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Nº 1.0000.19.

002279-8/000
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2019000023547

HABEAS CORPUS CRIMINAL 6ª CÂMARA CRIMINAL


Nº 1.0000.19.002279-8/000 SÃO LOURENÇO
PACIENTE(S) RICARDO DE SOUZA PEREIRA
AUTORID COATORA JUIZ DE DIREITO DA VARA CRIMINAL
E JUIZADO DA INFÂNCIA E DA
JUVENTUDE DE SÃO LOURENÇO

DECISÃO

Vistos.

Trata-se de ordem de HABEAS CORPUS COM


PEDIDO LIMINAR, impetrada pelo advogado Dr. Eduardo Bittencourt
Ferreira, em favor do paciente Ricardo de Souza Pereira, preso em
flagrante delito no dia 17/12/2018, pela prática, em tese, do crime
tipificado no art. 155, §4º, c/c art. 14, II, do Código Penal.

Não há documentos nos autos que elucidem as razões


de fato que levaram à prisão do paciente.

O impetrante nega a autoria delitiva por parte do


paciente, afirmando que nada de ilícito foi encontrado em sua posse.

Sustenta a ausência dos requisitos da prisão


preventiva, previstos no art. 312 do CPP, ponderando serem cabíveis
medidas cautelares diversas da prisão, previstas no art. 319 do mesmo
diploma.

Ressalta que, em eventual condenação, a pena será


fixada em regime inicial aberto, razão pela qual a segregação cautelar
do paciente violaria o princípio da proporcionalidade.

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Diante disso, roga a Defesa pelo deferimento do


pedido liminar, com a revogação da prisão preventiva, expedindo-se o
respectivo alvará de soltura. No mérito, pugna pela concessão
definitiva da ordem.

É o breve relatório.

Passa-se, então, ao exame do pedido liminar.

Em que pesem os relevantes argumentos suscitados


pela parte impetrante, depreende-se dos autos que não estão
presentes os requisitos que autorizam a concessão do pedido liminar
ora pleiteado, a saber: o fumus boni iuris e o periculum in mora.

Em outras palavras, o pedido liminar em habeas


corpus é cabível em casos em que seja notória e previamente
demonstrada a ilegalidade ou o abuso de poder supostamente
praticado pela autoridade apontada como coatora, o que, a priori, não
se verifica nestes autos.

Digo isso porque, em uma análise sumária dos autos,


constato que a decisão que manteve a prisão preventiva do paciente
(documento de ordem n. 4, fls. 04/05) está, aparentemente, embasada
em elementos objetivos do caso, aliados aos pressupostos e
requisitos da segregação cautelar.

Assim, em um exame perfunctório, noto que estão


demonstradas, nessa decisão, as razões legais que motivaram a
imposição da prisão processual, notadamente na garantia da ordem

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pública, satisfazendo o disposto no art. 312 do CPP, o que afasta,
por ora, as alegações defensivas.

Além disso, vale ressaltar que o delito imputado,


previsto no art. 155, §4º, do CP, possui pena privativa de liberdade
máxima cominada em 8 (oito) anos, de modo que a situação em
apreço também se enquadra no pressuposto contido no inciso I
do art. 313 do CPP.

Isto é, não é possível verificar, em sede liminar, a


carência de fundamentação da decisão vergastada e a suposta
ausência dos pressupostos e requisitos autorizadores da prisão
preventiva, bem como a possibilidade de se aplicar medidas cautelares
diversas da prisão.

Ademais, ressalto que já está pacificado na doutrina e


na jurisprudência que eventuais condições pessoais favoráveis não
obstam, por si sós, a prisão cautelar.

Nesse diapasão, incumbe ressaltar que os princípios


constitucionais devem ser aplicados, mas não impedem a prisão
cautelar, pela necessidade de se resguardar a ordem pública, a
instrução processual ou a aplicação da lei penal.

Por fim, no que se refere ao argumento de


desproporcionalidade da segregação processual ao se considerar a
pena que seria imposta em eventual condenação, ressalto que não é
possível realizar tal constatação em sede liminar, devendo-se aguardar
o julgamento final desta ordem para que seja feita uma leitura mais
acurada dos elementos trazidos aos autos.

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Portanto, no presente caso, não é possível observar,
em um juízo de cognição sumária, a plausibilidade do direito
alegado, o que, pela via reflexa, torna inviável o deferimento da
antecipação de tutela.

Diante do exposto, INDEFIRO a liminar pleiteada.

Intime-se a parte impetrante para, no prazo de 03


(três) dias, instruir devidamente o feito, juntando os documentos
necessários à apreciação das teses aventadas, tais como APFD,
eventual denúncia, decisão que decretou a prisão preventiva, CAC e
FAC atualizadas, sob pena de não conhecimento da ordem.

Oficie-se a autoridade indigitada coatora, requisitando-


lhe informações acerca da atual situação do paciente. Na
oportunidade, que envie documentos que entenda pertinentes para o
julgamento do feito, principalmente APFD, eventual denúncia,
decisão que decretou a prisão preventiva, CAC e FAC atualizadas.
Fixo o prazo de 48 horas, atento ao disposto no art. 448, parágrafo
único, do RITJMG.

Decorrido o prazo, com ou sem informações, remetam-


se os autos à Procuradoria-Geral de Justiça, para se manifestar no
prazo de 48 horas, conforme previsto no art. 449 do RITJMG.

Publique-se e intime-se.

Belo Horizonte, 14 de janeiro de 2019.

DES. JAUBERT CARNEIRO JAQUES


Relator

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Documento assinado eletronicamente, Medida Provisória nº 2.200-2/2001 de 24/08/2001.
Signatário: Desembargador JAUBERT CARNEIRO JAQUES, Certificado:
5E91E50909899C5338A3CA228C671F61, Belo Horizonte, 15 de janeiro de 2019 às 15:12:25.
Verificação da autenticidade deste documento disponível em http://www.tjmg.jus.br - nº verificador:
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