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5 Preparar a apresentação

Para muitos estudantes e músicos amadores, a apresentação põe em evidência a


diferença entre a sala de estudo e o palco. Não é raro ouvir: "Eu toquei muito melhor em
casa." Muitas vezes, tal afirmação leva o leitor a acreditar que ele ou ela não são
adequados para apresentar músicas em qualquer nível. Se houve quaisquer aspirações
profissionais, tais apresentações musicais (performances) muitas vezes contribuem para
uma reavaliação de opções de carreira. É a diferença entre um excelente desempenho em
casa e, no palco, apenas o resultado da ansiedade de apresentação. A minha experiência
de ensino e de concertista tem demonstrado que, muitas vezes, a ansiedade de
apresentação tem pouco a ver com essa disparidade.

Durante meus 30 anos de ensino, eu cheguei a acreditar que devemos empregar


dois tipos de prática.

5.1 Aprender a estudar

O primeiro tipo, estudos, ensaios e exercícios de aprendizagem, é usado para


aprender com êxito uma obra. Isso começa com a compreensão da forma, seções, frases,
motivos, e o estilo da obra. Também inclue os dedilhados, arcadas ou articulações,
juntamente com uma compreensão clara do ritmo, harmonia e dinâmica. Por último, inclui a
habilidade de cantar musicalmente a melodia, baixo e vozes intermediárias no nível de
desempenho esperado. (Para uma discussão aprofundada do tema, ver: The art and
Technique of Practice - A arte e a técnica do estudo, por Richard Provost, opus citada.)

5.2 Aprender a apresentar

O segundo tipo, aprender a apresentar, centra-se em quatro áreas:

1. a meta de uma apresentação bem-sucedida,


2. preparar para o inesperado,
3. identificar o que acontece a nós quando apresentamos.
4. "o teste de estrada", determina o nosso nível de desempenho atual com a peça
musical.

A meta

Quantas vezes, depois de ter assistido a um bom estudante ou uma apresentação


de amador, você já ouviu o músico dizer: "Eu toquei tão mal. Não consigo acreditar?"
Como você pode desfrutar de concertos que, no entender do intérprete, foram tão
horríveis? É muito simples: havia dois conjuntos de padrões no lugar. Nenhum padrão está
necessariamente certo ou errado. Como ouvinte, você estava ouvindo a qualidade geral do
desempenho. Uma nota, frase, ou dinâmica falha não tira sua apreciação da apresentação.
O artista, no entanto, pode ter tido um conjunto muito diferente de padrões. O artista pode
ter vindo a apostar na perfeição técnica. Ele ou ela consideram qualquer coisa abaixo da
perfeição como um fracasso.

Traduzido de PROVOST, R. The Art and Technique of Performance. San Francisco (USA), Guitar Solo Publications, 1994.
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Como concertista, aprendi que na preparação para uma apresentação bem


sucedida os envolvidos precisam estar cientes de dois conjuntos de padrões: os padrões
utilizados pelo público e aqueles usados pelo intérprete para desenvolver continuamente
sua técnica musical, e seus níveis artísticos.

Quando eu falo sobre um padrão do público, não estou defendendo tocar com um
padrão inferior para o público. Estou, no entanto, sugerindo que você se torne plenamente
consciente do padrão que você aplica quando ouve um concerto. Uma vez estabelecido
seu padrão público, determine o seu padrão de desempenho.

Dependendo do seu nível técnico e da sua experiência, esta meta pode ser tão
básica quanto a simples travessia da peça ou tão elevada quanto um padrão alcançado
apenas pelos melhores concertistas. Para alcançar qualquer nível de desempenho de
maneira bem sucedida, suas metas de estudo devem ser completamente esclarecidas.
Sem metas de estudo claras, é impossível alcançar suas metas de desempenho. Lembre-
se, qualquer que seja sua meta, compartilhe seu amor e sentimento pela música com o
público.

Preparar para o imprevisto

A preparação de um concerto centra-se, com razão, em todos os componentes


técnicos e musicais necessários para tocar bem uma música. Nós nos concentramos na
forma, estilo, frases e problemas técnicos de cada peça. Estamos preocupados em cuidar
das condição do nosso instrumento, cordas, ou palhetas. Muitas vezes, porém, não são
esses itens que afetam a qualidade do nosso desempenho, mas itens que nós tomamos
por obviamente garantidos. Embora muitos itens se enquadrem nesta categoria, vamos
examinar quatro mais comuns.

Luzes

Onde quer que estudemos, estamos acostumados a uma certa quantidade de


iluminação ambiental ou luz de janela. Esta luz nos permite ver facilmente a nossa
partitura, ver nossas mãos, ou qualquer uma das muitas coisas diferentes que temos
garantidas durante nossas sessões de ensaio.

O palco do concerto, no entanto, tem iluminação diferente. A iluminação do palco é


projetada não só para permitir que o intérprete consiga enxergar no palco, mas também
para focar a atenção do público sobre ele ou ela enquanto estão tocando. Na nossa sala
de estudo, se a luz não é suficiente, podemos mudar de quarto, trazer uma lâmpada, ou
tomar qualquer série de medidas para melhorar a situação. Na sala de concertos nem
sempre há essa opção. Às vezes, os holofotes são fixos, então a única maneira de tirar o
clarão dos nossos olhos é sentar ainda mais para trás no palco ou desligar um dos
holofotes. Muitas vezes, qualquer uma destas soluções nos coloca em uma posição onde a
iluminação do palco é insuficiente para vermos a partitura ou as próprias mãos. Mudar a
iluminação em sua sala de estudos vai ajudá-lo na preparação para o inesperado.
Baixando as luzes e criando outras situações de iluminação difícil em seu quarto de estudo

Traduzido de PROVOST, R. The Art and Technique of Performance. San Francisco (USA), Guitar Solo Publications, 1994.
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vai ajudá-lo a se preparar para aqueles momentos em que você é forçado a apresentar sua
música com iluminação abaixo do ideal.

Temperatura da sala de concerto

A temperatura ambiente afeta cada um de maneira diferente. Algumas pessoas


gostam de um quarto frio, outros, quente, e outros parecem adaptar-se a qualquer
temperatura. A maioria dos músicos vai concordar que é mais difícil tocar num salão frio do
que num que seja muito quente. Uma sala quente fará com que suas mãos comecem a
suar mais do que o habitual. Isso pode ser facilmente controlado esfregando pó de talco
em suas mãos antes ou durante a apresentação. Um espaço que seja muito frio irá afetar o
seu toque. Um salão frio faz com que os vasos sanguíneos se contraiam, diminuindo o
fluxo de sangue para os dedos. Isso reduz muito as sensações táteis das quais
dependemos para realizar uma apresentação musical com êxito. Embora possa parecer
que o intérprete tem o controle sobre a temperatura da sala, minha experiência tem
provado o contrário. Parece haver cada vez menos salões com termostatos que possam
ser controlados pelo gerente de palco. Se você é facilmente afetado por mudanças de
temperatura, durante as semanas que precederam o seu concerto, ajuste a temperatura do
seu quarto de estudo para ser mais quente ou mais fria do que você prefere normalmente.
Isso permitirá que você possa ficar mais flexível com a sua zona de conforto térmica. Devo
acrescentar, porém, que tentar tocar em um salão onde a temperatura esteja abaixo de
18°C (65°F) é tolice. Nesta temperatura, a sua sensibilidade de toque é severamente
limitada.

Cadeiras

Aqueles de nós que tocam sentados muitas vezes pensam que todas as cadeiras
são iguais. Infelizmente, o intérprete inexperiente descobre consternado que não só todas
as cadeiras são diferentes, elas também podem ter alturas diferentes. A maneira mais
simples de se ajustar a essa situação é estudar, ensaiar usando cadeiras diferentes e, se
possível, cadeiras de alturas diferentes. Dessa forma, antes do concerto você tem tempo
suficiente para se ajustar à situação.

Para alguns, o banco ajustável do piano torna-se a resposta para o controle de


altura e conforto. Para outros, isso se torna uma distração. Na minha experiência, o banco
ajustável tornou-se uma distração. Descobri que entre cada peça eu ajustava o banco na
expectativa de encontrar a posição perfeita. Cheguei ao ponto de medir minha cadeira de
estudos favorita e ajustar o banco para esta altura antes do concerto. Isso não me impediu
de mexer com os botões de ajuste. A resposta para mim era aprender a tocar em
diferentes cadeiras de alturas diferentes.

Roupa de concerto

Eu não conheço quaisquer músicos que estudem e ensaiem com roupa formal. A
maioria dos músicos estudar em roupas casuais confortáveis. Estudar com roupas
confortáveis ajuda a tornar a prática mais descontraída e produtiva. Enquanto o traje de

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concerto pode e deve ser confortável, muitas vezes dá uma sensação estranha uma vez
que este não é o que estamos acostumados a usar durante o estudo. Se você achar que o
seu traje de concerto causa estranheza, estude com ele por várias semanas antes de sua
apresentação. Isso vai acostumá-lo com o peso adicional, ou com o ajuste mais apertado
de um casaco ou de um vestido.

Enquanto preparar-se para o inesperado pode parecer óbvio, muitos artistas


inexperientes ignoram este aspecto da preparação de concerto. O efeito perturbador que
algo tão básico como a altura da cadeira pode ter numa apresentação traz à tona a
importância deste tipo de preparação.

O que acontece quando você se apresenta

Cada um de nós reage de forma diferente ao estresse de apresentação e ao


aumento do fluxo de adrenalina. Para alguns, esse estresse e aumento da adrenalina leva
a alcançar níveis artísticos não alcançados durante os estudos. Para outros, a experiência
de apresentação pode causar a ocorrência de eventos indesejáveis. Para preparar-se
adequadamente um concerto, sabemos o quanto a ansiedade vai afetar o nosso
desempenho. A melhor maneira de determinar isto é rever fitas, seja de áudio ou vídeo, de
apresentações passadas.

Enquanto ouve estas gravações pergunte a si mesmo:

1. Estou tocando acima ou abaixo do meu nível de estudos?

2. Estou tocando com a mesma técnica precisa usada nos estudos durante a
apresentação?

3. Minhas ideias musicais estão saindo na apresentação com a mesma clareza em


que saem nos estudos e ensaios?

4. Ocorrem lapsos de memória durante a apresentação?

5. Minhas mãos tremem durante a apresentação?

6. Quanto de ansiedade eu estou experimentando?

7. Como é essa ansiedade que afeta o meu desempenho?

Se você identificar que suas ideias musicais não são tão claras na apresentação,
analise a sua prática de estudos para encontrar formas de clarificar ainda mais as suas
ideias musicais. Isso pode ser tão simples como exagerá-las no estudo, dando mais tempo
nas frases e seções finais. Lapsos de memória podem exigir que você reexamine suas
técnicas de memorização. (Para uma discussão detalhada ver o capítulo três, A Arte e
Técnica do Estudo, opus citada.)

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Enquanto estas questões cobrem muito do que pode acontecer durante a


apresentação, pode haver outras ocorrências positivas ou negativas que você pode querer
considerar ser o mais aberto possível ao ouvir apresentações passadas. Isto lhe dará a
imagem mais clara de quem você é como intérprete. Com essa avaliação na mão, agora
você pode ajustar seus estudos e ensaios pré-concerto para solidificar ou superar o que
você identificou nesta revisão.

Testar a apresentação da peça

Ao lado de metas de desempenho pouco claras, a segunda maior causa de um


desempenho insatisfatório é não ter um conhecimento realista do seu nível de
desempenho atual em determinada peça. Quantas vezes você já ouviu ou disse, "Parecia
muito melhor ontem. Não sei o que aconteceu." Embora seja fácil atribuir esta experiência
a "um dia ruim", a causa é muitas vezes uma avaliação realista do seu nível de
desempenho atual.

Muitas vezes, o que lembramos de uma apresentação de ensaio bem sucedida é o


quão boa a peça soou depois que terminou a apresentação. Como ela soou quando você a
tocou pela primeira vez naquele dia? Esse é o seu nível de desempenho atual.

Tenho percebido como útil fazer teste de estrada com a peça que estou praticando
pelo menos a cada dois dias. Faço este teste depois de ter aquecido o suficiente para me
sentir confortável fisicamente com o meu instrumento. Isso geralmente leva de dez a vinte
minutos. Coloco-me no mesmo estado mental que uso para executar e tocar a peça com a
mesma convicção e musicalidade que gostaria de usar na apresentação. Então revejo meu
desempenho.

• Quanto era aceitável este desempenho?

• Este é o nível que quero na apresentação?

• Se não, que nível eu gostaria?

• O que precisa de mais trabalho?

Você deve identificar tanto o positivo quanto o negativo. Olhando apenas um


aspecto do seu desempenho distorce sua avaliação. Identifique todas as áreas que estão
em um bom nível de desempenho. Agora que áreas precisam de mais trabalho? Qual é o
problema? São problemas técnicos não resolvidos? Problemas de fraseado não
resolvidos? A fim de melhorar, precisamos ter uma meta bem clara.

Estudar para uma apresentação é aprender a virar um interruptor. Quando ligamos o


interruptor de luz, as luzes se acendem imediatamente. Se não o fizerem, nós substituímos
a lâmpada. Como artistas, nós precisamos identificar nossas metas de desempenho e
estudar cada dia para alcançar essas metas. Sem este tipo de prática, lembramo-nos

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apenas o jeito que soou depois de estudar a peça por "X" quantidade de tempo. Este tipo
de estudo é uma indicação da nossa aprendizagem, não do nosso nível de desempenho.

5.3 Alterar sua maneira de estudar

Agora que fez o teste de estrada da peça, você tem uma ideia melhor de seu nível
de desempenho atual e o que precisa estudar. Os resultados do seu teste de estrada
podem tornar necessário alterar a sua prática de aprendizado. A seguir estão algumas
áreas comuns.

Falta de coesão na apresentação


Muitas vezes, quando várias passagens e seções de uma peça são isoladas e
estudadas em seus detalhes, a forma, a estrutura e o modo destas seções fica alterado. Às
vezes, esta mudança permite passagens mais suaves na peça: outras vezes a mudança
faz elas sobressairem. Para alcançar uma interpretação suave, é necessário integrar
sistematicamente cada passagem isolada ao todo. Você precisa determinar se as
mudanças fundem ou destacam as passagens de todo o esquema da peça.

Níveis de execução ou interpretação diversos

Se alguma irregularidade no nosso tocar afeta nosso controle técnico ou


interpretativo geralmente é causada por algum tipo de confusão mental. Problemas
técnicos e musicais muitas vezes são resultantes da falta de uma clara compreensão do
problema. Como exemplo, se você está tentando realizar um elemento motívico da peça
em uma frase, você vai perceber que sua interpretação torna-se instável e desconectada.
Você interpretou mal a intenção do compositor, está tentando transformar em algo
importante o que é apenas uma parte de uma unidade maior. Um violonista, violinista,
celista ou contrabaixista pode pode acusar uma passagem como pobre, quando na verdade a
pobreza da passagem pode decorrer de uma arcada ou de um dedilhado da mão direita mal
planejado.

Atravessar erros sem parar de tocar

Intérpretes inexperientes muitas vezes assumem que a possibilidade de tocar


através de erros na apresentação é uma vantagem. Enquanto alguns artistas conseguem
isso mais fácil do que outros, essa habilidade é facilmente adquirida. O primeiro passo
para aprender esta habilidade é não parar enquanto você não tenha chegado ao fim do
teste de estrada da peça. Toda vez que você parar quando estuda, você está estudando
parar na apresentação. Cada vez que você continuar a tocar quando você cometer um
erro, melhor se tornará sua habilidade de atravessar erros. O outro ingrediente em
atravessar erros é o seu conhecimento da peça. Esteja você tocando de memória ou por
leitura, quanto mais eficientes forem seus hábitos de estudo, tanto mais confiança você
desenvolve em sua capacidade de tocar. (Para uma discussão aprofundada do tema, ver:
A Arte e Técnica de Estudar, opus citada.)

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Iniciar a peça

Como todos sabemos, algumas peças são mais fáceis de começar do que outras.
Precisamos de um início forte para capturar a atenção do público. Muitas vezes quando
começamos uma peça esquecemos que só podemos começar uma vez. Se o início for
bem sucedido ou não, repetir o início não significa ensaiar o início da peça e sim repetir a
seção inicial da peça. Como podemos estudar o começo da peça? Em primeiro lugar, cada
vez que você estuda a peça, localize e estude todos os problemas técnicos e musicais que
estejam presentes. Então, durante o dia, pegue seu instrumento e comece a peça. Se o
início for bem sucedido, identifique os elementos que você sente que contribuíram para
este sucesso. Cada vez que você começar a peça, coloque o foco sobre esses elementos.
Por outro lado, se o início não for bem sucedido, identifique as causas e da próxima vez
que você começar a peça, coloque o foco no controle desses elementos. Se você estudar
cinco ou seis vezes por dia desta forma, você vai rapidamente ganhar a habilidade e a
confiança necessária para começar a peça com sucesso.

Relacionada a esta área é a escolha de uma peça de abertura. O tipo de abertura


varia de artista para artista. A abertura deve ser uma peça que você esteja completamente
confiante tanto no nível técnico quanto no nível musical. Também considere escolher uma
peça que vai envolver a atenção do público e definir o tom do seu desempenho na
apresentação.

Todos os dias, depois de estudar e ensaiar a sua peça, faça novamente o teste de
estrada. Ficou melhor? Está mais perto do jeito que você quer que soe? Se a resposta for
sim, você está no caminho de uma apresentação de sucesso. Se não, reexamine a peça
tanto tecnicamente quanto musicalmente. Além disso, reexamine a sua abordagem de
estudos e ensaios.

Lembre-se deste desempenho. No dia seguinte, quando você realizar o teste de


estrada da peça, decida quão próxima está desse desempenho e que melhorias você
notou.

5.4 Lidar com a ansiedade da apresentação

Como discutido nos capítulos anteriores, há três aspectos da ansiedade de


apresentação que podem afetar nossa preparação e desempenho. Embora os sintomas
fisiológicos, tais como batimento cardíaco rápido, mãos suadas ou frias, ou rígidas ocorrem
apenas durante a apresentação, a nossa prática deve preparar-nos para lidar com o
sintomas fisiológicos que podem ocorrer. Os sintomas cognitivos e comportamentais
começam a ocorrer com a aproximação do concerto. Para lidar com sucesso com estes
sintomas, devemos reconhecê-los quando eles aparecem pela primeira vez e de forma
agressiva trabalhar para diminuir seu impacto na nossa preparação.

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Eu já lhe pedi para examinar o que acontece com você quando você apresenta uma
música, uma audição, um recital ou um concerto. É igualmente importante examinar o que
acontece quando o concerto se aproxima. Você experimenta:

1. Medos: pode ser o medo de deixar cair o seu instrumento, de lapsoss de


memória, de não ser bom o suficiente, etc.

2. Pensamentos Negativos: Você está questionando o suas habilidades de tocar,


habilidades musicais, sua técnica, etc.? É a sua mente vagando durante os estudos? Você
está experimentando pensamentos intrusivos ou catastróficos?

3. Comportamento: Você está encontrando dificuldades em estudar, em resolver


áreas problemáticas ou pensar sobre o concerto?

O primeiro passo na redução e superação desses sintomas é identificar o que está


acontecendo com você enquanto você se prepara para o concerto. A lista de verificação a
seguir irá ajudá-lo a esclarecer ainda mais as suas ansiedades e ajudar a reduzir o
pensamento global.

5.5 Lista de itens a verificar diariamente

Em uma escala de 1 a 10 (sendo 10 o mais alto), avalie seu nível de ansiedade


diária dos seguintes itens:

_____ Quão ansioso você está com a próxima apresentação?

_____ Quão ansioso você está quanto aos aspectos técnicos da(s) peça(s)? Isso
inclui dedilhados da mão direita e esquerda, arcadas, articulação, passagens, ligaduras,
etc.

_____ Quão ansioso você está quanto aos aspectos musicais da(s) peça(s)? Isso
inclui forma, os motivos, fraseado, respiração, etc.

_____ Quão ansioso você está sobre a dinâmica da(s) peça(s)? Como está sua
fluência? Como está a precisão dos seus ritmos?

_____ Quão ansioso você está quanto à memorização da(s) peça(s)? Você está
tendo lapsos de memória? Quando você comete um erro, você consegue continuar?

_____ Quão ansioso você está quanto à qualidade da preparação?

_____ Quão ansioso você está quanto à consistência do seu desempenho diário?

Outros: Você pode incluir itens como: Será que as pessoas gostam de mim? Será
que vou ficar bem no palco? Qualquer item que causa preocupação pode ser adicionado a
esta lista.

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Os números que você escolheu para representar seu nível de ansiedade para cada
uma das áreas vai ajudar a determinar o que você sente que sejam os aspectos mais
fracos da sua próximo apresentação. Usando o material apresentado nos capítulos
anteriores, planeje uma abordagem para suprimir ou atenuar esses pontos fracos.

No capítulo quatro, eu discuti muitas técnicas eficazes para reduzir e lidar com o
estresse. Muitos concertistas também usar essas técnicas para reduzir o estresse em suas
vidas diárias. Thetravel e [ugglíng 'de programas (de solo, concerto e música de câmara),
muitas vezes acrescenta stressto considerável vida diária de um performer. Isto combinado
com maus hábitos alimentares, falta de exerdse, ea pressão de sempre a necessidade de
estar em condições de jogo top novos aumentos stress diário. Utilizando estas técnicas,
numa base diária ajuda a diminuir o stress.

A conclusão do capítulo vai examinar as técnicas de ensino que podem reduzir o


grau de ansiedade dos estudantes desempenho.

6 Ensinar técnicas para menos ansiedade de apresentação

Ensinar é tanto arte quanto técnica. Tem muitas facetas que incluem: desenvolver o
estudante tanto técnica- quanto musicalmente, criticar o trabalho que tem sido feito, e desenvolver
as competências necessárias para transformar um bom estudante em um bom concertistar. Como
o ensino pode diminuir os efeitos negativos da ansiedade de apresentação? A maneira mais óbvia é
através da utilização de habilidades de comunicação efetiva ao criticar um estudante. Maneiras
menos óbvias estão relacionadas ao papel do professor e do estudante, o tipo de direção e crítica
dada durante a aula, e a abordagem utilizada para desenvolver habilidades de desempenho. Neste
capítulo, vamos olhar maneiras de diminuir os efeitos negativos da ansiedade de apresentação dos
estudantes através de uma melhor compreensão de cada uma dessas áreas.

6.1 O papel do professor e do estudante

Renee Korwan (Teaching Beyond Technique, Ensinar além da técnica, trabalho


não publicado, 1990.) sugeriu uma mudança do nome tradicional de iniciante, intermediário
e avançado na rotulagem de estudantes. Ela sugere que chamemos os iniciantes de
"fundamental"; os intermediários de "transição", e os avançados de "auto-acionamento."
Ela sentiu que esta rotulagem descreve melhor não só o nível e papel do estudante, mas
também o papel do professor.

Em 1991, eu apresentei essa ideia relacionado ao ensino de violão, no Guitar


Foundation of Ameríca's National Symposium. (Fundação do Simpósio Nacional Americano

Traduzido de PROVOST, R. The Art and Technique of Performance. San Francisco (USA), Guitar Solo Publications, 1994.