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Concorrência e colisão de direitos fundamentais

1. Dê o significado de concorrência e colisão de direitos fundamentais.

Tem-se a concorrência de direitos fundamentais quando o titular de um


direito engloba o exercício de vários direitos fundamentais conexos entre si,de
forma acumulativa como por exemplo, a liberdade de expressão e
comunicação (CF,art.5º,IX) está ligada com a garantia institucional da
comunicação social (CF,art.220). A colisão de direitos fundamentais pode ser
concebida em sentido estrito e em sentido amplo; a primeira ocorre quando o
exercício de um direito fundamental colide com o exercício de outro direito
fundamental, e a segunda, ocorre quando o exercício de um direito
fundamental colide com a necessidade de preservação de bens coletivos
protegidos constitucionalmente.

2. O que significa colisão de direitos fundamentais em sentido estrito?

A colisão de direitos fundamentais em sentido estrito ocorre quando o


exercício de um direito fundamental colide com o exercício de outro direito
fundamental. Em outros termos: quando o exercício de um direito fundamental
por seu titular traz repercussões negativas sobre direitos fundamentais de um
outro titular. Por exemplo, o exercício da liberdade de expressão e
comunicação (CF, art. 5º,IX) pode entrar em colisão com os direitos
personalíssimos (CF, art.5º,X).

3. Qual o significado de colisão de direitos fundamentais em sentido


amplo?

A colisão de direitos fundamentais em sentido amplo ocorre quando o


exercício de um direito fundamental contrapõe-se a interesses da comunidade,
bens coletivos assegurados pelas normas constitucionais. Por exemplo, o bem
jurídico patrimônio cultural (CF, art. 216, parágrafo 1º), pode colidir com o
direito de propriedade (CF,art.5°,XXII).

4. Aponte a hipótese de resolução de colisão de direitos fundamentais


pelo legislador.

Nessa situação, o texto constitucional remete à lei infraconstitucional a


possibilidade de restringir direitos fundamentais, respeitando os requisitos do
núcleo essencial dos direitos envolvidos e a regra da proporcionalidade. Por
exemplo, a colisão entre o direito fundamental à greve, sujeito à reserva de lei,
e às necessidades inadiáveis da coletividade, é ponderada pelo legislador ao
definir os serviços essenciais(CF,art.9º, parágrafo 1º).
5. Explique a resolução de colisão de direitos fundamentais pelo
magistrado.

Essa constitui uma das tarefas centrais da hermenêutica constitucional


contemporânea. O primeiro passo é reconhecer que os direitos fundamentais
são outorgados por normas jurídicas que possuem o caráter de princípios. No
entanto cabe destacar que os princípios possuem uma dimensão do peso,
ausente nas regras, isso ocorre principalmente quando princípios entram em
colisão entre si, nesse caso o conflito será solucionado levando-se em conta o
peso de cada princípio, escolhendo-se qual deles deve prevalecer. Contudo, o
princípio preterido na colisão não deve ser considerado inválido, somente
ocorreu que, naquele determinado caso concreto, o outro princípio teve que
prevalecer, podendo ocorrer o inverso em outras situações. Já no caso de
conflito entre regras, apenas uma delas poderá ser válida, cabe ao intérprete
identificar qual a válida.
Os mesmos parâmetros usados para resolver a colisão de princípios
poderão ser utilizados na colisão de direitos fundamentais, podendo ser
destacados os princípios da unidade da Constituição, da concordância prática e
da proporcionalidade. O princípio da unidade da Constituição exige que se
conceba esta como um todo, um sistema de regras e princípios e não como
normas isoladas, todas as normas constitucionais devem ser consideradas com
igual dignidade. O princípio da concordância prática prevê que os direitos e
valores fundamentais devem ser harmonizados, utilizando-se o juízo de
ponderação para que sejam concretizados e preservados ao máximo os
direitos e bens constitucionalmente protegidos, evitando o sacrifício total de uns
em relação aos outros. Por fim, com relação ao princípio da proporcionalidade,
pode-se dizer que este é o princípio da concordância prática no caso concreto,
neste examina-se a adequação dos meios, a necessidade do meio empregado
e se este meio é o mais vantajoso para resguardar os direitos constitucionais
colidentes.

6. Explique qual o significado de se ter a Constituição como norma


obrigatória e explique se há influência dessa realidade para o
intérprete do direito.

A Constituição como norma obrigatória significa que as normas


constitucionais devem ser interpretadas e aplicadas como leis, independente
de serem princípios ou regras, são obrigatórias para seus destinatários,
estatais ou privados. Essa realidade influi diretamente na atividade do
intérprete do direito, pois este, deve conceber a Constituição como verdadeira
norma jurídica, como um sistema de regras onde estas tem caráter obrigatório.
Sendo assim todas as normas devem ser interpretadas conforme a
Constituição.
ESCOLA SUPERIOR DA MAGISTRATURA DO PIAUÍ – ESMEPI
ESPECIALIZAÇÃO EM DIREITO PRIVADO
HERMENÊUTICA E DEONTOLOGIA JURÍDICA
PROF. ADEILDA COELHO DE RESENDE

CONCORRÊNCIA E COLISÃO DE DIREITOS


FUNDAMENTAIS

PATRÍCIA MOREIRA
RENILDES SOUSA
SUÊNYA MOURÃO

TERESINA, 18 DE AGOSTO DE 2010


ESCOLA SUPERIOR DA MAGISTRATURA DO PIAUÍ – ESMEPI
ESPECIALIZAÇÃO EM DIREITO PRIVADO
HERMENÊUTICA E DEONTOLOGIA JURÍDICA
PROF. ADEILDA COELHO DE RESENDE

CONCORRÊNCIA E COLISÃO DE DIREITOS


FUNDAMENTAIS

ELANE FERREIRA
PATRÍCIA MOREIRA
RENILDES SOUSA
SUÊNYA MOURÃO

TERESINA, 18 DE AGOSTO DE 2010