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Alquimia da tese.

1. O que se entende por tese.


2. Como escolher o tema e organizar o tempo de trabalho
3. Como levar a cabo uma pesquisa bibliográfica
4. Como dispor o material selecionado
5. Como dispor a redação do trabalho (mais importante)

Tese de pesquisa (phd) x tese de compilação (lic)

A compilação não pode ser totalmente descartada pela tese de pesquisa.

Elaborar uma tese significa

1. Identificar um tema preciso


2. Recolher documentação sobre ele
3. Pôr em ordem esses documentos
4. Reexaminar em primeira mão o tema à luz da documentação recolhida
5. Dar forma orgânica a todas as reflexões precedentes
6. Empenhar-se para que o leitor compreenda o que se quis dizer e possa, se for o caso,
recorrer à mesma documentação a fim de retomar o tema por conta própria.

Fazer uma tese é aprender a pôr em ordem as ideias e ordenar os fatos. Ou seja, ser claro naquilo
que se quer apresentar de forma harmoniosa. Trabalho metódico. Construir algo que servirá aos
outros. Fazer uma tese é pensar não somente na pesquisa, mas naqueles que a lerão. Elaborar uma
tese é valorizar os fundamentos, e se vc firmou bem os fundamentos quando jovens, quando velho
eles se tornarão ainda mais afiados.

O método é mais importante que conteúdo (algumas vezes). Não existe tema estúpido, existe tema
não bem trabalhado. Fazer uma tese é colocar ordem nas próprias ideias.

Escolher uma tese em que se tenha capacidade para transitar e fazer.

Focar em temas bem recortados e delimitados. Não são ambiciosas e mantêm o foco no que se quer
trabalhar de forma mais detida.

Uma monografia não exclui uma tese panorâmica, é necessário ter um panorama vasto de outras
obras para dialogar e se investigar o assunto tratado na monografia. Mas uma coisa é usar o
panorama como pano de fundo e outra o panorama como quadro referencial.

Quanto mais se restringe o campo com mais segurança e melhor se trabalha. É melhor que a tese se
assemelhe a um ensaio.

Escrever uma tese em pouco tempo (seis meses):

1. Circunscrever bem o tema.


2. Tema atual, não exigindo bibliografia que remonte aos gregos, ou tema marginal, sobre o
qual pouca coisa foi escrita.
3. Consulta facil dos documentos.

4-
Plano de fichamento.

Antes de se iniciar a redação, escrever o índice. Mesmo que se mude, é melhor mudar, i.e.,
reestruturar, que ficar construindo a partir do nada a cada ideia que surgir. Esse índice servirá como
um mapa.

INDÍCE PROVISÓRIO!

Sumário. Esboçando cada capítulo com um breve resumo. Propor ao orientador e mostrar que as
ideias já estão claras. É necessário estar consciente do caminho, não só da partida ou da chegada.

Plano de trabalho:

Título (subtítulo) (fazer o título em uma pergunta para alguns desdobramentos)

Índice

Introdução

Etapas do trabalho que correspondem a outros capítulos do índice.

Literatura sobre o assunto: síntese das várias fontes de informação.

Acontecimento

Notícias

Comparação

Análise comparada de conteúdo

Avaliação

O ÍNDICE DEVE SER SEMPRE O MAIS ANALÍTICO.

Índice-hipótese terá a seguinte estrutura.

1. Posiçao do problema
2. Os estudos precedentes
3. Nossa hipótese
4. Dados que estamos em condições de apresentar
5. Minha análise
6. Demonstração da hipótese
7. Conclusões e referencias para o trabalho posterior.

Esboço da introdução. Permite fixar as ideias que serã trabalhadas ao longo do texto, como se fosse
um resumo do trabalho já feito.

Introdução e índice serão reescritos à medida que o trabalho progride. Isso é normal e denota uma
evolução no trabalho.

A PRIMEIRA INTRODUÇÃO PROMETE MUITO. A ÚLTIMA, POUCO, MAS É EFICAZ E DELINEADA.

A introdução serve para estabelecer qual será o núcleo e a periferia da tese.


Para decidir qual o núcleo (foco) da tese, você deverá saber algo sobre o material de que dispõe. Por
isso titulo secreto, a introdução fictícia e o indice-hipotese se contam entre as primeiras coisas a
fazer, mas não a primeira.

A primeira coisa a fazer é a pesquisa bibliográfica. E não é difícil: Ex.

1. Problema central

1.1 subproblema central

1.2 subproblema secundário

2 desenvolvimento do problema central

2.1 primeira ramificação

2.2 segunda ramificação

Uma vez disposto esse índice como hipótese de trabalho, as fichas e outros tipos de documentação
deverão sempre se referir aos vários pontos do índice. As referências precisam ser claras e expressas
de forma nítida. Elas serivrão para organizar as referências internas. A referência interna serve pra
evitar repetição de uma coisa só, mas ao mesmo tempo revelam coesão de toda a tese. São
referencias a assuntos tratados em capítulos anteriores ou parágrafos ou sub-paragráfos anteriores.
Essa referencia interna serve para demonstrar que dois diferentes argumentos pode ser valido sob
dois pontos de vista.

UMA TESE BEM ORGANIZADA DEVE CONTER REFERENCIAS INTERNAS EM ABUNDANCIA. A


AUSENCIA DESSAS REFERÊNCIAS EVIDENCIA UMA FALTA DE COESÃO E DESCONEXÃO ENTRE OS
CAPÍTULOS, COMO SE ELES FOSSEM INDEPENDENTES, E NADA DO QUE FOI DITO NO ANTERIOR
IMPORTASSE.

Para refletir a estrutura lógica da tese (núcleo e periferia, tema central e suas ramificações etc.), o
indice deve ser articulado em capítulos, paragrafos e subparagrafos. Uma subdivisão bem analítica
ajuda a compreensão lógica do discurso.

Tal organização lógica deve refletir-se no indíce. I.e., deve ser claramente evidente no indice que há
essa conexão lógica. E.g.:

1 a subdivisao do texto
1.1 os capitulos
1.1.1 espacejamento
1.1.2 Abertura de parágrafos
1.2 Os paragrafos
1.2.1 tipos diversos de titulo
1.2.2 Eventuais subsdivisoes em subparagrafos
II. Redação final
II.1. datilografia
II.2.. Custo da maquina de escrever
III encadernação

Cada capitulo não deve vir necessariamente submetido a mesma subdivisao analitica dos demais.
Há teses que não requerem tantas divisões e nas quais uma subsdivisao minuciosa quebra o fio do
discurso.

DICA: Se vc já tem um índice bem delimitado pode iniciar o trabalho pela parte que se sente seguro
ou que tem mais documentação. Mas isso só é possível se tiver como base um esquema de
orientação, ou seja, o indice como hipótese de trabalho.

(Fichário bibliográfico)

Uso dos livros. Assinalar nas bordas deles os capitulos dos indices para se referenciar na leitura.

Dicas de fichas de leitura para facilitar na construção da bibliografia

a. Fichas de leitura de livros ou artigos


b. Ficahs temáticas
c. Fichas por autores
d. Fichas de citações
e. Fichas de trabalho

Faz-se necessário fichar livros importantes, pois nem sempre se tem o livro em maos, e ao fichar vc
sabe se referenciar no livro pois destacou as partes importantes dele.

A ficha facilita o trabalho da redação. Perde-se tempo fazendo fichas, mas economiza-se mais no
final, pois a consulta não precisa ser direta no livro ou a busca pela referência.

Fazer uma ficha com a seguinte sigla (TEMA A APROFUNDAR - TAAM)

Essa citação pode virar uma tese algum dia, pois traz algo que despertou seu interesse para uma
análise mais detida. Pode virar um capítulo, parágrafo, nota de rodapé etc. Ou seja, o fichamento
parece ter uma função apenas emergencial na construção de uma tese, contudo, ele pode ter
utilidade semanas, anos ou até mesmo décadas depois. O fichamento bem feito é importante.

Fichamento de fontes primários.

Use siglas de sua invenção para determinar a importância desses assuntos. E.g., FP (fonte primária).
Isso ajuda no fichamento. E FS (fonte secundária). Siglas para determinados assuntos, sigla para
sublinhar a relevância das informações, siglas nos pontos a retornar. Invente suas siglas e padronize
elas para usar em todos os livros e em todos os fichamentos.

DICA: Não tire cópias de coisas que não lerá de imediato. Caso tire, já leia. (Serve tbm para a compra
de livros novos ehehe). Evita o acúmulo.

RABISQUE SEU LIVRO (Dica do Adler também).

A ficha de leitura (semelhante a leitura analítica)

A ficha de leitura contém todas as informações sobre o livro ou artigo, logo, é muito maior. As fichas
de leitura servem para leitura críticas, e não como fontes primárias.

O método ideal de se fichar varia de pessoa para pessoa. Mas ele dá dicas:

a. indicações bibliográficas precisas. Procurar o livro, falar do livro e citá-lo como deve ser na
bibliografia final.
b. Informações sobre o autor,
c. Breve ou longo resumo do livro ou do artigo.
d. Citações extensas, entre aspas, dos trechos que presumo citar, com indicação precisa da
página ou páginas (cuidado para não confundir citação com paráfrase). A citação é literal.
e. Comentários pessoais no começo, meio e fim do resumo. para não confundir com a obra do
autor, coloque-os entre colchetes.
f. Siglas na ficha para se referir a determinada tese sua.

Humildade científica

Nem sempre as melhores e maiores ideias vem de autores grandes. Tenha humildade para voltar os
olhos para os autores menores e desacreditas, mas que tangenciam o seu tema. Ele pode te fornecer
algum insight muito bom ou informações que vc não encontrará nos grandes, e até mesmo tocar em
assuntos que possam ter passado desapercebido por outros.

REDAÇÃO

Explique as coisas bem e de forma clara. Explicar as coisas de forma clara não demonstra
simplicidade, mas domínio do assunto. EXPLIQUE BEM!

Defina os termos usados, DEFINA OS TERMOS USADOS! A menos que se trate de termos consagrados
e indiscutíveis pela disciplina em causa. Como e.g., em lógica, não se faz necessário explicar o que é
uma proposição ou implicação, a menos que a tese seja sobre a problemática da implicação, assim
como o Kahn traz problemáticas quanto ao verbo ser (einai) com as duas acepções do Bentham, em
existencial e predicativa.

Como se fala.

 Evitar períodos longos. Caso ocorra, registre-os, mas depois desembaralhe, fragmente esses
períodos, e não receie em repetir o sujeito duas vezes. É necessário que o leitor não demore
em sacar de quem estamos falando. Elimine o excesso de pronomes e orações subordinadas.
 Abra parágrafos com frequência para arejar o texto, quanto mais, melhor.
 Escreva o que lhe vier na cabeça, mas em rascunha. Depois organize as ideias.
 Use o orientador como uma cobaia de leitura do seu texto. Ou a um amigo. Não se faça de
gênio solitário. Hehehe
 Não se apresse em começar pelo primeiro capítulo. Se já fez a estruturação e o índice-
hipotético, comece pelo capítulo que se sentir mais seguro e confortável. Ele o guiará desde
o começo, e depois será encaixado perfeitamente aos outros e te ajudar a reorintar o índice.
 Não use reticências nem ponto de exclamação, e muito menos faça ironias num trabalho
científico.
 Defina sempre um termo ao introduzi-lo pela primeira vez, não sabendo defini-lo, evite-o. Se
for um dos termos principais da sua tese e não consegue definir, abandone tudo.
Kkkkkkkkkkkk
 Evite pronomes pessoais, recorra a expressões como “cabe, pois, concluir que”, “parece
acertado que”, “dever-se-ia dizer”, “é lícito supor”, “conclui-se daí que”, “ao exame desse
texto percebe-se que" etc. Evite a personalização do discurso. Diga “O artigo anteriormente
citado” e não “o artigo que citei anteriormente”.
 Nunca use artigo diante de nome próprio. Mas há exceções, quando o nome indica um
manual célebre, uma obra de consulta ou um dicionário
 Não aportuguesar os nomes estrangeiros. A não ser que tais nomes já sejam
tradicionalmente aportuguesados, e.g., Agostinho, Lutero, Tomás de Áquino etc.
 Citar de forma extensa, respeitando-a. Caso haja erro, insira o “sic”.
 Cuidar para que a paráfrase não seja inserida como citação, e cuidar para que uma paráfrase
não seja mal feita e caracterizada como plágio
 Usar as notas de rodapé para remissões internas e externas. As afirmações das nota servem
para ampliar o que se fez no texto. E também para acrescentar outras indicações
bibliográficas de reforço

Exemplo de página com sistema citação-nota


Exemplo de bibliografia padrão correspondente
ORGULHO CIENTÍFICO

Seja prudente antes de abrir a boca, mas depois que fizer, seja arrogante e orgulhoso, ou melhor,
fale com convicção, com autoridade, firmeza. Você estudou o assunto por meses, então aja como
quem o fez.

Não fique pedindo desculpas na sua tese, nem choramingando excusationes non petitae.

MODELOS DE ÍNDICE: PRIMEIRO EXEMPLO.


SEGUNDO EXEMPLO

Fazer uma tese é divertir-se, e nada se desperdiça da tese. Vc pode voltar nela em breve ou daqui
10 anos e se aproveitar. Depois que se termina uma tese, ou se ama ou se odeia, caso ame,
continuará a escrever e reaproveitará o estudo. Depois que se pega o jeito e gosto pela coisa fica
difícil de se parar. O importante é fazer as coisas com gosto, amor.