Você está na página 1de 130

UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO

Escola das Ciências da Vida e do Ambiente

Departamento de Ciências do Desporto, Exercício e Saúde

Dor crónica em indivíduos com Diabetes tipo 2: Influência do


género, idade e duração da diabetes

(VERSÃO PROVISÓRIA)

RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE MESTRADO EM GERONTOLOGIA:


ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE NO IDOSO

HELENA ISABEL PEREIRA DA SILVA AMORIM

Orientador: Professor Doutor Romeu Duarte Carneiro Mendes

Vila Real, 2016


UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO

Escola das Ciências da Vida e do Ambiente

Departamento de Ciências do Desporto, Exercício e Saúde

Dor crónica em indivíduos com Diabetes tipo 2: Influência do


género, idade e duração da diabetes

(VERSÃO PROVISÓRIA)

RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE MESTRADO EM GERONTOLOGIA:


ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE NO IDOSO

HELENA ISABEL PEREIRA DA SILVA AMORIM

Orientador: Professor Doutor Romeu Duarte Carneiro Mendes

Vila Real, 2016


Relatório de estágio apresentado à Universidade
de Trás-os-Montes e Alto Douro, como requisito
para a obtenção do grau de Mestre em
Gerontologia: Atividade Física e Saúde no Idoso,
sob a orientação do Professor Doutor Romeu
Duarte Carneiro Mendes.

III
Dedicatória

“O maior e o mais velho amor, é o amor


pela vida.”

IV
Agradecimentos

À Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e seus representantes, por permitir a


realização deste curso.
Ao Professor Doutor Romeu Mendes pela sua generosidade e competência.
Aos funcionários e colegas do Diabetes em Movimento® por me terem recebido
durante o estágio e ajudado nas tarefas a que me propunha.
Aos utentes do Diabetes em Movimento® pelos momentos de alegria, afeto e de
aprendizagem que me proporcionaram.
À Professora Doutora Maria Manuel Nascimento pela sua disponibilidade e
amabilidade.
A todos os professores cooperantes, com os quais tive a oportunidade de partilhar
ideias e enriquecer a nível pessoal e profissional.
Aos colegas de trabalho e à administradora Antonieta Teixeira pelo carinho e
compreensão.
À minha família pelos inúmeros sacrifícios e paciência pelas minhas ausências
constantes.
Aos meus amigos, em especial à Diana Sousa, e ao meu namorado pela perseverança
e apoio incondicional.
A todas as pessoas que de uma forma ou outra contribuíram para que eu chegasse
até aqui.

V
O desenvolvimento do programa de trabalhos deste relatório de estágio deu origem à
seguinte publicação (ANEXO A):

 Vasconcelos C, Almeida A, Neves J, Correia T, Amorim H, Mendes R.


Nutrition-Related Knowledge in Middle-Age and Older Patients with Type 2
Diabetes. BMC Health Services Research 2016;16(Suppl 3):O246.

VI
Resumo

O presente relatório tem como objetivos: a descrição do Programa comunitário


Diabetes em Movimento®; dar a conhecer os vários tipos de exercício físico existentes
para promover um envelhecimento saudável, ou o mais saudável possível;
compreender a realidade dos idosos portadores da doença, todos os problemas
associados a esta, bem como verificar quais os níveis de adesão, a intensidade média
e os eventos adversos referentes ao Programa de exercício. Havendo uma
confrontação entre informação teórica e prática, resultado de uma basta pesquisa
literária e da experiência adquirida, enquanto estagiária, neste Programa.

A população-alvo deste relatório, residente em Vila Real, possui Diabetes Mellitus tipo
2 (DM2) e está incluída no Programa Diabetes em Movimento®, cumprindo todos os
critérios de inclusão no mesmo. Foram recrutados e analisados 3 grupos aderentes
ao Programa de exercício, com idades compreendidas entre os 50 e os 80 anos, a
quem foi pedido que, no final de cada sessão, registassem a sua presença e a
intensidade global do seu esforço, tendo como referência a Escala de Borg. Por outro
lado, os monitores, no final de cada sessão, registaram o total de participantes, bem
como os eventos adversos que ocorreram.

Aquando o encerramento do Programa foram recolhidos todos esses dados para uma
posterior análise estatística e apresentação de resultados. Concluiu-se que em média
foram 19,35 ± 6,31 utentes às sessões do programa e que a percentagem de adesão
média do mesmo foi de 57,12%. A intensidade média das sessões do Programa foi
de 12,54 ± 0,4 e os eventos adversos mais relatados foram: Tonturas - 16;
Hipoglicemias - 11; Quedas - 11; Cansaço – 5.

Palavras-chave: Diabetes em Movimento®; Exercício Físico; Diabetes tipo 2.

VII
Abstract

This report aims to: the description of the communitary Program Diabetes em
Movimento®; get to know the various types of exercise to promote healthy aging, or as
healthy as possible; understand the reality of elderly people with the disease, all the
problems associated with this and see which membership levels, the average intensity
and adverse events related to the exercise program. If there is a confrontation between
theoretical and practical information, resulting from a sufficient literary research and
experience as an intern in this program.

The target population of this report, resident in Vila Real, has Type 2 diabetes (T2DM)
and is included in the Program Diabetes em Movimento®, fulfilling all the criteria for
inclusion in it. They were recruited and analyzed 3 adherent groups exercise program,
aged between 50 and 80, who were asked, at the end of each session to register the
presence and the overall intensity of your effort, with reference Borg scale. On the
other hand, the monitors at the end of each session, registered total number of
participants as well as adverse events that occurred.

At the end of the program were collected all this data for a statistical analysis and
presentation of results. It was concluded that on average were 19.35 ± 6.31 users to
program sessions and that the percentage of average membership of it was 57.12%.
The average intensity of the sessions of the program was 12.54 ± 0.4 and the most
frequently reported adverse events were: Dizziness - 16; Hypos - 11; Falls - 11;
Tiredness - 5.

Key-words: Diabetes em Movimento®; Physical exercise; Type 2 diabetes.

VIII
Índice geral

Capítulo I – Introdução .............................................................................................. 18

Capítulo II - Enquadramento teórico- prático ............................................................. 22

1. Caraterização do meio envolvente ..................................................................... 23

2. Caraterização da Instituição ............................................................................... 24

2.1. Programa Diabetes em Movimento® ............................................................... 25

2.1.1. População-Alvo ............................................................................................ 26

3. Diabetes Mellitus ................................................................................................ 27

3.1. Classificação ................................................................................................... 27

3.2. Sintomas ......................................................................................................... 28

3.3. Fatores de risco ............................................................................................... 29

3.4. Complicações .................................................................................................. 29

3.4.1. Neuropatia diabética .................................................................................... 30

3.5. Prevenção/Tratamento .................................................................................... 31

3.6. Realidade Epidemiológica ............................................................................... 32

3.7. Mortalidade ...................................................................................................... 33

3.8. Custos da Diabetes ......................................................................................... 34

4. Importância do exercício físico no idoso portador de DM2 ................................. 35

5. Descrição do Programa Comunitário .................................................................. 36

5.1. Logística .......................................................................................................... 39

5.2. Material ............................................................................................................ 39

6. Plano de estágio ................................................................................................. 40

6.1. Programação das sessões .............................................................................. 40

6.2. Calendarizações .............................................................................................. 41

6.3. Estrutura das sessões ..................................................................................... 41

6.4. Algoritmo do início das sessões ...................................................................... 43

9
6.5. Algoritmo final das sessões ............................................................................. 43

7. Descrição das Atividades Desenvolvidas ........................................................... 44

7.1. Aquecimento.................................................................................................... 45

7.2. Exercício Aeróbio ............................................................................................ 45

7.3. Exercício resistido ........................................................................................... 49

7.4. Exercício Agilidade/Equilíbrio .......................................................................... 71

7.5. Exercício de Flexibilidade ................................................................................ 75

8. Papel do Gerontólogo no respetivo serviço ........................................................ 78

8.1. O Gerontólogo e o incentivo ao exercício físico .............................................. 80

9. Resultados do programa..................................................................................... 81

9.1. Taxa de assiduidade dos utentes .................................................................... 82

9.2. Intensidade média das sessões segundo a Escala de Borg ........................... 82

9.3. Eventos adversos ............................................................................................ 83

10. Reflexão final ................................................................................................... 84

CAPÍTULO III – Dor crónica em indivíduos com DM2: Influência do género, idade e
duração da diabetes .................................................................................................. 88

Resumo ..................................................................................................................... 89

1. Introdução ........................................................................................................... 91

2. Metodologia ........................................................................................................ 92

2.1. Desenho do estudo ......................................................................................... 92

2.2. Participantes .................................................................................................... 93

2.3. Procedimentos................................................................................................. 93

2.3.1. Variáveis ...................................................................................................... 93

2.3.2. Instrumentos ................................................................................................ 94

2.4. Tratamento dos dados ..................................................................................... 94


10
3. Resultados .......................................................................................................... 94

4. Discussão ........................................................................................................... 97

5. Conclusões ....................................................................................................... 100

Referências bibliográficas ....................................................................................... 101

ANEXO A ................................................................................................................ 112

ANEXO B ................................................................................................................ 116

ANEXO C ................................................................................................................ 118

ANEXO D ................................................................................................................ 127

11
Índice de tabelas

TABELA 1 - PROGRESSÃO DOS CIRCUITOS DO EXERCÍCIO RESISTIDO ................................ 42

TABELA 2 - RESULTADOS DAS ESTATÍSTICAS DE FREQUÊNCIA DA PERCENTAGEM DE

PREVALÊNCIA DE DOR POR GÉNERO, IDADE E DURAÇÃO DA DM2 ............................... 95

TABELA 3 - RESULTADOS DAS ESTATÍSTICAS DE FREQUÊNCIA DA PERCENTAGEM DE

PREVALÊNCIA DE TRATAMENTO POR GÉNERO, IDADE E DURAÇÃO DA DM2 .................. 95

TABELA 4 - RESULTADOS DAS ESTATÍSTICAS DESCRITIVAS DAS VARIÁVEIS IDADE E DURAÇÃO


DA DM2 ............................................................................................................... 95

TABELA 5 - RESULTADOS DAS COMPARAÇÕES DAS MÉDIAS, ATRAVÉS DO TESTE T DE STUDENT


E DAS DIFERENÇAS ATRAVÉS DO TESTE QUI-QUADRADO, DAS DIFERENTES VARIÁVEIS DA
DOR POR GÉNERO, IDADE E DURAÇÃO DA DM2 ........................................................ 96

TABELA 6 - RESULTADOS DAS DIFERENÇAS ATRAVÉS DO TESTE DE QUI-QUADRADO, ENTRE AS


VARIÁVEIS GÉNERO E DOR, GÉNERO E TRATAMENTO, IDADE E DOR, IDADE E TRATAMENTO,

DURAÇÃO DA DM E DOR, DURAÇÃO DA DM E TRATAMENTO. ...................................... 97

12
Índice de figuras

FIGURA 1 - ESCALA DE BORG........................................................................................ 38

FIGURA 2 - MARCHA RÁPIDA À VOLTA DO PAVILHÃO ........................................................ 45

FIGURA 3 - MARCHA EM SENTIDOS OPOSTOS................................................................. 46

FIGURA 4 - MARCHA DAS BOLAS .................................................................................... 47

FIGURA 5 - PERCURSO DE OBSTÁCULOS........................................................................ 47

FIGURA 6 - MARCHA DAS TAREFAS ................................................................................ 48

FIGURA 7 - ESTAFETAS................................................................................................. 48

FIGURA 8 - TRANSPORTE DE GARRAFAS ........................................................................ 49

FIGURA 9 - REMO INCLINADO (POSIÇÃO INICIAL).............................................................. 50

FIGURA 10 - REMO INCLINADO (POSIÇÃO FINAL).............................................................. 50

FIGURA 11 - FLEXÃO DA PERNA ALTERNADO (POSIÇÃO INICIAL) ........................................ 51

FIGURA 12 - FLEXÃO DA PERNA ALTERNADO (POSIÇÃO FINAL) .......................................... 51

FIGURA 13 - PRESS MILITAR (POSIÇÃO INICIAL) ............................................................... 51

FIGURA 14 - PRESS MILITAR (POSIÇÃO FINAL) ................................................................. 52

FIGURA 15 - AGACHAMENTO (POSIÇÃO INICIAL) .............................................................. 52

FIGURA 16 - AGACHAMENTO (POSIÇÃO FINAL) ................................................................ 52

FIGURA 17 - FLEXÃO DO ANTEBRAÇO (POSIÇÃO INICIAL) .................................................. 53

FIGURA 18 - FLEXÃO DO ANTEBRAÇO (POSIÇÃO FINAL) .................................................... 53

FIGURA 19 - ADUÇÃO DA COXA (POSIÇÃO INICIAL) ........................................................... 53

FIGURA 20 - ADUÇÃO DA COXA (POSIÇÃO FINAL)............................................................. 54

FIGURA 21 - CÁLICE (POSIÇÃO INICIAL) .......................................................................... 54

FIGURA 22 - CÁLICE (POSIÇÃO FINAL) ............................................................................ 54

13
FIGURA 23 - PONTAPÉ EM PÉ ALTERNADO (POSIÇÃO INICIAL) ........................................... 55

FIGURA 24 - PONTAPÉ EM PÉ ALTERNADO (POSIÇÃO INTERMÉDIA) .................................... 55

FIGURA 25 - PONTAPÉ EM PÉ ALTERNADO (POSIÇÃO FINAL) ............................................. 55

FIGURA 26 - REMO HORIZONTAL (POSIÇÃO INICIAL) ......................................................... 56

FIGURA 27 - REMO HORIZONTAL (POSIÇÃO FINAL) ........................................................... 56

FIGURA 28 - COXA PARA TRÁS ALTERNADO (POSIÇÃO INICIAL) ......................................... 56

FIGURA 29 - COXA PARA TRÁS ALTERNADO (POSIÇÃO FINAL) ........................................... 57

FIGURA 30 - ELEVAÇÃO ACIMA DA CABEÇA (POSIÇÃO INICIAL) .......................................... 57

FIGURA 31 - ELEVAÇÃO ACIMA DA CABEÇA (POSIÇÃO FINAL) ............................................ 57

FIGURA 32 - ROTAÇÃO DO TRONCO ALTERNADO (POSIÇÃO INICIAL) .................................. 58

FIGURA 33 - ROTAÇÃO DO TRONCO ALTERNADO (POSIÇÃO INTERMÉDIA) ........................... 58

FIGURA 34 - ROTAÇÃO DO TRONCO ALTERNADO (POSIÇÃO FINAL) .................................... 58

FIGURA 35 - APERTAR BOLA COM MÃOS (POSIÇÃO INICIAL) .............................................. 59

FIGURA 36 - APERTAR BOLA COM MÃOS (POSIÇÃO FINAL) ................................................ 59

FIGURA 37 - APERTAR BOLA COM JOELHOS (POSIÇÃO INICIAL) ......................................... 59

FIGURA 38 - APERTAR BOLA COM JOELHOS (POSIÇÃO FINAL) ........................................... 60

FIGURA 39 - ELEVAÇÕES FRONTAIS (POSIÇÃO INICIAL) .................................................... 60

FIGURA 40 - ELEVAÇÕES FRONTAIS (POSIÇÃO FINAL) ...................................................... 60

FIGURA 41 - AGACHAMENTO (POSIÇÃO INICIAL) .............................................................. 61

FIGURA 42 - AGACHAMENTO (POSIÇÃO FINAL) ................................................................ 61

FIGURA 43 - TRICÍPITES A UMA MÃO (POSIÇÃO INICIAL) .................................................... 61

FIGURA 44 - TRICÍPITES A UMA MÃO (POSIÇÃO FINAL) ...................................................... 62


14
FIGURA 45 - REMO VERTICAL (POSIÇÃO INICIAL) ............................................................. 62

FIGURA 46 - REMO VERTICAL (POSIÇÃO FINAL) ............................................................... 62

FIGURA 47 - PRESS MILITAR A DOIS TEMPOS (POSIÇÃO INICIAL) ........................................ 63

FIGURA 48 - PRESS MILITAR A DOIS TEMPOS (POSIÇÃO INTERMÉDIA) ................................ 63

FIGURA 49 - PRESS MILITAR A DOIS TEMPOS (POSIÇÃO FINAL).......................................... 63

FIGURA 50 - ELEVAÇÃO DO JOELHO ALTERNADO (POSIÇÃO INICIAL) .................................. 64

FIGURA 51 - ELEVAÇÃO DO JOELHO ALTERNADO (POSIÇÃO FINAL) .................................... 64

FIGURA 52 - TRICÍPITES A DUAS MÃOS (POSIÇÃO INICIAL) ................................................ 64

FIGURA 53 - TRICÍPITES A DUAS MÃOS (POSIÇÃO FINAL) .................................................. 65

FIGURA 54 - ELEVAÇÃO DOS CALCANHARES (POSIÇÃO INICIAL) ........................................ 65

FIGURA 55 - ELEVAÇÃO DOS CALCANHARES (POSIÇÃO FINAL) .......................................... 65

FIGURA 56 - ELEVAÇÕES LATERAIS (POSIÇÃO INICIAL) ..................................................... 66

FIGURA 57 - ELEVAÇÕES LATERAIS (POSIÇÃO FINAL)....................................................... 66

FIGURA 58 - PONTAPÉ SENTADO ALTERNADO (POSIÇÃO INICIAL) ...................................... 66

FIGURA 59 - PONTAPÉ SENTADO ALTERNADO (POSIÇÃO FINAL) ........................................ 67

FIGURA 60 - ABERTURAS (POSIÇÃO INICIAL) ................................................................... 67

FIGURA 61 - ABERTURAS (POSIÇÃO FINAL) ..................................................................... 67

FIGURA 62 - ABDUÇÃO DA COXA (POSIÇÃO INICIAL) ......................................................... 68

FIGURA 63 - ABDUÇÃO DA COXA (POSIÇÃO FINAL) ........................................................... 68

FIGURA 64 - ENCOLHIMENTO DE OMBROS (POSIÇÃO INICIAL) ........................................... 68

FIGURA 65 - ENCOLHIMENTO DE OMBROS (POSIÇÃO FINAL) ............................................. 69

FIGURA 66 - JOELHO AO PEITO ALTERNADO (POSIÇÃO INICIAL) ......................................... 69


15
FIGURA 67 - JOELHO AO PEITO ALTERNADO (POSIÇÃO FINAL) ........................................... 69

FIGURA 68 - FLEXÃO ANTEBRAÇO ELEVADA (POSIÇÃO INICIAL) ......................................... 70

FIGURA 69 - FLEXÃO ANTEBRAÇO ELEVADA (POSIÇÃO FINAL) ........................................... 70

FIGURA 70 - VOOS (POSIÇÃO INICIAL) ............................................................................ 70

FIGURA 71 - VOOS (POSIÇÃO FINAL) .............................................................................. 71

FIGURA 72 - PASSE/RECEÇÃO COM BOLA 2 A 2 .............................................................. 72

FIGURA 73 - JOGO DAS CAIXAS ..................................................................................... 73

FIGURA 74 - JOGO DA MALHA ....................................................................................... 73

FIGURA 75 - APAGAR O FOGO ....................................................................................... 74

FIGURA 76 - LAGARTA .................................................................................................. 75

FIGURA 77 - JOELHO AO PEITO (SENTADO) ..................................................................... 75

FIGURA 78 - ALCANÇAR O PÉ (SENTADO) ....................................................................... 76

FIGURA 79 - MÃOS ATRÁS DAS COSTAS ......................................................................... 76

FIGURA 80 - PERNA FRENTE E TRÁS .............................................................................. 76

FIGURA 81 - COÇAR AS COSTAS .................................................................................... 77

FIGURA 82 - CALCANHAR AO GLÚTEO ............................................................................ 77

FIGURA 83 - COTOVELO AO PEITO ................................................................................. 77

FIGURA 84 - CRISTO .................................................................................................... 78

FIGURA 85 - APANHAR CEREJAS.................................................................................... 78

16
Abreviaturas

DM - Diabetes Mellitus

DM2 - Diabetes Mellitus tipo 2

T2DM – Type 2 Diabetes

IDF – International Diabetes Federation

OND - Observatório Nacional de Diabetes

AF - Atividade Física

BPI - Brief Pain Inventory

ẋ – Média

dp – Desvio padrão

17
Capítulo I – Introdução

18
O presente relatório é o produto final dos últimos oito meses de experiência laboral,
de pesquisa científica bibliográfica e de reflexão em torno da problemática: “Existirá
influência do género, idade e duração da diabetes na dor crónica em indivíduos com
DM2?”, mas também o fruto de uma longa caminhada iniciada a 1 de outubro de 2015
com término a 31 de maio de 2016, no Programa Diabetes em Movimento®, em Vila
Real.

Este relatório de estágio aborda um dos problemas de saúde crónicos, mais comum
nas pessoas idosas – a diabetes (DM).1 Neste sentido, no segundo capítulo, é feito
um enquadramento teórico-prático sobre a problemática da diabetes, bem como o
papel do gerontólogo junto da população portadora desta doença crónica. São
também descritas as atividades desenvolvidas no Programa, bem como a
caraterização da população-alvo em estudo, seguindo-se a apresentação dos
resultados globais para a adesão dos utentes às sessões, para a intensidade global
de esforço de todas as sessões e para os eventos adversos.
A componente prática da unidade curricular de Estágio I e II realizou-se, como acima
referido, no Diabetes em Movimento®, no Pavilhão dos Desportos, sito na cidade de
Vila Real.
Inicialmente será apresentada uma breve caraterização da Instituição onde foi
realizado o estágio, bem como do concelho onde está inserida. O objetivo será
compreender melhor a sua realidade e funcionamento institucional, bem como o
contexto socioeconómico em que está inserido, a fim de conhecer o público-alvo,
promovendo uma maior relação com a população idosa e propiciar a
criação/adaptação de melhores respostas às necessidades de saúde da população.
Para uma boa intervenção prática é essencial um conhecimento teórico sobre a
problemática em questão e sobre as características comuns do público-alvo. Neste
sentido, neste mesmo capítulo, estarão abordados alguns autores que dissertaram
sobre o tema da DM e quais as suas teorias.
Segundo a literatura, as doenças crónicas são diversas e de longa duração, podendo
afetar qualquer um dos sistemas fisiológicos e, o facto do seu tratamento médico se

19
restringir apenas ao controlo dos sintomas, prejudicam verdadeiramente a vida dos
indivíduos.2
A DM, enquanto doença crónica, ocorre quando o corpo não produz insulina suficiente
ou quando o organismo não é capaz de utilizar eficazmente a insulina produzida. 3 A
sua prevalência aumenta muito com a idade, atinge ambos os géneros e todas as
faixas etárias.3-5 Esta é considerada uma pandemia global, por ter prevalência tanto
nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento. 6
A DM2, o tipo mais frequente7, surge, habitualmente, depois dos quarenta anos,
podendo ocorrer também noutras idades, apresenta-se, muitas vezes, como uma
patologia assintomática.3,5
Esta doença é responsável pela perda de anos potenciais de vida nos seus portadores
e revela-se como dispendiosa e debilitante. Possui uma alta morbilidade e
mortalidade, ainda que com o aumento da esperança de vida, a pessoa portadora
desta síndrome vê as suas complicações aumentarem, caso não hajam cuidados
específicos.8 Assim sendo, é importante apostar em programas específicos de
educação e que visem fomentar a prática desportiva para esses indivíduos,
incentivando a uma vida ativa e saudável. Sendo de extrema importância a
intervenção de uma equipa multidisciplinar nestas práticas para arranjar estratégias
que promovam o controlo metabólico do utente 9, o gerontólogo deve acompanhar,
avaliar, prevenir e promover este envelhecimento saudável.10

De seguida, será apresentada uma reflexão das diferentes sessões praticadas no


Diabetes em Movimento®, em Vila Real, durante o período de outubro de 2015 a maio
de 2016, onde serão apontados os aspetos positivos e os aspetos negativos, bem
como sugestões para melhorar a prática gerontológica neste projeto. Apresenta-se
também neste capítulo a demonstração ilustrativa dos diversos exercícios físicos e
quais os seus benefícios para o público-alvo.

No terceiro capítulo é apresentado um estudo científico: “Dor Crónica em Indivíduos


com Diabetes tipo 2 – influência do género, idade e duração da Diabetes.” O interesse
pela realização do mesmo surgiu pela inexistência de estudos que avaliassem estas

20
variáveis em conjunto nos idosos com DM2 e pelo caráter de análise da dor ser de
cariz subjetivo.
Este estudo tem como principais objetivos: caracterizar a dor crónica e a sua
prevalência em indivíduos com DM2 e analisar a influência do género, idade e duração
da DM2 na dor crónica. Para isso, foi utilizado como instrumento de investigação,
sobre a forma de questionário o Brief Pain Inventory (BPI) e os seus dados foram,
posteriormente, analisados através do software IBM SPSS Statistics 23®.

Na parte final deste relatório, são apresentados em anexo, dois documentos


referentes a uma participação na elaboração de um resumo publicado numa revista
científica e a uma participação num congresso a nível nacional.

21
Capítulo II - Enquadramento teórico- prático

22
1. Caraterização do meio envolvente

Vila Real é o concelho que alberga o distrito com o mesmo nome, localizando-se na
Região Norte e sub-região do Douro. Sendo constituído por 20 freguesias (Abaças,
União das Freguesias de Adoufe/Vilarinho de Samardã, Andrães, Arroios, União das
Freguesias de Borbela/Lamas de Ôlo, Campeã, União das Freguesias de
Constantim/Vale de Nogueiras, União das Freguesias de Nogueira/Ermida, Folhadela,
Guiães, União das Freguesias de São Tomé do Castelo/Justes, União das Freguesias
de Mouçós/Lamares, Lordelo, Mateus, Mondrões, União das Freguesias de Vila Real,
Parada de Cunhos, União das Freguesias de São Miguel da Pena/Quintã/Vila Cova,
Torgueda e Vila Marim), possui uma área total de 377 Km2.

Esta cidade situa-se a cerca de 450 metros de altitude, sobre a margem direita do Rio
Corgo, um dos afluentes do Douro, situando-se num planalto envolvido por altas
montanhas, em que avultam as Serras do Alvão e do Marão. Situa-se a cerca de 85
quilómetros do Oceano Atlântico, que lhe fica a Oeste; a 15 quilómetros do Rio Douro,
que lhe corre a Sul, e, para Norte, cerca de 65 quilómetros da fronteira da Galiza,
Espanha.

Conta com uma população de 50.501 habitantes, segundo os resultados dos Censos
de 2011, disponibilizados pelo INE, o que quando comparados aos dados fornecidos
pelos Censos de 2001, onde a população total era de 50.055, nos leva a concluir que
se registou um aumento demográfico nos últimos 10 anos. Segundo a mesma fonte,
em 2015, a população residente encontrava-se distribuída por escalões etários da
seguinte forma: 0 a 14 anos – 6.891; 15 a 64 anos - 33.905 e 65 anos ou mais – 9.706.

No plano económico, esta cidade, tem na agricultura e indústria as suas principais


actividades económicas, apesar do comércio e serviços também se apresentarem de
forma significativa como fontes de rendimento dos seus habitantes.

23
A nível de desporto e lazer, a população do concelho têm ao seu dispor diversas
associações culturais, sociais e desportivas, adequadas para as diversas faixas
etárias.

2. Caraterização da Instituição

O Diabetes em Movimento® é um projeto único no país, desenvolvido e coordenado


pelo Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano
(CIDESD) com marca registada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial. Este
funciona de forma gratuita para todos os utentes.

Em Vila Real, funciona às segundas, quartas e sextas-feiras, entre as 9.30h – 11.00h


e as 16.00h - 17.30h, e às terças e quintas-feiras, entre as 16.00h e as 17.30h, no
Pavilhão dos Desportos de Vila Real, tendo a duração de cerca de 8 meses (outubro
– maio), contando, atualmente, com 3 grupos de indivíduos (101 utentes), com idades
compreendidas entre os 50 e os 80 anos.

Relativamente aos recursos humanos, todos os monitores envolvidos nas sessões


colaboram de forma gratuita, visando uma investigação científica, a realização de
dissertações de mestrado ou teses de doutoramento, para os relatórios de estágio ou
simplesmente para enriquecimento curricular, sendo estes alunos e docentes do
Departamento de Ciências do Desporto, Exercício e Saúde e da Escola Superior de
Enfermagem de Vila Real da UTAD. Para os alunos é uma oportunidade única, que
possibilita o ganho de competências fundamentais para o exercício das suas
atividades profissionais no futuro.

Certificado pela Direção-Geral da Saúde, conta com o apoio científico da Sociedade


Portuguesa de Diabetologia, da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e da
Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, da Sociedade Portuguesa de
Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, e tem como objetivo melhorar a saúde e a
24
qualidade de vida de quem tem diabetes e outros problemas associados, como, por
exemplo, o colesterol elevado, o excesso de peso, a hipertensão arterial e doenças
cardiovasculares.

2.1. Programa Diabetes em Movimento®

O Diabetes em Movimento® é um programa comunitário de exercício físico para


indivíduos com DM2, desenvolvido pelo Centro de Investigação em Desporto, Saúde
e Desenvolvimento Humano (CIDESD) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto
Douro (UTAD), no ano de 2014, e a sua implementação na cidade de Vila Real resulta
de uma parceria entre a UTAD, a Câmara Municipal de Vila Real (CMVR), o Centro
Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) e o Agrupamento de Centros
de Saúde Douro I – Marão e Douro Norte.

O Diabetes em Movimento® fica situado no Pavilhão dos Desportos de Vila Real. Este
é o equipamento desportivo de referência do município, com um recinto moderno de
caráter polivalente, dotado de várias valências e de treino de diversas modalidades
praticadas nesta cidade. Este fica situado na Avenida Cidade de Orense, é servido
pela rede de transportes da cidade “Urbanos”, e possuí mesmo ao lado o Terminal
Rodoviário, uma base logística das múltiplas empresas de transporte de passageiros
que operam na região.

O Pavilhão Desportivo é constituído por 3 pisos: no primeiro encontra-se o parque de


estacionamento para utentes, funcionários, professores, alunos, visitantes; o segundo
é constituido pelo recinto principal (um espaço amplo onde se realizam habitualmente
as sessões), por balneários, arrecadação com armários e materiais, receção, halls de
entrada com bancos, sala de primeiros socorros, salas de karaté, entre outros; o
terceiro piso, o superior é o denominado átrio, é um espaço que possui um balcão,
cadeiras, mesas de ténis e barreiras, acessos para as bancadas do recinto principal,

25
uma sala de imprensa, um auditório, casas de banho e outras salas. O Pavilhão dispõe
de acesso via escadas e via elevadores.

2.1.1. População-Alvo

De acordo com documentação interna da instituição (ANEXO B), os indivíduos para


serem incluídos no Programa, têm de apresentar os seguintes critérios de admissão:

- Diabetes Tipo 2 diagnosticada há pelo menos 6 meses;

- Entre 50 e 80 anos de idade;

- Comorbilidades da diabetes controladas (pé diabético, retinopatia e nefropatia);

- Sem alterações graves na marcha ou equilíbrio;

- Sem sintomas de doença das artérias coronárias;

- Sem patologia cardíaca, pulmonar ou musculoesquelética grave;

- Não ter iniciado insulinoterapia nos últimos 3 meses;

- Não fumador;

- Vida independente na comunidade;

- Sem participação regular em sessões de exercício supervisionado;

- Seguimento em consulta de diabetes no CHTMAD ou ACES Douro I;

- Residente no Concelho de Vila Real.

26
3. Diabetes Mellitus

A DM é uma doença crónica cada vez mais frequente na sociedade, que ocorre
quando o corpo não produz insulina suficiente ou não é possível utilizar a mesma,
sendo que a sua prevalência aumenta muito com a idade e atinge ambos os géneros
e todas as faixas etárias.3-5
Devido à sua prevalência tanto nos países desenvolvidos como nos países em
desenvolvimento, é considerada uma pandemia global.6
Esta doença é diagnosticada quando se observam elevados níveis de glicemia, ou
seja, quando se verifica uma grande concentração de glicose no sangue. Ela é
produzida no pâncreas, que tem como função o transporte da glicose da corrente
sanguínea para as células do organismo.5
A DM é desencadeada quando o pâncreas produz quantidades insuficientes de
insulina para atender às necessidades do organismo, ou quando o pâncreas produz
insulina, mas as células são incapazes de utilizá-la eficazmente (resistência
insulínica). Logo, a falta de insulina ou a sua ineficácia, em pessoas com DM, indica
que a glicose permanece em circulação no sangue. A sua presença em níveis
elevados (conhecida como hiperglicemia) origina danos nos diversos tecidos do
corpo, levando ao desenvolvimento de incapacitantes e fatais complicações para a
saúde.5
Em suma, a DM é uma doença crónica degenerativa caracterizada por
anormalidades endócrino-metabólicas, incluindo elevada glicemia em jejum
(hiperglicemia) e elevação das concentrações de glicose sanguínea pós-prandial,
devido a uma menor sensibilidade insulínica nos tecidos alvo e/ou por reduzida
secreção de insulina.11

3.1. Classificação

Segundo o Observatório da Diabetes, pode classificar-se a diabetes em diferentes


tipos, sendo estes: diabetes tipo 1, tipo 2 e gestacional.3

27
• Diabetes tipo 1: resulta de uma deficiência completa de insulina por destruição
auto-imune das células β produtoras de insulina no pâncreas.

A destruição das células pancreáticas é muito variável, sendo mais célere durante a
infância e mais lenta em adultos. Depois dos 40 anos, há um aumento de glicose em
jejum de cerca de 1 mg/dL pré-prandial e pós-prandial de 8 mg/dl por década, aumento
este explicado pela mudança na composição corporal (aumento da adiposidade e
diminuição de massa magra).12

• Diabetes tipo 2: ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficiente ou


quando o organismo não consegue utilizar eficazmente a insulina produzida3, sendo
o tipo de diabetes mais frequente.7 Esta, embora possa ocorrer mais cedo, surge
normalmente após os quarenta anos, embora cada vez mais ocorre em crianças e
adolescentes, sendo muitas vezes uma patologia assintomática.3,5

• Diabetes Gestacional: define-se pela existência de uma Prova de Tolerância à


Glicose Oral (PTGO), com resultados superiores ao valor de referência, documentada
pela primeira vez durante a gravidez. Na gravidez normal, as hormonas produzidas a
nível placentário interferem com a ação da insulina, onde a necessidade de aumento
de produção de insulina, pelas células β do pâncreas, não consegue ser satisfeito. 13

3.2. Sintomas

A DM2 tem como sintomas: micção frequente; sede excessiva; perda de peso; visão
turva e ainda, em situações mais graves provoca cetoacidose, letargia, coma
hiperosmolar e, na ausência de tratamento, a morte.5

Esta patologia, para que possa ser controlada, exige do doente uma adaptação do
seu estilo de vida, tendo em conta uma alimentação equilibrada, o exercício que se
faz diariamente e a redução da obesidade.3

28
3.3. Fatores de risco

Ainda não há conhecimento exato das causas para o aparecimento desta doença,
contudo há conhecimento de vários fatores de risco, tais como: o excesso de peso,
obesidade, sedentarismo, alimentação não equilibrada, envelhecimento, resistência à
insulina, etnia, história familiar de diabetes, antecedentes de diabetes gestacional e
idade avançada.3,5

3.4. Complicações

Com o passar dos anos, as pessoas com DM podem vir a desenvolver várias
complicações em diversos órgãos, verificando-se que cerca de 40% dessas pessoas
vêm a ter complicações tardias graves da sua doença.14
A diabetes mellitus apresenta complicações crónicas que podem ser do foro vascular
e não vascular.

As complicações vasculares, subdividem-se em macrovasculares, que são de lenta


e silenciosa evolução e afetam os vasos sanguíneos (ex. acidentes vasculares
cerebrais, doença coronária e doença arterial periférica) e em microvasculares, que
atingem os vasos capilares, a retina, os membros inferiores e os rins (ex. neuropatia,
retinopatia e nefropatia).15

As alterações mais significativas das complicações microvasculares são: a retinopatia


diabética16, principal causa de diminuição da acuidade visual; a nefropatia diabética17,
definida com o aumento progressivo da excreção urinária, acompanhada pelo
aumento da pressão arterial e a neuropatia diabética17, que será abordada de forma
mais alargada no ponto seguinte.

As manifestações clínicas de complicações macrovasculares nas pessoas com DM


resultam na presença de aterosclerose, que ocorrem em especial nas artérias
coronárias, carótidas, aorta, cerebrais e periféricas (membros inferiores), dando

29
origem a complicações macrovasculares, tais como, a hipertensão arterial, doença
cardiovascular (enfarte agudo do miocárdio), doença cerebrovascular (acidente
vascular cerebral) e doença vascular periférica (membros inferiores) que conduzem
frequentemente a amputações.18

Em suma, segundo Cortez et al.19, os distúrbios metabólicos presentes na DM, e que


apresentam em comum o aumento da concentração de glicose no sangue, podem
levar o indivíduo a diferentes condições clínicas afetando o sistema nervoso central
e/ou periférico. Consistentemente elevados níveis de glicemia podem levar a doenças
graves que afetam o coração e vasos sanguíneos, olhos, rins e nervos, aumentando
em muito o risco de desenvolver infeções.5

Assim sendo, o rastreio, o diagnóstico precoce e o tratamento atempado são de


extrema importância para evitar o aparecimento/evolução da doença.

3.4.1. Neuropatia diabética

Os portadores de DM quando não cumprem os critérios de controlo da mesma, podem


vir a desenvolver vários danos, tais como danos ao nível dos nervos (neuropatia), que
pode afetar qualquer nervo do corpo. O tipo mais comum é a neuropatia periférica,
que afeta principalmente os nervos sensoriais nos pés, podendo conduzir a ardor,
sensação de formigueiro, bem como perda de sensibilidade. Deve-se ter especial
atenção, pois os ferimentos podem passar despercebidos, causando ulcerações,
infeções graves e, em casos extremos amputações, podendo também causar
disfunção eréctil, problemas com a digestão e micção.5

Sendo a neuropatia diabética a complicação mais comum na diabetes, o


comprometimento do sistema nervoso periférico é uma das manifestações clínicas
mais habituais, atingindo entre 40% e 50% dos indivíduos com DM2. Esta compreende
alterações relacionadas ao envolvimento estrutural e funcional de fibras nervosas
sensitivas, motoras e autonômicas, que podem ser reversíveis ou permanentes.
30
Manifestam-se de formas bastante diferentes, como síndromes dolorosas graves,
agudas, secundárias a oscilações glicêmicas, ou formas assintomáticas. A
polineuropatia sensitivo-motora difusa simétrica periférica é a mais frequente. Os
sinais e sintomas são parestesia, dor (queimação, pontada, choque ou agulhada) em
pés e pernas, hiperestesia (dor ao toque de lençóis e cobertores), diminuição ou perda
da sensibilidade tátil (fibras grossas), térmica ou dolorosa (fibras finas), perda dos
reflexos tendinosos profundos, fraqueza e perda da motricidade a nível distal e úlceras
nos pés.20

A neuropatia diabética dolorosa é um dos tipos de dor bem conhecidos 21, esta
constitui-se como uma doença debilitante, ocorrendo em cerca de 50% dos pacientes
com DM.22 Os pacientes com DM têm maior prevalência de dor musculo-esquelética
do que a população em geral.23,24

3.5. Prevenção/Tratamento

As complicações da diabetes evoluem de uma forma silenciosa e, muitas vezes,


quando detetadas já estão há algum tempo instaladas.

A forma de prevenir ou tentar reduzir os danos causados por esta doença consiste em
fazer um controlo rigoroso da glicemia, da tensão arterial e dos lípidos (gorduras no
sangue), bem como de uma vigilância periódica dos órgãos mais sensíveis, como por
exemplo, retina, rim e coração.

O tratamento da DM tem como objetivos manter os níveis de açúcar no sangue dentro


dos valores normais, prevenir ou controlar os sintomas, bem como reduzir o risco de
desenvolvimento de complicações agudas e tardias.

Este engloba duas vertentes: farmacológica, onde se inclui o uso de medicamentos


orais ou insulina, dependendo do grau de deficiência da produção de insulina; ou não-

31
farmacológica, que consiste na educação para a saúde, onde se transmita a
importância da prática regular de exercício físico e a importância de uma terapêutica
alimentar.25,26

O primeiro passo no tratamento da DM2, e o mais importante, depende


exclusivamente da pessoa, pois implica uma adaptação do diabético àquilo que come
e com a frequência o faz e na atividade física que efetua diariamente.

Muitas vezes este primeiro passo é suficiente para manter a DM controlada, mas
quando não se consegue controlar, apesar do diabético cumprir estas regras, é
necessário fazer o tratamento com comprimidos e, em certos casos, utilizar insulina.

Em resumo, e como defende a American Diabetes Association26, o plano terapêutico,


para além da terapêutica farmacológica, inclui vários aspetos não farmacológicos
como a terapêutica nutricional, atividade física, educação da pessoa com doença,
onde está englobada a autovigilância e o autocontrolo da DM através de testes ao
sangue efetuados diariamente e que permitem o ajuste da dose de insulina, da
alimentação e da atividade física. Existem evidências de que apenas a alimentação
em conjunto com a atividade física são suficientes no tratamento inicial desta patologia
desde que a glicemia em jejum não ultrapasse os 200 mg/dl.

3.6. Realidade Epidemiológica

A International Diabetes Federation (IDF)5 fez uma previsão a nível mundial para 2015,
onde refere que 415 milhões de individuos, com idades compreendidas entre os 20 e
os 79 anos, teriam DM, e em 2040, seriam 642 milhões. Já o Observatório Nacional
da Diabetes (OND)3 , no ano de 2014, estimou a existência de 387 milhões de pessoas
com DM, no mundo. A previsão é de que em 2035 este valor subirá para 592 milhões.
É de salientar que o número de pessoas com DM2 está a crescer em todos os países.

32
Ainda a nível mundial, a maior parte de pessoas com DM tem idades compreendidas
entre os 40 e os 59 anos.5 Não menos importante é de referir que 179 de milhões de
pessoas com DM desconhecem que possuem esta doença3 e para a IDF5 193 milhões
de pessoas com DM não são diagnosticadas e, portanto, estão em maior risco de
desenvolver complicações. A estimativa da IDF5, relativamente a 2015, diz-nos que
um em cada onze adultos teria DM; a previsão para 2040 refere que um individuo em
cada dez terá DM e um em cada dois adultos com diabetes não será diagnosticado.

Em Portugal, o ano de 2014, teve uma prevalência estimada da DM, entre os 20 e os


79 anos (7,7 milhões de indivíduos), de 13,1%. O impacto do envelhecimento refletiu-
se num aumento de 1,4 pontos percentuais da taxa de prevalência da Diabetes entre
2009 e 2014, correspondendo a um crescimento de cerca de 12%.3

Verificou-se a existência de uma diferença estatisticamente significativa na


prevalência da DM entre os homens (15,8%) e as mulheres (10,8%), bem como a
existência de um grande aumento da prevalência da DM com a idade. Mais de um
quarto dos indivíduos entre os 60-79 anos tem Diabetes.3 No ano de 2014 estimou-se
ainda a existência de entre 522 a 662 novos casos de DM por cada 100 000
habitantes.3

3.7. Mortalidade

A DM é uma doença metabólica crónica com alta morbilidade e mortalidade, que se


tem tornado um problema de saúde pública.8 A pessoa com DM, com o aumento da
esperança de vida, vê aumentar as suas complicações, caso não tenha havido
cuidados específicos, nomeadamente na prevenção dos mesmos.

As complicações são resultado de um mau controlo metabólico, onde a continuidade


da glicemia elevada acaba, ao longo dos tempos, por ter repercussões sobre os

33
tecidos do organismo, levando a situações genericamente denominadas como
complicações crónicas da DM.

A nivel mundial, a DM causou 4,9 milhoes de mortes, em 2014, e a cada sete


segundos morre uma pessoa por esta doença.5

Segundo a IDF, a nível mundial, a DM2 é a doença com a taxa de mortalidade mais
elevada, notando-se que 5 milhões de pessoas adultas morreram, comparativamente
a outras doenças entre as quais Sida (1,5 milhões), tuberculose (1,5 milhões) e
malária (0,6 milhões).5

Em Portugal, tem ocorrido uma diminuição significativa do número de anos potenciais


de vida perdida por morte devido à DM. Esta doença contribuiu para que, em 2013,
cerca de oito anos de vida fossem perdidos por cada óbito por DM, na população com
menos de 70 anos, estando até na origem de 4,0% das mortes ocorridas em 2014.3

3.8. Custos da Diabetes

A Assembleia Geral das Nações Unidas reconheceu que a DM é uma doença crónica,
debilitante, dispendiosa, associada a complicações graves, o que representa grandes
riscos para as famílias, para os Estados Membros e para o mundo inteiro.14

Os custos da DM, em 2014, representam 0,9% do PIB português e 10% da despesa


em Saúde. O custo aparente desta doença, só em 2014, representa cerca de 862
milhoes de euros.3

Tendo isto em atenção, o ideal para o Estado será opostar no desenvolvimento de


programas junto à população com vista à prevenção, sensibilização e educação da
comunidade para uma vida ativa e saudável.

34
4. Importância do exercício físico no idoso portador de DM2

A base essencial do tratamento da DM2 é a adoção de uma dieta saudável, o aumento


da atividade física e a manutenção de um peso corporal normal.5 Assim sendo, a
participação em programas que estimulem a realização de atividade física e o
consumo de dieta nutricionalmente adequada, associados à assistência médica, pode
reduzir o risco de complicações da doença, para além de contribuir para a melhoria
da qualidade de vida do portador de DM.27

A atividade física (AF)5,28-30 é uma ferramenta terapêutica essencial para atingir o


controlo metabólico dos doentes com DM2, pois melhora a sensibilidade à insulina,
diminui a hiperinsulinemia, aumenta a captação muscular de glicose, melhora o perfil
lipídico e a hipertensão arterial, para além de transmitir a sensação de bem-estar físico
e psíquico e combater o stress, diminuindo também os riscos de doenças
cardiovasculares.27

Considerando a atividade física como qualquer movimento do corpo humano


provocado pelo músculo-esquelético e que resulta num aumento do dispêndio
energético31, os idosos devem praticar AF com frequência, consoante as
especificidades da sua própria condição e, respeitando a sua sensação subjetiva de
esforço, que deverá ser avaliada periodicamente.32

Mendes et al.30 referem que os programas de exercício para pessoas com DM2 devem
incluir exercícios aeróbicos e de resistência combinada, complementando com
exercícios de flexibilidade, sendo aconselhado um mínimo de 150 minutos por semana
de exercício aeróbio a uma intensidade moderada a vigorosa, complementados por
um mínimo de 2 sessões semanais de exercício resistido.

O exercício aeróbio reporta aos exercícios que recrutam as grandes massas


musculares de forma rítmica e durante grandes períodos de tempo30,33,34, enquanto
que o exercício resistido diz respeito aos exercícios durante os quais o músculo-
esquelético provoca movimento contra uma força aplicada ou carga externa. 30,33
35
Há evidências que a aplicação de exercícios isométricos, ativos livres e
contrarresistidos, além do relaxamento de estruturas tensas ou contraturadas,
reduziram edemas e processos inflamatórios, melhorando as condições circulatórias,
favorecendo o alívio da dor e minimizando a incapacidade funcional. Através da
estimulação exteroceptiva, os movimentos aplicados sob critérios personalizados
podem ajudar a dessensibilização de áreas dolorosas, desde que adaptadas à
capacidade de cada indivíduo35 e contribuem para a diminuição de dores
articulares.36,37

A prática regular de exercícios físicos por indivíduos diabéticos, dentro das


intensidades recomendadas, podem resultar na redução de 10% a 20% na
hemoglobina glicosilada e também no melhor transporte de oxigénio pela corrente
sanguínea11, observando-se também decréscimos consideráveis na glicemia e nas
concentrações de insulina durante o exercício e também no período pós-exercício,
quando comparados ao dia do controle.

Dados sobre a prevalência da prática de exercício e dos níveis de AF habitual dos


doentes com DM2 são escassos em Portugal30, mas segundo Mendes et al.30,38, cerca
de 60% dos indivíduos portugueses referiram não praticar qualquer tipo de exercício.
Morrato et al., Hermann et al.39,40, também defendem que a maior parte dos pacientes
com DM2 não praticam exercício regular.

5. Descrição do Programa Comunitário

O Diabetes em Movimento® é um projecto que visa a prática regular de exercício físico


da população idosa portadora desta doença. Seguindo o lema no qual a prática regular
de atividade física é considerada primordial no tratamento/controlo da DM, este projeto
visa estimular a realização de exercício físico, não descartando a importância de uma
dieta nutricional e de um acompanhamento médico adequado. 9

36
Mendes et al.41,42, referem que os programas de exercício para pessoas com DM2
devem incluir exercícios aeróbicos e de resistência combinada complementados por
exercícios de flexibilidade. Nas recomendações de exercício aeróbio e de resistência,
a intensidade deve variar entre moderada a vigorosa43, ou seja, no exercíco aeróbio,
poderá ir de uma intensidade moderada – que representa 12-13 pontos numa escala
de perceção do esforço variável de 6-20 pontos – a uma intensidade vigorosa - de 14-
17 pontos, nessa mesma escala de esforço percebido.42,44 Contudo, o programa foi
delineado para ter uma intensidade de exercício moderada, tendo em conta que esta
população não fez qualquer tipo de prova de esforço e dadas as possíveis
comorbilidades associadas à DM2.

Assim sendo, os efeitos dos programas de exercício físico regular, que são
desenvolvidos de acordo com as recomendações para indivíduos com DM2 (aeróbico,
resistência e flexibilidade)38 têm uma relação com os principais componentes da
aptidão física, que parece estar bem estabelecida.45-48

Para que o idoso mantenha as suas capacidades funcionais é essencial a prática de


atividades físicas, devendo ser estimulada ao longo da vida. Especificamente nessa
faixa etária, de modo a proporcionar uma série de benefícios específicos à saúde
biopsicossocial do idoso, deve-se priorizar o desenvolvimento da capacidade
aeróbica, flexibilidade, equilíbrio, resistência e força muscular de acordo com as
peculiaridades dessa população.49

Na prática, durante as sessões de exercício físico deste Programa, os monitores


fizeram a educação para a escala subjetiva de esforço (Escala de Borg)50 (Figura 1) ,
tentando arranjar estratégias para que os utentes nas sessões adequassem o seu
esforço a valores entre 12 – 13, sem que os mesmos tivessem a perceção que estes
eram os valores ideais.

37
Figura 1 - Escala de Borg

O Diabetes em Movimento® cumpre as normas internacionais de exercício para


indivíduos com DM2 e também para a prevenção de quedas, possuíndo uma
combinação de exercício aeróbio, resistência, agilidade/equilíbrio e de flexibilidade em
cada sessão.38,48,51

Durante o exercício físico são realizadas pausas específicas para incentivar à


hidratação. Cada utente tem uma garrafa de água devidamente identificada com o seu
nome e esta, sempre que o utente comparece à sessão, permanece nas instalações
desportivas (bancadas), onde alguns destes deixam os seus pertences.

Os utentes são educados para os eventuais sintomas agudos, eventos adversos e


para evitarem a manobra de Valsalva, tanto nos exercícios resistidos, como nos de
flexibilidade. São ainda efetuadas monitorizações frequentes da glicemia capilar e da
pressão arterial, antes e após as sessões de exercício.

Salienta-se que os monitores do programa foram preparados para possíveis eventos


adversos agudos relacionados ao exercício nestes indivíduos. Em cada sessão de
exercício está presente pelo menos um técnico com formação em Suporte Básico de
Vida. Em todas as sessões está sempre presente uma caixa de enfermagem de

38
emergência constituída por: monitores de glicemia capilar com respetivas tiras teste e
lancetas de punção; monitor digital de pressão arterial; hidratos de carbono de
absorção rápida e kit de glucagon; ligaduras e diverso material de desinfeção e
tratamento de feridas superficiais. Nas arrecadações do material desportivo está ainda
um pequeno frigorífico com gel de frio para crioterapia.

5.1. Logística

A logística das sessões de exercício está organizada para um máximo de 40 a 50


participantes por sessão. Estas são efetuadas em grupo, sendo supervisionadas por
profissionais de exercício e têm a duração útil de cerca de 75 minutos.

Estão presentes no mínimo 3 monitores, sempre em cada sessão, sendo que um


destes é o responsável por liderar e os restantes por auxiliarem na organização da
logística e no feedback individualizado aos utentes.

5.2. Material

Nestas sessões de exercício, são utilizados os seguintes materiais: 1 Estrado; 55


cadeiras de plástico; 4 caixas de plástico; 110 garrafas de 0,5 litros com areia (± 0,8
kg); 10 pares de alteres de 2 kg; 10 pares de alteres de 1 kg, 50 bolas de ginástica
rítmica (4 cores); 4 bolas-balão para voleibol; 25 coletes; 48 sinalizadores; 8 cones de
30 cm; Kit de 6 varas de obstáculos; 2 fitas-rede de voleibol; 1 coluna de som
amplificada e 5 planos de treino diferentes (A, B, C, D e E), que têm aplicação
sucessiva ao longo do tempo (em cada grupo).

39
6. Plano de estágio

As planificações das atividades do Programa foram feitas pelo responsável do projeto


e também orientador de estágio, Professor Doutor Romeu Mendes, não tendo a
estagiária qualquer poder de alteração do mesmo aquando a sua chegada ao
Diabetes em Movimento®, pois já estavam predefinidas pelo mesmo aquando a sua
entrada.

Durante o Programa foram aplicados, sucessivamente, 5 planos de sessão (A, B, C,


D, E) já delineados, onde estão englobados exercícios aeróbios, de resistência,
agilidade/equilíbrio e de flexibilidade. Estes planos foram sofrendo alterações e
adaptações aos exercícios estipulados inicialmente, devido a algumas quedas e ao
não cumprimento total dos critérios de êxito das atividades por parte de alguns
utentes, sendo apresentados apenas os exercícios finais.

Todavia, em algumas sessões foi necessário efetuar também ligeiras alterações a


nível das atividades e do espaço em que estas ocorreram, tendo sido adaptadas para
um outro espaço situado no átrio do Pavilhão ou no Parque Corgo, isto quando se
verificava a ocupação do recinto principal do Pavilhão dos Desportos ou quando se
pretendia efetuar atividades especiais previstas, que decorreram no Dia Mundial da
Diabetes, Natal e Picnic de encerramento.

6.1. Programação das sessões

Este programa foi delineado para ter a duração de 8 meses, com começo em outubro
até fim em maio, com pausa no Verão (junho, julho, agosto e setembro) e para aplicar-
se de forma cíclica durante todos os anos escolares.

Semanalmente são realizadas três sessões de exercício, em dias não sucessivos


(segundas, quartas e sextas-feiras, das 16h00 às 17h30 e das 9h30 às 11h00) e duas
sessões de exercício, também em dias não sucessivos (terças e quintas-feiras, das

40
16h00 ás 17h30), no Pavilhão Desportivo de Vila Real. Se algum destes dias coincide
com algum feriado municipal ou nacional, ou nos dias 24 e 31 de dezembro, estas
sessões não são concretizadas.

6.2. Calendarizações

As calendarizações foram sempre feitas no final de cada mês para o mês


subsequente, por forma a orientar os monitores quanto ao número da sessão e a qual
o plano a aplicar. Nestas calendarizações também era possível visualizar quais os
monitores a participar, bem como o líder da sessão, por forma a assegurar assim uma
boa gestão (ANEXO C).

6.3. Estrutura das sessões

As sessões de exercício são constituídas por cinco fases, seguindo-se pela seguinte
ordem: Aquecimento; Exercício Aeróbio; Exercício Resistido; Exercício de
Agilidade/Equilíbrio; Retorno à Calma/Flexibilidade.

Destacam-se pelo facto de apresentar as seguintes caraterísticas de sessão para


sessão:

 o exercício de aquecimento é sempre igual;


 o exercício aeróbio é diferente;
 o exercício resistido é diferente e composto por 6 exercícios diferentes em
circuito (3 membros inferiores + 3 membros superiores), executado com
cadeiras, garrafas de areia, halteres, peso corporal e bolas, com 20 repetições
nos exercícios bilaterais e 30 repetições nos unilaterais (simultâneo/ alternado)
de 1 a 4 séries/circuitos sem descanso entre cada exercício e descanso de 1
minuto entre circuitos (todos os exercícios são efetuados de forma sincronizada

41
por todos os utentes, sendo que o tempo de execução do movimento e o tempo
restante são controlados pelo líder da sessão ou do exercício);
 o exercício agilidade/equilíbrio é diferente;
 o exercício de retorno à calma/flexibilidade é sempre igual, com uma sequência
de alongamentos estáticos e dinâmicos efetuados com o apoio de cadeiras (10
segundos posição estática e alongamento dinâmico durante 10 repetições).

Cinco planos de exercício diferentes foram preparados, cada um deles com diferentes
exercícios aeróbicos, resistidos e de agilidade/equilibrio, sucessivamente aplicados
sempre para induzir o estímulo da variabilidade.

Quanto à progressão dos circuitos do exercício resistido, estabeleceu-se o seguinte:

Tabela 1 - Progressão dos circuitos do exercício resistido

Duração Nº de Circuitos

Semanas 1 - 4 1

Semanas 5 - 8 2

Meses 3 - 4 3

Meses 5 - 8 4

A progressão deste foi mais rápida no grupo que estava pelo segundo ano no
programa, pois desde início foi verificado que estes utentes tinham maior aptidão
física, comparativamente aos restantes.

No final de todas as sessões os utentes foram convidados a registar a intensidade


global do seu esforço face à sessão. Sendo também registadas as presenças dos
utentes, bem como as ocorrências de eventos adversos.

Este tópico será mais aprofundado, com imagens explicativas, no ponto 7. Descrição
das Atividades Realizadas.

42
6.4. Algoritmo do início das sessões

1º Chegar ao Pavilhão 20 minutos antes do início da sessão;

2º Cumprimentar funcionários do pavilhão e em seguida levantar a chave dos armários


na receção;

3º Montar o estrado + cadeiras + coluna de som + cones perímetro + 2 mesas;

4º Ligar coluna de som;

5º Montar caixas com garrafas + bolas + carrinho com alteres + outros;

6º Montar material médico + Escala de Borg;

7º Montar Fichas de Registo + colocar data na sessão atual;

8º Cumprimentar os utentes que forem chegando;

9º Perguntar por credencial + garrafa de água + picada no dedo em casa;

10º Verificar aniversários.

6.5. Algoritmo final das sessões

1º Cantar os “Parabéns” aos eventuais aniversariantes;

2º Relembrar próxima sessão;

3º Organizar preenchimento das folhas de Assinaturas de Presença + Escala de Borg;

4º Homens mesa esquerda; Mulheres mesa direita;

43
5º Arrumar estrado + cadeiras + coluna de som;

6º Arrumar material desportivo;

7º Arrumar material médico + Escala de Borg;

8º Preencher Relatório da Sessão + Arrumar Fichas de Registo;

9º Deixar chave na receção + Cumprimentar funcionários do Pavilhão

7. Descrição das Atividades Desenvolvidas

As atividades desenvolvidas contaram com a colaboração de 101 indivíduos, de


ambos os géneros, com idades compreendidas entre 50 e 80 anos e cumprem todos
os requisitos de admissão no Programa referidos anteriormente.

As sessões de exercício são constituídas por cinco fases, que foram aplicados,
sucessivamente e rotativamente, em 5 planos de sessão (A, B, C, D, E) para cada um
dos grupos, seguindo-se pela seguinte ordem:

1º Aquecimento (10 min);

2º Exercício Aeróbio (30 min);

3º Exercício Resistido (5 a 20 min)

4º Exercício de Agilidade/Equilíbrio (10 min)

5º Retorno à Calma/Flexibilidade (5 min)

44
7.1. Aquecimento

 Realizar marcha rápida à volta do pavilhão.

Figura 2 - Marcha rápida à volta do Pavilhão

7.2. Exercício Aeróbio

Os exercícios aeróbios são as atividades físicas (caminhada, natação, ciclismo,


dança, corrida…) que exercitam, de forma ritmada, contínua e por um longo período
de tempo, inúmeros grupos musculares.11 A prática de modalidades deste tipo de
atividade deve ser realizada em intensidade moderada de acordo com a capacidade
individual de cada um, proporcionando inúmeros benefícios a saúde como, por
exemplo, aceleração do metabolismo, aumento das enzimas que oxidam a gordura,
fortalecimento dos músculos do corpo, melhoria da circulação sanguínea, aumento do
fluxo sanguíneo nos músculos e aumento de energia muscular.52

No Diabetes em Movimento® foram desenvolvidos 5 planos de exercício aeróbio, que


serão exemplificados de seguida.

45
Plano A

 Grupos de 2 pessoas; um dos elementos com 2 garrafas de areia; marcha


rápida em sentidos opostos; sempre que se cruzarem trocam as garrafas; quem
tem garrafas faz marcha muito rápida.

Figura 3 - Marcha em Sentidos Opostos

Plano B

 Cada participante com uma bola de ginástica na mão; marcha em torno do


pavilhão. De 2 em 2 minutos, o instrutor dá uma tarefa diferente e de forma
sucessiva: 1) marcha com “atirar a bola ao ar” com a mão direita; 2) marcha
com bola à volta da cintura direita-esquerda; 3) marcha com drible de bola com
a mão direita; 4) marcha com “atirar a bola ao ar” com a mão esquerda; 5)
marcha com bola à volta da cintura esquerda-direita; 6) marcha com drible de
bola com a mão esquerda.

46
Figura 4 - Marcha das bolas

Plano C

 Cada um com 2 garrafas de areia; marcha rápida à volta do pavilhão; realizar


os percursos de obstáculos (2 em cada linha lateral do pavilhão): 1 – contornar
as varas (6 vezes); 2 – passar por cima dos cones (2 a 2, 4 vezes); 3 – zig-zag
com sinalizadores (10 vezes); 4 – passos largos (6 vezes) com sinalizadores.

Figura 5 - Percurso de Obstáculos

47
Plano D

 Marcha em torno do pavilhão (Marcha das tarefas). De 2 em 2 minutos, o


instrutor dá uma tarefa diferente e de forma sucessiva: 1) inverter o sentido da
marcha; 2) marcha “pé-ante-pé” em cima da linha; 3) marcha com 1 garrafa de
areia. Aos 20 minutos mudar para estafetas (figura 7); grupos de 2; cones aos
0, 20 e 40 metros; 8 séries; 30 segundos de repouso entre cada série.

Figura 6 - Marcha das Tarefas

Figura 7 - Estafetas

48
Plano E

 Formar 2 grupos; garrafas de areia em cima de uma cadeira nos 4 cantos do


pavilhão (nos cantos de partida dos grupos coloca-se o nº de garrafas igual ao
n º de utentes de cada grupo e nos cantos opostos 5 garrafas de reserva); cada
grupo começa em cantos opostos e partem em simultâneo com 1 garrafa na
mão; nas linhas laterais caminham sempre com garrafa, nas linhas de fundo
sempre sem garrafa; nos percursos com garrafa realizam marcha muito rápida
(figura 8).

Figura 8 - Transporte de Garrafas

7.3. Exercício resistido

Os exercícios físicos resistidos são exercícios mais lentos com carga, tais como a
musculação com pesos e aparelhos específicos, ou exercícios sem carga onde a
resistência é imposta pelo próprio corpo.53

Esta prática gera grandes benefícios em indivíduos portadores de DM, pois melhora
a sensibilidade à insulina e tolerância à glicose, bem como melhora a força muscular,
proporciona o ganho de flexibilidade e diminui os fatores de risco cardiovasculares.54

49
Os exercícios com pesos são fundamentais nos indivíduos portadores de DM, pois
contribui para o aumento da massa muscular, o que leva a uma maior quantidade de
tecido captador de glicose, mesmo em repouso.55

No Diabetes em Movimento® foram desenvolvidos 5 planos de exercício resistido, que


serão exemplificados de seguida.

Plano A

Figura 9 - Remo inclinado (posição inicial)

Figura 10 - Remo inclinado (posição final)

50
Figura 11 - Flexão da perna alternado (posição inicial)

Figura 12 - Flexão da perna alternado (posição final)

Figura 13 - Press militar (posição inicial)

51
Figura 14 - Press militar (posição final)

Figura 15 - Agachamento (posição inicial)

Figura 16 - Agachamento (posição final)

52
Figura 17 - Flexão do antebraço (posição inicial)

Figura 18 - Flexão do antebraço (posição final)

Figura 19 - Adução da coxa (posição inicial)

53
Figura 20 - Adução da coxa (posição final)

Plano B

Figura 21 - Cálice (posição inicial)

Figura 22 - Cálice (posição final)

54
Figura 23 - Pontapé em pé alternado (posição inicial)

Figura 24 - Pontapé em pé alternado (posição intermédia)

Figura 25 - Pontapé em pé alternado (posição final)

55
Figura 26 - Remo horizontal (posição inicial)

Figura 27 - Remo horizontal (posição final)

Figura 28 - Coxa para trás alternado (posição inicial)

56
Figura 29 - Coxa para trás alternado (posição final)

Figura 30 - Elevação acima da cabeça (posição inicial)

Figura 31 - Elevação acima da cabeça (posição final)

57
Figura 32 - Rotação do tronco alternado (posição inicial)

Figura 33 - Rotação do tronco alternado (posição intermédia)

Figura 34 - Rotação do tronco alternado (posição final)

58
Plano C

Figura 35 - Apertar bola com mãos (posição inicial)

Figura 36 - Apertar bola com mãos (posição final)

Figura 37 - Apertar bola com joelhos (posição inicial)

59
Figura 38 - Apertar bola com joelhos (posição final)

Figura 39 - Elevações frontais (posição inicial)

Figura 40 - Elevações frontais (posição final)

60
Figura 41 - Agachamento (posição inicial)

Figura 42 - Agachamento (posição final)

Figura 43 - Tricípites a uma mão (posição inicial)

61
Figura 44 - Tricípites a uma mão (posição final)

Figura 45 - Remo vertical (posição inicial)

Figura 46 - Remo vertical (posição final)

62
Plano D

Figura 47 - Press militar a dois tempos (posição inicial)

Figura 48 - Press militar a dois tempos (posição intermédia)

Figura 49 - Press militar a dois tempos (posição final)

63
Figura 50 - Elevação do joelho alternado (posição inicial)

Figura 51 - Elevação do joelho alternado (posição final)

Figura 52 - Tricípites a duas mãos (posição inicial)

64
Figura 53 - Tricípites a duas mãos (posição final)

Figura 54 - Elevação dos calcanhares (posição inicial)

Figura 55 - Elevação dos calcanhares (posição final)

65
Figura 56 - Elevações laterais (posição inicial)

Figura 57 - Elevações laterais (posição final)

Figura 58 - Pontapé sentado alternado (posição inicial)

66
Figura 59 - Pontapé sentado alternado (posição final)

Plano E

Figura 60 - Aberturas (posição inicial)

Figura 61 - Aberturas (posição final)


67
Figura 62 - Abdução da coxa (posição inicial)

Figura 63 - Abdução da coxa (posição final)

Figura 64 - Encolhimento de ombros (posição inicial)

68
Figura 65 - Encolhimento de ombros (posição final)

Figura 66 - Joelho ao peito alternado (posição inicial)

Figura 67 - Joelho ao peito alternado (posição final)

69
Figura 68 - Flexão antebraço elevada (posição inicial)

Figura 69 - Flexão antebraço elevada (posição final)

Figura 70 - Voos (posição inicial)

70
Figura 71 - Voos (posição final)

7.4. Exercício Agilidade/Equilíbrio

Os exercícios de agilidade/equilíbrio poderão ser do tipo estático ou dinâmico, que


envolvam manipulação de objetos, coordenação do corpo e movimentação corporal,
giros lentos e ausência de estímulo visual.56

Este tipo de exercícios são essenciais para aumentar o bem-estar quotidiano do idoso,
facilitando a execução das suas tarefas diárias. O desenvolvimento da agilidade por
parte destes indivíduos irá facilitar a capacidade de realizar movimentos corporais
rápidos, com mudanças de direção ou de altura, nos quais normalmente ocorrem
acelerações e desacelerações.57

Por sua vez, o equilíbrio consiste na capacidade de controlar a postura corporal


estática ou dinâmica de forma eficiente e segura, ajudando também na prevenção de
quedas.

No Diabetes em Movimento® foram desenvolvidos 5 planos de exercício


agilidade/equilíbrio, que serão exemplificados de seguida.

71
Plano A

 Os mesmos grupos de 2; uma bola de ginástica; frente a frente; realizar o tipo


de passe indicado pelo monitor (1’ cada): mão direita; mão esquerda; remate
voleibol direita; remate voleibol esquerda; duas mãos atrás da cabeça; passe
de peito com duas mãos; receção da bola sempre com as duas mãos.

Figura 72 - Passe/Receção com bola 2 a 2

Plano B

 Duas equipas distribuídas de forma intercalada em duas filas ao longo da linha


lateral. Uma das equipas com colete. O objetivo é transferir o mais rápido
possível todas as bolas das caixas iniciais, cheias de bolas, para as caixas
finais vazias, com passes entre elementos da mesma equipa, na diagonal.
Bolas perdidas não são repostas. Ganha a equipa que mais bolas tiver na caixa
final no fim de cada série ou no menor tempo. Em cada série o tipo de passe é
definido pelo monitor: mão direita, mão esquerda, picado mão direita e picado
mão esquerda. Após cada série inverter o sentido. Colocar as 4 caixas em cima
de cadeiras.

72
Figura 73 - Jogo das Caixas

Plano C

 Equipas de 4 participantes; máximo 12 equipas; 1 bola por participante; 1 cone


grande por equipa; equipas 2 a 2 e cones frente-a-frente, ao longo da lateral do
pavilhão; tentar derrubar o cone da equipa adversária; jogos de 8 lançamentos;
1 ponto por cada jogo ganho; apanham as bolas uns dos outros e vice-versa.

Figura 74 - Jogo da Malha

73
Plano D

 Dois a três círculos de participantes (1 em cada lado do pavilhão); Bola em


cada 2 participantes; realizar o tipo de passe para a direita ou esquerda,
indicado pelo monitor (2 segundos cada): mão direita; mão esquerda; duas
mãos atrás da cabeça; passe de peito com duas mãos; receção da bola sempre
com as duas mãos.

Figura 75 - Apagar o Fogo

Plano E

 Duas a três equipas em fila, lado a lado; a bola começa nos primeiros
participantes da fila; passar a bola para trás de acordo com o passe indicado
pelo monitor: pela esquerda; pela direita; por baixo das pernas; por cima da
cabeça; quando a bola chegar ao ultimo da fila, este desloca-se para a frente
da fila e repete, até este voltar a ser o ultimo da fila; realizar uma série por cada
tipo de passe.

74
Figura 76 - Lagarta

7.5. Exercício de Flexibilidade

Os exercícios de flexibilidade visam a preservação ou o aumento da amplitude de


movimento em torno de uma articulação.34 O aumento da flexibilidade facilita a
locomoção e reduz os problemas de dores e lesões musculares e articulares,
melhorando bastante a realização das atividades da vida diária do individuo. 57

Os exercícios devem ser praticados a uma amplitude de movimento que não cause
dor, devem ser lentos e seguidos de alongamento estático.56

No Diabetes em Movimento® foram desenvolvidos alguns exercícios de flexibilidade,


que serão exemplificados de seguida.

Figura 77 - Joelho ao peito (sentado)


75
Figura 78 - Alcançar o pé (sentado)

Figura 79 - Mãos atrás das costas

Figura 80 - Perna frente e trás

76
Figura 81 - Coçar as costas

Figura 82 - Calcanhar ao glúteo

Figura 83 - Cotovelo ao peito

77
Figura 84 - Cristo

Figura 85 - Apanhar cerejas

8. Papel do Gerontólogo no respetivo serviço

A atuação profissional de um gerontólogo deverá ser focada em acompanhar, avaliar,


prevenir e promover um processo de envelhecimento saudável quer a nível físico,
mental, emocional, social, sexual, espiritual, ambiental e social, ou seja, o gerontólogo
deve garantir que a velhice e o processo de envelhecimento sejam processos
orientados e bem assistidos para que se verifique a melhor qualidade de vida possível,
a satisfação e bem-estar geral.10

A intervenção deste profissional tem de ser pautada pelo facto de ver o idoso como
um todo, como um ser com identidade própria, que tem de ser respeitado na sua
singularidade, na sua privacidade, nos seus hábitos e rotinas, não o julgando,
78
tomando consciência dos seus sentimentos e valorizado a sua história e percurso de
vida, os seus problemas e as suas fragilidades.58

A atuação de uma equipa multidisciplinar no cuidado à saúde do idoso é de extrema


importância, quer no caso da diabetes como de qualquer outra doença. Torna-se
fundamental que todos os profissionais envolvidos conheçam os padrões individuais
do paciente, estabelecendo um vínculo afetivo para, posteriormente, em conjunto,
traçar estratégias, a serem alcançadas a curto, médio e longo prazos, que visem ao
controle metabólico do paciente.9

No caso concreto, no Diabetes em Movimento®, numa fase inicial, a gerontóloga


estagiária teve um papel de gestão dos recursos materiais e ficou responsável pela
monitorização e feedback individual dos utentes. Com o tempo foi adquirindo outras
funções como, por exemplo, começar a liderar alguns exercícios, por forma a haver
uma integração gradual e harmoniosa. Posteriormente, passa a ser capaz de liderar
uma sessão de exercício completa. Contudo, por norma, as sessões nessa altura
foram também dadas por dois monitores, para que todos tivessem o direito de liderar.

No fundo, a estagiária era responsável quando entrava na sessão (20 minutos antes
da hora) pelo cumprimentar dos funcionários e levantamento da chave dos armários
na recepção, pela deslocação do material para o espaço e sua distribuição, o
cumprimentar dos utentes que chegavam, colocação e separação das folhas de
presença dos utentes e monitores e plano de sessão na mesa, recolha do material
quando não mais utilizado e sua arrumação, controlo dos aniversários, controlo das
presenças e respetivas notas de esforço da Escala de Borg. Era dada atenção aos
utentes antes, durante e após as sessões, sempre que necessário. Estes papeis
muitas vezes, se necessário, eram partilhados com os colegas. Quando foi necessário
fazer medição da glicemia capilar e da pressão arterial aos utentes, a estagiária ou
outro colega foram capazes de o realizar, tendo havido uma educação prévia para tal.
Também foi feito o controlo da utilização das credenciais dos utentes, bem como da

79
glicemia à chegada dos mesmos e se o calçado que traziam era apropiado à
participação nas sessões.

No fundo, coube à estagiária o papel de monotorizar e acompanhar as sessões de


exercicio físico promovidas pela Instituição, garantindo que tudo correria pelo melhor.

Nesta perspectiva, acredita-se que as ações educativas, junto ao doente, família e


comunidade, têm um papel essencial no controlo dessa enfermidade que é a DM. O
idoso necessita de ser estimulado pelos profissionais de saúde de forma a manter
uma vida independente, adaptando-se da melhor maneira possível às modificações
que vão surgindo. Os profissionais têm a função de lhes fornecer informação sobre
como obter um estilo de vida mais saudável e quais os cuidados pessoais diários a
ter, direcionando a sua prática profissional para ações que levem à independência, à
autonomia e à qualidade de vida aos idosos.58 E para tal, nada melhor que os
incentivar a ter uma vida ativa, com a prática regular de exercício físico adaptado às
suas caraterísticas pessoais e limitações.

8.1. O Gerontólogo e o incentivo ao exercício físico

Segundo a Organização Mundial de Saúde59, a alimentação combinada com a prática


de exercício físico é fundamental para a melhoria da saúde física e mental dos
indivíduos, auxiliando no tratamento de problemas de saúde como, por exemplo, a
obesidade e os problemas a ela associados.

O gerontólogo, tal como qualquer outro profissional ligado à saúde, têm como função
consciencializar os indivíduos para a importância de um envelhecimento saudável,
incentivando a hábitos e atitudes saudáveis e benéficas60, que contribuam para a
autonomia da pessoa idosa, fortalecendo a relação saúde-doença por intermédio do
exercício físico.61

80
Para isto, é importante fomentar a consciência e a participação dos idosos em
programas comunitários para a sua faixa etária60 que promovam um envelhecimento
ativo e saudável, cabendo a estes profissionais a tarefa de ser meio de comunicação
que transmitam aos idosos as informações pertinentes aos benefícios dos programas
de AF.62

Partindo do princípio que as atividades preventivas são imprescindíveis para o resgate


da autonomia, conquista da autoestima, auto-imagem, auto-avaliação e superação de
limites nas inúmeras expectativas que a vida impõe aos idosos, além de exercer
grande impacto na saúde dos mesmos63, é fundamental que o Estado invista cada vez
mais em Programas com idosos, de forma a que, a médio e longo prazo, tenha menos
gastos no tratamento de doenças que advém de uma vida sedentária.

Por vezes, a falta de definição nas políticas públicas e de programas para a promoção
do envelhecimento ativo e saudável faz com que frequentemente os profissionais da
área gerontológica desenvolvam estratégias paliativas e descontinuadas, tais como
atividades físicas sem planeamento ou ministradas por profissionais não capacitados
e desqualificados para o trabalho com idosos. Assim sendo, é fundamental criar e
fortalecer programas em geral, e especificamente de AF para idosos.62

Quanto a este aspeto, O Diabetes em Movimento ® é um projeto que cumpre os


objetivos estipulados, incentivando um envelhecimento ativo e saudável, recheado de
exercícios físicos adaptados à sua faixa etária e problemas de saúde comuns. Nota-
se que houve um planeamento minucioso de todas as sessões a desenvolver,
contínuas e evolutivas, para garantir um presente e um futuro mais autónomo e com
um maior nível de bem-estar físico e psicológico.

9. Resultados do programa

No final do estágio foram recolhidos e analisados os dados, de todas as sessões,


referentes às presenças de todos os utentes do Programa, as intensidades do

81
exercício atribuídas pelos mesmos, segundo a Escala subjetiva de esforço de Borg50
e todos os eventos adversos.

9.1. Taxa de assiduidade dos utentes

Em média, por cada grupo, foram às sessões:

 Grupo A – 15,48 ± 3,78 utentes, num total de 30;

 Grupo B - 28,24 ± 4,92 utentes, num total de 47;

 Grupo C - 14,32 ± 2,96 utentes, num total de 24.

Em média foram às sessões do Programa:

 19,35 ± 6,31 utentes.

A percentagem de adesão às sessões para cada grupo:

 Grupo A - 51,60%;
 Grupo B - 60,09%;
 Grupo C - 59,66%.

A percentagem de adesão média do programa:

 % Adesão média do programa = (%adesão A + %adesão B + %adesão C) ÷ 3

= 57,12%

9.2. Intensidade média das sessões segundo a Escala de Borg

A intensidade média das sessões:

 Grupo A - 13,12 ± 0,33;


 Grupo B - 12,24 ± 0,26;
82
 Grupo C - 12,25 ± 0,31.

A intensidade média do programa:

 12,54 ± 0,41.

9.3. Eventos adversos

 Total de sessões (todos os grupos): 278


 Eventos adversos (Total): 47 (100%).

Como eventos adversos às sessões foram registadas as seguintes ocorrências:

 Tonturas: 16 - 34,04 %
 Hipoglicemias: 11 - 23,40%
 Quedas: 11 - 23,40%
 Cansaço: 5 - 10,64%
 Suores: 2 - 4,26%
 Sensação de cabeça pesada: 2 - 4,26%
 Dor no Peito: 1 - 2,13%
 Dor de cabeça: 1 - 2,13%
 Falta de ar: 1 - 2,13%
 Hemorragia nasal: 1 - 2,13%
 Náuseas: 1 - 2,13%
 Sensação de corpo pesado: 1 - 2,13%
 Dor muscular: 1 - 2,13%
 Vómitos: 1 - 2,13%.

83
10. Reflexão final

A realização deste estágio permitiu-me adquirir vários conhecimentos sobre esta


população. Antes da intervenção, senti-me um pouco insegura, pois senti que os meus
colegas estavam mais à vontade na execução dos conteúdos das sessões e
revelavam domínio da linguagem técnica. Assim, eu julgava que seria difícil atingir o
nível deles, devido há minha formação inicial – Reabilitação Psicomotora. Contudo,
senti-me sempre motivada, criando assim uma relação de empatia com os utentes,
antes, durante e após as sessões.

No início, considero a minha participação um pouco tímida, pois tinha um papel mais
secundário e de gestão. Nesta fase de adaptação fui monitorizando a participação dos
utentes dando feedbacks. Com o decorrer do tempo, fui adquirindo um papel mais
ativo, começando a liderar as sessões com normalidade.

Senti também uma motivação generalizada por parte dos utentes, revelando, boa
disposição e simpatia. Quando se verificava alguma quebra nesta motivação, eu ou
os meus colegas dialogávamos com os mesmos, por forma a reverter a situação.

No que concerne aos objetivos gerais traçados inicialmente pelo projeto, considero
que foram atingidos na sua generalidade.

Por vezes, aconteceram algumas situações adversas, às quais eu e os restantes


monitores respondemos prontamente e de forma adequada em consonância com as
normas estabelecidas. No momento das avaliações, na generalidade, todos
mostraram disponibilidade em colaborar.

Algumas vezes as sessões foram realizadas noutros locais por ocupação do pavilhão
(Parque Corgo e piso 1 do átrio do pavilhão) no entanto, apesar desta mudança, os
utentes em geral revelaram sempre a mesma motivação. É de referenciar que houve
uma ou outra situação em que os utentes ficaram desmotivados com as condições do
espaço da sessão, pois este tinha demasiado material exterior à mesma e que
causaram alguns constrangimentos à plena execução da sessão. Na qualidade de

84
monitora senti dificuldades em gerir tal situação, pois o espaço estava desorganizado,
mesmo assim resolvi a mesma adaptando o espaço em consonância com o plano de
sessão.

Na minha ótica as sessões, de uma forma geral, foram bem-sucedidas e lecionadas


de uma forma adequada pelos técnicos de acordo com os objetivos dos planos de
sessão.

Futuramente, considero que devíamos realizar eventos mais diferenciados, dado que
os utentes no início referiram que os exercícios eram um pouco repetitivos, embora
existam cinco planos de sessão rotativos e algumas atividades tenham sido
modificadas. Com o tempo verificou-se que certos exercícios tinham muitos eventos
adversos ou que nem todos os utentes cumpriam os critérios de êxito. Para colmatar
essas situações, alteramos as regras e mesmo assim quando não funcionaram
tiramos definitivamente a atividade sendo substituída por outra. Assim sendo,
procurou-se sempre selecionar estratégias e atividades que fossem motivadoras e
estimulassem os utentes, respeitando as suas diferenças e as suas aptidões,
procurando sempre inovação e criatividade.

Sendo a motivação dos utentes essencial para o sucesso deste tipo de Programas, é
fundamental sublinhar alguns dos estudiosos da motivação. Na linha que define a
motivação como uma força interna e externa,Samulski64, defende que a motivação se
caracteriza como um processo intencional, ativo e dirigido a uma meta, o qual depende
da relação de fatores pessoais (intrínsecos) e ambientais (extrínsecos). Noutra
corrente, que considera apenas a motivação interna, Davidof65, acredita na motivação
referente a um estado interno e resultante de uma necessidade que ativa ou desperta
comportamentos, dirigidos ao cumprimento da necessidade ativante. Todavia, a
motivação pode ser originada externamente, conduzindo a uma necessidade interna
de dirigir o comportamento. Para Maggil66 motivo é determinado como alguma força
interior, impulso, intenção, etc. que leva um individuo a fazer algo ou agir de certa
forma. Todo o comportamento é motivado e impulsionado por motivos.67

85
Outra variável que parece ter influência na motivação é a confiança no profissional. A
atenção, os incentivos, a confiança e o monitoramento efetivo aparecem com
destaques, confirmado pelos estudos de Cohen- Mansfield68, que valorizaram não só,
a prática pedagógica, como também a competência do profissional, na prescrição e
monitoramento do exercício, para levar o idoso à autonomia com qualidade e
segurança.67

A orientação dos profissionais durante as aulas é de extrema importância, pois a AF


com o enfoque pedagógico proporciona aos idosos práticas corporais organizadas,
planeadas e bem orientadas.69,70

Uma boa gestão e estruturação de programas, com uma sistematização adequada


que atendam às expectativas do idoso, e que utilizem estratégias de adesão,
manutenção e motivação são meio caminho andado para o sucesso.

Neste sentido, e de forma a ir ao encontro dos objetivos dos utentes e sempre focados
nas suas metas, na fase inicial do estágio curricular, houve um período de reuniões
com os utentes, o que permitiu aos mesmos conhecer as especificidades do programa
e a sua posterior adesão. A organização das sessões de exercício foi estabelecida
através da elaboração de planificações, onde para cada sessão foi atribuído um plano
diferente, designados por A, B, C, D e E, que tiveram aplicação sucessiva e rotativa,
segundo as calendarizações estabelecidas.

Ao nível da prática das atividades, procurou-se estabelecer um ponto de equilíbrio


entre a exigência e a facilidade, uma vez que tarefas muito exigentes, por vezes, são
dificilmente realizáveis com sucesso e ameaçam a autoestima, e por outro lado, as
tarefas muito fáceis tendem a ser aborrecidas e pouco cativantes. 71 Portanto, tentou-
se dosear a dificuldade e o ritmo de trabalho, propondo atividades estimulantes e que
estivessem, simultaneamente, ao alcance dos utentes, colocando à prova as suas
capacidades. No entanto, apesar de ter havido uma educação e intervenção para a
Escala de Borg, alguns utentes atribuíram a mesma nota em praticamente todas as
sessões, que a meu ver eram fruto de uma repetição, desinteresse e, em alguns
casos, dado ao pouco conhecimento da mesma. Futuramente, para colmatar este
86
aspeto negativo, devia-se sensibilizar mais os utentes para a importância da avaliação
das sessões.

Em síntese, a persecução do presente projeto mostrou que a grande maioria dos


utentes se destacaram sempre por realizar algo em benefício do seu cuidado físico e
da sua autoestima, fator importante na relação com sua qualidade de vida e seu bem-
estar.

87
CAPÍTULO III – Dor crónica em indivíduos com DM2: Influência do género, idade
e duração da diabetes

88
Resumo

Objetivos: A dor crónica, frequentemente associada ao envelhecimento, é uma das


principais queixas dos indivíduos com DM, interferindo com a qualidade de vida dos
mesmos. Este estudo pretende caraterizar a dor crónica e a sua prevalência em
indivíduos com DM2 de meia-idade e idosos, bem como analisar as diferenças entre
género, idade e duração da DM2 na dor crónica.

Metodologia: Este é um estudo observacional, transversal, descritivo e analítico. Os


Participantes (N=48; 63,21 ± 7,18 anos; 5,48 ± 4,24 duração da DM2) habitam em Vila
Real e aderiram ao Programa Diabetes em Movimento®. A dor crónica (Brief Pain
Inventory – BPI) foi avaliada antes da intervenção de exercício.

Resultados: 75 % dos utentes referiram ter dor. Foram verificadas diferenças para a
intensidade mínima de dor e para a intensidade média de dor entre os géneros (valor
de significância 0,05); há ainda diferenças na intensidade mínima de dor na duração
da DM2. Também foram encontradas diferenças a nível da interferência da dor na
disposição e no trabalho normal, para a variável idade. Entre as variáveis categóricas
dor e duração da DM2, verifica-se que os indivíduos que têm maior duração da DM2
relatam maior percentagem de prevalência de dor.

Palavras-chave: Diabetes Mellitus tipo 2; Dor crónica; Brief Pain Inventory.

89
Abstract

Objectives: Chronic pain, often associated with aging, is one of the main complaints of
individuals with DM, interfering with quality of life thereof. This study aims to
characterize chronic pain and their prevalence in individuals with middle-aged and
elderly T2DM and analyze the differences between gender, age and duration of T2DM
in chronic pain.

Methodology: This is an study observational, cross-sectional, descriptive and


analytical. Participants (N = 48; 63.21 ± 7.18 years, 5.48 ± 4.24 duration T2DM) live in
Vila Real and joined the Program Diabetes em Movimento®. Chronic pain (Brief Pain
Inventory - BPI) was assessed before exercise intervention.

Results: 75% of users reported having pain. Differences were found for the minimum
intensity of pain and average pain intensity between the genders (value of significance
0,05); there are still differences in the minimum intensity of pain in the duration of
T2DM. They also found differences in pain interference level in the layout and normal
work, for the age variable. Between categorical variables pain and duration of T2DM,
it appears that individuals who have longer duration of T2DM reported higher
percentage of prevalence of pain.

Key-words: Type 2 Diabetes Mellitus; Chronic pain; Brief Pain Inventory.

90
1. Introdução

A dor é uma das consequências mais significativas que a transição demográfica e a


longevidade trazem para a sociedade, pois a dor crónica é a principal queixa dos
indivíduos, interferindo notavelmente na qualidade de vida dos idosos.72

Dor pode ser definida como uma experiência ou uma sensação subjetiva e pessoal,
associada a uma lesão real ou potencial nos tecidos, podendo a sensação dolorosa
iniciar em qualquer parte do corpo ou no sistema nervoso central.73 A perceção de dor
é caraterizada como uma experiência multidimensional, com aspetos sensoriais,
afetivos e comportamentais, variando tanto na qualidade como na intensidade
sensorial.74

A dor pode classificar-se como aguda ou crónica, sendo que a primeira, de curta
duração, está associada à lesão do organismo e desaparece com a cicatrização da
lesão. Por sua vez, a dor crónica, considerada um evento complexo de natureza
biopsicossocial, é persistente ou recorrente e não está forçosamente relacionada a
uma lesão no organismo, podendo ser ainda definida como uma experiência sensorial
e emocional desagradável e causada por injúria real ou potencial de um tecido.75

De acordo com Paúl e Fonseca2, as doenças crónicas são diversas e de longa


duração, podendo afetar qualquer um dos sistemas fisiológicos e, o facto do seu
tratamento médico se restringir apenas ao controlo dos sintomas, prejudicam
verdadeiramente a vida dos indivíduos.

Grande parte da população com mais de 65 anos padece, no mínimo, de uma doença
crónica76,77, sendo frequente que tenha duas ou mais1, que poderão diminuir a sua
autonomia colocando como grande desafio social o dar mais qualidade aos anos de
vida.

Segundo a WHO78, as doenças crónicas mais prevalentes nos idosos são a diabetes,
a hipertensão arterial, cancro, doenças cardiovasculares, doença pulmonar obstrutiva
crónica, doenças músculo-esqueléticas, doenças mentais e diminuição da visão.

91
Relativamente à DM, esta é uma doença crónica degenerativa caraterizada por
anormalidades endócrino-metabólicas, incluindo elevada glicemia em jejum
(hiperglicemia) e elevação das concentrações de glicose sanguínea pós-prandial,
devido a uma menor sensibilidade insulínica nos tecidos alvo e/ou por reduzida
secreção de insulina.11 Trata-se de uma doença crónica cada vez mais frequente na
sociedade, que ocorre quando o corpo não produz insulina suficiente ou não é possível
utilizar a mesma, sendo que a sua prevalência aumenta muito com a idade e atinge
ambos os géneros e todas as faixas etárias.3-5

Esta doença é responsável pela perda de anos potenciais de vida nos seus portadores
e revela-se como dispendiosa e debilitante. Possui uma alta morbilidade e
mortalidade, ainda que com o aumento da esperança de vida, a pessoa portadora
desta síndrome vê as suas complicações aumentarem, caso não hajam cuidados
específicos.8 Neste sentido é considerada uma pandemia global, por ter prevalência
tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento. 6

Quanto à sua prevalência da dor crónica, em estudos que envolvem idosos, é bastante
diversificada, dependendo das características da população em estudo e da
metodologia utilizada.72

O aumento da dor crónica está associado, principalmente, com o género feminino, a


idade avançada e o baixo nível socioeconómico, sendo propostos por estudos
transversais.72 No mundo, a incidência da dor crónica varia entre 7% e 40% da
população. Esta afeta pelo menos 30 % dos indivíduos durante algum momento da
sua vida, sendo que, em 10% a 40% deles, tem duração superior a um dia. 79

2. Metodologia
2.1. Desenho do estudo

Estudo observacional, transversal, descritivo e analítico. Foi realizada uma análise


descritiva da prevalência da dor (com dor vs. sem dor), da sua intensidade; da
prevalência e eficácia do tratamento da dor, grau de interferência funcional da dor e

92
uma análise analítica da influência das variáveis idade, género (masculino vs.
feminino) e duração da DM2.

2.2. Participantes

Foi avaliada uma amostra de 48 pessoas com DM2 (30 mulheres, 18 homens; 63,21
± 7,18 anos) candidatas ao programa Diabetes em Movimento ® em Vila Real.41 O
recrutamento foi realizado no Agrupamento de Centros de Saúde Douro I – Marão e
Douro Norte, e no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Os critérios de inclusão desta amostra foram os seguintes: DM2 diagnosticada há pelo


menos 6 meses; entre 50 e 80 anos de idade; comorbilidades da DM controladas (pé
diabético, retinopatia e nefropatia); sem alterações graves na marcha ou equilíbrio;
sem sintomas de doença das artérias coronárias; sem patologia cardíaca, pulmonar
ou musculoesquelética grave; não ter iniciado insulinoterapia nos últimos 3 meses;
não fumador; vida independente na comunidade; sem participação regular em
sessões de exercício supervisionado; seguimento em consulta de diabetes no
CHTMAD ou ACES Douro I; residente no Concelho de Vila Real. O contacto com estes
foi estabelecido no âmbito do trabalho desenvolvido, pelo investigador, no Programa
Diabetes em Movimento® de Vila Real. O protocolo deste estudo foi aprovado pela
Comissão de Ética do Hospital de Vila Real, de acordo com a Declaração de
Helsínquia.80

Os utentes assinaram um consentimento livre e informado sobre a utilização dos


dados recolhidos e participaram de forma voluntária e com vontade de conhecer as
suas próprias especificidades.

2.3. Procedimentos
2.3.1. Variáveis

Variável dependente: Dor crónica; variáveis independentes: Género; Idade; Duração


da DM 2.

93
2.3.2. Instrumentos

Para caraterizar a amostra relativamente à variável dor, foi utilizado sobre a forma de
questionário, o Inventário Resumido da Dor – BPI (ANEXO D). Este foi traduzido81,
adaptado e validado para a população portuguesa. É composto por 15 itens que
avaliam a existência, severidade, localização, interferência funcional, estratégias
terapêuticas aplicadas e eficácia do tratamento da dor. Inclui um item dicotómico para
verificação da existência de dor; um item para situar a mesma através do
assinalamento das áreas de dor num diagrama representativo do corpo humano; uma
escala de severidade da dor composta por quatro itens (máximo, mínimo, em média
e neste momento) com escalas numéricas de classificação (de 0 a 10); um item para
registo das estratégias terapêuticas aplicadas; um item que calcula em termos
percentuais a eficácia dos tratamentos aplicados e, por fim, uma escala de
interferência funcional formada por sete itens com escalas numéricas de classificação
(de 0 a 10) que avaliam a interferência da dor nas atividades gerais, humor,
mobilidade, trabalho, relações pessoais, sono e prazer de viver.81 A sua aplicação
decorreu de 2 a 7 de Novembro de 2015 no Pavilhão desportivo de Vila Real.

2.4. Tratamento dos dados

Os resultados da análise de frequência da prevalência de dor e de tratamento por


género, idade e duração da DM2 são apresentados em percentagem (tabelas 2 e 3);
já a análise descritiva da idade e duração da DM2 são apresentados em média ±
desvio padrão (ẋ ± dp) (tabela 4). A comparação das médias das variáveis analisadas
foi testada através do teste T de Student (tabela 5), bem como as diferenças das
variáveis através do teste Qui-quadrado (tabela 6). Os dados foram analisados com o
software IBM SPSS Statistics 23 ®.

3. Resultados

Dos 48 sujeitos entrevistados (N=30 género feminino e N=18 género masculino), 75


% referiram ter dor (N=36 em 48). Quanto à presença de dor por género, 61,11% dos
homens (N=11 em 18) e 83,33% das mulheres (N=25 em 30) referiram ter dor (tabela
94
2); os utentes de meia-idade (N=21 em 28) revelaram 75% de prevalência de dor e os
idosos (N=15 em 20) a mesma prevalência (tabela 2). A prevalência de dor para a
menor duração da DM2 (N=18 em 28) foi de 64,29 % e para a maior duração foi de
90% (N=18 em 20) (tabela 2).

Tabela 2 - Resultados das estatísticas de frequência da percentagem de prevalência de dor por género, idade e
duração da DM2

Género Idade Duração da DM2


Variáveis Com dor Masculino Feminino Meia-idade Idosos Menor Maior
(50-64) (65-80) (≤5 anos) (≥6 anos)

Dor 75% 61,11% 83,33% 75% 75% 64,29% 90%


Utentes (36 em 48) (11 em (25 em 30) (21 em 28) (15 em 20) (18 em 28) (18 em 20)
18)

Em relação ao tratamento, a prevalência deste foi de 36,11% (N=13 em 36), 15,38%


dos homens (N=2 em 13) e 84,62% das mulheres (N=11 em 13). Quanto à prevalência
de tratamento para a meia-idade foi de 28,57% (N=8 em 13) e de 25% para os idosos
(N=5 em 13); na duração menor da DM2 (N=7 em 13) a prevalência de tratamento foi
de 53,85% e na duração maior (N=6 em 13) foi de 46,15% (tabela 3).

Tabela 3 - Resultados das estatísticas de frequência da percentagem de prevalência de tratamento por género,
idade e duração da DM2

Género Idade Duração da DM2


Variáveis Com Masculino Feminino Meia-idade Idosos Menor Maior
tratamento duração duração
Tratament 36,11% 15,38% 84,62% 28,57% 25% 53,85% 46,15%
o (13 em 36) (2 em 13) (11 em 13) (8 em 13) (5 em 13) (7 em 13) (6 em 13)

A média de idades dos sujeitos quando recrutados foi de 63,21 ± 7,18 e a DM2 havia
sido diagnosticada em média há 5,48 ± 4,24 anos (tabela 4).

Tabela 4 - Resultados das estatísticas descritivas das variáveis idade e duração da DM2

Variáveis m ± dp

Idade (anos) 63,21 ± 7,18

Duração da DM 2 5,48 ± 4,24


95
A tabela 5 revela que há diferenças para a intensidade mínima de dor e para a
intensidade média de dor entre os géneros (a intensidade destas é superior nas
mulheres), dado que o valor de significância de (p) <0,05; há ainda diferenças na
intensidade mínima de dor na duração da DM2, esta apresenta uma média superior
para a maior duração da DM2. Também foram encontradas diferenças a nível da
interferência da dor na disposição e no trabalho normal, para a variável idade (a
intensidade destas é superior nos utentes de meia-idade).

Tabela 5 - Resultados das comparações das médias, através do teste T de Student, das diferentes variáveis da
dor por género, idade e duração da DM2

ẋ ± dp ẋ ± dp ẋ ± dp

Variáveis Masculino Feminino p Meia- Idosos p Menor Maior p

idade duração duração

Máximo 5,36±2,20 6,56±1,98 ,116 6,24±2,30 6,13±1,85 ,885 5,89±2,1 6,50±2,0 ,389

de dor 4 7

Mínimo 1,64±1,50 3,08±1,98 ,038 2,48±2,27 2,87±1,41 ,560 2,00±1,3 3,28±2,2 ,047

de dor 3 7

Média de 3,27±1,56 4,92±2,00 ,021 4,43±2,20 4,40±1,77 ,967 3,94±1,8 4,89±2,1 ,161

dor 3 1

Dor no 1,09±1,38 2,20±2,74 ,116 2,24±2,43 1,33±2,44 ,279 1,89±1,8 1,83±2,9 ,947

momento 4 8

% de 40,00±14, 35,45±29, ,841 33,75±27, 40,00±30,8 ,709 45,71±25 25,00±27 ,188

alívio 14 79 22 2 ,73 ,39

Atividade 4,45±2,81 5,12±3,67 ,596 5,76±2,88 3,73±3,81 ,077 5,28±3,2 4,56±3,5 ,532

geral 9 7

Disposiç 4,18±3,63 4,60±3,98 ,768 5,62±3,38 2,87±3,94 ,031 4,72±3,8 4,22±3,8 ,701

ão 9 6

Andar a 4,18±3,74 4,16±3,71 ,987 4,81±3,87 3,27±3,26 ,217 4,39±3,8 3,94±3,5 ,721

pé 4 7

96
Trabalho 4,55±2, 88 4,88±3,86 ,799 5,76±3,05 3,40±3,83 ,047 5,50±3,2 4,06±3,8 ,227

normal 2 0

Relações 2,64±3,11 2,08±3,14 ,626 2,62±3,15 1,73±3,04 ,405 2,94±3,4 1,56±2,6 ,182

4 2

Sono 3,27±3,74 4,04±3,71 ,572 3,90±3,54 3,67±3,99 ,851 4,00±3,7 3,61±3,7 ,756

6 0

Prazer 3,18±2,68 3,72±3,52 ,654 4,00 ±3,07 2,93±3,52 ,340 3,56±3,0 3,56±3,5 1,00

de viver 5 4 0

Nível de significância p < 0,05

A tabela 6 mostra através do teste de Qui-quadrado que existem diferenças apenas


entre as variáveis dor e duração da DM2, verifica-se que os indivíduos que têm maior
duração da DM2 relatam maior percentagem de prevalência de dor.

Tabela 6 - Resultados das diferenças através do teste de Qui-quadrado, entre as variáveis género e dor, género e
tratamento, idade e dor, idade e tratamento, duração da DM e dor, duração da DM e tratamento.

Duração da
Género e dor Género e Idade e dor Idade e Duração da DM e
tratamento tratamento DM e dor tratamento

p ,085 ,054 1,000 ,784 ,043 ,701

Nível de significância p < 0,05

4. Discussão

Este foi um estudo que visou investigar as diferenças entre género, idade e duração
da DM na dor crónica em indivíduos com DM2 que habitam em Vila Real, aderentes
ao programa Diabetes em Movimento®.

Setenta e cinco porcento dos utentes reportaram dor. Verificaram-se diferenças para
a intensidade mínima de dor e para a intensidade média de dor entre os géneros (a

97
intensidade destas é superior nas mulheres); há ainda diferenças na intensidade
mínima de dor na duração da DM2, esta apresenta uma média superior para a maior
duração da DM2. Também encontraram-se diferenças a nível da interferência da dor
na disposição e no trabalho normal, para a variável idade (a intensidade destas é
superior nos utentes de meia-idade). Quanto às variáveis dor e duração da DM2,
existem diferenças, que revelam que os indivíduos que têm maior duração da DM2
relatam maior percentagem de prevalência de dor.

De acordo com os resultados obtidos, a literatura refere conclusões semelhantes: o


aumento da dor crônica está associado, principalmente, com o género feminino, a
idade avançada e o baixo nível socioeconômico; menor prevalência de dor crónica
tem estado relacionada a ter trabalho remunerado, níveis elevados de escolaridade e
condição socioeconômica, bem como à prática regular de AF72 a prevalência destas e
da dor neuropática acresce com a idade82,83, afetando 53% dos homens e 79% das
mulheres pela idade de 70 anos84,85; existe prevalência de dor neuropática em
pacientes com DM2 e associação dessa variável com o tempo de diagnóstico da
doença19; e a capacidade para o exercício, como caminhar, realizar tarefas
domésticas e manter um estilo de vida independente são reportadas como
severamente afetadas pela dor crónica em grande parte das pessoas com a
mesma.85,86

O método utilizado para avaliação da dor foi o BPI, este é um questionário rápido e
simples, com uma perspetiva multidimensional87-90 de boas propriedades
psicométricas88-92, e com uma crescente utilização em contexto clínico e de
investigação.81 Como mostram as evidências, é um instrumento válido na deteção,
acompanhamento e caracterização da dor87,92, podendo a sua qualidade e importância
ser demonstradas pelas várias versões validadas93-103 e por este ser recomendado
por vários grupos na área da medição e avaliação da dor.81,91

Os aspetos positivos deste estudo são o facto de ser um programa de terreno, com
reduzidos custos de aplicação, simples e rápido de aplicar e de ser altamente
replicável em outras instituições (lares, centros de dia, projetos comunitários, etc).
98
O presente estudo apresentou algumas limitações, como o tamanho restrito da
amostra (48 utentes), o facto de o mesmo ser apenas transversal e de se verificar
distribuição desigual entre géneros. O facto de existem vários questionários para a
mensuração e avaliação da dor, mas nenhum específico para a população idosa,
também poderá ser considerado uma limitação.104,105

Os idosos relutam referir a dor devido à crença de que esta é parte natural da idade
avançada, porque a aliam a doenças graves, ou até mesmo, à morte. No entanto, há
motivos que contribuem para que estes não mencionem a ocorrência de dor, como o
medo de submeterem-se a métodos diagnósticos, ao uso de medicamentos com
efeitos indesejáveis, ou como receio de perda da autonomia e da independência. A
identificação da dor nos idosos é também dificultada devido a défices sensoriais ou
cognitivos.105,106

Futuramente, para colmatar estes aspetos menos positivos, seria importante numa
próxima intervenção deste estudo: intervir junto dos utentes para serem o mais fiéis
possível ao que sentem, transmitindo-lhes que se trata apenas de um estudo, que
quanto mais verdadeiras forem as respostas mais realistas serão as conclusões, e
que em nada terá consequências para os mesmos; tornar a amostra o mais
abrangente possível, alargando este estudo à comunidade portadora da doença;
aplicar este questionário em dois momentos de avaliação (antes das sessões do
Programa de exercício iniciarem e no final) e comparar a influência do exercício físico
em todas estas variáveis, de forma a não ser um estudo tão limitado no espaço e nas
variáveis estudadas.

Nao foram encontrados estudos sobre a prevalência de dor crónica nas variáveis
género, idade e duração da DM2 em conjunto, nem sobre dor crónica e duração da
DM2. Frequentemente outros estudos falam de outras variáveis que não estas.

99
5. Conclusões

Este estudo revelou que os utentes com DM2, em geral apresentam uma alta
percentagem de prevalência de dor. Os indivíduos com maior duração da doença
relatam maior percentagem de prevalência de dor. A intensidade mínima e média de
dor tem uma maior prevalência no género feminino, bem como a intensidade mínima
de dor é mais prevalente quanto maior a duração da DM2. A interferência da dor na
disposição e no trabalho normal, tem maior prevalência para os utentes de meia-
idade.

100
Referências bibliográficas

1. Sequeira, C. Cuidar de idosos dependentes. (2007) Coimbra: Quarteto

2. Paúl C, Fonseca AM. Psicossociologia da Saúde. Climepsi Editores (2001).

3. Sociedade Portuguesa de Diabetologia. Relatório Anual do Observatório


Nacional da Diabetes. Diabetes: Factos e Números – O Ano de 2014 − 2015
(11).

4. Alberti KGMM, DeFronzo RA, Zimmet P. International textbook of diabetes


mellitus. 2nd ed. Chichester ; New York: J. Wiley; 1997.

5. International Diabetes Federation. IDF Diabetes Atlas, 7 ed. 2015.

6. Cardoso C, Nunes C, Silva J et al. Custo-Efetividade do Liraglutido:


Comparação de Custos e Benefícios Relativamente a Insulina Glargina e
Sitagliptina. Revista Portuguesa de Diabetes. 10 (2) 2015: 78-88.

7. Ferreira G, Pereira MG. Validação do questionário do comportamento planeado


na diabetes: atividade física. Psicologia, Saúde & Doenças. 2014; 15(2), 409-
426.

8. Gameiro SMB, Larocca ST. Manifestações musculoesqueléticas em diabetes


mellitus. Rev. Bras. Reumatol. 2012 Ago. 52( 4 ): 601-609.

9. Costa JA, Balga RSM; Alfenas RCG; Cotta RMM. Health promotion and
diabetes: Discussing the adherence and motivation of diabetics that participate
in health programs. Ciência & Saúde Coletiva, 16(3): 2011.

10. Pereira F. Gerontólogo: A construção de uma nova profissão na área da saúde.


VI Congresso Português de Sociologia. 25-28 (6) 2008.

11. Arsa G, Lima L, Almeida SS, Moreira SR, Campbell CSG, Simões HG.
Diabetes Mellitus tipo 2: Aspectos fisiológicos, genéticos e formas de exercício

101
físico para seu controle. Rev Bras Cineantropom Desempenho Hum 2009,
11(1):103-111.

12. Salgado A, Llera FG, Cantera IR. Manual de Geriatria. 3.ª ed. (2002).
Barcelona: Masson. pp. 399-412.

13. Weinert LS, Silveiro SP, Oppermann ML, Salazar CC, Simionato BM,
Siebeneichler A, Reichelt AJ. Diabetes gestacional: um algoritmo de tratamento
multidisciplinar. Arq Bras Endocrinol Metab. 2011;55/7.

14. Direcção Geral Da Saúde. Programa Nacional de Prevenção e Controlo da DM


(2008).

15. Vaz D, Fernandes SM, Santos L, Fernandes JJ, Bugalho A, Costa J, Borges
M, Carneiro AV. Norma de Orientação Clínica para insulinoterapia na diabetes
mellitus tipo 2. Ed. Cembe da FMUL. (2010) p.97.
16. Scobie IN, Samaras K. Diabetes Mellitus: Fast Facts. Editora Health Press
Limited,4.ª ed. (2012). p. 5-125.
17. Duarte R. Diabetologia Clínica (2002). 3ª edição, Lidel, Lisboa.
18. Triches C, Schaan BD, Gross JL, Azevedo MJ. Complicações
macrovasculares do diabetes melito: peculiaridades clínicas, de diagnóstico e
manejo. Arq Bras Endocrinol Metab, (2009). 53/6, 698-708.

19. Cortez J, Reis C, Cardoso Y, Onofre A, Piovezan AP. Prevalence of


neuropathic pain and associated factors in diabetes mellitus type 2 patients
seen in outpatient setting. Rev. Dor, 2014 dez; 15(4), 256-259.
20. Tschiedel B. Complicações crônicas do diabetes. Rev Bras de Endocrinologia,
(2014); 102 (5).
21. Marchettini P, Teloni L, Formaglio F, Lacerenza M. Pain in diabetic neuropathy
case study: Whole patient management . Eur J Neurol. 2004; 11(Suppl. 1): 12
– 21.
22. Aring AM , Jones DE , Falko JM . Information from your family doctor. Diabetic
neuropathy. Am Fam Physician 2005; 71 : 2129 – 30.

102
23. Smith LL, Burnet SP, McNeil JD. Musculoskeletal manifestations of diabetes
mellitus. Br J Sports Med. 2003; 37 : 30 – 5.
24. Liberman O, Peleg R, Shvartzman P. Chronic pain in type 2 diabetic patients:
a cross-sectional study in primary care setting. Eur J Gen Pract. 2014 Dez;
20(4): 260–267.
25. Franz MJ. Terapia Clínica Nutricional no Diabetes Melito e Hipoglicemia de
Origem Não Diabética. In Mahan LK, Escott-Stump S. Krause - Alimentos,
Nutrição & Dietoterapia. 10ª Ed. Roca; 2002. Cap 34 p. 718-755.
26. American Diabetes Association. Standards of Medical Care for Patients with
Diabetes Mellitus. Diabetes Care 2002; 25: S33-S49.
27. Costa JA, Balga RSM, Alfenas RCG, Cotta RMM. Health promotion and
diabetes: Discussing the adherence and motivation of diabetics that participate
in health programs. Ciencia & saude coletiva. 16 (3) 2011.
28. American Diabetes Association. Standards of medical care in diabetes.
Diabetes Care. 2012;35 Suppl 1:S11–63.
29. Inzucchi SE, Bergenstal RM, Buse JB, Diamant M, Ferrannini E, Nauck M, et
al. Management of hyperglycemia in type 2 diabetes: A patient-centered
approach: position statement of the American Diabetes Association (ADA) and
the European Association for the Study of Diabetes (EASD), Diabetes Care
2012;35:1364–79.
30. Mendes R, Dias E, Gama A, Castelo-Branco M, Themudo-Barata JL. Prática
de exercício físico e níveis de atividade física habitual em doentes com diabetes
tipo 2 – estudo piloto em Portugal. Rev Port Endocrinol Diabetes Metab.
2013;8(1):9–15.
31. Caspersen CJ, Powell KE, Christenson GM. Physical activity, exercise, and
physical fitness: Definitions and distinctions for health-related research. Public
Health Rep. 1985;100:126–31.
32. Ciolac E, Guimarães G. Exercício Físico e Síndrome Matabólica. Rev Bras Med
e Esporte, 2004(10).

103
33. Chodzko-Zajko WJ, Proctor DN, Fiatarone Singh MA, Minson CT, Nigg CR,
Salem GJ, et al. American College of Sports Medicine position stand. Exercise
and physical activity for older adults. Med Sci Sports Exerc. 2009;41:1510–30.

34. Mendes R, Sousa N, Themudo-Barata JL. Actividade física e saúde pública:


recomendações para a prescrição de exercício. Acta Med Port.
2011;24(6):1025–30.
35. Oliveira MAS, Fernandes RSC, Daher SS. Impacto do exercício na dor crônica.
Rev Bras Med Esporte, 2014 Jun 20(3), 200-203.
36. Andreotti RA, Okuma SS. Validação de uma bateria de testes de atividades da
vida diária para idosos fisicamente independentes. Revista Paulista Educação
Física 1999; 13: 46-66.
37. Franchi KMB; Monteiro LZ; De Almeida SB; Pinheiro MHNP; Medeiros AIA;
Montenegro RM; Júnior RMM. Capacidade funcional e atividade fisica de
idosos com diabetes tipo 2. Rev Bras Atividade Física & Saúde. 2008; 13(3).
38. Mendes R, Sousa N, Almeida A, Subtil P, Guedes-Marques F, Reis VM,
Themudo-Barata JL. Exercise prescription for patients with type 2 diabetes - a
synthesis of international recommendations: narrative review. Br J Sports Med
2015;0:1–4.
39. Morrato E, Hill J, Wyatt H, et al. Physical activity in U.S. adults with diabetes
and at risk for developing diabetes, 2003. Diabetes Care 2007;30:203–9.
40. Hermann G, Herbst A, Schutt M, et al. Association of physical activity with
glycaemic control and cardiovascular risk profile in 65 666 people with Type 2
diabetes from Germany and Austria. Diabet Med 2014;31:905–12.
41. Mendes R, Sousa N, Reis VM, Themudo-Barata JL. Diabetes em Movimento®
– Programa comunitário de exercício para pessoas com diabetes tipo 2. Rev
Medicina Desportiva informa. 2013;4(4):18-20.
42. Mendes R, Sousa N, Reis VM, Themudo-Barata JL. Prevention of exercise-
related injuries and adverse events in patients with type 2 diabetes, Postgrad
Med J 2013;89:715–721.

104
43. Colberg SR, Sigal RJ, Fernhall B, Regensteiner JG, Blissmer BJ, Rubin RR, et
al. Exercise and Type 2 Diabetes: The American College of Sports Medicine
and the American Diabetes Association: Joint position statement. Diabetes
Care. 2010;33:147–67.
44. Garber CE, Blissmer B, Deschenes MR, Franklin BA, Lamonte MJ, Lee I-M, et
al. Quantity and quality of exercise for developing and maintaining
cardiorespiratory, musculoskeletal, and neuromotor fitness in apparently
healthy adults:Guidance for prescribing exercise. Med Sci Sports Exerc.
2011;43:1334–59.
45. Grelier S, Serresse O, Boudreau-Lariviere C, et al. Effects of a three-month
combined training program on the cardiopulmonary and muscle strength
capacities of type 2 diabetic subjects. J Sports Med Phys Fitness. 2013;53:56–
64.
46. Taylor JD. The impact of a supervised strength and aerobic training program
on muscular strength and aerobic capacity in individuals with type 2 diabetes. J
Strength Cond Res. 2007;21:824–30.
47. Lambers S, Van Laethem C, Van Acker K, et al. Influence of combined exercise
training on indices of obesity, diabetes and cardiovascular risk in type 2 diabetes
patients. Clin Rehabil. 2008;22:483–92.
48. Mendes R, Sousa N, Themudo-Barata J, Reis V. Impact of a community-based
exercise programme on physical fitness in middle-aged and older patients with
type 2 diabetes. Gac Sanit. 2016; 30(3), 215-220.
49. Maciel MG. Atividade física e funcionalidade do idoso. Motriz, out-dez 2010.
16(4), 1024-1032.
50. Borg GA. Psychophysical bases of perceived exertion. Med Sci Sports
Exerc.1982;14:377–81.
51. Panel on Prevention of Falls in Older Persons. American Geriatrics Society and
British Geriatrics Society. Summary of the Updated American Geriatrics
Society/British Geriatrics Society clinical practice guideline for prevention of falls
inolder persons. J Am Geriatr Soc. 2011;59:148–57.

105
52. Ferreira SRG, Vivolo MA. Sociedade Brasileira de Diabetes. Capítulo 8 -
Atividade física no Diabetes tipo 1 e 2: Bases fisiopatológicas, importância e
orientação. E-book 2.0 Diabetes na prática clínica. Disponível em:
http://www.diabetes.org.br/ebook/component/k2/item/75-capitulo-8-atividade-
fisica-no-diabetes-tipo-1-e-2-bases-fisiopatologicas-importancia-e-orientacao.
53. Costa TAM, Porto M. Efeitos do treinamento resistido no diabetes mellitus.
Revista Educação Física Unifafibe, Ano IV. Dez 2015 (3).
54. Almeida RS, Bággio TV, Junior CAS, Assumpção CO. Efeito do treinamento
de força em portadores de diabetes mellitus tipo 2. Rev Bras Prescrição e
Fisiologia do Exercício. 2 (8) 2014.527-535.
55. Filho WJ. Atividade física e envelhecimento saudável. XI Congresso Ciências
do Desporto e Educação Física dos países de língua portuguesa. Rev. bras.
Educ. Fís. Esp. 2006 set. 20(5), 73-77.
56. Tribess S, Virtuoso JJS. Prescrição de exercícios físicos para idosos. Rev
Saúde Com 2005; 1(2): 163-172.

57. Benedetti TRB, Mazo GZ, Gobbi S, Amorim M, Gobbi LTB, Ferreira L,
Hoefelmann CP. Valores normativos de aptidão funcional em mulheres de 70 a
79 anos. Rev. Bras.Cineantropom. Desempenho Hum. 2007;9(1):28-36.
58. Tavares DMS, Rodrigues RAP. Educação conscientizadora do idoso diabético:
uma proposta de intervenção do enfermeiro. Rev Esc Enferm USP 2002; 36(1):
88-96.
59. OMS. Estratégia Global em Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde,
2004.
60. Mantovani EP, Gomes GAO, Tirabassi JP, Panizza RM, Tavares VP. Atividade
Física e Qualidade de Vida na Terceira Idade Também se Aprende na Escola
(s.d).
61. Zago AS. Exercício físico e o processo saúde-doença no envelhecimento. Rev.
Bras. Geriatr. Gerontol. 2010;13(1): 153-158.

106
62. Salin MS, Mazo GZ, Cardoso AS, Garcia GS. Atividade Física para idosos:
diretrizes para implantação de programas e ações. Rev Bras Geriatr Gerontol,
Rio de Janeiro, 2011; 14(2):197-208.
63. Silva ECA, Silva GBF, Silva TBF. Atividade física e capacidade funcional:
Relação necessária para um envelhecimento saudável. Corpo, Movimento e
Saúde (s.d).
64. Samulski D. Psicologia do esporte. São Paulo: Manole; 2002.
65. Davidoff LL. Introdução à psicologia. 3 ed. São Paulo: Makron Books; 2001.
66. Maggil RA. Aprendizagem motora: conceitos e aplicações. São Paulo: Edgard
Blucher; 2001.
67. Freitas CMSM, Santiago MS, Viana AT, Leão AC, Freyre C. Aspectos
motivacionais que influenciam a adesão e manutenção de idosos a programas
de exercícios físicos. Rev Bras Cineantropom Desempenho Hum. 2007;
9(1):92-100.
68. Cohen-Mansfield J, Marx MS, Biddison JR, Guralnik JM. Socio-environmental
exercise preferences among older adults. Prev Medicine 2004;38 (6):804-811.
69. Falsarella GR, Salve MGC. Envelhecimento e atividade física: Análise das
relações pedagógicas professor/aluno. Integração 2006; 6(47):345-50.
70. Cavalli AS, Pogorzelski LV, Domingues MR, Afonso MR, Ribeiro JAB, Cavalli
MO. Motivação de pessoas idosas para a prática de atividade física: estudo
comparativo entre dois programas universitários - Brasil e Portugal. Rev. bras.
geriatr. gerontol. 2014; 17( 2 ): 255-264.
71. Civinski C, Montibeller A, Braz, ALO. A importância do exercício físico no
envelhecimento. Revista da Unifebe. 2011; 9(jan/jun):163-175.
72. Santos FAA, Souza JB, Antes DL, d'Orsi E. Prevalência de dor crônica e sua
associação com a situação sociodemográfica e atividade física no lazer em
idosos de Florianópolis, Santa Catarina: estudo de base populacional. Rev.
bras. epidemiol. 2015 Mar; 18(1): 234-247.
73. Sousa FAEF. Dor: o quinto sinal vital. Rev. Latino-Am. Enfermagem. 2002
Junho;10 (3): 446-447.

107
74. Silva JA, Ribeiro-Filho NP. A dor como um problema psicofísico. Rev Dor. São
Paulo, 2011 abr-jun;12(2):138-51.
75. Kopf A, Patel NB. Fatores psicológicos na dor crônica: guia para o tratamento
da dor em contextos de poucos recursos. Seattle: IASP; 2010.
76. Fernandes AA. Determinantes da mortalidade e da longevidade: Portugal
numa perspectiva europeia (UE15, 1991-2001). Análise Social, XLII, 2007; 419-
143.
77. Figueiredo D. Cadernos Climepsi de saúde 4 – Cuidados familiares ao idoso
dependente. Lisboa: Climpsi Editores; 2007.
78. World Health Organization. Active ageing: A policy framework. Madrid: WHO,
2002.
79. Garcia BT, Vieira EBM, Garcia JBS. Relationship between chronic pain and
working activities in patients with painful syndromes. Rev Dor. São Paulo, 2013
jul-set;14(3):204-9.
80. World Medical Association. Declaration of Helsinki. Ethical principles for
medical research involving human subjects. J Indian Med Assoc. 2009;
107:403–5.18.
81. Azevedo LF, Pereira AC, Dias C et al. Tradução, Adaptação Cultural e Estudo
Multicêntrico de Validação de Instrumentos para Rastreio e Avaliação do
Impacto da Dor Crónica. Revista Dor, (2007) 15(4).
82. Dieleman JP, Kerklaan J, Huygen FJ, et al. Incidence rates and treatment of
neuropathic pain conditions in the general population. Pain 2008; 137:681-8.
83. Elliott AM, Smith BH, Penny KI, et al. The epidemiology of chronic pain in the
community. Lancet 1999; 354:1248-52.
84. Bergh I, Steen G, Waern M, et al. Pain and its relation to cognitive function and
depressive symptoms: a Swedish population study of 70-year-old men and
women. J Pain Symp Manag 2003; 26:903-12.
85. Kress HG, Ahlbeck K, Aldington D et al. Managing chronic pain in elderly
patients requires a change of approach, Current Medical Research and Opinion,
2014; 30:6, 1153-1164.

108
86. Breivik H, Collett B, Ventafridda V, et al. Survey of chronic pain in Europe:
prevalence, impact on daily life, and treatment. Eur J Pain 2006;10:287-333.
87. Cleeland CS. Measurement of pain by subjective report. In: Chapman CR,
Loeser JD, eds. Advances in Pain Research and Therapy. Vol. 12. Issues in
Pain Measurement. Nova Iorque: Raven Press; 1989. 391-403.
88. Cleeland CS, Gonin R, Hatfield AK, et al. Pain and its treatment in outpatients
with metastatic cancer. N Engl J Med. 1994;330(9):592-6.
89. Keller S, Bann CM, Dodd SL, Schein J, Mendoza TR, Cleeland CS. Validity of
the brief pain inventory for use in documenting the outcomes of patients with
noncancer pain. Clin J Pain. 2004;20(5):309-18.
90. Tan G, Jensen MP, Thornby JI, Shanti BF. Validation of the Brief Pain Inventory
for chronic nonmalignant pain. J Pain. 2004;5(2):133-7.
91. Caraceni A, Cherny N, Fainsinger R, et al. Pain measurement tools and
methods in clinical research in palliative care: recommendations of an Expert
Working Group of the European Association of Palliative Care. J Pain Symptom
Manage. 2002;23(3):239-55.
92. Twycross R, Harcourt J, Bergl S. A survey of pain in patients with advanced
cancer. J Pain Symptom Manage. 1996;12(5):273-82.
93. Aisyaturridha A, Naing L, Nizar AJ. Validation of the Malay Brief Pain Inventory
questionnaire to measure cancer pain. J Pain Symptom Manage.
2006;31(1):13-2.
94. Caraceni A, Mendoza TR, Mencaglia E, et al. A validation study of an Italian
version of the Brief Pain Inventory (Breve Questionario per la Valutazione del
Dolore). Pain. 1996;65(1):87-92.
95. Gere LP, Ho ST, Sun WZ, Wang MS, Cleeland CS. Validation of the Brief Pain
Inventory in a Taiwanese population. J Pain Symptom Manage. 1999;18(5):316-
22.
96. Kalyadina SA, Ionova TI, Ivanova MO, et al. Russian Brief Pain Inventory:
validation and application in cancer pain. J Pain Symptom Manage.
2008;35(1):95-102.

109
97. Klepstad P, Loge JH, Borchgrevink PC, Mendoza TR, Cleeland CS, Kaasa S.
The Norwegian brief pain inventory questionnaire: translation and validation in
cancer pain patients. J Pain Symptom Manage. 2002;24(5):517-25.
98. Mystakidou K, Mendoza T, Tsilika E, et al. Greek brief pain inventory: validation
and utility in cancer pain. Oncology. 2001;60(1):35-42.
99. Radbruch L, Loick G, Kiencke P, et al. Validation of the German version of the
Brief Pain Inventory. J Pain Symptom Manage. 1999;18(3):180-7.
100. Saxena A, Mendoza T, Cleeland CS. The assessment of cancer pain in
north India: the validation of the Hindi Brief Pain Inventory – BPIH. J Pain
Symptom Manage. 1999;17(1):27-41.
101. Uki J, Mendoza T, Cleeland CS, Nakamura Y, Takeda F. A brief cancer
pain assessment tool in Japanese: the utility of the Japanese Brief Pain
Inventory – BPI-J. J Pain Symptom Manage. 1998;16(6):364-73.
102. Wang XS, Mendoza TR, Gao SZ, Cleeland CS. The Chinese version of
the Brief Pain Inventory (BPI-C): its development and use in a study of cancer
pain. Pain. 1996;67(2-3):407-16.
103. Yun YH, Mendoza TR, Heo DS, et al. Development of a cancer pain
assessment tool in Korea: a validation study of a Korean version of the brief
pain inventory. Oncology. 2004;66(6):439-44.
104. Gambaro RC, Santos FC, Thé KB, Castro LA, Cendoroglo MS.
Avaliação de dor no idoso: proposta de adaptação do “Geriatric Pain Measure”
para a língua portuguesa. RBM Rev Bras Med 2009 Mar Dez ;66(3):62-5.
105. Silva MCOS, Silva PAB, Silva LB, et al. Instrumentos de avaliação da dor
crônica em idosos e suas implicações para a enfermagem. R. Enferm. Cent. O.
Min. 2011 out/dez; 1(4):560-570.
106. Montagnini M. Dor no doente idoso. In: Teixeira MJ, Figueiró JAB. Dor:
epidemiologia, fisiopatologia, avaliação, síndromes dolorosas e tratamento.
São Paulo: Grupo Editorial Moreira Júnior; 2001. 397-9.

110
UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO
Escola das Ciências da Vida e do Ambiente
Departamento de Ciências do Desporto, Exercício e Saúde

Dor crónica em indivíduos com Diabetes tipo 2: Influência do


género, idade e duração da diabetes

ANEXOS

RELATÓRIO DE ESTÁGIO DO MESTRADO EM GERONTOLOGIA: ATIVIDADE


FÍSICA E SAÚDE NO IDOSO

HELENA ISABEL PEREIRA DA SILVA AMORIM

Orientador: Professor Doutor Romeu Duarte Carneiro Mendes

Vila Real, 2016

111
ANEXO A

Nutrition-Related Knowledge in Middle-Age and Older Patients with Type 2


Diabetes

Vasconcelos C, Almeida A, Neves J, Correia T, Amorim H, Mendes R. Nutrition-


Related Knowledge in Middle-Age and Older Patients with Type 2 Diabetes. BMC
Health Services Research 2016;16(Suppl 3):O246.

112
113
114
115
ANEXO B

Proposta de Admissão

116
117
ANEXO C

Calendarizações

118
119
120
121
122
123
124
125
126
ANEXO D

Inventário Resumido da Dor

127
128
129
130