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A Formação de Grupos na adolescência


Categoria : Adolescência e Modernidade
Publicado por Anônimo em 26/2/07

Por: Vanessa Amarilha Portão


Psicologa Clinica

Uma massa pode possuir um grau elevado de ética dos indivíduos que o compõem ou ser apenas
um grupo excessivamente emocional, impulsivo, violento, apresentando apenas as emoções rudes e
os sentimentos menos refinados. Em sua formação a individualidade do sujeito é recalcada em prol
de uma psicologia de grupo. É comum observarmos um indivíduo num grupo fazendo ou aprovando
coisas que teria evitado no seu cotidiano, vemos que o sujeito perde seu poder de crítica e deixa se
deslizar para a mesma emoção. Através do contágio os membros do grupo realizam os mesmos
movimentos, é notável a intensificação da emoção, ditos que repetem e vão dominando, impondo
como significante mestre.

Para que essa massa se constitua, é fundamental que haja certo grau de continuidade de existência
do grupo, os indivíduos pertencentes a ela precisam estar em busca de um mesmo ideal, ou seja, o
grupo deve possuir uma essência que justifique sua formação, tradição, costumes e hábitos tais que
determinem a relação de seus membros uns com os outros e uma estrutura definida, que
especifique a função de cada membro.

A identificação, conhecida na psicanálise como a mais remota expressão de um laço afetivo com
outra pessoa, também pode ser encontrada nos membros de uma massa. Segundo Freud a
identificação simbólica se faz por três vias: identificação histérica, ao pai ou por um traço. Cada
sujeito de um grupo se identifica com aquilo que lhe é semelhante, seja pelo líder ou pelo ideal,
sendo assim, as identificações serão diferenciadas em cada indivíduo.
Hoje, há vários movimentos de grupos formados por adolescentes, uns duradouros outros não, que
vão do baile funk as comunidades do orkut.
Em 2006, houve uma turnê no Brasil de um grupo de atores-cantores mexicanos, conhecidos como
Rebelde (RBD), que enlouqueceu os adolescentes, uma febre nacional. Em todo lugar se ouvia
músicas do grupo, apresentações de couvers, adolescentes vestidos a caráter, etc. Nos shows
realizados pelo grupo, observamos, aquilo que mencionamos sobre o contágio, os adolescentes
vibravam, gritavam e choravam, todos a uma só voz o nome dos ídolos. O que levou esses
adolescentes a se identificarem com este grupo? O que mais chama atenção nesse movimento, é o
que eles são capazes de vivenciar para chegar o mais perto possível desse ideal. Numa tarde de
autógrafo, no Estado de São Paulo, em fevereiro de 2006, quarenta e duas pessoas ficaram feridas
e três morreram após tumulto ocorrido no evento, realizado pelo grupo Rebelde. Não era uma
massa organizada, com costumes, tradições e atribuições específicas, mas ali estavam todos, com
seus sonhos e ideais. Assim como a identificação pelo grupo Rebelde, vemos vários adolescentes
apaixonados pelo programa “Malhação”, que passa no canal da Rede Globo.

Quando criança, o sujeito busca identificar-se aos pais idealizados na infância, porém na fase da
adolescência ocorre a perda dos pais infantis, o adolescente passa a perceber que assim como ele,
seus pais não são perfeitos como imaginava. Essa é uma fase de escolhas, marcada por conflitos,

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mudanças corporais, lutos infantis. Muitos grupos de adolescentes se constituem por esse ponto em
comum, outros apenas por diversão, a ‘balada’, como eles costumam dizer, os amigos se
encontram, se divertem, falam sobre o sucesso do momento. Enfim, inúmeros são os exemplos que
podemos encontrar na atualidade.
Diante disso, supomos que a formação de grupo na fase da adolescência acontece pela busca do
sujeito em encontrar uma segunda identificação, uma identificação em que a causa é a relação com
o outro semelhante, com o outro da mesma geração.

Bibliografia

ALBERTI, Sonia. Esse sujeito Adolescente. RJ: Jorge Zahar Editor, 2004.
FREUD, Sigmund.(1921) Psicologia de grupo e analise do ego. In. Edição Standard Brasileira das
Obras Completas de Sigmund Freud. RJ: Imago Vol. XVIII.

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