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Technology Enhanced Language Learning – Aisha Walker and Goodith White (Oxford)

Capítulo 3 – Listening and Speaking Skills

Nesse capítulo, as autoras se propõem a responder a algumas perguntas relacionadas ao desenvolvimento da


habilidade oral e auditiva dos estudantes de língua estrangeira na perspectiva do CMC, analisando as possibilidades
de língua falada real e de escrita com traços da oralidade.

Elas apontam que a internet oferece diversas oportunidades para a prática da habilidade oral e compreensão
auditiva, no entanto, a escrita é ainda dominante, como podemos perceber na proporção que ela aparece. Crystal
(2006) defende que a linguagem escrita da internet é mais próxima da língua escrita do que falada, enquanto Baron
(2008) sugere que mensagens instantâneas, como o Twitter, se aproximam mais da língua falada.

Apesar da linguagem da internet ter muitas características da língua falada, ela não contém pistas extralinguísticas,
como linguagem corporal e entonação. Como consequência dessa falta de pistas, temos o uso dos emoticons, por
exemplo, que agem como substitutos, tentando expressar as intenções e sentimentos do autor em relação ao texto.
O pancronismo é apontado também como uma diferença do uso da língua falada real. Alguns pesquisadores
predizem que a internet irá produzir uma “oralidade secundária” que irá requerer novas maneiras de compreender e
produzir mensagens orais. A comunicação parecida com a oralidade que presenciamos na internet pode, então, ser
útil para a comunicação oral real, no entanto, novas habilidades são requeridas, como a capacidade de realizar
múltiplas tarefas.

As autoras exemplificam ainda o que são e quais são as estratégias e habilidades orais e auditivas que os estudantes
precisam desenvolver para a aprendizagem de língua estrangeira e dão sugestões de como a tecnologia pode servir
de suporte para esses objetivos.

Capítulo 4 – Reading Skills

No capítulo 4, as autoras traçam um paralelo entre as habilidades e estratégias de leitura em L1 e L2, enfatizando
diferenças e similaridades e apontando como a tecnologia pode ajudar a superar certas dificuldades no
desenvolvimento dessa habilidade.

A leitura em língua materna requer o desenvolvimento de habilidades universais de leitura, como relacionar sons e
ortografia ou usar pistas sintáticas. Quando aprendemos a ler na L1, já temos um conhecimento amplo de
vocabulário e posteriormente, enquanto leitores fluentes, usamos as estratégias de leitura de forma inconsciente.
Percebemos, no entanto, que quando aprendemos uma língua estrangeira, precisamos desenvolver novas
estratégias de processamento tanto no nível da palavra quanto em outros níveis. Nossa experiência com a leitura em
língua materna, como lidar com informação, identificá-la e avaliá-la e reconhecer gêneros, irá ajudar com a leitura
em língua estrangeira, porém, iremos nos deparar com vocabulários desconhecidos, estruturas sintáticas e gêneros
com os quais não estamos familiarizados. As estratégias de leitura, em L2, precisam então ser trabalhadas de forma
consciente e os estudantes podem precisar de ajuda para desenvolverem as habilidades de leitura, tendo em vista
que eles não conhecem muito bem a língua e que os textos são produzidos em uma outra cultura.

É necessário salientar que a leitura não pode ser concebida como um apenas um processo psicolinguístico, como a
compreensão auditiva, pois a leitura tem uma dimensão social, ou seja, os textos que lemos são produzidos por uma
determinada cultura e os lemos por algum motivo específico. A relação entre escritores e leitores pode ser
influenciada, então, pelo contexto social. A tecnologia está mudando também essa relação, nossa forma de ler e,
para ilustrar como, as autoras descrevem três tipos de comunidades de leitura, analisando os papéis criados e as
avaliando. Podemos perceber que a leitura, nessas comunidades, é uma atividade colaborativa e interativa, tendo à
disposição uma grande variedade de textos digitais e é encarada como uma alternativa para despertar a motivação
do aluno, aproximando a leitura de LE à leitura de língua materna através também de textos ficcionais.

Capítulo 5 – Writing Skills

Nesse capítulo, as habilidades de escrita que os alunos precisam desenvolver são descritas através das abordagens
de ensino da habilidade escrita atuais, tendo como foco seu papel social. As três abordagens principais são: de
produto, de processo e de prática social. Na abordagem de produto, os alunos analisam a linguagem e a organização
de textos modelo. Já a abordagem de processo envolve o planejamento, edição e revisão, por exemplo. Como
exemplo de abordagem de prática social, temos o Twitter, onde o foco está na comunicação com uma audiência
virtual. Percebemos como a oferta de ferramentas para o desenvolvimento dessa habilidade escrita se tornou maior
e mais acessiva com a internet, mas, ao mesmo tempo, novos desafios surgiram. Os gêneros emergentes são
relativamente instáveis e a comunicação, o conteúdo da mensagem, se tornou mais importante do que a correção
gramatical, tornando-se difícil a abordagem de produto. Os leitores se tornaram também imprevisíveis e estão em
maior número, dado o alcance da internet, sendo necessário uma reflexão de como abordar, hoje em dia, a questão
da prática social.

As autoras exemplificam ainda como a tecnologia está mudando o jeito que escrevemos de acordo com novos
gêneros digitais e apontam que os alunos, agora, estão tendo mais oportunidades de feedback sobre o que e como
estão escrevendo.