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Supremo Tribunal Federal

Ementa e Acórdão

Inteiro Teor do Acórdão - Página 1 de 9

25/02/2014 PRIMEIRA TURMA

EMB.DECL. NO HABEAS CORPUS 106.989 MATO GROSSO DO SUL

RELATOR : MIN. ROBERTO BARROSO


EMBTE.(S) : NADIM RAYMOND EL HAGE
ADV.(A/S) : LUIZ RENÊ GONÇALVES DO AMARAL
EMBDO.(A/S) : RELATORA DO HC Nº 187198 DO SUPERIOR
TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM HABEAS CORPUS.


TRÁFICO INTERNACIONAL DE ARMAS. PRISÃO PREVENTIVA.
SUPERVENIÊNCIA DO ACÓRDÃO DA APELAÇÃO. PREJUÍZO.
EMBARGOS DESPROVIDOS. 1. Paciente condenado por tráfico
internacional de armas. 2. Superveniência do acórdão da apelação que
majora a pena privativa de liberdade e mantém a prisão cautelar. 3.
Prejuízo da impetração. 4. Inexistência de ambiguidade, obscuridade,
contradição ou dúvida (art. 619 do CPP). 5. Embargos desprovidos.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da


Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sob a Presidência do
Ministro Marco Aurélio, na conformidade da ata de julgamento e das
notas taquigráficas, por unanimidade de votos, em negar provimento aos
embargos de declaração, nos termos do voto do Relator. Não participou
do julgamento, justificadamente, o Ministro Luiz Fux. Ausente,
justificadamente, o Ministro Dias Toffoli.
Brasília, 25 de fevereiro de 2014.

MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - RELATOR

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Relatório

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EMB.DECL. NO HABEAS CORPUS 106.989 MATO GROSSO DO SUL

RELATOR : MIN. ROBERTO BARROSO


EMBTE.(S) : NADIM RAYMOND EL HAGE
ADV.(A/S) : LUIZ RENÊ GONÇALVES DO AMARAL
EMBDO.(A/S) : RELATORA DO HC Nº 187198 DO SUPERIOR
TRIBUNAL DE JUSTIÇA

RE LAT Ó RI O

O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO (RELATOR)

1. Trata-se de embargos de declaração opostos contra


acórdão desta Primeira Turma, assim ementado:

“HABEAS CORPUS. TRÁFICO INTERNACIONAL DE


ARMAS. PRISÃO PREVENTIVA. SUPERVENIÊNCIA DO
ACÓRDÃO DA APELAÇÃO QUE MANTÉM A PRISÃO
CAUTELAR. PREJUÍZO. 1. A superveniência do acórdão da
apelação, que mantém a custódia cautelar, altera o título da
prisão. 2. Habeas Corpus prejudicado, cassada a liminar
deferida.”

2. A parte embargante reitera a alegação de que o decreto de


prisão preventiva não está devidamente fundamentado. Argumenta que
o paciente ficou preso de agosto de 2006 a janeiro de 2010 e que é
descabida a renovação da prisão cautelar, simplesmente porque sobreveio
sentença condenatória do acusado1. Daí afirmar que o acórdão
embargado incorreu em omissão, tendo em vista que não examinou os
fundamentos da prisão preventiva e não atentou para o fato de que o
acusado “já cumpriu prazo suficiente da condenação imposta para a progressão
imediata de regime”.

1 A primeira sentença condenatória foi anulada pelo TRF da 3ª Região.

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3. Com essa argumentação, a defesa pede seja sanada a


omissão apontada e concedida a ordem (ainda que de ofício) para revogar
a prisão preventiva do paciente. Alternativamente, requer que o habeas
corpus impetrado no Superior Tribunal de Justiça (julgado prejudicado,
monocraticamente, pela Ministra Maria Thereza de Assis Moura) seja
apreciado pelo órgão colegiado competente (no caso, a Sexta Turma).
Ademais, pleiteia a inclusão deste recurso em mesa para julgamento “via
diário de justiça eletrônico com prazo mínimo de 15 (quinze) dias, para que seja
possível o deslocamento até este Eg. Tribunal Constitucional para a entrega de
bastantes memoriais”.

4. Faço um rápido retrospecto dos fatos postos a


julgamentos:

(i) o paciente foi preso preventivamente e condenado por


tráfico internacional de armas2, sendo-lhe vedado o direito de recorrer em
liberdade (o réu ficou preso entre agosto/2006 e janeiro/2010);
(ii) anulada a sentença condenatória pelo Superior
Tribunal de Justiça, o Juízo da 1ª Vara Federal Criminal de Ponta Porã/MS
proferiu nova sentença condenatória (a 12 anos de reclusão) e decretou a
prisão preventiva, especialmente porque o réu se encontrava foragido;
(iii) o Tribunal Regional Federal da 3ª Região denegou
pedido de habeas corpus;
(iv) a Ministra Maria Thereza de Assis Moura do Superior
Tribunal de Justiça indeferiu a liminar ali formalizada (HC 187.198);
(v) o Ministro Marco Aurélio, relator originário deste
processo, deferiu a liminar;
(vi) a Ministra Maria Thereza de Assis Moura julgou

2 “Art. 18. Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do território nacional, a


qualquer título, de arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização da autoridade
competente: Pena – reclusão de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.”
“Art. 19. Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a pena é aumentada da metade se a arma de
fogo, acessório ou munição forem de uso proibido ou restrito.”

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prejudicada a impetração, tendo em vista a superveniência do julgamento


da apelação (que majorou a pena para 15 anos de reclusão, mantida a
custódia cautelar) e o fato de que o Ministro Marco Aurélio deferiu a
medida acauteladora.

5. A Procuradoria-Geral da República opinou pela rejeição


dos embargos.

6. É o relatório.

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Voto - MIN. ROBERTO BARROSO

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25/02/2014 PRIMEIRA TURMA

EMB.DECL. NO HABEAS CORPUS 106.989 MATO GROSSO DO SUL

VOTO

O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO (RELATOR):

1. Os embargos não merecem provimento.

2. Este habeas corpus foi impetrado com o objetivo de revogar


a prisão preventiva do paciente, decretada por ocasião da sentença
condenatória recorrível.

3. Ocorre que sobreveio o julgamento da apelação, que


majorou a pena privativa de liberdade e ratificou a necessidade da
custódia cautelar, conforme ressaltou o parecer do Ministério Público
Federal:

“[...] 1. Nada há o que esclarecer. Após a impetração do


presente habeas corpus, o Tribunal Regional Federal da 3ª
Região, na ocasião do julgamento do recurso de apelação,
majorou a pena do paciente para 15 anos de reclusão e
ratificou a necessidade da custódia do paciente: “Justifica-se
seja mantida em Segundo Grau de jurisdição a custódia cautelar
dos réus, anotando-se que AMAURI e ALBERTO estão presos e
NADIM mantém-se foragido. Bem procedeu a MMª Juíza a
qua em ratificar a prisão preventiva dos três acusados. De fato,
esta Primeira Turma em sede de apreciação de habeas corpus
(ns. 2006.03.00.095436-6 e 2007.03.00.102651-7) sempre
chancelou a preventiva decretada contra o trio em face da
necessidade de resguardar a ordem pública e a aplicação da lei
penal. Realmente, não tem sentido que, depois de serem os
réus condenados em duas instâncias e com elevação de pena
na Segunda Instância, sejam agraciados com a soltura; nesse
sentido segue a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal

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Voto - MIN. ROBERTO BARROSO

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HC 106989 ED / MS

(HC 100587, Relator: Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado


em 09/08/2011, DJe-172 DIVULG 06-09-2011 PUBLIC 08-09-2011
EMENT VOL-02582-02 PP-00212); realmente, como já
asseverado na Suprema Corte, "...não há ilegalidade em manter
presos, para apelar, réus que responderam a ação penal nessa
condição" (HC 92612, Relator: Min. RICARDO
LEWANDOWSKI, Primeira Turma, julgado em 11/03/2008, DJe-
065 DIVULG 10-04-2008 PUBLIC 11-04-2008 EMENT VOL-
02314-05 PP-00904 RCJ v. 22, n. 140, 2008, p. 144). A
demonstração da necessidade de prender (artigo 282, I, do
Código de Processo Penal) é clara nos presentes autos, diante
da severa condenação dos réus como autores de crimes que
claramente atentam contra a ordem pública - como acentuado
no exame das circunstâncias do artigo 59 do Código Penal - e da
imperiosidade da providência para assegurar que efetivamente
comecem a cumprir suas reprimendas, lembrando sempre que
um deles já é foragido. Ratifica-se, pois, os comandos
prisionais de fl. 3120/verso.”

4. Nessas condições, tenho por irretocável o acórdão


embargado ao concluir, com apoio na jurisprudência deste STF, que a
superveniência de um novo título prisional prejudica a análise da
impetração. Nessa linha, vejam-se os seguintes precedentes:

“[...] 1. O superveniente julgamento da apelação prejudica


a alegação do Impetrante, havendo substancial alteração da
situação processual narrada na inicial [...].” (HC 118.338, Rel.
Min. Cármen Lúcia)

“HABEAS CORPUS – IMPETRAÇÃO DEDUZIDA


CONTRA DECISÃO QUE NEGOU , AOS ORA PACIENTES , O
DIREITO DE APELAR EM LIBERDADE – ALEGADA
INCONSISTÊNCIA JURÍDICA DOS FUNDAMENTOS EM
QUE SE APÓIA A DECISÃO QUESTIONADA –
JULGAMENTO SUPERVENIENTE DO RECURSO DE

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Voto - MIN. ROBERTO BARROSO

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HC 106989 ED / MS

APELAÇÃO PELO TRIBUNAL DE JUSTIÇA LOCAL –


REAFIRMAÇÃO, PELO TRIBUNAL AD QUEM, DA
NECESSIDADE DE MANUTENÇÃO DA PRISÃO CAUTELAR
DOS RÉUS CONDENADOS – NOVAÇÃO OBJETIVA DO
TÍTULO JURÍDICO LEGITIMADOR DA PRISÃO CAUTELAR
– PERDA SUPERVENIENTE DE OBJETO, QUE DEIXOU DE
SER O ATO JUDICIAL QUE DECRETOU A PRISÃO
PREVENTIVA – EVENTUAL SITUAÇÃO DE INJUSTO
CONSTRANGIMENTO IMPUTÁVEL, AGORA, AO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA LOCAL – PREJUDICIALIDADE DA
AÇÃO DE HABEAS CORPUS CARACTERIZADA – RECURSO
DE AGRAVO IMPROVIDO .
- A superveniente alteração do quadro processual,
resultante da prolação de outro ato decisório
consubstanciador de nova decretação da prisão cautelar dos
pacientes, faz instaurar situação de prejudicialidade da ação
de habeas corpus, considerada, para esse efeito , a novação
jurídica do título legitimador da privação cautelar da
liberdade de locomoção física dos réus. Precedentes.” (HC
104.885-AgR, Rel. Min. Celso de Mello)

“HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE ENTORPECENTES.


PREJUDICIALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL. 1. Se o habeas
corpus é impetrado visando à anulação da sentença e, durante
sua tramitação, sobrevém o acórdão da apelação, que mantém a
condenação, o writ fica prejudicado, cabendo nova impetração
já agora contra o acórdão. 2. Agravo regimental improvido.”
(HC 85.553-AgR, Rel. Min. Ellen Gracie)

5. Em síntese: as pretensões veiculadas na impetração foram


expressamente enfrentadas pela decisão recorrida, porém em sentido
contrário aos interesses da parte embargante. Situação que não autoriza o
acolhimentos dos embargos declaratórios, tendo em vista a inocorrência
dos pressupostos do art. 619 do CPP:

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“Art. 619. Aos acórdãos proferidos pelos Tribunais de


Apelação, câmaras ou turmas, poderão ser opostos embargos
de declaração, no prazo de dois dias contados da sua
publicação, quando houver na sentença ambiguidade,
obscuridade, contradição ou omissão.”

6. Por fim, também não vejo como acolher o pedido de


intimação prévia da parte impetrante, “via diário de justiça eletrônico com
prazo mínimo de 15 (quinze) dias”, em face da norma que se extrai do art.
337, § 2º, do RI/STF:

“Art. 337. Cabem embargos de declaração, quando houve


no acórdão obscuridade, dúvida, contradição ou omissão que
devam ser sanadas.
[…]
§ 2º. Independentemente de distribuição ou preparo, a
petição será dirigida ao Relator do acórdão que, sem qualquer
outra formalidade, a submeterá a julgamento na prisão sessão
da Turma ou do Plenário, conforme o caso.”

7. Diante do exposto, desprovejo os embargos declaratórios.

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Extrato de Ata - 25/02/2014

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PRIMEIRA TURMA
EXTRATO DE ATA

EMB.DECL. NO HABEAS CORPUS 106.989


PROCED. : MATO GROSSO DO SUL
RELATOR : MIN. ROBERTO BARROSO
EMBTE.(S) : NADIM RAYMOND EL HAGE
ADV.(A/S) : LUIZ RENÊ GONÇALVES DO AMARAL
EMBDO.(A/S) : RELATORA DO HC Nº 187198 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE
JUSTIÇA

Decisão: A Turma negou provimento aos embargos de declaração,


nos termos do voto do relator. Unânime. Não participou,
justificadamente, deste julgamento, o Senhor Ministro Luiz Fux.
Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Dias Toffoli.
Presidência do Senhor Ministro Marco Aurélio. Primeira Turma,
25.2.2014.

Presidência do Senhor Ministro Marco Aurélio. Presentes à


Sessão os Senhores Ministros Luiz Fux, Rosa Weber e Roberto
Barroso. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Dias
Toffoli. Compareceu o Senhor Ministro Teori Zavascki para julgar
processo a ele vinculado.

Subprocurador-Geral da República, Dr. Odim Brandão Ferreira.

Carmen Lilian Oliveira de Souza


Secretária da Primeira Turma

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