Você está na página 1de 210

do território nacional as embarcações e aeronaves

brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo


DIREITO PENAL / JALIGSON CARLOS brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as
aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de
DISCIPLINA: DIREITO PENAL propriedade privada, que se achem, respectivamente, no
PROFESSOR: JALIGSON CARLOS F. LEITE. espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. (Redação
CONCURSO: MPPB. dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes
praticados a bordo de aeronaves ou embarcações
Primeira Parte: 1. Princípios do Direito Penal. estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas
2. Da aplicação da lei penal. em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo
3. Do crime. correspondente, e estas em porto ou mar territorial do
4. Da imputabilidade penal. Brasil.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
5. Concurso de pessoas. Lugar do crime(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
6. Das Penas.
7. Das medidas de segurança. Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que
8. Da ação penal. ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como
9. Da extinção de punibilidade. onde se produziu ou deveria produzir-se o
resultado.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
Segunda Parte: 1. Dos crimes contra a honra. Extraterritorialidade(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
2. Dos crimes contra a fé pública. 1984)
3. Dos crimes contra a Administração em Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no
geral (praticados por funcionário público ou por particular). estrangeiro: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
4. Dos crimes contra a administração da I - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
justiça. 11.7.1984)
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;
Terceira Parte: 1. Crimes hediondos. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
2. Abuso de autoridade (Lei nº 4.898/1965). b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito
3. Crimes ambientais Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa
pública, sociedade de economia mista, autarquia ou
fundação instituída pelo Poder Público; (Incluído pela Lei nº
PRIMEIRA PARTE 7.209, de 1984)
DISPOSIÇÕES LEGAIS CORRELATAS c) contra a administração pública, por quem está a seu
serviço; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
1. APLICAÇÃO DA LEI PENAL: PRINCÍPIOS DA d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou
LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE. domiciliado no Brasil; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
DECRETO-LEI No 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940 II - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
(CÓDIGO PENAL) 11.7.1984)
DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a
Anterioridade da Lei reprimir; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há b) praticados por brasileiro; (Incluído pela Lei nº 7.209, de
pena sem prévia cominação legal. (Redação dada pela Lei 1984)
nº 7.209, de 11.7.1984) c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras,
Lei penal no tempo mercantes ou de propriedade privada, quando em território
Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior estrangeiro e aí não sejam julgados. (Incluído pela Lei nº
deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a 7.209, de 1984)
execução e os efeitos penais da sentença condenatória. § 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) brasileira, ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro.
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que § 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira
decididos por sentença condenatória transitada em julgado. depende do concurso das seguintes condições: (Incluído
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) pela Lei nº 7.209, de 1984)
Lei excepcional ou temporária (Incluído pela Lei nº 7.209, a) entrar o agente no território nacional; (Incluído pela Lei nº
de 11.7.1984) 7.209, de 1984)
Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei
vigência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984) brasileira autoriza a extradição; (Incluído pela Lei nº 7.209,
Tempo do crime de 1984)
Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter
ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do aí cumprido a pena; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
resultado.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984) e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por
Territorialidade outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei
Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de mais favorável. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
convenções, tratados e regras de direito internacional, ao § 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por
crime cometido no território nacional. (Redação dada pela estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as
Lei nº 7.209, de 1984) condições previstas no parágrafo anterior: (Incluído pela Lei
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão nº 7.209, de 1984)

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
a) não foi pedida ou foi negada a extradição; (Incluído pela para a concreta e correta aplicação do direito.
Lei nº 7.209, de 1984)
b) houve requisição do Ministro da Justiça. (Incluído pela Lei Dessa forma, considerando o princípio como
nº 7.209, de 1984) definidor de todo o sistema, conclui-se que é muito mais
Pena cumprida no estrangeiro (Redação dada pela Lei nº grave transgredir um princípio que uma norma, pois assim
7.209, de 11.7.1984) agindo ofende-se não apenas um mandamento obrigatório
Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena específico, mas o conjunto sistêmico todo.
imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou
nela é computada, quando idênticas. (Redação dada pela Em outros termos, princípio é o mandamento
Lei nº 7.209, de 11.7.1984) nuclear de um sistema; é a regra a partir da qual irradiam
Eficácia de sentença estrangeira(Redação dada pela Lei valores que vão orientar o ordenamento jurídico; eles
nº 7.209, de 11.7.1984) balizam a interpretação das normas penais incriminadoras e
Art. 9º - A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei não incriminadoras
brasileira produz na espécie as mesmas consequências,
pode ser homologada no Brasil para: (Redação dada pela 1.1.1. PRINCIPIOS CONSTITUCIONAIS PENAIS
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e A Constituição é a base – o alicerce – do Estado e
a outros efeitos civis; (Incluído pela Lei nº 7.209, de da sociedade. É nela que estão insertas as normas básicas
11.7.1984) de organização estatal e os princípios fundamentais sobre
II - sujeitá-lo a medida de segurança. (Incluído pela Lei nº os quais se assentam todas as relações entre os indivíduos.
7.209, de 11.7.1984) Na Constituição do Estado, estão estabelecidos os primados
Parágrafo único - A homologação depende: (Incluído pela sobre os quais tudo o mais existe.
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte É na Carta Magna que está dito: república ou
interessada; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) monarquia, parlamentarismo ou presidencialismo;
b) para os outros efeitos, da existência de tratado de propriedade privada sobre os meios de produção ou
extradição com o país de cuja autoridade judiciária emanou propriedade coletiva, estatizada: capitalismo ou socialismo.
a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição do Ministro Desde as questões mais complexas aos mecanismos mais
da Justiça. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) simples da vida, do sistema financeiro à relação de
emprego, todos encontram, na Carta Constitucional de um
Contagem de prazo(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
Estado, suas origens, suas bases, suas raízes, suas
11.7.1984)
diretrizes e regras.
Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo.
Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário
São os fundamentos, os alicerces, que sustentam a
comum. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
vida da sociedade brasileira, do homem. Todas as demais
Frações não computáveis da pena(Redação dada pela Lei normas do direito devem harmonizar-se com os princípios
nº 7.209, de 11.7.1984) constitucionais, sob pena de se tornarem inválidas.
Art. 11 - Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e
nas restritivas de direitos, as frações de dia, e, na pena de Todo o Direito Penal, igualmente, é construído com
multa, as frações de cruzeiro. (Redação dada pela Lei nº base em princípios inseridos na Constituição Federal, os
7.209, de 11.7.1984) quais norteiam sua construção e a sua vida, devendo, em
Legislação especial (Incluída pela Lei nº 7.209, de consequência, ser respeitados. Tudo aquilo que colidir com o
11.7.1984) preceito constitucional será banido do ordenamento jurídico,
Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos ainda que formalmente nele tiver ingressado.
incriminados por lei especial, se esta não dispuser de modo
diverso. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984).
Por isso, para se estudar o Direito Penal, o
ponto de partida deve ser o estudo de suas bases, seus
TEMA I alicerces, seus princípios mais importantes, os quais,
PRINCÍPIOS PENAIS por essa razão, estão escritos na Constituição Federal.

1.1. GENERALIDADES SOBRE PRINCÍPIOS Nosso Diploma Constitucional é fonte formal


das normas penais, dispondo sobre preceitos de índole
liberal (princípios) que são basilares para todo o sistema, por
Pelo dicionário Aurélio (1ª edição, 12ª impressão)
tal motivo nossa Constituição Federal prevê institutos sobre
Princípio significa: origem, começo, fonte, preceito. Norma
a irretroatividade da lei, crimes de racismo, tortura e tráfico
significa: Aquilo que se estabelece como base ou medida ou
ilícito de entorpecente, terrorismo, personalidade e
medida para a realização ou avaliação de alguma coisa,
individualização da pena, sendo ainda prevista a forma para
modelo, padrão. Já a regra significa: aquilo que se regula,
elaboração das leis, efeitos políticos da condenação, entre
dirige, rege ou governa. Formula que indica ou prescreve o
outros.
modo correto de falar, de pensar, raciocinar, agir, num caso
determinado.
Assim, os princípios constitucionais penais são
mais nada, que se não, garantias e direitos dos
A palavra “princípio” pode expressar vários indivíduos, indispensáveis num estado democrático de
significados, dentre os quais, início, origem, base, direito.
fundamento, o que regula um comportamento, base de
uma ciência. Levando estes significados para a esfera
jurídica podemos considerar que princípios são uma Os princípios poderão estar explícitos ou implícitos
ordenação que serve como parâmetro interpretativo na Constituição Federal. Os explícitos são os que estão
escritos, expressos em lei, os implícitos, ainda que não
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
expressos, figuram subentendidos no ordenamento jurídico. liberdade individual em prol do bem comum, no entanto, este
poder de limitação da liberdade não pode ser “arbitrário”. E
Seguindo a trilha do MANUAL DE DIREITO PENAL do para combater qualquer espécie de arbitrariedade, nada
eminente GUILHERME DE SOUZA NUCCI – são melhor do que o nosso bom e velho princípio da legalidade.
apresentados 12 princípios, sendo 6 de ordem explícita e Pode-se, portanto, afirmar que o princípio em estudo é a
seis de ordem implícita, quais sejam : limitação do limitador.

Constitucionais explícitos os conceitos explícitos


estão enunciados de forma expressa e inequívoca no texto Por mais imoral que seja uma conduta humana, a
da Constituição. ela só corresponderá uma sanção penal se, antes de sua
prática, tiver entrado em vigor uma lei considerando-a crime.
 Legalidade ou Reserva legal
EX: O incesto – prática de atos sexuais entre pai e filha ou
 Anterioridade mãe e filho, ou entre irmãos, sem violência, real ou moral –,
 Retroatividade da lei mais benéfica/ Irretroatividade apesar de, moralmente, repugnar a todos, não é conduta
da lei mais severa criminosa.
 Personalidade ou da responsabilidade pessoal
 Individualização da pena
 Humanidade O principio da legalidade está previsto na
Constituição Federal, entre os direitos e garantias
fundamentais, no artigo 5º, inciso XXXIX, bem como no
Constitucionais implícitos Os implícitos se deduzem
artigo 1º do Código Penal Brasileiro, com a seguinte
das normas constitucionais por estarem nelas contidas,
redação:
como os seguintes:

 Intervenção mínima (subsidiariedade) “Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem
previa cominação legal.”
 Fragmentariedade
 Culpabilidade
Estabelece que o Estado deva se submeter ao
 Taxatividade império da Lei. No direito Penal desdobram-se em outros
 Proporcionalidade dois princípios, o da Reserva Legal e o da Anterioridade.
 Vedação da dupla punição pelo mesmo fato
Quanto ao princípio da reserva legal, este não é
De outro lado, existem os princípios específicos sinônimo do princípio da legalidade, mas apenas espécie
de matéria penal dão fisionomia a este ramo do Direito, dele.
demarcando os bens que tem responsabilidade de tutelar, e
o alcance de seu poder punitivo. Diferenciam-se os dois princípios pelo fato de que
quanto ao princípio da reserva legal, a Constituição exige
Em que pese ao objeto proposto neste módulo conteúdo específico. Ao princípio da legalidade, a
estudaremos apenas os três primeiros princípios Constituição outorga poder amplo e geral sobre qualquer
constitucionais explícitos, quais sejam, o princípio da espécie de relação.
legalidade, o princípio da anterioridade e o princípio da
irretroatividade da lei penal, manifestando-se neste Em termos exemplificativos, o artigo 5º, II da
último caso acerca da retroatividade da lei penal mais Constituição Federal/88, prevê que: "ninguém será obrigado
benigna. Vejamos os mesmos: a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de
lei". Trata-se de lei em sentido amplo, ou seja, qualquer ato
 PRINCIPIO DA LEGALIDADE normativo editado pelo Poder Legislativo (Constituição; leis
complementares, leis ordinárias) ou, excepcionalmente, pelo
É o mais importante dos princípios do Direito Penal, Poder Executivo (medidas provisórias e leis delegadas). Aqui
a base, a viga mestra, o pilar que sustenta toda a ordem temos a salvaguarda do amplo princípio da legalidade.
jurídico-penal. Seu significado é claro e límpido. Só pode De outro lado,
alguém receber uma resposta penal, uma pena criminal, se o princípio da reserva é mais restrito. Refere-se
o fato que praticou estivesse, anteriormente, proibido por especificamente à emenda, lei complementar, etc., para
uma lei sob a ameaça da pena. O homem só pode sofrer a regular determinado assunto. "Se todos os comportamentos
pena criminal – ser privado da sua liberdade, em regra – se humanos estão sujeitos ao princípio da legalidade, somente
tiver realizado um comportamento previamente definido alguns estão submetidos ao da reserva da lei. Este é,
como crime, por uma lei em vigor. portanto, de menor abrangência, mas de maior densidade ou
conteúdo, visto exigir o tratamento de matéria
exclusivamente pelo Legislativo, sem participação normativa
do Executivo”.
Tal princípio rege o ordenamento jurídico como um
todo, e não apenas o Direito Penal. Entretanto, em cada
Quando a Carta, em seu artigo 5º,XXXIX, estabelece
ramo do direito ele adquire um contorno diferenciado. Se
que não haverá crime sem lei anterior que o defina, nem
este princípio é importante para o ordenamento jurídico
pena sem prévia cominação legal, estamos diante de uma
como um todo, mais ainda será para o Direito Penal, em
matéria reservada à lei formal. Somente a União,
virtude da natureza das sanções por ele impostas aos
privativamente, através de seu Poder Legislativo, poderá
indivíduos e da gravidade dos meios que o Estado emprega
discipliná-la (art. 22,I, CF/88.Destarte, fica vedada a
na repressão dos delitos. Desse modo, o Princípio da
interferência dos Estados-Membros ou Municípios, assim
Legalidade tem importância capital para o Direito Penal, pois
como a ingerência do Executivo ou Judiciário, na criação de
tal ramo do Direito é, por excelência, o maior limitador da
crimes e penas, estando tal artigo sujeito ao princípio da

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
reserva legal. “A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o
réu.”
Por fim, vale dizer que, apesar das distinções
apresentadas, muitos doutrinadores entendem não existir Em primeiro plano, é necessário que se faça uma
diferença entre o princípio da legalidade e da reserva legal, distinção entre lei penal material e lei penal processual. A
no entanto os que defendem idéias contrárias afirmam que o primeira versa sobre o direito penal propriamente dito,
primeiro esta submisso ao respeito da lei, quanto o segundo segundo a regra do artigo 5 º, inciso XL, acima descrito,
esta ligado a instituição de normas, se expressa enquanto a segundo versa sobre a forma de aplicação do
necessariamente por meio de lei formal. Outra distinção esta Direito Penal, esta vindo a retroagir, salvo se a referida
contida que no princípio da legalidade envolve uma situação norma tiver em seu bojo normas materiais.
hierárquica de lei, quanto o da reserva legal prende-se na
competência. Sustenta-se que a diferença reside no fato de A Lei penal não pode retroagir salvo quando para
que, quando se fala tão somente no princípio da legalidade beneficiar o Réu. De regra a Lei Penal não retroagirá, porém
estaria se permitindo a adoção de todos os diplomas quando a nova lei beneficiar o réu, mesmo que transitada
elencados pelo artigo 59 da Constituição Federal, quando na em julgado sentença condenatória, poderá este ser
verdade a reserva da lei esta prevê tão somente a criação beneficiado.
de normas penais por atos do Poder Legislativo.
De acordo com o princípio da legalidade (art. 1º do
 PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE Código Penal), praticado um fato criminoso, este deve reger-
se pela lei penal em vigor à época de sua prática (tempus
O artigo 1º do Código Penal, que já foi transcrito regit actus). Entretanto, ocorrendo a modificação desta sem
anteriormente, abarca dois aspectos: o da legalidade em si, que se tenham esgotado as consequências jurídicas do fato,
e o da anterioridade da lei. Destarte, o aspecto da surge um conflito de leis penais no tempo. Para solucionar
legalidade, propriamente dito reserva ao campo da “lei” a tal conflito, alguns princípios devem ser observados.
tarefa de descrever crimes e cominar penas (não há crime
sem lei que o defina), e o aspecto da anterioridade se  Princípio da irretroatividade: princípio geral que rege
evidencia através da expressão “lei anterior”. a aplicação da lei penal no tempo, decorrente do princípio da
legalidade, uma vez que um fato só poderá ser incriminado
se existir, à época de sua prática, uma lei descrevendo-o
Em outros termos, faz-se necessário que a lei como crime. Uma lei nova não pode retroagir para punir
definidora de um crime esteja em vigor na data do fato. Para alguém por fato anterior a sua entrada em vigor, pois, se
que se puna alguém pela prática de uma conduta delituosa, assim fosse, não haveria segurança nem liberdade na
sua lei definidora têm que estar em vigor no momento da sociedade. Entretanto, tal princípio vige somente em relação
ação ou omissão. à lei mais severa, como se denota do inciso XL da CF,
abaixo transcrita:

Conforme depreende tal instituto é necessário que Art. 5º, XL, da CF – “a lei penal não retroagirá, salvo para
a lei esteja em vigor na data em que o fato é praticado. beneficiar o réu;”
Entende-se como norma penal, toda e qualquer norma que
venha a criar, diminuir, extinguir, aumentar ou reduzir a
satisfação do direito de punir do Estado.
 Princípio da retroatividade: em Direito Penal, a lei
mais benigna (lex mitior) possui, pois, retroatividade,
prevista, também, no Código Penal, art. 2º do Código Penal,
A regra da anterioridade (nullun crimen sine
in verbis:
preavia lege): do enunciado deste art. 1º decorre também a
regra da anterioridade da lei penal. Para que qualquer fato
Art. 2º do CP. “Ninguém pode ser punido por fato que lei
possa ser considerado crime, é indispensável que a vigência
posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude
da lei que o defina como tal seja anterior ao próprio fato. Por
dela a execução e os efeitos penais da sentença
sua vez, a pena cabível deve ter sido cominada (prevista)
condenatória. Parágrafo único. A lei posterior, que de
também anteriormente, remontando o brocardo nullum
qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos
crimen sine praevia lege (não a crime nem pena sem lei
anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória
prévia). E, irretroabilidade (consequência da regra da
transitada em julgado.”
anterioridade): Além das duas regras acima referida
(legalidade e anterioridade), o postulado enunciado no artigo
1º traz a consequência de que, sendo as leis editadas para o Por retroatividade entende-se o fenômeno pelo qual
futuro, as normas incriminadoras não podem ter efeito para o uma norma jurídica é aplicada a fatos ocorridos antes de sua
passado, a menos que seja para favorecer o agente (vide, entrada em vigor.
ainda, art. 2º do CP). Também não retroagem as leis
posteriores que, mesmo sem incriminar, prejudicam a É o que se verifica com a solução legal das hipóteses
situação do agente. de conflitos de leis penais no tempo: 1°) novatio legis
incriminadora; 2°) abolitio criminis; 3°) novatio legis in pejus;
 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA LEI MAIS e 4°) novatio legis in mellius. Vejamos cada um desses
BENÉFICA OU DA IRRETROATIVIDADE DA LEI PENAL institutos:

Nossa Constituição também trata da irretroatividade  Novatio legis incriminadora


da lei, na qual a norma é editada para o futuro e não para o A primeira hipótese trata da lei nova que torna típico fato
passado. anteriormente não incriminado (novatio legis incriminadora).
Evidentemente, a lei nova não pode ser aplicada diante do
O artigo da Constituição Federal 5 º, inciso XL, princípio da anterioridade da lei penal previsto no art. 5°,
assim prescreve: XXXIX, da CF e no art. 1° do CP. Nessa hipótese, a lei penal
é irretroativa.

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
concessão de benefícios etc.
 Abolitio criminis
Ocorre a chamada abolitio criminis quando a lei nova já não  Novatio legis in mellius
incrimina fato que anteriormente era considerado como ilícito
penal. Dispõe o art. 2°, caput, do CP: A última hipótese é a da lei nova mais favorável que
"Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de a anterior (novatio legis in mellius). Além da abolitio criminis,
considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os a lei nova pode favorecer o agente de várias maneiras.
efeitos penais da sentença condenatória." Regula o assunto o art. 29, parágrafo único, com a seguinte
redação: "A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o
Trata-se nesse dispositivo da aplicação do princípio agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos
da retroatividade da lei mais benigna. A nova lei, que se por sentença condenatória transitada em julgado." Refere-se
presume ser mais perfeita que a anterior, demonstrando não o artigo citado aos dispositivos da lei nova que, ainda
haver mais, por parte do Estado, interesse na punição do incriminando o fato, cominam penas menos rigorosas, em
autor de determinado fato, retroage para alcançá-lo. Assim, qualidade ou quantidade, ou favorecem o agente de outra
se uma nova lei não mais considerar como crimes fatos forma, acrescentando circunstância atenuante não prevista,
como o adultério, o aborto e a sedução, não poderão ser eliminando agravante anteriormente prevista, prevendo a
responsabilizados penalmente os respectivos autores ainda suspensão condicional com maior amplitude, estabelecendo
que os tenham praticado durante a vigência da lei atual. novos casos de extinção da punibilidade, reduzindo os
requisitos para a concessão de benefícios etc.
Expressamente, o dispositivo alcança também os
fatos definitivamente julgados, ou seja, a execução da
sentença condenatória e todos os efeitos penais dessa EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO DE CONTEÚDO
decisão. Ocorrerá a extinção da punibilidade prevista no art. PARA RESOLUÇÃO EM SALA
107, III, do CP. O sentenciado será posto em liberdade se
estiver cumprindo pena, voltará à condição de primário, não 1(.FCC - 2014 - TRF 3ª - Analista Judiciário - Assunto:
estará mais submetido ao sursis ou livramento condicional Doutrina e Princípios) Dentre as ideias estruturantes ou
etc. princípios abaixo, todos especialmente importantes ao
direito penal brasileiro, NÃO tem expressa e literal
Não há abolitio criminis se a conduta praticada pelo disposição constitucional o da
acusado e prevista na lei revogada é ainda submissível a
outra lei penal em vigor. Havendo já imputação por denúncia a) legalidade.
ou queixa, pode a inicial ser aditada antes da sentença final b) proporcionalidade.
para correção ou suprimento com o fim de definir sua nova c) individualização.
tipicidade, sendo ainda possível ao Juiz dar ao fato definição d) pessoalidade.
jurídica diversa da que constar do pedido. e) dignidade humana.
Como não é possível delegar à medida provisória LETRA B
matéria que se refira a direitos individuais, entre eles os que
dizem respeito ao princípio da legalidade (arts. 59, XXXIX, e
2. (FCC - 2013 - MPE - SE - Técnico do Ministério
68, § 1o, II, da CF), não pode ela instituir a abolitio criminis,
máxime quando não convertida Público - Administrativo Assunto: Doutrina e
em lei. Princípios ) Não há crime sem lei anterior que o
defina, nem pena sem prévia cominação legal.
Pela abolitio criminis se fazem desaparecer o delito Trata-se do postulado constitucional que se
e todos seus reflexos penais, permanecendo apenas os consagrou com a denominação de
civis. Nesta parte, a sentença condenatória transitada em
julgado, sem embargo da abolitio criminis, torna certa a a) presunção de inocência.
obrigação de indenizar o dano causado pelo crime (art. 91, b) devido processo legal.
inc. I, do CP). Isto porque já ficou reconhecida em juízo a
ocorrência do fato e estabelecida sua autoria; o fato já não é
c) in dubio pro reo.
crime, mas um ilícito civil que obriga à reparação do dano. O d) estrita legalidade.
art. 2°, caput, do CP, portanto, não tem efeitos civis ou e) princípio da culpabilidade.
processuais civis.
LETRA D
 Novatio legis in pejus
A terceira hipótese refere-se à nova lei mais severa que a 3. (FCC - 2013 - MPE - SE - Técnico do Ministério
anterior (novatio legis in pejus). Vige, no caso, o princípio da Público - Administrativo -Assunto: Doutrina e
irretroatividade da lei penal previsto no art. 5°, XL, da CF: "a Princípios) Conta-se que o rei grego Drácon, na
lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu".
Antiguidade, exatamente por não dispor de nada
Permanecendo na lei nova a definição do crime, mas
aumentadas suas consequências penais, esta norma mais ainda mais grave, mandava punir indistintamente
severa não será aplicada. todos os criminosos com a pena de morte. Daí,
portanto, o adjetivo draconiano a um direito penal
Nessa situação estão as leis posteriores em que se assim severo. À vista disso, já com o repertório da
comina pena mais grave em qualidade (reclusão em vez de modernidade penal, poderíamos criticar Drácon
detenção, por exemplo) ou quantidade (de dois a oito anos, por não observar a ideia de
em vez de um a quatro, por exemplo); se acrescentam
circunstâncias qualificadoras ou agravantes não previstas a) legalidade.
anteriormente; se eliminam atenuantes ou causas de
b) proporcionalidade.
extinção da punibilidade; se exigem mais requisitos para a
c) fragmentariedade.
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
d) irretroatividade.  LEIS TEMPORÁRIAS E EXCEPCIONAIS:
e) pessoalidade.
Segundo o artigo 3º do CPB “A lei excepcional ou
LETRA B temporária, embora decorrido o período de sua duração
ou cessadas as circunstâncias que a determinaram,
aplica-se ao fato praticado durante sua vigência”.
4. (FCC - 2012 - MPE - RN - Analista do Ministério  Leis Temporárias: vigência previamente fixada
Público Estadual – Diligências - Assunto: Doutrina pelo legislador; Estabelecido início e o fim da vigência ( Ex :
e Princípios) A decisão judicial que usa a analogia Esta lei vigorará do dia 10 de abril de 2012 até o dia 10 de
para punir alguém por fato não previsto em lei, por abril de 2013). Vale dizer, é aquela que traz expressamente
ser este semelhante a outro por ela descrito, viola em seu texto o dia do início e do término de sua vigência.
o princípio
 Leis Excepcionais: as que vigem durante
a) da presunção de inocência. situações de emergência; É uma lei criada com o fim
b) do devido processo legal. específico de atender a uma situação circunstancial e
transitória. São exemplos os casos de calamidade pública,
c) do juiz natural.
guerras, revoluções, epidemias etc.
d) da legalidade.
e) do contraditório. Essas espécies de lei têm ultratividade, ou seja,
aplicam-se a fatos cometidos no seu império, mesmo depois
LETRA D de revogadas, pelo decurso de tempo ou cessadas as
causas emergenciais. A razão é evidente. Se o criminoso
soubesse antecipadamente que estivessem destinadas a
TEMA 2 desaparecer após um determinado tempo, perdendo a sua
eficácia, lançaria mão de todos os meios para iludir a
APLICAÇÃO DA LEI PENAL (A LEI PENAL NO TEMPO E sanção, principalmente quando iminente o término de sua
NO ESPAÇO) vigência pelo decurso de seu período de duração ou de suas
circunstâncias determinadoras. São exemplos de
1.1. A LEI PENAL NO TEMPO possibilidade de criação de leis temporárias ou excepcionais:
epidemia, guerra, mudança brusca de situação econômica,
A lei penal nasce, vive e morre. A regra é “tempus etc.
regit actum”, isto é, a lei rege em geral, os fatos praticados Encerrado o período de sua vigência, ou cessadas
durante a sua vigência. Há uma regra que domina o conflito as circunstâncias anormais que as determinaram, tem-se por
de leis penais no tempo, é a da irretroatividade da lei penal, revogadas tais leis.
sem a qual não haveria nem segurança nem liberdade na
sociedade, uma vez que se poderiam punir fatos lícitos após  HIPÓTESES DE CONFLITOS DE LEIS PENAIS
sua realização, com a abolição do postulado consagrado no NO TEMPO (já foram vistas anteriormente).
art. 2º do Código Penal.
1. Abolitio criminis – lei nova deixa de considerar
O princípio da irretroatividade vige, entretanto, crime fato anteriormente tipificado como ilícito penal.
somente em relação à lei mais severa. Admite-se, no direito 2. Novatio legis incriminadora – lei nova que
transitório, a aplicação retroativa da lei mais benigna (lex considera crime fato que anteriormente não incriminado.
mitior). Constituição Federal artigo 5° XL. 3. Novatio legis in pejus - lei posterior, que de
qualquer modo agrava a situação do sujeito, não retroagirá
Como vimos anteriormente, temos, assim, dois (art. 5º, XL, da CF).
princípios que regem os conflitos de direito intertemporal: o 4. Novatio legis in mellius - lei posterior, que
da irretroatividade da lei mais severa (regra) e o da descriminaliza ou dê tratamento mais favorável ao sujeito.
retroatividade da lei mais benigna (exceção) Não fere o princípio constitucional que preserva a coisa
julgada (art. 5º, XXXVI, da CF), pois essa norma
Observação importante: A lei processual penal, constitucional protege as garantias individuais e não o direito
entretanto, não se submete a esse critério, conforme o artigo do Estado enquanto titular do ius puniendi.
2° do CPP.
Havendo dúvida sobre qual a lei mais benéfica,
Havendo conflitos intertemporais deve-se aplicar os considerar-se-á mais favorável aquela que restringe o jus
princípios supracitados e, havendo retroatividade da lei mais puniendi, ampliando os direitos de liberdade .
benigna a persecutio criminis que ainda não foi
movimentada, não poderá mais sê-lo, isto é, o inquérito Durante o vacatio legis a lex mitior não pode ser
policial ou o processo não pode ser iniciado. De outro lado, aplicada de imediato e nem retroativamente, devendo sê-la
se o processo já está em andamento: deve ser "trancado" somente quando de sua entrada em vigor.
mediante decretação da extinção da punibilidade. Havendo
sentença condenatória com trânsito em julgado a pretensão  TEORIAS SOBRE O TEMPO DO CRIME
executória não pode ser efetivada (a pena não pode ser
executada). Por fim, se o condenado está cumprindo a pena São três teorias:
deve ser decretada a extinção da punibilidade, devendo o
mesmo ser solto. TEORIA DA ATIVIDADE: segundo a qual se considera
praticado o delito no momento da ação ou omissão,
Vejamos alguns pontos de destaque quanto ao aplicando-se ao fato a lei em vigor nessa oportunidade
tópico “a lei penal no tempo”: (teoria adotada pelo CPB, artigo 4º);

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
TEORIA DO RESULTADO: segundo a qual se considera
praticado o delito no momento da produção do resultado,
aplicando-se ao fato a lei em vigor nessa oportunidade; o parágrafo citado, compreende-se como extensão
do território as embarcações públicas, à serviço do governo
TEORIA DA UBIQÜIDADE OU MISTA: segundo a qual o brasileiro, seja as de guerra, seja com o transporte de chefes
tempo é indiferentemente o momento da ação ou do de estado e diplomatas. As aeronaves públicas são as que
resultado, aplicando-se qualquer uma das leis em vigor integram as forças armadas brasileira, inclusive as
nessas oportunidades. requisitadas para missões militares. Assim cometido crime
no interior dessas embarcações e aeronaves, onde quer que
Nosso legislador adotou a TEORIA DA ATIVIDADE, estejam, mesmo que seja em outro território, é aplicada a lei
que evita a incongruência de o fato se considerado como penal brasileira pela regra da territorialidade. No caso de
crime em decorrência da lei vigente na época do resultado tripulantes ou passageiros, à serviço do governo, que se
quando não o era no momento da ação ou omissão. ausentarem de suas embarcações ou aeronaves, e, estando
em solo estrangeiro para tratar de interesse particular,
CRIME PERMANENTE: Nele, em que o momento praticarem conduta criminosa, estarão sujeitos à lei penal do
consumativo se alonga no tempo sob a dependência da país em que se encontrarem.
vontade do sujeito ativo, se iniciado sob a eficácia de uma lei
e prolongado sob outra, aplica-se esta, mesmo que mais 1.2.2. PRINCÍPIOS ESPECÍFICOS DA
severa. TERRITORIALIDADE

CRIME HABITUAL: Dá-se a mesma solução do crime  Princípio da territorialidade absoluta: só a lei
permanente. penal brasileira é aplicável aos crimes cometidos no território
nacional.
CRIME CONTINUADO: Podem ocorrer três hipóteses :
 Princípio da territorialidade temperada: a lei
 o agente praticou a série de crimes sob o império penal brasileira, aplica-se em regra ao crime cometido no
de duas leis, sendo mais grave a posterior: aplica-se a lei território nacional. Excepcionalmente a lei estrangeira é
nova, tendo em vista que o delinquente já estava advertido aplicável a delitos cometidos total ou parcialmente em
da maior gravidade da sanctio juris, caso "continuasse" a território nacional , quando assim determinarem tratados ou
conduta delituosa; convenções internacionais.

 se cuida de novatio legis incriminadora, constituem OBS : Adotou-se o princípio da territorialidade temperada
indiferente penal os fatos praticados antes de sua entrada
em vigor. O agente responde pelos fatos cometidos sob a 1.2.3. PRINCÍPIOS GERAIS
sua vigência a título de crime continuado, se presentes os
seus requisitos; 1.2.3.1. EXTRATERRITORIALIDADE DA LEI PENAL
BRASILEIRA
 se trata de novatio legis supressiva de incriminação,
a lei nova retroage, alcançando os fatos ocorridos antes de
O princípio da extraterritorialidade consiste na
sua vigência. Quanto aos fatores posteriores, de aplicar-se o
aplicação da lei brasileira aos crimes cometidos fora do
princípio de reserva legal.
Brasil. Poderá ser :
1.2.LEI PENAL NO ESPAÇO
• INCONDICIONADA; Em todas as hipóteses de
Segundo a regra do art. 5º do Código Penal: Aplica- crimes do art. 7º, I, do Código Penal, o agente é punido
se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e sempre segundo a lei brasileira, mesmo que tenha sido
regras de direito internacional, o crime cometido em território absolvido ou condenado fora do território brasileiro. Isso não
brasileiro." significa que serão executadas, integralmente, as penas
aplicadas pelos dois países, pois a pena cumprida no
Desse modo, a regra define a aplicação da lei penal estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil. Tal
em todo o território brasileiro, embora o dispositivo contenha extraterritorialidade é prevista nas hipóteses do inc. I do art.
a ressalva da existência de convenções, tratados e regras 7º, quais sejam, as de crimes cometidos no estrangeiro
de direito internacional, como na hipótese de crimes contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;
praticados por diplomatas. Completando assim a regra de contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito
territorialidade por outras disposições a que chamamos de Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa
extraterritorialidade. pública, sociedade de economia mista, autarquia ou
fundação estatuída pelo Poder Público; contra a
A aplicação da lei penal em território nacional pode- Administração Pública, por quem está a seu serviço; e de
se estender além das fronteiras nacionais. genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no
Brasil. Diz-se incondicionada a extraterritorialidade
1.2.1.TERRITÒRIO excepcional da lei penal brasileira, nesses casos, porque a
sua aplicação não se subordina a qualquer requisito.
Refere-se ao território nacional quando se
considera apenas o espaço compreendido entre nossas • CONDICIONADA. Ocorre nos seguintes casos:
fronteiras. Abrange o solo e subsolo, sem solução de
continuidade e com limites reconhecidos; as águas a) crimes que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou
interiores, o mar territorial, a plataforma continental e o a reprimir (art. 7º, II, a).
espaço aéreo, bem como a seu leito e também o que está b) crimes praticados por brasileiro no estrangeiro (al.
imbuído abaixo do solo. Entretanto a noção de território c).delitos praticados em aeronaves ou embarcações
abrange todo o espaço onde impera a soberania do Estado. brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando
em território estrangeiro e aí não sejam julgados.
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
d) Crimes cometidos por estrangeiro contra brasileiro fora do receba imposição de pena já aplicada a Extradição segue
Brasil (art. 7º, § 3º). alguns princípios :

Diz-se condicionada porque a aplicação da lei penal Princípio da não extradição de nacionais: nenhum
brasileira se subordina à ocorrência de certos requisitos. Nos brasileiro será extraditado, salvo naturalizado, em caso de
quatro casos, a aplicação da lei brasileira depende do crime comum praticado antes da naturalização ou de
concurso das seguintes condições: comprovado tráfico ilícito de entorpecentes.

 entrar o sujeito no território nacional. Princípio da exclusão de crimes não comuns:


 ser o fato punível também no país em que foi estrangeiros não podem ser extraditados por crime político
praticado; ou de opinião;
 estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a
lei brasileira autoriza a extradição;. Princípio de prevalência dos tratados: na colisão entre a
 não ter sido o sujeito absolvido no estrangeiro ou lei reguladora da extradição e o respectivo tratado, este
não ter aí cumprido a pena; prevalece.
 não ter sido o sujeito perdoado no estrangeiro ou,
por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a Princípio da legalidade: somente cabe extradição nas
lei mais favorável (art. 7º, § 2º). expressas hipóteses elencadas no texto lega regulador do
instituto e apenas em relação aos delitos especificamente
1.2.3.2. Nacionalidade: Pode ser chamado de princípio da apontados naquela lei.
personalidade. A lei penal do Estado é aplicável a seus
cidadãos onde quer que se encontrem. O que importa para a Princípio da dupla tipicidade: deve haver semelhança ou
aplicação da lei penal é a nacionalidade, podendo o Estado simetria entre os tipos penais da legislação brasileira e do
(Brasil) punir o agente delituoso (brasileiro), pelo crime que Estado solicitante.
cometeu fora das fronteiras de seu Estado. Aplica-se a lei do
país do agente, pouco importando o local onde o crime foi Princípio da preferência da competência nacional:
cometido. Pode subdividir-se em: havendo conflito entre a justiça brasileira e a estrangeira,
prevalecerá a competência nacional.
• NACIONALIDADE ATIVA OU
Princípio da limitação em razão da pena: não se
PERSONALIDADE ATIVA :Aplica-se a lei do Estado ou
concederá extradição para os países onde a pena de morte
país a que pertence o agente, sem levar em consideração a
e a prisão perpétua são previstas a menos que sejam dadas
nacionalidade da vítima, ou bem jurídico. Art. 7º Inciso II,
garantias de que não serão aplicadas.
Alínea b, do Código Penal.
Princípio da detração: o tempo em que o extraditando
 NACIONALIDADE PASSIVA OU
permanece preso preventivamente no Brasil, a deve ser
PERSONALIDADE PASSIVA, Aplica-se a lei do Estado ou
considerado na execução da pena no país requerente.
país, somente quando a vítima ou bem jurídico ofendido,
pertença a pessoa da mesma nação. Art. 7º, Inciso II, Alínea Jurisdição subsidiária: verifica-se a subsidiariedade da
b, do Código Penal. Em outros termos, exige para sua jurisdição nacional nas hipóteses do inciso II e do § 3° do
aplicação que sejam nacionais o autor e o objeto ofendido. artigo 7° do CP. Se condenado por crime no estrangeiro e
sendo processado por esse juízo. Está sentença
1.2.3.3. DA PROTEÇÃO, DA DEFESAOU REAL: Aplica-se
preponderará sobre a do juiz brasileiro. Caso o réu tenha
a lei do país do bem jurídico ofendido, sem contar-se com o sido considerado absolvido pelo juízo estrangeiro, aplicar-se-
local onde foi praticado o crime ou a nacionalidade do á a regra non bis in idem para impedir a persecutio criminis.
agente,ou seja, onde quer que o crime tenha ocorrido e Tendo sido condenado, e subtraiu-se a execução da pena ,
qualquer que seja a nacionalidade do criminoso. São não lhe será possível invocar o non bis in idem, sendo
exemplos: crime cometido no exterior, contra a vida e julgado e se for o caso, condenado novamente pelos órgão
liberdade do Presidente da República e o patrimônio público nacionais – art 7° § 2°, “d” e “e”.
Brasileiro; Genocídio praticado por brasileiro, ou pessoa aqui
residente, etc. Jurisdição principal: hipóteses do artigo 5° e 7°,I do CP.
Compete a jurisdição brasileira conhecer do crime cometido
1.2.3.5. DA REPRESENTAÇÃO: aplicação do país, quando
no território nacional ou por força dos princípios de
por deficiência legislativa ou interesse de outro que deveria competência real. Assim, a absolvição no estrangeiro não
reprimir o crime, não o faz. Praticada em aeronaves ou impedirá nova persecutio criminis, nem obstará o veredicto
embarcações Brasileira (mercante ou privada) e no exterior do juiz brasileiro.
não julgada.
Atendendo a regra non bis in idem e non bis poena in
OBS: Geralmente as nações adotam legislação baseadas e idem, a pena cumprida no estrangeiro pelo mesmo crime,
um dos princípios e depois complementam com os demais. quando diversas atenua a pena imposta no Brasil, e quando
No Brasil, adotou-se os seguintes princípios: idênticas é nela computada.
 da territorialidade: art. 5º (regra); 1.2.5. LUGAR DO CRIME
 real ou de proteção: art. 7º, I e § 3º;
 da justiça universal: art. 7º, II, a; Segundo o Art. 6º do CPB, “considera-se praticado
 da nacionalidade ativa: art. 7º, II, b; o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo
 da representação: art. 7º, II, c (exceções). ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria
produzir-se o resultado."
1.2.4.EXTRADIÇÃO: é o instrumento jurídico pelo qual um
país envia uma pessoa que se encontra em seu território a Ocorrendo uma conduta criminosa é necessário que
outro Estado soberano, a fim de que neste seja julgada ou
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
se defina o lugar em que ela aconteceu, pois à partir da seu resultado.
determinação do local é que se pode estabelecer a sua
competência. E para definir corretamente o lugar do crime, e LETRA C
segundo critérios da competência penal internacional, é
necessário conhecer os fatos do crime que estão
2. (Aplicada em: 2013 - Banca: FCC - Órgão:
diretamente implicados ao local de sua ocorrência.
MPE-SE Prova: Técnico Administrativo) A lei penal
Além disso, existem três teorias principais para brasileira tem vigência espacial precipuamente
ajudar na elucidação do problema, quais sejam: Teoria da regida pelo postulado denominado
Atividade; Teoria do Resultado e Teoria da Ubiquidade.
a competência universal.
Cada uma dessas teorias traz em si considerações b subsidiariedade.
diferentes sobre a apuração do lugar do crime. Vejamos: c nacionalidade.
d proteção.
 TEORIA DA ATIVIDADE - o relevante é saber onde
e territorialidade.
os atos executórios foram praticados;

 TEORIA DO RESULTADO - o que se prioriza é LETRA E


conhecer o lugar em que o crime produziu o seu resultado
ou efeito; 3. (Prova: FCC - 2010 - MPE-SE - Analista - Direito /
Direito Penal / Aplicação da Lei Penal; ) Considere
 TEORIA DA UBIQUIDADE OU MISTA - o que a hipótese de um crime de extorsão em
importa são os momentos tanto da prática dos atos andamento, em que a vítima ainda se encontra
executórios, quanto da sua consumação. Essa última, por privada de sua liberdade de locomoção. Havendo a
sinal, é a dominante entre os doutrinadores e das entrada em vigor de lei penal nova, prevendo
legislações penais. Também o Código Penal Brasileiro, no
aumento de pena para esse crime,
seu art. 6º, adotou a teoria da ubiquidade para solucionar a
questão referente ao lugar do crime. Diante desse fato, há
consenso de que para a aplicação da lei nacional à conduta a) terá aplicação a lei penal mais grave, cuja vigência
criminosa, é suficiente que ela ocorra em território brasileiro, é anterior à cessação da permanência do crime.
ainda que seja uma pequena porção dessa conduta. Sua b) terá aplicação a lei nova, em obediência ao
adoção pelo Código é marcante na análise de casos princípio da ultratividade da lei penal.
denominados crimes à distância, onde os atos executórios c) não poderá ser aplicada a lei penal nova, que só
são praticados num Estado e a sua consumação se dá retroage se for mais benéfica ao réu.
noutro Estado. A lei nacional deve ser exercida, mesmo que d) será aplicada a lei nova, em obediência ao
concomitante à lei estrangeira.
princípio tempus regit actum. e) não será aplicada a
OBS: Quando nos casos de crime permanente e crime lei penal mais grave, pois o direito penal não admite
continuado, algum dos fatos que constituem tais crimes for a novatio legis in pejus.
praticado em território nacional, caberá à aplicação da lei
nacional. A adoção da teoria da ubiquidade só não terá LETRA A
aplicação para os casos de crimes conexos, uma vez que
esses crimes não constituem fato unitário, ficando submetido
a lei de cada país o que for feito em seu território.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO DE CONTEÚDO


PARA RESOLUÇÃO EM SALA

1. (Aplicada em: 2014 - Banca: FCC Órgão: TJ-AP


Prova: Técnico Judiciário - Área Judiciária e
Administrativa) Com relação à aplicação da lei
penal, é INCORRETO afirmar:

a Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há


pena sem prévia cominação legal.
b A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o
período de sua duração ou cessadas as circunstâncias
que a determinaram, aplica-se ao fato praticado
durante sua vigência.
c Pode-se ser punido por fato que lei posterior deixe
de considerar crime, se já houver sentença penal
definitiva.
d A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena
imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas,
ou nela é computada, quando idênticas.
e Considera-se praticado o crime no momento da
ação ou omissão, ainda que outro seja o momento de
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
ESPAÇO PARA OBSERVAÇÕES DO ALUNO PRIMEIRA PARTE
DISPOSIÇÕES LEGAIS CORRELATAS

TÍTULO II DO CRIME
DECRETO-LEI No 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940
(CÓDIGO PENAL)

TÍTULO II DO CRIME

Relação de causalidade(Redação dada pela Lei nº 7.209,


de 11.7.1984)
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime,
somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se
causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria
ocorrido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Superveniência de causa independente(Incluído pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º - A superveniência de causa relativamente independente
exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado;
os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os
praticou. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Relevância da omissão(Incluído pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente
devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir
incumbe a quem:(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o
resultado; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da
ocorrência do resultado. (Incluído pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Art. 14 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Crime consumado (Incluído pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos
de sua definição legal; (Incluído pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Tentativa(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma
por circunstâncias alheias à vontade do agente. (Incluído
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Pena de tentativa(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a
tentativa com a pena correspondente ao crime consumado,
diminuída de um a dois terços.(Incluído pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Desistência voluntária e arrependimento eficaz(Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de
prosseguir na execução ou impede que o resultado se
produza, só responde pelos atos já praticados. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
c) d) Arrependimento posterior(Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984) .
Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave
ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até
o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário
do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Crime impossível (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
impossível consumar-se o crime.(Redação dada pela Lei nº I - em estado de necessidade; (Incluído pela Lei nº 7.209, de
7.209, de 11.7.1984) 11.7.1984)
Art. 18 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de II - em legítima defesa;(Incluído pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984) 11.7.1984)
Crime doloso(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício
I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o regular de direito.(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
risco de produzi-lo;(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Excesso punível (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Crime culposo(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses
II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por deste artigo, responderá pelo excesso doloso ou
imprudência, negligência ou imperícia. (Incluído pela Lei nº culposo.(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
7.209, de 11.7.1984) Estado de necessidade
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem
pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou
o pratica dolosamente. (Incluído pela Lei nº 7.209, de por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito
11.7.1984) próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era
Agravação pelo resultado(Redação dada pela Lei nº 7.209, razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
de 11.7.1984) 11.7.1984)
Art. 19- Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só § 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o
responde o agente que o houver causado ao menos dever legal de enfrentar o perigo. (Redação dada pela Lei nº
culposamente.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 7.209, de 11.7.1984)
11.7.1984) § 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito
Erro sobre elementos do tipo(Redação dada pela Lei nº ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços.
7.209, de 11.7.1984) (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de Legítima defesa
crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando
culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela Lei nº moderadamente dos meios necessários, repele injusta
7.209, de 11.7.1984) agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
Descriminantes putativas(Incluído pela Lei nº 7.209, de outrem.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
11.7.1984)
§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente TEMA 3
justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, DO CRIME
se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de
pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como 1. Infração Penal: elementos, espécies, sujeito ativo e
crime culposo.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de sujeito passivo.
11.7.1984) 1. Infração Penal
Erro determinado por terceiro (Incluído pela Lei nº 7.209, - Abrangência
de 11.7.1984) - Pontos distintivos entre crimes e contravenções
§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro. 2. Elementos subjetivos
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 2.1 Sujeito Ativo (autor, coautor e partícipe)
Erro sobre a pessoa(Incluído pela Lei nº 7.209, de - Espécies (comum e próprio)
11.7.1984) Pessoa Jurídica
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é Terminologias (inquérito, processo e execução).
praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste 2.2. Sujeito Passivo
caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da - Espécies (formal e material)
pessoa contra quem o agente queria praticar o crime. - Questões polêmicas (sujeito ativo passivo
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) simultâneo; homem morto; animais).
3. Objetos do Delito
Erro sobre a ilicitude do fato(Redação dada pela Lei nº
- jurídico
7.209, de 11.7.1984)
- material
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro
sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se 1.Infração Penal
evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 1.1Abrangência
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente
atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato, O termo infração penal tem grande abrangência na
quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir sua conotação terminológica. Nele, se entrelaçam os
essa consciência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de conceitos de crime e contravenção penal. Assim quando
11.7.1984) falamos em Infração Penal, pode-se estar diante de um
Coação irresistível e obediência hierárquica (Redação Crime (penalizado com reclusão ou detenção) ou de uma
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Contravenção Penal (penalizado com prisão simples ou
Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em multa autônoma).Não se confunda, porém, com o termo ato
estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de infracional que se dirige para os menores de 18 anos, que
superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da são inimputáveis, ou seja, não responde perante o Código
ordem.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Penal e sim, perante o Estatuto da Criança e do adolescente
Exclusão de ilicitude(Redação dada pela Lei nº 7.209, de – ECA – Lei 8.069/90.
11.7.1984)
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: Em ambos os casos, vale dizer, a multa poderá
exsurgir como elemento cumulativo ou alternativo. Não se
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
deve esquecer que a tipificação de uma conduta como verifica-se quando o agente pratica uma contravenção
sendo fato típico criminoso ou fato típico contravencional é depois de passar em julgado a sentença que o tenha
algo que diz respeito ao legislador quando da feitura ou condenado, no Brasil ou no estrangeiro, por qualquer crime,
reavaliação do texto legal. Assim, por exemplo, o porte de ou, no Brasil, por motivo de contravenção.
arma de fogo preteritamente foi colocado como Obs : a hipótese sempre lembrada pela doutrina de
contravenção penal, sendo, contudo, alçado a condição de ocorrência de uma contravenção e depois de um crime não
Crime com a edição da Lei 9.437/97. gera reincidência em face de ausência de disposição legal
nesse sentido.
Vale salientar que, sobre a colocação dos termos
“crime”, “contravenção” e “delito” existem duas teorias, quais -Limite das Penas - Nos crimes o regime de
sejam: A Teoria Bipartida e a Teoria Tripartida. Para a cumprimento direto permitido por infrações julgadas é de 30
primeira, as palavras crime e delito são sinônimos, sendo anos segundo o art. .75 do CPB. Por sua vez, sendo caso de
diferente o sentido de contravenção. Por outro lado, para a contravenção penal não pode ser superior em caso algum
teoria tripartida existente em alguns países, cada um desses ao limite de 5 anos o tempo de cumprimento da pena
termos é considerado um instituto diferente. Frise-se que no aplicada.
Brasil adotou-se a primeira teoria. Assim, nos termos da
doutrina pátria entende-se que tanto faz dizermos que -Ação Penal – Consiste a ação penal no pedido
alguém praticou um crime ou um delito. De outro lado, feito ao Poder judiciário para pronunciamento sobre o mérito
porém, quando se identifica que alguém praticou uma da causa e a aplicação do Direito Penal objetivo, absolvendo
contravenção entende-se que o seu disciplinamento legal ou condenando o acusado, ou mesmo julgando extinta a
será diverso, visto que a contravenção é regida por norma punibilidade. Tal ação pode ter ocorrer de variadas formas,
própria [Decreto-Lei nº. 3.688, de 03 de outubro de 1941], quais sejam, pública incondicionada, pública condicionada e
além de apresentar algumas peculiaridades como a privada. Vale dizer que, tal generalidade e amplitude das
existência de prisão simples e a impossibilidade de tentativa. formas de ação penal só tem cabimento quando do trato
São ainda pontos de destaque das contravenções penais: dos crimes em geral. Isto, pois, quando se trata de
contravenções penais a ação é sempre publica
Pontos distintivos entre crimes e contravenções. incondicionada, ou seja, o Ministério Público não precisa da
autorização da parte envolvida para promover a denúncia
– Pena – Segundo o Decreto-Lei 3.914/41(Lei de correlata, diversamente do que ocorre, por exemplo, no caso
Introdução ao Código Penal) os crimes são definidos como de um estupro, que por se tratar de ação penal de natureza
os fatos que são penalizados com reclusão e detenção, ao privada, o Ministério Público só poderá promover a denúncia
passo que as contravenções penais, como se disse respectiva com a autorização da parte interessada.
anteriormente, são penalizados através de prisão simples.
Obs: Não se deve esquecer que a pena de multa pode ser Observação Importante: Em essência não se vislumbra
aplicada em ambas às situações tanto de forma autônoma, diferença entre o ilícito penal e o ilícito civil, visto que ambos,
alternativa e cumulativa. de alguma forma, lesam interesses jurídicos protegidos pelo
Direito. Como nos adverte a doutrina hodierna tal distinção
– Princípio da Territorialidade – Enquanto os crimes tem apenas caráter formal, em face do objeto amparado pelo
segundo o CPB adotam a denominada territorialidade Direito Penal ter uma amplitude mais intensa do que aquele
temperada permitindo que se utilize tratados, convenções, patenteado pelo Direito Civil, o que não impede, porém, que
acordos, entre outros instrumentos, para flexibilizar o critério possa haver bens protegidos simultaneamente por tais
do jus soli (solo pátrio) nas contravenções penais esse ramos jurídicos.
critério é absoluto, sendo chamado de territorialidade pura,
só sendo aplicado a legislação brasileira em caso de Em alguns casos, esses ilícitos podem ser ao
contravenção realizada no âmbito do território brasileiro. mesmo tempo infrações penais, civis e administrativas, haja
vista a independência dessas esferas. Em outras situações,
poderemos ter apenas infrações civis ou administrativas.
- Elemento Subjetivo – Quanto a este tópico sabe-se que no Dessa forma, poderemos ter, além da pena criminal, a
Direito Penal não existe mais a chamada responsabilidade ocorrência de sanções civis ou administrativas.
objetiva, devendo toda responsabilidade ser subjetiva, ou
seja, para haver responsabilidade perante o Direito Penal o Assim, no crime de furto, além da pena, o agente
indivíduo deve agir ao menos culposamente. Assim ocorre, pode ser obrigado a restituir o bem ou indenizar a vítima. No
para que, em situações excepcionais como nas hipóteses de crime de corrupção passiva, por outro lado, o réu pode vir a
caso fortuito e força maior o indivíduo não possa responder perder o cargo como medida administrativa.
face à excepcionalidade da situação. Se essa é a regra, em
que pese às contravenções penais, a situação se afigura Elementos subjetivos da infração penal:
diferente. A Lei de Contravenções Penais consubstancia
que, num primeiro momento, o Estado-Juiz ao se deparar A prática de infração penal, bem como as
com a análise das contravenções penais, deve enfocar consequências que esta conduta gera sempre terá um
diretamente a conduta praticada, sendo secundário o tipo de aspecto humano ainda que se possa utilizar um animal
elemento subjetivo (dolo, culpa ou preterdolo), bastando bravio para realizar um homicídio, por exemplo, o sujeito
apenas a conduta praticada, exceto se a própria lei dispuser responsável pelo delito será aquele que o instigou. De outro
no sentido de que em determinada situação contravencional lado, quando alguém vem a envenenar, por exemplo, certa
o elemento subjetivo deve ser valorado. quantidade de cavalos de um haras, com o intuito de causar
prejuízo, embora a incidência da conduta seja sobre tais
-Reincidência – Nos crimes tem ocorrência segundo animais, a lesão ocorrida, em termos estritamente jurídicos,
o art. 63 do CPB quando o indivíduo pratica um crime depois será sempre do proprietário daqueles.
de já ter transitado em julgado a sentença que o condenou,
no Brasil ou no Exterior, por crime anterior. Por outro lado, 2.1. Sujeito Ativo é aquele que realiza a conduta fática
nos termos do art.7º da Lei de Contravenções Penais, tipificada legalmente (autor); também o são aqueles que

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
embora não realizando a conduta supracitada ajudam de Por último quanto ao sujeito passivo demarcamos
forma determinante para que ela aconteça (coautor); e, a seguir a posição que tem prevalecido em nível doutrinário
ainda, aqueles que realizem condutas secundárias que, e jurisprudencial no que toca a certas questões polêmicas.
contudo, tenham causado alguma influência no evento
delituoso (partícipe). Sujeito Ativo Passivo simultâneo: prevalece o
entendimento de que é impossível.
O sujeito ativo poderá ser:
Homem morto: não é considerado sujeito passivo,
Comum: Nessa hipótese qualquer pessoa poderá já que não se apresenta mais como titular de direitos e
realizar a conduta criminosa sem que necessite de nenhum obrigações do ponto de vista legal. É, contudo, objeto
atributo especial. São exemplos: homicídio, roubo, etc. material de alguns delitos.

Próprio: Aqui, a conduta lesiva conclama a Animais: Valem as considerações anteriores.


existência de certas peculiaridades fáticas ou jurídicas. São
exemplos: aborto (pressuposto fático), peculato (pressuposto Pessoa Jurídica: É pacífico o entendimento de que
jurídico). pode ser sujeito passivo a pessoa jurídica, ressalvando-se
apenas os crimes em que necessariamente teremos de ter
Em regra a prática delitual se manifesta através de como vítima uma pessoa física como ocorre, por exemplo,
pessoas físicas. Isto posta deve-se demarcar que por muito nos crimes de homicídio e estupro.
tempo a doutrina foi unânime quanto à impossibilidade de
uma pessoa jurídica realizar o fato criminoso. Não havia até 3. Objetos do Delito (Espécies)
bem pouco tempo nenhuma base legal que justificasse de
forma eficaz tal possibilidade. Desde o advento da 3.1 Objeto Jurídico é o bem ou interesse tutelado pela
Constituição Federal vigente de acordo com o seu artigo norma pena.
225, em seu parágrafo terceiro, tornou-se possível à 3.2 Objeto Material é a pessoa, coisa ou animal
responsabilização penal da pessoa jurídica no que concerne atingido pela conduta criminosa.
aos danos causados ao meio ambiente. Também o Art.173
da referida norma em seu quinto parágrafo estabeleceu a EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO DE CONTEÚDO
mesma responsabilidade penal quando se tratasse de atos PARA RESOLUÇÃO EM SALA
praticados contra a ordem econômica e financeira e ainda
contra a economia popular. Entretanto, apesar de tais 1.(Aplicada em: 2014 - Banca: FCC - Órgão: TRF - 3ª
dispositivos faltava à devida regulamentação por meio de REGIÃO Prova: Técnico Judiciário - Área Administrativa)
legislação ordinária. Diante desse quadro, o nascedouro da Não há crime sem
Lei de Crimes Ambientais (9.605/98) foi um marco jurídico
determinante na preocupação do estudo desse tema. A partir a dolo.
dela, pois, a pessoa jurídica passou expressamente a poder b resultado naturalístico.
ser sujeito ativo de crimes lesivos ao meio ambiente (Art.3º). c imprudência.
d conduta.
Por último em que pese às noções acerca do sujeito e lesão.
ativo de um crime, diga-se que a sua nomenclatura será
variante harmonizando-se com a circunstância em que se LETRA D
encontre. Desse modo, na fase do inquérito policial será
chamado de “indiciado”; na fase processual será 2.(Aplicada em: 2012Banca: FCC - Órgão: TJ-PE - Prova:
denominado de “acusado”, “réu” ou “denunciado”; na fase de Técnico Judiciário - Área Judiciária) No que concerne
execução da pena caso seja considerado culpado receberá aos elementos do crime, é correto afirmar que
à designação de “sentenciado”, “recluso” ou “detento”.
a não há crime sem ação.
2.2 Sujeito Passivo segundo a posição majorante é b os animais irracionais podem ser sujeitos ativos de
aquele que sofre a ação ou omissão do sujeito ativo, tendo a crimes.
titularidade da objetividade jurídica ou material. Em regra c o sujeito passivo material de um delito é o titular do bem
todo crime possui sujeito passivo determinado. jurídico diretamente lesado pela conduta do agente.
Excepcionalmente existem crimes em que o sujeito passivo d não há crime sem resultado.
apresenta a característica da indeterminabilidade como se e só os bens jurídicos de natureza corpórea podem ser
verá em momento oportuno quando do trato da classificação objeto material de um delito.
dos crimes em geral. Há crimes em que temos uma
pluralidade subjetiva passiva (ex: bigamia); outros, atingem LETRA C
apenas um sujeito passivo, ao menos no plano fático como
ocorre na injúria individualizada de certa pessoa.
ESPAÇO PARA OBSERVAÇÕES DO ALUNO
O sujeito passivo pode ser:

– Formal ou constante: É sempre o Estado visto que


como defensor máximo de todos os interesses sociais desde
os mais simples aos mais relevantes, sempre haverá, ainda
que em tese, a lesão ao interesse público representado pelo
poder soberano estatal.

– Material: Aqui, fala-se do sujeito passivo


circunstancialmente atingido em cada caso concreto.

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
O FATO TÍPICO E SEUS ELEMENTOS

3. Do Fato Típico
1. Generalidades
1.1.Conceito Formal de Crime
1.2.Características (ato humano; exteriorização;
consciência; finalidade).
1.3.Elementos (conduta; resultado; nexo de causalidade
e tipicidade).
1. 3.1 Conduta
- inexistência
- teorias
1. 3.2 Resultado
- distinção com evento
1.3.3 Relação de causalidade
- Teoria da Equivalência dos antecedentes causais
1.3.4. Tipicidade
- conceito
- 1.3.4.1 Elementos objetivos, subjetivos e normativos.
-
1.Generalidades :

Do ponto de vista formal o crime é entendido


doutrinariamente como sendo o fato típico e antijurídico.
Apesar dessa corrente ser predominante vem sendo
crescente o número de adeptos que colocam a culpabilidade
como elemento do crime. Para o estudo a que nos propomos
nesse momento utilizaremos como referencial a primeira
corrente.

Destarte, adentremos diretamente no tema. O que


vem a ser o fato típico? O fato típico é aquele fato definido
na lei como crime, aquela norma considerada relevante, fato
exterior provocado pelo homem (fato humano) ou através de
instrumentalização de um terceiro incapaz ou mesmo de um
animal.

O fato típico resulta da conjunção de vários


elementos, e forma uma figura híbrida, do ponto de vista
doutrinário ele é composto de basicamente quatro
elementos; a conduta, o resultado, o nexo de causalidade e
por último a tipicidade. O fato típico tem características que
lhe permitem uma estrutura peculiar. Assim, é um fato que,
em regra, só pode ser praticado pelo homem como já vimos.
Além disso, o fato deverá ser exteriorizado, pois se ficar

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
apenas no pensamento (criações imaginárias, não reais), Entende-se como relação causal o relacionamento
não haverá responsabilização. Deve ainda ser um fato entre a conduta que foi executada e o resultado que foi
consciente, pois ausente essa não se opera aquele. A quarta obtido. Assim, a relação de causalidade é o elo que liga a
e última característica é a finalidade que deve existir ainda conduta ao resultado.
que em caráter potencial.
O Código Penal adotou a teoria da equivalência
1.1.Conduta No que se refere ao elemento “conduta” dos antecedentes causais, segundo o que causa é a ação
algumas observações devem ser feitas: ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. Para
que essa teoria não causasse excessos passou a ser
 A conduta é o gênero do qual os atos são espécies. limitado pelos elementos subjetivo dolo e culpa. Assim, se
 Inexiste conduta criminosa nos seguintes casos: tomássemos ao pé da letra tal teoria o indivíduo que vendeu
atos reflexos ou intuitivos; havendo coação irresistível; uma corda, por exemplo, deveria ser penalizado se alguém
durante o sonambulismo; Existindo caso fortuito ou força utilizasse tal mercadoria no ato de um enforcamento de
maior. outrem. Contudo, pela limitação criada o vendedor só poderá
saber se tiver conhecimento do que o indivíduo pretendia
 Existem três terias acerca da conduta: Teoria fazer ao comprar aquela corda e mesmo assim ele
Causalista, Teoria Finalista e Teoria Social da Ação. Na promoveu a venda devida, gerando uma participação no
primeira há a preocupação somente com o resultado sem se crime realizado.
preocupar com a finalidade. Assim, por exemplo, não
importa o fato de alguém ter atirado em legítima defesa ou 1.4 Tipicidade - Chegamos ao último elemento do fato
com a vontade de atirar dolosamente, o que importa para os típico. Exsurge a tipicidade como a adequação de uma
causalistas é o fato da morte que é o resultado e não a situação concreta aos parâmetros legais preestabelecidos.
conduta que a gerou. Por outro lado, a corrente finalista da Em outras palavras, existe uma descrição anterior à conduta
ação entende que o resultado é secundário, pois o que criminosa que já está prevista em lei (Tipo) conforme os
importa em caráter principal é o fato de o indivíduo ter tido princípios da anterioridade e da legalidade anteriormente
uma finalidade, seja esta dolosa, culposa, em legítima estudados. De outro lado, existe uma conduta humana de
defesa, etc. É isto que vai alterar ao final na pena que será natureza comissiva ou omissiva no plano fático que vem a
aplicada. Por fim para a corrente social da ação o que se encaixar naquela descrição legal (Tipicidade).
importa é o fato de estar à conduta agredindo a sociedade.
Assim, tomemos como exemplo a conduta do adultério Entendida essa diferença básica passaremos a
recentemente retirada do nosso Código Penal. Para essa tecer alguns comentários acerca do Tipo Penal.
terceira corrente mesmo antes das disposições da Lei
11.106/2005 tal conduta não se amoldava mais à realidade O Tipo Penal é formado dos seguintes elementos
social e como tal não deveria ser mais aplicada, o que de acordo com a doutrina majorante:
complica a sua possibilidade num país como o nosso em
que o princípio da legalidade reina quase que absoluto. 1.4.1.1.Elementos Objetivos: Em regra são os verbos
núcleo dos crimes em geral.
1.2. Resultado No que se refere ao elemento “resultado”
deve ser dito o seguinte: Ex: Matar alguém [Art.121 do Código Penal]

Não se confunde resultado e evento, pois, o 1.4.1.2.Elementos Subjetivos: No seu sentido lato sensu
resultado é uma mutação ou efeito que ocorre no mundo abrange o dolo, a culpa e o preterdolo.
exterior, ao passo que o evento é qualquer acontecimento
que não apresente relevância no nível de resultado. Ex: Lesão corporal culposa [Art.129 parágrafo sexto do
Código Penal]
No que se refere ao resultado é importante
salientar que através dele nós poderemos alcançar três Desse modo, vejamos os crimes correlatos:
espécies de crimes: Os materiais, que são aqueles que esse
resultado é cobrado para efeito da consumação do crime, a Crimes Dolosos
exemplo do que ocorre nos crimes de homicídio, estupro,
roubo, etc; Os formais que são aqueles em que o resultado Generalidades
pode acontecer embora não seja cobrado para efeito de
consumação do crime como acontece com o crime de Considera-se crime doloso nos termos do Art.18, 1
ameaça, em que ocasionalmente eu posso gerar um do Código Penal aquele em que o indivíduo age livremente
resultado como distúrbios psíquicos ou depressão, apesar de forma voluntária e consciente, dirigindo seus esforços ao
disso não ser necessário para que esta conduta criminosa evento criminoso.
se considere consumada, pois bastará a simples ameaça;
Os de mera conduta que são aqueles que não apresentam Doutrinariamente o dolo é estudado através de três
nenhum resultado no mundo exterior, mas simplesmente teorias. São elas:
uma conduta como acontece com o crime de violação de
domicílio.  Teoria da Vontade em que se entende que o dolo
estaria configurado quando o sujeito ativo do crime
Observação Importante: Não se deve confundir os crimes efetivamente desejasse o resultado atingido.
formais com os de mera conduta, visto que, nos primeiros o
resultado não é cobrado mais pode acontecer, ao passo que  Teoria do Assentimento segundo a qual o
no segundo ele jamais surgirá. indivíduo apesar de não ter vontade de praticar diretamente
o resultado, é a este indiferente. Assume-se o risco de
1.3 Nexo causal No que tange a relação de causalidade não praticar o resultado, mas não o deseja diretamente.
se deve esquecer:
 Teoria da Representação em que se tem como

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
ponto determinante à consciência de que aquela conduta, relaxamento.
comissiva ou omissiva, irá gerar o resultado. Tal teoria
consiste em um dos elementos componentes da Teoria da  Imprudência: É a incautela, ou seja, o não
Vontade. atendimento às cautelas previstas para cada caso concreto.

O Código Penal brasileiro adotou as duas primeiras  Imperícia: É a falta de conhecimento necessário,
teorias sendo que uma referente ao dolo direto e a outra mais específico, que deve haver em certas atividades.
quanto ao dolo eventual respectivamente.
Espécies
Espécies de Dolo
 Culpa Própria/Inconsciente (É a culpa comum, nas
Dentre as várias espécies alentadas na doutrina e modalidades já estudadas).Não há no agente o
jurisprudência pátrias, optamos por uma classificação conhecimento efetivo do perigo que sua conduta provoca
reduzida em que estarão presentes os tipos penais dolosos para o bem jurídico alheio.
mais frequentemente estudados. São eles:
 Culpa Consciente A culpa consciente ocorre quando
 Dolo Direto, Comum ou Genérico: É o mais usual. o agente prevê o resultado, mas espera, sinceramente, que
Tanto pode ser comum quanto pode ser específico. No que não ocorrerá. Há no agente a representação da
se refere a esse último temos uma finalidade previamente possibilidade do resultado, mas ele a afasta por entender
demarcada em lei seja explicitamente ou seja que o evitará, que sua habilidade impedirá o evento lesivo
implicitamente. que está dentro de sua previsão. Tal espécie de culpa
aproxima-se do dolo eventual, dele distinguindo-se pela
 Dolo Indireto: Nessa hipótese de dolo teremos uma indiferença.
subdivisão em dolo indireto alternativo (a vontade aqui não
está claramente definida) e dolo indireto eventual (existe  Culpa Imprópria (Ocorre quando o agente labora
indiferença em relação ao evento criminoso). em erro de tipo inescusável).

 Dolo de Dano: Nos crimes que exigirem esse tipo


de dolo só haverá o momento consumativo quando o dano  Culpa Exclusiva da vítima (Pode ser usada como
ocorrer ainda que em caráter potencial. meio capaz de isentar o indivíduo).

 Culpa Presumida Diz-se que a culpa é presumida


 Dolo de Perigo: Ao contrário do anterior denota a quando, não se indagando se no caso concreto estão
possibilidade de que o momento consumativo ocorrerá com presentes os elementos da conduta culposa, o agente é
a simples possibilidade de perigo seja ele abstrato ou punido por determinação legal, que presume a ocorrência
concreto. dela. Vale dizer que, tal espécie tem caráter excepcional
dentro do Direito Penal Moderno.
 Dolo Geral: É a mesma coisa que erro sucessivo.
Compensação e Concorrência de Culpas

 Dolo de Ímpeto: É aquele que ocorre de súbito, de As culpas não se compensam na área penal.
forma inesperada. Havendo culpa do agente e da vítima, aquele não se escusa
da responsabilidade pelo resultado lesivo causado a esta.
 Dolo de Premeditação: É o dolo meticuloso,
planejado. Há concorrência de culpas quando dois ou mais
agentes causam resultado lesivo por imprudência,
Observação Importante: Congruência é o mesmo negligência ou imperícia. Todos respondem pelos eventos
que dolo mais uma finalidade, só sendo possível no dolo lesivos.
direto específico.
Graus de Culpa
Crimes Culposos
 Levíssimo (Desconhecimento, em face das
Considera-se crime culposo aquele em que em circunstâncias objetivas).
havendo o elemento vontade este se funda apenas no
direcionamento à conduta e não ao resultado. De outro lado,  Leve (Conhecimento superficial da conduta ilícita).
ver-se que sua base central é, porém, a previsibilidade do
resultado lesivo.  Grave (Conhecimento preciso do fato típico
praticado).
São elementos da Culpa Stricto Sensu:
Obrigatoriedade de previsão legal expressa Os crimes
 Previsibilidade objetiva: É o fato de que, pelo senso culposos, ao contrário do que acontecem com os dolosos
crítico do homem mediano, podia se prever que tal resultado que, por expressa disposição legal já se presumem
fosse ocorrer. independentemente de qualquer menção legal expressa, só
podem ter existência se a lei expressamente assim
 Voluntariedade em relação à conduta. determinar. Assim, por exemplo, temos lesão corporal
Não voluntariedade em relação ao resultado. culposa e não temos furto culposo, isto, pois, no primeiro
caso existe previsão expressa e no segundo tal norma não
Modalidades de Culpa: se apresenta.

 Negligência: É um ato de desligamento, de Crimes Preterdolosos


WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Considera-se preterdolosos quando o agente busca (A) dolo direto.
um resultado menos grave, mais o desfecho é mais grave do (B) culpa.
que o pretendido, imputando-se este a título de culpa. Há, (C) dolo indireto.
pois, a conjugação de dolo no antecedente e culpa no (D) culpa consciente.
consequente. (E) dolo eventual.

É uma das modalidades de crime qualificado pelo LETRA E


resultado. Esses resultados mais graves, assinalados pela
lei, podem ser dolosos, culposos ou ser provenientes de
caso fortuito e força maior.
ESPAÇO PARA OBSERVAÇÕES DO ALUNO
É um único delito, que resulta da fusão de duas
ou mais infrações autônomas. É um crime complexo,
portanto.

1.4.3.Elementos normativos: São os elementos que


requerem uma valoração judicial.

Ex: Violar indevidamente correspondência fechada


de outrem [Art. 151 do Código Penal].

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO DE CONTEÚDO


PARA RESOLUÇÃO EM SALA

1. (FCC / TCE AP / 2010) Nos crimes preterdolosos,

(A) o dolo do agente é subsequente ao resultado culposo.


(B) há maior intensidade de dolo por parte do agente.
(C) o agente é punido a título de dolo e também de culpa.
(D) o agente aceita, conscientemente, o risco de produzir o
resultado.
(E) o agente prevê o resultado, mas espera que este não
aconteça.

Letra “C”

2. (FCC / TCE RO / 2010) No dolo eventual,

(A) o agente, conscientemente, admite e aceita o risco de


produzir o resultado.
(B) a vontade do agente visa a um ou outro resultado.
(C) o sujeito prevê o resultado, mas espera que este não
aconteça.
(D) o sujeito não prevê o resultado, embora este seja
previsível.
(E) o agente quer determinado resultado.

Letra “A”

3. (Ano: 2009 - Banca: FCC - Órgão: MPE – SE Prova:


Técnico do Ministério Público – Área Administrativa ) A
respeito da conduta, como elemento do fato típico, é
correto afirmar que são relevantes para o Direito Penal

a) as omissões humanas voluntárias.


b) os atos de seres irracionais.
c) o pensamento e a cogitação intelectual do delito.
d) os atos realizados em estado de inconsciência.
e) os atos produzidos pelas forças da natureza.

LETRA A

4 (Analista Processual / MPU / FCC / 2007) João,


dirigindo um automóvel, com pressa de chegar ao seu
destino, avançou com o veículo contra uma multidão,
consciente do risco de causar a morte de um ou mais
pedestres, mas sem se importar com essa possibilidade.
João agiu com

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Art. 14. Diz-se o crime:

I – consumado, quando nele se reúnem todos os


elementos de sua definição legal;
II – tentado, quando, iniciada a execução, não se
consuma por circunstâncias alheias à vontade do
agente.

O delito estará consumado quando existir a


realização integral do tipo penal. Vale dizer que, a
CRIME CONSUMADO E TENTADO; PENA DA consumação irá varia de acordo com o tipo de crime, assim:
TENTATIVA;
a) crime material: somente com a ocorrência de um
Antes de adentrarmos diretamente neste tópico resultado é que existirá consumação. Exemplos: homicídio
faz-se mister que discorramos ainda que em linhas gerais (com a morte- art. 121), furto ( com a subtração- art. 155),
acerca do iter criminis ou caminho do crime. Destarte, na lesão corporal ( com a ocorrência da lesão- art. 129).
realização do crime há um caminho, um itinerário a percorrer
entre o momento da ideia da sua realização até aquele em b) crime formal: a consumação não depende de um
que ocorre a consumação. A esse caminho se dá o nome de resultado natural como no homicídio. O resultado é
Inter criminis, que é composto de uma fase interna dispensável. Exemplo: ameaça ( basta somente proferir a
(cogitação) e de uma fase externa (atos preparatórios, atos ameaça para que o crime já esteja consumado, não é
de execução e consumação). preciso cumprir com a ameaça- art. 147) ; corrupção passiva
( basta solicitar a vantagem que o crime já está consumado,
A cogitação não é punida, a não ser que constitua, não é necessário que receba o dinheiro pedido – art. 317).
de per si, um fato típico, como ocorre no crime de ameaça
(art. 147), de incitação ao crime (art. 286), de quadrilha ou c) crime de mera conduta: a consumação ocorre com a
bando (art. 288) etc. simples conduta, não há nenhum resultado natural descrito
no tipo penal. Exemplos: violação de domicílio ( basta entrar
Os atos preparatórios são externos ao agente, que nas dependências do imóvel e o crime já está consumado-
passa da cogitação à ação objetiva. Também escapam , art. 150) ,
regra geral, a aplicação da lei penal.
d) crime permanente: a consumação se prolonga no tempo,
Num terceiro momento, surgem os atos de execução durando enquanto não cessar a atividade do autor.
(ou atos executórios) que são os dirigidos diretamente a Exemplos: sequestro e cárcere privado ( a consumação irá
pratica do crime. existir enquanto a vítima estiver sob o julgo do autor – art.
148)
Finalmente, estará consumado o crime quando o No caso de tentativa temos o ato iniciado, mas não
tipo está inteiramente realizado, ou seja, quando o fato executado, NÃO se CONSUMANDO por circunstâncias
concreto se subsume no tipo abstrato descrito na lei penal. ALHEIAS a VONTADE do agente.
Destarte, ocorrerá à tentativa quando houver a realização
incompleta do tipo penal, do modelo descrito na lei penal O Código Penal Brasileiro adotou a chamada Teoria
com o dispositivo que a define e prevê sua punição. A Objetiva para a tentativa, na qual a tentativa existe a partir
tentativa, pois, situa-se no iter criminis a partir da prática de do início dos atos de execução.
um ato de execução, desde que não haja consumação por
circunstâncias alheias à vontade do agente. São, pois, Para se entender tal momento, é preciso avaliar a
elementos da tentativa: a conduta (ato de execução) e a não trajetória do crime, o que é chamado de ITER CRIMINIS
consumação por circunstâncias independentes da vontade (caminho do crime) como vimos anteriormente, sendo:
do agente. Iniciada a prática dos atos executórios, a
execução do fato típico pode ser interrompida: a) cogitação (é ter a idéia, portanto de foro íntimo) – para o
nosso direito não tem relevância e, portanto, não é punida.
Fala-se em duas espécies de tentativa: a tentativa
perfeita (ou crime falho), quando a consumação não ocorre, b) atos preparatórios (ou preparação) – é em regra a
apesar de Ter o agente praticado os atos necessários à obtenção dos meios necessários para a execução do intento
produção do evento, a tentativa imperfeita, quando o sujeito do agente, portanto, está fora da cogitação, mas não é
ativo não consegue praticar todos os atos necessários à execução (ex. comprar escada e pé de cabra para praticar
consumação por interferência externa. Em alguns casos furto; obter uma arma de fogo para a prática de homicídio).
torna-se inadmissível a tentativa, quais sejam, em crimes
culposos e preterdolosos; nos crimes unissubsistentes, de c) atos de execução – são os atos já voltados a prática do
ato único, já que é impossível o fracionamento dos atos de delito, tendo já o início da realização do tipo penal (ex.:
execução; nos crimes omissivos puros também não admitem começar a atirar contra o desafeto; subir no muro da
a tentativa, pois não se exige um resultado naturalístico residência e entrar na mesma; apresentar um cheque
decorrente da omissão; nos crimes complexos e habituais e, produto de furto para aquisição de um bem)
por fim, nas contravenções penais.
d) consumação – é a obtenção da vontade inicial, do objetivo
De forma mais específica façamos algumas primário, da intenção (ex.: conseguir matar o desafeto; sair
considerações sobre crimes tentados e consumados. da residência com o objeto furtado; conseguir adquirir o bem
com o cheque produto de furto).
Segundo o artigo 14 do Código Penal temos a
definição de crime consumado e crime tentado. Vejamos : No que diz respeito aos ELEMENTOS da tentativa,
temos os seguintes :

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Mas cumpre ressalvar, A e X, NÃO
1) Ação – que é o início da execução. RESPONDERÃO por TENTATIVA por causa do artigo 15,
mas no caso de X restou ainda um crime nos atos anteriores
2) Interrupção da execução – o autor tem a execução que foi o dano e por isso responderá por este crime .
interrompida por circunstâncias alheias a sua vontade
(contra sua vontade) antes de chegar a consumação. ■ Arrependimento Eficaz (Artigo 15 do CPB) é a
hipótese em que se praticam todos os atos executórios e,
3) Dolo – a vontade do agente em consumar o delito. havendo um arrependimento por parte do agente, busca o
mesmo o retorno ao status quo ante. Para que essa causa
Analisando estes três elementos, pode-se afirmar excludente da tipicidade possa operar em sua plenitude
que NÃO HÁ tentativa em CRIME CULPOSO. requer-se, contudo, que haja eficácia naquela conduta, pois,
do contrário, em nada modificará a sua situação do ponto de
Quanto às ESPÉCIES de tentativa, temos as vista penal. A melhor doutrina nos adverte que a hipótese em
seguintes : tela só é aplicável aos crimes materiais ou de resultado, nas
hipóteses de tentativa perfeita.
a) Tentativa perfeita (ou tentativa acabada, ou crime falho) –
nesta o agente fez tudo o que era possível para obter o Exemplo: A desejando matar sua sogra M coloca
resultado que desejava, mas não consegue ( exemplo: A veneno para rato no chá dela e M toma o chá todinho, mas A
desejando matar , atira e atinge B , mas este é socorrido ao vê a “coitada” começar a tremer e se arrepende e socorre M
hospital e sobrevive aos ferimentos). até o hospital e ela sobrevive.

b) Tentativa imperfeita (ou tentativa inacabada) – nesta o OBS.: No caso do arrependimento eficaz, para a
agente não chega a exaurir ( acabar) com sua execução – lei isentar o autor de responsabilidade penal, é preciso que o
exemplo: A desejando matar, atira em B, mas este desvia e arrependimento seja eficaz, ou seja, o agente tem que
foge sem ser ferido. conseguir impedir que o resultado ocorra, pois, se por
qualquer motivo o resultado ocorrer, o agente será
Quanto à PENA da tentativa, ver-se que por responsabilizado. Assim, no exemplo dado acima, caso A
determinação legal, a pena da tentativa será a pena do socorra sua sogra M até o hospital, mas ela acabe
crime consumado, porém diminuída de 1/3(um terço) a 2/3 ( morrendo, A responderá pelo homicídio consumado.
dois terços) – conforme dispõe o art. 14, Parágrafo Único, do
Cód. Penal. OBS: Tais institutos foram criados por motivos de
política criminal e, visando desestimular a consumação do
Veja abaixo algumas peculiaridades que podem delito. Não importa os motivos que levaram o agente a
surgir no evento criminoso: desistir-se ou arrepender-se. O agente será
responsabilizado apenas pelos atos já praticados.
■ Desistência Voluntária (Artigo 15 do CPB) terá
ocorrência, quando o agente, depois de começada à fase ■ Arrependimento Posterior (Artigo 16 do CPB)o
executaria do delito, vem a voltar atrasem sua conduta no instituto do arrependimento posterior manifesta-se sob a
que tange a consumação do delito. A doutrina é pacífica no perspectiva legal de diminuir a sanção penal na situação em
sentido de que a desistência deve ser voluntária ainda que que o crime apresentou pequena monta e de forma
não o seja espontânea. Também é digno de nota que se diga voluntária o agente promoveu o respectivo âmbito
que a existência desse instituto só alcança viabilidade nas indenizatório. Entende-se, consequentemente, que para o
hipóteses de tentativa inacabada ou imperfeita, lembrando, crime receber os benefícios pretendidos no Art. 16 do
contudo, que na desistência voluntária ele pode continuar Código Penal, não poderá ser a infração criminosa de
mas não quer, ao passo que na tentativa ele quer continuar natureza que se utilize violência física ou psíquica (grave
mas não pode. Vale salientar que, a doutrina hodierna faz ameaça), além do que deve ser praticado o ressarcimento
uma distinção entre desistência voluntária e desistência até o lapso temporal demarcado pelo recebimento da
espontânea, visto que esta última parte do próprio agente, denúncia ou da queixa conforme os termos legais.
ao passo que a primeira é a desistência sem coação física
ou moral, mesmo que a idéia de desistir parta de outra Exemplo: G resolve furtar um telefone celular de H
pessoa ou mesmo de pedido da própria vítima. e consegue. No dia seguinte arrepende-se do ato praticado,
procura por H e devolve o aparelho celular deste. Ainda
Exemplo 1: A desejando matar sua sogra M, coloca assim, foi feita abertura de Inquérito Policial e a denúncia
veneno para rato no chá dela, mas quando esta vai beber o contra G, mas este, se condenado terá o benefício de
chá, A desiste de sua vontade e retira a xícara de chá das redução de pena de 1/3 a 2/3.
mãos da sogra antes que ela tome.
Portanto, neste caso não eximiu G do crime, mas
Neste exemplo, não restou nenhum ato anterior deu-lhe o benefício da redução de pena por causa do
que seja considerado crime, pois, colocar veneno no chá arrependimento posterior.
não é crime, assim, A não responderá por crime algum.
Para tal benefício é preciso que:
Exemplo 2: X desejando subtrair um quadro da
casa de Y, arromba a janela e entra na casa de Y, porém, - o crime já tenha sido consumado;
desiste de sua vontade e sai da casa sem nada levar. Não - não tenha ocorrido violência nem ameaça contra
responderá por tentativa de furto. pessoa;
- arrependimento voluntário do autor;
Neste exemplo, X para entrar na casa danificou - restituição da coisa ou reparação do dano antes
(arrombou) a janela e, portanto restou o delito de dano a da denúncia ou queixa.
ser imputado para X (responderá por crime de dano).
■ Crime Impossível (Artigo 17 do CPB) é a

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
inviabilidade do momento consumativo, seja do ponto de desistência voluntária.
vista fático ou legal. Nesse prisma, vislumbra-se que tal c Gervásio responderá por peculato na forma tentada.
inviolabilidade poderá decorrer do meio, instrumento ou d não será reconhecida a tentativa pelo reconhecimento do
mecanismo empregado, a exemplo de utilização de arma arrependimento eficaz.
imprestável, bem como também em razão do pretenso e Gervásio responderá por peculato consumado, por ter
objeto material como ocorre na hipótese de atirar em uma ocorrido arrependimento posterior.
pessoa que já se encontre morta. Em qualquer desses
momentos, vale dizer, a ineficácia, inviabilidade ou LETRA A
impropriedade deverá ser em caráter absoluto para dar
propulsão ao crime impossível. Quando não o forem nessa 4. (Aplicada em: 2011Banca: FCC - Órgão: TER – RN -
medida, deve haver a penalização pela tentativa do delito. Prova: Analista Judiciário - Área Judiciária) Quando o
Por último diga-se que, o crime impossível é o mesmo que agente dá início à execução de um delito e desiste de
tentativa inidônea. prosseguir em virtude da reação oposta pela vítima,
ocorre
Exemplo : R desejando matar S envenenado,
colocar um pó branco na cerveja que S iria beber, mas a arrependimento eficaz.
coloca açúcar ao invés de veneno ( é caso de ineficácia b crime consumado.
absoluta do meio) , ou seja, o meio empregado para o c fato penalmente irrelevante.
intento de R era absolutamente ineficaz para produzir o d desistência voluntária.
evento morte. e crime tentado.

Exemplo : R deseja matar S com um tiro. Um dia R LETRA E


vê S deitado no chão de uma praça e atira. Mas S já estava
morto. ( é caso de impropriedade do objeto).

Em ambos os casos não responderão por tentativa. ESPAÇO PARA OBSERVAÇÕES DO ALUNO

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO DE CONTEÚDO


PARA RESOLUÇÃO EM SALA

1. (Aplicada em: 2014 - Banca: FCC - Órgão: TRF - 3ª


REGIÃO - Prova: Técnico Judiciário – Informática) Paulo,
sabendo que seu desafeto Pedro não sabia nadar e
desejando matá-lo, jogou-o nas águas, durante a
travessia de um braço de mar. Todavia, ficou com pena
da vítima, mergulhou e a retirou, antes que se afogasse.
Nesse caso, ocorreu

a crime putativo.
b crime impossível.
c desistência voluntária.
d arrependimento eficaz.
e crime tentado.

LETRA D

2. (Aplicada em: 2013- Banca: FCC - Órgão: MPE-SE


Prova: Técnico Administrativo) Na estrutura do Direito
Penal, a tentativa é instituto que diz respeito mais
diretamente à ideia de

a tipicidade.
b antijuridicidade.
c culpabilidade formal.
d culpabilidade material.
e imputabilidade.

LETRA A

3. (Aplicada em: 2013 - Banca: FCC - Órgão: MPE – AM


Prova: Agente Técnico – Jurídico) Gervásio, funcionário
público, pensou em subtrair um computador da
repartição pública em que trabalhava, para vender e
obter recursos. No dia em que havia se programado para
praticar o ato, desistiu, sem dar início à execução do
delito. Nesse caso,

a Gervásio não será punido de nenhuma forma, porque o


delito não chegou a ser tentado.
b não será reconhecida a tentativa pela ocorrência da

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
realidade é ilicitude, segundo a exata descrição legal.
Segundo, que para que seja identificada a antijuridicidade
não basta à identificação dos elementos objetivos do crime,
sendo necessário o elemento subjetivo correlato.
2.Excludentes de Ilicitude ou antijuridicidade

São consideradas excludentes da ilicitude ou


justificativas legais as causas que se mantêm a tipicidade
embora deixe de existir a antijuridicidade. No direito penal
elas são quatro, quais sejam, estado de necessidade,
legítima defesa, exercício regular de um direito e estrito
cumprimento do dever legal. Essa última excludente ,vale
dizer, não encontra amparo no direito civil, visto a órbita
privatística que este sugere. São reconhecidas pela
expressão não há crime.
ILICITUDE E CAUSAS DE EXCLUSÃO
DA ILICITUDE Vejamos cada uma dessas justificativas legais.
(ANTIJURIDICIDADE)
2.1 Estado de necessidade
1. Conceito de Ilicitude
2. Excludentes de Ilicitude É uma excludente que tem como marco distintivo o fato
2.1 Estado de Necessidade de que alguém, diante de uma hipótese de perigo
Conceito contemporâneo, e com o escopo de manter a integridade de
Requisitos: situação de perigo atual ou iminente; um direito seu ou de um terceiro, vem a causar o ferimento a
ameaça a direito próprio ou alheio; involuntariedade do um direito de natureza igual ou de caráter menos expressivo
perigo; inexigibilidade do sacrifício e conhecimento de outrem, desde que este fosse o único mecanismo capaz
subjetivo. de impedir esse perigo.
Hipóteses: Próprio; Impróprio; Real e Putativo.
Dever Legal do Perigo Há, pois, um conflito de interesses legalmente
2.2 Legítima Defesa protegidos que se expressa nessa excludente.
Conceito
Abrangência São requisitos legais do estado de necessidade:
Requisitos: Agressão injusta, atual ou iminente; Direito
próprio ou alheio; Meios necessários e Elemento  Situação de perigo, atual ou iminente.[Embora a lei
subjetivo. fale em “perigo atual” a doutrina e a jurisprudência têm
Espécies: Própria; Imprópria; Real; Putativa e sucessiva. entendido que o perigo iminente também é englobado pelo
Impossibilidade da legítima defesa. estado de necessidade. Como perigo deve ser entendida
Ofendículos. aquela situação causada por caso fortuito [tempestade,
Duelo. inundação, etc] ou força maior [incêndio, naufrágio, etc] em
2.3 Estrito Cumprimento do Dever Legal que um dos bens tutelados pelo Direito Penal estaria
Conceito seriamente ameaçado por uma situação].
Funcionário Público
Dever Legal  Ameaça a direito próprio ou alheio Tal direito tem a
2.4 Exercício Regular de um Direito conotação mais ampla possível, visto que abrange qualquer
Conceito bem tutelado pelo Direito Penal, tais como a vida, saúde,
Faculdade patrimônio, etc.
Limites
3. Consentimento do Ofendido [Causa Supra legal]  Involuntariedade do perigo Não pode alegar estado
de necessidade quem foi o causador do perigo.
1.Generalidades

No capítulo anterior ficou estabelecido que o crime,  Inevitabilidade do perigo Só poderá o agente agir
formalmente falando, é um fato típico composto dos em detrimento do direito alheio desde que não exista outra
elementos estudados e de antijuridicidade, elemento ao qual forma de evitar o perigo. Sendo necessário o sacrifício do
nos deteremos agora. direito de terceiro poderá ocorrer o estado de necessidade.

Quando se fala em antijuridicidade deve-se entender  Inexigibilidade do sacrifício do bem jurídico


esta como sendo um comportamento incompatível com a ameaçado Alguém só poderá agir em estado de
norma jurídica em que se tem uma lesão a um interesse necessidade desde que o bem ameaçado seja de maior ou
protegido pela norma penal. igual valia ao sacrificado. Porém, caso o bem ameaçado
seja de menor valia do que o sacrificado, não haverá estado
Perdeu o sentido a distinção feita entre de necessidade, podendo, entretanto, a pena ser reduzida
antijuridicidade formal e material, isto, pois, a primeira se de um a dois terços.
confunde com a própria tipicidade e a última é o que
realmente se denota como antijuridicidade.
 Conhecimento da situação de estado de
Nessa primeira análise acerca do tema não se deve necessidade É o elemento subjetivo necessário nas
esquecer de dois fatos que nos chamam a atenção. O excludentes de ilicitude.
primeiro, de caráter terminológico, referente ao fato de que o
que se chama doutrinariamente de antijuridicidade na São, por sua vez, modalidades de estado de

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
necessidade:
 Putativa Alguém supõe a existência de uma
 Próprio Ocorre quando o interesse pessoal é que agressão humana injusta que na verdade inexiste.
está em perigo.
 Sucessiva Ocorre quando o agressor se defende do
 Impróprio Ocorre quando o interesse que está excesso do agredido.
correndo risco é o de terceiro.
 Real O perigo é real, sendo excludente de ilicitude.  Recíproca Ocorre nos casos de legítima defesa real
contra legítima defesa putativa, ou, no caso de ambas serem
 Putativo O agente imagina por erro que está agindo putativas.
em estado de necessidade. É erro de tipo ou de proibição.
Alguns pontos merecem destaque:
2.1.1.Dever legal de enfrentar o perigo Ocorre quando em
determinados casos a lei atribui a certas pessoas o dever  Distinção com o estado de necessidade - No caso
legal de enfrentar o perigo, como aos bombeiros, policiais, de legítima defesa o que há é uma agressão de caráter
etc. Essas pessoas não podem alegar estado de exclusivamente humano, ao passo que no estado de
necessidade, observando-se, porém, que não é exigido necessidade tem-se uma ofensa a bem jurídico não
delas o dever de morrer, mas apenas o de evitar o perigo provocado pela vítima, e que, inclusive, pode ser
quando possível fazê-lo sem o sacrifício de suas próprias instrumentalizado por animais dependendo do caso.
vidas, nos termos do artigo.24, parágrafo primeiro do Código
Penal.  Impossibilidade da legítima defesa - Ocorre tal
hipótese se colocada diante das demais excludentes de
2.1 Legítima defesa ilicitude.

A legítima defesa é uma forma de justiça penal realizada  Ofendículos - Segundo Mirabete, os ofendículos
por particular tendo em sua base central a execução são aparelhos predispostos para a defesa da propriedade
sumária. Seu fundamento reside no fato de que a proteção (arame farpado, cacos de vidro em muros, etc.) visíveis e a
estatal é de impossível ocorrência em todos os lugares e que estão equiparados os “meios mecânicos” ocultos
momentos. (eletrificação de fios, de maçanetas de portas, a instalação
de armas prontas para disparar à entrada de intrusos, etc.).
No Direito Romano só se protegia a vida, a integridade Não existe uniformidade na doutrina quanto a sua natureza
corporal e a honra. No nosso direito qualquer bem pode ser jurídica, se de legítima defesa ou de exercício regular de
protegido pela legítima defesa, seja de natureza pessoal ou direito. EX: cercas elétricas, grampos, etc.
patrimonial.
 Ataque de animal - É impossível na legítima defesa,
Nos termos do Art. 25 do Código Penal “entende-se em embora possível no estado de necessidade.
legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios
necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a
direito seu ou de outrem”.  Duelo - Não poderá alegar legítima defesa àquele
que aceita o desafio e vai à procura do desafeto para a luta.
São requisitos da legítima defesa: Isso porque não permite o duelo, respondendo, os
contendores pelos crimes que praticarem.
 Agressão injusta, atual ou iminente - A agressão
será injusta quando for contrária ao ordenamento jurídico e 2.2 Estrito cumprimento do dever legal
colocar em risco um bem juridicamente protegido. Nesse
caso, o titular desse bem poderá agir na defesa de seu Tal excludente, como já dissemos, é excludente do
patrimônio jurídico, tais como a vida, a honra, a integridade direito penal não se elastecendo ao direito civil como aos
física, o patrimônio, etc. demais.

 Direito próprio ou alheio - Qualquer direito protegido A sistemática de tal justificativa legal está em que
pela lei pode alicerçar a legítima defesa. cumprindo uma obrigação previamente estabelecida em lei,
ainda que realize um fato típico este, contudo, não será
 Meios necessários, usados moderadamente antijurídico.
Devem-se entender como meio necessário àquele que o
agente tinha à sua disposição como suficientes para repelir a Como se depreende da definição acima apenas o
agressão. Por outro lado, como meio moderado entende-se funcionário público nos termos do Art. 327 do Código Penal
como aquele que não ultrapassa os limites razoáveis para poderá se resguardar na alegação desta excludente.
proteger o bem jurídico tutelado. Entretanto, a doutrina é pacífica no sentido de que o
particular quando exercer circunstancialmente função
pública também dela poderá se servir. Nessa hipótese o
 Elemento subjetivo Aqui se cobra que o agente particular atua como agente público.
saiba que está se defendendo de um ataque e agindo em
legítima defesa. Deve-se dizer que o dever legal aí está no sentido
amplo da palavra. Assim, pode tal dever derivar não apenas
São, por sua vez, espécies de legítima defesa: da lei no seu sentido stricto sensu, mas de disposições como
um decreto ou regulamento. Não se incluem, para esse fim,
 Real ou própria À defesa é de um bem pessoal. as obrigações morais, sociais ou religiosas.

 Imprópria Alguém age para defender o direito de 2.3 Exercício regular de um direito
terceira pessoa.
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Dentro da sistemática social é necessário que haja erro de tipo aplica-se o artigo 20 e, se ocorrer por erro sobre
normas para se manter o equilíbrio e não se deparar com o a ilicitude do fato (sobre a injustiça da agressão, por
caos. Sob este prisma, o Estado, elemento propulsor de toda exemplo), o art. 21.
legiferante é o único ente capaz através das pessoas que o
representam. A par disso, ver-se que a figura estatal
demarcará o que é e o que não é considerado um direito 2. Formas de Excesso
pertinente ao cidadão. E, ainda que haja a prática de um fato
descrito como crime, faltar-lhe-á a antijuridicidade 2.1.doloso
necessária àquela formação, caso o mesmo se encontre
dentro do exercício regular de um direito. É o excesso praticado com dolo, ocorrendo quando
o agente se utiliza de uma excludente de ilicitude e abusa
Vale salientar que, enquanto na excludente anterior o deste direito.
que se tem é um dever imposto pela norma em seu sentido
lato sensu, na modalidade que ora discorremos não se tem ex.: a está em sua residência e se depara com um
um dever mais uma faculdade ou possibilidade que pode vir intruso. dá uma facada no sujeito, que cai desacordado.
a ser exercida ou não conforme a vontade de seu titular. cessada a agressão, está a acobertado pela legítima defesa.
Entretanto, ao praticar uma conduta nessas circunstâncias contudo, a continua esfaqueando o meliante, a partir deste
embora seja uma conduta típica não será antijurídica. momento, incorrerá no excesso punível, uma vez que
extrapola os limites da legítima defesa. a mata o intruso e
2.4 Consentimento do ofendido (Causa Supra Legal) responderá pelo seu excesso doloso. o excesso doloso
equipara-se ao crime por fim praticado pelo agente, no caso
O consentimento da vítima poderá funcionar como presente, homicídio doloso.
causa excludente da tipicidade desde que o bem jurídico
seja disponível e a vítima capaz de consentir. Ex: Se alguém
permite que outrem entre em sua casa não pode alegar o 2.2. Culposo
crime de violação de domicílio. De outro lado, pode funcionar
também como causa excludente de ilicitude como no caso É o excesso em decorrência de culpa ou culpa
do dano. própria (erro de tipo vencível).

Vale salientar que o consentimento só poderá ex.: A está em sua residência e se depara com um
apresentar o efeito excludente quando os bens não forem intruso. Dá uma facada no sujeito, que cai desacordado.
indisponíveis, visto que nestes, existe um interesse coletivo, Cessada a agressão, está A acobertado pela legítima
do Estado (vida, integridade corporal, família, regularidade defesa. Contudo, A continua esfaqueando o meliante, a partir
da administração pública, etc). deste momento, incorrerá no excesso punível, uma vez que
extrapola os limites da legítima defesa negligentemente. A
Por fim, diga-se que, o consentimento após a mata o intruso e responderá pelo seu excesso culposo. O
pratica do ilícito penal não o desnatura, mas pode impedir a excesso culposo equipara-se ao crime por fim praticado pelo
ação penal quando esta dependa de iniciativa da vítima. agente, no caso presente, homicídio culposo.

EXCESSO PUNÍVEL 3.Excesso Exculpante

1. Generalidades: É um tipo de excesso impunível. Encontra-se


expresso no Código Penal Alemão, contudo, não há sua
previsão no Direito brasileiro.
Nos termos do art. 23, § único do CPB, excesso
punível pressupõe a existência de uma causa de exclusão O excesso exculpante é albergado pela doutrina
de ilicitude anteriormente. Com isso, o agente acaba por brasileira e exclui a culpabilidade, não a ilicitude.
extrapolar o seu direito.
O excesso poderá também ser impunível, desde que o O excesso exculpante é plenamente justificado pela
mesmo advenha de caso fortuito ou erro de tipo invencível. circunstância em que haja ocorrido a agressão, com isso, o
agente exacerba na repulsa à esta. Logo, o excesso
O excesso punível é a desnecessária intensificação exculpante está relacionado com a reação psíquico-
de uma conduta inicialmente justificada por um das emocional do agente.
excludentes de ilicitude.
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO DE CONTEÚDO PARA
Em todas as justificativas é necessário que o RESOLUÇÃO EM SALA
agente não exceda os limites traçados pela lei. Na legítima
defesa e no estado de necessidade, não deve o agente ir
além da utilização do meio necessário e da necessidade da
reação para rechaçar a agressão e na ação para afastar o 1 - ( Prova: FCC - 2014 - TJ-AP - Analista Judiciário
perigo. No cumprimento do dever legal e no exercício de - Área Judiciária e Administrativa / Direito Penal /
direito, é indispensável que o agente atue de acordo com o Culpabilidade; )
ordenamento jurídico. Se, desnecessariamente, causa dano
maior do que o permitido, não ficam preenchidos os
Com relação à exclusão de ilicitude é correto afirmar:
requisitos das citadas descriminantes devendo responder
pelas lesões desnecessárias causadas ao bem jurídico
ofendido. a) Há crime quando o agente pratica o fato em
exclusão de ilicitude, havendo, no entanto, redução da
No excesso involuntário (evitável ou inevitável), por pena.

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
b) Considera-se em estado de necessidade quem, de determinar-se de acordo com esse
usando moderadamente dos meios necessários, entendimento.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito 11.7.1984)
seu ou de outrem.
TEMA 4
c) Considera-se em legítima defesa quem pratica o DA CULPABILIDADE E DA PUNIBILIDADE
fato para salvar de perigo atual, que não provocou por
1. Culpabilidade
sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito
Censurabilidade Social
próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, Elementos da Culpabilidade
não era razoável exigir-se. 1.2.1. Imputabilidade
Critérios de Aferimento
d) Pode alegar estado de necessidade mesmo quem - Biológico
tinha o dever legal de enfrentar o perigo. - Psicológico
- Misto
Causas não excludentes da culpabilidade
e) Ainda que o agente haja em caso de exclusão de Inimputabilidade
ilicitude, este responderá pelo excesso doloso ou - Doença mental, desenvolvimento mental
culposo. incompleto ou retardado.
- Menoridade
- Embriaguez decorrente de caso fortuito ou força
LETRA E
maior.
1.2.2. Consciência Potencial de Ilicitude
PRIMEIRA PARTE Causa de desconhecimento do ilícito
DISPOSIÇÕES LEGAIS CORRELATAS - Erro de Proibição
IMPUTABILIDADE PENAL E PUNIBILIDADE 1.2.3 Exigibilidade de Conduta Diversa
DECRETO-LEI No 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940 Causas de inexigibilidade de conduta diversa
(CÓDIGO PENAL) - Coação Moral Irresistível
TÍTULO III DA IMPUTABILIDADE PENAL - Obediência Hierárquica
Inimputáveis 2. Punibilidade
1. Da Culpabilidade
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental
1.1 Generalidades
ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao
tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de
Durante muito tempo à base central do Direito Penal
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de
fundou-se na denominada responsabilidade objetiva, onde
acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº
bastava a realização de um caso concreto desprezando-se o
7.209, de 11.7.1984)
elemento subjetivo da vontade. No entanto, em certo
Redução de pena momento da evolução daquele ramo jurídico, sentiu-se a
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois necessidade de analisar o aspecto subjetivo do agente,
terços, se o agente, em virtude de perturbação de saúde ainda que a partir de circunstâncias objetivas. A
mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou possibilidade de haver vontade em relação à conduta e ao
retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter resultado no caso de dolo ou o elemento volitivo apenas em
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse relação à conduta no caso de culpa, levou ao entendimento
entendimento.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de de que mais do que a simples ocorrência de um fato
11.7.1984) delituoso deveria requerer-se a censurabilidade social
Menores de dezoito anos daquela conduta como corolário do elemento subjetivo em
Art. 27- Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente juízo.
inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na
legislação especial. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1.2 Elementos da culpabilidade
11.7.1984)
Emoção e paixão Várias correntes procuram explicar a culpabilidade, e,
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal: (Redação consequentemente, os requisitos que a integram. Em vista
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) do estudo em tela o direcionamento que iremos nos
propugnar terá um caráter mais genérico, detendo-nos
I - a emoção ou a paixão; (Redação dada pela Lei nº 7.209,
apenas no que tange a Teoria Normativa Pura que está
de 11.7.1984)
relacionada com a Teoria Finalista da Ação, que predomina
Embriaguez na doutrina e jurisprudência nacionais.
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou
substância de efeitos análogos.(Redação dada pela Lei nº Conforme tal teoria apresentam-se como elementos da
7.209, de 11.7.1984) culpabilidade de forma cumulativa os seguintes:
§ 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez
completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, era, Imputabilidade
ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de Consiste na capacidade de entender o fato que se está
acordo com esse entendimento.(Redação dada pela Lei nº praticando e determinar-se nesse sentido. Só havendo
7.209, de 11.7.1984) esses momentos é que se poderá buscar nos termos legais
§ 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o a responsabilização do agente criminoso. Imputabilidade é a
agente, por embriaguez, proveniente de caso fortuito ou capacidade biopsicológica de compreender a ilicitude penal
força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, e de determinar sua conduta conforme esta compreensão.
a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou Funda-se, pois, a imputabilidade, em dois momentos
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
distintos: o intelectivo e o volitivo. De acordo com o critério psicológico, a
inimputabilidade é verificada no momento em que o crime é
Portanto, são imputáveis aqueles que têm cometido, sendo considerado inimputável aquele que age
consciência (da ilicitude do fato) e vontade (possibilidade de sem consciência, ou seja, sem a representação exata da
escolher entre praticar ou não o ato). Imputabilidade é a realidade. Ex.: o agente vê alguém e imagina que está
capacidade atribuída a alguém de ser responsabilizado diante de um monstro e, por isso, ataca-o, matando-o.
penalmente pela infração penal cometida, e inimputabilidade Mesmo que haja consciência, o agente será inimputável se
é a ausência dessa capacidade. Difere da responsabilidade não puder se conduzir de acordo com ela. Nesse caso,
penal, que é a obrigação do criminoso de cumprir a pena haverá ausência de vontade (possibilidade de escolher entre
cominada à infração penal que cometeu . duas ou mais opções). Ex.: uma pessoa tem fobia de barata,
ou seja, ela vê a barata e, necessariamente, sai correndo.
Os imputáveis que cometem crimes são sancionados Não há escolha. Se atingir alguém, ferindo a vítima, não
com a pena, que tem caráter preventivo e retributivo (Código poderá ser responsabilizada.
Penal, art. 59). Por sua vez, os inimputáveis que praticam
crimes recebem medida de segurança, que é um tratamento Misto ou biopsicológico - É o adotado pela
psiquiátrico realizado com o objetivo de diminuir a legislação brasileira, segundo o qual será inimputável o
periculosidade do agente (CP, arts. 96 a 99). indivíduo que portar uma anomalia psíquica e, ao mesmo
tempo, em decorrência dela, apresentar incapacidade de
De outro lado, considera-se semi-imputáveis os entendimento ou de determinação. Segundo esse sistema a
agentes que tenham consciência da ilicitude do fato e imputabilidade estará excluída se o fator psicológico
possibilidade de determinar-se de acordo com esse decorrer do biológico.
entendimento. Porém, a presença de uma variada gama de
perturbações da saúde mental ou de desenvolvimento Com o objetivo de evitar os inconvenientes
mental incompleto ou retardado torna mais difícil para ele resultantes da adoção dos critérios anteriores, o Código
dominar seus impulsos, sucumbindo com mais facilidade ao Penal adotou no art. 26, caput, o critério misto ou
estímulo criminal. Essas perturbações incluem a doença biopsicológico. Assim, a inimputabilidade é definida com
mental e os distúrbios de personalidade, presentes em base em dois critérios: a) biológico: existência de doença
psicopatas , sádicos, narcisistas, histéricos, impulsivos, mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado;
anoréxicos, etc. b) psicológico: ausência, no momento da prática do crime,
de compreensão do caráter ilícito do fato e da possibilidade
1.2.1.1. Critérios de Aferimento: de comportar-se de acordo com esse entendimento.

Biológico - Está diretamente ligado ao 1.2.1.2. Causas não excludentes da culpabilidade:


desenvolvimento físico-mental do indivíduo. Nesse sistema
considera-se suficiente que haja imaturidade ou afecção Emoção - É um profundo abalo de estado de
mental para que se configure a inimputabilidade. Em caráter consciência determinada por uma mudança repentina de
excepcional foi adotado com exclusividade quanto aos ambiente. É um estado emotivo agudo, de breve duração.
menores de 18 anos. Para estes se aplica o Estatuto da São exemplos: medo, alegria, surpresa, vergonha, etc.
Criança e do Adolescente. O critério biológico considera Emoção é “um estado de ânimo ou de consciência
inimputável aquele que é acometido por doença mental ou caracterizado por uma viva excitação do sentimento. É uma
desenvolvimento mental incompleto ou retardado. forte e transitória perturbação da afetividade, a que estão
ligadas certas variações somáticas ou modificações
De acordo com Mirabete, a expressão doença particulares da vida orgânica” . Trata-se de uma alteração
mental “abrange todas as moléstias que causam alterações intensa e de pequena duração do estado psíquico do
mórbidas à saúde mental”, como esquizofrenia, transtorno agente. São exemplos de emoção a ira, o medo, a alegria, a
bipolar do humor, paranóia, epilepsia, demência senil, etc. surpresa, a vergonha, o prazer erótico, o desespero e o
pavor.
O mesmo autor situa que o desenvolvimento A presença de emoção no momento em que o
mental incompleto é a ausência de maturidade psicológica crime é cometido constitui a regra geral. É quase impossível
para compreender as regras da civilização; essa conceber atos como homicídio, lesão corporal ou injúria sem
incompreensão é transitória, podendo o indivíduo vir a a presença de emoção. Por isso mesmo, o CP considera
superá-la. A doutrina tem considerado que os menores de 18 (art. 28, I) que a emoção não torna o agente inimputável, ou
anos, os índios não integrados à sociedade (silvícolas) e os seja, ele responderá normalmente pelo crime cometido.
surdos-mudos que não receberam a instrução adequada têm
seu desenvolvimento mental ainda incompleto. Porém, em determinadas situações, a emoção
pode funcionar como uma circunstância atenuante (CP, art.
De outro lado, o desenvolvimento mental retardado 65, III, c, in fine – “ter o agente... cometido o crime... sob a
é aquele que nunca se completará, representando um atraso influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da
da idade mental com relação à idade cronológica. É o caso vítima”), ou mesmo como uma causa de diminuição de pena
dos oligofrênicos (nos graus de idiotia, imbecilidade e (arts. 121, § 1° e 129, § 4° – “se o agente comete o crime...
debilidade mental). sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta
provação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a
OBS: Tramita uma PEC com vistas à redução da maioridade um terço”). No primeiro caso, o agente é apenas influenciado
penal de 18 anos para 16 anos. por violenta emoção, e o ato injusto da vítima pode ter
ocorrido há tempos. Tratando-se de homicídio e lesão
Psicológico - Liga-se diretamente ao aspecto corporal, é necessário que o agente seja dominado pela
mental, ou seja, ao entendimento do caráter ilícito de suas violenta emoção ocasionada por uma injusta provação da
condutas. Nesse sistema, inimputável é todo aquele que vítima que acabou de acontecer.
apresenta um déficit intelectual ou volitivo.
Paixão - É um estado emotivo de caráter crônico,

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
de duração mais longa. É a total concentração da medidas socioeducativas previstas no art. 112 do ECA, que
consciência em torno de um objeto. A paixão é uma espécie vão desde a advertência até a internação em
de emoção que se prolonga no tempo, constituindo “uma estabelecimento educacional.
profunda e duradoura crise psicológica que ofende a
integridade do espírito e do corpo...” . São exemplos de Embriaguez decorrente de caso fortuito ou força maior -
paixão: ódio, amor, vingança, inveja, ciúme, etc. Do mesmo A embriaguez é a intoxicação passageira e aguda produzida
modo que a emoção, a paixão não retira do agente a pelo álcool ou por substâncias de efeitos análogos (ex:
imputabilidade, sendo a causa de diversos crimes. drogas).

OBS1: Excepcionalmente, a emoção e a paixão podem Existem vários tipos de embriaguez, como por
tornar a pessoa inimputável se derem origem a uma doença exemplo, a embriaguez simples, voluntária ou culposa,
mental. Mesmo nesse caso, respeita-se a regra geral: a proveniente de álcool ou por substâncias de efeitos análogos
causa direta da inimputabilidade é a doença mental e, que não excluem a responsabilidade penal. Por outro lado
apenas remotamente, é a emoção e a paixão. temos também a embriaguez preordenada que se opera
através da teoria da actio libera in causa, ou seja, o indivíduo
OBS2: Em regra, os estados emocionais ou passionais não preordenou o ato criminoso e o realiza através do estado de
excluem a imputabilidade, até porque a emoção e a paixão embriaguez. Para o código penal a embriaguez que gera a
não são classificadas como enfermidades mentais, podendo ausência de responsabilidade é a acidental que se manifesta
excepcionalmente ser a causa propulsora de tais doenças, nas formas de caso fortuito ou força maior. Na primeira
merecendo, nesses casos uma análise apurada e situação poderemos citar como exemplo o do trabalhador
diferenciada das regras gerais até então estudadas. que cai dentro de um tonel de pinga e acaba ingerindo a
bebida. No segundo, há o exemplo de alguém que é forçado
1. 2.1.3. Causas de inimputabilidade: a beber por terceiros. Deve-se lembrar que tal ausência de
responsabilização só ocorrerá se completa essa forma de
Doença mental, desenvolvimento mental embriaguez, pois, se incompleta, haverá apenas diminuição
incompleto ou retardado - Tal previsão legal encontra-se da pena nos termos do art.28, parágrafo 2º do Código Penal
no art.26, caput, do Código Penal. O termo doença mental Brasileiro. Por último, diga-se que quanto à figura da
abrange todas as moléstias que causem alterações embriaguez patológica prevista no art. 26 do CPB ela
mórbidas à saúde mental. EX: esquizofrenia, demência senil, também terá o mesmo regramento visto anteriormente para
etc. Quanto ao desenvolvimento mental incompleto os fins de embriaguez acidental.
menores de 18 anos, que já receberam um tratamento
diferenciado, bem como os surdos-mudos que não Obs: Lembre-se que o Código de Trânsito Nacional (Lei
receberam educação apropriada, etc. No que tange ao 9.503/97) disciplinava no seu art.165 que dirigir sob a
desenvolvimento mental retardado quando possui um estado influência de álcool, em nível superior a seis decigramas por
mórbido de parada no desenvolvimento mental, ocorrido nos litro de sangue, ou de qualquer substância entorpecente ou
primeiros anos de vida ou de formas congênita, que implique que determine dependência física ou psíquica constituía
a impossibilidade de criar ou de criticar os fatos, infração gravíssima. Entretanto, com o surgimento da Lei nº
incapacitando-o para o convívio social. 11.705/2008 (chamada vulgarmente de Lei Seca) passou a
Observação importante: A incapacidade deve ser se considerar crime dirigir com qualquer teor de álcool no
considerada no momento da ocorrência do delito. organismo, tolerando-se, porém, até 0,2 gramas de álcool
Observação importante: A doutrina costumeiramente fala por litro de sangue, quantidade que corresponde à margem
acerca da denominada “ACTIO LIBERA IN CAUSA” em que de erro nos exames.
o agente se coloca, propositadamente, em situação de
inimputabilidade para cometer o crime, realizando esse no 1.2.2 Consciência potencial de ilicitude
estado de inconsciência. O sujeito utiliza a si mesmo como
instrumento para a prática do fato. Nessa hipótese, Não basta o agente ser imputável. É mister que ele
considera-se, para o juízo da culpabilidade, a situação do tenha conhecimento de que a sua prática não repousa
agente no momento em que se colocou em estado de dentro do campo da licitude, ainda que essa consciência
inconsciência, devendo responder o indivíduo pela conduta tenha apenas um aspecto potencial. Isto ocorre, porque o
criminosa e, em certos casos, chegando a agravar a sua Art. 21, Caput, 1ª parte, do Código Penal assegura que é
situação. vedado ao praticante de um delito alegar o desconhecimento
da lei, o que ocorre para se evitar condutas abusivas que
Menoridade - Quando se trata de menor de 18 poderiam ocorrer. Vale dizer que, trata-se de conhecimento
anos de idade, tanto a Constituição Federal quanto o Código leigo, vulgar, que está ao alcance de qualquer indivíduo
Penal, de forma absoluta, presumem o desenvolvimento capaz que tenha meios de informação, ainda que esta seja
mental incompleto e vedam a aplicação de pena. Portanto, produto de reflexões ordinárias.
os menores de 18 anos de idade são tidos como
inimputáveis, uma vez que inteiramente incapazes de 1.2.2.1. Causa de desconhecimento do ilícito.
entender o caráter ilícito do fato e de determinar-se de
acordo com esse entendimento [art.228 da CF e art.27 do Erro de proibição No erro de proibição o indivíduo
CP]. Nesse caso, ao menor que praticar ato infracional, sabe o que faz mais acredita estar fazendo uma conduta
deverá ser aplicado o Estatuto da Criança e do Adolescente. lícita quando na verdade não é. Por outro lado, no erro de
O Estatuto considera como criança, o menor de 12 anos, e tipo o agente não sabe o que faz, no erro de proibição ele
adolescente, o maior de 12 e menor de 18 anos. sabe, mas pensa que a sua atitude é lícita, uma vez que não
tem ou não lhe é possível o conhecimento da ilicitude do
Para as crianças que cometem atos infracionais, fato. No erro de proibição existe uma falsa ou inexata
são previstas apenas medidas protetivas (art. 101 do ECA), representação da realidade, recaindo sobre o caráter ilícito
como colocação em família substituta, abrigo em entidade e do fato achando que seu comportamento é lícito quando, na
inclusão em programa de auxílio a alcoólatras e verdade não é. O agente no erro de proibição, faz um juízo
toxicômanos. Os adolescentes infratores são submetidos às equivocado sobre aquilo que lhe é permitido fazer na vida

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
em sociedade. O erro de proibição, portanto, não elimina o punibilidade, que é a possibilidade jurídica de o Estado
dolo; o agente pratica um fato típico, mas fica excluída a impor a sanção.
reprovabilidade da conduta.
A punibilidade não é requisito do crime, mas sua
O erro de proibição, ou seja, a falsa convicção de conseqüência jurídica. Os requisitos do crime, sob o aspecto
licitude, pode isentar de pena, se o erro for inevitável (ex: a formal, são o fato típico e a antijuridicidade. A culpabilidade
enfermeira que registrou criança abandonada como se sua constitui pressuposto da pena. Assim, a prática de um fato
fosse, praticando o art.242 do CPB), ou diminuí-la de um típico e ilícito, sendo culpável o sujeito, faz surgir à
sexto a um terço, se evitável (ex: a hipótese de culpa punibilidade.
imprópria).
Nesse passo, o Código previu aqui causas que
1.2.3 Exigibilidade de conduta diversa. extinguem a possibilidade jurídica do Estado impor à pena.
Extinguem elas a pretensão punitiva do Estado ou
A análise da culpabilidade pelo magistrado é algo impedindo a persecutio criminis, ou tornando inexistente a
inerente a cada caso concreto. No caso em tela o juiz deverá condenação.
se questionar em face das circunstâncias apresentadas se o
agente deveria manifestar-se de forma contrária e Tais causas estão previstas no art.107 do Código
possibilitar a não ocorrência do delito. Se afirmativo o Penal a exemplo da morte do agente, pela anistia, graça ou
entendimento a culpabilidade estará caracterizada e será indulto, entre outras. Deve-se lembrar que tal rol é apenas
possível a penalização do indivíduo. exemplificativo.

1. 2.3.1. Causas de inexigibilidade de conduta diversa. Vale salientar que não se confundem causas
extintivas de punibilidade com escusas absolutórias, visto
Coação moral irresistível - Em Direito Penal coação que, estas são causas, previstas na Parte Especial do CP,
é o constrangimento imposto a uma pessoa para compeli-la que fazem com que um fato típico e antijurídico, não
a realizar fato típico e antijurídico. Se o fato é cometido sob obstante a culpabilidade do sujeito, não enseje aplicação da
coação irresistível, só é punível o autor da coação [art.22 do pena por motivos de política criminal. Apesar de distintas os
CP]. O dispositivo refere-se mais à coação moral [grave efeitos que as escusas absolutórias acarretam, ensina José
ameaça], pois na coação física não há ação por parte do que Frederico Marques, “são idênticos aos da extinção da
foi coagido. Se for demonstrado que a coação moral era punibilidade”. Assim, elas somente extinguem o poder-dever
resistível, poderá, nas circunstâncias, ser aplicada a de punir do Estado, subsistindo o caráter ilícito do fato. A
atenuante genérica do art.65, III, “C”, primeira parte, do isenção de pena é obrigatória, não ficando ao arbítrio judicial
Código Penal. a concessão do benefício. São exemplos de causas
absolutórias os arts. 181, I e II (imunidade penal absoluta
Na coação, há a promessa de um mau futuro grave nos delitos contra o patrimônio), e 348, § 2º.(isenção de
e irresistível, contra o coacto ou contra terceiro, em que o pena no favorecimento pessoal).
mal praticado ou anunciado pelo coator é igual ou maio do
que o mal que será praticado pelo coacto.

Obediência hierárquica Do poder hierárquico que


informa a Administração decorre que, via de regra, as ordens
emanadas dos superiores devem ser cumpridas pelos
subalternos tendo em vista o princípio da presunção da
legitimidade e veracidade. Daí porque se diz que, muitas EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO DE CONTEÚDO
vezes, não é dado ao funcionário agir de outro modo, ainda PARA RESOLUÇÃO EM SALA
que a execução de uma ordem superior importe na
realização de um fato típico e antijurídico. Excluída a sua 1. (Aplicada em: 2013 - Banca: FCC- Órgão: TJ –PE
culpabilidade, responde pelo fato apenas seu superior. Prova: Titular de Serviços de Notas e de Registros)A
Assim, se o fato é cometido em estrita obediência à ordem, inimputabilidade por peculiaridade mental ou etária
não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é exclui da conduta a
punível o autor da ordem [art.22 do CP]. A subordinação é a
de ordem pública , não abrangendo o setor privado, como o a) tipicidade.
familiar, empregatício ou religioso. Trata-se de um caso b) tipicidade e a antijuridicidade, respectivamente.
especial de erro de proibição, quando o agente julga estar c) antijuridicidade.
cumprindo ordem legítima. Ou de inexigibilidade de outra d) antijuridicidade e a culpabilidade, respectivamente.
conduta, quando o agente não vê como desobedecer à e) culpabilidade.
ordem não manifestamente ilegal. São, pois, requisitos da
obediência hierárquica: relação de Direito Público entre LETRA E
superior e subordinado; que a ordem não seja
manifestamente ilegal; que o fato seja cumprido dentro de 2. (Prova: FCC - 2011 - TRE-AP - Analista Judiciário
estrita obediência à ordem.
- Área Administrativa / Direito Penal /
2.Da Punibilidade Imputabilidade Penal; ) Exclui a imputabilidade
penal, nos termos preconizados pelo Código
Segundo a melhor doutrina quando o sujeito comete Penal,
um crime surge a relação jurídico-punitiva: de um lado
aparece o Estado com o jus puniendi; de outro, o réu, com a a) a embriaguez voluntária pelo álcool ou substância
obrigação de não obstaculizar o direito de o Estado impor a de efeitos análogos.
sanção penal. Com a prática do crime, o direito de punir do b) a emoção e a paixão.
Estado, que era abstrato, torna-se concreto, surgindo à c) a embriaguez culposa pelo álcool ou substância de
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
efeitos análogos. crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
d) se o agente, em virtude de perturbação de saúde Casos de impunibilidade
mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio,
retardado, não era inteiramente capaz de entender o salvo disposição expressa em contrário, não são puníveis,
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado. (Redação
com esse entendimento. dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984).
e) a embriaguez completa proveniente de caso fortuito
ou força maior, se o agente era, ao tempo da ação ou TEMA 5
da omissão, inteiramente incapaz de entender o CONCURSO DE PESSOAS
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo
com esse entendimento. 1. Generalidades
2. Espécies de Concurso de Pessoas
LETRA E Eventual
Necessário
3. Requisitos do Concurso de Pessoas
3.(Aplicada em: 2010 - Banca: FCC - Órgão: TRE-
Pluralidade
RS - Prova: Analista Judiciário - Área Judiciária) Relevância Causal
"A", menor de 18 anos, efetua disparos de arma de Vínculo Psicológico
fogo contra a vítima que, em virtude dos Identidade do Fato
ferimentos recebidos, vem a falecer um mês 4. Modalidades
depois, quando "A" já havia atingido aquela idade. Autoria
Nesse caso, "A": Coautoria
Partícipe
a) não será tido como imputável, porque se considera 5. Concurso Subjetivo nos Crimes Culposos.
6. Autoria Mediata
como tempo do crime o momento da ação ou omissão.
7.Autoria Colateral
b) só será considerado inimputável se provar que, ao 8.Autoria Incerta
tempo do crime, não possuía a plena capacidade de 9.Comunicabilidade e Incomunicabilidade das
entender o caráter ilícito do fato. Circunstâncias.
c) será tido como imputável, pois o Código Penal 10.Casos de Impunibilidade
considera como tempo do crime tanto o momento da 11.Participação de Menor Importância
ação quanto o momento do resultado. 12.Cooperação dolosamente distinta
d) não será considerado imputável se provar que 13.Delação premiada
cometeu o delito sob estado de necessidade ou em
1.Generalidades
legítima defesa.
O crime em principio é uma conduta que pode ser
e) será considerado imputável, pois a consumação do praticada por uma só pessoa. Ao menos essa é a regra.
crime ocorreu quando já era maior de 18 anos. Todavia, ainda que não seja necessária a existência de um
conjunto de pessoas para a prática criminosa, essas
LETRA A poderão incidir, auxiliando de alguma forma, provocando o
denominado concurso de pessoas.

Entre as várias teorias existentes o Código Penal


acolheu a teoria unitária ou monista pela qual todos os
envolvidos deverão responder igualmente pela prática de um
PRIMEIRA PARTE único crime, seja na condição de autor, coautor ou partícipe.
Obviamente que tal extremismo foi limitado pelo legislador
DISPOSIÇÕES LEGAIS CORRELATAS
quando dispôs que cada um responderá na medida de sua
culpabilidade.
DECRETO-LEI No 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940
(CÓDIGO PENAL)
2.Espécies
TÍTULO IV DO CONCURSO DE PESSOAS  Eventual (é a regra do Direito Penal).Assim, em
Regras comuns às penas privativas de liberdade regra os crimes podem ser praticados por uma só pessoa
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime como ocorre nos exemplos seguintes: homicídio [art.121];
incide nas penas a este cominadas, na medida de sua estupro [art.213],roubo [art.157],furto [art.155],etc.
culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)  Necessário (tem caráter excepcional além do que
§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena deverá ter prévia disposição legal nesse sentido).Assim,
pode ser diminuída de um sexto a um terço. (Redação dada nessa hipótese encontram-se aqueles crimes que a própria
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) norma legal estabelece a exigência de que para a sua
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime prática ele tenha enquanto elementar do crime a pluralidade
menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena de sujeitos ativos, embora o número legal destes seja
será aumentada até metade, na hipótese de ter sido variável de acordo com o crime, bem como o fato de poder
previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº se apresentar de forma explícita ou implícita. São exemplos
7.209, de 11.7.1984) destes crimes: Formação de quadrilha [art.288], Rixa
Circunstâncias incomunicáveis [art.137].
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as
condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do 3.Requisitos do concurso de pessoas

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
 Pluralidade de participantes (deve haver a conduta 8.3 Espécies de circunstâncias
de duas ou mais pessoas).
 Relevância causal das condutas (deve a  Objetivas são as que se relacionam com os meios e
contribuição ter causado algum efeito dentro da prática modos de execução do ato criminoso. Ex: a arma utilizada.
criminosa, do contrário ela não será relevada).
 Vínculo psicológico (Todos os participantes devem  Subjetivas relacionam-se intimamente com o agente
estar subjetivamente conscientes daquilo que fazem e do fim do fato criminoso. EX: os motivos que levaram à prática do
a que se destina). crime.
 Identidade do fato (O crime será um só para todos
os participantes em face da teoria adotada pelo Código 8.4 Elementar é o mecanismo através do qual o tipo penal é
Penal pátrio). estabelecido. São seus requisitos essenciais como o verbo
núcleo, os sujeitos, o objeto material, etc.
4.Modalidades do concurso de pessoas
9.Casos de Impunibilidade
4.1 Autoria consiste na pessoa que pratica a conduta
previamente tipificada na norma penal. É explicada através Salvo disposição em contrário, não se pune o
da Teoria Restritiva, da Teoria Extensiva e da Teoria do ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, se não
Domínio do Fato. iniciada a execução do delito [art.31, do CP].

4.2 Coautoria É a pessoa que, embora não realize o fato Para que a participação seja punível, há a
típico, auxilia diretamente na sua consecução. necessidade do início da execução do crime pelo autor, que
é principal.
4.3 Partícipes É a pessoa que realiza uma conduta
secundária, que, no entanto, surte efeitos para o evento Contudo, existem casos em que são puníveis os
criminoso final. Poderá ocorrer a participação tanto no atos preparatórios, vez que constituem crimes autônomos.
aspecto moral (induzimento ou instigação), como no aspecto Poderemos citar como exemplo a incitação ao crime
material (auxílio secundário). [art.286, do CP], em que se pune a mera incitação genérica
a prática de crimes, sem a necessidade de estes serem
5.Concurso de pessoas nos crimes culposos É possível cometidos.
ocorrer, visto que duas pessoas podem, por exemplo atuar
em conjunto de forma negligente, imprudente ou imperita. 10.Participação de Menor Importância - Nos termos do
Tome-se como exemplo o fato de que dois médicos que não art.28, § 1º do CPB, a pena poderá ser reduzida de 1/6 a
possuem conhecimento específico acabaram por realizar 1/3.
determinada cirurgia ocular, vindo a causar a cegueira no
paciente. 11.Cooperação dolosamente distinta – Ocorrerá na
hipótese de um dos concorrentes quis participar de crime
5. Autoria Mediata Manifesta-se nos delitos em que menos grave ser-lhe-á aplicada a pena deste. Na hipótese,
se utiliza o agente criminoso de uma terceira pessoa, que porém, de ter sido previsível o resultado mais grave essa
por si mesma não responde como no caso de uma criança pena será aumentada até a metade.
ou um louco.
Delação Premiada – é a possibilidade de um dos
6. Autoria Colateral É a hipótese de dois ou mais elementos subjetivos do delito facilitar o denominando
agentes praticarem condutas criminosas em caráter “desmantelamento”, podendo em razão disso ter uma causa
simultâneo direcionado ao mesmo fim, sem que haja de redução de pena de 1/3 a 2/3.
conhecimento de ambos em relação ao outro.
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO DE CONTEÚDO
PARA RESOLUÇÃO EM SALA
7. Autoria Incerta É uma decorrência da autoria
colateral, em face da perícia não ter chegado a um resultado 1. (Companhia do Metropolitano de São Paulo - SP
conclusivo acerca do real agressor. Em outras palavras, (Metrô/SP) 2014 - Advogado Júnior -Banca: Fundação
sendo a autoria colateral e em não se chegando à conclusão Carlos Chagas (FCC) - Direito Penal DIREITO PENAL -
de qual ou quais os agressores que causaram a ofensa, PARTE GERAL Do concurso de Pessoas) Joaus, Joseh
entende-se que todos deverão responder na forma tentada e Pedrus acertaram, mediante prévio ajuste, a prática de
para evitar que um inocente venha a pagar pelo real culpado um crime de furto qualificado em residência. Pedrus
.Diante desse quadro é que se terá a possibilidade de uma escolheu a residência e emprestou seu veículo para o
autoria incerta. transporte dos objetos furtados. Joaus arrombou a porta
da residência indicada por Pedrus e entrou. Joseh
8.Comunicabilidade e incomunicabilidade das entrou em seguida. Joaus e Joseh recolheram todos os
circunstâncias objetos de valor, colocaram no veículo e fugiram do
local. Nesse caso,
8.1. Conceito de circunstâncias é o que está ao redor do
delito. Não altera a natureza do delito, podendo, contudo,
promover alterações quanto ao acréscimo ou diminuição da A. Joaus, Joseh e Pedrus foram coautores.
pena aplicada. B. Joaus foi autor, Joseh partícipe e Pedrus autor mediato.
C. Joaus e Joseh foram partícipes e Pedrus foi autor
8.2. Condições pessoais é o inter-relacionamento do imediato.
sujeito com o mundo exterior, sua conduta em meio à D. Joaus, Joseh e Pedrus foram autores.
sociedade, sua forma de tratar as pessoas ao seu redor nos E. Joaus e Joseh foram coautores e Pedrus partícipe.
mais diversos ambientes, como família, trabalho, etc.

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4
LETRA E (quatro) anos e não exceda a 8 (oito), poderá, desde o
princípio, cumpri-la em regime semi-aberto;
2. (Tribunal Regional do Trabalho / 15ª Região (TRT 15ª) c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou
2013 Cargo: Técnico Judiciário - Área Administrativa - inferior a 4 (quatro) anos, poderá, desde o início, cumpri-la
Banca: Fundação Carlos Chagas (FCC) - Nível: Médio - em regime aberto.
Direito Penal DIREITO PENAL - PARTE GERAL Do § 3º - A determinação do regime inicial de cumprimento da
concurso de Pessoas) Glauco andava de bicicleta numa pena far-se-á com observância dos critérios previstos no art.
estrada rural. Caiu do veículo e teve fratura exposta do 59 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
osso de uma das pernas. João e José passaram pelo 11.7.1984)
local, viram Glauco caído e pedindo auxílio, mas § 4o O condenado por crime contra a administração pública
deixaram de socorrê-lo, apesar de poderem fazê-lo sem terá a progressão de regime do cumprimento da pena
risco pessoal. Responderão pelo crime de omissão de condicionada à reparação do dano que causou, ou à
socorro devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos
legais. (Incluído pela Lei nº 10.763, de 12.11.2003)
A. João como autor e José como co-autor, não se Regras do regime fechado
caracterizando a participação. Art. 34 - O condenado será submetido, no início do
B. João e José como partícipes, não se caracterizando a co- cumprimento da pena, a exame criminológico de
autoria. classificação para individualização da execução. (Redação
C. João como autor e José como partícipe, não se dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
caracterizando a co-autoria. § 1º - O condenado fica sujeito a trabalho no período diurno
D. José como autor e João como partícipe, não se e a isolamento durante o repouso noturno. (Redação dada
caracterizando a co-autoria. pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
E. João e José como autores isolados, não se § 2º - O trabalho será em comum dentro do estabelecimento,
caracterizando o concurso de agentes. na conformidade das aptidões ou ocupações anteriores do
condenado, desde que compatíveis com a execução da
pena.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
LETRA E
§ 3º - O trabalho externo é admissível, no regime fechado,
em serviços ou obras públicas. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
PRIMEIRA PARTE Regras do regime semi-aberto
DISPOSIÇÕES LEGAIS CORRELATAS Art. 35 - Aplica-se a norma do art. 34 deste Código, caput,
ao condenado que inicie o cumprimento da pena em regime
DECRETO-LEI No 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940 semi-aberto. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
(CÓDIGO PENAL) § 1º - O condenado fica sujeito a trabalho em comum
durante o período diurno, em colônia agrícola, industrial ou
TÍTULO V
estabelecimento similar. (Redação dada pela Lei nº 7.209,
DAS PENAS
de 11.7.1984)
CAPÍTULO I
DAS ESPÉCIES DE PENA § 2º - O trabalho externo é admissível, bem como a
freqüência a cursos supletivos profissionalizantes, de
Art. 32 - As penas são: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
instrução de segundo grau ou superior. (Redação dada pela
11.7.1984)
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - privativas de liberdade;
Regras do regime aberto
II - restritivas de direitos;
Art. 36 - O regime aberto baseia-se na autodisciplina e
III - de multa. senso de responsabilidade do condenado. (Redação dada
SEÇÃO I pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
DAS PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE § 1º - O condenado deverá, fora do estabelecimento e sem
Reclusão e detenção vigilância, trabalhar, freqüentar curso ou exercer outra
Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime atividade autorizada, permanecendo recolhido durante o
fechado, semi-aberto ou aberto. A de detenção, em regime período noturno e nos dias de folga. (Redação dada pela Lei
semi-aberto, ou aberto, salvo necessidade de transferência a nº 7.209, de 11.7.1984)
regime fechado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de § 2º - O condenado será transferido do regime aberto, se
11.7.1984) praticar fato definido como crime doloso, se frustrar os fins
§ 1º - Considera-se: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de da execução ou se, podendo, não pagar a multa
11.7.1984) cumulativamente aplicada. (Redação dada pela Lei nº 7.209,
a) regime fechado a execução da pena em estabelecimento de 11.7.1984)
de segurança máxima ou média; Regime especial
b) regime semi-aberto a execução da pena em colônia Art. 37 - As mulheres cumprem pena em estabelecimento
agrícola, industrial ou estabelecimento similar; próprio, observando-se os deveres e direitos inerentes à sua
c) regime aberto a execução da pena em casa de albergado condição pessoal, bem como, no que couber, o disposto
ou estabelecimento adequado. neste Capítulo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser 11.7.1984)
executadas em forma progressiva, segundo o mérito do Direitos do preso
condenado, observados os seguintes critérios e ressalvadas Art. 38 - O preso conserva todos os direitos não atingidos
as hipóteses de transferência a regime mais rigoroso: pela perda da liberdade, impondo-se a todas as autoridades
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) o respeito à sua integridade física e moral. (Redação dada
a) o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
começar a cumpri-la em regime fechado; Trabalho do preso
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Art. 39 - O trabalho do preso será sempre remunerado, § 4o A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de
sendo-lhe garantidos os benefícios da Previdência Social. liberdade quando ocorrer o descumprimento injustificado da
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) restrição imposta. No cálculo da pena privativa de liberdade
Legislação especial a executar será deduzido o tempo cumprido da pena
Art. 40 - A legislação especial regulará a matéria prevista nos restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias
arts. 38 e 39 deste Código, bem como especificará os de detenção ou reclusão. (Incluído pela Lei nº 9.714, de
deveres e direitos do preso, os critérios para revogação e 1998)
transferência dos regimes e estabelecerá as infrações § 5o Sobrevindo condenação a pena privativa de liberdade,
disciplinares e correspondentes sanções. (Redação dada por outro crime, o juiz da execução penal decidirá sobre a
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) conversão, podendo deixar de aplicá-la se for possível ao
Superveniência de doença mental condenado cumprir a pena substitutiva anterior. (Incluído
Art. 41 - O condenado a quem sobrevém doença mental pela Lei nº 9.714, de 1998)
deve ser recolhido a hospital de custódia e tratamento Conversão das penas restritivas de direitos
psiquiátrico ou, à falta, a outro estabelecimento adequado. Art. 45. Na aplicação da substituição prevista no artigo
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) anterior, proceder-se-á na forma deste e dos arts. 46, 47 e
Detração 48. (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
Art. 42 - Computam-se, na pena privativa de liberdade e na § 1o A prestação pecuniária consiste no pagamento em
medida de segurança, o tempo de prisão provisória, no dinheiro à vítima, a seus dependentes ou a entidade pública
Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de ou privada com destinação social, de importância fixada pelo
internação em qualquer dos estabelecimentos referidos no juiz, não inferior a 1 (um) salário mínimo nem superior a 360
artigo anterior. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de (trezentos e sessenta) salários mínimos. O valor pago será
11.7.1984) deduzido do montante de eventual condenação em ação de
SEÇÃO II reparação civil, se coincidentes os beneficiários. (Incluído
pela Lei nº 9.714, de 1998)
DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS
§ 2o No caso do parágrafo anterior, se houver aceitação do
Penas restritivas de direitos
beneficiário, a prestação pecuniária pode consistir em
Art. 43. As penas restritivas de direitos são: (Redação dada prestação de outra natureza. (Incluído pela Lei nº 9.714, de
pela Lei nº 9.714, de 1998) 1998)
I - prestação pecuniária; (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998) § 3o A perda de bens e valores pertencentes aos
II - perda de bens e valores; (Incluído pela Lei nº 9.714, de condenados dar-se-á, ressalvada a legislação especial, em
1998) favor do Fundo Penitenciário Nacional, e seu valor terá como
III - (VETADO) (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998) teto - o que for maior - o montante do prejuízo causado ou
IV - prestação de serviço à comunidade ou a entidades do provento obtido pelo agente ou por terceiro, em
públicas; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984 , conseqüência da prática do crime. (Incluído pela Lei nº
renumerado com alteração pela Lei nº 9.714, de 25.11.1998) 9.714, de 1998)
V - interdição temporária de direitos; (Incluído pela Lei nº § 4o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
7.209, de 11.7.1984 , renumerado com alteração pela Lei nº Prestação de serviços à comunidade ou a entidades
9.714, de 25.11.1998) públicas
VI - limitação de fim de semana. (Incluído pela Lei nº 7.209, Art. 46. A prestação de serviços à comunidade ou a
de 11.7.1984 , renumerado com alteração pela Lei nº 9.714, entidades públicas é aplicável às condenações superiores a
de 25.11.1998) seis meses de privação da liberdade. (Redação dada pela
Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e Lei nº 9.714, de 1998)
substituem as privativas de liberdade, quando: (Redação § 1o A prestação de serviços à comunidade ou a entidades
dada pela Lei nº 9.714, de 1998) públicas consiste na atribuição de tarefas gratuitas ao
I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro condenado. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
anos e o crime não for cometido com violência ou grave § 2o A prestação de serviço à comunidade dar-se-á em
ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se entidades assistenciais, hospitais, escolas, orfanatos e
o crime for culposo; (Redação dada pela Lei nº 9.714, de outros estabelecimentos congêneres, em programas
1998) comunitários ou estatais. (Incluído pela Lei nº 9.714, de
II - o réu não for reincidente em crime doloso; (Redação 1998)
dada pela Lei nº 9.714, de 1998) § 3o As tarefas a que se refere o § 1o serão atribuídas
III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a conforme as aptidões do condenado, devendo ser cumpridas
personalidade do condenado, bem como os motivos e as à razão de uma hora de tarefa por dia de condenação,
circunstâncias indicarem que essa substituição seja fixadas de modo a não prejudicar a jornada normal de
suficiente. (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998) trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
§ 1o (VETADO) (Incluído e vetado pela Lei nº 9.714, de § 4o Se a pena substituída for superior a um ano, é facultado
1998) ao condenado cumprir a pena substitutiva em menor tempo
§ 2o Na condenação igual ou inferior a um ano, a (art. 55), nunca inferior à metade da pena privativa de
substituição pode ser feita por multa ou por uma pena liberdade fixada. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
restritiva de direitos; se superior a um ano, a pena privativa Interdição temporária de direitos(Redação dada pela Lei
de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de nº 7.209, de 11.7.1984)
direitos e multa ou por duas restritivas de direitos. (Incluído Art. 47 - As penas de interdição temporária de direitos são:
pela Lei nº 9.714, de 1998) (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 3o Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade
substituição, desde que, em face de condenação anterior, a pública, bem como de mandato eletivo; (Redação dada pela
medida seja socialmente recomendável e a reincidência não Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
se tenha operado em virtude da prática do mesmo crime. II - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício
(Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998) que dependam de habilitação especial, de licença ou

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
autorização do poder público;(Redação dada pela Lei nº Art. 53 - As penas privativas de liberdade têm seus limites
7.209, de 11.7.1984) estabelecidos na sanção correspondente a cada tipo legal
III - suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir de crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
veículo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)> Penas restritivas de direitos
<p Art. 54 - As penas restritivas de direitos são aplicáveis,
independentemente de cominação na parte especial, em
IV - proibição de freqüentar determinados lugares. (Incluído substituição à pena privativa de liberdade, fixada em
pela Lei nº 9.714, de 1998) quantidade inferior a 1 (um) ano, ou nos crimes culposos.
V - proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
exame públicos. (Incluído pela Lei nº 12.550, de 2011) Art. 55. As penas restritivas de direitos referidas nos incisos
Limitação de fim de semana III, IV, V e VI do art. 43 terão a mesma duração da pena
Art. 48 - A limitação de fim de semana consiste na obrigação privativa de liberdade substituída, ressalvado o disposto no §
de permanecer, aos sábados e domingos, por 5 (cinco) 4o do art. 46. (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
horas diárias, em casa de albergado ou outro Art. 56 - As penas de interdição, previstas nos incisos I e II
estabelecimento adequado. (Redação dada pela Lei nº do art. 47 deste Código, aplicam-se para todo o crime
7.209, de 11.7.1984) cometido no exercício de profissão, atividade, ofício, cargo
Parágrafo único - Durante a permanência poderão ser ou função, sempre que houver violação dos deveres que
ministrados ao condenado cursos e palestras ou atribuídas lhes são inerentes. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
atividades educativas.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
11.7.1984) Art. 57 - A pena de interdição, prevista no inciso III do art. 47
</p deste Código, aplica-se aos crimes culposos de trânsito.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
SEÇÃO III Pena de multa
DA PENA DE MULTA Art. 58 - A multa, prevista em cada tipo legal de crime, tem
Multa os limites fixados no art. 49 e seus parágrafos deste
Art. 49 - A pena de multa consiste no pagamento ao fundo Código.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
penitenciário da quantia fixada na sentença e calculada em Parágrafo único - A multa prevista no parágrafo único do art.
dias-multa. Será, no mínimo, de 10 (dez) e, no máximo, de 44 e no § 2º do art. 60 deste Código aplica-se
360 (trezentos e sessenta) dias-multa. (Redação dada pela independentemente de cominação na parte especial.
Lei nº 7.209, de 11.7.1984) (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º - O valor do dia-multa será fixado pelo juiz não podendo CAPÍTULO III
ser inferior a um trigésimo do maior salário mínimo mensal DA APLICAÇÃO DA PENA
vigente ao tempo do fato, nem superior a 5 (cinco) vezes Fixação da pena
esse salário. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos
§ 2º - O valor da multa será atualizado, quando da execução, antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente,
pelos índices de correção monetária. (Redação dada pela aos motivos, às circunstâncias e conseqüências do crime,
Lei nº 7.209, de 11.7.1984) bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá,
Pagamento da multa conforme seja necessário e suficiente para reprovação e
Art. 50 - A multa deve ser paga dentro de 10 (dez) dias prevenção do crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
depois de transitada em julgado a sentença. A requerimento 11.7.1984)
do condenado e conforme as circunstâncias, o juiz pode I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;(Redação dada
permitir que o pagamento se realize em parcelas mensais. pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites
§ 1º - A cobrança da multa pode efetuar-se mediante previstos;(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
desconto no vencimento ou salário do condenado quando: III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) liberdade;(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) aplicada isoladamente; IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada,
b) aplicada cumulativamente com pena restritiva de direitos; por outra espécie de pena, se cabível. (Redação dada pela
c) concedida a suspensão condicional da pena. Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º - O desconto não deve incidir sobre os recursos Critérios especiais da pena de multa
indispensáveis ao sustento do condenado e de sua Art. 60 - Na fixação da pena de multa o juiz deve atender,
família.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) principalmente, à situação econômica do réu. (Redação
Conversão da Multa e revogação (Redação dada pela Lei nº dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
7.209, de 11.7.1984) § 1º - A multa pode ser aumentada até o triplo, se o juiz
Art. 51 - Transitada em julgado a sentença condenatória, a considerar que, em virtude da situação econômica do réu, é
multa será considerada dívida de valor, aplicando-se-lhes as ineficaz, embora aplicada no máximo. (Redação dada pela
normas da legislação relativa à dívida ativa da Fazenda Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Pública, inclusive no que concerne às causas interruptivas e Multa substitutiva
suspensivas da prescrição. (Redação dada pela Lei nº § 2º - A pena privativa de liberdade aplicada, não superior a
9.268, de 1º.4.1996) 6 (seis) meses, pode ser substituída pela de multa,
Suspensão da execução da multa observados os critérios dos incisos II e III do art. 44 deste
Art. 52 - É suspensa a execução da pena de multa, se Código.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
sobrevém ao condenado doença mental. (Redação dada Circunstâncias agravantes
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena,
CAPÍTULO II quando não constituem ou qualificam o crime:(Redação
DA COMINAÇÃO DAS PENAS dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Penas privativas de liberdade I - a reincidência; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
11.7.1984) dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - ter o agente cometido o crime: (Redação dada pela Lei nº II - o desconhecimento da lei; (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984) 7.209, de 11.7.1984)
a) por motivo fútil ou torpe; III - ter o agente:(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
b) para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a 11.7.1984)
impunidade ou vantagem de outro crime; a) cometido o crime por motivo de relevante valor social ou
c) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou moral;
outro recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa do b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência,
ofendido; logo após o crime, evitar-lhe ou minorar-lhe as
d) com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro conseqüências, ou ter, antes do julgamento, reparado o
meio insidioso ou cruel, ou de que podia resultar perigo dano;
comum; c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em
e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge; cumprimento de ordem de autoridade superior, ou sob a
f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da
domésticas, de coabitação ou de hospitalidade; vítima;
d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a
f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações autoria do crime;
domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, ou com e) cometido o crime sob a influência de multidão em tumulto,
violência contra a mulher na forma da lei específica; se não o provocou.
(Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006) Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de
g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a circunstância relevante, anterior ou posterior ao crime,
cargo, ofício, ministério ou profissão; embora não prevista expressamente em lei. (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
h) contra criança, velho, enfermo ou mulher grávida.
Concurso de circunstâncias agravantes e atenuantes
(Redação dada pela Lei nº 9.318, de 1996)
h) contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou Art. 67 - No concurso de agravantes e atenuantes, a pena
mulher grávida; (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003) deve aproximar-se do limite indicado pelas circunstâncias
preponderantes, entendendo-se como tais as que resultam
i) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da dos motivos determinantes do crime, da personalidade do
autoridade;
agente e da reincidência. (Redação dada pela Lei nº 7.209,
j) em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer de 11.7.1984)
calamidade pública, ou de desgraça particular do ofendido; Cálculo da pena
l) em estado de embriaguez preordenada.
Art. 68 - A pena-base será fixada atendendo-se ao critério do
Agravantes no caso de concurso de pessoas art. 59 deste Código; em seguida serão consideradas as
Art. 62 - A pena será ainda agravada em relação ao agente circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, as
que: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) causas de diminuição e de aumento. (Redação dada pela
I - promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige a Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
atividade dos demais agentes; (Redação dada pela Lei nº Parágrafo único - No concurso de causas de aumento ou de
7.209, de 11.7.1984) diminuição previstas na parte especial, pode o juiz limitar-se
II - coage ou induz outrem à execução material do crime; a um só aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo,
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) todavia, a causa que mais aumente ou diminua.(Redação
III - instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
sua autoridade ou não-punível em virtude de condição ou Concurso material
qualidade pessoal; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou
11.7.1984) omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não,
IV - executa o crime, ou nele participa, mediante paga ou aplicam-se cumulativamente as penas privativas de
promessa de recompensa.(Redação dada pela Lei nº 7.209, liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação
de 11.7.1984) cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-se
Reincidência primeiro aquela. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
Art. 63 - Verifica-se a reincidência quando o agente comete 11.7.1984)
novo crime, depois de transitar em julgado a sentença que, § 1º - Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver sido
no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime aplicada pena privativa de liberdade, não suspensa, por um
anterior. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) dos crimes, para os demais será incabível a substituição de
Art. 64 - Para efeito de reincidência: (Redação dada pela Lei que trata o art. 44 deste Código. (Redação dada pela Lei nº
nº 7.209, de 11.7.1984) 7.209, de 11.7.1984)
I - não prevalece a condenação anterior, se entre a data do § 2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o
cumprimento ou extinção da pena e a infração posterior tiver condenado cumprirá simultaneamente as que forem
decorrido período de tempo superior a 5 (cinco) anos, compatíveis entre si e sucessivamente as demais. (Redação
computado o período de prova da suspensão ou do dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
livramento condicional, se não ocorrer revogação; (Redação Concurso formal
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou
II - não se consideram os crimes militares próprios e omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não,
políticos.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais,
Circunstâncias atenuantes somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de
Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena: um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto,
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os
crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos,
I - ser o agente menor de 21 (vinte e um), na data do fato, ou
consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada pela
maior de 70 (setenta) anos, na data da sentença; (Redação
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria circunstâncias autorizem a concessão do
cabível pela regra do art. 69 deste Código. (Redação dada benefício;(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) III - Não seja indicada ou cabível a substituição
Crime continuado prevista no art. 44 deste Código. (Redação dada pela Lei nº
Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou 7.209, de 11.7.1984)
omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, § 1º - A condenação anterior a pena de multa não
pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e impede a concessão do benefício.(Redação dada pela Lei nº
outras semelhantes, devem os subseqüentes ser havidos 7.209, de 11.7.1984)
como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um § 2o A execução da pena privativa de liberdade, não
só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, superior a quatro anos, poderá ser suspensa, por quatro a
aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços. seis anos, desde que o condenado seja maior de setenta
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) anos de idade, ou razões de saúde justifiquem a
Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas suspensão. (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à Art. 78 - Durante o prazo da suspensão, o condenado
pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os ficará sujeito à observação e ao cumprimento das condições
antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, estabelecidas pelo juiz. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena 11.7.1984)
de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se § 1º - No primeiro ano do prazo, deverá o condenado
diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo prestar serviços à comunidade (art. 46) ou submeter-se à
único do art. 70 e do art. 75 deste Código.(Redação dada limitação de fim de semana (art. 48). (Redação dada pela Lei
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) nº 7.209, de 11.7.1984)
Multas no concurso de crimes § 2° Se o condenado houver reparado o dano, salvo
Art. 72 - No concurso de crimes, as penas de multa são impossibilidade de fazê-lo, e se as circunstâncias do art. 59
aplicadas distinta e integralmente. (Redação dada pela Lei deste Código lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz
nº 7.209, de 11.7.1984) poderá substituir a exigência do parágrafo anterior pelas
Erro na execução seguintes condições, aplicadas cumulativamente: (Redação
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de dada pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que a) proibição de freqüentar determinados
pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se lugares; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao b) proibição de ausentar-se da comarca onde reside,
disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser sem autorização do juiz; (Redação dada pela Lei nº 7.209,
também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, de 11.7.1984)
aplica-se a regra do art. 70 deste Código.(Redação dada c) comparecimento pessoal e obrigatório a juízo,
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) mensalmente, para informar e justificar suas
Resultado diverso do pretendido atividades. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por Art. 79 - A sentença poderá especificar outras
acidente ou erro na execução do crime, sobrevém resultado condições a que fica subordinada a suspensão, desde que
diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o adequadas ao fato e à situação pessoal do
fato é previsto como crime culposo; se ocorre também o condenado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste Art. 80 - A suspensão não se estende às penas
Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) restritivas de direitos nem à multa. (Redação dada pela Lei
Limite das penas nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 75 - O tempo de cumprimento das penas privativas de Revogação obrigatória
liberdade não pode ser superior a 30 (trinta) anos. (Redação Art. 81 - A suspensão será revogada se, no curso do
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) prazo, o beneficiário: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
§ 1º - Quando o agente for condenado a penas privativas de 11.7.1984)
liberdade cuja soma seja superior a 30 (trinta) anos, devem I - é condenado, em sentença irrecorrível, por crime
elas ser unificadas para atender ao limite máximo deste doloso; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
artigo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) II - frustra, embora solvente, a execução de pena de
§ 2º - Sobrevindo condenação por fato posterior ao início do multa ou não efetua, sem motivo justificado, a reparação do
cumprimento da pena, far-se-á nova unificação, dano; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
desprezando-se, para esse fim, o período de pena já III - descumpre a condição do § 1º do art. 78 deste
cumprido.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Concurso de infrações Revogação facultativa
Art. 76 - No concurso de infrações, executar-se-á § 1º - A suspensão poderá ser revogada se o
primeiramente a pena mais grave. (Redação dada pela Lei condenado descumpre qualquer outra condição imposta ou
nº 7.209, de 11.7.1984) é irrecorrivelmente condenado, por crime culposo ou por
CAPÍTULO IV contravenção, a pena privativa de liberdade ou restritiva de
DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA direitos. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Requisitos da suspensão da pena Prorrogação do período de prova
Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, § 2º - Se o beneficiário está sendo processado por
não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 outro crime ou contravenção, considera-se prorrogado o
(dois) a 4 (quatro) anos, desde que: (Redação dada pela Lei prazo da suspensão até o julgamento definitivo. (Redação
nº 7.209, de 11.7.1984) dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - o condenado não seja reincidente em crime § 3º - Quando facultativa a revogação, o juiz pode, ao
doloso; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) invés de decretá-la, prorrogar o período de prova até o
II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social máximo, se este não foi o fixado. (Redação dada pela Lei nº
e personalidade do agente, bem como os motivos e as 7.209, de 11.7.1984)
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Cumprimento das condições Art. 89 - O juiz não poderá declarar extinta a pena,
Art. 82 - Expirado o prazo sem que tenha havido enquanto não passar em julgado a sentença em processo a
revogação, considera-se extinta a pena privativa de que responde o liberado, por crime cometido na vigência do
liberdade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) livramento.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
CAPÍTULO V Art. 90 - Se até o seu término o livramento não é
DO LIVRAMENTO CONDICIONAL revogado, considera-se extinta a pena privativa de
Requisitos do livramento condicional liberdade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
CAPÍTULO VI
Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional
ao condenado a pena privativa de liberdade igual ou superior DOS EFEITOS DA CONDENAÇÃO
a 2 (dois) anos, desde que: (Redação dada pela Lei nº Efeitos genéricos e específicos
7.209, de 11.7.1984) Art. 91 - São efeitos da condenação: (Redação dada
I - cumprida mais de um terço da pena se o pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
condenado não for reincidente em crime doloso e tiver bons I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano
antecedentes; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de causado pelo crime; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984) 11.7.1984)
II - cumprida mais da metade se o condenado for II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do
reincidente em crime doloso; (Redação dada pela Lei nº lesado ou de terceiro de boa-fé: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984) 7.209, de 11.7.1984)
III - comprovado comportamento satisfatório durante a a) dos instrumentos do crime, desde que consistam
execução da pena, bom desempenho no trabalho que lhe foi em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção
atribuído e aptidão para prover à própria subsistência constitua fato ilícito;
mediante trabalho honesto; (Redação dada pela Lei nº b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor
7.209, de 11.7.1984) que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do
IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fato criminoso.
fazê-lo, o dano causado pela infração; (Redação dada pela § 1º Poderá ser decretada a perda de bens ou
Lei nº 7.209, de 11.7.1984) valores equivalentes ao produto ou proveito do crime quando
V - cumprido mais de dois terços da pena, nos casos estes não forem encontrados ou quando se localizarem no
de condenação por crime hediondo, prática da tortura, tráfico exterior. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012)
ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, se o § 2º Na hipótese do § 1o, as medidas assecuratórias
apenado não for reincidente específico em crimes dessa previstas na legislação processual poderão abranger bens
natureza. (Incluído pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990) ou valores equivalentes do investigado ou acusado para
Parágrafo único - Para o condenado por crime doloso, posterior decretação de perda. (Incluído pela Lei nº 12.694,
cometido com violência ou grave ameaça à pessoa, a de 2012)
concessão do livramento ficará também subordinada à Art. 92 - São também efeitos da condenação:(Redação
constatação de condições pessoais que façam presumir que dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
o liberado não voltará a delinqüir. (Redação dada pela Lei nº I - a perda de cargo, função pública ou mandato
7.209, de 11.7.1984) eletivo: (Redação dada pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
Soma de penas a) quando aplicada pena privativa de liberdade por
Art. 84 - As penas que correspondem a infrações tempo igual ou superior a um ano, nos crimes praticados
diversas devem somar-se para efeito do com abuso de poder ou violação de dever para com a
livramento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Administração Pública; (Incluído pela Lei nº 9.268, de
Especificações das condições 1º.4.1996)
Art. 85 - A sentença especificará as condições a que b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por
fica subordinado o livramento. (Redação dada pela Lei nº tempo superior a 4 (quatro) anos nos demais
7.209, de 11.7.1984) casos. (Incluído pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
Revogação do livramento II - a incapacidade para o exercício do pátrio poder,
Art. 86 - Revoga-se o livramento, se o liberado vem a tutela ou curatela, nos crimes dolosos, sujeitos à pena de
ser condenado a pena privativa de liberdade, em sentença reclusão, cometidos contra filho, tutelado ou
irrecorrível: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) curatelado; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - por crime cometido durante a vigência do III - a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado
benefício; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) como meio para a prática de crime doloso. (Redação dada
II - por crime anterior, observado o disposto no art. 84 pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de Parágrafo único - Os efeitos de que trata este artigo
11.7.1984) não são automáticos, devendo ser motivadamente
Revogação facultativa declarados na sentença. (Redação dada pela Lei nº 7.209,
Art. 87 - O juiz poderá, também, revogar o livramento, de 11.7.1984)
se o liberado deixar de cumprir qualquer das obrigações
constantes da sentença, ou for irrecorrivelmente condenado, CAPÍTULO VII
por crime ou contravenção, a pena que não seja privativa de DA REABILITAÇÃO
liberdade.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Reabilitação
Efeitos da revogação Art. 93 - A reabilitação alcança quaisquer penas
Art. 88 - Revogado o livramento, não poderá ser aplicadas em sentença definitiva, assegurando ao
novamente concedido, e, salvo quando a revogação resulta condenado o sigilo dos registros sobre o seu processo e
de condenação por outro crime anterior àquele benefício, condenação. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
não se desconta na pena o tempo em que esteve solto o 11.7.1984)
condenado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Parágrafo único - A reabilitação poderá, também,
Extinção atingir os efeitos da condenação, previstos no art. 92 deste

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Código, vedada reintegração na situação anterior, nos casos praticado, a conduta realizada pelo agente e a
dos incisos I e II do mesmo artigo. (Redação dada pela Lei prevenção de futuras infrações penais, sem, contudo,
nº 7.209, de 11.7.1984) ofender os direitos de personalidade e a dignidade
Art. 94 - A reabilitação poderá ser requerida, humana do condenado.
decorridos 2 (dois) anos do dia em que for extinta, de
qualquer modo, a pena ou terminar sua execução,
São teorias absolutas todas aquelas doutrinas
computando-se o período de prova da suspensão e o do
livramento condicional, se não sobrevier revogação, desde que concebem a pena como um fim em si própria, ou
que o condenado: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de seja, como ‘castigo’, ‘reparação’ ou, ainda, ‘retribuição’
11.7.1984) do crime’, ou seja, parte da necessidade do agente
I - tenha tido domicílio no País no prazo acima que cometeu o delito receber uma punição como via
referido; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) de exemplo aos demais que possam vir a cometer
II - tenha dado, durante esse tempo, demonstração algum tipo penal.
efetiva e constante de bom comportamento público e
privado; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Em contrapartida, advêm as teorias relativas,
III - tenha ressarcido o dano causado pelo crime ou fundamentadas no critério da prevenção.
demonstre a absoluta impossibilidade de o fazer, até o dia
do pedido, ou exiba documento que comprove a renúncia da De fato, o Código Penal Brasileiro adotou uma
vítima ou novação da dívida. (Redação dada pela Lei nº teoria mista ou unificadora da pena, haja vista que a
7.209, de 11.7.1984)
parte final do artigo 59 conjuga a necessidade de
Parágrafo único - Negada a reabilitação, poderá ser
requerida, a qualquer tempo, desde que o pedido seja
reprovação com a prevenção do crime, fazendo,
instruído com novos elementos comprobatórios dos assim, a união das teorias citadas. Nas palavras de
requisitos necessários. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de Cleber Masson (2010, p. 329):
11.7.1984)
Art. 95 - A reabilitação será revogada, de ofício ou a A pena deve, simultaneamente, castigar o condenado pelo mal
praticado e evitar a pratica de novos crimes, tanto em relação
requerimento do Ministério Público, se o reabilitado for ao criminoso como no tocante a sociedade. Em síntese,
condenado, como reincidente, por decisão definitiva, a pena fundem-se as teorias e finalidades anteriores. A pena assume
que não seja de multa. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de um tríplice aspecto: retribuição, prevenção geral e prevenção
11.7.1984). geral.

3. PRINCÍPIOS
TEMA 6
DAS PENAS As penas previstas na legislação devem
respeitar os seguintes princípios constitucionais:
1. INTRODUÇÃO
a) Da legalidade – não há pena sem prévia
Sanção penal é a resposta estatal, no
cominação legal (art. 5º, XXXIX; art. 1º, CP). Significa
exercício do ius puniendi e após o devido processo
que a pena deve estar prevista em lei vigente à época
legal, ao responsável pela prática de um crime ou de
da prática do delito.
uma contravenção penal. Divide-se em duas espécies:
penas e medida de segurança. (Cleber Masson). b) Irretroatividade da lei penal (CF, art. 5º, XL).
As penas têm como pressuposto a
c) Anterioridade - a lei já deve estar em vigor na
culpabilidade, uma vez que o crime é o fato típico e
época em que for praticada a infração penal (CF, art.
ilícito, e a culpabilidade funciona como pressuposto de
5º, XXXIX e CP, art. 1º).
aplicação da pena. Destinam-se aos imputáveis e aos
semi-imputáveis não-perigosos. d) Da individualização da pena. A lei deve
regular a individualização da pena de acordo com a
Já as medidas de segurança têm como
culpabilidade e os méritos pessoais do acusado (art.
pressuposto a periculosidade, e dirigem-se aos
5º, XLVI). A pena deve ser individualizada,
inimputáveis e aos semi-imputáveis dotados de
considerando o fato e o agente, em três momentos: a)
periculosidade, pois necessitam, no lugar da punição,
na cominação abstrata (legislador); b) na aplicação
de especial tratamento curativo.
(Juiz sentenciante); c) na execução (Juiz da Vec).
“Pena é a retribuição imposta pelo Estado em razão da prática
Esse foi um dos princípios usados pelo STF para
de um ilícito penal e consiste na privação de bens jurídicos julgar inconstitucional a vedação da progressão de
determinada pela lei, que visa à readaptação do criminoso ao regime nos crimes hediondos. Há autores que
convívio social e à prevenção em relação à prática de novas discordam de tal posição, uma vez que se existe a Lei
transgressões”. (Victor Eduardo Rios Gonçalves).
9099/95, mitigando a resposta penal, é adequado que
exista outra legislação que torne tal resposta mais
2. FINALIDADES DA PENA contundente. Pergunta-se: o ordenamento jurídico
penal brasileiro respeita esse princípio? Resposta:
O Código Penal, em seu artigo 59, prevê que Sim, pois o CP segue o sistema conhecido como das
as penas devem ser necessárias e suficientes à penas “relativamente indeterminadas”, uma vez que a
reprovação e prevenção do crime, ou seja, que a pena sanção penal prevê uma pena mínima e uma pena
aplicada sirva como um resultado justo entre o mal máxima para cada tipo penal, havendo, portanto, uma
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
margem para a consideração judicial, individualizando, (que exige ato presidencial, autorização ou referendo
assim, a pena para cada agente. CUIDADO: o sistema do Congresso, conflito armado, guerrilha urbana ou
de “penas fixas” viola a individualização da pena (o qualquer perturbação que configure guerra nos termos
juiz não tem margem para individualizar). constitucionais), trabalhos forçados e de caráter
perpétuo.
e) Da pessoalidade ou intranscendência. A - pena de trabalhos forçados. A pena de trabalhos
pena não pode passar da pessoa do condenado, forçados, por sua vez, veda o fato de que ninguém é
podendo a obrigação de reparar o dano e a obrigado a trabalhar como meio de cumprimento da
decretação do perdimento de bens ser, nos termos da pena.
lei, estendidas aos sucessores e contra eles
executadas até o limite do valor do patrimônio ATENÇÃO: não se confunde com o trabalho previsto
transferido (art. 5º, XLV). no CP e na LEP, exercido concomitantemente com a
pena (meio de ressocialização, gerando direitos e
f) Princípio da humanização da pena remuneração).
(desdobramento lógico do princípio da dignidade da
pessoa humana) – Se por um lado, o crime jamais - penas de caráter perpétuo. No que se refere à pena
deixará de existir no atual estágio da humanidade, por de caráter perpétuo, o STF tem julgado
outro, há formas humanizadas de garantir a eficiência inconstitucional a indeterminação do prazo da medida
do Estado para punir o infrator, corrigindo-o, sem de segurança. Por outro lado, o Estatuto de Roma (art.
humilhação, com perspectiva de pacificação social. 77, § 1º, b), do qual o Brasil é signatário, admite esse
Vedação da pena de morte, penas cruéis, de caráter tipo de pena. Aparente conflito entre a CF e o Estatuto
perpétuo ou de trabalhos forçados (art. 5º, XLVII). de Roma, que criou o TPI, na verdade o conflito é
apenas aparente. A CF, quando prevê a vedação da
g) Da proporcionalidade – a pena deve ser pena de caráter perpétuo, está direcionando seu
proporcional ao crime cometido (art. 5º, XLVI e XLVII). comando para o legislador interno brasileiro, não
É princípio constitucional implícito (desdobramento do alcançando os legisladores estrangeiros ou
princípio da individualização da pena). A pena deve internacionais.
ser proporcional à gravidade da infração praticada
(meio proporcional ao fim perseguido pela aplicação 5. PENAS PERMITIDAS (CLASSIFICAÇÃO LEGAL)
da pena).
De outro lado, são penas permitidas pela
É o princípio da proibição do excesso. Constituição Federal vigente:

Embora não esteja expresso na constituição, 5.1 Privativas de Liberdade:


está nos fundamentos da CF como forma de garantir a
dignidade da pessoa humana (art 1º, III) e também nos a) Reclusão
objetivos da República Federativa (art. 5º, §2º). b) Detenção
c) Prisão simples (LCP).
Por esse princípio, a aplicação de uma pena
deve estar adequada, de acordo com a gravidade da 5.2 Restritivas de Direitos:
infração penal. O quantum de pena deve ficar
estabelecido de forma proporcional à gravidade do a) Prestação de serviços à comunidade
delito cometido. Não se pode aceitar o exagero, b) Limitação de fim de semana
tampouco a generosidade da pena, ela deve ser c) Prestação pecuniária
proporcional. d) Perda de bens e valores
e) Interdição temporária de direitos (A Lei
H)Princípio da inevitabilidade da pena – desde que 12.550/11 criou uma nova espécie de interdição – art.
presentes os seus pressupostos a pena ser aplicada e 47, V, CP – proibição de inscrever-se em concurso,
fielmente cumprida. avaliação ou exames públicos – fraudar concursos ou
estelionato).
CUIDADO: existem exceções, como, por exemplo, o
perdão judicial. 5.3 Pena de multa.

4. PENAS PROIBIDAS O artigo 32 do Código Penal adotou as


seguintes espécies de penas:
Em decorrência dos Princípios Constitucionais
existe a proibição de alguns tipos de penas(artigo 5º,  - privativas de liberdade: reclusão e detenção (arts. 33
XLVII), vejamos : e s.), relativas a crimes, e prisão simples, inerente às
contravenções penais (art. 5º, I, LCP).
- penas cruéis. A vedação das penas cruéis visa
preservar o princípio da humanização das penas.  - restritiva de direitos: prestação pecuniária, perda de
- pena de banimento (expulsão do nacional, nato ou bens e valores, prestação de serviços à comunidade
naturalizado). ou a entidades públicas, interdição temporária de
- pena de morte, salvo em caso de guerra declarada
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
direitos (A Lei 12.550/11 criou uma nova espécie de 1º, CP, estabelece as seguintes hipóteses:
interdição – art. 47, V, CP – proibição de inscrever-se
em concurso, avaliação ou exames públicos – fraudar a) regime fechado: a execução da pena se dá em
concursos ou estelionato) e limitação de fim de estabelecimento de segurança máxima ou média.
semana (art. 43); b) Regime semi-aberto: o sentenciado cumpre a
pena em colônia agrícola, industrial ou
 - multa (arts. 49 e s.). estabelecimento similar.
c) Regime aberto: a pena é cumprida em casa do
Cleber Masson inclui, ainda, a PENA albergado ou estabelecimento adequado, ou seja, o
RESTRITIVA DE LIBERDADE (restringe o direito de sentenciado trabalha fora durante o dia e à noite se
locomoção do condenado, sem privá-lo da liberdade, recolhe ao albergue.
como, por exemplo, a pena de banimento, ou, no caso
de violência doméstica, quando impede o agressor de Em outros termos:
se aproximar da vítima), bem como a PENA
CORPORAL, que viola a integridade física do São três as espécies de pena privativa de
condenado (açoite, mutilações, marcas de ferro liberdade (reclusão, detenção e prisão simples), todas
quente etc), que são vedadas constitucionalmente, espécies poderiam ser unificadas sobre uma única
exceto a pena de morte, em caso de guerra declarada denominação, pena de prisão.
contra agressão estrangeira (CF, art. 5º, XLVII, “a”).
A pena de prisão simples é a mais branda
A classificação constitucional das penas está dentre as três espécies, destinando-se, somente às
definida no art. 5º, XLVI, da CF, cujo rol é contravenções penais, não podendo ser cumprida,
exemplificativo, uma vez que se admitem, dentre portanto, em regime fechado, tal espécie de pena
outras, as penas de privação ou restrição da liberdade, privativa de liberdade pode ser cumprida somente em
perda de bens, multa, prestação social alternativa e regime semiaberto e aberto. Tal fato se dá por ser
suspensão ou interdição de direitos. incompatível incluir um condenado por contravenção
penal no mesmo ambiente de criminosos.
6. ESPÉCIES DE PENAS
Já no que tange as penas de reclusão e
6.1. PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE (art. 33) detenção estas podem ser cumpridas nos seguintes
regimes:
As penas privativas de liberdade são as
seguintes: A pena de reclusão é cumprida inicialmente
em regime fechado, semiaberto ou aberto, é vedado
a) Reclusão: cumprida em regime fechado, semi- pagamento de fiança caso o crime possua pena
aberto ou aberto. superior a dois anos, conforme elucida o artigo 323, I
b) Detenção: cumprida em regime semi-aberto ou do Código Penal.
aberto, salvo a hipótese de transferência excepcional
para o regime fechado. A pena de detenção terá seu cumprimento
c) Prisão simples: prevista apenas para as iniciado somente no regime aberto ou semiaberto
contravenções penais e pode ser cumprida nos
regimes semi-aberto ou aberto. A pena de reclusão é prevista para os crimes
mais graves, já a detenção esta reservada para os
No desenvolvimento do direito penal, vários crimes mais leves, a determinação da pena serve para
sistemas foram adotados em relação à pena privativa indicar a sociedade a gravidade do delito praticado.
de liberdade.
Em suma, as penas privativas de liberdade
O sistema da FILADÉLFIA (Pensilvânia) ou tolhem do criminoso ou contraventor o seu direito de ir
celular, caracterizava-se pelo isolamento do preso em e vir, o seu direito a liberdade, ou seja, mantém-no
sua cela e pela estrita observância do silêncio. preso.
No sistema de AUBURN (Nova Iorque), o 6.1.1Fixação do Regime Inicial de Cumprimento da
preso trabalhava durante o dia e se recolhia à noite. Pena Privativa de Liberdade.
Pelo sistema INGLÊS, a pena era cumprida A leitura do art. 33, §§ 2º e 3º do CP, revela
em diversos estágios, havendo progressão de um que três fatores são decisivos na escolha do regime
regime inicial mais rigoroso para outras fases mais inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade:
brandas, de acordo com os méritos do detento e com reincidência, quantidade da pena e circunstâncias
o cumprimento de determinado tempo da pena. Esse judiciais. É o juiz sentenciante quem fixa o regime
sistema progressivo foi adotado no Brasil, já que o inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade
art. 33, § 2º, CP, estabelece que a pena deverá ser (art. 59, III). Mas se durante a execução penal
executada de forma progressiva, de acordo com os surgirem outras condenações criminais transitadas em
méritos do condenado, passando de um regime julgado, o juízo da execução deverá somar o restante
mais rigoroso para outro mais brando. O art. 33, §
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
da pena objeto da execução com as novas penas, condenado será submetido a exame criminológico de
estabelecendo, em seguida, o regime de cumprimento classificação e individualização (art. 34, caput). A pena
total das reprimendas. é cumprida em penitenciária.

6.1.2 Competência para execução da pena O condenado fica sujeito a trabalho no período
privativa de liberdade: é do juízo das execuções diurno e isolamento durante o repouso noturno (§ 1º).
penais (art. 1º da LEP). E, nos termos da Súmula 192
do STJ: “compete ao juízo das Execuções Penais do Dentro do estabelecimento, o trabalho será em
Estado a execução das penas impostas a comum, na conformidade com as ocupações
sentenciados pela Justiça Federal, Militar ou Eleitoral, anteriores do condenado, desde que compatíveis com
quando recolhidos a estabelecimentos sujeitos à a execução da pena (§ 2º).
administração estadual”.
O trabalho externo é permitido em obras
6.1.3 Tipos de Pena Privativa de Liberdade: públicas, desde que tomadas as cautelas para evitar a
fuga (§ 3º).
• RECLUSÃO.
O trabalho será sempre remunerado (art. 39).
A pena de reclusão deve ser cumprida
inicialmente em regime fechado, semi-aberto ou • Regras do regime semi-aberto (art. 35)
aberto (art. 33, caput, 1ª parte, CP).
O condenado PODERÁ também ser
• DETENÇÃO. submetido a exame criminológico (arts. 35, caput, do
CP e 8º da LEP).
A pena de detenção deve ser cumprida
inicialmente em regime semi-aberto ou aberto (art. 33, O condenado fica sujeito a trabalho
caput, in fine, CP). remunerado e em comum durante o dia em colônia
penal agrícola, industrial ou similar (§ 1º).
• PENA DE PRISÃO SIMPLES.
É permitido o trabalho externo, bem como a
A pena de prisão simples, cabível unicamente freqüência a cursos supletivos e profissionalizantes,
para as contravenções penais, deve ser cumprida, de instrução de segundo grau ou superior (§ 2º).
sem rigor penitenciário, em estabelecimento especial
ou seção especial de prisão comum, em regime semi- A jurisprudência tem entendido que, na
aberto ou aberto. O condenado à prisão simples fica ausência de vagas no regime semi-aberto, o
sempre separado dos condenados à pena de reclusão condenado deve aguardar a vaga no regime fechado.
ou de detenção (LCP, art. 6º, caput e § 1º). O preso, no regime ora estudado, tem direito, com
autorização judicial, à saída temporária da colônia com
Não há regime fechado, seja inicialmente, seja a finalidade de visitar familiares, freqüentar cursos ou
em decorrência de regressão. participar de outras atividades relevantes para sua
ressocialização por prazo não superior a 7 dias,
DIFERENÇAS ENTRE RECLUSÃO E renovável quatro vezes por ano (arts. 12, 123 e 124 da
DETENÇÃO. LEP).

A reclusão pode ser cumprida nos regimes • Regras do regime aberto (art. 36).
fechado, semi-aberto ou aberto.
O regime aberto baseia-se na autodisciplina e
A detenção, somente nos regimes semi-aberto no senso de responsabilidade do condenado (art. 36),
e aberto. uma vez que este permanecerá fora do
estabelecimento e sem vigilância para trabalhar,
No caso de aplicação cumulativa de penas de freqüentar curso ou exercer outra atividade autorizada
reclusão e de detenção, executa-se aquela por e, durante o período noturno e dias de folga, deverá
primeiro (art. 69, caput, in fine, CP). recolher-se à prisão-albergue (§ 1º).

A reclusão acarreta na internação em caso de O art. 117 da Lei de Execução Penal (Lei 7.210, de 11-
imposição de medida de segurança, enquanto que na 7-1984) admite, em hipóteses excepcionais, que o
detenção o juiz pode aplicar o tratamento ambulatorial sentenciado cumpra o regime aberto em prisão-
(art. 97, caput, CP). albergue domiciliar (PAD). Nesse caso, o condenado
deve recolher-se à sua residência durante o período
6.1.4 Regimes noturno e dias de folga. Essa forma de prisão
domiciliar é admissível quando se trata de pessoa
• Regras do regime fechado (art. 34) maior de 70 anos, condenado acometido de doença
grave, pessoa com filho menor ou doente mental ou,
No início do cumprimento da pena, o ainda, quando se trata de condenada gestante. A

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
jurisprudência tem admitido também a prisão domiciliar
fora das hipóteses do art. 117 quando não existe na Resumindo:
comarca albergue no qual o sentenciado possa
recolher-se. 1. RECLUSÃO:

• REGIME INICIAL (art. 33, caput). 1.1 Pena superior a 8 anos:


a) Reincidente: fechado
O juiz, ao prolatar a sentença e fixar o b) Não reincidente: fechado
montante da pena, deve fixar o regime inicial para o 1.2 Pena igual ou inferior a 8 anos e superior a 4:
seu cumprimento, de acordo com as regras do art. 33, a) Reincidente: fechado
§ 2º, do CP: b) Não reincidente: semi-aberto (se as circunstâncias
judiciais forem favoráveis)
1. Para os crimes apenados com reclusão: 1.3 Pena não superior a 4 anos:
a) Reincidente: fechado ou semi-aberto
a) se condenado à pena SUPERIOR A 8 ANOS, b) Não reincidente: aberto (se as circunstâncias
deve começar a cumpri-la em regime FECHADO; judiciais forem favoráveis)
b) se condenado à pena SUPERIOR A 4 ANOS E
NÃO SUPERIOR A 8 ANOS, poderá iniciá-la no 2. DETENÇÃO:
REGIME SEMI-ABERTO, desde que não seja
reincidente. Se for REINCIDENTE, deve INICIAR NO 2.1 Pena superior a 8 anos:
REGIME FECHADO; a) Reincidente: semi-aberto
c) se condenado à pena IGUAL OU INFERIOR A b) Não reincidente: semi-aberto
4 ANOS, poderá iniciar o cumprimento em REGIME 2.2 Pena igual ou inferior a 8 anos e superior a 4:
ABERTO, desde que não seja reincidente. Caso seja a) Reincidente: semi-aberto
REINCIDENTE, o regime inicial será o FECHADO, ou b) Não reincidente: semi-aberto
o SEMI-ABERTO se forem favoráveis as 2.3 Pena não superior a 4 anos:
circunstâncias judiciais (Súmula 269 do STJ). a) Reincidente: semi-aberto
b) Não reincidente: aberto (se as circunstâncias
2. Para os crimes apenados com detenção: judiciais forem favoráveis).

a) se condenado a pena SUPERIOR A 4 ANOS 6.1.5Progressão de Regime (art. 33, § 2º).


OU SE FOR REINCIDENTE, deve começar a cumpri-
la em REGIME SEMI-ABERTO. O art. 33, § 2º, CP, dispõe que as penas
b) Se condenado a pena IGUAL OU INFERIOR A privativas de liberdade devem ser executadas de
4 ANOS, poderá iniciar o cumprimento no REGIME forma progressiva, de acordo com o mérito do
ABERTO. condenado.

Veja-se, entretanto, que o art. 33, § 3º, Segundo essa regra, o condenado deverá
estabelece que, na fixação do regime inicial o juiz gradativamente passar de um regime mais rigoroso
deve atentar aos critérios descritos no art. 59, CP para regimes mais brandos, desde que preenchidos os
(personalidade do acusado, culpabilidade, conduta requisitos legais, a fim de estimular e possibilitar a sua
social, circunstâncias e conseqüências do crime). ressocialização. É vedada a progressão por saltos, ou
Assim, a quantidade da pena não é um critério seja, iniciado o cumprimento da pena em regime
absoluto, sendo possível, por exemplo, que alguém fechado, o sentenciado deve passar pelo regime semi-
seja condenado a 6 anos de reclusão e, mesmo sendo aberto antes de ser colocado no regime aberto.
primário, o juiz fixe o regime inicial fechado por
entender que o acusado tem péssima conduta social Para a progressão do regime fechado para o
ou que o crime por ele cometido revestiu-se de semi-aberto, o condenado deve ter cumprido no
determinada característica que o tornou mais gravoso mínimo 1/6 da pena imposta na sentença ou do total
que o normal. de penas (no caso de várias condenações). Além
disso, o sentenciado deve ter demonstrado bom
O art. 33, caput, estabelece que o regime comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do
inicial nos crimes apenados com detenção deve ser o estabelecimento.
aberto ou o semiaberto.
A Lei n. 10.792/2003 alterou o art. 112 da LEP,
Os arts. 2º, § 1º, da Lei 8072/90 (Lei dos deixando de exigir parecer da COMISSÃO TÉCNICA
Crimes Hediondos) e 1º, § 7º, da Lei 9455/97 (Lei de DE CLASSIFICAÇÃO e EXAME CRIMINOLÓGICO
Tortura) estabelecem que os condenados por CRIMES para a progressão de regime, embora exista quem
HEDIONDOS, TRÁFICO DE DROGAS, sustente a inconstitucionalidade da nova redação por
TERRORISMO E TORTURA devem necessariamente ferir o princípio da individualização da pena.
INICIAR o cumprimento da pena em regime fechado,
independentemente do montante de pena aplicada na 6.1.6 Regressão de Regime
sentença.

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
É a transferência do condenado para qualquer comarca do Juízo da Execução, e ainda para
dos regimes mais rigorosos, nas hipóteses previstas participação em atividade que concorram para o
em lei. retorno ao convívio social (art. 122 da LEP).

Nos termos do art. 118 da LEP, a regressão Esse benefício não pode ser aplicado ao preso
deve-se dar: provisório por que este não é condenado e nem
cumpre pena privativa de liberdade em regime semi-
a) Quando o agente praticar fato definido como aberto.
CRIME DOLOSO: para que seja decretada a
regressão não é necessária a condenação transitada Será concedida por ato motivado do juiz da
em julgado, basta prática do delito. execução, ouvidos o MP e a administração
b) Quando o agente praticar falta grave: fuga, penitenciária, desde que satisfeitos alguns requisitos
participação em rebelião, posse de instrumento capaz constantes do art. 123 da LEP.
de lesionar pessoas, descumprimento das obrigações
e outras descritas no art. 50 dessa Lei. 6.1.9 Direitos do Preso (art. 38)
c) Quando o agente sofre nova condenação, cuja
soma com a pena anterior torna incabível o regime Estabelece o art. 38 do CP que o preso
atual. conserva todos os direitos não atingidos pela perda da
liberdade, impondo-se a todas as autoridades o
Além disso, nos termos do art. 36, § 2º, CP, se respeito à sua integridade física e moral.
o sentenciado estiver no regime aberto, dar-se-á a
regressão se ele frustrar os fins da execução (parar de A Constituição Federal consagra que aos
trabalhar, não comparecer à prisão albergue etc.) ou presos é assegurado o direito à integridade física e
se, podendo, não pagar a pena de multa moral (art. 5º, XLIX). Assim, para assegurar tal
cumulativamente imposta. (REVOGADO PELA LEI proteção, o legislador tipificou como crime de tortura
9268/96. MULTA: DÍVIDA DE VALOR). submeter “pessoa presa ou sujeita a medida de
segurança a sofrimento físico ou mental, por
6.1.7.Regime Especial (art. 37) intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não
resultante de medida legal” (art. 1º, § 1º, da Lei n.
Dispõe o artigo 37 do Código Penal que as 9.455/97).
mulheres devem cumprir pena em estabelecimento
próprio, observando-se os deveres e direitos inerentes A Carta Magna também assegura aos presos
à sua condição pessoal. Veja-se que a própria que comprovarem insuficiência de recursos
Constituição Federal estabelece que “a pena será assistência jurídica integral (art. 5º, LXXIV),
cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo indenização por erro judiciário ou por permanência na
com a natureza do delito, a idade e o SEXO do prisão acima do tempo determinado (LXXV) e
apenado” (art. 5º, XLVIII). condições para que as presidiárias possam
amamentar seus filhos (L).
6.1.8 Autorizações de Saída
Além disso, o art. 41 da LEP estabelece que
Dividem-se em permissão de saída, com fulcro constituem direitos do preso: alimentação e vestuário;
na dignidade do condenado, e saída temporária, trabalho remunerado; previdência social;
endereçada à reinserção social do preso. proporcionalidade na distribuição do tempo para o
trabalho, descanso e recreação; exercício das
Nos termos do art. 120 da LEP, a permissão atividades profissionais, intelectuais, artísticas e
de saída é benefício destinado aos condenados que desportivas anteriores (desde que compatíveis com a
cumprem pena em REGIME FECHADO OU SEMI- execução da pena) etc.
ABERTO, e também aos PRESOS PROVISÓRIOS,
cuja saída se dará sempre MEDIANTE ESCOLTA, em Nos termos do art. 42 da mesma lei, esses
caso de falecimento ou doença grave do cônjuge, direitos também valem para os PRESOS
companheira, ascendentes, descendente ou irmão, PROVISÓRIOS (em flagrante, por prisão preventiva,
bem como quando da necessidade de tratamento por sentença recorrível, por pronúncia e temporária) e
médico do preso, nos casos em que o para os submetidos à MEDIDA DE SEGURANÇA.
estabelecimento penal não estiver aparelho para tanto.
A permissão será concedida pelo DIRETOR DO Não se deve esquecer, contudo, o disposto no
ESTABELECIMENTO. art. 15, III, da CF/88, no sentido de que haverá
SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS com a
A saída temporária, por sua vez, é cabível condenação criminal TRANSITADA EM JULGADO,
aos condenados que cumprem pena em regime SEMI- enquanto durarem seus efeitos. Os presos provisórios,
ABERTO, para saída do estabelecimento penal SEM portanto, têm direito a voto.
VIGILÂNCIA DIRETA, em casos de visita à família,
freqüência a curso supletivo ou profissionalizante, bem 6.1.10 Trabalho do Preso (art. 39)
como de instrução de segundo grau ou superior, na

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
O art. 39 do CP reza que o trabalho do preso direito à remição é imprescindível que estas horas
será sempre remunerado, sendo-lhe garantidos os somadas resultem em 12 a cada três dias para que se
direitos da previdência social. alcance o abatimento de um dia de pena, e, portanto,
se o preso tiver jornada de 12 horas de estudos em
6.1.11 Da Remição (art. 126, LEP) um único dia, isso não irá proporcionar isoladamente
um dia de remição.
O art. 126 da LEP trata desse instituto
estabelecendo que o condenado que cumpre pena no 6.2. PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO (art. 43)
regime fechado ou semi-aberto pode descontar, para
cada 3 dias trabalhados 1 dia no restante da pena. A As penas restritivas de direito são também
remição deve ser declarada pelo juiz, ouvido o MP. Se chamadas de PENAS ALTERNATIVAS, pois têm o
o condenado, posteriormente, for punido com falta propósito de evitar a desnecessária imposição de
grave, perderá o direito ao tempo remido (art. 127). A pena privativa de liberdade nas situações
respeito o STF editou a seguinte “Súmula Vinculante expressamente indicadas em lei.
nº 9: O disposto no artigo 127 da Lei 7.210/84 foi
recebido pela ordem constitucional vigente e não se As penas restritivas de direitos são
lhe aplica o limite temporal previsto no caput do artigo AUTÔNOMAS e SUBSTITUEM a pena privativa de
58". liberdade por certas restrições ou obrigações. Dessa
forma, as restritivas têm caráter SUBSTITUTIVO, ou
Vide redação dos artigos citados: seja, não são previstas em abstrato no tipo penal e,
assim, não podem ser aplicadas diretamente. Por isso,
Art. 58 - O isolamento, a suspensão e a restrição de o juiz deve aplicar a pena privativa de liberdade e,
direitos não poderão exceder a trinta dias. presentes os requisitos legais, substituí-la pela
Parágrafo único. O isolamento será sempre comunicado restritiva (art. 54, CP).
ao juiz da execução.
Art. 127 - O condenado que for punido por falta grave A Lei n. 9.714, de 25 de novembro de 1998,
perderá o direito ao tempo remido, começando o novo alterou profundamente alguns dispositivos do Código
período a partir da data da infração disciplinar.
Penal, aumentando as espécies de penas restritivas
A remição se aplica para efeito de progressão de direitos e o seu âmbito de incidência.
de regime e concessão de livramento condicional.
Somente são computados os dias em que o preso O art. 43, CP, prevê, em sua atual redação, as
desempenha a jornada completa de trabalho, seguintes penas restritivas de direitos:
excluindo-se os feriados e fins de semana. A
autoridade administrativa (do presídio) deve a) prestação pecuniária (art. 45, § 1º);
encaminhar mensalmente ao Juízo das Execuções b) prestação inominada (art. 45, § 2º);
relatório descrevendo os dias trabalhados pelos c) perda de bens e valores (art. 45, § 3º);
condenados. d) prestação de serviços à comunidade ou a entidades
públicas (art. 46);
Com vistas a incrementar o estudo formal no e) interdições temporárias de direitos (art. 47);
ambiente prisional, a Lei 12.245, de 24 de maio 2010, f) limitação de fim de semana (art. 48).
acrescentou um parágrafo 4º ao artigo 83 da LEP,
dispondo que nos estabelecimentos penais, conforme Nos termos do art. 55, as penas restritivas têm
a sua natureza, serão instaladas salas de aulas a mesma duração da pena privativa de liberdade
destinadas a cursos de ensino básico e aplicada (exceto nos casos de substituição por
profissionalizante. prestação pecuniária ou perda de bens e valores). Por
isso, sendo alguém condenado, por exemplo, a 9
Pois bem. Resolvendo definitivamente a meses de detenção, o juiz poderá substituir a pena por
discussão, uma das inovações saudáveis exatos 9 meses de prestação de serviços à
determinadas pela Lei 12.433/2011 foi a alteração do comunidade.
artigo 126 da LEP, para incluir a normatização da
remição pelo estudo. OBS: Veja-se, também, que, por serem penas
substitutivas, não podem ser aplicadas
Pela nova redação o artigo 126, caput, e cumulativamente com a pena privativa de liberdade.
parágrafo 1º, inciso I, da LEP, assegura o direito à
remição pelo estudo, na proporção de um dia de pena Tais penas classificam-se em genéricas e
a cada 12 horas de frequência escolar – atividade de específicas. Aquelas são as que, preenchidos os
ensino fundamental, médio, inclusive requisitos legais, aplicam-se a quaisquer crimes (arts.
profissionalizante, ou superior, ou ainda de 45, §§ 1º, 2º e 3º, 46, 47, IV, e 48). As específicas são
requalificação profissional – divididas, no mínimo, em as aplicáveis somente a determinados crimes
três dias. (compreendem as interdições temporárias de direitos,
com exceção da proibição de freqüentar determinados
Isso quer dizer que o estudo poderá ter carga lugares – arts. 47, I a III, e 55 a 57 do CP).
horária diária desigual, mas para que se obtenha
Parte da doutrina critica a sistematização do
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
CP, entendendo que algumas das penas arroladas no
art. 43 não são propriamente restritivas de direitos, 6.2.2 REQUISITOS PARA A SUBSTITUIÇÃO DE
mas sim pecuniárias (prestação pecuniária e perda de PRISÃO POR PENA RESTRITIVA DE DIREITOS (art.
bens e valores). A despeito dessa crítica procedente, 44, CP):
uma coisa é certa: o fato de uma pena estar arrolada
como restritiva de direitos importa a imediata Nos crimes culposos: culpabilidade,
submissão ao regime jurídico previsto nos arts. 44 a antecedentes, conduta social, personalidade, motivos
48, notadamente no que diz respeito à possibilidade e circunstâncias do crime favoráveis ao agente.
de serem convertidas em prisão (o que não ocorre
com a pena de multa). Nos crimes dolosos: mesmos requisitos acima
e mais os seguintes: não ser o réu reincidente em
Deve-se ponderar que alguns diplomas crime doloso, salvo se a medida for socialmente
normativos contêm regras próprias a respeito das recomendável, a critério do juiz (e desde que não se
penas restritivas de direitos. É o caso das Leis n. trate de reincidente no mesmo tipo penal); crime
9503/97 (Código de Trânsito Brasileiro) e n. 9605/98 cometido sem violência ou grave ameaça à pessoa;
(Lei dos Crimes Ambientais). No CTB são previstas as pena de prisão não superior a 4 anos.
penas de suspensão ou proibição de obter permissão
ou habilitação para dirigir veículo automotor, que Como se viu acima, nos crimes dolosos, a
podem ser impostas como penalidade principal, substituição aplica-se para penas de até 4 anos. No
isolada ou cumulativamente com outras (art. 292). Na caso de concurso de crimes, a pena a ser considerada
Lei Ambiental estão arroladas penas restritivas de para fins de substituição é a total (ou seja, a resultante
direitos aplicáveis a pessoas jurídicas: suspensão total da soma ou exasperação da pena). Assim, no caso de
ou parcial das atividades, interdição temporária de o juiz reconhecer o concurso material de infrações (art.
estabelecimento, obra ou atividade, proibição de 69, CP), deverá somar as penas aplicadas. Em se
contratar com o Poder Público, bem como dele obter tratando de concurso formal ou crime continuado, o
subsídios, subvenções ou doações (art. 22). parâmetro será a pena final, de acordo com as regras
dos arts. 70 ou 71.
6.2.1 CARACTERÍSTICAS E DURAÇÃO.
6.2.3 VIOLÊNCIA COMO FATOR IMPEDITIVO À
São três suas características: SUBSTITUIÇÃO.

1) autonomia: são penas autônomas, existem Viu-se que, se a infração penal for praticada
por conta própria; com violência à pessoa, fica vedada a substituição.
2) substitutividade: as penas restritivas de Embora o texto legal não especifique, entende o STJ
direitos não são cominadas abstratamente no preceito que a violência aludida é somente a real e não a
secundário dos tipos penais incriminados (seja no CP, presumida.
seja na quase-totalidade da legislação penal
extravagante). Surgem apenas como substitutas a Infrações penais de menor potencial ofensivo
uma pena privativa de liberdade branda, nos termos praticadas com violência ou grave ameaça à pessoa.
do art. 44 do CP.
3) conversibilidade em prisão: quando ocorrer No caso de infrações de menor potencial
o descumprimento injustificado da restrição imposta, ofensivo (contravenções penais ou crimes cuja pena
ou quando sobrevier condenação a pena de prisão por máxima não exceda a 2 anos, ou multa), a
outro crime, desde que não seja possível o substituição é possível, ainda que se trate de fatos
cumprimento simultâneo das sanções, a pena cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa
restritiva de direitos será convertida em prisão, (p.ex., crime de lesão corporal de natureza leve – art.
descontando-se o tempo ou a quantidade de pena já 129, caput, CP, e crime de ameaça – art. 147, CP),
cumprida. Quanto ao seu tempo de duração, observa- pelo princípio da especialidade. Isso porque tais ilícitos
se a seguinte regra: as penas restritivas de direitos se submetem à Lei 9099/95, a qual lhes permite
têm o mesmo tempo da pena de prisão substitutiva. expressamente a incidência de penas alternativas (art.
Assim, se o juiz condenado o réu a 1 ano de prisão, 76).
substituindo essa pena por prestação de serviços à
comunidade, o condenado terá de cumprir a prestação 6.2.4 SUBSTITUIÇÃO NOS CRIMES PREVISTOS NA
alternativa durante 1 ano. Excepcionalmente, no LEI 8072/90.
entanto, essa regra não é seguida: as penas de
prestação pecuniária e perda de bens e valores, dada Não se aplica aos crimes hediondos e
a sua própria natureza, não têm prazo de duração; assemelhados a substituição da pena privativa de
uma vez transitada em julgado a sentença que as liberdade por pena alternativa prevista no art. 44 do
aplicou, devem ser pagas durante o respectivo CP, em face do princípio da especialidade (CP, art.
beneficiário, nos termos determinados na decisão 12).
exeqüenda. A prestação de serviços à comunidade,
demais, pode ser cumprida em menor tempo, nunca A Lei 8072/90 (Lei dos Crimes Hediondos)
inferior à metade do tempo da pena de prisão estabelece que a pena para os delitos nela previstos
substituída, como se verá logo mais adiante.
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
deverá ser cumprida em regime INICIALMENTE vezes esse valor, deve-se levar em consideração a
fechado (art. 2º, § 1º, com a redação da Lei situação econômica do réu.
11.464/07). Trata-se de regra específica, que afasta
incidência das regras gerais do CP. Portanto, para a fixação da pena pecuniária,
apesar de não existir um método unificado, deve levar-
Há quem sustente, contudo, não existir se em consideração as agravantes, atenuantes,
nenhuma incompatibilidade entre os diplomas legais causas de aumento e diminuição da pena. Ainda, pode
acima aludidos, uma vez que a Lei dos Crimes o magistrado aumentar até três vezes a multa máxima
Hediondos, no art. 2º, § 1º, teria tratado de regime aplicada, sob a justificativa que devido a situação
penitenciário e o art. 44 do CP versaria sobre outro econômica do réu a pena aplicada na sua forma
assunto: espécie de pena. simples é ineficaz.

Para alguns autores, o argumento não pode Observação: O artigo 17 da Lei 11.340/06
prevalecer. Não se nega que a lei especial estabelece que, nos crimes praticados mediante
mencionada cuide de regime penitenciário. Ocorre violência doméstica ou familiar contra a mulher, é
que, quando se impõe, de modo absoluto, o vedada a substituição da pena por prestação
cumprimento da pena em regime inicialmente fechado, pecuniária ou pela entrega de cestas básicas.
pressupõe-se, antes, a aplicação de uma pena
privativa de liberdade. A se permitir a substituição, na 6.2.5.2 PRESTAÇÃO INOMINADA (CP, art. 45, § 2º).
sentença, da pena de prisão por pena alternativa,
torna-se letra morta a regra especial. Importante No caso de aceitação pelo beneficiário, a
registrar que a Lei n. 11.343/06, em seu art. 44, veda prestação pecuniária poderá consistir em prestação de
expressamente a substituição de pena privativa de outra natureza, como, por exemplo, entrega de cestas
liberdade por restritivas de direitos nos crimes básicas a carentes, em entidades públicas ou
relacionados com tráfico de drogas (arts. 33, caput, §§ privadas. Ressalve-se, mais uma vez, que nos casos
1º e 4º, e 34 a 37). de violência doméstica e familiar contra a mulher, é
vedada a aplicação de pena de cesta básica.
6.2.5 PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS EM
ESPÉCIE. Tal sanção não se aplica aos crimes referentes
à violência doméstica ou familiar contra a mulher, por
6.2.5.1 PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA (art. 45, § 1º) expressa determinação do art. 17 da Lei 11340/06.

Nos termos do art. 45, § 1º, a prestação 6.2.5.3 PERDA DE BENS OU VALORES (art. 45, § 3º)
pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à
vítima, a seus dependentes ou à entidade pública ou Refere-se a bens ou valores (títulos, ações)
privada com destinação social, de importância fixada pertencentes ao condenado e que reverterão em favor
pelo juiz, não inferior a um salário mínimo nem do Fundo Penitenciário Nacional, tendo como teto – o
superior a trezentos e sessenta salários mínimos. que for maior – o montante do prejuízo causado ou o
Ressalte-se que, caso haja concordância do réu, a provento obtido pelo agente ou por terceiro em
prestação pecuniária pode consistir em prestação de conseqüência da prática do crime.
outra natureza (entrega de cestas básicas a entidades
públicas ou privadas etc.). Não se confunda o instituto em análise, que é
pena substitutiva, com a perda em favor da União,
No caso de prestação pecuniária paga à vítima tratada pelo art. 91, II, do CP, que é efeito secundário
ou a seus dependentes, o montante pago será da condenação (aplicado cumulativamente à pena
descontado de eventual condenação em ação de privativa de liberdade ou de outra natureza), dos
reparação de danos proposta na área cível. instrumentos do crime, que consistam em coisas cujo
fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua
Não se deve confundir a pena restritiva de fato ilícito, ou do produto do crime ou de qualquer bem
direitos denominada prestação pecuniária (cujo valor ou valor que constitua proveito auferido pelo agente
reverte em favor da vítima, seus dependentes ou com a prática do fato criminoso.
entidades públicas ou particulares com destinação
social) com a pena de multa (originária ou Tais sanções são definidas no CP como penas
substitutiva), cujo valor reverte em favor do Estado. restritivas de direitos, razão por que, caso
descumpridas injustificadamente, deverão ser
A pena pecuniária é definida levando em convertidas em pena privativa de liberdade (CP, art.
consideração a individualização e peculiaridades do 44, § 4º). Vide Informativo STJ, n. 268.
crime cometido, tal individualização obedece a um
caráter bifásico: Há autores, contudo, que pensam de modo
diferente, porquanto vêem nessas penas um nítido
• Primeiro firma-se o número de dias multa (mínimo de caráter pecuniário. Por conta disso, afirmam que elas
10 e máximo de 360 dias multa). devem submeter-se ao regime jurídico da pena de
• Em seguida determina-se o valor do dia-multa, multa (arts. 49 a 52, CP), a qual não admite, sob
mínimo de 1 a 30 salários mínimos e máximo de 5 hipótese alguma, ser convertida em pena de prisão.
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
ou exame públicos. (Acrescentado pela L-012.550-
Segundo esses doutrinadores, entendimento 2011).
diverso significaria violação ao princípio constitucional
da igualdade, à medida que se tratariam O art. 56 do CP, por sua vez, estabelece que
desigualmente situações idênticas. “as penas de interdição, previstas nos incisos I e II do
art. 47, deste Código, aplicam-se para todo o crime
Não é esse o entendimento predominante cometido no exercício de profissão, atividade, ofício,
na doutrina e na jurisprudência. cargo ou função sempre que houver violação dos
deveres que lhes são inerentes”.
A possibilidade de converter em prisão as
penas de prestação pecuniária e perda de bens e Já o art. 57 reza que a interdição prevista no
valores NÃO viola o princípio da igualdade, justamente art. 47, III, do CP aplica-se aos crimes culposos de
porque não são iguais à pena de multa prevista no CP. trânsito.
Deve-se atentar que somente a multa, após o trânsito
em julgado, é considerada DIVIDA DE VALOR e como Observe-se, entretanto, que o novo Código de Trânsito
tal deve ser tratada (vide artigo 51 do CP). As demais, Brasileiro (Lei 9503/97), criou crimes específicos de
mesmo quando definitiva a condenação, permanecem homicídio e lesões corporais culposas na direção de
sendo consideradas sanções criminais e continuam veículo automotor, para os quais é prevista pena de
recebendo o tratamento jurídico a elas pertinente. suspensão ou proibição de se obter Permissão para
Dirigir ou Carteira de Habilitação, cumulativa com a
6.2.5.4 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE OU pena privativa de liberdade, de tal forma que se
ENTIDADES PÚBLICAS (art. 46) encontra revogado o inciso III do art. 47 do CP, no que
se refere à suspensão da habilitação.
Consiste na atribuição ao condenado de
tarefas gratuitas junto a entidades assistenciais, A proibição de freqüentar determinados locais
hospitais, escolas, orfanatos ou outros refere-se a bares, boates, casas de prostituição etc.
estabelecimentos congêneres, em programas
comunitários ou estatais (art. 46, § 2º). A prestação 6.2.5.6. LIMITAÇÃO DE FIM DE SEMANA (art. 48)
dos serviços, portanto, não é remunerada. Só é
aplicável a penas superiores a 6 meses. Consiste na obrigação de permanecer, aos
sábados e domingos, por 5 horas diárias, em casa do
As tarefas serão atribuídas pelo juiz de acordo albergado ou outro estabelecimento adequado.
com as aptidões do condenado, devendo ser Durante a permanência poderão ser ministrados ao
cumpridas à razão de uma hora de tarefa por dia de condenado cursos ou palestras ou atribuídas
condenação, fixadas de forma a não prejudicar sua atividades educativas.
jornada normal de trabalho. Veja-se, porém, que o art.
46, § 4º, dispõe que, se a pena substituída for superior 6.3 REGRAS PARA A SUBSTITUIÇÃO (art. 44, § 2º)
a 1 ano, é facultado ao condenado cumpri-la em
período menor, nunca inferior à metade da pena a) Se a pena fixada for igual ou inferior a um ano, a
originariamente imposta na sentença. Em suma, o substituição pode ser feita por multa ou por uma pena
agente poderá cumprir a pena mais rapidamente, restritiva de direitos. Essa regra foi inserida no CP pela
perfazendo um maior número de horas-tarefas em Lei 9714/98, que revogou tacitamente o art. 60, § 2º,
espaço mais curto de tempo. do CP., que permitia a substituição por multa apenas
quando a pena fixada não ultrapassasse 6 meses.
É o juiz da execução quem designa a entidade Veja-se também que, sendo a pena inferior a 6 meses,
na qual o sentenciado prestará os serviços (art. 149 não poderá ser fixada a pena de prestação de serviço
LEP), devendo tal entidade encaminhar, mensalmente, à comunidade ou a entidades públicas (art. 46, caput).
ao Juízo das Execuções, um relatório sobre o b) se a condenação for superior a 1 ano e não superior
comparecimento do condenado (art. 150). a 4 anos, poderá ser substituída por uma pena
restritiva de direitos e multa ou por duas penas
6.2.5.5 INTERDIÇÃO TEMPORÁRIA DE DIREITOS (art. 47) restritivas de direitos.
O artigo 47 do CP esclarece que as penas de Observação: Com o advento da Lei 9714/98, passou o
interdição de direitos são: juiz a ter uma série de opções por ocasião da lavratura
da sentença. Assim, nas penas não superiores a 2
I- proibição do exercício de cargo, função ou atividade anos, poderá optar pela concessão do “sursis”, caso
pública, bem como de mandato eletivo; entenda ser a medida mais pertinente ao caso
II – proibição do exercício de profissão, atividade ou concreto. Poderá, ainda, apesar da primariedade do
ofício que dependam de habilitação especial, de réu, entender que a substituição por multa, por pena
licença ou autorização do poder público; restritiva de direitos ou pelo “sursis” é insuficiente e,
III – suspensão de autorização ou de habilitação para assim, não proceder a estas, mantendo a pena
dirigir veículo; privativa de liberdade em seu regime inicial aberto
IV - proibição de freqüentar determinados lugares. (para condenações não superiores a 4 anos).
V - proibição de inscrever-se em concurso, avaliação
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
6.4 CONVERSÃO DA PENA RESTRITIVA DE
DIREITOS EM PRIVATIVA DE LIBERDADE (art. 44) “Art. 302 – Praticar homicídio culposo na direção de
veículo automotor: Penas – detenção, de dois a quatro
Estabelece o artigo 44, § 4º, CP, que haverá a anos, e suspensão ou proibição de se obter a
conversão acima citada quando ocorrer o permissão para dirigir veículo automotor.”
descumprimento INJUSTIFICADO da restrição
imposta. Nesse caso, no cálculo da pena privativa de O artigo 43 do código penal prevê a existência
liberdade a ser executada será deduzido o tempo já de cinco modalidades de penas restritivas de direito as
cumprido da pena restritiva de direitos, respeitado o quais são: a) prestação pecuniária; b) perda de bens e
cumprimento de, no mínimo, 30 dias de detenção ou valores; c) prestação de serviços à comunidade ou a
reclusão. Assim, se alguém condenado a 10 meses de entidades públicas; d) interdição temporária de
detenção, após cumprir 6 meses da pena restritiva de direitos; e) limitação de fim de semana.
direitos (limitação de fim de semana, por exemplo),
passa a descumprir INJUSTIFICADAMENTE a pena Nucci em sua obra Manual de Direito Penal,
imposta, terá de cumprir os 4 meses restantes de bem explica sucinta e objetivamente cada tipo de pena
detenção. restritiva de direito, veja-se:
“A prestação pecuniária consiste no
Haverá também revogação quando o pagamento em dinheiro feito à vítima e seus
condenado praticar qualquer das faltas graves dependentes ou a entidade pública ou privada, com
previstas no art. 51, II e III, da LEP. destinação social, de uma importância fixada pelo juiz,
não inferior a um salário mínimo nem superior a 360
salários mínimos. Pode, conforme o caso, transformar-
Por último, o art. 44, § 5º, CP, dispõe que, se em prestação de outra natureza, conforme veremos
“sobrevindo condenação a PENA PRIVATIVA DE no item próprio”.
LIBERDADE, POR OUTRO CRIME, o juiz da
execução decidirá sobre a conversão, podendo deixar A perda de bens e valores consiste na
de aplicá-la se for possível ao condenado cumprir a transferência, em favor do Fundo Penitenciário
pena substitutiva anterior”. Exemplo: se havia sido Nacional, de bens e valores adquiridos licitamente
aplicada pena substitutiva de prestação pecuniária e pelo condenado, integrantes do seu patrimônio, tendo
sobrevém condenação a pena privativa de liberdade como teto o montante do prejuízo causado ou o
por outro crime, nada impede que seja mantida a proveito obtido pelo agente ou terceiro com a prática
prestação pecuniária anteriormente fixada para o do crime, o que for maior.
primeiro delito, pois a prisão em relação ao segundo
não impede o cumprimento daquela. A atribuição de serviços á comunidade ou a
entidades públicas é a atribuição de tarefas gratuitas
As penas restritivas de direito são sanções ao condenado junto a entidades assistenciais,
penais autônomas e substitutivas, conhecidas também hospitais, orfanatos e outros estabelecimentos
como penas alternativas, o espírito deste tipo de pena similares, em programas comunitários ou estatais.
é evitar o cerceamento da liberdade de alguns tipos de Trata-se, em nosso entender, da melhor sanção penal
criminoso, autores de infrações penais com menor substitutiva da pena privativa de liberdade, pois obriga
potencial ofensivo. As medidas previstas nas penas o autor de crime a reparar o dano causado através do
restritivas de direito visam recuperar o agente que seu trabalho, reeducando-se, enquanto cumpre a
praticou o crime através da restrição de alguns pena. Nesse sentido, note se a lição de Paul de Cant:
direitos. “A ideia de fazer um delinquente executar um trabalho
‘reparador’ em benefício da comunidade tem sido
O caráter substitutivo das penas restritivas de frequentemente expressa nestes últimos anos. O fato
direito decorrem da permuta realizada após a prolação mais admirável é que parece que Beccaria já havia
da sentença condenatória de pena privativa de pensado em uma pena dessa natureza ao escrever,
liberdade, no código penal nacional, não há tipo no século XVIII, que ‘a pena mais oportuna será
incriminadores prevendo em caráter secundário a somente aquela espécie de servidão que seja justa,
pena restritiva de direito. Sendo assim, tendo o juiz quer dizer, a servidão temporária que põe o trabalho e
aplicado pena privativa de liberdade, poderá substituí- a pessoa do culpado a serviço da sociedade, porque
la por pena restritiva de direito por igual período. este estado de dependência total é a reparação do
injusto despotismo exercido por ele em violação ao
Já o caráter autônomo se deve do fato da pacto social” (O trabalho em benefício da comunidade:
pena privativa de direito subsistir por si só, após a uma pena de substituição?, p. 47).
substituição, ficando o juiz das execuções penais
incumbido de fazer com que o cumpra a pena restritiva A interdição temporária de direitos é a mais
de direito. autêntica pena restritiva de direitos, pois tem por
finalidade impedir o exercício de determinada função
Ainda, pode a pena restritiva de direito ser ou atividade por um período determinado, como forma
cumulada com a pena privativa de liberdade, ou outra de punir o agente de crime relacionado à referida
penalidade, podendo ter prazos diversos, como ocorre função ou atividade proibida, ou frequentar
no artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro, veja-se: determinados lugares.

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Obs: se o valor da multa for insignificante para o réu,
A limitação de fim de semana consiste na mesmo aplicado no grau máximo, poderá o juiz
obrigação do condenado de permanecer, aos sábados aumentá-lo até o triplo.
e domingos, por cinco horas diárias, em Casa do Correção monetária: aplica-se a Súmula 43 do STJ (A
Albergado ou lugar adequado, a fim de participar de correção monetária decorrente de dívida de ato ilícito
cursos e ouvir palestras, bem como desenvolver deve incidir da data do efetivo prejuízo).
atividades educativas.” (Nucci, Guilherme de Souza, Multa após o trânsito em julgado: a partir do instante
Manual de Direito Penal, p. 433 e 434, 7ª Edição, em que a condenação se torna definitiva, a multa deve
2011, São Paulo, Ed. RT). ser tratada como DÍVIDA DE VALOR, aplicando-se a
ela as normas relativas à dívida ativa da Fazenda
Existem três requisitos para a concessão da Pública, inclusive no tocante às causas suspensivas e
pena privativa de direito em substituição da pena interruptivas da prescrição.
privativa de liberdade, os quais são:
Procedimento para cobrança:
• Aplicação de pena privativa de liberdade com pena
não superior a quatro anos, quando se tratar de crime 1) com o trânsito em julgado, o condenado será
doloso. intimado a comparecer no Juízo Criminal onde correu
• Não aplicação de violência ou grave ameaça no o processo para pagá-la no prazo de 10 dias;
cometimento do crime; e 2) permite-se a cobrança em folha de pagamento
• Condições pessoais do criminoso favoráveis, as e faculta-se o parcelamento do valor;
quais são culpabilidade, antecedentes, conduta social, 3) caso a multa não seja adimplida nesses
personalidade do criminoso, motivos e as termos, sua execução, sob ameaça de penhora de
circunstâncias do cometimento do crime. bens, deverá ser movida pela Procuradoria da
Fazenda (estadual ou federal, conforme a Justiça em
A limitação a quatro anos da duração da pena que se deu a condenação), perante o Juízo das
de restritiva de direitos se dá somente em crimes Execuções Fiscais, onde houver, ou por quem cumular
dolosos, tal limitação não se aplica aos crimes tal competência.
culposos.
Observações:
6.3 PENA DE MULTA (ART.49)
- a única multa penal que nunca será executada
O CP adotou o critério do dia-multa, perante o Juízo das Execuções Fiscais será a aplicada
revogando todos os dispositivos que fixavam a pena no Juizado Especial Criminal, por força do art. 98, I, da
de multa em valores expressos em cruzeiros. No crime CF.
previsto no art. 244 do CP (abandono material), - a multa só pode ser exigida em face do condenado,
todavia, foi adotado como parâmetro o maior salário nunca diante de seus herdeiros.
mínimo vigente no País. As leis que possuem critérios - sobrevindo doença mental durante a fase de
próprios para a pena de multa, como a Lei de execução da pena de multa, suspende-se sua
Locações de Imóveis Urbanos (Lei nº 8.245/91) e Lei cobrança.
de Licitações (Lei nº 8.666/93), não foram modificadas - não cabe habeas corpus contra decisão condenatória
pela nova Parte Geral do CP. a pena de multa, ou relativo a processo em curso por
infração penal a que a pena pecuniária seja a única
Existem duas espécies de multa: cominada (CTF, Súmula 693). O correto é o mandado
de segurança.
a) aquela expressamente prevista no PRECEITO - nos tipos penais que cominam ao delito pena de
SECUNDÁRIO do tipo penal. Exemplo: no crime de prisão e multa, cumulativamente, admite-se a
roubo simples, a pena prevista no art. 157, caput, CP, substituição da prisão por multa (cumulação de
é reclusão, de 4 a 10 anos, e MULTA. multas), salvo nas leis especiais que possuam regras
b) aquela aplicada em SUBSTITUIÇÃO a uma específicas sobre a pena pecuniária (nesse sentido:
pena privativa de liberdade não superior a 1 ano (art. STJ, súmula 171: “cominadas cumulativamente, em lei
44, § 2º, CP). É chamada de MULTA SUBSTITUTIVA especial, penas privativa de liberdade e pecuniária, é
OU VICARIANTE. Tal multa pode ser isoladamente defeso a substituição da prisão por multa”).
aplicada (multa vicariante isolada) ou cumulada com
pena restritiva de direitos (multa vicariante cumulada). 7. LEGISLAÇÃO ESPECIAL (art. 40, CP)

Dia-multa. O art. 40 do CP diz que a legislação especial


regulará a matéria prevista nos arts. 38 (direitos do
Etapas: preso) e 39 (trabalho do preso), bem como
especificará os deveres e direitos do preso, os critérios
1) fixa-se o número de dias-multa (de 10 a 360), para revogação e transferência dos regimes e
com base nas circunstâncias judiciais; estabelecerá as infrações disciplinares e
2) atribui-se valor a cada dia-multa (de 1/30 ao correspondentes sanções.
quíntuplo do valor do salário mínimo vigente ao tempo
do fato), conforme a capacidade econômica do réu. A lei especial que regulamenta tais temas é a
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Lei n. 7210/84, chamada de LEI DE EXECUÇÃO
PENAL, já mencionada. A detração aplica-se qualquer que tenha sido o
regime de cumprimento fixado na sentença (fechado,
Obs: A Lei n. 10.792/03 alterou a redação do art. 52 da semi-aberto ou aberto).
referida LEP e criou o REGIME DISCIPLINAR
DIFERENCIADO, aplicável aos criminosos mais 10. DA APLICAÇÃO DA PENA (ART. 68)
perigosos. De acordo com o texto legal, tal regime
pode ser imposto ao preso: O juiz está preso aos parâmetros que a lei
 que pratique crime doloso durante o cumprimento da estabelece. Dentre deles, pode fazer as suas opções,
pena e com isso ocasione subversão da ordem ou para chegar a uma aplicação que se quer justa da lei
disciplina internas; penal, atendendo às exigências da espécie concreta e
 que apresente alto risco para a ordem e a segurança à pessoa destinatária da sanção.
do estabelecimento penal ou da sociedade;
 sobre o qual recaiam fundadas suspeitas de Vejamos alguns conceitos importantes :
envolvimento ou participação, a qualquer título, em
organizações criminosas, quadrilhas ou bandos. • Elementar: é todo componente essencial da
figura típica, sem o qual esta desaparece (atipicidade
Esse regime pode ser aplicado a condenados absoluta) ou se transforma em outra (atipicidade
ou presos provisórios e suas características são as relativa). Encontra-se sempre no chamado tipo
seguintes: fundamental ou tipo básico, que é, via de regra, o
caput do tipo penal incriminador. Às vezes aparece
a) recolhimento em cela individual; também nos parágrafos, nas hipóteses de tipos penais
b) visitas semanais de, no máximo, 2 pessoas, equiparados.
com duração de 2 horas (sem contar as crianças); • Circunstância: é todo dado secundário e
c) limitação a 2 horas diárias de sol. eventual agregado à figura típica, cuja ausência não
d) A duração máxima desse regime diferenciado influi de forma alguma sobre a sua existência. Tem a
é de 360 dias, sem prejuízo de repetição da sanção, função de agravar ou abrandar a sanção penal e situa-
em caso de nova falta grave da mesma espécie, até o se nos parágrafos dos tipos penais incriminadores.
limite de 1/6 da pena aplicada.
O Código Penal, em seu artigo 68, consagrou
Por se tratar de regra referente à disciplina o critério trifásico para a fixação da pena, adotando a
interna do presídio, tem caráter processual e, portanto, teoria defendida por NELSON HUNGRIA. Assim, a
aplica-se aos fatos anteriores à vigência da Lei. pena-base será fixada atendendo-se aos critérios do
art. 59 do CP (circunstâncias judiciais); em seguida,
Embora exista posicionamento doutrinário no serão consideradas as circunstâncias atenuantes e
sentido de inconstitucionalidade do RDD, o STJ já agravantes genéricas; por último, as causas de
decidiu pela constitucionalidade, em face do princípio diminuição e de aumento de pena.
da proporcionalidade (legítima atuação do Estado em
face da segurança da sociedade). As QUALIFICADORAS não entram nas fases
de fixação da pena, pois, com o reconhecimento de
8.SUPERVENIÊNCIA DE DOENÇA MENTAL (art. 41, CP) uma qualificadora, altera-se a própria pena em
abstrato, partindo o juiz, já de início, de outros
O condenado a quem sobrevém doença patamares. Assim, se o juiz reconhece um furto
mental durante o cumprimento da pena deverá ser simples, iniciará a 1ª fase de fixação da pena tendo
recolhido a hospital de custódia e tratamento por base os limites desta previstos no art. 155, caput,
psiquiátrico ou, à falta, a outro estabelecimento CP, ou seja, reclusão de 1 a 4 anos, e multa. Com o
adequado. reconhecimento de uma qualificadora, o juiz iniciará a
1ª fase tendo em mente a pena de reclusão, de 2 a 8
9.DETRAÇÃO PENAL (art. 42, CP) anos, e multa, previstas no art. 155, § 4º, CP.

Detração é o cômputo, na pena privativa de 1ª FASE - APLICAÇÃO DAS


liberdade e na medida de segurança, do tempo da CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS.
prisão provisória cumprida no Brasil ou no estrangeiro,
de prisão administrativa ou de internação em hospital
de custódia ou tratamento psiquiátrico. Significa que O juiz, ao julgar procedente a ação penal,
se o sujeito permaneceu preso durante o processo, deve fixar a pena, passando pelas três fases descritas
em razão de prisão em flagrante, preventiva ou no artigo 68, CP.
qualquer outra forma de prisão provisória, o tempo de
permanência no cárcere será descontado do tempo da Na 1ª fase deverão ser consideradas as
pena privativa de liberdade imposta na sentença final. circunstâncias do art. 59, chamadas de
Assim, se alguém foi condenado a 3 anos e 6 meses e CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS ou INOMINADAS,
havia ficado preso por 6 meses aguardando a uma vez que não são elencadas taxativamente na lei,
sentença, terá de cumprir apenas o restante da pena, constituindo apenas um parâmetro para o magistrado,
ou seja, 3 anos. que, diante das características do caso concreto,
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
deverá aplicá-las. CP, art. 317, § 1º). Cabe lembrar, ainda, que, em
virtude dessa circunstância judicial, a pena do crime
O art. 59 menciona as seguintes tentado será tanto maior quanto mais próximo da
circunstâncias: consumação se chegar.
h) Comportamento da vítima: por vezes o
a) culpabilidade: refere-se ao grau de comportamento da vítima pode ser fator determinante
reprovabilidade da conduta, de acordo com as no desencadear do crime. Se isso ocorrer, tal
condições pessoais do agente e das características do elemento será apreciado para fixar uma pena mais
crime. branda ao sujeito. Deve-se adiantar, no entanto, que
b) Antecedentes: são os fatos bons ou maus da se o crime foi praticado sob a influência de violenta
vida pregressa do autor do crime. Mais tarde iremos emoção, provocada por ato injusto da vítima, far-se-á
estudar que a REINCIDÊNCIA constitui AGRAVANTE presente uma atenuante genérica (CP,a rt. 65, III); se,
GENÉRICA, aplicada na 2ª fase da fixação da pena. por outro lado, o agente encontrar-se sob o domínio
Ocorre que a reincidência deixa de gerar efeitos após de violenta emoção, logo em seguida a injusta
5 anos do término do cumprimento da pena, passando provocação da vítima, poderá existir, como no caso do
tal condenação a ser considerada apenas para fim de homicídio (CP, art. 121, § 1º), uma causa de
reconhecimento de MAUS ANTECEDENTES. A diminuição de pena.
doutrina vem entendendo, também, que a existência
de várias absolvições por falta de provas ou de 2ª FASE - APLICAÇÃO DAS AGRAVANTES
inúmeros inquéritos arquivados constitui maus E ATENUANTES GENÉRICAS.
antecedentes. Capez entende que anteriores
envolvimentos em IPs caracterizam maus
antecedentes. Absolvição por insuficiência de provas Fixada a pena-base com fundamento nas
(CPP, art. 386, VII) também indica maus antecedentes. circunstâncias judiciais do art. 59, deve o juiz passar
O STF já se manifestou no sentido de que a existência para a 2ª fase, qual, seja, a aplicação de eventuais
de inquéritos e processos criminais sem condenação AGRAVANTES ou ATENUANTES GENÉRICAS. As
transitada em julgado serve para caracterizar maus agravantes estão descritas nos arts. 61 e 62 do CP,
antecedentes. Já o STJ, sobre o mesmo assunto, enquanto as atenuantes estão contidas nos arts. 65 e
editou a Súmula 444, em 2010, dispondo que: “É 66. O montante do aumento referente ao
vedada a utilização de inquéritos policiais e ações reconhecimento de agravante ou atenuante genérica
penais em curso para agravar a pena-base”. fica a critério do juiz, não havendo, portanto, um índice
c) Conduta social: refere-se ao comportamento preestabelecido. Na prática, o critério mais usual é
do agente em relação às suas atividades profissionais, aquele no qual o magistrado aumenta a pena em 1/6
relacionamento familiar e social etc. para cada agravante reconhecida na sentença. Da
d) Personalidade: é a índole do agente, seu mesma forma que ocorre com as circunstâncias do art.
perfil psicológico e moral. O juiz deve analisar o 59, NÃO PODE o juiz, ao reconhecer agravante ou
temperamento e o caráter do acusado, levando ainda atenuante genérica, FIXAR A PENA ACIMA OU
em conta a sua periculosidade. Exemplos: ABAIXO DO MÍNIMO LEGAL (Súmula 231 do STJ).
agressividade, preguiça, frieza emocional,
sensibilidade acentuada, emotividade, passionalidade,  CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES GENÉRICAS EM
bondade, maldade. ESPÉCIE (arts. 61 e 62)
e) Motivos do crime: são os precedentes
psicológicos propulsores da conduta. A maior ou O art. 61 do CP reza que são circunstâncias
menor aceitação ética da motivação influi na dosagem que sempre agravam a pena (quando não constituem
da pena (praticar um crime por piedade é menos elementar ou qualificadora do crime):
reprovável do que fazê-lo por ambição). O motivo fútil
e o motivo torpe aparecem como agravante genérica a) A reincidência (art. 61, I)
no art. 61, II, “a”, CP, bem como no crime de
homicídio, como qualificadora, motivo pelo qual não Nos termos do art. 63 do CP, considera-se
poderão também ser valoradas como circunstância reincidente aquele que comete NOVO CRIME depois
judicial negativa, sob pena de indevido bis in idem do trânsito em julgado de sentença que, no País ou no
(dupla exasperação pela mesma circunstância). estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior.
f) Circunstâncias do crime: refere-se ao meio
ou modo de execução do delito. Não se pode esquecer, todavia, da regra
g) Conseqüências do crime: significa a descrita no art. 7º da Lei das Contravenções Penais
intensidade de lesão ou o nível de ameaça ao bem que, ao complementar o conceito de reincidência,
jurídico tutelado. Também diz respeito ao reflexo do estabeleceu verificar-se esta quando o agente pratica
delito com relação a terceiros, não somente no tocante uma contravenção depois de passar em julgado a
à vítima. O exaurimento, por importar em sentença que o tenha condenado, no Brasil ou no
conseqüências mais graves ao fato, produz um estrangeiro, por qualquer crime, ou, no Brasil, por
aumento da pena-base, salvo se houver disposição motivo de contravenção.
expressa em sentido contrário (exemplo: na corrupção
passiva o exaurimento é causa de aumento de pena – Assim, pela legislação vigente, resultante da
combinação dos dois dispositivos, temos as seguintes
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
situações: Tóxicos) tem regra no mesmo sentido em relação ao
crime de tráfico de drogas descrito no art. 33, caput,
a) Contravenção praticada no Brasil + nova da mesma lei. Mas, afinal, o que é reincidente
contravenção: REINCIDENTE (art. 7º, LCP) específico em crimes hediondos? Existem três
b) Contravenção praticada no exterior + nova correntes a respeito: a) Condenação por um crime
contravenção: NÃO REINCIDENTE (o art. 7º é hediondo ou equiparado e pratica NOVO CRIME
omisso) HEDIONDO OU EQUIPARADO (é a posição que
c) Contravenção + crime: NÃO REINCIDENTE (o prevalece no STF e STJ); b) Condenado por crime
art. 63 é omisso) hediondo ou equiparado e comete novo crime
d) Crime praticado no Brasil ou no exterior + hediondo ou equiparado CONTRA O MESMO BEM
crime: REINCIDENTE (art. 63) JURÍDICO, como, por exemplo, estupro e estupro de
e) Crime praticado no Brasil ou no exterior + vulnerável (se fosse latrocínio e estupro não seria
contravenção: REINCIDENTE (art. 7º, LCP). reincidente específico). Há posições a respeito no STF
e STJ; c) Condenado por crime hediondo ou
Além disso, não se deve esquecer o teor do equiparado e comete idêntico crime hediondo ou
art. 64, I, do CP, que prevê que a condenação anterior equiparado (mesmo tipo penal). É a posição de Alberto
NÃO PREVALECERÁ, para fim de reincidência, APÓS Silva Franco, por exemplo.
O DECURSO DE 5 ANOS a partir da data do e) Constitui causa obrigatória de revogação do
cumprimento da pena, computando-se nesse prazo, sursis, caso a condenação seja por crime doloso (art.
se for o caso, o período de prova do sursis ou do 81, I), e causa facultativa, na hipótese de condenação
livramento condicional, se não tiver ocorrido por crime culposo ou contravenção a pena privativa de
revogação do benefício. liberdade ou restritiva de direitos (art. 81, § 1º), por
outra infração praticada durante o período de prova.
Assim, se o agente foi condenado e o juiz f) Constitui causa obrigatória de revogação do
concedeu o sursis, o prazo de 5 anos será contado a livramento condicional se o agente vem a ser
partir do início do período de prova, desde que o condenado a pena privativa de liberdade por crime
benefício não tenha sido revogado. Da mesma forma, cometido durante o período de prova.
se o condenado já havia cumprido parte da pena e g) Interrompe a prescrição da pretensão
obteve o livramento condicional, os efeitos da executória (art. 117, VI).
reincidência cessam após 5 anos, a contar da data em h) Aumenta em 1/3 o prazo da prescrição da
que ele obteve a liberdade, desde que não tenha sido pretensão executória (art. 110).
revogado o benefício. Em ambas as hipóteses, i) Revoga a reabilitação quando o agente for
havendo revogação do benefício, o prazo de 5 anos condenado a pena que não seja de multa (art. 95).
será contado da data em que o agente terminar de j) Impede o reconhecimento do privilégio nos
cumprir a pena. crimes de furto, apropriação indébita, estelionato e
receptação (arts. 155, § 2º, 170, 171, § 1º, e 180, §
Obs: para fim de reconhecimento de reincidência não 5º).
se consideram os CRIMES MILITARES PRÓPRIOS e k) Obriga o condenado a iniciar o cumprimento
POLÍTICOS (art. 64, II). Crimes militares próprios são da pena em regime mais gravoso.
aqueles descritos no Código Penal Militar, que não l) Impossibilita a transação penal nas infrações
encontram descrição semelhante na legislação comum de menor potencial ofensivo (art. 76, § 2º, da Lei
(deserção, insubordinação etc). 9099/95).
m) Impede a suspensão condicional do processo
O fato de o agente ter sido condenado por um (art. 89, caput, da Lei 9099/95).
crime apenas à pena de multa NÃO EXCLUI a
reincidência. O condenado, poderá, entretanto, obter o Não gera reincidência:
sursis (art. 77. § 1º).
 Perdão judicial: O art. 120 do CP determina que a
Além de agravar a pena (art. 61, I), o sentença que concede o perdão judicial não induz à
reconhecimento da reincidência tem também outros reincidência, ou seja, se, após a concessão do perdão,
efeitos: o agente comete novo crime, será considerado
primário.
a) impede a substituição da pena privativa de  Transação penal (Lei 9099/95, art. 76, §§ 4º e 6º) –
liberdade por pena restritiva de direitos (art. 44, II) ou de acordo com o art. 76, § 4º da Lei 9099/95, no caso
por multa (art. 44, § 2º). de transação penal, a imposição de pena restritiva de
b) Impede a concessão de sursis, caso se refira a direitos ou multa não importará em reincidência, sendo
reincidência por crime doloso. registrada apenas para impedir novamente o mesmo
c) Aumenta o prazo de cumprimento da pena benefício no prazo de 5 anos. A imposição da sanção
para a obtenção do livramento condicional (art. 83, II). constante do § 4º não constará de certidão de
d) Impede a concessão do livramento condicional antecedentes criminais, salvo para fins previstos no
quando se trata de reincidência específica em crimes mesmo dispositivo.
hediondos, terrorismo e tortura (art. 83, V). O art. 44,  Suspensão condicional do processo (Lei 9099/95,
parágrafo único, da Lei n. 11.343/06 (nova Lei de art. 89) – nos crimes em que a pena mínima cominada

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
for igual ou inferior a um ano, abrangidas ou não pela Condenado por sentença irrecorrível, praticando outro
aludida lei, o MP, ao oferecer a denúncia, poderá delito: é reincidente.
propor a suspensão do processo, por 2 a 4 anos,
desde que preenchidos os requisitos legais. Aceita a HIPÓTESE DE REINCIDÊNCIA DE CRIMES E
proposta, o acusado se submeterá a um período de CONTRAVENCÃO
prova. A suspensão condicional do processo não gera
reincidência. Isso porque a suspensão condicional do Condenado por crime (irrecorrível) comete outro delito:
processo prevista nessa lei é uma transação, não é reincidente ( art. 63 do CPB );
gerando efeito de sentença condenatória, pois não
implica o reconhecimento de crime pelo beneficiário, Condenado por crime (irrecorrível) comete uma
não ensejando, conseqüentemente, a perda da contravenção: é reincidente (LCP, art. 7°);
primariedade. Desse modo, se vier o beneficiado a ser
condenado pelo cometimento de outro crime, não será Condenado por contravenção (irrecorrível) pratica um
considerado reincidente. crime: não é reincidente (CP, art. 63);
 Composição civil homologada (Lei 9099/95, art. 74,
parágrafo único) – não gera reincidência. Condenado por contravenção comete outra
 Prescrição da reincidência – não prevalece a contravenção: é reincidente (LCP, art. 7°).
condenação anterior se, entre a data do cumprimento
ou extinção da pena e a infração penal posterior, tiver Ocorrendo uma causa de extinção da
decorrido período superior a 5 anos (período punibilidade após o trânsito em julgado da sentença
depurador), computado o período de prova da condenatória: em regra, cometido crime
suspensão ou do livramento condicional, se não posteriormente, ocorrerá reincidência.
houver revogação (art. 64, I). Uma vez comprovado o
benefício do art. 64 do CP, o agente readquire a sua Ocorrendo uma causa de extinção da
condição de primário, pois se operou a retirada da punibilidade antes do trânsito em julgado da sentença:
eficácia da decisão condenatória anterior. cometido crime posteriormente, não haverá
reincidência.
Em outros termos:
Perdão judicial: se cometido outro crime após,
Reincidência: é, em termos comuns, repetir a prática não será reincidente o réu (art. 120 do CP).
do crime; apresenta-se em 2 formas: a) reincidência
real (quando o sujeito pratica nova infração após ALGUNS EFEITOS DA REINCIDÊNCIA
cumprir, total ou parcialmente, a pena imposta em face
de crime anterior); b) reincidência ficta (quando o  Agrava a pena: art. 61, I;
sujeito comete novo crime após haver transitado em  No concurso de agravantes (circunstância
julgado sentença que o tenha condenado por delito preponderante), art. 67;
anterior); o CP adotou a segunda teoria, conforme o  Obsta a concessão da suspensão condicional da pena
dispõe o art. 63; a reincidência pressupõe uma no caso de crime doloso (art. 77, I);
sentença condenatória transitada em julgado por
prática de crime.  Aumenta o prazo de cumprimento da pena para a
obtenção do livramento condicional (art. 83, II);
ESPÉCIES DE REINCIDÊNCIA (art. 63)  Aumenta o prazo da prescrição da pretensão
Real: o sujeito pratica a nova infração após cumprir, executória (CP, art. 110, caput);
total ou parcialmente, a pena imposta em face da  Interrompe a prescrição (art. 1 17, VI);
crime anterior.  Impede a substituição da pena privativa de liberdade
por restritiva de direitos ou multa, se a reincidência for
Ficta: existe com a simples condenação anterior em crime doloso.
(adotada no art. 63 do CP)
* A nossa legislação exige sentença transitada em OBSERVAÇÕES
julgado.
O CP brasileiro adotou o sistema da
HIPÓTESE DE REINCIDÊNCIA DE CRIMES ( art. 63 do
CPB)
temporariedade: não há reincidência quando entre o
termo "a quo", ou seja, o cumprimento da pena, e a
Reiteração Criminal: prática de crimes em momentos e prática do nova delito tiver decorrido período de tempo
dias diferentes, sem julgamento ainda (sem sentença), superior a 5 anos (art. 64, I).
não é reincidência.
Não geram reincidência os crimes militares
Crime cometido no transcorrer da ação penal: não há próprios e os crimes políticos (crimes eleitorais e
reincidência. crimes contra a segurança nacional).

Condenado recorre e os autos vão para o tribunal, Para o reconhecimento da reincidência, é


praticando então novo delito: não é reincidente. necessária a comprovação documental da
condenação anterior.
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
no organismo, é apta a causar perigo à vida ou à
b) Motivos do crime (art. 61, II, “a”). saúde da vítima), o qual pode servir como meio
insidioso (se a vítima não souber que o ingere) ou
Constitui motivo o antecedente psicológico do cruel (se aplicado com emprego de força física); b) a
crime, seu móvel, sua razão propulsora. Quando torpe tortura (inflição de intenso sofrimento físico ou
(isto é, vil, abjeto, repugnante, como por exemplo, psíquico); c) o fogo; e d) o explosivo.
inveja, cupidez, etc) ou fútil (insignificante,
desproporcional, como por exemplo, ferir alguém por f) Contra ascendente, descendente, irmão ou
não gostar da cor da camisa da pessoa), a pena será cônjuge (art. 61, II, “e”).
agravada.
A relação de parentesco entre sujeitos ativo e
c) Conexão delitiva (art. 61, II, “b”). passivo agrava a pena do crime. Excepcionalmente,
em alguns delitos, funciona como elementar
A pena também será agravada se o crime for (infanticídio – art. 123, CP); em outros, como escusa
cometido para “facilitar ou assegurar a execução absolutória (crimes contra o patrimônio cometidos sem
(conexão teleológica), a ocultação, a impunidade ou violência ou grave ameaça à pessoa – art. 181, CP).
vantagem (conexão consequencial) de outro crime”.
Sua natureza é subjetiva, pois o que importa é que g) Abuso de poder ou violação de dever inerente a
uma dessas tenha sido a intenção do agente ao cargo, ofício, ministério ou profissão ou, ainda,
praticar o fato. Se o sujeito visava assegurar ou abuso de autoridade, ou prevalecendo-se de
facilitar a execução, ocultação, impunidade ou relações domésticas, de convivência ou
vantagem de CONTRAVENÇÃO PENAL, a sanção coabitação, ou com violência contra a mulher na
será agravada com base na letra “a” (motivo torpe). forma da lei específica (art. 61, II, “f” e “g”).

d) Modos de execução (art. 61, II, “c”). Importante saber diferenciar as agravantes do
crime cometido com abuso de poder e com abuso de
São eles: traição, emboscada, dissimulação, autoridade. No primeiro caso, trata-se do abuso de
ou outro recurso que dificulte ou impossibilite a defesa relações de direito público; no outro, de relações de
do ofendido. A traição pode ser física (ataque súbito e direito privado (interpretação sistemática dos
sorrateiro, p.ex., tiros pelas costas) ou moral (quebra dispositivos).
de confiança entre agente e vítima, da qual ele se
aproveita para praticar o crime, p.ex., convidar A agravante referente à violência contra a
conhecido para consumir droga visando, após, feri-lo mulher, nos termos do art. 5º da Lei 11.340/06, não se
com mais facilidade). Emboscada é sinônimo de restringe à violência física, mas abrange “qualquer
tocaia; o sujeito passivo não percebe o ataque do ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause
ofensor, que se encontra escondido. Pressupõe morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e
premeditação. Dissimulação significa ocultação do dano moral ou patrimonial”.
próprio desígnio. Pode ser moral (quando o agente dá
falsas mostras de amizade para captar a atenção da Essa circunstância não se aplica aos delitos
vítima) ou material (utilização de disfarce). Traição em que a violência contra a mulher figure como
moral não se confunde com dissimulação moral; na elementar (estupro, art. 213, CP, por exemplo) ou
primeira, pressupõe-se uma relação de amizade circunstância do crime, sob pena de configurar-se um
preexistente entre os sujeitos, que foi quebrada; na bis in idem.
dissimulação, o agente, desde o começo, já pretendia
ganhar a confiança do ofendido para cometer o delito. h) Contra criança (menor de 12 anos, conforme
critério do ECA), maior de 60 anos (por força de
e) Meios de execução (art. 61, II, “d”). alteração promovida pelo Estatuto do Idoso),
enfermo ou grávida (art. 61, II, “h”).
Podem ser insidiosos (são os que têm sua
eficácia lesiva dissimulada, como o crime cometido por Damásio de Jesus entende que a agravante
estratagema ou perfídia; p.ex., armadilha), cruéis (se genérica, em se tratando de vítima idosa, aplica-se
provocam sofrimento inútil na vítima ou revelam desde o primeiro dia do sexagésimo aniversário do
intensa brutalidade do agente) ou de que resultam ofendido (ou seja, quando ele for igual ou maior de 60
perigo comum (ou seja, risco a um número anos). O entendimento sustentado pelo consagrado
indeterminado de pessoas); nesse caso, não se exclui penalista funda-se no fato de que a definição legal do
a possibilidade de surgir concurso formal entre o fato e idoso, constante do art. 1º da Lei 10.741/03, abrange
algum crime contra a incolumidade pública (incêndio, não só os maiores de 60 anos, mas também as
explosão, desabamento, epidemia – arts. 250 e s. do pessoas com idade igual ou superior a 60 anos. A
CP), se o dolo do agente se dirigir aos dois resultados partir daí, mediante uma interpretação teleológica e
(se isso ocorrer, desaparece a agravante). extensiva, conclui pela aplicabilidade da circunstância
em exame inclusive no dia do aniversário da vítima.
A lei menciona, ainda: a) veneno (substância
química, animal ou vegetal que, uma vez ministrada i) Quando o ofendido estava sob a imediata

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
proteção da autoridade (art. 61, II, “i”).
Inciso III) Ter o agente:
Exemplo: crime cometido pelo carcereiro contra o
preso. a) cometido o crime por motivo de relevante valor
social ou moral. Valor moral diz respeito aos
j) Em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou sentimentos relevantes do próprio agente, avaliados
qualquer calamidade pública, ou de desgraça de acordo com o conceito médio de dignidade do
particular do ofendido (art. 61, II, “j”). grupo social, no que se refere ao aspecto ético. Valor
social é o que interessa ao grupo social, à
l) Em estado de embriaguez preordenada (art. 61, coletividade. O relevante valor social ou moral, se for
II, “l”). reconhecimento como privilégio do homicídio (art. 121,
§ 1º) ou das lesões corporais (art. 129, § 4º), não pode
Verifica-se quando o agente se embriaga para ser aplicado como atenuante genérica.
cometer o ilícito. b) Procurado, por sua espontânea vontade e com
eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou minorar-lhe
Obs: as agravantes genéricas do inciso II somente se as conseqüências, ou ter, antes do julgamento,
aplicam aos crimes DOLOSOS. reparado o dano. Não se deve confundir com o
arrependimento eficaz do art. 15, CP, que somente
 CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES NO CASO DE ocorre quando o agente consegue evitar a
CONCURSO DE PESSOAS. consumação e, por isso, afasta o crime. Na atenuante
genérica, o agente, após a consumação, consegue
O art. 62 do CP traz um rol de agravantes evitar ou minorar suas conseqüências. Na 2ª parte, o
aplicáveis apenas às hipóteses de CONCURSO DE dispositivo permite a redução da pena quando o
AGENTES. Assim, será agravada a pena de quem: agente repara o dano antes da sentença de primeira
instância.
Inciso I) Promove ou organiza a cooperação no crime c) Cometido o crime sob coação a que podia
ou dirige a atividade dos demais agentes. resistir, ou em cumprimento de ordem de autoridade
Inciso II) Coage ou induz outrem à execução material superior, ou sob a influência de violenta emoção,
do crime. provocada por ato injusto da vítima. A coação moral
Inciso III) Instiga ou determina a cometer o crime deve ter sido resistível, hipótese em que o agente
alguém sujeito à sua autoridade ou não punível em responde pelo crime, mas a pena é reduzida. Havendo
virtude de condição ou qualidade pessoal. coação moral irresistível, ficará afastada a
Inciso IV) Executa o crime, ou nele participa, mediante culpabilidade do executor do delito, sendo punível
paga ou promessa de recompensa. apenas o responsável pela coação (art. 22, CP). Da
mesma forma, a obediência a ordem superior
 CIRCUNSTÂNCIAS ATENUANTES. manifestamente ilegal implica redução da pena, mas,
se a ordem não for manifestamente ilegal, afasta-se a
As atenuantes genéricas estão previstas nos culpabilidade, conforme estabelece o mesmo art. 22
arts. 65 e 66. O reconhecimento da atenuante obriga à CP. O fato de ter sido o delito cometido por quem se
redução da pena, mas não pode fazer com que esta encontra sob a INFLUÊNCIA de violenta emoção,
fique abaixo do mínimo legal. Assim, é comum que o provocada por ato injusto da vítima, também gera a
juiz, na 1ª fase, fixe a pena-base no mínimo, hipótese atenuação da pena. Havendo, entretanto, INJUSTA
em que o reconhecimento de uma atenuante em dada AGRESSÃO por parte da vítima, não existirá o crime
modificará a pena, que se encontra no menor patamar em face da LEGÍTIMA DEFESA. O crime de homicídio,
possível. por seu turno, possui uma hipótese de privilégio que
também se caracteriza pela violenta emoção. O
No art. 65 existe um rol de atenuantes em privilégio, entretanto, diferencia-se da atenuante
espécie. genérica porque exige que o agente esteja SOB O
DOMÍNIO (e não sob a mera influência) de violenta
Já o art. 66 descreve uma atenuante emoção e porque a morte deve ter sido praticada
inominada, permitindo ao juiz reduzir a pena sempre LOGO APÓS a injusta provocação (requisito
que entender existir circunstância relevante, anterior dispensável na atenuante).
ou posterior ao crime, não elencada no rol do art. 65. d) Confessado espontaneamente, perante a
autoridade, a autoria do crime. Essa atenuante não se
O mencionado art. 65 descreve as seguintes aplica quando o agente confessa o crime perante a
atenuantes genéricas: autoridade policial e, e, juízo, se retrata, negando a
prática do delito diante do juiz.
Inciso I) Ser o agente menor de 21 anos de idade, na e) Cometido o crime sob a influência de multidão
data do fato, ou maior de 70 anos, na data da em tumulto, se não a provocou. É o que ocorre, por
sentença. Refere-se à sentença de 1º grau. exemplo, em brigas envolvendo grande número de
pessoas.
Inciso II) O desconhecimento da lei. Nos termos do art.
21, o desconhecimento da lei não isenta de pena, CONCURSO DE CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES
mas, conforme se percebe, serve para reduzi-la.
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
E ATENUANTES. seguintes hipóteses:

Nos termos do art. 67, CP, no concurso de a) se forem reconhecidas duas causas de
circunstâncias agravantes e atenuantes, a pena deve aumento, uma da Parte Geral e outra da Parte
aproximar-se do limite indicado pelas circunstâncias Especial, ambas serão aplicadas, sendo que o
PREPONDERANTES, entendendo-se como tais as segundo índice deve incidir sobre a pena resultante do
que resultam dos motivos determinantes do crime, da primeiro aumento. Exemplo: roubo praticado com
personalidade do agente e da reincidência. emprego de arma e em concurso formal. O juiz fixa a
pena-base, por exemplo, em 4 anos e a aumenta em
O dispositivo tem por finalidade esclarecer que 1/3 em face do emprego da arma, atingindo 5 anos e 4
o juiz, ao reconhecer uma agravante e uma atenuante meses. Na seqüência aplicará, sobre esse montante,
genérica, não deve simplesmente compensar uma um aumento de 1/6 em razão do concurso formal,
pela outra. O magistrado deve, em verdade, dar maior atingindo a pena de 6 anos, 2 meses e 20 dias. Igual
valor às chamas circunstâncias preponderantes (quer procedimento deve ser adotado quando o juiz
seja a agravante, quer seja a atenuante). Essa análise reconhecer uma causa de diminuição de pena da
deve ser feita caso a caso, mas o legislador Parte Geral e outra da parte Especial (homicídio
esclareceu no dispositivo que as circunstâncias privilegiado tentado, p.ex.). Oportuno salientar que em
preponderantes são as de caráter subjetivo (motivos 2010 o STJ editou a Súmula 443 com a seguinte
do crime, personalidade do agente etc). Além disso, a redação: “O aumento na terceira fase de aplicação da
jurisprudência tem entendido que, apesar de não pena no crime de roubo circunstanciado exige
existir menção no artigo 67, o fato de o agente ser fundamentação concreta, não sendo suficiente para a
menor de 21 anos na data do fato deve preponderar sua exasperação a mera indicação do número de
sobre todas as demais circunstâncias. majorantes”. No mesmo ano, editou a Súmula 442,
determinando: “É inadmissível aplicar, no furto
3ª FASE - APLICAÇÃO DAS CAUSAS DE qualificado, pelo concurso de agentes, a majorante do
AUMENTO E DE DIMINUIÇÃO DE PENA. roubo”.
b) se o juiz reconhecer uma causa de aumento e
uma causa de diminuição (da Parte Geral ou da Parte
As causas de aumento e de diminuição da Especial), deverá aplicar ambos os índices.
pena podem estar previstas na Parte Geral ou na c) Se o juiz reconhecer duas ou mais causas de
Parte Especial do CP e devem ser aplicadas pelo juiz aumento, estando elas descritas na Parte Especial, o
na terceira e última fase da fixação da pena. magistrado só poderá efetuar um aumento aplicando,
todavia, a causa que mais exaspere a pena. Exemplo:
Identifica-se uma causa de aumento quando a nos crimes sexuais a pena é aumentada em ¼ se o
lei se utiliza de índice de soma ou de multiplicação a crime é praticado por duas ou mais pessoas, e de ½
ser aplicado sobre a pena. Exemplos: no concurso se o agente é ascendente da vítima. O juiz só poderá
formal a pena é aumentada de 1/6 a ½ (art. 70); no aplicar o último aumento, que é o maior. Essa mesma
homicídio doloso a pena é aumentada de 1/3, se a regra deve ser aplicada quando o juiz reconhecer duas
vítima é menor de 14 anos (art. 121, § 4º); no aborto a causas de diminuição previstas na Parte Especial do
pena é aplicada em dobro, se a manobra abortiva CP. Por outro lado, é possível que o juiz reconheça
causa a morte da gestante (art. 127). duas ou mais QUALIFICADORAS em um mesmo
crime. Nesse caso, não existe previsão legal acerca
As causas de diminuição de pena da forma de aplicação da pena, sendo a questão
caracterizam-se pela utilização de índice de redução a solucionada pela doutrina e pela jurisprudência: o juiz
ser aplicado sobre a pena fixada na fase anterior. deve utilizar-se de uma delas para qualificar o crime e
Exemplos: na tentativa, a pena é reduzida de 1/3 a 2/3 das demais como agravantes genéricas (caso
(art. 14, parágrafo único); no arrependimento posterior previstas no rol dos arts. 61 e 62) ou como
a pena também é reduzida de 1/3 a 2/3 (art. 16). circunstâncias judiciais. Exemplo: suponha-se um
crime de homicídio qualificado pelo motivo fútil e pelo
É importante salientar que, com o emprego de fogo. O juiz considera o motivo fútil para
reconhecimento de causa de aumento ou de qualificar o delito (art. 121, § 2º, II) e o emprego de
diminuição de pena, o juiz PODE APLICAR PENA fogo como agravante genérica (art. 61, II, d), ou vice-
SUPERIOR À MÁXIMA OU INFERIOR À MÍNIMA versa. Não há nenhuma contradição nessa solução,
previstas em abstrato. uma vez que o art. 61, ao dizer que “são
circunstâncias que sempre agravam a pena, quando
O art. 68, parágrafo único, CP, traça uma regra não constituem ou QUALIFICAM o crime”, está
de extrema importância, no sentido de que, no apenas proibindo que a mesma circunstância, a um só
concurso de causas de aumento ou de diminuição de tempo, qualifique e funcione como agravante genérica.
pena PREVISTAS NA PARTE ESPECIAL, pode o juiz Ora, no caso de duas qualificadoras, apenas uma está
limitar-se a um só aumento ou a uma só diminuição, servindo para qualificar, e a outra, portanto, pode
prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou servir de agravante (já que não será utilizada como
diminua. qualificadora). Suponha-se, agora, um crime de furto
qualificado pelo rompimento de obstáculo e pela
Em decorrência desse dispositivo, teremos as
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
escalada. O juiz pode utilizar-se do rompimento de Penas) Para as contravenções penais, a lei prevê a
obstáculo para qualificar o crime (art. 155, § 4º, I), mas aplicação isolada ou cumulativa das penas de
não poderá valer-se da escalada como agravante
genérica porque não existe menção à essa hipótese a) prisão simples e detenção.
nos arts. 61 e 62 do CP. Assim, a escalada deverá ser
considerada como circunstância judicial do art. 59 b) reclusão e detenção.
(circunstâncias do crime).
d) Interessante constar que em abril de 2010, o c) multa e prisão simples.
STJ editou a Súmula 440, com a seguinte redação:
“Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o d) detenção e multa.
estabelecimento de regime prisional mais gravoso do
que o cabível em razão da sanção imposta, com base e) reclusão e prisão simples.
apenas na gravidade abstrata do delito”.
LETRA C.
OUTRAS PROVIDÊNCIAS NA FIXAÇÃO DA PENA.
2.(Prova: FCC - 2012 - TRF - 2ª REGIÃO - Analista
Fixado o quantum da pena, após passar pelas Judiciário - Área Judiciária - Disciplina: Direito
três fases mencionadas no art. 68, caput, do CP, Penal | Assuntos: Das Penas) O fornecimento de
deverá o juiz fixar o regime inicial do cumprimento da cestas básicas a instituições de caridade inclui-se
pena, de acordo com as regras estudadas no art. 33. dentre as penas
Na seqüência, deverá o magistrado aferir a
possibilidade de concessão do sursis ou da a) de multa.
substituição da pena privativa de liberdade por pena
restritiva de direitos ou multa, de acordo com os b) privativas de liberdade.
requisitos legais:
c) restritivas de direitos.
I- nos crimes dolosos:
d) de prisão simples.
a) se foi aplicada pena privativa de liberdade até
1 ano, o juiz pode substituí-la por multa, por uma pena e) acessórias.
restritiva de direitos, ou pelo sursis;
b) se a pena aplicada foi superior a 1 ano, e não LETRA C
superior a 2 anos, o juiz pode substituí-la por uma
pena restritiva de direitos e multa, por duas restritivas 3.(Prova: FCC - 2012 - TRE-CE - Analista Judiciário
de direitos ou, ainda, conceder o sursis; - Área Administrativa Disciplina: Direito Penal |
c) sendo aplicada pena superior a 2 anos, e não Assuntos: Das Penas) Mauricio, primário e de bons
superior a 4 anos, o juiz pode substituí-la por uma antecedentes, é condenado a cumprir pena de 03
pena restritiva de direitos e multa, ou por duas penas (três) anos e 08 (oito) meses de reclusão, em
restritivas de direitos; regime inicial semi aberto, por crime de corrupção
ativa (artigo 333, do Código Penal). Neste caso, o
II- Nos crimes culposos: Magistrado

a) não sendo superior a 1 ano, pode efetuar a a) não poderá substituir a pena privativa de liberdade
substituição por multa, por uma pena restritiva de pela restritiva de direitos, tendo em vista que o Código
direitos, ou pelo sursis; Penal veda expressamente a concessão desse
b) sendo superior a 1 ano, e não superior a 2 benefício ao crime cometido pelo réu Maurício,
anos, o juiz pode substituí-la por uma pena restritiva independentemente da quantidade da pena aplicada.
de direitos e multa, por duas restritivas de direitos, ou,
ainda, conceder o sursis; b) não poderá substituir a pena privativa de liberdade
c) qualquer que seja o total da pena privativa de pela restritiva de direitos, tendo em vista a quantidade
liberdade aplicada, desde que superior a 2 anos, o juiz da pena imposta (superior a três anos).
pode substituí-la por uma restritiva de direitos e multa,
ou por duas restritivas de direitos. c) poderá substituir a pena privativa de liberdade
aplicada por três penas restritivas de direito.

d) poderá substituir a pena privativa de liberdade por


uma pena restritiva de direitos ou multa.
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO DE CONTEÚDO
PARA RESOLUÇÃO EM SALA e) poderá substituir a pena privativa de liberdade
aplicada por uma pena restritiva de direitos e multa ou
1.(Prova: FCC - 2012 - TJ-PE - Técnico Judiciário - por duas penas restritivas de direito.
Área Judiciária - e Administrativa - Disciplina:
Direito Penal | Assuntos: Contravenções Penais – LETRA E

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
liberdade, restritivas de direitos e à multa.
4.(Prova: FCC - 2011 - TRE-TO - Analista Judiciário
- Área Administrativa - Disciplina: Direito Penal | c) se o beneficiário está sendo processado por outro
Assuntos: Das Penas) Sobre as penas privativas crime ou contravenção, no prazo da suspensão,
de liberdade previstas no Código Penal brasileiro, revoga-se, obrigatoriamente, o benefício.
é correto afirmar:
d) a pena não superior a 3 (três) anos poderá ser
a) No regime fechado, se o condenado trabalhar suspensa, por 1 (um) a 2 (dois) anos, ainda que o
durante o dia ficará dispensado do isolamento noturno. condenado seja maior de sessenta anos de idade.

b) Considera-se regime semi-aberto a execução da e) no primeiro ano do prazo, deverá o condenado


pena em casa de albergado ou estabelecimento prestar serviços à comunidade ou submeter-se à
adequado. limitação de fim de semana.

c) A pena de reclusão deve ser cumprida em regime LETRA E


fechado, semi-aberto ou aberto.
LIVRAMENTO CONDICIONAL
d) No regime fechado é proibido o trabalho externo em
qualquer serviço. 7.(Prova: FCC - 2012 - TJ-GO - Disciplina: Direito
Penal | Assuntos: Das Penas):No que concerne ao
e) No regime semi-aberto o condenado deverá livramento condicional, é correto afirmar que
trabalhar, frequentar curso ou exercer outra atividade
autorizada, fora do estabelecimento e sem vigilância, a) somente poderá ser concedido ao condenado a
permanecendo recolhido durante o período noturno e pena de reclusão igual ou superior a dois anos.
nos dias de folga.
b) a prática de falta grave não interrompe o prazo para
LETRA C a sua concessão, segundo entendimento sumulado.

5.( Prova: FCC - 2010 - TRT - 8ª Região (PA e AP) - c) é cabível a revogação, mas não a suspensão.
Analista Judiciário - Execução de Mandados
Disciplina: Direito Penal | Assuntos: Das Penas) O d) a condenação irrecorrível por crime ou
instituto que permite ser computado na execução contravenção, independentemente da pena imposta,
da pena privativa de liberdade ou na medida de constitui causa de revogação obrigatória.
segurança o tempo de prisão provisória, ou seja,
da prisão anterior ao trânsito em julgado da e) é inadmissível, para a sua concessão, a
sentença condenatória, denomina-se determinação de prévia realização de exame
criminológico, independentemente das peculiaridades
a) progressão. do caso.

b) remissão. LETRA B

c) detração. CONCURSO DE CRIMES

d) regressão. 8.(Prova: FCC - 2009 - MPE-SE - Técnico do


Ministério Público – Área Administrativa -
e) conversão. Concurso de crimes) O agente arremessou uma
granada contra cinco pessoas, ocasionado-lhes a
LETRA C morte. Nesse caso, ocorreu

QUESTÕES PARALELAS a) concurso formal de crimes.

SURSIS b) crime de perigo concreto.

1.(Prova: FCC - 2010 - MPE-RS - Secretário de c) concurso material de crimes.


Diligências - Disciplina: Direito Penal | Assuntos:
Suspensão Condicional da Pena ) No sursis, d) crimes continuados.
suspensão condicional da pena, dentre outras
hipóteses, e) crime plurissubjetivo.

a) a condenação anterior à pena de multa impede, em LETRA A


qualquer caso, a concessão do benefício.
REABILITAÇÃO
b) a suspensão se estende às penas privativas de

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
9.(Prova: FCC - 2010 - TRE-AM - Analista Judiciário Imposição da medida de segurança para inimputável
- Área Judiciária -Disciplina: Direito Penal | Art. 97 - Se o agente for inimputável, o juiz determinará sua
Assuntos: Das Penas , Das Penas - Da internação (art. 26). Se, todavia, o fato previsto como crime
Reabilitação): for punível com detenção, poderá o juiz submetê-lo a
tratamento ambulatorial. (Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)
No que diz respeito à reabilitação, é correto afirmar
Prazo
que:
§ 1º - A internação, ou tratamento ambulatorial, será por
tempo indeterminado, perdurando enquanto não for
a) se o condenado for reincidente, somente poderá ser averiguada, mediante perícia médica, a cessação de
requerida decorridos 5 (cinco) anos do dia em que for periculosidade. O prazo mínimo deverá ser de 1 (um) a 3
extinta a pena ou encerrar a sua execução. (três) anos. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Perícia médica
b) é admissível no caso de ter sido decretada a § 2º - A perícia médica realizar-se-á ao termo do prazo
extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão mínimo fixado e deverá ser repetida de ano em ano, ou a
punitiva. qualquer tempo, se o determinar o juiz da execução.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
c) será revogada caso o reabilitado seja condenado, Desinternação ou liberação condicional
por sentença definitiva, a pena que não seja restritiva § 3º - A desinternação, ou a liberação, será sempre
de direitos. condicional devendo ser restabelecida a situação anterior se
o agente, antes do decurso de 1 (um) ano, pratica fato
d) faz com que fiquem suspensos condicionalmente indicativo de persistência de sua periculosidade. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
alguns efeitos penais da condenação e, se revogada,
§ 4º - Em qualquer fase do tratamento ambulatorial, poderá o
ficam eles restabelecidos.
juiz determinar a internação do agente, se essa providência
for necessária para fins curativos. (Redação dada pela Lei nº
e) um dos requisitos para a sua concessão é não ter o 7.209, de 11.7.1984)
condenado, nos últimos dois anos, mudado de Substituição da pena por medida de segurança para o
domicílio sem comunicar o Juízo. semi-imputável
Art. 98 - Na hipótese do parágrafo único do art. 26 deste
LETRA D Código e necessitando o condenado de especial tratamento
curativo, a pena privativa de liberdade pode ser substituída
ESPAÇO PARA OBSERVAÇÕES DO ALUNO pela internação, ou tratamento ambulatorial, pelo prazo
mínimo de 1 (um) a 3 (três) anos, nos termos do artigo
anterior e respectivos §§ 1º a 4º. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
Direitos do internado
Art. 99 - O internado será recolhido a estabelecimento
dotado de características hospitalares e será submetido a
tratamento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

TEMA 7
DAS MEDIDAS DE SEGURANÇA

1. Conceito:

As medidas de segurança são também sanções


penais, por vezes assumindo caráter mais gravoso do que
PRIMEIRA PARTE as próprias penas, dada a severíssima restrição à liberdade
DISPOSIÇÕES LEGAIS CORRELATAS da pessoa internada, sendo impostas como decorrência do
poder de coação estatal, em razão da prática, devidamente
DECRETO-LEI No 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940 comprovada, de um fato penalmente típico e antijurídico, por
(CÓDIGO PENAL) uma pessoa considerada inimputável ou semi-imputável.
TÍTULO VI
As medidas de segurança diferem, porém, das penas,
DAS MEDIDAS DE SEGURANÇA principalmente pela natureza e fundamento. Enquanto as
Espécies de medidas de segurança penas tem caráter retributivo, de prevenção geral e especial,
segundo o nosso CP, e se baseiam na culpabilidade, as
Art. 96. As medidas de segurança são: (Redação dada pela medidas de segurança têm função exclusiva de prevenção
Lei nº 7.209, de 11.7.1984) especial e encontram fundamento da periculosidade do
I - Internação em hospital de custódia e tratamento sujeito, denotada pela prática de uma conduta típica e ilícita.
psiquiátrico ou, à falta, em outro estabelecimento adequado;
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Outras características: São indeterminadas no tempo,
II - sujeição a tratamento ambulatorial. (Redação dada pela só findando ao cessar a periculosidade e não são aplicáveis
Lei nº 7.209, de 11.7.1984) aos agentes plenamente imputáveis, mas só aos sujeitos
Parágrafo único - Extinta a punibilidade, não se impõe inimputáveis ou semi-responsáveis.
medida de segurança nem subsiste a que tenha sido
imposta. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Em outros termos:

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
apenado com detenção, o juiz PODERÁ aplicar o tratamento
Não são penas, mas meios defensivos da ambulatorial (art. 97), mas em qualquer fase do tratamento
sociedade. Para alguns, espécie do gênero sanção penal. poderá determinar sua internação, caso a providência se
Não são penas, mas têm carga aflitiva.São providências de mostre necessária para fins curativos (art. 97, § 4º).
caráter preventivo, fundadas na periculosidade do agente,
aplicadas pelo juiz na sentença, por prazo indeterminado 7.Aplicação da Medida de Segurança para o Semi-
(até a cessação da periculosidade), e que têm por objeto os Imputável.
inimputáveis e os semi-imputáveis.
Nas hipóteses de semi-imputabilidade descritas no
2.Princípios Constitucionais: art. 26, parágrafo único, CP, o juiz, em vez de diminuir a
pena privativa de liberdade de 1/3 a 2/3, pode optar por
Ao inimputável e ao semi-imputável, à evidência, substituí-la por internação ou tratamento ambulatorial, caso
também são assegurados todos os direitos e garantias fique constatado que o condenado necessita de especial
previstos em nossa Constituição. Dessa forma, não se tratamento (art. 98).
submete o cidadão a medidas terapêutico-penais que
contrariem preceitos de legalidade, irretroatividade, 8.Espécies
presunção de inocência e dignidade da pessoa humana.
Internação (Art. 96, I, CP): Também chamada
3.Pressupostos: detentiva, consiste na internação em hospital de custódia e
tratamento psiquiátrico ou, à falta dele, em outro
• o reconhecimento da prática de fato previsto como estabelecimento adequado.
crime. Está vedada, portanto, a aplicação da medida de
segurança quando não houver provas de que o réu cometeu Tratamento (Art. 96, II, CP): Também denominada
a infração penal ou quando estiver extinta a punibilidade restritiva, consiste na sujeição a tratamento ambulatorial,
(antes ou depois da sentença condenatória, nos termos do pelo qual são dados cuidados médicos à pessoa submetida
art. 96, parágrafo único), ainda que reconhecida a a tratamento, mas sem internação, salvo a hipótese desta
inimputabilidade por doença mental. tornar-se necessária, nos termos do § 4° do art. 97, CP, para
fins curativos.
• Periculosidade do agente. Constitui o fundamento
da imposição das medidas de segurança sendo a Doença mental superveniente à condenação: Se no
probabilidade de o sujeito tornar a praticar crimes. Deve ela, curso da execução da pena privativa de liberdade sobrevier
sempre, e dentro do possível, ser concretamente aferida doença mental, o juiz poderá determinar a substituição da
mediante laudos periciais devidamente fundamentados. pena por medida de segurança (Art. 183 da LEP), a qual,
todavia, não poderá durar mais que o restante da pena.
• Sentença concessiva. Nos termos do art. 386, VI,
do CPP, o juiz absolverá o réu quando reconhecer 9.Prazo:
circunstância que o isente de pena, como, por exemplo, a
inimputabilidade por doença mental. Todavia, como nesse Em qualquer caso, a internação ou tratamento
caso existe aplicação de medida de segurança, a doutrina ambulatorial são decretados por tempo INDETERMINADO,
qualifica a sentença como absolutória imprópria (art. 386, perdurando enquanto não for averiguada, mediante perícia
parágrafo único, III, CPP). médica, a cessação da periculosidade. O juiz, entretanto,
deve fixar um prazo mínimo para a elaboração da primeira
4.Sistemas: perícia, que ficará entre os limites de 1 a 3 anos (art. 97, §
1º). Se não constatada a cessação de periculosidade, o
– Vicariante: pena ou medida de segurança condenado será mantido em tratamento, devendo ser
– Duplo binário: pena e medida de segurança realizada anualmente nova perícia, ou a qualquer tempo,
Nosso Código Penal adotou o sistema vicariante, sendo quando assim determinar o juiz da execução (art. 97, § 2º).
impossível a aplicação cumulativa de pena e medida de
segurança. Aos imputáveis, pena; aos inimputáveis, medida 10. Desinternação:
de segurança; aos semi-imputáveis, uma ou outra, conforme
recomendação do perito. A desinternação, ou a liberação, será sempre
condicional, devendo ser restabelecida a situação anterior se
5.Requisitos para aplicação: o agente, antes do decurso de 1 ano, pratica fato indicativo
de persistência de sua periculosidade”. Esse fato pode ser
Prática de fato típico punível: É indispensável que o uma infração penal ou qualquer outra atitude que demonstre
sujeito tenha praticado um ilícito punível. ser aconselhável a reinternação ou o reinício do tratamento
Periculosidade: É imprescindível, também, que o ambulatorial (art. 97, § 3º).
sujeito que praticou o ilícito punível seja dotado de
periculosidade, que deve ser real (devidamente Será sempre condicional, devendo ser restabelecida a
fundamentada em laudo pericial), não se admitindo a sua situação anterior se o agente, antes do decurso de um ano,
presunção, em face do princípio favor libertatis e do pratica fato indicativo de sua periculosidade (não
reconhecimento da dignidade do ser humano, que necessariamente crime).
fundamentam todo Estado Democrático de Direito.
11. Prescrição
6. Aplicação da Medida de Segurança para Inimputável.
A medida de segurança está sujeita também à prescrição da
Na hipótese de ser o réu inimputável em razão de pretensão EXECUTÓRIA, mas, como não há imposição de
doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou pena, o prazo será calculado com base no MÍNIMO da pena
retardado (art. 26, caput), o juiz determinará sua internação, prevista em abstrato para a infração penal. Há, porém,
caso o crime seja apenado com reclusão. Sendo o crime entendimento minoritário de que se deveria levar em conta o

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
máximo da pena em abstrato. § 2º - A ação de iniciativa privada é promovida mediante
queixa do ofendido ou de quem tenha qualidade para
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO DE CONTEÚDO representá-lo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
PARA RESOLUÇÃO EM SALA 11.7.1984)
§ 3º - A ação de iniciativa privada pode intentar-se nos
1.(Prova: FCC - 2012 - SEAD-AP - Agente Penitenciário crimes de ação pública, se o Ministério Público não oferece
Disciplina: Direito Penal | Assuntos: Medidas de denúncia no prazo legal. (Redação dada pela Lei nº 7.209,
Segurança) As medidas de segurança são executadas de 11.7.1984)
em face de § 4º - No caso de morte do ofendido ou de ter sido declarado
ausente por decisão judicial, o direito de oferecer queixa ou
a) infratores menores de 18 anos de idade. de prosseguir na ação passa ao cônjuge, ascendente,
descendente ou irmão. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
b) condenados a penas alternativas considerados perigosos. 11.7.1984)
A ação penal no crime complexo
c) condenados a penas privativas de liberdade que Art. 101 - Quando a lei considera como elemento ou
ameacem fugir do estabelecimento prisional. circunstâncias do tipo legal fatos que, por si mesmos,
constituem crimes, cabe ação pública em relação àquele,
d) condenados a penas privativas de liberdade que desde que, em relação a qualquer destes, se deva proceder
coloquem em risco a segurança da sociedade. por iniciativa do Ministério Público. (Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)
e) inimputáveis por razões mentais. Irretratabilidade da representação
Art. 102 - A representação será irretratável depois de
LETRA E
oferecida a denúncia. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
2.(Prova: FCC - 2007 - TRF-2R - Analista Judiciário - Área
Judiciária - Execução de Mandados - Disciplina: Direito Decadência do direito de queixa ou de representação
Penal | Assuntos: Medidas de Segurança) Sobre o prazo Art. 103 - Salvo disposição expressa em contrário, o
para internação na hipótese de imposição de medida de ofendido decai do direito de queixa ou de representação se
segurança, considere: não o exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses, contado do
dia em que veio a saber quem é o autor do crime, ou, no
I. Será indeterminado, perdurando até a cessação da caso do § 3º do art. 100 deste Código, do dia em que se
periculosidade. esgota o prazo para oferecimento da denúncia. (Redação
II. Será o mesmo da pena que seria imposta se o réu fosse dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
imputável. Renúncia expressa ou tácita do direito de queixa
III. Deverá ser de no mínimo de 01 (um) a 03 (três) anos. Art. 104 - O direito de queixa não pode ser exercido quando
IV. Será no máximo o prazo previsto para a pena privativa de renunciado expressa ou tacitamente. (Redação dada pela
liberdade para o crime praticado. Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
V. Será fixado no máximo o prazo da prescrição em abstrato. Parágrafo único - Importa renúncia tácita ao direito de queixa
a prática de ato incompatível com a vontade de exercê-lo;
Está correto o que consta APENAS em não a implica, todavia, o fato de receber o ofendido a
indenização do dano causado pelo crime. (Redação dada
a) I e III. pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Perdão do ofendido
b) I, II e IV. Art. 105 - O perdão do ofendido, nos crimes em que
somente se procede mediante queixa, obsta ao
c) II, III e V. prosseguimento da ação. (Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)
d) II e V.
Art. 106 - O perdão, no processo ou fora dele, expresso ou
tácito: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
e) IV e V.
I - se concedido a qualquer dos querelados, a todos
LETRA A aproveita; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - se concedido por um dos ofendidos, não prejudica o
PRIMEIRA PARTE direito dos outros; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
DISPOSIÇÕES LEGAIS CORRELATAS
III - se o querelado o recusa, não produz efeito. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
DECRETO-LEI No 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940
(CÓDIGO PENAL) § 1º - Perdão tácito é o que resulta da prática de ato
incompatível com a vontade de prosseguir na ação.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
TÍTULO VII
§ 2º - Não é admissível o perdão depois que passa em
DA AÇÃO PENAL julgado a sentença condenatória. (Redação dada pela Lei nº
Ação pública e de iniciativa privada 7.209, de 11.7.1984)
Art. 100 - A ação penal é pública, salvo quando a lei
expressamente a declara privativa do ofendido. (Redação TEMA 8
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) DA AÇÃO PENAL
§ 1º - A ação pública é promovida pelo Ministério Público,
dependendo, quando a lei o exige, de representação do 1.Conceito:
ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) É o direito de pedir (ou exigir) a tutela jurisdicional
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
com base em um fato concreto. Ninguém pode fazer justiça
com as próprias mãos. É o direito de pedir ao Estado-Juiz a  legitimidade “ad causam” (para a causa) – é, na
aplicação do direito penal objetivo a um caso concreto. É clássica lição de ALFREDO BUZAID, a
também o direito público subjetivo do Estado-Administração, PERTINÊNCIA SUBJETIVA DA AÇÃO. A ativa
único titular do poder-dever de punir, de pleitear ao Estado- pertence ao MP (na ação pública) ou à vítima, na
Juiz a aplicação do Direito Penal objetivo, com a ação privada; a passiva exige uma pessoa humana
conseqüente satisfação da pretensão punitiva. que tenha 18 anos ou mais na data do fato (agente
imputável). A pessoa jurídica pode figurar no pólo
2.Fundamento constitucional : passivo da ação penal nos crimes ambientais (Lei
9605/98, art. 3º), mas devemos observar nesse
O seu fundamento está no art. 5º, XXXV, CF/88: “a caso a teoria da dupla imputação: a ação deve ser
lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou dirigida contra a pessoa física que praticou o delito
ameaça a direito”. e, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica. A CF
prevê duas hipóteses de responsabilidade “penal”
O Judiciário não atua de ofício. da pessoa jurídica (arts. 173, § 5º e 225, § 3º), e
somente a hipótese ambiental foi regulamentada
3.Características do direito de ação (no plano até agora (crimes contra a ordem econômica e
processual): financeira e contra a economia popular ainda não).

1) é um direito público - cuida-se de direito processual  interesse de agir – necessidade, adequação e


que serve para fazer atuar o Direito Penal, que é direito utilidade do provimento jurisdicional. A
público. De outro lado, o direito de ação pertence ao direito NECESSIDADE é inerente ao processo penal,
processual penal, que também é público. Em outras tendo em vista a impossibilidade de impor pena
palavras, é um direito público porque a atividade jurisdicional sem o devido processo legal (DUE PROCESS OF
que se pretende provocar é de natureza pública. LAW). Assim, não será recebida denúncia quando
2) é um direito subjetivo, porque conta com um titular já estiver extinta a punibilidade do acusado (art. 43,
(MP ou a vítima na ação penal privada); II, CPP). A UTILIDADE se traduz na eficácia da
3) é um direito abstrato, porque independe do direito atividade jurisdicional para satisfazer o interesse do
material invocado (direito de punir), ou seja, independe do autor. Se de plano for possível perceber a
resultado final do processo; inutilidade da persecução penal aos fins a que se
4) é um direito autônomo, porque independe da presta, dir-se-á que inexiste interesse de agir,
procedência ou improcedência do pedido; como, por exemplo, de oferecer denúncia quando,
5) é um direito específico ou determinado, porque pela análise da pena possível a ser imposta ao
atrelado a um caso concreto (jamais se exercita o direito de final, já se pode antever a ocorrência da prescrição
ação regularmente sem ter por base um fato punível retroativa. Esse entendimento, porém, não é
concreto, que deve ser devidamente narrado e explicitado, pacífico nem na doutrina e nem na jurisprudência.
nos termos do art. 41 do CPP). Por fim, a ADEQUAÇÃO reside no processo penal
condenatório e no pedido de aplicação de sanção
4.Natureza jurídica : penal. Em suma, interesse de agir é a utilidade
potencial da jurisdição, ou seja, a jurisdição deve
O direito de ação pertence ao Direito Processual ser apta a produzir alguma vantagem ou benefício
Penal (não ao DP, embora esteja regulamentado também no jurídico, uma vez que todo processo tem um custo
CP, art. 100 e ss.). É instituto de direito processual. para as partes e para o Estado.

5. Condições da Ação:  justa causa – “fumus boni iuris”, isto é, fumus


delicti que significa prova do crime e ao menos
o direito de ação deve ser exercido regularmente, indícios de autoria.
cujo exercício depende do preenchimento de algumas
condições que são chamadas “condições da ação” ou b) específicas – aquelas exigidas em algumas ações
“condições de procedibilidade”. penais. Representação da vítima, requisição do Ministro da
Justiça etc.
As condições da ação podem ser genéricas ou
específicas:  Carência da ação – quando falta uma das
condições acima, que conduz à extinção do
a) genéricas – exigidas em todas as ações penais. A processo e arquivamento dos autos.
doutrina menciona três; Luiz Flávio Gomes acha que são
quatro:  Condição de procedibilidade e condição de
prosseguibilidade – a primeira é exigida para o
 possibilidade jurídica do pedido – deve encontrar exercício regular do direito de ação; a segunda é
amparo no ordenamento jurídico (em tese punível). requerida em algumas situações, para que se
Faltando um dos requisitos do fato punível prossiga o IP ou a própria ação penal.
(tipicidade, antijuridicidade ou punibilidade abstrata)
o pedido é juridicamente impossível. No que diz
respeito à tipicidade o tema é tranqüilo. Polêmica  Condição objetiva de punibilidade – é a exigida
existe em relação à antijuridicidade e punibilidade pela lei para que o fato se torne punível
abstrata. Luiz Flávio Gomes entende que não há concretamente. Exemplo: art. 7º, § 2º, do CP (dizem
outra solução melhor. Se um filho furta dinheiro do respeito ao delito e não ao direito de ação).
pai, sabe-se que o fato não é penalmente punível
(art. 181, II, CP) e eventual pedido de condenação 6. Espécies de Ação Penal.
com base nesse fato é juridicamente impossível.

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
A pública é promovida pelo MP e pode ser diz que a indivisibilidade não vigora na ação pública, mas no
incondicionada ou condicionada. sentido acima enfocado, não há dúvida que ela tem
incidência inclusive na ação pública.
A privada subdivide-se em exclusivamente privada,
personalíssima e subsidiária da pública. Poderes e faculdades do MP:

A ação é pública, salvo quando a lei expressamente Encerrado o IP, os autos vão ao MP, que pode:
a declara privativa do ofendido (art. 100, CP). A pública,
promovida pelo MP, dependendo às vezes de representação 1) devolver o IP para a polícia para outras diligências;
do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça. A regra 2) requerer o arquivamento, quando não há crime ou quando
é simples: se a lei que descreve o delito nada diz, a ação não existe prova da autoria etc.
penal automaticamente é pública. Só será privada quando a 3) requisitar documentos, quando relevantes para a
lei expressamente assim determinar. promoção da ação penal;
4) pedir declinação da competência, etc, e, sobretudo, pode
Observação importante: Ação “penal” popular – consiste na 5) denunciar quando forma sua opinio delicti (é o
possibilidade de qualquer pessoa do povo entrar com ação convencimento do Promotor de que existe justa causa para
penal (condenatória) em qualquer crime – isso não existe no a ação penal, de que existe prova mínima do fato e de
Brasil. A lei 1079/50, que cuida dos “crimes” de autoria para denunciar).
responsabilidade (do Presidente etc) não constitui exceção,
porque essa lei, a rigor, não cuida de crimes e sim de Início do processo – segundo o STF o processo se inicia
infrações políticas. O HC também não é exceção, porque com o recebimento da denúncia. Na verdade, para a
não é ação e sim existe para tutelar a liberdade humana e existência de um processo, bastam dois requisitos: órgão
não para cerceá-la. jurisdicional e demanda, ou seja, o processo já existe
mesmo que a denúncia seja rejeitada. De outro lado, mesmo
Vejamos de forma mais detalhada: antes do início do processo, não se pode negar que pode
haver ato jurisdicional, como por exemplo, o arquivamento
6.1 Ação Penal Pública Incondicionada do IP. Isso configura exercício da chamada jurisdição
voluntária ou excepcional, mesmo sem processo pode haver
Titularidade – MP, com exclusividade (art. 24, CPP; jurisdição.
art. 100, CP e art. 129, I, da CF), exceto no caso de privada
subsidiária da pública. Requisitos da denúncia (art. 41 CPP):

Princípios: 1) exposição do fato criminoso – a denúncia tem que narrar


o fato punível, porque a defesa se defende do fato narrado
a) oficialidade – o MP é órgão oficial, exceto no caso (não da classificação jurídica dada). A denúncia genérica
da privada subsidiária da pública; (evasiva, vaga), que não narra com clareza o fato, que faz
mera referência ao IP, é inepta. No crime culposo, por
b) obrigatoriedade ou legalidade processual – o MP exemplo,é imprescindível que a denúncia aponte a
é obrigado a agir, a ingressar com a ação penal, quando há modalidade de culpa. O fato narrado, por outro lado, deve
justa causa. Exceções: transação penal (art. 76, Lei ser típico, ou seja, juridicamente possível.
9099/95);
2) identificação do acusado (e individualização dos fatos em
c) Indisponibilidade – o MP não pode desistir da caso de autoria coletiva) – a denúncia deve apontar o autor
ação penal proposta (CPP, art. 42). Não pode, ademais, (ou autores) do fato de forma inequívoca. Deve dizer quem é
desistir do recurso interposto (CPP, art. 576). Pode, o réu (o acusado). Pessoa incerta pode ser denunciada?
entretanto, pedir a absolvição do réu (seja em primeira Sim. Pessoa incerta é a pessoa fisicamente certa,mas sobre
instância, seja no plenário do júri, seja em segunda a qual não existem dados qualificativos ou individualizadores
instância). De outro lado, pode renunciar à interposição de (sabe-se que o autor do crime foi o Manuel, pessoa muito
eventual recurso. Renúncia não se confunde com conhecida na cidade, mas sobre ele ninguém sabe dizer
desistência. Exceção ao princípio da indisponibilidade – nada em termos de dados pessoais).
suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei 9099/95 –
nesse caso o MP oferece a denúncia e no mesmo momento A denúncia coletiva (que é feita contra várias
pede a suspensão do processo, leia-se, abre mão do pessoas) deve individualizar a conduta de cada um (ou pelo
prosseguimento da ação). menos vinculá-las com o fato narrado), sob pena de inépcia
formal. A denúncia coletiva (contra várias pessoas) e
d) Intranscendência – a ação penal não pode passar genérica (que não individualiza os fatos nem coliga cada
da pessoa do delinqüente (porque a pena não pode passar pessoa com ele) é inepta.
da pessoa do condenado – princípio da personalidade da
pena). Ninguém pode responder por fato alheio (princípio da A denúncia é genérica ou quando não individualiza
responsabilidade pessoal). No âmbito processual, os fatos, ou quando não individualiza os fatos em relação a
conseqüentemente, ninguém pode ser processado por fato cada um dos autores do crime.
alheio (fato cometido por terceira pessoa).
3) classificação jurídica do fato punível – o MP é obrigado a
e) Indivisibilidade – na ação penal privada não se classificar o fato punível objeto da denúncia. A classificação
discute a vigência desse princípio (CPP,art. 48). Polêmica do MP não vincula o juiz. Mas este não pode desclassificar o
existe em relação à ação penal pública: de qualquer modo, fato desde logo (quando do recebimento da denúncia). Pode
também vigora na ação pública referido princípio, nos fazer isso na sentença. De qualquer modo, pode rejeitar a
seguintes termos: havendo dois ou mais agentes do crime, peça acusatória (total ou parcialmente). Exemplo: MP
devidamente identificados, o MP não pode escolher o réu, denuncia por homicídio qualificado. O juiz entende que prova
isto é, a denúncia deve ser oferecida contra todos. O STF alguma existe sobre a qualificadora. Rejeita a denúncia

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
nessa parte. Recebe a peça em relação ao homicídio Aditamento da denúncia – é possível, para várias
simples. O recebimento parcial de uma denúncia equivale à finalidades:
desclassificação, mas não é desclassificação.
1) para suprir omissões formais (CPP, art. 569);
4) rol de testemunhas – sob pena de preclusão, o rol de 2) pra agregar fato novo;
testemunhas é apresentado no momento da denúncia. 3) para incluir novo acusado etc.
Número de testemunhas: a) reclusão: 8; b) detenção: 5; O aditamento é possível até as alegações finais. Depois
contravenção: 3; conforme doutrina majoritária. Não arrolada disso, se a sentença tem por base denúncia inepta, deve-se
testemunha na denúncia, opera-se a preclusão. Depois o atacar a sentença (não a denúncia).
juiz pode ouvir alguma testemunha, mas como do juízo Assistente do MP – não pode aditar a denúncia. Pode dirigir-
(CPP, art. 209). se ao MP e solicitar o aditamento pertinente. O assistente
pode aditar o libelo (no procedimento do júri – mas isso é
5) a denúncia deve ser escrita em vernáculo, leia-se, no outra coisa).
nosso idioma oficial, que é a língua portuguesa. Se o
processo é público, as pessoas em geral devem ter 6.2 Da ação penal pública condicionada
possibilidade de entendê-lo. Ainda que o juiz tenha domínio
de língua estrangeira, o ato da denúncia deve ser inteligível Titularidade – MP, que não pode agir de forma
para todas as pessoas. isolada, dependendo de manifestação de uma vontade do
ofendido ou do Ministro da Justiça (CPP, art. 24 e CP art.
6) a denúncia, deve, de outro lado, ser subscrita pelo MP – 100). É condicionada à representação da vítima ou à
denúncia assinada só por estagiário é nula. O MP deve requisição do Ministro da Justiça.
assiná-la junto com o estagiário. A denúncia pode ser
subscrita por vários promotores. REPRESENTAÇÃO

Inépcia da denúncia – o promotor deve apresentar a Representação da vítima – é a manifestação de


denúncia em termos, em ordem (observando-se o art. 41 do vontade da vítima no sentido de que quer processar, de que
CPP). Há dois tipos de inépcia: tem interesse no processo, na promoção da persecutio
criminis. O MP, titular da ação, só pode a ela dar início se a
1) formal – ocorre quando a denúncia não contém os vítima ou seu representante legal o autorizarem, por meio de
requisitos essenciais do art. 41 do CPP (quando falta a uma manifestação de vontade. Neste caso, o crime afeta tão
narração dos fatos,a identificação do autor do crime etc). profundamente a esfera íntima do indivíduo que a lei, a
despeito da sua gravidade, respeita a vontade daquele,
2) material – ocorre quando não há justa causa, isto é, evitando, assim, que o STREPITUS JUDICII (escândalo do
provas mínimas para iniciar a ação penal. Sendo formal ou processo) se torne um mal maior para o ofendido do que a
materialmente inepta a denúncia, o juiz deve rejeitá-la. impunidade dos responsáveis. Mais ainda: sem a permissão
da vítima, nem sequer poderá ser instaurado inquérito
Prazo para denunciar – se o acusado estiver preso o prazo é policial (CPP, art. 5º, § 4º). Todavia, uma vez iniciada a ação
de 5 dias (CPP, art. 46), contados da data em que o MP penal, o MP a assume incondicionalmente, passando a ser
receber os autos do IP. Se o acusado estiver solto ou informada pelo princípio da indisponibilidade do objeto do
afiançado é de 15 dias (CPP, art. 46). Cuida-se de prazo processo, sendo irrelevante qualquer tentativa de retratação.
processual. Há prazos diferentes. Exemplo: na nova Lei de
Tóxicos (Lei 11.343/06), o prazo é de 30 dias para réu preso Natureza jurídica – é condição específica de
e 90 dias para réu solto. procedibilidade, pois sem ela o processo não pode ter início,
sob pena de nulidade absoluta, a qual deve ser oferecida
Denúncia fora do prazo – será recebida normalmente, perante a autoridade policial, MP ou juiz (CPP, art. 39).
porque isso constitui mera irregularidade. Não há que se
falar em nulidade nesse caso. Nas infrações de menor potencial ofensivo deveria
a representação ser oferecida na audiência preliminar (art.
Conseqüências da inércia do MP (leia-se do não 72 da Lei 9099/95) ou após esse momento, mas sempre em
oferecimento da denúncia no prazo legal): juízo. Na prática, porém, a representação vem sendo feita na
fase policial (no TCO). A jurisprudência diz que isso é válido,
1) se o acusado estiver preso, a prisão pode ser relaxada, em virtude da aplicação subsidiária do CPP (ao
quando se constatar abuso ou má-fé. Eventual excesso de procedimento dos juizados).
prazo justificado não permite a soltura do réu. De qualquer
modo, o excesso não pode ser desarrazoado. Muito menos Legitimidade para representar:
abusivo. Verificada a falta de razoabilidade no excesso ou o
abuso, deve-se colocar o acusado em liberdade a) quando a vítima for menor de 18 anos, exclusivamente
imediatamente. seu representante legal; se não tem pai nem mãe,
2) cabe ação penal privada subsidiária da pública (CPP, art. representa quem tem a guarda fática ou jurídica do menor.
29) – nesse caso a vítima atua no lugar do MP, substituindo- Se seus interesses colidem com os dos pais, nomeia-se
o. curador especial. Se o menor não tem nenhum
3) Perda de vencimentos do MP – art. 801 do CPP, quando a representante, nomeia-se curador especial.Vítima com 17
inércia não for fundamentada. anos,casada, quem representa? Não há solução legal. Duas
4) Pode o representante do MP cometer o crime de possibilidades: 1) nomeia-se curador; 2) aguarda-se a vítima
prevaricação (na eventualidade de que a omissão seja para completar 18 anos e conta-se a decadência a partir desse
satisfazer interesse ou sentimento pessoal – CP, art. 319). dia. Essa é a melhor solução, a que melhor respeita a
5) A doutrina moderna defende ainda a possibilidade de que autonomia da vítima.
o MP tenha responsabilidade civil, porém, em primeiro lugar,
como se sabe, quem deve ser acionado é o Estado. b) vítima maior de 18 anos e menor de 21 anos –
exclusivamente a vítima, por força do novo CC.

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
c) vítima maior de 21 anos – exclusivamente a vítima pode familiar contra a mulher – Lei 11.340/06: há discussão se é
representar. exigível ou não a representação da vítima de lesão corporal
leve (art. 129, § 9º, CP), no contexto de violência doméstica,
d) no caso de morte da vítima, ou se ela for declarada uma vez que o art. 41 dessa Lei vedou a incidência da Lei
ausente por decisão judicial, o direito de queixa ou de 9099/95 aos crimes de violência doméstica e familiar,
representação ou, ainda, de prosseguir na ação passará ao enquanto que os artigos 12 e 16 dessa mesma Lei fazem
cônjuge ou companheiro, ascendente, descendente ou irmão expressa menção à ação penal pública condicionada à
(CADI), conforme CPP, art. 24, § 1º e art. 31). representação.

e) mulher casada pode representar sem consentimento do Essa discussão, todavia, não mais subsiste, uma vez
marido, pois o art. 35 do CPP está revogado. que o STF, apreciando ADIN a respeito do assunto,
entendeu que, nesse caso, a ação é pública
Aspectos formais da representação: incondicionada.

1) não se exige nenhum rigor formal; Da requisição do Ministro da Justiça – em casos


2) a representação pode ser escrita ou oral (nesse caso excepcionais a lei brasileira exige para o início da ação
deve ser reduzida a termo); penal uma manifestação formal do MJ, como no caso de
3) pode ser apresentada pessoalmente ou por procurador ofensa contra honra do Presidente (CP, art. 145, parágrafo
com poderes especiais. único). Autorização para a persecução penal, mas o MP
A representação não vincula o MP, que não é obrigado a pode ou não denunciar, bem como requisitar documentos e
denunciar, como por exemplo, se o fato é atípico, houve outras informações.
prescrição etc.
REQUISIÇÃO
Retratabilidade da representação – a representação só é
irretratável depois de oferecida a denúncia (CPP, art. 25; CP, Natureza jurídica da requisição – do ponto de vista
art. 102) – note-se que a lei fala em OFERECIMENTO, não processual, é condição específica de procedibilidade. Do
em recebimento da denúncia. Antes do oferecimento, como ponto de vista administrativo, é um ato político. Por isso que
se vê, a representação é retratável. É possível retratação da não é obrigatória e sim facultativa.
retratação, mas desde que ocorra dentro do prazo
decadencial. Essa retratação não se confunde com a do art. Prazo – não há prazo decadencial para o Ministro, mas, na
107, VI, CP, feita pelo próprio agente do crime, a fim de verdade, há um prazo limite, que é o prescricional.
alcançar a extinção da punibilidade.
Retratação – pode, desde que antes do oferecimento da
A Lei 11.340/06 também se refere à RENÚNCIA ao direito de denúncia, embora a lei nada mencione, cuja conclusão se
representação. Assim, previu que, nas ações penais públicas chega por analogia, ou seja, se a vítima pode se retratar, o
condicionadas à representação da ofendida, só será MJ também.
admitida a renúncia ao direito a representação PERANTE O
JUIZ, em AUDIÊNCIA ESPECIALMENTE DESIGNADA com Hipótese de co-autoria - se requisitar somente contra um,
tal finalidade, ANTES DO RECEBIMENTO DA DENÚNCIA e significa renúncia em face do outro, e que se estende a
ouvido o MINISTÉRIO PÚBLICO (art. 16). todos, extinguindo a punibilidade.

Prazo para a representação – é de 6 meses, contado do 6.3 Da ação penal privada


dia em que o ofendido ou seu representante legal vier a
saber quem é o autor do crime (arts. 38, CPP e 103, CP). É 6.3.1Titularidade – é o ofendido quando conta com
um prazo decadencial que não se prorroga, não se capacidade processual ou seu representante legal (CPP, art.
suspende e não se interrompe. Se não for exercido nesse 30). No caso, há substituição processual em que o ofendido
prazo, acarreta extinção da punibilidade (art. 107, IV, CP). fala em nome próprio, mas defende interesse alheio (direito
Há leis especiais com prazos diferentes. Exemplo: lei de de punir do Estado).
imprensa: 3 meses (Lei 5250/67, art. 41, § 1º - ATENÇÃO: O
STF suspendeu a eficácia da Lei de Imprensa mediante 6.3.2 Espécies: a) exclusivamente privada;
decisão em ADIN). COMO O DIREITO DE personalíssima; privada subsidiária da pública.
REPRESENTAÇÃO ESTÁ INTIMAMENTE LIGADO AO
DIREITO DE PUNIR, PORQUANTO O SEU NÃO- 6.3.2.1 Na ação privada personalíssima, como no
EXERCÍCIO GERA A EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELA revogado crime de adultério, morrendo a vítima o direito de
DECADÊNCIA, O PRAZO PARA O SEU EXERCÍCIO É DE queixa não passa para ninguém. Atualmente existe um crime
DIREITO MATERIAL, COMPUTANDO-SE O DIA DO desse tipo – art. 236, parágrafo único (induzimento a erro
COMEÇO E EXCLUINDO-SE O DO FINAL, ALÉM DE SER essencial e ocultação de impedimento). Se a vítima morre
FALTAL E IMPRORROGÁVEL (CP, ART. 10). No caso de quando já existe ação penal em andamento, é o caso de
morte ou ausência judicialmente declarada do ofendido, o perempção e extinção da punibilidade.
prazo, caso a decadência ainda não tenha se operado,
começa a correr da data em que o cônjuge, ascendente, 6.3.2.2 Na ação exclusivamente privada ou
descendente ou irmão (CADI) tomarem conhecimento da simplesmente privada, morrendo a vítima o direito de
autoria (CPP, art. 38, parágrafo único). queixa passa para o cônjuge, companheiro/a, ascendente,
descendente ou irmão (CADI).
Súmula 594 STF – não possui mais validade em face do
novo Código Civil (quando a vítima tem entre 18 e 21 Da ação penal exclusivamente privada – queixa ou queixa-
anos o direito de representação e de queixa era duplo crime, que é a peça acusatória que inicia a ação privada
(vítima + representante), até o advento do novo CC). (semelhante a denúncia), cujo requerente é chamado de
querelante e o requerido de querelado.
Observação: quanto ao crime de violência doméstica e
Requisitos – (art. 41, CPP) – são os mesmos da denúncia.
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Queixa que não apresenta todos os requisitos legais é inepta ela contar com habilitação técnica, isto é, se for advogado.
(inépcia formal), enquanto que aquela que não conta com c) no caso de se nomear procurador com poderes especiais,
justa causa (provas mínimas do fato e de autoria) deve ser deve constar do instrumento do mandado o nome do
rejeitada por inépcia material. querelante e a menção do fato criminoso, salvo quando tais
esclarecimentos dependem de diligências que devem ser
Princípios da ação penal privada: previamente requeridas no juízo criminal (CPP, art. 44).
d) eventuais defeitos formais da procuração podem ser
1) princípio da oportunidade ou da conveniência – a supridos até o momento da sentença (STF). A exigência da
vítima ingressa com queixa se quiser. menção do fato criminoso tem por finalidade a fixação de
2) princípio da disponibilidade – a vítima pode dispor da eventual responsabilidade por denunciação caluniosa.
ação penal privada. O ofendido pode prosseguir ou não,a te e) se a vítima é pobre o juiz nomeará advogado para
o final, na ação privada, pois dela pode dispor. E’ promover a ação penal (CPP, art. 32).
decorrência do princípio da oportunidade. Pode fazê-lo por f) considera-se pobre a pessoa que não puder prover às
meio do perdão ou perempção (CPP, arts. 51 e 60, despesas do processo sem privar-se dos recursos
respectivamente). No caso do perdão, o querelado é indispensáveis ao próprio sustento ou da família (CPP, art.
notificado para dizer se aceita o perdão no prazo de 3 dias; 32, § 1º).
se, após esse prazo, quedar-se inerte, presume-se que o g) será prova suficiente de pobreza o atestado da autoridade
aceitou (CPP, art. 58). O perdão deve ser exercido após o policial em cuja circunscrição residir o ofendido (CPP, art. 32,
início da ação penal privada, com o oferecimento da queixa § 2º).
e até o trânsito em julgado da sentença, nos moldes do art.
106, § 2º, CP. Com o perdão aceito, extingue-se a Prazo – seis meses, contado do dia em que se sabe quem
punibilidade, com o afastamento de todos os efeitos da foi o autor do fato (prazo decadencial). Prazo penal inclui o
condenação, principais e secundários, exceto se já houve primeiro dia.
trânsito em julgado. No caso de concurso de agentes, o
perdão alcança a todos os querelados, exceto o que tiver Custas judiciais – há, o CPP as prevê (art. 806). No estado
renunciado (art. 51, CP). de São Paulo por exemplo agora também são cobradas
3) princípio da indivisibilidade- a vítima NÃO PODE custas nas ações penais privadas (Lei Estadual 11.608, de
ESCOLHER O RÉU, devendo mover a ação contra todos ou 29.12.03).
contra ninguém. O ofendido pode escolher entre propor ou
não a ação. Não pode, porém, escolher, dentre os Honorários advocatícios – para o STJ e o STF incidem
ofensores, qual irá processar. Ou processa todos, ou honorários na ação penal privada. O tema é polêmico.
processa nenhum. O MP não pode aditar a queixa para nela
incluir os outros ofensores, porque estaria invadindo a Posição do MP na ação penal privada – participada como
legitimação do ofendido, mas existe entendimento em fiscal da Lei (custos legis).
contrário da doutrina e da jurisprudência, ou seja, de que é
possível, com base no art. 46, § 2º, CPP. No caso, a queixa Aditamento da queixa pelo MP - é possível em relação a
deve ser rejeitada em face da ocorrência da RENÚNCIA aspectos formais. Para incluir outro réu não. Cabe ao MP
TÁCITA no tocante aos não incluídos, pois essa causa nesse caso cuidar da indivisibilidade da ação penal, fazendo
extintiva da punibilidade se comunica aos querelados (CPP, com que a vítima manifeste sobre o outro co-réu. O MP não
art. 49). tem legitimidade para incluir novo réu, porque não é titular
4) princípio da intranscendência – a ação não pode dessa ação.
passar da pessoa do delinqüente, porque a pena não pode
passar da pessoa do condenado. 6.3.2.3 Da ação penal privada subsidiária da pública (art.
29 CPP) – é a ação penal proposta pelo ofendido por meio
Legitimidade para intentar a ação penal privada – de queixa nos crimes de ação pública, quando esta não for
praticamente tudo quanto foi dito em relação à legitimidade intentada no prazo legal pelo MP, ou seja, quando houver
para representar tem valor aqui,senão vejamos: inércia do Parquet.

a) quando a vítima for menor de 18 anos – só o É uma ação facultativa e deve ser proposta no
representante legal. prazo de 6 meses da data que termina o prazo da denúncia
b) vítima maior de 18 e menor de 21 anos – exclusivamente para o MP. Prazo impróprio, pois mesmo que a vítima perca
a vítima. esse prazo, O MP pode denunciar a qualquer momento, até
c) vítima maior de 21 anos – só a vítima. a prescrição.
d) no caso de morte da vítima ou se ela foi declarada
ausente por decisão judicial, o direito de oferecer queixa, ou O MP pode repudiar a queixa, mas se isso ocorrer,
de representar, ou ainda de prosseguir na ação, passará ao fica obrigado a oferecer denúncia substitutiva.
CADI, inclusive companheiros.
e) direito de preferência -ocorre na ordem da lei, isto é, Se não repudiar, o MP pode aditar a queixa com
primeiro o cônjuge ou companheiro, depois o ascendente, totais poderes para nela incluir novos autores, novos fatos e
descendente ou irmão. Queixa proposta por um deles, afasta intervir em todos os termos do processo.
o direito dos demais.
f) ação privada proposta por pessoa jurídica – é possível, Se o querelante negligenciar, o MP deve retomar a
como por exemplo no crime de difamação, e quem oferece a ação como parte principal.
queixa é o representante legal da empresa.
Se o MP entender que não há justa causa para a
Aspectos formais da queixa: ação penal, deve discordar da queixa e manifestar no
sentido da sua rejeição.
a) pode ser oferecida pessoalmente ou por meio de
procurador com poderes especiais (CPP,art. 44); 7. Da Ação Penal nos Crimes Complexos (Art. 101 CP)
b) a queixa pode ser oferecida pessoalmente pela vítima se

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Crime simples é o que apresenta tipo penal único. complexo, que contenha fatos que, por si mesmos,
Exemplo: homicídio. CONSTITUEM CRIME, não há o que se falar em crime
complexo em sentido amplo, como, por exemplo, o estupro
DELITO COMPLEXO é a fusão de dois ou mais simples (constrangimento ilegal – art. 146 + conjunção
tipos penais. carnal ou ato libidinoso que são indiferentes penais
isoladamente considerados).
De fato, reza o artigo 101 do CP: Na verdade o que a doutrina chama de crime complexo em
sentido amplo na verdade ingressam na categoria dos
Quando a lei considera como elemento ou crimes progressivos.
circunstâncias do tipo legal fatos que, por si mesmos,
constituem crimes, cabe ação pública em relação àquele, Ainda de acordo com o artigo 101 do CP, o crime
desde que, em relação a qualquer destes, se deva proceder que resulta da união de dois outros será de ação penal
por iniciativa do Ministério Público. pública, desde que um deles pertença a esta categoria,
ainda que seja o outro de ação penal privada.
Crimes complexos são aqueles que resultam da
FUSÃO de dois ou mais tipos penais. Exemplos: ROUBO Essa disposição é tida pelos doutrinadores como
(furto + lesão corporal ou ameaça), LATROCÍNIO (roubo + inócua e até prejudicial à interpretação. Isso porque a lei
homicídio) e EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO adotou o sistema de especificar claramente quando o delito
(extorsão + seqüestro). deve ser apurado mediante ação privada, sendo os demais
submetidos à ação pública. Assim, no caso de INJÚRIA
De acordo com parte da doutrina, pode apresentar- REAL (de que resulta, por exemplo, lesão corporal), a ação é
se sob duas formas: PÚBLICA em decorrência do que dispõe o artigo 145,
embora a simples ofensa à honra seja objeto de AÇÃO
1) Crime complexo em sentido lato; e PRIVADA.
2) Crime complexo em sentido estrito.

Há o delito complexo em SENTIDO AMPLO quando 7.1 Crimes contra a Dignidade Sexual
um crime, em todas ou algumas das hipóteses
contempladas na norma incriminadora, contém em si outro Os crimes contra os COSTUMES (atualmente
delito menos grave, necessariamente. Crimes contra a Dignidade sexual) eram, em regra,
submetidos à ação privada, determinando-se o
O legislador acrescenta à definição de um crime procedimento público somente na ocorrência de LESÃO
fatos que, por si mesmos, não constituem delito. Exemplo: CORPORAL GRAVE OU MORTE, uma vez que o artigo 225
DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA (CP, art. 339), integrada da se referia apenas aos delitos mencionados nos capítulos
calúnia (CP, art. 138) e da denunciação, que por si mesma anteriores (I a III). Tratar-se-ia de dispositivo especial que
NÃO É CRIME. O crime complexo em sentido amplo não se teria derrogado o artigo 101 no que se refere àqueles delitos
condiciona à presença de dois ou mais delitos, pois basta quando resulta apenas lesão corporal LEVE.
um a que se acrescentam elementos típicos que,
isoladamente, configuram indiferente penal. Neste caso, o
delito de maior gravidade absorve o de menor intensidade No STF, porém, passou-se a entender que o artigo
penal. Assim, a denunciação caluniosa absorve a calúnia. 103 (Salvo disposição expressa em contrário, o ofendido
decai do direito de queixa ou de representação se não o
O delito complexo em SENTIDO ESTRITO (OU exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses, contado do dia
COMPOSTO) é formado da reunião de dois ou mais tipos em que veio a saber quem é o autor do crime, ou, no caso
penais. O legislador apanha a definição legal de crimes e as do § 3º do Art. 100 deste Código, do dia em que se esgota o
reúne, formando uma terceira unidade delituosa prazo para oferecimento da denúncia) DEERROGOU o
(subsidiariedade implícita). artigo 225, editando-se a súmula 608:

Alguns doutrinadores não aceitam o crime “No crime de estupro, praticado mediante violência real, a
complexo em sentido amplo, pois só haveria crime complexo ação penal é pública INCONDICIONADA”.
na reunião de dois ou mais tipos penais incriminadores,
apresentando-se sob duas formas: A superveniência da Lei 9099/95, por força de seu
artigo 88, que passou a exigir a REPRESENTAÇÃO no
a) Dois ou mais delitos constituem outro, funcionando crime de lesões corporais leves, tornaria discutível a
como elementares (reunião de dois ou mais crimes e os vigência dessa súmula.
transforma em elementos de outro), como, por exemplo, a
extorsão mediante seqüestro (art. 159), de que fazem parte A solução mais adequada tornou-se a da
a extorsão (art. 158) e o seqüestro (art. 148). O roubo manutenção da súmula 608, não com fundamento no artigo
próprio (art. 157 caput), constituído do furto (art. 155) e da 129 do CP, em que se exige a representação para a ação
violência corporal (vias de fato e lesão corporal) e do penal pelo crime de lesões corporais de natureza leve, mas
constrangimento ilegal (art. 146. com base no artigo 146 do mesmo Código, uma vez que o
b) Um delito integra outro como circunstância constrangimento ilegal, apurado mediante ação penal
qualificadora (um delito deixa de ser autônomo para pública incondicionada é, sem dúvida, elemento constitutivo
funcionar como qualificadora de outro), como, por exemplo, do estupro e do atentado violento ao pudor.
latrocínio (art. 157, § 3º, in fine), em que o homicídio
intervém como qualificadora do roubo. Estupro qualificado Assim, nos crimes sexuais, de acordo com o que
pela lesão corporal de natureza grave (art. 213, § 1º), em dispunha o artigo 225 em sua redação original, a ação penal
que esta última funciona como qualificadora daquele. podia ser:

Tendo em vista que o artigo 101 exige, para o crime PÚBLICA INCONDICIONADA – se ocorresse VIOLÊNCIA

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
REAL – leve, grave ou gravíssima (Súmula 608-STF) ou se o
crime fosse cometido com ABUSO DE PÁTRIO PODER ou a) injúria real com lesão corporal – incondicionada;
na qualidade de PADASTRO, TUTOR OU CURADOR (artigo b) crime contra a honra do Presidente – condicionada à
225, § 1º, II); requisição do MJ;
c) crime contra a honra de FP em suas funções –
PÚBLICA CONDICIONADA – se a vítima ou seus pais não condicionada à representação ou privada. Ambas são
podiam prover, sem privações, as despesas do processo possíveis. STF firmou jurisprudência pacífica – legitimidade
(artigo 225, § 1º, I). concorrente do MP e da vítima. Fala-se aqui em direito de
opção (o FP pode optar entre a ação privada ou representar,
PRIVADA – nos demais casos (artigo 225, caput). para que o MP ingresse com a ação penal – Súmula 714
STF).
Com a vigência da Lei 12.015/09, e a nova redação
dada ao artigo 225, prevê-se:
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO DE CONTEÚDO
Como regra, para os crimes previstos nos capítulos PARA RESOLUÇÃO EM SALA
I e II, a ação pública CONDICIONADA À
REPRESENTAÇÃO, procedendo-se, porém, mediante ação 1.(Ano: 2013 - Banca: FCC - Órgão: TJ-PE- Prova:
pública INCONDICIONADA na hipótese de ser a vítima Titular de Serviços de Notas e de Registros) De regra, a
MENOR DE 18 ANOS OU PESSOA VULNERÁVEL. ação penal é
Esqueceu-se, porém, o legislador de que o
a) pública condicionada à requisição judicial.
ESTUPRO QUALIFICADO PELA LESÃO GRAVE OU
b) pública condicionada à representação da vítima.
MORTE está previsto agora no próprio artigo 213, e em
c) exclusivamente privada.
relação a esses delitos não se justifica o condicionamento da
d) subsidiária da privada.
ação penal à representação do ofendido.
e) pública incondicionada.
Assim, em caso de morte da vítima o direito de LETRA E
representação passaria ao CADI. Mas na ausência de tais
pessoas, quem pode representar?? 2.(Ano: 2013 -Banca: FCC - Órgão: TJ-PE -Prova:
Titular de Serviços de Notas e de Registros) O crime
Sustenta-se a inconstitucionalidade desse contra a honra de funcionário público em razão de suas
dispositivo. funções é de ação penal
Tem-se defendido, também, a continuidade na
a) pública incondicionada.
aplicação da súmula 608,
b) exclusivamente privada.
c) pública condicionada à representação da vítima
Por fim, sustenta-se, ainda, a ação incondicionada
concorrente com a privada.
no crime de estupro, por força do disposto no artigo 101,
d) pública condicionada à requisição da vítima.
mas com fundamento no artigo 146, que prevê essa espécie
e) pública condicionada à requisição do Ministro da
de ação penal para o crime de constrangimento ilegal, que é
Justiça.
elemento constitutivo do estupro.
LETRA C
Com isso, preserva-se o interesse público e não a
privacidade da vítima. 3.(Prova: FCC - 2012 - TRF - 2ª REGIÃO - Técnico
Judiciário - Área Administrativa - Assuntos: Ação penal
Com a nova lei, a ação penal nos crimes sexuais pública) Nos crimes de ação pública, a ação penal será
ficou assim: promovida através de
INCONDICIONADA nos crimes previstos no capítulo II
a) denúncia do Ministério Público.
(artigos 217-A, 218, 218-A e 218-B).
b) queixa-crime formulada pelo ofendido ou por quem tenha
INCONDICIONADA naqueles descritos no capítulo I, quando
qualidade para representá-lo.
praticados contra MENOR DE 18 ANOS OU VULNERÁVEL,
bem como no crime de estupro quando resulte LESÃO
c) portaria da autoridade policial.
GRAVE OU MORTE (artigo 213, §§ 1º e 2º).
d) requisição do Ministro da Justiça.
CONDICIONADA – nos crimes de estupro sem lesão grave
ou morte (art. 213, caput) e nos crimes de violação sexual
e) requerimento de qualquer pessoa maior e capaz.
mediante fraude (art. 215) e assédio sexual (art. 216),
quando não praticados contra menor de 18 anos ou pessoa LETRA A
vulnerável.

7.2 Crimes contra a Honra


ESPAÇO PARA OBSERVAÇÕES DO ALUNO
Ação penal nos crimes contra a honra (CP, art.
145).

Em regra privada.

Exceções :

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
(CÓDIGO PENAL)
TÍTULO VIII
DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE

Extinção da punibilidade
Art. 107 - Extingue-se a punibilidade: (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - pela morte do agente;
II - pela anistia, graça ou indulto;
III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato
como criminoso;
IV - pela prescrição, decadência ou perempção;
V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito,
nos crimes de ação privada;
VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a
admite;
IX - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei.
Art. 108 - A extinção da punibilidade de crime que é
pressuposto, elemento constitutivo ou circunstância
agravante de outro não se estende a este. Nos crimes
conexos, a extinção da punibilidade de um deles não
impede, quanto aos outros, a agravação da pena resultante
da conexão. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Prescrição antes de transitar em julgado a sentença
Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a
sentença final, salvo o disposto no § 1o do art. 110 deste
Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de
liberdade cominada ao crime, verificando-se: (Redação dada
pela Lei nº 12.234, de 2010).
I - em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze;
II - em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a
oito anos e não excede a doze;
III - em doze anos, se o máximo da pena é superior a quatro
anos e não excede a oito;
IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois
anos e não excede a quatro;
V - em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um ano
ou, sendo superior, não excede a dois;
VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1
(um) ano. (Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010).
Prescrição das penas restritivas de direito
Parágrafo único - Aplicam-se às penas restritivas de direito
os mesmos prazos previstos para as privativas de liberdade.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Prescrição depois de transitar em julgado sentença final
condenatória
Art. 110 - A prescrição depois de transitar em julgado a
sentença condenatória regula-se pela pena aplicada e
verifica-se nos prazos fixados no artigo anterior, os quais se
aumentam de um terço, se o condenado é reincidente.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º A prescrição, depois da sentença condenatória com
trânsito em julgado para a acusação ou depois de improvido
seu recurso, regula-se pela pena aplicada, não podendo, em
nenhuma hipótese, ter por termo inicial data anterior à da
denúncia ou queixa. (Redação dada pela Lei nº 12.234, de
2010).
§ 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.234, de
2010). (Revogado pela Lei nº 12.234, de 2010).
Termo inicial da prescrição antes de transitar em julgado
a sentença final
Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a
PRIMEIRA PARTE sentença final, começa a correr: (Redação dada pela Lei nº
DISPOSIÇÕES LEGAIS CORRELATAS 7.209, de 11.7.1984)
I - do dia em que o crime se consumou; (Redação dada pela
DECRETO-LEI No 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940 Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
II - no caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade III - pela decisão confirmatória da pronúncia; (Redação dada
criminosa; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - nos crimes permanentes, do dia em que cessou a IV - pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios
permanência; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de recorríveis; (Redação dada pela Lei nº 11.596, de 2007).
11.7.1984) V - pelo início ou continuação do cumprimento da pena;
IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de (Redação dada pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
assentamento do registro civil, da data em que o fato se VI - pela reincidência. (Redação dada pela Lei nº 9.268, de
tornou conhecido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1º.4.1996)
11.7.1984) § 1º - Excetuados os casos dos incisos V e VI deste artigo, a
V - nos crimes contra a dignidade sexual de crianças e interrupção da prescrição produz efeitos relativamente a
adolescentes, previstos neste Código ou em legislação todos os autores do crime. Nos crimes conexos, que sejam
especial, da data em que a vítima completar 18 (dezoito) objeto do mesmo processo, estende-se aos demais a
anos, salvo se a esse tempo já houver sido proposta a ação interrupção relativa a qualquer deles. (Redação dada pela
penal. (Redação dada pela Lei nº 12.650, de 2012) Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Termo inicial da prescrição após a sentença § 2º - Interrompida a prescrição, salvo a hipótese do inciso V
condenatória irrecorrível deste artigo, todo o prazo começa a correr, novamente, do
Art. 112 - No caso do art. 110 deste Código, a prescrição dia da interrupção. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
começa a correr: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
11.7.1984) Art. 118 - As penas mais leves prescrevem com as mais
I - do dia em que transita em julgado a sentença graves. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
condenatória, para a acusação, ou a que revoga a
suspensão condicional da pena ou o livramento condicional; Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a extinção da
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) punibilidade incidirá sobre a pena de cada um,
II - do dia em que se interrompe a execução, salvo quando o isoladamente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
tempo da interrupção deva computar-se na pena. (Redação 11.7.1984)
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Perdão judicial
Prescrição no caso de evasão do condenado ou de Art. 120 - A sentença que conceder perdão judicial não será
revogação do livramento condicional considerada para efeitos de reincidência. (Redação dada
Art. 113 - No caso de evadir-se o condenado ou de revogar- pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
se o livramento condicional, a prescrição é regulada pelo
tempo que resta da pena. (Redação dada pela Lei nº 7.209, TEMA 9
de 11.7.1984) EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
Prescrição da multa
Art. 114 - A prescrição da pena de multa ocorrerá: (Redação 1. Generalidades
dada pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
I - em 2 (dois) anos, quando a multa for a única cominada ou O direito de punir do Estado (ius puniendi) possui
aplicada; (Incluído pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996) três significados:
II - no mesmo prazo estabelecido para prescrição da pena
privativa de liberdade, quando a multa for alternativa ou a) direito de ameaçar com pena (punibilidade abstrata);
cumulativamente cominada ou cumulativamente aplicada. b) direito de aplicar a pena (quando houve infração da norma
(Incluído pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996) penal – punibilidade concreta);
Redução dos prazos de prescrição c) direito de executar a pena (já imposta numa sentença
condenatória).
Art. 115 - São reduzidos de metade os prazos de prescrição
quando o criminoso era, ao tempo do crime, menor de 21
A punibilidade abstrata (fato ameaçado com pena)
(vinte e um) anos, ou, na data da sentença, maior de 70
faz parte do fato punível. Não existe fato punível sem a
(setenta) anos.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
ameaça de pena.
11.7.1984)
Causas impeditivas da prescrição Com a prática da infração penal nasce para o
Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, a Estado o direito de aplicar a pena (ius puniendi em concreto
prescrição não corre: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ou pretensão punitiva ou punibilidade concreta).
11.7.1984)
I - enquanto não resolvida, em outro processo, questão de Excepcionalmente, apesar da realização do injusto
que dependa o reconhecimento da existência do crime; penal (fato típico e antijurídico), não nasce (concretamente)
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) o ius puniendi:
II - enquanto o agente cumpre pena no
estrangeiro.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 1) quando falta uma condição objetiva de punibilidade (que
Parágrafo único - Depois de passada em julgado a sentença está fora do crime e não faz parte do dolo do agente.
condenatória, a prescrição não corre durante o tempo em Exemplo: art. 7º, § 2º, do CP);
que o condenado está preso por outro motivo. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 2) quando presente uma causa de exclusão da punibilidade:
Causas interruptivas da prescrição a) escusa absolutória (CP, art. 181, I e II; art. 348, § 2º etc);
b) imunidade diplomática etc.
Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se: (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Essas causas de exclusão da punibilidade abstrata
I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa; (Redação são distintas das causas suspensivas da punibilidade
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) concreta. Exemplo: LEI Nº 12.382, DE 25 DE FEVEREIRO
II - pela pronúncia; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de DE 2011 – Parcelamento de débito tributário - Apenas
11.7.1984) suspende a pretensão punitiva, ou seja, a punibilidade

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
concreta. resultante da conexão. Exemplo: a extinção do ius puniendi
do estupro (em razão da decadência do direito de queixa)
E ainda há a terceira categoria das causas não impede o homicídio qualificado resultante da conexão.
extintivas da punibilidade concreta: o direito de punir um fato
concretamente não é infinito. O direito de punir um dia
desaparece. Quando? Quando ocorre uma causa extintiva
do ius puniendi (isto é, da punibilidade concreta).

Essas causas extintivas do ius puniendi podem 2. Causas extintivas em espécie


acontecer:
2.1 MORTE DO AGENTE – (CP, art. 107, I)
a) antes da sentença condenatória irrecorrível (são causas
extintivas da pretensão punitiva); Segundo o brocardo “Mors omnia solvit” – a morte
tudo apaga (a morte elimina todas as conseqüências penais
b) ou depois da sentença condenatória irrecorrível (são decorrentes de uma infração penal). O CP fala em morte do
causas extintivas da pretensão executória). agente. Agente pode ser o indiciado, o acusado ou o
sentenciado. O critério utilizado é o da morte cerebral, nos
As causas de extinção da punibilidade são aquelas termos da Lei 9434/97.
que extinguem o direito de punir do Estado. Acham-se
previstas no art. 107 CP, que não é um rol taxativo. Há Quanto ao momento frise-se que, em qualquer fase
outras causas extintivas do ius puniendi fora do art. 107, da persecutio criminis, morrendo o agente, deve-se
como por exemplo, morte do ofendido nos casos de ação reconhecer extinta a punibilidade concreta, mesmo porque
privada personalíssima, ressarcimento do dano no peculato nenhuma pena passa da pessoa do condenado (CF, art. 5º,
culposo (CP, art. 312, § 3º); artigo 89, § 5º da Lei 9099/95 XLV) (aqui reside o princípio da personalidade ou
(suspensão do processo); término do sursis; término do pessoalidade da pena). A pena de prisão não passa aos
livramento condicional etc. sucessores.

Efeitos das causas extintivas da punibilidade Vale salientar que, a pena de multa não passa aos
concreta: herdeiros. Nossa CF elenca apenas duas exceções que
passam aos sucessores: a) obrigação de indenizar, nos
a) se ocorre antes do trânsito em julgado: não há limites da herança (falta ser regulamentada); b) perdimento
condenação, não há o pressuposto da reincidência, não há de bens (efeitos secundários da condenação, consistentes
rol dos culpados, não gera antecedentes etc. em tornar certa a obrigação de reparar o dano do delito e no
b) se ocorre depois do trânsito em julgado: normalmente só confisco dos instrumentos, bem como do produto e proveito
extingue a pretensão executória em relação à pena; do crime em favor da União. O que se comunica, portanto,
excepcionalmente rescinde a própria sentença condenatória; não é a pena, mas os efeitos extrapenais automáticos da
tal como na abolitio criminis e anistia. condenação, de que trata o art. 91, I, e II do CP. Quanto à
perda de bens e valores, não há sequer que se falar em
As causas extintivas da punibilidade concreta função reparatória, já que o beneficiário não é a vítima ou
comunicam-se em alguns casos entre todos os agentes seus dependentes, mas o Fundo Penitenciário Nacional, não
como na hipótese de abolitio criminis. Em outros momentos havendo a relação com a obrigação de indenização ex
não se comunicam como ocorre nos casos de morte do delicto). Quanto às penas alternativas pecuniárias, discute-
agente ou indulto individual ou graça. se sua natureza (possuem caráter de pena ou de reparação
civil?) e, dependendo dessa natureza, a possibilidade de
Vale dizer que, a declaração judicial da extinção do serem cobradas dos herdeiros, quando da morte do agente.
ius puniendi concreto – pode ser feita em qualquer fase do Capez entende que não.
processo, de ofício ou a requerimento da parte, inclusive
durante o IP, que deve ser enviado a juízo. Havendo a morte do agente após o trânsito em
julgado a sentença penal condenatória pode ser executada
Regras importantes sobre a extensão da extinção – no cível, porque já formado o título executivo. E se ocorre
(CP, art. 108): antes do trânsito em julgado: a sentença não pode ser
executada no cível. Cabe à vítima valer-se da via da ação
a) a extinção da punibilidade de um crime que é pressuposto civil para efeito de ressarcimento.
de outro, não afeta este outro. Exemplo: a extinção da
punibilidade em face do furto não afeta o crime de A morte é causa pessoal extintiva do ius puniendi
receptação (do tráfico não afeta a lavagem de capitais etc); concreto. Logo, não se comunica entre os agentes.

b) a extinção a punibilidade de um crime que é elemento Comprova-se a morte com a certidão de óbito
constitutivo de outro, não afeta este outro. Exemplo: a original, com base na qual se julga extinta a punibilidade
extinção do ius puniendi da ameaça não afeta o roubo (CPP, art. 62), depois de ouvidas as partes. Quanto a
cometido mediante ameaça; Declaração de ausência prevista no art. 22 e seguintes do
CC é apenas para efeitos patrimoniais. O Código Civil de
c) a extinção da punibilidade de um crime que é 2002 autoriza ao juiz a declaração de morte presumida
circunstância agravante (causa de aumento de pena ou quando for extremamente provável a morte de quem estava
qualificadora) de outro, não afeta este outro. Exemplo: a em perigo de vida. Outra hipótese, em que se autoriza a
extinção da punibilidade do dano, que qualifica o furto, não declaração de morte presumida é quando alguém,
se estende ao furto qualificado; desaparecido em campanha (ação militar) ou feito
prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término
d) nos crimes conexos, a extinção do ius puniendi de um da guerra.
deles não impede, quanto aos outros, a agravação da pena

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Segundo o Código Civil, assim como o óbito deverá Franco).
ter assento em Registro Público (art. 9º, I, CC), também a
declaração de morte presumida será registrada (art. 9º, IV, 2.2.1 – Espécies:
CC).
a) especial – para crimes políticos;
Tratando-se de certidão de óbito falsa para a b) comum – para crimes não políticos;
doutrina vale a coisa julgada porque não existe revisão pro c) própria – antes do trânsito em julgado;
societate (processando-se o réu por uso de documento d) imprópria – após o trânsito em julgado;
falso). Para o STF, todavia, trata-se de decisão inexistente e) geral ou plena – menciona apenas os fatos, atingindo a
(logo, não vale). O réu deve cumprir a pena que foi (por todos que os cometeram;
equívoco) julgada extinta, ou a reabertura do processo f) parcial – menciona fatos, mas exige o preenchimento de
extinto com base na certidão falsa, a despeito do trânsito em algum requisito (anistia que só atinge réus primários);
julgado, entendendo que não se podem emprestar efeitos a g) incondicionada – não exige a prática de nenhum ato como
decisão que se funda em fato juridicamente inexistente (HC condição;
84.525, rel.Min. Carlos Veloso, j. 16.11.2004, Informativo h) condicionada – exige a prática de algum ato como
STF n. 370). condição (deposição de armas, p.ex.).
i) restrita – quando exclui crimes conexos;
A morte da VÍTIMA não extingue a punibilidade do j) irrestrita – quando não os exclui.
réu, exceto no caso de ação privada personalíssima, em que
provoca a perempção e, em conseqüência, a extinção da 2.2.2 Natureza jurídica – causa extintiva da punibilidade
punibilidade concreta. concreta concedido pelo Congresso Nacional, por lei, que
deve ser sancionada pelo Presidente, tratando-se de lei
A morte do condenado não impede a revisão penal retroativa e que não pode ser revogada, pois se o
criminal, porque se trata de ação de impugnação da coisa fosse, não eliminaria a anistia concedida anteriormente.
julgada, que visa a restabelecer a dignidade do condenado. Tratando-se de crimes políticos a iniciativa cabe
exclusivamente ao Presidente, ouvido o Conselho de
A morte do condenado impede a reabilitação Segurança Nacional. Exige lei federal.
criminal, pois é impossível declarar regenerado quem já
morreu. 2.2.3. Situação excepcional de não validade da anistia –
Lei 9369/96, art. 11, parágrafo único: concedeu-se anistia a
2.2 ANISTIA (CP, art.107, II) – REFERE-SE A FATOS E todos os processados por crimes previdenciários. Descobriu-
DEPENDE DE LEI DE COMPETÊNCIA DO CONGRESSO se depois que esse parágrafo único não havia sido votado
NACIONAL (CF, ARTS. 21, XVII E 48, VIII). no Congresso e o STF o declarou inconstitucional.

A anistia é uma causa de extinção de punibilidade 2.2.4. Efeitos – extingue todos os efeitos penais (nada do
que impede a imposição ou execução de determinada fato praticado pode prejudicar o réu no âmbito criminal,
sanção penal, conforme preceitua o artigo 107, inciso II do depois da anistia), tendo força semelhante à abolitio criminis,
Código Penal. É um ato de benevolência do Poder Público muito embora não extinga a via civil de reparação do dano
que impossibilita a aplicação da sanção referente a que continua aberta os prejudicados, pois a sentença
determinado ilícito penal, a qualquer tempo. Trata-se de condenatória definitiva, mesmo em face da anistia, constitui
renúncia do Estado ao exercício de seu poder repressivo. título executivo judicial. Não se deve confundir ambas, pois
na anistia mantém a norma penal incriminadora, que
Vale dizer, ela não é outorgada à pessoa do réu, continua a ser aplicada, enquanto a abolitio criminis extingue
mas ao crime, via de regra político, beneficiando a norma incriminadora fazendo com que o fato deixe de ser
automaticamente os que o cometeram. criminoso.

Aplica-se a atos passados, post factum, com efeito Observação importante: Não pode ser recusada, visto que
ex tunc, fazendo desaparecer o crime e extinguindo os seu objetivo é de interesse público. Caso, porém, venha
efeitos da sentença. condicionada, poderá haver recusa.

Trata-se de um ato passível de ser realizado pelo 2.3 GRAÇA OU INDULTO INDIVIDUAL (CP, art. 107, II) –
Congresso Nacional, de acordo com o arts. 21, REFERE-SE A PESSOAS E TEM COMO INSTRUMENTO
inciso XVII e 48, inciso VIII, ambos da Constituição Federal. NORMATIVO O DECRETO PRESIDENCIAL (CF, ART. 84,
XII), QUE PODE SER DELEGADO A MINISTROS DE
É mais abrangente do que a graça ou o indulto, ESTADO, AO PGR OU AGU (ART. 84, P. ÚNICO, CF)
visto que estes extinguem a execução da pena, sendo a
primeira concedida a pedido do réu e a segunda por Como manifestação da Soberania do Estado, o
iniciativa do Poder Público a determinados réus, ao passo indulto revela-se verdadeira complacência do Poder Público,
que a anistia não apenas extingue a execução da pena, mas consistindo no benefício concedido privativamente pelo
o próprio ato delituoso, o qual é esquecido, desaparecendo Presidente da República, que significa o perdão da pena,
as suas consequências na esfera penal, inclusive o instituto concedido de forma individual, ou coletivo, ampla ou
da reincidência. restritivamente, a preencher os requisitos, objetivos e
subjetivos da lei.
Em outras palavras, a Anistia é uma forma de
clemência ou indulgência estatal. È o esquecimento da Tal benesse objetiva por sua vez fazer desaparecer
infração penal. Não alcança só os crimes políticos, podendo as consequências penais da sentença, que, quando da
haver para outros crimes, exceto HEDIONDOS E aplicação do instituto possibilita a extinção da punibilidade
EQUIPARADOS, consumados ou tentados, em razão de ao condenado beneficiado.
proibição constitucional (CF, art. 5º, XLIII). É o ato legislativo
com que o Estado renuncia ao ius puniendi (Alberto Silva A concessão do indulto não está condicionada ao

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
cumprimento da pena em privação de liberdade. A transitou em julgado só para a acusação.
discussão, portanto, gira entorno da possibilidade de
concessão do indulto ainda que tenha havido a conversão Quanto aos efeitos só alcança a execução da pena
da pena privativa de liberdade em restritiva de direito. imposta e não afeta a sentença penal, que permanece para
efeito de reincidência, antecedentes etc. O indulto, em suma,
Desta maneira, surgem políticas criminais pelas não rescinde a sentença e nesse ponto é totalmente distinto
quais o aprisionado, mesmo que a sentença que o condenou da anistia.
esteja transitada em julgado (em definitivo), e assim com as
penas específicas fixadas para o seu cumprimento, poderá Espécies de indulto: pleno (ou total), quando
se ver solto e ver suas penas tidas como “cumpridas” em extingue toda a pena imposta, e o parcial, que pode consistir
período consideravelmente anterior àquele fixado pelos em redução de pena ou sua comutação (substituição da
tribunais. Isto é, verá extinta a sua punibilidade, conforme prisão por multa, p.ex.).
art. 107, inciso II do Código Penal Brasileiro e não poderá
mais ser punido pelo ato que cometeu e foi julgado. Cabe indulto de medidas de segurança, em tese.
Mas não prática isso não tem ocorrido, porque sem exame
Trata-se de um benefício concedido ao autor de um de cessão da periculosidade não se pode dar por concluída
crime por órgãos diversos ao do Poder Judiciário, a medida de segurança.
“inspirados por conveniências políticas ou por espírito de
humanidade” (FRAGOSO, 1983, p. 410). Se o indulto não excluiu a pena de multa, entende-
se que também a perdoou.
No caso da Graça ou indulto individual, tem-se que
é uma medida administrativa, individual e de exclusiva Crimes que não admitem indulto individual –
competência do Presidente, que pode delegá-la aos hediondos e equiparados (lei 8.072/90 com as alterações da
ministros de Estado, ao PGR ou ao AGU, atingindo os Lei 11.464/2007.
efeitos executórios penais da condenação, a qual tem que
ser colocada em liberdade, que não restabelece para o réu a No indulto há perdão da pena, enquanto que na
primariedade. A constituição não se refere mais à graça, mas simples comutação de penas, dispensa-se o cumprimento
somente ao indulto. A LEP passou, assim, a considerar a de parte da pena (simples abrandamento da penalidade) e
graça como indulto individual. não é causa de extinção da punibilidade.

O próprio condenado pode solicitar (art. 734, CPP), O agente beneficiado com o sursis ou o livramento
a qual somente será concedida após o trânsito em julgado condicional não está impedido de receber o indulto.
da sentença condenatória (não há graça antes disso).
Cabe indulto em ação penal privada, uma vez que o
A graça alcança apenas o delito, persistindo os Estado continua com o direito de punir.
efeitos civis.
Vejamos um quadro comparativo com as principais
Cabe graça nos crimes de ação penal privada, pois distinções entre Anistia, Graça e Indulto:
o direito de punir continua do Estado.
ANISTIA GRAÇA
A graça pode ser recusada quando se tratar de Coletivo Individual (indulto)
comutação de pena, ou seja, quando o Presidente apenas Não exige res judicata Exige res judicata, em regra
diminui a sanção que foi imposta. Impede reincidência Não impede
Crimes políticos, em regra Crimes comuns
A graça é vedada para crimes hediondos e Espontâneo Solicitada
assemelhados. Poder Legislativo Presidente
Efeitos ex tunc Ex nunc
2.4 INDULTO (CP, art. 107, II) - REFERE-SE A PESSOAS E
Cabe ação civil Cabe ação civil
TEM COMO INSTRUMENTO NORMATIVO O DECRETO
O crime é esquecido A pena é perdoada
PRESIDENCIAL (CF, ART. 84, XII), QUE PODE SER
DELEGADO A MINISTROS DE ESTADO, AO PGR OU AGU
2.5 ABOLITIO CRIMINIS (CP, art. 107, III)
(ART. 84, P. ÚNICO, CF)
“ABOLITIO CRIMINIS (Art. 2º, CP)
Como vimos anteriormente, o indulto pode ser
coletivo ou individual, este último também chamado de
Art. 2.º Ninguém pode ser punido por fato de que lei
graça.
posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude
dela a execução e os efeitos penais (civis não) da sentença
O indulto é concedido para pessoas, enquanto que
condenatória”.
a anistia é concedida para fatos.
A natureza jurídica da abolitio criminis é causa de
O indulto individual precisa ser solicitado; o coletivo
extinção de punibilidade (art. 107, III, CP). Observa-se que
é concedido de ofício.
os efeitos civis permanecem (obrigação de reparar o dano).
Quem concede é o Presidente ou pessoa delegada:
Vale dizer que, o juízo que julga o processo, até o
Ministro de Estado, PGR ou AGU, por decreto, conforme
transito em julgado, é chamado de juízo da condenação, da
indulto natalino concedido todos os anos. Destina-se a
causa, do processo. Já o juízo que cuida do processo na
crimes comuns. Feito por DECRETO PRESIDENCIAL.
fase de execução, após o transito em julgado, é chamado de
juízo das execuções. Dissemos isso porque não é rara a
Pressupõe sentença penal irrecorrível,
formulação da seguinte pergunta: Quem aplica a abolitio
excepcionalmente pode haver quando a sentença já
criminis após o trânsito em julgado? A resposta você

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
encontrará na Súmula 611 do STF. este pertence ao Estado e não ao ofendido; ela extingue
apenas o direito de promover a ação ou de oferecer a
representação” (p. 569).
Súmula 611 – STF: Transitada em julgado a sentença
condenatória, compete ao juízo das execuções a  Prazo E Suas Especificações
aplicação da lei mais benigna.
Via de regra, consoante artigo 103 do Código Penal e
Vejamos algumas informações importantes acerca da artigo 38 do Código de Processo Penal, o prazo decadencial
abolitio criminis: é de 6 (seis) meses, contados da seguinte forma: a) da data
em que o ofendido veio a saber quem é o autor do crime
 Gera a exclusão de todos os efeitos penais, porém (ciência inequívoca da autoria), no caso de ação penal
permanecem os efeitos civis privada e ação penal pública condicionada à representação
e b) do dia em que se esgota o prazo para o oferecimento da
 Cuidado para não confundir a com despenalização, pois denúncia, nos demais casos.
trata de um conjunto de medidas que visam eliminar ou
suavizar a pena de prisão. Não obstante, na despenalização Ainda sobre o prazo decadencial, sua natureza é
o crime ainda é considerado um delito. peremptória (art. 182 CPC), ou seja, é fatal e improrrogável
e não está sujeito a interrupção ou suspensão. Assim, esse
 Portanto o abolitio criminis e uma descriminalização de uma lapso temporal não pode ser dilatado (a pedido do ofendido
norma e não uma criminalização, que seria fato totalmente ou do Ministério Público) e não prorroga para dia útil (caso
contrário. termine em final de semana ou feriado). Ao contrário do
prazo prescricional, não há causas interruptivas ou
 É uma espécie de lei nova mais benéfica para o réu, em via suspensivas na decadência.
de regra.

 Segunda a correte majoritária na doutrina, o abolitio criminis Também, urge ressaltar que o prazo não se
não será aplicado na vacatio legis, ou seja, somente será interrompe ou suspende pela pendência de inquérito policial
aplicado após a entrada em vigor da lei. (para oferecimento da queixa-crime) ou pelo pedido de
explicações em juízo (interpelação judicial).
 No fenômeno do abolito criminis extingue-se a punibilidade
do agente, e pode ocorrer antes ou depois da condenação, e  Cessação da Contagem de Prazo Decadencial nas Ações
estende-se a todos os autores do crime. Penais

 Juizo competente para aplicar o abolitio criminis, irá Ressalte-se que a interposição de queixa-crime é
depender da situação, se estiver no âmbito do inquérito necessária para fazer cessar o prazo decadencial, quando a
policial ou de ação penal em 1º grau será do juiz natural, se ação penal for privada. Não há interrupção ou suspensão
for após condenação(transito e julgado, será do juiz da por qualquer que seja o motivo: seja pela existência de
execução inquérito policial, ou pedido de interpelação judicial. A
cessação da decadência ocorre somente com a interposição
2.6 DECADÊNCIA (CP, art. 107, IV) (leia-se: protocolo) da queixa-crime, dentro do prazo legal,
em Juízo (mesmo que incompetente – cf. Norberto AVENA,
 Conceito E Natureza Jurídica p. 177 e STJ, RHC 25.611/RJ, Rel. Jorge Mussi, DJe
25.08.2011).
A decadência, em se tratando de direito criminal,
consiste na perda do direito de ação, pelo ofendido, ante sua Por outro lado, quando se tratar de ação penal
inércia, em razão do decurso de certo tempo fixado em lei. A pública condicionada à representação, cessa-se o
consequência do reconhecimento da decadência é a transcurso do prazo decadencial no momento em que há o
extinção da punibilidade, nos termos do artigo 107, inciso IV, oferecimento da representação, seja em juízo, perante a
segunda figura, do Código Penal. autoridade policial (na delegacia de polícia), ou diante do
representante do Ministério Público. Destarte, representado
Neste sentido, Cezar Roberto BITENCOURT ensina que pelo ofendido ou seu representante legal, não há mais que
“Decadência é a perda do direito de ação a ser exercido pelo se falar em decadência, pois o instituto não alcança eventual
ofendido, em razão do decurso de tempo. A decadência demora do representante do parquet em oferecer a denúncia
pode atingir tanto a ação de exclusiva iniciativa privada (DELMANTO, p. 382).
como também a pública condicionada à representação.
Constitui uma limitação temporal ao ius persequendi que não Nos crimes que se procede mediante ação penal
pode eternizar-se”. (p. 702/703). A decadência, portanto, pública incondicionada “não há que se falar em extinção da
“pode atingir tanto o direito de oferecer queixa (na ação punibilidade pela decadência, nos termos do art. 107, IV do
penal de iniciativa privada) como o de representar (na ação CP” (STF. RHC 108.382/SC. Rel. Ricardo Lewandowski. T1.
penal pública condicionada), ou, ainda, o de suprir a Julg 21.06.2011), vale dizer que nas ações penais públicas
omissão do Ministério Público (dando lugar à ação penal incondicionadas, “em que a denúncia pode ser ofertada a
privada subsidiária)” (DELMANTO, p. 382). qualquer tempo pelo Ministério Púbico, antes que ocorra a
prescrição pelo lapso estabelecido em lei e
Para CAPEZ, “a decadência está elencada como causa independentemente de qualquer condição de
de extinção da punibilidade, mas, na verdade, o que ela procedibilidade, não havendo incidência nestas hipóteses do
extingue é o direito de dar início a persecução penal em instituto da decadência” (STJ. HC. 175.222/RJ. Rel. Gilson
juízo. O ofendido perde o direito de promover a ação e Dipp. T5. DJe 04.11.2011).
provocar a prestação jurisdicional e o Estado não tem como
satisfazer seu direito de punir”. E continua afirmando que “a No entanto, a decadência aplica-se na ação penal
decadência não atinge diretamente o direito de punir, pois privada subsidiária da pública, ou seja, quando o Ministério

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Público deixa de oferecer a denúncia no prazo legal (5 dias – iniciando-se o lapso decadencial a partir da sua maioridade.
réu preso, ou 15 dias – réu solto, art. 46 CPP) inicia-se o Entretanto, se é de conhecimento inequívoco do seu
prazo decadencial para o oferecimento da denúncia, pelo representante legal a autoria do fato, o direito de ação deve
ofendido (art. 100, § 3º do CP e art. 29 do CPP), cessando- ser exercido em 6 meses, sob pena de decadência, não
se o prazo decadencial após decorrido o prazo sem o podendo a vítima exercer o direito de ação/representação
oferecimento da inicial acusatória. após completar 18 anos (p. 704).

Com relação à ação penal pública condicionada à Em sentido diverso, a segunda corrente, defendida
requisição, segundo Damásio de JESUS, “A decadência não por Noberto AVENA leciona que “Sendo o ofendido menor de
se aplica à requisição do Ministro da Justiça, de modo que 18 anos, enquanto perdurar a menoridade e desde que
esta pode ser formulada em qualquer tempo, desde que não observados os seis meses, o direito de queixa poderá ser
esteja extinta a punibilidade por outra causa” (p. 703/704). exercido apenas pelo respectivo representante legal. Mesmo
que esse representante não venha a ajuizar a ação penal no
 Exceções em relação ao prazo decadencial prazo que dispõe, poderá fazê-lo o próprio ofendido após
completar a maioridade, pois para ele, o prazo decadencial
Como dito acima, regra geral, o prazo decadencial é só tem início após este momento e não a partir do dia em
de 6 (seis) meses. Todavia, há algumas exceções, aqui, que tomou conhecimento da autoria” (p. 176). Neste mesmo
exemplificados por Edilson Mougenot BONFIM: sentido é o posicionamento de Frederico Marques, Mirabete,
Paulo Jose da Costa Jr. e Bitencourt e dos Tribunais
a) crime contra o casamento, consistente no induzimento a Superiores (Súm. 594 do STF).
erro essencial e ocultação de impedimento: o prazo será de
6 meses, porém seu termo a quo será a data em que Note-se que em caso de conflito entre a
transitar em julgado a sentença que, por motivo de erro ou manifestação do representante legal do menor e do
impedimento, anular o casamento (art. 236, parágrafo único, ofendido menor de idade, deve prevalecer a vontade
do Código Penal); daquele que intentar a ação penal (representação legal
subsidiária).
b) crimes contra a propriedade imaterial sujeitos a ação
privada exclusiva: o prazo será de 30 dias, contados da  Matéria de Ordem Pública
homologação do laudo (art. 529, caput, do Código de
Processo Penal). (p. 196/197) A decadência, por ser instituto de ordem pública,
pode e deve ser reconhecida de ofício, em qualquer
Há outros casos especiais, não unânimes na momento do processo ou grau de jurisdição (inclusive na
doutrina e na jurisprudência, que devem ser levados em sentença e em recursos).
consideração.
 Procuração na Queixa-Crime e na Representação
 Na continuidade delitiva, “o prazo decadencial deve
ser considerado em relação a cada delito, ou seja, Com relação à procuração na queixa-crime ou na
para cada um dos atos isoladamente. representação, o tema já foi objeto de estudo anterior. Para
 Em se tratando de crime permanente, o prazo fatal tanto, vide o artigo “A Procuração na Queixa-Crime”, de
começa a fluir apenas depois de cessada a autoria juntamente com o advogado Bruno Cavalcante de
permanência” (CUNHA, p. 215). OLIVEIRA, publicado em diversos periódicos virtuais.
 Já no crime habitual, “que exige a reiteração de
condutas para ocorrência da consumação,  Diferenças entre Perempção, Renúncia, Preclusão e
revelando verdadeiro modo de vida do infrator. O Prescrição
prazo decadencial é iniciado do conhecimento da
autoria, sendo essencial constatar-se a O instituto da decadência difere-se da perempção,
habitualidade para que se verifique a própria pois, esta consiste na “perda, causada pela inatividade
tipicidade, sem o que não será possível exercer a processual do querelante, do seu direito de continuar a
ação” (TÁVORA e ARAÚJO, p. 68/69). movimentar a ação penal exclusivamente privada. Não é
 Havendo concurso de agentes (coautoria, sanção processual, mas sim efeito natural de sua conduta
participação), “o prazo decadencial tem seu dies a processual penal omissiva, mesmo porque o querelante tem
quo marcado pelo conhecimento do primeiro autor toda liberdade para deixar de movimentar a ação penal por
do fato punível”. (PRADO, p. 362). ele proposta (...). Como diz o STF, a perempção é declarada
quando implica desídia, descuido, abandono da causa pelo
 Ofendido Menor de 18 anos e seu Representante Legal querelante” (DELMANTO, p 394), ocorrendo somente nas
ações penais privadas e depois de recebida a queixa-crime.
O ponto de maior controvérsia cinge-se à dupla
titularidade (em sentido lato) do direito de ação, i.e., quando Destoa, também, da renúncia, que consiste na
o ofendido é incapaz (menor de 18 anos de idade), como se impossibilidade de exercer o direito de queixa quando
conta o prazo decadencial? Não se trata, aqui, de aplicação renunciado expressa ou tacitamente (art. 104, CP). Em
do art. 34 do CPP, diante a sua revogação tácita, com a outras palavras, a renúncia ao direito de queixa ocorre antes
entrada em vigor do Código Civil de 2002 (que reduziu a de iniciada ação penal privada (e na subsidiária), por
maioridade civil de 21 para 18 anos de idade), mas sim da expressa ou tática manifestação de vontade de não exercer
contagem de prazo decadencial ao menor e ao seu seu direito.
representante legal, quando da ciência da autoria delitiva.
Além disso, não se confunde com a preclusão
Para a primeira corrente, adeptos à doutrina de temporal que consiste na perda da faculdade ou direito
Damásio de JESUS (como, p. ex., Tourinho Filho), o que se processual por não exercício em tempo útil, em outras
deve levar em consideração é a ciência inequívoca. Deste palavras, ultrapassado o limite de tempo estabelecido para
modo, a princípio, não corre o prazo para o menor ofendido, pratica de um ato processual, este não poderá ser praticado.

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
promover a queixa-crime passa ao CADI, sendo que a
Por fim, diverge da prescrição penal, que renúncia de um não impede os demais de dar início à ação.
corresponde “à perda do direito de punir pela inércia do
Estado, que não o exercitou dentro do lapso temporal A renúncia ao direito de representação, quando se
previamente fixado” (PRADO, p. 385). tratar de crime relacionado com violência doméstica ou
familiar contra a mulher, somente produzirá efeito se
Vejamos um quadro sinótico correlato: confirmada perante o juiz, em audiência especialmente
designada para tal finalidade, ANTES do recebimento da
Prescrição Decadência Perempção Preclusão denúncia e ouvido o Ministério Público (art. 16 da Lei
É a perda da É a perda do É sanção Perda de uma 11.340/06).
pretensão direito de ação processual ao faculdade
punitiva ou em face do querelante processual; a De forma mais didática pode-se asseverar o
executória em decurso do inerte ou preclusão seguinte acerca da Renúncia:
face do tempo. negligente. pode ser
decurso do temporal,
tempo. lógica ou  Ocorre ANTES do início da ação penal.
consumativa (Princípio da Oportunidade ou Facultatividade)
e, diferente
das demais  É a abdicação do direito de exercer a ação penal pública de
hipóteses, não iniciativa privada:
atinge o
direito de São características da Renúncia:
punir.
Extingue a Extingue a Extingue a Não  UNILATERAL:
punibilidade punibilidade punibilidade extingue a
punibilidade
Só depende da manifestação de vontade do
ofendido...
2.7 RENÚNCIA (CP, art. 107, V)  EXTENSÍVEL:
É a abdicação do direito de oferecer queixa (ou Os efeitos da renúncia se estendem aos demais
representação), pelo ofendido ou seu representante legal. coautores...
As Ações públicas condicionadas e ações privadas
 PODE SER EXPRESSA OU TÁCITA:
admitem renúncia. Na ação privada subsidiária da pública
não produz nenhum efeito.
1) EXPRESSA (documento escrito):
Renúncia não se confunde com desistência: aquela
Qualquer documento por escrito, dizendo que não
acontece antes do início da ação penal. Só cabe antes da
possui interesse em oferecer a queixa. Pode ser um
queixa ou da representação (extraprocessual). O que se
guardanapo, um contrato escrito, tanto faz a formalidade.
chama de desistência na verdade, em geral, é,
Além disso, não precisa ser perante o Juiz.
tecnicamente, renúncia.
2) TÁCITA (ato incompatível):
A renúncia tem a natureza jurídica de causa
extintiva de punibilidade. É unilateral e não depende de
É a prática de ato incompatível com o desejo de
consentimento.
oferecer queixa. Podemos citar o exemplo do ofendido, que
chama o suposto autor do fato para ir ao cinema ou para ser
A renúncia pode ser expressa ou tácita. É expressa
seu padrinho de casamento. Porém, encontros sociais por
quando há declaração formal, firmada pela vítima; é tácita
razão de urbanidade não configurarão renúncia tácita.
quando a vítima pratica ato incompatível com o direito de
queixa.
2.8. PERDÃO ACEITO NOS CASOS DE AÇÃO PRIVADA
(CP, art. 107, V)
A renúncia em favor de um co-autor estende-se a
todos (CPP, art. 49). Essa conseqüência deriva do princípio
O perdão ocorre DEPOIS do início da ação
da indivisibilidade da ação penal privada. Nesse caso,
penal.(Disponibilidade)
discute-se se o MP pode aditar a queixa para nela incluir os
demais ofensores, sob o pretexto de zelar pelo citado
O perdão revela o desejo do ofendido em perdoar o
princípio, prevalecendo-se que não pode.
suposto autor do fato.
Hipótese de várias vítimas – a renúncia de uma
Características do perdão:
vítima não afeta o direito das outras vítimas.
 BILATERAL:
Com o novo CC, a vítima com 18 anos, sozinha,
pode renunciar.
- Depende da aceitação do ofendido.
- Note, ainda, que o artigo 58 do CPP traz um resquício do
O recebimento da indenização pelo dano resultante
sistema inquisitivo ao dispor que o silêncio do querelado
do crime não caracteriza renúncia tácita (CP, art. 104,
pelo período de 03 (três) dias fará presumir a aceitação do
parágrafo único). No caso, porém, da Lei 9099/95, o acordo
perdão.
entre ofensor e ofendido, homologado, acarreta a renúncia
- Vale lembrar que tal dispositivo não será considerado
do direito de queixa ou representação.
“perdão tácito” pois tal classificação diz respeito ao
querelante e não ao querelado.
No caso de morte do ofendido, o direito de
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
f) art. 240, § 4º;
 EXTENSÍVEL: g) art. 249, § 2º;
h) art. 8º, LCP (erro de direito);
- O perdão também é extensível.Sendo assim, se o indivíduo i) art. 39, § 2º (participar de associações secretas, mas com
manifestar o interesse em perdoar um dos agentes e este fins lícitos)
agente aceitar o referido perdão, teremos a extensão de tais j) Na Lei de imprensa há dispositivo semelhante ao perdão
consequências a todos os demais agentes, que também judicial da injúria do CP: art. 22, parágrafo único da Lei
serão perdoados. Porém, se um dos agentes não aceitar o 5250/67.
perdão, não teremos efeito contra ele e os demais serão l) Cabe perdão nos crimes de trânsito, apesar do veto do art.
automaticamente perdoados.Isto ocorre, uma vez que a lei 300 do CTB: pai que mata filho em acidente de transito. Até
não pode retirar do outro agente o direito de perseguir na mesmo quando mata um amigo num acidente, conforme o
ação penal, com a finalidade de provar a sua inocência. caso.
Outrossim, se a lei obrigasse os demais agentes a aceitarem
o perdão, ela estaria retirando o caráter da bilateralidade Fundamento – o juiz somente pode deixar de
existente no referido instituto. aplicar a pena, nas hipóteses previstas em lei, quando esta
resultar desnecessária. O fundamento do perdão, portanto, é
 PODE SER EXPRESSO OU TÁCITO: o princípio da (des) necessidade concreta da pena.
Exemplo: o agente perde uma perna num acidente.
1) EXPRESSO:
É direito subjetivo do agente, desde que
Ocorre quando o perdão se dá por escrito. Vale preenchidos os requisitos legais.
ressaltar, que não precisará ser diretamente ao juiz. Pode
ser uma carta escrita ao agente, perdoando-o pela prática da Crimes conexos são alcançados também pelo
infração penal. perdão, embora haja polêmica. Mata a esposa, seu filho e
um desconhecido.
2) TÁCITO:
Natureza jurídica da sentença que concede o
É a prática de qualquer conduta incompatível com o perdão:
interesse na persecução penal. Podemos citar o exemplo do
indivíduo que chama o agente para ir ao cinema ou para a) absolutória;
jantar, o que demonstra laços de amizade incompatíveis com b) condenatória;
o interesse no seguimento da ação penal. c) declaratória de extinção da punibilidade (Súmula 18 STJ)

 PODE SER PROCESSUAL OU EXTRAPROCESSUAL: A terceira corrente é a correta, motivo pelo qual a
sentença não vale para efeito da reincidência (CP, art. 120).
1) PROCESSUAL: Não pode ser executada no cível. Cabe a vítima valer-se da
Quando deduzido em juízo por petição assinada... via da ação civil para efeito de reparação dos danos. Nesse
(Pelo Ofendido) caso, haverá possibilidade de rejeição da denúncia ou
(Pelo Representante Legal) queixa com base no disposto no art. 43, II, CPP. Isto porque,
(Pelo Procurador com poderes especiais) nas hipóteses em que for evidente a existência de
circunstância autorizadora do perdão judicial, como por
2) EXTRAPROCESSUAL: exemplo, em um homicídio culposo no qual a vítima era filho
Quando concedido fora dos autos... do denunciado, o juiz deve, de plano, rejeitar a denúncia,
(Pelo Ofendido) com base no citado artigo. Ademais, dispõe o CPP que, “em
(Pelo Representante Legal) qualquer fase do processo, o juiz, se reconhecer extinta a
(Pelo Procurador com poderes especiais) punibilidade, deverá declará-la de ofício” (art. 61,caput).

2.9 PERDÃO JUDICIAL (CP, art. 107, IX) Ocorrendo PPP, em qualquer das suas
modalidades, não há que se falar em perdão judicial.
Consiste na possibilidade de o juiz deixar de aplicar
a pena cominada nas hipóteses expressamente previstas na No perdão nasce o ius puniendi concreto do Estado
lei penal. que deve ser julgado extinto; na escusa absolutória não
nasce o ius puniendi, não há fato punível, não há
Pressuposto lógico – que o juiz examine o mérito de punibilidade abstrata.
cada caso e reconheça a culpabilidade do agente. A
sentença que concede o perdão judicial, por conseguinte, é O perdão judicial independe de aceitação do réu.
autofágica: reconhece o crime e a culpabilidade e em
seguida julga extinta a punibilidade concreta. Impossível o Perdão judicial na Lei 9807/99 (Lei de proteção às
arquivamento do IP no caso do perdão judicial. O processo testemunhas)- o art. 13 cuida da proteção dos réus
necessariamente deve ser instaurado, para que se colaboradores, dispondo sobre novas hipóteses de perdão
reconheça o crime e a culpabilidade. Depois disso é que tem judicial ao indiciado e ao acusado que colaborar efetiva e
incidência o perdão judicial. voluntariamente com a investigação e o processo criminal,
desde que disso resulte a identificação dos demais co-
São Hipóteses legais: autores ou partícipes (deve haver, no mínimo três
envolvidos, incluso o denunciante), a localização da vítima
a) art. 121, § 5º, CP; com sua integridade física preservada e a recuperação total
b) art. 129, § 8º; ou parcial do produto do crime. Trata-se de circunstância
c) art. 140, § 1º, I e II; pessoal que não se estende aos demais participantes, ao
d) art. 176, parágrafo único; contrário da desistência voluntária, arrependimento eficaz e
e) art. 180, § 5º; arrependimento posterior, que são comunicáveis. Discute-se

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
o momento para a concessão do benefício, se quando da A perempção extingue a ação, logo extingue o
sentença final ou em qualquer fase do processo. processo e, portanto, a punibilidade. A preclusão impede a
prática de um ato processual, como por exemplo, quando o
O perdão judicial previsto no art. 13 da Lei 9807/99 sujeito perde o prazo recursal.
não se confunde com a nova causa de redução de pena
prevista no art. 14 da mesma Lei, pois neste último caso o Ocorrida a perempção, a ação não pode ser
indiciado ou acusado não necessita ser primário, nem se reiniciada.
levará em conta a personalidade do beneficiado etc. Basta
ter colaborado para a obtenção de um dos resultados 2.11 Da retratação do agente (CP, art. 107, VI)
previstos na lei, ao contrário do perdão, em que a
primariedade e aquelas condições devem estar presentes, Retratar significa voltar atrás, desdizer, reconhecer
bastando que a vítima seja encontrada com vida, ao o erro praticado. A retratação do agente em regra não afeta
contrário do perdão que exige ser ela encontrada com a a punibilidade do fato, excepcionalmente sim.
saúde preservada.
O Código Penal estabelece algumas hipóteses : art.
Assim como no perdão judicial, entende-se que os 143 CP (calúnia ou difamação); art. 342, § 2º, CP (falso
pressupostos para a aplicação desse tipo de redução de testemunho ou falsa perícia, desde que a retratação ocorra
pena são alternativos, pois do contrário seria letra morta antes da sentença a ser proferida no processo em que
para os delitos praticados por exemplo sem obtenção de houve esse crime, e não naquele eventualmente instaurado
proveito econômico. para punir o falso testemunho.

Não depende de aceitação, é unilateral, mas deve


2.10 PEREMPÇÃO (CP, art. 107, IV) ser inequívoca, apresentando a natureza jurídica de causa
extintiva da punibilidade concreta.
Significa a morte da ação penal já proposta. É uma
sanção imposta ao querelante inerte ou negligente. Só existe No caso de concurso de agentes, não se comunica
na ação penal privada exclusiva e personalíssima. Na aos demais. A retratação é personalíssima, exceto no crime
subsidiária, o MP assume a ação quando o querelante se de falso testemunho ou falsa perícia, porque, nesse caso, o
mantém inerte. fato deixa de ser punível, enquanto que na calúnia e
difamação o querelado ‘fica isento de pena” (ou seja, só
São hipóteses de perempção (art. 60 CPP); querelado fica isento).

a) quando, iniciada a ação, o querelante deixa de promover 2.12 PRESCRIÇÃO (CP, art. 107, IV)
o andamento do processo durante 30 dias seguidos. A
sanção é automática e não há intimação prévia para agir. 2.12.1 GENERALIDADES
Mas há posição em contrário (RTTJSP, 88/355).
b) quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua É a perda da pretensão punitiva ou da pretensão
incapacidade, não comparece em juízo, para prosseguir no executória em face da inércia do Estado durante
processo, dentro do prazo de 60 dias, qualquer das pessoas determinado tempo legalmente previsto.
a quem couber fazê-lo (CADI);
c) quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo A Pretensão punitiva é o interesse em aplicar uma
justificado, a qualquer ato do processo a que deva estar sanção penal ao responsável por uma infração penal,
presente pessoalmente (sua oitiva, por exemplo); enquanto a pretensão executória é o interesse em executar,
d) quando o querelante, nas alegações finais, deixa de em exigir seja cumprida uma sanção penal já imposta.
formular pedido de condenação do querelado. Nos CRIMES
CONEXOS, pode ocorrer a perempção para um deles e Trata-se de causa de extinção da punibilidade
prosseguimento em relação ao outro. Mirabete sustenta que prevista no artigo 107, IV, 1ª figura, do CP.
a perempção não é comunicável aos co-autores, por
ausência de previsão legal. A infração penal por ela atingida, portanto,
e) quando, sendo querelante pessoa jurídica, esta se permanece íntegra e inabalável. Desaparece tão-somente a
extinguir sem deixar sucessor. punibilidade, compreendida como conseqüência, e não
como elemento de um crime ou de uma contravenção penal.
Obs: Para a doutrina a morte do querelante no caso
de ação penal privada personalíssima (única hipótese em Para o cômputo de seu prazo observa-se o artigo
que a morte da vítima extingue a punibilidade do réu). 10 do CP, incluindo-se o dia do começo e excluindo-se o dia
do final, contando-se os dias, os meses e os anos pelo
A Perempção revela sanção à parte desidiosa que calendário comum ou gregoriano.
não movimenta o processo.
Os prazos prescricionais são IMPRORROGÁVEIS,
Na hipótese de dois querelantes, a perempção para não se suspendendo em finais de semana, feriados ou
um NÃO afeta o direito do outro. férias.

A perempção é unilateral enquanto o perdão é Além disso, trata-se de MATÉRIA DE ORDEM


bilateral. A primeira deriva da inércia, o segundo deriva de PÚBLICA, podendo e devendo ser decretada de ofício, em
um ato de benevolência, isto é, ato ativo de perdoar. qualquer tempo ou grau de jurisdição, ou mediante
requerimento de qualquer das partes. Nos termos do artigo
A perempção só existe após o início da ação penal 61, caput, do CPP: “em qualquer fase do processo, o juiz, se
e antes do trânsito em julgado do processo; a renúncia, reconhecer extinta a punibilidade, deverá declará-la de
antes do início dela. ofício”.

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Finalmente, constitui-se em MATÉRIA a) PPP (PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA):
PRELIMINAR, isto é, impede a análise do mérito da ação
penal, seja pelo juízo natural, seja em grau de recurso. Essa modalidade de prescrição obsta o exercício da
ação penal, seja na fase do inquérito, seja na fase judicial
Em caso de prescrição não há por que falar em (ação penal), autorizando-se, inclusive, a rejeição da
absolvição ou condenação, mas apenas em extinção da denúncia ou queixa, nos moldes do artigo 395, II, do CPP.
punibilidade.
Na fase judicial deve o Juiz, após ouvir o MP,
A Constituição Federal determina a declarar a extinção da punibilidade, sem análise do mérito,
imprescritibilidade de dois crimes: a) racismo (artigo 5º, XLII, arquivando-se os autos em seguida, sob pena de impetração
regulamentado pela Lei 7716/89) e b) ação de grupos de habeas corpus pelo réu para cessar a coação ilegal, com
armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o fulcro no artigo 648, VII, do CPP.
Estado democrático (artigo 5º, XLIV, disciplinado pela Lei
7170/83 – Lei de Segurança Nacional). Tal decretação cabe em qualquer instância do
Poder Judiciário.
A prescrição é, portanto, DIREITO FUNDAMENTAL
DO SER HUMANO, consistente na obrigação do Estado de A PPP apaga TODOS OS EFEITOS DE EVENTUAL
investigar, processar e punir alguém dentro de prazos SENTENÇA CONDENATÓRIA JÁ PROFERIDA, PRINCIPAL
legalmente previstos OU SECUNDÁRIOS, PENAIS OU EXTRAPENAIS, não
podendo servir como pressuposto da reincidência, nem
Com base nesse entendimento, o STJ firmou como maus antecedentes. Além disso, não constituirá título
posição no seguinte sentido: executivo no juízo civil.

Consoante orientação pacificada nesta Corte, o b) PPE (PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA):


prazo máximo de suspensão do prazo prescricional, na
hipótese do artigo 366 do CPP, não pode ultrapassar Como já existe trânsito em julgado da sentença
aquele previsto no artigo 109 do Código Penal, penal condenatória para a acusação e defesa, compete ao
considerada a pena máxima cominada ao delito JUÍZO DA EXECUÇÃO reconhecer e declarar a extinção da
denunciado, sob pena de ter-se como permanente o punibilidade, depois de ouvido o MP, comportando essa
sobrestamento, tornando imprescritível a infração penal decisão RECUSO DE AGRAVO, sem efeito suspensivo, nos
apurada. moldes do artigo 66, II, e 197 da LEP.

O STJ, todavia, já entendeu que a CF não veda Extingue somente a pena (efeito principal),
seja indeterminado o prazo de suspensão da prescrição, MANTENDO-SE INTOCÁVEIS TODOS OS DEMAIS
uma vez que não se constitui em hipótese de EFEITOS SECUNDÁRIOS DA CONDENÇÃO, PENAIS E
imprescritibilidade e a retomada do curso da prescrição fica EXTRAPENAIS. O nome do réu continua inscrito no rol dos
apenas condicionada a evento futuro e incerto. Além disso, culpados.
aduziu que a CF se restringe a enumerar os crimes sujeitos
à imprescritibilidade, sem proibir, em tese, que lei ordinária Subsiste a condenação, ou seja, não se rescinde a
crie outros casos. sentença penal, que funciona como pressuposto da
reincidência dentro do período depurador previsto pelo artigo
ESPÉCIES DE PRESCRIÇÃO 64, I, CP.

O CP apresenta dois grandes grupos de prescrição: Por igual fundamento, a condenação caracteriza
antecedente negativo e serve como título executivo no
1) da pretensão punitiva campo civil.
2) da pretensão executória.

De seu turno, a prescrição da pretensão punitiva é


subdividida em outras três modalidades:

1) prescrição da pretensão punitiva propriamente dita ou


prescrição da ação penal; 2.12.3 PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA
2) prescrição intercorrente; PROPRIAMETE DITA OU PRESCRIÇÃO DA AÇÃO
3) prescrição retroativa. PENAL.

A prescrição da pretensão executória existe Essa espécie de prescrição está disciplinada pelo
isoladamente, ou seja, não se divide em espécies. artigo 109, caput, do CP: “A prescrição, antes de transitar em
julgado a sentença final, (...), regula-se pelo máximo da pena
A linha divisória entre os dois grandes grupos é o privativa de liberdade cominada ao crime...”.
TRÂNSITO EM JULGADO DA CONDENAÇÃO: na PPP não
há trânsito em julgado para ambas as partes (acusação e Essa prescrição leva em consideração o máximo da
defesa), ao contrário do que se dá na PPE, na qual a pena privativa de liberdade cominada ao delito.
sentença penal condenatória já transitou em julgado para o
Ministério Público ou para o querelante, e também para a
defesa. MÁXIMO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE PRAZO PRES
ABSTRATAMENTE COMINADA AO DELITO
2.12.2 EFEITOS DA PRESCRIÇÃO E COMPETÊNCIA INFERIOR A UM ANO (INCISO VI) 3 ANOS
PARA SUA DECLARAÇÃO IGUAL OU SUPERIOR A 1 ANO, ATÉ 2 ANOS 4 ANOS
(INCISO V)
SUPERIOR A 2 ANOS ATÉ 4 ANOS (INCISO IV) 8 ANOS
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
SUPERIOR A 4 ANOS ATÉ 8 ANOS (INCISO III) 12 ANOS
SUPERIOR A 8 ANOS ATÉ 12 ANOS (INCISO II) 16 ANOS Finalmente, se estiverem presentes,
SUPERIOR A 12 ANOS (INCISO I 20 ANOS simultaneamente, causas de aumento e de diminuição da
pena, ambas com quantidades variáveis, o juiz deve calcular
Como, entretanto, a pena privativa de liberdade é a PPP com base na pena máxima cominada ao delito,
calculada por meio de um sistema trifásico (CP, artigo 68, acrescida da causa que mais aumenta, subtraindo, em
caput), cada uma dessas etapas pode ou não influenciar no seguida, o percentual da causa que menos diminui.
cômputo da prescrição. Assim, temos:
CAUSAS DE AUMENTO E DE DIMINUIÇÃO DA PENA,
a) 1ª fase: circunstâncias judiciais do artigo 59, caput: nessa SIMULTANEAMENTE, AMBAS COM QUANTIDADE
fase, o juiz deve navegar entre os limites (mínimo e máximo) VARIÁVEL = PENA MÁXIMO EM ABSTRATO + MAIOR
previstos pelo preceito secundário do tipo penal, não AUMENTO – MENOR DIMINUIÇÃO.
podendo, em hipótese alguma, ultrapassá-los. Assim, essas
circunstâncias não influenciam no cálculo da prescrição. 2.12.3.1. TERMO INICIAL

b) 2ª fase: agravantes e atenuantes genéricas: estão Encontra-se regulado pelo artigo 111 do CP.
arroladas taxativamente pelos artigos 61 e 62 do CP, bem
como nos artigos 65 e 66 do CP. Como se sabe, não podem Termo Inicial da Prescrição Antes de Transitar em Julgado a
ultrapassar os limites legais, nem aquém e nem além do Sentença Final
fixado.
Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a
Há, entretanto, duas exceções, por expressa sentença final, começa a correr:
previsão legal: MENORIDADE RELATIVA (menor de 21 anos
na DATA DO FATO) e SENILIDADE (maior de setenta anos I - do dia em que o crime se consumou;
na DATA DA SENTENÇA).
II - no caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade
Essas atenuantes, na forma do artigo 115 do CP, criminosa;
reduzem pela METADE os prazos de prescrição, qualquer
que seja sua modalidade (PPP ou PPE). III - nos crimes permanentes, do dia em que cessou a
permanência;
O STF decidiu que a palavra SENTENÇA deve ser
interpretada em sentido amplo, para englobar também o IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de
acórdão, quando: a) tiver o agente sido julgado diretamente assentamento do registro civil, da data em que o fato se
por um colegiado; b) houver reforma da sentença absolutória tornou conhecido.
em julgamento de recurso para condenar o réu; e c) ocorrer
a substituição do decreto condenatório em sede de recurso A Lei 12.650, de 17 de maio de 2012 criou mais um
no qual reformada parcialmente a sentença. termo inicial da PPP, acrescentando o inciso V ao artigo 111
do CP:
Assim, não é possível a aplicação do art. 115 do CP
às hipóteses em que unicamente se confirma a condenação
LEI Nº 12.650, DE 17 DE MAIO DE 2012.
em sede de recurso.
Altera o Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 -
Decidiu ainda o STF que o Estatuto do Idoso não
derrogou o artigo 115 do CP. Código Penal, com a finalidade de modificar as regras
relativas à prescrição dos crimes praticados contra crianças
c) 3ª fase: causas de aumento e de diminuição da pena: e adolescentes.
INFLUEM NO CÁLCULO DA PRESCRIÇÃO. Nas causas de
aumento de pena de quantidade variável, incide o percentual A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o
de MAIOR ELEVAÇÃO. Exemplo: no crime de roubo Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
circunstanciado, com a pena aumentada em razão do
Art. 1o O art. 111 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de
emprego de arma, a exasperação é de 1/3 até ½. A pena de
roubo é de 4 a 10 anos. O aumento máximo de metade. A dezembro de 1940 - Código Penal, passa a vigorar
PPP deve ser calculada sobre a pena de 15 anos, a qual acrescido do seguinte inciso V:
resulta da pena máxima do roubo (10 anos) elevada de
“Art.111.
metade.
.................................................................................................
......................
CAUSA DE AUMENTO DE PENA COM QUANTIDADE
VARIÁVEL = PENA MÁXIMA EM ABSTRATO + MAIOR .................................................................................................
AUMENTO ......................................

Por outro lado, nas causas de diminuição da pena V - nos crimes contra a dignidade sexual de crianças e
de quantidade variável, utiliza-se o percentual de MENOR adolescentes, previstos neste Código ou em legislação
REDUÇÃO. Exemplo: na tentativa (CP, art. 14, parágrafo especial, da data em que a vítima completar 18 (dezoito)
único), aplica-se a pena do crime consumado, reduzida de 1 anos, salvo se a esse tempo já houver sido proposta a ação
a 2/3. No caso de prescrição, utiliza-se o percentual de 1/3. penal.” (NR)

CAUSA DE DIMINUIÇÃO DA PENA COM QUANTIDADE Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
VARIÁVEL = PENA MÁXIMA EM ABSTRATO – MENOR
DIMINUIÇÃO. Brasília, 17 de maio de 2012; 191o da Independência e
124o da República.
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Os marcos interruptivos conduzem ao REINÍCIO DO
CÁLCULO.
Em relação ao tempo do crime, o artigo 4º do CP
acolheu a teoria da atividade, mas no que se refere à Trata-se de rol taxativo (prejudicial ao réu).
prescrição, adotou-se a TEORIA DO RESULTADO, pois o
que importa é o dia da consumação. 2.12.3.2.1. RECEBIMENTO DA DENÚNCIA OU DA QUEIXA

Em caso de dúvida insolúvel, resolve-se a questão A interrupção se dá com a PUBLICAÇÃO do


em favor do réu, sem especificar a data, como por exemplo, despacho de recebimento da denúncia ou da queixa,
considerar o dia primeiro de janeiro de determinado ano. prescindindo-se da veiculação do ato judicial na imprensa
oficial, bastando a publicação do ato em cartório, com a
As exceções foram taxativamente previstas em lei, entrega do despacho em mãos do escrivão.
não se admitindo analogia contra o réu.
Esse recebimento pode ocorrer em primeiro ou
Na tentativa a PPP tem início no DIA EM QUE segundo grau de jurisdição, pois, no caso de a denúncia ou
CESSOU A ATIVIDADE CRIMINOSA, isto é, no dia em que queixa ser rejeitada, a interrupção ocorrerá na data da
foi praticado o último ato de execução. sessão de julgamento do recurso em sentido estrito (CPP,
art. 581) ou da apelação (Lei 9099/96, art. 82, caput) pelo
Nos crimes permanentes, do dia em que cessou a Tribunal.
permanência, como no caso da libertação da vítima no crime
de extorsão mediante seqüestro (artigo 159 do CP). É o que se extrai da Súmula 709 do STF: “Salvo
quando nula a decisão de primeiro grau, o acórdão que
Nos crimes habituais a partir da data da última das provê o recurso contra a rejeição da denúncia vale, desde
ações que constituem o fato típico, como, por exemplo, a logo, pelo recebimento dela”.
derradeira consulta no delito de exercício ilegal de medicina
(artigo 282 do CP). A denúncia ou a queixa recebida por juízo
absolutamente incompetente não interrompe a PPP, porque
Nos crimes de bigamia e de falsificação ou esse despacho tem índole de ato decisório, aplicando-se,
alteração de assentamento do registro civil a PPP começa a portanto, a regra prevista pelo art. 567, 1ª parte, do CPP. A
correr a PARTIR DA DATA EM QUE O FATO SE TORNAR interrupção somente se efetivará com a publicação do
CONHECIDO pela autoridade pública que tenha poderes despacho do juízo competente ratificando os atos anteriores.
para apurar, processar e punir o responsável pelo delito,
como, por exemplo, o Delegado de Polícia, o MP e o órgão O recebimento do ADITAMENTO à denúncia ou à
do Poder Judiciário. queixa NÃO INTERROMPE a PPP, exceto se for
acrescentado NOVO CRIME, quando a interrupção ocorrerá
Prevalece o entendimento de que não é necessária APENAS em relação a esse novo delito.
a ciência formal do crime, bastando a de cunho presumido,
relativa à notoriedade do fato. O recebimento de denúncia posteriormente anulada
não interrompe o prazo prescricional. Anulada a ação penal
Na Lei de Falências (11.101/05), a PPP começa a em face de incompetência do juízo e oferecida nova
correr do dia da decretação da falência, da concessão da denúncia, é na data do recebimento desta que se interrompe
recuperação judicial ou com a homologação do plano de o prazo prescricional.
recuperação extrajudicial.
Se a denúncia ou a queixa vem a ser recebida pelo
No crime continuado, a PPP incide isoladamente Tribunal em processo de sua competência originária ou
sobre cada um dos crimes componentes da cadeia de diante de recurso em sentido estrito da rejeição em primeiro
continuidade delitiva (art. 119 do CP, como se não houvesse grau, o prazo prescricional é interrompido na data da sessão
concurso de crimes. Segundo a Súmula 497 do STF: de julgamento. Havendo embargos infringentes, o acórdão
“Quando se tratar de crime continuado, a prescrição regula- que os julga, mantendo o recebimento da denúncia ou
se pela pena imposta na sentença, não se computando o queixa, não tem efeito interruptivo. A interrupção ocorre
acréscimo decorrente da continuação”. quando do julgamento do RSE, isto é, quando do
recebimento das peças referidas.
2.12.3.2. CAUSAS INTERRUPTIVAS
Se a denúncia é aditada para correção de
Causas Interruptivas da Prescrição irregularidades, nos termos do art. 569, CPP, sem descrição
de fato novo, não há interrupção da prescrição.
Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se:
Havendo descrição de fato criminoso novo, seu
I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa; recebimento tem efeito interruptivo. De ver-se, entretanto,
que a interrupção só diz respeito ao fato novo contido no
II - pela pronúncia; aditamento, não em relação ao descrito na denúncia.

III - pela decisão confirmatória da pronúncia; Não há interrupção do prazo prescricional na


hipótese de o juiz receber aditamento do MP, nos termos do
IV - pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios art. 384, parágrafo único, do CPP, para efeito de alterar
recorríveis; (Alterado pela L-011.596-2007) simplesmente a capitulação legal do fato para forma mais
severamente apenada.
Os incisos V e VI do artigo 117 do CP referem-se à
interrupção da PPE. Havendo aditamento da denúncia para inclusão de
co-autor ou partícipe do crime, aplica-se o art. 117, § 1º, 1ª

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
parte. O recebimento da denúncia contra o primeiro co-autor interrompe a PPP, pois se trata de sentença declaratória da
interrompe o prazo prescricional, estendendo seu efeito ao extinção da punibilidade (Súmula 18 STJ). A sentença que
outro. De modo que o recebimento do aditamento não tem reconhece a semi-imputabilidade do acusado interrompe,
efeito interruptivo. pois é condenatória.

Na ação penal por crime contra a honra (CPP, art. OBS – a interrupção da PPP, em relação a qualquer dos
519), a interrupção da prescrição não ocorre com o autores, estende-se aos demais, ainda que desconhecidos
despacho que determina a intimação das partes para a na época.
audiência de reconciliação e sim quando, frustrada esta, a
denúncia vem a ser recebida. No tocante ao ACÓRDÃO CONDENATÓRIO, a
interrupção se dá com a SESSÃO DE JULGAMENTO PELO
2.12.3.2.2. PRONÚNCIA TRIBUNAL COMPETENTE, seja em relação a recurso da
acusação, seja nas hipóteses de sua competência originária.
Efetiva-se com a PUBLICAÇÃO da sentença de
pronúncia, que prescinde de publicação na imprensa oficial Em relação a acórdão em sede recursal, cumpre
(basta a publicação da decisão em cartório). salientar que somente se pode taxá-lo de CONDENATÓRIO
quando a sentença de primeira instância foi ABSOLUTÓRIA,
No caso de o réu ter sido IMPRONUNCIADO, uma vez que o acórdão meramente CONFIRMATÓRIO DE
interpondo-se contra a decisão recurso de APELAÇÃO (CPP, UMA CONDENAÇÃO em primeiro grau NÃO INTERROMPE
art. 416), ao qual se dá provimento para o fim de pronunciá- A PRESCRIÇÃO.
lo, a interrupção se dá na data da sessão de julgamento do
recurso pelo tribunal competente. Saliente-se, porém, ter decidido o STF que o
acórdão que REFORMA EM DEFINITIVO A CONDENAÇÃO,
E, uma vez pronunciado, persiste a força modificando SUBSTANCIALMENTE decisão monocrática
interruptiva da prescrição, ainda que o tribunal do júri, no representa NOVO JULGAMENTO e assume, assim, caráter
julgamento em plenário, desclassifique o crime para outro de marco interruptivo da prescrição. Nesse mesmo
que não seja de sua competência. É o que se extrai da julgamento (HC 92.340/SC, rel. Min. Ricardo Lewandowski,
Súmula 191 do STJ: “A pronúncia é causa interruptiva da 1ª turma, j. 18.03.2008, noticiado no Informativo 499),
prescrição, ainda que o tribunal do júri venha a desclassificar divergiu o Ministro Marco Aurélio, para quem a Lei 11.596/07
o crime”. inseriu mais um fator de interrupção, pouco importando a
existência de sentença condenatória anterior, sendo
Em resumo, a decisão de pronúncia interrompe a bastante que o acórdão, ao confirmar essa sentença,
PPP inclusive para os crimes conexos. Se o júri desclassifica também, por isso mesmo, mostre-se condenatório.
o crime para não doloso contra a vida, nem por isso a
pronúncia anterior perdeu seu efeito interruptivo (Súmula O STF já decidiu que o acórdão que CONFIRMA a
191, do STJ), sendo que o novo prazo da PPP a ser contado condenação, quando AUMENTA A PENA, opera como causa
deve seguir os mesmos parâmetros de interrupção, inclusive interruptiva da prescrição (HC 85.556, rel. MIN. Ellen Gracie,
a da sentença de pronúncia, haja vista que na época em que j. 16.08.2005).
foi proferida a pronúncia, o crime foi considerado doloso
contra a vida (tempus regit actuam). A impronúncia, a Se, todavia, a sentença condenatória foi reformada
absolvição sumária e a desclassificação a que se refere o pelo tribunal em grau de apelação, absolvendo o réu,
art. 410 do CPP NÃO INTERROMPEM A PPP (juiz entende mantém-se a interrupção provocada pela publicação da
que não era crime doloso contra a vida). decisão de primeira instância. Da mesma forma, não afeta a
interrupção da prescrição o acórdão confirmatório da
2.12.3.2.3 DECISÃO CONFIRMATÓRIA DA PRONÚNCIA condenação, mas que diminui a pena imposta.

Ocorre apenas nos crimes de competência do A sentença anulada não interrompe a prescrição,
tribunal do júri, quando o réu foi pronunciado, e contra essa pois, repita-se, um ato nulo não produz efeitos jurídicos.
decisão a defesa interpôs recurso em sentido estrito (art.
581, IV, CPP), ao qual foi negado provimento. O ACÓRDÃO PROFERIDO NAS AÇÕES PENAIS
DE COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DO STF (CF, ART. 102, I,
A interrupção ocorre na data de SESSÃO DE B E C) NÃO INTERROMPE A PRESCRIÇÃO, POIS É
JULGAMENTO do RESE e não na data da publicação do IRRECORRÍVEL.
acórdão.
A sentença que aplica MEDIDA DE SEGURANÇA
2.12.3.2.4. PUBLICAÇÃO DA SENTENÇA OU ACÓRDÃO pode ou não interromper a prescrição. Não interrompe
CONDENATÓRIOS RECORRÍVEIS quando impõe medida de segurança ao inimputável, pois
nesse caso tem natureza absolutória (absolvição imprópria).
Essa possibilidade foi determinada pela Lei Interrompe, contudo, na hipótese de medida de segurança
11.596/2007, uma vez que anteriormente havia previsão dirigida ao semi-imputável, já que a sentença é
somente PELA SENTENÇA CONDENATÓRIA condenatória.
RECORRÍVEL.
Obs – se o prazo prescricional ocorreu em mais de um
No caso da sentença condenatória, a interrupção se período, o juiz aproveita o primeiro período, sendo
opera com sua PUBLICAÇÃO, isto é, com sua entrega em irrelevante a consideração do segundo.
mãos do escrivão, que lavrará nos autos o respectivo termo,
registrando-a em livro especialmente destinado a esse fim 2.12.3.3. COMUNICABILIDADE DAS CAUSAS
(CPP, art. 389). INTERRUPTIVAS DA PPP

A sentença que concede o perdão judicial não Para o artigo 117, § 1º do CP:

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
§ 1º - Excetuados os casos dos incisos V e VI deste artigo, a Causas suspensivas da PPP – são aquelas que
interrupção da prescrição produz efeitos relativamente a sustam o prazo prescricional, fazendo com que recomece a
todos os autores do crime. Nos crimes conexos, que sejam correr apenas pelo que restar, aproveitando o tempo
objeto do mesmo processo, estende-se aos demais a anteriormente decorrido. Portanto, o prazo volta a correr pelo
interrupção relativa a qualquer deles. tempo que faltava, não retornando novamente à estaca zero.

Os incisos V e VI citados referem-se a PPE. •INCISO I – Trata-se de questão prejudicial ainda


não resolvida em outro processo e estão previstas pelos
Duas regras: comunicabilidade no concurso de artigos 92 (relativas ao estado civil das pessoas) e 93
pessoas e nos crimes conexos que sejam objeto do mesmo (relativas a questões diversas) do CPP.
processo.
O juiz criminal, geralmente, possui jurisdição para
• Concurso de pessoas decidir qualquer questão, salvo a inerente ao estado civil das
pessoas, caso em que a ação penal será
Exemplo: A e B são regularmente processados pelo OBRIGATORIAMENTE SUSPENSA até o trânsito em
crime de roubo, sendo que A é condenado e B absolvido. O julgado da sentença proferida na ação civil e o termo inicial
MP interpõe apelação, objetivando a reforma da sentença da suspensão da PPP é o despacho que suspende a ação
somente em relação a B, para condená-lo. Pela regra acima, penal, e o termo final é o despacho que determina a
o tribunal deverá considerar a prescrição interrompida para retomada de seu trâmite.
B, diante da sentença condenatória recorrível proferida
contra A. O exemplo clássico é o do agente processado por
bigamia que, no juízo cível, busca a anulação de um dos
Essa sistemática também se aplica a todas as casamentos. Se obtiver sucesso, não haverá o crime
demais causas interruptivas da PPP: recebimento da tipificado pelo art. 235 do CP.
denúncia ou queixa, pronúncia, decisão confirmatória da
pronúncia e acórdão condenatório recorrível. Exemplo: o réu não pode ser condenado pela
prática de furto enquanto não resolvido em processo cível se
• Crimes conexos que sejam objeto do mesmo processo ele é o proprietário da “res furtiva”. Nos crimes contra a
honra, a oposição da exceção da verdade não constitui
Exemplo: A pratica três crimes: roubo, furto e tráfico causa suspensiva da PPP, uma vez que não se trata de
de drogas. Os delitos são investigados em um único prejudicial civil e sim penal. NÃO HÁ PREJUDICIAIS
inquérito, ensejando o oferecimento de denúncia por todos PENAIS.
eles. Após regular processamento, A é condenado pelo
roubo, e absolvido pelos demais delitos. O MP apela, Em relação às questões prejudiciais diversas, ou
almejando a reforma da sentença na parte relativa às seja, não atinentes ao estado civil das pessoas, a suspensão
absolvições, para o fim de condenar o réu por todos os da ação penal é FACULTATIVA, mas, se o juiz por ela optar,
crimes. Pela regra contida no artigo 117, § 1º, in fine, a também estará suspensa a prescrição.
sentença condenatória recorrível proferida em relação ao
roubo INTERROMPE a PPP desse crime, estendendo-se •INCISO II – justifica-se essa causa impeditiva
esse efeito também ao furto e ao tráfico. porque, geralmente, não se consegue a extradição de
pessoa que cumpre pena no exterior. Assim, em respeito à
Essa disposição aplica-se ainda às demais causas soberania do outro país, aguarda-se a integral satisfação da
interruptivas. sanção penal no estrangeiro, para, posteriormente, ser o
agente punido no Brasil.
2.12.3.4. CAUSA ESPECIAL DE INTERRUPÇÃO DA PPP
NOS CRIMES FALIMENTARES QUADRO ESQUEMÁTICO
CAUSAS SUSPENSIVAS DA PPP CAUSAS INTE
Estatui o art. 181, parágrafo único, da Lei 11.101/05 Questões prejudiciais pendentes – art. 92 e SS do Recebimento
– Lei de Falências: “A decretação da falência do devedor CPP recebimento d
interrompe a prescrição cuja contagem tenha sido iniciado tocante a even
com a concessão da recuperação judicial ou com a Cumprimento de pena no estrangeiro (salvo se o fato Publicação da
homologação do plano de recuperação extrajudicial”. for atípico no Brasil) STJ)
Suspensão parlamentar do processo (art. 53, §§ 3º a Acórdão confi
2.12.3.5 CAUSAS IMPEDITIVAS 5º da CF) recurso em sen
Suspensão condicional do processo (artigo 89, § 6º, Publicação da
Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, a da Lei 9099/95) recorríveis (o
prescrição não corre: não interrompe
I - enquanto não resolvida, em outro processo, questão de
Suspensão do processo em relação ao réu revel, sem
que dependa o reconhecimento da existência do crime;
defensor constituído e citado por edital (art. 366 CPP).
II - enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro.

Na verdade, essas regras se aplicam ao


NATUREZA DO ROL DAS CAUSAS IMPEDITIVAS E
IMPEDIMENTO e à SUSPENSÃO DA PPP.
SUSPENSIVAS PREVISTAS PELO CP: é taxativa, não
IMPEDIMENTO é o acontecimento que obsta o
comportando aplicação analógica. Assim, por exemplo, a
início do curso da PPP, enquanto que na SUSPENSÃO esse
instauração de incidente de insanidade mental, versado pelo
acontecimento desponta durante o trâmite do prazo
art. 149 do CPP, NÃO INTERROMPE A PPP.
prescricional, travando momentaneamente a sua fluência.
Superado esse entrave, a PPP volta a correr normalmente,
2.12.3.6 CAUSAS IMPEDITIVAS E SUSPENSIVAS DA PPP
nela se COMPUTANDO o período anterior.
PREVISTAS FORA DO CP:

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
interrompe o lapso extintivo no tocante à apropriação
- artigo 89, § 6º, da Lei 9099/95 – suspensão condicional do indébita. Outro exemplo: réu processado por homicídio e
processo (suspende-se, também, a PPP). lesão corporal, em conexão. A pronúncia no tocante ao
- art. 366 do CPP – quando o réu, citado por edital, não homicídio interrompe o prazo prescricional relativo à lesão
comparecer ao interrogatório nem constituir defensor, corporal.
suspende-se o processo e a PPP.
- art. 368 do CPP – estando o acusado no estrangeiro, em Se uma das infrações for contravenção, aplica-se o
lugar sabido, será citado mediante carta rogatória, art. 117, § 1º, 2ª parte, nos termos do art. 1º da LCP, que
suspendendo-se o processo e a PPP. determina a incidência das regras gerais do CP às
- art. 53, § 5º, da CF – a sustação pela Câmara dos contravenções. Exemplo: réu pronunciado por homicídio e
Deputados ou pelo Senado, dos processos criminais contra vias de fato (dois sujeitos passivos). A pronúncia em relação
Deputado Federal ou Senador, suspende a PPP, enquanto ao homicídio estende seu efeito interruptivo da prescrição à
durar o mandato. contravenção (e vice-versa).
- acordo de leniência nos crimes contra a ordem econômica
– na forma do art. 35-C, caput, da Lei 8884/94, Quando um crime é qualificado pela conexão, a
acrescentando pela Lei 10.149/2000: eventual PPP no tocante ao delito de MENOR GRAVIDADE
não impede, quanto aos outros, o reconhecimento da
Art. 35-C. Nos crimes contra a ordem econômica, tipificados qualificadora resultante da conexão (CP, art. 108, parte final).
na Lei no 8.137, de 27 de novembro de 1990, a celebração Suponha-se que o sujeito, para estuprar a ofendida, mate o
de acordo de leniência, nos termos desta Lei, determina a seu marido. Responde por dois crimes: estupro e homicídio
suspensão do curso do prazo prescricional e impede o qualificado pela conexão teleológica. A eventual PPP no
oferecimento da denúncia. (Incluído pela Lei nº 10.149, de tocante ao estupro, não impede a qualificadora do homicídio.
21.12.2000)
2.12.3.9. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA E
- crimes contra a ordem tributária – nesses delitos, a CRIMES ACESSÓRIOS – a eventual PPP em relação ao
suspensão da PPP pode ocorrer em diversas hipóteses, furto não se estende à receptação (CP, art. 108, 1ª parte – a
entre elas a do parcelamento do débito tributário (artigo 9º extinção da punibilidade de crime que é pressuposto de
da Lei 10.684/2003). outro não se estende a este).

2.12.3.7. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA E 2.12.3.10. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA E


CRIMES COMPLEXOS: SANÇÃO COMPLEXA – a pena mais leve, que é a multa,
segue a sorte da pena mais grave gerando os seguintes
Nos termos do art. 108, 1ª parte, aplicável à efeitos.
espécie, há duas regras a respeito da PPP no tocante ao
delito complexo: a) impede o início (trancamento do IP) ou interrompe a
persecução penal em juízo;
a) a PPP no tocante a crime que funciona como b) afasta todos os efeitos, principais e secundários, penais e
elemento típico de outro não se estende a este. Exemplo: extrapenais, da condenação;
crime de extorsão mediante seqüestro – a prescrição do c) a condenação não pode constar da folha de
seqüestro em nada afeta o tipo complexo do art. 159 CP, ou antecedentes, exceto quando requisitada por juiz criminal.
seja, a extorsão mediante seqüestro (crime mais grave), cuja 3. Nos termos do art. 61, caput, CPP, a PPP pode ser
PPP é regulada pelo máximo da pena detentiva cominada ao declarada a qq momento da ação penal, de ofício ou
delito mais grave. mediante requerimento de qualquer das partes.
4. Juiz que condena não pode, a seguir, declarar a
b) A PPP em relação a crime que funciona como prescrição, uma vez que, após prolatar a sentença, esgotou
circunstância qualificadora de outro não se estende a este, sua atividade jurisdicional. Além disso, não pode ele mesmo
como no caso de furto qualificado pelo rompimento de dizer que o Estado tem o direito de punir e depois afirmar
obstáculo, em que o delito de dano qualifica o fato. A que esse direito foi extinto pela prescrição.
eventual PPP do dano não alcança o delito maior, de furto 5. O reconhecimento da PPP impede o exame do mérito,
qualificado pelo dano. uma vez que seus efeitos são tão amplos quanto os de uma
sentença absolutória.
2.12.3.8. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA E
CRIMES CONEXOS – Nos crimes conexos, a pena de cada 2.12.4 PRESCRIÇÃO SUPERVENIENTE,
infração regula o prazo prescricional respectivo, considerada INTERCORRENTE E SUBSEQUENTE
isoladamente (CP, art. 108, 2ª parte). Assim, se o sujeito,
para cometer estelionato, pratica um homicídio (conexão É a modalidade de PPP, que se verifica entre a
teleológica), a eventual prescrição no tocante ao delito-fim publicação da sentença condenatória recorrível (engloba
(estelionato) não causa nenhum efeito no prazo prescricional também o acórdão condenatório recorrível) e o trânsito em
em relação ao homicídio (delito-meio). julgado para a defesa (daí o nome superveniente, ou seja,
POSTERIOR À SENTENÇA).
OBSERVAÇÃO – no caso de conexão material (real, penal)
de crimes, objetos do mesmo processo, a interrupção da Depende do trânsito em julgado para a acusação no
PPP em relação a um deles estende-se aos demais. Assim, tocante à pena imposta, seja pela não interposição de
as causas interruptivas da PPP, cuidando-se de conexão, recurso, seja pelo seu improvimento.
são comunicáveis entre os delitos. Exemplo: um sujeito é
processado, em uma só ação penal, por dois delitos Portanto, é possível falar em prescrição
(estelionato e apropriação indébita). É condenado pelo intercorrente ainda que sem trânsito em julgado para a
estelionato; absolvido da apropriação. A sentença acusação, quando tenha recorrido o MP sem pleitear o
condenatória recorrível proferida em relação ao estelionato, aumento da pena (modificação do regime prisional, por
além de interromper o prazo da PPP a respeito desse delito, exemplo).

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
condenatória, sendo ela a única abstratamente cominada,
Admite-se também esse tipo de prescrição quando não é preciso aplicar-se a PPP superveniente. Incide, no
o recurso da acusação visa ao aumento da pena, mas caso, o art. 109, CP c/c art. 114 e 117, IV (PPP em face da
mesmo com o seu provimento e considerando-se a pena pena abstrata). Na multa o prazo é sempre de dois anos,
imposta pelo Tribunal, ainda assim tenha decorrido o prazo considerada a forma abstrata ou concreta.
prescricional.
Se imposta medida de segurança ao semi-
2.12.4.1 CÁLCULO responsável, pode ser declarada a PPPS, regulada pela
pena substituída ou, se não prevista na sentença, pelo
mínimo abstrato da pena cominada ao delito cometido pelo
A PPP intercorrente é calculada com base na PENA
réu. (Medida de segurança também é sanção penal).
CONCRETA. Nos termos da Súmula 146 do STF: “A
prescrição da ação penal regula-se pela pena concretizada
Suponha-se que somente o réu, tendo sido
na sentença, quando não há recurso da acusação”.
condenado a um ano de detenção, apele. Contados da
publicação da sentença condenatória, mais de dois anos
2.12.4.2 TERMO INICIAL depois o recurso é julgado, vindo o Tribunal a reduzir a pena
a oito meses de detenção. Deve ser aplicado a PPPS,
A prescrição intercorrente começa a fluir com a considerado o biênio entre a publicação da sentença
publicação da sentença condenatória recorrível, embora condenatória e a sessão de julgamento da apelação.
condicionada ao trânsito em julgado para a acusação.
Se o Tribunal não conhece da revisão criminal,
2.12.4.3 MOMENTO ADEQUADO PARA O SEU restabelecendo o prazo para a apelação do réu, pode ser
RECONHECIMENTO aplicada a PPPS, contando-se o prazo a partir da data da
publicação da sentença condenatória.
A prescrição superveniente NÃO PODE SER
DECRETADA NA PRÓPRIA SENTENÇA CONDENATÓRIA, Absolvido o réu em primeiro grau e condenado no
em face da ausência do trânsito em julgado para a Tribunal, a partir da data do acórdão proferido em sessão
acusação, ou do improvimento do seu recurso. passa a correr o prazo da PPPS, desde que não transite em
julgado a sentença, caso em que teria início a PPE.
Depois do trânsito em julgado para o MP, há duas
posições acerca do momento adequado para o seu No concurso formal, pode ser aplicada a PPPS ao
reconhecimento: acréscimo da pena.

- pode ser reconhecida exclusivamente pelo tribunal, pois o A PPPS não pode ser aplicada pelo juiz de primeiro
magistrado de primeira instância, ao proferir a sentença, grau.
esgota a sua atividade jurisdicional.
Outras hipóteses – se o recurso da acusação não
- pode ser decretada em primeiro grau de jurisdição, por se visava a aumento de pena, também a PPP será calculada
tratar de matéria de ordem pública, a qual pode ser pela pena que foi fixada pelo juiz, uma vez que, nesse caso,
reconhecida de ofício a qualquer tempo (CPP, art. 61, caput). a pena jamais poderá ser aumentada. Finalmente, ainda que
haja recurso da acusação visando aumento de pena e que
No Estado de São Paulo, o PROVIMENTO 3/1994 tal recurso seja provido, será possível o reconhecimento da
DA CORREGEDORIA GERAL DA JUSTIÇA recomenda ao PPP se, mesmo diante do aumento determinado pelo
juiz de direito que, constatando a prescrição, declare a tribunal, ainda assim tiver decorrido o prazo prescricional.
extinção da punibilidade, por economia processual, ainda Exemplo: apena é elevada de 1 para 3 anos, aumentando-se
que já tenha proferido a sentença condenatória. de 2 para 4 anos o prazo da PPP. Se tiverem decorrido 4
anos entre a publicação da sentença condenatória e o
acórdão, será reconhecida a prescrição intercorrente, com
2.12.4.4 REDUÇÃO DA PENA IMPOSTA PELA SENTENÇA base na pena concreta fixada pelo tribunal.
E PENDÊNCIA DE RECURSO DA ACUSAÇÃO.
Com o advento da Lei 11.596/07, a publicação do
Na hipótese em que a pena imposta pela sentença acórdão condenatório recorrível também interrompe a PPP
de primeira instância for reduzida pelo tribunal, a PPP intercorrente.
superveniente deve ser calculada com base na pena
aplicada pela SENTENÇA CONDENATÓRIA, cujo raciocínio Como se reconhece a prescrição?
fica ainda mais reforçado com a eventual existência de
recurso especial ou extraordinário ajuizado pela acusação a) se a condenação tiver transitado em julgado para a
contra o acórdão que diminui a reprimenda utilizada como acusação, o tribunal, antes de examinar o mérito do recurso
parâmetro para o cômputo prescricional. da defesa, declara extinta a punibilidade pela prescrição;
b) se a acusação tiver recorrido, o tribunal julga em
Em outros termos, até a sentença condenatória, a primeiro lugar o seu recurso. Se lhe negar provimento, antes
PPP é calculada pela maior pena prevista no tipo; após a de examinar o mérito do recurso da defesa, reconhece a
sentença condenatória transitada em julgado para a prescrição.
acusação, calcula-se pela pena fixada na sentença. Quando
o recurso da acusação for improvido (negado provimento ao OBS – o juiz de primeira instância não pode reconhecê-la,
seu recurso), o Tribunal deve calcular a PPP de acordo com uma vez que, ao proferir a sentença condenatória, esgotou
a pena fixada na sentença. sua atividade jurisdicional, sendo impossível reconhecer que
o Estado tem o direito de punir e, em seguida, declarar
A PPP superveniente não exige recurso do réu. extinto esse mesmo direito.

Se imposta pena de multa na sentença


WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
E se foi imposta medida de segurança ao semi- pena em concreto é somente da pretensão executória da
imputável? A prescrição é calculada pelo mínimo da pena pena privativa de liberdade”.
abstratamente prevista para a espécie. Na hipótese de
inimputável, impõe-se a mesma solução: PPP calculada com Na hipótese de REINCIDÊNCIA, devidamente
base no mínimo previsto para o crime. reconhecida na sentença ou no acórdão, O PRAZO
PRESCRICIONAL AUMENTA-SE DE UM TERÇO (CP, art.
2.12.5 PRESCRIÇÃO RETROATIVA 110, caput) e aplica-se EXCLUSIVAMENTE à PPE, como
estabelece a Súmula 220 do STJ: “A reincidência não influi
no prazo da prescrição da pretensão punitiva”.
Também espécie de PPP, é calculada pela PENA
CONCRETA e depende que a sentença condenatória tenha
E, na forma do art. 113 do CP, “no caso de EVADIR-
transitado em julgado para a acusação no tocante à pena
SE O CONDENADO ou de REVOGAR-SE O LIVRAMENTO
imposta.
CONDICIONAL, a prescrição é regulada pelo TEMPO QUE
RESTA DA PENA”.
Ela pode ocorrer entre a sentença ou acórdão
condenatório recorrível e o recebimento da denúncia ou
queixa. 2.12.6.1 TERMO INICIAL

A Lei 12.234/2010 deu nova redação aos artigos Termo Inicial da Prescrição Após a Sentença Condenatória
109 e 110, § 1º, do CP: Irrecorrível

Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a Art. 112 - No caso do Art. 110 deste Código, a prescrição
sentença final, salvo o disposto no § 1º do art. 110 deste começa a correr:
Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de
liberdade cominada ao crime, verificando-se: I - do dia em que transita em julgado a sentença
condenatória, para a acusação, ou a que revoga a
(...) suspensão condicional da pena ou o livramento condicional;

Art. 110 - A prescrição depois de transitar em julgado a II - do dia em que se interrompe a execução, salvo quando o
sentença condenatória regula-se pela pena aplicada e tempo da interrupção deva computar-se na pena.
verifica-se nos prazos fixados no artigo anterior, os quais se
aumentam de um terço, se o condenado é reincidente. Esse dispositivo consagra três critérios, dois no
(Alterado pela L-007.209-1984) inciso I, e outro no inciso II. Vejamos:
§ 1º A prescrição, depois da sentença condenatória com
trânsito em julgado para a acusação ou depois de improvido 1º critério: do dia em que transita em julgado a sentença
seu recurso, regula-se pela pena aplicada, não podendo, em condenatória, para a acusação.
nenhuma hipótese, ter por termo inicial data anterior à da
denúncia ou queixa. (Alterado pela L-012.234-2010) A PPE depende do trânsito em julgado para AMBAS
AS PARTES, mas, a partir do momento em que isso ocorre,
Ou seja, com essa nova redação a prescrição seu termo inicial RETROAGE ao trânsito em julgado para a
retroativa continua a existir, mas diferentemente da redação ACUSAÇÃO.
anterior que permitia esse tipo de prescrição entre o
recebimento da denúncia e a consumação do fato, agora 2º critério: do dia da revogação da suspensão condicional da
prevê apenas a retroativa contada a partir da denúncia. pena ou do livramento condicional.

Essa mesma sistemática deve ser usada para os Com a revogação do sursis ou do livramento
crimes de competência do tribunal do júri. condicional, o juiz determina a prisão do condenado. A partir
de então, o Estado tem um prazo, legalmente previsto, para
A PPP retroativa jamais pode ser reconhecida na executar a pena imposta. Lembre-se que, com a revogação
própria sentença condenatória, em face da ausência do do sursis, o condenado deverá cumprir INTEGRALMENTE a
trânsito em julgado para a acusação ou o improvimento do pena que lhe foi aplicada, e com base nela será calculada a
seu recurso. PPE.

Há divergência quanto ao momento adequado para Já em relação ao livramento condicional, a


a sua decretação, como, aliás, ocorre com a superveniente, revogação pode considerar ou não o tempo em que esteve
e o Provimento 03/1994 da Corregedoria Geral da Justiça solto o condenado (CP, art. 88). É com amparo na pena, total
faz a mesma recomendação com relação a superveniente. ou em seu restante, que deverá ser aferida a PPE.

2.12.6 PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA OU 3º critério: do dia em que se interrompe a execução, salvo
PRESCRIÇÃO DA CONDENAÇÃO quando o tempo da interrupção deva computar-se na pena.

Esse critério abrange as seguintes situações:


É a perda, em razão da omissão do Estado durante
determinado prazo legalmente previsto, DO DIREITO E DO
- fuga do condenado, no regime fechado ou semi-aberto,
DEVER DE EXECUTAR UMA SANÇÃO PENAL
abandono do regime aberto, ou descumprimento das penas
definitivamente aplicada pelo Poder Judiciário.
restritivas de direitos: a PPE começa a correr a partir da data
da evasão, do abandono ou do descumprimento, calculando-
Calcula-se com base na PENA CONCRETA, fixada
se em conformidade com o RESTANTE DA PENA, uma vez
na sentença ou no acórdão, pois já existe trânsito em
que, pena cumprida é pena extinta.
julgado da condenação para a acusação e para a defesa. É
o que consta da Súmula 604 do STF: “A prescrição pela
- Superveniência de doença mental: disciplinada pelo art. 41

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
do CP. Interrompe-se a execução, mas esse período de CAUSAS SUSPENSIVAS DA PPE CAUSAS IN
interrupção é computado como cumprimento da pena, pois o Depois do trânsito em julgado da sentença Início do cum
condenado foi acometido de doença mental, necessitando condenatória a PPE não corre durante o tempo em Continuação
de transferência para hospital de custódia e tratamento que o condenado está preso por outro motivo, ou Reincidência
psiquiátrico, ou, à falta, a outro estabelecimento adequado. quando está cumprindo sursis ou livramento
condicional.
2.12.6.2 CAUSAS INTERRUPTIVAS

Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se: 2.12.7 PRESCRIÇÃO VIRTUAL, PROJETADA,


ANTECIPADA OU RETROATIVA EM PERSPECTIVA.
(...)
Trata-se de construção DOUTRINÁRIA E
V - pelo início ou continuação do cumprimento da pena; JURISPRUDENCIAL. Decreta-se a extinção da punibilidade
com fundamento na perspectiva de que, mesmo na hipótese
VI - pela reincidência. de eventual condenação, inevitavelmente ocorrerá a
prescrição retroativa. Relevante parcela da doutrina é
favorável à adoção prática dessa espécie de prescrição, por
1ª CAUSA: início do cumprimento da pena; dois motivos: ausência de interesse processual e economia
processual.
2ª CAUSA: continuação do cumprimento da pena
Advirta-se, contudo, que mesmo para os que aceitam
O cumprimento da pena foi interrompido, normalmente pela esse tipo de prescrição, é necessário agir com bom-senso.
fuga, ou ainda por outro motivo que possa se apresentar. O réu não tem, antecipadamente, o direito de receber a pena
Quando o condenado é recapturado, interrompe-se mínima. O STF não admite essa espécie fictícia de
novamente o prazo prescricional. prescrição.

3ª CAUSA: Reincidência. O STJ, por sua vez, em abril de 2010, editou a Súmula
438 com os seguintes dizeres: “É inadmissível a extinção da
A reincidência ANTECEDENTE, ou seja, aquela que punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva com
já existia por ocasião da condenação, aumenta em 1/3 o fundamento em pena hipotética, independentemente da
prazo da PPE, enquanto a reincidência SUBSEQUENTE, existência ou sorte do processo penal”.
posterior à condenação transitada em julgado, interrompe o
prazo prescricional já iniciado.
2.12.8 OUTROS ASPECTOS.
Opera-se a interrupção com a prática do crime,
embora condicionada ao trânsito em julgado da condenação. 2.12.8.1 PRESCRIÇÃO DAS PENAS RESTRITIVAS DE
Assim, se for absolvido pelo crime posterior, não será DIREITOS
interrompida a PPE.
O parágrafo único do artigo 109 do CP dispõe: “aplicam-
Existe, contudo, posição em sentido contrário, de se às penas restritivas de direitos os mesmos prazos
que a interrupção deve ocorrer somente a partir do trânsito previstos para as privativas de liberdade”.
em julgado da condenação pelo segundo crime.
As penas restritivas de direitos, por serem
Essas causas interruptivas são incomunicáveis no SUBSTITUTIVAS das privativas de liberdade, seguem os
concurso de agentes, haja vista sua natureza mesmos prazos das penas substituídas.
personalíssima.
2.12.8.2 PRESCRIÇÃO E DETRAÇÃO PENAL
2.12.6.3 CAUSAS IMPEDITIVAS DA PPE Discute-se se a detração penal (CP, art. 42) influencia
ou não no cálculo da prescrição.Vale dizer que o STF é
Causas Impeditivas da Prescrição contra.

Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, a 2.12.8.3 PRESCRIÇÃO DAS MEDIDAS DE SEGURANÇA
prescrição não corre:
No que se refere aos semi-imputáveis, a prescrição
(...) segue a sistemática inerentes às penas privativas de
liberdade, uma vez que leva em conta a pena diminuída
Parágrafo único - Depois de passada em julgado a sentença aplicada com a condenação e depois substituída por medida
condenatória, a prescrição não corre durante o tempo em de segurança.
que o condenado está preso por outro motivo.
Com relação aos inimputáveis, destacam-se duas
Se o Estado não pode ainda exigir do condenado o posições:
cumprimento da pena, porque ele está preso por outro
motivo, não seria correto nem justo impossibilitá-lo de a) É possível somente a PPP, com base na pena máxima em
exercer o seu direito de punir no futuro. Sua omissão não é abstrato.
voluntária, mas compulsória. b) Podem ocorrer ambas as espécies de prescrições,
calculando-se as duas em conformidade com a pena
De acordo com orientação do STF, o sursis e o máxima em abstrato. É a posição do STF.
livramento condicional são causas impeditivas da PPE.
2.12.8.4 PRESCRIÇÃO NO CONCURSO DE CRIMES

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
como determina a Súmula 604 do STF: “A prescrição pela
Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a extinção da pena em concreto é somente da pretensão executória da
punibilidade incidirá sobre a pena de cada um, pena privativa de liberdade”.
isoladamente.
Resumo:
Aplica-se esse dispositivo ao concurso material, ao
concurso formal e ao crime continuado. Prazo prescricional da pena de multa

No concurso material e no concurso formal imperfeito as PPP


penas devem ser consideradas de forma isolada, pois
nesses tipos de concurso as penas são somadas ao final. Quando a pena de multa for a única cominada ou
aplicada (art. 114, I, CP) = 2 anos
Já no que diz respeito ao concurso formal próprio ou Quando a pena de multa for cominada ou aplicada
perfeito e também ao crime continuado, para o cálculo da alternativa ou cumulativamente (art. 114, II, CP) = prescreve
prescrição o juiz deve considerar somente a pena inicial, isto junto com a pena privativa de liberdade (mesmo prazo).
é, a pena derivada de um dos crimes, sem o aumento
decorrente do concurso formal próprio ou da continuidade PPE
delitiva.
Constitui dívida ativa da Fazenda Pública – prescreve
Nessa linha de entendimento é o teor da Súmula 497 do em 5 anos (mas há divergência).
STF: “quando se tratar de crime continuado, a prescrição
regula-se pela pena imposta na sentença, não se 2.12.8.6 PRESCRIÇÃO NA LEGISLAÇÃO PENAL
computando o acréscimo decorrente da continuação”. ESPECIAL

2.12.8.5. PRESCRIÇÃO DA PENA DE MULTA Aplicam-se as regras do CP a todas as leis que não
possuam tratamento específico acerca da prescrição (art. 12
A matéria é tratada pelo artigo 114 do CP: CP), como, por exemplo, nos crimes de abuso de
autoridade, contra a segurança nacional, contravenções
Prescrição da Multa penais etc.

Art. 114 - A prescrição da pena de multa ocorrerá: Exceções:

I - em 2 (dois) anos, quando a multa for a única cominada ou Artigo 28 da Lei 11.343/06 (Lei de Drogas) – a PPP ou
aplicada; PPE opera-se em dois anos.

II - no mesmo prazo estabelecido para prescrição da pena ECA


privativa de liberdade, quando a multa for alternativa ou
cumulativamente cominada ou cumulativamente aplicada. Súmula 338 do STJ: “A prescrição penal é aplicável nas
medidas sócio-educativas”. Calcula-se a causa extintiva da
PPP DA PENA DA MULTA punibilidade com base na pena máxima em abstrato
cominada ao crime ou contravenção correspondente ao ato
O art. 114 do CP é pacificamente aplicado quando a infracional, reduzida pela metade pelo fato de tratar-se de
sanção pecuniária ainda não transitou em julgado para pessoa menor de 21 anos de idade. Essa posição é também
ambas as partes e incidem as causas impeditivas e acolhida pelo STF.
interruptivas do CP.
2.12.8.7 FALTA GRAVE NA LEI DE EXECUÇÃO PENAL E
PPE PRESCRIÇÃO DE INFRAÇÃO DISCIPLINAR

As causas suspensivas e interruptivas são as previstas É de 2 anos o prazo prescricional para a aplicação de
nas normas da legislação relativa à dívida ativa da Fazenda sanção disciplinar de natureza grave, por analogia ao art.
Pública (Lei 6830/80 e CP, art. 51). 109, VI, do CP, levando-se em conta o menor lapso previsto.

A causa interruptiva mais importante é o despacho E, em caso de fuga do condenado, o termo inicial do
judicial que ordena a citação. prazo e prescrição é a DATA DA RECAPTURA, tomando-se
de empréstimo o art. 111, III, do CP.
No que se refere ao prazo prescricional, há duas
correntes:

- é de 5 anos, pois a lei 9268/96, ao alterar o art. 51 do CP, EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO DE CONTEÚDO
determinou que, para fins de execução, a pena de multa PARA RESOLUÇÃO EM SALA
fosse considerada dívida de valor.
- é o mesmo prazo da pena privativa de liberdade, se 1.(Ano: 2014Banca: FCC - Órgão: TRF - 3ª REGIÃO -
aplicada conjuntamente com esta, em obediência ao art. 118 Prova: Técnico Judiciário - Área Administrativa)
do CP, pelo qual as penas mais leves prescrevem com as Segundo o entendimento jurisprudencial dominante, não
mais graves. E se foi a única imposta ao condenado, a pena tem como extinguir a punibilidade.
de multa prescreve em dois anos.
a) a morte do agente ocorrida após o trânsito em julgado da
Qualquer que seja a corrente adotada, a reincidência, condenação.
embora devidamente reconhecida na sentença, não b) a morte do agente ocorrida antes do trânsito em julgado
aumenta em 1/3 o prazo da PPE da pena de multa, aliás, da condenação.

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
c) o indulto natalino.
d) a prescrição antecipada.
e) o perdão judicial, em crime culposo.

LETRA D

2.(Ano: 2012 - Banca: FCC -Órgão: TRF - 2ª REGIÃO -


Prova: Técnico Judiciário - Área Administrativa) Na ação
penal privada exclusiva, o perdão do ofendido

a) depende da aceitação do Ministério Público.


b) só pode ocorrer após o recebimento da queixa.
c) não pode ser tácito, exigindo-se que seja sempre
formulado de forma expressa.
d) implica redução da pena, mas não acarreta a extinção
da punibilidade.
e) concedido a um dos querelados aproveitará a todos,
mesmo em relação aquele que o recusar. SEGUNDA PARTE
PARTE ESPECIAL
LETRA B TÍTULO I
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
3.( Ano: 2009 - Banca: FCC - Órgão: MPE-SEProva: CAPÍTULO V
Analista do Ministério Público - Especialidade Direito) DOS CRIMES CONTRA A HONRA
NÃO constitui causa de extinção da punibilidade Calúnia
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente
a) a obediência hierárquica. fato definido como crime:
b) a perempção. Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
c) o perdão judicial.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a
d) a anistia.
imputação, a propala ou divulga.
e) o perdão do ofendido nos crimes de ação privada.
§ 2º - É punível a calúnia contra os mortos.
LETRA A Exceção da verdade
§ 3º - Admite-se a prova da verdade, salvo:
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação
4.(Ano: 2009 - Banca: FCC - Órgão: TJ-SE - Prova: privada, o ofendido não foi condenado por sentença
Técnico Judiciário - Área Administrativa) A decadência, irrecorrível;
fator extintivo da punibilidade no processo penal, como II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas
perda do direito de propor a ação penal, cabe indicadas no nº I do art. 141;
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o
a) na ação penal exclusivamente privada e na ação penal ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível.
pública condicionada.
Difamação
b) tanto na ação penal exclusivamente privada, como na
ação penal privada subsidiária e na ação penal pública Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo
privada. à sua reputação:
c) somente na ação penal pública privada. Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
d) somente na ação penal exclusivamente privada. Exceção da verdade
e) tanto na ação penal privada exclusiva, como na ação Parágrafo único - A exceção da verdade somente se
penal privada subsidiária e na ação penal pública admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é
condicionada. relativa ao exercício de suas funções.
Injúria
LETRA E Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade
ou o decoro:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou
diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em
outra injúria.
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato,
que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se
considerem aviltantes:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa,
além da pena correspondente à violência.
§ 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos
referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição
de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada
pela Lei nº 10.741, de 2003)
Pena - reclusão de um a três anos e multa. (Incluído
pela Lei nº 9.459, de 1997)

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Disposições comuns cominação legal”. Isto quer dizer que é necessário estar
Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo exatamente e literalmente o crime e a pena respectiva para
aumentam-se de um terço, se qualquer dos crimes é eventual aplicação legal. Não se pode inovar nesta seara,
cometido: sob prejuízo da incolumidade do cidadão.
I - contra o Presidente da República, ou contra chefe
de governo estrangeiro; Evidente que na perspectiva de um Código, o
II - contra funcionário público, em razão de suas legislador deseja congregar em único documento o tema que
funções; pretende tratar, sempre com a intenção de possibilitar o
acesso mais objetivo as questões pertinentes. Entretanto,
III - na presença de várias pessoas, ou por meio que
conforme já foi dito anteriormente, por vários motivos,
facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da injúria.
gradativamente, os Códigos sofrem a ação do tempo e das
IV - contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou mudanças sociais, que mais frequentemente forçam ajustes
portadora de deficiência, exceto no caso de injúria. (Incluído ou legislações paralelas.
pela Lei nº 10.741, de 2003)
Parágrafo único - Se o crime é cometido mediante É comum se dar menor atenção ao estudo da parte
paga ou promessa de recompensa, aplica-se a pena em especial em relação à parte geral, considerando-a de certa
dobro. forma entediante. Ao mesmo tempo em que se visualiza na
Exclusão do crime parte geral o alto nível de abstração e a riqueza conceitual
Art. 142 - Não constituem injúria ou difamação punível: próprias de temas essencialmente filosóficos.
I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa,
pela parte ou por seu procurador; É à parte especial que cabe, afinal, a delimitação
II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística concreta do âmbito de criminalização primária – por meio de
ou científica, salvo quando inequívoca a intenção de injuriar suas regras construídas como preceito e sanção – e a
ou difamar; realização dos princípios informadores do direito penal
moderno como taxatividade e lesividade.
III - o conceito desfavorável emitido por funcionário
público, em apreciação ou informação que preste no
Como dito anteriormente , a referida Parte Especial
cumprimento de dever do ofício.
cuida das normas penais incriminadoras ou normas de
Parágrafo único - Nos casos dos números. I e III, direito penal em sentido estrito. Os crimes são denominados
responde pela injúria ou pela difamação quem lhe dá de acordo com a rubrica marginal, ou seja, a expressão que
publicidade. consta ao lado dos crimes ali definidos. É também conhecido
como título do crime ou nomem iuris. É dividida em onze
PARTE ESPECIAL títulos, que com exceção do quarto e do nono, são todos
1.INTRODUÇÃO subdivididos em capítulos, tendo como bens tutelados os a
seguir expostos: (1) dos crimes contra a pessoa; (2) dos
O Código Penal brasileiro é dividido, como se sabe, crimes contra o patrimônio; (3) dos crimes contra a
em uma parte geral e outra especial: a primeira contendo propriedade imaterial; (4) dos crimes contra a organização
definições, regras e princípios gerais sobre a ação, o crime e do trabalho; (5) dos crimes contra o sentimento religioso e
a pena conforme a respectiva teoria adotada; e a segunda contra o respeito aos mortos (6) dos crimes contra a
composta pelos tipos penais organizados como elenco dignidade sexual; (7) dos crimes contra a família; (8) dos
normativo de condutas tipificadas mediante descrições de crimes contra a incolumidade pública; (9) dos crimes contra
ações humanas cometidas na forma comissiva ou omissiva. a paz pública; (10) dos crimes contra a fé pública; (11) dos
Podemos visualizar da seguinte forma : crimes contra a administração pública.

- Parte Geral: corpo de disposições “genéricas”, aplicáveis Após a divisão em Títulos, subdivide-se em
a todos os crimes tratados no Código Penal e também Capítulos (ex : No Título I que trata dos Crimes contra a
subsidiariamente aos tipificados em leis extravagantes. Pessoa, encontramos o capítulo I que trata dos Crimes
Fazem parte as normas de aplicação da lei penal, do crime, contra a Vida).
da responsabilidade, do concurso de agentes, das penas,
das medidas de segurança, da ação penal e da extinção da Por fim, alguns Capítulos (não todos) estão
punibilidade. Vai do art. 1º ao art. 120. Foi modificada pela divididos em Seções. Por exemplo: no Título “Crimes contra
Lei n.º 7.209/1984. a pessoa” temos o Capítulo “Dos crimes contra a liberdade
individual”, que está dividido nas seguintes “Seções”:
- Parte Especial: cuida das infrações penais (normas
incriminadoras) e das sanções correspondentes; incluem-se, I – Dos crimes contra a liberdade pessoal;
ainda, regras particulares ou mesmo exceções a princípios II – Dos crimes contra a inviolabilidade do domicílio;
gerais (dispositivos sobre ação penal, casos de isenção de III – Dos crimes contra a inviolabilidade de correspondência;
pena, etc.), bem como normas explicativas (conceito de IV – Dos crimes contra a inviolabilidade dos segredos.
“casa”, no artigo 150, §4°; de “funcionário público”, no artigo
327 etc. ). Vai do art. 121 ao art. 361. A Parte Especial está sistematizada e ordenada de
acordo com a natureza e importância do objeto jurídico
Em outros termos, na Parte Geral são descritos e tutelado pelos tipos penais. O código Penal vigente entrou
explicitados os conceitos e as compreensões gerais sobre em vigor em 1940 e possui índole essencialmente
os seguintes aspectos: Aplicação da Lei Penal, Do Crime, individualista, iniciando-se com os crimes que atentam
Da Imputabilidade Penal, Do Concurso de Pessoas, Das imediatamente contra bens jurídicos individuais até chegar
Penas, Das Medidas de Segurança, Da Ação Penal, Da aos crimes contra os interesses do Estado. Assim, temos
Extinção de Punibilidade. Por sua vez, na Parte Especial é primeiramente os crimes contra a pessoa, depois os crimes
exatamente a tipificação do crime e a pena relativa. Isto contra o patrimônio até se chegar aos crimes contra a
porque, como a própria Constituição prevê no seu Artigo 5º. Administração Pública. Essa classificação sofreu a influência
Inciso XXXIX, em consonância com o Código Penal: “Não há de Arturo Rocco, penalista italiano o qual afirmava que a
crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
existência humana se apresenta ora como existência do 2.1 Calúnia
homem individualmente considerado, ora como existência do - Conceito
homem em estado de associação com outros homens, isto - Possibilidade
é, de coexistência ou convivência dos homens em - Tentativa
sociedade, segue-se a distinção entre bens ou interesses - Exceção da verdade
jurídicos individuais e bens ou interesses jurídicos coletivos, 2.2 Difamação
sendo que essa distinção devia corresponder à distinção dos - Conceito
crimes. -Aspecto subjetivo
- Tentativa
Segundo Rogério Greco ao iniciarmos o estudo da -Exceção da verdade
Parte Especial do Código Penal, podemos perceber a 2.3 Injúria
preocupação do legislador no que diz respeito à proteção de - Conceito
diversos bens jurídicos. São onze os títulos existentes que - Aspecto subjetivo
traduzem os bens que foram objeto de tutela pela lei penal. - Tentativa

A Parte Especial pressupõe a paciência na 3. Retratação


identificação do seu sujeito ativo, sujeito passivo, sua 4. Pedido de Explicações
objetividade jurídica, elementos subjetivos, sua classificação, 5. Ação Penal
a pena, e a ação penal compatível à figura delitiva.
1.Generalidades :
O ordenamento jurídico penal brasileiro tutela a
pessoa humana, sendo esta proteção jurídica penal Tal capítulo denota a presença de crimes cada vez
relevante, uma vez que tutela valores inerente a vida, a mais constantes em nosso meio e de repercussão social
honra, a liberdade, a família, dignidade sexual, o patrimônio, gravosa das mais eficazes.
gerando inúmeras circunstâncias que leva o humano à
pratica de infrações penais.
A proteção legal incide nessas hipóteses sobre a
Honra.Esta se vislumbra como o conjunto de atribuições
O Estado Democrático de direito, encontra no
morais, intelectuais e físicas de uma pessoa, que lhe
principio da legalidade penal uma efetiva limitação ao poder
possibilita consideração social (Honra Objetiva) e estima
punitivo do estado. O principio da reserva legal constitui um
própria (Honra Subjetiva).
imperativo que não permite desvios nem exceções às novas
exigências penais e da própria justiça. Verifica-se a busca de
Assim, como nos assevera a doutrina
um meio-termo que permita a proteção dos bens jurídicos
contemporânea, a honra é o sentimento de nossa dignidade
contra as condutas descritas como ilícitas, havendo a
própria, bem como o apreço e respeito de que somos objeto
necessidade do uso de conceito, de juízos valorativos, sem
ou nos tornarmos merecedores perante os nossos
distorcer princípio constitucional da legalidade.
concidadãos.(Nelson Hungria).
Assim, a tipificação de crimes descritas no tipo
A respeito da honra, escreveu Shakespeare que “o
penal do Código Penal, na parte especial e leis
bom nome é a primeira jóia do coração do homem”; e, a
extravagantes, estende-se a consequências jurídicas quanto
propósito da calúnia, o mais grave dos crimes contra ela
a aplicação de penas ou medidas de segurança que afetam
cometidos, aduziu o imortal dramaturgo: “O caluniador é pior
o cidadão e a toda a sociedade, produzindo a garantia e a
do que o ladrão, pois quem rouba minha bolsa, rouba algo
certeza sobre a natureza ilícita e a sanção penal condizente.
que me empobrece, mas que lhe é útil e que posso repor;
porém, aquele que me calunia, tira-me a honra, que de nada
Desta forma o Direito Penal, possui a função ético-
lhe serve e que não mais consigo repor”.
social, de proteger o comportamento Humano, garantindo a
segurança e a estabilidade do juízo da sociedade e a
A honra é um bem considerado constitucionalmente
proteção a violação do ordenamento jurídico social. O
inviolável (art. 5º, X, CR/88).
objetivo é a proteção dos valores ético-sociais e da ordem
social.
Costuma-se entender a honra e,
consequentemente, a sua agressão sob os aspectos objetivo
Um dos objetivos da tipificação dos crimes se
e subjetivo.
destina evitar que o individuo viva sob a ameaça e medo,
porque não sabedor daquilo que pode ou não fazer na
Para Damásio “honra é o elenco das qualidades
sociedade em que encontra. Da mesma forma, restringe a
morais, físicas, intelectuais e demais dotes do cidadão, que
atuação dos julgadores e autoridades responsáveis pela lei e
o fazem merecedor de apreço no convívio social” .Pode a
a ordem social, no sentido de que não haja aplicação de
mesma se dividir, segundo o renomado autor, em :
pena para situações não descritas antecipadamente como
 Honra Objetiva: sentimento geral, externo; o que os outros
inconvenientes e consideradas proibidas. Tudo isso para
pensam da pessoa. Reputação no meio social. Imagem que
manter a estabilidade social e jurídica.
a pessoa goza perante os outros.
TEMA I  Honra Subjetiva: sentimento interno, pessoal. O que o ser
DOS CRIMES CONTRA A HONRA humano pensa de si mesmo, com relação a seus atributos
físicos, morais e intelectuais. Relaciona-se com o amor-
2.DOS CRIMES CONTRA A HONRA próprio a auto-estima da pessoa. Divide-se em:
- Honra-dignidade: atributos morais da pessoa;
1. Generalidades - Honra-decoro: atributos físicos e intelectuais.

2. Espécies: A chamada honra objetiva diz respeito ao conceito


que o sujeito acredita que goza no seu meio social. Segundo
Carlos Fontán Balestra, “a honra objetiva é o juízo que os
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
demais formam de nossa personalidade, e através do qual a
valoram”. Além da imunidade material dos deputados e
senadores, a CR/88 também entendeu por bem conceder-
Já a honra subjetiva cuida do conceito que a lhes a imunidade formal, conforme se verifica pela redação
pessoa tem de si mesma, dos valores que ela se auto-atribui contida nos §§3º, 4º e 5º do art. 53.
e que são maculados com o comportamento levado a efeito
pelo agente. No que diz respeito aos vereadores, a CR/88 limitou
a imunidade àquela de natureza material, mesmo assim com
Pode ainda haver a seguinte classificação: certas restrições, conforme se percebe da leitura do inciso
VIII do art. 29, que resguardou a sua inviolabilidade por
 Honra Comum: não tem nenhuma correlação com a opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na
atividade que a pessoa exerce. Ex.: chamar alguém de circunscrição do Município.Para os vereadores não houve
“ladrão”. previsão constitucional da imunidade formal, tampouco foro
 Honra Especial: relacionada com a atividade específica do por prerrogativa de função, razão pela qual poderão ser
ofendido. Ex.: dizer que determinado servidor público é processados a qualquer tempo, sem que haja possibilidade
adepto ao “peculato”; chamar um médico cirurgião de de suspensão da ação penal por seus pares, não se
“açougueiro”. podendo aplicar-lhes, por simetria, o §3º do art. 53 da
CR/88, dirigido tão-somente aos deputados e senadores.
A distinção tem repercussão prática, uma vez que,
por intermédio dela, se poderá visualizar o momento 2 - Crimes contra a honra no Direito Penal brasileiro.
consumativo de cada infração penal prevista pela lei, que
atinge a honra da vítima, conforme veremos mais adiante. No CP existe a previsão de três crimes:

O CP catalogou três delitos contra a honra, a saber: - Calúnia (art.138)


calúnia (art. 138), difamação (art. 139) e injúria (art. 140). - Difamação (art.139)
- Injúria (art.140)
Os dois primeiros (calúnia e difamação) maculam a
honra objetiva do agente, sendo que o último, a injúria, Contudo, há outras previsões em leis especiais, quais
atinge sua honra de natureza subjetiva. sejam:

Quanto aos meios de execução nos crimes em a) Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei n.º 4.117/61,
análise Hungria esclarecia que o crime contra a honra “é art. 53, i).
praticado mediante a linguagem falada, escrita ou mímica, b) Código Eleitoral (Lei n.º 4.737/65, arts. 324, 325 e 326 ).
ou por meio simbólico ou figurativo. c) Código Penal Militar (Decreto-lei n.º 1.001/69, arts. 214,
215, 216 e 219).
Importante salientar as formas pelas quais se pode d) Lei de Segurança Nacional (Lei n.º 7.170/83, art. 26).
cometer um delito contra a honra, pois que, dependendo do
meio utilizado pelo agente, poderá ser eliminada ou afirmada Observação: a Lei de Imprensa (Lei n.º 5.250/67) trazia
a possibilidade de tentativa. em seus arts. 20, 21 e 22 previsão de crimes contra a
honra, contudo foi julgada inconstitucional pelo STF em
Uma vez escolhido o meio a ser utilizado na prática 30/04/2009 na ADPF n.º 130-7/DF.
da infração penal, estaremos, conseqüentemente, diante do
raciocínio da unissubsistência ou da plurissubsistência do Em qualquer caso, resolve-se possível conflito
crime. Sendo unissubsistente, não se admitirá a tentativa; ao aparente de normas pelo princípio da “especialidade”. O
contrário, afirmando-se a plurissubsistência do delito, em disposto no CP só será aplicado caso não haja previsão em
virtude dos meios selecionados, será permitido o raciocínio nenhum dos outros diplomas legais acima expostos.
correspondente ao conatus.
De forma didática pode-se resumir os crimes em
O meio selecionado ao cometimento de qualquer alento na forma descrita abaixo :
um dos crimes contra a honra será fundamental ao
raciocínio pertinente ao iter criminis. 2.1.Artigo 138, caput – Calúnia

Outro ponto que merece destaque diz respeito às 2.1.1 Generalidades :


Imunidades dos Senadores, Deputados e Vereadores.
Calúnia é a falsa imputação a alguém de fato
Determina o art. 53 da CR/88: “Os Deputados e tipificado como crime.É o mais grave dos crimes contra a
Senadores são invioláveis , civil e penalmente, por quaisquer honra. Por ser crime comum pode ser praticado por qualquer
de suas opiniões, palavras e votos”. pessoa em princípio.Deve-se lembrar que na calúnia a honra
lesada é a objetiva.Quanto ao sujeito passivo deverá ser
Houve, portanto, previsão da chamada imunidade pessoa determinada embora não precise estar presente. É
material para os deputados e senadores que, na defesa de possível a calúnia contra inimputáveis,prostitutas,
seu mandato, poderão, sem temer qualquer retaliação civil condenados, bem como em relação aos mortos,sendo essa
ou penal, emitir livremente opiniões e votar de acordo com a última hipótese abraçada expressamente pela nossa
consciência de cada um. legislação.Também é possível a calúnia contra pessoa
jurídica desde que se trate a imputação falsa de crime
Não podem ser responsabilizados pelos chamados ambiental (Lei 9.605/98). Em que pese à tentativa esta só
delitos de opinião. Ao contrário, podem e devem ser não será possível quando se tratar de calúnia verbal.A
responsabilizados quando agridem gratuitamente a honra de consumação, por sua vez, ocorre no momento em que um
outras pessoas sem que haja qualquer ligação com a defesa terceiro toma conhecimento da imputação, bastando uma só
do mandato. pessoa e sendo a consumação instantânea.No que se refere

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
à exceção da verdade deve-se dizer que, se o fato for - Ação Penal: Em regra, de ação penal privada. Será de
verdadeiro e a pessoa que está sendo vista como caluniador ação penal pública quando praticado contra o Presidente da
conseguir provar a veracidade dos fatos não subsistirá tal República ou contra chefe de governo estrangeiro; ou contra
crime. A exceção da verdade é possível em regra no crime funcionário público em razão de suas funções, sendo que no
de calúnia, sendo impossível somente nas hipóteses que a primeiro caso dependerá de requisição do Ministro da
própria lei excepciona, como por exemplo, quando o fato é Justiça e no segundo de representação do ofendido (art. 145
imputado ao Presidente da República ou Chefe de Governo do CP). Veja-se a Súmula 714 do STF: “É concorrente a
Estrangeiro. legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do
Ministério Público, condicionada à representação do
Exemplo de Calúnia: “A” divulga para “B” que “C” veio a ofendido, para a ação penal por crime contra a honra de
praticar um homicídio, tendo consciência de que este fato servidor público em razão do exercício de suas
não é verídico. funções”.

- Objeto Jurídico: a honra objetiva (reputação perante a - Classificação: comum; de dano; de forma livre; comissivo;
sociedade). instantâneo; unissubjetivo; unissubsistente ou
- Objeto Material: a pessoa que é atacada em sua honra plurissubsistente; formal.
objetiva.
- Núcleo do tipo: “imputar” (atribuir; apontar alguém como Artigo 138, §§ 1° e 2° do CP – subtipo da calúnia
autor de “fato criminoso”, isto é definido na lei como crime,
não importando a espécie, se é doloso ou culposo ou se é Objetiva punir aquele que tomando conhecimento da calúnia
de ação penal pública ou privada). Fato: pode ser entendido contra a vítima, leva a diante a ofensa, transmitindo-a a
como acontecimento determinado e concreto, contendo outras pessoas (basta que seja divulgada para uma pessoa).
autor, objeto e suas circunstâncias. Deve, ainda, ser
verossímil (ex. não constitui o crime dizer que “ontem José O agente deve agir com dolo direto, em razão da expressão
furtou o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro!”). Imputação “sabendo falsa a imputação”, o que exclui o dolo eventual.
deve ser de “crime”, se for de “contravenção penal”, poderá Não se admite a tentativa.
restar configurado, em vez de calúnia, o crime de
“difamação” (artigo 139 do CP); bem como “falsa” - Calúnia contra os mortos: imputação falsa de fato
(mentirosa). Essa falsidade pode referir-se: criminoso que se refere ao período em que o ofendido
a) existência do fato: o crime atribuído à vítima não existiu; estava vivo. As vítimas são o cônjuge e os familiares do
b) autoria do crime: existiu o crime, contudo a vítima não tem falecido, pois esse não é mais “titular de direito”. Não se
nenhum tipo de responsabilidade em relação a ele. aplica aos outros crimes contra a honra (difamação e injúria).
- Sujeito Ativo: qualquer pessoa. Artigo 138, § 3°, do CP – Exceção da Verdade.
- Sujeito Passivo: Pessoa física e jurídica, esta no caso de
imputação falsa de prática de crime ambiental, previsto na Constitui-se de incidente processual e prejudicial em que
Lei n.º 9.605/98. o acusado da calúnia prova a “veracidade da imputação” por
- Elemento Subjetivo: Dolo, direto ou eventual, ele feita. A falsidade da imputação é presumida, porém
consistente na vontade de macular a honra de alguém ). Não presunção relativa (iuris tantum), admitindo prova em sentido
se admite a forma culposa. contrário. Constitui-se, ainda, de uma medida de defesa
indireta , já que o acusado pode defender-se diretamente
- Formas de calúnia: (ex.: negativa de autoria).

a) Explícita ou inequívoca: é a forma direta, manifesta, não - Admite-se em qualquer caso, exceto:
deixando dúvida quanto à vontade do agente de atacar a
honra da vítima. Ex.: “Tício é o autor da subtração dos a) Se o fato imputado consistir em crime de ação
relógios que estavam na prateleira.” penal privada, e o ofendido não foi condenado por
b) Implícita ou equívoca: feita de forma indireta, velada, sub- sentença irrecorrível: somente a vítima ou seu
reptícia. Ex.: em uma conversa sobre a fortuna de um representante legal pode dar início ao processo
funcionário do alto escalão do governo, já aposentado, o penal nos casos de crimes de ação penal privada.
agente diz que também seria rico se tivesse se apropriado Se fosse admitida a exceção da verdade nesses
durante anos de verbas públicas. casos, o autor da imputação estaria passando por
c) Reflexa: ocorre quando o agente, desejando caluniar uma cima da vontade da vítima do crime que ele quer
pessoa, na descrição do fato, acaba por atribuir também provar que existiu. Ex.: “A” imputa a “B” o
falsamente a prática de crime a pessoa diversa. Ex.: “Tonhão cometimento de crime de estupro contra “C”, antes
deu dinheiro ao policial militar Zeca para não ser preso.” Ao do advento da Lei n.º 12.015/09, quando esse crime
imputar corrupção ativa a Tonhão, imputou, igualmente, era apurado mediante ação penal privada. “C”, no
corrupção passiva ao policial Zeca. entanto, não quis processar criminalmente “B”, não
ajuizando queixa-crime no prazo decadencial de
- Consumação: quando terceira pessoa toma conhecimento seis meses. “A” não pode, nesse caso, ajuizar
da imputação falsa, já que atinge a honra objetiva da vítima. exceção da verdade para provar que o crime
Pouco importa quando a vítima tomou conhecimento. realmente ocorreu. Ainda que nesse caso “C”
tivesse processado “B”, não poderia “A” utilizar a
- Tentativa: é possível, dependendo do meio de execução. exceção da verdade enquanto “B” não fosse
Na calúnia verbal não é possível, pois ou o agente profere a condenado por sentença irrecorrível;
ofensa o crime se consuma, ou não o faz e, nesse caso, o
fato é atípico (crime unissubsistente). Por meio escrito é b) Se o fato é imputado a qualquer das pessoas
possível, quando, p.ex.: há o extravio da carta ofensiva que indicadas no inciso I do artigo 141 do CP: não se
não chega ao destinatário; ou do e-mail ofensivo que chega admite se o ofendido for o Presidente da República,
criptografado ao destino (crime plurissubsistente). pois esse somente pode ser processado nas
infrações penais comuns perante o STF, depois de

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
admitida a acusação por dois terços da Câmara dos maculada em sua honra objetiva, bastando que o agente
Deputados (arts. 86, caput e 102, I,”b” da CF); ou divulgue, falsamente, a terceiro, fato definido como
contra chefe de governo estrangeiro, os quais, em crime),doloso, de forma livre, instantâneo, comissivo
razão das imunidades diplomáticas, estão imunes à (podendo ser também omissivo impróprio, desde que o
jurisdição brasileira, respondendo apenas perante agente goze do status de garantidor), monossubjetivo,
seus países de origem; unissubsistente ou plurissubsistente (pois que o ato de
caluniar pode ser concentrado, ou, ainda, fracionado,
c) Se o crime imputado for de ação penal pública ou oportunidade em que se poderá visualizar a tentativa),
privada, mas o ofendido da calúnia foi absolvido por transeunte (sendo que, em algumas situações, poderá ser
sentença irrecorrível: se houve o trânsito em considerado não transeunte, a exemplo do agente que
julgado da decisão que absolveu o acusado do fato divulga a terceiro, por meio de carta, um fato definido como
criminoso imputado. crime falsamente atribuído à vítima), de conteúdo variado
(podendo o agente não somente caluniar a vítima, como
também se esforçar no sentido de divulgá-la a mais
2.1.2 Pontos de destaque : pessoas, devendo responder, portanto, por uma só infração
penal).
Pode-se resumir os principais aspectos acerca da
calúnia nos termos seguintes: 2.1.2.3 Objeto material e bem juridicamente
protegido
2.1.2.1 Introdução
Bem juridicamente protegido pelo delito de calúnia é
A calúnia é o mais grave de todos os crimes contra a honra, aqui concebida objetivamente.
a honra previstos pelo CP.
Objeto material é a pessoa contra qual são dirigidas
Podemos indicar os três pontos principais que as imputações ofensivas à sua honra objetiva.
especializam a calúnia com relação às demais infrações
penais contra a honra, a saber: 2.1.2.4 Sujeito ativo e sujeito passivo

a) a imputação de um fato; Qualquer pessoa pode figurar como sujeito ativo ou


b) esse fato imputado à vítima deve, obrigatoriamente, ser como sujeito passivo do crime de calúnia.
falso;
c) além de falso, o fato deve ser definido como crime. Discute-se a possibilidade de inimputáveis, bem
como de pessoas jurídicas figurarem como sujeitos passivos
Dessa forma, qualquer imputação de atributos do delito em estudo.
pejorativos à pessoa da vítima, que não se consubstanciem
em fatos, poderá configurar o delito de injúria, mas não em No que diz respeito aos inimputáveis, Hungria
calúnia. Dizer que a vítima é um ladrão não se lhe está afastava essa possibilidade e concluía que os inimputáveis
imputando a prática de qualquer fato, mas sim atribuindo-lhe somente podiam ser sujeitos passivos dos crimes de
pejorativamente uma qualidade negativa. Portanto, nesse difamação e injúria. Segundo Hungria, “convém observar
caso, o crime cometido seria o de injúria, e não o de calúnia. que as ofensas aos penalmente irresponsáveis (enfermos ou
deficientes mentais, ou menores de 18 anos) somente como
Além do mais, esse fato deve ser falso, devendo o injúria ou difamação podem ser classificadas, excluídas a
agente, obrigatoriamente, ter o conhecimento dessa configuração de calúnia, pois esta é a falsa imputação de
falsidade. prática responsável de um crime”.

Tanto ocorrerá a calúnia quando houver a Em que pese a força do argumento e a envergadura
imputação falsa de fato definido como crime, como na do seu subscritor, somos forçados a discordar do renomado
hipótese de o fato ser verdadeiro, mas falsa a sua atribuição penalista.
à vítima.
Entendemos que o CP tão-somente exige a
Finalmente, além de falso o fato, deve ser definido imputação a alguém de um fato definido como crime, mesmo
como crime. que essa pessoa, dada a sua incapacidade de culpabilidade,
não possa, tecnicamente, cometer o crime que se lhe
Dessa forma, toda vez que o fato imputado imputa, para efeitos de responsabilidade penal.
falsamente à vítima for classificado como contravenção
penal, em respeito ao princípio da legalidade, não A partir dessa ilação, devemos trabalhar com o
poderemos subsumi-lo ao crime de calúnia, devendo ser princípio da razoabilidade. Nada impede que, de acordo com
entendido como delito de difamação. o princípio da razoabilidade, se entenda que um inimputável
poderia, em tese, praticar um fato descrito como crime na lei
Acreditando o agente que o fato definido como penal, mesmo que por ele não pudesse ser responsabilizado
crime é verdadeiro, incorrerá em erro de tipo, afastando-se o criminalmente.
dolo do art. 138, podendo, contudo, ainda ser
responsabilizado pelo delito de difamação, embora possa Também se discute sobre a possibilidade que tem a
ser discutível essa classificação, conforme veremos mais pessoa jurídica de figurar como sujeito passivo do crime de
detidamente adiante. calúnia.

2.1.2.2 Classificação doutrinária Luiz Regis Prado, enfaticamente, afirma: “Sujeito


passivo é tão-somente a pessoa física. A ofensa irrogada à
Crime comum, formal (uma vez a sua consumação pessoa jurídica reputa-se feita aos que a representam ou
ocorre mesmo que a vítima não tenha sido, efetivamente, dirigem. Não há falar em calúnia contra pessoa jurídica”.

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
afirmo que um amigo saiu com todas as mulheres casadas
Na verdade, não se pode negar que a pessoa de determinado prédio de apartamentos, em tese, estaria lhe
jurídica possua honra objetiva, sendo esta, inclusive, a razão imputando falsamente a prática de vários crimes de
do seu sucesso perante a população em geral. adultério. Contudo, se a intenção não era macular a honra
objetiva, mas tão-somente brincar, estará ausente o
Assim, existe honra objetiva a ser preservada, necessário elemento subjetivo caracterizador da calúnia.
mesmo tratando-se de pessoa jurídica.
2.1.2.7 Agente que propala ou divulga a calúnia
Até o advento da Lei n. 9.605/98, quando se
atribuía a uma pessoa jurídica a prática de um fato definido No parágrafo transcrito somente se admite o dolo
como crime, ante a absoluta impossibilidade de cometê-lo, direto, uma vez que o agente que propala ou divulga a
desclassificava-se o fato para o delito de difamação. Assim, calúnia da qual teve ciência deve conhecer da falsidade da
qualquer fato ofensivo à honra objetiva da pessoa jurídica imputação.
era entendido como difamação, e nunca como calúnia.
2.1.2.8 Calúnia contra os mortos
Contudo, com o surgimento da mencionada Lei n.
9.605/98, que criou tipos penais específicos para as pessoas O §2º do art. 138 do CP diz ser punível a calúnia
morais, hoje em dia tal impossibilidade absoluta foi afastada, contra os mortos.
permitindo-se o raciocínio com relação ao crime de calúnia
toda vez que o fato falsamente atribuído à pessoa jurídica Certo é que o morto não goza mais do status de
disser respeito a um crime de natureza ambiental. pessoa, como também é certo que não mais se subsume ao
conceito de alguém, previsto no caput do art. 138 do CP.
Assim, concluindo, poderá a pessoa jurídica figurar
como sujeito passivo do crime de calúnia desde que o crime Contudo, sua memória merece ser preservada,
a ela atribuído falsamente seja tipificado na Lei n. 9.605/98. impedindo-se, com a ressalva feita no §2º acima
Nas demais hipóteses, ou seja, fora da lei ambiental, o fato mencionado, que também seus parentes sejam, mesmo que
deverá ser considerado crime de difamação, em face da indiretamente, atingidos pela força da falsidade do fato
impossibilidade das demais infrações penais serem definido como crime, que lhe é imputado.
praticadas pelas pessoas morais.
A Lei de Imprensa (Lei n. 5.250/67) foi mais além e
2.1.2.5 Consumação e tentativa determinou, por intermédio do seu art. 24, o seguinte: “São
puníveis, nos termos dos arts. 20 a 22, a calúnia, difamação
A calúnia se consuma quando um terceiro, que não e injúria contra a memória dos mortos”.
o sujeito passivo, toma conhecimento da imputação falsa de
fato definido como crime. O CP somente ressalvou a possibilidade de calúnia
Dependendo do meio pelo qual é executado o delito, há contra os mortos, não admitindo as demais modalidades de
possibilidade de se reconhecer a tentativa. crimes contra a honra, vale dizer, a difamação e a injúria, ao
contrário da Lei de Imprensa, que fez previsão expressa de
Na calúnia por escrito existe um iter (não mais se todas as modalidades.
trata de crime de único ato) que pode ser fracionado ou
dividido. Se uma pessoa, por exemplo, prepara folhetos 2.1.2.9 Exceção da Verdade
caluniosos contra outra e está prestes a distribuí-los, quando
é interrompida por esta, há, por certo, tentativa. Houve início Chama-se exceção da verdade a faculdade
de realização do tipo. Este não se integralizou, por atribuída ao suposto autor do crime da calúnia de
circunstâncias alheias à vontade do agente. demonstrar que, efetivamente, os fatos por ele narrados são
verdadeiros, afastando-se, portanto, com essa
É fundamental a fim de se verificar a possibilidade comprovação, a infração penal a ele atribuída.
de tentativa no delito de calúnia, como em geral em qualquer
outra infração penal, que se aponte, com segurança, os atos O momento oportuno para se erigi-la é o da defesa
iniciais de execução. prévia, previsto no art. 395 do CPP.

Merece destaque, ainda, o fato de que para a


consumação do delito de calúnia, a vítima não precisa sentir-
se atingida em sua honra objetiva, bastando que o agente 2.1.2.10 Pena e ação penal
atue com essa finalidade.
A pena será aumentada de 1/3, nos termos do
2.1.2.6 Elemento subjetivo caput do CP, se a calúnia for cometida contra o Presidente
da Republica ou contra chefe de governo estrangeiro; contra
O delito de calúnia somente admite a modalidade funcionário público, em razão de suas funções; na presença
dolosa, ou seja, o chamado animus calumniandi, isto é, a de várias pessoas, ou por meio que facilite a sua divulgação;
vontade de ofender a honra do sujeito passivo, sendo contra pessoa maior de 60 anos ou portadora de deficiência.
admitidas, entretanto, quaisquer modalidades de dolo, seja
ele direto ou mesmo eventual. Poderá, ainda, vir a ser dobrada, se a calúnia for
cometida mediante paga ou promessa de recompensa,
Não atuando o agente com a finalidade de agredir a conforme determina o parágrafo único do art. 141 do CP.
honra da vítima, mas tão-somente com o chamado animus
jocandi, ou seja , de brincar, não restará configurada a A ação penal, em regra, será de iniciativa privada,
infração penal. conforme determina o art. 145 do CP. Será, contudo, de
iniciativa pública condicionada à requisição do Ministro da
Se, por exemplo, agindo com animus jocandi, Justiça, quando o delito for praticado contra o Presidente da

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Republica ou chefe de governo estrangeiro. Será de Na calúnia, macula-se, em virtude da afirmação
iniciativa pública condicionada à representação do ofendido, falsa de fato definido como crime, a honra da vítima perante
quando o crime for cometido contra funcionário público, em a sociedade; com a denunciação caluniosa, pode-se colocar
razão de suas funções. O STF, por meio da Súmula 714, em risco até mesmo o direito de liberdade daquele que é
assim se posicionou: “É concorrente a legitimidade do denunciado falsamente.
ofendido, mediante queixa, e do MP, condicionada à
representação do ofendido, para a ação penal por crime Para que ocorra a calúnia, basta que ocorra a
contra a honra de servidor público em razão do exercício de imputação falsa de um fato definido como crime; para fins de
suas funções”. configuração da denunciação caluniosa, deve ocorrer uma
imputação de crime a alguém que o agente sabe inocente,
2.1.2.11 Calúnia Implícita (ou Equívoca) e sendo fundamental que o seu comportamento dê causa à
Reflexa instauração de investigação policial, de processo judicial,
instauração de investigação administrativa, inquérito civil ou
É possível que o agente, ao atribuir a alguém ação de improbidade administrativa.
falsamente a prática de um fato definido como crime, não o
faça de forma expressa, podendo ser a calúnia, assim, A diferença fundamental entre eles reside, como já
considerada implícita ou equívoca e reflexa. deixamos entrever, no elemento subjetivo de cada infração
penal. Na calúnia, há o animus calumniandi, tão-somente.
Implícita ou equívoca seria a calúnia quando o Na denunciação caluniosa, há a finalidade de prejudicar a
agente, embora não expressamente, permitisse que o vítima atribuindo-lhe a prática de crime que pode ter
interlocutor entendesse a mensagem dada, que contém a conseqüências graves com a Justiça.
imputação falsa de um fato definido como crime, como no 33
exemplo daquele que diz: “Eu, pelo menos, nunca tive 2.1.2.15 Consentimento do ofendido
relações sexuais à força com nenhuma mulher”, dando a
entender que o agente havia praticado um crime de estupro. Tem-se entendido que a honra é um bem
disponível, razão pela qual, se presentes os demais
Reflexa, no exemplo de Hungria, pode ocorrer requisitos necessários à validade do consentimento
quando o agente diz, por exemplo, que um juiz decidiu o fato (capacidade para consentir e antecedência ou
dessa forma porque foi subornado. Com relação ao juiz, a concomitância do consentimento), poderá ser afastado o
calúnia é entendida como expressa, uma vez que o agente delito de calúnia.
está a ele atribuindo falsamente um fato definido como delito
de corrupção passiva, e reflexa no que diz respeito àquele O consentimento, aqui, será entendido como causa
beneficiado com a decisão, uma vez que teria praticado, a supralegal de exclusão da ilicitude, tendo o condão de
seu turno, o delito de corrupção ativa. afastar o delito de calúnia.

2.1.2.12 Calúnia proferida no calor da discussão 2.1.2.16 Calúnia contra o Presidente da


Republica, do Senado Federal, da Câmara dos
Embora tenha discussão a respeito, não importa se Deputados e do STF
os fatos foram mencionados quando o agente se encontrava
calmo ou quando os proferiu no calor de alguma discussão. O art. 26 da Lei de Segurança Nacional (Lei n.
O que importa, de acordo com a exigência típica, é que 7.170/83) especializou o delito de calúnia.
tenha atuado com o elemento subjetivo exigido pelo delito de
calúnia, ou seja, agiu com o fim de macular a honra objetiva Para que o fato seja definido como crime contra a
da vítima, imputando-lhe falsamente um fato definido como segurança nacional é preciso que a calúnia tenha conotação
crime. política.

2.1.2.13 Presença do ofendido: 2.1.2.17 Diferença entre calúnia de difamação

Exige-se a presença do ofendido para fins de A calúnia possui pontos em comum com a
configuração do delito de calúnia? Não, uma vez que, difamação, pois que em ambas as infrações penais, há a
conforme já o dissemos, a calúnia atinge a honra objetiva da imputação da prática de um fato pela vítima, além de atingir
vítima, isto é, o conceito que ela goza junto ao seu meio a chamada honra objetiva. Contudo, podem ser
social. diferenciadas pelas seguintes situações:

Em razão disso, o delito se consuma quando a) na calúnia, a imputação do fato deve ser falsa, ao
terceiro, que não a vítima, toma conhecimento dos fatos contrário da difamação que não exige a sua falsidade;
falsos a ela atribuídos, definidos como crime. b) na calúnia, além de falso, o fato deve ser definido como
crime; na difamação, há somente a imputação de um fato
2.1.2.14 Diferença entre calúnia e denunciação ofensivo à reputação da vítima, não podendo ser um fato
caluniosa: definido como crime, podendo, contudo, consubstanciar-se
em uma contravenção penal.
A denunciação caluniosa está prevista no art. 339
do CP. 2.1.2.18 Diferença entre calúnia e injúria

A primeira diferença fundamental entre o crime de A primeira diferença entre calúnia e injúria reside
calúnia e o de denunciação caluniosa diz respeito ao bem em que, naquela, existe uma imputação de um fato e neste o
jurídico por eles protegido. Na calúnia, protege-se a honra que se atribui à vítima é uma qualidade pejorativa à sua
objetiva; na denunciação caluniosa, a correta administração dignidade ou decoro.
da justiça.
Com a calúnia, atinge-se a honra objetiva; já a

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
injúria atinge a chamada honra subjetiva. A honra objetiva é o bem juridicamente protegido
pelo delito de difamação, sendo nesse caso visualizada por
Assim, por exemplo, imputar falsamente a alguém a meio da reputação da vítima no seu meio social.
prática do tráfico de entorpecentes configura-se calúnia;
chamar alguém de traficante de drogas caracteriza o crime Objeto material é pessoa contra qual são dirigidos
de injúria. os fatos ofensivos à sua honra objetiva.

2.2.1.3 Sujeito ativo e sujeito passivo


2.2.Artigo 139, caput do CP – Difamação
Crime comum quanto ao sujeito ativo, a difamação
2.2.1 Generalidades - : É a imputação de um fato que lese pode ser praticada por qualquer pessoa. Da mesma forma,
a reputação de outrem ,embora de natureza não qualquer pessoa pode ser considerada sujeito passivo do
criminosa.Aqui também a proteção da norma direciona-se à delito em estudo, não importando se pessoa física ou
honra objetiva. Na difamação busca-se fazer com que a jurídica. Pode ser perfeitamente possível que uma pessoa
vítima tenha o descrédito social em face de seus valores e jurídica se veja atingida em sua reputação com fatos
costumes.Quanto aos sujeitos ativos e passivos em regra divulgados pelo agente que denigrem a sua imagem perante
poderão ser qualquer pessoa até por serem crimes a população, fazendo, inclusive, com que, em virtude disso,
comuns.Diga-se quanto ao sujeito passivo que esse poderá sofra prejuízos materiais.
ser incidente sobre menores, loucos, pessoa jurídica, etc.
Quanto a tentativa admitir-se-á em regra quando se operar O crime de difamação, no que diz respeito às
por meio escrito,sendo inadmissível quando ocorrer pessoas jurídicas, serve, também, como “vala comum” com
verbalmente.A consumação, da mesma forma que na relação àqueles fatos que lhe são imputados, definidos como
calúnia só terá seu ápice quando do conhecimento de crime, mas que não se encontram no rol das infrações
terceiro da imputação.A exceção da verdade, diferentemente ambientais, previstas pela Lei n. 9.605/98.
do que acontece na calúnia, só é possível quando se tratar
de ofendido que seja funcionário público em exercício e o Da mesma forma que no delito de calúnia,
fato lesivo que lhe foi imputado for relativo às suas funções. entendemos que os inimputáveis, seja por doença mental,
ou mesmo por menoridade, podem figurar como sujeitos
Para que exista a difamação é preciso que o agente passivos do delito de difamação.
impute fatos à vítima que sejam ofensivos à sua reputação.
2.2.1.4 Consumação e tentativa
A difamação difere do delito de calúnia em vários
aspectos. Entendendo-se a honra objetiva como o bem
juridicamente protegido pelo delito de difamação,
Primeiramente, os fatos considerados ofensivos à conseqüentemente, tem-se por consumada a infração penal
reputação da vítima não podem ser definidos como crime, quando terceiro, que não a vítima, toma conhecimento dos
fazendo, assim, com que se entenda a difamação como um fatos ofensivos à reputação desta última.
delito de menor gravidade, comparativamente ao crime de
calúnia. Contudo, se tais fatos disserem respeito à Às vezes nos soa um pouco ilógico entender que a
imputação de uma contravenção penal, poderão configurar o consumação se dá quando terceiro toma conhecimento dos
delito de difamação. fatos ofensivos à reputação da vítima, mas exigimos, em
geral, que esses mesmos fatos cheguem ao conhecimento
Além de tão-somente ser exigida a imputação de dela para que, se for da sua vontade, possa ser proposta
fato ofensivo à reputação da vítima, na configuração da ação penal contra o agente difamador, no prazo de 6 meses,
difamação, não se discute se tal fato é ou não verdadeiro. sob pena de ocorrer a decadência do seu direito de ação.
Isso significa que, mesmo sendo verdadeiro o fato, o que se
quer impedir com a previsão típica da difamação é que a Deve ser frisado, por oportuno, que, embora o
reputação da vítima seja malucada no seu meio social. prazo decadencial de 6 meses seja contado do dia em que a
vítima veio a saber quem é o autor do crime, conforme
Para que se configure o delito de difamação deve determina o art. 38 do CPP, a afirmação do momento de
existir uma imputação de fatos determinados, sejam eles consumação do delito possui outros efeitos, a exemplo da
falsos ou verdadeiros, a pessoa(s) determinada(s), que contagem do prazo prescricional. Assim, o art. 111 do CP
tenha por finalidade macular a sua reputação, vale dizer, a assevera: “A prescrição, antes de transitar em julgado a
sua honra objetiva. sentença final, começa a correr: I – do dia em que o crime se
consumou”.
2.2.1.1 Classificação doutrinária
Discute-se, ainda, sobre a possibilidade de tentativa
Crime comum, formal, doloso, de forma livre, no crime de difamação. O mesmo raciocínio que levamos a
comissivo (podendo, sendo garantidor o agente, ser efeito quando estudamos o delito de calúnia aplica-se à
praticado via omissão imprópria), instantâneo, difamação. O fundamental será apontar os meios utilizados
monossubjetivo, unissubsistente ou plurissubsistente na prática do delito, o que fará com que visualizemos se
(dependendo do meio de execução de que se vale o agente estamos diante de um crime monossubsistente ou
na sua prática, cabendo a tentativa na última hipótese), plurissubsistente.Se monossubsistente, não se admite a
transeunte (como regra, pois que pode ser praticado por tentativa, pois que os atos que integram o iter criminis não
meios que permitam a prova pericial, a exemplo da podem ser fracionados. Se plurissubsistentes, torna-se
difamação escrita). perfeitamente admissível a tentativa.

2.2.1.2 Objeto material e bem juridicamente 2.2.1.5 Elemento subjetivo


protegido
O delito de difamação somente admite a

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
modalidade dolosa, seja o dolo direto ou mesmo eventual.
2.2.1.10 Divulgação ou propalação da difamação
Exige-se, aqui, que o comportamento do agente
seja dirigido finalisticamente a divulgar fatos que atingirão a O §1º do art. 138 do CP fez previsão expressa no
honra objetiva da vítima, maculando-lhe a reputação. sentido de que incorreria nas mesmas penas previstas no
preceito secundário do caput do mencionado artigo aquele
Afasta-se o dolo quando o agente atua com animus que propalasse ou divulgasse a calúnia.
jocandi.

2.2.1.6 Exceção da verdade Embora não exista regra expressa nesse sentido,
obviamente que quem propala ou divulga uma difamação
Como regra, não é admitida a exceção da verdade deve responder por esse delito, uma vez que, tanto o
no delito de difamação, pois que, mesmo sendo verdadeiros propalador quando o divulgador são, da mesma forma,
os fatos ofensivos à reputação da vítima, ainda assim se difamadores.
concluirá pela tipicidade da conduta levada a efeito pelo
agente. 2.2.1.11Difamação dirigida à vítima

Contudo, o parágrafo único do art. 139 do CP Considerando que a difamação protege a honra
ressalvou admitir a exceção da verdade se o ofendido é objetiva da vítima, ou seja, o conceito que ela entende gozar
funcionário público e se a ofensa é relativa ao exercício de em seu meio social, se os fatos ofensivos à sua reputação
suas funções. forem dirigidos diretamente a ela, poderia, nesta hipótese,
também configurar-se o crime de difamação?
É de interesse da Administração Pública apurar
possíveis faltas de seus funcionários quando no exercício Luiz Regis Prado responde a essa indagação
das suas funções públicas. Entretanto, tem-se entendido não afirmando: “Caso a imputação seja dirigida diretamente à
ser admissível a exceção da verdade quando a vítima não pessoa visada, sem que seja ouvida, lida ou percebida por
mais ostenta o cargo de funcionário público, mesmo que os terceiro, não configura a difamação, mesmo que aquela a
fatos tenham relação com o exercício da função pública. revele a outrem”.

2.2.1.7 Pena e ação penal Contudo, isso não quer dizer, segundo entendemos,
que o agente não deva ser responsabilizado por qualquer
A pena cominada ao delito de difamação é de infração penal. Se das imputações difamatórias, a vítima
detenção de 3 meses a 1 ano, e multa. puder extrair fatos que, mesmo que indiretamente, venham a
atingir a sua honra subjetiva, poderá o agente responder
A pena será aumentada de 1/3, nos termos do pelo delito de injúria.
caput do art. 141 do CP. Poderá, ainda, vir a ser dobrada se
a difamação for cometida mediante paga ou promessa de Caso o fato ofensivo à reputação da vítima tenha
recompensa, conforme preconiza o parágrafo único do art. sido proferida na presença de terceiros, restará
141 do diploma repressivo. caracterizada a difamação, infração penal mais grave
comparativamente à injúria.
A ação penal será de iniciativa privada, de acordo
com o art. 145 do CP, sendo, contudo, de iniciativa pública 2.2.1.12 Agente que escreve fatos ofensivos à
condicionada a requisição do Ministro da Justiça quando o honra da vítima em seu diário
delito for praticado contra o Presidente da Republica ou
chefe de governo estrangeiro. Será de iniciativa pública Imagine-se a hipótese daquele que, por um acaso,
condicionada à representação do ofendido quando o crime percebe que no diário do agente existe a narração de fatos
for cometido contra funcionário público em razão de suas ofensivos à sua reputação. Seria possível reconhecer, nesse
funções. O STF, por intermédio da Súmula 714, entendeu caso, o delito de difamação?
que “é concorrente a legitimidade do ofendido, mediante
queixa, e do MP, condicionada à representação do ofendido, A resposta só pode ser negativa, pois que, para a
para a ação penal por crime contra a honra de servidor caracterização da difamação, exige-se o dolo, ou seja, o
público em razão do exercício de suas funções”. animus diffamandi. Mas pode acontecer, também, que o
agente, de forma negligente, deixe o seu diário aberto de
2.2.1.8 Consentimento do ofendido modo que as pessoas possam tomar, facilmente,
conhecimento dos fatos ofensivos à reputação da vítima.
Aplica-se à difamação o mesmo raciocínio levado a Nesse caso, poderia configurar-se a difamação?
efeito quando abordamos o consentimento do ofendido no
delito de calúnia. Sendo a honra um bem de natureza Também a resposta deverá ser negativa, uma vez
disponível, nada impede que a suposta vítima, desde que que no tipo penal do art. 139 do CP não existe previsão para
capaz, consinta em ser difamada pelo agente. a modalidade culposa.

2.2.1.9 Presença do ofendido 2.2.2 Artigo 139, parágrafo único – Exceção da verdade

Levando em consideração o fato de que a - Só existe em uma única hipótese: se o ofendido é


difamação atinge a honra objetiva da vítima, não há funcionário público e o fato se relaciona com as suas
necessidade da presença do ofendido para que o delito se funções. Se tiver relação com a vida privada do funcionário
consuma, sendo, como já afirmamos anteriormente, não é admissível.
importante apontar o momento exato da consumação, para - Funciona como uma causa específica de exclusão da
fins de cálculos penais, a exemplo do que ocorre com a ilicitude, uma vez que a falsidade não integra o tipo penal.
contagem do prazo de prescrição. - Fundamenta-se no interesse público (fiscalizar a

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
administração pública). sentimentos, enfim, os conceitos que o agente faz de si
- Se provado, o funcionário público poderá responder próprio.
criminalmente (no caso de contravenção) e
administrativamente. Objeto material do delito de injúria é a pessoa
contra qual é dirigida a conduta praticada pelo agente.
2.3 Artigo 140, caput do CP – Injúria
2.3.1.3 Sujeito ativo e sujeito passivo
2.3.1 Generalidades : É a ofensa ao decoro
(respeitabilidade) e a dignidade (valor moral) de alguém, Qualquer pessoa física pode ser sujeito ativo do
ferindo a honra subjetiva.O sujeito ativo pode ser qualquer delito de injúria.
pessoa.No que concerne, porém, aos sujeitos passivos, não
poderão ser vítimas em face do caráter subjetivo da conduta, No que diz respeito ao sujeito passivo, é regra geral
os menores e os doentes mentais, bem como a pessoa que qualquer pessoa física possa ser considerada como
jurídica.Esta última poderá ser vítima de injúria quando se sujeito passivo da mencionada infração penal, sendo de todo
tratar de crimes de imprensa (Lei 5.252/67).A tentativa só é impossível que a pessoa jurídica ocupe também essa
possível se a conduta for por meio escrito.Quanto à posição, haja vista que a pessoa moral não possui honra
consumação terá um diferencial em relação às anteriores, subjetiva a ser protegida, mas tão-somente honra objetiva.
pois só ocorrerá quando a própria vítima tomar
conhecimento e não quando um terceiro tiver como ocorre A mencionada infração penal também ofende a
nas condutas anteriores.Isto se dá, pelo fato de que aqui se honra subjetiva dos inimputáveis, seja por doença mental,
fere a honra subjetiva, ou seja, a visão que o próprio seja em virtude da menoridade? Trabalhando com o critério
indivíduo tem a seu respeito e não a honra objetiva que da razoabilidade, não há qualquer problema em se afirmar
consiste na visão que a sociedade tem quanto a pessoa que os inimputáveis podem ser considerados sujeitos
envolvida nesses fatos lesivos. passivos da injúria.

O núcleo do tipo é o verbo ofender (xingar, 2.3.1.4 Consumação e tentativa


insultar ou falar mal), atacando a honra subjetiva da vítima, a
qual se divide em “honra-dignidade” (atributos morais) e Consuma-se a injúria no momento em que a vítima
“honra-decoro” (atributos físicos e intelectuais). Atribuição de toma conhecimento das palavras ofensivas à sua dignidade
uma qualidade negativa, prescindindo-se da atribuição de ou decoro.
fato determinado. Ex.: chamar uma mulher de “vadia” (honra
dignidade); um homem de “ladrão” (honra dignidade); um Dependendo do meio utilizado na execução do
obeso de “baleia” (honra decoro); chamar alguém de “burro” crime de injúria, pode ser perfeitamente possível a tentativa.
(honra decoro).
2.3.1.5 Elemento subjetivo
O CP trabalha com três espécies de injúria:
Elemento subjetivo do delito de injúria é o dolo, seja
a) injúria simples (art. 140, caput, CP) ele direto ou mesmo eventual. Deve o agente agir, portanto,
b) injúria real (art. 140, §2º, CP) com o chamado animus injuriandi.
c) injúria preconceituosa (art. 140, §3º, CP) 37 Ao contrário
da calúnia e da difamação, com a tipificação do delito de As palavras ditas com animus jocandi, ou seja, com
injúria busca-se proteger a chamada honra subjetiva, ou a intenção de brincar com a vítima, mesmo que essa última
seja, o conceito, em sentido amplo, que o agente tem de si seja extremamente sensível, não poderão configurar o delito
mesmo. de injúria.

Como regra, na injúria não existe imputação de A injúria não admite a modalidade culposa, em face
fatos, mas sim de atributos pejorativos à pessoa do agente. da inexistência de previsão legal.

Importante destacar a impossibilidade de punir o 2.3.1.6 Perdão judicial


agente por fatos que traduzem, no fundo, a mesma ofensa. A
infração mais grave (seja difamação ou calúnia) absorverá a Dizem os incisos I e II do §1º do art. 140 do CP
infração penal menos grave, a injúria. sobre a possibilidade de concessão de perdão judicial nas
hipóteses previstas.
2.3.1.1 Classificação doutrinária
A primeira delas diz respeito ao fato de ter a própria
Crime comum, doloso, formal, de forma livre, vítima da injúria provocado, de forma reprovável, o agente.
comissivo (podendo ser praticado omissivamente, se o
agente gozar do status de garantidor), instantâneo, O CP, sabiamente, trouxe essa possibilidade de
monossubjetivo, unissubsistente ou plurissubsistente aplicação do perdão judicial ao agente que, provocado pela
(dependendo do meio utilizado na prática do delito), vítima, não resiste a essas provocações e acaba por praticar
transeunte (como regra, ressalvada a possibilidade de se contra ela o delito de injúria.
proceder a perícia nos meios utilizados pelo agente ao
cometimento da infração penal). A segunda hipótese diz respeito à chamada
retorsão imediata, que resulta no fato de que o agente,
2.3.1.2 Objeto material e bem juridicamente injuriado, inicialmente, no momento imediatamente seguinte
protegido à injúria sofrida, pratica outra.

A honra subjetiva é o bem juridicamente protegido O que parece soar estranho com essa possibilidade
pelo delito de injúria. de aplicação de perdão judicial é que se o agente tivesse se
Busca-se proteger, precipuamente, as qualidades, os defendido, por exemplo, desferindo um tapa naquele que o

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
ofendera injustamente, interrompendo a agressão contra a ser adotado, vale dizer, se o concurso material, previsto no
sua pessoa, agiria em legítima defesa. art. 69 do CP ou o concurso ideal de crimes, que encontra
previsão no art. 70 do CP.
O raciocínio que podemos fazer, nessa caso, no
sentido de dar melhor ilação ao inciso II do §1º do art. 140 Somos partidários da posição que entende ser aplicável
do CP seria compreender a retorsão como forma que tem o o concurso formal. Entretanto, como o agente atuou com
agente, uma vez encerrada a agressão de que fora vítima, desígnios autônomos, será cabível a regra do cúmulo
mas numa relação de contexto, de continuidade com o material, prevista na parte final do referido art. 70.
anterior comportamento do agressor inicial, que já esgotou
sua conduta, de praticar, imediatamente, outra injúria. b) Injúria preconceituosa:

A distinção seria a seguinte: O §3º do art. 140 do CP, com a nova redação
determinada pela Lei n. 10.741/03, comina uma pena de
a) Se o agente ainda estivesse praticando o delito contra a reclusão de 1 a 3 anos e multa, se a injúria consiste na
honra da vítima, proferindo, incessantemente, palavras utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião,
ofensivas à sua dignidade ou decoro, esta poderia origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de
interrompê-lo, inclusive com o uso moderado de violência deficiência.
física, oportunidade na qual seria reconhecida a legítima
defesa; Não se deve confundir a injúria preconceituosa com
os crimes resultantes de preconceitos de raça ou de cor,
b) Pode, no entanto, a agressão contra a honra da vítima ter- tipificados na Lei n. 7.716/89.
se esgotado, amoldando-se, outrossim, ao conceito de
agressão passada, o que inviabiliza a legítima defesa. O crime de injúria preconceituosa pune o agente
Contudo, imediatamente após o término da agressão contra que, na prática do delito, usa elementos ligados à raça, cor,
a sua honra, a vítima, agora transformada em agente, etnia, etc. A finalidade do agente, com a utilização desses
comete também, e de forma imediata à agressão anterior, meios, é atingir a honra subjetiva da vítima, bem
um delito contra a honra. juridicamente protegido pelo delito em questão.

2.3.1.7 Modalidades qualificadas: Ao contrário, por intermédio da legislação que


definiu os crimes resultantes de discriminação ou
O art. 140 do CP prevê, em seus §§2º e 3º, duas preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência
modalidades qualificadas de injúria. nacional, são proibidos comportamentos discriminatórios, em
regra mais graves do que a simples agressão à honra
A primeira delas, denominada injúria real, ocorre subjetiva da vítima, mas que, por outro lado, também não
quando a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, deixam de humilhá-la. Ex: Impedir a inscrição de aluno em
por sua natureza ou pelo modo empregado, são estabelecimento público.
considerados aviltantes.
Merece ser frisado, ainda, que, quando a CR/88, no
A segunda, reconhecida como injúria inciso XLII do art. 5º, assevera que a prática do racismo
preconceituosa, diz respeito à injúria praticada com a constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de
utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, reclusão, nos termos da lei, não está se referindo à injúria
origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de preconceituosa, mas sim às infrações penais catalogadas
deficiência. pela referida Lei n. 7.716/89.

a) Injúria real: 2.3.1.8 Pena e ação penal

Na injúria real, a violência ou as vias de fato são O preceito secundário do art. 140, caput, do CP
utilizadas não com a finalidade precípua de ofender a comina ao crime de injúria simples a pena de detenção de 1
integridade corporal ou a saúde de outrem, mas sim no a 6 meses, ou multa. Para a injúria real foi prevista a pena
sentido de humilhar, desprezar, ridicularizar a vítima, de detenção de 3 meses a 1 ano, e multa, além da pena
atingindo-a em sua honra subjetiva. correspondente à violência. Ao delito de injúria
preconceituosa, entendeu por bem o legislador em cominar
Como regra, a injúria real cria na vítima uma sensação uma pena de reclusão de 1 a 3 anos e multa.
de impotência e inferioridade diante do agente agressor.
Podem ser caracterizados como injúria real o tapa no rosto A pena será aumentada de 1/3, nos termos do art.
que tenha por finalidade humilhar a vítima, o puxão de 141 do CP.
orelha, o fato do agente ser expulso de algum lugar
recebendo chutes, o cortar a barba ou o cabelo da vítima. Poderá, ainda, vir a ser dobrada, se a injúria for
cometida mediante paga ou promessa de recompensa,
A pena prevista para o delito de injúria real é a de conforme determina o parágrafo único do art. 141 do CP.
detenção de 3 meses a 1 ano, e multa, além da pena
correspondente à violência. A ação penal, regra geral, será de iniciativa privada,
conforme determina o art. 145 do CP. Será de iniciativa
Isso significa que o agente, além de ser pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça,
responsabilizado pela injúria real, também deverá responder quando o delito for praticado contra o Presidente da
pela prática do delito de lesão corporal (leve, grave ou Republica ou chefe de governo estrangeiro. Será de
gravíssima) por ele levado a efeito como meio de execução iniciativa pública condicionada à representação do ofendido
da injúria. quando o crime for cometido contra funcionário público, em
razão de suas funções. O STF, por intermédio da Súmula
Discute-se, aqui, a natureza do concurso de crimes a 714, assim se posicionou: “É concorrente a legitimidade do

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
ofendido, mediante queixa, e do MP, condicionada à detê-las, estará agindo em legítima defesa (legítima defesa
representação do ofendido, para a ação penal por crime da honra).
contra a honra de servidor público em razão do exercício de
suas funções”. 2.3.3 Artigo 140, §2°, do CP – Injúria Real

No caso de injúria real, se da violência empregada Cometida por meio de:


resultar lesão corporal, a ação penal será de iniciativa
pública incondicionada, nos termos do art. 145 do CP. a) violência (causa lesões corporais);
b) vias de fato (violência que não causa lesões);
2.3.1.9 Injúria contra pessoa morta: c) natureza do ato ou meio empregado “aviltantes”:
humilhante, no sentido de desprezar, ridicularizar a vítima.
Ao contrário do delito de calúnia, não encontra Ex.: dar tapas na face ou nádegas da vítima; afundar a
previsão expressa no CP a injúria proferida contra os mortos. cabeça da vítima no vaso sanitário repleto de urina; jogar
A Lei de Imprensa, entretanto, cuidou dessa possibilidade fezes ou urina na vítima; molhar o cabelo da vítima com
em seu art. 24 (“São puníveis, nos termos dos arts. 20 a 22, cerveja em um bar etc.)
a calúnia, difamação e injúria contra a memória dos Se da injúria real resultar lesões (leves, graves ou
mortos”). gravíssimas) haverá o concurso entre a injúria real e o
respectivo crime de lesão corporal. Se somente foram
Entendemos não ser cabível a injúria contra os praticadas vias de fato, estas serão absorvidas pela injúria
mortos. Isso porque, como não existe exceção à regra real.
constante do caput do art. 140, tal como acontece no §2º do
art. 138 do CP, não podemos interpretar a expressão injuriar 2.3.4 Artigo 140, §3°, do CP – Injúria Qualificada
alguém no sentido de nela abranger também a memória dos
mortos, ou mesmo, por extensão, as pessoas que lhe são É a injúria “discriminatória” ou “preconceituosa”,
próximas, pois, caso contrário, estaríamos levando a efeito o dirigida a pessoa(s) determinada(s) em razão de raça, cor,
emprego da analogia in malam partem. etnia, religião, origem e condição de idoso ou portador de
deficiência física.
2.3.1.10 Discussão acalorada
Ex.: “mineiro não presta” (dirigida diretamente uma pessoa
Da mesma forma que nos delitos de calúnia e que nasceu em Minas Gerais); “judeus são todos safados”
difamação, discute-se a possibilidade de ser afastada a (dirigida diretamente a um judeu); “seu velho inútil” (dirigida
injúria quando proferida durante o calor de uma discussão. diretamente a um idoso).

Conforme já nos posicionamos anteriormente, não 2.4 Artigo 141, caput e parágrafo único do CP –
vemos por que afastar o delito de injúria justamente nas Disposições comuns
situações em que ele é cometido com mais freqüência. Não
nos convence o argumento de que a ira do agente que -Causas de aumento de pena:
profere, por exemplo, as palavras injuriosas durante uma
acirrada discussão tenha o condão de afastar o seu dolo. a) Sujeito passivo Presidente da República ou Chefe de
Governo estrangeiro (em razão da importância do cargo
2.3.1.11 Caracterização da injúria mesmo diante ocupado por essas pessoas). Se for calúnia e houver
da veracidade das imputações: motivação e objetivos políticos estará caracterizado crime
contra a segurança nacional (art. 26 da Lei n.º 7.170/83);
Não se exige à caracterização da injúria que as b) Sujeito passivo funcionário público (relação de
imputações ofensivas à honra subjetiva as vítima sejam causalidade entre a ofensa e o exercício da função). Não
falsas. Inclusive as verdadeiras, tal como acontece no delito poderá haver o aumento se a ofensa se referir a vida privada
de difamação, são puníveis pela norma do art. 140 do CP. do funcionário ou se é proferida quando o mesmo não mais
exerce a função, por exemplo, por estar aposentado, ainda
2.3.2.Artigo 140, §1°, do CP – Perdão Judicial que a ofensa se refira com sua antiga função (para haver o
aumento, o funcionário tem que estar nesta condição
Constitui-se de causa extintiva da punibilidade, que quando da ofensa);
pode ser utilizada pelo juiz. c) Crime cometido na presença de várias pessoas (mínimo
de três). Tais pessoas devem ter capacidade de entender a
Casos: ofensa (ex.: não haverá o aumento quando praticado na
presença de crianças, doentes mentais, surdos que não
a) Espécie de “injusta provocação da vítima”. O ofendido na possuam capacidade de entendimento por meio de leitura
injúria (antes de ser ofendido), provocou diretamente (face a labial etc.);
face) e de forma reprovável (elemento normativo a ser d) Crime cometido por meio que facilite a divulgação. Ex.:
aferido no caso concreto) a ofensa. Ex.: A vítima proferiu um uso de microfone, alto-falante, outdoors, cartazes, panfletos,
“gracejo” indecoroso à esposa do injuriador que em razão imprensa (rádio, televisão, jornais e revistas) etc.
disso a xinga de “vagabundo”. e) Crime de “calúnia” ou “difamação” cometido contra idoso
b) Revide “imediato” de uma injúria proferida. É a injúria ou pessoa portadora de deficiência. O agente tem que
contra injúria. Verdadeira “modalidade anômala” de legítima conhecer a idade ou peculiar condição da vítima para que
defesa” . O ofendido “devolve” a ofensa. Não beneficia haja o aumento. A injúria foi excluída para evitar o bis in
aquele que iniciou a discussão ofensiva. Deve ser praticada idem, já que a injúria praticada contra idoso ou pessoa
pelo agente uma vez encerrada a agressão de que fora portadora de deficiência já funciona como uma qualificadora
vítima, mas ainda numa relação de continuidade com o do crime, não podendo também aumentar a pena.
anterior comportamento do agressor inicial que já cessou f) Mediante paga ou promessa de recompensa (crime
sua ofensa inicial. Caso contrário, se o agente age durante mercenário). O pagamento pode ser de dinheiro ou de
as incessantes condutas ofensivas do seu agressor para qualquer outra vantagem, como promessa de favores

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
sexuais. Trata-se de crime plurissubjetivo ou de concurso Observação:
necessário: devem existir pelo menos duas pessoas, o
mandante e o executor. A causa de aumento aplica-se Nos casos dos incisos I (ofensa em juízo) e III (conceito
apenas ao executor e não ao mandante, o qual, inclusive, desfavorável de funcionário público) do art. 142, CP, poderá
pode ter agido impelido por motivo de relevante valor social, responder pelo crime quem dá publicidade ao fato, pois
incidindo a atenuante genérica do art. 65, III, “a” do CP. Veja- estará praticando um delito autônomo de difamação ou
se interessante exemplo trazido por Rogério Greco: um injúria.
indivíduo contrata outrem para que compareça em uma
solenidade onde estaria presente um político notoriamente 2.6 Artigo 143 do CP – Retratação
corrupto e ofenda-lhe a honra subjetiva.
- Cuida-se de causa “extintiva da punibilidade” (artigo 107,
2.5 Artigo 142, caput e parágrafo único do CP – Exclusão VI, do CP).
do crime - Retratar: “desdizer”, retirar o que foi dito de forma total e
incondicional (cabal).
Caracterizam-se como causas especiais de - Só cabe nos crimes de calúnia e difamação. Na injúria
exclusão de ilicitude as quais se aplicam aos crimes de não é possível pois há a atribuição de uma qualidade
“difamação” e “injúria”. Não valem para o crime de calúnia, negativa e que ataca a honra subjetiva da vítima. Dessa
pois nesse caso, há o interesse do Estado e da forma, voltar atrás na ofensa pode trazer ainda mais prejuízo
sociedade em apurar a prática do crime, identificando e para a honra da vítima.
punindo seus responsáveis. - Só é cabível nos crimes de calúnia e difamação de ação
penal privada, já que o dispositivo fala em “querelado”.
Não constituem injúria ou difamação: - Não depende de aceitação do ofendido. Feita a retratação,
extinta estará a punibilidade. É um ato “unilateral” do autor.
a) ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela - Deve ser apresentada antes da publicação da sentença de
parte ou seu procurador (imunidade judiciária): primeira instância ou da publicação do acórdão nos crimes
- Alcança a ofensa proferida por escrito ou de forma verbal de competência originária dos tribunais.
(em audiências, petições, sustentações orais, memoriais, - É causa extintiva de punibilidade de natureza subjetiva,
razões de recurso etc.); não se comunicando aos demais querelados que não se
- Tem que ocorrer em sede de um processo judicial; retratarem.
- Pode ser dirigida contra qualquer pessoa (parte, assistente, - Se houver concurso de calúnia e difamação, a retratação
terceiros), desde que relacionada com a discussão da somente aproveita ao crime a que expressamente se referir.
causa;
- Prevalece o entendimento de que não se aplica a exclusão 2.7 Artigo 144 do CP – Pedido de explicações em juízo
a quem ofende um magistrado, pois este não é parte e age
com imparcialidade, não tendo nenhum interesse no Quando há dúvidas acerca do fato: sobre se houve
resultado da demanda. Logo, qualquer ofensa a sua honra ou não uma ofensa à vítima.
no decorrer da causa deve ser punida. Há porém
entendimento de que não existe a ofensa, já que a lei não Informações prestadas por requerimento de quem
faz qualquer ressalva; “suspeita ter sido ofendido”.
- O advogado possui imunidade profissional: art. 7°, §2°, da
Lei 8.906/94 – Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil, Constitui-se de providência de ordem cautelar
não respondendo por injúria ou difamação, podendo cabível nas três modalidades de crimes contra a honra.
responder por desacato, em razão da decisão do STF na
ADI n.º 1127-8. Abrange não só o processo judicial, mas É medida facultativa a cargo do ofendido, que
qualquer outro processo ou procedimento administrativo poderá optar por ajuizar desde logo a ação penal.
(ex.: inquérito policial, comissão parlamentar de inquérito) e
não há necessidade de que seja na discussão da causa Antes do início da ação (queixa-crime).
(basta que esteja no exercício regular da advocacia). Essa
garantia do advogado não possui caráter absoluto, O prazo decadencial para ofertar a queixa-crime
pressupondo o regular e legítimo exercício da advocacia, não é interrompido. Tampouco suspende ou interrompe a
sem excessos ou abusos; prescrição.
b) Opinião desfavorável da crítica literária, artística ou
científica, SALVO quando “inequívoca” a intenção de injuriar O juiz não julga o pedido de explicações. O juiz da
ou difamar. Refere-se à crítica moderada e honesta, sem futura ação penal é que irá avaliar as explicações a fim de
excessos, a denominada crítica construtiva. Não abrange receber ou rejeitar a inicial acusatória.
criticas do tipo: “O livro O casebre não passa de um monte
de besteiras e seu autor é um imbecil”; Deve ser processada no mesmo órgão judiciário
c) Conceito desfavorável emitido por funcionário público no competente para julgamento da ação penal principal e
cumprimento de dever de ofício. Configura-se como tornará prevento o juízo.
modalidade especial de estrito cumprimento de dever legal.
O conceito de funcionário público é fornecido pelo art. 327 O requerido não pode ser compelido a prestar
do CP. Mostra-se necessária, já que, muitas das vezes, os informações, razão pela qual no caso de não serem
funcionários públicos em suas manifestações são levados ao prestadas ou se prestadas de forma insatisfatória, não se
emprego de termos ou expressões de sentido ofensivo, mas pode “presumir” ou “julgar antecipadamente” o fato, como
que são imprescindíveis para bem retratar os fatos com parece indicar a redação da parte final do dispositivo. Nesse
fidelidade, sempre visando o interesse público. Ex.: caso, o ofensor, caso seja instaurada a ação penal, poderá
Delegado de Polícia que ao relatar um inquérito policial se exercer plenamente o seu direito de defesa, com respeito ao
refere ao indiciado como um indivíduo “frio, impiedoso e sem contraditório e ao devido processo legal.
escrúpulos”.
Não será cabível:

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
d) calúnia.
a) Quando a ofensa estiver acobertada por causa de
exclusão de ilicitude (art. 142,CP) ou de extinção de e) difamação.
punibilidade (ex.: prescrição ou decadência);
b) Quando manifestamente não houver ofensa; LETRA A
c) Quando os dizeres proferidos pelo agente são claros, não
ensejando dúvidas sobre o seu caráter ofensivo.
3.(TRF/1ª REGIÃO - Analista judiciário - Área Judiciária -
Março/2011 - Elaboração: FCC - Direito Penal)
2.8 Artigo 145 caput e parágrafo único do CP – Ação
Penal
A respeito dos crimes contra a honra, é correto afirmar que
1 - Regra nos crimes contra a honra: sempre de AÇÃO
PENAL PRIVADA. a) a ofensa à dignidade ou decoro que caracteriza a
2 - Exceções: injúria não pode ser feita por gestos, devendo ser verbal ou
- Pública incondicionada: no crime de injúria real, se resultar escrita.
lesão corporal (art. 140, § 2º, CP). Polêmica no caso de
lesões leves; b) aquele que, sabendo falsa a imputação, a propala
- Pública condicionada: não comete crime de calúnia.
a) à representação: no crime de injúria por preconceito (art.
140, § 3º, CP); c) configura o crime de injúria a crítica genérica
b) à representação: ofensa contra funcionário público em dirigida às instituições em geral.
razão de suas funções (art. 141, II, CP). Legitimação
concorrente do funcionário e do MP, conforme Súmula d) a pessoa jurídica pode ser sujeito passivo do crime
714 do STF; de difamação.
c) à requisição do Ministro da Justiça: crimes contra a honra
do Presidente da República ou Chefe de Governo e) os menores e os doentes mentais não podem ser
estrangeiro. A requisição não vincula o MP. Tem sido
sujeitos passivos do delito de difamação.
entendida como “representação” em face da independência
funcional do MP (art. 127, § 1º da CF).
LETRA D
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO DE CONTEÚDO
ESPAÇO PARA OBSERVAÇÕES DO ALUNO
PARA RESOLUÇÃO EM SALA

1.(Ano: 2013 Banca: FCC Órgão: MPE-CE Prova: Técnico


Ministerial) Nos crimes contra a honra, sobre a exceção
da verdade, é correto afirmar que

a) cabe no caso de calúnia, desde que constituindo o fato


imputado crime de ação privada, o ofendido não tenha sido
condenado por sentença irrecorrível.

b) para ter cabimento em caso de difamação exige-se que


o crime tenha sido cometido por funcionário público. SEGUNDA PARTE
PARTE ESPECIAL
c) somente não é cabível nos casos de injúria. TÍTULO X
DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA
d) a exceção da verdade foi abolida por súmula vinculante CAPÍTULO I
do Supremo Tribunal Federal. DA MOEDA FALSA
Moeda Falsa
e) depende de requisição do Procurador-Geral da Art. 289 - Falsificar, fabricando-a ou alterando-a,
República, em caso de calúnia contra o Presidente da moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no país ou
República. no estrangeiro:
Pena - reclusão, de três a doze anos, e multa.
LETRA C § 1º - Nas mesmas penas incorre quem, por conta
própria ou alheia, importa ou exporta, adquire, vende, troca,
2.(Ano: 2013Banca: FCC - Órgão: TRE-RO Prova: cede, empresta, guarda ou introduz na circulação moeda
Técnico Judiciário - Área Administrativa) Gilson, falsa.
candidato a Prefeito Municipal, chamou seu adversário § 2º - Quem, tendo recebido de boa-fé, como
Lindomar de ladrão de casaca, sem indicar fatos que verdadeira, moeda falsa ou alterada, a restitui à circulação,
justifiquem essa ofensa. Nesse caso, Gilson responderá depois de conhecer a falsidade, é punido com detenção, de
pelo crime eleitoral de seis meses a dois anos, e multa.
§ 3º - É punido com reclusão, de três a quinze anos, e
a) injúria. multa, o funcionário público ou diretor, gerente, ou fiscal de
banco de emissão que fabrica, emite ou autoriza a
b) divulgação de calúnia. fabricação ou emissão:
I - de moeda com título ou peso inferior ao
c) divulgação de fato inverídico. determinado em lei;
II - de papel-moeda em quantidade superior à

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
autorizada. próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou
§ 4º - Nas mesmas penas incorre quem desvia e faz industrial, produto ou mercadoria: (Incluído pela Lei nº
circular moeda, cuja circulação não estava ainda autorizada. 11.035, de 2004)
Crimes assimilados ao de moeda falsa a) em que tenha sido aplicado selo que se destine a
Art. 290 - Formar cédula, nota ou bilhete controle tributário, falsificado; (Incluído pela Lei nº 11.035, de
representativo de moeda com fragmentos de cédulas, notas 2004)
ou bilhetes verdadeiros; suprimir, em nota, cédula ou bilhete b) sem selo oficial, nos casos em que a legislação
recolhidos, para o fim de restituí-los à circulação, sinal tributária determina a obrigatoriedade de sua
indicativo de sua inutilização; restituir à circulação cédula, aplicação. (Incluído pela Lei nº 11.035, de 2004)
nota ou bilhete em tais condições, ou já recolhidos para o fim § 2º - Suprimir, em qualquer desses papéis, quando
de inutilização: legítimos, com o fim de torná-los novamente utilizáveis,
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa. carimbo ou sinal indicativo de sua inutilização:
Parágrafo único - O máximo da reclusão é elevado a Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
doze anos e multa, se o crime é cometido por funcionário § 3º - Incorre na mesma pena quem usa, depois de
que trabalha na repartição onde o dinheiro se achava alterado, qualquer dos papéis a que se refere o parágrafo
recolhido, ou nela tem fácil ingresso, em razão do anterior.
cargo. (Vide Lei nº 7.209, de 11.7.1984) § 4º - Quem usa ou restitui à circulação, embora recibo
Petrechos para falsificação de moeda de boa-fé, qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a
Art. 291 - Fabricar, adquirir, fornecer, a título oneroso que se referem este artigo e o seu § 2º, depois de conhecer
ou gratuito, possuir ou guardar maquinismo, aparelho, a falsidade ou alteração, incorre na pena de detenção, de 6
instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado à (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa.
falsificação de moeda: § 5o Equipara-se a atividade comercial, para os fins do
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa. inciso III do § 1o, qualquer forma de comércio irregular ou
Emissão de título ao portador sem permissão legal clandestino, inclusive o exercido em vias, praças ou outros
Art. 292 - Emitir, sem permissão legal, nota, bilhete, logradouros públicos e em residências. (Incluído pela Lei nº
ficha, vale ou título que contenha promessa de pagamento 11.035, de 2004)
em dinheiro ao portador ou a que falte indicação do nome da Petrechos de falsificação
pessoa a quem deva ser pago: Art. 294 - Fabricar, adquirir, fornecer, possuir ou
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. guardar objeto especialmente destinado à falsificação de
Parágrafo único - Quem recebe ou utiliza como qualquer dos papéis referidos no artigo anterior:
dinheiro qualquer dos documentos referidos neste artigo Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
incorre na pena de detenção, de quinze dias a três meses, Art. 295 - Se o agente é funcionário público, e comete
ou multa. o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de
CAPÍTULO II sexta parte.
DA FALSIDADE DE TÍTULOS E OUTROS PAPÉIS CAPÍTULO III
PÚBLICOS DA FALSIDADE DOCUMENTAL
Falsificação de papéis públicos Falsificação do selo ou sinal público
Art. 293 - Falsificar, fabricando-os ou alterando-os: Art. 296 - Falsificar, fabricando-os ou alterando-os:
I - selo destinado a controle tributário, papel selado ou I - selo público destinado a autenticar atos oficiais da
qualquer papel de emissão legal destinado à arrecadação de União, de Estado ou de Município;
tributo; (Redação dada pela Lei nº 11.035, de 2004) II - selo ou sinal atribuído por lei a entidade de direito
II - papel de crédito público que não seja moeda de público, ou a autoridade, ou sinal público de tabelião:
curso legal; Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
III - vale postal; § 1º - Incorre nas mesmas penas:
IV - cautela de penhor, caderneta de depósito de caixa I - quem faz uso do selo ou sinal falsificado;
econômica ou de outro estabelecimento mantido por II - quem utiliza indevidamente o selo ou sinal
entidade de direito público; verdadeiro em prejuízo de outrem ou em proveito próprio ou
V - talão, recibo, guia, alvará ou qualquer outro alheio.
documento relativo a arrecadação de rendas públicas ou a III - quem altera, falsifica ou faz uso indevido de
depósito ou caução por que o poder público seja marcas, logotipos, siglas ou quaisquer outros símbolos
responsável; utilizados ou identificadores de órgãos ou entidades da
VI - bilhete, passe ou conhecimento de empresa de Administração Pública. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
transporte administrada pela União, por Estado ou por § 2º - Se o agente é funcionário público, e comete o
Município: crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa. sexta parte.
§ 1o Incorre na mesma pena quem: (Redação dada Falsificação de documento público
pela Lei nº 11.035, de 2004) Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento
I - usa, guarda, possui ou detém qualquer dos papéis público, ou alterar documento público verdadeiro:
falsificados a que se refere este artigo; (Incluído pela Lei nº Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
11.035, de 2004) § 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o
II - importa, exporta, adquire, vende, troca, cede, crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de
empresta, guarda, fornece ou restitui à circulação selo sexta parte.
falsificado destinado a controle tributário; (Incluído pela Lei § 2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a
nº 11.035, de 2004) documento público o emanado de entidade paraestatal, o
III - importa, exporta, adquire, vende, expõe à venda, título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de
mantém em depósito, guarda, troca, cede, empresta, sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento
fornece, porta ou, de qualquer forma, utiliza em proveito particular.
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
§ 3o Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz atestado falso:
inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) Pena - detenção, de um mês a um ano.
I - na folha de pagamento ou em documento de Parágrafo único - Se o crime é cometido com o fim de
informações que seja destinado a fazer prova perante a lucro, aplica-se também multa.
previdência social, pessoa que não possua a qualidade de Reprodução ou adulteração de selo ou peça
segurado obrigatório;(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) filatélica
II - na Carteira de Trabalho e Previdência Social do Art. 303 - Reproduzir ou alterar selo ou peça filatélica
empregado ou em documento que deva produzir efeito que tenha valor para coleção, salvo quando a reprodução ou
perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da a alteração está visivelmente anotada na face ou no verso
que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983, de do selo ou peça:
2000) Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
III - em documento contábil ou em qualquer outro Parágrafo único - Na mesma pena incorre quem, para
documento relacionado com as obrigações da empresa fins de comércio, faz uso do selo ou peça filatélica.
perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da
Uso de documento falso
que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983, de
2000) Art. 304 - Fazer uso de qualquer dos papéis
falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297 a
§ 4o Nas mesmas penas incorre quem omite, nos
302:
documentos mencionados no § 3o, nome do segurado e
seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato Pena - a cominada à falsificação ou à alteração.
de trabalho ou de prestação de serviços.(Incluído pela Lei nº Supressão de documento
9.983, de 2000) Art. 305 - Destruir, suprimir ou ocultar, em benefício
Falsificação de documento particular próprio ou de outrem, ou em prejuízo alheio, documento
Art. 298 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público ou particular verdadeiro, de que não podia dispor:
particular ou alterar documento particular verdadeiro: Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa, se o
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. documento é público, e reclusão, de um a cinco anos, e
multa, se o documento é particular.
Falsificação de cartão (Incluído pela Lei nº
12.737, de 2012) Vigência CAPÍTULO IV
Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, DE OUTRAS FALSIDADES
equipara-se a documento particular o cartão de crédito ou Falsificação do sinal empregado no contraste de
débito. (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012) Vigência metal precioso ou na fiscalização alfandegária, ou para
Falsidade ideológica outros fins
Art. 299 - Omitir, em documento público ou particular, Art. 306 - Falsificar, fabricando-o ou alterando-o,
declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer marca ou sinal empregado pelo poder público no contraste
inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, de metal precioso ou na fiscalização alfandegária, ou usar
com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a marca ou sinal dessa natureza, falsificado por outrem:
verdade sobre fato juridicamente relevante: Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o Parágrafo único - Se a marca ou sinal falsificado é o
documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, que usa a autoridade pública para o fim de fiscalização
de quinhentos mil réis a cinco contos de réis, se o sanitária, ou para autenticar ou encerrar determinados
documento é particular. objetos, ou comprovar o cumprimento de formalidade legal:
Parágrafo único - Se o agente é funcionário público, e Pena - reclusão ou detenção, de um a três anos, e
comete o crime prevalecendo-se do cargo, ou se a multa.
falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, Falsa identidade
aumenta-se a pena de sexta parte. Art. 307 - Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa
Falso reconhecimento de firma ou letra identidade para obter vantagem, em proveito próprio ou
Art. 300 - Reconhecer, como verdadeira, no exercício alheio, ou para causar dano a outrem:
de função pública, firma ou letra que o não seja: Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa,
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o se o fato não constitui elemento de crime mais grave.
documento é público; e de um a três anos, e multa, se o Art. 308 - Usar, como próprio, passaporte, título de
documento é particular. eleitor, caderneta de reservista ou qualquer documento de
Certidão ou atestado ideologicamente falso identidade alheia ou ceder a outrem, para que dele se utilize,
Art. 301 - Atestar ou certificar falsamente, em razão de documento dessa natureza, próprio ou de terceiro:
função pública, fato ou circunstância que habilite alguém a Pena - detenção, de quatro meses a dois anos, e
obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de multa, se o fato não constitui elemento de crime mais grave.
caráter público, ou qualquer outra vantagem: Fraude de lei sobre estrangeiros
Pena - detenção, de dois meses a um ano. Art. 309 - Usar o estrangeiro, para entrar ou
Falsidade material de atestado ou certidão permanecer no território nacional, nome que não é o seu:
§ 1º - Falsificar, no todo ou em parte, atestado ou Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
certidão, ou alterar o teor de certidão ou de atestado Parágrafo único - Atribuir a estrangeiro falsa qualidade
verdadeiro, para prova de fato ou circunstância que habilite para promover-lhe a entrada em território nacional: (Incluído
alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço pela Lei nº 9.426, de 1996)
de caráter público, ou qualquer outra vantagem: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e
Pena - detenção, de três meses a dois anos. multa. (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)
§ 2º - Se o crime é praticado com o fim de lucro, Art. 310 - Prestar-se a figurar como proprietário ou
aplica-se, além da pena privativa de liberdade, a de multa. possuidor de ação, título ou valor pertencente a estrangeiro,
Falsidade de atestado médico nos casos em que a este é vedada por lei a propriedade ou
Art. 302 - Dar o médico, no exercício da sua profissão, a posse de tais bens: (Redação dada pela Lei nº 9.426, de

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
1996) documentos sejam autênticos. A isso dá-se o nome de fé-
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e pública, que é a confiança a priori que os cidadãos
multa. (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996) depositam na legitimidade dos sinais, documentos, moedas,
Adulteração de sinal identificador de veículo papeis, aos quais a legislação atribui valor probatório.
automotor (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)
Art. 311 - Adulterar ou remarcar número de chassi ou O Estado tem assim relevante interesse em
qualquer sinal identificador de veículo automotor, de seu preservar o objeto jurídico, fé pública, razão pela qual elevou
componente ou equipamento:(Redação dada pela Lei nº à categoria de crimes os fatos atentatórios a essa
9.426, de 1996)) objetividade jurídica.
Pena - reclusão, de três a seis anos, e
O Direito presume que as pessoas, em suas
multa. (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)
relações cotidianas, se pautam pela boa-fé.
§ 1º - Se o agente comete o crime no exercício da
função pública ou em razão dela, a pena é aumentada de Uma sociedade em que a má-fé fosse a regra, e
um terço. (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996) não a exceção, seria inviável.
§ 2º - Incorre nas mesmas penas o funcionário público
que contribui para o licenciamento ou registro do veículo Se a cada moeda recebida pelo trocador fosse
remarcado ou adulterado, fornecendo indevidamente necessária uma perícia para lhe conferir a autenticidade, não
material ou informação oficial. (Incluído pela Lei nº 9.426, de haveria transporte público.
1996)
CAPÍTULO V Se um bombeiro tivesse de apresentar uma vasta
(Incluído pela Lei 12.550. de 2011) documentação para se identificar, ao tentar salvar uma casa
DAS FRAUDES EM CERTAMES DE INTERESSE de um incêndio, não haveria sobreviventes.
PÚBLICO
(Incluído pela Lei 12.550. de 2011) Em virtude disso, a mesma lei que confia na boa-fé
Fraudes em certames de interesse público (Incluído do cidadão pune aquele que atenta contra a confiança que
pela Lei 12.550. de 2011) lhe foi atribuída.
Art. 311-A. Utilizar ou divulgar, indevidamente, com o
fim de beneficiar a si ou a outrem, ou de comprometer a Assim, aquele que falsifica, frauda, ou altera
credibilidade do certame, conteúdo sigiloso de: (Incluído documentos, selos, símbolos, etc., ameaçando a segurança
pela Lei 12.550. de 2011) das relações jurídicas, comete os chamados crimes de falso,
denominados pelo Código Penal Brasileiro de crimes contra
I - concurso público; (Incluído pela Lei 12.550. de
a fé pública.
2011)
II - avaliação ou exame públicos; (Incluído pela Lei O Código Penal prevê 22 crimes de falso.
12.550. de 2011)
III - processo seletivo para ingresso no ensino Nos delitos deste capítulo a potencialidade de dano,
superior; ou (Incluído pela Lei 12.550. de 2011) muito embora não sendo elemento típico expresso no tipo,
IV - exame ou processo seletivo previstos em está implícita, já fazendo parte de sua essência. Não há
lei: (Incluído pela Lei 12.550. de 2011) delito de falso sem potencialidade lesiva, possibilidade de
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e dano capaz de iludir a vítima. Se o falso é grosseiro, incapaz
multa. (Incluído pela Lei 12.550. de 2011) de enganar, não ofende a fé-pública, por isso, inexiste crime.
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem permite ou
facilita, por qualquer meio, o acesso de pessoas não Sob a ótica da falsidade a mesma pode se operar
autorizadas às informações mencionadas na forma material e ideológica.Na primeira o que se frauda
no caput. (Incluído pela Lei 12.550. de 2011) é a própria forma do documento, que é alterada no todo ou
§ 2o Se da ação ou omissão resulta dano à em parte, ou é forjado pelo agente, tratando-se de
administração pública: (Incluído pela Lei 12.550. de 2011) falsificação gráfica ,ou seja, visível.Na segunda a forma do
documento é verdadeira, mas seu conteúdo é falso. É a
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e
multa. (Incluído pela Lei 12.550. de 2011) falsificação de teor ideativo ou intelectual.
§ 3o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o fato é O Art. 299 do Código Penal. define o crime de
cometido por funcionário público. (Incluído pela Lei 12.550. "falsidade ideológica" da seguinte forma:
de 2011)
“Omitir, em documento público ou particular, declaração que
dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração
TEMA 2 falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de
CRIMES CONTRA A FÉ FÚBLICA prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre
fato juridicamente relevante”.
3. CRIMES CONTRA A FÉ-PÚBLICA
Isso quer dizer que dá-se a falsidade ideológica
3.1.INTRODUÇÃO quando há uma atestação não verdadeira, ou uma omissão,
em ato formalmente verdadeiro, de fatos ou declarações de
O homem, por exigência prática e jurídica, diante da vontade, cuja verdade o documento deveria provar. Verifica-
multiplicidade das relações sociais, elevou à categoria de se, portanto, no ato autêntico quando a alteração da verdade
imperativo de convivência, a necessidade da crença na diz respeito à sua substância ou às suas circunstâncias.
legitimidade e autenticidade dos documentos.
Concerne a falsidade ideológica ao conteúdo, e não
Seria ilógico, que a cada transação, fôssemos à forma. Quando esta própria é alterada, forjada ou criada, a
obrigados a provar a veracidade de um documento. Assim, falsidade a identificar será a material.
até prova em contrário, aceita-se , em geral, que os
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
informações que seja destinado a fazer prova
Os casos possíveis são, sinteticamente, os perante a previdência social, pessoa que não
seguintes: possua a qualidade de segurado obrigatório;
 na Carteira de Trabalho e Previdência Social do
 Inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser empregado ou em documento que deva produzir
escrita no documento. O agente diretamente insere efeito perante a previdência social, declaração falsa
(faz constar, coloca) declaração falsa ou diversa da ou diversa da que deveria ter sido escrita;
que devia estar consignada no documento.  em documento contábil ou em qualquer outro
 Fazer inserir declaração falsa ou diversa da que documento relacionado com as obrigações da
devia ser escrita no documento. O comportamento empresa perante a previdência social, declaração
é semelhante, mas o agente atua indiretamente, falsa ou diversa da que deveria ter constado.
fazendo com que outrem insira a declaração falsa
ou diversa no documento. Comete este crime também quem omite, nos
 Omitir declaração que devia constar no documento. documentos mencionados acima, nome do segurado e seus
O agente omite (silencia, não menciona) fato que dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de
era obrigado a fazer constar no documento. trabalho ou de prestação de serviços.

A pena prevista pelo crime de "falsidade ideológica" A pena prevista é de reclusão, de 2 a 6 anos, e
é a reclusão, de 1 a 5 anos, e multa, se o documento é multa. Se o agente é funcionário público, e comete o crime
público, e a reclusão de 1 a 3 anos, e multa, se o documento prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta
é particular. Será condição agravante caso um agente parte.
público utilize do próprio cargo para cometer o crime.
Para efeitos penais, documento público é todo
Alguns úteis exemplos de casos de falsidade documento expedido na forma prescrita em lei, por
ideológica são: funcionário público, no exercício de suas atribuições. A
condição essencial do documento público é o caráter de
 Falsidade de documento público cometido por autenticidade, que não existe em papéis escritos a lápis.
agente particular:
Sendo assim considerados documentos públicos,
P. Ex. Fiador que declara falsamente, ao celebrar um por exemplo, as cópias autenticadas, traslados, certidões,
contrato de locação, ser proprietário de um imóvel que não fotocópias e xerocópias autenticadas ou conferidas com os
lhe pertence mais. documentos originais.

 Falsidade de documento público cometido por Dessa forma, temos duas condutas implícitas nessa
agente público (com agravante): modalidade:

P. Ex. Um funcionário do Detran, ciente de acidente Falsidade documental: significa criar materialmente,
envolvendo veículo que vitimara seu proprietário e virara fabricar, formar, contrafazer o documento, ou integralmente
sucata, providencia emplacamento após a realização de ou acrescentando novos dizeres em espaços em branco.
vistoria.
P. Ex. A troca de fotografia em documento de identidade.
 Falsidade de documento público cometido por
agente público (sem agravante): Alteração documental: fazer alteração no documento
verdadeiro, excluindo termos, acrescentando dizeres,
P. Ex. Falsificação de documentos que sejam substituindo palavras, etc.
provenientes de outra repartição. (inexiste agravante porque
o agente não está no exercício de suas funções) P. Ex. Alteração dos dados contidos em uma certidão de
nascimento.
 Falsidade em outorga de procuração – crime de
outorgante: No Art. 298 do CP define-se a falsidade de
documento particular:
P. Ex. Indivíduo que outorga procuração em nome de
Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar
terceiros falsificando assinatura.
documento particular verdadeiro.
Por sua vez o Art. 297 do CP. assim define o crime Em nada difere da conduta prevista na falsificação
de "falsificação de documento público": de documento público, tendo apenas como objeto material o
documento particular.
Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar
documento público verdadeiro.
Considera-se documento particular aquele que é
Para os efeitos penais, equiparam-se a documento elaborado, ou assinado, por particular, sem interferência de
público o emanado de entidade paraestatal, o título ao funcionário público no exercício de suas funções.
portador ou transmissível por endosso, as ações de
sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento P. Ex. Forjar um atestado médico.
particular. P. Ex. Alteração de cheque para valor superior ao emitido
pelo possuidor.
Comete este crime também quem insere ou faz Quanto a falsidade material envolve a forma do
inserir: documento, enquanto a ideológica diz respeito ao conteúdo
do documento. A falsidade material se caracteriza com o
elaborar ou utilizar documento falso, ou com o adulterar,
 na folha de pagamento ou em documento de
suprimir ou ocultar documento verdadeiro.
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
299, todos do CP. Contudo, no artigo 297, § 3º, CP, há
O Art. 301 do CP tipifica explicitamente o crime de falsidades ideológicas inseridas no tipo penal, originalmente
falsidade material no caso de certidões ou atestados. reservado à falsidade material.

Nesta tipificação se enquadram o crime de certidão DEFINIR SE O DOCUMENTO FALSIFICADO (MATERIAL


ou atestado ideologicamente falsos, podendo ser executado OU IDEOLOGICAMENTE) É PÚBLICO OU PARTICULAR.
apenas pelo funcionário público. Quando houver falsificação
ou alteração por particular ocorrerá o crime de falsidade Documento público é aquele emitido por um órgão
material ou ideológica. público, na pessoa de seus funcionários, em atividade típica
da função pública desempenhada. Ou seja, não basta a
P. Ex. Certidão de Oficial de Justiça atestando diligência não emissão por um funcionário público. É necessário que ele o
efetivada. faça finalisticamente, atendendo às exigências de sua
atividade. Não é necessário que o documento seja
A adequação típica dos crimes de falsidade substancialmente público, bastando que seja formalmente
documental, apesar de aparentemente complexa, depende público (ou seja, uma declaração de vontade, lavrada por
da apreensão de alguns conceitos básicos, os quais, uma instrumento público em cartório, é documento público,
vez conhecidos, tornam a tarefa muito mais fácil, ainda que embora seu conteúdo seja particular). Documentos
longe de ser simples. Vejamos: particulares são todos os demais, havendo nítido conceito
residual.
DEFINIÇÃO SE A FALSIDADE É MATERIAL OU
IDEOLÓGICA. Obs1: documentos particulares autenticados em cartório
mantém sua natureza (não são considerados documentos
Na falsidade material existe uma espécie de vício públicos).
na constituição do documento (o autor incide materialmente
sobre o documento, daí o nome), que ora passaremos a Obs2: Há que se ter cuidado com os documentos públicos
denominar vício de forma. Esse vício pode ter duas origens: por equiparação (artigo 297, § 2º, CP).
suporte mendaz (falsidade que recai sobre o suporte onde
são apostas as informações por escrito, como o espelho de São documentos de natureza particular, mas que,
uma carteira de identidade fabricado pelo falsário em sua para fins de aplicação da lei penal, são tratados como
própria casa) ou preenchimento de um suporte verdadeiro documentos públicos. São eles: (a) os oriundos de entidades
por pessoa sem autorização para o ato (por exemplo, paraestatais; (b) os títulos ao portador ou transmissíveis por
pessoa que preenche uma folha de cheque verdadeira, em endosso, como o cheque, por exemplo; (c) as ações de
branco, porventura encontrada no chão, passando-se pelo sociedades mercantis (sociedades anônimas e em
titular da conta-corrente; ou a adulteração de um contrato de comandita por ações); (d) o testamento particular; (e) os
locação, com supressão das informações originais e livros mercantis.
substituição por informações falsas). Deve ser notado que,
por força do pressuposto da mutação da verdade, toda 3.2 PRINCIPAIS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA:
falsidade material, além de um vício de forma, também
possui um vício de conteúdo (informação fraudulenta), pois  Moeda falsa - Art.289 do Código Penal.
não há falsidade sem fraude. Assim, o documento falsificado
necessariamente conterá alguma informação que não condiz Prevê o artigo 289, do Código Penal, que é crime
com a realidade. "falsificar, fabricando-a ou alterando-a, moeda metálica ou
papel-moeda de curso legal no país ou no estrangeiro: Pena
Já na falsidade ideológica há um vício - reclusão, de três a doze anos, e multa". O § 1º, deste
exclusivamente de conteúdo. Ou seja, o documento é artigo, por seu turno, prevê que "nas mesmas penas incorre
produzido sobre suporte verdadeiro e por pessoa com quem, por conta própria ou alheia, importa ou exporta,
autorização para o ato. Todavia, há nele informações adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda ou introduz na
dissociadas da realidade. Se o titular de uma conta-corrente, circulação moeda falsa".
por exemplo, assina um cheque em branco, entregando-o Falsificar: ou seja, aquele que reproduz de forma fraudulenta
para que outrem preencha os valores em seu nome, caso moeda verdadeira de forma que cause engano. Neste crime
seja aposto no título valor diverso daquele que deveria o objeto a ser tutelado é a moeda metálica ou o papel-
constar, haverá falsidade ideológica. Da mesma forma, se moeda que tem curso legal no país ou até mesmo no
um médico atesta falsamente uma doença, para que seu estrangeiro.
paciente consiga dias de folga no trabalho, a falsidade será
ideológica (suporte - receituário - verdadeiro, preenchido por Fabricar: Aquele que também reproduz moeda ou papel-
pessoa autorizada para o ato). Todavia, se o paciente moeda verdadeiro também responderá pelo crime em tela.
sorrateiramente subtrai o receituário do profissional e,
imitando sua letra, elabora um atestado falso para si, a Alterar: Se a moeda ou papel-moeda já existiam
falsidade será material (suporte verdadeiro, pessoa não- integralmente, mas são realizadas alterações aptas a iludir
autorizada), o que ocorre também se o talonário de qualquer pessoas, sendo que estas alterações poderão
atestados é fabricado pelo paciente em sua impressora apresentar valor superior, alteração de letras, números
pessoal (suporte falso). Resumindo: na falsidade material há indicativos no valor da nota.Se o agente apenas apagar
vício de forma e de conteúdo, sobressaindo o primeiro; na emblemas ou sinais impressos em papel-moeda, disso não
falsidade ideológica, unicamente vício de conteúdo. resultando aparentemente qualquer valor superior, não
ocorrerá este delito.
Obs: cuidado com as "pegadinhas" da lei! A previsão
genérica das falsidades materiais está nos artigos 297 Para caracterizar o presente delito é necessário
(falsidade material de documento público) e 298 (falsidade porém que a falsificação não seja grosseira e sim que seja
material de documento particular), ao passo em que a apta a enganar e iludir a vítima de forma que lhe cause
falsidade ideológica está prevista genericamente no artigo engano.

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Sujeito ativo: pode ser qualquer pessoa; Dispõe o artigo 290, do Código Penal, ser crime "formar
Sujeito passivo: é o Estado; cédula, nota ou bilhete representativo de moeda com
Objeto jurídico: é a fé pública; fragmentos de cédulas, notas ou bilhetes verdadeiros;
Objeto material: trata-se da moeda metálica ou suprimir, em nota, cédula ou bilhete recolhidos, para o fim de
papel-moeda; restituí-los à circulação, sinal indicativo de sua inutilização;
Elementos objetivos do tipo: "falsificar" (imitar com restituir à circulação cédula, nota ou bilhete em tais
fraude), "fabricar" (produzir) ou "alterar" (adulterar) moeda condições, ou já recolhidos para o fim de inutilização: Pena -
metálica ou papel-moeda de curso legal no país ou no reclusão, de dois a oito anos, e multa".
estrangeiro. Incorre também nas penas previstas para o
crime quem "importa" (traz do exterior), "exporta" (leva para De acordo com Fernando Capez, este é um crime que
o exterior), "adquire" (compra), "vende" (aliena), "troca" podemos chamar de AÇÃO MÚLTIPLA, pois as condutas
(permuta), "cede" (transfere a posse), "empresta" (confere a que o caracteriza são as seguintes:
alguém), "guarda" (vigia) ou "introduz" (faz entrar) na
circulação moeda falsa; - Formar - cédula, nota ou bilhete representativo de moeda
Elemento subjetivo do tipo específico: não há; com fragmentos de cédulas, notas ou bilhetes verdadeiros:
Elemento subjetivo do crime: é o dolo; nessa modalidade o agente reúne os fragmentos, ou seja,
pedaços de papel -moeda verdadeiro, que se tornaram
Classificação: trata-se de crime comum; formal imprestáveis e cria uma nova cédula com aparência de
(material apenas na forma "vender"); de forma livre (forma verdadeira.
vinculada apenas na conduta descrita no § 3º); comissivo;
instantâneo (permanente apenas no verbo "guardar"); - Suprimir - Em nota, cédula ou bilhete recolhidos para o
unissubjetivo; unissubsistente ou plurissubsistente. fim de restituí-los à circulação, sinal indicativo de sua
inutilização: nessa modalidade o papel - moeda não mais de
Para a configuração do crime em comento é encontra em circulação, havendo nele indicação ( por
necessário que a reprodução da moeda seja bastante exemplo: carimbo) de que está inutilizado, mas o agente
convincente, pois se for grosseira o delito não restará utiliza o expediente fraudulento consistente em retirar esse
caracterizado. Porém, se o agente conseguir enganar a sinal, com o fim de colocar a nota novamente em circulação.
vítima mesmo com imitação grosseira, pode-se dizer que
estará configurado o crime de estelionato, de acordo com a - Restituir - recolocar em circulação nota ou bilhetes em
Súmula 73, do STJ. tais condições, ou já recolhidos para o fim de inutilização, ou
seja, o agente coloca em circulação papel moeda recolhida
Outrossim, trata-se de crime de competência da para fins de inutilização, aqui a cédula não mais se encontra
Justiça Federal, que admite tentativa apenas em sua forma em circulação, nem há nela qualquer sinal indicativo de
plurissubsistente. O delito de moeda falsa consuma-se com inutilização.
a falsificação, fabricação ou alteração da moeda, ou pela
realização de quaisquer das outras condutas, mesmo que Sujeito ativo: pode ser qualquer pessoa;
não haja resultado naturalístico. Sujeito passivo: é o Estado;
Objeto jurídico: é a fé pública;
Note-se que, de acordo com o § 2º, do artigo 289, do Objeto material: é o fragmento da cédula, nota ou
CP, pune-se com detenção, de seis meses a dois anos, e bilhete verdadeiro ou moeda recolhida;
multa, quem, tendo recebido de boa-fé, como verdadeira, Elementos objetivos do tipo: "formar" (compor)
moeda falsa ou alterada, a restitui à circulação, depois de cédula, nota ou bilhete representativo de moeda, com
conhecer a falsidade - figura privilegiada. fragmentos de cédulas, notas ou bilhetes verdadeiros;
"suprimir" (eliminar), em nota, cédula ou bilhete, recolhidos,
Além disso, o § 3º, do dispositivo em questão, abarca a para o fim de restituí-los à circulação, sinal indicativo de sua
forma qualificada do crime, prescrevendo que "é punido com inutilização; "restituir" (devolver) à circulação cédula, nota ou
reclusão, de três a quinze anos, e multa, o funcionário bilhete em tais condições, ou já recolhidos para o fim de
público ou diretor, gerente, ou fiscal de banco de emissão inutilização;
que fabrica, emite ou autoriza a fabricação ou emissão: I - de Elemento subjetivo do tipo específico: não há nas
moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei; II - formas "formar" e "restituir". No entanto, na modalidade
de papel-moeda em quantidade superior à autorizada". "suprimir" exige-se a vontade de restituí-los à circulação;
Elemento subjetivo do crime: é o dolo;
Ver-se que o objetivo da criminalização é a
credibilidade na autenticidade da moeda e a segurança de Classificação: trata-se de crime comum; formal; de
sua circulação. forma livre; comissivo; instantâneo; unissubjetivo;
unissubsistente ou plurissubsistente.
Observação 1 : Moeda, sob o prisma jurídico, é a
peça metálica cunhada pelo Estado, sendo equiparado a O crime em comento admite a tentativa apenas na
moeda o papel-moeda forma plurissubsistente, e se consuma independentemente
Observação 2 : Não há crime: apagar emblemas do resultado naturalístico - prejuízo ao Estado.
ou sinais, desde que não aparente maior valor ou se
substituir letras ou números para aparentar menor valor, bem O parágrafo único, do artigo 290, apresenta a figura
como na hipótese de moeda retirada de circulação.Por outro qualificada do delito analisado, elevando a pena de reclusão
lado,é crime apor nº ou letras recortadas de cédulas a doze anos e multa, se o crime é cometido por funcionário
verdadeiras sobre outras de modo a aparentar valor que trabalha na repartição onde o dinheiro se achava
superior. recolhido, ou nela tem fácil ingresso em razão do cargo.

 Crimes assimilados ao de moeda falsa - Art.290  Petrechos para falsificação de moeda - Art.291
do Código Penal. do Código penal.

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Determina o artigo 291, do Código Penal, que é portando uma certidão de nascimento em nome de terceiro e
crime "fabricar, adquirir, fornecer, a título oneroso ou gratuito, preencher a ficha de identificação civil como se fosse ele,
possuir ou guardar maquinismo, aparelho, instrumento ou objetivado obter carteira de identidade falsa.
qualquer objeto especialmente destinado à falsificação de
moeda: Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa". Vejamos os principais aspectos :

Sujeito ativo: pode ser qualquer pessoa; Elementos objetivos do tipo: "falsificar" (imitar com
Sujeito passivo: é o Estado; fraude, contrafazer), no todo ou em parte, documento
Objeto jurídico: é a fé pública; público, "alterar" (modificar) documento público verdadeiro;
Objeto material: é o maquinário, aparelho, "inserir" (colocar, introduzir) ou "fazer inserir" (permitir que
instrumento ou qualquer objeto destinado à falsificação de outrem introduza ou coloque) na folha de pagamento ou em
moeda; documento de informações que seja destinado a fazer prova
Elementos objetivos do tipo: "fabricar" (construir), perante a Previdência Social, pessoa que não possua a
"adquirir" (comprar), "fornecer" (prover), a título oneroso ou qualidade de segurado obrigatório, na Carteira de Trabalho e
gratuito, "possuir" (ter a posse) ou "guardar" (vigiar) Previdência Social do empregado ou em documento que
maquinismo, aparelho, instrumento ou qualquer objeto deva produzir efeito perante a Previdência Social,
especialmente destinado à falsificação de moeda; declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita e
Elemento subjetivo do tipo específico: não há; em documento contábil ou em qualquer outro documento
Elemento subjetivo do crime: é o dolo; relacionado com as obrigações da empresa perante a
Previdência Social, declaração falsa ou diversa da que
Classificação: trata-se crime comum; formal; de deveria ter constado; e, ainda, "omitir" (deixar de inserir),
forma livre; comissivo; instantâneo (permanente apenas nas nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e
formas "guardar" e "possuir"); unissubjetivo e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato
plurissubsistente. de trabalho ou de prestação de serviços;

A tentativa não é admissível, pois se trata de Sujeito ativo: qualquer pessoa, sendo que, caso o
punição para a preparação do crime. O crime de petrechos agente seja funcionário público, e comete o crime
para a falsificação de moeda consuma-se mesmo que não prevalecendo-se do cargo, incidirá uma pena mais severa
haja efetivo prejuízo ao Estado. Outrossim, trata-se de crime para este (§1º do art. 297 do CP).
de competência da Justiça Federal.
Sujeito passivo: o Estado, bem como a pessoa
 Falsificação de documento público - Artigo 297 prejudicada pelo ilícito penal.
do Código Penal.
Objeto Jurídico:Busca-se proteger com a tipificação
Estabelece o artigo 297, do Código Penal, que é deste delito falsificação de documento público, a fé pública.
crime "falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou
alterar documento público verdadeiro: Pena - reclusão, de Objeto Material:Segundo Rogério Greco “o objeto
dois a seis anos, e multa". O §3º dispõe que "Nas mesmas material é o documento público falsificado, no todo ou em
penas incorre quem insere ou faz inserir: I - na folha de parte, ou o documento público verdadeiro que foi alterado
pagamento ou em documento de informações que seja pelo agente.”
destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa
que não possua a qualidade de segurado obrigatório; II - na Consumação : Consuma-se o crime quando nele se
Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou reúnem todos os elementos previstos na sua definição legal.
em documento que deva produzir efeito perante a Daí, de acordo com o caput do artigo em apreço, a
previdência social, declaração falsa ou diversa da que consumação se dá na falsificação ou alteração de
deveria ter sido escrita; III - em documento contábil ou em documentos públicos verdadeiros.
qualquer outro documento relacionado com as obrigações
da empresa perante a previdência social, declaração falsa Tentativa:Por se tratar de um crime em regra
ou diversa da que deveria ter constado". E, ainda, nesse plurissubsistente, admiti-se a forma tentada.
sentido, estabelece o §4º, "Nas mesmas penas incorre
quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do Elemento subjetivo :O elemento subjetivo no crime
segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência por hora em estudo é o dolo. Vale ressaltar que não há
do contrato de trabalho ou de prestação de serviços". previsão para a modalidade culposa.

O crime de falsificação de documento público, esta Pena : A pena cominada ao crime de falsificação de
tipificado no artigo 297 do Código Penal Brasileiro, e documento público é de reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos,
elencado no rol dos crimes contra a fé pública, exatamente e multa.
no rol da falsidade documental.
Vale lembrar que se o agente for funcionário público,
O tipo penal de falsificação de documento público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a
não exige, para a sua consumação, a efetiva produção de pena de sexta parte.
dano, logo, a simples ação do núcleo do tipo já caracteriza o
crime. Ação penal: Pública Incondicionada.

Como exemplo, verificamos o crime de falsificação  Falsificação de documento particular - Art. 298
no caso de uma adulteração de documento público do Código Penal.
verdadeiro, quando uma pessoa inserir sua foto em
documento de identidade de terceiro. Já no caso de Determina o artigo 298, do Código Penal, ser crime
falsificação de documento público, podemos vislumbrar "falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou
quando uma pessoa comparece ao Instituto de Identificação alterar documento particular verdadeiro: Pena - reclusão, de

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
um a cinco anos, e multa". documento, não pode ser punido pelos dois crimes.

Requisitos: A Súmula 17 soluciona o impasse sobre a


prevalência do crime de estelionato , quando o falso for meio
O documento deverá ter: para praticá-lo. Também é pacífico que o crime de falso fica
absorvido pelo de sonegação fiscal.
a) Potencialidade lesiva
c) Falsificação de documento particular
b) Limitação da verdade.
A forma de falsificação do documento particular é a
Sem estes requisitos o fato será atípico, ou será outro crime. mesma da do documento público, não havendo diferença
substancial. Entretanto, por razões óbvias , o tratamento
OBS.: Falsificação grosseira não tipifica, não é fato típico. penal da falsificação do documento público é mais grave.
Documento particular é o que é feito sem a intervenção do
Obs 2 : Alterar xerox , documento simples, não é crime funcionário público, ou de alguém que tenha fé-pública.
A ação física é a mesma do documento comparativo entre a
Objeto Material - A doutrina classifica os falsidade material e a ideológica.
documentos públicos em :
Em resumo :
a) Documento formal e substancialmente público.
Sujeito ativo: pode ser qualquer pessoa;
O documento é formado , criado e emitido por Sujeito passivo: é o Estado e, secundariamente, a
funcionário público no exercício de suas atribuições legais, e pessoa prejudicada pela falsificação;
seu conteúdo é relativo a questões de natureza pública. Objeto jurídico: é a fé pública;
Consideram-se como tais, todos os documentos emanados Objeto material: é o documento particular;
de atos do executivo, legislativo e judiciário , bem como Elementos objetivos do tipo: "falsificar" (reproduzir,
qualquer outro expedido por funcionário público, desde que imitando) documento particular ou "alterar" modificar"
represente interesse do Estado. Exemplo: R.G., C.N.H., documento particular verdadeiro;
Título de Eleitor, Passaporte, etc. Elemento subjetivo do tipo específico: não há;
Elemento subjetivo do crime: é o dolo;
b) Documento formalmente público, mas substancialmente Classificação: trata-se crime comum; formal; de forma
privado. livre; comissivo e, excepcionalmente, comissivo por
omissão; instantâneo; unissubjetivo e plurissubsistente.
Na hipótese, o documento é formado, criado e A tentativa é admissível.
emitido por funcionário público, mas seu conteúdo é relativo
a interesses particulares, p. ex., escritura pública de  Falsidade ideológica - Artigo 299 do Código
transferência de propriedade imóvel. O interesse envolvido é Penal.
particular, mas formalmente o documento é público, sendo a
escritura lavrada pelo oficial de registro públicos, dotado de Prevê o artigo 299, do Código Penal, que é crime
fé-pública, a quem é delegado o exercício dessa atividade. "omitir, em documento público ou particular, declaração que
dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração
O cheque é equiparado a documento público, por falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de
tratar-se de título ao portador ou transmissível por endosso, prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre
deixando , portanto , de equiparar-se a documento público fato juridicamente relevante: Pena - reclusão, de um a cinco
quando já apresentado e rejeitado no estabelecimento anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a
bancário por falta de fundos. Nessa hipótese desaparece a três anos, e multa, se o documento é particular".
equiparação por não ser mais transmissível por endosso.
Sujeito Ativo:Qualquer pessoa ou, aplicando-se o parágrafo Sujeito ativo: pode ser qualquer pessoa;
1º, do Artigo 297,CP, em se tratando de funcionário público Sujeito passivo: é o Estado e, secundariamente, a
no exercício da função. pessoa prejudicada pela falsificação;
Objeto jurídico: é a fé pública;
Ação Física: Contrafação, significa formar Objeto material: é documento público ou particular;
documento, podendo ser total ou parcial. O xerox não Elementos objetivos do tipo: "omitir" (deixar de
autenticado não configura o crime em espécie. Placas de inserir) em documento público ou particular, declaração que
veículos não são consideradas documento público (art. 311, dele devia constar, "inserir" (colocar ou introduzir) ou "fazer
CP). inserir" (permitir que se coloque ou introduza) declaração
falsa ou diversa da que devia ser escrita;
Consumação: Ocorre com a contrafação (crime de Elemento subjetivo do tipo específico: é a vontade de
falsidade, porém é mais utilizado para pirataria, ou seja, prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre
crime contra a propriedade industrial e intelectual), havendo fato juridicamente relevante";
divergência doutrinária e jurisprudencial sobre a Elemento subjetivo do crime: é o dolo;
admissibilidade da tentativa.
Trata-se de crime doloso, que além do dolo, deve
É necessário para comprovar a materialidade do estar presente outro elemento subjetivo do tipo, e consiste
fato, não o suprindo a confissão do agente. Se o documento na finalidade de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar
não for apreendido poderá ser realizado exame indireto. a verdade sobre fato juridicamente relevante. A falsidade
ideológica é um crime formal, não sendo necessário que o
Há entendimento pacífico de inexistir concurso do dano seja efetivado, bastando a efetiva possibilidade de sua
crime de falso com o crime de uso (art. 304, CP) , uma vez ocorrência.
que quem usa, tendo antes ele próprio falsificado o

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Classificação: trata-se de crime comum; formal; de § 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo,
forma livre; comissivo (na conduta "inserir" ou "fazer inserir"), emprego ou função em entidade paraestatal, e quem
omissivo (na conduta "omitir") e, excepcionalmente, trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou
comissivo por omissão; instantâneo; unissubjetivo; e conveniada para a execução de atividade típica da
unissubsistente ou plurissubsistente. Administração Pública.
§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os
Tentativa: O crime em questão admite a forma autores dos crimes previstos neste Capítulo forem
tentada na forma plurissubsistente. ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção
ou assessoramento de órgão da administração direta,
Consumação - Ocorre com a omissão ou inversão sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação
direta ou indireta de declaração de documento. instituída pelo poder público.

Causas de aumento de pena : O parágrafo único, Mas será que o chefe, titular de direito delegado
do artigo em comento, prevê causa de aumento de pena de por concurso, que contrata o preposto de sua confiança, não
sexta em duas situações: quando o agente se tratar deveria responder penalmente pelo ato de seu subordinado
funcionário público que comete o crime prevalecendo-se do mesmo quando não participando do crime? A resposta é
seu cargo, e quando a falsificação ou alteração for de não: isto feriria o Princípio da Individualização e da
assentamento de registro civil. Culpabilidade, garantias fundamentais do Art. 5° XLV e XLVI
da Constituição Federal. Entretanto, o tabelião poderá ser
Abuso de papel em branco assinado - Tem-se responsabilizado civilmente.
entendido na doutrina e jurisprudência que, se o agente se
apossou ilegitimamente do papel em branco assinado,  Certidão ou atestado ideologicamente falso –
ocorrerá o crime de falsidade material, enquanto que, se Art. 301 do Código Penal.
houver preenchimento do documento com conteúdo diverso
do determinado, ocorrerá o crime de falsidade ideológica.
Preceitua o artigo 301, do Código Penal, que
 Falso reconhecimento de firma ou letra – Art.300 "atestar ou certificar falsamente, em razão de função pública,
do Código Penal.
fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo
Prevê o artigo 300, do Código Penal, que público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou
"reconhecer, como verdadeira, no exercício de função qualquer outra vantagem: Pena - detenção, de dois meses a
pública, firma ou letra que o não seja: Pena - reclusão, de um ano".
um a cinco anos, e multa, se o documento é público; e de
um a três anos, e multa, se o documento é particular". Sujeito ativo: é o funcionário público incumbido de
expedir atestado ou certidão, somente;
Sujeito ativo: funcionário público que possui a Sujeito passivo: é o Estado;
atribuição de reconhecer firma ou letra, somente; Objeto jurídico: é a fé pública;
Sujeito passivo: é o Estado e, secundariamente, Objeto material: é o atestado ou a certidão;
terceiro prejudicado; Elementos objetivos do tipo: "atestar" (afirmar) ou
Objeto jurídico: é a fé pública; "certificar" (afirmar a certeza de algo) falsamente, em razão
Objeto material: é a firma ou letra reconhecida de função pública, fato ou circunstância que habilite alguém
como autêntica; a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de
Elementos objetivos do tipo: "reconhecer" caráter público, ou qualquer outra vantagem;
(constatar), como verdadeira a firma ou a letra de alguém, Elemento subjetivo do crime: é o dolo;
quando não o seja; Elemento subjetivo do tipo específico: é a intenção
Elemento subjetivo do crime: é o dolo; de proporcionar a alguém a obtenção de cargo público,
Elemento subjetivo do tipo específico: não há; isenção de ônus ou serviço de caráter público, ou qualquer
Classificação: trata-se de crime próprio, outra vantagem;
formal, de forma vinculada, comissivo, instantâneo,
unissubjetivo e unissubsistente. O delito em comento admite a tentativa e se
consuma quando qualquer das condutas descritas no tipo
O crime em comento não admite a forma tentada, já penal for praticada, mesmo que não haja efetivo prejuízo ao
que é unissubsistente, ou seja, o agente reconhece a firma Estado.
ou letra em um único ato. Ademais, o delito configura-se
consumado quando o reconhecimento for realizado, mesmo Além disso, os §§ 1º e 2º, do artigo 301, do Código
que não haja prejuízo efetivo a terceiro ou ao Estado. Penal, trazem a forma qualificada para o crime,
prescrevendo que "falsificar, no todo ou em parte, atestado
Crime típico dos tabelionatos, essencial é a ou certidão, ou alterar o teor de certidão ou de atestado
especificação de quem é o agente responsabilizado. Os verdadeiro, para prova de fato ou circunstância que habilite
tabeliães são funcionários públicos concursados. Entretanto, alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço
para o pleno exercício da atividade, indispensável é a de caráter público, ou qualquer outra vantagem: Pena -
contratação de funcionários, os chamados prepostos – mas detenção, de três meses a dois anos. § 2º - Se o crime é
tais pessoas não são concursadas. praticado com o fim de lucro, aplica-se, além da pena
privativa de liberdade, a de multa".
A tipificação dos atos ilícitos dos prepostos, então,
só acontecerá face à ordem expressa do art 327 do CP: Trata-se de crime formal próprio, devido à
necessidade da pessoa estar em função pública. Em conflito
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos aparente de normas, a diferença residente em relação a
penais, quem, embora transitoriamente ou sem “alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante”, do art.
remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. 299 do CP é que aqui a intenção do sujeito ativo é auferir

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
vantagem alheia em relação a entidade pública. (o que deixa claro que o sujeito passivo é o Estado e não a
pessoa lesada). Percepção puramente empírica deste que
Falsidade material de atestado ou certidão vos fala e dos com quem se relaciona, no âmbito criminal,
denuncia grande incorrência neste ilícito penal de criminosos
§ 1º - Falsificar, no todo ou em parte, atestado ou certidão, que tentam se passar por outros, geralmente irmãos ou
ou alterar o teor de certidão ou de atestado verdadeiro, para pessoas parecidas fisicamente, ou mesmo potencialmente
prova de fato ou circunstância que habilite alguém a obter desconhecidas de agentes da lei, para ter os benefícios
cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter principalmente dos réus primários e das menores de idade –
público, ou qualquer outra vantagem: mesmo que após a fase de inquérito policial seja mínima a
§ 2º - Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se, chance de sucesso na continuidade delitiva.
além da pena privativa de liberdade, a de multa.
 Usar, como próprio, passaporte, título de eleitor,
Em mais um conflito aparente de normas, o §1° se caderneta de reservista ou qualquer documento
diferencia dos similares nos crimes de falso por causa de de identidade alheia ou ceder a outrem, para
seu objetivo, buscando algo que “habilite alguém a obter que dele se utilize, documento dessa natureza,
cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter próprio ou de terceiro – Art. 308 do Código
público, ou qualquer outra vantagem”, através de atestado Penal Brasileiro.
ou certidão falsificada. O §2° comina sanção àquele que,
além de causar ônus ao poder público (em razão da A primeira distinção deste artigo para com o anterior é
vantagem concedida) e ferir a fé pública, ainda busca bônus que, ao se falar em identidade, não se fala exatamente do
financeiro para a conduta ilícita. Pode-se considerar ser tipo documento de identidade, ou RG, e sim em identidade em
qualificador, uma vez que embora não mude a fixação da seu sentido amplo, intangível, mesmo que esta acabe sendo
pena privativa de liberdade, muda a pena adicionando à representada pelo uso do documento falso. Agora já se vê a
mesma a sanção pecuniária de multa. expressão “documento de identidade”, ou seja, aquele
documento que identifica a pessoa para certas ocasiões
 Falsidade de atestado médico - art. 302 do especiais: o passaporte para a viagem, o título de eleitor
Código Penal. para o voto, a caderneta de reservista para a devida
prestação de contas exigida pelo serviço militar. Válida é a
lembrança de que neste tipo penal, enquanto o sujeito
Determina o artigo 302, do Código Penal, que "dar o passivo é o Estado por si só, o sujeito ativo terá a especial
médico, no exercício da sua profissão, atestado falso: Pena - qualidade de sempre ser mais de um, ou seja, é um injusto
detenção, de um mês a um ano. Parágrafo único - Se o penal que, se não explicita, sempre pede a co-autoria (o que
crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também este trabalho ousa chamar de co-autoria obrigatória), uma
multa". vez que para o total preenchimento da tipificação
antijurídica, um dos indivíduos terá que ceder o documento
Sujeito ativo: é o médico; de identidade e o outro terá que usá-lo, sendo que ambos os
Sujeito passivo: é o Estado e, secundariamente, atos estão previstos no mesmo texto. Aplica-se também o
pessoa prejudicada; conceito da subsidiariedade da aplicação da norma penal,
Objeto jurídico: é a fé pública; porque a pena só será aplicada se o fato não constituir crime
Objeto material: é o atestado falso; mais grave.
Elementos objetivos do tipo: "dar" (entregar) o
médico, no exercício da sua profissão, atestado falso.  Adulterar ou remarcar número de chassi ou
Segundo a doutrina majoritária, tal atestado deve versar qualquer sinal identificador de veículo
sobre fato relevante; automotor, de seu componente ou equipamento
Elemento subjetivo do crime: é o dolo – Art. 311 do Código Penal.
Elemento subjetivo do tipo específico: não há;
Classificação: trata-se de crime próprio, formal, de Crime formal, basta o ato para que consuma, não
forma livre, comissivo, instantâneo, unissubjetivo e exigindo quesito subjetivo de finalidade do ato por parte do
plurissubsistente. agente. Norma penal em branco, já que apenas o Código de
Trânsito Brasileiro (Lei 9503/97) taxa quais são os veículos
O delito analisado admite a tentativa e se consuma automotores e o os seus sinais identificadores respectivos.
quando o atestado for entregue a alguém, mesmo que não Os parágrafos 1° e 2° constituem crime próprio, já que o
haja efetivo prejuízo ao Estado ou a terceiro. agente deve ser funcionário público. O primeiro, aliás, é
majorante do crime descrito no caput, em consonância com
Exemplo de crime próprio do CP, exigindo, além da as disposições anteriores sobre tal especialidade subjetiva.
qualidade especial do sujeito ativo do tipo, a sua especial Já o segundo comina pena ao funcionário corrupto que,
conduta ilícita positiva. Deu-se pena bem menor ao ilícito do apesar de adulterar, participa efetivamente de tal ato (não
art. 302 em relação ao do 301, prova cabal da maior fosse esta disposição, ele poderia ser punido com a
seriedade com que é tratado o bem público em relação ao participação no delito do art. 311).
privado. Porém, o legislador foi feliz ao qualificar o crime em
seu parágrafo único, de modo a reprimir a busca do lucro por 3.3 ATUALIDADES :
fato delituoso.
Código Penal: já é crime fraudar concurso público.
 Falsa Identidade - art.307 do Código Penal.
Desde 2011 está em vigor a lei 12.550/11, uma lei
Crime formal, tipificação que tutela a fé pública. Fato que alterou o Código Penal Brasileiro e torna crime fraudar
interessante é que a falsa identidade pode ser tanto de concurso público, com penas que podem chegar a oito anos
pessoa existente quanto inexistente. Além disso, a intenção de reclusão e multa para os infratores.
pode ser tanto positiva para o sujeito ativo quanto negativa a
outrem, mesmo que este não tenha conhecimento da ação Até então, não havia na legislação do país uma

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
definição para esse tipo de crime, o que tornava mais fácil e criminalizando a fraude em concurso público sem fazer
aos fraudadores escapar da Justiça, pois as autoridades alarde da mudança, seu capital social pertencerá
tinham dificuldade para enquadrá-los em algum artigo do integralmente à União, será vinculada ao Ministério da
Código Penal e indiciá-los em inquéritos policiais. Educação e terá sede em Brasília. A empresa deverá prestar
serviços gratuitos de assistência médico-hospitalar,
Agora, a situação é outra. A Lei 12.550/11 ambulatorial e de apoio diagnóstico e terapêutico à
acrescentou o Capitulo 5º ao Título 10º do Código Penal, comunidade, assim como serviços de apoio a instituições
que trata de crimes contra a fé pública. Trata-se do Artigo públicas federais de ensino destinadas à formação de
311-A, que considera criminosa a conduta daquele que pessoal no campo da saúde pública.
utiliza ou divulga, indevidamente, conteúdo sigiloso de
concurso público, avaliação ou exame públicos, processo EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO DE CONTEÚDO
seletivo para ingresso no ensino superior ou exame ou PARA RESOLUÇÃO EM SALA
processo seletivo previstos em lei.
1 .(Prefeitura de São Paulo, FCC - 2007) Aquela que
A essa figura equipara-se a conduta de quem omite, em documento particular, declaração que dele
permite ou facilita, por qualquer meio, o acesso de pessoas devia constar, com o fim de criar obrigação, comete o
não autorizadas àquelas informações. A pena para tal delito crime de
é de um a quatro anos e multa, mas será aumentada para
dois a seis anos e multa, se da ação ou omissão resultar A) uso de documento falso.
dano à administração pública; e em mais um terço se a
fraude for cometida por funcionário público. B) falsidade ideológica.
Outro artigo do Código Penal foi alterado pela Lei C) supressão de documento.
12.550/11, como resultado da introdução do crime tipificado
no Artigo 311-A. Foi criada mais uma espécie de pena D) atestado ideologicamente falso.
restritiva de direitos, com a inclusão, no Artigo 47 do código,
da proibição para o fraudador de inscrever-se em concurso, E) falsificação de documento particular.
avaliação ou exame públicos. A pena não é aplicada
cumulativamente e, sim, serve para abrandar a punição em LETRA B
condenações até quatro anos, quando o condenado poderá
ter sua pena privativa de liberdade substituída pela de 2.(Prefeitura de São Paulo, FCC - Auditor Fiscal - 2007) A
restrição de direitos (proibição de inscrever-se em concurso falsificação de nota promissória configura o crime de
público), desde que observados os outros requisitos exigidos
no Artigo 44 do código. A) falsificação de documento particular.
Para fazer a mudança no Código Penal, o governo B) falsidade ideológica.
não enviou ao Congresso uma lei específica, apenas se
utilizou de norma que trata de um assunto completamente C) uso de documento falso.
diferente: a criação da Empresa Brasileira de Serviços
Hospitalares, na qual foram incluídos os artigos 18 e 19 que D) falsificação de selo ou sinal público.
alteram o Decreto-Lei 2.848, de 7 de dezembro de 1940,
quando o Código Penal ainda não tinha entrado em vigor no E) falsificação de documento público.
país..
LETRA E
O Artigo 18 altera o Artigo 47 do código e trata da
restrição temporária de direitos, com o acréscimo do Inciso
5º, que institui a proibição de inscrever-se em concurso,
ESPAÇO PARA OBSERVAÇÕES DO ALUNO
avaliação ou exame públicos.

Já o Artigo 19 da Lei 12.550/11 serve para introduzir


no Título 10º da Parte Especial do Código Penal o Capítulo
5º, que contém o Artigo 311, sobre fraudes em certames de
interesse público. Por ele, considera-se crime utilizar ou
divulgar, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a
outrem, ou de comprometer a credibilidade do certame,
conteúdo sigiloso de concurso público; avaliação ou exame
públicos; processo seletivo para ingresso no ensino superior;
ou exame ou processo seletivo previstos em lei. A pena é
reclusão, de um a quatro anos, além de multa.
TÍTULO XI
Incorre na mesma pena quem permite ou facilita o DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
acesso de pessoas não autorizadas a tais informações. Se CAPÍTULO I
houver dano para a administração pública, a pena passa a DOS CRIMES PRATICADOS
ser de dois a seis anos e multa. Caso o autor seja POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO
funcionário público, aumenta-se a pena em um terço e a CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
punição pode chegar a oito anos de reclusão. Peculato
Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro,
Quanto à criação da Empresa Brasileira de valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de
Serviços Hospitalares, por meio de lei que serviu para que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em
governo e o Congresso alterarem o Código Penal Brasileiro proveito próprio ou alheio:

WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa. Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.
§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, Corrupção passiva
embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem,
subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes
próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou
proporciona a qualidade de funcionário. aceitar promessa de tal vantagem:
Peculato culposo Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e
§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o multa. (Redação dada pela Lei nº 10.763, de 12.11.2003)
crime de outrem: § 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em
Pena - detenção, de três meses a um ano. conseqüência da vantagem ou promessa, o funcionário
§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o
dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue a pratica infringindo dever funcional.
punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena § 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou
imposta. retarda ato de ofício, com infração de dever funcional,
Peculato mediante erro de outrem cedendo a pedido ou influência de outrem:
Art. 313 - Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
que, no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem: Facilitação de contrabando ou descaminho
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. Art. 318 - Facilitar, com infração de dever funcional, a
Inserção de dados falsos em sistema de prática de contrabando ou descaminho (art. 334):
informações (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e
Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a multa. (Redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990)
inserção de dados falsos, alterar ou excluir indevidamente Prevaricação
dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente,
dados da Administração Pública com o fim de obter ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei,
vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar para satisfazer interesse ou sentimento pessoal:
dano: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)) Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou
multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) agente público, de cumprir seu dever de vedar ao preso o
Modificação ou alteração não autorizada de sistema acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que
de informações (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) permita a comunicação com outros presos ou com o
Art. 313-B. Modificar ou alterar, o funcionário, sistema ambiente externo: (Incluído pela Lei nº 11.466, de 2007).
de informações ou programa de informática sem autorização Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.
ou solicitação de autoridade competente: (Incluído pela Lei Condescendência criminosa
nº 9.983, de 2000) Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e responsabilizar subordinado que cometeu infração no
multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não
Parágrafo único. As penas são aumentadas de um levar o fato ao conhecimento da autoridade competente:
terço até a metade se da modificação ou alteração resulta Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.
dano para a Administração Pública ou para o Advocacia administrativa
administrado.(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse
Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou privado perante a administração pública, valendo-se da
documento qualidade de funcionário:
Art. 314 - Extraviar livro oficial ou qualquer documento, Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
de que tem a guarda em razão do cargo; sonegá-lo ou
Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo:
inutilizá-lo, total ou parcialmente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, além da
Pena - reclusão, de um a quatro anos, se o fato não
multa.
constitui crime mais grave.
Violência arbitrária
Emprego irregular de verbas ou rendas públicas
Art. 322 - Praticar violência, no exercício de função ou a
Art. 315 - Dar às verbas ou rendas públicas aplicação
pretexto de exercê-la:
diversa da estabelecida em lei:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, além da
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
pena correspondente à violência.
Concussão
Abandono de função
Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou
Art. 323 - Abandonar cargo público, fora dos casos
indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-
permitidos em lei:
la, mas em razão dela, vantagem indevida:
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.
§ 1º - Se do fato resulta prejuízo público:
Excesso de exação
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
§ 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição
social que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando § 2º - Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa
devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, de fronteira:
que a lei não autoriza: (Redação dada pela Lei nº 8.137, de Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
27.12.1990) Exercício funcional ilegalmente antecipado ou
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e prolongado
multa. (Redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990) Art. 324 - Entrar no exercício de função pública antes
§ 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de satisfeitas as exigências legais, ou continuar a exercê-la,
de outrem, o que recebeu indevidamente para recolher aos sem autorização, depois de saber oficialmente que foi
cofres públicos: exonerado, removido, substituído ou suspenso:
WWW.CENTRALPROCONCURSOS.COM.BR
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. função ou em razão dela:
Violação de sigilo funcional Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.
Art. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do Tráfico de Influência (Redação dada pela Lei nº 9.127,
cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a de 1995)
revelação: Art. 332 - Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a
se o fato não constitui crime mais grave. pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no
§ 1o Nas mesmas penas deste artigo incorre exercício da função: (Redação dada pela Lei nº 9.127, de
quem: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) 1995)
I – permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e
e empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o acesso multa. (Redação dada pela Lei nº 9.127, de 1995)
de pessoas não autorizadas a sistemas de informações ou Parágrafo único - A pena é aumentada da metade, se o
banco de dados da Administração Pública; (Incluído pela Lei agente alega ou insinua que a vantagem é também
nº 9.983, de 2000) destinada ao funcionário. (Redação dada pela Lei nº 9.127,
II – se utiliza, indevidamente, do acesso de 1995)
restrito. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) Corrupção ativa
§ 2o Se da ação ou omissão resulta dano à Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a
Administração Pública ou a outrem: (Incluído pela Lei nº funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou
9.983, de 2000) retardar ato de ofício:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e
multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) multa. (Redação dada pela Lei nº 10.763, de 12.11.2003)
Violação do sigilo de proposta de concorrência Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço, se,
Art. 326 - Devassar o sigilo de proposta de concorrência em razão da vantagem ou promessa, o funcionário retarda
pública, ou proporcionar a terceiro o ensejo de devassá-lo: ou omite ato de ofício, ou o pratica infringindo dever
Pena - Detenção, de três meses a um ano, e multa. funcional.
Funcionário público Descaminho
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os
efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem Art. 334. Iludir, no todo ou em parte, o pagamento de
remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. direito ou imposto devido pela entrada, pela saída ou pelo
§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce consumo de mercadoria (Redação dada pela Lei nº 13.008,
cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem de 26.6.2014)
trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou
conveniada para a execução de atividade típica da Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro)
Administração Pública. (Incluído pela Lei nº 9.983, de anos. (Redação dada pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)
2000)
§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os
autores dos crimes previstos neste Capítulo forem § 1o Incorre na mesma pena quem: (Redação dada
ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)
ou assessoramento de órgão da administração direta,
sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação I - pratica navegação de cabotagem, fora dos casos
instituída pelo poder público.(Incluído pela Lei nº 6.799, de permitidos em lei; (Redação dada pela Lei nº 13.008, de
1980) 26.6.2014)
CAPÍTULO II
DOS CRIMES PRATICADOS POR
II - pratica fato assimilado, em lei especial, a
PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
descaminho; (Redação dada pela Lei nº 13.008, de
Usurpação de função pública 26.6.2014)
Art. 328 - Usurpar o exercício de função pública:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa.
III - vende, expõe à venda, mantém em depósito ou,
Parágrafo único - Se do fato o agente aufere vantagem: de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa. exercício de atividade c