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Aires José Rover

Marisa Carvalho
(Organizadores)

O SUJEITO DO CONHECIMENTO NA SOCIEDADE


EM REDE

Textos produzidos a partir da disciplina Complexidade,


conhecimento e sociedade em rede oferecida no
programa de pós-graduação em Engenharia e Gestão
do Conhecimento entre os anos de 2008 e 2009

Ano 2010
© Aires José Rover
© Marisa Araújo Carvalho

Ficha Catalográfica

S944 O sujeito do conhecimento na sociedade em rede/


Aires José Rover, Marisa Araújo Carvalho (organizadores)
Florianópolis: Fundação José Arthur Boiteux, 2010. 374 p.

Textos produzidos a partir da disciplina Complexidade,


Conhecimento
e Sociedade em Rede oferecida no programa de pós-
graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento em
2007 e 2008

Inclui bibliografia
ISBN: 978-85-7840-033-0

1. Teoria do conhecimento. 2. Complexidade (Filosofia). 3.


Epistemologia.
4. Redes de informação. 5. Sociedade da informação.
I. Rover, Aires José.
II. Carvalho, Marisa Araújo.

CDU:
165
__________________________________________________________________
Catalogação na publicação por: Onélia Silva Guimarães CRB-
14/071

Editora: Fundação José Arthur Boiteux

Conselho Editorial: Luiz Carlos Cancellier de Olivo


João dos Passos Martins Neto
Eduardo de Avelar Lamy
Horácio Wanderlei Rodrigues
Miriam Reibnitz

Secretária Executiva: Thálita Cardoso de Moura

Projeto Gráfico Editorial: Letícia Eiterer

Impressão: Postmix Soluções Gráficas Ltda


(048) 3234-3999 – www.postmix.ind.br

Endereço: UFSC – CCJ - 2º andar – Sala 216


Campus Universitário – Trindade
Caixa Postal: 6510 – CEP: 88036-970 Florianópolis – SC

Sumário

Apresentação 6

Sujeito do conhecimento

Constituição biológica do sujeito: como conhecemos nossa


realidade / Ronnie Fagundes de Brito 11

Os princípios da complexidade na solução de conflitos / Regina Celi


Bonissoni 33

Imagem e linguagem: o sujeito na sociedade em rede / Joni Fusinato


45

Os impactos das novas tecnologias na construção do ser humano e na


sua busca pela felicidade / Aírton José Ruschel; Diana Zerbini de
Carvalho Martins; Eby Simone Busnardo; Érica Lourenço de Lima
Ferreira 59

A identificação do sujeito virtual no livro “Uma história do espaço:


de Dante à Internet”, de Margaret Wertheim / Juvenal Bolzan Júnior
89

Conhecimento

Conhecimento e complexidade: uma visão integradora / Maurício


Uriona Maldonado; Nelcimar Ribeiro Modro; Carlos Maciel; Paulo
Renato Ernandorena; Regina Haleva 115

Sociedade em rede e conhecimento científico: uma crítica ao método


da complexidade de Edgar Morin / José Renato Gaziero Cella
127

A evolução do conhecimento científico na perspecitva da


complexidade / Alessandra Galdo 174

Conhecimento e sua gestão organizacional na sociedade


complexa / Rogério Lopes Missahia Marodim 190

O conhecimento nas organizações como um sistema adaptativo


complexo / Flávio Ceci 208

Sociedade em Rede

As tecnologias da informação e comunicação na sociedade em


rede / Hélio Santiago Ramos Júnior; Aírton José Ruschel; Almir dos
Santos Albuquerque; Aujor Tadeu 222

A burocracia weberiana presente na sociedade criativa em


rede / Ana Paula Preto Démarche; Cleuza Bittencourt Ribas
Fornasier 263

Organizações caórdicas: uma evolução das redes sociais na


perspectiva científica da teoria da
complexidade / Leopoldo Silva Xavier 295

Alianças estratégicas: arranjos cooperativos na sociedade em


rede / Wilson Roberto Vieira 309
Apresentação

Os artigos organizados neste livro têm como base a Teoria da


Complexidade, passando por autores como Maturana e Morin, objeto da
disciplina Complexidade, Conhecimento e Sociedade em Rede, do
programa de pós-graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento-
EGC/UFSC.
A visão sistêmica vem emergindo nas últimas décadas, de forma
aberta e pluralista, a partir dos mananciais de tradições milenares da
humanidade e das descobertas contemporâneas em diversas áreas do
conhecimento. A Teoria da Complexidade é hologramática, ou seja,
mostrando-nos que não é através de um único parâmetro que se tem a
dimensão da realidade. É uma nova maneira de entender a Ciência, unindo
o singular com o todo.
Complexidade é a qualidade do que é complexo que por sua vez
significa o que abrange muitos elementos ou várias partes. Trata-se da
congregação de elementos que são membros e partícipes do todo, e, suas
ações integradas e dependentes assumem outra forma de expressão e novas
faces.
O pensamento complexo surge como uma possibilidade de
compreender as dinâmicas humanas e organizacionais, procurando
demonstrar que os sistemas humanos são, de fato, os tipos de sistemas de
que trata a Teoria da Complexidade.
O pensamento complexo tem como objetivo dar conta das
articulações entre domínios disciplinares que são quebrados pelo
pensamento disjuntivo; este isola o que ele separa e oculta tudo que o liga,
interage e interfere. Com este propósito os artigos estão organizados para
compor o livro em três partes não distintas e sim interligadas.
A primeira parte trata do sujeito do conhecimento.
O homem enquanto sujeito que conhece é um ser vivo, portanto
complexo e sistêmico. A experiência básica como ser humano que conhece
é de se ver separado do seu objeto de conhecimento. Nesse sentido, acessa
a realidade do mundo como se houvesse uma realidade objetiva exterior a
ele.
A epistemologia complexa insere o sujeito no contexto da
construção das realidades, como também na produção científica. Ela
incorpora seriamente a subjetividade, como uma dimensão que torna as
organizações menos objetivas e simples do que poderia parecer.
Porém, quanto mais autêntica e consciente a visão de mundo do
sujeito, mais essa realidade se torna objetiva (objetividade entre parêntesis),
isto é, a relação com o mundo não pressupõe que este existe
independentemente do observador. O sujeito observador possui uma
estrutura e organização que determinam o seu viver. A sua história
ontogenética é o conjunto de suas mudanças estruturais, sua adaptação ao
meio, mantida a sua organização que lhe dá identidade.
Dessa dinâmica autopoiética surge uma biologia que no ser
humano se caracteriza como biologia do conhecer e do amar. Todo ato de
conhecer faz surgir um mundo, pois ele não decorre do simples ato fazer, é
um conhecer e todo conhecer é um fazer. Por outro lado, todo ser humano
é ontogeneticamente social, se realiza dentro de um contexto cultural e a
linguagem surge para permitir essa interação entre indivíduos de um grupo.
A segunda parte do livro trata do conhecimento.
A compreensão do conhecimento na sociedade atual aceita o
sistema como complexo, porque avança para uma visão de mundo ampla e
sistêmica, pois o modelo cartesiano baseado em representações mentais de
uma realidade objetiva e separada do observador não consegue mais dar
conta dos fatos da vida. Este pensamento preconiza que o sucesso das
organizações depende da busca da estabilidade e do controle sobre os
meios e os fins.
A ciência mecanicista com sua intenção de conhecer o que é
desconhecido, tem visão restrita em sua própria intenção. Não conhece o
próprio processo de conhecer. Não admite o incognoscível, o intuitivo. Seu
avanço hegemônico na sociedade moderna, com seu objetivismo gerou o
materialismo.
O reducionismo e o determinismo dominaram por muito tempo os
pensadores de várias teorias, que vêem na redução de qualquer fenômeno a
suas partes e na identificação de leis universais que governam aquelas
partes eram tidos como rota única para especificar a natureza do fenômeno
e assim predizê-lo e controlá-lo.

A complexidade sempre existiu, se ampliando continuamente,


basta observar na Natureza. Ela é o sentido da evolução da vida. O
processo de conhecer é algo intrínseco a todos os seres vivos, pois é o
sentir, o pensar e o fazer que constrói o conhecimento, num processo
incessante e interativo de coordenações de comportamentos adaptativos.
Todo o conhecimento é um processo de comunicação e linguagem, que são
coordenação de coordenações. Enfim, todo conhecimento é dinâmico,
portanto se amplia a cada a cada movimento.
À medida que certos aspectos da Complexidade são entendidos,
outros se manifestam através do imprevisto, do incerto. A complexidade
lida com sistemas compostos por muitos agentes interativos e que embora
possam ser de difícil previsão, podem ter uma estrutura e permitir o
desenvolvimento através de intervenção ponderada. Portanto, valorizam-se
todas as tendências integrativas e auto-afirmativas porque estão presentes
em todos os sistemas vivos, mas a ênfase numa delas, em detrimento da
outra, gera o desequilíbrio. Enfatiza-se a contribuir no resgate da visão de
totalidade para a construção do conhecimento.
A terceira parte trata da sociedade em rede.
A sociedade humana é complexa, portanto possui a forma de
rede, cada vez mais mediada pela tecnologia da informação e comunicação.
Sua evolução, à semelhança da filogenia como um fenômeno seqüencial
reprodutivo dos sistemas vivos em que necessariamente depende da
conservação e adaptação de sua organização, dá-se passo a passo
conservando uma estabilidade transgeracional de comportamentos
ontogeneticamente adquiridas na dinâmica comunicativa. Entende-se por
comunicação, não apenas uma transmissão de informações, mas uma
coordenação mútua de comportamentos entre sistemas vivos. Já o
comportamento comunicativo aprendido e linguístico é típico dos seres
humanos.
A Teoria da Complexidade promove conceitos que ampliam a
forma de ver, atuar e responsabilizar do ser humano e as organizações na
construção de relações e estruturas integrativas, saudáveis e sustentáveis.
Redes sociais são auto-geradoras de um contexto comum de significados,
portanto estabelecem o processo de comunicação como redes vivas, onde
cada comunicação gera pensamentos e significados que originam novas
comunicações gerando redes colaborativas.
As tecnologias influem no desenvolvimento do pensamento e da
inteligência, que resultam de redes complexas em que todos os elementos
interagem, transformando o meio cultural no qual as representações se
propagam. As tecnologias são caracterizadas por atributos como
interatividade, mobilidade, convertibilidade, interconectividade,
globalização e velocidade que se apresentam por meio de redes.
A rede permite a comunicação de muitos para muitos sendo que
as atividades sociais, econômicas, políticas e culturais estão sendo
estruturadas por ela. A forma da sociedade em rede organizacional se
caracteriza pela interação, pela transformação das bases materiais da vida,
do espaço e tempo, bem como pela cultura. Redes de transmissão que
conectam o mundo todo promovem novas formas de socialização e cultura,
sendo esta cumulativa no sentido de interação, persistência e
transformação.
Há dimensões sociais que influenciam as pressões que a
sociedade humana exerce sobre a Natureza. Estas pressões podem ser
alteradas por meio da vontade inteligente. Nesse sentido, o fluir histórico
da sociedade humana se dá através da cultura que se estabelece, como uma
rede fechada de conversações que todos compartilham através do
emocionar. Mudando as emoções, mudam a cultura da rede de
conhecimentos.
Por fim, os artigos aqui organizados neste livro é resultado de um
esforço coletivo para compreensão da formação complexa do sujeito, do
conhecimento e da sociedade em rede. Tornando-se este sujeito, que
conhece a sociedade transformada por extensão em rede, nesse processo
um agente a serviço do bem-estar da humanidade que exige conexões,
parcerias e inter-relações, no sentido de ultrapassar a fragmentação e a
divisão em todas as áreas do conhecimento, para surgir como resultado de
uma visão sistêmica.

Florianópolis, maio de 2010.


Aires José Rover e Marisa Carvalho.