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em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo

correspondente, e estas em porto ou mar territorial do


Brasil.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
DISCIPLINA : DIREITO PENAL Lugar do crime(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
PROFESSOR: JALIGSON CARLOS F. LEITE. Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que
ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como
Primeira Parte: 1.Princípios constitucionais do Direito Penal. onde se produziu ou deveria produzir-se o
2. A lei penal no tempo. 3. A lei penal no espaço.4. resultado.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
Interpretação da lei penal. 5. Infração penal: espécies. 6. Extraterritorialidade(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
Sujeito ativo e sujeito passivo da infração penal. 7. 1984)
Tipicidade, ilicitude, culpabilidade, punibilidade. 8. Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no
Excludentes de ilicitude e de culpabilidade. 9. Imputabilidade estrangeiro: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
penal. 10. Concurso de pessoas. I - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Segunda Parte: 1. Crimes contra a pessoa (homicídio, das
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;
lesões corporais, da rixa). 2. Crimes contra o patrimônio
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
(furto, roubo, extorsão, extorsão mediantes sequestro). 3.
Crimes contra a administração pública (peculato e suas b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito
formas,concussão, corrupção ativa e passiva, prevaricação). Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa
pública, sociedade de economia mista, autarquia ou
fundação instituída pelo Poder Público; (Incluído pela Lei nº
7.209, de 1984)
PRIMEIRA PARTE c) contra a administração pública, por quem está a seu
serviço; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou
TEMA 1
domiciliado no Brasil; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
II - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
1. APLICAÇÃO DA LEI PENAL: PRINCÍPIOS DA
11.7.1984)
LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE.
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a
DECRETO-LEI No 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940 reprimir; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
(CÓDIGO PENAL)
b) praticados por brasileiro; (Incluído pela Lei nº 7.209, de
DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL
1984)
Anterioridade da Lei
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras,
Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há mercantes ou de propriedade privada, quando em território
pena sem prévia cominação legal. (Redação dada pela Lei estrangeiro e aí não sejam julgados. (Incluído pela Lei nº
nº 7.209, de 11.7.1984) 7.209, de 1984)
Lei penal no tempo § 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei
Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior brasileira, ainda que absolvido ou condenado no
deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a estrangeiro.(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
execução e os efeitos penais da sentença condenatória. § 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) depende do concurso das seguintes condições: (Incluído
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo pela Lei nº 7.209, de 1984)
favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que a) entrar o agente no território nacional; (Incluído pela Lei nº
decididos por sentença condenatória transitada em julgado. 7.209, de 1984)
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
Lei excepcional ou temporária (Incluído pela Lei nº 7.209, (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
de 11.7.1984)
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei
Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o brasileira autoriza a extradição; (Incluído pela Lei nº 7.209,
período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que de 1984)
a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter
vigência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
aí cumprido a pena; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
Tempo do crime
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por
Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei
ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do mais favorável. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
resultado.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por
Territorialidade estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as
Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de condições previstas no parágrafo anterior: (Incluído pela Lei
convenções, tratados e regras de direito internacional, ao nº 7.209, de 1984)
crime cometido no território nacional. (Redação dada pela a) não foi pedida ou foi negada a extradição; (Incluído pela
Lei nº 7.209, de 1984) Lei nº 7.209, de 1984)
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão b) houve requisição do Ministro da Justiça. (Incluído pela Lei
do território nacional as embarcações e aeronaves nº 7.209, de 1984)
brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo Pena cumprida no estrangeiro (Redação dada pela Lei nº
brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as
7.209, de 11.7.1984)
aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de
propriedade privada, que se achem, respectivamente, no Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena
espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. (Redação imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou
dada pela Lei nº 7.209, de 1984) nela é computada, quando idênticas. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes
praticados a bordo de aeronaves ou embarcações Eficácia de sentença estrangeira(Redação dada pela Lei
estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas nº 7.209, de 11.7.1984)

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Art. 9º - A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei os quais se assentam todas as relações entre os indivíduos.
brasileira produz na espécie as mesmas consequências, Na Constituição do Estado, estão estabelecidos os primados
pode ser homologada no Brasil para: (Redação dada pela sobre os quais tudo o mais existe.
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e É na Carta Magna que está dito: república ou
a outros efeitos civis; (Incluído pela Lei nº 7.209, de monarquia, parlamentarismo ou presidencialismo;
11.7.1984) propriedade privada sobre os meios de produção ou
II - sujeitá-lo a medida de segurança.(Incluído pela Lei nº propriedade coletiva, estatizada: capitalismo ou socialismo.
7.209, de 11.7.1984) Desde as questões mais complexas aos mecanismos mais
Parágrafo único - A homologação depende: (Incluído pela simples da vida, do sistema financeiro à relação de
Lei nº 7.209, de 11.7.1984) emprego, todos encontram, na Carta Constitucional de um
Estado, suas origens, suas bases, suas raízes, suas
a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte
diretrizes e regras.
interessada; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
b) para os outros efeitos, da existência de tratado de
São os fundamentos, os alicerces, que sustentam a
extradição com o país de cuja autoridade judiciária emanou
vida da sociedade brasileira, do homem. Todas as demais
a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição do Ministro
normas do direito devem harmonizar-se com os princípios
da Justiça. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
constitucionais, sob pena de se tornarem inválidas.
Contagem de prazo(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Todo o Direito Penal, igualmente, é construído com
Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. base em princípios inseridos na Constituição Federal, os
Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário quais norteiam sua construção e a sua vida, devendo, em
comum. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) consequência, ser respeitados. Tudo aquilo que colidir com o
Frações não computáveis da pena(Redação dada pela Lei preceito constitucional será banido do ordenamento jurídico,
nº 7.209, de 11.7.1984) ainda que formalmente nele tiver ingressado.
Art. 11 - Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e
nas restritivas de direitos, as frações de dia, e, na pena de
multa, as frações de cruzeiro. (Redação dada pela Lei nº Por isso, para se estudar o Direito Penal, o
7.209, de 11.7.1984) ponto de partida deve ser o estudo de suas bases, seus
Legislação especial (Incluída pela Lei nº 7.209, de alicerces, seus princípios mais importantes, os quais,
11.7.1984) por essa razão, estão escritos na Constituição Federal.
Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos
incriminados por lei especial, se esta não dispuser de modo Nosso Diploma Constitucional é fonte formal
diverso. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) das normas penais, dispondo sobre preceitos de índole
liberal (princípios) que são basilares para todo o sistema, por
1.1.GENERALIDADES SOBRE PRINCÍPIOS tal motivo nossa Constituição Federal prevê institutos sobre
a irretroatividade da lei, crimes de racismo, tortura e tráfico
ilícito de entorpecente, terrorismo, personalidade e
Pelo dicionário Aurélio (1ª edição, 12ª impressão)
individualização da pena, sendo ainda prevista a forma para
Princípio significa: origem, começo, fonte, preceito. Norma
elaboração das leis, efeitos políticos da condenação, entre
significa: Aquilo que se estabelece como base ou medida ou
outros.
medida para a realização ou avaliação de alguma coisa,
modelo, padrão. Já a regra significa: aquilo que se regula,
Assim, os princípios constitucionais penais são
dirige, rege ou governa. Formula que indica ou prescreve o
mais nada, que se não, garantias e direitos dos
modo correto de falar, de pensar, raciocinar, agir, num caso
determinado. indivíduos, indispensáveis num estado democrático de
direito.
A palavra “princípio” pode expressar vários
significados, dentre os quais, início, origem, base, Os princípios poderão estar explícitos ou implícitos
fundamento, o que regula um comportamento, base de na Constituição Federal. Os explícitos são os que estão
uma ciência. Levando estes significados para a esfera escritos, expressos em lei, os implícitos, ainda que não
jurídica podemos considerar que princípios são uma expressos, figuram subentendidos no ordenamento jurídico.
ordenação que serve como parâmetro interpretativo
para a concreta e correta aplicação do direito. Seguindo a trilha do MANUAL DE DIREITO PENAL do
eminente GUILHERME DE SOUZA NUCCI – são
apresentados 12 princípios, sendo 6 de ordem explícita e
Dessa forma, considerando o princípio como
seis de ordem implícita, quais sejam :
definidor de todo o sistema, conclui-se que é muito mais
grave transgredir um princípio que uma norma, pois assim
agindo ofende-se não apenas um mandamento obrigatório Constitucionais explícitos os conceitos explícitos
específico, mas o conjunto sistêmico todo. estão enunciados de forma expressa e inequívoca no texto
da Constituição.
Em outros termos, princípio é o mandamento
nuclear de um sistema; é a regra a partir da qual irradiam  Legalidade ou Reserva legal
valores que vão orientar o ordenamento jurídico; eles  Anterioridade
balizam a interpretação das normas penais incriminadoras e  Retroatividade da lei mais benéfica/ Irretroatividade
não incriminadoras da lei mais severa
 Personalidade ou da responsabilidade pessoal
1.1.1.PRINCIPIOS CONSTITUCIONAIS PENAIS  Individualização da pena
 Humanidade
A Constituição é a base – o alicerce – do Estado e
da sociedade. É nela que estão insertas as normas básicas
Constitucionais implícitos Os implícitos se deduzem
de organização estatal e os princípios fundamentais sobre
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das normas constitucionais por estarem nelas contidas, “Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem
como os seguintes: previa cominação legal.”

 Intervenção mínima (subsidiariedade) Estabelece que o Estado deva se submeter ao


 Fragmentariedade império da Lei. No direito Penal desdobram-se em outros
 Culpabilidade dois princípios, o da Reserva Legal e o da Anterioridade.
 Taxatividade
 Proporcionalidade Quanto ao princípio da reserva legal, este não é
sinônimo do princípio da legalidade, mas apenas espécie
 Vedação da dupla punição pelo mesmo fato dele.
De outro lado, existem os princípios específicos Diferenciam-se os dois princípios pelo fato de que
de matéria penal dão fisionomia a este ramo do Direito, quanto ao princípio da reserva legal, a Constituição exige
demarcando os bens que tem responsabilidade de tutelar, e conteúdo específico. Ao princípio da legalidade, a
o alcance de seu poder punitivo. Constituição outorga poder amplo e geral sobre qualquer
espécie de relação.
Em que pese ao objeto proposto neste módulo
estudaremos apenas os três primeiros princípios Em termos exemplificativos, o artigo 5º, II da
constitucionais explícitos, quais sejam, o princípio da Constituição Federal/88, prevê que: "ninguém será obrigado
legalidade, o princípio da anterioridade e o princípio da a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de
irretroatividade da lei penal,manifestando-se neste lei". Trata-se de lei em sentido amplo, ou seja, qualquer ato
último caso acerca da retroatividade da lei penal mais normativo editado pelo Poder Legislativo (Constituição; leis
benigna. Vejamos os mesmos: complementares, leis ordinárias) ou, excepcionalmente, pelo
Poder Executivo (medidas provisórias e leis delegadas). Aqui
 PRINCIPIO DA LEGALIDADE temos a salvaguarda do amplo princípio da legalidade.
De outro lado,
É o mais importante dos princípios do Direito Penal, o princípio da reserva é mais restrito. Refere-se
a base, a viga mestra, o pilar que sustenta toda a ordem especificamente à emenda, lei complementar, etc., para
jurídico-penal. Seu significado é claro e límpido. Só pode regular determinado assunto. "Se todos os comportamentos
alguém receber uma resposta penal, uma pena criminal, se humanos estão sujeitos ao princípio da legalidade, somente
o fato que praticou estivesse, anteriormente, proibido por alguns estão submetidos ao da reserva da lei. Este é,
uma lei sob a ameaça da pena. O homem só pode sofrer a portanto, de menor abrangência, mas de maior densidade ou
pena criminal – ser privado da sua liberdade, em regra – se conteúdo, visto exigir o tratamento de matéria
tiver realizado um comportamento previamente definido exclusivamente pelo Legislativo, sem participação normativa
como crime, por uma lei em vigor. do Executivo”.

Quando a Carta, em seu artigo 5º,XXXIX, estabelece


Tal princípio rege o ordenamento jurídico como um que não haverá crime sem lei anterior que o defina, nem
todo, e não apenas o Direito Penal. Entretanto, em cada pena sem prévia cominação legal, estamos diante de uma
ramo do direito ele adquire um contorno diferenciado. Se matéria reservada à lei formal. Somente a União,
este princípio é importante para o ordenamento jurídico privativamente, através de seu Poder Legislativo, poderá
como um todo, mais ainda será para o Direito Penal, em discipliná-la (art. 22,I, CF/88.Destarte, fica vedada a
virtude da natureza das sanções por ele impostas aos interferência dos Estados-Membros ou Municípios, assim
indivíduos e da gravidade dos meios que o Estado emprega como a ingerência do Executivo ou Judiciário, na criação de
na repressão dos delitos. Desse modo, o Princípio da crimes e penas, estando tal artigo sujeito ao princípio da
Legalidade tem importância capital para o Direito Penal, pois reserva legal.
tal ramo do Direito é, por excelência, o maior limitador da
liberdade individual em prol do bem comum, no entanto, este Por fim, vale dizer que, apesar das distinções
poder de limitação da liberdade não pode ser “arbitrário”. E apresentadas, muitos doutrinadores entendem não existir
para combater qualquer espécie de arbitrariedade, nada diferença entre o princípio da legalidade e da reserva legal,
melhor do que o nosso bom e velho princípio da legalidade. no entanto os que defendem idéias contrárias afirmam que o
Pode-se, portanto, afirmar que o princípio em estudo é a primeiro esta submisso ao respeito da lei, quanto o segundo
limitação do limitador. esta ligado a instituição de normas, se expressa
necessariamente por meio de lei formal. Outra distinção esta
contida que no princípio da legalidade envolve uma situação
Por mais imoral que seja uma conduta humana, a hierárquica de lei, quanto o da reserva legal prende-se na
ela só corresponderá uma sanção penal se, antes de sua competência. Sustenta-se que a diferença reside no fato de
prática, tiver entrado em vigor uma lei considerando-a crime. que, quando se fala tão somente no princípio da legalidade
estaria se permitindo a adoção de todos os diplomas
EX: O incesto – prática de atos sexuais entre pai e filha ou elencados pelo artigo 59 da Constituição Federal, quando na
mãe e filho, ou entre irmãos, sem violência, real ou moral –, verdade a reserva da lei esta prevê tão somente a criação
apesar de, moralmente, repugnar a todos, não é conduta de normas penais por atos do Poder Legislativo.
criminosa.
 PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

O principio da legalidade está previsto na O artigo 1º do Código Penal, que já foi transcrito
Constituição Federal, entre os direitos e garantias anteriormente, abarca dois aspectos: o da legalidade em si,
fundamentais, no artigo 5º, inciso XXXIX, bem como no e o da anterioridade da lei. Destarte, o aspecto da
artigo 1º do Código Penal Brasileiro, com a seguinte legalidade, propriamente dito reserva ao campo da “lei” a
redação: tarefa de descrever crimes e cominar penas (não há crime
sem lei que o defina), e o aspecto da anterioridade se
evidencia através da expressão “lei anterior”.
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Em outros termos, faz-se necessário que a lei assim fosse, não haveria segurança nem liberdade na
definidora de um crime esteja em vigor na data do fato. Para sociedade. Entretanto, tal princípio vige somente em relação
que se puna alguém pela prática de uma conduta delituosa, à lei mais severa, como se denota do inciso XL da CF,
sua lei definidora têm que estar em vigor no momento da abaixo transcrita:
ação ou omissão.
Art. 5º, XL, da CF – “a lei penal não retroagirá, salvo para
beneficiar o réu;”
Conforme depreende tal instituto é necessário que
a lei esteja em vigor na data em que o fato é praticado.  Princípio da retroatividade: em Direito Penal, a lei
Entende-se como norma penal, toda e qualquer norma que mais benigna (lex mitior) possui, pois, retroatividade,
venha a criar, diminuir, extinguir, aumentar ou reduzir a prevista, também, no Código Penal, art. 2º do Código Penal,
satisfação do direito de punir do Estado. in verbis:

A regra da anterioridade (nullun crimen sine Art. 2º do CP. “Ninguém pode ser punido por fato que lei
preavia lege): do enunciado deste art. 1º decorre também a posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude
regra da anterioridade da lei penal. Para que qualquer fato dela a execução e os efeitos penais da sentença
possa ser considerado crime, é indispensável que a vigência condenatória. Parágrafo único. A lei posterior, que de
da lei que o defina como tal seja anterior ao próprio fato. Por qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos
sua vez, a pena cabível deve ter sido cominada (prevista) anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória
também anteriormente, remontando o bocardo nullum transitada em julgado.”
crimen sine praevia lege (não a crime nem pena sem lei
prévia). E, irretroabilidade (consequência da regra da Por retroatividade entende-se o fenômeno pelo qual
anterioridade): Além das duas regras acima referida uma norma jurídica é aplicada a fatos ocorridos antes de sua
(legalidade e anterioridade), o postulado enunciado no artigo entrada em vigor.
1º traz a consequência de que, sendo as leis editadas para o
futuro, as normas incriminadoras não podem ter efeito para o É o que se verifica com a solução legal das hipóteses
passado, a menos que seja para favorecer o agente (vide, de conflitos de leis penais no tempo: 1°) novatio legis
ainda, art. 2º do CP). Também não retroagem as leis incriminadora; 2°) abolitio criminis; 3°) novatio legis in pejus;
posteriores que, mesmo sem incriminar, prejudicam a e 4°) novatio legis in mellius. Vejamos cada um desses
situação do agente. institutos:
 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA LEI MAIS  Novatio legis incriminadora
BENÉFICA OU DA IRRETROATIVIDADE DA LEI PENAL
A primeira hipótese trata da lei nova que torna típico fato
anteriormente não incriminado (novatio legis incriminadora).
Nossa Constituição também trata da irretroatividade Evidentemente, a lei nova não pode ser aplicada diante do
da lei, na qual a norma é editada para o futuro e não para o princípio da anterioridade da lei penal previsto no art. 5°,
passado. XXXIX, da CF e no art. 1° do CP. Nessa hipótese, a lei penal
é irretroativa.
O artigo da Constituição Federal 5 º, inciso XL,
assim prescreve:
 Abolitio criminis
Ocorre a chamada abolitio criminis quando a lei nova já não
“A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o
incrimina fato que anteriormente era considerado como ilícito
réu.”
penal. Dispõe o art. 2°, caput, do CP:
"Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de
Em primeiro plano, é necessário que se faça uma
considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os
distinção entre lei penal material e lei penal processual. A
efeitos penais da sentença condenatória."
primeira versa sobre o direito penal propriamente dito,
segundo a regra do artigo 5 º, inciso XL, acima descrito,
Trata-se nesse dispositivo da aplicação do princípio
enquanto a segundo versa sobre a forma de aplicação do
da retroatividade da lei mais benigna. A nova lei, que se
Direito Penal, esta vindo a retroagir, salvo se a referida
presume ser mais perfeita que a anterior, demonstrando não
norma tiver em seu bojo normas materiais.
haver mais, por parte do Estado, interesse na punição do
autor de determinado fato, retroage para alcançá-lo. Assim,
A Lei penal não pode retroagir salvo quando para se uma nova lei não mais considerar como crimes fatos
beneficiar o Réu. De regra a Lei Penal não retroagirá, porém como o adultério, o aborto e a sedução, não poderão ser
quando a nova lei beneficiar o réu, mesmo que transitada responsabilizados penalmente os respectivos autores ainda
em julgado sentença condenatória, poderá este ser que os tenham praticado durante a vigência da lei atual.
beneficiado.
Expressamente, o dispositivo alcança também os
De acordo com o princípio da legalidade (art. 1º do Código fatos definitivamente julgados, ou seja, a execução da
Penal), praticado um fato criminoso, este deve reger-se pela sentença condenatória e todos os efeitos penais dessa
lei penal em vigor à época de sua prática (tempus regit decisão. Ocorrerá a extinção da punibilidade prevista no art.
actus). Entretanto, ocorrendo a modificação desta sem que 107, III, do CP. O sentenciado será posto em liberdade se
se tenham esgotado as consequências jurídicas do fato, estiver cumprindo pena, voltará à condição de primário, não
surge um conflito de leis penais no tempo. Para solucionar estará mais submetido ao sursis ou livramento condicional
tal conflito, alguns princípios devem ser observados. etc.

 Princípio da irretroatividade: princípio geral que rege Não há abolitio criminis se a conduta praticada pelo
a aplicação da lei penal no tempo, decorrente do princípio da acusado e prevista na lei revogada é ainda submissível a
legalidade, uma vez que um fato só poderá ser incriminado outra lei penal em vigor. Havendo já imputação por denúncia
se existir, à época de sua prática, uma lei descrevendo-o ou queixa, pode a inicial ser aditada antes da sentença final
como crime. Uma lei nova não pode retroagir para punir para correção ou suprimento com o fim de definir sua nova
alguém por fato anterior a sua entrada em vigor, pois, se tipicidade, sendo ainda possível ao Juiz dar ao fato definição

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jurídica diversa da que constar do pedido. direito, respondem penal e civilmente seusherdeiros em
linha reta ou colateral até o 2º grau.
Como não é possível delegar à medida provisória
matéria que se refira a direitos individuais, entre eles os que D) Segundo o princípio da legalidade, a tipificaçãoda
dizem respeito ao princípio da legalidade (arts. 59, XXXIX, e conduta delituosa praticada como crimeindepende da
68, § 1o, II, da CF), não pode ela instituir a abolitio criminis,
existência da correspondênciaentre a conduta praticada e a
máxime quando não convertida
em lei. previsão legal.

Pela abolitio criminis se fazem desaparecer o delito E) O princípio da intervenção mínima do DireitoPenal não
e todos seus reflexos penais, permanecendo apenas os existe.
civis. Nesta parte, a sentença condenatória transitada em
julgado, sem embargo da abolitio criminis, torna certa a Letra “A”
obrigação de indenizar o dano causado pelo crime (art. 91,
inc. I, do CP). Isto porque já ficou reconhecida em juízo a 2.( Instituto Cidades - 2011 - DPE - AM - Defensor
ocorrência do fato e estabelecida sua autoria; o fato já não é Público) Sobre os princípios da legalidade e da
crime, mas um ilícito civil que obriga à reparação do dano. O anterioridade (artigo 1º do Código Penal) é correto
art. 2°, caput, do CP, portanto, não tem efeitos civis ou afirmar:
processuais civis.
a) pelo princípio da legalidade compreende-se que ninguém
 Novatio legis in pejus responderá por um fato que a lei penal preveja como crime
A terceira hipótese refere-se à nova lei mais severa que a e, pelo princípio da anterioridade compreende-se que
anterior (novatio legis in pejus). Vige, no caso, o princípio da alguém somente responderá por crime devidamente previsto
irretroatividade da lei penal previsto no art. 5°, XL, da CF: "a em lei que tenha entrado em vigor um ano anteriormente à
lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu". prática da conduta;
Permanecendo na lei nova a definição do crime, mas b) os princípios da legalidade e da anterioridade pressupõem
aumentadas suas consequências penais, esta norma mais a existência de lei anterior à prática de uma determinada
severa não será aplicada. conduta para que esta possa ser considerada como crime;
c) tais princípios são sinônimos e significam a necessidade
Nessa situação estão as leis posteriores em que se da existência de lei para que uma conduta seja considerada
comina pena mais grave em qualidade (reclusão em vez de crime;
detenção, por exemplo) ou quantidade (de dois a oito anos, d) são incompatíveis um com o outro, já que pressupõem
em vez de um a quatro, por exemplo); se acrescentam circunstâncias diversas;
circunstâncias qualificadoras ou agravantes não previstas e) pelo princípio da anterioridade compreende-se a previsão
anteriormente; se eliminam atenuantes ou causas de anterior de determinada conduta como criminosa
extinção da punibilidade; se exigem mais requisitos para a independentemente de definição por lei em sentido estrito.
concessão de benefícios etc.
Letra “B”
 Novatio legis in mellius
3.(Soldado PM - Noções de Direito Penal - Prova Polícia
A última hipótese é a da lei nova mais favorável que Militar GO 2013 - Sobre os princípios constitucionais do
a anterior (novatio legis in mellius). Além da abolitio criminis, Direito Penal, verifica-se que o princípio da
a lei nova pode favorecer o agente de várias maneiras.
Regula o assunto o art. 29, parágrafo único, com a seguinte
a) individualização da pena tem por destinatário único o
redação: "A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o
agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos juiz por ocasião da aplicação da pena.
por sentença condenatória transitada em julgado." Refere-se
o artigo citado aos dispositivos da lei nova que, ainda b) fragmentariedade indica que a intervenção penal
incriminando o fato, cominam penas menos rigorosas, em somente deve ocorrer para tutelar bens jurídicos de relevo
qualidade ou quantidade, ou favorecem o agente de outra para a sociedade.
forma, acrescentando circunstância atenuante não prevista,
eliminando agravante anteriormente prevista, prevendo a c) culpabilidade tem tradução na vedação da
suspensão condicional com maior amplitude, estabelecendo responsabilidade subjetiva.
novos casos de extinção da punibilidade, reduzindo os
requisitos para a concessão de benefícios etc.
d) intervenção mínima orienta para a aplicação do direito
Exercícios de Fixação para resolução em sala de aula penal quando a lesão ou ameaça de lesão ao bem jurídico
for irrelevante.
1. (Concurso Público Polícia Militar do Estado do Piauí -
2013) Sobre os princípios constitucionais do Direito Letra “B”
Penal, assinale a alternativa correta
4.(Técnico Administrativo - Direito Penal - MPU – FCC -
Dispõe o artigo 1o do Código Penal: "Não há crime sem
A) Via de regra, a lei penal não retroage no tempo;porém, lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia
quando a nova lei beneficiar o réu,mesmo que transitada em cominação legal". Tal dispositivo legal consagra o
julgado sentençacondenatória, poderá este ser beneficiado. princípio da

B) Em nenhuma hipótese se admitem penas comcaráter a) ampla defesa.


cruel, a exemplo das penas de caráterperpétuo, trabalhos
forçados e a pena de morte. b) legalidade.

C) No caso de morte do condenado à pena restritivade c) presunção de inocência.


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d) dignidade. de revogadas, pelo decurso de tempo ou cessadas as
causas emergenciais. A razão é evidente. Se o criminoso
e) isonomia. soubesse antecipadamente que estivessem destinadas a
desaparecer após um determinado tempo, perdendo a sua
Letra “B” eficácia, lançaria mão de todos os meios para iludir a
sanção, principalmente quando iminente o término de sua
TEMA 2 vigência pelo decurso de seu período de duração ou de suas
circunstâncias determinadoras. São exemplos de
1.A LEI PENAL NO TEMPO E NO ESPAÇO possibilidade de criação de leis temporárias ou excepcionais:
epidemia, guerra, mudança brusca de situação econômica,
1.1. A LEI PENAL NO TEMPO etc.
Encerrado o período de sua vigência, ou cessadas
A lei penal nasce, vive e morre. A regra é “tempus as circunstâncias anormais que as determinaram, tem-se por
regit actum”, isto é, a lei rege em geral, os fatos praticados revogadas tais leis.
durante a sua vigência. Há uma regra que domina o conflito
de leis penais no tempo, é a da irretroatividade da lei penal,  HIPÓTESES DE CONFLITOS DE LEIS PENAIS
sem a qual não haveria nem segurança nem liberdade na NO TEMPO (já foram vistas anteriormente).
sociedade, uma vez que se poderiam punir fatos lícitos após
sua realização, com a abolição do postulado consagrado no 1. Abolitio criminis – lei nova deixa de considerar
art. 2º do Código Penal. crime fato anteriormente tipificado como ilícito penal.
2. Novatio legis incriminadora – lei nova que
O princípio da irretroatividade vige, entretanto, considera crime fato que anteriormente não incriminado.
somente em relação à lei mais severa. Admite-se, no direito 3. Novatio legis in pejus - lei posterior, que de
transitório, a aplicação retroativa da lei mais benigna (lex qualquer modo agrava a situação do sujeito, não retroagirá
mitior). Constituição Federal artigo 5° XL. (art. 5º, XL, da CF).
4. Novatio legis in mellius - lei posterior, que
Como vimos anteriormente, temos, assim, dois descriminaliza ou dê tratamento mais favorável ao sujeito.
princípios que regem os conflitos de direito intertemporal: o Não fere o princípio constitucional que preserva a coisa
da irretroatividade da lei mais severa (regra) e o da julgada (art. 5º, XXXVI, da CF), pois essa norma
retroatividade da lei mais benigna (exceção) constitucional protege as garantias individuais e não o direito
do Estado enquanto titular do ius puniendi.
Observação importante: A lei processual penal,
entretanto, não se submete a esse critério, conforme o artigo Havendo dúvida sobre qual a lei mais benéfica,
2° do CPP. considerar-se-á mais favorável aquela que restringe o jus
puniendi, ampliando os direitos de liberdade .
Havendo conflitos intertemporais deve-se aplicar os
princípios supracitados e, havendo retroatividade da lei mais Durante o vacatio legis a lex mitior não pode ser
benigna a persecutio criminis que ainda não foi aplicada de imediato e nem retroativamente, devendo sê-la
movimentada, não poderá mais sê-lo, isto é, o inquérito somente quando de sua entrada em vigor.
policial ou o processo não pode ser iniciado. De outro lado,
se o processo já está em andamento: deve ser "trancado"  TEORIAS SOBRE O TEMPO DO CRIME
mediante decretação da extinção da punibilidade. Havendo
sentença condenatória com trânsito em julgado a pretensão São três teorias:
executória não pode ser efetivada (a pena não pode ser
executada). Por fim, se o condenado está cumprindo a pena TEORIA DA ATIVIDADE: segundo a qual se considera
deve ser decretada a extinção da punibilidade, devendo o praticado o delito no momento da ação ou omissão,
mesmo ser solto. aplicando-se ao fato a lei em vigor nessa oportunidade
(teoria adotada pelo CPB, artigo 4º);
Vejamos alguns pontos de destaque quanto ao
tópico “ a lei penal no tempo”: TEORIA DO RESULTADO: segundo a qual se considera
praticado o delito no momento da produção do resultado,
 LEIS TEMPORÁRIAS E EXCEPCIONAIS: aplicando-se ao fato a lei em vigor nessa oportunidade;

Segundo o artigo 3º do CPB “A lei excepcional ou TEORIA DA UBIQÜIDADE OU MISTA: segundo a qual o
temporária, embora decorrido o período de sua duração tempo é indiferentemente o momento da ação ou do
ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, resultado, aplicando-se qualquer uma das leis em vigor
aplica-se ao fato praticado durante sua vigência”. nessas oportunidades.

 Leis Temporárias: vigência previamente fixada Nosso legislador adotou a TEORIA DA ATIVIDADE,
pelo legislador; Estabelecido início e o fim da vigência ( Ex : que evita a incongruência de o fato se considerado como
Esta lei vigorará do dia 10 de abril de 2012 até o dia 10 de crime em decorrência da lei vigente na época do resultado
abril de 2013). Vale dizer, é aquela que traz expressamente quando não o era no momento da ação ou omissão.
em seu texto o dia do início e do término de sua vigência.
CRIME PERMANENTE: Nele, em que o momento
 Leis Excepcionais: as que vigem durante consumativo se alonga no tempo sob a dependência da
situações de emergência; É uma lei criada com o fim vontade do sujeito ativo, se iniciado sob a eficácia de uma lei
específico de atender a uma situação circunstancial e e prolongado sob outra, aplica-se esta, mesmo que mais
transitória. São exemplos os casos de calamidade pública, severa.
guerras, revoluções, epidemias etc.
CRIME HABITUAL: Dá-se a mesma solução do crime
permanente.
Essas espécies de lei têm ultratividade, ou seja,
aplicam-se a fatos cometidos no seu império, mesmo depois
CRIME CONTINUADO: Podem ocorrer três hipóteses :
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território nacional , quando assim determinarem tratados ou
 o agente praticou a série de crimes sob o império convenções internacionais.
de duas leis, sendo mais grave a posterior: aplica-se a lei
nova, tendo em vista que o delinquente já estava advertido OBS : Adotou-se o princípio da territorialidade temperada
da maior gravidade da sanctio juris, caso "continuasse" a
conduta delituosa; 1.2.3.PRINCÍPIOS GERAIS

 se cuida de novatio legis incriminadora, constituem 1.2.3.1.EXTRATERRITORIALIDADE DA LEI PENAL


indiferente penal os fatos praticados antes de sua entrada BRASILEIRA
em vigor. O agente responde pelos fatos cometidos sob a
sua vigência a título de crime continuado, se presentes os
O princípio da extraterritorialidade consiste na
seus requisitos;
aplicação da lei brasileira aos crimes cometidos fora do
Brasil. Poderá ser :
 se trata de novatio legis supressiva de incriminação,
a lei nova retroage, alcançando os fatos ocorridos antes de
• INCONDICIONADA; Em todas as hipóteses de
sua vigência. Quanto aos fatores posteriores, de aplicar-se o
crimes do art. 7º, I, do Código Penal, o agente é punido
princípio de reserva legal.
sempre segundo a lei brasileira, mesmo que tenha sido
absolvido ou condenado fora do território brasileiro. Isso não
1.2.LEI PENAL NO ESPAÇO
significa que serão executadas, integralmente, as penas
aplicadas pelos dois países, pois a pena cumprida no
Segundo a regra do art. 5º do Código Penal: Aplica-
estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil. Tal
se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e
extraterritorialidade é prevista nas hipóteses do inc. I do art.
regras de direito internacional, o crime cometido em território
7º, quais sejam, as de crimes cometidos no estrangeiro
brasileiro."
contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;
contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito
Desse modo, a regra define a aplicação da lei penal
Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa
em todo o território brasileiro, embora o dispositivo contenha
pública, sociedade de economia mista, autarquia ou
a ressalva da existência de convenções, tratados e regras
fundação estatuída pelo Poder Público; contra a
de direito internacional, como na hipótese de crimes
Administração Pública, por quem está a seu serviço; e de
praticados por diplomatas. Completando assim a regra de
genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no
territorialidade por outras disposições a que chamamos de
Brasil. Diz-se incondicionada a extraterritorialidade
extraterritorialidade.
excepcional da lei penal brasileira, nesses casos, porque a
sua aplicação não se subordina a qualquer requisito.
A aplicação da lei penal em território nacional pode-
se estender além das fronteiras nacionais.
• CONDICIONADA. Ocorre nos seguintes casos:
1.2.1.TERRITÒRIO
a) crimes que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou
Refere-se ao território nacional quando se a reprimir (art. 7º, II, a).
considera apenas o espaço compreendido entre nossas b) crimes praticados por brasileiro no estrangeiro (al.
fronteiras. Abrange o solo e subsolo, sem solução de c).delitos praticados em aeronaves ou embarcações
continuidade e com limites reconhecidos; as águas brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando
interiores, o mar territorial, a plataforma continental e o em território estrangeiro e aí não sejam julgados.
espaço aéreo, bem como a seu leito e também o que está d) Crimes cometidos por estrangeiro contra brasileiro fora do
imbuído abaixo do solo. Entretanto a noção de território Brasil (art. 7º, § 3º).
abrange todo o espaço onde impera a soberania do Estado.
Diz-se condicionada porque a aplicação da lei penal
brasileira se subordina à ocorrência de certos requisitos. Nos
No parágrafo citado, compreende-se como quatro casos, a aplicação da lei brasileira depende do
extensão do território as embarcações públicas, à serviço do concurso das seguintes condições:
governo brasileiro, seja as de guerra, seja com o transporte
de chefes de estado e diplomatas. As aeronaves públicas  entrar o sujeito no território nacional.
são as que integram as forças armadas brasileira, inclusive  ser o fato punível também no país em que foi
as requisitadas para missões militares. Assim cometido praticado;
crime no interior dessas embarcações e aeronaves, onde  estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a
quer que estejam, mesmo que seja em outro território, é lei brasileira autoriza a extradição;.
aplicada a lei penal brasileira pela regra da territorialidade.  não ter sido o sujeito absolvido no estrangeiro ou
No caso de tripulantes ou passageiros, à serviço do governo, não ter aí cumprido a pena;
que se ausentarem de suas embarcações ou aeronaves, e,  não ter sido o sujeito perdoado no estrangeiro ou,
estando em solo estrangeiro para tratar de interesse por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a
particular, praticarem conduta criminosa, estarão sujeitos à lei mais favorável (art. 7º, § 2º).
lei penal do país em que se encontrarem.
1.2.3.2.Nacionalidade: Pode ser chamado de princípio da
1.2.2.PRINCÍPIOS ESPECÍFICOS DA TERRITORIALIDADE personalidade. A lei penal do Estado é aplicável a seus
cidadãos onde quer que se encontrem. O que importa para a
 Princípio da territorialidade absoluta: só a lei aplicação da lei penal é a nacionalidade, podendo o Estado
penal brasileira é aplicável aos crimes cometidos no território (Brasil) punir o agente delituoso (brasileiro), pelo crime que
nacional. cometeu fora das fronteiras de seu Estado. Aplica-se a lei do
país do agente, pouco importando o local onde o crime foi
 Princípio da territorialidade temperada: a lei cometido. Pode subdividir-se em:
penal brasileira, aplica-se em regra ao crime cometido no
território nacional. Excepcionalmente a lei estrangeira é • NACIONALIDADE ATIVA OU
aplicável a delitos cometidos total ou parcialmente em PERSONALIDADE ATIVA:Aplica-se a lei do Estado ou
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país a que pertence o agente, sem levar em consideração a
nacionalidade da vítima, ou bem jurídico. Art. 7º Inciso II, Princípio da detração: o tempo em que o extraditando
Alínea b, do Código Penal. permanece preso preventivamente no Brasil, a deve ser
considerado na execução da pena no país requerente.
 NACIONALIDADE PASSIVA OU
PERSONALIDADE PASSIVA, Aplica-se a lei do Estado ou Jurisdição subsidiária: verifica-se a subsidiariedade da
país, somente quando a vítima ou bem jurídico ofendido, jurisdição nacional nas hipóteses do inciso II e do § 3° do
pertença a pessoa da mesma nação. Art. 7º, Inciso II, Alínea artigo 7° do CP. Se condenado por crime no estrangeiro e
b, do Código Penal. Em outros termos, exige para sua sendo processado por esse juízo. Está sentença
aplicação que sejam nacionais o autor e o objeto ofendido. preponderará sobre a do juiz brasileiro. Caso o réu tenha
sido considerado absolvido pelo juízo estrangeiro, aplicar-se-
1.2.3.3.DA PROTEÇÃO, DA DEFESAOU REAL: Aplica-se á a regra non bis in idem para impedir a persecutio criminis.
a lei do país do bem jurídico ofendido, sem contar-se com o Tendo sido condenado, e subtraiu-se a execução da pena ,
local onde foi praticado o crime ou a nacionalidade do não lhe será possível invocar o non bis in idem, sendo
agente,ou seja, onde quer que o crime tenha ocorrido e julgado e se for o caso, condenado novamente pelos órgão
qualquer que seja a nacionalidade do criminoso. São nacionais – art 7° § 2°, “d” e “e”.
exemplos: crime cometido no exterior, contra a vida e
liberdade do Presidente da República e o patrimônio público Jurisdição principal: hipóteses do artigo 5° e 7°,I do CP.
Brasileiro; Genocídio praticado por brasileiro, ou pessoa aqui Compete a jurisdição brasileira conhecer do crime cometido
residente, etc. no território nacional ou por força dos princípios de
competência real. Assim, a absolvição no estrangeiro não
1.2.3.5.DA REPRESENTAÇÃO: aplicação do país, quando impedirá nova persecutio criminis, nem obstará o veredicto
por deficiência legislativa ou interesse de outro que deveria do juiz brasileiro.
reprimir o crime, não o faz. Praticada em aeronaves ou
embarcações Brasileira (mercante ou privada) e no exterior Atendendo a regra non bis in idem e non bis poena in
não julgada. idem, a pena cumprida no estrangeiro pelo mesmo crime,
quando diversas atenua a pena imposta no Brasil, e quando
OBS: Geralmente as nações adotam legislação baseadas e idênticas é nela computada.
um dos princípios e depois complementam com os demais.
No Brasil, adotou-se os seguintes princípios: 1.2.5.LUGAR DO CRIME

 da territorialidade: art. 5º (regra); Segundo o Art. 6º do CPB, “considera-se praticado


 real ou de proteção: art. 7º, I e § 3º; o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo
 da justiça universal: art. 7º, II, a; ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria
 da nacionalidade ativa: art. 7º, II, b; produzir-se o resultado."
 da representação: art. 7º, II, c (exceções).
Ocorrendo uma conduta criminosa é necessário que
1.2.4.EXTRADIÇÃO: é o instrumento jurídico pelo qual um se defina o lugar em que ela aconteceu, pois à partir da
país envia uma pessoa que se encontra em seu território a determinação do local é que se pode estabelecer a sua
outro Estado soberano, a fim de que neste seja julgada ou competência. E para definir corretamente o lugar do crime, e
receba imposição de pena já aplicada a Extradição segue segundo critérios da competência penal internacional, é
alguns princípios : necessário conhecer os fatos do crime que estão
diretamente implicados ao local de sua ocorrência.
Princípio da não extradição de nacionais: nenhum
brasileiro será extraditado, salvo naturalizado, em caso de Além disso, existem três teorias principais para
crime comum praticado antes da naturalização ou de ajudar na elucidação do problema, quais sejam: Teoria da
comprovado tráfico ilícito de entorpecentes. Atividade; Teoria do Resultado e Teoria da Ubiquidade.

Princípio da exclusão de crimes não comuns: Cada uma dessas teorias traz em si considerações
estrangeiros não podem ser extraditados por crime político diferentes sobre a apuração do lugar do crime. Vejamos:
ou de opinião;
 TEORIA DA ATIVIDADE - o relevante é saber onde
Princípio de prevalência dos tratados: na colisão entre a os atos executórios foram praticados;
lei reguladora da extradição e o respectivo tratado, este
prevalece.  TEORIA DO RESULTADO - o que se prioriza é
conhecer o lugar em que o crime produziu o seu resultado
Princípio da legalidade: somente cabe extradição nas ou efeito;
expressas hipóteses elencadas no texto lega regulador do
instituto e apenas em relação aos delitos especificamente  TEORIA DA UBIQUIDADE OU MISTA - o que
apontados naquela lei. importa são os momentos tanto da prática dos atos
executórios, quanto da sua consumação. Essa última, por
Princípio da dupla tipicidade: deve haver semelhança ou sinal, é a dominante entre os doutrinadores e das
simetria entre os tipos penais da legislação brasileira e do legislações penais. Também o Código Penal Brasileiro, no
Estado solicitante. seu art. 6º, adotou a teoria da ubiquidade para solucionar a
questão referente ao lugar do crime. Diante desse fato, há
Princípio da preferência da competência nacional: consenso de que para a aplicação da lei nacional à conduta
havendo conflito entre a justiça brasileira e a estrangeira, criminosa, é suficiente que ela ocorra em território brasileiro,
prevalecerá a competência nacional. ainda que seja uma pequena porção dessa conduta. Sua
adoção pelo Código é marcante na análise de casos
Princípio da limitação em razão da pena: não se denominados crimes à distância, onde os atos executórios
concederá extradição para os países onde a pena de morte são praticados num Estado e a sua consumação se dá
e a prisão perpétua são previstas a menos que sejam dadas noutro Estado. A lei nacional deve ser exercida, mesmo que
garantias de que não serão aplicadas. concomitante à lei estrangeira.
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praticados a bordo de
OBS: Quando nos casos de crime permanente e crime
continuado, algum dos fatos que constituem tais crimes for a) embarcações mercantes brasileiras que estejam em mar
praticado em território nacional, caberá à aplicação da lei territorial estrangeiro.
nacional. A adoção da teoria da ubiquidade só não terá
b) embarcações mercantes brasileiras que estejam em
aplicação para os casos de crimes conexos, uma vez que
porto estrangeiro.
esses crimes não constituem fato unitário, ficando submetido
a lei de cada país o que for feito em seu território. c) aeronaves mercantes brasileiras que estejam em espaço
aéreo estrangeiro.
Exercícios de Fixação para resolução em sala de aula d) aeronaves mercantes brasileiras que estejam em pouso
em aeroporto estrangeiro.
01) (Fundação José Pedro de Oliveira – IBFC – 08 – e) embarcação estrangeira de propriedade privada que
Procurador – 2011)No que concerne ao tempo do crime esteja em mar territorial brasileiro.
o Código Penal adotou:
Letra “E’
a) a teoria do resultado.
b) a teoria da tipicidade. TEMA 3
c) a teoria da retroatividade.
d) a teoria da ubiquidade.
e) a teoria da atividade. 2. INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL

Letra E As leis, contendo as normas, dirigem-se a todos os


indivíduos da sociedade, e trazem ordens que todos devem
02) (Fundação José Pedro de Oliveira – IBFC – 08 – cumprir. Toda ordem deve ser clara, precisa, exata,
Procurador – 2011) São princípios de aplicação da lei Entretanto,por mais que o legislador se esforce na missão
penal no espaço, exceto: de elaborar a norma com precisão e clareza, as palavras, as
frases, as construções, a língua utilizada na comunicação,
a) princípios da territorialidade temperada e da exigem uma análise a fim de bem delimitar seu conteúdo.
nacionalidade ativa. Esta análise do texto da lei busca encontrar o sentido exato
b) princípios da proteção e do pavilhão ou da bandeira. de seu conteúdo. Destarte, por mais clara que seja,
c) princípios da justiça universal e da nacionalidade passiva. aparentemente, uma norma, ainda assim precisa ser
d) princípios da representação e da defesa. analisada e examinada. Quando se diz que uma norma é
e) princípios da extratividade, da ultratividade e da clara e, por isso, não precisa ser interpretada, é porque,
retroatividade. quando se a considerou clara, já se a tinha analisado
conhecido, previamente, seu verdadeiro significado.
Letra E
Interpretar a lei é extrair o significado e a extensão
da norma, em face da realidade; descobrir sua real
3. (Agente Penitenciário - Direito Penal (Lep) - Sejus RO dimensão, sua amplitude, o âmbito de sua incidência na vida
2008) - Segundo o 4° artigo do Código Penal, prática. A interpretação é uma operação lógica que visa
“considera-se praticado o crime no momento da ação ou descobrir a vontade da lei, para aplicá-la aos casos que
omissão, ainda que outro seja o momento do resultado”. ocorrem no dia a dia.
Para o tempo do crime, o Código Penal adota a teoria:
2.1 ESPÉCIES DE INTERPRETAÇÃO
a) da ubiquidade. 2.1.1.QUANTO AO SUJEITO
b) da atividade.
c) do resultado.  Interpretação autêntica ou legislativa
d) da retroatividade, quando em favor do agente.
e) da causalidade. Esta é a interpretação feita pelo próprio legislador, por
meio da própria lei. Ao elaborar determinada lei, verifica o
Letra “B” legislador a existência de um conceito, um termo, um
instituto, inserido na norma que pode ser interpretado de
forma dúbia ou ambígua e, como a norma penal deve ser
4. ( Agente Penitenciário - Direito Penal (Lep) - Sejus precisa, ele mesmo apresenta a solução da dúvida ou da
RO 2008) - Segundo o 6° artigo do Código Penal ambiguidade, espancando futuras controvérsias.
“considera-se praticado o crime no lugar em que
ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem Trata-se da mais verdadeira interpretação da lei, pois é
como onde se produziu ou deveria produzir o ela mesma quem diz qual sua vontade, qual a extensão do
resultado”. Para o lugar do crime, o Código Penal adota: conteúdo e o significado das expressões que utiliza.

a) a teoria da causalidade. Quando o legislador interpreta a lei em seu próprio


b) a teoria do resultado. contexto, há interpretação autêntica contextual. Exemplos
c) a teoria da ubiquidade. dessa espécie de interpretação encontram-se no Código
d) a teoria da atividade. Penal.
e) a teoria da retroatividade.
No art. 150, está definido o crime de violação de
domicílio, assim: “entrar ou permanecer, clandestina ou
Letra “C” astuciosamente, ou contra a vontade expressa de quem de
Qual é a amplitude, a extensão, da expressão casa”? O
próprio legislador do Código Penal, antevendo dúvidas
5. Técnico Administrativo - Direito Penal - MPU – FCC- futuras, tratou de esclarecer, no próprio texto legal, no § 4º
2010) É certo que se aplica a lei brasileira aos crimes do mesmo artigo, o significado do termo: “A expressão ‘casa’
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compreende: I – qualquer compartimento habitado; I – para outrem, coisa alheia móvel). Com efeito, o médico
aposento ocupado de habitação coletiva; I – compartimento subtraiu, tirou, para terceira pessoa, uma coisa, o rim, alheia,
não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou do paciente que, depois de extirpado do corpo, tornou-se
atividade.”. Vê-se, assim, que por casa se deve entender móvel. Estará, assim, a princípio, sujeito a uma pena de
qualquer lugar, ou compartimento onde alguém more, vale reclusão de um a quatro anos e multa. Estará correta esta
dizer, um barraco, uma barraca, um trailer, bem assim o interpretação? Claro que não, apesar de literalmente ser
escritório do profissional liberal, exceto a sala de espera, aceitável tal conclusão.
aberta ao público.
E não está porque a vontade da norma do art. 155 do
 Interpretação doutrinária Código Penal não é proteger a saúde das pessoas, mas seu
patrimônio. E o rim não é patrimônio, mas órgão
Esta é a interpretação realizada pelos juristas, pelos indispensável à manutenção da vida do homem. Vale dizer,
estudiosos, pelos cientistas do Direito. Tão logo em vigor pois, que o método literal não é o único, pois é preciso, além
uma lei, torna-se necessário interpretá-la. As dúvidas dele, utilizar o intérprete do método teleológico ou finalístico,
aparecem, e os cientistas sobre ela se debruçam e, com o qual se descobre a vontade da lei.
conquanto sejam profundos conhecedores do Direito,
investigam, com base nos métodos científicos indicados, e  Método teleológico ou finalístico
apresentam à comunidade dos operadores do Direito seu
entendimento acerca da vontade da lei. Por meio deste método, o intérprete vai descobrir a
vontade da lei, perguntando quais seus objetivos, qual sua
A interpretação doutrinária, é certo, não tem força finalidade. Como já foi dito, a tarefa do Direito Penal é a
obrigatória, pois não passa da opinião de um homem; proteção dos bens jurídicos mais importantes, das lesões
todavia, sendo ele um cientista, seu pensamento será levado mais graves. De conseqüência, é claro que as normas
em conta pelos profissionais do Direito. À medida que penais incriminadoras foram elaboradas para dar proteção
determinado jurista se impõe perante a sociedade – pela aos ditos bens jurídicos. Cada norma penal incriminadora
seriedade de seu trabalho, pela cientificidade de suas obras visa à proteção de um ou mais bens jurídicos. A norma do
e, sobretudo, pela coerência de suas ideias, e seu art. 155 do Código Penal, por exemplo, define o crime de
ajustamento ao sistema jurídico – suas opiniões são furto, e visa proteger o patrimônio – bens materiais de valor
respeitadas e acabam por se tornar de aceitação geral. econômico – das pessoas, dos ataques consistentes na
apropriação das coisas que integram o patrimônio, sem
 Interpretação judicial violência contra a pessoa e sem nenhuma outra agressão a
qualquer outro bem jurídico. Já a norma do art. 157, Código
É a interpretação realizada pelos juízes e pelos Penal – que define o crime de roubo – visa proteger o
tribunais, quando do julgamento dos casos concretos. mesmo patrimônio das pessoas, mas dos ataques violentos
Ocorrendo o crime e nascendo, para o Estado, o direito de – protegendo, igualmente, a vida, a integridade física ou a
punir o infrator da norma penal, vai ele, perante o juiz, pedir tranquilidade dos indivíduos.
a condenação do homem acusado de desobedecer o
mandamento. Ao juiz caberá descobrir qual a vontade da Nas duas normas citadas, protege-se o patrimônio,
norma, qual seu alcance, qual sua extensão e profundidade, e na segunda, além dele, a pessoa. Para descobrir, portanto,
seu significado, o âmbito de sua eficácia, diante daquele a vontade da lei, é indispensável, em primeiro lugar,
caso ocorrido. Para aplicar a lei, o juiz deve conhecer a considerar o bem jurídico. No exemplo da extração do rim, é
norma e interpretá-la diante do caso concreto. Deve, pois, de se concluir que não pode ser furto, pois aquele órgão não
descobrir a vontade da lei. Esta interpretação tem força se inclui entre os bens do patrimônio da pessoa, mas é um
obrigatória apenas para o caso que estiver sendo julgado. órgão integrante de sua integridade física, sem o qual resta
Isto significa que o juiz não está obrigado a dar à lei a atingida sua saúde.
mesma interpretação dada, anteriormente, por outro juiz, ou
pelo tribunal. Não está o juiz vinculado à interpretação dada O método teleológico ou finalístico impõe ao intérprete
pela instância superior, nem pelo Supremo Tribunal Federal. a obrigação de perguntar quais motivos determinaram o
estabelecimento do preceito penal, bem assim quais
2.1.2.MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO necessidades e qual princípio superior deram origem à
norma penal. Ao fazê-lo, estará descobrindo o fim da lei, sua
 Método literal razão de ser, seu elemento teleológico.

As normas são comandos que se expressam por  Elemento sistemático


palavras da língua oficial. A primeira coisa a fazer é
examiná-las, descobrir qual seu significado léxico e Na busca da vontade da lei, não pode o intérprete
gramatical. esquecer que o ordenamento jurídico-penal é um sistema de
normas jurídicas que não se contradizem, não se repudiam,
Assim, no art. 121, Código Penal, “matar alguém”; é mas se completam, harmonicamente, no sentido de conferir
preciso examinar ambas as expressões. Por “matar” deve-se proteção aos bens jurídicos importantes, em face das lesões
entender “tirar a vida” ou “causar a morte”. E por “alguém” mais graves. Igualmente, a ordem jurídico-penal contém um
deve entender-se “qualquer pessoa”. conjunto de princípios jurídicos que formam um todo.

Todavia, com o método gramatical, exclusivamente, O conhecimento da vontade da norma penal


não se consegue descobrir a vontade da lei. Basta pensar a incriminadora exige o conhecimento da vontade de todo o
seguinte hipótese: certo médico, encarregado de realizar ordenamento jurídico. Assim, por exemplo, “matar” é
uma cirurgia abdominal num seu paciente, aproveita-se e proibido, mas, se quem o faz age em “legítima defesa”, não
extrai do mesmo um rim, para realizar um transplante para há o crime.
outro paciente.
Se o intérprete examinar apenas o caput do art. 121,
Realizando-se uma interpretação puramente gramatical, poderá cometer lamentável engano, ignorando a
pode-se concluir que tal médico praticou o crime de furto, possibilidade de excludente de ilicitude. O intérprete,
definido no art. 155 do Código Penal (subtrair, para si ou portanto, deve estar atento ao sistema. Examinar todas as
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normas que regulam o mesmo fato. Nunca contentar-se com penal, aquele indivíduo portador de doença mental que, em
a primeira conclusão, com a leitura superficial das normas. virtude desta, ao cometer um fato definido como crime, não
tem nenhuma capacidade de entender que seu
O Código Penal é um sistema dividido em duas comportamento é proibido, ou, quando entende, não tem
partes, a parte geral e a parte especial. Na primeira, estão nenhuma capacidade de se controlar, de se governar. De
os princípios gerais do Direito Penal; na segunda, a conseqüência, não é vontade da norma do art. 28, I, afirmar,
definição das várias espécies de crime com suas respectivas como literalmente afirma, que nenhuma emoção, ou
penas. nenhuma paixão, exclui a responsabilidade penal, porque a
emoção e a paixão patológicas – quando constituírem
 Elemento histórico doença mental – podem excluir a capacidade penal. Como
se observa, fez-se uma interpretação que restringiu o
Conhecer a história da lei, o contexto em que foi alcance das palavras, sua amplitude, sua extensão.
determinada, suas razões determinantes, sua gênese e suas Literalmente amplas, abarcando toda e qualquer hipótese.
transformações, pode, às vezes, ser importante no momento O resultado da interpretação foi, portanto, restritivo. Esta é a
da descoberta de sua vontade. chamada interpretação restritiva.

2.1.3.QUANTO AO RESULTADO  Interpretação extensiva

Interpretar, já se disse, é descobrir o significado e a O inverso também ocorre. A letra da lei, em certas
extensão da letra da lei. As palavras, às vezes, dizem mais situações, diz menos que é sua vontade. O significado
do que a lei deseja, outras vezes, menos, e, na maior parte denotativo das palavras utilizadas não corresponde, por ser
delas, correspondem, integralmente, a sua vontade. menos amplo, ao que a norma pretende. Tratando-se de
Vejamos quais as hipóteses nesse caso. normas penais incriminadoras, aquelas que definem o crime
e cominam as penas, em face do princípio da legalidade,
 Interpretação declarativa que exige que a lei penal seja exata, precisa, certa, clara, é
preciso muito cuidado com a interpretação que estenda o
Quando a letra da lei corresponder a sua vontade, sentido, o alcance, o conteúdo das palavras, conferindo à
sem necessidade de se estender ou de se restringir o norma, de conseqüência, maior alcance. Em se tratando de
alcance de suas palavras, chega-se a um resultado normas definidoras de crime, o intérprete deve atentar para,
meramente declarativo. É o que se chama interpretação conferindo maior alcance às palavras, não violar o princípio
declarativa. Veja-se o exemplo, abaixo: da reserva legal.

Exemplo - O art. 141 do Código Penal determina Exemplo : No caso do crime de bigamia entende-se
que, quando os crimes de calúnia – atribuir, falsamente, a que, quando a lei faz referência a este crime, não deseja ela
alguém a prática de um fato definido como crime –, proibir apenas o segundo casamento, ou dois casamentos,
difamação – imputar a alguém fato ofensivo a sua reputação mas o terceiro, quarto, mais de um casamento. Deseja a lei,
– e injúria – ofender a dignidade ou o decoro de alguém – portanto, definir como crime não apenas a bigamia, mas
tiverem sido cometidos “na presença de várias pessoas...”, também a poligamia. Então, o sentido da expressão bigamia
as penas cominadas nas normas penais. A expressão deve ser interpretado extensivamente,
“várias pessoas” na realidade pressupõe, a existência de
pelo menos 2 pessoas. Outras formas de interpretação:

A interpretação Declarativa é a interpretação que  Progressiva: se abarcam no processo novas


não confere, ao texto da lei, nenhum sentido mais amplo, concepções ditadas pela transformação social, científica ou
nem mais restrito, mas tão-somente declara uma jurídica, ou até mesmo as morais que devem permear a lei
correspondência. São as palavras da lei, o texto da lei, penal estabelecida.
correspondentes a sua vontade, sem necessidade de
extensão, nem de restrição do alcance das palavras que a  Analógica: quando formas características inscritas
compõem. em um dispositivo penal são seguidas de espécies genérica
aberta. Ex.: no artigo 121 doCódigo Penal em sua forma
 Interpretação restritiva qualificada temos, assim “Matar alguém..... à traição, de
emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recuso que
2.1.2.Quando as palavras do texto legal disserem mais do dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido......” A
que é sua vontade, o intérprete deve restringir seu alcance, própria lei obriga a se buscar o entendimento e semelhança
amoldando-o à intenção da lei. Veja o exemplo abaixo: do que seja outro recurso. Não se confunde analogia e
interpretação analógica, esta é a busca da vontade da
Exemplo : o art. 28, I, do Código Penal, que “a norma através da semelhança com fórmulas usadas pelo
emoção ou a paixão” não excluem a responsabilidade penal. legislador, já, aquela, é forma de auto integração da lei com
Se alguém cometer um fato definido como crime sob o a aplicação de um fato não regulado por esta de uma norma
domínio do estado de emoção ou da paixão, não estará, por que disciplina a ocorrência semelhante não previstas em lei
isso, excluída sua responsabilidade. Em outras palavras, a e VEDADA em DIREITO PENAL. Não se confundindo a
emoção e a paixão não retiram do homem sua capacidade interpretação extensiva com a analogia propriamente dita,
de responder por seus atos. Não será ele eximido da pena lícito se torna seu emprego em direito penal, mesmo que
criminal pela simples razão de ter agido sob domínio de acarrete prejuízo para o réu. Seria um contra-senso fugir o
emoção ou de paixão. Há casos, todavia, em que tais hermeneuta do conteúdo da lei. Se esta o permite
estados, de tão intensos, ou em face da fragilidade da saúde expressamente, como repudiá-la?
mental de certo indivíduo, nele se instalam e se convertem
em verdadeira patologia, transformando-o num doente
mental. Tais estados, portanto, podem caracterizar-se como 3. ANALOGIA
uma anomalia mental e, em função disso, o indivíduo pode
não ter a capacidade de discernir ou de se determinar. Para
Por mais que o ordenamento jurídico procure ser
incidir sobre casos como esses existe a norma do art. 26 do
abrangente de todas as situações que busca regular, por
Código Penal, a qual informa ser incapaz, do ponto de vista
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mais que a lei queira alcançar todos os comportamentos que conjunto;
atingem de modo grave os bens mais importantes, por mais  In bonan partem: a analogia é empregada em
que o direito procure tratar de todas as hipóteses em que benefício do agente;
não se deve punir, por mais, enfim, que o homem procure  In malan partem: a analogia é empregada em
alcançar, com o Direito, todas as situações passíveis de prejuízo do agente.
proibição penal, ou de permissão excepcional, sempre
haverá lacunas, omissões. OBS: A analogia de norma penal incriminadora fere o
princípio da reserva legal, destacando um fato não definido
As leis são feitas em determinado momento como crime como tal.
histórico e, mal entram em vigor, novas hipóteses ocorrem,
algumas jamais imaginadas. Vejamos alguns pontos referentes à analogia in
malam partem :
O próprio ordenamento jurídico prevê a
possibilidade de inexistência de lei para regular certas Tratando-se de Direito Penal, é de se perguntar:
situações, mandando que: “Quando a lei for omissa, o Juiz pode o juiz, diante de um fato a ele relatado, e na ausência
decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os de norma penal incriminadora, aplicar, ao fato, a norma
princípios gerais de direito” (Lei de Introdução ao Código penal que incide sobre um fato parecido? A resposta é NÃO.
Civil, art. 4º). Isto, pois, o uso da analogia no que diz respeito às normas
penais incriminadoras é terminantemente proibido, pelo
Usar analogia é, em palavras bem simples, diante princípio da legalidade: nullum crimen, nulla poena, sine
de um caso para o qual não existe lei, aplicar a lei que se lege. Só a lei pode definir crimes e cominar penas. Se não
aplica a um caso bastante semelhante, bem parecido. há lei considerando o fato um crime, o juiz está impedido de,
usando a analogia, aplicar uma pena à pessoa que o
Exemplo: todos sabem o que é uma procuração. praticou.
Um contrato por meio do qual alguém, mandante, outorga a
outra pessoa, mandatário, poderes para agir em seu nome. Exemplo : O art. 155 do Código Penal define como
Materializa-se por intermédio de um documento escrito. Diz crime o comportamento de uma pessoa consistente em
a lei civil que “o terceiro com quem o mandatário tratar “subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel”. Este é
poderá exigir que a procuração traga a firma reconhecida” o delito denominado furto. Se um indivíduo , com vontade de
(novo Código Civil, art. 654, § 2º). A procuração outorgada a ir ao shopping, estando atrasado e não tendo um veículo,
João pode ser, por ele, substabelecida a Pedro, para que abre o veículo de outro indivíduo, no estacionamento da
este o substitua, exercendo o mandato conferido pelo faculdade, consegue fazê-lo funcionar e, com ele, vai até o
outorgante. Esta transferência de poderes chama-se lugar desejado, deixando o veículo no estacionamento, terá
substabelecimento. A lei civil é omissa no que diz cometido uma “subtração de coisa alheia móvel para,
Interpretação da Lei Penal - 19 respeito à possibilidade de o simplesmente, usá-la”. Apresentado tal fato ao juiz, para
terceiro exigir também o reconhecimento, pelo tabelião, da julgamento, este, inicialmente, verificará que o indivíduo que
assinatura do procurador constituído (João) no instrumento pegou o carro não subtraiu o veículo para si, nem para
de substabelecimento. Nesse caso, se um juiz tiver de terceira pessoa. Logo, tal fato não está proibido pela norma
decidir sobre a exigibilidade do reconhecimento da firma no do art. 155 do Código Penal. O juiz, verificando que não
instrumento de substabelecimento, verificando a inexistência existe norma proibindo Cláudio de realizar tal subtração,
de lei a esse respeito, deverá, como manda o art. 4º da Lei poderá, por analogia, aplicar a norma do art. 155, que se
de Introdução ao Código Civil, considerar que o terceiro tem aplica a fatos bem parecidos, bem semelhantes? Claro que
o direito a exigir o reconhecimento da firma no não, pois se veda a analogia in malam partem. Nesse caso,
substabelecimento. Terá, então, decidido usando a analogia. o furto de uso não é caracterizado legalmente como furto,
em face do princípio da legalidade e impossibilidade de
Consiste , pois, a analogia em aplicar –se a uma analogia no sentido de criação da conduta criminosa ou de
hipótese não regulada em lei disposição relativa a um caso sua pena.
semelhante. Na analogia, o fato não é regido por qualquer
norma e, por essa razão, aplica-se uma de caso análogo. Exercícios de fixação para resolução em sala de aula :
(exemplo: aplicação do artigo 128 II aos casos de aborto em
gravidez ocorrida por atentado violento ao pudor). É uma 1. Considere a seguinte situação hipotética: o preceito
forma de auto-integração da lei, não sendo, portanto, fonte primário do art. 171, caput, do CP, está assim redigido:
mediata do direito. “Obter, para sim ou para outrem, vantagem ilícita, em
prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro,
Podemos distinguir a analogia da interpretação mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio
extensiva e interpretação analógica. Na interpretação fraudulento”. Nesse caso, o dispositivo legal em
extensiva existe uma norma regulando a hipótese de modo evidência:
que não se aplica a norma do caso análogo. Já na
interpretação analógica após uma sequência casuística, a) É uma lei penal em branco.
segue-se uma formulação genérica que deve ser b) Exige uma interpretação restritiva para revelar o seu
interpretada de acordo com os casos anteriormente alcance.
elencados. Na interpretação analógica existe uma norma c) Exige uma interpretação extensiva para revelar o seu
regulando a hipótese (diferentemente da analogia) alcance.
expressamente (diferente da interpretação extensiva), mas d) Permite uma interpretação analógica.
de forma genérica , o que torna necessário o recurso à via e) Nenhuma das alternativas anteriores está correta.
interpretativa.
Letra “D”
Espécies de analogia:
2. Quanto à interpretação da lei penal, é correto afirmar:
 Legal ou legis: o caso é regido por norma
reguladora de hipótese semelhante. a) A doutrina majoritária não admite a interpretação
 Jurídica ou juris: a hipótese é regulada por extensiva quando esta prejudica o réu.
princípios extraídos do ordenamento jurídico em seu
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b) Qualquer interpretação da lei penal feita por juízes é (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
classificada como interpretação jurisprudencial. Crime impossível (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
c) A exposição de motivos do nosso Código Penal é 11.7.1984)
considerada uma interpretação autêntica. Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia
d) A interpretação literal da lei penal deve ser evitada ao absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é
máximo, pois atualmente se entende que a interpretação impossível consumar-se o crime.(Redação dada pela Lei nº
teleológica é a única legítima. 7.209, de 11.7.1984)
e) Nenhuma das alternativas anteriores está correta. Art. 18 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Crime doloso(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Letra “E”
SEGUNDA PARTE I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o
TÍTULO II DO CRIME risco de produzi-lo;(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
DECRETO-LEI No 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940 Crime culposo(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
(CÓDIGO PENAL) II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por
imprudência, negligência ou imperícia. (Incluído pela Lei nº
TÍTULO II DO CRIME 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém
Relação de causalidade(Redação dada pela Lei nº 7.209, pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando
de 11.7.1984) o pratica dolosamente. (Incluído pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime,
somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se Agravação pelo resultado(Redação dada pela Lei nº 7.209,
causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria de 11.7.1984)
ocorrido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Art. 19- Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só
Superveniência de causa independente(Incluído pela Lei responde o agente que o houver causado ao menos
nº 7.209, de 11.7.1984) culposamente.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
§ 1º - A superveniência de causa relativamente independente
exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; Erro sobre elementos do tipo(Redação dada pela Lei nº
os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os 7.209, de 11.7.1984)
praticou. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de
Relevância da omissão(Incluído pela Lei nº 7.209, de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime
11.7.1984) culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente
devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir Descriminantes putativas(Incluído pela Lei nº 7.209, de
incumbe a quem:(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 11.7.1984)
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; § 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que,
se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o
pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como
resultado; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
crime culposo.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da 11.7.1984)
ocorrência do resultado. (Incluído pela Lei nº 7.209, de
Erro determinado por terceiro (Incluído pela Lei nº 7.209,
11.7.1984)
de 11.7.1984)
Art. 14 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro.
11.7.1984)
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Crime consumado (Incluído pela Lei nº 7.209, de
Erro sobre a pessoa(Incluído pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
11.7.1984)
I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é
de sua definição legal; (Incluído pela Lei nº 7.209, de
praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste
11.7.1984)
caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da
Tentativa(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
por circunstâncias alheias à vontade do agente. (Incluído Erro sobre a ilicitude do fato(Redação dada pela Lei nº
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 7.209, de 11.7.1984)
Pena de tentativa(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro
Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se
tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.
diminuída de um a dois terços.(Incluído pela Lei nº 7.209, de (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
11.7.1984) Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente
Desistência voluntária e arrependimento eficaz(Redação atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato,
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir
Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de essa consciência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
prosseguir na execução ou impede que o resultado se 11.7.1984)
produza, só responde pelos atos já praticados.(Redação Coação irresistível e obediência hierárquica (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
c) d) Arrependimento posterior(Redação dada pela Lei nº Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em
7.209, de 11.7.1984) . estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de
Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da
ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até ordem.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário Exclusão de ilicitude(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
do agente, a pena será reduzida de um a dois terços. 11.7.1984)
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Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: sendo fato típico criminoso ou fato típico contravencional é
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) algo que diz respeito ao legislador quando da feitura ou
I - em estado de necessidade; (Incluído pela Lei nº 7.209, de reavaliação do texto legal. Assim, por exemplo, o porte de
11.7.1984) arma de fogo preteritamente foi colocado como
II - em legítima defesa;(Incluído pela Lei nº 7.209, de contravenção penal, sendo, contudo, alçado a condição de
11.7.1984) Crime com a edição da Lei 9.437/97.
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício
regular de direito.(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Vale salientar que, sobre a colocação dos termos
“crime”, “contravenção” e “delito” existem duas teorias, quais
Excesso punível (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
sejam: A Teoria Bipartida e a Teoria Tripartida. Para a
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses primeira, as palavras crime e delito são sinônimos, sendo
deste artigo, responderá pelo excesso doloso ou diferente o sentido de contravenção. Por outro lado, para a
culposo.(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) teoria tripartida existente em alguns países, cada um desses
Estado de necessidade termos é considerado um instituto diferente. Frise-se que no
Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem Brasil adotou-se a primeira teoria. Assim, nos termos da
pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou doutrina pátria entende-se que tanto faz dizermos que
por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito alguém praticou um crime ou um delito. De outro lado,
próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era porém, quando se identifica que alguém praticou uma
razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de contravenção entende-se que o seu disciplinamento legal
11.7.1984) será diverso, visto que a contravenção é regida por norma
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o própria [Decreto-Lei nº. 3.688, de 03 de outubro de 1941],
dever legal de enfrentar o perigo. (Redação dada pela Lei nº além de apresentar algumas peculiaridades como a
7.209, de 11.7.1984) existência de prisão simples e a impossibilidade de tentativa.
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito São ainda pontos de destaque das contravenções penais:
ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Pontos distintivos entre crimes e contravenções.
Legítima defesa
– Pena – Segundo o Decreto-Lei 3.914/41(Lei de
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando
Introdução ao Código Penal) os crimes são definidos como
moderadamente dos meios necessários, repele injusta
os fatos que são penalizados com reclusão e detenção, ao
agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
passo que as contravenções penais, como se disse
outrem.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
anteriormente, são penalizados através de prisão simples.
Obs: Não se deve esquecer que a pena de multa pode ser
TEMA 1 aplicada em ambas às situações tanto de forma autônoma,
INFRAÇÃO PENAL alternativa e cumulativa.
1. Infração Penal: elementos, espécies, sujeito ativo e – Princípio da Territorialidade – Enquanto os crimes
sujeito passivo. segundo o CPB adotam a denominada territorialidade
1. Infração Penal temperada permitindo que se utilize tratados, convenções,
- Abrangência acordos, entre outros instrumentos, para flexibilizar o critério
- Pontos distintivos entre crimes e contravenções do jus soli (solo pátrio) nas contravenções penais esse
2. Elementos subjetivos critério é absoluto, sendo chamado de territorialidade pura,
2.1 Sujeito Ativo (autor, coautor e partícipe) só sendo aplicado a legislação brasileira em caso de
- Espécies (comum e próprio) contravenção realizada no âmbito do território brasileiro.
Pessoa Jurídica
Terminologias (inquérito, processo e execução).
2.2. Sujeito Passivo - Elemento Subjetivo – Quanto a este tópico sabe-se que no
- Espécies (formal e material) Direito Penal não existe mais a chamada responsabilidade
- Questões polêmicas (sujeito ativo passivo objetiva, devendo toda responsabilidade ser subjetiva, ou
simultâneo; homem morto; animais). seja, para haver responsabilidade perante o Direito Penal o
3. Objetos do Delito indivíduo deve agir ao menos culposamente. Assim ocorre,
- jurídico para que, em situações excepcionais como nas hipóteses de
- material caso fortuito e força maior o indivíduo não possa responder
face à excepcionalidade da situação. Se essa é a regra, em
1.Infração Penal que pese às contravenções penais, a situação se afigura
diferente. A Lei de Contravenções Penais consubstancia
1.1Abrangência que, num primeiro momento, o Estado-Juiz ao se deparar
com a análise das contravenções penais, deve enfocar
O termo infração penal tem grande abrangência na diretamente a conduta praticada, sendo secundário o tipo de
sua conotação terminológica. Nele, se entrelaçam os elemento subjetivo (dolo, culpa ou preterdolo), bastando
conceitos de crime e contravenção penal. Assim quando apenas a conduta praticada, exceto se a própria lei dispuser
falamos em Infração Penal, pode-se estar diante de um no sentido de que em determinada situação contravencional
Crime (penalizado com reclusão ou detenção) ou de uma o elemento subjetivo deve ser valorado.
Contravenção Penal (penalizado com prisão simples ou
multa autônoma).Não se confunda, porém, com o termo ato -Reincidência – Nos crimes tem ocorrência segundo
infracional que se dirige para os menores de 18 anos, que o art. 63 do CPB quando o indivíduo pratica um crime depois
são inimputáveis, ou seja, não responde perante o Código de já ter transitado em julgado a sentença que o condenou,
Penal e sim, perante o Estatuto da Criança e do adolescente no Brasil ou no Exterior, por crime anterior. Por outro lado,
– ECA – Lei 8.069/90. nos termos do art.7º da Lei de Contravenções Penais,
verifica-se quando o agente pratica uma contravenção
Em ambos os casos, vale dizer, a multa poderá depois de passar em julgado a sentença que o tenha
exsurgir como elemento cumulativo ou alternativo. Não se condenado, no Brasil ou no estrangeiro, por qualquer crime,
deve esquecer que a tipificação de uma conduta como ou, no Brasil, por motivo de contravenção.
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Obs : a hipótese sempre lembrada pela doutrina de
ocorrência de uma contravenção e depois de um crime não Comum: Nessa hipótese qualquer pessoa poderá
gera reincidência em face de ausência de disposição legal realizar a conduta criminosa sem que necessite de nenhum
nesse sentido. atributo especial. São exemplos: homicídio, roubo, etc.

-Limite das Penas - Nos crimes o regime de Próprio: Aqui, a conduta lesiva conclama a
cumprimento direto permitido por infrações julgadas é de 30 existência de certas peculiaridades fáticas ou jurídicas. São
anos segundo o art .75 do CPB. Por sua vez, sendo caso de exemplos: aborto (pressuposto fático), peculato (pressuposto
contravenção penal não pode ser superior em caso algum jurídico).
ao limite de 5 anos o tempo de cumprimento da pena
aplicada. Em regra a prática delitual se manifesta através de
pessoas físicas. Isto posta deve-se demarcar que por muito
-Ação Penal – Consiste a ação penal no pedido tempo a doutrina foi unânime quanto à impossibilidade de
feito ao Poder judiciário para pronunciamento sobre o mérito uma pessoa jurídica realizar o fato criminoso. Não havia até
da causa e a aplicação do Direito Penal objetivo, absolvendo bem pouco tempo nenhuma base legal que justificasse de
ou condenando o acusado, ou mesmo julgando extinta a forma eficaz tal possibilidade. Desde o advento da
punibilidade. Tal ação pode ter ocorrer de variadas formas, Constituição Federal vigente de acordo com o seu artigo
quais sejam, pública incondicionada, pública condicionada e 225, em seu parágrafo terceiro, tornou-se possível à
privada. Vale dizer que, tal generalidade e amplitude das responsabilização penal da pessoa jurídica no que concerne
formas de ação penal só tem cabimento quando do trato aos danos causados ao meio ambiente. Também o Art.173
dos crimes em geral. Isto, pois, quando se trata de da referida norma em seu quinto parágrafo estabeleceu a
contravenções penais a ação é sempre publica mesma responsabilidade penal quando se tratasse de atos
incondicionada, ou seja, o Ministério Público não precisa da praticados contra a ordem econômica e financeira e ainda
autorização da parte envolvida para promover a denúncia contra a economia popular. Entretanto, apesar de tais
correlata, diversamente do que ocorre, por exemplo, no caso dispositivos faltava à devida regulamentação por meio de
de um estupro, que por se tratar de ação penal de natureza legislação ordinária. Diante desse quadro, o nascedouro da
privada, o Ministério Público só poderá promover a denúncia Lei de Crimes Ambientais (9.605/98) foi um marco jurídico
respectiva com a autorização da parte interessada. determinante na preocupação do estudo desse tema. A partir
dela, pois, a pessoa jurídica passou expressamente a poder
Observação Importante: Em essência não se vislumbra ser sujeito ativo de crimes lesivos ao meio ambiente (Art.3º).
diferença entre o ilícito penal e o ilícito civil, visto que ambos,
de alguma forma, lesam interesses jurídicos protegidos pelo Por último em que pese às noções acerca do sujeito
Direito. Como nos adverte a doutrina hodierna tal distinção ativo de um crime, diga-se que a sua nomenclatura será
tem apenas caráter formal, em face do objeto amparado pelo variante harmonizando-se com a circunstância em que se
Direito Penal ter uma amplitude mais intensa do que aquele encontre. Desse modo, na fase do inquérito policial será
patenteado pelo Direito Civil, o que não impede, porém, que chamado de “indiciado”; na fase processual será
possa haver bens protegidos simultaneamente por tais denominado de “acusado”, “réu” ou “denunciado”; na fase de
ramos jurídicos. execução da pena caso seja considerado culpado receberá
à designação de “sentenciado”, “recluso” ou “detento”.
Em alguns casos, esses ilícitos podem ser ao
mesmo tempo infrações penais, civis e administrativas, haja 2.2 Sujeito Passivo segundo a posição majorante é
vista a independência dessas esferas. Em outras situações, aquele que sofre a ação ou omissão do sujeito ativo, tendo a
poderemos ter apenas infrações civis ou administrativas. titularidade da objetividade jurídica ou material. Em regra
Dessa forma, poderemos ter, além da pena criminal, a todo crime possui sujeito passivo determinado.
ocorrência de sanções civis ou administrativas. Excepcionalmente existem crimes em que o sujeito passivo
apresenta a característica da indeterminabilidade como se
Assim, no crime de furto, além da pena, o agente verá em momento oportuno quando do trato da classificação
pode ser obrigado a restituir o bem ou indenizar a vítima. No dos crimes em geral. Há crimes em que temos uma
crime de corrupção passiva, por outro lado, o réu pode vir a pluralidade subjetiva passiva (ex: bigamia); outros, atingem
perder o cargo como medida administrativa. apenas um sujeito passivo, ao menos no plano fático como
ocorre na injúria individualizada de certa pessoa.
Elementos subjetivos da infração penal:
O sujeito passivo pode ser:
A prática de infração penal, bem como as
consequências que esta conduta gera sempre terá um – Formal ou constante: É sempre o Estado visto que
aspecto humano ainda que se possa utilizar um animal como defensor máximo de todos os interesses sociais desde
bravio para realizar um homicídio, por exemplo, o sujeito os mais simples aos mais relevantes, sempre haverá, ainda
responsável pelo delito será aquele que o instigou. De outro que em tese, a lesão ao interesse público representado pelo
lado, quando alguém vem a envenenar, por exemplo, certa poder soberano estatal.
quantidade de cavalos de um haras, com o intuito de causar
prejuízo, embora a incidência da conduta seja sobre tais – Material: Aqui, fala-se do sujeito passivo
animais, a lesão ocorrida, em termos estritamente jurídicos, circunstancialmente atingido em cada caso concreto.
será sempre do proprietário daqueles.
Por último quanto ao sujeito passivo demarcamos
2.1. Sujeito Ativo é aquele que realiza a conduta fática a seguir a posição que tem prevalecido em nível doutrinário
tipificada legalmente (autor); também o são aqueles que e jurisprudencial no que toca a certas questões polêmicas.
embora não realizando a conduta supracitada ajudam de
forma determinante para que ela aconteça (coautor); e, Sujeito Ativo Passivo simultâneo: prevalece o
ainda, aqueles que realizem condutas secundárias que, entendimento de que é impossível.
contudo, tenham causado alguma influência no evento
delituoso (partícipe). Homem morto: não é considerado sujeito passivo,
já que não se apresenta mais como titular de direitos e
O sujeito ativo poderá ser: obrigações do ponto de vista legal. É, contudo, objeto
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material de alguns delitos. como infração penal.
2.1. O fato é típico quando se amolda a um dispositivo legal
Animais: Valem as considerações anteriores. que o considera infração penal (gênero do qual são espécies
o crime e a contravenção). Em regra provoca um resultado,
Pessoa Jurídica: É pacífico o entendimento de que mas este pode não ser exigido embora admissível que
pode ser sujeito passivo a pessoa jurídica, ressalvando-se ocorra (crimes formais) ou de ocorrência inadmissível
apenas os crimes em que necessariamente teremos de ter (crimes de mera conduta, os quais, devido a seu próprio
como vítima uma pessoa física como ocorre, por exemplo, conceito, não implicam resultado material). Correta.
nos crimes de homicídio e estupro. C) São elementos do crime, apenas a antijuridicidade e a
punibilidade.
3. Objetos do Delito (Espécies) Seja qual for a corrente adotada: bipartida ou tripartida, pelo
menos dois elementos devem ser verificados,
3.1 Objeto Jurídico é o bem ou interesse tutelado pela obrigatoriamente, quais sejam, tipicidade e antijuridicidade.
norma pena. D) A existência de causas concorrentes para o resultado de
3.2 Objeto Material é a pessoa, coisa ou animal um fato, preexistentes ou concomitantes com a do agente,
atingido pela conduta criminosa. sempre excluem a sua responsabilidade.
Se as causas concorrentes preexistentes ou concomitantes
Exercícios de fixação para resolução em sala de aula integram o dolo do agente, necessariamente responderá
pelo resultado.
01) (Fundação José Pedro de Oliveira – IBFC – 08 – E) Para haver crime é necessário que exista relação de
Procurador – 2011)Podem ser sujeitos passivos de causalidade entre a conduta e o seu autor.
crime:
4.Pela Lei das Contravenções Penais é correto afirmar
a) o ser humano, os animais e a pessoa jurídica. que:
b) os objetos e os animais silvestres nos crimes ambientais.
c) os semoventes e as pessoas jurídicas de direito público a) É possível a incidência da pena de detenção;
nos crimes econômicos. b) A ação penal é pública condicionada;
d) o ser humano, as pessoas jurídicas e a coletividade. c) Compete a Justiça Federal, se praticada em
e) o meio ambiente, os objetos de valor histórico e detrimento da União;
arquitetônico e os animais ameaçados de extinção. d) Não é punível a tentativa.

Letra D Letra “D”

02) (Fundação José Pedro de Oliveira – IBFC – 08 – 5.(PC – PB – Agente de Investigação e Agente de Polícia)
Procurador – 2011) No que se refere às medidas de A respeito da infração penal no ordenamento jurídico
segurança, o Código Penal adotou o sistema: brasileiro, assinale a opção correta:

a) do duplo binário. a) Crimes, delitos e contravenções são termos


b) vicariante. sinônimos.
c) da retribuição. b) Adotou-se o critério tripartido, existindo diferença entre
d) da proteção integral. crime, delito, contravenção.
e) da segregação. c) Adotou-se o critério bipartido, segundo o qual as
condutas puníveis dividem-se em crimes ou contravenções
Letra B (como sinônimos) e delitos.
d) O critério distintivo entre crime e contravenção é dado
3.(FCC - 2007 - TJ-PE - Técnico Judiciário - Área pela natureza da pena privativa de liberdade cominada.
Administrativa) Em tema de crimes e contravenções, é e) A expressão infração penal abrange apenas crimes e
correto afirmar que delitos.

a) às contravenções é cominada, pela lei, a pena de Letra “D”


reclusão ou de detenção e multa, esta última sempre
alternativa ou cumulativa com aquela. 6. (PC – PB - Agente de Investigação e Agente de Polícia)
b) fato típico é o comportamento humano positivo ou Em relação aos sujeitos ativo e passivo da infração
negativo que provoca, em regra, um resultado, e é previsto penal no ordenamento jurídico brasileiro, assinale a
como infração penal. opção incorreta.
c) são elementos do crime, apenas a antijuridicidade e a
punibilidade. a) A pessoa jurídica não pode ser sujeito ativo de
d) a existência de causas concorrentes para o resultado de infração penal.
um fato, preexistentes ou concomitantes com a do agente, b) Sujeito ativo do crime é aquele que pratica a conduta
sempre excluem a sua responsabilidade. descrita na lei.
e) para haver crime é necessário que exista relação de c) Sujeito passivo do crime é o titular do bem jurídico
causalidade entre a conduta e o seu autor. lesado ou ameaçado pela conduta criminosa.
RESOLUÇÃO: d) O conceito de sujeito ativo da infração penal abrange
A) Às contravenções é cominada, pela lei, a pena de na só aquele que pratica a ação principal, mas também
reclusão ou de detenção e multa, esta última sempre quem colabora de alguma forma para a prática do fato
alternativa ou cumulativa com aquela criminoso.
Sabe-se que as contravenções, ao contrário dos crimes, não e) Parte da doutrina entende que, sob o aspecto formal,
admite pena de reclusão ou detenção. A elas, conforme a o Estado é sempre sujeito passivo do crime.
dicção do art. 1º da Lei de Introdução ao Código Penal,
aplica-se pena de prisão simples, de multa, ou as duas Letra “A”
cumulativamente.
B) Fato típico é o comportamento humano positivo ou 7. (CESPE_ Agente de Polícia Civil-PCRN_2009) Em
negativo que provoca, em regra, um resultado, e é previsto relação à infração penal, julgue os itens.
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Apesar dessa corrente ser predominante vem sendo
1. Considera-se crime a infração penal a que a lei comina crescente o número de adeptos que colocam a culpabilidade
pena de reclusão, de detenção ou prisão simples, quer como elemento do crime. Para o estudo a que nos propomos
isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a nesse momento utilizaremos como referencial a primeira
pena de multa. corrente.

GABARITO: E Destarte, adentremos diretamente no tema. O que


vem a ser o fato típico? O fato típico é aquele fato definido
2. Considera-se contravenção penal a infração penal a que a na lei como crime, aquela norma considerada relevante, fato
lei comina pena máxima não superior a dois anos de exterior provocado pelo homem (fato humano) ou através de
reclusão. instrumentalização de um terceiro incapaz ou mesmo de um
animal.
GABARITO: E
O fato típico resulta da conjunção de vários
3. No ordenamento jurídico brasileiro, a diferença entre elementos, e forma uma figura híbrida, do ponto de vista
crime e delito está na gravidade do fato e na pena cominada doutrinário ele é composto de basicamente quatro
à infração penal. elementos; a conduta, o resultado, o nexo de causalidade e
por último a tipicidade. O fato típico tem características que
GABARITO: E lhe permitem uma estrutura peculiar. Assim, é um fato que,
em regra, só pode ser praticado pelo homem como já vimos.
4. A infração penal é gênero que abrange como espécies as Além disso, o fato deverá ser exteriorizado, pois se ficar
contravenções penais e os crimes, sendo estes últimos apenas no pensamento (criações imaginárias, não reais),
também identificados como delitos. não haverá responsabilização. Deve ainda ser um fato
consciente, pois ausente essa não se opera aquele. A quarta
GABARITO: E e última característica é a finalidade que deve existir ainda
que em caráter potencial.
5. Os crimes apenados com reclusão se submetem aos
regimes fechado e semiaberto, enquanto os apenados com 1.1.Conduta No que se refere ao elemento “conduta”
detenção se submetem aos regimes aberto e prisão simples. algumas observações devem ser feitas:

GABARITO: C  A conduta é o gênero do qual os atos são espécies.


 Inexiste conduta criminosa nos seguintes casos:
8. (CONCURSO PARA O CURSO DE FORMAÇÃO DE atos reflexos ou intuitivos; havendo coação irresistível;
SOLDADOS PM/BM-2008 DA POLÍCIA MILITAR DO durante o sonambulismo; Existindo caso fortuito ou força
ESTADO DA PARAÍBA ) Sobre o crime, é correto afirmar maior.
que
 Existem três terias acerca da conduta: Teoria
a)é composto por 4 elementos: a ação, o dolo, a culpa e o Causalista, Teoria Finalista e Teoria Social da Ação. Na
dano. primeira há a preocupação somente com o resultado sem se
b)é composto de 3 elementos: ação, ilicitude e culpabilidade. preocupar com a finalidade. Assim, por exemplo, não
c) visto pelo prisma social e filosófico – é a conduta humana importa o fato de alguém ter atirado em legítima defesa ou
quelesa ou expõe a perigo um patrimônio protegido pela lei com a vontade de atirar dolosamente, o que importa para os
penal. causalistas é o fato da morte que é o resultado e não a
d)o Código Penal não nos traz o conceito de crime. conduta que a gerou. Por outro lado, a corrente finalista da
e)é a conduta humana que infringe a lei penal ou uma ação entende que o resultado é secundário, pois o que
contravençãopunida por lei. importa em caráter principal é o fato de o indivíduo ter tido
uma finalidade, seja esta dolosa, culposa, em legítima
defesa, etc. É isto que vai alterar ao final na pena que será
TEMA 2 aplicada. Por fim para a corrente social da ação o que
O FATO TÍPICO E SEUS ELEMENTOS importa é o fato de estar à conduta agredindo a sociedade.
Assim, tomemos como exemplo a conduta do adultério
3. Do Fato Típico recentemente retirada do nosso Código Penal. Para essa
1. Generalidades terceira corrente mesmo antes das disposições da Lei
1.1.Conceito Formal de Crime 11.106/2005 tal conduta não se amoldava mais à realidade
1.2.Características (ato humano; exteriorização; social e como tal não deveria ser mais aplicada, o que
consciência; finalidade). complica a sua possibilidade num país como o nosso em
1.3.Elementos (conduta; resultado; nexo de causalidade que o princípio da legalidade reina quase que absoluto.
e tipicidade).
1. 3.1 Conduta 1.2. Resultado No que se refere ao elemento “resultado”
- inexistência deve ser dito o seguinte:
- teorias
1. 3.2 Resultado Não se confunde resultado e evento, pois, o
- distinção com evento resultado é uma mutação ou efeito que ocorre no mundo
1.3.3 Relação de causalidade exterior, ao passo que o evento é qualquer acontecimento
- Teoria da Equivalência dos antecedentes causais que não apresente relevância no nível de resultado.
1.3.4.Tipicidade
- conceito No que se refere ao resultado é importante
elem 1.3.4.1 Elementos objetivos, subjetivos e normativos. salientar que através dele nós poderemos alcançar três
espécies de crimes: Os materiais, que são aqueles que esse
1.Generalidades : resultado é cobrado para efeito da consumação do crime, a
exemplo do que ocorre nos crimes de homicídio, estupro,
Do ponto de vista formal o crime é entendido roubo, etc; Os formais que são aqueles em que o resultado
doutrinariamente como sendo o fato típico e antijurídico. pode acontecer embora não seja cobrado para efeito de
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consumação do crime como acontece com o crime de evento criminoso.
ameaça, em que ocasionalmente eu posso gerar um
resultado como distúrbios psíquicos ou depressão, apesar Doutrinariamente o dolo é estudado através de três
disso não ser necessário para que esta conduta criminosa teorias. São elas:
se considere consumada, pois bastará a simples ameaça;
Os de mera conduta que são aqueles que não apresentam  Teoria da Vontade em que se entende que o dolo
nenhum resultado no mundo exterior, mas simplesmente estaria configurado quando o sujeito ativo do crime
uma conduta como acontece com o crime de violação de efetivamente desejasse o resultado atingido.
domicílio.
 Teoria do Assentimento segundo a qual o
Observação Importante: Não se deve confundir os crimes indivíduo apesar de não ter vontade de praticar diretamente
formais com os de mera conduta, visto que, nos primeiros o o resultado, é a este indiferente. Assume-se o risco de
resultado não é cobrado mais pode acontecer, ao passo que praticar o resultado, mas não o deseja diretamente.
no segundo ele jamais surgirá.
 Teoria da Representação em que se tem como
1.3 Nexo causal No que tange a relação de causalidade não ponto determinante à consciência de que aquela conduta,
se deve esquecer: comissiva ou omissiva, irá gerar o resultado. Tal teoria
consiste em um dos elementos componentes da Teoria da
Entende-se como relação causal o relacionamento Vontade.
entre a conduta que foi executada e o resultado que foi
obtido. Assim, a relação de causalidade é o elo que liga a O Código Penal brasileiro adotou as duas primeiras
conduta ao resultado. teorias sendo que uma referente ao dolo direto e a outra
quanto ao dolo eventual respectivamente.
O Código Penal adotou a teoria da equivalência
dos antecedentes causais, segundo o que causa é a ação Espécies de Dolo
ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. Para
que essa teoria não causasse excessos passou a ser Dentre as várias espécies alentadas na doutrina e
limitado pelos elementos subjetivo dolo e culpa. Assim, se jurisprudência pátrias, optamos por uma classificação
tomássemos ao pé da letra tal teoria o indivíduo que vendeu reduzida em que estarão presentes os tipos penais dolosos
uma corda, por exemplo, deveria ser penalizado se alguém mais frequentemente estudados. São eles:
utilizasse tal mercadoria no ato de um enforcamento de
outrem. Contudo, pela limitação criada o vendedor só poderá  Dolo Direto, Comum ou Genérico: É o mais usual.
saber se tiver conhecimento do que o indivíduo pretendia Tanto pode ser comum quanto pode ser específico. No que
fazer ao comprar aquela corda e mesmo assim ele se refere a esse último temos uma finalidade previamente
promoveu a venda devida, gerando uma participação no demarcada em lei seja explicitamente ou seja
crime realizado. implicitamente.

1.4 Tipicidade - Chegamos ao último elemento do fato  Dolo Indireto: Nessa hipótese de dolo teremos uma
típico. Exsurge a tipicidade como a adequação de uma subdivisão em dolo indireto alternativo (a vontade aqui não
situação concreta aos parâmetros legais preestabelecidos. está claramente definida) e dolo indireto eventual (existe
Em outras palavras, existe uma descrição anterior à conduta indiferença em relação ao evento criminoso).
criminosa que já está prevista em lei (Tipo) conforme os
princípios da anterioridade e da legalidade anteriormente  Dolo de Dano: Nos crimes que exigirem esse tipo
estudados. De outro lado, existe uma conduta humana de de dolo só haverá o momento consumativo quando o dano
natureza comissiva ou omissiva no plano fático que vem a ocorrer ainda que em caráter potencial.
se encaixar naquela descrição legal (Tipicidade).

Entendida essa diferença básica passaremos a  Dolo de Perigo: Ao contrário do anterior denota a
tecer alguns comentários acerca do Tipo Penal. possibilidade de que o momento consumativo ocorrerá com
a simples possibilidade de perigo seja ele abstrato ou
O Tipo Penal é formado dos seguintes elementos concreto.
de acordo com a doutrina majorante:
 Dolo Geral: É a mesma coisa que erro sucessivo.
1.4.1.1.Elementos Objetivos: Em regra são os verbos
núcleo dos crimes em geral.
 Dolo de Ímpeto: É aquele que ocorre de súbito, de
Ex: Matar alguém [Art.121 do Código Penal]
forma inesperada.
1.4.1.2.Elementos Subjetivos: No seu sentido lato sensu
abrange o dolo, a culpa e o preterdolo.  Dolo de Premeditação: É o dolo meticuloso,
planejado.
Ex: Lesão corporal culposa [Art.129 parágrafo sexto do
Código Penal] Observação Importante: Congruência é o mesmo
que dolo mais uma finalidade, só sendo possível no dolo
Desse modo, vejamos os crimes correlatos: direto específico.

Crimes Dolosos Crimes Culposos

Generalidades Considera-se crime culposo aquele em que em


havendo o elemento vontade este se funda apenas no
Considera-se crime doloso nos termos do Art.18, 1 direcionamento à conduta e não ao resultado. De outro lado,
do Código Penal aquele em que o indivíduo age livremente ver-se que sua base central é, porém, a previsibilidade do
de forma voluntária e consciente, dirigindo seus esforços ao resultado lesivo.

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Obrigatoriedade de previsão legal expressa Os crimes
São elementos da Culpa Stricto Sensu: culposos, ao contrário do que acontecem com os dolosos
que, por expressa disposição legal já se presumem
 Previsibilidade objetiva: É o fato de que, pelo senso independentemente de qualquer menção legal expressa, só
crítico do homem mediano, podia se prever que tal resultado podem ter existência se a lei expressamente assim
fosse ocorrer. determinar. Assim, por exemplo, temos lesão corporal
culposa e não temos furto culposo, isto, pois, no primeiro
 Voluntariedade em relação à conduta. caso existe previsão expressa e no segundo tal norma não
Não voluntariedade em relação ao resultado. se apresenta.

Modalidades de Culpa: Crimes Preterdolosos

 Negligência: É um ato de desligamento, de Considera-se preterdolosos quando o agente busca


relaxamento. um resultado menos grave, mais o desfecho é mais grave do
que o pretendido, imputando-se este a título de culpa. Há,
 Imprudência: É a incautela, ou seja, o não pois, a conjugação de dolo no antecedente e culpa no
atendimento às cautelas previstas para cada caso concreto. consequente.

 Imperícia: É a falta de conhecimento necessário, É uma das modalidades de crime qualificado pelo
mais específico, que deve haver em certas atividades. resultado. Esses resultados mais graves, assinalados pela
lei, podem ser dolosos, culposos ou ser provenientes de
Espécies caso fortuito e força maior.

 Culpa Própria/Inconsciente (É a culpa comum, nas É um único delito, que resulta da fusão de duas
modalidades já estudadas).Não há no agente o ou mais infrações autônomas. É um crime complexo,
conhecimento efetivo do perigo que sua conduta provoca portanto.
para o bem jurídico alheio.
1.4.3.Elementos normativos: São os elementos que
 Culpa Consciente A culpa consciente ocorre quando requerem uma valoração judicial.
o agente prevê o resultado, mas espera, sinceramente, que
não ocorrerá. Há no agente a representação da Ex: Violar indevidamente correspondência fechada
possibilidade do resultado, mas ele a afasta por entender de outrem [Art. 151 do Código Penal]
que o evitará, que sua habilidade impedirá o evento lesivo
que está dentro de sua previsão. Tal espécie de culpa
aproxima-se do dolo eventual, dele distinguindo-se pela Exercícios de fixação para resolução em sala de aula
indiferença.
1.(FCC / Procurador TCE AP / 2010) Nos crimes
preterdolosos,
 Culpa Imprópria (Ocorre quando o agente labora
em erro de tipo inescusável).
(A) o dolo do agente é subsequente ao resultado culposo.
(B) há maior intensidade de dolo por parte do agente.
(C) o agente é punido a título de dolo e também de culpa.
 Culpa Exclusiva da vítima (Pode ser usada como
(D) o agente aceita, conscientemente, o risco de produzir o
meio capaz de isentar o indivíduo).
resultado.
(E) o agente prevê o resultado, mas espera que este não
 Culpa Presumida Diz-se que a culpa é presumida aconteça.
quando, não se indagando se no caso concreto estão
presentes os elementos da conduta culposa, o agente é Letra “C”
punido por determinação legal, que presume a ocorrência
dela. Vale dizer que, tal espécie tem caráter excepcional 2. (FCC / Procurador TCE RO / 2010) No dolo eventual,
dentro do Direito Penal Moderno. (A) o agente, conscientemente, admite e aceita o risco de
produzir o
Compensação e Concorrência de Culpas resultado.
(B) a vontade do agente visa a um ou outro resultado.
As culpas não se compensam na área penal. (C) o sujeito prevê o resultado, mas espera que este não
Havendo culpa do agente e da vítima, aquele não se escusa aconteça.
da responsabilidade pelo resultado lesivo causado a esta. (D) o sujeito não prevê o resultado, embora este seja
previsível.
Há concorrência de culpas quando dois ou mais (E) o agente quer determinado resultado.
agentes causam resultado lesivo por imprudência,
negligência ou imperícia. Todos respondem pelos eventos Letra “A”
lesivos.
3. (Analista Processual / MPU / FCC / 2007) João,
Graus de Culpa dirigindo um automóvel, com pressa de chegar ao seu
destino, avançou com o veículo contra uma multidão,
 Levíssimo (Desconhecimento, em face das consciente do risco de causar a morte de um ou mais
circunstâncias objetivas). pedestres, mas sem se importar com essa possibilidade.
João agiu com
 Leve (Conhecimento superficial da conduta ilícita).
(A) dolo direto.
 Grave (Conhecimento preciso do fato típico (B) culpa.
praticado). (C) dolo indireto.
(D) culpa consciente.
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(E) dolo eventual. O delito estará consumado quando existir a
realização integral do tipo penal. Vale dizer que, a
Letra “E” consumação irá varia de acordo com o tipo de crime, assim:

TEMA 3 a) crime material: somente com a ocorrência de um


CRIME CONSUMADO E TENTADO; PENA DA resultado é que existirá consumação. Exemplos: homicídio
TENTATIVA; (com a morte- art. 121), furto ( com a subtração- art. 155),
lesão corporal ( com a ocorrência da lesão- art. 129).
Antes de adentrarmos diretamente neste tópico
faz-se mister que discorramos ainda que em linhas gerais b) crime formal: a consumação não depende de um
acerca do iter criminis ou caminho do crime. Destarte, na resultado natural como no homicídio. O resultado é
realização do crime há um caminho, um itinerário a percorrer dispensável. Exemplo: ameaça ( basta somente proferir a
entre o momento da ideia da sua realização até aquele em ameaça para que o crime já esteja consumado, não é
que ocorre a consumação. A esse caminho se dá o nome de preciso cumprir com a ameaça- art. 147) ; corrupção passiva
Inter criminis, que é composto de uma fase interna ( basta solicitar a vantagem que o crime já está consumado,
(cogitação) e de uma fase externa (atos preparatórios, atos não é necessário que receba o dinheiro pedido – art. 317).
de execução e consumação).
c) crime de mera conduta: a consumação ocorre com a
A cogitação não é punida, a não ser que constitua, simples conduta, não há nenhum resultado natural descrito
de per si, um fato típico, como ocorre no crime de ameaça no tipo penal. Exemplos: violação de domicílio ( basta entrar
(art. 147), de incitação ao crime (art. 286), de quadrilha ou nas dependências do imóvel e o crime já está consumado-
bando (art. 288) etc. art. 150) ,

Os atos preparatórios são externos ao agente, que d) crime permanente: a consumação se prolonga no tempo,
passa da cogitação à ação objetiva. Também escapam , durando enquanto não cessar a atividade do autor.
regra geral, a aplicação da lei penal. Exemplos: sequestro e cárcere privado ( a consumação irá
existir enquanto a vítima estiver sob o julgo do autor – art.
Num terceiro momento, surgem os atos de execução 148)
(ou atos executórios) que são os dirigidos diretamente a No caso de tentativa temos o ato iniciado mas não
pratica do crime. executado, NÃO se CONSUMANDO por circunstâncias
ALHEIAS a VONTADE do agente.
Finalmente, estará consumado o crime quando o
tipo está inteiramente realizado, ou seja, quando o fato O Código Penal Brasileiro adotou a chamada Teoria
concreto se subsume no tipo abstrato descrito na lei penal. Objetiva para a tentativa, na qual a tentativa existe a partir
Destarte, ocorrerá à tentativa quando houver a realização do início dos atos de execução.
incompleta do tipo penal, do modelo descrito na lei penal
com o dispositivo que a define e prevê sua punição. A Para se entender tal momento, é preciso avaliar a
tentativa, pois, situa-se no iter criminis a partir da prática de trajetória do crime, o que é chamado de ITER CRIMINIS
um ato de execução, desde que não haja consumação por (caminho do crime) como vimos anteriormente, sendo:
circunstâncias alheias à vontade do agente. São, pois,
elementos da tentativa: a conduta (ato de execução) e a não a) cogitação (é ter a idéia, portanto de foro íntimo) – para o
consumação por circunstâncias independentes da vontade nosso direito não tem relevância e, portanto, não é punida.
do agente. Iniciada a prática dos atos executórios, a
execução do fato típico pode ser interrompida: b) atos preparatórios (ou preparação) – é em regra a
obtenção dos meios necessários para a execução do intento
Fala-se em duas espécies de tentativa: a tentativa do agente, portanto, está fora da cogitação, mas não é
perfeita (ou crime falho), quando a consumação não ocorre, execução (ex. comprar escada e pé de cabra para praticar
apesar de Ter o agente praticado os atos necessários à furto; obter uma arma de fogo para a prática de homicídio).
produção do evento, a tentativa imperfeita, quando o sujeito
ativo não consegue praticar todos os atos necessários à c) atos de execução – são os atos já voltados a prática do
consumação por interferência externa. Em alguns casos delito, tendo já o início da realização do tipo penal (ex.:
torna-se inadmissível a tentativa, quais sejam, em crimes começar a atirar contra o desafeto; subir no muro da
culposos e preterdolosos; nos crimes unissubsistentes, de residência e entrar na mesma; apresentar um cheque
ato único, já que é impossível o fracionamento dos atos de produto de furto para aquisição de um bem)
execução; nos crimes omissivos puros também não admitem
a tentativa, pois não se exige um resultado naturalístico d) consumação – é a obtenção da vontade inicial, do objetivo
decorrente da omissão; nos crimes complexos e habituais e, primário, da intenção (ex.: conseguir matar o desafeto; sair
por fim, nas contravenções penais. da residência com o objeto furtado; conseguir adquirir o bem
com o cheque produto de furto).
De forma mais específica façamos algumas
considerações sobre crimes tentados e consumados. No que diz respeito aos ELEMENTOS da tentativa,
temos os seguintes :
Segundo o artigo 14 do Código Penal temos a
definição de crime consumado e crime tentado. Vejamos : 1) Ação – que é o início da execução.

Art. 14. Diz-se o crime: 2) Interrupção da execução – o autor tem a execução


interrompida por circunstâncias alheias a sua vontade
I – consumado, quando nele se reúnem todos os (contra sua vontade) antes de chegar a consumação.
elementos de sua definição legal;
II – tentado, quando, iniciada a execução, não se 3) Dolo – a vontade do agente em consumar o delito.
consuma por circunstâncias alheias à vontade do
agente. Analisando estes três elementos, pode-se afirmar
que NÃO HÁ tentativa em CRIME CULPOSO.
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hipóteses de tentativa perfeita.
Quanto às ESPÉCIES de tentativa, temos as
seguintes : Exemplo: A desejando matar sua sogra M, coloca
veneno para rato no chá dela e M toma o chá todinho, mas A
a) Tentativa perfeita (ou tentativa acabada, ou crime falho) – vê a “coitada” começar a tremer e se arrepende e socorre M
nesta o agente fez tudo o que era possível para obter o até o hospital e ela sobrevive.
resultado que desejava, mas não consegue ( exemplo: A
desejando matar , atira e atinge B , mas este é socorrido ao OBS.: No caso do arrependimento eficaz, para a
hospital e sobrevive aos ferimentos). lei isentar o autor de responsabilidade penal, é preciso que o
arrependimento seja eficaz, ou seja, o agente tem que
b) Tentativa imperfeita (ou tentativa inacabada) – nesta o conseguir impedir que o resultado ocorra, pois, se por
agente não chega a exaurir ( acabar) com sua execução – qualquer motivo o resultado ocorrer, o agente será
exemplo: A desejando matar, atira em B, mas este desvia e responsabilizado. Assim, no exemplo dado acima, caso A
foge sem ser ferido. socorra sua sogra M até o hospital, mas ela acabe
morrendo, A responderá pelo homicídio consumado.
Quanto à PENA da tentativa, ver-se que por
determinação legal, a pena da tentativa será a pena do OBS: Tais institutos foram criados por motivos de
crime consumado, porém diminuída de 1/3(um terço) a 2/3 ( política criminal e, visando desestimular a consumação do
dois terços) – conforme dispõe o art. 14, Parágrafo Único, do delito. Não importa os motivos que levaram o agente a
Cód. Penal. desistir-se ou arrepender-se. O agente será
responsabilizado apenas pelos atos já praticados.
Veja abaixo algumas peculiaridades que podem
surgir no evento criminoso : ■ Arrependimento Posterior(Artigo 16 do CPB)o
instituto do arrependimento posterior manifesta-se sob a
■ Desistência Voluntária (Artigo 15 do CPB) terá perspectiva legal de diminuir a sanção penal na situação em
ocorrência, quando o agente, depois de começada à fase que o crime apresentou pequena monta e de forma
executaria do delito, vem a voltar atrasem sua conduta no voluntária o agente promoveu o respectivo âmbito
que tange a consumação do delito. A doutrina é pacífica no indenizatório. Entende-se, consequentemente, que para o
sentido de que a desistência deve ser voluntária ainda que crime receber os benefícios pretendidos no Art. 16 do
não o seja espontânea. Também é digno de nota que se diga Código Penal, não poderá ser a infração criminosa de
que a existência desse instituto só alcança viabilidade nas natureza que se utilize violência física ou psíquica (grave
hipóteses de tentativa inacabada ou imperfeita, lembrando, ameaça), além do que deve ser praticado o ressarcimento
contudo, que na desistência voluntária ele pode continuar até o lapso temporal demarcado pelo recebimento da
mas não quer, ao passo que na tentativa ele quer continuar denúncia ou da queixa conforme os termos legais.
mas não pode. Vale salientar que, a doutrina hodierna faz
uma distinção entre desistência voluntária e desistência Exemplo : G resolve furtar um telefone celular de H
espontânea, visto que esta última parte do próprio agente, e consegue. No dia seguinte arrepende-se do ato praticado,
ao passo que a primeira é a desistência sem coação física procura por H e devolve o aparelho celular deste. Ainda
ou moral, mesmo que a idéia de desistir parta de outra assim, foi feita abertura de Inquérito Policial e a denúncia
pessoa ou mesmo de pedido da própria vítima. contra G, mas este, se condenado terá o benefício de
redução de pena de 1/3 a 2/3.
Exemplo 1 : A desejando matar sua sogra M, coloca
veneno para rato no chá dela, mas quando esta vai beber o Portanto, neste caso não eximiu G do crime, mas
chá, A desiste de sua vontade e retira a xícara de chá das deu-lhe o benefício da redução de pena por causa do
mãos da sogra antes que ela tome. arrependimento posterior.

Neste exemplo, não restou nenhum ato anterior Para tal benefício é preciso que :
que seja considerado crime, pois, colocar veneno no chá
não é crime, assim, A não responderá por crime algum. - o crime já tenha sido consumado;
- não tenha ocorrido violência nem ameaça contra
Exemplo 2: X desejando subtrair um quadro da pessoa;
casa de Y, arromba a janela e entra na casa de Y, porém, - arrependimento voluntário do autor;
desiste de sua vontade e sai da casa sem nada levar. Não - restituição da coisa ou reparação do dano antes
responderá por tentativa de furto. da denúncia ou queixa.

Neste exemplo, X para entrar na casa danificou ■ Crime Impossível (Artigo 17 do CPB) é a
(arrombou) a janela e, portanto restou o delito de dano a inviabilidade do momento consumativo, seja do ponto de
ser imputado para X (responderá por crime de dano). vista fático ou legal. Nesse prisma, vislumbra-se que tal
inviolabilidade poderá decorrer do meio, instrumento ou
Mas cumpre ressalvar, A e X, NÃO mecanismo empregado, a exemplo de utilização de arma
RESPONDERÃO por TENTATIVA por causa do artigo 15, imprestável, bem como também em razão do pretenso
mas no caso de X restou ainda um crime nos atos anteriores objeto material como ocorre na hipótese de atirar em uma
que foi o dano e por isso responderá por este crime . pessoa que já se encontre morta. Em qualquer desses
momentos, vale dizer, a ineficácia, inviabilidade ou
■ Arrependimento Eficaz (Artigo 15 do CPB) é a impropriedade deverá ser em caráter absoluto para dar
hipótese em que se praticam todos os atos executórios e, propulsão ao crime impossível. Quando não o forem nessa
havendo um arrependimento por parte do agente, busca o medida, deve haver a penalização pela tentativa do delito.
mesmo o retorno ao status quo ante. Para que essa causa Por último diga-se que, o crime impossível é o mesmo que
excludente da tipicidade possa operar em sua plenitude tentativa inidônea.
requer-se, contudo, que haja eficácia naquela conduta, pois,
do contrário, em nada modificará a sua situação do ponto de Exemplo : R desejando matar S envenenado,
vista penal. A melhor doutrina nos adverte que a hipótese em colocar um pó branco na cerveja que S iria beber, mas
tela só é aplicável aos crimes materiais ou de resultado, nas coloca açúcar ao invés de veneno ( é caso de ineficácia
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absoluta do meio) , ou seja, o meio empregado para o Impossibilidade da legítima defesa.
intento de R era absolutamente ineficaz para produzir o Ofendículos.
evento morte. Duelo.
2.3 Estrito Cumprimento do Dever Legal
Exemplo : R deseja matar S com um tiro. Um dia R Conceito
vê S deitado no chão de uma praça e atira. Mas S já estava Funcionário Público
morto. ( é caso de impropriedade do objeto). Dever Legal
2.4 Exercício Regular de um Direito
Em ambos os casos não responderão por tentativa. Conceito
Faculdade
Exercícios de fixação para resolução em sala de aula Limites
3. Consentimento do Ofendido [Causa Supralegal]
1º) (Advogado Geral da União – 1998) “A” , imputável,
inicia atos de execução de um crime; antes de 1.Generalidades
ocorrer o resultado, deixa de praticar os demais atos
para atingir a consumação. A consumação não No capítulo anterior ficou estabelecido que o crime,
acontece. formalmente falando, é um fato típico composto dos
elementos estudados e de antijuridicidade, elemento ao qual
A hipótese configura : nos deteremos agora.

a) Tentativa. Quando se fala em antijuridicidade deve-se entender


b) Arrependimento posterior. esta como sendo um comportamento incompatível com a
c) Desistência Voluntária. norma jurídica em que se tem uma lesão a um interesse
d) Arrependimento eficaz. protegido pela norma penal.
e) Crime impossível.
Perdeu o sentido a distinção feita entre
2º) (Promotor de Justiça – DF – 2003) Configura-se a antijuridicidade formal e material, isto, pois, a primeira se
desistência voluntária quando o agente confunde com a própria tipicidade e a última é o que
realmente se denota como antijuridicidade.
a) impede que o resultado se produza.
b) se utiliza, para a prática do crime, de objeto Nessa primeira análise acerca do tema não se deve
absolutamente impróprio para alcançar o fim almejado. esquecer de dois fatos que nos chamam a atenção. O
c) é impedido de consumar o crime. primeiro, de caráter terminológico, referente ao fato de que o
d) voluntariamente desiste de prosseguir na execução. que se chama doutrinariamente de antijuridicidade na
e) repara o dano ou restitui a coisa até o recebimento da realidade é ilicitude, segundo a exata descrição legal.
denúncia ou da queixa. Segundo, que para que seja identificada a antijuridicidade
não basta à identificação dos elementos objetivos do crime,
3º) (Juiz de Direito – MG – 2007) O filho intervém, sendo necessário o elemento subjetivo correlato.
energicamente, a favor da mãe, diante das ameaças 2.Excludentes de Ilicitude ou antijuridicidade
que o pai, embriagado, fazia à esposa. O pai,
bêbado, não se conforma. Vai até ao guarda-roupa, São consideradas excludentes da ilicitude ou
retira de lá uma pistola e, pelas costas, aciona várias justificativas legais as causas que se mantêm a tipicidade
vezes o gatilho, sem que nada acontecesse, pois a embora deixe de existir a antijuridicidade. No direito penal
mãe, pressentindo aquele desfecho, havia retirado elas são quatro, quais sejam, estado de necessidade,
todas as balas da arma. Que delito o pai cometeu? legítima defesa, exercício regular de um direito e estrito
cumprimento do dever legal. Essa última excludente ,vale
a) Tentativa imperfeita. dizer, não encontra amparo no direito civil, visto a órbita
b) Crime hipotético. privatística que este sugere. São reconhecidas pela
c) Crime impossível. expressão não há crime.
d) Crime falho.
Vejamos cada uma dessas justificativas legais.
TEMA 4
ILICITUDE E CAUSAS DE EXCLUSÃO 2.1 Estado de necessidade
DA ILICITUDE
(ANTIJURIDICIDADE) É uma excludente que tem como marco distintivo o fato
de que alguém, diante de uma hipótese de perigo
1. Conceito de Ilicitude contemporâneo, e com o escopo de manter a integridade de
2. Excludentes de Ilicitude um direito seu ou de um terceiro, vem a causar o ferimento a
2.1 Estado de Necessidade um direito de natureza igual ou de caráter menos expressivo
Conceito de outrem, desde que este fosse o único mecanismo capaz
Requisitos: situação de perigo atual ou iminente; de impedir esse perigo.
ameaça a direito próprio ou alheio; involuntariedade do
perigo; inexigibilidade do sacrifício e conhecimento Há, pois, um conflito de interesses legalmente
subjetivo. protegidos que se expressa nessa excludente.
Hipóteses: Próprio; Impróprio; Real e Putativo.
Dever Legal do Perigo São requisitos legais do estado de necessidade:
2.2 Legítima Defesa
Conceito  Situação de perigo, atual ou iminente.[Embora a lei
Abrangência fale em “perigo atual” a doutrina e a jurisprudência têm
Requisitos: Agressão injusta, atual ou iminente; Direito entendido que o perigo iminente também é englobado pelo
próprio ou alheio; Meios necessários e Elemento estado de necessidade. Como perigo deve ser entendida
subjetivo. aquela situação causada por caso fortuito [tempestade,
Espécies: Própria; Imprópria; Real; Putativa e sucessiva. inundação, etc] ou força maior [incêndio, naufrágio, etc] em
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que um dos bens tutelados pelo Direito Penal estaria
seriamente ameaçado por uma situação].  Agressão injusta, atual ou iminente - A agressão
será injusta quando for contrária ao ordenamento jurídico e
 Ameaça a direito próprio ou alheio Tal direito tem a colocar em risco um bem juridicamente protegido. Nesse
conotação mais ampla possível, visto que abrange qualquer caso, o titular desse bem poderá agir na defesa de seu
bem tutelado pelo Direito Penal, tais como a vida, saúde, patrimônio jurídico, tais como a vida, a honra, a integridade
patrimônio, etc. física, o patrimônio, etc.

 Involuntariedade do perigo Não pode alegar estado  Direito próprio ou alheio - Qualquer direito protegido
de necessidade quem foi o causador do perigo. pela lei pode alicerçar a legítima defesa.

 Meios necessários, usados moderadamente


 Inevitabilidade do perigo Só poderá o agente agir Devem-se entender como meio necessário àquele que o
em detrimento do direito alheio desde que não exista outra agente tinha à sua disposição como suficientes para repelir a
forma de evitar o perigo. Sendo necessário o sacrifício do agressão. Por outro lado, como meio moderado entende-se
direito de terceiro poderá ocorrer o estado de necessidade. como aquele que não ultrapassa os limites razoáveis para
proteger o bem jurídico tutelado.
 Inexigibilidade do sacrifício do bem jurídico
ameaçado Alguém só poderá agir em estado de
necessidade desde que o bem ameaçado seja de maior ou  Elemento subjetivo Aqui se cobra que o agente
igual valia ao sacrificado. Porém, caso o bem ameaçado saiba que está se defendendo de um ataque e agindo em
seja de menor valia do que o sacrificado, não haverá estado legítima defesa.
de necessidade, podendo, entretanto, a pena ser reduzida
de um a dois terços. São, por sua vez, espécies de legítima defesa:

 Real ou própria À defesa é de um bem pessoal.


 Conhecimento da situação de estado de
necessidade É o elemento subjetivo necessário nas  Imprópria Alguém age para defender o direito de
excludentes de ilicitude. terceira pessoa.

São, por sua vez, modalidades de estado de  Putativa Alguém supõe a existência de uma
necessidade: agressão humana injusta que na verdade inexiste.

 Próprio Ocorre quando o interesse pessoal é que  Sucessiva Ocorre quando o agressor se defende do
está em perigo. excesso do agredido.

 Impróprio Ocorre quando o interesse que está  Recíproca Ocorre nos casos de legítima defesa real
correndo risco é o de terceiro. contra legítima defesa putativa, ou, no caso de ambas serem
 Real O perigo é real, sendo excludente de ilicitude. putativas.

 Putativo O agente imagina por erro que está agindo Alguns pontos merecem destaque:
em estado de necessidade. É erro de tipo ou de proibição.
 Distinção com o estado de necessidade - No caso
2.1.1.Dever legal de enfrentar o perigo Ocorre quando em de legítima defesa o que há é uma agressão de caráter
determinados casos a lei atribui a certas pessoas o dever exclusivamente humano, ao passo que no estado de
legal de enfrentar o perigo, como aos bombeiros, policiais, necessidade tem-se uma ofensa a bem jurídico não
etc. Essas pessoas não podem alegar estado de provocado pela vítima, e que, inclusive, pode ser
necessidade, observando-se, porém, que não é exigido instrumentalizado por animais dependendo do caso.
delas o dever de morrer, mas apenas o de evitar o perigo
quando possível fazê-lo sem o sacrifício de suas próprias  Impossibilidade da legítima defesa - Ocorre tal
vidas, nos termos do artigo.24, parágrafo primeiro do Código hipótese se colocada diante das demais excludentes de
Penal. ilicitude.

2.1 Legítima defesa  Ofendículos - Segundo Mirabete, os ofendículos


são aparelhos predispostos para a defesa da propriedade
A legítima defesa é uma forma de justiça penal realizada (arame farpado, cacos de vidro em muros, etc.) visíveis e a
por particular tendo em sua base central a execução que estão equiparados os “meios mecânicos” ocultos
sumária. Seu fundamento reside no fato de que a proteção (eletrificação de fios, de maçanetas de portas, a instalação
estatal é de impossível ocorrência em todos os lugares e de armas prontas para disparar à entrada de intrusos, etc.).
momentos. Não existe uniformidade na doutrina quanto a sua natureza
jurídica, se de legítima defesa ou de exercício regular de
No Direito Romano só se protegia a vida, a integridade direito. EX: cercas elétricas, grampos, etc.
corporal e a honra. No nosso direito qualquer bem pode ser
protegido pela legítima defesa, seja de natureza pessoal ou  Ataque de animal - É impossível na legítima defesa,
patrimonial. embora possível no estado de necessidade.

Nos termos do Art. 25 do Código Penal “entende-se em


legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios  Duelo - Não poderá alegar legítima defesa àquele
necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a que aceita o desafio e vai à procura do desafeto para a luta.
direito seu ou de outrem”. Isso porque não permite o duelo, respondendo, os
contendores pelos crimes que praticarem.
São requisitos da legítima defesa:

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2.2 Estrito cumprimento do dever legal à deriva. O cadáver de Marco foi encontrado uma
semana depois.
Tal excludente, como já dissemos, é excludente do
direito penal não se elastecendo ao direito civil como aos A conduta de Matias, nessa situação, caracteriza
demais. a) estado de necessidade.
b) estrito cumprimento do dever legal.
A sistemática de tal justificativa legal está em que c) legítima defesa própria.
cumprindo uma obrigação previamente estabelecida em lei, d) exercício regular de direito.
ainda que realize um fato típico este, contudo, não será e) homicídio culposo.
antijurídico.
02.(Agente Penitenciário - Direito Penal (Lep) - Sejus RO
Como se depreende da definição acima apenas o 2008) A exclusão da ilicitude vem prefixada no art. 23 do
funcionário público nos termos do Art. 327 do Código Penal Código Penal. Assinale o item correto:
poderá se resguardar na alegação desta excludente.
Entretanto, a doutrina é pacífica no sentido de que o a) O estado de necessidade não se refere sempre a uma
particular quando exercer circunstancialmente função situação necessária referente aos fatos.
pública também dela poderá se servir. Nessa hipótese o
particular atua como agente público. b) A legítima defesa não se refere sempre à legitimidade
de uma defesa pessoal ou defesa de outrem.
Deve-se dizer que o dever legal aí está no sentido
amplo da palavra. Assim, pode tal dever derivar não apenas c) O estrito cumprimento do dever legal refere-se à
da lei no seu sentido stricto sensu, mas de disposições como exigência de o agente público (policial, agente penitenciário
um decreto ou regulamento. Não se incluem, para esse fim, etc.) sempre agir nos limites da lei, para não cometer abuso
as obrigações morais, sociais ou religiosas. de poder.

2.3 Exercício regular de um direito d) O exercício regular do direito confere aos responsáveis
o poder de punir, mesmo que violentamente, seus filhos ou
Dentro da sistemática social é necessário que haja quem esteja sob a guarda dos mesmos.
normas para se manter o equilíbrio e não se deparar com o
caos. Sob este prisma, o Estado, elemento propulsor de toda e) As excludentes da ilicitude que se encontram tipificadas
legiferante é o único ente capaz através das pessoas que o no art. 23 do Código Penal não exigem análise racional do
representam. A par disso, ver-se que a figura estatal juiz de direito.
demarcará o que é e o que não é considerado um direito
pertinente ao cidadão. E, ainda que haja a prática de um fato 03.(Soldado PM - Noções de Direito Penal - Prova Polícia
descrito como crime, faltar-lhe-á a antijuridicidade Militar GO 2013) Sobre a legítima defesa, constata-se
necessária àquela formação, caso o mesmo se encontre que
dentro do exercício regular de um direito.
a) a mera provocação não dá ensejo a legítima defesa.
Vale salientar que, enquanto na excludente anterior o
que se tem é um dever imposto pela norma em seu sentido
b) a injustiça da agressão não está vinculada à sua
lato sensu, na modalidade que ora discorremos não se tem
um dever mais uma faculdade ou possibilidade que pode vir ilicitude.
a ser exercida ou não conforme a vontade de seu titular.
Entretanto, ao praticar uma conduta nessas circunstâncias c) não se admite a legítima defesa para proteger direitos
embora seja uma conduta típica não será antijurídica. metaindividuais.

2.4 Consentimento do ofendido (Causa Supra Legal) d) a legítima defesa subjetiva ocorre quando presente o
excesso doloso.
O consentimento da vítima poderá funcionar como
causa excludente da tipicidade desde que o bem jurídico Letra “A”
seja disponível e a vítima capaz de consentir. Ex: Se alguém
permite que outrem entre em sua casa não pode alegar o
crime de violação de domicílio. De outro lado, pode funcionar 04.(Questões de Penal Escrivão PC-ES) - João, na
também como causa excludente de ilicitude como no caso véspera do seu aniversário de dezoito anos, ao sair de
do dano. um baile foi cercado e agredido por seu desafeto
Cláudio. João, que estava com uma faca escondida,
Vale salientar que o consentimento só poderá desferiu dez facadas contra Cláudio, que veio a falecer
apresentar o efeito excludente quando os bens não forem após 40 dias internado em razão das facadas. Nesse
indisponíveis, visto que nestes, existe um interesse coletivo, caso:
do Estado (vida, integridade corporal, família, regularidade
da administração pública, etc).
A) não houve tipicidade.
Por fim, diga-se que, o consentimento após a B) não houve ilicitude.
pratica do ilícito penal não o desnatura, mas pode impedir a C) não houve culpabilidade.
ação penal quando esta dependa de iniciativa da vítima. D) não houve punibilidade.
E) houve a prática do crime de homicídio doloso.
Exercícios de fixação para resolução em sala
Gabarito Oficial: C
01. (Agente da Polícia - 2009) Marco e Matias pescavam
juntos em alto-mar quando sofreram naufrágio. Como
não sabiam nadar bem, disputaram a única tábua que 05.(CESPE_1º EXAME DE ORDEM_2009) Em relação às
restou do barco, ficando Matias, por fim, com a tábua, o causas de exclusão de ilicitude, julgue os itens.
que permitiu o seu resgate com vida após ficar dois dias
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Um bombeiro em serviço não pode alegar estado de e)F F V F
necessidade para eximir-se de seu ofício, visto que tem o
dever legal de enfrentar o perigo. c)V V F F

GABARITO: C
08. (UEPB/CONVEST -
CONCURSO PARA O CURSO DE
Entende-se em legítima defesa quem, usando
FORMAÇÃO DE SOLDADOS PM/BM-2008 DA POLÍCIA
moderadamente dos meios necessários, repele injusta MILITAR DO ESTADO DA PARAÍBA) Quanto ao estado
agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. de necessidade, é correto afirmar que

GABARITO: C a)no estado de necessidade, existe defesa contra a ação


humana.
Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato
para salvar de perigo atual, que não provocou por sua b)a agressão é sempre dirigida contra o agressor.
vontade nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou
alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável c)no estado de necessidade, existe a defesa de um
exigir-se. direitopersonalíssimo contra uma agressão injusta.

GABARITO: C d)ele pode se originar do ataque de um animal ou de um


fenômenoda natureza (incêndio).
06.(CESPE - 2009 - PC-RN) Marco e Matias pescavam
juntos em alto-mar quando sofreram naufrágio. Como e)somente o perigo causado culposamente impede que seu
não sabiam nadar bem, disputaram a única tábua que autoralegue estado de necessidade.
restou do barco, ficando Matias, por fim, com a tábua, o
que permitiu o seu resgate com vida após ficar dois dias
à deriva. O cadáver de Marco foi encontrado uma 09.(UEPB/CONVEST-CONCURSO PARA O CURSO DE
semana depois. A conduta de Matias, nessa situação, FORMAÇÃO DE SOLDADOS PM/BM-2008 DA POLÍCIA
caracteriza MILITAR DO ESTADO DA PARAÍBA) -Não há excludente
de ilicitude quando
a) estado de necessidade.
a)um policial algema um cidadão honesto, sósia de um
b) estrito cumprimento do dever legal. fugitivo.

c) legítima defesa própria. b)o policial priva o fugitivo de sua liberdade ao prendê-lo
emcumprimento de ordem judicial.
d) exercício regular de direito.
c)policiais, ao abordarem um indivíduo que furtara um
e) homicídio culposo. veículo, sãorecebidos com tiros e, ao revidar, atingem-no.

Letra “A” d)policial atira em um detento em fuga, valendo-se dos


meiosnecessários e sem excesso.

07. (UEPB/CONVEST/CONCURSO
PARA O CURSO DE
e)policiais militares, em razão de racha automobilístico, em
FORMAÇÃO DE SOLDADOS PM/BM-2008 DA POLÍCIA altashoras da madrugada, desfecham tiros na direção dos
MILITAR DO ESTADO DA PARAÍBA) Analise as veículosenvolvidos.
seguintes proposições que tratam de legítima defesa.
10. (UEPB/CONVEST-CONCURSO PARA O CURSO DE
Analise-as, coloqueVpara Verdadeira,Fpara Falsa e marque FORMAÇÃO DE SOLDADOS PM/BM-2008 DA POLÍCIA
aalternativa CORRETA.
MILITAR DO ESTADO DA PARAÍBA) Quanto ao estado
de necessidade, pode-se afirmar que
( )Legítima defesa é a repulsa à agressão do próprio
ofendido.
a)confunde-se o estado de necessidade com o estado de
precisão,carência ou penúria.
( )Na legítima defesa, a ação pode se dirigir contra outrem
alheioao fato.
b)o bombeiro não pode alegar estado de necessidade e
recusar-sea uma situação perigosa mesmo quando
( )Na legítima defesa, existe um conflito de direito.
impossível o salvamentoou o risco for inútil, pois ele tem o
dever legal de enfrentar operigo.
( )Não existe legítima defesa de terceiro.
c)o bombeiro, que tem o dever legal de enfrentar o perigo,
a)F V F V pode, noentanto, recusar-se a uma situação perigosa
quando impossívelo salvamento ou o risco for inútil.
d)F V F F
d)o furto famélico é exemplo típico de estado de
b)F FFF necessidade.

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e)o estado de necessidade para ser reconhecido não precisa
serprovado. 3.Excesso Exculpante

TEMA 6 É um tipo de excesso impunível. Encontra-se


EXCESSO PUNÍVEL expresso no Código Penal Alemão, contudo, não há sua
previsão no Direito brasileiro.
1. Generalidades:
O excesso exculpante é albergado pela doutrina
brasileira e exclui a culpabilidade, não a ilicitude.
Nos termos do art. 23, § único do CPB, excesso
punível pressupõe a existência de uma causa de exclusão O excesso exculpante é plenamente justificado pela
de ilicitude anteriormente. Com isso, o agente acaba por circunstância em que haja ocorrido a agressão, com isso, o
extrapolar o seu direito. agente exacerba na repulsa à esta. Logo, o excesso
O excesso poderá também ser impunível, desde que o exculpante está relacionado com a reação psíquico-
mesmo advenha de caso fortuito ou erro de tipo invencível. emocional do agente.

O excesso punível é a desnecessária intensificação Exercício de fixação para resolução em sala de aula
de uma conduta inicialmente justificada por um das
excludentes de ilicitude. 01.(Analista Administrativo - 2010) Aquele que, usando
moderadamente dos meios necessários, repele injusta
Em todas as justificativas é necessário que o agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem,
agente não exceda os limites traçados pela lei. Na legítima mas atua em excesso culposo.
defesa e no estado de necessidade, não deve o agente ir
além da utilização do meio necessário e da necessidade da a) responderá criminalmente pelo excesso.
reação para rechaçar a agressão e na ação para afastar o b) não responderá criminalmente pelo excesso.
perigo. No cumprimento do dever legal e no exercício de c) só responderia criminalmente se o excesso fosse doloso.
direito, é indispensável que o agente atue de acordo com o d) não responderá criminalmente em nenhuma hipótese,
ordenamento jurídico. Se, desnecessariamente, causa dano nem de dolo nem de culpa, mas será responsabilizado
maior do que o permitido, não ficam preenchidos os civilmente.
requisitos das citadas descriminantes devendo responder e) responderia civil e criminalmente pelo excesso, apenas,
pelas lesões desnecessárias causadas ao bem jurídico caso tivesse agido com dolo indireto ou eventual.
ofendido.
TEMA 7
No excesso involuntário (evitável ou inevitável), por CULPABILIDADE (ELEMENTOS E CAUSAS DE
erro de tipo aplica-se o artigo 20 e, se ocorrer por erro sobre EXCLUSÃO)
a ilicitude do fato (sobre a injustiça da agressão, por IMPUTABILIDADE PENAL E PUNIBILIDADE
exemplo), o art. 21. DECRETO-LEI No 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940
(CÓDIGO PENAL)
TÍTULO III DA IMPUTABILIDADE PENAL
2. Formas de Excesso Inimputáveis
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental
2.1.doloso ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao
tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de
É o excesso praticado com dolo, ocorrendo quando entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de
o agente se utiliza de uma excludente de ilicitude e abusa acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº
deste direito. 7.209, de 11.7.1984)
Redução de pena
ex.: a está em sua residência e se depara com um Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois
intruso. dá uma facada no sujeito, que cai desacordado. terços, se o agente, em virtude de perturbação de saúde
cessada a agressão, está a acobertado pela legítima defesa. mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou
contudo, a continua esfaqueando o meliante, a partir deste retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter
momento, incorrerá no excesso punível, uma vez que ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
extrapola os limites da legítima defesa. a mata o intruso e entendimento.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
responderá pelo seu excesso doloso. o excesso doloso 11.7.1984)
equipara-se ao crime por fim praticado pelo agente, no caso Menores de dezoito anos
presente, homicídio doloso.
Art. 27- Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente
inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na
2.2. Culposo legislação especial. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
É o excesso em decorrência de culpa ou culpa Emoção e paixão
própria (erro de tipo vencível). Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal: (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
ex.: A está em sua residência e se depara com um I - a emoção ou a paixão; (Redação dada pela Lei nº 7.209,
intruso. Dá uma facada no sujeito, que cai desacordado. de 11.7.1984)
Cessada a agressão, está A acobertado pela legítima Embriaguez
defesa. Contudo, A continua esfaqueando o meliante, a partir II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou
deste momento, incorrerá no excesso punível, uma vez que substância de efeitos análogos.(Redação dada pela Lei nº
extrapola os limites da legítima defesa negligentemente. A 7.209, de 11.7.1984)
mata o intruso e responderá pelo seu excesso culposo. O § 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez
excesso culposo equipara-se ao crime por fim praticado pelo completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, era,
agente, no caso presente, homicídio culposo. ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de
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entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de a responsabilização do agente criminoso. Imputabilidade é a
acordo com esse entendimento.(Redação dada pela Lei nº capacidade biopsicológica de compreender a ilicitude penal
7.209, de 11.7.1984) e de determinar sua conduta conforme esta compreensão.
§ 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o Funda-se, pois, a imputabilidade, em dois momentos
agente, por embriaguez, proveniente de caso fortuito ou distintos: o intelectivo e o volitivo.
força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão,
a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou Portanto, são imputáveis aqueles que têm
de determinar-se de acordo com esse consciência (da ilicitude do fato) e vontade (possibilidade de
entendimento.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de escolher entre praticar ou não o ato). Imputabilidade é a
11.7.1984) capacidade atribuída a alguém de ser responsabilizado
penalmente pela infração penal cometida, e inimputabilidade
é a ausência dessa capacidade. Difere da responsabilidade
DA CULPABILIDADE E DA PUNIBILIDADE penal, que é a obrigação do criminoso de cumprir a pena
cominada à infração penal que cometeu .
1. Culpabilidade
Censurabilidade Social Os imputáveis que cometem crimes são sancionados
Elementos da Culpabilidade com a pena, que tem caráter preventivo e retributivo (Código
1.2.1. Imputabilidade Penal, art. 59). Por sua vez, os inimputáveis que praticam
Critérios de Aferimento crimes recebem medida de segurança, que é um tratamento
- Biológico psiquiátrico realizado com o objetivo de diminuir a
- Psicológico periculosidade do agente (CP, arts. 96 a 99).
- Misto
Causas não excludentes da culpabilidade De outro lado, considera-se semi-imputáveis os
Inimputabilidade agentes que tenham consciência da ilicitude do fato e
- Doença mental, desenvolvimento mental possibilidade de determinar-se de acordo com esse
incompleto ou retardado. entendimento. Porém, a presença de uma variada gama de
- Menoridade perturbações da saúde mental ou de desenvolvimento
- Embriaguez decorrente de caso fortuito ou força mental incompleto ou retardado torna mais difícil para ele
maior. dominar seus impulsos, sucumbindo com mais facilidade ao
1.2.2. Consciência Potencial de Ilicitude estímulo criminal. Essas perturbações incluem a doença
Causa de desconhecimento do ilícito mental e os distúrbios de personalidade, presentes em
- Erro de Proibição psicopatas , sádicos, narcisistas, histéricos, impulsivos,
1.2.3 Exigibilidade de Conduta Diversa anoréxicos, etc.
Causas de inexigibilidade de conduta diversa
- Coação Moral Irresistível 1.2.1.1. Critérios de Aferimento:
- Obediência Hierárquica
2. Punibilidade Biológico - Está diretamente ligado ao
1. Da Culpabilidade desenvolvimento físico-mental do indivíduo. Nesse sistema
1.1 Generalidades considera-se suficiente que haja imaturidade ou afecção
mental para que se configure a inimputabilidade. Em caráter
Durante muito tempo à base central do Direito Penal excepcional foi adotado com exclusividade quanto aos
fundou-se na denominada responsabilidade objetiva, onde menores de 18 anos. Para estes se aplica o Estatuto da
bastava a realização de um caso concreto desprezando-se o Criança e do Adolescente. O critério biológico considera
elemento subjetivo da vontade. No entanto, em certo inimputável aquele que é acometido por doença mental ou
momento da evolução daquele ramo jurídico, sentiu-se a desenvolvimento mental incompleto ou retardado.
necessidade de analisar o aspecto subjetivo do agente,
ainda que a partir de circunstâncias objetivas. A De acordo com Mirabete, a expressão doença
possibilidade de haver vontade em relação à conduta e ao mental “abrange todas as moléstias que causam alterações
resultado no caso de dolo ou o elemento volitivo apenas em mórbidas à saúde mental” , como esquizofrenia, transtorno
relação à conduta no caso de culpa, levou ao entendimento bipolar do humor, paranoia, epilepsia, demência senil, etc.
de que mais do que a simples ocorrência de um fato
delituoso deveria requerer-se a censurabilidade social O mesmo autor situa que o desenvolvimento
daquela conduta como corolário do elemento subjetivo em mental incompleto é a ausência de maturidade psicológica
juízo. para compreender as regras da civilização; essa
incompreensão é transitória, podendo o indivíduo vir a
1.2 Elementos da culpabilidade superá-la. A doutrina tem considerado que os menores de 18
anos, os índios não integrados à sociedade (silvícolas) e os
Várias correntes procuram explicar a culpabilidade, e, surdos-mudos que não receberam a instrução adequada têm
consequentemente, os requisitos que a integram. Em vista seu desenvolvimento mental ainda incompleto.
do estudo em tela o direcionamento que iremos nos
propugnar terá um caráter mais genérico, detendo-nos De outro lado, o desenvolvimento mental retardado
apenas no que tange a Teoria Normativa Pura que está é aquele que nunca se completará, representando um atraso
relacionada com a Teoria Finalista da Ação, que predomina da idade mental com relação à idade cronológica. É o caso
na doutrina e jurisprudência nacionais. dos oligofrênicos (nos graus de idiotia, imbecilidade e
debilidade mental).
Conforme tal teoria apresentam-se como elementos da
culpabilidade de forma cumulativa os seguintes: OBS: Tramita uma PEC com vistas à redução da maioridade
penal de 18 anos para 16 anos.
Imputabilidade
Psicológico - Liga-se diretamente ao aspecto
Consiste na capacidade de entender o fato que se está mental, ou seja, ao entendimento do caráter ilícito de suas
praticando e determinar-se nesse sentido. Só havendo condutas. Nesse sistema, inimputável é todo aquele que
esses momentos é que se poderá buscar nos termos legais apresenta um déficit intelectual ou volitivo.
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de emoção que se prolonga no tempo, constituindo “uma
De acordo com o critério psicológico, a profunda e duradoura crise psicológica que ofende a
inimputabilidade é verificada no momento em que o crime é integridade do espírito e do corpo...” . São exemplos de
cometido, sendo considerado inimputável aquele que age paixão: ódio, amor, vingança, inveja, ciúme, etc. Do mesmo
sem consciência, ou seja, sem a representação exata da modo que a emoção, a paixão não retira do agente a
realidade. Ex.: o agente vê alguém e imagina que está imputabilidade, sendo a causa de diversos crimes.
diante de um monstro e, por isso, ataca-o, matando-o.
Mesmo que haja consciência, o agente será inimputável se OBS1: Excepcionalmente, a emoção e a paixão podem
não puder se conduzir de acordo com ela. Nesse caso, tornar a pessoa inimputável se derem origem a uma doença
haverá ausência de vontade (possibilidade de escolher entre mental. Mesmo nesse caso, respeita-se a regra geral: a
duas ou mais opções). Ex.: uma pessoa tem fobia de barata, causa direta da inimputabilidade é a doença mental e,
ou seja, ela vê a barata e, necessariamente, sai correndo. apenas remotamente, é a emoção e a paixão.
Não há escolha. Se atingir alguém, ferindo a vítima, não
poderá ser responsabilizada. OBS2: Em regra, os estados emocionais ou passionais não
excluem a imputabilidade, até porque a emoção e a paixão
Misto ou biopsicológico - É o adotado pela não são classificadas como enfermidades mentais, podendo
legislação brasileira, segundo o qual será inimputável o excepcionalmente ser a causa propulsora de tais doenças,
indivíduo que portar uma anomalia psíquica e, ao mesmo merecendo, nesses casos uma análise apurada e
tempo, em decorrência dela, apresentar incapacidade de diferenciada das regras gerais até então estudadas.
entendimento ou de determinação. Segundo esse sistema a
imputabilidade estará excluída se o fator psicológico 1. 2.1.3. Causas de inimputabilidade:
decorrer do biológico.
Doença mental, desenvolvimento mental
Com o objetivo de evitar os inconvenientes incompleto ou retardado - Tal previsão legal encontra-se
resultantes da adoção dos critérios anteriores, o Código no art.26, caput, do Código Penal. O termo doença mental
Penal adotou no art. 26, caput, o critério misto ou abrange todas as moléstias que causem alterações
biopsicológico. Assim, a inimputabilidade é definida com mórbidas à saúde mental. EX: esquizofrenia, demência senil,
base em dois critérios: a) biológico: existência de doença etc. Quanto ao desenvolvimento mental incompleto os
mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado; menores de 18 anos, que já receberam um tratamento
b) psicológico: ausência, no momento da prática do crime, diferenciado, bem como os surdo-mudos que não receberam
de compreensão do caráter ilícito do fato e da possibilidade educação apropriada, etc. No que tange ao desenvolvimento
de comportar-se de acordo com esse entendimento. mental retardado quando possui um estado mórbido de
parada no desenvolvimento mental, ocorrido nos primeiros
1.2.1.2. Causas não excludentes da culpabilidade: anos de vida ou de formas congênita, que implique a
impossibilidade de criar ou de criticar os fatos,
Emoção - É um profundo abalo de estado de incapacitando-o para o convívio social.
consciência determinada por uma mudança repentina de Observação importante: A incapacidade deve ser
ambiente. É um estado emotivo agudo, de breve duração. considerada no momento da ocorrência do delito.
São exemplos: medo, alegria, surpresa, vergonha, etc. Observação importante: A doutrina costumeiramente fala
Emoção é “um estado de ânimo ou de consciência acerca da denominada “ACTIO LIBERA IN CAUSA” em que
caracterizado por uma viva excitação do sentimento. É uma o agente se coloca, propositadamente, em situação de
forte e transitória perturbação da afetividade, a que estão inimputabilidade para cometer o crime, realizando esse no
ligadas certas variações somáticas ou modificações estado de inconsciência. O sujeito utiliza a si mesmo como
particulares da vida orgânica” . Trata-se de uma alteração instrumento para a prática do fato. Nessa hipótese,
intensa e de pequena duração do estado psíquico do considera-se, para o juízo da culpabilidade, a situação do
agente. São exemplos de emoção a ira, o medo, a alegria, a agente no momento em que se colocou em estado de
surpresa, a vergonha, o prazer erótico, o desespero e o inconsciência, devendo responder o indivíduo pela conduta
pavor. criminosa e, em certos casos, chegando a agravar a sua
A presença de emoção no momento em que o situação.
crime é cometido constitui a regra geral. É quase impossível
conceber atos como homicídio, lesão corporal ou injúria sem Menoridade - Quando se trata de menor de 18
a presença de emoção. Por isso mesmo, o CP considera anos de idade, tanto a Constituição Federal quanto o Código
(art. 28, I) que a emoção não torna o agente inimputável, ou Penal, de forma absoluta, presumem o desenvolvimento
seja, ele responderá normalmente pelo crime cometido. mental incompleto e vedam a aplicação de pena. Portanto,
os menores de 18 anos de idade são tidos como
Porém, em determinadas situações, a emoção inimputáveis, uma vez que inteiramente incapazes de
pode funcionar como uma circunstância atenuante (CP, art. entender o caráter ilícito do fato e de determinar-se de
65, III, c, in fine – “ter o agente... cometido o crime... sob a acordo com esse entendimento [art.228 da CF e art.27 do
influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da CP]. Nesse caso, ao menor que praticar ato infracional,
vítima”), ou mesmo como uma causa de diminuição de pena deverá ser aplicado o Estatuto da Criança e do Adolescente.
(arts. 121, § 1° e 129, § 4° – “se o agente comete o crime... O Estatuto considera como criança, o menor de 12 anos, e
sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta adolescente, o maior de 12 e menor de 18 anos.
provação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a
um terço”). No primeiro caso, o agente é apenas influenciado Para as crianças que cometem atos infracionais,
por violenta emoção, e o ato injusto da vítima pode ter são previstas apenas medidas protetivas (art. 101 do ECA),
ocorrido há tempos. Tratando-se de homicídio e lesão como colocação em família substituta, abrigo em entidade e
corporal, é necessário que o agente seja dominado pela inclusão em programa de auxílio a alcoólatras e
violenta emoção ocasionada por uma injusta provação da toxicômanos. Os adolescentes infratores são submetidos às
vítima que acabou de acontecer. medidas socioeducativas previstas no art. 112 do ECA, que
vão desde a advertência até a internação em
Paixão - É um estado emotivo de caráter crônico, estabelecimento educacional.
de duração mais longa. É a total concentração da
consciência em torno de um objeto. A paixão é uma espécie Embriaguez decorrente de caso fortuito ou força maior -
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A embriaguez é a intoxicação passageira e aguda produzida sexto a um terço, se evitável (ex: a hipótese de culpa
pelo álcool ou por substâncias de efeitos análogos (ex: imprópria).
drogas).
1.2.3 Exigibilidade de conduta diversa.
Existem vários tipos de embriaguez, como por
exemplo, a embriaguez simples, voluntária ou culposa, A análise da culpabilidade pelo magistrado é algo
proveniente de álcool ou por substâncias de efeitos análogos inerente a cada caso concreto. No caso em tela o juiz deverá
que não excluem a responsabilidade penal. Por outro lado se questionar em face das circunstâncias apresentadas se o
temos também a embriaguez preordenada que se opera agente deveria manifestar-se de forma contrária e
através da teoria da actio libera in causa, ou seja, o indivíduo possibilitar a não ocorrência do delito. Se afirmativo o
preordenou o ato criminoso e o realiza através do estado de entendimento a culpabilidade estará caracterizada e será
embriaguez. Para o código penal a embriaguez que gera a possível a penalização do indivíduo.
ausência de responsabilidade é a acidental que se manifesta
nas formas de caso fortuito ou força maior. Na primeira 1. 2.3.1. Causas de inexigibilidade de conduta diversa.
situação poderemos citar como exemplo o do trabalhador
que cai dentro de um tonel de pinga e acaba ingerindo a Coação moral irresistível - Em Direito Penal coação
bebida. No segundo, há o exemplo de alguém que é forçado é o constrangimento imposto a uma pessoa para compeli-la
a beber por terceiros. Deve-se lembrar que tal ausência de a realizar fato típico e antijurídico. Se o fato é cometido sob
responsabilização só ocorrerá se completa essa forma de coação irresistível, só é punível o autor da coação [art.22 do
embriaguez, pois, se incompleta, haverá apenas diminuição CP]. O dispositivo refere-se mais à coação moral [grave
da pena nos termos do art.28, parágrafo 2º do Código Penal ameaça], pois na coação física não há ação por parte do que
Brasileiro. Por último, diga-se que quanto à figura da foi coagido. Se for demonstrado que a coação moral era
embriaguez patológica prevista no art. 26 do CPB ela resistível, poderá, nas circunstâncias, ser aplicada a
também terá o mesmo regramento visto anteriormente para atenuante genérica do art.65, III, “C”, primeira parte, do
fins de embriaguez acidental. Código Penal.

Obs: Lembre-se que o Código de Trânsito Nacional (Lei Na coação, há a promessa de um mau futuro grave
9.503/97) disciplinava no seu art.165 que dirigir sob a e irresistível, contra o coacto ou contra terceiro, em que o
influência de álcool, em nível superior a seis decigramas por mal praticado ou anunciado pelo coator é igual ou maio do
litro de sangue, ou de qualquer substância entorpecente ou que o mal que será praticado pelo coacto.
que determine dependência física ou psíquica constituía
infração gravíssima. Entretanto, com o surgimento da Lei nº Obediência hierárquica Do poder hierárquico que
11.705/2008 (chamada vulgarmente de Lei Seca) passou a informa a Administração decorre que, via de regra, as ordens
se considerar crime dirigir com qualquer teor de álcool no emanadas dos superiores devem ser cumpridas pelos
organismo, tolerando-se, porém, até 0,2 gramas de álcool subalternos tendo em vista o princípio da presunção da
por litro de sangue, quantidade que corresponde à margem legitimidade e veracidade. Daí porque se diz que, muitas
de erro nos exames. vezes, não é dado ao funcionário agir de outro modo, ainda
que a execução de uma ordem superior importe na
1.2.2 Consciência potencial de ilicitude realização de um fato típico e antijurídico. Excluída a sua
culpabilidade, responde pelo fato apenas seu superior.
Não basta o agente ser imputável. É mister que ele Assim, se o fato é cometido em estrita obediência à ordem,
tenha conhecimento de que a sua prática não repousa não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é
dentro do campo da licitude, ainda que essa consciência punível o autor da ordem [art.22 do CP]. A subordinação é a
tenha apenas um aspecto potencial. Isto ocorre, porque o de ordem pública , não abrangendo o setor privado, como o
Art. 21, Caput, 1ª parte, do Código Penal assegura que é familiar, empregatício ou religioso. Trata-se de um caso
vedado ao praticante de um delito alegar o desconhecimento especial de erro de proibição, quando o agente julga estar
da lei, o que ocorre para se evitar condutas abusivas que cumprindo ordem legítima. Ou de inexigibilidade de outra
poderiam ocorrer. Vale dizer que, trata-se de conhecimento conduta, quando o agente não vê como desobedecer à
leigo, vulgar, que está ao alcance de qualquer indivíduo ordem não manifestamente ilegal. São, pois, requisitos da
capaz que tenha meios de informação, ainda que esta seja obediência hierárquica: relação de Direito Público entre
produto de reflexões ordinárias. superior e subordinado; que a ordem não seja
manifestamente ilegal; que o fato seja cumprido dentro de
1.2.2.1. Causa de desconhecimento do ilícito. estrita obediência à ordem.

Erro de proibição No erro de proibição o indivíduo 2.Da Punibilidade


sabe o que faz mais acredita estar fazendo uma conduta
lícita quando na verdade não é. Por outro lado, no erro de Segundo a melhor doutrina quando o sujeito comete
tipo o agente não sabe o que faz, no erro de proibição ele um crime surge a relação jurídico-punitiva: de um lado
sabe, mas pensa que a sua atitude é lícita, uma vez que não aparece o Estado com o jus puniendi; de outro, o réu, com a
tem ou não lhe é possível o conhecimento da ilicitude do obrigação de não obstaculizar o direito de o Estado impor a
fato. No erro de proibição existe uma falsa ou inexata sanção penal. Com a prática do crime, o direito de punir do
representação da realidade, recaindo sobre o caráter ilícito Estado, que era abstrato, torna-se concreto, surgindo à
do fato achando que seu comportamento é lícito quando, na punibilidade, que é a possibilidade jurídica de o Estado
verdade não é. O agente no erro de proibição, faz um juízo impor a sanção.
equivocado sobre aquilo que lhe é permitido fazer na vida
em sociedade. O erro de proibição, portanto, não elimina o A punibilidade não é requisito do crime, mas sua
dolo; o agente pratica um fato típico, mas fica excluída a conseqüência jurídica. Os requisitos do crime, sob o aspecto
reprovabilidade da conduta. formal, são o fato típico e a antijuridicidade. A culpabilidade
constitui pressuposto da pena. Assim, a prática de um fato
O erro de proibição, ou seja, a falsa convicção de típico e ilícito, sendo culpável o sujeito, faz surgir à
licitude, pode isentar de pena, se o erro for inevitável (ex: a punibilidade.
enfermeira que registrou criança abandonada como se sua
fosse, praticando o art.242 do CPB), ou diminuí-la de um Nesse passo, o Código previu aqui causas que
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extinguem a possibilidade jurídica do Estado impor à pena. Letra “D”
Extinguem elas a pretensão punitiva do Estado ou
impedindo a persecutio criminis, ou tornando inexistente a TEMA 8
condenação.
DECRETO-LEI No 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940
Tais causas estão previstas no art.107 do Código (CÓDIGO PENAL)
Penal a exemplo da morte do agente, pela anistia, graça ou
indulto, entre outras. Deve-se lembrar que tal rol é apenas TÍTULO IV DO CONCURSO DE PESSOAS
exemplificativo. Regras comuns às penas privativas de liberdade
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime
Vale salientar que não se confundem causas
incide nas penas a este cominadas, na medida de sua
extintivas de punibilidade com escusas absolutórias, visto
culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
que, estas são causas, previstas na Parte Especial do CP,
11.7.1984)
que fazem com que um fato típico e antijurídico, não
obstante a culpabilidade do sujeito, não enseje aplicação da § 1º - Se a participação for de menor importância, a pena
pena por motivos de política criminal. Apesar de distintas os pode ser diminuída de um sexto a um terço. (Redação dada
efeitos que as escusas absolutórias acarretam, ensina José pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Frederico Marques, “são idênticos aos da extinção da § 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime
punibilidade”. Assim, elas somente extinguem o poder-dever menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena
de punir do Estado, subsistindo o caráter ilícito do fato. A será aumentada até metade, na hipótese de ter sido
isenção de pena é obrigatória, não ficando ao arbítrio judicial previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº
a concessão do benefício. São exemplos de causas 7.209, de 11.7.1984)
absolutórias os arts. 181, I e II (imunidade penal absoluta Circunstâncias incomunicáveis
nos delitos contra o patrimônio), e 348, § 2º.(isenção de Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as
pena no favorecimento pessoal). condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do
crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Exercícios de fixação para resolução em sala de aula Casos de impunibilidade
Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio,
01º)(Promotor de Justiça – SP- 2008) Quem, salvo disposição expressa em contrário, não são puníveis,
mentalmente são, pratica fato típico e antijurídico em se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado. (Redação
estado de inconsciência, porque culposa ou dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
voluntariamente sob influência do álcool,
a) pode ser submetido a pena ou a medida de segurança,
esta pelo prazo mínimo de um a três anos. CONCURSO DE PESSOAS
b) pode ter a pena reduzida de um a dois terços.
c) deve ter a pena reduzida de um a dois terços. 1. Generalidades
d) deve ser submetido exclusivamente a medida de 2. Espécies de Concurso de Pessoas
segurança. Eventual
e) é apenado normalmente, por força da adoção da teoria Necessário
da “actio libera in causa”. 3. Requisitos do Concurso de Pessoas
Pluralidade
2º)(Defensor Público – MA – 2008) No que concerne aos Relevância Causal
elementos do crime, é correto afirmar que : Vínculo Psicológico
Identidade do Fato
a) a coação irresistível exclui a ilicitude da conduta. 4. Modalidades
b) o erro sobre a ilicitude do fato afasta a culpabilidade. Autoria
c) a obediência hierárquica exclui a tipicidade. Coautoria
d) a doença mental afasta a punibilidade. Partícipe
e) o estrito cumprimento do dever legal exclui a 5. Concurso Subjetivo nos Crimes Culposos.
imputabilidade. 6. Autoria Mediata
7.Autoria Colateral
03. (FCC - 2008 - TCE-AL) A coação moral irresistível e a 8.Autoria Incerta
obediência hierárquica são causas de exclusão da 9.Comunicabilidade e Incomunicabilidade das
Circunstâncias.
a) culpabilidade. 10.Casos de Impunibilidade
b) antijuridicidade. 11.Participação de Menor Importância
c) ilicitude. 12.Cooperação dolosamente distinta
d) tipicidade. 13.Delação premiada
e) punibilidade
1.Generalidades
Letra “A” O crime em principio é uma conduta que pode ser
praticada por uma só pessoa. Ao menos essa é a regra.
4. (OAB/SC -2007) -O advogado de “Alfa” alegou em sua Todavia, ainda que não seja necessária a existência de um
defesa a tese da “inexigibilidade de conduta diversa”. Se conjunto de pessoas para a prática criminosa, essas
acolhida isso importaria em: poderão incidir, auxiliando de alguma forma, provocando o
denominado concurso de pessoas.
a)Alfa deve ser absolvido, pois o fato é atípico.
b)Alfa deve ter a sua pena diminuída, pois não tem Entre as várias teorias existentes o Código Penal
consciência volitiva. acolheu a teoria unitária ou monista pela qual todos os
c)Alfa deve ter a sua pena diminuída ante o estado de envolvidos deverão responder igualmente pela prática de um
necessidade. único crime, seja na condição de autor, coautor ou partícipe.
d)Alfa deve ser absolvido, pois não há culpabilidade. Obviamente que tal extremismo foi limitado pelo legislador
quando dispôs que cada um responderá na medida de sua
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culpabilidade. de qual ou quais os agressores que causaram a ofensa,
entende-se que todos deverão responder na forma tentada
2.Espécies para evitar que um inocente venha a pagar pelo real culpado
.Diante desse quadro é que se terá a possibilidade de uma
 Eventual (é a regra do Direito Penal).Assim, em autoria incerta.
regra os crimes podem ser praticados por uma só pessoa
como ocorre nos exemplos seguintes: homicídio [art.121]; 8.Comunicabilidade e incomunicabilidade das
estupro [art.213],roubo [art.157],furto [art.155],etc. circunstâncias

 Necessário (tem caráter excepcional além do que 8.1. Conceito de circunstâncias é o que está ao redor do
deverá ter prévia disposição legal nesse sentido).Assim, delito. Não altera a natureza do delito, podendo, contudo,
nessa hipótese encontram-se aqueles crimes que a própria promover alterações quanto ao acréscimo ou diminuição da
norma legal estabelece a exigência de que para a sua pena aplicada.
prática ele tenha enquanto elementar do crime a pluralidade
de sujeitos ativos, embora o número legal destes seja 8.2. Condições pessoais é o inter-relacionamento do
variável de acordo com o crime, bem como o fato de poder sujeito com o mundo exterior, sua conduta em meio à
se apresentar de forma explícita ou implícita. São exemplos sociedade, sua forma de tratar as pessoas ao seu redor nos
destes crimes: Formação de quadrilha [art.288], Rixa mais diversos ambientes, como família, trabalho, etc.
[art.137].
8.3 Espécies de circunstâncias
3.Requisitos do concurso de pessoas
 Objetivas são as que se relacionam com os meios e
 Pluralidade de participantes (deve haver a conduta modos de execução do ato criminoso. Ex: a arma utilizada.
de duas ou mais pessoas).
 Relevância causal das condutas (deve a  Subjetivas relacionam-se intimamente com o agente
contribuição ter causado algum efeito dentro da prática do fato criminoso. EX: os motivos que levaram à prática do
criminosa, do contrário ela não será relevada). crime.
 Vínculo psicológico (Todos os participantes devem
estar subjetivamente conscientes daquilo que fazem e do fim 8.4 Elementar é o mecanismo através do qual o tipo penal é
a que se destina). estabelecido. São seus requisitos essenciais como o verbo
 Identidade do fato (O crime será um só para todos núcleo, os sujeitos, o objeto material, etc.
os participantes em face da teoria adotada pelo Código
Penal pátrio). 9.Casos de Impunibilidade

4.Modalidades do concurso de pessoas Salvo disposição em contrário, não se pune o


ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, se não
4.1 Autoria consiste na pessoa que pratica a conduta iniciada a execução do delito [art.31, do CP].
previamente tipificada na norma penal. É explicada através
da Teoria Restritiva, da Teoria Extensiva e da Teoria do Para que a participação seja punível, há a
Domínio do Fato. necessidade do início da execução do crime pelo autor, que
é principal.
4.2 Coautoria É a pessoa que, embora não realize o fato
típico, auxilia diretamente na sua consecução. Contudo, existem casos em que são puníveis os
atos preparatórios, vez que constituem crimes autônomos.
4.3 Partícipes É a pessoa que realiza uma conduta Poderemos citar como exemplo a incitação ao crime
secundária, que, no entanto, surte efeitos para o evento [art.286, do CP], em que se pune a mera incitação genérica
criminoso final. Poderá ocorrer a participação tanto no a prática de crimes, sem a necessidade de estes serem
aspecto moral (induzimento ou instigação), como no aspecto cometidos.
material (auxílio secundário).
10.Participação de Menor Importância - Nos termos do
5.Concurso de pessoas nos crimes culposos É possível art.28, § 1º do CPB, a pena poderá ser reduzida de 1/6 a
ocorrer, visto que duas pessoas podem, por exemplo atuar 1/3.
em conjunto de forma negligente, imprudente ou imperita.
Tome-se como exemplo o fato de que dois médicos que não 11.Cooperação dolosamente distinta – Ocorrerá na
possuem conhecimento específico acabaram por realizar hipótese de um dos concorrentes quis participar de crime
determinada cirurgia ocular, vindo a causar a cegueira no menos grave ser-lhe-á aplicada a pena deste. Na hipótese,
paciente. porém, de ter sido previsível o resultado mais grave essa
pena será aumentada até a metade.
5. Autoria Mediata Manifesta-se nos delitos em que
se utiliza o agente criminoso de uma terceira pessoa, que Delação Premiada – é a possibilidade de um dos
por si mesma não responde como no caso de uma criança elementos subjetivos do delito facilitar o denominando
ou um louco. “desmantelamento”, podendo em razão disso ter uma causa
de redução de pena de 1/3 a 2/3.
6. Autoria Colateral É a hipótese de dois ou mais
agentes praticarem condutas criminosas em caráter Exercícios de fixação para resolução em sala de aula
simultâneo direcionado ao mesmo fim, sem que haja
conhecimento de ambos em relação ao outro. 1 • Q317644 Questão resolvida por você. Imprimir
Prova: CRSP - PMMG - 2013 - PM-MG - Oficial da Polícia
Militar
7. Autoria Incerta É uma decorrência da autoria 1.( Prova: CRSP - PMMG - 2013 - PM-MG - Oficial da
colateral, em face da perícia não ter chegado a um resultado Polícia Militar) -Marque a alternativa CORRETA. Para que
conclusivo acerca do real agressor. Em outras palavras, se possa concluir pelo concurso de pessoas, será
sendo a autoria colateral e em não se chegando à conclusão preciso verificar a presença dos seguintes requisitos:
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condicionada, entre outros requisitos, ao prévio ajuste entre
a) pluralidade de condutas, relevância causal de cada os agentes e à necessidade da prática de idêntico ato
conduta, liame subjetivo entre os agentes e a infração penal. executivo e crime.

b) pluralidade de agentes ou de condutas, relevância Certo Errado


causal de cada agente, liame subjetivo entre os agentes e a
infração penal. Resposta : Errado

c) pluralidade de agentes e de condutas, relevância 5.(Promotor de Justiça – PE – 2007)Antônio chama seu


causal de cada conduta, liame subjetivo entre os agentes e “capanga” Marcelo e determina que mate seu desafeto
identidade de infração penal. Mário. Marcelo se arma com uma clava, esconde-se
atrás de uma árvore, mas, no momento em que Mário
d) pluralidade de condutas, relevância causal de cada passa, não tem coragem de golpeá-lo e desiste. Diante
agente, liame subjetivo entre os agentes e a infração penal. disso, Antônio:

Letra “C” a) responderá por tentativa de homicídio, em coautoria, com


pena atenuada pela ocorrência de arrependimento posterior.
02.(Prova: CESPE - 2013 - PRF - Policial Rodoviário b) responderá por tentativa de homicídio, em coautoria.
Federal - Concurso de Pessoas) Texto associado à c) responderá por crime de favorecimento pessoal.
questão Ver texto associado à questão d) não responderá por crime algum, pois Marcelo não
chegou a dar início à execução do homicídio.
Em relação ao concurso de pessoas, o CP adota a teoria e) responderá, em coautoria, por posse ilegal de arma
monista, segundo a qual todos os que contribuem para a branca.
prática de uma mesma infração penal cometem um único
crime, distinguindo-se, entretanto, os autores do delito dos 6.(Procurador da República – 2007) Agente que, à
partícipes. distância, participa da idealização do crime, propicia os
recursos necessários à aquisição dos instrumentos do
Certo Errado crime, mas não participa dos atos executórios :

Resposta: Certo a) é coautor do crime.


b) é partícipe do crime, respondendo apenas pelos seus
3.(Prova: CESPE - 2013 - TJ-RR - Titular de Serviços de atos.
Notas e de Registros - Concurso de Pessoas) c) teve participação de menor importância.
d) não será punido, pois não se pune o ajuste, determinação
Assinale a opção correta em relação ao concurso ou instigação e auxílio ao crime.
de pessoas.

a) De acordo com a teoria do domínio do fato, autor é o PARTE ESPECIAL


agente que realiza um dos elementos do tipo, sendo TÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
considerado partícipe o agente que somente planeja o crime. CAPÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A VIDA
b) O instituto da participação de menor importância aplica-
se ao autor, ao coautor ou ao partícipe que contribua para a Homicídio simples
prática delituosa de forma minorada, ou seja, que não Art. 121. Matar alguém:
pratique a conduta descrita no tipo penal. Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
Caso de diminuição de pena
c) Em se tratando de crime de roubo praticado mediante o § 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de
emprego de arma de fogo, respondem pelo resultado morte relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta
(latrocínio), situado evidentemente em pleno desdobramento emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, ou
causal da ação delituosa, todos os agentes que, mesmo não juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.
tendo agido diretamente na execução da morte, tenham Homicídio qualificado
contribuído para a execução do tipo fundamental, por terem
§ 2° Se o homicídio é cometido:
assumido o risco.
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro
d) O ajuste, a determinação, a instigação e o auxílio à motivo torpe;
prática de qualquer crime são puníveis, ainda que o fato II - por motivo fútil;
principal não alcance a fase executória. III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura
ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar
e) Para a configuração do concurso de pessoas, devem perigo comum;
estar presentes os seguintes requisitos: pluralidade de IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou
condutas, relevância causal e jurídica de cada uma das outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do
ações, prévia combinação entre os agentes e identidade de ofendido;
fato. V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade
ou vantagem de outro crime:
Letra “C” Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
Homicídio culposo
4.(Prova: CESPE - 2013 - PC-BA - Escrivão de Polícia -
Disciplina: Direito Penal | Assuntos: Concurso de § 3º Se o homicídio é culposo: (Vide Lei nº 4.611, de 1965)
Pessoas; Acerca do concurso de crimes, do concurso Pena - detenção, de um a três anos.
de pessoas e das causas de exclusão da ilicitude, julgue Aumento de pena
os itens que se seguem. § 4o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um
terço), se o crime resulta de inobservância de regra técnica
No concurso de pessoas, a caracterização da coautoria fica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar
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imediato socorro à vítima, não procura diminuir as Lesão corporal de natureza grave
consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em § 1º Se resulta:
flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de
1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor trinta dias;
de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. (Redação II - perigo de vida;
dada pela Lei nº 10.741, de 2003)
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função;
§ 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar
IV - aceleração de parto:
de aplicar a pena, se as consequências da infração
atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção Pena - reclusão, de um a cinco anos.
penal se torne desnecessária. (Incluído pela Lei nº 6.416, § 2° Se resulta:
de 24.5.1977) I - Incapacidade permanente para o trabalho;
§ 6º A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se II - enfermidade incurável;
o crime for praticado por milícia privada, sob o pretexto de III - perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
prestação de serviço de segurança, ou por grupo de IV - deformidade permanente;
extermínio. (Incluído pela Lei nº 12.720, de 2012) V - aborto:
Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio Pena - reclusão, de dois a oito anos.
Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar- Lesão corporal seguida de morte
lhe auxílio para que o faça:
§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o
Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de
consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de produzi-lo:
suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
Parágrafo único - A pena é duplicada:
Diminuição de pena
Aumento de pena
§ 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de
I - se o crime é praticado por motivo egoístico; relevante valor social ou moral ou sob o domínio de violenta
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o
causa, a capacidade de resistência. juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.
Infanticídio Substituição da pena
Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o § 5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda
próprio filho, durante o parto ou logo após: substituir a pena de detenção pela de multa, de duzentos mil
Pena - detenção, de dois a seis anos. réis a dois contos de réis:
Aborto provocado pela gestante ou com seu I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior;
consentimento II - se as lesões são recíprocas.
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que Lesão corporal culposa
outrem lho provoque: (Vide ADPF 54) § 6° Se a lesão é culposa: (Vide Lei nº 4.611, de 1965)
Pena - detenção, de um a três anos. Pena - detenção, de dois meses a um ano.
Aborto provocado por terceiro Aumento de pena
Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da § 7º Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer
gestante: qualquer das hipóteses dos §§ 4º e 6º do art. 121 deste
Pena - reclusão, de três a dez anos. Código. (Redação dada pela Lei nº 12.720, de 2012)
Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da § 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art.
gestante: (Vide ADPF 54) 121.(Redação dada pela Lei nº 8.069, de 1990)
Pena - reclusão, de um a quatro anos. Violência Doméstica (Incluído pela Lei nº 10.886, de 2004)
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a § 9º Se a lesão for praticada contra ascendente,
gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem
débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o
fraude, grave ameaça ou violência agente das relações domésticas, de coabitação ou de
Forma qualificada hospitalidade: (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006)
Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos.
são aumentadas de um terço, se, em conseqüência do (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006)
aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a § 10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo, se as
gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são circunstâncias são as indicadas no § 9o deste artigo,
duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a aumenta-se a pena em 1/3 (um terço). (Incluído pela Lei nº
morte. 10.886, de 2004)
Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: (Vide § 11. Na hipótese do § 9º deste artigo, a pena será
ADPF 54) aumentada de um terço se o crime for cometido contra
Aborto necessário pessoa portadora de deficiência. (Incluído pela Lei nº 11.340,
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante; de 2006)
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro CAPÍTULO IV DA RIXA
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido Rixa
de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu Art. 137 - Participar de rixa, salvo para separar os
representante legal. contendores:
Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou multa.
CAPÍTULO II DAS LESÕES CORPORAIS Parágrafo único - Se ocorre morte ou lesão corporal de
natureza grave, aplica-se, pelo fato da participação na rixa, a
Lesão corporal pena de detenção, de seis meses a dois anos.
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de
outrem: PARTE ESPECIAL
Pena - detenção, de três meses a um ano. 1.INTRODUÇÃO

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O Código Penal brasileiro é dividido, como se sabe, do trabalho; (5) dos crimes contra o sentimento religioso e
em uma parte geral e outra especial: a primeira contendo contra o respeito aos mortos (6) dos crimes contra a
definições, regras e princípios gerais sobre a ação, o crime e dignidade sexual; (7) dos crimes contra a família; (8) dos
a pena conforme a respectiva teoria adotada; e a segunda crimes contra a incolumidade pública; (9) dos crimes contra
composta pelos tipos penais organizados como elenco a paz pública; (10) dos crimes contra a fé pública; (11) dos
normativo de condutas tipificadas mediante descrições de crimes contra a administração pública.
ações humanas cometidas na forma comissiva ou omissiva.
Podemos visualizar da seguinte forma : Após a divisão em Títulos, subdivide-se em
Capítulos (ex : No Título I que trata dos Crimes contra a
- Parte Geral: corpo de disposições “genéricas”, aplicáveis Pessoa, encontramos o capítulo I que trata dos Crimes
a todos os crimes tratados no Código Penal e também contra a Vida).
subsidiariamente aos tipificados em leis extravagantes.
Fazem parte as normas de aplicação da lei penal, do crime, Por fim, alguns Capítulos (não todos) estão
da responsabilidade, do concurso de agentes, das penas, divididos em Seções. Por exemplo: no Título “Crimes contra
das medidas de segurança, da ação penal e da extinção da a pessoa” temos o Capítulo “Dos crimes contra a liberdade
punibilidade. Vai do art. 1º ao art. 120. Foi modificada pela individual”, que está dividido nas seguintes “Seções”:
Lei n.º 7.209/1984.
I – Dos crimes contra a liberdade pessoal;
- Parte Especial: cuida das infrações penais (normas II – Dos crimes contra a inviolabilidade do domicílio;
incriminadoras) e das sanções correspondentes; incluem-se, III – Dos crimes contra a inviolabilidade de correspondência;
ainda, regras particulares ou mesmo exceções a princípios IV – Dos crimes contra a inviolabilidade dos segredos.
gerais (dispositivos sobre ação penal, casos de isenção de
pena, etc.), bem como normas explicativas (conceito de A Parte Especial está sistematizada e ordenada de
“casa”, no artigo 150, §4°; de “funcionário público”, no artigo acordo com a natureza e importância do objeto jurídico
327 etc. ). Vai do art. 121 ao art. 361. tutelado pelos tipos penais. O código Penal vigente entrou
em vigor em 1940 e possui índole essencialmente
Em outros termos, na Parte Geral são descritos e individualista, iniciando-se com os crimes que atentam
explicitados os conceitos e as compreensões gerais sobre imediatamente contra bens jurídicos individuais até chegar
os seguintes aspectos: Aplicação da Lei Penal, Do Crime, aos crimes contra os interesses do Estado. Assim, temos
Da Imputabilidade Penal, Do Concurso de Pessoas, Das primeiramente os crimes contra a pessoa, depois os crimes
Penas, Das Medidas de Segurança, Da Ação Penal, Da contra o patrimônio até se chegar aos crimes contra a
Extinção de Punibilidade. Por sua vez, na Parte Especial é Administração Pública. Essa classificação sofreu a influência
exatamente a tipificação do crime e a pena relativa. Isto de Arturo Rocco, penalista italiano o qual afirmava que a
porque, como a própria Constituição prevê no seu Artigo 5º. existência humana se apresenta ora como existência do
Inciso XXXIX, em consonância com o Código Penal: “Não há homem individualmente considerado, ora como existência do
crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia homem em estado de associação com outros homens, isto
cominação legal”. Isto quer dizer que é necessário estar é, de coexistência ou convivência dos homens em
exatamente e literalmente o crime e a pena respectiva para sociedade, segue-se a distinção entre bens ou interesses
eventual aplicação legal. Não se pode inovar nesta seara, jurídicos individuais e bens ou interesses jurídicos coletivos,
sob prejuízo da incolumidade do cidadão. sendo que essa distinção devia corresponder à distinção dos
crimes.
Evidente que na perspectiva de um Código, o
legislador deseja congregar em único documento o tema que Segundo Rogério Greco ao iniciarmos o estudo da
pretende tratar, sempre com a intenção de possibilitar o Parte Especial do Código Penal, podemos perceber a
acesso mais objetivo as questões pertinentes. Entretanto, preocupação do legislador no que diz respeito à proteção de
conforme já foi dito anteriormente, por vários motivos, diversos bens jurídicos. São onze os títulos existentes que
gradativamente, os Códigos sofrem a ação do tempo e das traduzem os bens que foram objeto de tutela pela lei penal.
mudanças sociais, que mais frequentemente forçam ajustes
ou legislações paralelas. A Parte Especial pressupõe a paciência na
identificação do seu sujeito ativo, sujeito passivo, sua
É comum se dar menor atenção ao estudo da parte objetividade jurídica, elementos subjetivos, sua classificação,
especial em relação à parte geral, considerando-a de certa a pena, e a ação penal compatível à figura delitiva.
forma entediante. Ao mesmo tempo em que se visualiza na
parte geral o alto nível de abstração e a riqueza conceitual O ordenamento jurídico penal brasileiro tutela a
próprias de temas essencialmente filosóficos. pessoa humana, sendo esta proteção jurídica penal
relevante, uma vez que tutela valores inerente a vida, a
É à parte especial que cabe, afinal, a delimitação honra, a liberdade, a família, dignidade sexual, o patrimônio,
concreta do âmbito de criminalização primária – por meio de gerando inúmeras circunstâncias que leva o humano à
suas regras construídas como preceito e sanção – e a pratica de infrações penais.
realização dos princípios informadores do direito penal
moderno como taxatividade e lesividade. O Estado Democrático de direito, encontra no
principio da legalidade penal uma efetiva limitação ao poder
Como dito anteriormente , a referida Parte Especial punitivo do estado. O principio da reserva legal constitui um
cuida das normas penais incriminadoras ou normas de imperativo que não permite desvios nem exceções às novas
direito penal em sentido estrito. Os crimes são denominados exigências penais e da própria justiça. Verifica-se a busca de
de acordo com a rubrica marginal, ou seja, a expressão que um meio-termo que permita a proteção dos bens jurídicos
consta ao lado dos crimes ali definidos. É também conhecido contra as condutas descritas como ilícitas, havendo a
como título do crime ou nomem iuris. É dividida em onze necessidade do uso de conceito, de juízos valorativos, sem
títulos, que com exceção do quarto e do nono, são todos distorcer princípio constitucional da legalidade.
subdivididos em capítulos, tendo como bens tutelados os a
seguir expostos: (1) dos crimes contra a pessoa; (2) dos Assim, a tipificação de crimes descritas no tipo
crimes contra o patrimônio; (3) dos crimes contra a penal do Código Penal, na parte especial e leis
propriedade imaterial; (4) dos crimes contra a organização extravagantes, estende-se a consequências jurídicas quanto
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a aplicação de penas ou medidas de segurança que afetam integral que, não somente a vida extrauterina (ex: homicídio)
o cidadão e a toda a sociedade, produzindo a garantia e a foi abarcada mais também a vida intrauterina (ex: aborto).
certeza sobre a natureza ilícita e a sanção penal condizente.
Juridicamente, os Crimes dolosos contra a vida são
Desta forma o Direito Penal, possui a função ético- o homicídio simples (art. 121, caput), o homicídio privilegiado
social, de proteger o comportamento Humano, garantindo a (§ 1º), o homicídio qualificado (§ 2º), o induzimento,
segurança e a estabilidade do juízo da sociedade e a instigação ou auxílio a suicídio (art. 122), o infanticídio (art.
proteção a violação do ordenamento jurídico social. O 123), o auto aborto (art. 124),o aborto provocado sem o
objetivo é a proteção dos valores ético-sociais e da ordem consentimento da gestante (art. 125) e o aborto provocado
social. com o consentimento da gestante (CP, art. 126).Destarte, só
há um tipo de crime culposo contra a vida: o homicídio
Um dos objetivos da tipificação dos crimes se culposo simples ou qualificado (CP, art. 121, §§ 3º e 4º). Por
destina evitar que o individuo viva sob a ameaça e medo, outro lado, existe apenas uma forma típica preterdolosa de
porque não sabedor daquilo que pode ou não fazer na crime contra a vida. É a do aborto qualificado pela lesão
sociedade em que encontra. Da mesma forma, restringe a corporal grave ou morte (CP, art. 127).Tais crimes, à exceção
atuação dos julgadores e autoridades responsáveis pela lei e do homicídio culposo são julgados pelo Tribunal do Júri
a ordem social, no sentido de que não haja aplicação de Popular.
pena para situações não descritas antecipadamente como
inconvenientes e consideradas proibidas. Tudo isso para Tradicionalmente, o índice de crimes contra a vida,
manter a estabilidade social e jurídica. em especial o homicídio, é considerado um “termômetro” do
grau de violência encontrado em determinada sociedade,
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA podendo ser visto talvez como o mais grave dos extensos
CRIMES CONTRA A VIDA problemas sociais existentes nessa mesma sociedade.

1. Homicídio (Generalidades) A realidade atual é preocupante. O aumento


1.1.Espécies sensível da criminalidade contando muitas vezes com a
Homicídio Consumado participação de jovens, o tratamento inadequado e
Homicídio Tentado desumano dispensado ao menor infrator, abandonado e
Homicídio Doloso marginalizado, a difusão dos entorpecentes até nas escolas,
Homicídio Culposo o desaparecimento e a subversão dos valores morais,
Homicídio Necessário muitas vezes estimulados pelos meios de comunicação de
Homicídio Piedoso massa, a falta de diálogo entre as gerações e o aumento
Homicídio Simples descontrolado da população, em especial nos grandes
Homicídio Privilegiado centros urbanos, são sem dúvida, preocupantes. Nossos
Homicídio Qualificado governantes têm enorme responsabilidade para atenuar os
1.2 Meios sérios problemas que decorrem dessa situação, com
1.3 Forma destaque para o campo da segurança pública, diretamente
1.4 Sujeitos relacionada com os crimes contra a vida.
1.5 Condenação
2. Participação em Suicídio Como dissemos anteriormente, entre os bens de
2.1 Conceito que a pessoa é titular e que o Direito procura garantir com o
2.2 Elemento Subjetivo rigor da sanção punitiva, ocupa o primeiro lugar a vida, esse
3. Infanticídio fenômeno de essência biológica, mas que participa da
3.1 Conceito existência da sociedade e constitui o fundamento do ser
3.2 Estado Puerperal individual-social que é o homem, fazendo da sua proteção
4. Aborto um interesse conjunto do indivíduo e do Estado.
4.1 Espécies
 Auto aborto ou com o consentimento da O homicídio é o mais grave dos crimes contra a
gestante. pessoa; e como atinge a vida, o bem fundamental do
 Aborto provocado por terceiro sem o homem, é ele o “crime por excelência”, segundo definições.
consentimento da gestante. Expressivas as considerações de Nélson Hungria, sobre
 Aborto provocado por terceiro com o essa infração penal, nos termos seguintes: “O homicídio é o
consentimento da gestante. tipo central dos crimes contra a vida e é o ponto culminante
 Aborto qualificado. na ortografia dos crimes. É o crime por excelência. É o
 Aborto Legal. padrão da delinqüência violenta ou sanguinária, que
4.2 Pontos de Destaque representa como que uma reversão atávica às eras
 Aborto Eugenésico primeiras, em que a luta pela vida, presumivelmente, se
 Prova da Gravidez operava com o uso normal dos meios brutais e animalescos.
É a mais chocante violação do senso moral médio da
 Concurso de Agentes
humanidade civilizada”. (“Comentários ao Código Penal”,
vol. V, pg. 271).
1.Homicídio ( Generalidades)
A conduta que se encerra no tipo legal do homicídio
O homem em sua inteireza é o objeto precípuo do
vem contida no preceito primário do art. 121, caput do
Direito .A razão de ser da norma penal é, pois, proteger a
Código Penal, na proposição seguinte: matar alguém. De
pessoa humana de todas as agressões relevantes que
maneira assim tão simples e sintética encontra-se descrita
possam lhe advir independentemente da nacionalidade, da
infração penal tão grave, porque múltiplas são as formas de
faixa etária ou condição social apresentada pelos envolvidos
conduta de que pode revestir-se o homicídio, e variados os
na condição de vítimas.
meios admissíveis para a sua prática e realização.
Seguindo essa trilha, como era natural, o legislador
Praticar o homicídio é realizar uma conduta que
pátrio coloca no ápice da pirâmide os denominados crimes
consiste “em causar a morte” de alguém. Define-se, desse
contra a vida, visto que dela (vida) decorrem todos os
modo, tão-só o fato típico fundamental. Os demais
demais direitos. Tal proteção, inclusive teve um caráter tão
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elementos constitutivos do delito – a antijuridicidade e a idôneo a extinguir a vida. São meios diretos os utilizados
culpabilidade -, não devem vir mencionados na definição, pelo agente ao atingir a vítima de imediato (disparo de arma
porque se pressupõe, sempre, que o crime exista por ter de fogo, golpe de arma branca, propinação de veneno, etc.).
havido morte de alguém ilícita e culpável. Errôneas são, São indiretos os que operam mediatamente através de outra
portanto, as definições do crime de homicídio em que se faz causa provocada por ato inicial do agente: açular um cão ou
referência à injustiça do ato, ou a sua intencionalidade. um louco contra a pessoa que se quer matar; coagir alguém
ao suicídio; deixar a vítima em situação de não poder
Alguns autores, embora se restrinjam aos sobreviver (no deserto, na floresta, ao alcance de uma fera,
elementos do tipo para a conceituação do homicídio, etc.). Na hipótese de homicídio tentado, o agente procedeu
definem a este de maneira um pouco vaga e equívoca, como aos atos de preparação eventualmente necessários,
por exemplo: “o homicídio é a destruição da vida humana”. É armando-se, escolhendo hora ou local mais oportuno,
que não “basta dizer que o homicídio é a eliminação da vida assegurando-se, quando preciso, da colaboração de outrem
humana”, porquanto também o é o suicídio, que não é crime, e passou à execução do seu intento de matar. Antes de
existindo os casos específicos previstos no Código Penal, consumá-lo, porém, uma condição estranha à sua vontade
artigo 122. deteve o movimento em marcha e a morte da vítima não se
deu. Por exemplo: mune-se do revólver e vai ao encontro do
A Constituição Federal atual (1988) dispõe em seu desafeto, dispara a arma, mas não o atinge por erro de
artigo 5º que todos são iguais perante a lei, sem distinção de pontaria ou intervenção de terceiro, ou o fere, mas não lhe
qualquer natureza, “garantindo-se aos brasileiros e aos produz a morte. O resultado não aconteceu por
estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à circunstâncias alheias à sua vontade, conforme expresso no
vida”, dentre outros. art. 14, II, Código Penal.

A proteção da vida abriu margem à formação de Homicídio doloso: No homicídio doloso a morte é
várias espécies penais. Aí se inclui desde logo o homicídio, sempre prevista e desejada pelo agente, para o que
que compõe o núcleo desse grupo de tipos e de que na emprega meios eficientes ou suscetíveis de conseguir o
realidade derivam outras definições penais que, embora se resultado pretendido. Claramente se distingue do culposo,
apresentem como autônomas, apenas constituiriam porquanto neste não havia a intenção, nem direta nem
extensões ou particularizações daquela figura penal. indireta e teve como causa fato que devia ser previsto e
evitado. Na forma dolosa, e já foi visto, há o querer matar ou
O art. 121, caput, Código Penal, define o crime de o assumir o risco de produzir esse resultado, fórmula em que
homicídio como sendo “matar alguém”. Essa “definição se exprimem as duas espécies de dolo - o direto e o
simplista, mas clara e precisa, é adotada por grande parte eventual. Dolo é consciência e vontade do fato e, segundo a
das legislações estrangeiras. Podemos afirmar que o veemência com que esses elementos se apresentem,
homicídio é o delito por excelência e existe desde os tempos tomará o dolo a sua feição mais grave ou menos grave.
mais remotos da civilização. Ainda hoje são encontrados Mata com dolo direto quem prevê a morte como
esqueletos da era pré-histórica com visíveis sinais de conseqüência necessária do seu ato e quer que ela ocorra,
homicídio” (“Manual de Direito Penal”, César Dario Mariano ciente de que o seu querer é ilícito. Dispara a arma contra o
da Silva, ed. 2000, vol.II/45). inimigo, consciente de que vai matá-lo e disposto a fazê-lo.
Ocorre o dolo eventual quando o sujeito assume o risco de
No sentido penal homicídio exprime a destruição da produzir a morte, isto é, admite e aceita o risco de produzi-la.
vida de um ente humano, provocada por ato voluntário (ação Não quer a morte de outrem, mas a prevê.
ou omissão) de outro homem ou ser humano.
Homicídio culposo: designação dada ao homicídio
São, pois, elementares, para a constituição do que resulta de ato negligente, imprudente ou imperito do
homicídio doloso, como delito: a) a preexistência de uma agente, embora não tenha tido a intenção criminosa (animus
vida humana; b) o ato voluntário do agente, causa eficiente necandi). É, assim, o homicídio resultante de uma falta
da morte ou destruição provocada, seja esta consequente de cometida pelo agente. Não havia a intenção de matar, mas o
ação ou omissão; c) a intenção determinada no agente para ato que não foi previsto, quando o devia, veio dar causa ao
produzir a destruição, isto é o animus necandi (ânimo de resultado. A culpa se revela na falta de previdência e
causar a morte). ausência de precaução, não admitidas para o caso em
espécie. Vale ressaltar que, o homicídio em comento possui
1.1 Espécies de homicídios também uma forma típica descrita em norma penal
Segue abaixo a relação doutrinária mais aceita permissiva. O §5º do art. 121 do CP prevê o perdão judicial:
quanto às formas de homicídio: “Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de
aplicar a pena se as consequências da infração atingirem o
Homicídio consumado: é expressão usada para próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se
indicar já ter sido concluído o ato de destruição pretendido torne desnecessária”. Na forma culposa a morte da vítima
pelo agente, ou que os meios por ele empregados não é visada. É a conduta voluntária (ação ou omissão) que
realizaram a sua intenção criminosa de matar a pessoa por produz um resultado antijurídico não querido, mas previsível,
ele visada. É empregado em oposição ao sentido de ou excepcionalmente previsto, de tal modo que podia, com a
homicídio tentado. O homicídio consuma-se quando da devida atenção, ser evitado. Atualmente os acidentes
atuação do agente resulta a morte de uma pessoa. É aí que culposos na direção de veículos automotores que
se cumprem os extremos do tipo de matar alguém. Mas no provoquem morte estão previstos no art. 302 do Código de
caminho do homicídio doloso pode o processo não chegar Trânsito Brasileiro, que exasperou sensivelmente as penas,
ao seu fim e o crime parar no grau de tentativa, inexistente dobrando a mínima que era de 1 para 2 anos de detenção,
em se tratando de homicídio culposo. além de outras consequências. Muitos criticam essa
disposição legal do CTB (Lei nº. 9.503/97) por punir muito
Homicídio tentado: é o que não se cumpriu ou que mais rigorosamente quem mata quando está na direção de
não se consumou, em face de atos ou circunstâncias estas automóvel, por exemplo, e de forma culposa, do que aquele
alheias à vontade do agente. A conduta típica é matar que mata com arma de fogo, sem agir dolosamente.
alguém, ou seja, eliminar a vida de uma pessoa humana. Também a título de exemplo: a arma dispara acidentalmente
Tratando-se de crime de ação livre, pode o homicídio ser e mata quem estava próximo. No caso do automóvel a pena
praticado por meio de qualquer meio direto ou indireto, mínima é a de 2 anos de detenção. No exemplo da arma tal
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pena é a de 1 ano de detenção. mantém outrem refém com ameaças (revólver), para salvar
a vítima. A excludente só ocorre quando há um dever
OBS: O Perdão Judicial é uma causa extintiva de imposto pelo direito objetivo, sendo certo que as obrigações
punibilidade. Há divergência quanto à natureza jurídica da de natureza social, moral ou religiosa, não determinadas por
sentença que o determina. Para o STF tal sentença é lei, não se incluem na justificativa. É necessário que o sujeito
condenatória. Já para o STJ apresenta natureza pratique o fato no estrito cumprimento de seu dever, pois
declaratória. É previsto genericamente no artigo 107 IX do fora daí a conduta torna-se ilícita e é punida. Por fim, não há
Código Penal (extingue-se a punibilidade: (...)IX - pelo crime quando o agente pratica o fato no exercício regular de
perdão judicial, nos casos previstos em lei) e de forma um direito, sendo necessário que o agente obedeça
específica nos artigos 121, § 5º (homicídio culposo) e 129, rigorosamente aos requisitos objetivos traçados pelo Poder
§8º (lesão corporal culposa) do mesmo dispositivo, o perdão Público. Fora daí haverá abuso de direito, respondendo o
judicial é aplicável em várias hipóteses, não se limitando agente por esse abuso. Exemplos clássicos são as
apenas ao homicídio culposo e à lesão corporal culposa. O intervenções médicas e cirúrgicas. Na prática de esportes,
perdão judicial nos casos de homicídio culposo (121, §5º, como por exemplo, o futebol, o boxe e a luta livre, podem
CP) consiste em causa extintiva de punibilidade, sendo ocorrer resultados danosos. Mas desde que haja obediência
utilizado nas hipóteses em que “as consequências da irrestrita às regras que definem cada um desses esportes os
infração atingem o próprio agente de forma tão grave que a seus autores não responderão por crime se provocarem
sanção penal se torne desnecessária”. resultados sérios, como ferimentos e mesmo a morte, desde
que ocorridos acidentalmente, tratando-se de conduta lícita.
Homicídio necessário: é o que se praticou Ao contrário, se o participante não se conserva dentro das
acobertado pelas justificativas legais (legítima defesa, regras do jogo, abusando, responderá pelo resultado lesivo,
estado de necessidade, exercício regular de direito e estrito a título de dolo ou de culpa.
cumprimento do dever legal).Nesses termos, mata em
legítima defesa aquele que o faz para defender contra Homicídio piedoso: é o que se pratica por piedade
injusta agressão atual ou iminente um bem jurídico próprio ou misericórdia, seja a pedido da vítima, que deseja morrer,
ou alheio, empregando com moderação os meios ou para evitar os sofrimentos ou agonia, conseqüência de
necessários. Está expresso no art. 25 do Código Penal. São moléstia incurável. Tecnicamente é dito de eutanásia que se
estes, portanto, os extremos da legítima defesa: agressão define morte dulcificada, desejada, provocada tão depressa,
injusta atual ou iminente a um bem jurídico próprio ou de quanto se haja perdido toda esperança científica, morte
outrem, defesa do bem agredido pelos meios necessários, originada pelo morto. O homicídio eutanásico ou homicídio
usados com moderação. É causa de exclusão da piedoso não é autorizado entre nós.
antijuricidade. A ordem jurídica visa à proteção dos bens
juridicamente tutelados, não só punindo a agressão, mas Homicídio simples: denominação dada pelo
também objetivando a preveni-la. Quem se defende, embora Código Penal em distinção ao homicídio qualificado. É,
empregando violência, desde que dentro dos parâmetros assim o homicídio, que não se encontra configurada
definidos pelo próprio Código Penal, atua dentro da ordem especialmente na lei penal, que o estabelece modificando-o
jurídica, tratando-se de comportamento legítimo e não de seu aspecto comum ou ordinário. Homicídio simples,
criminoso. A agressão é atual quando contemporânea de pois, é ato voluntário, pelo qual se destrói a vida de um ente
repulsa. É agressão presente, aquela que no momento se humano, sem qualquer agravação ou qualificação que venha
realiza, como ensina Costa e Silva. E Nélson Hungria a alterar a natureza comum ou ordinária do crime.
denomina de agressão em “sua fase militantemente
ofensiva”, para distinguir da agressão iminente que é aquela Homicídio privilegiado - O tipo privilegiado do
na fase “de imediata predisposição objetiva”. Para que a homicídio se encontra definido no §1º: “Se o agente comete
agressão e repulsa sejam contemporâneas, havendo assim o crime impelido por motivo de relevante valor social ou
agressão atual, é preciso que esta tenha sido iniciada. moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em
Todavia, o tempo da agressão começa o perigo iminente. seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a
Daí falar o estatuto penal em repelir “agressão atual ou pena de um sexto a um terço”.
iminente”. Por outro lado, o nosso Código reconhece o
estado de necessidade que exclui o crime e o estado de  Homicídio por motivo de relevante valor
necessidade que exclui a culpabilidade. A primeira situação social é aquele em que o agente age impulsionado
é a daquele que pratica um mal para preservar direito seu ou por uma razão de grande importância social. Por
alheio de perigo certo e atual que não provocou, nem podia valor social deve-se entender o que diz respeito aos
de outro modo evitar, desde que o mal causado, pela sua objetivos da coletividade, a ser aferido segundo
natureza e importância é consideravelmente inferior no mal critérios objetivos e de acordo com a consciência
evitado, e o agente não era legalmente obrigado a arrostar o ético-social geral. Além disso, o valor social que
perigo. No segundo, a daquele que, para proteger direito motiva a ação deve ser relevante, vale dizer, de
próprio ou de pessoa a quem está ligado por estreitas grande importância, digno da maior consideração
relações de parentesco ou afeição, contra perigo certo ou por parte de todos. Nos dias de hoje, em que a
atual, que não provocou, nem podia de outro modo evitar, criminalidade violenta e organizada, especialmente
sacrifica direito alheio, ainda quando superior ao direito o tráfico ilícito de entorpecentes, subjuga amplos
protegido, desde que não lhe era razoavelmente exigível setores sociais, mormente bairros e favelas, pode-
conduta diversa (art. 24 do Código Penal).O estado de se reconhecer o privilégio na conduta daquele que,
necessidade tem como base uma situação de perigo para com a exclusiva intenção de combater a
determinado bem jurídico, que somente pode salvar-se criminalidade, mata o chefe da quadrilha que
mediante a violação de outro bem jurídico. É o caso do domina sua região. Move-o a busca da paz e da
alpinista que impede o companheiro e o atira ao precipício tranqüilidade social, que são, a toda evidência, de
para evitar que se rompa a corda que os sustenta e que enorme relevância social.
ameaça de partir-se sob o peso excessivo de dois corpos.  - Homicídio por motivo de relevante valor
Não há crime também quando o agente pratica o fato no moral é aquele que cuida de uma motivação por
estrito cumprimento de dever legal, como inserido no art. 23, valor de natureza moral. Tais valores são
III, Código Penal. Embora típica a conduta não é ilícita. particulares, individuais, do próprio agente e
Exemplos: fuzilamento do condenado pelo carrasco; morte devem, igualmente, ser de grande importância. Não
do inimigo no campo de batalha; morte de alguém que contempla, portanto, qualquer valor individual, mas
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aquele que é considerado, ética e objetivamente, impunidade ou vantagem de outro crime) (PRADO, 2002, p.
de grau elevado pela consciência social. Seria, por 52).
exemplo, o caso do pai que mata o autor do estupro
contra sua filha menor. Já se entendeu também que As qualificadoras podem ser de cunho subjetivo e
o marido traído que mata a mulher adúltera comete objetivo. As de cunho subjetivo são motivo torpe e fútil. As de
o crime por motivo de relevante valor moral; cunho objetivo se referem aos modo e meios de execução.
todavia, melhor é compreendê-lo, em algumas São elas: meios insidiosos, cruéis e catastróficos (que
situações, como homicídio privilegiado por violenta causem perigo comum) e as praticadas pelos modos de
emoção. A eutanásia também é considerada pela dissimulação, traição e a tocaia.
doutrina dominante um homicídio privilegiado por
motivo de relevante valor moral. Segundo Nelson Vejamos em espécie as qualificadoras subjetivas :
Hungria, homicídio eutanásico é aquele praticado
para abreviar piedosamente o irremediável 1.1.1.Motivo Torpe ou Equiparado:
sofrimento da vítima, e a pedido ou com o
assentimento desta. O sofrimento irremediável da O Estatuto Repressor Penal Brasileiro esculpiu que o
vítima, portanto, constitui o valor moral de homicídio assumirá uma forma qualificada caso for cometido
relevância que, impelindo o agente, torna-o menos “I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por
severamente punível. outro motivo torpe”. É primordial analisar, minuciosamente,
 - Homicídio emocional é o homicídio sob o todas as situações previstas pela redação do dispositivo
domínio de violenta emoção quando o agente, acima, a fim de se compreender de maneira mais clara as
diante de uma injusta provocação da vítima, se vê bases que sustentam o chamado homicídio mercenário.
dominado por tamanha emoção e reage
imediatamente. São três, pois, os requisitos para 1.1.1.1.Paga ou Promessa de Recompensa
sua caracterização: a injusta provocação da vítima,
a emoção violenta que domina o agente e sua A nomeada “paga” ocorre nas hipóteses em que o
reação imediata. Injusta provocação é o autor do crime recebe algum valor em pecúnia (cunho
comportamento da vítima capaz de, por sua material) ou similar para cometer o crime, há uma evidente
natureza e, principalmente, injustiça, desencadear interpretação analógica que equipara tal ato ao motivo torpe.
um processo emotivo de grande intensidade no Já a “promessa de recompensa” se funda na concepção que
agente. Pode ser uma ação ou omissão que a é prometido algo para o homicida praticar a conduta. Ainda
vítima realiza em relação ao próprio agente ou a neste passo, é salutar destacar que, a rigor, o pagamento
terceira pessoa. Não se confunde a provocação tem aspecto material (vantagem econômica), todavia, a
com a agressão, que, se existente, pode ensejar doutrina também admite pagamentos morais e/ou favores
uma situação de legítima defesa. A provocação é sexuais como espécies do gênero pagamento. Mirabete
um comportamento menos grave que a agressão, e (2004, pág. 70) ensina ainda que a promessa em questão
com esta não se confunde. É uma atitude de possa consistir também em perdão de uma dívida existente
desvalor para com um bem jurídico. ou mesmo uma promoção no emprego.
É necessário destacar que, mesmo que o mandante
Homicídio qualificado: designação dada à figura não cumpra a promessa e não entregue a recompensa
delituosa do homicídio já enumerada pela lei penal com os prometida, haverá a qualificadora para ambos os envolvidos,
elementos qualificativos, que o modificam em relação ao que já que, nesse caso, a razão de o executor ter matado a
se diz simples. É sempre mais rigorosamente punido. A vítima foi a promessa, ainda que não cumprida pelo
qualificação do homicídio, assim, apresenta o crime mandante.
agravado ou de maior gravidade, em vista da intensidade do
dolo, nele anotada, da natureza dos meios postos em ação 1.1. 1.2.Motivo Torpe
para executá-lo, do modo de ação ou desejo de fugir à
punição. Revela, assim, o grau de perversidade do agente O “motivo torpe”, por excelência, é aquele que
ou a visível maldade de sua prática. As figuras típicas causa repugnância aos olhos da sociedade, “motivo abjeto,
qualificadas estão descritas no §2º: “Se o homicídio é repugnante, ignóbil, desprezível, vil, profundamente imoral,
cometido mediante paga ou promessa de recompensa, ou que se acha mais abaixo na escala dos desvalores éticos e
por outro motivo torpe; por motivo fútil; com emprego de denota maior depravação espiritual do agente” (MIRABETE,
veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio 2004, pág. 70). Atenta contra a concepção do mínimo
insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; à aceitável pela sociedade. A doutrina traz à baila uma gama
traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro considerável de exemplos que se enquadram dentro da
recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do torpeza assinalada, tais como: o réu que assassina sua
ofendido; ou para assegurar a execução, a ocultação, a namorada por descobrir que já não era mais virgem ou ainda
impunidade ou vantagem de outro crime: Pena - reclusão, de aqueles que crimes cometidos por motivo de herança,
12 a 30 anos”. rivalidade profissional ou tão apenas para satisfazer desejos
meramente de cunho sexual.
Em outros termos, o homicídio qualificado é aquele
em cuja prática demonstram-se patentes determinados Segundo Gonçalves (2008, pág. 141), a torpeza
meios que evidenciam atitudes e sentimentos reprováveis; também está atrelada a motivos de egoísmo e maldade.
ademais, caracterizam-se como qualificados aqueles que Contudo, a vingança só pode ser considerada como tal se
visam a fins nos quais também se nota carga de for decorrente do binômio retro, ou seja, é necessário que
desaprovação. seja um desdobramento para que assuma tal feição.
Corroborando o apresentado, Mirabete (2004, pág. 70)
Quanto a essa modalidade de homicídio, dispõe-se oferta que a vingança para qualificar o homicídio, tal como
que: considera-se qualificado o homicídio impulsionado por um motivo equiparado ao torpe, é indispensável que seja
certos motivos, se praticados com o recurso a determinados ignominiosa, repulsiva a qualquer sentido ético.
meios que denotem crueldade, insídia ou perigo comum ou Distintamente o ciúme não tem sem sido considerado pelos
de forma a dificultar ou tornar impossível à defesa da vítima; Tribunais como motivo torpe.
ou, por fim, se perpetrado com o escopo de atingir fins
especialmente reprováveis (execução, ocultação, Como se observa o motivo torpe é repugnante, vil.
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Ela ofende gravemente a moralidade do homem médio.
Ademais, esse crime configura hipótese de concurso A primeira figura elencada pela redação do inciso III
necessário, já que depende do envolvimento de no mínimo é o veneno. Em conformidade com a visão doutrinária em
duas pessoas: mandante e executor. vigor, concebe-se tal substância como aquela que uma vez
introduzida no organismo, possui a capacidade de destruir a
1.1.2.Motivo Fútil: vida ou lesar a saúde. Ademais, é viável ainda defini-lo como
“veneno consiste em qualquer tipo de substância tóxica, seja
Outro elemento considerado como responsável por ela sólida, líquida ou gasosa, que possa produzir qualquer
qualificar o homicídio funda-se na premissa do crime ser tipo de enfermidade, lesão, ou alterar as funções do
perpetrado por um motivo fútil (“§ 2º - Se o homicídio é organismo ao entrar em contato com um ser vivo, por reação
cometido: II - por motivo fútil”). Na esfera jurídica, este química com as moléculas do organismo” (Wikipédia/2009).
ensejo é considerado a partir de uma desproporcionalidade Pode ser de origem mineral (arsênico, mercúrio, cianureto),
maciça entre o motivo causador e a perpetração do crime. vegetal (cicuta) ou animal (peçonha de serpente), na forma
Mirabete (2004, pág. 70) aduz que “fútil é o motivo sem sólida, líquida ou gasosa.
importância, frívolo, leviano, a ninharia que leva o agente à
prática desse grave crime, na inteira desproporção entre o O célebre doutrinador Hungria, ao ser citado por
motivo e a extrema reação homicida”. Ainda neste sentido, é Mirabete, salienta ainda que “incluem-se como veneno as
salutar diferenciar o denominado motivo fútil do motivo substâncias inócuas que podem, por circunstâncias
injusto, pois, por vezes, uma situação que aparentemente especiais, causar a morte da vítima: o açúcar ao diabético, o
tenha a aparência frívola, é relativamente suficiente para ‘sal de cozinha propinado a quem haja ingerido calomeno
liberar a qualificadora do crime, como é o caso do ciúme. (subcloreto de mercúrio)’...” (MIRABETE, 2004, pág. 71).

Os Tribunais Pátrios, reiteradamente, têm concebido Cuida também sustar que é necessário que seja
o tema em tela nas discussões banais e habituais entre ministrado de maneira sorrateira, sub-reptícia ou ainda
cônjuges, no término do namoro ou ainda em discussões iludindo a vítima. Segundo ensina Costa e Silva, pode ser
familiares. Entretanto, o crime precedido por discussões administrado por via bucal, nasal, retal, hipodérmica,
acaloradas não pode ser qualificado. intravenosa, etc. No entanto, se a substância for empregada
de forma violenta, configurará a qualificadora de emprego de
A luz do exposto, o exemplo mais valorado por grande meio cruel.
parte dos doutrinadores, narra que se vislumbra a existência
do motivo fútil quando em um restaurante, o cliente mata o ►Fogo
garçom por ter encontrado uma mosca no prato de sopa que
estava consumindo. Vale também dizer que se tem O Diploma Criminal apresenta também o fogo como
entendido que a embriaguez exclui o reconhecimento do elemento que qualifica o crime de homicídio, pois é um meio
motivo fútil, dada as consequências que acarreta no cruel e, fortuitamente, é causador de perigo comum, qual
psiquismo. seja o incêndio. Urge destacar que não carece de atingir
mais de uma pessoa, basta tão-só à mera probabilidade
Ver-se que é desproporcionado ou inadequado em para que o crime de perigo esteja configurado.
relação ao crime, do ponto de vista do homem médio .A
simples falta de razão para o crime não é motivo fútil. A ►Explosivo:
injustiça também não configura motivo fútil. Diz-se que há
motivo fútil quando há motivação frívola, ridícula nas suas Houaiss (2004, pág. 326) apregoa a concepção de
proporções como, por exemplo, o fato de ter rido do acusado explosivo como toda e qualquer “substância capaz de
ao vê-lo levar um tombo; ou o autor matar a vítima pelo fim explodir ou de produzir explosão”. Nesse mesmo passo,
do namoro; ou o autor que matou a vítima pois ela se Sarau, ao ser citado por Mirabete (2004, pág. 72), afirma
recusou a ir com ele ao cinema. que “é qualquer corpo capaz de se transformar rapidamente
em gás à temperatura elevada”. Assim, ao ser provocada
Passemos a analisar em espécie as qualificadoras uma detonação ela atingirá não somente a vítima, mas sim,
objetivas previstas nos incisos III e IV, art. 121, § 2º do CP: todos os que a rodeiam. Comumente, emprega-se esse
meio em crimes de cunho político ou em atos tipicamente
1.1.3. Meios de execução terroristas.

O inciso III discorre acerca dos exequíveis meios que ►Asfixia


podem ser empregados para se perpetrar a conduta
criminosa e, assim, alcançar o resultado ambicionado. Para O inciso III enumera ainda a utilização da asfixia
tanto é primordial trazer à tona a redação do dispositivo em como um meio que qualifica a conduta criminosa. Desta
questão e que aduz: “§ 2º - Se o homicídio é cometido: III - feita, considera-se tal conduta como responsável por impedir
com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou a função respiratória do ofendido e, assim, culminando em
outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar sua morte. As linhas doutrinárias, tanto na esfera jurídica
perigo comum” (DJI/2009). como nos meandro da medicina legal, afirmam que pode
ocorrer de distintas maneiras.
Isto posto, é imprescindível tecer maiores
considerações acerca do tema para se compreender sua A doutrina apresenta uma gama de espécies que
essência e a importância conferida aos meios como causam a morte por asfixia mecânica, tais como: a
qualificadoras de uma conduta criminosa. Ainda neste esganadura (constrição do pescoço pelas próprias mãos,
prisma, o mestre Mirabete (2004, pág. 71) afirma que a impossibilitando a passagem do ar), o estrangulamento
conduta do agente demonstra maior periculosidade, (emprego de determinados materiais que, em conjunto com
inviabiliza a defesa do ofendido ou ainda impõe uma a força muscular, inviabilizam a respiração), a sufocação
situação de risco a toda a coletividade, sendo totalmente (utilização de específicos objetos, como travesseiros e
compreensível à carga valorativa atribuída pelo legislador ao mordaças, para obstruir o fluxo de ar), o soterramento
estruturar o Diploma Repressor Criminal. (imersão em meio sólido, como é o caso de entulhos), o
afogamento (imersão em meio líquido, a exemplo da água),
► Veneno o enforcamento (obstrução da passagem de oxigênio devido
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o próprio peso da vítima) ou o confinamento (colocação da
vítima em local que impossibilite a circulação de ar). No que A redação do inciso IV explicita uma sucessão de
concerne à asfixia tóxica, ocorre, precipuamente, por gases situações que, de certa monta, dificultam ou tornam
tóxicos. impossível a defesa da vítima, sendo, devido a isso,
consideradas como qualificadoras do crime de homicídio.
►Tortura Dado o apresentado, é cogente a necessidade de trazer à
baila a redação do referido dispositivo e que estabelece: “§
Em linhas doutrinárias, concebe-se a ocorrência da 2º - Se o homicídio é cometido: IV - à traição, de
tortura como infligir mal desnecessário para causar a vítima emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que
dor, angustia ou majorar um sofrimento já existente ou na dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido”
iminência de existir. Consoante Gama (2006, pág. 369) (DJI/2009).
expõe, a tortura é o “sofrimento ou tormento infligido a
alguém”. Doutrinariamente, são mecanismos empregados
pelo agente ativo e que asseguram maior segurança na
►Meio Insidioso perpetração da conduta, uma vez que se vale da boa-fé ou
mesmo da falta de prevenção da vítima. Frente a essas
Preconiza-se o meio insidioso como aquele ponderações, mister se faz à análise minuciosa de tais
constituído por fraude ou que seja desconhecido da vítima, ações para se compreender o assunto em questão.
não sabendo que está sendo atacada. Nas palavras do
mestre Mirabete (2004, pág. 73), “o que qualifica o homicídio ►Traição
não é propriamente o meio escolhido ou usado para a
prática do crime, e sim o modo insidioso que o agente Na esfera penalista da Ciência Jurídica, considera-se
executa, empregando, para isso, recurso que dificulte ou a traição como “um ataque súbito e sorrateiro que atinge o
torne impossível a defesa da vítima...”. sujeito passivo, o qual, descuidado, porque confiante, não
percebe o gesto criminoso.” (SIQUEIRA, 2009). Ainda nesse
Ainda na ótica do Superior Tribunal de Justiça, o passo, cumpre lançar mão das palavras do mestre Mirabete
assunto em questão são aqueles que são empregados de (2004, pág. 73) que salienta: “é qualificado o homicídio pela
maneira enganosa ou fraudulenta e cujo poder mortífero se traição quando há insídia, não pela natureza do meio
encontra oculto, surpreendendo à vítima, tornando-se empregado, mas pelo modo da atividade executiva,
extremamente complexa ou mesmo impossível a defesa. demonstrando o agente maior grau de criminalidade”.
Magniore (MIRABETE, 2004, PÁG. 73) cita uma sucessão
de exemplos que ilustram a concepção de algo insidioso, De igual maneira, aduz também Fragoso (2009), “é
como: o emprego de armadilha ou a sabotagem do veículo o procedimento insidioso, como disfarce de intenção hostil,
automotor da vítima ou ainda do aeroplano. de tal modo que a vítima, iludida, não tem motivo para
desconfiar do ataque e é colhida de surpresa”. As Altas
►Meio Cruel Cortes Brasileiras tem reconhecido que ocorreu traição na
conduta do homicida que elimina a esposa, esganando-a
A penúltima conduta abarcada pela redação do inciso durante o ato sexual, bem como nas situações de tiros pelas
III é o denominado meio cruel, aquele que submete a vítima costas.
a danosos e inúteis vexames ou mesmo a sofrimentos, seja
de cunho, seja de essência moral. É descrito como algo ►Emboscada
bárbaro, brutal, que causa martírio a vítima ou ainda que
aumente, de modo inútil, o sofrimento do ofendido. A segunda figura que estampa a redação do inciso IV
como recurso que dificulta a defesa do ofendido é a
“A crueldade só pode ser reconhecida quando denominada emboscada. Siqueira (2009) aduz que: “a
partida de um ânimo calmo que permita a escolha dos meios emboscada, também conhecida por tocaia, é ação
capazes de infligir o maio padecimento desejado à vítima” premeditada que ocorre quando o agente aguarda
(MIRABETE, 2004, pág. 73). Nesse passo, Fragoso noticia ocultamente a passagem ou a chegada da vítima, a qual se
que “meio cruel é todo aquele que acarreta padecimento encontra desprevenida, para o fim de a atacar”.
desnecessário para a vítima, ou, como se diz na Exposição
de Motivos do CP de 1940, o meio que aumenta inutilmente ►Dissimulação
o sofrimento, ou revela uma brutalidade fora do comum ou
em contraste com o mais elementar sentimento de piedade”. Outro modo de execução apresentado é a nomeada
Vale destacar que a repetição de golpes para se obter o dissimulação, cujo fito do agente, segundo Siqueira (2009)
homicídio não configura o crime de homicídio, desde que expõe, é a ocultação do próprio desígnio criminoso, isto é, “o
assuma um caráter de sadismo. sujeito ativo age de forma a iludir a vítima, a qual passa a
pensar que não tem motivos para desconfiar de um possível
►Meio que pode resultar Perigo Comum ataque, de modo que, desta forma, é apanhada desatenta e
indefesa”. Mirabete (2004, pág. 74) lista como corriqueiro
Além do fogo e explosivo esmiuçados acima, exemplo o emprego de um disfarce ou qualquer ato similar
aprouve ao legislador abarcar também as demais condutas que iluda o ofendido da agressão que está prestes a sofrer,
que podem acarretar perigo comum para a coletividade ou especial, no que atina o porte de arma.
ainda para um determinado grupo de indivíduos. Neste
sentido, Fragoso (2009) assinala que “perigo comum é ►Recurso que dificulte ou torne impossível a defesa
aquele que ocorre em relação a determinado grupo de do ofendido
pessoas (...) são elementos cuja capacidade destruidora não
pode ser controlada pelo agente”. Como exemplo, pode-se Enumera-se de maneira genérica todo o recurso que,
citar a inundação e o desabamento provocado pelo agente uma vez utilizado pelo agente ativo, dificultará ou mesmo,
delituoso com o único fito de causar a morte do ofendido, em determinadas situações, inviabilizará a defesa da vítima.
pondo, em conseqüência de seus atos, os demais em uma Ainda nesse mister, cabe trazer à baila a denominada
situação de perigo. surpresa, ainda que não seja pilar expresso na redação do
inciso em tela, a jurisprudência afirma que, conforme as
1.1.4 Modos Empregados (Modus operandi): linhas de Fragoso (2009) expressam, a surpresa não deve
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ser confundida com a traição, ainda que muito se assegurar a vantagem do produto, preço ou proveito de
assemelhe. Tal fato ocorre, vez que a primeira não exige os crime.
elementos de confiança e deslealdade, pilares Consoante o Estatuto da Criança e do Adolescente
indispensáveis do segundo. acrescentou, nas situações em que o homicídio qualificado
for praticado contra menores de quatorze (14) anos, a pena
Mirabete (2004, pág. 74) expõe que “a surpresa será aumenta em um terço (1/3). No mesmo sentido a Lei
pode qualificar o delito quando, efetivamente, tenha ela N°. 10.741, o Estatuto do Idoso, que caso a conduta
dificultado ou impossibilitado o agente de se defender”. Ante criminosa seja perpetrada contra indivíduo com idade
ao apresentado, reconheceu-se a surpresa como superior a sessenta (60) anos, a pena também será
qualificadora do crime nas situações a vítima estava ampliada. A luz do exposto a redação do parágrafo 4°, em
repousando ou dormindo, no uso de uma faca que o agente sua parte final, afirma que: “§ 4º. (...) Sendo doloso o
sacou da bota, no gesto que não permitiu a defesa da parte homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime
ofendida ou mesmo quando não era previsível pela vítima. é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior
Todavia, não se reconheceu a surpresa como qualificadora de 60 (sessenta) anos.” (DJI/20009)
nos casos da morte da mulher pelo marido quando viviam
em comuns situações de brigas ou ainda nos casos de Em ambos os casos, vigoram a premissa que os
divergência entre o algoz e a vítima. sujeitos passivos têm maior dificuldades de se defender,
bem como a maior carga de reprovação concedida pela
►Assegurar a Execução, a Ocultação, a Impunidade sociedade no que tange o crime em tela. Além disso, é
ou Vantagem de outro crime. salutar destacar que amparado pelo princípio non bis in
idem, afasta-se as agravantes de pena dispostas na redação
Sob este foco deve-se frisar que Conexão é a do artigo 61, inciso II, alínea “h”, a fim de evitar uma dupla
existência de um vínculo entre dois delitos. A doutrina punição pelo mesmo fato delituoso.
subdivide a conexão em teleológica e consequencial.
Vejamos a seguir as hipóteses de conexão : Homicídio qualificado-privilegiado - No crime de
homicídio, há ocasiões em que o sujeito pratica o fato típico
-A teleológica é quando o homicídio é praticado impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou
para assegurar a execução de outro crime. Logo, o agente sob domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta
primeiro mata a vítima para depois cometer outro crime. provocação da vítima – o que, teoricamente, configuraria
Quando consegue consumar ambos os crimes, o agente homicídio privilegiado-, com recurso a determinados meios
responde pelo homicídio qualificado e também pelo outro que denotam crueldade, insídia ou perigo comum ou de
crime em concurso material. Há, entretanto, casos em que o forma a dificultar ou tornar impossível à defesa da vítima – o
agente pratica o homicídio para cometer outro delito, mas que, em tese, seria considerado um crime qualificado. Dessa
nem consegue iniciar a execução deste outro crime. Aí forma, nesses casos, em um mesmo fato típico, antijurídico
haverá homicídio qualificado, mas não o segundo crime. É e culpável encontram-se tanto elementos que contribuiriam
também possível que o agente cometa o homicídio com a para a atribuição de qualificadoras ao crime, quanto
intenção de assegurar a execução de outro crime e depois circunstâncias que possibilitariam a análise do homicídio de
desista de praticá-lo. Nesse caso, a qualificadora deve ser forma menos gravosa – mediante as circunstâncias
reconhecida. Vale dizer que, essa qualificadora não se aplica privilegiadoras.Com fulcro nessa situação, percebe-se que é
se o agente visa assegurar a impunidade de um crime possível a concorrência de circunstâncias privilegiadoras e
impossível ou putativo (embora possa, se for o caso, ser qualificadoras em um mesmo crime de homicídio. Todavia, a
responsabilizado pela qualificadora do motivo torpe). doutrina não apresenta posicionamento unânime quanto à
possibilidade do homicídio qualificado-privilegiado. Porém,
-A consequencial ocorre quando o homicídio visa em que pese haver entendimentos contrários – que não
assegurar a ocultação, impunidade ou vantagem de outro admitem a concomitância de qualificadoras e privilegiadoras-
crime. Então, o agente antes comete o outro crime e depois , considera-se ser possível à coexistência de causas
o homicídio. Na ocultação, o sujeito quer evitar que se privilegiadoras com causas qualificadoras, desde que a
descubra que o crime foi praticado. Na impunidade, a qualificadora configure uma circunstância objetiva, já que a
preocupação do agente não é evitar que se descubra a privilegiadora tem, sempre, natureza subjetiva, porque se
ocorrência do crime anterior, mas evitar a punição do autor relaciona com o motivo do crime ou com o estado anímico
desse delito. Não é necessário que o próprio homicida tenha do agente. Exemplo disso é a situação do homicídio
sido o autor do crime anterior. Nas hipóteses em que o praticado sob o domínio de violenta emoção – homicídio, em
homicídio é qualificado pela conexão, o tempo decorrido tese, privilegiado-, com o uso de asfixia – homicídio, em
entre os dois delitos é indiferente. Assim, não afasta a tese, qualificado. Todavia, deve-se salientar que, conforme
qualificadora o fato de alguém ter cometido certo crime há entendimento, as qualificadoras de motivo fútil e torpe não
vários anos e, ao ser descoberto, matar a testemunha que podem concorrer com as circunstâncias privilegiadoras, uma
poderia incriminá-lo. vez que possuem caráter subjetivo e, por isso, não podem
coexistir com privilegiadoras – que também possuem caráter
Em outras palavras, a chamada conexão teleológica subjetivo em um mesmo crime. Nesse contexto, pode-se
se consubstancia quando o homicídio é praticado com o fito concluir que, em que pese a grande divergência de
de executar outro crime, isto é, resume-se a um meio para doutrinadores de renome, a doutrina tem prevalecido no
alcançar outra conduta delituosa. Já a conexão sentido de admitir a forma privilegiada-qualificada, desde
consequencial, pode ser vislumbrada quando o homicídio é que exista compatibilidade lógica entre as circunstâncias.
cometido para ocultar ou mesmo assegurar a impunidade de Assim, pode-se aceitar a existência concomitante de
um delito. No primeiro caso, ocorre nas situações em que o qualificadoras objetivas com as circunstâncias legais do
homicídio é praticado contra o perito ou profissional técnico privilégio, que são de ordem subjetiva (motivo de relevante
responsável por apurar os fatos atinentes ao crime. No valor social e domínio de violenta emoção). O que não se
segundo, Mirabete (2004, pág. 74) é contundente ao pode aceitar é a convivência pacífica das qualificadoras
exemplificar como “homicídio da testemunha que pode subjetivas com qualquer forma de privilégio, tal como seria o
identificar o agente como autor de um roubo”. É imperativo homicídio praticado, ao mesmo tempo, por motivo fútil e por
frisar que a doutrina moderna apresenta também como relevante valor moral.
conexão consequencial as situações em que se comete o
homicídio para fugir à prisão em flagrante ou ainda para Existem várias definições, embora não
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contempladas na legislação e nem no Código Penal. A qualquer pessoa física. Não se tratando de crime próprio, a
doutrina os define e na realidade, e como regra, não possibilidade da autoria não está limitada a um determinado
assumem relevância em termos de punição por prática de círculo de pessoas. Assim sendo, todo homem ou pessoa
homicídio. Algumas das definições constituem agravantes e com capacidade penal genérica, está apto a ser sujeito ativo
que por isso têm força para aumentar penas previstas, como do homicídio simples, qualificado ou privilegiado.
as descritas abaixo:
Também não é o homicídio um crime de mão
• Feticídio: é a morte do feto, considerado como ser própria. Desse modo pode alguém praticá-lo servindo-se de
humano, embora não nascido, em conseqüência de aborto outra pessoa. É possível, portanto, a coautoria no homicídio.
criminoso. No entanto, se o mandante do crime pagar ou prometer
• Fratricídio: morte de um irmão por outro irmão. recompensa a quem executar o delito, o homicídio passará
Quando se trata de morte de irmã, diz-se sororicídio. de simples a qualificado, conforme o que estatui o art. 121, §
• Infanticídio: morte de uma criança recém-nascida, 2º, nº I, do Código Penal. Matar alguém mediante paga ou
por sua própria mãe, durante o parto ou logo depois. matar alguém, mediante promessa de recompensa, são
• Matricídio: morte da mãe pelo próprio filho. formas típicas qualificadas do crime de homicídio.
Parricídio: morte do pai pelo filho.
• Regicídio: morte de um rei por um de seus vassalos Situação curiosa é a que se verifica com os
ou súditos. indivíduos duplos ou xifópagos. Sobre o assunto, assim se
• Suicídio: a auto eliminação, ou seja, a morte que o exprime Euclides Custódio da Silveira na obra citada: “Dado
próprio homem dá a si. que a deformidade física não impede o reconhecimento da
• Uxoricídio: morte de um dos cônjuges provocada imputabilidade criminal, a conclusão lógica é que
pelo outro. responderão ambos como sujeitos ativos. Assim se os dois
praticarem um homicídio, conjuntamente ou de comum
1.2 Meios acordo, não há dúvida de que responderão ambos como
sujeitos ativos, passíveis de punição. Todavia, se o fato é
Os meios podem ser físicos (disparos de revólver, cometido por um, sem ou contra a vontade do outro, impor-
golpes de punhal, etc.), químicos (uso de veneno ou de se-á a absolvição do único sujeito ativo, se a separação
açúcar contra diabéticos), patogênicos ou patológicos cirúrgica é impraticável por qualquer motivo, não se podendo
(transmissão de moléstias por meio de vírus ou bactérias), excluir sequer a recusa do inocente, que àquele não está
ou ainda psíquicos ou morais, consistentes na provocação obrigado. A absolvição se justifica, como diz Manzini, porque
de emoção violenta a um cardíaco, na comunicação conflitando o interesse do Estado ou da sociedade com o da
determinante de intensa dor moral ou pavor. liberdade individual, esta é que tem de prevalecer. Se para
punir um culpado, é inevitável sacrificar um inocente, a única
A condição posta pelo homem para determinar a solução sensata há de ser a impunidade”.
morte de outrem pode consistir no uso de qualquer meio
capaz de produzir a destruição da vida humana. Será um O sujeito passivo do homicídio é alguém, isto é,
meio mecânico, um golpe com ou sem emprego de qualquer pessoa humana, o ser vivo nascido de mulher,
instrumento vulnerante, um meio físico, que pode hoje qualquer que seja sua condição de vida, de saúde, ou de
compreender ainda a energia atômica, um meio químico posição social, raça, religião, nacionalidade, estado civil,
como a utilização de venenos, um meio biológico, como o idade ou convicção política. Criança ou adulto, pobre ou rico,
uso de germes patogênicos, ou mesmo um processo letrado ou analfabeto, nacional ou estrangeiro, branco ou
meramente psíquico. amarelo, silvícola ou civilizado, toda a criatura humana, com
vida, pode ser sujeito passivo do homicídio, pois a qualquer
A possibilidade de se matar alguém por ação ser humano é reconhecido o direito à vida que a lei
puramente psíquica é objeto de discussão. O certo é que se penalmente tutela.
pode determinar a morte de outrem pela provocação de
violento choque psíquico, por um susto enorme, pela notícia O moribundo tem direito a viver os poucos instantes
falsa do falecimento de um ente querido, dada que lhe restam de existência terrena, e por isso, pode ser
propositadamente, de súbito. O agente pode desencadear sujeito passivo do homicídio. Assim também o condenado à
na vítima uma crise emocional repentina e violenta a que as morte.
suas condições orgânicas não podem resistir, ou pode
mantê-la deliberadamente em estado contínuo e prolongado 1.5 Condenação
de alta tensão ou de depressão nervosa, que finda por
consumir-lhe a vida, implicando no fato a responsabilidade Crime de tamanha gravidade e, em conseqüência,
do agente se concorrem às condições necessárias da sujeito a pena tão severa, o homicídio exige para a punição
culpabilidade. a certeza da morte de um ser humano.

1.3.Forma Esse resultado de morte deve ser provado pela


presença do cadáver. Na crônica dessa espécie punível não
O homicídio pode ser praticado por ação são raros os casos em que se condenou alguém por
(comissão): disparos, golpes com barra de ferro, etc., ou homicídio e mais tarde veio a aparecer com vida a suposta
omissão (mãe que não alimenta o filho de tenra idade, vítima, às vezes quando a conseqüência da punição já se
médico que não ministra o antídoto ao envenenado). Nestes tornara irremediável.
casos é indispensável que exista o dever jurídico do agente
de impedir o resultado morte. Já se decidiu pela existência Vale a pena trazer à baila as palavras do insigne
de participação criminosa daquele que, estando ao lado do Mestre Luiz Flávio Gomes:
filho menor, que portava revólver, nada fez para impedir que
ele disparasse a arma, alvejando mortalmente a vítima com “Embora essa seja a regra, na ausência de cadáver,
que havia brigado (RT 536/368). pode haver elementos suficientes de certeza para substituí-
lo”. As circunstâncias podem impor a segura convicção da
1.4 Sujeitos morte quando as provas indiretas (testemunhais) sobre a
morte da vítima (sobre o corpo de delito), somadas
O sujeito ativo, ou agente, do crime de homicídio é eventualmente com as provas indiciárias, forem
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indiscutivelmente convincentes. Mas deve-se recomendar mais? Provas periciais. Luzes e reagentes (luminol, por
prudência na interpretação desses dados, A dúvida, por exemplo) podem descobrir manchas de sangue (não
mínima que seja, impede a conclusão de homicídio, que visíveis). Testes de DNA. Provas dos registros telefônicos
poderia conduzir a funesto erro judiciário. (não se trata da interceptação telefônica). Manchas de
sangue nos carros. Uso de luzes forenses para a
São muitos os casos rumorosos no Brasil, nesse descoberta de pelos, cabelos, fibras de roupas, impressões
campo (não encontro do corpo da vítima). Um deles digitais etc. etc.”
aconteceu no Rio de Janeiro, no início da década de 60
(século XX). O corpo desta vítima nunca apareceu. Ela havia No caso citado, tais fatos já refletiram na
acabado de se separar do embaixador brasileiro Manuel de condenação de dois dos réus no caso de Eliza em novembro
Teffé Von Hoonholtza. Numa viagem com o advogado de 2012. Desse modo, dois anos e cinco meses depois que
Leopoldo Heitor ela desapareceu. O advogado diz que ela se tornou público o desaparecimento e morte de Eliza Silva
foi sequestrada após um assalto. A suspeita pelo Samúdio, a Justiça condenou os primeiros dois dos oito réus
desaparecimento recaiu sobre ele. Ele foi julgado pelo no processo. Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão,
tribunal do júri. Foi condenado num primeiro julgamento e amigo de infância e braço direito do goleiro Bruno Fernandes
absolvido no segundo. Cuida-se do caso Dana de Teffé das Dores de Souza, foi condenado por sequestro, cárcere
(desaparecida desde o fatídico dia em que viajava com um privado e homicídio triplamente qualificado. Ele não poderá
advogado). O corpo nunca apareceu. O suspeito foi recorrer em liberdade e deverá cumprir uma pena de 15
absolvido. anos, 12 deles em regime fechado. Já Fernanda Gomes de
Castro, ex-namorada do jogador, foi condenada pela
Há um outro caso também bastante famoso. Na participação no sequestro de Eliza e de Bruno Samúdio, filho
comarca de Araguari-MG, dois irmãos (irmãos Naves) foram da modelo e do atleta que à época tinha cinco meses de
condenados injustamente por uma morte que não existiu. idade. Ela teve a pena estipulada em cinco anos em regime
Quinze anos depois da condenação a vítima reapareceu. aberto. Vale dizer que, tais condenações foram impostas
Nessa altura um deles já havia morrido dentro da prisão. embora não tenha aparecido os restos mortais da vítima,
Naquele episódio, ocorrido no ano de 1937, tal como face a todo conjunto probatório desenvolvido no processo
esclarece Hélio Nishiyama, os irmãos Naves chegaram a ser correlato.
absolvidos duas vezes pelo Tribunal do Júri, porém, após
recurso da acusação, foram condenados a pena de 25 anos 1.6 Atualidades
e 06 meses de reclusão pelo Tribunal de Justiça de Minas
Gerais (naquela época, o veredicto dos jurados não era A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da
soberano). Câmara aprovou em dezembro de 2012 a proposta que
aumenta a pena para os homicídios cometidos por
Há outros casos (um PM no Distrito Federal e um preconceito de qualquer natureza. De acordo com o
juiz de direito em SP, por exemplo) em que os jurados ou anteprojeto, que será transformado agora em projeto de lei,
juízes, mesmo sem o corpo da vítima, condenaram o réu. assassinatos provocados em razão da orientação religiosa,
sexual ou condição física ou social da vítima, por exemplo,
Nosso Código de Processo Penal (art. 167) admite serão tipificados como homicídios qualificados por motivo
a prova indireta (testemunhal) quando o corpo da vítima torpe, com pena de 12 a 30 anos de reclusão. A proposta
desaparece. Por que existe essa regra processual? Para ainda eleva a pena mínima para os homicídios simples, de
evitar a impunidade. Se essa regra não existisse bastaria seis para oito anos de prisão. A pena máxima, nesses casos,
matar a vítima e fazer desaparecer o seu corpo (para se é de 20 anos. O texto foi apresentado pelo deputado
garantir a impunidade). Alessandro Molon (PT-RJ).

Sintetizando: a comprovação da morte da vítima Além dos crimes motivados por preconceito,
(que constitui a materialidade da infração) exige prova direta também passam a ser tratados como homicídio qualificado
(perícia do próprio corpo). Essa é a regra. os cometidos contra agentes públicos que estiverem
Excepcionalmente, para suprir-lhe a falta (em virtude do exercendo funções de prevenção, investigação,
desaparecimento dos vestígios), a lei processual admite a enfrentamento e julgamento de um crime ou de atos de
prova indireta (testemunhal). Um terceiro meio probatório improbidade administrativa. Também será enquadrado como
sozinho, isolado (outros indícios da morte: sangue, cabelo homicídio qualificado o assassinato de jornalistas em razão
da vítima etc.), a lei não prevê. Mas junto com a prova de denúncias feitas, testemunhas e ativistas de defesa dos
indireta (testemunhal) pode ser que vários outros indícios direitos humanos.
sejam encontrados (e provados). Nesse caso, tais indícios
reforçam a prova indireta. Esse conjunto probatório indireto + O anteprojeto ainda inclui no Código Penal o crime
indiciário pode alcançar o patamar de uma convicção que de infanticídio cometido pela mãe que teve bebê
afasta todo tipo de dúvida. Isso pode gerar condenação. recentemente. Segundo o texto aprovado, quem auxiliar a
mãe nesse tipo de crime responderá por homicídio comum.
O dilema é o seguinte: se o desaparecimento do O texto é produto de discussões de uma subcomissão
corpo da vítima nunca permitisse condenação, estaria especial criada da própria CCJ. Agora, receberá um número
garantida a impunidade (ocultando-se o cadáver). Mas da Mesa Diretora e começará a tramitar na Câmara. Terá de
condenar sem o corpo da vítima pode levar a mais um passar por uma série de comissões temáticas antes de
crasso erro judicial (caso dos irmãos Naves). Nem seguir para o plenário.
impunidade, nem erro judicial. Os extremos devem ser
evitados. Mas todo cuidado é necessário.
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Como podemos evitar as posições extremadas? HOMICÍDIO (SEM GABARITO)
Colhendo muitas provas técnicas. Isso é tarefa da polícia
científica (que está sucateada no Brasil, em geral). No caso
de Eliza Samúdio, por exemplo, houveram provas
testemunhais bem como alguns indícios (a vítima teria 1. (FUNDAÇÃO UNIVERSA | PMDF/2013) Um soldado da
passado no sítio de Bruno, teria sido levada para uma outra polícia militar fazia patrulhamento em via pública
casa onde teria sido executada etc.). Que se pode fazer quando se deparou com pessoa que parecia portar
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drogas. Ao aproximar-se para efetuar busca pessoal, o
abordado correu para evitar a prisão, momento em que o
soldado efetuou disparos com a arma de fogo da EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO (QUESTÕES OBJETIVAS)
corporaçãopara impedir a fuga, com isso provocando a HOMICÍDIO (COM GABARITO)
morte do civil.
1.O crime de homicídio é classificado como:
Com base na situação descrita e considerando que o Código
Penal Militar prevê que a conduta de matar a) comum, instantâneo e material.
alguémcorresponde ao crime de homicídio simples, assinale b) próprio, permanente e formal.
aalternativa correta. c) comum, instantâneo e formal.
d) próprio, instantâneo e material.
(A) O soldado praticou crime militar, motivo pelo qual será
julgado pela Justiça Militar do Distrito Federal. A resposta certa é a letra a. O crime de homicídio é
classificado como:
(B) Apesar de o ato praticado pelo soldado não ser crime Comum: pois pode ser praticado por qualquer pessoa;
militar, o julgamento será realizado perante a JustiçaMilitar. Instantâneo: pois, uma vez consumado, está encerrado, a
consumação não se prolonga;
(C) A conduta praticada pelo soldado não é crime, uma vez Material: uma vez que o tipo penal exige a ocorrência do
que agiu em exercício regular de direito. resultado para sua consumação.

(D) Por se tratar de crime doloso praticado contra a vida de 2.Responderá por homicídio, com causa de diminuição
civil, a conduta do soldado não caracteriza crimemilitar, de pena, o agente que cometer o delito:
razão pela qual o julgamento ocorrerá naJustiça Comum.
a) impelido por motivo de relevante valor social ou moral.
(E) A conduta praticada pelo soldado não é crime, uma vez b) mediante paga ou promessa de recompensa.
que agiu no estrito cumprimento do dever legal. c) por motivo fútil.
d) mediante dissimulação.
01º) (Juiz de Direito – PA – 2008) Caio dispara uma arma
objetivando a morte de Tício, sendo certo que o tiro não A resposta certa é a letra a. Conforme art 121, do CP: "Matar
atinge o órgão vital. Durante o socorro, a ambulância alguém:
que levava Tício para o hospital é atingida violentamente Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
pelo caminhão dirigido por Mévio, que ultrapassara o Caso de diminuição de pena
sinal vermelho. Em razão da colisão, Tício falece. § 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de
Responda : quais os crimes imputáveis a Caio e Mévio, relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta
respectivamente ? emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, ou
juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.
a) Tentativa de homicídio e homicídio doloso consumado.
b) Lesão corporal seguida de morte e homicídio culposo. 3.O homicídio:
c) Homicídio culposo e homicídio culposo.
d) Tentativa de homicídio e homicídio culposo. a) é crime que deixa vestígios, mas a materialidade do delito
e) Tentativa de homicídio e lesão corporal seguida de morte. pode ser provada por testemunhas, dispensando-se o
exame de corpo de delito.
02º) (Promotor de Justiça –MG – 2004) Pedro e João b) é crime que deixa vestígios e por isso é necessário o
irmãos, nadavam em um lago, momento em que o exame de corpo de delito para a prova da materialidade da
primeiro começa a se afogar. João, no entanto, infração penal.
permanece inerte, eximindo-se de qualquer intervenção. c) é crime que não deixa vestígios, pois a materialidade do
Pedro, afinal, vem a falecer. A responsabilidade de João delito é o próprio corpo da vítima.
será : d) é crime que não deixa vestígios, pois com a morte da
vítima não é possível o exame do corpo de delito.
a) Por crime de homicídio doloso, aplicando-se as regras da
omissão imprópria. A resposta certa é a letra b.
b) Por crime de homicídio culposo, aplicando-se as regras O homicídio é crime que deixa vestígios e, portanto, é
da omissão imprópria. necessária a realização do exame de corpo de delito para
c) Pelo crime de perigo, tipificado no art. 132, do Código provar-se a materialidade do crime. Quando possível, a não
Penal (perigo para a vida ou saúde de outrem). realização do corpo de delito gera nulidade absoluta do
d) Por crime de omissão de socorro. processo (arts. 158 e 564, III, "b", do CPP). Se não for
e) Por crime de abandono de incapaz. possível a realização do exame, poderá ser feito da forma
indireta.
0 3º) (Tribunal de Justiça – DF – 2007) Analise as
proposições e assinale a única alternativa correta: 4.Quando o agente, querendo matar a vítima, dispara
tiros em direção a ela, mas não a acerta:
I- Na morte da companheira infiel há legítima defesa
da honra. a) não responde por crime nenhum, uma vez que a vítima
II – O parentesco não qualifica o homicídio, não sofreu nenhuma lesão.
funcionando como agravante. b) responde por porte ilegal de arma apenas.
III – O portador de AIDS que contamina outra pessoa, c) responde por tentativa de homicídio, pois queria matar a
com intenção de matá-la, responde por homicídio doloso, vítima.
desde que ocorra morte. d) responde por tentativa de lesão corporal, pois não chegou
a) Todas as proposições são verdadeiras. a lesionar a vítima.
b) Todas as proposições são falsas.
c) Apenas uma das proposições é verdadeira. A resposta certa é a letra c.
d) Apenas uma das proposições é verdadeira. Se o agente dispara tiros em direção da vítima querendo
e) Apenas uma das proposições é falsa. matá-la, mas não a acerta, responde pelo crime de tentativa
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de homicídio, uma vez que agiu com dolo de matar, não A resposta certa é a letra a.
importando se ocasionou ou não lesões na vítima. O homicídio qualificado é considerado hediondo, conforme
art. 1º, da Lei nº 8.072/90: "São considerados hediondos os
5.O homicídio privilegiado é aquele que o agente seguintes crimes, todos tipificados no Dec-Lei 2848, de 7 de
comete: dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou
tentados:
a) por vingança. I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica
b) compelido de relevante motivo pessoal. de grupo de extermínio, ainda que cometido por um só
c) por influência de violenta emoção provocada por ato agente, e homicídio qualificado (art. 121, §2º, I, II, III, IV e V).
injusto da vítima.
d) dominado por violenta emoção logo após injusta 9.Responderá por homicídio qualificado, o agente que
provocação da vítima. cometer o delito:

A resposta certa é a letra d. a) mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro


Conforme art 121, do CP: "Matar alguém: motivo torpe.
Pena - reclusão, de seis a vinte anos. b) impelido por motivo de relevante valor social ou moral.
Caso de diminuição de pena c) sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de injusta provocação da vítima.
relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta d) Todas as alternativas estão corretas.
emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, ou
juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. A resposta certa é a letra a.
Responderá por homicídio qualificado, consoante art. 121,
6.A eutanásia: §2º, do CP:
§ 2° Se o homicídio é cometido:
a) é permitida em nosso ordenamento jurídico. I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro
b) é crime de homicídio privilegiado, por ser praticado por motivo torpe;
um relevante valor moral do agente. II - por motivo fútil;
c) é crime de homicídio privilegiado, por ser praticado por um III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura
relevante valor social. ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar
d) é crime de lesão corporal com resultado morte. perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou
A resposta certa é a letra b. outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do
"(...)O Código Penal Brasileiro não reconhece a ofendido;
imputabilidade do homicídio eutanásico, haja ou não o
consentimento do ofendido, mas, em consideração ao 10."A" está agonizando no hospital, sem poder se
motivo, de relevante valor moral, permite a minoração da mexer, e pede que "B" lhe dê veneno para morrer. Nessa
pena (...)", conforme ensina Julio Fabbrini Mirabete (Manual hipótese, caso "B" atenda ao pedido de "A":
de Direito Penal, volume II, 25ª edição, pág.34, Editora
Atlas). a) responderá por crime de instigação ao suicídio.
b) responderá por crime de homicídio qualificado pelo
7.Segundo a maioria doutrinária e jurisprudencial, emprego de veneno.
havendo confronto entre qualificadoras e c) responderá por crime de homicídio privilegiado.
privilegiadoras, o homicídio privilegiado: d) não responderá por nenhum crime.

a) pode ser considerado hediondo. A resposta certa é a letra c.


b) terá a hediondez afastada, tendo em vista que as "B" pratica eutanásia, motivo pelo qual responderá por
circunstâncias preponderantes são motivos determinantes homicídio privilegiado, considerando-se que havendo
do crime, da personalidade e a reincidência, prevalecendo- confronto entre qualificadoras (emprego de veneno) e
se as de natureza subjetiva sobre a objetiva. privilegiadoras (relevante valor moral), o homicídio
c) não terá a hediondez afastada, tendo em vista que as privilegiado terá a hediondez afastada, tendo em vista que
circunstâncias preponderantes são motivos determinantes as circunstâncias preponderantes são motivos
do crime, da personalidade e a reincidência, prevalecendo- determinantes do crime, da personalidade e a reincidência,
se as de natureza objetiva sobre a subjetiva. prevalecendo-se as de natureza subjetiva sobre a objetiva.
d) Nenhuma das alternativas está correta. "(...)O Código Penal Brasileiro não reconhece a
imputabilidade do homicídio eutanásico, haja ou não o
A resposta certa é a letra b. consentimento do ofendido, mas, em consideração ao
Segundo maioria doutrinária e jurisprudencial, havendo motivo, de relevante valor moral, permite a minoração da
confronto entre qualificadoras e privilegiadoras, o homicídio pena (...)", conforme ensina Julio Fabbrini Mirabete (Manual
privilegiado terá a hediondez afastada, tendo em vista que de Direito Penal, volume II, 25ª edição, pág.34, Editora
as circunstâncias preponderantes são motivos Atlas).
determinantes do crime, da personalidade e a reincidência,
prevalecendo-se as de natureza subjetiva sobre a objetiva. 11.No caso de diminuição de pena do homicídio, o juiz
poderá reduzir a pena:
8.Assinale a alternativa CORRETA sobre o crime de
homicídio qualificado: a) de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço).
b) de 1/8 (um oitavo) a 1/3 (um terço).
a) será considerado hediondo, consumados ou tentados. c) de 1/9 (um nono) a 1/3 (um terço).
b) será considerado hediondo, apenas se incidirem duas d) Nenhuma das alternativas estão corretas.
qualificadoras.
c) não será considerado hediondo. A resposta certa é a letra a.
d) será considerado hediondo, apenas na sua forma Segundo o §1º, do art. 121: "Se o agente comete o crime
consumada. impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou
sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta
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provocação da vítima, ou juiz pode reduzir a pena de um princípio da especialidade.
sexto a um terço". Dispõe o art. 302, do CTB: "Praticar homicídio culposo na
direção de veículo automotor: (...)".
12.Assinale a resposta INCORRETA.
16.As câmeras de segurança do Banco Dólar filmaram a
a) O homicídio culposo terá sua pena aumentada, se o crime ocorrência de furto em sua agência, onde o sujeito
resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte aparecia com um capuz cobrindo o seu rosto. No dia
ou ofício. seguinte, o agente do furto mata um funcionário do
b) O homicídio culposo terá sua pena aumentada, se o Banco, pois este seria o único que poderia ter visto sua
agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não fisionomia. O homicídio é qualificado:
procura diminuir as consequências do seu ato.
c) Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de um a) por motivo torpe.
terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 b) pois foi praticado para assegurar a ocultação.
anos. c) por motivo fútil.
d) O homicídio culposo será punido a título de homicídio d) pois foi praticado para assegurar a impunidade.
doloso, se o agente foge para evitar prisão em flagrante.
A resposta certa é a letra d.
A resposta certa é a letra d. O crime em tela já havia sido descoberto pelas câmeras do
O homicídio culposo terá sua pena aumentada, se o agente banco, assim, o agente cometeu o homicídio para garantia
foge para evitar prisão em flagrante (art. 121, §4º, do CP). que a autoria do crime ficasse incógnita e ele não viesse a
sofrer nenhuma sanção penal.
13."A", ao sair da garagem de sua residência com seu
carro, sem perceber, atropela seu filho de 02 anos, que 17."A" é inimigo de "B" e decide agredi-lo. Em um certo
brincava tranquilamente atrás do veículo, vindo este a dia, ao acordar, "A" vai ao encontro de "B" e lhe dá um
falecer. Nessa hipótese, "A": soco na boca, arrancando-lhe os dentes. Em seguida,
decide matá-lo e dispara um tiro fatal em face "B". "A"
a) responderá por homicídio doloso, com pena aumentada, responde:
tendo em vista que a vítima era menor de 14 anos.
b) responderá por homicídio culposo, com pena aumentada, a) por homicídio.
pois o crime resultou de inobservância de regra técnica. b) por homicídio em concurso material com lesões corporais.
c) não cumprirá pena alguma pelo crime, tendo em vista que c) por lesão corporal seguida de morte.
as consequências da infração o atingiram de forma tão grave d) por homicídio em concurso formal com lesões corporais.
que a sanção penal se tornou desnecessária.
d) responderá por homicídio privilegiado, tendo em vista o A resposta certa é a letra a.
domínio da violenta emoção.
De acordo com o princípio da absorção ou consunção, o
A resposta certa é a letra c. crime mais grave absorve o crime de menor gravidade,
Dispõe o art. 121, §5º, do Código Penal: "Na hipótese de assim, as lesões corporais ficam absorvidas pelo crime de
homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se homicídio, segundo entendimento do Professor Damásio
as consequências da infração atingirem o próprio agente de Evangelista de Jesus e do Fernando Capez.
forma tão grave que a sanção penal se torne
desnecessária". 18.Ao praticar "roleta russa", "A" acaba por causar a
morte de um de seus amigos que participava da
"brincadeira". "A" deverá ser julgado por:
14."A" atira visando matar "B", que, no entanto, já
estava morto em razão de ataque cardíaco. Nessa a) homicídio doloso, pois agiu sob a forma de dolo direto.
hipótese, é correto afirmar que tal conduta configura: b) homicídio culposo, pois agiu sob a forma de culpa
consciente.
a) crime impossível ou de tentativa inidônea. c) homicídio doloso, pois agiu sob a forma de dolo eventual.
b) crime de homicídio tentado. d) homicídio privilegiado pela forte emoção.
c) de vilipêndio ao cadáver.
d) tentativa branca. A resposta certa é a letra c.
Ao "brincar de roleta russa", o agente "A" assume o risco de
A resposta certa é a letra a. produzir o resultado, ou seja, a morte de um de seus
Não é possível matar alguém que já está morto, portanto, a amigos. Assim, deverá responder por homicídio doloso, pois
conduta em questão configura crime impossível pela agiu sob a forma de dolo eventual.
absoluta impropriedade do objeto (art. 17, do CP).
19.Réu condenado pela prática do delito de homicídio
15."A" dirigindo seu carro, sem a devida prudência, qualificado foi preso definitivamente. Depois de ter
atropela "B" que vem a falecer. "A" deverá: cumprido parte da pena, requereu transferência para o
regime semiaberto, o que foi negado pelo juiz. Tal
a) responder pelo crime de homicídio doloso, tipificado pelo decisão está correta?
art. 121, "caput", do Código Penal.
b) responder pelo crime de homicídio culposo, tipificado pelo a) Não, vez que a progressão do regime prisional é garantia
art. 121, §4º, do Código Penal. constitucional que abrange qualquer condenação.
c) responder pelo crime de homicídio culposo, tipificado pelo b) Sim, vez que o juiz poderá negar a progressão do regime
art. 302, do Código de Trânsito Brasileiro. prisional baseando-se na primariedade e antecedentes do
d) não responderá por nenhum crime, pois não tinha a réu.
intenção de matar. c) Sim, vez que a lei dos crimes hediondos veda a
progressão do regime prisional para o crime de homicídio
A resposta certa é a letra c. qualificado.
Havendo lei que, além da regra geral, traga elementos d) Não, pois a progressão, desde que cumprida parte da
especiais, aplicar-se-á esta ao caso concreto em virtude do pena, é direito do condenado, não podendo tal decisão ficar
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ao arbítrio do juiz. jurídicas, animais ou, ainda, coisas inanimadas (objetos).
Outrem, nos termos propalados pelo tipo penal em
A resposta certa é a letra d. exposição, é o ser vivo, logo, excluídos estão os cadáveres,
Mesmo previsto na lei de crimes hediondos, quem pratica como vítimas da conduta de lesão corporal. Destarte,
homicídio qualificado tem direito à progressão da pena, verifica-se que aquele que agride um cadáver “destruindo
desde que cumpridos os requisitos legais: "A progressão de parcialmente seu corpo morto, pode, dependendo do
regime, no caso dos condenados aos crimes previstos neste elemento subjetivo e da situação em estudo, cometer o
artigo, dar-se-á após o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da crime de destruição de cadáver (art. 211 do CP), vilipêndio a
pena, se o apenado for primário, e de 3/5 (três quintos), se cadáver (art. 212 do CP) ou, mesmo, o delito de dano (art.
reincidente", conforme art.2º, §2º, da Lei nº 8.072/90, com 163 do CP)”.
redação dada pela Lei nº 11.464/07.
Doutrinariamente, o crime de lesão corporal é
20.Aquele que recebe dinheiro para praticar um considerado comum, logo, qualquer pessoa poderá praticá-
homicídio: lo. “A lei penal não individualiza determinado sujeito ativo
para o crime de lesões corporais, razão pela qual qualquer
a) responderá por homicídio simples. pessoa pode gozar desse status, não se exigindo nenhuma
b) responderá por homicídio privilegiado. qualidade especial”. Já no que se refere ao sujeito passivo,
c) responderá por homicídio qualificado. via de regra, qualquer pessoa poderá ser vítima do crime de
d) não responderá por nenhum crime. lesões corporais, atentando-se, por necessário, para a
exceção entalhada no inciso IV do §1º e no inciso V do §2º
A resposta certa é a letra c. do artigo 129, os quais exigem que seja mulher em estado
Aquele que mata mediante pagamento responde por gravídico, porquanto a redação dos dispositivos ora aludidos
homicídio qualificado (art. 121, §2º, I, do CP). mencionam as hipóteses de aceleração de parto e aborto,
respectivamente. Ora, há que se reconhecer que apenas a
DAS LESÕES CORPORAIS gestante será considerada como sujeito passivo da conduta
delituosa, sendo, nesta situação, descrito como crime
1.Generalidades (conceito) próprio. Teles afirma que “quando a ofensa recair sobre o ser
2.Classificação humano em formação, sujeito passivo é a coletividade, a
2.1 Classificação Legal sociedade, o Estado, o interesse estatal na preservação da
2.2 Classificação Doutrinária integridade corporal ou da saúde do ser humano em
3.Espécies formação”.
3.1 Lesões Graves
3.2 Lesões Gravíssimas Outrossim, as disposições contidas no §9º do artigo
3.3 Lesão corporal seguida de morte 129 prevê, também, modalidade qualificada referente à
3.4 Lesão corporal privilegiada violência doméstica, pois a própria dicção legal enumera
3.5 Lesão corporal culposa quem serão os perpetradores da conduta, a saber:
3.6 Lesão Corporal Culposa Qualificada. ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro,
4. Substituição ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, quando
5. Perdão Judicial o agente se prevalece das relações domésticas, de
6. Ação Penal coabitação ou hospitalidade. O crime será considerado
7.Princípio da insignificância, lesões corporais e vias de próprio em relação ao sujeito passivo, já que somente os
fato: 8.Consentimento do ofendido como causa elencados no dispositivo legal poderão o crime de lesão
supralegal de exclusão da ilicitude. corporal, na modalidade violência doméstica.

1.Generalidades (conceito) Em outros termos, o sujeito passivo da violência


doméstica objeto da referida lei é a mulher. Doutro giro o
A vida humana como elemento propulsor de todo sujeito ativo pode ser tanto o homem quanto a mulher, desde
sistema penal ,como se viu linhas atrás, é referencial que fique caracterizado o vínculo de relação doméstica,
máximo na escala de valores legal. Ora, a vida se familiar ou de afetividade, além da convivência, com ou sem
materializa exatamente através do corpo humano, sendo sua coabitação.
integridade física e psíquica uma necessidade para o bom
desempenho das atividades referentes a cada pessoa e
como tal não poderia deixar de dar especial atenção a Objetivamente a ação física se manifesta através do
legislação penal como se verá nas linhas que seguem. verbo “ofender”, representando a lesão de um terceiro.
Poderá ser praticado por qualquer meio e em regra de
Conceito: É toda e qualquer ofensa ocasionada à forma comissiva, admitindo-se em caráter menos usual a
normalidade funcional do corpo ou organismo, seja do ponto forma omissiva.
de vista anatômico, fisiológico ou psíquico.
Ao examinar a conduta delituosa vertida no artigo
Ao lado disso, como bem assinala Hungria, “o crime 129 do Código Penal, o dolo está assentado na vontade de
de lesão corporal consiste em qualquer dano ocasionado por produzir um dano ao corpo ou à saúde de outrem, ou, ainda,
alguém, sem animus necandi, à integridade física ou a assumir o risco desse resultado. Tal dolo é denominado,
saúde (fisiológica ou mental) de outrem”. doutrinariamente, como animus laedendi ou nocendi,
distinguindo-se, deste modo, da tentativa de homicídio, no
A proteção jurídica, pois, é voltada à incolumidade qual se verifica a presença do animus necandi, consistente
do indivíduo, seja do ponto de vista de sua integridade física na vontade de matar. Vislumbra-se ainda além do dolo
e fisiopsíquica. (figura simples), a culpa (figura culposa) e o preterdolo nas
formas qualificadas pelo resultado.
Ao lado do expendido, o termo outrem empregado
no caput do artigo 129 do Código Penal, em decorrência de Por ser o crime material, e o processo executivo ser
um exame inicial, pode ser considerado como tão somente o fracionável admite-se a tentativa e a consumação tem o seu
ser humano, vivo. Deste modo, não subsiste a possibilidade ápice quando da produção da lesão ao corpo e a saúde.
de se perpetrar a conduta de lesões corporais em pessoas
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De forma clara pode-se resumir os pontos gerais acerca de IV - Lesão simples culposa (art.129, § 6º)
lesões corporais da seguinte forma : V- Lesão qualificada culposa (art.129, §7º)

Classificação doutrinária Doutrinariamente são classificadas quanto a sua


natureza sendo consideradas graves ou gravíssimas. A lei,
Crime comum quanto ao sujeito ativo, bem como, por sua vez, só fala em lesões leves, graves e seguida de
como regra, quanto ao sujeito passivo, à exceção, nesse morte. Adotando-se o critério da exclusão se alcançará às
último caso, das hipóteses previstas no inciso IV do §1º lesões leves, visto que assim se considerarão todas as que
(aceleração de parto), no inciso V do §2º (aborto), bem como não forem graves, gravíssimas ou seguida de morte.
no §9º (violência doméstica). Crime material, de forma livre,
comissivo, omissivo impróprio, instantâneo (em alguma Dentro desse panorama, devem-se ressaltar as
situações, a exemplo da perda de membro, pode ser hipóteses legais previstas em cada uma dessas espécies, a
considerado como instantâneo de efeitos permanentes), de saber:
dano, monossubjetivo, plurissubsistente, não transeunte.
2.1Lesões leves
Sujeito ativo e sujeito passivo
A concepção de lesão corporal é proveniente de
A lei penal não individualiza determinado sujeito exclusão, porquanto os §§1º, 2º e 3º do artigo 129 preveem
ativo para o crime de lesões corporais, razão pela qual o crime lesões corporais graves, gravíssimas e seguidas de
qualquer pessoa pode gozar desse status, não se exigindo morte. Logo, dão azo à conduta em epígrafe as lesões que
nenhuma qualidade especial. não causam qualquer dos resultados descritos nos
parágrafos supramencionados. Todavia, em se tratando de
No que diz respeito ao sujeito passivo, a exceção crimes de lesões corporais leves decorrentes de violência
do inciso IV do §1º e do inciso V do §2º do art. 129, que doméstica, a conduta será considerada como qualificada,
preveem, respectivamente, como resultado qualificador das em consonância com o que preceitua o §9º, introduzido no
lesões corporais a aceleração de parto e o aborto, bem artigo 129 por meio da Lei Nº. 10.886, de 17 de junho de
como do §9º, que prevê também a modalidade qualificada 2004 e, posteriormente, modificado pela Lei Nº. 11.340, de
relativa à violência doméstica, qualquer pessoa pode 07 de agosto de 2006.
assumir essa posição.
Desta feita, pequenas equimoses ou ainda ínfimos
Nas exceções apontadas (aceleração de parto e arranhões são considerados como lesões corporais leves,
aborto), somente a gestante pode ser considerada sujeito logo, em decorrência da reprimenda cominada, de três
passivo, bem como aquele que seja ascendente, meses a um ano de detenção, a tramitação do procedimento
descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem observará as disposições contidas na Lei Nº. 9.099/1995 (
conviva ou tenha convivido, ou, ainda, quando prevalece o Lei dos Juizados Especiais Cível e Criminação), estando
agente das relações domésticas, de coabitação ou de condicionado à representação da vítima, sob pena de se
hospitalidade, sendo os crimes, nesses casos, entendidos operar, no prazo de seis (06) meses, a decadência. Insta
como próprios com relação ao sujeito passivo, pois que os pontuar que se for conduta qualificada pela violência
tipos penais os identificam. doméstica, o apostilado não será apreciado na órbita dos
Juizados Especiais, nem dependerá de representação,
Objeto material e bem juridicamente protegido sendo a ação incondicionada, conforme atual entendimento
consolidado pelo Supremo Tribunal Federal. “O Supremo
Bens juridicamente protegidos, segundo o art. 129 Tribunal Federal, no julgamento da ADIn n. 4.424/DF, deu
do CP, são a integridade corporal e a saúde do ser humano. interpretação conforme aos arts. 12, I, 16 e 41 da Lei n.
11.340/2006, estabelecendo que, nos casos de lesão
Objeto material é a pessoa humana. corporal no âmbito doméstico, seja leve, grave ou
gravíssima, dolosa ou culposa, a ação penal é sempre
Exame de corpo de delito: pública incondicionada”.

Sendo um crime que deixa vestígios, há 2.2 Lesões graves (hipóteses previstas no art.129 § 1º do
necessidade de ser produzida prova pericial, comprovando- CPB)
se a natureza das lesões, isto é, se leve, grave ou
gravíssima. Segundo a legislação em vigor abrange as
seguintes possibilidades:
Elemento subjetivo:
►Lesão Corporal Grave:Incapacidade para as
A modalidade simples da figura típica, prevista no Ocupações Habituais por mais de trinta dias (art. 129,
caput do mencionado artigo, que prevê o delito de lesão §1º, inc. I, do Código Penal)
corporal de natureza leve, somente pode ser praticada a
título de dolo, seja ele direto ou eventual. A primeira consequência que torna a lesão corporal
grave é a que produz, como resultado, a incapacidade para
O dolo de causar lesão é reconhecido por as ocupações habituais por mais de trinta dias, como bem
intermédio das expressões latinas animus laedendi ou assinala o inciso I do §1º do artigo 129. Quadra frisar de a
animus vulnerandi. locução ocupação habitual não é interpretado como
sinônimo de trabalho diário; ao contrário, tal locução é
Classificação Legal detentora de um sentido mais amplo, abarcando todas as
atividades praticadas pela vítima.
De acordo com os termos legais estabelecidos no
art.129, temos os seguintes tipos de lesões: Assim, não se restringe a interpretação da locução
caracterizadora do inciso I a um conceito meramente
I- Lesão simples dolosa (art.129, caput) econômico, mas sim se utiliza de uma ótica funcional, no
II - Lesão qualificada dolosa (art.129, §§ 1º, 2º e §3º) que se refere a lesão sofrida pela vítima. “Entenda-se como
III - Lesão privilegiada dolosa (art.129, §§ 4º e 5º) atividade corporal, física ou intelectual, razão pela qual pode
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ser sujeito passivo tanto o ancião, como a criança ou o partes integrantes dos membros, logo, a perda de um dedo
adolescente incapacitado de continuar sua preparação dá corpo a debilidade permanente da mão ou do pé. Os
funcional”. Nessa senda, para a configuração do crime de sentidos “são todas as funções perceptivas do mundo
lesão corporal grave, com incapacidade para as ocupações exterior, ou seja, os mecanismos sensoriais por meio dos
habituais por mais de trinta dias, não é necessária a quais percebemos o mundo exterior (visão, audição, olfato,
demonstração de prática de atividade laboral exercida pela gosto e tato)”. Logo, se em razão das lesões sofridas
vítima, visto que o tipo penal refere-se à atividades exercidas acarretar a debilidade de qualquer um deles, a lesão
com frequência, não necessariamente remuneradas ou corporal será considerada como grave.
profissionais.
No que pertine à função, deve ser considerada
Com efeito, deve-se ter em mente que a atividade como atuação específica exercida por qualquer órgão, que é
empreendida pela vítima tem que ser, segundo a legislação a parte do corpo humano que tem determinada capacidade
vigente, considerada lícita. Ao lado disso, a disposição em funcional. São enumeradas pela doutrina como funções
apreço alcança também a incapacidade psíquica e a dotada de grande relevância a respiratória, circulatória,
meramente relativa, esta última consistente no fato da vítima reprodutora, secretora, digestiva, locomotora. Ao lado disso,
poder executar parte de suas tarefas habituais, mas não a impende anotar que, tratando-se de órgãos duplos, a perda
totalidade. de um é considerada como debilidade permanente e não a
perda da função, já que haverá, ainda, um outro órgão que
O prazo de trinta dias previsto no inciso I do §1º do desempenhe a mesma função, exceto se a vítima não mais
art. 129 do Estatuto Repressivo, por óbvio, deve ser contado possui o outro órgão, razão pela qual passará a conduta ser
da data do fato e não da lavratura do primeiro exame de considerada como gravíssima, na forma do inciso III do §2º
corpo de delito, com dispõe o §2º do art. 168 do Código de do artigo 129. Deste modo, a vítima que perdeu a visão de
Processo Penal. Além disso, impõe evidenciar que a um dos olhos ou a audição de um dos ouvidos, o crime será
ausência de laudo complementar, o qual deve ser realizado considerado como lesão corporal grave, eis que houve a
após o decurso de trinta dias a contar da data dos fatos, redução da capacidade de enxergar e de ouvir.
acarreta a desclassificação da conduta de lesão corporal
grave para de natureza leve, ante a ausência de prova. ►Lesão Corporal Grave: Aceleração de Parto (art. 129,
§1º, inc. IV, do Código Penal)
►Lesão Corporal Grave: Perigo de Vida (art. 129, §1º,
inc. II, do Código Penal) 'Considera-se como grave, quando da lesão
corporal resultar na aceleração (antecipação) do parto, como
Outra consequência que qualifica a lesão corporal bem obtempera o inciso IV do §1º do artigo 129[27]. À guisa
como grave é o perigo de vida, previsto no inciso II do §1º do de elucidação, a aceleração do parto se dá quando há
artigo 129, que é considerada como de “natureza culposa, expulsão do feto antes do termo final da gravidez
sendo as lesões corporais qualificadas pelo perigo de vida conseguindo sobreviver, em razão da lesão corporal sofrida
um crime eminentemente preterdoloso, ou seja, havendo pela gestante. O Código vigente abarcou a punição de tal
dolo no que diz respeito ao cometimento das lesões conduta, em decorrência de ser o parto prematuro algo
corporais e culpa quanto ao resultado agravador. Ao lado perigoso, tanto para o feto como para a gestante. Todavia,
disso, cuida observar que o Diploma Repressor Penal refere- se o agente delituoso desconhecia o estado gravídico da
se ao perigo efetivo, concreto, o qual é constado por meio de vítima, não subsistirá a qualificadora, porquanto a ignorância
exame pericial competente. era plenamente escusável.

A locução perigo de vida está assentada em uma 2.3 Lesões gravíssimas ( hipóteses previstas no art.129
probabilidade, considerada concreta e efetiva, de morte, em § 2º do CPB )
decorrência da lesão ou ainda do processo patológico
advindo. Não pode ser confundido com o perigo presumido, Como dissemos anteriormente nos termos legais
sendo imprescindível, para a substancialização da hipótese não existe tal nomenclatura, isto, pois, esta é fruto da
compreendida no dispositivo em destaque, que se apresente doutrina hodierna que entende que, embora tenha havido
concretamente. Para tanto, o simples prognóstico revela-se essa omissão legal a natureza dessas lesões, a gravidade
inócuo, sendo carecido um diagnóstico e efetivo perigo de de seus efeitos e, consequentemente, de suas sanções
vida para a vítima. Destarte, se o laudo pericial não traz em justificam tal empreitada.
seu bojo a precisão exata o processo que deu azo ao
ferimento produzido, a desclassificação para lesões Nessa medida, vejamos suas possibilidades:
corporais leves será medida que se impõe, segundo
entendimento jurisprudencial. Incapacidade permanente para o trabalho.(A
disposição legal é incidente sobre o efeito lucrativo da
►Lesão Corporal Grave: Debilidade Permanente de atividade, ao passo que o aspecto de permanência
Membro, Sentido ou Função (art. 129, §1º, inc. III, do identifica-se com o período em que há impossibilidade
Código Penal) avaliativa, sem, contudo, demarcar prazo preciso).

Num primeiro momento, ao examinar o inciso III do §1º do Enfermidade incurável.(Entende-se esta como
artigo 129, acobertando-se pelo sentido ofertado pelo sendo a situação que tenha dependência de um tratamento
Código Penal em vigor, a debilidade permanente deve ser excepcional ou de difícil ocorrência em que pese às
interpretada como sinônimo da diminuição ou ainda o circunstâncias da vítima).
enfraquecimento da capacidade funcional. “Debilidade
significa uma redução na capacidade funcional, uma - Perda ou inutilização de membro, sentido ou
diminuição das possibilidades funcionais da vítima”. função.(Na perda há a retirada daqueles, ao passo que na
inutilização embora também aconteça uma perda essa é
funcional e não anatômica).
Afigura-se imperioso assinalar que os membros são
os apêndices do corpo, subdivididos em superiores (braço, - Deformidade permanente.(Nessa hipótese o
antebraço e mão) e inferiores (coxa, perna e pé). No que se aspecto a ser analisado é estético embora não se restrinja a
refere aos dedos, segundo a interpretação doutrinária, são nenhuma parte do corpo específica como o rosto).
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esteja restringida a um número limitado de pessoas. Há,
- Aborto.(Aqui a vontade precípua do agente é a ainda, entendimentos que para o reconhecimento da
prática da lesão corporal apesar de não haver ignorância do qualificadora da deformidade permanente é necessário a
estado gestacional da mulher. O aborto, pois, é uma existência de um dano estético de grau vultuoso, uma
conseqüência indireta do evento criminoso). desfiguração notável ou chocante. Não há necessidade de
que a deformidade seja considerada como algo repulsivo,
Vejamos de forma mais detalhada as hipóteses mas, obrigatoriamente, deve pelo menos criar desagrado ou
supracitadas : mal-estar àquele que a observa.

►Lesão Corporal Gravíssima: Aborto (art. 129,


►Lesão Corporal Gravíssima: Incapacidade §2º, inc. V, do Código Penal)
Permanente para o Trabalho (art. 129, §2º, inc. I, do
Código Penal) A hipótese aventada na redação do inciso V do §2º
do artigo 129 é o denominado aborto preterintencional,
A incapacidade permanente para o trabalho pode ser consistente na situação em que o agente delituoso
produzido tanto dolosa como culposamente. A lei, ambiciona apenas causas as lesões corporais à vítima, não
expressamente, se refere à incapacidade para atividade tendo o intento de causar o aborto. Mister se faz pontuar
profissional remunerada. que, caso o agente objetive causar aborto, responderá por
este crime em concurso com o de lesões corporais.
“Incapacidade permanente para o trabalho: trata-se
de inaptidão duradoura para exercer qualquer atividade 2.4 Lesão corporal seguida de morte ( art.129, § 3º do
laborativa lícita. Nesse contexto, diferentemente da CPB )
incapacidade para as ocupações habituais, exige-se
atividade remunerada, que implique em sustento, portanto, Tal espécie de lesão é chamada por alguns
acarrete prejuízo financeiro para o ofendido”. doutrinadores de homicídio preterdoloso ou
preterintencional. Existe dolo quanto ao delito antecedente e
►Lesão Corporal Gravíssima: Enfermidade culpa quanto ao consequente.
Incurável (art. 129, §2º, inc. II, do Código Penal)
Em outros termos, a conduta delituosa inserta no
De início, há que se salientar que enfermidade é um §3º do artigo 129 é descrita como crime eminentemente
processo patológico em curso, logo, enfermidade incurável é preterdoloso, isto é, a conduta perpetrada pelo agente
a doença cuja curabilidade não é obtida, no atual estágio de delituoso deve ter escopo de provocar lesões corporais na
desenvolvimento da medicina. Trata-se de doença que a vítima, sendo o resultado morte decorrente de culpa. “Caso
medicina, em seu atual estado de avanço, não possui cura. alguém lesione outrem para ocasionar-lhe a morte, ou
assumido o risco de produzir esse resultado, responderá por
►Lesão Corporal Gravíssima: Perda ou homicídio consumado, se lograr êxito”. Desse modo, em
Inutilização do Membro, Sentido ou Função (art. 129, §2º, restando consubstanciado que o resultado não era
inc. III, do Código Penal) ambicionado pelo agente delituoso nem tão pouco assumiu
o risco de produzir o resultado, responderá ele pelo crime de
A qualificadora em epígrafe exige, para sua lesões corporais seguida de morte.
configuração, a ablação de qualquer membro, inferior ou
superior, ou ainda sua completa inutilização. Cuida anotar 2.5 Lesão corporal privilegiada (art.129, § 4º do CPB)
que ablação pode ser decorrente de mutilação (causada por
uma violência), amputação (decorrente de procedimento A exemplo do que ocorre no crime de homicídio, a
cirúrgico) com a inutilização, em que o membro ou órgão, conduta delituosa em estudo, nas modalidades leve, grave,
conquanto ainda esteja ligado ao corpo, não possui gravíssima e seguida de morte, admite a forma privilegiada,
capacidade funcional. Isto é, ainda que exista o membro, com a consequente redução da sanção cominada, como
fato é que este não possui qualquer capacidade física que bem pontua o §4º do artigo 129. Ao lado disso, para que haja
viabilize sua utilização. “Se as lesões sofridas pela vítima o reconhecimento da causa de diminuição da pena
fazem com que seu braço, embora fisicamente ainda preso insculpida no dispositivo supra é imperioso que o agente
ao seu corpo, não possa mais ser utilizado para qualquer perpetrador atue em ressonância a uma das condições
movimento rotineiro, o caso será de inutilização”. Aplica-se, estatuídas, a saber: relevante valor social, relevante valor
com efeito, tal entendimento também no que se referencia à moral ou ainda sob o domínio de violenta emoção, logo em
perda de sentido ou função. seguida a injusta provocação da vítima.

►Lesão Corporal Gravíssima: Deformidade A primeira figura exaltada pela redação em comento
Permanente (art. 129, §2º, inc. IV, do Código Penal) é o relevante valor social. Conforme é esculpido, esse pilar
se funda no interesse público, ou seja, a coletividade tem
Em uma primeira análise cabe realçar que deformar pleno interesse na corporalização da conduta, assim, aquele
está adstrito ao sentido de modificar esteticamente a forma que atende tal anseio deve ser beneficiado com uma
anteriormente existente, sendo necessário, segundo alguns circunstância que viabiliza a diminuição da pena. São
doutrinadores, que a deformidade seja aparente e tenha o apresentados como exemplos recorrentes, por maciça parte
condão de causar constrangimento à vítima. “É necessário, da doutrina, lesionar o traidor da pátria ou ainda lesionar um
portanto, que a modificação no corpo da vítima seja homicida recorrente. No primeiro caso, é explícito que tal ato
permanente e visível, causando um dano estético de certa busca resguardar a Pátria de uma conduta tão vergonhosa
monta e capaz de causar impressão de desagrado, vexatório que é praticada por um dos seus filhos. Já a segunda tem
para a vítima”. A lesão, para caracterizar deformidade como fito primordial assegurar a tranquilidade de todos os
permanente, deve ser de tal proporção que cause certo cidadãos ante uma situação extrema que atenta contra o
vexame ao portador e desgosto ou desagrado a quem a vê. ideário de harmonia e de segurança almejado por toda a
sociedade.
Com efeito, exige-se que a deformidade seja dotada
de significado, devendo trazer consigo modificações visíveis Outra situação abarcada no dispositivo supra, faz
e graves para o corpo da vítima, ainda que tal visibilidade menção ao relevante valor moral, algo atrelado aos
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interesses individuais do agente que perpetra a conduta. efeito, se restar devidamente comprovado pelo agente
Logo, tal valor moral é possuidor de grande particularidade, delituoso o erro no que concerne às condições pessoais, a
podendo, inclusive, abranger a piedade e a compaixão, ou criança aparentar idade superior a quatorze anos e o idoso
seja, a conduta tem como motivação o interesse particular idade menor de sessenta anos, será excluída a agravação
do agente. A última figura compreendida na redação do §4º da pena. Havendo dúvida, deverá a mesma ser sanada por
do artigo 129 cinge-se à lesão corporal praticada sob o documento hábil.
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta
provocação da vítima, afigurando-se como requisitos 3.Substituição da pena (art.129 § 5º do CPB)
indispensáveis: (a) a existência de uma emoção absorvente;
(b) provocação injusta por parte da vítima; e, (c) reação O §5º do artigo 129 do Código Penal em vigor traz
imediata. à baila as hipóteses de substituição da pena. O inciso I do
dispositivo em comento assinala que o magistrado poderá
2.6 Lesão corporal culposa (art.129, § 6º do CPB) substituir a sanção a ser cominada se o agente delituoso, ao
perpetrar uma lesão corporal de natureza leve, cometer tal
Esse tipo abrange as lesões corporais leves, graves conduta impelido por motivo de relevante valor social, moral
e gravíssimas. ou sob o domínio de violenta emoção, após injusta
provocação da vítima. “É possível, pois, a substituição nos
O artigo 129, em seu §6º, pune também a lesão casos de lesão corporal leve praticada por relevante valor
corporal causada culposamente, logo, se da imprudência, social ou moral e por violenta emoção, bem como no caso
negligência ou imperícia do agente resultou lesão corporal de ter o agente sofrido também lesões corporais”.
na vítima, o agente será punido com detenção, que oscilam
de dois meses a um ano. “Exige-se […] que estejam Cuida pontuar que a acepção de natureza corporal
presentes todos os requisitos necessários à configuração do leve é a que está abarcada no caput do artigo 129, bem
delito culposo, devendo o julgador realizar um trabalho de como a expressamente entalhada no §9º do mesmo
adequação à figura típica, haja vista tratar-se de tipo penal dispositivo, que positivou a conduta de violência doméstica.
aberto”. Ao lado disso, insta anotar que a lesão corporal Com efeito, em “na hipótese de violência doméstica ou
culposa não leva em consideração a gravidade da lesão, familiar contra a mulher, ficará impossibilitada a substituição
que só será considerada na fixação do quantum da pena. da pena privativa de liberdade pela pena de multa, aplicada
isoladamente”.
Tal como ocorre no crime de homicídio culposo,
será possível o emprego do perdão judicial, se as 4.Perdão Judicial (art.129, § 8º do CPB)
consequências da infração atingiram o agente delituoso de
forma tão grave que a sanção penal se torna desnecessária, A sua concessão liga-se a hipótese do agente ter
como bem assinala o §8º do artigo 129. Trata-se de hipótese consequências tão graves, arcando de certa forma com o
em que o juiz poderá, repita-se, conceder o perdão judicial, resultado por ele produzido. Todas as noções trabalhadas
podendo, ainda, assinalar que as consequências podem ser quanto ao perdão judicial referente ao homicídio culposo são
tanto físicas, como ferimento do agente, ou morais, a pertinentes e aproveitáveis quanto a essa possibilidade.
exemplo da morte ou ainda lesão de parentes ou pessoas
com quem o agente tinha afinidade. DA RIXA

2.7 Lesão corporal culposa qualificada (art.129, §7º do 1. Considerações Iniciais:


CPB)
A rixa, crime capitulado no artigo 137 do Código
Aqui a pena será aumentada se ocorrentes as Penal Brasileiro, no título dos crimes contra a pessoa, está
hipóteses previstas no art.121, § 4º. tipificado como único crime do capítulo IV, e nos descreve
algumas condutas, as quais serão previamente abordadas
2.8 Lesão corporal por meio de violência doméstica no presente artigo.
(Incluído pela Lei nº 10.886, de 2004).
Elemento fundamental nesse crime, como em
A Lei nº 11.340, de 07 de agosto de 2006, que qualquer outro é o verbo penal, pois este tem o condão de
implementou mecanismos para coibir a violência em âmbito demonstrar o especial fim de agir do criminoso e seu
doméstico e familiar contra a mulher, inseriu o §11 no artigo elemento subjetivo, o dolo.
129, acrescentando mais uma causa especial de aumento
de pena, quando a conduta constante no §9º for perpetrada No tipo em tela temos dois verbos nucleares com
contra pessoa portadora de deficiência. Pois bem, por peculiaridades distintas, o primeiro “participar”, manifesta-se
pessoa portadora de deficiência deve-se dispensar uma de tal forma que o participante da rixa deve ter efetivamente
interpretação jungida no Decreto nº 3.298, de 20 de vontade de interagir, juntamente em conluio com outros
dezembro de 1.999, que regulamentou a Lei Nº 7.853, de 24 participantes para praticar o crime por algumas formas,
de outubro de 1.989, calcando a acepção de deficiência como socos, pontapés, arremesso de objetos perigosos,
como a perda da normalidade de uma estrutura ou função dentre outras.
psicológica, fisiológica ou anatômica que tem o condão de
gerar incapacidade para o desempenho de atividade, dentro Já por outro lado, temos o verbo “separar”, que
dos padrões considerados como normal pelo ser humano. possui característica de eximir determinada pessoa do
Desta feita, a deficiência é a física, auditiva, visual e mental. aludido crime, já que esta sequer participa da rixa, tendo por
manifesta vontade, indubitavelmente, o intuito de cessar a
Igualmente, o §7º do artigo 129 traz ainda que será a rixa, de separar os contendores, ou seja, o confronto que
pena aumentada, em um terço, se a lesão for perpetrada possa estar acontecendo, ou porque não, que está prestes a
contra menor de 14 (quatorze) anos ou maior de 60 acontecer.
(sessenta) anos. Trata-se de “hipótese de lesão corporal
agravada por considerar-se que a vítima, nesses casos, tem Perceba que o verbo separar, carrega consigo
maiores dificuldades de se defender do que um adulto”. caráter benéfico, a atitude daquele, que não é participante
Além disso, é dispensada uma maior censurabilidade na de rixa, de tentar separar os rixosos, que a princípio estão
conduta perpetrada contra uma criança ou um idoso. Com sob forte rivalidade, nos denota isenção de pena, já que a
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intervenção, por questão de política criminal é resguardar e qualificações, as quais terão uma incidência maior de pena,
restabelecer a ordem pública em local que encontra-se que dizem respeito à consumação do crime, e não mais à
evidente a rixa. sua execução, conforme explanamos anteriormente, que são
elas:
O objetivo do interventor é trazer e restabelecer a
interrupção e a paz, respectivamente, do dissídio violento - resultado morte;
entre participantes de rixas.
- resultado lesão corporal de natureza grave ou também
Fator social relevante e infortúnio que depuramos gravíssima.
na cultura brasileira, são os confrontos entre “torcedores”
pelos estádios de futebol no Brasil, onde não se sabe o Ressalte-se que a tentativa não enseja a aplicação
porquê, mas por certo, que dentre o apurado e efetivamente maior de pena descrita para essas qualificadoras.
visualizado na mídia, é que a rixa está presente nesses
estádios, onde gangues rivais, disfarçadas de torcedores, ao Da consumação morte ou lesão corporal grave, o
invés de irem torcer por seus respectivos times, vão para se juiz, com base na lei, somente pelo fato do agente ter
confrontar, trazendo pânico e medo às pessoas que estão participado da rixa, com o animus rixandi, e ainda, quando
praticando o lazer dos finais de semana e pura e estiver patente o preterdolo, ou seja, o dolo será direto ou
simplesmente torcendo e apreciando seus times, bem como eventual, agente quer participar da rixa, e lutar de forma
o esporte nacional. física e violenta, entretanto não prevê ou não espera um
resultado agravado às vítimas ou mesmo vítima, o dolo
2. A rixa como instrumento de ataque e difícil assim, será eventual, bem como, o agente tem a consciência
reconhecimento: do ilícito e efetivamente deseja participar deste, o dolo será
o direto, poderá então o citado magistrado singular aplicar a
No direito penal, a rixa tem caráter de multiplicidade pena de detenção, a dosando de seis meses a dois anos, a
de participantes, é crime coletivo, o que evidencia a depender do caso concreto.
dificuldade no reconhecimento destes, usando desse artifício
para praticarem, além de lesões corporais recíprocas, atos Assim, note-se que diante das considerações
de vandalismo e destruição, tal como desse arcabouço tem elencadas, os objetos jurídicos protegidos são: ordem
atingindo diretamente a ordem pública. pública, possuidora de caráter mediato, e a integridade física
juntamente com a vida, estas de relevância imediata, pois
A rixa é inegavelmente o meio mais eficaz e são bens fielmente protegidos em nosso ordenamento.
reprovável de agredir pessoas, em caráter múltiplo, em
razão da pluralidade de rixosos, a integridade física e a vida Dessa forma, pela natureza perigosa do crime
de outrem, com atual e violento ataque, já que com esta retratado, a título exemplificativo, o arremessamento de
natureza criminal, visto as questões de complexidade que se pedras, objetos cortantes, entre outros, podemos afirmar de
têm, nos traz processualmente uma difícil elucidação da maneira cristalina tais circunstâncias geram a presunção
concorrência delituosa de cada rixento. absoluta, em virtude dos moldes nos quais foram perpetrado
o crime, além da ofensa à coletividade, inclusive
Sabe-se que a rixa é utilizada também nos meios dispensando quaisquer meios de prova pericial, seja
de interação dos jovens, principalmente em bares e boates preliminar ou definitivo.
nas grandes capitais, onde rixosos já se encaminham aos
locais de encontro mais populares com a pretensão de EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO PARA SEREM RESOLVIDOS
encontrar e propugnar rivais, provocando por motivos fúteis, EM SALA
brigas ou desavenças.
1.(Prova: FUNCAB - 2013 - PC-ES - Médico Legista) As
O papel da rixa transpassa delicado e tortuoso seguintes situações médico-legais são consideradas lesões
trabalho para a polícia repressiva, tendo em vista a sua corporais graves, COM EXCEÇÃO DE:
quantidade de participantes. Seria um delicado e longo
trabalho o estudo da participação de cada rixoso para a a) incapacidade para as ocupações habituais por mais de
aplicação da pena na medida de suas respectivas 30 dias.
culpabilidades.
b) risco de vida.
3. Observação jurídica da rixa no direito penal:
c) debilidade permanente de membro.
Dois fatores neste tópico devem ser considerados,
a saber: social e jurídico. O quão tendencioso esse crime d) debilidade permanente de sentido ou função.
pode abalar o ordenamento jurídico-social, já que a união
para prática reiterada de crimes, pode se dá por diversas e) aceleração de parto.
esferas, o que necessitaria uma análise mais profunda.
Letra “B”
Considerando a desenvoltura da rixa quando
iniciada e perpetuada, sabe-se que o estrago é grande, e o 2.(Prova: CESPE - 2012 - PC-AL - Agente de Polícia)Texto
trabalho da polícia judiciária é imenso para repreender essa associado à questão Ver texto associado à questão
prática criminosa.
A lesão corporal leve pode ser caracterizada como aquela
A sociedade, de quando desta ação delituosa fica em que não impede a vítima de realizar as atividades
extremamente frágil e desprotegida, inclusive, habituais por até trinta dias, como, por exemplo, uma torção
exemplificando novamente a questão da violência nos no dedo do pé.
estádios, e a dificuldade no reconhecimento dos rixosos,
cidadãos de bem são confundidos pelas guarnições de Certo Errado
polícia, isso é demonstrado de forma cabal.
Resposta : Certo
O crime nos descreve duas hipóteses de
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3.(Prova: CESPE - 2012 - PC-AL - Agente de Polícia)Texto da coisa;
associado à questão Ver texto associado à questão II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada
ou destreza;
Lesão corporal de natureza grave é aquela em que o objeto III - com emprego de chave falsa;
utilizado para a prática é muito perigoso, como um projétil de IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas.
arma de fogo, ou aquela resultante da prática de ato com
§ 5º - A pena é de reclusão de 3 (três) a 8 (oito) anos, se a
extrema força e violência ou, ainda, com requinte de
subtração for de veículo automotor que venha a ser
crueldade.
transportado para outro Estado ou para o exterior. (Incluído
pela Lei nº 9.426, de 1996)
Certo Errado
Furto de coisa comum
Resposta : Certo Art. 156 - Subtrair o condômino, co-herdeiro ou sócio, para si
ou para outrem, a quem legitimamente a detém, a coisa
comum:
4 (Prova: CESPE - 2012 - PC-AL - Delegado de Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.
Polícia)Texto associado à questão Ver texto associado à § 1º - Somente se procede mediante representação.
questão § 2º - Não é punível a subtração de coisa comum fungível,
cujo valor não excede a quota a que tem direito o agente.
A lesão corporal seguida de morte não se confunde com o
homicídio culposo, pois, na primeira situação, chamada de
CAPÍTULO II DO ROUBO E DA EXTORSÃO
homicídio preterdoloso, ocorre o dolo. Nesse caso, o autor
tem a intenção de provocar a lesão corporal, mas não a
morte da vítima. Roubo
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para
Certo Errado outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou
depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à
Resposta : Certo impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
5. Após um jogo de futebol entre os times “PERDE § 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de
TODAS” e “PERDE SEMPRE”, na saída do estádio subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa ou grave
começou uma briga entre torcedores embriagados. ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a
Durante a confusão houve uma pancadaria generalizada, detenção da coisa para si ou para terceiro.
onde todos se agrediam mutuamente, não havendo § 2º - A pena aumenta-se de um terço até metade:
grupos definidos. Logo a polícia chegou e prendeu vinte
I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de
pessoas que estavam participando da briga. Durante
arma;
essa confusão morreu SIMEÃO com uma facada. Após
analisadas as filmagens de emissoras de TV, observou- II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;
se que o golpe fatal foi desferido por LÚCIO, durante o III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o
entrevero. agente conhece tal circunstância.
IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser
Nesse caso: transportado para outro Estado ou para o exterior; (Incluído
pela Lei nº 9.426, de 1996)
a) Todos os envolvidos devem responder pelo crime de V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo
homicídio. sua liberdade. (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)
b) Todos os envolvidos sobreviventes devem responder por
rixa simples, segundo doutrina pacífica. § 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é
c) LÚCIO responderá apenas por homicídio. de reclusão, de sete a quinze anos, além da multa; se
d) LÚCIO deve responder por homicídio e pelo crime de rixa. resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem
e) Nenhuma das alternativas anteriores está correta. prejuízo da multa. (Redação dada pela Lei nº 9.426, de
1996)Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90
Letra “D” Extorsão
Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave
TÍTULO II DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem
CAPÍTULO I DO FURTO indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça
ou deixar fazer alguma coisa:
Furto Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia § 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou
móvel: com emprego de arma, aumenta-se a pena de um terço até
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. metade.
§ 1º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é § 2º - Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o
praticado durante o repouso noturno. disposto no § 3º do artigo anterior. Vide Lei nº 8.072, de
§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a 25.7.90
coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela § 3º Se o crime é cometido mediante a restrição da
de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar liberdade da vítima, e essa condição é necessária para a
somente a pena de multa. obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de
§ 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão
qualquer outra que tenha valor econômico. corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no
Furto qualificado art. 159, §§ 2o e 3o, respectivamente. (Incluído pela Lei nº
11.923, de 2009)
§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o
crime é cometido: Extorsão mediante seqüestro
I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração Art. 159 - Seqüestrar pessoa com o fim de obter, para si ou
para outrem, qualquer vantagem, como condição ou preço
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do resgate: Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90 (Vide Lei nº - qualificado pelo resultado
10.446, de 2002)
3.2.2 Causas de Aumento de pena (roubo
Pena - reclusão, de oito a quinze anos. (Redação dada pela circunstanciado ou roubo agravado).
Lei nº 8.072, de 25.7.1990)
- Emprego de arma
- Concurso de duas ou mais pessoas
§ 1o Se o sequestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas, - Vítima em serviço de transporte de valores
se o sequestrado é menor de 18 (dezoito) ou maior de 60 - Veículo automotor transportado para outro
(sessenta) anos, ou se o crime é cometido por bando ou
Estado ou para o exterior.
quadrilha. Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90(Redação dada pela
Lei nº 10.741, de 2003)
3.3. Extorsão

Pena - reclusão, de doze a vinte anos. (Redação dada pela - em sentido estrito
Lei nº 8.072, de 25.7.1990). - qualificada pelo resultado
- mediante seqüestro
- sequestro relâmpago
§ 2º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90.
1) Do Furto
Pena - reclusão, de dezesseis a vinte e quatro anos. 1.1. Introdução
(Redação dada pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990)
§ 3º - Se resulta a morte: Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90 Antes de mais nada é preciso definir o conceito de
patrimônio, tendo em vista o complexo das relações
Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta anos. (Redação jurídicas: considera-se patrimônio de uma pessoa , os bens,
dada pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990) o poderio econômico, a universalidade de direitos que
tenham expressão econômica para a pessoa. Considera-se
em geral, o patrimônio como universalidade de direitos. Vale
§ 4º - Se o crime é cometido em concurso, o concorrente dizer como uma unidade abstrata, distinta, diferente dos
que o denunciar à autoridade, facilitando a libertação do elementos que a compõem isoladamente considerados.
sequestrado, terá sua pena reduzida de um a dois terços.
(Redação dada pela Lei nº 9.269, de 1996). Além desse conceito jurídico, que é próprio do
direito privado, há uma noção econômica de patrimônio e,
DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO segundo a qual, ele consiste num complexo de bens, através
dos quais o homem satisfaz suas necessidades.
1.Dos Crimes contra o patrimônio
Cabe lembrar, que o direito penal em relação ao
- Furto direito civil, ao direito econômico, ele é autônomo e
- Roubo constitutivo, e por isso mesmo quando tutela bens e
- Extorsão interesses jurídicos já tutelados por outros ramos do direito,
- Dano ele o faz com autonomia e de um modo peculiar.
- Apropriação Indébita A tutela jurídica do patrimônio no âmbito do Código
- Estelionato Penal Brasileiro, é sem duvida extensamente realizada, mas
- Receptação não se pode perder jamais em conta, a necessidade de que
no conceito de patrimônio esteja envolvida uma noção
2.Esquema comum a todos os crimes econômica, um noção de valor material econômico do bem.

2.1 Conceito O primeiro dos crimes contra o patrimônio é o crime


2.2 Sujeitos do delito de furto descrito no artigo 155 do Código Penal Brasileiro,
2.3 Objeto Jurídico em sua forma básica: “subtrair, para si ou para outrem, coisa
2.4 Objeto Material alheia móvel: pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
2.5 Tipo Objetivo multa”.
2.6 Tipo subjetivo
2.7 Consumação e Tentativa O conceito de furto pode ser expresso nas
2.8 Ação Penal seguintes palavras: furto é a subtração de coisa alheia
móvel para si ou para outrem sem a pratica de violência ou
3. Peculiaridades de grave ameaça ou de qualquer espécie de
constrangimento físico ou moral à pessoa. Significa pois o
3.1 Furto assenhoramento da coisa com fim de apoderar-se dela com
ânimo definitivo.
- de energia
- durante o repouso noturno Quanto à classificação doutrinária tem-se segundo
- de uso Nucci que “Trata-se de crime comum (aquele que não
- privilegiado demanda sujeito ativo qualificado ou especial); material
- qualificado (delito que exige resultado naturalístico, consistente na
- de coisa comum diminuição do patrimônio da vítima); de forma livre (podendo
- de bagatela. ser cometido por qualquer meio eleito pelo agente);
comissivo (‘subtrair’ implica em ação) e, excepcionalmente,
3.2 Roubo comissivo por omissão (omissivo impróprio, ou seja, é a
aplicação do art. 13, §2º, do Código Penal); instantâneo
3.2.1 Espécies (cujo resultado se dá de maneira instantânea, não se
- Próprio prolongando no tempo), na maior parte dos casos, embora
- Impróprio seja permanente na forma prevista no §3º (furto de energia);
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de dano (consuma-se apenas com efetiva lesão a um bem
jurídico tutelado); unissubjetivo (que pode ser praticado por Alerta-se que não se pode confundir a segunda
um só agente); plurissubsistente (em regra, vários atos hipótese, com a ocorrência do crime de estelionato (art. 171
integram a conduta); admite tentativa” (NUCCI, 2006, p. do CP), visto que neste o agente utiliza de meio fraudulento
660). para fazer com que a vítima lhe entregue voluntariamente a
vantagem indevida, sem esperar a imediata devolução. No
furto, quando se tratar de forma de execução parecida, a
Quanto a objetividade jurídica do furto é preciso vítima entrega o bem esperando a devolução imediata,
ressaltar uma divergência na doutrina: entende-se que é porém em ato contínuo, o agente foge com o bem.
protegida diretamente a posse e indiretamente a propriedade
ou, em sentido contrário, que a incriminação no caso de Vejamos algumas considerações importantes :
furto, visa essencial ou principalmente a tutela da
propriedade e não da posse. É inegável que o dispositivo Não podem ser objeto de furto:
protege não só a propriedade como a posse, seja ela direta
ou indireta além da própria detenção . a) o ser humano vivo, visto que não se trata de coisa;

O crime de furto pode ser praticado também através b) o cadáver, sendo que sua subtração pode, em regra, se
de animais amestrados, instrumentos etc. Esse crime será constituir crime contra o respeito aos mortos (art. 211 do
de apossamento indireto, devido ao emprego de animais, CP). Quando, contudo, o cadáver for propriedade de alguém
caso contrário é de apossamento direto. (instituição de ensino, por exemplo), pode ser objeto do
crime de furto, visto possuir valor econômico;
Reinava uma única controvérsia, tendo em vista o
desenvolvimento da tecnologia, quanto a subtração c) coisas que nunca tiveram dono (res nullius) e coisas
praticada com o auxílio da informática, se ela resultaria de abandonadas (res derelicta); sendo que quem se assenhora
furto ou crime de estelionato. Entretanto, com o advento da desses bens adquire a propriedade dos mesmos, segundo
Lei 12.737/2013 conhecida popularmente como Lei Carolina art. 1.263 do Código Civil, portanto não comete crime
Dieckmann, parece-nos ter chegado ao fim tal celeuma. nenhum;

Devemos si ter primeiro o bem jurídico daquele que d) coisa perdida (res derelicta). Quando alguém se apropria
é afetado imediatamente pela conduta criminosa. Vale dizer dolosamente de coisa perdida por terceiro comete, em tese,
que a vítima de furto não é necessariamente o proprietário o crime de apropriação de coisa achada (CP, art. 169,
da coisa subtraída, podendo recair a sujeição passiva sobre parágrafo único, II). Não se considerada perdida a coisa que
o mero detentor ou possuidor da coisa. simplesmente é esquecida pelo proprietário em local
determinado, podendo ser reclamada a qualquer
O tipo básico do art. 155 do CP é de extrema clareza: momento[2] (por exemplo: pessoa que esquece um livro em
“Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel”. sala de aula. Acaso alguém se apodere do mesmo, comete o
crime de furto);
Subtrair significa, basicamente, retirar de outrem
(proprietário ou possuidor) alguma coisa, sem o seu e) coisas de uso comum (res commune omnium), como o ar,
consentimento. É necessário, ainda, que essa coisa seja luz do sol, água do mar ou dos rios, exceto se forem
móvel. destacadas do local de origem e exploradas individualmente
(por exemplo: água encanada para uso exclusivo de
“Móvel: é a coisa que se desloca de um lugar para alguém[3]). Lembra-se, ainda, que existe o crime de
outro. Trata-se do sentido real, e não jurídico. Assim, ainda usurpação de águas (art. 161, § 1º, I, do CP), consistente na
que determinados bens possam ser considerados imóveis conduta de desviar ou represar, em proveito próprio ou de
pelo direito civil, como é o caso dos materiais outrem, águas alheias. Portanto, quem desvia curso natural
provisoriamente separados de um prédio (art. 81, II, CC: de água (de um igarapé, por exemplo) para se beneficiar do
‘Não perdem o caráter de imóveis: II – os materiais mesmo, evitando que ele passe pelo terreno do vizinho (que
provisoriamente separados de um prédio, para nele se antes era seu caminho natural) comete o crime de
reempregarem’), para o direito penal são considerados usurpação de águas, afastando-se a possibilidade de furto;
móveis, portanto suscetíveis de serem objeto do delito de
furto” (NUCCI, 2006, p. 659). f) os imóveis.

A primeira hipótese é a mais comum. Pode ocorrer Podem ser objeto de furto:
por vários meios, considerando que o furto é um crime de
forma livre (de conteúdo variado). É possível, por exemplo, o a) coisas ligadas ao corpo humano, como, por exemplo,
agente utilizar uma criança ou um animal treinado para olhos de vidro, perucas, dentaduras, próteses mecânicas,
subtrair bens de terceiros, assim como pode agir na orelhas de borracha etc;
presença ou ausência do proprietário ou possuidor do bem.
Quando age na presença do proprietário ou possuidor, não b) segundo alguns doutrinadores (a posição não é pacífica),
poderá o sujeito ativo utilizar de violência ou grave ameaça o ouro da arcada dentária do defunto, visto que pertenceria a
para intimidação da vítima ou do mero detentor do bem; seus herdeiros. Nesse caso o crime de violação de sepultura
visto que nessa hipótese, e também quando a vítima é seria absorvido pelo crime de furto;
reduzida à impossibilidade de resistência (quando é dopada,
por exemplo), haverá crime de roubo (art. 157 do CP). c) semoventes (animais), visto que fazem parte do
patrimônio do respectivo proprietário. O furto de gado é
Na segunda hipótese, em que a vítima entrega o bem conhecido como abigeato;
ao agente que o subtrai, temos o seguinte exemplo: alguém
chega em uma concessionária de automóveis e pede para d)navios e aeronaves, visto que para o direito penal não vale
dar uma volta no pátio da empresa (sob vigilância do a noção cível de imóveis. São penalmente considerados
vendedor) em um carro que se encontra à venda, para testar móveis todos os bens corpóreos que são passíveis de
o veículo. Entra no carro, começa a rodar lentamente, porém remoção de um lugar para o outro;
repentinamente acelera e foge, subtraindo o bem.
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e)coisas que estejam fora do comércio, como bens públicos
e bens gravados com cláusula de inalienabilidade, desde O ladrão que furta ladrão, relativamente à coisa por
que tenham dono; este subtraída, comete crime de furto. O bem cada vez mais
se distancia da vítima, tornando ainda mais improvável sua
f) talão de cheque e folha avulsa de cheque, posto entender- recuperação. O sujeito passivo, porém, não será o primeiro
se que possuem valor econômico, causando também o fato larápio, mas sim o proprietário ou possuidor da coisa, vítima
prejuízo à vítima, visto que terá que pagar taxas para o do delito inicial.
cancelamento da cártula. Quanto à subtração de cartão
bancário ou de cartão de crédito, entende-se não haver Mesmo que não seja identificada a vítima (sujeito
crime de furto, pois sua reposição é feita sem ônus para a passivo) do furto, entende a doutrina ser possível a punição
vítima. Ressalve-se que tais entendimentos não são do sujeito ativo, se houver a certeza que houve a subtração
pacíficos. de bem de terceiro, considerando que o crime em referência
é de ação penal pública incondicionada.
No que concerne ao tipo subjetivo pode-se dizer que
além do dolo de subtrair (animus furandi), exige o tipo em Qualquer pessoa pode praticar o crime de furto, não
evidência a intenção do agente de assenhoramento exige além do sujeito ativo qualquer circunstância pessoal
definitivo da coisa (em benefício próprio ou de terceiro. Há, específica. Vale a mesma coisa para o sujeito passivo do
portanto, a exigência da presença do chamado elemento crime, sendo ela física ou jurídica, titular da posse, detenção
subjetivo do tipo específico. ou da propriedade.

Não é necessária a intenção de lucro (animus O objeto material do furto é a coisa alheia móvel. Coisa
lucrandi), de modo que acaso o agente subtraia bens, por em direito penal representa qualquer substância corpórea,
exemplo, para dar aos pobres ou apenas para prejudicar a seja ela material ou materializável, ainda que não tangível,
vítima (por exemplo, depois de subtrair destrói o bem), suscetível de apreciação e transporte, incluindo aqui os
mesmo assim estará cometendo o crime em evidência. corpos gasosos, os instrumentos , os títulos, etc. .

Há também a seguinte hipótese vislumbrada pela O homem não pode ser objeto material de furto,
doutrina (MASSON, 2010, v. 2, pp. 310-311): “Se um credor conforme o fato, o agente pode responder por seqüestro ou
subtrai bens do devedor para se ressarcir de dívida não cárcere privado, conforme artigo 148 do Código Penal
paga, o crime não será de furto, mas de exercício arbitrário Brasileiro, ou subtração de incapazes artigo 249.
das próprias razões [...], na forma prevista no art. 345 do
Código Penal”. Afirma-se na doutrina que somente pode ser objeto de
furto a coisa que tiver relevância econômica, ou seja, valor
Não há furto culposo. de troca, incluindo no conceito, a idéia de valor afetivo (o
que eu acho que não tem validade jurídica penal). Já a
Quanto aos Sujeitos do delito trata-se de crime jurisprudência invoca o princípio da insignificância,
comum pelo qual qualquer um pode praticá-lo, exceto o considerando que se a coisa furtada tem valor monetário
proprietário do bem ou o seu legítimo possuidor. O irrisório, ficará eliminada a antijuridicidade do delito e,
proprietário não pode cometer referido crime, visto não haver portanto, não ficará caracterizado o crime.
a possibilidade de furto de coisa própria (pode ocorrer em tal
circunstância, no máximo, o crime previsto no art. 346 do Furto é crime material, não existindo sem que haja
CP). O legítimo possuidor, acaso se aproprie da coisa de desfalque do patrimônio alheio. Coisa alheia é a que não
terceiro que se encontra em seu poder, comete o crime de pertence ao agente, nem mesmo parcialmente. Por essa
apropriação indébita (art. 168 do CP). razão não comete furto e sim o crime contido no artigo 346
(Subtração ou Dano de Coisa Própria em Poder de Terceiro)
Fala-se em famulato quando o furto é realizado pelo do Código Penal Brasileiro, o proprietário que subtrai coisa
empregado em detrimento dos bens de seu patrão. sua que está em poder legitimo de outro .
Ressalte-se que mesmo que o empregado tenha a posse de
determinado bem pertencente a seu empregador, se acaso O crime de furto é cometido através do dolo que é a
subtraí-lo, comete o crime de furto, isto se a posse for vontade livre e consciente de subtrair, acrescido do elemento
desvigiada. É o caso, por exemplo, do caixa de um subjetivo do injusto também chamado de “dolo específico”,
supermercado, que subtrai dinheiro que está manuseando. que no crime de furto está representado pela idéia de
Nesse caso, não ocorre o crime de apropriação indébita (art. finalidade do agente, contida da expressão “para si ou para
168 do CP), visto este exigir que o sujeito passivo tenha a outrem”. Independe todavia de intuito, objetivo de lucro por
posse desvigiada do bem apropriado. Quando o bem fica parte do agente, que pode atuar por vingança, capricho,
sob o poder do empregado apenas no local de trabalho, liberalidade.
entende-se que tem mera detenção ou posse vigiada da
coisa. O consentimento da vítima na subtração elide o
crime, já que o patrimônio é um bem disponível, mas se ele
Em que pese ao Sujeito Passivo pode ser, no dizer de ocorre depois da consumação, é evidente que sobrevivi o
Fernando Capez (2006, v.2, p. 374): “Qualquer pessoa, física ilícito penal.
ou jurídica, que tem a posse ou a propriedade do bem. Tal
assertiva afasta da proteção legal aquele que detém a O delito de furto também pode ser praticado entre:
transitória disposição material do bem, como, por exemplo, a cônjuges, ascendentes e descendentes, tios e sobrinhos,
balconista de uma loja, o operário de uma fábrica. Nessa entre irmãos.
hipótese, a vítima do furto é o proprietário do bem”.
1.2 Espécies
Portanto, o sujeito passivo do crime de furto será o
proprietário ou o legítimo possuidor da coisa subtraída. • Furto de Energia

Ponto interessante é levantado por Cleber Masson Estabelece expressamente o art. 155, que: “§ 3º -
(2010, v. 2, p. 309), no caso de ladrão que furta de ladrão, Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer
conforme segue: outra que tenha valor econômico”.
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os moradores da casa violada pelo larápio estejam
Explicando referido dispositivo, Rogério Sanches dormindo, devendo ser a mesma reconhecida até quando a
Cunha (2008, v.3, p. 122) assenta que: “O furto consiste na residência estiver desabitada, desde que a conduta se dê
subtração de coisa alheia móvel para si ou para outrem. O § durante o período de repouso noturno.
3º equipara à coisa móvel a energia elétrica e outras
(genética, mecânica, térmica e a radioatividade), desde que Na realidade, a incidência da majorante não é
tenham valor econômico”. exclusiva nos casos de furtos perpetrados dentro de
residências, podendo ser reconhecida em subtrações
Especificamente quanto ao furto de energia genética, ocorridas em via pública. Nesse passo, Cleber Masson
bem interessantes são as observações de Luiz Regis Prado (2010, v. 2, p. 321), em sintonia com a jurisprudência do
(2008, v.2, pp. 332-333): STJ: “Destarte, a majorante é perfeitamente aplicável aos
furtos cometidos durante o repouso noturno em automóveis
Assim, encontra-se sob a tutela penal a energia estacionados em vias públicas, bem como em
genética, subtraída de reprodutores, através do líquido estabelecimentos comerciais”.
espermático. Caracteriza-se, portanto, o aludido crime, não
só o ato de o agente extrair artificialmente esperma do Segundo Capez (2006, v. 2, p. 387), prevalece o
reprodutor, para posterior inseminação artificial, como entendimento de que a majorante em estudo somente se
também na conduta de colocar a fêmea do seu plantel ou de aplica ao furto em sua forma simples (art. 155, caput, do
outrem junto ao reprodutor visado, para que este último a CP).
fecunde. Não se trata, evidentemente, de mero furto de uso,
já que, mesmo que o agente restitua imediatamente o animal • Nos termos do art. 155, parágrafo primeiro do Código
ao sujeito passivo, extraiu desse o líquido espermático, que Penal, a pena aumenta-se de um terço, se o crime é
tem elevado valor econômico. cometido durante o repouso noturno. Vale dizer que, não se
deve confundir repouso noturno com o conceito de noite. A
No tocante ao furto de energia elétrica, diferencia a razão da incriminação está em que o crime é cometido
doutrina a situação em que o agente, através do chamado durante o tempo da noite que a vítima destina ao repouso,
“gato”, faz uma ligação clandestina para subtrair a energia; dedicando, por isso, menor atenção à coisas. Não incide,
daquela em que ele manipula fraudulentamente seu medidor pois, a qualificadora se a vítima tem o hábito de dormir
para que acuse menor quantidade que aquela efetivamente durante à tarde, e o furto é realizado nesse período do dia. O
consumida. No primeiro caso, há furto; já no segundo, ocorre repouso noturno diz com os hábitos e costumes da região
estelionato (art. 171 do CP). onde é praticado o crime, logo, ser determinado com base
na realidade fática.
Por fim, cabe lembrar a pertinente observação de
Greco (2009, v. III, p. 26): “O furto de energia elétrica, ao É furto agravado ou qualificado o praticado durante
contrário do que ocorre quando estamos diante, o repouso noturno, aumenta-se de 1/3 artigo 155 §1º , a
efetivamente, de coisa móvel, naturalmente corpórea, deve razão da majorante está ligada ao maior perigo que está
ser considerado de natureza permanente, uma vez que a submetido o bem jurídico diante da precariedade de
sua consumação se prolonga, se perpetua no tempo, vigilância por parte de seu titular.
podendo, portanto, ser o agente preso em flagrante quando
descoberta a ligação clandestina de que era beneficiado”. Basta que ocorra a cessação da vigilância da
vítima, que, dormindo, não poderá efetivá-la com a
• (art.155, parágrafo terceiro do CPB) A legislação segurança e a amplitude com que a faria, caso estivesse
penal pátria equiparou a energia elétrica à coisa móvel, bem acordada, para que se configure a agravante do repouso
como qualquer energia de valor econômico (luminosa, noturno.
sonora, etc). Tradicionalmente convencionou-se chamar
esse tipo de furto de “gato”, quando se realiza um desvio de É discutida pela doutrina e pela jurisprudência a
corrente elétrica antes que ela passe pelo medidor. cerca da necessidade do lugar, ser habitado ou não, para se
dar a agravante. A jurisprudência dominante nos tribunais é
• Furto durante o Repouso Noturno no sentido de excluir a agravante, se o furto é praticado em
lugar desabitado, pois evidente se praticado desta forma não
Causa especial de aumento de pena haveria, mesmo durante a época o momento do não
repouso, a possibilidade de vigilância que continuaria a ser
Dispõe o § 1º, do art. 155, que: “a pena aumenta- tão precária quanto este momento de repouso.
se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso
noturno”. Porém, como diz o mestre Magalhães Noronha
“para nós, existe a agravante quando o furto se dá durante o
Aqui se prevê o que a doutrina chama de furto tempo em que a cidade ou local repousa, o que não importa
noturno. necessariamente seja a casa habitada ou estejam seus
moradores dormido. Podem até estar ausente, ou
“Repouso noturno não se confunde com a noite. Esta desabitado o lugar do furto”.
é caracterizada pela ausência de luz solar (critério físico-
astronômico). Repouso noturno é o período de tempo, que A exposição de motivos como a do mestre Noronha,
se modifica conforme os costumes locais, em que as é a que se iguala ao meu parecer, pois é prevista como
pessoas dormem (critério psicossociológico)” (CAPEZ, 2006, agravante especial do furto a circunstância de ser o crime
v. 2, p. 387). praticado durante o período do sossego noturno , seja ou
não habitada a casa, estejam ou não seus moradores
Afasta-se, contudo, a possibilidade de alegação que dormindo, cabe à majoração se o delito ocorreu naquele
repouso noturno pode se confundir com o dia (ou seja, período.
momento em que está presente a luz solar), mesmo que
seja costume em determinado local repousar nesse horário. Furto em garagem de residência, também há duas
posições, uma em que incide a qualificadora, da qual o
Segundo posição majoritária (atente-se que não é Professor Damásio é partidário, e outra na qual não incide a
pacífica, é indiferente para se reconhecer a majorante que qualificadora.
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• Furto de uso Exige o parágrafo que, para o agente ser
beneficiado, deve ele ser primário e que a coisa furtada seja
Não há crime se o indivíduo subtrai a coisa apenas de pequeno valor.
com ânimo de usá-la, pois o art. 155 exige finalidade
especial de assenhoramento do bem subtraído. Nesse Quanto ao conceito de primariedade, entende-se que
passo os comentários de Nucci (2006 pp. 657-658): “Se o primário é aquele que não é reincidente, mesmo que tenha
agente retirar a coisa da posse da vítima apenas para usar maus antecedentes.
por pouco tempo, devolvendo-a intacta, é de se considerar
não ter havido crime. Cremos ser indispensável, entretanto, Quanto ao conceito de “pequeno valor” da coisa
para a caracterização do furto de uso, a devolução da coisa furtada, ensina Greco (2009, v.III, p. 23) que:
no estado original, sem perda ou destruição do todo ou da
parte. […] Além disso, é preciso haver imediata restituição, […] embora seja um elemento de natureza normativa, que
não se podendo aceitar lapsos temporais exagerados. E, por permite valorações, a doutrina e jurisprudência
fim, torna-se indispensável que a vítima não descubra a convencionaram que por pequeno valor deve ser entendido
subtração antes da devolução do bem. Se constatou que o aquele que gira em torno de um salário mínimo. Não
bem de sua propriedade foi levado, registrando a ocorrência, podemos, como afirmam alguns renomados autores, fixar o
dá-se o furto por consumado”. teto de um salário mínimo vigente à época em que
ocorreram os fatos para fins de aplicação do § 2º do art. 155
Não é possível o furto de uso em se tratando de do Código Penal. Fugiria ao raciocínio da razoabilidade
coisa fungível (dinheiro, por exemplo). Há também decisões deixar de aplicar algumas das consequências previstas pelo
judiciais reconhecendo que acaso o bem seja deixado em mencionado parágrafo se o valor da res furtiva ultrapassasse
local diverso daquele de onde foi retirado, o furto se um pouco o do salário mínimo. Por isso, nossa posição é no
consuma. sentido de que pequeno valor é aquele que gira em torno do
salário mínimo, ou seja, um pouco mais ou um pouco menos
Bitencourt (2010, v. 3, p. 53), com a clareza que lhe do que o valor a ele atribuído à época em que ocorreram os
é peculiar, apresenta a seguinte síntese: fatos.

De modo geral se exigem, para reconhecer o crime de O valor do salário mínimo a ser utilizado para a
furto de uso, os seguintes requisitos: a) devolução rápida, aferição do pequeno valor é o da data do crime (momento da
quase imediata, da coisa alheia; b) restituição integral e sem ação ou omissão – art. 4º do CP), e não o da data da
dano do objeto subtraído; c) devolução antes que a vítima sentença.
constate a subtração; d) elemento subjetivo especial: fim
exclusivo de uso. Na aferição do pequeno valor não deve ser
considerado o padrão econômico da vítima ou do infrator,
• - Tal hipótese tem caráter doutrinário e visto que a variável eleita pelo tipo é o valor da coisa,
jurisprudencial, mas não legal, visto que o agente nesse independentemente da condição financeira do agente ou da
caso subtrai a coisa sem o objetivo de com ela permanecer, vítima.
apenas usando-a momentaneamente, devendo devolvê-la
íntegra, voluntária e imediatamente após a utilização, a seu Uma vez reconhecido que o agente preenche os
dono ou no local de onde foi tirada. requisitos da primariedade, e que a coisa furtada é de
pequeno valor, cabe ao juiz atribuir, pelo menos, um dos
O furto de uso é a subtração de coisa apenas para seguintes benefícios (cuja aplicação constitui-se direito
usufruí-la momentaneamente. Para que seja reconhecível o subjetivo do réu):
furto de uso e não o furto comum, é necessário que a coisa
seja restituída, devolvida, ao possuidor, proprietário ou a) substituir a pena de reclusão pela pena de
detentor de que foi subtraída, isto é, que seja reposta no detenção;
lugar, para que o proprietário exerça o poder de disposição b) diminuir a pena de um a dois terços;
sobre a coisa subtraída. Fora daí a exclusão do “animus c) aplicar somente a pena de multa.
furandi” dependerá de prova plena a ser oferecida pelo
agente.
Ressalta Capez (2006, v.2, p. 389) que: “Nada
Os tribunais tem subordinado o reconhecimento do impede que o juiz, cumulativamente, substitua a reclusão por
furto de uso a efetiva devolução ou restituição, afirmando detenção e, em seguida, diminua esta pena”.
que há furto comum se a coisa é abandonada em local
distante ou diverso ou se não é recolocada na esfera de É possível o reconhecimento de furto privilegiado
vigilância de seu dono. Há ainda entendimentos que exigem cometido durante o repouso noturno, ocasião em que se terá
que a devolução da coisa, além de ser feita no mesmo lugar um furto privilegiado com a incidência de uma majorante.
da subtração seja feita em condições de restituição da coisa
em sua integridade e aparência interna e externa, assim Discute-se sobre a possibilidade de reconhecimento
como era no momento da subtração. do furto privilegiado-qualificado. A corrente tradicional pugna
pela impossibilidade da admissão de privilégio ao furto
• Furto Privilegiado qualificado. Todavia, segundo Cleber Masson (2010, v. 2, p.
325), atualmente o STF tem admitido o furto privilegiado-
Traz o § 2º do art. 155 a seguinte regulação: “Se o qualificado, desde que não haja a imposição isolada de pena
criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o de multa.
juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção,
diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de Consultando a jurisprudência atual do STJ, verifica-se
multa”. que este Tribunal ainda apresenta forte resistência ao
reconhecimento de privilégio no caso de furto qualificado,
Convencionou a doutrina chamar essa modalidade conforme segue: “É firme a orientação deste Tribunal no
de “furto privilegiado”, apesar do dispositivo não trazer um sentido de que, para a incidência do privilégio inscrito no § 2º
preceito secundário. do art. 155 do Código Penal, é imperativo não incidir, à
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espécie, nenhuma das hipóteses qualificadoras do crime de da coisa;
furto, em que prevalece o desvalor da ação” (STJ, 5ª Turma, II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada
REsp 1112926-SP, DJe 03-11-2009). ou destreza;
III - com emprego de chave falsa;
Sob outro aspecto, deve-se ficar atento para não IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas.
confundir furto privilegiado com hipótese de incidência do
princípio da insignificância; visto que este (plenamente § 5º - A pena é de reclusão de três a oito anos, se a
aplicável ao crime de furto) leva à atipicidade da conduta, subtração for de veículo automotor que venha a ser
enquanto que o primeiro não conduz a este efeito, apenas transportado para outro Estado ou para o exterior. (Incluído
dá base para uma atenuação na sanção a ser imposta ao pela Lei nº 9.426, de 1996)
agente. Se o bem subtraído, portanto, for de valor irrisório, e
uma vez preenchidos os demais requisitos para o A grande maioria das figuras qualificadas, exceto a
reconhecimento do crime de bagatela, resta admitir que a qualificadora do abuso de confiança, evidencia circunstância
conduta não é típica. Aqui caberia o exemplo do furto, em objetiva, comunicando-se, portanto, entre os agentes que
condições normais, de um lápis. Nesse caso, o fato seria atuam em concurso (art. 30 do CP).
atípico.
Vejamos, em seguimento, uma a uma as
qualificadoras.
Em resumo, segundo o art.155, parágrafo segundo
do CPB, se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a • Furto com destruição ou rompimento de obstáculo
coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela à subtração da coisa
de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar
somente a pena de multa. A par disso, passemos a visualizar Aqui está claro que a destruição ou rompimento
alguns conceitos: deve ser de algo que está impedindo o criminoso de ter
acesso à coisa que quer subtrair. Se a violência for
O Agente primário é aquele que não é reincidente, direcionada ao próprio objeto visado não se aperfeiçoa a
e, por sua vez, reincidente é quem, depois de estar circunstância qualificadora. Esta é a posição que prevalece.
condenado por sentença penal transitada em julgado, vem a Há, contudo, entendimento doutrinário e jurisprudencial em
cometer novo fato típico. Ao ser condenado por sentença sentido contrário, alegando que o obstáculo rompido ou
transitada em julgado daquela primeira sentença destruído pode ser inerente à própria coisa a ser subtraída,
condenatória, não será considerado primário; reconhecendo também nesse caso a presença da
qualificadora.
A Coisa de pequeno valor é um conceito não
pacífico no âmbito doutrinário-jurisprudencial, tendo-se Pelo entendimento prevalecente, o sujeito que
alguns critérios referência como o salário mínimo vigente, o quebra o vidro do carro para poder subtrair o veículo comete
efetivo prejuízo sofrido pela vítima e sua situação econômica o crime de furto simples, se não estiver presente outra
e, por último a análise das condições pessoais do agente. qualificadora incidente.
Vale dizer que, fica ao critério do juiz escolher qual dos
benefícios conceder ao réu, o que será feito levando-se em Acaso, porém, o agente quebre o vidro do veículo
conta as circunstâncias judiciais do art. 59. para furtar algo que está dentro do mesmo estará presente a
qualificadora: “É pacífico o entendimento desta Corte de que
O furto privilegiado é uma forma de causa especial a violação do veículo automotor para subtração de bens
de diminuição de pena. localizados em seu interior qualifica o furto (por rompimento
de obstáculo)” (STJ, 5ª Turma, HC 139501-RJ, DJe 22-02-
A doutrina e a jurisprudência têm exigido além 2010).
desses dois requisitos já citados, que o agente não revele
personalidade ou antecedentes comprometedores, Essa linha de raciocínio também é rechaçada por
indicativos da existência de probabilidade, de voltar a parte da doutrina e da jurisprudência que alega atentar
delinquir. contra a razoabilidade entender que uma conduta
teoricamente menos grave, no tocante ao resultado (furtar
A pena pode-se substituir a de reclusão pela de algo de dentro do carro) possa ser apenada mais
detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente gravemente do que uma conduta mais danosa (furtar o
a multa. próprio carro). Os defensores desse pensamento propõem
que seja considerado furto simples aquele ocorrido mediante
O § 3º do artigo 155 faz menção à igualdade entre ruptura de obstáculo para subtrair bem que está dentro de
energia elétrica, ou qualquer outra que tenha valor um veículo.
econômico à coisa móvel, também a caracterizando como
crime . A violência contra o obstáculo pode ser levada a efeito
a qualquer momento durante a fase executória do crime.
A jurisprudência considera essa modalidade de Desse modo, se o ladrão, por exemplo, tendo entrado em
furto como crime permanente, pois o agente pratica uma só uma casa por uma porta aberta, depois para sair arromba
ação, que se prolonga no tempo. uma janela para fugir com a res furtiva, configurada estará a
qualificadora.
• Furto Qualificado – Os parágrafos quarto e quinto
do art.155 descrevem circunstâncias especiais que É indispensável a perícia para comprovar a
qualificam o crime de furto, impondo penas mais severas. destruição ou rompimento de obstáculo.
São elas:
• Furto com abuso de confiança, ou mediante
fraude, escalada ou destreza
§ 4º - A pena é de reclusão de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e
multa, se o crime é cometido: No abuso de confiança o agente aproveita-se das
relações pessoais (amizade, parentesco, relações
I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração profissionais etc.) que tem com a vítima para efetuar a
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subtração. É necessário que a confiança depositada no
criminoso tenha facilitado a execução do crime para a O § 5º, do art. 155, prevê a seguinte qualificadora: “A
qualificadora ser reconhecida. Ex: furto praticado por pena é de reclusão de três a oito anos, se a subtração for de
empregado contra o patrão, aproveitando-se da confiança veículo automotor que venha a ser transportado para outro
nele depositada. Estado ou para o exterior”.

No furto mediante fraude, o agente utiliza-se de “Essa qualificadora diz respeito, especificamente, à
ardil, artifício ou outro meio fraudulento para enganar a subtração de veículo automotor. Consideram-se como tal os
vítima, e com isso possibilitar a subtração almejada. Deve-se automóveis, ônibus, caminhões, motocicletas, aeronaves,
ter o cuidado de não confundir o furto mediante fraude com o lanchas, ‘jet-skis’ etc., porém o transporte de partes do
crime de estelionato. Neste a vítima entrega a vantagem veículo não é abrangido por essa figura típica”.
indevida ao agente, enquanto que naquele a fraude é
utilizada somente para distrair a vítima, possibilitando que o Observe-se que para ser reconhecida a qualificadora
agente subtraia a coisa. Nesse sentido a melhor doutrina: é necessário que ocorram, na realidade, dois eventos.
“Assim, se a vítima iludida entrega voluntariamente o bem, Primeiro, a subtração do veículo, e depois a transposição do
há estelionato; se a vítima é distraída, e o agente subtrai a limite estadual. Acaso não haja essa transposição, que pode
coisa, há furto mediante fraude” (CAPEZ, 2006, v. 2, p. 394). ser feita por outra pessoa, não estará presente a figura
Ex: “A subtração de valores de conta-corrente, mediante qualificada em deslinde.
transferência fraudulenta para conta de terceiro, sem
consentimento da vítima, configura crime de furto mediante O transporte de partes isoladas do veículo subtraído
fraude, previsto no art. 155, § 4º, inciso II do Código Penal. para outro estado-membro ou para o exterior não leva à
Precedentes da Terceira Seção” (STJ, Terceira Seção, CC caracterização da qualificadora.
81477-ES, DJe 08-09-2008).
Há discussão na doutrina se é possível a tentativa da
A escalada consiste no uso de via anormal para prática do furto qualificado em epígrafe, visto que o mesmo
ingressar no local onde se encontra a coisa visada. “Para o pressupõe a consumação da subtração do veículo em
reconhecimento da qualificadora exige-se, ainda, que a momento anterior; ou seja, antes da transposição de limite
escalada seja fruto de um esforço fora do comum por parte territorial exigível para incidência da qualificadora já há um
do agente, não bastando a mera transposição de obstáculo crime de furto consumado. Rogério Greco (2010, v. III, p. 38)
facilmente vencível (ex.: saltar muro baixo)” (CUNHA, 2008, afirma não ser possível a tentativa, seguindo os passos de
v.3, p. 125). Cezar Roberto Bitencourt. Cleber Masson (2010, v. 2, p. 346)
diz ser o conatos possível, embora de difícil ocorrência na
No furto mediante destreza o ladrão utiliza-se de prática.
habilidade física para subtrair a res da vítima. “Tal ocorre
com a subtração de objetos que se encontrem junto à vítima, Acaso presente a qualificadora do § 5º, em concurso
por exemplo, carteira, dinheiro no bolso ou na bolsa, colar com uma ou mais qualificadoras previstas no § 4º, deve ser
etc., que são retirados sem que ela note. Importa dizer que aquela considerada para qualificar o crime (por ser a mais
se a vítima perceber a subtração no momento em que ela se gravosa), enquanto que as demais devem ser valoradas na
realiza, considera-se o furto tentado na forma simples, pois dosimetria da pena.
não há que se falar no caso em destreza do agente (p. ex., a
vítima sente a mão do agente em seu bolso)” (CAPEZ, 2006, • Furto de coisa comum
v.2, p. 395).
Está assim tipificado:
• Furto com emprego de chave falsa
Art. 156 - Subtrair o condômino, coerdeiro ou sócio, para si
Aqui o agente utiliza instrumento destinado a abrir ou para outrem, a quem legitimamente a detém, a coisa
fechadura com o objetivo de ter acesso à coisa visada. Daí comum:
Greco (2009, v. III, p. 34) enfatizar que: “Considera-se chave
falsa qualquer instrumento – tenha ou não aparência ou Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.
formato de chave – destinado a abrir fechaduras, a exemplo § 1º - Somente se procede mediante representação.
de grampos, gazuas, mixa, cartões magnéticos (utilizados § 2º - Não é punível a subtração de coisa comum
modernamente nas fechaduras dos quartos de hotéis), etc”. fungível, cujo valor não excede a quota a que tem direito o
No rol desses instrumentos inclui-se a cópia (obtida agente.
ilicitamente) da chave verdadeira.
O crime sob foco tem semelhança com o crime de
A tendência doutrinária contemporânea é não furto, previsto no art. 155 do CP, porém possui caracteres
reconhecer a qualificadora quando o agente utiliza-se, para exclusivos.
efetuar a subtração, de chave verdadeira, mesmo que obtida
clandestinamente. O objeto material é coisa comum, ou seja, que é de
propriedade do furtador em conjunto com a vítima.
• Furto mediante concurso de duas ou mais pessoas
Trata-se de crime próprio, considerando que
Qualifica-se o furto quando o mesmo é levado a somente pode ser cometido pelo condômino, co-herdeiro ou
efeito em concurso de pessoas. sócio. Sujeito passivo também somente pode ser pessoa de
uma dessas categorias.
Quanto à concorrência de inimputáveis na prática do
furto, é reconhecido que tal fato não afasta a presença da O § 1º traz outra disposição que diferencia o crime
qualificadora. Se o crime, por exemplo, foi executado de furto do crime ora em análise, posto que neste é exigível
materialmente (e em concurso) por um maior de 18 anos e a representação para que seja manejada a ação penal
por um menor, aquele responderá pela modalidade enquanto que naquele a ação é publica incondicionada.
qualificada.
Pelo § 2º, estipula-se que, se o agente subtrai
• Furto de veículo automotor somente parcela que lhe cabe na coisa comum fungível
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(dinheiro, por exemplo), não deve ser punido. como hipótese de estado de necessidade, não podendo tal
fato se repetir com o ilícito do roubo em razão da prática de
Nos termos do art.156 do Código Penal Brasileiro o atos de violência.
furto de coisa comum consiste na subtração pelo
condômino, coerdeiro ou sócio, para si ou para outrem, a • Furto famélico
quem legitimamente a detém, a ciosa comum. Para melhor
entendimento, analisemos os seguintes conceitos; Ocorre quando o sujeito ativo subtrai coisa para
Condomínio ou copropriedade é a propriedade em coisa saciar a fome. É um caso de estado de necessidade. Deve,
comum, exercida pelos condôminos ou coproprietários da contudo, ser encarado com cautela, não sendo a simples
mesma coisa. É a comunhão de direitos sobre a coisa, em pobreza do agente justificativa para furtar alimentos. Faz-se
que cada consorte é proprietário da coisa toda; Herança é o necessária a análise prudente do caso concreto. Nesse
conjunto dos bens materiais, bens e direitos do falecido, o passo, esclarece Greco (2009, v.III, p. 43) que: “Apesar da
seu patrimônio que é transmitido aos herdeiros, legítimos ou possibilidade de seu reconhecimento, somente os casos
testamentários; Sociedade é a união de duas ou mais extremos permitem o raciocínio correspondente ao furto
pessoas no rumo da realização de um mesmo fim. Lembre- famélico”.
se, contudo, que a pessoa do sócio não se confunde com a
pessoa jurídica. 2.Roubo

Assim, no condomínio, na herança e na sociedade, 2.1.Generalidades


todos os consortes – condômino, herdeiro e sócio – são
titulares do todo patrimonial e de uma parte ideal do mesmo, O crime de roubo guarda certa semelhança com o
e não de uma parcela material deste. Materializa-se o crime crime de furto, posto que ambos têm como núcleo o verbo
quando o agente subtrai, para si ou para outrem, a coisa que “subtrair” e se voltam, primordialmente, à proteção do
pertence ao condomínio, a herança ou à sociedade, estando patrimônio. No roubo, contudo, há a presença de violência
ela, legitimamente, em poder de seu consorte ou de terceira (própria ou imprópria) ou grave ameaça contra a pessoa,
pessoa. inexistentes no delito de furto. Daí Greco (2009, v. III, p. 61)
pontuar que: “A figura típica do roubo é composta pela
A razão da incriminação é de que o agente subtraia subtração, característica do crime de furto, conjugada com o
coisa que pertença também a outrem. Este crime constitui emprego de grave ameaça ou violência à pessoa. Assim, o
caso especial de furto, distinguindo-se dele apenas as roubo poderia ser visualizado como um furto acrescido de
relações existentes entre o agente e o lesado ou os lesados. alguns dados que o tornam especial”.

Sujeito ativo, somente pode ser o condômino, Sua figura básica está assim delimitada:
coproprietário, coerdeiro ou o sócio. Esta condição é
indispensável e chega a ser uma elementar do crime e por Art. 157. Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem,
tanto é transmitido ao partícipe estranho nos termos do mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de
artigo 29 do Código Penal Brasileiro. havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de
resistência.
Sujeito passivo será sempre o condomínio, Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos, e multa.
coproprietário, coerdeiro ou o sócio, não podendo excluir-se
o terceiro possuidor legítimo da coisa. 2.1.1.Classificação doutrinária

Não difere a conduta do crime de furto de coisa O roubo é: “Crime comum, tanto com relação ao
comum, o crime do artigo 155 do Código Penal Brasileiro, é sujeito ativo quanto ao sujeito passivo; doloso (não havendo
a subtração de coisa móvel ou mobilizável, é necessário que previsão para a modalidade culposa); material; comissivo
o agente tenha uma parte ideal da coisa para que possa (podendo ser praticado omissivamente, caso o agente goze
falar em algo que seja punível, mas não importa qual o do status de garantidor); de forma livre; instantâneo
montante da sua parte na totalidade da coisa. (podendo também, em alguns casos, ser considerado como
instantâneo de efeito permanente, caso haja destruição da
A vontade de subtrair configura o momento res furtiva); de dano; monossubjetivo; plurissubsistente
subjetivo, fala-se em dolo específico na doutrina, na (podendo-se fracionar o iter criminis, razão pela qual é
expressão “para si ou para outrem”. possível o raciocínio da tentativa)” (GRECO, 2009, v.III, p.
65).
A pena cominada para furto de coisa comum é
alternativa de detenção de 6 (seis) meses à 2 (dois) anos ou • 2.1.2.Ação penal
multa. Dá-se ao juiz a margem para individualização da pena
tendo em vista as circunstâncias do caso concreto. Ação penal no roubo, em qualquer de suas formas,
será pública incondicionada.
A ação penal é pública, porém depende de
representação da parte ofendida Cabe ponderar, ainda, que mesmo no latrocínio
(onde há a morte da vítima), o processo correrá junto ao
• Furto de Bagatela (Princípio da Insignificância) juízo singular, afastando-se a competência do Tribunal do
Júri (Súmula 603 do STF).
A coisa móvel alheia deve ter um valor econômico,
afetivo ou de uso. Importa apenas que a coisa alheia esteja • 2.1.3.Objeto jurídico
incluída no acervo patrimonial de alguém, a vítima, para que
seja considerada objeto do furto. Não significa, porém, que Posse, propriedade, integridade física e liberdade
apenas as coisas valiosas estejam protegidas, até porque individual, considerando ser um crime complexo.
seu valor é relativo. O que o Direito Penal não protege é a
lesão insignificante, ínfima, irrelevante, como a subtração de • 2.1.4.Objeto material
um palito de dente, um alfinete,um bombom,etc.
É a coisa alheia móvel e a pessoa sobre a qual recai
Observação importante: O “Furto Famélico” é visto a violência ou grave ameaça.
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Tem considerando a doutrina e a jurisprudência que b) Na ameaça a uma só pessoa, que detém consigo bens
é inadmissível a aplicação do princípio da insignificância no próprios e de terceiros, a jurisprudência tem entendido haver
crime de roubo. Também não existe modalidade privilegiada crime único, pois argumenta-se que a posse é bem
desse delito, mesmo que a coisa subtraída seja de pequeno juridicamente tutelado, embora o mais correto fosse o
valor. concurso formal de crimes, pois, com uma única ação de
subtrair mediante violência ou ameaça, foram lesados dois
Há discussão se é possível o reconhecimento de ou mais patrimônios de pessoas diversas[44].
crime impossível por absoluta impropriedade do objeto (art.
17 do CP), quando, por exemplo, a vítima é ameaçada pelo c) Se o agente adentra em uma residência e, mantendo os
agente que deseja subtrair-lhe dinheiro, porém descobre que moradores amarrados, retira alguns objetos e os leva até o
ela não traz consigo qualquer valor, indo embora sem nada esconderijo, e, momentos depois, retorna para retirar o
subtrair. restante da res, e assim sucessivamente até se apoderar de
todos os objetos lá encontrados, há crime único e não crime
Rogério Greco, Cleber Masson e Damásio de Jesus continuado, pois ele realizou diversos atos que formam uma
entendem que nesse caso há crime impossível no tocante única ação criminosa.
ao roubo, devendo o agente responder apenas pelos outros
atos antes praticados que configurem infração penal (por O mesmo autor exemplifica situação relativamente
exemplo: ameaça – art. 147 do CP). Os dois primeiros comum em grandes cidades, onde o roubo é executado,
autores referidos citam que Cezar Roberto Bitencourt mediante ação única, contra um grupo de pessoas que têm
entende em sentido contrário, ou seja, que no caso tem-se bens efetivamente subtraídos. Nesse caso, há concurso
como ocorrente a tentativa de roubo. formal e não crime continuado (ex: roubo contra vários
passageiros dentro de um ônibus).
Acrescente-se que também se aplica perfeitamente
ao roubo a desistência voluntária (art. 15 do CP), de modo A jurisprudência do STJ é vasta sobre o crime de
que: “Se agente empregar violência ou grave ameaça, ou roubo. Em seguimento destacamos alguns arestos que
qualquer outro meio que reduza a capacidade de resistência tratam sobre o concurso formal neste delito.
da vítima e, após, desistir voluntariamente de se apoderar
dos objetos dela, não responderá pelo crime de roubo, mas
sim pelos atos até então praticados (violência ou grave • 2.1.7.Tipo objetivo
ameaça)”.
A ação nuclear (“subtrair”) é idêntica a do crime de
• 2.1.5.Sujeito ativo furto. Também se exige que a conduta se volte a coisa alheia
móvel.
Qualquer pessoa, exceto, por óbvio, o proprietário
ou possuidor do bem subtraído. Trata-se de crime comum. Há necessidade, contudo, que o delito seja praticado
mediante grave ameaça ou violência à pessoa, ou por
Por oportuno, relembre-se que há o delito específico qualquer meio que reduza à impossibilidade de resistência,
de furto de coisa comum (art. 156 do CP). No tocante ao conforme está claro no tipo penal: “Art. 157. Subtrair coisa
crime de roubo, não há figura típica similar. Assim, acaso o móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave
agente subtraia mediante violência ou grave ameaça coisa ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por
da qual compartilha a propriedade, responderá normalmente qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência”.
pelo crime de roubo. Desse modo, nesse caso específico o
proprietário de coisa comum poderá figurar como sujeito Emprego de grave ameaça (“vis compulsiva”) a
ativo. Fora dessa hipótese, quando o proprietário toma de pessoa se dá quando o agressor promete que praticará mal
terceiro, mediante violência ou grave ameaça, coisa que grave, verossímil e iminente caso a vítima não permita a
integralmente lhe pertence, pode responder por exercício subtração. Referida ameaça pode ser levada a efeito
arbitrário das próprias razões (art. 345 do CP). mediante palavras, gestos ou mesmo através de simples
porte ostensivo de arma de fogo. Acrescentando Capez
• 2.1.6.Sujeito passivo (2006, v.2, p. 405) que mesmo a simulação de porte
ostensivo de arma de fogo constitui meio intimidatório idôneo
Em regra, o sujeito passivo do crime de roubo é o à prática do crime de roubo. O mesmo ocorrendo com a
proprietário ou o possuidor. Greco (2009, v.III, pp. 66-67), arma desmuniciada ou defeituosa, ou ainda, de brinquedo.
com razão, também inclui a figura do detentor, considerando Ambas figuram como instrumentos idôneos para intimidação
a possibilidade deste, mesmo que não seja proprietário ou da vítima, levando à configuração da infração penal em
possuidor, estar apenas com a guarda de coisa alheia e deslinde.
sofrer violência ou grave ameaça levadas a efeito no
momento da sua subtração. A violência à pessoa referida no art. 157 diz
respeito à violência física (vis corporalis) empregada para
No crime de roubo, em sendo subtraídas várias impedir ou dificultar a defesa da vítima. Segundo Gonçalves
pessoas mediante uma única ação, há de ser reconhecido o (2004, p. 22):
concurso formal de crimes.
Caracteriza-se pelo emprego de qualquer desforço
Nesse aspecto, pondera Capez (2010, v.2, pp. 484- físico sobre a vítima a fim de possibilitar a subtração (socos,
485) com propriedade: pontapés, facada, disparo de arma de fogo, paulada,
amarrar a vítima etc.). Os violentos empurrões ou trombadas
a) No assalto a várias pessoas, com subtração patrimonial também caracterizam emprego de violência física e, assim,
de apenas uma: houve uma só subtração; logo, um só crime constituem roubo. Já empurrões ou trombadas “leves”,
contra o patrimônio. Crime único, portanto. Tem-se entendido desferidos apenas para desviar a atenção da vítima, de
que a subtração de bens de uma única família constitui acordo com a jurisprudência, não caracterizam o roubo.
crime único e não concurso formal, pois o patrimônio é Para que a violência implique a tipificação do roubo ela deve
familiar, portanto único. ter sido empregada contra a pessoa (o dono do objeto ou
terceiro) e nunca apenas contra a coisa.
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roubo. Exige-se porém, o elemento subjetivo do tipo, o
Cleber Masson (2010, v. 2, p. 361) também entende, chamado dolo específico, idêntico ao do furto, para si ou
em consonância com a jurisprudência do STJ, que no caso para outrem, é que se dá a subtração.
da “trombada” (no contexto da subtração), acaso ela seja
leve e tenha o propósito único de distrair a vítima, estará
caracterizado o crime de furto; no entanto, se a “trombada” 2.2.Espécies :
provocar lesão corporal na vítima ou caracterizar vias de
fato, em ambos os casos tendentes a eliminar ou reduzir sua 2.2.1. Roubo próprio e impróprio
defesa, a hipótese será de roubo.
O roubo próprio (art. 157, caput), segundo posição
No caso de subtração de bem preso ao corpo da doutrinária majoritária, se consuma com a retirada do bem
vítima (corrente de ouro presa ao pescoço, por exemplo), da esfera de disponibilidade e posse da vítima (teoria da
tem entendido o STJ que ocorre o crime de roubo. Fernando inversão da posse), dispensando-se a posse tranquila. O
Capez (2010, v. 2, p. 462), divergindo dessa conclusão, raciocínio é semelhante àquele explicitado no tocante à
entende que há no caso o crime de furto, visto que a consumação do crime de furto.
violência é dirigida contra a coisa e somente acessoriamente
contra a vítima. Nesse ponto, bem exemplifica Capez (2006, v. 2, p.
410):
Na fórmula genérica consistente em qualquer outro
meio que reduza a vítima à impossibilidade de resistência Por exemplo: agente que depois de apontar uma
cabem outros meios que não se constituam violência física arma na cabeça da vítima se apodera de sua carteira. O
ou grave ameaça, mas que atinjam determinantemente a crime se consuma nesse instante, ou seja, com o
capacidade de resistência da vítima com vistas a propiciar a apoderamento do bem, pois nesse momento a posse do
subtração, como, por exemplo: fazê-la ingerir bebida agente substituiu a da vítima, já não tendo esta o poder de
alcoólica, sonífero ou substância entorpecente; ou mesmo disponibilidade sobre o bem. Ainda que venha a perseguir
hipnotizá-la. continuadamente o agente e consiga recuperar a res, já
houve a anterior espoliação da posse ou propriedade da
• 2.1.8.Tipo subjetivo vítima. É a nossa posição.

Além do dolo de subtrair, exige o art. 157 o especial No roubo impróprio (art. 157, § 1º), como não há,
fim de agir consistente no ânimo de assenhoramento do bem inicialmente, subtração violenta, a consumação somente se
visado. No roubo impróprio (art. 157, § 1º) percebe-se dá quando é empregada violência ou grave ameaça para
também a presença da finalidade “[...] de assegurar a garantir a impunidade pelo crime ou a detenção da coisa
impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para (para si ou para outrem) antes subtraída. Se não houver
terceiro”. violência ou grave ameaça subseqüente, a hipótese será de
furto. O ato subseqüente (violência ou grave ameaça) deve
Quanto ao roubo para uso, assevera CUNHA ter relação de imediatidade com a subtração, pois caso
(2008, v.3, p. 130) que: contrário não haverá crime de roubo, mas sim o de furto em
concurso com o delito que caracterizar a violência ou a
O roubo de uso é crime (TJDFT 44/180), não grave ameaça.
importando se a real intenção do agente era subtrair para
ficar ou subtrair apenas para usar momentaneamente (o uso No roubo próprio é perfeitamente admissível a
da coisa é um dos poderes inerentes à propriedade, da qual tentativa. Ocorre quando o agente, antes de consumar a
o agente se investe mediante violência ao real proprietário). subtração (mas já tendo iniciado os atos executórios), é
Reconhecemos, porém, importante parcela da doutrina impedido por circunstâncias alheias à sua vontade. Seria o
lecionando que o animus de uso exclui o crime. caso do criminoso que, com uma arma apontada para a
vítima, exige a entrega do relógio, porém é, nesse exato
Referida posição, como o próprio autor ressalta, não momento, surpreendido pela polícia e preso.
é pacífica, havendo divergência quanto ao tema.
Quanto ao roubo impróprio, diverge a doutrina
Não há roubo culposo. sobre a possibilidade da forma tentada. Há quem entenda
ser possível a tentativa quando o agente tenta empregar
• 2.1.9.Características gerais violência ou grave ameaça após a subtração não violenta,
mas não consegue. A posição dominante, não obstante, é
É um crime complexo, onde o objeto jurídico aquela que pugna pela impossibilidade da forma tentada.
imediato do crime é o patrimônio, e tutela-se também a Nesse andar o magistério de Prado (2008, v. 2, pp. 350-351):
integridade corporal, a saúde, a liberdade e na hipótese de
latrocínio a vida do sujeito passivo. A consumação do roubo impróprio ocorre com o
emprego da violência ou grave ameaça à pessoa, logo após
O Roubo também é um delito comum, podendo ser a subtração da coisa. No tocante à admissibilidade da
cometido por qualquer pessoa, dando-se o mesmo com o tentativa nessa figura há controvérsia, existindo a respeito
sujeito passivo. Pode ocorrer a hipótese de dois sujeitos dois posicionamentos. Para uma corrente, mais acertada, o
passivos: um que sofre a violência e o titular do direito de crime não comporta o conatus, porque a tentativa de usar a
propriedade. violência ou grave ameaça é juridicamente irrelevante
nessas circunstâncias. Consumada a subtração e, em
Como no Furto, a conduta é subtrair, tirar a coisa seguida, a violência ou grave ameaça, ter-se-á o roubo
móvel alheia, mas faça-se necessário que o agente se utilize impróprio. Caso contrário, se apenas se tiver a subtração,
de violência, lesões corporais, ou vias de fato, como grave desprovida da violência ou grave ameaça, caracterizado
ameaça ou de qualquer outro meio que produza a estará o delito de furto. Não é admissível, pois, a tentativa.
possibilidade de resistência do sujeito passivo. Para uma segunda, configura-se a tentativa se o autor é
flagrado no momento em que procura empregar a violência
Há a vontade de subtrair com emprego de violência, ou grave ameaça, mas sem conseguir êxito.
grave ameaça ou outro recurso análogo é o dolo do delito de
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Por fim, se a subtração é apenas tentada, e
existindo violência ou grave ameaça na fuga, instaura-se Em princípio, a utilização de arma de brinquedo não
concurso material entre o furto tentado e aquele caracteriza a causa de aumento de pena prevista no art.
correspondente ao emprego da força, porque, nessa 157, § 2º, inciso I, do Código Penal. Mas, como a apreensão
situação, falta a vontade de usar a violência ou grave da arma não é obrigatória para a aplicação da majorante, é
ameaça para obter a coisa ou assegurar a impunidade do possível a declaração em juízo, pela vítima, no sentido de ter
crime. sido o roubo praticado com emprego de arma. E, se a arma
não foi apreendida, muito menos periciada, presumir-se-á
que se cuidava de arma verdadeira, e não de um mero
2.2.2.Roubo majorado brinquedo. Em que pese tratar-se de presunção relativa,
será muito difícil o réu comprovar ter utilizado na execução
O § 2º do art. 157 estabelece as seguintes causas do delito uma arma “finta”. Em suma, inverte-se o ônus da
especiais de aumento de pena inerentes ao roubo: prova, e dele será complicado o acusado desvencilhar-se
com êxito.
§ 2º. A pena aumenta-se de um terço até metade:
I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de • Concurso de duas ou mais pessoas
arma;
II – se há o concurso de duas ou mais pessoas; Há divergência na doutrina sobre a necessidade de
III – se a vítima está em serviço de transporte de valores e o estarem presentes durante a execução do crime pelo menos
agente conhece tal circunstância; duas pessoas para que incida a majorante em comento.
IV – se a subtração for de veículo automotor que venha a ser Mesmo os que exigem a presença de uma pluralidade de
transportado para outro Estado ou para o exterior; pessoas, admitem, contudo, que não é necessário que a
V – se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo violência ou grave ameaça seja levada a efeito por mais de
sua liberdade. um agente para a majorante se aperfeiçoar, bastando para
tanto a presença física.
Vejamos em seguimento cada uma das
majorantes. A tendência doutrinária contemporânea, entretanto,
é considerar suficiente o concurso de pessoas (art. 29 do
• Emprego de arma CP) para que a causa de aumento em questão esteja
presente, mesmo que a execução material seja realizada por
A arma aqui mencionada, utilizada como instrumento uma única pessoa, sem a presença dos demais
na execução do crime de roubo, pode ser tanto própria concorrentes.
(especialmente criada para defesa ou ataque, como armas
de fogo e armas brancas como imprópria (objetos Quando uma pessoa maior comete crime em
precipuamente utilizados para outros fins, mas que podem concurso com um menor, deve responder também pelo
ser eficazmente utilizados para levar a efeito violência ou crime previsto no art. 244-B do ECA (Lei nº 8.069/1990).
grave ameaça, como machado, foice, barra de ferro etc.).
• Vítima em serviço de transporte de valores
Tem predominado atualmente o entendimento de que,
para caracterizar a majorante, a arma, além de poder Exige expressamente o inciso III que: a) a vítima
intimidatório, deve apresentar potencialidade ofensiva à esteja em serviço de transporte de valores (por exemplo:
vítima. O uso de arma de brinquedo, por exemplo, leva à condutores de carros-fortes, funcionários de bancos, office-
caracterização do roubo, mas não conduz à incidência da boys etc.); b) que tal fato seja de conhecimento do agressor.
majorante, considerando a ausência de capacidade lesiva.
Quando se diz que a vítima deve estar em serviço
Em outro vértice, deve ser também lembrado que o (trabalhando para outrem, mesmo que não seja empregado)
dispositivo em estudo (art. 157, § 2º, I) exige o emprego da de transporte de valores, entende-se que se o transporte
arma, de sorte que a mesma tem que ser efetivamente está sendo feito pelo próprio proprietário, não incide a
utilizada na violência ou grave ameaça inerentes ao roubo, majorante. Entendemos também que, se os valores
não bastando seu porte ostensivo. Daí Greco lecionar (2009, subtraídos estiverem sendo transportados por alguém que
v. III, p. 78) que: “Empregar a arma significa utilizá-la no está fazendo um favor para outrem (sem nada cobrar), não
momento da prática criminosa. Tanto emprega a arma o se aplica a causa de aumento, visto não estar “a serviço”.
agente que, sem retirá-la da cintura, mas com a mão sobre
ela, anuncia o roubo, intimidando a vítima, como aquele que, Quanto aos valores transportados, estes não se
após sacá-la, a aponta em direção a sua cabeça”. resumem unicamente em dinheiro, mas também podem ser
joias, títulos ao portador e outros congêneres, que
É possível o concurso material entre os crimes de possibilitem fácil conversão em dinheiro.
porte ilegal de arma de fogo e roubo majorado pelo emprego
de arma, mas somente quando os fatos ocorrerem em Há a necessidade que o criminoso tenha efetiva
contextos distintos. Por exemplo: depois de perambular a consciência que a vítima está transportando valores; sendo,
noite toda em via pública portando ilegalmente arma de fogo, portanto, incabível o dolo eventual quanto a este aspecto.
já na madrugada o agente resolve praticar um roubo Se, por exemplo, o roubador aborda a vítima que, por
utilizando referido armamento. In casu o simples fato dele coincidência, está transportando valores, não se faz
andar armado já caracterizou o porte ilegal, sendo o roubo presente a majorante, mesmo que seja consumado o roubo.
um evento distinto.
• Subtração de veículo automotor que venha a ser
O emprego de arma de fogo constitui-se transportado para outro estado ou para o exterior
circunstância de natureza objetiva, comunicando-se entre os
co-autores e partícipes que tenham ciência da mesma (art. A presente circunstância se assemelha com a
30 do CP). Por exemplo: se durante um roubo, levado a qualificadora prevista para o crime de furto no art. 155, § 5º,
efeito por três comparsas, apenas um emprega arma, todos do CP.
devem responder pela majorante, considerando estarem os
concorrentes desarmados cientes da circunstância. É necessário, para sua incidência, que haja um roubo
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de veículo automotor, e que o mesmo seja levado para além vier a subtrair um guardanapo de papel, que continha um
dos limites estaduais de onde foi subtraído. autógrafo de um artista nacionalmente conhecido,
responderá pelo furto, uma vez que os bens de valor
• Agente que mantém a vítima em seu poder, sentimental não possuem valor de troca, razão pela qual não
restringindo sua liberdade podemos chamá-los de insignificantes, a ponto de afastar a
tipicidade da conduta levada a efeito pelo agente.
Esta majorante tem sua incidência circunscrita às
situações em que a privação da liberdade da vítima seja
utilizada como meio para a realização de um roubo ou para 2.2.3.Qualificado pelo resultado - segundo o qual o
fugir à ação policial. Assim ensina com clareza Greco (2010, parágrafo terceiro do art.157determina duas circunstâncias
v.III, p. 72): que qualificam o crime de roubo em razão do resultado mais
grave, quais sejam a lesão corporal de natureza grave e a
A doutrina tem visualizado duas situações que morte.
permitiriam a incidência da causa de aumento de pena em
questão, a saber: a) quando a privação da liberdade da No primeiro caso, entenda-se a qualificadora tanto
vítima for um meio de execução do roubo; b) quando essa no caso de lesões graves como gravíssima, não se
mesma privação da liberdade for uma garantia, em benefício qualificando no caso de lesão corporal de natureza leve, pois
do agente, contra a ação policial. esta é absolvida pela própria conduta de roubo. Vale dizer
que, haverá roubo qualificado pela lesão corporal grave
Note-se que existem duas situações. Quando a ainda quando a subtração não seja consumada, desde que
vítima é obrigada a permanecer por período prolongado decorrente de ato de violência, pois, se decorrente de grave
(algumas horas, p. ex.) em poder do roubador, caracteriza- ameaça, não haverá roubo qualificado, mas roubo simples
se crime de roubo em concurso material com seqüestro (art. em concurso formal com lesão corporal.
148), uma vez que, nesse caso, houve privação da
liberdade, que pressupõe conduta mais duradoura. Ao De outro lado, também será qualificadora quando
contrário, o art. 157, § 2º, V, não menciona a palavra da hipótese de roubo resultar morte, gerando o denominado
“privação” e sim “restrição da liberdade”, de forma que tal Latrocínio que consiste no roubo que tem como advento a
dispositivo somente se aplica a hipóteses em que a vítima morte resultante da violência empregada antes, durante ou
fica em poder do roubador por breve espaço de tempo (por imediatamente após a subtração. No caso de um latrocínio
alguns minutos, apenas para sair do local da abordagem, p. pode-se ter, diferentemente das demais hipóteses de roubo,
ex.). a multiplicidade de elementos subjetivos.

Necessário observar, ainda, que se a vítima O artigo da Lei 8072/90 (Lei dos Crimes
permanece em poder do agente por curtíssimo espaço de Hediondos), em conformidade com o artigo 5º XLIII, da
tempo, destinado unicamente à subtração do bem, não Constituição Federal Brasileira, considera crime de latrocínio
incide a majorante. Hediondo.

• Lojas com vigilância ou sistema antifurto Nos termos legais o Latrocínio não exige que o
evento morte seja desejado pelo agente, basta que ele
Há discussão na doutrina sobre a possibilidade do empregue violência para roubar e que dela resulte a morte
reconhecimento de crime impossível quando o agente tenta para que se tenha caracterizado o delito.
subtrair objeto no interior de estabelecimentos que possuem
vigilância de seguranças ou sistema antifurto. Quanto a este É indiferente porém, que a violência tenha sido
ponto, afirma Capez (2010, v.2, pp. 431-432) que: “indivíduo exercida para o fim da subtração ou para garantir, depois
que se apodera de mercadorias de um supermercado e as desta, a impunidade do crime ou a detenção da coisa
esconde sob as vestes, mas, ao sair, desperta suspeitas no subtraída .
segurança, que o aborda; agente que, ao realizar a
apreensão de mercadorias, tem a sua ação desde o início Ocorre latrocínio ainda que a violência atinja
acompanhada pelos seguranças do estabelecimento; sujeito pessoa diversa daquela que sofre o desapossamento da
que se apropria de mercadorias com etiqueta antifurto. Em coisa. Haverá no entanto um só crime com dois sujeitos
todas essas hipóteses há tentativa de furto. passivos.

• Coisa sem valor econômico, mas de valor sentimental A consumação do latrocínio ocorre com a efetiva
subtração e a morte da vítima, embora no latrocínio haja
Para uma primeira posição, amplamente majoritária, morte da vítima, ele é um crime contra o patrimônio, sendo
as coisas de valor afetivo também compõem o patrimônio da Juiz singular e não do Tribunal do Júri.
pessoa humana. Exemplo: Há furto na subtração de porta- E, por último, acrescente-se que o art. 9º
retratos de plástico, de ínfimo valor, que continha em seu da Lei nº 8.072/90 (lei de Crimes Hediondos), determinou
interior a única fotografia em preto e branco que uma que a pena será acrescida de metade, respeitando o limite
senhora de idade possuía do seu filho precocemente superior de trinta anos, se o latrocínio é cometido contra
falecido. É a posição, dentre outros, de Nélson Hungria, e a vítima que esteja nas mesmas condições do art.224 do
ela nos filiamos. Código Penal, quais sejam, menor de 14 anos, alienada,
débil mental, circunstância conhecida pelo agente e, na
Rogério Greco (2010, v. III, pp. 13-14), após explicar hipótese de por qualquer outra causa, oferecer resistência.
que o patrimônio tem um valor de troca (apreciável
economicamente) e um valor de uso (de natureza Obs: No caso de latrocínio, consumadas a morte e
sentimental, não apreciável economicamente); afirma que a subtração dúvidas não há de que estamos diante de um
em havendo a subtração de bem com valor de uso latrocínio consumado. Por outro lado, não consumada a
significativo, mesmo que não tenha valor econômico subtração e tendo a morte sido desejada ou aceita, mas não
relevante (valor de troca), restará configurado o crime de se consumando, igualmente por circunstâncias alheias à
furto. Assim exemplifica o ilustre professor: vontade do agente, haverá, sem qualquer sombra de dúvida,
tentativa de latrocínio.
[…] aquele que, depois de ingressar na residência da vítima,
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3. Extorsão É simples. Nota-se, em uma análise preliminar, que no roubo
o núcleo do tipo é “subtrair”, ao passo que na extorsão a
Apresenta o CP a seguinte tipificação: “Art. 158. ação nuclear é “constranger”. E daí desponta uma relevante
Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e consequência: se o bem for subtraído, o crime será sempre
com o intuito de obter para si ou para outrem indevida de roubo, mas, se a própria vítima o entregar ao agente, o
vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar delito poderá ser de roubo ou de extorsão.
de fazer alguma coisa: Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 10 Estará caracterizado o crime de extorsão quando, para a
(dez) anos, e multa”. obtenção da indevida vantagem econômica pelo agente, for
imprescindível a colaboração da vítima. No roubo, por seu
Tal figura se assemelha ao crime de turno, a atuação do ofendido é dispensável.
constrangimento ilegal (art. 146 do CP), mas acrescida da Na extorsão, a vítima possui opção entre entregar ou não o
finalidade especial de obtenção de vantagem econômica bem, de modo que sua colaboração é fundamental para o
indevida. agente alcançar a indevida vantagem econômica.

3.1. Objeto jurídico Hodiernamente utiliza-se, portanto, duas variáveis


para diferenciar o roubo da extorsão: 1ª) entrega do bem
O patrimônio da vítima, sua integridade física e sua visado pela vítima ao agente; 2ª) indispensabilidade da
liberdade individual, considerando ser a extorsão um crime colaboração da vítima.
pluriofensivo (tutela uma pluralidade de bens jurídicos).
Portanto, se o bem for entregue pela vítima sob
3.2. Objeto material violência ou grave ameaça, a hipótese pode ser de roubo ou
extorsão, porém se for indispensável a colaboração dela
Pessoa contra qual recai o constrangimento. para que ocorra a transferência patrimonial, a hipótese
somente poderá ser de extorsão. Concordamos com essa
3.3. Sujeito ativo posição. Acrescentamos que essa “entrega” do bem pode
ser por vários meios, não se exigindo que a vítima passe
Por ser crime comum, a extorsão pode ser praticada diretamente de suas mãos para as do agente o bem
por qualquer pessoa. almejado. Essa entrega pode se dar, por exemplo,
fornecendo uma senha para que o criminoso saque valores
3.4. Sujeito passivo de uma conta corrente, assinando um documento etc.

Também qualquer pessoa pode figurar como sujeito Em derradeiro, cabe uma observação importante: é
passivo. No tocante aos casos concretos, podem ser possível que o agente se utilize de fraude para constranger a
identificados como vítimas (sujeitos passivos): “a) aquele vítima da qual almeja obter vantagem econômica. Seria o
que sofre a violência ou grave ameaça; b) aquele que faz, caso, hoje infelizmente comum, da ameaça fraudulenta
deixa de fazer ou tolera que se faça algo; c) aquele que visando obter vantagem indevida. Por exemplo: o sujeito,
sofre o prejuízo econômico” (CAPEZ, 2006, v.2, p. 432). É após fazer um levantamento de situação, aproveita-se da
possível, inclusive, que numa mesma infração penal da ausência do filho ainda infante de uma senhora e liga para
espécie haja mais de uma vítima. ela, determinando que a mesma deposite em sua conta
determinada quantia em dinheiro sob pena de matar a
3.5. Tipo objetivo criança. Cria toda uma situação, fazendo outra pessoa gritar
por socorro ao telefone, levando a mãe, temerosa, a
O delito tem seu núcleo no verbo “constranger”, que executar o que lhe foi ordenado. Nessa situação, nota-se
significa obrigar, forçar, coagir. que a ameaça não era real, porém foi idônea para intimidar.
Houve, portanto, extorsão (art. 158 do CP).
Exige o tipo que o constrangimento seja mediante
violência ou grave ameaça que atinja o próprio titular do 3.6. Tipo subjetivo
patrimônio visado ou pessoa ligada a ele, forçando-o com
isso a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma Somente é punida a extorsão em sua forma dolosa.
coisa. Não se admite a violência imprópria (dopar a vítima,
por exemplo) como meio executório do crime de extorsão, Além do dolo genérico, exige-se a presença da
pois o tipo refere apenas violência (entendida como própria) finalidade especial (dolo específico) do agressor agir no
e grave ameaça. intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem
econômica. Se não houver essa finalidade, a conduta
poderá acarretar a prática de outro crime, como, por
exemplo, constrangimento ilegal (art. 146 do CP), estupro
Assim como no roubo, na extorsão é visada (art. 213 do CP) ou atentado violento ao pudor (art. 214 do
vantagem econômica, mas que não se resume em coisa CP).
móvel. Pode o chantagista, por exemplo, almejar que a
vítima transfira um imóvel para seu nome. 3.7. Consumação e tentativa

A vantagem deve ser indevida, segundo deixa bem A Súmula 96 do STJ apregoa que: “O crime de
claro o tipo ora estudado. Se for devida, pode caracterizar o extorsão consuma-se independentemente da obtenção da
crime do artigo 345 do CP. vantagem indevida”.

A obtenção da vantagem almejada deve, ainda, Claro está, portanto, que por essa orientação
depender da colaboração da vítima. jurisprudencial a extorsão é um crime formal, sendo que a
obtenção da vantagem indevida constitui-se mero
A distinção entre roubo e extorsão também é exaurimento. É esse também o entendimento da doutrina
descrita brilhantemente por Cleber Masson (2010, v. 2, p. dominante, havendo uma minoria que defende ser a
415), conforme segue: extorsão um crime material, exigindo para sua consumação
a obtenção de vantagem indevida.
Mas qual é, então, a diferença entre roubo e extorsão?
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É possível a tentativa no delito em estudo. apenas remete para os casos de roubo qualificado; ou seja,
Consoante bem pontua Capez (2006, v. 2, p. 434): “Desse prevê situações de extorsão em que há a morte da vítima ou
modo, haverá tentativa se a vítima, constrangida pelo que esta sofre lesão corporal grave ou gravíssima. As
emprego da violência ou grave ameaça, não realizar o consequências penais, no caso, são as mesmas, tanto para
comportamento ativo ou omissivo por circunstâncias alheias o roubo quanto para a extorsão (vide tópico sobre roubo
à vontade do agente”. Em sentido semelhante são as lições qualificado). O delito do art. 158, § 2º, é considerado
de Nucci (2006, pp. 683): hediondo, consoante art. 1º, III, da Lei nº 8.072/1990. Não se
pode, contudo, aplicar o aumento de pena previsto no art. 9º
3.8. Ação penal da citada Lei, considerando sua revogação tácita operada
pela Lei nº 12.015/2009.
É pública incondicionada. Mesmo havendo morte da
vítima, não resta atraída a competência do Tribunal do Júri, No tocante à disposição do § 3º, esta foi incluída no
considerando a natureza predominantemente patrimonial do CP pela Lei nº 11.923, de 17 de abril de 2009.
ilícito.
Visualiza-se neste dispositivo três situações
3.9. Classificação doutrinária distintas:

O delito de extorsão é “Crime comum, tanto no que 1ª) extorsão mediante restrição da liberdade da
diz respeito ao sujeito ativo quanto ao sujeito passivo; de vítima como condição necessária para obtenção da
dano (embora Fragoso concluísse que ‘o crime se consuma vantagem econômica;
com o resultado do constrangimento, isto é, com a ação ou
omissão que a vítima é constrangida a fazer, omitir ou tolerar 2ª) extorsão mediante restrição da liberdade da
que se faça, e por isso pode-se dizer que, em relação ao vítima como condição necessária para obtenção da
patrimônio, este crime é de perigo’); doloso; formal; vantagem econômica, resultando lesão corporal grave à
comissivo (podendo ser praticado via omissão imprópria, vítima;
caso o agente goze do status de garantidor); de forma livre;
instantâneo; monossubjetivo; plurissubsistente; transeunte 3ª) extorsão mediante restrição da liberdade da
(ou não transeunte, dependendo da possibilidade de vítima como condição necessária para obtenção da
realização de perícia no caso concreto)” (GRECO, 2009, vantagem econômica, resultando a morte da vítima.
v.III, pp. 101-102).
Todas as três hipóteses são voltadas para reprimir o
chamado sequestro relâmpago, sendo que a primeira não
3.10 Espécies antevê resultado qualificador; presente nas duas últimas,
atraindo assim as penas previstas no art. 159, §§ 2º e 3º.
3.10.1 Extorsão majorada
A prática do seqüestro relâmpago consiste em
Estabelece o § 1º do artigo 158, que: “Se o crime é restringir a liberdade da vítima para que a mesma
cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de normalmente forneça cartões magnéticos bancários e
arma, aumenta-se a pena de um terço até metade”. senhas que propiciem aos criminosos auferirem a vantagem
econômica visada.
Diferentemente do que ocorre no crime de roubo e
furto, onde a lei prevê como circunstância desfavorável ao A aplicação do dispositivo qualificador, entretanto,
agente o fato de praticar o crime em concurso de pessoas, não se limita a esta situação específica, mas sim abarca
aqui o dispositivo fala em crime cometido por duas ou mais toda extorsão (onde a vítima é constrangida, mediante
pessoas. Desse modo, entende-se que para haver tal violência ou grave ameaça, a fazer, tolerar que se faça ou
majorante (primeira figura), torna-se indispensável que a deixar de fazer alguma coisa) na qual o criminoso utilize
execução do crime efetivamente se dê por duas ou mais como meio executório necessário a restrição da liberdade do
pessoas. Se apenas um executa, afastada estará a sujeito passivo nas condições já evidenciadas.
possibilidade de incidência. Assim sendo, se um dos
comparsas se limita apenas a vigiar o ambiente enquanto Nesse passo, deve-se adotar o raciocínio de que a
outro constrange a vítima, não se aperfeiçoa a causa de restrição da liberdade deve servir como meio para auferir a
aumento. vantagem indevida (meio de execução da extorsão), pois se
assim não for estaremos diante de um crime autônomo.
Quanto ao emprego de arma, vale tudo o que Ademais, deixa claro o dispositivo que a restrição da
falamos anteriormente no tocante à majorante idêntica liberdade, para ser inserida no âmbito do crime único
prevista no crime de roubo. complexo em estudo, deve ser condição necessária para a
obtenção da vantagem econômica indevida.
3.10.2 Extorsão qualificada
Não se pode, contudo, confundir o sequestro
As qualificadoras da extorsão estão previstas nos relâmpago com a extorsão mediante seqüestro (art. 159 do
§§ 2º e 3º do artigo 158, in verbis: CP), segundo bem esclarece Cleber Masson (2010, v. 2, pp.
423-424):
§ 2º. Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o
disposto no § 3º do artigo anterior. O sequestro-relâmpago, nome popular pelo qual o
crime de extorsão com restrição da liberdade restou
§ 3º. Se o crime é cometido mediante a restrição da consagrado, não pode ser equiparado à extorsão mediante
liberdade da vítima, e essa condição é necessária para a sequestro (CP, art. 159), uma vez que não há privação, mas
obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de restrição da liberdade. Como se sabe, na extorsão mediante
6(seis) a 12(doze) anos, além da multa; se resulta lesão sequestro a vítima é colocada no cárcere, e sua liberdade é
corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no negociada com o pagamento de indevida vantagem como
art. 159, §§2º e 3º, respectivamente. condição ou preço do resgate; no sequestro-relâmpago, por
sua vez, não há encarceramento da vítima nem a finalidade
O parágrafo segundo exterioriza disposição que de recebimento de resgate para sua soltura, mas sim o
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desejo de obter, em face do constrangimento, e não da (2010, v. 2, pp. 424-427), a seu turno, discorda desse
privação da liberdade, uma indevida vantagem econômica. entendimento, argumentando ser perfeitamente aceitável as
penas fixadas, considerando a gravidade do delito.
Quanto à consumação da extorsão qualificada pela
restrição da liberdade da vítima, visualizamos que a mesma Assim como na extorsão mediante sequestro, os
se dá no momento em que a violência ou grave ameaça resultados previstos no art. § 3º do art. 158, podem sobrevir
empregada é utilizada para constrangê-la em sua liberdade tanto a título de dolo quanto a título de culpa do agente;
de locomoção, levando-a também a colaborar com o porém é necessário que atinjam a própria vítima. Assim,
agressor (determinando, portanto, que a mesma faça, tolere acaso durante a empreitada criminosa, p. ex., alguém tente
que se faça ou deixe de fazer alguma coisa), mesmo que socorrer a vítima do sequestro relâmpago e o criminoso
não seja conseguida a vantagem econômica indevida mate esse terceiro, deve ele responder pelos crimes de
visada. Seria o caso do criminoso que, já com a vítima em sequestro relâmpago (sem o resultado agravador) em
seu poder e de posse da senha (revelada pela vítima) e concurso com homicídio (art. 121 do CP).
cartão da mesma, é surpreendido e preso antes de efetuar o
saque intentado. Indubitavelmente, o delito qualificado se O reconhecimento da extorsão qualificada (tanto
consumou em referida hipótese. pelas circunstâncias do § 2º quanto do § 3º), inviabiliza a
aplicação das majorantes previstas no art. 158, § 1º, visto
Duas situações diferentes: para clarificar bem a que as qualificadoras estão posicionadas em parágrafos
matéria, devemos fazer a seguinte distinção: uma coisa é a posteriores à previsão das majorantes.
concretização exclusiva do seqüestro relâmpago (obrigar a
vítima, por exemplo, a fazer saques em caixas eletrônicos, Apesar da gravidade do crime previsto no art. 158, §
privando-a da liberdade) e outra (bem diferente) consiste em 3º, do CP, não deve ser o mesmo considerado hediondo,
o agente subtrair bens da vítima em primeiro lugar (o carro, considerando que a Lei nº 8.072/90 a ele não faz referência.
a carteira, dinheiro etc.) e depois praticar o seqüestro
relâmpago. Na primeira situação temos crime único (agora 3.10.3. Extorsão Mediante Sequestro
enquadrado no art. 158, §3º, do CP, sem sombra de dúvida).
Na segunda temos dois delitos: roubo (art. 157) + art. 158, A figura básica de tal delito está assim descrita:
§3º (extorsão). “Sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para
outrem, qualquer vantagem, como condição ou preço de
Distinções: haverá roubo quando o agente, apesar resgate: Pena – reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.”
de prescindir (não necessitar) da colaboração da vítima para
apoderar-se da coisa visada, restringe sua liberdade de 3.10.3.1 Objeto jurídico
locomoção para garantir o sucesso da empreitada (da
subtração ou da fuga). Ocorre extorsão comum (seqüestro A inviolabilidade patrimonial e a liberdade pessoal.
relâmpago) quando o agente, dependendo da colaboração Ressaltam Mirabete e Fabbrini (2008, v. II, p. 238) que na
da vítima para alcançar a vantagem econômica visada, priva forma qualificada da extorsão mediante seqüestro também
o ofendido da sua liberdade de locomoção pelo tempo são protegidas, de forma indireta, a incolumidade pessoal e
necessário até que o locupletamento se concretize. Por fim, a vida.
teremos extorsão mediante seqüestro quando o agente,
privando a vítima do seu direito de deambulação, condiciona 3.10.3.2 Objeto material
sua liberdade ao pagamento de resgate a ser efetivado por
terceira pessoa (ligada, direta ou indiretamente, à vítima). A pessoa contra qual recai a privação da liberdade.
[…].
3.10.3.3 Sujeito ativo
Já em outro foco, relembramos que a parte final do
§ 3º do art. 158, traz previsão de crimes qualificados pelo Qualquer pessoa pode praticar a infração penal em
resultado, conforme segue: a) extorsão mediante restrição destaque, visto tratar-se de crime comum.
da liberdade da vítima como condição necessária para
obtenção da vantagem econômica, resultando lesão corporal 3.10.3.4 Sujeito passivo
grave à vítima; b) extorsão mediante restrição da liberdade
da vítima como condição necessária para obtenção da Tanto a pessoa que tem sua liberdade violada
vantagem econômica, resultando a morte da vítima. quanto aquele cujo patrimônio é lesionado.

A pena nesse caso será a mesma aplicada à 3.10.3.5 Tipo objetivo


extorsão mediante sequestro qualificada, ou seja: a)
resultando lesão grave ou gravíssima, de 16 a 24 anos; b) Sequestrar significa tirar a liberdade. O artigo em
resultando a morte, de 24 a 30 anos. Esta última é a maior comento exige, ainda, que a conduta delituosa seja levada a
pena privativa de liberdade prevista no ordenamento jurídico efeito com o fim de obter (dolo específico) vantagem como
pátrio. condição ou preço de resgate.

Quanto a este ponto, após comparar as sanções Essa vantagem, segundo a doutrina majoritária,
previstas para o roubo qualificado (art. 157, § 3º, do CP) com deve ser de cunho econômico (patrimonial), embora o tipo
as estipuladas para a extorsão qualificada por resultados não exprima de forma explícita esse detalhe, visto
semelhantes (art. 158, § 3º, parte final, do CP), assim se mencionar “qualquer vantagem”. Referido raciocínio, não
manifesta Fernando Capez (2010, v. 2, p. 494): “A previsão obstante, decorre do fato do art. 159 está inserido no CP no
das sanções, nesse contexto, fere o princípio da âmbito dos crimes patrimoniais, donde se deduz que a
proporcionalidade das penas, na medida em que, muito intenção da lei é repelir o ataque ao patrimônio em um plano
embora sejam crimes autônomos, são praticamente primário.
idênticos, pois muito se assemelham pelo modo de
execução, além de tutelarem idêntico bem jurídico”. Entende-se, ademais, que a vantagem almejada
Referindo-se à mesma situação, Rogério Greco (2010, v. III, deve ser indevida. “Na hipótese de vantagem devida, não
p. 99) aponta como ofendidos frontalmente os princípios da estará caracterizado o delito de extorsão mediante
isonomia, razoabilidade e proporcionalidade. Cleber Masson sequestro, mas os crimes de sequestro (CP, art. 148) e
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exercício arbitrário das próprias razões (CP, art. 345), em Note-se que no exemplo fornecido o agente sequer teve a
concurso formal”. oportunidade de fazer uma ligação telefônica para os
familiares da vítima, exigindo o pagamento do resgate em
A vantagem exigida pelo agressor deve funcionar troca de sua liberdade. No entanto, podemos afirmar que o
como preço ou condição de resgate. Consoante ensina delito foi consumado, e não tentado, pois, mesmo que por
Nucci (2006, p. 686): um espaço curto de tempo, houve a privação da liberdade
ambulatorial da vítima.
Condição: é uma obrigação que se impõe à(s)
vítima(s) para que possa haver a libertação. Ficando, portanto, clara a intenção mercenária do
agente, basta que haja a privação da liberdade da vítima por
Preço: é a recompensa ou o prêmio que curto espaço de tempo para o crime se consumar.
proporcionará a libertação.
A extorsão mediante seqüestro constitui-se crime
Desse modo, o sequestrador impõe condição ou permanente, de modo que sua consumação se protrai no
preço em troca da libertação (resgate) do sequestrado. tempo, indo desde o início da privação da liberdade da
vítima até sua libertação.
Observe-se que o tipo também refere que a vítima
do sequestro deve ser pessoa. Desse modo, se alguém É admissível a tentativa, segundo pontua Mirabete
captura, por exemplo, um querido animal de estimação (2008, v. II, p. 240):
alheio e pede resgate para libertá-lo, não haverá crime de
extorsão mediante sequestro, mas sim extorsão (art. 158 do Embora formal, o crime em estudo admite tentativa,
CP). já que a conduta permite fracionamento. Exemplo seria o da
prisão do agente quando procura arrastar a vítima para o
3.10.3.6 Tipo subjetivo automóvel que a levará para outro local. Enquanto não se
possa dizer que a vítima está, efetivamente, privada da
Está claro no dispositivo em mira que, além do dolo liberdade, existirá tentativa.
genérico de sequestrar pessoa, deve haver o dolo específico
(elemento subjetivo do tipo específico) consistente na 3.10.3.8 Formas qualificadas
finalidade especial do agente obter, para si ou para outrem,
vantagem como condição ou preço de resgate. Encontram previsão nos §§ do art. 159, in verbis:

Quer dizer, não basta o agente dirigir sua conduta § 1º. Se o seqüestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas,
finalisticamente no sentido de sequestrar, tem que preencher se o sequestrado é menor de 18 (dezoito) ou maior de 60
também as demais elementares subjetivas específicas. De (sessenta) anos, ou se o crime é cometido por bando ou
fato, aí reside uma diferença entre o crime em estudo e os quadrilha:
delitos de extorsão mediante restrição da liberdade (art. 158, Pena – reclusão, de 12 (doze) a 20 (vinte) anos.
§ 3º, do CP) e seqüestro ou cárcere privado (art. 148 do CP). § 2º. Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena – reclusão, de 16 (dezesseis) a 24 (vinte e quatro)
No caso do sequestro simulado, no qual a vítima, anos.
combinada com o suposto sequestrador, constroem uma § 3º. Se resulta a morte:
irreal privação de liberdade para exigir resgate de familiares, Pena – reclusão, de 24 (vinte e quatro) a 30 (trinta) anos.
a hipótese não será de extorsão mediante sequestro. Nesse
caso haverá crime de extorsão (art. 158 do CP). Observe-se A primeira qualificadora (§ 1º) diz respeito a três
não haver na hipótese o dolo de sequestrar, mas sim situações diferenciadas:
simplesmente a vontade de extorquir.
a) duração do seqüestro;
3.10.3.7 Consumação e tentativa b) idade da vítima;
c) crime cometido por quadrilha ou bando.
No dizer de Guilherme de Souza Nucci (2006, p.
685): “[…] tratando-se de crime formal, pune-se a mera Quanto à duração do sequestro e a idade da
atividade de sequestrar pessoa, tendo a finalidade de obter vítima, não comporta muitas discussões o que está expresso
resgate. Assim, embora o agente não consiga a vantagem no tipo, considerando sua objetiva clareza. Cabe somente
almejada, o delito está consumado quando a liberdade da enfatizar que no tocante à duração de mais de 24 horas,
vítima é cerceada”. deve a mesma ser contada a partir do momento em que a
vítima se vê privada de sua liberdade (termo a quo) até sua
Filiamo-nos, ademais, ao entendimento de que, libertação (termo ad quem).
mesmo no cerceamento de liberdade por curto período,
ainda assim estará consumado o crime do art. 159, se No tocante à idade do sequestrado, entendemos
atendidas as demais elementares. Confira-se o excelente que deva ser considerada aquela correspondente ao
exemplo fornecido por Rogério Greco (2010, v. III, pp. 114- momento do seqüestro, enquanto ele durar (por exemplo: se
115): a vítima foi sequestrada quando tinha 17 anos de idade, e foi
libertada apenas quando já tinha 18, deve incidir a
Assim, imagine-se a hipótese em que o agente, qualificadora; ou ainda, se a vítima foi sequestrada quando
almejando praticar o delito em estudo, vá até o local de tinha 59 anos, mas somente foi libertada após completar 60,
trabalho da vítima e, logo após sua saída, mediante o também presente estará a qualificadora). É que a conduta
emprego de violência, a coloque no interior de um veículo caracterizadora do tempo do crime (art. 4º do CP), segundo
utilizado durante a empresa criminosa, dirigindo-se, logo em pensamos, persiste desde o início do cerceamento da
seguida, ao cativeiro. Suponha-se que, para a sorte da liberdade até a libertação da vítima.
vítima, alguém perceba a ação criminosa e avise a polícia,
que dá início à perseguição. Poucos minutos depois, o Quanto ao crime cometido por quadrilha ou bando,
automóvel é interceptado, sendo a vítima libertada, e o referida circunstância diz respeito à execução do delito por
agente preso em flagrante. Assim, pergunta-se: O crime de mais de três pessoas, cuja reunião tenha caráter estável e
extorsão mediante sequestro foi consumado ou tentado? permanente, para fins de praticar crimes. Nesse aspecto,
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assim se pronuncia Greco (2009, v. III, p. 124): com as autoridades para a libertação do sequestrado.

Para que se possa aplicar a qualificadora em Do próprio dispositivo é possível se inferir as


estudo, é preciso que exista, efetivamente, a formação de condicionantes da concessão do benefício, quais sejam:
quadrilha ou bando, nos moldes preconizados pelo art. 288
do Código Penal. Portanto, deve haver a associação não a) crime cometido em concurso de agentes – o delito deve
eventual de pessoas, que exige uma certa estabilidade ou ter sido levado a efeito por pelo menos duas pessoas;
permanência, com o fim de praticar crimes, vale dizer, um
número indeterminado de infrações penais. Caso ocorra a b) denúncia feita por um dos criminosos a autoridade – no
reunião eventual de mais de três pessoas com o fim conceito de autoridade inclui-se o delegado, juiz, promotor,
específico de praticar um único crime de extorsão mediante dentre outros. Capez (2006, v.2, p. 446) explica que:
seqüestro, restará afastada a qualificadora. “Autoridade, para os fins do texto, é todo agente público ou
político, com poderes para tomar alguma medida que dê
Acaso a extorsão mediante sequestro seja praticada início à persecução penal. Portanto, o delegado de polícia,
por quadrilha ou bando, devem os agentes responder pelo que pode instaurar o inquérito policial, o promotor de justiça
crime do artigo 159 em concurso material com o crime do e o juiz de direito, que podem requisitar a sua instauração. A
art. 288 do CP. jurisprudência pode vir a incluir outros agentes nesse rol”;

As qualificadoras previstas nos §§ 2º e 3º do art. c) a denúncia deve facilitar a libertação do sequestrado –


159 induzem a possibilidade de crimes qualificados pelo nesse ponto enfatiza Nucci (2006, p. 688) que “observa-se
resultado. ser requisito fundamental ocorrer a libertação da pessoa
sequestrada. Sem esta, não há aplicação do prêmio para a
Nos dois casos o evento qualificador (lesão corporal delação, que, no caso presente, não se liga unicamente à
grave ou morte) pode sobrevir tanto a título de dolo quanto a identificação e prisão dos responsáveis pelo crime. Por outro
título de culpa. Ressalta Capez (2006, v. 2, pp. 444-445) lado, é indispensável que a informação prestada pelo agente
que: “Conforme entendimento da doutrina, se a vítima delator seja útil para a referida libertação (vide o emprego do
desses resultados agravadores não é o próprio sequestrado, verbo ‘facilitando’). Se a libertação for conseguida por outros
mas, sim, terceira pessoa, por exemplo, um segurança da meios, sem o uso da informação prestada pelo denunciante,
vítima ou a pessoa que estava efetuando o pagamento do não se aplica a redução da pena”.
resgate, haverá o crime de extorsão mediante seqüestro na
forma simples em concurso com crime contra a pessoa”. Presente a delação premiada, quanto maior for a
contribuição do delator para a libertação do sequestrado
Observa-se, outrossim, que a morte ou lesão maior deve ser a proporção de redução de sua pena.
corporal grave, no presente caso, pode não decorrer, Referida diminuição é um direito subjetivo do agente, de
necessariamente, de violência própria, como se exige no modo que, uma vez presentes os requisitos, o juiz está
roubo e na extorsão. Segundo conclui Masson (2010, v. 2, p. obrigado a aplicá-la.
441), quanto à extorsão mediante sequestro: “É possível,
portanto, seja o resultado agravador provocado não só pela O art. 13 da Lei nº 9.807/1999 também prevê, mas
violência física (ou própria), mas também pela grave ameaça com maior número de requisitos, a delação premiada para o
(violência moral) ou pela violência imprópria (exemplo: uso sequestrador, favorecendo-lhe, nesse caso, com perdão
de narcóticos, dosagem excessiva de medicamentos etc.)”. judicial. Destarte, a delação premiada do art. 159, § 4º, do
CP, conduz apenas a uma redução de pena, enquanto a
3.10.3.9 Extorsão mediante sequestro majorada prevista no art. 13 da Lei nº 9.807/1999 possibilita o perdão
judicial, livrando o delator de qualquer pena.
Primeiramente, deve ser lembrado que a Lei nº
8.072/1990 (Lei de Crimes Hediondos), em seu art. 1º, IV, O art. 14 da Lei nº 9.807/1999 também prevê
considera como delito hediondo a extorsão mediante redução de pena em caso de delação, estabelecendo
seqüestro, tanto em sua forma simples quanto em suas requisitos diferentes.
formas qualificadas (art. 159, caput e §§1º, 2º e 3º, do CP).
Em seu artigo 9º, por remissão ao art. 224 do CP, 3.10.3.11 Classificação doutrinária
estabelecia ainda que deveria incidir um aumento de metade
sobre a pena de tal delito (dentre outros especificados) se a “Trata-se de crime comum (aquele que não
vítima: a) não é maior de 14 (catorze) anos; b) é alienada ou demanda sujeito ativo qualificado ou especial); formal (delito
débil mental, e o agente conhecia esta circunstância; c) não cujo resultado naturalístico previsto no tipo penal –
pode, por qualquer outra causa, oferecer resistência. Ocorre, recebimento do resgate – pode não ocorrer, contentando-se,
todavia, que o art. 9º em referência foi revogado tacitamente para a sua configuração, com a conduta de sequestrar); de
pela Lei nº 12.015/2009 (que revogou expressamente o art. forma livre (podendo ser cometido por qualquer meio eleito
224 do CP), segundo doutrina majoritária. pelo agente); comissivo (‘sequestrar’ implica em ação) e,
excepcionalmente, comissivo por omissão (omissivo
Desse modo, hoje a extorsão mediante sequestro impróprio, ou seja, é a aplicação do art. 13, §2º, do Código
continua a ser crime hediondo, porém não incide mais a Penal); permanente (o resultado se prolonga no tempo);
causa de aumento prevista no art. 9º da Lei nº 8.072/1990. unissubjetivo (que pode ser praticado por um só agente);
plurissubsistente (em regra, vários atos integram a conduta);
3.10.3.10 Delação premiada admite tentativa. Trata-se de crime hediondo (Lei 8.072/90)”
(NUCCI, 2006, p. 686).
Dispõe o art. 159, § 4º: “Se o crime é cometido em
concurso, o concorrente que o denunciar à autoridade, 3.10.3.12 Ação penal
facilitando a libertação do sequestrado, terá sua pena
reduzida de um a dois terços”. É pública incondicionada. Mesmo havendo morte do
sequestrado, a competência para o julgamento será do juízo
Trata-se do instituto da delação premiada, singular.
funcionando como causa minorante (de diminuição da pena)
na extorsão mediante seqüestro para o agente que contribuir EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO PARA SEREM RESOLVIDOS
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5.(CESPE - 2013 - PC - BA - Investigador de Polícia -
Crimes contra o Patrimônio) No que se refere a crimes
1.(Prova: VUNESP - 2014 - PC-SP - Escrivão de Polícia - contra o patrimônio, julgue os itens subsequentes. O
Crimes Contra o Patrimônio) reconhecimento do furto privilegiado é condicionado ao
valor da coisa furtada, que deve ser pequeno, e à
Qualifica o crime de furto, nos termos do art. 155, § 4.º do primariedade do agente, sendo o privilégio um direito
CP, ser o fato praticado. subjetivo do réu.

a) em local ermo ou de difícil acesso. Certo


Errado
b) contra ascendente ou descendente.
6.(VUNESP - 2013 - Polícia Civil - SP - Agente Policial -
c) durante o repouso noturno. Crimes contra o Patrimônio) Baco, cliente de uma vídeo
locadora, aluga 4 filmes e os leva para casa. Passado o
d) com abuso de confiança. período de locação, Baco decide devolver somente 3
filmes e retém um deles com a intenção de ficar
e) mediante emprego de arma de fogo. definitivamente com o filme de propriedade da locadora.
Essa conduta de Baco configura o crime de
Letra “D”
a) apropriação indébita.
2.(VUNESP - 2013 - Polícia Civil - SP - Investigador de b) furto.
Polícia - Crimes contra o Patrimônio) No que diz respeito c) roubo.
aos crimes contra o patrimônio previstos no Código d) receptação.
Penal, é correto afirmar que e) peculato.

a) subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, 7.(CESPE - 2013 - PC - BA - Delegado de Polícia - Crimes
mediante grave ameaça ou violência a pessoa, e mantendo contra o Patrimônio) João, preso em flagrante pela
a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade, prática do crime de roubo, foi encaminhado à delegacia
caracteriza o crime de extorsão mediante sequestro. de polícia, onde apresentou a carteira nacional de
habilitação para identificar-se, visto que não portava sua
b) o crime de furto é qualificado se praticado com destruição carteira de identidade. Ainda assim, o delegado
ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa. determinou que João fosse submetido à perícia
dactiloscópica.
c) sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para
outrem, qualquer vantagem, como condição ou preço do Com base nessa situação hipotética, julgue os itens que
resgate, caracterizará o crime de roubo mediante sequestro se seguem à luz do disposto na Lei n.º 12.037/2009.
se este durar menos do que 24 (vinte e quatro) horas.
Nos termos da Lei n.º 12.037/2009, a identificação
d) o crime de furto é qualificado se praticado durante o criminal de João se justifica pelo fato de ele estar sendo
repouso noturno. indiciado pela prática de crime de roubo.

e) quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, Certo


deixando de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor ou de Errado
entregá-la à autoridade competente, dentro do prazo de 15 (
quinze ) dias, não comete crime se desconhece a identidade
do proprietário do objeto. 8.Analise as afirmações abaixo e escolha a resposta
correta:
3.(CESPE - 2013 - PC - BA - Investigador de Polícia -
Crimes contra o Patrimônio) No que se refere a crimes I - O roubo distingue-se da extorsão, pois no roubo a
contra o patrimônio, julgue os itens subsequentes. Para subtração da coisa é feita pelo agente, enquanto que na
a configuração do crime de roubo mediante restrição da extorsão o apoderamento do objeto material depende da
liberdade da vítima e do crime de extorsão com restrição conduta da vítima.
da liberdade da vítima, nominado de sequestro
relâmpago, é imprescindível a colaboração da vítima II - A distinção entre roubo próprio e impróprio reside no
para que o agente se apodere do bem ou obtenha a momento em que o sujeito emprega a violência ou grave
vantagem econômica visada. ameaça contra a pessoa; no roubo impróprio, a violência
ou grave ameaça é exercida após a subtração do objeto
Certo material para assegurar a impunidade do crime ou a
Errado detenção da coisa, enquanto que, no roubo próprio, a
violência ou grave ameaça é empregada de forma a
4.(CESPE - 2013 - PC - BA - Investigador de Polícia - permitir a subtração.
Crimes contra o Patrimônio) No que se refere a crimes
contra o patrimônio, julgue os itens subsequentes. III - O furto mediante fraude distingue-se do estelionato
Considere a seguinte situação hipotética. Heloísa, maior, pelo modo que é utilizado o meio fraudulento; no furto
capaz, em conluio com três amigos, também maiores e mediante fraude, o agente ilude a vigilância do ofendido,
capazes, forjou o próprio sequestro, de modo a obter que, por isso, não tem conhecimento de que o objeto
vantagem financeira indevida de seus familiares. Nessa material está saindo da esfera de seu patrimônio e
situação, todos os agentes responderão pelo crime de ingressando na disponibilidade do sujeito ativo. No
extorsão simples. estelionato, ao contrário, a fraude visa permitir que a
vítima incida em erro.
Certo
Errado a) As afirmações I e II estão corretas.
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b) As afirmações II e III estão corretas. § 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda
c) As afirmações I e III estão corretas. ato de ofício, com infração de dever funcional, cedendo a
d) Todas as afirmações estão corretas. pedido ou influência de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
A resposta certa é a letra D. Prevaricação
Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato
No roubo impróprio, a violência é empregada como meio de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei,
de garantir a detenção da coisa e não como meio de para satisfazer interesse ou sentimento pessoal:
obtê-la. No estelionato, o ofendido voluntariamente se
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
despoja de seus bens, tendo consciência de que eles
estão saindo de seu patrimônio e ingressando na esfera Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente
de disponibilidade do autor. público, de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a
aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a
comunicação com outros presos ou com o ambiente externo:
(Incluído pela Lei nº 11.466, de 2007).
TÍTULO XI DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.
CAPÍTULO I DOS CRIMES PRATICADOS POR
FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA A ADMINISTRAÇÃO CAPÍTULO II DOS CRIMES PRATICADOS POR
EM GERAL PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
Peculato
Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, Corrupção ativa
valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de
que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a
proveito próprio ou alheio: funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa. retardar ato de ofício:
§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público,
embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito (Redação dada pela Lei nº 10.763, de 12.11.2003)
próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe
proporciona a qualidade de funcionário. Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço, se, em
Peculato culposo razão da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou
§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime omite ato de ofício, ou o pratica infringindo dever funcional.
de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano. DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano,
se precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; 1.Introdução
se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta.
Peculato mediante erro de outrem O Código Penal dedica o último título da parte
Art. 313 - Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, especial para tratar dos crimes contra a Administração
no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem: Pública.
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Pretende o legislador proteger o normal
Concussão
desenvolvimento da máquina administrativa em todos os
Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou setores de sua atividade, proibindo, pela incriminação penal,
indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi- não só a conduta ilícita dos funcionários públicos, mas
la, mas em razão dela, vantagem indevida: também a dos particulares que venham expor a perigo de
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa. dano a função administrativa.
Excesso de exação
§ 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição social Mas qual o significado da expressão “Administração
que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido, Pública” utilizada pelo Código Penal?
emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei
não autoriza: (Redação dada pela Lei nº 8.137, de A Administração Pública pode ser analisada sob
27.12.1990) duas óticas diferentes, ora no sentido amplo, ora no sentido
Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa. (Redação dada restrito.
pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990)
§ 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de O conceito de Administração em sentido restrito
outrem, o que recebeu indevidamente para recolher aos abrange apenas o poder Executivo no exercício de sua
cofres públicos: função típica de administrar.
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.
Diferentemente, a Administração Pública analisada
Corrupção passiva no sentido amplo é o próprio Estado, sendo composta pelos
Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta três poderes, ou seja, o Legislativo, o Executivo e o
ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de Judiciário.
assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou
aceitar promessa de tal vantagem: Desse modo, o poder Executivo tem como função
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. principal a de administrar, desenvolvendo todos os atos
(Redação dada pela Lei nº 10.763, de 12.11.2003) inerentes a esta função. Entretanto, tal como ocorre nos
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em outros poderes, detém também funções de editar leis, como
conseqüência da vantagem ou promessa, o funcionário no caso das Medidas Provisórias, e julgar processos, como
retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o no caso das decisões proferidas em seus processos
pratica infringindo dever funcional. administrativos.

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O poder Legislativo, por sua vez, tem como funções ampliada do conceito de funcionário público discutido na
principais a edição de Leis e o controle. Todavia, exerce esfera do Direito Administrativo. E foi mais longe. Não exige,
também a função de administrar, em se tratando da para caracterizá-lo, nem sequer o exercício profissional ou
administração de seu pessoal, por exemplo, e a função de permanente da função pública.
julgar, como no caso do crime de responsabilidade.
Verifica-se que o funcionário público, diante do
Por fim, o poder Judiciário tem como função Direito Penal, caracteriza-se pelo exercício da função
principal a de julgar, exercendo a função jurisdicional em pública. Portanto, o que importa não é a qualidade do
todo o âmbito da administração. Entretanto, na admissão, sujeito, de natureza pública ou privada, mas sim a natureza
demissão e promoção de seu pessoal, por exemplo, pode da função por ele exercida.
ser verificada a ocorrência da função administrativa.
Fala-se ainda em funcionário público por
Sendo assim, percebe-se que temos a função equiparação :
administrativa no âmbito dos três poderes e, exatamente por
isso, o legislador optou por utilizar no Código Penal o Dispõe o parágrafo 1º do art. 327 do CP:
conceito de Administração Pública em SENTIDO AMPLO,
abrangendo assim o poder EXECUTIVO, o LEGISLATIVO e Art. 327 [...]
JUDICIÁRIO.
§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo,
Quanto ao conceito de Funcionário Público o emprego ou função em entidade paraestatal, e quem
mesmo está exposto no art.327 do Código Penal, transcrito trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou
abaixo : conveniada para a execução de atividade típica da
Administração Pública.
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os
efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem A lei nº 9.983/2000 estendeu o conceito de
remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. funcionário público, equiparando a este:

Com base no dispositivo supra, para fins de 1. QUEM TRABALHA EM ENTIDADE PARAESTATAL - As
aplicação dos artigos de lei que analisaremos a seguir, entidades paraestatais integram o chamado terceiro setor,
devemos entender por funcionários públicos todos aqueles que pode ser definido como aquele composto por entidades
que desempenham função, submetidos a uma relação privadas da sociedade civil, que prestam atividade de
hierarquizada para com o ente administrativo, interesse social, por iniciativa privada, sem fins lucrativos.
independentemente de ser este ente da administração direta
ou indireta, bem como de ser este labor permanente ou O terceiro setor coexiste com o primeiro setor, que é
temporário, voluntário ou compulsório, gratuito ou oneroso. o próprio Estado, e com o segundo setor, que é o mercado.

Vejamos conceitos importantes : 2. QUEM TRABALHA EM EMPRESA PRESTADORA DE


SERVIÇO CONTRATADA OU CONVENIADA PARA A
CARGO PÚBLICO - Segundo a doutrina, cargo EXECUÇÃO DE ATIVIDADE TÍPICA DA ADMINISTRAÇÃO
público é a mais simples unidade de poderes e deveres PÚBLICA - Difere o contrato do convênio porque naquele é
estatais a serem expressos por um agente. Todavia, há a Administração Pública, mediante concessão, quem
conceito legal de cargo público. O artigo 3º da lei 8112/90 contrata o particular para o exercício de atividade pública. Já
(Estatuto dos Servidores Públicos Civis da União) define no convênio, verifica-se um acordo de duas ou mais
cargo público como sendo o conjunto de atribuições e entidades para a realização de um serviço público de
responsabilidades previstas na estrutura organizacional que competência de uma delas, que deve ser uma entidade
devem ser cometidas a um servidor. Em outros termos, trata- pública.
se de posto criado por lei na estrutura hierárquica da
administração pública, com denominação e padrão de O conceito de atividade típica da Administração
vencimentos próprios, ocupado por servidor com vínculo Pública vincula-se às tarefas essenciais do Estado, tais
estatutário. Podemos citar como exemplos de cargos como saúde, educação, transportes, cultura, segurança,
públicos o delegado de polícia e o oficial da justiça higiene, dentre outras. Observe o julgado:

EMPREGO PÚBLICO - De acordo com a doutrina CAUSA DE AUMENTO DE PENA


dominante, emprego público tem, substancialmente, a
mesma conceituação de cargo público. O que os diferencia é Para o legislador, determinados cargos, tais como
que no emprego a relação jurídica estabelecida entre seu os em comissão ou de direção ou assessoramento, pela
titular e a Administração é regida pela CLT. Trata-se, pois de importância e responsabilidade, devem ser valorados de
ocupação criada por lei na estrutura hierárquica da uma maneira diferenciada em relação aos demais. Sendo
administração pública, com denominação e vencimentos assim, fez constar no Código Penal que:
próprios, porém, quem exerce a atividade é servidor que
possui vínculo contratual disciplinado pela CLT. Exemplo: Art. 327 § 2º - A pena será aumentada da terça parte quando
escrevente judiciário contrato sob o regime da CLT os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem
ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção
FUNÇÃO PÚBLICA - De forma residual, ou assessoramento de órgão da administração direta,
conceituamos função pública como a atribuição sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação
desempenhada por um agente que não se caracteriza como instituída pelo poder público.
cargo ou emprego público. Assim, considerasse funcionário
aquele que, sem ter cargo ou emprego público, desempenha PECULIARIDADES
função pública extraordinária (contratado
extraordinariamente). Exemplos: servidor contratado a) os vereadores, os serventuários da justiça, o prefeito
provisoriamente. municipal, os peritos judiciais, os funcionários do Banco do
Brasil, os zeladores de prédios municipais, os militares, os
Deste modo, o nosso Código Penal adotou a noção estudantes atuando na Defensoria Pública, entre outros,
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podem ser considerados funcionários públicos; (CAIXA) e agências reguladoras.

b) não podem ser considerados funcionários públicos o Observação 1: O conceito de funcionário público por
síndico ou administrador judicial da massa falida, o defensor equiparação não abrange as pessoas que trabalham em
dativo, os administradores e médicos de hospitais privados empresas contratadas com a finalidade de prestar serviços
credenciados pelo governo, os inventariantes, os tutores, os para a Administração Pública, quando não se trata de
curadores, entre outros; atividade típica desta, pois não exercem atividade própria do
Estado. Ex: O cobrador e o motorista de ônibus urbano, o
c) Ação penal:os artigos 513 e seguintes, do Código de cozinheiro (terceirizado) que trabalha no restaurante
Processo Penal, dispõem sobre o procedimento preliminar universitário.
nos processos dos crimes de responsabilidade dos
funcionários públicos, prescrevendo que "nos crimes Observação 2 : O § 2º do Art. 327, CP institui uma causa de
afiançáveis, estando a denúncia ou queixa em devida forma, aumento de ⅓ quando o sujeito ativo do crime for ocupante
o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do de cargo em comissão (cargo de confiança) ou função de
acusado, para responder por escrito, dentro do prazo de direção ou assessoramento de órgão da administração
quinze dias" - art. 514 do CPP. direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou
d) Efeito da condenação: nos crimes em questão, quando a fundação. Por um erro de técnica legislativa, as autarquias
conduta abranger abuso de poder ou violação do dever para ficaram de fora e, como se sabe, não cabe portanto
com a Administração Pública e a pena for superior a quatro analogias in malam partem.
anos, ocorrerá a perda do cargo, função pública ou mandato
eletivo, de acordo com o artigo 92, inciso I, do CP. Tal efeito, Observação 3 : Uma pessoa que não seja funcionário
no entanto, não é automático, devendo ser motivadamente público pode vir a responder por crime funcional, a exemplo
declarado na sentença. Note-se, ainda, que a pena inferior a do peculato (Art. 312, CP), caso ajude um funcionário
um ano pode ser substituída pela proibição do exercício do público a perpetrar esse crime, pois, como se sabe, as
cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato circunstâncias pessoais de caráter elementar (Art. 30, CP)
eletivo. se comunicam àqueles que concorrem para a prática do
crime. Cabe salientar que é imprescindível que o terceiro
e) Princípio da Insignificância nos crimes funcionais: saiba da qualidade de funcionário público do outro.
Há muito vem se discutindo na doutrina a aplicação ou não
do referido princípio nos crimes cometidos contra a Observação 4 :Crimes dessa natureza afetam a probidade
Administração. O Princípio da Insignificância, como administrativa, ferindo, dentre outros, os princípios
sabemos, exclui a tipicidade material, tornando, norteadores da legalidade, impessoalidade, moralidade e
consequentemente, o fato atípico. O Superior Tribunal de eficiência. Vale dizer que, TODO CRIME FUNCIONAL É
Justiça defendeu a não aplicação do princípio ora em análise ATO DE IMPROBIDADE, MAS NEM TODO ATO DE
aos crimes cometidos contra a Administração, em virtude da IMPROBIDADE É CRIME FUNCIONAL. Ex.: usar a viatura
moralidade administrativa (“a moralidade nunca é atingida de oficial para fins particulares é improbidade, mas não é crime
forma insignificante” – HC 50863 e RESP 655946). Já o funcional.
Supremo Tribunal Federal reconheceu sua aplicação aos
crimes cometidos contra a Administração Pública, uma vez Esses crimes, mesmo quando praticados no
que o Princípio da Insignificância é uma norma geral de estrangeiro (por quem estiver a serviço do Brasil), serão
direito (HC 87478). alcançados pela lei brasileira (extraterritorialidade
incondicionada).
CLASSIFICAÇÃO
Observação 5: A progressão de regime prisional nos crimes
Destarte, em se tratando dos crimes contra a contra a Adm. Pública está condicionada à prévia reparação
administração pública na 1ª parte do CP encontramos: do dano causado, ou à devolução do produto do ilícito
praticado, com os acréscimos legais.
• crimes funcionais (arts. 312 a 327).
• crimes praticados por particular contra a adm. em Observação 6 : não se pode confundir função pública com
geral (arts. 328 a 337-A). encargo público (munus publicum), hipótese esta não
• crimes praticados por particular contra a adm. púb. abrangida pela expressão “funcionário público”.
Estrangeira (arts. 337-B a 337-D).
• crimes praticados contra a adm. da justiça (arts. Administrador judicial, inventariante dativo, curador
338 a 359). dativo e tutor dativo exercem encargo público (e não função
• crimes praticados contra as finanças públicas (Arts. pública).
359-A a 359-H).
Médico que atende pelo SUS é funcionário público
Para que melhor fixemos, o conceito de funcionário para fins penais.
público, para fins penais, está no Art. 327, CP. Funcionário
público é, portanto, a pessoa física que exerce cargo (lei O advogado contratado por meio de convênio entre
8.112/90),emprego (temporário, CLT...) ou função pública o Estado e a OAB, p/ atuar na justiça gratuita, exerce, de
(jurados, mesários), embora transitoriamente ou sem acordo c/ o STJ, função pública.
remuneração (note-se que o conceito de funcionário público
para o Direito Penal é bem mais amplo que para o Direito Equipara-se a funcionário. público quem exerce
Administrativo). cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem
trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou
No § 1º do Art. 327 nós temos o conceito de conveniada para a execução de atividade típica da Adm.
funcionário público por equiparação. Pública (327, § 1º).

Neste mesmo § há a expressão “entidade Já que o Estado vem terceirizando seus serviços
paraestatal”, que significa, para o Direito Penal quase tudo, (desestatização), entendeu o legislador ser necessário
ou seja, autarquias (INSS, UNB), fundações, sociedades de ampliar o conceito de funcionário público por equiparação,
economia mista (Banco do Brasil), empresas públicas incluindo aqueles que trabalham nas empresas prestadoras
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de serviços contratadas ou conveniadas. Desse modo, o fato peculato furto e peculato estelionato.
de o Poder Público optar pela transferência para a iniciativa
privada de bens e serviços não significa que ele esteja se Peculato apropriação ou desvio: Dispõe o art. 312,
eximindo de responsabilidades. Tal equiparação não do Código Penal: “Apropriar-se o funcionário público de
abrange, contudo, os funcionários atuantes em empresa dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou
contratada p/ prestar serviço atípico para a Adm. Pública. particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou
desviá-lo, em proveito próprio ou alheio. Pena: reclusão, de
A pena será aumentada da terça parte quando os 2 a 12 anos, e multa”.
autores forem ocupantes de cargos em comissão ou de
função de direção ou assessoramento de órgão da Objetividade jurídica: probidade administrativa –
administração direta, sociedade de economia mista, patrimônio público.
empresa pública ou fundação instituída pelo poder público
(327, § 2º). CUIDADO: o legislador esqueceu da autarquia, Sujeito ativo: funcionário público. Nada impede,
sendo incabível analogia (por ser in malam partem). que havendo concurso de agentes seja responsabilizado por
tal ilícito quem não se reveste dessa qualidade, se conhecer
O STF, por maioria, entendeu que prefeitos, dessa condição, em face do disposto no art. 30, do Código
governadores e presidente da República, quando autores de Penal.
crimes funcionais, são inevitavelmente alcançados pela
causa de aumento. Sujeito passivo: Estado e, eventualmente, o
particular proprietário do bem desviado ou apropriado.
2.CRIMES EM ESPÉCIE
Tipo objetivo: apropriação ou desvio. Quando a
2.1 DOS CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO entrega da coisa ao sujeito ativo for viciada por fraude, erro
PÚBLICO CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL. ou violência, não ocorrerá a posse lícita e, portanto, poderá
configurar peculato mediante erro de outrem, concussão,
Os crimes dos artigos 312 ao 326 do Código Penal, roubo etc. Comete peculato-desvio o funcionário que,
pertencentes ao capítulo “Crimes praticados por Funcionário conscientemente, efetua pagamentos pela Administração por
Público”, são chamados pela doutrina de crimes funcionais. serviço não efetuado ou por mercadoria não recebida. A lei
Tais crimes são relacionados à função pública, e, por isso, não prevê o peculato de uso. Para que o peculato de uso
de acordo com a classificação geral dos crimes, são seja impunível é necessário que se trate de coisa infungível,
classificados como crimes próprios. Os crimes próprios são pois a utilização de dinheiro público, ainda que ocorra a
aqueles que exigem uma condição especial do agente. intenção de restituir, configura o crime de peculato. O
Assim, para responder pelos crimes funcionais, é necessário decreto-lei 201/67 prevê um caso especial de peculato de
que o sujeito ativo seja funcionário público. uso como crime de responsabilidade de Prefeitos na
utilização indevida de bens, rendas ou serviços públicos (art.
Existe uma outra classificação de crimes específica 1º, II).
para os crimes funcionais, que não guarda relação com a
classificação geral dos crimes, que os subdivide em crimes Tipo subjetivo: dolo, ou seja, a vontade de
funcionais próprios e impróprios. transformar a posse em domínio. No peculato-apropriação,
basta a intenção de não restituir a coisa. No peculato-desvio
Nos crimes funcionais próprios, a exclusão da é necessário o elemento subjetivo que consiste na finalidade
condição “funcionário público” faz desaparecer o crime, ou de obter proveito próprio ou para terceiro.
seja, a conduta se torna atípica. Um exemplo de crime
funcional próprio é a prevaricação, prevista no art. 319 do Consumação: com a apropriação (quando o
Código Penal. funcionário público torna seu o dinheiro, valor ou bem); com
o desvio (quando o funcionário dá às coisas destino diverso).
Nos crimes funcionais impróprios, excluída a O ressarcimento do dano ou a restituição da coisa
condição “funcionário público”, ocorre a desclassificação do apropriada, em se tratando de peculato doloso, não exclui o
crime para outro crime. Um exemplo de crime funcional delito, podendo apenas influir na aplicação da pena. A
impróprio é o peculato-apropriação (art. 312, caput, do reparação do dano anterior ao recebimento da denúncia é
Código Penal). Se o agente é acusado de praticar o citado causa de diminuição de pena (art. 16, CP).
peculato e, durante a instrução criminal, ficar evidenciado
que ele não é funcionário público, o crime é desclassificado Tentativa: possível, tendo em vista tratar-se de
para “apropriação indébita”, do art. 168 do Código Penal, ou crime material.
seja, a conduta é típica, mas a definição jurídica é outra.
2.1.1.2. Espécies
2.1.1 Peculato – Art.312 do Código Penal
Peculato-furto (ou impróprio): Segundo o art.
2.1.1.1.1Generalidades 312, § 1º, Código Penal: “Aplica-se a mesma pena, se o
funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro,
Etimologia - Peculato deriva de pecus (gado em valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído,
latim), que era meio nas sociedades primitivas, nome em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que
também dado as primeiras moedas feiras de pele animal, lhe proporciona a qualidade de funcionário”.
trazendo depois as de metal, a imagem de um boi (E. M.
Noronha). Todas as observações acima podem ser
transportadas ao peculato-furto. O delito consuma-se com a
Conceito: Peculato é um dos crimes previstos pelo efetiva subtração (furto). O dolo é a vontade de praticar uma
Código Penal, que são cometidos por funcionário público das ações incriminadas, visando o agente proveito próprio
contra a Administração Pública. Trata-se, portanto, de um ou alheio, com a consciência de que se prevalece da
crime funcional. condição de funcionário.

O peculato por ser doloso ou culposo. O peculato Peculato culposo: De acordo com o art. 312, § 2º,
doloso divide-se em: peculato apropriação ou desvio, Código Penal: “Se o funcionário concorre culposamente para
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o crime de outrem: Pena – detenção, de 3 meses a 1 ano”. Etimologia - Segundo Damásio Evangelista de
Aqui, o funcionário público concorre culposamente, por ato Jesus, o termo “concussão” tem sua origem etimológica
de imprudência, imperícia ou negligência, para a prática de derivada do verbo latino concutere, expressão empregada
crime doloso praticado por outrem (outro funcionário quando se pretende indicar o ato de sacudir a árvore para
público). É necessário que se comprove a falta de cautela que os frutos caiam. Também significa “sacudir fortemente,
ordinária e especial a que estava obrigado o funcionário, na abalar, agitar violentamente”.
guarda e preservação das coisas que lhe são confiadas. O
objeto material do delito do outro funcionário deve ser o Conceito - É a conduta do funcionário público que
mesmo do peculato, ou seja, dinheiro, valor ou coisa móvel. constrange o particular, exigindo direta ou indiretamente,
A consumação ocorre no momento em que o crime doloso para si ou para outrem, indevida vantagem em razão da
de outrem atinge a sua consumação. Caso o delito doloso função.
de outrem seja tentado, o peculato culposo não estará
caracterizado. Haverá extinção da punibilidade se o Objeto jurídico: é a administração pública
funcionário público efetuar a reparação do dano antes da (interesse patrimonial e moral);
sentença irrecorrível; será diminuída de metade a pena,
caso a reparação seja posterior à sentença (§3º, art. 312, Objeto material: vantagem indevida, tributo ou
Código Penal). contribuição social;

O crime se aperfeiçoa com a conduta dolosa de Tipo Objetivo - O núcleo do tipo é exigir. Tal
outrem, havendo necessidade da existência de nexo causal exigência poderá ser direta ou indireta. Indiretamente,
entre os delitos, de maneira que o primeiro (peculato- poderá ser feita, por exemplo, através de um particular.
culposo) tenha permitido a prática do segundo. Seria o caso,
por exemplo, do chefe de determinado setor que, Obs: A vantagem indevida exigida não precisa ser
negligentemente, esquece o armário com peças de econômica, segundo a interpretação da redação legal.
computador aberto e estas são furtadas.
Tipo Subjetivo - Trata-se de um crime doloso. Além
O instituto do Peculato Culposo, nos termos do § 3º do dolo, o crime exige uma finalidade específica de agir, que
do art. 312, apresenta uma espécie anômala de é a indevida vantagem exigida para si ou para outrem.
arrependimento posterior. Normalmente, o arrependimento
posterior, que só pode ser arguido em crimes praticados sem Sujeito ativo: funcionário público, somente.
violência ou grave ameaça, funciona como atenuante e deve
acontecer até o momento do recebimento da denuncia ou Ainda que não esteja no exercício da função, há o
da queixa por parte do magistrado. No caso do Peculato crime, pois basta que o funcionário público se valha dessa
Culposo, este arrependimento funcionará como excludente, prerrogativa para estar perpetrado o tipo penal.
caso ocorra até a sentença transitar em julgado, ou como
atenuante, manifestando-se depois do trânsito em julgado da Funcionário público de férias, suspenso ou de
sentença penal, situação em que reduzirá a pena pela licença pode ser sujeito ativo desse crime. Resumindo:
metade. qualquer funcionário público, no exercício ou não da função,
mas em razão dela, pode ser sujeito ativo do crime de
Peculato mediante erro de outrem (peculato- concussão.
estelionato): Dispõe o art. 313, Código Penal: “Apropriar-se
de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, Obs: o funcionário público aposentado e funcionário público
recebeu por erro de outrem: Pena: reclusão, de 1 a 4 anos, e exonerado não são considerados funcionários
multa”. públicos.

Neste tipo de peculato a vítima entrega um bem ao Obs2: A pessoa que passar num concurso público não será
agente por estar em erro, não provocado por este - ex..: considerada, de imediato, uma funcionária pública. Ela só
alguém entrega objeto ao funcionário B quando deveria tê-lo ganhará esse status a partir da nomeação.
entregue ao funcionário A, e o funcionário B, percebendo o
equívoco, fica com o objeto. Sujeito passivo: é o Estado e, secundariamente, a entidade
de direito público ou privado ou terceiro prejudicado;
Exemplo 01: Tício comparece no terceiro andar de uma
repartição a fim de pagar uma determinada dívida, quando Elementos objetivos do tipo: "exigir" (ordenar, de modo
na verdade o pagamento deveria ser feito no quarto andar. impositivo), para si ou para outrem, direta ou indiretamente,
Mévio, que já havia trabalhado no quarto andar, ainda que fora da função, ou antes de assumi-la, mas em
aproveitando-se do erro de Tício, apropria-se do dinheiro. razão dela, vantagem indevida (qualquer lucro, privilégio ou
Neste caso, temos o Peculato-Estelionato. benefício);

Exemplo 02: José é intimado a levar seu relógio para perícia Elemento subjetivo do tipo específico: vontade de
até a delegacia de polícia. Lá chegando, entrega seu bem a obter a vantagem para si ou para outrem;
João, o porteiro, sendo que o correto seria entregá-lo ao
Delegado de Polícia. João recebe o bem e, tendo Elemento subjetivo do crime: é o dolo;
conhecimento do ato errôneo de José, resolve se apropriar
do bem. Classificação: trata-se de próprio; material na modalidade
prevista no § 1º - "empregar cobrança", e formal nas demais;
2.1.5.Concussão – Art.316 do Código Penal de forma livre; instantâneo; comissivo; unissubjetivo;
unissubsistente ou plurissubsistente.
Prevê o art. 316, do Código Penal, que é crime
"exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda O crime em comento admite tentativa na forma
que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão plurissubsistente e se consuma quando houver a exigência
dela, vantagem indevida: Pena - reclusão, de dois a oito ou o efetivo recebimento de vantagem, dependendo da
anos, e multa". figura típica.

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Consumação e Tentativa - É um crime formal. O Obviamente há o emprego de um meio vexatório (causa
crime está consumado quando a exigência da vantagem humilhação ,tormento, vergonha) e, consequentemente,
indevida chega ao conhecimento da vítima. O recebimento excesso de exação. Outra situação: Tício exige contribuição
da vantagem é mero exaurimento do tipo. social de determinada empresa, sabendo que ela é isenta.
Claramente exigiu pagamento que sabe ser indevido. Logo,
Apesar de ser de difícil configuração, cabe tentativa caracteriza o delito de Excesso de Exação.
apenas na forma escrita. Se o funcionário público cometer
essa ação extorsiva, tendo a específica intenção de deixar Tipo Subjetivo - Há o dolo direto quando o funcionário
de lançar ou recobrar tributo ou contribuição social, ou público cobra um tributo que sabe ser indevido. Há, contudo,
cobrá-los, parcialmente, não é “concussão” e sim “crime dolo eventual quando o funcionário público cobra um tributo
funcional contra a ordem tributária”. indevido pensando ser devido, pois o funcionário público tem
a obrigação de saber quais são os tributos devidos definidos
Assim, o delito de concussão se tipifica quando o em lei. Entende a maioria da doutrina que se trata de dolo
funcionário público exige, impõe, ameaça ou intima a eventual pq o funcionário público, quando cobra um tributo
vantagem espúria (este termo já foi utilizado em provas) e o indevido pensando ser devido, age com irresponsabilidade,
sujeito passivo cede à exigência pelo temor. Em outros ou seja, na dúvida, ele cobra mesmo e não quer nem saber
termos, o crime de concussão é uma espécie de extorsão se o tributo é ou não realmente devido. Nesta hipótese em
praticada pelo funcionário público, com abuso de autoridade, tela não há configurada a modalidade culposa, pois nenhum
contra particular que cede ou virá a ceder. crime culposo é apenado com reclusão, sob pena de violar o
princípio da proporcionalidade.
Figuras qualificadas: são aquelas descritas no art.
316, §§ 1º e 2º - "§ 1º - Se o funcionário exige tributo ou No Art. 316, § 2º, CP prevê-se uma forma
contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou, qualificada consiste, na verdade, em o funcionário público
quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou desviar, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu
gravoso, que a lei não autoriza: Pena - reclusão, de 3 (três) indevidamente para recolher aos cofres públicos.
a 8 (oito) anos, e multa" e "§ 2º - Se o funcionário desvia, em
proveito próprio ou de outrem, o que recebeu indevidamente
para recolher aos cofres públicos: Pena - reclusão, de dois a 2.1.7.Corrupção passiva
doze anos, e multa". Trata-se do excesso de exação, que é a
cobrança pontual dos impostos. Na concussão como vimos anteriormente há uma
exigência, uma imposição, de modo que o particular se torna
2.1.6 Excesso de Exação – Art.316 § 1º do Código Penal vítima em função da iniciativa que sempre parte funcionário
Brasileiro. público. Na corrupção passiva há apenas uma solicitação
por parte do funcionário público (este apenas manifesta
O que vem a ser exação? Exação é a cobrança interesse em receber a vantagem), onde, na verdade, o
coercitiva de tributo. funcionário público e o particular negociam, de modo que
ambos saem lucrando com esse “negócio”.
Podemos dizer que o excesso de exação é uma
espécie do gênero concussão. O dinheiro que se dá ao funcionário público para ele
cumprir uma diligência é crime, ou de concussão (se o
A diferença fundamental é que aqui o indivíduo não particular for vítima), ou de corrupção passiva (se o
visa a proveito próprio ou alheio, mas, no desempenho de particular lucrar na relação).
sua função, excede-se nos meios de execução.
Concussão é “extorsão”, corrupção passiva é
Este crime compreende dois tipos de conduta: negócio.

1ª Cobrança indevida de tributo (ex: cobrar tributo No crime de concussão o particular sempre será
já pago; cobrar tributo a mais, cobrar um tributo que não se sujeito passivo. Já no crime de corrupção passiva, o
encaixa à hipótese de incidência) ; particular poderá ser sujeito ativo do crime de corrupção
ativa.
2ª Cobrança de tributo indevidamente (ex: expor
o contribuinte ao ridículo – caso dos laranjas de São Paulo, O funcionário público é o sujeito ativo do crime de
ou seja, pessoas que se vestiam de laranja para ir cobrar os corrupção passiva. A pessoa é considerada funcionário
tributos aos cidadãos). Meio gravoso é a imposição de uma público a partir do momento em que é nomeada para o
determinada condição ao contribuinte, no momento da cargo, ainda que não haja posse. Logo, a partir da
cobrança do imposto, que lhe traz um ônus no pagamento. nomeação, uma pessoa já é considerada funcionário público
e já pode ser sujeito ativo do crime de corrupção passiva. O
O crime de excesso de exação consiste na conduta sujeito passivo é sempre o Estado. O particular poderá,
do funcionário público que cobra um tributo indevido ou que eventualmente, ser sujeito ativo do crime do Art. 333, CP
cobra indevidamente um tributo devido (através de meio (corrupção ativa) e não do Art. 317, CP (corrupção passiva).
vexatório ou gravoso, que causa vergonha ou
constrangimento à vítima). Sujeito ativo: funcionário público, somente;

Observação : Tributo, segundo o Art. 3º, CTN é uma Sujeito passivo: é o Estado e, secundariamente, a
prestação pecuniária compulsória, que não consiste em entidade de direito público ou privado, ou terceiro
sanção de ato ilícito, definido em lei e cobrado mediante prejudicado;
atividade plenamente vinculada.
Objeto jurídico: administração pública (interesse
Sendo assim, imagine que um Auditor Fiscal, a fim moral e patrimonial);
de obter o pagamento do ISS devido pela construtora
“JUVENAL S.A”, estaciona dez carros de som em frente à Objeto material: vantagem indevida;
empresa e começa a cantar um “jingle” dizendo: “JUVENAL,
SEU CARA DE PAU, PAGUE O TRIBUTO E SEJA LEGAL”. Elementos objetivos do tipo: "solicitar" (requerer) ou
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"receber" (aceitar), para si ou para outrem, direta ou
indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi- Figura privilegiada: conforme dispõe o art. 317, § 2º,
la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar do CP, "se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda
promessa de tal vantagem. Note-se que a doutrina classifica ato de ofício, com infração de dever funcional, cedendo a
a corrupção própria como a solicitação, recebimento ou pedido ou influência de outrem: Pena - detenção, de três
aceitação de promessa de vantagem indevida para prática meses a um ano, ou multa".
de ato ilícito; e corrupção imprópria quando se referir a
prática de ato lícito; A corrupção passiva poderá ser:

O crime do Art. 317, CP consagra um tipo misto ►Própria (Art. 317, § 1º,CP)
alternativo com 3 modalidades de perpetração:
• É o funcionário público que recebe $ para retardar ou
1ª Solicitar (pedir) – Nesta modalidade a iniciativa deixar de praticar ato de ofício ou que recebe para praticar o
de obter a vantagem indevida ato infringindo dever funcional. Ex: O funcionário público vai
parte do funcionário público; cumprir um mandado que já havia recebido para tanto e,
quando acha o réu, este oferece o dobro para o oficial
2ª Receber (adquirir, tomar posse de) – Nesta retornar ao juízo, certificando (negativamente) que não o
modalidade o particular apenas aceita a iniciativa do encontrou.
funcionário público em ter cobrado a vantagem indevida.
Na corrupção passiva própria o funcionário público
3ª Aceitar promessa – Nesta modalidade o comete dois atos ilícitos ao mesmo tempo.
funcionário público aquiesce com a promessa de indevida
vantagem ofertada pelo particular. ►Imprópria (Art. 317, caput, CP)

A vantagem exigida tem que ser indevida e tem que É o funcionário público que recebe $ para cumprir a
ser em benefício próprio do funcionário público ou de outrem diligência, para executar o ato de ofício. Ex: O funcionário
(não em benefício da adm. pública.). público recebe dinheiro para cumprir um mandado.

Vantagem indevida é não apenas aquela contrária à Tipo Subjetivo - É sempre doloso.
lei, mas aquela vantagem que é exigida para o funcionário
público desempenhar algo que é já é da sua competência e Consumação e Tentativa - Na modalidade solicitar
que, portanto, já recebe pra fazer isso. (que é crime formal), o crime está consumado quando o
pedido da vantagem chega ao conhecimento do particular,
A solicitação da vantagem indevida pode ser feita tenha ele ou não aceitado pagar por ela. Na modalidade
direta ou indiretamente. Pode ser pedida para si ou para 3º e receber (que é crime material), o crime está consumado
pode ser feita antes ou depois da prática do ato de ofício quando o funcionário público toma para si a vantagem. Na
(pode-se solicitar a vantagem depois do cumprimento da modalidade aceitar (que é crime formal), o crime está
diligência). consumado quando a vantagem indevida é prometida e o
funcionário público aceita a promessa.
A corrupção passiva deve ter uma conexão
teleológica com o ato de ofício pretérito ou futuro. A Cabe tentativa por escrito nas modalidades solicitar
vantagem indevida é, na verdade, uma remuneração e aceitar promessa. Na modalidade receber não cabe
contraprestacional ao ato de ofício praticado pelo funcionário tentativa por escrito, mas cabe tentativa por qualquer outro
público competente para tal. meio (que não o escrito).

Elemento subjetivo do crime: é o dolo; OBS1: Existe no Art. 3º, II, Lei nº 8.137/90 a união do tipo
concussão com o tipo corrupção passiva.
Classificação: trata-se de crime formal; próprio; de
forma livre; comissivo; instantâneo; unissubjetivo; OBS2 :O fiscal que exigir, solicitar, receber ou aceitar
unissubsistente ou plurissubsistente. promessa de vantagem indevida para deixar de lançar ou
cobrar tributo (imposto, taxa ou contribuição de melhoria) ou
O delito em questão admite a tentativa na forma contribuição social ou cobrá-los parcialmente, pratica o crime
plurissubsistente. Há, porém, doutrinadores que divergem previsto no art. 3°, II, da Lei n. 8.137/90 (“crime contra a
desta posição. Para Fernando Henrique Mendes de Almeida: ordem tributária”).
"entendemos, entretanto, que a tentativa na corrupção
passiva, dependente como é este delito, deve existir, ►Privilegiada (Art. 317, § 2º, CP)
apenas, quando, também a corrupção ativa fica igualmente
frustrada". Conceito - É aquela em que o funcionário público
viola o dever de ofício, não por intenção de lucro, mas com o
Há consumação quando praticada quaisquer das intuito de agradar alguém que lhe fez determinado pedido. É
condutas descritas no tipo, mesmo que não haja efetivo o crime praticado pelo funcionário público que satisfaz o
prejuízo à Administração. Importante mencionar que o desejo de alguém. Ex: João (funcionário público) não
princípio da insignificância é aplicável neste caso, sendo que cumpre o mandado de busca e apreensão a pedido de
pequenos presentes entregues aos funcionários configuram Maria.
conduta penalmente irrelevante. Além disso, é fundamental
que a vantagem oferecida seja idônea e verossímil. É o popular crime do “gente nossa”, “amigo da
casa”.
Causa de aumento: de acordo com o art. 317, § 1º,
do CP, "a pena é aumentada de um terço, se, em OBS1 : dar dinheiro para testemunha ou perito mentir em
conseqüência da vantagem ou promessa, o funcionário processo: a testemunha e o perito não oficial (se oficial, há
retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o “corrupção ativa e passiva”) respondem pelo delito do art.
pratica infringindo dever funcional" - trata-se da corrupção 342, § 2° (“falso testemunho ou perícia”); a pessoa que deu
exaurida (classificação doutrinária). o dinheiro responde pelo crime do art. 343 (“corrupção ativa
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de testemunha ou perito”). O crime de corrupção ativa é crime FORMAL, que
se consuma com o oferecimento ou a promessa,
OBS 2 : o art. 299 da Lei n. 4.737/65 (Código Eleitoral) prevê independentemente da consumação, ou seja, de ter
crimes idênticos à “corrupção passiva e ativa”, mas sido efetuado o pagamento da propina.
praticados com a intenção de conseguir voto, ainda que o
agente não obtenha sucesso. Há, também, as hipóteses de oferecimento das
vantagens completamente desvinculadas da prática do ato
2.1.8.. Corrupção Ativa – Art. 333 do Código Penal funcional, ou seja, o oferecimento de presentes a
funcionários públicos.
Prevê o artigo 333, do Código Penal, ser crime
"oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário A rigor, essas condutas poderiam estar tipificadas
público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar atos formalmente, mas a jurisprudência não tem admitido a
de ofício: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e configuração de condutas criminosas nessas hipóteses, seja
multa". com base na adequação social, seja com fundamento na
antijuridicidade material. Contudo, a partir do julgamento do
Os arts. 317 e 333 estabeleceram uma exceção à caso “Collor” pelo STF, formou-se o entendimento que a
regra monista,daí porque quem oferece a propina possui tipo conduta deve estar vinculada à prática efetiva do ato de
próprio reservado à sua conduta,que é exatamente este do ofício para a corrupção passiva, o que também reflete na
art. 333, enquanto que aquele funcionário que recebe corrupção ativa. Não basta a vinculação com a função, deve
também possui um tipo específico, que é o crime funcional haver a vinculação ao ato de ofício.
contra a Administração Pública.
Isso significa dizer que o sujeito ativo do crime de corrupção No que toca ao crime de corrupção ativa, o
ativa somente será o PARTICULAR ou o funcionário que entendimento do STF é rigorosamente correto, pois o tipo
atue como tal, ou seja, como particular. fala claramente em vinculação ao ato e não à função. Para o
particular, assim, a conduta de dar o presente é ATÍPICA.
Os crimes de corrupção ativa e corrupção passiva Quanto ao funcionário que aceitar o presente, há divergência
não são crimes bilaterais. Eles podem ser eventualmente jurisprudencial e doutrinária como acima afirmado.
bilaterais, mas não necessariamente, o que significa dizer
que há casos de corrupção ativa sem corrupção passiva, Há, ainda, um agravamento da pena, previsto no
como pode haver corrupção passiva sem corrupção ativa. parágrafo, em razão do desvalor de um resultado maior.
Assim, quando em virtude da prática da conduta tipificada, a
Essa última hipótese causa espanto porque o tipo Administração Pública ainda é efetivamente afetada, porque
da corrupção passiva possui 3 núcleos verbais – se retardou ou deixou de praticar o ato de ofício, estará
SOLICITAR, RECEBER e ACEITAR promessa de vontade – caracterizada causa de aumento de pena.
enquanto o crime de corrupção ativa só possui 2 núcleos –
PROMETER e OFERECER vantagem. Em resumo podemos dizer que:

Logo, temos que o crime do art. 333 parte do Sujeito ativo: o crime pode ser praticado por
pressuposto que naquela negociação ilícita da venda do ato qualquer pessoa;
funcional a postura do agente do sujeito ativo é sempre no
sentido de que é ele quem toma a iniciativa na negociação, Sujeito passivo: é o Estado;
pois é ele quem PROMETE e é ele quem OFERECE. E aí
temos no art. 317 núcleos verbais compatíveis com essas Objeto jurídico: é a probidade da Administração
situações (receber e aceitar). Mas o art. 317 ainda tem o Pública;
núcleo verbal SOLICITAR, que indica que na negociação
espúria quem toma a iniciativa é o funcionário. Objeto material: é a vantagem indevida;

Assim, quando o funcionário toma a iniciativa na Elementos objetivos do tipo: "oferecer" (colocar à disposição,
negociação espúria e solicita o pagamento de vantagem ao apresentar, exibir, expor); e "prometer" (obrigar-se,
particular e este, aquiescendo nessa situação, entrega, dá a comprometer-se, anunciar), sendo necessário que a oferta
vantagem ao funcionário, pagando a propina, não há ou promessa tenha por finalidade que o funcionário
previsão penal para a punição dessa conduta de entregar, "pratique" (execute), "omita" (deixe de praticar) ou "retarde"
de dar. (atrase) ato de ofício;

E é justamente por isso que o crime de corrupção Elemento subjetivo específico do tipo: é a vontade
ativa não é bilateral no que toca à corrupção passiva. Nesse fazer o funcionário praticar, omitir ou retardar ato de ofício;
caso, estará consumado o crime de corrupção passiva, do
funcionário público que solicitou a vantagem, mas não Elemento subjetivo do crime: é o dolo, ou seja, a
haverá tipificação da conduta do particular que deu a vontade de oferecer ou prometer vantagem, ciente de que
vantagem. ela é indevida e de que se destina a funcionário público;

Trata-se, assim, de uma lacuna legal, que não pode Classificação: trata-se de crime comum; formal; de
ser suprimida por analogia,por caracterizar prejuízo à forma livre; comissivo; instantâneo; unissubjetivo;
acusação – analogia “mallan partem” – e contrariar o unissubsistente ou plurissubsistente.
princípio da reserva legal.Contudo, no Código Penal Militar
se tipifica a conduta de DAR, bem como no crime de Consumação e Tentativa - O delito consuma-se com
corrupção ativa de testemunha – art. 343 – o legislador a oferta ou promessa de vantagem indevida ao funcionário,
expressamente tipificou a conduta de DAR. Ou seja, se a independente da aceitação ou não deste, não sendo
testemunha solicitar para alguém o pagamento de vantagem necessário, também, que o funcionário pratique, retarde ou
para prestar depoimento falso e o pagamento é efetuado por omita ato de ofício de sua competência. Admite-se a
essa pessoa, a conduta de pagar será típica, pois tentativa tratando-se de crime plurissubsistente, quando a
caracterizada a corrupção ativa da testemunha. vantagem ou promessa é feita na forma escrita e não chega
ao conhecimento do ofendido por circunstâncias alheias à
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vontade do agente. forma livre; comissivo (retardar ou praticar) e omissivo
(retardar, na forma de abstenção, ou deixar de praticar);
De acordo com a “teoria monista ou unitária”, todos instantâneo; unissubjetivo;
os que contribuírem para um crime responderão por esse
mesmo crime; às vezes, entretanto, a lei cria exceção a essa Consumação e Tentativa - O crime está
teoria, como ocorre com a “corrupção passiva e ativa”; consumado com a efetiva violação ao dever de ofício. Só
assim, o funcionário público que solicita, recebe ou aceita cabe tentativa na modalidade comissiva (praticar), ou seja, o
promessa de vantagem indevida comete a “corrupção crime em comento admite a forma tentada apenas na forma
passiva”, enquanto o particular que oferece ou promete essa plurissubsistente, e se consuma quando houver a prática de
vantagem pratica “corrupção ativa”. qualquer das condutas descritas no tipo, mesmo que não
haja efetivo prejuízo à Administração.
Na modalidade “solicitar” da “corrupção passiva”,
não existe figura correlata na “corrupção ativa”; com efeito, Distinções - na “corrupção passiva”, o funcionário
na solicitação a iniciativa é do funcionário público, público negocia seus atos, visando uma vantagem indevida;
que se adianta e pede alguma vantagem ao particular; em na “prevaricação” isso não ocorre; aqui, o funcionário público
razão disso, se o particular dá, entrega o dinheiro, só existe viola sua função para atender a objetivos pessoais.- ex.:
a “corrupção passiva”, o fato é atípico quanto ao particular. permitir que amigos pesquem em local público proibido,
demorar para expedir documento solicitado por um inimigo
Existem duas hipóteses de “corrupção passiva” sem (o sentimento, aqui, é do agente, mas o benefício pode ser
“corrupção ativa”: quando o funcionário solicita e o particular de terceiro).
dá ou se recusa a entregar o que foi pedido.
O atraso no serviço por desleixo ou preguiça não
Existe “corrupção ativa” sem “corrupção passiva”: constitui crime; se fica caracterizado, todavia, que o agente,
quando o funcionário público não recebe e não aceita a por preguiça, rotineiramente deixa de praticar ato de ofício,
promessa de vantagem ilícita. responde pelo crime - ex.: delegado que nunca instaura IP
para apurar crime de furto, por considerá-lo pouco grave.
Se o agente se limita a pedir para o funcionário “dar
um jeitinho”, não há “corrupção ativa”, pelo fato de não ter A “prevaricação” não se confunde com a “corrupção
oferecido nem prometido qualquer vantagem indevida; se o passiva privilegiada”; nesta, O agente atende a pedido ou
funcionário público “dá o jeitinho” e não pratica o ato influência de outrem; naquela não há tal pedido de
quedeveria, responde pelo crime do art. 317, § 2° influência, o agente visa satisfazer interesse ou sentimento
(“corrupção passiva privilegiada”) e o particular figura como pessoal.
partícipe; se ele não dá o jeitinho, o fato é atípico.
Prevaricação Imprópria
2.1.8. Prevaricação – Art. 319 do Código Penal
Consiste na conduta de deixar o Diretor de
Conceito - É a violação do dever de ofício para Penitenciária e/ou agente público de cumprir seu dever de
atender a interesses pessoais. Parece com a corrupção vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou
passiva privilegiada, mas não é, pois nessa o funcionário similar, que permita a comunicação com outros presos ou
público viola o dever atendendo a interesses de 3º, sendo com o ambiente externo.
que no crime de prevaricação ele viola o dever atendendo a
interesses pessoais (por si mesmo).Quem prevarica atende Encontra previsão no CP. Observe: Art. 319-A.
a interesses pessoais. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público, de
cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho
Bem Jurídico - Princípio da isonomia e princípio da telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação
moralidade. com outros presos ou com o ambiente externo: (Incluído
pela Lei nº 11.466, de 2007).
Sujeitos - O sujeito ativo é o funcionário público
competente para realizar o ato de ofício. O sujeito passivo é Na prevaricação própria, existe o elemento especial
o Estado. do tipo (Dolo Específico) “para satisfazer interesse ou
sentimento pessoal. Na imprópria, não precisa existir essa
Tipo Objetivo - Envolve 2 formas: omissiva e finalidade especial do agente. Em síntese, na própria o dolo
comissiva. Na forma omissiva o funcionário público retarda é específico ao passo que na imprópria é genérico.
ou deixa de praticar, indevidamente, ato de ofício.
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO PARA SEREM
Retardar é procrastinar, é o ato praticado com certo FEITOS EM SALA DE AULA
atraso, mas que é praticado.
1 - ( Prova: CONSULPLAN - 2013 - PM-TO - Soldado da
Deixar de praticar é abandonar a prática, é não Polícia Militar / Direito Penal / Dos Crimes Contra a
praticar o ato de jeito algum. Administração Pública - Praticados por Funcionário
Público Contra a Administração em Geral.; )Considere a
Na forma comissiva o funcionário público pratica, seguinte situação hipotética: “Tício”, funcionário
indevidamente, o ato de ofício contra disposição expressa de público municipal concursado, exige, para si,
lei. diretamente em razão da função, vantagem indevida.Em
tal hipótese, o referido funcionário estará cometendo o
Tipo Subjetivo - É sempre doloso. Envolve, ainda, crime de
um fim especial de agir que é satisfazer um interesse ou
sentimento pessoal; não importa se o sentimento é nobre a) peculato.
(ex: Milena, funcionária pública, deixa de cobrar ISS de uma
velhinha dona de um carrinho de cachorro-quente) ou torpe, b) concussão.
há crime do mesmo jeito.
c) prevaricação.
Classificação: trata-se de crime próprio; formal; de
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d) corrupção ativa. b) I, III e IV.

Letra “B c) I, II e IV.

2 - (Prova: VUNESP - 2013 - TJ-SP - Escrevente Técnico d) I e II.


Judiciário / Direito Penal / Dos Crimes Contra a
Administração Pública - Praticados por Funcionário e) I, II e III.
Público Contra a Administração em Geral.; )Em relação
ao crime de peculato, é correto afirmar:

a) a modalidade culposa é admitida por expressa previsão Letra “E”


legal.
5 - ( Prova: FCC - 2013 - DPE-SP - Oficial de Defensoria
b) a reparação do dano, no peculato culposo, se feita Pública / Direito Penal / Dos Crimes Contra a
após a sentença irrecorrível, extingue a punibilidade. Administração Pública - Praticados por Funcionário
Público Contra a Administração em Geral.; )Matias,
c) a reparação do dano, no peculato culposo, se feita diretor da Penitenciária XYZ, permite livremente o
antes da sentença irrecorrível, reduz a pena. acesso de aparelho telefônico celular dentro da
Penitenciária que dirige, o que está permitindo a
d) em recente alteração, as penas foram elevadas para comunicação dos presos com o ambiente externo. Neste
reclusão de quatro a doze anos e multa. caso, Matias

e) trata-se de um delito que pode ser praticado por a) está praticando o crime de peculato doloso simples.
qualquer pessoa.
b) está praticando o crime de concussão.
Letra “A”
c) está praticando o crime de peculato doloso qualificado.
3 - ( Prova: FCC - 2013 - DPE-SP - Oficial de Defensoria
Pública / Direito Penal / Dos Crimes Contra a d) está praticando o crime de prevaricação imprópria.
Administração Pública - Praticados por Funcionário
Público Contra a Administração em Geral.; e) não está praticando crime tipificado pelo Código Penal
)Guilhermino, funcionário público estadual estável, brasileiro.
exige de Gabriel tributo que sabe ser indevido
aproveitando-se da situação de desconhecimento do Letra “D”
cidadão. Neste caso, segundo o Código Penal brasileiro,
Guilhermino praticou crime de 6 - ( Prova: VUNESP - 2012 - TJ-SP - Escrevente Técnico
Judiciário - Prova versão 1 / Direito Penal / Dos Crimes
a) peculato culposo. Contra a Administração Pública - Praticados por
Funcionário Público Contra a Administração em Geral.;
b) peculato doloso. )A conduta do funcionário público que, antes de assumir
a função, mas em razão dela, exige para outrem,
c) excesso de exação. indireta-mente, vantagem indevida

d) condescendência criminosa. a) configura crime de corrupção passiva

e) corrupção ativa. b) não configura crime algum, pois o fato ocorre antes de
assumir a função.
Letra “C”
c) configura crime de corrupção ativa.
4.( Prova: FCC - 2013 - DPE-SP - Oficial de Defensoria
Pública / Direito Penal / Dos Crimes Contra a d) configura crime de concussão.
Administração Pública - Praticados por Funcionário
Público Contra a Administração em Geral.; ) Considere e) não configura crime algum, pois a exigência é indireta e
as seguintes situações hipotéticas: para outrem.

I. Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, Letra “D”


quem, embora transitoriamente, exerce cargo público.
7 - ( Prova: CESPE - 2012 - TJ-RR - Agente de Proteção /
II. Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, Direito Penal / Dos Crimes Contra a Administração
quem, sem remuneração, exerce função pública. Pública.; Dos Crimes Contra a Administração Pública -
Praticados por Funcionário Público Contra a
III. Equipara-se a funcionário público quem exerce emprego Administração em Geral.; )Pode haver o crime de
em entidade paraestatal. corrupção passiva sem que haja o de corrupção ativa.

IV. O autor do crime de peculato terá sua pena aumentada ( ) Certo ( ) Errado
da metade quando for ocupante de cargo em comissão de
empresa pública. Certo

De acordo com o Código Penal brasileiro está correto o que


se afirma APENAS em 8 - ( Prova: CESPE - 2012 - TJ-RR - Agente de Proteção /
Direito Penal / Dos Crimes Contra a Administração
a) III e IV. Pública.; Dos Crimes Contra a Administração Pública -
Praticados por Funcionário Público Contra a
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Administração em Geral.; Dos Crimes Contra a c) I e III.
Administração Pública - Praticados por Particular Contra
a Administração em Geral.; )Maurício cometeu o crime
de corrupção ativa, e Heleno, o de corrupção passiva. d) II e III.

( ) Certo ( ) Errado e) III.

Certo Letra “E”

9 - ( Prova: CESPE - 2012 - TJ-RR - Técnico Judiciário / EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES COM GABARITO
Direito Penal / Dos Crimes Contra a Administração TEMA : APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO TEMPO E NO
Pública - Praticados por Funcionário Público Contra a ESPAÇO
Administração em Geral.; )Francisco, advogado, tendo
encontrado Carlos no tribunal de justiça onde este 1. (CESPE / Promotor – MPE-SE / 2010) De acordo
trabalhava, percebeu que Carlos estava utilizando a com a lei penal brasileira, o território nacional estende-
impressora do cartório judicial para imprimir os se a embarcações e aeronaves brasileiras de natureza
rascunhos de sua monografia de final de curso. pública ou a serviço do governo brasileiro, onde quer
Indignado, Francisco ofendeu Carlos e afirmou que ele que se encontrem.
era um servidor público desonesto, que não merecia
integrar os quadros do tribunal. Indignado com essa CERTO.
acusação, Carlos chamou a polícia judiciária, que
Art. 5º – Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de
prendeu o causídico. Ao encaminhar Francisco à
convenções, tratados e regras de direito internacional,
delegacia, Antônio, um policial militar, exigiu que
ao crime cometido no território nacional.
Francisco lhe pagasse R$ 500,00 para ser solto.
Contudo, Francisco não atendeu à exigência e § 1º – Para os efeitos penais, consideram-se como
permaneceu preso. Por sua vez, César, diretor de extensão do território nacional as embarcações e
secretaria e chefe de Carlos, ao tomar conhecimento de aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço
que seu subordinado havia usado a impressora do do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem
cartório para fins particulares, por pena, deixou de como as aeronaves e as embarcações brasileiras,
comunicar a ocorrência à corregedoria do tribunal. mercantes ou de propriedade privada, que se achem,
respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou
Com base na situação hipotética acima, julgue os itens em alto-mar.
subsequentes, a respeito dos crimes contra a
administração pública. 2. (CESPE / Promotor – MPE-SE / 2010) De acordo com a
lei penal brasileira, o território nacional estende-se a
Ao utilizar a impressora da repartição pública em que embarcações e aeronaves brasileiras de natureza
trabalhava para fins particulares, Carlos cometeu o pública, desde que se encontrem no espaço aéreo
crime de peculato. brasileiro ou em alto-mar. ERRADO.

( ) Certo ( ) Errado CERTO.


Art. 5º – Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de
Certo convenções, tratados e regras de direito internacional,
ao crime cometido no território nacional.
10 - (Prova: FCC - 2012 - MPE-PE - Técnico Ministerial -
§ 1º – Para os efeitos penais, consideram-se como
Área Administrativa / Direito Penal / Dos Crimes Contra a
extensão do território nacional as embarcações e
Administração Pública - Praticados por Funcionário
aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço
Público Contra a Administração em Geral.; Dos Crimes
do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem
Contra a Administração Pública - Praticados por
como as aeronaves e as embarcações brasileiras,
Particular Contra a Administração em Geral.; )A respeito
mercantes ou de propriedade privada, que se achem,
dos crimes praticados por particular contra a
respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou
Administração em geral, considere:
em alto-mar.
I. A conduta do funcionário público que solicita vantagem Portanto, em qualquer lugar que se encontrem.
indevida, direta ou indiretamente, para si ou para outrem,
ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em 3 (CESPE / Promotor – MPE-SE / 2010) De acordo com a
razão dela, configura o crime de corrupção ativa. lei penal brasileira, o território nacional estende-se a
aeronaves e embarcações brasileiras, mercantes ou de
II. O crime de advocacia administrativa, consistente em propriedade privada, onde quer que se encontrem.
patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante
a Administração Pública, valendo- se da qualidade de ERRADO.
funcionário, só pode ser praticado por advogado. Art. 5º – Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de
convenções, tratados e regras de direito internacional,
III. O funcionário público que, valendo-se da facilidade que ao crime cometido no território nacional.
lhe propicia a condição de carcereiro, subtrai quantia em § 1º – Para os efeitos penais, consideram-se como
dinheiro da carteira de pessoa presa no presídio onde extensão do território nacional as embarcações e
exerce as suas funções, responde pelo crime de peculato. aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço
do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem
Está correto o que consta SOMENTE em como as aeronaves e as embarcações brasileiras,
mercantes ou de propriedade privada, que se achem,
a) II. respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou
em alto-mar.
b) I e II.

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4.CESPE / Analista de Trânsito – DETRAN-DF / 2009) O seus destinatários e quanto a sua aplicação.
Estado é a única fonte de produção do direito penal, já
que compete privativamente à União legislar sobre 7. (CESPE / Advogado – AGU /2009) O princípio da
normas gerais em matéria penal. legalidade, que é desdobrado nos princípios da reserva
legal e da anterioridade, não se aplica às medidas de
CERTO. segurança, que não possuem natureza de pena, pois a
Quando em DIREITO PENAL se fala em LEI (Legalidade), parte geral do Código Penal apenas se refere aos crimes
devemos lembrar que temos várias ESPÉCIES e contravenções penais.
NORMATIVAS PRIMÁRIAS previstas na CONSTITUIÇÃO
FEDERAL, dentre estas ESPÉCIES NORMATIVAS ERRADO.
PRIMÁRIAS apenas algumas poderiam dispor e regular Trata-se de uma interpretação extensiva, pois temos
o Direito Penal, são elas: como gênero interação penal, crime e contravenção
I – emendas à Constituição penal como espécies e sanção penal como gênero e
II – leis complementares penas e medidas de segurança como espécies.
III – leis ordinárias
E a competência para legislar em Direito Penal é da 8. (CESPE / OAB-SP / 2009) Ninguém pode ser punido
União, CFF/88: Art. 22, I. por fato que lei posterior deixa de considerar crime,
cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais
5. (CESPE / Analista de Trânsito – DETRAN-DF / 2009) A e civis da sentença condenatória.
lei penal admite interpretação analógica, recurso que
permite a ampliaçao ̃ do conteúdo da lei penal, através da ERRADO.
indicação de fórmula genérica pelo legislador. Art. 107 – Extingue-se a punibilidade:
III – pela retroatividade de lei que não mais considera o
CERTO. fato como criminoso.
Trata-se de uma interpretação extensiva, isso não viola a Abolitio criminis. Extinção da figura criminosa.
legalidade, pois remos Lei, apenas a interpretamos de Efeitos penais desaparecem mas permanecem efeitos
forma extensiva, civis.

6. (CESPE / Analista de Trânsito – DETRAN-DF / 2009) O 09. (CESPE / OAB-SP / 2009) Considera-se praticado o
princípio da legalidade veda o uso da analogia in malam crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no
partem, e a criação de crimes e penas pelos costumes. todo ou em parte, bem como onde se produziu o
CERTO. resultado, sendo irrelevante o local onde deveria
produzir- se o resultado. ERRADO.
O Princípio da Legalidade deve ser interpretado sob 4 Adota-se a teoria mista ou teoria da ubiquidade.
(quatro) desdobramentos ou consequências: Art. 6º – Considera-se praticado o crime no lugar em que
1- a Lei Penal tem que ser ANTERIOR a prática do fato: ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem
PRINCÍPÍO DA ANTERIORIDADE DA LEI PENAL. Ou seja, como onde se produziu ou deveria produzir-se o
a LEI tem que ser ANTERIOR á PRÁTICA DO CRIME. resultado.
2- a Lei Penal tem que ser ESCRITA. Significa que NÃO
EXISTE COSTUME INCRIMINADOR, ou seja, APENAS LEI 10. (CESPE / Curso de Formaçao ̃ de Soldado – PM-DF /
pode INSTITUIR (CRIAR) INFRAÇÕES PENAIS, os 2009) Considere que determinado empresário tenha sido
COSTUMES tem duplo objetivo no DIREITO PENAL: sequestrado em 1.o/1/2008 e libertado em 1.o/12/2008,
a) ORIENTAR o CONGRESSO NACIONAL para que o mediante o pagamento do valor do resgate pela família,
mesmo legisle em Direito Penal, p.ex., criação ou e que, em agosto de 2008, o Congresso Nacional tenha
revogação de alguns crimes; editado lei ordinária, que dobrou a pena privativa de
b) AUXILIA na INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL liberdade do mencionado delito. Nessa situação, a pena
3- a Lei Penal tem que ser ESTRITA. Significa que do delito de sequestro fixada pela nova lei não poderá
apenas se admite ANALOGIA EM DIREITO PENAL A ser aplicada aos sequestradores do referido empresário,
FAVOR DO RÉU (ANALOGIA IN BONAM PARTEM) e ̃ pode retroagir.
uma vez que a lei penal mais grave nao
NUNCA que PREJUDIQUE O RÉU (ANALOGIA IN MALAM
PARTEM). ANALOGIA é a UTILIZAÇÃO de uma LEI para ERRADO.
regular um determinado tema na AUSÊNCIA DE LEI SÚMULA Nº 711.
(LACUNA)- chamado de PROCESSO DE INTEGRAÇÃO A LEI PENAL MAIS GRAVE APLICA-SE AO CRIME
DA LEI PENAL. P.ex.: funcionário público que solicita CONTINUADO OU AO CRIME PERMANENTE, SE A SUA
vantagem a um particular para deixar de fazer VIGÊNCIA É ANTERIOR À CESSAÇÃO DA
determinado ato de ofício, o funcionário público pratica CONTINUIDADE OU DA PERMANÊNCIA.
CORRUPÇÃO PASSIVA, pois o mesmo SOLICITOU 18. (CESPE / Curso de Formaçao ̃ de Soldado – PM-DF /
VANTAGEM, mas o particular NÃO PRATICA CRIME, pois 2009) Em relaçao ̃ ao tempo do crime, o Código Penal
CORRUPÇÃO ATIVA dispõe a conduta de “Oferecer ou brasileiro adotou, em regra, a teoria do resultado.
prometer vantagem indevida”, no caso os verbos não ERRADO.
foram realizados, pois embora a CONDUTA SEJA
Aplica-se a teoria da atividade.
PARECIDA (ANÁLOGA), prejudicaria o réu. Se
admitirmos o ABORTO no caso de ESTUPRO, art. 128, II, Tempo do crime
CP a Lei Penal NADA DISPÕE (LACUNA) sobre Art. 4º – Considera-se praticado o crime no momento da
ESTUPRO DE VULNERÁVEL, mas por ANALOGIA IN ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do
BONAM PARTEM admite-se também a realização do resultado.
Aborto.
4- a Lei Penal deve ser CLARA e OBJETIVA. PRINCÍPIO 11. (CESPE / Curso de Formaçaõ de Soldado – PM-DF /
DA TAXATIVIDADE ou PRINCÍPIO DA DETERMINAÇÃO. 2009) Considere que Caio, com intençao
̃ homicida, tenha
Significa que a Lei Penal não pode gerar dúvidas aos efetuado cinco disparos de arma de fogo em Bruno, na
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cidade de Formosa – GO. Gravemente ferido, Bruno foi aplica-se aos fatos praticados durante o perídio de sua
trazido para o Hospital de Base de Brasiĺ ia, onde faleceu vigência.
após trinta dias, em decorrência dos ferimentos
provocados pelos disparos. Nessa situação, caberá ao 18. (CESPE / Oficial de Promotoria – MPE-RR / 2008)
tribunal do júri de Formosa processar e julgar Caio. Aplica-se a lei penal brasileira aos crimes praticados a
bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de
CORRETO. propriedade privada que estejam em território nacional.
Pois trata de crime contra a vida e conforme
jurisprudência a assertiva esta correta, pois facilita a ERRADO.
investigação e produção de provas. Art. 5º – Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de
convenções, tratados e regras de direito internacional,
12. (CESPE / Advogado da União – AGU / 2009) ao crime cometido no território nacional.
Ocorrendo a hipótese de novatio legis in mellius em § 2º – É também aplicável a lei brasileira aos crimes
relação a determinado crime praticado por uma pessoa praticados a bordo de aeronaves ou embarcações
definitivamente condenada pelo fato, caberá ao juízo da estrangeiras de propriedade privada, achando-se
execução, e naõ ao juiź o da condenação, a aplicação da aquelas em pouso no território nacional ou em voo no
lei mais benigna. espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar
territorial do Brasil.
CORRETO.
SÚMULA Nº 611. 19. (CESPE / Analista Judiciário – TJ-DF / 2008)
TRANSITADA EM JULGADO A SENTENÇA Considere a seguinte situação hipotética. Entrou em
CONDENATÓRIA, COMPETE AO JUÍZO DAS vigor, no dia 1.o/1/2008, lei temporária que vigoraria até
EXECUÇÕES A APLICAÇÃO DE LEI MAIS BENIGNA. o dia 1.o/2/2008, na qual se preceituou que o aborto, em
qualquer de suas modalidades, nesse período, não seria
13. (CESPE / Advogado da União – AGU / 2009) A lei crime. Nessa situaçao ̃ , se Kátia praticou aborto
processual penal não se submete ao princípio da voluntário no dia 20/1/2008, mas somente veio a ser
retroatividade in mellius, devendo ter incidência denunciada no dia 3/2/2008, não se aplica a lei
imediata sobre todos os processos em andamento, temporária, mas sim a lei em vigor ao tempo da
independentemente de o crime haver sido cometido denúncia.
antes ou depois de sua vigência ou de a inovaçao
̃ ser
mais benéfica ou prejudicial. ERRADO.
Conforme o art. 3º do Código Penal, aplica-se a lei
CORRETO. temporária aos fatos praticados durante sua vigência.
Art. 5º Assim, no caso presentado, como o aborto foi praticado
quando a norma temporária estava em vigor, esta deverá
XL – a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o
ser aplicada, independentemente da data do
réu;
oferecimento da denúncia.
A retroatividade trata de lei penal e não de lei processual
penal.
20. (CESPE / Analista Judiciário – TJ-DF / 2008) Aplica-se
a lei penal brasileira ao crime praticado a bordo de
15. (CESPE / Execução de Mandatos – STF / 2008) A aeronave estrangeira de propriedade privada, em vôo no
exposiçao
̃ de motivos do CP é tip ́ ico exemplo de espaço aéreo brasileiro.
̃ autêntica contextual.
interpretaçao
CERTO.
ERRADO.
Art. 5º – Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de
Interpretação autêntica e realizada pelo próprio órgão convenções, tratados e regras de direito internacional,
que elaborou a lei. ao crime cometido no território nacional.
§ 2º – É também aplicável a lei brasileira aos crimes
16. (CESPE / Execução de Mandatos – STF / 2008) Se o praticados a bordo de aeronaves ou embarcações
presidente do STF, em palestra proferida em seminário estrangeiras de propriedade privada, achando-se
para magistrados de todo o Brasil, interpreta uma lei aquelas em pouso no território nacional ou em voo no
penal recém-publicada, essa interpretação é espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar
considerada interpretação judicial. territorial do Brasil.

ERRADO. 21. (CESPE / Fiscal Tributário- Prefeitura – ES / 2008)


Trata-se de interpretação doutrinária, realizada por um Segundo o princípio da reserva legal, apenas a lei em
doutrinador, interpretação jurisprudencial é realizada sentido formal pode criar tipos penais. Dessa maneira, a
por juiz e tribunais ao aplicar a lei. norma penal em branco, que exige complementação de
17. (CESPE / Oficial de Promotoria – MPE-RR / 2008) A lei outras fontes normativas, fere o mencionado princípio e,
temporária, após decorrido o período de sua duraçaõ , consequentemente, é inconstitucional.
não se aplica mais nem aos fatos praticados durante sua
vigência nem aos posteriores. ERRADO.
O princípio da legalidade não impede a existência de
ERRADO. normas penais em branco, que são leis, apenas exigindo
Lei excepcional ou temporária um complemento.
Art. 3º – A lei excepcional ou temporária, embora
decorrido o período de sua duração ou cessadas as 22. (CESPE / Fiscal Tributário- Prefeitura – ES / 2008) Lei
circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato posterior que, de qualquer modo, favoreça o réu aplica-
praticado durante sua vigência. se a fatos anteriores, ainda que tais fatos já tenham sido
Portanto com relação aos posteriores não se aplica, mas julgados por sentença penal condenatória transitada em
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julgado. legal e o da irretroatividade da lei penal controlam o
exercício do direito estatal de punir, ao afirmarem que
ERRADO. naõ há crime sem lei anterior que o defina, nem pena
Art. 2º – Ninguém pode ser punido por fato que lei sem prévia cominação legal.
posterior deixa de considerar crime, cessando em
virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença CERTO.
condenatória. Art. 1º – Não há crime sem lei anterior que o defina. Não
Parágrafo único – A lei posterior, que de qualquer modo há pena sem prévia cominação legal.
favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda 37. (CESPE / Fiscal de Tributos- PM Rio branco – AC /
que decididos por sentença condenatória transitada em 2007) O princípio da anterioridade, no direito penal,
julgado. proíbe que uma lei penal seja aplicada a um delito
cometido menos de um ano após a publicaçao ̃ da norma
23. (CESPE / Delegado – Polícia Civil – TO / 2008) incriminadora que passou a prever o fato como
Considere que um indivíduo seja preso pela prática de criminoso. ERRADO.
determinado crime e, já na fase da execução penal, uma Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de
nova lei torne mais branda a pena para aquele delito. qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
Nessa situaçaõ , o indivíduo cumprirá a pena imposta na estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do
legislaçao
̃ anterior, em face do princípio da direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
irretroatividade da lei penal. propriedade, nos termos seguintes:
XXXIX – não há crime sem lei anterior que o defina, nem
ERRADO. pena sem prévia cominação legal;
Art. 2º – Ninguém pode ser punido por fato que lei Anterioridade da Lei
posterior deixa de considerar crime, cessando em Art. 1º – Não há crime sem lei anterior que o defina. Não
virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença há pena sem prévia cominação legal.
condenatória.
Parágrafo único – A lei posterior, que de qualquer modo 27. (CESPE / Fiscal de Tributos- PM Rio branco – AC /
favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda 2007) A Constituiçao
̃ Federal veda de forma expressa a
que decididos por sentença condenatória transitada em adoçao
̃ da pena de morte, salvo nos casos de guerra
julgado. declarada, as penas de caráter perpétuo, de trabalhos
forçados, de banimento e as cruéis.
24. (CESPE / Delegado – Polícia Civil – TO / 2008) Na
hipótese de o agente iniciar a prática de um crime CERTO.
permanente sob a vigência de uma lei, vindo o delito a Apenas em casos de guerra declarada.
se prolongar no tempo até a entrada em vigor de nova
legislaçao
̃ , aplica-se a última lei, mesmo que seja a mais 28. (CESPE / Procurador – TCM-GO / 2007) Quando lei
severa. nova que muda a natureza da pena, cominando pena
pecuniária para o mesmo fato que, na vigência da lei
CERTO. anterior, era punido por meio de pena de detençao
̃ , nao
̃
SÚMULA Nº 711. se aplica o princípio da retroatividade da lei mais
A LEI PENAL MAIS GRAVE APLICA-SE AO CRIME benigna.
CONTINUADO OU AO CRIME PERMANENTE, SE A SUA
VIGÊNCIA É ANTERIOR À CESSAÇÃO DA ERRADO.
CONTINUIDADE OU DA PERMANÊNCIA. Pena privativa de liberdade é mais grave do que pena
pecuniária.
25. (CESPE / Fiscal de Tributos- PM Rio branco – AC / Art. 2º.
2007) A hierarquia entre a Constituição e o direito penal Parágrafo único – A lei posterior, que de qualquer modo
ocorre na medida em que as disposições deste somente favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda
valem e obrigam quando se prestem à realizaçao ̃ dos que decididos por sentença condenatória transitada em
fins constitucionais e prestigiem valores socialmente julgado.
relevantes, que se prestam ao fim de possibilitar a
convivência social, assegurar níveis miń imos, 29. (CESPE / Procurador – TCM-GO / 2007) Considere a
toleráveis, de violência, por meio da prevenção e
seguinte situação hipotética. Um indivíduo cometeu um
repressao ̃ de ataques a bens jurid ́ icos crime na vigência da lei XX, que impunha a pena de
constitucionalmente relevante.
reclusão de 1 a 5 anos. Posteriormente, por ocasião do
julgamento, entrou em vigor a lei YY, cominando, para a
CORRETO. mesma conduta, a pena de reclusao ̃ de 2 a 8 anos.
Nessa situaçao
̃ , aplica-se à lei XX o princípio da ultra-
O Direito Penal é resultado de escolhas políticas atividade.
influenciadas pelo tipo de Estado em que a sociedade
está organizada. A situação histórica, portanto, CERTO.
condiciona o conceito de crime e, consequentemente, o ULTRATIVIDADE DA LEI PENAL: aplicação de uma LEI
conceito de bem jurídico e a sua importância para o PENAL MAIS BENÉFICA, JÁ REVOGADA a fatos
Direito Penal. A visão constitucional defendida hoje pela ocorridos DURANTE O PERÍODO DE SUA VIGÊNCIA, ou
doutrina majoritária reconhece a criação do conceito do seja, a Lei Penal por ser MAIS BENÉFICA e devido ao
bem jurídico penal a partir das normas jurídicas fato de que o CRIME ter sido praticado DURANTE O
hierarquicamente superiores às demais, quais sejam, PERÍODO DE SUA VIGÊNCIA, terá seus efeitos
aquelas decorrentes da Constituição Federal. refletidos, mesmo já revogada.

26. (CESPE / Fiscal de Tributos- PM Rio branco – AC / 30. (CESPE / Procurador – TCM-GO / 2007) As leis
́ io da estrita legalidade ou da reserva
2007) O princip
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temporárias e excepcionais nao ̃ derrogam o princip
́ io da se-á, obrigatoriamente, à hipótese, a lei penal brasileira,
̃ são ultra- ativas.
reserva legal e nao em face do princípio da territorialidade.

ERRADO. CORRETO.
Aplica-se a LEI EXEPCIONAL ou a LEI TEMPORÁRIA Art. 5º – Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de
MESMO SENDO MAIS GRAVE aos fatos ocorridos convenções, tratados e regras de direito internacional,
DURANTE o período de sua vigência. A LEI ao crime cometido no território nacional.
EXEPCIONAL e a LEI TEMPORÁRIA são, portanto, § 1º – Para os efeitos penais, consideram-se como
ULTRATIVAS, ou seja, SERÃO APLICADAS aos FATOS extensão do território nacional as embarcações e
OCORRIDOS DURANTE O PERÍODO DE SUA VIGÊNCIA, aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço
mesmo que JÁ REVOGADAS e MESMO SENDO MAIS do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem
GRAVES. como as aeronaves e as embarcações brasileiras,
mercantes ou de propriedade privada, que se achem,
31. (CESPE / Procurador – TCM-GO / 2007) É aplicado o respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou
́ io da proteçao
princípio real ou o princip ̃ aos crimes em alto-mar.
praticados em país estrangeiro contra a administração
pública por quem estiver a seu serviço. A lei brasileira, 36. (CESPE / Defensor Público – DPE-AL / 2004) A lei
no entanto, deixará de ser aplicada quando o agente for penal mais benéfica é retroativa e ultrativa, enquanto a
absolvido ou condenado no exterior. mais severa não tem extratividade.

ERRADO. CORRETO.
Art. 7º – Ficam sujeitos à lei brasileira, embora EXTRATIVIDADE DA LEI PENAL, que significa aplicar
cometidos no estrangeiro: uma Lei Penal fora do âmbito de sua vigência, que se
I – os crimes: subdivide em duas ESPÉCIES:
c) contra a administração pública, por quem está a seu 1ª) RETROATIVIDADE DA LEI PENAL: aplicação de uma
serviço; LEI PENAL MAIS BENÉFICA aos fatos ocorridos ANTES
do período de sua vigência, com previsão na
32. (CESPE / Analista Judiciário – TJ-DF / 2004) CONSTITUIÇÃO FEDERAL (Art. 5º. XL – a lei penal não
Considere a seguinte situaçao ̃ hipotética. Um retroagirá, salvo para beneficiar o réu;) e no CÓDIGO
marinheiro, pertencente à tripulaçao ̃ de um navio PENAL (Lei penal no tempo Art. 2º – Ninguém pode ser
público norte-americano, desceu em porto argentino, a punido por fato que lei posterior deixa de considerar
serviço do navio, onde foi surpreendido comercializando crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos
substância entorpecente. Nessa situaçaõ , aplicar-se-á́ a penais da sentença condenatória. Parágrafo único – A lei
lei penal da bandeira que o navio ostenta. posterior, que de qualquer modo favorecer o agente,
aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por
sentença condenatória transitada em julgado. .
CERTO.
2ª) ULTRATIVIDADE DA LEI PENAL: aplicação de uma
Pois a esta ‘a serviço’.
LEI PENAL MAIS BENÉFICA, JÁ REVOGADA a fatos
ocorridos DURANTE O PERÍODO DE SUA VIGÊNCIA, ou
33. (CESPE / Analista Judiciário – TJ-DF / 2004) seja, a Lei Penal por ser MAIS BENÉFICA e devido ao
Considere a seguinte situação hipotética. Um individ́ uo fato de que o CRIME ter sido praticado DURANTE O
respondia a processo judicial por ter sido preso em PERÍODO DE SUA VIGÊNCIA, terá seus efeitos
flagrante delito, quando transportava em seu veículo, refletidos, mesmo já revogada.
caixas contendo cloreto de etila (lança-perfume). Portanto, apenas existe extratividade se a lei penal for
Posteriormente à sua prisão, ato normativo retirou a mais benéfica.
referida substância do rol dos entorpecentes ou dos que
causam dependência física ou psíquica. Nessa situaçao ̃ ,
em face da abolitio criminis, extinguiu-se a punibilidade. 37. (CESPE / Defensor Público – DPE-AL / 2004) A lei
posterior, que de qualquer modo favoreça o agente,
aplicar-se-á aos fatos anteriores, decididos por sentença
CERTO. condenatória, desde que em trâmite recurso interposto
Trata de lei posterior que deixou de considerar pela defesa.
determinado fato como crime, devendo, portanto,
retroagir.
ERRADO.
Art. 2º – Ninguém pode ser punido por fato que lei
34. (CESPE / Analista Judiciário – TJ-DF / 2004) As leis posterior deixa de considerar crime, cessando em
penais excepcional e temporária são ultrativas pois se virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença
aplicam a fatos ocorridos antes e durante as respectivas condenatória.
vigências.
Parágrafo único – A lei posterior, que de qualquer modo
favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda
ERRADO. que decididos por sentença condenatória transitada em
Art. 3º – A lei excepcional ou temporária, embora julgado.
decorrido o período de sua duração ou cessadas as Inexiste limitação temporal e nem recursal para a
circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato aplicação da lei penal benéfica.
praticado durante sua vigência.
Apenas durante e não antes o período de sua vigência. 38. (CESPE / Defensor Público – DPE-AL / 2004) A lei
penal excepcional ou temporária aplicar-se-á aos fatos
35. (CESPE / Analista Judiciário – TJ-DF / 2004) Se, no ocorridos durante o período de sua vigência, desde que
interior de uma embarcação não-mercante brasileira que ̃ tenha sido revogada.
nao
esteja navegando em alto- mar, um cidadão russo
̃ corporal em um dos tripulantes, aplicar-
praticar lesao ERRADO.
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São ultra-ativas e portanto, revogadas.
6. Por iter criminis compreende-se o conjunto de
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES COM GABARITO
TEMA : TEORIA GERAL DO CRIME a) atos de execução do delito.
b) atos preparatórios antecedentes ao delito.
1. Nos crimes de mera conduta, o legislador só c) atos de consumação do delito.
descreve o comportamento do agente, não havendo d) fases pelas quais passa o delito.
resultado naturalístico. Tal assertiva é:
a) Correta, mas somente aplicável aos delitos materiais. 8. O art. 13, § 2º, ao afirmar que: “A omissão é
b) Parcialmente correta. penalmente relevante quando o omitente devia e
c) Equivocada diante da classificação de crimes. podia agir para evitar o resultado”, se aplica aos
d) Absolutamente correta. chamados crimes:

2. (Unb/CESPE/SENADO FEDERAL/ CONSULTOR a) Omissivos próprios.


LEGISLATIVO/DIREITO PENAL, PROCESSUAL b) Comissivos por omissão.
PENAL PENITENCIÁRIO/03.02.2002/QUESTÃO 55) c) Comissivos.
Ainda no que diz respeito à Teoria geral do crime e d) De pequeno potencial ofensivo.
aos crimes em espécie, julgue os itens seguintes.
8º) (Juiz de Direito - SP – 2005) Dentre as alternativas,
1. Os crimes culposos não admitem forma tentada, mas assinale aquela que, corretamente, relaciona apenas
admitem a desistência voluntária. crimes que não admitem a tentativa.
2. É nos casos de crime falho (ou tentativa perfeita) que
tem cabimento o arrependimento eficaz. a) Crimes omissivos próprios, crimes de perigo, crimes
3. Quem subtrai para si coisa alheia móvel, mediante progressivos.
grave ameaça e, antes do recebimento da denúncia, por b) Crimes preterdolosos, crimes plurissubsistentes, crimes
ato voluntário, restituir a coisa subtraída, será omissivos próprios.
beneficiado com a redução de pena decorrente do c) Crimes plurissubsistentes, crimes omissivos próprios,
arrependimento posterior. crimes culposos.
4. Quem desfere várias punhaladas contra vítima que d) Crimes preterdolosos, crimes unissubsistentes, crimes
supunha dormindo, mas que, na verdade, havia falecido omissivos próprios.
momentos antes, em razão de um ataque cardíaco,
deverá responder pelo crime de homicídio na 9º) (Promotor de Justiça – SP – 2005) É unicamente
modalidade tentada. correto afirmar que :
5. Diz-se que o crime é doloso, quando o agente quis o
resultado; preterdoloso, quando, embora não querendo a) o delito de quadrilha só se consuma com a prática de
o resultado, o agente assumiu o risco de produzi-lo. qualquer delito pelo bando ou por alguns de seus
integrantes.
3. (UnB/CESPE/ PETROBRÁS/ AUX. SEG b) ao dispor sobre crimes tentados, o Código Penal prevê
INT./28.03.2004/ITENS 66 A 71) Julgue os itens que possibilidade de casos com resposta penal equivalente
se seguem. à dos consumados.
c) em se tratando de contravenção penal, a punibilidade da
1. Punibilidade é a possibilidade jurídica de o Estado impor tentativa segue as regras do Código Penal.
a pena ao autor da infração penal. d) Crime falho é outra designação dada à tentativa
2. O direito brasileiro admite hipóteses de crime em que o imperfeita.
cadáver seja sujeito passivo. e) O Código Penal condiciona o reconhecimento da
3. Considera-se crime permanente aquele cuja modalidade tentada de determinado crime à existência,
consumação se prolonga no tempo. na Parte Especial, de previsão específica quanto à sua
4. Homicídio é considerado crime material. admissibilidade.
5. No crime de estupro, o sujeito passivo é sempre mulher.
10º ) (Promotor de Justiça -SP – 2002) Crime falho é :
4. (CESPE/UnB/MPU/PROCURADOR/2003)A respeito
do crime, é norma expressa da Constituição Federal, a) aquele no qual alguém, insidiosamente, provoca uma
situação que leva o agente à prática do crime, mas,
a) o resultado de que depende a existência do crime, antes, toma as devidas providências para que o mesmo
somente é imputável a quem lhe der causa. não se consume.
b) diz-se o crime consumado, quando nele se reúnem b) aquele no qual o agente acredita que está praticando
todos os elementos de sua definição legal. um crime, que não existe, pois o fato não é típico.
c) não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena c) o mesmo que tentativa perfeita, na qual o crime não se
sem prévia cominação legal. consuma por circunstâncias alheias à vontade do
d) será concedida extradição de estrangeiro, por crime agente, embora este pratique todos os atos necessários
político ou de opinião. para a consumação do crime.
e) a sentença estrangeira, quando a aplicação de lei d) o mesmo que tentativa inadequada ou inidônea, na qual
brasileira produz na espécie as mesmas consequências, o crime não pode ser consumado por ineficácia absoluta
pode ser homologada no Brasil para obrigar o do meio ou por absoluta impropriedade do objeto.
condenado à reparação do dano, a restituições e outros e) aquele no qual a polícia efetua a detenção do agente no
efeitos civis. momento da prática delitiva, pois avisada pela vítima
que sabia previamente que o crime iria acontecer.
5. Os crimes omissivos impróprios são
11º) (Promotor de Justiça – MG – 2004) Um guarda
a) de conduta mista. ferroviário encontra, por volta das 23 horas, um
b) comissivos por omissão. bêbado desacordado sobre os trilhos. Como o
c) comissivos propriamente ditos. próximo trem só passaria por ali às 06 horas da
d) puramente omissivos. manhã do dia seguinte, optou por lá deixá-lo, até por
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volta das 04 ou 05 horas, momento em que o 4. Constitui causa de diminuição de pena prevista na
retiraria, antes, portanto, do trem passar. A omissão Parte Geral do Código Penal:
do guarda :
a) o crime impossível.
a) Determinará sua responsabilidade por tentativa de crime b) o arrependimento posterior.
omissivo impróprio, face a sua posição de garantidor. c) a desistência voluntária.
b) Determinará sua responsabilidade por tentativa de crime d) o arrependimento eficaz.
omissivo próprio.
c) Determinará sua responsabilidade por crime de perigo. 5 A reincidência ocorre quando o agente comete
d) Responderá por crime de omissão de socorro.
e) Sua conduta é penalmente irrelevante. a) mais de um crime no mesmo dia.
b) novo crime, depois de transitar em julgado a sentença
GABARITO DOS EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES 1 que, no país ou no estrangeiro, o tenha condenado por
RELATIVOS À TEORIA GERAL DO CRIME. crime anterior.
1º) D c) novo crime após ter sido indiciado por crime anterior.
2º) ECEEE d) novo crime após ter sido condenado em processo ainda
3º) CECCC pendente de análise de apelação.
4º) C
5º) B 6.Quanto à desistência voluntária e arrependimento
6º) D eficaz dentro do fato típico entende-se que :
7º) B
8º) D A- A desistência voluntária é a abstenção de atividade, o
9º) B(É o que acontece, por exemplo, com o art.352 do agente cessa o comportamento delituoso enquanto
CPB, por exemplo). ainda há margem de ação. Já o arrependimento eficaz
10º) C constitui-se como sendo o desenvolvimento de nova
11º) E atividade, impedindo a produção do resultado.
_________________________________________________ B- A distinção entre desistência e arrependimento eficaz
depende do momento em que ocorre a interrupção do
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES COM GABARITO processo executivo. Se o agente ainda não havia feito
TEMA : FATO TÍPICO tudo o que era objetivamente necessário para a
consumação, há desistência, do contrário, se já havia o
1. Para a configuração do crime culposo, além da agente concluído os atos de execução necessários, há
tipicidade, torna-se necessária a prática de conduta arrependimento, somente sendo possível este último no
com crime falho.
C- A desistência, para produzir efeitos na órbita do direito,
a) observância de dever de cuidado que cause um há que ser voluntária, pois, se for causada por fatos
resultado não desejado e imprevisível. externos, incogitável seu reconhecimento.
b) inobservância do dever de cuidado que cause um D- Todas as alternativas são verdadeiras.
resultado não desejado e imprevisível.
c) inobservância do dever de cuidado que cause um 7.O sujeito ativo de um crime poderá beneficiar-se com o
resultado cujo o risco foi assumido pelo agente. instituto do arrependimento posterior, desde que repare o
d) inobservância do dever de cuidado que cause um dano ou restitua a coisa:
resultado não desejado, mas previsível.
A- até a sentença e o crime tenha sido cometido sem
2. (JUIZ –DF/1998) Agente que concorre culposamente violência ou grave ameaça.
para a prática de um furto doloso B- até o recebimento da denúncia e o crime tenha sido
cometido sem violência ou grave ameaça.
1. Incide nas penas cominadas ao crime por haver, de C- a qualquer tempo, por uma questão de Política Criminal.
qualquer modo, para ele concorrido. D- até o oferecimento da denúncia e o crime tenha sido
2. terá a pena do crime de furto diminuída por ter cometido sem violência ou grave ameaça.
concorrido para ele com participação de menor
importância. 8. Marque alternativa incorreta:
3. responderá, apenas, na medida e alcance de sua
responsabilidade subjetiva. a) Crime instantâneo é aquele que, uma vez consumado,
4. não é responsável penalmente por lhe faltar o liame está encerrado, não se prolonga.
subjetivo, que é a consciência de participar do fato. b) Crime permanente ocorre quando a consumação se
prolonga no tempo, dependente da ação do sujeito
3. De acordo com o art. 15 do Código Penal, o agente ativo.
que, voluntariamente, desiste de prosseguir na c) Crimes comissivos são os que exigem uma atividade
execução ou impede que o resultado se produza, só negativa do agente.
responde pelos atos já praticados. Diante disto, é d) Crimes omissivos ou omissivos puros - são os que são
possível dizer que descritos com uma conduta negativa, de não fazer o que
a Lei determina, sendo a omissão, uma transgressão da
a) só há tentativa quando, tendo o agente iniciado a norma jurídica, não necessitando de qualquer resultado
execução do crime, ele não se consuma por naturalístico. Para a existência do crime basta que o
circunstâncias alheias à sua vontade. autor se omita quando deve agir.
b) a desistência voluntária e o arrependimento eficaz
constituem causas de diminuição de pena. 9. (Concurso Público Delegado de Polícia – 2002) Em
c) o critério de redução da pena da tentativa no crime de relação ao estudo da tentativa, analise as
roubo deve obedecer aos critérios acima aduzidos. afirmativas abaixo:
d) ocorre desistência voluntária quando o criminoso
percebe que o alarme foi detonado e foge 1. Não admitem tentativa os crimes habituais,
culposos, preterdolosos ou preterintencionais e
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omissivos próprios. crime comporta condenação na modalidade culposa,
2. Crimes unissubsistentes admitem tentativa. assim, poderia ser condenado esse cidadão tal como
3. É possível a tentativa no delito previsto no artigo exposto no enunciado.
122 do CP ( “ Art. 122. Induzir ou instigar alguém a b) Somente poderia ele ter sido condenado se o fato típico
suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça”). mencionado tivesse previsão legal de pena para a
4. O crime de extorsão consuma-se com a obtenção da modalidade culposa, e, inexistindo, essa previsão, não
vantagem indevida. há como condená-lo.
5. É possível a punição por tentativa da prática de c) Independe se o fato típico mencionado tem previsão
“crime-anão”. legal de pena para a modalidade culposa, pois qualquer
6. É possível a punição na modalidade tentada dos crime comporta condenação; se não houve previsão de
delitos previstos no artigo 3º, da Lei nº 4.898, cujo modalidade culposa, será ele condenado na modalidade
caput enuncia “ Art 3º - Constitui abuso de dolosa, na medida de sua culpabilidade.
autoridade qualquer atentado: (...)”. d) NDR.
7. Os atos preparatórios em regra não são puníveis.
8. No crime falho o agente não consegue esgotar GABARITO DOS EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES 2
todos os meios que entendia necessários para RELATIVOS À FATO TÍPICO.
lograr a consumação da infração penal. 1º) D
9. A tentativa branca não é punível. 2º) 4
3º) A
Considerando as nove afirmativas feitas, pode-se dizer 4º) B
que: 5º) B
6º) D
a) apenas uma está correta; 7º) B
b) apenas duas estão corretas; 8º) C
c) apenas três estão corretas; 9º) B (1 e 7 estão corretas)
d) apenas quatro estão corretas; 10º) B
e existem cinco ou mais afirmativas corretas. 11º) A
12º) B
10. O crime impossível: _________________________________________________

A- Deve ser tratado como a tentativa, vez que apresenta EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES COM GABARITO
afinidade com a mesma, pois, enquanto na tentativa, o TEMA : TEORIA GERAL DO CRIME E FATO TÍPICO
resultado delituoso é sempre possível, não só porque os
meios empregados são idôneos, como também porque 01º) O prefeito e seu motorista particular [não
o objeto contra o qual se dirigiu a conduta é passível de funcionário público], em co-autoria, se apropriaram do
lesão ou do perigo de lesão; no crime impossível, o caminhão da municipalidade, valendo-se das
emprego de meios ineficazes ou o ataque a objetos prerrogativas do primeiro que lhe permitiam a posse do
impróprios tornam inviável o resultado. veículo. Sobre o concurso de pessoas aqui estabelecido,
B- É impunível, não cabendo, em face de seu é correto afirmar:
reconhecimento, nenhum tipo de sanção punitiva,
mesmo que o agente revele periculosidade. [A] as circunstâncias de caráter pessoal sempre se
C- É passível de punição, vez que, mesmo empregado comunicam
meio ineficaz ou ataque a objetos impróprios tornando [B] as circunstâncias de caráter pessoal nunca se
inviável o resultado, o comportamento do agente revela comunicam
sua temibilidade, cogitando-se, portanto, imposição de [C] não importam as circunstâncias pessoais, mas a medida
medida de segurança em decorrência da manifestação da culpabilidade.
de periculosidade do agente [D] as circunstâncias pessoais se comunicam quando
D- É passível apenas de medida preventiva, devendo o elementares do crime.
agente ser submetido a tratamento psicológico e
tratamento no sentido de reintegração social. 02º) Cliente indaga-lhe se é reincidente para os efeitos
da lei penal. Em resposta, é coreto entender que a
11. Nas causas supervenientes relativamente reincidência se verifica quando o agente comete:
independentes em relação à conduta do sujeito
ativo, assinale a alternativa correta: [A] crime, após ter cometido contravenção, ainda que não
tenha ocorrido o trânsito em julgado da sentença que,
a) O resultado não é imputável, respondendo o agente no país ou no estrangeiro, o tenha condenado pela
pelos atos praticados. contravenção anterior.
b) O resultado é imputável ao agente. [B] novo crime, ainda que não tenha ocorrido o trânsito em
c) O resultado não é imputável, pois há exclusão do nexo julgado da sentença que, no país ou no estrangeiro, o
de causalidade. tenha condenado por crime anterior.
d) O resultado é imputável, havendo, porém, diminuição da [C] novo crime da mesma espécie, antes do trânsito em
pena. julgado da sentença que, no país ou no estrangeiro, o
tenha condenado por crime anterior.
12. Assinale a alternativa que contém a resposta [D] novo crime, depois de transitar em julgado a sentença
correta. Xavier Duarte, maior, capaz, fora condenado que, no país ou no estrangeiro, o tenha condenado por
pelo cometimento de fato tipificado em lei penal, crime anterior.
ocasião em que se reconheceu que não houve
qualquer intenção sua em cometer o mencionado 03º) O crime é de perigo abstrato quando:
ato, visto que o cometera culposamente. Com base
no relato, responda: a) Houve arrependimento eficaz.
b) De cuja realização presume-se o perigo.
a) Independe se o fato típico mencionado tem previsão c) Desistiu-se evitando o resultado.
legal de pena para a modalidade culposa, pois qualquer d) Meramente tentado, sem ter ocorrido qualquer ofensa
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ao bem jurídico. 2º) D
3º) B
04º) “Crime Putativo” é: 4º) A
5º) C
a) Aquele no qual o agente imagina, por erro, que está 6º) B
cometendo uma conduta ilícita, prevista no nosso 7º) C
ordenamento jurídico, quando o fato não é considerado 8º) D
crime.
b) O fato típico, em que a conduta do sujeito ativo se EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES COM GABARITO
confunde com a conduta, também ilícita, do sujeito TEMA : ANTIJURIDICIDADE
passivo.
c) Todo o crime praticado por menores inimputáveis. 1º). Demócrito reage a fato típico previsto como roubo
d) Aquele em que o sujeito ativo pressupõe, por qualificado por emprego de arma. Como Demócrito
negligência, que não há fato ilícito, quando, a vítima é policial militar, mas estava à paisana, dispara um
consente com a conduta. tiro contra o agente delitivo, vindo a causar sua
morte por atingir o coração. Sabendo disto, mas
05º) Quanto à responsabilidade penal da pessoa jurídica, estando perturbado com a ação criminosa,
assinale a alternativa incorreta: descarrega os outros cinco projéteis contra o
ladrão. Demócrito
a) A pessoa jurídica em regra não pode ser sujeito ativo
das infrações penais. a) não será beneficiado pela legítima defesa, eis que,
b) A pessoa jurídica pode ser sujeito passivo do crime de apesar de ser policial militar, não está a serviço.
estelionato. b) agiu em excludente de criminalidade em virtude da
c) A pessoa jurídica pode praticar crimes contra a ordem legítima defesa, não respondendo por seu ato lesivo.
financeira. c) responderá por excesso doloso na legítima defesa.
d) A lei 9.605 permitiu, entre outras hipóteses, que a d) não poderia, por ser policial militar, atingir o coração do
pessoa jurídica pudesse ser responsável isoladamente ladrão, mas sim outras áreas não vitais de seu corpo,
por danos causados ao meio ambiente. respondendo por homicídio doloso, mas beneficiando-se
com a diminuição da pena de um a dois terços.
06º) O chamado Crime à Distância é aquele que se
caracteriza quando: 2º). (UnB/ CESPE/SENADO FEDERAL/ CONSULTOR
LEGISLATIVO/ DIREITO PENAL, PROCESSUAL
a) a conduta típica ocorre em uma cidade, e o resultado se PENAL E PENITENCIÁRIO/03.02.2002/QUESTÃO 55)
dá em outra cidade da mesma federação. Com relação às causas de exclusão da ilicitude,
b) Quando a conduta é praticada no território de um país e julgue os itens que se seguem.
o resultado se dá no território de outro país.
c) Quando a conduta típica é praticada em um Estado da 1. O bombeiro militar que se recusar a socorrer Rubens,
Federação e o resultado se dá em outro Estado da que se encontra em situação de risco de vida, agirá em
Federação. estado de necessidade, se esse risco tiver sido
d) Quando a conduta típica é praticada dentro do território provocado, voluntariamente, por Rubens.
do mesmo país, pois o autor vale-se da via postal para 2. Quem matar alguém em duelo, em igualdade de armas,
implementar o crime. estará albergado pela excludente de ilicitude da legítima
defesa, se o duelo houver sido livremente acordado
07º) Caio porque quer matar, fere Beatriz que, entretanto, entre os participantes.
é morta no hospital, por efeito de uma injeção 3. Quem mata alguém poderá estar albergado por uma
trocada que lhe ministra o enfermeiro. Caio das causas de exclusão da ilicitude, mas essa
responde por: excludente não será o estado de necessidade.
4. E ao funcionário público (em sentido lato) ou a quem
a) homicídio culposo exerce função pública, remunerada ou não, que se
b) homicídio doloso destina a excludente de ilicitude do estrito cumprimento
c) tentativa de homicídio de dever legal.
d) homicídio preterdoloso 5. A coação pode ser causa de exclusão da culpabilidade,
não da ilicitude, mas somente quando física, já que a
08º) A pena é calculada pelo sistema: coação moral não pode implicar impossibilidade
absoluta de resistência.
a) bifásico, fixando-se, primeiramente, a pena-base e, em
seguida, considerando-se as circunstâncias atenuantes
3º). (UnB/CESPE/ MP-TO/PROMOTOR DE JUSTIÇA
e agravantes. SUBSTITUTO/07.02.2004/ QUESTÃO 13) Com relação
b) bifásico, fixando-se, primeiramente, a pena base e, em às excludentes de ilicitude, assinale a opção
seguida, considerando-se as causas de diminuição e incorreta.
aumento. 1. Policial que utiliza força física necessária para evitar
c) trifásico, fixando-se, primeiramente, a pena base, fuga de presidiários age em estrito cumprimento do
considerando-se, em seguida, as causas de diminuição dever legal.
e de aumento e, por último, as circunstâncias 2. No estado de necessidade, há um conflito entre bens
atenuantes e agravantes. jurídicos, enquanto na legítima defesa há repulsa contra
d) trifásico, fixando-se, primeiramente, a pena-base, um ataque.
considerando-se, em seguida, as circunstâncias 3. Para se caracterizar o estado de necessidade, a
atenuantes e agravantes e, por último, as causas de situação de perigo a ser afastada não pode ter sido
diminuição e aumento. causada voluntariamente pelo agente.
4. Um pai, utilizando-se de uma estaca, feriu mortalmente
GABARITO DOS EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES 3 um gorila que fugira da janela e ameaçava atacar seu
RELATIVOS À TEORIA GERAL DO CRIME E FATO TÍPICO. filho nas arquibancadas de um circo. Nesse caso, o pai
1º) D agiu em legítima defesa.
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5. Admite-se a legítima putativa contra legítima defesa d) ilicitude
putativa.
08º) Assinale a alternativa correta:
4º) Sobre as causas excludentes da ilicitude, assinale a
alternativa correta: [a] entende-se em legítima defesa quem, usando
moderadamente dos meios necessários, repele injusta
[a] haverá estado de necessidade justificante ainda que o agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.
bem sacrificado seja mais importante que o bem [b] entende-se em legítima defesa quem pratica o fat para
preservado. salvar de perigo atual, que não provocou por sua
[b] somente lei em sentido formal pode fixar o dever que vontade nem poderia de outro modo evitar, direito
justifica o estrito cumprimento do dever legal. próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não
[c] mesmo quem tem o dever legal de enfrentar o perigo era razoável exigir-se.
pode agir em estado de necessidade. [c] entende-se em legítima defesa quem pratica o crime
[d] ainda que possível à fuga, poderá haver legítima defesa. impelido por razões de ordem moral, religiosa ou social.
[d] entende-se em legítima defesa o cônjuge que,
5º) (OAB/DF) Todos os dias, Carlos corria no Parque da desconfiado da fidelidade do outro, mata-o para
Cidade aqui em Brasília. Em determinado sábado, defender sua honra.
um cachorro da raça “pittbull” soltou-se da corrente
e o atacou. Para defender-se, Carlos matou o cão. 9º) Sem que tenha havido agressão injusta, admite-se a
Inconsolável e revoltado, o proprietário do animal legítima defesa.
levou o fato ao conhecimento da polícia, sendo
lavrada a ocorrência, incriminando Carlos. Pode-se [a] real, contra exercício regular de direito.
afirmar que Carlos agiu [b] real, contra estrito cumprimento do dever legal.
[c] real, contra estado de necessidade.
a) em estado de necessidade. [d] putativa, contra legítima defesa putativa.
b) em legítima defesa
c) no estrito cumprimento de dever 10º) “A” supondo que “B” iria matá-lo, ao vê-lo, após
d) no exercício regular de um direito seguidas ameaças de morte, levar a mão ao bolso
do paletó, onde costumava manter um revólver,
06º) Sobre as causas excludentes de antijuridicidade e desferiu contra ele um disparo de arma de fogo “B”,
as descriminantes putativas, correlacione as duas que fora fazer as pazes com “A”, levando-lhe no
colunas e aponte o item correto: bolso, um presente, ao ser recebido a tiros, revidou
com um disparo.
1- Estado de necessidade
2- Legítima defesa [A] “A” e “B” estavam ao abrigo da excludente de legítima
3- Estrito cumprimento do dever legal defesa.
4- Exercício regular de um direito [B] “A” e “B” não poderiam invocar, em seu favor, qualquer
5- Estado de necessidade putativo excludente ou exculpante.
6- Legítima defesa putativa [C] “A e” B “poderiam invocar legítima defesa putativa”.
7- Estrito cumprimento de um dever legal putativo [D] “A poderia invocar a exculpante da legítima defesa
8- Exercício regular de um direito putativo putativa e “B” a excludente da legítima defesa real.

( ) durante uma confusão, com o alarme soando, pensando 11º) O excesso na legítima defesa decorre:
tratar-se de um incêndio, A mata B, porém, o alarme foi
acionado por uma criança. [a] do uso inadequado de meio empregado ou da falta de
( ) diante da ameaça de um ladrão armado a vítima puxa moderação na repulsa.
uma faca e atinge seu agressor. [b] da conduta em desacordo com o ordenamento jurídico
( ) a execução da pena de morte do condenado pelo [c] de uma provocação extremamente injusta
pelotão de fuzilamento, em tempo de guerra. [d] do uso inadequado de meio empregado e da falta de
( ) no campo de batalha, soldado, durante sua ronda moderação na repulsa.
noturna, mata um companheiro que se encontrava com
o uniforme do inimigo para fins de disfarce. 12º) (JUIZ/TJGO) Caracteriza o estado de necessidade
( ) aborto, quando a gravidez resulte de estupro.
( ) a correção disciplinar aplicada por um pai em criança a) uso exclusivo de meios contra ação humana.
que julgava ser seu filho menor. b) reação voltada somente contra o agressor.
( ) médico que deixa um paciente morrer para salvar c) repulsa contra agressão injusta.
ambos, não tendo meios de atender ambos. d) existência de conflitos de interesse juridicamente
( ) pai que, no escuro da noite, ao ver o filho acuado por amparados.
pessoas armadas, dispara projéteis atingindo-as, porém
depois nota que as armas eram de brinquedo e estavam 13. Na hipótese de legítima defesa,
brincando com seu filho.
A) é possível seu reconhecimento em favor de quem atua
a) 5,2,3,7,4,8,1,6 contra excesso de outra legítima defesa, praticado pelo
b) 1,2,,3,4,5,6,7,8 oponente.
c) 6, 1,3,8,4,2,7,5 B) é exigível que a pessoa que se defende tenha antes
d) 5,2,4,7,3,1,8,6 procurado evitar a situação de confronto.
e) 1, 4,3,6,8,2,7,5 C) é necessária a consciência da injustiça da agressão por
parte do agressor.
07º) O estado de necessidade real exclui: D) a sua modalidade chamada putativa constitui excludente
de ilicitude.
a) tipicidade E) quando resultar a morte do agressor, o excesso doloso
b) imputabilidade que eventualmente lhe deu causa implica
c) culpabilidade automaticamente na configuração do homicídio
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privilegiado. d) Todas as alternativas estão corretas;

14. Suponha-se que um médico, ante iminente perigo 17. Antunes, um rico empresário, contratou os serviços
de vida, pratique uma intervenção cirúrgica do segurança Pedro para proteger seu patrimônio e
arbitrariamente, ou seja, sem consentimento do integridade física. No contrato firmado entre ambos
paciente ou de seu representante legal. O seu destacava-se a cláusula que obrigava Pedro a expor-
comportamento deve ser considerado se ao limite, arriscando a própria vida, para salvar o
patrão de perigo direto e iminente. Todavia, durante
A) crime de lesão corporal culposa. uma viagem de rotina, o monomotor particular do
B) atípico. empresário, pilotado por ele próprio, sofreu uma
C) crime de constrangimento ilegal. pane e os dois passaram a disputar o único
D) crime de lesão corporal dolosa. paraquedas existente na aeronave. Valendo-se de
seu vigor físico, o segurança contratado impôs-se
15. Pedro, João e José estavam em um barco em alto facilmente frente a seu opositor e logrou êxito em
mar. Sem motivo justo, João agrediu José e ambos abandonar o aparelho, determinando, em
entraram em luta corporal, comprometendo a consequência, a morte trágica do contratante. A
estabilidade do barco, que ameaçava virar, conduta de Pedro:
colocando em perigo a integridade física e a vida de
Pedro, que não sabia nadar. Com a intenção e a A) embora típica, não é ilícita, tendo ele agido sob o
finalidade de evitar que o barco virasse, Pedro amparo da excludente do estado de necessidade;
empurrou João, que continuava desferindo socos B) é típica, ilícita e culpável, devendo responder pelo crime
em José, para fora da embarcação, tendo o mesmo de homicídio uma vez que sua posição de garantidor
sofrido lesões corporais em razão de sua queda na impede a alegação de qualquer justificativa legal;
água. Em tese, Pedro agiu em: C) embora típica, não é ilícita, tendo ele agido sob o
A) legítima defesa própria. amparo da excludente da legítima defesa;
B) estado de necessidade. D) é atípica, pois falta o elemento subjetivo do crime de
C) exercício regular de um direito. homicídio, que é o dolo específico de matar;
D) legítima defesa de terceiro. E) é típica, ilícita e culpável, devendo responder pelo crime
de homicídio porque tinha o dever contratual de
15. Sobre o estado de necessidade: enfrentar o perigo.

I. há estado de necessidade agressivo quando a conduta GABARITO DOS EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES 4


do sujeito atinge interesse de quem causou ou RELATIVOS À ANTIJURIDICIDADE.
contribuiu para a produção da situação de perigo; e 1º) C
estado de necessidade defensivo quando a conduta do 2º) EEEEE
sujeito atinge bem jurídico de terceiro inocente; 3º) 4
II. o estado de necessidade exculpante é causa extralegal 4º) D
de exclusão da culpabilidade, enquanto o estado de 5º) A
necessidade justificante é causa excludente de ilicitude 6º) A
do fato; 7º) D
III. no estado de necessidade putativo inexiste a 8º) A
justificativa, mas o agente não será punido pelo fato, por 9º) D
ausência de culpa, em decorrência do erro; 10º) D
IV. no estado de necessidade inexiste agressão ilícita; 11º) D
enquanto na legítima defesa há sempre uma opção pela 12º) D
prevalência do interesse legítimo que se opõe a uma 13º) A
agressão ilícita; 14º) B
V. justifica-se a excludente mesmo que o agente possa 15º) B
afastar o perigo através da fuga. 16º) C
17º) A
A) I, III e IV estão corretas; 18º) A
B) I, II e V estão corretas; _________________________________________________
C) II, III e IV estão corretas;
D) somente II e IV estão corretas; EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES COM GABARITO
E) somente III e V estão corretas. TEMA : CULPABILIDADE

16. Leia, analise e marque a questão: 1- Diz-se imputável o agente que tem capacidade de
ser-lhe juridicamente atribuída à prática de fato
I. Se ao reagir diante de agressão injusta o agente atinge, punível. Assim, ausente à imputabilidade, não se
por erro, pessoa inocente, diferente do agressor, aplica pena ao autor de fato típico e antijurídico,
ocorrerá estado de necessidade e não legitima defesa, podendo sofrer medida de segurança. No caso
isto porque inexiste agressão por parte da pessoa concreto, Cristiano é preso totalmente embriagado
atingida, que estará em estado de necessidade após a prática de crime previsto na legislação penal,
II. Na legítima defesa a ação de defesa deve ser e seu defensor público sustenta a tese da
necessária. Empregar moderadamente os meios inimputabilidade para isentá-lo de pena. Esta tese é
necessários significa usar os meios disponíveis, na sustentável perante o sistema penal brasileiro?
medida em que são necessários para repelir a injustiça.
III. A injustiça da agressão se exclui pela provocação (RF a) Não. No tocante à embriaguez, o Código Penal dispõe
249 / 294). que não excluirá a imputabilidade quando tenha
decorrido de ato voluntário do agente, ou tenha
a) I e a II estão corretas; decorrido de sua imprudência ou negligência no ato de
b) I e a III estão corretas; ingerir em demasia bebida alcoólica.
c) II e a III estão corretas; b) Sim. Esta tese é perfeitamente sustentável, levando-se
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em consideração que a embriaguez foi completa, não a:
tendo o agente capacidade de discernir acerca de seu
ato lesivo e de suas consequências. a– exclusão do dolo do agente.
c) Neste caso, a tese que melhor se aplica é a de semi- b- atipicidade do fato praticado pelo agente.
imputabilidade, devendo o agente responder perante o c- punição do agente por crime culposo, se previsto em lei.
sistema penal de forma reduzida, ou seja, a pena d- diminuição de pena do agente de um sexto a um terço.
poderá ser reduzida de um a dois terços. e - isenção de pena do agente.
d) Há que se considerar a tese acima referida diante da
doutrina da embriaguez preordenada, a qual se dá 8º) Sobre imputabilidade penal é incorreto afirmar que:
quando o agente embriaga-se propositadamente,
visando assegurar um álibi, ou criar coragem para a a – Imputabilidade penal é a capacidade de a pessoa
prática de um crime, o que afasta sua imputabilidade. entender a ilicitude do fato e, mesmo assim ,
determinar-se e agir de acordo com esse entendimento.
2. (CESPE/UnB/MPU/PROCURADOR/2003) Exclui a b - É isento de pena o agente que, em virtude de
imputabilidade perturbação ou doença mental, ou desenvolvimento
mental incompleto ou retardado, não era, ao tempo da
a) a legítima defesa. ação ou omissão, inteiramente incapaz de entender o
b) o estado de necessidade. caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
c) a embriaguez voluntária ou culposa, pelo álcool ou esse entendimento.
substâncias de efeitos análogos. c - Nos termos do Código Penal, a doença mental, o
d) a emoção ou a paixão. desenvolvimento mental incompleto ou retardado, a
e) a embriaguez, completa, proveniente de caso fortuito ou menoridade e a embriaguez fortuita completa excluem a
força maior. imputabilidade.
d - O nosso Código Penal estabelece que os menores de
3. É adequado afirmar que: 18 anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos
às normas estabelecidas pela legislação especial.
a) o estado de necessidade, a legítima defesa, o estrito
cumprimento do dever legal, a obediência hierárquica e 09º) (AG POLÍCIA/1998) Quanto ao erro evitável, acerca
o exercício regular do direito excluem a ilicitude; de licitude do fato, é correto afirmar que
b) a embriaguez total proveniente de caso fortuito ou força
maior exclui a tipicidade; 1. exclui o dolo, autorizando, todavia, a punição por crime
c) a coação física irresistível exclui a culpabilidade. culposo, se previsto em lei.
d) a imputabilidade do agente, a possibilidade dele 2. é causa excludente da culpabilidade.
conhecer a ilicitude de seu comportamento e a 3. é causa de diminuição da pena.
exigibilidade de conduta diversa são pressupostos da 4. é penalmente irrelevante.
culpabilidade. 5. é causa de isenção de pena.
e) a coação moral irresistível exclui a antijuridicidade.
10º) (MAGISTRATURA ESTADUAL/2001/PR) Exclui a
4. A coação irresistível, de que trata o artigo 22 do culpabilidade o agente que praticar o fato:
Código Penal, é causa de:
a – para salvar de perigo atual, que não provocou por sua
a) atipicidade. vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio
b) exclusão de ilicitude. ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era
c) exclusão de antijuridicidade. razoável exigir-se.
d) exclusão da culpabilidade. b - usando moderadamente dos meios necessários para
repelir injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu
5º) São causas excludentes da culpabilidade dentre ou de outrem.
outras: c - impelido por coação moral irresistível.
d - no estrito cumprimento do dever legal.
a – O erro de proibição, a coação moral irresistível, a
obediência hierárquica, a inimputabilidade por doença 11º) Como sabemos a emoção e a paixão não excluem a
mental e a inimputabilidade por menoridade penal. imputabilidade. Estudando-se as circunstâncias
b – O erro de tipo, a ofensa irrogada em juízo, o estrito atenuantes percebe-se que:
cumprimento do dever legal e o exercício regular de
direito. [a] apenas a emoção está ali prevista
c - A coação moral irresistível, a obediência hierárquica, a [b] embora as duas figuras não estejam ali citadas, a
inimputabilidade por maioridade penal e o erro de tipo. emoção se violenta, é causa de diminuição de pena no
d - O erro de proibição, a ofensa irrogada em juízo, o estrito crime de homicídio.
cumprimento do dever legal e o exercício regular de [C] apenas a paixão está ali prevista.
direito. [D] as duas figuras estão ali previstas expressamente.

6º) Conforme o vigente Código Penal Brasileiro: 12º) A embriaguez fortuita completa é:

a - A emoção ou a paixão excluem a imputabilidade penal. [a] causa de atipicidade da conduta


b - Não se comunicam as circunstâncias quando condições [b] eximente de ilicitude
de caráter pessoal salvo quando elementares do crime. [c] causa de isenção de pena
c - Os menores de dezoito anos somente são penalmente [d] descriminante putativa
imputáveis se agirem em legítima defesa ou em estado
de necessidade. 13º) A obediência hierárquica configura causa de:
d - Pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever
legal de enfrentar o perigo. [a] exclusão de culpabilidade.
[b] exclusão da ilicitude
7º) É conseqüência do erro de proibição, se escusável, [c] diminuição da pena
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[d] exclusão de tipicidade
A. A inimputabilidade do menor de 18 anos é presumida.
14º) Assinale a alternativa correta: B. A presunção da inimputabilidade do menor de 18 anos é
absoluta.
[a] a embriaguez completa exclui a imputabilidade penal. C. O menor de 18 anos responde pelas infrações que
[b] a emoção e a paixão excluem a imputabilidade penal. cometer perante o Estatuto da Criança e do
[c] a embriaguez voluntária não exclui a imputabilidade Adolescente.
penal. D. No crime continuado, o sujeito, após completar 18 anos,
[d] quando se trata de embriaguez proveniente de caso responde por todas as infrações perante o Código
fortuito e força maior a pena é aumentada de 1/3 a 2/3. Penal.

15º) Assinale com V as alternativas verdadeiras e com F 22º) Assinale a alternativa correta:
as falsas:
A. No caso de semi-imputabilidade, a sentença é
Considera-se inimputável: condenatória imprópria, pois condena o réu, mas não
lhe impõe pena.
[a] quem se encontra em estado de embriaguez completa, B. No caso de semi-imputabilidade, a sentença é
proveniente de caso fortuito. condenatória, pois condena o réu, impondo-lhe, em
[b] quem se encontra emocionalmente afetado pela regar, pena reduzida.
situação. C. No caso de semi-imputabilidade, não há possibilidade
[c] O maior de oitenta anos de imposição de medida de segurança.
[d] quem é, por loucura, inteiramente incapaz de entender o D. No caso de semi-imputabilidade, pode-se impor pena e
caráter ilícito do fato. medida de segurança ao réu.
[e] a mulher, se estiver influenciada pelo estado puerperal.
23º) O erro de proibição é:
16º) Potiguar é um silvícola que vive em Brasília, onde
frequenta escola de ensino médio. Vem ele a A. o erro que recai sobre a ilicitude do fato.
cometer crime de estupro com 19 anos de idade. B. o erro que recai sobre a vítima.
Potiguar: C. o erro que recai sobre o modo de execução.
D. o erro que recai a qualidade pessoal do agente.
[a] deverá ser considerado inimputável por
desenvolvimento mental incompleto. 24º) Assinale a alternativa incorreta:
[b] é inimputável
[c] é semi-imputável A. A ignorância de contravenção penal é causa excludente
[d] é imputável da culpabilidade.
B. O erro de proibição pode recair sobre a existência de
17º) São excludentes da ação: uma causa justificante que não existe.
C. Erro de proibição é a mesma coisa que ignorância da
a) coação moral irresistível e obediência hierárquica; lei.
b) inimputabilidade e embriaguez; D. A ignorância da lei pode ser utilizada como atenuante.
c) atos reflexos e estrito cumprimento do dever legal;
d) coação física irresistível e atos reflexos. 25º) Auxiliar autor de crime a que é cominada pena de
reclusão configura o delito de favorecimento
18º) Sobre culpabilidade, assinale a alternativa incorreta: pessoal (art. 348, CP). O § 2º estatui: "Se quem
presta o auxílio é ascendente, descendente, cônjuge
A. É o terceiro requisito do fato punível. ou irmão do criminoso, fica isento de pena". O § 2º
B. Recai sobre o agente que cometeu um injusto penal. caracteriza:
C. O dolo e a culpa encontram-se inseridos na
culpabilidade. A. exclusão de tipicidade.
D. É elemento normativo do delito. B. exclusão de ilicitude.
C. exclusão de culpabilidade.
19º) "A" coloca uma bomba em um avião. Logo após, D. escusa absolutória.
toma um sonífero e dorme. Enquanto "A" dormia
tranquilamente em sua casa, o avião explode e morrem 26º) "A", maior, com a ajuda de "B", menor de 18 anos,
10 pessoas. "A": subtraiu vários objetos de "C", que foram vendidos
à "D", sem apresentar a nota fiscal. Assinale a
A. não responde por crime algum, pois estava dormindo alternativa INCORRETA:
tranquilamente em sua casa na hora dos fatos.
B. não responde por crime algum, pois era inimputável A. "B" é inimputável.
quando o avião explodiu. B. "A" é imputável.
C. responde pelo delito, pois foi o responsável pela C. a menoridade de "B" beneficiará "A".
explosão. D. " D" responderá pelo crime de receptação culposa.
D. responde pelo delito, mas deverá ser-lhe aplicada
medida de segurança. 27º) Analise as afirmações abaixo e escolha a resposta
correta:
20º) São causas que excluem a imputabilidade, exceto: I - A inimputabilidade não é causa de exclusão de
culpabilidade e sim de antijuridicidade.
A. doença mental. II - O exercício regular de direito é causa de exclusão
B. menoridade penal. de antijuridicidade.
C. embriaguez culposa. III - O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, exclui
D. embriaguez fortuita. a culpabilidade.

21º) Assinale a alternativa incorreta: A. As afirmações I e II estão corretas.


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B. As afirmações II e III estão corretas. 9º) 3
C. As afirmações I e III estão corretas. 10º) C
D. Todas as afirmações estão corretas. 11º) A
12º) C
28º) A pessoa que comete crime no dia em que faz 13º) A
dezoito anos: 14º) C
15º) VFFVF
A. Será considerada imputável, mas terá, até completar 21 16º) D
anos, pena reduzida pela metade. 17º) D
B. Será considerada imputável, tendo, até completar 21 18º) C
anos, redução de prescrição pela metade. 19º) C
C. Só será considerada imputável a partir da hora 20º) C
correspondente à seu nascimento. 21º) D
D. Será considerada inimputável até contemplar 21 anos. 22º) B
23º) A
29º) Acerca da emoção e paixão, é verdadeiro afirmar 24º) C
que: 25º) D
26º) C
A. São considerados excludentes de imputabilidade. 27º) B
B. São considerados excludentes da ilicitude do fato, por 28º) B
estar o agente completamente alterado em virtude de 29º) C
intensa sobrecarga emocional ou passional. 30º) A
C. Embora não sejam excludentes de imputabilidade, 31º) D
podem ser alegadas a título de atenuar a punição em 32º) B
casos de lesão corporal, quando violenta e injustamente
provocada pela vítima. EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES COM GABARITO
D. Nenhuma das anteriores. TEMA : CONCURSO DE PESSOAS

30º) Segundo a teoria "actio libera in causa", o agente 1º) (UNB/CESPE/SENADO FEDERAL/CONSULTORT
embriagado culposamente: LEGISLATIVO/DIREITO PENAL, PROCESSUAL
PENAL E PENITENCIÁRIO/03.02.2002/QUESTÃO 56)
A. É considerado imputável. Acercada responsabilidade criminal e do concurso
B. É considerado inimputável. de pessoas, julgue os itens em seguida.
C. É considerado semi-imputável.
D. Não responde por seus atos pois há exclusão da 1. Por imputabilidade entende-se a capacidade de o
ilicitude. agente entender o caráter ilícito de um fato e de
determinar-se de acordo com esse entendimento; no
31º) Dentre as afirmações abaixo, quais estão corretas: direito penal, inicia-se aos dezoito anos de idade, ainda
I- Embriaguez por força maior é aquela em que o que tenha sido desenvolvida essa capacidade em idade
agente é forçado a ingerir bebida alcoólica; inferior.
II- A embriaguez patológica é também causa de 2. A ausência de imputabilidade (a inimputabilidade) é uma
exclusão de imputabilidade; das causas de exclusão da tipicidade do fato.
III- A embriaguez preordenada é causa de exclusão da 3. Se Raul estimula Ângelo a matar Honório, o que
imputabilidade; efetivamente ocorreu, Raul não deverá responder pelo
IV- A embriaguez acidental gera em todos os casos a crime de homicídio em concurso com Ângelo, porque
exclusão da imputabilidade. não praticou a conduta típica “matar alguém”.
4. Para que haja o concurso de pessoas, seja na
A. As afirmações I e IV estão corretas. modalidade da coautoria, seja na modalidade da
B. As afirmações II e III estão corretas. participação, não há necessidade de que os agentes
C. As afirmações III e IV estão corretas. tenham combinado previamente a execução do crime.
D. As afirmações I e II estão corretas.
2. Os crimes considerados monossubjetivos:
32º) Dentre as afirmações abaixo, qual é verdadeira:
I- A inexigibilidade de conduta diversa gera a exclusão a) Não admitem concurso de pessoas.
da ilicitude; b) Admitem concurso de pessoas, mas apenas o concurso
II- O erro de proibição é causa de exclusão da eventual.
culpabilidade; c) Admitem concurso de pessoas, mas apenas o concurso
III- A coação irresistível é causa de atenuação da pena. necessário.
A. A afirmação I é verdadeira. d) Admitem concurso de pessoas, inclusive nas duas
B. A afirmação II é verdadeira. espécies: eventual e necessário.
C. A afirmação III é verdadeira. 3. A teoria adotada pelo Código Penal em relação à
D. Todas as afirmações são verdadeiras. natureza jurídica do concurso de pessoas é a Teoria
Unitária. Segundo tal teoria:
GABARITO DOS EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES 5
RELATIVOS À CULPABILIDADE. a) Todos que contribuem para a prática do delito cometem
1º) A o mesmo crime.
2º) E b) Entre os autores há um único crime e entre os partícipes
3º) D há outro crime único.
4º) D c) Cada um dos participantes do delito responde por um
5º) A crime próprio.
6º) B d) Apenas o autor responderá pelo delito.
7º) E
8º) B 4.Analise as seguintes afirmações sobre autoria mediata:
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de caráter pessoal:
I - Exige pluralidade de pessoas.
II - Não admite a participação entre o autor e terceiro. a) Se comunicam entre todos os agentes, uma vez que
III - O autor pode aproveitar-se do executor por sua aderiam à prática delitiva uns aos outros.
ausência de capacidade penal, inimputabilidade por b) Se comunicam quando um dos agentes for primário,
doença mental ou por sua obediência hierárquica. pois todos deverão ter o tratamento mais benéfico.
c) Não se comunicam aos fatos cometidos pelos outros
a) As alternativas I e II estão corretas. participantes.
b) As alternativas I e III estão corretas. d) São desconsideradas se todos os agentes nunca agiram
c) As alternativas II e III estão corretas. em concurso de pessoas.
d) Todas as alternativas estão corretas.
11. Suponha a seguinte situação: "A" instiga "B" a
5.Pode-se dizer que autoria colateral caracteriza-se: matar "C", sem dizer a forma de execução. "B" mata
"C" por asfixia. O sujeito "A" responderá:
a) Pelo acordo prévio entre os agentes.
b) Pela igualdade da arma utilizada pelos agentes. a) Por homicídio simples.
c) Pela existência da figura do coautor. b) Por homicídio qualificado por emprego de asfixia.
d) Pela inexistência de acordo prévio entre os agentes. c) Por tentativa de homicídio, pois não tinha conhecimento
dos meios utilizados por "B".
6. No caso de dois sujeitos, se saber, atirarem em uma d) Por nenhum crime, uma vez que "B" utilizou um meio de
mesma pessoa e esta vier a falecer em decorrência execução que qualificava o delito.
dos ferimentos produzidos pelo projétil de uma das
armas, ficando impossível saber de qual delas o 12. A participação de cada concorrente do crime adere à
objeto foi disparado, deve-se: conduta e não à pessoa dos demais participantes,
assim:
a) Condenar ambos pelo crime de homicídio consumado.
b) Absolver ambos. a) Se comunicam as condições ou circunstâncias de
c) Condenar ambos pelo crime de homicídio na sua forma caráter pessoal.
privilegiada. b) A circunstância objetiva não pode ser considerada no
d) Condenar ambos pelo crime de homicídio na sua forma fato do partícipe se não ingressou na esfera de seu
tentada. conhecimento.
c) As elementares, sejam objetivas ou pessoais, não se
7. Analise as seguintes situações e escolha a comunicam entre os fatos cometidos pelos participantes,
alternativa correta: mesmo que tenham ingressado na esfera de seu
conhecimento.
I- Alberto aconselha Bruno a matar Carlos. d) Todas as respostas estão corretas.
II - Alberto, sabendo que Bruno pretende matar Carlos,
empresta-lhe uma arma. 13. Pela teoria do domínio do fato, a pessoa que planeja
um seqüestro e possui pleno domínio funcional
a) Na situação I, Alberto não responde por nenhum crime, sobre a realização do fato, mesmo não praticando
uma vez que executou a morte de Carlos. nenhum ato de execução, deve ser caracterizada no
b) Na situação II, Alberto responde como autor do crime, concurso de pessoas como:
uma vez que a arma era sua e Bruno responde como
partícipe, já que apenas cumpriu um conselho de a) Autor.
Alberto. b) Autor imediato.
c) Em ambas as situações Alberto responde como c) Partícipe, cuja participação é de menor importância.
partícipe da crime, sendo que na situação I sua d) Partícipe, cuja participação é de maior importância.
participação era apenas moral, enquanto que na
situação II era material. 14. OTAVIO LENTO descobre, para seu desalento, que
d) Em ambas as situações Alberto responde como autor do EMA REGINA, sua esposa, o traía com BIG
crime e Bruno é absolvido. RICHARD, o entregador de pizzas. Tomado de
insuportável ciúme, decide matar EMA. Sem
8. No caso de excesso qualitativo o participante que coragem para fazê-lo, contrata um matador de
desejou o crime menos grave responderá: aluguel, GILSON GUIBON, a quem paga a quantia de
a) Pelo crime consumado, mesmo sendo ele mais grave. dois mil reais para matar a esposa. O crime é
b) Apenas pelo crime que desejou, pois não previa o executado. Pergunta-se:
resultado mais grave.
c) Por crime algum, pois não havia previsto a ocorrência a) GILSON é o autor do crime e OTAVIO é partícipe, já que
de crime mais grave. instigou GILSON a executá-lo;
d) Pelos dois crimes: o que desejou e o que se consumou. b) GILSON é partícipe, e OTAVIO é o autor, já que tinha o
domínio final do fato;
9. O Código Penal adotou, em relação à autoria, a teoria c) OTAVIO é autor mediato do crime;
restritiva. O que diz tal teoria: d) GILSON e OTAVIO são coautores do crime;
e) Nenhuma das respostas acima.
a) Autor é quem dá causa ao evento, ou seja, contribui de
qualquer forma para a produção do resultado. GABARITO DOS EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES 6
b) Autor é o sujeito que realiza as características do tipo RELATIVOS AO CONCURSO DE PESSOAS.
penal.
c) Autor é quem consente com a realização da prática 1º) CEEC
delitiva por outra pessoa. 2º) B
d) Autor é quem encobre a prática delitiva de alguém. 3º) A
4º) B
10. No caso de coautoria ou participação, as condições 5º) D
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6º) D estupro.
7º) C c) Compreende-se todo aquele praticado por
8º) B médico,com a devida autorização da gestante e do Ministério
9º) B Público, em casos específicos.
10º) D d) É o cometido pela gestante e precedido do
11º) A consentimento da Justiça, nos casos em que a gravidez é
12º) B considerada indesejada.
13º) A
14º) D 5. Julimar, querendo matar sua mãe de 61 anos, ministra
veneno em um suco que será servido a ela. Ocorre que a
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES GENÉRICOS COM mãe de Julimar não toma a bebida, oferecendo a mesma
GABARITO (PARTE ESPECIAL). a sua empregada, Cunegundes, jovem de 20 anos.

Exercícios Complementares 1 (Dos Crimes contra a vida) a) Julimar responderá por homicídio qualificado pelo emprego
de veneno, sem qualquer outra circunstância agravante.
1.(MAGISTRATURA ESTADUAL/2002/SC) Nos crimes b) Julimar responderá por homicídio qualificado pelo emprego
contra a pessoa é correto afirmar: de veneno com as agravantes por crime praticado contra
ascendente e contra maior de 60 anos, pois se leva em
a) mulher que mata o filho comete crime de infanticídio. consideração as características da vítima pretendida e não da
b) no caso de homicídio privilegiado a redução da pena varia vítima atingida.
de 1/3 até a metade. c) Ocorreu erro sobre a pessoa. Não se consideram, neste
c) o Código Penal denomina necessário o aborto resultante caso, as condições ou qualidades da vítima, sendo as da
de estupro. pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.
d) a lei considera crime hediondo o homicídio por motivo fútil. d) Neste caso ocorreu erro na execução. Consideram-se as
e) a fuga para evitar a prisão em flagrante caracteriza o qualidades da vítima atingida e não as da pessoa contra
homicídio qualificado. quem o agente queria praticar o crime.

2.João da Silva e Antônio Soares, após adquirirem na 6. [PROVÃO – MEC – 96] A, desconhecendo a intenção e
Praça da Sé um talão de cheques e a carteira de até mesmo a presença de B, desferiu um tiro contra C, no
identidade de Ernesto Alves, dirigiram-se à agência exato momento em que A adotava o mesmo
bancária e, falsificando a assinatura do correntista, comportamento. C faleceu, não se identificando o autor
tentaram descontar um cheque no valor de R$ 500,00. do disparo.
Desconfiado, o caixa acionou a segurança do banco que
deteve a ambos. João reagiu à prisão e acertou um tiro a) Ocorreu coautoria de homicídio.
em um cliente do banco, que veio a falecer. A favor de b) A responde por homicídio e B, por tentativa desse
João da Silva, sua defesa requereu incidente de delito.
insanidade mental que concluiu pela sua c) A e B respondem por tentativa de homicídio,
inimputabilidade à época dos fatos. Pode-se dizer que: absolvidos do delito consumado, por falta de provas da
autoria.
I. João e Antônio responderão por crime de d) B responde por homicídio consumado e A, pela
homicídio qualificado em concurso material com o cri-me mobilidade tentada.
de estelionato; e) Todas as respostas estão erradas.
II. Ambos os crimes a serem apurados serão da
competência do júri; 7.[MP/MG – 97] A, desgostoso com a vida, decide
III. Se o juiz acatar o laudo pericial, deverá aplicar a suicidar-se, no que é instigado por B. Atira-se do
João da Silva medida de segurança com o prazo mínimo segundo andar de um edifício, não conseguindo, no
de um ano; é certo, porém, que João poderá permanecer entanto, lograr seu intento, sofrendo apenas lesões
sob custódia por tempo indeterminado; corporais leves. B responderá por:
IV. Ao agente Antônio Soares também será aplicada
a medida de segurança, pois neste caso, havendo A] Crime de lesão corporal na sua forma culposa;
concurso de pessoas, as circunstâncias se comunicam. B] Crime de investigação ao suicídio, na sua forma
tentada;
Dos itens acima, estão corretos apenas C] A conduta de B não é punível;
D] Crime de perigo para a vida ou a saúde de outrem;
a) III e IV. E] Crime de lesões corporais leves, na sua forma
b) I II e III. dolosa.
c) I e IV.
d) I e II. 8. Mateus e Marcos são inimigos de Lucas, que
3. Márcio mata Camila, temendo que esta o residena cidade vizinha. Em determinado dia, o jornal
pudesse reconhecer por crime de estupro praticado noticia que Lucas irá fazer uma visita à cidade, e que
anteriormente contra outra vítima. O homicídio é chegará por volta das 10 horas da manhã. Então, sem
qualificado que um saiba da decisão do outro, Mateus e Marcos
resolvem matar seu desafeto, fazendo uma emboscada.
a) por motivo torpe. Ainda sem qualquer conhecimento da conduta do outro,
b) para assegurar a ocultação. ambos se colocam cada qual, de um lado da estrada e
c) para assegurar a imputabilidade. ficam aguardando a passagem da vítima. Quando esta
d) por motivo fútil. aparece, Mateus efetua os disparos que atingem e matam
Lucas, ao passo que Marcos apenas atira quando Lucas
4.O que é aborto necessário já tinha falecido em virtude dos tiros desfechados por
Mateus. A perícia confirma estes fatos. Diante disso, a
a) É o praticado por médico, não havendo outro meio alternativa correta é:
de salvar a vida da gestante.
b) É o praticado em caso de gravidez resultante de A) Mateus e Marcos responderão por homicídio, mas
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Mateus deverá receber pena maior. discernimento, a se suicidar não comete o crime de
B) Mateus responderá por homicídio e Marcos por induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, mas o
tentativa de homicídio. crime de homicídio.
C) Mateus responderá por homicídio e Marcos não
responderá por crime. II - No crime de homicídio será torpe o motivo se for
D) Mateus e Marcos responderão por homicídio. daqueles insignificantes, sem importância, totalmente
desproporcionado em relação ao crime, em vista de
9.Uma pessoa vai à praia com seu filho menor e, banalidade.
desejando refrescar-se nas águas do mar, pede a alguém
que está ao lado para dar uma olhada na criança, III - No crime de perigo para a vida ou a saúde de
recebendo desse um rápido assentimento. Enquanto a outrem, o perigo deverá ser concreto.
mãe dá seu mergulho, a criança corre, entra na água e
morre afogada, porque a pessoa que deveria vigiá-la IV - Só responderá pelo crime de omissão de socorro
resolve dormir ao sol. Esta pessoa responderá pelo crime o agente que precedentemente à conduta omissiva haja
de: assumido o dever legal de impedir o resultado.

A] homicídio doloso; Os itens corretos são os da seguinte alternativa:


B] omissão de socorro;
C] homicídio culposo; A) I e III
D] sua conduta será atípica, cabendo à mãe qualquer B) I, II e IV
responsabilidade penal; C) I, II e IV
E] homicídio preterdoloso. D) II, III e IV

10. Pode ser sujeito ativo de infanticídio: 15. Gasparina do Alentejo, movida por ciúme,
pretendia matar Geni do Ribatejo. Adquiriu, na Casa do
A] qualquer pessoa que cometa crime de homicídio Fazendeiro, mortífero veneno. Convidou Geni para o chá
contra crianças menores de quatorze anos. vespertino. Colocou dois recipientes com açúcar sobre a
B] apenas os pais de criança com menos de trinta dias. mesa, sendo certo que, segundo seu juízo, aquele mais
C] somente a mãe do recém-nascido. próximo de Geni continha açúcar mesclado com o
D] os pais da criança recém-nascida. mortífero veneno. Gasparina enganou-se. O recipiente
que continha a mescla de açúcar e veneno permaneceu
11. O agente que, dolosamente, impede o socorro ao no armário. Porque Gasparina, logo após Geni despedir-
suicida que se arrependera do ato extremado e tentava se, ''bateu com a língua nos dentes'', vangloriando-se que
buscar auxílio, comete: contava com a certeza de sua morte, dentro do menor
espaço de tempo, o fato chegou ao conhecimento da
A] crime de omissão de socorro. autoridade policial que tudo apurou, inclusive identificou,
B] crime de homicídio. apreendeu e mandou realizar a perícia, constatando,
C] crime de induzimento ao suicídio. finalmente, que havia no armário de Gasparina, um
D] fato penalmente irrelevante. recipiente contendo a mescla de açúcar e veneno. Pode-
se dizer:
12. O agente instiga a gestante a fazer auto aborto
mediante curetagem e esta vem a falecer em virtude de A) Houve tentativa de homicídio qualificado.
manobras abortivas, sem que o agente quisesse o evento B) Trata-se de crime impossível por ineficácia absoluta
morte da gestante. Nessa hipótese, o agente responderá: do meio.
C) Trata-se de crime impossível por absoluta
A] apenas pelo crime de auto aborto na condição de impropriedade do objeto.
partícipe. D) Trata-se de erro de execução, irrelevante. Por isto
B] pelo crime de auto aborto na condição de partícipe e mesmo, Gasparina deve responder pela tentativa de
homicídio culposo. homicídio qualificado, eis que iniciada a execução e somente
C] pelo crime de auto aborto, qualificado pela morte da não se consumou por circunstância alheia à sua vontade.
gestante.
D] apenas pelo crime de auto aborto como co-autor. 16. No caso de homicídio, definido no artigo 121 do
Código Penal, assinale a alternativa correta:
13. Sobre o crime de homicídio é correto afirmar, exceto:
A] Tanto o sujeito passivo como o objeto material do A) consuma-se o crime independentemente da morte
delito é o ser humano com vida, pois sobre ele recai da vitima;
diretamente a conduta do agente; B) a figura do art. 121, caput, denomina-se homicídio
B] sua execução pode se realizar sob variados meios, simples justamente porque não concorrem na figura delituosa
diretos ou indiretos, físicos ou morais, desde que idôneos à as circunstâncias que podem tornar a figura privilegiada ou
produção do resultado morte; qualificada;
C] considera-se privilegiado o homicídio se o agente C) no homicídio qualificado são agregadas
comete o crime impelido por motivo de relevante valor social circunstâncias que não alteram a essência do delito, mas não
ou moral, ou sob influência de violenta emoção, provocada aumentam a pena;
por ato injusto da vítima; D) no homicídio privilegiado são agregadas
D] a premeditação não está incluída entre as circunstâncias que não alteram a essência do crime, mas não
qualificadoras do delito; diminuem a pena.
E] sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de
1/3 [um terço], se o crime é praticado contra pessoa menor de 17.Pode ser sujeito ativo de infanticídio:
14 [catorze] anos.
A. qualquer pessoa que cometa crime de homicídio
14. Analise os itens que seguem: contra crianças menores de quatorze anos.
B. apenas os pais de criança com menos de trinta dias.
I- Quem induz um alienado mental,desprovido de C. somente a mãe do recém-nascido.
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D. os pais da criança recém-nascida. da vitima;
B) a figura do art. 121, caput, denomina-se homicídio
18.Sobre o crime de aborto, pode-se afirmar que: simples justamente porque não concorrem na figura delituosa
as circunstâncias que podem tornar a figura privilegiada ou
A. há previsão no Código Penal versando sobre o qualificada;
aborto provocado com o consentimento da gestante. C) no homicídio qualificado são agregadas
B. é crime cujo julgamento é da competência do juiz circunstâncias que não alteram a essência do delito, mas não
singular aumentam a pena;
C. apresenta-se na modalidade culposa. D) no homicídio privilegiado são agregadas
D. o aborto é punido ainda que não haja outro meio de circunstâncias que não alteram a essência do crime, mas não
salvar a vida da gestante. diminuem a pena.

19. Roberto induz seu amigo Ricardo a praticar 25. Alberto Roberto foi julgado pelo Tribunal do Júri
suicídio e depois o auxilia na execução do crime. Roberto da Comarca de Alexandria/RN, por haver no ano de l983
responderá por: cometido um homicídio contra Fernando Paulino. O Júri
Popular absolveu o réu, reconhecendo a excludente de
A. homicídio simples. ilicitude de legítima defesa. A decisão transitou em
B. crime de induzimento, auxílio ou instigação ao julgado. Marinésio, escrivão que oficiou no feito, não
suicídio. satisfeito com a decisão irrecorrível, comentou
C. crime de induzimento, auxílio ou instigação ao incisivamente nos corredores do Fórum da Comarca que
suicídio na forma qualificada. Alberto Roberto matou, premeditadamente, Fernando
D. nenhum crime já que está era a vontade de Ricardo. Paulino na pescaria e, portanto a ''estória'' de legítima
defesa foi uma invenção para livrar a responsabilidade do
20. Sobre o crime de induzimento, instigação ou assassino. Nesta situação:
auxílio ao suicídio, é CORRETO dizer que:
A) Marinésio imputou a Alberto Roberto falsamente fato
A. o sujeito ativo é qualquer pessoa que tenta ou definido como crime, podendo retratar-se cabalmente da
provoca a própria destruição. calúnia, até antes da sentença:
B. o objeto material coincide com seu sujeito passivo. B) Marinésio imputou a Alberto Roberto fato definido
C. admite, no seu tipo subjetivo, a forma culposa, como crime, podendo valer-se da exceção da verdade para
passando a ação penal para a competência do juízo singular demonstrar que o fato é verídico;
ou monocrático. C) Não cometeu Marinésio qualquer crime, uma vez
D. trata-se de crime de perigo, vez que basta que o que sua conduta está protegida pela excludente de ilicitude,
sujeito ativo ameace a vida da vítima. pois os comentários ocorreram na discussão da causa;
D) Marinésio imputou a Alberto Roberto falsamente fato
21º) Marcos, querendo matar seu vizinho, faz um definido como crime, podendo valer-se da notoriedade do fato
disparo em sua direção. No entanto, não chega nem a para demonstrar que o comentário é verídico;
lesioná-lo. Marcos: E) Marinésio imputou a Alberto Roberto fato ofensivo a
sua reputação, podendo valer-se da exceção da verdade pois
A. não responde por crime nenhum, pois nem chegou a é funcionário público.
atingir seu vizinho.
B. responde por homicídio tentado. 26. O fazendeiro Horacius, grande proprietário de
C. responde por tentativa de lesão corporal. terras, tornou-se inimigo de seu vizinho Eufrates por
D. responde lesão corporal consumada. problemas relacionados com desvio de um córrego que
passava em sua fazenda. Resolvendo eliminá-lo,
22. José, ao adentrar em sua casa, flagra sua mulher contratou dois pistoleiros, mediante paga, para emboscá-
na cama com outro homem que, ainda não satisfeito, lo e assassiná-lo. Efetuado o pagamento, Eufrates foi
ofende José proferindo certos xingamentos. morto com vários tiros de arma de fogo de grosso
Descontrolado, José atira contra o homem, ferindo-o calibre. Os pistoleiros foram presos em flagrante e o
mortalmente. Diante disso, José responderá por qual fazendeiro teve sua preventiva decretada. Assinale a
crime? alternativa correta.

A. homicídio qualificado. A) No homicídio qualificado, como no caso, só os


B. homicídio simples. executores do crime respondem pela qualificadora da
C. homicídio privilegiado. emboscada.
D. homicídio culposo. B) Sendo Horacius o mandante do crime, exige a co-
autoria a prática de execução de sua parte, sendo necessária
23. Antônio dispara um tiro contra Miguel, com a a sua presença no local do crime.
intenção de tirar-lhe a vida. Porém, Antônio erra a mira e C) Pela teoria extensiva, haverá diferença entre
o tiro acerta o braço de Miguel. Mesmo ainda sendo participação principal e participação acessória e entre auxílio
possível atingir Miguel, Antônio não efetua mais nenhum necessário e auxílio secundário.
disparo. Antônio responderá pelo crime de: D) Na espécie, Horacius pode ser considerado como
partícipe, porque não praticando atos executórios do crime de
A. tentativa de homicídio. homicídio, concorreu de qualquer modo para a sua
B. homicídio privilegiado. realização.
C. por nenhum crime já que houve arrependimento E) Não haverá diferença entre ''societas criminis'' e
eficaz. ''societas in crimine'', porque o evento é indivisível e todas as
D. lesão corporal. circunstâncias para a sua produção se equivalem.

24. No caso de homicídio, definido no artigo 121 do GABARITO DOS EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES 1
Código Penal, assinale a alternativa correta: RELATIVOS AOS CRIMES CONTRA A VIDA.

A) consuma-se o crime independentemente da morte 1º) D


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2º) B 5. Configura lesão corporal grave a lesão que
3º) C resulta:
4º) A A. perigo de vida.
5º) B B. aborto.
6º) C C. morte, mesmo não querendo o agente.
7º) C D. inutilização de função.
8º) C
9º) C GABARITO DOS EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES 2
10º) C RELATIVOS AO CRIME DE LESÕES CORPORAIS.
11º) A 1º) C
12º) B 2º) B
13º) C 3º) C
14º) A 4º) B
15º) B 5º) A
16º) B
17º) C Exercícios Complementares 4 (Dos Crimes contra o
18º) A Patrimônio)
19º) B
20º) B 1.(MAGISTRATURA ESTADUAL/2003/SC) Assinale a
21º) B alternativa correta.
22º) C
23º) D a) Para a consumação do crime de extorsão mediante
24º) B seqüestro, basta à arbitrária detenção da vítima, não se
25º) A exigindo tenha o agente obtida a vantagem almejada.
26º) E b) Frustrada a intenção do agente, por ação da Polícia, na
obtenção de vantagem, a anterior detenção da vítima, com
Exercícios complementares referente ao tópico 2 (Lesões aquele objetivo, caracteriza apenas o delito de seqüestro e
Corporais) cárcere privado, definido no art. 148, do CP.
c) Em relação ao mesmo delito, a hipótese é de tentativa, e
1.A prática do crime de lesão corporal leve enseja a não de crime consumado, se após a arbitrária detenção da
propositura de ação: vítima, o agente, por circunstâncias alheias a sua vontade,
não obtém o preço do resgate pretendido.
A. penal privada. d) Se o arrebatamento da vítima não foi precedido de
B. penal privada subsidiária da pública. violência ou grave ameaça, o delito não se caracteriza, ainda
C. penal pública condicionada à representação. que o agente tenha obtido a vantagem.
D. penal pública incondicionada. e) Nenhuma das alternativas está correta.

2.Assinale a alternativa correta: 2.De acordo com o Código Penal, não é punível a
subtração de coisa comum fungível, cujo valor não
I- É imprescindível para a caracterização da violência excede a quota a que tem direito o agente. Assim, caso o
doméstica que esta tenha ocorrido no ambiente doméstico. condômino subtraia coisa comum fungível, é alegável tal
II - Violência doméstica constitui um tipo penal excludente?
autônomo.
III - A lesão leve cometida em decorrência de violência a) Não, tendo em vista que a assertiva é falsa.
doméstica é crime de competência do Juizado Especial b) Não.
Criminal. c) Sim.
IV - A pena do crime de lesão corporal praticada contra d) Sim, mas deverá obter o consentimento dos outros
irmão é de 3 (três) meses a 3 (três) anos. condôminos para tal subtração.

A. Somente a afirmação II está correta. 3.Mediante rompimento de obstáculo que consistiu na


B. Somente a afirmação IV está correta. quebra de uma janela, Eustáquio furtou, do interior de um
C. Somente a afirmação I está correta. veículo, um toca-fitas, várias fitas-cassete e um pneu. A
D. Somente a afirmação III está correta. mãe de Eustáquio auxiliou-o a tornar seguros os
produtos da subtração, sem visar a algum proveito e com
3.O crime de lesões corporais seguido de morte é um a única finalidade de proteger o filho. Neste caso, a mãe:
crime:
a) responderá pela participação de menor importância em
A. eventual. crime de furto qualificado.
B. culposo. b) cometeu o crime de favorecimento pessoal ao tentar
C. preterdoloso. proteger seu filho.
D. de ímpeto. c) responderá por favorecimento real.
d) não responderá por nenhum crime.
4."João", muito nervoso e alterado, provoca uma
perfuração no olho esquerdo de "Antônio". Em 4. João subtrai uma furadeira pertencente a seu vizinho
decorrência desta lesão, "Antônio" ficou cego de um olho José, sem que este saiba disto, com o intuito de usá-la
e por isso deve propor ação penal contra "João" pelo para pendurar um quadro na sala de sua casa,
crime de: devolvendo-a intacta, minutos depois, no mesmo lugar.
José descobre tal fato. Na hipótese, ocorreu:
A. lesões corporais gravíssimas.
B. lesões corporais graves. a) apropriação indébita – art. 168, caput, do Código Penal.
C. lesões corporais culposas. b) furto simples – art. 155, caput, do Código Penal.
D. lesões corporais preterdolosas. c) furto de uso, que é fato atípico.
d) roubo simples – art. 157, caput, do Código Penal.
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terços, diante do arrependimento posterior.
5. Anaxágoras, com a intenção de sequestrar o filho de c)Carlos poderá perdoar Henrique e este não será
seu patrão para obter vantagem monetária como preço processado por crime de furto.
do resgate, compra cordas, furta um carro e arruma o d) A ação penal só poderá ser proposta com a representação
local que serviria como cativeiro. Dois dias antes de de Carlos.
efetivar seu intento, seus planos são descobertos. Diante
destes fatos, Anaxágoras 11. Caracteriza-se o crime de apropriação indébita:

a) não responderá por qualquer crime. A] o fato de existir posse anterior da coisa apropriada, ainda
b) responderá apenas por furto consumado. que ilícita a posse;
c) responderá apenas por tentativas de extorsão mediante B] a apropriação da coisa apenas para uso ocasional;
seqüestro e tentativa de furto. C] a inversão no título de posse;
d) responderá por furto e extorsão mediante seqüestro D] o dolo é contemporâneo ao recebimento ilícito da coisa
consumado. apropriada.

6. Rodrigo pretende roubar transeuntes no centro da 12. [PROVÃO – MEC – ] Segundo orientação fixada
cidade, mas como não tem coragem para isso, embriaga- no Supremo Tribunal Federal, no estelionato consistente
se dolosamente, com o intuito de praticar tais atos na emissão de cheques sem fundos, o pagamento do
criminosos. Diante desta situação, a doutrina penal título:
reconhece que
A] antes da sentença obsta a redução da pena.
a) Rodrigo não responderá pelos crimes cometidos, ante sua B] antes da denúncia impede a acusação.
semi-imputabilidade. C] antes da sentença, obsta o prosseguimento do processo.
b) aplica-se a teoria da actio libera in causa. D] nem elide o crime, nem reduz a pena.
c) embriaguez voluntária dolosa é causa de diminuição de E] antes da denúncia permite a redução da pena.
pena. D] tipifica-se no art. 171 “caput” c.c.14, II do C.P. [ tentativa de
d) a consciência de Rodrigo viu-se abalada pela embriaguez, estelionato].
respondendo ele parcialmente por seus atos.
13. [JUIZ/SP – 1º fase – concurso 168] Agindo sozinho e
7. O furto de energia elétrica, por meio de extensão sem emprego de arma, Paulo abordou Carlos e, mediante
clandestina (artigo 155, § 3º do Código Penal), é crime violência física, subtraiu-lhe o carro, mantendo-o
amordaçado dentro do porta-malas. Levou-o consigo,
a) permanente. medida necessária para garantir a subtração,
b) continuado. restringindo-lhe assim, durante cerca de duas horas, a
c) habitual. liberdade. Em tese, a conduta de Paulo:
d) formal.
A] um crime de roubo simples, absorvido por este o de
8.Roberta é empregada doméstica de Carla, a qual tranca seqüestro.
todas as portas dos armários ao sair de casa. Numa B] um crime de roubo simples e um de seqüestro em
dessas ocasiões, Roberta abre os armários e foge com as concurso material.
joias da patroa. O Ministério Público processa Roberta C] um crime de roubo simples qualificado.
por furto qualificado pelo abuso de confiança. Como D] um crime de roubo simples e um de seqüestro em
defensor de Roberta, alegar-se-ia que: concurso formal.

a) a qualificadora não se caracterizou, pois a relação 14. Rogério, amigo íntimo de Rubens, comenta com este
empregatícia existente entre ambas exime o aumento de que vai assaltar o banco “Y” na manhã de segunda-feira,
pena. pedindo que guarde segredo. No dia do roubo, Rogério é
b) o furto é qualificado independentemente de qualquer preso e diz à polícia que Rubens sabia disto. Portanto,
circunstância, ante o fato da empregada residir na casa da diante desta hipótese, é correto afirmar que:
patroa.
c) o abuso de confiança não se caracterizou, eis que a patroa A] Rogério responde pelo crime de roubo e Rubens terá a
não confiava na empregada, posto que trancava todos os pena diminuída de um a dois terços por participação de
armários. menor importância.
d) inobstante a natureza do trabalho doméstico, o qual B] Rubens é partícipe, eis que tinha ciência do crime a ser
pressupõe a confiança da patroa em relação à empregada, praticado por Rogério.
há necessidade da configuração de algum meio enganoso C] somente Rogério é autor do crime de roubo.
apto a iludir a patroa. D] Rogério é autor e Rubens é co-autor.

9. Ocorre a figura do furto privilegiado quando o agente 15. Tício, após esconder no mato uma bicicleta que havia
furtado, viu-se despojado dela por parte de Névio, que a
a) consegue furtar a vítima porque dispõe de sua confiança. subtraiu para si, com pleno conhecimento da origem do
b) pratica o furto utilizando-se de informações confidenciais velocípede. Pode-se afirmar que o segundo ladrão:
sobre a vítima.
c) é primário e a coisa furtada é de pequeno valor. A] cometeu crime de apropriação de coisa achada.
d) emprega chave falsa. B] cometeu crime de receptação dolosa.
C] cometeu crime de furto.
10. Henrique furtou a bicicleta de Carlos. Após alguns D] não responde por nenhum delito, porque subtraiu para si
dias, envergonhado de tal ato, Henrique compra outra coisa já furtada..
bicicleta nova e restitui a Carlos. Nessa hipótese:
16. Funcionário público “A” deixa, propositalmente, a
a) A pena imposta a Henrique deverá se situar no patamar porta do prédio da repartição aberta, sabendo que seu
mínimo, sem qualquer diminuição. amigo, não funcionário “B”, irá nele penetrar e subtrair
b) A pena imposta a Henrique será reduzida de um a dois objetos valiosos da administração. Neste caso,
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roubo.
A] “A” responderá por peculato-furto e “B”, por peculato-
apropriação. 21. Tício e Caio resolvem subtrair joias da M. Joias e
B] ambos responderão por pec