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Supremo Tribunal Federal

Ementa e Acórdão

Inteiro Teor do Acórdão - Página 1 de 22

07/12/2018 SEGUNDA TURMA

AG.REG. NOS EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 1.039.237 R IO


GRANDE DO SUL

RELATOR : MIN. EDSON FACHIN


AGTE.(S) : GLOBAL VILLAGE TELECOM
ADV.(A/S) : ROBERTO BARRIEU
ADV.(A/S) : HUGO BARRETO SODRÉ LEAL
AGDO.(A/S) : UNIÃO
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DA FAZENDA NACIONAL
AGDO.(A/S) : AGÊNCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES -
ANATEL
ADV.(A/S) : EUGENIO BATTESINI
AGDO.(A/S) : INTELIG TELECOMUNICAÇÕES LTDA
ADV.(A/S) : PEDRO DA SILVA DINAMARCO
AGDO.(A/S) : CLARO S/A
ADV.(A/S) : RICARDO AZEVEDO SETTE
INTDO.(A/S) : EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICACOES S
A EMBRATEL
ADV.(A/S) : JOSE MANOEL DE ARRUDA ALVIM NETTO
ADV.(A/S) : FRANCISCO PREHN ZAVASCKI
INTDO.(A/S) : BRASIL TELECOM S/A
ADV.(A/S) : GUSTAVO DO AMARAL MARTINS E OUTRO(A/S)
INTDO.(A/S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA
INTDO.(A/S) : CELULAR CRT SOCIEDADE ANONIMA
ADV.(A/S) : CLAUDIO MERTEN

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO


EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. INTERPOSIÇÃO EM 08.08.2018.
ILEGITIMIDADE ATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO. RECURSO
NEGADO.
1. Não se caracteriza a preclusão alegada pela parte agravante tendo
em vista que o acordão recorrido rediscutiu a questão da ilegitimidade
ativa do Ministério Público.
2. A análise da Sistemática da Repercussão Geral é preferencial em

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RE 1039237 ED-A GR / RS

relação aos demais requisitos processuais do recurso interposto.


3. A jurisprudência do STF consolidou-se no sentido de ser incabível
recurso contra decisão que aplica a sistemática da repercussão geral.
4. Agravo regimental a que se nega provimento, com previsão de
aplicação da multa prevista no art. 1.021, §4º, CPC.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da


Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, em sessão virtual, de 30
de novembro a 6 de dezembro de 2018, sob a Presidência do Senhor
Ministro Ricardo Lewandowski, na conformidade da ata de julgamento e
das notas taquigráficas, por unanimidade de votos, em negar provimento
ao agravo regimental, com aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º,
do CPC, nos termos do voto do Relator.

Brasília, 7 de dezembro de 2018.

Ministro EDSON FACHIN


Relator

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07/12/2018 SEGUNDA TURMA

AG.REG. NOS EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 1.039.237 R IO


GRANDE DO SUL

RELATOR : MIN. EDSON FACHIN


AGTE.(S) : GLOBAL VILLAGE TELECOM
ADV.(A/S) : ROBERTO BARRIEU
ADV.(A/S) : HUGO BARRETO SODRÉ LEAL
AGDO.(A/S) : UNIÃO
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DA FAZENDA NACIONAL
AGDO.(A/S) : AGÊNCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES -
ANATEL
ADV.(A/S) : EUGENIO BATTESINI
AGDO.(A/S) : INTELIG TELECOMUNICAÇÕES LTDA
ADV.(A/S) : PEDRO DA SILVA DINAMARCO
AGDO.(A/S) : CLARO S/A
ADV.(A/S) : RICARDO AZEVEDO SETTE
INTDO.(A/S) : EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICACOES S
A EMBRATEL
ADV.(A/S) : JOSE MANOEL DE ARRUDA ALVIM NETTO
ADV.(A/S) : FRANCISCO PREHN ZAVASCKI
INTDO.(A/S) : BRASIL TELECOM S/A
ADV.(A/S) : GUSTAVO DO AMARAL MARTINS E OUTRO(A/S)
INTDO.(A/S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA
INTDO.(A/S) : CELULAR CRT SOCIEDADE ANONIMA
ADV.(A/S) : CLAUDIO MERTEN

RE LAT Ó RI O

O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN (RELATOR): Cuida-se de agravo


regimental (Petição 50639/2018) interposto por Global Village Telecom em
face de decisão monocrática, em que dei provimento sem efeitos
infringentes aos embargos de declaração, nos seguintes fundamentos
(eDOC 67):

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Trata-se de embargos de declaração opostos por Global


Village Telecom em face de decisão monocrática em que dei
provimento a recurso extraordinário com base nos seguintes
fundamentos (eDOC- 34):
Trata-se de seis recursos extraordinários interpostos
em face de acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª
Região que, ao julgar procedentes os embargos de
declaração opostos em apelação/reexame necessário,
emprestando-lhes efeitos infringentes, proferiu novo
decisum, o qual recebeu a seguinte ementa (eDOC 20, p.
137-138):
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DIREITO
ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. MPF.
FISCAL DA LEI. SERVIÇOS DE TELEFONIA.
REGULARIDADE. UNIÃO. INTERESSE
RELEVANTE. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.
LEGITIMIDADE ATIVA. ADEQUAÇÃO DA VIA.
DIREITO DO CONSUMIDOR. COFINS. PIS/PASEP.
REPASSE. PROIBIÇÃO. RESTITUIÇÃO. MULTA.
MANUTENÇÃO. ANATEL. INTERESSE DE AGIR.
INEXISTÊNCIA.
1. Excluído o Ministério Público Federal do
pólo ativo da causa por obra do decidido pelo
egrégio STJ, remanesce a viabilidade de seu recurso
na qualidade de fiscal da lei.
2. Reconhecimento da omissão perpetrada pelo
acórdão embargado ao ter deixado de considerar
acerca da legitimidade ativa da União para a causa,
assim como sobre o manifesto interesse público
federal relevante perceptível a partir do escopo da
lide, relativo à regularidade dos serviços públicos de
telefonia, sabidamente objeto de concessão aos
particulares.
3. Viável o manejo da ação civil pública para a
tutela do direito do consumidor consistente na

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regular prestação dos serviços de telefonia, na


hipótese estreitamente vinculado a relevante
interesse público federal de índole administrativa.
4. Afirmação acerca da ilicitude do repasse da
COFINS e do PIS/PASEP empreendido pelas
empresas de telefonia aos consumidores de seus
serviços, na medida em que tal encargo deve ser
assumido integralmente por tais empresas,
cumprindo a restituição dos valores indevidamente
cobrados, afastada, contudo, a preceitação para que
seja em dobro.
5. A verificação acerca da adequada observação
do decidido na causa tem vez na etapa do
cumprimento da sentença, reformada a sentença nos
pontos em que reconheceu o atendimento aos
comandos do Juízo no curso da lide.
6. Manutenção das multas nos patamares
arbitrados no feito, na medida em que necessárias,
adequadas e proporcionais em relação ao fim a que
se destinam.
7. Ausência de interesse da União para agir em
face da ANATEL, a qual fica excluída da causa.
(eDOC 20, p. 137-138).
No primeiro recurso extraordinário, da CLARO S/A,
com fundamento no artigo 102, III, a, do permissivo
constitucional, aponta-se ofensa ao artigo 5º, XXXVI, da
Constituição da República.
Nas razões recursais sustenta-se, inicialmente, que
o STJ, quando da prolação do arresto emitido no bojo do Resp
681.681/RS, deixou a ilegitimidade do Ministério Público não
advém diretamente do conceito de legitimidade, e sim da
inadequação da via eleita e que dessa forma,resta que a
ilegitimidade do MPF advém diretamente da inadequação da via
eleita, ou seja, Ação Civil Pública manejada no interesse de
defesa de direitos individuais homogêneos, identificáveis e
divisíveis, que devem ser postulados por seus próprios titulares

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(eDOC 21, p. 17-18).


Argumenta-se, desse modo, que não só o MPF, mas
como todos os legitimados pelo art. 5º da lei 7347/85 (lei de ação
civil pública), não possuem legitimidade para assumir o Pólo
Ativo da presente demanda, postos padecer a mesma de total
inadequação da via eleita (eDOC 21, p. 18).
Por fim, aduz-se que a citada decisão proferida pelo
STJ, a qual determina a inadequação da via eleita, e por
consequência ilegitimidade ativa do MPF, já se encontra
acobertada pelo manto da coisa julgada, não podendo mais ser
discutida no bojo da presente ação, sob pena de ofensa a coisa
julgada direta ao inc. XXXVI do art 5º, ou seja ofensa a coisa
julgada, uma vez que vai em sentido contrário ao quanto já
previamente decidido nos autos do RESPE 681.681, decisão já
transitada em julgado (eDOC 21, p. 18).
No segundo recurso extraordinário, da GLOBAL
VILLAGE TELECOM LTDA., com fundamento no artigo
102, III, a, do permissivo constitucional, aponta-se ofensa
ao artigo 5º, IV, 150, § 5º, 170, 173, § 4º, 174 e 175, da
Constituição da República.
Nas razões recursais, sustenta-se, inicialmente, que
o v. acórdão publicado no DE em 04.08.2009 legitimou a
inclusão da União no pólo ativo da presente lide por meio da
aplicação subsidiaria da Lei da Ação Popular ao procedimento
previsto na Lei da Ação Civil Pública, o que incorreu em
violação ao princípio do devido processo legal previsto no inciso
LIV do artigo 5º da Constituição Federal e que a arbitrária
alteração do procedimento previsto na Lei da Ação Civil Pública
viola o artigo 19 própria lei que regula a presente lide e enseja
também desrespeito ao princípio do devido processo legal
insculpido em nossa Constituição Federal (CF, art. 5º, LIV)
(eDOC 21, p. 256-258).
Sustenta-se, também, que a Recorrente nunca praticou
preços abusivos, sendo certo que a ANATEL nunca aplicou
nenhuma sanção ou reprimiu a Recorrente por conta de
eventual abusividade dos preços praticados e que, nesse

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sentido, a imposição de tutela jurisdicional que subtraia da


Recorrente o direito de incluir no valor dos preços de seus
serviços todos os custos da atividade, notadamente os relativos
ao PIS e COFINS, representa violação certa aos artigos 170, 173
§ 4º, 174 e 175 § único, inciso III, da Constituição Federal
(eDOC 21, p. 262).
Aduz-se, por fim, que não houve divulgação indevida do
valor dos serviços prestados, pois sempre se apontou qual o
montante cobrado, com indicação do valor bruto total, além da
discriminação dos tributos e que, assim, é certo que a
Recorrente, especificamente, nunca deu causa a eventual
confusão nos preços e obstáculos à concorrência, ou, ainda, em
erro na informação ao consumidor, não devendo a condenação
que lhe foi imposto pelo v. acórdão de fls. apoiada nesses
fundamentos (eDOC 21, p. 264).
No terceiro recurso extraordinário, da CELULAR
CRT S.A, com fundamento no artigo 102, III, a, do
permissivo constitucional, aponta-se ofensa ao artigo 5º,
XXXVI, da Constituição da República.
Nas razões recursais sustenta-se, em suma, que ao
julgar aos embargos declaratórios opostos pela ora Recorrente
nos autos do Resp 637.744, o egrégio STJ assentou que o
acolhimento de outros argumentos que não aqueles por si
reconhecidos no v. aresto embargado implicaria no mesmo fim,
qual seja, a extinção da ação, razão pela qual, concessa venia, ao
acolher os embargos do MPF para determinar o prosseguimento
do feito, agora com a União Federal com parte autora, o v. aresto
recorrido reabriu discussão já sepulta pela coisa julgada,
malferindo, assim, o art. 5º, XXXVI, da CF/88 (eDOC 23, p. 8).
No quarto recurso extraordinário, da EMPRESA
BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕES S/A -
EMBRATEL, com fundamento no artigo 102, III, a, do
permissivo constitucional, aponta-se ofensa ao artigo 5º, II,
XXXVI e LV, 21, XI, 37, 175, parágrafo único, III, 150, I, e
195, I, b, da Constituição da República.
Nas razões recursais sustenta-se que mesmo que se

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entendesse que até o reconhecimento da ilegitimidade ativa do


Ministério Público Federal, este era parte legítima, haverá
novamente, nítida violação ao art. 5º, XXXVI e LIV, da CF. Isso
porque, conforme reconhecido no REsp 681.681, o Ministério
Público não estava legalmente autorizado a pleitear em nome do
próprio, o direito alheio defendido nessa demanda (art. 6º do
CPC). E se não estava legalmente autorizado à defesa em nome
próprio do direito alheio aqui pleiteado, é evidente que sequer
poderia ter proposto a presente demanda e sequer poderia ter
atuado no pólo ativo até a assunção do processo pela União
Federal (eDOC 23, p. 254).
Argumenta-se, ainda, que o acordão recorrido viola a
cláusula do devido processo legal, pois, outra vez, os Acórdãos
recorridos afrontaram o rito processual da espécie, uma vez que
permitiram que a União Federal adentra-se ao feito não
recebendo o processo no estado em que se encontrava. Ao
contrário, os Acórdãos recorridos entenderam que o interesse
manifestado pela União (em discordância com manifestação
anteriormente realizada nos autos) produziria efeitos
retroativos, e mais, assumindo ela, como se fosse possível, a
autoria da petição inicial e de todas as manifestações do
Ministério Público Federal (eDOC 23, p. 255).
Sustenta-se que a EMBRATEL sempre esteve e
continua, por força do disposto nos artigos 5º, inciso II, 150,
inciso I, e 195, inciso I, alínea b, todos da Constituição Federal
de 1988, a única responsável pelo recolhimento do PIS e da
COFINS aos cofres públicos federais. É, sem dúvida, a empresa
de telefonia que detém a total e exclusiva responsabilidade pelo
pagamento das referidas Contribuições Sociais, não tendo o
usuário final dos seus serviços a responsabilidade pelo
pagamento do PIS e da COFINS ao ente tributante, o que se
confirma pela simples ausência, em toda a história, de
fiscalização pelo FISCO FEDERAL junto aos consumidores
substituídos pelo Recorrido para lhes exigir o pagamento dessas
contribuições pelo uso dos serviços de telecomunicações
prestados pela EMBRATEL (eDOC 23, p. 260).

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Além disso, afirma-se, que a EMBRATEL continua


sendo a Contribuinte e a Responsável pelo pagamento do PIS e
da COFINS e desse modo o que é transferido para os usuários
dos serviços de telefonia é o custo dos serviços prestados pelas
concessionárias dos serviços de telefonia, que compõe o preço
final da tarifa homologada pelo poder concedente (eDOC 24,
p. 4).
Por fim, aduz-se, que o preço final cobrado pela
EMBRATEL compreende o valor relativo às tarifas das ligações
efetuadas e, ainda, o custo da EMBRATEL para a prestação do
referido serviço (eDOC 24, p. 4) e que o afastamento da
sistemática de composição da tarifa final, mediante a inclusão do
custo do PIS e da COFINS, implicará inevitável rompimento do
equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão
(eDOC 24, p. 16).
No quinto recurso extraordinário, da BRASIL
TELECON S/A., com fundamento no artigo 102, III, a, do
permissivo constitucional, aponta-se ofensa ao artigos 5º,
LIV, 37, XXI, 93, IX, 174, 175 e 195, I, da Constituição da
República.
Nas razões recursais sustenta-se, inicialmente, que o
acordão dos segundos embargos declaratórios violou o
artigo 37, XXI, da Constituição da República, haja vista
que afastar o repasse econômico das contribuições (PIS e
COFINS) constitui interferência no equilíbrio econômico-
financeiro do contrato, inviabilizando a própria prestação do
serviço de telecomunicações (eDOC 24, p. 129).
Argumenta-se, que entender que as tarifas homologadas
pela ANATEL, expressamente líquidas de impostos e
contribuições, não poderiam permitir a soma de COFINS e PIS,
é dizer repita-se que houve falha na regulamentação, gerando
responsabilidade civil da União, conforme previsto no contrato
de concessão, nos editais de licitação e em todo o arcabouço
jurídico das concessões de serviços públicos estabelecidos de
acordo com os arts. 174 e 175 da CF, também violados na
hipótese (eDOC 24, p. 129-130).

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Por fim, aduz-se, que o acórdão recorrido violou os


artigos 5º, LIV e 93, IX, da Constituição da República, pois
não tratou da repercussão econômica das contribuições do PIS e
da COFINS, que são regulamentadas e fiscalizadas pela
ANATEL conforme previsão constitucional (art. 21, XI da
CF/88), levando somente ao cabimento da repercussão jurídica
sem esclarecer tais motivos (eDOC 24, p. 131).
No sexto recurso extraordinário, do MINISTÉRIO
PÚBLICO FEDERAL, com fundamento no artigo 102, III,
a, do permissivo constitucional, aponta-se ofensa ao
artigos 127, caput , e 129, II e III, da Constituição da
República.
Nas razões recursais, afirma-se, inicialmente, que o
objeto da ação civil pública originária não possui cunho
tributário, mas diz com a proteção de relações de consumo de
massa envolvidas na prestação dos serviços públicos de telefonia,
visando combater as irregularidades cometidas pelas
concessionárias/autorizatárias desses serviços e pela ANATEL,
encarregada da fiscalização e gerenciamento dos serviços de
telecomunicação em nome do Poder Público Concedente, e os
reflexos que essas irregularidades têm sobre o preço dos serviços
pagos pelos consumidores(eDOC 24, p. 164).
Argumenta-se, nesse sentido, que não se está
questionando se os tributos (PIS/PASEP e COFINS) são
devidos ou não ao ente tributante, mas o que se pretende é a
cessação do indevido repasse ao consumidor dos tributos cujo
sujeito passivo é a prestadora do serviço público, a qual mantém
com seus usuários inegável relação de consumo e que, em
outras palavras, o objeto de debate é o preço do serviço oferecido
ao consumidor, acrescido ilegalmente do tributo, e não o tributo
em si (eDOC 24, p. 164-165).
Sustenta-se que a legitimidade do Ministério Público
para a propositura de ações civis públicas em defesa do
consumidor também é ratificada pelo artigo 81 c/c 82, ambos do
CDC, cuja aplicação se justifica pela transindividualidade dos
direitos envolvidos na ação civil pública originária,

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conjuntamente com as disposições da Lei n. 7.347/1985,


especialmente seu artigo 1º, por força do artigo 21 dessa lei e do
artigo 90 do CDC (eDOC 24, p. 168-169).
Por fim, aduz-se, que no acórdão do REsp 605.755/PR
do STJ, restou consignado que a prestação do serviço de
telefonia fixa é tema de indiscutível interesse social, que afeta
uma coletividade de consumidores [grifou-se], tendo sido
confirmada a legitimidade do Ministério Público para propor
aquela ação civil pública e que, portanto, é indubitável a
legitimidade ativa do Ministério Público Federal e a adequação a
ação civil pública para pleitear a tutela dos direitos sob discussão
no presente caso (eDOC 24, p. 173).
O Tribunal de origem não admitiu o recurso
extraordinário interposto pela CLARO S/A, por ausência
de ratificação, e admitiu os demais recursos, interpostos,
respectivamente, pela GLOBAL VILLAGE TELECOM
LTDA GVT, CELULAR CRT S/A, EMPRESA BRASILEIRA
DE TELECOMUNICAÇÕES S/A EMBRATEL, BRASIL
TELECOM S/A e pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
(eDOC 26, p. 173-210).
É o relatório. Decido.
Quanto ao primeiro recurso extraordinário,
interposto pela CLARO S/A, é consabido que a
admissibilidade dos recursos às instâncias especiais é
aferida tanto na origem quanto no destino. No caso
concreto, verifica-se que a negativa de seguimento do
apelo extremo fundamentou-se na ausência de ratificação
do recurso extraordinário após o julgamento de embargos
de declaração (eDOC 26, p. 173-174).
Ocorre que quando do julgamento AI 703.269-ED-
EDv-ED-ED-AgR, da relatoria do Ministro Luiz Fux, DJe
08.05.2015, a jurisprudência desta Casa mudou o
entendimento em relação a interposição de recurso
prematuro e concluiu ser possível a interposição do
extraordinário que antecede o julgamento dos embargos,
uma vez ausentes os efeitos infringentes.

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Em que pese tal entendimento, verifica-se, também,


que o Supremo Tribunal Federal já se manifestou sobre o
tema discutido no referido recurso extraordinário. No
julgamento do ARE-RG 748.371, de relatoria do Ministro
Gilmar Mendes, Dje de 1º.8.2013 (Tema 660), o
Tribunal decidiu pela inexistência, em regra, de
repercussão geral das controvérsias que versem sobre a
violação dos princípios da ampla defesa, do contraditório,
do ato jurídico perfeito e da coisa julgada, quando o
julgamento depender de prévia análise da adequada
aplicação das normas infraconstitucionais, como na
hipótese dos autos.
Quanto aos demais recursos extraordinários
interpostos, verifico que o tema discutido nos autos é a
legitimidade, ou não, do Ministério Público para a
propositura de ação civil pública em defesa de direitos
individuais e homogêneos nas relações de consumo, bem
como a possibilidade, ou não, de repasse da COFINS e
PIS/PASEP aos consumidores finais dos serviços de
telefonia.
Conforme se depreende da leitura do acórdão
recorrido, o Tribunal de origem divergiu da
jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal
que reconhece a legitimidade do Ministério Público para a
propositura de ação civil pública na defesa de direitos e
interesses individuais e homogêneos nas relações de
consumo, máxime quando impregnados de relevante
natureza social, como ocorre no caso em exame, cuja
controvérsia cinge-se ao direito de informação dos
consumidores. Confiram-se, a propósito, os seguintes
precedentes de ambas as Turmas do Supremo Tribunal
Federal.
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE
INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÃO
DE CONTRARIEDADE AO ATO JURÍDICO
PERFEITO. CONTROVÉRSIA

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RE 1039237 ED-A GR / RS

INFRACONSTITUCIONAL.OFENSA
CONSTITUCIONAL INDIRETA.
CONSTITUCIONAL. O MINISTÉRIO PÚBLICO TEM
LEGITIMIDADE PARA PROPOR AÇÃO CIVIL
PÚBLICA EM DEFESA DE DIREITOS INDIVIDUAIS
E HOMOGÊNEOS NAS RELAÇÕES DE CONSUMO.
PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL
SE NEGA PROVIMENTO (AI 613.465-AgR, DJe
4.6.2010, Primeira Turma, de relatoria da Ministra
Cármen Lúcia).
Ministério Público: legitimidade para propor
ação civil pública quando se trata de direitos
individuais homogêneos em que seus titulares se
encontram na situação ou na condição de
consumidores, ou quando houver uma relação de
consumo. É indiferente a espécie de contrato
firmado, bastando que seja uma relação de consumo:
precedentes(RE 424.048 AgR, DJe 25.11.2005,
Primeira Turma, de relatoria do Ministro Sepúlveda
Pertence)
Agravo regimental em agravo de instrumento. 2.
Ministério Público. Ação Civil Pública. Relação de
consumo. (art. 129, III, da Constituição). Legitimidade.
Precedente. 3. Agravo regimental a que se nega
provimento (AI 618.240-AgR, DJe 17.4.2008, Segunda
Turma, de relatoria do Ministro Gilmar Mendes)
PROCESSO CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.
LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO.
DIREITOS DO CONSUMIDOR. CONTRATO DE
LEASING. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
O acórdão recorrido prestou, inequivocamente,
jurisdição, sem violar os princípios do devido
processo legal, do contraditório e da ampla defesa,
tendo enfrentado as questões que lhe foram postas.
Esta Corte firmou entendimento no sentido de que
o Ministério Público tem legitimidade ad causam

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RE 1039237 ED-A GR / RS

para propor ação civil pública quando a


controvérsia envolver a defesa de direitos
individuais homogêneos de consumidores.
Agravo regimental desprovido. (AI 606.235-AgR, DJe
05.6.2012, Segunda Turma, de relatoria do Ministro
Joaquim Barbosa- grifei).
Igualmente, colhe-se da jurisprudência desta Corte o
reconhecimento de que há repercussão geral em temas
correlatos, todos eles abordando, como discussão jurídica,
a legitimidade do Ministério Público para a propositura
de ação civil pública: em que se questiona acordo firmado
entre o contribuinte e o Poder Público para pagamento de
dívida tributária (Tema 56, RE-RG 576.155, DJe 1º.08.2008,
de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski), que tem
por objetivo compelir entes federados a entregar
medicamentos a portadores de certas doenças (Tema 262,
RE-RG 605.533, DJe 30.04.2010, de relatoria do Ministro
Marco Aurélio), para a defesa de interesses de
beneficiários do DPVAT (Tema 471, RE-RG 631.111, DJe
02.05.2012, de relatoria do Ministro Teori Zavascki), que
visa anular ato administrativo com fundamento na defesa
do patrimônio público (Tema 561, RE-RG 409.356, DJe
20.08.2012, de relatoria do Ministro Luiz Fux), para defesa
de pretensão de natureza tributária em defesa dos
contribuintes (Tema 465, RE-RG 694.294, DJe 14.06.2012,
de relatoria do Ministro Luiz Fux), em defesa de direitos
relacionados ao FGTS (Tema 850, RE-RG 643.978, DJe
25.09.2015, de relatoria do Ministro Teori Zavascki).
Por fim, verifica-se, quanto ao segundo ponto
debatido, referente ao repasse do PIS e da COFINS, que a
presente controvérsia é idêntica àquela que se encontra
afetada à sistemática da repercussão geral no Tema 415,
cujo recurso-paradigma original era o ARE-RG 638.484, de
relatoria do Ministro Cezar Peluso, e o atual é o RE-RG
638.550, de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, DJe
31.08.2011, ementado da seguinte forma:

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RE 1039237 ED-A GR / RS

Agravo convertido em Extraordinário. Reserva


de Lei Complementar. Repasse do PIS e da COFINS.
Faturas telefônicas. Consumidor. Relevância do
tema. Repercussão geral reconhecida. Apresenta
repercussão geral recurso extraordinário que verse
sobre necessidade de Lei Complementar para
autorizar o repasse do PIS e da COFINS ao
consumidor, em faturas telefônicas.
Ante o exposto, com base no artigo 21, §1º, do RISTF,
dou provimento ao recurso extraordinário, interposto pelo
Ministério Público, para reconhecer a sua legitimidade
para propor a ação civil pública, e quanto aos demais
recursos extraordinários, devolvo os autos à origem para
adequação ao disposto no art. 1.036 do Código de
Processo Civil, nos termos do art. 328 do RISTF, em
observância ao Tema 415.
Nas razões recursais (eDOC-37), sustenta-se que “merece
acolhimento os presentes Embargos de Declaração, para se
suprir a omissão apontada nesta oportunidade, reconhecendo-
se que a ilegitimidade do MPF para interpor a presente ação
civil pública já se tornou matéria imutável nos presentes autos.”
Devidamente intimado, o Ministério Público (eDOC 59)
apresentou manifestação.
É o relatório. Decido.
Conforme o art. 1.024, §2º, do CPC, “Quando os embargos
de declaração forem opostos contra decisão de relator ou outra
decisão unipessoal proferida em tribunal, o órgão prolator da
decisão embargada decidi-los-á monocraticamente”.
Sendo assim, observo que os argumentos apresentados
pela parte insurgente não se revelam aptos a alterar as
conclusões adotadas na decisão embargada.
Com efeito, tendo em vista que o acordão recorrido
rediscutiu a questão da ilegitimidade ativa do Ministério
Público, não se caracteriza, no caso concreto, a preclusão
alegada pela parte embargante. Tal assertiva encontra respaldo
nos acórdãos do tribunal a quo, cujas ementas transcrevo:

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“AÇÃO CIVIL PÚBLICA. ILEGITIMIDADE ATIVA


DO MINISTÉRIO PÚBLICO.REPASSE DA COFINS E
PIS/PASEP, AOS CONSUMIDORES FINAIS DOS
SERVIÇOS DE TELEFONIA. DIREITOS INDIVIDUAIS
HOMOGÊNEOS, IDENTIFICÁVEIS E DIVISÍVEIS.
1. A par da possibilidade da União poder propor
demandas da espécie, vê-se que aqui as suas intervenções
deram-se pela Fazenda Nacional, secundariamente
interessada, somente em face da questão tributária
debatida, enquanto a própria União, enquanto pessoa
jurídica demonstrou-se desinteressada, declarando a
desnecessidade da sua intervenção, em razão de que o
controle dos atos administrativos, em tese, ilegais ou
inconstitucionais, são delegados à ANATEL, ré nesta ação
civil pública.
2. Tendo o Superior Tribunal de Justiça decretado a
ilegitimidade ativa ad causam do Ministério Público para
tutelar esta espécie de direitos, individuais homogêneos,
identificáveis e divisíveis, que devem ser postulados por
seus próprios titulares, outra alternativa não resta senão a
extinção da demanda sem o julgamento do mérito, com
base no art. 267, § 3º, do CPC, prejudicados os recursos.”
(eDOC 19, p. 226)

“EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DIREITO


ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. MPF.
FISCAL DA LEI. SERVIÇOS DE TELEFONIA.
REGULARIDADE. UNIÃO. INTERESSE RELEVANTE.
AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LEGITIMIDADE ATIVA.
ADEQUAÇÃO DA VIA. DIREITO DO CONSUMIDOR.
COFINS. PIS/PASEP. REPASSE. PROIBIÇÃO.
RESTITUIÇÃO. MULTA. MANUTENÇÃO. ANATEL.
INTERESSE DE AGIR. INEXISTÊNCIA.
1. Excluído o Ministério Público Federal do pólo
ativo da causa por obra do decidido pelo egrégio STJ,
remanesce a viabilidade de seu recurso na qualidade de

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RE 1039237 ED-A GR / RS

fiscal da lei.
2. Reconhecimento da omissão perpetrada pelo
acórdão embargado ao ter deixado de considerar acerca
da legitimidade ativa da União para a causa, assim como
sobre o manifesto interesse público federal relevante
perceptível a partir do escopo da lide, relativo à
regularidade dos serviços públicos de telefonia,
sabidamente objeto de concessão aos particulares.
3. Viável o manejo da ação civil pública para a tutela
do direito do consumidor consistente na regular prestação
dos serviços de telefonia, na hipótese estreitamente
vinculado a relevante interesse público federal de índole
administrativa.
4. Afirmação acerca da ilicitude do repasse da
COFINS e do PIS/PASEP empreendido pelas empresas de
telefonia aos consumidores de seus serviços, na medida
em que tal encargo deve ser assumido integralmente por
tais empresas, cumprindo a restituição dos valores
indevidamente cobrados, afastada, contudo, a preceitação
para que seja em dobro.
5. A verificação acerca da adequada observação do
decidido na causa tem vez na etapa do cumprimento da
sentença, reformada a sentença nos pontos em que
reconheceu o atendimento aos comandos do Juízo no
curso da lide.
6. Manutenção das multas nos patamares arbitrados
no feito, na medida em que necessárias, adequadas e
proporcionais em relação ao fim a que se destinam. 7.
Ausência de interesse da União para agir em face da
ANATEL, a qual fica excluída da causa. (eDOC 20, p. 137-
138). ” (eDOC 20, p. 137)
Ante o exposto, acolho os embargos de declaração apenas
para prestar esclarecimentos, sem lhes atribuir efeitos
infringentes.

Nas razões recursais (eDOC-71), sustenta-se que houve a preclusão

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Relatório

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RE 1039237 ED-A GR / RS

da decisão proferida no sentido da ilegitimidade ativa do Ministério


Público e que, tendo em vista a decisão de provimento do Superior
Tribunal de Justiça, não há recurso pendente que discuta o mérito da
controvérsia, sendo incabível o sobrestamento do feito.
Por fim, argui-se que no caso paradigma no qual se reconheceu a
existência da repercussão geral (Tema 415), verifica-se que a pessoa
jurídica que ali praticou repasse do PIS e da COFINS aos consumidores
do serviço de telefone é a concessionária do serviço de telefonia,
diferentemente do caso aqui em questão.
É o relatório.

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Voto - MIN. EDSON FACHIN

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07/12/2018 SEGUNDA TURMA

AG.REG. NOS EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 1.039.237 R IO


GRANDE DO SUL

VOTO

O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN (RELATOR): Não assiste razão à


ora agravante.
A insurgente não trouxe argumentos com aptidão para infirmar a
decisão ora agravada. Examinando novamente os autos constato que o
acordão recorrido rediscutiu a questão da legitimidade ativa do
Ministério Público, não se caracterizando, no caso concreto, a preclusão
alegada pela parte embargante. Tal entendimento é evidenciado em
acórdãos do tribunal a quo, cujas ementas transcrevo:

“AÇÃO CIVIL PÚBLICA. ILEGITIMIDADE ATIVA DO


MINISTÉRIO PÚBLICO.REPASSE DA COFINS E PIS/PASEP,
AOS CONSUMIDORES FINAIS DOS SERVIÇOS DE
TELEFONIA. DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS,
IDENTIFICÁVEIS E DIVISÍVEIS.
1. A par da possibilidade da União poder propor
demandas da espécie, vê-se que aqui as suas intervenções
deram-se pela Fazenda Nacional, secundariamente interessada,
somente em face da questão tributária debatida, enquanto a
própria União, enquanto pessoa jurídica demonstrou-se
desinteressada, declarando a desnecessidade da sua
intervenção, em razão de que o controle dos atos
administrativos, em tese, ilegais ou inconstitucionais, são
delegados à ANATEL, ré nesta ação civil pública.
2. Tendo o Superior Tribunal de Justiça decretado a
ilegitimidade ativa ad causam do Ministério Público para tutelar
esta espécie de direitos, individuais homogêneos, identificáveis
e divisíveis, que devem ser postulados por seus próprios
titulares, outra alternativa não resta senão a extinção da
demanda sem o julgamento do mérito, com base no art. 267, §

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Voto - MIN. EDSON FACHIN

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RE 1039237 ED-A GR / RS

3º, do CPC, prejudicados os recursos.” (eDOC 19, p. 226)

“EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DIREITO


ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. MPF. FISCAL DA
LEI. SERVIÇOS DE TELEFONIA. REGULARIDADE. UNIÃO.
INTERESSE RELEVANTE. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.
LEGITIMIDADE ATIVA. ADEQUAÇÃO DA VIA. DIREITO DO
CONSUMIDOR. COFINS. PIS/PASEP. REPASSE. PROIBIÇÃO.
RESTITUIÇÃO. MULTA. MANUTENÇÃO. ANATEL.
INTERESSE DE AGIR. INEXISTÊNCIA.
1. Excluído o Ministério Público Federal do pólo ativo da
causa por obra do decidido pelo egrégio STJ, remanesce a
viabilidade de seu recurso na qualidade de fiscal da lei.
2. Reconhecimento da omissão perpetrada pelo acórdão
embargado ao ter deixado de considerar acerca da legitimidade
ativa da União para a causa, assim como sobre o manifesto
interesse público federal relevante perceptível a partir do
escopo da lide, relativo à regularidade dos serviços públicos de
telefonia, sabidamente objeto de concessão aos particulares.
3. Viável o manejo da ação civil pública para a tutela do
direito do consumidor consistente na regular prestação dos
serviços de telefonia, na hipótese estreitamente vinculado a
relevante interesse público federal de índole administrativa.
4. Afirmação acerca da ilicitude do repasse da COFINS e
do PIS/PASEP empreendido pelas empresas de telefonia aos
consumidores de seus serviços, na medida em que tal encargo
deve ser assumido integralmente por tais empresas, cumprindo
a restituição dos valores indevidamente cobrados, afastada,
contudo, a preceitação para que seja em dobro.
5. A verificação acerca da adequada observação do
decidido na causa tem vez na etapa do cumprimento da
sentença, reformada a sentença nos pontos em que reconheceu
o atendimento aos comandos do Juízo no curso da lide.
6. Manutenção das multas nos patamares arbitrados no
feito, na medida em que necessárias, adequadas e proporcionais
em relação ao fim a que se destinam.

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Voto - MIN. EDSON FACHIN

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RE 1039237 ED-A GR / RS

7. Ausência de interesse da União para agir em face da


ANATEL, a qual fica excluída da causa. (eDOC 20, p. 137-138). ”
(eDOC 20, p. 137)

No que diz respeito à perda do objeto do recurso extraordinário, a


decisão agravada aplicou a sistemática da repercussão geral, cuja análise
é preferencial em relação aos demais requisitos processuais, e eventuais
óbices, do recurso interposto.
Outrossim, quanto à alegação de ser incabível a aplicação do Tema
ao caso em questão, a jurisprudência do Plenário desta Corte tem se
orientado no sentido de ser incabível recurso contra ato que aplica a
sistemática da repercussão geral, tanto na Suprema Corte, quanto nos
tribunais de origem. Nesse sentido, confiram-se: AI-AgR 778.643, Rel.
Min. Cezar Peluso (Presidente), Plenário, DJe 07.12.2011, AI-AgR 775.139,
Rel. Min. Cezar Peluso (Presidente), Plenário, DJe 19.12.2011 e MS-AgR
28.982, Rel. Min. Gilmar Mendes, Plenário, DJe 15.10.2010.
Ante o exposto, diante do caráter manifestamente protelatório do
recurso, voto pelo não provimento do presente agravo regimental, bem
como, nos termos da fundamentação acima declinada, por aplicar à parte
agravante multa de 5% (cinco por cento) sobre o valor da causa, nos
termos do art. 1.021, § 4º, do CPC, em face de decisão desta Turma na
hipótese de deliberação unânime, condicionando-se a interposição de
qualquer outro recurso ao depósito prévio da quantia fixada, observado o
disposto no art. 1.021, § 5º, do CPC.
É como voto.

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Extrato de Ata - 07/12/2018

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SEGUNDA TURMA
EXTRATO DE ATA

AG.REG. NOS EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 1.039.237


PROCED. : RIO GRANDE DO SUL
RELATOR : MIN. EDSON FACHIN
AGTE.(S) : GLOBAL VILLAGE TELECOM
ADV.(A/S) : ROBERTO BARRIEU (38726/BA, 34034/DF, 120713/MG,
002312-A/RJ, 81665/SP)
ADV.(A/S) : HUGO BARRETO SODRÉ LEAL (195640A/SP)
AGDO.(A/S) : UNIÃO
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DA FAZENDA NACIONAL (00000/DF)
AGDO.(A/S) : AGÊNCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES - ANATEL
ADV.(A/S) : EUGENIO BATTESINI (22785/RS)
AGDO.(A/S) : INTELIG TELECOMUNICAÇÕES LTDA
ADV.(A/S) : PEDRO DA SILVA DINAMARCO (38712/DF, 142164/MG,
68673/PR, 177772/RJ, 35355/SC, 126256/SP)
AGDO.(A/S) : CLARO S/A
ADV.(A/S) : RICARDO AZEVEDO SETTE (02190/A/DF, 15431/ES, 28137/GO,
19728-A/MA, 45317/MG, 21437-A/MS, 01687/PE, 16153/PI, 120874/RJ,
67282A/RS, 47721/SC, 138486/SP)
INTDO.(A/S) : EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICACOES S A EMBRATEL
ADV.(A/S) : JOSE MANOEL DE ARRUDA ALVIM NETTO (40994/DF, 26258-
A/PA, 2605-A/RJ, 12363/SP)
ADV.(A/S) : FRANCISCO PREHN ZAVASCKI (55401/DF, 58888/RS)
INTDO.(A/S) : BRASIL TELECOM S/A
ADV.(A/S) : GUSTAVO DO AMARAL MARTINS (24513/DF) E OUTRO(A/S)
INTDO.(A/S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA
INTDO.(A/S) : CELULAR CRT SOCIEDADE ANONIMA
ADV.(A/S) : CLAUDIO MERTEN (15647/RS, 42226/SC, 86366/SP)

Decisão: A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo


regimental, com aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º,
do CPC, nos termos do voto do Relator. Segunda Turma, Sessão
Virtual de 30.11.2018 a 6.12.2018.

Composição: Ministros Ricardo Lewandowski (Presidente), Celso


de Mello, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Edson Fachin.

Marcelo Pimentel
Secretário

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