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Economia

Módulo 7 – Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica


Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica

Apresentação do módulo

Neste módulo, pretende-se que os formandos se apropriem de um conjunto de conceitos e de


instrumentos que lhes permitirão compreender e descodificar a realidade económica mundial,
reconhecendo a crescente desigualdade entre os países considerados desenvolvidos e os países em
desenvolvimento, bem como a heterogeneidade de situações que estes últimos apresentam.
Mas, se o crescimento económico tem sido uma realidade na maior parte dos países, a sua evolução
tem sido irregular, isto é, tem-se processado por ciclos com fases diferentes. Essa evolução reflete
não só a ação dos fatores que influenciam o crescimento económico, como a interdependência das
economias mundiais.
Por outro lado, questões como os limites do crescimento económico (questão ecológica), como as
desigualdades de desenvolvimento ou como o agravamento de situações de pobreza reforçam a
ideia de que o crescimento económico e o desenvolvimento estão estreitamente ligados aos direitos
humanos, ou seja, que o desenvolvimento necessita de ser humano e sustentável.

Objetivos de aprendizagem
No final do módulo, o formando deverá:
• Distinguir crescimento económico de desenvolvimento;
• Distinguir indicadores simples de indicadores compostos;
• Interpretar indicadores de desenvolvimento;
• Referir limitações dos indicadores como medidas do desenvolvimento;
• Reconhecer a heterogeneidade de desenvolvimento através de conjuntos variados de
indicadores;
• Analisar situações de crescimento económico sem desenvolvimento;
• Constatar o crescimento económico de algumas economias nos últimos séculos;
• Explicar fatores de crescimento económico;
• Reconhecer a importância do capital humano como fator de crescimento económico;
• Identificar características dos países desenvolvidos associadas ao crescimento económico
moderno;
• Verificar historicamente a irregularidade do ritmo de crescimento da atividade económica;
• Caracterizar as fases dos ciclos económicos;
• Indicar limites ao crescimento económico;
• Avaliar as desigualdades de desenvolvimento a nível mundial;
• Distinguir pobreza de exclusão social;
• Constatar a existência de situações de pobreza e exclusão social nos países desenvolvidos;
• Justificar a necessidade de um desenvolvimento humano e sustentável no contexto atual.

Formadora: Tatiana Terron Ribeiro 2


Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica

Conteúdos do módulo

1. Crescimento económico
 Noção

 Indicador: PIB
2. Desenvolvimento

 Noção
 Indicadores:
o Tipos: simples e compostos
o Limitações
 Heterogeneidade de situações de desenvolvimento verificadas nos países desenvolvidos,
países em desenvolvimento e países menos desenvolvidos
3. Crescimento económico moderno
 Fatores de crescimento económico
 Características dos países desenvolvidos associadas ao crescimento económico moderno
4. Ciclos de crescimento económico
 Noção

 Fases
5. Desenvolvimento humano e sustentável
 Limites ao crescimento económico: problemas ambientais e esgotamento dos recursos
naturais
 Desigualdades de desenvolvimento a nível mundial
 Países desenvolvidos: situações de pobreza e de exclusão social
 Desenvolvimento humano e sustentável: noção e importância

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Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica

1. Crescimento económico

Os conceitos de crescimento económico e de desenvolvimento económico são frequentemente


utilizados como sinónimo. No entanto, são conceitos que traduzem realidades bastante diferentes,
pese embora estejam interligados.

Crescimento económico:
 Traduz o aumento continuado da produção de bens e serviços de uma economia num
determinado período de tempo.
 É a riqueza material de um país.
 É um conceito quantitativo.
 Baseia-se maioritariamente em indicadores económicos.
 Sobrevaloriza-se o volume de meios de bem-estar disponibilizados às populações,
 Ignoram-se as desigualdades na distribuição do rendimento,
 Tem como único cenário o mercado ou o preço de referência;

Nem sempre um PIB elevado corresponde a um país desenvolvido: esse dinheiro pode ser gasto na
compra em bens supérfluos (ex.: armamento), que só uma pequena parte do país beneficia.

PIB (Produto Interno Bruto):


 É igual à soma de todos os bens e serviços produzidos num país, por qualquer empresa, seja
nacional ou não.
 Na quantificação do crescimento económico de uma economia, utiliza-se o PIB e a taxa de
variação média anual do PIB.
 É um indicador quantitativo.
 Os valores são calculados em termos reais (a preços constantes) para que se possa conhecer
o aumento da quantidade produzida - retira-se a evolução dos preços dos bens e serviços ao
longo do tempo, isolando o efeito dos preços.

Podemos também falar em PNB.

PNB (Produto Nacional Bruto):


 É um indicador económico, quantitativo.
 É a soma de todos os bens e serviços, produzidos pelas empresas nacionais onde quer que
elas se encontrem.

Na medida da melhoria do bem-estar das populações a utilização do indicador PIB per capita
apresenta vantagens relativamente à utilização da taxa de crescimento do PIB.
Exemplo: se a taxa de variação média do PIB, num dado período de tempo, duplicar, mas a Taxa de
Variação Média da População também duplicar, significa que nada se alterou em termos de bem-
estar da população. Por esta razão, é mais adequado utilizar o indicador PIB per capita.
Apesar desta vantagem, a utilização do indicador PIB per capita apresenta várias limitações, uma vez
que, sendo uma média, esconde as desigualdades económicas e sociais existentes nos países.
Outra limitação do PIB per capita, é o facto de não contabilizar o peso da economia informal (Ex.
trabalho infantil).

Formadora: Tatiana Terron Ribeiro 4


Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica

O crescimento a Longo Prazo:

O estudo do crescimento económico é feito numa perspetiva de longo prazo, de forma a podermos
compreender as razões que levam o PIB a crescer ao longo dos tempos.

O PIB mundial tem vindo a aumentar, sendo o aumento mais acentuado nos países mais
desenvolvidos.

O facto de o PIB aumentar, a economia no seu todo melhorar e os rendimentos crescerem, não
significa que os benefícios sejam distribuídos pela população mundial equitativamente.

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Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica

2. Desenvolvimento

Desenvolvimento:
 Capacidade de uma sociedade satisfazer as necessidades da sua população e de lhe permitir
alcançar um nível de bem-estar adequado.
 Centra-se numa análise qualitativa, incidindo no plano humano de melhoria de condições de
vida das populações (melhorias no acesso à saúde, à educação, condições de habitação ou
alimentação), tendo também atenção a alguns indicadores quantitativos.
 Verifica se os benefícios do crescimento económico são distribuídos por toda a população -
não basta que a capacidade produtiva aumente, é necessário que esse aumento traduza uma
melhoria da distribuição da riqueza criada, revertendo a favor de toda a população.
 Baseia-se maioritariamente em indicadores sociais, relacionado com nível de bem-estar e
qualidade de vida dos cidadãos (alimentação, saúde, reformas, assistência social, etc.)
 Sobrevaloriza-se uma multiplicidade de fatores ligados às condições de vida das populações e
do seu bem-estar.
 Passa por preocupações ligadas quer ao meio ambiente quer à utilização equilibrada dos
recursos naturais.
 O cenário que prevalecente é estrutural, pluridimensional e multidimensional (onde os
valores qualitativos são sobrevalorizados).

Nota: Os resultados são dados em termos médios, pelo que os valores não se aplicam a cada pessoa
individualmente.

“Para que as pessoas possam viver melhor, é necessário que a sociedade disponha de mais bens para
distribuir.”

Um crescimento económico não é sinal de desenvolvimento, mas para que haja desenvolvimento tem
que haver crescimento económico.

Comparação entre os objetivos e as estratégias de Crescimento e de Desenvolvimento


Desenvolvimento Crescimento
Objetivo: expansão de oportunidades e Objetivo: maximização do bem-estar
competências humanas económico
Foco: pessoas Foco: mercados
Princípio orientador: equidade e justiça Ênfase: meios
Principal foco: redução da pobreza Principal foco: crescimento económico
Definição de pobreza: população em privação Definição de pobreza: população abaixo da
multidimensional linha do rendimento mínimo
Principais indicadores: IDH, IDG, GEM e Principais indicadores: PIB, crescimento do
percentagem do IPH PIB e percentagem de rendimento abaixo da
linha da pobreza

Nota:
 IDH: Índice de Desenvolvimento Humano
 IDG: Índice de Desigualdade de Género
 GEM:

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Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica

 IPH:

Campo comum mas por razões diferentes


Desenvolvimento Crescimento
Filosofia subjacente
Liberdade de escolha: resultante pelo Liberdade de escolha: resultante pelo
desenvolvimento das competências e funções incremento das utilidades e satisfação de
humanas preferências
Ênfase: nos direitos humanos Ênfase: principalmente nos direitos civis e
Princípio orientador: equidade e justiça políticos
Educação, saúde e nutrição
Importantes por elas mesmas Importantes como investimento em capital
Como direitos humanos humano
Fim das discriminações
Um direito humano Um direito humano
Visando a justiça Visando a eficiência
Governo
Democrático e Inclusivo Democrático
Importantes Funções do Estado Estado mínimo
Foco nos direitos humanos Foco nos direitos políticos e civis

Crescimento e Desenvolvimento económico num mundo interdependente

Distinção dos países quando ao seu nível de desenvolvimento:


 Desenvolvidos,
 Em vias de desenvolvimento,
 Subdesenvolvidos.

Esta forma de agrupamento dos países tem por base características relativamente homogéneas.
As categorias são criadas para satisfazer as nossas necessidades explicativas do
(sub)desenvolvimento, porque o Mundo é hoje uno e caracterizado pela interdependência.

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Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica

Indicadores

Como vimos, os países apresentam níveis de desenvolvimento diferentes, encontrando-se uns a um


nível mais elevado que outros. Para conhecer essa diversidade de situações é necessário medi-las e
quantifica-las.

Indicadores:
 São o instrumentos de medida habitualmente utilizado na mensuração do desenvolvimento.
 São meios importantes de conhecer a realidade de um país.
 Permitem tomar medidas de forma a melhorar a situação e conhecer a sua evolução ao
longo do tempo.

Para medir o desenvolvimento é utilizado um conjunto de indicadores diversificados, de carácter


qualitativo e quantitativo. Desta forma, são abarcados o maior número possível de elementos que
possam transmitir a complexidade da realidade em causa, uma vez que apenas um indicador não
será suficiente, pois apenas mostra uma pequena parte de um todo social.

Os indicadores mais utilizados frequentemente na medição do fenómeno do desenvolvimento são


constituídos por dois tipos: simples e compostos.

Indicadores simples:
 Cobrem aspetos parcelares de uma realidade.
 Em cima foi referido o PIB e o PNB.

Limites do PIB per capita:


 Ignora a riqueza acumulada,
 Ignora a distribuição do rendimento pela população;
 Ignora as diferenças de preços entre os países que estão a ser comparados, enquanto medida
de nível de vida.

Exemplos que explicam a limitação do PIB per capita:


 Se supusermos dois países com um PIB per capita idêntico, mas se num desses países 80% da
riqueza produzida estiver concentrada em 20% (ou menos) da população (como acontece
nalguns países do terceiro mundo), resulta que o nível de vida médio desse país será
seguramente inferior ao outro.
 Se uma família portuguesa tiver um rendimento igual ao de uma família que viva em
Espanha, vai ter um nível de vida inferior, porque os preços praticados em Portugal,
geralmente, são superiores aos praticados no país vizinho.

As limitações do PIB per capita como medida de nível de vida levaram à tentativa de desenvolver
outros indicadores para permitir as comparações internacionais. Assim, surgem os índices
compostos.

Os indicadores simples apresentam então várias limitações. Por isso, na análise do desenvolvimento,
devem ser utilizados vários indicadores e de carácter diversificado, de forma a cobrir diferentes áreas
da vida económica, social, política e cultural.
Os indicadores compostos ultrapassam algumas destas limitações.

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Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica

Indicadores compostos:
 Incluem vários indicadores simples que se consideram representativos de uma dada situação.

Indicadores (sociais):
 Esperança Média de Vida;
 Taxa de Analfabetismo;
 Número de médicos por habitantes;
 Taxa de Mortalidade Infantil;
 Etc.

IDH - Índice de Desenvolvimento Humano:


 Desenvolvido em 1990, pelo economista paquistanês Mahbub ul Haq e pelo economista
indiano Amartya Sen.
 É um indicador composto que mede os progressos realizados por um país em termos de
desenvolvimento humano.
 Através do IDH distingue-se se o país é desenvolvido, em desenvolvimento ou
subdesenvolvido.
 O IDH será sempre um valor entre 0 e 1, sendo que quanto mais próximo de 1 melhor será a
situação do país.
 Baseado em três dimensões do desenvolvimento:
 Saúde: medida através do indicador de esperança de vida à nascença;
 Educação: medida através dos indicadores anos e escolaridade esperados e média de
anos de escolaridade (alfabetização, educação).
 Padrão de vida digno, medido através do Rendimento Nacional Bruto per capita
(riqueza).

O IDH, sendo um indicador composto, ultrapassa algumas das limitações apresentadas. No entanto, é
ainda imperfeito e incompleto, dado o número limitado de indicadores simples que o compõem.
Para ultrapassar esta limitação, em 2010, nas Nações Unidas introduziram o IDHAD.

Com a evolução dos tempos, veio-se a verificar a necessidade de alargar os índices para a distinção
dos países, nomeadamente:
 IDHAD - Índice de Desenvolvimento Humano Ajustado à Desigualdade;
 IDG - Índice de Desigualdade de Género;
 IPM - Índice de Pobreza Multidimensional.

Concluindo: o IDH deve ser complementado com o IDHAD, o IDG e o IPM.

IDHAD - Índice de Desenvolvimento Humano Ajustado à Desigualdade.


 Baseia-se nas mesmas dimensões e indicadores em que se baseia o IDH.
 Mede as desigualdades existentes entre a população em cada um dos indicadores que
compõem o IDH.

IDG – Índice de Igualdade de Género


 Mede as desigualdades entre homens e mulheres em três dimensões:

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Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica

o Saúde reprodutiva: medida pelas taxas de mortalidade materna e de fertilidade entre


as adolescentes;
o Autonomia: proporção de lugares parlamentares ocupados por cada género e a
obtenção de educação secundária ou superior por cada género;
o Atividade económica: taxa de participação no mercado de trabalho por cada género.
 Varia entre 0 (mulheres e homens disfrutam de igualdade) e 1 (as mulheres sofrem de uma
desigualdade tão grande quanto possível em todas as dimensões medidas).

IPM – Índice de Pobreza Multidimensional:


 Mede a percentagem da população que é multidimensionalmente pobre, ajustada pela
intensidade das privações.
 Identifica as privações múltiplas em educação, saúde e padrão de vida numa mesma família.

Índice da Educação:
 É a média ponderada do índice de alfabetização de adultos com o índice de escolarização
bruta:

IE = 2/3 índice de alfabetização de adultos + 1/3 índice de escolarização bruta

Limitações dos indicadores

O desenvolvimento é uma realidade multifacetada, sendo muto difícil de caracterizar a sua


complexidade. Os indicadores são sempre imperfeitos e insuficientes, pois não conseguem traduzir a
totalidade da realidade social.
Uma das questões que se coloca à utilização dos indicadores diz respeito à escolha dos dados
estatísticos. Nos países menos desenvolvidos, a qualidade da informação estatística é deficiente,
dadas as dificuldades na recolha e tratamento de dados.

Paridade do Poder de Compra (PPC):


 O PIB per capita medido em Paridade do Poder de Compra (PPC) é um indicador utilizado
para estabelecer comparações internacionais em termos de bem-estar da população.
 É o preço relativo que mede o número de unidades monetárias do país B que são necessárias
nesse país para comprar a mesma quantidade de um bem ou serviço que uma unidade
monetária do país A compraria no país A.

Heterogeneidade de situações de desenvolvimento verificadas nos países


desenvolvidos, países em desenvolvimento e países menos desenvolvidos

O Relatório de Desenvolvimento Humano todos os anos elege um tema aglutinador diferente.

No ano de 2009 o tema eleito foi “Ultrapassar barreiras: Mobilidade e desenvolvimento humanos” e
onde se pode ler logo na sua introdução que o nosso mundo é muito desigual.

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Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica

Crescimento económico moderno

A relembrar…
O problema económico resulta na procura sistemática pela satisfação das necessidades ilimitadas das
pessoas, tendo em conta os recursos limitados disponíveis, bem como a tecnologia que está ao
dispor.

Podemos associar ao problema económico, o facto de quaisquer que sejam as escolhas feitas no
presente, as mesmas condicionarem o bem-estar das gerações futuras.

O século passado caracterizou-se por um enorme progresso tecnológico, que transformou a


economia, com o aumento do produto real a níveis nunca vistos, chegando a valores de 30 vezes
mais.

Atualmente temos ao nosso dispor “bens como o automóvel, a televisão, o computador e o


telemóvel. Usamos aviões para viajar pelo mundo, e comunicamos através da Internet. Temos cada
vez mais qualidade de vida, e as nossas vidas são cada vez mais longas” Silva, J. C. (2008-9, 1).

Com todo o crescimento económico verificado e simultaneamente com a possibilidade de um maior


acesso a bens (aumento do poder de compra) que até há bem pouco tempo eram praticamente
inacessíveis, a sociedade atual contribuiu de uma forma acelerada, para o aumento da dimensão do
mercado quer seja interna ou externamente (economia global).

O aumento da dimensão do mercado externo é resultante dos múltiplos fluxos que caracterizam a
economia global atual.

A sociedade atual é caracterizada pelo grau de conhecimento, como se transmite, pela rapidez e
facilidade com que o faz. A atual sociedade do conhecimento caracteriza-se por trabalhar em rede
originando uma osmose perfeita das várias economias globais, que até há bem pouco tempo faziam
ponto de honra em assumirem-se como autossuficientes e com características peculiares que as
distinguiam umas das outras. Hoje nada se passa assim, pois emergiu uma nova economia à escala
global fruto da sociedade do conhecimento.
Afirma Castells, M. “este sistema tecnológico, no qual estamos plenamente imersos na alvorada do
século XXI, surgiu nos anos 70”, (2002, 65), veio romper brusca e definitivamente com tudo o que até
aquela data era feito.
Assim, foi a partir, particularmente, daquele período, que o contínuo crescimento do nível de vida
das sociedades se processou de uma forma mais sustentada, originando um aumento quer da
qualidade quer da quantidade dos bens e serviços postos à disposição das pessoas.
Este progresso tecnológico tem vindo a ser capaz de provocar um crescimento económico de uma
forma contínua e sustentada. Representa a capacidade de inovação que a sociedade global atual tem
assumido face às alterações havidas quer no processo de produção quer da introdução de novos
bens ou serviços no mercado à escala global.
O crescimento económico ao evoluir de forma contínua e sustentada tem criado condições para que
o investimento (físico e humano) tenha crescido.
O investimento em capital físico representa a aplicação de recursos na aquisição de infraestruturas
(por exemplo, armazéns usados na produção de bens ou na prestação de serviços), ou na compra de
equipamentos, viaturas e processos de fabrico.

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Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica

O investimento em capital humano identifica a utilização de recursos para que os trabalhadores


possam obter mais e melhores conhecimentos e qualificações.

 Fatores de crescimento económico

 Características dos países desenvolvidos associadas ao crescimento económico moderno

As principais características associadas ao crescimento económico moderno dos países desenvolvidos


são as seguintes:
Aumento da produção e da produtividade
Alteração da estrutura da atividade económica
Terciarização da economia
Aumento da dimensão das empresas
Alterações no papel do Estado
Melhoria do nível de vida

Alteração da estrutura da atividade económica

A estrutura da atividade económica de um país está sempre ligada à composição com que os
sectores económicos (primário, secundário e terciário) se apresentam nesse país.
Nesses sectores económicos agem várias instituições (empresas) que produzem bens ou prestam
serviços e que consoante a conjuntura económica do momento, vão alterando a sua composição,
onde uns vêem mais reforçada a sua posição enquanto outros a vêem diminuída.
Tem-se verificado uma relação entre o nível de desenvolvimento de um país e a distribuição da sua
população ativa pelos três sectores. Assim, quanto maior é a população ativa a trabalhar no sector
primário, mais atrasado é economicamente esse país, pois que à medida que o nível de
desenvolvimento cresce, a sua população vai sendo transferida para os sectores secundário e
terciário.
Curiosamente em Portugal, essa tem sido a tendência verificada há já várias décadas.
Ora como as empresas desempenham um papel socioeconómico significativo, sendo fundamentais
na criação de emprego e riqueza, a estrutura empresarial de um país ou região, reflete a composição
do tecido produtivo e permite aferir o grau de diversificação ou especialização económica.
A capacidade de adaptação e de inovação constante das empresas, através da incorporação de saber
e de novas tecnologias, o que pressupõe também a adoção de práticas ambientalmente sustentáveis,
são aspetos chave para garantir a sua competitividade num mercado aberto.

A estrutura da atividade económica de um país está sempre ligada à composição com que os
sectores económicos (primário, secundário e terciário) se apresentam nesse país.
Nesses sectores económicos agem várias instituições (empresas) que produzem bens ou prestam
serviços e que consoante a conjuntura económica do momento, vão alterando a sua composição,
onde uns vêem mais reforçada a sua posição enquanto outros a vêem diminuída.
Tem se verificado uma relação entre o nível de desenvolvimento de um país e a distribuição da sua
população ativa pelos três sectores. Assim, quanto maior é a população ativa a trabalhar no sector
primário, mais atrasado é economicamente esse país, pois que à medida que o nível de
desenvolvimento cresce, a sua população vai sendo transferida para os sectores secundário e
terciário.

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Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica

Curiosamente em Portugal, essa tem sido a tendência verificada há já várias décadas.


Ora como as empresas desempenham um papel socioeconómico significativo, sendo fundamentais
na criação de emprego e riqueza, a estrutura empresarial de um país ou região, reflete a
composição do tecido produtivo e permite aferir o grau de diversificação ou especialização
económica.
A capacidade de adaptação e de inovação constante das empresas, através da incorporação de
saber e de novas tecnologias, o que pressupõe também a adoção de práticas ambientalmente
sustentáveis, são aspetos chave para garantir a sua competitividade num mercado aberto.

Em Portugal e à semelhança de quase todos os países desenvolvidos, tem-se verificado um reforço


gradual do sector terciário.
Já no Boletim Informativo, n.º 8 – Agosto de 2008 – pág. 4, se podia ler: “a estrutura sectorial da
economia, fornecida pela criação de Valor Acrescentado Bruto (VAB) por sector de atividade,
sinaliza o reforço da terciarização da economia nacional. Com efeito, em 2006, o VAB do sector
primário não cresceu em termos relativos, mantendo-se nos 2,8% do VAB, e o sector secundário
registou uma quebra ligeira face a 2005, passando dos 33,1% para os 32,7%. Por seu turno, o sector
dos serviços reforçou o seu peso na estrutura do VAB nacional, passando dos 72,6% em 2005 para
os 72,9% em 2006”, (http://www.idr.gov-madeira.pt/pt/ficheiros/boletim/Agosto2008.pdf, acesso
em 2010/02/14).

Aumento da dimensão das empresas


Atualmente a globalização tem colocado na ordem do dia fenómenos como sejam o da integração e
o da interação; se juntarmos também a crescente complexidade dos mercados e dos negócios; se
levarmos também em conta que a escala é, cada vez mais, um fator competitivo estratégico
podemos observar o seguinte: as vagas de desenvolvimento que se vislumbram implicam um
alargamento de cenários que muitas das vezes só é alcançado com mudança de dimensão.
Neste âmbito, é crucial para uma gradual competitividade que se manifesta na economia que as
empresas portuguesas aumentem a sua dimensão para poderem ter capacidade de resposta face a
uma procura cada vez mais exigente que passa essencialmente por uma: escala global face a um
mercado cada vez mais alargado, adaptabilidade rápida perante as necessidades surgidas, crescente
produtividade face uma procura mais exigente (baixo custo de produtos de elevado valor).

As economias têm vindo a aproximar-se umas das outras, embora a ritmos diferentes, face a uma
globalização, que é cada vez mais preponderante no sistema económico global.
Este cenário tem vindo assim a aproximar as diferentes conceções que se colocam sobre que papel
está reservado à atuação ao Estado atual. No entanto, não tem havido consonância sobre que
sentido dar a esta problemática. Assim, desde as conceções que defendem uma atuação mais
intervencionista até às mais liberais, surge a ideia, que a ação do Estado está limitada, que tem de ser
alterada, de forma a deixar de ser identificada como ultrapassada e antiquada, por isso pouco
produtiva e ineficiente, incapaz desse modo de influenciar o funcionamento normal da Economia.
É normal que perante tal cenário surjam duas posições diferentes: uma identificada com os que
defendem que o papel do Estado passe a ser mais redutor face a uma globalização prevalecente
acarretando por isso benefícios à Economia. Pelo contrário, outros sustentam, que a redução do
papel do Estado transportaria maiores desigualdades sociais, uma vez que a competitividade manter-
se-ia, mas graças a salários mais baixos.

Melhoria do nível de vida


O conceito de nível de vida identifica-se com “a capacidade de um indivíduo possuir, com o seu
rendimento, um determinado conjunto de bens e de serviços. O seu poder de compra é, portanto,
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Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica

determinado pela relação existente entre o rendimento de que dispõe e o preço dos bens de
consumo que podem ser adquiridos com esse rendimento.”
Neste âmbito para a determinação do nível de vida de uma pessoa ou população utilizam-se quer
indicadores de natureza qualitativa quer quantitativa, que indicam as condições reais de existência
dessa pessoa ou população.
São vários os indicadores possíveis de utilização para medir o nível de vida. Os mais comuns são:
taxas de evolução do PNB e Rendimento per capita, nível de salários reais, esperança de vida, taxa
de mortalidade infantil, número de médicos por mil habitantes, número de automóveis por mil
habitantes, etc.
Pode-se afirmar então com certa segurança que o nível de vida traduz as condições reais com as
pessoas lidam o seu dia-a-dia.

Formadora: Tatiana Terron Ribeiro 14


Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica

3. Ciclos de crescimento económico


 Noção
Os ciclos de crescimento económicos são identificados pelas flutuações que se dão em termos
globais quer do produto, do rendimento e do emprego, cuja duração média habitual situa-se entre 2
a 10 anos, podendo ser caracterizada através da expansão ou contração generalizada que tem lugar
na maioria dos sectores da atividade económica.
Os ciclos económicos nunca são exatamente iguais, embora muitas vezes apresentem padrões
comuns. Apresentam frequentemente os chamados “picos altos” e os “picos baixos” que são
identificados como sendo pontos de viragem dos ciclos.
As fases dos ciclos económicos podem assumir duas formas: a expansão e a recessão.
Uma contração generalizada na atividade económica pode ter duas origens: a recessão que é
identificada por um período de declínio contínuo em termos globais quer do produto, do rendimento
e do emprego, cuja duração se situa entre 6 meses a um ano e que se expande a uma vasta gama de
sectores de uma dada economia, enquanto a depressão é sempre mais gravosa pois é mais intensa e
possui uma maior duração. Pode-se mesmo afirmar que uma depressão é uma recessão em grande
escala (intensidade e duração).
Quando a atividade económica de um país recupera após um período de recessão, diz-se que entra
em expansão. Esta fase surge sempre após se ter dado o “pico baixo” da recessão. Quando a
expansão atinge o seu “pico alto” começa a decrescer entrando novamente numa fase de recessão.
NOTA: consultar o esquema fornecido nas aulas.
No nosso dia-a-dia lidamos cada vez mais com os chamados desenvolvimentos do ciclo económico.
Mas se repararmos bem, estes dados, geralmente, são publicitados em referência a economias
avançadas, pois são estas que constituem o ponto de referência para as chamadas economias em
desenvolvimento.

São os dados apresentados em forma de taxas ou de índices, que constituem os indicadores de


referência por excelência para se poderem realizar comparações entre, por exemplo, o nível de
desenvolvimento ou o grau de desempenho entre países. Os países mais desenvolvidos apresentam
economias onde “acumulam cada vez maiores quantidades de equipamento, alargam as fronteiras
do conhecimento tecnológico e tornam-se cada vez mais produtivas” como sustentam Samuelson, &
Nordhaus, (2005, 555).

São, portanto, os países mais desenvolvidos que conseguem providenciar um melhor nível de vida
aos seus cidadãos: melhor alimentação e mais equilibrada, qualidade habitacional, disponibilização
de mais recursos para a educação e saúde, políticas ecológicas para o ambiente e melhores pensões
para os seus cidadãos reformados.

Mas esta realidade não se aplica aos países ditos menos desenvolvidos pois apresentam na sua
generalidade um reduzido rendimento per capita que se reflete num fraco nível de vida para os seus
cidadãos: poucos recursos aplicados quer na educação, quer na saúde, baixos níveis de alfabetização,
deficiente dieta alimentar, com um nível de pobreza muito acentuado refletindo-se em fome e
miséria para largas camadas da população e apresentam uma taxa de poupança muito baixa, que
como consequência acarreta um nível de capital baixo e portanto, com fraco investimento.

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Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica

 Fases

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Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica

4. Desenvolvimento humano e sustentável

 Limites ao crescimento económico: problemas ambientais e esgotamento dos recursos


naturais
Os principais problemas ambientais vividos hoje no mundo atual são consequência direta da
intervenção humana no planeta e nos ecossistemas, causando desequilíbrios ambientais no planeta,
dificultando a vida às gerações atuais, mas principalmente, comprometendo, talvez em definitivo, as
gerações vindouras.
Um dos principais problemas vividos pela humanidade nos dias de hoje é o efeito estufa, trata-se de
um fenómeno decorrente do aprisionamento da energia solar que deveria ser dissipada de volta para
o espaço, mas que permanecem na atmosfera em função do aumento da concentração dos
chamados gases estufa.
Nas últimas décadas tem-se discutido acerca dos impactos ambientais da atividade humana,
particularmente os que estão relacionados com as alterações climáticas e a biodiversidade, mas tem-
se deixado de parte os que se relacionam com a diminuição dos recursos básicos para os seres
humanos.
De uma forma geral tem-se ignorado o esgotamento de recursos e o crescimento da população que
têm continuado a aumentar de um modo implacável.
Talvez a questão mais pertinente esteja ligada ao declínio verificado nos reservatórios de petróleo,
perante uma produção global que parece ter atingido o seu pico máximo de produção, estando agora
a declinar de uma forma sustentada.
Ora como o petróleo é a nossa principal matéria-prima fácil é de admitir que esgotando-se este, irão
ser colocados limites ao crescimento económico atual.
Em termos de utilização de transportes, a não ser que se utilizem sapatos de couro ou bicicletas,
tudo depende do consumo de petróleo. Mesmo até os próprios sapatos que são fabricados
atualmente utilizam petróleo. A produção alimentar é muito intensiva em consumo de energia, o
vestuário, o mobiliário e até a maior parte dos produtos farmacêuticos são feitos de e com o recurso
ao petróleo. A maior parte das atividades económicas cessariam se deixasse de existir petróleo. O
desemprego subiria para valores impensáveis caso se verificasse uma descida na produção de
petróleo.
O mundo já passou por três períodos onde a crise petrolífera acarretou problemas graves à atividade
económica. Os dois primeiros aconteceram na década de 70 (originando filas intermináveis nas
bombas de gasolina/gasóleo) e uma outra mais recente, que teve lugar no Verão de 2008, que
resultou de três anos de fraca produção de petróleo, tendo sido aliviada apenas porque o colapso
financeiro, que surgiu, originou uma quebra acentuada na sua procura.
O petróleo ainda não tem um qualquer substituto digno desse nome, pelo menos à escala que é
necessária e a maior parte dos substitutos que existem, apresentam uma fraca performance em
energia líquida.
Existe um potencial considerável para as fontes renováveis (hidroelétrica e carvão) mas representam
apenas cerca de 1% da energia utilizada mundialmente, enquanto o aumento anual verificado da
utilização da maior parte dos combustíveis fósseis é substancialmente muito maior do que a
produção total de eletricidade de turbinas eólicas e do fotovoltaico. Para além disso as novas fontes
de “energia verde” têm aumentado mas registam este aumento em conjunto com as fontes
tradicionais (em vez de as substituir).

 Desigualdades de desenvolvimento a nível mundial

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Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica

Contrastes de desenvolvimento

O mundo atual caracteriza-se por apresentar diferentes níveis de desenvolvimento.


Nem todos os países apresentam o mesmo nível de riqueza e de bem-estar da sua população.
Existem diferenças alarmantes entre os níveis de desenvolvimento, marcadas pelos valores dos
indicadores que as identificam.
Há contrastes na distribuição dos indicadores demográficos ligados à satisfação das necessidades
básicas da população tais como: ao acesso a água potável e ao saneamento, à saúde e assistência
médica a nível mundial, à educação e instrução a nível mundial, à esperança média de vida, à taxa de
mortalidade infantil.
Estes contrastes têm vindo a aumentar pese embora o esforço de algumas organizações como é o
caso da Organização das Nações Unidas e das Organizações Não Governamentais.

 Países desenvolvidos: situações de pobreza e de exclusão social


A situação de pobreza ocorre quando um determinado indivíduo ou grupo se encontra num patamar
cujo nível se situa abaixo do rendimento mínimo, que não lhe permite comprar os bens essenciais
para a sua sobrevivência diária.
A pobreza pode manifestar-se por duas formas mais comuns: pobreza primária - quando o
rendimento obtido permite apenas alcançar a manutenção mínima de sobrevivência, ainda que se
situando ao mais baixo nível; a pobreza secundária – este ocorre quando o rendimento é suficiente
para satisfazer as necessidades básicas, mas devido a má administração dos rendimentos, estas não
são satisfeitas com um mínimo grau de realização desejável.
A pobreza que grassa a nível mundial não resulta apenas de uma só causa, mas sim de um conjunto
de fatores cujas origens são diversas: fatores político-sociais - consistem particularmente em
corrupção, inexistência ou mau funcionamento de um sistema democrático e fraca igualdade de
oportunidades (por exemplo, na existência de alguns governos não democráticos); fatores
económicos – materializam-se na exploração dos pobres pelos ricos e num sistema fiscal inadequado
e representam quer um peso excessivo para a economia quer tornando-se socialmente injustos, não
aplicando uma repartição justa aos rendimentos auferidos (por exemplo, impostos que são lançados
e não respeitam o princípio da progressividade); fatores sócio culturais – consistem, por exemplo, na
discriminação social relativamente ao género ou à raça, e também a valores predominantes na
sociedade, que originam a exclusão social (por exemplo, em países onde o acesso da mulher ao
mercado de trabalho é dificultado; fatores naturais - consistem nos desastres naturais e nas doenças
que se verificam a nível mundial (como foram os casos do recente terramoto do Haiti ou na
pandemia da gripe h1n1); fatores de insegurança - existem devido ao surgimento de guerras,
genocídio e crime (por exemplo, a intervenção militar no Iraque ou a guerra no Afeganistão)

Quanto à exclusão social entende-se como a privação, falta de recursos ou, de uma forma mais
abrangente, ausência de cidadania, participação plena na sociedade, aos diferentes níveis em que
esta se organiza e se exprime podendo assumir uma vertente ambiental, cultural, económica, política
e social.
São vários os fatores que podem contribuir para a origem da exclusão social, tais como: o
desemprego - quando este atinge longa duração, e que pode incluir trabalhadores com diferentes
qualificações profissionais. O desemprego é mais grave quando se refere a pessoas mais velhas e que
têm geralmente menos qualificações. Neste caso dá-se o nome de desemprego de exclusão uma vez
que as possibilidades de conseguirem encontrar outra vez trabalho são muito reduzidas.

Formadora: Tatiana Terron Ribeiro 18


Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica

A falta de alojamento - esta hipótese aplica-se mais aos sem-abrigo, que habitam em sítios sem
condições, como bairros degradados, onde não têm condições de higiene ou de comodidade. Este
caso é na sociedade atual bastante significativo, nomeadamente nas grandes cidades.
O analfabetismo – este caso surge quando as pessoas que não sabem ler ficam em desvantagem
relativamente às outras pois não têm conhecimentos considerados necessários para poderem
participar na vida social e económica.
Na sociedade atual os governos têm apoiado o chamado “combate à pobreza e à exclusão social”
que consiste no desenvolvimento de esforços no sentido de resolver e minimizar situações de
pobreza e de exclusão social. Entre os elementos que mais se têm destacado salientam-se: o próprio
Estado, as instituições particulares de solidariedade social, as autarquias locais e as associações
locais.

 Desenvolvimento humano e sustentável: noção e importância

A discussão sobre os limites do crescimento económico remonta ao início da década de 1970. Vários
pensadores e economistas publicaram, em 1972, um extenso relatório intitulado Limites do
Crescimento, editado pelo Clube de Roma e que evidenciava a completa falta de sustentabilidade
dos padrões de consumo.
A Comissão Mundial de Desenvolvimento e Meio Ambiente das Nações Unidas, refere que o
desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da população
mundial atual sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações.
O conceito de desenvolvimento sustentável “é um conceito sistémico que se traduz num modelo de
desenvolvimento global que incorpora os aspetos de desenvolvimento ambiental no modelo de
desenvolvimento socioeconómico. Foi usado pela primeira vez em 1987, no Relatório Brundtland, um
relatório elaborado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criado em
1983 pela Assembleia das Nações Unidas”
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_sustent%C3%A1vel, acesso em 2010/2/16)

(http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8a/Desenvolvimento_sustent%C3%A1vel.svg,
acesso em 2010/2/16)

NOTA: consultar o esquema fornecido nas aulas.

O desenvolvimento sustentável para ser alcançado, depende simultaneamente do planeamento e do


reconhecimento que os recursos naturais são efetivamente finitos.
O surgimento deste conceito acarretou uma nova forma de encarar o desenvolvimento económico,
pois leva em consideração o meio ambiente.
Frequentemente o desenvolvimento económico é confundido com crescimento económico, mas é
uma questão errada, uma vez que associado ao conceito de crescimento surge o consumo crescente
de energia e recursos naturais.
Ora esse tipo de crescimento deixa de ser considerado sustentável, pois pode originar ao
esgotamento dos recursos naturais, comprometendo assim de uma forma irremediável as gerações
futuras.
A preocupação apenas pelo crescimento económico pode dar origem a atividades económicas
florescentes mas que ignoram os princípios básicos para a utilização equilibrada de recursos naturais
dos países. Ora a recorrência desses recursos faz depender não só a própria sobrevivência do homem
e a riqueza da diversidade biológica, como também o próprio crescimento económico equilibrado.

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Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica

Concluindo, o próprio desenvolvimento sustentável implica efetivamente, qualidade em detrimento


da quantidade, através da utilização equilibrada e mesmo de redução de matérias-primas e produtos
e ao incentivo para o aumento da sua reutilização e reciclagem.

Formadora: Tatiana Terron Ribeiro 20


Crescimento, Desenvolvimento e Flutuações da Atividade Económica

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