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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCACAO, CIENCIA E TECNOLOGIA

Rede Industrial
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SUMÁRIO
1. OBJETIVO ......................................................................................................................................5
2. CONCEITOS BÁSICOS..................................................................................................................5
2.1- Rede de Computadores..............................................................................................................5
2.2- Classificação das Redes.............................................................................................................5
2.3- Topologias ................................................................................................................................6
2.4- Comunicação de Dados .............................................................................................................7
2.4.1- Tipos de ligação entre computadores: .................................................................................7
2.4.2- Sentido de Comunicação: ...................................................................................................7
2.5- Taxa de Transmissão .................................................................................................................8
2.5.1- Exemplo .............................................................................................................................8
2.6- Dispositivos de Comunicação....................................................................................................8
2.7- Protocolos de Comunicação ....................................................................................................11
2.7.1- Modelo OSI......................................................................................................................12
2.7.2- Método de Acesso ............................................................................................................13
2.8- Sistemas de Comutação...........................................................................................................14
2.8.1- Comutação por Circuitos ..................................................................................................14
2.8.2- Comutação por Mensagens ...............................................................................................15
2.8.3- Comutação por Células (Cell Relay) .................................................................................15
2.8.4- Comutação por Pacotes ....................................................................................................16
2.9- Arquitetura de Rede ................................................................................................................16
2.9.1- Token Ring ......................................................................................................................17
2.9.2- AppleTalk ........................................................................................................................17
2.9.3- ArcNet .............................................................................................................................17
2.9.4- Ethernet............................................................................................................................17
3. TCP/IP ...........................................................................................................................................18
3.1- Pacotes....................................................................................................................................19
3.2- Classificação de Protocolos .....................................................................................................19
3.2.1- Aplicativo.........................................................................................................................19
3.2.2- Transporte ........................................................................................................................20
3.2.3- Rede .................................................................................................................................20
3.2.4- Interface de Rede..............................................................................................................20
3.3- TCP/IP ....................................................................................................................................21
3.3.1- Endereçamento .................................................................................................................21
3.3.2- Endereço IP......................................................................................................................22
3.3.3- Classes de Endereços........................................................................................................23
3.3.4- Endereços Privados e Públicos .........................................................................................24
3.3.5- Registro de Endereços Públicos: .......................................................................................24
3.3.6- Endereços Reservados (Especiais) ....................................................................................25
3.3.7- Atribuição de Rede (Net Id)..............................................................................................25
3.3.8- Atribuição de Host (Host Id).............................................................................................26
3.3.9- Máscara de Sub-Rede .......................................................................................................26
3.3.10- Máscara de Sub-Rede: Padrão ........................................................................................27
3.4- Proxy ......................................................................................................................................27
3.5- Resolução de Nomes de Domínio (DNS).................................................................................28
3.6- DHCP .....................................................................................................................................28
4. CABEAMENTO ESTRUTURADO (CABLING) ..........................................................................29
4.1- Normas Técnicas.....................................................................................................................30
4.2- Cabos ......................................................................................................................................30
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4.2.1- Coaxial.............................................................................................................................30
4.2.2- Par-trançado .....................................................................................................................31
4.2.3- Fibra Óptica .....................................................................................................................32
4.3- Conectorização........................................................................................................................33
4.3.1- Tipos ................................................................................................................................34
4.3.2- Pinagem ...........................................................................................................................35
4.3.3- Cores................................................................................................................................35
4.4- Acessórios...............................................................................................................................35
4.4.1- Patch Panel.......................................................................................................................35
4.4.2- Patch Cord........................................................................................................................36
4.4.3- Station Cord .....................................................................................................................36
4.4.4- Tomadas E Espelhos.........................................................................................................36
4.4.5- Guia de Cabos ..................................................................................................................36
4.4.6- Brackets ...........................................................................................................................36
4.4.7- Régua de Tomadas ...........................................................................................................36
4.4.8- Bastidor (Rack) ................................................................................................................37
4.5- Subsistemas de C.E. ................................................................................................................38
4.5.1- Cabeamento Horizontal ....................................................................................................38
4.5.2- Cabeamento Vertical (Tronco ou Backbone) ....................................................................39
4.5.3- Área de Trabalho (ATR)...................................................................................................40
4.5.4- Sala de Equipamentos (SEQ)............................................................................................41
4.5.5- Armário de Telecomunicações (AT) .................................................................................42
4.5.6- Sala de Entrada de Telecomunicações (SET) ....................................................................42
4.6- Arquitetura de Conexão NO BASTIDOR................................................................................43
4.7- Identificação do C.E................................................................................................................43
4.7.1- Ponto de Telecomunicações (PT)......................................................................................43
4.7.2- Cabeamento......................................................................................................................43
4.7.3- Exemplo ...........................................................................................................................44
4.8- INTERFACES E CONEXÕES ...............................................................................................44
4.8.1- Conectores x Velocidades.................................................................................................44
4.8.2- Sinais de Interface ............................................................................................................44
4.8.3- Interface DTE/DCE ..........................................................................................................45
4.8.4- Interface RS-232 ..............................................................................................................45
5. REDE INDUSTRIAL ....................................................................................................................50
5.1- Redes em Ambientes Industriais..............................................................................................51
5.1.1- Requisitos do Ambiente Industrial ....................................................................................51
5.1.2- IHM .................................................................................................................................52
5.1.3- Sistema em Tempo-Real...................................................................................................52
5.1.4- Redes Abertas ..................................................................................................................53
5.1.5- Redes Proprietárias ...........................................................................................................53
5.2- busca de Padronização em Redes Industriais ...........................................................................54
5.2.1- Projeto PROWAY ............................................................................................................54
5.2.2- Projeto IEEE 802..............................................................................................................54
5.2.3- Projeto MAP (MAP/EPA e MINI-MAP) ..........................................................................54
5.2.4- Projeto TOP .....................................................................................................................55
5.2.5- Projeto FIELDBUS ..........................................................................................................55
5.3- CLASSIFICAÇÃO DAS REDES INDUSTRIAIS ..................................................................55
5.3- MÉTODO DE TROCA DE DADOS.......................................................................................56
5.3.1- Polling..............................................................................................................................56
5.3.2- Cíclica ..............................................................................................................................56
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5.3.3- Mudança de Estado ..........................................................................................................57


5.4- ModeloS DE REDES INDUSTRIAIS .....................................................................................57
5.4.1- Origem/Destino (ponto-a-Ponto) ......................................................................................58
5.4.2- Produtor/Consumidor (Publisher-Subscriber) ...................................................................59
5.4.3- Sistema Digital de Controle Distribuído (SDCD)..............................................................62
5.5- Protocolos de Comunicação ....................................................................................................63
5.5.1- Níveis de Redes Industriais...............................................................................................63
5.5.2- Classificação de Redes de Controle ..................................................................................65
5.5.5- AS-I .................................................................................................................................68
5.5.6- Profibus............................................................................................................................69
5.5.7- Modbus ............................................................................................................................73
5.5.8- Fundation FieldBus ..........................................................................................................77
5.5.9- Rede CANopen ................................................................................................................79
5.5.10- X-10 ...............................................................................................................................81
5.5- Aplicativos de Supervisão .......................................................................................................82
5.6- Aplicações ..............................................................................................................................83
5.6.1- Método Convencional ......................................................................................................84
5.6.2- Método MODBUS ...........................................................................................................84
5.6.3- Método PROFIBUS .........................................................................................................85
5.6.4- Comparações ....................................................................................................................85
6. REFERÊNCIAS.............................................................................................................................86
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1. OBJETIVO

A presente documentação tem por objetivo introduzir o aluno nos conhecimentos


básicos de Rede de Computadores e Redes Industriais de acordo com a disciplina de Rede
Industrial do do IFMT – Cuiabá.

2. CONCEITOS BÁSICOS

2.1- REDE DE COMPUTADORES


É um grupo de computadores interconectados e opcionalmente conectados a um
servidor.

Os usuários executam tarefas a partir de seus computadores. Entre as tarefas podem-


se destacar os bancos de dados, planilhas, editores de texto e impressão.

Os módulos mais importantes de uma rede local são:

• Servidor (Server);
• Estação (Station) ou Terminal.

2.2- CLASSIFICAÇÃO DAS REDES


As redes de computadores podem caracterizar-se quanto à sua dispersão geográfica
em quatro tipos principais que são:

• LAN (Local Area Network):


♦ É o nome que se dá a uma rede de caráter local, e onde estão ligados
alguns sistemas numa área geográfica pequena.
♦ Normalmente uma LAN está enquadrada num escritório ou numa
empresa não dispersa geograficamente.
♦ As tecnologias principais que uma LAN pode utilizar são a Ethernet, o
Token Ring, o ARCNET e o FDDI.
• CAN (Campus Area Network):
♦ É uma rede que usa ligações entre computadores localizados em áreas
de edifícios ou prédios diferentes, como em campus universitário ou
complexo industrial. Deve também usar ligações típicas de LAN ou perde
seu caráter de CAN para tornar-se uma MAN ou WAN.
• MAN (Metropolitan Area Network):
♦ É uma rede de caráter metropolitano que liga computadores numa área
geográfica maior que a abrangida pela LAN mas menor que a área
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abrangida pela WAN.


♦ Uma WAN normalmente resulta da interligação de várias LAN numa
cidade, formando assim uma rede de maior porte, pode inclusive estar
ligada a uma rede WAN.
♦ O termo MAN é também usado para referir a ligação de várias redes
locais, por vezes este tipo de MAN é referida por campus network (CAN).
• WAN (Wide Area Network):
♦ É uma rede de telecomunicações que está dispersa por uma grande área
geográfica.
♦ A WAN distingue-se duma LAN pelo seu porte e estrutura de
telecomunicações.
♦ As WAN normalmente são de caráter público, devido à sua dimensão,
mas podem eventualmente ser privadas e conseqüentemente alugadas.
♦ Duas ou mais redes separadas por uma grande distância e interligadas
são consideradas uma WAN.

2.3- TOPOLOGIAS
Podem ser físicas e lógicas.

• Barramento (Bus):

• Estrela (Star):

• Anel (Ring):
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• Malha (Mesh):

Barramento (Bus) Estrela (Star) Anel (Ring)

2.4- COMUNICAÇÃO DE DADOS

2.4.1- TIPOS DE LIGAÇÃO ENTRE COMPUTADORES:

• Ponto-a-Ponto: apenas dois pontos de comunicação.

• Ponto-Multiponto: 3 ou mais pontos de comunicação, com possibilidade de usar


mesmo enlace (link).

2.4.2- SENTIDO DE COMUNICAÇÃO:

• Simplex: apenas um sentido.

• Half-Duplex: um sentido por vez.


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ou
• Full-Duplex: dois sentidos ao mesmo tempo.

2.5- TAXA DE TRANSMISSÃO


Capacidade de transmissão de informações. Quantidade de dados por um intervalo
de tempo.

Tx = bit seg = bps


• 1 byte = 8 bits
• 1 pacote = ? bytes
• MTU = Maximum Transfer Unit

2.5.1- EXEMPLO

• Seja um equipamento dentro de uma rede de computadores com capacidade


para processar 10 mil pacotes por segundo, verificar se é possível que esse
equipamento suporte 50 computadores dentro dessa rede trabalhando a 25Kbps
cada.

• Seja um dispositivo de rede que processa 2000 pacotes/seg, onde MTU = 200
bytes, qual é a taxa em kbps?

• Caso tenha-se 100 computadores que em média consomem na rede 30Kbps


cada, o dispositivo de rede citado conseguirá processar ao mesmo tempo todos
os dados emitidos por todos os computadores simultaneamente?

2.6- DISPOSITIVOS DE COMUNICAÇÃO


Classificação:

• Ativos: energizados e com processamento.


• Passivos: sem energia e processamento (acessórios).
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Tipos:

• Placa de Rede: computador.

Rede de
Computadores

• HUB: concentrador.

HUB

• Ponte: conecta segmentos de rede.

HUB

Ponte
HUB

• Switch: comutação.

Switch
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• Roteador: controla o encaminhamento de dados sobre a rede.

Switch

Roteador Roteador Switch

REDE

• Modem.

Internet
Switch

Modem

Roteador

• Wi-Fi (Wireless Fidelity).

AP
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Exemplo de diagrama lógico de uma rede:

Roteador WAN

Switch

Switch

AP

2.7- PROTOCOLOS DE COMUNICAÇÃO


Estabelece rigorosamente a forma como o processo de comunicação se deve realizar
para viabilizar a comunicação entre computadores numa rede.

Os protocolos definem tipos de cabos de ligação, comprimentos, conectores, métodos


de acesso ao meio, tamanho de pacotes de informação, encaminhamento; detecção e
correção de erros, retransmissões, compatibilidade entre sistemas, etc.

Existem diversos protocolos, cada um deles mais apropriado para determinado tipo de
rede ou de comunicação.

Vários protocolos trabalham em conjunto no que é conhecido como uma pilha de


protocolos (e.g., TCP/IP e IPX/SPX).

O que ocorre no computador origem:

• Os dados são divididos em pequenos pedaços chamados pacotes para facilitar


a sua manipulação;
• As informações de endereçamento são adicionadas para que o computador de
destino possa ser localizado na rede;
• Os dados são preparados para o envio pela placa de rede e finalmente são
lançados no meio de transmissão.
O que ocorre no computador destino:

• Os pacotes chegam através de um meio físico e são lidos pelo computador


através da placa de rede;
• As informações de endereçamento são removidas dos pacotes e os mesmos
são rearranjados e reunidos;
• Os pacotes já reunidos, na forma dos dados originais, são enviados para a
aplicação que esteja sendo executada nesse computador.
Os protocolos baseiam-se nas camadas do modelo OSI, sendo que a camada na qual
o protocolo trabalha descreve sua função.
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2.7.1- MODELO OSI

• O modelo de referência Open Systems Interconection (OSI) foi desenvolvido


pela ISO como um modelo para a arquitetura de um protocolo de comunicação
de dados entre dois computadores.
• É dividido em 7 camadas funcionais, facilitando assim a compreensão de
questões fundamentais sobre a rede.

A
B

7- Aplicação 7- Aplicação

6- Apresentação 6- Apresentação

5- Sessão 5- Sessão

4- Transporte 4- Transporte

3- Rede 3- Rede

2- Enlace 2- Enlace

1- Física 1- Física

• Camada Física (1)


♦ Compreende as especificações de hardware (Mecânicos, elétricos,
físicos) todos documentados em padrões internacionais.
• Camada de Enlace (2)
♦ Responsável pelo acesso lógico ao ambiente físico, como transmissão e
reconhecimento de erros.
• Camada de Rede (3)
♦ Cuida do tráfego e roteamento dos dados na rede.
• Camada de Transporte (4)
♦ Controla a transferência dos dados e transmissões, isto é executado pelo
protocolo utilizado.
• Camada de Sessão (5)
♦ Estabelece as sessões entre os usuários com a configuração da tabela de
endereço dos usuários.
• Camada de Apresentação (6)
♦ Transfere informações de um software de aplicação para o sistema
operacional.
• Camada de Aplicação (7)
♦ É representada pelo usuário final. Os serviços podem ser: correio,
transferência de arquivos etc.
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2.7.2- MÉTODO DE ACESSO

a) Polled Access

Trabalha com Pergunta-Resposta (Query-Response). É um método de acesso no


qual uma estação central, controladora, pede mensagens das estações componentes da
rede em uma seqüência preestabelecida ou associada dinamicamente. A estação que está
sendo questionada transmite as mensagens que precisar e sinaliza ao final, liberando o
acesso, para que a estação central possa questionar a próxima estação na cadeia, num ciclo
repetido. Se a estação central cair, toda a rede pára.

Mestre /

Pergunta

Resposta

b) Token Access

Aloca permissão de acesso ao meio de forma cíclica, onde cada estação transmite
baseada na possessão de um token, que é um padrão de bits que informa se o meio está
livre ou ocupado. Pode ser adaptativo, onde os tempos de retenção de token são
influenciados pelo tráfego na rede.

Este método opera em uma topologia em anel. Quando uma estação recebe um token
vazio e não tem nada a transmitir, repassa este token para a próxima estação na rede. Se a
mesma possui uma mensagem a transmitir ela marca o token como ocupado e o repassa
para a próxima estação na rede, colocando sua mensagem na rede logo após. As estações
que recebem o token ocupado repassam o mesmo, e a mensagem que o acompanha, para
a estação adjacente, lendo-a se o destino da mensagem for ela própria. Quando o token
retorna à estação origem, esta o marca como livre e passa o mesmo adiante, retirando a sua
mensagem do anel.
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c) Carrier Sense Multiple Access (CSMA)

Neste método as estações escutam o meio e caso o mesmo esteja ocupado,


permanecem em estado de monitoração. No caso de sentirem o meio desocupado, é
realizada a transmissão. Caso haja colisões (várias estações transmitindo simultaneamente)
cada estação espera um tempo randômico calculado com base em uma probabilidade para
depois tentar novamente a transmissão.

HUB

2.8- SISTEMAS DE COMUTAÇÃO


Sistemas de comutação surgiram com a necessidade da otimização de recursos,
principalmente os recursos de transmissão.

2.8.1- COMUTAÇÃO POR CIRCUITOS

• Estabelecimento de um caminho físico (dedicado) entre origem e destino, que


logo após é estabelecida a comunicação entre eles
• É uma técnica apropriada para sistemas de comunicações que apresentam
tráfego constante (e.g., a comunicação de voz), necessitando de uma conexão
dedicada para a transferência de informações contínuas.
• A rede de telecomunicações que utiliza a técnica de comutação por circuitos é a
telefônica.
A B C
Sinal

Estabelecimento
de Chamada

Transferência de
Informação Dados

Desconexão
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2.8.2- COMUTAÇÃO POR MENSAGENS

• O conteúdo a ser transmitido é uma mensagem.


• Não existe um caminho físico estabelecido antecipadamente entre a origem e o
destino.
• Não existe pré-alocação de circuitos antes do envio das mensagens.
• As mensagens são armazenadas nos nós para posterior reenvio, sendo por isso
designadas por redes do tipo "STORE and FORWARD ".
• As mensagens só seguem para o nó seguinte após terem sido integralmente
recebidas do nó anterior.
• Como exemplo típico destas redes pode-se indicar as redes de Correio-
Eletrônico.
A B C

Transferência de Dados
Informação

2.8.3- COMUTAÇÃO POR CÉLULAS (CELL RELAY)

• Suporta tráfego múltiplo.


• Em tempo real, efetuam alocação dinâmica de banda, altas velocidades, têm
baixa latência e operam com unidades de tamanho fixo.
• São estabelecidas conexões virtuais nos vários enlaces da rede, da origem até
o destino, formando um caminho único através do qual as células são
encaminhadas.
• O protocolo ATM utiliza dessa técnica de comutação. Também é usada pelas
RDSI (Redes Digitais de Serviços Integrados).
A B C

Transferência de Dados
Informação
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2.8.4- COMUTAÇÃO POR PACOTES

• A mensagem é fracionada em pedaços de tamanho fixo, denominados pacotes.


• As mensagens são armazenadas nos nós para posterior reenvio.
• Em cada nó os pacotes são checados, para se detectarem possíveis erros de
transmissão.
• Vários pacotes de uma mesma mensagem podem estar em transmissão
simultânea.
• A comutação por pacotes é dividida em duas modalidades: circuito virtual e
datagrama.
• Exemplo: Frame Relay, X-25 e IP.
A B C
Sinal

Estabelecimento Dados No caso de


de Conexão Circuito Virtual

Transferência de
Informação

A A
2 2
1 1

B C B C
2
2 1
1 2 1
D D

Circuito Virtual Datagrama

2.9- ARQUITETURA DE REDE


Refere-se à combinação de padrões, topologias e protocolos para produzir uma rede
funcional.
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2.9.1- TOKEN RING

Resultado dos estudos da IBM na implementação do padrão IEEE 802.5 de modo a


permitir a conectividade entre computadores de diferentes ambientes.

Características:

• Topologia física: estrela;


• Topologia lógica: anel;
• Método de acesso: token passing;
• Taxa de transmissão: até 16Mbps;
• Controle de acesso ao meio (MAC).

2.9.2- APPLETALK

Solução de arquitetura de rede criada pela Apple em 1983 para seus computadores
Macintosh. Máximo de 32 computadores em rede.

As rede locais são conhecidas por LocalTalk. O computador atribui a si mesmo um


endereço aleatório. Depois, ele envia esse endereço em broadcast para saber se há outro
com esse endereço. Se ninguém o usa ele o armazena.

2.9.3- ARCNET

Sigla Attached Recource Computer Network, criada em 1977. É uma arquitetura


barata, simples e flexível para redes locais. Máximo de 255 computadores em rede.

Cada estação mantém controle de duas informações: antecessora e predecessora.

Método de acesso: token passing.

2.9.4- ETHERNET

Desenvolvido pela Xerox Corporation, conjuntamente com a Intel.

Tornou-se a arquitetura mais popular.

Topologia padrão: barramento ou estrela.

Método de acesso: CSMA/CD.

Especificação IEEE 802.3.

Um frame Ethernet pode ter entre 64 e 1518 bytes de tamanho, sendo que dados
podem ter entre 46 e 1500 bytes.

Cada computador “ouve” o tráfego na rede e se não ouvir nada, eles transmitem as
informações. Se dois clientes transmitirem informações ao mesmo tempo, eles são alertados
sobre à colisão, param a transmissão e esperam um período aleatório para cada um antes
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de tentar novamente, este método é conhecido como Carrier Sense Multiple Access with
Collision Detection (CSMA/CD).

Exemplo:

• Suponha que você deseja armazenar um documento no disco rígido de um


outro computador. Assim, a primeira coisa que a placa de rede faz é escutar o
que está acontecendo no cabo para determinar se, no momento, há alguém
utilizando o cabo para transmitir dados (CSMA/CD).
• Aqui há duas possibilidades. Ou a rede, no momento, está ocupada, ou não
está. Se a rede estiver ocupada sua placa continua tentando até que ela esteja
livre. Uma vez que detecte que não existem dados trafegando então o
documento é gravado.
• Em caso de colisão os dados são perdidos e cada um dos envolvidos na colisão
aguardam o período para retransmitir não havendo perdas para o usuário.
• A medida que o número de estações aumentam, também aumentam o número
de colisões.

3. TCP/IP

É um conjunto de protocolos de comunicação utilizados pelos computadores de uma


rede para estabelecer as comunicações entre eles.
A arquitetura TCP/IP baseia-se num serviço de transporte orientado à conexão,
fornecido pelo TCP (Transmission Control Protocol), e em um serviço de rede não orientado
à conexão (datagrama não confiável), fornecido pelo protocolo IP (Internet Protocol).
Permite a conexão de computadores tanto em pequenas redes (LAN) quanto em
redes grandes (WAN), por exemplo, a Internet. Todos os sistema operacionais atuais
fornecem uma implementação do protocolo TCP/IP.
Aplicação
(SMTP, HTTP, FTP, Telnet)

Transporte
TCP / IP (TCP ou UDP)

Inter-Redes
(IP, ICMP, ARP, RARP)

Controle de Link Lógico


Controle de Acesso ao Meio
Ethernet Interface com a
Drive da Placa de Rede rede
Placa de Rede

Cabo
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3.1- PACOTES
Para realizar a transmissão de dados em qualquer meio físico precisa-se definir um
formato para esses dados, chamado pacote.

Pacote é um bloco de dados que é transmitido de um computador a outro através das


camadas do modelo de referência OSI.

A criação de um pacote inicia na camada de aplicativo do computador de origem e


passa por todas as camadas do modelo OSI, até a camada física.

Em cada camada o pacote vai recebendo informações adicionais. Quando o pacote


chega ao computador de destino, a operação inversa ocorre.

O tamanho do pacote é variável, podendo ir de 0,5Kb até 4Kb (512 a 4096 bytes).

Formato do Pacote:

• Formado por um grupo de componentes básicos: endereço de origem, endereço


de destino, dados e instruções e informações de teste de erro (Cabeçalho, Dados
e CRC).

Header Dados CRC Camada N+1

Header Dados CRC Camada N

Header Dados CRC Camada N-1

3.2- CLASSIFICAÇÃO DE PROTOCOLOS


Para que os protocolos possam trabalhar nas camadas OSI eles são agrupados ou
ainda colocados em pilhas, ou seja, a pilha é uma forma de combinar e organizar protocolos
por camadas.

As camadas vão então, oferecer os serviços baseados no protocolo a ser utilizado


para que o pacote de dados possa trafegar na rede.

Existem protocolos em cada uma das camadas OSI realizando tarefas gerais de
comunicação na rede.

3.2.1- APLICATIVO

Situam-se nas camadas mais altas do modelo OSI. Proporciona interação entre os
aplicativos que estão sendo utilizados na rede.
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Exemplos:

• FTP (File Transfer Protocol) – transferência de arquivos.


• Telnet – um computador conecte em outro.
• SNMP (Simple Network Management Protocol) – gerenciamento de rede
simples.

3.2.2- TRANSPORTE

Asseguram o empacotamento e a entrega segura dos dados. Estabelecem sessões


de comunicação entre computadores.

Exemplos:

• SPX (Sequencial Packet eXchange) – da Novell.


• TCP (Transmission Control Protocol) – controle de transmissão, com garantia de
entrega.
• UDP (User Datagram Protocol) – semelhante ao TCP, mas sem garantia de
entrega.
• NetBEUI (Network Basic End User Interface) – estabelece sessão e serviço de
transporte de dados.

3.2.3- REDE

Controlam informações de endereçamento e roteamento, estabelecem regras de


comunicação e realizam testes de erro e pedidos de retransmissão.

Exemplos:

• NetBEUI (Network Basic End User Interface) – estabelece sessão e serviço de


transporte de dados.
• IPX (Internetwork Packet Exchange) – intercâmbio de pacote de interconexão de
rede. Padrão IPX/SPX.
• IP (Internet Protocol) – encaminhamento e roteamento de pacote. Trabalha junto
TCP/IP e UDP/IP.

3.2.4- INTERFACE DE REDE

Os protocolos da camada física são definidos pelo IEEE.

IEEE 802.3: Ethernet.

• É o padrão mais utilizado mundialmente. Transmite dados utilizando o método


de acesso CSMA/CD.
Método de acesso CSMA/CD:
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• É um método de disputa.
• A placa de rede “escuta” o cabo por um determinado tempo. Se não existir
tráfego na rede o computador envia os dados, caso contrário não os envia.
• Se mais de um computador enviar dados na rede vai ocorrer colisão.
• Quando ocorrem colisões, os computadores envolvidos param de transmitir os
dados por um período randômico (aleatório) e em seguida tentam retransmitir.

7- Aplicação
Aplicativo 6- Apresentação

5- Sessão

Transporte 4- Transporte

Rede 3- Rede

2- Enlace
Interface de Rede
1- Física

3.3- TCP/IP
É um conjunto de protocolos usados em redes de computadores. TCP e IP são dois
protocolos dessa família e por serem os mais conhecidos, tornou-se comum usar o termo
TCP/IP para se referir à família inteira.

Permite a conexão de computadores tanto em pequenas redes (LAN) quanto em


redes grandes (WAN), por exemplo, a Internet.

Todos os sistema operacionais atuais fornecem uma implementação do protocolo


TCP/IP.

3.3.1- ENDEREÇAMENTO

Por que endereçamento de IP?

• Endereçar equivale a numerar. O principal conceito em relação a endereçamento


é reconhecer que cada nó em uma rede apresenta um número único para sua
identificação. Computadores clientes, servidores, roteadores, impressoras de
ponto de rede e demais nós serão numerados para que possam ser
identificados. Em uma rede TCP/IP, a numeração de seus nós são chamados de
endereçamento IP.
Características:

• Cada computador é um nó da rede, denominado host e demais dispositivos de


rede também são denominados de host (e.g., roteador).
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• Placas de rede de computadores são identificadas através de um número


chamado endereço físico (vem de fábrica), porém não é muito utilizado.
• Usa-se endereço lógico para identificar os hosts (computadores). Há uma
associação entre o endereço físico e o lógico, mas são os softwares que fazem
isso.
Tipos:

• Endereço Físico = Endereço MAC address(Media Access Control address).


♦ Geralmente tem 12 caracteres.
♦ Exemplo: AX-3F-45-2H-1B-05. Onde os oito primeiros números identifica
o fabricante e os demais o número de série.
• Endereço Lógico = Endereço IP ou Endereço de Rede. 192.168.10.50
♦ Possui 32 bits (4 bytes).
♦ Exemplo: 192.168.10.50.

AX-3F-45-2H-1B-05
3.3.2- ENDEREÇO IP

Identifica a localização de um computador na rede da mesma forma que um endereço


em uma rua identifica uma casa em uma cidade.

Composição do endereço:

• Série de 4 campos de 8 bits, separados por ponto.


• Cada campo pode representar um número decimal de 0 a 255.
• Notação Binária: 10000011.01101011.00000011.00011011
• Notação Decimal: 131.107.3.27
O endereço IP é constituído por duas partes:

• Endereço da Rede (Net ID):


♦ Identifica uma determinada rede ou sub-rede.
♦ Todos os computadores que se encontrarem nesta sub-rede deverão ter o
mesmo Net ID.
• Endereço do Host (Host ID).
♦ Identifica uma estação de trabalho, um servidor, um roteador dentro de
uma rede.
♦ O endereço para cada Host deve ser único dentro da rede.
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131.120.75.3

131.120.75.6

131.120.0.0

131.107.3.10

131.120.75.1

131.107.3.20

131.107.0.0
Roteador
131.107.0.0
131.120.0.0
131.107.3.15
Rede Host

3.3.3- CLASSES DE ENDEREÇOS

A comunidade de Internet definiu 5 classes de endereços de IP.

As classes de endereços definem os campos utilizados para os endereços de Net ID


e Host ID.

As classes são A, B, C, D e E. No momento são usadas apenas as três primeiras.

O endereço IP é definido nos RFCs (Request For Comments) 791, 1122 e 1812.

A classe A é destinada a grandes corporações, enquanto a classe C é destinada a


pequenas empresas.

Considerando o endereço IP a.b.c.d, onde valem entre 0 e 255.

Classe Valor “a” Rede Host Núm. Redes Hosts por Rede
A 1-126 a b.c.d 126 16.777.214
B 128-191 a.b c.d 16.384 65.534
C 192-223 a.b.c d 2.097.152 254

• Classe A:
♦ O primeiro octeto (byte = 8 bits) é utilizado para Rede e os demais (3
bytes) são utilizados para Host.
♦ Tem-se poucos endereços para Rede e muitos para Host.
♦ Os endereços classe A são atribuídos a redes com um grande número de
Hosts.
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♦ No primeiro byte, o bit de mais alta ordem é definido como zero (0).
♦ Exemplo: 32.97.166.71.
• Classe B:
♦ Os dois primeiros bytes são utilizados para Rede e os demais (2 bytes)
são utilizados para Host.
♦ Tem-se poucos endereços para Rede e muitos para Host.
♦ Os endereços classe B são atribuídos a redes de tamanho médio e
grande.
♦ Os dois primeiros bits do primeiro byte são sempre “1” e “0”.
♦ Os 14 bits restantes completam o identificador de rede.
♦ Exemplo: 131.32.4.10.
• Classe C:
♦ Os três primeiros bytes são utilizados para Rede e o último byte é
utilizado para Host.
♦ Têm-se muitos endereços para Rede e poucos para Host.
♦ Os endereços classe C são atribuídos a redes de tamanho pequeno.
♦ Os três primeiros bits do primeiro byte são sempre “110”.
♦ Os 21 bits restantes completam o identificador de rede.
♦ Exemplo: 201.200.1.50.

3.3.4- ENDEREÇOS PRIVADOS E PÚBLICOS

Endereços públicos são usados e reconhecidos na Internet.

Endereço Privados foram reservados intervalos de endereços IP nas 3 primeiras


classes, que não são reconhecidos pela Internet.

Classe Intervalo de Endereços Privados


Classe A 10.0.0.0 até 10.255.255.255
Classe B 172.16.0.0 até 172.31.255.255
Classe C 192.168.0.0 até 192.168.255.255

3.3.5- REGISTRO DE ENDEREÇOS PÚBLICOS:

Órgão Responsável no Brasil: FAPESP.

Endereço: http://registro.br.

http://www.iana.org/ - IANA (Internet Assigned Nunbers Authority): Organização que


controla a distribuição de IPs a nível mundial.
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3.3.6- ENDEREÇOS RESERVADOS (ESPECIAIS)

Há endereços que são reservados pela rede e que não podem ser usados para
endereçamento de Rede e Host.

O número 127 não é utilizado como rede Classe A, pois é um número especial,
reservado para fazer referência ao próprio computador. O número 127.0.0.1 é um número
especial, conhecido como localhost. Sempre que um programa fizer referência a localhost ou
ao número 127.0.0.1, estará fazendo referência ao computador onde o programa está sendo
executado.

Final 0 de um endereço de host identifica o endereço de Rede.

Final 255 de um endereço de host é reservado para BROADCAST, não sendo


permitido seu uso.

3.3.7- ATRIBUIÇÃO DE REDE (NET ID)

Atribua o mesmo identificador de rede para todos os hosts de uma mesma rede física,
para que eles possam se comunicar.

As redes normalmente são segmentadas para evitar excesso de tráfego e


conseqüentemente melhorar a performance na troca de dados entre os computadores. Para
segmentar redes utiliza-se um roteador.

Todos os computadores de um segmento físico de rede devem ter o mesmo Host


para se comunicar.

Exemplo:

• São duas redes roteadas, a rede 1 e a rede 3. Percebe-se que a rede 1 utiliza
endereçamento de IP de Classe A e a rede 3 utiliza endereçamento de IP de
Classe B.
• A rede 2 representa uma conexão de rede de longa distância entre os
roteadores. Essa rede utiliza endereçamento de IP de Classe C.
• Assim, tem-se 3 endereços de Rede diferentes.
3

Roteador

192.121.73.z 131.107.y.z

Roteador

124.x.y.z
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3.3.8- ATRIBUIÇÃO DE HOST (HOST ID)

Cada nó de uma rede deve ter o seu Host exclusivo, único.

Ao instalar o procolo TCP/IP em um computador deve-se informar o seu Host, para


que este computador possa ser identificado em seu segmento e também em toda a rede.

Para configurar um nó, além do Host, deve-se informar a máscara de sub-rede e o


Gateway padrão.

Exemplo:

• A rede 1 possui três Hosts e cada um deles possui o seu Host exlusivo. Para
que esses computadores possam se comunicar com os outros segmentos de
rede terão que falar com o endereço 124.0.0.1, que tecnicamente chama-se
Gateway padrão.
• A rede 2 é configurada para que os roteadores possam trocar informações entre
si. O caminho entre um roteador e outro exige a configuração de sua interface.
• A rede 3 segue a lógica da rede 1.
3

1 131.107.0.27

124.0.0.28

131.107.0.1
131.107.0.28
Roteador
131.107.0.29
192.121.73.2
124.0.0.27
2
124.0.0.29
192.121.73.1

Roteador
124.0.0.1

3.3.9- MÁSCARA DE SUB-REDE

É um endereço de 32 bits (4 bytes), onde os bits que se encontram em 1 indicam bits


do endereço IP que se referem ao endereço de Rede, e os bits que se encontram em 0
referem-se aos bits do endereço de Host.

Define quantos bits do endereço IP referem-se ao endereço de Rede.

Especificar se o endereço IP do Host de destino está localizado na rede local ou em


uma rede remota.
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Sem a máscara de sub-rede seria impossível a identificação e definição para a


entrega correta de um pacote de informações.

Para configurar um nó de uma rede é preciso fornecer:

• Endereço de IP (Host Id) - obrigatório.


• Máscara de Sub-Rede - obrigatório.
• Gateway padrão - opcional.
Exemplo:

• Endereço IP: 130.132.49.234


• Máscara de Sub-Rede: 255.255.255.0
• Gateway padrão: 130.132.49.1
O Gateway identifica o endereço do roteador por onde um pacote de dados deve ser
enviado no caso de não pertencer ao segmento local.

Exemplo:

• Dois computadores no mesmo segmento: um computador A deseja enviar


dados para um computador B.
• O computador A prepara um pacote de dados contendo o endereço de destino
do computador B.
• Internamente o IP do computador A consegue, a partir da máscara de sub-rede,
descobrir se o endereço de destino pertence à rede local e envia o pacote de
dados para o seu segmento onde se encontra o computador B.

3.3.10- MÁSCARA DE SUB-REDE: PADRÃO

Para redes não segmentadas (não subdivididas).

É comum em redes com poucos computadores e que não precisam ser segmentadas.

Classes Notação Binária – Máscara Notação Decimal Outra Notação

A 11111111.00000000.00000000.00000000 255.0.0.0 x.y.z.w/8

B 11111111.11111111.00000000.00000000 255.255.0.0 x.y.z.w/16


C 11111111.11111111. 11111111.00000000 255.255.255.0 x.y.z.w/24

3.4- PROXY
Um proxy é um dispositivo e software que permite a ligação com a Internet. Ele fica
colocado entre as Estações de Trabalho de uma rede e a Internet.

O proxy armazena dados em forma de cache em redes de computadores.


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São máquinas com ligações tipicamente superiores às dos clientes e com poder de
armazenamento elevado.

Utilizando um proxy o endereço que fica registrado nos servidores é o do próprio


proxy e não o do cliente.

Por exemplo, no caso de um HTTP caching proxy, o cliente requisita um documento


na World Wide Web e o proxy procura pelo documento em seu cache. Se encontrado, o
documento é retornado imediatamente. Senão, o proxy busca o documento no servidor
remoto, entrega-o ao cliente e salva uma cópia no seu cache.

3.5- RESOLUÇÃO DE NOMES DE DOMÍNIO (DNS)


O DNS (Domain Name System) é um sistema para que, quando você acessar
www.example.com, o seu computador possa transformar isso em um endereço IP válido em
que ele possa se conectar.

O DNS usa uma estrutura hierárquica de domínios para a definição de nomes.

Os nomes que seguem essa estrutura são chamados FQDN (Fully Qualified Domain
Names). Um FQDN é estruturado da seguinte forma:

• (host.3rd-level-domain).(2nd-level-domain).(top-level-domain)
.

com edu org mil br uk

cefetmt gov mil com

anatel

3.6- DHCP
Numa rede de Arquitetura TCP/IP, todo computador tem que possuir um endereço IP
distinto.

O DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol) é o protocolo que provê um meio


para alocar endereços IP dinamicamente.

Funcionamento:
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• Quando um computador se conecta a uma rede, ele geralmente não sabe quem
é o servidor DHCP e, então, envia uma solicitação à rede para que o servidor
DHCP "veja" que uma máquina-cliente está querendo fazer parte da rede e,
portanto, deverá receber os parâmetros necessários. O servidor DHCP
responde informando os dados cabíveis, principalmente um número IP livre até
então. Caso o cliente aceite, esse número ficará indisponível a outros
computadores que se conectarem à rede, já que um endereço IP só pode ser
utilizado por uma única máquina por vez.

4. CABEAMENTO ESTRUTURADO (CABLING)

Cabeamento estruturado pode ser definido como um sistema baseado na


padronização das interfaces e meios de transmissão, de modo a tornar o cabeamento
independente da aplicação e do leiaute.

O projeto de cabeamento estruturado não é feito apenas para obedecer às normas de


hoje, mas, também, para que esteja de conformidade com as tecnologias futuras, além de
proporcionar grande flexibilidade de alterações e expansões do sistema.

Um sistema de cabeamento estruturado permite o tráfego de qualquer tipo de sinal


elétrico de áudio, vídeo, controles ambientais e de segurança, dados e telefonia,
convencional ou não, de baixa intensidade, independente do produto adotado ou fornecedor.

Este tipo de cabeamento, possibilita mudanças, manutenções ou implementações de


forma rápida, segura e controlada, ou seja toda alteração do esquema de ocupação de um
edifício comercial é administrada e documentada seguindo-se um padrão de identificação
que não permite erros ou dúvidas quanto aos cabos, tomadas, posições e usuários.

Para estas características sejam conseguidas, existem requisitos mínimos relativos à


distâncias, topologias, pinagens, interconectividade e transmissão, permitindo desta forma
que atinja-se o desempenho esperado.
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Tendo base que um sistema de cabeamento estruturado, quando da instalação, está


instalado em pisos, canaletas e dutos, este sistema deve se ter uma vida útil de no mínimo
10 anos, este é o tempo médio da vida útil de uma ocupação comercial.

4.1- NORMAS TÉCNICAS


Principais:

• ANSI/TIA/EIA-568-B.1 – Requerimentos Gerais do CE.


• ANSI/TIA/EIA-568-B.2 – Componentes UTP do CE.
• ANSI/TIA/EIA-568-B.2-1 – Componentes UTP Categoria 6.
• ANSI/TIA/EIA-568-B.3 – Componentes Ópticos do CE.
• ANSI/EIA/TIA-569-A – Caminhos e Espaços do CE.
• ANSI/TIA/EIA-606A – Administração e Identificação do CE.
• ANSI/TIA/EIA-607 – Aterramento do CE.
• ANSI/TIA/EIA-854 – 1000Base-TX sobre UTP Cat.6.
• ANSI/TIA/EIA-862 – Sistemas de Automação sobre CE.
• ABNT - NBR 14565 – (~ 568A).
• ANSI/TIA/EIA-854 – 1000Base-TX sobre UTP Cat.6.
• Manual TDMM da BICSI – (Building Industry Consulting Service International)
Associação de Profissionais em Sistemas de Transporte de Informação .

4.2- CABOS

4.2.1- COAXIAL

Consiste de dois condutores cilíndricos, um interno e outro externo, separados por um


material dielétrico. O interno é o condutor e o externo é proteção. Resistência de 50Ω.

Tipos: 10Base2 e 10Base5.

dielétrico condutor interno

condutor externo
(blindagem)
encapsulamento de proteção
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Terminador Conector Terminador


Barramento

Conector BNC

Interface Rede

4.2.2- PAR-TRANÇADO

Formado por 4 pares com cores padronizadas e resistência de 100Ω.

Características básicas:

• Bitola: 24 AWG.
• Categorias: atual 5e e 6.
• Capacidade de transmissão: 10Mbps, 100Mbps e 1Gbps.
• Conector: RJ-45.
• Distância máxima: 100m.
• Tipo Conexão: direto ou cruzado (crossover).
• Redes 10BaseT, 100BaseT e 1000BaseT
Tipos:

• UTP (Unshielded Twisted Pair)


♦ Sem blindagem

• STP (Shielded Twisted Pair)


♦ Com blindagem

Categorias:

• Categoria 5e (enhaced):
♦ Até 100MHz.
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♦ Taxas de transmissão até 1000Mbps


• Categoria 6:
♦ Até 250MHz.
♦ Taxas de transmissão até 10Gbps.

4.2.3- FIBRA ÓPTICA

É o transporte de informação utilizando fontes de luz e fibras ópticas (comunicações


por fibras ópticas).

Vantagens:

• Imunidade à Interferências (EMI);


• Condutividade elétrica nula;
• Leveza (30g/Km ) e dimensões reduzidas;
• Largura de Banda;
• Baixa Perda;
• Imunidade à Ruídos;
• Sigilo na transmissão.
Funcionamento:

• A transmissão de um raio de luz dentro da fibra óptica ocorre via uma série de
reflexões internas totais na interface do núcleo de sílica e a casca, de índice de
refração levemente inferior.

nar θj ncasca
nnúcleo
θ t θi
θc

ncasca < nnúcleo

Tipos:

• Multimodo (MM) - a luz tem vários modos de propagação, ou seja, a luz percorre
o interior da fibra óptica por diversos caminhos.
• Monomodo (SM) - a luz possui apenas um modo de propagação, ou seja, a luz
percorre interior do núcleo por apenas um caminho (125Dm / 8-12 µm).
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Conectores:

• Ferrolho: parte cilíndrica, normalmente de porcelana, por onde flui a luz da fibra.
Na extremidade é realizado um polimento (exemplo: APC - Angled Physical
Contact).
• Corpo: estrutura do conector, normalmente de plástico.
• Base: onde é feito o acabamento e colocada a capa, normalmente de PVC.
Corpo Capa

Ferrolho Anel de
fixação

• Tipo ST – Baioneta

• Tipo SC – Push-pull

• Tipo FC – Rosqueável

• Tipo E2000 – Engate

4.3- CONECTORIZAÇÃO
Para a conectorização do cabo UTP, a norma EIA/TIA-568 determina a pinagem e
configuração.

Existem no mercado duas padronizações para a pinagem categoria 5: padrão 568-A e


568-B, que diferem apenas nas cores de dois pares de condutores do cabo UTP.
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Conector RJ-45:

• Macho (plug)

• Fêmea (jack)

4.3.1- TIPOS

• Direto ou Normal
♦ Crimpar mesmo padrão nas duas pontas.

T568-A T568-A
• Cruzado (cross over)
♦ Crimpar cada ponta com um padrão diferente.

T568-A T568-B

Direto Cross Over


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4.3.2- PINAGEM

4.3.3- CORES

Adotou-se uma codificação de cores na capa externa prevendo uma diferenciação


visual entre cabos, bem como para as várias funções e aplicações existentes.

Cabo de Manobra:

• Dados (pinagem direta): cor da capa externa é verde.


• Dados (pinagem cruzada): cor da capa externa é vermelha.
• Voz (Telefone): cor da capa externa é amarela.
• Vídeo (P&B e Colorido): cor da capa externa é violeta.
Cabo de Estação:

• Recomenda-se utilizar a cor azul, cinza ou branca para a capa externa.

4.4- ACESSÓRIOS

4.4.1- PATCH PANEL

São painéis de conexão utilizados para a manobra de interligação entre os pontos da


rede e os dispositivos concentradores da rede.

É constituído de um painel frontal, onde estão localizados os conectores RJ-45 fêmea


e de uma parte traseira onde estão localizados os conectores que são do tipo "110 IDC".
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4.4.2- PATCH CORD

Cabo de manobra com um metro de extensão, confeccionado com cabo de par-


trançado extra flexível, categoria 5e com dois plugs RJ45 montados nas extremidades;
utilizado para interconexão de painéis e/ou equipamentos.

4.4.3- STATION CORD

Cabo de estação com três metros de extensão, confeccionado com cabo de par-
trançado extra flexível, categoria 5e com dois plugs RJ45 montados nas extremidades;
utilizado para a interconexão de dispositivos eletrônicos na Área de Trabalho.

4.4.4- TOMADAS E ESPELHOS

Para a acomodação e fixação dos conectores RJ-45 fêmea. São necessários os


acessórios de terminação que, no caso, são as tomadas e espelhos para redes locais, os
quais, fazem parte da lista de acessórios obrigatórios que compõe uma instalação
estruturada.

4.4.5- GUIA DE CABOS

É um acessório que possui a função de organizar a sobra de cabos de manobra no


bastidor. Um guia de cabos dispõe de uma tampa encaixável que proporciona um bom
acabamento além de ser bastante prático.

4.4.6- BRACKETS

São suportes constituídos de peças metálicas onde são fixados os equipamentos


como, por exemplo, Switches e os acessórios (patch panels).

São de construção mais simples que os bastidores e adequados para redes de


pequeno porte que exijam soluções econômicas. Os brackets devem ser fixados em
superfícies planas, verticais e firmes.

4.4.7- RÉGUA DE TOMADAS

É um acessório que complementa os componentes descritos anteriormente,


necessitando de alimentação elétrica.
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A régua de tomadas proporciona uma grande facilidade em termos de alimentação


elétrica dos equipamentos, pois a mesma dispõe de tomadas no padrão 2P + T, adequados
para a alimentação de equipamentos de rede.

4.4.8- BASTIDOR (RACK)

São gabinetes com largura padrão de 19“ que poderão ser abertos ou fechados onde
serão fixados os equipamentos ativos de rede, patch panels e demais acessórios.

São suportes constituídos de peças metálicas que compõem uma estrutura na qual
são fixados os equipamentos concentradores e respectivos acessórios de uma rede.
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4.5- SUBSISTEMAS DE C.E.


Um sistema de cabeamento estruturado pode-se dividir em 6 subsistemas, cada qual
tendo suas próprias especificações de instalação, desempenho e teste.

Tipos:

• (1) Cabeamento Horizontal (Horizontal Cabling);


• (2) Cabeamento Vertical (BackBone);
• (3) Área de Trabalho (Work Area);
• (4) Sala de Equipamento (Equipments Room);
• (5) Armário de Telecomunicações (Telecommunications Closet);
• (6) Sala de Entrada de Telecomunicações.

4.5.1- CABEAMENTO HORIZONTAL

É a parte do sistema de cabeamento estruturado que contém a maior quantidade de


cabos instalados, estende-se da tomada de telecomunicação instalada na área de trabalho
até o armário de telecomunicação.

É chamado de horizontal devido aos cabos correrem no piso, suspensos ou não, em


dutos ou canaletas.

Utiliza-se uma topologia em estrela, isto é, cada ponto de telecomunicações


localizado na Área de Trabalho será interligado a um único cabo dedicado até um painel de
conexão instalado no Armário de Telecomunicações.

O cabeamento horizontal poderá ser constituído por um dos seguintes meios de


transmissão:
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• Cabo UTP: cabo constituído por fios metálicos trançado aos pares com 4 pares
de fios bitola 24 AWG e impedância de 100 ohms, em conformidade com o
padrão EIA 568A categoria 5e (enhanced);
• Cabo de fibra óptica, com no mínimo 2 fibras multimodo 62,5/125 micrômetros
em conformidade com o padrão EIA 492-AAAA.
Como a maior parcela dos custos de instalação de uma rede local corresponde ao
sistema de cabeamento horizontal, e o mesmo deverá suportar uma larga faixa de
aplicações, recomenda-se o emprego de materiais de excelente qualidade e de desempenho
superior (Cat 5e, 6 ou 7).

O comprimento máximo de um segmento horizontal, isto é, a distância entre o


equipamento eletrônico instalado no Armário de Telecomunicações e a estação de trabalho
é de 100 metros.

A norma TIA/EIA 568-A define as distâncias máximas do cabeamento horizontal


independente do meio físico considerando duas parcelas desse subsistema:

• O comprimento máximo de um cabo horizontal será de 90 metros. Essa


distância deve ser medida do ponto de conexão mecânica no Armário de
Telecomunicações, centro de distribuição dos cabos, até o ponto de
telecomunicações na Área de Trabalho;
• Os 10 metros de comprimento restantes são permitidos para os cabos de
estação, cabos de manobra e cabos do equipamento.
Separação de Redes de Telecomunicações e Energia:

• Determina-se para o cabeamento horizontal e circuitos de energia até 240V-20A


uma separação mínima entre as duas redes, bastando que elas não
compartilhem a mesma infra-estrutura.
• De acordo com a norma, para que sejam evitadas as interferências
eletromagnéticas, devem ser mantidas distâncias mínimas entre os trechos por
onde percorreão os cabos de comunicação e os cabos de energia:
♦ 1,20m de motores ou transformadores;
♦ 12cm de lâmpadas fluorescentes. Neste caso, o cruzamento dos cabos
UTP com os cabos de energia ou conduítes deve ser feito de forma
perpendicular (90°).
• Recomenda-se separações maiores, uso de blindagem e uso de protetores
contra transientes quando da existência de outras fontes eletromagnéticas.

4.5.2- CABEAMENTO VERTICAL (TRONCO OU BACKBONE)

Trata-se do conjunto permanente de cabos primários que interligam a sala de


equipamentos aos armários de telecomunicações instalados nos andares de um edifício
comercial (backbone cabling) ou vários edifícios comerciais (campus backbone), e aos
pontos de entrada de telecomunicações (SET).

A topologia adotada para os Cabos Verticais é a Estrela.


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Os principais fatores a serem considerados quando de dimensionamento dos cabos


verticais são:

• Quantidade de área de trabalho;


• Quantidade de armários de telecomunicações instalados;
• Tipos de serviços disponíveis;
• Nível de desempenho desejado.
O cabeamento tronco será constituído por um dos seguintes meios de transmissão :

• Cabo de fibra óptica com no mínimo 4 fibras multimodo 62.5/125 micrômetros


em conformidade com o padrão EIA 492-AAAA.
• Cabo de fibra óptica com no mínimo 4 fibras monomodo em conformidade com
o padrão EIA 492-BAAA.
• Cabo UTP: cabo constituído por fios metálicos trançados aos pares, comumente
chamado de "cabo de pares trançados", com 4 pares de fios bitola 24 AWG e
impedância de 100 ohms em conformidade com o padrão TIA/EIA 568A
categoria 5e (enhanced).

4.5.3- ÁREA DE TRABALHO (ATR)

A Área de Trabalho para as redes locais é onde se localizam as estações de trabalho,


os aparelhos telefônicos e qualquer outro dispositivo de telecomunicações operado pelo
usuário.

Para efeito de dimensionamento, são instalados no


mínimo dois pontos de telecomunicações (PT) ou tomadas
em uma área de 10m2.

A construção das tomadas deve prever espaço


adequado para acomodação, com folga, de fibra e par
trançado.

É fundamental que um projeto criterioso avalie detalhadamente cada local de


instalação dos pontos, pois problemas de sub-dimensionamento podem onerar as
expansões. Já em alguns casos será preciso substituir a infra-estrutura projetada.

Quando não existir vários pontos de telecomunicações distribuídos na Área de


Trabalho, as mudanças no posicionamento destes pontos ocorrerão com maior freqüência.
Para isso, deve-se procurar inicialmente instalar os pontos nos locais mais afastados do
encaminhamento principal do prédio (eletrocalhas nos corredores); assim, será
relativamente fácil alterar esse posicionamento, pois não será necessária a passagem de
novo cabo horizontal.
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4.5.4- SALA DE EQUIPAMENTOS (SEQ)

Ponto da rede no qual estão localizados os equipamentos ativos do sistema, bem


como suas interligações com sistemas externos.

Este local pode ser uma sala específica, um quadro ou um armário.

Funções:

• Receber fibra óptica do backbone;


• Acomodar equipamentos de comunicação das operadoras de
Telecomunicações;
• Acomodar equipamentos e componentes do backbone (opcional);
• Acomodar os equipamentos principais e outros componentes da rede local;
• Permitir acomodação e livre circulação do pessoal de manutenção;
• Restringir o acesso a pessoas autorizadas.
Dutos de Cabos do
Passagem de Backbone
Cabos do
Cabos Vertical
Backbone Vertical

Equipamentos Hardware de
Conexão

Existem algumas regras que devem ser seguidas quando da instalação da sala de
equipamentos:

• Área maior ou igual a 14m2;


• Instalá-lo fisicamente a um mínimo de 3m de qualquer fonte de interferência
eletromagnética, como cabinas de força, máquinas de raio X, elevadores,
sistemas irradiantes, etc;
• Instalar uma iluminação com um mínimo de 540 lux;
• Deve ser instalado longe de infiltração de águas fluviais, esgotos e outros
afluentes.
• Piso composto de material anti-estático;
• Alimentação elétrica com circuitos dedicados direto do distribuidor principal com
instalação de quadro de proteção no local;
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• Mínimo de 3 tomadas elétricas tripolares (2P+T) de 127 VAC, com aterramento;


• Proteção da rede elétrica por disjuntor de no mínimo 20A;
• Dissipação mínima de 7.000 BTU/h.

4.5.5- ARMÁRIO DE TELECOMUNICAÇÕES (AT)

É o local de terminação dos cabos e funciona como um sistema de administração do


cabeamento e alojamento de equipamentos que interligam o sistema horizontal ao tronco
(ponto de transição do cabeamento tronco e o horizontal).

São localizados normalmente em cada andar, distribuindo os serviços para as ATR.

Um armário de telecomunicações deve ser instalado levando-se em conta algumas


premissas:

• Quantidade de áreas de trabalho;


• Disponibilidade de espaço no andar;
• Instalação física.

4.5.6- SALA DE ENTRADA DE TELECOMUNICAÇÕES (SET)

Podendo ser chamado de Distribuidor Geral de Telecomunicações (DGT).

É o ponto no qual se realiza a interface entre o cabeamento externo e o cabeamento


interno da edificação.

Normalmente fica alojado no térreo ou no subsolo, tendo dimensões maiores que os


AT abrigando os cabos que vêm da concessionária de serviços públicos ou de outras
edificações.

As facilidades de entrada estão relacionadas com os serviços que estarão disponíveis


para o cliente, estes serviços podem ser de:

• Dados;
• Voz;
• Sistema de Segurança;
• Redes Corporativas.
Haverá um dispositivo de comunicação (modem, rádio, cable modem, satélite, etc.)
integrado ou não a um equipamento que executa funções de bridge ou roteador.

Interligação através de cabos ópticos de longa distância; essa opção entretanto exige
equipamentos mais complexos instalados nos DGTS e normalmente são de
responsabilidade das empresas operadoras de Telecomunicações (Embratel, Brasil
Telecom, Interlig, Telfônica, etc).
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4.6- ARQUITETURA DE CONEXÃO NO BASTIDOR


Dois tipos de conexões são reconhecidos pela Norma 568.

Conexão Cruzada Interconexão

Cabeamento TC
Horizontal Cabeamento
TC
Horizontal Patch
Patch Patch
Panel Cord
Panel

Patch
Cord
Outlet Outlet
Equipamento
Equipamento
Patch (Ex. Switch)
Patch (Ex. Switch)
Cord Cord

Área de trabalho Área de trabalho

4.7- IDENTIFICAÇÃO DO C.E.

4.7.1- PONTO DE TELECOMUNICAÇÕES (PT)

PT XX XXX

Seqüencial do ponto de telecomunicações


Identificação do pavimento
Ponto de telecomunicações

4.7.2- CABEAMENTO

Quantidade de cabos
Cabo primário (P), secundário (S) ou interligação (I)
Quantidade de pares/fibras
XX CWY XXP/Fibras
YY a XX XXX a XXX

Identificação seqüencial do ponto ou par


Identificação do pavimento (destino)
Identificação de origem (opcional)

Y = UTP (U), STP (S) ou Fibra (Fo)


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4.7.3- EXEMPLO

PT 1.2
PT 1.1

2 CSU 8P
PT 1.5

1 x 1-2

3 CSU 12P
1 x 5-7
PT 1.6
PT 1.7

PT 1.3
PT 1.4

4.8- INTERFACES E CONEXÕES

4.8.1- CONECTORES X VELOCIDADES

Um modem externo é conectado ao computador por um cabo (chamado de cabo


lógico), normalmente RS-232, ligado na porta serial do computador. Os conectores dos
cabos podem variar de um equipamento para outro.

Quanto à taxa de transmissão:

• Normalmente, os modems com velocidade até 64Kbps utilizam conectores RS-


232 (DB25 ou V.24).
• Os modems com velocidades maiores, como 128Kbps a 512Kbps, utilizam
interfaces com conectores tipo V.35 e V.36.
• Equipamentos que operam a velocidades de 2Mbps utilizam conexão por cabo
coaxial com interface tipo G.703.

4.8.2- SINAIS DE INTERFACE

Principais Sinais de Interface: Conforme padronização da ITU-T.


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101 – Terra de Proteção 1


102 – Terra de Sinal 7
103 – Dados a Transmitir (Tx) 2
104 – Dados Recebidos (Rx) 3
105 – Solicitação para Transmitir (RTS) 4
106 – Pronto para Transmitir (CTS) 5
TERMINAL

MODEM
107 – Modem Pronto (DSR) 6
108 – Terminal Pronto (DTR) 20
109 – Detector de Sinal Recebido (DCD)
8
111 – Seleção de Velocidade Transmissão
23
113 – Relógio de Transmissão (Terminal) 24
114 – Relógio de Transmissão (Modem) 15
115 – Relógio de Recepção 17
125 – Indicador de Chamada 22

4.8.3- INTERFACE DTE/DCE

Os equipamentos processadores (geram e recebem os dados) são conhecidos por


DTE (Data Terminal Equipment) os equipamentos que se encarregam de codificar ou
modular os dados de uma forma adequada às condições do meio de transmissão são
conhecidos por DCE (Data Circuit-terminating Equipment).

Fora do domínio das redes de computadores existem diversos tipos de equipamento


que podem assumir o papel de DCE recebendo e enviando dados ao DTE, que é o caso dos
terminais e das impressoras.

A comunicação entre o DTE e o DCE envolve geralmente vários condutores já que


além de dados também à necessidade de circular bastante informação de controle. Trata-se
da interface DTE-DCE, existindo várias implementações standard das quais uma das mais
importantes é o RS-232.

4.8.4- INTERFACE RS-232

Padrão internacional de interface entre equipamentos envolvidos na comunicação


serial de dados (também conhecido por EIA RS-232C ou V.24).

É um padrão para troca serial de dados binários entre um DTE (terminal de dados -
Data Terminal Equipment) e um DCE (comunicador de dados - Data Communication
Equipment).

Os cabos para RS-232 podem ter de 3 a 25 pinos. Cabos "Flat RJ" (cabos de
telefone) podem ser usados com conectores RJ-RS232 e são os de mais fácil configuração.

A razão pela qual é possível criar uma interface mínima com apenas três fios é que
todo sinal RS-232 utiliza o mesmo fio terra para referência. O uso de circuitos
desbalanceados deixa o RS-232 altamente suscetível a problemas devido a diferenças de
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potencial entre os sinais de terra dos dois circuitos. Este padrão também tem um pobre
controle dos tempos de picos e descidas do sinal, levando a potenciais problemas de
comunicação.

O RS-232 é recomendado para conexões curtas (≤15m). Os sinais variam de 3 a 15


volts positivos ou negativos, valores próximos de zero não são sinais válidos.

a) Conector RS-232 (DB-25)

Possuem 25 pinos e geralmente vem nos computadores pessoais de mesa.

1
14

Fêmea

b) Conector RS-232 (DB-9)

Possuem 9 pinos e usados tanto em computadores pessoais como também em


equipamentos específicos de telecomunicações.

c) Conversão DB-9 / DB-25

Função DB25 DB9

Carrier Detect 8 1
Receive Data 3 2
Transmit Data 2 3
Data Terminal Ready 20 4
System Ground 7 5
Data Set Ready 6 6
Request to Send 4 7
Clear to Send 5 8
Ring Indicator 22 9
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d) Interface RS-485

RS485 é uma evolução do padrão RS232, tendo como principal enfoque a


comunicação em rede, ou seja, com apenas um par de fios é possível se comunicar com
diversos equipamentos em rede usando o mesmo barramento.

Permite comunicação em distâncias de até 1200 metros de maneira extremamente


confiável.

Esta interface é usualmente aplicada em redes industriais, as quais envolvem


equipamentos de automação industrial.

e) Interface V-35

Padrão de interface de comunicação de dados serial largamente utilizada em


roteadores para a conexão física à rede WAN.

A interface V.35 foi originalmente especificada pela CCITT como uma interface para
linhas de transmissão de dados a 48kbps na banda de 60 a 108 kHz.
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A partir de então, passou a ser adotada para todas as linhas com velocidade superior
a 20kbps.

KK EE AA W S M H C

MM HH CC Y U P K E A

LI FF B X T N J D

NN JJ DD ZZ V R L F B

f) Interface G.703

Conector G.703 (75Ω) é um conector de cabo coaxial de 75Ω, utilizado na conexão de


equipamentos em transmissões de alta velocidade.

Nos últimos anos tem sido utilizada em links WAN para voz e dados. Pode operar
com velocidades entre 64 Kbps e 34 Mbps, mas a velocidade mais utilizada é de 2,048 Mbps
nas linhas E1.

O conector pode ser macho ou fêmea do tipo BNC ou SPINER (DIM).

g) Interface USB

Universal Serial Bus (USB ) é um tipo de conexão Plug and Play que permite a
conexão de periféricos sem a necessidade de desligar o computador. Sua taxa de
transmissão pode ser de 450Mbps (USB 2.0).
É possível conectar até 127 dispositivos ao mesmo tempo em uma única porta USB.
Isso pode ser feito utilizando hubs, porém pode não ser viável, uma vez que a taxa de
transmissão de dados de todos os equipamentos envolvidos pode ser comprometida.
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É importante frisar que os cabos USB devem ter até 5 metros de comprimento.
Acima disso, o aparelho pode não funcionar corretamente. Os cabos USB contam com
quatro fios internos:
• VBus (+5Vcc) – fio na cor vermelha;
• D- – fio na cor branca;
• D+ – fio na cor verde;
• GND (referência) – fio na cor preta;

h) Cabo de Console

É um cabo usado na interligação entre um computador e um equipamento


eletroeletrônico (para telecomunicações) que pode ser configurado. O cabo utiliza em uma
ponta a interface RS-232 de 9 pinos e na outra ponta a interface RJ-45 de 8 pinos.

Pinagem:

DB-9 RJ-45

1 N/A
2 3
3 6
4 7
5 4&5
6 2
7 8
8 1
9 N/A
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5. REDE INDUSTRIAL

Redes industriais são necessárias devido à crescente informatização das indústrias.


Rede industrial pode ser definida como protocolos de comunicação utilizados para
supervisionar e controlar um determinado processo, com uma troca rápida e precisa de
informações entre sensores, atuadores, computadores, CLP, entre outros.

A escolha das tecnologias de redes de comunicação a serem utilizadas


depende dos requisitos de cada aplicação.

Todas as etapas do processo produtivo devem ser informatizadas:

• O projeto do produto;
• A produção em escala industrial;
• O controle de qualidade;
• O controle do estoque de peças ou da matéria-prima usada para produção;
• O sistema de vendas ou de encomenda do produto.

O objetivo final é aumentar a eficiência, reduzindo os custos de produção,


aumentando a venda e distribuição do produto.

O processo de produção passa por várias etapas executadas por diferentes


elementos presentes no ambiente industrial. A tendência no ambiente industrial é de se ter
vários subsistemas com certa autonomia, com cada um sendo responsável por parte do
processo de produção.

Tipos de equipamentos presentes em cada subsistema do ambiente industrial são


bastante diversificados:

• Computadores são usados para projeto e supervisão.


• Controladores de alto nível coordenam todo o processo de produção.
• No chão de fábrica são usados robôs, esteiras, tornos, sensores, atuadores, etc.

Dentre as diferentes possíveis topologias para interconexão de dispositivos de


automação (e.g., barramento, estrela e anel), a mais utilizada é a de barramento.

A conexão usando barramento traz uma série de vantagens:

• Flexibilidade para estender a rede e adicionar módulos na mesma linha.


• Permite atingir maiores distâncias do que com conexões tradicionais.
• Redução substancial de cabeamento.
• Redução dos custos globais.
• Simplificação da instalação e operação.
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• Disponibilidade de ferramentas para instalação e diagnóstico.


• Possibilidade de conectar dispositivos de diferentes fornecedores.

5.1- REDES EM AMBIENTES INDUSTRIAIS


Redes são usadas para integrar os equipamentos presentes em um determinado
subsistema responsável por parte do processo de produção. Cada subsistema adota o tipo
de rede mais adequado para si levando em conta o tipo de equipamento que utiliza e os
requisitos da atividade que executa. Subsistemas devem estar interligados para que sejam
feitos à coordenação das atividades e a supervisão do processo produtivo como um todo.

Resultado: não existe um tipo de rede que seja capaz de atender a todos os requisitos
dos diversos subsistemas existentes em um ambiente industrial.

5.1.1- REQUISITOS DO AMBIENTE INDUSTRIAL

Os requisitos do ambiente industrial e seus processos de produção são geralmente


diferentes daqueles presentes em redes locais de computadores. Tipos de rede específicos
para o ambiente industrial podem ser necessários.

Exemplo de requisitos de redes industriais:

• Boa resistência mecânica;


• Resistência a chama, umidade e corrosão;
• Alta imunidade a ruídos;
• Taxa de erros baixa ou quase nula;
• Tempo de acesso e de propagação limitados;
• Tempo entre falhas baixo e tempo de reparo baixo;
• Boa modularidade e possibilidade de interconexão.
Características e requisitos básicos das redes industriais:
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• Comportamento temporal (Tempo-Real);


• Confiabilidade;
• Requisitos do meio ambiente;
• Tipo de mensagens e volume de informações;
• Conectividade/interoperabilidade (padronização).
Iniciativas mais importantes de padronização para redes industriais:

• Projeto PROWAY;
• Projeto IEEE 802;
• Projeto MAP (MAP/EPA e MINI-MAP);
• Projeto TOP;
• Projeto FIELDBUS.

5.1.2- IHM

A Interface Homem-Máquina (IHM) é o canal de comunicação entre o homem e o


computador, através do qual interagem, visando atingir um objetivo comum. Assim, a IHC
trata do projeto, da implementação e da avaliação de sistemas interativos destinados ao uso
humano.

Também se pode chamar de IHC (Interação Homem-Computador), que vem do inglês


human-computer interface (HCI).

Sistema
ação
Usuário Interface Aplicação
interpretação

5.1.3- SISTEMA EM TEMPO-REAL

Aplicações Industriais freqüentemente requerem sistemas de controle e supervisão


com características de Tempo-Real.

Um sistema em tempo-real é um sistema computacional que deve reagir a estímulos


(físicos ou lógicos) oriundos do ambiente dentro de intervalos de tempo impostos pelo
próprio ambiente. A correção não depende somente dos resultados lógicos obtidos, mas
também do instante no qual são produzidos.

Em aplicações tempo-real é importante que possa determinar o comportamento


temporal do sistema de comunicação.
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Mensagens em tempo-real podem ter restrições temporais:

• Periódicas: tem que ser enviadas em intervalos conhecidos e fixos de tempo.


Ex.: mensagens ligadas a malhas de controle.
• Esporádicas: mensagens sem período fixo, mas que tem intervalo de tempo
mínimo entre duas emissões consecutivas. Ex.: pedidos de status, pedidos de
emissão de relatórios.
• Aperiódicas: tem que ser enviadas a qualquer momento, sem período nem
previsão. Ex.: alarmes em caso de falhas.
INTERFACE

estímulo
Sistema a
Sistema SENSOR
Controlar
de
ATUADOR (Ambiente)
Controle
resposta

5.1.4- REDES ABERTAS

São redes que suportam equipamentos e dispositivos de diferentes fabricantes.

Vantagens: não gera dependências ou limitações, é mais versátil para controlar o


processo.

Desvantagens: possibilidade de falhas de comunicação, velocidades variáveis de


comunicação, domínio do protocolo de cada fabricante.

5.1.5- REDES PROPRIETÁRIAS

São redes utilizadas pelos fabricantes para estabelecer a conectividade entre seus
equipamentos.

Vantagens: estabilidade de comunicação, facilidade de instalação de novos


equipamentos.

Desvantagens: utiliza um único fabricante, dependência de atualizações dedicadas.


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5.2- BUSCA DE PADRONIZAÇÃO EM REDES INDUSTRIAIS

5.2.1- PROJETO PROWAY

Proposta PROWAY (Process Data Highway) iniciada em 1975 pela IEC (International
Electrotechnical Commission) para a normalização de redes de comunicação para controle
de processos.

Proway passou pelas fases A, B e C. Proway A e B utilizavam o protocolo HDLC da


ISO na camada de enlace, com acesso ao meio tipo Mestre / Escravos. Proway C adotou a
técnica de Token-Passing.

Arquitetura composta de 4 camadas do modelo OSI:

• "Line" (camada física),


• "Highway" (camada de enlace),
• "Network" (camada de rede) e
• "Application" (camada de aplicação)

5.2.2- PROJETO IEEE 802

IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers) iniciou em 1980 o projeto 802,
que definiu normas para as camadas Física e Enlace do modelo de referência OSI.

Camada de Enlace subdividida em duas subcamadas:

• LLC (Logical Link Control): montagem dos quadros, controle de erros, controle
de fluxo, estabelecimento de conexões, serviços às camadas acima;
• MAC (Medium Access Control): Controle de acesso ao meio.
Proposta IEEE virou norma internacional: ISO/IEC 8802. Norma atual composta de 12
partes.

5.2.3- PROJETO MAP (MAP/EPA E MINI-MAP)

O MAP (Manufacturing Automation Protocol) foi iniciativa da GM (1980), com a


finalidade de definir rede voltada para automação da manufatura (baseada no RM-OSI).

MAP bem adaptada para comunicação entre equipamentos de chão de fábrica, tais
como: Robôs, CNC, CLP, terminais de coleta de dados, Computadores, etc.

Para aplicações com tempos críticos foi definida a versão MAP/EPA (Enhanced
Performance Architecture).

MAP/EPA apresenta duas pilhas de camadas: arquitetura MAP completa (7 camadas)


e uma arquitetura simplificada (camadas 1, 2 e 7).

Versão mais simplificada: MINI-MAP implementa somente as camadas 1, 2 e 7 do


OSI.
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5.2.4- PROJETO TOP

Technical Office Protocol: desenvolvido pela BOEING a partir de 1983. Redes para
automação de áreas técnicas e administrativas. Baseado no modelo OSI de 7 camadas.

Serviços:

• correio eletrônico;
• processamento de textos;
• acesso a base de dados distribuída;
• transferência de arquivos;
• CAD/CAM distribuído;
• troca de documentos;
• transações bancárias.
A partir de 1986: MAP e TOP reunidos (projeto MAP/TOP).

5.2.5- PROJETO FIELDBUS

Fieldbus (Barramento de Campo): solução de comunicação para os níveis


hierárquicos mais baixos dentro da hierarquia fabril.

Interconecta dispositivos primários de automação (sensores, atuadores, chaves, etc.)


e os dispositivos de controle de nível imediatamente superior (CLP, CNC, RC, PC, etc.).

Principais grupos envolvidos nos trabalhos de padronização:

• Avaliadores: IEC, ISA, EUREKA, NEMA.


• Proponentes: PROFIBUS, FIP, ISA-SP50.

5.3- CLASSIFICAÇÃO DAS REDES INDUSTRIAIS


De forma geral as redes industriais são classificadas:

• Quanto à Topologia Física:


♦ Barramento, Anel, Estrela e Árvore.
• Quanto ao Tipo de Conexão:
♦ Ponto-a-ponto.
♦ Múltiplos Pontos.
• Quanto ao Modo de Transmissão:
♦ Transmissão Serial: síncrona e assíncrona.
♦ Transmissão Paralela.
• Quanto ao Modo de Operação:
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♦ Simplex.
♦ Half-Duplex.
♦ Full-Duplex.
• Quanto ao Tipo de Comunicação:
♦ Comutação de Circuitos.
♦ Comutação de Pacotes.
• Quanto ao Método de Troca de Dados:
♦ Polling.
♦ Cíclica.
♦ Mudança de Estado.
• Quanto o Modelo de Redes:
♦ Origem-Destino.
♦ Produtor-Consumidor.

5.3- MÉTODO DE TROCA DE DADOS

5.3.1- POLLING

Quando os dispositivos recebem dados e imediatamente os enviam. Compatível com


sistemas Mestre-Escravo & Multi-Mestre. Foi desenvolvido sobre Origem/Destino e
inerentemente ponto-a-ponto, onde não há multicast.

5.3.2- CÍCLICA

Os dispositivos produzem dados a uma taxa configurada pelo usuário. Suas


características são:

• Os dados são transferidos numa taxa adequada ao dispositivo/aplicação.


• Recursos podem ser preservados para dispositivos com alta variação.
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• Compatível com Mestre/Escravo, Multimestre, “peer-to-peer” e Multicast.

5.3.3- MUDANÇA DE ESTADO

Os dispositivos produzem dados apenas quando tem seu estado alterado. É enviado
um sinal em segundo plano, transmitido ciclicamente, para confirmar que o dispositivo está
funcionando.

Mudança de estado é eficiente porque:

• Reduz significativamente o tráfego da rede.


• Recursos não são desperdiçados processando-se dados antigos.

5.4- MODELOS DE REDES INDUSTRIAIS


Basicamente, as redes industriais seguem uma estrutura padrão no formato piramidal.
Cada autor tem sua maneira de interpretação sobre os componentes de uma rede industrial
e forma de integração das diversas fases de um processo produtivo.

Os modelos propostos apresentam a forma de integração entre os hardwares e


aspectos ligados a transferência de informações entre os níveis. Não são analisados os
passos do processo produtivo, mas aspectos da geração dos dados do processo produtivo e
a transferência de informações da origem ao destino.
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5.4.1- ORIGEM/DESTINO (PONTO-A-PONTO)

As informações são trocadas entre dispositivos endereçados e os quadros de dados


necessitam dos endereços fonte e destino.

SRC DSC Dados CRC

Observação: desperdício de recursos em função da repetição dos mesmos dados


quando apenas o destino é diferente

a) Mestre-Escravo (Máster/Slave)

Os mestres e escravos possuem funções distintas dentro de uma rede. O mestre tem
como função principal controlar a rede de comunicação e concentrar os dados do sistema. O
escravo possui a função de receber a informação de mestre e executá-la da melhor forma
possível, atuando em tarefas localizadas.

Os escravos não podem dialogar entre si, toda comunicação deve passar por um
mestre. O mestre pode requisitar informações de um escravo em particular e esperar pela
sua resposta (modo requisição/resposta), ou, pode enviar mensagem comum a todos os
escravos (modo difusão).

Em modo requisição/resposta, o mestre envia uma requisição em particular a um


escravo, este responde se a mensagem da requisição estiver formulada corretamente. De
maneira geral as trocas de informação são relativas à memória de dados dos escravos.
Como o mestre está ligado, assim como todos os escravos, sobre uma rede bidirecional, é
necessário designar um endereço para cada escravo. Geralmente todos os escravos
recebem as mensagens do mestre, mas só o escravo endereçado responde ao mestre.

O mestre possui quatro atribuições:

• Assegurar a troca de informação entre as ECL (Estações de Controle Local) ou


EDT (Equipamentos Terminais de Dados);
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• Assegurar o diálogo com o operador do sistema (Relação Homem-Máquina –


IHM);
• Assegurar um diálogo com outros mestres ou com um computador para uma
gestão centralizada do conjunto de processos;
• Assegurar a programação ou passagem de parâmetros para os escravos (ECL)
a fim de obter a flexibilidade da produção.

b) Peer-to-Peer

Trabalha sem mestre fixo. Cada nó gera mensagens quando de posse de uma
permissão (Token), onde tem passagem de token por posição no anel ou por prioridade.

Os dispositivos enquadrados numa mesma categoria tem liberdade para tomar


iniciativa de comunicação e podem trocar dados com mais de um dispositivo ou múltiplas
trocas com um mesmo dispositivo.

5.4.2- PRODUTOR/CONSUMIDOR (PUBLISHER-SUBSCRIBER)

Múltiplos pontos podem simultaneamente consumir os dados de um mesmo produtor.


Os dados são identificados pelo conteúdo, não necessitando explicitar endereços de origem
e destino. Qualquer ponto pode iniciar um processo de transmissão.

Identificador Dados CRC


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De acordo com a Figura anterior:

• Mensagem #1: referência de posição do sensor transmitida em Multicast aos


CTRL1, 2 e IHM.
• Mensagem #2: comando de velocidade do CTRL1 transmitido simultaneamente
aos 3 drives e IHM.

Um equipamento pode produzir ou consumir variáveis que são transmitidas através


da rede usando o modelo de acesso à rede de resposta imediata. O produtor coloca as
variáveis em memória e qualquer estação pode acessar estes dados. Com apenas uma
transação, dados podem ser transmitidos para todos os equipamentos que necessitam
destes dados.

Este modelo é o modo mais eficiente para transferência de dados entre vários
usuários. Um controlador consome a variável de processo produzida pelo sensor, e produz a
saída consumida pelo atuador.
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a) Multi-Mestre

Mensagem pode alcançar múltiplos destinatários simultaneamente. Cada mestre tem


seu próprio conjunto de escravos. Os escravos apenas trocam dados com seus mestres.

b) Mudança de Estado

Os dispositivos relatam mudança de estado. Logo, ao invés de termos um mestre


realizando leitura cíclica, os próprios dispositivos enviam os dados quando houver variação
de um valor em uma variável (tráfego na rede é reduzido).
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c) Cíclico

Os dispositivos atualizam o mestre periodicamente em bases de tempo pré-


estabelecidas (valores configurados pelo usuário).

5.4.3- SISTEMA DIGITAL DE CONTROLE DISTRIBUÍDO (SDCD)

É um equipamento da área de automação industrial que tem como função primordial o


controle de processos de forma a permitir uma otimização da produtividade industrial,
estruturada na diminuição de custos de produção, melhoria na qualidade dos produtos,
precisão das operações, segurança operacional, entre outros.

Ele é composto basicamente por um conjunto integrado de dispositivos que se


completam no cumprimento das suas diversas funções – o sistema controla e supervisiona o
processo produtivo da unidade.

O sistema é dotado de processadores e redes redundantes e permite uma


descentralização do processamento de dados e decisões, através do uso de unidades
remotas na planta. Além disso, o sistema oferece uma interface homem-máquina (IHM) que
permite o interfaceamento com controladores lógicos programáveis (CLP), controladores
PID, equipamentos de comunicação digital e sistemas em rede. É através das Unidades de
Processamento, distribuídas nas áreas, que os sinais dos equipamentos de campo são
processados de acordo com a estratégia programada. Estes sinais, transformados em
informação de processo, são atualizados em tempo real nas telas de operação das Salas de
Controle.

O SDCD não é uma máquina pronta, onde pode sempre ser modificado para atender
ao processo.
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5.5- PROTOCOLOS DE COMUNICAÇÃO


Há diversos protocolos de comunicação usados por diversos tipos de equipamentos
industriais. A função dos protocolos é fazer a comunicação entre um dispositivo
eletroeletrônico e um computador.

Histórico:

• Início dos anos 90:


♦ Desenvolvimento de redes de comunicação proprietárias dos fabricantes
de equipamentos de automação.
♦ A inexistência de protocolos standard obrigava a utilização de
equipamentos da mesma marca.
♦ O que tornava complicado o desenvolvimento de unidades totalmente
automatizadas.
• Por volta de 1992:
♦ Necessidade de normalização das redes de comunicação industriais:
♦ EUA - organização ISP (Interoperable Systems Project);
♦ França – WorldFIP (FIP - Factory Instrumentation Protocol).
• Por volta de 1994:
♦ ISP + WorldFIP = Foundation Fieldbus;
♦ Alemanha surgiu Profibus.
Comparação:

• WorldFIP standard :
♦ Base de dados distribuída e sistema de tempos de serviço;
♦ Gestor de barramento;
♦ Existência de tokens numa base precisa de tempo que satisfaz os
pedidos dos equipamentos.
• InterOperable System Project (ISP):
♦ Mensagens de controle;
♦ Utiliza método de token “circulante” pelos dispositivos de acordo com um
tempo pré-definido;
♦ Dispositivo pode “falar” enquanto tiver o token.

5.5.1- NÍVEIS DE REDES INDUSTRIAIS

As Redes Industriais são padronizadas sobre níveis de hierarquia, cada qual


responsável pela conexão de diferentes tipos de equipamentos com suas próprias
características de informação.
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a) Nível 1: Dispositivos (Sensor Bus)

Também chamado de nível de E/S, onde é o nível mais baixo. Refere-se geralmente
às ligações físicas da rede ou E/S. Conecta os equipamentos de baixo nível entre as partes
físicas e de controle: sensores discretos, contadores e blocos de E/S.

b) Nível 2: Controle (Device Bus)

Responsável pelo controle da rede. É a rede central localizada na planta incorporando


CLPs, DCSc* e PCs.

A informação deve trafegar neste nível em tempo-real para garantir a atualização dos
dados nos softwares que realizam a supervisão da aplicação.

c) Nível 3: Supervisão (Field Bus)

É destinado a um computador central (com IHM) que processa o escalonamento da


produção da planta e permite operações de monitoramento estatístico da planta sendo
implementado, geralmente, por softwares de supervisão.

O padrão Ethernet operando com o protocolo TCP/IP é o mais comumente utilizado


neste nível.

d) Nível 4: Gerenciamento (Data Bus)

Nível responsável pela programação e planejamento da produção, realizando o


controle e a logística de suprimentos. Usam-se programas de gerência (MIS).

O padrão Ethernet operando com o protocolo TCP/IP é o mais comumente utilizado


neste nível.
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5.5.2- CLASSIFICAÇÃO DE REDES DE CONTROLE

DataBus
Modbus

FieldBus

DeviceBus
ETHERNET

SensorBus

a) Sensor Bus

Basicamente transmitem estados e bits de comando. O protocolo CAN foi


desenvolvido por Robert Bosch (1984) e tem como principal aplicação a implementação de
uma rede intraveicular, particularmente exemplificada na indústria automóvel, que se tem
mostrado uma cliente em potencial do CAN.

Características:

• Número máximo de unidades: 110;


• A prioridade de mensagens definida pelo utilizador, com latência máxima
garantida para mensagens de maior prioridade;
• Sistema flexível;
• Característica de detecção e sinalização de erros construídas dentro do
protocolo CAN, com retransmissão automática de mensagens corrompidas;
• Comprimentos estimados em projetos de 30m (1Mbps) a 5km (10Kbps).
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b) Device Bus

Interligam dispositivos “inteligentes” mais complexos. As mensagens aqui são


orientadas ao byte.

DeviceNet - Rede de comunicação de baixo custo idealizada para interligar


equipamentos industriais, tais como: sensores indutivos de proximidade, capacitivos,
fotoeléctricos, válvulas, solenóides, motores de passo, sensores de processos, leitores de
código de barras, variadores de freqüência, painéis e interfaces de operação.

Características:

• 125kbps (500m), 250, or 500 kbps;


• Até 64 dispositivos por rede;
• Alimentação disponível no barramento;
• Tipos de comunicação: Ligações ponto-a-ponto e Ligações Multicast;
• A ODVA (Open DeviceNet Vendor Association) é uma organização
independente que supervisiona e gerencia as especificações da DeviceNet.

c) Control Bus

ControlNet:

• ControlNet International é uma organização independente criada em 1997 que


mantém e distribui a especificação ControlNet.
• Topologias: barramento, árvore, estrela;
• Taxa transmissão: 5 Mbps;
• Estações endereçáveis: até 99;
• Distâncias:
♦ Cabo coaxial RG-6: 1.000 m com 2 nós, 500 m com 32 nós, 250 m com
48 nós (sem repetidores), máximo de 5.000 m com 5 repetidores;
♦ Fibra: 3.000 m sem repetidores, até 30 km com 5 repetidores.
• Modos de comunicação:
♦ Master/Slave;
♦ Multi-Master;
♦ Peer-to-Peer.

d) Fieldbus

Fieldbus (Barramento de Campo): solução de comunicação para os níveis


hierárquicos mais baixos dentro da hierarquia fabril.
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Interconecta dispositivos primários de automação (Sensores, atuadores, chaves, etc.)


e os dispositivos de controle de nível imediatamente superior, como por exemplo, um CLP
(Controlador Lógico Programável).

Fieldbuses eliminam a necessidade de se utilizar várias interfaces ponto-a-ponto, uma


para cada equipamento.

Fieldbuses substituem as interfaces digitais ponto-a-ponto (RS232, RS422, etc.) por


um barramento ao qual todos os equipamentos são conectados.

Os fieldbuses são geralmente usados na comunicação em ambiente industrial e


veicular.

Vantagens:

• Reduzem o cabeamento e o número de interfaces usadas;


• Reduzem o número de canais de comunicação entre os processos de controle e
o equipamento industrial;
• Maior modularidade da rede, facilitando sua expansão;
• Facilidade de instalação e de manutenção;
• Tempo de acesso 1-10ms;
• Maior compatibilidade devido ao uso de padrões.
Três classes distintas de aplicação:

• Sistemas "Stand-Alone": transações ocorrem somente entre dispositivos ligados


em um mesmo segmento de rede (ex.: sensores e atuadores ligados a um CNC
dentro de uma máquina).
• Sistemas em cascata: dispositivos conectados a segmentos distintos podem
trocar informações por meio de uma "bridge" (ex.: SDCD - Sistema Distribuído
de Controle Digital).
• Sistemas hierárquicos: Fieldbus está interligado via "gateway" a um nível
hierárquico superior da automação fabril (ex.: estrutura CIM).
Sist. de Controle Tradicional X Sist. de Controle com Fieldbus

 
Controlador Controlador
IF IF Placa de Rede

A S
A S A A A S S S
A S
Processo Industrial
Processo Industrial
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5.5.5- AS-I

O AS-I (Actuator Sensor Interface ) surgiu em 1990, quando empresas se


uniram em um consórcio (lideradas pela Siemens) para tornar seus equipamentos
compatíveis. Foi concebida como um sistema monomestre com comutação Cyclic Polling
(processo de varredura), neste sistema somente o mestre insere dados nos escravos em
intervalos de tempo definidos.

Seu desenvolvimento foi para atender aos requisitos de comunicação a nível de


“chão-de-fábrica”.

Características:

• Classificação: SensorBus.
• Ampla oferta de produtos.
• Topologia: Barramento, Anel, Estrela e Árvore.
• Cabeamento: cabo com um par de fios (dados e energia são transportados no
mesmo cabo).
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• Tempo de Ciclo (varredura) com 256 discretas (16 Nós c/ 16 E/S): 4,7ms.
• Máximo número de nós: 248 E/S (31 dispositivos).
• Distância Máxima: 100 metros e 300 com repetidor.
• Mestre-Escravo com pooling cíclico.
• Taxa de transmissão: 167Kbps.
Conectividade

Cabo plano
AS-i

5.5.6- PROFIBUS

PROFIBUS = Process Field Bus ( ).


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Criado por iniciativa da Siemens, Bosch, e Klockner-Moeller em 1987. Usa interface


padrão RS-485, com velocidades de transmissão até 500Kbps.

Em 1988 tornou-se um "Trial Use Standard" no contexto da norma DIN (DIN V 19245,
parte 1), que define as camadas Física e Enlace. Posteriormente, grupo de 13 empresas e 5
centros de pesquisa propuseram alterações nas camadas Física e Enlace e definiram a
camada de Aplicação (norma DIN V 19245, parte 2). Esta proposta é atualmente apoiada
por mais de 300 empresas européias e internacionais.

Permite a interligação de até 32 elementos (estações ativas, passivas ou repetidoras)


por segmento. São permitidos até 4 segmentos, totalizando um máximo de 128 estações.

É uma rede de campo aberta, independente dos fabricantes, ao alcance de uma larga
variedade de aplicações de manufatura e processos de automação. A sua independência e
a garantia de ser uma rede aberta é assegurada pelas normas internacionais A comunicação
entre dispositivos de diferentes fabricantes ocorre sem ajustes especiais.

Pode ser usada em tarefas que requerem comunicação em tempo real, alta
velocidade e de comunicação complexa.

anel lógico

Mestre 1 Mestre 2

token

Escravo Escravo Escravo Escravo


1 2 3 N

Características:

• Classificação: Devicebus.
• Mais de 300 fornecedores de equipamentos.
• Topologia: Barramento, Estrela e Anel.
• Velocidade de transmissão: DP - Máx: 12 Mbps ; PA - Max: 31.25 kbps.
• Tempo de Ciclo com 256 Discretas (16 Nós c/ 16 E/S): < 2.0 ms (dependente da
configuração).
• Máximo número de nós: 127.
• Distância Máxima: 100m entre segmentos (12Mbps), dependendo do meio e da
taxa de transmissão.
• Mestre-Escravo - “peer-to-peer”.
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Perfis de Comunicação:

• PROFIBUS – DP (Distribuited Process):


♦ É o perfil de comunicação mais utilizado.
♦ Otimizado para velocidade, eficiência, baixos custos de ligação e está
projetado para comunicações entre sistemas de automação e periféricos
distribuídos.
• PROFIBUS – PA (Process application):
♦ Permite conectar sensores e atuadores até mesmo em um barramento
comum em áreas intrinsecamente seguras.
♦ Pode ser usado com tecnologia 2 fios de acordo com o padrão
internacional IEC 1158-2.
• PROFIBUS – FMS (Fieldbus Massage Especification):
♦ Solução de propósito geral para comunicação de tarefa ao nível de célula.
♦ Os recursos FMS poderosos abrem um amplo alcance de aplicações com
grande flexibilidade.
♦ Pode ser usado para tarefas de comunicação extensas e complexas.

Arquitetura Típica Profibus DP/PA

Process

Profibus DP Profibus
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Configuração Profibus DP/PA


• Inserindo Mestre • Inserindo Escravos
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5.5.7- MODBUS

O protocolo MODBUS foi criado em 1978 pela Modicon (hoje Schneider). O Modbus
é um protocolo de transmissão de mensagens entre dispositivos e supervisórios que permite
o tráfego de dados em diversos tipos de redes de comunicação: RS232, RS485, TCP/IP
sobre Ethernet, etc.

O Modelo de comunicação utilizado entre os equipamentos segundo a especificação


MODBUS é o “mestre-escravo”, onde o mestre comanda a rede, e os escravos ouvem a
rede, e respondem aos questionamentos quando específicos a ele. Outra característica, é
que o mestre pode questionar um escravo em particular (questão/resposta) e esperar pela
sua resposta, ou enviar um comando para todos os escravos da rede (difusão).
O Mestre estabelece uma comunicação numa das seguintes formas:
• Unicast mode:
♦ O master envia uma mensagem para um determinado slave. Após
receber e tratar a mensagem o slave envia uma resposta para o master.
• Broadcast mode:
♦ O master envia uma mensagem para todos os slaves. Todos os slaves
executam a mensagem mas não é enviada qualquer resposta para o
master.
O protocolo visava originalmente implementar uma maneira simples de transferir
dados entre controladores, sensores e atuadores usando uma porta RS-232 (comunicação
serial).
Características:

• Seu funcionamento é em Half-Duplex.


• Pode ser utilizado na camada de controle ou na camada de supervisão.
• É uma estrutura de troca de mensagens usada para comunicação tipo
mestre/escravos entre dispositivos inteligentes.
• Como o protocolo MODBUS é somente uma estrutura de troca de mensagens,
ele é independente da camada física subjacente.
• Define a estrutura dos quadros, não o meio físico:
♦ Quadro de consulta:
◊ Endereço.
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◊ Código de função.
◊ Dados.
◊ Verificação de erro.
♦ Quadro de resposta:
◊ Endereço.
◊ Confirmação.
◊ Dados.
◊ Verificação de erro.
• O protocolo é único para qualquer tipo de arquitetura de rede bem como para
qualquer tipo de equipamento seja ele um controlador ou um sensor.
• MODBUS é usualmente implementado usando RS232, RS422, ou RS485 sobre
uma variedade de meios de transmissão (fibra, rádio, celular, etc.).
• MODBUS TCP/IP: usa TCP/IP e Ethernet para transportar a estrutura de
mensagens MODBUS. MODBUS/TCP requer uma licença, mas as
especificações são de acesso público e não há royalties.
• Existem dois modos de transmissão: ASCII (American Code for Informastion
Interchange) e RTU (Remote Terminal Unit), que são selecionados durante a
configuração dos parâmetros de comunicação.
Modo ASCII Modo RTU
– 1 bit de início – 1 bit de início
– 7 bits de dado – 8 bits de dado
– Sem paridade – 1 bit de paridade
– 2 bits de parada – 1 bit de parada
– 16 para correção de erro - LRC – 16 para correção de erro - CRC

• Mensagem de Quadro MODBUS


♦ Um quadro de mensagens é usado para marcar o início e o fim da
mensagem permitindo que o dispositivo receptor determine qual
dispositivo está sendo endereçado e saber quando a mensagem está
completa.
♦ Uma mensagem MODBUS é colocada no quadro e transmitida para o
dispositivo. Cada palavra desta mensagem (incluindo o frame) está sendo
colocada em um dado de quadro que adiciona um start-bit, stop bit e bit
de paridade.
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ASCII

• Transmite cada byte como um número hexadecimal em ASCII, ou seja, cada


byte de mensagem é enviado como dois caracteres ASCII.
• Apenas é permitida a existência de um único Master podendo ter vários Slaves.
• Utiliza LRC para verificação de erro.

• Durante a transmissão, intervalos de até um segundo entre caracteres são


permitidos, sem que a mensagem seja truncada. Algumas implementações
fazem uso de tais intervalos de silêncio como delimitadores de fim de
mensagem.

RTU

• Transmite os dados em binário puro. Cada byte de mensagem é enviado como


um byte de dados.
• Utiliza CRC para verificação de erro
• Apenas é permitida a existência de um Master podendo ter vários Slaves.

• Quando em linha série, cada byte (8 bits) de mensagem é enviado por 2


caracteres hexadecimal, isto é, uma “palavra”. Cada mensagem deve ser
transmitida numa seqüência de “palavras”.

Endereçamento

• O Master não possui endereço. Os Slaves podem utilizar os endereços de 1 a


247 não podendo haver Slaves com o mesmo endereço. O Slave envia o seu
endereço para identificar-se.

• O Master utiliza o endereço 0 (zero) quando pretende enviar uma mensagem


para todos os Slaves do barramento (broadcast message).
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• Função:
♦ Varia de 1 a 255 (0x01 a 0xff), mas apenas a faixa de 1 a 127 (0x01 a
0x7f) é utilizada, já que o bit mais significativo é reservado para indicar
respostas de exceção. Normalmente, uma resposta inclui o código de
função da requisição que lhe deu origem. No entanto, em caso de falha, o
bit mais significativo do código é ativado para indicar que o conteúdo do
campo de dados não é a resposta esperada, mas sim um código de
diagnóstico.
♦ Exemplo: Leitura de 12 bobinas do dispositivo 18 a partir do endereço 02.
◊ Quadro de consulta: 12 01 02 DE 00 0C 01.
◊ Quadro de resposta: 12 01 02 BA 10 F2.

• Dados:
♦ Tamanho e conteúdo do campo de dados variam com a função e o papel
da mensagem, requisição ou resposta, podendo mesmo ser um campo
vazio.
• Controle de Erros:
♦ Este campo contém um valor de 8 ou 16 bits, dependendo do modo de
transmissão serial que é utilizado para detecção de erros na mensagem.
Quando eventuais camadas de rede subjacentes provêem mecanismos
de detecção de erros próprios, este campo é dispensado.

Tipos:

O MODBUS TCP/IP

• Lançada em 1999, foi o primeiro protocolo aberto a utilizar o TCP/IP sobre


Ethernet.
• É usado para comunicação entre sistemas de supervisão e controladores
lógicos programáveis. O protocolo Modbus é encapsulado no protocolo TCP/IP
e transmitido através de redes padrão ethernet com controle de acesso ao meio
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por CSMA/CD.
• Esta variante permite utilizar vários masters e vários slaves numa mesma rede.
• O protocolo Modbus TCP/IP não é mais do que o protocolo Modbus RTU
encapsulado numa trama TCP/IP.
• Possibilidade de existir vários pontos de monitorização através de computadores
com SCADA (Supervisory Control And Data Acquisition).

5.5.8- FUNDATION FIELDBUS

O Foundation Fieldbus é um sistema da comunicação totalmente digital,


em série e bidirecional que conecta equipamentos “Fieldbus” tais como
sensores, atuadores e controladores. O Fieldbus é uma rede local (LAN) para
automação e instrumentação de controle de processos, com capacidade de
distribuir o controle no campo.

Cada dispositivo de campo pode possuir uma "inteligência" (microprocessado), o que


o torna capaz de executar funções simples em si mesmo, tais como diagnóstico, controle e
funções de manutenção, além de possibilitar a comunicação entre dispositivos de campo.
Em outras palavras, o Fieldbus veio para substituir o controle centralizado pelo distribuído.

Características:

• Classificação: Fieldbus.
• Crescente número de fornecedores de equipamentos.
• Topologia: Barramento e Estrela.
• Velocidade de transmissão: 32 kbps. Barramento serial a 31.25kbps, com um
único par de fios (com energia e dados no mesmo par).
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• Tempo de Ciclo com 256 discretas (16 Nós c/ 16 E/S): < 100 ms.
• Max. número de nós: 240 /segmento - 65.000 segmentos.
• Distância Máxima: 1.900 metros.
• Cliente / Servidor: Notificação de eventos.
• Opções de segurança intrínseca.

Camadas

• Física: definição do meio de comunicação (pode ser vista como a substituição


do analógico 4 - 20mA).
• Enlace: monitoração das comunicações e detecção de erros.
• Aplicação: formata os dados em mensagens legíveis por todos os equipamentos
da rede e fornece os serviços de controlo para a camada do utilizador.
• Usuário (IHM): liga todos os equipamentos num ambiente de aplicação. Utiliza
funções de controle de alto nível.

Arquitetura de uma Rede

• Uma rede fieldbus admite dois níveis físicos em sua arquitetura. O nível H1 e o
nível HSE. O primeiro opera com velocidade de 31,25 Kbit/s e efetua a conexão
entre os equipamentos encontrados no chão de fábrica (atuadores, sensores e
dispositivos de entrada e saída I/O).
• O nível superior ao H1, conhecido como HSE (High Speed Ethernet), opera a
uma taxa de 100 Mbits/s, e é quem liga o nível H1 às estações de operação, aos
controladores mais rápidos como CLP além de permitir a conexão entre
diferentes níveis H1. Há um dispositivo responsável pela ligação entre os dois
níveis H1 e HSE que é conhecido como Linking Device e desempenha o papel
de ponte entre os mesmos.
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5.5.9- REDE CANOPEN

A rede CANopen é uma rede baseada em CAN (Controller Area Network), o que
significa dizer que ela utiliza telegramas CAN para troca de dados na rede. O barramento
CAN foi desenvolvido pela BOSCH na década de 1080 para ser uma interface multimestre,
ond foi especialmente desenvolvido para rápida troca de dados entre controladores
eletrônicos em veículos motorizados.

DeviceNet, SDS, CANopen, SAE J1939 e CAN Kingdom são diferentes protocolos,
baseados no CAN, que adicionam especificações de cabeamento e conexão além da
interpretação de dados presentes na camada de aplicação.

O protocolo CAN é um protocolo de comunicação


serial que descreve os serviços da camada 2 do modelo
ISO/OSI (camada de enlace de dados). Nesta camada, são
definidos os diferentes tipos de telegramas (frames), a forma
de detecção de erros, validação e arbitração de mensagens.

O protocolo CAN é baseado na técnica de CSMA/CR


(Carrier Sense Multiple Access/Collision Resolution), às
vezes também chamado de CSMA/CD + AMP (Carrier
Sense Multiple Access/Collision Detection and Arbitration on
Message Priority), de acesso ao meio de transmissão. Isto
significa que sempre que ocorrer uma colisão entre duas ou
mais mensagens, a de mais alta prioridade terá o acesso ao meio físico assegurado e
prosseguirá a transmissão.

As características básicas do barramento CAN são as seguintes: 8 bytes de dados,


velocidade de até 1Mbit/s, priorização de mensagens, recepção multicast com
sincronização, detecção de erros e sinalização e retransmissão automática de mensagens
corrompidas.

Todas estas características propiciam simplicidade, alta confiabilidade e segurança,


além de baixo custo. O protocolo CAN foi adotado em 1993/94 como padrão mundial
ISO11898 pela International Standardization Organization. A utilização do protocolo CAN na
indústria automobilística resultou numa produção em grande escala de controladores CAN,
atualmente na casa dos milhões ao ano.

CANopen

Somente a definição de como detectar erros, criar e transmitir um frame não é


suficiente para definir um significado para os dados que são enviados via rede. É necessário
que haja uma especificação que indique como o identificador e os dados devem ser
montados e como as informações devem ser trocadas. Desta forma os elementos da rede
podem interpretar corretamente os dados que são transmitidos. Neste sentido, a
especificação CANopen define justamente como trocar dados entre os equipamentos e
como cada dispositivo deve interpretar estes dados.
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O meio físico para a transmissão de sinais em uma rede CANopen é especificado


pela norma ISO 11898. Ela define como barramento de transmissão um par trançado com
sinal elétrico diferencial.

Endereço na Rede CANopen

Toda a rede CANopen deve possuir um mestre, responsável por serviços de


gerenciamento da rede, e também pode possuir um conjunto de escravos (depende do
fabricante, pode ter limite de 127 escravos). Cada dispositivo da rede também pode ser
chamado de nó. Todo escravo em uma rede CANopen é identificado na rede através de seu
endereço (Node-ID) que deve ser único para cada escravo da rede, e pode variar de 1 até
127.

Acesso aos Dados

Cada escravo da rede CANopen possui uma lista, denominada dicionário de objetos,
que contém todos os dados que são acessíveis via rede. Cada objeto desta lista é
identificado através de um índice, e durante a configuração do equipamento e troca de
mensagens, este índice é utilizado para identificar o que está sendo transmitido.

Transmissão de Dados

A transmissão de dados numéricos através de telegramas CANopen é feita utilizando


a representação hexadecimal do número, e enviando o byte menos significativo do dado
primeiro.

Exemplo

Transmissão de um inteiro com sinal de 32 bits (12345678h = 305419896 decimal),


mais um inteiro com sinal de 16 bits (FF00h = -256 decimal), em um frame CAN.
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5.5.10- X-10

É um protocolo que permite que produtos compatíveis, possam comunicar-se através


da rede elétrica, sem a necessidade de instalação adicional de cabo para este fim.

O X-10 permite o endereçamento de até 256 endereços, sendo possível a atribuição


de um mesmo endereço para dois equipamentos distintos (neste caso respondem ao
mesmo sinal de comando)

A comunicação ocorre entre transmissor e receptor. O sinal é composto de pequenos


pulsos de RF (radiofreqüência) que representam informação digital. As transmissões são
sincronizadas com a passagem pelo zero da rede AC.

Uma transmissão completa do código é realizada em 11 ciclos da rede. Os primeiros


2 ciclos representam o start code (início de código). Os próximos 4 ciclos representam o
house code (código da casa) e os 5 restantes representam o number code (número de
código, 1 a 16) ou função code (liga/desliga). O bloco completo deve ser transmitido em
grupos de 2 ciclos, com 3 ciclos da rede entre cada grupo de 2 códigos.

Há quatro diferentes módulos de X-10:

• X-10 Transmiter: transmitem um sinal de baixa tensão codificado que é


sobreposto na rede de energia elétrica.
• X-10 2-Way: enviam e recebem comandos para os 256 endereços.
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• X-10 Receiver: pode-se receber sinal, enviados pelo transmissor.


• X-10 Wireless: capta um sinal de rádio de uma unidade RF e insere o sinal na
rede onde está instalado.

5.5- APLICATIVOS DE SUPERVISÃO


O termo controle supervisório (usado para designar um aplicativo de supervisão
baseado em uma plataforma SCADA) denota o processo de monitorar à distância uma
atividade, transmitindo diretrizes de operação aos controladores localizados a distância e
recebendo de volta a indicação da realização das ações de controle.

Um sistema SCADA (Supervisory Control and Data Acquisition) é um sistema


responsável pela coleta e transferência de informações lógicas e analógicas sobre o estado
corrente do sistema, pela exibição desses dados na sala de controle e pelo comando remoto
de dispositivos (automaticamente ou por iniciativa do operador).

O supervisório usa mensagens e alarmes, classificados de acordo com as


prioridades, para informar os operadores sobre as atividades de processo. Ele é responsável
pela comunicação do operador com as várias etapas do processo. Através dele o usuário
pode acompanhar todo o processo, suprindo eventuais necessidades de intervenção.

As atribuições de um sistema SCADA são basicamente:

• Controle: ação de gerar sinais de forma que a variável controlada se comporte


de acordo com o pré-estabelecido;
• Monitoração: aquisição de dados para verificar as condições de funcionamento
do processo (sinalização de valores limites, ocorrências de falhas, alarmes e
relatórios);
• Supervisão: arquisição de dados para permitir a elaboração de uma estratégia
de operação para maximizar o retorno financeiro (maior produção, qualidade e
eficiência). Na supervisão não há uma distribuição maior da informação
necessitando-se de uma rede local para ligar diversos protocolos evolvidos em
seus diversos níveis;
• Aplicativo: algoritmos de alto nível, conjunto de telas, recursos, comunicações e
configurações elaborados pelo usuário responsável pela personalização do
sistema SCADA. É no aplicativo que é definida toda a funcionalidade do sistema;
• Scripts: subrotinas (módulos) em que se pode definir linhas de código em
linguagem de programação (Basic, VB, C ou Java), para permitir uma maior
flexibilidade para associar ações e eventos específicos;
• Tags: é o nome dado às variáveis utilizadas em um sistema SCADA, sejam
variáveis para comunicação com os equipamentos de aquisição de dados.
Atualmente existem diversos fornecedores de softwares para sistema SCADA. Muitos
deles são dedicados sendo específicos para determinados equipamentos e outros são de
uso geral, sendo extremamente flexíveis permitindo assim a elaboração de aplicativos para
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os mais diversos fins. Entre eles destacam-se FIX D´MACS, FIX, LAB VIEW, ISIS 1000,
WinCC, UNITEC, IN TOUCH e ELIPSE.

Elaboração de aplicativos de supervisão pode seguir uma seqüência de


implementação relativamente simples que pode variar certamente com o tipo de aplicação,
tipo de usuário e finalidade da aplicação. Geralmente o programa SCADA consiste
principalmente de módulos de aquisição de dados para controle, monitoramento e
armazenamento em uma base de dados. Outra aplicação é seu uso como interface homem-
máquina IHM (Man Machine Interface – MMI), através de equipamentos CLP ou
computadores.

5.6- APLICAÇÕES

Seja uma Caldeira na Figura a seguir.

Caldeira
Pressão
Válvula

Temperatura

S1 Nível

S2 Nível

S3 Nível
Válvula

Motor
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5.6.1- MÉTODO CONVENCIONAL

“Físico”:
Caldeira 4-20mA, 0-5V,etc.

Pressão “Enlace”:

Válvula
CP faz ciclo
de varredura

Temper.
“Aplicação”
Lóg. comb.,
seqüencial,
Controlador PID, etc.
S1 Nível

RS-232, RS-485,etc.
Programável
“Aplicação
S2 Nível do usuário”
Programação,
S3 Nível monitoração,
Válvula

estatística,
etc.
Motor

5.6.2- MÉTODO MODBUS

Físico - RS232 ponto a


ponto, RS485 multiponto, par
trançado blindado MB Plus
Caldeira
Enlace - Mestre/escravo
al Pressão
Válvula

Escravo u para MB RTU / ASCII,


RS232
ModBus vl HDLC para MB Plus
RTU / ASCII á RS232 M
MesteModbus
Mestre
Mestre stestrree
Modbus
V
MoM((o
M oddb) uuss
HIM
HIM

Temper. Aplicação - Comandos e


parâmetros ModBus
ModBus Plus

S1 Nível
Nível
RS485
B rrid
idggee
Modbus TCP/ IP

Bridge
B
Bridge Ethernet
S2 Nível
Nível ModBus
RS485
Mo
ModdB
ModBus Buuss
S3 Nível
al
Válvula

u ModBus
Mo
vl ModdB
ModBus Buuss
Server
Server
á Ser ver
V Motor
“Aplicação do
Mest
MestreMes usuário”: Programa,
esttrree(CLP)
Modbus
Modbus configura, monitora
Mo
Mo dbus
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5.6.3- MÉTODO PROFIBUS

Físico - RS485
Caldeira
multiponto
al Pressão

Válvula
Escravo
u
vl
ProfiBus RS485
á Enlace - Mestre/escravo
V
(token passing) e
M esttrre
Mestre mestre/mestre (token ring)
Temper.
Temper. P
P r
rof i Buuss (CLP)
o fiB
ProfiBus
ProfiBusiB ((C
CLP
P)) RS485

ProfiBus + Ethernet = ProfiNet


Aplicação - Comandos e
parâmetros ProfiBus FMS
S1 Nível
RS485
RS485 Mestre
M
M eessttrree
Mestre
Ethernet + TCP/IP
S2
S2 Nível
Nível ProfiBus
PrrooffiB
ProfiBus
P iBuuss
(CLP)
((CLP)
(C
CLLPP))
S3
S3 Nível
Nível
al
Válvula

u
vl
á
V Motor
Motor
“Aplicação do
usuário”: Programa,
configura, monitora

5.6.4- COMPARAÇÕES
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6. REFERÊNCIAS

[1] Paulo Sérgio Marin, “Cabeamento Estruturado - Desvendando cada passo: do


projeto à instalação”, Ed. Érica, 2008.
[2] Pedro Urbano B. A. e Auzuir Ripardo A., “Redes Industriais – aplicações em
sistemas digitais de controle distribuído”, Ed. Livro Técnico, 2007.
[3] José Maurício, Guia Completo de Cabeamento de Redes, Campus,
2003.imagem”, Ed. Érica.
[4] NETO, Vicente Soares, SILVA, Adelson de Paula e BOSCATO, Mário C. Júnior.
Telecomunicações - Redes de Alta Velocidade - Cabeamento Estruturado. Érica.
São Paulo. 2005.
[5] SOARES, G. Lemos, S. Colcher. Redes de Computadores: das LANs, MANs e
WANs às Redes ATM, Editora Campus, 1995.
[6] Ateneu Fabiano, Infra-estrutura, prototolos e sistemas operacionais de LANs,
Érica, 2004.
[7] TANENBAUM, Andrew S. Redes de Computadores. Campus. São Paulo. 2003.
[8] Material didático prof. M. R. Stemmer - LCMI / DAS / UFSC.
[9] Material didático prof. Paulo Coelho, GMR08 - Redes Locais Industriais, UFU.
[10] Material didático prof. Luiz Affonso Guedes, Redes de Comunicação para
Aplicações Industriais, UFRN/DCA.
[11] Material didático prof. Constantino Seixas Filho, Protocolos Orientados a
Caractere, UFMG – Departamento de Engenharia Eletrônica.
[12] Apresentação da TCNAUT, www.tecnaut.com.br.
[13] www.teleco.com.br
[14] www.projetoderedes.com.br
[15] www.anatel.gov.br