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Aula 11

Direito Administrativo p/ INSS 2017/2018 (Técnico do Seguro Social) - Com videoaulas

Professor: Herbert Almeida

04921490384 - Victória Vieira Lima e Silva


No•›es de Direito Administrativo p/ INSS
TŽcnico de Seguro Social
Teoria e exerc’cios

comentados
Prof. Herbert Almeida Ð Aula 11

AULA 11: Improbidade administrativa

Sumário

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA ................................................................................................................... 2


NOÇÕES GERAIS E PREVISÃO CONSTITUCIONAL ............................................................................................................... 2
ESPÉCIES DE ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA ................................................................................................... 13
SANÇÕES CABÍVEIS ................................................................................................................................................. 23
DECLARAÇÃO DE BENS E VALORES ............................................................................................................................. 27
REPRESENTAÇÃO ................................................................................................................................................... 27
AÇÃO DE IMPROBIDADE .......................................................................................................................................... 28
COMPETÊNCIA ...................................................................................................................................................... 30
PRESCRIÇÃO ......................................................................................................................................................... 31
QUESTÕES EXTRAS ....................................................................................................................................... 39
QUESTÕES COMENTADAS NA AULA ............................................................................................................. 51
GABARITO .................................................................................................................................................... 56
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................................ 56


Ol‡ pessoal, tudo bem?
Nesta aula, vamos estudar o seguinte item do edital: ÒLei n¼
8.429/1992 (san•›es aplic‡veis aos agentes pœblicos nos casos de
enriquecimento il’cito no exerc’cio de mandato, cargo, emprego ou
fun•‹o da administra•‹o pœblica direta, indireta ou fundacional e d‡
outras provid•ncias).Ó.
Aos estudos, aproveitem!

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IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

Noções gerais e previsão constitucional

A Constitui•‹o Federal deu import‰ncia relevante ˆ moralidade


administrativa, incluindo-a como princ’pio constitucional previsto no art. 37,
caput, do Texto Maior. Com efeito, a exig•ncia de uma atua•‹o moral se
relaciona com o dever de probidade, Žtica e honestidade da Administra•‹o
Pœblica.
Nesse sentido, a Constitui•‹o da Repœblica se referiu ˆ improbidade
administrativa como forma de viola•‹o ˆ moralidade administrativa,
incluindo diversos dispositivos sobre o tema. No art. 15, V, a improbidade
administrativa Ž tratada como forma de suspens‹o dos direitos pol’ticos:
Art. 15. ƒ vedada a cassa•‹o de direitos pol’ticos, cuja perda ou suspens‹o
s— se dar‡ nos casos de:
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, ¤ 4¼.

O art. 85, V, disp›e que s‹o crimes de responsabilidade os atos do


Presidente da Repœblica que atentem contra a Constitui•‹o Federal e,
especialmente, contra a probidade na administra•‹o; enquanto o art. 14, ¤
9¼, trata a prote•‹o da probidade administrativa como um dos par‰metros
para defini•‹o dos casos de inelegibilidade.
Todavia, o dispositivo de import‰ncia maior Ž o ¤ 4¼ do art. 37 da
Constitui•‹o, que estabelece a base para a responsabiliza•‹o dos atos de
improbidade administrativa:
¤ 4¼ - Os atos de improbidade administrativa importar‹o a suspens‹o
dos direitos pol’ticos, a perda da fun•‹o pœblica, a indisponibilidade dos bens
e o ressarcimento ao er‡rio, na forma e grada•‹o previstas em lei, sem
preju’zo da a•‹o penal cab’vel.

Uma vez que se insere no texto constitucional, essa norma alcan•a a


administra•‹o pœblica direta e indireta, de qualquer dos Poderes, de todos
entes da Federa•‹o. Por conseguinte, foi editada a Lei 8.429/1992, norma
de car‡ter nacional, alcan•ando, portanto, todos os entes da Federa•‹o
(Uni‹o, estados, Distrito Federal e munic’pios).
Nesse contexto, a Lei 8.429/1992 (Lei de Improbidade
Administrativa Ð LIA) define os sujeitos ativo e passivo do ato de
improbidade (arts. 1¼ ao 3¼); o pr—prio ato de improbidade, ainda que n‹o
o fa•a de maneira t‹o clara (arts. 9» ao 11¼); as san•›es cab’veis (art. 12);

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e as normas da a•‹o judicial em decorr•ncia da pr‡tica do ato de


improbidade (art. 17).
Com efeito, apesar de mencionarmos a rela•‹o entre a probidade
administrativa e a moralidade, os casos considerados como atos de
improbidade administrativa s‹o muito mais amplos. Segundo Maria Sylvia
Zanella Di Pietro,
Comparando a moralidade com a probidade, pode-se afirmar que, como
princ’pios, significam praticamente a mesma coisa, embora algumas leis
fa•am refer•ncia ˆs duas separadamente [...].
No entanto, quando se fala em improbidade como ato il’cito, como infra•‹o
sancionada pelo ordenamento jur’dico, deixa de haver sinon’mia entre as
express›es improbidade e imoralidade, porque aquela tem um sentido muito
mais amplo e muito mais preciso, que abrange n‹o s— atos desonestos ou
imorais, mas tambŽm e principalmente ilegais.

Portanto, a improbidade envolve n‹o somente os atos imorais e


desonestos, mas tambŽm os atos ilegais em sentido estrito, ou seja,
aqueles que confrontam leis, regulamentos ou outros atos normativos.
Dessa forma, a Lei de Improbidade Administrativa (LIA) estabeleceu
inœmeras hip—teses de atos de improbidade, sendo que a viola•‹o ˆ
moralidade administrativa Ž apenas uma delas. Nesse contexto, a Lei
8.429/1992 estabeleceu quatro tipos de atos considerados como de
improbidade administrativa: (a) os que importam enriquecimento il’cito
(art. 9¼); (b) os que causam preju’zo ao er‡rio (art. 10); (c) os
decorrentes de concess‹o ou aplica•‹o indevida de benef’cio
financeiro ou tribut‡rio (art. 10-A); (d) os que atentam contra os
princ’pios da Administra•‹o Pœblica (art. 11).
A partir da’, vamos come•ar a analisar todos os aspectos da Lei
8.429/19921.

Sujeito passivo do ato de improbidade

Os sujeitos passivos dos atos de improbidade administrativa s‹o todas


as entidades que podem ser atingidas por atos dessa natureza, ou seja, s‹o
as entidades contra as quais os atos de improbidade administrativa podem
ser praticados.


1
Nesta aula, quando falarmos em “Lei”, com inicial em letra maiúscula, ou quando mencionarmos diretamente
um artigo, sem especificar a lei, considere que estamos falando da Lei 8.429/1992 (Lei de Improbidade
Administrativa).

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De acordo com o art. 1º da Lei 8.429/1992, os atos de


improbidade administrativa podem ser praticados contra
(sujeitos passivos):
a) a administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, de Território;
b) empresa incorporada ao patrimônio público ou de entidade para cuja criação
ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com mais de cinquenta por
cento do patrimônio ou da receita anual;
c) entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de
órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja
concorrido ou concorra com menos de cinquenta por cento do patrimônio ou
da receita anual, limitando-se, nestes casos, a sanção patrimonial à repercussão
do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos.

Portanto, os sujeitos passivos abrangem todas as pessoas pol’ticas


(Uni‹o, estados, Distrito Federal e munic’pios); os —rg‹os dos tr•s Poderes
(incluindo o Tribunal de Contas e o MinistŽrio Pœblico); as administra•›es
direta e indireta (autarquias, funda•›es pœblicas, empresas pœblicas e
sociedades de economia mista); as empresas que, mesmo n‹o pertencendo
ao Poder Pœblico, est‹o sob controle deste Ð no caso em que o er‡rio
concorreu com mais de 50% do patrim™nio ou da receita anual2 Ð; entidades
que n‹o pertencem ˆ Administra•‹o Pœblica, mas que recebam algum tipo
de subven•‹o, benef’cio ou incentivo, fiscal ou credit’cio, de —rg‹o pœblico,
ou ent‹o aquelas em cuja cria•‹o ou custeio o er‡rio haja concorrido com
menos de cinquenta por cento do patrim™nio ou da receita anual, nos
quais a san•‹o patrimonial limitar-se-‡ ˆ repercuss‹o do il’cito sobre a
contribui•‹o dos cofres pœblicos.
Apenas esclarecendo um pouco mais, no œltimo tipo de sujeito passivo
dos atos de improbidade administrativa mencionado acima, est‹o as
entidades privadas em rela•‹o ˆs quais o Estado exerce a fun•‹o de
fomento, concedendo algum tipo de subs’dio, benef’cio ou incentivo ou que
ainda tenha contribu’do com a cria•‹o ou custeio, com menos de 50%.
Podemos mencionar como exemplos os servi•os sociais aut™nomos (Sesi,
Senai, Sesc, etc.), as organiza•›es sociais, as organiza•›es da sociedade

2
Segundo a Pro. Maria Di Pietro, trata-se das “empresas sob controle direto ou indireto do poder público” (Di
Pietro, 2014, p. 910).

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civil de interesse pœblico e qualquer outro tipo de entidade criada ou


mantida com recursos pœblicos3. Nesse caso, a Lei limita a san•‹o
patrimonial ˆ repercuss‹o do il’cito sobre a contribui•‹o dos cofres
pœblicos. Aquilo que exceder ˆs contribui•›es do er‡rio, dever‡ ser
pleiteado por outra via que n‹o a a•‹o de improbidade.

Sujeito ativo do ato de improbidade

O sujeito ativo Ž representado pelas pessoas que podem praticar os


atos de improbidade administrativa e, por consequ•ncia, sofrer as devidas
san•›es previstas na Lei 8.429/1992. Nesse contexto, existem dois tipos de
sujeitos ativos dos atos de improbidade:

a) os agentes pœblicos (art. 2¼);


b) os terceiros que, mesmo n‹o sendo agentes pœblicos, induzam ou
concorram para a pr‡tica do ato de improbidade administrativa ou
dele se beneficiem sob qualquer forma direta ou indireta (art. 3¼).

Em primeiro lugar, devemos destacar que a Lei de Improbidade


Administrativa permite a aplica•‹o de san•›es a pessoas que n‹o sejam
agentes pœblicos. No entanto, n‹o Ž poss’vel que o terceiro atue
isoladamente. Em outras palavras, uma pessoa que n‹o seja agente pœblico
somente cometer‡ atos de improbidade administrativa quando se observar
alguma rela•‹o com agentes pœblicos. Nesse caso, a Lei 8.429/1992
apresenta tr•s tipos de rela•‹o:
(a)! quando a pessoa induz um agente a praticar ato de improbidade
administrativa;

(b)! quando pratica o ato juntamente com o agente pœblico, ou seja, quando
concorre para o ato; e

(c)! quando a pessoa se beneficia de um ato de improbidade praticado por um


agente pœblico.

Em regra, a Lei de Improbidade busca sancionar


as condutas praticadas por pessoas f’sicas.
Contudo, a despeito da diverg•ncia doutrin‡ria
sobre o tema, o STJ admite que pessoas jur’dicas sejam


3
Di Pietro, 2014, p. 910-911.

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responsabilizadas, desde que tenham se beneficiado ou participado dos


atos de improbidade administrativa (REsp 1.122.177/MT).
Com efeito, as pessoas jur’dicas podem responder em a•‹o de
improbidade, ainda que desacompanhadas de seus s—cios, ou seja, uma
empresa pode ser rŽ da a•‹o de improbidade, mesmo que seus s—cios n‹o
figurem no polo passivo dessa demanda (REsp 970.393/CE).
Entretanto, a pessoa jur’dica n‹o se submete, por incompatibilidade com
a sua natureza, ˆs san•›es de perda da fun•‹o pœblica e de suspens‹o
dos direitos pol’ticos. Por outro lado, as empresas poder‹o sofrer as
san•›es de ressarcimento integral do dano, perda dos bens ou valores
acrescidos ilicitamente ao patrim™nio, pagamento de multa civil e
proibi•‹o de contratar com o Poder Pœblico ou receber benef’cios ou
incentivos fiscais ou credit’cios, nos termos e limites do art. 12 da LIA
(REsp 1.038.762/RJ).
Em resumo, os terceiros, para fins da Lei de Improbidade, podem ser
pessoas f’sicas ou jur’dicas.

Por outro lado, o conceito de agente pœblico da Lei 8.429/1992 Ž


amplo, abrangendo todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou
sem remunera•‹o, por elei•‹o, nomea•‹o, designa•‹o, contrata•‹o ou
qualquer outra forma de investidura ou v’nculo, mandato, cargo, emprego
ou fun•‹o nas entidades mencionadas que podem ser enquadrados como
sujeito passivo dos atos de improbidade administrativa (art. 2¼).

transitoriamente ou sem remuneração

Agentes públicos (em


por eleição, nomeção, designação, contratação ou
sentido amplo), ainda
qualquer forma de investidura ou vínculo
que:

mandato, cargo, emprego ou função


Sujeitos ativos do
ato de improbidade
administrativa
Induzam

Terceiros que: Concorram

Beneficiem-se

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Apesar da abrang•ncia do conceito de agente pœblico, h‡ muita


discuss‹o em rela•‹o ˆ aplica•‹o das san•›es por improbidade
administrativa aos agentes pol’ticos que respondem por crime de
responsabilidade (Presidente da Repœblica; Ministros de Estado;
Procurador-Geral da Repœblica; Ministros do STF; Governadores;
Secret‡rios de Estado).
Isso porque o Supremo Tribunal Federal, em decis‹o proferida na
Reclama•‹o 2.138/DF (decis‹o em 13/6/2007), declarou que os agentes
pol’ticos pass’veis de responder por crime de responsabilidade, na
forma prevista no art. 102, I, ÒcÓ, da Constitui•‹o Federal, e na Lei
1.079/1950, n‹o se sujeitam ˆs disposi•›es da Lei 8.429/19924. O caso
tratava especificamente da responsabilidade de um Ministro de Estado.
Hoje, no entanto, h‡ uma forte tend•ncia de supera•‹o desse
entendimento, uma vez que o STF j‡ deu v‡rias decis›es indicando a
possibilidade de alcan•ar os agentes pol’ticos que respondem por crime de
responsabilidade.
No ‰mbito do Superior Tribunal de Justi•a, por outro lado, costuma-
se aceitar a aplica•‹o conjunta da responsabiliza•‹o prevista na Lei
8.429/1992 e da Lei 1.079/1950, ressalvando-se o Presidente da
Repœblica, que somente responderia por crime de responsabilidade, ou
seja, um agente pol’tico poderia responder simultaneamente por crime de
responsabilidade e por improbidade administrativa, salvo o Presidente da
Repœblica.
Portanto, podemos tra•ar o seguinte panorama sobre o alcance da Lei
de Improbidade Administrativa de acordo com o STF e o STJ, ainda que n‹o
tenha ocorrida a discuss‹o em rela•‹o a todos os casos poss’veis:

Para o STJ
§ a Lei de Improbidade alcan•a os agentes pol’ticos municipais5,
tais como prefeitos, ex-prefeitos e vereadores6.


4
Informativo 471 do STF; veja também a Rcl 2.138/DF.
5
REsp 1119143/MG.
6
AgRg no REsp 1158623/RJ.

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Assim, um Prefeito poderia responder por crime de responsabilidade,


na forma do Decreto-Lei 201/67, e tambŽm por improbidade
administrativa, nos termos da Lei 8.429/1992.
§ os agentes pol’ticos s‹o alcan•ados pela Lei de Improbidade,
mesmo que respondam por crime de responsabilidade, com exce•‹o
apenas do Presidente da Repœblica (Reclama•‹o 2.790/SC).
Nessa linha, o Superior Tribunal de Justi•a, na Reclama•‹o
2.790/SC, admitiu a possibilidade de governador de estado (agente
pol’tico) responder por ato de improbidade administrativa7.
§ a Lei 8.429/1992 aplica-se aos membros dos Tribunais de
Contas8.
§ segundo o STJ, as disposi•›es da Lei 8.429/1992 alcan•am os
magistrados, inclusive no exerc’cio da fun•‹o judicante.
Nesse sentido, vejamos o trecho do precedente do Superior Tribunal de
Justi•a constante no REsp 1.127.182/RN:
1. Sejam considerados agentes comuns, sejam considerados agentes
pol’ticos, a Lei n. 8.429/92 Ž plenamente incidente em face de
magistrados por atos alegadamente ’mprobos que tenham sido
cometidos em raz‹o do exerc’cio de seu mister legal. [...]
3. Em segundo lugar porque, admitindo tratar-se de agentes n‹o
pol’ticos, o conceito de "agente pœblico" previsto no art. 2¼ da Lei n.
8.429/92 Ž amplo o suficiente para albergar os magistrados,
especialmente, se, no exerc’cio da fun•‹o judicante, eles praticarem
condutas enquadr‡veis, em tese, pelos arts. 9¼, 10 e 11 daquele diploma
normativo.
4. Despiciendo, portanto, adentrar, aqui, longa controvŽrsia doutrin‡ria
e jurisprudencial acerca do enquadramento de ju’zes como agentes
pol’ticos, pois, na espŽcie, esta discuss‹o demonstra-se irrelevante.
(REsp 1127182/RN, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES,
SEGUNDA TURMA, julgado em 28/09/2010, DJe 15/10/2010) (grifos
nossos)

Em resumo, o STJ defende uma incid•ncia bem ampla da aplica•‹o


do regime da Lei de Improbidade Administrativa, excepcionando
apenas o Presidente da Repœblica.

Para o STF
§ O STF j‡ decidiu que os agentes pol’ticos pass’veis de responder
por crime de responsabilidade (Presidente da Repœblica;


7
Rlc 2.790/SC.
8
QO na AIA 27/DF.

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Ministros de Estado; Procurador-Geral da Repœblica; Ministros do


STF; Governadores; Secret‡rios de Estado) n‹o respondem por
improbidade administrativa Ð caso tratava especificamente de um
Ministro de Estado.
No entanto, dificilmente esse tema dever‡ aparecer em prova, uma
vez que foi aplicado em um caso de 2007, sendo que h‡ fortes ind’cios de
que o STF superou este entendimento. Com efeito, algumas decis›es
do STF s‹o conflitantes com tal decis‹o. Vejamos alguns casos:
§ O STF j‡ decidiu, em 2008, que os ministros do pr—prio STF
respondem por improbidade administrativa perante o pr—prio
Supremo Tribunal Federal (Pet 3.211/DF QO).
Nesse œltimo caso, o tema central da discuss‹o seria o foro
competente para processar a•‹o de improbidade proposta contra Ministro
do STF. Contudo, ao decidir o tema, podemos dizer que houve uma
contradi•‹o em rela•‹o ˆ decis‹o sobre agentes pol’ticos que vimos
acima. Afinal, os ministros do STF, como agentes pol’ticos pass’veis de
responder por crime de responsabilidade, n‹o poderiam ser
responsabilizados por improbidade administrativa. PorŽm, ao dizer que os
seus ministros respondem por improbidade perante o pr—prio STF,
considerou-se a possibilidade de eles virem a ser responsabilizados no
‰mbito da Lei 8.429/1992.
§ No AI 809.338-AgR (de 29/10/2013), o STF expressamente informou
que ÒA a•‹o de improbidade administrativa, com fundamento na Lei
n¼ 8.429/92, tambŽm pode ser ajuizada em face de agentes
pol’ticosÓ.
§ No AC 3.585-AgR (julgado em 2/9/2014), o STF expressamente
permitiu a dupla sujei•‹o de governador de estado ao regime de
crime de responsabilidade e de improbidade administrativa, quando
o mandato ainda estiver em andamento. Ao tŽrmino do mandato,
pela natureza da san•‹o, deixaria de ocorrer a responsabiliza•‹o por
crime de responsabilidade, mas persistiria a a•‹o de improbidade.
Nessa linha, disp™s o Supremo que existe um ÒRegime de plena
responsabilidade dos agentes estatais, inclusive dos agentes
pol’ticos, como express‹o necess‡ria do primado da ideia
republicanaÓ.
No julgamento do AC 3.585-AgR, o STF ressaltou que a decis‹o
exarada no Reclama•‹o 2.138/DF n‹o era vinculante, aplicando-se

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unicamente ˆs partes. Com efeito, lembra-se que a Reclama•‹o 2.138/DF


teve a finalidade de afastar a responsabilidade de um ministro de
estado. Portanto, as demais autoridades podem ser responsabilizadas,
sem qualquer problema. PorŽm, se a quest‹o tratar de um ministro de
estado, a’ podemos entender que o avaliador deseja saber o antigo
entendimento do STF, afastando a responsabiliza•‹o por improbidade.

Portanto, podemos entender que a linha atual Ž de excluir apenas o


Presidente da Repœblica da responsabiliza•‹o por improbidade, conforme
decis‹o do STJ (Reclama•‹o 2.790/SC), e eventualmente os ministros de
estado, conforme decis‹o do STF (Reclama•‹o 2.138/DF). No mais, todos
os agentes pœblicos podem responder por improbidade, sejam pol’ticos ou
n‹o, conforme entendimentos mais recentes do STF e do STJ.

Natureza da ação de improbidade administrativa e cumulação de instâncias

De acordo com o art. 37, ¤4¼ da Constitui•‹o Federal, os atos de


improbidade administrativa importar‹o: (a) a suspens‹o dos direitos
pol’ticos; (b) a perda da fun•‹o pœblica; (c) a indisponibilidade dos bens; e
(d) o ressarcimento ao er‡rio, Òsem preju’zo da a•‹o penal cab’velÓ.
Adicionalmente, a Lei 8.429/1992 apresentou outras penalidades, que
ser‹o discutidas a seguir.
Portanto, a natureza da a•‹o n‹o Ž penal. Claro que se a conduta for
tipificada como crime, n‹o haver‡ preju’zo de interpor a•‹o pr—pria
buscando a aplica•‹o das san•›es penais. Nesse caso, teremos duas a•›es
distintas, uma de improbidade administrativa e outra de natureza penal.
Nesse contexto, devemos destacar que existem tr•s esferas
independentes: penal, civil e administrativa. Essas esferas s‹o, em
regra, independentes, ou seja, Ž poss’vel que uma pessoa seja absolvida
em uma, e n‹o na outra. TambŽm Ž poss’vel que alguŽm seja sancionado
nas tr•s esferas, ou em apenas duas.

A regra é a independência das instâncias penal, civil e


administrativa, motivo pelo qual uma pessoa poderá
sofrer ações nas três esferas. Todavia, a ação penal, que

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possui um procedimento mais solene, poderá interferir nas demais instâncias da


seguinte forma9:
a) a condenação criminal, invariavelmente, acarreta a condenação nas esferas civil
e administrativa;
b) a absolvição na esfera penal estende-se às outras instâncias exclusivamente
quando fundada na inexistência do fato ou na ausência de autoria.

Assim, um agente pœblico poder‡, na mesma conduta, cometer um


crime previsto no C—digo Penal (esfera penal); ser responsabilizado
civilmente pelo dano causado ao er‡rio (esfera civil); e ser punido com pena
de demiss‹o do servi•o pœblico (esfera administrativa).
Quanto ˆ natureza da a•‹o de improbidade, alguns doutrinadores a
consideram como de natureza civil. Todavia, a Prof. Maria Sylvia Zanella
Di Pietro ensina que o ato de improbidade administrativa caracteriza um
il’cito de natureza civil e pol’tica, uma vez que pode implicar a suspens‹o
dos direitos pol’ticos, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao
er‡rio.
Com efeito, devemos notar que as san•›es por atos de improbidade
n‹o s‹o aplicadas na esfera administrativa. Vale dizer: as san•›es s‹o
aplicadas no ‰mbito judicial, em processo pr—prio, instaurado por iniciativa
do MinistŽrio Pœblico ou da pessoa jur’dica atingida pelo ato.
Dessa forma, ainda que a san•‹o possa ter repercuss‹o na esfera
administrativa (como ocorre com a perda da fun•‹o pœblica, com a proibi•‹o
de contratar com o Poder Pœblico e com a proibi•‹o de receber do Poder
Pœblico benef’cios fiscais ou credit’cios), a san•‹o em si Ž aplicada no ‰mbito
judicial.
Independentemente do que se considera por ÒnaturezaÓ, o fato Ž que
os atos de improbidade administrativa n‹o geram san•›es penais, sendo
necess‡rio, para tanto, a interposi•‹o de a•‹o pr—pria.

1. (Cespe - Proc/TC DF/2013) O ato de improbidade, que, em si, não constitui


crime, caracteriza-se como um ilícito de natureza civil e política.


9
Alexandrino e Paulo, 2011, p. 898-899.

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Comentário: o art. 37, §4º, da LIA determina que as penalidades decorrentes


dos atos de improbidade administrativa devem ser aplicadas “sem prejuízo da
ação penal cabível”. Portanto, a ação e suas penalidades não possuem
natureza penal.
De acordo com Maria Di Pietro, o ato de improbidade administrativa
caracteriza um ilícito de natureza civil e política, uma vez que pode implicar a
suspensão dos direitos políticos, a indisponibilidade dos bens e o
ressarcimento ao erário. Dessa forma, o item está correto.
Gabarito: correto.

2. (Cespe - ATA/MIN/2013) Os agentes políticos cujos atos puderem configurar


crimes de responsabilidade não se submetem ao regime da Lei de Improbidade
Administrativa.
Comentário: o conceito de agente público da Lei 8.429/1992 é amplo,
abrangendo todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem
remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer
outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função
nas entidades alcançadas pela Lei.
Todavia, o STF, na Reclamação 2.138/DF, declarou que os agentes políticos
passíveis de responder por crime de responsabilidade, na forma prevista no
art. 102, I, “c”, da Constituição Federal, e na Lei 1.079/1950, não se sujeitam
às disposições da Lei 8.429/1992.
Assim, em linhas gerais, podemos considerar a assertiva correta.
Gabarito: correto.

3. (Cespe - AnaTA/MJ/2013) Um ato de improbidade administrativa praticado por


servidor público não pode ser simultaneamente enquadrado como um ilícito
administrativo, o que exime a autoridade competente de instaurar qualquer
procedimento para apuração de responsabilidade de natureza disciplinar.
Comentário: as instâncias são independentes. Logo, um ato de improbidade
administrativa também poderá ser enquadrado nas esferas administrativa e
penal. Por exemplo, um servidor público federal que dispensar ou inexigir
licitação fora das hipóteses previstas em lei poderá ser responsabilizado na
esfera penal (Lei 8.666/1993, art. 89); na esfera administrativa (Lei 8.112/1990,
art. 132, I e IV); e por ato de improbidade administrativa – esfera civil (Lei
8.429/1992, art. 10, VIII).
Logo, o servidor público poderá ser enquadrado simultaneamente pelo ilícito
administrativo.

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Gabarito: errado.

4. (Cespe - AnaTA/MJ/2013) A Lei de Improbidade Administrativa é aplicável a


qualquer agente público que seja servidor estatutário vinculado às pessoas jurídicas
de direito público, não abrangendo os empregados públicos vinculados à
administração indireta.
Comentário: a Lei 8.429/1992 abrangem todas as pessoas políticas (União,
estados, Distrito Federal e municípios); os órgãos dos três Poderes (incluindo
o Tribunal de Contas e o Ministério Público); as administrações direta e
indireta (autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de
economia mista); as empresas que, mesmo não pertencendo ao Poder
Público, estão sob controle deste – no caso em que o erário concorreu com
mais de 50% do patrimônio ou da receita anual –; entidades que não
pertencem à Administração Pública, mas que recebam algum tipo de
subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão público, ou
então aquelas em cuja criação ou custeio o erário haja concorrido com menos
de cinquenta por cento do patrimônio ou da receita anual, nos quais a sanção
patrimonial limitar-se-á à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos
cofres públicos.
Com efeito, o art. 2º estabelece o seguinte:
Art. 2¡ Reputa-se agente pœblico, para os efeitos desta lei, todo aquele
que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remunera•‹o, por elei•‹o,
nomea•‹o, designa•‹o, contrata•‹o ou qualquer outra forma de
investidura ou v’nculo, mandato, cargo, emprego ou fun•‹o nas entidades
mencionadas no artigo anterior.
Dessa forma, o conceito é amplo, abrangendo quase todos os tipos de agentes
públicos. A Lei também abrange toda a administração direta e indireta, as
entidades controladas e aquelas que recebam recursos para fomento.
Gabarito: errado.

Espécies de atos de improbidade administrativa

A Lei 8.429/1992 classifica os atos de improbidade administrativa em


quatro grandes grupos.

Os arts. 9¼, 10, 10-A e 11 estabelecem os


grupos de atos de improbidade, dividindo-os
em atos que:
a) importam enriquecimento il’cito (art. 9¼);

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b) causam preju’zo ao er‡rio (art. 10);


c) concess‹o ou aplica•‹o indevida de benef’cio financeiro ou
tribut‡rio (art. 10-A);
d) atentam contra os princ’pios da Administra•‹o Pœblica (art. 11).

A partir do enquadramento do ato em um desses grupos, ser‹o


aplicadas as penalidades previstas no art. 12 da Lei. Nesse caso, h‡ uma
verdadeira hierarquia das san•›es, sendo que as penalidades mais
rigorosas se aplicam aos atos que importam enriquecimento il’cito, e as
penas mais brandas aos que atentam contra os princ’pios da Administra•‹o
Pœblica.
AlŽm disso, a Lei estabelece, para cada um desses grupos, uma r‡pida
defini•‹o e, em seguida, lista alguns exemplos de atos que neles poderiam
ser enquadrados. Nesse contexto, ap—s a defini•‹o, em cada um dos
artigos, consta a express‹o Òe notadamenteÓ. Dessa forma, podemos
perceber que o rol de condutas previstas em cada um dos artigos que
estabelecem os atos de improbidade administrativa Ž apenas
exemplificativo, podendo existir casos que n‹o constem expressamente
nesses dispositivos, mas igualmente possam ser considerados como
improbidades.
Agora, vamos analisar as condutas enquadr‡veis em cada um desses
grupos.

Atos que importam enriquecimento ilícito

De acordo com o art. 9¼ da Lei 8.429/1992, constitui ato de


improbidade administrativa importando enriquecimento il’cito Òauferir
qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em raz‹o do exerc’cio
de cargo, mandato, fun•‹o, emprego ou atividade nas entidadesÓ
abrangidas pela Lei e, notadamente:
I - receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou imóvel, ou qualquer
outra vantagem econômica, direta ou indireta, a título de comissão, percentagem,
gratificação ou presente de quem tenha interesse, direto ou indireto, que possa ser
atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente
público;

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II - perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para facilitar a aquisição,


permuta ou locação de bem móvel ou imóvel, ou a contratação de serviços pelas
entidades referidas no art. 1° por preço superior ao valor de mercado;
III - perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para facilitar a alienação,
permuta ou locação de bem público ou o fornecimento de serviço por ente estatal
por preço inferior ao valor de mercado;
IV - utilizar, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas, equipamentos ou
material de qualquer natureza, de propriedade ou à disposição de qualquer das
entidades mencionadas no art. 1° desta lei, bem como o trabalho de servidores
públicos, empregados ou terceiros contratados por essas entidades;
V - receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para
tolerar a exploração ou a prática de jogos de azar, de lenocínio, de narcotráfico, de
contrabando, de usura ou de qualquer outra atividade ilícita, ou aceitar promessa de
tal vantagem;
VI - receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para
fazer declaração falsa sobre medição ou avaliação em obras públicas ou qualquer
outro serviço, ou sobre quantidade, peso, medida, qualidade ou característica de
mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das entidades mencionadas no art. 1º
desta lei;
VII - adquirir, para si ou para outrem, no exercício de mandato, cargo, emprego ou
função pública, bens de qualquer natureza cujo valor seja desproporcional à
evolução do patrimônio ou à renda do agente público;
VIII - aceitar emprego, comissão ou exercer atividade de consultoria ou
assessoramento para pessoa física ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser
atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente
público, durante a atividade;
IX - perceber vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação de
verba pública de qualquer natureza;
X - receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indiretamente,
para omitir ato de ofício, providência ou declaração a que esteja obrigado;
XI - incorporar, por qualquer forma, ao seu patrimônio bens, rendas, verbas ou
valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1°
desta lei;

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XII - usar, em proveito próprio, bens, rendas, verbas ou valores integrantes do


acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1° desta lei.

Essas s‹o as condutas mais graves e, por conseguinte, receber‹o as


penalidades mais gravosas.

Atos que causam lesão ao erário

Consoante o art. 10 da LIA, constitui ato de improbidade administrativa


que causa les‹o ao er‡rio qualquer a•‹o ou omiss‹o, dolosa ou
culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropria•‹o,
malbaratamento ou dilapida•‹o dos bens ou haveres das entidades
abrangidas pela Lei, e notadamente:
I - facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio
particular, de pessoa física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou valores
integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei;
II - permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens,
rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades
mencionadas no art. 1º desta lei, sem a observância das formalidades legais ou
regulamentares aplicáveis à espécie;
III - doar à pessoa física ou jurídica bem como ao ente despersonalizado, ainda que
de fins educativos ou assistências, bens, rendas, verbas ou valores do patrimônio
de qualquer das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem observância das
formalidades legais e regulamentares aplicáveis à espécie;
IV - permitir ou facilitar a alienação, permuta ou locação de bem integrante do
patrimônio de qualquer das entidades referidas no art. 1º desta lei, ou ainda a
prestação de serviço por parte delas, por preço inferior ao de mercado;
V - permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por preço
superior ao de mercado;
VI - realizar operação financeira sem observância das normas legais e
regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea;
VII - conceder benefício administrativo ou fiscal sem a observância das
formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie;

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VIII - frustrar a licitude de processo licitatório ou de processo seletivo para


celebração de parcerias com entidades sem fins lucrativos, ou dispensá-lo
indevidamente;
IX - ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou
regulamento;
X - agir negligentemente na arrecadação de tributo ou renda, bem como no que diz
respeito à conservação do patrimônio público;
XI - liberar verba pública sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir
de qualquer forma para a sua aplicação irregular;
XII - permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente;
XIII - permitir que se utilize, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas,
equipamentos ou material de qualquer natureza, de propriedade ou à disposição de
qualquer das entidades mencionadas no art. 1° desta lei, bem como o trabalho de
servidor público, empregados ou terceiros contratados por essas entidades.
XIV – celebrar contrato ou outro instrumento que tenha por objeto a prestação de
serviços públicos por meio da gestão associada sem observar as formalidades
previstas na lei;
XV – celebrar contrato de rateio de consórcio público sem suficiente e prévia
dotação orçamentária, ou sem observar as formalidades previstas na lei;
XVI - facilitar ou concorrer, por qualquer forma, para a incorporação, ao patrimônio
particular de pessoa física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou valores públicos
transferidos pela administração pública a entidades privadas mediante celebração
de parcerias, sem a observância das formalidades legais ou regulamentares
aplicáveis à espécie;
XVII - permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens,
rendas, verbas ou valores públicos transferidos pela administração pública a
entidade privada mediante celebração de parcerias, sem a observância das
formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie;
XVIII - celebrar parcerias da administração pública com entidades privadas sem a
observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie;
XIX - frustrar a licitude de processo seletivo para celebração de parcerias da
administração pública com entidades privadas ou dispensá-lo indevidamente;

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XX - agir negligentemente na celebração, fiscalização e análise das prestações de


contas de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas;
XXI - liberar recursos de parcerias firmadas pela administração pública com
entidades privadas sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de
qualquer forma para a sua aplicação irregular.

Esses s‹o os casos intermedi‡rios, que geram penas de n’vel mŽdio,


conforme escalonamento prevista na Lei de Improbidade Administrativa.
Com efeito, o art. 10 foi claro em mencionar que este grupo alcan•a
qualquer a•‹o ou omiss‹o, dolosa ou culposa. A doutrina e a
jurisprud•ncia consideram que Ž necess‡rio demonstrar a exist•ncia do
elemento subjetivo do ato, ou seja, o dolo ou a culpa. O dolo ocorre
quando o agente possui a inten•‹o de praticar a conduta prevista na lei;
por outro lado, a culpa ocorre quando ele atua com neglig•ncia,
imprud•ncia ou imper’cia.
No caso dos atos de improbidade administrativa, s— se admite conduta
culposa naqueles que causam les‹o ao er‡rio; enquanto, nos outros casos
(os que importam enriquecimento il’cito, os que atentam contra os
princ’pios da Administra•‹o Pœblica e os que concedem benef’cio financeiro
ou tribut‡rio irregular) s— admitem conduta dolosa. O dolo, no entanto,
conforme entendimento do STJ, n‹o precisa ter finalidade espec’fica (dolo
espec’fico), basta o dolo genŽrico10.
Nesse sentido, vale transcrever o trecho da ementa do REsp
805.080/SP, que mostra-se bastante esclarecedor11:
7. A configura•‹o de qualquer ato de improbidade administrativa exige a
presen•a do elemento subjetivo na conduta do agente pœblico, pois n‹o Ž
admitida a responsabilidade objetiva em face do atual sistema jur’dico
brasileiro, principalmente considerando a gravidade das san•›es contidas na
Lei de Improbidade Administrativa. Portanto, Ž indispens‡vel a presen•a de
conduta dolosa ou culposa do agente pœblico ao praticar o ato de
improbidade administrativa, especialmente pelo tipo previsto no art. 11 da
Lei 8.429/92, especificamente por les‹o aos princ’pios da Administra•‹o
Pœblica, que admite manifesta amplitude em sua aplica•‹o. Por outro lado,
Ž importante ressaltar que a forma culposa somente Ž admitida no ato de
improbidade administrativa relacionado ˆ les‹o ao er‡rio (art. 10 da LIA),
n‹o sendo aplic‡vel aos demais tipos (arts. 9¼ e 11 da LIA). (REsp
805080/SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em
23/06/2009, DJe 06/08/2009)


10
REsp 951389/SC.
11
REsp 805.080/SP.

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Assim, antes de partirmos para o pr—ximo grupo, vamos apresentar


um pequeno resumo:

Tipo de ato de improbidade Elemento


subjetivo
Atos que importam enriquecimento ilícito (art. 9º) Dolo
Atos que causam prejuízo ao erário (art. 10) Dolo ou culpa
Concessão de benefício financeiro ou tributário irregular (art. 10-A) Dolo
Atos que atentam contra os princípios da Administração Pública (art. 11). Dolo
3

Atos decorrentes da concessão ou aplicação indevida de benefício financeiro


ou tributário

Esse tipo de ato de improbidade foi inclu’do por meio da Lei


Complementar 157/2016. Certamente, o objetivo do legislador foi atuar
contra a guerra fiscal entre os munic’pios e a corrup•‹o de prefeitos que
concediam indevidamente isen•›es ou benef’cios fiscais ou tribut‡rios,
diminuindo significativamente a arrecada•‹o municipal em benef’cio de
poucas empresas.
Anota-se, por oportuno, que a Lei 8.429/1992 Ž uma lei ordin‡ria, ao
passo que a matŽria foi inclu’da no art. 10-A mediante a edi•‹o de uma lei
complementar. N‹o h‡ qualquer problema nisso, o legislador apenas
aproveitou a legisla•‹o que estava alterando a Lei Complementar
116/2003, que disp›e sobre o Imposto Sobre Servi•os de Qualquer
Natureza, para tambŽm alternar a Lei 8.429/1992. No entanto, a norma
insculpida no art. 10-A Ž apenas formalmente lei complementar, mas
materialmente Ž lei ordin‡ria. Assim, se futuramente o art. 10-A for
alterado ou revogado, isso poder‡ ocorrer mediante lei ordin‡ria.
Nesse contexto, o art. 10-A estabelece que constitui ato de
improbidade administrativa qualquer a•‹o ou omiss‹o para conceder,
aplicar ou manter benef’cio financeiro ou tribut‡rio contr‡rio ao que
disp›em o caput e o ¤ 1¼ do art. 8¼-A da Lei Complementar 116/2003.
O art. 8¼-A, ¤ 1¼, da LC 116/2003, por sua vez, estabelece que a
al’quota m’nima do Imposto sobre Servi•os de Qualquer Natureza Ž de 2%.
Com efeito, tal imposto n‹o poder‡ ser objeto de concess‹o de isen•›es,

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incentivos ou benef’cios tribut‡rios ou financeiros que venham a resultar


em carga tribut‡ria menor que a decorrente da aplica•‹o da al’quota m’nima
de 2%.12
Em resumo, o ato de improbidade que estamos falando configura-se
quando uma autoridade, por a•‹o ou omiss‹o, conceder, aplicar ou manter
benef’cio financeiro ou tribut‡rio que enseje a aplica•‹o de uma al’quota
abaixo dos 2% para o Imposto sobre Servi•os de Qualquer Natureza, exceto
em rela•‹o aos servi•os que a pr—pria LC 116/2003 permita instituir al’quota
menor.
Ademais, assim como ocorre com os atos que importam
enriquecimento il’cito e os atos que atentam contra os princ’pios, essa
3
forma de ato admite apenas conduta dolosa.

Atos que atentam contra os princípios da Administração Pública

Constitui ato que atenta contra os princ’pios da Administra•‹o Pœblica


qualquer a•‹o ou omiss‹o que viole os deveres de honestidade,
imparcialidade, legalidade, e lealdade ˆs institui•›es, e notadamente
(art. 11¼):
I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele
previsto, na regra de competência;
II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;
III - revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que
deva permanecer em segredo;
IV - negar publicidade aos atos oficiais;


12
A própria Lei Complementar 116/2003 apresenta exceções, ou seja, apresenta casos em que poderá ser
instituída uma carga tributária abaixo dos 2%, sem que isso represente uma irregularidade. Os serviços que
podem ter alguma isenção que enseje uma alíquota abaixo dos 2% são os subitens 7.02, 7.05 e 16.01 da lista
anexa à Lei Complementar 116/2003, quais sejam:
7.02 – Execução, por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, hidráulica
ou elétrica e de outras obras semelhantes, inclusive sondagem, perfuração de poços, escavação, drenagem e
irrigação, terraplanagem, pavimentação, concretagem e a instalação e montagem de produtos, peças e
equipamentos (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador de serviços fora do local da
prestação dos serviços, que fica sujeito ao ICMS).
7.05 – Reparação, conservação e reforma de edifícios, estradas, pontes, portos e congêneres (exceto o
fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador dos serviços, fora do local da prestação dos serviços,
que fica sujeito ao ICMS).
16.01 - Serviços de transporte coletivo municipal rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de
passageiros.

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V - frustrar a licitude de concurso público;


VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo;
VII - revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro, antes da
respectiva divulgação oficial, teor de medida política ou econômica capaz de afetar
o preço de mercadoria, bem ou serviço;
VIII - descumprir as normas relativas à celebração, fiscalização e aprovação de
contas de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas; e
IX - deixar de cumprir a exigência de requisitos de acessibilidade previstos na
legislação.
5
Essas s‹o as condutas cuja a Lei imp›e as penalidades mais simples,
ou seja, s‹o consideradas menos gravosas.
Devemos notar que frustrar a licitude de procedimento licitat—rio ou
dispens‡-la indevidamente enquadra-se como ato que causa les‹o ao
er‡rio, enquanto frustrar a licitude de concurso pœblico Ž um ato que
atenta contra os princ’pios da Administra•‹o Pœblica.
Vamos resolver quest›es!

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5. (Cespe - Adm/MJ/2013) Com relação aos agentes públicos e à improbidade


administrativa, julgue o item que se segue conforme entendimento do Superior
Tribunal de Justiça.
Para a caracterização de ato de improbidade por ofensa a princípios da
administração pública, exige-se a demonstração do dolo lato sensu ou genérico.
Comentário: de acordo com o STJ, para a configuração de improbidade
administrativa censurada nos termos do art. 11 da Lei 8.429/1992 (ato de
improbidade por ofensa a princípios da administração pública), basta a
demonstração do dolo genérico decrealizar a conduta. Nesse sentido, vejamos
um trecho da ementa do REsp 951389/SC
2. Conforme j‡ decidido pela Segunda Turma do STJ (REsp 765.212/AC),
o elemento subjetivo, necess‡rio ˆ configura•‹o de improbidade
administrativa censurada nos termos do art. 11 da Lei 8.429/1992, Ž o
dolo genŽrico de realizar conduta que atente contra os princ’pios da
Administra•‹o Pœblica, n‹o se exigindo a presen•a de dolo espec’fico.
Logo, o item está correto.
Gabarito: correto.

6. (Cespe - AA/IBAMA/2013) A utilização de cargo público para favorecer


enriquecimento ilícito de amigo ou parente é considerada improbidade
administrativa que causa prejuízo ao erário.
Comentário: constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao
erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda
patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou
haveres das entidades do Poder Público. Além disso, a Lei 8.429/1992 cita
como exemplo de ato de improbidade dessa natureza: “XII - permitir, facilitar
ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente”.
Portanto, o caso descrito na questão: “utilização de cargo público para
favorecer enriquecimento ilícito de amigo ou parente”, enquadra-se nas
hipóteses de atos que causam prejuízo ao erário.
Gabarito: correto.

7. (Cespe - AnaTA/SUFRAMA/2014) Considere que determinada regra exige


licença ambiental para liberação de financiamento de projeto empresarial na cidade
de Manaus. Nesse caso, se um servidor da SUFRAMA autorizar a liberação de

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verba da autarquia para financiamento de atividade empresarial cuja licença


ambiental esteja irregular, ele poderá figurar como réu em ação de improbidade.
Comentário: vamos ao conteúdo do art. 10 da LIA:
Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa les‹o ao
er‡rio qualquer a•‹o ou omiss‹o, dolosa ou culposa, que enseje perda
patrimonial, desvio, apropria•‹o, malbaratamento ou dilapida•‹o dos bens
ou haveres das entidades referidas no art. 1¼ desta lei, e notadamente:
[...]
XI - liberar verba pœblica sem a estrita observ‰ncia das normas
pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplica•‹o irregular;
Além disso, por ser servidor de autarquia da União, se enquadra no conceito
de agente público da Lei. Portanto, ele poderá figurar como réu em ação de
improbidade.
3
Gabarito: correto.

Sanções cabíveis

A Constitui•‹o Federal apresentou quatro tipos de san•›es cab’veis em


decorr•ncia do ato de improbidade administrativa:
a) a suspens‹o dos direitos pol’ticos;
b) a perda da fun•‹o pœblica;
c) a indisponibilidade dos bens; e
d) o ressarcimento ao er‡rio.
Adicionalmente, a Lei 8.429/1992 acrescentou outros dois tipos de
penas: (a) pagamento de multa civil; e (b) proibi•‹o de contratar com o
Poder Pœblico ou de receber benef’cios ou incentivos fiscais ou credit’cios,
direta ou indiretamente, ainda que por intermŽdio de pessoa jur’dica da
qual seja s—cio majorit‡rio.
Essas penas s‹o aplicadas pelo Poder Judici‡rio, de acordo com a
autonomia que lhe Ž atribu’da13. Nesse sentido, o par‡grafo œnico do art.
12 da LIA disp›e que Òna fixa•‹o das penas previstas nesta lei o juiz levar‡
em conta a extens‹o do dano causado, assim como o proveito patrimonial
obtido pelo agenteÓ.
Entretanto, Ž poss’vel a aplica•‹o de pena de demiss‹o de servidor
pœblico por ato de improbidade administrativa, em processo


13
Scatolinho, 2014, p. 739.

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administrativo disciplinar, mesmo sem decis‹o judicial prŽvia. Nessa


linha, o STJ entendeu, com base na independ•ncia das inst‰ncias
administrativa e inst‰ncia judicial civil e penal, que Ž poss’vel que servidor
seja demitido, com fundamento no art. 132, IV14, da Lei 8.112/1990,
independentemente de processo judicial prŽvio. Todavia, para as penas n‹o
previstas no Estatuto do Servidor, ser‡ indispens‡vel o processo judicial15.
Na verdade, n‹o podemos confundir a pena de demiss‹o, que Ž uma
san•‹o disciplinar, aplic‡vel no ‰mbito do processo administrativo
disciplinar, com a pena de perda da fun•‹o pœblica, que Ž uma san•‹o
de improbidade, aplicada no ‰mbito do processo judicial de improbidade
administrativa, pelo ju’zo competente. Um dos fundamentos da pena de
demiss‹o Ž o cometimento de ato de improbidade administrativa (vide art.
132, IV, da Lei 8.112/1990). Assim, no ‰mbito do processo administrativo
disciplinar, ser‡ poss’vel aplicar a san•‹o de demiss‹o, pelo cometimento
de ato de improbidade, ainda que o processo de improbidade n‹o tenha
sido conclu’do. Por outro lado, a aplica•‹o da pena de perda da fun•‹o
pœblica somente poder‡ ser realizada com o tr‰nsito em julgado tr‰nsito
em julgado da senten•a condenat—ria.
Ap—s essa exposi•‹o, vamos analisar as penas previstas, de acordo
com cada tipo de ato de improbidade praticado.

De acordo com o art. 12 da Lei 8.429/1992,


independentemente das sanções penais, civis e
administrativas previstas na legislação específica, está o
responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem
ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato:

a) para os atos que importam enriquecimento ilícito:


® perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio;
® ressarcimento integral do dano, quando houver;
® perda da função pública;
® suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos;
® pagamento de multa civil de até três vezes o valor do acréscimo patrimonial;
e


14
Art. 132. A demissão será aplicada nos seguintes casos: [...] IV - improbidade administrativa;
15
MS 15.054/DF.

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® proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos


fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa
jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de dez anos;

b) para os atos que causam prejuízo ao erário:


® ressarcimento integral do dano;
® perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer
esta circunstância;
® perda da função pública;
® suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos;
® pagamento de multa civil de até duas vezes o valor do dano; e
® proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos
fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa
jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos;
c) para os atos que decorrem de concessão indevida de benefício financeiro ou
tributário:

® perda da função pública;


® suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos; e
® multa civil de até três vezes o valor do benefício financeiro ou tributário
concedido.

d) para os atos atentam contra os princípios da Administração Pública:


® ressarcimento integral do dano, se houver;
® perda da função pública;
® suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos;
® pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida
pelo agente; e
® proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos
fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa
jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos.

As penas de perda da fun•‹o pœblica e a suspens‹o dos direitos


pol’ticos s— se efetivam com o tr‰nsito em julgado da senten•a
condenat—ria. Todavia, a autoridade judicial ou administrativa competente
poder‡ determinar o afastamento do agente pœblico do exerc’cio do cargo,

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emprego ou fun•‹o, sem preju’zo da remunera•‹o, quando a medida se


fizer necess‡ria ˆ instru•‹o processual (art. 20, caput e par‡grafo œnico).
Ademais, o art. 21 determina que a aplica•‹o das san•›es previstas na
Lei independe:
a) da efetiva ocorr•ncia de dano ao patrim™nio pœblico, salvo quanto ˆ
pena de ressarcimento;
b) da aprova•‹o ou rejei•‹o das contas pelo —rg‹o de controle interno
ou pelo Tribunal ou Conselho de Contas.
Com efeito, a Lei imp›e que, ocorrendo les‹o ao patrim™nio pœblico por
a•‹o ou omiss‹o, dolosa ou culposa, do agente ou de terceiro, dar-se-‡ o
integral ressarcimento do dano (art. 5¼). AlŽm disso, no caso de
enriquecimento il’cito, perder‡ o agente pœblico ou terceiro benefici‡rio os
bens ou valores acrescidos ao seu patrim™nio.
Por fim, o sucessor daquele que causar les‹o ao patrim™nio pœblico
ou se enriquecer ilicitamente est‡ sujeito ˆs comina•›es da LIA atŽ o limite
do valor da heran•a (art. 8¼). Portanto, nesses dois casos espec’ficos (les‹o
ao patrim™nio pœblico ou enriquecimento il’cito), Ž poss’vel que o sucessor
seja atingido pelas penalidades da Lei de Improbidade Administrativa.
Por exemplo: Paulo cometeu ato de improbidade administrativa,
causando uma les‹o ao er‡rio no montante de R$ 1 milh‹o. Todavia, Paula
vem a —bito, deixando de heran•a o montante de R$ 500 mil para os seus
filhos. Nesse caso, os herdeiros poder‹o responder atŽ o valor de R$ 500
mil. Aquilo que exceder a esse montante n‹o poder‡ ser exigido dos
herdeiros, pois nesse caso a san•‹o estaria passando da pessoa condenado
(os filhos teriam que arcar com o pr—prio patrim™nio).

8. (Cespe - TJ/TJDFT/2013) Com base no disposto na Lei n.º 8.429/1992, julgue


o item seguinte.
As penalidades aplicadas ao servidor ou a terceiro que causar lesão ao patrimônio
público são de natureza pessoal, extinguindo-se com a sua morte.
Comentário: de acordo com o art. 8º da Lei 8.429/1992, o sucessor daquele
que causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente está
sujeito às cominações da Lei de Improbidade até o limite do valor da herança.
Portanto, mesmo com a morte do servidor ou do agente que causar lesão ao

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patrimônio, é possível que as penalidades alcancem o seu sucessor. Logo, o


item está errado.
Gabarito: errado.

Declaração de bens e valores

O art. 13 da LIA determina que a posse e o exerc’cio de agente pœblico


ficam condicionados ˆ apresenta•‹o de declara•‹o dos bens e valores
que comp›em o seu patrim™nio privado, a fim de ser arquivada no
servi•o de pessoal competente.
Quando for o caso, a declara•‹o abranger‡ os bens e valores
patrimoniais do c™njuge ou companheiro, dos filhos e de outras pessoas
que vivam sob a depend•ncia econ™mica do declarante, exclu’dos apenas
os objetos e utens’lios de uso domŽstico (art. 13. ¤1¼).
Ademais, a declara•‹o de bens dever‡ ser atualizada: (a) anualmente
e (b) na data em que o agente pœblico deixar o exerc’cio do mandato, cargo,
emprego ou fun•‹o. A Lei determina ainda que ser‡ punido com a pena de
demiss‹o, a bem do servi•o pœblico, sem preju’zo de outras san•›es
cab’veis, o agente pœblico que se recusar a prestar declara•‹o dos
bens, dentro do prazo determinado, ou que a prestar falsa.
Por fim, Ž facultado ao declarante entregar c—pia da declara•‹o anual
de bens apresentada ˆ Delegacia da Receita Federal na conformidade da
legisla•‹o do Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza.

Representação

Conforme consta no art. 14, Ž facultado a qualquer pessoa


representar ˆ autoridade administrativa competente para que seja
instaurada investiga•‹o destinada a apurar a pr‡tica de ato de
improbidade.
Por outro lado, a Lei considera como crime a representa•‹o por ato de
improbidade contra agente pœblico ou terceiro benefici‡rio, quando o autor
da denœncia o saiba inocente (art. 19).
Como requisito de validade, a representa•‹o dever‡ ser escrita ou
reduzida a termo e assinada, contendo a qualifica•‹o do representante, as
informa•›es sobre o fato e sua autoria e a indica•‹o das provas de que
tenha conhecimento. Caso n‹o contenha essas formalidades, a autoridade

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administrativa rejeitar‡ a representa•‹o, em despacho fundamentado.


Todavia, a rejei•‹o n‹o impede a representa•‹o ao MinistŽrio Pœblico.
Casos sejam atendidos os requisitos da representa•‹o, a autoridade
determinar‡ a imediata apura•‹o dos fatos. Nesse caso, a decis‹o Ž
vinculada, pois, casos sejam atendidos os requisitos da Lei,
obrigatoriamente a autoridade dever‡ apurar a representa•‹o, utilizando-
se do devido processo administrativa disciplinar. Em se tratando de servidor
pœblico federal, o processo dever‡ ocorrer nos moldes dos arts. 148 ao 182
da Lei 8.112/1990.

Ação de improbidade

O art. 15 da LIA prev• a exist•ncia de uma comiss‹o encarregada de


realizar a instru•‹o do processo administrativo, que dever‡ dar
conhecimento ao MinistŽrio Pœblico e ao Tribunal ou Conselho de Contas da
exist•ncia de procedimento administrativo para apurar a pr‡tica de ato de
improbidade, os quais poder‹o designar representante para acompanhar o
procedimento administrativo.
Casos existam fundados ind’cios de responsabilidade, a comiss‹o
representar‡ ao MinistŽrio Pœblico ou ˆ procuradoria do —rg‹o para que
requeira ao ju’zo competente a decreta•‹o do sequestro dos bens do
agente ou terceiro que tenha enriquecido ilicitamente ou causado dano
ao patrim™nio pœblico (art. 16). O sequestro Ž uma medida cautelar que
incide sobre bens espec’ficos, com a finalidade de garantir a futura
execu•‹o.
Adicionalmente, quando for o caso, o pedido incluir‡ a investiga•‹o,
o exame e o bloqueio de bens, contas banc‡rias e aplica•›es
financeiras mantidas pelo indiciado no exterior, nos termos da lei e
dos tratados internacionais.
AtŽ agora, estamos tratando da instru•‹o do processo administrativo.
Todavia, o MinistŽrio Pœblico n‹o depende somente de provoca•‹o para
pleitear as medidas cautelares ou para mover a a•‹o de improbidade.
Conforme disp›e o art. 22 da Lei, para apurar qualquer il’cito de
improbidade, o MinistŽrio Pœblico, de of’cio, a requerimento de autoridade
administrativa ou mediante representa•‹o, poder‡ requisitar a
instaura•‹o de inquŽrito policial ou procedimento administrativo.
Nesse contexto, vale mencionar que a apura•‹o administrativa n‹o
deve se confundir com a a•‹o judicial interposta pelos legitimados para

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punir os respons‡veis. De acordo com o art. 17 da LIA, s‹o legitimados


ativos ad causam para propor a•‹o de improbidade administrativa:
a)! o MinistŽrio Pœblico;
b)! a pessoa jur’dica interessada Ð no caso, Ž uma daquelas
entidades que podem sofrer o ato de improbidade administrativa,
isto Ž, que se enquadram como sujeitos passivos dos atos de
improbidade administrativa.
Ademais, tambŽm se considera pessoa jur’dica interessada o ente
tributante que figurar no polo ativo da obriga•‹o tribut‡ria do Imposto
sobre Servi•os de Qualquer Natureza, prevista na Lei Complementar
116/2003 (art. 17, ¤ 13¼). Assim, se um prefeito, por exemplo, conceder
um benef’cio tribut‡rio que enseja uma al’quota abaixo de 2% para uma
empresa, posteriormente o munic’pio ser‡ a pessoa jur’dica interessada
para mover a a•‹o de improbidade administrativa contra o ato.
Caso exista medida cautelar, a a•‹o principal, que ter‡ rito ordin‡rio,
dever‡ ser movida em atŽ 30 dias a contar da efetiva•‹o da medida (art.
17, caput).
Com efeito, Ž vedada a transa•‹o, acordo ou concilia•‹o nas a•›es
por ato de improbidade administrativa (art. 17, ¤1¼).16

A LIA veda a transa•‹o, acordo ou


concilia•‹o em a•›es de improbidade
administrativa.

Quando for o caso, a Fazenda Pœblica promover‡ as a•›es necess‡rias


ˆ complementa•‹o do ressarcimento do patrim™nio pœblico.
Quanto ao rito do processo, o ¤ 3¼, art. 17, determina que, no caso de
a a•‹o principal ter sido proposta pelo MinistŽrio Pœblico, a pessoa jur’dica
interessada poder‡ optar por abster-se de contestar o pedido de
impugna•‹o do ato ou atuar ao lado do MP, Òdesde que isso se afigure œtil
ao interesse pœblico, a ju’zo do respectivo representante legal ou dirigenteÓ
(Lei 4.717/1965, art. 6¼, 3¼). Nesse caso, a pessoa jur’dica poder‡ compor
o polo ativo da a•‹o, ao lado do MP, ou permanecer inerte diante da
instaura•‹o do processo.


16
O art. 17, § 1º, da Lei de Improbidade chegou a ser revogado por meio da MP 703/2015. Contudo, a MP
703/2015 perdeu a sua validade, uma vez que não foi votada no prazo constitucional. Dessa forma, voltou a
vigorar a proibição de se firmar transação, acordo e conciliação em ações de improbidade administrativa.

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Contudo, quando for a pessoa interessada quem interp™s a a•‹o, o


MinistŽrio Pœblico, se n‹o intervir no processo como parte, atuar‡
obrigatoriamente, como fiscal da lei, sob pena de nulidade.
Os ¤¤ 5¼ ao 12 estabelecem outras regras sobre o andamento da a•‹o,
vejamos:
¤ 5o A propositura da a•‹o prevenir‡ a jurisdi•‹o do ju’zo para todas as
a•›es posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir ou
o mesmo objeto. (Inclu’do pela Medida provis—ria n¼ 2.180-35, de 2001)
¤ 6o A a•‹o ser‡ instru’da com documentos ou justifica•‹o que contenham
ind’cios suficientes da exist•ncia do ato de improbidade ou com raz›es
fundamentadas da impossibilidade de apresenta•‹o de qualquer dessas
provas, observada a legisla•‹o vigente, inclusive as disposi•›es inscritas nos
arts. 16 a 18 do C—digo de Processo Civil.
¤ 7o Estando a inicial em devida forma, o juiz mandar‡ autu‡-la e ordenar‡
a notifica•‹o do requerido, para oferecer manifesta•‹o por escrito, que
poder‡ ser instru’da com documentos e justifica•›es, dentro do prazo de
quinze dias.
¤ 8o Recebida a manifesta•‹o, o juiz, no prazo de trinta dias, em decis‹o
fundamentada, rejeitar‡ a a•‹o, se convencido da inexist•ncia do ato de
improbidade, da improced•ncia da a•‹o ou da inadequa•‹o da via eleita.
¤ 9o Recebida a peti•‹o inicial, ser‡ o rŽu citado para apresentar
contesta•‹o.
¤ 10. Da decis‹o que receber a peti•‹o inicial, caber‡ agravo de
instrumento.
¤ 11. Em qualquer fase do processo, reconhecida a inadequa•‹o da a•‹o de
improbidade, o juiz extinguir‡ o processo sem julgamento do mŽrito.
¤ 12. Aplica-se aos depoimentos ou inquiri•›es realizadas nos processos
regidos por esta Lei o disposto no art. 221, caput e ¤ 1o, do C—digo de
Processo Penal.

A senten•a que julgar procedente a•‹o civil de repara•‹o de dano ou


decretar a perda dos bens havidos ilicitamente determinar‡ o pagamento
ou a revers‹o dos bens, conforme o caso, em favor da pessoa jur’dica
prejudicada pelo il’cito (art. 18).
Por fim, vale mencionar os ensinamentos de George Sarmento, que
disp›e que a a•‹o judicial por ato de improbidade administrativa possui
natureza de a•‹o civil pœblica, sendo-lhe cab’vel, subsidiariamente, as
regras da Lei 7.347/1995 (Lei da A•‹o Civil Pœblica).

Competência

A compet•ncia para processar e julgar a a•‹o civil por ato de


improbidade administrativa Ž do juiz de 1¼ grau (Federal ou estadual) com
jurisdi•‹o na sede da les‹o. A a•‹o tramitar‡ na Justi•a Federal se houver

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interesse da Uni‹o, autarquias ou empresas pœblicas federais (CF, art. 109,


I); caso contr‡rio, ser‡ de compet•ncia da justi•a estadual.
Vale mencionar que a Lei 10.628/2002 acrescentou o ¤2¼ no art. 84
do C—digo de Processo Penal, determinando que a a•‹o de improbidade
deveria ser proposta perante o tribunal competente para processar e julgar
criminalmente o funcion‡rio ou autoridade na hip—tese de foro em raz‹o do
exerc’cio de fun•‹o pœblica.
Ocorre que as a•›es de improbidade possuem natureza civil e,
portanto, n‹o existe amparo constitucional para conceder foro
especial. Por conseguinte, o STF, ao julgar a ADI 2797/DF17 declarou o
dispositivo inconstitucional, afirmando a compet•ncia do juiz de 1»
inst‰ncia para julgar as a•›es de improbidade.
Portanto, como regra, n‹o existe foro especial por prerrogativa
de fun•‹o em a•›es de improbidade administrativa. Mas temos
algumas exce•›es.
O STF entende que essa regra n‹o alcan•a o julgamento de a•›es de
improbidade contra os seus membros, que devem ser julgadas pelo pr—prio
STF, isto Ž, eventual a•‹o de improbidade praticada por Ministro do STF
dever‡ ser julgada pelo pr—prio Superior Tribunal Federal.
Finalmente, o STJ entendeu que o julgamento de governador de
estado, no caso de a•‹o de improbidade administrativa, dever‡ ser julgado
pelo pr—prio STJ18.

Em regra 1ª Instância

Foro competente Ministros do STF STF

Governador de estado STJ

Prescrição

O art. 23 da Lei 8.429/1992 determina que as a•›es destinadas a levar


a efeitos as san•›es previstas em decorr•ncia de ato de improbidade
administrativa podem ser propostas:


17
ADI 2797/DF.
18
Rcl 2.790/SC.

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a) em atŽ cinco anos ap—s o tŽrmino do exerc’cio de mandato, de


cargo em comiss‹o ou de fun•‹o de confian•a;
b) dentro do prazo prescricional previsto em lei espec’fica para faltas
disciplinares pun’veis com demiss‹o a bem do servi•o pœblico,
nos casos de exerc’cio de cargo efetivo ou emprego; e
c) atŽ cinco anos da data da apresenta•‹o ˆ administra•‹o
pœblica da presta•‹o de contas final pelas entidades que recebam
subven•‹o, benef’cio ou incentivo, fiscal ou credit’cio, de —rg‹o
pœblico bem como daquelas para cuja cria•‹o ou custeio o er‡rio haja
concorrido ou concorra com menos de cinquenta por cento do
patrim™nio ou da receita anual.
Esse prazo previsto no item ÒbÓ varia conforme o ente da Federa•‹o.
No caso da Uni‹o, o prazo prescricional Ž de cinco anos, conforme consta
no art. 142, I, da Lei 8.112/199019.
Ademais, no caso de exerc’cio de mandato, sendo reeleito, o prazo
prescricional contar‡ do tŽrmino do segundo mandato. Tal regra ser‡
aplic‡vel ainda que o mandato seja interrompido por algum tempo. Por
exemplo: um prefeito comete um ato de improbidade durante a vig•ncia do
primeiro mandato; ele Ž reeleito; no meio do segundo mandato, o Prefeito
Ž afastado, assumindo o presidente da c‰mara municipal; ap—s isso, o
prefeito volta ao mandato; nessa situa•‹o, o prazo prescricional ser‡
contado somente ap—s o tŽrmino do segundo mandato, mesmo que o
presidente da c‰mara tenha substitu’do interinamente o prefeito.
Vamos analisar quest›es sobre o tema.


19
Art. 142. A ação disciplinar prescreverá:
I - em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade
e destituição de cargo em comissão;

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9. (Cespe - AJ/CNJ/2013) Segundo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça


(STJ), o reconhecimento de ato de improbidade administrativa, nos moldes
previstos pela Lei de Improbidade Administrativa (Lei n.º 8.429'1992), requer o
exercício de função específica (administrativa), não se admitindo sua extensão à
atividade judicante.
Comentário: no entendimento do STJ, as disposições da Lei 8.429/1992
alcançam os magistrados, inclusive no exercício da função judicante. Nesse
sentido, vejamos o trecho do precedente do Superior Tribunal de Justiça
constante no REsp 1.127.182/RN
[...] o conceito de "agente pœblico" previsto no art. 2¼ da Lei n. 8.429/92
Ž amplo o suficiente para albergar os magistrados, especialmente, se,
no exerc’cio da fun•‹o judicante, eles praticarem condutas
enquadr‡veis, em tese, pelos arts. 9¼, 10 e 11 daquele diploma normativo.
Portanto, o reconhecimento de ato de improbidade pode alcançar até mesmo
o exercício da função judicante.
Gabarito: errado.

10. (Cespe - TJ/TJDFT/2013) O servidor que estiver sendo processado


judicialmente pela prática de ato de improbidade somente perderá a função pública
após o trânsito em julgado da sentença condenatória.
Comentário: isso mesmo! As penas de perda da função pública e a suspensão
dos direitos políticos só se efetivam com o trânsito em julgado da sentença
condenatória. Todavia, a autoridade judicial ou administrativa competente
poderá determinar o afastamento do agente público do exercício do cargo,
emprego ou função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida se fizer
necessária à instrução processual (art. 20, caput e parágrafo único).
Gabarito: correto.

11. (Cespe - AJ/TJDFT/2013) Somente são sujeitos ativos do ato de improbidade


administrativa os agentes públicos, assim entendidos os que exercem, por eleição,
nomeação, designação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato,
cargo, emprego ou função na administração direta, indireta ou fundacional de
qualquer dos poderes da União, dos estados, do DF e dos municípios.
Comentário: podemos considerar como sujeitos ativos dos atos de
improbidade administrativa os terceiros que, mesmo não sendo agentes
públicos, induzam ou concorram para a prática do ato de improbidade
administrativa ou dele se beneficiem sob qualquer forma direta ou indireta, e

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os agentes públicos, ou seja, todo aquele que exerce, ainda que


transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação,
contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato,
cargo, emprego ou função nas entidades mencionadas no art. 1º da Lei.
Portanto, não são apenas os agentes públicos os sujeitos ativos do ato de
improbidade.
Gabarito: errado.

12. (Cespe - AJ/TRT 10/2013) Apuração interna realizada descobriu que um


empregado público federal de uma sociedade de economia mista recebeu vantagem
indevida de terceiros, em troca do fornecimento de informações privilegiadas e
dados sigilosos do ente de que ele fazia parte. O relatório de conclusão da apuração
foi enviado ao Ministério Público para providências cabíveis.
Considerando essa situação hipotética, julgue o item que se segue.
O terceiro beneficiado poderá ser responsabilizado nas esferas cível e criminal, mas
não por improbidade administrativa, visto que esta não abrange particulares.
Comentário: podem ser responsabilizados por ato de improbidade
administrativa os agentes públicos e os terceiros que, mesmo não sendo
agentes públicos, induzam ou concorram para a prática do ato de improbidade
administrativa ou dele se beneficiem sob qualquer forma direta ou indireta.
Dessa forma, o terceiro beneficiado poderá ser responsabilizado também por
improbidade administrativa, sem prejuízo das sanções penais.
Gabarito: errado.

13. (Cespe - ACE/TC DF/2014) O herdeiro de deputado distrital que tenha, no


exercício do mandato, ocasionado lesão ao patrimônio público e enriquecido
ilicitamente está sujeito às cominações da Lei de Improbidade Administrativa, mas
somente até o limite do valor da herança recebida.
Comentário: o sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou
se enriquecer ilicitamente está sujeito às cominações da LIA até o limite do
valor da herança (art. 8º). Dessa forma, o herdeiro poderá ser atingido pelas
penalidades da LIA, até o limite do valor da herança recebida. Com feito, vale
mencionar que não há nenhuma vedação para a responsabilização de
deputado por improbidade administrativa.
Gabarito: correto.

14. (Cespe - TJ/CNJ/2013) A configuração da improbidade exige os seguintes


elementos: o enriquecimento ilícito, o prejuízo ao erário e o atentado contra os

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princípios fundamentais (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e


eficiência), presente o elemento subjetivo doloso.
Comentário: a questão foi mal elaborada e, infelizmente, o gabarito foi infeliz.
O avaliador tomou por base a ementa do REsp 654.721/MT20 do STJ, vejamos:
ADMINISTRATIVO. A‚ÌO CIVIL PòBLICA. RECURSOS ESPECIAIS.
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. LEI 8.429/92. CONTRATA‚ÌO E
MANUTEN‚ÌO DE PESSOAL SEM A REALIZA‚ÌO DE CONCURSO PòBLICO.
AUSæNCIA DE DOLO E DE PREJUêZO AO ERçRIO. ATO DE IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA NÌO CONFIGURADO. RECURSOS PROVIDOS. 1. "A
improbidade administrativa consiste na a•‹o ou omiss‹o intencionalmente
violadora do dever constitucional de moralidade no exerc’cio da fun•‹o
pœblica, tal como definido por lei" (Mar•al Justen Filho in Curso de Direito
Administrativo, 3 ed. rev. e atual., S‹o Paulo: Saraiva, 2008, p. 828). 2.
Para que se configure a improbidade, devem estar presentes os
seguintes elementos: o enriquecimento il’cito, o preju’zo ao er‡rio
e o atentado contra os princ’pios fundamentais (legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e efici•ncia). 3. O ato de
improbidade, na sua caracteriza•‹o, como de regra, exige
elemento subjetivo doloso, ˆ luz da natureza sancionat—ria da Lei
8.429/92. 4. No caso dos autos, as inst‰ncias ordin‡rias afastaram a
exist•ncia de dolo, bem como de preju’zo ao er‡rio, raz‹o por que n‹o h‡
falar em ocorr•ncia de ato de improbidade administrativa. 5. Recursos
especiais providos. (grifos nossos)
Ocorre que o texto do REsp deixa claro que a presenta do elemento subjetivo
doloso ocorre apenas “como regra”. Isso porque no caso do ato de
improbidade administrativa que causa lesão ao erário admite-se tanto o dolo
quanto a culpa. É o que consta no art. 10 da Lei 8.429/1992:
Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa les‹o ao
er‡rio qualquer a•‹o ou omiss‹o, dolosa ou culposa, que enseje perda
patrimonial, desvio, apropria•‹o, malbaratamento ou dilapida•‹o dos bens
ou haveres das entidades referidas no art. 1¼ desta lei, e notadamente:
(grifos nossos)
Dessa forma, a questão deveria ser dada como errada, pois a redação deu a
entender que deverá sempre estar presente o dolo, o que não é verdadeiro.
Além disso, o enunciado tanto da questão quanto da ementa do REsp
654.721/MT dão a entender que todos os três elementos devem estar
presentes para a condenação por improbidade: “o enriquecimento ilícito, o
prejuízo ao erário e o atentado contra os princípios fundamentais”. O mais
adequado seria utilizar o “ou” no lugar do “e”.
Assim, o item foi dado como correto, mas entendemos que deveria ser errado.
Não adianta “brigar” com a banca, por isso a revisão acima serve apenas para
aprofundarmos nossos estudos.
Gabarito: correto.


20
REsp 654.721/MT.

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15. (Cespe - AJ/CNJ/2013) Constituem improbidade administrativa não apenas os


atos que geram enriquecimento ilícito, mas também os que atentam contra os
princípios da administração pública.
Comentário: acabamos de ver isso. Além dos atos que geram enriquecimento
ilícito, podemos considerar também os atos que atentam contra os princípios
da administração e os que causam prejuízo ao erário.
Gabarito: correto.

16. (Cespe – TJ/TJDFT/2013) O servidor que, estando obrigado a prestar contas


referentes a recursos recebidos, deixa de fazê-lo incorre em ato de improbidade
administrativa passível de demissão do serviço público.
Comentário: deixar de prestar contas quando deve fazê-lo se enquadra na
relação de atos que atentam contra os princípios da administração pública
(art. 11, VI). Dentre as sanções cabíveis a quem comete tal ato, encontra-se a
perda da função público, nos termos do art. 12, III, da Lei 8.429/1992:
Art. 12. Independentemente das san•›es penais, civis e administrativas
previstas na legisla•‹o espec’fica, est‡ o respons‡vel pelo ato de
improbidade sujeito ˆs seguintes comina•›es, que podem ser aplicadas
isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato:
III - na hip—tese do art. 11, ressarcimento integral do dano, se houver,
perda da fun•‹o pœblica, suspens‹o dos direitos pol’ticos de tr•s a cinco
anos, pagamento de multa civil de atŽ cem vezes o valor da remunera•‹o
percebida pelo agente e proibi•‹o de contratar com o Poder Pœblico ou
receber benef’cios ou incentivos fiscais ou credit’cios, direta ou
indiretamente, ainda que por intermŽdio de pessoa jur’dica da qual seja
s—cio majorit‡rio, pelo prazo de tr•s anos. (grifos nossos)
Com efeito, na esfera federal, a pena de demissão do serviço público, prevista
na Lei 8.112/1990, poderá ser aplicada em caso de improbidade administrativa
(art. 132, IV).
Gabarito: correto.

17. (Cespe – TJ/TJDFT/2013) Os atos típicos de improbidade administrativa


restringem-se ao descumprimento do princípio do sigilo e da confidencialidade de
informações.
Comentário: essa é para não esquecer! Constituem atos típicos de
improbidade administrativa aqueles que causam prejuízo ao erário,
enriquecimento ilícito e que atentam contra os princípios administrativos.
Dessa forma, os atos de improbidade não se restringem ao descumprimento
do princípio do sigilo e da confidencialidade de informações, existindo muitas
outras hipóteses.

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Gabarito: errado.

18. (Cespe – AJ/TJDFT/2013) A procrastinação é uma conduta que pode


configurar ato de improbidade administrativa que causa prejuízo ao erário, por gerar
atrasos e ineficiência do serviço público.
Comentário: a procrastinação se refere ao atraso, adiamento de alguma ação
que deveria ser tomada. Retardar ou deixar de praticar ato de ofício constitui
ato de improbidade administrativa. Contudo, essa ação se enquadra nos atos
que atentam contra os princípios administrativos (art. 11, II) e não nos que
causam prejuízo ao erário. Logo, o item está errado.
Gabarito: errado.

19. (Cespe – AJ/TJDFT/2013) O oficial de justiça que, no exercício do cargo


público, aufira vantagem patrimonial indevida estará sujeito, além das sanções
penais, civis e administrativas previstas na legislação específica, às cominações
arroladas na Lei n.º 8.429/1992, por configurar a situação ato de improbidade
administrativa que importa enriquecimento ilícito.
Comentário: o recebimento ilícito de vantagem econômica de qualquer
natureza, seja ela direta ou indireta, configura ato de improbidade
administrativa por enriquecimento ilícito, sujeitando o agente às sanções da
Lei de Improbidade.
Para reforçar, vejamos o conteúdo do art. 9º da Lei 8.429/1992 (ato de
improbidade administrativa que importa enriquecimento ilícito) com as
respectivas penalidades (art. 12, I):
Art. 9¡ Constitui ato de improbidade administrativa importando
enriquecimento il’cito auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial
indevida em raz‹o do exerc’cio de cargo, mandato, fun•‹o, emprego ou
atividade nas entidades mencionadas no art. 1¡ desta lei, e notadamente:
I - receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem m—vel ou im—vel, ou
qualquer outra vantagem econ™mica, direta ou indireta, a t’tulo de
comiss‹o, percentagem, gratifica•‹o ou presente de quem tenha
interesse, direto ou indireto, que possa ser atingido ou amparado por a•‹o
ou omiss‹o decorrente das atribui•›es do agente pœblico;
II - perceber vantagem econ™mica, direta ou indireta, para facilitar a
aquisi•‹o, permuta ou loca•‹o de bem m—vel ou im—vel, ou a contrata•‹o
de servi•os pelas entidades referidas no art. 1¡ por pre•o superior ao valor
de mercado;
III - perceber vantagem econ™mica, direta ou indireta, para facilitar a
aliena•‹o, permuta ou loca•‹o de bem pœblico ou o fornecimento de
servi•o por ente estatal por pre•o inferior ao valor de mercado;
IV - utilizar, em obra ou servi•o particular, ve’culos, m‡quinas,
equipamentos ou material de qualquer natureza, de propriedade ou ˆ
disposi•‹o de qualquer das entidades mencionadas no art. 1¡ desta lei,

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bem como o trabalho de servidores pœblicos, empregados ou terceiros


contratados por essas entidades;
V - receber vantagem econ™mica de qualquer natureza, direta ou indireta,
para tolerar a explora•‹o ou a pr‡tica de jogos de azar, de lenoc’nio, de
narcotr‡fico, de contrabando, de usura ou de qualquer outra atividade
il’cita, ou aceitar promessa de tal vantagem;
VI - receber vantagem econ™mica de qualquer natureza, direta ou indireta,
para fazer declara•‹o falsa sobre medi•‹o ou avalia•‹o em obras pœblicas
ou qualquer outro servi•o, ou sobre quantidade, peso, medida, qualidade
ou caracter’stica de mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das
entidades mencionadas no art. 1¼ desta lei;
VII - adquirir, para si ou para outrem, no exerc’cio de mandato, cargo,
emprego ou fun•‹o pœblica, bens de qualquer natureza cujo valor seja
desproporcional ˆ evolu•‹o do patrim™nio ou ˆ renda do agente pœblico;
VIII - aceitar emprego, comiss‹o ou exercer atividade de consultoria ou
assessoramento para pessoa f’sica ou jur’dica que tenha interesse
suscet’vel de ser atingido ou amparado por a•‹o ou omiss‹o decorrente
das atribui•›es do agente pœblico, durante a atividade;
IX - perceber vantagem econ™mica para intermediar a libera•‹o ou
aplica•‹o de verba pœblica de qualquer natureza;
X - receber vantagem econ™mica de qualquer natureza, direta ou
indiretamente, para omitir ato de of’cio, provid•ncia ou declara•‹o a que
esteja obrigado;
XI - incorporar, por qualquer forma, ao seu patrim™nio bens, rendas,
verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades
mencionadas no art. 1¡ desta lei;
XII - usar, em proveito pr—prio, bens, rendas, verbas ou valores
integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1¡
desta lei.
Art. 12. Independentemente das san•›es penais, civis e administrativas
previstas na legisla•‹o espec’fica, est‡ o respons‡vel pelo ato de
improbidade sujeito ˆs seguintes comina•›es, que podem ser aplicadas
isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato:
I - na hip—tese do art. 9¡, perda dos bens ou valores acrescidos
ilicitamente ao patrim™nio, ressarcimento integral do dano, quando
houver, perda da fun•‹o pœblica, suspens‹o dos direitos pol’ticos de oito
a dez anos, pagamento de multa civil de atŽ tr•s vezes o valor do
acrŽscimo patrimonial e proibi•‹o de contratar com o Poder Pœblico ou
receber benef’cios ou incentivos fiscais ou credit’cios, direta ou
indiretamente, ainda que por intermŽdio de pessoa jur’dica da qual seja
s—cio majorit‡rio, pelo prazo de dez anos;
Dessa forma, o item está correto.
Gabarito: correto.

20. (Cespe - Tec/MPU/2013) Cometerá ato de improbidade administrativa que


atenta contra os princípios da administração pública o servidor público que revelar
a seus familiares, durante um jantar em família, os detalhes de processo que tramite

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em segredo de justiça contra seu chefe e do qual tenha tomado conhecimento em


razão de suas atribuições.
Comentário: segundo o art. 11, III, da Lei, revelar fato ou circunstância de que
tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer em segredo,
constitui ato que viola os princípios da administração.
Gabarito: correto.

QUESTÕES EXTRAS

21. (Cespe – Funpresp-EXE/2016) Os herdeiros daquele que causar lesão ao


patrimônio público estarão sujeitos às cominações legais até o limite do valor da
herança.
Comentário: de acordo com a Constituição Federal, as sanções não podem
extrapolar a esfera da pessoa do condenado. Isso significa, por exemplo, que
uma pena de suspensão dos direitos políticos aplicada ao pai não poderá ser
passada ao filho, no caso de falecimento daquele.
Contudo, a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens
ser podem ser passadas aos herdeiros, porém no limite do valor do patrimônio
transferido (CF, art. 5º, XLV). Por exemplo: se o pai é condenado a ressarcir o
erário em cinco milhões, porém os herdeiros receberam de herança o total de
três milhões, significa que o máximo que estes deverão suportar de
ressarcimento são os três milhões (limite do valor do patrimônio transferido).
Essa mesma lógica consta na Lei 8.429/1992, que dispõe que “o sucessor
daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente
está sujeito às cominações desta lei até o limite do valor da herança” (art. 8º),
exatamente como previsto na questão.
Gabarito: correto.

22. (Cespe – Funpresp-EXE/2016) Entre as sanções para a prática de ato de


improbidade administrativa previstas na Lei n.º 8.429/1992 inclui-se a suspensão dos
direitos políticos, que não se encontra expressamente prevista na CF.
Comentário: a Constituição Federal estabelece um rol de possíveis sanções a
serem aplicados no caso de cometimento de improbidade administrativa. Por
outro lado, a Lei 8.429/1992 apresenta outras possíveis sanções, vamos
comparar!
Constituição Federal: (i) suspensão dos direitos políticos; (ii) perda da função
pública; (iii) indisponibilidade dos bens; e (iv) ressarcimento ao erário.

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Lei 8.429/1992: (i) perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao


patrimônio; (ii) ressarcimento integral do dano, quando houver; (iii) perda da
função pública; (iv) suspensão dos direitos políticos; (v) pagamento de multa
civil; (vi) proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou
incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por
intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário.
Apenas as duas últimas sanções estão previstas somente na Lei de
Improbidade. Dessa forma, a suspensão dos direitos políticas consta sim
expressamente na Constituição Federal.
Gabarito: errado.

23. (Cespe – Funpresp-EXE/2016) Conforme a referida lei, são espécies de atos de


improbidade administrativa aqueles que atentam contra o decoro parlamentar e contra
a dignidade da justiça.
Comentário: existem quatro espécies de atos de improbidade administrativa: (i)
atos que importam enriquecimento ilícito (art. 9º); (ii) atos que causam prejuízo
ao erário (art. 10); (iii) atos decorrentes de concessão ou aplicação indevida de
benefício financeiro ou tributário (art. 10-A) e (iv) atos que atentam contra os
princípios da Administração Pública (art. 11)
Dessa forma, atentar contra o decoro parlamentar e contra a dignidade da justiça
não são espécies de atos de improbidade.
Gabarito: errado.

24. (Cespe – Analista Judiciário/TRE-GO/2015) Embora possa corresponder a


crime definido em lei, o ato de improbidade administrativa, em si, não constitui crime.
Comentário: essa questão nos ajuda bastante a compreender o que é o ato de
improbidade administrativa. Devemos ter em mente que o ato de improbidade,
em si, não é um crime. Porém, podemos ter um ato que, simultaneamente, está
previsto na legislação penal e na Lei de Improbidade Administrativa.
Por exemplo, dispensar o procedimento licitatório indevidamente é um ato de
improbidade previsto no art. 10, VIII, da Lei 8.429/1992 e, ao mesmo tempo, é um
crime previsto no art. 89 da Lei 8.666/1993.
Dessa forma, quem dispensar a licitação indevidamente poderá ser sancionado
na esfera cível por ato de improbidade e na esfera penal pelo crime cometido.
Contudo, o ato de improbidade, em si, não é um crime. Logo, o item está correto.
Podemos acrescentar ainda que as sanções por improbidade administrativa são
aplicadas em ação judicial. Em que pese a ação costume ser precedida de um
processo administrativo para apurar os fatos, a aplicação da sanção pelo ato de

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improbidade só pode ser aplicada na esfera judicial, por ação movida pelo
Ministério Público ou pela pessoa jurídica interessada. Portanto, não esqueça:
as sanções de improbidade administrativa não são aplicadas na esfera
administrativa, mas sim na judicial.
Gabarito: correto.

25. (Cespe – Analista Judiciário/TRE-GO/2015) A sanção de perda da função


pública decorrente de sentença em ação de improbidade administrativa não tem
natureza de sanção administrativa.
Comentário: essa questão complementa o exercício anterior. Foi um item mal
elaborado, mas nos ajuda a entender melhor o assunto.
As sanções por improbidade administrativa não se confundem com as sanções
==335c3==

penais ou administrativas. Assim, um ato de improbidade pode estar também


previsto na legislação penal e na legislação administrativa aplicada ao servidor
público. Por esse motivo, o agente poderá ser penalizado, como regra, em todas
essas esferas.
Ademais, temos a sanção de perda da função pública na Lei 8.429/1992 e a
penalidade disciplinar de demissão, prevista no estatuto do servidor do ente da
Federação. São penas distintas. A primeira é uma sanção por improbidade
administrativa, aplicada pelo juiz na ação de improbidade; a segunda é sanção
de natureza administrativa, aplicada pela autoridade administrativa competente,
em processo administrativo disciplinar, previsto no estatuto do servidor.
Assim, o que a questão quis deixar claro é que não devemos confundir a sanção
de improbidade administrativa de perda da função pública (de natureza cível,
aplicada por meio judicial), prevista no art. 12 da Lei 8.429/1992, com a sanção
de demissão disciplinar, prevista nos estatutos dos servidores públicos (na
esfera federal, por exemplo, a demissão consta no art. 127, III, da Lei 8.112/1990).
Contudo, o item causou uma certa confusão. A Prof. Maria Di Pietro, ao analisar
as sanções de improbidade, comenta que elas possuem natureza civil,
administrativa e penal, incluindo a perda da função no rol da natureza
administrativa. O que a autora está dizendo é o conteúdo ou os efeitos das
sanções. Por exemplo, a perda da função público, por interferir na esfera
administrativa, teria natureza administrativa; a suspensão dos direitos políticos,
pelos efeitos que geraria, teria natureza política, etc.
Portanto, por essa análise, a questão estaria errada.
Em resumo, para questões semelhantes, devemos guardar que as sanções
decorrentes do processo de improbidade não se confundem com as aplicadas
na esfera administrativa ou penal, possuindo natureza civil.

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Gabarito: correto.

Maria, servidora pública federal estável, integrante de comissão de licitação de


determinado órgão público do Poder Executivo federal, recebeu diretamente, no
exercício do cargo, vantagem econômica indevida para que favorecesse determinada
empresa em um procedimento licitatório. Após o curso regular do processo
administrativo disciplinar, confirmada a responsabilidade de Maria na prática
delituosa, foi aplicada a pena de demissão. Considerando essa situação hipotética,
julgue o item a seguir, com base na legislação aplicável ao caso.
26. (Cespe – Técnico Administrativo em Educação/FUB/2015) A infração praticada
por Maria caracteriza-se como ato de improbidade administrativa que importa
enriquecimento ilícito.
Comentário: nessa situação, é mais fácil tentar a analisar o caso do que
memorizar o tipo de ato. Podemos notar que Maria recebeu vantagem
econômica, ou seja, ela se enriqueceu em troca do benefício em procedimento
licitatório para uma empresa. Portanto, ocorreu um enriquecimento ilícito.
Nesse caso, não conseguimos encontrar a situação da questão expressamente
na Lei 8.429/1992. O aluno poderia entender que seria o caso de lesão ao erário
previsto no art. 10, VIII: “frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensá-
lo indevidamente”.
Todavia, os atos de improbidade relacionados nos arts. 9º, 10 e 11 são
meramente exemplificativos. Assim, existem situações não previstas
expressamente nesses dispositivos, mas que se enquadram em seu conceito.
Dessa forma, o art. 9º dispõe que constitui ato de improbidade administrativa
importando enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial
indevida em razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou
atividade nas entidades públicas. Logo, já poderíamos enquadrar essa situação
no próprio caput do art. 9º.
Adicionalmente, o caso também se enquadraria no art. 9º, I, que dispõe que
constitui ato de improbidade administrativa que importa enriquecimento ilícito
“receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou imóvel, ou qualquer
outra vantagem econômica, direta ou indireta, a título de comissão,
percentagem, gratificação ou presente de quem tenha interesse, direto ou
indireto, que possa ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente
das atribuições do agente público”.
Em um caso ou outro, poderemos enquadrar a situação em ato que importa
enriquecimento ilícito.
Gabarito: correto.

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27. (Cespe – Técnico Administrativo em Educação/FUB/2015) Suponha que


determinado servidor público federal tenha permitido, de forma culposa, a realização
de despesas não autorizadas em lei. Nessa hipótese, embora tenha sido cometido ato
de improbidade administrativa que causou prejuízo ao erário, nos termos da lei, não
se exige o ressarcimento integral do dano, haja vista a inexistência de dolo na conduta
do servidor.
Comentário: de acordo com a Lei de Improbidade Administrativa, ocorrendo
lesão ao patrimônio público por ação ou omissão, dolosa ou culposa, do agente
ou de terceiro, deverá ocorrer o integral ressarcimento do dano (art. 5º).
Ademais, os atos de improbidade que resultam em dano ao erário podem
decorre de ação ou omissão, dolosa ou culposa, na forma do art. 10 da Lei de
Improbidade.
Portanto, ainda que não haja dolo, o agente poderá ser condenado a ressarcir
integralmente o erário se tiver gerado dano ao patrimônio público.
Gabarito: errado.

28. (Cespe – Defensor Público Federal/DPU/2015) O rol de condutas tipificadas


como atos de improbidade administrativa constante na Lei de Improbidade (Lei n.º
8.429/1992) é taxativo.
Comentário: o rol de condutas de improbidade administrativa previsto na Lei
8.429/1992 é exemplificativo. Assim, se o ato se encaixar no conceito de cada
espécie de ato de improbidade, o agente poderá ser sancionado, ainda que não
haja um enquadramento exato com as hipóteses relacionadas na Lei de
Improbidade.
Nessa linha, vejamos o caput dos arts. 9º, 10 e 11 da Lei 8.429/1992:
Art. 9¡ Constitui ato de improbidade administrativa importando
enriquecimento il’cito auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida
em raz‹o do exerc’cio de cargo, mandato, fun•‹o, emprego ou atividade nas
entidades mencionadas no art. 1¡ desta lei, e notadamente:
Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa les‹o ao
er‡rio qualquer a•‹o ou omiss‹o, dolosa ou culposa, que enseje perda
patrimonial, desvio, apropria•‹o, malbaratamento ou dilapida•‹o dos bens
ou haveres das entidades referidas no art. 1¼ desta lei, e notadamente:
Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os
princ’pios da administra•‹o pœblica qualquer a•‹o ou omiss‹o que viole os
deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade ˆs
institui•›es, e notadamente:
A expressão “notadamente” significa que os casos relacionados são exemplos
e que podem existir outras condutas que venham a ser considerados como atos
de improbidade administrativa.
Gabarito: errado.

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29. (Cespe - Técnico/FUB/2015) O servidor público que praticar ato de improbidade


administrativa que implique em enriquecimento ilícito estará sujeito à perda de bens
ou valores acrescidos ao seu patrimônio. Em caso de óbito do agente público autor
da improbidade, esse ônus não será extensível aos seus sucessores.
Comentário: de fato, o servidor público que praticar ato de improbidade que
represente enriquecimento ilícito estará sujeito à sanção da perda de bens e
valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, conforme estabelece o art. 12, I,
da Lei 8.429/1992.
Contudo, no caso de dano ao erário e enriquecimento ilícito, se o agente
responsável vier a óbito, o seu sucessor estará sujeito às cominações da Lei de
Improbidade, até o limite do valor da herança (art. 8º).
Por exemplo, se o agente desviar cinco milhões de reais dos cofres públicos,
mas gastar parte do dinheiro, passando aos herdeiros somente dois milhões;
estes somente poderão ser condenados a perda ou ressarcimento de até dois
milhões.
Gabarito: errado.

30. (Cespe - Analista/MPU/2015) Em razão do caráter meramente exemplificativo do


rol de condutas que caracterizam os atos de improbidade administrativa, poderá ser
cometido ato de improbidade ainda que a infração praticada pelo agente público não
esteja descrita na Lei de Improbidade Administrativa.
Comentário: essa já ficou fácil. Os atos de improbidade administrativa
relacionados na Lei 8.429/1992 são meramente exemplificativos. Assim, um
agente poderá cometer uma conduta que não se enquadre expressamente nos
casos previstas na Lei de Improbidade, mas mesmo assim o caso vir a ser
considerado como ato de improbidade administrativa.
Gabarito: correto.

31. (Cespe - Assistente Administrativo/FUB/2015) Organização privada que não


possua a maior parte do seu patrimônio formada por capital público poderá ser vítima
de improbidade administrativa, caracterizando-se como sujeito passivo.
Comentário: os sujeitos passivos, isto é, os que venham a sofrer o ato de
improbidade, são os seguintes:
® a administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, de Território;

® empresa incorporada ao patrimônio público ou de entidade para cuja


criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com mais de
cinquenta por cento do patrimônio ou da receita anual;

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® entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício,


de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário
haja concorrido ou concorra com menos de cinquenta por cento do
patrimônio ou da receita anual, limitando-se, nestes casos, a sanção
patrimonial à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres
públicos.
Assim, uma entidade privada poderá sofrer um ato de improbidade, ainda que o
erário haja contribuído com a menor parte de seu patrimônio (menos que 50%).
Porém, nesse caso, a sanção patrimonial estará limitada à repercussão do ilícito
sobre a contribuição dos cofres públicos.
Gabarito: correto.

32. (Cespe - Administrador/FUB/2015) Em relação ao alcance subjetivo da


improbidade administrativa, verifica-se que os órgãos da administração direta e
indireta dos três poderes e de qualquer um dos entes federados configuram-se como
sujeitos passivos imediatos do ato caracterizado pela improbidade administrativa.
Comentário: os órgãos e entidades da administração direta ou indireta, de
qualquer dos Poderes e de todos os entes da Federação poderá figurar como
sujeitos passivos do ato de improbidade, ou seja, poderão sofrer um ato de
improbidade administrativa.
Gabarito: correto.

33. (Cespe - Auditor/FUB/2015) O particular tem legitimidade para figurar como


sujeito ativo de ato de improbidade administrativa, isolada e independentemente da
participação de agentes públicos.
Comentário: um particular poderá figurar como sujeito ativo do ato de
improbidade administrativa, figurando como o terceiro que venha a induzir,
concorrer ou se beneficiar do ato. Portanto, o particular jamais irá praticar um
ato de improbidade de forma isolada, pois sempre deverá estar presente um
agente público.
Dessa forma, o terceiro somente será o sujeito ativo se induzir um agente
público a praticar o ato; praticar o ato em conjunto com um agente público; ou
ainda se beneficiar do ato de improbidade praticado por um agente público.
Porém, de forma isolada/independente, não teremos um particular como sujeito
ativo.
Gabarito: errado.

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34. (Cespe – Assistente Administrativo/FUB/2015) O pagamento de despesa sem


prévio empenho caracteriza ato de improbidade administrativa, da mesma forma que
o pagamento de despesa antes da sua liquidação.
Comentário: essa questão exige um pouco de conhecimento das fases da
despesa pública. Nessa linha, sem adentrar em detalhes mais específicos, a
execução da despesa pública segue a seguinte ordem: empenho, liquidação e
pagamento.
Assim, a Lei 4.320/1964 veda a realização da despesa sem prévio empenho (art.
60) e determina que o pagamento da despesa só será efetuado quando ordenado
após sua regular liquidação (art. 62).
Ademais, a Lei 8.429/1992 considera ato de improbidade que causa dano ao
erário “ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou
regulamento” (art. 10, IX). Logo, realizar o pagamento sem prévio empenho ou
antes de sua liquidação é um ato de improbidade, pois seria uma despesa não
autorizada.
Gabarito: correto.

35. (Cespe - Op Cam TV/FUB/2015) O servidor indiciado, uma vez julgado e punido
na esfera penal, também poderá sofrer as cominações da lei de improbidade
administrativa.
Comentário: as instâncias são, em regra, independentes. Assim, um servidor
poderá ser punido na esfera administrativa e penal e ainda sofrer a sanção por
improbidade, pela mesma conduta.
Gabarito: correto.

36. (Cespe - Assistente Administrativo/FUB/2015) Servidor público que possibilita


o uso de patrimônio público sem as formalidades necessárias, ainda que, com esse
ato, não tenha obtido ganho pessoal nem causado dano ao erário, não comete
improbidade administrativa.
Comentário: o art. 10, II, da Lei 8.429/1992 considera como ato de improbidade
administrativa “permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada
utilize bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das
entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem a observância das formalidades
legais ou regulamentares aplicáveis à espécie”. Nesse caso, a o dano é
presumido, pois não há necessidade de se comprovar que o agente teve ganho
pessoal ou ainda que causou dano ao erário. A própria utilização do patrimônio
público sem observar as formalidades legais ou regulamentares já representa o
ato de improbidade.
Gabarito: errado.

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37. (Cespe - Técnico/FUB/2015) A doação de bens pertencentes à UnB, sem a


observância das formalidades aplicáveis, será caracterizada como ato de improbidade
administrativa, exceto se esses bens forem destinados a entes despersonalizados,
com fins educativos ou assistenciais.
Comentário: configura ato de improbidade administrativa que importa dano ao
erário “doar à pessoa física ou jurídica bem como ao ente despersonalizado,
ainda que de fins educativos ou assistências, bens, rendas, verbas ou valores
do patrimônio de qualquer das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem
observância das formalidades legais e regulamentares aplicáveis à espécie”
(art. 10, III).
Gabarito: errado.

38. (Cespe - Op Cam TV/FUB/2015) O dever de imparcialidade, quando violado por


servidor público, configura prejuízo ao interesse público, passível de punição como
ato de improbidade administrativa.
Comentário: o art. 11 da Lei 8.429/1992 estabelece que constitui ato de
improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração
pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade,
imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições.
Assim, quando o agente violar o seu dever de imparcialidade estará cometendo
um ato de improbidade administrativa.
Com efeito, não devemos confundir o prejuízo ao interesse público com dano
ao patrimônio público. O simples fato de o agente deixar de cumprir os
princípios aplicáveis à Administração Pública já representa um prejuízo ao
interesse público. Logo, deixar de observar a imparcialidade configura prejuízo
ao interesse público.
Gabarito: correto.

39. (Cespe - Analista TI/FUB/2015) Será passível de punição o agente que praticar
ato de improbidade administrativa contra o patrimônio de entidades que recebam
incentivo fiscal do governo.
Comentário: para fixar, vejamos novamente quem são os sujeitos passivos do
ato de improbidade:
® a administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, de Território;

® empresa incorporada ao patrimônio público ou de entidade para cuja


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® entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício,


de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário
haja concorrido ou concorra com menos de cinquenta por cento do
patrimônio ou da receita anual, limitando-se, nestes casos, a sanção
patrimonial à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres
públicos.
Assim, um agente poderá ser punido por ato de improbidade que praticar contra
uma entidade que receber incentivo fiscal do governo.
Gabarito: correto.

40. (Cespe - Analista/MPU/2015) Considere que um agente público, contratado para


o exercício de função transitória e não remunerada em determinado órgão público,
tenha recebido vantagem econômica indevida em razão desse exercício de função.
Nesse caso, em virtude da precariedade do vínculo e da ausência de remuneração, é
correto afirmar que o agente público não estará sujeito às regras e às penalidades
contidas na Lei de Improbidade Administrativa.
Comentário: inicialmente, cumpre anotar que receber vantagem econômica
indevida em razão do exercício de função configura ato de improbidade
administrativa que importa enriquecimento ilícito (Lei 8.429/1992, art. 9º).
Agora, precisamos analisar o conceito de agente público para a Lei de
Improbidade:
Art. 2¡ Reputa-se agente pœblico, para os efeitos desta lei, todo aquele que
exerce, ainda que transitoriamente ou sem remunera•‹o, por elei•‹o,
nomea•‹o, designa•‹o, contrata•‹o ou qualquer outra forma de investidura
ou v’nculo, mandato, cargo, emprego ou fun•‹o nas entidades mencionadas
no artigo anterior.
Portanto, mesmo que o vínculo seja transitório e sem remuneração, o autor
estará enquadrado no conceito de agente público para os fins da aplicação das
sanções de improbidade administrativa, podendo sofrer as sanções cabíveis.
Gabarito: errado.

41. (Cespe - Op Cam TV/FUB/2015) A iniciativa para a instauração de processo que


vise apurar ato de improbidade administrativa cometido em órgão público somente
poderá advir de servidor público vinculado a esse órgão ou de iniciativa do Ministério
Público.
Comentário: é preciso entender, primeiro, o que a questão quis dizer com a
“iniciativa para a instauração de processo que vise apurar ato de improbidade
administrativa”.
Nesse caso, a banca estava considerando a possibilidade de se representar para
que a autoridade administrativa competente instaure investigação destinada a

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apurar a prática de ato de improbidade. Tal representação poderá ser realizada


por qualquer pessoa, independente de ela ser vinculada ou não ao órgão. Assim,
o item está errado.
Ademais, não devemos confundir o processo de apuração do ato de
improbidade, que possui natureza administrativa, com a ação de improbidade.
Esta última é ação judicial, decorrente do processo de apuração, que poderá ser
proposta pelo Ministério Público ou pela pessoa jurídica interessada.
Gabarito: errado.

42. (Cespe - Adm/FUB/2015) Em inquéritos que apurem crime de improbidade


administrativa, é vedado à autoridade administrativa responsável pelo inquérito
decretar a indisponibilidade dos bens do indiciado, pois a presunção de inocência é
um direito constitucionalmente protegido.
Comentário: inicialmente, não é usual falar em “crime de improbidade”, mas sim
em ato de improbidade ou ilícito de improbidade. A expressão crime é mais
adequada para a esfera penal. Por isso, o item está errado.
Porém, a questão merece um pouco mais de análise.
Vejamos o que estabelece o art. 7º da Lei 8.429/1992:
Art. 7¡ Quando o ato de improbidade causar les‹o ao patrim™nio pœblico ou
ensejar enriquecimento il’cito, caber‡ a autoridade administrativa
respons‡vel pelo inquŽrito representar ao MinistŽrio Pœblico, para a
indisponibilidade dos bens do indiciado.
Par‡grafo œnico. A indisponibilidade a que se refere o caput deste artigo
recair‡ sobre bens que assegurem o integral ressarcimento do dano, ou
sobre o acrŽscimo patrimonial resultante do enriquecimento il’cito.
A redação do art. 7º é muito imprecisa e não nos ajuda a compreender melhor o
assunto. O que ocorre é que a autoridade administrativa representa ao
Ministério Público, que, por sua vez, deverá requisitar a medida ao juiz
competente. Isso mesmo, não é a autoridade administrativa nem o Ministério
Público que decretam a indisponibilidade dos bens, mas sim o juiz.
Assim, o trecho: “é vedado à autoridade administrativa responsável pelo
inquérito decretar a indisponibilidade dos bens do indiciado” está correto, pois
é o juiz, a requerimento do Ministério Público, que pode adotar tal medida.
Contudo, a “justificativa” para isso está errada, pois não é pela presunção de
inocência, afinal a indisponibilidade dos bens é medida cautelar, mas sim
porque a autoridade administrativa não tem competência, no processo de
indisponibilidade, para decretar a indisponibilidade dos bens.
Por fim, alguns alunos questionam a observação acima pelo fato de o Tribunal
de Contas da União, que é um órgão administrativo, possuir a competência para
decretar a indisponibilidade dos bens dos responsáveis por dano ao erário.

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Contudo, o TCU faz isso em processo de controle externo, que nada tem a ver
com a ação de improbidade administrativa. Portanto, não confundam a
indisponibilidade dos bens prevista na Lei 8.429/1992 com a indisponibilidade
dos bens decretada pelo TCU, com fundamento em sua Lei Orgânica (Lei
8.443/1992, art. 44, § 2º), em processos de controle externo.
Gabarito: errado.

43. (Cespe - Auditor/FUB/2015) A aplicação de sanções pela prática de ato de


improbidade administrativa prescinde da ocorrência de dano ao patrimônio público.
Comentário: essa é uma questão bem duvidosa, que não avalia conhecimento.
Muita gente pode tentar dar uma lógica ao gabarito, mas eu penso que alguns
bons candidatos acertariam e outros bons errariam, conforme a interpretação
de cada um.
De acordo com a Lei 8.429/1992, a aplicação das sanções previstas nesta lei
independe (art. 21): (i) da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público,
salvo quanto à pena de ressarcimento; (ii) da aprovação ou rejeição das contas
pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal ou Conselho de Contas.
O ponto agora é tentar entender a generalização feita pelo Cespe em “de
sanções”. A aplicação de sanções, como regra, independe de dano ao
patrimônio público. Assim, o item estaria correto.
Porém, se eu usar o raciocínio lógico, a questão generalizou o caso, pois nem
sempre tal afirmativa seria verdadeira, afinal há sanções que dependem sim da
ocorrência de dano. Digo melhor, não é qualquer sanção que prescinde da
ocorrência de dano. Dessa forma, como a assertiva não tratou das exceções, ela
está errada.
Porém, volta e meia o Cespe apresenta afirmativas sem as exceções e considera
elas corretas. Assim, acho que o item ficou dúbio e, dessa forma, deveria ser
anulado. Contudo, não foi. Então, devemos ficar atentos para uma eventual
questão semelhante.
Gabarito: errado.

ƒ isso pessoal! Finalizamos o nosso conteœdo.


Foi um prazer trabalhar com voc•s!
Sucesso e bons estudos.
HERBERT ALMEIDA.

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QUESTÕES COMENTADAS NA AULA

1. (Cespe - Proc/TC DF/2013) O ato de improbidade, que, em si, não constitui crime,
caracteriza-se como um ilícito de natureza civil e política.
2. (Cespe - ATA/MIN/2013) Os agentes políticos cujos atos puderem configurar
crimes de responsabilidade não se submetem ao regime da Lei de Improbidade
Administrativa.
3. (Cespe - AnaTA/MJ/2013) Um ato de improbidade administrativa praticado por
servidor público não pode ser simultaneamente enquadrado como um ilícito
administrativo, o que exime a autoridade competente de instaurar qualquer
procedimento para apuração de responsabilidade de natureza disciplinar.
4. (Cespe - AnaTA/MJ/2013) A Lei de Improbidade Administrativa é aplicável a
qualquer agente público que seja servidor estatutário vinculado às pessoas jurídicas
de direito público, não abrangendo os empregados públicos vinculados à
administração indireta.
5. (Cespe - Adm/MJ/2013) Com relação aos agentes públicos e à improbidade
administrativa, julgue o item que se segue conforme entendimento do Superior
Tribunal de Justiça.

Para a caracterização de ato de improbidade por ofensa a princípios da administração


pública, exige-se a demonstração do dolo lato sensu ou genérico.

6. (Cespe - AA/IBAMA/2013) A utilização de cargo público para favorecer


enriquecimento ilícito de amigo ou parente é considerada improbidade administrativa
que causa prejuízo ao erário.
7. (Cespe - AnaTA/SUFRAMA/2014) Considere que determinada regra exige
licença ambiental para liberação de financiamento de projeto empresarial na cidade
de Manaus. Nesse caso, se um servidor da SUFRAMA autorizar a liberação de verba
da autarquia para financiamento de atividade empresarial cuja licença ambiental
esteja irregular, ele poderá figurar como réu em ação de improbidade.
8. (Cespe - TJ/TJDFT/2013) Com base no disposto na Lei n.º 8.429/1992, julgue o
item seguinte.

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As penalidades aplicadas ao servidor ou a terceiro que causar lesão ao patrimônio


público são de natureza pessoal, extinguindo-se com a sua morte.

9. (Cespe - AJ/CNJ/2013) Segundo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça


(STJ), o reconhecimento de ato de improbidade administrativa, nos moldes previstos
pela Lei de Improbidade Administrativa (Lei n.º 8.429'1992), requer o exercício de
função específica (administrativa), não se admitindo sua extensão à atividade
judicante.
10. (Cespe - TJ/TJDFT/2013) O servidor que estiver sendo processado judicialmente
pela prática de ato de improbidade somente perderá a função pública após o trânsito
em julgado da sentença condenatória.
11. (Cespe - AJ/TJDFT/2013) Somente são sujeitos ativos do ato de improbidade
administrativa os agentes públicos, assim entendidos os que exercem, por eleição,
nomeação, designação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato,
cargo, emprego ou função na administração direta, indireta ou fundacional de
qualquer dos poderes da União, dos estados, do DF e dos municípios.
12. (Cespe - AJ/TRT 10/2013) Apuração interna realizada descobriu que um
empregado público federal de uma sociedade de economia mista recebeu vantagem
indevida de terceiros, em troca do fornecimento de informações privilegiadas e dados
sigilosos do ente de que ele fazia parte. O relatório de conclusão da apuração foi
enviado ao Ministério Público para providências cabíveis.
Considerando essa situação hipotética, julgue o item que se segue.
O terceiro beneficiado poderá ser responsabilizado nas esferas cível e criminal, mas
não por improbidade administrativa, visto que esta não abrange particulares.
13. (Cespe - ACE/TC DF/2014) O herdeiro de deputado distrital que tenha, no
exercício do mandato, ocasionado lesão ao patrimônio público e enriquecido
ilicitamente está sujeito às cominações da Lei de Improbidade Administrativa, mas
14. (Cespe - TJ/CNJ/2013) A configuração da improbidade exige os seguintes
elementos: o enriquecimento ilícito, o prejuízo ao erário e o atentado contra os
princípios fundamentais (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência), presente o elemento subjetivo doloso.
15. (Cespe - AJ/CNJ/2013) Constituem improbidade administrativa não apenas os
atos que geram enriquecimento ilícito, mas também os que atentam contra os
princípios da administração pública.
16. (Cespe – TJ/TJDFT/2013) O servidor que, estando obrigado a prestar contas
referentes a recursos recebidos, deixa de fazê-lo incorre em ato de improbidade
administrativa passível de demissão do serviço público.
17. (Cespe – TJ/TJDFT/2013) Os atos típicos de improbidade administrativa
restringem-se ao descumprimento do princípio do sigilo e da confidencialidade de
informações.

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18. (Cespe – AJ/TJDFT/2013) A procrastinação é uma conduta que pode configurar


ato de improbidade administrativa que causa prejuízo ao erário, por gerar atrasos e
ineficiência do serviço público.
19. (Cespe – AJ/TJDFT/2013) O oficial de justiça que, no exercício do cargo público,
aufira vantagem patrimonial indevida estará sujeito, além das sanções penais, civis e
administrativas previstas na legislação específica, às cominações arroladas na Lei n.º
8.429/1992, por configurar a situação ato de improbidade administrativa que importa
enriquecimento ilícito.
20. (Cespe - Tec/MPU/2013) Cometerá ato de improbidade administrativa que atenta
contra os princípios da administração pública o servidor público que revelar a seus
familiares, durante um jantar em família, os detalhes de processo que tramite em
segredo de justiça contra seu chefe e do qual tenha tomado conhecimento em razão
de suas atribuições.
21. (Cespe – Funpresp-EXE/2016) Os herdeiros daquele que causar lesão ao
patrimônio público estarão sujeitos às cominações legais até o limite do valor da
herança.
22. (Cespe – Funpresp-EXE/2016) Entre as sanções para a prática de ato de
improbidade administrativa previstas na Lei n.º 8.429/1992 inclui-se a suspensão dos
direitos políticos, que não se encontra expressamente prevista na CF.
23. (Cespe – Funpresp-EXE/2016) Conforme a referida lei, são espécies de atos de
improbidade administrativa aqueles que atentam contra o decoro parlamentar e contra
a dignidade da justiça.
24. (Cespe – Analista Judiciário/TRE-GO/2015) Embora possa corresponder a
crime definido em lei, o ato de improbidade administrativa, em si, não constitui crime.
25. (Cespe – Analista Judiciário/TRE-GO/2015) A sanção de perda da função
pública decorrente de sentença em ação de improbidade administrativa não tem
natureza de sanção administrativa.

Maria, servidora pública federal estável, integrante de comissão de licitação de


determinado órgão público do Poder Executivo federal, recebeu diretamente, no
exercício do cargo, vantagem econômica indevida para que favorecesse determinada
empresa em um procedimento licitatório. Após o curso regular do processo
administrativo disciplinar, confirmada a responsabilidade de Maria na prática
delituosa, foi aplicada a pena de demissão. Considerando essa situação hipotética,
julgue o item a seguir, com base na legislação aplicável ao caso.
26. (Cespe – Técnico Administrativo em Educação/FUB/2015) A infração praticada
por Maria caracteriza-se como ato de improbidade administrativa que importa
enriquecimento ilícito.

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27. (Cespe – Técnico Administrativo em Educação/FUB/2015) Suponha que


determinado servidor público federal tenha permitido, de forma culposa, a realização
de despesas não autorizadas em lei. Nessa hipótese, embora tenha sido cometido ato
de improbidade administrativa que causou prejuízo ao erário, nos termos da lei, não
se exige o ressarcimento integral do dano, haja vista a inexistência de dolo na conduta
do servidor.
28. (Cespe – Defensor Público Federal/DPU/2015) O rol de condutas tipificadas
como atos de improbidade administrativa constante na Lei de Improbidade (Lei n.º
8.429/1992) é taxativo.
29. (Cespe - Técnico/FUB/2015) O servidor público que praticar ato de improbidade
administrativa que implique em enriquecimento ilícito estará sujeito à perda de bens
ou valores acrescidos ao seu patrimônio. Em caso de óbito do agente público autor
da improbidade, esse ônus não será extensível aos seus sucessores.
30. (Cespe - Analista/MPU/2015) Em razão do caráter meramente exemplificativo do
rol de condutas que caracterizam os atos de improbidade administrativa, poderá ser
cometido ato de improbidade ainda que a infração praticada pelo agente público não
esteja descrita na Lei de Improbidade Administrativa.
31. (Cespe - Assistente Administrativo/FUB/2015) Organização privada que não
possua a maior parte do seu patrimônio formada por capital público poderá ser vítima
de improbidade administrativa, caracterizando-se como sujeito passivo.
32. (Cespe - Administrador/FUB/2015) Em relação ao alcance subjetivo da
improbidade administrativa, verifica-se que os órgãos da administração direta e
indireta dos três poderes e de qualquer um dos entes federados configuram-se como
sujeitos passivos imediatos do ato caracterizado pela improbidade administrativa.
33. (Cespe - Auditor/FUB/2015) O particular tem legitimidade para figurar como
sujeito ativo de ato de improbidade administrativa, isolada e independentemente da
participação de agentes públicos.
34. (Cespe – Assistente Administrativo/FUB/2015) O pagamento de despesa sem
prévio empenho caracteriza ato de improbidade administrativa, da mesma forma que
o pagamento de despesa antes da sua liquidação.
35. (Cespe - Op Cam TV/FUB/2015) O servidor indiciado, uma vez julgado e punido
na esfera penal, também poderá sofrer as cominações da lei de improbidade
administrativa.
36. (Cespe - Assistente Administrativo/FUB/2015) Servidor público que possibilita
o uso de patrimônio público sem as formalidades necessárias, ainda que, com esse
ato, não tenha obtido ganho pessoal nem causado dano ao erário, não comete
improbidade administrativa.

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37. (Cespe - Técnico/FUB/2015) A doação de bens pertencentes à UnB, sem a


observância das formalidades aplicáveis, será caracterizada como ato de improbidade
administrativa, exceto se esses bens forem destinados a entes despersonalizados,
com fins educativos ou assistenciais.
38. (Cespe - Op Cam TV/FUB/2015) O dever de imparcialidade, quando violado por
servidor público, configura prejuízo ao interesse público, passível de punição como
ato de improbidade administrativa.
39. (Cespe - Analista TI/FUB/2015) Será passível de punição o agente que praticar
ato de improbidade administrativa contra o patrimônio de entidades que recebam
incentivo fiscal do governo.
40. (Cespe - Analista/MPU/2015) Considere que um agente público, contratado para
o exercício de função transitória e não remunerada em determinado órgão público,
tenha recebido vantagem econômica indevida em razão desse exercício de função.
Nesse caso, em virtude da precariedade do vínculo e da ausência de remuneração, é
correto afirmar que o agente público não estará sujeito às regras e às penalidades
contidas na Lei de Improbidade Administrativa.
41. (Cespe - Op Cam TV/FUB/2015) A iniciativa para a instauração de processo que
vise apurar ato de improbidade administrativa cometido em órgão público somente
poderá advir de servidor público vinculado a esse órgão ou de iniciativa do Ministério
Público.
42. (Cespe - Adm/FUB/2015) Em inquéritos que apurem crime de improbidade
administrativa, é vedado à autoridade administrativa responsável pelo inquérito
decretar a indisponibilidade dos bens do indiciado, pois a presunção de inocência é
um direito constitucionalmente protegido.
43. (Cespe - Auditor/FUB/2015) A aplicação de sanções pela prática de ato de
improbidade administrativa prescinde da ocorrência de dano ao patrimônio público.

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No•›es de Direito Administrativo p/ INSS
TŽcnico de Seguro Social
Teoria e exerc’cios

comentados
Prof. Herbert Almeida Ð Aula 11

GABARITO

1. C 11. E 21. C 31. C 41. E


2. C 12. E 22. E 32. C 42. E
3. E 13. C 23. E 33. E 43. E
4. E 14. C 24. C 34. C
5. C 15. C 25. C 35. C
6. C 16. C 26. C 36. E
7. C 17. E 27. E 37. E
8. E 18. E 28. E 38. C
9. E 19. C 29. E 39. C
10. C 20. C 30. C 40. E

REFERÊNCIAS

ALEXANDRINO, Marcelo; PAULO, Vicente. Direito administrativo descomplicado. 19ª Ed. Rio de
Janeiro: Método, 2011.

ARAGÃO, Alexandre Santos de. Curso de Direito Administrativo. Rio de Janeiro: Forense, 2012.

BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 31ª Ed. São Paulo:
Malheiros, 2014.

BARCHET, Gustavo. Direito Administrativo: teoria e questões. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 27ª Edição. São Paulo: Atlas,
2014.

CARVALHO FILHO, José dos Santos. “Personalidade judiciária de órgãos públicos”. Salvador:
Revista Eletrônica de Direito do Estado, 2007.

DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 27ª Edição. São Paulo: Atlas, 2014.

JUSTEN FILHO, Marçal. Curso de direito administrativo. 10ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais,
2014.

MARINELA, Fernanda. Direito Administrativo. 7ª Ed. Niterói: Impetus, 2013.

MEIRELLES, H.L.; ALEIXO, D.B.; BURLE FILHO, J.E. Direito administrativo brasileiro. 39ª Ed. São
Paulo: Malheiros Editores, 2013.

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