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O CONTRATO SOCIAL

Livro I
Para Rousseau, a ordem social é um direito sagrado e base de todos os outros direitos, não se origina na
natureza, mas funda-se em convenções.
A família é única sociedade natural, mas só se mantém por convenção, no que diz respeito a sua
continuidade. Ela é o primeiro modelo das sociedades políticas, pois a imagem do chefe é o pai, a do
povo, os filhos. Critica a Aristóteles, que acreditava que alguns nasciam para ser escravo e outros para ser
senhor. No entanto, Rousseau diz que, se há escravos por natureza, é por haver escravos contra a
natureza. A força fez os primeiros escravos e sua covardia os perpetuou. O mais forte só se
mantém como o mais forte enquanto transforma sua força em direito e a obediência em dever. A força é
um poder físico, cujos efeitos não resultam moralidades, pois ceder à força é um ato de necessidade ou até
prudência e não de vontade. Rousseau ainda expõe que homem algum tem autoridade natural sobre os
demais, a força não produz direito algum. Dessa forma, restam as convenções como base da autoridade.
Afirma que, no processo de escravidão, o homem que se dá gratuitamente constitui uma
afirmação absurda e inconcebível. O estado de natureza oferece obstáculos prejudiciais à
conservação humana que ultrapassam as forças individuais. Ora, essa soma de forças só pode sair do
concurso de muita força, sendo, porém, a força e a liberdade de cada indivíduo o instrumento primordial
de sua conservação.

Imagino os homens que chegaram ao ponto em que os obstáculos, que são


prejudiciais à sua conservação no estado natural, arrastam-nos, por sua resistência, sobre as forças
que podem ser empregadas por cada indivíduo para se manter nesse estado (...)
Ora, como os homens não podem engendrar novas forças, mas apenas unir e dirigir aquelas que
existem (...). (Rousseau, 2006, p. 37)

Nesse sentido, encontra-se uma forma de associação que defenda e proteja a pessoa e os bens de cada
associado com toda a força comum. Essa forma de associação se dará com o pacto social. O soberano
para Rousseau não se configura em pessoa, mas em um corpo coletivo, “ora, o soberano, sendo formado
tão somente dos privados que o compõem, não tem nem pode ter interesse contrário ao deles...”.
(Rousseau, 2006, p. 41)
O filósofo genebrino afirma que, quando o homem passa para o estado civil, substitui a conduta por
instinto pela justiça, ou seja, pela moralidade em suas ações. No estado civil perde-se a liberdade natural,
que se limita nas forças do indivíduo, e ganha a liberdade civil, que limita-se pela vontade geral.

O que o homem perde pelo contrato social é a liberdade natural e um direito


ilimitado a tudo quanto aventura e que pode alcançar. O que com ele ganha é a liberdade civil e a
propriedade de tudo que possui (...) (Rousseau, 2006, p. 42)

Na obra “O Contrato Social”, podemos claramente identificar a proposta rousseauniana de uma nova vida
em sociedade a partir do ideal de soberania vinculada ao povo, além de averiguar o paradoxo entre
vontade individual e vontade geral.
Com esse propósito, o genebrino destacou a intermediação do Governo entre os súditos e o soberano na
preservação e manutenção da liberdade civil e política, quando todos abdicam igualmente de sua
liberdade particular. Destacou, ainda, a problemática e a solução da criação de uma religião civil
unificada no culto do coração e no dever para com o Estado.
Rousseau teve legítima consciência de que a liberdade política está estreitamente ligada às condições de
existência. Concluiu, assim, que a desigualdade dos direitos entre os cidadãos tem origem na
desigualdade das riquezas. Mas, moralista que era, considerava que a principal condição para a existência
de uma nova sociedade, pautada em um Estado legítimo, não era de ordem econômica ou política, e sim,
de ordem moral ou religiosa.