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Fonologia autosegmental

O que é?
Os modelos lineares, que analisavam a fala a partir de uma seqüência de segmentos, contribuíram significativamente para a evolução dos pensamentos fonológicos ao desenvolver as noções de traços distintivos, classes naturais e regras fonológicas. No entanto,
tais modelos apresentavam limitações ao tentar explicar fenômenos fonológicos suprassegmentais e prosódicos. Os modelos não-lineares, portanto, buscaram analisar a fala não como uma combinação unidimensionalmente ordenada de segmentos, propunha-se
que os segmentos se organizavam hierarquicamente. Assim, segmentos formavam sílabas, que, por sua vez, formavam pés, que formavam palavras fonológicas, etc. Dentro desses modelos não-lineares encontram-se as fonologias autosegmental, métrica,
lexical, da sílaba e prosódica.

O grande mérito do modelo autossegmental foi a incorporação da sílaba à teoria. No modelo gerativo, a sílaba era tratada como um traço [+silábico] que era atribuído a um segmento. Esse tipo de análise era insuficiente e não conseguia dar conta de diversos
fenômenos relativos à sílaba. Na autossegmental, portanto, a sílaba adquiriu status fonológico. Os segmentos passam, então, a não ser só um conjunto desorganizado de traços, mas um conjunto que possui uma estrutura interna organizada hier arquicamente. As
representações subjacentes tornam-se fonéticas através de processos de derivação (em que atuam os princípios de boa-formação).

A figura abaixo mostra uma representação silábica segundo a teoria em questão:

Para aprofundamento dos estudos sobre Fonologia Autosegmental, selecione um dos itens no índice abaixo para ir para a página do tópico escolhido.

Fonologia autosegmental - Representação


No modelo autosegmental, a sílaba possui como constituintes imediatos o onset (O) – ou ataque – e a rima (R), essa que, por sua vez, possui os constituintes núcleo (N) e coda (C). Cada um desses constituintes associa-se a uma ou mais posições da camada CV
como mostrado abaixo, para a palavra planaltos.

Representação:

Posteriormente, propôs-se que houvesse, ao invés de uma camada com consoantes e vogais, uma camada com unidades temporais (X). Tal mudança na teoria baseou-se no fato de haver, em diversas línguas, segmentos que são dúbios quanto à classificação.
Isto é, há segmentos que, ainda que sejam tradicionalmente classificados como consoantes, apresentam comportamento semelhante ao de vogais em certos contextos. E há também vogais que apresentam comportamento semelhante ao de consoantes em
certos contextos. Tomemos como exemplo a nasal alveolar /n/ no inglês, embora seja tradicionalmente uma consoante, ela pode ocorrer como núcleo de sílaba, a ex emplo da palavra “reason”. Assim, /n/ estaria ocupando uma posição que seria preferencialmente
ocupada por uma vogal. Assim, a substituição das consoantes e vogais por unidades temporais, ou posições esqueletais puras, resolve o problema. Além disso, esse é um recurso necessário para a descrição de alguns fenômenos fonológicos.

Fonologia autosegmental - Silabificação


No Português brasileiro, os seguintes procedimentos são adotados para a silabificação de palavras. Segue abaixo como exemplo a silabificaç ão da palavra planaltos.

Procedimentos de silabificação:
1. Atribuir a cada segmento uma posição esqueletal (X).

2. Atribuir à posição esqueletal (X) de cada vogal um núcleo (N) e associar o núcleo a uma rima (R).
3. Atribuir um onset (O) à posição que precede cada rima (R).

4. Maximizar os onsets (O), isto é, caso haja uma consoante (C) que possa ser atribuída tanto ao onset (O) quanto à rima (R), ela deve ser atribuída ao onset (O);.

5. Atribuir à posição esqueletal das consoantes restantes (X) uma coda (C).

6. Atribuir as sílabas (σ), da esquerda para a direita, a cada grupo de onset (O) e rima (R).
A forma como os segmentos são distribuídos e associados aos constituintes é determinada a partir deprincípios, tais como o “Princípio de sonoridade”, “as condições de licenciamento silábico” e o“Princípio do contorno obrigatório”. Tais princípios são
específicos para cada língua, embora se notem tendências quanto à organização dos segmentos nas diversas línguas do mundo.

Fonologia autosegmental - Princípios


No modelo autosegmental são adotados princípios, que são formas de determinar a distribuição dos segmentos nas palavras. Os principais princípios des envolvidos e utilizados nesse modelo são o “Princípio de sonoridade”, “as condições de licenciamento
silábico” e o “Princípio do contorno obrigatório (PCO)".

O princípio de sonoridade adota uma escala que se baseia no grau de abertura do trato vocal e no nível da energia liberada durante a produção do som. D e acordo com essa escala, os elementos mais sonoros ocupam o núcleo da sílaba, enquanto que os
elementos menos sonoros ocupam as periferias. Pelo grau de sonoridade, os sons vocálicos são os de maior sonoridade e tendem, portanto, a ocupar o núcleo da sílaba. Já os obstruintes são os de menor sonoridade e tendem, então, a ocupar as periferias. Os
sons líquidos, os nasais e os glides, por sua vez, têm valor de sonoridade médio; sendo, dentre eles, os glides os mais sonor os, seguidos dos e dos nasais.

As condições de licenciamento silábico buscam explicar a diversidade de contrastes de onsets e codas, levando em consideração a noção de categorias licenciadoras e categorias licenciadas.

O princípio do contorno obrigatório (PCO) proíbe seqüências adjacentes de unidades idênticas nas representações fonológicas. Assim, se dois segmentos idênticos ocorrem em seqüência (a exemplo das consoantes geminadas ou das vogais longas), eles são
a reduzidos um só, mas mantendo-se a unidade temporal dos dois segmentos. Em outras palavras, há um só segmento associado a duas posições esqueletais. O exemplo abaixo simbol iza a aplicação do PCO ao enunciado “appa”:

O PCO, então, proíbe que dois segmentos /p/ ocorram na coda de uma sílaba e no onset da sílaba consecutiva, e soluciona essa violação ao princípio atribuindo a um só segmento /p/ duas posições esqueletais. Tal segmento, então, recebe a classificação de
ambissilábico, uma vez que está associado simultaneamente a duas sílabas distintas.

Fonologia
O que é?
A Fonologia é a ciência que estuda a organização dos sistemas sonoros das línguas naturais. Transcrições fonológicas são apresentadas entre barras transversais: /.../. Transcrições fonológicas recebem várias denominações dependendo do modelo fonológico,
como, por exemplo: representação subjacente, representação lexical, representação mental ou output. Para uma abordagem geral de vários modelos fonológicos consulte: http://www.unincor.br/revista/Fonologia.html