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ANO LETIVO 2018/2019

PROVA DE AVALIAÇÃO TRIÉNIO 2016/2019


MÓDULO 10

Português, Módulo 8
3.º Ano – TGEI – 2016/2019
Duração da Prova: 120 minutos

Nome: N.º

GRUPO I (100p)

Leia atentamente o poema.

A
Três vezes rodou imundo e grosso.
O MOSTRENGO
«Quem vem poder o que só eu posso,
O mostrengo que está no fim do mar Que moro onde nunca ninguém me visse
Na noite de breu ergueu-se a voar; E escorro os medos do mar sem fundo?»
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar, E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»
E disse: «Quem é que ousou entrar Três vezes do leme as mãos ergueu,
Nas minhas cavernas que não desvendo, Três vezes ao leme as reprendeu,
Meus tetos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo: E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
«El-Rei D. João Segundo!» Sou um povo que quer o mar que é teu;
«De quem são as velas onde me roço? E mais que o mostrengo, que me a alma teme
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes, E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»

Fernando Pessoa, Mensagem

1. Caraterize a figura do «mostrengo», justificando com elementos do texto. (10p)


2. Atente, agora, na figura do «homem do leme». (10p)
2.1. Demonstre que as suas reaçõ es ao discurso do «mostrengo» evoluem em sentido crescente. (10p)
3. Explique a simbologia de ambas as figuras: o «mostrengo» e o «homem do leme». (10p)
4. Identifique dois recursos presentes no poema, explicitando o respetivo valor expressivo. (20p)
5. Tendo em conta os seus conhecimentos sobre a obra Mensagem, selecione, em cada item, a opção que permite
obter a afirmação adequada ao sentido do texto. Escreva o número do item e a letra correspondente à opção que
escolher. (40 p)

5.1. A obra Mensagem (1934) constitui uma sucessão de

A. breves poemas sobre todas as figuras e todos os momentos da nossa história.

B. longos poemas sobre figuras ou momentos da nossa história literária.

C. breves poemas sobre figuras ou momentos da nossa história até ao declínio do império.

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5.2. A Mensagem estrutura-se dentro da conceção simbólica do círculo perfeito pois

A. é uma organização bipartida: “Brasão” e “O Encoberto”.

B. é uma organização tripartida: “Mar Português”, “O Encoberto” e “Brasão”.

C. é uma organização tripartida: “Brasão”, “Mar Português” e “O Encoberto”.

5.3. Fernando Pessoa, na Mensagem, procura

A. anunciar um novo império. O “intenso sofrimento patriótico” leva-o a antever um império material.

B. anunciar um novo império. O “intenso sofrimento patriótico” leva-o a antever um império que se
encontra para além do material.

C. anunciar um novo império, resultante das descobertas e das vitórias alcançadas.

5.4. No poema D. Dinis, realçando a importância das letras e da cultura, Fernando Pessoa

A. critica o papel do rei-poeta que sonhou e que lançou as sementes dos Descobrimentos.

B. destaca o papel do rei-poeta que sonhou e que concretizou o sonho, lançando as sementes da literatura
portuguesa.

C. destaca o papel do rei-poeta que sonhou e que concretizou o sonho, lançando as sementes dos
Descobrimentos.

5.5. A primeira parte da Mensagem, intitulada “Brasão”

A. dá conta dos reis que criaram o Império Português.

B. dá conta dos heróis que criaram o Império Português.

C. dá conta dos heróis que conduziram à perda da independência.

5.6. A segunda parte da Mensagem, denominada “Mar Português”, oferece a imagem:

A. do Portugal marinheiro e conquistador, que descobriu e realizou o sonho imperial.

B. dos heróis que criaram um novo império civilizacional.

C. do Portugal sonhador mas incapaz de concretizar esse sonho.

5.7. A terceira e última parte

A. “Mar Português” - encontra-se tripartida em “Os símbolos”, “Os avisos” e “Os tempos”

B. “Brasão” - encontra-se tripartida em “Os símbolos”, “Os avisos” e “Os tempos”

C. “Encoberto” - encontra-se tripartida em “Os símbolos”, “Os avisos” e “Os tempos”

5.8. O mito sebastianista é

A. a crença popular no regresso, em manhã de nevoeiro, do rei D. Sebastião desaparecido na Batalha do


Salado (1578), mas cujo corpo nunca chegou a ser identificado com segurança. A expectativa do
Encoberto converte-se em mito, na esperança de melhores dias, de felicidade nacional, de justiça e de
grandeza.

B. a crença popular no regresso, em manhã de nevoeiro, do rei D. Sebastião desaparecido em Alcácer Quibir
(1578), mas cujo corpo nunca chegou a ser identificado com segurança. A expectativa do Encoberto
converte-se em mito, na esperança de melhores dias, de felicidade nacional, de justiça e de grandeza.

C. a crença popular no regresso, em manhã de nevoeiro, do rei D. Sebastião desaparecido na Batalha do


Sebastião (1578), mas cujo corpo nunca chegou a ser identificado com segurança. A expectativa do
Encoberto converte-se em mito, na esperança de melhores dias, de felicidade nacional, de justiça e de
grandeza.

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GRUPO II (50p)

Leia atentamente o seguinte texto.

Meu «caso» com Fernando Pessoa

Chamo de «caso» àquele contacto de alma que o próprio Pessoa passou a vida toda a esconder/revelar. O meu
«caso» com o poeta começou no final dos anos sessenta, quando ouvi pela primeira vez a música de Caetano Veloso «É
proibido proibir», momento libertário da juventude para se antepor à tirania da ditadura em que vivíamos. No meio da
sua interpretação antológica1, e contrariando os que esperavam palavras de ordem, casuísticas 2, Caetano introduzia a
5 declamação de umas palavras estranhas e enigmáticas, que se alojaram no meu inconsciente como premissas de um
tempo novo, inevitável. Corri atrás dessas palavras e vim a saber, estarrecido, que eram de um poeta português, de que
eu mal ouvira falar. Comprei o livro, as obras então completas (a edição é de 1960), da Editora Aguilar: o poema era «D.
Sebastião»3, terceira parte da Mensagem. A partir daí uma paixão súbita e definitiva me incendiou o coração e nunca
mais parei de ler e amar Pessoa. Com o passar do tempo, cheio de pudor e cumplicidade oculta, fui-me embebedando
10 daquela solidão imensa até descobrir que tinha sido irremediavelmente capturado pelo delírio épico da Mensagem.
Fernando Pessoa traduz em linguagem metafórica uma antiga aspiração do ser humano, o sentimento obscuro de que
existe um mundo interior a ser descoberto, à semelhança dos descobrimentos portugueses. Essa sensação de intervalo,
essa ânsia doída, contida nos versos do poeta, reflete aquilo que não temos e não vemos, mas desejamos e queremos:
navegar por dentro, no rumo do lugar encoberto onde reina o mais legítimo de nós. Mas cortejar o espírito argonauta
15 era pouco e a forma que encontrei para comungar com o poeta foi a música. Musicar os poemas da Mensagem (o
primeiro disco, com vários intérpretes, saiu em 1986 e agora vou no terceiro, e último) foi um desdobramento quase
natural do meu primeiro contacto, tantos anos atrás. Expressar esse sentimento abstrato de pertença absoluta a uma
«causa» foi a tarefa que o destino me impôs. As músicas da Mensagem – sem medo, sem mistificação – começaram a
descer como molduras sobre telas e, cumprindo apenas a função de integrar-se a elas, integraram-me a ele.

André Luiz Oliveira, in o editor, o escritor e os seus leitores, Fundação Calouste Gulbenkian, 2012.

1Antológica: que merece ser registada.


2Casuísticas:minuciosas.
3D. Sebastião: poema do livro Mensagem recitado por Caetano Veloso no meio de «É proibido proibir», canção decisiva da história

da música brasileira de protesto contra o regime militar então vigente.

1. Com base na leitura do texto B, selecione, em cada item, a opção que permite obter a afirmação adequada ao
sentido do texto. Escreva o número do item e a letra correspondente à opção que escolher. (35 p)

1.1. A música de Caetano Veloso, «É proibido proibir» surgiu, num contexto ditatorial, como
A. uma reivindicação clara e antológica.
B. um meio direto e explícito de contestação.
C. uma forma de contestação singular e enigmática.
D. uma forma de contestação meticulosa e enigmática.

1.2. As palavras declamadas do poema «D. Sebastião»


A. provocaram espanto e curiosidade no autor.
B. despontaram no autor a certeza de um futuro melhor.
C. instalaram no autor uma possível esperança de um futuro melhor.
D. contribuíram para o estranhamento e a indefinição.

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1.3. Para o autor do texto, Fernando Pessoa traduz, através da linguagem,


A. a busca eterna do Homem da sua verdadeira essência interior.
B. os mundos descobertos pelos descobrimentos portugueses.
C. a exaltação épica dos descobrimentos portugueses.
D. a vontade humana de navegar e descobrir novos mundos físicos.

1.4. No contexto em que ocorre, o vocábulo «doída» (l. 13) remete para a ideia de
A. ofensa.
B. queixa.
C. mágoa.
D. ressentimento.

1.5. Na expressão «como molduras sobre telas» (l. 19) o autor recorre a uma
A. metáfora.
B. perífrase.
C. hipérbole.
D. comparação.

1.6. No excerto «Corri atrás dessas palavras e vim a saber, estarrecido, que eram de um poeta português, de que
eu mal ouvira falar» (ll. 6-7), as palavras sublinhadas são
A. um pronome e uma conjunção, respetivamente.
B. uma conjunção e um pronome, respetivamente.
C. pronomes em ambos os contextos.
D. conjunções em ambos os contextos.
1.7. A oração «onde reina o mais legítimo de nós.» (ll. 17-18) é uma oração subordinada
A. substantiva relativa.
B. substantiva completiva.
C. adjetiva relativa explicativa.
D. adjetiva relativa restritiva.

2. Atente na frase «O meu “caso" com o poeta começou no final dos anos sessenta, quando ouvi pela primeira vez a
música de Caetano Veloso […]» (ll. 1-2).
2.1. Refira a função sintática desempenhada pela oração subordinada presente na fase acima. (5p)
2.2. Classifique a oração subordinada presente na frase acima.

3. Identifique o antecedente do pronome «ele» presente na expressão «[…] integraram-me a ele.» (l. 19). (5p)

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Grupo III (50p)

A coragem, a determinação, o desafio do desconhecido, revelados no passado pelo povo português, ainda hoje são
evidentes em tudo quanto realiza.

Num texto bem estruturado, de duzentas a trezentas palavras, defenda um ponto de vista pessoal sobre a
capacidade empreendedora dos portugueses.

Fundamente o seu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustre cada um deles com, pelo
menos, um exemplo significativo.

Observações relativas ao Grupo III:


1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta
integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra, independentemente dos
algarismos que o constituam (ex.: /2009/).
2. Relativamente ao desvio dos limites de extensão indicados, um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas palavras, há que
atender ao seguinte:
- a um texto com uma extensão inferior a oitenta palavras é atribuída a cotação de 0 (zero) pontos;
- nos outros casos, um desvio dos limites de extensão requeridos implica uma desvalorização parcial (até cinco pontos) do texto
produzido.

O(A) Professor(a),
Sandra Figueiras

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