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Frei Luís de Sousa de Almeida Garret

Almeida Garret
Dramaturgo, poeta, romancista e político, Almeida Garrett representa um tempo de transição
entre o Neoclassicismo e o Romantismo, sendo o primeiro a introduzir em Portugal a nova
estética romântica.

Cronologia de Almeida Garret


1799 – João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett nasce a 4 de fevereiro, no Porto, no
seio de uma família burguesa e culta.

1809 – Por razões políticas, a sua família refugia-se na Terceira, fugindo à segunda invasão
francesa. Nos Açores recebe formação cultural disciplinada pela figura austera do tio bispo, D.
Frei Alexandre da Sagrada Família.

1816 – Parte para o Continente e inscreve-se na Faculdade de Leis, em Coimbra, onde


vivenciará experiências culturais determinantes.

1820 – Assume-se como seguidor dos ideais liberais, participando entusiasticamente na


Revolta liberal, no Porto.

1821 – Conclui a licenciatura em Direito. Publica, em Coimbra, o poema libertino O Retrato de


Vénus, trabalho que o leva a ser acusado de materialista, ateu e imoral, bem como de «abuso
da liberdade de imprensa», de que será absolvido no ano seguinte.

1823 – A Vilafrancada, golpe militar de D. Miguel que põe fim à primeira experiência liberal em
Portugal, leva Garrett para o seu primeiro exílio, em Inglaterra, mudando-se depois para
França, onde escreve Camões e D. Branca.

1828 – A um breve regresso a Portugal segue-se um segundo exílio, na sequência do


restabelecimento do regime absoluto por D. Miguel. Garrett volta a Inglaterra e a França, de
onde parte para a Terceira, integrado no exército liberal comandado por D. Pedro IV.

1833 – É nomeado secretário da comissão de Reforma Geral dos Estudos.

1834 – É nomeado cônsul-geral e encarregado de negócios na Bélgica.

1835 – Regressa a Portugal.

1836 – Depois do triunfo da Revolução de Setembro, Garrett é responsável por várias reformas
nas artes, tendo proposto a organização de uma Inspeção-Geral dos Teatros, a edificação do
Teatro D. Maria II, a criação do Conservatório Geral de Arte Dramática, entre outras.

1842 – O escritor opõe-se à restauração da Carta proclamada no Porto por Costa Cabral. É
eleito deputado nas eleições para a nova Câmara dos Deputados cartista.
1843 – Ataca violentamente o governo cabralista, comparando-o ao absolutista. Apresenta,
pela primeira vez, a peça Frei Luís de Sousa, no Conservatório Nacional. Começa a publicar, na
Revista Universal Lisbonense, as Viagens na Minha Terra.

1851 – É agraciado com o título de Visconde e de Par do Reino, já no tempo da Regeneração.

1852 – É eleito novamente deputado e nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros.

1854 – Realiza, em março, a sua última intervenção no Parlamento.


Morre em Lisboa, a 9 de dezembro.

Contextualização histórica de Almeida Garrett


Em Portugal, o Romantismo está diretamente ligado às lutas liberais, porque os
escritores românticos mais representativos deste movimento estético – Garrett e Herculano –
foram combatentes liberais. Qualquer destes escritores foi exilado político na altura das lutas
liberais, tendo vivido em França e Inglaterra. Ao regressarem, trouxeram consigo os ideais
deste novo movimento estético-literário que introduziram em Portugal.
Assim, Almeida Garrett, assim como as suas obras, estão inseridas em pleno período
liberalista português, nos primórdios da corrente romantista, e no período pré-regeneração
(período da Monarquia Constitucional portuguesa que se seguiu à insurreição militar de 1
de Maio de 1851 que levou à queda de Costa Cabral e dos governos liberais extremistas
de esquerda), o que evidencia marcas romantistas nas suas obras.

Características do Romantismo

1. O individualismo – O “eu” é o valor máximo para os românticos. Por isso, o romântico


afirma o culto da personalidade (egocentrismo), da expressão espontânea de
sentimentos, do confessionalismo e a subjetividade.
2. O idealismo – O romântico aspira ao infinito e a um ideal que nunca é atingido. Por
isso, valoriza o devaneio e o sonho.
3. A inadaptação social – Por isso, mantêm uma atitude de constante desprezo e rebeldia
face à realidade e às normas estabelecidas, considerando-se inadaptado e vítima do
destino.
4. Privilegia a liberdade como um valor máximo – Contrariamente ao classicismo que
cultiva a razão, o romântico cultiva o sentimento e a liberdade, daí a expressão “Viva a
liberdade!”.
5. A atração pela melancolia, pela solidão e pela morte como solução para todos os
males.
6. A sacralização do amor – O amor é um sentimento vivido de forma absoluta, exagerada
e contraditória, precisamente por ser um ideal inatingível. A mulher ou é um ser
angelical bom (mulher-anjo, que leva à salvação), ou é um ser angelical mau (mulher-
demónio, que leva à perdição).
7. O “mal du siède” ou o “spleen” – É o pessimismo, o cansaço doentio e melancólico, a
solidão, uma espécie de desespero de viver, resultante da posição idealista que
mantém perante a vida. Por isso, o romântico é sempre um ser incompreendido que
cultiva o sofrimento e a solidão.
8. O gosto pela natureza noturna – Para os românticos, a natureza é a projeção do seu
estado de alma, em geral tumultuoso e depressivo. Assim, esta é representada de
forma invernosa, sombria, agreste, solitária e melancólica (“locus horrendus”),
contrariamente ao “locus amoenus” dos clássicos, que é uma natureza luminosa,
harmoniosa e primaveril. Esta natureza noturna traduz a atração que o romântico tem
pela própria morte.
9. O amor a tudo o que é popular e nacional – Para o romântico, é no povo que reside a
alma nacional. Daí o gosto pela Idade Média, pelas lendas, pelas tradições, pelo
folclore, por tudo o que é nacional.
10. A linguagem é declamativa e teatral, porém o vocabulário é muitas vezes mais corrente
e familiar.

Frei Luís de Sousa

Contextualização histórico-literária de Frei Luís de Sousa


Em 1578, o rei D. Sebastião desapareceu na batalha de Alcácer-Quibir. Não tendo deixado
herdeiros, houve uma longa disputa pela sucessão. Entre os pretendentes, estava Filipe de
Espanha, que acabou dominando Portugal e dando início ao período Filipino. Assim, Frei Luís
de Sousa encontra-se inserida no momento em que Portugal estava sob o domínio espanhol,
devido ao desaparecimento de D. Sebastião, e sofria dos conflitos entre este pais com a
Inglaterra. Para além disso, abatia-se sobre Lisboa a “peste”. Devido ao não aparecimento de D.
João de Portugal, a sua esposa casa com Manuel de Sousa Coutinho com quem tem uma filha:
Maria.

A dimensão patriótica e a sua expressão simbólica

O patriotismo é um dos temas de Frei Luís de Sousa. A ação do drama é marcada pela situação
do País em fins do século XVI, época em que se encontra sob dominação de Espanha, e pelos
sentimentos de amor nacional que esta realidade política desperta nas personagens.
A situação política de Portugal tem grande importância na ação da peça, tendo em conta que
D. Manuel de Sousa Coutinho, Telmo e Maria desejam a independência do Reino e não aceitam
a governação espanhola; o protagonista recusa-se mesmo a colaborar com os governadores ao
serviço do rei estrangeiro e a afronta-os incendiando a sua própria casa. Numa das linhas de
ação da peça, a tensão dramática resulta deste conflito.
A própria ideia de Portugal é assumida como tema desta obra de Garrett, que se assume como
a tragédia coletiva de um povo. Frei Luís de Sousa apresenta uma reflexão sobre a nação
portuguesa, uma nação que tinha sido grande mas que, na época histórica da ação do drama,
perdera a soberania política e se encontrava em estado de hibernação, esperando ressurgir…
caso ainda fosse possível.
A peça constrói a ideia de que Portugal deixou de existir durante a Dinastia Filipina e é um
mero fantasma (é «Ninguém!») que alguns creem poder ressuscitar (Lourenço, 2013: 86): o
Reino perdeu a sua independência e espera recuperá-la com a chegada de D. Sebastião, que,
na verdade, morreu na Batalha de Alcácer-Quibir.
A família de D. Manuel de Sousa Coutinho representa simbolicamente a tragédia coletiva de
Portugal. Os protagonistas, Maria e Telmo, anseiam pela liberdade e pelo ressurgimento da
pátria. O velho aio deseja que o seu antigo amo, D. João de Portugal — que representa
simbolicamente D. Sebastião —, esteja vivo e regresse. Porém, hesita quando dá conta de que
o seu regresso trará a ruína da família.
Desta forma se inculca que o velho Portugal, que morreu em Alcácer-Quibir — o Portugal de D.
Sebastião e de D. João —, já não conseguirá um novo ímpeto e fazer ressurgir a Nação; trata-se
apenas de um fantasma sem sentido que está preso na saudade e na ideia de passado. Por
outro lado, o novo Portugal, representado por D. Manuel, D. Madalena e Maria, acaba por não
ser a solução para o problema da Nação, pois estas personagens morrem (física ou
simbolicamente) e com eles morre a esperança de futuro de um novo País.

O Sebastianismo: história e ficção

Devemos assinalar o patriotismo de Garrett, que exprime nesta peça o seu sentimento
nacional, o orgulho por temas pátrios e o seu combate pela liberdade no período da política
autoritária e opressiva do governo de Costa Cabral (1842-46). O olhar crítico sobre uma época
do passado (Dinastia Filipina) alude indireta e criticamente às circunstâncias políticas da época
da escrita da peça (1843-44).
A ação de Frei Luís de Sousa decorre vinte e um anos após a histórica Batalha de Alcácer-Quibir
(1578), em que morreu o rei D. Sebastião e parte da nobreza nacional. A batalha teve
consequências diretas na perda da soberania nacional, pois Portugal foi politicamente anexado
a Espanha em 1580.
O sebastianismo consiste, inicialmente, na crença de que o jovem rei, que morre em Alcácer-
Quibir, regressará não só para recuperar a independência de Portugal como também para dar
um novo impulso ao Reino a fim de conseguir que este saia do estado de ruína e marasmo em
que se encontra. Nesta vertente, trata-se de uma crença messiânica pois parte do princípio de
que a salvação da pátria e de um povo está nas mãos de uma figura (histórica ou lendária) e
que ela fará renascer a Nação a partir das cinzas e a conduzirá num caminho glorioso.
Com o passar dos tempos, o sebastianismo já não se referirá ao regresso físico de D. Sebastião,
mas sim à chegada de uma personagem que assumisse esta função salvadora ou a uma ideia
que desempenhasse esse papel, como sucede com o mito do Quinto Império, de que Vieira e
Fernando Pessoa trataram.
Em Frei Luís de Sousa, D. João de Portugal não regressa de Alcácer-Quibir, é feito prisioneiro e
só voltará vinte e um anos depois à Pátria, com D. Madalena casada em segundas núpcias,
desencadeando assim as consequências trágicas que se conhecem. D. João alude
simbolicamente a D. Sebastião, e o seu regresso serve para especular sobre as consequências
do regresso do antigo rei.
Nesta peça de Garrett, o sebastianismo é perspetivado de forma crítica e negativa. Por um
lado, porque a saudade deste velho Portugal, que Telmo protagoniza, não traz a solução para o
problema da Pátria. Por outro, porque o regresso de D. João (e da ideia de uma nação
decadente) impossibilita que se opere a mudança e o surgimento de um novo Portugal (de
Madalena, Manuel e Maria) que consiga triunfar.

Recorte das personagens principais

Personagem modelada (a que se aproxima do modelo humano)

Personagem plana (tem características que obedecem a um padrão)

Personagem tipo (representativo de uma classe social)

1.D. Madalena (personagem principal e plana)- Nobre: família e sangue dos Vilhenas;
Sentimental: deixa-se arrastar pelos sentimentos muito mais do que pela razão.

D. Madalena vive numa grande instabilidade emocional: o terror que lhe provoca a
possibilidade de regresso de D. João nunca a deixa desfrutar da felicidade de viver ao lado do
homem que ama. Os seus receios são alimentados pelas contínuas alusões de Telmo à
iminente vinda daquele que considerava como o verdadeiro amo. A tensão nervosa em que
vive mergulhada é também aumentada pelo pecado que lhe pesa na consciência: o facto de se
ter apaixonado por D. Manuel de Sousa Coutinho enquanto ainda era casada com D. João.
Muito embora se tenha mantido fiel ao seu marido, considera que o facto de amar
secretamente D. Manuel era já uma traição. O sofrimento é ainda intensificado pelo profundo
amor que sente pela filha, na medida em que tem consciência de que o regresso de D. João —
ou a simples noção da sua existência — a poderiam matar.
A sua crença no oculto leva-a a entrever presságios de desgraça em vários acontecimentos 
aparentemente fortuitos.
Apesar de parecer psicologicamente mais frágil do que D. Manuel, curiosamente, é ela quem,
no fim, se mostrará mais revoltada por ser forçada a separar-se do marido e a ingressar no
convento. 
Ao contrário de D. Manuel, mantém até ao último momento a esperança de evitar o desenlace
trágico.
Marcas psicológicas: angústia, remorso, inquietação, insegurança, amor, medo e horror à
solidão e é uma personagem tendencialmente modelada porque apresenta bastante densidade
psicológica

2. D. Manuel de Sousa Coutinho (personagem principal e plana)- Nobre: cavaleiro de Malta


(só os nobres é que ingressavam nessa ordem religiosa); Racional: deixa-se conduzir pela
razão no que contrasta com a sua mulher; Bom marido e pai terno; Corajoso, audaz, patriota
e decidido; Até à vinda do romeiro, representa o herói clássico racional, equilibrado e sereno.
A razão domina os sentimentos pela ação da vontade
Esta personagem é, tal como D. Madalena, uma figura de grande densidade psicológica, o que
se manifesta nos contrastes que marcam sua personalidade. Todo o seu discurso se pauta por
uma racionalidade e lucidez que se traduzem na recusa dos agouros e de qualquer sentimento
de culpa em relação ao passado. Apesar disto, até ele se mostra desagradado quando Maria
lhe fala na possibilidade de regresso de D. Sebastião, o que demonstra que, na realidade, não
estava absolutamente convicto de que D. João tinha morrido na Batalha de Alcácer-Quibir. O
ceticismo que mostra em relação aos presságios é também contrariado quando recorda que o
pai fora morto pela própria espada, interrogando-se sobre se também ele não será vítima do
fogo que ateou.
O heroísmo que demonstra ao atrever-se a enfrentar abertamente os governadores
portugueses ao serviço de Castela parece esbater-se aquando do regresso de D. João: ao
contrário de D. Madalena, o seu sofrimento não o impede de aceitar com resignação a solução
de ingressar numa ordem religiosa.
Finalmente, a cultura revelada por D. Manuel e o seu amor às letras funcionam como
prenúncios de que se irá converter num dos maiores prosadores da literatura portuguesa.

3.Maria(personagem principal e plana)- Nobre: sangue dos Vilhenas e dos Sousas;


Precocemente desenvolvida, física e psicologicamente; Doente: tuberculose, a doença dos
românticos; Culto de Camões: evoca constantemente o passado, Culto de D. Sebastião:
martiriza a mãe involuntariamente; Poderosa intuição e dotada do dom da profecia; Modelo da
mulher romântica: a mulher-anjo bom.

Maria é uma menina muito inteligente e precoce para a sua idade.


Tendo sido criada por Telmo, tem-lhe um amor profundo, partilhando da sua crença no
regresso de D. Sebastião. 
Maria acredita ter a capacidade de desvendar o oculto, traço que, supostamente, é 
agudizado pelo aumento da sensibilidade que o facto de estar tuberculosa lhe proporciona. A
sua intuição apurada leva-a a compreender que há algo que toda a família lhe quer ocultar,
no intuito de a proteger.
A coragem que demonstra quando incita o pai a queimar o palácio manifesta-se também no
fim, quando enfrenta as convenções sociais e as próprias convenções religiosas, afirmando
que nada justifica a destruição de uma família.
Apesar da sua força interior, a sua fragilidade física não lhe permite sobreviver ao desgosto de
descobrir que é filha ilegítima, acabando por morrer de vergonha

4. Telmo (personagem secundária e modelada)- Não nobre: escudeiro; Ligado sempre à


nobreza; Confidente de D. Madalena; Elo de ligação das famílias; Chama viva do passado:
alimenta os terrores de D. Madalena; Desempenha três funções do coro das tragédias clássicas:
diálogo, comentário e profecia;

Telmo tem como que uma dupla personalidade (uma personalidade convencional e outra
autêntica). A personalidade convencional é a imagem com que Telmo se construiu para os
outros, através dos tempos (a do escudeiro fiel). A personalidade autêntica é a sua parte
secreta, aquela que ele próprio não conhecia, e que veio à superfície num momento trágico da
revelação em que Telmo teve que decidir entre a fidelidade a D. João de Portugal ou a
fidelidade a Maria.
O escudeiro destaca-se, numa fase inicial, pela sua severidade, que o leva a criticar D.
Madalena por se ter casado segunda vez sem estar certa da morte do primeiro marido e
mesmo a sugerir que, em consequência disto, Maria poderia não ser uma filha legítima.
No entanto, a inflexibilidade que revela (e que se manifesta, por exemplo, no facto de nunca
mentir) virá a ser quebrada aquando da chegada do Romeiro. Confrontado com a necessidade
de salvar Maria, apercebe-se de que já a amava mais do que ao primeiro amo. Assim, dispõe-
se, pela primeira vez na vida, a mentir, em nome dos afetos. É interessante verificar que, desta
forma, se humaniza, aproximando-se de D. Madalena, a quem tanto criticara anteriormente, na
medida em que se apercebe de que o amor por vezes se sobrepõe aos princípios morais.

5. Frei Jorge (personagem secundária e plana)-É confidente e conselheiro e à semelhança do


coro clássico, faz comentários aos factos; Presente o desenlace trágico, contribuindo assim para
que os acontecimentos sejam suavizados por uma perspetiva cristã.

Tal como o irmão, Frei Jorge caracteriza-se pela sensatez, procurando sempre auxiliar a família.
A personagem tem um papel determinante na resolução do conflito entre D. Manuel e os
governadores ao serviço de Castela.
No Ato Terceiro, quando D. Manuel se verga ao peso da desgraça, é Frei Jorge quem toma
todas as providências para que o irmão e D. Madalena ingressem no convento — procurando,
simultaneamente, amparar a família e funcionar como intermediário entre as personagens.
Apesar de se comover com o sofrimento a que assiste, Frei Jorge mostra-se inflexível na
obediência aos seus princípios, recusando qualquer solução que passasse pela mentira, mesmo
que esta lhe permitisse impedir a catástrofe. Com efeito, considera que a entrada na vida
religiosa proporcionará a D. Manuel e a D. Madalena o consolo e a redenção de que
necessitavam.

6. D. João de Portugal (personagem principal, plana e central)- Nobre: família dos Vimiosos;
Cavaleiro: combate com o seu rei em Alcácer Quibir; Ama a pátria e o seu Rei; Representante
da época de oiro portuguesa; Imagem da Pátria cativa.

D. João é uma personagem dupla. Por um lado, é uma personagem abstrata porque só por si
não participa no conflito. Por outro, é uma personagem concreta, porque mesmo ausente ele é
a força desencandadora de toda a energia dramática da peça, permanecendo
permanentemente em cena através das outras personagens (através das evocações de
Madalena, das convicções de Telmo, do Sebastianismo de Maria, das crenças, dos agouros e
dos sinais).
Este fidalgo, apesar de ser considerado pelas outras personagens como uma figura digna de
temor pela dignidade e rigidez na fidelidade aos seus princípios, acaba por revelar-se muito
humano. Confrontado com o facto de que D. Madalena tinha feito todos os esforços para o
procurar e de que ela tinha uma filha, mostra-se disposto a anular a sua própria existência para
salvar toda a família da catástrofe.
Dimensão trágica

No que diz respeito à intriga trágica, é interessante verificar que há uma concentração de
personagens, de espaço e de tempo, como vimos, de modo que nada seja supérfluo e que tudo
contribua para a intensificação da tensão dramática.
De notar que, de acordo com os factos históricos, D. Madalena tivera três filhos do primeiro
casamento, que são aqui eliminados, para que a aniquilação de Maria represente, de facto, o
extermínio completo da família.
Da mesma forma, todo o desenrolar da ação converge para o desenlace trágico. Mesmo o
momento em que D. Manuel parece revoltar-se contra o destino, incendiando o seu palácio,
acaba por servir a fatalidade que se abate sobre as personagens, na medida em que as obriga a
família a mudar-se para o palácio de D. João, local aonde este regressará.

(…)

Semelhanças entre Frei Luís de Sousa e a tragédia antiga

A ação dispõe-se sempre em gradação crescente, terminando num clímax.


Contém sempre vários elementos essenciais – o desafio, o sofrimento, o combate, o Destino, a
peripécia, o reconhecimento, a catástrofe e a catarse.
Existia um coro que tinha como função comentar e anunciar o desenrolar dos acontecimentos
(Frei Jorge, Telmo Pais).

Drama romântico
Como introdução a Frei Luís de Sousa, Garrett apresenta uma «Memória ao Conservatório
Real», texto ensaístico no qual reflete sobre questões centrais da sua obra dramática —
sobretudo sobre o seu género, as suas fontes e o que o levou a escrevê-la.
Relativamente ao género da obra, há que sublinhar o facto de Frei Luís de Sousa ter sido escrito
em pleno Romantismo, um período literário cuja estética dominante rompia com os princípios
da arte do período anterior — o Neoclassicismo. Coloca-se então a questão: este texto é uma
tragédia clássica, de matriz greco-latina, ou um drama romântico, género literário que nasce no
Romantismo e que representa o espírito da época? Garrett defenderá que Frei Luís de Sousa é
um drama romântico que incorpora, a nível formal, características da tragédia (hibridismo de
género).

a) Marcas da tragédia clássica


— Assunto digno de uma tragédia clássica, pela beleza, pela simplicidade e pelo sublime
(segundo Almeida Garrett, na «Memória ao Conservatório Real»);
— Presença dos elementos da tragédia clássica;
— Ambiente carregado de presságios e sinais;
— Tom grave e estilo elevado;
— Linguagem cuidada;
— Personagens de condição elevada;
— Figuras que desempenham o papel do coro grego (que tem a função de comentar a ação):
Telmo e Frei Jorge.

b) Marcas do drama romântico


— Texto em prosa (e não em verso, como deveria suceder na tragédia clássica);
— Não cumprimento da lei das três unidades (ação, espaço e tempo): na tragédia clássica,
todos os acontecimentos deveriam convergir para o desenlace trágico, desenrolar-se no
mesmo espaço e durar apenas vinte e quatro horas. Em Frei Luís de Sousa, não há, claramente,
um cumprimento da unidade de tempo (a ação desenrola-se numa semana). Quanto à unidade
de lugar, embora toda a ação se desenrole em Almada, há, de facto, uma mudança de espaço.
Finalmente, podemos considerar que temos unidade de ação. Apesar de alguns estudiosos
afirmarem que esta unidade é quebrada pela introdução do incêndio do palácio, evento que
consideram que introduz uma ação secundária, a verdade é que o facto de D. Manuel destruir
a sua casa obriga as personagens a mudarem-se para o palácio de D. João, local aonde este
regressará;
— O drama romântico dá conta frequentemente de um tema histórico, que trata com
liberdade literária;
— Presença de temáticas marcadamente românticas:
i. Liberdade individual
— é visível na revolta de D. Manuel de Sousa Coutinho contra um governo ao serviço de
Espanha, revolta que é apoiada por Maria e por Telmo, bem como no discurso final desta
última personagem, no qual a jovem se insurge contra as normas de uma sociedade que lhe
impõe a separação dos pais; além disso, a própria D. Madalena afirma a sua liberdade, ao
casar-se com o homem que amava sem ter provas irrefutáveis de que o seu anterior marido
tinha morrido;
ii. Patriotismo
— é evidente não apenas na crença no comportamento de D. Manuel anteriormente referido,
mas também na esperança de Telmo e de Maria no regresso de D. Sebastião, que implicaria a
libertação de Portugal do jugo estrangeiro;
iii. Cosmovisão cristã
— a religião tem um papel fundamental em Frei Luís de Sousa: é graças a ela que D. Manuel e
D. Madalena conseguem libertar-se da desonra que se abateu sobre eles com o regresso de D.
João de Portugal (o ingresso na vida monástica permitir-lhes-á expiarem o seu pecado e
renascerem para uma nova existência);
iv. Importância do oculto
— a valorização do inconsciente e da intuição característica do Romantismo é visível pela
referência às premonições de Telmo, de D. Madalena e de Maria (que, no caso desta última, se
associam à crença de que possui a capacidade de prever o futuro, através de elementos como
os sonhos ou as estrelas); de notar que, à medida que a tensão dramática se adensa, a visão
racional do mundo defendida por D. Manuel e por Frei Jorge é cada vez mais posta em causa —
até que, no desenlace, todos os presságios de catástrofe se cumprem;
v. Primazia dos sentimentos sobre a razão
— além de comprovável pelo destaque conferido ao lado mais irracional do Homem (referido
no tópico anterior), a valorização das emoções é também visível na importância conferida ao
amor: é ele que leva D. Madalena a casar com o homem que amava sem ter a certeza plena de
que o seu primeiro marido estaria morto;
vi. Mitificação da figura de Camões
— no Romantismo, o poeta é, muitas vezes, configurado como uma figura incompreendida e
desprezada pela sociedade, que não reconhece o seu génio; essa foi a imagem de Camões
transmitida pelos românticos portugueses: a de um poeta que dedicou a sua vida à pátria e
que, em troca, apenas foi alvo de ingratidão.

Linguagem, estilo e estrutura

Estrutura externa e interna

Atos Estrutura externa Estrutura interna


Ato I Cenas I-IV Informações sobre o passado
das personagens
Cenas V-VIII Decisão de incendiar o
palácio
Cenas IX-XII Ação: incêndio do palácio
Ato II Cenas I-III Informações sobre o que se
passou depois do incêndio
Cenas Iv-VIII Preparação da ação: ida de
Manuel de Sousa Coutinho a
Lisboa
Cenas IX-XV
Ação: chegada do romeiro
Ato III Cena I Informações sobre a solução
adotada
Cenas II-IX Preparação do desenlace
Cenas X-XII Desenlace

Elementos essenciais da ação dramática

Ação
Toda a ação se passa nos finais do séc. XVI, após o desaparecimento de D. Sebastião na
Batalha de Alcácer-Quibir. Com ele parte D. João de Portugal, personagem vital que desaparece
também desencadeando toda a ação dramática em Frei Luís de Sousa. Todos estes
acontecimentos decorrem sob domínio Filipino.
Após o desaparecimento de D. João de Portugal, D. Madalena manda-o procurar
durante sete anos mas em vão. Casa então com D. Manuel de Sousa, nobre cavaleiro, de quem
tem uma filha de 14 anos. D. Madalena vive uma vida infeliz, cheia de angústia e de
tranquilidade, no receio de que o seu primeiro marido esteja vivo e acabe por voltar. Tal facto
acarretaria para Madalena uma situação de bigamia e a ilegitimidade de Maria, sua filha. Esta é
tuberculosa e vive, em silêncio, o drama da sua mãe que será o seu. Efetivamente D. João de
Portugal acaba por regressar, acarretando o desenlace trágico de toda a ação.

A natureza trágica da ação

Elementos Hybris Agón Pathos Katastrophé


(o desafio) (o conflito) (o sofrimento) (a catástrofe)
Trágicos

Personagens
D. Madalena de Contra as leis e os Interior, de Sofrimento por Causada pelo
Vilhena direitos da família: consciência causa do regresso de D.
-adultério no Contínuo adultério João: morte
coração Crescente Sofrimento pela psicológica
-consumação pelo Gerador de incerteza da (separação do
casamento com D. conflitos: sorte do 1º marido e
Manuel -com D. Manuel marido profissão
-profanação de um (I,7 e 8) Sofrimento religiosa)
sacramento -com D. João violento pela Salvação pela
-bigamia (I,1, 2, 3, 7 e 8) volta ao palácio purificação
-com Maria (I,3) do 1º marido
-com Telmo (I,2) Sofrimento cruel
após
conhecimento da
existência do 1º
marido:
-pela perda do
marido
-pela perda de
Maria
Manuel de Revolta contra as Não tem Sofre a angústia Morte
Sousa Coutinho autoridades de conflito de pela situação da psicológica:
Lisboa (I,8,11 e 12; consciência sua mulher (III,8) -separação da
II,1) Não entra em Sofre a angústia esposa
Desafia o destino conflito com as pela situação -separação do
ao incendiar o outras presente e futura mundo
palácio (I,11 e 12) personagens da filha (III,1) -profissão
Recusa o perdão A sua hybris religiosa
(II,1) desencadeia e Glória futura de
Inconscientemente agudiza os escritor:
participante da conflitos das -Frei Luís de
hybris de sua outras Sousa: glória de
esposa personagens santo
D. João de Abandona a Não tem Sofre o Morte
Portugal família conflito esquecimento a psicológica:
Não pode dar Alimenta os que foi votado -separação da
notícias da sua conflitos dos Sofre pelo mulher
existência outros casamento da -a situação
Aparece quando Agudiza todos sua mulher irremediável do
todos os julgavam os conflitos com Sofre por não anonimato
morto o seu regresso poder travar a
marcha do
Destino (III,2)
D. Maria de Revolta contra a Não tem Sofre fisicamente Morre
Noronha profissão religiosa conflito (tuberculose) fisicamente
dos pais Entra em Sofre Vai para o céu
Revolta contra D. conflito: psicologicamente
João de Portugal -com sua mãe (não obtém
Revolta contra (I, 3 e 4) resposta a
Deus -com seu pai (I, muitos agoiros e
Convida os pais a 3 e 5) tem vergonha da
mentir -com Telmo ilegitimidade)
(II,1)
-com D. João de
Portugal (I,4; II,
1 e 2; III, 11 e
12)
Telmo Pais Afeiçoa-se a Maria Conflito de Sofre pela dúvida Não poderá
Deseja que D. João consciência constante que o resistir a tantos
de Portugal tivesse (III,4) assalta acerca da desgostos
morrido (II, 4 e 5) Conflito com morte de D. João
outras de Portugal
personagens: Sofre hesitando
-com D. entre a
Madalena (I,2) fidelidade a D.
-com D. Manuel João e a D.
(I, 2) Manuel
-com Maria (I,2) Sofre a situação
-com D. João de de Maria
Portugal (III, 4 e
5)
Espaço

Palácio de D. João de Portugal: salão antigo,


melancólico

Sala dos retratos

Parte baixa do palácio de D.


João de Portugal

Espaço físico: Almada


Capela
Ato I: Palácio de Manuel de Sousa Coutinho: luxo, grandes janelas sobre o Tejo – felicidade
aparente
Ato II: Palácio de D. João de Portugal: melancólico, pesado, escuro – peso da fatalidade, a
desgraça
Ato III: Parte baixa do palácio de D. João: casarão sem ornato algum – abandono dos bens
deste mundo. A cruz: elemento conotador de morte e de esperança.
 Os acontecimentos encadeiam-se extrínseca e intrinsecamente
 Nada está deslocado nem pode ser suprimido
 O conflito aumenta progressivamente provocando um sofrimento cada vez mais atroz
 A catástrofe é o desenlace esperado
 A verosimilhança é perfeita
 A unidade da ação é superiormente conseguida

Tempo
Tempo da ação Tempo simbólico
Ato I  Visão de Manuel de Sousa Coutinho pela
primeira vez, à sexta-feira
28/07/1599
 Alcácer-Quibir
Sexta-feira 04/08/1578
Sexta-feira
Fim da tarde
 Casamento com Manuel de Sousa
Noite Coutinho: 7 anos depois da batalha
Ato II
Sexta-feira
04/08/1599
 Regresso de D. João de Portugal no 21º
Sexta-feira aniversário da batalha
04/08/1599
Tarde Sexta-feira
Ato III

04/08/1599

Sexta-feira

Alta noite

A condensação do tempo é evidente e torna-se um facto trágico,


O afunilamento do tempo é evidente: 21 anos, 14 anos, 7 anos, tarde noite, amanhecer;
Uma semana justifica-se pela necessidade de distanciamento do acontecimento do ato I e da
passagem a primeiro plano dos referentes ao regresso de D. João de Portugal;
O simbolismo do tempo: a sexta-feira fatal: II,10 – o regresso de D. João de Portugal faz-se no
21º aniversário da batalha de Alcácer-Quibir (sexta-feira); morte de D. Sebastião (sexta-feira);
visão de D. Manuel pela 1ª vez (sexta-feira)

Linguagem, estilo

Ao contrário da tragédia clássica, por regra escrita em verso, Frei Luís de Sousa foi composto
em prosa. Desta forma, os diálogos ganham um sabor de coloquialidade e fluidez que
dificilmente teriam com o verso. • Por outro lado, seguindo as regras da tragédia clássica, a
linguagem das personagens centrais adequa-se ao estatuto social da nobreza: assim domina o
nível de linguagem elevado e, frequentemente, encontramos um léxico rico e até erudito
(«ignomínia», «opróbrio», «pejo», etc.). • As falas das personagens de Frei Luís de Sousa são
marcadas por uma grande emotividade, fruto do seu estado de espírito quando confrontadas
com os acontecimentos intensos ou com os seus receios. No texto abundam marcas linguísticas
que traduzem os sentimentos das personagens: as interjeições (e as locuções interjetivas), as
frases exclamativas e os atos ilocutórios expressivos. Os melhores exemplos estão nas falas de
D. Madalena e revelam a influência dos melodramas românticos com uma linguagem
demasiado retórica e emotiva. • Associados aos sentimentos e ao estado de espírito das
personagens estão as frases suspensas (ou seja, interrompidas), que pontuam as falas de
diferentes personagens, exprimem as suas inquietações, perplexidades e hesitações. Por vezes,
deixam no ar alguns subentendidos cujo significado é partilhado pelas personagens (ver o
diálogo da Cena II do Ato Primeiro). Telmo e D. Madalena deixam por terminar as frases por
não quererem mencionar o que receiam (o regresso de D. João, a desonra ou a doença de
Maria) ou por hesitarem em verbalizar certos factos (a possibilidade de D. João não ter
morrido). 000998 024-071.indd 38 04/03/16 16:33 39 UNIDADE 2 FREI LUÍS DE SOUSA, de
ALMEIDA GARRETT • As frases interrogativas, frequentes nas falas mais tensas, dão igualmente
conta dos anseios e do desassossego das personagens, mas também da sua desorientação ou
da incerteza em relação ao futuro. Por outro lado, a frase curta (por vezes constituída por uma
única palavra: «Ninguém!») confere um tom incisivo aos diálogos e contribui para fazer crescer
a tensão dramática. • Por fim, ainda a nível do vocabulário, encontramos certas personagens
associadas a determinados campos lexicais. Frei Jorge e os outros prelados glosam o campo
lexical da religião; Telmo, o aio, recorre a termos associados às ideias de honra e servidão
(«senhor», «amo», «servidor»). As repetições de palavras são utilizadas para exprimir a
ansiedade ou a inquietação, mas frequentemente também o afeto entre os membros da
família.

Marcas clássicas na obra

 A nível formal divide-se em três atos conforme a tragédia clássica


 Apresenta um reduzido número de personagens e estas são nobres de condição social
e de sentimentos
 A ação desenvolve-se de forma trágica, apresentando todos os passos da tragédia
antiga (o desafio, o sofrimento, o combate, o conflito, o destino, a peripécia, o
reconhecimento, o clímax e a catástrofe)
 O coro da tragédia clássica não existe mas está representado, de forma esporádica, nas
personagens Telmo e Frei Jorge

Marcas românticas na obra

 A crença no Sebastianismo
 O patriotismo e o nacionalismo – tais sentimentos estão bem patentes no
comportamento de Manuel de Sousa Coutinho e no idealismo de Maria
 As crenças – Agoiros, superstições, as visões e os sonhos, bem evidentes em Madalena,
Telmo e Maria
 A religiosidade – A permanente referência ao cristianismo e ao culto
 O individualismo
 O tema da morte

Caráter inovador de Frei Luís de Sousa


1. A reestruturação e modernização do teatro nacional a nível do conteúdo e da forma. A
peça é atual mas é enraizada nos valores nacionais.
2. A linguagem é simples, coloquial, emotiva, adaptada a todas as circunstâncias.
3. O gosto pela realidade quotidiana:
a. Descrição de espaços concretos (casa, ambientes, decorações)
b. Descrição de relações familiares (marido-mulher, pai-filha, tio-sobrinha, etc.)
c. Descrição de ações do quotidiano (ler, escrever, passear, dormir, etc.)
d. Preocupações que revelam a vida privada das personagens (doença, visitas,
etc.)

Características do texto dramático


- Normalmente não tem narrador e predomina o discurso na segunda pessoa (tu/vós).

- Pressupõe o recurso à linguagem gestual, à sonoplastia e à luminotécnica

Integra:

- Falas das personagens (em discurso direto, antecedido do nome das personagens. As
intervenções das personagens são essenciais para o desenvolvimento da ação que se
desenvolve num tempo presente e curto, embora possam ser referidos acontecimentos
passados (que influenciaram o presente).

- Didascálias: indicações cénicas, normalmente entre parênteses, relativas às atitudes das


personagens, aos cenários, à iluminação, à música etc.

É composto por dois tipos de texto:

1- Texto principal, que corresponde às falas dos atores. É composto por

• Monólogo – uma personagem, falando consigo mesma, expõe perante o público os seus
pensamentos e/ou sentimentos;

• Diálogo – falas entre duas ou mais personagens;

• Apartes – comentários de uma personagem para o público, pressupondo que não são
ouvidos pelo seu interlocutor.

2- Texto secundário-(didascálias ou indicações cénicas, normalmente entre parênteses,


relativas às atitudes das personagens, aos cenários, à iluminação, à música etc.) que se destina
ao leitor, ao encenador da peça ou aos atores.

O texto secundário é composto:

- pela listagem inicial das personagens;

- pela indicação do nome das personagens no início de cada fala;

- pelas informações sobre a estrutura externa da peça (divisão em actos, cenas ou quadros);
- pelas indicações sobre o cenário e guarda roupa das personagens;

- pelas indicações sobre a movimentação das personagens em palco, as atitudes que devem
tomar, os gestos que devem fazer ou a entoação de voz com que devem proferir as palavras;

ESTRUTURA INTERNA E EXTERNA


Estrutura externa – a ação está dividida em cenas e atos. Em cenas quando há uma mudança
de personagens e em atos quando os espaços ou cenários mudam.

Estrutura interna – uma peça de teatro divide-se em:

• Exposição – apresentação das personagens e dos antecedentes da ação.

• Conflito – conjunto de peripécias que fazem a ação progredir (momentos de tensão,


expectativa e clímax).

• Desenlace – desfecho da ação dramática.

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