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Física I para Engenharia

1º Semestre de 2014

Instituto de Física- Universidade de São Paulo

Aula – 3 Leis de Newton

Professor: Valdir Guimarães

E-mail: valdirg@if.usp.br
Reversão temporal e leis da física
Um carro faz uma curva enquanto mantém uma velocidade constante.
Há alguma força resultante sobre o carro enquanto este faz a curva?

1. Não, sua velocidade é constante

2. Sim.

3. Depende da curvatura da curva e da velocidade do carro


Um carro em uma montanha russa desce o trilho mostrado abaixo.
Enquanto o carro desce para além do ponto mostrado, o que ocorre com
sua velocidade e aceleração na direção do movimento?

1. Ambas decrescem

2. A velocidade decresce, mas a aceleração aumenta

3. Ambas permanecem constantes

4. A velocidade aumenta, mas a aceleração decresce

5. Ambas aumentam

6. Outro
Primeira Lei de Newton: Lei da Inércia

 Um corpo em repouso permanece em repouso a não ser que uma


força externa atue sobre ele.
 Um corpo em movimento continua em movimento com rapidez
(velocidade) constante e em linha reta a não ser que uma força
externa atue sobre ele.
 A Lei da Inércia não faz distinção entre objeto em repouso ou em
movimento
. com velocidade constante

Referenciais Inerciais:
Se não há forças atuando sobre um corpo, qualquer referencial no
qual a aceleração do corpo permanece zero é um Referencial Inercial.
Usando a Primeira Lei de Newton e o conceito
de Referenciais Inerciais, podemos definir
uma Força como uma influência externa, ou
ação, sobre um corpo que provoca uma
variação de velocidade do corpo, isto é,
acelera o corpo em relação a um referencial
inercial.

Assim, podemos testar se um referencial é


inercial quando na ausência de forças um
corpo está em repouso ou em movimento
retilineo uniforme.

A Terra é um bom referencial inercial ?


A Terra é um Referencial Inercial ?

2r
v
T
v2
ac 
r
2 6,4 x10 6
v m/ s
24 x60 x60
v  465m / s  1674 km / h
465 2
ac  m / s 2

Raio da Terra ~ 6400 km 6,4 x10 6


Período de rotação = 24 horas ac  0,034 m / s 2
Segunda Lei de Newton
 
Fres  ma
A aceleração de um corpo é diretamente 
proporcional à força resultante que atua  Fres
sobre ele e o inverso da massa do corpo é a a
constante de proporcionalidade.
m
 
Fres   F
Uma força resultante de 1N em uma massa de 1 kg fornece uma
aceleração de 1 m/s2.
1N  (1kg )(1m / s 2 )  1kg  m / s 2
Massa
Os corpos resistem a serem acelerados. Essa propriedade intrínsica da
matéria é chamada de massa do corpo. É uma medida da inércia do corpo.
Força e Quantidade de Movimento

Vamos definir um novo conceito que é a Quantidade de


Movimento Linear (ou Momento Linear) de uma partícula.

 
p  mv unidades: kg.m/s

Derivando-se esta expressão, temos:

   a massa foi suposta constante.


dp d (mv ) dv 
 m  ma
dt dt dt
  definição de Newton para a
dp sua segunda lei.
Fres 
dt
Terceira Lei de Newton: Lei da Ação e Reação

Quando dois corpos interagem entre si,


a força exercida pelo corpo B sobre o
corpo A tem a mesma magnitude e o
sentido oposto ao da força exercida
pelo corpo A sobre o corpo B.

 
FBA   FAB
Interações Fundamentais da Natureza:

 Interação Gravitacional – interação de longo alcance entre partículas


devida às suas massas (através de grávitons).

 Interação Eletromagnética – interação de longo alcance entre


partículas eletricamente carregadas (através de fótons).

 Interação Fraca – interação de curtíssimo alcance entre partículas


subnucleares (através de bósons W e Z). Foi unificada com a
eletromagnética, passando a se chamar eletrofraca.

 Interação Forte – interação de curto alcance entre hádrons (quarks)


que mantém unidos prótons e neutrons formando os núcleos atômicos
(através de mésons e glúons).
Pendulo de torção e medida da Gravitação Universal

 mM
F G 2
r
Forças de contato e interação à distância

 As forças que observamos no dia-a-dia envolvem interações


gravitacionais e eletromagnéticas.

 As forças de contato são de origem eletromagnética.

 Interações à distância agem através de campos produzidos no


espaço. Sendo que estes agem sobre os objetos.
Forças Elásticas: Molas

Quando uma mola é esticada ou comprimida, ela reage


com uma força que é proporcional à sua deformação.
(Lei de Hooke)
Fx  kx

Onde k é uma constante de proporcionalidade


positiva, chamada de constante elástica

interações moleculares
podem ser simuladas
por forças elásticas.
Forças de contato: Sólidos

Se uma superfície é empurrada, ela empurra de


volta.
Na região de contato, a roda empurra o solo,
com uma força vertical, comprimindo a distância
entre as moléculas na superfície do solo.
As moléculas comprimidas empurram de volta a
roda.
Esta força perpendicular às superfícies de
contato, é chamada de Força Normal.

Ao mesmo tempo existe uma outra força de contato, que é paralela à


superfície e impede o deslizamento relativo entre as superfícies.
Esta força é chamada de Força de Atrito.
Exemplo

Um jogador de basquete de 110 kg segura o aro enquanto enterra a bola.


Ele fica suspenso no aro, que é defletido de 15 cm em sua parte frontal.
Suponha que o aro possa ser aproximado por uma mola e calcule a sua
constante elástica.
  
Fmola  kxˆj Fpeso  mgˆj Fpeso
x
  
Fx  Fg  0 Fmola
kx  mg  0
k  0,15  110  9,8
k  7,2 x103 N / m
Princípio da Superposição

Força é uma grandeza vetorial

Se duas ou mais forças individuais atuam simultaneamente sobre


um corpo, o resultado é como se uma única força, igual a soma
vetorial das forças individuais, atuasse no lugar das forças
individuais.

Força resultante
  
Fres  F1  F2  
Exemplo
Uma partícula de 0,40 kg de massa está submetida simultaneamente a
duas forças  
F1  2,0iˆ  4,0 ˆj F2  2,6iˆ  5,0 ˆj
Se a partícula está na origem e parte do repouso em t=0, encontre a
sua posição e velocidade em t= 1,60 s.

F res   F  F 1  F 2  (4,6iˆ  1,0 ˆj ) N

Fres
Aceleração a  (11,5iˆ  2,5 ˆj )m / s2
m
  
Velocidade v  v0  at  (18,4iˆ  4,0 ˆj )m / s
   12
posição r  r0  v0t  at  (14,7iˆ  3,2 ˆj )m
2
Exemplo

Voce está à deriva no espaço, afastado de sua nave. Porém, voce tem uma
unidade de propulsão que fornece uma força constante por 3,0 segundos.
Após 3,0 s voce se moveu 2,25 m. Se sua massa é 68 kg, encontre o valor
da força.
Como a força é constante, a aceleração
também é constante
1 2
x  x0  v0t  at 2x
2 a  2  0,50m / s 2
1 2 t
x  at
2
Força

F  maiˆ  (68kg )(0,50m / s 2 )iˆ  34 Niˆ
Forças de contato: Fios

 Fios são usados para puxar coisas. Podemos pensar em um fio como uma
mola de constante elástica muito alta, cuja elongação seja desprezível.
 Fios são flexíveis e não servem para empurrar.
 A magnitude da força que um segmento do fio exerce sobre outro é
chamada de Tensão (T).
 A massa do fio e o seu atrito, em geral são supostos desprezíveis.
 Fios em geral permitem a alteração da direção de aplicação de forças.
Exemplo
Um trenó é puxado por uma força de 150 N aplicada com um ângulo de 25°
em relação à horizontal. Considere a massa do trenó 80 kg e que o atrito
seja desprezível. Encontre a aceleração do trenó e a magnitude da força
normal exercida pelo gelo sobre o trenó. 
   Fn
Fn  P  T  0


Na direção y: Fn  mg  T sin 25  0 P

Na direção x: T cos 25  Fres _ x  max Tsinq

ax  1,7m / s 2 Tcosq

Fn  mg  T sin 25  7,2 x10 2 N


Exemplo

Voce necessita descarregar uma caixa frágil, usando uma


rampa. Se a componente vertical da velocidade da caixa ao
atingir a base for superior a 2,5 m/s, a caixa se quebra.
Qual é o maior ângulo que permite um descarregamento
seguro? A rampa tem 1 m de altura.

Em y: Fn  mg cosq  0
Em x: mg sin q  Fres  max ax  g sin q

vx2  2ax x  2 g sin qx  2 gh vx  2 gh

sin qx  h  1m
vx
vb  vx sin q  2 gh sin q  qmax  34,4
Exemplo

Enquanto o seu avião rola na pista, voce decide determinar sua


aceleração, tomando o seu ioiô (40,0g) e vendo que, suspenso, o cordão
faz um ângulo de 22,0° com a vertical.
a) Qual é a aceleração do avião?
b) Qual é a tensão no cordão? Tcosq
   Tsinq
T  P  ma
mg
Em y: T cosq  mg  0 T
cosq
Em x: T sin q  max

ax  g tan q  3,96m / s 2
mg
sin q  max mg
cosq T  0,423 N
cosq
Exemplo Um montanhista cai acidentalmente de uma
geleira e fica dependurado por uma corda presa a
seu companheiro. Antes do segundo fazer uso de
seu piquete, ele escorrega sem atrito pelo gelo.
Encontre a aceleração de cada montanhista e a
tensão na corda.

as  a p  a      

T1  T2  T Fn  Ps  T1  ms as Pp  T2  m p a p
Em x: Em y:
T  ms a mp g  T  mp a
mp ms m p
a g T g
ms  m p ms  m p
Um montanhista cai acidentalmente de uma
geleira e fique dependurado por uma corda presa
a seu companheiro. Antes do segundo fazer uso
de seu piquete, ele escorrega sem atrito pelo
gelo. Encontre a aceleração de cada montanhista
e a tensão na corda.
   
Sergio Fn  Ps  T1  ms as
Em x T  ms g sin q  ms a
  
Sergio Paulo Paulo Pp  T2  m p a p
mp g  T  mp a

as  a p  a ms sin q  m p
a g
T1  T2  T ms  m p
ms m p
T (1  sin q ) g
ms  m p
Um astronauta está construindo uma
estação espacial e empurra uma caixa de
massa m1 com um força F. A caixa está em
contato com uma segunda caixa de massa
m2. (a) qual a aceleração das caixas; (b)
qual a magnitude da força que cada caixa
exerce sobre a outra?
a1  a2  a
 
F21  F12  F12
F
Caixa 1 Caixa 2
 a
    m1  m2
F  F21  m1a1 F12  m2 a2
m2
F  F12  m1a F12  m2 a F12  F
m1  m2
1
m2  M
10 9
m2  M
9 1 10
m1  M m1  M
10 10

9 1
T  m1a x  Ma T  m1a x  Ma
10 10
1 9
 T  Mgsenq  m2 a  T  Mgsenq  m2 a
10 10
9 1 1 1 9 9
 Ma  Mgsenq  Ma  Ma  Mgsenq  Ma
10 10 10 10 10 10
1 9
a  gsenq a  gsenq
10 10
Atrito

Objetos comuns que parecem lisos, são ásperos e corrugados em


escala atômica. Quando as superfícies entram em contato, elas se
tocam apenas nas saliências (asperezas). Assim, apenas algumas
moléculas de sua superfície interagem quimicamente (atração
eletromagnética) com as moléculas do corpo vizinho. Essas interações
são responsáveis pelas forças de atrito.
Atrito Estático

 Atrito estático é a força de atrito que atua quando não existe


deslizamento entre as duas superfícies em contato.
 Ele se opõe ao movimento relativo entre as superfícies.
 É proporcional às forças que pressionam as duas superfícies entre si.

FN

f emax  e Fn
μe é o coeficiente
de atrito estático

 
fe P
Atrito Estático

fe_max é um limite superior para a força de atrito estático. Além


deste limite, as interações químicas se rompem, permitindo o
movimento relativo entre as superfícies.

f e  e Fn
μe é o coeficiente
de atrito estático

A orientação da força de atrito


estático é tal que se opõe à
tendência dos deslizamentos.
Atrito Cinético
Se o esforço entre as superfícies for alto, pode
haver movimento relativo. Nestas circunstâncias
haverá um atrito entre as superfícies, chamado de
atrito cinético (de deslizamento) que se opõe ao
movimento.
Este atrito é também proporcional às forças de
interação entre as superfícies.
f c  c Fn
μc é o coeficiente
de atrito cinético

c  e
A orientação da força de
atrito é tal que se opõe à
tendência dos deslizamentos.
f e  e Fn

f c  c Fn
f e  Faplicada
Atrito Estático e Cinético

c  e
Exemplo

Em um jogo de Curling, o jogador lança uma pedra na forma de disco (massa=


0,40 kg) que está inicialmente em repouso. A pedra parte inicialmente com uma
rapidez de 8,5 m/s e desliza por uma distância de 8,0 m antes de parar.
Encontre o coeficiente de atrito cinético entre a pedra e o chão.
    
Fn  Fg  f c  Fres  ma

Direção y: Fn  mg  0 Fn  mg
Direção x:  f c  Fx _ res  max
f c  max Usando Torricelli, temos:

c Fn  max v 2  v02  2ax x


c mg  max 0  v02  2c gx
a x   c g v0  2c gx
2
c  0,46
Exemplos

Uma moeda foi colocada sobre a capa de um livro, que está sendo aberto
progressivamente. O ângulo θmax é o ângulo que a capa forma com a horizontal,
quando a moeda começa a se mover. Encontre o coeficiente de atrito estático
entre a capa e a moeda.
no limite quando      
a moeda começa Fn  P  f e  Fres  ma  0
a se mover

Direção x: Fn  mg cosq  0
fe  Fn tan q
Direção y: f e  mg sin q  0

mas: f e  e Fn

No limite de escorregamento e  tan qmax


Exemplos

Duas crianças estão sentadas em um trenó em repouso. Voce começa a puxá-las


por uma corda que faz um ângulo de 40° em relação à horizontal. A massa total
das crianças é 45 kg e do trenó 5 kg. Os coeficientes de atrito estático e
cinético são 0,20 e 0,15. Encontre a força de atrito entre o trenó e a neve e a
aceleração do trenó, se a tensão na corda for (a) 100 N e (b) 140 N.

no limite quando     
começa a se mover Fn  P  f  T  ma  0

em y: Fn  T sin q  mg  0
Fn  T sin q  mg
em x:  f e  T cosq  0 Antes de se mover

 fe  T cosq  max se movendo

Verificar se a condição é estática f e  e Fn ou f e  e Fn


Fn  T sin q  mg
fe  T cosq Antes de se mover

Para T= 100 N
T cosq  77 N
f e _ max  e Fn  e (T sin q  mg)  85 N fe  T cosq  e Fn

Para T= 140 N
T cosq  107 N
f e _ max  e Fn  e (T sin q  mg)  80 N
Temos que considerar atrito cinético
 fe  T cosq  0 fcin  c Fn  75N
 f cin  T cosq  ma
T cosq  f cin 107  75
a   0.64m / s 2
m 50
Atrito
Problema da pirâmide

F  mg sin q  f e  m(0)  0
FN  mg cosq  0

no limite de se mover
f e  f e _ max  e Fn
f e  e mg cosq

Para bloco de m=2000 kg


e=0,40 e q=52 graus F  mg sin q  f e  0
F=2,027x104 N F  mg sin q  e mg cosq  0
Se cada pessoa pode carregar F  mg sin q  e mg cosq
686 N então precisamos 30 operários
Forças de arraste

Quando um objeto se move através de um fluido, este


exerce uma força de arraste, que se opõe ao movimento
do objeto.
A força de arraste depende da forma do objeto, das
propriedades do fluido e da rapidez do objeto em
relação ao fluido.
Tipicamente a força de arraste é do tipo Fa=bvn , onde b
é uma constante.
Porém, para pequenas velocidades, n= 1.
Na medida que o objeto cai, sua
mg  bvn  ma velocidade aumenta, até que a
Considere um objeto aceleração se torne nula,
largado do repouso, atingindo uma velocidade limite vl.
b n
caindo no ar. ag v  mg 
1/ n
m vl   
 b 
Exemplo

Um para-quedista de 64 kg cai com uma rapidez terminal de 180 km/h, com seus
braços e pernas estendidos. (a) Qual a magnitude da força de arraste, sobre o
para-quedista? (b) Se n=2, qual é o valor de b?

(b) Valor de b
(a) Velocidade constante
Força de arraste Fa  bv2
Fa  mg
mg
Fa  628 N b  2  0,251kg / m
v
Exemplo

Sua massa é de 80 kg e voce está sobre uma


balança presa ao piso de um elevador. Qual a
leitura da escala quando
(a) o elevador está subindo com uma aceleração
para cima de magnitude a;
(b) o elevador está descendo com uma
aceleração para baixo de magnitude a’;
(c) o elevador está subindo a 20 m/s e sua   
rapidez diminui a uma taxa de 8,0 m/s2? Fn  P  ma
A indicação da balança é dada pela força normal

Fn  mg  ma (c) Aceleração para baixo

(a) Fn  m( g  a) Fn  m( g  8,0)
(b) Fn  m( g  a) Fn  1,4 x10 2 N
Exemplo

Um quadro pesando 8,0 N é suspenso por dois fios com tensões T1 e T2.
Determine cada tensão.

Em equilibrio = Força resultante é zero


   
T1  T2  P  ma  0

Na direção x: T1 cos30  T2 cos 60  0


Na direção y: T1 sin 30  T2 sin 60  P  0

T1 cos30 T1 cos30 T1  4,0 N


T2  T1 sin 30  sin 60  P
cos 60 cos 60 T2  6,9 N
Atrito de Rolamento

Os materiais reais (pneus e estradas) estão


continuamente se deformando, o que gera calor e
portanto dissipação de energia. Assim, existe uma
força de atrito de rolamento, que se opõe ao
movimento e depende da dissipação de energia.

f r  r Fn
μr é o coeficiente de
atrito de rolamento

Valores típicos para μr são de 0,01 a


r  c  e
0,02 entre pneus de borracha e Forças de atrito de rolamento são
concreto e 0,001 e 0,002 entre rodas frequentemente desprezadas.
de aço e trilhos de aço.