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Pedro Manuel Ramos

Formação Desportiva

A Periodização do Treino…
Do Futebol de Formação à Competição

Grupos de Debate e Opinião: “ROULOTE LEONINA” – “VIRITIS VALLUM”


Pedro Manuel Ramos
Formação Desportiva

Do Futebol de Formação à competição

Macrociclo, Mesociclo e Microciclo

Grupos de Debate e Opinião: “ROULOTE LEONINA” – “VIRITIS VALLUM”


Pedro Manuel Ramos
Formação Desportiva

«A PERIODIZAÇÃO DO TREINO»

A periodização do treino representa o sistema por meio do qual se arquitecta um modelo de


desenvolvimento estruturado em ciclos, em cada um dos quais as cargas são aplicadas de forma que
os mecanismos que provocam a adaptação sejam favorecidos.
A periodização do treino assenta, por um lado, no facto de que a capacidade de carga que um
atleta é capaz de tolerar exibe um limite superior num balizado momento do seu preparo e, por
outro, na comprovação de que as cargas pré-competitivas e as próprias competições, em face do
seu carácter intensivo, possibilitam fortalecer rapidamente a “forma” desportiva.
No entanto, esse procedimento não se amplia de forma contínua e sequenciada. Os atletas não
conseguem tolerar de maneira sucessiva o seu melhor nível de rentabilidade. As consequências
geradas nos sistemas biológicos pelas cargas intensivas máximas e competitivas afrontam limites na
adaptação do organismo. Desse modo, o preparo estimula uma regressão no rendimento que acaba
por tornar necessária a utilização de etapas adequadas para a recuperação e a adaptação durável
da competência funcional.
Sendo assim, parece claro que a construção periódica pela qual se empregam as cargas de
treino e as cadências biológicas constitui-se no ponto-chave que torna possível a sincronização
necessária para cada caso entre as funções biológicas e as cargas de treino.
Nessa conjunção, o que se designa por “forma” assume-se no meio mais relevante do processo,
isto é, conseguir que o praticante adquira o seu auge de eficiência e benefício. Nessa linha define-
se a “forma” desportiva como o estado de vocação ideal do atleta para conquistar os proveitos
desportivos, a qual atinge em confinadas condições em cada “Macrociclo” de treinamento (anual ou
semestral). Esse estado de “forma” é balizado a partir de uma série de indicadores fisiológicos,
psicológicos e de sujeição clínica.
Cabe realçar que a “forma” desportiva deve ser percebida de maneira vasta e universal na
medida em que é edificada a partir de perspectivas que, se bem rematadas entre si, são distintamente
diferenciadas. Caracteriza-se como uma unidade harmônica emblemática de todos os ingredientes
que originam a propensão óptima do praticante: a física, a psíquica, a técnica e a táctica.

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Por sua vez, outra particularidade da “forma” desportiva é o seu temperamento empreendedor.
À medida que o atleta vai aperfeiçoando as suas performances individuais e colectivas, a condição
de uma superior disposição enceta variações tanto em função dos integrantes quantitativos como
dos qualitativos. Dessa forma, os desfechos conquistados nas circunstâncias reais de competição são
transformados nos sinais fundamentais do estado da “forma desportiva”.
Na sua evolução, os estados de “forma” são adquiridos em fases, por meio das quais se examina
a sua afinidade com a obtenção de resultados (vitórias) desportivas. Essa organização periódica
ajusta-se aos modelos conservadores de periodização do treino desportivo:

a) Fase de desenvolvimento;
b) Fase de conservação;
c) Fase de perda.

a) Fase de Desenvolvimento
Ocorre com a fase preparatória, assim como com os primários anos de percurso desportivo
de um praticante, por intermédio do qual o desportista constrói a sua aptidão de produtividade.
Nessa etapa, são aplicadas as cargas mais gerais e é, pois, mais uma etapa de formação que de
aquisição de rentabilidade exclusiva em que se garante a subida do nível funcional geral do
organismo, a evolução multifacetada dos atributos físicos e a criação dos alicerces motores
insubstituíveis.

b) Fase de Conservação ou Estabilização


Esta fase caracteriza-se pela segurança limitada da forma desportiva que concorre com o
momento em que o jovem atleta praticante adquire o seu melhor grau de forma. É custoso
prognosticar com rigor a sua durabilidade, porque sujeita-se da forma de ambientação de cada
atleta aos incentivos da preparação. Em todo o caso, cabe evidenciar que certas variações nos
proveitos desportivos são forçosos. Isto é, as variações endógenas do estado funcional do organismo
fazem com que, em confinadas conjunturas, a competência do atleta seja restringida.
Além disso, tem de se considerar que o estado ideal não pode ser mantido ininterruptamente.
Para alguns especialistas, ele pode ser preservado durante uma fase de seis a sete semanas, a partir
da qual se principia um período de privação necessário para fornecer um novo ciclo com
expectativas de renovados estados de forma resplêndidos.

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c) Fase de Perda
Esta derradeira fase distingue-se pela mudança da vocação dos métodos de apropriação, que
gera, como desfecho, uma escassez na aptidão de rentabilidade. Por sua vez, a fase de perda
estabelece um estádio de mutação indispensável a fim de gerar estados propícios para uma nova
situação de adaptação. Nela, sobrevêm os métodos de recuperação essenciais após as etapas de
preparação intensa realizadas na fase prévia de progresso.
A partir dessas imposições, é possível apreender melhor em que grau a periodização do treino
desempenha uma “habilidade” organizada fundamental para ir regulando a forma física do
praticante ao longo de um ciclo anual ou plurianual. De facto, o propósito estratégico reside em
compatibilizar o crescimento da forma desportiva e os períodos de apronto. Assim, descobriríamos
as sequentes ligações de equilíbrio:

Período de Período

Desenvolvimento  Preparatório

Período de Período de

Estabilização  Competições

Período de Período de

Perda  Transição

Desse modo, as etapas de evolução da forma desportiva são transformadas na principal


premissa da periodização do treino. Por isso, a formação, a conservação e a perda da forma
desportiva são a consequência dos poderes das cargas de treino, cujo cariz modifica-se em função
e em obediência do desenvolvimento da forma desportiva. Assim, olhamos as seguintes afinidades
entre os períodos de construção da forma física e os períodos de treino:

Unidades de periodização

Os ciclos que estruturam a periodização do treino desportivo são definidos de acordo com a
função que desempenham, embora a sua tipologia seja determinada a partir da sua duração. Há três
estruturas temporais:

a) Macrociclo: a sua duração diversifica-se de três a seis meses, e até de um a vários anos, como
nos períodos das grandes competições (Jogos Olímpicos, Campeonatos do Mundo e da
Europa, etc.);
b) Mesociclo: a sua duração poderá ser de três a seis semanas;

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c) Microciclo: a sua duração pode variar de quatro a cinco dias a uma semana, e, inclusive, até
duas ou três semanas.

A. Macrociclo

Consisti numa sequência ininterrupta de vários ciclos menores, como são os mesociclos, e o
seu propósito está concentrado no aperfeiçoamento da forma desportiva individual e colectiva. Cada
Macrociclo reconhece-se pelo fim a que se propõe, pelas tarefas e pela natureza dos conteúdos
(cargas) a ele relacionados. Geralmente, a planificação das UT’s (unidades de treino) estabelece três
grandes macrociclos:

Um macrociclo preparatório;
Um macrociclo competitivo;
Um macrociclo de transição.

A.1) Macrociclo preparatório


O seu intento fundamental está centralizado no melhoramento da aptidão funcional do
praticante e evidencia-se por um acréscimo das cargas de treino. Os exercícios usados são,
basicamente, de cariz genérico e de pouca consequência específica, tendo em consideração a sua
baixa intensidade. Consiste, pois, numa fase em que se arma o praticante para tolerar cargas
exclusivas e veementes das etapas imediatamente sequentes. Escrito de outra maneira, nesse tempo
de preparação, o praticante “carrega as suas baterias biológicas” para, futuramente, agir em elevada
intensidade.
Na derradeira parte final do macrociclo preparatório, suaviza-se as cargas gerais,
favorecendo as condições mais pegadas às da competição, a fim de aprontar a passagem para o
macrociclo imediato, o competitivo. Sempre que o preparo obtido no macrociclo preparatório é
acertada, no final desse período, o praticante está apto a render a um nível próximo ou igual ao
alcançado na época antecedente. Na medida em que se actua com volumes altos de carga é
necessário estar vigilante aos tempos de recuperação essenciais para que os graus de cansaço sejam
compensadores e não levem a uma carência irreparável da competência desportiva.

A.2) Macrociclo competitivo


O pretendido cardeal do macrociclo competitivo é desenvolver e fixar a eficácia a fim de
alcançar-se o melhor resultado colectivo e individual nas competições onde estejam envolvidos.
Segundo padrão universal, determinou-se que um praticante adquire a sua melhor forma entre seis
a dez semanas após o começo do macrociclo competitivo.

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Nesta fase do preparo anual do praticante, as cargas são essencialmente de natureza


específica, e as competições têm um papel capital. De facto, a presença em competições constituí
um dos ingredientes fundamentais das UT’s (unidades de treino), e, por isso, essa envolvência deve
ser vigiada apropriadamente.
Assim, igualmente deve considerar-se que, no grau em que as competições influenciam esse
período de apresto, entra-se numa etapa de labuta muito mais desimpedida e sujeita a permutas
contínuas, pedindo celeridade para não se desperdiçar a hipótese de seguir esmerando a aptidão do
praticante. Esse é a possibilidade da vinda de lesões, tempos de recuperação por moléstia, acúmulo
de competições num período singular, dilemas psicológicos, físicos, técnicos, etc. Ora, a planificação
das UT’s (unidades de treino) encontra-se muito mais subordinada nesse macrociclo do que no
preparatório. Os conteúdos do treino devem modelar-se em todos os contextos executáveis, e o
técnico necessita dispor dos abrigos indispensáveis para projectar e organizar as sessões de trabalho
de forma que perpetuem situações benéficas para que entrem em jogo as estruturas de ajuste. Como
resultado, o praticante deve prosseguir desenvolvendo as suas performances técnicas e físicas ao
seu melhor nível.
Nessa fase, as cargas são enérgicas, e o volume das sessões de UT’s (unidades de treino)
encurta, particularmente nas modalidades de força explosiva. Nas modalidades de resistência, esse
corte do volume é inferior, na dimensão em que se solicita sempre uma base consistente da
capacidade aeróbia. Na fase em que são efectuadas as grandes competições, igualmente é
recomendável limitar a intensidade das sessões de trabalho (unidades de treino).

A.3) Macrociclo de transição


O macrociclo de transição tem como fim o de reequilibrar o sistema após um ciclo em que o
praticante tenha exercido a sua vivacidade até ao limite. Por isso, seguidamente a um macrociclo
competitivo em que se haja um imenso estafe psíquico e físico, é inevitável antever a renovação por
uma fase de retoma activa, a qual consiste no que denominamos de macrociclo de transição.
Este macrociclo naturalmente é curto (no máximo 4 semanas), e o seu propósito deve ser o
restabelecimento do praticante para que possa voltar a esforçar-se com uma maior intensão.
Os macrociclos de transição encontram-se obrigatoriamente no planeamento geral
concebidos pelo técnico e dividido em duas fases distintas. Podem ser usados como ponte
(conjugação) entre dois subperíodos cúmplices a um macrociclo competitivo; nesse caso, a sua
duração não costuma ser maior que 10 dias. Podem, igualmente ser usados como ponte entre dois
planeamentos anuais de treino; nessa possibilidade, com uma longevidade maior (entre três e quatro
semanas).

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Durante essas fases, age-se com graus de intensidade comedida e usa-se dar primazia à
aplicação de movimentações gerais e inespecíficas como métodos de trabalho adequados do que se
sabe como retoma activa.

B) Mesociclo

Os mesociclos integram os ciclos de preparação intermédios e têm uma durabilidade que


flutua entre três e seis semanas. A partir deles é que se obtém o ajuste dos conteúdos das UT’s.
Sempre que se aliam três ou quatro mesociclos, encontramo-nos com um macrociclo, e cada um
deles necessita concentrar uma sucessão de intuitos abstractos que carecem de ter uma linha de
subsequência entre si.
No seguinte quadro, distingue-se os distintos propósitos que poderiam caracterizar alguns
mesociclos ajustáveis aos planos anuais de preparação.
A sequência dos mesociclos durante um definido ciclo está influenciado pelos intentos a serem
alcançados em cada caso, o tempo disponível para as UT’s e o nível real do praticante. Para que as
cargas de treino sejam eficientes, precisam ser afeitas de tal modo que se previna ao máximo a
repetência de cargas invariáveis e de pequena intensidade durante etapas de tempo expandidos. Por
isso, os distintos microciclos que formam um mesociclo carecem seguir-se de acordo com esse
imperativo essencial.
No seguimento do escrito, exponho uma série de modelos de mesociclos em função das
características dos microciclos que os compõem.

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CARACTERIZAÇÃO DE DIFERENTES MESOCICLOS

TIPO DE MESOCICLO OBJECTIVO CONTEÚDOS


Essencialmente, os meios de
Regeneração preparação geral.
Mesociclo Inicial
Formação Geral Intensidade média e volume de
carga baixa
Melhora do nível funcional, factores
de rendimento, acentuação do Meios de preparação orientados.
Mesociclo de Base desenvolvimento de certas Carga óptima nos planos
capacidades básicas. qualitativos e quantitativos.
Aprendizagem
Meios de preparação específicos.
Transformação dos níveis de
Mesociclo de Desenvolvimento Acentuação dos meios de
rendimento para um nível superior.
recuperação.
Mesociclo de Controlo Verificação do nível atingido Competições secundárias - testes.
Melhora dos pontos fracos,
Meios de preparação específicos e
Mesociclo de Aperfeiçoamento correcção e estabilização do nível da
especiais, carga óptima.
capacidade de novos factores.
Cargas de preparação competitivas.
Construção de forma desportiva.
Competições, intensidade elevada;
Mesociclo de Competição Aperfeiçoamento das componentes
medidas de regeneração e
competitivas.
recuperação.
Exercícios especiais que permitam
Depois de ciclo de competição: elevar o nível dos factores de
Mesociclo Intermediário Tipo A trabalho de factores de base. rendimento de carácter competitivo.
Correcção dos pontos fracos. Volume importante, porém pouco
intenso.
Regeneração e estabilização da
Utilização dos exercícios gerais.
capacidade de rendimento quando o
Mesociclo Intermediário Tipo B Diminuição da carga de trabalho e
período de competição é
utilização dos meios regenerativos.
prolongado.
Desenvolvimento óptimo da forma e
Consequência lógica dos conteúdos
do conjunto de factores
depois dos ciclos anterior.
Mesociclo Pré-Competitivo determinantes do rendimento e da
Carga elevada em relação ao
sua estabilização.
objectivo principal.
Preparação do objectivo principal.
Recuperação física e mental depois
Descanso activo inespecífico.
do ciclo de competições.
Mesociclo de Transição Manutenção física, volume baixo,
Fase de transição até um novo ciclo
intensidade muito reduzida.
de desenvolvimento.

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C) O Microciclo

Os microciclos possibilitam orientar com rigor o praticante para o propósito previsto. Por isso,
tornam-se na célula básica da preparação e, a partir deles, guiam-se os métodos de adaptação. Na
generalidade dos casos, a dinâmica interna dos microciclos está adaptada a uma cadência de faina
semanal, ainda que arrisquem organizar-se também em etapas inferiores (três, quatro ou cinco
dias), e até superiores (10, 12 ou 14 dias). Dessa forma, o microciclo apoia-se em duas teses
basilares:

 Na regra de alternância das cargas;


 Na conservação de uma conexão estável e apropriada entre carga e recuperação a fim
de alcançar a adaptação do organismo num processo ininterrupto.

CARACTERIZAÇÃO DO MICROCICLO
DIA CONTEÚDOS CARGA
1º Velocidade e Força Elevada

2º Velocidade Média

3º Resistência e Velocidade Submáxima

4º Recuperação Activa/Passiva Muito Baixa

5º Velocidade Resistência Submáxima

6º Velocidade Máxima

7º Resistência Geral Baixa

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DIFERENTES EXEMPLOS DE MESOCICLOS DE PREPARAÇÃO

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DINÂMICA DA ALTERNÂNCIA DAS CARGAS NO MICROCICLO

ORGANIZAÇÃO TEMPORAL DA PLANIFICAÇÃO

O planeamento das UT’s executam-se sempre em função de um modelo temporal exclusivo,


isto é, uma organização reservada a cobrir um espaço de tempo delimitado na órbita do praticante.
Por isso, menciona-se planeamentos a curto, médio ou longo prazo, que, apesar de não
particularizem o período de tempo abrangido, determinam uma alusão geral de um tempo
preestabelecido para alcançar determinados objectivos.
A fixação de um balizamento no tempo para alcançar os intentos do preparo institui o
principal passo de um planeamento. De facto a planificação das UT’s, como programa estratégico,
carece desse fundamental modelo temporal, a partir da qual deve-se criar um plano de acção
exclusivo, harmonizado às necessidades.
Os indiciadores mais vantajosos para a fixação desses modelos temporais são, precisamente,
as épocas desportivas (um ano de UT’s) e os períodos das grandes competições…campeonatos do
mundo, da europa e jogos olímpicos (quatro anos), etc..

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ORGANIZAÇÃO DO PLANEAMENTO A CURTO PRAZO

Entende-se por planeamento a curto prazo a construção das UT’s relativo a uma época
desportiva. Essa estrutura de planeamento é a que exibe uma inferior aptidão de projecção do
comportamento e costuma ser usada em fases limitadas de tempo do percurso dos praticantes.

Na regra em que o treino desportivo (não lúdico) é planeado para obter a melhor rentabilidade
e sucesso nos resultados, e a conquista desses intentos exige fases amplas de tempo para que a
competência funcional do praticante progrida de forma firme, a planificação do treino (UT’s) a
curto prazo constitui-se na forma menos adequada para os praticantes que têm como fito
primordial o alto rendimento desportivo. Para os praticantes de elite, a organização de uma época
nunca suporta concretizar-se de forma solitária. Cada uma dessas etapas se integra unicamente
num perlongado método.
Por sua vez, nos atletas mais jovens e nos infanto-juvenis, cujo progresso granjeia-se de um
jeito não tão simples e com um cariz ilimitado (sem restrições, à vontade), o planeamento das UT’s
a curto prazo consente agir com o grau de presteza indispensável para regular o treino às
transformações sucedidas como corolário imediato do progresso do indivíduo, a qual está
condicionada pelo crescimento e pelo desenvolvimento, pela evolução orgânica, pela aprendizagem
e pelo aperfeiçoamento motor.
Todavia, as planificações a curto prazo possibilitam centralizar mais a atenção sobre as
matérias das UT’s e o seu procedimento ao longo das etapas de faina determinadas. Dessa forma, as
variáveis de controlo sobre o método influenciam com um superior nível de competência,
minorando os graus de indeterminação visíveis nos planeamentos com estruturas temporais mais
expandidas.
Mais adiante apresento uma possível direcção de um planeamento a curto prazo relativo a
um período anual de preparação e que, nesse caso, faz referência aos métodos do treino para o
desenvolvimento da força.

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PROJECÇÃO DA PREPARAÇÃO A LONGO PRAZO (UT’s)

Princípio do aumento progressivo das cargas UT’s.


Princípio da periodização das UT’s em ciclos.
PRINCÍPIOS GERAIS
Princípio da continuidade nas cargas das UT’s anuais.
DE PREPARAÇÃO
Princípio da sistematização das UT’s.
Princípio da individualização e da especialização.
A LONGO PRAZO A MÉDIO PRAZO A CURTO PRAZO
VALIDADE
(6-8 ANOS) (3-4 ANOS) (UT’s)
Orientação até ao
treino de alto
rendimento.
Utilização das
possibilidades de
desenvolvimento.
PRINCÍPIO DO Passagem contínua
PROCESSO DE de nível.
São válidos os princípios propostos a longo prazo
ORIENTAÇÃO DO Equilíbrio relativo
TREINO DE JOVENS da capacidade.
Factores
determinantes de
cada fase.
Orientação técnica
de forma
prospectiva.
Relação óptima entre trabalho
geral e específico.
Incremento preponderante do
volume de cargas.
PRINCÍPIO DA Limitação na fase de carga
São válidos os princípios a médio
ORGANIZAÇÃO DAS máxima.
prazo.
CARGAS DAS UT’s Variação das cargas (volume,
intensidade, conteúdo).
Utilização retardada dos
exercícios específicos de
desenvolvimento condicional.
Clareza
Consciência
PRINCÍPIO DA
Estabilidade
METODOLOGIA DO
Compreensão
TREINO DE JOVENS
Sistematização
Motivação

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EXEMPLOS DE MICROCICLOS A LONGO PRAZO

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PLANEAMENTO A MÉDIO PRAZO OU PLURIANUAL

Nas planificações a médio prazo, o modelo temporal usa concentrar-se nos períodos dos
grandes desafios … Campeonatos do Mundo, da Europa e Jogos Olímpicos, etc., que representam
um intercalo de quatro anos sucessivos. Entretanto, em alguns casos, o planeamento a médio prazo
pode não ser organizado para uma fase das grandes competições integral, mas idealizado para
metade desse período. Assim, qualquer preparação que exceda uma época desportiva deve ser
compreendido como um plano a médio prazo.

CARACTERIZAÇÃO DO PLANEAMENTO PARA O TREINO DA FORÇA

Todos os praticantes que galgam o processo de especialização desportiva e que se aprontam


para o alto rendimento carecem de planear as suas UT’s com uma maior projecção futura. Esse é o
entendimento pela qual os frutos do treino mostram uma maior consistência e equilíbrio, o que leva
a uma beneficiação dos fins.
A cada dia é maior o número de competições a que cada praticante está obrigado a participar,
face às calendarizações impostas pelas várias Federações e Associações. Como resultado, a cada dia
são mais reduzidos os intervalos de tempo que distanciam uma prova de outras.

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Assim, os praticantes já de nível médio/alto estão obrigados a competir em grandes


competições com pouco tempo entre elas para planear adequadamente as suas UT’s. Esse é o caso
das modalidades em que os campeonatos mundiais e europeus são efectuados com dois anos de
intervalo entre eles, e até mesmo um ano.
Por isso, o planeamento a médio prazo (pelo menos dois anos) tem-se transformado na
organização mais subordinada nas modalidades de médio/alto rendimento em conformidade com
as convenções com que, hoje em dia, se deparam os praticantes com os seus objectivos individuais
e colectivos muito bem definidos.

ORGANIZAÇÂO DO PLANEAMENTO A LONGO PRAZO

O planeamento a longo prazo é empregue com raciocínios distintos tendo em consideração o


nível do praticante. Assim, no caso de praticantes experimentados, ele tem em conta intervalos que
abarquem no mínimo um ciclo olímpico de quatro anos. No entanto, esse planeamento deve ser
valorizado pelos praticantes de nível (escalões) inferiores ou em fase de formação, englobando dois
tipos de atletas:

 Praticantes infanto-juvenis e em fase formação; e…


 Praticantes de nível médio/alto em processo de alto rendimento desportivo.

a) O Planeamento a Longo Prazo para Praticantes Infanto-Juvenis (fase de formação)

Neste caso, a planificação da UT’s a longo prazo transforma-se na organização essencial que
preserva o método da especialização desportiva ao longo do qual os jovens vão conquistando o grau
de formação e amadurecimento indispensável para encarar com garantias de êxito a etapa
subsequente, que viabilize o alto rendimento (competição). Então, o planeamento a longo prazo
obtém uma grandeza cuja fundamental particularidade é a sua aptidão de ajuste às razões
aparecidas em todo o processo de desenvolvimento e crescimento humano (não exclusivamente
aquelas que influenciam directamente na competência prática do indivíduo, mas igualmente as que
determinam o ambiente social e cultural em que este se encontra em demarcada circunstância).
Assim, gostaria de expor de jeito modesto uma possível direcção para uma série de objectivos
num processo que se revela de grande complexidade:

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Formação Desportiva

 Desenvolvimento dos consequentes escalões infanto-juvenis;


 Obtenção de um elevado grau de especialização (aprendizagem);
 Aplicação de um elevado volume de cargas (UT’s);
 O fortalecimento da saúde em ponderação às razões biológicas de evolução;
 Evitar o stress causado nas UT’s e na própria competição;
 Ajudar na aprendizagem de hábitos saudáveis de vida, levando a um harmonioso e
sustentado crescimento dos jovens atletas.

A próxima figura exibe uma sugestão para o procedimento dos distintos aspectos que
interferem no planeamento a longo prazo, no qual, além das competições e das cargas, se atenta
também o método de especialização.
Logo, a metodologia da preparação desportiva orientada até á rentabilidade expressa
continuamente uma especialização crescente ao longo da qual é alcançada uma sucessão de
propósitos por etapas, de modo a que o treino dos jovens se transforme numa lógica de preparação
ordenada delineada a longo prazo com a finalidade de adquirir o supremo proveito desportivo nos
anos em que se tem a competência máxima para tal.

1ª FASE: Preparação de base (dos 8 aos 14 anos)

Os alicerces do treino (preparação inicial) educa as razões práticas para incrementar no


futuro a máxima rentabilidade realizável. Para isso, necessitam ser reflectidas a normalidade
biológica e pedagógica do crescimento de tão tenros praticantes e os requisitos fundamentais da
modalidade desportiva.

O PROCEDIMENTO DOS DISTINTOS PERFIS DO PLANEAMENTO A LONGO PRAZO

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Formação Desportiva

2ª FASE: Preparação de formação (dos 14 aos 18 anos)

Nesta fase, são engendrados os apoios exclusivos da eficiência (técnica, competência


subordinada à coordenação motoras, métodos de acompanhamento) para a especialização no
futebol, ou noutro grupo de modalidades desportivas e de índole colectivas. As consequências devem
ser alcançadas como corolário de um labor geral e pedagógico.

3ª FASE: Preparação de conexão (dos 18 aos 20 anos…)

Nesta fase, incrementa-se o requisito exclusivo para a aquisição de um elevado rendimento


individual e colectivo. Os jovens praticantes treinam de forma singular e personalizada (gesto
técnico), com um máximo grau de metodização e uma prescrição com sentido único…, o alto
rendimento desportivo.
Em conformidade com os raciocínios que necessitam ser seguidos para estruturar a
periodização das UT’s dos jovens praticantes, é essencial destacar que, nesse caso, são mais definidos
pelo grau de especificidade do nível de rendimento e das fases de crescimento biológico que pela
calendarização das competições.
Numa primária etapa, não é essencial seguir um modelo de periodização, pois em nenhuma
altura da época o jovem praticante carece de estar em forma. As competições, devem, e são,
incrementadas com prudências de formação e, com base nessa premissa, devem ser resguardados
das disputas patenteadas com uma robusta natureza competitiva e selectiva.
Numa secundária etapa, deverá seguir-se um método de periodização ajustado às causas da
vida regular dos jovens praticantes.
Nesse contexto e para essa etapa de formação, apresento uma organização de evolução
consentânea com as imposições da calendarização académica. Mais especificamente, proponho um
grande macrociclo anual repartido em vários mesociclos, levando em apreciação os períodos de
férias académicas e as competições previstas na calendarização da época desportiva.
Na terceira etapa de formação, na qual se prima pelo crescimento metódico das aptidões
exclusivas, pelas cargas impostas nas UT’s e pelo alargamento da vivacidade competitiva, deve-se
aproveitar o modelo de periodização já exposto (capítulo: A Periodização do Treino).

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Formação Desportiva

DINÂMICA DOS RESULTADOS DESPORTIVOS


Período Anual e a sua Provável Conexão com as Fases de Evolução da Forma Desportiva

Resultado desportivo relacionado ao nível anual médio (em %)


Fases de Desenvolvimento da Forma Desportiva
EI = Etapa Intermediária
NM = Nível Médio dos Resultados Desportivos do Ano

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Formação Desportiva

MODELO DE PERIODIZAÇÃO
Para a Segunda Etapa de Formação de Jovens Praticantes

b) O Planeamento a Longo Prazo (para praticantes experientes)

Correspondente ao referido previamente, sempre que a planificação a longo prazo é


idealizada para um praticante de alta eficiência desportiva, está-se a pensar num tempo de acção
de, no mínimo, um ciclo olímpico. Inclusivamente, muitos dos praticantes de elite estruturam as
suas UT’s numa óptica de dois ciclos olímpicos.
Nesses casos, a dificuldade principal está em saber regular as matérias e as cargas a utilizar
nas UT’s para que se satisfaça o imperativo da ambientação como o meio que gera a progressão do
rendimento desportivo. Portanto, essas etapas plurianuais a longo prazo preservam uma estrutura
interna com base na propensão ondulatória, exclusiva dos macrociclos, mesociclos e microciclos,
de acordo com o princípio da periodização em proposta, isto é, uma formação organizada por etapas
nas quais o nível funcional do praticante passa por fases de formação, estabilização e perda de
forma.
É importante observar que a tendência geral é uma baixa significativa do rendimento
desportivo no ano subsequente às grandes competições. Assim, a quebra do rendimento desportivo
no intervalo pós-grandes eventos seria comparável ao período de perda de forma, típico de qualquer
metodização de periodização.
Ao longo deste despretensioso e humilde escrito fui expondo diferentes propostas de
organização de um planeamento para um, ou mais, ciclos de grandes competições…, Campeonatos
do Mundo, Europa e Jogos Olímpicos. A dinâmica de trabalho ao longo destes períodos (4 em 4
anos) e salvo uma melhor opinião deve estar apoiada nos seguintes pressupostos de
desenvolvimento:

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Pedro Manuel Ramos
Formação Desportiva

 Nos dois primeiros anos, serão concretizados etapas de cariz anual, nos quais necessitam ser
dilatadas as fases de preparação. A organização das UT’s deve ser orientada para que
sobrevenha um crescimento do nível geral das aptidões praticáveis, assim como novas
imposições técnico-tácticas.
 No terceiro ano, precisam ser realçadas as essências indispensáveis, mais exclusivas, dos
conteúdos a incorporar nas UT’s e do método, bem como os formatos competitivos.
 No quarto ano, realiza-se o modelo testado ao supremo nível de eficiência possível.

Por outro lado sugiro outra variável morfológica para os ciclos plurianuais, alicerçado nos
seguintes princípios:

 O efeito das UT’s e o volume das mesmas no que ao treino especial da força, diz respeito vão
de forma progressiva aumentando até ao terceiro ano do ciclo, iniciando-se, aí e, de forma
gradual, o abrando das cargas até então impostas.
 O desenvolvimento do nível funcional, no quarto ano, conquista-se com a alteração do efeito
do grau da carga de força utilizada nas UT’s.
 E quanto ao volume de labor concentrado na preparação técnica, segue-se uma filosofia
distinta. Nos primários anos, teima-se no aperfeiçoamento das bases basilares para o
aprimoramento técnico. No terceiro ano, o volume do intuito técnico encolhe e, no quarto
ano, retorna a crescer.

Todavia, os dilemas mais relevantes que ressaltam em todo o planeamento a longo prazo, como é o
caso dos ciclos das grandes competições, acham-se localizados na complexidade de agir em fases
tão latas de tempo. Nomeadamente no que se liga às posturas imprescindíveis para transformar o
método de apresto numa sequência eficaz com objectivos de apropriação funcional.

UMA POSSÍVEL DIRECÇÃO NA APLICAÇÃO DE SUGESTÕES DE TAREFAS

 Crie fichas técnicas dos conteúdos a utilizar nas UT’s;


 Pratique leituras exclusivas, querendo descobrir carizes de rentabilidade próprias de
distintas modalidades desportivas;
 Estruture os mesociclos similares ao estádio pré-competitivo de género opcional. O primeiro,
de três dias, e o segundo, de sete dias. É essencial pormenorizar as matérias a empregar nas
UT’s de forma perceptível para balizar e confrontar os informes principais de cada caso.

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Pedro Manuel Ramos
Formação Desportiva

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