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A extrema covardia: A constrangedora conjectura do assédio sexual no ambiente de

trabalho

Emerson Benedito Ferreira1

Resumo: Em oito de março de 1857 na cidade de Nova York, 129 tecelãs pararam o seu
trabalho em protesto por melhores salários, igualdade de direitos e redução de jornada. Mas
este movimento terminaria em uma inesquecível tragédia. Desacostumada com motins
trabalhistas, a polícia local cercou o prédio e ateou fogo. Resultado: todas foram queimadas.
De lá para cá, as mulheres conseguiram alguns direitos fundamentais, mas ainda são
constantemente inferiorizadas. Este trabalho busca sucintamente demonstrar a luta das
mulheres pelos seus direitos, e com o agravante de enfrentarem, além do preconceito, as
investiduras sexuais de patrões que usam de posições hierárquicas privilegiadas para 1
satisfazerem seus sórdidos desejos.

Palavras chave: Direitos das mulheres, assédio sexual.

Por trás do assédio existe sempre a necessidade de abusar de alguém, mostrar que se tem
mais poder, que se tem o controle. Não se trata de uma brincadeira mais pesada, nem de
um galanteio. Também não é um flerte. Trata-se de um comportamento abusivo,
humilhante, extremamente danoso para a pessoa que o suporta (COSTA, 1997, p.85).

Sumário: 1 - Algumas Considerações Históricas sobre o Direito das mulheres; 2 -


Conceito de assédio sexual e consequências Psicológicas do Delito; 3 - Assédio Sexual e o
Direito; 4 - O Assédio nos Tribunais; 5 - Considerações Finais; Referências

1 Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais (Direito) pela Universidade de Ribeirão Preto - (UNAERP - 1999) e Licenciado
em História pelo Centro Universitário Claretiano (2017). Especialista em Direito Educacional (2009), Filosofia da Educação
(2011) e MBA em Gestão Estratégica de Pessoas pela Faculdade de Educação São Luis de Jaboticabal (FESL); Mestre e
Doutorando em Educação pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar na linha de pesquisa Educação, Cultura e
Subjetividade; Desenvolve investigações vinculadas à linha de pesquisa Diferenças: relações étnico-raciais, de gênero e etária
e participa do grupo de estudos sobre a criança, a infância e a educação infantil: políticas e práticas da diferença vinculado à
UFSCar. Atua principalmente nas seguintes áreas: Estatuto da Criança e Adolescente, Estudos sobre a Infância e a criança,
Sociologia da Infância, do Desastre e da Diferença. Tem interesse nos estudos sobre a história da infância e da criança, da
família, criminalidade infantil, relações étnico-raciais, abolicionismo penal (tendência estrutural historicista de Michel
Foucault), patologia forense, história da criminologia infantil, etc...
1 - Algumas Considerações Históricas sobre o Direito das Mulheres

Com base em Calil (2000), podemos dizer que os direitos das mulheres no Brasil tem
início com a obra “Direito das mulheres e Injustiça dos Homens”, de Nísia Floresta
Brasileira Augusta[i] publicada em 1832.
Figura admirada por muitos intelectuais[ii], Nísia se destacou em um Brasil que
mesclava características de Colônia e Império. Neste prenúncio de país, as mulheres eram
apenas sombra dos homens. Sem condições de protestar por seus direitos por sua condição
análoga à mera servidora do Senhor Colonial, estas mulheres não possuíam direito a voto e a
alfabetização. Quando de posses, segundo preleciona Costa (1979), a ela era reservada todas
as tarefas domésticas, organizando a moradia e administrando agregados, serviçais e
familiares enquanto o seu senhor caminhava pelas ruas das recém-inauguradas cidades.
Quando pobres ou escravas, ou cumpriam ordens de seus patrões ou costuravam, lavavam,
fiavam e roçavam para galgarem o pão de cada dia. (FALCI apud Calil, 2000, p.8).
Douglas C. Libby e Júnia F. Furtado em estudo sobre o tema descrevem que as
escravas no período colonial brasileiro sofriam duplamente: primeiro, com as investidas
sexuais de patrões e filhos; e em segundo, com ataques de tirania de suas patroas:
2

Mulheres escravas eram basicamente submetidas a uma exploração dupla: forçadas a


trabalhar tanto quanto seus companheiros masculinos, elas também sofriam
constante abuso sexual por parte de seus proprietários. (...) Ao mesmo tempo em que
havia amplas oportunidades para os senhores de escravos e seus filhos exigiam
favores sexuais das cativas que trabalhavam nas suas casas, também eram frequentes
as relações amargas entre a senhora da casa e suas domésticas, pois sabe-se que a
pequena tirania doméstica era Edêmica. (2006, p.165/177).

Foi somente com a entrada em ação dos médicos higienistas em meados do século
XIX no âmbito familiar que as mulheres começaram a ganhar visibilidade e a conquistarem
seus direitos. Preocupados em ditar normas sobre os comportamentos sociais e moldar
sentimentos, os higienistas perceberam que somente com a inferiorização do pater poder é
que poderiam moldar a família. Neste contexto, educar a mulher para ser uma mãe cuidadosa
e higiênica significava evitar a grande mortalidade de infantes e ainda, de supetão, moldar
crianças pelas mãos de suas mães para se tornarem adolescentes produtivos e suscetíveis de
comando pelo estado. (COSTA, 1979).
A partir desta perspectiva, houve o recalque do domínio paterno, colocando as
mulheres no centro da discussão. É que, diminuindo o poder dos homens do centro da família,
o médico social pôde adentrar em seu interior e, infiltrando-se nos costumes e afazeres do lar,
acabou por modificar significativamente a família Colonial, transformando-a em um
prospecto de família burguesa (COSTA, 1979). Neste contexto, e com a iminente urbanização
das cidades, a modernidade apresenta-se por meio de seus avanços, seja no campo da
medicina com medicamentos e vacinas recém-inventados, seja com todos os apetrechos que
transformaram a antiga sociedade colonial em uma nascedoura sociedade elitista burguesa. E
junto com estes novos conceitos sociais, a vida das pessoas foi acentuadamente prolongada e
a taxa de mortalidade infantil foi diminuída drasticamente. Este foi então o veículo que
transformou um pantanoso terreno ruralista em uma promissora República comercial e
industrial. Este sonho juntamente com a abolição da escravidão acabou por despontar com o
limiar da república que insurgia no horizonte do país.
No limite, a República derruba a Monarquia ruralista e passa a cunhar uma nação de
direitos trabalhistas, especialmente após as leis que extinguiram o trabalho escravocrata
(CALIL, 2000, p.11). Leis como a do Ventre Livre (1.871), do sexagenário (1.888) e a Lei
Áurea afofam o campo desumano do trabalho escravo para a germinação de uma mão de obra
doravante remunerada. E esta mão de obra abarca também a imigração de vários
trabalhadores de outros países, em especial, italianos que viriam para o Brasil dispostos a
trabalharem na nascente indústria[iii] tupiniquim.
3
Porém, nem tudo seriam flores. Com a modernização das cidades, os lugares
privilegiados acabaram sendo reservados aos mais favorecidos, restando aos pobres moradias
insalubres nos subúrbios das cidades ou cortiços nos centros antigos. Pessoas passaram a se
amontoar em casebres e sobrados centenários, prosperando neste cenário doenças e pestes.
(CARVALHO, 1987).
Ocorre que neste recente sistema capitalista burguês, incidia um estranho paradoxo:
enquanto as mulheres tiveram uma ligeira valorização frente ao machismo patriarcal pelas
mãos higienistas, em outra vertente, (e em especial as menos abastadas) tiveram um drástico
aumento em seus turnos de labor. É que a voraz indústria exigia corpos saudáveis e
domesticados para trabalharem em suas maquinarias, onde em muitas ocasiões, o turno
ultrapassava 16 horas[iv].
Existiram alguns fatos infames que mancharam de sangue este momento da história.
Em oito de março de 1957, em Nova York, 129 mulheres inconformadas com a sua condição
análoga a escravas, resolveram protestar por melhores condições de trabalho, direitos de
salário iguais aos homens e diminuição de sua jornada de trabalho que chegava a 14 horas
diárias.
Direitos a higiene e à saúde, como o mandamento legal de haver no local de trabalho
as devidas instalações sanitárias e ventilação adequada, mais do que uma garantia
legal à mulher trabalhadora, é um direito que deveria e foi, anos mais tarde,
estendido a todos os trabalhadores, porque diz respeito à dignidade da pessoa
humana. (CALIL, 2000, p.41)

O que não se imaginava, é que deste inocente assopro de greve, um fato insólito
abarcaria a vida destas tecelãs. A polícia Nova-iorquina não estava preparada para o
enfrentamento de situações de levante, e desta feita, acabou por “cercar o prédio, e de acordo
com os proprietários, incendiou-o para obrigá-las a sair”. (TRINDADE, 2002, p. 144).
Resultado estarrecedor: todas foram encontradas carbonizadas[v].
A recém-instalada Revolução Industrial tornou-se uma voraz consumidora de corpos.
O sistema domesticava[vi] os corpos dos trabalhadores e acabava por sugar a seiva de suas
vidas. O resultado eram mulheres e homens que de tanto trabalhar, acabavam pagando por
estas forçadas extravagâncias com suas próprias vidas.
Neste momento histórico, germinava consideravelmente o número de mulheres
“chefes de família”. As pobres sofriam duplamente com suas jornadas de trabalho, pois
ganhavam menos por serem mulheres e eram julgadas por não estarem em seu lar cuidando de
sua família e educando os filhos (CALIL, 2000, p.18).
Neste sentido, Calil citando João, assim se manifesta: 4

A segregação da mulher em reduzido número de ocupações é, talvez, o resultado


mais visível e mais danoso de duas tendências contraditórias: de um lado, a proteção
da mulher, exclusivamente enquanto possível reprodutora; de outro, a sua
incorporação no mercado de trabalho em condições já inicialmente vantajosas,
devido à própria falta de apoio efetivo que a função maternal e o cuidado das
crianças encontram na sociedade. (JOÃO, apud CALIL, 2000, p.42).

Podemos constatar nas lições de Margareth Rago, que a população feminina e de


crianças que trabalhavam em Indústrias no final dos novecentos, crescia vertiginosamente:

Em 1894, dos 5.019 operários empregados nos estabelecimentos industriais


localizados na cidade de São Paulo, 840 eram do sexo feminino e 710 eram
menores” (2006, p.580).

A autora ainda relata que muitos artigos da imprensa operária “denunciam as


investidas sexuais de contramestres e patrões sobre as trabalhadoras e que se revoltam contra
as situações a que elas viviam expostas nas fábricas”. (RAGO, 2006, p.578).
Nesta mesma obra, citando jornal O Amigo do Povo de 5 de setembro de 1902, a
autora denuncia:
A que não se submete às exigências arbitrárias, não já do burguês (...) mas às dos
capatazes, ao serviço dos mesmos senhores, é desacreditada e maltratada por esses
homens sem consciência, até o extremo de ter de optar entre a degradação e a morte.
(Del Priore, p.578).

Não obstante não termos dados para quantificar a intensidade das investidas sexuais
dentro de indústrias e em residências, existem indícios de que o assédio sexual acabou
acontecendo neste final de século XIX e nas primeiras décadas do século XX
desordenadamente e com certa frequência.
Com efeito, os corpos continuaram a se dobrar até a promulgação do Decreto-Lei nº
5.452 de 1º de maio de 1943 (BRASIL, 2013a). Foi com a Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT) que os direitos essenciais de ambos os sexos passaram a ser observados pelo sistema
legislativo Brasileiro, e um prenúncio de cidadania encheu de esperança todos os laboriosos
do país.

2 Conceito de Assédio Sexual e consequências Psicológicas do Delito

Segundo Villela, assédio sexual pode ser conceituado como:

Conduta sexual abusiva e indesejada, concretizada por meio de manifestações


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verbais e/ou físicas, com a finalidade de prejudicar o desempenho laboral da vítima,
causando-lhe constrangimentos e intimidação, ou ainda a obtenção de favores de
cunho sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de ascendência inerente ao
exercício do emprego, cargo ou função. (2010, p.157).

Constantino, citando Costa define assédio sexual como sendo:

Uma pressão ou sugestão ou exigência de ‘troca de favores’ sexuais por


vantagens, tais como promoção, aumento salarial e estabilidade profissional. (...)
existe desde a forma mais sutil, como uma observação verbal constrangedora, até a
forma mais violenta, que envolve a agressão física e demissão da vítima, caso a
mesma não ceda aos apelos do agressor. (COSTA apud CONSTANTINO, 2002,
p.37).

Como vimos, o Assédio Sexual em ambiente de trabalho é circunstância antiga que


remonta a fase colonial e se intensifica nos idos da Revolução industrial.
Não obstante a problematização jurídica e psicológica que acompanha o tema, o
interesse acadêmico e científico só teve o devido despertar no início da década de 70 do
século XX. Com efeito, quando dos estudos da temática ora debatida, principalmente no que
diz respeito ao gênero dos sujeitos atingidos, percebeu-se que em geral o assunto versava
frequentemente sobre a fórmula ‘homem-assediante x mulher-assediada’, inobstante o
Assédio poder também advir de investida feminina, ou ainda pelo assédio entre pessoas do
mesmo sexo. O que é importante restar salientado desde já, é que para se ter configurado o
dispositivo em comento, deverá sempre coexistir a figura do superior hierárquico, pois se
assim não for, descaracterizado estará o Assédio Sexual.

Para que se verifique a conduta reprovável do assédio, é preciso que a vítima não o
deseje e se tenha sentido importunada ou constrangida com as propostas do agente e
que estas ponham em perigo ou afetem, de alguma forma, os direitos humanos, a
dignidade, a saúde, a intimidade, a segurança, a comodidade, o bem estar ou
qualquer outro direito seu, adquirido ou em expectativa (MALUF, 1999, apud
CONSTANTINO, 2002, p.37).

Segundo Albertina de Oliveira Costa, as consequências psicológicas do assédio sexual


são relatadas como “aborrecimento, irritação, nervosismo, medo, humilhação, angústia e
mesmo culpa por se encontrar neste tipo de situação”. Salienta a mesma autora que em geral
as consequências sobre a vítima no ambiente de trabalho são extremamente negativas: “clima
de indiferença, ameaças, mudança de local de trabalho, ser preterida nas promoções, posta em
disponibilidade, até demissão ou pedido de demissão” (COSTA, 1997, p.74). O empregador,
por outro lado, quase sempre está em situação de vantagem. Raramente é prejudicado, e
quando este fato ocorre, geralmente considera a possibilidade de escândalos que acabará por 6
atingir a empresa, ou seja, a afetação será maior na pessoa jurídica do que na física.

3 O Assédio Sexual e o Direito

O assédio sexual constitui violação a alguns direitos fundamentais, entre eles o da


liberdade, da igualdade, da intimidade e da liberdade. De acordo com a Consolidação das Leis
do Trabalho (BRASIL, 2013a), o assédio sexual pode ser considerado como falta grave
(incontinência de conduta ou ato lesivo à honra e boa fama ou mau procedimento no ambiente
laboral), o que permite demitir o assediador por justa causa.
A lei nº 10.224, de 16 de maio de 2001 instituiu o art. 216-A no Código Penal para o
assédio sexual nas relações de trabalho, que assim estabelece:

Art. 216-A. Constranger alguém com intuito de levar vantagem ou favorecimento


sexual, prevalecendo-se o agente de sua forma de superior hierárquico, ou
ascendência, inerentes a exercício de emprego, cargo ou função.
Pena: detenção de 1 (um) a 2 (dois) anos.
No âmbito da Justiça do Trabalho, o artigo 483 da Consolidação das Leis do Trabalho
(BRASIL, 2004) dispõe: “O empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a
devida indenização quando...”

a) forem exigidos serviços superiores às suas forças, defesos por lei, contrários aos
bons costumes, ou alheios ao contrato;
b) for tratado pelo empregador ou por seus superiores hierárquicos com rigor
excessivo;
c) correr perigo manifesto de mal considerável;
d) não cumprir o empregador as obrigações do contrato;
e) praticar o empregador ou seus prepostos, contra ele ou pessoas de sua família, ato
lesivo da honra e boa fama;
f) o empregador ou seus prepostos ofenderem-no fisicamente, salvo em caso de
legítima defesa, própria ou de outrem;
g) o empregador reduzir o seu trabalho, sendo este por peça ou tarefa, de forma a
afetar sensivelmente a importância dos salários.
§ 1º - O empregado poderá suspender a prestação dos serviços ou rescindir o
contrato, quando tiver de desempenhar obrigações legais, incompatíveis com a
continuação do serviço.
§ 2º - No caso de morte do empregador constituído em empresa individual, é
facultado ao empregado rescindir o contrato de trabalho.
§ 3º - Nas hipóteses das letras "d" e "g", poderá o empregado pleitear a rescisão de
seu contrato de trabalho e o pagamento das respectivas indenizações, permanecendo
ou não no serviço até final decisão do processo.(Incluído pela Lei nº 4.825, de
5.11.1965) (BRASIL, 2013a).

Das alíneas acima, destacam-se as seguintes: “a”, “c”, “d” e “e”. A fórmula 7
encontrada pelo ordenamento jurídico para reparar dano causado pela violência à esfera
extrapatrimonial do indivíduo foi a possibilidade jurídica de estipulação de uma
compensação, não necessariamente pecuniária (apesar de ser, frequentemente, a mais
adotada), para tentar amenizar a dor sofrida pela vítima. Esta sanção pelo dano sofrido poderá,
inclusive, consistir em uma retratação ou desagravo público. A invasão à privacidade e
dignidade do assediado caracteriza dano moral indenizável.
A reparação civil por danos morais é constantemente invocada quando se fala em
assédio sexual.
O assédio sexual pede algumas classificações. Podemos relacioná-las da seguinte
maneira: quanto ao sexo, o assédio moral poderá ocorrer entre pessoas de sexos diferentes
bem como por pessoas do mesmo sexo. Quanto à hierarquia, o assédio poderá ocorrer do
posto superior ao inferior, ou seja, de um superior hierárquico a um subordinado; de um posto
inferior para um superior; do mesmo nível hierárquico; ou do próprio empregador para o
empregado. Quanto à forma, o assédio poderá se dar pela forma verbal (cantadas, comentários
ousados) ou escrita (cartas, bilhetinhos, comentários por e-mail) e física (gestos indicadores
de desejos sexuais). Quanto ao modo, poderá se apresentar através de intimidações ou
chantagens (VILLELA, p. 157/158). Quanto ao local, o assédio poderá ocorrer no ambiente
de trabalho (laboral) ou fora do ambiente de trabalho (extralaboral).
A caracterização do assédio sexual exige a presença do autor (quem assedia) e do
destinatário do assédio, ou seja, da vítima (assediado). Indispensável será sempre o poder do
sujeito ativo sobre o sujeito passivo, decorrente da relação de trabalho, como fator de
intimidação e, ipso facto, sujeição deste à lascívia daquele. Entendimento minoritário tem
Rodolfo Pamplona Filho (2001), ao afirmar que a relação de poder entre assediante e
assediado não é requisito essencial para configurar o delito, pois, o assédio sexual trabalhista
poderá ocorrer também entre colegas de serviço, cliente e empregado ou entre empregado e
empregador.
A chantagem pode ser utilizada por qualquer subalterno, bastando imaginar a hipótese
de se exigir sexo mediante a ameaça de revelar algo que possa comprometer o chefe.
Deste modo, resta evidenciado que a configuração de comportamentos reiterados e
repelidos, de natureza sexual, praticado por assediador, de mesmo nível hierárquico que a
vítima ou em posição inferior a esta, poderá ser punível sim, como justa causa no Direito do
Trabalho, caracterizado como incontinência de conduta. Mas não poderá ser tipificado como
assédio sexual nos parâmetros do artigo 216-A do Código Penal, já que este dispositivo
8
depende da relação de subordinação.
Alguns autores admitem a hipótese tentada do delito (realização incompleta do tipo
penal), ou seja, quando há o início da execução de um crime, mas não ocorre a sua
consumação por circunstâncias alheias à vontade do criminoso. Neste sentido, Heráclito
Antonio Mossin (2002, p.25) ensina que inobstante o crime ser de natureza formal, a tentativa
poderá ocorrer. Podemos colocar como exemplo a interceptação de uma carta ou bilhete com
conteúdo coativo visando benefício sexual que acaba não chegando em mãos da vítima[vii].
Não obstante, a jurisprudência em larga escala tem entendido que meras conjecturas
não caracterizam assédio sexual. Com efeito, tentativas de aproximação para relacionamentos
amorosos ou sexuais não estão sendo considerados pelos tribunais como elementos
caracterizadores do assédio sexual. Os galanteios, elogios, flertes e namoros entre colegas de
serviço são inofensivos, desde que não haja a utilização do posto ocupado como instrumento
de facilitação ou de coerção[viii]. A proposta pode ser aceita, ou não, livremente pelo
assediado. Para que se configure, há a necessidade do uso do poder como forma de
coerção[ix]
Assim, é importante frisar que as ameaças sofridas pela vítima, o sentimento de asco e
repúdio causado pela procura diuturna de relação sexual pelo agressor acaba por transformar o
ambiente de trabalho em local intolerável, interferindo sobremaneira na produção daquele que
é com frequência assediado, levando em elevadas ocasiões a conflitos trabalhistas e
problemas psicológicos por parte do assediado.
Então, este assédio poderá ser punido, tanto com fulcro nas leis já evidenciadas
(Artigo 216-A do Código Penal e Artigo 483 da Consolidação das Leis do Trabalho), como
poderão sofrer respaldo também na esfera Cível. É que, como sabemos, o assediador poderá
ser enquadrado no artigo 186 do Código Civil[x].
Sendo o empregador ou outro superior hierárquico, o autor da conduta de assédio
sexual, é possível ao empregado a rescisão indireta do contrato de trabalho, sendo
admissíveis, também, os pedidos de indenização por dano material e moral, em decorrência da
violação do direito à intimidade/liberdade sexual, assegurado no art. 5º, X, da Constituição
Federal (BRASIL, 2004).
É indubitável a possibilidade de responsabilizar o empregador, no caso de assédio
sexual praticado por seus prepostos, executivos ou quaisquer empregados. Tal
responsabilidade, para alguns, seria objetiva, independentemente de conhecimento prévio,
outros, porém, exigem responsabilidade direta e efetiva, ou seja, a falta de providências
concretas e a tolerância para com a chantagem sexual.
9

4 O Assédio nos Tribunais

Segundo Villela, o assédio sexual “no trabalho vem sendo considerado pela
jurisprudência uma forma de discriminação ilícita, independentemente da intenção de
discriminar”. Ainda segundo o autor, “o valor atingido pelo assédio sexual é a liberdade
sexual, ou seja, a liberdade de escolha do parceiro e do momento, causando constrangimento e
ofensa à dignidade do trabalhador” (VILLELA, 2010, p.157). Configurado o crime de assédio
sexual, nasce o dever de indenizar.
A competência para julgar o assédio sexual acabou pacificada no sentido de
considerar a Justiça do Trabalho o único órgão competente para processar e julgar ações
relativas ao dano provocado pelo assédio sexual. Neste sentido:

PROCESSO CIVIL. CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. JUSTIÇA


COMUM ESTADUAL E TRABALHISTA. AÇÃO DE COMPENSAÇÃO POR
DANOS MORAIS. ASSÉDIO SEXUAL EM AMBIENTE DE TRABALHO.
EMPREGADO DOMÉSTICO.
1. Compete à Justiça Trabalhista processar e julgar ações de compensação por danos
morais decorrentes de assédio sexual praticado contra empregado doméstico em seu
ambiente de trabalho, ainda que por parte de familiar que nesse não residia, mas que
praticou o dano somente porque a ele livre acesso possuía.
2. Na configuração do assédio, o ambiente de trabalho e a superioridade hierárquica
exercem papel central, pois são fatores que desarmam a vítima, reduzindo suas
possibilidades de reação.
3. Nas relações domésticas de trabalho há hierarquia e subordinação não apenas
entre a pessoa que anota a Carteira de Trabalho e Previdência Social e o empregado
doméstico, mas também na relação desse com os demais integrantes do núcleo
familiar.
4. Conflito conhecido para o fim de declarar a competência do JUÍZO DA 1ª VARA
DO TRABALHO DE JAÚ - SP, juízo suscitante. (Processo: CC 110924 SP
2010/0041857-0 - Relator(a): Ministra NANCY ANDRIGHI - Julgamento:
14/03/2011 - Órgão Julgador: S2 - SEGUNDA SEÇÃO Publicação: DJe
28/03/2011).

Ao que diz respeito a configuração do assédio, os nossos Tribunais assim vem


decidindo:
RECURSO ORDINÁRIO. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ASSÉDIO
SEXUAL. Demonstrado nos autos que a autora foi vítima de assédio sexual,
decorrente de constrangimento sofrido em razão de conduta de seu superior
hierárquico, de conteúdo com conotação sexual e cunho desrespeitoso, é devida a
indenização por danos morais. (...). (TRT-4 - RO: 12299520105040005 RS
0001229-95.2010.5.04.0005, Relator: CLÓVIS FERNANDO SCHUCH SANTOS,
Data de Julgamento: 10/05/2012, 5ª Vara do Trabalho de Porto Alegre)17:40
04/08/2013.

INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. ASSÉDIO SEXUAL. Configura dano


moral a omissão da reclamada em coibir atitude com conotação sexual inadequada
de empregado seu em relação a subordinados, de forma a constrangê-los no 10
ambiente de trabalho. (...). (TRT-4 - RO: 4282820105040411 RS 0000428-
28.2010.5.04.0411, Relator: JOSÉ CESÁRIO FIGUEIREDO TEIXEIRA, Data de
Julgamento: 01/12/2011, Vara do Trabalho de Viamão).

DANO MORAL - ASSÉDIO SEXUAL - O assédio moral constitui-se no mais


abjeto ato do empregador, pois se vale ele de sua posição de mando, subjugando a
vontade da empregada ,anulando sua liberdade de escolha, causando-lhe danos
psicológicos permanentes. (TRT-2 - RO: 1790200704902000 SP 01790-2007-049-
02-00-0, Relator: SILVIA REGINA PONDÉ GALVAO DEVONALD, Data de
Julgamento: 26/05/2009, 3ª TURMA, Data de Publicação: 16/06/2009).

DANO MORAL - ASSÉDIO SEXUAL - O assédio moral constitui-se no mais


abjeto ato do empregador, pois se vale ele de sua posição de mando, subjugando a
vontade da empregada ,anulando sua liberdade de escolha, causando-lhe danos
psicológicos permanentes. (TRT-2 - RECORD: 1790200704902000 SP 01790-
2007-049-02-00-0, Relator: SILVIA REGINA PONDÉ GALVAO DEVONALD,
Data de Julgamento: 26/05/2009, 3ª TURMA, Data de Publicação: 16/06/2009)
DANO MORAL. ASSÉDIO SEXUAL. Ocorrendo violação à honra e à intimidade
do trabalhador, impõe-se a integral reparação pela ofensa a estes bens componentes
da própria dignidade humana. (TRT-5 - RO: 1537005420055050002 BA 0153700-
54.2005.5.05.0002, Relator: VÂNIA CHAVES, 1ª. TURMA, Data de Publicação:
DJ 20/11/2006).

ASSÉDIO SEXUAL - CARACTERIZAÇÃO - ELEMENTOS - São elementos


caracterizadores básicos do assédio sexual: 1) Sujeitos: agente (assediador) e
destinatário (assediado); 2) Conduta de natureza sexual; 3) Rejeição à conduta do
agente; e 4) Reiteração da conduta. A relação de poder entre os sujeitos não é
essencial para a caracterização do ilícito trabalhista (...). (TRT-15 - RO: 28048 SP
028048/2006, Relator: FLAVIO NUNES CAMPOS, Data de Publicação:
09/06/2006)
A reparação do dano moral resultante de assédio sexual, porém, tem critérios
subjetivos para a compensação financeira. Deverá o julgador, na fixação
do quantum indenizatório agir de acordo com o ordenamento jurídico, devendo para tanto,
levar em conta o tempo de serviço do assediado na empresa, o cargo exercido e sua situação
econômico-social e, do lado do ofensor, como critério subjetivo, a intensidade do ânimo de
ofender (culpa ou dolo), e como critério objetivo, a gravidade e a repercussão da ofensa.

TRT-PR-30-05-2008 DESCONTO EFETUADO NA RESCISÃO. DANO


CAUSADO PELO EMPREGADO CONSISTENTE EM CONDENAÇÃO
JUDICIAL POR ATO ILÍCITO (ASSÉDIO SEXUAL POR INTIMIDAÇÃO).
Fatos apurados durante a instrução processual em ação de indenização
demonstraram que o Autor praticou atos corporificadores de assédio sexual, fato que
determinou a condenação da Reclamada ao pagamento de indenização na
importância de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Havendo previsão no contrato de
trabalho de possibilidade de efetuar descontos no salário em decorrência de
prejuízos causados pelo empregado e demonstrado que o Autor, deliberadamente,
praticou ato danoso, deve arcar com o pagamento do "quantum" que resultou de sua
prática ilícita (art. 462, § 1º, da CLT). Reiteradamente as Cortes Trabalhistas vêm se
deparando com ações de danos morais onde os empregadores são alertados quanto à
necessidade de medidas rigorosas para coibir atitudes dessa espécie, como, aliás,
ficou assentado na sentença da AIND 00031/2006. Portanto, inviável, diante de ato
recomendado pelo Judiciário, dizer que este foi abusivo. Recurso do Reclamante a
que se nega provimento, mantendo-se a r. sentença que declarou lícito o desconto,
na rescisão, do valor a que foi condenada a Ré na ação de indenização. (TRT-9
1322200794902 PR 1322-2007-94-9-0-2, Relator: UBIRAJARA CARLOS 11
MENDES, 1A. TURMA, Data de Publicação: 30/05/2008).

5 Considerações Finais

Durante muitos anos, um sonho de cidadania e liberdade despontou na órbita mundial


e também desembarcou em terras brasileiras.
As mulheres, sempre fragilizadas com o passar dos séculos, além de submissas em
seu lar, eram constantemente obrigadas a suportarem maltratos e traições de seus maridos.
Escravas e empregadas domésticas, em frequentes ocasiões, eram obrigadas a se deitar com
seus patrões para garantirem o pão do dia seguinte.
Com o desabrochar do Império, e doravante, com a proclamação da República, o
mundo antigo caiu e uma elite industrial e ruralista passou a ditar as regras no Brasil. Este
sonho de aportes liberalistas advindos dos Estados Unidos, por um efeito rebote, logo passou
a escancarar a desigualdade entre as pessoas, e apesar do avolumar de chances laborais em
prol da classe feminina, mulheres e crianças desclassificadas socialmente passaram a ser
verdadeiras máquinas de produção capitalista. Agora, a mulher pobre teria que trabalhar
largos períodos e ainda cuidar da casa e da prole.
Com o passar das décadas, após batalhas bravamente travadas pela melhoria de
direitos básicos, o legislador tupiniquim presenteou homens e mulheres com uma bela
Consolidação de Leis Trabalhistas, que embora longe de ser considerada a derradeira
panaceia, acabou por prover-lhes com um mínimo de garantias democráticas e de cidadania.
De lá para cá, o sistema aperfeiçoou alguns dispositivos legais que foram instrumentos
fundamentais como fomentadores de uma proteção jurídica outrora inexistente a todos que
viessem a sofrer qualquer constrangimento na ordem sexual.
A citação abaixo demonstra cabalmente que já em tempos pretéritos, a luta pela
dignidade se fazia presente.

Tenho que te dar uma noticiazinha má. Como você me ensinou, para o
materialista, tudo está certo. Acabam de me despedir da fábrica, sem uma
explicação, sem um motivo. Porque me recusei ir ao quarto do chefe. Como
sinto companheira, mais do que nunca a luta de classes! Como estou
revoltada e feliz por ter consciência. Quando o gerente me pôs na rua senti
todo o alcance de minha definitiva proletarização, tantas vezes adiada.[xi]

Agora, em pleno século XXI, o que nos resta é olhar para o passado buscando uma
cidadania que se perdeu na poeira do tempo. Afinal, é ela (cidadania) a panaceia que curará
todas as dores do futuro. 12

Referências:

AMARAL, Maria Eugênia; FLANDOLI, Beatriz Xavier. Duas impertinentes


crônicas. Barueri, SP: Minha Editora, 2006.
BARROS, Alice Monteiro De. O assédio sexual no Direito do trabalho comparado.
Revista LTR, São Paulo, 1998.
______________, Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: LTR, 2005.

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do Trabalho. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm.
Acesso em Agosto de 2013. (a)
___________. Decreto-Lei nº 2.848 de 7 de dezembro de 1940. Institui o Código
Penal. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-
lei/del2848compilado.htm. Acesso em Julho de 2013. (b)
___________. Lei nº 10.406 de 10 de Janeiro de 2002. Institui o Código
Civil. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm. Acesso em
Agosto de 2013. (c).
_____________. Lei nº 10.224 de 15 de maio de 2001. Altera o Decreto-Lei no 2.848, de
7 de dezembro de 1940 – Código Penal, para dispor sobre o crime de assédio sexual e dá
outras providências. Disponível
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LEIS_2001/L10224.htm#art216a. Acesso em
julho de 2013. (e).
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Jurídica ante a desigualdade Fática. – São Paulo: LTr, 2007.
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sociológicos do início da República ao final deste século. São Paulo: LTr, 2000.
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13
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VILELLA, Fábio Goulart. Manual de Direito do Trabalho: teoria e qustões. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2010.

Notas:

[i] Conforme Calil, (2000, p.6) o nome real da autora era Dionísia de Faria Rocha. A
obra foi publicada em recife em 1832 e é uma tradução livre do livro editado em Londres em
1792 intitulado: Vindication of the Rights of Woman.
[ii] Gilberto Freire era um grande admirador de Nísia. O autor, citado por Calil assim
descreveu a escritora: “Nísia Floresta surgiu – repita-se - , como uma exceção escandalosa.
Verdadeira machona entre as sinhasinhas deugosas do meado do século XIX. No meio de
homens a dominarem sozinhos todas as atividades extradomésticas, as próprias baronesas e 14
viscondessas mal sabendo escrever, as senhoras mais finas soletrando apenas livros devotos e
novelas que eram quase histórias de Troncoso, causa pasmo ver uma figura como a de Nísia”.
(FREYRE apud CALIL, 2006, p.7).
[iii] Calil afirma que Dom Pedro II já teria pensado na industrialização do Brasil em
pleno Império, porém a questão escravocrata era grande empecilho para este
desenvolvimento. Relata ainda a autora que nas décadas de 40 e sessenta dos dezenove a
industrialização de tecidos de algodão já davam sinal de sua força na Bahia (2000, p.12).
[iv] Relatos apontam que “muitas mulheres eram costureiras e completavam o orçamento
doméstico trabalhando em casa, às vezes até 18 horas por dia” (PRIORE, 2006, p.581).
[v] Um dos motivos da escolha do dia 8 de março como Dia Internacional da Mulher é
este trágico acontecimento (AMARAL, FLANDOLI, 2006, p.15).
[vi] Sobre Docilidade de Corpos, ver a espetacular obra de Michel Foucault “Vigiar e
Punir” (1997).
[vii] Neste mesmo sentido, admitindoa tentativa, conferir Aloysio Santos: Assédio Sexual
nas relações trabalhistas e estatutárias. Rio de Janeiro: Forense, 1999.
[viii] Neste sentido: ASSÉDIO SEXUAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não revelam
assédio sexual os bilhetes que mostram amor pela autora, sem conotação sexual e sem
qualquer caráter desrespeitoso. Não foi provada a autoria dos bilhetes. O suposto autor não
era supervisor da reclamante para se falar em assédio. (Recurso Ordinário nº
00318.2004.341.02.00-1 (20060395880), 2ª Turma do TRT da 2ª Região/SP, Rel. Sérgio
Pinto Martins. J. 01.06.2006, Publ. 13.06.2006).
[ix] Neste sentido: ASSÉDIO SEXUAL. CONFIGURAÇÃO, DANO MORAL.
INDENIZAÇÃO. Se a reclamante, no interior da empresa, sofre reiteradas investidas de
conotação sexual por parte do chefe de área, submetendo-se a situação vexatória e atentadora
à sua dignidade, configura-se o assédio sexual que, segundo José Wilson Sobrinho é o
comportamento consistente na explicitação da intenção sexual que não encontra receptividade
concreta de outra parte, comportamento esse reiterado após a negativa, atraindo assim, o
direito da reclamante à reparação por dano moral. (TRT – 3ª R. 4ª T.RO nº 14159/97 – Rel.
Denise Alves Horta – DJMG – 13.06.08 – pág. 6).
[x] Diz o referido artigo: Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária,
negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente
moral, comete ato ilícito (BRASIL, 2013c).
[xi] Citação realizada por Margareth Rago da obra de Patrícia Galvão de nominada
Parque Industrial de 1933.

Conforme a NBR 6023:2000 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), este


texto cientifico publicado em periódico eletrônico deve ser citado da seguinte forma:
FERREIRA, Emerson Benedito. A extrema covardia: A constrangedora conjectura do
assédio sexual no ambiente de trabalho. Conteudo Juridico, Brasilia-DF: 07 ago. 2013.
Disponivel em: <http://www.conteudojuridico.com.br/?artigos&ver=2.44680>. Acesso em:
08 fev. 2019.

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