. Deus.

Uma virgem desesperada fantasiando com o seu meio-


irmão, me deu uma fome. Preciso de um lanchinho, se
possível o sorvete que vi no congelador há pouco. Estou de
camiseta e calcinha, mas como são três da manhã, imagino
que não faz nenhuma diferença. Ando pé ante pé para fora do
quarto e desço as escadas.

A cozinha está escura e silenciosa. Tento não fazer


nenhum barulho enquanto ando pelos azulejos frios até
chegar ao balcão para pegar uma colher.

— Não consegue dormir?

Congelo. Dou uma viradinha olhando sobre o meu


ombro. Dex está de pé na porta da entrada para a cozinha.
Atrás dele no corredor brilhava a luz amarela da sala de TV.
Está lá com a porta aberta. A suave luz iluminando
indiretamente a sua pele nua. Ele veste calças de algodão
com cordão e nada mais.

— Humm…

Faltaram-me as palavras. Dex apoia-se contra a porta e


vejo os músculos de seu tórax mexerem-se. Os seus cabelos
estão bagunçados, as tatuagens escuras, seus olhos azuis.
Ele me observa.

— Eu também não. — Diz.

Meu olhar desce para o seu abdômen. A linha de cabelos


escuros abaixo do seu umbigo leva-me a descer, descer,
abaixo das suas calças que estavam baixas. Sinto um
impulso de pura luxuria entre as pernas, então noto a minha
roupa e a falta dela. Viro e o encaro, talvez para me cobrir de
alguma maneira ou talvez ir embora.

— Pare! — Diz ele.

A palavra me para. Fico congelada no lugar.

Olha-me como se não pudesse desviar o olhar.

— Vire-se.

— O quê?

— Vire-se, Sophie. Mãos em cima do balcão. Estou


admirando a vista.

Novamente suas palavras mexem comigo. Viro-me de


costas para ele e coloco minhas mãos no balcão frio e escuro.
Olho pela janela da cozinha sobre a pia, dolorosamente
consciente dele em algum lugar atrás de mim. Ouço andar
em minha direção.

Sinto Dex cada vez mais perto, como se me desse uma


descarga elétrica enquanto permanece atrás de mim. Levanta
minha camiseta por trás dando uma visão clara da minha
bunda por baixo do algodão fino da calcinha.

— Humm.

Diz com sua voz rouca.

— Isto é muito bom.

Deveria dizer algo. Algo como ―Como você se atreve” ou


―afaste-se”. Mas quando abri a minha boca, tudo o que saiu
foi um gemido pequeno e patético.

Ao som, Dex deu um passo rápido para frente e pressiona


o seu corpo contra o meu, prendendo-me ao balcão. Os seus
pés ficam entre os meus, fazendo as minhas pernas se
abrirem um pouco mais e os seus braços ao meu redor, as
suas mãos segurando a beirada do balcão ao meu lado. Ele
está muito quente. Sinto cada centímetro dele, cada
movimento do seu peito e abdômen. Os seus quadris me
pressionam ousadamente para frente para que não pudesse
me mexer, meu próprio quadril preso entre ele e a beirada do
balcão. Dex levanta a mão, tira os cabelos do meu pescoço e
inclina-se para que possa sentir a sua respiração na minha
pele.

— Tenho uma pergunta para você. — fala.

Quando falou, senti seu peito vibrar. Os meus olhos se


fecham.
Desta vez Dex levanta minha camiseta na parte da frente,
erguendo-a lentamente pelo meu corpo até o tecido se
agrupar por cima dos meus seios, apenas a extremidade
inferior cobrindo os meus mamilos. Os meus seios não são
grandes, mas pularam para fora quando arqueei as minhas
costas, meus mamilos estão duros como diamantes e ele
desliza os dedos sob o tecido da camiseta e os esfrega.

Oh, Deus. Está me tocando, as pontas dos seus dedos


quentes nos meus mamilos, a descarga de sensações vão
direto para o meio das minhas pernas. Contorço contra ele e
responde-me pressionando mais duro com os seus quadris
em mim, prendendo-me com mais força ao balcão. Sinto sua
barba áspera no meu pescoço e novamente esfrega os meus
mamilos.

— Aqueles seus encontros, — disse com a voz fraca. —


eles excitam você?

Não posso fazer nada além de ofegar. Quando não


respondo, as suas mãos deixam os meus seios e se arrastam
devagar pelo meu corpo em direção ao elástico da minha
calcinha.

Este era Dex. Dex. As suas mãos estavam em mim, o seu


corpo duro contra o meu, depois de todos esses anos
observando-o, olhando para ele e perguntando qual seria a
sensação. Agora sabia.

— Estou perguntando.
Disse, os seus dedos quentes enviando eletricidade sobre
a minha pele. A maneira como pressionava em mim me
envolvendo, inclino-me para trás para o seu corpo enquanto
os seus braços se flexionam e os quadris apertam contra a
minha bunda. O seu pau estava duro e podia sentir o seu
contorno grande e quente através do tecido fino entre nós
dois.

— Quero saber se algum daqueles caras fez você ficar


quente. Se fizeram você gozar. Eles tocaram em você, Sophie?
Você os deixou?

— Não. — suspiro. Dex está me tocando mais abaixo,


mais baixo…

Com uma mão segura minha cintura e me leva para trás,


para longe do balcão, pressionando-me forte contra o seu
pau. A outra mão desliza para dentro da minha calcinha e
acaricia a minha vagina.

O choque de prazer é tão intenso que contorço contra ele,


fazendo um som estrangulado. Dex me segura firme
enquanto os seus dedos exploram-me suavemente,
separando-me e tocando-me habilmente. Sua respiração é
pesada em meu ouvido.

— Querida. — diz áspero. — Você está maravilhosamente


molhada. — Ele passa os meus sucos sobre meu clitóris. —
Isto tudo é para quem? Para o seu encontro quente?

— Não. Não. Dex, Deus!


Esfrego-me contra ele, pressionando-me contra suas
mãos. Dex responde circulando o meu clitóris. Minha cabeça
cai para trás contra o seu ombro enquanto tremo com o
prazer crescendo através de mim, meu coração batendo.

— Eles tocaram em você assim? — Diz no meu ouvido,


segurando-me firme, acariciando-me com os seus dedos.

— Não.

— Eles foderam você?

— Não.

— Eles fizeram você gozar?

— Não. Foda-me, Dex, por favor!

Estou implorando para ele e não me importo. A sua


respiração no meu pescoço, os seus dedos dentro de mim, o
seu pau duro pressionado contra a minha bunda e a parte de
baixo das minhas costas, eu não me importo. Quero tudo isto
e muito mais.

— Ssh. — ele sussurra. — Apenas relaxe, Sophie, vou lhe


dar o que quer.

Como é que os seus dedos sabiam exatamente onde me


tocar? Como é que eles sabiam exatamente o que fazer? Eu
cedi a isto. Arqueei as minhas costas, abri as minhas pernas,
fechei os meus olhos e deixei que me esfregasse mais forte, os
seus dedos subindo e descendo, fazendo círculos cada vez
mais rápidos em meu clitóris, achando o lugar certo e com a
pressão certa.

E então gozei, gritando e ofegando, as minhas mãos


segurando o balcão enquanto o meu corpo tremia várias
vezes, a minha bunda pressionando contra ele. Agarrou-me
forte e me segurou em pé com uma mão enquanto a outra
estava dentro da minha calcinha, acariciando-me e depois me
aconchegando, toda a sua mão na minha vagina,
possessivamente. Dex gemeu baixo e feroz em meu ouvido e
quase chorei de alívio. Depois a sua mão me deixou e as duas
mãos agarram os meus quadris. As minhas costas ficaram
frias quando o seu corpo afastou. Ele me segurou por alguns
minutos enquanto recuperava o equilíbrio das minhas pernas
incertas.

— Você está bem? — disse.

— Sim. — consegui dizer.

A sua mão acariciou por um breve momento a parte de


trás do meu pescoço.

— Vá para a cama, Sophie. — disse suavemente. — Boa


noite.

E me deixou ali, ainda ofegante, as minhas mãos


segurando o balcão da cozinha, a minha camiseta puxada
para cima, a minha calcinha encharcada. Fiquei lá enquanto
ele subia as escadas e ouvi o clique da porta do quarto se
fechar sem mais nenhuma palavra.
CAPÍTULO SETE

No dia seguinte, não tive sorte na sala de descanso do


escritório. Parecia que todo o escritório estava ali e queriam
falar sobre Dex.

O escritório da Wells e Anderson não tinha um


regimento. Todos sabiam sobre o meu meio-irmão famoso,
mas ninguém me incomodava sobre ele. Era uma firma de
advocacia elegante e os advogados tratavam de questões
delicadas e confidenciais o tempo todo, as vezes, com clientes
ricos e famosos. Estou aqui há dois meses, então eles não me
conhecem assim tão bem. Não me pressionam para falar
sobre Dex. A abordagem de Anna ontem, quando agitou a
revista com a foto dele de cueca no meu rosto, foi à primeira
vez, e só fez isso por que estava preocupada, não por que
queria que eu falasse.

Hoje na sala de descanso, os meus colegas de trabalho


decidiram quebrar a regra não escrita. Hoje, de todos os dias,
depois que passei a noite passada gozando mais forte do que
possa me lembrar contra o balcão da minha cozinha, o pau
duro de Dex contra mim e a sua mão dentro da minha
calcinha. Hoje, eles querem falar.

Isto começou devido ao noticiário das manchetes que


passava na TV da sala de descanso, que mostrava umas
imagens de Jesetta Bibliona andando numa das lojas mais
caras de Milão, linda sem fazer nenhum esforço, sacolas de
compras nas mãos e óculos escuros sobre os olhos. Estava
sozinha.

— Os rumores estão em grande circulação neste momento


sobre o infame jogador de Futebol Dex Carter e a sua atual
amante, Jesetta Bibliona. — a apresentadora disse em um
sussurro. — Apenas um dia após aterrissar em Milão, o atleta
banido desapareceu, deixou de ser visto em público depois de
esmurrar Sebastião Santos no campo durante a Copa do
Mundo. Jesetta Bibliona foi às compras completamente só e
não quis responder a nenhuma pergunta. Será possível que a
vergonhosa atitude de Carter deixou o relacionamento deles
em crise?

Bebi do meu copo de sopa e mantive os olhos na tela,


mas Rosa da contabilidade foi a primeira a quebrar o silêncio.

— O que você acha Sophie? — perguntou puxando-me


enquanto andava até a geladeira para pegar o seu almoço. —
Eles estão em crise?

— Humm, talvez. — disse, tentando não pensar em Dex


em casa na sala de televisão com as suas pernas longas
estendidas ao longo do sofá. — Não sei.
— Você deve saber de alguma coisa. — Este era o Matt
das finanças, que usava óculos redondos e vestia suéter.
Tirou uma batata frita do seu saco de lanches e mastigou,
olhando para mim. — Você falou com ele?

As palavras deixaram minha boca antes que pudesse


parar.

— Só um pouquinho.

— Você falou com ele? — Rosa gritou. Na mesa próxima,


duas mulheres da recepção pararam de conversar e viraram
para nos olhar.

— Não. — disse, abaixando a minha sopa. As minhas


bochechas estavam queimando. Normalmente fingia melhor,
pelo menos no trabalho. — Quero dizer, ouvi dele através dos
meus pais. Eles falaram com ele e me contaram.

— Ele disse por que fez aquilo? — uma das


recepcionistas pergunta.

— Não realmente. Acho que só estava bravo.

— Ele nunca fez aquilo antes. — Disse Chris, um dos


advogados júnior. Ele estava abrindo a lata de Coca Cola. —
Sou louco por futebol e sigo a sua carreira. Dex Carter nunca
foi agressivo no campo daquele jeito. O que deixa isto
realmente confuso.

— Não há nenhuma desculpa. — Matt declarou, comendo


outra batata frita. — Você não pode socar outro jogador no
campo daquele jeito. Um atleta profissional sabe melhor. Se
todos socassem uns aos outros, seria uma luta. Olha o que
essa droga fez pelo hóquei.

— Talvez estivesse drogado. — Rosa diz. — Esteróides.


Não fazem você ficar zangado?

— Ele não usa esteróide. — disse ríspida.

Matt balançou a mão indiferente.

— Eles estão todos usando drogas, todos aqueles atletas.


Cada um deles.

— Não Dex. — disse, mas a minha voz foi abafada por


uma das recepcionistas, que entrou na conversa.

— Nada disso me interessa. — disse. — Quero saber se


Jesetta Bibliona terminou com ele agora que foi banido.

— Espero que eles resolvam isso. — a outra recepcionista


disse, suspirando. — Seria tão romântico, você sabe, se ela
ficasse ao lado dele durante os bons e os maus momentos.
São tão lindos juntos. Eles teriam bebês lindos.

Olho para a minha sopa, pensando sobre como seu pau


estava duro atrás de mim ontem à noite, como deslizou os
seus dedos dentro do meu corpo com tanta certeza.

— Claro. — digo. — Certamente, fariam lindos bebês.

— Ela não ficará com ele. — diz a primeira recepcionista,


elas viram rapidamente, nunca me lembro dos seus nomes,
retomando a discussão. — Porque deveria? Ele é uma
vergonha. E você sabe, se um cara pode esmurrar alguém no
campo desta maneira, o que faria em privado? Talvez ele seja
um abusador.

— Verdade. Especialmente se ele estiver usando drogas.


— a recepcionista número dois diz convencida.

Eu engulo. Queria gritar, mas respirei fundo em vez


disso. Isto é apenas fofoca no local de trabalho, repeti para
mim mesma. As pessoas falam assim o tempo todo sobre as
celebridades. Eles só se esqueceram que a sua meia-irmã está
na sala. Eles não querem dizer nada disso, nada de verdade.

— Bem, nós temos uma vantagem. — Chris disse,


bebendo a sua Coca-Cola e sorrindo para mim. O seu terno
custa o mesmo que o carro usado que eu dirijo. — Sophie, se
souber de algo bom, você precisa prometer que irá nos dizer
primeiro, antes de vender para os tablóides.

— Sim, e nós queremos fotografias. — Rosa adiciona.

Havia risadas na sala. Fiz o meu melhor para sorrir e


parecer amigável. O que aconteceria se gritar com eles?
Desistir? Ser despedida? Quero este trabalho, esta carreira.
Dex já tinha incendiado a sua própria carreira, dando-me
orgasmo espetacular ou não, não deixaria bombardear com a
minha.
O programa de fofoca terminou mostrando imagens da
Copa do Mundo novamente. Tampei a minha sopa, incapaz
de olhar.

— Uma coisa é verdade. — ouvi Chris dizer na sua voz


presunçosa. — Talvez devesse trocar de esporte, assumir o
boxe. Com certeza o homem sabe dar um soco.

— Sophie?

Olho para cima. Era a Anna, colocando a sua cabeça


através da porta da sala de descanso, a sua expressão
mostrava preocupação.

— Sim?

— Posso falar com você, por favor?

A sala ficou em silêncio enquanto arrumei o meu almoço


e andei através das mesas em direção a Anna. Senti minhas
bochechas queimarem.

— Sinto muito por ter te interrompido lá dentro. — Anna


diz suavemente quando fechamos a porta atrás de nós. —
Mas parece ser urgente.

— O que é? — pergunto com o estômago embrulhando.

Suspirou, por um segundo o seu olhar era de pena.

— Edward Mullen pediu-me para encontrá-la. — ela diz


quase num sussurro. — O sócio majoritário. Quer vê-la
imediatamente.
Sua sala é a maior do andar, o que era apropriado.
Edward Mullen é muito grande, tanto no tamanho como em
excesso de peso, como se tudo sobre ele tivesse que ser
enorme. Tinha mais de cinquenta anos e usava um terno caro
sob medida feito especialmente para seu corpo.

— Sente-se, sente-se. — disse ele.

Sentei-me na beirada de uma das caras cadeiras de


couro para clientes, sentindo-me como uma criança na sala
do diretor. Tentei lembrar que era uma funcionária
qualificada para trabalhar aqui e era uma das boas, não uma
garota que fez algo de errado.

— Senhorita Breen. — diz ele. — Desculpe, ainda não


tivemos a chance de nos conhecermos desde que começou
aqui. Nem sempre tenho a oportunidade para lidar
diretamente com os funcionários.

Assenti. Edward Mullen tinha o seu próprio assistente


pessoal, um homem mais velho que trabalhava só para ele. O
resto de nós nunca chegou perto dos seus casos.

— Soube que está indo muito bem. — continuou,


mexendo-se em sua cadeira, que gemeu em protesto. Deve
ser de um material muito bom. — Apesar de que
recentemente tenho ouvido sobre seus problemas familiares.

Pisquei, e então tive uma vontade louca de rir. Problemas


familiares? Isso é como se chama quando o seu meio-irmão
famoso chega em casa e esfrega-se em você no balcão da
cozinha às três da manhã? Então, lembrei-me que todos os
advogados devem ser treinados para falarem assim.

— Obrigada. — disse recatadamente.

Sr. Muller acenou com a cabeça.

— Houve algumas preocupações manifestadas sobre o


seu meio-irmão. — disse. — O comportamento dele pode
refletir em você por tabela nesta firma.

Respiro fundo.

— Sr... — disse tentando soar firme e confiante, falhando.


— Asseguro que nada atrapalhará os meus resultados.
Formei-me com nota máxima e sou muito habilidosa no que
faço.

— Eu vejo. — ele disse.

Como ele não continuou, prossegui.

— O meu… meio-irmão violou as leis da Associação


Internacional, e foi disciplinado. É bem simples. A firma sabia
que eu estava relacionada com ele quando me contrataram.
Honestamente, em alguns dias a imprensa vai esquecer tudo
sobre isto e passar para a próxima coisa.

Isto saiu melhor do que pensava. Na verdade fez sentido,


o que não consegui fazer na sala de descanso.

— Impressionante. — Sr. Mullen disse, como se estivesse


lendo a minha mente. — E muito bem colocado, devo
acrescentar. Se tivesse a intenção de demiti-la, provavelmente
diria que você salvou o seu emprego.

Olhei para ele, congelada.

— Não tenho a intenção de repreendê-la por esta questão.


— continuou, como se eu não estivesse chocada. — Concordo
com você. Na verdade, a sua relação com o Sr. Carter pode
realmente melhorar a nossa imagem em vez do contrário. Não
sou um fã de futebol, mas sei que ele é talentoso.

Suas palavras estavam rodando pela minha mente.

— Não sei o que quer dizer com melhorar a nossa


imagem.

— Ah, bem. — Sr. Mullen inclinou-se para frente sobre a


sua mesa e entrelaçou os seus dedos. — O fato é, o Sr. Carter
cometeu uma agressão dentro do campo de futebol. A lei é
bem confusa em relação ao que acontece em campo,
sobretudo quando ocorre em outro país. Tudo fica muito
confuso. Mas teoricamente, se o Sr. Santos está com raiva,
pode entrar com um processo.

Olhei para ele.

— Você está dizendo que Dex pode ser processado?

Ele me deu um sorriso satisfeito.

— Acontece, Senhorita Breen. Isto é um escritório de


advocacia. Se ninguém for processado, não teríamos
trabalho. — Ele pegou um elaborado porta-cartão de metal e
tirou um cartão, o papel era grosso e de cor creme. — Talvez
o seu meio-irmão tenha aconselhamento jurídico, eu assumo
que sim. Mas dê-lhe isto e diga-lhe que nós podemos ajudá-lo
com a defesa. Estaremos aqui se precisar.

Olhei para o cartão. Não estava despedida e nem fui


repreendida. O que Edward Mullen queria não era a minha
cabeça em uma bandeja e sim um novo cliente. Alguém rico e
interessante precisando de ajuda.

— Você está pensando muito nisso. — ele observou


astuciosamente. — Continue pensando muito, Senhorita
Breen.

Foi grosseiro. Foi ofensivo.

Mas o que deveria fazer?

E se ele estivesse sendo sincero? E se Dex precisasse de


ajuda?

Hesitei, e depois me inclinei e peguei o cartão.

— Pensarei sobre isto. — disse.

Por alguma razão, Sr. Mullen pareceu se divertir.

— Obrigado, Senhorita Breen. — disse. — Isso foi muito


gentil.

Concordei. E depois, endireitei os meus ombros e tentei


não tremer, fiquei em pé e saí da sala.
CAPÍTULO OITO
Do meu histórico de mensagens

Há dois anos atrás

SOPHIE: Minha mãe e o Jim viram o jogo na sala de TV


esta noite.

DEX: Então, você nos viu perder. Maravilha.

SOPHIE: Ei, não pode vencer todos os jogos. Certo?

DEX: Não, mas não deveríamos ter perdido este.


Estragamos tudo, não vou falar os motivos. Ninguém estará
falando hoje. Todo mundo está bravo, com eles mesmos e
com os outros.

SOPHIE: Eu estou falando de você.

DEX: Você está querida. É bom ter uma pessoa que não
vê o futebol como o centro de toda a existência. Na verdade, é
um maldito alívio.

SOPHIE: Confesso. Nem sequer sei as regras muito bem,


tentei aprender, mas as esqueço sempre. Sempre tive muita
vergonha de lhe dizer isso.
DEX: Não importa. Nunca tenha vergonha de me contar
nada. Nunca. Você assistiu ao jogo?

SOPHIE: Sim. Achei que você foi bem.

DEX: Ótimo. Assim são as regras do futebol: Corre.


Chuta. Marque.

SOPHIE: Está bem.

DEX: E vença. Esta é a regra. Vencer.

SOPHIE: Aprendi essa.

DEX: É melhor mesmo.


CAPÍTULO NOVE

No início da noite, estava me lamentando da decisão de


ficar escondido dentro de casa. Era um dia frio e sombrio no
norte da Califórnia, com uma névoa fina de chuva descendo
que cheirava como oceano, salgado, o dia estava perfeito para
correr. Em um dia normal, vestiria um moletom e short de
corrida e correria por quilômetros me perdendo no cheiro do
ar.

Estava confinado desde a Copa do Mundo, em hotéis,


salas de reuniões e aviões. Não estava acostumado. Precisava
correr. A vontade era tão grande que considerei quebrar a
minha própria regra e sair de casa. Mas depois lembrei que a
imprensa teria pelo menos uma pessoa acampada lá fora em
algum lugar próximo da casa, observando através de uma
lente de longa distância só para ver se podiam apanhar algo
interessante. Todos sabiam que esta era a minha casa. E
sabiam que desapareci do solo italiano.

Então, em vez disso usei a academia de casa. Comprei a


casa para o Jim e a Patty, mas montei uma academia para as
vezes que ficasse aqui. Está totalmente equipada: esteira,
pesos, kettlebells (bolas de ferro com alças), cordas de
resistência. O padrão de treino fora do campeonato era de
duas horas. Fiz três.

No início meu corpo estava tenso e duro devido ao


estresse, mas depois o meu corpo cooperou. Meu corpo era
uma máquina, assim que comecei, trabalhou lindamente,
perfeitamente, como um Maserati1. Desliguei o meu cérebro,
saí da minha mente e desabitei completamente o meu corpo,
passei a ser um conjunto de músculos e reflexos. Nasci para
correr, saltar, empurrar, respirar e ir mais rápido por um
longo tempo. Sabia desde a adolescência, e o meu corpo
nunca me deixou na mão.

Quando terminei, sentei no banco, todo suado, secando-


me com uma toalha. Não vi Sophie esta manhã antes dela ir
para o trabalho, e não sei se está zangada comigo. Talvez, ela
pensasse que eu era um cabeça de vento. Talvez, depois de
ontem à noite, ela me jogue no olho da rua ou me faça fazer
as malas.

Lógico que sabia que não deveria ter feito isto. Mas
quando a vi na cozinha, com apenas uma camiseta fina e
lingerie, perdi o juízo. Os planos para seduzi-la pouco a
pouco viraram fumaça. Queria tocá-la e a toquei, e me
correspondeu. Fui para a cama com o cheiro dela nos meus
dedos e o som dos seus gemidos nos ouvidos. Poderia ter me
masturbado, estava tão duro que doía, mas não considerei

1
Maserati é uma tradicional fabricante de automóveis italiana fundada em Bologna
fazer. Queria o meu pênis duro para ela. Desejava-a. Aprendi
ao longo dos anos que era bom querer algo, porque nos
lembra o porquê de acordar todos os dias. Desejá-la, ter o
meu pau duro para ela me faz lembrar do por que estou vivo.

Apoio as costas contra a parede fria e fecho os olhos. A


verdade é que perdi o controle. Naqueles poucos minutos com
Sophie esqueci tudo, até da Copa do Mundo.

Mas ainda tinha problemas com que lidar.

Pego meu telefone e o ligo, ignoro a avalanche de textos e


mensagens que apareceram, e disco para o meu agente, Eric.

— Mas que droga, Dex. — gritou para mim quando


atendeu. — Onde diabos você está?

— Tem alguma importância?

— Você certamente não está na Itália com aquela modelo.


— ele diz. —Você está em casa na Califórnia?

— Sem comentários.

— Certo. Está bem. — Eric conhecia o jogo. Era melhor


não saber onde estava, então quando conversar com a
imprensa e falar que não sabia onde Dex Carter estava
tecnicamente não estaria mentindo. Eric não era contra
mentir se precisasse recorrer. — Ouça me diz a verdade. Você
está deprimido? Não temos tempo para isso. Tenho um
psiquiatra que poderá ver você.

— Não. — digo, fechando meus olhos.


— Está usando drogas?

— Você está falando serio? Nem sequer bebo.

— Dex, já cuidei de situações piores antes. As vezes,


depois que as merdas acontecem vocês saem para comprar
um pouco de cocaína, não estou nem aí. Só estou dizendo
que, se estiver fazendo sujeira, acabará por ser pego e só vai
piorar as coisas.

— Não estou usando drogas. — falo.

— Nem prostitutas?

— Eric. — digo, usando uma linguagem jurídica sexy de


Sophie. — Estou começando a questionar a qualidade de
seus clientes.

Acertei-o em cheio.

— É a pressão, homem, pressão. Deixa as pessoas


malucas. Já vi pessoas cederem por menos pressão do que
você está sofrendo agora.

— Acabei de fazer três horas de treino. — digo. E um dedo


fodendo a minha meia-irmã até ela gozar. O que ajudou na
pressão. — Embora, não estou conseguindo dormir.

— Provavelmente é normal. — ele diz. — Não tome


nenhum remédio, está bem? Se a imprensa descobrir que
você tomou mesmo que seja um calmante, eles terão um bom
momento. Outro bom momento. Agora olhe. Desde que você
saiu sem dizer nada, estou trabalhando muito. Fiz algumas
ligações para a Liga Internacional, e acho que estou fazendo
alguns progressos.

Abro meus olhos.

— O quê?

— Não estou prometendo nada. — Parecia satisfeito


consigo mesmo. — Mas é possível que consiga arranjar para
você outra audiência.

Olhei confuso para a parede da academia à minha frente.


Meu joelho direito estava começando a latejar.

— Quer dizer uma audiência para me deixarem jogar de


novo?

— Bem, é apenas um começo. Mas tenho uma possível


estratégia. Tenho alguns planos em andamento. Quando você
acha que estará em Nova Iorque de novo?

— Eu não sei. — Não estava pensando em ir nas


próximas horas. Distraidamente esfreguei o meu joelho.

— Bem, deveria vir o mais rápido possível. Vista-se e


pareça que está arrependido. Posso ser capaz de marcar
algumas reuniões.

— Puta merda. — digo, levantando a minha perna direita


e flexionando-a, sentindo o latejar novamente no meu joelho.
— Eles expulsaram-me. Nem sequer imaginava que um apelo
fosse possível.
— Torno as coisas possíveis, Dex. Além disso, é o certo.
Você está no auge da sua forma. Perdeu esta Copa do Mundo,
mas se treinar bem, não estará muito velho para a próxima.

Pensei sobre voltar aos treinos, ter horário. Jogando


futebol. Ser eu de novo.

— São quatro anos. — aponto, não querendo ter


esperanças. — Tenho vinte e seis. Você acha que posso jogar
na Copa do Mundo aos trinta?

— Você terá que fazer isso. — A voz de Eric soou fria. —


Nós estamos encurralados aqui. Você precisa jogar futebol,
Dex. Existe muita coisa em jogo que está dependendo de você
ser um jogador ativo e não banido neste momento.

— Como o quê?

— Bem, Espanha, a empresa de roupa intima que largou


você. ‘De acordo com a nossa marca’, e tudo isso. Posso
mudar isto se você voltar a jogar. Osatori, o japonês, está de
olho. Eles estão em cima do muro. Estão preocupados, mas
não estão prontos ainda para tomarem uma decisão.

Suspiro, massageando o meu joelho. Tive a chance com


os anúncios de cuecas, tire suas roupas, fique aqui, pareça
sexy, tenha um bom dia, mas ainda não vi o anúncio. Deveria
ir a Tóquio no próximo mês. Apareceria, usaria um relógio,
alguém tiraria uma foto e me entregaria um cheque. As vezes
o mundo em que vivo é completamente estranho.

— O que as pessoas do comercial do relógio querem?


— Querem falar com você pessoalmente. Cara a cara.
Algum tipo de costume japonês.

— Está bem, então falarei com eles.

— Nem pensar.

— Porque não? Não sou um imbecil, Eric. Posso lidar


com isso.

— Você não é um imbecil, mas esse tipo de negociação é


o meu trabalho. Provavelmente querem falar com você para
poderem enganá-lo, para que concorde com algo que não seja
do seu interesse.

A agitação do treino sugou tudo em mim. Levantei,


sentindo os meus músculos rígidos e doloridos. Não aqueci
devidamente.

— O que isto tem a ver comigo jogando futebol?

Erik soou exasperado, como se já tivesse me explicado


isto.

— A questão, Dex, é se todos estes patrocinadores se


retirarem, você perderá dinheiro. O contrato com a Espanha
teria ainda uma segunda filmagem, e o contrato do Osatori
está apenas começando. Para estar em acordo com o
contrato, você precisa ser um jogador de futebol. Entendeu?

Vou para o chuveiro que está anexado à academia, tiro


minha camiseta encharcada de suor. Mesmo com toda
porcaria acontecendo, uma parte de mim queria saber onde
estava Sophie neste momento, será que estará furiosa comigo
quando voltar. Se ela vier direto para casa, está perto de
chegar.

— Está bem. — digo — Vê o que pode fazer. Mas


precisamos de um plano B, para o caso da Liga dizer não.

— Eles não dirão não. — Eric soou confiante. — Não


depois de entregar a eles minha proposta.

Depois de desligarmos, tirei a roupa e fiquei debaixo do


jato de água quente do chuveiro, sentindo a água relaxar meu
corpo. Deixei-me levar. A parte de baixo das minhas costas
estava contraída, o joelho que me deu problemas no ano
passado está doendo, ainda me doem os nós dos dedos por
ter socado Sebastião Santos. Mas era o meu joelho que estava
me preocupando. Era o ligamento do meu joelho direito e
estava virando um problema. Joguei muito, e estava jogando
por mais de uma década agora, desde que descobri o futebol
quando adolescente. Tinha apenas vinte e seis anos, mas
depois de mais de dez anos forçando, meu corpo começava a
enviar mensagem Mais devagar, idiota. Não podemos fazer
isto para sempre. Um estiramento do joelho significaria uma
cirurgia, com meses de reabilitação, se tivesse sorte.

É por essa razão que Eric quer me enterrar nesses


contratos grandes em que pareça sexy e use relógios, porque
a carreira de atleta é curta. E agora ele quer que volte ao
campo por mais quatro anos, se Deus, o meu joelho e a Liga
Internacional permitirem.
Mas jogar futebol é a única coisa que sei fazer. Se a Liga
me deixar jogar, acredito que farei isto até o meu corpo ser
conduzido para debaixo da terra. Desliguei a água e pensei
novamente na Sophie. A imagem dela naquela calcinha, com
os seus cabelos soltos, seus seios pequenos e firmes em
minhas mãos. Só de pensar nisso meu pau endureceu.
Estava tentado em recebê-la nu quando chegasse em casa.

Mas vesti uma cueca boxer, calça e uma camiseta, e fui


para a cozinha fazer algo para comer. Proteína magra com
certeza. Sem açúcar, não brinca. Talvez tenha que voltar a
treinar todos os dias.

Acabei com um pouco de peru e um copo de água. Ei! Sei


como fazer uma festa de arromba, foi quando ouvi a porta da
frente fechar. Sophie estava em casa.

Mantive-me de costas, pondo a comida de volta na


geladeira. Quando fechei a porta e virei, ela estava de pé na
porta da cozinha.

Estava vestindo uma blusa e uma saia, para o escritório.


Sapatos de saltos com uma cinta ao redor na parte de cima,
não consegui lembrar qual o nome que as mulheres dão a
essas coisas. Seus cabelos estavam soltos e sua franja lisa na
testa. Usava muito pouca maquiagem, menos que na noite
passada, quando foi ao seu encontro. Não usava batom ou os
cabelos despenteados. Parecia uma linda assistente jurídica
que trabalhava em um belo escritório, que era exatamente o
que fazia.
Queria arrancar suas roupas e fodê-la sem sentido.

Ela olhou para mim, deixando seu olhar cair sobre as


minhas calças, as pernas, as coxas, a camiseta, as tatuagens
em meus braços. Os seus lábios se abriram. Vi seu olhar
subir lentamente até aos meus debaixo de seus cílios
escuros.

— Oi.

Fiquei a olhando, observando-a atentamente. Ela não


parecia zangada.

— Oi.

— Posso, hum, falar com você?

— Claro.

Ela olha ao redor da cozinha.

— Não aqui, está bem?

— Porque não? — pergunto. — Gosto deste balcão.

Ela balança a cabeça, acho que vi um sorriso se


formando.

— Em outra sala. — Virou e saiu, os seus saltos clicando


nos azulejos.

A segui, como um cachorrinho, por iniciativa própria. Ela


poderia escalar o Monte de Kilimanjaro e a teria seguido.
Levou-me para a sala de TV. Esta casa tem um monte de
cômodos, quase não venho aqui, e ainda não explorei todos
eles, mas a sala de TV era no mínimo convencional. O sofá
era convidativo, e não havia muitas bugigangas esquisitas.
Sabia que Jim e Patty contrataram um decorador profissional
para a casa, mas os decoradores parecem que se esqueceram
desta sala.

— Ouça. — Sophie diz enquanto se inclina para trás no


sofá e tira seus sapatos. — Você está bem?

— Estou ótimo.

Ela retira o primeiro sapato e olha para mim.

— Você continua a dizer que está ótimo.

— Isso é porque as pessoas continuam a me perguntar se


estou bem.

— Você ligou para o seu pai e disse onde você está?

— Não. Jim esta confuso, e não estou com disposição


para falar.

— Dex, eles estão preocupados com você. — Retira o


outro sapato e balança a cabeça, suspirando. — Está bem.
Entendo isto, as pessoas estão falando sobre você neste
momento. Mas apenas acho que… — Faz uma pausa,
esfregando distraidamente o seu pé descalço como se o
sapato tivesse machucado.

— Você acha o quê?


— Acho que talvez se esconder seja uma péssima ideia.
Vai haver consequências e você terá de lidar. Não pode
simplesmente esconder-se e evitar tudo, precisa enfrentar as
coisas.

Ergo a minha cabeça. Oh, isto é interessante.

— Você acha que estou evitando as coisas?

— Bem, eu apenas…

— Diga-me uma coisa, Sophie. Quando foi a última vez


que você foi uma atleta?

Ela se ajeita e olha para mim cautelosamente.

— Nunca fui uma atleta.

— Jogou no campeonato internacional? — digo. Ela


balança a cabeça. — Jogou na liga dos melhores do mundo?
Negociou acordos de patrocínios multimilionários?—
Novamente balançou a cabeça, as suas bochechas coradas.
— Não? Então, talvez não entenda porque quero tirar algum
tempo longe pela primeira vez em dez anos. Desde que saí do
avião há vinte e quatro horas atrás, tive exatamente um
maldito dia de folga. Um dia que treinei, e conversei
animadamente com meu agente pensando em uma estratégia.
— Olho ao redor da sala escura, a casa estava silenciosa. — E
quanto a me esconder aqui, posso facilmente sair pela porta
da frente e dar à imprensa uma boa foto, depois disso eles
acamparão em nosso jardim. E farão um monte de perguntas.
É isso que você prefere?
As suas bochechas agora estavam manchadas de
vermelho, mas endireitou-se e olhou-me nos olhos.

— Não quis dizer que você é irresponsável.

— Não? — pergunto. Não estava zangado, pelo menos não


com ela. Mas estava nervoso e estressado. — Todos sabem o
que Dex Carter é. É um corpo, não um cérebro. Você diz-lhe
para treinar, ele treina. Você o coloca em campo e diz-lhe
para ganhar, ele ganha. Você o põe na frente de uma câmera
e diz para despir-se, ele despe. — Dei um passo para mais
perto dela, e ela chegou um pouco para trás, até a sua bunda
encostar-se à parte de trás do sofá. — Ele tem tatuagens e
muito dinheiro, e agora tem um temperamento esquentado.
Pode dar-lhe instruções simples, mas não espere que ele
compreenda as coisas complicadas, porque não pode lidar
com isso. Dex simplesmente explodirá.

— Não disse nada disso. — ela chorou. — Você está


colocando palavras na minha boca. Não acho isso de você.
Nunca achei.

Respirei fundo. Droga. De onde veio isto? Esta frustração


e raiva? A última vez que me senti assim estava no campo
esmurrando Sebastião Santos. Não estava violento agora,
nem de perto, mas também não me reconheci. Nunca perco o
controle. Exceto, ao que parece, ao redor da Sophie.

O que não significa que precisava ser um idiota. Estava


em dívida com ela, mais do que isso.
— Sinto muito.

Os olhos dela queimam de surpresa, então cruzou os


seus braços sobre o peito.

— Desculpas aceitas.

Sempre me entendeu, pelo menos foi o que pareceu ao


longo dos quatro anos das nossas trocas de mensagens.
Disse a ela coisas, que nunca contei a mais ninguém, admiti
coisas que nunca assumi antes. Por alguma razão, não
queria que me visse da mesma maneira que o resto do
mundo. Por alguma razão, era muito importante. Queria que
visse algo que não sabia o que era. Era vida e morte para
mim. Cheguei mais perto dela, praticamente ocupando seu
espaço, e disse:

— O que quer de mim?

Olhou dentro dos meus olhos, sempre olhou diretamente


para mim, e respondeu:

— Você quer saber por que meu encontro foi ruim ontem
à noite?

Não queria, mas falei:

— O quê?

— Você fez com que fosse ruim.

As minhas sobrancelhas se ergueram.

— Eu?
— Ele saiu comigo para chegar até você. Porque ele é um
grande fã.

— Que droga. — disse, embora estivesse feliz por ele não


ter tido chance com ela. — Já aconteceu isso antes?

— Sim. — responde de forma natural. — Quer saber por


que quase perdi meu emprego hoje?

Tinha a sensação de que sabia qual era a resposta, mas


esperei.

— Você. — ela disse. — Há um rumor por causa da


minha ligação com você e a firma está preocupada com o bom
nome da empresa.

— Isso é bobagem. — disse zangado para ela. — Eles não


podem…

— Ainda não acabei. Quando fui chamada ao escritório


do sócio majoritário, pensei que estava sendo despedida.
Acontece que ele queria que eu o convencesse a contratar
outro advogado.

Suspirei.

— Sophie.

— Isto é o que você faz comigo, Dex. — disse. — Você


controla a minha vida sem querer. Mesmo sem saber. Você
está no meu trabalho e nos meus encontros. Todos na
faculdade me perguntavam sempre por você. As minhas
colegas de quarto, os meus colegas de turma e os meus
professores. O treinador de futebol da escola. Agora que sai
da faculdade, começou tudo de novo. — Passou uma mão
pelos cabelos, despenteando-os. — E então você explode com
tudo e volta para casa, e… e você faz aquilo que me fez ontem
à noite, entra e faz aquilo, como se fizesse isso todos os dias.

Olhei para ela, as emoções deixando-a pálida e fazendo


uma veia pulsar em seu pescoço. Como um estouro de um
trovão, apenas sabia. Aqueles caras em todos aqueles
primeiros encontros, que me deixaram louco de ciúmes na
noite passada, ela disse a verdade quando falou que nenhum
deles a tinha tocado. Nenhum deles a tinha fodido. Era
virgem. Ninguém tocou realmente na minha meia-irmã.

Isto deveria me desanimar e me fazer voltar atrás. As


virgens são complicadas, todos os caras sabem disso. São
confusas e emotivas, e você não pode simplesmente ir
embora. Não pode ter uma noite de sexo selvagem e ir
embora, entender sem questionar. Elas vão querer mais do
que a maioria dos homens estão dispostos a dar, e em troca
não serão muito habilidosas. A maioria dos caras que
escutam a palavra virgem correm para o outro lado.

Mas tudo o que conseguia pensar sobre Sophie era, juro


por Deus que eu estarei fodendo com ela e ninguém mais.

Dei um passo e pressionei-me contra ela suavemente,


enquanto traçava com as pontas dos dedos os lados do seu
pescoço.
— Você acha que faço isso todos os dias? — Não pude
deixar de rir. — Você me tem em grande consideração.

Ela ficou mais vermelha, mas não se moveu e não me


afastou.

— Pare de me provocar.

— Não estou provocando. — Inclinei e beijei o seu


pescoço, logo abaixo do lóbulo da sua orelha. — Gosto que
pense assim. — Outro beijo, um pouco mais abaixo. — É
flertar. Errado, mas flertar. — Sua respiração estava irregular
e difícil, como ontem à noite, e ainda assim não me empurrou
para longe. Foi como da outra vez, minha mente ficou em
branco, esqueci tudo o que aconteceu ou que viria a
acontecer. Tudo, exceto a possibilidade de tê-la. Disse
gentilmente no seu ouvido, — Diga-me uma coisa, Sophie.
Você tem algum problema que eu precise resolver?

Ela respirou fundo e parecia chocada, como se as


palavras a atingisse.

— Eu não… não sei o que quer dizer.

— Não?

Passei as costas das mãos levemente para baixo na frente


da sua blusa sob os seus mamilos. Eles estavam duros sob o
tecido. Movi minhas mãos para cima de novo, esfregando-os,
seu olhar ficou distraído, mole pela luxúria. Eu queria
arrancar a sua blusa, mas me contive. Delicadeza, Dex,
lembra?
— Não se preocupe. — disse suavemente. — Será
devagar. Será bom. Prometo.

Ela respirou fundo, sabia que o meu palpite estava certo.

— É tão embaraçoso. — finalmente admitiu, a sua voz tão


baixa que quase era um sussurro. — Estou parada no tempo.
Só preciso superar isto.

Não sabia o que exatamente isto significava, mas a minha


mente traduziu como talvez deixe você me foder, então
pressionei o meu quadril contra o dela. Podia sentir seu
cheiro, não de perfume, mas um levemente floral misturado
com o cheiro da sua pele, como se tivesse usado sabonete
esta manhã que cheirava a algo feminino. Droga, eu a queria.
Os seus quadris pressionavam contra os meus, quase que
por instinto, e sei que sentia o que queria claramente. Não me
importava. Queria que me sentisse. Queria que se sentisse
tremendamente bem. Os seus quadris moveram novamente,
como se a primeira vez não fosse o suficiente para ela. As
suas mãos subiram e seguraram com força minha camiseta,
torcendo o tecido.

— Não estou pedindo para me ajudar com isto. — ela


disse. — Eu não estou.

— Você pode me pedir para fazer tudo. — disse, e a beijei.


Deslizei as mãos em seus cabelos e provoquei a sua boca
aberta, provando tudo o que queria saborear. Levei o meu
tempo. A sua língua, o interior da sua boca, o seu lábio
inferior e o superior. Explorei tudo, e ela inclinou sua cabeça
para trás, ficando mais selvagem quanto mais a beijava.

Quando me afastei, estava ofegante, sua respiração


quente no meu rosto. Estávamos pressionados contra o
encosto do sofá, ela estava meio que sentada nele, ainda
vestindo a sua decente saia de trabalho e suas mãos
continuavam segurando a minha camiseta.

— Levante a sua saia. — disse a ela.

Sophie piscou, depois tirou as mãos de mim. Sua saia era


justa, ela puxou para cima libertando suas pernas.

— Mais para cima. — disse quando parou.

Puxou mais para cima, e quando olhei para baixo podia


ver as suas pernas, firmes e sexy, compridas e cheias. A saia
amontoada ao redor da cintura. Continuava vestida com a
blusa, parecia respeitável da cintura para cima, e como uma
garota devassa e safada da cintura para baixo.

— Abra as suas pernas. — disse a ela.

Ela parou.

— Dex…

— Faz isso ou não a beijo de novo.

Lentamente deitou-se mais para trás no sofá, colocando


mais do seu peso nele, e trouxe os seus joelhos para cima,
abrindo as pernas para mim. Movi entre elas, forçando-me
contra ela, meu pênis duro nas minhas calças contra a sua
calcinha exposta. Ela fez um pequeno som de surpresa, como
se a fricção lhe desse prazer. Segurei sua bunda e a
pressionei mais forte em mim, beijando-a novamente.

Agora, a minha língua estava na sua boca e o meu pau


contra ela, e ela queria mais. Podia sentir isto. Contorcia-se
contra mim, beijando-me com força, e firmando os pés em
minha coxa enquanto a abraçava fortemente, mantendo o seu
peso em mim. As suas mãos se moveram nas minhas costas,
nos meus ombros e na parte de trás do meu pescoço, as suas
mãos estavam quentes através do tecido da minha camiseta.

Puxei sua blusa até à cintura onde estava a sua saia e


desabotoei, nunca parando o beijo. Quando sentiu as minhas
mãos na sua pele, deslizando o seu sutiã, ela pulou para trás.

— Dex, preciso dizer…

— Não. — disse, deslizando as minhas mãos para as suas


coxas de novo.

— Mas, eu disse a verdade, nunca…

— Eu sei, acha que me importo? — segurei sua bunda e


a levantei. — Venha aqui.

Ficou surpresa quando a levantei para que ela ficasse no


chão de novo.

— O que você está fazendo?


— Não vou fodê-la pela primeira vez na parte de trás do
sofá, Sophie.

Segurei sua mão e a puxei em direção às escadas.

— Eu vou fodê-la na cama. Vamos.


CAPÍTULO DEZ
Do meu histórico de texto

Um ano atrás

SOPHIE: O que suas tatuagens significam? Sempre quis


saber.

DEX: O braço direito é um lobo e uma cobra,


entrelaçados. O braço esquerdo são símbolos que são
encantos de poder.

SOPHIE: Encantos de poder? Que tipo?

DEX: Não tenho ideia. O tipo que o cara da tatuagem me


mostrou. Não me importo com que tipo eles são. Gostei deles,
então os peguei. Decisão tomada.

SOPHIE: Sempre faz o que quer?

DEX: Ficaria surpresa com o quão raramente faço o que


quero. Essa foi uma das únicas vezes.

SOPHIE: Talvez eu faça uma tatuagem.

DEX: Sim? O que você faria?


SOPHIE: Faria um sinal de paz. Você sabe o círculo com
as linhas.

DEX: O que eles usaram nos anos sessenta?

SOPHIE: Sim. Sempre gostei desse símbolo. Ninguém


mais usa isso. Acho que o sinal de paz dos anos sessenta
deveria ter um grande renascimento.

DEX: Um grande renascimento que começa na sua


bunda.

SOPHIE: Bem, é um começo, não é?


CAPÍTULO ONZE

Ele sabia de mim. Dex me conhecia, sabia que era virgem


e não se importava. Como ele sabia? Tinha algum tipo de
radar virgem? Não acho que eu deixaria transparecer. Ele
apenas me conhecia assim tão bem?

Segurei-o quando ele me puxou para cima. No topo ele


simplesmente me pegou, Deus, ele era tão forte e gracioso,
me carregando como se eu não fosse nada, seu corpo se
movendo em perfeita sincronia. Nunca fiz sexo antes, mas
não era ignorante. Tinha feito... Coisas. Beijado. Provado. Já
tinha dado a um cara um desleixado e inexperiente trabalho
com as mãos uma vez, em uma festa da faculdade, depois de
muitas bebidas. Não era tão inocente. Vi um pau real, afinal,
e toquei em um.

Mas não foi de Dex.

Isso ia ser diferente.

Tentei ensaiar coisas na minha cabeça. O que deveria


fazer. O que deveria esperar. Nada iria ficar. Estava muito
animada, nervosa demais. Levada para a cama pelo meu
meio-irmão sexy e famoso, minha saia subiu e minha blusa
desfez, e estava nervosa.

Nós fomos para o quarto dele. Era bom aqui em cima, no


topo da casa, com o teto inclinado um pouco e uma vista da
janela sobre a parte de trás da propriedade e a piscina para
as montanhas. O sol se pôs, e estava escuro agora, exceto
pelas luzes de segurança ao lado da piscina e ao longo da
cerca, o resto da casa estava na escuridão. Nós estávamos
sozinhos.

Dex me colocou na beira da cama, surpreendentemente


gentil, e se inclinou sobre mim, me beijando, suave no início
e depois profundo. Deslizei minhas mãos sob sua camisa,
minhas palmas movendo-se sobre sua pele quente, sentindo
os músculos se moverem abaixo dela. Ele se afastou apenas o
tempo suficiente para puxar a camisa sobre a cabeça e soltá-
la, e então estava me empurrando de volta na cama, mexendo
nas minhas roupas.

Fui dominada por uma onda de puro desejo ao vê-lo. Dex


tinha, em minha opinião, o corpo mais bonito que qualquer
homem no mundo, forte e volumoso com músculos, mas
suave, cada parte dele montada como uma máquina
poderosa, uma que estava sob seu controle total. Ele me
apertou com uma mão e abriu o botão da minha saia com a
outra. Deslizou a saia das minhas pernas, meus pés, e
agarrou a parte de trás do meu joelho em um movimento
gracioso, dobrando e beijando a pele no interior da minha
coxa, para cima, em direção a minha boceta. Arqueei minhas
costas tirando a blusa e o sutiã quando sua boca se moveu
para a virilha sobre minha calcinha e me tocou, sua
respiração aquecendo o tecido fino.

Gemi meus mamilos endurecendo no ar frio, mas Dex me


segurou e beijou minha boceta, tomando seu tempo. Deve ter
sentido como estava molhada, mesmo através do tecido, mas
parecia gostar disso. Quando se afastou, abaixou o polegar
dentro da minha calcinha e esfregou lento e sensual, sobre o
meu clitóris encharcado.

— Doce. — disse suavemente.

Seu, pensei, meu cérebro girando. Porque quem estava


enganando todo esse tempo? Passei todos os dias desde que
tinha dezenove anos tentando encontrar um homem que se
igualasse a Dex Carter e fracassei. Então não escolhi
ninguém. Era ele ou nada. Seu pênis era o único que eu
queria. E finalmente ia ter isso. Tudo para mim, dentro de
mim, me fodendo.

Sentei e estendi a mão para ele. Desfiz o jeans e esfreguei


a mão sobre seu pênis através de sua cueca, para cima e
para baixo. Dex soltou um som de surpresa, mas se apoiou
em um cotovelo e moveu seus quadris para que eu tivesse
melhor acesso, deixando-me esfregá-lo, descaradamente
aproveitando, pressionando minha mão para que pudesse
sentir cada contorno de seu pênis.

Sua cabeça caiu e senti sua respiração no meu pescoço,


sua voz no meu ouvido.
— Porra, Sophie, você faz isso da maneira certa.

— Quero isso. — ofeguei, como se ele não soubesse.

— Você quer isso? — Abaixou e parou a minha mão,


pressionando minha palma contra ele. — Quer meu pau
dentro de você? Quer sentir isso?

— Sim.

— Tudo bem. — Ele começou a se afastar. — Tenho que


encontrar um preservativo.

— Não. — O puxei de volta. — Quero dizer, eu estou


tomando pílula.

Dex fez uma pausa, seus olhos azuis olhando


diretamente nos meus, fixando-me.

— Você está falando sério?

Assenti.

— É melhor sem, não é? E me disse que eles te testam o


tempo todo.

Seus olhos brilharam com diversão por um segundo. Ele


me disse em uma de suas mensagens, que os testes eram
implacáveis, especialmente no campeonato. Estou mijando em
um copo e ficando preso como uma almofada de alfinetes, ele
disse. Acho que se sequer pensasse em tomar drogas, eles
saberiam sobre isso uma semana depois. Então sua expressão
ficou séria novamente.
— Já fez aquela tatuagem? — Ele perguntou.

Dei de ombros e ele observou meus ombros nus.

— Veja por si mesmo. — Eu disse.

— Mostre-me.

Ele saiu da cama. Tirei minha calcinha e rolei de bruços,


meus braços cruzados debaixo do meu queixo. Atrás de mim,
ouvi-o tirar a última peça da minha roupa. Cada centímetro
da minha pele estava vibrando com antecipação. A cama
moveu-se quando ele subiu novamente, e eu sabia que ele
estava olhando para mim, cada parte nua. Eu segurei ainda.

Sua mão segurou minha bunda, apertando uma


bochecha.

— Nenhuma tatuagem.

— Acovardei-me. — Admiti minhas palavras um pouco


abafadas pelo travesseiro. Dex moveu a mão na minha
bunda, esfregando a palma da mão sobre ela, e dei um
pequeno gemido.

— Abra as pernas.

Fiz. As palavras me deixaram mais molhada. Gostei


quando me disse o que fazer. Ele se ajoelhou entre as minhas
pernas e se apoiou nas minhas costas, colocando seu peso
em um braço ao lado da minha cabeça. Com a cabeça virada
no travesseiro, olhei para o contorno do lobo e da tatuagem
de cobra em seu braço interno, observei flexionar com seu
bíceps, os traços de tinta em sua pele, as presas do lobo e a
cauda da cobra. Senti seu pênis contra a pele da minha
bunda, deixando uma fina trilha molhada, e me contorci.

— Ainda não. — Disse Dex, e enfiou a mão entre as


minhas pernas.

Ofeguei quando me esfregou, seus dedos se movendo


entre minhas dobras, sobre o meu clitóris. Estava apoiado em
mim, acariciando-me, dando-me uma poderosa onda de
prazer enquanto eu observava a flexão do seu braço,
hipnotizada.

Gemi no travesseiro. Pressionei contra ele, impotente,


empurrando meus quadris na cama.

— Essa é a minha menina. — disse acariciando-me. —


Tão gostosa.

Eu me senti quente naquele momento, como a mulher


mais gostosa do mundo. Empurrava meus quadris, me
movendo contra ele mais forte.

O senti beijar a parte de trás do meu pescoço, em


seguida, beliscar suavemente.

— Essa é a minha menina. — disse de novo, duro,


esfregando-me. — Porra, no entanto você gosta de fazer isso,
baby. Tome o seu tempo.

Eu gemi. A sensação estava crescendo em mim, ainda


mais forte do que na noite anterior. Esqueci de tentar ficar
digna. Esfreguei-me escorregadia contra sua mão, mais e
mais, meu corpo apertando mais até que gozei minha boceta
convulsionando, minhas pernas apertando com força,
tentando fechar. Ele as manteve abertas, e então sua mão me
deixou e Dex deitou na cama ao meu lado, de costas, me
puxando sobre ele.

— Venha aqui. — disse ele. — Porra, Sophie, venha aqui.

Montei nele. Olhei para Dex e vislumbrei seu pênis


grande e duro, pronto para mim. Deslizei a ponta dentro de
mim e comecei a me abaixar.

— Oh, Deus! — Eu disse.

Ele fez um som que era puro prazer e colocou as mãos


nos meus quadris, me guiando. Então moveu suas mãos até
meus seios e os cobriu, apertando suavemente.

— Oh! — Eu gemi quando afundei mais profundo, mais


profundo.

— Mais.— Disse. Sua voz estava rouca. — Pegue mais.


Tome tudo isso. É isso aí.

E então estava toda abaixada e ele estava totalmente


dentro de mim. Parecia grande e estranho, e tão bom que mal
conseguia aguentar. Inclinei para frente, me apoiei em
minhas mãos na cama, empalada nele, meu cabelo caindo.

— Isso doeu? — Ele perguntou.


Balancei a cabeça, meu cabelo se movendo. Então me
movi, para frente e para trás, uma experiência, sentindo
ainda mais sensação me inundando.

Dex fez outro som que era sexo puro e sua mão agarrou
meu quadril, seus dedos apertando. Ele se flexionou abaixo
de mim e balancei de novo, e de novo, um pouco mais forte.
Gostei disso. Foi uma coisa incrível. Dex estava embaixo de
mim, dentro de mim. Era meu.

Continuei balançando, ganhando confiança, conseguindo


meu equilíbrio. Seus movimentos combinaram com os meus,
empurrando para dentro de mim. Poderia vir assim, mas não
queria. Não queria estar à sua mercê novamente. Queria virar
a mesa.

Inclinei ainda mais para baixo, então meus seios estavam


tocando seu peito enquanto nos movíamos, e sussurrei em
seu ouvido.

— Quero que você goze.

Dex deu uma risada amarga e encostou-se ao travesseiro.

— Você vai conseguir o seu desejo. — Ele colocou a outra


mão no meu quadril, então me segurou firme. — Quer que eu
goze, faça mais forte. E não pare.

Então balancei mais forte, com ele movendo-se dentro e


fora de mim, e não parei. Dex combinou com todos os meus
movimentos, e então me segurou e empurrou para dentro de
mim, duro, uma vez, duas vezes. Na terceira vez gozou, seu
pênis pulsando profundamente dentro de mim, seus dedos
apertando-me com força, seus músculos flexionando. Então
relaxou lentamente na cama novamente, comigo em cima
dele.

— Oh, Deus. — Disse, e comecei a tremer.

Dex sentiu-me tremer e me virou de costas, me


pressionando na cama. Ele ainda estava dentro de mim.
Beijou com força, abrindo minha boca, me pressionando no
travesseiro. Ele me beijou até que parei de tremer e esqueci
tudo, até que não tinha nada em mente, exceto Dex me
beijando, seu pênis ainda dentro de mim. Ele era tudo para
mim naquele momento e o deixei ser tudo. O deixei assumir.
Não havia nada que eu quisesse naquele momento exceto ele.

Dex partiria, eu sabia. Em breve. Não havia como mantê-


lo. Esse foi o plano.

Mas naquele momento, só por agora, me deixei acreditar.


CAPÍTULO DOZE

Aqui está a coisa sobre ser um atleta profissional, há


muitas mulheres.

Elas aparecem em festas e hotéis. Seguem as equipes ao


redor. Aparecem de repente na rua se você sair em público.
Dão a você um olhar detrás dos balcões de check-in do
aeroporto. São fãs que ficam excitadas com o seu anúncio de
roupas íntimas. São ansiosas, animadas e, sim, algumas das
mulheres que você conhece são modelos, modelos como
atletas, que é algo que, com certeza, não reclamamos. Parece
ótimo, e não vou mentir, para a maioria de nós é pratico.
Quando você é um profissional, transar com uma mulher
bonita nunca é um problema.

Mas aqui está a outra coisa, não é tudo o que parece.


Meu dia-a-dia, ano após ano, é tudo pessoal. A equipe, os
treinadores. Todos os gerentes, proprietários e executivos. Os
agentes, os caras financeiros. Os médicos e fisioterapeutas.
Você acha que já conheci uma mulher que era um agente
esportivo de topo? Acha que já estive em uma reunião com
um patrocinador e eles enviaram a sua melhor mulher para
fazer o trabalho? Em quatro anos, fui entrevistado por
exatamente uma jornalista do sexo feminino. Não me importo
que ano é, esportes profissionais ainda são um grande clube
de garotos. Além das mulheres em festas e as que entram no
seu hotel esperando por uma foda, juro, isso é tudo pau, o
tempo todo.

Errado, talvez. Provavelmente. Chato e definitivamente


fodido.

Porque aqui está a coisa sobre mim, sou exigente.

Sempre fui desde o começo. Foda aleatória com mulheres


sem nome são coisa de alguns caras, mas não é coisa minha.
Tenho padrões exigentes. Tenho que estar de bom humor, por
um lado. Tenho que estar com a mentalidade fora do meu
período de treinamento mais intensivo, o que significa que
não há sexo por meses antes de um grande campeonato. O
esporte vem em primeiro lugar. Quando digo que jogo duro e
jogo para vencer, estou falando sério. Nada vem entre mim e
meu objetivo, uma vez que tenha me decidido. Sempre.

Não bebo o que é outra parte disso. É uma perda


inaceitável de controle para mim, e isso estraga meu
treinamento, vem entre mim e uma vitória. Meu corpo é uma
máquina, e corro com o máximo de efeito, perfeição primitiva.
O que significa que ganho jogos, mas não celebro
embriagando em festas, levando garotas de volta ao meu
hotel. Sem drogas também. Ou te fodo totalmente sóbrio,
porque quero, ou simplesmente não faço.
Talvez isso me faça um idiota egoísta. Mas sou Dex
Carter, e particularmente não me importo.

Não estou afirmando viver como um monge. Gosto de


mulheres. Gosto de sexo. Jogo melhor quando não estou
muito reprimido. E como disse, havia modelos. Mas havia
muitas noites em que meus companheiros de equipe estavam
em festa e eu estava no meu quarto de hotel, sozinho. Em
muitas dessas noites, enviava uma mensagem para Sophie.

Ela sempre me respondia. Honesta, real. Curiosa.


Inteligente. Apenas ela mesma. Vivendo uma vida que tentei
imaginar a milhares de quilômetros de distância. Faculdade e
aulas, exames e colegas de quarto. E depois a procura de
emprego, os altos e baixos, preocupando-se com sua carreira
e seu futuro. Nunca falou comigo sobre caras. Imaginei-a
encontrando um cara legal, talvez um tipo de advogado,
imaginando-a sonhando acordada com um casamento,
crianças. E diria para mim mesmo Ela não está sonhando
com você, Dex, porque você não é esse fodido cara.

Isso me incomodou. Um pouco no começo, mas com o


passar do tempo, mais e mais. Incomodava-me que me visse
como uma figura de celebridade distante, seu famoso meio-
irmão. Incomodou-me que, embora fosse rico pra caralho,
nunca seria capaz de fazer algo normal com ela, como levá-la
para um filme. Que mulher se importa com um cara que não
pode levá-la para um filme do caralho? E quando seu pai teve
um problema de saúde no ano passado, um problema
cardíaco que o deixou no hospital por uma semana, me
incomodou, porque eu estava jogando um jogo importante,
não podia voar para casa e ficar com ela, ajudá-la. Enquanto
ela estava na cabeceira do pai, imaginando se ele ia morrer,
eu estava em Manchester, jogando. E ganhando.

Como eu disse não era aquele cara do caralho.

E ainda assim, aqui estava ela. Na cama comigo, um fino


brilho de suor na pele perfeita entre os seios. Sophie me
deixou transar com ela, o primeiro homem que já fodeu.
Deixou colocar minhas mãos nela, minha boca. Montou meu
pau, deixou-me vir dentro dela. Eu, o cara que não era bom
para ela. Que não poderia dar uma única coisa que queria.

Bem, exceto orgasmos. Poderia dar-lhe aqueles.

Parte de mim sempre quis isso. Sentado sozinho em um


quarto de hotel, mandando mensagens sobre coisas
cotidianas, é claro que queria transar com ela. Sophie tinha
aquele corpo doce, as pernas que não desistiam, aqueles
pequenos seios. Aquele cabelo comprido e castanho e aquela
sensacional onda de franja. Mas tinha dezenove anos quando
a conheci, e tão fora dos limites que não era nem engraçado.
Eu há conhecia dois anos antes de estar perto dela sem
nossos pais no quarto conosco, pelo amor de Deus, e quase
nunca estava no país. Para dizer que o nosso tempo estava
desligado era um eufemismo.

Mas agora estava em casa. E nós estávamos sozinhos.


Não sabia o que diabos isso significava, exceto que não
tinha terminado. Queria mais.

A levei ao banheiro molhei uma toalha com água quente e


a ajudei a limpar. Ficou envergonhada no começo, e então
não estava. Sob a luz suave do banheiro, seus olhos viajaram
por mim, absorvendo meu corpo nu, sua expressão ficando
desfocada novamente. Estar nu não era algo que eu já tinha
sido autoconsciente. Muitas pessoas tinham me visto nu, não
apenas mulheres, mas meus colegas de equipe no vestiário,
os médicos da equipe, quem quer que fosse. O planeta inteiro
me viu de roupas intimas. Mas foi diferente quando Sophie
olhou para mim.

Gostava de olhar para ela também, realmente fiz, mas


esse momento era tudo sobre ela. Joguei a toalha para longe
e fiquei na frente dela, tudo de mim só para olhar.

— Você gosta? — Eu disse.

— Oh, meu Deus. — Sophie disse suavemente. — Você é


tão sexy.

— Ah, agora, — disse, aproximando-me dela, colocando


minhas mãos em sua cintura. — você está alimentando o
meu ego. — Mergulhei meu rosto em seu pescoço, senti seu
cheiro feminino suave, agora misturado com suor. —
Continue falando.

Sophie riu um pouco e colocou as mãos no meu peito


enquanto eu beijava seu pescoço.
— Não sei o que dizer.

— Diga-me que você quer me foder de novo. — disse,


movendo as mãos para sua bunda nua.

Eu a ouvi exalar um suspiro.

— Eu quero foder de novo.

— Boa. Diga-me o que você quer. — Beijei seu pescoço


um pouco mais, atrás de sua orelha. Ela inclinou a cabeça
para me dar mais acesso e aproveitei.

Sophie encostou-se suavemente contra mim, suas mãos


deslizando até os meus ombros, seus quadris pressionando
contra o meu pau que estava duro novamente.

— Eu quero… Oh. Bem ali. — A cabeça dela pendeu


enquanto beijava a curva entre o pescoço e seu ombro, então
mordi suavemente. – Oh.

— Sophie. — rosnei impaciente, agarrando sua bunda


com mais força, pressionando-a contra mim.

Ela endireitou a cabeça novamente e pegou meu rosto em


suas mãos, beijando-me enquanto a apertava com mais força.

— Quero gozar em você. — disse ela.

Gostava de ouvi-la dizer isso, aquele desejo sujo em seus


lábios. Em segundos a peguei na cama novamente, mas desta
vez a mantive de joelhos. Coloquei meus próprios joelhos
entre os dela e puxei-a confortável para mim, de costas para
o meu peito, meu braço sobre suas costelas. Senti sua mão
se mover sobre o meu bíceps flexionado.

— Dex...

— Relaxe. — disse em seu ouvido. — Apenas sinta isso.

Movi seus quadris, inclinei-a ligeiramente e deslizei para


dentro dela, ela estava incrível, e tive que recuperar o fôlego.
Mudei minha mão livre para sua barriga, e a segurei
enquanto me movia para fora e para dentro novamente.

Sophie gemeu baixinho, sua cabeça caindo contra o meu


ombro. Meu braço flexionado segurou-a e suas unhas
cravaram no meu bíceps. Movi-me nela de novo e de novo,
encontrando meu ritmo, enquanto minha mão se movia para
baixo e encontrava sua vagina, seu clitóris.

Era como se nos encaixássemos. Em minutos ela estava


se contorcendo em mim, ofegando, enquanto sentia gotas de
suor escorrer pelas minhas costas. Estava completamente
perdido nela, como nunca tinha estado com ninguém. A fodi
com golpes duros e uniformes enquanto a esfregava.

— Oh, Deus. — disse ela, arqueando as costas para que


seus ombros pressionassem contra mim, seu cabelo
arrastando sobre a minha pele, seus quadris pressionando na
minha mão. – Dex, oh Deus, Dex, por favor.

Não pude evitar.


— Você é incrível. — disse enquanto batia nela com mais
força, segurando-a, circulando seu clitóris. — É tão incrível.

Gozou duro, com um pequeno grito, apertando meu pau.


A sensação foi de tirar o fôlego. Fodi ela duro, de novo e de
novo, quando gozou, então gozei também, um grito rasgando
da minha garganta enquanto me esvaziava nela. Ficamos
assim por um momento, entrelaçados, sem nada entre nós,
então deixei ela ir.

A sala estava em silêncio, exceto pela nossa respiração.


Houve um leve uivo de vento aqui no terceiro andar, logo
abaixo do telhado. Escutei tudo ontem à noite quando estava
acordado, pensando nela. Foi um som solitário.

Mas não estava sozinho agora. Ainda não. Esta noite a


tive. Eu tive Sophie.

E agora, Dex Carter estava em seus joelhos.


CAPÍTULO TREZE

Nós nos enrolamos na cama grande em seu quarto no


sótão, dormindo. Dex estava exausto, esteve em aviões por
quase vinte e quatro horas chegando aqui e não dormiu na
noite anterior. Mas dormiu agora, profundamente, deitado de
lado, tão imóvel quanto se tivesse desmaiado. Eu fiz isso,
pensei encolhida contra suas costas musculosas, meu braço
sobre ele. Eu acabei de ferrar ele na inconsciência.

Parte de mim não podia acreditar que tivesse feito isso.


Mas olhando para ele, sim, parte de mim poderia.

Também estava cansada. Mas estava desperta,


pensamentos girando em minha mente. Meu corpo parecia
diferente. Esquisito. Incrível, como se pudesse sentir cada
gota de sangue percorrendo minhas veias. Estava dolorida,
crua e feliz. Dex acabou de tirar minha virgindade, me
lembrei. Senti vontade de fazer uma festa para ele, talvez um
desfile pela Main Street, com uma banda e um grande cartaz
Obrigado, Dex Carter.

Levantei a cabeça e olhei por cima do ombro dele. A mão


dele, a que ele socou Sebastian Santos, estava enrolada na
colcha. Os nós dos dedos ainda estavam vermelhos e
inchados, embora estivessem se curando lentamente. O
mistério do que aconteceu ainda me perturbou. Aquele
estranho momento que vira tantas vezes, quando ele puxou o
punho para trás e girou, era gracioso e arrepiante ao mesmo
tempo. Não era o homem que eu conhecia, era como assistir a
um estranho no corpo de Dex. Não consegui juntar as peças.

Isso me fez pensar em Jim e Patty, então rolei para o meu


lado da cama e peguei meu telefone do bolso da minha saia,
descartada no chão. Sempre mantive meu telefone no modo
silencioso, eles franzem a testa com os apitos dos celulares
pessoais nos escritórios em Wells e Anderson, e agora vi que
tinha uma série de textos preocupados da minha mãe.

Ainda nada de Dex. Você já ouviu falar dele?

Suspirei. Esse idiota irresponsável, deixando nossos pais


se preocuparem. Rapidamente mandei uma mensagem de
volta. Ele está aqui em casa. Dex está bem. Está apenas
cansado, quer um pouco de privacidade. Não precisa voltar
para casa. Então eu percebi que ela ligaria assim que lesse,
então adicionei, Entrando no carro agora e não posso falar. Te
ligo mais tarde.

Houve uma pausa. Então mamãe mandou uma


mensagem, Tem certeza que ele está bem?

Olhei para Dex, suas costas sombreadas com músculos,


seu corpo ainda imóvel. Ele está bem, eu respondi. Falo
depois.
— Posso ouvir você digitando. — A voz de Dex era um
estrondo baixo. Estava meio adormecido. — O que você está
fazendo?

Rolei e prendi meu braço sobre ele, apoiando meu queixo


em seu ombro, onde a tinta de suas tatuagens terminava. Ele
nem sequer abriu os olhos.

— Estou relatando você para Patty.

Dex deu um gemido baixo. Seus olhos se abriram e ele


esfregou a mão cansada sobre o rosto.

— O que disse a ela?

— Que seu enteado está feliz em deixá-la pensar que ele


pulou de uma ponte ou algo em vez de deixá-la saber que ele
está bem.

Dex gemeu de novo, desta vez com a dor de ter que me


escutar através da névoa de sua exaustão, e sorri.

Inclinei e dei um beijo suave em sua bochecha trincada.

— Eu disse a ela que você está bem, e está cansado, e


não há necessidade de ligar ou voltar.

— Obrigado. — disse ele. Pegou minha mão na sua e a


beijou nas costas, como um cavalheiro. — Nós vamos de novo
mais tarde. — Ele prometeu. — Eu só preciso de algumas
horas.
Não tive que responder, porque ele apagou de novo,
dormindo. Coloquei meu telefone no chão. Parecia errado,
mandar uma mensagem para minha mãe sobre Dex enquanto
ele estava nu na cama ao meu lado. Mas também parecia
estranho. Eu era próxima da minha mãe, embora ela fizesse
as coisas usuais de mãe, também me trata como uma boa
amiga. Ela adorava Dex, assim como a maioria das pessoas.
Perguntei-me o que ela pensaria se soubesse.

Saber o quê, no entanto? Não havia nada para contar.


Precisava de alguém para tirar minha virgindade, e Dex
tinha, obrigado. Iria embora em breve, de volta à sua vida
louca. Eu tinha o meu plano para seguir, construir minha
carreira, encontrar um cara que pudesse ser um namorado
de verdade. Alguém que estaria por mais de um dia ou dois.
E se esse cara não estivesse muito perto de Dex no
departamento de sexo, o que suspeitava que não iria, bem, só
teria que lidar com isso.

Essa ideia de estar com algum outro cara me fez sentir


estranha, era um pouco nojento no momento. Era cedo
demais. E, apesar de tudo, me fiz à maldita e louca pergunta
que era o caminho mais rápido para a insanidade, com
quantas mulheres Dex fez isso? Se tivesse dormido com
outras mulheres assim, as fez vir como tinha comigo, passou
a noite com elas? Deflorar virgens era algo que ele estava
acostumado?

Ugh. Pare com isso, Sophie. Apenas pare.


Este não era o momento de se tornar aquela garota. Não
tinha um ego como Dex, o homem tinha uma confiança de
causar inveja, mas eu tinha noção do meu próprio valor. Era
inteligente, me destacava na escola e no trabalho, era uma
boa pessoa. Era muito atraente, embora talvez não fosse um
modelo de maiô. Então ele dormiu com algumas das
mulheres mais lindas e sexys do mundo. Então, certo?

Mais uma vez. Pelo amor de Deus, pare com isso.

Não importava. Consegui o que queria. Nós dois tivemos.


Poderia ser forte sobre isso. Poderia ser uma adulta.

Saí da cama e peguei minhas roupas do chão. Hesitei.


Não queria ir. Sabia que deveria, mas não queria. Queria
dormir com ele a noite toda, acordar com ele.

Mas isso me faria de boba.

Dex dormia imóvel. Não me ouviu pegar meu telefone de


novo e na ponta dos pés ir até a porta nua. E não ouviu
quando escorreguei para fora da porta a fechando atrás de
mim.
CAPÍTULO QUATORZE

Sophie já tinha ido quando acordei. Não admira, quando


olhei para o relógio do meu telefone, eram onze horas da
manhã. Não conseguia me lembrar da última vez que dormi
tanto tempo. Ou tão profundamente. Alguma emoção do
grande Dex Carter, certo? Uma hora de sexo e desmaia como
um bêbado.

Ainda assim, meu Deus nunca me senti tão bem.

Tomei um banho quente e fiz um balanço. Estava com


fome, mas estava devidamente descansado pela primeira vez
em semanas, ou mais talvez, e estava muito bem relaxado.
Por Sophie, quem já estava fantasiando em arrastar de novo
na cama. Tudo estava muito bom no mundo. Até meu joelho
parou de doer.

Vesti-me e espreitei a casa, procurando por ela. Demorou


um pouco, porque a casa era enorme, muito maior por dentro
do que por fora. Havia quartos aqui que nem eu sabia que
existiam, todos decorados com bom gosto e
profissionalmente. Jim e Patty ganharam seu próprio
dinheiro, Jim como diretor de vendas de uma empresa de
software e Patty como advogada antes de deixar de praticar.
Eles se saíram bem por conta própria, mas uma vez que
ganhei meu dinheiro, comprei uma casa para eles. Teria
comprado mais se eles me deixassem, mas a casa era tudo
que Jim permitiria. E Patty decorou o lugar e tivera bom
gosto.

Mas Sophie não estava aqui. Olhei na garagem e vi que o


carro dela tinha ido embora, então tinha saído para algum
lugar. Então uma van de limpeza parou, e a equipe de
limpeza semanal chegou, depois de deixá-los entrar peguei
um monte de comida, meu telefone e meu laptop e me recolhi
a uma sala de recreação no porão, onde me sentei em uma
mesa e fui trabalhar. Como Sophie havia dito ontem à noite,
havia coisas que eu tinha que enfrentar.

Dentro de vinte minutos, meu bom humor se esvaiu


enquanto lia os e-mails em pânico e os textos que havia
ignorado. Isso foi ruim. Muito mal. Até cometi o erro de
verificar a internet para ver o que as notícias diziam, e meu
humor desceu direto para uma cratera abaixo da superfície
da Terra.

Uma desgraça para o esporte.

Indesculpável.

O ataque violento e não provocado de Carter deixou uma


mancha no futebol.

Seu silêncio agora grita alto.

Onde está Dex Carter e por que ele não está falando?
Fotos de mim naquele campo na Copa do Mundo, dando
aquele soco em Santos. Eu estava preparado, movendo-me
rápido, meus olhos frios, minha expressão nada além de foco
gelado. Eu não me reconheci.

E ainda assim fiz.

Podia lembrar-me daquele momento tão claramente.


Tinha sido um jogo como qualquer outro, um jogo de alto
nível na Copa do Mundo, claro, mas ainda assim um jogo.
Tinha jogado mil deles. Mas algo deu errado. Eu me senti
mal, desequilibrado. Meu controle havia escorregado. E então
a raiva se apossou de mim tão rápido, como se um tonel de
água fervente tivesse sido derrubado sobre minha cabeça.
Estava aborrecido, praticamente fora do meu corpo.
Sebastian Santos não tinha feito nada, nós tínhamos gritado
sobre o cartão amarelo, claro, mas isso era rotina. Ele tinha
estado no lugar errado quando a raiva me atingiu. E no
segundo em que meu punho se conectou com o nariz,
borrifando sangue, senti um alívio louco, como se quisesse
fazer isso o tempo todo.

Porra, talvez precisasse de um dos terapeutas de Eric.

Fechei a janela do navegador e coloquei minha cabeça


entre minhas mãos. Tinha que consertar isso. Minha carreira
não poderia acabar. Fora derrubado muitas vezes. O que eu
fiz foi levantar e correr de novo. O momento em que você não
se levanta é o momento em que eles sabem que esta fraco e ai
terminou de vez.
Não terminei para sempre.

Estava errado. Precisava fazer alguma coisa.

Levantei, fui para a academia e comecei a pensar


novamente.
CAPÍTULO QUINZE

Era um dia lindo, bem quente, bem, quente para o norte


da Califórnia. Estava inquieta, então fui para a praia local e
caminhei por um tempo, ouvindo as ondas. Havia um
punhado de pessoas aqui em uma manhã de sábado, embora
as multidões fossem preenchidas mais tarde. No momento,
parecia que tinha o Oceano Pacífico quase só para mim.

Pensei em ligar para Dana. Ela queria saber o que


aconteceu com Dex. Mas ele não queria que contasse a
ninguém que estava aqui, e isso significava que precisava
ficar quieta, pelo menos por enquanto. Além disso, não senti
vontade de contar a ninguém ainda.

Quando fiquei com fome, voltei para o meu carro e dirigi


até uma das cafeterias locais, onde comprei um croissant
recém assado e um café tão rico e forte que quase me
sufocou. Estava apenas me virando para sair quando uma
voz disse:

— Sophie!
Era Chris, o advogado júnior de Wells e Anderson, que
participara da conversa no refeitório. Estava vestindo calça
jeans e uma camisa de botão, seus óculos de sol apoiados na
cabeça. Estava apenas pegando seu café. Ele sorriu para
mim.

Sorri de volta. Não tinha lidado com Chris muitas vezes


no trabalho, mas ele sempre foi legal comigo.

— É bom ver você. — Eu disse. — Que surpresa.

— É bom ver você também. — Disse ele. Ele olhou ao


redor. — Você está aqui com alguém?

— Não, apenas pegando algo para ir.

— Por que não andamos por um minuto, então?

Parecia um pedido amigável, então assenti e saímos da


loja lotada, descendo a avenida enquanto o dia começava a
ficar mais quente.

— Eu moro na esquina — Disse Chris, apontando para


um condomínio caro na rua. — Mas você não mora por aqui,
não é?

— Hum, não.

— Ah, certo. Você mora em Shakerwood Heights.


Esqueci.

Tomei meu café. Todos sabiam que eu morava na mansão


de Dex Carter na parte mais rica da cidade.
— É apenas temporário. Eu vou ficar lá para o verão, mas
no outono vou conseguir o meu próprio lugar.

— Por quê? — Chris perguntou, sorrindo. — Se eu


morasse em uma mansão assim, nunca sairia.

Tentei não deixar minha defesa assumir. A maioria das


pessoas sentia o mesmo.

— É sobre ficar sobre meu próprio pé — Disse, me


sentindo estúpida. — Algo parecido.

— Claro. — Disse Chris facilmente. — Posso ficar de pé


com criados e uma piscina. — Ele me cutucou gentilmente
com o cotovelo. — Só brincando.

Eu sorri.

— Então você ainda não ouviu falar do seu famoso meio-


irmão, não é? — Perguntou.

Balancei a cabeça, tentando não pensar em Dex com os


joelhos entre os meus, sua mão deslizando pelo meu
estômago.

— Não, desculpe.

— Que pena. Sabe, sei que você foi chamada no escritório


do Sr. Mullen ontem. E Sophie, acho que posso adivinhar do
que se tratava.

— Não sei o que você quer dizer. — Disse.


— Trabalhei com Edward há mais de um ano e sei como
ele pensa. Foi Edward quem tornou a empresa tão bem-
sucedida quanto é. Estou supondo que ele fez um discurso
para você trazer Dex Carter como um cliente.

Dei de ombros sem compromisso. Não havia como


divulgar o que aconteceu naquela reunião, considerando o
pouco que eu conhecia Chris.

— Talvez.

Ele assentiu como se eu tivesse aprendido uma lição que


ele acabou de me ensinar.

— Isso é inteligente, jogando isso perto do incerto. Mas


sei que estou certo. E Sophie, deixe-me dar um pequeno
conselho. Se você pode fazer o que o Sr. Mullen quer, então
faça.

Agora eu estava ficando irritada.

— O que isso significa?

— Só que Edward tem uma estratégia para a empresa,


um plano. E se você ajudá-lo com esse plano, ele pode fazer
coisas incríveis para sua carreira.

Por um segundo não tinha certeza se tinha ouvido direito.

— Está dizendo que, se eu conseguir Dex como cliente da


firma, serei promovida?
— No mínimo. — Respondeu Chris. — As posições dos
altos funcionários pagam muito bem e têm toneladas de
vantagens. Também há bônus para aqueles que fazem um
serviço excepcional à empresa. Sei que Edward é muito
cavalheiro para dizer essas coisas. — Ele me cutucou com o
cotovelo novamente, como se fôssemos amigos. — Mas acho
que não sou.

— Olha Chris. — Eu disse, — Nunca prometi nada. Não


sei se Dex precisa de ajuda legal.

— Tenho certeza que ele escuta você. — Disse Chris


suavemente, como se soubesse alguma coisa sobre Dex e eu.
— Tenho certeza de que pode convencê-lo da gravidade de
seus problemas legais. E então você só diz a ele como pode
ajudar. — Seu sorriso tinha desaparecido, e ele me deu um
olhar sério. — Quero dizer isso, Sophie. Pode fazer sua
carreira.

Sabia que deveria dizer alguma coisa. Mas o quê? Estava


apenas começando minha carreira, e Wells e Anderson eram
importantes. Além disso, não era ingênua, era assim que o
mundo funcionava. Para a maioria das pessoas, de qualquer
maneira. Então apenas balancei a cabeça, principalmente
para me livrar dele.

— Eu entendo. — Eu disse. — Realmente preciso ir.

— Claro, claro. — Ele tirou os óculos de sol da cabeça e


colocou-os. O olhar que me deu por trás deles foi
especulativo, e não achei que fosse apenas sobre a nossa
conversa sobre a empresa. Estava me checando, e estava me
deixando o ver fazer isso. — Falo com você depois, Sophie.—
disse ele. — Tenha um bom sábado.

Ainda estava abalada quando entrei no meu carro. Fiquei


ali por um minuto antes de virar a chave, pensando. Chris
tinha acabado de me olhar como um pedaço de gado, isso
deveria ter me incomodado, mas não aconteceu. Algo me dizia
que poderia lidar com Chris. A conversa sobre Dex me
incomodou mais.

Claro, essa era a maneira como o mundo funcionava.


Mas mesmo nos quatro anos em que Dex tinha ficado
famoso, mesmo depois de Dan, o idiota, ter tentado me
encontrar para chegar a Dex, nunca me atingira tanto,
quantas pessoas se sentiam habilitadas a usar Dex para seus
próprios fins. Foi assim que foi para ele o tempo todo? Todo
mundo olhando-o como um caminho para chegar à frente?
Todo mundo especulando sobre ele por seu próprio ângulo?
Dex estava sempre se esquivando de arremessos, pessoas
tentando se aproximar dele? Estava exausta depois de apenas
dois encontros. Não tinha ideia de como ele lidava com isso o
tempo todo.

Não admira que tenha voltado para casa em busca de paz


e sossego. E dei a ele uma palestra sobre enfrentar as coisas.

A casa estava quieta quando entrei. Os faxineiros


estavam aqui para a visita semanal e a casa estava
impecável. Ouvi barulho do porão, então larguei minha bolsa
e desci as escadas. Havia uma voz, a voz de Dex, e o som da
TV.

— Droga não. — Disse Dex. — Nunca aceitei isso e ainda


não sei. Realmente não me importo com a carga de lixo que
eles despejaram em você. Simplesmente não há jeito.

Ele estava na sala de recreação. Parei na porta. Era uma


sala grande, com uma mesa de bilhar em uma extremidade e
uma mesa de mogno de tamanho decente na outra para
entreter. Havia um bar no canto e sofás e cadeiras estofadas.
Na parede oposta aos sofás havia uma enorme TV de tela
plana, mostrando agora um jogo da Copa do Mundo. De pé,
olhando a TV enquanto falava ao telefone, de costas para
mim, estava Dex.

Suspirei com a visão dele. Estava vestindo jeans


desgastados e uma camiseta velha, o jeans baixo em seus
quadris musculosos. Estava descalço. A camiseta estava
presa às costas, onde o tecido estava úmido, e uma gota de
água escorria pela parte de trás do pescoço até o colarinho da
camisa. Acabara de sair do banho. Ele deve ter malhado.

— Tudo bem. — Dex disse secamente para quem estava


no telefone. — Vou falar com você mais tarde. — Estava
prestes a me anunciar, mas ele desligou com o pressionar de
um botão e discou automaticamente outro número sem
pausa e colocou o telefone no ouvido novamente.

— Jesetta. — Disse ele.


Congelei. Jesetta Bibliona. Dex estava ligando para ela?
Agora mesmo?

Jesetta deve ter lhe dado uma bronca, porque Dex


escutou por um longo momento, inclinando-se casualmente e
graciosamente no quadril, parecendo uma estátua
renascentista. O braço que segurava o telefone flexionou suas
tatuagens, se movendo.

Então respondeu a ela, em italiano. As palavras saíram


sem esforço como se ele nem precisasse pensar. Fiquei
olhando, pensando, estou fora do meu alcance. Ele está
chamando uma supermodelo e conversando com ela em
italiano. Não acho que posso fazer isso.

Jesetta disse algo mais e ele respondeu com a voz


zangada. Depois desligou e ficou imóvel, observando o jogo na
TV à sua frente sem se mexer, sem falar, como se estivesse
fascinado pela visão dos jogadores se movendo pela tela.

Não aguentava mais a tensão.

— Dex. — disse.

Ele se virou e olhou para mim. Por um segundo, tudo o


que consegui foi o seu intenso olhar azul, como se nunca
tivesse me visto antes. Então amoleceu.

— Sophie. — Disse ele.

Eu mudei meu peso.

— Eu, hum, não sabia que você sabia italiano.


Dex franziu a testa.

— Um pouco. — Ele gesticulou para mim. — Venha aqui.

Meus pés se moviam por vontade própria indo em sua


direção. Estava usando shorts que cobriam o topo das
minhas coxas e uma camisa de algodão solta, e seu olhar
percorreu minhas pernas, meu cabelo, meu rosto. Quando
cheguei perto, Dex estendeu a mão e colocou um braço em
volta dos meus ombros, me puxando para ele. Beijou minha
testa, e então levantou meu queixo e me beijou, ternamente,
uma vez, depois novamente.

Havia algo sobre aquele momento. Apenas derreti. Dex


era um quebra-cabeça de muitas maneiras, mas quando
colocou o braço em volta de mim e me beijou como se eu
fosse a melhor coisa que tinha acontecido com ele o dia todo,
não era. Era apenas Dex, e senti uma onda louca de
felicidade por ele estar me beijando. Também era um beijador
incrível, sua barba raspando suavemente contra a minha
pele, e fiquei instantaneamente quente, um pulso de desejo
entre as minhas pernas.

— Onde você estava? — Dex perguntou quando parou o


beijo.

— Fui dar uma caminhada e depois pegar um café. —


disse, recuperando o fôlego. — Não queria incomodar você.

— Porra, estava cansado. — Disse ele. — Me desculpe por


isso.
— Não por isso. Como você sabe italiano?

Suas sobrancelhas subiram.

— Você está surpresa?

— Apenas curiosa. Acabou de dizer todas essas palavras.


Foi estranho. — Também tinha sido insanamente sexy, mas
não acrescentei isso.

Dex riu um pouco. Seu braço ainda estava ao meu redor,


me segurando perto, e senti a risada vibrar. Coloquei meus
braços ao redor de sua cintura, sentindo seus músculos
duros e sua pele quente através da camisa.

— Aprendi com uma daquelas lições de áudio que você


pode comprar. — explicou. — Gasto muito tempo em aviões,
então geralmente sento com fones de ouvido. Fiz francês e
espanhol também. Cansei de não ser capaz de ler os sinais ou
de falar com alguém nos países que viajei.

— E agora pode conversar com mais supermodelos.

— Não se preocupe. — disse divertido. — Ela está com


raiva de mim. Acha que sou um idiota. Não que isso importe.

Queria dizer algo mais, mas sua atenção foi atraída para
a TV novamente, os jogadores no campo.

— Sua equipe está ganhando? — Perguntei.

Dex sorriu para isso. Realmente eu não sabia nada sobre


esportes.
— Não. — Dex respondeu. — Os EUA foram eliminados
nas semifinais. Este é o terceiro lugar.

Apenas vagamente entendi isso, mas podia ver a tensão


em seu rosto, sentir o jeito que seu braço enrijeceu em volta
dos meus ombros.

— Você está chateado? — Perguntei. — Eles teriam


vencido se você estivesse lá?

Dex observou a tela por um minuto. Não assistia futebol


como as outras pessoas, percebi, seus olhos se moviam para
todos os cantos da tela, seguiam cada movimento como se
estivesse lendo um livro.

— Não. — Disse finalmente, nunca tirando o olhar da


tela. — A Argentina vai levar isso. A estratégia deles é melhor
que a nossa, mesmo se eu estivesse jogando. Você vê isso? —
Indicou algo no movimento dos jogadores que eu não
conseguia discernir, então balançou a cabeça. — Porra
sobrecarregaram o time deles este ano. Nós não teríamos
ganhado a Copa, mesmo comigo lá fora, chutando traseiros.

— Isso incomoda você?

— Deveria. Isso incomoda meus colegas de equipe, posso


garantir isso. Estavam contando comigo para levá-los pelo
menos até as finais.

— Mas você acabou de dizer que não poderia.


— Diga a eles isso. — Dex deu de ombros, o movimento
duro, e percebi que ele estava tenso, infeliz, seus olhos azuis
brilhando com raiva reprimida.

— O que é isso? — perguntei, subindo na ponta dos pés e


me inclinando, tentando chamar sua atenção. — O que está
errado?

— Eu só tomei o seu conselho, isso é tudo. — disse ele


breve, ainda não olhando para mim. — Passei a manhã de
frente para isso. Muitas pessoas estão chateadas comigo. Eu
fui despejado um pouco. Eu dou conta disso.

— Não, me escute. — Disse me sentindo mal. — Você


estava certo, eu não sabia do que estava falando.

— Você fez, no entanto. — Disse ele. — Quando fiz o que


fiz, deixei todo mundo com raiva.

— Não estou com raiva. — Disse.

Ele quebrou seu fascínio com o jogo e olhou para mim,


com a profundidade de seus olhos.

— Você não esta?

— Claro que não. Por que estaria? — O barulho do jogo


estava me incomodando. Deslizei minha mão por seu braço
musculoso, peguei o controle remoto dele e desliguei a TV.

— Não sei. — Disse Dex no quarto silencioso. — Acho que


percebi que não tinha ideia de como você se sentiu sobre a
noite passada.
Olhei para ele. Não se barbeara esta manhã, o que, é
claro, apenas o tornava mais lindo, a barba escura
sombreando seu queixo e as cavidades sob suas bochechas.
Tinha acabado de sair do chuveiro, e cheirava a limpeza e
sabão. Dex poderia ter qualquer mulher que quisesse, e me
perguntei por que se incomodou comigo. Mesmo por uma
noite. Até mesmo por um favor.

— O quê? — Ele disse para mim. — Por que você está


olhando assim para mim?

Tinha muitas perguntas para fazer, mas não consegui.

— Só estou tentando descobrir você.

Sua expressão se fechou, como se alguém tivesse fechado


uma janela.

— Não há nada para descobrir sobre mim. Não mais.

— O que isso significa? Porque não está mais jogando


futebol?

— É o que faço Sophie. A única coisa.

Isso não parecia certo para mim. Mas era assim que ele
era, o jeito que precisava estar em ordem, para ser o melhor.
Ainda assim, não gostei disso. Inclinei-me e pressionei meus
lábios nos dele, suavemente, persuadindo-o, saboreando-o.

Dex respirou fundo, e então, com rapidez surpreendente,


cedeu. Largou o braço que estava ao meu redor e segurou o
meu rosto, aprofundando o beijo. Ele provocou minha boca e
abri com um pequeno gemido quando suas mãos se moveram
mais profundamente em meu cabelo, enroscando-se lá
enquanto me beijava com mais força. Puxei sua camiseta
para cima e passei minhas mãos sobre a pele úmida,
sentindo a flexão de seu estômago. Caminhei de costas com
sua boca ainda na minha, até que esbarrei na mesa, e ele
inclinou seu corpo contra mim.

Dex quebrou o beijo, deixando-me sem fôlego, embora


ainda segurasse meu cabelo em suas mãos.

— Já lhe ocorreu, — Murmurou, — que esta é uma


péssima ideia?

— Sim.

Suas mãos caíram no meu short, e Dex as desfez em um


movimento rápido, seus dedos roçando minha pele.

— Você ainda quer fazer isso?

Precisava dele me tocando em todos os lugares. Agora


mesmo.

— Sim.

— Bom. — Dex empurrou meus shorts e minha calcinha


para baixo para que eles se juntassem no chão aos meus pés.
— Eu também.

Ele me beijou de novo, com força, enquanto desabotoava


minha camisa tirando-a depois soltou meu sutiã. Estava
completamente nua agora, e ele me apoiou na mesa, ficando
entre as minhas pernas e beijando minha clavícula, meus
seios. Sua barba era afiada na minha pele e vacilei e ofeguei
ao mesmo tempo.

— Sente-se bem? — Falou contra mim.

— Sim. — Respondi.

Dex beijou abrindo caminho pelo meu corpo enquanto me


inclinava para trás em meus cotovelos sobre a mesa. Então
prendeu as mãos atrás das minhas coxas, puxando-as para
cima e separadas, e beijou entre as minhas pernas, sua
língua na minha boceta.

Suspirei. A sensação tão intensa que mal podia respirar,


e deixei minha cabeça cair para trás, meus olhos se
fechando, enquanto pulsava através de mim. Suas mãos
estavam firmemente empurrando minhas pernas, e sua barba
esfregou a pele da minha parte interna das coxas, a carne
sensível da minha boceta, fazendo todas as minhas partes
formigar. Estava tão excitada, tão rápido, era quase
assustador. Podia sentir minha carne inchando, ficando mais
úmida e quente enquanto Dex movia sua língua.

— Oh, Deus. — Disse, flexionando meus quadris em


direção a ele enquanto me lambia mais forte.

Forcei meus olhos a abrir e levantei a cabeça. A visão


dele entre as minhas pernas era tão erótica que me fez ofegar.
Quando Dex ouviu o som, flexionou meus joelhos mais altos e
mudou seu ângulo, sua língua varrendo meu clitóris, de novo
e de novo, e eu gozei rápido e forte, meus quadris
empurrando, um grito saindo da minha garganta. A coisa
toda levara apenas alguns minutos.

Dex beijou o interior das minhas coxas quando acalmei


então ele arrastou a boca sobre o meu quadril, raspando
levemente a pele macia.

— Isso. — Disse ele, sua voz baixa. — Foi incrivelmente


quente.

Meu corpo ainda estava tremendo.

— Estou morrendo. — Gemi.

Dex riu sua boca se movendo para os meus mamilos.

— Desculpe querida. Só veio muito forte.

Ele ainda estava vestido. Foi um ultraje ilegal. Puxei a


camiseta dele e me deixou puxar por cima da cabeça. Então
corri minhas mãos por seu corpo e puxei sua calça jeans.

Dex beijou meu pescoço.

— Você tem certeza? — Disse contra a minha pele.

Abri o botão.

— Você está brincando comigo? — Respondi.

— Graças a Deus. — Dex baixou o jeans e a boxer, e


empurrou dentro de mim em um movimento rápido. Foi duro
na minha pele sensibilizada, e gritei de prazer, resistindo
contra ele. Ele me colocou na mesa.

— Sophie. — Disse suavemente, seus lábios contra o meu


pescoço. — Isso é bom pra caralho.

Estava me enchendo, com cada centímetro dele.

— Mais. — Ofeguei, me contorcendo.

Dex se retirou e bateu duro em mim novamente, me


prendendo na mesa. Gritei.

— Não te fiz gozar o suficiente ontem à noite. — Disse


para mim. — Vou consertar isso hoje.

Cravei meus dedos em seus ombros, sentindo o aço dos


músculos sob a pele.

— Porra, Dex, por favor. — Implorei a ele. — Por favor.

Dex começou a empurrar em mim, cada movimento me


pressionando na superfície dura, e senti o prazer novamente
quando se moveu contra a minha pele crua. Enterrei meus
calcanhares nele e senti-o contra mim quando meu corpo se
abriu, inteiramente dele. Olhei para o teto e pensei Dex está
me fodendo com força na mesa da sala de recreação, e o
pensamento era tão sujo e excitante que fez meu coração
bater forte.

Os movimentos de Dex eram rápidos e duros agora, e ele


prendeu um dos meus joelhos por cima do ombro.
— Mais fundo. — Rosnou. — Fodendo mais fundo.

O ângulo mudou a forma como seu pênis me atingiu, e


enquanto continuava empurrando comecei a gozar, gritando.
Quando meu orgasmo caiu, seus músculos se flexionaram
seu peito e seus bíceps e soltou uma respiração áspera perto
da minha orelha. Senti o calor dele vindo dentro de mim.

— Juro, — Disse quando terminou, sem fôlego, — Vou


fazer isso com você em todos os cômodos desta casa.

Meu corpo estava cansado.

— Há mais de vinte e cinco quartos nesta casa. — Disse,


levantando a cabeça e olhando para ele.

Dex sorriu para mim, um olhar de puro desafio.

— Você tem mais alguma coisa para fazer?

CAPÍTULO DEZESSEIS
Algumas horas depois, estávamos no andar de cima,
esparramados no sofá da sala assistindo TV, completamente
felizes. Este foi o melhor sábado da minha vida.

Ainda não transamos em todos os cômodos da casa. Dex


levou o seu tempo, tentando coisas diferentes, aprendendo do
que gosto e como me fazer gozar. Também aprendi. Sabia dar
prazer a mim mesma, mas fiz coisas que nunca imaginei
fazer. Gozei de várias maneiras que nem sabia ser possíveis.
Tínhamos a casa só para nós e todo o tempo do mundo.

Fizemos sexo profundo e lento no sofá-cama da varanda


dos fundos, minhas pernas presas em volta da sua cintura,
enquanto estava sobre mim, respirando em meu pescoço e as
costas do sofá batia contra a parede. Fomos ao meu quarto,
Dex me inclinou sobre a cama e trabalhou seus dedos em
mim até que não aguentei e gritei. Então ele apoiou meu
joelho no colchão, espalhou-me amplamente e usou dois
dedos em mim, depois três, esfregando-me, a sensação foi tão
intensa que, quando gozei, havia somente o nome dele em
meus lábios. O recompensei de volta em seu quarto,
montando-o como fiz na nossa primeira vez, minhas mãos
apoiadas em seu peito, movendo meus quadris mais rápido
desta vez, saboreando cada momento dele dentro de mim
enquanto o montava até ele gozar.

Tomamos banho e atacamos a geladeira. Agora


estávamos deitados no sofá grande e macio, ele de costas
apoiado nos travesseiros e eu entre suas pernas encostada
em seu peito. Vestia calcinha e uma de suas camisetas. Ele
estava vestindo camisa e boxers, suas pernas fortes e
musculosas estavam em ambos os meus lados. Seu corpo
estava quente e relaxado, cheirava a sabonete e Dex. Passava
alguma coisa na TV que não prestei atenção. Não queria sair
daqui agora. Nunca vou querer sair.

— Estou curioso sobre uma coisa. — Disse Dex atrás de


mim com sua voz forte.

— Tudo bem. — Disse. Não imagino que haja algo que


não saiba sobre mim agora.

— Você gosta do seu emprego?

Fiz uma careta, olhando para a tela.

— O quê?

— Não sei. Parece que você sempre teve tanta certeza de


que isso é o que você queria. Você nunca duvidou.

— Ah, claro. Você que devia falar.

— Não estamos falando de mim. Estamos falando de


você.

Senti-me irritada. O que ele era, um terapeuta? Então


percebi que estava tendo essa reação porque nunca me fiz
essa pergunta.

— Claro que gosto.

— Gosta? Não parece.


Não? O que significa isso? Sempre soube que queria ser
advogada. Minha mãe foi advogada durante a minha infância,
embora desistiu de praticar pouco depois de se casar com
Jim. Como funcionária no escritório de advocacia, não
precisei passar anos estudando e me especializando, como
teria para me tornar advogada, pude simplesmente começar a
trabalhar. Foi prático.

— Sou boa fazendo isso.

— Isso não responde à pergunta.

— Dex, você está em casa há dois dias. Não sabe nada


sobre isso. E não pode fingir que você, de todas as pessoas,
não gosta de ser o melhor em tudo.

— Deixe de ser atrevida Sophie e me diga a verdade.


Estou curioso.

Cerrei meus dentes. Maldito seja. Estava sendo um


pouco vadia, algo que nunca fui enquanto trocávamos
mensagens. Sempre lhe falei a verdade. Era mais difícil com
ele sentado aqui no sofá comigo depois de uma tarde de sexo
enquanto ele me conhecia perfeitamente bem.

— É um desafio. Faço coisas novas. Conheço pessoas


boas. E paga as contas. — Se Dex começar a falar sobre como
não preciso trabalhar, darei uma cotovelada em algum lugar
desconfortável.

Mas ele não fez.


— Tudo bem. Há um, mas em algum lugar, posso sentir
isso.

— Não sei. — Admiti. — É… meio que frio. Sem coração.


Nunca me achei uma idealista, mamãe me ensinou desde
cedo como são as leis, mas ainda assim, depois da faculdade,
tem sido um ajuste. A escola era bem diferente. Nós apenas
assumimos que seríamos diferentes de todos os outros
quando estávamos na escola, sabe? Pensávamos em fazer
grandes coisas, fazer progressos, mudar o mundo. — ri. — O
mundo real não é assim como sonhamos, sabia disso, mas foi
diferente ao enfrentá-lo.

— Então você gostaria de fazer algo significativo.

Nunca pensei exatamente assim. Isso foi o que ele


sempre fazia em nossas mensagens, colocava as coisas que
eu não tinha pensado antes em palavras.

— Acho que sim, mas não sei como seria isso. E não sei
como me manteria nesse meio tempo. Quero sair daqui e
conseguir meu próprio lugar até o final do verão.

— Porra, Sophie. — Dex disse suavemente, como se isso


o perturbasse, embora já tenha mencionado isso antes. —
Pra onde você iria?

— Não sei. — disse. De repente o pensamento me


sufocou, já que a última coisa que queria fazer era sair deste
sofá. Ele não estará aqui, mas por que deveria estar? Em
breve estará fora vivendo sua grande vida de celebridade e eu
com minha própria vida para viver. Tentei não deixar isso me
desanimar. — Tenho guardado dinheiro. Acho que devo
começar a procurar.

Esfregou sua mão sobre o rosto, o movimento fez um


som áspero, pois ainda não tinha se barbeado.

— Droga. Você sabe que estou sentado aqui querendo


resolver todos os seus problemas, certo?

— Não vai acontecer.

— Sei, mas é uma resposta tão fácil. Poderia arrumar um


apartamento para você.

— Não.

— Ganhe tempo para pensar sobre o que você realmente


quer fazer.

— Não, não. Preciso descobrir sozinha, Dex. Que tipo de


pessoa seria se deixasse você fazer tudo por mim?

— Eu sei, eu sei. — Sua voz tornou-se engraçada. — A


maioria dos caras com quem jogo, tem familiares que os
limpam. Meu problema é que ninguém da minha família
aceita meu dinheiro. Talvez deva apenas apadrinhar algumas
crianças órfãs.

Abri a boca para dizer alguma coisa... Você deveria fazer


isso, elas provavelmente apreciariam, quando senti seu corpo
ficar tenso.
— Oh, droga. — Disse ele.

Olhei para a TV e lá estava o bonito rosto de Jesetta


Bibliona, sendo entrevistada em um programa de tablóide de
celebridades. Ele aumentou o volume.

— Desejo o melhor para Dex. — disse ela em seu sotaque


italiano acentuado o suficiente para ser sofisticado e sexy. —
Estou muito triste por nos separarmos. Foi apenas uma
daquelas coisas. Espero que ele seja feliz.

— Notícias interessantíssimas de última hora. — disse o


apresentador de volta ao estúdio de luz azul. — Mas a
pergunta que todos nós estamos fazendo é se Dex Carter
deixou Jesetta Bibliona em Milão, agora que eles estão
separados, onde exatamente ele está?

Dex desligou a TV.

— Oh, droga. — disse novamente.

— Ela acabou de te dispensar em um programa de


televisão?

— Sim. Ela acabou de romper o nosso falso


relacionamento, muito obrigado. Eu sabia que isso estava
chegando.

Lembrei-me de como ela o repreendeu furiosa ao telefone


numa explosão em italiano.

— Ela acha que sou um idiota.


— Qual é o problema dela?

— A imprensa está em volta de seu apartamento e


interfere em suas viagens de compras. Quer que eles vão
embora.

Sentei e virei ficando de frente para ele.

— Então o que isso quer dizer?

Dex estremeceu quando minha perna raspou nele.

— Cuidado com minhas bolas. Elas podem nunca se


recuperar desta tarde. Isso significa que Jesetta me devia um
favor e decidiu que já pagou, que estamos quites.

Olhei para ele. Estava encostado nas almofadas do sofá,


com seus cabelos despenteados, mesmo relaxado a
musculatura do seu abdômen estava linda sob a camiseta.
Não tinha refletido sobre o porquê Jesetta Bibliona estava
ajudando Dex.

— Por que exatamente ela lhe deve um favor?

Ele me olhou inexpressivo com seus olhos azuis.

— Provavelmente por todas as vezes que eu a peguei. Eu


costumo exercer esse efeito sobre as mulheres. Ai!

— O que você disse sobre suas bolas? — Cravei minha


perna nele novamente. Foi útil, estar posicionada entre suas
pernas.
— Ok, tudo bem. Falei sobre ela com a Espanha, a
empresa de roupas intimas para quem trabalhei. Estão
pensando em contratá-la para uma campanha, em troca, ela
me deu alguns dias sem a mídia na minha cola.

Mais uma pessoa usando Dex para seus próprios


interesses e o abandonando quando conveniente. Comecei a
entender o padrão.

— O que você vai fazer? — Por um segundo Dex pareceu


cansado, mas rapidamente mudou a fisionomia. — Preciso ir.
Vou para Nova York.

— Quando? — Novamente sua expressão cansada voltou.


— Rápido.

Não, não, pensei loucamente. Não me mexi entre suas


pernas.

— Não entendo.

— Sophie. A notícia vazou. Isso significa que a imprensa


está a minha procura e um dos lugares que virão procurar é
aqui.

— E daí? — respondi ainda sem vontade de deixá-lo ir. —


Esta é a sua casa. Você está aqui. Isso não é novidade. Quem
se importa se as pessoas sabem que você está aqui?

— Porque eles saberão que estou aqui sozinho com você.


Adivinharão que estive aqui o tempo todo. E isso a coloca na
mira deles. — Dex desencostou das almofadas e inclinou-se
para mim. Seu rosto frio e duro, determinado.

— É inaceitável.

Dex estava certo. Logicamente, estava certo. Meus chefes


em Wells e Anderson eram tolerantes com Dex, desde que
achassem que eu poderia levá-lo como cliente, mas se os
fotógrafos estivessem me seguindo e houvesse especulação
dos tablóides de que estávamos dormindo juntos, eles
poderiam decidir que não valia a pena. E mesmo se saísse de
lá, onde mais conseguiria um emprego? Acabara de dizer a
Dex que queria viver a minha vida do meu jeito. Se não o
queria me ajudando, tinha que aceitar que não o queria me
atrapalhando também.

Além disso, não estávamos em um relacionamento. Não


estávamos juntos. Isso foi somente um acordo que não foi
feito para durar. O fato de acabar cedo demais significava que
a vida não era justa.

— Ok. Entendi, mas se você quiser ir para Nova York,


precisa ir para o aeroporto. E quero ajudar.

CAPÍTULO DEZESSETE
Durante quatro anos sendo o centro das atenções,
aprendi que nunca devo subestimar a imprensa e quando
você é tão importante como sou, a coisa mais idiota a dizer é
Com certeza ninguém estará aqui agora tirando fotos minhas,
pois alguém sempre estará. Eram negócios, eles faziam o
trabalho deles e eu fazia o meu. Tanto faz.

Mas tê-los em qualquer lugar perto da Sophie me deixou


em pânico, maluco. Saber que qualquer fotógrafo olharia para
ela, tiraria uma foto dela e a publicaria, me faz querer
vomitar. Sophie sempre foi a parte privada da minha vida,
estava fora dos holofotes. Sempre foi só minha. Enquanto
estivéssemos em países separados, a imprensa não a
incomodaria, era exatamente isso que eu queria. E agora que
transei com ela, provei-a, fui seu primeiro e ela confiava em
mim com sua própria vida, esse instinto estava mais forte do
que nunca.

De jeito nenhum eles chegarão perto dela. Absolutamente


de jeito nenhum.

Vesti-me, peguei uma bolsa, enquanto discava para o


meu pai, pegava as roupas e as jogava. Estava na hora.

— Dex! — Ele respondeu. Houve um turbilhão de


conversa atrás dele, desaparecendo rapidamente. Ele saiu,
provavelmente estava trabalhando e se afastou da multidão
para ter alguma privacidade. — É bom ouvir o meu filho
desobediente.
— Papai, estou indo para Nova York. Você pode fazer algo
para mim?

— Você está vindo para cá? Pensei que você estivesse em


casa.

— Eu estou, mas estou indo embora. A imprensa vai


perceber que estou aqui a qualquer momento.

— Tudo bem. — disse papai, intrigado. — Bem, claro que


vão.

— Se eles entrarem em contato com você ou a Patty, não


diga a eles que estava aqui.

Agora ele estava confuso.

— Dex, você sabe que nunca falamos com a imprensa.

— Sei, mas não conte a ninguém que estava aqui.


Ninguém mesmo. — Papai não falava com um repórter, mas
tinha muitos amigos e trabalhava com conhecidos e não
sabia qual deles falaria.

— O que está acontecendo? — Papai exigiu.

— Só que a Sophie está aqui e não quero que eles


acampem no jardim. Não os quero em qualquer lugar perto
dela.

— Ah! — Ele concordou com isso, sabia. Ele e Patty


haviam fugido para Nova York para evitar a imprensa, mas
preferiam enfrentar a imprensa do que vê-los invadindo a
vida da Sophie. — Está bem então. Não acho que Patty falou
nada, mas falarei com ela. Imagino que esteja atraindo-os
para longe?

— Este é o plano. — Eles me seguiriam e não a ela. Não


queria ir, mas não tenho escolha.

— Vou reservar um quarto no Plaza. Traga um terno, algo


legal de usar.

— Por quê?

— Teremos o lançamento do nosso grande produto na


próxima semana. Seria ótimo ter você aqui.

Meu pai é o diretor de vendas de uma empresa de


software. Quando estou na cidade, ele gosta de me convidar
para os lançamentos da companhia só para ter ajuda de uma
celebridade. A cobertura extra da imprensa e as relações
públicas sobre eu estar nos lançamentos levaram a empresa
longe e impressionaram os chefes. Tudo o que precisava fazer
era aparecer e apertar algumas mãos. Considerando tudo o
que meu pai fez por mim ao longo da minha vida,
especialmente depois que minha mãe morreu, era o mínimo
que poderia fazer por ele. Não me pedia quase nada.

— Você tem certeza? Meu nome está sujo agora, pai.

— Ah, tenho certeza. — disse papai, rindo. — Aquele seu


gancho de direita significa que agora a imprensa cobrirá
ainda mais o lançamento. Você definitivamente deveria vir.
Olhei minhas roupas. Eu tinha o terno Armani que usei
no avião em Milão, provavelmente poderia usá-lo novamente.
Normalmente ligaria para Armani em Nova York e eles me
mandariam algo, mas não sei se os estilistas me odeiam tanto
quanto todos os outros fazem agora.

— Tudo bem.

— Ótimo! Vejo você no Plaza.

Depois que desliguei, liguei para Eric, meu agente. Já


tinha visto as notícias de Jesetta.

— O que diabos você fez com ela? Ela parecia chateada.

— É uma longa história.

— Porra. Gostaria de ter sua vida amorosa, só por um


dia.

Qual era com as top models? Até mesmo Sophie assumiu


que dormia com elas o tempo todo. Normalmente ficava
lisonjeado porque a minha reputação era de um deus grego,
mas agora me deixava cansado. Droga, isso deve significar
que estou amadurecendo ou algo assim.

— Estou indo para Nova York. Estarei no Plaza daqui a


algumas horas.

— Essa é sua decisão oficial? — Eric perguntou, o que


significava ‘a imprensa deveria saber?’

— É minha decisão oficial.


— Então estarei lá também. Devemos nos encontrar com
a Liga em campo.

— Tudo bem.

— Tem certeza de que vai enfrentar a imprensa? Eles


estão famintos por você, Dex.

Quanto mais a imprensa se alimentasse em Nova York,


menos ficariam famintos por Sophie.

— Tenho. Sou uma porcaria de refeição de quatro pratos.


Estou a caminho.

Já haviam dois deles lá fora de casa, provavelmente


freelance esperando eu aparecer. Uma foto minha saindo de
casa faria o mês deles.

— Vamos no meu carro. — disse Sophie. Vestia uma saia


suave e esvoaçante na altura do joelho, uma jaqueta jeans, o
cabelo escuro solto na altura dos ombros e a bolsa enfiada
debaixo do braço.

— Não gosto disso. — disse olhando para ela. O


pensamento de um daqueles nojentos perto dela estava me
deixando louco de novo.

— Como vai chegar ao aeroporto? Dirigindo você mesmo?


Chamando um táxi? Eles vão ver. Além disso, não sou
novidade. — Ela encolheu os ombros. — Sou sua meia-irmã
chata. Nunca faço nada de interessante. Por que eles se
importariam comigo?
— Você fez algumas coisas muito interessantes mais
cedo.

Ela corou, a visão era tão bonita que não pude falar por
um momento.

— Bem, obviamente. Isso foi bem interessante.

Foda-se. Larguei minha bolsa, dei um passo para frente e


a beijei, levando o rosto dela em minhas mãos. Ela sabia tão
bem. Começou rápido, mas mudamos nossas mentes e
fizemos isto longo e lento, enquanto seus lábios abriram a
provei. Em um universo alternativo, onde Jesetta não tivesse
falado com aquele tablóide estúpido, ainda estaríamos no
sofá e agora estaríamos nos divertindo. Teria minha camiseta
fora dela e talvez, se tivesse sorte, convenceria ela a ficar de
joelhos para mim. Apenas a imagem de Sophie me
conduzindo foi o suficiente para explodir minha mente, me
fazendo esquecer até mesmo o meu nome, a última mulher
com quem dormi e todas as regras do futebol que já conheci.
Nós faríamos isso, jurei silenciosamente, antes do meu
maldito funeral. Nós faríamos isso e ela gostaria. Eu me
certificaria.

Só não sabia quando.

Sophie parou o beijo com relutância e olhou para mim.


Seus lábios estavam vermelhos.

— Dex, não temos tempo.

— Eu sei.
Seu carro estava na garagem. Sophie entrou no banco do
motorista e eu me deitei no banco de trás, fora de vista.
Apertou o botão para abrir a porta da garagem e desceu a
rampa de acesso.

— Onde estão eles? — Perguntei a ela. Eram nove horas


da noite, o céu se mostrava escuro através das janelas
enquanto estava deitado no banco.

— Hum, ao lado do jardim, perto da propriedade. — disse


Sophie, olhando ao redor. — Os surpreendi. Um deles está
tentando tirar a câmera da bolsa.

Como eu pensei, reservas.

— Apenas ignore-os.

— Sei como lidar com eles, Dex. Lido com a imprensa de


vez em quando.

Observei-a enquanto dirigia, as mãos pequenas e hábeis


no volante, os cabelos escuros abaixo do pescoço.

— Você lidou com a imprensa? — Se lidou eu não estava


aqui.

— Bem, houve o jogo de exibição. Você veio para casa.


Eles tentaram me incomodar na universidade, mas a
segurança do campus cuidou disso. E repórteres aparecem
de vez em quando, tentando desenterrar a sujeira. Sabe,
esperando que eu, Jim e Patty sejamos viciados em drogas ou
algo assim, para que eles possam montar uma boa história.
Ou esperando que um de nós realmente te odeie, então
vamos contar a eles tudo sobre como você chuta filhotes e
dorme com a babá.

Tive que sorrir com isso.

— Isso é uma façanha interessante, dormir com a babá


quando não se tem filhos.

— Tenho certeza, se disséssemos que fez isso,


acreditariam. Mas isso não acontece com frequência. Ser
chato é realmente a melhor defesa. Eles não têm nada para
dizer quando você é sem graça.

— Você não é sem graça, Sophie. — disse, observando-a.


Estava deitado no local perfeito olhando para ela. Estava
gostando disso. — Embora esteja feliz que a imprensa ache
que seja. Significa que não tenho que expulsar nenhum
repórter do jardim.

Sophie gemeu.

— Oh! Deus, por favor não faça isso. Sem mais socos,
ok?

— Ok. — As luzes dos carros passando brilhavam através


do vidro e vi quando tocaram em seu rosto. E de repente
realmente não queria a deixar. Seu aprendizado não acabou.
Não era apenas sexo, embora não acabei isso também, não
por muito tempo, mas ainda não terminei com ela.
Conversando com ela, ouvindo-a, ouvindo seus segredos,
observando suas reações, as expressões em seu rosto, as
coisas que a deixam com raiva, as coisas que a fazem corar,
ouvindo os pensamentos de sua cabeça, olhando-a
desabrochar e ser algo que não pensou que seria. Vê-la ser a
Sophie.

Eu era uma fera no campo de futebol e jogava até


ganhar, mas quando olhei para o seu joelho aparecendo por
baixo da bainha de sua saia florida, nada daquilo importava.
Sophie era a única coisa sobre mim que era pura. Era
aterrorizante minha possessividade. Queria possuí-la, devorá-
la, queria que me desse algo que não poderia me dar, algo
que ninguém poderia me dar. Queria que ela consertasse
toda a droga que estava dentro de mim, a porcaria que minha
vida se tornou. Queria que queimasse todas as coisas sem
importância para que finalmente pudesse ver o que era
importante.

Mas estava deitado no banco traseiro do carro, para que


ela não fosse comida viva pelo lixo que me seguia por toda
parte. Então ela não precisaria tirar a sujeira como eu
precisei. O que é que posso lhe oferecer, além do dinheiro que
não quer e alguns rounds com meu pau? Como poderia dar a
ela um décimo da felicidade que me deu, só por me levar ao
aeroporto? Então dei a ela um bom sexo pela primeira vez. E
daí? Tudo o que fiz foi prepará-la e abrir o caminho para
outro cara aparecer, apaixonar-se por ela, fazê-la gozar e lhe
agradar pelo resto de sua vida, enquanto me sentava num
frio estúdio em Tóquio, usando um relógio por dinheiro.

Não aquele filho da puta.


— Você está muito quieto.

— Esses advogados da sua empresa, algum deles já tocou


em você?

— O quê? — Parecia perplexa com a mudança de


assunto. — Não.

— Tem certeza? — Se fosse advogado em sua firma, seria


implacável. — Nunca?

— Bem não. Esse é um caminho bastante seguro para


um processo de assédio sexual. — Mas sua voz vacilou.

— Diga-me a verdade, Sophie.

— Essa é a verdade. — protestou ela. — Um deles olhou


para mim esta manhã, mas isso é tudo.

— Esta manhã? — O encontrarei e arrancarei suas bolas.

— Quando sai, encontrei com ele na cafeteria.

Ela não me contou isso. Nós estávamos muito ocupados


falando sobre o meu drama estúpido, depois fodendo a tarde
toda.

— E ele olhou para você?

— Foi um olhar, você sabe. Não chegou a tocar em mim.


— Ela encolheu os ombros. — Fico bem de shorts.

— Sim, eu sei. — disse e deve ter havido algo em minha


voz, porque ela tirou os olhos da estrada e olhou para mim
antes de se virar novamente. — Tenha cuidado com esses
advogados, Sophie. Esse cara provavelmente quer transar
com você, mas os advogados não usam uma maneira direta.
Suas intenções são desonestas.

Isso a fez rir, o que me assustou ainda mais.

— Sou filha de uma advogada, Dex. Sei como eles


operam.

— Você não disse que eles me querem como cliente?

— Sugeriram, sim, mas não preciso fazer isso.

— O inferno que você não faz.

— Dex, posso lidar com isso e a propósito, obrigada pelo


voto de confiança em meu trabalho.

Sophie não estava entendendo.

— Só porque o seu trabalho é bom não significa que eles


apreciam isso.

— Podemos conversar sobre outra coisa, por favor?

— Bem. Só não acho que você deveria namorar um


desses caras, só isso.

— Nunca saio com caras do trabalho.

— Então, onde você encontra os caras com quem sai?

Sophie ficou quieta.


— Oh, droga. Um bar? Você conhece caras em um bar?

— Não.

— A Internet, então. — Isso soava mais como Sophie,


escolhendo e escolhendo caras de um site. — Deus, Sophie,
não faça isso. Apenas não faça. Estou falando sério. Os caras
mais pobres do mundo estão na Internet. Não admira que
precisasse da minha ajuda com sexo.

— Não precisava de sua ajuda com sexo. — argumentou


ela. — Você ofereceu.

— Foi uma coisa boa que fiz, ou acabaria com um cara


péssimo de cama e provavelmente um serial killer. Teria
trinta segundos de sexo ruim antes de ser enterrada no
porão.

Sophie tentou não rir disso, mas não conseguiu evitar,


embora fizesse o possível para mantê-lo.

— Isso é horrível. E perturbador.

— Estou certo, no entanto. — Disse, apontando para ela,


embora estivesse virada para o outro lado e não olhasse para
mim. — Eu estou sempre certo.

— Certo, Dex. Acho que entendi o que é isso tudo. Você


está me pedindo para não dormir com mais ninguém
enquanto estiver em Nova York?

Pensei na minha resposta à procura de munições.


— Não. — Disse, mesmo que estivesse e estava
totalmente. — Porque isso me faria um idiota, certo?

— Pode ser. Dependendo do que está planejando fazer em


Nova York e com quem. Não responda. — Sophie disse,
levantando a mão antes que eu pudesse responder. — Não
quero saber. Realmente não quero.

Deitei minha cabeça no banco. O campo de futebol era


muito mais fácil que isso. Vista-se, vai para o campo e jogue
até ganhar. Então faça de novo e de novo, até que lhe digam
para parar. Era fora do campo que costumava estragar tudo.
Até ter socado o nariz de Santos e estragar tudo de uma vez
só.

— Chegamos. — Disse Sophie manobrando e


estacionando o carro. Havia luzes, provavelmente da pista do
aeroporto. Ela deixou o carro ligado. Ficamos calados por um
minuto. Foi isso, acabou. O que quer que tivemos nos últimos
dois dias, acabou.

Não queria que acabasse.

Sophie virou em seu assento, olhando para mim. Sua


expressão estava um pouco triste.

— Acho que você tem que ir ser Dex Carter agora, hein?

Soltei um suspiro. Então peguei o boné de beisebol que


estava ao meu lado e o coloquei. Toquei em seu rosto
brevemente, correndo meus dedos ao longo de seu queixo. Foi
a única coisa que me permitir fazer.
— Vou mandar uma mensagem para você. — Disse a ela,
e então abri a porta, peguei minha bolsa, saí do carro e fui
embora.
CAPÍTULO DEZOITO
Do meu histórico de mensagens

Hoje

DEX : Quantas vezes você esteve em Nova York?

SOPHIE : Hum! Quatro? Talvez cinco? Jim e Patty estão


sempre aí, então os visito. Adoro estar aí.

DEX : Posso mesmo imaginar você aqui. Este é seu tipo


de lugar.

SOPHIE : O que significa isso?

DEX : Só que é o tipo de lugar que você gosta.

SOPHIE : Bom trabalho de detetive, já que acabei de


dizer que gosto de estar aí.

DEX : Ei. Te dou o melhor sexo da sua vida e você mostra


suas garras.

SOPHIE : Por favor, não mencione isto nunca mais.

DEX : Vou mencionar sim. Até você vir para cá e me


implorar por mais.

SOPHIE : Vai sonhando. Não estou indo aí, Dex.


DEX : Venha pelos orgasmos, Sophie. Eles estão aqui. E
por favor, tente não corar.

SOPHIE : Você não pode me enviar mensagens de texto


novamente.
CAPÍTULO DEZENOVE

Depois que Dex se foi, voltei para minha rotina, na


maioria dos dias. Os fotógrafos desapareceram depois que
divulgaram que Dex estava em Nova York, então meu jardim
ficou vazio novamente. Fui trabalhar no Wells e Anderson
todos os dias. Almoçava na sala de descanso. À noite lia
livros, assistia TV ou saía para correr, depois que o calor da
tarde esfriava, com meus tênis tocando o chão à luz suave da
noite. Conversava com minha mãe sobre o dia e o lançamento
do próximo produto do Jim. Tentei não pensar em Dex
Carter. Tentei não o deixar assumir meus pensamentos, meu
corpo e minha vida.

Você é uma mulher adulta, Sophie. Você pode lidar


totalmente com isso.

Poderia, nem sequer entrei mais no site de namoro que


usava. Dias depois percebi que esqueci tudo sobre isso.

— Você parece diferente. — Dana me disse quando


saímos para tomar uma bebida em um pub local numa noite.
Inclinou a cabeça e me examinou. — O que fez? Seu cabelo?
Sua maquiagem?

— Nada. — Disse sinceramente quando entrei na cabine


e me sentei em frente a ela. — Comprei um novo brilho labial.

— Não, não, é outra coisa. — Seus olhos se fecharam. —


Vou descobrir isso.

— Vamos pedir. Quero um pouco da sua cerveja


artesanal. — Me senti desconfortável não dizendo a Dana o
que tinha acontecido. Era minha melhor amiga e nós
sabíamos tudo uma da outra.

Mas sabia que ela não desistiria tão facilmente. Como


nós pedimos um prato de nachos para compartilhar e
bebericamos nossa cerveja conversando sobre a vida,
continuou me dando olhares. Finalmente, mudou a conversa
para Dex.

— Então ele está em Nova York, né? Vi no tablóide show.


Eles tiraram fotos dele andando pela Quinta Avenida.

Peguei um pedaço coberto de queijo. Dex não gostava


muito de ir às compras. Provavelmente andou pela Quinta
Avenida para que os repórteres o seguissem e não a mim. Em
seu louco universo, ele foi realmente atencioso.

— Uh, huh. — Disse e então as palavras escaparam


antes que pudesse detê-las. — Estava com alguém?
— Estava com alguém? — Dana bateu seu copo de
cerveja na mesa. — Nunca ouvi você perguntar isso antes.

Maldita seja ela. Segurei mais forte o pedaço de nacho.

— Apenas responda ok?

Ela cruzou os braços.

— Não, não estava com ninguém. Aquela modelo com


cara de pato com o nome idiota estava longe de ser vista.

— Jesetta Bibliona.

— Ok, não está deixando este lugar até que me diga o


que estou perdendo. Despeja.

Desisti do nacho e recostei-me.

— Tudo bem. — disse. Era bom finalmente confiar em


alguém. — É só que ele esteve aqui em casa por alguns dias,
isso é tudo.

Levou alguns minutos. Vi ela fazer as contas rapidamente


em sua cabeça.

— Dex esteve aqui.— Então arregalou seus olhos e abriu


sua boca. — Oh, meu Deus.

— Não diga isso. — Disse rapidamente, olhando ao redor


do pub lotado. — Só acho que falou muito alto, ok?

— Você fez isso. Você fez isso. — Olhou para mim,


atordoada. — Aceitou meu conselho. Sophie, oh meu Deus. —
Parou por um segundo e tive que rir. Dana nunca ficava sem
palavras. — Acho que você pode ser minha heroína. Você teve
Dex Carter para tirar sua virgindade. Essa é a coisa mais
legal que já ouvi.

Senti meu rosto corar e coloquei minhas mãos nas


minhas bochechas. A garçonete veio e rapidamente pedi
outra cerveja. Quando saiu, falei:

— Você está dando muita importância nisso.

— Isso é porque é importante. Deve ter sido muito bom,


certo? Por favor, me diga que foi muito bom. — olhou para
mim. — Oh, meu Deus, posso dizer pelo seu rosto. Ganhou
oficialmente em feminilidade, Soph. Sabe como o meu foi
patético, certo?

Dana perdeu a virgindade aos dezessete anos com um


cara chamado Bradley, por quem teve uma queda durante
um ano e que durou trinta segundos. Gostava de se referir a
ele como a mais épica decepção da sua vida até agora.
Balancei a cabeça.

— Tudo bem. Admito que foi melhor que isso. Muito


melhor.

— Então você vai fazer de novo, certo? Quero dizer,


vamos lá.

— Não penso assim. Provavelmente não. Foi uma única


vez.
— Você está brincando? Dex está sozinho em Nova York e
se livrou da cara de pato. Você pode simplesmente seguir em
frente.

Balancei a cabeça. Estava na minha segunda cerveja e


poderia admitir para mim mesma que queria fazer isso com
ele novamente. Muito. Tantas vezes quantas nós dois
fossemos humanamente capazes. Mas precisava cair na real.
Não posso me deixar levar.

— Só porque ele passou dez minutos sozinho na Quinta


Avenida não significa que não esteja dormindo com alguém.
— As palavras doeram em mim, mas as forcei a sair. — As
mulheres se jogam nele o tempo todo. Não entende como a
vida dele é louca, Dana. É um caos total.

— Ok, então você pula a parte do caos e só o coloca na


cama.

— Não funciona assim, não com a imprensa em volta.


Além disso, teria que ir para Nova York. É exatamente o que
estou tentando evitar, segui-lo como um cachorrinho.

Dana bebeu a cerveja e considerou isso, assentindo.

— Verdade. Você não é um tipo de filhote de cachorro. No


entanto, ainda acho que deveria de alguma forma pular
novamente nele. Está tudo na atitude.

Siga os orgasmos, Sophie, disse Dex. Queria que o


seguisse, praticamente me convidou, mas não sabia o que
isso significava, não de verdade. Não queria ser apenas mais
uma em sua lista com quem dormia sempre que estava
entediado. Prefiro não ter nada além disso.

— Gosto dele, Dana. — disse, a cerveja estava me


deixando um pouco sentimental. — Realmente gosto. Mais do
que deveria, porque não confio nele. É tão arrogante. Você
sabe o que ele disse para mim?

— O quê? — Estava em sua segunda cerveja também e


estava atacando os nachos novamente.

— Que não acha que eu gosto do meu trabalho na Wells e


Anderson.

Dana colocou um pedaço na boca e balançou a cabeça.

— Odeio estragar isso para você, querida, mas ele não é


apenas quente, ele é perspicaz. Você odeia esse trabalho.

— O quê? — Foi a minha vez de olhar para ela, chocada.


— Não entendo. O que quer dizer?

— Quero dizer que conheço você. Quando estávamos na


faculdade, você teve uma faísca. Claro, trabalhou duro e não
namorou, mas também gostava de se divertir e se soltar.
Desde que aceitou o emprego, ficou quieta e ansiosa, como se
estivesse preocupada o tempo todo.

— Bem, ninguém fica na faculdade para sempre. — Disse


me defendendo. — Tive que crescer e me tornar responsável.
Preciso construir minha carreira.
— Com certeza, mas todas as vezes que fala sobre o seu
trabalho, o que é a propósito, quase nunca, parece estar com
uma grande dor de cabeça. Isso não é um bom sinal.

— Nem todo trabalho é divertido e gratificante. Estou


trabalhando para ser promovida, isso é tudo. Seu trabalho
nem sempre pode ser sua paixão.— Endireitei-me

— Claro. — Dana era designer gráfico numa empresa de


marketing. Não pretendia fazer uma grande arte, mas amava
seu trabalho e era incrivelmente boa no que fazia. Estive na
festa de Natal da empresa no ano passado e todos com quem
trabalha foram muito divertidos. — Mas pode pelo menos
chegar perto. Sabe, deveria falar com minha prima Karen. Já
a conheceu, ela é advogada perto de São Francisco. Faz
trabalho voluntário em uma empresa que ajuda pessoas que
não podem pagar, mulheres abusadas tentando deixar seus
maridos, esse tipo de coisa. Ela diz que é o trabalho mais
gratificante que já fez.

Fiz uma careta.

— Se é trabalho voluntário, então não está ganhando


nenhum dinheiro.

— Não. É o tipo de coisa que ela faz. Você está sempre


falando que o dinheiro não é tudo, espertinha. Não está? —
fiquei olhando para minha cerveja, ela me pegou aí. — De
qualquer forma, a empresa para qual faz o trabalho
voluntário está precisando de um funcionário por três meses
para preencher a licença de alguém. Não paga muito como a
sua firma, mas paga um pouco.

— Não posso fazer isso. Parar de trabalhar para me


mudar para São Francisco e viver sem nada? Não posso.

— Por que não? — Dana acenou com a mão


expressivamente, distante. — Você é jovem, livre e
descomprometida. A Sophie da faculdade nunca diria que
não pode.

— Será que você faria isso? — desafiei-a. — Desistiria de


um bom trabalho para passar fome por três meses?

— É diferente porque tenho Greg. — disse Dana,


referindo-se ao namorado. — Mas droga, não somos casados.
Ele só teria que entender. Se fosse algo que quisesse fazer,
simplesmente faria.

Nós estávamos começando nossa terceira cerveja agora,


então tomei essa com um pé atrás. Nessa altura da noite,
Dana estava sempre cheia de planos grandiosos para
enfrentar o mundo. Terminamos com mais uma rodada de
cerveja e um prato gorduroso de batatas fritas, falando sobre
tudo e mais alguma coisa, antes de pegar um táxi para casa.

Mas, por mais divertido que fosse, algumas das coisas


que disse me incomodaram. Estava realmente infeliz no meu
trabalho? Sinceramente não pensava assim, mas Dana
percebeu isso e Dex também, que quase nunca estava perto
de mim.
Digitei o código de segurança e entrei na enorme e
silenciosa casa. Precisava ir até a cozinha e pegar um pouco
de água. Meus passos ecoaram silenciosamente no corredor e
parei na porta da sala de TV, pensando em Dex me
prendendo na parte de trás do sofá e dizendo ―Puxe sua saia
para cima.” Pensando nele me levando pela mão para cima.
Pensando em nós dois assistindo TV naquele sofá depois de
horas de sexo incrível, seu corpo quente e duro debaixo do
meu.

Oh maldito. Sentia falta dele.

Entrei na cozinha e peguei um copo de água. Meu corpo


estava pulsando e doendo agora, minha pele corada.
Fantasiei que Dex estava no andar de cima agora, dormindo
em sua cama. Eu subia e rastejava até ele e o acordava.
Minha mente por algum tempo seguiu esse caminho até que
me obriguei novamente a trazer minha atenção de volta. Bebi
minha água.

Subi as escadas para o meu quarto e tirei minhas


roupas, olhando do canto do olho para a cama que me
inclinou, peguei meu telefone. Olhei por um longo tempo,
dizendo a mim mesma que isso era uma má ideia. Então
mandei uma mensagem para ele, decidindo ser honesta.

Estou bêbada mandando mensagens para você, eu disse.

Levou quase dez minutos para Dex responder. Tempo


suficiente para me perguntar onde estava e com quem.
Tempo suficiente para lembrar que era impossível saber.
Então meu telefone tocou.

Novamente?

Sorri, lembrando da vez em que ele me chamou um táxi,


do Novo México, quando mandei uma mensagem para ele de
uma festa. Dana estava certa, fora mais divertida na
faculdade.

Deitei na cama de calcinha. Sentia calor e frio.

Não sei se sinto sua falta ou se estou gripada, escrevi. Eu


não consigo saber a diferença.

Você é fofa quando é sentimental, ele respondeu, mas


acho que você não sente minha falta. Vá para a cama.

Olhei a mensagem. O que ‘acho que você não sente


minha falta’ significa? Que ele não acha que deveria sentir
falta dele? Que ele não sentia minha falta?

Minha mente zonza não conseguia entender. Precisava


dormir. Peguei o telefone e escrevi:

Boa noite, Dex.

Um segundo depois, ele respondeu:

Boa noite, querida.

Desapareci debaixo do cobertor e sorri. Nunca admitiria


isso sóbria, mas gostava quando me chamava de querida. Foi
sexy.
O melhor sexo que você já teve em sua vida, ele disse
mais cedo.

Adormeci me perguntando se isso era verdade.

No dia seguinte, Dex deu uma coletiva de imprensa.

Assisti enquanto jantava comida tailandesa na frente da


TV, meus pauzinhos levantados quase chegando em minha
boca. Dex estava de pé em um palanque, vestindo jeans, uma
camisa branca justa, uma jaqueta de couro marrom escuro e
um boné de beisebol escuro. A jaqueta enfatizava a linha de
seus ombros, seus cabelos escuros ondulavam sob a testa e
seus olhos azuis brilhavam. Era tão bonito que apenas olhei
meio atordoada.

— Meu desejo hoje é proferir um pedido de desculpas. —


disse na voz que conheço tão bem. Os flashes disparavam das
câmeras. — Primeiro, devo um pedido de desculpas a
Sebastian Santos pela minha falta de espirito esportivo no
campo. Também quero pedir desculpas ao resto da minha
equipe e aos meus treinadores, bem como à Liga
Internacional e a todos os torcedores da Copa do Mundo. O
que fiz foi indesculpável e mereço cada uma das ações
disciplinares que recebi.

Observei enquanto ele continuava a conversar, pensando


no quanto isso deveria ser difícil para ele, ficar na frente do
mundo e fazer um pedido de desculpas. Dex podia ser
arrogante e confiante, mas não demonstrava nada disso
agora. Agora era amável, humilde e sincero, sem deixar de ser
forte e honrado. Quando terminou seu comunicado,
respondeu às perguntas dos repórteres, alguns dos quais
foram completamente mal-educados como profissional. Não é
de admirar que fora reservado ontem à noite quando mandei
uma mensagem para ele. Estava se preparando para uma das
piores questões de sua vida pública.

Peguei meu telefone e liguei para minha mãe.

— Você assistiu à coletiva de imprensa? — Ela me


perguntou.

— Sim.

— Aquele pobre garoto. — ela disse. Uma de suas


especialidades favoritas era tratar Dex de 26 anos como
menino, por mais velho que ele seja. — É difícil para Dex,
tenho certeza. Pelo menos essa parte acabou por agora. Falei
para o Jim que ele não precisa ir ao lançamento se não
quiser, mas Jim disse que ele insistiu.

— O lançamento? — Perguntei.

— Você sabe, o lançamento do novo produto do Jim. É


amanha a noite. Dex diz que vem.

Claro que ele iria. Mesmo depois de abrir uma brecha


para a imprensa hoje, ainda diria sim a Jim. Todo mundo
sempre precisava de Dex para alguma coisa.

Talvez ele fizesse isso, mas não faria sozinho.


— Também vou. — disse para minha mãe. — Estou
tirando alguns dias de folga do trabalho. Estou comprando
uma passagem de avião. A vejo lá.
CAPÍTULO VINTE

— Correu tudo bem. — Disse Eric.

Estávamos no escritório de sua agência, no sexagésimo


andar de um prédio na Madison 51, com toda Nova York
esparramada debaixo de nós. Estava numa cadeira de couro
cara na sala de reuniões da agência, sentado numa mesa
grande e cara. Alguém havia colocado um copo de água
mineral cara na minha frente, as pequenas bolhas subindo
pelo vidro. Afundei-me na cadeira, cruzei um tornozelo sobre
o outro joelho e puxei meu boné de beisebol para baixo na
cabeça.

— Se você diz.

— A coletiva de imprensa foi ótima, fantástica. — Esse foi


um dos sócios da agência do Eric, um cara chamado
Nathaniel. Tinha uma cabeça cheia de cabelos grisalhos e um
terno de três peças. — O pedido de desculpas foi a primeira
parte da nossa estratégia e não poderia ter sido melhor.

Fora uma droga. Muito. Mas agora que acabou, senti que
havia algo certo sobre isso e não por causa da estratégia.
Realmente devia a todos um pedido de desculpas. A final da
Copa do Mundo foi disputada ontem à noite e como havia
previsto, a Argentina venceu. Acabou e meu time estava
acabado, até porque acho que estraguei tudo. Eles não
mereciam isso.

Então sim, sinto muito. Foi um começo.

— Agora passamos para a próxima fase. — Disse Eric. —


Solicitando à Liga a sua reintegração. Nós temos uma
estratégia para isso também. Michelle?

Ele virou para a outra pessoa na mesa, uma jovem


mulher com cabelos escuros e lábios vermelhos, usando uma
saia e jaqueta de grife. Era uma das associadas ou algo
assim. Sorriu na hora e pegou um controle remoto da mesa
na frente dela, apertando um botão. Uma tela de TV subia do
final da mesa, provavelmente instalada para apresentações.
Sorriu para mim novamente.

Linda, pensei, mas não tão bonita quanto Sophie.

Perguntei-me onde Sophie estava agora, se viu a coletiva


com a imprensa. O que pensa sobre isso, desejei sair da sala,
ligar para ela e perguntar.

Eric estava falando e um vídeo apareceu na tela da TV.


Filmagens do meu último jogo.

— Sério. — Disse, virando o olhar para o meu agente. —


Não preciso assistir isso porra.
— Não, espere. — Ele acenou para a mulher, Michelle, e
ela apertou um botão. Foi para isso que ela foi chamada para
esta reunião, eu me perguntei. Para apertar o botão do
controle remoto para o Eric?

— Veja aqui. — disse Eric, apontando para a tela. — Veja


o que Sebastian Santos está fazendo?

Olhei. Estava pausado cerca de cinco minutos antes de


eu dar o meu soco. Santos estava de fora, o árbitro no seu
ombro. Ele disse alguma coisa no ouvido do árbitro e foi
embora.

— Veja isso? — Eric disse. — E isso. — Acenou para


Michelle novamente.

Agora as filmagens pararam um minuto depois, com


Santos correndo pelo campo. Ele fez contato visual com o
mesmo árbitro de antes, diminuiu a velocidade, disse algo e
saiu correndo novamente.

— Isso é enorme. — disse Nathaniel. — Realmente


enorme.

Eu fiz uma careta.

— Do que você está falando?

— Isso é intromissão do árbitro. — disse Eric. Estava


praticamente irradiando seu contentamento. — Podemos ir à
Liga Internacional e argumentar que foi provocado, porque
Sebastian Santos estava interferindo no trabalho do árbitro.
Com esse vídeo como prova e uma boa apresentação,
podemos conseguir sua reintegração.

Olhei para todos eles.

— Do que você está falando? Estive nesse campo e


Santos não interferiu com nenhum árbitro. As chamadas
foram todas boas. Não podemos dizer isso. É mentira.

— Olhe para ele. — disse Eric, apontando para a tela


novamente. — Ele diz algo para o árbitro.

— Fez como muitos outros jogadores. Provavelmente, eu


também. — Balancei a cabeça.

— Nós conversamos uns com os outros o tempo todo no


campo. Nós gritamos insultos, conversa fiada, porcaria bem-
humorada, berros sem sentido. Se você já assistiu pessoas
correndo em um campo esportivo, pegou a ideia. Nós não
jogamos em silêncio. Isso acontece o tempo todo. Isso não
significa que ele estava interferindo nas exortações. Se
estivesse, o árbitro diria alguma coisa.

— Talvez o árbitro se sentiu intimidado. Podemos fazer


um caso, Dex. — disse Eric. — Este é o seu ingresso. Seu
caminho de volta para o jogo.

— A interferência é contra as regras. Se os


convencermos, então não serei eu a ser banido e sim o
Santos.
— Então não falasse com o árbitro durante o jogo. —
Nathaniel respondeu. — Não está certo?

Olhei para todos eles. Não acreditava que essa era a


escolha que eles estavam me oferecendo, jogue Sebastian
Santos debaixo do ônibus para salvar sua pele. Jesus, eu já
tinha quebrado o nariz do cara.

— Não. Não vou fazer isso.

Eric e Nathaniel trocaram um olhar. Michelle, que ainda


segurava o controle remoto, parecia muito desconfortável.

— Dex. — Disse Nathaniel. — Não acho que você entenda


os riscos aqui.

— O risco seria eu ser banido do esporte. Isso já está


feito. Não estou desfazendo isso mentindo sobre o outro
jogador.

— Isso deveria ser investigado. — Disse Eric.

— Deveria? — Olhei para ele. Eric fora um bom agente


para mim por um longo tempo, mas nunca tive ilusões de que
éramos amigos. Eu era um negócio para ele. E agora, estava
potencialmente perdendo o negócio. — O que é isso, Eric? —
disse. — Minha carreira ou a dele?

— Estamos fazendo o que é melhor para você. — Disse


Eric, irritado.

Descruzei minhas pernas e me inclinei para frente na


cadeira. Olhei através da mesa para Michelle e perguntei:
— Qual a sua opinião?

Fez silêncio, como se tivesse acabado de falar com uma


das cadeiras. A boca de Michelle se abriu, mas dei-lhe
crédito. Ela olhou para mim e não baixou o olhar.

— Hum. — Disse ela.

— Não estou sendo um idiota. — Disse a ela. —


Realmente quero saber. Qual é a sua opinião sobre isso? —
Apontei para o quadro imóvel na tela da TV.

Ela olhou para a tela, depois de volta para mim.

— Eu acho que, ah, isso deve ser investigado. — Disse


ela.

Estava mentindo. Seus olhos me disseram isso. Achou


que era besteira, mas não poderia culpá-la por dizer o que
seus chefes queriam que ela dissesse.

— Tudo bem. — disse a ela. — Eu só queria ouvir a


opinião de todos na sala.

— Dex, isso é ridículo. — Nathaniel estava ficando com


raiva também. — A opinião dela não é relevante aqui.
Podemos voltar aos negócios para que possa recuperar o
juízo?

Assisti aquelas palavras baterem nela. Ela baixou o


olhar, mas não falou. Eric tagarelou, indiferente.
— Nathaniel está certo. Precisa cair na real. Esta é sua
única chance. Você neste momento está colocando tudo em
risco.

— Já disse que não estou fazendo isso. Você sabe o que


isso significa? Isso significa que não estou fazendo isso.
Pense em outra coisa, mas não isso. Essa conversa acabou.
Terminei.

Terminamos a reunião num silêncio tenso e eles fizeram


Michelle me levar para fora, como se não soubesse o
caminho. Quando estávamos quase nos elevadores, ela disse
com uma voz tão baixa que quase não a ouvi:

— Desculpe, mas este é um bom trabalho.

— Eu sei. Mas você viu o que aconteceu lá, certo? Esses


caras nunca vão te promover. Você deve trocar e encontrar
alguém que vá.

Ela apertou o botão do elevador e olhou para mim.


Pareceu surpresa e confusa ao mesmo tempo. Por um
segundo ela me lembrou de Sophie. Não em atratividade, não
havia comparação, mas me fez imaginar Sophie sendo
chamada para alguma sala de reuniões para parecer bonita e
trabalhar num controle remoto e a imagem me deixou
furioso.

Porra, sinto falta dela. Ela me mandou uma mensagem


ontem à noite e imaginei ela bêbada e um pouco tonta,
deitada em sua cama. Tinha a coletiva com a imprensa de
hoje em minha mente e estava tão convencido que não a
merecia, que disse a ela para ir dormir. Estava perdendo
minha maldita mente.

— Tenho que admitir, Sr. Carter. — Michelle disse


finalmente. — Pensei que você era um idiota.

— Eu sei. — disse quando entrei no elevador e as portas


se fecharam. — Estou trabalhando nisso.
CAPÍTULO
VINTE E UM

O lançamento do produto da empresa de Jim foi no andar


superior de um enorme edifício em Chelsea que fora uma
espécie de planta industrial, mas agora era uma galeria de
arte moderna e um espaço para eventos. Participei de um ou
dois eventos da empresa de Jim, e eles tendiam a ser formais.
Usava o meu melhor vestido preto, que tive que passar no
hotel antes que pudesse colocá-lo. Combinei com saltos de
tiras pretos, um colar e uma pulseira combinando para
adicionar um pouco de brilho, uma clutch e uma hora de
maquiagem e cabelo. Isso era tão formal quanto consegui,
embora fosse muito menos vistoso do que alguns dos outros
ali.

Vim direto para o hotel do aeroporto, depois direto para o


evento, então ainda não tinha visto Jim e Patty. Os vi assim
que entrei na sala. Jim estava perto da grande tela no meio
da sala, usando um smoking e apertando as mãos. Sempre
gostei de Jim, o casamento de minha mãe com meu pai tinha
sido infeliz, mas Jim a fez feliz. Parecia-se apenas um pouco
como Dex, o cabelo dele era mais grisalho, o corpo mais
grosso, e ele era muito mais baixo que o filho. Mas quando os
dois ficaram lado a lado, era inconfundível.

Minha mãe estava ao lado do marido, sorrindo para seus


amigos. Colocou o cabelo em um penteado elaborado e estava
usando um vestido azul cobalto com contas brilhantes. Soa
como Dallas, mas minha mãe era a única mulher que
conhecia que conseguia fazer isso e parecer da alta classe.

Ela me beijou quando me aproximei depois me deu um


grande abraço.

— Esta é uma surpresa tão boa, querida!

— Tão bom. — Jim concordou me dando um aperto. —


Você e Dex vindo em um de nossos lançamentos. Qual a
chance disso?

— Ele está aqui? — Eu não pude deixar de perguntar.

Jim riu disso. Sua risada era genuína e um pouco


contagiante, o que era parte da razão pela qual era um bom
vendedor.

— Claro que não. Ninguém estaria olhando para mim se


ele estivesse!

Eu sorri. Para um homem com um filho tão famoso, Jim


era bastante sensato. Gostava de se gabar de Dex, é claro, e
gostava de mostrar Dex em eventos como esse, mas, por
outro lado, parecia livre de qualquer mesquinharia ou ciúme
de seu filho. A mãe de Dex conhecera outro homem quando
ele tinha seis anos de idade. Divorciou-se de Jim e mudou-se
para Hong Kong para ficar com seu novo marido, deixando
seu filho para trás. Cinco anos depois, morrera de embolia
cerebral, chocando a todos, já que tinha apenas trinta e sete
anos de idade. Tinha sido difícil para eles, nunca ouvi
nenhum homem falar sobre isso, mas Jim fora a
continuidade de Dex, sua rocha. Quando Dex descobriu o
futebol e foi procurado pelas grandes ligas, seu pai nunca o
deteve.

Um garçom nos trouxe bebidas em uma bandeja e nós


conversamos, Jim me dando o resumo do novo produto de
software que sua empresa estava lançando. Era um sistema
de jogo especializado que tinha algum tipo de console
revolucionário, atualizado e gráficos de última geração. A
empresa para a qual Jim trabalhava era uma daquelas
empresas menores e inovadoras de TI que sempre vinham
com algo novo e nervoso. Ele estava com eles há quase dez
anos. Foi em uma das festas de sua empresa que ele
conheceu minha mãe, enquanto ela ainda trabalhava como
advogada. Acho que ouvi essa história pelo menos uma dúzia
de vezes.

A sala tinha se enchido enquanto conversávamos, as


pessoas se misturando e entrando. Jim acabava de terminar
quando minha mãe lhe deu um tapinha no ombro.
— Você ouviu isso? — Disse para ele com uma
sobrancelha arqueada. — Há um murmúrio na multidão. Isso
significa que seu filho está aqui.

Ela estava certa. Foi um murmúrio moderado, é claro,


essas pessoas eram elegantes. Mas houve um pequeno
tremor de excitação no ar. Virei e estiquei meu pescoço.

Vi Dex imediatamente. Ele estava em pé em um pequeno


grupo de pessoas, conversando com um homem idoso em um
smoking. Vestia um terno preto de botão, fino e perfeitamente
cortado, sobre uma camisa branca, a mesma roupa que o vira
usar no avião em Milão. Não tinha gravata, apenas o
colarinho impecável de sua camisa branca, com um botão
aberto na garganta. Era o único homem na sala sem gravata,
mas conseguia parecer tão formal quanto os outros, ao
mesmo tempo em que parecia relaxado, masculino e tão sexy
que poderia tê-lo inalado.

O homem idoso disse alguma coisa e Dex inclinou-se um


pouco para ouvir. Podia ver a linha de seus músculos duros
dentro do traje. Estava com uma barba por fazer no queixo, o
que contrastava com o quão bem o cabelo dele estava
penteado na testa e o quão perfeitamente vestido estava.

Ouviu o que quer que o homem estivesse dizendo, depois


assentiu educadamente. E então seus olhos azuis passaram
pelo ombro do homem e se fixaram em mim.

Foi estúpido. Foi estúpido que minha garganta ficou seca,


que meu pulso bateu no meu pescoço. Era estúpido que
nossos olhos se trancassem e em uma sala cheia de pessoas
que queriam um pedaço dele, pensei que ele só olhava para
mim. Foi estupidez quando olhei para o homem que era meu
meio-irmão, que conhecia há anos, que tinha dado a minha
virgindade, que oh Deus, que tinha bebido e mandado uma
mensagem duas noites atrás, que quando olhei para ele,
fiquei nervosa.

Atrás do meu ombro, minha mãe acenou.

Dex pediu licença à sua conversa e veio em nossa


direção. Para mim. Estava olhando para mim enquanto
cortava através da multidão. Bebi minha bebida e virei de
costas para ele, encarando minha mãe novamente.

— É bom ver você, meu filho. — Jim disse quando Dex se


aproximou do meu ombro. — Eu aprecio tudo isso.

Dex não me tocou, e não olhou para mim, mas estava ao


meu lado, tão perto que quase podia senti-lo. Podia sentir o
cheiro dele, perfume caro e homem limpo e fresco. Fiquei
imediatamente ligada.

— Claro pai. — disse facilmente. — Sem problemas. Você


tem muita gente dessa vez.

— Fique para a apresentação. — disse Jim. — Vai ser


impressionante.

— Vamos ver.
Agora ele estava tão perto, que podia sentir a tensão
saindo dele. Parecia relaxado, mas seus músculos estavam
flexionados como aço e suas frases estavam cortadas. Ele não
queria estar aqui e não estava à vontade. De repente, fiquei
feliz por ter vindo e desejei poder tocá-lo.

— Você não disse olá para Sophie. — minha mãe apontou


para ele.

Dex olhou para mim, e por um segundo houve um


lampejo de algo entre nós tão forte que fiquei surpresa que a
segurança não nos expulsou antes de nós desviarmos o
olhar.

— Claro que sim. — disse Dex para minha mãe, dando-


lhe uma piscadela.

Minha mãe olhou para mim.

— Ele fez. — Concordei. Tomei outro gole do meu


champanhe.

Alguém que Jim conhecia veio e nossos pais se


afastaram. Por um minuto, estávamos sozinhos no meio da
multidão.

Um garçom passou e Dex pegou uma taça de


champanhe. Foi a segunda vez que o vi beber alguma coisa.
Ele me deu um olhar que fez um pulso agradável começar
entre as minhas pernas.

— Eu sabia. Eu te disse.
Siga os orgasmos, Sophie. Isso foi o que ele quis dizer.
Coloquei a mão em um quadril e olhei para ele.

— Não é nada disso. — Disse, embora fosse. — Vim para


ajudá-lo.

— Uh huh. — Dex tomou um gole de sua bebida, mas


podia vê-lo sorrindo.

— Vi a conferência de imprensa ontem.

O sorriso desapareceu e ele esfregou o queixo.

As pessoas estavam olhando para ele, tive apenas alguns


segundos antes que alguém nos interrompesse. Ele se
afastou de mim. Assisti ele se mexer. Tinha algo em mente,
algo que estava pesando. Me surpreendeu que ninguém mais
pudesse ver.

— Quão ruim é isso? — perguntei a ele.

Dex soltou um suspiro e olhou para o teto por um


minuto, como se voltasse a essa pergunta em sua mente.

— Esse vestido está sem costas.

— Eu sei. — respondi. Ainda era elegante, não era como


se a parte sem tecido caísse na minha bunda. — Aonde quer
chegar?

Dex ainda não estava olhando para mim.

— Esses saltos são muito altos.


Senti minhas bochechas esquentarem. Dex estava
dizendo que era sexy, que estava excitando-o. De repente,
senti-me como a mulher mais sexy da sala.

— Dex. Olhe para mim.

Ele fez. Seu olhar focado em mim, azul e hipnotizante.

— Está sugerindo que te distraia de seus problemas com


sexo? — disse a ele.

Ele não vacilou, sua voz foi baixa.

— Estou sugerindo que você tire esse vestido para mim,


Sophie. Certo, agora.

Sim, por favor, meu corpo gritou alto. Sim, por favor,
gostaria de fazer isso agora. Vamos. Mas consegui dizer:

— Estamos no meio de uma festa.

Dex olhou para o relógio, algo caro, lindo e masculino


que fazia com que até o pulso parecesse sexo puro e não
adulterado.

— Se seguir o corredor até lá e virar à direita, — disse


Dex, despreocupado que até mesmo seu relógio estava me
deixando molhada, — há um banheiro. Ele bloqueia. Vou te
encontrar lá em cinco minutos. — Então alguém bateu no
ombro dele e se apresentou, e se virou, e a multidão de
alguma forma girou entre nós, me deixando sozinha.
Jim e Patty ainda estavam conversando, então tropecei,
cambaleando em meus saltos altos, muito altos. Não havia
como eu fazer sexo em um banheiro no evento de lançamento
do meu padrasto. Não. De jeito nenhum. Isso não era algo
que Sophie Breen, formada na faculdade e escrituraria em
uma empresa de prestígio, jamais faria.

E, no entanto, meus pés me carregaram através da


multidão, vagando devagar até o corredor que apontou. Havia
um palco montado em uma extremidade da sala principal, e
alguém chegou ao pódio quando as luzes se apagaram. O
ruído alto da conversa dos coquetéis oscilou quando as
pessoas na multidão se voltaram para o palco, esticando os
pescoços para olhar enquanto a música vinha dos alto-
falantes. A apresentação estava começando. Ninguém estava
olhando.

O inferno com isso.

Bebi o resto da minha bebida, abaixei o copo e caminhei


para o corredor. Assim como Dex prometera, quando virei à
direita, encontrei o banheiro. Escorreguei para dentro e
tranquei a porta atrás de mim.

Como o resto deste lugar, era praticamente o banheiro


mais bonito e moderno que já tinha visto. Havia uma mesa
com um espelho e uma cadeira acolchoada. O balcão era de
mármore liso, fresco, com outro espelho. A iluminação era
suave e lisonjeira. O ar cheirava a sândalo. Lá fora, podia
ouvir o fraco eco do discurso do pódio e da música por trás
dele. Olhei-me no espelho e vi o quanto estava vermelha,
depois desviei o olhar novamente.

Uma batida suave soou na porta, com a voz de Dex.

— Sou eu.

Deixei-o entrar, meu coração pulando. Ele trancou a


porta e veio em minha direção, colocou as mãos na minha
cintura. Peguei seu cheiro inebriante novamente.

— Venha aqui.

De repente eu tive dúvidas.

— Dex ...

— Não se preocupe. — Dex estava perto de mim agora, e


colocou as mãos delicadamente nas laterais do meu rosto,
seus polegares tocando minhas bochechas. Abaixou a cabeça
e beijou o lado do meu pescoço suavemente. — Você está tão
linda. Prometo não estragar sua maquiagem.

Isso me fez sorrir. Confie em Dex para ser atencioso,


mesmo quando estava basicamente exigindo uma rapidinha
no banheiro. Podia sentir a tensão irradiando dele
novamente, agora que seu corpo estava perto do meu. Estava
se escondendo bem, mas por baixo daquele terno de grife era
uma válvula de pressão prestes a explodir.

E era a mim que queria.


Pressionei em seu corpo quando beijou o meu pescoço
novamente. Estava selvagem, meu pulso batendo forte.
Lembrei-me de como ficamos juntos, como meu corpo reagiu
loucamente ao dele, toda vez que me tocava e me fodia. Quão
incrivelmente fácil me fez gozar. Como seu corpo tinha sido
no meu, quente e duro e forte. Prendi meus dedos na minha
saia e puxei para cima das minhas coxas.

Dex me observou e seus olhos ficaram sombrios.

— É isso que queria? — Respirei.

— Sim, — disse Dex, a palavra um murmúrio. — mais


alto.

Puxei mais alto. Agora ele podia ver minha calcinha,


cetim preto forrado com renda, abaixo da bainha. Arrastei
meus polegares por baixo do laço sobre meus quadris e puxei
um pouco, dando-lhe um show.

Ele gostou. Não tinha prática, e nunca tinha dado a um


homem qualquer tipo de show antes, mas não me importava.
Não importava. Gostou do que estava mostrando a ele, e isso
era tudo.

Quando mudei as duas mãos para a minha calcinha, a


bainha do meu vestido caiu, e Dex a pegou com uma de suas
mãos fortes e elegantes, puxando-a sobre a pele da minha
barriga para que ele pudesse ver tudo.

— Tire-os. — disse ele.


Estava respirando com dificuldade agora. Lentamente
puxei a calcinha para baixo, sobre a curva dos meus quadris,
sentindo-os escorregar da minha bunda. Dex estava
observando tão de perto que um míssil poderia ter disparado
e não teria notado. Era para mim que estava olhando, não
para alguma modelo de maiô, cuja pele ele estava observando
lentamente se revelando, com o jeito de nunca ter visto uma
mulher antes. Mantive-me arrumada, mas não fui depilada,
arrumada ou perfumada. Era apenas meu corpo, molhado e
de repente muito, muito pronto para ele, exposto ao seu
olhar.

Quando a renda atingiu a parte superior das minhas


coxas, ele colocou um dedo da mão livre nele e puxou para
baixo, assumindo o controle. Puxou a calcinha até meus
joelhos e me empurrou gentilmente contra o balcão, a outra
mão ainda segurando meu vestido. Colocou os pés entre os
meus, pressionando minhas pernas quando a calcinha caiu
no chão. Então esfregou os dedos fortes e hábeis com sua
mão livre entre as minhas pernas, pressionando sobre a
minha fenda e, em seguida, deslizando dentro de mim.

Deixei minha cabeça cair para trás, meus olhos fechados


e soltei. Pressionei meus quadris para frente em sua mão.
Dex empurrou dois dedos em mim, movendo-os para dentro e
fora de mim, e dei um gemido indefeso. Eu poderia gozar
assim, ambos completamente vestidos, exceto pela minha
calcinha, apenas com a mão. Tudo o que tinha que fazer era
me tocar com aqueles dedos experientes e poderia gozar.
Dex soltou minha bainha e puxou o ombro do meu
vestido para baixo. Não estava usando sutiã, o vestido sem
costas não permitia, e meus seios eram pequenos, então não
importava. O tecido caiu pelo meu braço, expondo um dos
seios. Ele segurou e acariciou o mamilo enquanto seus dedos
se moviam suavemente para o meu clitóris.

Foi incrível, mas não foi o suficiente. Pressionei minha


mão na frente de suas calças e senti seu pau duro através do
pano. Eu me atrapalhei com os botões.

Puxou seus dedos para fora de mim e segurou minha


bunda enquanto eu trabalhava. Sua respiração estava quente
no meu ouvido.

— Sim. — Dex sussurrou.

— Sim. — Sussurrei de volta, desabotoando-o,


libertando-o quando o aplauso soou em algum lugar lá fora.
Dex estava duro, pronto e delicioso. Eu corri meus dedos
para cima e para baixo dele. — Sim.

Sua voz era dura.

— Vire-se.

Eu fiz, segurando o balcão. Atrás de mim, refletida no


espelho, vi Dex empurrar minha saia por cima da minha
bunda, posicionando-se, posicionando-me. Então empurrou
dentro de mim, duro.

— Oh, Deus. — Respirei.


Dex estava ofegando tanto quanto eu.

— Jesus, não se mexa. — Disse. Moveu-se atrás de mim,


mudando de posição, e de repente estava ainda mais fundo
dentro de mim. — Bem desse jeito.

Abaixei minha cabeça, meu cabelo arrastando-se contra o


balcão. No espelho podia ver a curva nua da minha bunda
contra o tecido de sua camisa enquanto ele empurrava dentro
de mim de novo e de novo, lento e duro, seu corpo assumindo
para nós dois. Dex colocou a mão no meu ombro nu, onde o
vestido foi retirado, e peguei o brilho de seu relógio. Ainda
estava completamente vestido, mesmo com o paletó, e me
deixou desgrenhada e desesperada enquanto me fodia como
um louco. Estava sujo, rápido e duro, e estava prestes a
gozar.

Dex moveu a mão até minhas costas nuas, deslizou pela


minha espinha enquanto mantinha seu ritmo. Meus quadris
estavam pressionando o balcão frio, e me preparei em minhas
mãos. Era inebriante, sentir ele me levar assim, era puro
poder animal e prazer, sem hesitação. Sua mão pousou na
parte de trás do meu pescoço, debaixo do meu cabelo e me
agarrou.

— Porra, Sophie. — Disse batendo mais forte. — Quero


que você goze porra.

Eu fiz. Gozei mordendo meus lábios e fazendo um som na


garganta, tentando não fazer barulho. Dex gozou enquanto
convulsionava nele, exalando forte e segurando a parte de
trás do meu pescoço.

Depois de um minuto, saiu de mim, se arrumou.


Endireitei-me e coloquei meu vestido de volta no ombro,
corrigindo-o. Quando me vi no espelho, estava corada e
quente, meus olhos selvagens. Sophie, uma voz no fundo da
minha mente disse, você acabou de ser usada?

Mas Dex me ajudou a me limpar e arrumar meu vestido.


Pegou minha calcinha do chão e entregou-a para mim,
arqueando uma sobrancelha. Então, enquanto tirava o paletó
e endireitava a frente de sua camisa, me beijou levemente nos
lábios.

— Quero dar o fora daqui. — disse ele.


CAPÍTULO
VINTE E DOIS

Era como se ele tivesse lido minha mente.

— Eu também.

— Vou primeiro. Vou dar mais uma volta pela sala.


Espere pelo meu sinal.

— OK.

Então ele se foi, saindo silenciosamente pela porta.


Alguém fazendo um discurso na sala principal disse uma
piada, e ouvi uma onda de riso.

Fixei meu brilho labial e meu cabelo, esperando que o


rubor recém-fodido deixasse minhas bochechas. Foi embora?
Dex provavelmente parecia tão fodido quanto eu, mas,
novamente, esse era o seu visual habitual.

— Aí está você. — Minha mãe disse quando me juntei a


ela e Jim na sala principal. — Você perdeu a demonstração.
— Onde está o Dex? — Jim perguntou, mantendo a voz
baixa para não distrair o locutor.

— Não sei. — Disse. E olhei em volta. — O vi há um


minuto atrás. Está aqui em algum lugar.

— Você está bem? — Minha mãe estava olhando para


mim de perto. — Você parece febril.

— Claro, estou bem.

Fiquei aliviada quando ela se virou para olhar para o


palco. Estava tendo uma reação estranha, um tremor
secundário. Estava de pé ao lado de minha mãe depois de
passar dez minutos curvada no banheiro pelo meu meio-
irmão famoso. Mesmo que eu tenha limpado, havia um fio de
umidade entre as minhas pernas. Quem diabos eu era?
Passei quatro anos com uma vida normal, e virginal, apesar
da celebridade de Dex. No espaço de uma semana, tudo isso
tinha saído pela janela, e não conseguia nem fingir que
estava arrependida. Participei, praticamente apenas o seduzi.
Eu me senti viva, como se houvesse faíscas elétricas viajando
ao longo da minha pele.

Onde ele estava? Estava impaciente. Talvez saísse daqui


e esperasse lá fora. Bati no braço da minha mãe.

— Sabe, acho que você está certa. Não me sinto muito


bem. Vou voltar para o hotel.

Ela se virou para mim e colocou uma mão fria na minha


bochecha.
— Deus. — ela disse. — Você está adoecendo?

— Acho que não. Mas voei esta manhã, então estou


cansada.

— É uma longa viagem. — minha mãe concordou. —


Você não deveria ir sozinha.

— Não, eu estou bem, eu...

— Vou com ela. — Dex estava no meu ombro. Colocou a


mão levemente nas minhas costas. — Estava saindo de
qualquer maneira.

Jim, que estava observando o lançamento, virou-se e


olhou para Dex, franzindo a testa.

— Você viu Alan? — Alan era o chefe de Jim, que estava


especialmente tentando impressionar.

— Só agora. — disse Dex.

Jim assentiu.

— Ligue-me amanhã.

Nós dissemos boa noite e atravessamos a parte de trás da


sala em direção à saída. Cabeças se viraram e nos seguiram.
Achei desconcertante, mas Dex não pareceu notar. Manteve a
mão na parte inferior das minhas costas enquanto
caminhava perto de mim, seu corpo em sincronia com o meu.

Já havia chamado seu carro alugado, e ele foi


estacionado em frente ao prédio. No banco de trás, fechou a
janela que nos separava do motorista e se jogou no banco,
deixando escapar um suspiro. Não queria estar aqui, percebi.
Não desde o primeiro minuto.

Eu me inclinei para ele sem pensar.

— Você deveria ter dito não se não queria vir.

— Não posso fazer isso. — Dex esfregou a mão sobre a


testa. Nunca diria não quando seu pai pedisse algo para ele,
sabia disso. Inclinei-me para mais perto, deixando cair a mão
na perna dele. Fiquei imediatamente feliz por tê-lo feito,
porque pude sentir os músculos em sua coxa. Nós nos
sentamos por um momento, aproveitando o silêncio, e senti
um pouco da tensão drenar para fora dele.

— Nunca fiz isso antes.

Sorri um pouco.

— Fez o quê? — perguntei, esfregando minha palma em


sua perna. — Fazer sexo com uma garota em uma das festas
de trabalho de seu pai?

— Nunca. Não em qualquer função.

Olhei para ele.

— Então sou sua primeira?

— Definitivamente. — concordou. — Não sei o que


aconteceu comigo. — Dex olhou pela janela para a cidade que
passava. — Quer saber algo engraçado? Meu agente se
demitiu hoje.

— O quê? Eric?

Ele assentiu.

— Me abandonou. Recebi uma carta oficial, entregue no


meu quarto de hotel há cerca de duas horas. Doravante,
nossa empresa se recusa a representar você, etc. Então é isso.

Minha boca estava aberta em estado de choque.

— Por quê?

Dex encolheu os ombros.

— Não sou mais um bom negócio para eles.

— Isso é nojento. Você fez milhões.

— Não estou surpreso. — Algo escuro brilhou em sua


expressão, em seguida, foi embora novamente. — Isso me
deixa de mau humor, acho. Preciso me livrar disso.

De repente, fiquei muito feliz por ter vindo a Nova York.

— Estamos voltando para o hotel. Talvez possamos


pensar em alguma coisa.

— Isso seria bom. — Ele se inclinou e beijou meu lóbulo


da orelha, respirando-me. Inclinei a cabeça para dar-lhe um
melhor acesso, e me beijou novamente. — Mova sua mão
mais alto. — Disse no meu ouvido.
Este era o Dex que me deixou tonta, o Dex que me fez
fazer coisas que nunca pensei que faria. Este era o Dex que
mais gostava, quando ele estava relaxado e flertando e o
tinha todo para mim. Tinha visto pela última vez este Dex
quando estávamos enrolados no sofá da Califórnia há uma
semana. Poderia ficar embriagada com esse lado privado dele,
aquele que não mostrava para ninguém além de mim.

— Vou pensar sobre isso. — Disse, deslizando a ponta do


dedo pela linha do pescoço dele.

— Sophie.

— Tente uma pequena sedução desta vez. — Provoquei.


— Não sou tão fácil.

— Sedução? Droga. — Dex fez uma pausa e disse — Que


tal isso? — Então sussurrou em italiano no meu ouvido.

O som disso me fez querer pular nele e arrancar suas


roupas, mas me contive.

— O que isso significa?

Ele se afastou.

— Você realmente quer saber?

— Sim.

— Isso significa, por favor, onde fica a farmácia mais


próxima? Eu tenho uma dor de cabeça e preciso de ajuda.
Ainda estava rindo quando ele se inclinou de novo e disse
mais baixo e sexy, fazendo minha risada se transformar em
um gemido.

— Ok. — Disse, minha voz trêmula agora. — O que isso


significa?

— Eu gostaria de pedir a sopa de cogumelos. — Disse


Dex. — Faça mais quente. Estou na posse de doze dólares.

Então nós dois estávamos rindo, e então estava me


beijando, e estava provando sua língua. Suas mãos
deslizaram sob o meu vestido e agarraram meus quadris,
possessivamente, enquanto me beijava até eu ficar sem
fôlego. Quando o carro parou porque estávamos finalmente
no hotel, estava louca por ele novamente.

Cada um tinha um quarto aqui, o meu era um dos


quartos regulares, que minha mãe insistira em pagar. O de
Dex era uma suíte na cobertura, é claro, no último andar.
Era enorme e absolutamente deslumbrante, mas nós nem
sequer olhamos, porque quando chegamos à porta estávamos
nos beijando novamente. Puxei sua jaqueta e desabotoei sua
camisa. Dex chegou atrás de mim e abriu o zíper do meu
vestido. Dei de ombros e deixei cair no chão.

Dex me olhou na luz fraca, seu olhar escuro com


aprovação.

— Oh, isso é legal.


Dei um passo para frente, vestindo apenas minha
calcinha e salto, e puxei sua camisa. Quando a vi cair de
seus ombros, revelando os redemoinhos de tinta em seus
braços, sabia o que queria fazer. Desabotoei sua calça
enquanto beijava seu peito musculoso e fiquei de joelhos.

Dex gemeu enquanto me observava.

— Sophie, você não precisa.

— Eu quero. — disse. Puxei sua calça e cueca boxer para


baixo, tirei seu pênis e lambi a cabeça. Coloquei a ponta na
minha boca, experimentando a sensação e o sabor. Então
levei mais fundo. E mais profundo.

— Oh, merda! — Dex disse suavemente.

Nunca fiz isso antes. Sabia que as mulheres gostavam de


fazer isso, mas na minha imaginação, parecia, confuso?
Desajeitado? Não foi nada disso. Não com Dex. Ele estava
quente e duro como aço na minha boca, seu gosto íntimo.
Podia ouvir a respiração dele. O explorei no início, rodando
minha língua sobre ele dentro da minha boca, ouvindo sua
respiração pesada em reação. Seu corpo estava tenso sob
minhas mãos, e sabia que ele podia sentir tudo que estava
fazendo. Corri minha mão sobre ele, então minha boca
novamente.

Dex colocou a mão na minha cabeça e parei de tocar e


comecei um ritmo lento e fácil, relaxando meu maxilar e me
acostumando com ele. Gemeu baixinho, deixando-me definir
o ritmo, deixando-me ficar confortável. Então me deu
sugestões gentis, com seus quadris e seus dedos
emaranhados no meu cabelo, de como poderia levá-lo mais
fundo.

Eu amei. Isso estava me deixando molhada, estava


latejando com força entre as minhas pernas. Queria mais.
Queria que ele gozasse. Perguntava-me como seria isso, como
seria o gosto. Mas depois de alguns minutos ele saiu de mim,
inclinando minha cabeça para trás.

Lambi meus lábios.

— Estou fazendo a coisa certa?

Dex olhou para mim, as pontas dos dedos pressionadas


no meu queixo. Todo o humor havia deixado seu rosto.

— Você gostou disso? — Perguntou.

— Sim.

Ele passou o polegar pelo meu lábio inferior.

— Parecia que sim. Porra parecia que sim. Suba na


cama.

Levantei e fiquei na cama. Chutei meus sapatos e tirei


minha calcinha enquanto ele tirava o resto de suas roupas. E
então Dex estava nu na cama comigo, cada centímetro
glorioso musculoso dele, rastejando sobre mim e me
prendendo.
Começou em meus seios, correndo seus lábios e sua
língua sobre meus mamilos, e então fez isso por todo meu
corpo. Abriu minhas pernas, esfregou as mãos sobre a parte
interna das minhas coxas enquanto beijava e lambia,
deslizando o polegar sobre o meu clitóris. Meu corpo estava
desossado sob ele, minha mente cheia de nada além dele,
com a necessidade de suas mãos em mim. Dex passou a
língua pela pele abaixo do meu umbigo, em linha reta. Então
me abriu bem com os dedos e me lambeu.

Gemi e emaranhei meus dedos em seu cabelo escuro.


Excitou-me com sua língua quente e plana, mais e mais,
enquanto seus dedos brincavam comigo. Inclinei meus
quadris para que pudesse ter melhor acesso. Estava me
acostumando com isso. Poderia me acostumar com isso todos
os dias.

Meu orgasmo foi mais lento desta vez, pulsando através


dos meus membros, rolando pelo meu corpo em ondas.
Respirei fundo e deixei vir, sem vergonha de que estava me
observando, ouvindo os sons que fiz. Enquanto ainda estava
descendo, Dex chegou perto da minha cabeça, pegou um
travesseiro e o colocou debaixo dos meus quadris. Seus olhos
estavam escuros, impacientes, o cabelo despenteado dos
meus dedos. Ele se posicionou sobre mim, apoiado em seus
braços retos, me olhou quando deslizou seu pau em mim.

Suspirei. Parecia diferente desse ângulo, mais profundo,


mais íntimo. Podia senti-lo dentro de mim, batendo em
lugares que nunca tinha atingido antes. A sensação se
equilibrou na beira da dor, e respirei fundo quando empurrou
para dentro de mim novamente, lento e fácil.

Dex estava me observando.

— Sophie.

— Não pare. — Coloquei minhas mãos em seus braços,


sentindo os músculos tensos, correndo meus dedos sobre sua
tinta. Quando balançou em mim todo o meu corpo se moveu
na cama, fazendo meus seios saltarem. Foi uma sensação
completa, uma sensação de posse completa, e ansiava por
isso, até a quase dor. Olhei para cima para encontrar seu
olhar azul fixo em mim, inabalável. Havia uma gota de suor
em sua têmpora. Estava se segurando.

Queria tudo dele, sem restrições. Envolvi minhas pernas


ao redor dele, cruzando meus tornozelos sobre suas costas,
levando-o ainda mais fundo. Meu próprio prazer estava
crescendo.

— Mais rápido. — disse.

Dex amaldiçoou e empurrou para dentro de mim


novamente, e o vi ceder, começar a perder o controle. O
colchão rangeu quando bateu em mim. Cravei meus dedos
em seus bíceps e mantive minhas pernas fechadas ao redor
dele, nossos corpos se fundiram perfeitamente, prazer
arqueando e torcendo entre nós. Dex fechou os olhos e
baixou a cabeça e seu corpo se moveu em uma linha perfeita,
flexionando os quadris. Tranquei meus tornozelos e deixei
meus joelhos separados. Doía, latejava e adorava e nunca,
nunca quis que parasse.

Ele gozou, sua respiração expirando, seu corpo ficando


quieto enquanto o prazer pulsava através dele. Foi uma visão
intensamente bela e a devorei. Minhas pernas estavam
tremendo, minha própria liberação prestes a cair sobre mim.
Parte de mim não podia acreditar que tinha esse animal
perfeito entre as minhas pernas, que havia lhe dado muito
prazer. E, ao mesmo tempo, uma voz na minha cabeça dizia
quanto tempo? Quanto tempo antes que não seja mais meu?

Então meu próprio orgasmo me superou, e parei de


pensar.
CAPÍTULO
VINTE E TRÊS

Tudo estava melhor quando estava com ela. Tudo.

Esqueci-me da minha carreira morta e da imprensa e dos


nossos pais. Esqueci a carta na mesa na sala ao lado
declarando que Eric estava se demitindo. Michelle desistiu, ele
rabiscou em uma nota manuscrita na parte inferior da
página. O que diabos você disse a ela? Esqueci de ofertas de
patrocínio e ter que apertar a mão do chefe do meu pai como
se não houvesse nada de errado comigo.

Estava tendo a pior noite possível até que Sophie


apareceu. Estava com raiva e machucado pela carta de Eric,
meu joelho estava doendo novamente, e tive que vestir um
terno e fazer bonito em uma sala cheia de pessoas quando a
única coisa que queria fazer era jogar o maldito futebol ou
engatinhar sob minhas cobertas e talvez tentar me deixar cair
no esquecimento.
Mas fui embora. E Sophie estava lá.

Minha noite tinha melhorado depois disso.

Havia algo ... Acontecendo entre nós e não sabia o que


diabos era. Nunca fui possessivo com uma mulher. Nunca
pensei em uma mulher mais do que pensava no jogo. E com
certeza nunca senti vontade de puxar uma mulher para um
banheiro em um evento público e fodê-la no balcão até
gozarmos. Nunca perdi o controle assim, nunca.

Não era sexo com qualquer mulher que eu queria, era


Sophie. Se ela não estivesse lá esta noite, não teria
encontrado outra pessoa. A ideia nunca teria passado pela
minha cabeça. Não passou pela minha cabeça até que olhei
para cima e a vi .

O sexo. Poderia ficar viciado fácil. Quem estava


enganando? Já estava.

Pedi serviço de quarto, porque era quase meia-noite e


nenhum de nós tinha comido. Além disso, o sexo alucinante
me deixou realmente com fome.

Enquanto esperávamos, Sophie colocou o vestido e os


saltos de volta.

— Volto em um minuto. Vou para o meu quarto para me


trocar.

Coloquei minha cabeça para fora do banheiro, onde


estava me limpando.
— Por quê?

Ela levantou uma sobrancelha.

— Porque se esperar até depois da meia-noite, estou


fazendo a Caminhada da Vergonha, não estou?

— Isso é uma regra?

— Acredito que sim.

— Não estou discutindo com uma advogada. Vá lá. Mas


volte logo.

— Vou, porque seu quarto é muito melhor do que o meu.

Dei-lhe a chave do quarto e tomei um banho enquanto


estava fora. Quando saí, a comida chegou, e depois que
dispensei o garçom e ele desapareceu, Sophie voltou para a
sala. Estava usando um vestido de algodão cinza claro e um
par de chinelos. Escovou e arrumou o cabelo, parecia
respeitável, exceto pelo rubor sensual em sua pele. Notei isso
facilmente, porque eu causei isso.

— Tive que esperar no corredor. Não queria que o garçom


me visse.

Dei de ombros. A equipe do hotel costumava ser bastante


discreta, especialmente em lugares de alto nível como este,
mas você nunca poderia ser muito cuidadoso.

— Sirva-se. — Disse.
Sophie sentou-se à minha frente e nós comemos. Do lado
de fora da janela, a cidade se estendia, linhas de luzes
piscando na escuridão. Quando estávamos no meio da
refeição, ela olhou para mim por cima do copo de água e
disse:

— Então, o que você vai fazer a seguir?

Pensei sobre isso. A situação parecia desesperada há


algumas horas, mas agora talvez não.

— Volto para a prancheta. Fiz um pedido público de


desculpas. Agora só encontrar um jeito de falar com a Liga
Internacional e pedir perdão sem a ajuda de Eric.

— O que você quer dizer sem a ajuda de Eric?

Então disse a ela sobre o plano de Eric de ser reintegrado


por ter Sebastian Santos banido em vez disso. Quando
terminei, ela ficou quieta por um longo tempo, como se a
história a afligisse por motivos que não conseguia entender.

— É sempre assim mortal? O lado do negócio?

— Provavelmente. — Abaixei meu garfo e olhei para ela.


— Há muito dinheiro em jogo, Sophie. Mas, para dizer a
verdade, geralmente estou tão envolvido em treinar e jogar
que não lidei com isso. Se pudesse voltar ao campo, tudo isso
iria embora.

Sophie não parecia convencida.

— E quanto aos acordos de patrocínio?


Meu estômago virou um pouco para isso. Eric tinha me
fodido muito quando me largou, porque foi ele quem os
negociou.

— Não sei. Vou lidar com uma coisa de cada vez. Uma
vez que não for mais banido e estiver jogando de novo, as
outras coisas podem se encaixar.

— Ok. — disse Sophie. — Isso soa bem, acho.

Mas não peguei meu garfo novamente. Apenas sentei lá,


olhando para ela. Porque não estou bem. De modo nenhum.

Se fosse reintegrado, estaria voltando a rotina de treinar,


jogar e treinar ainda mais. Usando roupas íntimas e fazendo
divulgações. Pegaria um novo agente, que seria apenas Eric
em um terno diferente, e ele alinharia mais e mais obrigações
para mim, as quais encheria seu próprio bolso e o deixaria
mais rico enquanto eu trabalhava mais e mais por dinheiro.
Não precisava. Nós começaríamos a olhar para a Copa do
Mundo, daqui a quatro anos. Os médicos começariam a se
preocupar com meu joelho. E pegaria um avião atrás do
outro, deixando Sophie para trás para conhecer um cara e
seguir sua vida enquanto não estaria aqui. Enquanto nunca
estaria aqui.

— O que é isso? — Sophie disse. — Por que você está


olhando assim para mim?

Balancei a cabeça.
— Nada. Estava apenas pensando, isso é tudo. —
Precisava colocar minha cabeça de volta no jogo. O futebol
era a única coisa que fazia desde os quinze anos. Foi a minha
vida. Para onde estava indo, se não de volta à minha vida?

— E você? — Disse para mudar de assunto. — O que está


fazendo a seguir?

— Bem, meu avião sai... — Sophie esticou o pescoço e


olhou para o relógio — em cerca de dez horas.

— Você já está voltando?

— Tenho que voltar, Dex. Só vim para esta noite. Tenho


que voltar ao trabalho.

Ela estava certa. Era arriscado estar aqui para ficarmos


juntos, eu saí da Califórnia para manter a imprensa longe
dela, afinal de contas. No entanto, as palavras saíram da
minha boca.

— Mude o seu voo.

Seus olhos se arregalaram de surpresa.

— Não posso fazer isso.

— Sim você pode.

— Isso não faz qualquer sentido. — Sophie abaixou o


copo. — Se ficasse aqui, o que faríamos?

— Não sei. Alguma coisa.


— Não podemos sair daqui. Não podemos ir a lugar
algum. A imprensa segue você aonde quer que vá.

— Então? — Olhei ao redor. — Estamos em um dos


melhores quartos de hotel da cidade de Nova York. A cama é
grande. Se você quiser sair, vamos ter certeza de que estamos
sempre com Jim e Patty. A imprensa não poderá dizer nada.

— Não quero que a imprensa diga nada sobre mim. —


argumenta. — E tenho que voltar ao trabalho.

— Então, tire uma folga.

— Estou lá há apenas dois meses! — Agora ela estava


ficando com raiva. — Não posso simplesmente sair e passar
uma semana na cama com você sempre que tiver vontade. É
sempre tão fácil para você, não é?

— Não, não é. — retruquei. — Não é fácil quando você


acaba de voar por uma noite e tem que sair de novo.

— Isso é porque não há mais nada que eu possa fazer.


Isso... — Sophie olhou ao redor do enorme e luxuoso quarto
de hotel, com a vista da cidade de Nova York do lado de fora.
— Esta é sua vida. Não a minha.

— Não é tão ruim. Eu não nasci com dinheiro. Trabalhei


duro pra caralho. Eu ganhei pra ser o melhor.

— Sim, você fez. E agora é o melhor, e mora em quartos


de hotel de cobertura, e compra mansões para as pessoas, eu
sou uma escrituraria que está economizando para seu
primeiro apartamento. Como exatamente acha que isso vai
funcionar?

Olhei para ela, as palavras me cortando. Uma hora atrás


estava na minha cama, embaixo de mim, me dando tudo o
que tinha. Agora estava me empurrando de volta. Era o medo,
percebi. Estava com medo. Bom, bem vinda ao maldito
mundo. Não era a única que estava com medo.

— Funciona de qualquer maneira que queremos que


funcione.

— Pelo amor de Deus, Dex, nossos pais nem sabem


disso.

— Então vamos contar a eles.

Seus olhos se arregalaram novamente.

— Você quer que eu diga a minha mãe que nós fizemos ...
Isso? — Acenou com a mão na direção do quarto.

Olhei para a porta do quarto, então me voltei para ela.

— Não precisamos usar as palavras anatômicas exatas,


Sophie. Acho que ela vai entender.

Sophie pressionou os dedos nas bochechas.

— Uma semana atrás tinha tudo em ordem, e agora devo


ir a público para a imprensa e minha mãe sobre como você
derrubou minha vida. Não posso lidar com tudo de uma vez.
Acho que você acha isso mais fácil porque é mais experiente
que eu.

— O que eu disse. Isso não tem nada a ver com nada.

— Você está errado. — Ela baixou as mãos. — Já teve


muitas mulheres antes. Mulheres que vivem como você,
mulheres famosas. Isso tudo é novo para mim e não sei o que
estou fazendo.

— Você sabia o que estava fazendo há uma hora.

— Isso é porque você me mostrou. É sempre você, não


vê?

Joguei minhas mãos para cima. Ela estava louca?

— Eu mostrei a você porque você me pediu!

— Eu sei. Estou começando a pensar que não deveria.


Não quero dizer, Dex, mas você, apenas assume. É sempre
Dex isso, Dex aquilo, Dex tudo. Mesmo quando não está aqui.
Mesmo quando não está no mesmo país e não te vejo há
meses. Sabia que quando terminei a faculdade, tive quatro
entrevistas de emprego, e em cada uma delas fui questionada
sobre você? Todos sabiam quem eu era por sua causa. Tive a
sorte de encontrar uma empresa que assumisse um
funcionário que fosse sua meia-irmã. E agora não posso
simplesmente te seguir, ser sugada pelo seu vórtice antes de
ter a chance de construir uma vida própria. Não posso.
— Você voou até aqui. Veio para Nova York sozinha,
Sophie. Ninguém te forçou a fazer isso.

Ela esfregou a mão sobre os olhos e, de repente, parecia


cansada.

— Fiz isso porque pensei que o que você estava passando


era uma dificuldade e achei que poderia precisar de algum
apoio.

— Seja como for. — eu disse. Estava com raiva agora,


especialmente com as palavras que não deveria ter e sugado
seu vórtice. — Também veio transar.

Ela corou.

— Isso não é verdade.

— Está tudo bem. Sou o homem vadia no quarto. Dou


conta disso. As mulheres me usam para sexo o tempo todo.
Mas você está certa. Precisa voltar para sua vida e preciso
voltar para a minha. Foi bom, mas nós dois temos trabalho
que precisamos fazer.

Empurrou a cadeira para trás e vi que estava quase


chorando.

— Tenho que ir.

Cheguei à porta antes que pudesse abri-la. Coloquei


minha mão sobre ela, inclinando-me sobre ela por trás,
forçando-a fechada enquanto ela tentava abri-la.
— Não vá, Sophie. — Disse, sentindo o cheiro dela. —
Ainda não. Ainda temos dez horas.

Ela fez uma pausa. Estava tentada, podia sentir isso.


Praticamente podia sentir o calor de sua pele, o desejo dela
de se virar e me beijar com sua linda boca. E também estava
muito tentado. Se tivesse me tocado, teria rasgado o vestido e
fodido com ela até que estivesse dolorida, até que estivesse
gritando meu nome. Teria fodido ela até que esquecesse tudo,
até que a arruinasse para todos os outros homens pelo resto
de sua vida.

Assisti seus ombros endireitarem, ouvi sua respiração


endurecer.

— Deixe-me ir. — disse ela.

Aqui está a coisa, as mulheres vêm e vão. Sabia disso,


embora com Sophie tivesse esquecido por um tempo. Tinha
esquecido que não me apego e que tenho uma razão para
isso. Tinha esquecido que as pessoas usam você e deixam,
mas o jogo está sempre lá. Sempre.

O jogo nunca te fode. O jogo nunca mente. O jogo nunca


diz que eu não deveria.

O jogo era para o que fui feito.

Era Dex fodido Carter. Então levantei minha mão da


porta, me afastei e a soltei.
CAPÍTULO
VINTE E QUATRO

Voltei para a Califórnia. Voltei para a casa vazia. Voltei


para Wells e Anderson, para minha vida.

Só tinha tirado dois dias de folga, mas os advogados


haviam dobrado o trabalho esperando por mim na minha
ausência, como se fosse punição. Enquanto passava pelas
pilhas de papelada em minha primeira manhã de volta, me
perguntando como faria tudo, Anna passou pela minha mesa.

— Espero que tenha tido alguns bons dias de folga?

— O quê? — disse distraidamente, olhando para ela. —


Ah, claro, sim. Bem.

Olhou para mim e tive vontade de voltar ao trabalho.

— Um conselho, se não se importa. Não faria um truque


assim novamente. Você não está aqui há muito tempo e os
parceiros precisam de alguém que seja confiável.
— Sou confiável. — disse, picada. — Foram dois dias.

— Dois dias que ainda não ganhou. — respondeu Anna.


— Precisa prestar atenção em como aparece, Sophie,
especialmente com seu meio-irmão nas notícias. Precisa
andar em uma linha fina.

Silenciosamente cerrei meus dentes.

— Ok, obrigado.

Ela foi embora e procurei minha papelada novamente,


tentando não pensar em Dex. As coisas que fizemos. As
coisas que disse a ele. As coisas que ele me disse.

Foi bom, mas ambos temos trabalho que precisamos fazer.

Não havia razão para essas palavras doerem. Tinha


acabado de dizer praticamente a mesma coisa para ele, não
tinha? Não tinha dito a ele que precisava voltar para a minha
vida?

Fiquei até tarde na primeira noite de volta, não saindo


até depois das sete. O dia seguinte foi no sábado, e também
fui trabalhar determinada a me recuperar, a voltar ao
caminho certo. Estava sentada à minha mesa no escritório
vazio de sábado, comendo uma barra de granola e
trabalhando, quando ouvi a porta se abrir e o Sr. Mullen, o
sócio principal, atravessar a sala em direção ao seu escritório.
Estava vestindo uma camisa de golfe com a garganta aberta e
um par de calças apertadas e casuais. Parou de surpreso
quando me viu.
— Olá, Sophie.

— Olá, Sr. Mullen.

— Trabalhando em um sábado?

— Sim senhor.

— Ah. — Ele assentiu. — Ouvi dizer que tirou alguns dias


de folga inesperadamente.

Suspirei interiormente.

— Fiz, mas estou de volta agora.

— Entendo. Estou a caminho do meu jogo de golfe. Tenho


que pegar um arquivo que esqueci no meu escritório.

— Claro.

Ele destrancou o escritório, entrou e saiu de novo com


um arquivo debaixo do braço.

— O trabalho nunca para, não é? — Ele perguntou com


um sorriso.

Tentei sorrir de volta.

— Não senhor.

— Você falou com seu irmão?

Voltamos a isso de novo, eu trazendo Dex como cliente.

— Ele está muito ocupado. Tem muita coisa acontecendo


agora.
O Sr. Mullen ficou esperando, como se pensasse que diria
mais.

— É apenas uma má hora para falar sobre isso. — Disse.

Ele sorriu de novo, mas desta vez havia algo


distintamente legal nisso.

— Nós fazemos nossas próprias oportunidades, Sophie.


Deveria aprender isso se quiser ser bem sucedida. Dê uma
olhada no Sr. Carter, se quiser um exemplo. Não acho que
chegou onde está hoje, esperando pela hora certa.

Queria discutir com ele, Dex chegou onde estava sendo


melhor do que todo mundo, mas engoli minhas palavras.

— Sim, senhor.

— Pense nisso. — disse Mullen. Ele se virou para sair e


depois se virou novamente. — A propósito, é bom vê-la
colocando horas em um sábado. Seria útil ver isso com mais
frequência.

Quando a porta se fechou atrás dele, recostei-me na


cadeira, deixando escapar um suspiro. O que isso significa?
Deveria trabalhar todos os sábados a partir de agora? Eles
não estavam me pagando nenhum extra. Então, novamente,
com a carga de trabalho que eles repentinamente despejaram
em mim, provavelmente precisaria do tempo extra. Puxei o
celular da minha bolsa e liguei para Dana.
— Não me diga que você está me resgatando. — disse
quando atendeu o telefone. — Diga-me que ainda está vindo
hoje à noite.

Era o aniversário de Dana, e um grupo de garotas estava


indo em sua casa e saindo para comemorar.

— Não sei. Tenho todo esse trabalho para fazer e ...

— Não. Não, não, não. Nós vamos nos divertir, lembra?


Diversão. Não tem permissão para se sentar, lamentar e
trabalhar, ou o que planejou fazer. Quero a velha Sophie de
volta no meu aniversário.

Ela estava certa, estava sendo uma chorona egoísta.

— Ok, estou indo. E vou me divertir.

— Bom. E quero ouvir detalhes sobre o que aconteceu em


Nova York.

— Não, porque o que aconteceu em Nova York foi


deprimente. — Exceto pela parte em que fiz sexo selvagem em
um banheiro, então dei meu primeiro boquete antes de fazer
sexo louco e completamente satisfatório. Senti uma
reviravolta no meu intestino. — Ele é tão idiota, Dana. Foi
horrível. E ótimo. E sinto falta dele. Estou uma bagunça.

— Oh, meu Deus. — disse Dana, sua voz simpática. —


Estou ficando tão bêbada.

— Você esta? Realmente aprecio isso.


— Estou trabalhando nisso.

Desliguei e liguei para minha mãe. Ela ficou encantada


em ouvir de mim e me contou detalhes do tempo em Nova
York.

— Como foi o lançamento de Jim? — Perguntei quando


ela terminou. A papelada na minha frente parecia me olhar
de maneira acusadora, mas não estava pronta para voltar
ainda. — Foi um sucesso?

— O melhor de todos. Estaremos em casa daqui a alguns


dias. Espero que a casa ainda esteja de pé?

— Ha. — disse secamente. Essa era sua piada, já que era


basicamente a pessoa mais responsável do universo. —
Consegui limpar o vômito e a maioria das marcas de
queimaduras. Vou tentar fazer com que os prostitutos saiam
antes que você volte.

— Oh, você é horrível. — disse ela, rindo. — Parece Dex.


Ele é uma má influência para você.

Estava intensamente feliz, naquele momento, que não


podia me ver corar pelo telefone.

— Como ele está? Acho que tem sido um dia inteiro de


notícias sem uma história sobre ele.

— Foi para Paris.

Meu queixo caiu em surpresa.


— O quê?

— Dex tem uma reunião com a Liga Internacional. —


mamãe explicou animada. — É a sua grande chance de jogar
novamente.

— Está indo sozinho?

— Sim. Saiu ontem à noite. Nós nem sequer conseguimos


vê-lo. Acabou de sair.

Desapareceu. Isso soou certo. Isso era Dex. Terminei com


minha mãe e voltei para a minha papelada. Era depois do
meio dia. Trabalharia por mais algumas horas, depois pegaria
algo para comer e me prepararia para a festa de Dana.

Consegui outra meia hora de trabalho antes de parar de


novo, distraída. Sempre imaginei Dex com uma equipe de
funcionários e cabides, cuidando de tudo para ele em todos
os lugares que fosse. Agora foi embora para implorar por sua
carreira de volta, sozinho. Como estava o humor dele? Estava
animado, confiante? Nervoso? Já era noite em Paris. Já tinha
ido a reunião, ou era amanhã? O que estava fazendo agora?

Fechei meus olhos e massageei meus dedos sobre eles.


Isso era exatamente o que estava tentando evitar, pensando
em Dex ao invés de pensar em mim mesma. Era um menino
grande. Poderia cuidar de si mesmo. Não precisava de mim.

Parei quando meu coração se encolheu. A coisa era ele


tinha dito que precisava de mim. Não queria que eu fosse
embora. Sim, tinha sido egoísta da parte dele e estava certa
em dizer não. Sim, era um atleta mimado com muito dinheiro
e não sentia pena dele. Mas estava passando por algo terrível,
e eu disse a ele que não queria ser sugada pelo seu vórtice.

Também disse que me arrependi de ter dormido com ele.


E essa era uma mentira enorme e tinha vergonha de ter dito
isso. Agora que estava sentada sozinha no meu escritório em
um sábado fazendo papelada a dezenas de milhares de
quilômetros de distância, sem perspectiva de fazer sexo com
ele novamente, podia admitir que era a melhor coisa que já
tinha acontecido comigo. Que isso me fez sentir sexy, feliz e
quente. Que ele foi selvagem, apaixonado, paciente e gentil.
Que cada maldito minuto tinha sido fantástico. Que algo
sobre toda a experiência me mudou, me fez mais forte e
confiante. Poderia ser adulta o suficiente para admitir isso.

Olhei para o meu celular, sentada na minha mesa. Pensei


nele sussurrando em italiano de turista no meu ouvido, o
jeito que olhou quando estava apoiado sobre mim, me
fazendo gozar. Não tinha me mandado uma mensagem desde
aquela noite. Talvez estivesse com raiva de mim. Talvez
decidisse esquecer-me e seguir em frente. Peguei o telefone e
mandei uma mensagem para ele, rapidamente, antes que
pudesse me convencer disso.

Eu odeio isso, eu escrevi.

Demorou quinze minutos para obter uma resposta.


Contei cada um deles. Então meu telefone tocou.

Estamos bem.
Olhei para as palavras, zangada com a sua falta e
aliviada ao mesmo tempo. Quis dizer eles, eu sabia. Dex quis
dizer que o que quer que tenha acontecido entre nós, ainda
existia um nós. Talvez não seja o mesmo de antes, ele
precisava de alguma distância, e disse a ele que também
precisava. Mas ele ainda estava lá, do outro lado do telefone.
Dex ainda estava lá. Nós ainda éramos amigos, talvez.

Afastei o pensamento que queria mais do que isso. Não


funcionaria, não havia jeito. Mas olhei para o papel timbrado
da empresa em um pedaço de papel na minha frente, e o
telefone de trabalho na minha mesa, e de repente tive uma
ideia de algo que poderia fazer por ele. Algo que não
significava entrar em um avião e abandonar a minha vida.

Levei dez minutos pesquisando para descobrir quem era


o agente de Sebastian Santos. Liguei para o número principal
da agência do meu telefone do escritório, sabendo que uma
tela do outro lado mostraria que a ligação vinha da Wells e
Anderson.

— Meu nome é Sophie Breen. — disse à recepcionista,


fazendo minha voz soar arqueada e confiante. — Estou
ligando de Wells e Anderson, na Califórnia, para o senhor
Montgomery, por favor. — Tom Montgomery era o agente de
Santos.

— Em relação a que? — Perguntou a recepcionista.

— Sou representante legal de Dex Carter, e gostaria de


falar sobre um assunto confidencial.
Incrivelmente, isso funcionou. Não percebi até que Tom
Montgomery entrou na linha.

— Escute. — disse para mim. — Disse a vocês, a última


vez que ligaram, não estamos interessados. Não temos planos
de processar Dex Carter.

Respirei por um segundo, chocada. As implicações me


atingiram com força. Wells e Anderson estavam tentando
conquistar Sebastian Santos como cliente também? Para
processar o Dex?

— Olá? — Montgomery disse.

— Sim, desculpe. — disse, tentando soar como uma


advogada confiante e não uma escriturária estupefata. —
Imploro seu perdão. Na verdade, estou ligando sobre um
assunto diferente. Represento o Sr. Carter e gostaria de falar
com o Sr. Santos sobre algo em nome do Sr. Carter.

— Qual o seu nome mesmo?

— Sophie Breen. — Droga. Por que não tinha inventado


um nome falso? Era uma trapaceira tão terrível. Não achava
que surgiria alguma coisa sobre ser a meia-irmã de Dex, se
alguém pesquisasse meu nome no Google, mas nunca fiz
isso, então não podia ter certeza. Que idiota.

— Bem, senhorita Breen. — disse Montgomery. Não


pareceu achar meu nome familiar. — Qualquer coisa que Dex
tenha para propor a Sebastian tem que passar por mim.
— Gostaria de falar com o Sr. Santos diretamente, se
você não se importa. — não podia acreditar que aquelas
palavras tinham acabado de sair da minha boca, então as
segui — Se você pudesse passar a ele a mensagem e meu
número, agradeceria muito.

— Certo. Vou fazer isso. — E desligou.

Desliguei o telefone. Minhas axilas estavam úmidas e o


suor escorria pela minha testa. Nunca pensei que poderia
fazer algo assim na minha vida, apenas pegue o telefone e
tente blefar para falar com uma das maiores estrelas do
futebol do mundo. Não funcionou, mas tudo bem. Fiquei
espantada comigo mesma.

E com raiva dos meus chefes.

Não podia acreditar que eles tinham me pressionado a


amarrar Dex como um cliente enquanto eles estavam
brincando em ambos os lados da cerca. Isso era mesmo
ético? Queria entrar nisso com eles? Queria reclamar ou
desistir? O que diabos deveria fazer?

Ainda estava pensando nisso quando meu telefone tocou.


Eu peguei.

— Sophie Breen.

— É Sebastian Santos.

Fiquei muda pela segunda vez em dez minutos.


— Não achou que eu ligaria, não é? — Ele disse no meu
silêncio.

Fiquei tão surpresa que disse a verdade.

— Não, não achei que você faria.

— Tom não queria que eu ligasse. — disse Santos. Estava


em um telefone celular em algum lugar, o barulho da rua no
fundo. Sua voz era suave e arrogante. Ah ótimo, outra estrela
de futebol arrogante, pensei. Pelo menos tenho alguma prática
em lidar com isso.

— Tive essa impressão.

— Ele nem me contou sobre isso, exceto que estava


sentado em seu escritório quando você ligou. Acha que você é
uma maluca que vai me fazer perder tempo. Nem sequer lhe
disse que ia fazer isso.

— Então, por que você fez? Por que me ligou de volta?

— Porque você é Sophie.

— O que?

— Você é ela. — disse simplesmente. — Soube assim que


ouvi o nome. Não é seu advogado em tudo. É sua meia-irmã,
aquela que ele manda. Você é Sophie.

Meus neurônios cerebrais estavam disparando em todas


as direções.

— Como você, como sabe quem eu sou?


— Ele me contou sobre você.

— Como isso é possível? Vocês não são amigos. São


rivais. Nem jogam no mesmo time.

— Acha que não nos conhecemos? — Ele disse. Riu, o


som cheio de ego. Ele estava curtindo meu choque. — Nós
jogamos o mesmo esporte, querida. Nós viajamos no mesmo
circuito, ficamos nos mesmos hotéis, pegamos os mesmos
voos, vamos às mesmas conferências de imprensa e festas.
Nós até foderíamos as mesmas garotas, se essa fosse a cena
de Dex.

— Tudo bem. — disse. Isso fazia algum sentido, eram


ambos os jogadores de alto nível e seus caminhos se
cruzariam. Não ia entrar no comentário das garotas. — Isso
não explica como sabe sobre mim.

— É uma longa história. Vamos apenas dizer que peguei


o telefone dele uma vez e vi seu nome nele. Nós estávamos em
um aeroporto e estava entediado, então gritei com ele até que
me disse quem você era. Havia tantos textos entre vocês dois
e sabia que ele não tinha uma garota. Eram quatro horas da
manhã, tinha acabado de me derrotar no dia anterior e
queria dar nos nervos dele.

Dar nos nervos de alguém soou, até agora, como algo em


que Sebastian Santos era bom.

— Então ele te disse quem eu era?


— Claro, por que não! Era todo casual sobre isso, tudo
legal, mas porra, conheço Dex melhor do que ele pensa.
Imaginei que devia ser bem quente para ficar debaixo da pele
dele assim. Então, o que diz, Sophie? Quero saber. Você é
quente?

Por um segundo eu me distraí com a ideia de que tinha


ficado sob a pele de Dex. Então me preparei.

— Espere um minuto. Você me ligou para dar em cima de


mim?

— Não, liguei de volta porque estou curioso. Mas se você


é gostosa e quer se ligar, estou fodendo. Isso deixaria Dex
absolutamente sem graça, o que no momento me faria feliz.

Corri a mão pelo meu cabelo. Ter uma conversa com


Sebastian Santos, até agora, era como montar um bronco
empinado.

— Liguei para você sobre Dex. Essa parte era verdade.

— Oh sim? O que aquele rabugento quer?

Tinha que lembrar que Dex tinha quebrado o nariz desse


homem, então talvez a hostilidade fosse justificada.

— Ele está se reunindo com a Liga para pedir para ser


reintegrado.

— Boa sorte. O que isso tem a ver comigo?

— Uma boa palavra sua ajudaria o caso dele.


Houve um momento de silêncio. Realmente consegui
surpreendê-lo, marcar um para Sophie.

Então Santos riu. Foi esse mesmo ego que riu


novamente. Estava divertido.

— Você realmente acha que vou atestar por ele?

— Teve a maior publicidade de toda a sua carreira desde


que isso aconteceu, e tudo isso foi bom. — Cada reportagem
retratou Santos como uma vítima que não fez nada de errado.
— E ele pediu desculpas a você publicamente na coletiva de
imprensa.

— Isso é verdade, — ele admitiu, — exceto pelo fato de


que, sabe, ele quebrou meu nariz.

— Sinto muito. — disse friamente. — Isso dói?

— Oh, querida. — disse Santos, sua voz baixa. — Você é


sexy, não é? Agora sei porque Dex tem você na discagem
rápida. Deixe-me ir à Califórnia e mostrar um bom tempo.
Prometo que vai esquecer o nome dele.

O que havia com os jogadores de futebol? Respiravam


testosterona em vez de ar?

— Isso não está na mesa. Há outra razão para você falar


a favor dele.

— Você tem trinta segundos.


Então contei a ele como o agente de Dex queria que ele
fosse reintegrado atropelando a reputação de Santos. E como
Dex dissera não e perdera o agente como resultado.

— Ele está fazendo isso por conta própria, porque não


mentiria sobre você para salvar sua própria pele.

— Tudo bem. — disse Santos. — Isso quase não é uma


merda. Quase. Vou pensar sobre isso.

Soltei um suspiro.

— Obrigado.

— Você tem bolas, Sexy Sophie. Vou te dar isso. Ele não
te merece.

Não queria entrar no status exato do nosso


relacionamento, então disse:

— Vou dar a ele a mensagem.

— Você faz isso. — disse ele, e desligou.

Caí na minha cadeira. O que, exatamente, acabara de


acontecer? Tinha acabado de pedir um favor a Sebastian
Santos, logo após me atingir?

Você é ela. Você é a Sophie. Dex se importava comigo. Até


o jogador que mais o odiava sabia disso.

Foram bons.
Olhei para as pilhas de papelada que ainda estavam na
minha frente, esperando para ser feito.

— Dane-se. — disse. Era Sexy Sophie, afinal. Peguei


minha bolsa e saí para a festa de Dana. Era hora de ir me
divertir.
CAPÍTULO
VINTE E CINCO

Estava no chuveiro do quarto de hotel em Paris, de pé


sob os jatos de água quente com os olhos fechados, quando
meu telefone tocou. Desliguei o chuveiro e atendi o telefone
que estava em cima do balcão.

— Ouça, idiota. — falou Sebastian Santos do outro lado


da linha. — Você está de volta.

Pisquei. Talvez minha angustia, meu cansaço e o fuso


horário estivesse me dando um sonho ruim. Ou um pesadelo.

— Caralho, sempre amável, — me controlei, — do que


está falando?

— Você se encontrou hoje com a Liga, certo? — Disse


Santos.

— Sim. — A reunião terminou há uma hora. Eles me


ouviram e prometeram considerar o caso. Não me deram uma
resposta.
— Então, liguei para eles e pedi que deixassem de enrolar
e reintegrassem você. — disse Santos. — Disseram tudo bem.
Você está de volta, Dex. Receberá uma ligação em dez
minutos.

— O quê? — disse. Estava nu e pingando em um


banheiro estranho, imaginando Sebastian Santos se vingando
e me pregando uma peça. — Por que faria isso?

— Porque pelo menos um de nós é uma pessoa decente.


— disse Santos. Ninguém jamais o acusou de ter um amplo
vocabulário. — É apenas o meu jeito de ser.

— Não, não é. — argumentei. — Você é um babaca


irritante.

— Isso é verdade, mas não deveria falar assim, já que


quebrou meu nariz. E desde que acabei de salvar sua bunda.

— Realmente fez isto, não foi? — Eu disse, percebendo


que ele não estava brincando. — Realmente ligou para eles e
intercedeu por mim.

— Você é surdo? Acabei de dizer que sim.

— Por quê? Por que faria isso por mim?

— Porque ela me pediu.

Não. Não pode ser. E ainda assim não duvidei. Soube na


hora de quem estava falando.

— Sophie?
— Isso mesmo. Sua meia-irmã gostosa me ligou.
Enganou à sua maneira meu agente e chegou até a mim.
Apresentou um bom argumento. Ela me contou como Eric
queria me tirar do jogo para você voltar. Nunca gostei dele.

— Nem eu. — disse, pensando, Sophie ligou para ele? Isso


é pra valer?

— De qualquer maneira, nunca quis que fosse expulso.


Já pagou algumas dívidas, pediu desculpas, acabou. Embora,
admita que fiz isso principalmente pela chance de chutar o
seu traseiro em campo novamente. E para conseguir sair com
ela.

— Obrigado. — me controlei. — E nunca, nunca vai sair


com ela. Eu juro.

— Veremos. Acho que ela gostou de mim. Além disso,


isso não importa. Você não jogará por muito tempo.

— Por que não?

— Porque você quer sair.

O que ele disse. Não faz sentido. O que diabos ele acha
que estou fazendo em Paris, implorando para jogar
novamente, se quisesse sair?

— Você está delirando. Não quero sair.

— Claro que quer. É por isso que quebrou meu nariz.


Porque quer sair e essa foi a maneira mais fácil de conseguir.
É, tipo uma mensagem subliminar.
— Quem é você, Dr. Phil?

— Não, idiota, sou um cara que faz terapia para lidar com
meus problemas. Tenho problemas, cara. Só estou dizendo o
que sei. Sofro a mesma pressão que você e luto com a mesma
droga. A diferença é que faço terapia e você não. É por isso
que mantenho a calma e você acaba com o seu punho na
minha cara, e não faz ideia do porquê fez isso.

— Isso é ridículo.

— Veja com seus próprios olhos. Consegui que voltasse.


Agora veja se fica feliz. Nos vemos no campo, perdedor. — E
desligou.

Fiquei lá, o vapor a dissipar-se, e tudo passou por mim


de uma vez só. Alegria pela conquista. Medo. Raiva da Sophie
por se intrometer depois que praticamente me mandou dar o
fora. Aborrecido com Santos. Incomodado que talvez tenha
razão. Admiração por toda a minha popularidade, reputação
e força, Sophie fez uma ligação para mudar toda a minha
sorte e insisti que não é ninguém.

Realmente, isso foi foda.

Por que fez isso? Ela queria provar alguma coisa? Essa
não era Sophie, não precisava provar nada. Esse não era o
modo que agia. Fez isso porque se importava?

Eu odeio isso, me mandou em uma mensagem.


Sabia o que queria dizer. Odiava isso também. Eu me
sentia péssimo sobre nós agora, mas era Sophie, e não iria
agir de modo petulante, esperando que viesse rastejando.
Então disse que estávamos bem. Não consegui o que queria,
mas lidaria com isso. Não era culpa dela.

E agora ela faz isso. Disquei o número dela, mas caiu na


caixa de mensagens.

— Sou eu. Ligue para mim. — Quando desliguei, meu


telefone tocou ainda em minha mão. Era o presidente da Liga
Internacional.

Atendi a ligação que restauraria a minha carreira,


usando toda a minha dignidade. Agradeci e disse que faria o
meu melhor. Disse que estava bem consciente da honra que
estava sendo concedida a mim. Desliguei e liguei novamente
para Sophie.

— Preciso falar com você. Ligue para mim.

Sabia que meu telefone tocaria. Logo a tempestade


começaria tudo de novo. Realmente estava muito cansado.
Simplesmente não conseguia mais manter a cabeça em pé.
Então fiz o impensável, desliguei meu celular, rastejei para a
grande cama do hotel e adormeci.

Acordei cinco horas depois, às quatro horas da manhã, o


fuso horário brincando com a minha cabeça. Estava grogue,
mas pelo menos poderia lidar com a situação. Precisava ligar
para meu pai. Peguei o telefone e liguei novamente. Deitado
na cama resmunguei.

Um telefonema do Eric, querendo me representar


novamente.

Mais três ligações de outros agentes de alto potencial,


cercando-me como tubarões.

Ligações de quatro diferentes jornalistas esportivos,


procurando por um comentário.

Ligação de uma modelo chamada Kate Brightly, que


namorei brevemente dois anos atrás, dizendo que estava em
Paris e queria me ver.

A ligação de um homem muito educado da empresa de


relógios Osatori, querendo discutir o acordo de patrocínio
comigo cara a cara.

Simplesmente, estava de volta.

Mas não tinha nenhuma ligação de Sophie e também


nenhuma mensagem de texto.

Saí da cama, vesti calças de ginástica e camiseta. O hotel


possuía uma academia vinte e quatro horas e iria fazer uso
dela. O que aconteceu na Califórnia? Não fazia ideia. Talvez
perguntasse na recepção quando descesse, para poder decidir
se ligaria novamente.

Meu telefone tocou novamente enquanto colocava meus


tênis. Era papai, então respondi.
— Papai. Tenho notícias.

Sua voz era fria.

— Dex.

Sentei-me reto na beirada da cama.

— O quê? Aconteceu alguma coisa? O que está


acontecendo?

— É verdade? — Ele perguntou. — Sobre você e Sophie?

— O quê?

— Eles colocaram na Internet.

Por um segundo, só enxerguei vermelho e não conseguia


respirar.

— O que, — disse ao meu pai, empurrando cada palavra,


— o que está na porra da Internet?

— Oh meu Deus. É verdade.

Tropecei na minha mala e peguei meu laptop em pânico.

— Não. — disse, implorando ao universo. — De jeito


nenhum. Apenas não.

— Você está dizendo que não é verdade? — Ele


perguntou.

— É verdade. Mas não tem como a internet saber. Fomos


precavidos.
Escutei Patty ao fundo e meu pai falando com ela. Ambos
perdendo a cabeça. Senti-me mal por isto, mas eles
superariam. O susto vai passar. Tenho vinte e seis anos e o
que faço com o meu pênis é assunto meu. Bem, agora é meu
e da Sophie.

Oh! Droga! Sophie!

Cliquei abrindo o navegador enquanto meus pais


assustados estavam do outro lado da linha, e procurei por
irmã adotiva do Dex Carter. Os links surgiram
imediatamente.

No topo estava um grande site de fofocas. Havia uma


foto minha e da Sophie saindo da festa de lançamento do
papai, a foto foi tirada de um ângulo atrás de nós. Estávamos
andando juntos, minha mão em suas costas. A manchete
dizia: É A IRMÃ ADOTIVA DE DEX CARTER SUA AMIGA
SECRETA?

Cliquei em outros links, encontrei a mesma foto. Uma


tirada de um celular, quando levei Sophie ao carro alugado.
Estava inclinado perto dela, sua mão na minha. Nossos
olhares se cruzaram ... Estávamos muito perto. Mas não nos
tocávamos ou nos beijávamos. Dex Carter estava muito perto
de sua meia-irmã, Sophie Breen, em uma festa recentemente,
dizia a legenda da foto. Na verdade, parecem que estão
flertando. Ela seria a razão para o fim do relacionamento dele
com Jesetta Bibliona, e o motivo de ainda não estar com uma
namorada desde então?
— É isto? — gritei ao telefone, silenciando meu pai. —
Isto é tudo que eles têm? Uma foto nossa saindo da festa?

— Os artigos dizem algo sobre vocês serem visto saindo


de um banheiro. — disse papai.

— Isto é besteira. Ninguém viu.

— Ninguém viu? — Ele gritou no meu ouvido. Atrás dele,


ouvi Patty chorar.

— Calma. — disse, clicando nos links e encontrando a


mesma coisa repetidas vezes, cada site relatando a mesma
história inconsistente. Falavam de como estávamos perto e
íntimos ... Ele estava sorrindo para ela ... Saíram cedo, e ele a
acompanhou até um carro que esperava. — Você não está
acostumado com essa porcaria do jeito que estou. Isto é um
monte de merda que pode ser abafada.

— Droga, Dex. — disse papai. — Sophie não pensa assim.

— Onde ela está? — Exigi. — Deixe-me falar com ela.

— Não quer falar com você agora.

— Ela está fora de si? — Gritei. — Coloque-a na linha.

— Não agora, Dex. Ela precisa de algum tempo para


processar o ocorrido. Todos nós precisamos.

Porra. Droga, foda-se. Papai gritou comigo mais um


pouco, então desliguei para poder pensar. A notícia sobrepôs
a de que estava jogando de novo isso despertou um interesse
especial em mim. Alguém nos viu sair daquele banheiro. Mas
quem quer que seja a fonte, não tem provas, apenas uma foto
nossa andando juntos e um boato sensual. Como meu nome
agora dava prestigio para os sites de fofoca, eles falariam
disso.

Era mais um assunto para eles. Qualquer bobagem que


surge, eles expõem na esperança de conseguir alguns cliques,
alguma atenção barata. Então aparece outra coisa,
geralmente dentro de algumas horas, e isso toma conta da
página. Toda celebridade lida com esse tipo de problema.
Você ignora e desaparece. Na Internet, todos esquecem em
menos de um dia e passam para a próxima coisa.

Liguei para Sophie e ouvi o seu telefone tocar. Quando


não atendeu, mandei uma mensagem. Apenas ignore. E porra,
me ligue por favor.

Então arrumei minha mala e me preparei para ir ao


aeroporto. Não precisava mais estar em Paris.

Quando ela me ligou trinta minutos depois, estava


chorando.
CAPÍTULO
VINTE E SEIS

Precisava ligar para ele. Só uma vez, mas não podia fazer
a ligação com Jim e Patty no quarto, então fui para o meu
quarto, fechei a porta e me inclinei contra ela, afundando-me
no chão. Agora que estava sozinha, as lágrimas começaram a
cair livremente pelo meu rosto. Estava tão envergonhada, tão
humilhada que não conseguia respirar.

— Dex. — soluçava quando ele respondeu.

— Merda. Por favor não chora.

— Não acredito. — falei através das minhas lágrimas. —


Não posso acreditar que isso aconteceu.

Saí com Dana e as garotas ontem à noite, estava me


sentindo no topo do mundo. Nós nos divertimos. Fiquei
bêbada, dancei e ri até que todas nós entramos no táxi. Esta
manhã, Dana me acordou com a triste notícia que viu na
internet, e minha vida desmoronou tão rápido que mal vi
acontecer.

— Sophie, escuta. — disse ele. Mesmo em meu pânico,


era tão bom ouvir a voz dele que chorei mais alto. Sentia
muito a falta dele. — Apenas escuta ok? Isto não é nada. É
apenas uma foto nossa andando tirada de um celular. Não há
nada para nos envergonharmos. Nada mesmo.

— Você não está entendendo.

— Eu entendo. — insistiu. — Melhor que você. Esses


sites, eles postam cinco, às vezes dez histórias por dia.
Contam qualquer coisa apenas para manter o site
funcionando. Os acontecimentos passam tão rápido que
ninguém se lembra do ocorrido.

— Não, o que quero dizer que você não entende, — disse


novamente, sentindo uma raiva irracional. — fui demitida.

— O quê?

— Eles me ligaram quando souberam. — disse


amargamente. Wells e Anderson mandaram um funcionário
do RH me ligar, já que nenhum dos sócios quisera me
encarar, mesmo sendo pelo telefone. — Falaram que não
poderiam ter alguém como eu trabalhando para eles. Alguém
que está em evidencia na mídia. — O fato de não ter levado
Dex como cliente provavelmente selou meu destino.

— Com toda certeza, não consigo fazer isso, — disse a ele.


— O inferno que você não consegue, — Dex respondeu, e
ele estava certo.

— Aqueles desgraçados. — disse Dex. Estava muito


bravo. — Você deveria processá-los, Sophie. Demissão sem
justa causa. Eles não podem fazer isso. Não têm motivo.

— Sim, eles têm. É um motivo fraco, mas eles têm. Estou


na internet como sua amante secreta e só trabalhei lá por
alguns meses. Eles não me devem nada.

— Você quer que eu fale com eles?

— Não! — Gritei. Por que ele sempre quer resolver tudo?

—Tudo bem. Mas fale com eles quando tudo acabar,


Sophie. Aposto que lhe darão seu emprego de volta.

Coloquei a cabeça entre as mãos. Todos veriam isto.


Amigos da faculdade. Meus antigos professores. Qualquer
outra pessoa para quem solicitasse um emprego. Senti meu
estômago embrulhar.

Não contei a ele sobre a ligação para Sebastian Santos e


nem falei que não tinha certeza se ainda queria trabalhar lá.

— Você ainda está chorando. — disse preocupado.


Mesmo com a minha raiva, sua voz fez meu coração disparar.
O desejo tanto que posso sentir seu gosto. Parte de mim
queria fazer qualquer coisa, absolutamente qualquer coisa, só
para ser tocada novamente por ele. Daria qualquer coisa,
prometeria qualquer coisa, desistiria de qualquer coisa. Este
era o problema.

Onde ele estava? Em um quarto de hotel? Em um


aeroporto em algum lugar? Essa era a vida de Dex.

E agora ele jogaria novamente, e essa sempre seria a sua


vida.

— Não posso fazer isto.

— Claro que pode. — disse ele. — Nós podemos. Você me


reintegrou, sabe disso? Você pode fazer qualquer coisa.

— Não isto. — olhei para o chão. — Não mais.

— Ouça. Estive pensando. É melhor nos casarmos.

Levantei a cabeça e pisquei.

— Você não disse isso.

— Tenho certeza. — ele continuou. — Você sabe. Chega


de segredo e de andar às escondidas. Vamos nos casar. Foda-
se.

Não posso acreditar que estas palavras saíram de sua


boca. Ele teve a ousadia de me propor, pelo telefone? E usou
as palavras ‘’foda-se’’?

— Você perdeu o juízo.

— Devemos casar. — disse novamente. — Tem que


aceitar, faz todo o sentido.
— As pessoas não se casam só porque faz sentido! —
Qual é o problema dele? Tremia de raiva, misturado com
desejo e desgosto. — Você não está escutando. Não posso
fazer isso. Você e eu. Não posso fazer isso. Tentei e não sei
como. Não sem me perder. Casar é a pior coisa que poderia
fazer agora. O fato de você estar sugerindo isso significa que é
tão egoísta, que não me conhece mesmo.

— Sophie.

— Dex. Não estou casando com você.

Ficou em silêncio. Senti nossa relação ir para o ralo,


sumir na escuridão. Eu me sentia vazia, fora de mim, ficando
nada além de uma casca.

Então Dex disse suavemente:

— Estou indo para aí.

— Não. — disse a ele. — Não estarei aqui. Estou saindo


essa tarde.

— Aonde você vai?

— Não sei. — Não sabia até que as palavras saíram da


minha boca, mas assim que disse, pareciam certas. Não
poderia ser eu mesma, começar minha própria vida, na casa
de Dex, morando com nossos pais. — Tenho algumas
economias. Vou encontrar algum lugar. Mas estou saindo,
Dex. Não me siga.
— O que você quer? — Dex disse. Sua voz estava baixa,
grave, como se acabasse de chutá-lo. — Seja honesta com
você Sophie. O que você quer?

Você, você, você. Cada minuto do dia, você.

— Quero uma vida. Mas precisa ser a minha vida. Não a


sua. Não quero casar por causa de um impulso aleatório seu.

— É o que você pensa? — A raiva era nítida em sua voz,


seu tom era baixo, perigoso, um que nunca o escutei falar
antes. Machuquei-o. Mas não estava pensando direito agora.

— Dex. — disse, as palavras saindo da minha boca. —


Acabou.

— Sophie. Estou lhe pedindo. Não faça isso.

— Eu preciso. É o único jeito. — Engoli, fazendo a


palavra sair. — Adeus.

Quando desliguei, meus olhos estavam secos. Parei de


chorar. Sentia-me vazia e exausta, mas estava bem. Ainda
era eu.

Já era tempo.

Levantei, tirei a mala do armário e comecei a embalar as


roupas.
CAPÍTULO
VINTE E SETE

Quatro meses depois

Hora do jogo.

Novamente.

Saímos do vestiário do estádio descendo pelo estreito


corredor de cimento em fila única. Havia pessoas por todos os
lados, imprensa, funcionários e bajuladores, observando-nos
passar. Quanto mais próximos do campo, mais alto ouvíamos
a multidão. Você nunca ouviria atletas reclamando de como o
público é barulhento. Há momentos no jogo que você não
escuta seus pensamentos. Quanto mais rápido treinar sua
mente para estar em sintonia com o barulho melhor jogador
você será.

Eu ainda era o melhor. Meu joelho estava rígido, os dedos


das mãos estavam curados e não sentia absolutamente nada.
Nada além da necessidade de vencer. Isto me fazia melhor do
que nunca.

Girei os ombros, relaxando-os, enquanto nos


aproximávamos da entrada do campo. Superficialmente era o
mesmo Dex Carter de antes, mas lá no fundo não era eu.
Estava fazendo as coisas de forma diferente na minha
carreira, por exemplo, não fazia mais anúncios de roupas
íntimas, a Espanha me queria de volta depois que fui
restabelecido, mas desfiz o contrato. A partir de agora, não
tirava mais as roupas. Todos que me abordaram para fazer
anúncios ou aparições em programas de entrevistas ou
entrevistas exclusivas ou publicidade tinha um plano. Queria
jogar futebol. Caso contrário, parei de falar.

Alguns dias depois que Sophie me largou e foi embora,


recebi uma ligação de Michelle, de todas as pessoas, a
mulher que conheci brevemente na agência de Eric. Ela agora
era uma nova agente no mercado e estava faminta por um
grande cliente como eu. Teve a coragem de me ligar do nada e
me oferecer seus serviços. Admirei sua atitude e gostei de
suas ideias. Ela concordou comigo quando contei sobre todas
as ofertas que recusaria. Simplesmente disse que assim seria
mais fácil.

— Jogue. — falou. — Faça o seu trabalho. Deixe que eu


cuido do resto.

Então a contratei. Uma nova agente completamente


inexperiente. Uma mulher. O negócio não foi feito pensando
com o meu pau, e todo mundo prevendo o fracasso. Não
estava nem aí. Então joguei, e ela liderou toda a merda.
Funcionou. Não tinha nada a ver com sexo, Michelle estava
interessada em negócios e não em foder. Para mim tudo bem,
já que a única mulher que queria foder não estava
interessada em mim. Michelle ainda me lembrava Sophie, de
uma maneira não-sexual, e pensei que elas provavelmente se
dariam bem. Elas têm muito em comum. Ambas são
ambiciosas, são quietas e tem coragem para chamar alguém e
obrigá-los a fazer o que querem. As duas acham que meu pau
é ruim para suas carreiras, e ambas estão certas.

O único grupo empresarial que concordei em falar foi


com os observadores da Osatori, porque não eram idiotas. Os
encontrei cara a cara, como pediram, e contei a minha ideia.
Eles adoraram. Nós acabamos de filmar, fui embora, e essa
seria a melhor campanha que eles já fizeram.

Então voltei ao jogo.

Joguei mais duro do que nunca nos últimos quatro


meses, forçando meu corpo aos limites, e isso cobrou um
preço. Sentia aquela pequena mensagem do meu corpo: Vai
com calma, idiota. Tem noites que não consigo dormir por
causa da dor nos ossos e articulações. Meus músculos
estavam duros, e bolsas quentes e frias tinham se tornado
minhas amigas. Agitei meu ombro com tanta força durante
um jogo que meu braço ficou dormente por quase seis horas.
Ignorei e continuei jogando. Sem beber, sem drogas. Nenhum
analgésico ou Tylenol. Apenas meu corpo no campo, fazendo
tudo o que podia pelo tempo que pudesse.

Três anos e meio para a Copa do Mundo. Não tinha como


conseguir. Não contei aos médicos ou a Michelle ou aos
jornalistas e nem a empresa do relógio. Não contei ao meu
pai. Meu corpo daria tudo antes da próxima Copa do Mundo.
A única pessoa em que confio é a Sophie, e ela agora vivia
sua própria vida. Terminou comigo, deixou isso bem claro.

Em quatro meses não me mandou nenhuma mensagem e


eu também não. Jim me falou brevemente que ela estava
bem. Que foi morar em um subúrbio de São Francisco,
trabalhando para uma ONG de advogados que ajudava
pessoas que não podiam pagar. Foi um trabalho que sua
amiga Dana a indicou. Imaginei ela passando seus dias
ajudando pessoas, homens feridos em seus trabalhos ruins
ou mulheres tentando tirar os filhos de seus maridos
abusivos, e eu sabia que estaria feliz. Esperava que sim.

A música tocando, a voz gritando no alto-falante do


estádio. Éramos o time visitante, saímos primeiro, então o
time da casa teria mais tempo para a entrada triunfal. Não
éramos os favoritos aqui, mas ainda assim os torcedores
faziam muito barulho, batendo os pés na arquibancada,
prontos para torcer.

— É a nossa vez. — disse o treinador.


Corri para o campo com o meu time, levantei o braço e
olhei para a multidão. E tudo acabou, era só eu e o jogo
novamente.
CAPÍTULO
VINTE E OITO

Eu admito: assisti ao jogo.

Nem todos eles. Dex não jogou todos os jogos desde que
voltou ao campo. Mas assisti ao seu último jogo um dia antes
do comercial do relógio ir ao ar, logo antes de tudo acontecer.
Sentada no sofá da sala de estar do apartamento que
compartilhava com uma colega de quarto, que neste
momento aquecia algo no micro-ondas. Nossa TV era antiga,
e não era HD ou qualquer outra coisa, mas não precisava ser
HD para assistir Dex em ação.

— Aqui vem Dex Carter. — disse o locutor enquanto a


equipe entrava em campo. — De volta depois da suspensão, e
ele está jogando melhor do que nunca.

— É verdade. — o outro locutor concordou. — Ele é o


favorito do público, assim como sempre foi.
A equipe corria ao redor do perímetro do campo,
cumprimentando os torcedores nas arquibancadas antes do
jogo começar. Dex olhou para a arquibancada, ergueu a mão
saudando o estádio e mesmo através da TV podia ouvir a
multidão enlouquecer.

— Ele está jogando, hein? — disse minha colega de


quarto. Ela estava em pé na porta com uma tigela de
macarrão vegano, livre de glúten que acabou de esquentar em
suas mãos. Seu nome era Ângela, e fazia entregas em uma
bicicleta para pagar a escola.

— Sim.

— Isso é incrível. — Enfiou o garfo em sua tigela de


macarrão. — Você o conhecer. — Ela só sabia que Dex era
meu meio-irmão. Se viu as fotos na Internet antes de cair no
esquecimento, nunca mencionou. Ângela não gostava muito
de sites de fofocas.

— Sim. Sim, é incrível.

Estava trabalhando no escritório de advocacia sem fins


lucrativos onde a prima de Dana trabalhava, estagiando e
ajudando os clientes. O salário era baixo, tão baixo que não
tinha esperança de morar em um apartamento sozinha e o
trabalho era muito. Lidei com pessoas sem esperança, que
entrou chorando no escritório, mulheres com hematomas sob
seus olhos que traziam crianças pequenas com hematomas
iguais e com dependentes químicos. Durante os três meses
de trabalho precisei ligar duas vezes para a polícia.
E valeu a pena.

Valeu a pena cada dia difícil e cada noite agitada.


Ajudando as pessoas, fazendo a diferença pela primeira vez
na minha vida, assim como imaginei na faculdade. Talvez
fosse apenas uma pobre menina rica ajudando pessoas mais
pobres do que eu, mas pelo menos fazia algo além de receber
comentários maliciosos de advogados ricos a caminho de
seus joguinhos de golfe no sábado. Havia pessoas que saíam
do escritório com um grão de esperança, e para mim isso
valia a pena.

Comecei sozinha a construir uma boa vida, peça por


peça. Meu trabalho era agradável. Pagava minhas próprias
contas. Meu pai veio me visitar, raramente o via, pois morava
muito longe daqui. Via Dana nos fins de semana das garotas,
além de ter feito novas amizades. Paguei as prestações do
carro. Estava orgulhosa de mim mesma.

Na TV, o jogo começou. Foi fácil achá-lo no meio de


tantos homens. Meus olhos só o reconheceram e o seguiram
tão facilmente. Com certeza nasceu para jogar futebol. Não há
nada para descobrir sobre mim, disse quando não estava
jogando. Isso não era verdade. Havia mais dele do que o
futebol. Mas o futebol era uma parte vital para sua alma.

Quando marcou seu primeiro gol, Ângela sentou no sofá


ao meu lado, sua tigela esquecida. A multidão fazia muito
barulho, eles torciam para o time da casa, mas a presença de
Dex os deixaram agitados. Eles assobiavam, batiam o pé no
ritmo do balanço da arquibancada e atiravam coisas dentro
de campo. A câmera direto em Dex, que corria de volta pelo
campo depois de seu objetivo, seus cabelos pretos
despenteados pelo suor, seus olhos azuis brilhando, seus
músculos contraindo enquanto corria. Gotas de suor
escorriam pelo pescoço encharcando o colarinho de sua
camisa.

— Sagrado Jesus. — disse Ângela em reverência.

— Já sei. — respondi.

Dex estava feliz? Não sabia dizer. Seu rosto estava sério,
com propósito e brutal. Não havia sinal do Dex que
sussurrou algo tolo em italiano no meu ouvido enquanto seu
corpo tremia de tanto rir contra o meu. Nenhum sinal do Dex
deitado no banco de trás do meu carro, desajeitado,
procurando uma maneira de me pedir para não fazer sexo
com mais ninguém enquanto estivesse fora. Nenhum sinal do
Dex que sussurrou coisas indecentes e carinhosas antes de
tirar minha virgindade, doce e sujo prazer mútuo.

— Dex Carter, — disse o locutor — está pegando fogo.

Assistimos ao jogo inteiro em silêncio. Não era um jogo


importante, estrategicamente, os locutores continuavam
repetindo isso, mas havia algo de especial nisso. Ele era como
um cometa, incapaz de fazer um único movimento errado.
Marcou três gols e ajudou em outros dois. Eles o mantiveram
em campo o jogo inteiro, sem alternar, e Dex não diminuiu a
velocidade. Quando seu time venceu, vencendo os favoritos
da casa, ele levantou as mãos para a torcida enquanto saía
de campo, e a multidão balançou o estádio novamente,
jogando coisas e batendo o pé até o lugar vibrar.

No dia seguinte, Dex estava no noticiário novamente. A


companhia de relógios Osatori lançou sua nova campanha
publicitária. Supunha que exibisse Dex, mas quando o
anúncio apareceu na mídia, mostrou duas pessoas: Dex e
Sebastian Santos.

Navegava na Internet durante uma rara pausa no


trabalho, olhei para o anúncio na tela do computador. Dex e
Sebastian, lado a lado, com o braço jogado ao redor dos
ombros um do outro e em cada pulso estava um elegante
relógio Osatori. Ambos usavam camisetas pretas simples,
com as tatuagens do braço de Dex visíveis. Suas expressões
eram confiantes, relaxadas e sérias. Ele estava incrivelmente
lindo, seus olhos azuis frios. Sebastian Santos também era
bonito aos olhos, e supus que era por isso que ele era tão
cheio de si.

Não era apenas um anúncio legal, dizia alguma coisa.


Dizia que mesmo os maiores rivais no esporte poderiam se
tratar com respeito, que os erros poderiam ser desculpados,
perdoados e esquecidos. Dizia que a irmandade era mais
importante que uma pequena rivalidade no campo.

A legenda abaixo do anúncio falava que os dois homens


haviam doado seus honorários do anúncio para uma
instituição de caridade que ajudava crianças carentes a ter
acesso aos esportes.

No dia seguinte, enquanto estava digitando um


depoimento para uma mulher tirar os filhos do orfanato, meu
telefone tocou na minha bolsa. O peguei e encontrei uma
mensagem de Dex.

Você viu o anúncio?

Pisquei, mal conseguindo acreditar em que meus olhos


viam. Não ouvi nada dele por quatro meses. Não enviei
mensagens para ele também, embora tenha olhado para o
meu telefone, pensando nisto, mais vezes do que podia
contar.

Rapidamente mandei uma mensagem de volta.

Sim. Seria melhor se você estivesse nu, no entanto.

Não vai acontecer me respondeu. Embora sinta-se livre


para imaginar, se quiser.

Sorri como um idiota para o meu celular.

Adorei, disse.

Sua resposta foi quase instantânea.

Fiz isso por você.

Minha visão embaçou. Coloquei o telefone na minha


mesa e fechei meus olhos, coloquei minha cabeça entre as
mãos. Oh Deus, estava tão apaixonada por ele. Sabia agora,
era tão claro. Não tinha ideia de quando começou, mas agora
enchia meu coração, meus pulmões, sentia meu sangue
quente correndo pelo meu corpo. Estava apaixonada por Dex,
e não seria capaz de parar, não importava para onde fosse ou
que trabalho fizesse. Todo o meu coração pertencia a ele, era
inteiramente dele. Queria ele mais do que o ar que respiro.

E agora, quando pensava em estar com Dex não sentia


medo. Incerteza, talvez. Mas o medo se foi. E a ideia de que
pudesse realmente vê-lo, tocá-lo, trazê-lo de volta, fez meu
coração bater em esperança.

Faça algo sobre isso, Sophie.

Mas ele me pediu em casamento, realmente casar com


ele, e disse não. Falou comigo? Acabou de me enviar uma
mensagem, então talvez estivesse. Estamos bem, disse-me
uma vez antes. Éramos nós? Poderíamos ser? Quantas vezes
poderia pedir a ele que me perdoasse por fugir dele? Podemos
fazer funcionar?

Poderia dizer a ele o quanto queria tentar?

Endireitei-me na cadeira e abri os olhos. Você sabe o


que? Sim, poderia. Conhecia-o melhor do que ninguém,
apesar de tudo que aconteceu. Vou ser mulher e falar com
ele. Importou-se comigo o suficiente para fazer uma
campanha publicitária internacional inteira, eu me importava
o suficiente para dizer a ele que sentia muito e o queria de
volta.
O telefone tocou na minha mesa e meu agitado dia de
trabalho me arrastou novamente. Mas quando acabei meu
dia, me senti melhor do que em semanas, talvez meses.
Estava terrivelmente nervosa. Sabia que o tinha machucado.
Dex deve estar chateado comigo, ou pode rir de mim e partir
meu coração. Mas o que aprendi com ele, que na vida não se
realiza nada quando tem medo de tentar.

Passei a noite pensando em um plano. O que devo fazer?


Ligo para ele? Não sabia em qual fuso horário ele estava. Se
estava no meio do treino ou algo assim, não seria realmente
um bom momento para implorar para que voltasse. Mas Dex
era difícil de decifrar. Preciso dizer que quero falar com ele em
algum momento quando tiver tempo? Pareceu carente, e
como se estivesse marcando um compromisso. Preciso fazer
algo grande, como descobrir em qual cidade está ir para lá e
aparecer em seu quarto de hotel? Não era o meu jeito de agir,
mas estava disposta a tentar, se funcionasse. E se isso
apenas o incomodar? Pior, e se tiver com outra pessoa em
seu quarto?

Não acho que está. Não houve relatos dele namorando


alguém nos últimos quatro meses. E o conhecia. Esteve
comigo e não teve mais ninguém, sabia disso. Apenas sabia.

Ok, na manhã seguinte quando me levantei e me preparei


para o trabalho, pensei. Talvez pudesse ir encontrá-lo. E se
estiver no Japão ou na Nova Zelândia ou algo assim? Não
tenho muito dinheiro, mas posso pedir emprestado aos
nossos pais. De qualquer maneira preciso falar com eles, já
que provavelmente sabiam onde ele estava.

Jim e Patty superaram o susto. Realmente foram legais


depois que se acalmaram. Minha mãe nunca esteve
realmente zangada, estava apenas me protegendo, achava
como a maioria das mães, que Dex estava brincado comigo e
me deu o fora. Quando contei a ela toda a verdade que
conseguia suportar em falar, ela mudou para simplesmente
se preocupar comigo. Agora me ligava quase todos os dias,
para ver se estava namorando e para ter certeza de que não
tinha sido morta por um traficante de drogas.

Acho que, se disser a Jim e a Patty que o quero de volta,


provavelmente eles me ajudarão.

Então esse é o plano, decidi enquanto trabalhava. Como


conquistar um famoso jogador de futebol. Ligar para minha
mãe, descobrir onde ele está pedir dinheiro emprestado para
uma passagem de avião. Encontrar o hotel dele e pular nele.
Dizer-lhe que estou apaixonada e não estou mais com medo,
implorar para que me aceite de volta e deixar-me tentar
novamente. Ouvi-lo declarar sua paixão por mim de volta.
Então, esperar que me leve para o seu quarto para fazer sexo.
Muito e muito e muito sexo.

Isso deve funcionar, certo?

Olhei para a xerox enquanto tirava algumas cópias. Não


deveria ter pensado em sexo. Agora não consigo parar de
pensar nisso, sobre como ele parecia nu, as tatuagens sexys
em seus braços, as saliências empolgantes dos músculos
sobre seus quadris, o gosto de sua língua, o gosto de seu
pênis. A maneira como assumiu o meu corpo, colocando suas
mãos e boca em mim até que estava louca, tocando-me para
encontrar o ponto certo de prazer antes de me foder. Como
era galanteador nas preliminares, mas era todo sério quando
queria me fazer gozar. Exceto por uma série de noites
silenciosas em que me dei orgasmos sozinha no meu
travesseiro enquanto fingia que eram seus dedos em mim, eu
mesma não me deixei sentir falta dele. Não me permiti
implorá-lo. Mas agora, com um plano em mente que poderá
levar a sexo com ele outra vez, meu corpo se descontrolou,
um calafrio quente e frio como se tivesse bebido a noite,
mandei-lhe uma mensagem.

Às quatro horas, meu telefone tocou. Olhei para ele


surpresa. Era o Jim.

— Sophie. — disse ele quando respondi. — Será que você


pode sair do trabalho mais cedo?

Ele quase nunca me liga. Há algo errado.

— Acho que sim. Por que?

— É Dex.

O mundo parou.

— O que aconteceu?

— Ele estava treinando. No campo de Havelock.


Pisquei surpresa. O campo de Havelock ficava a menos
de duas horas de carro de onde estava agora.

— Eu assisti ele jogar. Não sabia que ele estava na


Califórnia.

— Ele veio ontem. Eles estavam fazendo exercícios. Ele


está ... ele está ferido.

Meu Deus.

— Quanto?

— É o joelho dele. Não sei muito. Ligou-me da clínica.


Acho que eles o levaram para fora do campo.

Percebi que minha mão apertava a minha boca,


esmagando meus lábios contra os meus dentes. Deixei-a cair.

— Você quer que eu vá lá?

— Sim, não posso ir. Voltamos para Nova York e você


está mais perto ...

— Está tudo bem. Eu irei. Vou encontrá-lo.

— Apenas dê uma olhada nele. Não precisa ficar se não


quiser. — Ele estava cauteloso em torno de mim, devido ao
nosso rompimento. — E me ligue.

Sua voz estava cheia de preocupação. Talvez ele não fosse


perfeito, mas era um bom pai, o melhor.
— Jim, — disse, a emoção brotando em minha voz, — sei
que pode não ser um bom momento, mas eu o quero de volta.
Já decidi.

— Querida, gostaria que fizesse. — disse Jim. — O que vê


na TV é um show. Nesses últimos quatro meses, é como se
estivesse reconstruído com cola barata.

— Tudo bem. — disse. — Não sei se posso consertá-lo. Se


posso nos consertar. Mas vou tentar.
CAPÍTULO
VINTE E NOVE

Eu li um artigo em uma revista de esportes uma vez


sobre um tenista na década de 1930. Ele nunca participou
das grandes ligas, porque quando estava em ascensão, sofreu
um grave acidente de carro e quebrou o cotovelo. Enquanto
estava no hospital, um jornalista chegou ao seu leito e
perguntou a ele o que iria fazer agora. O jogador olhou para
ele e disse:

— Vamos ver. Comer um bife, beber uma cerveja e foder


minha esposa.

Sempre desejei conhecer esse cara.

Estava na Califórnia, de todos os lugares. Círculo


completo, de volta ao lugar que não queria estar, porque
Sophie estava aqui em algum lugar e não queria me ver. Nós
estávamos fazendo exercícios. Fodidos exercícios. Estava
fazendo uma corrida pelo campo, a máquina funcionando
perfeitamente, minha velocidade tão boa como sempre, o céu
ameno sobrecarregado com a chuva que nunca veio, quando
a dor branca explodiu no meu joelho. Curvei-me e caí e o
mundo ficou escuro por alguns minutos. Minha próxima
lembrança foi vomitar na grama quando a dor explodiu em
mim e segurei meu joelho, que inchou como um maldito
balão.

Rolei de costas e olhei para o céu enquanto os médicos


vinham para mim e o resto da equipe se reunia em volta,
pensando, eu acho que é isso. É hora de comer meu bife agora.

Horas depois, eles terminaram seus raios-x e ressonância


magnética. Eles injetaram anti-inflamatórios em meu joelho e
o enfaixaram. Liguei para Michelle, para que conseguisse que
sua pessoa de RP fizesse uma declaração à mídia. Liguei para
o meu pai. Disse aos médicos que não ia ficar, que estava
voltando para o meu hotel. Desde que não estava prestes a
morrer e era uma celebridade, os médicos concordaram
imediatamente. Eles me deixaram sozinho na sala de exame
para me vestir e poder dar o fora dali.

Puxei um par de calças quentes de nylon sobre a minha


perna enfaixada, gemendo com a dor. Coloquei uma
camiseta. Consegui amarrar meus sapatos. Então, exausto
pelo esforço e finalmente sentindo pena de mim mesmo, me
recostei na cadeira, apoiei a cabeça nela e fechei os olhos.

Sebastian Santos, de todas as pessoas, estava certo.


Santos, com suas extravagantes teorias de terapia. Tinha
dado um soco nele todo esse tempo atrás porque queria sair
do jogo, sair da roda de hamster, sair da minha vida. Agora
que tinha ido contra isso e comecei a jogar novamente, meu
corpo tomou a decisão por mim. Foi completamente
devastador, o fim do meu mundo. E embaixo dele me senti
aterrorizado, e ao mesmo tempo inchado de alívio.

A porta se abriu e alguém entrou. Não abri meus olhos. A


pessoa se aproximou em silêncio, puxou uma cadeira ao meu
lado e se sentou. No segundo em que cheirei ela, soube que
era Sophie.

Mantive meus olhos fechados por um minuto, a


imaginando. Talvez essa fosse uma alucinação agradável,
causada pelos analgésicos que ainda não havia tomado.

— Como você conseguiu que eles deixassem entrar aqui?


— Perguntei.

— Sou da família. — disse ela. Sua voz me rasgou,


apenas me rasgou profundamente. Abri meus olhos e olhei
para ela.

Usava jeans desgastados e um top cinza fino que fechava


a frente e um par de tênis de lona branca. Seu cabelo estava
solto, tão sedoso e castanho como sempre. Sua testa tinha a
mesma varredura de franja. Estava sentada de lado na
cadeira, de frente para mim, um pé dobrado e sob a outra
coxa. Enquanto assistia, ela mordeu o lábio como se estivesse
preocupada.
Olhei para ela por um minuto, bebendo da sua imagem.
Estava feliz em vê-la, não conseguia pensar no que dizer.

— O que eles disseram sobre o seu joelho? — perguntou.


— Está torcido?

— Provavelmente. Depende dos testes. — Mas no fundo,


sabia a resposta. — Sim. Está torcido.

— O que eles podem fazer?

— Cirurgia. Ou posso deixá-lo curar sozinho e nunca


andar corretamente de novo.

Ela parecia pálida.

— A cirurgia vai resolver isso?

— Talvez. — Dei de ombros. — Nunca será o mesmo, não


realmente.

— Mas acabou de dizer que poderia curar.

— Não por muito tempo. — expliquei. — Não com a


minha programação. Não do jeito que eu jogo. Será apenas
uma questão de tempo.

Eu esperei que ela dissesse então não jogue tão duro.


Reduza sua agenda. Leve isso simples. Se ela dissesse isso,
não a perdoaria. Teria que admitir que ela nunca realmente
me conheceu em tudo.

Jogo duro ou então não jogo. Esse era eu.


— Então você está dizendo... — Ela parecia estar
sentindo sua direção, como se não soubesse o que eu faria.
Talvez tivesse pensado que eu faria birra ou começaria a
soluçar. — Você está dizendo que acabou?

Inclinei a cabeça contra a minha cadeira novamente,


olhando para o teto. Confie em Sophie para chegar ao coração
disso. Ela sempre poderia.

— Sim. — eu respondi a ela. — Acho que acabou.

— Oh, Dex. Sinto muito.

Ela disse meu nome. Virei minha cabeça para olhar para
ela.

— Não sinta.

— Isso é tão injusto.

Isso me fez sorrir. Quanto mais olhava para ela, mais


bebia sua presença ao meu lado depois de quatro longos
meses, tudo parecia mais claro.

— Isso não importa. Tenho que ser a maior estrela de


futebol do mundo. Não há nada de injusto nisso.

Ela balançou a cabeça.

— O que você vai fazer?

Agora que tinha a pergunta feita para mim, sabia


exatamente como aquele velho tenista se sentia. Como
exatamente.
— Comer um bife. — disse, significando isso. — Beber
uma cerveja. Foder minha esposa.

Sophie franziu a testa. Não conhecia a história, é claro,


então isso a confundia.

— Você não tem uma esposa.

— É uma figura de linguagem. Jim mandou você aqui


para mim?

Sophie esfregou a mão sobre os olhos e, de repente, ela


parecia tensa.

— Teria vindo de qualquer maneira. Uma vez que


soubesse que você estava aqui.

— Você iria?

— Sim. Iria ... — Sophie soltou a mão e balançou a


cabeça. — Deus, isso foi tão estúpido, o que estava pensando.
Tão estúpido.

Não pude evitar mais, tive que tocá-la. Estendi a mão e


peguei uma mecha de cabelo dela entre meus dedos, sentindo
o quão suave era. Estava com uma dor horrenda, mas de
repente a queria tanto que estava quase doente com isso.
Poderia tê-la fodido na cama da sala de exame. Poderia ter
entrelaçado minhas mãos em seus cabelos enquanto a
colocava de joelhos. Minha Sophie. Minha.
— Nada que você diga para mim jamais será estúpido. —
disse, minha voz rouca com o quanto queria desfazer sua
calça jeans e colocar meus dedos nela. — Já disse isso antes.

Sophie baixou o olhar para o colo e me perguntei se sabia


o que eu estava pensando.

— Estava vindo encontrar você. Peguei um avião.

Tentei imaginá-la fazendo isso. Totalmente poderia.

— Para que?

— Para te ver. Estou cansada de apenas ver você na TV


ou em fotos. Estou cansada de apenas trocar mensagens.

— Eu também. — Deus, sempre estive.

— Dex, eu só... — Sophie piscou com força, e as lágrimas


caíram por suas bochechas. — Eu só…

Eu escovei meus dedos sobre sua têmpora.

— Baby.

— Eu te amo. — disse Sophie, como se as palavras


machucassem sua garganta. — Muito. Estou apaixonada por
você.

Tudo ficou alto dentro de mim por um segundo, e então


ficou quieto. Como uma lâmpada estourando. Levantei minha
cabeça e escovei suas lágrimas com o polegar.

— Você está chorando quando diz isso.


— Porque acho que estraguei tudo. — disse enxugando
as lágrimas de suas bochechas. — Tenho certeza que cometi
um erro em algum lugar e não consigo descobrir onde. Não
consigo descobrir o que poderia ter feito diferente. Apenas sei
que me sinto horrível. Fiz uma boa vida e sei que sou uma
pessoa melhor do que era, e ao mesmo tempo me sinto
miserável e vazia e não sei por quê. — Levantou o olhar para
mim. — Perdi minha chance com você? Eu fiz? Porque não
sei mais. Eu não consigo descobrir.

Eu me inclinei para perto dela. Podia sentir o cheiro dela,


podia sentir o tremor de sua respiração.

— Sophie. Se você acha que perdeu a sua chance comigo,


não me conhece muito bem.

Ela estava quieta enquanto as palavras afundavam.

— Você quer dizer isso? — perguntou.

— Eu sempre faço. — disse, e a beijei, assim como queria


o tempo todo.
CAPÍTULO TRINTA

Amei o jeito que ele me beijou. Lento e quente e


intimamente conhecedor, como se estivesse recebendo
mensagens da minha pele. Senti meu coração bater no meu
peito e meus dedos se enrolarem, e nem sequer estava me
tocando com as mãos. Como me beijou tão incrivelmente
quando o mundo dele deve estar desmoronando?

Dex quebrou o beijo e pegou meu rosto em suas mãos,


seus olhos azuis olhando fixamente nos meus.

— Sou louco por você, a propósito. Sempre fui.

Senti uma onda de felicidade calorosa. Corri meus dedos


suavemente sobre sua barba.

— Sinto muito sobre a... coisa da proposta.

— Porra, não me lembre. — disse Dex, soltando as mãos.


— Lidei com isso errado.

— Um pouco, mas fui bem brusca. Estava chateada.

Dex se recostou na cadeira novamente.


— Sim, bem. — Um estremecimento de dor que não tinha
nada a ver com o joelho cruzou sua expressão. Dex quis fazer
aquela proposta, percebi. Foi dito apressadamente, e em
resposta a uma crise, e ele usou as palavras foda-se, mas
quis dizer isso. Claro que tinha, Dex nunca diria algo assim.
Por que estava sempre procurando o pior em nosso
relacionamento? Por que nunca confiei nele?

— Quero tentar de novo.

Dex passou a mão pelo cabelo e olhou para mim, seus


olhos cautelosos.

— Estou falando sério. Não mais se esgueirando ou se


escondendo. Não me importo com a imprensa ou com
qualquer outra pessoa. Quero que haja um nós. Você e eu.

— Se você quer isso, — disse Dex, — não pode ter medo.

— Não estou com medo. Eu mudei. Não tenho mais um


trabalho idiota, trabalho com pessoas que me respeitam.
Além disso, não há nada de errado em estarmos juntos. Não é
como se estivéssemos fazendo algo escandaloso.

Dex me deu um meio sorriso.

— Podemos, se você quiser.

Foi apenas um vislumbre, mas lá estava ele, o Dex que


amava tanto. Se o joelho dele não fosse um desastre, teria me
jogado em seu colo. Em vez disso, coloquei meus braços em
volta do seu pescoço e beijei ao longo do seu queixo.
— Ok. — Dex disse, sua respiração ficando mais curta
quando minha boca arrastou ao longo de sua pele. — Isso
está me fazendo sentir melhor.

— Você vai ficar em um hotel? — perguntei, puxando a


ponta da minha língua ao longo do lóbulo da orelha dele.

— Sim.

— Está perto daqui?

— Porra, sim. Vamos.

Eles lhe deram muletas, porque a perna dele não


aguentava o peso.

— Há repórteres na frente, mas há uma entrada de


serviço nos fundos. Meu carro está lá. A equipe já sabe que
estamos saindo dessa maneira.

— Você é uma profissional. — disse Dex.

Não era que não quisesse que os repórteres nos vissem


juntos, superei isso. Mas não o queria incomodado por
intermináveis perguntas quando acabara de passar pelo
acidente que encerraria sua carreira. Estava lidando bem até
agora, mas isso não significava que precisava de repórteres
em seu rosto.

Foi bom ser protetora dele. Muitas pessoas o usavam, e


poucas pessoas cuidavam dele, inclusive eu.
Sua suíte de hotel era luxuosa, claro. Uma grande sala de
estar principal e um quarto com uma cama enorme e
suntuosa. A vista dava para as colinas dos subúrbios, para o
oceano que mal se via. O sol estava se pondo e o céu estava
manchado de púrpura enquanto escurecia lentamente. Olhei
para as malas abertas no chão do quarto, espalhadas em
uma bagunça de suas roupas.

— Você já se cansou de viver fora de uma mala? —


perguntei a ele.

— Sim, faço muito. Estou indo tomar um banho.

Levou um tempo. Sabia que o melhor era não me oferecer


para ajudá-lo, mesmo que ele provavelmente estivesse tendo
problemas com o joelho, e isso estava me deixando meio
louca por estar completamente nu do outro lado da porta do
banheiro, nu e molhado. Fazia meses desde que tinha visto
Dex nu. Chutei meu tênis, de repente nervosa. Eu me vesti
com pressa quando saí, sem pensar em sedução. Estava
usando calcinha de algodão e um sutiã velho e confortável, e
realmente, realmente queria dormir com um dos homens
mais sexy do planeta. Isso funcionaria? E se ele estivesse com
muita dor, ou não estivesse mais no humor, ou mudasse de
ideia? Tentei me lembrar que fiz sexo com ele antes. Várias
vezes. Múltiplos momentos realmente bons. Este era Dex.
Conhecia meu corpo melhor do que ninguém e gostava disso.

Abri o zíper do meu casaco, sentindo-me mais confiante


com o pensamento. Nós não precisamos de jogos ou sedução.
Meu corpo era dele, de qualquer maneira. Ficaria nua. A
experiência passada me dizia que a reação provavelmente
seria boa.

Ainda assim, estava consciente de minha roupa íntima.


Então, quando ouvi o chuveiro desligar, me abaixei atrás da
porta do armário para tirar a roupa.

Quando saí, Dex estava sentado na beira da cama.


Estava inclinado para frente, os cotovelos nas coxas, as mãos
penduradas entre os joelhos. Seu cabelo escuro estava
molhado e havia gotas de água em sua pele. Ele estava
usando a bandagem no joelho e nada mais.

Parei, olhando. O efeito de Dex nu era suficiente para


deixar uma garota estúpida, e não diminuíra com o tempo.

A linha flexível de suas costas. Os músculos, havia até


mesmo músculos nas laterais do corpo, flexionando os lados
de suas costelas. A tinta em seus braços. Aquelas lindas
pernas, as panturrilhas e coxas esculpidas como as de uma
estátua. Não podia ver entre as pernas dele, mas dei um
passo mais perto porque queria. Não pude me ajudar.

Parei de novo. Dex estava me observando, olhando para


mim. Seu olhar passeou por meus ombros nus, meus seios,
minha cintura, minhas pernas, minhas coxas e os pelos entre
elas. Era como lava derretida, aquele olhar. Dex estava
olhando para mim como se eu fosse a única mulher no
mundo.
Ele levantou a mão e a segurou.

— Venha aqui.

Fiquei na cama ao lado dele e me enrolei, enganchando


minha coxa sobre seu joelho bom. Dex colocou um braço em
volta de mim e me beijou com força, e tudo voltou. Como seu
corpo se sentiu contra o meu, como me tocou, como me fez
molhada. Provocou minha boca aberta e correu as mãos
sobre mim, sobre minhas costas, meus seios. Sentado lado a
lado era estranho e eu não conseguia me aproximar o
suficiente, então empurrei seu peito.

— Se deite.

Dex voltou para a cama e deitou de costas. Montei nele,


pressionando meu corpo totalmente contra o dele, e o beijei
novamente. Eu podia sentir o corpo dele embaixo de mim, o
poder controlado por ele. Dex passou as mãos pelas minhas
costas e segurou minha bunda enquanto lambia meus lábios.
Levantei meus quadris e abaixei entre nós, pegando seu pênis
na minha mão. Era duro como pedra e pulsante. Quando o
acariciei, ele deu um suspiro reprimido que me disse que
estava certa, ninguém mais o havia tocado desde mim. Meu,
pensei, traçando a forma grossa de seu pênis com meus
dedos. Todo meu. Interrompi o nosso beijo e beijei
reverentemente seu pescoço, sua clavícula, sobre seu peito.

Dex ficou ainda sob este tratamento e emaranhou os


dedos no meu cabelo.
— Você sentiu minha falta?

— Um pouco. — lambi seu mamilo.

Dex fez um som e seus dedos flexionaram no meu cabelo.

— Mostre-me.

Beijei suas costelas, seu estômago. Seu abdômen, meu


Deus, seu abdômen. Alcancei uma mão entre suas pernas e
acariciei suas bolas.

Isso fez todo o seu corpo flexionar por um segundo, como


se ele estivesse com dor.

— Faça isso de novo. — Dex disse. — Não houve mais


ninguém, você sabe disso?

— Eu sei. — disse. Acariciei suas bolas novamente,


sentindo sua reação. Nunca tivera tempo de brincar com o
corpo de Dex antes, e era tão viciante que nunca poderia
parar. Podia sentir o quão molhada eu estava, minha boceta
pulsando. Beijei seu umbigo e desenhei minha língua ao
longo de sua pele. Seu pênis estava descansando contra seu
estômago, duro e pronto. Com o joelho machucado, percebi,
não podia fazer tanto quanto costumava fazer. Eu tinha mais
controle.

Dex passou os dedos com mais força no meu cabelo.

— Sophie, coloque meu pau na sua boca.


Adorei quando Dex disse o que fazer. Fiz o que me disse,
levando-o na minha boca, lambendo o salgado da ponta. Dex
tinha gosto de banho fresco, com seu sabor familiar por
baixo. Sei o gosto do pau de Dex, pensei, e é bom. O peguei na
minha boca novamente.

Ele assobiou por entre os dentes.

— Isso é bom. Mais fundo.

O levei mais fundo, experimentando com ele na minha


boca, contra a minha garganta. Dex estava me observando,
eu sabia. Suas mãos estavam na minha cabeça, meu cabelo
arrastando sobre seu estômago. Estava me observando
balançando para cima e para baixo nele, me observando
chupando seu pau. O pensamento me excitou ainda mais.

— Mais. — Dex disse roucamente, com a mão em mim. —


Apenas mais rápido. Assim. Porra, isso é tão bom.

Continuei deslizando minha mão entre as pernas


novamente e esfregando suas bolas. Seus quadris se
flexionaram para cima, deslizando seu pênis mais duro em
mim. Relaxei minha garganta e peguei.

— Querida, vou gozar. — Dex disse, sua voz estrangulada


agora. — Você quer isso?

Deslizei minha boca e olhei para ele. Dex estava olhando


para mim, aquele olhar azul fixo em mim na mesma
fascinação erótica que eles tiveram quando tirei minha
calcinha no banheiro. Enquanto ele observava lambi sua
ponta, o torturando.

— Quero que goze. — eu disse.

Sua expressão não mudou, mas ele soltou a mão do meu


cabelo e desenhou seu polegar ao longo da minha bochecha.

— Você vai engolir? — Dex perguntou.

— Sim.

— Você promete?

Estava tão quente agora que ele poderia ter me feito gozar
com um único toque.

— Prometo.

— Vou assistir você. — disse Dex. — Vou assistir você


engolir.

Abaixei minha cabeça e o levei na minha boca


novamente. Dex gemeu quando o levei profundamente,
enquanto acariciava suas bolas novamente. Eles estavam se
esforçando duro em seu corpo, seu pênis crescendo em
minha boca.

— Assim. Porra, Sophie, isso é bom pra caralho que vou


gozar. Não pare porra.

Eu gemia contra sua pele, o levando mais profundamente


que pude e o senti gozar, senti seu pênis contra a minha
língua, senti os jatos quentes virem contra a minha garganta.
Relaxei minha garganta e engoli, cada gota. Quando o soltei e
olhei para ele, Dex estava respirando com dificuldade, seu
olhar ainda fixo em mim.

— Acho que é a coisa mais sexy que já vi. — disse ele.

Voltei minha atenção para seu corpo novamente


montando nele, mas Dex assumiu. Agarrou meu quadril com
uma mão e deslizou a outra na minha boceta, me esfregando.

— Porra, isso te deixou molhada.

Inclinei-me para frente, fechando os olhos e colocando


minha cabeça em seu pescoço.

— Dex, eu preciso de você para me tocar.

— Eu sei. Venha aqui. — Dex puxou meus quadris, me


movendo para cima e posicionando-me, então estava sobre o
seu rosto, segurando a cabeceira da cama. — Mais abaixo. —
disse ele.

Abaixei em sua boca, e foi a sensação mais obscena e


incrível que já imaginei. Sua língua varreu meu clitóris e eu
gemi, movendo meus quadris, guiando sua boca onde eu
queria. Dex obedeceu, espalhando meus lábios com os dedos
e me lambendo. Apoiei-me na cabeceira da cama e deslizei
sobre ele, fodendo sua boca, meu corpo perseguindo o prazer.
Inclinei meu clitóris sobre sua língua e ele circulou
repetidamente, o prazer rodopiando até que gozei tão forte
que soltei um grito. Dex continuou lambendo, e o orgasmo
continuou vindo, e eu balancei nele através de onda após
onda.

Afastei-me dele e sentei na cama ao seu lado, respirando


com dificuldade. Cada terminação nervosa no meu corpo
estava cantando, e não podia acreditar que depois de um
orgasmo assim, ainda queria mais. Mas quis.

Dex rolou ao meu lado e colocou uma mão no meu


quadril. Sua voz era apertada, todo negócios.

— Role e abra as pernas.

Rolei para o meu lado, de costas para ele, e abri minhas


pernas. Dex agarrou meu joelho, os afastando ainda mais, e
senti seu pênis contra mim, duro e pronto novamente.
Posicionou-se e deslizou para dentro de mim, me fazendo
gemer.

Dex enterrou o rosto na minha nuca e me fodeu


novamente. Seu corpo estava quase em cima de mim, me
pressionando sobre o meu estômago, suas pernas entre as
minhas. Segurou minha bunda com uma mão e a apertou,
seu polegar pressionando em minha carne quando ele
começou a me bater lentamente.

A sensação era esmagadora e eu mal conseguia recuperar


o fôlego.

— Seu joelho. — eu disse, percebendo sua posição.


— Deixe eu me preocupar com isso. — Dex disse no meu
ouvido. — Apenas me foda, Sophie.

Eu fiz. Balancei meus quadris contra ele no seu ritmo


enquanto Dex segurava minha bunda e seu pênis deslizou
para dentro e para fora de mim, liso com meus sucos. Nós
nos movemos mais rápido, mais forte, nossa respiração em
sincronia, nossos corpos trabalhando no duro negócio de
foder e dar prazer. Dex havia manobrado seu corpo perfeito,
de modo que o peso estava fora de seu joelho ruim, comigo
acomodando sua posição, e o prazer era perfeito, cru e
irrestrito. Torci minhas mãos nos lençóis, agarrando eles.

— Oh, Deus. Você se sente tão bem dentro de mim.

— Goze para mim. — disse ele, ofegante quando me fodeu


com força. — Goze no meu pau.

Podia sentir o prazer espiralando em mim, deslizando


pela minha espinha, e me soltei. Deixei meu corpo assumir,
em outro orgasmo, apertando-o enquanto eu gritava. Senti a
contração de resposta de seu pênis dentro de mim quando ele
gozou, seu corpo firme e duro, seu gemido no meu ouvido.

Ficamos em silêncio por um longo tempo depois disso,


nossa respiração desacelerando. Dex tirou a mão da minha
bunda e passou o braço em volta de mim, suas tatuagens
flexionando quando me apertou.

— Jesus. — disse ele, se recuperando. — Devemos brigar


mais vezes. Esse foi o melhor sexo da minha vida.
Senti um caloroso rubor de pura felicidade com essas
palavras. Ele realmente era meu, meu Dex.

— O meu também.

Senti o tremor de riso em seu peito nas minhas costas.

— É bom saber que me superei.

Bati no braço dele.

— Seu ego nunca desiste.

— Não. — ele respondeu. — Se acostume a isso.

Eu já tive. Era louca por ele, ego e tudo. Rolei e olhei em


seus olhos azuis.

— Há algo que não resolvemos ainda.

— Sophie, não trabalhamos muitas coisas. Mas isso não


importa. Nós vamos.

— Eu sei. Mas as coisas importantes primeiro. —


Inclinei-me e o beijei suavemente nos lábios. — Dex Carter,
— disse — por favor, se case comigo. Por favor.

Dex olhou para mim por um longo tempo, procurando


meu rosto, pensando sobre isso. Então ele sorriu.

— Tudo bem. — disse ele. — Se prepare.


CAPÍTULO
TRINTA E UM

Seis meses depois

Era uma noite quente e úmida quando saí do banho e


vesti um robe para procurar meu marido.

Sabia onde provavelmente o encontraria. Com certeza, ele


estava no convés traseiro, sentado ao lado da piscina no
escuro. Estava esparramado em uma espreguiçadeira,
vestindo apenas calções de banho, olhando para algo em seu
telefone, a luz digital iluminando seu rosto.

Saí pelas portas de vidro em meus pés descalços.


Finalmente tínhamos uma casa, Dex e eu, e adorei. Era uma
casa perto do oceano, modesta, nada como uma mansão.
Acolhedor. O único luxo que Dex exigia era uma piscina
olímpica no fundo, que ele tinha construído sob medida e
usado religiosamente todos os dias.
Dex começou a nadar para ficar em forma enquanto seu
joelho se recuperava, e como nunca fez nada pela metade era
praticamente o melhor nadador que já tinha visto. Ele se
movia como um peixe através da água, cortando-o com seu
corpo, e podia nadar por horas a fio sem se cansar. Não tinha
vontade de competir, mas a natação tinha se tornado parte
dele, algo que fez puramente para si mesmo, para agradar a
si mesmo e a mais ninguém. Dex ainda sentia falta de jogar
futebol, mas a natação o deixava mais feliz.

Os últimos seis meses foram maravilhosos, incríveis,


embora não houvesse fingido que tinham sido fáceis. Nossas
vidas foram transformadas, especialmente Dex. Nós tivemos
que lidar com o circo da imprensa sobre sua lesão, sobre o
nosso casamento e, em seguida, sua cirurgia no joelho.
Estava se recuperando agora, a dor quase desapareceu, e ele
podia andar facilmente, embora seu joelho ficasse cansado,
se ele empurrasse com muita força. O que tendia a fazer. Mas
esse era Dex.

— Ei. — eu disse quando me aproximei de sua


espreguiçadeira.

— Ei. — Dex respondeu. Ele levantou o telefone. — Vou


para Ohio na próxima semana. Visita escolar.

Dex começou a Fundação Dex Carter quatro meses atrás,


e me nomeou CFO. Era uma instituição de caridade que
financiava comunidades desprivilegiadas para que elas
pudessem ter recursos para esportes coletivos. Quadras de
basquete, campos de futebol, pistas de gelo, equipamentos,
treinadores. O tipo de coisa que faz as crianças praticarem
esportes em vez de se meterem em problemas. Suas aparições
pessoais eram todas arrecadadoras de fundos agora, embora
mantivéssemos sua agenda leve para que não estivesse
viajando o tempo todo. As aparições públicas foram uma
vitória fácil, porque mesmo que parasse de jogar, em todo
lugar que Dex ia, as pessoas ainda ficavam loucas.

A primeira vez que vi Dex sendo assediado por um grupo


de crianças pequenas, meu relógio biológico começou a
acelerar tanto que praticamente ovulei. Dex seria um pai
incrível. Mas Dex tinha uma avalanche de ofertas de
treinamento que estava considerando. O treinamento era um
trabalho intenso e, se tivéssemos filhos, ele não queria estar
ausente. Então estávamos indo e voltando, decidindo o que
fazer.

Nós resolveríamos isso. Nós sempre fizemos.

Subi na cadeira com ele, montando seu colo.

— Não vou com você desta vez. Tenho que trabalhar. —


Equilibrei meu trabalho com a fundação com o trabalho
contínuo no escritório de advocacia sem fins lucrativos. Isso
me manteve firme e feliz, sabendo que estava ajudando
alguém em necessidade.

Dex desligou o telefone.


— Você tem certeza? — Dex colocou as mãos nas minhas
coxas e as deslizou para cima, sob o meu robe. Senti minha
pele formigar e passei um dedo por sua clavícula, absorvendo
uma gota de água de sua natação.

— Espere um minuto. — As mãos de Dex foram longe o


suficiente para os meus quadris. Na luz fraca da casa, seu
rosto era principalmente sombras. — Não acho que você está
vestindo nada, Sra. Carter.

Eu me contorci um pouco em seu colo, sentindo ele


flexionar debaixo de mim.

— Não acho que nós já fizemos isso nesta cadeira. —


sugeri.

— Você não acha? — Dex riu baixinho. Era o meu som


favorito, aquela risada, e a ouvia com mais frequência agora
do que nunca. Ele puxou o cinto do meu robe, o deixando
cair aberto. Olhou para o meu corpo na escuridão e
gentilmente passou os dedos na minha pele, passando os
polegares pelos meus mamilos. — Perfeito. — disse ele.

Inclinei-me e o beijei. Seja o que for que aconteça, seria


isso.

FIM