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PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO
SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE JATAÍ

Processo N° 0000007-49.2018.4.01.3507 - JEF ADJ - JATAÍ


Nº de registro e-CVD 00506.2018.00713507.1.00568/00128

PCTT 90.07.00.02 – TIPO A

SENTENÇA

Relatório dispensado (Lei 9.099/1995, artigo 38 e Lei 10.259/2001, artigo 1º).

Trata-se de ação cível proposta por SONIA REGINA VALLERINI BARBOSA


contra o INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, cujo pedido é restabelecimento de
auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez.

Tenho por presentes os pressupostos processuais e as condições da ação,


merecendo destaque a existência de interesse processual por parte da autora, mormente porque
o INSS cessou seu benefício de auxílio-doença em 24/01/2017 (fl. 15). Quanto à prejudicial de
mérito, declaro, desde já, prescrita a pretensão referente a crédito vencido em data anterior ao
quinquênio imediatamente anterior ao ajuizamento desta ação, que se deu em 08/01/2018 (fl. 01).

Não há, assim, preliminares ou prejudiciais que impeçam a apreciação do mérito


da presente ação previdenciária, na porção referente ao crédito vencido em data posterior a
08/01/2013, apreciação que passo a fazer.

a) Aquisição do direito ao auxílio doença ou aposentadoria por invalidez.


Requisitos legais cumulativos: qualidade de segurado, carência e
incapacidade laboral. Termo inicial do benefício (DIB) em regra na Data
do Requerimento Administrativo (DER) ou no dia posterior à indevida
data de cessação administrativa (DCB) do benefício e excepcionalmente
na data da citação do INSS no processo judicial. Doutrina.
Jurisprudência. Caso concreto: incapacidade parcial e temporária
constatada desde a DCB. Acolhimento integral do laudo pericial.
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Segundo dispõe o artigo 59, da Lei nº 8.213/91, “o auxílio-doença será devido ao


segurado que, havendo cumprido, quando for o caso, o período de carência exigível nesta Lei,
ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual por mais de 15 (quinze)
dias consecutivos”. Por outro lado, o artigo 42 da Lei nº 8.213/91 estabelece que “a aposentadoria
por invalidez, uma vez cumprida, quando for o caso, a carência exigida, será devida ao segurado
que, estando ou não em gozo de auxílio doença, for considerado incapaz e insuscetível de
reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta a subsistência, e ser-lhe-á paga
enquanto permanecer nesta condição”.

A carência para a concessão dos benefícios é de 12 (doze) meses, não sendo


exigido tal requisito nos casos de acidentes, doença profissional ou do trabalho ou doenças
especificadas em listas elaboradas pelos Ministérios do Trabalho e da Previdência Social (artigos
25, I, 26, II e 151, todos da Lei 8.213/91 e Portaria Interministerial nº 2.998/01). Para os segurados
especiais que não contribuírem na forma do art. 39, II, da Lei 8.213/91, fica assegurada a
concessão do auxílio-doença e aposentadoria por invalidez, no valor mínimo, diante da
comprovação do desempenho de atividade rural, mesmo que descontínua, no período
imediatamente anterior ao requerimento do benefício, em quantidade de meses correspondentes
à carência pertinente (inciso I do mesmo dispositivo).

Faz-se, ainda, necessária a manutenção da qualidade de segurado, fazendo jus


ao benefício caso também se encontre no chamado “período de graça”, período em que, muito
embora este não mais esteja recolhendo contribuições, tem direito a benefícios e serviços, em
razão da conservação da condição de segurado, nos termos do artigo 15 do mesmo diploma
legal.

Constatada a incapacidade pelo perito nomeado por este juízo e havendo nos
autos elementos que indiquem ser pretérita (exames, pareceres e laudos médicos, prescrição de
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medicamentos, por exemplo), em regra terá o benefício data de início (DIB) na data em que
veiculado o pertinente requerimento administrativo pelo autor (DER), ou se este for anterior à data
da cessação do benefício (DCB) que por ele estava em gozo, o dia posterior a esta (DCB) será a
DIB do benefício concedido por este juízo. Isto é, da constatação pericial da incapacidade
associada aos indigitados indicativos de surgimento em data pretérita, derivará a compreensão de
que o segurado se encontrava incapaz quando veiculou a postulação administrativa perante o
INSS (ou quando cessado administrativamente o benefício que vinha auferindo, quando a DCB for
posterior à DER), sendo contrário à ordem natural das coisas (NCPC, artigo 375), em tal contexto,
imaginar que o segurado somente se tornou incapaz no curso da demanda judicial. Assim
entendendo, não divirjo do magistério doutrinário que tenho por mais correto (Fábio Zambitte
Ibrahim, Curso de Direito Previdenciário, 16ª edição, 2011, página 584), filiando-me, ademais, à
jurisprudência sedimentada pela Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais
Federais (TNU, Súmula n. 22).

Entretanto, nas situações em que o exame pericial indicar que a incapacidade


surgiu em momento posterior à data de requerimento administrativo do benefício pelo segurado
(DER) ou à data de cessação do benefício anterior (DCB), a data de início do benefício
corresponderá à data indicada pelo expert ou, na ausência de sua especificação, à data em que
citada a autarquia no processo judicial. Acolho, nesse ponto, orientação exarada pela Turma
Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais Federais (TNU, PEDILEF 0501304-
33.2014.4.05.8302, Frederico Koehler, 11/12/2015).

Sob essa ótica, passo à análise da pretensão vertida a estes autos.

No laudo médico pericial juntado a estes autos (fls. 29-32), o competente perito
declarou que a autora lhe informou: i) ter a idade de 60 anos (fl. 29, quesito 1); ii) possuir a
ocupação laboral de confeiteira autônoma (fl. 29); iii) ter como grau de instrução o ensino superior
incompleto - Filosofia (fl. 29). Informou também ser ela portadora de doenças/sequelas, quais
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sejam, “Transtorno bipolar do humor, atualmente depressão leve a moderada – CID10 F31.3” (fl.
29-v quesito 9.1). Concluiu, assim, que porta a autora incapacidade parcial (fls. 30/31, quesito 21).
Classificou, ademais, referida incapacidade, como temporária (fl. 31, quesito 26).

Quanto à Data de Início da Incapacidade, afirmou o ilustre perito ter ela se


iniciado em janeiro de 2016, conforme documento de fl. 09 (DII: 01/2016 - fl. 30-v, quesito 18.1).
Assim, tem-se por conclusão que a autora permanecia incapaz no momento da cessação do
benefício auxílio-doença (DCB: 24/01/2017 – fl. 15).

Quanto aos requisitos (qualidade de segurada e período de carência), da análise


dos dados constantes do CNIS (fl. 39), verifico que na data do início da incapacidade (DII:
01/2016 - fl. 30-v, quesito 18.1), a autora detinha a qualidade de segurado, bem como a carência
exigida, posto que contribuiu regularmente ao RGPS, dentre outros períodos, de 01/03/2014 a
30/06/2016. Ademais, recebeu benefício auxílio-doença de 10/03/2016 a 24/01/2017.

Verifico, por outra via, que o último laudo pericial administrativo juntado a esses
autos (fl. 27) optou pela inexistência da incapacidade laborativa, estando em dissonância com o
laudo judicial. Acolho os fundamentos do laudo pericial judicial, isto porque a perícia administrativa
apenas se limitou a afirmar que “[...] sem crise no momento, o atestado do médico assistente e
exame físico, constata-se que houve incapacidade laborativa temporária [...], mas no momento
encontra-se apta para retornas [sic] suas atividades do lar”, ao passo que a perícia judicial
fundamentou a presença da incapacidade, ao afirmar que a doença encontra-se em fase
estabilizada (fl. 30, quesito 14), ao especificar os graus de incapacidade (total e temporária), bem
como detalhar que trata-se de doença com evolução irregular (fl. 31, quesito 27.1).

Não há elementos outros nestes autos (NCPC, artigo 479) que me levem a
afastar das conclusões alcançadas pelo eminente perito, de modo que tenho a requerente como
parcial e temporariamente incapacitada para as atividades laborativas, fazendo jus ao
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restabelecimento do benefício de auxílio doença NB 613.651.176-6, desde o dia seguinte à sua


cessação (DCB: 24/01/2017 – CNIS, fl. 39).

b) Revisão administrativa (com eventual cancelamento) de benefício


previdenciário concedido por decisão judicial. Possibilidade jurídica.
Vedação à estipulação na decisão judicial de que a revisão
administrativa somente se faça após data estimada pelo perito judicial
como de recuperação do segurado. Doutrina. Jurisprudência.

Quanto à revisão administrativa do benefício concedido judicialmente, anoto o


seguinte.

A despeito de existente respeitável entendimento de que o INSS somente


poderia rever os benefícios previdenciários concedidos judicialmente através de ação judicial (por
todos: STJ, AgRg 1.221.394, 5ª Turma, Jorge Mussi, DJe 24/10/2013), compreendo que
administrativamente, isto é, sem o curso necessário da via jurisdicional, é possível tal revisão.

Primeiro porque o artigo 71 da Lei 8.212/1991 é claro ao impor ao INSS o dever


de efetuar a revisão administrativa dos benefícios previdenciários, “ainda que concedidos
judicialmente”, não sendo dado ao Judiciário negar a aplicação de lei não tida por inconstitucional
(STF, Súmula Vinculante n. 10).

Segundo porque magistério consagrado na doutrina é no sentido de que “nada


impede que o INSS venha a cessar benefício concedido por ordem judicial, pois o artigo 101 da
Lei 8.213/1991 impõe a observância de exames periódicos, sem restringir aos concedidos
administrativamente ou em juízo” (Fábio Zambitte Ibrahim, Curso de Direito Previdenciário, 16ª
edição, 2011, página 628).

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Terceiro porque a Turma Nacional de Uniformização (TNU) sedimentou a


compreensão de que, além de não poder a decisão judicial concessiva de benefício previdenciário
por incapacidade proibir que o INSS nele proceda às revisões determinadas por lei, não pode
também o juízo determinar que tais revisões somente se dêem após o trânsito em julgado da
sentença concessiva do benefício (PEDILEF 5000525-23.2012.4.01.4.04.7114, Relator Juiz
Gláucio Maciel, DJ 07/06/2013).

Dessa forma, não poderá este juízo proibir que a revisão administrativa se dê em
data anterior à estimativa pericial de data de recuperação do segurado.

Ora, não cabe ao juízo determinar, com base em mera estimativa, que as
revisões administrativas somente se processem após determinada data, proibindo que ocorram na
forma estabelecida administrativamente, conforme estabelecido no precitado precedente da TNU
(PEDILEF 5000525-23.2012.4.01.4.04.7114, Relator Juiz Gláucio Maciel, DJ 07/06/2013). Neste
caso, se a revisão administrativa processada anteriormente à data estimada para a recuperação
laboral do segurado vier a, considerando o segurado capaz para o trabalho, desconstituir
mencionada estimativa de recuperação efetuada pelo perito, é imprescindível que seja
acompanhada de explicitação dos motivos conducentes à verificada incorreção na estimativa
pericial.

c) Estimativa pericial da data de recuperação da capacidade laboral do


segurado. Inaptidão para fixar ‘Alta Programada Judicial’. Postergação
da data de cessação. Ônus do segurado que ainda se considere incapaz
de requerer antecipadamente na via administrativa a prorrogação do
benefício. Impossibilidade, neste caso, de o INSS cessar o benefício
antes da realização da avaliação pericial. Doutrina. Jurisprudência.

Assentada a possibilidade jurídica de o INSS revisar administrativamente


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benefícios por incapacidade concedidos por este juízo, resta-me avaliar a influência da estimativa
da data de recuperação da incapacidade do segurado feita pelo perito judicial sobre o exercício de
tal competência administrativa. Insisto que aqui trato da estimativa, isto é, prognóstico pericial de
recuperação destituído de juízo de certeza.

Nesse contexto, estabeleço, de antemão, a impossibilidade de fixação prévia da


data de cessação do benefício, eis que indigitado sistema de “data certa” somente se viabiliza se
a avaliação pericial for conclusiva quanto à data da cessação da incapacidade (nesse sentido:
Carlos Alberto Pereira de Castro e João Batista Lazzari, Manual de Direito Previdenciário, 11ª
edição, 2009, páginas 640 e 641).

Desta forma, caso o segurado ainda se considere incapaz quando se aproximar


o momento estimado pelo perito para recuperação de sua capacidade laboral, deverá veicular
administrativamente o denominado ‘Pedido de Prorrogação do Benefício’ (Portaria MDSA
152/2016, artigo 1º). Efetuado o pedido até quinze dias antes da data estimada para cessação do
benefício, não poderá este ser cessado enquanto não realizado o exame pericial pelo INSS,
tratando-se esta de orientação consagrada em respeitável escólio doutrinário (Daniel Machado da
Rocha e José Paulo Baltazar Júnior, Comentários à Lei de Benefícios da Previdência Social, 13ª
edição, 2015, página 363) e que veio a ser consagrada pela Turma Nacional da Uniformização
dos Juizados Especiais Federais (TNU, PEDILEF 0501304-33.2014.4.05.8302, Frederico Koehler,
11/12/2015).

Destaque-se, neste particular, que a impossibilidade de o benefício com data


estimada de cessação ser efetivamente cessado antes de realizada perícia administrativa que
ateste a recuperação da capacidade laboral – isso nos casos em que o segurado veicule até
quinze dias antes da cessação o ‘Pedido de Prorrogação’ – é de se impor ainda diante da inclusão
dos §§ 11 e 12 no artigo 60 da Lei 8.213/1991, inclusão operada pela MP 767/2017.

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A uma, porque os próprios dispositivos legais citados referem-se tanto à fixação


judicial de prazo “estimado” (§11) - isto é, destituído de juízo de certeza – de duração do benefício
quanto à impossibilidade de cessação na data estimada quando “o segurado requerer a sua
prorrogação junto ao INSS” (§12). A duas, porque a Turma Nacional de Uniformização dos
Juizados Especiais Federais houve por bem afirmar expressamente que a precitada orientação
jurisprudencial estabelecida no PEDILEF 0501304-33.2014.4.05.8302 – pela impossibilidade da
cessação do benefício objeto de pedido antecipado de prorrogação enquanto não realizada
administrativamente perícia que ateste a recuperação da capacidade laboral do segurado –
aplica-se mesmo após as referidas alterações promovidas pela MP 767/2017 no artigo 60 da Lei
8.213/11991, o que fez recentemente (TNU, 0501883-54.2014.4.05.8310, Luiz Eduardo Bianchi
Cerqueira, 23/02/2017).

No presente caso, a data estimada para cessação do benefício (Lei 8.213/1991,


artigo 60, § 8º) é 20/09/2018, isto é, aproximadamente 6 (seis) meses após a data da realização,
pelo perito nomeado por este juízo, do Laudo Médico Pericial. Estimativa realizada pelo próprio
expert (fl. 31-v, quesito 28).

d) Dispositivo e providências.

Com fundamento no exposto, declaro extinto o processo com julgamento do


mérito (NCPC, artigo 487, I) e JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTES as pretensões
deduzidas na inicial para:

a) condenar o INSS a restabelecer o benefício de auxílio-doença NB


613.651.176-6 em favor da segurada SONIA REGINA VALLERINI BARBOSA com Data de Início
do Benefício – DIB em 25/01/2017 e Data do Início do Pagamento – DIP 01/10/2018, devendo a
renda mensal ser apurada nos moldes do art. 29, II, da Lei n. 8.213/1991;

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b) antecipar os efeitos da tutela, com apoio na conjugação da verossimilhança


(resultante do reconhecimento do direito material alegado) e da urgência (natureza alimentar das
prestações previdenciárias), assinalando à instituição previdenciária prazo de 45 (quarenta e
cinco) dias para implantar o benefício ora concedido, sob pena de multa diária de R$ 100,00
(cem reais);

c) condenar a parte ré ao pagamento das parcelas a partir da DIB acima


definida, pela via legal (RPV ou Precatório), ficando autorizada a compensação de valores
eventualmente recebidos pela parte autora com referência ao período, sendo o termo final do
pagamento dos atrasados um dos seguintes: (i) a data estimada para a cessação da
incapacidade (item e abaixo) se não houver pedido de prorrogação do benefício no prazo ou se o
INSS concluir em perícia pela cessação da incapacidade na data estimada; (ii) a DCB
estabelecida administrativamente pelo INSS em análise do pedido de prorrogação apresentado
pelo segurado (em consonância com item f abaixo), caso seja ela posterior à referida dada
estimada e anterior à DIP acima estabelecida; (iii) ou a DIP, se a DCB a ser apurada
administrativamente pelo INSS em consonância com os itens seguintes da sentença, a ela for
posterior;

d) determinar que os juros e as parcelas vencidas sejam atualizadas, de acordo


com o manual de cálculo da Justiça Federal;

e) estimar 20/09/2018 como data de cessação do benefício;

f) proibir o INSS de cancelar o benefício na data estimada e enquanto não


realizada administrativamente perícia que comprove a recuperação da capacidade laboral do
segurado, proibição que somente se aplica se o segurado veicular ‘Pedido de Prorrogação do
Benefício’ até quinze dias antes da data acima estimada (Portaria MDSA 152/2016, artigo 1º) até
15 (quinze) dias após a intimação administrativa (carta de intimação) da implantação do
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benefício pelo INSS;

g) declarar a legalidade dos pagamentos posteriores à DIP, já que referentes


a período em que pendente pedido de prorrogação do benefício;

h) determinar ao INSS que cancele o benefício 15 (quinze) dias após a


intimação administrativa se não efetuado pedido de prorrogação do benefício pelo segurado na
forma do item f;

Defiro os benefícios da assistência judiciária gratuita, conforme art. 98 do NCPC.

Sem custas nem honorários advocatícios nesta primeira instância (art. 55 da Lei
9.099/1995, artigo 55).

Sobrevindo o trânsito em julgado, proceda-se, nessa ordem à: (1) remessa à


Contadoria para apuração do quantum debeatur; (2) vista às partes pelo prazo sucessivo de 10
(dez) dias, começando pela parte autora; (3) solicitação, caso ausentes impugnações aos
cálculos, do pagamento pela via legalmente adequada (RPV ou precatório); (4) arquivamento dos
autos, tão logo efetuado o depósito do montante devido à parte vencedora da lide.

Publique-se. Registre-se. Intimem-se.

Jataí/GO, data da assinatura eletrônica.

(Assinado eletronicamente)
FRANCISCO VIEIRA NETO
Juiz Federal
CA

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PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO
SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE JATAÍ

Processo N° 0000007-49.2018.4.01.3507 - JEF ADJ - JATAÍ


Nº de registro e-CVD 00506.2018.00713507.1.00568/00128

Recebimento
Recebi, nesta data, os presentes autos.
Jataí/GO, / / 2018.

Marcelo Torres - GO 80387

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