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O CANTO DE LIBERDADE

Autora: Fátima Carvalho

(Esquete teatral sobre meio ambiente, com tema voltado para conscientização da
preservação da fauna brasileira, enfatizando o sofrimento e a irresponsabilidade com os
animais aprisionados e comercializados, neste caso, as aves. Trabalho elaborado para ser
apresentado as crianças e adolescentes das Unidades de Ensino Privado e Público, sendo
estes Estaduais e Municipais)

Personagens:
Arara Vermelha: Fátima Carvalho
Caçador Afonso: Toni Figueredo

(O som do canto de Arara toca enquanto surge o personagem a procura de comida, entra
como se estivesse sobrevoado sobre a plateia)
Arara: Quantos humanos bonitos, eles são tão diferentes... Exóticos... Vou observa-los
mais de perto... São engraçados, não possuem penugem, seu colorido é diferenciado do
nosso, as aves... Mesmo assim são bonitos... Pena que não podem voar... São presos neste
corpo sem asas... Coitados... Será que conseguirei alguma comidinha gostosa por aqui?
Hum.... Vou observar tudo direitinho... eu amado está cansado, ele é o responsável por nos
alimentar, mas quero fazer esta surpresa para ele... Vou levar café no ninho... Ele deve
gostar... Gostar não... Ele vai amarrrrr.... (Toda serelepe)
(A Arara Vermelha observa todo o local, voando e cantarolando entre a plateia, até que se
afasta da cena enquanto entra o caçador)
(O caçador Afonso entra em cena com uma cesta de frutas na mão e na outra visgo e
folhagem secas para fazer uma armadilha para pegar os pássaros)
Afonso: Tenho que encontrar o lugar perfeito para colocar minha armadilha... Hehehehe...
Pegarei desta vez a ave mais bela do mundo... Percebo que o local aqui está cheio... Bom
dia gente! Vocês acham que passam aves bonitas por aqui? Tipo Tucanos, sabiás, canários
e araras?
(Aguarda resposta da plateia, caso não obtenha colher individualmente com algum
aluno(a))

Cia Teatral Fátima Carvalho


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fatimavalverdecarvalho@yahoo.com.br
Afonso: Então quer dizer que vocês avistaram uma linda ave por aqui? E qual a cor dela?
(Aguarda a resposta)
Afonso: Vermelha? Meu Deus! Será que fui abençoado desta vez? Que enfim capturarei
uma das aves mais belas existentes no nosso planeta? A Arara Vermelha? Bem, eu acredito
em vocês, afinal a voz do povo é a voz de Deus! E já que vocês estão dizendo... Quem sou
eu para duvidar... Bem... Mas onde colocarei minha armadilha? Hum!?
(Procura um local bem visível a toda a plateia e arruma a cesta de frutas e a armadilha
com cola e folhagem...)
Afonso: Perfeito! Irei me esconder e ficar a observar... Tenho certeza que estou nos meus
dias de sorte... Irei pegar a mais bela das aves hoje...
(Se esconde no meio da plateia e fica a observar)
(Enquanto isso a Arara Vermelha aparece cantarolando... Brincando com a plateia...)

A todo mundo eu dou psiu


Perguntando por meu bem
Tendo o coração vazio
Vivo assim a dar psiu
Sabiá, vem cá também

Tu que andas pelo mundo, arará


Tu que tanto já voou, arará
Tu que cantas passarinho, arará
Alivia a minha dor

Tem pena d'eu


Arara
Diz por favor
Arará

Arara: Hum... estou com tanta fome... será que irei encontrar sementes por aqui? Vira
para a plateia e fala) Vocês sabem onde tem comidinhas? Hum... Acho que eles não me
entendem... Fazem uma zoada estranha... (Faz barulho de arara) Haaaaaaa... Haaaaaa...
(sai sobrevoando com as asas abertas) Olha! Vejo frutinhas ali...
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(Afonso o caçador no seu esconderijo, observa a arara e fica eufórico... Começa a filma-la e
fotografá-la)
Afonso: Meu Santo Antônio querido! O senhor realmente ouviu as minhas preces... Olhem
que Arara mais linda! Todos ficarão com inveja de mim... Vou coloca-la numa gaiola muito
linda, para ela ficar cantando para mim todas as manhãs... Como ela é magnífica! Irei
alimenta-la com as melhores frutas e sementes existentes... Não deixarei faltar nada para
minha mais nova filhinha...
(A Arara se aproximando da fruteira pisa na armadilha de cola e começa a comer, sem
perceber que está presa)
Arara: Amo frutas... Hum... Banana... Maçã... Nem sei por onde começar... Acho que
comerei esta aqui... Ai que delícia... Tem algum humano que realmente gosta de mim!
Afonso: Vejam, peguei! Peguei! Natal chegou mais cedo para mim este ano!
Arara: (tentando sai do lugar, mesmo sem consegui, mas ainda sem perceber que estás
presa) Que humano estranho! Por que será que ele está cantando tão alto assim? Sua
fêmea deve ter lhe dado muitas crias... Deve ser esta a felicidade dele! Ho coitado, deve
estar vindo pegar estas frutinhas para alimentar sua esposa e seus filhotes! Deve ser isso!
(Afonso começa a observar a ave e fica emocionado, e continua tirando selfs do seu celular,
não tendo a mínima noção do quão mal estas fazendo a esta pequena ave)
Afonso: Vejam meus amigos! Olha que exemplar mais belo! Minhas selfs estão
belíssimas... Percebam o quanto a mesma estás tão feliz por estares indo para seu novo
lar...
(A Arara enfim percebe que está presa. Ainda sem desespero, começa a tentar se soltar...)
Arara: Oxi! O que é isso? Estou presa! O que está acontecendo? Socorro! Socorro! Haaaaa!
Haaaaa! O que esse humano maluco está fazendo que não vem me ajudar aqui... Estou
presa... Ei... psiuuuu...
Afonso: (Para a plateia) Vejam como ela está feliz! Ela já me reconhece como seu pai...
Olha que coisa mais linda! Um verdadeiro espetáculo da natureza! Alguém tira uma foto
minha capturando ela por favor!
(Afonso vai até a ave e começa a segura-la e a mesma começa a se debater, e acaba se
machucando)
Arara: Por que você não me tira daqui? Estou presa você não estás vendo? Haaaaa....
Haaaaa.... Haaaaa....

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Afonso: (fazendo pose ao lado da Arara) Pronto! Por favor pode tirar esta foto?... (aguarda
a foto ser tirada, pede para observar, confere, tira outra caso faça necessidade e chama
uma ou duas crianças para tirar foto com ele) Alguém quer tirar uma foto comigo? Sou um
felizardo mesmo!
(Enquanto as fotos começam a ser tiradas em silencio, a Arara começa a se desesperar)
Arara: SOCORRO!!! Será que você não percebe que estou presa? SOCORRO! Haaaaa....
Afonso: (Pegando o celular...) Gente, muito obrigado por compartilhar deste momento tão
importante para mim... (olhando para a Arara) Vejam como ela canta bonito!... Uma
verdadeira afinação... Isso é uma meditação pra renovação de minha alma...
Arara: SOCORRO! Haaaaa.... SOCORRO! Haaaaa.... SOCORRO! Haaaaa.... SOCORRO!
Haaaaa.... Onde será que o Zé Honório, meu marido está? Deve estar dando seu passeio
matinal pelo Rio da Dona... SOCORRO! Haaaaa.... Estou presaaaa... Alguém me tira daqui...
Vocês são todos cegos que não percebem que estou presa? (Irritadíssima)
Afonso: Mas ela é tão bonitinha! Há! Já sei! Vou gravar esse canto maravilhoso... (Coloca o
celular no modo de gravação) Canta lindinha do papai... a partir de hoje estaremos
juntinhos, para sempre... ou até eu enjoar de você... e te vender! Bem, vender, já não sei...
Meus amigos já foram presos por causa disso... E eu não quero ser preso... Dizem que criar
também pode ser preso, mas quem vai ver? Ninguém vai ver minha nova filhinha lá em
casa, só meus amigos... Hehehehehe... Vamos gravar o som dela aqui... (Gravando)
Arara: SOCORRO! Haaaaa.... SOCORRO! Haaaaa.... SOCORRO! Haaaaa.... SOCORRO!
Haaaaa....
Afonso: (Reproduzindo o som para todos ouvirem...) (Estará gravado o som de Araras)
Arara: Engraçado... ele reproduziu meu grito... Será que agora ele me entendeu? (Fica feliz!)
Afonso: (Pegando na Arara) Venha minha lindinha... Venha com seu papai aqui...
Arara: (Se debatendo) Você está me machucando, não percebes?
Afonso: Mas como ela dança bonitinho! Deve estar dançando para mim... Vou dançar com
ela também... (começa a imitar a Arara)
Arara: Santa Mãe Natureza!! Quem vai me ajudar? Já estou ficado cansada... Esse humano
não tem pena de mim... Socorrroooo... Isso me incomoda muito... Estou tão cansada, com
fome e sede... E meus filhotinhos, como devem estar? Eu disse que iria buscar comidinha
para eles... Devem estar morrendo de fome...

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Afonso: Gente eu estava vendo aqui o meu smartphone, e vi que existe um aplicativo que
consegue traduzir todos os sons produzidos pelos animais... Vejam que maravilha... Estou
aguardando a instalação....
Arara: Estou tão cansada, tão cansada, que acho que vou ter um treco...
Afonso: Vejam como minha bebezinha está dormindo...Como é fabulosa... Todos ficarão
com inveja de mim... Pronto... Instalado... Vamos conversar com. Deixa eu ver um nome
para ela... Hum... Ha já sei... Ângela!! Gostaram? Vou chama-la de Ângela... Ângela minha
linda... Acorde! (Mexendo na Arara para ver se ela se meche, e a mesma não da reação
nenhuma, encontra-se quase que desfalecida)
Arara: (acordando) Tou tão cansada.... Tão preocupada com meu filhinhos... Socorrooo...
Afonso: (Observando o celular) Hum... O aplicativo já baixou, deixa eu ver como funciona...
Arara: (levantando-se bem fraca) Eu tenho que resistir... Minha família depende de mim...
Socorro! Alguém me ajude... Me ajudem a sair daqui....
Afonso: Pronto, funcionando, vamos ver o que nossa Ângela tanto canta, para nos
encanar... (mexendo no celular aponta para Arara) Pronto... Vamos ouvir agora... Melhor
vou deixar ligado para poder me comunicar com ela e ela também me ouvir... Coloca o
celular próximo a Arara e...
Arara: Socorro! Não vê que estou presa! fica me observando e não faz nada para me
ajudar a sair daqui... Socorro... Socorro...
Afonso: Ué? Ela está pedindo socorro?
Arara: Claro que estou, você queria que eu falasse o que? Me machuca mais que estou
gostando? Não sou masoquista não... Gosto de carinho e liberdade...
Afonso: Meu Santo Antônio! Funciona mesmo! E você me ouviu!
Arara: Sim, estou e ouvindo e você ainda não me tirou daqui... Estou cansada, com fome e
ainda tenho que voltar para ver meus filhotes e meu marido, pois sai para fazer uma
surpresa para ele e agora esse troço aqui me prendeu...
Afonso: Mas eu nunca imaginei que você estivesse sofrendo assim.
Arara: Sou livre, gosto de voar, ganhar o céu em liberdade... Contemplar a vida e nossa
maravilhosa Mãe Natureza... E algum ser colocou esse troço aqui, e agora não consigo
sair... Socorro...
Afonso: Mas minha filhinha, eu fiz isso para seu bem...

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Arara: Filhinha? Desde quando você é meu pai? Não tenho vinculo nenhum contigo a não
ser o de fazermos parte do mesmo sistema... Afinal somos todos filhos da grande Mãe... A
mãe Natureza...
Afonso: Não fique triste! Eu vou te levar para casa e te colocar num gigantesco viveiro,
cheio de comidas gostosas para você desfrutar, muitas pessoas vão te observar e te
admirar...
Arara: Viveiro? O que é isso? Não posso ir para lugar nenhum não, tenho meus filhos para
cuidar...
Afonso: Viveiro é uma espécie de gaiola gigantesca...
Arara: Gaiola? Prisão? Você está doido humano? Quem em sua sã consciência vai gostar
de trocar a sua liberdade para viver nua prisão?
Afonso: Mas você será muito bem cuidada... E assim eu vou te ver todos os dias...
Arara: Bem cuidada, estando presa? Como é isso mesmo? Olha aqui seu...
Afonso: Afonso, pode me chamar de Afonso...
Arara: Olha aqui seu Afonso... Vivo livre com minha família... Meu marido sempre sai para
buscar comida para mim e meus filhos, apenas hoje que resolvi fazer uma surpresa a ele e
o senhor foi quem fez esta surpresa para mim... Haaaaa....
Afonso: Então quer dizer que realmente estou e machucando? E que você tem uma família
para cuidar?
Arara: Claro que você está me machucando...
Afonso: Poxa dona Arara, me perdoe... Não sabia que você sentia tanta dor assim. Muito
menos de suas responsabilidades... Eu fico até envergonhado com tudo isso... Mas eu te
acho tão bela, e seu cantar é maravilhoso!
Arara: Obrigada, mas para me observar não precisa me prender... É só ver os locais por
onde passeio que verás um novo e belo espetáculo a cada dia!
Afonso: Estou envergonhado mesmo! Perdão... Você tem razão...Me coloquei em seu
lugar e percebo que nunca seria feliz vivendo numa mansão, mesmo que fosse toda de
vidro com espelhos e sempre com belas e fartas comidas porém não pudesse sair dali para
lugar nenhum... Eu seria o ser vivo mais triste do mundo... E ainda privado de ver minha
família... Seria muito triste...
Arara: Fico feliz que você tenha compreendido... Mas será que agora podemos parar desse
lero, lero e você poderia me ajudar a sair daqui...

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Afonso: Mas claro que sim... (Começa a desprendê-la da armadilha, ela grita muito)
Arara: Haaaaa.... Cuidado... Você vai acabar estragando minha beleza...
Afonso: Calma, não vou mais te machucar... Pronto veja... Consegui te soltar...
Arara: (como se estivesse voando ao redor de Afonso) Enfim... Livre, livre, livre...
Afonso: Meu Deus, como nós seres humanos erramos e somos egoístas ao capturarmos
quaisquer espécie de animal para o nosso bel prazer, esquecemos que tão quanto a gente,
essas criaturas são seres vivos, livres... Na sua maioria com família e suas
responsabilidades...
Arara: Fico muito feliz em ouvir essas palavras vindas do senhor seu Afonso... Mas não se
preocupe... Nós animais temos muita gratidão pelos que cuidam e zelam por nós,
aparecerei sempre com minha família para te visitar... O senhor sabe o que acontece com
meus irmãos que foram presos por humanos?
Afonso: Não Dona Arara, não faço ideia... Por favor, conte-nos...
Arara: Muitos passaram tanto tempo presos, que ficaram tristes demais e morreram...
Outros conseguiram fugir, mas desaprenderam a caçar seus alimentos ficando frágeis e se
tornando presas fáceis para predadores naturais... Imagine... Se eu fico presa e morro, já
não existem muitos de minha espécie... Já estou quase em extinção... Como você se
sentiria sendo responsável por isso?
Afonso: Péssimo... Sinto muito envergonhado... Enquanto a senhora fala eu resolvi ver no
meu celular sobre as leis de proteção aos animais e veja o que encontrei:
(Lendo para todos)
"A Lei de Crimes Ambientais (Lei n° 9.605) criada em fevereiro de 1998, considera os animais,
seus ninhos, abrigos e criadouros naturais, propriedade do Estado, sendo, portanto a compra, a
venda, a criação ou qualquer outro negócio envolvendo animais silvestres crime inafiançável.
Segundo essa lei, se o ato criminal atinge espécies ameaçadas de extinção, a pena é aumentada
em 50%. Se além de constante na lista oficial nacional de ameaçada de extinção, a espécie
constar ainda na lista da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora
Selvagem em Perigo de Extinção, a multa por espécime apreendido pode de R$ 500 alcançar R$
3 mil ou mesmo R$ 5 mil (Decreto Federal n° 3.179/99).
A aquisição e a posse ilegais de animais silvestres são, portanto, consideradas crimes
ambientais, estando o infrator sujeito a multas e penalizações. O ideal é que a sociedade tenha
uma mudança de comportamento em relação às aves e a toda a fauna silvestre, preferindo que
vivam livres, em seus ambientes originais, e denunciando a comercialização ilegal."

Cia Teatral Fátima Carvalho


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Afonso: Dona Arara, depois de ler isso tudo e de ouvi-la, pergunto: o que posso fazer para
contribuir para que outras pessoas não façam como eu, e como meus amigos que
chegaram a comercializar animais, só pensando em usar dessas vidas para ganharem mais
e mais dinheiro, diga-se de passagem totalmente ilegal como acabamos de ver, sem se
preocuparem com os danos que estão causando a todo sistema natural e
consequentemente, causado mal a si mesmos...
Arara: Hum, deixa eu pensar... Haaa... Já sei... Vamos sensibilizar as pessoas, a começar
pelas crianças e adolescentes do quão ruim para os animais e para a própria natureza
cometer esses erros... danos... sei lá qual a palavra mais adequada... Vamos conversar que
que as pessoas comecem a entender e a denunciar quem faz estas atitudes com nossa
fauna, com nossos animais... Temos que cuidar da natureza para que ela cuide da gente...
Afonso: Cada minuto a mais contigo Dona Arara adquiro mais conhecimento... Vamos
cuidar sim da natureza para que ela cuide de todos nós, seres vivos... Adorei sua ideia, e
vamos começar nossa campanha a partir de agora... Hum... Mas como chamaremos esta
campanha?
Arara: Não sei... Liberdade... Que tal?
Afonso: Bom, gostei... Mas precisa ter mais haver contigo...
Arara: Comigo? Que honra!
Afonso: Graças a sua beleza e ao seu canto cheguei até a você, e graças a você que
compreendi, que todos temos nossos direitos de vivermos em liberdade, em nosso habitat
natural... Então eu proponho que nossa campanha se chame... Um Canto de Liberdade...
Arara: Gostei... Mas vou melhora lá... Não seria um canto... Pois um canto qualquer... Mas
que tal, O CANTO DE LIBERDADE... Todos juntos falando a mesma língua, cantando o
mesmo canto... O CANTO DE LIBERDADE... é o canto infinito, como uma corrente do bem...
Cada um aprende e passa adiante o mesmo canto, a mesma sensibilidade de respeitarmos
nosso próximo, mesmo que este seja um animal de outra espécie... Ou até um vegetal...
Pois absolutamente tudo que vive na natureza tem vida, dá vida e nos faz viver...
Afonso: Estou literalmente apaixonado por ti... Seu marido é um felizardo Dona Arara...
Dona Arara, aproveitando o ensejo de estarmos dialogando e nos compreendendo...
Conte-nos um pouco sobre sua espécie...
Arara: Com muito prazer... (tossindo como se fosse dar uma palestra) Todos me conhecem
como Arara Vermelha, pôr da minha penugem vermelha lindaaaa... Além das outras cores
que trago, mas o vermelho domina... (Rindo) Mas meu nome cientifico é Ara
Chloropteros... A maior parte de meus parentes vivem na Floresta Amazônica, mas tenho
parentes no Rio, Paraná, do Panamá ao Paraguai e Argentina... Eu vim para a Bahia de
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férias, mas gostei de Santo Antônio e resolvi ficar por aqui... Mas eu acredito ser
inexistente a presença de qualquer parente meus por aqui...
Afonso: A senhora foi pega pelo visgo da jaca...
Arara: (olhando para ele irritada) Então foi visgo de jaca que o senhor usou?
Afonso: Não Dona Arara, vamos esquecer este detalhe, não está mais aqui quem falou,
continue por favor a falar da vossa espécie, pois todos nós queremos conhecer um pouco
mais sobre ti...
Arara: Bem, continuando... Nos alimentamos de frutas, insetos, sementes, folhas, animais
invertebrados e curiosamente gostamos de comer terra barro... Isso é para as frutinhas
verdes que comemos não fazerem mal nenhum a gente... Deixa eu ver... Hum... Ha...
Somos monogâmicos, temos um único parceiro e este é para a vida toda... Chegamos a
pesar 1,5 kg e somos considerados grandes pois podemos chegar ha 95cm de
comprimento. Estamos sendo considerados um espécime em extinção... vocês homens
não entendem o que estão fazendo, desmatam as matas e destroem nosso habitat natural
além de nos persegui, nos vende, acabamos morrendo... Separam as fêmeas dos machos...
Vocês procuram mais os machos para caçar, por causa que seu canto é mais forte, bonito
sei lá e suas cores são mais intensas... E com isso, minha espécie está sendo destruída, está
se acabando... Triste... Ha me deu saudades de meu marido... Por falar em meu marido,
vamos logo começar nossa campanha, pois tenho uma linda família para acalentar...
(Os personagens pegam as frutas e se dirigem para a plateia)
Afonso: Gente vocês entenderam a mensagem? Alguém gostaria de dizer a importância de
não prendermos os animais? (A cada pergunta quem responde ganha uma fruta)

Sugestões de perguntas a serem feitas pelos personagens:


1. Quais os malefícios que podem acontecer aos animais silvestres que vivem presos em
cativeiros?
2. Como o desmatamento irresponsável pode prejudicar as aves?
3. O que vocês aprenderam sobre as araras vermelhas?
4. O que devemos fazer ao saber que existe alguém que está maltratando, vendendo,
matando ou mantendo em cativeiros alguma espécie de ave?
5. O texto fala de um campanha: O CANTO DA LIBERDADE, como você explica essa
campanha?

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Termina cantando: "Passarinho cantou de dentro de uma gaiola, cantaria melhor... Se
fosse do lado de fora..."

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