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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
MESTRADO EM EDUCAÇÃO
HISTÓRIA E POLÍTICA EDUCACIONAL

Olhares sobre a deficiência: a construção social das diferentes


concepções ao longo da história

Floriza Gomide Sales Rosa1

RESUMO: o presente ensaio aborda as diferentes concepções sociais sobre a


deficiência, a partir de olhares construídos historicamente, e como tais concepções
definiram a forma da sociedade se relacionar com as pessoas com deficiência,
delineando padrões de comportamento ao longo do tempo.

PALAVRAS-CHAVES: Deficiência – História – Educação Especial – Brasil

ABSTRACT: This essay discusses the different social conceptions about disability
from historically constructed points of view, and how these concepts have defined the
way society relates to people with disabilities, outlining patterns of behavior throughout
time.

KEY-WORDS: Disability – History – Special Education – Brazil

INTRODUÇÃO

Este ensaio tem por objetivo abordar as diferentes concepções sociais sobre
a deficiência, a partir de olhares construídos historicamente, analisando como essas
concepções influenciaram o modo como a sociedade vê e se relaciona com as pessoas
com deficiência, delineando assim padrões de comportamento ao longo do tempo e que
podem ou não ser observados na atualidade.

Para tanto, parte-se do pressuposto de que os sentidos sociais atribuídos à


deficiência, e as significações específicas decorrentes das interpretações sobre as
pessoas com deficiência, situam-se em um contexto social, econômico, político e

1
Formada em Pedagogia pela Universidade Federal do Maranhão – UFMA, Mestranda do Programa de
Pós-Graduação em Educação da UFMA. E-mail: florizagomide@gmail.com
cultural específico do desenvolvimento da humanidade, no processo de produção e
reprodução da existência humana.

Para abordagem da questão-problema, utilizou-se a análise histórica de


obras e pesquisas científicas de referência sobre as diferentes concepções acerca da
deficiência, bem como estudos sobre a Educação Especial e o atendimento à pessoa com
deficiência no Brasil e no mundo, da antiguidade aos dias atuais. Para tanto, traça-se um
diálogo com PESSOTTI (1984), que descreve, desde a antiguidade até o século XX,
como se deu a evolução do pensamento sobre a deficiência mental2 e,
consequentemente, das práticas sociais de assistência às pessoas com deficiência.

Rompendo com a tradição narrativa da história e optando pela organização


da pesquisa pelo problema que a suscitou, parte-se do estudo feito por CARVALHO-
FREITAS3 (2007), o qual elenca seis matrizes de interpretação da deficiência, que ditam
padrões de comportamento em diferentes momentos históricos, a partir das visões
predominantes compartilhadas em cada época. Assim, faz-se a escolha pela análise
estrutural da história, considerando que

[...] uma estrutura é, indubitavelmente, um agrupamento, uma arquitectura;


mais ainda, uma realidade que o tempo demora imenso a desgastar e a
transportar. Certas estruturas são dotadas de uma vida tão longa que se
convertem em elementos estáveis de uma infinidade de gerações: obstruem a
história, entorpecem-na e, portanto, determinam o seu decorrer. Outras, pelo
contrário, desintegram-se mais rapidamente. Mas todas elas constituem, ao
mesmo tempo apoios e obstáculos, apresentam-se como limites (envolventes,
no sentido matemático) dos quais o homem e as suas experiências não se
podem emancipar. Pense-se na dificuldade em romper certos marcos
geográficos, certas reações espirituais: também os enquadramentos mentais
representam prisões de longa duração (BRAUDEL, 1990, p.14).

Sendo assim, estabelece-se uma interlocução intensa entre presente e


passado, na busca de elementos que caracterizam a permanência, na história, de visões e
comportamentos, conceitos e práticas no que concerne à deficiência. São padrões
estabelecidos por matrizes de pensamento, socialmente compartilhadas, fruto da

2
Utiliza-se aqui o termo “deficiência mental” por corresponder à expressão do referido autor. Convém
esclarecer que a terminologia utilizada atualmente é deficiência intelectual, de modo a demarcar a
distinção existente entre deficiência intelectual e doença mental, e contribuir para a desmistificação da
deficiência intelectual, ainda carregada de pré-conceitos provenientes do modelo médico da deficiência,
abordado na 4a parte deste ensaio, intitulada “O OLHAR CIENTÍFICO: DE POSSUÍDOS A
DOENTES”.
3
Para efeito deste ensaio, serão utilizadas quatro das seis matrizes interpretativas da deficiência,
propostas no Capítulo 2 da Tese de Doutorado “A Inserção de Pessoas com Deficiência em Empresas
Brasileiras. Um Estudo sobre as Relações entre Concepções de Deficiência, Condições de Trabalho e
Qualidade de Vida no Trabalho”, de Maria Nivalda de Carvalho-Freitas. UFMG - Belo Horizonte/2007.
evolução do pensamento humano, da disseminação do conhecimento, da quebra de
paradigmas e das necessidades de homens e mulheres de construção material de sua
existência e, portanto, de sobrevivência.

Buscou-se ainda nas produções de JANNUZZI (2004) e MAZZOTTA


(2005) compreender como se processaram as relações com o deficiente na História da
Educação Especial, a partir dos modelos sociais de percepção da pessoa com
deficiência, definidos pelas matrizes interpretativas em cada época histórica, exploradas
no presente ensaio.

Destarte, revisitar a história permite compreender a visão da sociedade atual


sobre as pessoas com deficiência, a partir de modelos de sentido sobre a diferença,
estabelecidos por padrões sociais, fundamentados em conceitos e concepções
compartilhados sobre normalidade. As disputas de poder, a influência da igreja, a
estrutura econômica de cada época, a construção de ideais de homem e de sociedade, o
desenvolvimento científico e das comunicações e a evolução do conhecimento, de
maneira geral, contribuíram para o estabelecimento de padrões e/ou matrizes específicas
de pensamento ao longo da história.

Invariavelmente, as diferentes posturas corresponderam sempre a diferentes


formas de ver o outro e o mundo que o cerca. Dito de outro modo, concepções sobre a
deficiência e comportamentos em relação ao deficiente foram construídos com base nas
concepções de homem e de mundo em cada época. A mudança de olhar foi direcionada
pela mudança do saber de homens e mulheres em suas relações com o outro, consigo
mesmo e com o contexto cultural de dado momento histórico. Os conhecimentos
previamente construídos, ou seja, os pré-conceitos sobre o outro, nortearam olhares e
concepções específicos sobre a pessoa com deficiência.

Kuhn, no capítulo que trata das “Revoluções como Mudanças de Concepção


de Mundo”, esclarece que a transformação de visão decorre de novos olhares sobre as
mesmas coisas. Conforme afirmado por ele, “um cientista com um novo paradigma vê
de maneira diferente do que via anteriormente” (1998, p. 150). Assim,

Lavoisier viu oxigênio onde Priestley vira ar desflogistizado e outros não


viram absolutamente nada. Contudo, ao aprender a ver o oxigênio, Lavoisier
teve também que modificar sua concepção a respeito de muitas outras
substâncias familiares (KUHN, 1998, p. 153).

Portanto, corrobora-se a definição de que


as concepções de deficiência são modos de pensamento construídos ao longo
da história, não necessariamente fundados em informações e conhecimentos
racionais, que oferecem os elementos utilizados para a qualificação das
pessoas com deficiência e as justificativas para as ações em relação a elas
(CARVALHO-FREITAS, 2007, p. 37).

É nesta perspectiva que se espera contribuir para uma análise sobre as


concepções contemporâneas que norteiam ações, comportamentos e políticas de
assistência e educação da pessoa com deficiência no Brasil, neste século XXI,
permitindo deste modo que a reflexão teórica seja a base fundante de novos olhares
sobre a deficiência, assentados em preceitos de democracia, participação e respeito pelo
outro, independente de suas diferenças.

DE PLATÃO A HITLER: A SOCIEDADE E O HOMEM IDEAL

Em que pese o pressuposto inicial de que é no processo de produção e


reprodução da existência humana que são gestadas concepções de homem, mundo e
sociedade, norteadoras das relações com o outro, um dos padrões de interpretação da
deficiência direciona-se justamente pela premência da satisfação das necessidades
humanas, no processo de transformação da natureza, impondo significações específicas
sobre o modelo de sociedade pretendida e o homem ideal para a construção desta
sociedade.

Nas sociedades escravistas, grega e romana, a divisão entre dominantes e


dominados era claramente demarcada e defendida pelos sábios e filósofos da época.
Para manutenção do status quo vigente era necessário educar os cidadãos das Cidades-
Estado de acordo com essa divisão e em conformidade com o novo modelo econômico,
voltado para o comércio em desenvolvimento e mergulhado em muitas guerras.

Sendo assim, o modelo ideal de homem para estas sociedades era o


guerreiro ou o político. Enaltecia-se uma sociedade de formas e atributos considerados
perfeitos, belos, fortes e inteligentes, fosse naquilo que se referisse às pessoas ou às
cidades. Tudo que destoasse desse padrão deveria ser descartado ou eliminado.

Conforme salienta MANACORDA (2000, p. 101), em referência à


afirmação de Sêneca de que antigamente nada se ensinava que tivesse que ser
aprendido sentado, a educação neste período convergia para o alcance deste ideal.
“[...] a educação física, que preparava o futuro cidadão para o uso das armas na defesa
da própria pátria (e na ofensa à pátria alheia), era o principal e mais importante aspecto
da formação do homem”.

Tanto Platão quanto Aristóteles reafirmaram esse ideal, fazendo claras


referências às pessoas com deficiência. O deficiente era percebido como um “ser
disforme” e sem utilidade para a sociedade guerreira Espartana ou a organização
político-democrática Ateniense.

Aristóteles (2002, p.52), falando sobre a Regulamentação dos Casamentos e


dos Nascimentos, define quais crianças deverão ser educadas e quais abandonadas,
afirmando que “sobre o destino das crianças recém-nascidas, deve haver uma lei que
decida os que serão expostos e os que serão criados. Não seja permitido criar nenhuma
que nasça mutilada, isto é, sem algum de seus membros”.

Em A República, Platão defende a constituição harmoniosa de corpo e alma,


devendo formar os jovens pela música e pela ginástica. Sobre a formação da cidade, são
merecedores dos devidos cuidados os cidadãos considerados perfeitos, os demais devem
ser abandonados.

Assim, estabelecerás na cidade médicos e juízes tais como os descrevemos,


para cuidar dos cidadãos bem constituídos de corpo e alma; quanto aos
outros, deixaremos morrer os que têm o corpo doentio, e os que têm a alma
perversa, por natureza, e incorrigível, condenaremos à morte. (PLATÃO,
2006, p. 129, grifo nosso).

No início do século XX, com o predomínio da razão e da ciência, em


contraposição à visão mística da Idade Média, a concepção de homem ideal também
predominou nos olhares e comportamentos da sociedade em relação à pessoa com
deficiência, se materializando no mito da pureza racial. Maciel (2008, p. 35) destaca
que “a „purificação da raça‟ está dentre os mitos criados pela ciência como forma de
justificar a superioridade de alguns sobre outros”.

Portanto, é na contemporaneidade, mais especificamente durante a Segunda


Guerra Mundial, cujos discursos científicos defendiam que a seleção natural
proporcionaria a evolução da espécie humana, criando assim uma raça física, moral e
intelectualmente superior, que surge a eugenia, teoria científica proposta por Francis
Galton (1822-1911).

É pela via da racionalidade e do “esclarecimento” proporcionado pelo


avanço da ciência moderna que, contraditoriamente, justifica-se o domínio de uns sobre
outros, considerados desta forma como geneticamente inferiores. Nestas bases é que se
desenvolve o Programa Aktion T4, também chamado de Programa de Eutanásia, na
Alemanha nazista.

Apesar de o programa ser denominado de eutanásia, as vítimas não eram nem


doentes terminais, nem vítimas de grande sofrimento e nem estavam ansiosas
para morrer. As justificativas para a implementação do programa em
relação às pessoas com deficiência eram: compaixão, eugenia,
economia e purificação racial. (AGOSTINO apud CARVALHO-
FREITAS, 2007, p. 44-45).

Assim, apoiando-se nas teorias científicas da época (Darwin, Mendel e


Galton), Hitler buscava justificação racional para o seu programa de extermínio no
modelo biológico-genético de compreensão da deficiência e de explicação da
degenerescência social, bem como nos custos de manutenção desta parcela da
população, considerada um fardo social para os tempos de guerra.

Assim, o padrão de uma sociedade ideal, observado na Antiguidade


Clássica, é reproduzido na Idade Contemporânea do século passado, atribuindo sentido
ao comportamento de total abandono e exclusão do deficiente, muitas vezes
significando sua eliminação social. Tanto para Atenas e Esparta do período clássico,
quanto para a Alemanha nazista do século XX, o homem perfeito, belo, forte, corajoso e
“superior” era necessário à manutenção da sociedade idealizada pelos detentores do
poder.

Não é impossível perceber este padrão comportamental nos dias atuais,


reimpresso em atitudes que vão desde a intolerância social até aos atos violentos de
grupos neonazistas que pretendem promover uma “limpeza racial” na Alemanha,
Estados Unidos e em países da Europa.

Prova disso, são as notícias frequentemente veiculadas pela mídia. A revista


Carta Capital e a agência de notícias O Globo publicaram em maio e agosto de 2012,
respectivamente, matérias relativas ao número espantoso de grupos neonazistas, que têm
atuado nos últimos anos exterminando comunidades minoritárias na Alemanha e
chamando a atenção para a sua predisposição à violência.

Portanto, o tempo histórico muda, mas republica-se o padrão


comportamental que justifica a exclusão da pessoa com deficiência, em consonância
com o modelo de uma sociedade perfeita, seja na Grécia e Roma antigas, na Alemanha
de Hitler ou no mundo globalizado de hoje.
O OLHAR METAFÍSICO: DA CARIDADE AO CASTIGO

No período compreendido entre os séculos V e XV, nominado pela História


como Idade Média, predominou a visão da deficiência como um fenômeno espiritual,
imprimindo sobre as pessoas um olhar metafísico que explicaria as causas desse
fenômeno e justificaria as ações em relação às pessoas com deficiência.

A influência religiosa e o domínio da igreja católica, em todos os setores da


sociedade, sendo inclusive a principal fonte de instrução na Idade Média, contribuíram
para a mudança de olhar sobre a deficiência e o deficiente, que passou a ser visto como
filho de Deus, sendo necessário, portanto, que ele fosse cuidado e não mais exilado,
abandonado ou morto.

Essa visão, entretanto, perdurou até o século XVIII, em que, segundo


MAZZOTTA (2005, p. 16), “as noções a respeito da deficiência eram basicamente
ligadas ao misticismo e ocultismo, não havendo base científica para o desenvolvimento
de noções realísticas”.

Coerente com esta concepção, a institucionalização de pessoas com


deficiência em locais destinados ao seu recolhimento (asilos, hospitais e hospícios)
define o comportamento padrão da época e retira o diferente do incômodo convívio com
os considerados “normais” na sociedade feudal.

“Graças à doutrina cristã os deficientes começam a escapar do abandono e


da “exposição”, uma vez que, donos de uma alma, tornam-se pessoas e filhos de Deus,
como os demais seres humanos”. (PESSOTTI, 1984, p. 4). Entretanto, esse
recolhimento significou ainda sua exclusão social, separando a pessoa com deficiência
do restante da sociedade e confinando-a em locais inadequados, sujos, promíscuos e
sem nenhum tipo de assistência apropriada ou educação adequada às suas necessidades
especiais. Nestes espaços, muitas vezes mantidos pela Igreja Católica, eram
depositadas, como lixo humano, todas as pessoas que estavam em desacordo com os
padrões sociais de normalidade, pureza e utilidade, fossem loucos, deficientes físicos ou
mentais, doentes mentais e velhos moribundos.

Carvalho, Rocha e Silva afirmam que

“apesar da existência dessas instituições, é importante salientar que na Idade


Média, a maioria das pessoas com deficiência não eram internadas. Isso
ocorria porque a sociedade não dispunha de recursos suficientes para adotar
tal procedimento, o que levava boa parte dessas pessoas a sobreviver da
mendicância”. (2006, p. 10).
É nesse contexto que se instaura o paradoxo da ética cristã, impondo o
cuidado caritativo em contraposição ao isolamento institucional, ao mesmo tempo em
que exige da sociedade a justa medida de responsabilização do deficiente pecaminoso.
“É cristão, e por isso merece o castigo divino e, no caso de condutas imorais, é passível
do castigo humano também. [...] A ambivalência caridade-castigo é marca definitiva da
atitude medieval diante da deficiência mental”. (PESSOTTI, 1984, p. 6).

Tal comportamento e ambivalência ideológica são bem retratados em o


Corcunda de Notre Dame, obra de autoria de Victor Hugo, publicada em 1831, porém
ambientada na Idade Média. A obra conta a história de Quasímodo, que por ter nascido
deformado, acaba sendo exposto e é então adotado pelo jovem clérigo Claude Frollo.
Quasímodo se torna o tocador de sinos da igreja e lá permanece recluso e isolado do
convívio social.

Mori, ao contraditar o grotesco ao sublime para discussão da deficiência na


Idade Média, demonstra que o desvio da norma padrão e, por consequência, o desviante,
suscitam sentimentos igualmente ambivalentes, despertando pena, raiva, medo,
consternação ou repúdio, conforme retrata este diálogo sobre a adoção de Quasímodo:

- Só se lhe enxerga um olho - observou damoiselle Guillemette. – No outro


tem uma verruga.
- Não é uma verruga - retorquiu mestre Robert Mistricolle. - É um ovo
contendo outro demônio completamente igual a este, que traz com ele outro
ovinho, contendo outro diabo, e assim por diante.
[...]
- Sou da opinião - exclamou Jehane de la Tarme - que seria melhor, para os
campônios de Paris, que este bruxinho fosse deitado numa trouxa, em vez de
uma tábua.
- Uma bela trouxa em chamas! - acrescentou a velha.
- Isto seria mais prudente - disse Mistricolle.
Havia alguns momentos um jovem padre escutava o arrazoado das
haudriettes e as sentenças do protonotário. Era uma figura severa, de fronte
espaçosa, olhar profundo. Afastou silenciosamente a multidão, examinou o
„bruxinho‟, e estendeu a mão para ele. Era tempo, porque todas as devotas já
lambiam os beiços com a história da bela „trouxa em chamas‟.
- Eu adoto esta criança - disse o padre.
[...]
- Bem que eu havia dito, irmã, que este jovem clérigo Claude Frollo é um
feiticeiro. (HUGO apud MORI, 2009, p. 4)

O diálogo é bastante esclarecedor a respeito dos costumes da época e da


relação com a deficiência. Por um lado, o padre Frollo acolhe e adota Quasímodo, a
despeito de sua deformidade e feiura, numa clara demonstração da caridade e da ética
cristãs. Por outro, evidencia o repúdio público e a submissão ao olhar supersticioso em
relação à deficiência, com clara associação a uma possessão demoníaca, demonstrado
neste e em outros trechos da obra de Victor Hugo.

Em meados da Idade Média, com base na mesma concepção, tem início o


processo inquisitorial que sacrificou centenas de milhares de pessoas consideradas
hereges, bruxas ou cúmplices das forças do mal, entre elas loucos e deficientes mentais.
O castigo se reveste desta forma de caridade, porquanto contribui para a purificação e
limpeza da alma (tanto da pessoa com deficiência quanto de toda a sociedade, que
expurga o mal para fazer o bem).

Esta tão propalada cura da alma, mais que do corpo, é bastante reforçada
pelo cristianismo em inúmeras passagens bíblicas, que exemplificam a ação curadora de
Jesus para com inúmeros deficientes, ora expulsando espíritos ruins, ora perdoando-lhes
os pecados ou ainda ensinando aos discípulos nobres sentimentos.

Analise-se esta passagem sobre O paralítico de Cafarnaum:

E, entrando no barco, passou para a outra banda, e chegou à sua cidade. E eis
que lhe trouxeram um paralítico deitado numa cama.
E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, tem bom ânimo;
perdoados te são os teus pecados.
E eis que alguns dos escribas diziam entre si: Ele blasfema.
Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse: Por que pensais mal em
vossos corações?
Pois qual é mais fácil? Dizer: Perdoados te são os teus pecados; ou dizer:
Levanta-te a anda?
Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra autoridade para
perdoar pecados (disse então ao paralítico): Levanta-te; toma a tua cama e vai
para a tua casa. (BÍBLIA SAGRADA, 2006, Mateus 9: 1-6, grifo nosso).

Constata-se, deste modo, que ao relacionar fé e razão, todas as respostas


para a questão da deficiência encontravam eco nas causas sobrenaturais, sendo ou uma
possessão do demônio, ou uma maneira de expiar os pecados de uma alma impura ou
ainda como uma ferramenta de Deus, dando às pessoas a possibilidade de serem
caridosas.

O OLHAR CIENTÍFICO: DE POSSUÍDOS A DOENTES

Na Idade Moderna, a deficiência deixa de ser explicada como possessão do


demônio e passa a ser tratada (literalmente) como doença, deslocando o padrão
interpretativo para o paradigma da normalidade, sob os auspícios do desenvolvimento
científico da época. Com a transição do feudalismo para o capitalismo, este período é
marcado por muitas mudanças sócio-econômicas, conforme esclarece MANACORDA
(2000, p. 193), ao abordar a educação nos anos Quinhentos e Seiscentos:

A expansão do espírito e dos conteúdos do humanismo em toda Europa, com


a constituição dos modos de vida mais dinâmicos e mundanos (...); a
assunção das aristocráticas exigências humanísticas e a mediação entre estas
e as exigências ascético-populares numa perspectiva de reformas religiosa e
social que envolvam na cultura as classes subalternas; a reação contra todas
estas tentativas de inovação, que abalam os fundamentos morais e políticos
das velhas sociedades, isto é, o catolicismo e as cúpulas do papado e do
império; a necessidade, na rejeição do mundo medieval no encontro com a
civilização de outros continentes, de projetar uma sociedade totalmente nova
e ainda inexistente; o rompimento definitivo dos velhos equilíbrios políticos
determinados pelo advento ao poder, nos Países Baixos e na Inglaterra, da
grande burguesia moderna, com as mudanças culturais que isso implica.
Tudo isso enquanto na base material da sociedade desenvolvem-se novos
modos de produção, que acabarão por subverter os das velhas corporações
artesanais e permitirão o descobrimento e a conquista do novo mundo.

Com o racionalismo de Descartes (1596-1650), embora ainda atrelado a


explicações que atribuíam a Deus as leis imutáveis do universo, se inicia o processo de
ruptura com o poder eclesiástico e o domínio da igreja católica começa a ser contestado.

Assim, com o crescente desenvolvimento da medicina e as mudanças


sociais, políticas, culturais e econômicas se processando cada vez mais intensamente, o
modelo de explicação da deficiência na modernidade se respalda em novas formas de
ver o homem e o mundo, explicados agora pela ciência, em contraposição à visão
mística medieval. “Tratou-se da entrada em cena do modelo biológico, o qual forneceu
os primeiros pressupostos científicos para a educação das pessoas com deficiência”.
(CARVALHO; ROCHA e SILVA, 2006, p. 15).

O entendimento moderno de que o homem e o mundo funcionam tal qual


uma perfeita máquina impõe a necessidade de “corrigir os defeitos de uma ou mais
peças com problemas” – forma como era encarada a deficiência –, de modo a garantir
que o crescimento econômico-produtivo do capitalismo em ascensão não fosse
comprometido. Assim, o objetivo das instituições que vão surgindo a partir do final do
século XVIII4 e se estendendo à contemporaneidade, bem como das experiências
educativas ainda incipientes, era o tratamento da deficiência e a consequente integração
e adaptação do deficiente às exigências da nova sociedade.

4
O final da Idade Moderna marca o surgimento das primeiras instituições especializadas dedicadas à
educação de pessoas com deficiência: o Instituto Nacional de Surdos Mudos, em 1760, e o Instituto dos
Jovens Cegos, em 1784, ambos na cidade de Paris (BUENO, 2004, p. 81).
Ao afirmar que os homens são uma tábula rasa, John Locke (1632-1704)
contribuiu fortemente para combater o teocentrismo vigente e abriu espaço para a
possibilidade de educação de pessoas com deficiência, em especial o campo da
deficiência mental5. Em seu Ensaio acerca do Entendimento ele enfatiza que

“os homens, simplesmente pelo uso de suas faculdades naturais, podem


adquirir todo conhecimento que possuem sem a ajuda de quaisquer
impressões inatas e podem alcançar a certeza sem quaisquer destas noções ou
princípios originais”. (LOCKE, 1991, p. 13)

Além de Locke, médicos como o inglês Thomas Willis (1621-1675); o


italiano Francesco Torti (1658-1741); os franceses Jean Marc Gaspard Itard (1774-
1838), reconhecido por seu trabalho com surdos e pela experiência educativa com o
famoso menino selvagem de Aveyron e Jacob Rodrigues Péreire (1715-1780), criador
de uma “revolucionária metodologia para ensinar linguagem a surdos-mudos”
(PESSOTTI, 1984, p. 31); bem como o filósofo francês Condillac (1715-1780),
contribuíram sobremaneira para a substituição do olhar metafísico, e suas consequentes
explicações espirituais para a deficiência, pelo olhar médico e naturalista da
modernidade, assinalando o padrão explicativo cientificista, que se estenderá até a
contemporaneidade.

Conforme destaca Pessotti,

Ao entender a idiotia e outras deficiências como produto de estruturas ou


eventos neurais Willis começa a sepultar, pelo menos nos estratos mais cultos
da sociedade, a visão demonológica ou fanática daqueles distúrbios, agora
não graças a razões éticas ou humanitárias mas em virtude de argumentos
“científicos”. (PESSOTTI, 1984, p. 18).

Esta visão conceitual sobre deficiência como “desvio” ou “fuga” da


normalidade é estabelecida, segundo Marques, para fortalecer o padrão de normalidade.
“A necessidade de se trabalhar o desvio não se justifica, todavia, pela simples
constatação do anormal. Justifica-se, sim, pela necessidade de se tornar hegemônico o
modelo ideologicamente estabelecido como normal”. (MARQUES, 2001, p.1)

Com a contradição estabelecida e com as explicações médicas para a


deficiência, ainda que humanísticas, o “desviante” precisa então de tratamento para sua
integração social, visão que se projeta até o século XIX em países europeus e norte-

5
Para aprofundamento da questão da deficiência mental consultar PESSOTTI, Isaías. Deficiência
mental: da superstição à ciência. São Paulo: T. A. Queiroz, 1984. 206p.
americanos, explicando a necessária proliferação de instituições responsáveis e
específicas para esses cuidados.

No Brasil, entretanto, isso só ocorre em fins do século XIX, com a criação,


em 1854, na cidade do Rio de Janeiro, do Imperial Instituto dos Meninos Cegos, o atual
Instituto Benjamin Constant; e do Instituto dos Surdos-Mudos, em 1856, atualmente
chamado de Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES (MAZZOTA, 2005;
JANNUZZI, 2004; CARVALHO-FREITAS, 2007; BUENO, 2004). A discussão da
integração das pessoas com deficiência no Brasil só surge em meados do século XX e o
conceito de normalidade se faz sentir até o final da década de 80.

Propor a existência do “anormal”, ou daquele que está fora da norma


padrão, acaba por se tornar uma estratégia eficiente ao modo de produção capitalista,
reforçando a ideologia dominante do desviante como ineficiente e improdutivo para o
novo modelo de desenvolvimento, que se afunila em tempos globalizados.

Inscrever o outro numa posição fora das normas e das regras é, ao mesmo
tempo, causa e conseqüência do estigma do anormal. Sabedora disso, a classe
dominante, por meio da ideologia, articula seu discurso de modo a perpetuar
esse enquadramento nas faixas de normalidade ou de anormalidade,
conforme os interesses em jogo. (MARQUES, 2001, p. 6)

Cabe ressaltar que embora a segregação institucional tenha, em dado


momento, institucionalizado os pré-conceitos formulados acerca da deficiência,
reforçando o estereótipo social da invalidez e contribuindo para rotular as pessoas com
deficiência como “coitadinhas” ou incapazes/improdutivas, o que serviu aos propósitos
hegemônicos das classes dominantes no capitalismo, espaços foram abertos para a
discussão das formas de relacionamento da sociedade com os deficientes, bem como
foram feitos muitos questionamento sobre as práticas e métodos empregados nestas
instituições, iniciando assim um processo que caminharia para a integração e,
posteriormente, para as discussões, ainda que controversas, sobre a inclusão social e
educacional de pessoas com deficiência, padrão comportamental que será discutido a
seguir.

O OLHAR INCLUSIVO: UMA QUESTÃO DE DIREITOS

Em meados do século XX surge uma nova perspectiva de interpretação da


deficiência, associada à luta pelos direitos humanos em todo o mundo, que corresponde
ao paradigma da inclusão social. Este novo olhar passa a exigir da sociedade um novo
comportamento em relação à pessoa com deficiência.

Desloca-se o foco do “sujeito anormal”, visto a partir da individualização de


sua deficiência, para o olhar social da deficiência compreendida como consequência da
cultura das relações capitalistas homogêneas e excludentes. Dito de outro modo, neste
novo paradigma não é a deficiência per si que atribui significado a pessoa com
deficiência, mas as relações que se estabelecem socialmente entre os diferentes, re-
significando olhares e comportamentos na/da prática social.

O modelo médico e o paradigma da normalidade começam a ser


contestados, uma vez que as ações integrativas e institucionais continuam segregando os
diferentes em salas, classes e escolas especiais, sem, contudo, promover o convívio
social efetivo, a interação e o aprendizado coletivo.

Os movimentos sociais em defesa dos direitos humanos nos Estados Unidos,


a partir da década de 70, e no Brasil, mais especificamente nos anos 90, contribuem para
a formulação de pactos internacionais em defesa dos direitos e interesses das chamadas
minorias.

Constituem movimentos nesse sentido e compromissos importantes no


cenário internacional: a Declaração de Jomtien, na Tailândia – Declaração Mundial
sobre Educação para Todos (1990); a Declaração de Salamanca, sobre princípios,
política e práticas na área das necessidades educativas especiais (1994); a Declaração
Internacional de Montreal sobre Inclusão (2001) e a Convenção Interamericana para a
Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de
Deficiência – Guatemala (2001).

Nesse contexto, segundo CARVALHO-FREITAS (2007, p. 57),

há uma confluência de interesses: as pessoas com deficiência se organizam e


reivindicam a equiparação de oportunidades e garantia dos direitos civis; o
Estado precisa diminuir suas despesas públicas, inclusive com o seguro social
das pessoas com deficiência; e as organizações mundiais pressionam pela
defesa dos direitos humanos das minorias. Além disso, a ciência desenvolve
novos conhecimentos sobre a deficiência; equipamentos são desenvolvidos
visando aumentar a autonomia e a qualidade de vida dessas pessoas; leis
regulamentam a acessibilidade dos espaços públicos, visando a garantir a
participação de todos; e programas educativos e artísticos mostram as
potencialidades de pessoas com deficiência.
Assim, é neste complexo e contraditório cenário do capitalismo do século
XXI – competitividade acirrada, individualismo exacerbado, identidades
comprometidas pela lógica global e incentivo ao produtivismo – que a sociedade se
mobiliza para a construção social de conceitos coletivos, humanistas, solidários e
democráticos, que pleiteiam o direito de inclusão social e total da pessoa com
deficiência.

Esse movimento ganha espaço em várias esferas da vida social (educação,


saúde, trabalho, esporte e lazer) e reivindica da sociedade a criação de estruturas,
equipamentos e condições de acesso aos ambientes, à cultura e à produção da vida
material.

Portanto, nesta nova concepção sobre a deficiência, é a sociedade que


precisa se adaptar e se ajustar para garantir os direitos de participação dos diferentes e
não mais a pessoa com deficiência que precisa se adequar às exigências de normalidade
padrão da sociedade.

Sobre este paradigma se insere a discussão atual de uma “escola inclusiva”.


“Esta escola também pressupõe que qualquer criança pode aprender se lhe for
proporcionado um ambiente adequado, com estímulo e atividades apropriadas”.
(GUERRERO, 2012, p. 43). Destarte, é somente neste padrão comportamental,
diferentemente de todos os olhares anteriores, que se inaugura um movimento contrário
à exclusão, segregação ou separação das pessoas com deficiência do resto da sociedade.

“Enfim, anuncia-se um movimento de ressignificação da existência humana


pela superação das velhas práticas de discriminação e de isolamento, que marcaram
negativamente a história das pessoas com deficiências no nosso planeta”. (MARQUES,
2001, p. 10).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este ensaio objetivou retratar os diferentes olhares e concepções formuladas


sobre a deficiência ao longo da história, contribuindo assim para a compreensão das
diferentes posturas e comportamentos socialmente compartilhados em relação às
pessoas com deficiência ao longo do tempo.
A despeito do predomínio de certos padrões interpretativos em épocas
específicas, observa-se que, ainda hoje, coexistem formas diferenciadas de compreender
e lidar com a deficiência, em decorrência de sua mistificação e da influência do modelo
médico, ainda vigente. Neste sentido, este ensaio também se propôs a contribuir para a
desmistificação da deficiência, oportunizando a discussão crítica de seus elementos
culturais constituintes e abrindo espaço para a reflexão sobre a diversidade e o respeito
às diferenças.

Discutir conceitos, significados, sentidos atribuídos, posturas,


comportamentos padrões e ações sobre a deficiência, e como consequência, sobre o
tema da inclusão e exclusão social na contemporaneidade não é uma tarefa simples,
tampouco uma tarefa individual e solitária de pesquisadores ou especialistas. Essa
discussão faz parte dos interesses de toda uma sociedade, que se pretenda justa,
democrática, igualitária, mais humana e menos excludente.

Fica claro que a pessoa com deficiência teve que lutar, durante muitos
séculos, contra práticas e comportamentos segregativos, excludentes, discriminatórios e
até desumanos de relacionamento com o restante da sociedade, que se estendem até os
tempos atuais, a exemplo do Programa de Eutanásia de Hitler, na Alemanha nazista.
Também nos parece evidente que o “o desconhecido é a matéria prima para a
perpetuação das atitudes preconceituosas e das leituras estereotipadas da deficiência,
seja esse desconhecimento relativo ao fato em si, às emoções geradas ou às reações
subsequentes”. (ROCHA, 2000, p. 9).

Entretanto, e longe de esgotar o tema, é importante ressaltar que o novo


paradigma de compreensão e interpretação da deficiência na atualidade ganha cada vez
mais espaço, dando a oportunidade para a sociedade, de maneira geral, refletir
criticamente sobre os processos de abertura à participação da pessoa com deficiência e a
criação de condições acessíveis para todos, quer seja, na educação, nos ambientes de
trabalho, nos espaços públicos de esporte e lazer, na produção da cultura e da vida
material.

É necessário, no entanto, perceber que ainda existem muitas barreiras, não


só arquitetônicas, mais que isso, atitudinais, a serem enfrentadas no caminho da
inclusão social e total da pessoa com deficiência, desvelando assim a ideologia
dominante de que todas as condições estão dadas para o favorecimento da participação
humana em quaisquer esferas que sua “potencialidade” lhe permitir adentrar e que cada
um é responsável pelo seu sucesso ou fracasso social.

No que se refere à “educação inclusiva” especificamente, as práticas ainda


são meramente integrativas, ou seja, os(as) alunos(as) com alguma deficiência apenas
“estão” na sala de aula, junto com os(as) demais alunos(as), mas sem nenhuma
preocupação com as adaptações necessárias ao atendimento de suas necessidades
educativas especiais; as escolas funcionam precariamente; os professores não recebem
formação específica e atendimento apropriado para a superação de seus medos,
angústias e pré-conceitos sobre o trabalho com alunos(as) com deficiência; não são
feitas adaptações curriculares; o material pedagógico também não é adaptado e a
comunidade escolar raramente é inserida no processo inclusivo, de modo que o mesmo
se estenda para além dos muros da escola.

Por outro lado, a abertura dos portões do isolamento, por si só, coloca
minimante a necessidade de redirecionamento do olhar e de formulação de novas
concepções sociais sobre a deficiência, na medida em que vão sendo geradas
necessidades de discussão de conceitos e ajustamento das práticas consoantes com o
paradigma inclusivo.

Neste sentido, e como ponto de partida para novas e necessárias reflexões, é


preciso desnudar o fato de que a condição da deficiência não é o que designa o sujeito,
mas a relação que esse mesmo sujeito estabelece com a sociedade, no processo de
produção de sua existência material e cultural, ressignificando conceitos, atribuindo
sentidos e modificando práticas sociais.
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