Você está na página 1de 3

NOTÍCIAS

Olá olá, iguana


2008-09-24
Uma equipa de investigadores liderada por um cientista da Universidade
Nacional da Austrália descobriu uma nova espécie de iguana na região central
das Fiji. O nome da nova espécie é uma dupla saudação.

A descoberta foi feita no âmbito de um estudo que sugere que os antepassados das
iguanas do Pacífico ali chegaram há 13 milhões de anos depois de viajarem 8000km à
boleia de alguma estrutura flutuante, desde o novo mundo.

Análises genéticas e morfológicas detalhadas mostram que há três tipos de iguanas


Brachylophus e não duas como se pensava. Os investigadores deram a esta nova
espécie o nome de Brachylophus bulabula. O nome científico bulabula resulta da
duplicação da palavra bula que é uma palavra de Fiji e significa olá, sendo assim uma
saudação duplamente entusiástica.
Iguana macho Brachylophus bulabula , na ilha de Ovalau, nas Fiji. Foto de: Peter S Harlow

“As icónicas iguanas de Fiji são famosas pela sua beleza e também devido à sua
surpreendente ocorrência no meio do Oceano Pacífico, uma vez que os seus parentes
mais próximos se encontram bem longe, nas Américas.” – diz Scott Keogh, que é o
primeiro autor do trabalho e Professor Associado na Faculdade de Botânico a Zoologia
da Universidade Nacional da Austrália.

A forma como as iguanas chegaram às ilhas do Pacífico tem sido uma questão em
aberto para os biogeógrafos. Os parentes mais próximos, apenas encontrados no
Novo Mundo, estão separados por milhares de milhas de oceano. As ilhas mais altas
das Fiji estão acima do nível do mar há pelo menos 16 milhões de anos e os estudos
mais recentes apontam para a presença das iguanas do Pacífico nas Fiji desde
aproximadamente essa altura, tanto as que ainda vivem como as que estão extintas, o
que significa que teriam viajado toda essa distância.

Agora, todas as iguanas do Pacífico estão ameaçadas, devido aos efeitos da presença
humana. “Duas espécies foram literalmente comidas até à extinção, quando os
humanos chegaram há 3000 anos,”diz o professor Keogh. “As três espécies de
iguanas Brachylophus que resistem enfrentam ameaças como a modificação e perda
de habitat e a presença de gatos assilvestrados, cabras e mangustos.”

Uma das iguanas nativas, a Brachylophus vitiensis, está classificada como


criticamente ameaçada na lista vermelha da IUCN. Uma das conclusões do estudo,
relevante em termos de conservação da diversidade genética, é que, com apenas uma
excepção, todas as ilhas para as quais há amostras apresentam pelo menos uma
linhagem de iguanas distinta.

O trabalho foi publicado numa edição temática da revista “Philosophical Transactions


of the Royal Society B”. Os co-autores do estudo são: Danielle Edwards da
Universidade Nacional da Austrália, Robert Fisher do U.S. Geological Survey em San
Diego, e Peter Harlow da australiana Universidade de Macquarie .