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Laboratório de Materiais de Construção para Engenharia – 1⁰/2018

Análise dos efeitos de tratamentos térmicos no aço 1045

Angélica Kathariny de Oliveira Alves – 13/0102156 1, Isaque Lucas Guedes Fonseca – 13/0040355 2

1
Laboratório de Materiais de Construção para Engenharia – FGA/UnB, Gama, DF.
e-mail: angel.kyka@hotmail.com
2
E-mail: isaqueguedes@globo.com

RESUMO
Os estudos sobre o aço 1045 são importantes porque ele é um aço de teor médio de carbono, com
excelente forjabilidade e grande usabilidade, além de ser muito utilizado para a construção
mecânica. O objetivo da pesquisa foi observar os efeitos da variação de temperatura sobre o aço
1045 em um leque de métodos. Foram utilizados métodos de tratamento térmico, sendo eles:
recozimento pleno, normalização e têmpera; metalografia; ensaio de tração; ensaio de dureza e
teste de impacto. Tendo como resultado, que os diferentes tipos de tratamento térmico produzem
resultados diferentes no material utilizado e que o grau de decaimento da temperatura influência
os contornos de grão da microestrutura e seus aspectos físicos, como ductibilidade e tenacidade.
Então pode-se concluir que a medida em que a temperatura em que o material for submetido,
maior será sua resistência, além de que, quanto mais rápido o seu resfriamento, maior também
será sua resistência.
Palavras-chave: Aço 1045, Tratamento térmico, Micrografia, Ensaio de Tração, Ensaio de Dureza.

1. INTRODUÇÃO

Como forma de comparação entre os efeitos da variação de resfriamento e temperatura no aço


1045, foram realizados testes de tratamento térmico, além de métodos como: tração, metalografia,
dureza e impacto, para realização da análise. Os aços são ligas metálicas, as quais tem o ferro
como elemento principal junto com o carbono, podendo conter outros elementos na formação de
sua liga.
O aço 1045 é classificado como um aço de teor médio de carbono, aços desse tipo possuem
resistência mecânica entre 570 e 700 Mpa e dureza de Brinell de 170 a 210HB. Tendo como
característica sua endurecibilidade e podem ser tratados termicamente em seções muito finas e de
resfriamento rápido. Possuem razoável usinabilidade e boas propriedades mecânicas na condição
normalizada ou laminada.
O aço AISI 1045 é um material fortemente empregado em diversos componentes da
indústria do petróleo tais como eixos de ventiladores e de bombas das torres de destilação, além
de encontrar aplicação também em eixos, bases para matrizes e ferramentas manuais. Entretanto
é um aço com difícil manuseio para manutenção, devido as altas temperaturas do seu ponto de
fusão.
No presente artigo o tratamento térmico foi de fundamental importância para o
embasamento prático, foi o ponto de partida para os estudos sobre o aço 1045. O tratamento
térmico é a modificação da microestrutura por procedimento controlado de aquecimento e
resfriamento, tendo como finalidade alterar as propriedades físicas e mecânicas do metal, sem
alterar sua forma final. É realizado sob condições controladas de temperatura, tempo, atmosfera
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e velocidade de resfriamento, com o objetivo de alterar as suas propriedades ou conferir-lhes


características determinadas. No experimento estudado forma utilizados três tipos de tratamento
térmico: recozimento, normalização e têmpera.
O recozimento pleno é muito usado em aços de baixo e médio teor de carbono que serão
usinados ou vão sofrer extensa deformação plástica O resfriamento é feito de maneira lenta, dentro
do forno que foi aquecido ou na temperatura ambiente ou em caixas, tem como objetivo tornar o
aço mais manejável, reduzindo a dureza do material. A normalização é um tratamento térmico
usado para refinar os grãos, ou seja, diminuir a granulação do aço, além de diminuir seu tamanho
médio e homogeneizar sua distribuição, o resfriamento na normalização é feito com a peça fora
do forno, o processo de normalização facilita a usinagem da peça. A têmpera consiste em aquecer
a amostra por um tempo e temperatura pré-estabelecidos e resfriados com um jato de água com
vazão e temperatura especificadas, ou submergir o aço em água. Tem como objetivo aumentar a
dureza e a resistência dos materiais. Através do seu resfriamento o aço obtém uma estrutura
martensita.
Os métodos principais para avaliação dos corpos de prova que passaram pelos diferentes
tipos de tratamento térmico são de vital importância para a comparação “prática x teoria”, isto
está em consoante com o objetivo do artigo.
O ensaio mecânico de tração é realizado através de um esforço axial no qual um corpo de
provo é submetido, sendo que esse esforço é um esforço crescente de velocidade controlada, o
ensaio se encerra no momento em que o corpo de prova se rompe. Além disso, ele é usado para
verificar diversos aspectos mecânicos dos materiais metálicos, e como dito acima o ensaio é de
natureza destrutiva.
A metalografia tem como objetivo o estudo das microestruturas dos materiais relacionando
seus aspectos químicos e físicos. A amostra passa por diversos processos, como lixamento, ataque
químico e contraste, para que seja enfim realizada uma análise microscópica de suas partículas as
quais não são possíveis a olho nu. Esse método é aplicado a todos os materiais e produtos
metálicos ferrosos. Sua visualização microscópica é realizada em estruturas polidas e é
considerada uma avaliação complexa devido à variedade de formato de grãos nos sólidos que os
variados tratamentos térmicos criam.
A dureza é uma propriedade mecânica de grande utilização em estudos de especificações
de materiais e de pesquisas mecânicas e metalúrgicas, o resultado desses estudos possibilita a
comparação entre os materiais. O acervo teórico revela diversos modos de se obter a dureza de
um material, no presente estudo optamos por utilizar o método de dureza de Rockwell, o método
se baseia na penetração de uma pirâmide de base quadrada, com ângulo entre as faces opostas de
136° feita de diamante o qual utiliza a profundidade que o penetrador atinge sob a ação de uma
carga constante, descontando a recuperação elástica. A profundidade de penetração atingida já sai
na escala definida. A dureza pode ser de dois tipos: normal ou superficial, sendo diferenciadas
pela escala utilizada. Existe em leque de vantagens na utilização desse método, como a não
deformação do penetrador, escala contínua de dureza e grande precisão das medidas que é um
fator muito importante para pesquisas.
O ensaio de impacto consiste em submeter um corpo de prova com entalhe padronizado à
um impacto provocado por um martelo pendular, que utiliza a diferença de potenciais para
determinar a energia absorvida pelo material. Existem dois tipos de ensaio de impacto Charpy e
o de Izod, nesse estudo utilizamos o método de Charpy que se caracteriza por possuir a face do
entalhe contrária ao sentido do impacto do martelo. O ensaio de impacto de baseia na energia
absorvida. Sabendo que o martelo pendular possui uma altura h e após o impacto ele alcança uma
h’, quanto menor a altura h’ maior a energia absorvida pelo corpo de provo, logo ele será um
material de alta resistência mecânica, de maneira inversa, quanto maior a altura h’ menor a energia
absorvida e mais frágil é o material.
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MATERIAIS E MÉTODOS

2.1 Tratamento térmico


Para a realização do tratamento térmico foram utilizados oito corpos de prova, sendo quatro
para utilização no ensaio de tração e quatro para o ensaio de impacto. Um conjunto de amostras
foi usado como referência e três conjuntos foram submetidos aos tratamentos térmicos. Em
seguida essas amostras foram colocadas na mufla (Marca: FORNITEC monofásico de 20
Amperes), como mostra a figura 1, a uma temperatura de 900±5 ⁰C e permaneceram a essa
temperatura por 20 minutos. Após esse tempo, as amostras foram retiradas da mufla, divindade
em pares, uma amostra para ensaio de tração e outra para ensaio de impacto, e submetidas a
diferentes tipos de resfriamento. Um conjunto passou pelo processo de têmpera, cujo resfriamento
se dá de maneira rápida na água; outro passou pelo processo de normalização, onde o resfriamento
é feito ao ar de maneira lenta; e o último passou pelo processo de recozimento, onde as amostras
ficaram dentro da mufla resfriando lentamente até atingir a temperatura ambiente.

Figura 1: Corpos de prova dentro da mufla para o aquecimento.

2.2 Ensaio de tração


Antes do ensaio cada corpo de prova foi submetido a medições do comprimento da área
útil (comprimento interno do corpo de prova) e do diâmetro em triplicata. Individualmente,
cada amostra foi presa pelas extremidades na máquina universal INSTRON 8801 100kN 21Mpa,
mostrada na figura 2. O corpo de prova foi alongado a uma taxa constante até a fratura do
material. Após o ensaio as partes resultantes da amostra foram unidas e o comprimento da área
útil e o diâmetro foram medidos novamente.
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Figura 2: Corpo de prova preparado para o ensaio de tração.

2.3 Metalografia
O procedimento para a metalografia foi dividido em três etapas. Na primeira etapa do
processo todos os corpos de prova utilizados no ensaio de tração foram cortados na área de secção
circular. Após o corte, os pedaços das amostras foram inseridos em uma resina polimérica por
interferência, utilizando uma prensa PANTEC.
Na segunda parte foi feito o lixamento das peças utilizando uma lixadeira
rotativa com lixas das seguintes granulometrias: 220, 320, 400, 800, 1200, respectivamente. A
peça foi lixada até que todos os riscos estivessem na mesma direção e ao mudar de lixa, a peça
foi girada 90⁰, seguindo esse procedimento até que não houvessem mais riscos. Em seguida foi
realizado o polimento utilizando alumina.
Na terceira etapa as superfícies das amostras passaram pelo ataque químico utilizando uma
solução de Nital (ácido nítrico e etanol). Em seguida as peças foram lavadas e secas com o auxílio
de um secador de cabelos. Por fim foram levadas ao microscópio onde foram obtidas imagens
da microestrutura do aço 1045.

2.4 Ensaio de impacto


Para o ensaio de impacto foi utilizada a técnica Charpy, no qual um martelo atinge as
amostras no local do entalhe. No teste de impacto, a amostra é inserida no compartimento inferior
da máquina, o martelo é elevado até sua altura máxima, travado e solto de forma que atinja a
amostra causando sua fratura. Em seguida foi feita a leitura da energia do impacto na escala da
máquina.

2.5 Dureza
Após o ensaio de impacto as amostras nele utilizadas tiveram uma superfície ligeiramente
lixadas para a realização do ensaio de dureza Rockwell com escala B. Foi utilizado um penetrador
esférico e em cada amostra foi aplicada uma pré-carga de 10kgf para garantir um contato firme
entre o penetrador e o material ensaiado e depois foi adicionada carga de 100kgf. O ensaio foi
realizado em triplicata.

3. RESULTADOS

3.1 Ensaio de tração


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Antes do ensaio de tração foram medidos o diâmetro e o comprimento de área útil dos
corpos de prova. A tabela 1 apresenta a média do valor dessas medidas.

Tabela 1: Dimensões dos corpos de prova antes do ensaio de tração.

Comprimento da área Diâmetro inicial


TIPO DE TRATAMENTO útil inicial (mm) (mm)

SEM TRATAMENTO 102,59 5,94


NORMALIZADO 101,61 6,06
TEMPERADO 103,15 5,96
RECOZIDO 102,1 6,17

Após a realização do ensaio o corpo de prova adquiriu novas dimensões. Estas são
apresentadas na tabela 2.

Tabela 2: Dimensões dos corpos de prova após o ensaio de tração.

Comprimento da área Diâmetro final


TIPO DE TRATAMENTO útil final (mm) (mm)
SEM TRATAMENTO 105,28 4,73
NORMALIZADO 109,88 4,95
TEMPERADO 103,23 5,95
RECOZIDO 110,21 5,24

Com os dados das tabelas 1 e 2 e com os dados obtidos pela máquina do ensaio de tração
foi possível plotar o gráfico tensão x deformação, apresentado na figura 3, utilizando o software
Excel.

Figura 3: Gráfico tensão x deformação dos aços que passaram por tratamento térmico e do aço sem tratamento.
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3.2 Metalografia
As fotos da metalografia das amostras revelam a microestrutura do material, onde é possível
observar as modificações que ocorreram após os tratamentos térmicos. Na figura 4 são
apresentadas as micrografias do aço 1045 para comparação.

Figura 4: (a)Metalografia do aço 1045 sem tratamento (b) Metalografia do aço 1045 normalizado (c) Metalografia
do aço 1045 temperado (d) Metalografia do aço 1045 recozido.

3.3 Ensaio de impacto


O ensaio de impacto é destrutivo e a aparência da superfície da amostra é utilizada como
indicativo da natureza da fratura. A figura X mostra os corpos de prova normalizado e sem
tratamento após o ensaio de impacto.

Figura 5: (a) Amostra do aço normalizado e (B) do aço sem tratamento após o ensaio de impacto.

A máquina do ensaio de impacto oferece o dado de energia de impacto, medida em joule,


para uma determinada temperatura. A tabela 3 mostra o resultado obtido nos ensaios para a
temperatura média do laboratório que foi de aproximadamente 22⁰C.
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Tabela 3: Energia de impacto obtida no ensaio Charpy a 22⁰C.

Tipo de tratamento Energia de impacto (J)


Sem tratamento 34
Normalizado 143
Temperado 150
Recozido 90

3.4 Ensaio de dureza


O valor da dureza é lido no equipamento ao final do teste. Após a realização das três
medições de cada amostra a média calculada é apresentada na tabela 4.

Tabela 4: Resultado da dureza Rockwell utilizando a escala B.

Tipo de tratamento Dureza (HRB)


Sem tratamento 63,4
Normalizado 31,8
Temperado 55
Recozido 21,6

4. DISCUSSÃO

4.1 Ensaio de tração


O gráfico apresentado na figura 3 apresenta as curvas dos resultados do ensaio de tração. É
possível notar que as curvas iniciam no mesmo ponto e depois apresentam comportamentos
diferentes devido aos tratamentos térmicos realizados.
É possível ver que a curva do aço temperado é que apresenta a forma mais diferenciada,
isso porque o processo de têmpera eleva a dureza do material fazendo com o que o mesmo se
torne frágil, resistindo pouco a tração.
A amostra que passou pelo recozimento apresenta um limite de escoamento maior que as
demais, esse tratamento confere ao material maior ductibilidade, maior resistência mecânica e
diminuição da dureza.
O processo de normalização conferiu ao aço 1045 uma maior tenacidade, ou seja, é capar
de resistir por mais tempo a fratura quando na presença de uma trinca.

4.2 Metalografia
Analisando a metalografia das amostras é possível observar que no aço normalizado os
grãos foram refinados e a microestrutura é mais homogênea, composta por ferrita e perlita. No
aço recozido é observado além da ferrita a formação de perlita fina. No aço temperado há presença
de martensita altamente tensionada o que confere maior dureza ao material.

4.3 Ensaio de impacto


Do ensaio de impacto é possível analisar que o aço sem tratamento e recozido possuem
fratura moderadamente dúctil enquanto o temperado e o normalizado possuem fratura do tipo
frágil. É importante ressaltar que a temperatura é um fator importante no resultado desse teste o
que implica que em outras temperaturas os materiais podem apresentar características de fratura
diferentes.

4.4 Ensaio de dureza


O ensaio de dureza, complementar aos outros ensaios realizados, atesta os
comportamentos observados no ensaio de tração. Um ponto a ser observado na tabela é o valor
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de dureza do aço temperado. O esperado era que o seu valor fosse superior ao do aço sem
tratamento, porém o valor apresentado é ligeiramente inferior.

5. CONCLUSÕES
Ao final deste trabalho conclui-se que com um mesmo tipo de aço, no caso analisado o aço
1045, e tratamentos térmicos diferentes a gama de aplicação desse material aumenta. Isso porque
suas propriedades são alteradas durante o processo térmico e adicionam propriedades como
elevada dureza, no caso da têmpera, e maior ductibilidade no caso do recozimento.
No que diz respeito aos ensaios é possível concluir que juntos, tração, metalografia, impacto
e dureza são capazes de caracterizar um material desconhecido por fornecer informações precisas
que são particulares de cada material analisado.

6. BIBLIOGRAFIA

Callister, Jr., William D. Ciência e Engenharia de Materiais: uma introdução. Rio de


Janeiro, 2008.
Buerger, G. R.; Domingues, T. G.; José, D. R.; Manske, G. A.; Oliveira, R. D.; Vieira, L.
N. Estudo do Tratamento Térmico Sobre a Conformação do Aço 1045. Universidade
do Estado de Santa Catarina, SC.