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PSICOLOGIA, RELIGIÃO E ESPIRITUALIDADE: CONSIDERAÇÕES SOBRE A


NATUREZA HUMANA E O SENTIDO EXISTENCIAL1*

 PSYCHOLOGY, RELIGION AND SPIRITUALITY: CONSIDERATIONS ABOUT


HUMAN NATURE AND THE EXISTENTIAL DIRECTION

Paulo Rogério da Motta2; Prof. Dr. Armando Rocha Júnior3

RESUMO: A psicologia tem procurado investigar a atuação do homem considerando as


suas reações, a sua neurofisiologia, seu modo de pensar, sua capacidade de cognição, a per-
cepção do mundo à sua volta, seus complexos como as neuroses e psicoses, suas relações
sociais e muito poderia ser citado como campo de estudo e tal amplitude de investigação se
deve ao fato de que o homem e a sua natureza são os objetos de estudo da psicologia. A espi-
ritualidade influencia a percepção e a significação do que é apreendido pelo ser humano, bem
como suas motivações, pensamentos e emoções. A espiritualidade sendo um importante fator de
configuração da personalidade deveria ser um aspecto da natureza humana assim como são os
aspectos biológicos, psíquicos e sociais. A psicologia deve estudar o homem em sua totalidade
e a religiosidade é manifestação da espiritualidade e é um rico campo de investigação desse
aspecto da natureza humana.
PALAVRAS-CHAVE: Psicologia. Espiritualidade. Religiosidade. Natureza Humana.
 
ABSTRACT: The psychology has sought to investigate the actions of man considering his
reactions, his neurophysiology his thinking, his ability of cognition, perception of the world around
him, his complexes as neuroses and psychoses, his social relations and much could be used
as a field of study and this scale of investigation is due to the fact that man and  his nature are
the objects of study in psychology. The spirituality influences perception and meaning of what
is perceived by humans as well as his motivations, thoughts and emotions. The spirituality is
an important factor configuration of personality should be an aspect of human nature so well as
aspects biological, psychological and social. The Psychology must study man as a whole and the
religiosity is a manifestation of the spirituality and is a rich field of investigation of this aspect of
human nature.
KEYWORDS: Psychology. Spirituality. Religiosity. Human Nature.

*

Artigo adaptado do Trabalho de Conclusão de Curso - TCC, relativo ao término da graduação em Psicologia, na Universida-
de Guarulhos, em 2010.
1
Graduado em Psicologia pela Universidade Guarulhos e Instrutor da Universidade Aberta da Terceira Idade (UATI)
2
Professor-Doutor do Curso de Psicologia da Universidade Guarulhos e orientador

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A ESPIRITUALIDADE vamente pela consciência (JUNG, 1978).


O dualismo corpo e alma A cultura ocidental de maneira trágica
ocasionou a ideia de separação de corpo e
O estudo da alma humana ou da verda- alma que, por fim, fez surgir de um lado uma
deira natureza essencial humana tem sua ori- cultura materialista baseada exclusivamente
gem nas tradições milenares orientais, esteve no corpo e do outro lado uma cultura espiri-
presente na antiga filosofia grega e alcançou tualista baseada exclusivamente no espírito e
a Europa no século XIX, data também do sur- ao que é subjetivo. (BOFF, 2002).
gimento da psicologia (NOVAES, 2003). A ciência no ocidente procura repre-
O dualismo corpo-alma atribuído a Pla- sentar o papel da consciência, porém a sa-
tão (século IV a.C.) parte da concepção de bedoria oriental não pode ser menosprezada,
que no começo de tudo havia as ideias numa pois esta se baseia no conhecimento prático.
divindade incorpórea e eterna e então protó- A conciliação do pensamento ocidental e do
tipos ou formas ideais caíram na matéria e pensamento oriental propiciaria uma visão
então se deu a composição do universo. Na mais ampla do homem que deixaria de ser
filosofia moderna, Renè Descartes estabele- concebido como produto de uma evolução
ceu uma oposição entre “a coisa pensante” acidental ou como fruto de uma criação divina
(o espírito ou a alma) e a “coisa estendida” (ERTHAL, 2004).
(a matéria, o corpo) que culminou num dua- A redução do homem a uma máquina
lismo e o corpo passou a ser visto como uma que atua na vida por meio de reflexos con-
máquina sofisticada que se une inexplicavel- dicionados ocasiona o perigo das ciências
mente à mente (LEPARGNEUR, 1994). biológicas enxergarem o homem como um
A ciência moderna fez da razão cons- ser programado por sua estrutura genética
ciente aquela que determinava a sua condu- e determinado por suas funções fisiológicas,
ta, porém a concepção de inconsciente fez ou então as ciências sociais terem o homem
com que fosse necessário um movimento de como o resultado de manipulações sociais e
transformação em sua forma de ser e agora econômicas, ou ainda a psicologia conceber
uma nova revolução se faz necessária: a de o homem como produto de processos de con-
não mais se negligenciar o espírito do homem dicionamento e uma peça manipulada por im-
(FABRY, 1984). pulsos e instintos (FABRY, 1984).
A teoria científica e o dogma religioso O homem é visto e estudado através de
são exemplos da incompatibilidade da ciên- linhas de pensamento, mas a visão dirigida
cia com o espiritual. O racionalismo científico ao homem de maneira fragmentada culmina
acaba por ser um ótimo argumento que satis- por negligenciar a unidade e plenitude de sua
faz os que buscam o entendimento somente natureza (ERTHAL, 2004).
pelo intelectualismo, pois a teoria científica é Durante muito tempo a alma foi tida
estritamente racional, ao passo que o dog- como produto do corpo e a psicologia, em
ma religioso em sua imagem é irracional. O concordância com a medicina, deu ênfase ao
dogma religioso constitui uma expressão da fisiológico e ao corpo como causa e, portanto,
alma e a teoria científica é elaborada exclusi- objeto exclusivo de investigação e foi restrin-

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gida qualquer visão espiritualizada. À religião ca e que o espírito não pode ser provado e
cabia lidar com a subjetividade da natureza nem compreendido no mundo exterior.
espiritual do ser humano e as religiões so- A ideia do que é “espiritual” deve ser
friam a influência dos dogmas propiciando a ampliada e ir além das verdades religiosas
ignorância e a fé cega (NOVAES, 2003). ou concepções teológicas. A espiritualidade
deve conter em si toda e qualquer manifes-
O espiritual tação da vida e tudo o que dá a cada coisa
na natureza a sua qualidade essencial (ER-
O Espírito (spiritus, pneuma) em seu THAL, 2004).
caráter arquetípico que significa ar, vento,
respiração são agentes dinâmicos que mo- Enfoques religiosos
vem o ser humano e utilizando a alusão do
vento é possível se dizer que penetram o ho- A religiosidade propicia que o indivíduo
mem como acontece na respiração e o infla se dirija a Deus e o diálogo íntimo com Deus
(JUNG, 1983). é um diálogo que compreende o contato con-
A espiritualidade está presente na busca sigo mesmo e o homem que é teísta colocará
de Deus ou do sagrado pelo homem, mas ela Deus como um parceiro em seu diálogo e o
não se encerra somente nesta busca. A espi- homem ateísta considerará que essa conver-
ritualidade é encontrada em qualquer movi- sa íntima é uma conversa com o próprio eu
mento em que o homem busque superar a si (FRANKL, 2009).
mesmo ou obstáculos em sua vida e nestas A tradição hindu provém historicamente
buscas o homem procura a transcendência do período védico e em sua origem os Vedas
de si mesmo e da sua condição existencial eram a literatura oral transmitida de professor
(ANGERAMI-CAMON, 2004). para o discípulo. O Bhagavad Gita e todos
O espírito humano existe em todos os os seus personagens são representações de
homens e isso independe dele acreditar ou qualidades físicas e psicológicas. O diálogo
não na sua existência. O espírito humano na entre Arjuna (ego) que é um poderoso guer-
logoterapia é concebido como uma dimen- reiro e Krishna que é seu condutor, mestre
são “noética” e esta dimensão inclui atributos espiritual e também uma encarnação do pró-
como: objetivo, ideias, ideais, criatividade, prio Deus (Self) (FADIMAN; FRAGER, 1979).
imaginação, fé, a busca de sentido da vida, O espiritismo diz que há no homem um
o amor que transcende os sentidos físicos, a princípio inteligente que é a alma ou espírito
possibilidade de transcender a si mesmo, o e que este princípio independe da matéria e
livre-arbítrio, responsabilidades, comprometi- que é ele que dá o senso moral e a faculdade
mentos, senso de humor e até a imaginação de pensar. O espiritismo argumenta que se
e a consciência que vai além do superego o pensamento fosse propriedade da matéria
(FABRY, 1984). então a matéria bruta e inerte teria a capaci-
Sharp (1993) fala que na psicologia jun- dade de pensar (KARDEC, 2004).
guiana o espírito é concebido, assim como Nos textos bíblicos do judeu-cristianis-
Deus, como um objeto da experiência psíqui- mo, Deus criou a matéria e o espírito e con-

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jugou ambos no ser humano e o homem foi repousa num self limitado que propicia ape-
concebido como unidade psicossomática nas uma consciência relativa das coisas e a
criada à imagem de Deus. O complexo huma- proposta budista é de auxiliar o indivíduo a
no se visto como uma tríade na bíblia hebrai- mudar e transcender o seu egoísmo e limita-
ca pode ser elaborada tendo o corpo como ção (FADIMAN; FRAGER, 1979).
bâssâr (em grego soma ou sarx que é carne); No budismo tibetano há uma interessan-
a alma e princípio vital como nefesh (psychè te metáfora que descreve o funcionamento do
em grego); e neshamá como princípio da ego que é a dos “Três Senhores do Materia-
vida espiritual (pneuma em grego) (LEPARG- lismo”. São eles: o “Senhor da Forma”, que
NEUR, 1994). se refere à busca incessante e neurótica do
Cinco partes constituem a alma segun- conforto físico, da segurança e do prazer; o
do o misticismo judaico: Nefesh, que garante “Senhor da Fala” que promove a utilização do
a possibilidade da vida ao animar o corpo fí- intelecto nas relações do homem com o mun-
sico; Ruach que é aliado às atividades físicas do à sua volta e indica a propensão do ego
como a comunicação, criatividade, afetivida- a neutralizar ameaças que possam na visão
de, relacionamento, sonhos e imaginação; do ego, colocar em risco a sua ideia de “eu”
Neshamá que é responsável pela experiên- e a solidificação das coisas é um meio para
cia espiritual e também pela função mental; e isso; e o “Senhor da Mente”, que através do
Chaiá e Iechidá que são tidos como transpes- esforço da consciência procura preservar a
soais e que transcendem a personalidade, percepção de si mesma e acaba por imperar
mas que, ainda assim, refere-se à individuali- quando o homem utiliza as disciplinas espiri-
dade (SENDER, 2001). tuais e psicológicas e, assim, o ego converte
No cristianismo através do Novo Tes- tudo de acordo com a sua conveniência, até
tamento, especificamente na Primeira Carta a própria espiritualidade (TRUNGPA, 1973).
aos Tessalonicenses, São Paulo fala da uni- O Sufismo geralmente é descrito pelos
dade do homem através da trilogia: soma, historiadores como o cerne místico do Is-
psique e pneuma ou corpo, mente e espírito lamismo. O Islamismo é o sistema religioso
(LEPARGNEUR, 1994). baseado no Alcorão e Al-Ghazzali, uma da
O budismo coloca três características figuras mais importantes na teologia islâmica,
principais da existência humana: a tempora- diz que o corpo deve ser considerado como o
lidade, o desprendimento e a insatisfação. A carregador e a alma como o viajante (FADI-
temporalidade indica que nada é permanen- MAN; FRAGER, 1979).
te, que tudo está em permanente mudança.
O desprendimento indica que o ser humano é Enfoques psicológicos
um conjunto de atributos: intelecto, emoções
e corpo, e que todos são temporais, ou seja, Segundo Netto (1974), a expressão
o corpo e a personalidade são componentes “Psicologia” tem origem nas palavras gregas
mortais e em constante mudança. A insatisfa- “psyché” que pode ser traduzida como “alma ou
ção ou sofrimento indica que o problema bá- espírito” e “logos” que pode ser entendida como
sico do ser humano não é externo, mas que “compreensão, entendimento, concepção”.

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Uma visão materialista da psicologia faz do que à transcendência humana é mais um


com que esta oriente seu estudo para o que sinal de imaturidade do que de sofisticação
é anormal ou patológico e não tenha como (FADIMAN; FRAGER, 1979).
foco o que é supranormal e uma análise do A logoterapia em seu conceito de dimen-
Jesus Cristo histórico o faria ser diagnostica- são noética diz que esta dimensão não ado-
do dentre desse padrão e as alucinações e ece, mas nela pode se originar as doenças
complexos o enquadrariam em alguma psico- e os sintomas serão sentidos no plano físico
patologia (ERTHAL, 2004). ou psicológico e que a conscientização do
Sharp (1993) fala que na psicologia jun- homem dessa dimensão noética proporciona-
guiana há cautela ao fazer a distinção de es- -lhe força para se tornar agente de cura e sair
pírito como conceito psicológico e o espírito do papel de vítima que se encontra indefesa
tradicionalmente usado nas religiões e o que frente ao seu destino biológico, psicológico
for concernente ao espírito é mais apropriado ou social (FABRY, 1984).
falar de uma consciência superior, ao invés  
de se falar do inconsciente. A NATUREZA HUMANA
A consciência comum pode não ex- O homem como ser espiritual e a
pressar a verdade nos assuntos que dizem religiosidade como manifestação da
respeito à alma porque estes ultrapassam o espiritualidade
pensamento comum, ou seja, os assuntos da
alma transcendem a consciência humana co- Boff (2002) fala da unidade complexa
mum (JUNG, 1979). corpo-alma e concebe que corpo e alma não
A transcendência da consciência indica são duas realidades e sim, duas dimensões
que ela é mais do que o eu pessoal e o ho- do único e complexo ser humano e não cabe
mem descrente do espiritual ou irreligioso é a dissociação em tal constituição, pois o ho-
alguém que apenas negligencia a transcen- mem “é” em todo o tempo corpo e alma e não
dência e busca o sentido da existência nos um ser que “tem” corpo e alma.
limites da consciência, ao passo que o ho-  Grande parte das culturas e sociedades
mem que considera a espiritualidade como no transcorrer da história foi profundamente
um aspecto de sua natureza ou o homem reli- religiosa e as experiências religiosas eram
gioso procura o sentido da vida considerando valorizadas e apoiadas pelos sistemas de va-
e aceitando a transcendência da consciência lores vigentes (FADIMAN; FRAGER, 1979).
(FRANKL, 2009). Se forem excluídas as atividades cultu-
O principal enfoque das teorias orientais rais diretamente associadas à sobrevivência
da personalidade como o Zen-budismo, Ioga poderia se dizer que a religião é a mais antiga
e Sufismo, é o do crescimento transpessoal e atividade cultural e pode ser definida como o
negligenciar essa dimensão seria tão insen- vínculo do mundo profano ao mundo sagra-
sato por aqueles que estudam a personali- do, ou seja, a religião liga o humano ao sagra-
dade como seria o de se ignorar a psicopa- do (CHAUI, 2003).
tologia e o fato da psicologia dedicar maior A religião é uma atitude do espírito hu-
esforço à compreensão da doença humana mano e faz com que o homem considere fato-

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res, tais como ideias, leis e presenças em seu a religiosidade como algo indevido (ANGE-
mundo interior devido às suas experiências e RAMI-CAMON, 2004).
estes fatores passam a conter o significado A relevância não está em se provar ou
de algo poderoso que deve ser adorado ou não a existência de Deus, mas o homem que
temido. A religião pode ser entendida não só vivencia, em sua concepção, a presença divi-
como o meio para exercício da fé, mas sim, na trata a sua experiência de forma pragmáti-
como a experiência com o que é numinoso ca e tal ocorrência não cabe nas limitações do
que resulte em alguma modificação do cons- racionalismo puro e a atitude racionalista fará
ciente (JUNG, 1978). com que se fechem os olhos diante do vivido
A religiosidade vem a ser a busca da e vivenciado pelo homem (JAMES, 1985).
transcendência para que o homem vivencie As religiões são sistemas psicoterapêu-
a sua espiritualidade. A religiosidade faz com ticos, pois assim como os psicoterapeutas
que o homem reflita sobre quem é e sobre procuram curar o sofrimento da mente huma-
quem deve ser e com que busque significa- na, do espírito humano, da psique, também
do para a sua existência para além do sig- as religiões procuram a mesma coisa e, desta
nificado que pode conter o mundo objetivo. forma, Deus pode ser visto como um agente
(ANGERAMI-CAMON, 2004). de cura e que trata dos problemas do espírito
A religiosidade para ser exercida de (JUNG, 1983).
forma plena, muitas vezes, terá que descon-
siderar o empirismo, pois este e a fé podem Psicologia e religião
ficar em posições opostas. A teologia, por
exemplo, quando expressa algum valor para A religião como fenômeno social e histó-
o indivíduo culmina por ter valor em sua vida rico é algo que faz parte da expressão huma-
concreta e aqui não se discute a veracidade na e é um tema de grande importância para
contida na teologia, mas sim que há que se muitas pessoas e a psicologia ao se ocupar
reconhecer a sua presença e influência (JA- com a estrutura da personalidade do ser hu-
MES, 1985). mano não pode menosprezar a sua presença
A religião é concreta, pois possui credo, e importância (JUNG, 1978).
moral, teologia, ritos, enfim, é algo que pode Ao psicoterapeuta cabe-lhe o papel de
ser externalizado e vivido exteriormente e, ser psicoterapeuta e não um sacerdote e há
por outro lado, a fé é um encontro vivo com que se ter cuidado com isso, pois as inten-
Deus, com o sagrado (BOFF, 2002). ções da psicoterapia e da religião não são as
A religiosidade é algo que constante- mesmas; a primeira tem a sua autonomia na
mente está presente nas psicoterapias, pois ciência e a segunda baseia-se na teologia. A
ela faz parte da vida do cliente e para o psi- psicoterapia procura a cura da alma, ao pas-
coterapeuta isto é conteúdo que precisa ser so que a religião busca a salvação da alma
aceito e compreendido de acordo com a per- (FRANKL, 2009).
cepção e valor dado pelo cliente, pois se as- A experiência religiosa é algo indiscu-
sim não for o homem que é seguidor de uma tível para aquele que a teve e contém forte
religião poderá ser visto como um alienado e significado, o que a coloca com legitimida-

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de como algo importante na vida da pessoa. da consciência e o intelecto humano avança


Uma experiência que dá significado e trans- em sua evolução e outras energias se desen-
forma a maneira como o indivíduo concebe a volvem no ser humano como, por exemplo,
vida precisa ser considerada como válida e a a intuição. O entendimento do homem deve
experiência religiosa não pode ser discutida ultrapassar a visão e associação do homem
pela crença ou descrença, ou seja, a questão, com uma máquina, pois não há explicação
mais do que a fé, é a vivência de algo pela para aqueles que ultrapassam a semelhança
experiência (JUNG, 1978). do que é produzido em série como, por exem-
plo, Leonardo da Vinci, Einstein e Shakespe-
PSICOLOGIA E ESPIRITUALIDADE are (ERTHAL, 2004).
Explorando a natureza espiritual humana A totalidade do ser humano pode ser
entendida como sendo constituída de corpo,
O que faz o homem ser diferente de mente e espírito e este último pode ser obs-
qualquer outra criatura é o fato dele ser “pes- truído por enfermidades físicas e psíquicas.
soa” e isto pode ser mais bem dito enxer- A forma de ser e atuar na vida faz com que
gando o homem como um ser em constante o ser humano seja mais do que um animal,
processo de “poder tornar-se pessoa”, pois, pois nele há essa dimensão espiritual e ela
desta maneira, surge a possibilidade e liber- confere ao ser humano a dimensão da liber-
dade de tornar-se o tipo de homem que se dade, pois ele pode escolher que tipo de pes-
quer ser e que enseja a ideia da formação em soa quer ser e que pode vir a ser, ou seja,
andamento (CALLUF, 1976). o ser humano confere a si o direito de fazer
O homem movido por sua espiritualida- escolhas que deem significado à sua própria
de procura um mundo que está além da per- existência e assim ganha a oportunidade de
cepção comum do ego e este mundo é uma transformar-se. (FABRY, 1984).
realidade psicológica que abriga as concep-
ções humanas de alma e de espírito (JOHN- Relações do que é espiritual com o que é
SON, 1987). psicológico
A natureza espiritual do ser humano
permite que ele dê sentido a tudo com o qual A alma é hoje desconsiderada no meio
tenha contato e estabeleça símbolos para as acadêmico e é tida como alucinação e sua
coisas e, assim, o homem dá significado ao existência é apenas testemunhada por místi-
que apreende na sua vida (ANGERAMI-CA- cos que são pessoas vistas como portadoras
MON, 2004). de patologias e que vivem à margem da re-
Mais do que impulsos e instintos o ser alidade. A alma é desacreditada por não ser
humano possui a liberdade e a possibilidade encontrada no corpo humano e, por isso, é
de fazer escolhas é que o faz singular diante tratada como superstição ou mecanismo de
de todas as outras formas de vida. O homem defesa. A alma é tida como ficção (ERTHAL,
conquistou em sua evolução o desenvolvi- 2004).
mento de seu intelecto e ultrapassou a deli- Nos consultórios de psicólogos e psi-
mitação do instinto que está abaixo do limiar quiatras, espaço onde as almas são analisa-

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das, os fenômenos transcendentes são mate- neurose tendo uma causa psíquica poderá
riais trazidos pelas pessoas. A espiritualidade fazer com que o indivíduo, mesmo que confie
é algo que seria benéfico nas relações huma- no profissional que o atenda, adote uma pos-
nas, pois permite que o espírito seja perce- tura inibida na confissão da sua enfermidade
bido e que a alma humana se manifeste pro- porque se verá como alvo da opinião do pro-
piciando o conhecimento de si mesma, por fissional (JUNG, 1978).
isso, a psicologia precisa da espiritualidade, Três considerações sobre a alma estão
pois, é dessa forma, que o indivíduo tenderá presentes na psicologia junguiana: a de que
à organização e totalidade e poderá, por fim, a alma não é superstição nem figura de retó-
lidar com a espiritualidade da alma e com a rica; de que a alma é uma realidade psicoló-
materialidade do corpo (NOVAES, 2003). gica; e que a alma é vivida psiquicamente de
O homem atualmente carece de uma maneira inconsciente, pois se encontra além
maior consciência de si mesmo, pois se das fronteiras do ego, mas, apesar de viver
acostumou com as superficialidades e com o no inconsciente, a alma é quem media o ego
funcionamento mecânico da natureza e vive e o inconsciente, pois é ela quem recebe e
uma desarmonia entre alma e personalidade. transmite as imagens do inconsciente para o
Cabe à psicologia o papel de auxiliadora do consciente (JOHNSON, 1987).
homem no conhecimento integral de si mes- A psicologia deu um grande passo na des-
mo e isso só é pleno quando acontece a inte- coberta do inconsciente com Freud e agora se
gração de todos os aspectos que compõem a faz necessária uma nova elaboração da consci-
natureza humana (ERTHAL, 2004). ência e dos seus limites (ERTHAL, 2004).
A mente causa impacto sobre o corpo e A concepção de uma espiritualidade
exemplo disso é a dificuldade de se curar um inconsciente presente no ser humano indica
doente que não deseja ser curado, seja por que há uma imanente busca de Deus, embo-
masoquismo, seja pelos benefícios decorren- ra, muitas vezes, tal busca permaneça laten-
tes de se ser alguém doente e, dessa forma, te, ou seja, há no homem um eu - espiritual
pode-se dizer que o poder da fé é o placebo e, ao mesmo tempo, indica que há nele uma
da alma, A fé pode ser entendida como uma religiosidade inconsciente. O Deus oculto
convicção psicológica e pode ser algo que presente no texto bíblico vem a ser a expres-
cura ou que pode perturbar o organismo e/ são de um Deus inconsciente no ser humano.
ou a mente. O poder curador da fé, assim, Considerando a existência de uma religiosi-
remete ao poder da mente sobre o corpo per- dade inconsciente há que se considerar tam-
meado pela alma (LEPARGNEUR, 1994). bém que, por ser inconsciente, pode se tornar
As neuroses estão relacionadas com patogênica (FRANKL, 2009).
o mundo interior do ser humano e uma con- A psicoterapia é mais do que um pro-
cepção materialista não terá grande utilidade, cesso que busca a cura de sintomas, ela con-
pois se o sintoma é de natureza psíquica e siste na promoção do autoconhecimento e do
a psique for entendida como produto de pro- autodesenvolvimento e isto pode ser com-
cessos cerebrais, então toda causa terá que, preendido como espiritualidade (ANGERAMI-
necessariamente, ser orgânica ou física. A CAMON, 2004).

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A logoterapia lida com a ideia de que donado, desprotegido e angustiado, pois não
quando o homem ignora a sua dimensão es- se sente preparado para assumir a missão de
piritual ele passa a sentir um mal-estar, uma buscar o significado de sua própria existência
sensação de vazio e a vida é então vista (FABRY, 1984).
como não tendo significado. Assim, a saúde
é relacionada ao significado e não cabe ao O vazio existencial e a busca de novos
terapeuta instituir um significado na vida de valores
seu paciente, mas sim permitir que ele des-
cubra o seu próprio significado da vida tendo Conceber o homem como um ser psi-
como premissa as suas próprias referências cofísico representa enxergá-lo somente como
(FABRY, 1984). um ser pessoal, mas há que se considerar o
O meio acadêmico habilita o profissional homem em uma dimensão mais profunda e
de psicologia a atuar diante de neuroses, psi- concebê-lo como um ser espiritual existencial
coses, complexos e mecanismos de defesa, (FRANKL, 2009).
bem como entender o funcionamento mecâ- O homem tem uma busca que é inces-
nico do que é físico e avaliar processos que sante: o sentido da vida. O ser humano con-
envolvam o pensamento e as suas reações, figura a sua existência na direção da realiza-
mas a unidade que dá coesão a tudo isso que ção e na transcendência de si mesmo e essas
é a “alma” é desconsiderada e a plenitude do buscas são orientadas pela sua consciência.
ser humano é tratada de forma materialista A atualidade é permeada pela angústia hu-
(ERTHAL, 2004). mana que pode ser dita como a “angústia do
O reducionismo do homem a um ser nada” que é o temor da ausência de sentido
biológico movido por forças psicológicas e so- do que lhe é exterior (ERTHAL, 2004).
ciais deve ser evitado, pois a dimensão huma- Mais do que uma adaptação o homem
na permite-lhe apreciar a arte, experienciar a atual precisa assumir uma responsabilidade
religião, ter o anseio pela verdade, buscar um individual. Mais do que observar os traumas
significado para a própria existência e conce- do passado, o homem necessita conquistar
ber o mundo em conformidade com a percep- força para lidar com as tensões do presente e
ção que ele tem do mundo. Hoje o homem com as tarefas do futuro (FABRY, 1984).
vive um momento difícil e relevante, pois con- Hoje o homem, especialmente o ociden-
ferir um sentido à sua existência é algo que tal, não encontra um contexto favorável para
compete ao próprio homem que já não aceita abrir-se à aspiração espiritual, pois o materia-
passivamente imposições que outrora eram lismo é vivido intensamente e o ego fica con-
feitas pela Igreja ou instituições, pelo Estado centrado na busca e aquisições que o contex-
e pela família e a busca do significado da vida to impõe (JOHNSON, 1987).
não pode ser imposto, desta feita, pelas auto- A aspiração espiritual é uma presença
ridades científicas. A autoridade para a busca constante na vida do ser humano, mesmo
do significado de sua própria vida deve advir que não seja percebida ou associada com
de uma autoridade autoimposta e a situação a sua natureza humana. O amor romântico
atual faz com que o homem sinta-se aban- é fruto dessa aspiração espiritual, pois o ho-

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mem que se encontra apaixonado investe na antagonismo entre o que é material e o que é
pessoa, que é objeto de sua paixão, o sim- espiritual. O estudo do que é material, concre-
bolismo do que é transcendente e de alguém to e objetivo trouxe à ciência a concepção de
que lhe completa e faz com que ele se sinta não validade para o que é espiritual, abstrato
pleno, nobre, realizado e que, por fim, traz um e subjetivo. A ciência passou a focar seus ob-
sentido e significado à sua existência com a jetos de estudo no que poderia ser delimitado
possibilidade de fazê-lo feliz. O que se busca no racionalismo e no intelectualismo e o que
e se vivencia no amor romântico é o mesmo é espiritual e religioso passou a ser sinônimo
que é buscado e vivenciado na realidade es- de irracional. A cultura ocidental, em especial,
piritual, mas o amor romântico não consegue se tornou materialista e a espiritualidade foi
suprir à aspiração de espiritualidade no ho- posta de lado, à margem do que poderia ser
mem, porém, ainda assim, é uma vivência da concebido como real e existente. A concep-
espiritualidade que traz conteúdos do incons- ção de um homem somente concreto, fruto
ciente (JOHNSON, 1987). da hereditariedade genética, manipulado por
O homem busca mais do que prazer e condicionamentos e pelo contexto social e
poder em sua vida, ele busca um sentido e movido por impulsos e desejos cristalizou a
se ele se sente frustrado diante dessa busca ideia do homem como uma máquina pensan-
do sentido ele sente em si um vazio interior, te desprovida de alma. A espiritualidade foi
um vazio existencial. Na percepção da ges- confinada nas religiões e até hoje se comete
talt o sentido da vida seria a figura e o fundo o engano de se considerar que ambas são si-
seria a realidade. Não há como se prescrever nônimos, mas ressalte-se que a religiosidade
um sentido da vida para um paciente, mas há é apenas uma das formas de expressão da
como encorajá-lo de que há sentido em cada espiritualidade. Diante de tal contexto o que
situação da vida (FRANKL, 2009). é espiritual passou a ser negligenciado e a
espiritualidade humana recebeu o rótulo de
Considerações Finais “não existente” ou “não importante” e, assim
como uma máquina, o ser humano passou
É possível entender que a espiritualida- a ser concebido como algo material movido
de é parte integrante da natureza humana e por mecanismos. O existente é o que poderia
que tem importante presença no modo como ser comprovado cientificamente e o espírito
o ser humano percebe e apreende o mun- que não pode ser comprovado desta forma
do, além de ser também forma de expressão foi através da lógica e do racionalismo tido
diante desse mundo, tendo como exemplo como inexistente. Mas a espiritualidade nun-
para tal, a religiosidade. A alma desperta o ca deixou de existir, ela apenas deixou de ser
interesse humano e seu estudo atualmente enxergada e hoje, ainda que timidamente, co-
ultrapassa os limites da religião e da filosofia meça a ocupar um espaço que a torna visível
e alcança a ciência. aos olhos de pesquisadores que se sentem
A unidade do ser humano foi fragmenta- incomodados com as delimitações do racio-
da e corpo e alma se tornaram pólos opostos nalismo e intelectualismo material.
em associação com a ideia da existência do A alma é incorpórea e o que é espiritual

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não há como se investigar dentro dos limites pessoais da vontade que fazem com que seja
da ciência. Tais afirmações poderiam ser jus- importante ferramenta para a psicologia já
tificativas para se excluir a espiritualidade de que esta dimensão espiritual acaba por in-
qualquer campo que seja reconhecido como fluenciar a dimensão psíquica onde existem
científico. Mas a psicologia caminha por um os impulsos e desejos do homem, bem como
campo que transcende o que é estritamente seus pensamentos e padrões de comporta-
científico e exemplo disto é a própria con- mento. Sem a percepção da unidade humana
cepção da natureza psíquica do ser humano, fica inconcebível a ideia da matéria ser espi-
sendo a personalidade algo não fisiológico e, ritualizada ou do espírito ser corporalizado e
portanto, tão incorpóreo como a própria alma. assim fica  a ilusão de que um homem que
O que é espiritual, por certo, não caberá na reza não faz tal coisa também com o corpo e
delimitação do rigor científico, assim como também a ideia de que o homem que adoe-
não cabem as experiências vividas pelo ho- ce tem apenas o seu corpo hospitalizado. O
mem, mas a vivência da espiritualidade pelo homem é, a todo o momento, essa unidade
ser humano pode ser campo de investigação corpo-e-alma. O homem que entra no setting
científica. A psicologia por sua etimologia psicoterapêutico entra sendo essa unidade e
e por sua própria natureza de também lidar não há como deixar de sê-lo.
com o que é subjetivo vem a ser a ciência A religiosidade vem a ser um meio para
adequada a lidar com o que é espiritual. Des- que o ser humano vivencie a sua natureza
prezar a natureza espiritual do ser humano é espiritual e a experiência religiosa do contato
negar a totalidade da sua natureza e conotar com o sagrado permite ao homem um conta-
“espiritual” com “não existente”. to profundo consigo mesmo, pois ao comun-
O espírito move o ser humano, quer ele gar com o sagrado estabelece um diálogo
acredite ou não em sua existência, e a espi- interior em que expressa suas aspirações e
ritualidade do ser humano é que faz com que emoções que resulta num processo de au-
esse se importe que a vida tenha um senti- toconhecimento e na tentativa de alcançar e
do que, por sua vez, faz com que ele busque assemelhar-se ao divino acaba por transcen-
o sagrado, procure amar e ser ético em sua der o mundo material que vive e a si mesmo
atuação na vida para que esta seja mais do estabelecendo, assim, um processo de auto-
que um simples processo de sobrevivência e desenvolvimento.
seja uma vivência com significado. O ser hu- A tradição hindu conceitua que o ser hu-
mano, mesmo sem perceber, delineia o seu mano tem que conhecer a sua essência ou
livre-arbítrio e busca transcender a si mesmo Self e no Bhagavad Gita há o diálogo entre
devido à sua natureza espiritual. A essência o guerreiro Arjuna e o mestre Krishna, sen-
que o faz ser humano e a própria manifesta- do o primeiro uma representação do ego e o
ção humana da vida e na vida advém de seu segundo do Self e, desta forma, o hinduísmo
espírito. simbolicamente expressa o propósito da psi-
Na dimensão espiritual do ser humano cologia junguiana do ego ser orientado pelo
há a busca da transcendência, há também Self.
a presença do senso ético e há as decisões As concepções do espiritismo colocam

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a faculdade de pensar originada a partir do dá. O aspecto social entrelaçado ao aspecto


princípio inteligente chamado alma, o que in- psíquico (Ruach e Neshamá) remete à ideia
dica a associação do que é espiritual com o de relação do mundo externo (social) e do
que é psíquico no homem. A afirmação de que mundo interno (psíquico) do homem. O as-
o senso moral do homem também provém da pecto espiritual entrelaçado ao aspecto psí-
sua natureza espiritual enseja a ideia de que quico (Neshamá e Chaiá-Iechidá) numa rela-
a espiritualidade existente no ser humano ção da espiritualidade com o psiquismo em
é um grande fator de influência do aspecto situações em que o homem tem a experiência
social de sua natureza, pois as valorações, espiritual.
interpretações e juízos de suas relações so- O budismo diz que três são as principais
ciais estão intimamente ligados ao seu senso características da existência humana: a tem-
moral. poralidade indicando que nada é permanen-
O texto bíblico diz que Deus criou a ma- te; o desprendimento indicando que o intelec-
téria e o espírito e que conjugou “ambos” no to, as emoções e o próprio corpo do homem
homem indicando a ideia de que a unidade do são também temporais; e a insatisfação que
ser humano compreende tanto o corpo como acontece em razão de uma vida que não con-
expressão da matéria quanto a alma como segue transcender o ego e que fica a mercê
expressão do espírito. No novo testamen- de suas limitações. O budismo também pre-
to do cristianismo a unidade do ser humano ga que o sofrimento está dentro do ser hu-
é reafirmada pela tríade: soma como corpo, mano e que algo pode ser feito em relação
psique como mente e pneuma como espírito. ao sofrimento humano. Os conceitos budistas
Tal concepção do homem possibilita a ideia expressam ideias que podem ser traduzidas
de que o homem que tem seu corpo adoeci- como a impossibilidade de realização pesso-
do, do homem que pensa e tem emoções e al através do que é externo ao ser humano,
do homem que reza possa ser um indivíduo pois tudo o que faz parte do mundo externo
que ao adoecer foi afetado por suas emoções tem fim e o término de algo que foi buscado
e pensou em rezar e fez isto para atuar em para propiciar prazer irá gerar sofrimento e,
seu processo de cura e, ao mesmo tempo, desta forma, o círculo vicioso de busca inces-
conseguir paz interior para suportar a situa- sante de prazer resultará sempre em frustra-
ção. Neste exemplo a fisiologia afeta o psíqui- ção, além do fato de que tudo que é externo
co que mobiliza o espiritual que, por sua vez, terá valor somente se o ser humano conce-
pode afetar o fisiológico e também o psíquico. der valor em sua significação do que é exter-
Essa integração dos aspectos da sua nature- no em seu mundo interno. Conceitua que o
za indica o holismo presente no ser humano. desprendimento (e não a negação) do que é
Na constituição da alma no misticismo externo ao homem pode fazer parar de girar
judaico pode se associar o aspecto biológico o círculo vicioso e que o homem possui uma
à Nefesh, o aspecto social do homem à Ru- natureza espiritual que transcende o psíquico
ach, o aspecto psíquico também à Ruach e e o fisiológico (que são temporais) e que a
à Neshamá, e o aspecto espiritual também à transcendência é o caminho para que ele viva
Neshamá e, principalmente, à Chaiá e Iechi- além das limitações do racionalismo do ego,

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pois se assim não for, sentir-se-á insatisfeito e alma como o viajante e a ideia é de que a
com sua existência. O budismo contempla a alma guia o homem em seu desenvolvimento
ideia de que o sofrimento que está dentro do interior e, assim, também no Sufismo, o as-
ser humano, ou seja, o sofrimento psicológi- pecto espiritual se faz presente no homem
co é alimentado, amenizado ou finalizado por como constituindo a sua natureza e fazendo
aquele que sofre. Tais conceitos remetem ao com que esse venha a ter aspirações de au-
pressuposto de que a sustentação psíquica e todesenvolvimento.
o significado da existência advêm do mundo Etimologicamente pode se compreen-
interior do ser humano e que, dentre todos os der a Psicologia como o “entendimento da
aspectos da natureza humana, o aspecto es- alma”. Porém, situar a atuação do homem em
piritual prevalece sobre os demais aspectos termos que acomodem a expressão “alma”
que são temporais. é tarefa que pode promover resistência de
O conhecimento do processo de fun- muitos, pois o que diz respeito à alma e, por
cionamento da condição humana pode ser consequência, à espiritualidade envereda por
definido como o “autoconhecimento”, termo um campo que não foi explorado no meio
tão comum e necessário à psicologia. A re- acadêmico por aqueles que hoje atuam na
sistência em se perceber a espiritualidade psicologia, além do fato de que acomodar a
como um aspecto da natureza humana pode espiritualidade no campo da ciência é algo
ser associada à metáfora do budismo tibeta- que inquieta materialistas e intelectualistas.
no do homem que atua na vida sob o jugo Mas a psicologia tem como objeto de estudo
dos “Três Senhores do Materialismo” que caí o homem e a sua natureza e é importante que
num funcionamento que encontra afinidade se ressalte que este objeto de estudo abran-
com o que é concreto e tal concretude cabe ge o homem em sua totalidade e a sua na-
nas delimitações impostas pelo rigor científi- tureza compreende todos os seus aspectos,
co. Em relação aos aspectos constituintes da sejam eles biológicos, psíquicos, sociais e/
natureza humana, o “Senhor da Forma” en- ou “espirituais”. Por ser papel de a psicologia
contra espaço no aspecto biológico do ser hu- estudar e buscar compreender o ser humano
mano, o “Senhor da Fala” no aspecto social em sua totalidade, ou seja, em “todos os seus
e o “Senhor da Mente” no aspecto psíquico, aspectos”, a espiritualidade pode ser entendi-
porém, de acordo com as ideias do budismo da como uma das dimensões no homem ao
clássico, há no homem a “natureza búdica” lado da dimensão somática e da dimensão
que promove o encontro com a sua “essên- psíquica. A não aceitação do espiritual no ser
cia” e com seu “eu real” e não apenas com o humano fará com que a psicologia considere
seu “eu consciente” e aqui pode se associar qualquer manifestação provida da espiritu-
a “natureza búdica” com o aspecto espiritual alidade como devaneio ou psicopatologia e
do ser humano e o pleno autoconhecimento cabe à psicologia ser coerente na conside-
só acontecerá mediante o contato com o ser ração do espiritual e do científico sem que a
humano integral. validade de um acarrete a nulidade do outro.
O Sufismo, que é a parte mística do isla- A psicologia junguiana permite pressu-
mismo, considera o corpo como o carregador por que há no psiquismo humano além dos

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conteúdos inconscientes e conscientes, tam- doença ao fazer com que o aspecto gerador
bém conteúdos que são pertinentes a uma da doença não seja cuidado e seria como cui-
consciência superior e tais conteúdos podem dar de uma cefaléia negando a existência da
ser pressupostos ao aspecto espiritual do ser cabeça. A psicologia necessita de uma visão
humano. Havendo uma consciência superior ampliada ao lidar com o ser humano ou então
e que, portanto, transcenda o eu pessoal faz incorrerá no erro de ter que limitar o ser huma-
com que a plenitude do homem contenha no para que esse seja espremido ou reprimido
mais do que impulsos oriundos do psiquismo, dentro das delimitações da teoria que o psicó-
condicionamentos vindos do contexto em que logo seguir e a psicoterapia seria somente a
se encontra, influências sociais e hereditarie- situação de um enquadramento do ser huma-
dade genética, pois tudo isso faz parte do eu no e de sua situação dentro de uma teoria que
pessoal e a ampliação do homem para uma “supostamente” contivesse toda a verdade.
esfera que transcende esse eu pessoal ense- Assim como a espiritualidade também
jará a ideia de que há um aspecto transcen- a religiosidade não pode ser tratada como
dente em sua natureza que também orienta devaneio ou coisa não importante, afinal a
as suas aspirações. O homem que esponta- religião é presente entre os homens mesmo
neamente procura o conhecimento e experi- antes da ciência e, portanto, presente no psi-
ências de vida para se tornar mais sábio sem quismo humano de forma consciente e in-
a pretensão de qualquer ganho material ou consciente há muito tempo. O contato com
de status social; que pratica a caridade de for- algo que transcenda o materialismo que é
ma anônima; que medita, seja para refletir so- compelido o ser humano em sua vida permite
bre algo, seja para aproximar-se do sagrado, que esse encontre sentido e significado para
seja para conhecer a si mesmo ou ao buscar a sua existência em coisas que fazem parte
um sentido para sua vida está sendo movido de seu mundo interior e sua vida passa a con-
pelo aspecto espiritual de sua natureza quer templar algo mais do que a obtenção de coi-
ele creia ou não em um Deus ou divindades. sas do mundo externo. A religiosidade pode
O fato é que o homem tem a liberdade de ne- servir como válvula de escape para a espiritu-
gar a existência de Deus, mas não consegue alidade da natureza humana que é sufocada
eliminar a imago de Deus que está além das pelo mundo objetivo.
limitações do ego e, por isso, não pode ser Apesar de a religião poder ser vivencia-
apagado com o racionalismo. da de forma concreta, a relevância da religio-
A logoterapia de Viktor E. Frankl concei- sidade não consiste em provar a sua vera-
tua que doenças podem se originar no aspec- cidade ou não, mas sim considerar o papel
to espiritual da natureza humana ou dimensão que desempenha e a influência dessa sequer
noética e que os sintomas se expressarão em necessita da experiência propriamente dita,
seu aspecto fisiológico ou psicológico e, as- pois só a existência da fé já influencia a vida
sim, negar a existência da espiritualidade do do homem religioso e, em consequência, a
homem faria com que se ocultasse a causa da religião pode tanto exercer uma influência te-
doença que acomete o indivíduo, bem como, rapêutica como também pode ser causa de
impediria ou dificultaria o tratamento desta conflitos psíquicos.

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Há que se buscar a maneira de lidar qualquer outra origem da intuição faria com
com a fé, pois se a ciência lidar com verdades que esta tivesse que ser tida como impulso,
definitivas estará alicerçando as suas verda- instinto ou conteúdo preexistente na memória
des nas mesmas bases que as religiões e o e isto a descaracterizaria. A intuição é algo
racionalismo puro e a fé cega buscam promo- inconsciente e irracional, mas não há como
ver imposições ao ser humano. A fé pode ser enquadrá-la como sendo originada no id psi-
entendida como movimento de energia pro- canalítico e isto leva à suposição da existên-
vinda da natureza espiritual do ser humano e cia de um inconsciente espiritual, ideia que já
que se manifesta através da religião. Assim é presente na logoterapia de Viktor E. Frankl.
pode se conceber no homem, por exemplo, A transcendência do ego é a via de mão
a vitalidade como um movimento do aspecto dupla entre a mente e o espírito e a ampliação
biológico, os desejos como movimentos do do ser humano para alguém além do fisiológi-
aspecto psíquico, a comunicação interpes- co e do psíquico ao considerar que há uma di-
soal como movimento do aspecto social e a mensão espiritual e tal ampliação abre novas
fé como um movimento do aspecto espiritual. perspectivas para a sua existência e também
Assim a fé promove a religiosidade e a fun- para a orientação e significado de sua vida.
ção da religião vem a ser a de propiciar ao A superficialidade das aparências que consti-
homem a manifestação da sua espiritualida- tuem o mundo externo será complementada
de. Mas a natureza espiritual humana pode pela profundidade da essência que consti-
ser explorada em campos que vão além do tui o mundo interno e o discernimento entre
que está associado ao que é religioso, pois aparência e essência possibilitará ao homem
ao afirmar que esta natureza é pertinente ao contemplar a sua vida como muito mais do
ser humano, há que se tratar tal afirmação que um simples acumular de cotidianos e os
enxergando todos os seres humanos, des- propósitos de sua existência estarão além do
de os que seguem uma religião e creem em processo de obtenção de coisas para satisfa-
um Deus ou algo sagrado até aqueles que ção de seus desejos. Tal quadro permitirá que
não vivem nenhuma religião e sequer acre- o indivíduo leve também a sua alma ao con-
ditam num Ser ou Presença suprema. Tudo sultório de seu psicólogo de forma autêntica,
que leva o homem à transcendência do ego sem restrições e sem o medo de ver a mani-
acaba por ser um movimento da sua espiri- festação de sua espiritualidade diagnosticada
tualidade e faz parte da natureza humana a como uma psicopatologia.
internalização de tudo com o qual tem conta- A ciência avança e assim como houve
to e, dessa maneira, qualquer percepção fará tempo em que o planeta Terra foi considera-
parte do mundo interior do ser humano, seja do plano e sendo o centro de todo o univer-
ela advinda do que é material, seja advinda so, houve na psicologia um tempo em que o
do que é espiritual. psiquismo era investigado considerando-se
Assim como o pensamento denota a apenas o consciente e Freud veio a indicar
existência de uma realidade psicológica, a um novo caminho ao proclamar a existência
intuição denota a existência de uma reali- do inconsciente. Hoje novos passos precisam
dade espiritual no homem, porque conceber e estão sendo dados e a física quântica é um

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exemplo de novos caminhos que se abrem da natureza espiritual do ser humano. Con-
para a ciência e na psicologia a espiritualida- sequentemente alguém que é ateu e, dessa
de é algo que pode trazer uma nova orienta- maneira, não segue nenhum credo, ainda as-
ção, pois a expansão do homem de um “eu sim atende à unidade do homem como um
pessoal” para um “eu espiritual” apontará a ser biopsicossocial e espiritual.
necessidade de uma compreensão mais am- A possibilidade de o homem poder ex-
pliada do homem. O inconsciente proposto pressar a sua espiritualidade naturalmente o
por Freud será complementado pelo incons- aproximará de sua completude e o libertará
ciente espiritual proposto por Frankl e haverá da pressão de ter que decidir a orientação da
espaço tanto para uma religiosidade incons- sua vida pautada no mundo exterior, ou seja,
ciente quanto para a busca inconsciente de o homem será auxiliado a buscar a sua auto-
Deus e então o homem encontrará no setting ridade a partir do mundo que há dentro de si
psicoterapêutico também um caminho para a e a intuição e o simbólico serão mais recor-
busca de sua totalidade e a psicoterapia será rentes não só na hora terapêutica, mas em
ainda mais uma ferramenta para o autoco- qualquer tempo da vida do indivíduo.
nhecimento e o autodesenvolvimento do ser A existência do homem como ser espi-
humano. Ao psicólogo não caberá o papel de ritual traz um novo sentido para sua vida e a
propagador de crença ou conversão religiosa, permissão para que este trate a realidade es-
mas caberá o papel de compreender o seu piritual de forma consciente será um caminho
cliente através de uma empatia plena, irres- para que sua espiritualidade não fique repri-
trita e verdadeiramente transcendente, pois mida no inconsciente e gerando no homem a
havendo resistências egoicas provindas de angústia em forma de vazio existencial. A su-
suas crenças ou descrenças se verá impossi- perficialidade do mundo externo que só pode
bilitado de compartilhar a condição existencial chegar ao homem pela sua percepção, ou
do outro. A ampliação do homem de um ser seja, através da sua aparência, passará a ser
que deseja para um ser que também tem as- entendido como contexto e meio de expres-
pirações naturais e latentes de espiritualidade são de seu mundo interno e a atitude de va-
possibilitará significações mais elevadas da lorização da essência ao invés da aparência
existência humana que ocasionará um novo será capaz de preencher o vazio existencial
sentido para a sua vida. A alma não será mais tão comum na atualidade, pois o homem terá
um assunto velado pela sua impossibilidade a possibilidade de compreender que o vazio
de ser material e a espiritualidade deixará de que sente em seu mundo interno não pode ser
ser um campo minado para a ciência. preenchido com prazeres do mundo externo
A espiritualidade deixará de ser mo- e o homem priorizará o “ser” ao invés do “ter”.
nopólio da religião e passará a ser aspecto Mais do que instintivo o homem será espiri-
da natureza humana. Por analogia pode se tual e uma nova ótica poderá ser concebida
conceber a moral como manifestação da em temas como, por exemplo, o uso de dro-
ética, assim como a religiosidade como ma- gas para fugir da realidade oferecida ao ser
nifestação da fé e ambas: ética e fé, como humano e a violência decorrente da desigual
movimentos advindos da espiritualidade ou valorização do mundo externo em relação ao

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mundo interno. O investimento do homem inconscientemente, questiona-se constante-


será no auxílio aos outros e em si mesmo, mente sobre isso. A espiritualidade alimenta
pois terá condições de perceber a unidade da aspirações, influencia significações e possibi-
humanidade em que todos são igualmente lita ao homem a transcendência. Negligenciar
espirituais, apesar das desigualdades sociais ou negar a espiritualidade como um aspecto
e também vivenciar a sua própria unidade da natureza humana é fragmentar o ser hu-
como ser biopsicossocial e espiritual. Temas mano e dizer que ele não precisa de todas as
como o amor romântico ganharão um novo partes para se constituir como um todo.
entendimento, pois o amor será vivenciado
como sentimento e deixará de ser uma pro- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
jeção que faz com que um tenha que ser o
responsável pela felicidade do outro. ANGERAMI-CAMON, Valdemar Augusto. De
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ele será sempre o protagonista de sua vida e lo: Thomson, 2004. p. 215-262
não lhe caberá mais o papel de ser apenas a
vítima do mundo externo e o sentido de sua BOFF, Leonardo. A águia e a galinha: uma
vida terá que ser buscado em seu interior e a metáfora da condição humana. 39. ed. Petró-
ilusão de que coisas do mundo externo pode- polis: Editora Vozes, 2002.
rão dar sentido à sua vida será perdida e em
uma representação simbólica o homem atua- CALLUF, Emir. Psicologia da personalida-
rá na vida muito mais como um semeador do de. São Paulo: Editora Mestre Jou, 1976.
que como um apanhador de frutas. CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. 13. ed.
Há no ser humano a necessidade de São Paulo: Editora Ática, 2003.
encontrar um sentido para a sua existência,
seja ela latente ou expressada, e essa busca ERTHAL, Tereza Cristina Saldanha. A luz da
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genciar ou negar o aspecto espiritual do ser -CAMON, Valdemar Augusto. Espiritualida-
humano é menosprezar a origem dessa bus- de e Prática Clínica. São Paulo: Thomson,
ca e, velada e consequentemente, dizer que 2004. p. 1-37.
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ou um devaneio vindo do nada. Para o ser FADIMAN, James; FRAGER, Robert. Teorias
humano não basta sobreviver, pensar, emo- da personalidade. Tradução de Camila Pe-
cionar-se e relacionar-se. Para o ser humano dral Sampaio, Sybil Safdié. São Paulo: Edito-
tudo isso tem que ter um sentido e isso é que ra Harper & Row, 1979.
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