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Depressão

Prof. Jorge Miklos


"Congratulamo-nos por haver atingido um
tal grau de clareza, deixando pra trás todos
esses deuses fantasmagóricos. Abandonamos,
no entanto, apenas os aspectos verbais, não
os fatos psíquicos responsáveis pelo
nascimento dos deuses. Ainda estamos
possuídos pelos conteúdos psíquicos
autônomos, como se estes fossem deuses.
Atualmente eles são chamados: fobias,
compulsões, e assim por diante; numa
palavra, sintomas neuróticos. Os deuses
tornaram-se doenças"
Carl Gustav Jung em Estudos Alquímicos.
Depressão na Perspectiva Junguiana
• Diferentemente do modelo médico, o diagnóstico não é
o essencial para o trabalho com a depressão para a
Psicologia Analítica. Segundo Jung (2006, p. 158):

Naturalmente, é necessário que um médico tenha o
conhecimento dos assim chamados métodos. Mas deve
evitar o engajamento fixo de um caminho determinado,
rotineiro”.
Depressão – O
mal do nosso
século
Os índices de
pessoas
acometidas por
quadros de
depressão clínica
estão
aumentando
7% dos
estadunidenses
sofrem de
depressão.
O Transtorno Depressivo
Maior (TDM)

• Conforme a OMS, a depressão pode surgir em qualquer


idade, porém as chances aumentam com o início da
puberdade, com seu pico na década dos 20 anos.
• Esta fase representa uma passagem de uma etapa para
outra, acarretando mudanças e toda mudança em si
mesma pode ser considerada uma crise em busca de
nova identidade.
• Ser adulto jovem está entre os fatores de risco
associados à depressão, sendo o TDM a principal causa
de adoecimento e invalidez em adolescentes ao redor do
mundo.
As rápidas mudanças em
nossa maneira de viver, com
uma alta demanda imposta
ao nosso organismo, através
da tecnologia, da velocidade
dos processos ou até das
exigências de desempenho,
possam estar relacionadas
O Transtorno com mudanças epigenéticas
que, por sua vez, podem ser
Depressivo responsáveis por um
aumento da prevalência da
Maior (TDM) doença.
O Transtorno Depressivo Maior
(TDM)
• Para 2020 se projeta que a depressão será a segunda maior
causa de incapacidade em países desenvolvidos e a primeira
em países em desenvolvimento.
• Ela segue sendo subdiagnosticada em serviços de cuidados
primários e outros serviços médicos gerais.
• E, quando corretamente detectada, é muitas vezes tratada de
forma inadequada, com MEDICALIZAÇÃO e manutenção de
sintomas residuais, que comprometem a evolução clínica dos
pacientes.
Permanecem por um
período de tempo
maior

Sintomas mais graves

Iniciam em idades mais


jovens
Depressão – uma
doença clínica
Depressão
• É uma doença comum, incapacitante, custosa e
frequentemente mortal
• É uma doença clínica. Pode ser fatal!
• Acomete mais mulheres do que homens
• Primeira causa de incapacitação entre todas as doenças
médicas
• Principal causa de suicídio
• Plenamente tratável
Depressão
• É uma doença silenciosa que pode afetar pessoas de todas
as idades, inclusive crianças, que requer tratamento.
• Caracteriza-se por um conjunto de sintomas que provocam
um profundo sofrimento psíquico, o que, por sua vez, leva a
alterações comportamentais.
• A pessoa deprimida sente-se infeliz, inadequada, incapaz de
lidar com as demandas da vida, sem esperança e sem futuro.
• Em geral manifesta-se diante de situações de perda, crises e
mudanças.
Questão estigmatizante associada ao Transtorno Depressivo Maior e,
portanto, dificuldade de reconhecer os sintomas depressivos
Disfunções de
humor

Disfunções
cognitivas Sinais Disfunções de
físicas

Disfunções de
comportamento
As diversas faces da Depressão

Depressão Clássica
• Distima

Depressão Bipolar
• Circunstancial
Depressão Clássica (TDM)
Mudanças de humor com
duração mínima de duas
semanas
Marcadores da Depressão Clássica
• Maior probabilidade: 25 e 44 anos de idade
• Mais comum entre mulheres que homens
• Episódios duram de 6 a 8 meses
• Sentimento de tristeza e pesar
• Perda de interesse em atividades
• Alteração no sono (insônia ou excesso de sono)
• Perda ou aumento de peso
• Pessimismo obsessivo
• Desesperança e impotência
• Choro fácil
Marcadores da Depressão Clássica
• Atividade motora lenta ou mais agitada
• Perda de energia/muito cansaço
• Apatia ou intensa irritabilidade
• Dificuldade de atenção/memorização ou irritabilidade
• Perda a autoestima e sentimentos de culpa
• Redução ou perda do desejo sexual
• Ideação suicida
Distimia
Expressão permanente de tristeza e desânimo
Forma duradoura da doença depressiva
Marcadores da Distimia
• Pouco apetite ou fome excessiva
• Insônia ou excesso de sono
• Pouca energia e cansaço constante
• Dificuldade de concentração e de tomar decisões
• Retraimento social e baixa autoestima
• Inquietude e lentidão
• Sentimentos de desesperança
Depressão Bipolar
ciclos ou fases recorrentes de
depressão e euforia (mania)
Depressão Bipolar
• Alegria anormal ou desproporcional
• Energia exacerbada
• Redussíma necessidade de sono
• Instabilidade exagerada
• Sensação exagerada da sua autocapacidade
• Pensamento acelerado
• Um falar sem fim e sem objetivo
• Falta de discernimento
• Libido exagerada
• Abuso de álcool ou de outras drogas
• Comportamento disfuncional marcado por provocações, agressividade e falta de limites
Depressão Circunstancial
marcadores da depressão clássica
agente causal externo funciona
como fator desencadeante no
desenvolvimento do transtorno
Agentes externos

•Depressão pós-luto
•Depressão por esgotamento profissional
•Depressão episódica (Jingle do Fantástico)
•Depressão por desajuste social
•Depressão pós-trauma
Níveis de Gravidade
Grave – Paralização da Vida/Ideação Suicida

Moderada a Grave – Rotina é um peso/ (-


vida/+morte)

Moderada –Pensamentos
negativos/Prejuízos resultados
Leve a Moderado –
dificuldades de manter a
rotina

Leve
A tentativa de classificar as diversas formas de
sofrimento vivenciado nos transtornos depressivos só
tem sentido quando fazemos uso das ferramentas
apropriadas para buscar o tratamento mais adequado
para as pessoas.

Aliviar a dor, não rotular!


A personalidade é constituída pelo temperamento
Multifatorial (genética) e caráter (ambiente sociocultural)

BIOLÓGICO

PSICOLÓGICO-
GENÉTICO
AMBIENTAL
1. Biológicos

As causas biológicas da depressão


incluem mudanças ocorridas no
funcionamento cerebral no aspecto
bioquímico
Neurotransmissores
apresentam uma
relação íntima com a
depressão
Noradrelalina

• Ativa o circuito que transpassa o hipotálamo


e o sistema límbico na trilha do prazer
• Hipotálamo e sistema límbico são
responsáveis por todas as emoções,
impulsos físicos e reação ao estresse
• Caminhos ligados à memória
• Sentimentos (medo e ansiedade)
Serotonina

• Percorre trajetos semelhantes aos


da noradrenalina
• Seus pontos de partida estão na
região onde os neurônios são
especializados na regulação do
sono, das atividades físicas e
psíquicas do organismo
Dopamina

• Navega em circuitos
relacionados às emoções mais
intensas como a sensação de
prazer imediato (compulsões
ou vícios) e a capacidade de
concentração bem como a
disposição física geral
De forma interconectada,
esses três
neurotransmissores são
capazes de controlar e
modular muitas das
atividades cerebrais que
se apresentam
disfuncionais nos quadros
clínicos de depressão
A depressão apresenta uma forte
marcação genética – hereditária

O que se herda não é a doença, mas a


vulnerabilidade para que ela se desenvolva
2. Genético
A vulnerabilidade não responde a uma
certeza (70% dos casos ou menos)

30% dos casos são motivados por fatores


psicológicos-ambientais
3. Fatores Psicológicos
e/ou ambientais
• A depressão é democrática (atinge pessoas tímidas, tranquilas,
ansiosas, nervosas, extrovertidas, reflexivas, superficiais)
• Prevalência
• Se cobrar demais
• Dificuldade de relaxar
• Dificuldade de solicitar a ajuda a outras pessoas
• Pessimismo
• Preocupação excessiva
• Elevados níveis de autocrítica
• Necessidade controle sobre tudo e todos
• Depender excessivamente de satisfazer as expectativas
alheias
Pessoas com um ou
mais desses aspectos
são pouco flexíveis e
muito estressadas.
Tendem a reagir mal
diante das
adversidades e
frustrações inerentes à
vida
Falta de
Sentido.
Incapacidade
de
transcendência
Fatores Ambientais
• Estresse agudo
• Evento traumático: separação do companheiro/a por
morte ou divórcio
• Morte de familiar próximo
• Perda de emprego – perder a funcionalidade
• Desastres
• Acidentes
Fatores Ambientais
• Estresse crônico
• Dificuldades mais intensas (18 meses a três anos)
• Por exemplo: gravidez/ maternidade
• Esforço constante para dar conta de vários papéis
simultaneamente (familiares, profissionais e sociais)
Fatores Ambientais

• Estresse crônico
• Dificuldades mais intensas (18
meses a três anos)
• Por exemplo: gravidez/ maternidade
• Esforço constante para dar conta de
vários papéis simultaneamente
(familiares, profissionais e sociais)
Espírito do Nosso Tempo
Atualmente vivemos em um
mundo superpopuloso.
Em um sistema que coloca um
indivíduo contra o outro
Há uma desvalorização dos ambientes
públicos nas cidades.
Centralidade do EU
Crepúsculo do
Dever Ajudo o
outro não
por dever,
mas por
satisfação.
Eclipse da
Alteridade
Sinto, logo existo!

Ética Hedonista
INTOLERÂNCIA AO FRACASSO

O SUCESSO A QUALQUER PREÇO.


SOZINHOS NO MEIO DA CONEXÃO
O CONSUMO ME
CONSOME
PATOLOGIZAÇÃO
DA VIDA
SOU
VISTO,
LOGO
EXISTO
Épocas de Transição
•Adolescência –
“Quem sou Eu”
•Entre os 30 e 50
anos - “Fazer o Eu”
•60 – 80 anos –
“Fazer a Alma”
Tratamento
dos
Transtornos
Depressivos
Todo ser humano possui a
capacidade de suportar,
aprender, transcender aos
sofrimentos
Resiliência, essa
inaudita capacidade
da vida de resistir e
ressignificar
Primeira abordagem

• a motivação do terapeuta em amparar o cliente


é fundamental para que sejam estabelecidos o
vínculo e uma relação de respeito e confiança
• Autoconhecimento do terapeuta, para entender e
tratar o sofrimento do outro
• Rapport criar uma ligação de empatia com outra
pessoa, para que se comunique com menos
resistência.
Seu primeiro compromisso não é com “a psicanálise” ou “a
psicoterapia”, nem com Freud, Melanie Klein, Lacan ou qualquer outro
chefe de escola, nem com a instituição na qual você se formou. Seu
primeiro compromisso é com as pessoas que confiam em você e trazem
para seu consultório uma queixa que pede para ser escutada e, por que
não, resolvida. Ou, mais geralmente, seu primeiro compromisso é com a
comunidade na qual você presta serviços. E o compromisso é de prestar
o melhor serviço possível. : “O que fazer para que mais pacientes
cheguem até meu consultório?”. Diria: “Para estabelecer sua clínica, vale
esta máxima: se seu compromisso for com os pacientes, não se
preocupe, eles vão acabar sabendo”. (Contardo Calligaris, Cartas a um
Jovem Terapeuta, p. 98)
Você tem que ser a pessoa
com a qual você quer influir
sobre o seu paciente. (Jung,
OC XVI/1, pág. 69)
Tratamento Clássico da Depressão
Medicação

Terapias
Psicoterapia
Biomédicas

Terapias
Biomédicas
Terapia Medicamentosa
• Os antidepressivos são vendidos como “pílulas da
felicidade” e detentores do poder de cura da
depressão;
• Qualquer agente de saúde ético e bem formado
sabe que os antidepressivos estão longe de curar
esse transtorno
• Mas, é inegável a ajuda que eles fornecem aos
pacientes deprimidos no manejo e no controle do
transtorno
Terapia Medicamentosa
• Os mais receitados atualmente pertencem à categoria
conhecida como INIBIDORES SELETIVOS DE
RECEPTAÇÃO DA SEROTONINA (ISRS)
• Fluoxetina
• Sertralina
• Paroxetina
• Escitalopram
• Fluvoxamina
Terapia Medicamentosa
• Ação medicamentosa dos denominados antidepressivos de ação dupla
• Inibidores Seletivos da Receptação da Serotonina e da Noradrenalina
(ISRSN)
• Venlafaxina
• Duloxetina (mulheres com histórico câncer de
mama)
• Desvenlaxina (Portadores de TOC, homens)
Terapias Biomédicas

•Estimulação Magnética
Transcraniana (EMTr)
•Eletroconvulsoterpia (ECT)
Grupos de Apoio
•CVV
•Neuróticos Anônimos
•Abrata (Assoc. Bras. de Familiares, Amigos e
Portadores de Transtornos Afetivos)
•GaBrio (Grupo Afetivo Bipolar)
O Simbolismo
da Depressão
na Perspectiva
Junguiana
Atualmente tanto
pacientes quanto
médicos confundem
tristeza com
depressão. Não se
pode mais ficar
triste, entediado,
porque isso é
imediatamente
transformado em
depressão.
Trata-se do
fenômeno da
patologização e da
medicalização de
uma condição
humana, a tristeza.
É transformar um
sentimento normal,
numa entidade
patológica”.
A procura dos pacientes
por médicos psiquiatras
para tratar a depressão,
sem a participação da
psicoterapia, os leva a um
caminho mecânico e
altamente não
terapêutico, já que de,
acordo com os métodos
médicos apresentados,
apenas reprimirá os
conteúdos “tristes” e
sombrios, deixando o
paciente mais vulnerável e
à mercê do inconsciente,
o que pode ser perigoso.
Segundo Jung (2011, OC XVI/1 p.
28), quando fala sobre o papel do
médico:
“Os conhecimentos que se exigem do médico não
constaram do seu currículo na faculdade. Não foi
preparado para cuidar da alma humana, pois ela não
é problema psiquiátrico ou fisiológico, e muito menos
biológico. É um problema psicológico. A alma é um
território em si, com leis que lhe são próprias.
A essência da alma não pode ser derivada de
princípios de outros campos da ciência, caso
contrário violar-se-ia a natureza particular do
psiquismo.”
O simbolismo da depressão na
perspectiva junguiana
Para mim, a verdadeira terapia só começa depois de examinada
a história pessoal. Essa representa o segredo do paciente,
segredo que o desesperou. Ao mesmo tempo, encerra a chave
do tratamento. É, pois, indispensável que o médico saiba
descobri-la. Ele deve propor perguntas que digam respeito ao
homem em sua totalidade e não limitar-se apenas aos sintomas.
Na maioria dos casos, não é suficiente explorar o material
consciente. Conforme o caso, a experiência de associações pode
abrir o caminho à interpretação dos sonhos (Jung, Memórias,
Sonhos, Reflexões, 2006, p. 144).
Para Jung (O Homem e seus símbolos,
2008, p. ), as pessoas sofrem cada vez
mais uma sensação de terrível vazio e
tédio, esperando por algo que nunca
acontece. Elas tentam se distrair com
cinema, televisão, espetáculos esportivos
e política, mas, cansadas, sempre voltam
ao deserto de suas vidas.
De acordo com Jung,
(1986, p. 370), o homem
precisa conhecer toda
essa horrível dúvida, todo
o desespero e confusão
da alma, pois ele só está
ligado às imagens que ele
mesmo cria, e não a algo
externo como partidos e
credos. “Toda convicção
da minha vida agora
repousa na crença de que
a solidão, longe de ser um
fenômeno raro e curioso, é
o fato central e inevitável
da existência humana”.
A definição simbólica dos comportamentos depressivos, em nossas vidas:
também experimentamos esse “deserto”, seja ele por um sofrimento físico ou
interior, nessa hora ninguém pode confortar- nos. Todas as coisas que dávamos
importância, inclusive os afetos, passam para um segundo plano, assim
descobrimos a solidão. Nesse deserto, somos conduzidos novamente a nossa
essência, à raiz, e corremos o grande risco de ter vivido em vão, se ignorarmos
essa fonte.
No caso da depressão,
experimenta-se a
separação do mundo e
busca pelo seu próprio
caminho serve, ao fim,
para o encontro da luz, eis
o porquê desse momento
não poder ser ignorado,
mas vivido. Jung (2001, p.
124) comenta que “tudo
aquilo que representa
algum perigo para nós, é,
da mesma forma, o único
caminho que conduz à
salvação”.
Os símbolos e imagens que aparecem num
estado depressivo são efetivamente
importantes para o processo terapêutico,
visto que é por meio deles que o paciente
encontrará as suas formas de lidar
com a depressão. Não há um padrão de
imagens e símbolos para cada transtorno ou
doença, cada pessoa manifestará seus
sintomas de uma forma diferente, fato que
torna a psicoterapia necessária nesse
tratamento, já que o modelo médico não
focará a parte simbólica da psique, como a
Psicologia Analítica propõe.
Segundo Hollis, (1999, p. 121-122) “O tormento
do inferno é a única maneira de atravessar a abertura
que Dante divisou depois de sua temível jornada.
Somente a descida ao Hades é capaz de nos libertar
do Hades”. Hades é um deus antigo, ele é o soberano do
submundo. Não são apenas símbolos
de perda e da morte, mas também de riqueza”.
Um dos temas exaustivamente
estudados por Jung para desenvolver
sua psicologia foi a alquimia, que
também retrata o processo
depressivo e as etapas de
transformação psíquicas que ocorrem
durante o desenvolvimento de sua
personalidade.
Segundo Jung (1991,
p. 244, § 334), a
Nigredo é a primeira
fase, é a fase do caos,
da confusão e da
escuridão, é a morte
do produto químico,
de forma que possa
haver a
transformação. O
metal que representa
essa fase é o chumbo.
A partir dessa morte
psicológica, o batismo, ocorre
a segunda fase, a Albedo; é a
aurora, a lavagem, cimento, a
alma morreu e foi liberta, o
preto se transforma em
branco, ressuscitou, segundo
alguns alquimistas é a meta
do processo, é a fase Lunar; o
metal que simboliza é a
prata.
Mas o nascer do sol não é
essa fase, o branco se
transforma em brilho, é a
elevação do fogo à sua maior
intensidade. Essa fase se
chama Rubedo, e, quando o
indivíduo volta a brilhar, ele já
passou pelo escuro, pela
morte, ressuscitou, ficou claro,
enxergou a luz e, no fim, se
tornou a luz, sua energia foi
transformada.
Associando a Alquimia com a
Psicologia, podemos
entender as fases da depressão
sentidas pelo paciente. A Nigredo, fase
escura, em que não há saídas e não
existe luz, o paciente se sente
realmente no fundo do poço e pensa
em morrer. O ser não suporta mais a
dor, mas não foge dela, e, enfim,
ocorre a morte psicológica do Sujeito
que sofre. Como na Alquimia, as
transformações dos metais ocorriam
da mesma forma que as
transformações psíquicas, e como o
sujeito suportou a dor e não correu
dela, agora pode nascer um novo ser,
já livre da dor, que foi integrada.
A segunda fase
alquímica, a Albedo,
representa esse
renascimento; o
peso e a dor não
mais existem, e o
que pode definir o
novo ser é o alívio.
Na terceira fase, a Rubedo,
existe um novo ser que
agora precisa viver. Ele
parte rumo à vida, volta a
sorrir e agora pode
desfrutar da felicidade e
alegria que o
Sujeito que sofre nunca
imaginou voltar a sentir.
Segundo Jung (2008), para
que a pessoa possa
perceber esses fatos, é quase
sempre necessária que haja
uma crise em sua vida. “A
depressão
é parte de uma angústia e
representa uma descida, uma
puxada para baixo, para onde
não queremos ir, entretanto é
uma dor necessária, só então,
algo novo pode surgir em nós,
e, quando entendemos isso,
podemos até pedir para
afundar”.
O propósito terapêutico em auxiliar o
paciente com depressão,
diferentemente do propósito médico
psiquiátrico, está em, como diz Jung
(2008, p. 221), “Voltar-se para as
trevas que se aproximam, sem
nenhum preconceito e com toda a
simplicidade, e tentar descobrir qual o
seu objetivo secreto e o que vem
solicitar do indivíduo”
Jung (2008, p. 221)
explica esse processo:
“O propósito secreto dessas trevas que se
avizinham geralmente é tão invulgar, tão
especial e inesperado que, via de regra, só
se consegue percebê-lo por meio dos
sonhos e fantasias que brotam do
inconsciente. Se focalizarmos nossa atenção
sobre o inconsciente sem suposições
precipitadas ou rejeições emocionais, o
propósito há de surgir um fluxo de imagens
simbólicas de grande proveito. Mas nem
sempre isso acontece. Algumas vezes
aparece, inicialmente, uma série de dolorosas
constatações do que existe de errado em
nós e em nossas atitudes conscientes.
Temos então que dar início a esse processo
engolindo todo tipo de verdades amargas.”
De acordo com Chopra
(2009, p. 82), “é na
escuridão que inicia a
jornada da alma, é lá que a
verdade está disfarçada ou
incompreendida”.
O ser humano tenta evitar o sentido da depressão
que sente, e o faz por meio de inúmeros artifícios ou
ilusões: planos de sucesso exterior, drogas e bebidas,
troca de mulheres, etc. Assim ele pensa manter
suas energias quando, na verdade, está amontoando
pecado psicológico em cima de pecado psicológico.
O ideal seria que o homem aceitasse suas más e
obscuras disposições, encarando-as como um convite
para encontrar sua alma e ser uma pessoa plena
(Sanford, 1987, p. 79).
Jung (2011, p. 18) confirma como o
terapeuta
pode agir com o paciente:

“Como se sabe, o terapeuta se relaciona com


outro sistema psíquico, não só para
perguntar, mas também
para responder; não mais como superior,
perito, juiz
e conselheiro, mas como alguém que vivencia
junto,
que, no processo dialético, se encontra em pé
de igualdade com aquele que ainda é
considerado o paciente.”
[...] as depressões são um estímulo para se
percorrer novos caminhos, seguir o caminho
interior. Entretanto, muitas pessoas recusam-
se a dar esse passo a frente. Elas ficam
presas ao seu passado e procuram dar
prosseguimento aos padrões de vida da
primeira metade da vida.[...] (Jung, 2008, p.
56)
O desamparo é uma condição
humana, e é o que
ocorre hoje em dia, as pessoas
estão cada vez mais
desamparadas, mas precisamos
enfrentar esse desamparo, assim
como o fracasso, o isolamento e a
solidão. A felicidade não se baseia
apenas em coisas
positivas, mas também compreende
aceitar as limitações, o sofrimento,
as incompetências e fracassos.
É melhor ser alegre
que ser triste
Alegria é a melhor
coisa que existe
É assim como a luz no
coração
Mas pra fazer um
samba com beleza
É preciso um bocado
de tristeza
É preciso um bocado
de tristeza
Senão, não se faz um
samba não
Dar o melhor de nós para acionar o melhor do outro!
Referências
• Hollis, J. (1999). Os pantanais da alma. São Paulo: Paulus.
• Jung, C. G. (1986). Símbolos da transformação. Petrópolis: Vozes.
• Jung, C. G. (1991). Psicologia e Alquimia. Petrópolis: Vozes.
• Jung, C. G. (2006). Memórias, sonhos, reflexões. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
• Jung, C. G. (2008). O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
• Jung, C. G. (2011). A prática da psicoterapia. Petrópolis: Vozes.
• Sanford, J. A. (1987). Parceiros invisíveis: O masculino e o feminino dentro de cada
um de nós. São Paulo: Paulus.
• Silva, A.B.B. (2016). Mentes Depressivas: as três dimensões da doença do século
• Styron, W. (1991). Perto das trevas. Rio de Janeiro: Rocco.
Obrigado!!!!!

55 11 97515-9593

Jorge Miklos

jorgemiklos@gmail.com

Desenvolvimento Humano
e Capacitação Profissional