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O Ob r e i r o Ap r o va d o

Marco s d e So uza Bo rg es
( Co t y)
"Procu ra ap resentar-te fort e a Deus, aprovado,
como ob rei ro que não tem de que se en vergonhar,
que maneja b em a Palavra da verdade." (II Tm
2:15)

APRESENTAÇÃO

Pr. Marcos de Souza Borges, o Cot y e sua esposa Pr a.


Raquel t êm um casal de filho s, Gabr ie l e Bár bara. E les são
membros do Minist ér io Ágape e t rabalham at ualment e co mo
diret ores de uma base missio nár ia de JOVENS COM UM A
MISS ÃO em Almirant e Tamandaré na grande Cur it iba.
Est ão no campo missio nár io desde ja neiro de 1986,
quando fundar am o Minist ér io Ágape em Cur it iba, e vê m
at uando nacio nalment e e int er nac io nalme nt e co m int ercessão,
t reinament o, aconselha ment o, mobilização missio nár ia,
impact os de evangelis mo e conquist a de cidades, edificação e
implant ação de igr ejas e t ambém de muit as out ras for mas
cont inua m ser vindo int erdeno minac io nalment e o corpo de
Cr ist o.
E les t ambém t êm desempenhado um expr essivo
minist ér io na área de cura e libert ação, invest indo na
rest auração de famílias e igrejas bem como na for mação de
conselheiros e libert adores.

Pr. Marcos é t ambém aut or dos livros: "A Face ocult a do


Amor ", "O Aviva ment o do Odre Novo" e "A Oração do Just o".
SUMÁRIO

AP RESENTAÇÃO...................................................... 2
SUMÁRIO ................................................................ 3
PREFÁCIO ............................................................... 3
Int rodução ................................................................ 7
"Procura apresent ar-t e a Deus"... e não aos ho mens ..... 20
"Procura apresent ar-t e ... aprovado, como obreiro ... .... 31
Ent endendo a provação ............................................. 51
Diagnost icando o est ado de reprovação ...................... 68
Respondendo as provas de Deus ................................ 83
PREFÁCIO

Exist em t rês t ipos de pessoas que a Bíblia afir ma que


Deus est á const ant ement e à procura. Deus est á procurando por
int ercessores:

"E busquei d ent re eles u m homem que levantasse


o mu ro, e se pu sesse na b recha perant e mi m por
esta terra, para qu e eu não a dest ruísse; porém a
ninguém ach ei. " (Ez 22:30)

E le t ambém procura adoradores:

"Mas a hora vem, e agora é, em que os


verdadei ros adoradores adorarão o Pai em
espí rito e em verdad e; porque o Pai procu ra a
tais que assi m o adorem. " (Jo 4:23)

A escassez de int ercessores dest rói a t erra, enquant o a


escassez de adoradores ent r ist ece os céus. E por fim, o próprio
Jesus afir ma a necessidade de obreiros:

"Então disse a seu s discípu los: Na verdade, a


seara é grand e, mas os ob rei ros são poucos.
Rogai, pois, ao Senhor da seara que mand e
trabalh adores para a sua seara. " (Mt 9:38, 39)

A escassez de o breiros det er mina o fracasso da igr eja e m


relação à grande co lheit a. Quando a igr eja deixa de co lher,
Sat anás o faz, a largando as port as do infer no e asso lando a
sociedade.
Est e t ext o apresent a o cla mor que sobrecarregava o
coração de Jesus. Mediant e um mundo de necessidades, ele se
depara co m a demanda de obr eiros, pessoas que est ão não
apenas dispost as, mas legit ima ment e afinadas co m a vo nt ade
de Deus para desempenhar em o mais nobre serviço a que u m
ser humano pode se envo lver. Pessoas que vão transfor mar o
dest ino et erno de t ant as outras.
Uma import ant e quest ão é que a mobiliz ação dest e t ipo
de cont ingent e é precedida por um processo de qualificação
que poucos correspondem ou se propõe a submet er. Jesus
desfecha est a conclusão dizendo:

"Muitos são os chamados, mas poucos os


escolhidos. " (Mt 22:14)
Há uma lo nga dist ância ent re ser chamado e ser
esco lhido. A abordagem dest e mat er ial se resume em per correr
est e est reit o caminho, onde t ant os t em fr acassado.
Est a afir mat iva de Jesus r evela um efeit o funil. De
muit os sobram poucos. Ist o most ra co mo o mundo espir it ual
impõe um processo de seleção. Ou seja, muit os são chamados,
todos são provados, porém, poucos são os aprovados.
Não é de qualquer jeit o, ou do nosso jeit o que vamo s
caminhar no chamado de Deus. É import ant e ent ender, que
apesar de nós ser mo s os chamados, o chamado é de Deus e não
nosso.
Apesar de t udo que envo lve o t rat ament o de Deus,
pessoas chamadas est ão diant e da maneir a mais sublime e
significat iva de viverem as suas vidas. Aceit ar o chamado de
Deus significa concordar co m a grande realidade que não
sabe mos a melhor for ma de viver mo s nossas própr ias vidas,
mas o Senhor sabe.
A procura de Deus deve se encont rar co m a nossa
procura, e a nossa procura deve se enco nt rar com a procura de
Deus. Dest a int ercessão emerge um genuíno minist ér io que
pode, at é mesmo, afet ar toda uma geração. Est e fo i o grande
apelo do mais incansável obreiro do reino de Deus:

"Procu ra ap resentar-te a Deus, ap rovado, como


obrei ro qu e não tem de que se envergonhar que
maneja bem a Palavra da verdade. " (II Tm 2:15)

Est e livro, além de possuir um carát er cirúrgico, ir á


prover uma radiografia da personalidade sob um ângulo muit o
pouco obser vado, que revelará suas deficiências bás icas e
mot ivacio nais, apont ando para uma erradicação de t udo aquilo
que sust ent a os mais graves quadros de reprovação.
Nos bast idores da sua alma, uma gr ande r evo lução
espir it ual est á prest es a ro mper. Uma mudança profunda que
cert ament e será percebida por quem mais int eressa: O Deus a
quem ama mos. E nt re nest a leit ura com os o lhos abert os,
ouvidos at ent os e acima de t udo um coração responsivo !

Pr. Marcos de Souza Borges


Introdução

Antes de ser obreiro ...

"Procu ra ap resentar-te a Deus, ap rovado, como


obrei ro qu e não tem de que se envergonhar que
maneja bem a Palavra da verdade. " (II Tm 2:15)

Ant es de Paulo mencio nar sobre a post ura de obreiros,


ele aborda duas s it uações funda ment ais que não podem ser,
em hipót ese alguma, negligenciadas. E le fala sobre "procurar"
at ender est as condições: "Procura apresent ar-t e a Deus ( 1 ),
aprovado ( 2 )... ". Isto é o que vamo s t rat ar, respect ivament e,
nos do is pr ime iros capít ulo s.
O objet ivo pr imár io de alguém que "procura" é
simplesment e encont rar. A quest ão é que algumas co isas est ão
mais escondidas do que imag inamo s. També m, pode-se levar
um t empo maior que o esperado para serem o bt idas. Co mo
veremo s, só depo is de vint e anos no deserto em Padã Arã é
que Jacó at ingiu est as condições, rest aurando seus
relacio nament os e redimindo sua ident idade.
Na verdade, indispensavelment e, ant es de fazer qualquer
co isa par a Deus prec isamos de um encont ro com est as
realidades. Est e processo vai at é os porões da alma
eliminando a vergonha e t odas as demais impur ezas que
blo queia m o fluir do Espír it o Sant o.
Surge, ent ão, uma capacidade divina de manejar bem a
palavra da verdade que se expressa at ravés de um est ilo de
vida que prevaleceu sobr e cada est ado crônico de reprovação.
Sob est a perspect iva, a Palavra de Deus não é a "espada
do pregador", porém, co mo Paulo afir ma, ao mencio nar a
ar madura de Deus, é a "espada do Espír it o Sant o", que apenas
cort a at ravés de nós na mesma profundidade que cort ou a nós
mesmo s:

"Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mai s


cortante do que qu alquer espad a de doi s gu mes, e
penet ra até a divi são de alma e espí rito, e d e
juntas e medu las, e é apta para di scerni r os
pensamentos e intenções do coração." (Hb 4:12)

ENTENDENDO O JUÍZO DE DEUS

"Vede ent re as nações, e olhai, e maravi lhai-vos, e


admi rai-vos: porque reali zo em vossos dias u ma
obra, que vós não crerei s, quando vos for
contada. " (Hc 1:5)

Quant os podem d izer um grande aleluia para est a


t remenda mensage m pro fét ica? Quant os acredit am nest a obra
inacredit ável que Deus, de repent e, est á por realizar na sua
própria vida? Algo de maravilhar, de admirar e espant ar a
todos. Uma obra, t ambém, de proporções tão grandes que ser ia
percebida ent re as nações.
O que Deus realizar ia que quando alguém fo sse nos
cont ar ser íamo s incapazes de acredit ar que t al co isa pudesse
est ar acont ecendo? A que t ipo de milagre, pro messa ou
int er venção divina o profet a se refer e?
À pr imeir a vist a, t udo ist o parece algo muit o desejáve l.
As expect at ivas inc it adas aqui t ornam est e ver sículo uma
realidade ainda ma is assust adora. Est a é a grande surpresa de
Deus para pessoas, minist ér io s, cidades e nações.
Na verdade, poucos discer nem est e t exto. Ou seja, a
maior ia at é crê nest e ver sículo, porém de uma maneir a
tot alment e equivo cada e desalinhada em relação ao seu
cont ext o origina l. Na verdade, est a é uma das pro fecias mais
dist orcidas da Bíblia pelo s crent es. Ser ia, port ant o, de
ext rema relevância, se co mpreendêssemo s melhor os
bast idores dest a promessa em palco.
Depo is de um t empo de muit a excelência e prosper idade
que culminou no reinado de Davi e Salomão, a nação, aos
poucos, no decorrer das ger ações, vai ent rando em expr essiva
decadência e co meça a ser advert ida de muit as for mas e por
muit os pro fet as. Vêm, ent ão, uma t err ível fase, onde parece
que a ido lat r ia e a impiedade definit iva ment e t riunfar iam.
Est a fo i, ent ão, a respost a que Deus deu à oração
desesperada do profet a Habacuque, quando est e clamava e
reclamava do silêncio divino e da sua aparent e insensibilidade
mediant e t ant o pecado e injust iça prat icados impunement e
pela "nação sant a" (Hb 1:1-4).
Só as pessoas que vêem o pecado co m os o lhos de Deus
podem ent ender de fat o est e t ext o. Na verdade, o que est á em
paut a, é uma fort e int er venção divina at ravés de um gr ande
juízo que surpreender ia a t odos, o que se cumpr iu quando
Jerusalém fo i arrasada e o povo levado em cat iveiro para
Babilô nia.
Normalment e, o pecado, não apenas t rás uma dinâ mica de
escravidão, como t ambém um t erríve l processo de
insensibilidade moral, dur eza de coração, segu ido pela
caut er ização da co nsciência. Ist o torna ainda mais difíc il,
radical e desafiant e o ofício pro fét ico.

Dois desafios proféticos


1. Levar o povo a crer na obra do juízo de Deus,

destruindo as falsas convicções

Invar iavelment e, as pessoas relig iosas est ão à cat a de


profecias abençoadas. E las não est ão int eressadas e m ouvir e
ent ender o coração de Deus e por isso não toleram a palavr a
profét ica quando são advert idas.
Seus ouvidos est ão programados par a não ouvir aquilo
que cont rar ia seus int eresses e desejo s.
Quant o mais ins ist imo s nest a posição, t ant o mais
aceler amos e int ensificamo s o juízo de Deus, e o pior, menos
cremos nest e juízo vindouro e maior ment e ser emo s
surpreendidos por ele.
Qual ser ia, de fat o, est a obra t ão admirável, refer ida por
Habacuque, que ninguém crer ia? A respost a não é out ra senão
um t err ível t empo de julgament o divino. A nação ser ia
dest ruída e exilada! Um duro processo para t rat ar com as mais
profundas raízes da apost asia e ido lat ria. E st e pr incípio
t ambém ensina e advert e que t emos uma fort e t endência para a
incr edulidade quando a quest ão é o juízo de Deus!
Milagres não t ransfor mam nosso carát er, o juízo de Deus
sim. O juízo sempr e co meça pe la casa de Deus. Est e é u m
pr incípio de ação do reino moral. No pr imeiro capít ulo de
Habacuque I srael é julgado, no segundo, Babilô nia é julgada e
no t erceiro as nações são julgadas. Começou por Israel e
at ingiu t odo o mundo.
Ant es dos avivament os de ordem mundial causados pelo s
t est emunhos de Mesaque, Sadraque e Abdenego na for nalha, e
t ambém de Danie l r evelando o sonho de Nabucodonosor,
decifrando a mensagem para Belt essasar e depo is na co va dos
leões, Israel exper iment ou o maior julgament o da sua hist ór ia,
at é ent ão. Fo i num cont ext o de juízo e pur ificação que o Deus
de Israel fo i glor ificado e conhecido, por vár ias vezes, em
todas as nações do mundo!
Chega uma hora em que Deus t rat a severament e co m
nosso orgulho, nossa obst inação, nossas t radições, nossos
pecados cost umeiros, por mais que aparent ement e est amo s
"bem" espir it ualment e. Todo t ipo de segurança que descart a o
quebrant ament o e a humildade é uma ar madilha que
const ruímos par a nós mesmo s.
Deus est ava chamando o povo a uma pur ificação, porém
fo i ignorado. Vez após vez os pro fet as t ent aram avisar u m
povo ensurdecido e obst inado. A classe religiosa est ava t ão
segura em si mesma que qualquer profecia nest e sent ido era
tot alment e absurda. Desprezar am os verdadeiros pro fet as.
Est avam t ão acomodados co m seu est ilo de vida pecamino so e
religioso que ser ia m inevit avelment e pego s de surpresa!
Ist o sempre acont ece quando se prat ica uma
"espir it ualidade" que t oler a a imora lidade e a corrupção. O
juízo t arda, mas não falha, co mo Deus dis se a Habacuque:

"Pois a visão é ainda para o tempo determinado, e


se ap ressará até o fi m. Ainda que se demore,
espera-o; porque certamente vi rá, não t ardará."
(Hc 2:3)

Pensando bem, a obra maravilho sa de Deus fo i, na


verdade, mar avilho sament e horr ível. Um julgament o de
espant ar a t odos. O povo fo i saqueado, o t emplo que er a t ido
co mo um amulet o que garant ia a prot eção divina fo i
arruinado, os filho s foram levados cat ivos, os muros e as
port as da cidade queimados e dest ruídos.
Ninguém acredit ava que t amanha dest ruição e escravidão
poder iam sobrevir. Todo povo exilado numa t erra est ranha,
co m uma língua est ranha e co m deuses ainda mais est ranhos.
Apenas dest a for ma é que Israel apr endeu a abo minar a
ido lat r ia que prat icaram por t ant o t empo.
O pr imeiro t ipo de incr edulidade que Deus quer quebrar
nas nossas vidas é em relação ao seu juízo .
Aquela visão ot imist a e ro mânt ica da nossa religiosidade
que nos torna insensíve is ao nosso pecado precisa ca ir por
t erra. Nosso conceit o de prosper idade normalment e é falido.
São at alhos que muit as vezes nos levam a perder a dir eção de
Deus.
Gost amos das so luções rápidas, milagreir as, no est ilo
microondas. Mas, ist o cont rar ia nossa própria nat ureza, que
exige um processo para se desenvo lver.
Quant o mais as pessoas se concent ram nest as so luções
mo ment âneas para reso lver os pro blemas agudos e aliviar a
dor, mais est a at it ude cont r ibui para piorar o carát er crônico
da sit uação.
Quant o mais pensamo s que t udo t em que dar do nosso
jeit o, mais surpreendidos ser emos pelo t rat ament o de Deus.
Não é fácil quebrar aquela falsa convicção de que Deus est á
conosco quando na verdade est amos é obst inados.
Ninguém acr edit ava que Jerusa lém fosse ent regue aos
inimigos e levados para a "t erra da confusão": Babilô nia.
Ninguém suport ava a idéia que o t emplo pudesse ser
profanado e dest ruído, e os seus vasos roubados. A cidade
sant a humilhada, fer ida e cat iva.
Quando Jeremias pro fet izava cont ra Jerusalém, ist o era
int erpret ado pelos líderes da nação como sacr ilégio, um
t errível absurdo. Mas simplesment e, par a surpresa de t odos,
fo i o que acont eceu!
Poucos ho mens, co mo Jeremias, Habacuque, Ezequie l,
acredit aram nest a obra admir ável. O povo int eiro est ava
enganado! Os líder es da nação est avam dist raídos! Os
sacerdot es est ava m errados! É t err ível pensar que Deus est á
conosco de uma for ma, quando ele est á de out ra tot alment e
opost a!
Est e é o maior t rauma que alguém pode so frer. Ir para
uma t erra est ranha. Per manecer num lugar que não é o lugar
onde as pro messas vão se cumpr ir. Aprender a ser um peixe
fora d'água não é fácil.
O processo de Deus mudar det er mina das convicções
erradas que t emos é ext remament e do loroso, mas necessár io.
Envo lve muit as desilusões. O problema é que alguma s
desilusões mat am não apenas as falsas convicções, co mo
t ambém as verdadeiras.
Mesmo após o t empo prescr it o para o cat ive iro t er minar,
os exilados ainda per maneciam na inércia gerada por t ant a
decepção e so fr iment o. Aqui ent ra o segundo desafio
profét ico.

2. Levar o povo a acreditar na restauração

Agora os profet as de Deus t inham um no vo desafio: fazer


o povo acredit ar na rest auração de Deus. Est a fo i uma t arefa
t ão difíc il quant o a de fazer o povo acredit ar no juízo.
Bast a ler Neemias, Ageu, Zacar ias, para ent ender mos o
esforço que é necessár io ser empr eendido para rest aurar a fé
de pessoas abat idas e desiludidas pe lo julgament o divino.
Toda pessoa e minist ér io t em seu mo ment o de
pert urbação, desilusão e incredulidade. Est e t empo muit as
vezes é lo ngo. Um bo m exemplo dest a realidade acont eceu
co m João Bat ist a, o apóstolo do avivament o. Ele est ava t ão
depr imido e pert urbado dent ro daquela pr isão que t odas as
suas convicções vacilaram.
Mesmo depo is de t er vist o o Espír it o S ant o em for ma
corpórea de po mba descer so bre Jesus, confir mando sua
ident idade messiânica, e de haver declarado abert ament e a
todos que est avam diant e do Cordeiro de Deus que t ira o
pecado do mundo, vendo cumpr ido o que Deus lhe falar a ( Jo
1:33), ainda assim, ele havia perd ido a fé na sua missão maior
que er a ser o precur sor do Messias. Sua vida parecia vazia e
sem sent ido naquela pr isão. É como você, t alvez, est eja se
sent indo agora!
A verdade é que t odos nós passamo s por sit uações e
provas co mo est as. Porém, aqui est ão as maior es
oport unidades de salt ar mo s na fé, correndo nas pegadas das
gazelas, co nquist ando lugares ainda mais elevados. O
problema é poucos conseguem perceber est as oport unidades
que t em o poder de nos lançar para o topo da dependência de
Deus.

Algumas lições acerca do juízo divino

- Deus sempr e t em u m plano de resgat e que é elaborado


ant es de ser mo s ent regues ao cat iveiro. Ant es da dest ruição do
t emplo de S alo mão, no capít ulo quarent a do livro do pro fet a
Ezequiel, Deus já havia dado a plant a do novo t emplo a ser
rest aurado.
Aqui ent endemo s o pr incípio onde o Cordeiro de Deus fo i
imo lado ant es da fundação do mundo. Deus nunca age
irresponsavelment e. E le est á pronto para lidar co m os desvio s
da raça humana. O objet ivo fina l do juíz o não é dest ruir, mas
reconst ruir de acordo com o propósit o original.

- Todo juízo que exper iment amos é um at est ado do


invest iment o de Deus. Depo is que Deus julga alguém, o
próximo passo é que ele vai usar est e alguém. A ident idade, a
consciência e o propósit o ganham clareza e pro fund idade e
podemos edificar sobre o alicer ce adequado. Ent endemo s
melhor quem so mos em Deus e onde devemo s chegar.
Co mpreendemo s que as t r ibulações são import ant es no
dese mpenho da nossa missão. Aquele ot imis mo e ro mant ismo
ego íst icos são subst it uídos por uma mot ivação inegociável de
t ão soment e glor ificar mos a Deus, não import a se é pela vida
ou pela mort e, pela abundância ou pela escassez, pelo sucesso
ou pelo "fracasso". A cruz t em os seus par adoxos.

- Reco nst ruir é mais difícil que const ruir, porém exist e
um out ro princíp io aqui. O que você reconst ró i é sempr e
melhor que o que você const ruiu. A exper iência é a mest ra da
sabedor ia. A glór ia da segunda casa é sempre maior que a da
pr imeir a. t udo que você aprendeu co m a dest ruição será usado
na reconst rução.

- "O just o viver á pela fé" (Hc 2:4). Est a é t alvez a


pr incipal lição que aprendemo s quando somos t r ilhados pelo
t rat ament o divino. Apr endemo s a t emer e tremer diant e da
palavra que procede da boca de Deus.
Apr endemo s que única fo nt e de dir eção e segurança é a
palavra de Deus. E la est á acima de t odas as circunst âncias,
pressões, opressões e sit uações.

"Mil cai rão ao teu lado e d ez mi l à t ua di reita,


mas tu não serás atingido. " (Sl 91:7)

Quant os podem confiar nest a verdade apesar de viver mo s


num t empo onde t ant os est ão abalados e at ingidos pela
incr edulidade e desist ência?
Exist e um lugar de prot eção. Alguns tem achado est e
lugar. São os que se submet em ao t rat ament o de Deus co m
fidelidade. Homens co mo Daniel, Neemias, Ezequie l,
Sadraque, Mesaque, Abdinego e t ant os out ros, que mesmo no
cat iveiro mant iveram a sua fidelidade e exper iment aram o
poder manifest o de Deus.
E les prevaleceram mediant e as condições ma is
desfavoráveis. Ent ender am a just iça divina, co nfessar am as
culpas da nação e as iniqüidades dos pais. Se co mpadeceram
daquela geração e int ercederam pela rest auração do povo que
se encont rava em t ot al asso lação. Fizeram toda a difer ença!

O CONHECIMENTO DINÂM ICO DE DEUS

Est e t exto expressa uma visão apr imorada, nua e crua,


sem ilusões, de co mo Deus age co nosco, para que possamo s,
realment e, conhecê- lo:

"Vinde, e torn emos para o Senhor porqu e ele


despedaçou e nos sarará; fez a ferida, e a li gará.
Depois d e dois di as nos dará a vida: ao tercei ro
dia nos ressu scitará, e viveremos diante dele.
Conheçamos, e p rossigamos em conhecer ao
Senhor; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a
nós vi rá como a chu va, como a chu va serôdia qu e
rega a terra. " (Os 6:1-3)

O Deus que fere e que cura

O grande drama da cura de Deus é que ela, na maior ia


das vezes, é precedida por uma fer ida, t ambé m de Deus. Ant es
de um cirurgião remo ver um t umor, ele precisa usar o bist ur i
para cort ar. Não se pode curar sem operar e não se pode
operar sem fer ir. Est a é uma le i óbvia para quem t rat a
responsavelment e das raízes dos problemas das pessoas.
Precisamos conhecer a Deus nest e sent ido. É co mu m
pular mos os do is pr ime iros ver sículo s do t exto mencio nado,
fugindo do seu cont ext o e t eorizar ou racionalizar o
conheciment o divino. Porém, conhecer a Deus na essência, é
exper iment ar o que Oséias exper iment ou. O conheciment o de
Deus co meça co m as fer idas que e le me smo abr e em no ssas
vidas: "... ele despedaçou, e nos sarará, f ez a f erida, e a
ligará."
Toda pessoa e minist ér io poderosament e usados por Deus
precisa poder dizer o que Paulo disse: "Trago no meu corpo as
marcas de Cri sto". Da mesma for ma, Isaías descreve o
Messias co mo "fer ido de Deus". Jacó, também, fo i at ingido
pela espada do anjo do Senhor.
Deus sabe co mo nos fer ir no pont o certo. Ele t em a
per ícia de um exímio cirurgião.
Exist e, porém, uma diferença ent re a fer ida e a cicat riz.
A cicat r iz nada mais é que a fer ida curada. A mar ca e a
lembr ança exist em, porém, a dor, a vergonha, a
vulnerabilidade foram t ot alment e superados.
É import ant e mencio nar, não apenas as "fer idas de Deus",
mas as "cicat r izes de Deus". Acima de t udo Deus é um Deus
de cicat r izes. A essência da unção messiânica é rest aurar a
cana quebr ada e reacender o pavio que fumega. Cada cicat r iz
de Deus represent a uma t remenda gama de exper iências
profundas que redunda nu m conheciment o divino legít imo e
palpável. Ist o pode ser perfeit ament e t raduzido pelas palavras
de Jó após todo o seu sofr iment o:

"Eu te conhecia só de ouvi r mas agora os meu s


olhos te vêem. Por isto me ab omi no, e me
arrep endo no pó e na cinza". (Jó 42:5, 6)

Conhecer a Deus não é mera ment e ser um expert e m


Bíblia e t eo logia. Na verdade, na me sma proporção que
alguém t orna-se um exímio defensor de suas dout rinas, pode
t ambém assimilar uma t endência de t ornar-se não ensinável,
independent e, fechado para a diversidade e ant i-sinér gico.
Est e t ipo de blo queio engessa o cresciment o e peca
cont ra a progressividade da revelação divina. Est e é o doent io
processo de t radicio nalização da ment e.
É crucialment e necessár io mant er uma post ura de
flexibilidade capaz de não desprezar o "velho" co mo t ambém,
não nos fechar para o "no vo" de Deus:

"E disse- lhes: Por i sso, todo escrib a que se fez


discípu lo do reino dos céu s é semelh ante a um
homem, p rop rietári o, que ti ra do seu tesou ro
coisas novas e velhas". (Mt 13:52)

Segundo Oséias, conhecer progressivame nt e a Deus é o


processo onde Deus fer e, t rat a da fer ida, cicat r iza, vivifica e
ressuscit a. E m cada processo cirúrgico, Deus vai remo vendo
t udo aquilo que impede nossa fé e m relação ao seu carát er.
Quant o mais est a fé cr esce, t ant o menos valor izamos as cr ises
cir cunst anc iais. A adoração e uma perspect iva só lida da
grandeza de Deus brot am poderosament e em nossas vidas.

O cântico de Habacuque: o espírito do verdadeiro


adorador

"Ainda que a figu ei ra não floresça, nem haja


fruto nas vides; ainda que falhe o p roduto da
olivei ra, e os campos não p rodu zam mantimento;
ainda que o rebanho seja extermin ado da malhad a
e nos cu rrai s não haja gado. Todavia eu me
alegrarei no Senhor, exu ltarei no Deu s da minha
salvação. O S enhor Deus é a minha força, ele fará
os meu s pés como os da corça, e me fará anda r
sob re os meus lugares altos." (Hc 3:17-19)

Est e é o espír it o do cânt ico de Habacuque! Ainda que não


est amos vendo as possibilidades de cresciment o e frut ificação,
ainda que não sent imo s a unção, ainda que est amo s sendo
confro nt ados co m a escassez de recursos e result ados, ainda
que muit os est ejam nos abando nando, todavia, Deus
per manece fiel e digno da nossa fidelidade! Ist o, realment e, é
adoração!
Est e é o processo pelo qual vamo s conhecer a Deus e
co locar em Deus e em mais nada ou ninguém a nossa
confiança e sat isfação. Ent ão o Senhor será nossa força, nos
fará salt ar e caminhar por lugar es alt os, acima dos mais
elevados o bst áculos. O livro de Habacuque co meça co m uma
int errogação e t ermina co m uma exclamação. Deus deseja
t ransfor mar t odas as nossas pergunt as em respost as
surpreendent es de fé !
Fidelidade deve exist ir, não apenas quando t udo vai bem,
mas quando t udo vai mal. Tem um dit ado que diz: "quando o
navio afunda os rat os caem fora". É assim que Deus prova e
conhece quem é quem. Quem é você?
Só nos mo ment os de prova é que você saberá!
Adoração é o saldo posit ivo de fé deixado pelas pro vas
de Deus. Aqui nasce não apenas uma nova canção, mas é onde
o espír it o de um verdadeiro adorador é for jado. Est a fo i a
post ura profét ica de Habacuque.
Só pessoas que co mpreendem o poder do t rat ament o de
Deus alcançam est e nível de fé e adoração. São pessoas
curadas, que t em cicat r izes de Deus em suas vidas, pessoas
sadias que adqu ir ir am a int egr idade necessár ia para ser vir a
Deus e suport ar as pressões de um verdadeiro reavivament o!
"Eu ouvi, Senhor a tua fama, e temi ; aviva, ó
Senhor a tua ob ra no meio dos an os; faze que ela
seja conh ecida no meio dos anos; na i ra lemb ra-te
da misericórdia. " (Hc 3:2)

No círculo evangélico, avivament o é uma das palavr as


que est ão na moda, em alt a. Porém, percebemos que a maior ia
das pessoas não ent endem bem as imp licações pessoais de u m
avivament o. Se você realment e dese ja e aspira o avivament o,
se você quer a vinda de Deus para sua vida, igr eja e
sociedade, você precisa responder a est a pergunt a que o
profet a Malaquias faz:

"Mas quem suportará o dia da sua vinda? E quem


subsi sti rá, quando ele aparecer? Poi s ele será
como o fogo do ou rives e como o sabão de
lavandei ros. " (Ml 3:2)

Você vai suport ar a pur ificação de Deus? Você vai


subsist ir diant e da sua correção? Vai agüent ar o fogo
pur ificador e a limpeza que ele quer fazer ? Quando ele
co meçar a lavar t oda a roupa suja, desencardindo nossa alma,
será que vamos suport ar? Você ainda quer um avivament o?
Um que co mece por você???

Capítulo 1

"Procura apresentar-te a Deus"... e não aos


homens

Est a pr imeir a sit uação fundament a-se pr incipalment e no


aspect o mot ivacio nal do serviço. A ação int encio nal do
coração é t ão import ant e quant o o desempenho e a t arefa
minist er ia l exercida.
O "para quem" est amos fazendo é t ão relevant e co mo "o
que" est amo s fazendo. A quest ão não é só fazer. É vit al
focalizar e disciplinar a mot ivação do nosso desempenho
minist er ia l em agradar a Deus ant es mesmo que ser vir aos
ho mens.
Est a é uma quest ão de alicerce. O cresciment o aparent e
se fundament a numa base que ninguém pode ver porque
encont ra-se ent errada. Est a é uma import ant e lei da
edificação. Quando pensamos em alicerces, ent endemo s que
t ambém é necessár io crescer para baixo. Ist o apont a para o
t rabalho de Deus nas nossas mot ivações. Sem est e fundament o
aquilo que est amos co nst ruindo fica co mpromet ido.
Deus é capaz de avaliar a int enção de cada esfor ço
prat icado. Deus vê além daquela impressão ext erna que
causamo s nas pessoas. Obvia ment e, ele conhece nossas
int enções mais ínt imas.

"Deus não vê como o homem vê, pois o homem vê


o que está diante dos olhos, porém o S enhor olh a
para o coração. " (I Sm 16:7)

Est a fo i uma advert ência feit a a um pr ofet a que t inha


profunda sensibilidade à voz de Deus e uma depurada
capacidade de discer niment o. At é Samuel est ava deixando-se
enganar pelas aparências. Est e, porém, é um erro que Deus
jama is co met e. Na verdade, é t ão fácil enganar as pessoas,
quant o impossíve l enganar a Deus. E le so nda e discer ne
nossas int enções ma is pro fundas.
É dest a for ma que at est amos para Deus nosso fracasso
moral e o adoeciment o emocio nal. Uma mot ivação corrompida
já condena uma obra ant es mesmo de ser co meçada. É uma
casa sem alicerces ou com alicerces subdimens io nados. Por
um lado as co isas acont ecem, mas por out ro vão tornando-se
cada vez mais inst áveis e vulneráveis.
Chegará o mo ment o em que a frág il resist ência do
alicerce exibirá sua insuficiência sendo esmagada pelo
peso própr io da obra. Est a é uma quest ão "mat emát ica". De
fat o, apesar das co isas no mundo espir it ual não funcio narem
de for ma imediat a, elas funcio nam
co m ext rema precisão.
Sempre que uma const rução desaba muit a gent e morre e
machuca. Da mes ma for ma, t odo invest iment o minist er ial
at ravés de mot ivações doent ias e obscuras não apenas é
suicídio, co mo pode dest ruir a muit os.
Nossa mot ivação é crucial no que t ange a ser mo s
qualificados co mo obreiros. O que ins pira nossas ações e
mot iva nosso ser viço é t ão relevant e quanto a própria ação e o
ser viço em si. Na verdade, t odo esforço ínt imo no sent ido de
impressio nar ho mens nos desqua lifica per ant e Deus.
Quando valor izamo s ma is a opinião humana do que a
aprovação divina, exibimos uma mot ivação espir it ualment e
corrompida que co mpro met e nosso ser viço.

A LEI DOS DO IS ALTARES

E m vár ias ocasiões na Bíblia, percebemo s a necessidade


de se levant ar do is t ipos de alt ares: um escond ido ou ínt imo e
o out ro público ou t est emunhal; um para Deus e out ro para as
pessoas. O pr ime iro alt ar fala do t est emunho que Deus dá
acerca de nós e o segundo alt ar fala do t est emunho que damo s
acerca de Deus.
Exist e, porém, u ma import ant e seqüência a ser
obedecida. O alt ar ínt imo se mpre precede o alt ar do
t est emunho. Est a é a lei dos do is alt ar es. Ou seja, ant es de
ser mo s apresent ados aos ho mens, precis amos nos apresent ar
diant e de Deus.
A afir mação dos ho mens não vale mu it a coisa quando não
t emos a aprovação divina. A vida ínt ima co m Deus sempre
precede a vida pública co m os ho mens.
Sempre que invert emos est a seqüência t ransgredimos est a
lei. Aqui, ent endemo s porque t ant as pessoas, da mesma for ma
que se levant am co m uma aparência que impressio na,
subit ament e "desaparecem".
Sem uma vida ínt ima co m Deus, agregamo s uma
inco nsist ência que mais cedo ou mais t arde nos far á vít imas
da vida pública e da imagem que t ent amo s sust ent ar perant e as
pessoas, Est a fo i a t err ível t ransgressão de Saul que o
desqualificou co mo rei. Mesmo depo is de desobedecer a Deus,
ele ainda co nt inuava mais preocupado co m sua imagem
pública, do que
co m a sua sit uação diant e de Deus:

"Ao que disse Sau l: Pequei; hon ra-me, porém,


agora diante dos anciãos do meu povo, e diante de
Israel, e volta comigo, para que eu adore ao
Senhor teu Deus." (I S m 15:30)

A Bíblia nos advert e que não podemos basear nossa vida


numa aparência se m consist ência. I mpr essões super ficiais que
convencem a opinião pública duram muit o pouco. Port ant o,
não se pode evit ar a dest ruição daquilo que é aparent e. É
co mo a er va e a sua flor so b o impact o caust icant e do "Sol da
Just iça":
"Pois o sol se levanta em seu ardor e faz secar a
erva; a sua flor cai e a beleza do seu aspecto
perece... " (Tg 1: 11)

Aparent e ou per manent e? Est e é o grande dile ma


mot ivacio nal. A receit a da consist ência espir it ual é u m
co mpro misso pessoal, ínt imo e const ant e co m a
vont ade revelada de Deus:

"... aquele que faz a vontade de Deus, permanece


para semp re. " (I Jo 2:17)

Motivações e princípios

Sacr ificando no alt ar ínt imo nós revelamo s nossas


mot ivações e sacr ificando no alt ar público expressamo s
nossos valor es e pr incípio s. Mot ivações por nat ureza t em u m
carát er ocult o, enquant o que nossos valo res e pr inc ípio s t em
um carát er evident e, comport ament al.
Da mesma for ma que é fácil perceber os valores e
pr incípio s de uma ação, pode ser ext remament e difíc i l
desco br ir a mot ivação.
Do ajust ament o sinérgico ent re as mot ivações
sant ificadas do coração e os pr incípios divinos prat icados
depende a consist ência da per sonalidade e a int egr idade
espir it ual.
Por mais que nossas mot ivações seja m cert as, se o
pr incípio é errado, o result ado será mo rt e. Igualment e, por
mais que agimo s co m o pr incíp io correto, porém se a
mot ivação é errada e corro mpida, o result ado t ambém ser á
mort e.
Davi t eve uma mot ivação corret a ao t razer de vo lt a a ar ca
para Jerusalé m, porém agiu co m o pr incípio errado co locando-
a nos lo mbo s de bo is e não nos o mbros dos sacerdot es.
O pr incípio ensina que o sacerdot e car rega o peso da
responsabilidade de conduzir a presença de Deus.
Est e pr incípio fo i quebr ado. No pr imeiro t ropeço dos
bo is, Uzá co locou sua mão na arca par a que est a não caísse.
Est ava t ent ando ajudar. Novament e vemo s alguém muit o bem
int encio nado, porém, quebr ando um pr inc ípio. E le não est ava
aut orizado a t ocar na arca.
Por ma is bem int encio nado que Davi e Uzá est ivessem,
Uzá morreu fulminado.
De outra sort e, ou azar, Ananias e Safira ofereceram aos
apóst olos uma grande o fert a de uma propriedade que
venderam. Est avam prat icando o princípio de dar. O princípio
est ava t ot alment e corret o.
Porém, eles não est avam dando livr ement e. E les quer ia m
em t roca reconheciment o público. Quer iam t ant o impr essio nar
a todos que não t iveram a sincer idade de coração de dizer que
precisavam de part e daquele dinhe iro. Ent ão eles falaram que
est avam dando t udo, quando na verdade ret iveram part e do
preço da propriedade. Ment ir am não só aos ho mens, mas ao
Espír it o Sant o. Ambos morreram. Fico imaginando quant os
Ananias e Safira já est ão mortos ou morrendo dent ro de
nossas igr ejas.

O ALTAR ESCONDIDO E O ALTAR PÚBLICO

O altar sec reto do quarto e a recompensa pública


que vem de Deus
"Mas tu, quando orares, ent ra no teu quarto e,
fechando a porta, ora a teu Pai qu e está e m
secreto; e teu Pai, qu e vê em secreto, t e
recompen sará publi camente, " (Mt 6:16)

O quart o pode ser definido co mo qualquer lugar onde


rot ineir ament e desfrut amos de uma pr ivacidade co m Deus.
Dent ro do quarto, somos nós mesmo s, exercit amo s t ot al
t ransparência e podemo s derramar nosso coração com
sincer idade.
Alt ar é o lugar onde nossa vo nt ade é quebrant ada e
simplesment e da mos a Deus t udo que ele est á pedindo. É u m
lugar de sacr ifício s, onde o fer ecemos a Deus algo que nos
cust a e que lhe é agr adável e verdadeiro.
A palavr a "sacr ifíc io" em lat im significa "t ornar sant o",
Todo alt ar é um local o nde so mos poderosament e t ocados e
t ransfor mados pela voz de Deus, Est e é o mais elevado
pr incípio de sant ificação pessoal, No "alt ar do quart o"
oferecemo s uma part e do nosso dia, do nosso t empo, e,
port ant o, da nossa vida, buscando a face de Deus e
examinando as Escr it uras.
Est e alt ar secret o não se const rói na igreja, ou at ravés da
co munhão co m os ir mãos, mas no quarto, a sós co m Deus,
Jesus est á explicando o poder de uma vida devocio nal e do
relacio nament o pessoal co m o Pai.
É no quart o que vamos t er as mais fort es e ínt imas
revelações e exper iências. No quart o aprendemo s a apo iar a
nossa fé numa dependência t ot al de Deus e não de pessoas.
A consciência pessoal que Deus é a nossa fo nt e
inesgot áve l det er mina a linha da mat ur idade. Muit as vezes
aliment amos uma expect at iva nas pessoas que dever ia ser
canalizada apenas par a Deus.
Ist o é aceit ável durant e u m espaço de t empo como recém-
convert idos, porém se perdura, podemos nos condenar a uma
vida espir it ual imat ura e que oscila de acordo com as
cir cunst anc ias, Sempre que dependemo s mais de pessoas do
que de Deus nos expo mos a muit as decepções que t endem a
nos fr agilizar ainda mais.
Uma vida minist er ial "pública" bem sucedida nada mais é
que o efeit o espir it ual do relacio nament o pessoal e da vida
secret a co m Deus,

O campo das ovelhas e o campo de batalha

"Disse mai s Davi: O Senhor que me livrou das


garras do leão, e das garras do u rso, me livrará
da mão deste fi li steu. Então disse Sau l a Davi:
Vai, e o Senhor seja contigo, " ( l Sm 17: 37)

Aqui t emos o alt ar so lit ár io do campo das ovelhas


precedendo o t est emunho no campo de bat alha, quando o heró i
de guerra dos filist eus, que afront ava o exércit o de Israel, fo i
publicament e derrubado. Ant es de vencer Go lias, Davi, no
anonimat o, venceu as garras de um leão e de u m urso. Ant es
de se impressio nar co m a presença int imidadora do gigant e,
Davi havia se impressio nado com a gr andeza de Deus. Na
verdade, quem venceu Go lias não fo i Davi, mas o
relacio nament o que ele t inha co m Deus.
Davi sabia co mo fazer da so lidão do campo uma
oport unidade const ant e de desfrut ar da presença divina. Ist o
fez dele um verdadeiro adorador. Não havia ningué m ma is ao
redor para querer impr essio nar ou que pudesse corromper sua
mot ivação. Sua vida de adoração era pura e legít ima.
Ant es de t omar a espada de Go lias, Davi recebeu uma
harpa de Deus. A harpa de Deus recebemos no alt ar ocult o e a
espada do gigant e recebemo s no alt ar do t est emunho, quando
Deus nos reco mpensa publicament e.
Est a é a unção de Davi; a harpa de Deus numa mão e a
espada do gigant e na out ra. Dest a forma ele r epreendeu e
venceu o pr incipado demo níaco que vinha pert urbando o rei e
o gover no da nação por t anto t empo:

"E quando o espí rito maligno da part e de Deu s


vinha sob re Sau l, Davi tomava a harp a, e a tocava
com a sua mão; então Sau l sentia alívio, e se
achava melhor e o espí rito maligno se reti rava
dele. " ( l Sm 16:23)

Depo is de Davi t er vencido a Go lias, expondo sua cabeça


à mult idão, o rei impr essio nado com o feito t ent ou se infor mar
sobre que m era aque le rapazinho que sur preender a a todos. O
mais int eressant e é que ninguém sabia ou podia dizer que m
era Davi:

"Quando Saul viu Davi sai r e encont rar- se com o


fi li steu, perguntou a Abner, o chefe do exército:
De quem é fi lho esse jovem, Abner? Respond eu
Abner: Vive a tua alma, ó rei, que não sei. Di sse
então o rei: Pergunta, pois, de quem ele é fi lho, "
( I Sm 17: 55, 56)

Davi er a um desconhecido, um "Zé Ninguém" para os


ho mens. Porém, apesar de não ser conhecido pelos ho mens era
muit o bem conhecido de Deus!
Quando Go lias desafiou t odo o exércit o pedindo: "... dai-
me um homem, para que nós dois pel ejemos " ( I Sm 17:10),
Deus ouviu a oração de Go lias e deu- lhe Davi. Apesar de
t ambém t er sido desprezado pelo gigant e, era a ar ma secret a
de Deus.
Est a é a bênção do Vale do Car va lho, o alt ar do
t est emunho, onde Deus reco mpensa nosso relacio nament o co m
ele, e nos ent rega publicament e os nossos inimigos. Est e va le
é muit o est rat égico por que a part ir dele é que muit as
oport unidades surgem.
O t est emunho ungido que vem de uma vida secr et a co m
Deus t em o poder de ampliar as nossas front eir as.
Após vencer o heró i dos filist eus, a vida de Davi t omou
out ro rumo que o conduziu ao governo da nação.

O altar escondido dentro do Jordão e o memorial


fora do Jordão

O Jordão é o limit e da mudança. É quando você sai do


desert o e passa a co nquist ar e desfrut ar de um t err it ór io onde
as pro messas de Deus vão se cumpr ir. Do desert o, ou você sai
aprovado, ou você não sai, morre!
O Jordão é para aqueles que não só saíram do Egit o, mas
que t ambém abando naram a ment alidade de escr avos. O Jordão
t ambém co munica o sent ido real do arrependiment o.
Arrependiment o não é apenas você reconhecer que errou,
não é apenas você admit ir e co nfessar os fracassos morais, não
é apenas você dizer: realment e eu fiz est as co isas que não
dever ia t er feit o e sint o muit o.
Na verdade, nenhuma dest as sit uações definem o
arrependiment o. Confundir confissão com arrependiment o é
um grave erro.
Co mo você já deve saber, arrependime nt o é t raduzido
origina lment e da palavra grega "met anó ia" que significa
mudança de ment e e propósit o. É quando você reso lve
ment alment e e co m abso lut a det er minação: est e erro que eu
fazia, não vou fazê- lo mais! As t ent ações à que eu cedia
minha vont ade, não vou ceder mais! Nem que t enha que suar
sangue! Mudei minha mot ivação, disposição, direção e
ment alidade! Est a é a genuína dimensão do arrependiment o.
Est a decisão int er na de mudança est abelece uma no va
direção que nos reconcilia co m a verdade e o propósit o de
Deus. A inco nst ância é subst it uída pela fir meza e
det er minação. Um no vo posicio nament o que concorda co m a
vont ade divina é fir me ment e est abelecido. Somos conduz idos
a vit ór ias inesper adas e surpreendent es ! É aqui que o pecado
e a corrupção se ajoe lham diant e do poder do Espír it o Sant o.
A part ir de um arrependiment o genuíno, "não é você que va i
deixar o pecado", "é o pecado que vai t e deixar".
O alt ar do Jordão é um dos pr incipais ma rcos de Deus na
vida de u ma pessoa. Est e bat ismo de arr ependiment o t ambém
fo i celebr ado por dois alt ar es: um escondido no leit o do
Jordão e o out ro fora do Jordão com pedras t iradas do leit o do
r io.
O alt ar escondido fala da exper iência ínt ima, da mudança
de coração e ment alidade, a que o próprio Deus t est emunhou
que acont eceu conosco:

"Amontoou Josu é também doze ped ras no meio do


Jordão, no lugar em que pararam os pés dos
sacerdotes que levavam a arca do pacto; e ali
estão até o dia de hoje. " (Is 4:9)

Est e alt ar é só par a aqueles que p isaram o leit o seco do


Jordão. Depo is que as águas vo lt aram a percorrer o leit o do
r io, ninguém ma is podia ver aque le alt ar, senão Deus.
O alt ar público, por sua vez, é o t est emunho que damos
do que Deus fez, de co mo ele realizou o milagre da mudança
em nossas vidas. É simp lesment e o frut o de uma exper iência
pessoal e ínt ima co m Deus:

"Ti rai daqui, do meio do Jordão, do lugar em qu e


estiveram parados os p és dos sacerd otes, doze
ped ras, levai-as convosco para a out ra b anda ... "
(Js 9:3)

Toda t ravessia na vida, toda mudança espir it ual de


endereço e ment alidade é mar cada por est es do is alt ares. Tudo
co meça co m o t est emunho que Deus dá acerca de nós e se
co mplet a co m o t est emunho que damos acerca dele. Est a é,
port ant o, a prime ir a parcia l do pr incípio de nos apresent ar
diant e de Deus.

Capítulo 2

"Procura apresentar-te ... aprovado, como


obreiro ...

Ant es de ser um obr eiro, é t ambém necessár io est ar


aprovado. Co mo obser vamos no t ít ulo acima, a palavr a
"aprovado" precede a palavra "obreir o". Obedecer est a
seqüência é essencial. Uma pessoa que não est á aprovada pode
co mpro met er não apenas sua vida, co mo t ambém a o bra que
realiza.
Est a segunda sit uação aborda a necessidade de uma
qualificação. Obviament e que a pr imeira sit uação, t rat ada no
capít ulo ant er ior, é um pré-requisit o para est a.
O pont o de part ida da o bra de Deus são as nossas
mot ivações. E m pr ime iro lugar precis amos alinhar nosso
per fil mot ivacio nal co m o t emor de Deus, em segundo lugar
est ar mos apro vados e, só ent ão, desempenhar nosso ser viço ao
Senhor.
A r igor, ant es de mais nada, é import ant e ent ender que
nós so mos a obra de Deus. Est amos em const rução. Somos o
t emplo que o Espír it o Sant o est á edificando. O lugar que Jesus
est á preparando na et ernidade para nós ( Jo 14:2 ) est á dent ro
de nós mesmo s : é o nosso ho mem int er ior que se ext er ior izará
em glór ia num corpo celest ial ( I Co 15:40-54).
Aquela "mansão" que você espera mor ar no céu est á
sendo invis ivelment e const ruída dent ro de você mesmo,
at ravés da vis íve l obr a e t ransfor mação que o Espír it o Sant o
est á fazendo em sua vida, em virt ude da sua maleabilidade,
quebrant ament o e submissão à vont ade divina.
E m se t rat ando de ser vir a Deus, o mais import ant e não é
fazer, mas deixar Deus fazer em nós. Quando E le faz em nós,
cert ament e t ambém fará o mesmo at ravés de nós. De fat o,
exist e uma enor me difer ença ent re você fazer a obr a de Deus e
Deus fazer a obra de le at ravés de você. Por ist o é t ão
import ant e o princíp io da cooperação.

" Porque nós somos cooperadores de Deus; vós


sois lavou ra d e Deu s e edi fí cio de Deu s. " (I Co
3:9)

A questão básica da aprovação


Gost aria de propor uma pergunt a: Qual é a pr ime ir a co isa
que t emos que fazer para ser mos apro vados diant e de Deus?
Dê uma paradinha na leit ura e t ent e responder...
Invar iavelment e, quando pergunt o às pessoas o que t emos
que fazer para ser mo s aprovados diant e de Deus, quase
sempre, ouço muit as respost as redundant es.
Alguém logo responde: obed iência! Out ros asseguram:
t emos que t emer ao Senhor! Ainda out ros afir mam co m
cert eza: para .ser mo s aprovados t emos que andar em sant idade
! Viver por fé! ...e assim vamo s ouvindo respost as cada vez
mais "esp ir it uais", mas que fogem da simplic idade da
pergunt a.
Alguns se aproxima m mais dizendo que é necessár io
passar na prova. Porém, ant es de passar na prova precisamo s
fazer a prova. Ent ão, a pr ime ir a co isa a fazer para ser mo s
aprovados é simplesment e: a p rova! Ninguém pode ser
aprovado numa prova que não fez! Só exist e um ca minho par a
a "aprovação": a provação, t est es, t ent ações, et c. !

"Bem-aventu rado o homem que su porta a


provação; porque, dep ois d e ap rovado, receb erá a
coroa da vida, que o Senhor p romet eu aos que o
amam. " (Tg 1:12)

Quant as vezes fazemo s pro messas e votos para Deus que


não cumpr imos? Falamos: Deus, eu vou crer em t i! ... Eu vou
obedecer meu cha mado minist er ia l! ....
Eu vou ser fiel a t i co m minhas finanças! ... Vou ganhar
muit as almas para o t eu reino! ...
Porém, quando a prime ira necessidade surge, ent ramos
em co lapso. A pr ime ira dificuldade no chamado vem, e já
pensamos em desist ir: "t alvez não seja bem ist o o que Deus
t enha para mim". Quando as pessoas que nos ajudam
financeira ment e se esquecem de nós, ou o salár io enco lhe,
esmorecemo s e ficamo s fer idos e desanimados. Aos poucos,
nos aco modamos ao r it ual da igreja , aos cult os, aos
seminár ios e congr essos e nos esquecemo s dos que se perdem.
Cada vez que so mos provados em relação aos propósit os que
est abelecemo s, simplesment e fr acassamo s.
A verdade é que muit as provas vão acont ecendo de
maneira nat ural e sut il no decorrer da nossa vida. Porém, cada
respost a insuficient e ou inadequada que damos a est as provas
impõe amarras esp ir it uais que, paulat inament e, nos dist anc iam
da possibilidade de conquist ar o sonho de Deus e cu mpr ir o
seu propósit o.
Se, de fat o, alme jamo s ser um o breiro no Reino de Deus,
precisamo s nos mat ricular na esco la do Espír it o Sant o, t endo a
disposição de ser mos t rat ados e edificados pela Palavra de
Deus. Est a esco la dura a vida int eira e o Espír it o Sant o t êm
um curr ículo especia l, dinâmico e apropr iado para cada um de
nós.
Nossas mot ivações mais ínt imas, nossa fé e per sever ança,
nossas convicções e sent iment os, nosso conheciment o, nosso
chamado e minist ér io serão provados mediant e t oda sort e
cir cunst ânc ias especificament e cont rár ias. Deus nunca é
super ficia l banalizando nossas falhas de carát er e as
dist orções que ainda t emos na nossa per sonalidade. Acima de
t udo, a fé é u ma musculat ura que não pode deixar de ser
exercit ada.

"E sabemos que todas as coisas contribu em


juntamente para o bem daqu eles qu e amam a
Deus, daqueles que são chamados por seu decreto.
" (Rm 8:28)

Est e t ext o apont a para a necessidade de quebr ar u m


so fisma que mu it os t ent am sust ent ar. Ou seja, quando
at endemos ao chamado de Deus, mesmo andando em
obediência, não quer dizer que só acont ecerão coisas posit ivas
e animadoras. O cent ro da vo nt ade de Deus não nos isent a das
provas, das dificuldades e das resist ências o ferecidas pelo
mundo espir it ual.
Quando Paulo fala: "... mas em t odas est as co isas so mos
mais que vencedores, por aquele que nos amou " (Rm 8:37), o
que ele quis dizer realment e co m ist o ?
E le est ava se refer indo a vencer o que? O que ser ia m
"t odas est as co isas"? S ignifica a resist ência que est á por vir,
aquilo que va i nos t est ar consist ent ement e.
Gost amos da idéia de que so mos vencedores sem t er que
lut ar, ou de ser mo s aprovados sem ao menos fazer a prova.
Porém ist o não é corret o e não funcio na dest a for ma. Paulo,
ent ão, explica:

"... quem nos separará do amor de Cri sto? a


tribu lação, ou a angústia, ou a persegu ição, ou a
fome, ou a nudez, ou o p erigo, ou a esp ada?" (Rm
8:35)

Se você est á passando por alguma dest as sit uações, ent ão


você est á diant e da t remenda oport unidade de não duvidar do
amor de Deus e t ornar-se um vencedor.
A at it ude cert a de co ncordar co m o carát er de Deus e m
cada prova funcio na co mo uma senha que dest ranca port as e
rompe as nossas front eir as. A vit ór ia de Jesus precisa ser
endossada em cada lut a que passamos at ravés de uma
ident ificação co m o seu carát er.
Bas icament e, é necessár io um desprendiment o par a
enfrent ar qualquer s it uação. Encarar t udo co mo um acr éscimo,
ou seja, saber absorver a part e boa de toda e qualquer
advers idade. Sem est e ent endiment o abort amos a real
possibilidade de ser mos "aprovados".

A desintegração do caráter - A síndrome da


debilidade moral crônica

Vivemo s num mundo debilit ado e degenerado


moralment e. A decadência est á em alt a. O moral relat ivou- se a
pont o de tolerar e ser confundido co m o imoral.
Faceamos uma aguda inversão de valores que,
absurdament e, é t ida co mo avanço cult ural e moder nidade.
O pior é que ist o est á ent rando para a igreja e
cont aminando-a. Pessoas que aceit am a debilidade moral
crônica se amo ldam às cir cunst âncias imorais que
rot ineir ament e as afront am. Acabam se confor mando co m os
valores iníquos do present e século.
E m muit as igrejas o cresciment o t em sido acompanhado
pela mundanização. A ét ica da perso nalidade em det r iment o
da ét ica do carát er, onde os pr incípios básicos que regem o
mundo espir it ua l são ignorados e vio lados, deixando t ant os
crent es à mercê das at aduras sat ânicas. O problema é que a
ignorância não nos isent a das conseqüências e punições da
quebra da lei.
Um est ilo de vida emba lado pela ignorância moral dá
lugar ao caos social. É quando so mos indulgent es co m
pecados chamando-os de "fraquezas". Começa pela t olerância
ao pecado, segue a conivência, vem a insensibilidade e por
fim uma consciência danificada, que co mpromet e o alicer ce da
vida. O pecado t orna-se, confort avelment e, ur na rot ina
nat ural.
Nest a geração onde as verdadeiras leis e valores est ão
sendo relat ivados, a conivência co m a fr aqueza moral t em sido
um cheque- mat e na mensagem e na int egr idade da igr eja. A
avalanche de males emocio nais que est á debilit ando a
sociedade at ual, nada ma is é que um efeit o co lat era l
sint o mát ico da desint egração moral e de uma "prosper idade"
per miss iva.
Alguns pensam que cert as debilidades fazem part e da sua
personalidade. Muit as pessoas, dent re elas, obreiros, líderes e
past ores, t êm abr açado sua fraqueza moral co mo um vício
evangélico, e est ão t ent ando convencer a Deus que já
nasceram moralment e débe is, que eles são assim mesmo e não
t em je it o.
Porém, na verdade, est a debilidade de espír it o produz
impiedade e ma ldade, Est a falt a de força moral dá lugar ao
diabo, profanando a obra de Deus e t razendo escândalo s e
dest ruição.

Definindo a derrota

O que é derrot a? Sob a perspect iva da aprovação,


podemos abreviadament e definir derrot a como sendo: "uma
vida cíclica de rep rovações" (Fig, 01). Ciclo é algo viciant e
onde nos vemos obr igados a vo lt ar sempre no mesmo pont o.
Quando alguém enfrent a um pont o de pr ova e sucumbe,
obr igat oriament e t erá que ret ornar a est a mesma quest ão. Cada
vez que fazemo s uma prova e não somos apro vados,
precisamo s fazê- la de no vo.
Est a sit uação obr igat ória de vo lt ar ao pont o do fracasso
define a lei da prova, da qual ninguém escapa.
Do confro nt o com est a lei emerge um car át er de
obediência ou uma alt er nat iva de falência moral.
Port ant o, a desgast ant e dinâ mica de passar
rot ineir ament e por uma mes ma s it uação, que vez após vez, nos
subjuga, const rói um quadro de derrot a. Ou seja; é quando
fazemo s a prova e t omamos bo mba! E nt ão fazemos a prova
novament e e t o mamo s mais uma bo mba! Repet imos a prova e
de repent e uma nova reprovação! Cada vez, vamo s sendo
vencidos mais fac ilment e por aquele pont o de prova e
convencidos por um sent iment o de fr acasso. Co mo Jesus
replicou:

"Em verdade, em verdad e vos digo que todo


aquele que comet e pecado é escravo do pecado. "
(Jo 8:34)

Sent imo- nos vencidos e sem esper ança. I sto t em sido uma
dízima per iódica na vida de muitos, levando-os à
desint egração espir it ual, apat ia e apost asia.
Dest a for ma est es pont os específicos de prova t ornam- se
gigant es int er nos que nos subjugam, const ruindo fort alezas
que acredit amo s sere m int r ansponíve is.
Precisamos aprender co m Davi a salt ar est as muralhas e
vencer est es inimigos.
A Bíblia nos cont a co mo Golias, o mais famoso heró i dos
filist eus, desafiou a qualquer ho mem do exér cit o de Israel a
enfrent á- lo num co mbat e pessoal. Cada dia ele vinha no
mesmo horár io e fixava sua afro nt a humilhando e esmagando
psico logicament e a todos:

"Chegava- se, pois, o fi listeu pela manhã e à


tard e; e ap resentou-se por quarenta dias. " ( l S m
17:16)

Est a é um est rat égia fr ia e calculist a, onde o inimigo


implant a uma ment alidade de derrot a. Cada guerreiro de Israel
t inha que "engo lir" duas reprovações por dia. Eram derrot ados
pela manhã e pela t arde a cada dia! Go lias impôs um processo
cíclico de reprovação pessoal e co let iva s imult aneament e.
Mediant e as t err íveis afro nt as do gigant e, dia após dia,
cada guerreiro, t inha que aceit ar o fracasso, se acovardando.
Aquilo t ornou-se uma rot ina de humilhação, dest ruindo a
aut o-est ima de cada um dos ho mens do exércit o de Saul. I st o
represent ou mais que uma derrot a; fo i um massacr e!

"E todos os h omens d e Israel, vendo aquele


homem, fugiam, de diante dele, tomados de pavo r
" ( l Sm 17:24)

Cada afro nt a pública de Go lias impunha um profundo


sent iment o de impot ência que imo bilizava a t odos. Já
est avam, não apenas, co nfor mados co m a sit uação de derrot a,
mas t ot alment e int imidados, desesperados e apavorados. Ist o
perdurou quarent a dias inint errupt os, at é que Davi fo i enviado
por Deus. Temos aqui um verdadeiro quadro de derrot a
espir it ual.
Est e episódio r evela a sit uação de mu it os, que quando
est ão na igr eja, junt o com t odos, most ram-se dispost os a t udo.
Oram, louvam, pregam e t est emunham com ardor. Porém,
pessoalment e, sozinhos diant e dos gigant es int ernos da ir a, da
impaciência co m o cônjuge, da pornografia, das dívidas, ...
não podem se cont rolar, encont ram- se desacred it ados e
vencidos.

Definido o trauma

Na dinâmica dest a vida cíclica de reprovações reside o


verdadeiro pont o onde se co ncent ram as nossas enfer midades.
É impossível fa lar de derrot a sem falar em t rauma. Ár eas de
derrot a são áreas t raumat izadas.
Cada reprovação significa uma machucadura. Sob est a
perspect iva, podemos definir o t rauma co mo sendo: "o
result ado de fer idas e reprovações co ncent radas no mesmo
pont o".
Quando era cr iança, uma das minhas dive rsões predilet as
era andar de carr inho de ro limãs. Havia uma grande ladeira
onde descíamo s apost ando corrida. Os acident es eram
inevit áveis. De repent e joelho s e cot ovelos est avam e m car ne
viva. Era respirar fundo, segurar a dor e descer de novo
acredit ando no sucesso.
Porém, um t ombo, mais cedo ou mais t arde, acabava
acont ecendo novament e. O mesmo cotovelo ralado, est ava
agora, sem a casca e do lorosament e fer ido.
Uma fer ida e m cima de out ra fer ida ... A dor e o medo,
imediat ament e, superava o prazer pela diversão!
Est a é uma for ma bem pr át ica de definir um t rauma: é
quando você machuca em cima de um ma chucado que já havia
sido machucado! Só de pensar, em alguém encost ar nest e loca l
sobre-at ingido, já dó i! Um t err ível medo de ser no vament e
fer ido se inst ala, co mo um mecanis mo aut omát ico de defesa.
Psico logicament e, est e ponto vai so frendo uma
fragilização const ant e, tornando-se cada vez mais suscept ível
a co lapsos onde a própr ia est rut ura pode se ro mper, co mo um
osso que se quebra, produzindo danos per manent es, ou de
recuperação mais demor ada.
Temos vist o pessoas que depo is de fazer cinco
vest ibulares mal sucedidos, desist em de vez dos seus so nhos
profissio nais. O mesmo acont ece em muit as out ras sit uações
onde nossas habilidades são t est adas.
Tudo ist o t ambém descreve co mo se encont ra a vida
moral e emocio nal da ma ior ia das pessoas. Na verdade, o que
podemos const at ar, é que todos já lut aram ou est ão lut ando
co m áreas de t rauma e derrot a.
O processo do aprofundamento da ferida

Reit erando, cada ciclo de reprovação impõe um no vo


golpe so bre a fer ida. O nível da dor vai int ensificando e
aprofundando cada vez que o mesmo per fil de prova nos
subjuga. Vai-se fer indo o que já est ava fer ido. Est e quadro de
derrot a funcio na at ravés de um t ipo de "efeit o parafuso"
aprofundando a dor e as r aízes do est ado de reprovação (Fig.
02).
Moralment e falando, podemos definir a profundidade do
t rauma co nt o sendo a "vergonha". A int ensidade dest a
vergonha e const rangiment o espir it ual pode ser det erminada
pela dist ância ent re a pr imeir a e a últ ima r eprovação, como
demo nst ra o diagrama.

[Milindrosidade - Ret raiment o - Vulnerabilidade]


Exist e u m t ipo de vergonha que é saudável e pro move a
decência, porém exist e est a out ra vergonha que é u m
escravizant e sent iment o que vem como result ado dest e
processo crônico de debilit ação moral, abusos so fr idos, perdas
t at uadas por um sent iment o de injust iça, infer ior idade e
amargura. Por ma is que t ent amos fugir, aquela mesma co isa
sempre nos per segue e repet e.
Invar iavelment e, onde exist e est e t ipo de vergo nha
espir it ual t ambém exist e muit o medo, culpa e dor. A vergo nha
moral que at orment a nossa me mór ia est abelece a profundidade
que est e ciclo de repro vações crô nicas t em cavado na nossa
alma.
Paulo ins ist e que é necessár io est ar mos diant e de Deus
não apenas co mo obreiro, mas "co mo obreiro que não t em de
que se envergonhar. " É fundament al lidar mo s co m est a
vergonha da a lma. Precisamo s apresent ar est a mesma posição
e disposição de co nsciênc ia co m a qual Jesus encarava e
confro nt ava toda habilidade acusadora de Sat anás:

"... aí vem o prín cipe deste mundo, e ele nada tem


em mi m. " (Jo 14:30)

Dimensionando a profundidade do trauma

O t rauma, invar iavelment e, fr agiliza a personalidade,


co mpro met endo t ambém a for mação do carát er.
Podemos especificar ist o dizendo que quant o mais
profundo o t rauma, t ant o maior é a milindrosidade, o
ret raiment o e a vulnerabilidade.
Est a seqüência est abelece uma est rat égia de at aque onde
emocio nalment e so mos lançados num abis mo.
Essa aspiral da reprovação nos suga co m a força de u m
tornado.

1. Milindrosidade

Quando est amos co m uma região do corpo t raumat izada


qualquer esbarrãozinho por menor que seja é ext remament e
doloroso. Depois de so frer vár io s impact os na mesma região
ou vár ias reje ições numa mesma área, a milindrosidade se
inst ala e co meça a "fazer part e" da per sonalidade.
A pessoa t orna-se propr iet ár ia de uma área hipersensíve l,
o que afet a seus relacio nament os, tornando-os inst áveis. Est as
áreas hiper sensíveis t ambém desequilibram o humor e o
t emperament o da pessoa, fazendo dela alguém de difícil
convivência.
Algumas pessoas são t ão melindrosas que é necessár io
uma ginást ica t remenda par a co nseguir uma apro ximação
maior e tocar no seu problema. Uma correção bem
int encio nada pode ser drast icament e int erpret ada co mo
rejeição e agressão.
Dest a for ma, a milindrosidade pode co mpro met er
espir it ualment e a pessoa ainda mais, conduzindo-a a um maior
níve l de ret raiment o, o que só piora e t orna a sit uação ainda
mais per igosa.

2. Retraimento

O ret raiment o engessa a pessoa num co mport ament o onde


a fer ida passa a ser o eixo da vida. Você sabe co mo ist o
func io na: quando alguém ameaça encost ar no "machucado em
cima do machucado que já t inha sido machucado", a t endência
é se afast ar abrupt ament e da possibilidade do toque. A
t endência nat ural é ret rair, fugir, afast ar, inibir...
Minha esposa cont a um episódio da sua infância quando
ao ser levada no dent ist a, na pr imeir a dist ração de sua mãe,
ela fugia e vo lt ava sozinha par a casa. A dor apavora as
pessoas, levando-as a fugir.
Cert a vez, meu amigo Salo mão Cut r im, me falou a lgo que
jama is poder ia imaginar: Cot y, você só pode ser considerado
um missio nár io aprovado na Rússia depois de ir ao dent ist a!
Porquê? Logo pergunt ei. Co m um sorr iso sem graça ele
relat ou suas do lorosas exper iências de t er que t rat ar de algum
dent e por dent ist as, um t ant o quant o indelicados, e sem t o mar
nenhum t ipo
de anest esia! Não é fácil se expor a algo assim, mas
algumas vezes, simp lesment e, não há out ra opção.
Alguém já disse que Deus opera "sem anest esia".
per mit a- me cont ar uma piadinha de crent e: Um ho mem passou
em fr ent e uma igr eja pent ecost al e co meçou a ouvir os gr it os
das pessoas lá dent ro. Era uma reunião a port as fechadas e sua
cur iosidade aument ou ainda mais. E le ficou parado por uns
inst ant es ouvindo os berros, o choro e o clamor do povo, at é
que t omou coragem e se aproximou do diácono à port a:
Moço! O que est á acont ecendo aí dent ro? O diácono
pront ament e respondeu: Deus est á operando! E le,
cur iosament e quest io nou: Mas, E le não dá anest esia ???
Pode parecer que não, mas a dor emocio nal é ainda ma is
cont undent e que a dor fís ica. A pessoa co meça a se iso lar. Os
relacio nament os obr igat oriament e t ornam-se super ficiais . A
mot ivação preponderant e é não deixar ninguém se aproximar.
Alguns jur am dent ro de si mesmos : ninguém vai se aproximar
suficient ement e para poder fer ir- me no vament e!
O medo de ser fer ido, o pavor de uma nova rejeição, a
vergonha do t rauma e da culpa, acaba levando a pessoa par a
uma jur isdição de t revas, ocult ament o de pecados e so lidão
espir it ual.
Tenho at endido muit as pessoas que est ão lit eralment e em
pr isões espir it uais por causa de abuso sexual, pr át ica de
aborto, t ent at ivas de suicíd io, casos de adult ér io, prát ica de
ho mossexualis mo, pornografia, ho micídios e aí por diant e.
S it uações em que as pessoas recusam- se a expor.
Um dos piores t ipos de ocult ismo é o "ocult ismo
evangélico", onde acredit amos que devemo s encobr ir nossos
pecados e vergonhas. O proble ma é que Sat anás é quem rege
est a jur isdição. E le é o pr ínc ipe das t revas. Todo pecado e
t rauma quando não são submet idos à luz ficam so b o poder de
uma imp iedosa exploração demoníaca.
Port ant o, o ret raiment o, ao mesmo t empo que t rás um
cert o "conforto emocio nal", t ambém impõe uma t err íve l
vulnerabilidade. Est e passa a ser nosso pont o fraco predilet o
pelo inimigo sempre que e le decide nos at ingir.

3. Vulnerabilidade

O t rauma, por definição, passa a ser um pont o cada vez


mais fr aco. É um alvo cr escent e que o diabo só encont rará
facilidades em acert á- lo!
E m muit os aconselha ment os quando fazemo s uma "linha
do t empo" e m relação à vida da pessoa, percebemo s go lpes
que se repet em obedecendo um mesmo padrão de at aque e
objet ivo.
Podemos perceber que se mpre há det erminada ár ea que
fo i dura ment e perseguida e go lpeada repet idament e. Alguns
desde cedo foram per seguidos co m discr iminação racial,
out ros co m abuso sexual e imoralidade, out ros co m abandono
e t raição, et c. De t empo em t empo, co m pessoas e sit uações
difer ent es, a mesma agressão vem para aprofundar a fer ida.
Sob o aspect o da bat alha espir it ual, o t rauma o bedece a
um sent ido rot ineiro de at aque. É como uma lut a de box.
Depo is que um dos lut adores consegu iu abr ir o supercílio do
seu oponent e, ele passa a acert á- lo apenas naquele po nt o.
Mais do is go lpes sobrepost os na mesma região fer ida, e o
adversár io é fulminant ement e nocaut eado. Tornou-se
vulnerável.

O processo de espiritualização da ferida

Ainda que a super fície da sit uação pode ser encobert a, e


os out ros nem imaginem o que est á acont ecendo, dent ro da
pessoa, a dor se aprofunda cada vez que ela convive co m o
fracasso diant e da prova.
A falência da alma impõe t ambém um pr ocesso de mort e
espir it ual lent a. Ist o explica a apat ia e depressão espir it ua l
que asso la a vida de mu it os. O t rauma t em um t err ível poder
de penet ração na alma cada vez que ele se repet e.
Na mesma proporção que a dor se apro funda e enra íza,
muit as t endências co mport ament ais nocivas se manifest am. É
só uma quest ão de causa e efeit o, raiz e frut o. Dist o pode
emergir um sut il processo de espir it ua lização da fer ida.
I magine u ma pessoa envo lvida co m alco olis mo, drogas,
imoralidade, et c. que acabou de se co nvert er. Junt o com a
conver são a Jesus, ela acaba t ambém inco rporando o rót ulo de
crent e.
Muit as pessoas na igr eja define m super ficia lment e o
crent e co mo alguém que não bebe, não fuma, não vai mais aos
bailes e boat es, não prat ica imoralidade, et c. Lógico que est as
co isas são inconvenient es, mas a abst inência delas é impost a
para sat isfazer o novo padrão relig ioso adot ado, porém, se m
considerar as suas raízes causadoras e sust ent adoras.
Por exemplo, supo nhamo s que est a pessoa recém-
convert ida t enha so fr ido um do loroso processo de t raição
conjugal, ou fo i vio lent ament e abusada sexualment e na sua
infância. Est a dor residual alo jada na sua memór ia fer ida
nut re não só as cadeias pecamino sas, como t ambém as
influências demo níacas que afloram no seu comport ament o.
Enquant o est a vergonha não for remo vida at ravés de um
t rat ament o adequado e sufic ient ement e profundo, a pessoa
cont inua sujeit a a var iados t ipos de mecanismo s de defesa e
co mpensação em busca de alívio par a a dor emocio nal e mor a l
que sent e, o que só reforça o problema espir it ual que a
confro nt a.
Co mo est a pessoa, agora, t ornou-se crent e, sent indo-se
obr igada a abandonar os co mport ament os mundanos, a
t endência é migrar do "vício mundano" para um "vício
gospel", evangélico. Algumas se refugiam na música, out ras
nas at ividades da igreja, out ras em est udos t eológicos, et c.
Co met emos um grave erro de discipulado quando
t rat amos apenas dos pecados e víc ios das pessoas sem lidar
co m a dor emocio nal e a vergonha mo ral que est a pessoa
carrega. Cort amos a plant a e deixamo s a raiz.
Cert ament e o problema vai r et ornar e se manifest ar, só
que, agora, de for ma mais "evangélica", "espir it ual", porém a
seiva procede de uma raiz co nt aminada.
Dest a raiz de vergo nha e dor pode emergir um int enso
at ivismo religio so. Apesar de t ornar-se uma pessoa
t remendament e prest at iva, sua insp ir ação vem da car ência
emocio nal e da t ent at iva angust iant e de compensar ou maquiar
a vergonha que sent e. Ao mesmo t empo em que a pessoa ser ve
aos propósit os de Deus, t ambém encont ra-se sob fort e
perseguição demo níaca.
Na verdade, est e at ivismo relig ioso é espir it ualment e
passivo. É o dis farce da fer ida. Por mais que a pessoa
impressio na pelo que faz, espir it ualment e falando, t udo ist o
produz um result ado mínimo no mundo espir it ual. A
mot ivação doent ia dest ró i a eficiência espir it ual da pessoa.
Por mais que a pessoa galgue posições devido ao seu at ivis mo,
sua vida est á minada e sua obra co mpro met ida.
Est e quadro de derrot a e fragilidade funcio na co mo uma
ar ma dorment e que pode ser at ivada caso a pessoa comece a
reagir e ameaçar o esquema impost o pelo inimigo. Enquant o a
pessoa fica quiet inha, nas t revas, t udo bem. O inimigo at é
per mit e um cert o cresciment o. Porém, quando est a pessoa
reage e co meça a fazer algo que r epr esent a uma ameaça,
sat anás at iva sua fort aleza at ingindo seu pont o vulnerável.
Quant os casos co mo est e t emos presencia do? Pessoas são
levant adas de for ma rápida e car ismát ica e de repent e um
grande escândalo dest rói t udo. Muit os que ignoram est e sut il
esquema de espir it ualização da fer ida ficam sem ent ender:
Co mo pôde aquela pessoa t ão espir it ual, t ão at iva, cair nu m
erro t ão grave e absurdo como est e?

As fortalezas espirituais da mente

Est as áreas de derrot a são o alicerce sobr e o qual Sat anás


const rói int er nament e suas fort ificações em nossas vidas.
Normalment e est as fort alezas ma lignas alo jam- se nos
pensament os e manifest am- se at ravés de ment alidades.
Uma das definições lit erais para est as "fort alezas"
espir it uais da ment e pode ser ilust rada da seguint e for ma:
"uma casa const ruída por pensament os, a qual abr iga espír it os
de nat ureza correspondent e".
As fort alezas espir it uais são feit as de pensament os ou
ment alidades que se apó iam no fr acasso, na impot ência e
desesperança que sent imo s em r elação à pecados que
prat icamo s. É quando per mit imo s argume nt os que se baseiam
na incapacidade de evit ar aqu ilo que sabemo s, clarament e, ser
cont ra a vont ade de Deus.
Cada vez, que a t ent ação nos encara, abaixamos a guarda,
nos despimo s de cada peça da ar madura, deixando o pecado
ent rar. Tornamo- nos indefesos, co mo uma cidade sem muros
perant e o que parece ser uma só lida e irresist ível ação do
inimigo infilt rado em nossa ment e.
Dest a for ma, alguns est ão com a vida sent iment a l
t raumat izada, co lecio nando pr incípios quebrados e
relacio nament os fer idos; out ros com a vida financeira
acumulada de dívidas, fr audes e defraudações; out ros, ainda,
co m a vida conjugal impedida por adult ér ios ocult os ou
sit uações sexuais nunca reso lvidas; et c.
Ou seja, cada vez que aquele t ipo de t ent ação aborda a
pessoa, a pessoa cede e aquele apelo vai se t ornando cada vez
mais fort e, const ruindo um condic io nament o espir it ual que
pode ser t raduzido por cadeias pecamino sas e cat iveiros
espir it uais.
Reit erando, uma fort aleza espir it ua l da ment e pode ser
definida co mo um est ado espir it ual pro fundo de desesperança
e incredulidade o nde sust ent amos argument os que sabemos
serem clar ament e co nt rár ios à vont ade e ao conheciment o de
Deus.
Inst ala- se uma cr ise exist encial ent re o saber e o viver,
ent re o conheciment o e a pr át ica, ou seja, uma incapacidade
de adic io nar à verdade, a fé e obediência. Prevalece, apenas,
uma pro funda sensação de infer ior idade espir it ual e
depressão, que nos confor ma co m a derrot a. Isto precisa ser e
pode ser superado!
O ponto da dor - o princípio da cura

O pont o da dor é exat ament e aquela sit uação que fer iu


profundament e nossa memór ia, a qual nos lembr amos co m
angust iant e vergonha, e ao mesmo t empo, com indescr it íve l
raiva ou indiferença, onde não queremos que ninguém se
aproxime. Est e é o pont o mais pro fundo do ciclo de
reprovações crônicas.
Tent amos nos prot eger de todas as for mas e de t odas as
pessoas, at é mesmo de Deus. Mas é exat ament e nest e pont o
onde não querer mo s que ninguém chegue é que Deus quer
chegar. Est e é o ponto da cura.
No pont o da dor é que reside o princíp io e o ponto da
cura! Sem expor est e po nt o é impossível um arrependiment o
ou uma mudança de pensament os em r elação às fort alezas
espir it uais da ment e que nos apr is io na m.
O grande go lpe redent ivo sobre a culpa e a vergo nha é
simplesment e expô- las em co nfissão a pessoas que t enham a
unção divina para orar por nós. Todo arrependiment o, todo
dese jo genuíno de mudança é aco mpanhado pela co nfissão,
reconciliação e rest it uição.

Capítulo 3

Entendendo a provação

Já que o caminho da aprovação são as provações, é


alt ament e import ant e ent ender o papel das provas d ivinas e m
nossas vidas. E m cada prova reside a oport unidade de revert er
sit uações de derrot a e const ruir não só hábit os, mas u m
carát er de o bediência em pont os onde desenvo lveu-se uma
rot ina de fracassos.
À medida que a deso bediência dá lugar à obediência, a fé
é edificada e as deficiências espir it uais são supr idas por um
senso sobrenat ural de segur ança que vem da dependência
divina.
Gost aria de mencio nar pelo menos t rês objet ivo s
pr incipais das provas divinas que, o bviament e, t ambém t raze m
benefício s espir it uais de carát er pessoal:

1. Nos e xpor eliminando as impurezas

"Ti ra da p rata a escóri a, e sai rá u m vaso para o


fundidor. " (Pv 25:4 )

O fogo t em o poder de manifest ar as imp urezas para que


elas possam ser eliminadas. Pr imar ia ment e, uma prova ve m
para t razer à luz o que est á em t revas, libert ando- nos da
hipocr isia e orgulho, gerando humildade, t ransparência e
coerência. As máscaras caem e co meçamo s a descobr ir o poder
e a sat isfação libert adora que exist e na t ransparência.
Não t emos que carregar o excess ivo peso de pecados
secret os e fraquezas ocult as que nos apavoram co m a
possibilidade de r ejeições. Quant o mais t ent amos prot eger
nossas fer idas e vergonhas, mais nos afast amos da verdade, da
liber dade e da felicidade. O medo de ser novament e fer ido
acent ua-se e a a lma t orna-se encarcerada. To mamo s um
caminho oposto à vereda do just o que é como a luz da aurora
que vai br ilhando mais e ma is at é ser dia per fe it o.
A rea lidade é que Deus co nhece muit o bem a grossa
casca de r eligio sidade e just iça própr ia que usamo s para nos
relacio nar co m as pessoas, impo ndo um ambient e de t revas e
cegueir a espir it ual.
E le t ambém co nhece a pessoa débil e fer ida que est á lá
dent ro dest a casca, e sabe co mo nos t irar dest a pr isão e dest e
condicio nament o emocio nal onde já nos vicia mos nu m
relacio nament o hipócr it a, super ficial e at é mesmo ment iroso.
Freqüent ement e t enho enco nt rado pessoas que chegam a
acredit ar nas própr ias ment iras. Aqui ent ra o eficient e pape l
das provas que vem para desmoronar a falsa aparência que t ão
habilidosament e const ruímo s.
Invar iavelment e est e processo é do loroso e muit as vezes
humilhant e. Porém, Deus vai t rat ar com as nossas vergo nhas.
Ist o é algo com o qual E le não negocia.
O objet ivo é que venha mos a ser: "...como obr eiro que
não t em do que se envergo nhar.. "
Onde há vergo nha t ambém exist e culpa, medo e dor. Est e
t ipo de vergonha é sint o ma de pecados, t raumas e mald ições
não reso lvidos. O objet ivo é produzir uma iniciat iva
vo lunt ár ia de t ransparência e humildade onde o est ado de
derrot a começa a ser subvert ido.
O níve l de acusação e condenação demo níaca que
so fremo s é proporcio nal à vergonha que ainda nut r imo s
int er ior ment e. A Bíblia garant e que quando nos expo mos,
quando andamo s na luz, os relacio nament os são rest aurados e
tornam- se significat ivos. O est ado crônico de pecado e
reprovação é subjugado pelo poder do sangue de Jesus:

"Se andarmos na lu z, como ele na lu z está, temos


comunhão uns com os out ros, e o sangu e de Jesu s
seu Fi lh o nos pu ri fica de todo pecado. " ( l Jo 1:7)
Nossos relacio nament os bem co mo a pur ificação dos
nossos pecados est ão condicio nados a um est ilo de vida
responsável e t ransparent e.

2. Testar as nossas reações instantâneas

"Sabendo que a ap rovação do vossa fé p rodu z a


perseverança; e a perseverança tenh a a sua ob ra
perfeita, para qu e sejais perfeitos e comp letos,
não faltando em coi sa algu ma. " (Tg 1:3,4)

Um out ro objet ivo das provas é gerar proat ividade e


domínio própr io naquelas áreas em que so mos vulneráveis.
Muit os de nós desenvo lvemo s uma incapacidade de amort ecer
choques. Tornamo- nos duros de alma e reat ivos.
Quando alguém nos bat e, t ambém bat emos; quando
alguém nos xinga t ambém xingamo s; quando alguém nos t rat a
bem, ent ão o trat amos bem ...
Est a dureza de coração peca cont ra a mat uridade e é o
pr incípio de ação do divórcio que nos leva a co lecio nar
relacio nament os frust rados e dest ruídos.
Dest a for ma nos amo ldamos às t ent ações, nos
confor mamo s co m est e século e nos t ornamos escravos das
cir cunst ânc ias.

Agindo no espírito oposto

"Eis que vos envio como ovelhas ao mei o de lobos;


portanto, sede p rud entes como as serp entes e
simp les como as pombas. " (Mt 10:16)
Est a declaração de Jesus expressa um dos mais elevados
pr incípio s de bat alha espir it ual. E le ensina o grande segredo
de não reagir, mas de agir no espír it o oposto ao at aque
oferecido cont ra nós.
Só venceremo s sit uações de ódio e inimizade co m
perdão, sit uações de avareza agindo com generosidade,
sit uações de impureza demo nst rando pureza e r et idão,
sit uações de ma ledicência co m palavras abençoadoras e assi m
por diant e...
Dest a for ma, amo nt oamos brasas sobr e a cabeça da
pessoa, discer nindo e desar mando a inspiração maligna que a
manipula. Caso cont rár io, t udo que conseguimo s é infer nizar
ainda mais a sit uação.
Est a disciplina de alma, que co nce it uamo s de do mínio
próprio, é o frut o produzido pelo Espír ito Sant o em nossas
vidas, mediant e um est ilo de vida marcado pelo
quebrant ament o e renúncia.
Para ser prudent e co mo as serpent es, que é um símbo lo
do próprio Sat anás, é necessár io ser uma ovelha, e não u m
lo bo, no meio de lo bos. Não podemos pisar no t erreno do
inimigo aceit ando suas provocações e lut ando cont ra carne e
sangue. É necessár io do mínio próprio. Sat anás se mpre ent ra
pela brecha do descont role.

"Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sob re


a vossa i ra; nem d eis lu gar ao Diabo. " (Ef
4:26,27)

Podemos ir ar e não pecar. A ira não é pecado. A ira é u m


sent iment o que desempenha o import ant e papel de quebr ar a
nossa indiferença em relação à injust iça.
Porém, est e pico emo cio nal, cogit a, t ambém, co m a
possibilidade de desco nt role e pecado.
Quando alguém invade nossa pr ivacidade ou prat ica uma
injust iça e presenciamo s ist o, aut omat icament e nos iramo s.
Porém, ist o deve nos conduzir não mais que ao exer cício de
um zelo equilibr ado e just o.
A ir a, t ambém, deve durar mo ment aneament e. E la não
deve ser conser vada além do limit e de t empo suficient e para
produzir em nós uma ação just a que aquela sit uação requer.
Ninguém deve dormir irado, senão o ressent iment o se
inst ala, produzindo ações injust as. É o que Paulo quer dizer
co m: "não se ponha o sol so bre a vossa ira ".
Cada dia que passa, cada vez que o sol se põe sem
vencer mo s a ir a, o coração ressent e, o corpo adoece e a alma
desco nt rola, exibindo at it udes implacáveis.
A ira, co mo qualquer out ro sent iment o ou desejo, precisa
est ar espir it ua lment e sob cont role. O exercício dest e
co mport ament o faz frut ificar o domínio próprio. Quando ist o
não acont ece, ou seja, quando ao invés de do minar mos a ir a
ou qualquer sent iment o que seja, so mos do minados, ent ão,
abr imos a port a do descont role dando lugar ao pecado e ao
diabo.
O do mínio própr io precisa ser exercit ado mediant e uma
diversificada gama de provas. Est e é o caminho para uma vida
livre e uma perso nalidade est ável.
A lei do domínio própr io assegura que se não dominamo s
a nós mesmo s t ambém não do minaremo s as adver sidades, e se
não dominamo s as adver sidades não dominaremo s as
pot est ades.
At ravés dest as provas onde nossas reaçõ es inst ant âneas
são provadas lidamo s co m as brechas de descont role
const ruindo uma ar madura espir it ual que nos t orna incó lumes
nos co nfro nt os e combat es, Nossa ar madura é t ão vulneráve l
quant o o nosso domínio própr io!
Aqui ent ra a proat ividade, que é a capacidade de
const ruir uma ação de acordo com os valo res que acredit a mos,
independent ement e da provocação recebida. Na verdade,
moralment e fa lando, ninguém pode nos fer ir sem o nosso
próprio consent iment o!

3. Testar a nossa disposição de obediência a longo


prazo

"E te lemb rarás d e todo o caminho p elo qual o


Senhor teu Deu s tem te condu zido du rante estes
quarenta anos n o desert o, a fi m d e te humi lhar e
te p rovar para saber o que estava no teu coração,
se guardarias ou não os seu s mandamentos. " (Dt
8:2)

A pro vação incorpora um out ro propósit o onde o fat or a


ser ressalt ado é o t empo. Est e é um aspect o fundament al par a
gerar perseverança e car át er.
Perseverança produz carát er e carát er produz
perseverança. Dest a int egração emer ge a consist ência
espir it ual de uma pessoa. Port ant o, em t er mos de carát er, o
t empo desempenha um papel indispensável no processo de
aprovação da fé.
Perseverança é a mat ér ia-pr ima do carát er. Aqui ent ra o
conceit o de paciência que é a base do carát er e o baluart e da
per fe ição. A per feição divina nunca est eve ligada co m r igidez,
int o lerância e per feccio nismo, mas co m a paciência e seus
der ivados.
O mais import ant e de qualquer vit ória obt ida é a
capacidade de mant ê- la, ou seja, de passar a viver de acordo
co m est a no va realidade, mant endo o t erritório conquist ado.

LIDANDO COM A PREVENÇÃO

Quando falamo s de pro vas, a nossa t endência nat ural é


t emer est as circunst âncias que ir ão lidar com a dor e o t rauma
das nossas derrot as, fazendo subir t oda escór ia da alma.
Aut o mat icament e, uma fort e "muralha de prevenção" se
manifest a quando percebemo s a vulnerabilidade das nossas
fer idas. A t endência é ser mo s facilment e subjugados ao medo
e à fuga embarreirando a alma.
A maior causa de r eprovação é o própr io medo de ser mo s
provados, bem co mo a ind ispo nibilidade de lidar mos co m
áreas ínt imas de derrot a. Quant o mais nos fechamos, ma is
so mos sufocados por est as barreiras. Quant o mais t ememos e
evit amo s as provas, t ant o mais a raiz da derrot a se fort alece e
aprofunda, apr is io nando a alma.

Lidando com o medo das provas

Pessoas aprovadas sempre encaram as provações co m


abert ura, grat idão, sabedor ia e ousadia. E m cada prova
podemos exercit ar est es element os menc io nados em
det riment o do medo. Est a predispo sição pode afet ar
tot alment e o ambient e esp ir it ual, onde, ao invés de ser mo s
int imidados, passamos a int imidar.
A Bíblia narra quando Paulo est ava e m Cesaréia e um
profet a de Deus chamado Ágabo, faz um at o profét ico em
alusão ao seu fut uro. Não era o t ipo de profecia que as
pessoas gost am de ouvir. Pegando o cint o de Paulo e
amarrando suas próprias mãos, ele pro fet iza:

"... Isto di z o Espí rito Santo: Assim os jud eu s


ligarão em Jerusalém o homem a quem pertence
esta cinta, e o ent regarão nas mãos dos gentios."
(At 21: 11)

Aquilo deixou t odos apavorados, E les começar am a


int erceder co m Paulo para que ele des ist isse do seu int ent o de
ir a Jerusalé m, Porém, conscient e da presença de Deus,
sabendo que est a ser ia a est rat égia para t est emunhar diant e
dos governant es, ele responde:

"... Que fazeis chorando e magoando-me o


coração? Porque eu estou p ronto não só a se r
preso, mas ainda a morrer em Jeru salém p elo
nome do Senhor Jesu s. " (At 21:13 )

Que est upenda maneir a de encar ar uma provação, Paulo


não deixou espaço algum para o medo e int imidação, pelo
cont rár io, ele chega a dar um xeque- mat e na mort e expondo-se
a t udo por causa de Jesus.
Est e nível de ousadia desmo nt a qualquer argument o
demo níaco, Isto chega a dar t erremoto no infer no e at aque do
coração em Sat anás! I st o deixa o diabo "endemo niado", num
est ado de choque e perplexidade. Co mo parar uma pessoa que
simplesment e não acredit a mais nas int imidações demo níacas
e que encont ra-se plenament e conscient e da sobreexcelent e
grandeza do poder de Deus sobre sua vida?
Dest a for ma, Paulo demo nst ra a grande vant agem que
podemos t er sobre Sat anás, mesmo enfr ent ando sit uações o nde
sua própr ia vida corr ia r isco.

Faceando t erríveis provas e grandes conflit os, mediant e


todas as possibilidade de fugir de Deus, Davi acabou
desco br indo que, na verdade, não eram possibilidades de fuga,
mas impossibilidades de fuga.
A preocupação cent ral de Davi não era a prova que o
confro nt ava, ou a capacidade do inimigo at ingi- lo, mas seu
coração diant e de Deus. E le mesmo se exort a a não fugir e
enfrent ar a sit uação:

"Para onde me i rei do teu Espí rito, ou para ond e


fugi rei da tua p resen ça? Se subi r ao céu, tu aí
estás; se fi zer no S eol a minha cama, eis que tu ali
estás também. Se tomar as asas da alva, se
habitar nas ext remidad es do mar ainda ali a tua
mão me guiará e a tua dest ra me sust erá. Se eu
disser: Ocu ltem-me as t revas; torne- se em noite a
lu z que me ci rcunda; n em ainda as trevas são
escu ras para ti, mas a noite resp landece como o
dia... " (Sl 139: 7-11)

Da mesma for ma, quando Jacó em t oda sua "espert eza",


enganou o ir mão, ludibr io u o pai, que era cego e se pôs a
fugir. Deus deixou bem c laro que ele poder ia fugir de t odos,
porém não dEle:

"Eis que estou contigo, e t e guardarei por onde


quer que fores, e te farei tornar a esta terra; poi s
não te deixarei até que haja cump rido aquilo de
que te tenho falado. " (Gn 28:15)
Est a é uma lição que, ma is cedo ou mais t arde, t odo
ho mem de Deus aprende. É imprescindível a disposição
nat ural de enfrent ar co m uma at it ude t ranqü ila e posit iva as
provas. Quando você se apresent a aprovado diant e de Deus,
Deus apresent a você aprovado diant e dos ho mens.
A novidade de vida e a dinâ mica de uma vida espir it ua l
abundant e part em dest e pr incípio. Porém, o que mais se vê
ho je, dent ro das igrejas, são pessoas co m uma vida espir it ual
gast a, buscando desculpas para fugir dos desafios de Deus ou
desist ir. Pessoas passivas, vencidas pelo medo e indispost as a
correr riscos pelo r eino de Deus. Gent e int imidada e
derrot ada.
Assever a-se que no vent a por cent o das pessoas est ão
apenas procurando desculpas, enquant o apenas dez por cent o
est ão det erminadas a pagar o preço da responsabilidade e
perseverança. Fala-se demais sobre "prosperar " e de meno s
sobre "per severar". Não se engane, não exist e prosper idade
sem aprovação e não exist e apro vação sem per severança!
Port ant o, uma pessoa cont inuament e reprovada,
cert ament e vai cair na est agnação, na insensibilidade, no
desânimo, no sono espir it ual. Assim sendo, const it ui- se um
"suic ídio espir it ual" quando nós t ent amo s ignorar cert as
derrot as e passamo s a fugir das provas de Deus.

O medo emocional e a prevenção

A Bíblia ensina um pr incípio que rege uma at it ude de


medo emocio nal e prevenção:

"O temor do ímpi o vi rá sob re ele. " (Pv 10:24)


Podemos definir o medo emocio nal at ravés de u m
co mport ament o exageradament e prevent ivo. Isto ind ica que,
de alguma for ma, co nvivemo s co m uma fort e dor ou decepção
que ainda não conseguimos superar.
O medo emocio nal gera vulnerabilidade e a
vulnerabilidade gera medo, desequilibr ando a per sonalidade.
A liberdade é t rocada por uma post ura defensiva, at ravés da
qual const ruímo s mu it os blo queio s.
A t endência é que est as pr evenções passem a reger t odo
nosso comport ament o, mesmo que não admit amos. De repent e,
nos pegamos deixando de ir a algu m lugar simplesment e
porque alguém co m quem ficamo s magoados est á ali. Jesus
deixa de ser o cent ro, e esses bloqueio s passam a ser o eixo de
cada co mport ament o, manipulando nossas vidas.
Muit as vezes t eremos que enfr ent ar e reso lver sit uações
do passado que sust ent am u m saldo espir it ual negat ivo em
det er minados relacio nament os. É necessár io nos flexibilizar
desar mando est es bloqueio s at ravés das confissões e
rest it uições que se fazem necessár ias.
Freqüent ement e digo para as pessoas nest es labir int os da
vida que é melhor ficar "ver melho" um pouquinho do que
"amar elo" a vida int eira.
Lembro- me de um diá logo que t ive com um quer ido
ir mão. Sua mãe, a vida int eira o t ratou de uma for ma horr íve l,
levando-o a desenvo lver um gr ande ódio que além de
cont aminar seus relacio nament os, o cegou em relação à
rebelião e desonr a que ele prat icava.
Quando disse que dever ia part ir dele uma ret rat ação com
a mãe para que aquele bloqueio fosse vencido, ele relut ou
irredut ivelment e. Aquilo ser ia demasiadament e vergonhoso e
"injust o" para seu orgulho.
Ent ão parafr aseei: é me lhor você ficar "ver melho" um
pouquinho do que "amarelo " a vida int eir a. Sua respost a
imediat ament e fo i: "mas ... amarelo é uma cor bonit a". Gosto
de amarelo ! É minha cor predilet a!
Fiquei surpreend ido e ao mesmo t empo chocado,
imaginando como algumas barreiras podem t ornar-se t ão
resist ent es e aparent ement e impossíve is de serem superadas.
Rindo da sua respost a, argument at ivament e int eligent e, porém
emocio nalment e burra, finalment e arremat ei: o grande
problema, é que o infer no est á cheio de gent e "amar ela"!
A prevenção é uma for ma de ido lat rar os ressent iment os,
as decepções e as r ejeições. É uma decla ração emocio nal que
t emos fracassado mediant e a responsabilidade de perdoar. Isto
faz ger minar o medo de ser no vament e fer ido ou rejeit ado,
impo ndo barreir as e dificuldades que inviabilizam a
capacidade de relacio nar, engessando o t emperament o numa
post ura espinhosa.
O medo emocio nal abre uma br echa no mundo espir it ua l
para ser mo s at acados, ou seja, onde t emos medo e prevenção,
seremo s at acados. Jó exper iment ou est a realidade dizendo: "O
que eu mais t emia, ist o me so breve io". Est es pontos tornam- se
áreas de pro funda debilidade espir it ual que nos
vulnerabilizam.
Agindo dest a for ma, t udo que co nseguimo s, é t ornar
ainda mais convidat ivos os at aques demo níacos.
At ravés das prevenções co nst ruímo s uma sit uação só lida
de derrot a, fort alecendo as cadeias espir it uais que nos
prendem. Quando o medo recalca a fé é sina l que est amo s
dando ouvidos às ment iras de Sat anás.
Cada prevenção que est abelecemo s em nossas vidas
torna-se não apenas um alvo, mas o pont o de part ida do
t rat ament o de Deus. Cada barreir a precisa ser derrubada, cada
muro dest ruído! É exat ament e nest es pont os que est ão
enraizados o quadro de derrot a onde sust ent amos a dinâ mica
de uma vida cíc lica de reprovações.

A nossa "Alemanha"

Há muit os anos at rás ouvi uma mensagem sobre perdão


minist rada por Loren Cuningham, fundador da Jocum. E le
cont ou um fort e t est emunho sobre sua amiga Coren Tem Boo m
que nunca mais me esqueci.
Muit os de nós conhecemos a t rágica hist ória da Coren
at ravés do seu livro e filme, "O Refúgio Secret o". Ela e sua
família foram vít imas dos campos de concent ração nazist as
durant e a Segunda Guerra porque abr igavam os judeus
perseguidos pelo nazismo salvando suas vidas.
Seu pai e ir mã morreram no campo de concent ração,
porém ela fo i so brenat uralment e liberada numa dat a
previament e pro met ida por Deus. Obvia ment e que as
at rocidades vividas durant e anos naquele campo de
concent ração nunca abando naram sua memór ia.
Na mensagem, o Pr. Loren cont a como Deus,
est ranhament e, falou par a ele co mprar uma mala de viagens e
levá- la de present e para a Coren. E le simplesment e obedeceu,
e quando visit ou sua amiga ent regando- lhe o present e ficou
surpreso que aquele era exat ament e o dia de seu aniver sár io.
O mais int eressant e eram os planos que Deus vinha
co mpart ilhando com a Coren: "Minha filha, eu vou t e levar
por muit as nações do mundo para você co nt ar o seu
t est emunho e muit os serão salvo s e abençoados".
Co mo confir mação, ela r ecebe de present e uma mala,
logo do Loren, um past or que já est eve, lit eralment e, em t odos
os países do mundo.
Porém, quando Deus a chamou para est a nova fase de sua
vida, ela co locou uma condição diant e de Deus:
"Senhor, eu irei para qualquer lugar do mundo que o
Senhor me enviar, menos para a Ale manha! "
Pront ament e a voz de Deus veio fort ement e ao seu
coração: A Alemanha é o prime iro país para onde eu est ou t e
enviando! Aquilo a deixou angust iada e co m medo. Sua
prevenção est ava sendo diret ament e confront ada, e,
cert ament e, precisava ser eliminada.
Alguma vez você já t ravou uma queda de braços co m
Deus? Advinha quem sempre ganha e quem sempr e perde ?
Depo is de refut ar muit o, obviament e, ela acabou cedendo.
Feit os os cont at os, as port as se abr iram facilment e para
que ela est ivesse na Ale manha. Após a pr imeir a minist ração
numa grande igre ja, ela fo i procurada por um senhor já idoso.
Aquele ho mem a abordou e repent inament e ela o
reconhece co mo um dos exat ores do campo de concent ração.
Um clima pesado tomou cont a da sit uação. Ele co m os olhos
em lágr imas, agora, co mo um ir mão em Cr ist o, co meça a
pedir- lhe perdão por t ant o sofr iment o causado.
A vida dela, vo lt a co mo num filme, diant e de lembranças
demasiada ment e do lorosas. Raiva, vergonha, medo, t udo se
mist ura o vem à t ona. Enquant o o homem esperava seu perdão
co m a mão est endida, ela par ecia não t er forças para vencer
suas emoções t raumat izadas.
De repent e, a voz de Deus ret umba no seu espír it o: "fo i
para ist o que eu t e t rouxe aqui! Faça a escolha cert a, que eu t e
ajudo!" Numa at it ude de fé, renegando seus t raumas, ela
est endeu a mão para o seu algoz, perdoando-lhe e recebendo-o
co mo ir mão !
Inst ant anea ment e ela sent iu co mo que uma descarga
elét r ica passando pelo seu corpo e alma arrancando todas as
pr isões! O campo de concent ração que ainda per manec ia
dent ro dela já não exist ia mais! A voz de Deus veio
novament e: "minha filha, agora você est á aprovada e pront a
para as nações"!
Eu não sei qual é a sua "Alemanha", mas, provavelment e,
você sabe, e, co m cert eza, Deus t ambé m sabe.
A verdade é que Deus quer dest ruir nossas prevenções.
Est a é uma pr ior idade inegociável em r elação ao seu plano
para cada um de nós.
Deus quer nos fazer pessoas livr es, por mais que ist o seja
doloroso para nós mesmo s. A plena liber dade em Cr ist o, uma
disponibilidade irrest r it a, um coração sem barreiras são
fundament ais par a desfrut ar mos da verdadeira aut oridade
divina, co mo t ambém viver mo s segundo o curso do rio da sua
unção.

Manejando bem a palavra da verdade

"E maravi lhavam- se da sua dout rina, porqu e os


ensinava como tendo autoridade, e não como os
escribas. " (Mc 1:22)

O que significa mane jar bem a palavra da verdade?


Ser ia ist o você t er uma língua de prat a e uma oratória
requint ada? Será que bast a apenas uma habilidade de
exposição bíblica co m mu it a infor mação, boa int erpret ação
t ext ual, grandes ilust rações e uma excelent e homilét ica?
Obviament e, cada uiva dest as co isas t êm o seu grau de
import ância, mas est ão longe de definir o que realment e
significa manejar bem a palavr a da verdade.
A quest ão maior aqui não é apenas manejar bem "a
palavra", porém, manejar bem "a palavra da verdade".
A diferença ent re est es do is t er mos é equivalent e à
discrepância que exist e ent re a hipocr isia e a coerência.
Mesmo pregando o Evangelho, podemos est ar ment indo
em relação às nossas própr ias vidas. Cada vez que usamo s o
Evangelho co mo uma capa de sant idade que disfarça nossa
incoerência e ocult a nossos pecados, t ent ando provar o que
não somos, prat icamos a ment ir a, e não a verdade.
Quando minist ro ou escrevo todas est as coisas para você,
por cert o, t enho sido e cont inuo sendo profundament e provado
e examinado por cada palavr a e pr inc ípio revelado. Ist o nos
aproxima não apenas da verdade, como t ambém de u m
relacio nament o genuíno co m Deus, const ruindo confiança e
confiabilidade.
Na verdade, só manejare mos bem "a palavra da verdade",
se est a mesma palavra t iver t ransfor mado as nossas vidas.
Quando minist ramo s uma palavra que nos provou e
t ransfor mou, diant e da qual fo mos aprovados, est a palavra,
co m cert eza, vai t ransfor mar out ros!
Est a é a palavra de poder e sabedor ia que assume uma
conot ação profét ica, fazendo com que a reve lação divina
penet re como uma espada no coração das pessoas. Est a
palavra é ma is que a mensagem de um pregador: é a "espada
do Espír it o" que nos t ransfor ma e t ransfor ma a out ros pela
reno vação da ment e. É a verdade dit a co m verdade que
desencadeia o pr incíp io da unção e da revelação.
Não import a quant os cursos e seminár ios você já fez,
quant os t ít ulos você co lecio na, qual é o tamanho da sua igreja
..., apenas pessoas aprovadas est ão espir it ua lment e apt as a
"mane jar bem a palavra da verdade".
Muit as pessoas t êm algum t ipo de poder. Poder vem de
uma posição ou de um t ít ulo, porém, aut or idade vem do
carát er. A legít ima aut oridade é confer ida por Deus a pessoas
aprovadas. Ist o muit as vezes vem de um processo longo e
profundo de t rat ament o. Por ist o, Deus prova o quant o for
necessár io uma pessoa:

"... pois tu, ó justo Deus, provas os corações e os


rin s. " (Sl 7:9)

Enquant o o coração é a sede das nossas mot ivações, os


r ins significam a sede do nosso discer niment o.
Enquant o o coração bo mbeia o sangue, que é a vida, os
r ins filt ra m o sangue, garant indo a saúde do corpo.
Provar t em uma fort e conot ação de pur ificar. É de onde
vem a palavr a cast igo, que apesar de ser uma pa lavra
amedront adora, no lat im significa "pur ificar pelo so fr iment o",
embut indo um sent ido de correção.
Deus não negocia seu padrão de sant idade. O caminho
para o conhec iment o de Deus se baseia numa vida se m
barreir as. Nossas mot ivações e o nosso discer niment o
precisam ser cada vez mais provados e refinados :

"... conhece o Deu s de teu pai e serve-o com u m


coração perfeito e com alma voluntári a." ( I Cr
28:9)

Capítulo 4

Diagnosticando o estado de reprovação

Uma pessoa reprovada não é uma pessoa que Deus vai


desprezar e jo gar fora, mas ant es de t udo é uma pessoa que ele
quer aprovar. Obviament e, Deus é a pessoa que mais nos ama
e ele est á dispost o a invest ir de t odas as for mas necessár ias
em nossas vidas. A palavr a reprovação, por mais do lorosa que
seja, t ambém embut e a perspect iva de uma nova chance.
Porém, o pr imeiro passo para ser mo s aprovados é
reconhecer que est amos ou t emos sido reprovados. É
indispensável ser mos sinceros conosco mesmo s. Sem
humildade e quebrant ament o seremo s quebrados, o que alé m
de piorar a sit uação, pode lit eralment e nos dest ruir.
Paulo deixou um import ant e conselho que se enca ixa
nest a realidade:

"Examinai-vos a vós mesmos, se perm anecei s na


fé; p rovai-vos a vós mesmos. Ou n ão sabei s
quanto a vós mesmos, que Jesu s está em vós? S e
não é que já estais rep rovad os. " (II Co 13:5)

Obedecendo est e conselho vamo s t ent ar t raçar a


radiografia espir it ual de uma pessoa repr ovada, evidenciando
os sint o mas mais co muns que qualificam uma pessoa nest a
sit uação.

SINTOMAS DE UMA PESSOA REPRO VADA

1. Desconfiança crônica e generalizada

Invar iavelment e, uma pessoa reprovada deixou-se at ingir


t ant o pelas decepções da vida que não consegue mais confiar
nas out ras pessoas. Uma desconfiança generalizada passa a
reger os relacio nament os.
Aquele velho dit ado: "gat o escaldado t em medo at é de
água fr ia". Todos que represent am aquela classe de pessoas
co m quem e la se decepcio nou, passam a ser
discr iminadament e uma ameaça.
Na época do apóst olo Paulo havia m muitos impost ores,
t ant o no judaís mo co mo no cr ist ianis mo que acabara de
nascer. Sob est a mesma perspect iva é que ele precisou
confro nt ar e alert ar a igr eja em Cor int o em relação a ele
mesmo:

"Posto que buscai s p rova de que em mi m Cri sto


fala, o qual não é fraco para convosco, antes é
poderoso em vós. " ( lI Co 13:3)

Ainda que Deus est ava usando Paulo com poder, muit as
pessoas não conseguia m confiar nele. S imp lesment e
desco nfiavam t emerar iament e. Foram facilment e envenenados
pelos perseguidores de Paulo. E les, ent ão, quer iam mais
provas de que Paulo era legit ima ment e um ho mem de Deus.
Havia t ant a desconfiança infundada, que Paulo apr esent a est e
fat o, como um sint o ma de um possíve l est ado de reprovação
daquelas pessoas que o est avam ju lgando.
Quando t emos uma at it ude co nt ínua de reprovar e
desco nfiar levianament e das pessoas, ist o é um fort e indício
de que o problema est á em nós. Muit as co isas na nossa
personalidade enco nt ram-se dist orcidas.
A própr ia infidelidade é a pr incipal raiz da desconfiança!
Quando não so mos fiéis em alguma coisa, a t endência é
t ransfer ir ist o para os out ros. Vemos os out ros como so mos.
Cada vez que julgamo s alguém ou uma sit uação se m
conheciment o de causa, o único padrão que na verdade usamos
para t al julgament o é o nosso próprio coração. Nest e caso,
t udo que conseguimos é revelar quem so mos. Nosso
julgament o fr ívo lo e precipit ado apenas provê um ret rat o do
nosso ho mem int er ior. Co m cert eza, exist em abusos e
injust iças ainda não reso lvidos.
Naquilo que fo mos fer idos passamo s a fer ir e a
desco nfiar generalizadament e, o que só reforça e revela a
sit uação de reprovação em que nos enco nt ramos.

2. Estagnação e Desâni mo

Ist o vem co mo result ado de um st ress espir it ual.


Obviament e uma pessoa reprovada, co mo já definimo s, é
alguém que não fo i aprovado e por ist o vai ser submet ida a
uma no va prova.
Dependendo de co mo nos posicio namo s, ist o pode se
repet ir t ant o que vai provocar em nós um profundo est ado de
desgast e, que pode ser t raduzido nest as palavras: desist ência,
est agnação e desânimo. Invar iavelment e, o processo, de vez
após vez, fazer a prova e ser desaprovado, impõe uma sit uação
int er na de st ress espir it ual que adoece a esperança e esmaga a
aut o-est ima.
A part ir dist o, qualquer esfor ço espir it ual é
demasiada ment e pesado, difíc il, cansat ivo e at é mesmo
insuport ável. U m grãozinho de areia passa a pesar uma
tonelada. Não agüent amos mais cinco minut os co m a Bíblia
abert a ou dois minut os de oração já nos fat iga.
Perdemos t ot alment e o int eresse pelos perdidos. Est a
esmagant e carga de desincent ivo espir it ual sempre coexist e
co m sit uações sér ias de reprovação.
Devido à falt a de maleabilidade, infer ior idade e acima de
t udo orgulho, nos esquivamo s do t rat ament o de Deus. I st o nos
t ira do curso da vont ade divina e em conseqüência a vida
espir it ual t orna-se um t err ível fardo. Nada vai fluir. A unção
esgot a! Vár ias sit uações co meçam a t ravar .
Podemos at é agüent ar ist o por um t empo, porém a
desist ência e a apat ia acabam se inst alando. Todo est ado de
reprovação crônica adoece a consciência e abala a fé. O
result ado fina l é a est agnação.
A apost asia muit as vezes acont ece de uma maneir a
passiva e sut il. Apesar de muit os freqüent arem uma igreja, já
desist iram a muit o t empo de uma vida compro met ida co m a
vont ade e a verdade de Deus.
Est e mecanis mo sut il de apat ia e desânimo é t ambém o
est ágio preliminar das mais t err íveis apost asias que pessoas
prat icam. A palavr a profét ica nos alert a que est es últ imo s dias
ser iam marcados pr incipalment e pela apost asia.
Não devemo s menosprezar est a possibilidade que co meça
despercebidament e at ravés de um est ado de reprovação que
vai ganhando força at ravés dest e processo crescent e de
est agnação e mort e espir it ual.

3. Ressenti mento e Prevenção

Est as duas co isas nor malment e andam junt as e


cont r ibuem decis iva ment e para nos obst inar mo s na nossa
vont ade própr ia. Todo ressent iment o cr ia barreir as. Est as
prevenções e barreir as, por sua vez, acabam const ruindo
sér io s co nflit os co m o discer niment o da vont ade de Deus.
Uma co nfusão int er na e mu it as dúvidas exist enciais se
est abelecem.
A pessoa não consegue t er uma genuína convicção da
vont ade e da dir eção divina. De repent e, a pessoa percebe que
só sabe o que ela não quer para si, po is est á do minada pelo
ressent iment o e prevenção.
Co mument e ouvimos uma confissão t ípic a que ret rat a a
prevenção: "Eu não sei bem o que Deus t em par a mim, só se i
que ir para det er minado lugar, ou fazer det er minada co isa, ou
falar co m t al pessoa, jama is!" A pessoa esco lhe a vont ade de
Deus para ela.
Acaba fazendo da própr ia vo nt ade a voz de Deus. É
induzida pelas prevenções que const ruiu no coração a esco lhas
erradas na vida que podem acabar cust ando um preço muit o
alt o. Na verdade, e la est á sendo guiada pelas suas fer idas, as
quais ido lat ra e ins ist ent ement e defende com unhas e dent es e
mil razões!
Para cada razão que just ifica nossa mágoa, Sat anás no s
acrescent a out ras t ant as, e co m ist o muit os conseguem a
façanha de espir it ualizar suas fer idas e barreir as. De alguma
for ma, est as pessoas vêm falhando em reso lver muit os
conflit os.
Na caminhada espir it ual acont ecem mu it os
"Guet sêmanis" e "Calvár io s" onde so mos t raídos e
abando nados, quando precisamo s enfrent ar muit as decepções.
Um peso de angúst ia e mort e co meça a nos esmagar.
Acont eceram muit as co isas que não esper ávamo s e que
ninguém gost ar ia que t ivesse acont ecido. Mas, simplesment e,
não exist e co mo vo lt ar o t empo e precisamo s agora t omar uma
decisão.
É aqui que muit os fazem a pior esco lha de não superar os
acident es de percur so e prosseguir sem barreiras par a o
prêmio da soberana vocação em Cr ist o.
Cada vez que sonegamo s o perdão, que falhamo s em
renunciar para Deus o sent iment o de injust iça e perda, de
alguma for ma, nossas vidas tornam-se t err ivelment e
apr isio nadas, o que denuncia um fort e est ado de reprovação.
4. Atitude de Fuga

Pessoas fer idas t endem a fugir. Fugir é uma das mais


fort es t ent ações para alguém que se encont ra num est ado de
reprovação.
Qualquer sit uação de dor, seja ela de cunho fís ico,
emocio nal ou moral, invar iavelment e impõe uma dinâ mica de
fuga. A t endência é buscar alívio e confo rto. Apesar dist o ser
um mecanis mo nat ural de defesa, pode se t ornar algo
per igoso, principalment e, quando evit amos que a fer ida seja
t rat ada, passando a viver irrespo nsavelment e de subt er fúgio s e
paliat ivos.
Por mais que a dor é t emporar iament e amenizada nest as
escapadas, o foco da fer ida só piora, apont ando apenas par a
doses cada vez ma iores dos nar cót icos emocio nais. Dest a
for ma muit os se tornam viciados e condicionados à fuga.
Aparent ement e é muit o mais fácil sair pela t angent e,
evit ando qualquer t ipo de aproximação que ameace confront ar
o trauma. O caminho largo é t ambém o caminho que pode ser
et ernament e lo ngo e penoso.
Vamos evit ando o processo de cur a e ist o só pro longa o
est ado de enfer midade e exploração demoníaca.
Medo e fuga se unem, est abelecendo uma dinâmica que
nos enclausura no est ado de derrot a. A fuga é o lado oposto da
so lução. É o princíp io da ant ir eso lução de conflit os. Quant o
mais fugimo s mais nos dist anciamos da so lução. Fugir é
afast ar-se da r eso lução da nossa própr ia vida e sit uação
espir it ual.
Freqüent ement e at endemos pessoas que vêm de uma
peregr inação numa sér ie de igrejas. Cada vez que um
problema as aflige, ao invés de agirem co m humildade e
mat ur idade, elas fogem deixando um rast ro de fer idas,
relacio nament os dest ruídos e port as fechadas. Quando Deus
co meça a levá- las ao pont o onde elas pr ecisam ser t rat adas, a
grande t ent ação é desist ir e fugir. Abortam as oport unidades
de cresciment o.
Assim sendo, nunca perseveram em nada e est ão sempr e
evit ando os desafios que poder iam t ornar a vida vit or iosa e
saborosa. Muit as delas mudam o "chamado" de acordo com as
suas própr ias conveniências, o que não passa de uma for ma
sut il de espir it ualizar o processo de reprovação e fuga.
Para elas é mais fácil e cô modo mudar de igreja do que
encarar e reso lver de uma vez por t odas o foco daquilo que as
aflige. Obvia ment e que em cada uma dest as mudanças, ela s
carregam co nsigo uma bagagem espir it ua l cont aminada que é a
profecia de no vas e maiores d ificuldades. É imposs ível sair
mal de um lugar sem ent rar mal em out ro. O problema não
est á nos lugar es por onde t êm passado, mas nelas mesmas.
Cert ament e, ma is cedo ou mais t arde, par a se realinhar e m
co m os benefíc io s de uma vida livre, est as pessoas precisar ão
vo lt ar em cada uma dest as sit uações e reso lver o que não fo i
reso lvido.

Um exemplo clássico de um fugit ivo fo i Mo isés. No seu


zelo irracio nal de prot eger seu povo, abr iu uma t err ível fer ida
em sua vida ao assassinar um ho mem egípcio. Escondeu o
negócio e co meçou a andar em t revas. Não durou muit o e fo i
at acado no vament e no mesmo pont o, agora por um
co mpat r iot a. Aquilo o t raumat izou de t al for ma que o fez
desist ir de t udo, transfor mando-o num fugit ivo.

"Mas o que fazia inju stiça ao seu próxi mo o


repetiu, di zend o: Quem te constituiu senhor e jui z
sob re nós? Acaso queres tu matar- me como ont em
mataste o egípci o? A esta palavra fugiu Moisés, e
tornou- se peregrino na terra de Mi diã, onde
gerou dois fi lhos. " (At 7:27-29)
Ant es de libert ar o povo de Israel, Mo isés precisava ser
livre. Quando Deus, depo is de quar ent a anos pede que ele
vo lt e ao Egit o, não era apenas por causa de Israel, mas por
causa dele mesmo.
A vo lt a de Mo isés para libert ar o povo de Israel do
cat iveiro do Egit o det ermino u sua cur a. Mesmo já t endo
passado quarent a anos sendo profundame nt e t rat ado por Deus
no "Seminár io do Past or Jet ro", precisou vo lt ar nest e pont o e
deixar de ser um fugit ivo.

Out ro fugit ivo na B íblia fo i Caim. Temo s aqui u ma t r ist e


cena que demo nst ra a at it ude de um fugit ivo.
São aqueles que não querem de for ma a lguma negociar a
possibilidade de se abr irem, quebrant ar, admit ir o erro e
corrigir o que precisa ser corr igido.

"Eis que hoje me lanças da face da terra; também


da tua presen ça fi carei escondido; serei fugitivo e
vagabundo no terra; e qualquer que me encont ra r
matar- me-á. O Senhor porém, lh e disse: Portanto
quem matar a Cai m, set e vezes sob re ele cai rá a
vingança. E pôs o Senhor u m sinal em Caim, para
que não o ferisse quem qu er qu e o en contrasse. "
(Gn 4:14,15)

Caim, depo is de t er sua o fert a rejeit ada, sendo reprovado


por Deus, incendiou-se de inveja em relação ao ir mão que fora
aceit o. Advert ido sobre as mot ivações sombr ias que asso lavam
seu coração acabou assassinando o própr io ir mão por não
suport ar o seu sucesso. Porém, fr ia ment e, negou o feit o, amo u
as t revas. Por mais que Deus t ent ou t razê- lo para a luz, ele
prefer iu a vida de ment ir as !
O per fil de Caim reflet e um alt o percent ual de pessoas
dent ro da igreja que vive m no ocult ismo, fugindo da verdade.
Ao ser provado e repro vado por Deus, Caim t ornou-se u m
fugit ivo, se co locando agora como vít ima. Ao invés de t emer
ao Senhor, se aco vardou diant e das responsabilidades que
dever ia assumir.
Por desconhecer o coração de Deus, achando que E le
ser ia muit o duro, decidiu fugir. É dest a for ma que muit os
abando nam o plano divino para suas vidas e co meçam a
vagabundear pela t erra! A part ir dist o não consegue m mais
perseverar em nada. Caem facilment e na aut ocondenação: não
se perdoam e perdem a capacidade de confiar no car át er
perdoador de Deus. Tornam-se desnort eados na vida.

Da mesma for ma, podemos mencio nar o profet a Jonas, o


ho mem que fugiu mais rápido na Bíblia. No capít ulo um,
versículos um e do is t emos o chamado de Deus para Jo nas
levar uma mensagem ao povo de Nínive. Já no t erceiro
versículo, ele foge:

"Fugiu Jonas da face de Deu s. " (Jn 1:3)

"Co incident ement e", uma t empest ade açoit ou o navio e m


que fugia. Daquele lugar cô modo onde dormia no porão do
navio, fo i lançado ao mar, engo lido por um grande peixe e
levado para o coração dos mares.
Só ent ão, ele reso lve orar! Se flexibiliza diant e da t arefa
recebida e muda de idéia ret o mando seu dest ino original.
Depo is de t rês dias, o peixe o vo mit a em Nínive, onde,
finalment e, ele cumpre sua missão.
I magine co mo ele chegou na t erra do seu chamado,
vo mit ado por um peixe, co m um cheiro insuport ável!
Est e é o t ipo de submar ino que ninguém quer via jar !
Espero que você não t enha que ir para o seu chamado de
"peixe".
Fugir de Deus nunca é uma boa idéia. P or mais que nos
dist anciamo s do que nos fere ou enver gonha, t eremo s que
cedo ou t arde, vo lt ar naquele po nt o, onde ficamo s algemados
pela reprovação.

5. Ingratidão e Crítica

A grat idão é o t ermô met ro que mede nossa saúde


espir it ual. Quando não exist e grat idão é porque exist em ár eas
infeccio nadas que precisam ser t rat adas.
A grat idão é a linha que precisament e dist ingue a
pobreza da misér ia. A Bíblia fala que o pobre, Deus o fez,
porém, quem faz o miserável é a ingrat idão! Nest e mesmo
sent ido é que a misér ia do r ico pode ser t err ivelment e pior que
a pobreza do pobre.
A gr at idão é um dos maior es segredos da prosper idade.
Toda pessoa mur muradora e ingrat a est á no caminho oposto ao
caminho da prosper idade. Muit as pessoas são lançadas na
misér ia e ruína porque pagam o bem co m o mal, a bênção co m
mald ição e cospem no prat o que comer am. Agem co m
descarada ingrat idão. Est e é um dos piores sint o mas que
det er mina um quadro de reprovação.
Exist em a lgumas pessoas, que quase sempre, est amos
carregando-as nas cost as. São fracas e dependent es e usam
est as plat afor mas para manipular. Sempr e est ão precisando de
algumas co isa e nos desdobramo s par a at endê- las de boa
vont ade. Porém, numa única sit uação, onde nos vemo s
impossibilit ados de ajudá- las, elas se revelam vo mit ando a
ingr at idão : "você nunca me ajuda! Você est á falhando co migo
!" ...
Pessoas, at é mesmo, mat er ialment e, são lançadas na
misér ia por causa de ingrat idão e t raição. Lembro- me de u m
evangelismo nu ma praça no cent ro de Belo Hor izo nt e, no
iníc io da minha vida cr ist ã.
Fizemo s uma roda e co meça mos um t empo de louvor e
adoração quando uma mendiga de rua se aproximou pedindo
uma ajuda. Tudo que eu t inha era algumas moedas no bo lso,
que pront ament e co loquei em sua mão. Fiquei chocado quando
ela o lhou para as mo edas, em seguida olhou para mim e
vo mit ou sua insat isfação: só isso ?!
Uma indignação me sobreveio, e, num la nce de inst int o,
arranquei o dinheiro da mão dela, d izendo: se ist o não ser ve
para você, para mim co m cert eza ser vir á! Passe i a ent ender
co mo a ingrat idão sust ent a o espír it o de misér ia.
Muit as pessoas est ão t endo suas vidas dest ruídas pela
ingr at idão e depo is querem dest ruir a vida dos out ros pela
cr ít ica. Toda pessoa ingrat a t orna-se cr ít ica e t oda pessoa
cr ít ica é t ambém ingrat a.
Na verdade, se mpre que uma pessoa não é aprovada numa
cir cunst ânc ia, mais cedo ou mais t arde va i ext ravasar ist o
at ravés de mur muração e cr ít ica. A cr ít ica irr espo nsável é o
vô mit o da ingrat idão.
Uma pessoa ingrat a é alguém que est á cega para o be m
que t em recebido. Não consegue perceber o esforço que out ros
t em fe it o para abençoá- la. Na verdade, a ingrat idão t ransfor ma
a pessoa num "saco sem fundo".
Nada é sufic ient e e por ist o est á sempre insat isfeit a.
Quando a ênfase à cr ít ica é maior que a ênfase ao
incent ivo t emos o sint o ma da fer ida e r eprovação. A pessoa
não enxerga so luções, apenas defe it os. Os o lhos est ão
ent ravados. Quando uma pessoa co meça a ver só problemas e
defeit os num lugar ou nas pessoas co m quem ela convive, a
leit ura que se faz e o diagnóst ico espir it ual a que se chega é
que ela mesma é quem est á reprovada.

6. Vanglória ou Isolamento

Temos aqui do is pecados sér io s que t êm um alt o


pot encia l para afast ar as pessoas e dest ruir a co munhão. Est as
pessoas, lit eralment e, est ão ceando sem discer nir o corpo de
Cr ist o e por ist o muit as delas, co mo Paulo disse, vive m
doent es e out ras at é morrem premat urament e.
Vanglór ia e iso lament o são reações em ext remos opostos
que conso lidam o fracasso espir it ual. Est as at it udes,
invar iave lment e, são t ent at ivas est rat égicas co m int u it o de
"disfar çar" ou "encobr ir" o quadro int er no de reprovação.
Dest a for ma, os relacio nament os t ornam- se insuport áveis
devido à asquerosidade da vanglór ia, ou serão lit er alment e
decepados pela so lidão do iso lament o.
O pr incipal mot ivo que sust ent a est es co mport ament os
ment irosos é a vergo nha moral e o orgulho.
Algumas pessoas esco lhem o caminho da obscur idade
tornando-se irreco nciliáveis. P ior que qualquer pecado, é a
sit uação de ocult á- lo ou disfarçá- lo.
Lembro- me de uma excelent e pessoa que t rabalhou
conosco. Apesar de t odo pot encial e car is ma, infe lizment e, ela
havia desenvo lvido t ambém u ma vida de lesbianismo. Apesar
de t odas as chances que ela t eve para se expor e ser ajudada,
ela cont raiu ur na capacidade demo níaca de enco br ir a
sit uação, conciliando uma dose cert a de iso lament o e at ivis mo
espir it ual.
Obviament e, chegou o t empo em que as co isas
co meçaram a vir a luz. Mesmo assim est a pessoa se recusava a
admit ir os fat os, o que acabava acont ecendo apenas depo is de
unt a cont undent e acareação com t est emunhas.
O pior da sit uação, ao meu ver, não era o pecado do
ho mossexualis mo, mas a at it ude descarada de ment ir, o que
tornou a sit uação int rat ável. Não havia como est abelecer u m
relacio nament o de confiança, vist o que a verdade est ava
tot alment e ausent e.
Est a é uma das co isas que t enho aprendido em
aconselha ment o. Não me importo em ajudar pessoas co m
"pecados cabeludos", desde que elas sejam sinceras e não
mint am. Quando alguém co meça a ment ir no aconselhament o,
ent ão, prefiro não perder mais o meu t empo com est a pessoa.
Algumas pessoas falsas são verdadeiras devoradoras do
nosso t empo. Est ão sempre ali t ent ando t ransfer ir par a nós
suas respo nsabilidades, falt ando co m a verdade. Desperdiçam
o t empo delas e o nosso, t rabalhando int ensa ment e no campo
da libert ação da igr eja. Tenho co nst at ado que um dos
pr incipais mot ivos pelo qual muit os crent es não são libert os é
por que eles t ambém não são verdadeiros. Sonegam ou
ment em acerca de infor mações que det erminar ia m a eficácia e
a pro fundidade do processo. Assim, muit os deles apesar de
passarem por inúmer as libert ações, nunca são livres, e ne m
poder iam ser mesmo.
A maneir a de dis farçar a repro vação é at ravés da
vanglór ia onde a pessoa passa a se aut o-afir mar em busca de
reconheciment o. A pessoa se esco nde at rás do at ivis mo, ou de
uma posição de liderança ou at é mesmo usa sua per for mance
minist er ia l para co mpensar fracassos morais e emocio nais.
Alguns se co locam, por exemplo, co mo profet as. Falam
em no me do Senhor, mas no fundo, t udo não passa de uma
t ent at iva per igosa de se aut o-fir mar em at ravés da
espir it ualidade. Est ão t ent ando manipular respeit o espir it ual.
O que t emos é um show de car nalidade. Querem reco mpensar
o seu est ado de reprovação, t ent ando provar uma cond ição que
não possuem. S ão pessoas que não suport am a possibilidade
da reput ação ser arranhada. Paulo rechaça est a at it ude:

"Porque não é ap rovado quem a si mesmo se


louva, mas si m aquele a qu em o S enhor lou va. " (
II Co 10:18)

Disfarçar redunda numa prát ica abert a da hipocr isia e


orgulho, o que caut er iza a consciência. A pessoa acio na par a
si mesma uma queda repent ina de u m lugar t ant o mais alt o
quant o ela quis se posicio nar pelo orgulho. Escândalos são
concebidos por est e t ipo de co mport ament o.
A maneir a de encobr ir a reprovação é at ravés do
iso lament o. Isto pode acont ecer de for mas bem sinist ras.
A pessoa simp lesment e evit a a co munhão para que os
out ros não t enham conheciment o da sit uação da qual ela se
envergonha e t ant o t eme que seja desco bert a.
Est e é um caminho sut il para a apost asia. Toda a pessoa
que abando na a co munhão, est á evidenciando seu est ado de
reprovação.
De vez em quando enco nt ramos aqueles que
espir it ualiza m sua posição com Deus dizendo: Não sou de
igreja nenhuma! Não me submet o a ho mens, apenas a Deus!
Est as pessoas, na verdade, est ão profundament e doent es e
carregam um legado de reprovação! Ninguém pode ser de
Jesus e não ser do Corpo de Jesus!
Out ros, de for ma ainda mais sinist ra se afast am da
co munhão dizendo: Hoje não vou ao cult o para ver se o past or
sent e a minha falt a! Só que, ao invés de sent ir a falt a, o past or
sent e um suave alívio e nem percebe a ausência da pessoa! A
cena pode ir se repet indo, e em pouco t empo a pessoa est á
tot alment e iso lada, apagada, e finalment e apost at ada.
"Se andarmos na lu z, como ele na lu z está, temos
comunhão uns com os out ros, e o sangu e de Jesu s
seu Fi lho nos pu rifi ca de todo pecado. " ( I Jo
1:7)

Uma co munhão abençoada co m as pessoas é conseqüência


de andar mos na luz, co m sincer idade e t ransparência, e
t ambém est e é o requisit o básico para que nossos pecados
sejam r eso lvidos e pur ificados pelo sangue de Jesus.
Vanglór ia e iso lament o sent enciam um est ado de reprovação.

Capítulo 5

Respondendo as provas de Deus

Para concluir, gost ar ia de fazer uma sínt ese em relação a


t udo que trat amos at é aqui. A maneira como respo ndemos às
provas divinas det er mina o índice de desenvo lviment o da
personalidade, co mo t ambém a índo le emo cio nal e o carát er
agregado.
Mediant e as provas, exist em basicament e t rês opções que
podemos fazer, ou seja, t rês pr incíp ios que podemos ac io nar
de acordo com as nossas própr ias esco lhas : O pr incípio da
desaprovação, o princípio da reprovação ou o princíp io da
aprovação.
I. A DESAPROVAÇÃO

O princípio de colher o que semeia

"Não vos en ganei s; Deus não se dei xa escarn ecer;


pois tudo o que o homem semear i sso tamb ém
cei fará. Porqu e quem semeia na sua carne, d a
carne cei fará a corrupção; mas quem semeia n o
Espí rito, do Espí rito cei fará a vida eterna. " (G l
6:7, 8)

Est e pr imeiro pr incípio sint et iza a hist ória da vida de


Jacó: o enganador que fo i enganado. Desde o seu nasciment o,
quando Jacó segurou no calcanhar do seu ir mão, ele já
demo nst rava uma índo le difícil. Era um co mpet idor. Est ava
pront o a conseguir o que quer ia, ser abençoado, sem import ar
os meio s usados para ist o.
Usava meio s t ot alment e car nais e pecamino sos para
alcançar at é mesmo as bênçãos espir it uais que almejava. Jacó
é aque le t ipo de gent e "muit o espert a", que sempre t em que
levar vant agem em t udo e alcançar seus objet ivos não se
import ando em pisar nos que est ão no seu caminho. É quando
co locamos nossos int er esses acima do propósit o e do processo
divino.
Pr imeira ment e ele seduziu o ir mã o, levando-o,
verbalment e, a vender sua pr imogenit ura em t roca do sust ent o
cir cunst anc ial que t ant o precisava. Depois o enganou co m a
ajuda da mãe, roubando a bênção que lhe cabia co mo filho
pr imogênit o. Para ist o t ambém enganou o pai, que já est ava
cego, incorrendo numa sér ia t ransgressão:

"Maldito aquele que fi zer que o cego erre do


caminho. " (Dt 27:18).
Uma jogada após a out ra, e, pelo menos, aparent ement e,
conseguiu concr et izar seu objet ivo. Consegu indo t udo que
quer ia at ravés de uma condut a deso nest a e manipuladora, ele
cr iou sér io s problemas.
Jurado de mort e pelo ir mão ofendido, ele reso lveu ist o de
uma maneira simp les: fugindo. No seu caminho de fuga, Deus
o avisa: Jacó, você não pode ser abençoado do seu jeit o! Você
pode fugir de t odos, menos de mim:

"Eis que estou contigo, e t e guardarei por onde


quer que fores, e te farei tornar a esta terra; poi s
não te deixarei até que haja cump rido aquilo de
que te tenho falado. " (Gn 28:15)

Seu procediment o exibia uma grave dist orção de carát er.


Deus deixou claro que est ar ia no seu encalço, e que ele t er ia
que vo lt ar, mais cedo ou mais t arde, para reso lver a sit uação.
Tot alment e desaprovado, Deus o envia para a famo sa
"esco la do quebr ant ament o", nada meno s que vint e anos no
"Seminár io do Past or Labão". U ma sit uação duradoura
projet ada especialment e par a aqueles que se acham espert os
demais e acima dos pr inc ípio s que regem o mundo espir it ual.
A ignorânc ia moral de Jacó exigia um t rat ament o severo. Est e
seminár io é o t empo e o local onde Deus confro nt a nosso jeit o
oport unist a, golpist a, sagaz e manipulador de ser e agir.
Labão é um dos piores modelo s de liderança que a Bíblia
exibe. Um pai realment e per verso. Prat icou a fr ia crueldade de
t rair a própr ia filha na no it e de núpcias. Raquel esperou set e
anos para poder casar-se co m seu amado no ivo e na no it e de
núpcias sua ir mã ocupa seu lugar!
Sem nenhum escrúpulo, Labão explorou Jacó, usou e
abusou de suas filhas, lançando-as na mort al arena de um
casament o polígamo, sempr e em busca de int eresses
financeiros. Labão incorpora a expressão máxima de alguém
que quer co nseguir seus objet ivos a qualquer preço. Port ant o,
diant e de Labão, a ast úcia de Jacó nem co nt ava. Se Jacó
julgava- se um grande enganador, Labão era PHD na art e de
enganar!
Jacó enganou o seu ir mão e achou que s implesment e
poder ia fugir que t udo já est ar ia reso lvido. Deus desaprovou a
sua at it ude, e por prat icament e vint e anos, Jacó co lheu os
frut os daquilo que ele havia semeado. Um processo lent o e
duradouro de desaprovação. Por todo est e t empo ele pôde ver
a si mesmo at ravés de Labão, para, ent ão, finalment e,
sant ificar suas mot ivações e resgat ar sua ident idade.
A gr ande e fat al verdade é que Deus t em um Labão para
cada Jacó! Est a é a lei do espelho, E le sabe co mo fazer co m
que nos enxerguemo s. Nosso maior problema não é o Labão
que est á fora de nós, mas o que est á dent ro! Tudo que
precisamo s é de um "espelho"!
Deus fo i cavando no coração de Jacó at é ele ent ender que
precisava vo lt ar ao pont o de part ida e reso lver o conflit o
cr iado co m seu ir mão. Não import a quant o t empo t enha
passado, t eremos que vo lt ar no pont o onde fo mos
desaprovados por Deus e refazer a prova.
Jacó, depo is de enganar seu ir mão, deu uma vo lt a de
vint e lo ngos anos no desert o de Padã- Ar ã, e ent ão, precisou
aceit ar a correção divina, vo lt ar lá t rás, encarar o ir mão,
humilhar-se diant e dele, e pelo menos, da sua part e, rest aurar
o relacio nament o. Só ent ão, Jacó fo i aprovado. Sua ident idade
fo i rest aurada. Seu no me passou a ser o nome da nação gerada
por Deus: Israel, E le perpet uou a promessa da vinda do
Messias, e assim, per mit iu que a palavra de Deus se cumpr isse
em sua vida.
Tudo que plant amos vamo s co lher. Ninguém escapa de
co lher o que semeia! Se semeamos na carne, va mos ceifar a
corrupção como um at est ado de desaprovação. Se semea mos
no esp ír it o, vamo s ceifar vida e paz como um at est ado de
aprovação.
É necessár io enfr ent ar e reso lver t oda pendência. Não
podemos escapar das precisas leis que gover nam o mundo
espir it ual. Não import a quão bem co nsegu imos dis farçar
nossos erros, ou para quão lo nge conseguimo s fugir, est amos
algemados à desaprovação. E a me lhor opção é retornar no
pont o da derrot a, onde "perdemo s o machado", por mais
doloroso que ist o seja.

Cavando nos vales

Há muit o t empo at rás ouvi o Pr. José Rego do N. Júnior


(Zezinho), que considero espir it ualment e co mo um pai,
falando sobre "cavar nos vales". Ist o se encaixa muit o bem
aqui. Deus vai nos levar ao profundo do nosso coração onde
est á o ponto da cura. Aqui aprendemo s que t ambém se cr esce
para baixo, rest aurando e edificando os alicerces. Ist o pode
parecer u m pouco desanimador, porém é ext remament e
necessár io e benéfico.

"E a mão do Senhor estava sob re mi m ali, e ele


me di sse: Levanta-te, e sai ao vale, e ali falarei
contigo, " (Ez 3:22)

Nos lugares baixos da vida é onde vamo s ent ender a voz


de Deus. A voz de Deus co nfro nt a a alt ivez, a passividade, a
impur eza, a sequidão espir it ual, a est erilidade, desnudando
t udo que ficou em ocult o:
"A voz do Senhor queb ra os ced ros; ... Ele faz o
Líbano saltar como u m bezerro ... A voz d o
Senhor lan ça labaredas de fogo. A voz do Senho r
faz t remer o deserto; o Senhor faz tremer o
desert o de Cad es. A voz do Senhor faz as corças
dar à lu z, e desnuda as florestas .,." (Sl 29:5-9)

O vale é onde nossas t revas co meçam a ser confro nt adas.


Muit as vezes est amo s nos lugares alt os da vida, sent indo-nos
por cima, mas de repent e, Deus nos leva ao vale, Ali seremo s
t rat ados e t udo que est á em t revas será confront ado. No vale
não exist em subt er fúgio s. A única out ra opção panorâmica,
além do vale, é o lhar par a cima ( Fig. 03).

O vale significa aquelas sit uações onde a derrot a t ão be m


maquiada co meça a depr imir a vida. É quando o nosso pecado
nos acha e t odo sucesso que conseguimos at ravés da
sagacidade co meça a despencar sobre a nossa cabeça. Pedaço
a pedaço co meça a cair sobre nós mesmo s. Tudo que não
est ava so bre a rocha da Pa lavra de Deus começa a desmoronar.
As provas de Deus co meçam a queimar t udo que é palha!
No fundo do vale, co meçamos a nos enxergar. Só que,
quando pensamo s que já acabou, ent ão Deus nos fala: "agora
co mece a cavar nest e vale"... O processo é mais lo ngo que
imaginávamo s (Fig. 04).
Recla mamo s: S enhor! Aqui já est á muit o baixo, não
quero descer mais que ist o! Ent ão cavamos, e Deus co meça a
mo st rar o que est ava ent errado no nosso coração. Fort es
provas e sit uações cont rár ias vão desvendando ainda mais as
raízes das nossas fer idas. A revelação de Deus co meça a vir
sobre nossas vidas. Obvia ment e, so mos incapazes de ver o que
est á ent errado. Porém quant o mais Deus cava em nossas vidas,
mais enxergamo s!
Cavamos mais e chegamos na t ampa do bueiro da nossa
alma. Numa figura de linguagem, co meçam a aparecer t oda
sort e de co isas repugnant es: "bar at as", "lagart ixas",
"crocodilos", et c. Tudo "evangélico", é claro! Co meçamos a
nos ver co m os olhos de Deus. E nt endemo s a necessidade de
enfrent ar est as co isas que est avam a t ant o t empo em nós
mesmo s e para as quais est áva mos cegos.
Novament e Deus ordena: Cave ainda mais! E nt ão
t ent amos resist ir: Senhor! Ist o é muit a humilhação ! Ent ão
cavamo s e mais co isas vão surgindo. Provas e sit uações ainda
mais int ensas abalam nossas pro fundezas.
Deus co nt inua: cave ma is! Ainda não fo i o sufic ient e.
Quando pensamo s que não havia mais jeit o das co isas
piorarem, ent ão surpreendent ement e t udo piora. Parece at é
co incidência. Lembra-se das perdas de Jó? Nos sent imo s indo
em direção ao fundo do fundo.
Uma fort e convicção de pecado nos at inge. E nt ão
finalment e, nos abr imo s tot alment e para a humilhação e
consent imo s: Senhor, cavare i e descerei o quant o o Senhor
quiser ! Tudo que ficou mal reso lvido e dest ruído t orna-se
clarament e evident e. E nt endemos onde ele est á querendo nos
levar. Nos dispo mos a vo lt ar com o Espír it o Sant o em cada
uma dest as sit uações, enfrent ando cada t rauma, fazendo as
rest it uições necessár ias, revert endo toda condição em que
envergonhamo s a Deus ou que fo mos envergonhados.
Nest e mo ment o percebemos que lidamos co m a raiz da
dor, que expost a à luz do Dia se dissipa! Uma sensação só lida
de paz e descanso co meça inundar a alma.
Exper iment amo s uma t ransfor mação sobrenat ural no
profundo do coração!
De repent e, cont emplando o fundo daquele buraco no
vale, percebemos algo se mo vendo. São as águas de Deus, u m
poderoso flu ir do Espír it o Sant o que co meça a brot ar. A
int ensidade da fo nt e vai aument ando, e as águas passam a
encher e preencher o que havia sido cavado, nível a nível va i
subindo at é que, não só o buraco, mas t odo o vale t orna-se
num grande manancia l.
Aquele imenso buraco na alma, finalment e, após at ingir o
objet ivo de expor a ma is ínt ima raiz da fer ida, convert e-se
numa divina fo nt e de supr iment o. Uma infinidade de pessoas
passam a se aliment ar dest as águas que jorram de uma
personalidade sar ada. O vale é aplainado. As águas de Deus
nive lam os caminhos t ort uosos da alma. Cumpre-se a palavra
profét ica:

"... Voz do que clama no desert o: Prep arai o


caminho d o Senhor; endi reitai as suas veredas.
Todo vale se ench erá, e se abai xará todo monte e
outei ro; o que é tortuoso se endi rei tará, e os
caminhos escab rosos se ap lanarão; e toda a carne
verá a salvação de Deus. " (Lc 3:4-6)

"O Senhor t e guiará continuamente, e te faltará


até em lugares áridos, e forti ficará os teus ossos;
serás como um jardim regad o, e como u m
mananci al, cujas águas nunca falham. E os que de
ti procederem edi ficarão as ruínas ant igas; e tu
levantarás os fundamentos d e muitas gerações; e
serás ch amado reparador da brecha, e
restau rador de veredas p ara morar " (Is
58:11,12)
É quando a alma esburacada pela dor da derrot a se
t ransfor ma numa fo nt e divina, um manancial de o nde brot a o
r io de Deus para saciar os sedent os. Um dos grandes segredos
acerca das águas do aviva ment o é que elas vêm de baixo !
Est e fo i o legado de Jacó. Desaprovado por Deus, ele
desce ao vale da vida. Sem saber, ao fugir , Jacó desce ao vale.
Pr imeira ment e, cavou set e anos t rabalha ndo por Raquel, mas
não pode t ê- la. Cava mais set e anos pela mulher que ainda
amava. Depo is de quat orze anos, cont inua cavando, agora,
pelo salár io, que por mais de dez vezes fo i mudado por Labão.
Indo em direção ao fundo, Deus o leva finalment e ao Jaboque.
Ali ele est á dispost o a dar a vida pelo ir mão que
enganara. Se vulnerabiliza diant e de Deus. Est ava dispost o a
ret rat ar a sit uação co m o Esaú, ainda que ist o cust asse a
própria vida. S e dispõe a enfr ent ar o grande t rauma da sua
vida, onde t udo começara. Após cavar t anto, at inge o pont o da
t ransfor mação! Na raiz da fer ida reside t ambém o po nt o da
cura abso lut a.

II. A REPRO VAÇÃO

O princípio de andar em círculos

O grande proble ma de andar em círculos é que apesar de


todo esforço empreendido, você não sai do lugar em que se
encont ra. Se você est á num desert o, ist o significa uma
sit uação ainda mais desconfort ável.
Co mo vimos no exemp lo de Jacó, a desapr ovação alé m de
nos levar a co lher o que semeamo s, ela pode nos conduzir a
uma sit uação ainda pior e mort al: a reprovação crônica!

O ca minho do deserto

Um dos pr inc ipais o bjet ivos do desert o é quebrar o


condicio nament o impost o por ment alidades de escravidão. O
desert o é um caminho espir it ual, que invar iavelment e, est á na
rot a da t erra da promessa.
Depo is de 430 anos de escravidão no Egit o sendo
sober bament e t rat ados por Faraó, Israel t orna-se, finalment e,
um po vo livre. Est e t empo de deserto é a t ipo logia do
processo pós- libert ação. Muit os ignoram que é depo is de uma
grande libert ação que vem a part e ma is difícil. Depo is do
Egit o sempre vêm o desert o.
Por mais que a pessoa est á livr e, a personalidade
cont inua defor mada. É indispensável submet er-se a u m
processo de educação e reeducação da ment e ro mpendo o
condicio nament o impost o durant e todo o per íodo do cat iveiro,
mant endo o t errit ório conquist ado. É nest e pont o que a
maior ia fracassa!
Na verdade, t irar o povo do Egit o não foi o mais difíc il.
O desafio de Deus era co nst ruir no coração de Israel um
carát er de obediência vo lunt ár ia a ele. A vo lunt ar iedade é a
alma da liberdade. O ser viço, a renúncia, a submissão quando
não est ão condicio nados a uma reco mpensa det er mina m a
liber dade do coração.
Assim sendo, o desert o é o lugar espir it ual de deixar mo s
Deus mudar nossa ment alidade, quebrar os paradigma s
impost os por Sat anás, pelo pecado, pelas reje ições, pelo s
espír it os t err it oriais, et c. Quant o maior o t empo em que a
pessoa ficou condicio nada a ment alidades e co mport ament os
cont rár ios à verdade e à vo nt ade de Deus, mais r igoroso é o
definhament o espir it ual.

O princípio da fisioterapia: uma si mple s analogia

I magine alguém que ficou co m sua per na engessada por


t rês meses devido a uma fr at ura. Nat uralment e, cada mo ment o
dest e t empo de engessament o va i inibindo toda perspect iva de
liber dade e mo bilização. Vai- se acost umando e t omando a
for ma da sit uação at é que confor mamo s t ot alment e co m aquele
condicio nament o impost o pelo gesso.
Quando a pessoa t ira o gesso, a sensação é muit o
agradável. Ist o reflet e o poder de uma libert ação. Porém,
apesar da per na já est ar concert ada, a est rut ura óssea est á
enfraquecida, a musculat ura definhada e o poder de
mo viment ação ainda consideravelment e inibido.
Será necessár io uma fisiot erapia, um processo gradat ivo
de exercício s para recuperar os mo viment os e o cont role
mot or. Est e processo além de ser demorado, exige discip lina.
Aqui aprendemo s a paciência de ser um pacient e. A disciplina
é um dos mais import ant es pr incíp ios da cruz, o qual,
infeliz ment e, a maior ia dos crent es recusam.
É int eressant e, que mesmo depo is que a recuperação
fís ica já acont eceu, alguns ainda cont inuam mancando. Est ão
co m o gesso na ment e ou ainda co m a dura lembr ança do
t rauma so fr ido na fr at ura. Est e cacoet e da alma é sina l de uma
sever a seqüela que ainda deve ser eliminada.
É necessár io superar a sit uação est ando nova ment e
dispost o a correr riscos e se expor diant e dos novos desafios
da vida. A t endência de um osso quebrado é se t ornar ainda
mais fort e devido à calc ificação.

A restauração da alma

Quando pensa mos em t er mos de uma personalidade que


ficou engessada em t raumas, abusos, injust iças e
co mport ament os ou ment alidades pecamino sas, o processo
pode ser ainda mais est reit o de superar. É aqui que mu it os que
so freram libert ações t remendas na vida começam a fracassar,
e fracassar, e fracassar... at é perecerem no deserto.
E m cont rapart ida, ent ender est e t empo de desert o com u m
coração responsívo pode nos levar breve ment e à nossa herança
em Canaã, onde vamo s pisar nossos inimigos e desfr ut ar do
melhor de Deus.
Quando ent endemos a necessidade dest a "fis iot erapia na
alma", e co meça mos a exercit ar diligent ement e nossas
esco lhas na direção de const ruir um carát er de obediência e m
áreas que t ivemos um hist ór ico de derr ot a, revert emos est e
quadro mais rápida e facilment e que imaginávamo s.
Ponha-se no lugar de um daqueles israelit as que passou
sua vida int eira sendo t rat ado como escravo.
Cada part e da alma est ava engessada por todos aspect os
impost os pela injust a vida de escravidão. Eram humilhados,
sobrecarregados, abusados, forçados, e t udo ist o sem nenhu m
t ipo de incent ivo ou recompensa.
Não fazia m mais que a o br igação! O gr it o de rebelião er a
sempre sufo cado pelo chicot e dos exat ores e por impiedosas e
r ígidas punições!
Nest a plat afor ma de rejeição est á a raiz da rebelião, que
manifest a-se at ravés de uma insat isfação calada e falada. A
perspect iva do líder co mo um exat or, que impunha o
cumpr iment o per feccio nist a do t rabalho na pont a do chicot e,
defor ma o conceit o de lei e aut oridade. Liderança passa a ser
sinô nimo de ameaça e injust iça.
Est e fo i o grande drama que Mo isés t eve que enfr ent ar ao
liderar t odo aquele povo. Amargur a e mur muração jorram da
visão defor mada do pr inc ípio de aut oridade.
É import ant e mencio nar que os mesmo s 40 anos que Deus
precisou par a t ransfor mar Mo isés no deserto, no "Seminár io
do Pr. Jet ro", ele t ambém demorou para t ransfor mar o povo de
Israel. A t ransfor mação do povo est á dir et ament e vinculada à
t ransfor mação do líder !
O maior desafio não fo i t ir ar o povo da escravidão do
Egit o, mas t irar o Egit o e a escr avidão do povo. Deus precisou
de dez milagres para t irar o povo de Israel do Egit o e de vint e
milagres no desert o, o dobro, para t irar o Egit o do povo de
Israel.
Cont inuavam ser vindo a Deus co m a ment alidade que
ser viam a Far aó. A ment e havia sido fort ement e t at uada com
um refer encia l de liderança escravagist a impost o por Faraó.
Subst it uir est e conceit o de liderança egípcio pelo conceit o da
pat ernidade divina cust ou quarent a anos de desert o. Na
verdade, apenas a out ra geração começou a assimilar ist o.

Andando e m círculo no deserto:

A mortal reprovação crônica

Quando Deus t irou o povo do cat iveiro do Egit o e da


rot ina da escravidão, o caminho a ser t omado fo i o desert o.
Muit as provas e milagres acont eceram. Ao mesmo t empo em
que Deus mo st rava sua disciplina at ravés de provas, ele
t ambém revelava sua graça at ravés de milagres jamais vist os.
Porém, apesar de t odo cuidado de Deus co m o povo, por
diversas vezes eles foram desaprovados e reprovados. Você
pode confer ir ist o est udando o livro de Números. Mesmo
assim prosseguia m em direção à t erra promet ida.
Vem, ent ão, um t est e final, quando precisaram sondar a
t erra de Canaã. Foram esco lhidos doze ho mens, que eram
pr íncipes e líderes de cada uma das t r ibos de Israel. Diant e
das cidades fort ificadas e da belicosidade dos cananeus, dez
daqueles espias vo lt am co m o coração tot alment e desfalecido
e vencido pela incredu lidade. Foram co nquist ados
int er ior ment e pelo medo dos moradores da t erra a ser
conquist ada.
Ao enfrent ar a prova mais import ant e de suas vidas, ele s
fracassara m. Cont aminaram o povo com a report agem que
deram, derret endo o coração de todos. Imediat ament e, a ordem
divina fo i ret ornar ao desert o, onde o insucesso espir it ual
co meçara.
"Quanto a vós, porém, vi rar-vos, e parti para o
desert o, pelo caminho do Mar Vermelho. " (Dt
1:40)

Não t inha m ainda aprend ido o suficient e. O carát er ainda


não est ava suficient ement e fir me para suport ar est a nova et apa
da vida que envo lver ia conquist as bem maiores na t erra de
Canaã.
Se não podiam vencer seus própr ios medos e desejo s,
co mo ir ia m derrot ar cidades fort ificadas e exércit os ferozes ?
Se ainda est avam lut ando com a própr ia carne, co mo poderia m
derrubar as host es espir it uais da maldade e os poderes dest e
mundo t enebroso ?
Precisaram vo lt ar lá at rás, naqueles pont os, onde vinha m
sendo derrot ados, vez após vez. Deus, ent ão, os levou para
onde o problema co meçou: o desert o, que eles t ant o não
quer iam.
Toda aquela geração, excet o Josué e Calebe, t iver am um
"fim t rágico". E les andaram em cír culo , de reprovação em
reprovação, at é morrerem. Est a é a cont undent e lei do desert o:
Ou você sai aprovado, ou você não sai !
O desert o é o cemit ér io dos que não ent ram na t erra
promet ida. Se consult ar mos um mapa sobre a jor nada do povo
de Israe l no desert o, veremo s que eles fiz eram exat ament e um
cír culo que t angenciou o Mar Ver melho e a Terra Pro met ida.
Ficaram no desert o at é que toda aquela geração fo i dest ruída!
Est a t em sido a rot ina na vida de mu it os crent es.
Ora avist am a t erra pro met ida, e se animam. Ora est ão
beir ando o Egit o! Nunca passam nas provas do desert o.
Acaba m fracassando nest e conflit o que Paulo assim descreve:
"Pois não faço o bem que quero, mas o mal que
não quero, esse p rati co ... Miserável homem qu e
sou ! Quem me livrará do corpo desta morte ?"
(Rm 7:19,24)

Espero que Deus possa cont ar co m você nest a geração e


não t enha que esperar a próxima!

III. A APROVAÇÃO

O princípio da submissão ao trata ment o de Deus

Apro vação é mais que vencer as provações, é vencer as


desaprovações e reprovações, o que normalment e é ma is
difícil. Precisamos t er minar bem, cumpr ir o t empo de Deus,
deixando co m que a correção divina cumpra em nós t odos os
seus desígnio s.
A dinâ mica da vont ade de Deus requer a mot ivação cert a,
o lugar cert o, o t empo cert o, através do s pr inc ípio s cert os e
debaixo da liderança cert a. Resu mindo, sob muit os det alhes e
cir cunst ânc ias, é necessár io t omar uma decisão afinada co m o
coração de Deus.

A aprovação de Jacó:

Princípios de tomada de decisão

1. I mpelido pela palavr a de Deus: Aprovado no seminár io


de Labão.
Quando nos encont ramos num t empo e local de
t rat ament o divino, nunca devemo s forçar uma saída rápida e
fácil buscando co m ist o at ender a nossa co modidade. Na
verdade, ist o ser ia uma for ma de fuga, que apenas nos
enquadr a no rol dos reprovados. Diant e das provas, o
imediat ismo é sempre uma fort e t ent ação.
Para lidar co m sit uações de reprovação t emos que
aprender a co nviver co m alguns incô modos t emporár ios. É
necessár io descart ar todo t ipo de subt er fúgio o nde
espir it ualiza mos nossas barreiras, usando at é mesmo, a
palavra e o no me de Deus em vão, o que cert ament e só
acarret a piores conseqüências so bre as nossas vidas. É vit al
que a palavra de Deus venha genuinament e, confir mando e
assinalando clar ament e a mudança a ser feit a:

"Disse o Senhor então, a Jacó: Volta para a t erra


de teus pais e para a tua parentela; e eu serei
contigo. " (Gn 31:3)

Jacó saiu de Padã- Arã impelido pela Palavra de Deus.


E le esperou vint e anos sendo opr imido pelo seu sogro.
Apesar dos quat orze anos sem salár io e depo is, por mais seis
anos, so frer vár io s go lpes que t raziam desvant agens
financeiras, Jacó tornou-se mais r ico que Labão. Est ava acima
de Labão, acima do dinheiro, acima das r ejeições e injust iças!
Era, agora, um ho mem livr e, que apr endeu a respeit ar e
perdoar as pessoas. Um ho mem amadur ecido e aprovado na
esco la do quebr ant ament o! Com um coração cert o, t endo o
selo da grat idão em sua vida, mesmo t endo passado por t udo
aquilo, est ava pront o a cont inuar co m Labão!
Jacó não est ava chat eado ou ressent ido com Labão, muit o
pelo co nt rár io, na verdade, era Labão e seus filhos que
est avam cont rar iados co m Jacó:

"Jacó, ent retanto, ouviu as palavras dos fi lhos de


Labão, que di ziam: Jacó tem levado t udo o que
era de nosso pai, e do que era de nosso pai
adquiriu ele todas estas riquezas. " (Gn 31:1)

Quando Labão não t e inco moda mais, significa que a hora


de Deus para a mudança se aproxima! E st a é a evidência que o
Labão que exist ia dent ro de nós fo i arrancado e vencemos a
et apa do deserto.

2. Aut orizado pelas aut or idades em quest ão

A bênção de Maanaim: A prova de suje it ar-se à liderança


de um líder injust o.
Apesar de Deus falar clar ament e para Jacó retornar para a
t erra de seus pa is, ele não t eve coragem de co municar sua
part ida. Não acredit ou que a palavr a de Deus ser ia poderosa
para quebrar qualquer relut ância da part e de Labão.
Realment e, Labão já se sent ia o dono de Jacó. Era um
líder do minador e injust o. Manipulo u Jacó todo aquele t empo
usando as própr ias filhas e depo is o fez oferecendo salár io, o
que não deixou de ser uma for ma de co mprá- lo.
Aparent ement e, t udo indicava que Labão ir ia imped ir de
alguma for ma que Jacó "saísse do seu minist ér io ", onde fazia
o t rabalho mais pesado. Acredit o que todo ho mem de Deus
precisa passar pelo cr ivo dest a prova: a prova de submet er-se
à liderança de um líder injust o.
Davi passou pela mesma sit uação, sendo durament e
perseguido por Saul, dur ant e aproximadament e doze anos, um
rei enciu mado que t ent ou mat á- lo por vár ias vezes e de
diversas for mas.
Você já t eve um líder assim? Que t e persegue, que não
gost a quando o seu minist ér io despont a, que t ent a impedir seu
cresc iment o, que abert ament e usa sua vida par a obt er
vant agens pessoais, que quer co nt rolar t udo, que se sent e no
direit o de viver a sua vida e age co mo se fo sse o seu dono,
usando irresponsavelment e de ameaças e at é mesmo palavras
de maldição, que est á obcecado no que você pode cont r ibuir
para os seus int eresses pessoais e não int eressado na vont ade
de Deus se cumpr ir na sua vida?
Se você já passou ou est á passando por uma sit uação
co mo est a, provavelment e, est á no caminho cert o! Digo
provavelment e, porque você est á enfr ent ando uma das pro vas
mais import ant es da sua vida. Ist o pode fazer a diferença ent re
você ser um Davi ou um Saul na sua lider ança, um Jacó ou um
Labão com seus liderados.
Jacó acaba fazendo uma decisão incorret a, e apesar de t er
a palavr a de Deus, ma is uma vez, ele fo ge. Sorrat eirament e,
ele ajunt ou suas esposas, filho s, rebanhos, bens e fo i- se
embora sem que ninguém pudesse perceber.
Depo is de t rês dias, Labão sent e sua ausência e se
enfur ece ao descobr ir que Jacó o abandonara. Decidiu, ent ão,
persegui- lo co mo alguém que vai à cat a de algo que lhe
pert ence. Havia uma t err íve l decisão no coração de Labão de
mat ar Jacó. Se Jacó não ficasse co m ele, t ambém não ficar ia
co m ninguém!
Porém, no caminho da sua imp iedosa per seguição a Jacó,
que viajava lent ament e devido ao grande rebanho que
conduzia, Deus se manifest a a Labão e o repreende durament e:
"... Guarda-te, que não fales a Jacó nem bem n em
mal. " (Gn 31:29)

Labão alcança Jacó e depo is de reso lverem a sit uação,


eles fazem um pact o de sal:

"Respond eu-lh e Labão: Estas fi lhas são minh as


fi lhas, e estes fi lhos são meus fi lh os, e est e
rebanho é meu rebanho, e tudo o que vês é meu; e
que farei hoje a estas minhas fi lh as, ou aos fi lhos
que elas tiveram ? Agora pois vem, e façamos u m
pacto, eu e tu; e si rva ele de testemu nha ent re
mi m e ti. Então tomou Jacó u ma ped ra, e a erigi u
como coluna ... Disse, poi s, Labão: Este montão é
hoje testemunha ent re mi m e ti. Por i sso foi
chamad o Galeed e. " (Gn 31:43 -45, 48)

Jacó est ava apr endendo de uma vez por todas uma co isa
fundament al para ser aprovado: "nunca fugir ".
Na verdade, o próprio Labão reconhecia que o Senhor o
abençoara por causa de Jacó:

"... pois tenho percebido que o Senhor me


abençoou por amor de ti. " (Gn 30:27)

Depo is dist o, legit imament e liberado por Labão,


cont inuando sua jor nada, Jacó chega num lugar chamado
Maanaim, onde t em uma exper iência t remenda co m Deus.
Percebeu que est ava amparado pelo acampament o de anjo s.
Deus est ava confir mando, que agora, as co isas est avam
novament e em segurança:
"Jacó também seguiu o seu caminho; e
encont raram-no os anjos de Deus. " (Gn 32:1)

A B íblia nos confront a dizendo que devemo s submet er e


prest ar cont as não apenas diant e dos líderes bo ns e just os,
co mo t ambém dos maus e injust os. Sempre quando passamo s
nest a est reit a prova, vamo s est ar amparados
sobrenat uralment e pelo s anjo s de Deus.
Porém, quando precipit a mos e agimo s sem o t emor do
Senhor, acabamo s perdendo o rumo. Nos sent imo s o fendidos e
ofendemo s. Ao invés de encont rar os anjo s de Deus, so mos
achados por legiõ es de demô nio s. Dest a for ma podemo s
abort ar t udo que Deus já vinha fazendo até aquele po nt o.
É int eressant e not ar como Deus não per mit iu que Jacó
co met esse o mesmo erro que havia co met ido co m Esaú. Jacó
saiu fugido de Labão, mas não conseguiu ir muit o longe. Só
depo is de t er feit o um pact o com seu sogro, é que ele
realment e est ava liber ado por Deus.

3. Coragem para obedecer: vo lt ando no pont o do t rauma

"Disseram- lhe os di scípu los: Rabi, ainda agora os


judeus p rocu ravam aped rejar-te, e torn as para lá
? Jesu s respond eu: Não há doze horas n o dia ? Se
algu ém andar de dia, não t ropeça, porq ue vê a lu z
deste mundo. " (Jo 11:8-9)

Muit as vezes será necessár io vo lt ar em lugares onde


alguém, lit eralment e, t ent ou nos dest ruir. Lógico, que é
necessár io fazer ist o, sempre, em virt ude de um
discer niment o, que só a palavr a revelada de Deus pode nos
dar.
Jesus nunca fugia de nada. E le sabia enfrent ar t odas est as
sit uações a meaçadoras, co nfro nt ando t oda int imidação
demo níaca. Podia discer nir quando o mundo espir it ual est ava
abert o ou fechado, mo vendo-se na vo nt ade do Pai.

"Lemb ra-te, pois, donde caí ste, e arrepende-te, e


prati ca as p ri mei ras ob ras; e senão, brevement e
vi rei a ti, e removerei do seu lugar o teu
candeei ro, se não te arrependeres. " (Ap 2:5)

Depo is de t ant o t empo, Deus est ava lembrando Jacó do


seu problema co m o ir mão, quando havia sido jurado de
mort e. Est e t errível impasse, que o levar a a abandonar a casa
dos pais ainda era um espinho na sua consciência. Precisava
vo lt ar naque le pont o.
Vint e anos sem falar co m o ir mão não é uma co isa
simples de se reso lver. A Bíblia, sabia ment e, explica que : "O
irmão of endido é mai s dif ícil de conquistar do que uma cidade
f orte. " (Pv 18:19)
A inimizade t em sido um dos ma iores at aques de S at anás
cont ra a igreja e pr incipalment e co nt ra os past ores. Exist e um
alt o percent ual de past ores que não se falam, mesmo mor ando
na mesma cidade.
Devido a desavenças e defraudações não reso lvidas,
líderes passam a sust ent ar uma inimizade no coração que é
encobert a sut ilment e, mas por baixo dest a casca a fer ida est á
viva.
Est e t ipo de sit uação muit as vezes perdur a por anos e at é
por gerações, const ruindo as mais t erríveis barreiras
deno minacio nais, sust ent ando um clima maligno de divisão e
cr ít icas que subt rai a aut oridade t err it orial e corporat iva da
igreja. Mais cedo ou mais t arde, t erá que acont ecer uma
reconciliação, ou est as pessoas serão vít imas da le i do
desert o.

Aprovado no Vale de Jaboque

Jacó se posic io nou diant e do t erríve l medo e


const rangiment o que barrou seu relacio nament o com Esaú.
Ent endeu que aquela t err ível prevenção espir it ual era o
maior inimigo. Mesmo correndo r isco de vida, po is recebeu a
not ícia que seu ir mão vinha cont ra ele aco mpanhado de
quat rocent os homens, ele decid iu vo lt ar no pont o da derrot a!
Decidiu que nunca mais ser ia um fugit ivo . Est ava pront o
a ret rat ar aquela sit uação que t ant o ofendera seu ir mão.
Depo is de enviar a lguns present es par a Esaú, at ravés dos
familiares, que for am na fr ent e, divididos em do is grupos, ele
desceu sozinho ao Vale de Jaboque. Est es são aqueles
mo ment os que não adiant a pedir oração para ninguém, é
apenas você e Deus:

"Jacó, porém, fi cou só; e lutava com ele u m


homem até o romper do dia. " (Gn 32:24)

Nest e vale, depo is de t ant o cavar, é que ele encont rar ia o


pont o das águas, o fluir t ransfor mador de Deus.
Não só Jacó ser ia t ransfor mado, mas ali t ambém est ava a
chave da t ransfor mação do coração de Esaú.
Jacó co meçou a lut ar com o anjo do Senhor. Mas, na
realidade, o inimigo a ser vencido est ava dent ro dele mesmo.
Precisava morrer de uma vez por t odas para a sua ident idade
de enganador.
Ali, na verdade, fo i o calvár io de Jacó, onde fo i
fat alment e fer ido na sua car nalidade. A espada de Deus
aleijou de uma vez por t odas suas t endências car nais e as
mot ivações corrompidas. As fer idas de Deus sempre são
cirúrgicas. De fat o, ali, a alma de Jacó so freu uma pro funda
cirurgia, um t ransplant e de ident idade.
Fo i dest a for ma que ele viu Deus face a face. Você ainda
quer um encont ro face a face co m Deus?
Mesmo Jacó est ando fer ido e sem forças, aquele anjo co m
quem lut ara est ranhament e explica que ele lut ou e fo i o
vencedor da lut a. Mas, co mo ele poder ia t er vencido, se est ava
vis ivelment e at ingido pe la espada do anjo e pro fundament e
fer ido pelo bist ur i divino ? Aqui ent endemo s que só vencemo s
quando so mos t ot alment e vencidos pelo Espír it o Sant o. É
nest e paradoxo que reside o pont o da t ransfor mação! Fo i nest e
inst ant e, que finalment e, ele deixou de ser Jacó, e passou a ser
Israel:

"Não te chamarás mai s Jacó, mas Israel; porqu e


tens lutado com Deu s e com os homens e ten s
prevalecido. " (Gn 32:28)

S incerament e, espero que você possa t erminar est a


leit ura, t ot alment e derrot ado pela cruz e vencido pelo E spír it o
Sant o. Enquant o for mos "inimigos da cruz" nossa índo le
cont inuar á nos pr ivando da nossa genuína ident idade em Deus.
Não é difíc il concluir que a raiz dos pro blemas que ma is
at orment aram Jacó não est ava em Esaú e muit o menos e m
Labão, porém, nele mesmo. I nvar iavelment e, enfrent amo s
muit as resist ências que são merament e um efeit o co lat eral de
um est ado pessoal de reprovação.
O problema não são as pessoas ou as cir cunst âncias que
ins ist em e m serem desfavoráveis. Co meçamos a orar para que
est as pessoas possa m mudar o seu posicio nament o. Oramos
por milagres que alt erem a ordem nat ural das cir cunst âncias
que nos afligem.
Muit os est ão lut ando em oração dizendo: Senhor, Não
agüent o mais o meu mar ido ..., não suporto mais as cobranças
da minha esposa ..., nem a rebelião do meu filho ..., aquele
jeit o do meu past or me inco moda ..., não at uro mais a avareza
do meu pat rão ..., a imat ur idade do meu líder de célula ...
Muda eles Senhor!
Porém, o que pr imeir ament e precisa ser mudado, é a
nossa oração: "Deus, que eu seja o milagre e não as pessoas!
Que eu seja o milagre e não as cir cunst âncias ! Muda a mim !"
De repent e, ist o começa a surt ir um poderoso efeit o.
Dest e quebr ant ament o int er ior, um fort e mo ver do
Espír it o Sant o começa a jorrar. Nossa religiosidade é ro mpida.
Um ambient e de paz e revelação nos envo lve.
Quando a nossa índo le é t ransfor mada, as pessoas muda m
e as circunst âncias se t ransfor ma m ao nosso redor.
Deus t ransfor mou a Jacó quando ele resolveu não mais
fugir de Esaú, nem de Labão, nem da mort e. S implesment e
abraçou a cruz, e, fina lment e, fo i aprovado por Deus. E le
alcançou um lugar de paz e vit ór ia em t odos os seus
relacio nament os. Jacó, de enganador, passou a ser cha mado de
Israel, Pr íncipe de Deus.
Quando a índo le de Jacó fo i t ransfor ma da, a at it ude de
Esaú mudou:

"Então Esaú correu- lhe ao encont ro, abraçou-o,


lan çou-se- lh e ao pescoço, e o beijou; e eles
choraram. " (Gn 33:4)
Ant es de Esaú ser t ransfor mado, Jacó precisou ser
t ransfor mado. Nós precisamo s ser o mila gre, e não os out ros,
ou as circunst âncias. Quando so mos transfor mados pela
aprovação divina, est a vit ór ia per meia co m um poder
t ransfor mador e so brenat ural as pessoas e circunst âncias ao
nosso redor.
Est a é a mat emát ica de Deus, uma equação simples,
porém poderosa:

PROVADOS + APROVADOS = TRANSFORMADOS!

FIM