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Certificação Nº.

C 364

MANUAL DE FORMAÇAÃ O

UFCD 3780

FUNDAMENTOS GERAIS DE SEGURANÇA NO TRABALHO

Área de Formação: 862 – Segurança e Higiene no Trabalho


Entidade Formadora: Avalforma – Formação e Consultoria, Lda.
Conceção/Autoria: Luísa Mouro
Validação: Maria Eugénia Amaro (Gestora da Formação)

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ÍÍndice
Introdução...............................................................................................................................3

Âmbito do manual..................................................................................................................3

Objetivos.................................................................................................................................3

Conteúdos programáticos.....................................................................................................3

Carga horária......................................................................................................................4

Desenvolvimento...................................................................................................................4

1.Princípios e domínios da Segurança do Trabalho...............................................................4

1.1.Conceitos gerais..............................................................................................................6

1.2.Entidades do setor..........................................................................................................8

1.3.Enquadramento legal....................................................................................................11

1.4.Prevenção e Avaliação de riscos.................................................................................16

2.Causas e consequências dos acidentes de trabalho........................................................25

2.1.Noção e causas dos acidentes de trabalho................................................................26

2.3.Estatísticas de acidentes de trabalho.........................................................................30

2.4.Regime jurídico dos acidentes de trabalho................................................................45

Bibliografia................................................................................................................................59

CONCLUSÃO.......................................................................................................................61

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Introdução

Âmbito do manual

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de


formação de curta duração nº 3780 – Fundamentos gerais de segurança
no trabalho, de acordo com o Catálogo Nacional de Qualificações.

Objetivos

 Identificar os conceitos fundamentais de segurança do trabalho e as principais


causas e consequências dos acidentes de trabalho

Conteúdos programáticos

 Princípios e domínios da Segurança do Trabalho


 Causas e consequências dos acidentes de trabalho

Carga horária

 25 horas

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Desenvolvimento

1.Princípios e domínios da Segurança do Trabalho

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1.1.Conceitos gerais

Definição

A segurança do trabalho propõe-se combater, também dum ponto de vista não


médico, os acidentes de trabalho, quer eliminando as condições inseguras do
ambiente, quer educando os trabalhadores a utilizarem medidas preventivas.

Por que é importante a segurança e saúde no trabalho?

Os sistemas de segurança e saúde no trabalho (SST) destinam-se a identificar


e minimizar os riscos no local de trabalho.

A eficácia de tais sistemas também afeta o desempenho das empresas, quer


negativamente se forem pesados e burocráticos quer positivamente se forem
bem concebidos e funcionarem de maneira eficaz.

Para que o seu impacto seja positivo, é necessário que os sistemas de SST
funcionem de forma harmoniosa, em consonância (e não em conflito) com
a gestão global da empresa e o cumprimento dos objetivos de produção e dos
respetivos prazos.

Nesta perspetiva, é útil recordar que os empregadores têm o dever legal (e


moral) de garantir a proteção da segurança e saúde dos trabalhadores, bem
como de consultar os trabalhadores e/ou os seus representantes e permitir
a participação dos mesmos em discussões sobre segurança e saúde no
trabalho.

Vantagens de boas práticas em matéria de segurança e saúde no


trabalho

O tratamento das questões no âmbito da segurança e saúde no trabalho


oferece oportunidades para melhorar a eficiência da empresa, bem como para
proteger os trabalhadores.

As suas vantagens podem incluir:

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• Diminuição de custos e de riscos (redução das taxas de absentismo
e de rotação dos trabalhadores, menos acidentes e uma menor ameaça
de processos judiciais);
• Garantia de uma melhor continuidade da atividade, o que aumenta
a produtividade (evitando incidentes, acidentes, quebras e falhas no
processo produtivo);
• Melhoria do prestígio e da reputação junto dos fornecedores, clientes
e outros parceiros.

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1.2.Entidades do setor

Agência Europeia Para a Segurança e Saúde no Trabalho


EU-OSHA
https://osha.europa.eu/

A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA) é uma


organização que trabalha em rede, com um "ponto focal" em cada Estado-
Membro, bem como nos países da Associação Europeia do Comércio Livre
(AECL) e nos países candidatos e países potencialmente candidatos.

O trabalho em rede oferece à EU-OSHA maior possibilidade de sucesso na


criação de locais de trabalho mais saudáveis, seguros e produtivos, ao permitir
uma maior partilha de informação.

Missão

A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA) contribui


para tornar mais seguros, mais saudáveis e mais produtivos os locais de
trabalho na Europa.

Promove uma cultura de prevenção de riscos para melhorar as condições de


trabalho na Europa.

O que fazemos

Campanhas

 Promovemos a sensibilização de todos os intervenientes no mundo do trabalho,


para a prevenção dos riscos profissionais, e divulgamos informação sobre a
importância de que se reveste a segurança e saúde dos trabalhadores para a
estabilidade social e económica e o crescimento europeu.

Prevenção
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 Concebemos e desenvolvemos instrumentos práticos para ajudar as micro,


pequenas e médias empresas na avaliação dos riscos nos seus locais de
trabalho e partilhamos conhecimentos e boas práticas de segurança e saúde no
trabalho dentro dos vários ramos de atividade e profissões.

Parceria

 Trabalhamos lado a lado com governos, organizações de empregadores e de


trabalhadores, organismos públicos e privados e redes da UE. A nossa voz é
difundida por uma rede de segurança e saúde no trabalho representada por um
ponto focal em cada Estado-Membro da UE, nos países AECL e potenciais
países candidatos.

Investigação

 Identificamos e avaliamos riscos novos e emergentes no trabalho e integramos


a segurança e saúde no trabalho em outras áreas de política, nomeadamente, a
educação, a saúde pública e a investigação.

A Autoridade para as Condições do Trabalho


ACT
http://www.act.gov.pt/

A Autoridade para as Condições do Trabalho é um serviço do Estado que visa a


promoção da melhoria das condições de trabalho em todo o território
continental através do controlo do cumprimento do normativo laboral no âmbito
das relações laborais privadas e pela promoção da segurança e saúde no
trabalho em todos os sectores de atividade públicos ou privados.

Missão

A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) tem como missão a


promoção da melhoria das condições de trabalho, através da:
 Fiscalização do cumprimento das normas em matéria laboral;

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 Promoção de políticas de prevenção dos riscos profissionais;
 Controlo do cumprimento da legislação relativa à segurança e saúde no
trabalho.

Atribuições

A Autoridade para as Condições do Trabalho tem como atribuições:


 Promover, controlar e fiscalizar o cumprimento da lei respeitante às relações e
condições de trabalho, designadamente a legislação relativa à segurança e
saúde no trabalho;
 Desenvolver ações de sensibilização, informação e aconselhamento no âmbito
das relações e condições de trabalho para trabalhadores e empregadores e
respetivas associações representativas;
 Promover a formação especializada nos domínios da segurança e saúde no
trabalho, apoiando as organizações de trabalhadores e de empregadores na
formação dos seus representantes;
 Participar na elaboração das políticas de promoção da saúde nos locais de
trabalho e prevenção dos riscos profissionais e gerir o processo de autorização
de serviços de segurança e saúde no trabalho;
 Coordenar o processo de formação e de certificação de técnicos e técnicos
superiores de segurança e higiene do trabalho;
 Colaborar com outros organismos da administração pública com vista ao
respeito integral das normas laborais nos termos previstos na legislação
comunitária e nas convenções da Organização Internacional do Trabalho,
ratificadas por Portugal;
 Assegurar o procedimento das contraordenações laborais;
 Exercer competências em matéria de trabalho de estrangeiros;
 Prevenir e combater o trabalho infantil em articulação com outros
departamentos públicos;
 Avaliar o cumprimento das normas relativas ao destacamento de trabalhadores
e cooperar com os serviços de inspeção das condições de trabalho de outros
Estados-membros do espaço económico europeu.

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1.3.Enquadramento legal

Diretivas Comunitárias

 Diretiva n.º 89/391/CEE, do Conselho, de 12 de Junho, relativa à aplicação de


medidas destinadas a promover a melhoria da segurança e da saúde dos
trabalhadores no trabalho, alterada pela Diretiva n.º 2007/30/CE, do Conselho,
de 20 de Junho;

 Diretiva n.º 91/383/CEE, do Conselho, de 25 de Junho, que completa a


aplicação de medidas tendentes a promover a melhoria da segurança e da
saúde dos trabalhadores que têm uma relação de trabalho a termo ou uma
relação de trabalho temporária;

 Diretiva n.º 92/85/CEE, do Conselho, de 19 de Outubro, relativa à


implementação de medidas destinadas a promover a melhoria da segurança e
da saúde das trabalhadoras grávidas, puérperas ou lactantes no trabalho;

 Diretiva n.º 94/33/CE, do Conselho, de 22 de Junho, relativa à proteção dos


jovens no trabalho;

 Diretiva n.º 90/394/CEE, do Conselho, de 28 de Junho, relativa à proteção dos


trabalhadores contra os riscos ligados à exposição a agentes cancerígenos
durante o trabalho, alterada pelas Diretivas n.os 97/42/CE, do Conselho, de 27
de Junho, e 1999/38/CE, do Conselho, de 29 de Abril;

 Diretiva n.º 90/679/CEE, do Conselho, de 26 de Novembro, relativa à proteção


dos trabalhadores contra os riscos ligados à exposição a agentes biológicos
durante o trabalho, alterada pela Diretiva n.º 93/88/CEE, do Conselho, de 12
de Outubro, e a Diretiva n.º 98/24/CE, do Conselho, de 7 de Abril, relativa à
proteção da segurança e da saúde dos trabalhadores contra os riscos ligados à
exposição a agentes químicos no trabalho.

Legislação Nacional
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O n.º 1 do Artigo 59.º da Constituição da República Portuguesa prevê que:


1. Todos os trabalhadores, sem distinção de idade, sexo, raça, cidadania,
território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, têm
direito:
a) À retribuição do trabalho, segundo a quantidade, natureza e
qualidade, observando-se o princípio de que para trabalho igual
salário igual, de forma a garantir uma existência condigna;
b) A organização do trabalho em condições socialmente
dignificantes, de forma a facultar a realização pessoal e a permitir
a conciliação da atividade profissional coma vida familiar,
c) A prestação do trabalho em condições de higiene, segurança e
saúde;
d) Ao repouso e aos lazeres, a um limite máximo da jornada de
trabalho, ao descanso semanal e a férias periódicas pagas;
e) À assistência material, quando involuntariamente se encontrem
em situação. De desemprego;
f) A assistência e justa reparação, quando vítimas de acidente de
trabalho ou de doença profissional.

A Lei-Quadro de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho faz impender sobre


as entidades empregadoras a obrigatoriedade de organizarem os serviços de
Segurança e Saúde no Trabalho.

Para tanto, importa que os empregadores adotem políticas de promoção da


segurança e saúde no trabalho que permitam assegurar a saúde e a integridade
física dos seus trabalhadores, respeitando os princípios de prevenção de riscos
profissionais.

Aos empregadores compete, em termos de obrigações gerais, a aplicação de


medidas que visam:
 Assegurar condições de segurança e saúde no trabalho, de acordo com os
princípios gerais de prevenção, nomeadamente em aspetos relacionados com a
planificação da prevenção num sistema coerente que tenha em conta a
componente técnica, a organização do trabalho, as relações sociais e os fatores
materiais inerentes ao trabalho;
 Assegurar a vigilância adequada da saúde dos trabalhadores em função dos
riscos a que se encontram expostos no local de trabalho.

A Lei n.º 102/2009, de 10 de Setembro, atualizada pela Lei nº 3/ 2014, de 28


de Janeiro, define, no seu artigo n.º 15.º, as obrigações gerais do empregador,
em matéria de segurança e saúde no trabalho.

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O empregador deve, nomeadamente, assegurar ao trabalhador condições de
segurança e saúde em todos os aspetos do seu trabalho.

O empregador deve, para tal, organizar os serviços adequados, internos ou


externos à empresa, estabelecimento ou serviço, mobilizando os meios
necessários, nomeadamente nos domínios das atividades de prevenção, da
formação e da informação, bem como o equipamento de proteção que se torne
necessário utilizar.

A Lei obriga as entidades empregadoras a organizar, na empresa ou


estabelecimento, as atividades de segurança e saúde no trabalho, as quais
constituem, ao nível da empresa, um elemento determinante na prevenção de
riscos profissionais e de promoção e vigilância da saúde dos trabalhadores.

Aos serviços de segurança e saúde no trabalho cabe:


 Assegurar as condições de trabalho que salvaguardem a segurança e a saúde
física e mental dos trabalhadores;
 Desenvolver as condições técnicas que assegurem a aplicação das medidas de
prevenção que possibilitem o exercício da atividade profissional em condições
de segurança e de saúde para o trabalhador, tendo em conta os princípios de
prevenção de riscos profissionais;
 Informar e formar os trabalhadores no domínio da segurança e saúde no
trabalho;
 Informar e consultar os representantes dos trabalhadores para a segurança e
saúde no trabalho ou, na sua falta, os próprios trabalhadores.

Serviço de segurança no trabalho

As atividades técnicas de segurança no trabalho são exercidas por técnicos


superiores ou técnicos de segurança e higiene no trabalho, certificados pelo
organismo competente para a promoção da segurança e da saúde no trabalho
do ministério competente para a área laboral, nos termos de legislação
especial.

A atividade dos serviços de segurança deve ser assegurada regularmente no


próprio estabelecimento durante o tempo necessário.

A afetação dos técnicos superiores ou técnicos às atividades de segurança no


trabalho, por empresa, é estabelecida nos seguintes termos:
a) Em estabelecimento industrial — até 50 trabalhadores, um técnico, e,
acima de 50, dois técnicos, por cada 1500 trabalhadores abrangidos ou
fração, sendo pelo menos um dele técnico superior;

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b) Nos restantes estabelecimentos — até 50 trabalhadores, um técnico,
e, acima de 50 trabalhadores, dois técnicos, por cada 3000 trabalhadores
abrangidos ou fração, sendo pelo menos um dele técnico superior.

O organismo competente para a promoção da segurança e saúde no trabalho


do ministério responsável pela área laboral pode determinar uma duração mais
alargada da atividade dos serviços de segurança em estabelecimento em que,
independentemente do número de trabalhadores, a natureza ou a gravidade
dos riscos profissionais, bem como os indicadores de sinistralidade, se justifique
uma ação mais eficaz.

O empregador deve fornecer aos serviços de segurança no trabalho os


elementos técnicos sobre os equipamentos e a composição dos produtos
utilizados.

Os serviços de segurança no trabalho devem ser informados sobre todas as


alterações dos componentes materiais do trabalho e consultados, previamente,
sobre todas as situações com possível repercussão na segurança dos
trabalhadores.

As informações referidas nos números anteriores ficam sujeitas a sigilo


profissional, sem prejuízo de as informações pertinentes para a proteção da
segurança e saúde deverem ser comunicadas aos trabalhadores envolvidos,
sempre que tal se mostre necessário, e aos representantes dos trabalhadores
para a segurança e saúde no trabalho.

Direitos e deveres do trabalhador

Deveres e Obrigações em Matéria de Relações Laborais

Sem prejuízo de outras obrigações, o trabalhador deve:


 Respeitar e tratar o empregador, os superiores hierárquicos, os companheiros
de trabalho e as pessoas que se relacionem com a empresa, com urbanidade e
probidade;
 Comparecer ao serviço com assiduidade e pontualidade;
 Realizar o trabalho com zelo e diligência;
 Participar de modo diligente em ações de formação profissional que lhe sejam
proporcionadas pelo empregador;
 Cumprir as ordens e instruções do empregador respeitantes a execução ou
disciplina do trabalho, bem como a segurança e saúde no trabalho, que não
sejam contrárias aos seus direitos ou garantias;

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 Guardar lealdade ao empregador, nomeadamente não negociando por conta
própria ou alheia em concorrência com ele, nem divulgando informações
referentes à sua organização, métodos de produção ou negócios;
 Velar pela conservação e boa utilização de bens relacionados com o trabalho
que lhe forem confiados pelo empregador;
 Promover ou executar os atos tendentes à melhoria da produtividade da
empresa;
 Cooperar para a melhoria da segurança e saúde no trabalho, nomeadamente
por intermédio dos representantes dos trabalhadores eleitos para esse fim;
 Cumprir as prescrições sobre segurança e saúde no trabalho que decorram de
lei ou instrumento de regulamentação coletiva de trabalho.

O dever de obediência respeita tanto a ordens ou instruções do empregador


como de superior hierárquico do trabalhador, dentro dos poderes que por
aquele lhe forem atribuídos.

(Artigo 128.º (deveres do trabalhador) do Código do Trabalho, aprovado pela


Lei n.º 7/2009, de 12 de Fevereiro).

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1.4.Prevenção e Avaliação de riscos

Princípios Gerais de Prevenção

Em 1989 foi publicada pela Comissão Europeia a Diretiva 89/391/CEE, de 12 de


Junho - designada comummente por Diretiva Quadro -, a qual teve por objeto a
execução de medidas destinadas a promover no espaço europeu a melhoria da
segurança e saúde dos trabalhadores.

Nela se incluíram nove princípios gerais – atribuídos às entidades empregadoras


- relativos à prevenção dos riscos profissionais e à proteção da segurança e da
saúde, à eliminação dos fatores de risco e de acidente, à informação, à
consulta, à participação, de acordo com as legislações e/ou práticas nacionais,
à formação dos trabalhadores e seus representantes, assim como linhas
mestras a observar com vista à sua aplicação no terreno.

Esta diretiva foi transposta para o direito interno português através do Decreto-
Lei n.º 441/91, de 14 de Novembro, alterado posteriormente pelo Decreto-Lei
n.º 133/99, de 21 de Abril.

Mais tarde os Princípios Gerais da Prevenção, foram assumidos pela Lei nº


102/2009, de 10 de Setembro, que revoga os diplomas atrás referidos.

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Os 9 Princípios Gerais de Prevenção de acordo com a Diretiva
89/391/CEE

PRINCÍPIO Descrição
PRIMEIRO Evitar os riscos

SEGUNDO Avaliar os riscos que não possam ser evitados

TERCEIRO Combater os riscos na origem

QUARTO Adaptar o trabalho ao homem, especialmente no que se refere


à conceção dos postos de trabalho, bem como à escolha dos
equipamentos de trabalho e dos métodos de trabalho e de
produção, tendo em vista, nomeadamente, atenuar o trabalho
monótono e o trabalho cadenciado e reduzir os efeitos destes
sobre a saúde

QUINTO Ter em conta o estádio de evolução da técnica

SEXTO Substituir o que é perigoso pelo que é isento de perigo ou


menos perigos

SÉTIMO Planificar a prevenção com um sistema coerente que integre a


técnica, a organização do trabalho, as condições de trabalho, as
relações sociais e a influência dos fatores ambientais no
trabalho

OITAVO Dar prioridade às medidas de prevenção coletiva em relação às


medidas de proteção individua

NONO Dar instruções adequadas aos trabalhadores

Dentro da lógica da prevenção, caracterizada pela dinâmica de


eliminação/minimização de riscos, impõe-se clarificar o que distingue o risco do
perigo.

Nesta parte, a tarefa está algo facilitada na medida em que ambos assumiram
já a condição de conceitos normativos e que se encontram previstos na Lei n.º
102/2009, de 12 de Setembro, de acordo com a qual:

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 O perigo é “a propriedade intrínseca de uma instalação, atividade,
equipamento, um agente ou outro componente material do trabalho com
potencial para provocar dano”;
 O risco é “a probabilidade de concretização do dano em função das condições
de utilização, exposição ou interação do componente material do trabalho que
apresente perigo”.

Dito de outra forma, o perigo é um determinado potencial de dano existente


num componente do trabalho, enquanto que o risco reside na situação de
interação que exista entre esse potencial de dano e o trabalhador.

Assim, do exposto conclui-se que o perigo se reporta a uma condição estática,


à propriedade intrínseca de algo potencialmente causador de dano,
designadamente substâncias e produtos químicos, ruído, máquinas, etc. e o
risco é a probabilidade desse dano vir a ocorrer.

Avaliação de riscos

A avaliação de riscos constitui a base de uma gestão eficaz da segurança e da


saúde e é fundamental para reduzir os acidentes de trabalho e as doenças
profissionais.

Se for bem realizada, esta avaliação pode melhorar a segurança e a saúde, bem
como, de um modo geral, o desempenho das empresas.

É, pois, uma análise sistemática de todos os aspetos do trabalho, que identifica:


 Aquilo que é suscetível de causar lesões ou danos;
 A possibilidade de os perigos serem eliminados e, se tal não for o caso;
 As medidas de prevenção ou proteção que existem, ou deveriam existir, para
controlarem os riscos.

Não esqueça:
 Um perigo pode ser qualquer coisa (material ou equipamento de trabalho,
métodos ou práticas de trabalho) com potencial para causar danos;
 Um risco é a probabilidade, alta ou baixa, de alguém sofrer lesões ou danos
devido a esse perigo.

Como avaliar os riscos

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Na maior parte das empresas, uma abordagem direta, em cinco etapas, deverá
funcionar.

Existem, contudo, outros métodos que funcionam igualmente bem,


nomeadamente para riscos e circunstâncias mais complexos.

Etapa 1. Identificação dos perigos e das pessoas em risco

Eis algumas pistas para o ajudar a identificar os perigos que interessam:


 Circule pelo local de trabalho e observe tudo o que possa causar danos;
 Consulte os trabalhadores e/ou os seus representantes sobre os problemas que
lhes tenham surgido;
 Tenha em conta os perigos a longo prazo para a saúde, por exemplo, níveis
elevados de ruído ou exposição a substâncias prejudiciais, bem como riscos
mais complexos ou menos óbvios, por exemplo, fatores de risco psicossociais
ou decorrentes da organização do trabalho;
 Consulte os registos de acidentes de trabalho e de problemas de saúde da
empresa;
 Procure obter informações de outras fontes, como:
 Manuais de instruções ou fichas de dados dos fabricantes e fornecedores,
o Sítios web sobre saúde e segurança no trabalho,
o Organismos nacionais, associações comerciais ou sindicatos,
o Regulamentos e normas técnicas.

É importante que fique claro, relativamente a cada perigo, quais as pessoas que
poderão ser afetadas; deste modo, será mais fácil identificar a melhor forma de
gerir o risco.

Isto não significa elaborar uma lista com os nomes das pessoas expostas, mas
antes identificar grupos, como «pessoas que trabalham no armazém» ou
«transeuntes».

O pessoal de limpeza, os contratantes e membros do público podem igualmente


estar em risco.

Deve ser prestada especial atenção às questões de género e a grupos de


trabalhadores que podem correr riscos acrescidos ou ter requisitos específicos.

Em cada caso, é importante identificar a forma que esses danos poderão


assumir, ou seja, o tipo de lesão ou problema de saúde que pode ocorrer.

Trabalhadores que podem correr maior risco


 Trabalhadores com deficiência

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 Trabalhadores migrantes
 Trabalhadores jovens e idosos
 Mulheres grávidas e lactantes
 Pessoal inexperiente ou sem formação
 Trabalhadores da manutenção
 Trabalhadores imunocomprometidos
 Trabalhadores com problemas de saúde, como bronquite
 Trabalhadores sob medicação suscetível de aumentar a sua vulnerabilidade ao
dano

Etapa 2. Avaliação e prioritarização dos riscos

A etapa seguinte consiste na avaliação dos riscos decorrentes de cada perigo.


Para o efeito, deve considerar-se:
 A probabilidade de um perigo ocasionar dano;
 A gravidade provável do dano;
 A frequência da exposição dos trabalhadores (e o número de trabalhadores
expostos).

Um processo direto, baseado na apreciação, que não exige qualificações


especializadas ou técnicas complicadas, pode ser suficiente para muitos perigos
ou atividades do local de trabalho, nomeadamente para atividades que
acarretam perigos pouco relevantes ou locais de trabalho cujos riscos são bem
conhecidos ou facilmente identificáveis e com meios de controlo facilmente
disponíveis.

Provavelmente, este é o caso da maior parte das empresas (principalmente


pequenas e médias empresas, PME).

Em seguida, devem ser definidas prioridades para o tratamento dos riscos.

Etapa 3. Decisão sobre medidas preventivas

A etapa seguinte consiste em decidir de que forma eliminar ou controlar os


riscos.

Nesta fase, há que avaliar:


 Se é possível eliminar o risco;
 Se tal não for o caso, de que forma é possível controlar os riscos de modo a
que estes não comprometam a segurança e a saúde das pessoas expostas.

Na prevenção e no controlo dos riscos, importa ter em conta os seguintes


princípios gerais de prevenção:
 Evitar os riscos;
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 Substituir o que é perigoso pelo que é isento de perigo ou menos perigoso;
 Combater os riscos na origem;
 Conferir às medidas de proteção coletiva prioridade em relação às medidas de
proteção individual (por exemplo, controlar a exposição a vapores através de
ventilação do local em vez de recorrer a máscaras respiratórias);
 Adaptar-se ao progresso técnico e às mudanças na informação;
 Procurar melhorar o nível de proteção.

Etapa 4. Adoção de medidas

A etapa seguinte consiste na adoção de medidas de prevenção e de proteção.

É importante envolver os trabalhadores e os seus representantes no processo.

Para que as medidas sejam eficazmente aplicadas, é necessário elaborar um


plano que especifique:
 As medidas a aplicar;
 Quem faz o quê e quando;
 Quando deve a aplicação estar concluída.

É essencial definir prioridades para os trabalhos destinados a eliminar ou


prevenir riscos.

Etapa 5. Acompanhamento e revisão

Importa não descurar a realização de controlos regulares destinados a verificar


a aplicação efetiva ou a eficácia das medidas de prevenção e proteção, bem
como a identificação de novos problemas.

A avaliação de riscos deve ser revista regularmente, em função da natureza dos


riscos e do grau provável de mudança na atividade laboral, ou na sequência das
conclusões da investigação de um acidente ou de um «quase acidente».

A avaliação de riscos não é uma atividade que se possa realizar «de uma vez
por todas».

Registar a avaliação

A avaliação de riscos deve ser registada.

O seu registo pode ser utilizado como base para:


 Informações a transmitir às pessoas em causa;
 Controlo destinado a avaliar se foram tomadas as medidas necessárias;

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 Elementos de prova a apresentar às autoridades de fiscalização;
 Uma eventual revisão, em caso de alteração das circunstâncias.

Recomenda-se o registo de, no mínimo, os seguintes elementos:


 Nome e função da pessoa ou pessoas que procederam à avaliação;
 Perigos e riscos identificados;
 Grupos de trabalhadores expostos a riscos específicos;
 Medidas de proteção necessárias;
 Informações sobre a introdução das medidas, como, por exemplo, o nome da
pessoa responsável e a data;
 Informações sobre as medidas de acompanhamento e de revisão
subsequentes, incluindo a data e o nome das pessoas envolvidas;
 Informações sobre a participação dos trabalhadores e dos seus representantes
no processo de avaliação de riscos.

Quem faz o quê?

O empregador tem o dever de:


 Garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores em todos os aspetos
relacionados com o trabalho;
 Organizar a avaliação de riscos;
 Selecionar a ou as pessoas que efetuarão a avaliação e garantir que sejam
competentes;
 Avaliar os riscos e aplicar medidas de proteção;
 Consultar os trabalhadores ou os seus representantes sobre a organização da
avaliação de riscos, as pessoas que vão Efetuar a avaliação de riscos e a
aplicação das medidas de prevenção;
 Ter disponível a avaliação de riscos;
 Elaborar registos das avaliações, após ter consultado os trabalhadores ou os
seus representantes, ou promovendo inclusive a sua participação nesse
trabalho, e disponibilizar-lhes esses registos;
 Garantir que todas as pessoas afetadas sejam informadas de todos os perigos,
de todos os danos que estão em risco de sofrer e de todas as medidas de
proteção tomadas para evitar esses danos.

Pessoa responsável pela realização da avaliação de riscos

Ao empregador compete selecionar as pessoas que serão responsáveis pela


realização da avaliação de riscos, que poderão ser:
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 O empregador;
 Trabalhadores designados pelo empregador;
 Técnicos de segurança e serviços externos, caso não exista pessoal competente
no local de trabalho.

As pessoas designadas pelo empregador para efetuar a avaliação de riscos


devem ser competentes.

Na maior parte dos casos, não é necessário que sejam técnicos de segurança
no trabalho, mas deverão dar provas da sua competência demonstrando que:
1) Têm um bom conhecimento da abordagem geral de avaliação de
riscos;
2) Têm capacidade de aplicação dessa abordagem no local de trabalho e
à tarefa requerida; para tal pode ser necessário:
a) Identificar os problemas de segurança e saúde,
b) Avaliar a necessidade de intervenção e estabelecer prioridades,
c) Sugerir possíveis opções de eliminação ou redução dos riscos e
comparar as respetivas vantagens,
d) Avaliar a sua eficácia,
e) Promover e comunicar as melhorias da segurança e saúde e as
boas práticas;
3) Têm capacidade para identificar as situações em que seriam incapazes
de avaliar adequadamente os riscos sem a ajuda de terceiros e para
avisar da necessidade dessa assistência.

Trabalhadores e seus representantes

Os trabalhadores e os seus representantes têm o direito/dever de:


 Ser consultados sobre as questões de organização da avaliação de riscos e de
designação dos responsáveis por essa tarefa;
 Participar na avaliação de riscos;
 Alertar os seus supervisores ou os empregadores para os riscos percecionados;
 Informar sobre as mudanças no local de trabalho;
 Ser informados sobre os riscos para a sua segurança e saúde e as medidas
necessárias para eliminar ou reduzir esses riscos;
 Solicitar ao empregador que tome as medidas adequadas e apresentar
propostas de minimização dos perigos e de eliminação dos riscos na origem;
 Cooperar para permitir que o empregador garanta um ambiente de trabalho
seguro;
 Ser consultados pelo empregador para a elaboração dos registos das
avaliações.

Contratantes/fornecedores
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Certificação Nº. C 364

Sempre que trabalhadores de diferentes empresas trabalhem no mesmo local


de trabalho, poderá ser necessário que os técnicos dos diferentes
empregadores partilhem informações sobre os riscos e as medidas destinadas a
fazer face a esses riscos.

2.Causas e consequências dos acidentes de trabalho

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Certificação Nº. C 364

2.1.Noção e causas dos acidentes de trabalho

É acidente de trabalho aquele que se verifique no local e no tempo de trabalho


e produza direta ou indiretamente lesão corporal, perturbação funcional ou
doença de que resulte redução na capacidade de trabalho ou de ganho ou a
morte.

Um acidente de trabalho não é um acontecimento fortuito, cuja


responsabilidade se possa imputar a um acaso, a uma “fatalidade”.

Um acidente de trabalho tem sempre origem em uma ou mais causas.

Devemos no entanto distinguir entre:

 Incidente - Acontecimento não intencional que em circunstâncias


ligeiramente diferentes poderia provocar danos corporais, danos
materiais ou perdas de produção.
 Acidente - Acontecimento não intencional que provoca danos corporais,
danos materiais ou perdas de produção.

Sempre que um dano corporal necessitar de cuidados médicos ou de


enfermagem é um acidente, mesmo que o acidentado, por razões diversas, não
tenha procurado esses cuidados.

As causas dos acidentes de trabalho devem ser investigadas. Elas devem ser
corretamente identificadas e prontamente eliminadas ou minimizadas de forma
a evitar a ocorrência de novos acidentes de trabalho.

Fator humano

A causa pessoal está relacionada com o conjunto de conhecimentos e


habilidades que cada um possui para desempenhar uma tarefa num dado
momento.

Existem diversas características no indivíduo que o tornam mais ou menos


propenso para o acidente:
 Sexo;
 Idade;
 Características genéticas;
 Maior ou menor aptidão para o trabalho que realiza;
 Ignorância dos riscos, dos perigos inerentes ao trabalho;
Documento: D7 Páá giná 24 de 59
Certificação Nº. C 364
 Determinados tipos de personalidade e de inteligência;
 Demasiada segurança em si próprio;
 Estado de saúde;
 Maior ou menor experiência;
 Maior ou menor tendência para a fadiga;
 Falta de proteção individual eficaz – acha que não é necessário;
 Maior ou menor motivação para o trabalho;
 Outros.

Fator material

A causa mecânica diz respeito às falhas materiais existentes no ambiente de


trabalho, como por exemplo:

 Materiais defeituosos
 Equipamentos em más condições
 Ambiente físicos ou químico não adequado
 Localização imprópria das máquinas
 Roupa e calçado não apropriados
 Instalações elétricas impróprias ou com defeito

Fator organizacional

Os fatores organizacionais relacionam-se com a estrutura e organização do


trabalho da própria entidade, como sendo por exemplo:

 Conflito de metas (pressões que possam ser exercidas para atingir uma
determinada meta, sem considerar os potenciais conflitos)
 Má distribuição de horários e tarefas.

Fator ambiental

As causas dos acidentes de trabalho podem existir no ambiente de trabalho,


entendendo-se por ambiente de trabalho um todo que rodeia o trabalhador e
no qual se integram, também, as características individuais do próprio
trabalhador.

Exemplos:
 Ambientes de trabalho pouco saudáveis
 Iluminação pouco adequada
 Elevado nível de ruído
 Ventilação não adequada
 Stress térmico.

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Certificação Nº. C 364

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Certificação Nº. C 364
2.2.Consequências dos acidentes de trabalho

Atualmente, em plena época da globalização, embora algumas empresas


tenham implantado e implementado com sucesso as normas de segurança e
medicina do trabalho, o índice de acidentes é ainda altíssimo e aviltante.

As consequências podem ser categorizadas em:


 Simples assistência médica - o segurado recebe atendimento médico e retorna
imediatamente às suas atividades profissionais;
 Incapacidade temporária - o segurado fica afastado do trabalho por um
período, até que esteja apto para retomar sua atividade profissional. Para a
Segurança Social é importante participar esse período seja inferior a 15 dias ou
superior, uma vez que, no segundo caso, é gerado um benefício pecuniário, o
auxílio-doença por acidente do trabalho;
 Incapacidade permanente - o segurado fica incapacitado de exercer a atividade
profissional que exercia à época do acidente. Essa incapacidade permanente
pode ser total ou parcial. No primeiro caso o segurado fica impossibilitado de
exercer qualquer tipo de trabalho e passa a receber uma aposentadoria por
invalidez. No segundo caso o segurado recebe uma indemnização pela
incapacidade sofrida (auxílio-acidente), mas é considerado apto para o
desenvolvimento de outra atividade profissional;
 Morte - o segurado falece em consequência do acidente de trabalho.

A atribuição de indemnizações ou pensões de invalidez, além de diferenciada,


é, em alguns casos, incompleta.

A situação é ainda mais crítica para as ocorrências de lesões múltiplas e para


os acidentados com lesões pré-existentes.

Danos humanos e materiais com custos para as empresas:


 Custos diretos: custos de seguros e respetivos agravamentos, vencimento e
subsídios referentes ao dia do acidente, diferença de vencimentos.
 Custos indiretos: danos materiais e patrimoniais, diminuição da produtividade,
indemnização a clientes por não cumprimento de prazos, imagem da empresa,
substituição do sinistrado, formação do trabalhador substituto, tempos de
paragem de outros trabalhadores, tempos de deslocação de terceiros a
estabelecimentos hospitalares, tempos de investigação dos acidentes pela
hierarquia e outros, mau ambiente de trabalho.

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2.3.Estatísticas de acidentes de trabalho

A nível internacional

Todos os anos na União Europeia cerca de 5 milhões de pessoas são vítimas de


acidentes de trabalho que ocasionam ausências superiores a 3 dias, num total
de aproximadamente 146 milhões de dias de trabalho perdidos:
 Ocorre 1 acidente de trabalho em cada 5 segundos, na EU;
 Morre 1 trabalhador a cada 2 horas, vítima de acidente de trabalho, na EU;
 Dois terços das 30 000 substâncias químicas mais utilizadas na EU, não foram
submetidas a testes toxicológicos completos e sistemáticos;
 Um quinto dos trabalhadores da UE - 32 milhões de pessoas – estão expostos a
agentes cancerígenos;

Estes riscos são agravados por uma informação e cumprimento inadequados


das normas de segurança. Um estudo, determinou que apenas 12% das
empresas conheciam os seus deveres legais.

Além disso, um estudo separado revelou que 20% das Fichas de Dados de
Segurança fornecidas pelos fabricantes de substâncias perigosas continham
erros.

Apenas as substâncias químicas notificadas desde 1981 são obrigatoriamente


submetidas a esses testes, embora a EU esteja a desenvolver uma estratégia
para a avaliação sistemática das chamadas substâncias químicas existentes.

Em todo o mundo ocorrem por ano cerca de 270 milhões de acidentes de


trabalho e são registadas mais de 160 milhões de doenças profissionais.

Algumas consequências desses acidentes são permanentes e afetam a


capacidade de trabalho das vítimas e a sua vida extralaboral.
Os acidentes de trabalho ocorrem em todas as indústrias e incluem
escorregões, tropeções, quedas de pessoas ou de objetos, objetos cortantes e
quentes, e acidentes que envolvem veículos e máquinas.

Em Portugal

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A ocorrência de acidentes de trabalho ou de doenças profissionais constitui um
indicador significante da existência de disfunções nos locais de trabalho e nas
respetivas envolventes.

A informação da sua ocorrência permite à ACT direcionar com maior acervo a


atividade inspetiva para as situações de trabalho evidenciadas dessa forma e às
organizações produtivas conhecer melhor as necessidades de correção das
medidas de prevenção aplicadas nos locais de trabalho.

Tipo de Acidente

Mensal
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Nacionalidade

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Setor de atividade

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Desvio

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Contacto - Modalidade da lesão

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Tipo de Local

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Agente material

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Grupo profissional

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Distrito

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Tipo de empresa

Dia da semana

Sexo

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Faixa etária

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Tipo de lesão

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Parte do corpo atingida

Fonte: http://www.act.gov.pt/(pt-PT)/CentroInformacao/Estatistica/Paginas/default.aspx

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2.4.Regime jurídico dos acidentes de trabalho

Introdução

As progressivas alterações e inovações nas bases jurídicas do seguro


obrigatório de Acidentes de Trabalho têm vindo a melhorar a proteção dos
trabalhadores e dos seus familiares.

Com a publicação da Lei 98/2009, o seguro obrigatório de Acidentes de


Trabalho, a partir de 01 de Janeiro de 2010 vê o seu quadro jurídico de novo
atualizado.

Uma década após a entrada em vigor da Lei 100/97 e respetivos regulamentos,


passa a estar regulado um novo patamar de segurança para o trabalhador no
domínio da reabilitação e reintegração profissional em caso de acidente.

A LEI N.º 98/2009 de 4 de Setembro, regulamenta o regime de reparação de


acidentes de trabalho e de doenças profissionais, incluindo a reabilitação e
reintegração profissionais, nos termos do artigo 284.º do Código do Trabalho,
aprovado pela Lei n.º 7/2009, de 12 de Fevereiro.

A nova legislação não visa romper com o regime jurídico estabelecido quer pela
Lei n.º 100/97, de 13 de Setembro, regulamentada pelo Decreto-Lei n.º
143/99, de 30 de Abril, quer pelo Decreto-Lei n.º 248/99, de 2 de Julho, quer
mesmo pelas disposições normativas constantes no anterior Código do Trabalho
entretanto revogadas, mas sim proceder a uma sistematização das matérias
que o integram, organizando-o de forma mais inteligível e acessível, e corrigir
os normativos que se revelaram desajustados na sua aplicação prática, quer do
ponto de vista social, quer do ponto de vista constitucional e legal.

Do novo regime de reparação dos acidentes de trabalho e das doenças


profissionais, destacam-se, pela sua importância, os seguintes aspetos:
1. O conceito de acidente de trabalho passa a abranger o acidente que se
verifique nos trajetos normalmente utilizados pelo trabalhador, bem como o
acidente ocorrido fora do local de trabalho quando no exercício do direito de
reunião ou de atividade de representante dos trabalhadores, nos termos
previstos no Código do Trabalho;

2. Reconhece à família do trabalhador sinistrado o direito a apoio


psicoterapêutico, sempre que necessário;

Documento: D7 Páá giná 43 de 59


Certificação Nº. C 364

2. Prevê a atribuição de pensão calculada nos termos aplicáveis aos casos em


que não haja atuação culposa do empregador, quando o acidente tenha
sido provocado pelo empregador, representante ou entidade por aquele
contratada, ou resultar de incumprimento de regras de segurança e saúde
no trabalho;

3. Reconhece ao beneficiário legal do sinistrado o direito ao pagamento de


transporte sempre que for exigida a sua comparência em tribunal;

4. Prevê que a reabilitação e reintegração profissional e a adaptação do posto


de trabalho sejam garantidas ao trabalhador vítima de acidente de trabalho,
cabendo ao empregador assegurar a sua ocupação e criar condições para a
sua integração no mercado de trabalho;

5. Consagra a atribuição ao sinistrado de um subsídio para a frequência de


ações no âmbito da reabilitação profissional;

6. Estabelece o direito a pensão por morte do sinistrado a pessoa que tenha


celebrado casamento declarado nulo ou anulado, bem como, a exclusão de
pessoa que tenha sido excluída da sucessão por indignidade e deserdação;

7. Elimina a regra que determina que a pensão por acidente de trabalho só


pode ser revista nos 10 anos posteriores à sua fixação, passando a permitir
a sua revisão a todo o tempo;

8. Altera o regime de remição de pensões;

9. Regula a prestação de trabalho a tempo parcial e da licença para formação


ou novo emprego de trabalhador vítima de acidente de trabalho;

11. Estabelece e desenvolve regras relativas à intervenção do serviço


público competente para o emprego e formação profissional no processo
de reabilitação profissional dos trabalhadores.

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Certificação Nº. C 364
Âmbito de atuação no caso de acidente de trabalho

O QUE É UM ACIDENTE DE TRABALHO?


(art.8.º da Lei 98/2009)

 Para que um acidente de trabalho conduza ao direito à reparação, tem


necessariamente que ser classificado como “acidente de trabalho”, o que
significa, reunir um conjunto de características que se encontram devidamente
elencadas na legislação.
 Assim, um acidente de trabalho é considerado como tal, sempre que se
observem os seguintes “requisitos”:
 Acidente ocorrido no local de trabalho;
 Acidente ocorrido no tempo de trabalho;
 Acidente em que se verifique um nexo de causalidade (direita ou
indireta) entre a atividade laboral e a lesão corporal, perturbação
funcional ou doença de que resulte a morte ou a redução na capacidade
de trabalho ou de ganho.

O QUE SE ENTENDE POR LOCAL DE TRABALHO PARA EFEITOS DE DEFINIÇÃO


DE ACIDENTE DE TRABALHO?
(art.8.º, número 2 da Lei 98/ 2009)

 No âmbito dos requisitos acima mencionados, importa ter presente as


definições que a legislação estabelece para «local de trabalho». Assim:
 Por local de trabalho entende-se todo o lugar em que o/a trabalhador/a se
encontra ou se dirige em virtude do seu trabalho e em que esteja, direta ou
indiretamente, sujeito ao controlo do empregador.

O QUE SE ENTENDE POR TEMPO DE TRABALHO PARA EFEITOS DE DEFINIÇÃO


DE ACIDENTE DE TRABALHO?
(art.8.º, número 2 da Lei 98/ 2009)

 Por tempo de trabalho considera-se não só o período normal de trabalho, mas


igualmente o tempo despendido antes e depois desse período em atos de
preparação e término do trabalho, relacionados com a execução do trabalho
propriamente dita, bem como as pausas normais no trabalho e as interrupções
forçosas que aconteçam no desenvolvimento da atividade laboral.

Documento: D7 Páá giná 45 de 59


Certificação Nº. C 364
ALÉM DESTES REQUISITOS A LEGISLAÇÃO CONSIDERA OUTRAS SITUAÇÕES
PARA EFEITOS DE DEFINIÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO?
(art.9.º da Lei 98/ 2009)

 Tendo em consideração a grande multiplicidade de momentos e fases que


envolvem o ato de trabalhar, a legislação considera equiparadas a acidente de
trabalho, para efeitos de reparação, as seguintes situações:
o O acidente ocorrido no trajeto (chamado acidente in itinere) de ida de
casa para o local de trabalho e de regresso do local de trabalho a casa;
o O acidente ocorrido na execução de serviços espontaneamente
prestados e de que possa resultar proveito económico para o
empregador;
o O acidente ocorrido no local de trabalho e fora deste, quando no
exercício do direito de reunião ou de atividade de representante dos
trabalhadores, nos termos previstos no Código do Trabalho;
o O acidente ocorrido no local de trabalho, quando em frequência de
curso de formação profissional ou, fora do local de trabalho, quando
exista autorização expressa do empregador para tal frequência;
o O acidente ocorrido no local de pagamento da retribuição, enquanto o/a
trabalhador/a aí permanecer para tal efeito;
o O acidente ocorrido no local onde o/ trabalhador/a deve receber
qualquer forma de assistência ou tratamento em virtude de anterior
acidente e enquanto aí permanecer para esse efeito;
o O acidente ocorrido em atividade de procura de emprego durante o
crédito de horas para tal concedido por lei aos/às trabalhadores/as com
processo de cessação do contrato de trabalho em curso;
o O acidente ocorrido fora do local e tempo de trabalho na execução de
qualquer serviço determinado ou consentido pelo empregador.

PARA EFEITOS DO ACIDENTE EM TRAJETO SER CONSIDERADO ACIDENTE DE


TRABALHO, QUAIS SÃO OS REQUISITOS QUE TÊM QUE SER OBSERVADOS?
(art.9.º, número 2 da Lei 98/ 2009)

 O acidente em trajeto para ser considerado como acidente de trabalho, deve


reunir dois requisitos fundamentais:
 Ocorrer no percurso normalmente utilizado pelo/a trabalhador/a entre a sua
casa e o seu local de trabalho;
Documento: D7 Páá giná 46 de 59
Certificação Nº. C 364
 Ocorrer durante o período de tempo habitualmente gasto pelo/a trabalhador/a
em tal deslocação.

QUAIS AS SITUAÇÕES ESPECÍFICAS DE TRAJETO QUE SÃO CONSIDERADAS


PARA EFEITOS DE ACIDENTE DE TRABALHO?
(art.9.º, números 2 e 3 da Lei 98/ 2009)

 O conceito de acidente de trajeto para ser considerado acidente de trabalho,


abrange as seguintes situações específicas de trajeto:
 Entre qualquer dos seus locais de trabalho, no caso do/a trabalhador/a ter mais
do que um emprego;
 Entre a residência habitual ou ocasional do/a trabalhador/a e as instalações do
seu local de trabalho;
 Entre a residência (habitual ou ocasional) ou o local de trabalho e o local do
pagamento da retribuição;
 Entre a residência (habitual ou ocasional) ou o local de trabalho e os locais
onde ao/à trabalhador/a deva ser prestado qualquer forma de assistência ou
tratamento devido a anterior acidente;
 Entre o local de trabalho e o local de refeição;
 Entre o local de trabalho habitual ou residência (habitual ou ocasional) e
qualquer outro local onde o/a trabalhador/a tenha de prestar serviço por
incumbência da entidade patronal.

São, ainda, abrangidos os acidentes ocorridos no trajeto, mesmo que este


tenha sofrido interrupções ou desvios determinados por necessidades
atendíveis do/a trabalhador/a, bem como por motivo de força maior ou por
caso fortuito;

QUANDO É QUE SE CONSIDERA QUE DETERMINADA LESÃO É CONSEQUÊNCIA


DE ACIDENTE DE TRABALHO?
(art.10.º da Lei 98/ 2009)

 A lesão que é constatada no local e no tempo de trabalho ou nas situações


atrás referidas – acidente de trajeto – presume-se que é consequência do
acidente de trabalho.
 No entanto, se a lesão não se manifestar imediatamente após a ocorrência do
sinistro, deve o/a trabalhador/a sinistrado ou os seus beneficiários legais –
familiares – provar que essa lesão foi consequência do acidente de trabalho.

Documento: D7 Páá giná 47 de 59


Certificação Nº. C 364
QUEM SÃO OS BENEFICIÁRIOS DA REPARAÇÃO DE ACIDENTES DE
TRABALHO?
(art. 2.º e 3.º da Lei n.º 98/2009)

 Em caso de acidente de trabalho, têm direito à reparação de danos o/a


trabalhador/a sinistrado/a e, em caso de acidente mortal, os seus familiares e
beneficiários legais.
 De acordo com a legislação assiste o direito à reparação os/as trabalhadores/as
por contra de outrem de qualquer atividade profissional, independentemente de
ser explorada com fins lucrativos ou não.
 No caso dos/as trabalhadores/as por conta de outrem, o direito à reparação
abrange:
o Os/as trabalhadores/as vinculados/as por contrato de trabalho ou
equiparado;
o Os praticantes, aprendizes, estagiários e demais situações de formação
profissional;
o Os/as trabalhadores/as que se presumem na dependência económica da
pessoa à qual prestam serviços.

QUEM É O RESPONSÁVEL PELA REPARAÇÃO DO ACIDENTE DE TRABALHO?


(art. 7.º da Lei 98/ 2009)

 O responsável pela reparação e pelos encargos decorrentes de acidente de


trabalho, bem como pela manutenção no posto de trabalho após o acidente,
nos termos previstos na legislação, é a entidade patronal, ao serviço da qual
o/a trabalhador/a teve um acidente de trabalho.
 Significa portanto, que todos os encargos relativos à reparação, reabilitação e
reintegração profissional são responsabilidade da entidade patronal ao serviço
da qual o/a trabalhador/a sofreu o acidente no desenvolvimento da sua
atividade profissional.

COMO É QUE SE ASSEGURA A REPARAÇÃO DE ACIDENTES DE TRABALHO?


(art. 79.º da Lei 98/2009)

 O empregador é obrigado a transferir a responsabilidade pela reparação para


entidades legalmente autorizadas a realizar o seguro de acidentes de trabalho.
 Assim, a entidade patronal encontra-se obrigada a realizar um seguro de
acidentes de trabalho dos/as trabalhadores/as ao seu serviço,

Documento: D7 Páá giná 48 de 59


Certificação Nº. C 364
independentemente do vínculo contratual que liga o/a trabalhador/a à
empresa.
 A obrigação imposta não abrange a administração central, regional e local e as
demais entidades, na medida em que os respetivos funcionários e agentes
encontram-se abrangidos pelo regime de acidentes em serviço.

COMO É QUE OS/AS TRABALHADORES/AS SABEM SE A ENTIDADE PATRONAL


CUMPRE AS SUAS OBRIGAÇÕES EM MATÉRIA DE SEGURO DE ACIDENTES DE
TRABALHO?
(art. 177.º da Lei 98/ 2009)

 O/A trabalhador/a pode verificar da existência do seguro de acidentes de


trabalho através dos recibos de retribuição que devem, obrigatoriamente,
identificar a empresa de seguros para a qual o risco se encontra transferido.
 Além disso, a legislação dispõe sobre o dever da entidade patronal fixar, nos
respetivos estabelecimentos e em lugar visível para conhecimento de todos/as
os/as trabalhadores/as, as disposições legais relativas aos acidentes de
trabalho.

APÓS A OCORRÊNCIA DE ACIDENTE DE TRABALHO QUAL É O PRIMEIRO


PROCEDIMENTO FORMAL A ADOTAR COM VISTA À REPARAÇÃO?
(art. 86.º da Lei 98/2009)

 O trabalhador/a sinistrado/a ou os beneficiários legais, em caso de morte,


devem participar o acidente de trabalho, verbalmente ou por escrito ao
empregador, nas 48 horas seguintes, salvo se este o tiver presenciado.
 Se o estado do/a trabalhador/a sinistrado ou outra circunstância, devidamente
comprovada, não permitir o cumprimento da participação no prazo das 48
horas, o prazo passa a conta-se a partir da cessação do impedimento.
 Se a lesão resultante do acidente se revelar ou for reconhecida depois do
acidente, o prazo conta -se a partir da data da revelação ou do reconhecimento
dessa lesão.

Documento: D7 Páá giná 49 de 59


Certificação Nº. C 364
PODE O EMPREGADOR DESCONTAR NA RETRIBUIÇÃO DO/A TRABALHADOR/A
OS ENCARGOS RESULTANTES DA REPARAÇÃO DOS ACIDENTES DE
TRABALHO?
(art.13.º da Lei 98/ 2009)

 Negativo. O empregador não pode, de forma alguma, descontar qualquer


quantia na retribuição do/a trabalhador/ao seu serviço como forma de
compensação pelos encargos resultantes do regime de reparação.
 São considerados, pois, nulos quaisquer acordos estabelecidos nesse sentido
entre o trabalhador/a e o empregador. Os encargos ficam, neste sentido,
totalmente a cargo do empregador.

QUANDO É QUE UM ACIDENTE NÃO DÁ DIREITO A REPARAÇÃO?


(art. 14º, 15º e 16º da Lei 98/2009)

 Não há direito à reparação do acidente, ou seja, o empregador não tem que


reparar os danos decorrentes do acidente, nas seguintes situações:
o Quando o acidente for provocado de forma intencional pelo
trabalhador/a sinistrado/a;
o Quando for consequência direta de um comportamento, ato ou omissão
que viole, sem justificação, as condições de segurança estabelecidas
pela entidade empregadora ou as previstas na legislação –
incumprimento das medidas de segurança e saúde no trabalho. No caso
do acidente de trabalho resultar do não cumprimento das normas legais
de segurança e saúde no trabalho ou das medidas estabelecidas pelo
empregador nesta matéria, considera-se que a violação das condições
de segurança é justificada, se o/a trabalhador /a, não tenha tido
conhecimento delas ou que tenha manifestamente dificuldade no seu
entendimento. Nestes casos, há pois que aferir o grau de instrução do/a
trabalhador/a e o seu acesso à informação.
o Quando resultar exclusivamente de conduta negligente e grosseira do
trabalhador/a sinistrado/a;
o Quando resulta da privação permanente ou acidental do uso da razão
do trabalhador/a sinistrado, nos termos da Lei Civil, salvo se tal privação
derivar da própria prestação do trabalho, se for independente da
vontade do/a trabalhador/a sinistrado/a ou se a entidade empregadora,

Documento: D7 Páá giná 50 de 59


Certificação Nº. C 364
ao ter conhecimento do seu estado, mesmo assim consinta a prestação
do trabalho;
o Quando resultar de caso de força maior (resultantes de forças
inevitáveis da natureza);
o O acidente ocorrido na prestação de serviços eventuais ou ocasionais,
de curta duração, a pessoas singulares, em atividades que não tenham
por objeto a exploração lucrativa, exceto nas situações em que o
acidente resulte da utilização de máquinas ou outros equipamentos
especialmente perigosos.

O QUE ACONTECE SE O ACIDENTE DE TRABALHO RESULTAR DA ACTUAÇÃO


CULPOSA DO EMPREGADOR?
(art.18.º da Lei 98/ 2009)

 Nas situações em que o acidente resulta de uma atuação culposa ou da


violação das normas de segurança e saúde no trabalho por parte da entidade
patronal (seu representante ou entidade por aquele contratada e por empresa
utilizadora de mão-de-obra) dá lugar a um agravamento da responsabilidade
que se traduz no facto da responsabilidade pela indemnização passar a
abranger a totalidade dos prejuízos patrimoniais e não patrimoniais - sofridos
pelo/a trabalhador/a e seus familiares, nos termos gerais da responsabilidade
civil, sem prejuízo da responsabilidade criminal que os responsáveis possam
incorrer;
 A legislação, a este propósito, acresce que independentemente da
indeminização de todos os danos - patrimoniais e não patrimoniais - e das
demais prestações devidas em caso de acidente de trabalho (por atuação não
culposa), é ainda devida uma pensão anual ou indemnização diária, com o
objetivo de reparar a redução da capacidade de ganho ou a morte.

ESTA PENSÃO ANUAL TEM REGRAS ESPECÍFICAS PARA A FIXAÇÃO DE


MONTANTES?
(art.18.º, n.º 4 da Lei 98/ 2009)

 Esta pensão anual é fixada segundo as seguintes regras especiais:


o Nos casos de incapacidade permanente absoluta para todo e qualquer
trabalho, ou incapacidade temporária absoluta ou morte, a pensão será

Documento: D7 Páá giná 51 de 59


Certificação Nº. C 364
fixada num valor igual à retribuição auferida pelo/a trabalhador/a
sinistrado/a;
o Nos casos de incapacidade permanente absoluta para o trabalho
habitual, a pensão será fixada num valor compreendido entre 70% e
100% da retribuição, conforme a maior ou menor capacidade residual
para o exercício de uma outra profissão;
o Nos casos de incapacidade parcial, permanente ou temporária, o valor
da pensão é fixado tendo por base a redução da capacidade resultante
do acidente.

COMO É QUE É DETERMINADA E GRADUADA A INCAPACIDADE RESULTANTE


DE ACIDENTE DE TRABALHO?
(art.19.º, 20.º, 21.º da Lei 98/ 2009)

 O acidente de trabalho pode determinar:


o Incapacidade temporária para o trabalho:
 Parcial
 Absoluta
 Incapacidade permanente para o trabalho:
o Parcial
 Absoluta para o trabalho habitual
 Absoluta para todo e qualquer trabalho
 A incapacidade é determinada de acordo com a Tabela Nacional de
Incapacidades por Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais.
 O grau de incapacidade resultante de um acidente é sempre definido por um
coeficiente expresso em percentagem sendo o grau de incapacidade expresso
pela unidade (igual a 1) correspondente à incapacidade permanente absoluta
para todo e qualquer trabalho.
 Este coeficiente de incapacidade é determinado em função da natureza e da
gravidade da lesão, do estado geral do trabalhador/a sinistrado/a, da sua idade
e profissão, bem como da maior ou menor capacidade residual para o exercício
de outra profissão compatível, bem como todas as demais circunstâncias que
possam interferir na sua capacidade de trabalho ou de ganho.

QUAIS AS PRESTAÇÕES GARANTIDAS EM CASO DE ACIDENTE DE TRABALHO?


(art.23.º da Lei 98/ 2009)

 O direito do/a trabalhador/a à reparação por acidente de trabalho compreende


dois grupos de prestações:

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o Em espécie que se traduzem em prestações de natureza médica,
cirúrgica, farmacêutica, hospitalar e quaisquer outras, seja qual for a
sua forma, desde que necessárias e adequadas ao restabelecimento do
estado de saúde e da capacidade de trabalho ou de ganho do sinistrado
e à sua recuperação para a vida ativa;
o Em dinheiro que se traduz em indemnizações, pensões, prestações e
subsídios previstos na legislação.

QUAIS SÃO AS MODALIDADES DAS PRESTAÇÕES EM ESPÉCIE?


(art. 25.º da Lei 98/2009)

 As Prestações em espécie compreendem:


o A assistência médica e cirúrgica, geral ou especializada, incluindo todos
os elementos de diagnóstico e de tratamento que forem necessários,
bem como as visitas domiciliárias;
o A assistência medicamentosa e farmacêutica;
o Os cuidados de enfermagem;
o A hospitalização e os tratamentos termais;
o A hospedagem;
o Os transportes param observação, tratamento ou comparência a atos
judiciais necessários no âmbito do processo;
o O fornecimento de ajudas técnicas e outros dispositivos técnicos de
compensação das limitações funcionais, bem como a sua renovação e
reparação, mesmo em consequência de deterioração por uso ou
desgaste normais.
o Os serviços de reabilitação e reintegração profissional e social, incluindo
a adaptação do posto do trabalho;
o Os serviços de reabilitação médica ou funcional para a vida ativa;
o Apoio psicoterapêutico, sempre que necessário, à família do sinistrado.
A assistência inclui, ainda, a assistência psíquica quando reconhecida
necessária pelo médico assistente.

QUAIS SÃO AS MODALIDADES DAS PRESTAÇÕES EMDINHEIRO?


(art. 47.º da Lei 98/2009)

 As Prestações em dinheiro compreendem:


o A indemnização por incapacidade temporária para o trabalho;
o A pensão provisória;

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o A indemnização em capital e pensão por incapacidade permanente para
o trabalho;
o O subsídio por situação de elevada incapacidade permanente;
o O subsídio por morte;
o O subsídio por despesas de funeral;
o A pensão por morte;
o A prestação suplementar para assistência de terceira pessoa;
o O subsídio para readaptação de habitação;
o O subsídio para a frequência de ações no âmbito da reabilitação
profissional necessárias e adequadas à reintegração do trabalhador/a
sinistrado/a no mercado de trabalho.

EM CASO DE OCORRÊNCIA DE ACIDENTE DE TRABALHO QUAL É A 1ª ACÃO A


SER TOMADA?
(art. 26.º da Lei 98/2009)

 Na ocorrência de um acidente de trabalho, necessariamente, que devem ser


tomadas todas as medidas de prestação dos primeiros socorros ao
trabalhador/a, mesmo que o acidente tenha ocorrido nos moldes, mencionados
anteriormente, que não conferem o direito à reparação.
 Assim, o empregador deve, pois, assegurar os imediatos e indispensáveis
socorros médicos e farmacêuticos, bem como o transporte do trabalhador/a
sinistrado/a para o local onde possa ser clinicamente socorrido.

QUE DIREITOS ASSISTEM AO/À TRABALHADOR/A SINISTRADO/A EM MATÉRIA


DE ASSISTÊNCIA CLÍNICA E DURANTE O PERÍODO DE TRATAMENTO?
(art. 28º - número 2, art. 32º - número 3, art. 33º , art. 36º e art. 41.º -
número 2 da Lei 98/2009)

 Assiste ao/à trabalhador/a sinistrado/a os seguintes direitos:


o Direito de recorrer a qualquer médico para o assistir, nos casos
referidos na resposta anterior;
o Direito de recusar uma intervenção cirúrgica quando, pela sua natureza
ou estado do sinistrado, esta for suscetível de colocar em risco a sua
vida;
o Direito a escolher o médico-cirurgião nos casos em que tenha que ser
submetido a uma intervenção cirúrgica de risco elevado e nos casos e
que possa correr, como consequência dessa intervenção, risco de vida;

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o Direito de não se conformar e de contestar as resoluções do médico
assistente, o que significa que tem o direito em consultar um outro
médico por forma a obter uma 2ª opinião clínica sobre o seu estado de
saúde ou necessidades de tratamento;
o Direito em receber, em qualquer momento e a seu pedido, a cópia de
todos os documentos respeitantes ao seu processo, designadamente o
boletim de alta e os exames complementares de diagnóstico que se
encontrarem em poder da seguradora;
o Direito ao fornecimento de ajudas técnicas e a outros dispositivos
técnicos de compensação funcional.

QUAIS OS DEVERES DO/A TRABALHADOR/A SINISTRADO/A?


(art. 3.º da Lei 98/2009)

 O/a trabalhador/a sinistrado/a tem o dever de se submeter ao tratamento e a


todos as prescrições clínicas e cirúrgicas necessárias à cura da lesão ou da
doença e à recuperação da capacidade de trabalho, prescritas pelo médico
assistente, sem prejuízo do seu direito em auscultar uma segunda opinião
médica.
 De se notar que nos casos em que se verifica um agravamento do dano ou da
incapacidade, resultantes da recusa injustificada ou do incumprimento das
prescrições médicas, a indemnização devida pode ser reduzida ou eliminada.
 Assim, não obstante o direito à consulta de uma segunda opinião clínica, o/a
trabalhador/ a tem o dever de se submeter ao tratamento e às prescrições
clínicas e cirúrgicas do médico designado pela seguradora, sob pena da
indeminização que lhe é devida pelo acidente ser reduzida ou mesmo
eliminada.

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Bibliografia

AA VV. Acidentes de trabalho: saiba como agir, Guia prático, Ed. UGT, 2012

AA VV., Compilação de dados estatísticos sobre sinistralidade laboral e doenças


profissionais em Portugal, Ed. UGT, 2012

AA VV., Manual de higiene e segurança no trabalho, Programa de formação


PME, AEP

AA VV., Participação dos Trabalhadores na Segurança e Saúde no Trabalho:


Guia Prático, Ed. Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho,
2012

AA VV., Qualificação de Técnicos Superiores de Higiene e Segurança no


Trabalho: Manual de Formação, Ed. Associação Industrial Portuguesa –
Confederação Empresarial, 2007

Espiga, M., Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho: textos de apoio , Ed.


CECOA

Sites Consultados

ACT – Autoridade para as condições de trabalho


http://www.act.gov.pt

Agência Europeia de Higiene e Segurança no Trabalho


https://osha.europa.eu/pt

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Certificação Nº. C 364

O Portal da Construção
http://www.oportaldaconstrucao.com

Legislação

Lei nº 98/ 2009, de 4 de Setembro


Regulamenta o regime de reparação de acidentes de trabalho e de
doenças profissionais

Lei n.º 102/2009, de 10 de Setembro


Regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho

Lei n.º 3/2014, de 28 de janeiro


Procede à segunda alteração à Lei n.º 102/2009, de 10 de setembro,
que aprova o regime jurídico da promoção da segurança e saúde no
trabalho

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CONCLUSÃO

A organização dos serviços de segurança, higiene e saúde no trabalho na


Administração Pública está regulamentada pela Lei 59/2008, de 11 de Setembro
(Artigos 221.º a 229.º do Regime e 132.º a 204.º do Regulamento, sobre segurança,
higiene e saúde no trabalho).

Assim sendo, consideramos que a existência de condições de segurança, higiene e


saúde no trabalho é um pilar importante para a valorização e dignificação pessoal e
profissional dos nossos trabalhadores.

Julgamos importante também salientar que para obtermos progressos nesta matéria é
necessário responsabilizar todos os intervenientes neste processo, contando com a sua
motivação, participação e envolvimento para a prevenção de acidentes de trabalho e
doenças profissionais.

A lei prevê que a par da responsabilidade das entidades empregadoras, os


trabalhadores também devem colaborar cumprindo com os seus deveres nesta
matéria, nomeadamente respeitando a regulamentação e instruções de segurança,
adotando procedimentos de trabalho seguros, utilizando os equipamentos de proteção
distribuídos e comunicando quaisquer situações de trabalho perigosas para a sua
segurança e saúde bem como para com terceiros.

O serviço de Segurança e Higiene no Trabalho deve prosseguir os objetivos definidos


no artigo 156º e assegurar, nomeadamente, as atividades contempladas no artigo
157º, ambos do Regulamento aprovado pela Lei 59/2008 de 11 de Setembro.

Nomeadamente:

 Proporcionar condições de trabalho que permitam a segurança e a saúde dos


trabalhadores;

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 Diminuir a sinistralidade de forma a reduzir o número de situações de
incapacidades, dias de trabalho perdidos e consequentes custos económicos e
sociais resultantes;
 Garantir que os fatores prejudiciais do ambiente de trabalho, nomeadamente
agentes de natureza química, física e biológica, não ultrapassem níveis de
exposição que possam colocar em risco a saúde dos trabalhadores;
 Promover a informação, formação, consulta e participação dos trabalhadores e
seus representantes.

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