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Bruna Pinotti Garcia, Rodrigo Gonçalves, Ricardo Razaboni, Zenaide Auxiliadora Pachegas Branco

Polícia Civil do Estado do Espírito Santo

PC-ES
Comum a Todas as Especialidades de
Perito Oficial Criminal:
• Ciências Contábeis
• Engenharia Elétrica, Engenharia Eletrônica, Engenharia de Telecomunicações, Engenharia
de Controle e Automação, Ciências da Computação, Análise de Sistemas, Engenharia de
Computação ou Engenharia Mecatrônica.
• Engenharia Agronômica, Engenharia Florestal ou Engenharia Ambiental
• Engenharia Civil, Engenharia Química, Engenharia Mecânica, Engenharia de Materiais,
Engenharia Metalúrgica, Geologia, Engenharia de Minas ou Física.
• Química, Farmácia, Ciências Biológicas ou Biomedicina
• Odontologia
• Medicina Veterinária
• Ciências Econômicas, Direito ou Psicologia

DZ079-18
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OBRA

Polícia Civil do Estado do Espírito Santo - PC-ES

Comum a Todas as Especialidades de Perito Oficial Criminal

Edital de Abertura Nº 001/2018

AUTORES
Língua Portuguesa - Profª Zenaide Auxiliadora Pachegas Branco
Estatuto da Polícia Civil do Espírito Santo - Profª Bruna Pinotti Garcia
Noções Direito Administrativo - Profª Bruna Pinotti Garcia
Noção de Direito Penal - Prof° Rodrigo Gonçalves,
Noções de Direito Processual Penal - Prof° Ricardo Razaboni

PRODUÇÃO EDITORIAL/REVISÃO
Elaine Cristina
Leandro Filho

DIAGRAMAÇÃO
Elaine Cristina
Thais Regis

CAPA
Joel Ferreira dos Santos

www.novaconcursos.com.br

sac@novaconcursos.com.br
SUMÁRIO

LÍNGUA PORTUGUESA
Compreensão e interpretação de texto. ........................................................................................................................................................................01
Tipologia e gêneros textuais. .............................................................................................................................................................................................03
Figuras de linguagem. ..........................................................................................................................................................................................................04
Significação de palavras e expressões. ..........................................................................................................................................................................09
Relações de sinonímia e de antonímia. .........................................................................................................................................................................09
Ortografia. .................................................................................................................................................................................................................................11
Acentuação gráfica. ...............................................................................................................................................................................................................15
Uso da crase. ............................................................................................................................................................................................................................17
Morfologia: classes de palavras variáveis e invariáveis e seus empregos no texto. .....................................................................................20
Locuções verbais (perífrases verbais). ............................................................................................................................................................................20
Funções do “que” e do “se”. ...............................................................................................................................................................................................63
Elementos de comunicação e funções da linguagem. ............................................................................................................................................64
Domínio dos mecanismos de coesão textual: emprego de elementos de referenciação, substituição e repetição, de conectores
e de outros elementos de sequenciação textual; emprego de tempos e modos verbais. ........................................................................65
Domínio dos mecanismos de coerência textual. .......................................................................................................................................................65
Reescrita de frases e parágrafos do texto: significação das palavras; substituição de palavras ou de trechos de texto; reorganização
da estrutura de orações e de períodos do texto; reescrita de textos de diferentes gêneros e níveis de formalidade...................67
Sintaxe: relações sintático-semânticas estabelecidas na oração e entre orações, períodos ou parágrafos (período simples e
período composto por coordenação e subordinação). ...........................................................................................................................................71
Concordância verbal e nominal. .......................................................................................................................................................................................81
Regência verbal e nominal. .................................................................................................................................................................................................87
Colocação pronominal. ........................................................................................................................................................................................................93
Emprego dos sinais de pontuação e sua função no texto. ....................................................................................................................................93
Função textual dos vocábulos. ..........................................................................................................................................................................................96
Variação linguística.................................................................................................................................................................................................................96

ESTATUTO DA POLÍCIA CIVIL DO ESPÍRITO SANTO


Lei Complementar Nº 3.400/81 e atualizações............................................................................................................................................................01

NOÇÕES DIREITO ADMINISTRATIVO


Estado, governo e administração pública: conceitos, elementos, poderes e organização;........................................................................01
Natureza, fins e princípios;...................................................................................................................................................................................................01
Direito Administrativo: conceito, fontes e princípios;................................................................................................................................................08
Organização administrativa da União;.............................................................................................................................................................................10
Administração direta e indireta;.........................................................................................................................................................................................10
Agentes públicos: espécies e classificação;...................................................................................................................................................................21
Poderes, deveres e prerrogativas;.....................................................................................................................................................................................21
Cargo, emprego e função públicos;.................................................................................................................................................................................21
Regime jurídico único: provimento, vacância, remoção, redistribuição e substituição...............................................................................21
Direitos e vantagens;..............................................................................................................................................................................................................21
Regime disciplinar;..................................................................................................................................................................................................................21
Responsabilidade civil, criminal e administrativa;.......................................................................................................................................................21
Poderes administrativos: poder hierárquico;................................................................................................................................................................33
Poder disciplinar;.....................................................................................................................................................................................................................33
Poder regulamentar;...............................................................................................................................................................................................................33
Poder de polícia;......................................................................................................................................................................................................................33
SUMÁRIO

Uso e abuso do poder;..........................................................................................................................................................................................................33


Ato administrativo: validade, eficácia; atributos; extinção, desfazimento e sanatória; classificação, espécies e exteriorização;....... 40
vinculação e discricionariedade;........................................................................................................................................................................................40
Serviços Públicos;....................................................................................................................................................................................................................51
Conceito, classificação, regulamentação e controle..................................................................................................................................................51
Forma, meios e requisito......................................................................................................................................................................................................51
Delegação, concessão, permissão, autorização...........................................................................................................................................................51
Controle e responsabilização da administração: controle administrativo.........................................................................................................63
Controle judicial.......................................................................................................................................................................................................................63
Controle legislativo.................................................................................................................................................................................................................63
Responsabilidade civil do Estado......................................................................................................................................................................................72

NOÇÃO DE DIREITO PENAL


A lei penal no tempo; ...........................................................................................................................................................................................................01
A lei penal no espaço; ..........................................................................................................................................................................................................01
Infração penal: elementos, espécies; ..............................................................................................................................................................................02
Sujeito ativo e sujeito passivo da infração penal; ......................................................................................................................................................02
Tipicidade, ilicitude, culpabilidade, punibilidade; ......................................................................................................................................................02
Excludentes de ilicitude e de culpabilidade; ................................................................................................................................................................02
Imputabilidade penal; ...........................................................................................................................................................................................................07
Concurso de pessoas; ...........................................................................................................................................................................................................08
Crimes contra a pessoa; .......................................................................................................................................................................................................08
Crimes contra o patrimônio;...............................................................................................................................................................................................14
Crimes contra a Administração Pública; ........................................................................................................................................................................19
Abuso de autoridade (Lei nº 4.898/65); .........................................................................................................................................................................26
Tráfico ilícito e uso indevido de drogas ilícitas (Lei n. 11.343/2.006); ................................................................................................................28
Crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8.137/90); .................................................................................................................................................31
Crimes hediondos (Lei nº 8.072/90).................................................................................................................................................................................33

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL


Inquérito policial;....................................................................................................................................................................................................................01
Notícias criminais;..................................................................................................................................................................................................................01
Ação penal................................................................................................................................................................................................................................04
Espécies;.....................................................................................................................................................................................................................................04
Jurisdição;..................................................................................................................................................................................................................................06
Competência;...........................................................................................................................................................................................................................06
Prova (artigos 158 a 184 do CPP);...................................................................................................................................................................................08
Prisão em flagrante...............................................................................................................................................................................................................16
Prisão preventiva;...................................................................................................................................................................................................................16
Prisão temporária (Lei nº 7.960/89)................................................................................................................................................................................16
Processos dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos;...........................................................................................................20
Habeas corpus.........................................................................................................................................................................................................................24
ÍNDICE

LÍNGUA PORTUGUESA

Compreensão e interpretação de texto. .......................................................................................................................................................................01


Tipologia e gêneros textuais. ............................................................................................................................................................................................03
Figuras de linguagem. .........................................................................................................................................................................................................04
Significação de palavras e expressões. .........................................................................................................................................................................09
Relações de sinonímia e de antonímia. ........................................................................................................................................................................09
Ortografia. ................................................................................................................................................................................................................................11
Acentuação gráfica. ..............................................................................................................................................................................................................15
Uso da crase. ...........................................................................................................................................................................................................................17
Morfologia: classes de palavras variáveis e invariáveis e seus empregos no texto. ....................................................................................20
Locuções verbais (perífrases verbais). ............................................................................................................................................................................20
Funções do “que” e do “se”. ..............................................................................................................................................................................................63
Elementos de comunicação e funções da linguagem. ............................................................................................................................................64
Domínio dos mecanismos de coesão textual: emprego de elementos de referenciação, substituição e repetição, de conectores
e de outros elementos de sequenciação textual; emprego de tempos e modos verbais. .......................................................................65
Domínio dos mecanismos de coerência textual. ......................................................................................................................................................65
Reescrita de frases e parágrafos do texto: significação das palavras; substituição de palavras ou de trechos de texto; reorganização
da estrutura de orações e de períodos do texto; reescrita de textos de diferentes gêneros e níveis de formalidade...................67
Sintaxe: relações sintático-semânticas estabelecidas na oração e entre orações, períodos ou parágrafos (período simples e
período composto por coordenação e subordinação). ..........................................................................................................................................71
Concordância verbal e nominal. ......................................................................................................................................................................................81
Regência verbal e nominal. ................................................................................................................................................................................................87
Colocação pronominal. .......................................................................................................................................................................................................93
Emprego dos sinais de pontuação e sua função no texto. ...................................................................................................................................93
Função textual dos vocábulos. .........................................................................................................................................................................................96
Variação linguística. ...............................................................................................................................................................................................................96
Compreender significa
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE Entendimento, atenção ao que realmente está escrito.
TEXTO. O texto diz que...
É sugerido pelo autor que...
De acordo com o texto, é correta ou errada a afirmação...
INTERPRETAÇÃO TEXTUAL O narrador afirma...

Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacio- 3. Erros de interpretação


nadas entre si, formando um todo significativo capaz de
 Extrapolação (“viagem”) = ocorre quando se sai do
produzir interação comunicativa (capacidade de codificar
contexto, acrescentando ideias que não estão no tex-
e decodificar).
to, quer por conhecimento prévio do tema quer pela
Contexto – um texto é constituído por diversas frases.
imaginação.
Em cada uma delas, há uma informação que se liga com
 Redução = é o oposto da extrapolação. Dá-se aten-
a anterior e/ou com a posterior, criando condições para a
ção apenas a um aspecto (esquecendo que um texto
estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa interli-
é um conjunto de ideias), o que pode ser insuficiente
gação dá-se o nome de contexto. O relacionamento entre para o entendimento do tema desenvolvido.
as frases é tão grande que, se uma frase for retirada de seu  Contradição = às vezes o texto apresenta ideias
contexto original e analisada separadamente, poderá ter contrárias às do candidato, fazendo-o tirar con-
um significado diferente daquele inicial. clusões equivocadas e, consequentemente, errar a
Intertexto - comumente, os textos apresentam referên- questão.
cias diretas ou indiretas a outros autores através de cita-
ções. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto. Observação:
Interpretação de texto - o objetivo da interpretação Muitos pensam que existem a ótica do escritor e a óti-
de um texto é a identificação de sua ideia principal. A par- ca do leitor. Pode ser que existam, mas em uma prova de
tir daí, localizam-se as ideias secundárias (ou fundamen- concurso, o que deve ser levado em consideração é o que
tações), as argumentações (ou explicações), que levam ao o autor diz e nada mais.
esclarecimento das questões apresentadas na prova.
Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que
Normalmente, em uma prova, o candidato deve: relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre si.
 Identificar os elementos fundamentais de uma Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de um
argumentação, de um processo, de uma época (neste caso, pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um prono-
procuram-se os verbos e os advérbios, os quais definem o me oblíquo átono, há uma relação correta entre o que se
tempo). vai dizer e o que já foi dito.
 Comparar as relações de semelhança ou de dife-
renças entre as situações do texto. São muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre eles,
 Comentar/relacionar o conteúdo apresentado está o mau uso do pronome relativo e do pronome oblí-
com uma realidade. quo átono. Este depende da regência do verbo; aquele, do
 Resumir as ideias centrais e/ou secundárias. seu antecedente. Não se pode esquecer também de que os
 Parafrasear = reescrever o texto com outras pa- pronomes relativos têm, cada um, valor semântico, por isso
lavras. a necessidade de adequação ao antecedente.
Os pronomes relativos são muito importantes na in-
1. Condições básicas para interpretar terpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de
coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que
Fazem-se necessários: conhecimento histórico-literário existe um pronome relativo adequado a cada circunstância,
(escolas e gêneros literários, estrutura do texto), leitura e a saber:
prática; conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente,
texto) e semântico; capacidade de observação e de síntese; mas depende das condições da frase.
capacidade de raciocínio. qual (neutro) idem ao anterior.
quem (pessoa)
2. Interpretar/Compreender cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois
o objeto possuído.
LÍNGUA PORTUGUESA

Interpretar significa: como (modo)


Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir. onde (lugar)
Através do texto, infere-se que... quando (tempo)
É possível deduzir que... quanto (montante)
O autor permite concluir que... Exemplo:
Qual é a intenção do autor ao afirmar que... Falou tudo QUANTO queria (correto)
Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria
aparecer o demonstrativo O).

1
4. Dicas para melhorar a interpretação de textos sua humanidade, o homem desiguala-se, singulariza-se em
 Leia todo o texto, procurando ter uma visão geral sua individualidade. O direito é o instrumento da fraterni-
do assunto. Se ele for longo, não desista! Há muitos can- zação racional e rigorosa.
didatos na disputa, portanto, quanto mais informação você O direito à vida é a substância em torno da qual todos os
absorver com a leitura, mais chances terá de resolver as direitos se conjugam, se desdobram, se somam para que o
questões. sistema fique mais e mais próximo da ideia concretizável
 Se encontrar palavras desconhecidas, não inter- de justiça social.
rompa a leitura. Mais valeria que a vida atravessasse as páginas da Lei Maior
 Leia o texto, pelo menos, duas vezes – ou quantas a se traduzir em palavras que fossem apenas a revelação
forem necessárias. da justiça. Quando os descaminhos não conduzirem a isso,
 Procure fazer inferências, deduções (chegar a uma competirá ao homem transformar a lei na vida mais digna
conclusão). para que a convivência política seja mais fecunda e huma-
 Volte ao texto quantas vezes precisar. na.
 Não permita que prevaleçam suas ideias sobre Cármen Lúcia Antunes Rocha. Comentário ao artigo 3.º.
as do autor. In: 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos
 Fragmente o texto (parágrafos, partes) para me- 1948-1998: conquistas e desafios. Brasília: OAB, Comissão
lhor compreensão. Nacional de Direitos Humanos, 1998, p. 50-1 (com adap-
 Verifique, com atenção e cuidado, o enunciado tações).
de cada questão.
 O autor defende ideias e você deve percebê-las. Compreende-se do texto CG1A1AAA que o ser humano
 Observe as relações interparágrafos. Um parágra- tem direito
fo geralmente mantém com outro uma relação de conti-
nuação, conclusão ou falsa oposição. Identifique muito a) de agir de forma autônoma, em nome da lei da sobrevi-
bem essas relações. vência das espécies.
 Sublinhe, em cada parágrafo, o tópico frasal, ou b) de ignorar o direito do outro se isso lhe for necessário
seja, a ideia mais importante. para defender seus interesses.
 Nos enunciados, grife palavras como “correto” c) de demandar ao sistema judicial a concretização de seus
ou “incorreto”, evitando, assim, uma confusão na hora direitos.
da resposta – o que vale não somente para Interpretação de d) à institucionalização do seu direito em detrimento dos
Texto, mas para todas as demais questões! direitos de outros.
 Se o foco do enunciado for o tema ou a ideia prin- e) a uma vida plena e adequada, direito esse que está na
cipal, leia com atenção a introdução e/ou a conclusão. essência de todos os direitos.
 Olhe com especial atenção os pronomes relati-
vos, pronomes pessoais, pronomes demonstrativos, etc., Resposta: Letra E. O ser humano tem direito a uma vida
chamados vocábulos relatores, porque remetem a outros digna, adequada, para que consiga gozar de seus direi-
vocábulos do texto. tos – saúde, educação, segurança – e exercer seus deve-
res plenamente, como prescrevem todos os direitos: (...)
SITES O direito à vida é a substância em torno da qual todos
http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/portu- os direitos se conjugam (...).
gues/como-interpretar-textos
http://portuguesemfoco.com/pf/09-dicas-para-melho- 2. (PCJ-MT – Delegado Substituto – Superior – Cespe
rar-a-interpretacao-de-textos-em-provas – 2017)
http://www.portuguesnarede.com/2014/03/dicas-para-
-voce-interpretar-melhor-um.html Texto CG1A1BBB
http://vestibular.uol.com.br/cursinho/questoes/ques-
tao-117-portugues.htm Segundo o parágrafo único do art. 1.º da Constituição da
República Federativa do Brasil, “Todo o poder emana do
povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou
diretamente, nos termos desta Constituição.” Em virtude
EXERCÍCIOS COMENTADOS
desse comando, afirma-se que o poder dos juízes emana
do povo e em seu nome é exercido. A forma de sua inves-
1. (PCJ-MT – Delegado Substituto – Superior – Cespe tidura é legitimada pela compatibilidade com as regras do
LÍNGUA PORTUGUESA

– 2017) Estado de direito e eles são, assim, autênticos agentes do


poder popular, que o Estado polariza e exerce. Na Itália,
Texto CG1A1AAA isso é constantemente lembrado, porque toda sentença é
dedicada (intestata) ao povo italiano, em nome do qual é
A valorização do direito à vida digna preserva as duas faces pronunciada.
do homem: a do indivíduo e a do ser político; a do ser em si Cândido Rangel Dinamarco. A instrumentalidade do pro-
e a do ser com o outro. O homem é inteiro em sua dimen- cesso. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1987, p. 195 (com
são plural e faz-se único em sua condição social. Igual em adaptações).

2
Conforme as ideias do texto CG1A1BBB, 1. As tipologias textuais se caracterizam pelos as-
pectos de ordem linguística
a) o Poder Judiciário brasileiro desempenha seu papel com
fundamento no princípio da soberania popular. Os tipos textuais designam uma sequência definida pela
b) os magistrados do Brasil deveriam ser escolhidos pelo natureza linguística de sua composição. São observados as-
voto popular, como ocorre com os representantes dos pectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações logicas.
demais poderes. Os tipos textuais são o narrativo, descritivo, argumentativo/
c) os magistrados italianos, ao contrário dos brasileiros, dissertativo, injuntivo e expositivo.
exercem o poder que lhes é conferido em nome de seus
nacionais. A) Textos narrativos – constituem-se de verbos de ação
d) há incompatibilidade entre o autogoverno da magistra- demarcados no tempo do universo narrado, como
tura e o sistema democrático. também de advérbios, como é o caso de antes, agora,
e) os magistrados brasileiros exercem o poder constitucio- depois, entre outros: Ela entrava em seu carro quando
nal que lhes é atribuído em nome do governo federal. ele apareceu. Depois de muita conversa, resolveram...
B) Textos descritivos – como o próprio nome indica,
Resposta: Letra A. A questão deve ser respondida se- descrevem características tanto físicas quanto psi-
gundo o texto: (...) “Todo o poder emana do povo, que o cológicas acerca de um determinado indivíduo ou
exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, objeto. Os tempos verbais aparecem demarcados no
nos termos desta Constituição.” Em virtude desse coman- presente ou no pretérito imperfeito: “Tinha os cabelos
do, afirma-se que o poder dos juízes emana do povo e mais negros como a asa da graúna...”
em seu nome é exercido (...). C) Textos expositivos – Têm por finalidade explicar um
assunto ou uma determinada situação que se almeje
3. (PCJ-MT – DELEGADO SUBSTITUTO – SUPERIOR – desenvolvê-la, enfatizando acerca das razões de ela
CESPE – 2017 – ADAPTADA) No texto CG1A1BBB, o vo- acontecer, como em: O cadastramento irá se prorro-
cábulo ‘emana’ foi empregado com o sentido de gar até o dia 02 de dezembro, portanto, não se esqueça
de fazê-lo, sob pena de perder o benefício.
a) trata. D) Textos injuntivos (instrucional) – Trata-se de uma
b) provém. modalidade na qual as ações são prescritas de for-
c) manifesta. ma sequencial, utilizando-se de verbos expressos no
d) pertence. imperativo, infinitivo ou futuro do presente: Misture
e) cabe. todos os ingrediente e bata no liquidificador até criar
uma massa homogênea.
Resposta: Letra B. Dentro do contexto, “emana” tem o E) Textos argumentativos (dissertativo) – Demarcam-
sentido de “provém”. -se pelo predomínio de operadores argumentativos,
revelados por uma carga ideológica constituída de
argumentos e contra-argumentos que justificam a
TIPOLOGIA E GÊNEROS TEXTUAIS. posição assumida acerca de um determinado assun-
to: A mulher do mundo contemporâneo luta cada vez
mais para conquistar seu espaço no mercado de traba-
lho, o que significa que os gêneros estão em comple-
TIPOLOGIA E GÊNERO TEXTUAL mentação, não em disputa.

A todo o momento nos deparamos com vários textos, 2. Gêneros Textuais


sejam eles verbais ou não verbais. Em todos há a presença São os textos materializados que encontramos em nosso
do discurso, isto é, a ideia intrínseca, a essência daquilo cotidiano; tais textos apresentam características sócio-co-
que está sendo transmitido entre os interlocutores. Estes municativas definidas por seu estilo, função, composição,
interlocutores são as peças principais em um diálogo ou conteúdo e canal. Como exemplos, temos: receita culinária,
em um texto escrito. e-mail, reportagem, monografia, poema, editorial, piada, de-
É de fundamental importância sabermos classificar os bate, agenda, inquérito policial, fórum, blog, etc.
textos com os quais travamos convivência no nosso dia a A escolha de um determinado gênero discursivo depen-
dia. Para isso, precisamos saber que existem tipos textuais de, em grande parte, da situação de produção, ou seja, a
e gêneros textuais. finalidade do texto a ser produzido, quem são os locu-
LÍNGUA PORTUGUESA

Comumente relatamos sobre um acontecimento, um tores e os interlocutores, o meio disponível para veicular o
fato presenciado ou ocorrido conosco, expomos nossa opi- texto, etc.
nião sobre determinado assunto, descrevemos algum lugar Os gêneros discursivos geralmente estão ligados a esfe-
que visitamos, fazemos um retrato verbal sobre alguém ras de circulação. Assim, na esfera jornalística, por exemplo,
que acabamos de conhecer ou ver. É exatamente nessas são comuns gêneros como notícias, reportagens, editoriais,
situações corriqueiras que classificamos os nossos textos entrevistas e outros; na esfera de divulgação científica são
naquela tradicional tipologia: Narração, Descrição e Dis- comuns gêneros como verbete de dicionário ou de enciclo-
sertação. pédia, artigo ou ensaio científico, seminário, conferência.

3
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática – volume único / Samira Yousseff Campedelli, Jésus Barbo-
sa Souza. – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.

SITE
http://www.brasilescola.com/redacao/tipologia-textual.htm

Observação: Não foram encontradas questões abrangendo tal conteúdo.

FIGURAS DE LINGUAGEM.

FIGURA DE LINGUAGEM, PENSAMENTO E CONSTRUÇÃO

Disponível em: <http://www.terapiadapalavra.com.br/figuras-de-linguagem-na-escrita-literaria/> Acesso abr, 2018.

A figura de palavra consiste na substituição de uma palavra por outra, isto é, no emprego figurado, simbólico, seja por
uma relação muito próxima (contiguidade), seja por uma associação, uma comparação, uma similaridade. São construções
que transformam o significado das palavras para tirar delas maior efeito ou para construir uma mensagem nova.

1. Tipos de Figuras de Linguagem

1.1. Figuras de Som

Aliteração - Consiste na repetição de consoantes como recurso para intensificação do ritmo ou como efeito sonoro
significativo.
Três pratos de trigo para três tigres tristes.
Vozes veladas, veludosas vozes... (Cruz e Sousa)
Quem com ferro fere com ferro será ferido.

Assonância - Consiste na repetição ordenada de sons vocálicos idênticos: “Sou um mulato nato no sentido lato mulato
democrático do litoral.”

Onomatopeia - Ocorre quando se tentam reproduzir na forma de palavras os sons da realidade: Os sinos faziam blem,
blem, blem.
Paranomásia – é o uso de sons semelhantes em palavras próximas: “A fossa, a bossa, a nossa grande dor...” (Carlos
LÍNGUA PORTUGUESA

Lyra)

2. Figuras de Palavras ou de Pensamento

2.1. Metáfora
Consiste em utilizar uma palavra ou uma expressão em lugar de outra, sem que haja uma relação real, mas em virtude
da circunstância de que o nosso espírito as associa e percebe entre elas certas semelhanças. É o emprego da palavra fora
de seu sentido normal.

4
Observação: Gênero pela espécie: Os mortais pensam e sofrem nesse
Toda metáfora é uma espécie de comparação implícita, mundo. (= Os homens pensam e sofrem nesse mundo).
em que o elemento comparativo não aparece. Singular pelo plural: A mulher foi chamada para
Seus olhos são como luzes brilhantes. ir às ruas na luta por seus direitos. (= As mulheres foram
O exemplo acima mostra uma comparação evidente, chamadas, não apenas uma mulher).
através do emprego da palavra como. Marca pelo produto: Minha filha adora danone. (=
Observe agora: Seus olhos são luzes brilhantes. Minha filha adora o iogurte que é da marca Danone).
Neste exemplo não há mais uma comparação (note a Espécie pelo indivíduo: O homem foi à Lua. (= Alguns
ausência da partícula comparativa), e sim símile, ou seja, astronautas foram à Lua).
qualidade do que é semelhante. Símbolo pela coisa simbolizada: A balança penderá
Por fim, no exemplo: As luzes brilhantes olhavam-me. para teu lado. (= A justiça ficará do teu lado).
Há substituição da palavra olhos por luzes brilhantes. Esta
é a verdadeira metáfora. 2.3.Catacrese
Trata-se de uma metáfora que, dado seu uso contínuo,
Outros exemplos: cristalizou-se. A catacrese costuma ocorrer quando, por
“Meu pensamento é um rio subterrâneo.” (Fernando falta de um termo específico para designar um conceito,
Pessoa) toma-se outro “emprestado”. Assim, passamos a empregar
Neste caso, a metáfora é possível na medida em que algumas palavras fora de seu sentido original. Exemplos:
o poeta estabelece relações de semelhança entre um rio “asa da xícara”, “batata da perna”, “maçã do rosto”, “pé da
subterrâneo e seu pensamento (pode estar relacionando a mesa”, “braço da cadeira”, “coroa do abacaxi”.
fluidez, a profundidade, a inatingibilidade, etc.).
2.4. Perífrase ou Antonomásia
Minha alma é uma estrada de terra que leva a lugar Trata-se de uma expressão que designa um ser através
algum. de alguma de suas características ou atributos, ou de um
Uma estrada de terra que leva a lugar algum é, na frase fato que o celebrizou. É a substituição de um nome por
acima, uma metáfora. Por trás do uso dessa expressão que outro ou por uma expressão que facilmente o identifique:
indica uma alma rústica e abandonada (e angustiadamente A Cidade Maravilhosa (= Rio de Janeiro) continua
inútil), há uma comparação subentendida: Minha alma é atraindo visitantes do mundo todo.
tão rústica, abandonada (e inútil) quanto uma estrada de A Cidade-Luz (=Paris)
terra que leva a lugar algum. O rei das selvas (=o leão)

A Amazônia é o pulmão do mundo. Observação:


Em sua mente povoa só inveja. Quando a perífrase indica uma pessoa, recebe o
nome de antonomásia. Exemplos:
2.2. Metonímia (ou sinédoque) O Divino Mestre (= Jesus Cristo) passou a vida praticando
É a substituição de um nome por outro, em virtude de o bem.
existir entre eles algum relacionamento. Tal substituição O Poeta dos Escravos (= Castro Alves) morreu muito
pode acontecer dos seguintes modos: jovem.
O Poeta da Vila (= Noel Rosa) compôs lindas canções.
Autor pela obra: Gosto de ler Machado de Assis. (=
Gosto de ler a obra literária de Machado de Assis). 2.5.Sinestesia
Inventor pelo invento: Édson ilumina o mundo. (= As Consiste em mesclar, numa mesma expressão, as
lâmpadas iluminam o mundo). sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido. É o
Símbolo pelo objeto simbolizado: Não te afastes da cruzamento de sensações distintas.
cruz. (= Não te afastes da religião). Um grito áspero revelava tudo o que sentia. (grito =
Lugar pelo produto do lugar: Fumei um saboroso auditivo; áspero = tátil)
Havana. (= Fumei um saboroso charuto). No silêncio escuro do seu quarto, aguardava os
Efeito pela causa: Sócrates bebeu a morte. (= Sócrates acontecimentos. (silêncio = auditivo; escuro = visual)
tomou veneno). Tosse gorda. (sensação auditiva X sensação tátil)
Causa pelo efeito: Moro no campo e como do meu
trabalho. (= Moro no campo e como o alimento que 2.6. Antítese
produzo). Consiste no emprego de palavras que se opõem
LÍNGUA PORTUGUESA

Continente pelo conteúdo: Bebeu o cálice todo. (= quanto ao sentido. O contraste que se estabelece serve,
Bebeu todo o líquido que estava no cálice). essencialmente, para dar uma ênfase aos conceitos
Instrumento pela pessoa que utiliza: Os microfones envolvidos que não se conseguiria com a exposição isolada
foram atrás dos jogadores. (= Os repórteres foram atrás dos dos mesmos. Observe os exemplos:
jogadores). “O mito é o nada que é tudo.” (Fernando Pessoa)
Parte pelo todo: Várias pernas passavam O corpo é grande e a alma é pequena.
apressadamente. (= Várias pessoas passavam “Quando um muro separa, uma ponte une.”
apressadamente). Não há gosto sem desgosto.

5
2.7. Paradoxo ou oximoro 3.2. Gradação (ou clímax)
É a associação de ideias, além de contrastantes, Apresentação de ideias por meio de palavras, sinônimas
contraditórias. Seria a antítese ao extremo. ou não, em ordem ascendente (clímax) ou descendente
Era dor, sim, mas uma dor deliciosa. (anticlímax). Observe este exemplo:
Ouvimos as vozes do silêncio. Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Joana
com seus olhos claros e brincalhões...
2.8. Eufemismo
É o emprego de uma expressão mais suave, mais nobre O objetivo do narrador é mostrar a expressividade dos
ou menos agressiva, para comunicar alguma coisa áspera, olhos de Joana. Para chegar a este detalhe, ele se refere
desagradável ou chocante. ao céu, à terra, às pessoas e, finalmente, a Joana e seus
Depois de muito sofrimento, entregou a alma ao Senhor. olhos. Nota-se que o pensamento foi expresso em ordem
(= morreu) decrescente de intensidade. Outros exemplos:
O prefeito ficou rico por meios ilícitos. (= roubou) “Vive só para mim, só para a minha vida, só para meu
Fernando faltou com a verdade. (= mentiu) amor”. (Olavo Bilac)
Faltar à verdade. (= mentir) “O trigo... nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, colheu-
se.” (Padre Antônio Vieira)
2.9. Ironia
É sugerir, pela entoação e contexto, o contrário do que 3.3. Elipse
as palavras ou frases expressam, geralmente apresentando Consiste na omissão de um ou mais termos numa
intenção sarcástica. A ironia deve ser muito bem construída oração e que podem ser facilmente identificados, tanto por
para que cumpra a sua finalidade; mal construída, pode elementos gramaticais presentes na própria oração, quanto
passar uma ideia exatamente oposta à desejada pelo emissor. pelo contexto.
Como você foi bem na prova! Não tirou nem a nota A catedral da Sé. (a igreja catedral)
mínima. Domingo irei ao estádio. (no domingo eu irei ao estádio)
Parece um anjinho aquele menino, briga com todos que
3.3. Zeugma
estão por perto.
Zeugma é uma forma de elipse. Ocorre quando é feita
O governador foi sutil como um elefante.
a omissão de um termo já mencionado anteriormente.
Ele gosta de geografia; eu, de português. (eu gosto de
2.10. Hipérbole
português)
É a expressão intencionalmente exagerada com o intuito
Na casa dela só havia móveis antigos; na minha, só
de realçar uma ideia.
modernos. (só havia móveis)
Faria isso milhões de vezes se fosse preciso. Ela gosta de natação; eu, de vôlei. (gosto de)
“Rios te correrão dos olhos, se chorares.” (Olavo Bilac)
O concurseiro quase morre de tanto estudar! 3.4.Silepse
A silepse é a concordância que se faz com o termo
2.11. Prosopopeia ou Personificação que não está expresso no texto, mas, sim, subentendido. É
É a atribuição de ações ou qualidades de seres animados uma concordância anormal, psicológica, porque se faz com
a seres inanimados, ou características humanas a seres não um termo oculto, facilmente identificado. Há três tipos de
humanos. Observe os exemplos: silepse: de gênero, número e pessoa.
As pedras andam vagarosamente.
O livro é um mudo que fala, um surdo que ouve, um cego Silepse de Gênero - Os gêneros são masculino e
que guia. feminino. Ocorre a silepse de gênero quando a concordância
A floresta gesticulava nervosamente diante da serra. se faz com a ideia que o termo comporta. Exemplos:
Chora, violão. A) A bonita Porto Velho sofreu mais uma vez com o calor
intenso.
3. Figuras de Construção ou de Sintaxe Neste caso, o adjetivo bonita não está concordando
com o termo Porto Velho, que gramaticalmente per-
3.1. Apóstrofe tence ao gênero masculino, mas com a ideia contida
Consiste na “invocação” de alguém ou de alguma coisa no termo (a cidade de Porto Velho).
personificada, de acordo com o objetivo do discurso, que
pode ser poético, sagrado ou profano. Caracteriza-se pelo B) Vossa Excelência está preocupado.
LÍNGUA PORTUGUESA

chamamento do receptor da mensagem, seja ele imaginário O adjetivo preocupado concorda com o sexo da pes-
ou não. A introdução da apóstrofe interrompe a linha de soa, que nesse caso é masculino, e não com o termo
pensamento do discurso, destacando-se assim a entidade a Vossa Excelência.
que se dirige e a ideia que se pretende pôr em evidência com
tal invocação. Realiza-se por meio do vocativo. Exemplos: Silepse de Número - Os números são singular e plural.
Moça, que fazes aí parada? A silepse de número ocorre quando o verbo da oração não
“Pai Nosso, que estais no céu” concorda gramaticalmente com o sujeito da oração, mas
Deus, ó Deus! Onde estás? com a ideia que nele está contida. Exemplos:

6
A procissão saiu. Andaram por todas as ruas da cidade Neste caso, há um pleonasmo do objeto indireto, e o
de Salvador. pronome “lhes” exerce a função de objeto indireto pleonástico.
O povo corria por todos os lados e gritavam muito alto.
Note que nos exemplos acima, os verbos andaram e Observação:
gritavam não concordam gramaticalmente com os sujeitos O pleonasmo só tem razão de ser quando confere mais
das orações (que se encontram no singular, procissão e vigor à frase; caso contrário, torna-se um pleonasmo vicioso:
povo, respectivamente), mas com a ideia que neles está Vi aquela cena com meus próprios olhos.
contida. Procissão e povo dão a ideia de muita gente, por Vamos subir para cima.
isso que os verbos estão no plural. Ele desceu pra baixo.

Silepse de Pessoa - Três são as pessoas gramaticais: 3.7.Anáfora


eu, tu e ele (as três pessoas do singular); nós, vós, eles É a repetição de uma ou mais palavras no início de várias
(as três do plural). A silepse de pessoa ocorre quando há frases, criando, assim, um efeito de reforço e de coerência.
um desvio de concordância. O verbo, mais uma vez, não Pela repetição, a palavra ou expressão em causa é posta
concorda com o sujeito da oração, mas sim com a pessoa em destaque, permitindo ao escritor valorizar determinado
que está inscrita no sujeito. Exemplos: elemento textual. Os termos anafóricos podem muitas
O que não compreendo é como os brasileiros persistamos vezes ser substituídos por pronomes.
em aceitar essa situação. Encontrei um amigo ontem. Ele me disse que te conhecia.
Os agricultores temos orgulho de nosso trabalho. “Tudo cura o tempo, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba.”
“Dizem que os cariocas somos poucos dados aos jardins (Padre Vieira)
públicos.” (Machado de Assis)
3.8. Anacoluto
Observe que os verbos persistamos, temos e somos Consiste na mudança da construção sintática no meio
não concordam gramaticalmente com os seus sujeitos da frase, ficando alguns termos desligados do resto do
(brasileiros, agricultores e cariocas, que estão na terceira período. É a quebra da estrutura normal da frase para a
pessoa), mas com a ideia que neles está contida (nós, os introdução de uma palavra ou expressão sem nenhuma
brasileiros, os agricultores e os cariocas). ligação sintática com as demais.
Esses alunos da escola, não se pode duvidar deles.
3.5. Polissíndeto / Assíndeto Morrer, todo haveremos de morrer.
Para estudarmos as duas figuras de construção é Aquele garoto, você não disse que ele chegaria logo?
necessário recordar um conceito estudado em sintaxe sobre
período composto. No período composto por coordenação, A expressão “esses alunos da escola”, por exemplo,
podemos ter orações sindéticas ou assindéticas. A oração deveria exercer a função de sujeito. No entanto, há uma
coordenada ligada por uma conjunção (conectivo) interrupção da frase e esta expressão fica à parte, não
é sindética; a oração que não apresenta conectivo é exercendo nenhuma função sintática. O anacoluto também
assindética. Recordado esse conceito, podemos definir as é chamado de “frase quebrada”, pois corresponde a uma
duas figuras de construção: interrupção na sequência lógica do pensamento.
A) Polissíndeto - É uma figura caracterizada pela re-
petição enfática dos conectivos. Observe o exemplo: Observação:
O menino resmunga, e chora, e grita, e ninguém faz O anacoluto deve ser usado com finalidade expressiva
nada. em casos muito especiais. Em geral, evite-o.
B) Assíndeto - É uma figura caracterizada pela ausên-
cia, pela omissão das conjunções coordenativas, re- Hipérbato / Inversão
sultando no uso de orações coordenadas assindéti- É a inversão da estrutura frásica, isto é, a inversão da
cas. Exemplos: ordem direta dos termos da oração, fazendo com que o
Tens casa, tens roupa, tens amor, tens família. sujeito venha depois do predicado:
“Vim, vi, venci.” (Júlio César) Ao ódio venceu o amor. (Na ordem direta seria: O amor
venceu ao ódio)
3.6. Pleonasmo Dos meus problemas cuido eu! (Na ordem direta seria:
Consiste na repetição de um termo ou ideia, com as Eu cuido dos meus problemas)
mesmas palavras ou não. A finalidade do pleonasmo é
realçar a ideia, torná-la mais expressiva.
LÍNGUA PORTUGUESA

O problema da violência, é necessário resolvê-lo logo. #FicaDica


Nesta oração, os termos “o problema da violência”
e “lo” exercem a mesma função sintática: objeto direto. Observação da Zê!
Assim, temos um pleonasmo do objeto direto, sendo o O nosso Hino Nacional é um exemplo de
pronome “lo” classificado como objeto direto pleonástico. hipérbato, já que, na ordem direta, teríamos:
Outro exemplo: “As margens plácidas do Ipiranga ouviram o
Aos funcionários, não lhes interessam tais medidas. brado retumbante de um povo heroico”.
Aos funcionários, lhes = Objeto Indireto

7
EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. (DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO EM


BIBLIOTECONOMIA SUPERIOR – FGV/2014 - adaptada) Ao dizer que os shoppings são “cidades”, faz-se o uso de um
tipo de linguagem figurada denominada
a) metonímia.
b) eufemismo.
c) hipérbole.
d) metáfora.
e) catacrese.

A metáfora consiste em retirar uma palavra de seu contexto convencional (denotativo) e transportá-la para um novo
campo de significação (conotativa), por meio de uma comparação implícita, de uma similaridade existente entre as duas.
(Fonte:http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/metafora-figura-de-palavra-variacoes-e-exemplos.htm)
GABARITO OFICIAL: D

2. (PREFEITURA DE ARCOVERDE/PE - ADMINISTRADOR DE RECURSOS HUMANOS – SUPERIOR - CONPASS/2014)


Identifique a figura de linguagem presente na tira seguinte:

a) metonímia
b) prosopopeia
c) hipérbole
d) eufemismo
e) onomatopeia

Resposta: Letra D. “Eufemismo = é o emprego de uma expressão mais suave, mais nobre ou menos agressiva, para co-
municar alguma coisa áspera, desagradável ou chocante”. No caso da tirinha, é utilizada a expressão “deram suas vidas
por nós” no lugar de “que morreram por nós”.

3. (CASAL/AL - ADMINISTRADOR DE REDE – SUPERIOR - COPEVE/UFAL/2014) Está tão quente que dá para fritar um
ovo no asfalto.
O dito popular é, na maioria das vezes, uma figura de linguagem. Entre as 14h30min e às 15h desta terça-feira, horário do
dia em que o calor é mais intenso, a temperatura do asfalto, medida com um termômetro de contato, chegou a 65ºC. Para
fritar um ovo, seria preciso que o local alcançasse aproximadamente 90ºC.
Disponível em: http://zerohora.clicrbs.com.br. Acesso em: 22 jan. 2014.

O texto cita que o dito popular “está tão quente que dá para fritar um ovo no asfalto” expressa uma figura de linguagem.
O autor do texto refere-se a qual figura de linguagem?

a) Eufemismo.
LÍNGUA PORTUGUESA

b) Hipérbole.
c) Paradoxo.
d) Metonímia.
e) Hipérbato.

Resposta: Letra B. A expressão é um exagero! Ela serve apenas para representar o calor excessivo que está fazendo. A
figura que é utilizada “mil vezes” (!) para atingir tal objetivo é a hipérbole.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Observação:
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa A antonímia pode se originar de um prefixo de sentido
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. oposto ou negativo: bendizer e maldizer; simpático e an-
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Cochar. tipático; progredir e regredir; concórdia e discórdia; ativo e
Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform. – São inativo; esperar e desesperar; comunista e anticomunista;
Paulo: Saraiva, 2010. simétrico e assimétrico.
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira 3. Homônimos e Parônimos
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
São Paulo: Saraiva, 2002.  Homônimos = palavras que possuem a mesma gra-
fia ou a mesma pronúncia, mas significados diferen-
SITES tes. Podem ser
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/
secoes/estil/estil8.php> A) Homógrafas: são palavras iguais na escrita e dife-
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/ rentes na pronúncia:
secoes/estil/estil5.php> rego (subst.) e rego (verbo); colher (verbo) e colher
(subst.); jogo (subst.) e jogo (verbo); denúncia (subst.) e de-
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/
nuncia (verbo); providência (subst.) e providencia (verbo).
secoes/estil/estil2.php>
B) Homófonas: são palavras iguais na pronúncia e di-
ferentes na escrita:
acender (atear) e ascender (subir); concertar (harmoni-
SIGNIFICAÇÃO DE PALAVRAS E
zar) e consertar (reparar); cela (compartimento) e sela (ar-
EXPRESSÕES.
reio); censo (recenseamento) e senso ( juízo); paço (palácio)
RELAÇÕES DE SINONÍMIA E DE ANTONÍMIA. e passo (andar).

C) Homógrafas e homófonas simultaneamente (ou


perfeitas): São palavras iguais na escrita e na pronúncia:
SIGNIFICADO DAS PALAVRAS caminho (subst.) e caminho (verbo); cedo (verbo) e cedo
(adv.); livre (adj.) e livre (verbo).
Semântica é o estudo da significação das palavras e das
suas mudanças de significação através do tempo ou em  Parônimos = palavras com sentidos diferentes, po-
determinada época. A maior importância está em distinguir rém de formas relativamente próximas. São palavras
sinônimos e antônimos (sinonímia / antonímia) e homôni- parecidas na escrita e na pronúncia: cesta (recep-
mos e parônimos (homonímia / paronímia). táculo de vime; cesta de basquete/esporte) e sesta
(descanso após o almoço), eminente (ilustre) e imi-
1. Sinônimos nente (que está para ocorrer), osso (substantivo) e
ouço (verbo), sede (substantivo e/ou verbo “ser” no
São palavras de sentido igual ou aproximado: alfabeto - imperativo) e cede (verbo), comprimento (medida) e
abecedário; brado, grito - clamor; extinguir, apagar - abolir. cumprimento (saudação), autuar (processar) e atuar
Duas palavras são totalmente sinônimas quando são (agir), infligir (aplicar pena) e infringir (violar), defe-
substituíveis, uma pela outra, em qualquer contexto (cara rir (atender a) e diferir (divergir), suar (transpirar) e
e rosto, por exemplo); são parcialmente sinônimas quando, soar (emitir som), aprender (conhecer) e apreender
ocasionalmente, podem ser substituídas, uma pela outra, (assimilar; apropriar-se de), tráfico (comércio ilegal)
em deteminado enunciado (aguadar e esperar). e tráfego (relativo a movimento, trânsito), mandato
(procuração) e mandado (ordem), emergir (subir à
Observação: superfície) e imergir (mergulhar, afundar).
A contribuição greco-latina é responsável pela existên-
4. Hiperonímia e Hiponímia
cia de numerosos pares de sinônimos: adversário e antago-
nista; translúcido e diáfano; semicírculo e hemiciclo; contra-
Hipônimos e hiperônimos são palavras que pertencem
veneno e antídoto; moral e ética; colóquio e diálogo; trans- a um mesmo campo semântico (de sentido), sendo o hipô-
LÍNGUA PORTUGUESA

formação e metamorfose; oposição e antítese. nimo uma palavra de sentido mais específico; o hiperôni-
mo, mais abrangente.
2. Antônimos O hiperônimo impõe as suas propriedades ao hipônimo,
criando, assim, uma relação de dependência semântica. Por
São palavras que se opõem através de seu significado: exemplo: Veículos está numa relação de hiperonímia com
ordem - anarquia; soberba - humildade; louvar - censurar; carros, já que veículos é uma palavra de significado ge-
mal - bem. nérico, incluindo motos, ônibus, caminhões. Veículos é um
hiperônimo de carros.

9
Um hiperônimo pode substituir seus hipônimos em A conotação tem como finalidade provocar sentimen-
quaisquer contextos, mas o oposto não é possível. A utili- tos no receptor da mensagem, através da expressividade e
zação correta dos hiperônimos, ao redigir um texto, evita a afetividade que transmite. É utilizada principalmente numa
repetição desnecessária de termos. linguagem poética e na literatura, mas também ocorre em
conversas cotidianas, em letras de música, em anúncios pu-
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS blicitários, entre outros. Exemplos:
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- Você é o meu sol!
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Minha vida é um mar de tristezas.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Cereja, Você tem um coração de pedra!
Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação #FicaDica
/ Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
XIMENES, Sérgio. Minidicionário Ediouro da Lìngua Por- Procure associar Denotação com Dicionário:
tuguesa – 2.ª ed. reform. – São Paulo: Ediouro, 2000. trata-se de definição literal, quando o termo
é utilizado com o sentido que consta no
SITE dicionário.
http://www.coladaweb.com/portugues/sinonimos,-an-
tonimos,-homonimos-e-paronimos
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Exemplos de variação no significado das palavras: Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
Os domadores conseguiram enjaular a fera. (sentido li- reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
teral) Paulo: Saraiva, 2010.
Ele ficou uma fera quando soube da notícia. (sentido fi-
gurado)
SITE
Aquela aluna é fera na matemática. (sentido figurado)
http://www.normaculta.com.br/conotacao-e-denota-
As variações nos significados das palavras ocasionam o
cao/
sentido denotativo (denotação) e o sentido conotativo (co-
notação) das palavras.
POLISSEMIA
A) Denotação
Uma palavra é usada no sentido denotativo quando
apresenta seu significado original, independentemente do Polissemia é a propriedade de uma palavra adquirir
contexto em que aparece. Refere-se ao seu significado mais multiplicidade de sentidos, que só se explicam dentro de
objetivo e comum, aquele imediatamente reconhecido e um contexto. Trata-se, realmente, de uma única palavra,
muitas vezes associado ao primeiro significado que aparece mas que abarca um grande número de significados dentro
nos dicionários, sendo o significado mais literal da palavra. de seu próprio campo semântico.
A denotação tem como finalidade informar o receptor Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo per-
da mensagem de forma clara e objetiva, assumindo um ca- cebemos que o prefixo “poli” significa multiplicidade de
ráter prático. É utilizada em textos informativos, como jor- algo. Possibilidades de várias interpretações levando-se em
nais, regulamentos, manuais de instrução, bulas de medica- consideração as situações de aplicabilidade. Há uma infini-
mentos, textos científicos, entre outros. A palavra “pau”, por dade de exemplos em que podemos verificar a ocorrência
exemplo, em seu sentido denotativo é apenas um pedaço da polissemia:
de madeira. Outros exemplos: O rapaz é um tremendo gato.
O elefante é um mamífero. O gato do vizinho é peralta.
As estrelas deixam o céu mais bonito! Precisei fazer um gato para que a energia voltasse.
Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua so-
B) Conotação brevivência
Uma palavra é usada no sentido conotativo quando O passarinho foi atingido no bico.
apresenta diferentes significados, sujeitos a diferentes inter-
LÍNGUA PORTUGUESA

pretações, dependendo do contexto em que esteja inserida, Nas expressões polissêmicas rede de deitar, rede de com-
referindo-se a sentidos, associações e ideias que vão além putadores e rede elétrica, por exemplo, temos em comum
do sentido original da palavra, ampliando sua significação a palavra “rede”, que dá às expressões o sentido de “entre-
mediante a circunstância em que a mesma é utilizada, assu- laçamento”. Outro exemplo é a palavra “xadrez”, que pode
mindo um sentido figurado e simbólico. Como no exemplo ser utilizada representando “tecido”, “prisão” ou “jogo” – o
da palavra “pau”: em seu sentido conotativo ela pode sig- sentido comum entre todas as expressões é o formato qua-
nificar castigo (dar-lhe um pau), reprovação (tomei pau no driculado que têm.
concurso).

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1. Polissemia e homonímia REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
A confusão entre polissemia e homonímia é bastante reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
comum. Quando a mesma palavra apresenta vários signifi- Paulo: Saraiva, 2010.
cados, estamos na presença da polissemia. Por outro lado, SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
quando duas ou mais palavras com origens e significados coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
distintos têm a mesma grafia e fonologia, temos uma ho-
monímia. SITE
A palavra “manga” é um caso de homonímia. Ela pode http://www.brasilescola.com/gramatica/polissemia.htm
significar uma fruta ou uma parte de uma camisa. Não é
polissemia porque os diferentes significados para a pala-
vra “manga” têm origens diferentes. “Letra” é uma palavra
polissêmica: pode significar o elemento básico do alfabe- EXERCÍCIO COMENTADO
to, o texto de uma canção ou a caligrafia de um determi-
nado indivíduo. Neste caso, os diferentes significados es- 1. (SUSAM-AM – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO –
tão interligados porque remetem para o mesmo conceito, FGV – 2014) “o país teve de recorrer a um programa de
o da escrita. racionamento”. Assinale a opção que apresenta a forma de
reescrever esse segmento, que altera o seu sentido original.
2. Polissemia e ambiguidade
a) O Brasil foi obrigado a recorrer a um programa de
Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto na racionamento.
interpretação. Na língua portuguesa, um enunciado pode b) O país teve como recurso recorrer a um programa de
ser ambíguo, ou seja, apresentar mais de uma interpreta- racionamento.
ção. Esta ambiguidade pode ocorrer devido à colocação c) O Brasil foi levado a recorrer a um programa de racio-
específica de uma palavra (por exemplo, um advérbio) em namento.
uma frase. Vejamos a seguinte frase: d) O país obrigou-se a recorrer a um programa de racio-
Pessoas que têm uma alimentação equilibrada frequen- namento.
temente são felizes. e) O Brasil optou por um programa de racionamento.
Neste caso podem existir duas interpretações diferen-
tes: Resposta: Letra E. “o país teve de recorrer a um progra-
As pessoas têm alimentação equilibrada porque são feli- ma de racionamento”. Assinale a opção que apresenta a
zes ou são felizes porque têm uma alimentação equilibrada. forma de reescrever esse segmento, QUE ALTERA O
De igual forma, quando uma palavra é polissêmica, ela SEU SENTIDO ORIGINAL.
pode induzir uma pessoa a fazer mais do que uma interpre- Em “a”: O Brasil foi obrigado a recorrer a um programa
tação. Para fazer a interpretação correta é muito importan- de racionamento = mesmo sentido.
te saber qual o contexto em que a frase é proferida. Em “b”: O país teve como recurso recorrer a um progra-
Muitas vezes, a disposição das palavras na construção ma de racionamento = mesmo sentido.
do enunciado pode gerar ambiguidade ou, até mesmo, co- Em “c”: O Brasil foi levado a recorrer a um programa de
micidade. Repare na figura abaixo: racionamento = mesmo sentido.
Em “d”: O país obrigou-se a recorrer a um programa de
racionamento = mesmo sentido.
Em “e”: O Brasil optou por um programa de racionamen-
to = mudança de sentido (segundo o enunciado, o país
não teve outra opção a não ser recorrer. Na alternativa,
provavelmente havia outras opções, e o país escolheu a
de “recorrer”).

ORTOGRAFIA

ORTOGRAFIA
LÍNGUA PORTUGUESA

(http://www.humorbabaca.com/fotos/diversas/corto-ca-
belo-e-pinto. Acesso em 15/9/2014). A ortografia é a parte da Fonologia que trata da correta
grafia das palavras. É ela quem ordena qual som devem
Poderíamos corrigir o cartaz de inúmeras maneiras, mas ter as letras do alfabeto. Os vocábulos de uma língua são
duas seriam: grafados segundo acordos ortográficos.
Corte e coloração capilar A maneira mais simples, prática e objetiva de apren-
ou der ortografia é realizar muitos exercícios, ver as palavras,
Faço corte e pintura capilar familiarizando-se com elas. O conhecimento das regras é

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necessário, mas não basta, pois há inúmeras exceções e,  Diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís -
em alguns casos, há necessidade de conhecimento de eti- Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis – lapisinho.
mologia (origem da palavra).  Após ditongos: coisa, pausa, pouso, causa.
 Verbos derivados de nomes cujo radical termina
1. Regras ortográficas com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar –
pesquisar.
A) O fonema S
São escritos com Z e não S
São escritas com S e não C/Ç  Sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de ad-
 Palavras substantivadas derivadas de verbos com jetivo: macio - maciez / rico – riqueza / belo – beleza.
radicais em nd, rg, rt, pel, corr e sent: pretender - Sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de ori-
pretensão / expandir - expansão / ascender - ascensão gem não termine com s): final - finalizar / concreto
/ inverter - inversão / aspergir - aspersão / submergir – concretizar.
- submersão / divertir - diversão / impelir - impulsivo  Consoante de ligação se o radical não terminar com
/ compelir - compulsório / repelir - repulsa / recorrer “s”: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal
- recurso / discorrer - discurso / sentir - sensível / con- Exceção: lápis + inho – lapisinho.
sentir – consensual.
C) O fonema j
São escritos com SS e não C e Ç
 Nomes derivados dos verbos cujos radicais termi- São escritas com G e não J
nem em gred, ced, prim ou com verbos terminados  Palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa,
por tir ou - meter: agredir - agressivo / imprimir - im- gesso.
pressão / admitir - admissão / ceder - cessão / exceder  Estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento,
- excesso / percutir - percussão / regredir - regressão gim.
/ oprimir - opressão / comprometer - compromisso /  Terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com
submeter – submissão. poucas exceções): imagem, vertigem, penugem, bege,
 Quando o prefixo termina com vogal que se junta foge.
com a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simétri- Exceção: pajem.
co - assimétrico / re + surgir – ressurgir.
 No pretérito imperfeito simples do subjuntivo.  Terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio,
Exemplos: ficasse, falasse. litígio, relógio, refúgio.
 Verbos terminados em ger/gir: emergir, eleger, fugir,
São escritos com C ou Ç e não S e SS mugir.
 Vocábulos de origem árabe: cetim, açucena, açúcar.  Depois da letra “r” com poucas exceções: emergir,
 Vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó, surgir.
Juçara, caçula, cachaça, cacique.  Depois da letra “a”, desde que não seja radical termi-
 Sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu, nado com j: ágil, agente.
uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, carniça, ca-
niço, esperança, carapuça, dentuço. São escritas com J e não G
 Nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção  Palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje.
/ deter - detenção / ater - atenção / reter – retenção.  Palavras de origem árabe, africana ou exótica: ji-
 Após ditongos: foice, coice, traição. boia, manjerona.
 Palavras derivadas de outras terminadas em -te,  Palavras terminadas com aje: ultraje.
to(r): marte - marciano / infrator - infração / absorto
– absorção. D) O fonema ch

B) O fonema z São escritas com X e não CH


 Palavras de origem tupi, africana ou exótica: abacaxi,
São escritos com S e não Z xucro.
 Sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é subs-  Palavras de origem inglesa e espanhola: xampu, la-
tantivo, ou em gentílicos e títulos nobiliárquicos: fre- gartixa.
LÍNGUA PORTUGUESA

guês, freguesa, freguesia, poetisa, baronesa, princesa.  Depois de ditongo: frouxo, feixe.
 Sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, meta-  Depois de “en”: enxurrada, enxada, enxoval.
morfose. Exceção: quando a palavra de origem não derive de
 Formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, quis, outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)
quiseste.
 Nomes derivados de verbos com radicais termina- São escritas com CH e não X
dos em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão / em-  Palavras de origem estrangeira: chave, chumbo, chas-
preender - empresa / difundir – difusão. si, mochila, espadachim, chope, sanduíche, salsicha.

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E) As letras “e” e “i” Alguns Usos Ortográficos Especiais

 Ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem. 1. Por que / por quê / porquê / porque
Com “i”, só o ditongo interno cãibra.
 Verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar são POR QUE (separado e sem acento)
escritos com “e”: caçoe, perdoe, tumultue. Escrevemos
com “i”, os verbos com infinitivo em -air, -oer e -uir: É usado em:
trai, dói, possui, contribui. 1. interrogações diretas (longe do ponto de interroga-
ção) = Por que você não veio ontem?
2. interrogações indiretas, nas quais o “que” equivale
FIQUE ATENTO! a “qual razão” ou “qual motivo” = Perguntei-lhe por
Há palavras que mudam de sentido quando que faltara à aula ontem.
substituímos a grafia “e” pela grafia “i”: área 3. equivalências a “pelo(a) qual” / “pelos(as) quais” = Ig-
(superfície), ária (melodia) / delatar (denun- noro o motivo por que ele se demitiu.
ciar), dilatar (expandir) / emergir (vir à tona),
imergir (mergulhar) / peão (de estância, que POR QUÊ (separado e com acento)
anda a pé), pião (brinquedo).
Usos:
1. como pronome interrogativo, quando colocado no
#FicaDica fim da frase (perto do ponto de interrogação) = Você
faltou. Por quê?
Se o dicionário ainda deixar dúvida quanto à 2. quando isolado, em uma frase interrogativa = Por
ortografia de uma palavra, há a possibilidade quê?
de consultar o Vocabulário Ortográfico da Lín- PORQUE (uma só palavra, sem acento gráfico)
gua Portuguesa (VOLP), elaborado pela Acade-
mia Brasileira de Letras. É uma obra de referên- Usos:
cia até mesmo para a criação de dicionários, 1. como conjunção coordenativa explicativa (equivale
pois traz a grafia atualizada das palavras (sem a “pois”, “porquanto”), precedida de pausa na escrita
o significado). Na Internet, o endereço é www. (pode ser vírgula, ponto-e-vírgula e até ponto final)
academia.org.br. = Compre agora, porque há poucas peças.
2. como conjunção subordinativa causal, substituível
por “pela causa”, “razão de que” = Você perdeu por-
2. Informações importantes que se antecipou.

Formas variantes são as que admitem grafias ou pro- PORQUÊ (uma só palavra, com acento gráfico)
núncias diferentes para palavras com a mesma significação:
aluguel/aluguer, assobiar/assoviar, catorze/quatorze, de- Usos:
pendurar/pendurar, flecha/frecha, germe/gérmen, infarto/ 1. como substantivo, com o sentido de “causa”, “razão”
enfarte, louro/loiro, percentagem/porcentagem, relampejar/ ou “motivo”, admitindo pluralização (porquês). Geralmente
relampear/relampar/relampadar. é precedido por artigo = Não sei o porquê da discussão. É
Os símbolos das unidades de medida são escritos sem uma pessoa cheia de porquês.
ponto, com letra minúscula e sem “s” para indicar plural,
sem espaço entre o algarismo e o símbolo: 2kg, 20km, 2. ONDE / AONDE
120km/h.
Exceção para litro (L): 2 L, 150 L. Onde = empregado com verbos que não expressam a
ideia de movimento = Onde você está?
Na indicação de horas, minutos e segundos, não deve
haver espaço entre o algarismo e o símbolo: 14h, 22h30min, Aonde = equivale a “para onde”. É usado com verbos
14h23’34’’(= quatorze horas, vinte e três minutos e trinta e que expressam movimento = Aonde você vai?
quatro segundos).
O símbolo do real antecede o número sem espaço: 3. MAU / MAL
LÍNGUA PORTUGUESA

R$1.000,00. No cifrão deve ser utilizada apenas uma barra


vertical ($). Mau = é um adjetivo, antônimo de “bom”. Usa-se como
qualificação = O mau tempo passou. / Ele é um mau ele-
mento.

Mal = pode ser usado como


1. conjunção temporal, equivalente a “assim que”, “logo
que”, “quando” = Mal se levantou, já saiu.

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2. advérbio de modo (antônimo de “bem”) = Você foi 7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-diretor,
mal na prova? ex-presidente, vice-governador, vice-prefeito.
3. substantivo, podendo estar precedido de artigo ou 8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-:
pronome = Há males que vêm pra bem! / O mal não pré-natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação,
compensa. etc.
9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se, abra-
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ça-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- 10. Nas formações em que o prefixo tem como segun-
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. do termo uma palavra iniciada por “h”: sub-hepático,
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- geo-história, neo-helênico, extra-humano, semi-hos-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São pitalar, super-homem.
Paulo: Saraiva, 2010. 11. Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação termina com a mesma vogal do segundo elemento:
/ Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. micro-ondas, eletro-ótica, semi-interno, auto-obser-
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, vação, etc.
Produção de Textos & Gramática. Volume único / Samira
Yousseff, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – São Paulo: O hífen é suprimido quando para formar outros termos:
Saraiva, 2002. reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar.
SITE
http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/or- #FicaDica
tografia
Lembrete da Zê!
4. Hífen Ao separar palavras na translineação (mudan-
ça de linha), caso a última palavra a ser escri-
O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado para ta seja formada por hífen, repita-o na próxima
ligar os elementos de palavras compostas (como ex-presi- linha. Exemplo: escreverei anti-inflamatório e,
dente, por exemplo) e para unir pronomes átonos a verbos ao final, coube apenas “anti-”. Na próxima linha
(ofereceram-me; vê-lo-ei). Serve igualmente para fazer a escreverei: “-inflamatório” (hífen em ambas as
translineação de palavras, isto é, no fim de uma linha, se- linhas). Devido à diagramação, pode ser que a
parar uma palavra em duas partes (ca-/sa; compa-/nheiro). repetição do hífen na translineação não ocorra
em meus conteúdos, mas saiba que a regra é
A) Uso do hífen que continua depois da Reforma Or- esta!
tográfica:

1. Em palavras compostas por justaposição que formam B) Não se emprega o hífen:


uma unidade semântica, ou seja, nos termos que se
unem para formam um novo significado: tio-avô, 1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo ter-
porto-alegrense, luso-brasileiro, tenente-coronel, se- mina em vogal e o segundo termo inicia-se em “r” ou
gunda-feira, conta-gotas, guarda-chuva, arco-íris, pri- “s”. Nesse caso, passa-se a duplicar estas consoantes:
meiro-ministro, azul-escuro. antirreligioso, contrarregra, infrassom, microssistema,
2. Em palavras compostas por espécies botânicas e zoo- minissaia, microrradiografia, etc.
lógicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer, abóbo- 2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudoprefixo
ra-menina, erva-doce, feijão-verde. termina em vogal e o segundo termo inicia-se com
3. Nos compostos com elementos além, aquém, re- vogal diferente: antiaéreo, extraescolar, coeducação,
cém e sem: além-mar, recém-nascido, sem-número, autoestrada, autoaprendizagem, hidroelétrico, pluria-
recém-casado. nual, autoescola, infraestrutura, etc.
4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas algu- 3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos
mas exceções continuam por já estarem consagradas “dês” e “in” e o segundo elemento perdeu o “h” ini-
pelo uso: cor-de-rosa, arco-da-velha, mais-que-per- cial: desumano, inábil, desabilitar, etc.
feito, pé-de-meia, água-de-colônia, queima-roupa, 4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando
deus-dará. o segundo elemento começar com “o”: cooperação,
LÍNGUA PORTUGUESA

5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte Rio- coobrigação, coordenar, coocupante, coautor, coedi-
-Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas com- ção, coexistir, etc.
binações históricas ou ocasionais: Áustria-Hungria, 5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram noção
Angola-Brasil, etc. de composição: pontapé, girassol, paraquedas, para-
6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e su- quedista, etc.
per- quando associados com outro termo que é ini- 6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: benfei-
ciado por “r”: hiper-resistente, inter-racial, super-ra- to, benquerer, benquerido, etc.
cional, etc.

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Os prefixos pós, pré e pró, em suas formas correspon-
dentes átonas, aglutinam-se com o elemento seguinte, ACENTUAÇÃO GRÁFICA.
não havendo hífen: pospor, predeterminar, predeterminado,
pressuposto, propor.
Escreveremos com hífen: anti-horário, anti-infeccioso, ACENTUAÇÃO
auto-observação, contra-ataque, semi-interno, sobre-huma-
no, super-realista, alto-mar. Quanto à acentuação, observamos que algumas pala-
Escreveremos sem hífen: pôr do sol, antirreforma, antis- vras têm acento gráfico e outras não; na pronúncia, ora se
séptico, antissocial, contrarreforma, minirrestaurante, ultras- dá maior intensidade sonora a uma sílaba, ora a outra. Por
som, antiaderente, anteprojeto, anticaspa, antivírus, autoa- isso, vamos às regras!
juda, autoelogio, autoestima, radiotáxi.
1. Regras básicas
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- A acentuação tônica está relacionada à intensidade com
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. que são pronunciadas as sílabas das palavras. Aquela que
se dá de forma mais acentuada, conceitua-se como sílaba
tônica. As demais, como são pronunciadas com menos in-
SITE
tensidade, são denominadas de átonas.
http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/or-
De acordo com a tonicidade, as palavras são classifica-
tografia das como:
Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre a
última sílaba: café – coração – Belém – atum – caju – papel
EXERCÍCIO COMENTADO Paroxítonas – a sílaba tônica recai na penúltima sílaba:
útil – tórax – táxi – leque – sapato – passível
Proparoxítonas - a sílaba tônica está na antepenúltima
1. (Polícia Federal – Escrivão de Polícia Federal – Ces- sílaba: lâmpada – câmara – tímpano – médico – ônibus
pe – 2013 – adaptada)
Há vocábulos que possuem uma sílaba somente: são
A fim de solucionar o litígio, atos sucessivos e concatena- os chamados monossílabos. Estes são acentuados quando
dos são praticados pelo escrivão. Entre eles, estão os atos tônicos e terminados em “a”, “e” ou “o”: vá – fé – pó - ré.
de comunicação, os quais são indispensáveis para que os
sujeitos do processo tomem conhecimento dos atos acon- 2 Os acentos
tecidos no correr do procedimento e se habilitem a exercer
os direitos que lhes cabem e a suportar os ônus que a lei A) acento agudo (´) – Colocado sobre as letras “a” e
lhes impõe. “i”, “u” e “e” do grupo “em” - indica que estas le-
Disponível em: <http://jus.com.br> (com adaptações). tras representam as vogais tônicas de palavras como
pá, caí, público. Sobre as letras “e” e “o” indica, além
No que se refere ao texto acima, julgue os itens seguintes. da tonicidade, timbre aberto: herói – céu (ditongos
Não haveria prejuízo para a correção gramatical do texto abertos).
nem para seu sentido caso o trecho “A fim de solucionar o B) acento circunflexo – (^) Colocado sobre as letras
litígio” fosse substituído por Afim de dar solução à demanda “a”, “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre fecha-
e o trecho “tomem conhecimento dos atos acontecidos no do: tâmara – Atlântico – pêsames – supôs.
correr do procedimento” fosse, por sua vez, substituído por C) acento grave – (`) Indica a fusão da preposição “a”
com artigos e pronomes: à – às – àquelas – àqueles
conheçam os atos havidos no transcurso do acontecimento.
D) trema (¨) – De acordo com a nova regra, foi total-
mente abolido das palavras. Há uma exceção: é
( ) CERTO ( ) ERRADO
utilizado em palavras derivadas de nomes próprios
estrangeiros: mülleriano (de Müller)
Resposta: Errado. “A fim” tem o sentido de “com a in- E) til – (~) Indica que as letras “a” e “o” representam
tenção de”; já “afim”, “semelhança, afinidade”. Se a pri- vogais nasais: oração – melão – órgão – ímã
meira substituição fosse feita, o trecho estaria incorreto
gramatical e coerentemente. Portanto, nem há a neces- 2.1 Regras fundamentais
sidade de avaliar a segunda substituição.
LÍNGUA PORTUGUESA

A) Palavras oxítonas: acentuam-se todas as oxítonas


terminadas em: “a”, “e”, “o”, “em”, seguidas ou não do plu-
ral(s): Pará – café(s) – cipó(s) – Belém.
Esta regra também é aplicada aos seguintes casos:
Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”, se-
guidos ou não de “s”: pá – pé – dó – há
Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos, se-
guidas de lo, la, los, las: respeitá-lo, recebê-lo, compô-lo

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B) Paroxítonas: acentuam-se as palavras paroxítonas Pôr (verbo) X por (preposição) / pôde (pretérito perfeito
terminadas em: do Indicativo do verbo “poder”) X pode (presente do Indica-
i, is: táxi – lápis – júri tivo do mesmo verbo).
us, um, uns: vírus – álbuns – fórum Se analisarmos o “pôr” - pela regra das monossílabas:
l, n, r, x, ps: automóvel – elétron - cadáver – tórax – fór- terminada em “o” seguida de “r” não deve ser acentuada,
ceps mas nesse caso, devido ao acento diferencial, acentua-se,
ã, ãs, ão, ãos: ímã – ímãs – órfão – órgãos para que saibamos se se trata de um verbo ou preposição.
ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou não Os demais casos de acento diferencial não são mais uti-
de “s”: água – pônei – mágoa – memória lizados: para (verbo), para (preposição), pelo (substantivo),
pelo (preposição). Seus significados e classes gramaticais
são definidos pelo contexto.
#FicaDica Polícia para o trânsito para que se realize a operação
Memorize a palavra LINURXÃO. Repare que planejada. = o primeiro “para” é verbo; o segundo, conjun-
esta palavra apresenta as terminações das ção (com relação de finalidade).
paroxítonas que são acentuadas: L, I N, U (aqui
inclua UM = fórum), R, X, Ã, ÃO. Assim ficará
mais fácil a memorização! #FicaDica
Quando, na frase, der para substituir o “por”
por “colocar”, estaremos trabalhando com um
C) Proparoxítona: a palavra é proparoxítona quando verbo, portanto: “pôr”; nos demais casos, “por”
é preposição: Faço isso por você. / Posso pôr
a sua antepenúltima sílaba é tônica (mais forte). Quanto à
(colocar) meus livros aqui?
regra de acentuação: todas as proparoxítonas são acentua-
das, independentemente de sua terminação: árvore, para-
lelepípedo, cárcere.
2.4 Regra do Hiato
2.2 Regras especiais
Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, segunda
Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos
vogal do hiato, acompanhado ou não de “s”, haverá acento:
abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento
saída – faísca – baú – país – Luís
de acordo com a nova regra, mas desde que estejam em
Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato quan-
palavras paroxítonas.
do seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z:
Ra-ul, Lu-iz, sa-ir, ju-iz
FIQUE ATENTO! Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se estive-
rem seguidas do dígrafo nh:
Alerta da Zê! Cuidado: Se os ditongos abertos ra-i-nha, ven-to-i-nha.
estiverem em uma palavra oxítona (herói) ou Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vierem
monossílaba (céu) ainda são acentuados: dói, precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba
escarcéu. Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, formando
hiato quando vierem depois de ditongo (nas paroxítonas):

Antes Agora Antes Agora


assembléia assembleia bocaiúva bocaiuva
idéia ideia feiúra feiura
geléia geleia Sauípe Sauipe
jibóia jiboia
O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi abo-
apóia (verbo apoiar) apoia lido:
LÍNGUA PORTUGUESA

paranóico paranoico
Antes Agora
2.3 Acento Diferencial
crêem creem
Representam os acentos gráficos que, pelas regras de lêem leem
acentuação, não se justificariam, mas são utilizados para
vôo voo
diferenciar classes gramaticais entre determinadas palavras
e/ou tempos verbais. Por exemplo: enjôo enjoo

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2. (Anatel – Técnico Administrativo – cespe – 2012)
#FicaDica Nas palavras “análise” e “mínimos”, o emprego do acento
gráfico tem justificativas gramaticais diferentes.
Memorize a palavra CREDELEVÊ. São os verbos
que, no plural, dobram o “e”, mas que não re- ( ) CERTO ( ) ERRADO
cebem mais acento como antes: CRER, DAR,
LER e VER. Resposta: Errado. Análise = proparoxítona / mínimos
= proparoxítona. Ambas são acentuadas pela mesma re-
Repare: gra (antepenúltima sílaba é tônica, “mais forte”).
O menino crê em você. / Os meninos creem em você. 3. (Ancine – Técnico Administrativo – cespe – 2012)
Elza lê bem! / Todas leem bem! Os vocábulos “indivíduo”, “diária” e “paciência” recebem
Espero que ele dê o recado à sala. / Esperamos que os acento gráfico com base na mesma regra de acentuação
garotos deem o recado! gráfica.
Rubens vê tudo! / Eles veem tudo!
Cuidado! Há o verbo vir: Ele vem à tarde! / Eles vêm à ( ) CERTO ( ) ERRADO
tarde!
As formas verbais que possuíam o acento tônico na raiz, Resposta: Certo. Indivíduo = paroxítona terminada em
com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou ditongo; diária = paroxítona terminada em ditongo; pa-
“i” não serão mais acentuadas: ciência = paroxítona terminada em ditongo. Os três vo-
cábulos são acentuados devido à mesma regra.
Antes Depois
4. (Ibama – Técnico Administrativo – cespe – 2012) As
apazigúe (apaziguar) apazigue
palavras “pó”, “só” e “céu” são acentuadas de acordo com a
averigúe (averiguar) averigue mesma regra de acentuação gráfica.
argúi (arguir) argui
( ) CERTO ( ) ERRADO
Acentuam-se os verbos pertencentes a terceira pessoa
do plural de: ele tem – eles têm / ele vem – eles vêm (verbo Resposta: Errado. Pó = monossílaba terminada em “o”;
vir). A regra prevalece também para os verbos conter, obter, só = monossílaba terminada em “o”; céu = monossílaba
reter, deter, abster: ele contém – eles contêm, ele obtém – eles terminada em ditongo aberto “éu”.
obtêm, ele retém – eles retêm, ele convém – eles convêm.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS USO DA CRASE.


SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- CRASE
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010. A crase se caracteriza como a fusão de duas vogais
idênticas, relacionadas ao emprego da preposição “a” com
SITE o artigo feminino a(s), com o “a” inicial referente aos pro-
http://www.brasilescola.com/gramatica/acentuacao.htm nomes demonstrativos – aquela(s), aquele(s), aquilo e com
o “a” pertencente ao pronome relativo a qual (as quais).
Casos estes em que tal fusão encontra-se demarcada pelo
acento grave ( ` ): à(s), àquela, àquele, àquilo, à qual, às
EXERCÍCIOS COMENTADOS quais.
O uso do acento indicativo de crase está condicionado
1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal – Ces- aos nossos conhecimentos acerca da regência verbal e no-
pe – 2014) Os termos “série” e “história” acentuam-se em minal, mais precisamente ao termo regente e termo regido.
conformidade com a mesma regra ortográfica. Ou seja, o termo regente é o verbo - ou nome - que exige
complemento regido pela preposição “a”, e o termo regido
( ) CERTO ( ) ERRADO é aquele que completa o sentido do termo regente, admi-
LÍNGUA PORTUGUESA

tindo a anteposição do artigo a(s).


Resposta: Certo. “Série” = acentua-se a paroxítona ter- Refiro-me a (a) funcionária antiga, e não a (a)quela con-
minada em ditongo / “história” - acentua-se a paroxíto- tratada recentemente.
na terminada em ditongo Após a junção da preposição com o artigo (destacados
Ambas são acentuadas devido à regra da paroxítona ter- entre parênteses), temos:
minada em ditongo. Refiro-me à funcionária antiga, e não àquela contratada
Observação: nestes casos, admitem-se as separações recentemente.
“sé-ri-e” e “his-tó-ri-as”, o que as tornaria proparoxítonas.

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O verbo referir, de acordo com sua transitividade, classi- A letra “a” que acompanha locuções femininas (adver-
fica-se como transitivo indireto, pois sempre nos referimos biais, prepositivas e conjuntivas) recebem o acento grave:
a alguém ou a algo. Houve a fusão da preposição a + o  locuções adverbiais: às vezes, à tarde, à noite, às
artigo feminino (à) e com o artigo feminino a + o pronome pressas, à vontade...
demonstrativo aquela (àquela).  locuções prepositivas: à frente, à espera de, à pro-
cura de...
Observações importantes:  locuções conjuntivas: à proporção que, à medida que.
Alguns recursos servem de ajuda para que possamos
confirmar a ocorrência ou não da crase. Eis alguns: Cuidado: quando as expressões acima não exercerem a
 Substitui-se a palavra feminina por uma masculina função de locuções não ocorrerá crase. Repare:
equivalente. Caso ocorra a combinação a + o(s), a Eu adoro a noite!
crase está confirmada. Adoro o quê? Adoro quem? O verbo “adoro” requer
Os dados foram solicitados à diretora. objeto direto, no caso, a noite. Aqui, o “a” é artigo, não
Os dados foram solicitados ao diretor. preposição.
 No caso de nomes próprios geográficos, substitui-se
o verbo da frase pelo verbo voltar. Caso resulte na Casos passíveis de nota:
expressão “voltar da”, há a confirmação da crase.
Faremos uma visita à Bahia.  A crase é facultativa diante de nomes próprios femi-
Faz dois dias que voltamos da Bahia. (crase confirmada) ninos: Entreguei o caderno a (à) Eliza.
 Também é facultativa diante de pronomes possessi-
Não me esqueço da viagem a Roma. vos femininos: O diretor fez referência a (à) sua em-
Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momentos ja- presa.
mais vividos.  Facultativa em locução prepositiva “até a”: A loja fi-
cará aberta até as (às) dezoito horas.
Nas situações em que o nome geográfico se apresentar  Constata-se o uso da crase se as locuções preposi-
modificado por um adjunto adnominal, a crase está con- tivas à moda de, à maneira de apresentarem-se im-
firmada. plícitas, mesmo diante de nomes masculinos: Tenho
Atendo-me à bela Fortaleza, senti saudades de suas compulsão por comprar sapatos à Luis XV. (à moda
praias. de Luís XV)
 Não se efetiva o uso da crase diante da locução ad-
verbial “a distância”: Na praia de Copacabana, obser-
#FicaDica vamos a queima de fogos a distância.
Entretanto, se o termo vier determinado, teremos uma
Use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ; vou locução prepositiva, aí sim, ocorrerá crase: O pedestre foi
A volto DE, crase PRA QUÊ?” Exemplo: Vou a arremessado à distância de cem metros.
Campinas. = Volto de Campinas. (crase pra
quê?)  De modo a evitar o duplo sentido – a ambiguidade
Vou à praia. = Volto da praia. (crase há!) -, faz-se necessário o emprego da crase.
Ensino à distância.
Ensino a distância.
Quando o nome de lugar estiver especificado, ocorrerá  Em locuções adverbiais formadas por palavras repe-
crase. Veja: tidas, não há ocorrência da crase.
Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo que, Ela ficou frente a frente com o agressor.
pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE” Eu o seguirei passo a passo.
Irei à Salvador de Jorge Amado.
Casos em que não se admite o emprego da crase:
A letra “a” dos pronomes demonstrativos aquele(s),
aquela(s) e aquilo receberão o acento grave se o termo re- Antes de vocábulos masculinos.
gente exigir complemento regido da preposição “a”. As produções escritas a lápis não serão corrigidas.
Entregamos a encomenda àquela menina. Esta caneta pertence a Pedro.
(preposição + pronome demonstrativo)
LÍNGUA PORTUGUESA

Iremos àquela reunião. Antes de verbos no infinitivo.


(preposição + pronome demonstrativo) Ele estava a cantar.
Começou a chover.
Sua história é semelhante às que eu ouvia quando crian-
ça. (àquelas que eu ouvia quando criança) Antes de numeral.
(preposição + pronome demonstrativo) O número de aprovados chegou a cem.
Faremos uma visita a dez países.

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Observações: Resposta: Errado. Retomemos o contexto: (...) O uso in-
 Nos casos em que o numeral indicar horas – funcio- devido de drogas constitui, na atualidade, séria e persis-
nando como uma locução adverbial feminina – ocor- tente ameaça à humanidade e à estabilidade das estrutu-
rerá crase: Os passageiros partirão às dezenove horas. ras e valores políticos (...).
 Diante de numerais ordinais femininos a crase está O uso do acento indicativo de crase é obrigatório, já que
confirmada, visto que estes não podem ser emprega- os termos “humanidade” e “estabilidade” complemen-
dos sem o artigo: As saudações foram direcionadas à tam o nome “ameaça” – “ameaça a quê? a quem?” = a
primeira aluna da classe. regência nominal pede preposição.
 Não ocorrerá crase antes da palavra casa, quando
essa não se apresentar determinada: Chegamos todos 2. (TCE-PA – Conhecimentos Básicos – AUDITOR DE
exaustos a casa. CONTROLE EXTERNO – EDUCACIONAL – Cespe –
Entretanto, se vier acompanhada de um adjunto adno- 2016)
minal, a crase estará confirmada: Chegamos todos exaustos
à casa de Marcela.
Texto CB1A1BBB
 Não há crase antes da palavra “terra”, quando essa
Estranhamente, governos estaduais cujas despesas com o
indicar chão firme: Quando os navegantes regressa-
ram a terra, já era noite. funcionalismo já alcançaram nível preocupante ou que es-
Contudo, se o termo estiver precedido por um determi- touraram o limite de gastos com pessoal fixado pela Lei
nante ou referir-se ao planeta Terra, ocorrerá crase. Complementar n.º 101/2000, denominada Lei de Respon-
Paulo viajou rumo à sua terra natal. sabilidade Fiscal (LRF), estão elaborando sua própria legis-
O astronauta voltou à Terra. lação destinada a assegurar, como alegam, maior rigor na
gestão de suas finanças. Querem uma nova lei de respon-
 Não ocorre crase antes de pronomes que requerem sabilidade fiscal para, segundo argumentam, fortalecer a
o uso do artigo. estrutura legal que protege o dinheiro público do mau uso
Os livros foram entregues a mim. por gestores irresponsáveis.
Dei a ela a merecida recompensa. Examinando-se a situação financeira dos estados que pre-
param sua versão da lei de responsabilidade fiscal, fica di-
 Pelo fato de os pronomes de tratamento relativos à fícil aceitar a argumentação. Desde maio de 2000, quan-
senhora, senhorita e madame admitirem artigo, o uso do entrou em vigor a LRF, esses estados, como os demais,
da crase está confirmado no “a” que os antecede, no estão sujeitos a regras precisas para a gestão do dinheiro
caso de o termo regente exigir a preposição. público, para a criação de despesas e, em particular, para os
Todos os méritos foram conferidos à senhorita Patrícia. gastos com pessoal. Por que, tendo descumprido algumas
 Não ocorre crase antes de nome feminino utilizado dessas regras, estariam interessados em torná-las ainda
em sentido genérico ou indeterminado: mais rigorosas?
Estamos sujeitos a críticas. Não foi a lei que não funcionou, mas os responsáveis pelo
Refiro-me a conversas paralelas. dinheiro público que, por alguma razão, não a cumpriram.
De que adiantaria, então, tornar a lei mais rigorosa, se nem
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS nas condições atuais esses responsáveis estão sendo ca-
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- pazes de cumpri-la? O problema não está na lei. Mudá-la
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. pode ser o pretexto não para torná-la mais rigorosa, mas
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Cereja,
para atribuir-lhe alguma flexibilidade que a desfigure. O
Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
verdadeiro problema é a dificuldade do setor público de
Saraiva, 2010.
adaptar suas despesas às receitas em queda por causa da
SITE crise.
http://www.portugues.com.br/gramatica/o-uso-crase-.
html Internet: <http://opiniao.estadao.com.br> (com adapta-
ções).
O emprego do acento grave em “às receitas” decorre da re-
gência do verbo “adaptar” e da presença do artigo definido
EXERCÍCIOS COMENTADOS feminino determinando o substantivo “receitas”.
LÍNGUA PORTUGUESA

1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal – Ces- ( ) CERTO ( ) ERRADO


pe – 2014 – adaptada) O acento indicativo de crase em
“à humanidade e à estabilidade” é de uso facultativo, razão Resposta: Certo. Texto: O verdadeiro problema é a di-
por que sua supressão não prejudicaria a correção grama- ficuldade do setor público de adaptar suas despesas às
tical do texto. receitas em queda por causa da crise = quem adapta,
adapta algo/alguém A algo/alguém.
( ) CERTO ( ) ERRADO

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3. (Fnde – Técnico em Financiamento e Execução de de aranha aracnídeo
Programas e Projetos Educacionais – cespe – 2012) O
emprego do sinal indicativo de crase em “adequando os ob- de boi bovino
jetivos às necessidades” justifica-se pela regência do verbo de cabelo capilar
adequar, que exige complemento regido pela preposição
“a”, e pela presença de artigo definido feminino antes de de cabra caprino
“necessidades”. de campo campestre ou rural
de chuva pluvial
( ) CERTO ( ) ERRADO
de criança pueril
Resposta: Certo. Adequar o quê? – os objetivos (objeto de dedo digital
direto) – adequar o quê a quê? – a + as (=às) necessida-
des – objeto indireto. A explicação do enunciado está de estômago estomacal ou gástrico
correta. de falcão falconídeo
de farinha farináceo
4. (Tribunal de Justiça-se – Técnico Judiciário – cespe
– 2014 – adaptada) No trecho “deu início à sua cami- de fera ferino
nhada cósmica”, o emprego do acento grave indicativo de de ferro férreo
crase é obrigatório.
de fogo ígneo
( ) CERTO ( ) ERRADO de garganta gutural
de gelo glacial
Resposta: Errado. “deu início à sua caminhada cósmi-
ca” – o uso do acento indicativo de crase, neste caso, é de guerra bélico
facultativo (antes de pronome possessivo). de homem viril ou humano
de ilha insular
MORFOLOGIA: CLASSES DE PALAVRAS de inverno hibernal ou invernal
VARIÁVEIS E INVARIÁVEIS E SEUS
de lago lacustre
EMPREGOS NO TEXTO.
LOCUÇÕES VERBAIS (PERÍFRASES de leão leonino
VERBAIS). de lebre l eporino
de lua lunar ou selênico
ADJETIVO de madeira lígneo
de mestre magistral
É a palavra que expressa uma qualidade ou caracterís-
tica do ser e se relaciona com o substantivo, concordando de ouro áureo
com este em gênero e número. de paixão passional
As praias brasileiras estão poluídas.
Praias = substantivo; brasileiras/poluídas = adjetivos de pâncreas pancreático
(plural e feminino, pois concordam com “praias”). de porco suíno ou porcino
dos quadris ciático
1. Locução adjetiva
de rio fluvial
Locução = reunião de palavras. Sempre que são neces- de sonho onírico
sárias duas ou mais palavras para falar sobre a mesma coisa,
tem-se locução. Às vezes, uma preposição + substantivo tem de velhosenil
o mesmo valor de um adjetivo: é a Locução Adjetiva (expres- de vento eólico
são que equivale a um adjetivo). Por exemplo: aves da noite
de vidro vítreo ou hialino
(aves noturnas), paixão sem freio (paixão desenfreada).
LÍNGUA PORTUGUESA

Observe outros exemplos: de virilha inguinal


de visão óptico ou ótico
de águia aquilino
de aluno discente Observação:
Nem toda locução adjetiva possui um adjetivo corres-
de anjo angelical pondente, com o mesmo significado: Vi as alunas da 5ª
de ano anual série. / O muro de tijolos caiu.

20
2 Morfossintaxe do Adjetivo (Função Sintática):

O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função dentro de uma oração) relativas aos substantivos, atuando como
adjunto adnominal ou como predicativo (do sujeito ou do objeto).

3 Adjetivo Pátrio (ou gentílico)

Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. Observe alguns deles:

Estados e cidades brasileiras:

Alagoas alagoano
Amapá amapaense
Aracaju aracajuano ou aracajuense
Amazonas amazonense ou baré
Belo Horizonte belo-horizontino
Brasília brasiliense
Cabo Frio cabo-friense
Campinas campineiro ou campinense

4 Adjetivo Pátrio Composto

Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, erudita.
Observe alguns exemplos:

África afro- / Cultura afro-americana


Alemanha germano- ou teuto-/Competições teuto-inglesas
América américo- / Companhia américo-africana
Bélgica belgo- / Acampamentos belgo-franceses
China sino- / Acordos sino-japoneses
Espanha hispano- / Mercado hispano-português
Europa euro- / Negociações euro-americanas
França franco- ou galo- / Reuniões franco-italianas
Grécia greco- / Filmes greco-romanos
Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras
Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros

5 Flexão dos adjetivos

O adjetivo varia em gênero, número e grau.


LÍNGUA PORTUGUESA

6. Gênero dos Adjetivos

Os adjetivos concordam com o substantivo a que se referem (masculino e feminino). De forma semelhante aos subs-
tantivos, classificam-se em:
A) Biformes - têm duas formas, sendo uma para o masculino e outra para o feminino: ativo e ativa, mau e má.
Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no feminino somente o último elemento: o moço norte-americano, a
moça norte-americana.
Exceção: surdo-mudo e surda-muda.

21
B) Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculi- Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade
no como para o feminino: homem feliz e mulher feliz. No comparativo de igualdade, o segundo termo da
Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no comparação é introduzido pelas palavras como, quanto ou
feminino: conflito político-social e desavença político-social. quão.

7 Número dos Adjetivos Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Supe-
rioridade
A) Plural dos adjetivos simples Sílvia é menos alta que Tiago. = Comparativo de Infe-
Os adjetivos simples se flexionam no plural de acordo rioridade
com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos
substantivos simples: mau e maus, feliz e felizes, ruim e ruins, Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de su-
boa e boas. perioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São eles:
Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/superior,
função de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a pala- grande/maior, baixo/inferior.
vra que estiver qualificando um elemento for, originalmente,
um substantivo, ela manterá sua forma primitiva. Exemplo: Observe que:
a palavra cinza é, originalmente, um substantivo; porém, se  As formas menor e pior são comparativos de su-
estiver qualificando um elemento, funcionará como adjetivo. perioridade, pois equivalem a mais pequeno e mais
Ficará, então, invariável. Logo: camisas cinza, ternos cinza. mau, respectivamente.
Motos vinho (mas: motos verdes)  Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas
Paredes musgo (mas: paredes brancas). (melhor, pior, maior e menor), porém, em compara-
Comícios monstro (mas: comícios grandiosos). ções feitas entre duas qualidades de um mesmo ele-
mento, deve-se usar as formas analíticas mais bom,
B) Adjetivo Composto mais mau,mais grande e mais pequeno. Por exemplo:
É aquele formado por dois ou mais elementos. Normal-
mente, esses elementos são ligados por hífen. Apenas o últi- Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois ele-
mo elemento concorda com o substantivo a que se refere; os mentos.
demais ficam na forma masculina, singular. Caso um dos ele- Pedro é mais grande que pequeno - comparação de
mentos que formam o adjetivo composto seja um substanti- duas qualidades de um mesmo elemento.
vo adjetivado, todo o adjetivo composto ficará invariável. Por Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de Infe-
exemplo: a palavra “rosa” é, originalmente, um substantivo, rioridade
porém, se estiver qualificando um elemento, funcionará como Sou menos passivo (do) que tolerante.
adjetivo. Caso se ligue a outra palavra por hífen, formará um
adjetivo composto; como é um substantivo adjetivado, o ad- B) Superlativo
jetivo composto inteiro ficará invariável. Veja: O superlativo expressa qualidades num grau muito ele-
Camisas rosa-claro. vado ou em grau máximo. Pode ser absoluto ou relativo e
Ternos rosa-claro. apresenta as seguintes modalidades:
Olhos verde-claros. B.1 Superlativo Absoluto: ocorre quando a qualidade
Calças azul-escuras e camisas verde-mar. de um ser é intensificada, sem relação com outros seres.
Telhados marrom-café e paredes verde-claras. Apresenta-se nas formas:
 Analítica: a intensificação é feita com o auxílio de
Observação: palavras que dão ideia de intensidade (advérbios).
Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer adjeti- Por exemplo: O concurseiro é muito esforçado.
vo composto iniciado por “cor-de-...” são sempre invariáveis:  Sintética: nessa, há o acréscimo de sufixos. Por
roupas azul-marinho, tecidos azul-celeste, vestidos cor-de-rosa. exemplo: O concurseiro é esforçadíssimo.
O adjetivo composto surdo-mudo tem os dois elementos Observe alguns superlativos sintéticos:
flexionados: crianças surdas-mudas.
benéfico - beneficentíssimo
8 Grau do Adjetivo
bom - boníssimo ou ótimo
Os adjetivos se flexionam em grau para indicar a inten- comum - comuníssimo
LÍNGUA PORTUGUESA

sidade da qualidade do ser. São dois os graus do adjetivo: o


comparativo e o superlativo. cruel - crudelíssimo
difícil - dificílimo
A) Comparativo doce - dulcíssimo
Nesse grau, comparam-se a mesma característica atri-
buída a dois ou mais seres ou duas ou mais características fácil - facílimo
atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser de igual- fiel - fidelíssimo
dade, de superioridade ou de inferioridade.

22
B.2 Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade 1. Flexão do Advérbio
de um ser é intensificada em relação a um conjunto de
seres. Essa relação pode ser: Os advérbios são palavras invariáveis, isto é, não apresen-
 De Superioridade: Essa matéria é a mais fácil de tam variação em gênero e número. Alguns advérbios, porém,
todas. admitem a variação em grau. Observe:
 De Inferioridade: Essa matéria é a menos fácil de
todas. A) Grau Comparativo
Forma-se o comparativo do advérbio do mesmo modo
O superlativo absoluto analítico é expresso por meio que o comparativo do adjetivo:
dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente,  de igualdade: tão + advérbio + quanto (como): Rena-
antepostos ao adjetivo. to fala tão alto quanto João.
O superlativo absoluto sintético se apresenta sob duas  de inferioridade: menos + advérbio + que (do que):
formas: uma erudita - de origem latina – e outra popular Renato fala menos alto do que João.
- de origem vernácula. A forma erudita é constituída pelo  de superioridade:
radical do adjetivo latino + um dos sufixos -íssimo, -imo ou A.1 Analítico: mais + advérbio + que (do que): Renato fala
érrimo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo; a popular é cons- mais alto do que João.
tituída do radical do adjetivo português + o sufixo -íssimo: A.2 Sintético: melhor ou pior que (do que): Renato fala
pobríssimo, agilíssimo. melhor que João.
Os adjetivos terminados em –io fazem o superlativo
com dois “ii”: frio – friíssimo, sério – seriíssimo; os termi- B) Grau Superlativo
nados em –eio, com apenas um “i”: feio - feíssimo, cheio O superlativo pode ser analítico ou sintético:
– cheíssimo. B.1 Analítico: acompanhado de outro advérbio: Renato
fala muito alto.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS muito = advérbio de intensidade / alto = advérbio de
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- modo
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
B.2 Sintético: formado com sufixos: Renato fala altíssimo.
Paulo: Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Observação:
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
As formas diminutivas (cedinho, pertinho, etc.) são co-
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
muns na língua popular.
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
Maria mora pertinho daqui. (muito perto)
A criança levantou cedinho. (muito cedo)
SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf32.
php 2. Classificação dos Advérbios

De acordo com a circunstância que exprime, o advérbio


ADVÉRBIO pode ser de:
A) Lugar: aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá, atrás,
Compare estes exemplos: além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, perto, aí, abai-
O ônibus chegou. xo, aonde, longe, debaixo, algures, defronte, nenhures,
O ônibus chegou ontem. adentro, afora, alhures, nenhures, aquém, embaixo,
externamente, à distância, à distância de, de longe, de
Advérbio é uma palavra invariável que modifica o sen- perto, em cima, à direita, à esquerda, ao lado, em volta.
tido do verbo (acrescentando-lhe circunstâncias de tempo, B) Tempo: hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora,
de modo, de lugar, de intensidade), do adjetivo e do próprio amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente, an-
advérbio. tes, doravante, nunca, então, ora, jamais, agora, sempre,
Estudei bastante. = modificando o verbo estudei já, enfim, afinal, amiúde, breve, constantemente, entre-
Ele canta muito bem! = intensificando outro advérbio mentes, imediatamente, primeiramente, provisoriamen-
(bem) te, sucessivamente, às vezes, à tarde, à noite, de manhã,
Ela tem os olhos muito claros. = relação com um adje- de repente, de vez em quando, de quando em quando,
LÍNGUA PORTUGUESA

tivo (claros) a qualquer momento, de tempos em tempos, em breve,


Quando modifica um verbo, o advérbio pode acrescen- hoje em dia.
tar ideia de: C) Modo: bem, mal, assim, adrede, melhor, pior, depressa,
Tempo: Ela chegou tarde. acinte, debalde, devagar, às pressas, às claras, às cegas,
Lugar: Ele mora aqui. à toa, à vontade, às escondidas, aos poucos, desse jeito,
Modo: Eles agiram mal. desse modo, dessa maneira, em geral, frente a frente,
Negação: Ela não saiu de casa. lado a lado, a pé, de cor, em vão e a maior parte dos
Dúvida: Talvez ele volte. que terminam em “-mente”: calmamente, tristemente,

23
propositadamente, pacientemente, amorosamente, do- 4. Advérbios Interrogativos
cemente, escandalosamente, bondosamente, generosa-
mente. São as palavras: onde? aonde? donde? quando? como?
D) Afirmação: sim, certamente, realmente, decerto, efe- por quê? nas interrogações diretas ou indiretas, referentes
tivamente, certo, decididamente, deveras, indubitavel- às circunstâncias de lugar, tempo, modo e causa. Veja:
mente.
E) Negação: não, nem, nunca, jamais, de modo algum, de
forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum. Interrogação Direta Interrogação Indireta
F) Dúvida: acaso, porventura, possivelmente, provavel- Como aprendeu? Perguntei como aprendeu.
mente, quiçá, talvez, casualmente, por certo, quem sabe. Onde mora? Indaguei onde morava.
G) Intensidade: muito, demais, pouco, tão, em excesso,
bastante, mais, menos, demasiado, quanto, quão, tanto, Por que choras? Não sei por que choras.
assaz, que (equivale a quão), tudo, nada, todo, quase, de Aonde vai? Perguntei aonde ia.
todo, de muito, por completo, extremamente, intensa-
mente, grandemente, bem (quando aplicado a proprie- Donde vens? Pergunto donde vens.
dades graduáveis). Quando voltas? Pergunto quando voltas.
H) Exclusão: apenas, exclusivamente, salvo, senão, somen-
te, simplesmente, só, unicamente. Por exemplo: Brando, 5. Locução Adverbial
o vento apenas move a copa das árvores.
I) Inclusão: ainda, até, mesmo, inclusivamente, também. Quando há duas ou mais palavras que exercem função
Por exemplo: O indivíduo também amadurece durante de advérbio, temos a locução adverbial, que pode expres-
a adolescência. sar as mesmas noções dos advérbios. Iniciam ordinaria-
J) Ordem: depois, primeiramente, ultimamente. Por exem- mente por uma preposição. Veja:
plo: Primeiramente, eu gostaria de agradecer aos meus A) lugar: à esquerda, à direita, de longe, de perto, para
amigos por comparecerem à festa. dentro, por aqui, etc.
B) afirmação: por certo, sem dúvida, etc.
Saiba que:
C) modo: às pressas, passo a passo, de cor, em vão, em
Para se exprimir o limite de possibilidade, antepõe-se
geral, frente a frente, etc.
ao advérbio “o mais” ou “o menos”. Por exemplo: Ficarei
D) tempo: de noite, de dia, de vez em quando, à tarde,
o mais longe que puder daquele garoto. Voltarei o menos
tarde possível. hoje em dia, nunca mais, etc.
Quando ocorrem dois ou mais advérbios em -mente, em A locução adverbial e o advérbio modificam o verbo, o
geral sufixamos apenas o último: O aluno respondeu calma e adjetivo e outro advérbio:
respeitosamente. Chegou muito cedo. (advérbio)
Joana é muito bela. (adjetivo)
3. Distinção entre Advérbio e Pronome Indefinido De repente correram para a rua. (verbo)

Há palavras como muito, bastante, que podem aparecer Usam-se, de preferência, as formas mais bem e mais
como advérbio e como pronome indefinido. mal antes de adjetivos ou de verbos no particípio:
Advérbio: refere-se a um verbo, adjetivo, ou a outro ad- Essa matéria é mais bem interessante que aquela.
vérbio e não sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muito. Nosso aluno foi o mais bem colocado no concurso!
Pronome Indefinido: relaciona-se a um substantivo e O numeral “primeiro”, ao modificar o verbo, é advérbio:
sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muitos quilômetros. Cheguei primeiro.

Quanto a sua função sintática: o advérbio e a locução


#FicaDica adverbial desempenham na oração a função de adjunto
adverbial, classificando-se de acordo com as circunstân-
Como saber se a palavra bastante é advérbio
cias que acrescentam ao verbo, ao adjetivo ou ao advér-
(não varia, não se flexiona) ou pronome indefi-
bio. Exemplo:
nido (varia, sofre flexão)? Se der, na frase, para
Meio cansada, a candidata saiu da sala. = adjunto ad-
substituir o “bastante” por “muito”, estamos
verbial de intensidade (ligado ao adjetivo “cansada”)
LÍNGUA PORTUGUESA

diante de um advérbio; se der para substituir


por “muitos” (ou muitas), é um pronome. Veja: Trovejou muito ontem. = adjunto adverbial de intensi-
1. Estudei bastante para o concurso. (estudei dade e de tempo, respectivamente.
muito, pois “muitos” não dá!) = advérbio
2. Estudei bastantes capítulos para o concurso. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
(estudei muitos capítulos) = pronome indefini- Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
do reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.

24
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- 2. Há casos em que o artigo definido não pode ser
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. usado:
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- Antes de nomes de cidade (topônimo) e de pessoas co-
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. nhecidas: O professor visitará Roma.

SITE Mas, se o nome apresentar um caracterizador, a pre-


http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf75. sença do artigo será obrigatória: O professor visitará a bela
php Roma.

ARTIGO Antes de pronomes de tratamento: Vossa Senhoria sairá


agora?
O artigo integra as dez classes gramaticais, definindo- Exceção: O senhor vai à festa?
-se como o termo variável que serve para individualizar ou
generalizar o substantivo, indicando, também, o gênero Após o pronome relativo “cujo” e suas variações: Esse é
(masculino/feminino) e o número (singular/plural). o concurso cujas provas foram anuladas?/ Este é o candidato
Os artigos se subdividem em definidos (“o” e as va- cuja nota foi a mais alta.
riações “a”[as] e [os]) e indefinidos (“um” e as variações
“uma”[s] e “uns]).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
A) Artigos definidos – São usados para indicar seres
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
determinados, expressos de forma individual: O con-
curseiro estuda muito. Os concurseiros estudam mui- Paulo: Saraiva, 2010.
to. Português: novas palavras: literatura, gramática, redação
B) Artigos indefinidos – usados para indicar seres de / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.SACCONI,
modo vago, impreciso: Uma candidata foi aprovada! Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed.
Umas candidatas foram aprovadas! Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
1. Circunstâncias em que os artigos se manifestam: reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
Considera-se obrigatório o uso do artigo depois do nu-
meral “ambos”: Ambos os concursos cobrarão tal conteúdo. SITE
Nomes próprios indicativos de lugar (ou topônimos) http://www.brasilescola.com/gramatica/artigo.htm
admitem o uso do artigo, outros não: São Paulo, O Rio de
Janeiro, Veneza, A Bahia...
Quando indicado no singular, o artigo definido pode CONJUNÇÃO
indicar toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem.
Além da preposição, há outra palavra também invariá-
No caso de nomes próprios personativos, denotando a vel que, na frase, é usada como elemento de ligação: a con-
ideia de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso do junção. Ela serve para ligar duas orações ou duas palavras
artigo: Marcela é a mais extrovertida das irmãs. / O Pedro é de mesma função em uma oração:
o xodó da família. O concurso será realizado nas cidades de Campinas e
No caso de os nomes próprios personativos estarem no São Paulo.
plural, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias, os A prova não será fácil, por isso estou estudando muito.
Incas, Os Astecas...
1. Morfossintaxe da Conjunção
Usa-se o artigo depois do pronome indefinido todo(a)
para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (do
As conjunções, a exemplo das preposições, não exer-
artigo), o pronome assume a noção de “qualquer”.
cem propriamente uma função sintática: são conectivos.
Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda)
Toda classe possui alunos interessados e desinteressados.
(qualquer classe) 2. Classificação da Conjunção
LÍNGUA PORTUGUESA

Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é fa- De acordo com o tipo de relação que estabelecem, as
cultativo: Preparei o meu curso. Preparei meu curso. conjunções podem ser classificadas em coordenativas e
A utilização do artigo indefinido pode indicar uma ideia subordinativas. No primeiro caso, os elementos ligados
de aproximação numérica: O máximo que ele deve ter é uns pela conjunção podem ser isolados um do outro. Esse iso-
vinte anos. lamento, no entanto, não acarreta perda da unidade de
O artigo também é usado para substantivar palavras sentido que cada um dos elementos possui. Já no segundo
pertencentes a outras classes gramaticais: Não sei o porquê caso, cada um dos elementos ligados pela conjunção de-
de tudo isso. / O bem vence o mal. pende da existência do outro. Veja:

25
Estudei muito, mas ainda não compreendi o conteúdo. O baile já tinha começado: oração principal
Podemos separá-las por ponto: quando: conjunção subordinativa (adverbial temporal)
Estudei muito. Ainda não compreendi o conteúdo. ela chegou: oração subordinada

Temos acima um exemplo de conjunção (e, consequen- As conjunções subordinativas subdividem-se em inte-
temente, orações coordenadas) coordenativa – “mas”. Já em: grantes e adverbiais:
Espero que eu seja aprovada no concurso!
Não conseguimos separar uma oração da outra, pois a Integrantes - Indicam que a oração subordinada por
segunda “completa” o sentido da primeira (da oração princi- elas introduzida completa ou integra o sentido da principal.
pal): Espero o quê? Ser aprovada. Nesse período temos uma Introduzem orações que equivalem a substantivos, ou seja,
oração subordinada substantiva objetiva direta (ela exerce a as orações subordinadas substantivas. São elas: que, se.
função de objeto direto do verbo da oração principal). Quero que você volte. (Quero sua volta)

3. Conjunções Coordenativas Adverbiais - Indicam que a oração subordinada exerce


a função de adjunto adverbial da principal. De acordo com
São aquelas que ligam orações de sentido completo e in- a circunstância que expressam, classificam-se em:
dependente ou termos da oração que têm a mesma função
gramatical. Subdividem-se em: A) Causais: introduzem uma oração que é causa da
A) Aditivas: ligam orações ou palavras, expressando ocorrência da oração principal. São elas: porque, que,
ideia de acréscimo ou adição. São elas: e, nem (= e como (= porque, no início da frase), pois que, visto
não), não só... mas também, não só... como também, que, uma vez que, porquanto, já que, desde que, etc.
bem como, não só... mas ainda. Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios.
A sua pesquisa é clara e objetiva.
Não só dança, mas também canta. B) Concessivas: introduzem uma oração que expressa
ideia contrária à da principal, sem, no entanto, impe-
B) Adversativas: ligam duas orações ou palavras, ex- dir sua realização. São elas: embora, ainda que, ape-
pressando ideia de contraste ou compensação. São sar de que, se bem que, mesmo que, por mais que,
elas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no en- posto que, conquanto, etc.
tanto, não obstante. Embora fosse tarde, fomos visitá-lo.
Tentei chegar mais cedo, porém não consegui.
C) Condicionais: introduzem uma oração que indica a
C) Alternativas: ligam orações ou palavras, expressando hipótese ou a condição para ocorrência da principal.
ideia de alternância ou escolha, indicando fatos que São elas: se, caso, contanto que, salvo se, a não ser
se realizam separadamente. São elas: ou, ou... ou, ora... que, desde que, a menos que, sem que, etc.
ora, já... já, quer... quer, seja... seja, talvez... talvez. Se precisar de minha ajuda, telefone-me.
Ou escolho agora, ou fico sem presente de aniversário.

D) Conclusivas: ligam a oração anterior a uma oração #FicaDica


que expressa ideia de conclusão ou consequência.
São elas: logo, pois (depois do verbo), portanto, por Você deve ter percebido que a conjunção con-
conseguinte, por isso, assim. dicional “se” também é conjunção integrante.
A diferença é clara ao ler as orações que são
Marta estava bem preparada para o teste, portanto não introduzidas por ela. Acima, ela nos dá a ideia
ficou nervosa. da condição para que recebamos um telefo-
Você nos ajudou muito; terá, pois, nossa gratidão. nema (se for preciso ajuda). Já na oração: Não
sei se farei o concurso. Não há ideia de
E) Explicativas: ligam a oração anterior a uma oração condição alguma, há? Outra coisa: o verbo da
que a explica, que justifica a ideia nela contida. São oração principal (sei) pede complemento (ob-
elas: que, porque, pois (antes do verbo), porquanto. jeto direto, já que “quem não sabe, não sabe
Não demore, que o filme já vai começar. algo”). Portanto, a oração em destaque exerce
Falei muito, pois não gosto do silêncio! a função de objeto direto da oração principal,
LÍNGUA PORTUGUESA

sendo classificada como oração subordinada


4. Conjunções Subordinativas substantiva objetiva direta.

São aquelas que ligam duas orações, sendo uma delas


dependente da outra. A oração dependente, introduzida D) Conformativas: introduzem uma oração que expri-
pelas conjunções subordinativas, recebe o nome de ora- me a conformidade de um fato com outro. São elas:
ção subordinada. Veja o exemplo: O baile já tinha começado conforme, como (= conforme), segundo, consoante, etc.
quando ela chegou. O passeio ocorreu como havíamos planejado.

26
E) Finais: introduzem uma oração que expressa a finali- NTERJEIÇÃO
dade ou o objetivo com que se realiza a oração prin-
cipal. São elas: para que, a fim de que, que, porque (= Interjeição é a palavra invariável que exprime emoções,
para que), que, etc. sensações, estados de espírito. É um recurso da linguagem
Toque o sinal para que todos entrem no salão. afetiva, em que não há uma ideia organizada de maneira
lógica, como são as sentenças da língua, mas sim a ma-
F) Proporcionais: introduzem uma oração que expressa nifestação de um suspiro, um estado da alma decorrente
um fato relacionado proporcionalmente à ocorrên- de uma situação particular, um momento ou um contexto
cia do expresso na principal. São elas: à medida que, específico. Exemplos:
à proporção que, ao passo que e as combinações Ah, como eu queria voltar a ser criança!
quanto mais... (mais), quanto menos... (menos), quan- ah: expressão de um estado emotivo = interjeição
to menos... (mais), quanto menos... (menos), etc. Hum! Esse pudim estava maravilhoso!
O preço fica mais caro à medida que os produtos escasseiam. hum: expressão de um pensamento súbito = interjeição
Observação: O significado das interjeições está vinculado à maneira
São incorretas as locuções proporcionais à medida em como elas são proferidas. O tom da fala é que dita o senti-
que, na medida que e na medida em que. do que a expressão vai adquirir em cada contexto em que
for utilizada. Exemplos:
G) Temporais: introduzem uma oração que acrescenta
uma circunstância de tempo ao fato expresso na ora- Psiu!
ção principal. São elas: quando, enquanto, antes que, contexto: alguém pronunciando esta expressão na rua;
depois que, logo que, todas as vezes que, desde que, sem- significado da interjeição (sugestão): “Estou te chamando!
pre que, assim que, agora que, mal (= assim que), etc.
Ei, espere!”
A briga começou assim que saímos da festa.
Psiu!
contexto: alguém pronunciando em um hospital; signi-
H) Comparativas: introduzem uma oração que expressa
ficado da interjeição (sugestão): “Por favor, faça silêncio!”
ideia de comparação com referência à oração princi-
pal. São elas: como, assim como, tal como, como se,
Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio!
(tão)... como, tanto como, tanto quanto, do que, quan-
puxa: interjeição; tom da fala: euforia
to, tal, qual, tal qual, que nem, que (combinado com
menos ou mais), etc.
O jogo de hoje será mais difícil que o de ontem. Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte!
puxa: interjeição; tom da fala: decepção
I) Consecutivas: introduzem uma oração que expressa
a consequência da principal. São elas: de sorte que, de As interjeições cumprem, normalmente, duas funções:
modo que, sem que (= que não), de forma que, de jeito A) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo alegria,
que, que (tendo como antecedente na oração principal tristeza, dor, etc.: Ah, deve ser muito interessante!
uma palavra como tal, tão, cada, tanto, tamanho), etc. B) Sintetizar uma frase apelativa: Cuidado! Saia da mi-
Estudou tanto durante a noite que dormiu na hora do nha frente.
exame.
As interjeições podem ser formadas por:
 simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô
FIQUE ATENTO!
 palavras: Oba! Olá! Claro!
Muitas conjunções não têm classificação única,  grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu Deus!
imutável, devendo, portanto, ser classificadas Ora bolas!
de acordo com o sentido que apresentam no
contexto (destaque da Zê!). 1. Classificação das Interjeições

Comumente, as interjeições expressam sentido de:


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS A) Advertência: Cuidado! Devagar! Calma! Sentido!
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- Atenção! Olha! Alerta!
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. B) Afugentamento: Fora! Passa! Rua!
LÍNGUA PORTUGUESA

Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, C) Alegria ou Satisfação: Oh! Ah! Eh! Oba! Viva!
Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo: D) Alívio: Arre! Uf! Ufa! Ah!
Saraiva, 2010. E) Animação ou Estímulo: Vamos! Força! Coragem!
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação Ânimo! Adiante!
/ Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. F) Aplauso ou Aprovação: Bravo! Bis! Apoiado! Viva!
G) Concordância: Claro! Sim! Pois não! Tá!
SITE H) Repulsa ou Desaprovação: Credo! Ih! Francamente!
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf84.php Essa não! Chega! Basta!

27
I) Desejo ou Intenção: Pudera! Tomara! Oxalá! Queira REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Deus! SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacco-
J) Desculpa: Perdão! ni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
K) Dor ou Tristeza: Ai! Ui! Ai de mim! Que pena! Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática
L) Dúvida ou Incredulidade: Que nada! Qual o quê! – volume único / Samira Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa
M) Espanto ou Admiração: Oh! Ah! Uai! Puxa! Céus! Souza. – 3. Ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
Quê! Caramba! Opa! Nossa! Hein? Cruz! Putz!
N) Impaciência ou Contrariedade: Hum! Raios! Puxa! SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf89.
Pô! Ora!
php
O) Pedido de Auxílio: Socorro! Aqui! Piedade!
P) Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve! Viva!
NUMERAL
Olá! Alô! Tchau! Psiu! Socorro! Valha-me, Deus!
Q) Silêncio: Psiu! Silêncio! Numeral é a palavra variável que indica quantidade nu-
R) Terror ou Medo: Credo! Cruzes! Minha nossa! mérica ou ordem; expressa a quantidade exata de pessoas
ou coisas ou o lugar que elas ocupam numa determinada se-
Saiba que: quência.
As interjeições são palavras invariáveis, isto é, não so- Os numerais traduzem, em palavras, o que os números
frem variação em gênero, número e grau como os nomes, indicam em relação aos seres. Assim, quando a expressão é co-
nem de número, pessoa, tempo, modo, aspecto e voz locada em números (1, 1.º, 1/3, etc.) não se trata de numerais,
como os verbos. No entanto, em uso específico, algumas mas sim de algarismos.
interjeições sofrem variação em grau. Não se trata de um Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem a
processo natural desta classe de palavra, mas tão só uma ideia expressa pelos números, existem mais algumas palavras
variação que a linguagem afetiva permite. Exemplos: oizi- consideradas numerais porque denotam quantidade, propor-
nho, bravíssimo, até loguinho. ção ou ordenação. São alguns exemplos: década, dúzia, par,
ambos(as), novena.
2. Locução Interjetiva
1. Classificação dos Numerais
Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma
A) Cardinais: indicam quantidade exata ou determinada
expressão com sentido de interjeição: Ora bolas!, Virgem
de seres: um, dois, cem mil, etc. Alguns cardinais têm
Maria!, Meu Deus!, Ó de casa!, Ai de mim!, Graças a Deus! sentido coletivo, como por exemplo: século, par, dúzia,
Toda frase mais ou menos breve dita em tom exclama- década, bimestre.
tivo torna-se uma locução interjetiva, dispensando análise B) Ordinais: indicam a ordem, a posição que alguém ou
dos termos que a compõem: Macacos me mordam!, Valha- alguma coisa ocupa numa determinada sequência: pri-
-me Deus!, Quem me dera! meiro, segundo, centésimo, etc.
1. As interjeições são como frases resumidas, sintéticas.
Por exemplo: Ué! (= Eu não esperava por essa!) /
Perdão! (= Peço-lhe que me desculpe) #FicaDica
2. Além do contexto, o que caracteriza a interjeição é As palavras anterior, posterior, último, antepe-
o seu tom exclamativo; por isso, palavras de outras núltimo, final e penúltimo também indicam
classes gramaticais podem aparecer como inter- posição dos seres, mas são classificadas como
jeições. Por exemplo: Viva! Basta! (Verbos) / Fora! adjetivos, não ordinais.
Francamente! (Advérbios)
3. A interjeição pode ser considerada uma “palavra-fra-
se” porque sozinha pode constituir uma mensagem.
C) Fracionários: indicam parte de uma quantidade, ou
Por exemplo: Socorro! Ajudem-me! Silêncio! Fique
seja, uma divisão dos seres: meio, terço, dois quintos,
quieto!
etc.
4. Há, também, as interjeições onomatopaicas ou imi-
D) Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação dos
tativas, que exprimem ruídos e vozes. Por exemplo: seres, indicando quantas vezes a quantidade foi au-
Miau! Bumba! Zás! Plaft! Pof! Catapimba! Tique-ta- mentada: dobro, triplo, quíntuplo, etc.
LÍNGUA PORTUGUESA

que! Quá-quá-quá!, etc.


5. Não se deve confundir a interjeição de apelo “ó” 2. Flexão dos numerais
com a sua homônima “oh!”, que exprime admira-
ção, alegria, tristeza, etc. Faz-se uma pausa depois Os numerais cardinais que variam em gênero são um/uma,
do “oh!” exclamativo e não a fazemos depois do “ó” dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/duzentas
vocativo. Por exemplo: “Ó natureza! ó mãe piedosa e em diante: trezentos/trezentas, quatrocentos/quatrocentas, etc.
pura!” (Olavo Bilac) Cardinais como milhão, bilhão, trilhão, variam em número:
milhões, bilhões, trilhões. Os demais cardinais são invariáveis.

28
Os numerais ordinais variam em gênero e número:

primeiro segundo milésimo


primeira segunda milésima
primeiros segundos milésimos
primeiras segundas milésimas

Os numerais multiplicativos são invariáveis quando atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do esforço e con-
seguiram o triplo de produção.
Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses triplas do
medicamento.
Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/duas terças
partes.

Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
É comum na linguagem coloquial a indicação de grau nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização de senti-
do. É o que ocorre em frases como:
“Me empresta duzentinho...”
É artigo de primeiríssima qualidade!
O time está arriscado por ter caído na segundona. (= segunda divisão de futebol)

3. Emprego e Leitura dos Numerais

Os numerais são escritos em conjunto de três algarismos, contados da direita para a esquerda, em forma de cente-
nas, dezenas e unidades, tendo cada conjunto uma separação através de ponto ou espaço correspondente a um ponto:
8.234.456 ou 8 234 456.
Em sentido figurado, usa-se o numeral para indicar exagero intencional, constituindo a figura de linguagem conhecida
como hipérbole: Já li esse texto mil vezes.
No português contemporâneo, não se usa a conjunção “e” após “mil”, seguido de centena: Nasci em mil novecentos e
noventa e dois.
Seu salário será de mil quinhentos e cinquenta reais.

Mas, se a centena começa por “zero” ou termina por dois zeros, usa-se o “e”: Seu salário será de mil e quinhentos reais.
(R$1.500,00)
Gastamos mil e quarenta reais. (R$1.040,00)

Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até décimo
e, a partir daí, os cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo;

Ordinais Cardinais
João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)

Se o numeral aparece antes do substantivo, será lido como ordinal: XXX Feira do Bordado. (trigésima)
LÍNGUA PORTUGUESA

#FicaDica
Ordinal lembra ordem. Memorize assim, por associação. Ficará mais fácil!

29
Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)
Ambos/ambas = numeral dual, porque sempre se refere a dois seres. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma e ou-
tra”, “as duas”) e são largamente empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência. Sua utilização exige
a presença do artigo posposto: Ambos os concursos realizarão suas provas no mesmo dia. O artigo só é dispensado caso
haja um pronome demonstrativo: Ambos esses ministros falarão à imprensa.

Quadro de alguns numerais

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


um primeiro - -
dois segundo dobro, duplo meio
três terceiro triplo, tríplice terço
quatro quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto
seis sexto sêxtuplo sexto
sete sétimo sétuplo sétimo
oito oitavo óctuplo oitavo
nove nono nônuplo nono
dez décimo décuplo décimo
onze décimo primeiro - onze avos
doze décimo segundo - doze avos
treze décimo terceiro - treze avos
catorze décimo quarto - catorze avos
quinze décimo quinto - quinze avos
dezesseis décimo sexto - dezesseis avos
dezessete décimo sétimo - dezessete avos
dezoito décimo oitavo - dezoito avos
dezenove décimo nono - dezenove avos
vinte vigésimo - vinte avos
trinta trigésimo - trinta avos
quarenta quadragésimo - quarenta avos
cinqüenta quinquagésimo - cinquenta avos
sessenta sexagésimo - sessenta avos
setenta septuagésimo - setenta avos
oitenta octogésimo - oitenta avos
noventa nonagésimo - noventa avos
cem centésimo cêntuplo centésimo
LÍNGUA PORTUGUESA

duzentos ducentésimo - ducentésimo


trezentos trecentésimo - trecentésimo
quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo
quinhentos quingentésimo - quingentésimo
seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo

30
setecentos septingentésimo - septingentésimo
oitocentos octingentésimo - octingentésimo
novecentos nongentésimo
ou noningentésimo - nongentésimo
mil milésimo - milésimo
milhão milionésimo - milionésimo
bilhão bilionésimo - bilionésimo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf40.php
PREPOSIÇÃO

Preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece, normal-
mente há uma subordinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes na estrutura
da língua, pois estabelecem a coesão textual e possuem valores semânticos indispensáveis para a compreensão do texto.

1. Tipos de Preposição

A) Preposições essenciais: palavras que atuam exclusivamente como preposições: a, ante, perante, após, até, com, con-
tra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com.
B) Preposições acidentais: palavras de outras classes gramaticais que podem atuar como preposições, ou seja, forma-
das por uma derivação imprópria: como, durante, exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto.
C) Locuções prepositivas: duas ou mais palavras valendo como uma preposição, sendo que a última palavra é uma
(preposição): abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, em cima de, embaixo de, em
frente a, ao redor de, graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por cima de, por trás de.

A preposição é invariável e, no entanto, pode unir-se a outras palavras e, assim, estabelecer concordância em gênero ou
em número. Exemplo: por + o = pelo / por + a = pela.
Essa concordância não é característica da preposição, mas das palavras às quais ela se une.
Esse processo de junção de uma preposição com outra palavra pode se dar a partir dos processos de:
 Combinação: união da preposição “a” com o artigo “o”(s), ou com o advérbio “onde”: ao, aonde, aos. Os vocábulos
não sofrem alteração.
 Contração: união de uma preposição com outra palavra, ocorrendo perda ou transformação de fonema: de + o =
do, em + a = na, per + os = pelos, de + aquele = daquele, em + isso = nisso.
 Crase: é a fusão de vogais idênticas: à (“a” preposição + “a” artigo), àquilo (“a” preposição + 1.ª vogal do pronome
“aquilo”).

#FicaDica
O “a” pode funcionar como preposição, pronome pessoal oblíquo e artigo. Como distingui-los? Caso o
“a” seja um artigo, virá precedendo um substantivo, servindo para determiná-lo como um substantivo
LÍNGUA PORTUGUESA

singular e feminino: A matéria que estudei é fácil!

Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois termos e estabelece relação de subordinação entre eles.
Irei à festa sozinha.
Entregamos a flor à professora! = o primeiro “a” é artigo; o segundo, preposição.
Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o lugar e/ou a função de um substantivo: Nós trouxemos a apostila.
= Nós a trouxemos.

31
2. Relações semânticas (= de sentido) estabelecidas núcleo do vocativo. Também encontramos substantivos
por meio das preposições: como núcleos de adjuntos adnominais e de adjuntos ad-
verbiais - quando essas funções são desempenhadas por
Destino = Irei a Salvador. grupos de palavras.
Modo = Saiu aos prantos.
Lugar = Sempre a seu lado. 2. Classificação dos Substantivos
Assunto = Falemos sobre futebol.
Tempo = Chegarei em instantes. A) Substantivos Comuns e Próprios
Causa = Chorei de saudade. Observe a definição:
Fim ou finalidade = Vim para ficar.
Instrumento = Escreveu a lápis. Cidade: s.f. 1. Povoação maior que vila, com muitas ca-
Posse = Vi as roupas da mamãe. sas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no Brasil, toda a
Autoria = livro de Machado de Assis sede de município é cidade). 2. O centro de uma cidade (em
Companhia = Estarei com ele amanhã. oposição aos bairros).
Matéria = copo de cristal. Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas
Meio = passeio de barco. e edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada
Origem = Nós somos do Nordeste. cidade. Isso significa que a palavra cidade é um substantivo
Conteúdo = frascos de perfume. comum.
Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso. Substantivo Comum é aquele que designa os seres de
Preço = Essa roupa sai por cinquenta reais. uma mesma espécie de forma genérica: cidade, menino,
homem, mulher, país, cachorro.
Quanto à preposição “trás”: não se usa senão nas locu- Estamos voando para Barcelona.
ções adverbiais (para trás ou por trás) e na locução prepo-
sitiva por trás de. O substantivo Barcelona designa apenas um ser da es-
pécie cidade. Barcelona é um substantivo próprio – aquele
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS que designa os seres de uma mesma espécie de forma par-
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- ticular: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil.
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- B) Substantivos Concretos e Abstratos
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São B.1 Substantivo Concreto: é aquele que designa o ser
Paulo: Saraiva, 2010. que existe, independentemente de outros seres.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação
/ Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. Observação:
Os substantivos concretos designam seres do mundo
SITE real e do mundo imaginário.
http://www.infoescola.com/portugues/preposicao/ Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra,
Brasília.
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, fantas-
SUBSTANTIVO ma.

Substantivo é a classe gramatical de palavras variáveis, B.2 Substantivo Abstrato: é aquele que designa seres
as quais denominam todos os seres que existem, sejam que dependem de outros para se manifestarem ou existi-
reais ou imaginários. Além de objetos, pessoas e fenôme- rem. Por exemplo: a beleza não existe por si só, não pode
nos, os substantivos também nomeiam: ser observada. Só podemos observar a beleza numa pes-
 lugares: Alemanha, Portugal soa ou coisa que seja bela. A beleza depende de outro ser
 sentimentos: amor, saudade para se manifestar. Portanto, a palavra beleza é um subs-
 estados: alegria, tristeza tantivo abstrato.
 qualidades: honestidade, sinceridade Os substantivos abstratos designam estados, qualida-
 ações: corrida, pescaria des, ações e sentimentos dos seres, dos quais podem ser
abstraídos, e sem os quais não podem existir: vida (estado),
LÍNGUA PORTUGUESA

1. Morfossintaxe do substantivo rapidez (qualidade), viagem (ação), saudade (sentimento).

Nas orações, geralmente o substantivo exerce funções  Substantivos Coletivos


diretamente relacionadas com o verbo: atua como núcleo Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha, outra
do sujeito, dos complementos verbais (objeto direto ou abelha, mais outra abelha.
indireto) e do agente da passiva, podendo, ainda, funcio- Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas.
nar como núcleo do complemento nominal ou do aposto, Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame.
como núcleo do predicativo do sujeito, do objeto ou como

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Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi ne- matilha cães de raça
cessário repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha,
mais outra abelha. No segundo caso, utilizaram-se duas molho chaves, verduras
palavras no plural. No terceiro, empregou-se um substan- multidão pessoas em geral
tivo no singular (enxame) para designar um conjunto de
seres da mesma espécie (abelhas). nuvem insetos (gafanhotos, mosqui-
O substantivo enxame é um substantivo coletivo. tos, etc.)
Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que, mes- penca bananas, chaves
mo estando no singular, designa um conjunto de seres da pinacoteca pinturas, quadros
mesma espécie.
quadrilha ladrões, bandidos
Substantivo coletivo Conjunto de: ramalhete flores
assembleia pessoas reunidas rebanho ovelhas
alcateia lobos repertório peças teatrais, obras musicais
acervo livros réstia alhos ou cebolas
antologia trechos literários selecionados romanceiro poesias narrativas
arquipélago ilhas revoada pássaros
banda músicos sínodo párocos
bando desordeiros ou malfeitores talha lenha
banca examinadores tropa muares, soldados
batalhão soldados turma estudantes, trabalhadores
cardume peixes vara porcos
caravana viajantes peregrinos
3. Formação dos Substantivos
cacho frutas
cancioneiro canções, poesias líricas A) Substantivos Simples e Compostos
Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a
colmeia abelhas terra.
concílio bispos O substantivo chuva é formado por um único elemento
ou radical. É um substantivo simples.
congresso parlamentares, cientistas
A.1 Substantivo Simples: é aquele formado por um
elenco atores de uma peça ou filme único elemento.
esquadra navios de guerra Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja
agora: O substantivo guarda-chuva é formado por dois ele-
enxoval roupas mentos (guarda + chuva). Esse substantivo é composto.
falange soldados, anjos A.2 Substantivo Composto: é aquele formado por
dois ou mais elementos. Outros exemplos: beija-flor,
fauna animais de uma região
passatempo.
feixe lenha, capim
flora vegetais de uma região B) Substantivos Primitivos e Derivados
B.1 Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva de
frota navios mercantes, ônibus nenhuma outra palavra da própria língua portugue-
girândola fogos de artifício sa.
B.2 Substantivo Derivado: é aquele que se origina de
horda bandidos, invasores outra palavra. O substantivo limoeiro, por exemplo, é
junta médicos, bois, credores, exa- derivado, pois se originou a partir da palavra limão.
minadores
LÍNGUA PORTUGUESA

júri jurados 4. Flexão dos substantivos

legião soldados, anjos, demônios O substantivo é uma classe variável. A palavra é variá-
leva presos, recrutas vel quando sofre flexão (variação). A palavra menino, por
exemplo, pode sofrer variações para indicar:
malta malfeitores ou desordeiros Plural: meninos / Feminino: menina / Aumentativo: me-
manada búfalos, bois, elefantes, ninão / Diminutivo: menininho

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A) Flexão de Gênero 1. troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa
Gênero é um princípio puramente linguístico, não de- 2. troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã
vendo ser confundido com “sexo”. O gênero diz respeito 3. troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona
a todos os substantivos de nossa língua, quer se refiram Exceções: barão – baronesa, ladrão - ladra, sultão - sul-
a seres animais providos de sexo, quer designem apenas tana
“coisas”: o gato/a gata; o banco, a casa.
Na língua portuguesa, há dois gêneros: masculino e fe-  Substantivos terminados em -or:
minino. Pertencem ao gênero masculino os substantivos acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora
que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns. Veja troca-se -or por -triz: = imperador – imperatriz
estes títulos de filmes:  Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa: côn-
O velho e o mar sul - consulesa / abade - abadessa / poeta - poetisa /
Um Natal inesquecível duque - duquesa / conde - condessa / profeta - pro-
Os reis da praia fetisa
 Substantivos que formam o feminino trocando o -e
Pertencem ao gênero feminino os substantivos que po- final por -a: elefante - elefanta
dem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas:  Substantivos que têm radicais diferentes no masculi-
A história sem fim no e no feminino: bode – cabra / boi - vaca
Uma cidade sem passado  Substantivos que formam o feminino de maneira es-
As tartarugas ninjas pecial, isto é, não seguem nenhuma das regras ante-
riores: czar – czarina, réu - ré
5. Substantivos Biformes e Substantivos Uniformes
7. Formação do Feminino dos Substantivos Unifor-
1. Substantivos Biformes (= duas formas): apresentam mes
uma forma para cada gênero: gato – gata, homem –
mulher, poeta – poetisa, prefeito - prefeita Epicenos:
2. Substantivos Uniformes: apresentam uma única Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros.
forma, que serve tanto para o masculino quanto para
o feminino. Classificam-se em: Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. Isso
A) Epicenos: referentes a animais. A distinção de sexo ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma forma
se faz mediante a utilização das palavras “macho” e para indicar o masculino e o feminino.
“fêmea”: a cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré ma- Alguns nomes de animais apresentam uma só forma
cho e o jacaré fêmea. para designar os dois sexos. Esses substantivos são cha-
B) Sobrecomuns: substantivos uniformes referentes a mados de epicenos. No caso dos epicenos, quando houver
pessoas de ambos os sexos: a criança, a testemunha, a necessidade de especificar o sexo, utilizam-se palavras
a vítima, o cônjuge, o gênio, o ídolo, o indivíduo. macho e fêmea.
C) Comuns de Dois ou Comum de Dois Gêneros: indi- A cobra macho picou o marinheiro.
cam o sexo das pessoas por meio do artigo: o colega A cobra fêmea escondeu-se na bananeira.
e a colega, o doente e a doente, o artista e a artista.
8. Sobrecomuns:
Substantivos de origem grega terminados em ema ou Entregue as crianças à natureza.
oma são masculinos: o fonema, o poema, o sistema, o sin-
toma, o teorema. A palavra crianças se refere tanto a seres do sexo mas-
culino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso, nem
 Existem certos substantivos que, variando de gê- o artigo nem um possível adjetivo permitem identificar o
nero, variam em seu significado: sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja:
o águia (vigarista) e a águia (ave; perspicaz); o cabeça A criança chorona chamava-se João.
(líder) e a cabeça (parte do corpo); o capital (dinheiro) e a A criança chorona chamava-se Maria.
capital (cidade); o coma (sono mórbido) e a coma (cabelei-
ra, juba); o lente (professor) e a lente (vidro de aumento); Outros substantivos sobrecomuns:
o moral (estado de espírito) e a moral (ética; conclusão); o a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma boa
praça (soldado raso) e a praça (área pública); o rádio (apa- criatura.
relho receptor) e a rádio (estação emissora). o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de
LÍNGUA PORTUGUESA

6. Formação do Feminino dos Substantivos Biformes Marcela faleceu

Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno - 9. Comuns de Dois Gêneros:
aluna. Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois.
 Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a ao
masculino: freguês - freguesa Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher?
 Substantivos terminados em -ão: fazem o feminino É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma
de três formas: vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme.

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A distinção de gênero pode ser feita através da análise (vidro de aumento), o moral (ânimo), a moral (honestidade,
do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o substanti- bons costumes, ética), o nascente (lado onde nasce o Sol), a
vo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante; um jovem nascente (a fonte), o maria-fumaça (trem como locomotiva
- uma jovem; artista famoso - artista famosa; repórter fran- a vapor), maria-fumaça (locomotiva movida a vapor), o pala
cês - repórter francesa. (poncho), a pala (parte anterior do boné ou quepe, antepa-
A palavra personagem é usada indistintamente nos dois ro), o rádio (aparelho receptor), a rádio (emissora), o voga
gêneros. Entre os escritores modernos nota-se acentuada (remador), a voga (moda).
preferência pelo masculino: O menino descobriu nas nuvens
os personagens dos contos de carochinha. B) Flexão de Número do Substantivo
Com referência à mulher, deve-se preferir o feminino: O
problema está nas mulheres de mais idade, que não aceitam Em português, há dois números gramaticais: o singular,
a personagem. que indica um ser ou um grupo de seres, e o plural, que
Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo fo- indica mais de um ser ou grupo de seres. A característica
tográfico Ana Belmonte. do plural é o “s” final.

Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó ) 11. Plural dos Substantivos Simples


pena), o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o ma-
racajá, o clã, o herpes, o pijama, o suéter, o soprano, o pro- Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e
clama, o pernoite, o púbis. “n” fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã –
Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata, a ímãs; hífen - hifens (sem acento, no plural).
cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a libido, Exceção: cânon - cânones.
a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa).
Os substantivos terminados em “m” fazem o plural em
São geralmente masculinos os substantivos de origem “ns”: homem - homens.
grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilograma, o Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plural
plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o telefonema, pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz - raízes.
o estratagema, o dilema, o teorema, o trema, o eczema, o
edema, o magma, o estigma, o axioma, o tracoma, o hema- Atenção:
toma. O plural de caráter é caracteres.
Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.
Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam-se
Gênero dos Nomes de Cidades - Com raras exceções, no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quintais; cara-
nomes de cidades são femininos: A histórica Ouro Preto. / col – caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e males, cônsul
A dinâmica São Paulo. / A acolhedora Porto Alegre. / Uma e cônsules.
Londres imensa e triste. Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de
Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre. duas maneiras:
1. Quando oxítonos, em “is”: canil - canis
10. Gênero e Significação 2. Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis.

Muitos substantivos, como já mencionado anterior- Observação:


mente, têm uma significação no masculino e outra no fe- A palavra réptil pode formar seu plural de duas manei-
minino. Observe: o baliza (soldado que à frente da tropa, ras: répteis ou reptis (pouco usada).
indica os movimentos que se deve realizar em conjunto; o
que vai à frente de um bloco carnavalesco, manejando um Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de
bastão), a baliza (marco, estaca; sinal que marca um limite duas maneiras:
ou proibição de trânsito), o cabeça (chefe), a cabeça (parte 1. Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o
do corpo), o cisma (separação religiosa, dissidência), a cis- acréscimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses
ma (ato de cismar, desconfiança), o cinza (a cor cinzenta), a 2. Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam inva-
cinza (resíduos de combustão), o capital (dinheiro), a capital riáveis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus.
(cidade), o coma (perda dos sentidos), a coma (cabeleira), o
coral (pólipo, a cor vermelha, canto em coro), a coral (cobra Os substantivos terminados em “ão” fazem o plural de
LÍNGUA PORTUGUESA

venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado na administração três maneiras.


da crisma e de outros sacramentos), a crisma (sacramento 1. substituindo o -ão por -ões: ação - ações
da confirmação), o cura (pároco), a cura (ato de curar), o 2. substituindo o -ão por -ães: cão - cães
estepe (pneu sobressalente), a estepe (vasta planície de vege- 3. substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos
tação), o guia (pessoa que guia outras), a guia (documento,
pena grande das asas das aves), o grama (unidade de peso), Observação:
a grama (relva), o caixa (funcionário da caixa), a caixa (re- Muitos substantivos terminados em “ão” apresentam
cipiente, setor de pagamentos), o lente (professor), a lente dois – e até três – plurais:

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aldeão – aldeões/aldeães/aldeãos ancião – anciões/anciães/anciãos
charlatão – charlatões/charlatães corrimão – corrimãos/corrimões
guardião – guardiões/guardiães vilão – vilãos/vilões/vilães

Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis: o látex - os látex.

12. Plural dos Substantivos Compostos

A formação do plural dos substantivos compostos depende da forma como são grafados, do tipo de palavras que
formam o composto e da relação que estabelecem entre si. Aqueles que são grafados sem hífen comportam-se como os
substantivos simples: aguardente/aguardentes, girassol/girassóis, pontapé/pontapés, malmequer/malmequeres.
O plural dos substantivos compostos cujos elementos são ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas e discus-
sões. Algumas orientações são dadas a seguir:

A) Flexionam-se os dois elementos, quando formados de:


substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores
substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-perfeitos
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-homens
numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras

B) Flexiona-se somente o segundo elemento, quando formados de:


verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
palavra invariável + palavra variável = alto-falante e alto-falantes
palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-recos

C) Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando formados de:


substantivo + preposição clara + substantivo = água-de-colônia e águas-de-colônia
substantivo + preposição oculta + substantivo = cavalo-vapor e cavalos-vapor
substantivo + substantivo que funciona como determinante do primeiro, ou seja, especifica a função ou o tipo do termo
anterior: palavra-chave - palavras-chave, bomba-relógio - bombas-relógio, homem-rã - homens-rã, peixe-espada - peixes-
-espada.
D) Permanecem invariáveis, quando formados de:
verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os saca-rolhas

13. Casos Especiais

o louva-a-deus e os louva-a-deus
o bem-te-vi e os bem-te-vis
o bem-me-quer e os bem-me-queres
o joão-ninguém e os joões-ninguém.

14. Plural das Palavras Substantivadas

As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras classes gramaticais usadas como substantivo apresentam, no plu-
ral, as flexões próprias dos substantivos.
Pese bem os prós e os contras.
O aluno errou na prova dos noves.
Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos.
LÍNGUA PORTUGUESA

Observação:
Numerais substantivados terminados em “s” ou “z” não variam no plural: Nas provas mensais consegui muitos seis e
alguns dez.

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15. Plural dos Diminutivos 18. Plural com Mudança de Timbre

Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” final e Certos substantivos formam o plural com mudança de
acrescenta-se o sufixo diminutivo. timbre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um fato
fonético chamado metafonia (plural metafônico).
pãe(s) + zinhos = pãezinhos
Singular Plural
animai(s) + zinhos = animaizinhos
corpo (ô) corpos (ó)
botõe(s) + zinhos = botõezinhos
esforço esforços
chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos
fogo fogos
farói(s) + zinhos = faroizinhos
forno fornos
tren(s) + zinhos = trenzinhos
fosso fossos
colhere(s) + zinhas = colherezinhas
imposto impostos
flore(s) + zinhas = florezinhas
olho olhos
mão(s) + zinhas = mãozinhas
osso (ô) ossos (ó)
papéi(s) + zinhos = papeizinhos
ovo ovos
nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas
poço poços
funi(s) + zinhos = funizinhos
porto portos
túnei(s) + zinhos = tuneizinhos
posto postos
pai(s) + zinhos = paizinhos
tijolo tijolos
pé(s) + zinhos = pezinhos
pé(s) + zitos = pezitos Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, bol-
sos, esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros, etc.
16. Plural dos Nomes Próprios Personativos
Observação:
Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas Distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), de mo-
sempre que a terminação preste-se à flexão. lho (ó) = feixe (molho de lenha).
Os Napoleões também são derrotados.
As Raquéis e Esteres. Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o
norte, o leste, o oeste, a fé, etc.
17. Plural dos Substantivos Estrangeiros
Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsames,
Substantivos ainda não aportuguesados devem ser es- as espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes.
critos como na língua original, acrescentando-se “s” (exceto Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do sin-
quando terminam em “s” ou “z”): os shows, os shorts, os jazz. gular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probidade,
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de acor- bom nome) e honras (homenagem, títulos).
do com as regras de nossa língua: os clubes, os chopes, os Usamos, às vezes, os substantivos no singular, mas com
jipes, os esportes, as toaletes, os bibelôs, os garçons, os ré- sentido de plural:
quiens. Aqui morreu muito negro.
Observe o exemplo: Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas
Este jogador faz gols toda vez que joga. improvisadas.
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa.
C) Flexão de Grau do Substantivo

Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir


as variações de tamanho dos seres. Classifica-se em:
LÍNGUA PORTUGUESA

1. Grau Normal - Indica um ser de tamanho considera-


do normal. Por exemplo: casa
2. Grau Aumentativo - Indica o aumento do tamanho
do ser. Classifica-se em:
Analítico = o substantivo é acompanhado de um adje-
tivo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indi-
cador de aumento. Por exemplo: casarão.

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3. Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tamanho Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da nos-
do ser. Pode ser: sa escola neste ano.
Analítico = substantivo acompanhado de um adjetivo [nossa: pronome que qualifica “escola” = concordância
que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena. adequada]
Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indi- [neste: pronome que determina “ano” = concordância
cador de diminuição. Por exemplo: casinha. adequada]
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = concor-
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS dância inadequada]
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos,
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos.
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010. 1. Pronomes Pessoais
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira São aqueles que substituem os substantivos, indicando
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – diretamente as pessoas do discurso. Quem fala ou escreve
São Paulo: Saraiva, 2002. assume os pronomes “eu” ou “nós”; usa-se os pronomes
“tu”, “vós”, “você” ou “vocês” para designar a quem se di-
SITE rige, e “ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer referência à
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf12. pessoa ou às pessoas de quem se fala.
php Os pronomes pessoais variam de acordo com as fun-
ções que exercem nas orações, podendo ser do caso reto
PRONOME ou do caso oblíquo.
Pronome é a palavra variável que substitui ou acom-
A) Pronome Reto
panha um substantivo (nome), qualificando-o de alguma
Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na senten-
forma.
ça, exerce a função de sujeito: Nós lhe ofertamos flores.
O homem julga que é superior à natureza, por isso o ho-
Os pronomes retos apresentam flexão de número, gê-
mem destrói a natureza...
nero (apenas na 3.ª pessoa) e pessoa, sendo essa última a
Utilizando pronomes, teremos: O homem julga que é su-
principal flexão, uma vez que marca a pessoa do discurso.
perior à natureza, por isso ele a destrói...
Dessa forma, o quadro dos pronomes retos é assim confi-
Ficou melhor, sem a repetição desnecessária de termos
(homem e natureza). gurado:

Grande parte dos pronomes não possuem significados 1.ª pessoa do singular: eu
fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação dentro 2.ª pessoa do singular: tu
de um contexto, o qual nos permite recuperar a referên- 3.ª pessoa do singular: ele, ela
cia exata daquilo que está sendo colocado por meio dos 1.ª pessoa do plural: nós
pronomes no ato da comunicação. Com exceção dos pro- 2.ª pessoa do plural: vós
nomes interrogativos e indefinidos, os demais pronomes 3.ª pessoa do plural: eles, elas
têm por função principal apontar para as pessoas do dis-
curso ou a elas se relacionar, indicando-lhes sua situação Esses pronomes não costumam ser usados como com-
no tempo ou no espaço. Em virtude dessa característica, plementos verbais na língua-padrão. Frases como “Vi ele
os pronomes apresentam uma forma específica para cada na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram eu até aqui”-
pessoa do discurso. comuns na língua oral cotidiana - devem ser evitadas na
Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada. língua formal escrita ou falada. Na língua formal, devem
[minha/eu: pronomes de 1.ª pessoa = aquele que fala] ser usados os pronomes oblíquos correspondentes: “Vi-o na
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada? rua”, “Encontrei-a na praça”, “Trouxeram-me até aqui”.
[tua/tu: pronomes de 2.ª pessoa = aquele a quem se
fala] Frequentemente observamos a omissão do pronome
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada. reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as próprias
[dela/ela: pronomes de 3.ª pessoa = aquele de quem formas verbais marcam, através de suas desinências, as
LÍNGUA PORTUGUESA

se fala] pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto: Fizemos


boa viagem. (Nós)
Em termos morfológicos, os pronomes são palavras
variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em núme- B) Pronome Oblíquo
ro (singular ou plural). Assim, espera-se que a referência Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na sen-
através do pronome seja coerente em termos de gênero tença, exerce a função de complemento verbal (objeto
e número (fenômeno da concordância) com o seu objeto, direto ou indireto): Ofertaram-nos flores. (objeto indireto)
mesmo quando este se apresenta ausente no enunciado.

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Observação: Observe que as únicas formas próprias do pronome tô-
O pronome oblíquo é uma forma variante do pronome nico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa (ti). As
pessoal do caso reto. Essa variação indica a função diversa demais repetem a forma do pronome pessoal do caso reto.
que eles desempenham na oração: pronome reto marca o As preposições essenciais introduzem sempre pronomes
sujeito da oração; pronome oblíquo marca o complemento pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do caso reto.
da oração. Os pronomes oblíquos sofrem variação de acor- Nos contextos interlocutivos que exigem o uso da língua
do com a acentuação tônica que possuem, podendo ser formal, os pronomes costumam ser usados desta forma:
átonos ou tônicos. Não há mais nada entre mim e ti.
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela.
2. Pronome Oblíquo Átono Não há nenhuma acusação contra mim.
São chamados átonos os pronomes oblíquos que não Não vá sem mim.
são precedidos de preposição. Possuem acentuação tônica
fraca: Ele me deu um presente. Há construções em que a preposição, apesar de surgir
anteposta a um pronome, serve para introduzir uma oração
Lista dos pronomes oblíquos átonos cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos, o verbo pode ter
1.ª pessoa do singular (eu): me sujeito expresso; se esse sujeito for um pronome, deverá ser
2.ª pessoa do singular (tu): te do caso reto.
3.ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.
1.ª pessoa do plural (nós): nos Não vá sem eu mandar.
2.ª pessoa do plural (vós): vos
3.ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes A frase: “Foi fácil para mim resolver aquela questão!” está
correta, já que “para mim” é complemento de “fácil”. A or-
dem direta seria: Resolver aquela questão foi fácil para mim!
FIQUE ATENTO! A combinação da preposição “com” e alguns pronomes
Os pronomes o, os, a, as assumem formas es- originou as formas especiais comigo, contigo, consigo, co-
peciais depois de certas terminações verbais: nosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos frequen-
1. Quando o verbo termina em -z, -s ou -r, o temente exercem a função de adjunto adverbial de compa-
pronome assume a forma lo, los, la ou las, ao nhia: Ele carregava o documento consigo.
mesmo tempo que a terminação verbal é su- A preposição “até” exige as formas oblíquas tônicas: Ela
primida. Por exemplo: veio até mim, mas nada falou.
fiz + o = fi-lo Mas, se “até” for palavra denotativa (com o sentido de
fazeis + o = fazei-lo inclusão), usaremos as formas retas: Todos foram bem na
dizer + a = dizê-la prova, até eu! (= inclusive eu)
As formas “conosco” e “convosco” são substituídas por
2. Quando o verbo termina em som nasal, o “com nós” e “com vós” quando os pronomes pessoais são
pronome assume as formas no, nos, na, nas. reforçados por palavras como outros, mesmos, próprios, to-
Por exemplo: dos, ambos ou algum numeral.
viram + o: viram-no Você terá de viajar com nós todos.
repõe + os = repõe-nos Estávamos com vós outros quando chegaram as más no-
retém + a: retém-na tícias.
tem + as = tem-nas Ele disse que iria com nós três.

B.2 Pronome Oblíquo Tônico 3. Pronome Reflexivo


Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedidos São pronomes pessoais oblíquos que, embora funcio-
por preposições, em geral as preposições a, para, de e com. nem como objetos direto ou indireto, referem-se ao sujeito
Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a função da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe a ação
de objeto indireto da oração. Possuem acentuação tônica expressa pelo verbo.
forte. Lista dos pronomes reflexivos:
Lista dos pronomes oblíquos tônicos: 1.ª pessoa do singular (eu): me, mim = Eu não me lembro
1.ª pessoa do singular (eu): mim, comigo disso.
LÍNGUA PORTUGUESA

2.ª pessoa do singular (tu): ti, contigo


3.ª pessoa do singular (ele, ela): si, consigo, ele, ela 2.ª pessoa do singular (tu): te, ti = Conhece a ti mesmo.
1.ª pessoa do plural (nós): nós, conosco
2.ª pessoa do plural (vós): vós, convosco 3.ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo = Guilher-
3.ª pessoa do plural (eles, elas): si, consigo, eles, elas me já se preparou.
Ela deu a si um presente.
Antônio conversou consigo mesmo.

39
1.ª pessoa do plural (nós): nos = Lavamo-nos no rio. 2. Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito
2.ª pessoa do plural (vós): vos = Vós vos beneficiastes da pessoa: Todos os membros da C.P.I. afirmaram
com esta conquista. que Sua Excelência, o Senhor Presidente da República,
3.ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo = Eles se agiu com propriedade.
conheceram. / Elas deram a si um dia de folga. 3. Os pronomes de tratamento representam uma forma
indireta de nos dirigirmos aos nossos interlocutores.
Ao tratarmos um deputado por Vossa Excelência, por
#FicaDica exemplo, estamos nos endereçando à excelência que
O pronome é reflexivo quando se refere à mes- esse deputado supostamente tem para poder ocupar
ma pessoa do pronome subjetivo (sujeito): Eu o cargo que ocupa.
me arrumei e saí. 4. Embora os pronomes de tratamento dirijam-se à 2.ª
É pronome recíproco quando indica recipro- pessoa, toda a concordância deve ser feita com a
cidade de ação: Nós nos amamos. / Olhamo- 3.ª pessoa. Assim, os verbos, os pronomes possessi-
-nos calados. vos e os pronomes oblíquos empregados em relação
O “se” pode ser usado como palavra expletiva a eles devem ficar na 3.ª pessoa.
ou partícula de realce, sem ser rigorosamente Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas promes-
necessária e sem função sintática: Os explora- sas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos.
dores riam-se de suas tentativas. / Será que eles 5. Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos
ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar,
se foram?
ao longo do texto, a pessoa do tratamento escolhida
inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos a
chamar alguém de “você”, não poderemos usar “te”
C) Pronomes de Tratamento ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, verbo na ter-
São pronomes utilizados no tratamento formal, cerimo- ceira pessoa.
nioso. Apesar de indicarem nosso interlocutor (portanto, a
segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira pessoa. Al- Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos
guns exemplos: teus cabelos. (errado)
Vossa Alteza (V. A.) = príncipes, duques
Vossa Eminência (V. E.ma) = cardeais Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos
Vossa Reverendíssima (V. Ver.ma) = sacerdotes e religio- seus cabelos. (correto) = terceira pessoa do singular
sos em geral
Vossa Excelência (V. Ex.ª) = oficiais de patente superior ou
à de coronel, senadores, deputados, embaixadores, profes-
sores de curso superior, ministros de Estado e de Tribunais, Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos
governadores, secretários de Estado, presidente da Repúbli- teus cabelos. (correto) = segunda pessoa do singular
ca (sempre por extenso)
Vossa Magnificência (V. Mag.ª) = reitores de universida- 4. Pronomes Possessivos
des
Vossa Majestade (V. M.) = reis, rainhas e imperadores São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical
Vossa Senhoria (V. S.a) = comerciantes em geral, oficiais (possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo
até a patente de coronel, chefes de seção e funcionários de (coisa possuída).
igual categoria Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1.ª pessoa do
Vossa Meretíssima (sempre por extenso) = para juízes de singular)
direito
Vossa Santidade (sempre por extenso) = tratamento ce-
NÚMERO PESSOA PRONOME
rimonioso
Vossa Onipotência (sempre por extenso) = Deus singular primeira meu(s), minha(s)
Também são pronomes de tratamento o senhor, a senho- singular segunda teu(s), tua(s)
ra e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são empregados
no tratamento cerimonioso; “você” e “vocês”, no tratamento singular terceira seu(s), sua(s)
familiar. Você e vocês são largamente empregados no por- plural primeira nosso(s), nossa(s)
tuguês do Brasil; em algumas regiões, a forma tu é de uso
LÍNGUA PORTUGUESA

frequente; em outras, pouco empregada. Já a forma vós tem plural segunda vosso(s), vossa(s)
uso restrito à linguagem litúrgica, ultraformal ou literária. plural terceira seu(s), sua(s)

Observações: Note que:


1. Vossa Excelência X Sua Excelência: os pronomes de A forma do possessivo depende da pessoa gramatical a
tratamento que possuem “Vossa(s)” são empregados que se refere; o gênero e o número concordam com o objeto
em relação à pessoa com quem falamos: Espero que possuído: Ele trouxe seu apoio e sua contribuição naquele
V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este encontro. momento difícil.

40
Observações: C) Em relação ao falado ou escrito (ou ao que se
1. A forma “seu” não é um possessivo quando resultar falará ou escreverá):
da alteração fonética da palavra senhor: Muito obri- Este(s), esta(s) e isto = empregados quando se quer fazer
gado, seu José. referência a alguma coisa sobre a qual ainda se falará:
2. Os pronomes possessivos nem sempre indicam pos- Serão estes os conteúdos da prova: análise sintática, orto-
se. Podem ter outros empregos, como: grafia, concordância.
A) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha.
B) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40 Esse(s), essa(s) e isso = utilizados quando se pretende fa-
anos. zer referência a alguma coisa sobre a qual já se falou:
C) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem
Sua aprovação no concurso, isso é o que mais desejamos!
lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela.
3. Em frases onde se usam pronomes de tratamento, o
Este e aquele são empregados quando se quer fazer re-
pronome possessivo fica na 3.ª pessoa: Vossa Exce- ferência a termos já mencionados; aquele se refere ao termo
lência trouxe sua mensagem? referido em primeiro lugar e este para o referido por último:
4. Referindo-se a mais de um substantivo, o possessivo
concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus livros Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Paulo;
e anotações. este está mais bem colocado que aquele. (= este [São Paulo],
5. Em algumas construções, os pronomes pessoais aquele [Palmeiras])
oblíquos átonos assumem valor de possessivo: Vou
seguir-lhe os passos. (= Vou seguir seus passos) ou
6. O adjetivo “respectivo” equivale a “devido, seu, pró-
prio”, por isso não se deve usar “seus” ao utilizá-lo, Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Paulo;
para que não ocorra redundância: Coloque tudo nos aquele está mais bem colocado que este. (= este [São Paulo],
respectivos lugares. aquele [Palmeiras])

5. Pronomes Demonstrativos Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou


invariáveis, observe:
Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), aquela(s).
São utilizados para explicitar a posição de certa palavra
Invariáveis: isto, isso, aquilo.
em relação a outras ou ao contexto. Essa relação pode ser
Também aparecem como pronomes demonstrativos:
de espaço, de tempo ou em relação ao discurso.
A) Em relação ao espaço:  o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que”
Este(s), esta(s) e isto = indicam o que está perto da pes- e puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s),
soa que fala: aquilo.
Este material é meu. Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
Essa rua não é a que te indiquei. (não é aquela que te
Esse(s), essa(s) e isso = indicam o que está perto da pes- indiquei.)
soa com quem se fala:
Esse material em sua carteira é seu?  mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s): va-
riam em gênero quando têm caráter reforçativo:
Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam o que está dis- Estas são as mesmas pessoas que o procuraram ontem.
tante tanto da pessoa que fala como da pessoa com quem Eu mesma refiz os exercícios.
se fala: Elas mesmas fizeram isso.
Aquele material não é nosso. Eles próprios cozinharam.
Vejam aquele prédio! Os próprios alunos resolveram o problema.
B) Em relação ao tempo:  semelhante(s): Não tenha semelhante atitude.
Este(s), esta(s) e isto = indicam o tempo presente em  tal, tais: Tal absurdo eu não cometeria.
relação à pessoa que fala:
1. Em frases como: O referido deputado e o Dr. Alcides
Esta manhã farei a prova do concurso!
eram amigos íntimos; aquele casado, solteiro este. (ou
então: este solteiro, aquele casado) - este se refere à
LÍNGUA PORTUGUESA

Esse(s), essa(s) e isso = indicam o tempo passado, po- pessoa mencionada em último lugar; aquele, à men-
rém relativamente próximo à época em que se situa a pes- cionada em primeiro lugar.
soa que fala: 2. O pronome demonstrativo tal pode ter conotação irô-
Essa noite dormi mal; só pensava no concurso! nica: A menina foi a tal que ameaçou o professor?
Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam um afastamento 3. Pode ocorrer a contração das preposições a, de, em
no tempo, referido de modo vago ou como tempo remoto: com pronome demonstrativo: àquele, àquela, deste,
Naquele tempo, os professores eram valorizados. desta, disso, nisso, no, etc: Não acreditei no que estava
vendo. (no = naquilo)

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6. Pronomes Indefinidos São locuções pronominais indefinidas: cada qual, cada
um, qualquer um, quantos quer (que), quem quer (que), seja
São palavras que se referem à 3.ª pessoa do discurso, quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal qual (= certo),
dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando quan- tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma ou outra, etc.
tidade indeterminada. Cada um escolheu o vinho desejado.
Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém-
-plantadas. 7. Pronomes Relativos

Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa São aqueles que representam nomes já mencionados
de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem
imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser hu- as orações subordinadas adjetivas.
mano que seguramente existe, mas cuja identidade é des- O racismo é um sistema que afirma a superioridade de
conhecida ou não se quer revelar. Classificam-se em: um grupo racial sobre outros.
(afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros
A) Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o = oração subordinada adjetiva).
lugar do ser ou da quantidade aproximada de seres
na frase. São eles: algo, alguém, fulano, sicrano, bel- O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sistema”
trano, nada, ninguém, outrem, quem, tudo. e introduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra
Algo o incomoda? “sistema” é antecedente do pronome relativo que.
Quem avisa amigo é. O antecedente do pronome relativo pode ser o prono-
me demonstrativo o, a, os, as.
B) Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um ser Não sei o que você está querendo dizer.
expresso na frase, conferindo-lhe a noção de quan- Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem
tidade aproximada. São eles: cada, certo(s), certa(s). expresso.
Cada povo tem seus costumes. Quem casa, quer casa.
Certas pessoas exercem várias profissões.
Observe:
Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os
Note que:
quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas,
Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora prono-
quantas.
mes indefinidos adjetivos:
Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde.
algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos),
demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns,
Note que:
nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer, O pronome “que” é o relativo de mais largo emprego,
quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s), sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser subs-
tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias. tituído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando seu
Menos palavras e mais ações. antecedente for um substantivo.
Alguns se contentam pouco. O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual)
A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= a
Os pronomes indefinidos podem ser divididos em va- qual)
riáveis e invariáveis. Observe: Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os
 Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, quais)
vário, tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (= as
muita, pouca, vária, tanta, outra, quanta, qualquer, quais)
quaisquer*, alguns, nenhuns, todos, muitos, poucos,
vários, tantos, outros, quantos, algumas, nenhumas, O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente
todas, muitas, poucas, várias, tantas, outras, quantas. pronomes relativos, por isso são utilizados didaticamente
 Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada, para verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde” (que
algo, cada. podem ter várias classificações) são pronomes relativos. To-
dos eles são usados com referência à pessoa ou coisa por
*Qualquer é composto de qual + quer (do verbo que- motivo de clareza ou depois de determinadas preposições:
rer), por isso seu plural é quaisquer (única palavra cujo plu- Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, o qual
LÍNGUA PORTUGUESA

ral é feito em seu interior). me deixou encantado. O uso de “que”, neste caso, geraria
Todo e toda no singular e junto de artigo significa intei- ambiguidade. Veja: Regressando de São Paulo, visitei o sítio
ro; sem artigo, equivale a qualquer ou a todas as: de minha tia, que me deixou encantado (quem me deixou
Toda a cidade está enfeitada. (= a cidade inteira) encantado: o sítio ou minha tia?).
Toda cidade está enfeitada. (= todas as cidades) Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas dú-
Trabalho todo o dia. (= o dia inteiro) vidas? (com preposições de duas ou mais sílabas utiliza-se
Trabalho todo dia. (= todos os dias) o qual / a qual)

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O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que, e se refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas deixou de
ser poeta, que era a sua vocação natural.
O pronome “cujo”: exprime posse; não concorda com o seu antecedente (o ser possuidor), mas com o consequente (o
ser possuído, com o qual concorda em gênero e número); não se usa artigo depois deste pronome; “cujo” equivale a do
qual, da qual, dos quais, das quais.
Existem pessoas cujas ações são nobres.
(antecedente) (consequente)

Se o verbo exigir preposição, esta virá antes do pronome: O autor, a cujo livro você se referiu, está aqui! (referiu-se a)

“Quanto” é pronome relativo quando tem por antecedente um pronome indefinido: tanto (ou variações) e tudo:
Emprestei tantos quantos foram necessários.
(antecedente)
Ele fez tudo quanto havia falado.
(antecedente)

O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre precedido de preposição.


É um professor a quem muito devemos.
(preposição)

“Onde”, como pronome relativo, sempre possui antecedente e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A casa onde
morava foi assaltada.

Na indicação de tempo, deve-se empregar quando ou em que: Sinto saudades da época em que (quando) morávamos
no exterior.

Podem ser utilizadas como pronomes relativos as palavras:

 como (= pelo qual) – desde que precedida das palavras modo, maneira ou forma:
Não me parece correto o modo como você agiu semana passada.

 quando (= em que) – desde que tenha como antecedente um nome que dê ideia de tempo:
Bons eram os tempos quando podíamos jogar videogame.

Os pronomes relativos permitem reunir duas orações numa só frase.


O futebol é um esporte. / O povo gosta muito deste esporte.
= O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.

Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de gente que
conversava, (que) ria, observava.

8. Pronomes Interrogativos

São usados na formulação de perguntas, sejam elas diretas ou indiretas. Assim como os pronomes indefinidos, refe-
rem-se à 3.ª pessoa do discurso de modo impreciso. São pronomes interrogativos: que, quem, qual (e variações), quanto (e
variações).
Com quem andas?
Qual seu nome?
Diz-me com quem andas, que te direi quem és.

O pronome pessoal é do caso reto quando tem função de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso oblíquo quan-
LÍNGUA PORTUGUESA

do desempenha função de complemento.


1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar.
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia lhe ajudar.

Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele” exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao caso reto.
Já na segunda oração, o pronome “lhe” exerce função de complemento (objeto), ou seja, caso oblíquo.
Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso. O pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta para a
segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não sabia se devia ajudar... Ajudar quem? Você (lhe).

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Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou  Orações iniciadas por palavras interrogativas: Quem
tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição, lhe disse isso?
diferentemente dos segundos, que são sempre precedidos  Orações iniciadas por palavras exclamativas: Quanto
de preposição. se ofendem!
A) Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o que  Orações que exprimem desejo (orações optativas):
eu estava fazendo. Que Deus o ajude.
B) Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para mim  A próclise é obrigatória quando se utiliza o pronome
o que eu estava fazendo. reto ou sujeito expresso: Eu lhe entregarei o material
amanhã. / Tu sabes cantar?
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- Mesóclise = É a colocação pronominal no meio do ver-
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. bo. A mesóclise é usada:
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Quando o verbo estiver no futuro do presente ou futuro
Paulo: Saraiva, 2010. do pretérito, contanto que esses verbos não estejam pre-
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação cedidos de palavras que exijam a próclise. Exemplos: Reali-
/ Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. zar-se-á, na próxima semana, um grande evento em prol da
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, paz no mundo.
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira Repare que o pronome está “no meio” do verbo “reali-
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – zará”: realizar – SE – á. Se houvesse na oração alguma pa-
São Paulo: Saraiva, 2002. lavra que justificasse o uso da próclise, esta prevaleceria.
Veja: Não se realizará...
SITE Não fossem os meus compromissos, acompanhar-te-ia
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf42.php nessa viagem.

9. Colocação Pronominal (com presença de palavra que justifique o uso de prócli-


se: Não fossem os meus compromissos, EU te acompanharia
nessa viagem).
Colocação Pronominal trata da correta colocação dos
pronomes oblíquos átonos na frase.
Ênclise = É a colocação pronominal depois do verbo. A
ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não forem
possíveis:
#FicaDica  Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo:
Pronome Oblíquo é aquele que exerce a fun- Quando eu avisar, silenciem-se todos.
ção de complemento verbal (objeto). Por isso,  Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal: Não
memorize: era minha intenção machucá-la.
OBlíquo = OBjeto!  Quando o verbo iniciar a oração. (até porque não se
inicia período com pronome oblíquo).
Vou-me embora agora mesmo.
Levanto-me às 6h.
Embora na linguagem falada a colocação dos prono-  Quando houver pausa antes do verbo: Se eu passo
mes não seja rigorosamente seguida, algumas normas de- no concurso, mudo-me hoje mesmo!
vem ser observadas na linguagem escrita.  Quando o verbo estiver no gerúndio: Recusou a pro-
posta fazendo-se de desentendida.
Próclise = É a colocação pronominal antes do verbo. A
próclise é usada: 10. Colocação pronominal nas locuções verbais

 Quando o verbo estiver precedido de palavras  Após verbo no particípio = pronome depois do ver-
que atraem o pronome para antes do verbo. São elas: bo auxiliar (e não depois do particípio):
A) Palavras de sentido negativo: não, nunca, ninguém, Tenho me deliciado com a leitura!
jamais, etc.: Não se desespere! Eu tenho me deliciado com a leitura!
B) Advérbios: Agora se negam a depor. Eu me tenho deliciado com a leitura!
LÍNGUA PORTUGUESA

C) Conjunções subordinativas: Espero que me expliquem  Não convém usar hífen nos tempos compostos e nas
tudo! locuções verbais:
D) Pronomes relativos: Venceu o concurseiro que se es- Vamos nos unir!
forçou. Iremos nos manifestar.
E) Pronomes indefinidos: Poucos te deram a oportuni-  Quando há um fator para próclise nos tempos com-
dade. postos ou locuções verbais: opção pelo uso do pro-
F) Pronomes demonstrativos: Isso me magoa muito. nome oblíquo “solto” entre os verbos = Não vamos
nos preocupar (e não: “não nos vamos preocupar”).

44
11. Emprego de o, a, os, as B) Tema: é o radical seguido da vogal temática que in-
dica a conjugação a que pertence o verbo. Por exem-
 Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral, os plo: fala-r. São três as conjugações:
pronomes: o, a, os, as não se alteram. 1.ª - Vogal Temática - A - (falar), 2.ª - Vogal Temática - E
Chame-o agora. - (vender), 3.ª - Vogal Temática - I - (partir).
Deixei-a mais tranquila. C) Desinência modo-temporal: é o elemento que de-
 Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoantes signa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo:
finais alteram-se para lo, la, los, las. Exemplos: falávamos (indica o pretérito imperfeito do indicativo) /
(Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho. falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo)
(Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa. D) Desinência número-pessoal: é o elemento que de-
 Em verbos terminados em ditongos nasais (am, em, signa a pessoa do discurso (1.ª, 2.ª ou 3.ª) e o número
ão, õe), os pronomes o, a, os, as alteram-se para no, (singular ou plural):
na, nos, nas. falamos (indica a 1.ª pessoa do plural.) / falavam (indi-
Chamem-no agora. ca a 3.ª pessoa do plural.)
Põe-na sobre a mesa.
FIQUE ATENTO!
#FicaDica O verbo pôr, assim como seus derivados (com-
por, repor, depor), pertencem à 2.ª conjugação,
Dica da Zê! pois a forma arcaica do verbo pôr era poer. A
Próclise – pró lembra pré; pré é prefixo que sig- vogal “e”, apesar de haver desaparecido do in-
nifica “antes”! Pronome antes do verbo! finitivo, revela-se em algumas formas do ver-
Ênclise – “en” lembra, pelo “som”, /Ənd/ (end, bo: põe, pões, põem, etc.
em Inglês – que significa “fim, final!). Pronome
depois do verbo!
Mesóclise – pronome oblíquo no Meio do ver- 2. Formas Rizotônicas e Arrizotônicas
bo
Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura
dos verbos com o conceito de acentuação tônica, perce-
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
bemos com facilidade que nas formas rizotônicas o acento
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, amo, por
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico não cai
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
no radical, mas sim na terminação verbal (fora do radical):
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
opinei, aprenderão, amaríamos.
Paulo: Saraiva, 2010.
3. Classificação dos Verbos
SITE
http://www.portugues.com.br/gramatica/colocacao-
-pronominal-.html Classificam-se em:
A) Regulares: são aqueles que apresentam o radi-
Observação: Não foram encontradas questões abran- cal inalterado durante a conjugação e desinências
gendo tal conteúdo. idênticas às de todos os verbos regulares da mesma
conjugação. Por exemplo: comparemos os verbos
“cantar” e “falar”, conjugados no presente do Modo
VERBO Indicativo:

Verbo é a palavra que se flexiona em pessoa, núme- canto falo


ro, tempo e modo. A estes tipos de flexão verbal dá-se o
nome de conjugação (por isso também se diz que verbo cantas falas
é a palavra que pode ser conjugada). Pode indicar, entre canta falas
outros processos: ação (amarrar), estado (sou), fenômeno cantamos falamos
(choverá); ocorrência (nascer); desejo (querer).
LÍNGUA PORTUGUESA

cantais falais
1. Estrutura das Formas Verbais cantam falam
Do ponto de vista estrutural, o verbo pode apresentar
os seguintes elementos:
A) Radical: é a parte invariável, que expressa o signifi-
cado essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal-ava;
fal-am. (radical fal-)

45
#FicaDica
Observe que, retirando os radicais, as desinências modo-temporal e número-pessoal mantiveram-se idên-
ticas. Tente fazer com outro verbo e perceberá que se repetirá o fato (desde que o verbo seja da primeira
conjugação e regular!). Faça com o verbo “andar”, por exemplo. Substitua o radical “cant” e coloque o “and”
(radical do verbo andar). Viu? Fácil!

B) Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca alterações no radical ou nas desinências: faço, fiz, farei, fizesse.

Observação:
Alguns verbos sofrem alteração no radical apenas para que seja mantida a sonoridade. É o caso de: corrigir/corrijo, fingir/
finjo, tocar/toquei, por exemplo. Tais alterações não caracterizam irregularidade, porque o fonema permanece inalterado.

C) Defectivos: são aqueles que não apresentam conjugação completa. Os principais são adequar, precaver, computar,
reaver, abolir, falir.
D) Impessoais: são os verbos que não têm sujeito e, normalmente, são usados na terceira pessoa do singular. Os prin-
cipais verbos impessoais são:

1. Haver, quando sinônimo de existir, acontecer, realizar-se ou fazer (em orações temporais).
Havia muitos candidatos no dia da prova. (Havia = Existiam)
Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)
Haverá debates hoje. (Haverá = Realizar-se-ão)
Viajei a Madri há muitos anos. (há = faz)

2. Fazer, ser e estar (quando indicam tempo)


Faz invernos rigorosos na Europa.
Era primavera quando o conheci.
Estava frio naquele dia.

3. Todos os verbos que indicam fenômenos da natureza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, trovejar, amanhecer,
escurecer, etc. Quando, porém, se constrói, “Amanheci cansado”, usa-se o verbo “amanhecer” em sentido figurado.
Qualquer verbo impessoal, empregado em sentido figurado, deixa de ser impessoal para ser pessoal, ou seja, terá
conjugação completa.
Amanheci cansado. (Sujeito desinencial: eu)
Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)

4. O verbo passar (seguido de preposição), indicando tempo: Já passa das seis.

5. Os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição “de”, indicando suficiência:


Basta de tolices.
Chega de promessas.

6. Os verbos estar e ficar em orações como “Está bem, Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal”, sem referência a
sujeito expresso anteriormente (por exemplo: “ele está mal”). Podemos, nesse caso, classificar o sujeito como hipoté-
tico, tornando-se, tais verbos, pessoais.

7. O verbo dar + para da língua popular, equivalente de “ser possível”. Por exemplo:
Não deu para chegar mais cedo.
Dá para me arrumar uma apostila?
LÍNGUA PORTUGUESA

E) Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conjugam-se apenas nas terceiras pessoas, do singular e do plural. São
unipessoais os verbos constar, convir, ser (= preciso, necessário) e todos os que indicam vozes de animais (cacarejar,
cricrilar, miar, latir, piar).

Os verbos unipessoais podem ser usados como verbos pessoais na linguagem figurada:
Teu irmão amadureceu bastante.
O que é que aquela garota está cacarejando?

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Principais verbos unipessoais:

 Cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (preciso, necessário):


Cumpre estudarmos bastante. (Sujeito: estudarmos bastante)
Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover)
É preciso que chova. (Sujeito: que chova)

 Fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da conjunção que.
Faz dez anos que viajei à Europa. (Sujeito: que viajei à Europa)
Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não a vejo. (Sujeito: que não a vejo)

F) Abundantes: são aqueles que possuem duas ou mais formas equivalentes, geralmente no particípio, em que, além
das formas regulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas (particípio irregular).
O particípio regular (terminado em “–do”) é utilizado na voz ativa, ou seja, com os verbos ter e haver; o irregular é em-
pregado na voz passiva, ou seja, com os verbos ser, ficar e estar. Observe:

Infinitivo Particípio Regular Particípio Irregular


Aceitar Aceitado Aceito
Acender Acendido Aceso
Anexar Anexado Anexo
Benzer Benzido Bento
Corrigir Corrigido Correto
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Inserir Inserido Inserto
Limpar Limpado Limpo
Matar Matado Morto
Misturar Misturado Misto
Morrer Morrido Morto
Murchar Murchado Murcho
Pegar Pegado Pego
Romper Rompido Roto
Soltar Soltado Solto
Suspender Suspendido Suspenso
Tingir Tingido Tinto
Vagar Vagado Vago

FIQUE ATENTO!
Estes verbos e seus derivados possuem, apenas, o particípio irregular: abrir/aberto, cobrir/coberto, dizer/
LÍNGUA PORTUGUESA

dito, escrever/escrito, pôr/posto, ver/visto, vir/vindo.

G) Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Existem apenas dois: ser (sou, sois, fui)
e ir (fui, ia, vades).
H) Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo principal
(aquele que exprime a ideia fundamental, mais importante), quando acompanhado de verbo auxiliar, é expresso

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numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.
Vou espantar todos!
(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora!


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Observação:
Os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

4. Conjugação dos Verbos Auxiliares

4.1. SER - Modo Indicativo

Presente Pret.Perfeito Pret. Imp. Pret.mais-que-perf. Fut.do Pres. Fut. Do Pretérito


sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam

4.2. SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

4.3. SER - Modo Imperativo

Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

4.4. SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


LÍNGUA PORTUGUESA

ser ser eu sendo sido


seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

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4.5. ESTAR - Modo Indicativo

Presente Pret. perf. Pret. Imp. Pret.mais-q-perf. Fut.doPres. Fut.do Preté.


estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

4.6. ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

4.7. ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

4.8. HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Pret.Mais-Q-Perf. Fut.do Pres. Fut.doPreté.


hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam
LÍNGUA PORTUGUESA

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4.9. HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


ja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

4.10. HAVER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
haverdes
Haverem

4.11. TER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Preté.mais-q-perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

4.12. TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
Tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham
LÍNGUA PORTUGUESA

I) Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na mes-
ma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já implícita
no próprio sentido do verbo (pronominais essenciais). Veja:
 Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos: abs-
ter-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a reflexibilidade
já está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.

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A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela mes-
ma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula integrante
do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço da ideia re-
flexiva expressa pelo radical do próprio verbo. Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respectivos pronomes):
Eu me arrependo, Tu te arrependes, Ele se arrepende, Nós nos arrependemos, Vós vos arrependeis, Eles se arrependem.

 Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto represen-
tado por pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele mesmo.
Em geral, os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os pronomes
mencionados, formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo: A garota se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa: A garota penteou-me.

Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem função
sintática.
Há verbos que também são acompanhados de pronomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente prono-
minais - são os verbos reflexivos. Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na pessoa idêntica à do
sujeito, exercem funções sintáticas. Por exemplo:
Eu me feri. = Eu (sujeito) – 1.ª pessoa do singular; me (objeto direto) – 1.ª pessoa do singular.

5. Modos Verbais

Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas pelo verbo na expressão de um fato certo, real, verdadeiro. Existem
três modos:
A) Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu estudo para o concurso.
B) Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: Talvez eu estude amanhã.
C) Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estude, colega!

6. Formas Nominais

Além desses três modos, o verbo apresenta ainda formas que podem exercer funções de nomes (substantivo, adjetivo,
advérbio), sendo por isso denominadas formas nominais. Observe:
A) Infinitivo
A.1 Impessoal: exprime a significação do verbo de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de substantivo.
Por exemplo:
Viver é lutar. (= vida é luta)
É indispensável combater a corrupção. (= combate à)
O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma simples) ou no passado (forma composta). Por exemplo:
É preciso ler este livro.
Era preciso ter lido este livro.

A.2 Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na 1.ª e 3.ª pessoas do singular, não apre-
senta desinências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira:
2.ª pessoa do singular: Radical + ES = teres (tu)
1.ª pessoa do plural: Radical + MOS = termos (nós)
2.ª pessoa do plural: Radical + DES = terdes (vós)
3.ª pessoa do plural: Radical + EM = terem (eles)
Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação.

B) Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo ou advérbio. Por exemplo:


Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de advérbio)
Água fervendo, pele ardendo. (função de adjetivo)
LÍNGUA PORTUGUESA

Na forma simples (1), o gerúndio expressa uma ação em curso; na forma composta (2), uma ação concluída:
Trabalhando (1), aprenderás o valor do dinheiro.
Tendo trabalhado (2), aprendeu o valor do dinheiro.

Quando o gerúndio é vício de linguagem (gerundismo), ou seja, uso exagerado e inadequado do gerúndio:
1. Enquanto você vai ao mercado, vou estar jogando futebol.
2. – Sim, senhora! Vou estar verificando!

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Em 1, a locução “vou estar” + gerúndio é adequada, pois transmite a ideia de uma ação que ocorre no momento da
outra; em 2, essa ideia não ocorre, já que a locução verbal “vou estar verificando” refere-se a um futuro em andamento,
exigindo, no caso, a construção “verificarei” ou “vou verificar”.

C) Particípio: quando não é empregado na formação dos tempos compostos, o particípio indica, geralmente, o re-
sultado de uma ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Por exemplo: Terminados os exames, os
candidatos saíram.
Quando o particípio exprime somente estado, sem nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a função de
adjetivo. Por exemplo: Ela é a aluna escolhida pela turma.

(Ziraldo)

8. Tempos Verbais

Tomando-se como referência o momento em que se fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos tempos.

A) Tempos do Modo Indicativo


Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste colégio.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual, mas que não foi completamente
terminado: Ele estudava as lições quando foi interrompido.
Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado: Ele
estudou as lições ontem à noite.
Pretérito-mais-que-perfeito - Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já estudara as lições
quando os amigos chegaram. (forma simples).
Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento atual: Ele es-
tudará as lições amanhã.
Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode ocorrer posteriormente a um determinado fato passado: Se ele pudes-
se, estudaria um pouco mais.

B) Tempos do Modo Subjuntivo


Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual: É conveniente que estudes para o exame.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse o jogo.
Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier à
loja, levará as encomendas.

FIQUE ATENTO!
Há casos em que formas verbais de um determinado tempo podem ser utilizadas para indicar outro.
Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil.
descobre = forma do presente indicando passado ( = descobrira/descobriu)
LÍNGUA PORTUGUESA

No próximo final de semana, faço a prova!


faço = forma do presente indicando futuro ( = farei)

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TABELAS DAS CONJUGAÇÕES VERBAIS
1. Modo Indicativo
1.1. Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M
1.2. Pretérito Perfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM
1.3. Pretérito mais-que-perfeito

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1.ª/2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M
1.4. Pretérito Imperfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3ª. conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
LÍNGUA PORTUGUESA

cantAVA vendIA partIA


cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

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1.5. Futuro do Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

1.6. Futuro do Pretérito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

1.7. Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1.ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2.ª e 3.ª conjugação).

1.ª conjug. 2.ª conjug. 3.ª conju. Desinên. pessoal Des. temporal Des.temporal
1.ª conj. 2.ª/3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M
LÍNGUA PORTUGUESA

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1.8. Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito, ob-
tendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de número
e pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

1.9. Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito, obten-
do-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de número e
pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM partiREM R EM

C) Modo Imperativo

1. Imperativo Afirmativo

Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2.ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo


Eu canto --- Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
LÍNGUA PORTUGUESA

Ele canta Cante você Que ele cante


Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis
Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

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2. Imperativo Negativo

Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo

Que eu cante ---


Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles

 No modo imperativo não faz sentido usar na 3.ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem, pedido
ou conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-se você/vocês.
 O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).

3. Infinitivo Pessoal

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM

 O verbo parecer admite duas construções:


Elas parecem gostar de você. (forma uma locução verbal)
Elas parece gostarem de você. (verbo com sujeito oracional, correspondendo à construção: parece gostarem de você).

 O verbo pegar possui dois particípios (regular e irregular):


Elvis tinha pegado minhas apostilas.
Minhas apostilas foram pegas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54.php
LÍNGUA PORTUGUESA

VOZES DO VERBO

Dá-se o nome de voz à maneira como se apresenta a ação expressa pelo verbo em relação ao sujeito, indicando se este é
paciente ou agente da ação. Importante lembrar que voz verbal não é flexão, mas aspecto verbal. São três as vozes verbais:

A) Ativa = quando o sujeito é agente, isto é, pratica a ação expressa pelo verbo:
Ele fez o trabalho.
sujeito agente ação objeto (paciente)

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B) Passiva = quando o sujeito é paciente, recebendo a ação expressa pelo verbo:
O trabalho foi feito por ele.
sujeito paciente ação agente da passiva

C) Reflexiva = quando o sujeito é, ao mesmo tempo, agente e paciente, isto é, pratica e recebe a ação:
O menino feriu-se.

#FicaDica
Não confundir o emprego reflexivo do verbo com a noção de reciprocidade:
Os lutadores feriram-se. (um ao outro)
Nós nos amamos. (um ama o outro)

1. Formação da Voz Passiva

A voz passiva pode ser formada por dois processos: analítico e sintético.
A) Voz Passiva Analítica = Constrói-se da seguinte maneira:
Verbo SER + particípio do verbo principal. Por exemplo:
A escola será pintada pelos alunos. (na ativa teríamos: os alunos pintarão a escola)
O trabalho é feito por ele. (na ativa: ele faz o trabalho)

Observações:
 O agente da passiva geralmente é acompanhado da preposição por, mas pode ocorrer a construção com a preposi-
ção de. Por exemplo: A casa ficou cercada de soldados.
 Pode acontecer de o agente da passiva não estar explícito na frase: A exposição será aberta amanhã.
 A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar (SER), pois o particípio é invariável. Observe a transformação das
frases seguintes:

Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do Indicativo)


O trabalho foi feito por ele. (verbo ser no pretérito perfeito do Indicativo, assim como o verbo principal da voz ativa)

Ele faz o trabalho. (presente do indicativo)


O trabalho é feito por ele. (ser no presente do indicativo)

Ele fará o trabalho. (futuro do presente)


O trabalho será feito por ele. (futuro do presente)

 Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa. Ob-
serve a transformação da frase seguinte:
O vento ia levando as folhas. (gerúndio)
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)
B) Voz Passiva Sintética = A voz passiva sintética - ou pronominal - constrói-se com o verbo na 3.ª pessoa, seguido do
pronome apassivador “se”. Por exemplo:
Abriram-se as inscrições para o concurso.
Destruiu-se o velho prédio da escola.

Observação:
O agente não costuma vir expresso na voz passiva sintética.
LÍNGUA PORTUGUESA

1.1 Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva

Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar substancialmente o sentido da frase.
O concurseiro comprou a apostila. (Voz Ativa)
Sujeito da Ativa objeto Direto

A apostila foi comprada pelo concurseiro. (Voz Passiva)


Sujeito da Passiva Agente da Passiva

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Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva; o 2. (TST – Analista Judiciário – Área Apoio Especia-
sujeito da ativa passará a agente da passiva, e o verbo ativo lizado – Especialidade Medicina do Trabalho – FCC –
assumirá a forma passiva, conservando o mesmo tempo. 2012) Está inadequado o emprego do elemento sublinhado
Os mestres têm constantemente aconselhado os alunos. na seguinte frase:
Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos
mestres. a) Sou ateu e peço que me deem tratamento similar ao que
Eu o acompanharei. dispenso aos homens religiosos.
Ele será acompanhado por mim. b) A intolerância religiosa baseia-se em preconceitos de que
deveriam desviar-se todos os homens verdadeiramente
Quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não virtuosos.
haverá complemento agente na passiva. Por exemplo: Pre- c) A tolerância é uma virtude na qual não podem prescindir
judicaram-me. / Fui prejudicado. os que se dizem homens de fé.
Com os verbos neutros (nascer, viver, morrer, dormir, d) O ateu desperta a ira dos fanáticos, a despeito de nada
acordar, sonhar, etc.) não há voz ativa, passiva ou reflexiva, fazer que possa injuriá-los ou desrespeitá-los.
porque o sujeito não pode ser visto como agente, paciente e) Respeito os homens de fé, a menos que deixem de fazer o
ou agente paciente. mesmo com aqueles que não a têm.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Resposta: Letra C.


SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- Corrigindo o inadequado:
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Em “a”: Sou ateu e peço que me deem tratamento similar
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- ao que dispenso aos homens religiosos.
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Em “b”: A intolerância religiosa baseia-se em preconceitos
Paulo: Saraiva, 2010. de que deveriam desviar-se todos os homens verdadeira-
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação mente virtuosos.
/ Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. Em “c”: A tolerância é uma virtude na qual (de que) não
podem prescindir os que se dizem homens de fé.
SITE Em “d”: O ateu desperta a ira dos fanáticos, a despeito de
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54.php nada fazer que possa injuriá-los ou desrespeitá-los.
Em “e”: Respeito os homens de fé, a menos que deixem
de fazer o mesmo com aqueles que não a têm.
EXERCÍCIOS COMENTADOS 3. (TST – Analista Judiciário – Área Apoio Especializa-
do – Especialidade Medicina do Trabalho – FCC – 2012)
1. (TST – Técnico Judiciário – Área Administrativa – Transpondo-se para a voz passiva a construção Os ateus
FCC – 2012) As vitórias no jogo interior talvez não acres- despertariam a ira de qualquer fanático, a forma verbal
centem novos troféus, mas elas trazem recompensas valio- obtida será:
sas, [...] que contribuem de forma significativa para nosso
sucesso posterior, tanto na quadra como fora dela. a) seria despertada.
Mantêm-se adequados o emprego de tempos e modos b) teria sido despertada.
verbais e a correlação entre eles, ao se substituírem os ele- c) despertar-se-á.
mentos sublinhados na frase acima, na ordem dada, por: d) fora despertada.
e) teriam despertado.
a) tivessem acrescentado − trariam − contribuírem
b) acrescentassem − têm trazido − contribuírem Resposta: Letra A.
c) tinham acrescentado − trarão − contribuiriam Os ateus despertariam a ira de qualquer fanático
d) acrescentariam − trariam− contribuíram Fazendo a transposição para a voz passiva, temos: A ira de
e) tenham acrescentado − trouxeram − Contribuíram qualquer fanático seria despertada pelos ateus.
GABARITO OFICIAL: A
Resposta: Letra E.
Questão que envolve correlação verbal. Realizando as 4. (TST – Técnico Judiciário – Área Administrativa – Es-
alterações solicitadas, segue como ficariam (em desta- pecialidade Segurança Judiciária – FCC – 2012)
que): ...ela nunca alcançava a musa.
LÍNGUA PORTUGUESA

Em “a”: tivessem acrescentado – trariam − contribui- Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma ver-
riam bal resultante será:
Em “b”: acrescentassem – trariam − contribuiriam
Em “c”: tinham acrescentado – trouxeram − contribuí- a) alcança-se.
ram b) foi alcançada.
Em “d”: acrescentassem – trariam − contribuíram c) fora alcançada.
Em “e”: tenham acrescentado – trouxeram − Contribuí- d) seria alcançada.
ram = correta e) era alcançada.

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Resposta: Letra E. Em “d”: A toda decisão tomada precipitadamente costu-
Temos um verbo na voz ativa, então teremos dois na mam sobrevir consequências imprevistas e injustas.
passiva (auxiliar + o verbo da oração da ativa, no mes- Em “e”: Diante de uma escolha, ganham prioridade, re-
mo tempo verbal, forma particípio): A musa nunca era comenda Gramsci, os critérios que levam em conta a dor
alcançada por ela. O verbo “alcançava” está no pretérito humana.
imperfeito, por isso o auxiliar tem que estar também (é
= presente, foi = pretérito perfeito, era = imperfeito, fora 7. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – Analista Judiciário – Área
= mais que perfeito, será = futuro do presente, seria = Administrativa – FCC – 2016 ) ... para quem Manoel de
futuro do pretérito). Barros era comparável a São Francisco de Assis...
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o da
5. (TST – Analista Judiciário – Área Apoio Especia- frase acima está em:
lizado – Especialidade Medicina do Trabalho – FCC
– 2012) Aos poucos, contudo, fui chegando à constatação a) Dizia-se um “vedor de cinema”...
de que todo perfil de rede social é um retrato ideal de nós b) Porque não seria certo ficar pregando moscas no espa-
mesmos. ço...
Mantendo-se a correção e a lógica, sem que outra altera- c) Na juventude, apaixonou-se por Arthur Rimbaud e Char-
ção seja feita na frase, o elemento grifado pode ser subs- les Baudelaire.
tituído por: d) Quase meio século separa a estreia de Manoel de Barros
na literatura...
a) ademais. e) ... para depois casá-las...
b) conquanto.
c) porquanto. Resposta: Letra A.
d) entretanto. “Era” = verbo “ser” no pretérito imperfeito do Indicativo.
e) apesar. Procuremos nos itens:
Em “a”: Dizia-se = pretérito imperfeito do Indicativo
Resposta: Letra D. Em “b”: Porque não seria = futuro do pretérito do Indi-
Contudo é uma conjunção adversativa (expressa oposi- cativo
ção). A substituição deve utilizar outra de mesma clas- Em “c”: Na juventude, apaixonou-se = pretérito perfeito
sificação, para que se mantenha a ideia do período. A do Indicativo
correta é entretanto. Em “d”: Quase meio século separa = presente do Indi-
cativo
6. (TST – Analista Judiciário – Área Administrativa Em “e”: para depois casá-las = Infinitivo pessoal (casar
– FCC – 2012) O verbo indicado entre parênteses deverá elas)
flexionar-se no singular para preencher adequadamente a
lacuna da frase: 8. (TRT 20.ª REGIÃO-SE – Analista Judiciário – Área
Administrativa – FCC – 2016 ) Aí conheci o escritor e his-
a) A nenhuma de nossas escolhas...... (poder) deixar de toriador de sua gente, meu saudoso amigo Alcino Alves Cos-
corresponder nossos valores éticos mais rigorosos. ta. E foi dele que ouvi oralmente a história de Zé de Julião.
b) Não se...... (poupar) os que governam de refletir sobre o Considerando-se a norma-padrão da língua, ao reescrever-
peso de suas mais graves decisões. -se o trecho acima em um único período, o segmento des-
c) Aos governantes mais responsáveis não...... (ocorrer) tacado deverá ser antecedido de vírgula e substituído por
tomar decisões sem medir suas consequências.
d) A toda decisão tomada precipitadamente...... (costu- a) perante ao qual
mar) sobrevir consequências imprevistas e injustas. b) de cujo
e) Diante de uma escolha,...... (ganhar) prioridade, reco- c) o qual
menda Gramsci, os critérios que levam em conta a dor d) frente à quem
humana. e) de quem

Resposta: Letra C. Resposta: Letra E.


Flexões em destaque e sublinhei os termos que estabe- Voltemos ao trecho: ... meu saudoso amigo Alcino Alves
lecem concordância: Costa. E foi dele que ouvi oralmente... = a única alterna-
LÍNGUA PORTUGUESA

Em “a”: A nenhuma de nossas escolhas podem deixar de tiva que substitui corretamente o trecho destacado é “de
corresponder nossos valores éticos mais rigorosos. quem ouvi oralmente”.
Em “b”: Não se poupam os que governam de refletir
sobre o peso de suas mais graves decisões.
Em “c”: Aos governantes mais responsáveis não ocorre
tomar decisões sem medir suas consequências. = Isso
não ocorre aos governantes – uma oração exerce a fun-
ção de sujeito (subjetiva)

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9. (TRT 14.ª REGIÃO-RO e AC – Técnico Judiciário Em “c”: que transformou = pretérito perfeito do Indica-
– FCC – 2016) “Isto pode despertar a atenção de outras tivo
pessoas que tenham documentos em casa e se disponham Em “d”: que se esforcem = presente do Subjuntivo
a trazer para a Academia, que é a guardiã desse tipo de Em “e”: há algo novo nesse cenário = presente do Indi-
acervo, que é muito difícil de ser guardado em casa, pois o cativo
tempo destrói e aqui temos a melhor técnica de conservação
de documentos”, disse Cavalcanti. 12. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – Técnico Judiciário – FCC
O termo sublinhado faz referência a – 2016) O modelo ainda dominante nas discussões ecoló-
gicas privilegia, em escala, o Estado e o mundo...
a) pessoas. Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma
b) acervo. verbal resultante será:
c) Academia.
d) tempo. a) é privilegiado.
e) casa. b) sendo privilegiadas.
c) são privilegiados.
Resposta: Letra B. d) foi privilegiado.
Ao trecho: a guardiã desse tipo de acervo, que (o qual) é e) são privilegiadas.
muito difícil de ser guardado...
Resposta: Letra C.
10. (TRT 14.ª REGIÃO-RO e AC – Técnico Judiciário – FCC Há um verbo na ativa, então teremos dois na passiva
– 2016) O marechal organizou o acervo... (auxiliar + o particípio de “privilegia”) = O Estado e o
A forma verbal está corretamente transposta para a voz mundo são privilegiados pelo modelo ainda dominante.
passiva em:
13. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – Técnico Judiciário – FCC
a) estava organizando – 2016 ) Empregam-se todas as formas verbais de acordo
b) tinha organizado com a norma culta na seguinte frase:
c) organizando-se
d) foi organizado a) Para que se mantesse sua autenticidade, o documento
e) está organizado não poderia receber qualquer tipo de retificação.
b) Os documentos com assinatura digital disporam de al-
Resposta: Letra D. goritmos de criptografia que os protegeram.
Temos: sujeito (o marechal), verbo na ativa (organizou) e c) Arquivados eletronicamente, os documentos poderam
objeto (o acervo). Como há um verbo na ativa, ao pas- contar com a proteção de uma assinatura digital.
sarmos para a passiva teremos dois (o auxiliar no mesmo d) Quem se propor a alterar um documento criptografado
tempo que o verbo da ativa + o particípio do verbo da deve saber que comprometerá sua integridade.
voz ativa = organizado). O objeto exercerá a função de e) Não é possível fazer as alterações que convierem sem
sujeito paciente, e o sujeito da ativa será o agente da comprometer a integridade dos documentos.
passiva (ufa!). A frase ficará: O acervo foi organizado pelo
marechal. Resposta: Letra E.
Em “a”: Para que se mantesse (mantivesse) sua autenti-
11. (TRT 20.ª REGIÃO-SE – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC cidade, o documento não poderia receber qualquer tipo
– 2016) Precisamos de um treinador que nos ajude a co- de retificação.
mer... Em “b”: Os documentos com assinatura digital disporam
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o sub- (dispuseram) de algoritmos de criptografia que os pro-
linhado acima está também sublinhado em: tegeram.
Em “c”: Arquivados eletronicamente, os documentos po-
a) [...] assim que conseguissem se virar sem as mães ou as deram (puderam) contar com a proteção de uma assina-
amas... tura digital.
b) Não é por acaso que proliferaram os coaches. Em “d”: Quem se propor (propuser) a alterar um docu-
c) [...] país que transformou a infância numa bilionária in- mento criptografado deve saber que comprometerá sua
dústria de consumo... integridade.
LÍNGUA PORTUGUESA

d) E, mesmo que se esforcem muito [...] Em “e”: Não é possível fazer as alterações que convie-
e) Hoje há algo novo nesse cenário. rem sem comprometer a integridade dos documentos
= correta
Resposta: Letra D.
que nos ajude = presente do Subjuntivo
Em “a”: que conseguissem = pretérito do Subjuntivo
Em “b”: que proliferaram = pretérito perfeito (e também
mais-que-perfeito) do Indicativo

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14. (TRT 21.ª REGIÃO-RN – Técnico Judiciário – FCC – 16. (PC-SP – Atendente de Necrotério Policial – Vunesp
2017) Sessenta anos de história marcam, assim, a trajetória – 2014) Assinale a alternativa em que a palavra em desta-
da utopia no país. que na frase pertence à classe dos adjetivos (palavra que
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma qualifica um substantivo).
verbal resultante será:
a) Existe grande confusão entre os diversos tipos de eu-
a) foram marcados. tanásia...
b) foi marcado. b)... o médico ou alguém causa ativamente a morte...
c) são marcados. c) prolonga o processo de morrer procurando distanciar a
d) foi marcada. morte.
e) é marcada. d) Ela é proibida por lei no Brasil,...
e) E como seria a verdadeira boa morte?
Resposta: Letra E.
Temos um verbo (no tempo presente) na ativa, então te- Resposta: Letra E.
remos dois na passiva (auxiliar [no tempo presente] + Em “a”: Existe grande confusão = substantivo
particípio de “marcam”) = Assim, a trajetória da utopia Em “b”: o médico ou alguém causa ativamente a morte
do país é marcada pelos sessenta anos de história. = pronome
Em “c”: prolonga o processo de morrer procurando dis-
15. (Polícia Militar do Estado de São Paulo – Soldado tanciar a morte = substantivo
PM 2.ª Classe – Vunesp – 2017) Considere as seguintes Em “d”: Ela é proibida por lei no Brasil = substantivo
frases: Em “e”: E como seria a verdadeira boa morte? = adjetivo
Primeiro, associe suas memórias com objetos físicos.
Segundo, não memorize apenas por repetição. 17. (PC-SP – Escrivão de Polícia – Vunesp – 2014) As for-
Terceiro, rabisque! mas verbais conjugadas no modo imperativo, expressando
Um verbo flexionado no mesmo modo que o dos verbos ordem, instrução ou comando, estão destacadas em
empregados nessas frases está em destaque em:
a) Mas há outros cujas marcas acabam ficando bem níti-
a) [...] o acesso rápido e a quantidade de textos fazem com das na memória: são aqueles donos de qualidades in-
que o cérebro humano não considere útil gravar esses comuns.
dados [...] b) Voltei uns cinquenta minutos depois, cauteloso, e quase
b) Na internet, basta um clique para vasculhar um sem-nú- não acreditei no que ouvi.
mero de informações. c) – Ei rapaz, deixe ligado o microfone, largue isso aí, vá
c) [...] após discar e fazer a ligação, não precisamos mais pro estúdio e ponha a rádio no ar.
dele... d) Bem, o fato é que eu era o técnico de som do horário,
d) Pense rápido: qual o número de telefone da casa em que precisava “passar” a transmissão lá para a câmara, e o
morou quando era criança? locutor não chegava para os textos de abertura, publi-
e) É o que mostra também uma pesquisa recente conduzi- cidade, chamadas.
da pela empresa de segurança digital Kaspersky [...] e) ... estremecíamos quando ele nos chamava para qual-
Resposta: Letra D. quer coisa, fazendo-nos entrar na sua sala imensa, já
Os verbos das frases citadas estão no Modo Imperativo suando frio e atentos às suas finas e cortantes palavras.
(expressam ordem). Vamos aos itens:
Em “a”: ... o acesso rápido e a quantidade de textos fa- Resposta: Letra C.
zem = presente do Indicativo Aos itens:
Em “b”: Na internet, basta um clique = presente do In- Em “a”: há = presente / acabam = presente / são = pre-
dicativo sente
Em “c”: ... após discar e fazer a ligação, não precisamos Em “b”: Voltei = pretérito perfeito / acreditei = pretérito
= presente do Indicativo perfeito
Em “d”: Pense rápido: = Imperativo Em “c”: deixe / largue / vá / ponha = verbos no modo
Em “e”: É o que mostra também uma pesquisa = presen- imperativo afirmativo (ordens)
te do Indicativo Em “d”: era = pretérito imperfeito / precisava = pretérito
imperfeito / chegava = pretérito imperfeito
LÍNGUA PORTUGUESA

Em “e”: fazendo-nos = gerúndio / suando = gerúndio

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18. (PC-SP – Agente de Polícia – Vunesp – 2013) Em – O 21. (PC-SP – Escrivão de Polícia – Vunesp – 2013)
destino me prestava esse pequeno favor: completava minha Assinale a alternativa que completa respectivamente as
identificação com o resto da humanidade, que tem sempre lacunas, em conformidade com a norma-padrão de con-
para contar uma história de objeto achado; – o pronome em jugação verbal.
destaque retoma a seguinte palavra/expressão: Há quem acredite que alcançará o sucesso profissional
quando __________ um diploma de mestrado, mas há aque-
a) o resto da humanidade. les que _________ de opinião e procuram investir em cursos
b) esse pequeno favor. profissionalizantes.
c) minha identificação.
d) O destino. a) obtiver … divirgem
e) completava. b) obter … divergem
c) obtesse … devirgem
Resposta: Letra A. d) obter … divirgem
Completava minha identificação com o resto da humani- e) obtiver … divergem
dade, que (a qual) tem sempre para contar uma história
de objeto achado = pronome relativo que retoma o resto Resposta: Letra E.
da humanidade. Há quem acredite que alcançará o sucesso profissional
quando obtiver um diploma de mestrado, mas há aque-
19. (PC-SP – Agente de Polícia – Vunesp – 2013) Consi- les que divergem de opinião e procuram investir em
dere o trecho a seguir. cursos profissionalizantes.
É comum que objetos ____________ esquecidos em locais
públicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se 22. (PC-SP – Auxiliar de Necropsia – Vunesp – 2014) Con-
as pessoas __________ a atenção voltada para seus perten- siderando que o adjetivo é uma palavra que modifica o subs-
ces, conservando-os junto ao corpo. tantivo, com ele concordando em gênero e número, assinale a
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectiva- alternativa em que a palavra destacada é um adjetivo.
mente, as lacunas do texto.
a) ... um câncer de boca horroroso, ...
a) sejam ... mantesse b) Ele tem dezesseis anos...
b) sejam ... mantém c) Eu queria que ele morresse logo, ...
c) sejam ... mantivessem d) ... com a crueldade adicional de dar esperança às famí-
d) seja ... mantivessem lias.
e) seja ... mantêm e) E o inferno não atinge só os terminais.

Resposta: Letra C. Resposta: Letra A.


Completemos as lacunas e depois busquemos o item Em “a”: um câncer de boca horroroso = adjetivo
correspondente. A pegadinha aqui é a conjugação do Em “b”: Ele tem dezesseis anos = numeral
verbo “manter”, no presente do Subjuntivo (mantiver): Em “c”: Eu queria que ele morresse logo = advérbio
É comum que objetos sejam esquecidos em locais públi- Em “d”: com a crueldade adicional de dar esperança às
cos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se as famílias = substantivo
pessoas mantivessem a atenção voltada para seus per- Em “e”: E o inferno não atinge só os terminais = subs-
tences, conservando-os junto ao corpo. tantivo

20. (PC-SP – Atendente de Necrotério Policial – Vunesp 23. (Polícia Civil-SP – Perito Criminal – Vunesp – 2013)
– 2013) Nas frases – Não vou mais à escola!… – e – Hoje Observe os enunciados:
estão na moda os métodos audiovisuais. – as palavras em • A Guerra do Vietnã se faz presente até hoje.
destaque expressam, correta e respectivamente, circuns- • A probabilidade de um veterano branco ser preso por um
tâncias de crime violento é significativamente mais alta do que...
Os advérbios em destaque expressam, respectivamente,
a) dúvida e modo. circunstâncias de
b) dúvida e tempo.
c) modo e afirmação. a) lugar e modo.
LÍNGUA PORTUGUESA

d) negação e lugar. b) tempo e intensidade.


e) negação e tempo. c) modo e intensidade.
Resposta: Letra E. d) tempo e causa.
“não” – advérbio de negação / “hoje” – advérbio de tem- e) tempo e modo.
po.
Resposta: Letra E.
“Hoje” = tempo; geralmente os advérbios terminados
em “-mente” são de modo (= com significância).

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• pronome adjetivo: determina um substantivo. Nesse
FUNÇÕES DO “QUE” E DO “SE”. caso, exerce a função sintática de adjunto adnominal.
Que vida é essa?

A palavra que em português pode ser: Conjunção: relaciona entre si duas orações. Nesse
caso, não exerce função sintática. Como conjunção, a pala-
Interjeição: exprime espanto, admiração, surpresa. vra que pode relacionar tanto orações coordenadas quanto
Nesse caso, será acentuada e seguida de ponto de excla- subordinadas, daí classificar-se como conjunção coordena-
mação. Usa-se também a variação o quê! A palavra que não tiva ou conjunção subordinativa. Quando funciona como
exerce função sintática quando funciona como interjeição. conjunção coordenativa ou subordinativa, a palavra que re-
Quê! Você ainda não está pronto? cebe o nome da oração que introduz. Por exemplo:
O quê! Quem sumiu? Venha logo, que é tarde. (conjunção coordenativa ex-
plicativa)
Substantivo: equivale a alguma coisa. Falou tanto que ficou rouco. (conjunção subordinativa
Nesse caso, virá sempre antecedida de artigo ou outro consecutiva)
determinante, e receberá acento por ser monossílabo tônico
terminado em e. Como substantivo, designa também a 16ª Quando inicia uma oração subordinada substantiva, a
letra de nosso alfabeto. Quando a palavra que for substan- palavra que recebe o nome de conjunção subordinativa
tivo, exercerá as funções sintáticas próprias dessa classe de integrante.
palavra (sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, Desejo que você venha logo.
etc.) A palavra se
Ele tem certo quê misterioso. (substantivo na função de A palavra se, em português, pode ser:
núcleo do objeto direto)
Conjunção: relaciona entre si duas orações. Nesse
Preposição: liga dois verbos de uma locução verbal em caso, não exerce função sintática. Como conjunção, a pala-
que o auxiliar é o verboter. vra se pode ser:
Equivale a de. Quando é preposição, a palavra que não * conjunção subordinativa integrante: inicia uma oração
exerce função sintática. subordinada substantiva.
Tenho que sair agora. Perguntei se ele estava feliz.
* conjunção subordinativa condicional: inicia uma ora-
Ele tem que dar o dinheiro hoje.
ção adverbial condicional (equivale a caso).
Se todos tivessem estudado, as notas seriam boas.
Partícula expletiva ou de realce: pode ser retirada da
frase, sem prejuízo algum para o sentido.
Partícula expletiva ou de realce: pode ser retirada da
Nesse caso, a palavra que não exerce função sintática;
frase sem prejuízo algum para o sentido. Nesse caso, a pa-
como o próprio nome indica, é usada apenas para dar realce.
lavra se não exerce função sintática. Como o próprio nome
Como partícula expletiva, aparece também na expressão é indica, é usada apenas para dar realce.
que. Passavam-se os dias e nada acontecia.
Quase que não consigo chegar a tempo. Parte integrante do verbo: faz parte integrante dos
Elas é que conseguiram chegar. verbos pronominais. Nesse caso, o se não exerce função
Advérbio: modifica um adjetivo ou um advérbio. sintática.
Equivale a quão. Quando funciona como advérbio, a pala- Ele arrependeu-se do que fez.
vra que exerce a função sintática de adjunto adverbial; no
caso, de intensidade. Partícula apassivadora: ligada a verbo que pede ob-
Que lindas flores! jeto direto, caracteriza as orações que estão na voz passi-
Que barato! va sintética. É também chamada de pronome apassivador.
Nesse caso, não exerce função sintática, seu papel é apenas
Pronome: como pronome, a palavra que pode ser: apassivar o verbo.
• pronome relativo: retoma um termo da oração ante- Vendem-se casas.
cedente, projetando-o na oração consequente. Equivale a o Aluga-se carro.
qual e flexões. Compram-se joias.
LÍNGUA PORTUGUESA

Não encontramos as pessoas que saíram.


• pronome indefinido: nesse caso, pode funcionar como Índice de indeterminação do sujeito: vem ligando a um
pronome substantivo ou pronome adjetivo. verbo que não é transitivo direto, tornando o sujeito indeter-
• pronome substantivo: equivale a que coisa. Quando for minado. Não exerce propriamente uma função sintática, seu
pronome substantivo, a palavra que exercerá as fun- papel é o de indeterminar o sujeito. Lembre-se de que, nesse
ções próprias do substantivo (sujeito, objeto direto, caso, o verbo deverá estar na terceira pessoa do singular.
objeto indireto, etc.) Trabalha-se de dia.
Que aconteceu com você? Precisa-se de vendedores.

63
Pronome reflexivo: quando a palavra se é pronome “Pegue um jornal
pessoal, ela deverá estar sempre na mesma pessoa do su- Pegue a tesoura.
jeito da oração de que faz parte. Por isso o pronome oblí- Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja
quo se sempre será reflexivo (equivalendo a a si mesmo), dar a seu poema.
podendo assumir as seguintes funções sintáticas: Recorte o artigo.”
Este trecho da poesia, intitulada “Para fazer um poema
* objeto direto dadaísta” utiliza o código (poema) para explicar o próprio
Ele cortou-se com o facão. ato de fazer um poema.

* objeto indireto Função fática: O objetivo dessa função é estabelecer


Ele se atribui muito valor. uma relação com o emissor, um contato para verificar
se a mensagem está sendo transmitida ou para dilatar a
* sujeito de um infinitivo conversa. Quando estamos em um diálogo, por exemplo,
“Sofia deixou-se estar à janela.” e dizemos ao nosso receptor “Está entendendo?”, estamos
utilizando este tipo de função; ou quando atendemos o
Fonte: http://brasilescola.uol.com.br/gramatica/classi-
celular e dizemos “Oi” ou “Alô”.
ficacao-das-palavras-que-e-se.htm
Função poética: O objetivo do emissor é expressar seus
sentimentos através de textos que podem ser enfatizados
ELEMENTOS DE COMUNICAÇÃO E FUNÇÕES por meio das formas das palavras, da sonoridade, do ritmo,
DA LINGUAGEM. além de elaborar novas possibilidades de combinações
dos signos linguísticos. É presente em textos literários,
publicitários e em letras de música.
FUNÇÕES DA LINGUAGEM Por exemplo: negócio/ego/ócio/cio/0
Na poesia acima “Epitáfio para um banqueiro”, José de
Função referencial ou denotativa: transmite uma Paulo Paes faz uma combinação de palavras que passa a
informação objetiva, expõe dados da realidade de modo ideia do dia a dia de um banqueiro, de acordo com o poeta.
objetivo, não faz comentários, nem avaliação. Geralmente,
o texto se apresenta na terceira pessoa do singular ou plural, ELEMENTOS DE COMUNICAÇÃO
pois transmite impessoalidade. A linguagem é denotativa,
ou seja, não há possibilidades de outra interpretação além O ato de comunicação não visa apenas transmitir uma
da que está exposta. Em alguns textos é mais predominante informação a alguém. Quem se comunica pretende criar
essa função, como nos científicos, jornalísticos, técnicos, uma imagem positiva de si mesmo por exemplo, a de um
didáticos ou em correspondências comerciais. sujeito educado, ou inteligente, ou culto; quer ser aceito,
deseja que o que diz seja admitido como verdadeiro. Em
Função emotiva ou expressiva: o objetivo do síntese, tem a intenção de convencer, ou seja, tem o desejo
emissor é transmitir suas emoções e anseios. A realidade é de que o ouvinte creia no que o texto diz e faça o que ele
transmitida sob o ponto de vista do emissor, a mensagem propõe.
é subjetiva e centrada no emitente e, portanto, apresenta- Se essa é a finalidade última de todo ato de
se na primeira pessoa. A pontuação (ponto de exclamação, comunicação, todo texto contém um componente
interrogação e reticências) é uma característica da função
argumentativo. A argumentação é o conjunto de recursos
emotiva, pois transmite a subjetividade da mensagem e
de natureza linguística destinados a persuadir a pessoa a
reforça a entonação emotiva. Essa função é comum em
quem a comunicação se destina. Está presente em todo
poemas ou narrativas de teor dramático ou romântico.
tipo de texto e visa a promover adesão às teses e aos
Função conativa ou apelativa: O objetivo é de pontos de vista defendidos.
influenciar, convencer o receptor de alguma coisa por As pessoas costumam pensar que o argumento seja
meio de uma ordem (uso de vocativos), sugestão, convite apenas uma prova de verdade ou uma razão indiscutível
ou apelo (daí o nome da função). Os verbos costumam para comprovar a veracidade de um fato. O argumento
estar no imperativo (Compre! Faça!) ou conjugados na é mais que isso: como se disse acima, é um recurso de
2.ª ou 3.ª pessoa (Você não pode perder! Ele vai melhorar linguagem utilizado para levar o interlocutor a crer naquilo
LÍNGUA PORTUGUESA

seu desempenho!). Esse tipo de função é muito comum que está sendo dito, a aceitar como verdadeiro o que está
em textos publicitários, em discursos políticos ou de sendo transmitido. A argumentação pertence ao domínio
autoridade. da retórica, arte de persuadir as pessoas mediante o uso de
recursos de linguagem.
Função metalinguística: Essa função se refere à Para compreender claramente o que é um argumento,
metalinguagem, que é quando o emissor explica um é bom voltar ao que diz Aristóteles, filósofo grego do século
código usando o próprio código. Quando um poema fala lV a.C., numa obra intitulada “Tópicos: os argumentos são
da própria ação de se fazer um poema, por exemplo: úteis quando se tem de escolher entre duas ou mais coisas”.

64
Se tivermos de escolher entre uma coisa vantajosa e uma estiverem de acordo com suas crenças, suas expectativas,
desvantajosa, como a saúde e a doença, não precisamos seus valores. Não se pode convencer um auditório
argumentar. Suponhamos, no entanto, que tenhamos de pertencente a uma dada cultura enfatizando coisas que ele
escolher entre duas coisas igualmente vantajosas, a riqueza abomina. Será mais fácil convencêlo valorizando coisas que
e a saúde. Nesse caso, precisamos argumentar sobre qual ele considera positivas. No Brasil, a publicidade da cerveja
das duas é mais desejável. O argumento pode então ser vem com frequência associada ao futebol, ao gol, à paixão
definido como qualquer recurso que torna uma coisa mais nacional. Nos Estados Unidos, essa associação certamente
desejável que outra. Isso significa que ele atua no domínio não surtiria efeito, porque lá o futebol não é valorizado
do preferível. Ele é utilizado para fazer o interlocutor crer da mesma forma que no Brasil. O poder persuasivo de
que, entre duas teses, uma é mais provável que a outra, um argumento está vinculado ao que é valorizado ou
mais possível que a outra, mais desejável que a outra, é desvalorizado numa dada cultura.
preferível à outra.
O objetivo da argumentação não é demonstrar a
verdade de um fato, mas levar o ouvinte a admitir como
DOMÍNIO DOS MECANISMOS DE
verdadeiro o que o enunciador está propondo. COESÃO TEXTUAL: EMPREGO DE
Há uma diferença entre o raciocínio lógico e a ELEMENTOS DE REFERENCIAÇÃO,
argumentação. O primeiro opera no domínio do necessário, SUBSTITUIÇÃO E REPETIÇÃO,
ou seja, pretende demonstrar que uma conclusão deriva DE CONECTORES E DE OUTROS
necessariamente das premissas propostas, que se deduz ELEMENTOS DE SEQUENCIAÇÃO
obrigatoriamente dos postulados admitidos. No raciocínio TEXTUAL; EMPREGO DE TEMPOS E
lógico, as conclusões não dependem de crenças, de uma MODOS VERBAIS.
maneira de ver o mundo, mas apenas do encadeamento de DOMÍNIO DOS MECANISMOS DE
premissas e conclusões. COERÊNCIA TEXTUAL.
Por exemplo, um raciocínio lógico é o seguinte
encadeamento:
A é igual a B. COESÃO E COERÊNCIA
A é igual a C.
Então: C é igual a A. Na construção de um texto, assim como na fala, usamos
Admitidos os dois postulados, a conclusão é, obrigato- mecanismos para garantir ao interlocutor a compreensão
riamente, que C é igual a A. do que é dito, ou lido. Estes mecanismos linguísticos que
Outro exemplo: estabelecem a coesão e retomada do que foi escrito - ou
Todo ruminante é um mamífero. falado - são os referentes textuais, que buscam garantir
A vaca é um ruminante. a coesão textual para que haja coerência, não só entre os
Logo, a vaca é um mamífero. elementos que compõem a oração, como também entre a
sequência de orações dentro do texto. Essa coesão tam-
Admitidas como verdadeiras as duas premissas, a bém pode muitas vezes se dar de modo implícito, baseado
conclusão também será verdadeira. em conhecimentos anteriores que os participantes do pro-
No domínio da argumentação, as coisas são diferentes. cesso têm com o tema.
Nele, a conclusão não é necessária, não é obrigatória. Numa linguagem figurada, a coesão é uma linha ima-
Por isso, devese mostrar que ela é a mais desejável, a ginária - composta de termos e expressões - que une os
mais provável, a mais plausível. Se o Banco do Brasil fizer diversos elementos do texto e busca estabelecer relações
uma propaganda dizendose mais confiável do que os de sentido entre eles. Dessa forma, com o emprego de di-
concorrentes porque existe desde a chegada da família ferentes procedimentos, sejam lexicais (repetição, substi-
real portuguesa ao Brasil, ele estará dizendonos que um tuição, associação), sejam gramaticais (emprego de prono-
banco com quase dois séculos de existência é sólido e, por mes, conjunções, numerais, elipses), constroem-se frases,
isso, confiável. Embora não haja relação necessária entre a orações, períodos, que irão apresentar o contexto – decor-
solidez de uma instituição bancária e sua antiguidade, esta re daí a coerência textual.
tem peso argumentativo na afirmação da confiabilidade de Um texto incoerente é o que carece de sentido ou o
um banco. Portanto é provável que se creia que um banco apresenta de forma contraditória. Muitas vezes essa incoe-
mais antigo seja mais confiável do que outro fundado há rência é resultado do mau uso dos elementos de coesão
dois ou três anos. textual. Na organização de períodos e de parágrafos, um
LÍNGUA PORTUGUESA

Enumerar todos os tipos de argumentos é uma tarefa erro no emprego dos mecanismos gramaticais e lexicais
quase impossível, tantas são as formas de que nos valemos prejudica o entendimento do texto. Construído com os ele-
para fazer as pessoas preferirem uma coisa a outra. Por mentos corretos, confere-se a ele uma unidade formal.
isso, é importante entender bem como eles funcionam. Nas palavras do mestre Evanildo Bechara, “o enunciado
Já vimos diversas características dos argumentos. não se constrói com um amontoado de palavras e orações.
É preciso acrescentar mais uma: o convencimento do Elas se organizam segundo princípios gerais de dependência
interlocutor, o auditório, que pode ser individual ou e independência sintática e semântica, recobertos por unida-
coletivo, será tanto mais fácil quanto mais os argumentos des melódicas e rítmicas que sedimentam estes princípios”.

65
Não se deve escrever frases ou textos desconexos – é “Os pronomes pessoais e as desinências verbais indicam
imprescindível que haja uma unidade, ou seja, que as frases os participantes do ato do discurso. Os pronomes demons-
estejam coesas e coerentes formando o texto. Relembre-se trativos, certas locuções prepositivas e adverbiais, bem como
de que, por coesão, entende-se ligação, relação, nexo entre os advérbios de tempo, referenciam o momento da enuncia-
os elementos que compõem a estrutura textual. ção, podendo indicar simultaneidade, anterioridade ou pos-
terioridade. Assim: este, agora, hoje, neste momento (pre-
FORMAS DE SE GARANTIR A COESÃO ENTRE OS sente); ultimamente, recentemente, ontem, há alguns dias,
ELEMENTOS DE UMA FRASE OU DE UM TEXTO: antes de (pretérito); de agora em diante, no próximo ano,
depois de (futuro).”
 Substituição de palavras com o emprego de sinô- A coerência de um texto está ligada:
nimos - palavras ou expressões do mesmo campo 1. à sua organização como um todo, em que devem estar
associativo. assegurados o início, o meio e o fim;
 Nominalização – emprego alternativo entre um ver- 2. à adequação da linguagem ao tipo de texto. Um texto
bo, o substantivo ou o adjetivo correspondente (des- técnico, por exemplo, tem a sua coerência fundamentada em
gastar / desgaste / desgastante). comprovações, apresentação de estatísticas, relato de expe-
 Emprego adequado de tempos e modos verbais: riências; um texto informativo apresenta coerência se tra-
Embora não gostassem de estudar, participaram da balhar com linguagem objetiva, denotativa; textos poéticos,
aula. por outro lado, trabalham com a linguagem figurada, livre
 Emprego adequado de pronomes, conjunções, pre- associação de ideias, palavras conotativas.
posições, artigos:
O papa Francisco visitou o Brasil. Na capital brasileira, REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Sua Santidade participou de uma reunião com a Pre- Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática
sidente Dilma. Ao passar pelas ruas, o papa cumpri- – volume único / Samira Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa
mentava as pessoas. Estas tiveram a certeza de que ele Souza. – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
guarda respeito por elas.
 Uso de hipônimos – relação que se estabelece com SITE
base na maior especificidade do significado de um http://www.mundovestibular.com.br/articles/2586/1/
deles. Por exemplo, mesa (mais específico) e móvel COESAO-E-COERENCIA-TEXTUAL/Paacutegina1.html
(mais genérico).
 Emprego de hiperônimos - relações de um termo
de sentido mais amplo com outros de sentido mais EXERCÍCIOS COMENTADOS
específico. Por exemplo, felino está numa relação de
hiperonímia com gato.
 Substitutos universais, como os verbos vicários.
1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal – Ces-
pe – 2014 – adaptada)
AJUDA DA ZÊ:
Verbo vicário é aquele que substitui outro já utilizado
Hoje, todos reconhecem, porque Marx impôs esta demons-
no período, evitando repetições. Geralmente é o verbo fa- tração no Livro II d’O Capital, que não há produção possível
zer e ser. Exemplo: Não gosto de estudar. Faço porque preci- sem que seja assegurada a reprodução das condições ma-
so. O “faço” foi empregado no lugar de “estudo”, evitando teriais da produção: a reprodução dos meios de produção.
repetição desnecessária. Qualquer economista, que neste ponto não se distingue
A coesão apoiada na gramática se dá no uso de conec- de qualquer capitalista, sabe que, ano após ano, é preciso
tivos, como pronomes, advérbios e expressões adverbiais, prever o que deve ser substituído, o que se gasta ou se usa
conjunções, elipses, entre outros. A elipse justifica-se quan- na produção: matéria-prima, instalações fixas (edifícios),
do, ao remeter a um enunciado anterior, a palavra elidida instrumentos de produção (máquinas) etc. Dizemos: qual-
é facilmente identificável (Exemplo.: O jovem recolheu-se quer economista é igual a qualquer capitalista, pois ambos
cedo. Sabia que ia necessitar de todas as suas forças. O ter- exprimem o ponto de vista da empresa.
mo o jovem deixa de ser repetido e, assim, estabelece a
relação entre as duas orações). Louis Althusser. Ideologia e aparelhos ideológicos do Esta-
do. 3.ª ed. Lisboa: Presença, 1980 (com adaptações).
LÍNGUA PORTUGUESA

Dêiticos são elementos linguísticos que têm a pro-


priedade de fazer referência ao contexto situacional ou ao Julgue os itens a seguir, a respeito dos sentidos do texto
próprio discurso. Exercem, por excelência, essa função de acima.
progressão textual, dada sua característica: são elementos No texto, os termos “matéria-prima”, “instalações fixas
que não significam, apenas indicam, remetem aos compo- (edifícios)” e “instrumentos de produção (máquinas)” são
nentes da situação comunicativa. exemplos de “meios de produção”.
Já os componentes concentram em si a significação. Eli-
sa Guimarães ensina-nos a esse respeito: ( ) CERTO ( ) ERRADO

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Resposta: Certo. Voltemos ao texto: (...) é preciso prever do governo não devia ser entregar... Haveria correção
o que deve ser substituído, o que se gasta ou se usa na gramatical, mas mudaríamos o sentido do texto, já que
produção: matéria- -prima, instalações fixas (edifí- no original o que se quer dizer é o primeiro cuidado do
cios), instrumentos de produção (máquinas) etc. governo deve ser o de não entregar a particulares; com
Os dois-pontos são utilizados para exemplificar o ter- a alteração: o primeiro cuidado do governo não deve ser
mo antecedente (produção), portanto a afirmação está o de entregar a particulares, ou seja, ele tem que tomar
correta. cuidado com outras coisas primeiramente, depois com
este fato.
2. (EBSERH – Conhecimentos Básicos para todos os
Cargos de Nível Superior – Cespe – 2018 – adaptada) 3. (Ancine – Técnico Administrativo – cespe – 2012)
O riso é tão universal como a seriedade; ele abarca a totali-
Texto CB1A1AAA dade do universo, toda a sociedade, a história, a concepção
de mundo. É uma verdade que se diz sobre o mundo, que
Já houve quem dissesse por aí que o Rio de Janeiro é a ci- se estende a todas as coisas e à qual nada escapa. É, de
dade das explosões. Na verdade, não há semana em que os alguma maneira, o aspecto festivo do mundo inteiro, em
jornais não registrem uma aqui e ali, na parte rural. todos os seus níveis, uma espécie de segunda revelação
A ideia que se faz do Rio é a de que é ele um vasto paiol, e do mundo.
que vivemos sempre ameaçados de ir pelos ares, como se Mikhail Bakhtin. A cultura popular na Idade Média e o Re-
estivéssemos a bordo de um navio de guerra, ou habitando nascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo:
uma fortaleza cheia de explosivos terríveis. Hucitec, 1987, p. 73 (com adaptações).
Certamente que essa pólvora terá toda ela emprego útil;
mas, se ela é indispensável para certos fins industriais, con- Na linha 1, o elemento “ele” tem como referente textual
vinha que se averiguassem bem as causas das explosões, se “O riso”.
são acidentais ou propositais, a fim de que fossem removi-
das na medida do possível. Isso, porém, é que não se tem ( ) CERTO ( ) ERRADO
dado e creio que até hoje não têm as autoridades chegado
a resultados positivos. Resposta: Certo. Vamos ao texto: O riso é tão universal
Entretanto, é sabido que certas pólvoras, submetidas a como a seriedade; ele abarca a totalidade do universo
dadas condições, explodem espontaneamente, e tem sido (...). Os termos destacados se relacionam. O pronome
essa a explicação para uma série de acidentes bastante do- “ele” retoma o sujeito “riso”.
lorosos, a começar pelo do Maine, na baía de Havana, sem
esquecer também o do Aquidabã.
Noticiam os jornais que o governo vende, quando avariada, REESCRITA DE FRASES E PARÁGRAFOS
grande quantidade dessas pólvoras. DO TEXTO: SIGNIFICAÇÃO DAS
Tudo indica que o primeiro cuidado do governo devia ser
PALAVRAS; SUBSTITUIÇÃO DE
não entregar a particulares tão perigosas pólvoras, que ex-
plodem assim sem mais nem menos, pondo pacíficas vidas
PALAVRAS OU DE TRECHOS DE TEXTO;
em constante perigo. REORGANIZAÇÃO DA ESTRUTURA DE
Creio que o governo não é assim um negociante ganancio- ORAÇÕES E DE PERÍODOS DO TEXTO;
so que vende gêneros que possam trazer a destruição de REESCRITA DE TEXTOS DE DIFERENTES
vidas preciosas; e creio que não é, porquanto anda sempre GÊNEROS E NÍVEIS DE FORMALIDADE.
zangado com os farmacêuticos que vendem cocaína aos
suicidas. Há sempre no Estado curiosas contradições.
REESCRITA DE TEXTOS/EQUIVALÊNCIA DE
Lima Barreto Pólvora e cocaína In: Vida urbana, 5/1/1915 ESTRUTURAS
Internet: <www dominiopublico gov br> (com adaptações)
“Ideias confusas geram redações confusas”. Esta frase
A correção gramatical do penúltimo parágrafo do texto se- leva-nos a refletir sobre a organização das ideias em um
ria preservada, embora seu sentido fosse alterado, caso o texto. Significa dizer que, antes da redação, naturalmen-
advérbio “não” fosse deslocado para imediatamente após te devemos dominar o assunto sobre o qual iremos tratar
“governo”. e, posteriormente, planejar o modo como iremos expô-lo,
LÍNGUA PORTUGUESA

do contrário haverá dificuldade em transmitir ideias bem


( ) CERTO ( ) ERRADO acabadas. Portanto, a leitura, a interpretação de textos e a
experiência de vida antecedem o ato de escrever.
Resposta: Certo. Voltemos ao texto: (...) Tudo indica que Obtido um razoável conhecimento sobre o que iremos
o primeiro cuidado do governo devia ser não entregar a escrever, feito o esquema de exposição da matéria, é ne-
particulares tão perigosas pólvoras, que explodem assim cessário saber ordenar as ideias em frases bem estrutura-
sem mais nem menos, pondo pacíficas vidas em constante das. Logo, não basta conhecer bem um determinado as-
perigo. Façamos a alteração proposta: o primeiro cuidado sunto, temos que o transmitir de maneira clara aos leitores.

67
O estudo da pontuação pode se tornar um valioso aliado A) As circunstâncias (de tempo, espaço, modo, etc.)
para organizarmos as ideias de maneira clara em frases. Para normalmente são representadas por adjuntos adver-
tanto, é necessário ter alguma noção de sintaxe. “Sintaxe”, biais de tempo, lugar, etc. Note que, no mais das ve-
conforme o dicionário Aurélio, é a “parte da gramática que zes, quando queremos recordar algo ou narrar uma
estuda a disposição das palavras na frase e a das frases no história, existe a tendência a colocar os adjuntos nos
discurso, bem como a relação lógica das frases entre si”; ou começos das frases:
em outras palavras, sintaxe quer dizer “mistura”, isto é, sa- “No Brasil e na América…” “Nos dias de hoje…” “Nas mi-
ber misturar as palavras de maneira a produzirem um sen- nhas férias…”, “No Brasil…”. e logo depois os verbos e ou-
tido evidente para os receptores das nossas mensagens. tros elementos: “Nas minhas férias fui…”; “No Brasil existe…”
Observe:
1. A desemprego globalização no Brasil e no na está La- Observações:
tina América causando. Tais construções não estão erradas, mas rompem com
2. A globalização está causando desemprego no Brasil e a ordem direta;
na América Latina. É preciso notar que em Língua Portuguesa, há muitas
frases que não têm sujeito, somente predicado. Por exem-
Ora, no item 1 não temos uma ideia, pois não há uma plo: Está chovendo em Porto Alegre. Faz frio em Friburgo.
frase, as palavras estão amontoadas sem a realização de São quatro horas agora;
“uma sintaxe”, não há um contexto linguístico nem relação Outras frases são construídas com verbos intransitivos,
inteligível com a realidade; no caso 2, a sintaxe ocorreu de que não têm complemento:
maneira perfeita e o sentido está claro para receptores de O menino morreu na Alemanha. (sujeito +verbo+ ad-
língua portuguesa inteirados da situação econômica e cul- junto adverbial)
tural do mundo atual.
A globalização nasceu no século XX. (idem)
1. A Ordem dos Termos na Frase Há ainda frases nominais que não possuem verbos:
cada macaco no seu galho. Nestes tipos de frase, a ordem
Leia novamente a frase contida no item 2. Note que
direta faz-se naturalmente. Usam-se apenas os termos
ela é organizada de maneira clara para produzir sentido.
existentes nelas.
Todavia, há diferentes maneiras de se organizar gramatical-
Levando em consideração a ordem direta, podemos es-
mente tal frase, tudo depende da necessidade ou da von-
tabelecer três regras básicas para o uso da vírgula:
tade do redator em manter o sentido, ou mantê-lo, porém,
Se os termos estão colocados na ordem direta não ha-
acrescentado ênfase a algum dos seus termos. Significa di-
verá a necessidade de vírgulas. A frase 2 é um exemplo
zer que, ao escrever, podemos fazer uma série de inversões
e intercalações em nossas frases, conforme a nossa von- disto:
tade e estilo. Tudo depende da maneira como queremos
transmitir uma ideia, do nosso estilo. Por exemplo, pode- A globalização está causando desemprego no Brasil e na
mos expressar a mensagem da frase 2 da seguinte maneira: América Latina.
No Brasil e na América Latina, a globalização está cau- Todavia, ao repetir qualquer um dos termos da oração
sando desemprego. por três vezes ou mais, então é necessário usar a vírgula,
Neste caso, a mensagem é praticamente a mesma, ape- mesmo que estejamos usando a ordem direta. Esta é a re-
nas mudamos a ordem das palavras para dar ênfase a al- gra básica n.º1 para a colocação da vírgula. Veja:
guns termos (neste caso: No Brasil e na A. L.). Repare que,
para obter a clareza tivemos que fazer o uso de vírgulas. A globalização, a tecnologia e a “ciranda financeira” cau-
Entre os sinais de pontuação, a vírgula é o mais usado e sam desemprego…
o que mais nos auxilia na organização de um período, pois (três núcleos do sujeito)
facilita as boas “sintaxes”, boas misturas, ou seja, a vírgula
ajuda-nos a não “embolar” o sentido quando produzimos A globalização causa desemprego no Brasil, na América
frases complexas. Com isto, “entregamos” frases bem orga- Latina e na África.
nizadas aos nossos leitores. (três adjuntos adverbiais)
O básico para a organização sintática das frases é a or-
dem direta dos termos da oração. Os gramáticos estrutu- A globalização está causando desemprego, insatisfação e
ram tal ordem da seguinte maneira: sucateamento industrial no Brasil e na América Latina. (três
complementos verbais)
LÍNGUA PORTUGUESA

SUJEITO + VERBO+ COMPLEMENTO VERBAL+ CIR-


CUNSTÂNCIAS B) Em princípio, não devemos, na ordem direta, separar
com vírgula o sujeito e o verbo, nem o verbo e o seu
A globalização + está causando+ desemprego + no complemento, nem o complemento e as circunstân-
Brasil nos dias de hoje. cias, ou seja, não devemos separar com vírgula os
Nem todas as orações mantêm esta ordem e nem todas termos da oração. Veja exemplos de tal incorreção:
contêm todos estes elementos, portanto cabem algumas O Brasil, será feliz.
observações: A globalização causa, o desemprego.

68
Ao intercalarmos alguma palavra ou expressão entre Observação:
os termos da oração, cabe isolar tal termo entre vírgulas, Quanto à equivalência e transformação de estruturas,
assim o sentido da ideia principal não se perderá. Esta é um exemplo muito comum cobrado em provas é o enun-
a regra básica n.º 2 para a colocação da vírgula. Dito em ciado trazer uma frase no singular e pedir a passagem para
outras palavras: quando intercalamos expressões e frases o plural, mantendo o sentido. Outro exemplo é a mudança
entre os termos da oração, devemos isolar os mesmos com de tempos verbais.
vírgulas. Vejamos:
A globalização, fenômeno econômico deste fim de século SITE
XX, causa desemprego no Brasil. http://ricardovigna.wordpress.com/2009/02/02/estu-
Aqui um aposto à globalização foi intercalado entre o dos-de-linguagem-1-estrutura-frasal-e-pontuacao/
sujeito e o verbo.
ANÁLISE E TIPO DE DISCURSO
Outros exemplos:
A Análise do Discurso é uma prática da linguística no
A globalização, que é um fenômeno econômico e cultural, campo da Comunicação, e consiste em analisar a estrutura
está causando desemprego no Brasil e na América Latina. de um texto e, a partir disto, compreender as construções
Neste caso, há uma oração adjetiva intercalada. ideológicas presentes no mesmo.
As orações adjetivas explicativas desempenham fre- O discurso em si é uma construção linguística atrelada
quentemente um papel semelhante ao do aposto explicati- ao contexto social no qual o texto é desenvolvido. Ou seja,
vo, por isto são também isoladas por vírgula. as ideologias presentes em um discurso são diretamente
determinadas pelo contexto político-social em que vive o
A globalização causa, caro leitor, desemprego no Brasil… seu autor. Mais que uma análise textual, a análise do Dis-
Neste outro caso, há um vocativo entre o verbo e o seu curso é uma análise contextual da estrutura discursiva em
complemento. questão.
Michel Foucault descreveu a Ordem do Discurso como
A globalização causa desemprego, e isto é lamentável, uma construção de características sociais. A sociedade que
no Brasil…
promove o contexto do discurso analisado é a base de toda
Aqui, há uma oração intercalada (note que ela não per-
a estrutura do texto, atrelando, deste modo, todo e qual-
tence ao assunto: globalização, da frase principal, tal ora-
quer elemento que possa fazer parte do sentido do discur-
ção é apenas um comentário à parte entre o complemento
so. O texto só pode assim ser chamado se o seu receptor
verbal e os adjuntos).
for capaz de compreender o seu sentido, e isto cabe ao
autor do texto e à atenção que o mesmo der ao contex-
Observação:
to da construção de seu discurso. É a relação básica para
A simples negação em uma frase não exige vírgula: A
a existência da comunicação verbal: emissão – recepção –
globalização não causou desemprego no Brasil e na América
Latina. compreensão.
As práticas discursivas geram também outros âmbitos
C) Quando “quebramos” a ordem direta, invertendo-a, de análise do discurso, como o Universo de Concorrências,
tal quebra torna a vírgula necessária. Esta é a regra que consiste na competição entre vários emissores para
n.º 3 da colocação da vírgula. atingir um mesmo público-alvo. A partir disto, os emisso-
No Brasil e na América Latina, a globalização está cau- res precisam inteirar-se do contexto da vida do seu recep-
sando desemprego… tor, para que deste modo possam interpelá-lo segundo sua
No fim do século XX, a globalização causou desemprego própria ideologia, fazendo com que sua mensagem seja
no Brasil… recebida e assimilada pelo receptor sem que o mesmo per-
Nota-se que a quebra da ordem direta frequentemente ceba que está sendo alvo de uma tentativa de convenci-
se dá com a colocação das circunstâncias antes do sujeito. mento, por assim dizer.
Trata-se da ordem inversa. Estas circunstâncias, em gramá- Dentro da análise do Discurso há também o discurso
tica, são representadas pelos adjuntos adverbiais. Muitas estético, feito por meio de imagens, e que interpelam o
vezes, elas são colocadas em orações chamadas adverbiais indivíduo através de sua sensibilidade, que está ligada ao
que têm uma função semelhante a dos adjuntos adverbiais, seu contexto também. A sensibilidade de um indivíduo se
isto é, denotam tempo, lugar, etc. Exemplos: define a partir do que, ao longo de sua vida, torna-se im-
LÍNGUA PORTUGUESA

Quando o século XX estava terminando, a globalização portante e desperta-lhe sentimentos. Com isto, podemos
começou a causar desemprego. analisar as artes produzidas em diferentes épocas da his-
Enquanto os países portadores de alta tecnologia desen- tória em todo o mundo e perceber as diferentes formas de
volvem-se, a globalização causa desemprego nos países po- interpelação e contextualidade presentes nas mesmas. O
bres. discurso estético tem a mesma capacidade ideológica que
Durante o século XX, a Globalização causou desemprego o discurso verbal, com a vantagem de atingir o indivíduo
no Brasil. esteticamente, o que pode render muito mais rapidamente
o sucesso do discurso aplicado.

69
A partir na análise de todos os aspectos do discurso Constitui, em suma, a língua utilizada pelos veículos de
chega-se ao mais importante: o sentido. O sentido do dis- comunicação de massa (emissoras de rádio e televisão,
curso não é fixo, por vários motivos: pelo contexto, pela es- jornais, revistas, painéis, anúncios, etc.), cuja função é a de
tética, pela ordem do discurso, pela sua forma de constru- serem aliados da escola, prestando serviço à sociedade, co-
ção. O sentido do discurso encontra-se sempre em aberto laborando na educação;
para a possibilidade de interpretação do seu receptor. O B) a língua funcional de modalidade popular; língua
efeito do discurso é, claramente, transmitir uma mensagem popular ou língua cotidiana, que apresenta gradações as
e alcançar um objetivo premeditado através da interpreta- mais diversas, tem o seu limite na gíria e no calão.
ção e interpelação do indivíduo alvo.
1.3. Norma culta
1. Tipos de Discurso: direto, indireto e indireto livre
A norma culta, forma linguística que todo povo civiliza-
1.1. Vozes do Discurso do possui, é a que assegura a unidade da língua nacional.
E justamente em nome dessa unidade, tão importante do
Ao lermos um texto, observamos que há um narrador ponto de vista político--cultural, que é ensinada nas esco-
- que é quem conta o fato. Esse locutor ou narrador pode las e difundida nas gramáticas. Sendo mais espontânea e
introduzir outras vozes no texto para auxiliar a narrativa. criativa, a língua popular afigura-se mais expressiva e dinâ-
Para fazer a introdução dessas outras vozes no texto, a voz mica. Temos, assim, à guisa de exemplificação:
principal ou privilegiada - o narrador - usa o que chama- Estou preocupado. (norma culta)
mos de discurso. O que vem a ser discurso dentro do texto? Tô preocupado. (língua popular)
É a forma como as falas são inseridas na narrativa. Ele pode Tô grilado. (gíria, limite da língua popular)
ser classificado em: direto, indireto e indireto livre.
A) Discurso direto: reproduz fiel e literalmente algo Não basta conhecer apenas uma modalidade de língua;
dito por alguém. Um bom exemplo de discurso direto são urge conhecer a língua popular, captando-lhe a esponta-
as citações ou transcrições exatas da declaração de alguém. neidade, expressividade e enorme criatividade, para viver;
 Primeira pessoa (eu, nós) – é o narrador quem fala, urge conhecer a língua culta para conviver.
usando aspas ou travessões para demarcar que está Podemos, agora, definir gramática: é o estudo das nor-
reproduzindo a fala de outra pessoa: “Não gosto dis- mas da língua culta.
so” – disse a menina em tom zangado.
1.4. O conceito de erro em língua
B) Discurso indireto: o narrador, usando suas próprias
palavras, conta o que foi dito por outra pessoa. Temos en- Em rigor, ninguém comete erro em língua, exceto nos
tão uma mistura de vozes, pois as falas dos personagens casos de ortografia. O que normalmente se comete são
passam pela elaboração da fala do narrador. transgressões da norma culta. De fato, aquele que, num
 Terceira pessoa - ele(s), ela(s) – O narrador só usa momento íntimo do discurso, diz: “Ninguém deixou ele fa-
sua própria voz, o que foi dito pela personagem passa pela lar”, não comete propriamente erro; na verdade, transgride
elaboração do narrador. Não há uma pontuação específica a norma culta.
que marque o discurso indireto: A menina disse em tom Um repórter, ao cometer uma transgressão em sua fala,
zangado, que não gostava daquilo. transgride tanto quanto um indivíduo que comparece a um
banquete trajando xortes ou quanto um banhista, numa
C) Discurso indireto livre: É um discurso no qual há praia, vestido de fraque e cartola.
uma maior liberdade, o narrador insere a fala do persona- Releva considerar, assim, o momento do discurso, que
gem de forma sutil, sem fazer uso das marcas do discurso pode ser íntimo, neutro ou solene. O momento íntimo é o
direto. É necessário que se tenha atenção para não confun- das liberdades da fala. No recesso do lar, na fala entre ami-
dir a fala do narrador com a fala do personagem, pois esta gos, parentes, namorados, etc., portanto, são consideradas
surge de repente em meio à fala do narrador: A menina pe- perfeitamente normais construções do tipo:
rambulava pela sala irritada e zangada. Eu não gosto disso! Eu não vi ela hoje.
E parecia que ninguém a ouvia. Ninguém deixou ele falar.
Deixe eu ver isso!
1.2. Níveis de Linguagem Eu te amo, sim, mas não abuse!
Não assisti o filme nem vou assisti-lo.
LÍNGUA PORTUGUESA

A língua é um código de que se serve o homem para Sou teu pai, por isso vou perdoá-lo.
elaborar mensagens, para se comunicar. Existem basica- Nesse momento, a informalidade prevalece sobre a
mente duas modalidades de língua, ou seja, duas línguas norma culta, deixando mais livres os interlocutores.
funcionais: O momento neutro é o do uso da língua-padrão, que
A) a língua funcional de modalidade culta, língua é a língua da Nação. Como forma de respeito, tomam-se
culta ou língua-padrão, que compreende a língua literá- por base aqui as normas estabelecidas na gramática, ou
ria, tem por base a norma culta, forma linguística utilizada seja, a norma culta. Assim, aquelas mesmas construções se
pelo segmento mais culto e influente de uma sociedade. alteram:

70
Eu não a vi hoje. Nenhuma, porém, sobrepõe-se a outra em importância.
Ninguém o deixou falar. Nas escolas, principalmente, costuma se ensinar a língua
Deixe-me ver isso! falada com base na língua escrita, considerada superior. De-
Eu te amo, sim, mas não abuses! correm daí as correções, as retificações, as emendas, a que
Não assisti ao filme nem vou assistir a ele. os professores sempre estão atentos.
Sou seu pai, por isso vou perdoar-lhe. Ao professor cabe ensinar as duas modalidades, mos-
trando as características e as vantagens de uma e outra, sem
Considera-se momento neutro o utilizado nos veículos deixar transparecer nenhum caráter de superioridade ou in-
de comunicação de massa (rádio, televisão, jornal, revista, ferioridade, que em verdade inexiste.
etc.). Daí o fato de não se admitirem deslizes ou transgres- Isso não implica dizer que se deve admitir tudo na lín-
sões da norma culta na pena ou na boca de jornalistas, gua falada. A nenhum povo interessa a multiplicação de lín-
quando no exercício do trabalho, que deve refletir serviço à guas. A nenhuma nação convém o surgimento de dialetos,
causa do ensino. consequência natural do enorme distanciamento entre uma
O momento solene, acessível a poucos, é o da arte poé- modalidade e outra.
tica, caracterizado por construções de rara beleza. A língua escrita é, foi e sempre será mais bem-elaborada
Vale lembrar, finalmente, que a língua é um costume. que a língua falada, porque é a modalidade que mantém
a unidade linguística de um povo, além de ser a que faz
Como tal, qualquer transgressão, ou chamado erro, deixa
o pensamento atravessar o espaço e o tempo. Nenhuma
de sê-lo no exato instante em que a maioria absoluta o co-
reflexão, nenhuma análise mais detida será possível sem a
mete, passando, assim, a constituir fato linguístico registro
língua escrita, cujas transformações, por isso mesmo, pro-
de linguagem definitivamente consagrado pelo uso, ainda
cessam-se lentamente e em número consideravelmente
que não tenha amparo gramatical. Exemplos: menor, quando cotejada com a modalidade falada.
Olha eu aqui! (Substituiu: Olha-me aqui!) Importante é fazer o educando perceber que o nível da
Vamos nos reunir. (Substituiu: Vamo-nos reunir) linguagem, a norma linguística, deve variar de acordo com a
Não vamos nos dispersar. (Substituiu: Não nos vamos dis- situação em que se desenvolve o discurso.
persar e Não vamos dispersar-nos) O ambiente sociocultural determina o nível da linguagem
Tenho que sair daqui depressinha. (Substituiu: Tenho de a ser empregado. O vocabulário, a sintaxe, a pronúncia e até a
sair daqui bem depressa) entoação variam segundo esse nível. Um padre não fala com
O soldado está a postos. (Substituiu: O soldado está no uma criança como se estivesse em uma missa, assim como
seu posto) uma criança não fala como um adulto. Um engenheiro não
usará um mesmo discurso, ou um mesmo nível de fala, para
As formas impeço, despeço e desimpeço, dos verbos im- colegas e para pedreiros, assim como nenhum professor uti-
pedir, despedir e desimpedir, respectivamente, são exemplos liza o mesmo nível de fala no recesso do lar e na sala de aula.
também de transgressões ou “erros” que se tornaram fatos Existem, portanto, vários níveis de linguagem e, entre
linguísticos, já que só correm hoje porque a maioria viu tais esses níveis, destacam-se em importância o culto e o coti-
verbos como derivados de pedir, que tem início, na sua con- diano, a que já fizemos referência.
jugação, com peço. Tanto bastou para se arcaizarem as for-
mas então legítimas impido, despido e desimpido, que hoje
nenhuma pessoa bem-escolarizada tem coragem de usar. SINTAXE: RELAÇÕES SINTÁTICO-
Em vista do exposto, será útil eliminar do vocabulário es-
SEMÂNTICAS ESTABELECIDAS
colar palavras como corrigir e correto, quando nos referimos
NA ORAÇÃO E ENTRE ORAÇÕES,
a frases. “Corrija estas frases” é uma expressão que deve dar
lugar a esta, por exemplo: “Converta estas frases da língua PERÍODOS OU PARÁGRAFOS (PERÍODO
popular para a língua culta”. SIMPLES E PERÍODO COMPOSTO POR
Uma frase correta não é aquela que se contrapõe a uma COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO).
frase “errada”; é, na verdade, uma frase elaborada conforme
as normas gramaticais; em suma, conforme a norma culta.
Frase, oração e período
1.5. Língua escrita e língua falada - Nível de linguagem 1. Sintaxe da Oração e do Período
A língua escrita, estática, mais elaborada e menos eco- Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para esta-
LÍNGUA PORTUGUESA

nômica, não dispõe dos recursos próprios da língua falada. belecer comunicação. Normalmente é composta por dois ter-
A acentuação (relevo de sílaba ou sílabas), a entoação mos – o sujeito e o predicado – mas não obrigatoriamente, pois
(melodia da frase), as pausas (intervalos significativos no há orações ou frases sem sujeito: Trovejou muito ontem à noite.
decorrer do discurso), além da possibilidade de gestos, Quanto aos tipos de frases, além da classificação em
olhares, piscadas, etc., fazem da língua falada a modalidade verbais (possuem verbos, ou seja, são orações) e nominais
mais expressiva, mais criativa, mais espontânea e natural, (sem a presença de verbos), feita a partir de seus elementos
estando, por isso mesmo, mais sujeita a transformações e constituintes, elas podem ser classificadas a partir de seu
a evoluções. sentido global:

71
A) frases interrogativas = o emissor da mensagem for- Na primeira frase, o sujeito é “o candidato”. “Candida-
mula uma pergunta: Que dia é hoje? to” é a principal palavra do sujeito, sendo, por isso, deno-
B) frases imperativas = o emissor dá uma ordem ou minada núcleo do sujeito. Este se relaciona com o verbo,
faz um pedido: Dê-me uma luz! estabelecendo a concordância (núcleo no singular, verbo
C) frases exclamativas = o emissor exterioriza um esta- no singular: candidato = está).
do afetivo: Que dia abençoado! A função do sujeito é basicamente desempenhada por
D) frases declarativas = o emissor constata um fato: A substantivos, o que a torna uma função substantiva da ora-
prova será amanhã. ção. Pronomes, substantivos, numerais e quaisquer outras
palavras substantivadas (derivação imprópria) também po-
Quanto à estrutura da frase, as que possuem verbo dem exercer a função de sujeito.
(oração) são estruturadas por dois elementos essenciais: Os dois sumiram. (dois é numeral; no exemplo, subs-
sujeito e predicado. tantivo)
O sujeito é o termo da frase que concorda com o ver- Um sim é suave e sugestivo. (sim é advérbio; no exem-
bo em número e pessoa. É o “ser de quem se declara plo: substantivo)
algo”, “o tema do que se vai comunicar”; o predicado é a Os sujeitos são classificados a partir de dois elementos:
parte da frase que contém “a informação nova para o ou- o de determinação ou indeterminação e o de núcleo do
vinte”, é o que “se fala do sujeito”. Ele se refere ao tema, sujeito.
constituindo a declaração do que se atribui ao sujeito. Um sujeito é determinado quando é facilmente iden-
Quando o núcleo da declaração está no verbo (que tificado pela concordância verbal. O sujeito determinado
indique ação ou fenômeno da natureza, seja um verbo pode ser simples ou composto.
significativo), temos o predicado verbal. Mas, se o núcleo A indeterminação do sujeito ocorre quando não é
estiver em um nome (geralmente um adjetivo), teremos possível identificar claramente a que se refere a concor-
um predicado nominal (os verbos deste tipo de predica- dância verbal. Isso ocorre quando não se pode ou não inte-
do são os que indicam estado, conhecidos como verbos ressa indicar precisamente o sujeito de uma oração.
de ligação): Estão gritando seu nome lá fora.
O menino limpou a sala. = “limpou” é verbo de ação Trabalha-se demais neste lugar.
(predicado verbal) O sujeito simples é o sujeito determinado que apre-
A prova foi fácil. – “foi” é verbo de ligação (ser); o nú- senta um único núcleo, que pode estar no singular ou no
plural; pode também ser um pronome indefinido. Abaixo,
cleo é “fácil” (predicado nominal)
sublinhei os núcleos dos sujeitos:
Quanto ao período, ele denomina a frase constituída
Nós estudaremos juntos.
por uma ou mais orações, formando um todo, com sen-
A humanidade é frágil.
tido completo. O período pode ser simples ou composto.
Ninguém se move.
O amar faz bem. (“amar” é verbo, mas aqui houve uma
Período simples é aquele constituído por apenas
derivação imprópria, tranformando-o em substantivo)
uma oração, que recebe o nome de oração absoluta.
As crianças precisam de alimentos saudáveis.
Chove.
A existência é frágil. O sujeito composto é o sujeito determinado que apre-
Amanhã, à tarde, faremos a prova do concurso. senta mais de um núcleo.
Alimentos e roupas custam caro.
Período composto é aquele constituído por duas ou Ela e eu sabemos o conteúdo.
mais orações: O amar e o odiar são duas faces da mesma moeda.
Cantei, dancei e depois dormi.
Quero que você estude mais. Além desses dois sujeitos determinados, é comum a
referência ao sujeito implícito na desinência verbal (o
1.1. Termos da Oração “antigo” sujeito oculto [ou elíptico]), isto é, ao núcleo do
sujeito que está implícito e que pode ser reconhecido pela
1.1.1 Termos essenciais desinência verbal ou pelo contexto.
Abolimos todas as regras. = (nós)
O sujeito e o predicado são considerados termos es- Falaste o recado à sala? = (tu)
senciais da oração, ou seja, são termos indispensáveis
LÍNGUA PORTUGUESA

para a formação das orações. No entanto, existem ora- Os verbos deste tipo de sujeito estão sempre na primei-
ções formadas exclusivamente pelo predicado. O que de- ra pessoa do singular (eu) ou plural (nós) ou na segunda do
fine a oração é a presença do verbo. O sujeito é o termo singular (tu) ou do plural (vós), desde que os pronomes não
que estabelece concordância com o verbo. estejam explícitos.
O candidato está preparado. Iremos à feira juntos? (= nós iremos) – sujeito implícito
Os candidatos estão preparados. na desinência verbal “-mos”
Cantais bem! (= vós cantais) - sujeito implícito na desi-
nência verbal “-ais”

72
Mas: Em ambas as orações não há sujeito, apenas predicado.
Nós iremos à festa juntos? = sujeito simples: nós Na segunda oração, “problemas” funciona como objeto di-
Vós cantais bem! = sujeito simples: vós reto.
As questões estavam fáceis!
O sujeito indeterminado surge quando não se quer - Sujeito simples = as questões
ou não se pode - identificar a que o predicado da oração Predicado = estavam fáceis
refere-se. Existe uma referência imprecisa ao sujeito, caso
contrário, teríamos uma oração sem sujeito. Passou-me uma ideia estranha pelo pensamento.
Na língua portuguesa, o sujeito pode ser indetermina- Sujeito = uma ideia estranha
do de duas maneiras: Predicado = passou-me pelo pensamento

A) com verbo na terceira pessoa do plural, desde que Para o estudo do predicado, é necessário verificar se
o sujeito não tenha sido identificado anteriormente: seu núcleo é um nome (então teremos um predicado no-
Bateram à porta; minal) ou um verbo (predicado verbal). Deve-se considerar
Andam espalhando boatos a respeito da queda do mi- também se as palavras que formam o predicado referem-
nistro. -se apenas ao verbo ou também ao sujeito da oração.
Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres
Se o sujeito estiver identificado, poderá ser simples ou de opinião.
composto: Predicado
Os meninos bateram à porta. (simples)
Os meninos e as meninas bateram à porta. (composto) O predicado acima apresenta apenas uma palavra que
se refere ao sujeito: pedem. As demais palavras se ligam
B) com o verbo na terceira pessoa do singular, acrescido direta ou indiretamente ao verbo.
do pronome “se”. Esta é uma construção típica dos A cidade está deserta.
verbos que não apresentam complemento direto: O nome “deserta”, por intermédio do verbo, refere-se
Precisa-se de mentes criativas. ao sujeito da oração (cidade). O verbo atua como elemento
Vivia-se bem naqueles tempos. de ligação (por isso verbo de ligação) entre o sujeito e a
Trata-se de casos delicados. palavra a ele relacionada (no caso: deserta = predicativo
Sempre se está sujeito a erros. do sujeito).

O pronome “se”, nestes casos, funciona como índice de O predicado verbal é aquele que tem como núcleo sig-
indeterminação do sujeito. nificativo um verbo:
Chove muito nesta época do ano.
As orações sem sujeito, formadas apenas pelo predica- Estudei muito hoje!
do, articulam-se a partir de um verbo impessoal. A mensa- Compraste a apostila?
gem está centrada no processo verbal. Os principais casos
de orações sem sujeito com: Os verbos acima são significativos, isto é, não servem
 os verbos que indicam fenômenos da natureza: apenas para indicar o estado do sujeito, mas indicam pro-
Amanheceu. cessos.
Está trovejando.
O predicado nominal é aquele que tem como núcleo
 os verbos estar, fazer, haver e ser, quando indicam significativo um nome; este atribui uma qualidade ou esta-
fenômenos meteorológicos ou se relacionam ao do ao sujeito, por isso é chamado de predicativo do sujei-
tempo em geral: to. O predicativo é um nome que se liga a outro nome da
Está tarde. oração por meio de um verbo (o verbo de ligação).
Já são dez horas. Nos predicados nominais, o verbo não é significativo,
Faz frio nesta época do ano. isto é, não indica um processo, mas une o sujeito ao pre-
Há muitos concursos com inscrições abertas. dicativo, indicando circunstâncias referentes ao estado do
sujeito: Os dados parecem corretos.
Predicado é o conjunto de enunciados que contém a O verbo parecer poderia ser substituído por estar, andar,
informação sobre o sujeito – ou nova para o ouvinte. Nas ficar, ser, permanecer ou continuar, atuando como elemento
LÍNGUA PORTUGUESA

orações sem sujeito, o predicado simplesmente enuncia de ligação entre o sujeito e as palavras a ele relacionadas.
um fato qualquer. Nas orações com sujeito, o predicado é A função de predicativo é exercida, normalmente, por
aquilo que se declara a respeito deste sujeito. Com exceção um adjetivo ou substantivo.
do vocativo - que é um termo à parte - tudo o que difere
do sujeito numa oração é o seu predicado. O predicado verbo-nominal é aquele que apresenta
Chove muito nesta época do ano. dois núcleos significativos: um verbo e um nome. No pre-
Houve problemas na reunião. dicado verbo-nominal, o predicativo pode se referir ao su-
jeito ou ao complemento verbal (objeto).

73
O verbo do predicado verbo-nominal é sempre signi- “Aos fracos, não os posso proteger, jamais.” (Gonçalves Dias)
ficativo, indicando processos. É também sempre por in- objeto pleonástico
termédio do verbo que o predicativo se relaciona com o
termo a que se refere. Ao traidor, nada lhe devemos.
O dia amanheceu ensolarado;
As mulheres julgam os homens inconstantes. O termo que integra o sentido de um nome chama-se
complemento nominal, que se liga ao nome que comple-
No primeiro exemplo, o verbo amanheceu apresenta ta por intermédio de preposição:
duas funções: a de verbo significativo e a de verbo de liga- A arte é necessária à vida. = relaciona-se com a palavra
ção. Este predicado poderia ser desdobrado em dois: um “necessária”
verbal e outro nominal. Temos medo de barata. = ligada à palavra “medo”
O dia amanheceu. / O dia estava ensolarado.
1.3 Termos acessórios da oração e vocativo
No segundo exemplo, é o verbo julgar que relaciona
o complemento homens com o predicativo “inconstantes”.
Os termos acessórios recebem este nome por serem
explicativos, circunstanciais. São termos acessórios o ad-
1.2 Termos integrantes da oração
junto adverbial, o adjunto adnominal, o aposto e o vocativo
Os complementos verbais (objeto direto e indireto) e o – este, sem relação sintática com outros temos da oração.
complemento nominal são chamados termos integrantes da
oração. O adjunto adverbial é o termo da oração que indi-
Os complementos verbais integram o sentido dos ver- ca uma circunstância do processo verbal ou intensifica o
bos transitivos, com eles formando unidades significativas. sentido de um adjetivo, verbo ou advérbio. É uma função
Estes verbos podem se relacionar com seus complementos adverbial, pois cabe ao advérbio e às locuções adverbiais
diretamente, sem a presença de preposição, ou indireta- exercerem o papel de adjunto adverbial: Amanhã voltarei
mente, por intermédio de preposição. a pé àquela velha praça.

O objeto direto é o complemento que se liga direta- O adjunto adnominal é o termo acessório que deter-
mente ao verbo. mina, especifica ou explica um substantivo. É uma função
Houve muita confusão na partida final. adjetiva, pois são os adjetivos e as locuções adjetivas que
Queremos sua ajuda. exercem o papel de adjunto adnominal na oração. Tam-
bém atuam como adjuntos adnominais os artigos, os nu-
O objeto direto preposicionado ocorre principalmente: merais e os pronomes adjetivos.
A) com nomes próprios de pessoas ou nomes comuns O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu
referentes a pessoas: amigo de infância.
Amar a Deus; Adorar a Xangô; Estimar aos pais.
(o objeto é direto, mas como há preposição, denomina- O adjunto adnominal se liga diretamente ao substanti-
-se: objeto direto preposicionado) vo a que se refere, sem participação do verbo. Já o predi-
cativo do objeto se liga ao objeto por meio de um verbo.
B) com pronomes indefinidos de pessoa e pronomes de O poeta português deixou uma obra originalíssima.
tratamento: Não excluo a ninguém; Não quero cansar O poeta deixou-a.
a Vossa Senhoria.
(originalíssima não precisou ser repetida, portanto: ad-
junto adnominal)
C) para evitar ambiguidade: Ao povo prejudica a crise.
(sem preposição, o sentido seria outro: O povo prejudica
O poeta português deixou uma obra inacabada.
a crise)
O objeto indireto é o complemento que se liga indi- O poeta deixou-a inacabada.
retamente ao verbo, ou seja, através de uma preposição. (inacabada precisou ser repetida, então: predicativo do
Gosto de música popular brasileira. objeto)
Necessito de ajuda.
Enquanto o complemento nominal se relaciona a um
LÍNGUA PORTUGUESA

1.2.1 Objeto Pleonástico substantivo, adjetivo ou advérbio, o adjunto nominal se


relaciona apenas ao substantivo.
É a repetição de objetos, tanto diretos como indiretos.
Normalmente, as frases em que ocorrem objetos pleo- O aposto é um termo acessório que permite ampliar,
násticos obedecem à estrutura: primeiro aparece o objeto, explicar, desenvolver ou resumir a ideia contida em um ter-
antecipado para o início da oração; em seguida, ele é repe- mo que exerça qualquer função sintática: Ontem, segunda-
tido através de um pronome oblíquo. É à repetição que se -feira, passei o dia mal-humorado.
dá o nome de objeto pleonástico.

74
Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de tempo A) Coordenadas Assindéticas
“ontem”. O aposto é sintaticamente equivalente ao termo São orações coordenadas entre si e que não são ligadas
que se relaciona porque poderia substituí-lo: Segunda-feira através de nenhum conectivo. Estão apenas justapostas.
passei o dia mal-humorado. Entrei na sala, deitei-me no sofá, adormeci.
O aposto pode ser classificado, de acordo com seu valor
na oração, em: B) Coordenadas Sindéticas
A) explicativo: A linguística, ciência das línguas huma- Ao contrário da anterior, são orações coordenadas entre
nas, permite-nos interpretar melhor nossa relação si, mas que são ligadas através de uma conjunção coordena-
com o mundo. tiva, que dará à oração uma classificação. As orações coor-
B) enumerativo: A vida humana compõe-se de muitas denadas sindéticas são classificadas em cinco tipos: aditivas,
coisas: amor, arte, ação. adversativas, alternativas, conclusivas e explicativas.
C) resumidor ou recapitulativo: Fantasias, suor e sonho,
tudo forma o carnaval. Dica: Memorize SINdética = SIM, tem conjunção!
D) comparativo: Seus olhos, indagadores holofotes, fixa-  Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas: suas
ram-se por muito tempo na baía anoitecida. principais conjunções são: e, nem, não só... mas também,
não só... como, assim... como.
O vocativo é um termo que serve para chamar, invocar Nem comprei o protetor solar nem fui à praia.
ou interpelar um ouvinte real ou hipotético, não mantendo Comprei o protetor solar e fui à praia.
relação sintática com outro termo da oração. A função de
vocativo é substantiva, cabendo a substantivos, pronomes  Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas:
substantivos, numerais e palavras substantivadas esse pa- suas principais conjunções são: mas, contudo, toda-
pel na linguagem. via, entretanto, porém, no entanto, ainda, assim, se-
João, venha comigo! não.
Traga-me doces, minha menina! Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante.
Li tudo, porém não entendi!
1.4 Períodos Compostos
 Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas:
suas principais conjunções são: ou... ou; ora...ora;
1.4.1 Período Composto por Coordenação
quer...quer; seja...seja.
Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador.
O período composto se caracteriza por possuir mais de
uma oração em sua composição. Sendo assim:
 Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas:
Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma ora-
suas principais conjunções são: logo, portanto, por
ção)
fim, por conseguinte, consequentemente, pois (pos-
Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia.
posto ao verbo).
(Período Composto =locução verbal + verbo, duas ora- Passei no concurso, portanto comemorarei!
ções) A situação é delicada; devemos, pois, agir.
Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar um
protetor solar. (Período Composto = três verbos, três ora-  Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas:
ções). suas principais conjunções são: isto é, ou seja, a saber,
Há dois tipos de relações que podem se estabelecer na verdade, pois (anteposto ao verbo).
entre as orações de um período composto: uma relação de Não fui à praia, pois queria descansar durante o Domin-
coordenação ou uma relação de subordinação. go.
Duas orações são coordenadas quando estão juntas Maria chorou porque seus olhos estão vermelhos.
em um mesmo período, (ou seja, em um mesmo bloco
de informações, marcado pela pontuação final), mas têm, 1.4.2 Período Composto Por Subordinação
ambas, estruturas individuais, como é o exemplo de:
Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia. Quero que você seja aprovado!
(Período Composto) Oração principal oração subordinada
Podemos dizer:
1. Estou comprando um protetor solar. Observe que na oração subordinada temos o verbo
2. Irei à praia. “seja”, que está conjugado na terceira pessoa do singular
LÍNGUA PORTUGUESA

do presente do subjuntivo, além de ser introduzida por


Separando as duas, vemos que elas são independentes. conjunção. As orações subordinadas que apresentam ver-
Tal período é classificado como Período Composto por bo em qualquer dos tempos finitos (tempos do modo do
Coordenação. indicativo, subjuntivo e imperativo) e são iniciadas por con-
Quanto à classificação das orações coordenadas, te- junção, chamam-se orações desenvolvidas ou explícitas.
mos dois tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas Podemos modificar o período acima. Veja:
Sindéticas. Quero ser aprovado.
Oração Principal Oração Subordinada

75
A análise das orações continua sendo a mesma: “Quero” é a oração principal, cujo objeto direto é a oração subordinada
“ser aprovado”. Observe que a oração subordinada apresenta agora verbo no infinitivo (ser). Além disso, a conjunção “que”,
conectivo que unia as duas orações, desapareceu. As orações subordinadas cujo verbo surge numa das formas nominais
(infinitivo, gerúndio ou particípio) são chamadas de orações reduzidas ou implícitas (como no exemplo acima).

Observação:
As orações reduzidas não são introduzidas por conjunções nem pronomes relativos. Podem ser, eventualmente, intro-
duzidas por preposição.

A) Orações Subordinadas Substantivas


A oração subordinada substantiva tem valor de substantivo e vem introduzida, geralmente, por conjunção integrante
(que, se).

Não sei se sairemos hoje.


Oração Subordinada Substantiva

Temos medo de que não sejamos aprovados.


Oração Subordinada Substantiva

Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) também introduzem as orações subordinadas substantivas, bem como os
advérbios interrogativos (por que, quando, onde, como).

O garoto perguntou qual seu nome.


Oração Subordinada Substantiva

Não sabemos quando ele virá.


Oração Subordinada Substantiva

1.4.3 Classificação das Orações Subordinadas Substantivas

Conforme a função que exerce no período, a oração subordinada substantiva pode ser:
1. Subjetiva - exerce a função sintática de sujeito do verbo da oração principal:
É fundamental o seu comparecimento à reunião.
Sujeito

É fundamental que você compareça à reunião.


Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Subjetiva

FIQUE ATENTO!
Observe que a oração subordinada substantiva pode ser substituída pelo pronome “isso”. Assim, temos um
período simples:
É fundamental isso ou Isso é fundamental.
Desta forma, a oração correspondente a “isso” exercerá a função de sujeito.

Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na oração principal:

 Verbos de ligação + predicativo, em construções do tipo: É bom - É útil - É conveniente - É certo - Parece certo - É
claro - Está evidente - Está comprovado
LÍNGUA PORTUGUESA

É bom que você compareça à minha festa.

 Expressões na voz passiva, como: Sabe-se, Soube-se, Conta-se, Diz-se, Comenta-se, É sabido, Foi anunciado, Ficou
provado.
Sabe-se que Aline não gosta de Pedro.

 Verbos como: convir - cumprir - constar - admirar - importar - ocorrer - acontecer


Convém que não se atrase na entrevista.

76
Observação:
Quando a oração subordinada substantiva é subjetiva, o verbo da oração principal está sempre na 3.ª pessoa do singular.

2. Objetiva Direta = exerce função de objeto direto do verbo da oração principal:


Todos querem sua aprovação no concurso.
Objeto Direto

Todos querem que você seja aprovado. (Todos querem isso)


Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta

As orações subordinadas substantivas objetivas diretas (desenvolvidas) são iniciadas por:


 Conjunções integrantes “que” (às vezes elíptica) e “se”: A professora verificou se os alunos estavam presentes.
 Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas: O pes-
soal queria saber quem era o dono do carro importado.
 Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas: Eu não
sei por que ela fez isso.

3. Objetiva Indireta = atua como objeto indireto do verbo da oração principal. Vem precedida de preposição.

Meu pai insiste em meu estudo.


Objeto Indireto

Meu pai insiste em que eu estude. (= Meu pai insiste nisso)


Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta
Observação:
Em alguns casos, a preposição pode estar elíptica na oração.
Marta não gosta (de) que a chamem de senhora.
Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta

4. Completiva Nominal = completa um nome que pertence à oração principal e também vem marcada por preposição.
Sentimos orgulho de seu comportamento.
Complemento Nominal
Sentimos orgulho de que você se comportou. (= Sentimos orgulho disso.)
Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal

As orações subordinadas substantivas objetivas indiretas integram o sentido de um verbo, enquanto que orações su-
bordinadas substantivas completivas nominais integram o sentido de um nome. Para distinguir uma da outra, é necessário
levar em conta o termo complementado. Esta é a diferença entre o objeto indireto e o complemento nominal: o primeiro
complementa um verbo; o segundo, um nome.

5. Predicativa = exerce papel de predicativo do sujeito do verbo da oração principal e vem sempre depois do verbo ser.
Nosso desejo era sua desistência.
Predicativo do Sujeito

Nosso desejo era que ele desistisse. (= Nosso desejo era isso)
Oração Subordinada Substantiva Predicativa

6. Apositiva = exerce função de aposto de algum termo da oração principal.


Fernanda tinha um grande sonho: a felicidade!
Aposto
LÍNGUA PORTUGUESA

Fernanda tinha um grande sonho: ser feliz!


Oração subordinada substantiva apositiva reduzida de infinitivo

(Fernanda tinha um grande sonho: isso)

77
Dica: geralmente há a presença dos dois pontos! ( : )

B) Orações Subordinadas Adjetivas


Uma oração subordinada adjetiva é aquela que possui valor e função de adjetivo, ou seja, que a ele equivale. As orações
vêm introduzidas por pronome relativo e exercem a função de adjunto adnominal do antecedente.
Esta foi uma redação bem-sucedida.
Substantivo Adjetivo (Adjunto Adnominal)

O substantivo “redação” foi caracterizado pelo adjetivo “bem-sucedida”. Neste caso, é possível formarmos outra cons-
trução, a qual exerce exatamente o mesmo papel:
Esta foi uma redação que fez sucesso.
Oração Principal Oração Subordinada Adjetiva

Perceba que a conexão entre a oração subordinada adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é feita pelo
pronome relativo “que”. Além de conectar (ou relacionar) duas orações, o pronome relativo desempenha uma função sin-
tática na oração subordinada: ocupa o papel que seria exercido pelo termo que o antecede (no caso, “redação” é sujeito,
então o “que” também funciona como sujeito).

FIQUE ATENTO!
Vale lembrar um recurso didático para reconhecer o pronome relativo “que”: ele sempre pode ser substituí-
do por: o qual - a qual - os quais - as quais
Refiro-me ao aluno que é estudioso. = Esta oração é equivalente a: Refiro-me ao aluno o qual estuda.

FORMA DAS ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS

Quando são introduzidas por um pronome relativo e apresentam verbo no modo indicativo ou subjuntivo, as orações
subordinadas adjetivas são chamadas desenvolvidas. Além delas, existem as orações subordinadas adjetivas reduzidas,
que não são introduzidas por pronome relativo (podem ser introduzidas por preposição) e apresentam o verbo numa das
formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio).
Ele foi o primeiro aluno que se apresentou.
Ele foi o primeiro aluno a se apresentar.

No primeiro período, há uma oração subordinada adjetiva desenvolvida, já que é introduzida pelo pronome relativo
“que” e apresenta verbo conjugado no pretérito perfeito do indicativo. No segundo, há uma oração subordinada adjetiva
reduzida de infinitivo: não há pronome relativo e seu verbo está no infinitivo.

1. Classificação das Orações Subordinadas Adjetivas

Na relação que estabelecem com o termo que caracterizam, as orações subordinadas adjetivas podem atuar de duas
maneiras diferentes. Há aquelas que restringem ou especificam o sentido do termo a que se referem, individualizando-o.
Nestas orações não há marcação de pausa, sendo chamadas subordinadas adjetivas restritivas. Existem também orações
que realçam um detalhe ou amplificam dados sobre o antecedente, que já se encontra suficientemente definido. Estas ora-
ções denominam-se subordinadas adjetivas explicativas.

Exemplo 1:
Jamais teria chegado aqui, não fosse um homem que passava naquele momento.
Oração Subordinada Adjetiva Restritiva
LÍNGUA PORTUGUESA

No período acima, observe que a oração em destaque restringe e particulariza o sentido da palavra “homem”: trata-se
de um homem específico, único. A oração limita o universo de homens, isto é, não se refere a todos os homens, mas sim
àquele que estava passando naquele momento.

Exemplo 2:
O homem, que se considera racional, muitas vezes age animalescamente.
Oração Subordinada Adjetiva Explicativa

78
Agora, a oração em destaque não tem sentido restritivo 2. Classificação das Orações Subordinadas Adverbiais
em relação à palavra “homem”; na verdade, apenas expli-
cita uma ideia que já sabemos estar contida no conceito A) Causal = A ideia de causa está diretamente ligada
de “homem”. àquilo que provoca um determinado fato, ao motivo do que
se declara na oração principal. Principal conjunção subordi-
Saiba que: nativa causal: porque. Outras conjunções e locuções causais:
A oração subordinada adjetiva explicativa é separada como (sempre introduzido na oração anteposta à oração
da oração principal por uma pausa que, na escrita, é repre- principal), pois, pois que, já que, uma vez que, visto que.
sentada pela vírgula. É comum, por isso, que a pontuação As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito forte.
seja indicada como forma de diferenciar as orações expli- Já que você não vai, eu também não vou.
cativas das restritivas; de fato, as explicativas vêm sempre
isoladas por vírgulas; as restritivas, não. A diferença entre a subordinada adverbial causal e a
sindética explicativa é que esta “explica” o fato que aconte-
C) Orações Subordinadas Adverbiais ceu na oração com a qual ela se relaciona; aquela apresenta
Uma oração subordinada adverbial é aquela que exerce a “causa” do acontecimento expresso na oração à qual ela
a função de adjunto adverbial do verbo da oração princi- se subordina. Repare:
pal. Assim, pode exprimir circunstância de tempo, modo, 1. Faltei à aula porque estava doente.
fim, causa, condição, hipótese, etc. Quando desenvolvida, 2. Melissa chorou, porque seus olhos estão vermelhos.
vem introduzida por uma das conjunções subordinativas Em 1, a oração destacada aconteceu primeiro (causa)
(com exclusão das integrantes, que introduzem orações que o fato expresso na oração anterior, ou seja, o fato
subordinadas substantivas). Classifica-se de acordo com de estar doente impediu-me de ir à aula. No exemplo
a conjunção ou locução conjuntiva que a introduz (assim 2, a oração sublinhada relata um fato que aconteceu
como acontece com as coordenadas sindéticas). depois, já que primeiro ela chorou, depois seus olhos
Durante a madrugada, eu olhei você dormindo. ficaram vermelhos.

B) Consecutiva = exprime um fato que é consequên-


D) Oração Subordinada Adverbial
cia, é efeito do que se declara na oração principal.
A oração em destaque agrega uma circunstância de
São introduzidas pelas conjunções e locuções: que,
tempo. É, portanto, chamada de oração subordinada adver-
de forma que, de sorte que, tanto que, etc., e pelas
bial temporal. Os adjuntos adverbiais são termos acessó-
estruturas tão...que, tanto...que, tamanho...que.
rios que indicam uma circunstância referente, via de regra,
Principal conjunção subordinativa consecutiva: que
a um verbo. A classificação do adjunto adverbial depende
(precedido de tal, tanto, tão, tamanho)
da exata compreensão da circunstância que exprime.
Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou con-
Naquele momento, senti uma das maiores emoções de cretizando-os.
minha vida. Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Reduzida
Quando vi o mar, senti uma das maiores emoções de de Infinitivo)
minha vida.
C) Condicional = Condição é aquilo que se impõe
No primeiro período, “naquele momento” é um adjun- como necessário para a realização ou não de um
to adverbial de tempo, que modifica a forma verbal “senti”. fato. As orações subordinadas adverbiais condicio-
No segundo período, este papel é exercido pela oração nais exprimem o que deve ou não ocorrer para que
“Quando vi o mar”, que é, portanto, uma oração subordi- se realize - ou deixe de se realizar - o fato expresso
nada adverbial temporal. Esta oração é desenvolvida, pois na oração principal.
é introduzida por uma conjunção subordinativa (quando) Principal conjunção subordinativa condicional: se. Ou-
e apresenta uma forma verbal do modo indicativo (“vi”, do tras conjunções condicionais: caso, contanto que, desde que,
pretérito perfeito do indicativo). Seria possível reduzi-la, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que, sem que,
obtendo-se: uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo).
Ao ver o mar, senti uma das maiores emoções de minha Se o regulamento do campeonato for bem elaborado,
vida. certamente o melhor time será campeão.
A oração em destaque é reduzida, apresentando uma Caso você saia, convide-me.
das formas nominais do verbo (“ver” no infinitivo) e não
LÍNGUA PORTUGUESA

é introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por D) Concessiva = indica concessão às ações do verbo
uma preposição (“a”, combinada com o artigo “o”). da oração principal, isto é, admitem uma contradição
ou um fato inesperado. A ideia de concessão está
Observação: diretamente ligada ao contraste, à quebra de expec-
A classificação das orações subordinadas adverbiais é tativa. Principal conjunção subordinativa concessiva:
feita do mesmo modo que a classificação dos adjuntos ad- embora. Utiliza-se também a conjunção: conquanto
verbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela oração. e as locuções ainda que, ainda quando, mesmo que,
se bem que, posto que, apesar de que.

79
Só irei se ele for. quando. Outras conjunções subordinativas tempo-
A oração acima expressa uma condição: o fato de “eu” ir rais: enquanto, mal e locuções conjuntivas: assim que,
só se realizará caso essa condição seja satisfeita. logo que, todas as vezes que, antes que, depois que,
Compare agora com: sempre que, desde que, etc.
Irei mesmo que ele não vá. Assim que Paulo chegou, a reunião acabou.
Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando termi-
A distinção fica nítida; temos agora uma concessão: irei nou a festa) (Oração Reduzida de Particípio)
de qualquer maneira, independentemente de sua ida. A
oração destacada é, portanto, subordinada adverbial con- 3. Orações Reduzidas
cessiva.
Observe outros exemplos: As orações subordinadas podem vir expressas como re-
Embora fizesse calor, levei agasalho. duzidas, ou seja, com o verbo em uma de suas formas no-
Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / em- minais (infinitivo, gerúndio ou particípio) e sem conectivo
bora não estudasse). (reduzida de infinitivo) subordinativo que as introduza.
É preciso estudar! = reduzida de infinitivo
E) Comparativa= As orações subordinadas adverbiais É preciso que se estude = oração desenvolvida (presen-
comparativas estabelecem uma comparação com a ça do conectivo)
ação indicada pelo verbo da oração principal. Princi-
pal conjunção subordinativa comparativa: como. Para classificá-las, precisamos imaginar como seriam
Ele dorme como um urso. (como um urso dorme) “desenvolvidas” – como no exemplo acima.
Você age como criança. (age como uma criança age) É preciso estudar = oração subordinada substantiva
subjetiva reduzida de infinitivo
 geralmente há omissão do verbo. É preciso que se estude = oração subordinada substan-
tiva subjetiva
F) Conformativa = indica ideia de conformidade, ou 4. Orações Intercaladas
seja, apresenta uma regra, um modelo adotado para
a execução do que se declara na oração principal. São orações independentes encaixadas na sequência
Principal conjunção subordinativa conformativa: do período, utilizadas para um esclarecimento, um aparte,
conforme. Outras conjunções conformativas: como, uma citação. Elas vêm separadas por vírgulas ou travessões.
consoante e segundo (todas com o mesmo valor de Nós – continuava o relator – já abordamos este assun-
conforme). to.
Fiz o bolo conforme ensina a receita.
Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
direitos iguais. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
G) Final = indica a intenção, a finalidade daquilo que se CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
declara na oração principal. Principal conjunção su- Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
bordinativa final: a fim de. Outras conjunções finais: Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
que, porque (= para que) e a locução conjuntiva para São Paulo: Saraiva, 2002.
que.
Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigas.
Estudarei muito para que eu me saia bem na prova. SITE
http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/fra-
H) Proporcional = exprime ideia de proporção, ou seja, se-periodo-e-oracao
um fato simultâneo ao expresso na oração principal.
Principal locução conjuntiva subordinativa propor-
cional: à proporção que. Outras locuções conjuntivas
proporcionais: à medida que, ao passo que. Há ainda EXERCÍCIOS COMENTADOS
as estruturas: quanto maior...(maior), quanto maior...
(menor), quanto menor...(maior), quanto menor... 1. (Cnj – Técnico Judiciário – cespe – 2013 – adapta-
(menor), quanto mais...(mais), quanto mais...(menos), da) Jogadores de futebol de diversos times entraram em
quanto menos...(mais), quanto menos...(menos). campo em prol do programa “Pai Presente”, nos jogos do
LÍNGUA PORTUGUESA

À proporção que estudávamos mais questões acertáva- Campeonato Nacional em apoio à campanha que visa redu-
mos. zir o número de pessoas que não possuem o nome do pai em
À medida que lia mais culto ficava. sua certidão de nascimento. (...)
A oração subordinada “que não possuem o nome do pai em
I) Temporal = acrescenta uma ideia de tempo ao fato sua certidão de nascimento” não é antecedida por vírgula
expresso na oração principal, podendo exprimir no- porque tem natureza restritiva.
ções de simultaneidade, anterioridade ou posterio-
ridade. Principal conjunção subordinativa temporal: ( ) CERTO ( ) ERRADO

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Resposta: Certo. A oração restringe o grupo que par- 1. Concordância Verbal
ticipará da campanha (apenas os que não têm o nome
do pai na certidão de nascimento). Se colocarmos uma É a flexão que se faz para que o verbo concorde com
vírgula, a oração se tornará “explicativa”, generalizando seu sujeito.
a informação, o que dará a entender que TODAS as pes-
soas não têm o nome do pai na certidão. 1.1. Sujeito Simples - Regra Geral
O sujeito, sendo simples, com ele concordará o verbo
2. (Instituto Rio Branco – Admissão à Carreira de Di- em número e pessoa. Veja os exemplos:
plomata – cespe – 2014 – adaptada) A prova para ambos os cargos será aplicada
às 13h.
A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma li- 3.ª p. Singular 3.ª p. Singular
teratura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o brilho
universal dos grandes romancistas, dramaturgos e poetas. Os candidatos à vaga chegarão às 12h.
Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a um cronista, 3.ª p. Plural 3.ª p. Plural
por melhor que fosse. Portanto, parece mesmo que a crôni-
ca é um gênero menor. 1.1.1. Casos Particulares
“Graças a Deus”, seria o caso de dizer, porque, sendo assim,
ela fica mais perto de nós. E para muitos pode servir de ca- A) Quando o sujeito é formado por uma expressão par-
minho não apenas para a vida, que ela serve de perto, mas titiva (parte de, uma porção de, o grosso de, metade
para a literatura. Por meio dos assuntos, da composição sol- de, a maioria de, a maior parte de, grande parte de...)
ta, do ar de coisa sem necessidade que costuma assumir, ela seguida de um substantivo ou pronome no plural, o
se ajusta à sensibilidade de todo dia. Principalmente porque verbo pode ficar no singular ou no plural.
elabora uma linguagem que fala de perto ao nosso modo A maioria dos jornalistas aprovou / aprovaram a ideia.
de ser mais natural. Na sua despretensão, humaniza; e esta Metade dos candidatos não apresentou / apresentaram
humanização lhe permite, como compensação sorrateira, proposta.
recuperar com a outra mão certa profundidade de signifi-
cado e certo acabamento de forma, que de repente podem Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos casos
fazer dela uma inesperada, embora discreta, candidata à dos coletivos, quando especificados: Um bando de vânda-
perfeição. los destruiu / destruíram o monumento.
Antonio Candido. A vida ao rés do chão. In: Recortes. São
Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. 23 (com adaptações). Observação:
Nesses casos, o uso do verbo no singular enfatiza a uni-
As formas verbais “imagina” (R.1), “atribuir” (R.4) e “servir” dade do conjunto; já a forma plural confere destaque aos
(R.8) foram utilizadas como verbos transitivos indiretos. elementos que formam esse conjunto.

( ) CERTO ( ) ERRADO B) Quando o sujeito é formado por expressão que indi-


ca quantidade aproximada (cerca de, mais de, menos
Resposta: Errado. de, perto de...) seguida de numeral e substantivo, o
imagina uma literatura = transitivo direto verbo concorda com o substantivo.
atribuir o Prêmio Nobel a um cronista = bitransitivo Cerca de mil pessoas participaram do concurso.
(transitivo direto e indireto) Perto de quinhentos alunos compareceram à solenidade.
pode servir de caminho = intransitivo Mais de um atleta estabeleceu novo recorde nas últimas
Olimpíadas.

CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL. Observação:


Quando a expressão “mais de um” se associar a verbos
que exprimem reciprocidade, o plural é obrigatório: Mais
CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL de um colega se ofenderam na discussão. (ofenderam um
ao outro)
Os concurseiros estão apreensivos.
Concurseiros apreensivos. C) Quando se trata de nomes que só existem no plu-
ral, a concordância deve ser feita levando-se em con-
LÍNGUA PORTUGUESA

No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra na ter- ta a ausência ou presença de artigo. Sem artigo, o
ceira pessoa do plural, concordando com o seu sujeito, os verbo deve ficar no singular; com artigo no plural, o
concurseiros. No segundo exemplo, o adjetivo “apreensivos” verbo deve ficar o plural.
está concordando em gênero (masculino) e número (plural) Os Estados Unidos possuem grandes universidades.
com o substantivo a que se refere: concurseiros. Nesses dois Estados Unidos possui grandes universidades.
exemplos, as flexões de pessoa, número e gênero se corres- Alagoas impressiona pela beleza das praias.
pondem. A correspondência de flexão entre dois termos é a As Minas Gerais são inesquecíveis.
concordância, que pode ser verbal ou nominal. Minas Gerais produz queijo e poesia de primeira.

81
D) Quando o sujeito é um pronome interrogativo ou  Se a expressão for de sentido contrário – nenhum
indefinido plural (quais, quantos, alguns, poucos, dos que, nem um dos que -, não aceita o verbo no
muitos, quaisquer, vários) seguido por “de nós” ou “de singular:
vós”, o verbo pode concordar com o primeiro prono- Nenhum dos que foram aprovados assumirá a vaga.
me (na terceira pessoa do plural) ou com o pronome Nem uma das que me escreveram mora aqui.
pessoal.
Quais de nós são / somos capazes?  Quando “um dos que” vem entremeada de substan-
Alguns de vós sabiam / sabíeis do caso? tivo, o verbo pode:
Vários de nós propuseram / propusemos sugestões ino- 1. ficar no singular – O Tietê é um dos rios que atravessa
vadoras. o Estado de São Paulo. ( já que não há outro rio que
faça o mesmo).
Observação: 2. ir para o plural – O Tietê é um dos rios que estão po-
Veja que a opção por uma ou outra forma indica a in- luídos (noção de que existem outros rios na mesma
clusão ou a exclusão do emissor. Quando alguém diz ou condição).
escreve “Alguns de nós sabíamos de tudo e nada fizemos”,
ele está se incluindo no grupo dos omissos. Isso não ocorre H) Quando o sujeito é um pronome de tratamento, o
ao dizer ou escrever “Alguns de nós sabiam de tudo e nada verbo fica na 3ª pessoa do singular ou plural.
fizeram”, frase que soa como uma denúncia. Vossa Excelência está cansado?
Nos casos em que o interrogativo ou indefinido estiver Vossas Excelências renunciarão?
no singular, o verbo ficará no singular.
Qual de nós é capaz? I) A concordância dos verbos bater, dar e soar faz-se de
Algum de vós fez isso. acordo com o numeral.
Deu uma hora no relógio da sala.
E) Quando o sujeito é formado por uma expressão que Deram cinco horas no relógio da sala.
indica porcentagem seguida de substantivo, o verbo Soam dezenove horas no relógio da praça.
deve concordar com o substantivo. Baterão doze horas daqui a pouco.
25% do orçamento do país será destinado à Educação.
85% dos entrevistados não aprovam a administração do Observação:
prefeito. Caso o sujeito da oração seja a palavra relógio, sino, tor-
1% do eleitorado aceita a mudança. re, etc., o verbo concordará com esse sujeito.
1% dos alunos faltaram à prova. O tradicional relógio da praça matriz dá nove horas.
Soa quinze horas o relógio da matriz.
 Quando a expressão que indica porcentagem não é
seguida de substantivo, o verbo deve concordar com J) Verbos Impessoais: por não se referirem a nenhum
o número. sujeito, são usados sempre na 3.ª pessoa do singular.
25% querem a mudança. São verbos impessoais: Haver no sentido de existir;
1% conhece o assunto. Fazer indicando tempo; Aqueles que indicam fenô-
menos da natureza. Exemplos:
 Se o número percentual estiver determinado por Havia muitas garotas na festa.
artigo ou pronome adjetivo, a concordância far-se-á Faz dois meses que não vejo meu pai.
com eles: Chovia ontem à tarde.
Os 30% da produção de soja serão exportados.
Esses 2% da prova serão questionados. 1.2. Sujeito Composto

F) O pronome “que” não interfere na concordância; já A) Quando o sujeito é composto e anteposto ao verbo,
o “quem” exige que o verbo fique na 3.ª pessoa do a concordância se faz no plural:
singular. Pai e filho conversavam longamente.
Fui eu que paguei a conta. Sujeito
Fomos nós que pintamos o muro.
És tu que me fazes ver o sentido da vida. Pais e filhos devem conversar com frequência.
Sou eu quem faz a prova. Sujeito
LÍNGUA PORTUGUESA

Não serão eles quem será aprovado.


B) Nos sujeitos compostos formados por pessoas gra-
G) Com a expressão “um dos que”, o verbo deve assu- maticais diferentes, a concordância ocorre da seguin-
mir a forma plural. te maneira: a primeira pessoa do plural (nós) preva-
Ademir da Guia foi um dos jogadores que mais encanta- lece sobre a segunda pessoa (vós) que, por sua vez,
ram os poetas. prevalece sobre a terceira (eles). Veja:
Este candidato é um dos que mais estudaram! Teus irmãos, tu e eu tomaremos a decisão.
Primeira Pessoa do Plural (Nós)

82
Tu e teus irmãos tomareis a decisão.  Com “um e outro”, o verbo pode ficar no plural ou no
Segunda Pessoa do Plural (Vós) singular: Um e outro farão/fará a prova.

Pais e filhos precisam respeitar-se.  Quando os núcleos do sujeito são unidos por “com”, o
Terceira Pessoa do Plural (Eles) verbo fica no plural. Nesse caso, os núcleos recebem um
mesmo grau de importância e a palavra “com” tem sen-
Observação: tido muito próximo ao de “e”.
Quando o sujeito é composto, formado por um elemen- O pai com o filho montaram o brinquedo.
to da segunda pessoa (tu) e um da terceira (ele), é possível O governador com o secretariado traçaram os planos para o
empregar o verbo na terceira pessoa do plural (eles): “Tu e próximo semestre.
teus irmãos tomarão a decisão.” – no lugar de “tomaríeis”. O professor com o aluno questionaram as regras.
C) No caso do sujeito composto posposto ao verbo,
passa a existir uma nova possibilidade de concordân- Nesse mesmo caso, o verbo pode ficar no singular, se a
cia: em vez de concordar no plural com a totalidade ideia é enfatizar o primeiro elemento.
do sujeito, o verbo pode estabelecer concordância O pai com o filho montou o brinquedo.
com o núcleo do sujeito mais próximo. O governador com o secretariado traçou os planos para o
Faltaram coragem e competência. próximo semestre.
Faltou coragem e competência. O professor com o aluno questionou as regras.
Compareceram todos os candidatos e o banca.
Compareceu o banca e todos os candidatos. Com o verbo no singular, não se pode falar em sujeito
composto. O sujeito é simples, uma vez que as expressões
D) Quando ocorre ideia de reciprocidade, a concordân- “com o filho” e “com o secretariado” são adjuntos adver-
cia é feita no plural. Observe: biais de companhia. Na verdade, é como se houvesse uma
Abraçaram-se vencedor e vencido. inversão da ordem. Veja:
Ofenderam-se o jogador e o árbitro. “O pai montou o brinquedo com o filho.”
“O governador traçou os planos para o próximo semestre
1.2.1. Casos Particulares com o secretariado.”
“O professor questionou as regras com o aluno.”
 Quando o sujeito composto é formado por núcleos
sinônimos ou quase sinônimos, o verbo fica no sin- Casos em que se usa o verbo no singular:
gular. Café com leite é uma delícia!
Descaso e desprezo marca seu comportamento. O frango com quiabo foi receita da vovó.
A coragem e o destemor fez dele um herói.
Quando os núcleos do sujeito são unidos por expressões
 Quando o sujeito composto é formado por núcleos correlativas como: “não só... mas ainda”, “não somente”..., “não
dispostos em gradação, verbo no singular: apenas... mas também”, “tanto...quanto”, o verbo ficará no plural.
Com você, meu amor, uma hora, um minuto, um segundo Não só a seca, mas também o pouco caso castigam o Nor-
me satisfaz. deste.
Tanto a mãe quanto o filho ficaram surpresos com a notícia.
 Quando os núcleos do sujeito composto são unidos
por “ou” ou “nem”, o verbo deverá ficar no plural, de Quando os elementos de um sujeito composto são resumi-
acordo com o valor semântico das conjunções: dos por um aposto recapitulativo, a concordância é feita com
Drummond ou Bandeira representam a essência da poe- esse termo resumidor.
sia brasileira. Filmes, novelas, boas conversas, nada o tirava da apatia.
Nem o professor nem o aluno acertaram a resposta. Trabalho, diversão, descanso, tudo é muito importante na
vida das pessoas.
Em ambas as orações, as conjunções dão ideia de “adi-
ção”. Já em: 1.2.2 Outros Casos
Juca ou Pedro será contratado.
Roma ou Buenos Aires será a sede da próxima Olimpíada. O Verbo e a Palavra “SE”
Dentre as diversas funções exercidas pelo “se”, há duas de
LÍNGUA PORTUGUESA

Temos ideia de exclusão, por isso os verbos ficam no particular interesse para a concordância verbal:
singular. A) quando é índice de indeterminação do sujeito;
B) quando é partícula apassivadora.
 Com as expressões “um ou outro” e “nem um nem Quando índice de indeterminação do sujeito, o “se” acompa-
outro”, a concordância costuma ser feita no singular. nha os verbos intransitivos, transitivos indiretos e de ligação, que
Um ou outro compareceu à festa. obrigatoriamente são conjugados na terceira pessoa do singular:
Nem um nem outro saiu do colégio. Precisa-se de funcionários.
Confia-se em teses absurdas.

83
Quando pronome apassivador, o “se” acompanha ver- Daqui até a escola é um quilômetro / são dois quilômetros.
bos transitivos diretos (VTD) e transitivos diretos e indiretos
(VTDI) na formação da voz passiva sintética. Nesse caso, o  datas, concordará com a palavra dia(s), que pode
verbo deve concordar com o sujeito da oração. Exemplos: estar expressa ou subentendida:
Construiu-se um posto de saúde. Hoje é dia 26 de agosto.
Construíram-se novos postos de saúde. Hoje são 26 de agosto.
Aqui não se cometem equívocos
Alugam-se casas.  Quando o sujeito indicar peso, medida, quantidade
e for seguido de palavras ou expressões como pouco,
muito, menos de, mais de, etc., o verbo SER fica no
#FicaDica singular:
Cinco quilos de açúcar é mais do que preciso.
Para saber se o “se” é partícula apassivadora
Três metros de tecido é pouco para fazer seu vestido.
ou índice de indeterminação do sujeito, tente
Duas semanas de férias é muito para mim.
transformar a frase para a voz passiva. Se a fra-
se construída for “compreensível”, estaremos
 Quando um dos elementos (sujeito ou predicativo)
diante de uma partícula apassivadora; se não, o
for pronome pessoal do caso reto, com este concor-
“se” será índice de indeterminação. Veja:
dará o verbo.
Precisa-se de funcionários qualificados.
No meu setor, eu sou a única mulher.
Tentemos a voz passiva:
Aqui os adultos somos nós.
Funcionários qualificados são precisados (ou
precisos)? Não há lógica. Portanto, o “se” des-
Observação:
tacado é índice de indeterminação do sujeito.
Sendo ambos os termos (sujeito e predicativo) repre-
Agora:
sentados por pronomes pessoais, o verbo concorda com o
Vendem-se casas.
pronome sujeito.
Voz passiva: Casas são vendidas. Construção
Eu não sou ela.
correta! Então, aqui, o “se” é partícula apassi-
Ela não é eu.
vadora. (Dá para eu passar para a voz passiva.
Repare em meu destaque. Percebeu semelhan-
 Quando o sujeito for uma expressão de sentido par-
ça? Agora é só memorizar!)
titivo ou coletivo e o predicativo estiver no plural, o
verbo SER concordará com o predicativo.
A grande maioria no protesto eram jovens.
O Verbo “Ser” O resto foram atitudes imaturas.

A concordância verbal dá-se sempre entre o verbo e o O Verbo “Parecer”


sujeito da oração. No caso do verbo ser, essa concordân- O verbo parecer, quando é auxiliar em uma locução ver-
cia pode ocorrer também entre o verbo e o predicativo do bal (é seguido de infinitivo), admite duas concordâncias:
sujeito.
 Ocorre variação do verbo PARECER e não se flexiona
Quando o sujeito ou o predicativo for: o infinitivo: As crianças parecem gostar do desenho.

A) Nome de pessoa ou pronome pessoal – o verbo SER  A variação do verbo parecer não ocorre e o infinitivo
concorda com a pessoa gramatical: sofre flexão:
Ele é forte, mas não é dois. As crianças parece gostarem do desenho.
Fernando Pessoa era vários poetas. (essa frase equivale a: Parece gostarem do desenho aas
A esperança dos pais são eles, os filhos. crianças)

B) nome de coisa e um estiver no singular e o outro no


plural, o verbo SER concordará, preferencialmente,
FIQUE ATENTO!
com o que estiver no plural:
Os livros são minha paixão! Com orações desenvolvidas, o verbo PARECER
LÍNGUA PORTUGUESA

Minha paixão são os livros! fica no singular. Por exemplo: As paredes pa-
rece que têm ouvidos. (Parece que as paredes
Quando o verbo SER indicar têm ouvidos = oração subordinada substantiva
subjetiva).
 horas e distâncias, concordará com a expressão nu-
mérica:
É uma hora.
São quatro horas.

84
CONCORDÂNCIA NOMINAL E) Nas expressões formadas por pronome indefinido
neutro (nada, algo, muito, tanto, etc.) + preposição DE
A concordância nominal se baseia na relação entre no- + adjetivo, este último geralmente é usado no mascu-
mes (substantivo, pronome) e as palavras que a eles se lino singular: Os jovens tinham algo de misterioso.
ligam para caracterizá-los (artigos, adjetivos, pronomes
adjetivos, numerais adjetivos e particípios). Lembre-se: F) A palavra “só”, quando equivale a “sozinho”, tem fun-
normalmente, o substantivo funciona como núcleo de um ção adjetiva e concorda normalmente com o nome a
termo da oração, e o adjetivo, como adjunto adnominal. que se refere:
A concordância do adjetivo ocorre de acordo com as Cristina saiu só.
seguintes regras gerais: Cristina e Débora saíram sós.
A) O adjetivo concorda em gênero e número quando
se refere a um único substantivo: As mãos trêmulas Observação:
denunciavam o que sentia. Quando a palavra “só” equivale a “somente” ou “ape-
B) Quando o adjetivo refere-se a vários substantivos, a nas”, tem função adverbial, ficando, portanto, invariável:
concordância pode variar. Podemos sistematizar essa Eles só desejam ganhar presentes.
flexão nos seguintes casos:

 Adjetivo anteposto aos substantivos:


O adjetivo concorda em gênero e número com o subs-
#FicaDica
tantivo mais próximo. Substitua o “só” por “apenas” ou “sozinho”. Se
Encontramos caídas as roupas e os prendedores. a frase ficar coerente com o primeiro, trata-se
Encontramos caída a roupa e os prendedores. de advérbio, portanto, invariável; se houver
Encontramos caído o prendedor e a roupa. coerência com o segundo, função de adjetivo,
então varia:
Caso os substantivos sejam nomes próprios ou de pa- Ela está só. (ela está sozinha) – adjetivo
rentesco, o adjetivo deve sempre concordar no plural. Ele está só descansando. (apenas descansando)
As adoráveis Fernanda e Cláudia vieram me visitar.
- advérbio
Encontrei os divertidos primos e primas na festa.
Mas cuidado! Se colocarmos uma vírgula de-
 Adjetivo posposto aos substantivos:
pois de “só”, haverá, novamente, um adjetivo:
O adjetivo concorda com o substantivo mais próximo
Ele está só, descansando. (ele está sozinho e des-
ou com todos eles (assumindo a forma masculina
cansando)
plural se houver substantivo feminino e masculino).
A indústria oferece localização e atendimento perfeito.
A indústria oferece atendimento e localização perfeita.
A indústria oferece localização e atendimento perfeitos. G) Quando um único substantivo é modificado por dois
A indústria oferece atendimento e localização perfeitos. ou mais adjetivos no singular, podem ser usadas as
construções:
Observação:  O substantivo permanece no singular e coloca-se
Os dois últimos exemplos apresentam maior clareza, o artigo antes do último adjetivo: Admiro a cultura
pois indicam que o adjetivo efetivamente se refere aos dois espanhola e a portuguesa.
substantivos. Nesses casos, o adjetivo foi flexionado no  O substantivo vai para o plural e omite-se o arti-
plural masculino, que é o gênero predominante quando há go antes do adjetivo: Admiro as culturas espanhola
substantivos de gêneros diferentes. e portuguesa.
Se os substantivos possuírem o mesmo gênero, o adje-
tivo fica no singular ou plural. 1. Casos Particulares
A beleza e a inteligência feminina(s).
O carro e o iate novo(s). É proibido - É necessário - É bom - É preciso - É per-
mitido
C) Expressões formadas pelo verbo SER + adjetivo:
O adjetivo fica no masculino singular, se o substanti-  Estas expressões, formadas por um verbo mais um
vo não for acompanhado de nenhum modificador: adjetivo, ficam invariáveis se o substantivo a que se
LÍNGUA PORTUGUESA

Água é bom para saúde. referem possuir sentido genérico (não vier precedido
O adjetivo concorda com o substantivo, se este for mo- de artigo).
dificado por um artigo ou qualquer outro determinativo: É proibido entrada de crianças.
Esta água é boa para saúde. Em certos momentos, é necessário atenção.
No verão, melancia é bom.
D) O adjetivo concorda em gênero e número com os É preciso cidadania.
pronomes pessoais a que se refere: Juliana encon- Não é permitido saída pelas portas laterais.
trou-as muito felizes.

85
 Quando o sujeito destas expressões estiver deter- SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
minado por artigos, pronomes ou adjetivos, tanto o coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
verbo como o adjetivo concordam com ele. Português: novas palavras: literatura, gramática, redação
É proibida a entrada de crianças. / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
Esta salada é ótima.
A educação é necessária. SITE
São precisas várias medidas na educação. http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint49.php

Anexo - Obrigado - Mesmo - Próprio - Incluso - Quite

Estas palavras adjetivas concordam em gênero e núme- EXERCÍCIOS COMENTADOS


ro com o substantivo ou pronome a que se referem.
Seguem anexas as documentações requeridas. 1. (Polícia Federal – Escrivão de Polícia Federal – Ces-
A menina agradeceu: - Muito obrigada. pe – 2013) Formas de tratamento como Vossa Excelência e
Muito obrigadas, disseram as senhoras. Vossa Senhoria, ainda que sejam empregadas sempre na se-
Seguem inclusos os papéis solicitados. gunda pessoa do plural e no feminino, exigem flexão verbal
Estamos quites com nossos credores. de terceira pessoa; além disso, o pronome possessivo que
faz referência ao pronome de tratamento também deve ser
Bastante - Caro - Barato - Longe o de terceira pessoa, e o adjetivo que remete ao pronome
de tratamento deve concordar em gênero e número com a
Estas palavras são invariáveis quando funcionam como pessoa — e não com o pronome — a que se refere.
advérbios. Concordam com o nome a que se referem quan-
do funcionam como adjetivos, pronomes adjetivos, ou nu- ( ) CERTO ( ) ERRADO
merais.
As jogadoras estavam bastante cansadas. (advérbio) Resposta: Certo. Afirmações corretas. As concordâncias
Há bastantes pessoas insatisfeitas com o trabalho. (pro- verbal e nominal ao se utilizar pronome de tratamento
nome adjetivo) devem ser na terceira pessoa e concordar em gênero
Nunca pensei que o estudo fosse tão caro. (advérbio) (masculino ou feminino) com a pessoa a quem se dirige:
As casas estão caras. (adjetivo) “Vossa Excelência está cansada(o)?” – concordará com
Achei barato este casaco. (advérbio) quem está se falando: uma mulher ou um homem / “Vos-
Hoje as frutas estão baratas. (adjetivo) sa Santidade trouxe seus pertences?” / “Vossas Senhorias
gostariam de um café?”.
Meio - Meia
2. (Prefeitura de São Luís-MA – Conhecimentos Bási-
A palavra “meio”, quando empregada como adjetivo, cos Cargos de Técnico Municipal – Nível Médio – Ces-
concorda normalmente com o nome a que se refere: Pedi pe – 2017)
meia porção de polentas.
Quando empregada como advérbio permanece invariá- Texto CB3A2BBB
vel: A candidata está meio nervosa.
O reconhecimento e a proteção dos direitos humanos estão
na base das Constituições democráticas modernas. A paz,
#FicaDica por sua vez, é o pressuposto necessário para o reconheci-
mento e a efetiva proteção dos direitos humanos em cada
Dá para eu substituir por “um pouco”, assim Estado e no sistema internacional. Ao mesmo tempo, o pro-
saberei que se trata de um advérbio, não de cesso de democratização do sistema internacional, que é o
adjetivo: “A candidata está um pouco nervosa”. caminho obrigatório para a busca do ideal da paz perpétua,
não pode avançar sem uma gradativa ampliação do reco-
nhecimento e da proteção dos direitos humanos, acima de
Alerta - Menos cada Estado. Direitos humanos, democracia e paz são três
elementos fundamentais do mesmo movimento histórico:
Essas palavras são advérbios, portanto, permanecem sem direitos humanos reconhecidos e protegidos, não há
LÍNGUA PORTUGUESA

sempre invariáveis. democracia; sem democracia, não existem as condições mí-


Os concurseiros estão sempre alerta. nimas para a solução pacífica dos conflitos. Em outras pala-
Não queira menos matéria! vras, a democracia é a sociedade dos cidadãos, e os súditos
se tornam cidadãos quando lhes são reconhecidos alguns
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS direitos fundamentais; haverá paz estável, uma paz que não
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce- tenha a guerra como alternativa, somente quando existirem
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São cidadãos não mais apenas deste ou daquele Estado, mas
Paulo: Saraiva, 2010. do mundo.

86
Norberto Bobbio. A era dos direitos. Trad. Carlos Nelson Cou- 5. (Tribunal de Contas do Distrito Federal-df – Co-
tinho. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004, p. 1 (com adaptações). nhecimentos BÁSICOS – ANALISTA DE ADMINIS-
Preservando-se a correção gramatical do texto CB3A2BBB, TRAÇÃO PÚBLICA – ARQUIVOLOGIA – cespe – 2014
os termos “não há” e “não existem” poderiam ser substituí- – adaptada) (...) Há décadas, países como China e Índia têm
dos, respectivamente, por enviado estudantes para países centrais, com resultados mui-
to positivos.(...)
a) não existe e não têm. A forma verbal “Há” poderia ser corretamente substituída
b) não existe e inexiste. por Fazem.
c) inexiste e não há.
d) inexiste e não acontece. ( ) CERTO ( ) ERRADO
e) não tem e não têm.
Resposta: Errado. O verbo “fazer”, quando empregado
Resposta: Letra C. no sentido de tempo passado, não sofre flexão. Portanto,
Busquemos o contexto: sua forma correta seria: “faz décadas”.
- sem direitos humanos reconhecidos e protegidos, não
há democracia = poderíamos substituir por “não exis-
te”, inexiste (verbo “haver” empregado com o sentido REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL.
de “existir”)
- sem democracia, não existem as condições mínimas
para a solução pacífica dos conflitos = sentido de “exis- REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL
tir”. Poderíamos substituir por inexiste, mas no plural, já
que devemos concordar com “as condições mínimas”. A Dá-se o nome de regência à relação de subordinação
única “troca” adequada seria o verbo “haver” – que pode que ocorre entre um verbo (regência verbal) ou um nome
ser utilizado com o sentido de “existir”. Teríamos: sem (regência nominal) e seus complementos.
direitos humanos reconhecidos e protegidos, inexiste de-
mocracia; sem democracia, não há as condições mínimas 1. Regência Verbal = Termo Regente: VERBO
para a solução pacífica dos conflitos.
A regência verbal estuda a relação que se estabelece en-
tre os verbos e os termos que os complementam (objetos
3. (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comér-
diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (adjuntos adver-
cio Exterior – Analista Técnico Administrativo – cespe
biais). Há verbos que admitem mais de uma regência, o que
– 2014) Em “Vossa Excelência deve estar satisfeita com os
corresponde à diversidade de significados que estes verbos
resultados das negociações”, o adjetivo estará corretamente
podem adquirir dependendo do contexto em que forem
empregado se dirigido a ministro de Estado do sexo mascu-
empregados.
lino, pois o termo “satisfeita” deve concordar com a locução
A mãe agrada o filho = agradar significa acariciar, con-
pronominal de tratamento “Vossa Excelência”. tentar.
A mãe agrada ao filho = agradar significa “causar agrado
( ) CERTO ( ) ERRADO ou prazer”, satisfazer.
Conclui-se que “agradar alguém” é diferente de “agradar
Resposta: Errado. Se a pessoa, no caso o ministro, for a alguém”.
do sexo feminino (ministra), o adjetivo está correto; mas,
se for do sexo masculino, o adjetivo sofrerá flexão de O conhecimento do uso adequado das preposições é um
gênero: satisfeito. O pronome de tratamento é apenas a dos aspectos fundamentais do estudo da regência verbal (e
maneira como tratar a autoridade, não regendo as de- também nominal). As preposições são capazes de modificar
mais concordâncias. completamente o sentido daquilo que está sendo dito.
Cheguei ao metrô.
4. (Abin – Agente Técnico de Inteligência – cespe – Cheguei no metrô.
2010 – adaptada) (...) Da combinação entre velocidade, No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no segun-
persistência, relevância, precisão e flexibilidade surge a no- do caso, é o meio de transporte por mim utilizado.
ção contemporânea de agilidade, transformada em principal
característica de nosso tempo. A voluntária distribuía leite às crianças.
A forma verbal “surge” poderia, sem prejuízo gramatical para A voluntária distribuía leite com as crianças.
LÍNGUA PORTUGUESA

o texto, ser flexionada no plural, para concordar com “veloci- Na primeira frase, o verbo “distribuir” foi empregado
dade, persistência, relevância, precisão e flexibilidade” como transitivo direto (objeto direto: leite) e indireto (obje-
to indireto: às crianças); na segunda, como transitivo direto
( ) CERTO ( ) ERRADO (objeto direto: crianças; com as crianças: adjunto adverbial).
Para estudar a regência verbal, agruparemos os verbos
Resposta: Errado. O verbo está concordando com o ter- de acordo com sua transitividade. Esta, porém, não é um
mo “combinação”, por isso deve ficar no singular. fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de diferentes
formas em frases distintas.

87
A) Verbos Intransitivos C) Verbos Transitivos Indiretos

Os verbos intransitivos não possuem complemento. É Os verbos transitivos indiretos são complementados
importante, no entanto, destacar alguns detalhes relativos por objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exi-
aos adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los. gem uma preposição para o estabelecimento da relação de
regência. Os pronomes pessoais do caso oblíquo de ter-
Chegar, Ir ceira pessoa que podem atuar como objetos indiretos são
Normalmente vêm acompanhados de adjuntos adver- o “lhe”, o “lhes”, para substituir pessoas. Não se utilizam
biais de lugar. Na língua culta, as preposições usadas para os pronomes o, os, a, as como complementos de verbos
indicar destino ou direção são: a, para. transitivos indiretos. Com os objetos indiretos que não re-
presentam pessoas, usam-se pronomes oblíquos tônicos
Fui ao teatro. de terceira pessoa (ele, ela) em lugar dos pronomes átonos
Adjunto Adverbial de Lugar lhe, lhes.

Ricardo foi para a Espanha. Os verbos transitivos indiretos são os seguintes:


Adjunto Adverbial de Lugar Consistir - Tem complemento introduzido pela prepo-
sição “em”: A modernidade verdadeira consiste em direitos
Comparecer iguais para todos.
O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido por
em ou a. Obedecer e Desobedecer - Possuem seus complemen-
Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o úl- tos introduzidos pela preposição “a”:
timo jogo. Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.
Eles desobedeceram às leis do trânsito.
B) Verbos Transitivos Diretos
Responder - Tem complemento introduzido pela pre-
Os verbos transitivos diretos são complementados por posição “a”. Esse verbo pede objeto indireto para indicar “a
objetos diretos. Isso significa que não exigem preposição quem” ou “ao que” se responde.
para o estabelecimento da relação de regência. Ao empre- Respondi ao meu patrão.
gar esses verbos, lembre-se de que os pronomes oblíquos Respondemos às perguntas.
o, a, os, as atuam como objetos diretos. Esses pronomes Respondeu-lhe à altura.
podem assumir as formas lo, los, la, las (após formas ver-
bais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos, nas (após Observação:
formas verbais terminadas em sons nasais), enquanto lhe e O verbo responder, apesar de transitivo indireto quan-
lhes são, quando complementos verbais, objetos indiretos. do exprime aquilo a que se responde, admite voz passiva
São verbos transitivos diretos, dentre outros: aban- analítica:
donar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar, O questionário foi respondido corretamente.
admirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, auxiliar, Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamente.
castigar, condenar, conhecer, conservar, convidar, defender,
eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir, prejudicar, prezar, Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus complemen-
proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver, visitar. tos introduzidos pela preposição “com”.
Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente Antipatizo com aquela apresentadora.
como o verbo amar: Simpatizo com os que condenam os políticos que gover-
Amo aquele rapaz. / Amo-o. nam para uma minoria privilegiada.
Amo aquela moça. / Amo-a.
Amam aquele rapaz. / Amam-no. D) Verbos Transitivos Diretos e Indiretos
Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la.
Os verbos transitivos diretos e indiretos são acompa-
Observação: nhados de um objeto direto e um indireto. Merecem desta-
Os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos que, nesse grupo: agradecer, perdoar e pagar. São verbos
para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos ad- que apresentam objeto direto relacionado a coisas e objeto
nominais): indireto relacionado a pessoas.
LÍNGUA PORTUGUESA

Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto)


Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua carrei- Agradeço aos ouvintes a audiência.
ra) Objeto Indireto Objeto Direto
Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau humor)
Paguei o débito ao cobrador.
Objeto Direto Objeto Indireto

88
O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito Observação:
com particular cuidado: Na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado sem
Agradeci o presente. / Agradeci-o. termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil vezes,
Agradeço a você. / Agradeço-lhe. um milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo prefixo
Perdoei a ofensa. / Perdoei-a. existente no próprio verbo (pre).
Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
Paguei minhas contas. / Paguei-as. Mudança de Transitividade - Mudança de Significado
Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.
Há verbos que, de acordo com a mudança de transitivi-
Informar dade, apresentam mudança de significado. O conhecimento
Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto das diferentes regências desses verbos é um recurso linguís-
indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa. tico muito importante, pois além de permitir a correta inter-
Informe os novos preços aos clientes. pretação de passagens escritas, oferece possibilidades ex-
Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os novos pressivas a quem fala ou escreve. Dentre os principais, estão:
preços)
Na utilização de pronomes como complementos, veja Agradar
as construções: Agradar é transitivo direto no sentido de fazer carinhos,
Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços. acariciar, fazer as vontades de.
Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou so- Sempre agrada o filho quando.
bre eles) Aquele comerciante agrada os clientes.

Observação: Agradar é transitivo indireto no sentido de causar agra-


A mesma regência do verbo informar é usada para os do a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento introdu-
seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir. zido pela preposição “a”.
O cantor não agradou aos presentes.
Comparar O cantor não lhes agradou.
Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite as
preposições “a” ou “com” para introduzir o complemento O antônimo “desagradar” é sempre transitivo indireto: O
indireto: Comparei seu comportamento ao (ou com o) de cantor desagradou à plateia.
uma criança.
Aspirar
Pedir Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, inspirar
Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente na (o ar), inalar: Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o)
forma de oração subordinada substantiva) e indireto de
pessoa. Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter
como ambição: Aspirávamos a um emprego melhor. (Aspi-
Pedi-lhe favores. rávamos a ele)
Objeto Indireto Objeto Direto Como o objeto direto do verbo “aspirar” não é pessoa, as
formas pronominais átonas “lhe” e “lhes” não são utilizadas,
Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio. mas, sim, as formas tônicas “a ele(s)”, “a ela(s)”. Veja o exem-
Objeto Indireto Oração Subordinada Subs- plo: Aspiravam a uma existência melhor. (= Aspiravam a ela)
tantiva Objetiva Direta
Assistir
A construção “pedir para”, muito comum na linguagem Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, prestar
cotidiana, deve ter emprego muito limitado na língua culta. assistência a, auxiliar.
No entanto, é considerada correta quando a palavra licença As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.
estiver subentendida. As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em casa.
Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presenciar,
Observe que, nesse caso, a preposição “para” introduz estar presente, caber, pertencer.
uma oração subordinada adverbial final reduzida de infiniti- Assistimos ao documentário.
LÍNGUA PORTUGUESA

vo (para ir entregar-lhe os catálogos em casa). Não assisti às últimas sessões.


Essa lei assiste ao inquilino.
Preferir
Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto indi- No sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é intran-
reto introduzido pela preposição “a”: sitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de lugar
Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais. introduzido pela preposição “em”: Assistimos numa contur-
Prefiro trem a ônibus. bada cidade.

89
Chamar
Chamar é transitivo direto no sentido de convocar, solicitar a atenção ou a presença de.
Por gentileza, vá chamar a polícia. / Por favor, vá chamá-la.
Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.

Chamar no sentido de denominar, apelidar pode apresentar objeto direto e indireto, ao qual se refere predicativo pre-
posicionado ou não.
A torcida chamou o jogador mercenário.
A torcida chamou ao jogador mercenário.
A torcida chamou o jogador de mercenário.
A torcida chamou ao jogador de mercenário.
Chamar com o sentido de ter por nome é pronominal: Como você se chama? Eu me chamo Zenaide.

Custar
Custar é intransitivo no sentido de ter determinado valor ou preço, sendo acompanhado de adjunto adverbial: Frutas e
verduras não deveriam custar muito.
No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransitivo ou transitivo indireto, tendo como sujeito uma oração reduzida
de infinitivo.

Muito custa viver tão longe da família.


Verbo Intransitivo Oração Subordinada Substantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo

Custou-me (a mim) crer nisso.


Objeto Indireto Oração Subordinada Substantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo

A Gramática Normativa condena as construções que atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado por pessoa:
Custei para entender o problema.
= Forma correta: Custou-me entender o problema.

Implicar
Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos:
A) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes implicavam um firme propósito.
B) ter como consequência, trazer como consequência, acarretar, provocar: Uma ação implica reação.

Como transitivo direto e indireto, significa comprometer, envolver: Implicaram aquele jornalista em questões econômicas.
No sentido de antipatizar, ter implicância, é transitivo indireto e rege com preposição “com”: Implicava com quem não
trabalhasse arduamente.

Namorar
Sempre tansitivo direto: Luísa namora Carlos há dois anos.

Obedecer - Desobedecer
Sempre transitivo indireto:
Todos obedeceram às regras.
Ninguém desobedece às leis.

Quando o objeto é “coisa”, não se utiliza “lhe” nem “lhes”: As leis são essas, mas todos desobedecem a elas.

Proceder
Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter cabimento, ter fundamento ou comportar-se, agir. Nessa segunda
acepção, vem sempre acompanhado de adjunto adverbial de modo.
LÍNGUA PORTUGUESA

As afirmações da testemunha procediam, não havia como refutá-las.


Você procede muito mal.

Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a preposição “de”) e fazer, executar (rege complemento introduzido pela
preposição “a”) é transitivo indireto.
O avião procede de Maceió.
Procedeu-se aos exames.
O delegado procederá ao inquérito.

90
Querer
Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter vontade de, cobiçar.
Querem melhor atendimento.
Queremos um país melhor.

Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição, estimar, amar: Quero muito aos meus amigos.

Visar
Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mirar, fazer pontaria e de pôr visto, rubricar.
O homem visou o alvo.
O gerente não quis visar o cheque.

No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como objetivo é transitivo indireto e rege a preposição “a”.
O ensino deve sempre visar ao progresso social.
Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar público.

Esquecer – Lembrar
Lembrar algo – esquecer algo
Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronominal)

No 1.º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja, exigem complemento sem preposição: Ele esqueceu o livro.
No 2.º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc) e exigem complemento com a preposição “de”. São, portanto,
transitivos indiretos:
Ele se esqueceu do caderno.
Eu me esqueci da chave.
Eles se esqueceram da prova.
Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.

Há uma construção em que a coisa esquecida ou lembrada passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve alteração
de sentido. É uma construção muito rara na língua contemporânea, porém, é fácil encontrá-la em textos clássicos tanto
brasileiros como portugueses. Machado de Assis, por exemplo, fez uso dessa construção várias vezes.
Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)
Não lhe lembram os bons momentos da infância? (= momentos é sujeito)

Simpatizar - Antipatizar
São transitivos indiretos e exigem a preposição “com”:
Não simpatizei com os jurados.
Simpatizei com os alunos.

A norma culta exige que os verbos e expressões que dão ideia de movimento sejam usados com a preposição “a”:
Chegamos a São Paulo e fomos direto ao hotel.
Cláudia desceu ao segundo andar.
Hoje, com esta chuva, ninguém sairá à rua.

2 Regência Nominal

É o nome da relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse nome.
Essa relação é sempre intermediada por uma preposição. No estudo da regência nominal, é preciso levar em conta que vá-
rios nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de um verbo significa,
nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: Verbo obedecer e os nomes correspondentes:
LÍNGUA PORTUGUESA

todos regem complementos introduzidos pela preposição a. Veja:


Obedecer a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.

Se uma oração completar o sentido de um nome, ou seja, exercer a função de complemento nominal, ela será comple-
tiva nominal (subordinada substantiva).

91
Regência de Alguns Nomes

Substantivos
Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

Adjetivos
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de

Advérbios
Longe de Perto de

Observação:
Os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a; paralela-
mente a; relativa a; relativamente a.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
LÍNGUA PORTUGUESA

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint61.php

92
EMPREGO DOS SINAIS DE PONTUAÇÃO E
EXERCÍCIO COMENTADO SUA FUNÇÃO NO TEXTO.

1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal – Cespe


– 2014 – adaptada) PONTUAÇÃO
O uso indevido de drogas constitui, na atualidade, séria
e persistente ameaça à humanidade e à estabilidade das Os sinais de pontuação são marcações gráficas que
estruturas e valores políticos, econômicos, sociais e cultu- servem para compor a coesão e a coerência textual, além
rais de todos os Estados e sociedades. Suas consequências de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas.
infligem considerável prejuízo às nações do mundo intei- Um texto escrito adquire diferentes significados quando
ro, e não são detidas por fronteiras: avançam por todos os pontuado de formas diversificadas. O uso da pontuação
cantos da sociedade e por todos os espaços geográficos, depende, em certos momentos, da intenção do autor do
afetando homens e mulheres de diferentes grupos étni- discurso. Assim, os sinais de pontuação estão diretamente
cos, independentemente de classe social e econômica ou relacionados ao contexto e ao interlocutor.
mesmo de idade. Questão de relevância na discussão dos
efeitos adversos do uso indevido de drogas é a associação 1. Principais funções dos sinais de pontuação
do tráfico de drogas ilícitas e dos crimes conexos — geral-
mente de caráter transnacional — com a criminalidade e A) Ponto (.)
a violência. Esses fatores ameaçam a soberania nacional e  Indica o término do discurso ou de parte dele, en-
afetam a estrutura social e econômica interna, devendo o cerrando o período.
governo adotar uma postura firme de combate ao tráfico  Usa-se nas abreviaturas: pág. (página), Cia. (Com-
de drogas, articulando-se internamente e com a socieda- panhia). Se a palavra abreviada aparecer em final de
de, de forma a aperfeiçoar e otimizar seus mecanismos de período, este não receberá outro ponto; neste caso,
prevenção e repressão e garantir o envolvimento e a apro- o ponto de abreviatura marca, também, o fim de pe-
vação dos cidadãos. ríodo. Exemplo: Estudei português, matemárica, cons-
Internet: <www.direitoshumanos.usp.br>. titucional, etc. (e não “etc..”)
 Nos títulos e cabeçalhos é opcional o emprego do
Nas linhas 12 e 13, o emprego da preposição “com”, em ponto, assim como após o nome do autor de uma
“com a criminalidade e a violência”, deve-se à regência do citação:
vocábulo “conexos”. Haverá eleições em outubro
O culto do vernáculo faz parte do brio cívico. (Napoleão
( ) CERTO ( ) ERRADO Mendes de Almeida) (ou: Almeida.)
 Os números que identificam o ano não utilizam pon-
Resposta: Errado. Ao texto: (...) Questão de relevância na to nem devem ter espaço a separá-los, bem como os
discussão dos efeitos adversos do uso indevido de drogas números de CEP: 1975, 2014, 2006, 17600-250.
é a associação do tráfico de drogas ilícitas e dos crimes
conexos — geralmente de caráter transnacional — com a B) Ponto e Vírgula (;)
criminalidade e a violência.  Separa várias partes do discurso, que têm a mesma
O termo está se referindo à associação – associação do importância: “Os pobres dão pelo pão o trabalho; os
tráfico de drogas e crimes conexos (1) com a criminalida- ricos dão pelo pão a fazenda; os de espíritos generosos
de (2) (associação daquilo [1] com isso [2]) dão pelo pão a vida; os de nenhum espírito dão pelo
pão a alma...” (VIEIRA)
 Separa partes de frases que já estão separadas por
vírgulas: Alguns quiseram verão, praia e calor; outros,
COLOCAÇÃO PRONOMINAL. montanhas, frio e cobertor.
 Separa itens de uma enumeração, exposição de mo-
tivos, decreto de lei, etc.
“Prezado Candidato, o tópico acima foi abordado no Ir ao supermercado;
decorrer da matéria” Pegar as crianças na escola;
Caminhada na praia;
LÍNGUA PORTUGUESA

Reunião com amigos.

C) Dois pontos (:)

 Antes de uma citação = Vejamos como Afrânio Cou-


tinho trata este assunto:
 Antes de um aposto = Três coisas não me agradam:
chuva pela manhã, frio à tarde e calor à noite.

93
 Antes de uma explicação ou esclarecimento: Lá es- 2. Para marcar inversão:
tava a deplorável família: triste, cabisbaixa, vivendo a
rotina de sempre. A) do adjunto adverbial (colocado no início da oração):
 Em frases de estilo direto Depois das sete horas, todo o comércio está de portas
Maria perguntou: fechadas.
- Por que você não toma uma decisão? B) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos
pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma.
D) Ponto de Exclamação (!) C) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de
maio de 1982.
 Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera,
susto, súplica, etc.: Sim! Claro que eu quero me casar 3. Para separar entre si elementos coordenados (dis-
com você! postos em enumeração):
 Depois de interjeições ou vocativos Era um garoto de 15 anos, alto, magro.
Ai! Que susto! A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais.
João! Há quanto tempo! 4. Para marcar elipse (omissão) do verbo: Nós quere-
mos comer pizza; e vocês, churrasco.
E) Ponto de Interrogação (?)
5. Para isolar:
 Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres.
“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Aze- A) o aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasi-
vedo) leira, possui um trânsito caótico.
F) Reticências (...) B) o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem.

 Indica que palavras foram suprimidas: Comprei lápis, Observações:


canetas, cadernos... Considerando-se que “etc.” é abreviatura da expressão
 Indica interrupção violenta da frase: “- Não... quero latina et coetera, que significa “e outras coisas”, seria dis-
dizer... é verdad... Ah!” pensável o emprego da vírgula antes dele. Porém, o acor-
 Indica interrupções de hesitação ou dúvida: Este do ortográfico em vigor no Brasil exige que empreguemos
mal... pega doutor? etc. predecido de vírgula: Falamos de política, futebol, lazer,
 Indica que o sentido vai além do que foi dito: Deixa, etc.
depois, o coração falar...
As perguntas que denotam surpresa podem ter com-
G) Vírgula (,) binados o ponto de interrogação e o de exclamação: Você
falou isso para ela?!
Não se usa vírgula
Separando termos que, do ponto de vista sintático, li- Temos, ainda, sinais distintivos:
gam-se diretamente entre si:  a barra ( / ) = usada em datas (25/12/2014), sepa-
1. Entre sujeito e predicado: ração de siglas (IOF/UPC);
Todos os alunos da sala foram advertidos.  os colchetes ([ ]) = usados em transcrições feitas
Sujeito predicado pelo narrador ([vide pág. 5]), usado como primeira
opção aos parênteses, principalmente na matemá-
2. Entre o verbo e seus objetos: tica;
O trabalho custou sacrifício aos  o asterisco (*) = usado para remeter o leitor a uma
realizadores. nota de rodapé ou no fim do livro, para substituir um
V.T.D.I. O.D. O.I. nome que não se quer mencionar.

Usa-se a vírgula: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
1. Para marcar intercalação: reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
LÍNGUA PORTUGUESA

A) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abun- SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
dância, vem caindo de preço. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
B) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão
produzindo, todavia, altas quantidades de alimentos. SITE
C) das expressões explicativas ou corretivas: As indús- http://www.infoescola.com/portugues/pontuacao/
trias não querem abrir mão de suas vantagens, isto é, http://www.brasilescola.com/gramatica/uso-da-virgu-
não querem abrir mão dos lucros altos. la.htm

94
2. (SERES-PE – Agente de Segurança Penitenciária –
Cespe – 2017 – adaptada)
EXERCÍCIOS COMENTADOS
Texto 1A1AAA

1. (STJ – Conhecimentos Básicos para o Cargo 1 – Após o processo de redemocratização, com o fim da dita-
Cespe – 2018 – adaptada) dura militar, em meados da década de 80 do século passa-
do, era de se esperar que a democratização das instituições
Texto CB1A1CCC tivesse como resultado direto a consolidação da cidadania
— compreendida de modo amplo, abrangendo as três ca-
As audiências de segunda a sexta-feira muitas vezes reve- tegorias de direitos: civis, políticos e sociais. Sobressaem,
laram o lado mais sórdido da natureza humana. Eram rela- porém, problemas que configuram mais desafios para a ci-
tos de sofrimento, dor, angústia que se transportavam da dadania brasileira, como a violência urbana — que ameaça
cadeira das vítimas, testemunhas e réus para minha cadeira os direitos individuais — e o desemprego — que ameaça
de juíza. A toga não me blindou daqueles relatos sofridos, os direitos sociais.
aflitos. As angústias dos que se sentavam à minha frente, No Brasil, o crime aumentou significantemente a partir de
por diversas vezes, me escoltaram até minha casa e pas- 1980, impacto do processo de modernização pelo qual o
saram a ser companheiras de noites de insônia. Não ha- país passou. Isso sugere que o boom do consumo colocou
via outra solução a não ser escrever. Era preciso colocar no em circulação bens de alto valor e, consequentemente, au-
papel e compartilhar a dor daquelas pessoas que, mesmo mentou as oportunidades para o crime, inclusive porque a
ao fim do processo e com a sentença prolatada, não me maior mobilidade de pessoas torna o espaço social mais
deixavam esquecê-las. anônimo, menos supervisionado.
Foram horas, dias, meses, anos de oitivas de mães, filhas, Nesse contexto, justiça criminal passa a ser cada vez mais
esposas, namoradas, companheiras, todas tendo em co- dissociada de justiça social e reconstrução da sociedade. O
mum a violência no corpo e na alma sofrida dentro de casa. objetivo em relação à criminalidade torna-se bem menos
O lar, que deveria ser o lugar mais seguro para essas mu- ambicioso: o controle. A prisão ganha mais importância na
lheres, havia se transformado no pior dos mundos. modernidade tardia, porque satisfaz uma dupla necessida-
Quando finalmente chegavam ao Judiciário e se sentavam de dessa nova cultura: castigo e controle do risco. Essa pos-
à minha frente, os relatos se transformavam em desabafos tura às vezes proporciona controle, porém não segurança,
de uma vida inteira. Era preciso explicar, justificar e muitas pois o Estado tem o poder limitado de manter a ordem por
vezes se culpar por terem sido agredidas. A culpa por ter meio da polícia, sendo necessário dividir as tarefas de con-
sido vítima, a culpa por ter permitido, a culpa por não ter trole com organizações locais e com a comunidade.
sido boa o suficiente, a culpa por não ter conseguido man- Jacqueline Carvalho da Silva. Manutenção da ordem públi-
ter a família. Sempre a culpa. ca e garantia dos direitos individuais: os desafios da polícia
Aquelas mulheres chegavam à Justiça buscando uma for- em sociedades democráticas. In: Revista Brasileira de Segu-
ça externa como se somente nós, juízes, promotores e ad- rança Pública. São Paulo, ano 5, 8.ª ed., fev. – mar./2011, p.
vogados, pudéssemos não apenas cessar aquele ciclo de 84-5 (com adaptações).
violência, mas também lhes dar voz para reagir àquela vio-
lência invisível. No primeiro parágrafo do texto 1A1AAA, os dois-pontos
Rejane Jungbluth Suxberger. Invisíveis Marias: histórias introduzem
além das quatro paredes. Brasília: Trampolim, 2018 (com
adaptações). a) uma enumeração das “categorias de direitos”.
b) resultados da “consolidação da cidadania”.
O trecho “juízes, promotores e advogados” explica o sen- c) um contra-argumento para a ideia de cidadania como
tido de “nós”. algo “amplo”.
d) uma generalização do termo “direitos”.
( ) CERTO ( ) ERRADO e) objetivos do “processo de redemocratização”.

Resposta: Certo. Ao trecho: (...) Aquelas mulheres che- Resposta: Letra A. Recorramos ao texto (faça isso SEM-
gavam à Justiça buscando uma força externa como se so- PRE durante seu concurso. O texto é a base para en-
mente nós, juízes, promotores e advogados, pudéssemos contrar as respostas para as questões!): (...) abrangendo
LÍNGUA PORTUGUESA

não apenas cessar aquele ciclo de violência (...). Os ter- as três categorias de direitos: civis, políticos e sociais. Os
mos entre vírgulas servem para exemplificar quem são dois-pontos introduzem a enumeração dos direitos; apre-
os “nós” citados pela autora ( juízes, promotores, advo- senta-os.
gados).

95
3. (Aneel – Técnico Administrativo – cespe – 2010)
Vão surgindo novos sinais do crescente otimismo da in- VARIAÇÃO LINGUÍSTICA.
dústria com relação ao futuro próximo. Um deles refere-se
às exportações. “O comércio mundial já está voltando a se
abrir para as empresas”, diz o gerente executivo de pesqui- A linguagem é a característica que nos difere dos
sas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato demais seres, permitindo-nos a oportunidade de expressar
da Fonseca, para explicar a melhora das expectativas dos sentimentos, revelar conhecimentos, expor nossa opinião
industriais com relação ao mercado externo. frente aos assuntos relacionados ao nosso cotidiano, e,
Quanto ao mercado interno, as expectativas da indústria sobretudo, promovendo nossa inserção ao convívio social.
não se modificaram. Mas isso não é um mau sinal, pois elas E dentre os fatores que a ela se relacionam destacam-
já eram francamente otimistas. Há algum tempo, a pesqui- se os níveis da fala, que são basicamente dois:
sa da CNI, realizada mensalmente a partir de 2010, registra - O nível de formalidade;
grande otimismo da indústria com relação à demanda in- - O de informalidade.
terna. Trata-se de um sentimento generalizado. Em todos
os setores industriais, a expressiva maioria dos entrevista- O padrão formal está diretamente ligado à linguagem
dos acredita no aumento das vendas internas. escrita, restringindo-se às normas gramaticais de um
O Estado de S.Paulo, Editorial, 30/3/2010 (com adaptações). modo geral. Razão pela qual nunca escrevemos da mesma
maneira que falamos. Este fator foi determinante para a que
O nome próprio “Renato da Fonseca” está entre vírgulas a mesma pudesse exercer total soberania sobre as demais.
por tratar-se de um vocativo.
Quanto ao nível informal, este por sua vez representa o
estilo considerado “de menor prestígio”, e isto tem gerado
( ) CERTO ( ) ERRADO
controvérsias entre os estudos da língua, uma vez que para
a sociedade, aquela pessoa que fala ou escreve de maneira
Resposta: Errado. Recorramos ao texto (lembre-se de
fazer a mesma coisa no dia do seu concurso!): (...) diz o errônea é considerada “inculta”, tornando-se desta forma
gerente executivo de pesquisas da Confederação Nacio- um estigma.
nal da Indústria (CNI), Renato da Fonseca, para explicar a Compondo o quadro do padrão informal da linguagem,
melhora das expectativas. O termo em destaque não está estão as chamadas variedades linguísticas, as quais
exercendo a função de vocativo, já que não é utilizado representam as variações de acordo com as condições
para evocar, chamar o interlocutor do diálogo. Sua fun- sociais, culturais, regionais e históricas em que é
ção é de aposto – explicar quem é o gerente executivo utilizada. Dentre elas destacam-se:
da CNI.
a) Variações históricas
Dado o dinamismo que a língua apresenta, a mesma
4. (Caixa Econômica Federal – Médico do Trabalho sofre transformações ao longo do tempo. Um exemplo
– cespe – 2014 – adaptada) A correção gramatical do bastante representativo é a questão da ortografia, se
trecho “Entre as bebidas alcoólicas, cervejas e vinhos são as levarmos em consideração a palavra farmácia, uma vez
mais comuns em todo o mundo” seria prejudicada, caso se que a mesma era grafada com “ph”, contrapondo-se à
inserisse uma vírgula logo após a palavra “vinhos”. linguagem dos internautas, a qual fundamenta-se pela
supressão dos vocábulos.
( ) CERTO ( ) ERRADO Analisemos, pois, o fragmento exposto:
Antigamente
Resposta: Certo. Não se deve colocar vírgula entre su- “Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles
jeito e predicado, a não ser que se trate de um apos- e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam
to (1), predicativo do sujeito (2), ou algum termo que anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os
requeira estar separado entre pontuações. Exemplo: O janotas, mesmo sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes,
Rio de Janeiro, cidade maravilhosa (1), está em festa! Os arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do
meninos, ansiosos (2), chegaram! balaio.” Carlos Drummond de Andrade
Comparando-o à modernidade, percebemos um
vocabulário antiquado.
LÍNGUA PORTUGUESA

FUNÇÃO TEXTUAL DOS VOCÁBULOS.


b) Variações regionais
São os chamados dialetos, que são as marcas
“Prezado Candidato, o tópico acima foi abordado no determinantes referentes a diferentes regiões. Como
decorrer da matéria” exemplo, citamos a palavra mandioca que, em certos
lugares, recebe outras nomenclaturas, tais como: macaxeira
e aipim. Figurando também esta modalidade estão os
sotaques, ligados às características orais da linguagem.

96
c) Variações sociais ou culturais - Paráfrase: é o desenvolvimento ou citação de um
Estão diretamente ligadas aos grupos sociais de uma texto ou parte dele, com palavras diferentes, mas de
maneira geral e também ao grau de instrução de uma igual significação. Não há alteração da ideia central.
determinada pessoa. Como exemplo, citamos as gírias, os - Perífrase: é um circunlóquio, um rodeio de palavras; a
jargões e o linguajar caipira. exposição de ideias é feito usando-se de muitas pa-
As gírias pertencem ao vocabulário específico de certos lavras. Usam se mais palavras do que o texto original,
grupos, como os surfistas, cantores de rap, tatuadores, isto é, usam-se mais palavras que o necessário.
entre outros. - Intertextualidade: é a relação entre dois ou mais tex-
Os jargões estão relacionados ao profissionalismo, tos, cujo tema seja o mesmo, porém tratado de for-
caracterizando um linguajar técnico. Representando a ma diferente.
classe, podemos citar os médicos, advogados, profissionais - Síntese: é uma resenha, que é feita utilizando-se das
da área de informática, dentre outros. palavras do texto. Aparecem apenas as ideias princi-
Vejamos um poema e o trecho de uma música para pais.
entendermos melhor sobre o assunto: - Resumo: é uma representação do texto em que só
“Vício na fala aparecem as ideias principais, não é necessário que
Para dizerem milho dizem mio seja com as mesmas palavras do texto.
Para melhor dizem mió - Inferência: é uma informação que não está no texto,
Para pior pió mas sim fora dele; está nas entrelinhas ou exige um
Para telha dizem teia conhecimento extra textual.
Para telhado dizem teiado - Tipologia Textual Descrição: ato de descrever carac-
E vão fazendo telhados”. terísticas. Pode ser: Objetiva: descrição com caráter
(Oswald de Andrade). universal. Subjetiva: descrição com caráter particular,
pessoal.
Chopis Centis - Técnica: descrição com caráter próprio de um ofício,
“Eu “di” um beijo nela profissão.
E chamei pra passear. - Narração: é o relato de um fato, de um acontecimen-
A gente fomos no shopping to. Seus elementos são:
Pra “mode” a gente lanchar. - Fato: é o acontecimento; o encadeamento das ações
Comi uns bicho estranho, com um tal de gergelim. forma o enredo.
Até que “tava” gostoso, mas eu prefiro aipim. - Personagens: são os participantes do acontecimento.
Quanta gente, Quanta alegria, A minha felicidade é um Principais (mais atuantes) Secundários
crediário nas Casas Bahia. - Ambiente ou cenário: é o lugar onde ocorrem os
Esse tal Chopis Centis é muito legalzinho. acontecimentos.
Pra levar a namorada e dar uns “rolezinho”, - Tempo: é a localização cronológica do acontecimen-
Quando eu estou no trabalho, to. Foco Narrativo (narrador): a narração pode ser
Não vejo a hora de descer dos andaime. em: 1ª pessoa: narrador-personagem 3ª pessoa: nar-
Pra pegar um cinema, ver Schwarzneger, rador-onisciente/narrador-observador. Dissertação:
E também o Van Damme. ato de discorrer sobre um tema. A dissertação divi-
(Dinho e Júlio Rasec, encarte CD Mamonas Assassinas, de-se em três partes: Introdução: apresenta a ideia
1995). principal a ser discutida.
- Desenvolvimento: é o desdobramento da ideia cen-
Para expandir a capacidade de compreensão e, tral, a exposição dos argumentos.
principalmente, de interpretação, é importante acostumar- - Conclusão: retoma ou resume os principais aspectos
se à leitura, seja de um texto ou um objeto, figura ou fato. do texto e confirma a tese inicial.
Ao se ler algo, deve-se notar aspectos particulares
que permitam associar o elemento da leitura ao tempo d) Tipos de Discurso
e a acontecimentos, destacar o essencial e o secundário - Discurso Direto: a fala do personagem é, geralmen-
relacionando-o a outros já lidos. Semanticamente, o te, acompanhada por um verbo de elocução (dizer,
elemento da leitura encerra em si todas as indagações, falar, responder, perguntar, afirmar etc.), não haven-
permitindo uma análise e oferecendo os subsídios da do conectivo, porém uma pausa marcada por sinal
resposta. Compreender um texto é entender o seu sentido; de pontuação.
apreender a situação, o fato, a narração, a tese a nós
LÍNGUA PORTUGUESA

expostos. Interpretar um texto é conseguir desenvolver em Exemplo.: A mãe perguntou-lhe atarantada: - Onde
outras palavras a ideia do texto, é, portanto, parafraseá- você pensa que vai?
lo ou reescrevê-lo. Para se interpretar bem um texto, é de
suma importância uma boa leitura. Para se entender um - Discurso Indireto: o personagem não fala com suas
texto é necessária uma leitura atenta, em que se notem as palavras, é o narrador que reproduz com suas pala-
suas sutilezas e superficialidades. É conveniente marcar as vras o discurso do personagem. Os verbos de elo-
ideias principais e estar atento as entrelinhas, aos detalhes cução são núcleos do predicado da oração principal
e a todo o contexto. seguido de oração subordinada.

97
Exemplo: Ele respondeu que sempre saía sozinho.

- Indireto Livre: é um discurso misto, pois há carac- HORA DE PRATICAR!


terísticas do discurso direto e do indireto. A fala do
personagem se insere no discurso do narrador, são 1. (MAPA – Auditor Fiscal Federal Agropecuário –
perceptíveis aspectos psicológicos e fluxos do pen- Médico Veterinário – Superior – ESAF – 2017) Assinale
samento do personagem. a opção que apresenta desvio de grafia da palavra.
A acupuntura é uma terapia da medicina tradicional chinesa
Exemplo: Naquele dia o rapaz havia se declarado à sua que favorece a regularização dos processos fisiológicos do
vizinha. Ele já tinha sofrido muito. Custava à moça acredi- corpo, no sentido de promover ou recuperar o estado natu-
tar? Não sabia se tinha feito à coisa certa. ral de saúde e equilíbrio. Pode ser usada preventivamente
(1) para evitar o desenvolvimento de doenças, como terapia
curativa no caso de a doença estar instalada ou como méto-
do paliativo (2) em casos de doenças crônicas de difícil trata-
mento. Tem também uma ação importante na medicina re-
jenerativa (3) e na reabilitação. O tratamento de acupuntura
consiste na introdução de agulhas filiformes no corpo dos
animais. Em geral são deixadas cerca de 15 a 20 minutos. A
colocação das agulhas não é dolorosa para os animais e é
possível observar durante os tratamentos diferentes reações
fisiológicas (4), indicadoras de que o tratamento está atin-
gindo o efeito terapêutico (5) desejado.
Disponível: <http://www.veterinariaholistica.net/acupuntura-fitotera-
pia-e-homeopatia.html/>. Acesso em 28/11/2017. (Com adaptações)

a) (1)
b) (2)
c) (3)
d) (4)
e) (5)

2. (TRT – 21.ª Região-RN – Técnico Judiciário – Área


Administrativa – Médio – FCC – 2017) Respeitando-se
as normas de redação do Manual da Presidência da Repú-
blica, a frase correta é:

a) Solicito a Vossa Senhoria que verifique a possibilidade de


implementação de projeto de treinamento de pessoal
para operar os novos equipamentos gráficos a serem
instalados em seu setor.
b) Venho perguntar-lhe, por meio desta, sobre a data em
que Vossa Excelência pretende nomear vosso represen-
tante na Comissão Organizadora.
c) Digníssimo Senhor: eu venho por esse comunicado, in-
formar, que será organizado seminário, sobre o uso efi-
ciente de recursos hídricos, em data ainda a ser definida.
d) Haja visto que o projeto anexo contribue para o desen-
volvimento do setor em questão, informamos, por meio
deste Ofício, que será amplamente analisado por espe-
cialistas.
e) Neste momento, conforme solicitação enviada à Vossa
LÍNGUA PORTUGUESA

Senhoria anexo, não se deve adotar medidas que pos-


sam com- prometer vossa realização do projeto men-
cionado.

98
3. (TRE-MS – Estágio – Jornalismo – TRE-MS – 2014) Analise as assertivas abaixo:

I. O ladrão era de menor.


II. Não há regra sem exceção.
III. É mais saudável usar menas roupa no calor.
IV. O policial foi à delegacia em compania do meliante.
V. Entre eu e você não existe mais nada.

A opção que apresenta vícios de linguagem é:

a) I e III.
b) I, II e IV.
c) II e IV.
d) I, III, IV e V.
e) III, IV e V.

4. (TRE-MS – Estágio – Jornalismo – TRE-MS – 2014) De acordo com a nova ortografia, assinale o item em que todas
as palavras estão corretas:

a) autoajuda – anti-inflamatório – extrajudicial.


b) supracitado – semi-novo – telesserviço.
c) ultrassofisticado – hidro-elétrica – ultra-som.
d) contrarregra – autopista – semi-aberto.
e) contrarrazão – infra-estrutura – coprodutor.
5. (TRE-MS – Estágio – Jornalismo – TRE-MS – 2014) O uso correto do porquê está na opção:

a) Por quê o homem destrói a natureza?


b) Ela chorou por que a humilharam.
c) Você continua implicando comigo porque sou pobre?
d) Ninguém sabe o por quê daquele gesto.
e) Ela me fez isso, porquê?

6. (TJ-PA – Médico Psiquiatra – Superior – VUNESP – 2014)

Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas, de acordo com a norma-padrão da língua por-
tuguesa, considerando que o termo que preenche a terceira lacuna é empregado para indicar que um evento está prestes
a acontecer
LÍNGUA PORTUGUESA

a) anúncio ... A ... Iminente.


b) anuncio ... À ... Iminente.
c) anúncio ... À ... Iminente.
d) anúncio ... A ... Eminente.
e) anuncio ... À ... Eminente.

99
7. (CEFET-RJ – REVISOR DE TEXTOS – CESGRANRIO 11. (Estrada de Ferro Campos do Jordão-SP – Ana-
– 2014) Observe a grafia das palavras do trecho a seguir. lista Ferroviário – Oficinas – Elétrica – IDERH – 2014)
A macro-história da humanidade mostra que todos encaram Leia as orações a seguir:
os relatos pessoais como uma forma de se manterem vivos. Minha mãe sempre me aconselha a evitar as _____ compa-
Desde a idade do domínio do fogo até a era das multicomu- nhias. (mas/más)
nicações, os homens tem demonstrado que querem pôr sua A cauda do vestido da noiva tinha um _________ enorme.
marca no mundo porque se sentem superiores. (cumprimento/comprimento)
A palavra que NÃO está grafada corretamente é Precisamos fazer as compras do mês, pois a _________ está
vazia. (despensa/dispensa).
a) macro-história.
b) multicomunicações. Completam, correta e respectivamente, as lacunas acima os
c) tem. expostos na alternativa:
d) pôr.
e) porque.
a) mas – cumprimento – despensa.
b) más – comprimento – despensa.
8. (Liquigás – Profissional Júnior – Ciências Contábeis
c) más – cumprimento – dispensa.
– cegranrio – 2014) O grupo em que todas as palavras
estão grafadas de acordo com a norma-padrão da Língua d) mas – comprimento – dispensa.
Portuguesa é e) más – comprimento – dispensa.

a) gorjeta, ogeriza, lojista, ferrujem 12. (TRT-2ª REGIÃO-SP – Técnico Judiciário - Área
b) pedágio, ultrage, pagem, angina Administrativa – Médio – FCC – 2014) Está redigida
c) refújio, agiota, rigidez, rabujento com clareza e em consonância com as regras da gramática
d) vigência, jenipapo, fuligem, cafajeste normativa a seguinte frase:
e) sargeta, jengiva, jiló, lambujem
a) Queremos, ou não, ele será designado para dar a palavra
9. (SIMAE – Agente Administrativo – ASSCON-PP – final sobre a polêmica questão, que, diga-se de passa-
2014) Assinale a alternativa que apresenta apenas palavras gem, tem feito muitos exitarem em se pronunciar.
escritas de forma incorreta. b) Consultaram o juíz acerca da possibilidade de voltar
atraz na suspensão do jogador, mas ele foi categórico
a) Cremoso, coragem, cafajeste, realizar; quanto a impossibilidade de rever sua posição.
b) Caixote, encher, análise, poetisa; c) Vossa Excelência leu o documento que será apresentado
c) Traje, tanger, portuguesa, sacerdotisa; em rede nacional daqui a pouco, pela voz de Sua Exce-
d) Pagem, mujir, vaidozo, enchergar; lência, o Senhor Ministro da Educação?
d) A reportagem sobre fascínoras famosos não foi nada
10. (Receita Federal – Auditor Fiscal – ESAF – 2014) positiva para o público jovem que estava presente, de
Assinale a opção que corresponde a erro gramatical ou de que se desculparam os idealizadores do programa.
grafia de palavra inserido na transcrição do texto. e) Estudantes e professores são entusiastas de oferecer aos
jovens ingressantes no curso o compartilhamento de
A Receita Federal nem sempre teve esse (1) nome. Secretaria projetos, com que serão também autores.
da Receita Federal é apenas a mais recente denominação da
Administração Tributária Brasileira nestes cinco séculos de
13. (TRE-MS – Estágio – Jornalismo – TRE-MS – 2014)
existência. Sua criação tornou-se (2) necessária para moder-
A acentuação correta está na alternativa:
nizar a máquina arrecadadora e fiscalizadora, bem como para
promover uma maior integração entre o Fisco e os Contribuin-
tes, facilitando o cumprimento expontâneo (3) das obrigações a) eu abençôo – eles crêem – ele argúi.
tributárias e a solução dos eventuais problemas, bem como o b) platéia – tuiuiu – instrui-los.
acesso às (4) informações pessoais privativas de interesse de c) ponei – geléia – heroico.
cada cidadão. O surgimento da Secretaria da Receita Federal d) eles têm – ele intervém – ele constrói.
representou um significativo avanço na facilitação do cumpri- e) lingüiça – feiúra – idéia.
mento das obrigações tributárias, contribuindo para o aumen-
to da arrecadação a partir (5) do final dos anos 60. 14. (EBSERH – HUCAM-UFES – Advogado – AOCP –
LÍNGUA PORTUGUESA

(Adaptado de <http://www.receita.fazenda.gov.br/srf/histo- 2014) A palavra que está acentuada corretamente é:


rico.htm>. Acesso em: 17 mar. 2014.)
a) Históriar.
a) (1). b) Memórial.
b) (2). c) Métodico.
c) (3). d) Própriedade.
d) (4). e) Artifício.
e) (5).

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15. (prodam-am – assistente – funcab – 2014 – adap- 21. (Prefeitura de Brusque-sc – Educador Social – fe-
tada) Assinale a opção em que o par de palavras foi acen- pese – 2014) Assinale a alternativa em que só palavras pa-
tuado segundo a mesma regra. roxítonas estão apresentadas.

a) saúde-países a) facilitada, minha, canta, palmeiras


b) Etíope-juízes b) maná, papá, sinhá, canção
c) olímpicas-automóvel c) cá, pé, a, exílio
d) vocês-público d) terra, pontapé, murmúrio, aves
e) espetáculo-mensurável e) saúde, primogênito, computador, devêssemos

16. (Advocacia Geral da União – Técnico em Conta- 22. (Ministério do Desenvolvimento Agrário – Técni-
bilidade – idecan – 2014) Os vocábulos “cinquentenário” co em Agrimensura – funcab – 2014) A alternativa que
e “império” são acentuados devido à mesma justificativa. O apresenta palavra acentuada por regra diferente das demais
mesmo ocorre com o par de palavras apresentado em é:

a) prêmio e órbita. a) dúvidas.


b) rápida e tráfego b) muitíssimos.
c) satélite e ministério. c) fábrica.
d) pública e experiência. d) mínimo.
e) sexagenário e próximo. e) impossível.

17. (Rioprevidência – Especialista em Previdência So- 23. (prodam-am – Assistente de Hardware – funcab –
cial – ceperj – 2014) A palavra “conteúdo” recebe acen- 2014) Assinale a alternativa em que todas as palavras foram
tuação pela mesma razão de: acentuadas segundo a mesma regra.

a) juízo a) indivíduos - atraí(-las) - período


b) espírito b) saíram – veículo - construído
c) jornalístico c) análise – saudável - diálogo
d) mínimo d) hotéis – critérios - através
e) disponíveis e) econômica – após – propósitos
24. (Corpo de Bombeiros Militar-pi – Curso de Forma-
18. (Ministério do Meio Ambiente – icmbio – cespe – ção de Soldados – uespi – 2014) “O evento promove a
2014) A mesma regra de acentuação gráfica se aplica aos saúde de modo integral.” A regra que justifica o acento gráfi-
vocábulos “Brasília”, “cenário” e “próprio”. co no termo destacado é a mesma que justifica o acento em:

( ) CERTO ( ) ERRADO a) “remédio”.


b) “cajú”.
19. (Prefeitura de Balneário Camboriú-sc – Guarda c) “rúbrica”.
Municipal – fepese – 2014 – adaptada) Assinale a alter- d) “fráude”.
nativa em que todas as palavras são oxítonas. e) “baú”.

a) pé, lá, pasta 25. (TJ-BA – Técnico Judiciário – Área Administrativa –


b) mesa, tábua, régua Médio – FGV – 2015)
c) livro, prova, caderno Texto 3 – “A Lua Cheia entra em sua fase Crescente no signo
d) parabéns, até, televisão de Gêmeos e vai movimentar tudo o que diz respeito à sua
e) óculos, parâmetros, título vida profissional e projetos de carreira. Os próximos dias serão
ótimos para dar andamento a projetos que começaram há al-
20. (Advocacia Geral da União – Técnico em Comu- guns dias ou semanas. Os resultados chegarão rapidamente”.
nicação Social – idecan – 2014) Assinale a alternativa
em que a acentuação de todas as palavras está de acordo O texto 3 mostra exemplos de emprego correto do “a” com
com a mesma regra da palavra destacada: “Procuradorias acento grave indicativo da crase – “diz respeito à sua vida
LÍNGUA PORTUGUESA

comprovam necessidade de rendimento satisfatório para re- profissional”. A frase abaixo em que o emprego do acento
novação do FIES”. grave da crase é corretamente empregado é:

a) após / pó / paletó a) o texto do horóscopo veio escrito à lápis;


b) moído / juízes / caído b) começaram à chorar assim que leram as previsões;
c) história / cárie / tênue c) o horóscopo dizia à cada leitora o que devia fazer;
d) álibi / ínterim / político d) o leitor estava à procura de seu destino;
e) êxito / protótipo / ávido e) o astrólogo previa o futuro passo à passo

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26. (Prefeitura de Sertãozinho-SP – Farmacêutico – 30. (prefeitura de são Paulo-sp – técnico em saúde –
Superior – VUNESP – 2017) O sinal indicativo de crase laboratório – médio – vunesp – 2014) Reescrevendo-se
está empregado corretamente nas duas ocorrências na al- o segmento frasal – ... incitá-los a reagir e a enfrentar o
ternativa: desconforto, ... –, de acordo com a regência e o acento indi-
cativo da crase, tem-se:
a) Muitos indivíduos são propensos à associar, inadvertida-
mente, tristeza à depressão. a) ... incitá-los à reação e ao enfrentamento do desconforto, ...
b) As pessoas não querem estar à mercê do sofrimento, por b) ... incitá-los a reação e o enfrentamento do desconforto, ...
isso almejam à pílula da felicidade. c) ... incitá-los à reação e à enfrentamento do desconforto, ...
c) À proporção que a tristeza se intensifica e se prolonga, d) ... incitá-los à reação e o enfrentamento do desconforto, ...
pode-se, à primeira vista, pensar em depressão. e) ... incitá-los a reação e à enfrentamento do desconforto, ..
d) À rigor, os especialistas não devem receitar remédios às
pessoas antes da realização de exames acurados. 31. (CONAB – Contabilidade – Superior – IADES –
e) Em relação à informação da OMS, conclui-se que existem 2014 – adaptada) Considerando o trecho “atualizou os
121 milhões de pessoas à serem tratadas de depressão. dados relativos à produção de grãos no Brasil.” e conforme a
norma-padrão, assinale a alternativa correta.
27. (TRT – 21.ª Região-RN – Técnico Judiciário – Área
Administrativa – Médio – FCC – 2017) É difícil planejar a) a crase foi empregada indevidamente no trecho.
uma cidade e resistir à tentação de formular um projeto de b) o autor poderia não ter empregado o sinal indicativo de
sociedade. crase.
O sinal indicativo de crase deverá ser mantido caso o verbo c) se “produção” estivesse antecedida por essa, o uso do
sublinhado acima seja substituído por: sinal indicativo de crase continuaria obrigatório.
d) se, no lugar de “relativos”, fosse empregado referentes, o
a) não acatar. uso do sinal indicativo de crase passaria a ser facultativo.
b) driblar. e) caso o vocábulo minha fosse empregado imediatamente
c) controlar. antes de “produção”, o uso do sinal indicativo de crase
d) superar. seria facultativo.
e) não sucumbir.
32. (Sabesp-SP – atendente a clientes – Médio – fcc
28. (TRT – 21.ª Região-RN – Técnico Judiciário – Área – 2014 – adaptada) No trecho Refiro-me aos livros que
Administrativa – Médio – FCC – 2017) A frase em que foram escritos e publicados, mas estão – talvez para sempre
há uso adequado do sinal indicativo de crase encontra-se – à espera de serem lidos, o uso do acento de crase obedece
em: à mesma regra seguida em:

a) A tendência de recorrer à adaptações aparece com maior a) Acostumou-se àquela situação, já que não sabia como
força na Hollywood do século 21. evitá-la.
b) É curioso constatar a rapidez com que o cinema agregou b) Informou à paciente que os remédios haviam surtido
à máxima. efeito.
c) A busca pela segurança leva os estúdios à apostarem em c) Vou ficar irritada se você não me deixar assistir à novela.
histórias já testadas e aprovadas. d) Acabou se confundindo, após usar à exaustão a velha
d) Tal máxima aplica-se perfeitamente à criação de peças fórmula.
de teatro. e) Comunique às minhas alunas que as provas estão cor-
e) Há uma massa de escritores presos à contratos fixos em rigidas.
alguns estúdios.
33. (TRT-AL – Analista Judiciário – Superior – FCC–
29. (Prefeitura de Marília-SP – Auxiliar de Escrita – 2014) ... que acompanham as fronteiras ocidentais chine-
Médio – VUNESP – 2017) Assinale a alternativa em que sas...
o sinal indicativo de crase está empregado corretamente. O verbo que, no contexto, exige o mesmo tipo de comple-
mento que o da frase acima está em:
a) A voluntária aconselhou a remetente à esquecer o amor
de infância. a) A Rota da Seda nunca foi uma rota única...
LÍNGUA PORTUGUESA

b) O carteiro entregou às voluntárias do Clube de Julieta b) Esses caminhos floresceram durante os primórdios da
uma nova remessa de cartas. Idade Média.
c) O médico ofereceu à um dos remetentes apoio psico- c) ... viajavam por cordilheiras...
lógico. d) ... até cair em desuso, seis séculos atrás.
d) As integrantes do Clube levaram horas respondendo à e) O maquinista empurra a manopla do acelerador.
diversas cartas.
e) O Clube sugeriu à algumas consulentes que fizessem no-
vas amizades.

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34. (CASAL-AL – Administrador De Rede – COPEVE – 38. (prodam-am – Assistente de Hardware – funcab
UFAL – 2014) Na afirmação abaixo, de Padre Vieira, – 2014) O termo destacado em: “As pessoas estão sempre
“O trigo não picou os espinhos, antes os espinhos o picaram muito ATAREFADAS.” exerce a seguinte função sintática:
a ele... Cuidais que o sermão vos picou a vós” o substantivo
“espinhos” tem, respectivamente, função sintática de, a) objeto direto.
b) objeto indireto.
a) objeto direto/objeto direto. c) adjunto adverbial.
b) sujeito/objeto direto. d) predicativo.
c) objeto direto/sujeito. e) adjunto adnominal.
d) objeto direto/objeto indireto.
e) sujeito/objeto indireto. 39. (trt-13ª região-pb – Técnico Judiciário – Tecnolo-
gia da Informação – Médio – fcc – 2014) Ao mesmo
35. (CASAL-AL – Administrador De Rede – COPEVE – tempo, as elites renunciaram às ambições passadas...
UFAL – 2014) No texto, “Arranca o estatuário uma pedra O verbo que, no contexto, exige o mesmo tipo de comple-
dessas montanhas, tosca, bruta, dura, informe; e, depois que mento que o grifado acima está empregado em:
desbastou o mais grosso, toma o maço e cinzel na mão para
começar a formar um homem, primeiro membro a membro a) Faltam-nos precedentes históricos para...
e depois feição por feição.” b) Nossos contemporâneos vivem sem esse futuro...
VIEIRA, P. A. In Sermão do Espírito Santo. Acervo da Acade- c) Esse novo espectro comprova a novidade de nossa si-
mia Brasileira de Letras tuação...
A oração sublinhada exerce uma função de d) As redes sociais eram atividades de difícil implementação...
e) ... como se imitássemos o padrão de conforto...
a) causalidade.
b) conclusão. 40. (Cia de Serviços de Urbanização de Guarapuava-
c) oposição. -pr – Agente de Trânsito – consulplam – 2014) Quanto
d) concessão. à função que desempenha na sintaxe da oração, o trecho
e) finalidade. em destaque “Tenho uma dor que passa daqui pra lá e de lá
pra cá” corresponde a:

36. (EBSERH – HUCAM-UFES – Advogado – Superior a) Oração subordinada adjetiva restritiva.


– AOCP – 2014) Em “Se a ‘cura’ fosse cara, apenas uma b) Oração subordinada adjetiva explicativa.
pequena fração da sociedade teria acesso a ela.”, a expressão c) Adjunto adnominal.
em destaque funciona como: d) Oração subordinada adverbial espacial.

a) objeto direto. 41. (Advocacia-Geral da União – Técnico em Comuni-


b) adjunto adnominal. cação Social – idecan – 2014) Acerca das relações sintá-
c) complemento nominal. ticas que ocorrem no interior do período a seguir “Policiais
d) sujeito paciente. de Los Angeles tomam facas de criminosos, perseguem bê-
e) objeto indireto. bados na estrada e terminam o dia na delegacia fazendo seu
relatório.”, é correto afirmar que
37. (EBSERH – HUSM-UFSM-RS – Analista Adminis-
trativo – Jornalismo – Superior – AOCP – 2014) a) “o dia” é sujeito do verbo “terminar”.
“Sinta-se ungido pela sorte de recomeçar. Quando seu filho b) o sujeito do período, Policiais de Los Angeles, é com-
crescer, ele irá entender - mais cedo ou mais tarde -...” posto.
No período acima, a oração destacada: c) “bêbados” e “criminosos” apresentam-se na função de
sujeito.
a) estabelece uma relação temporal com a oração que lhe d) “facas” possui a mesma função sintática que “bêbados”
é subsequente. e “relatório”.
b) estabelece uma relação temporal com a oração que a e) “de criminosos”, “na estrada”, “na delegacia” são termos
antecede. que indicam circunstâncias que caracterizam a ação verbal.
c) estabelece uma relação condicional com a oração que
LÍNGUA PORTUGUESA

lhe é subsequente. 42. (TJ-SP – Escrevente Técnico Judiciário – Médio –


d) estabelece uma relação condicional com a oração que VUNESP – 2015) Leia o texto, para responder às questões.
a antecede. O fim do direito é a paz, o meio de que se serve para
e) estabelece uma relação de finalidade com a oração que consegui-lo é a luta. Enquanto o direito estiver sujeito às
lhe é subsequente. ameaças da injustiça – e isso perdurará enquanto o mundo
for mundo –, ele não poderá prescindir da luta. A vida do
direito é a luta: luta dos povos, dos governos, das classes
sociais, dos indivíduos.

103
Todos os direitos da humanidade foram conquistados pela “com o lançamento da cápsula Orion, da base da agência
luta; seus princípios mais importantes tiveram de enfrentar em Cabo Canaveral, na Flórida, nos Estados Unidos.”
os ataques daqueles que a ele se opunham; todo e qual- Os termos sublinhados se encarregam da localização do
quer direito, seja o direito de um povo, seja o direito do in- lançamento da cápsula referida; o critério para essa locali-
divíduo, só se afirma por uma disposição ininterrupta para zação também foi seguido no seguinte caso: Os protestos
a luta. O direito não é uma simples ideia, é uma força viva. contra as cotas raciais ocorreram:
Por isso a justiça sustenta numa das mãos a balança com
que pesa o direito, enquanto na outra segura a espada por a) em Brasília, Distrito Federal, na região Centro-Oeste;
meio da qual o defende. b) em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, região Sul;
A espada sem a balança é a força bruta, a balança sem a c) em Pedrinhas, São Luís, Maranhão;
espada, a impotência do direito. Uma completa a outra, e d) em São Paulo, São Paulo, Brasil;
o verdadeiro estado de direito só pode existir quando a e) em Goiânia, região Centro-Oeste, Brasil.
justiça sabe brandir a espada com a mesma habilidade com
que manipula a balança. 44. (TRT – 21.ª Região-RN – Técnico Judiciário – Área
O direito é um trabalho sem tréguas, não só do Poder Pú- Administrativa – Médio – FCC – 2017) Está plenamente
blico, mas de toda a população. A vida do direito nos ofe- adequada a pontuação do seguinte período:
rece, num simples relance de olhos, o espetáculo de um
esforço e de uma luta incessante, como o despendido na a) A produção cinematográfica como é sabido, sempre be-
produção econômica e espiritual. Qualquer pessoa que se beu na fonte da literatura, mas o cinema declarou-se,
veja na contingência de ter de sustentar seu direito par- independente das outras artes há mais de meio século.
ticipa dessa tarefa de âmbito nacional e contribui para a b) Sabe-se que, a produção cinematográfica sempre consi-
realização da ideia do direito. É verdade que nem todos derou a literatura como fonte de inspiração, mas o cine-
enfrentam o mesmo desafio. ma declarou-se independente das outras artes, há mais
A vida de milhares de indivíduos desenvolve-se tranqui- de meio século.
lamente e sem obstáculos dentro dos limites fixados pelo
c) Há mais de meio século, o cinema declarou-se indepen-
direito. Se lhes disséssemos que o direito é a luta, não nos
dente das outras artes, embora a produção cinemato-
compreenderiam, pois só veem nele um estado de paz e
gráfica tenha sempre considerado a literatura como fon-
de ordem.
te de inspiração.
(Rudolf von Ihering, A luta pelo direito)
d) O cinema declarou-se independente, das outras artes,
há mais de meio século; porém, sabe-se, que a produção
Assinale a alternativa em que uma das vírgulas foi empre-
cinematográfica sempre bebeu na fonte da literatura.
gada para sinalizar a omissão de um verbo, tal como ocorre
na passagem – A espada sem a balança é a força bruta, a e) A literatura, sempre serviu de fonte inspiradora do ci-
balança sem a espada, a impotência do direito. nema, mas este, declarou-se independente das outras
artes há mais de meio século − como é sabido.
a) O direito, no sentido objetivo, compreende os princípios
jurídicos manipulados pelo Estado. 45. (Correios – Técnico em Segurança do Trabalho
b) Todavia, não pretendo entrar em minúcias, pois nunca Júnior – Médio – IADES – 2017 – adaptada) Quanto
chegaria ao fim. às regras de ortografia e de pontuação vigentes, considere
c) Do autor exige-se que prove, até o último centavo, o o período “Enquanto lia a carta, as lágrimas rolavam em
interesse pecuniário. seu rosto numa mistura de amor e saudade.” e assinale a
d) É que, conforme já ressaltei várias vezes, a essência do alternativa correta.
direito está na ação.
e) A cabeça de Jano tem face dupla: a uns volta uma das a) O uso da vírgula entre as orações é opcional.
faces, aos demais, a outra. b) A redação “Enquanto lia a carta, as lágrimas rolavam em
seu rosto por que sentia um misto de amor e saudade.”
43. TJ-BA – Técnico Judiciário – Área Administrativa poderia substituir a original.
– Médio – FGV – 2015 c) O uso do hífen seria obrigatório, caso o prefixo re fosse
acrescentado ao vocábulo “lia”.
Texto 2 - “A primeira missão tripulada ao espaço profundo d) Caso a ordem das orações fosse invertida, o uso da vír-
desde o programa Apollo, da década 1970, com o objetivo de gula entre elas poderia ser dispensado.
enviar astronautas a Marte até 2030 está sendo preparada e) Assim como o vocábulo “lágrimas”, devem ser acentua-
LÍNGUA PORTUGUESA

pela Nasa (agência espacial norte-americana). O primeiro dos graficamente rúbrica, filântropo e lúcida.
passo para a concretização desse desafio será dado nesta
sexta-feira (5), com o lançamento da cápsula Orion, da base
da agência em Cabo Canaveral, na Flórida, nos Estados Uni-
dos. O lançamento estava previsto originalmente para esta
quinta-feira (4), mas devido a problemas técnicos foi rea-
gendado para as 7h05 (10h05 no horário de Brasília).”
(Ciência, Internet Explorer).

104
46. (TRE-MS – Estágio – Jornalismo – TRE-MS – 2014) Sobre eles, assinale a alternativa CORRETA.
Verifique a pontuação nas frases abaixo e marque a asser-
tiva correta: a) No item I, a vírgula isola um aposto.
b) No item II, a interrogação indica uma mensagem inter-
a) Céus: Que injustiça. rompida.
b) O resultado do placar, não o abateu. c) No item III, a vírgula isola termos que explicam o seu
c) O comércio estava fechado; porém, a farmácia estava em antecedente.
pleno atendimento. d) No item IV, os dois sinais de pontuação, a interrogação e
d) Comam bastantes frutas crianças! a exclamação, indicam surpresa.
e) Comprei abacate, e mamão maduro. e) No item V, as vírgulas poderiam ser substituídas, apenas,
por um ponto e vírgula após o termo “repente”.
47. (SAAE-SP – Fiscal Leiturista – VUNESP – 2014)
49. (Prefeitura de Paulista-PE – Recepcionista – UPE-
NET – 2014 – adaptada)
“Já vi gente cansada de amor, de trabalho, de política, de
ideais. Jamais conheci alguém sinceramente cansado de di-
nheiro.”
(Millôr Fernandes)

Sobre as vírgulas existentes no texto, é CORRETO afirmar


que:

a) são facultativas.
b) isolam apostos.
c) separam elementos de mesma função sintática.
d) a terceira é facultativa.
e) separam orações coordenadas assindéticas.

50. (Polícia Militar-SP – Oficial Administrativo – Mé-


dio – vunesp – 2014) A reescrita da frase – Como sempre,
a resposta depende de como definimos os termos da pergun-
ta. – está correta, quanto à pontuação, em:

a) A resposta como sempre, depende de, como definimos


os termos da pergunta.
Segundo a norma-padrão da língua portuguesa, a pontua- b) A resposta, como sempre, depende de como definimos
ção está correta em: os termos da pergunta.
c) A resposta como, sempre, depende de como definimos
a) Hagar disse, que não iria. os termos da pergunta.
b) Naquela noite os Stevensens prometeram servir, bifes e d) A resposta, como, sempre depende de como definimos
lagostas, aos vizinhos. os termos da pergunta.
c) Chegou, o convite dos Stevensens, bife e lagostas: para e) A resposta como sempre, depende de como, definimos
Hagar e Helga os termos da pergunta.

d) “Eles são chatos e, nunca param de falar”, disse, Hagar 51. (Emplasa-Sp – Analista Jurídico – Direito – vu-
à Helga. nesp – 2014) Segundo a norma-padrão da língua portu-
e) Helga chegou com o recado: fomos convidados, pelos guesa, a pontuação está correta em:
Stevensens, para jantar bifes e lagostas.
a) Como há suspeita, por parte da família de que João Gou-
48. (Prefeitura de Paulista-PE – Recepcionista – UPE- lart tenha sido assassinado; a Comissão da Verdade de-
NET – 2014) Sobre os SINAIS DE PONTUAÇÃO, observe cidiu reabrir a investigação de sua morte, em maio deste
os itens abaixo: ano, a pedido da viúva e dos filhos.
LÍNGUA PORTUGUESA

b) Em maio deste ano, a Comissão da Verdade acatou o pe-


I. “Calma, gente”. dido da família do ex-presidente João Goulart e reabriu
II. “Que mundo é este que chorar não é “normal”? a investigação da morte deste, visto que, para a viúva e
III. “Sustentabilidade, paradigma de vida” para os filhos, Jango pode ter sido assassinado.
IV. “Será que precisa de mais licitações? Haja licitações!” c) A investigação da morte de João Goulart, foi reaberta,
V. “E, de repente, aquela rua se tornou um grande lago...” em maio deste ano pela Comissão da Verdade, para
apuração da causa da morte do ex-presidente uma vez
que, para a família, Jango pode ter sido assassinado.

105
d) A Comissão da Verdade, a pedido da família de João Desde que se mudou para o formato tradicional, Nagele já
Goulart, reabriu em maio deste ano a investigação de ouviu colegas do setor de tecnologia dizerem sentir falta
sua morte, porque, a hipótese de assassinato não é des- do estilo de trabalho do escritório fechado. “Muita gente
cartada, pela viúva e filhos. concorda – simplesmente não aguentam o escritório aber-
e) Como a viúva e os filhos do ex-presidente João Goulart, to. Nunca se consegue terminar as coisas e é preciso levar
suspeitando que ele possa ter sido assassinado pediram mais trabalho para casa”, diz ele.
a reabertura da investigação de sua morte, à Comissão É improvável que o conceito de escritório aberto caia em
da Verdade, esta, atendeu o pedido em maio deste ano. desuso, mas algumas firmas estão seguindo o exemplo de
Nagele e voltando aos espaços privados.
52. (Caixa Econômica Federal – Médico do Trabalho Há uma boa razão que explica por que todos adoram um
– cespe – 2014 – adaptada) A correção gramatical do espaço com quatro paredes e uma porta: foco. A verdade
trecho “Entre as bebidas alcoólicas, cervejas e vinhos são as é que não conseguimos cumprir várias tarefas ao mesmo
mais comuns em todo o mundo” seria prejudicada, caso se tempo, e pequenas distrações podem desviar nosso foco
inserisse uma vírgula logo após a palavra “vinhos”. por até 20 minutos.
Retemos mais informações quando nos sentamos em um
( ) CERTO ( ) ERRADO local fixo, afirma Sally Augustin, psicóloga ambiental e de-
sign de interiores.
53. (Prefeitura de Arcoverde-PE – Administrador de (Bryan Borzykowski, “Por que escritórios abertos podem
Recursos Humanos – CONPASS – 2014) Leia o texto a ser ruins para funcionários.” Disponível em:<www1.folha.
seguir: uol.com.br>. Acesso em: 04.04.2017. Adaptado)
“Pagar por esse software não é um luxo, mas uma necessida-
de”. O uso da vírgula justifica-se porque: Iniciando-se a frase – Retemos mais informações quando
nos sentamos em um local fixo... (último parágrafo) – com o
a) estabelece a relação entre uma coordenada assindética termo Talvez, indicando condição, a sequência que apre-
e uma conclusiva. senta correlação dos verbos destacados de acordo com a
norma-padrão será:
b) separar a oração coordenada “não é um luxo” da ad-
versativa “mas uma necessidade”, em que o verbo está
a) reteríamos ... sentarmos
subentendido.
b) retínhamos ... sentássemos
c) liga a oração principal “Pagar” à coordenada “não é um
c) reteremos ... sentávamos
luxo, mas uma necessidade”.
d) retivemos ... sentaríamos
d) indica que dois termos da mesma função estão ligados
e) retivéssemos ... sentássemos
por uma conjunção aditiva.
e) isola o aposto na segunda oração. 55. (TJ-SP – Escrevente Técnico Judiciário – Médio –
VUNESP – 2017) Leia o texto para responder às questões.
54. (TJ-SP – Escrevente Técnico Judiciário – Médio – O problema de São Paulo, dizia o Vinicius, “é que você
VUNESP – 2017) anda, anda, anda e nunca chega a Ipanema”. Se tomarmos
Há quatro anos, Chris Nagele fez o que muitos executivos “Ipanema” ao pé da letra, a frase é absurda e cômica. To-
no setor de tecnologia já tinham feito – ele transferiu sua mando “Ipanema” como um símbolo, no entanto, como
equipe para um chamado escritório aberto, sem paredes e um exemplo de alívio, promessa de alegria em meio à vida
divisórias. dura da cidade, a frase passa a ser de um triste realismo: o
Os funcionários, até então, trabalhavam de casa, mas ele problema de São Paulo é que você anda, anda, anda e nun-
queria que todos estivessem juntos, para se conectarem e ca chega a alívio algum. O Ibirapuera, o parque do Estado,
colaborarem mais facilmente. Mas em pouco tempo ficou o Jardim da Luz são uns raros respiros perdidos entre o mar
claro que Nagele tinha cometido um grande erro. Todos de asfalto, a floresta de lajes batidas e os Corcovados de
estavam distraídos, a produtividade caiu, e os nove empre- concreto armado.
gados estavam insatisfeitos, sem falar do próprio chefe. O paulistano, contudo, não é de jogar a toalha – prefere
Em abril de 2015, quase três anos após a mudança para estendê-la e se deitar em cima, caso lhe concedam dois
o escritório aberto, Nagele transferiu a empresa para um metros quadrados de chão. É o que vemos nas avenidas
espaço de 900 m² onde hoje todos têm seu próprio espaço, abertas aos pedestres, nos fins de semana: basta liberarem
com portas e tudo. um pedacinho do cinza e surgem revoadas de patinado-
Inúmeras empresas adotaram o conceito de escritório res, maracatus, big bands, corredores evangélicos, góticos
LÍNGUA PORTUGUESA

aberto – cerca de 70% dos escritórios nos Estados Unidos satanistas, praticantes de ioga, dançarinos de tango, barra-
são assim – e até onde se sabe poucos retornaram ao mo- quinhas de yakissoba e barris de cerveja artesanal.
delo de espaços tradicionais com salas e portas. Tenho estado atento às agruras e oportunidades da cidade
Pesquisas, contudo, mostram que podemos perder até porque, depois de cinco anos vivendo na Granja Viana, vim
15% da produtividade, desenvolver problemas graves de morar em Higienópolis. Lá em Cotia, no fim da tarde, eu cor-
concentração e até ter o dobro de chances de ficar doentes ria em volta de um lago, desviando de patos e assustando
em espaços de trabalho abertos – fatores que estão contri- jacus. Agora, aos domingos, corro pela Paulista ou Minhocão
buindo para uma reação contra esse tipo de organização. e, durante a semana, venho testando diferentes percursos.

106
Corri em volta do parque Buenos Aires e do cemitério da 17 A
Consolação, ziguezagueei por Santa Cecília e pelas encos-
tas do Sumaré, até que, na última terça, sem querer, des- 18 CERTO
cobri um insuspeito parque noturno com bastante gente, 19 D
quase nenhum carro e propício a todo tipo de atividades: o
estacionamento do estádio do Pacaembu. 20 C
(Antonio Prata. “O paulistano não é de jogar a toa- 21 A
lha. Prefere estendê-la e deitar em cima.” Disponível 22 E
em:<http://www1.folha.uol.com.br/colunas>. Acesso em:
13.04.2017. Adaptado) 23 E
Assinale a alternativa que dá nova redação à passagem – O 24 E
paulistano, contudo, não é de jogar a toalha – prefere esten-
dê-la e se deitar em cima, caso lhe concedam dois metros 25 C
quadrados de chão. – atendendo à norma-padrão de con- 26 C
cordância. 27 E
a) Cem por cento dos paulistanos não joga a toalha – acha 28 D
preferível estendê-la para que se deite sobre elas, caso 29 B
seja dado a eles dois metros quadrados de chão.
b) Os paulistanos não jogam a toalha – acham preferíveis 30 A
estendê-la e se deitar em cima, caso lhes deem dois me- 31 E
tros quadrados de chão.
32 D
c) Mais de um paulistano não são de jogar a toalha – acham
preferíveis estendê-la e se deitarem em cima, caso se dê 33 E
a eles dois metros de chão. 34 C
d) Para os paulistanos, não se joga a toalha – é preferível
que seja estendida, para que possam deitar-se sobre ela, 35 E
caso lhes sejam dados dois metros quadrados de chão. 36 C
e) A maior parte dos paulistanos, contudo, não são de joga-
37 A
rem a toalha – acha preferível elas serem estendidas e dei-
tar-se em cima, caso lhe seja dado dois metros de chão. 38 D
39 A
40 A
GABARITO 41 D
42 E
1 C
43 A
2 A
44 C
3 D
45 D
4 A
46 C
5 C
47 E
6 A
48 C
7 C
49 C
8 D
50 B
9 D
51 B
10 C
52 CERTO
11 B
LÍNGUA PORTUGUESA

53 C
12 C
54 E
13 D
55 D
14 E
15 A
16 B

107
ANOTAÇÕES

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110
ÍNDICE

ESTATUTO DA POLÍCIA CIVIL DO ESPÍRITO SANTO

Lei Complementar Nº 3.400/81 e atualizações...........................................................................................................................................................01


DOS CARGOS E DA FUNÇÃO POLICIAL CIVIL
LEI COMPLEMENTAR Nº 3.400/81 E
ATUALIZAÇÕES. O exercício de cargo de natureza policial é privativo
dos funcionários abrangidos por esta lei.
Caracteriza a função policial o exercício de atividades
LEI COMPLEMENTARES Nº 3400 -1981 especificas desempenhadas pelas autoridades, seus agen-
tes e auxiliares, para assegurar o comprimento da lei, a
ESTATUTO DOS FUNCIONÁRIOS POLÍCIAIS CIVIS DO manutenção da ordem pública, a proteção de bens e pes-
ESTADO DO ESPÍRITO SANTO soas, a prevenção da prática dos ilícitos penais e respectiva
apuração e o cumprimento das decisões judiciárias.
Das Disposições Preliminares A função policial é incompatível com qualquer com
qualquer outra atividade, salvo as exceções em lei.
Esta Lei Complementar institui as normas relativas ao re- A estruturação e constituição do Quadro de Pessoal da
gime jurídico dos funcionários policiais civis, regula o pro- Polícia Civil são objeto de lei específica.
vimento e vacância de cargos e fixa os direitos, vantagens,
deveres e regime disciplinar que lhes corresponde. DO PROVIMENTO DOS CARGOS POLICIAIS CIVIS
São policiais civis abrangidos por esta lei os funcionários E FUNÇÕES GRATIFICADAS
legalmente investidos em cargos integrantes do Quadro de
Pessoal da Polícia Civil. Das formas de Provimento e Requisitos para a Pri-
É considerado funcionário policial, para os efeitos desta meira Investidura
lei, o ocupante de cargo ou função gratificada, com atribui-
ções e responsabilidades de natureza policial. Da Seleção

DO CÓDIGO DE ÉTICA POLICIAL Os cargos policiais civis são acessíveis a todos os brasi-
leiros, preenchidos os requisitos estabelecidos em lei.
Art. 3º - O funcionário policial manterá observância dos Art. 9 - A investidura em cargos de provimento efeti-
seguintes preceitos de ética: vo do Quadro de Pessoal da Polícia Civil far-se-á mediante
I – servir à sociedade como obrigação fundamental; aprovação em concurso público de provas ou de provas e
II – proteger vidas e bens; títulos, observadas as condições prescritas em Lei e na regu-
III – defender o inocente e fraco contra o engano e a lamentação deste Estatuto
opressão; § 1º - Os candidatos serão submetidos à investigação de
IV – preservar a ordem, repelindo a violência; conduta de caráter eliminatório e de exame psicológico de
V – respeitar os direitos e garantias individuais;
caráter complementar.
VI – jamais revelar tibieza ante o perigo e o abuso;
§ 2º - De acordo com as atribuições do cargo poderão
VII – exercer a função policial com probidade, discrição e
ser realizados exames de aptidão física em caráter elimina-
moderação, fazendo observar as leis com polidez;
tório, a ser definido em edital de concurso público.
VIII – não permitir que sentimentos ou animosidades pes-
soais possam influir em suas decisões;
IX – ser inflexível, porém, justo, no trato com delinquentes; Dos Atos de Provimento
X – respeitar a dignidade da pessoa humana;
XI – preservar a confiança e o apreço de seus concidadãos Art. 10 - Os cargos de provimento efetivo regidos por
pelo exemplo de uma conduta irrepreensível na vida pú- esta lei são providos por:

ESTATUTO DA POLÍCIA CIVIL DO ESPÍRITO SANTO


blica e na particular; I – nomeação;
XII – cultuar o aprimoramento técnico-profissional; II – promoção;
XIII – amar a verdade e a responsabilidade, como funda- III – readaptação;
mentos da ética do serviço policial; IV – reintegração;
XIV – obedecer às ordens superiores, exceto quando ma- V – aproveitamento;
nifestamente ilegais; VI – reversão.
XI – não abandonar o posto em que deva ser substituído
sem chegada do substituído; Os atos de nomeação, reintegração, aproveitamento e
XVI – respeitar e fazer respeitar a hierarquia do serviço reversão são de competência do Governador do Estado e
policial; os demais, do secretário de Estado responsável pela admi-
XVII – prestar auxílio, ainda que não esteja em hora de nistração de pessoal, precedidos de proposta fundamen-
serviço: tada.
1 – a fim de prevenir, ou prevenir perturbação da ordem Os cargos em comissão serão providos mediante ato
pública; de nomeação e as funções gratificadas, por ato de desig-
2 – quando solicitado por qualquer pessoa carente de so- nação, cuja competência é atribuída ao Secretário de Esta-
corro policial, encaminhando-a à autoridade competen- do da Segurança Pública.
te, quando insuficientes as providências de sua alçada.

1
Do Concurso Público § 1º - São os seguintes requisitos de que se trata este
artigo:
As instruções para o concurso público a que se refere I – idoneidade moral;
o art. 9º são objetos de regulamentação pelo Poder Exe- II – assiduidade;
cutivo. III – disciplina;
Do regulamento dos concursos constarão: IV – eficiência;
a) os limites de idade; V – dedicação;
b) o número de vagas; VI – fidelidade às instituições;
c) os requisitos de ordem física, moral, intelectual e VII – frequência e aproveitamento em cursos de forma-
mental a serem satisfeitos pelos candidatos; ção profissional.
d) o período de validade; § 2º - Trimestralmente o responsável pela repartição ou
e) o tipo e o conteúdo das provas e as categorias dos serviço em que estiver localizado o funcionário policial
títulos; sujeito a estágio experimental encaminhará ao órgão de
f) a forma de julgamento das provas e dos títulos; pessoal, em boletim próprio, apreciação sobre o compor-
g) os critérios de habilitação e classificação final, para tamento do estagiário.
fins de nomeação. § 3º - Quando o servidor policial em qualquer estágio
experimental não preencher quaisquer dos requisitos
Do Curso de Formação enumerados no § 1º deste artigo ou cometer quaisquer
das transgressões disciplinares previstas no artigo 192,
Os candidatos classificados dentro do número de vagas deverá o chefe imediato comunicar o fato de forma cir-
oferecidas no concurso público serão submetidos a curso cunstanciada à Corregedoria Geral da Polícia Civil que,
de formação profissional de caráter eliminatório, comple- mediante auto de constatação, submeterá ao Conselho
mentar e indispensável ao exercício profissional, antes do de Polícia Civil proposta de não confirmação no cargo.
ato de nomeação. § 4º - O Diretor da Academia de Polícia Civil comunica-
Os candidatos classificados fora do número de vagas rá à Corregedoria Geral da Polícia Civil, visando a não
oferecidas no concurso público serão submetidos a cur- confirmação do servidor no cargo, na hipótese de ser sua
matrícula cancelada na forma prevista nos incisos I a V
so de formação, a critério e conveniência da administração
do art. 14 desta Lei.
pública.
§ 5º - Durante o período de estágio experimental não
Os candidatos inscritos no curso de formação profissio-
será permitido ao servidor público civil se afastar do car-
nal perceberão, a título de auxílio financeiro, o valor equi-
go para qualquer fim.
valente a 50% (cinquenta por cento) do menor subsídio da
Art. 19 - Haverá substituição remunerada somente nos
tabela de referência do respectivo cargo.
casos de impedimento legal e temporário de ocupante
Art. 14 - Terá sua matrícula cancelada o policial aluno que:
de cargo em comissão ou função gratificada, desde que
I – transgredir norma disciplinar; ocorra absoluta necessidade para o serviço.
II – tiver omitido fato que impossibilitaria sua inscrição § 1º - O substituto, durante o tempo da substituição,
no concurso, apurado em investigação social; perceberá o vencimento do cargo ou a gratificação de
III – for reprovado em qualquer disciplina do curso; função do substituído, ressalvado o direito de opção pelo
IV – ultrapassar o quantitativo máximo de faltas permi- vencimento do seu cargo efetivo acrescido de gratifica-
tido em norma regulamentar da Escola de Polícia Civil; ção correspondente a 40% (quarenta por cento) do ven-
V – demonstrar falta de aptidão ou pendor para o exer- cimento do cargo em comissão que estiver exercendo.
cício da função policial, durante o estágio. § 2º - A substituição dar-se-á, sempre que possível, den-
ESTATUTO DA POLÍCIA CIVIL DO ESPÍRITO SANTO

O cancelamento da matrícula no Curso de Formação tro da própria unidade.


será efetivado pelo Diretor da Academia de Polícia Civil.
A classificação dos candidatos habilitados no concurso Em caso de vacância de cargo em comissão ou de fun-
público será feita e encaminhada ao Secretário de Es- ção gratificada, poderá ser designado, até o provimento
tado da Administração e dos Recursos Humanos para respectivo, um responsável pelo expediente do órgão ou
homologação e publicação no Diário Oficial. unidade administrativa a que pertencer o cargo ou função,
o qual será remunerado na forma prevista para a substitui-
Da Nomeação ção, no parágrafo primeiro do artigo anterior.
O responsável pelo expediente não poderá ser mantido
A nomeação dos habilitados em concurso público obe- nessa situação por prazo superior a 120 (cento e vinte) dias.
decerá rigorosa ordem de classificação. A acumulação de jurisdição não constitui substituição
remunerada.
Art. 17 - O funcionário policial nomeado para cargo
efetivo ficará sujeito ao período de 2 (dois) anos de está-
gio experimental, durante o qual serão apurados os re-
quisitos necessários à sua confirmação ou não no cargo
para o qual foi nomeado.

2
Da Posse Da Localização e do Exercício

Art. 22 - A posse, para os efeitos desta lei, é o ato de Os funcionários policiais efetivos serão lotados na Se-
investidura em cargo policial civil. Quando do primei- cretaria de Estado da Administração e dos Recursos Hu-
ro ingresso na categoria de funcionário policial, a posse manos e alocados à Secretaria de Estado da Segurança
consistirá na formalização do compromisso policial, na Pública.
assinatura do respectivo termo e na entrega da insígnia
e identificação funcionais. Art. 29 - A determinação do local e repartição onde o
§ 1º - Nas investiduras subsequentes não será necessá- funcionário policial exercerá as suas atividades será pro-
rio novo compromisso, constituindo a posse apenas na movida pelo Delegado Chefe da Polícia Civil, mediante
assinatura do competente termo. ato de localização.
§ 2º - Não haverá posse nos casos de promoção, aces- Parágrafo único - Dar-se-á a localização:
so, readaptação, reintegração, designação, para função a) – “ex-offício”, no interesse do serviço;
gratificada e substituição. b) a pedido do funcionário policial, inclusive por permu-
O compromisso do funcionário policial terá caráter so- ta, a critério do Delegado Chefe da Polícia Civil;
lene e será prestado perante a autoridade competente c) – por conveniência da disciplina, mediante prévia sin-
para presidir a solenidade e demais funcionários convi- dicância.
dados e obedecerá aos seguintes dizeres:
“Prometo observar e fazer observar rigorosa obedi- O funcionário policial nomeado terá o prazo de 15
ência à Constituição, às Leis e Regulamentos; desem- (quinze) dias para entrar em exercício, contado da posse.
penhar minhas funções com lealdade e exação, com Ao entrar em exercício, o funcionário policial nomeado
desprendimento e correção, com dignidade e hones- apresentará ao órgão competente de pessoal os elementos
tidade e considerar como inerente à minha pessoa a necessários ao seu assentamento individual, à regulariza-
reputação e honorabilidade do organismo policial que ção de sua inscrição no órgão previdenciário correspon-
passo agora a servir”. dente, ao cadastramento nas repartições do PIS-PASEP e
O ato de posse será presidido pelo Delegado Chefe da do Imposto de Renda.
Polícia Civil ou pela autoridade que for especialmente O funcionário policial localizado em nova sede terá o
designada para o ato. prazo de 8 (oito) dias para entrar em exercício, quando a
A posse terá lugar no prazo de 30 (trinta) dias da publi- mudança ocorrer para localidade do interior do Estado, e o
cação do ato de provimento no órgão oficial do Estado, de 3 (três) dias, quando a nova localização for feita de um
podendo ser prorrogado esse prazo por igual período, para outro município da região da Grande Vitória.
a requerimento do interessado. Art. 32 - Processado criminalmente e condenado à
Art. 25 - São requisitos para a posse: pena privativa de liberdade que não determine demissão,
I – nacionalidade brasileira; ainda que por sentença fique estabelecida a suspensão
II – idade mínima de 21 (vinte e um) anos; condicional da pena, o servidor policial civil será automati-
III – estar em gozo dos direitos políticos; camente readaptado.
IV – estar quites com as obrigações militares;
V – sanidade física e mental, comprovada em inspeção Dos Afastamentos
médica oficial;
VI – habilitação prévia em concurso prévio; Nenhum funcionário policial pode ter exercício fora
VII – cumprimento das condições especiais previstas em da repartição onde tenha sido localizado, ressalvadas as
lei ou regulamento para determinados cargos. permissões contidas neste Estatuto e outras previstas em

ESTATUTO DA POLÍCIA CIVIL DO ESPÍRITO SANTO


lei, bem como em decorrência de convênios ou mediante
Ninguém poderá ser provido em cargo policial civil efe- expressa autorização do Governador do Estado, para fim
tivo ou em cargo de comissão sem declarar que não exerce determinado e por prazo não superior a 4 (quatro) anos.
outro cargo ou função pública da União, dos Estados, dos
Municípios e respectivas autarquias, empresas públicas e Art. 34 - Os afastamentos mediantes prévia autorização
sociedades de economia mista, ou sem provar que solicitou do Governador do Estado só serão permitidos:
exoneração ou dispensa do cargo ou função que ocupava I – para estudo ou missão de interesse específico do ser-
em quaisquer dessas entidades, salvo acumulação legal. viço;
O funcionário policial declarará, para que figurem obri- II – para participar de congresso e outros certames desde
gatoriamente no termo de posse, os bens e valores que que tratem especificamente de matéria pertinente à sua
constituem o seu patrimônio. função;
Poderá haver posse por procuração, a juízo da autori- III – para frequentar curso especializado que se relacione
dade competente. com as atribuições do cargo efetivo de que seja titular;
O prazo para posse em cargo efetivo de provimento IV – para o exercício das atribuições inerentes ao seu
por concurso público, de concursado investido em manda- cargo efetivo em outra unidade administrativa estadual;
to eletivo, somente fluirá a partir do término do respectivo V – para exercício de cargo de governo ou administra-
mandato ou de seu afastamento em caráter definitivo. ção, por nomeação do Governador do Estado.

3
Quando afastado com ônus, para frequentar curso fora A promoção para Delegado de Polícia da Categoria
do Estado, o funcionário policial ficará obrigado a prestar Especial dar-se-á exclusivamente pelo critério de mereci-
serviços à Policia Civil pelo prazo correspondente ao perío- mento, respeitada a existência de vaga, observada a cultura
do de afastamento, sob pena de restituir aos cofres públi- profissional comprovada e a conduta civil e policial.
cos o que houver recebido quando de seu afastamento das Para cada vaga disponível será organizada uma lista
funções do cargo. tríplice, composta por Delegados de 3ª Categoria ativos,
O funcionário policial investido em mandato eletivo fi- habilitados à promoção, da qual, o Governador do Estado
cará afastado do exercício, pelo prazo e na forma de legis- escolherá 1 (um) de seus integrantes para promoção.
lação eleitoral. Os integrantes da lista, de que trata o § 1°, serão esco-
O afastamento para o exercício de mandato legislativo lhidos pelo conjunto dos Delegados de 3ª Categoria ativos.
municipal só ocorrerá quando não houver compatibiliza- O Chefe do Poder Executivo regulamentará, por decre-
ção. to, o processo de promoção de que trata este artigo.
É assegurado ao servidor policial civil, eleito como diri- A promoção prevista neste capítulo será regulamentada
gente na Diretoria Executiva de entidade de classe, o direito por ato do Poder Executivo.
ao afastamento, remunerado, para o desempenho de man- A promoção de que trata este Capítulo será publicada
dato em confederação, federação e associação de classe de no Diário Oficial do Estado, com vigência a partir do 1º
âmbito nacional ou estadual. (primeiro) dia do mês seguinte ao da publicação.
Fica assegurado o afastamento de 01 (um) policial civil
para as associações de classe estaduais dos policiais civis, Da Readaptação
legalmente constituídas há mais de 03 (três) anos e que
possuam em seus quadros mais de 150 (cento e cinquenta) Readaptação é o provimento do funcionário policial em
associados. cargo mais compatível com sua capacidade física, intelec-
Fica assegurado o afastamento de 01 (um) policial ci- tual ou vocação, podendo ser realizada “ex-offício” ou a
vil para as associações nacionais e federações nacionais de pedido do interessado.
categorias policiais civis desde que haja entidade de classe, Não havendo cargo vago, a ser provido pelo readaptan-
a nível estadual, filiada à respectiva associação nacional ou do, o Poder Executivo promoverá a respectiva criação, por
federação nacional. decreto, devendo o cargo ser extinto na vacância.
Será considerado efetivo exercício o período de afas- Será readaptado o funcionário policial que, comprova-
tamento do policial civil, investido em mandato classista,
damente, se revelar inapto para o serviço policial civil sem
para fins de promoção, remuneração e para aposentadoria.
causa que justifique a sua demissão ou aposentadoria.
O afastamento terá duração igual ao período do man-
Haverá readaptação quando:
dato, inclusive no caso de reeleição.
a) ficar comprovada a modificação do estado físico ou
Art. 36 - O funcionário policial estará ainda, afastado
mental do funcionário, que lhe diminua a eficiência ou
do exercício do cargo:
o incapacite para a função policial;
I – até decisão final transitada em julgado, quando de-
b) o seu nível de desenvolvimento mental não mais
nunciado por crime funcional;
corresponder às exigências da atividade ou venha a
II – pelo prazo que durar sua prisão civil, administrativa
ou penal; incompatibilizá-lo para a função policial civil;
III – pelo prazo em que ficar suspenso preventivamente c) a função policial civil não mais corresponder aos
ou em cumprimento à pena de suspensão disciplinar, ex- seus pendores vocacionais;
ceto quando seja convertida em multa; d) for suspenso por mais de noventa (90) dias;
IV – pelo prazo que durar a efetiva privação da liberda- e) for reincidente inespecífico em três transgressões
disciplinares.
ESTATUTO DA POLÍCIA CIVIL DO ESPÍRITO SANTO

de decorrente de condenação criminal definitiva, salvo


se deste decorrer a perda do cargo público ou se o fato
criminoso configurar ilícito administrativo passível de Art. 44 - O processo de readaptação será instaurado:
demissão. I – nos casos das letras “a”, “b” ou “c” do artigo 43 por de-
liberação ex-ofício do Conselho da Polícia Civil, apresen-
Na hipótese do inciso I deste artigo, conforme a nature- tada pela autoridade a que o funcionário policial estiver
za do crime funcional, poderá ser determinado ao funcio- subordinado, instruída com laudo firmado por junta mé-
nário a reassunção do exercício, a critério da administração dica do órgão competente de pessoal, da Secretaria de
e no interesse do serviço. Estado da Administração e dos Recursos Humanos;
II – nos casos das letras “d” e “e” do artigo 43 por delibera-
Da Promoção e Do Acesso ção ex-ofício do Conselho de Polícia Civil, submetida a en-
caminhamento à Secretaria de Estado da Administração e
Promoção é a elevação seletiva, gradual e sucessiva do Recursos Humanos pelo Delegado Chefe da Polícia Civil.
servidor policial civil estável à categoria imediatamente su-
perior àquela a que pertence e ocorrerá pelos critérios de Enquanto perdurar o processo de readaptação, o fun-
antiguidade e merecimento, alternadamente, respeitada a cionário policial será afastado de suas funções e colocado
existência de vagas, na forma da legislação específica. no Quadro Suplementar.

4
Durante o período de inclusão no Quadro Suplementar, Será cassada a disponibilidade ou a aposentadoria, se
ao funcionário policial não serão devidas as gratificações não ocorrerem a posse e o exercício do cargo no prazo
estatuídas pelos artigos 89 e 90, salvo se as hipóteses men- legal.
cionadas no art. 44, vetado decorrerem de vitimação no
cumprimento do dever. Do Quadro Suplementar
A readaptação não acarretará decesso nem aumento de
vencimento, garantindo-se sempre ao funcionário, como Art. 53 - Considera-se Quadro Suplementar a parte do
vantagem pessoal, a diferença a que fizer jus, quando for o Quadro de Pessoal da Polícia Civil na qual serão incluí-
caso de readaptação em cargo de nível inferior. dos os funcionários policiais que se encontrem em uma
Caberá à Escola de Polícia Civil, dentro do prazo máxi- das seguintes situações:
mo de 30 (trinta) dias, a verificação das condições de ca- a) – em disponibilidade;
pacidade intelectual e vocação do readaptando, a fim de b) – em processo de readaptação;
indicar as atribuições e responsabilidades que lhe poderão c) – em licença para tratar de interesses particulares;
ser deferidas.
d) – em fase de apuração de abandono de cargo, en-
quanto perdurar o inquérito administrativo;
Da Reintegração
e) – quando à disposição de órgãos estranhos à função
A reintegração, que decorrerá da decisão administrativa policial civil;
ou sentença judicial, é o reingresso do funcionário policial f) – em cumprimento de pena privativa de liberdade;
afastado do serviço público, com pleno ressarcimento dos g) – investidos em mandato eletivo.
vencimentos, direitos e vantagens ligados ao cargo.
A decisão administrativa que determinar a reintegração O tempo de serviço do servidor policial civil no quadro
será proferida em pedido de revisão de processo discipli- suplementar, não será computado para efeito de promo-
nar. ção, salvo o referido na alínea “g” do artigo anterior, que
A reintegração far-se-á no cargo anteriormente ocupa- será levado em conta nas promoções por antiguidade.
do; se este houver sido transformado, no resultante e, se Cessados os motivos que determinaram a inclusão no
extinto, em cargo de vencimento equivalente respeitada a Quadro Suplementar, o funcionário policial retornará obri-
habilitação. gatoriamente à parte permanente do Quadro de Pessoal
Não sendo possível reintegrá-lo na forma prevista neste da Polícia Civil.
artigo, o funcionário policial será posto em disponibilidade,
com a remuneração do cargo. DA VACÂNCIA
O funcionário policial reintegrado deve ser submetido Das Formas de Vacância
à inspeção médica especializada na forma desta lei e, se
julgado incapaz ou inválido, será aposentado. A vacância do cargo decorre:
I – promoção;
Do Aproveitamento e da Reversão II – investidura em outro cargo, exceto em se tratando de:
a) – substituição;
Aproveitamento é o reingresso do funcionário policial b) – cargo de governo ou administração;
que se encontrava em disponibilidade. c) – cargo em comissão;
d) – acumulação legal;
Art. 51 - Reversão é o retorno à atividade do funcioná-
III – exoneração;
rio policial aposentado quando insubsistentes os moti-
IV – demissão;
vos que o levaram a aposentar-se, respeitadas a habili-
ESTATUTO DA POLÍCIA CIVIL DO ESPÍRITO SANTO
V – perda de função pública;
tação profissional e a existência da vaga.
§ 1º - Para que a reversão possa efetivar-se, é necessário VI – aposentadoria;
que o aposentado: VII – falecimento do ocupante;
a) – não haja completado 55 (cinquenta e cinco) anos VIII - desaparecimento;
de idade; IX - readaptação.
b) – não conte mais de 25 (vinte e cinco) anos de tempo
de serviço e de inatividade, computados em conjunto; Para efeito de promoção considera-se aberta a vaga no
c) – tenha o seu retorno à atividade considerado como quadro de carreira da Polícia Civil na data de falecimento,
de interesse do serviço policial civil. na data de afastamento para aposentadoria ou na data de
§ 2º - Somente depois de decorridos 5 (cinco) anos, sal- publicação do ato, nas hipóteses previstas nos incisos I, III,
vo motivo de saúde, pode reapresentar-se o funcionário IV, V, VI, IX e X deste artigo.
policial que reverter. A vacância de função gratificada dar-se-á mediante ato
do Delegado Chefe da Polícia Civil e decorrerá de:
O aproveitamento e a reversão dependem de aprova- a) – dispensa, a pedido ou “ex-offício”;
ção em prova de sanidade física e mental, realizada pelo b) – destituição.
órgão médico de pessoal da Secretaria de Estado da Admi-
nistração e dos Recursos Humanos.

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Da Exoneração Dos Descontos

Exoneração é o ato que afasta o funcionário do cargo por Art. 66 - O funcionário policial perderá o vencimento
ele exercido, promovendo a cessação do vínculo jurídico que ou a remuneração do cargo efetivo quando:
o liga ao Estado. I – nomeado para cargo de provimento em comissão,
salvo o direito de optar e o de acumulação legal;
Art. 59 - A exoneração do funcionário policial dar-se-á: II – no exercício de mandato eletivo federal ou estadual;
a) – voluntariamente, a pedido do funcionário; III – no exercício de mandato de vereador, não havendo
b) – “ex-offício”. compatibilidade de horário com o exercício do cargo;
A exoneração “ex-offício” poderá ocorrer quando:
V – nomeado para cargo de governo ou administração,
a) – se tratar de cargo de provimento em comissão;
pelo Governador do Estado.
b) – não satisfeitas as condições do estágio experimental;
c) – o funcionário policial tomar posse em outro cargo
público; O funcionário policial colocado à disposição de outra
d) – prescrita a pena de demissão; unidade administrativa, na forma do inciso IV do artigo 34
e) – o funcionário policial não assumir o exercício no pra- ou afastado do cargo para frequentar curso que não seja
zo legal. ministrado pela Escola de Polícia Civil, sujeita-se à perda
das vantagens decorrentes estritamente da função policial.
São competentes para exonerar: O Secretário de Estado
da Administração e dos Recursos Humanos, em se tratando Art. 67 - O funcionário policial perderá ainda:
de cargo de provimento efetivo, e o Secretário de Estado da I – o vencimento do dia, se não comparecer ao serviço
Segurança Pública, em se tratando de cargo de provimento ou faltar à aula de curso instituído pela Escola de Polícia
em comissão. Civil, quando esteja matriculado, salvo por motivo pre-
O funcionário policial que solicitar exoneração deverá visto em lei ou se acometido de moléstia comprovada;
conservar-se em exercício, salvo proibição legal, durante 15 II – um terço do vencimento diário, quando comparecer
(quinze) dias após a apresentação do pedido. ao serviço dentro da hora seguinte à marcada para o
Não havendo prejuízo para o serviço, a permanência do início do dos trabalhos ou quando se retirar dentro da
funcionário policial em exercício poderá ser dispensada, a cri- hora anterior à marcada para término do expediente;
tério do chefe da repartição.
III – metade do vencimento ou remuneração, durante
o afastamento por motivo de prisão preventiva ou em
DOS DIREITOS E VANTAGENS
Das Prerrogativas flagrante; suspensão preventiva ou período excedente
à suspensão preventiva, até a conclusão final do pro-
Art. 62 - Constituem prerrogativas dos funcionários poli- cesso; pronúncia por crime comum; denúncia por cri-
ciais: me funcional ou que pela natureza e configuração seja
I – o desempenho de cargos e funções compatíveis com a considerado infamante, de modo a incompatibilizar o
sua condição hierárquica; servidor policial civil para o exercício funcional; ou, ain-
II – o uso de insígnia e identificação funcional; da, condenação por crime inafiançável em processo no
III – acesso a locais fiscalizados pela Polícia Civil vetado; qual não haja pronúncia;
IV – assistência jurídica prestada pelo Estado, quando sub- IV – dois terços do vencimento ou remuneração, duran-
metido a processo em juízo em razão do exercício do cargo; te o período de afastamento em virtude de condenação
V – assistência médico-hospitalar às expensas do Estado, judicial, por sentença definitiva, à pena que não deter-
quando ferido ou acidentado em serviço; mine demissão;
ESTATUTO DA POLÍCIA CIVIL DO ESPÍRITO SANTO

VI – portar armas, mediante autorização do órgão com- V – o vencimento ou remuneração correspondente aos
petente. dias em que estiver incurso em pena disciplinar de sus-
pensão.
Do Vencimento, Remuneração e Descontos
Do Vencimento e da Remuneração
Nos casos de faltas sucessivas, serão computados, para
efeito de desconto, os sábados, domingos e feriados in-
Vencimento é a retribuição pelo efetivo exercício do cargo,
fixado em lei. tercalados.
Remuneração é a retribuição que representa a totalidade Na hipótese de não comparecimento do funcionário
do ganho, compreendendo o vencimento mais as vantagens policial a serviço de plantão ou ronda, o número total de
pecuniárias. faltas abrangerá, para todos os efeitos legais, o período
Os vencimentos dos ocupantes dos cargos policiais civis destinado ao descanso.
serão fixados por lei ordinária, levando-se em conta a nature- O funcionário afastado do cargo por algum dos mo-
za específica das funções e condições para o seu exercício, os tivos previstos no inciso III deste artigo, se inocentado a
riscos a ela inerentes, a imprevisibilidade dos horários de final, fará jus à percepção da importância correspondente
trabalho e a proibição legal do exercício de outras ativida- aos descontos que tenha sofrido.
des remuneradas.

6
Art. 68 - O vencimento, a remuneração e os proven- Correrá à conta da Administração a despesa de trans-
tos não sofrerão descontos além dos previstos em lei, porte do funcionário e de sua família, inclusive um serviçal,
nem serão objeto de arresto, sequestro ou penhora, salvo compreendendo passagens e bagagem.
quando se tratar de: Não se concederá ajuda de custo quando a nova locali-
I – prestação de alimentos, determinada judicialmente; zação ocorrer a pedido do funcionário policial.
II – reposição ou indenização devida à Fazenda Estadu- Art. 73 - A ajuda de custo não excederá à:
al, hipótese em que o desconto será provido em parcelas I – 1 (um) mês de vencimento, quando o deslocamento
mensais, não excedentes à décima parte do vencimento. se der dentro do território do Estado;
II – 2 (dois) meses de vencimento, quando o desloca-
Nos casos de comprovada má-fé, a reposição será feita mento for para fora do Estado, mas dentro do país;
de uma vez, sem prejuízo das penalidades cabíveis. III – 4 (quatro) meses de vencimento, quando o desloca-
A exoneração e a demissão do funcionário policial em mento for para o exterior.
débito para com a Fazenda Pública implicarão na inscrição
da quantia devida em dívida ativa. No arbitramento da ajuda de custo, o Delegado Chefe
da Polícia Civil levará em conta as novas condições de vida
Das Faltas Relevadas do servidor, bem como as despesas de viagem e de insta-
lação.
Art. 69 - Serão relevadas até 8 (oito) faltas consecutivas Art. 75 - A ajuda de custo será calculada:
quando decorrentes de: I – sobre o vencimento do cargo efetivo;
I – casamento do funcionário; II – sobre o vencimento do cargo em comissão que o
II – falecimento do cônjuge, pais, filhos e irmãos; funcionário policial passar a exercer na nova sede;
III – falecimento de avós ou sogros, desde que comprova- III – sobre o vencimento do cargo efetivo, acrescido da
da a necessidade de assistência pessoal do funcionário. gratificação de função, quando o funcionário passar a
exercer função gratificada na nova sede.
Nas hipóteses previstas nos itens II e III deste artigo, a
justificativa das faltas poderá ser feita dentro do prazo de 10 A ajuda de custo será paga antecipadamente, por meta-
(dez) dias após o fato motivador. de, sendo facultado ao funcionário optar pelo recebimento
integral na nova repartição.
Do Pagamento do Vencimento ou Provento do “De
Cujus” Art. 76 - O funcionário policial restituirá a ajuda custo
quando:
O vencimento ou provento que o “de cujus” deixou de I – não se transportar para a nova sede nos prazos de-
receber será pago ao cônjuge sobrevivente e, na falta deste, terminados;
à pessoa a quem o alvará judicial determinar. II – pedir exoneração antes de completar 90 (noventa)
dias de exercício na nova sede.
Das Vantagens Pecuniárias A restituição é de exclusiva responsabilidade pessoal
Da Especificação das Vantagens do funcionário policial.
Não haverá obrigação de restituir:
Art. 71 - O funcionamento policial poderá perceber, além a) – quando o regresso à sede anterior for determinado
dos vencimentos, as seguintes vantagens pecuniárias: “ex-offício” ou por doença comprovada, em sua pessoa
I – ajuda de custo, passagens de transporte mobiliário, ou em pessoa de sua família;
quando mandado servir em nova sede; b) – quando novamente localizado “ex-offício” em nova
II – diárias, quando em objeto de serviço, deslocar-se sede.
ESTATUTO DA POLÍCIA CIVIL DO ESPÍRITO SANTO
eventualmente da sede de trabalho;
III – transporte, quando em serviço externo ou quando A percepção de ajuda de custo não impede o recebi-
deva submeter-se a provas em cursos de interesse da Po- mento de diárias.
lícia Civil, desde que autorizado pelo Secretário de Estado
da Segurança Pública; Das Diárias
IV – salário-família;
V – gratificações; Ao funcionário policial que se deslocar da sede em ob-
VI – auxílios e benefícios previstos em lei. jeto de serviço conceder-se diária para indenização de des-
pesa de alimentação e pousada, de acordo com os critérios
Da Ajuda de Custo estabelecidos em decreto do Chefe do poder Executivo.
Não se concederá diária:
Será concedida ajude custo ao funcionário policial que a) – durante o período de trânsito realmente necessário
passar a ter exercício em nova sede ou que se afastar para à viagem para nova sede;
estudo ou missão de interesse do serviço, mediante autori- b) – quando o deslocamento constituir exigência per-
zação da autoridade competente. manente do cargo.
A ajuda de custo destina-se à compensação das despe- Entende-se por sede a cidade ou localidade onde o fun-
sas de viagem e de nova instalação. cionário tenha exercício regular.

7
Art. 79 - O funcionário policial poderá perceber: Das Gratificações
I – diária integral, quando passar mais de 12 (doze) ho-
ras fora da sede; Das Espécies de Gratificação
II – meia diária, quando passar de 6 (seis) e 12 (doze)
horas fora da sede. Serão concedidas gratificações:
I – de função de chefia;
É considerada falta grave conceder diárias com o objeti- II – de representação;
vo de remunerar serviços ou encargos outros ou recebê-las III – de magistério policial;
com a violação das normas estatuídas nesta Seção. IV – de função policial civil;
V – de risco de vida;
Do Transporte VI – pela participação em órgão de deliberação coletiva;
VII – pela participação como membro da banca e co-
Art. 81 - O funcionário policial terá direito a transporte missões de concurso;
por conta do Estado, quando se deslocar de sua sede, num VIII – por estudo ou missão, de interesse de serviço,
dos seguintes casos: mediante autorização;
I – viajar no interesse da Justiça ou da disciplina; IX – adicional por tempo de serviço;
II – realizar outros deslocamentos necessários ao bom X – de assiduidade;
desempenho das funções de seu cargo; XI – vetado.
III – para participar de provas de seleção destinadas a
ingresso em escolas, cursos ou centros de formação, de espe- Da Gratificação de Função de Chefia
cialização, de aperfeiçoamento ou atualização, de interesse
da Polícia Civil, se autorizado. A gratificação de função de chefia corresponde a encar-
gos de chefia e outros determinados em lei ou no regula-
Do Salário-família mento da Polícia Civil.
O valor da gratificação de função é estabelecido em lei.
Art. 82 - O salário-família será concedido ao funcioná-
rio policial ou inativo: Da Gratificação de Representação
I – por filho solteiro menor de 18 (dezoito) anos;
II – por filho solteiro, maior de 18 (dezoito) anos e menor A gratificação de representação destina-se a atender as
de 21 (vinte e um) anos, sem economia própria;
despesas extraordinárias, decorrentes de compromissos de
III – por filho inválido;
ordem social ou profissional, inerentes à representatividade
IV – por filha solteira, sem economia própria;
de ocupantes de cargo de destaque da instituição policial
V – por filho estudante, até a idade de 24 (vinte quatro)
civil.
anos, que frequente curso superior, em estabelecimento
A gratificação de representação será concedida por lei,
oficial ou particular reconhecido e que não exerça ativi-
em cada situação específica.
dade remunerada;
VI – pela esposa que não tiver quaisquer rendimentos;
VII – pela mãe ou avó viúva, sem qualquer rendimento,
Da Gratificação de Magistério Policial
que viva às suas expensas.
A gratificação do magistério policial será devida ao fun-
Compreende-se neste artigo os filhos de qualquer con- cionário policial que for designado para participar como
dição, os enteados, os adotivos e o menor que, mediante professor de cursos da Escola de Polícia Civil, e será arbitra-
da por ato do Chefe do poder Executivo, que regulamenta-
ESTATUTO DA POLÍCIA CIVIL DO ESPÍRITO SANTO

autorização judicial, viver sob a guarda e sustento do fun-


cionário. rá a sua concessão.
Quando pai e mãe forem funcionários e viverem em co-
mum, o salário-família será concedido ao pai. Da Gratificação de Função Policial Civil
Se os pais funcionários não viverem em comum, o salá-
rio-família será ao que tiver o dependente sob sua guarda. A gratificação de função policial civil será devida ao fun-
O salário-família será devido a partir do mês em que cionário policial, para atender às peculiaridades de exercí-
tiver ocorrido o fato ou ato que lhe deu origem. cio decorrentes da integral e exclusiva dedicação às ativi-
Deixará de ser devido o salário-família relativo a cada dades do cargo, que o incompatibiliza com o exercício que
dependente no mês seguinte ao ato ou fato que determina qualquer outra atividade pública ou privada.
sua supressão, embora ocorrido no primeiro dia do mês. O valor da gratificação a que se refere este artigo equi-
Em caso de falecimento do funcionário, o salário-família valerá a 30% (trinta por cento) do valor do vencimento es-
continuará a ser pago a seus beneficiários diretamente ou tabelecido para o padrão ou referência do cargo ocupado
através de seus representantes legais. pelo funcionário policial.
O salário-família será pago ainda nos casos em que o Quando no exercício de cargo em comissão, o funcio-
funcionário deixar de receber vencimentos em razão da nário policial efetivo poderá optar entre receber a gratifi-
pena de suspensão. cação com base no vencimento de um ou de outro cargo.

8
A gratificação de função policial civil não será conferida Da Gratificação Adicional por Tempo de Serviço
ao funcionário policial que exerça outro cargo público ou
emprego remunerado em regime de acumulação legal. A gratificação adicional por tempo de serviço será con-
Apenas fará jus à percepção da gratificação prevista cedida ao funcionário policial efetivo, por quinquênio de
neste artigo o funcionário policial que se encontrar em efetivo exercício em serviço prestado exclusivamente à ad-
efetivo desempenho das atribuições e responsabilidades ministração estadual, respeitado o disposto no artigo 163
do cargo, continuando a percebê-la, exclusivamente, nos e no inciso III, do artigo 164.
afastamentos em virtude de férias, casamento, luto, licença O cálculo da gratificação será feito sobre o vencimento
para tratamento da própria saúde, vetado licença à gestan- do cargo efetivo, nas seguintes bases: até o terceiro quin-
te ou em decorrência de acidente em serviço, férias-prê- quênio, 5% (cinco por cento), por quinquênio; a partir do
mio, serviço obrigatório por lei, ministração de aulas ou quarto quinquênio, 10% (dez por cento), por quinquênio.
recebimento de treinamento ou aperfeiçoamento em curso No caso de acumulação legal de cargos, a gratificação
ministrado pela Escola de Polícia Civil ou para o exercício
adicional será computada em razão do tempo de serviço
de cargo em comissão ou função gratificada em órgão da
em cada um dos cargos independentemente.
Polícia Civil.
Compete ao Secretário responsável pela administração
Será suspenso ou interrompido o pagamento da grati-
de pessoal conceder a gratificação prevista neste artigo.
ficação de função policial civil ao funcionário que incorrer
em infração disciplinar de acordo com o previsto nos arti-
gos 201, §§ 1º e 2º e 206, parágrafo único. Da Gratificação de Assiduidade

Da Gratificação de Risco de Vida A gratificação de assiduidade será concedida em cará-


ter permanente ao funcionário policial efetivo que, tendo
A gratificação de risco de vida será concedida ao funcio- adquirido direito a férias-prêmio, de acordo com o artigo
nário policial, pelo desempenho de atribuições, tarefas ou 135, optar por esta gratificação.
encargos em circunstâncias consideradas potencialmente A gratificação de assiduidade corresponderá a 25%
perigosas à sua integridade física, com possibilidades de (vinte e cinco por cento) do valor do vencimento do cargo
dano à vida ou à saúde. efetivo.
A gratificação de risco de vida variará entre limites de Na hipótese de acumulação legal, o funcionário policial
20% (vinte por cento) e 40% (quarenta por cento), calcula- fará jus à gratificação por ambos os cargos independen-
dos sobre o valor do vencimento estabelecido para o pa- temente.
drão de referência do cargo exercido, e será concedida nos A concessão da gratificação prevista neste artigo é de
termos da regulamentação geral a ser expedida pelo Poder competência do Secretário de Estado responsável pela ad-
Executivo. ministração de pessoal.
A gratificação do risco de vida apenas será devida
quando o funcionário policial estiver no efetivo desempe- Dos Auxílios e Benefícios
nho das atribuições do cargo, em unidade da Polícia Civil, Das Espécies de Auxílios e Benefícios
e somente continuará a ser paga nos afastamentos decor-
rentes dos motivos apontados no artigo 89, parágrafo 4º. Art. 97 - Ao funcionário policial serão concedidos:
O funcionário policial a que for aplicada pena discipli- I – auxílio-doença;
nar terá o pagamento da gratificação de risco de vida sus- II – auxílio-funeral;
penso, de acordo com o disposto nos artigos 201, §§ 1º e III – auxílio para transporte de familiares do funcionário
2º e 206, parágrafo único.
falecido;
ESTATUTO DA POLÍCIA CIVIL DO ESPÍRITO SANTO
IV – auxílio à família do funcionário desaparecido;
Da Gratificação pela Participação como Membro de
V – auxílio natalidade e auxílio especial por adoção.
Banca em Comissão de Concurso

Os funcionários policiais que forem designados para in- Do Auxílio-doença


tegrar bancas e comissões de concurso farão jus a gratifica-
ção a ser arbitrada, em cada caso, pelo Secretário de Estado O funcionário policial terá direito a 1 (um) mês de ven-
responsável pela administração de pessoal. cimento, a título de auxílio-doença, após cada período de
12 (doze) meses consecutivos de licença para tratamento
Da Gratificação por Estudo ou Missão de Interesse de saúde, em consequência das doenças previstas no ar-
do Serviço tigo 118.
O pagamento de auxílio-doença será autorizado a par-
A gratificação por estudo ou missão de interesse do tir do dia imediato àquele em que o funcionário policial
serviço será concedida ao funcionário policial que se au- complementar o período referido neste artigo.
sentar do Estado, na hipótese prevista neste artigo, e será É competente para conceder o auxílio-doença o Secre-
arbitrada pelo Governador, mediante proposta fundamen- tário de Estado responsável pela administração de pessoal.
tada do Secretário de Estado da Segurança Pública.

9
Do Auxílio-funeral Das Concessões ao Funcionário Policial Estudante

Ao cônjuge ou na falta deste à pessoa física ou jurídica Ao funcionário policial estudante poderá ser concedido
que provar ter feito despesas em virtude do falecimento horário especial, respeitada a carga horária à que estiver
do funcionário policial, ainda que estivesse ele, ao tem- sujeito.
po de sua morte, em disponibilidade ou aposentado, será Ocorrendo a necessidade do afastamento do expe-
concedido, a título de auxílio-funeral, importância corres- diente, a fim de participar de atividades didáticas e de
pondente a 1 (um) mês de remuneração ou provento. extensão universitária realizadas extra-classe, as horas de
O pagamento será feito à vista da apresentação do afastamento serão compensadas mediante antecipação
atestado de óbito. ou prorrogação do horário normal de trabalho.
A despesa correrá pela dotação própria do cargo, não É concedida dispensa de assinatura do ponto ao fun-
podendo, por esse motivo, o nomeado para preenchê-lo cionário policial, estudante, nos dias em que, dentro do
entrar em exercício antes de decorridos 30 (trinta) dias do horário de expediente, seja chamado a prestar exames
falecimento do antecessor. parciais ou finais.
A competência para a concessão do auxílio previsto Para beneficiar-se dos favores contidos neste capítulo
neste artigo é atribuída ao Secretário de Estado responsá- o funcionário policial deverá instruir requerimento ao che-
vel pela administração de pessoal. fe do órgão onde tem exercício, com atestado ou declara-
ção firmado pelo Secretário do estabelecimento de ensino
Do Auxílio para Transporte de Familiares do Funcio- em que estiver matriculado.
nário Falecido
Das Licenças
Será concedido transporte ao cônjuge e filhos do fun- Das Licenças em Geral
cionário falecido quando tenha ocorrido o falecimento no
desempenho do cargo ou em serviço, fora da sede de tra- Art. 109 - O funcionário policial poderá ser licenciado.
balho. I – para tratamento de sua própria saúde;
Compete ao Secretário de Estado responsável pela ad- II – por acidente em serviço ou por doença profissional;
ministração de pessoal autorizar o pagamento do auxílio III – por motivo de doença em pessoa da família;
previsto neste artigo. IV – para repouso à gestante;
V – para serviço militar obrigatório;
Do Auxilio à Família do Funcionário Desaparecido VI – para trato de interesses particulares;
VII – por motivo de afastamento do cônjuge.
À família do funcionário desaparecido em naufrágio,
acidente, conflito interno ou qualquer ato de guerra será Compete ao Secretário de Estado responsável pela ad-
concedida, durante o prazo de 3 (três) meses, a título de ministração de pessoal ou funcionário a quem este dele-
auxílio provisório, importância igual ao vencimento ou gar competência, conceder as licenças de que trata este
provento a que fazia jus o funcionário. artigo, excetuada a hipótese do item VI, que dependerá de
O auxílio a que se refere este artigo será concedido decreto do Governador do Estado.
a partir da data do conhecimento oficial do desapareci- A licença que dependa de inspeção médica será conce-
mento, cabendo ao Secretário de Estado responsável pela dida pelo prazo indicado no laudo médico oficial.
administração de pessoal autorizar o seu pagamento. Terminada a licença o funcionário policial reassumirá
imediatamente o exercício, ressalvadas as hipóteses de
ESTATUTO DA POLÍCIA CIVIL DO ESPÍRITO SANTO

Do Auxílio-Natalidade e Auxílio Especial por Adoção prorrogação e aposentadoria.


A prorrogação dar-se-á “ex-offício” ou a pedido.
Será concedido auxílio-natalidade à funcionária poli- O pedido deverá ser apresentado antes de findo o pra-
cial gestante ou ao funcionário policial, pelo parto de sua zo da licença; se indeferido, contar-se-á como licença para
esposa ou companheira, inscrita como sua dependente há trato de interesses particulares o período compreendido
pelo menos 300 (trezentos) dias antes do parto. entre a data do término e a do conhecimento oficial do
O valor do auxílio-natalidade é igual a 50% (cinquenta despacho denegatório.
por cento) do vencimento do cargo efetivo do padrão 1 do O funcionário policial não poderá permanecer em li-
Quadro Permanente do Serviço Civil do Poder Executivo. cença por prazo superior a 24 (vinte e quatro) meses, salvo
Ao funcionário policial adotante de menor carente será nos casos previstos nos incisos V a VII do artigo 109.
concedido, em razão da adoção, auxilio especial em valor Expirado o prazo previsto neste artigo, o funcionário
igual ao do auxílio natalidade. policial será submetido a nova inspeção e aposentado, se
O pagamento dos auxílios previstos nos artigos prece- for julgado inválido.
dentes será autorizado pelo Secretário de Estado respon- Na hipótese deste artigo, o tempo necessário à inspe-
sável pela administração de pessoal. ção médica será, excepcionalmente, considerado como de
licença em prorrogação.

10
O funcionário policial em gozo de licença comunicará O atesto médico ou laudo da junta nenhuma referência
ao chefe da repartição o local onde pode ser encontrado. fará ao nome ou à natureza da doença de que sofre o fun-
O funcionário em licença não será obrigado a interrom- cionário policial, salvo se se tratar de qualquer das molés-
pê-la em decorrência dos atos de provimento de que tra- tias referidas no artigo anterior.
tem os itens II, III e IV do artigo 10. O funcionário policial licenciado para tratamento de
O funcionário efetivo em gozo de licença médica não saúde, ou acometidos das moléstias indicadas no artigo
poderá ser exonerado ou dispensado. 118 perceberá vencimento integral, bem como vantagens
de pecuniárias decorrentes.
Da Licença para Tratamento de Saúde do Próprio
Funcionário Da Licença por Acidente em Serviço ou por Doença
Profissional
A licença para tratamento de saúde será a pedido ou
“ex-offício”. O funcionário policial acidentado no exercício de suas
Para licença até 30 (trinta) dias, a inspeção será feita atribuições ou que tenha contraído doença profissional terá
por médicos do órgão médico de pessoal, dos Centros de direito a licença com vencimento ou remuneração integral.
Saúde e das Unidades da Secretaria de Estado da Saúde, Será considerado acidente em serviço o que ocorrer em
admitindo-se, na falta, laudo de outros médicos oficiais. razão do exercício do cargo, ainda que fora da sede do fun-
O laudo fornecido por cirurgião-dentista dentro da sua cionário ou durante o período de trânsito no deslocamento
especialidade, equipara-se ao laudo médico. do trabalho ou para o trabalho.
No caso de inspeção de saúde não procedida pelo ór- Equipara-se a acidente, para efeito deste artigo, a
gão médico de pessoal, o laudo só produzirá efeitos depois agressão sofrida e não provocada pelo funcionário policial
de homologado pelo referido órgão. no exercício de suas atribuições.
Quando não for homologado o laudo, o funcionário Entende-se por doença profissional a que tiver como
policial deverá comparecer, dentro de 10 (dez) dias, após o relação de causa e efeito as condições inerentes ao serviço
despacho denegatório, ao órgão médico de pessoal a fim ou a fatos nele ocorridos, devendo o laudo médico estabe-
de ser submetido a inspeção médica. lecer-lhe a rigorosa caracterização.
Caso não seja concedida a licença, o funcionário policial Nos casos de licença por acidente em serviço, o laudo
poderá solicitar novos exames através de junta médica e, médico ou o laudo da junta descreverão circunstanciada-
sendo confirmada a denegação, serão considerados como mente o estado geral do acidentado, mencionado as lesões
de licença para o trato de interesses particulares os dias a produzidas e, bem assim, as possíveis consequências que
descoberto. perderão advir do acidente.
A licença superior a 30 (trinta) dias dependerá sempre O funcionário policial que sofrer acidente deverá comu-
de inspeção por junta médica oficial. nicá-lo à repartição a que pertença para o fim de sua apu-
No curso de licença, não é permitido ao funcionário ração em processo regular.
policial desempenhar nenhuma atividade remunerada, sob Caberá à autoridade policial a que o funcionário for su-
pena de ter a licença imediatamente interrompida, com bordinado promover o registro pormenorizado do fato, no
perda total do vencimento, até que reassuma o cargo. qual fará consignar as provas recolhidas, remetendo-o ao
Considerado apto em inspeção médica, o funcionário órgão de pessoal da Polícia Civil.
policial reassumirá o exercício, sob pena de se considera-
rem como faltas os dias de ausência. Da Licença por Motivo de Doença em Pessoa da
No curso da licença poderá o funcionário policial re- Família
quisitar inspeção médica, caso se julgue em condições de

ESTATUTO DA POLÍCIA CIVIL DO ESPÍRITO SANTO


reassumir o exercício. O funcionário policial poderá obter licença por motivo
A licença a funcionário policial acometido de tubercu- de doença nas pessoas dos pais, do cônjuge, dos filhos ou
lose ativa, alienação mental, neoplasia maligna, cegueira pessoas que vivam às suas expensas e que constem do seu
ou visão reduzida, hansenismo, psicose epiléptica, paralisia assentamento individual, desde que prove ser indispensá-
irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de vel a sua assistência pessoal e esta não possa ser prestada
Parkinson, espondiloartrose, nefropatia grave ou estados simultaneamente com o exercício do cargo.
avançados de Paget (osteite deformante) será concedida Provar-se-á a doença mediante inspeção médica oficial.
quando a inspeção médica não concluir pela necessidade A licença de que trata este artigo será concedida com
imediata da aposentadoria. vencimentos integrais até 1 (um) ano e com redução de
Entende-se por visão reduzida para os efeitos deste ar- 1/3 (um terço) do vencimento excedendo este prazo e até
tigo, a redução da visão de cada olho, simultaneamente, 2 (dois) anos.
superior a 2/3 (dois terços).
A inspeção far-se-á, obrigatoriamente, por uma junta Da Licença de Repouso à Gestante
de 3 (três) médicos do órgão médico de pessoal.
A ressunção do exercício do funcionário policial em À funcionária gestante será concedida licença, com ven-
gozo da licença de que trata este artigo dependerá sempre cimento ou remuneração, pelo prazo de 120 (cento e vinte)
de prévia inspeção médica. dias, mediante inspeção médica oficial.

11
Salvo prescrição médica em contrário, a licença de que Da Licença por Motivo e Afastamento do Cônjuge
trata este artigo será concedida a partir do início do 8º
(oitavo) mês de gestação. O funcionário policial efetivo casado terá direito a licença
Em caso de feto morto, a duração da licença será de 90 sem vencimento ou remuneração quando o cônjuge, tam-
(noventa) dias. bém funcionário estadual, for mandado servir “ex-officio” em
Além da licença a que se refere este artigo, será conce- outro ponto do Estado, ou fora deste, inclusive em território
dida à gestante, quando se fizer necessário, a licença a que estrangeiro ou ainda eleito para Congresso Nacional.
se refere o artigo 114, antes ou depois do parto. A licença dependerá de requerimento devidamente ins-
truído, devendo o pedido ser renovado de 2 (dois) em 2
Da Licença para Serviço Militar Obrigatório (dois) anos.
Finda a causa da licença, o funcionário policial deverá
Ao funcionário policial que for convocado para o ser- reassumir o exercício dentro de 30 (trinta) dias, sob pena de
viço militar e outros encargos da segurança nacional será ficar incurso em abandono de cargo.
concedida licença com vencimento ou remuneração.
A licença será concedida à vista de documento oficial Das Férias Anuais
que prove a incorporação.
Os integrantes das unidades policiais terão o direito a 30
Do vencimento ou remuneração descontar-se-á a im-
(trinta) dias de férias ao ano, em dias consecutivos, que pode-
portância que o funcionário perceber na qualidade de in-
rão ser gozados em dois períodos, de acordo com a conve-
corporado, salvo se optar pelas vantagens do serviço mi-
niência do serviço, observada a escala previamente aprovada.
litar. Somente depois do primeiro ano de exercício, adquirirá o
Ao funcionário policial desincorporado conceder-se-á funcionário policial direito a férias.
o prazo de 15 (quinze) dias para que reassuma o exercício Quando razões de interesse público o exigirem, a autori-
sem perda dos vencimentos ou remuneração. dade competente poderá suspender a concessão e determi-
Ao funcionário policial, Oficial de Reserva das Forças nar a interrupção do gozo de férias, que poderão ser inicia-
Armadas, será também concedida licença com vencimento das ou reiniciadas em época oportuna, cessados os motivos
ou remuneração, durante os estágios previstos pelos regu- que determinaram a suspensão ou interrupção.
lamentos militares, quando pelo serviço militar não perce-
ber qualquer vantagem pecuniária. Das Férias-Prêmio
Quando o estágio for remunerado assegurar-se-á o di-
reito de opção. Após a cada decênio ininterrupto de efetivo exercício em
serviço público estadual, o servidor policial civil efetivo terá
Da Licença para o Trato de Interesses Particulares direito a férias-prêmio de 03 (três) meses com todos os di-
reitos e vantagens do cargo, a ser gozado de uma única vez.
Após 2 (dois) anos consecutivos de exercício, o fun- Compete ao Secretário de Estado responsável pela admi-
cionário policial efetivo poderá obter licença sem venci- nistração de pessoal conceder férias-prêmio.
mentos para tratar de interesses particulares, pelo prazo
máximo de 4 (quatro) anos. Da Estabilidade
Será negada a licença quando inconveniente ao inte-
resse do serviço, a critério da administração. Consiste a estabilidade no direito que passa a usufruir o
O afastamento antes de decidido o pedido constitui funcionário policial titular de um cargo de provimento efetivo
justa causa para efeito de abandono de cargo. de manter-se no cargo no serviço público, após 2 (dois) anos
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O funcionário policial licenciado na forma deste artigo de efetivo exercício, se nomeado por concurso, só podendo
não poderá exercer outro cargo ou função na administra- ser afastado mediante sentença judiciaria ou processo admi-
nistrativo disciplinar, em que se lhe tenha assegurado ampla
ção direta ou indireta estadual, federal ou municipal, sob
defesa.
pena de demissão salvo quando se tratar de acumulação
A estabilidade diz, respeito ao serviço público e não ao
legal.
cargo.
Não se concederá licença ao funcionário policial que, a
qualquer título, esteja obrigado à devolução ou indeniza- Das Recompensas
ção aos cofres públicos.
Somente poderá ser concedida nova licença depois Recompensa é o reconhecimento por serviços prestados
de decorrido o mesmo período de duração da licença pelo funcionário policial.
anterior. Além de outras previstas em lei ou regulamentos espe-
Quando o interesse do serviço público o exigir, a licen- ciais, são recompensas:
ça poderá ser revogada a juízo da autoridade competente. I – o elogio;
Na hipótese deste artigo, o funcionário policial terá 30 II – dispensa total do serviço até 10 (dez) dias;
(trinta) dias de prazo para reassumir o exercício. III – a Medalha do Mérito Policial;
IV – a Medalha do Serviço Policial.

12
A recompensa constante do inciso I, deste artigo, será Art. 145 - A aposentadoria por invalidez será precedida
conferida pela prática de ato que mereça registro especial de licença para tratamento de saúde, por período não
ou ultrapasse o cumprimento normal de atribuições ou se excedente de 24 (vinte quatro) meses, salvo quando o
revista de relevância. laudo médico concluir pela incapacidade definitiva para
A recompensa constante do inciso II, deste artigo, terá o serviço público.
o limite máximo de 10 (dez) dias corridos e será conce- § 1º - Para os efeitos do inciso III do artigo anterior, con-
dida somente em circunstâncias excepcionais, quando se sidera-se invalidez a que for decorrente de:
imponha ao funcionário policial um período de descanso I – acidente de serviço;
necessário, após o desempenho de tarefas árduas, execu- II – agressão sofrida e não provocada pelo funcionário
tadas independentemente de horário. policial em exercício de suas atribuições;
A Medalha do Mérito Policial destina-se a premiar o III – doença profissional;
funcionário policial que praticar ato de bravura ou de ex- IV – qualquer das moléstias especificadas no artigo 118.
cepcional relevância para a organização policial ou para a § 2º - Julgado inválido definitivamente para o serviço
sociedade. público, o funcionário policial será afastado do exercício
A Medalha do Serviço Policial destina-se a premiar o do cargo, continuando a receber vencimentos integrais
funcionário policial, pelos bons serviços prestado à causa até que seja concedida a aposentadoria e sejam fixados
da ordem pública, ao organismo policial e à coletividade os respectivos proventos.
policial.
As características heráldicas e forma de concessão das A aposentadoria compulsória é automática.
medalhas serão regulamentadas por decreto do Poder O retardamento do ato que declarar a aposentadoria
Executivo. por implemento de idade não permitirá a permanência do
funcionário policial no exercício do cargo.
Art. 143 - São competentes para conceder as recom- A aposentadoria voluntária vigorará a partir da publica-
pensas estabelecidas pelo artigo anterior: ção do ato que a conceder, mantendo o funcionário policial
I – nos casos do inciso I; em exercício até a publicação do respectivo ato.
a) – o Secretário de Estado da Segurança Pública, em A concessão da aposentadoria é de competência do
relação às chefias superiores e Delegados de Polícia; Secretário de Estado da Administração e dos Recursos Hu-
b) o Delegado Chefe da Polícia Civil, até 06 (seis) dias; manos.
II – nos casos do inciso II;
a) – o Secretário de Estado da Segurança Pública, até Dos Proventos
10 (dez) dias;
b) – o Superintendente Geral da Polícia Civil, até 06 Art. 151 - O provento da aposentadoria será:
(seis) dias; I – integral, quando o funcionário policial:
III – nos casos dos incisos III e IV, as autoridades indica- a) – contar tempo de serviço bastante para a aposenta-
das na respectiva regulamentação. doria voluntária;
b) – invalidar-se na forma do disposto no artigo 121;
Os elogios deverão ser fundamentadamente propos- c) – for acometido de quaisquer das doenças previstas
tos e homologados pelo Conselho de Polícia Civil e serão no artigo 118;
computados para efeito de promoção. II – proporcional ao tempo de serviço, nos demais casos.

Da Aposentadoria Sempre que houver aumento do vencimento do pes-


soal em atividade, idêntico tratamento será dispensado ao

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Art. 144 - O servidor policial civil será aposentado: pessoal inativo.
I – por invalidez permanente decorrente de acidente Ressalvado o disposto no parágrafo anterior, os pro-
em serviço, moléstia profissional ou doença grave con- ventos da inatividade não poderão exceder à remuneração
tagiosa ou incurável, especificada em Lei, com proven- percebida na atividade.
tos integrais e nos demais casos, com proventos pro- Nenhuma aposentadoria terá seu provento inferior a
porcionais; 1/3 (um terço) do vencimento do respectivo cargo, respei-
II – compulsoriamente, aos 65 anos (sessenta e cinco) de tado ainda o valor do vencimento do padrão 1, do Quadro
idade, com proventos proporcionais ao tempo de servi- Permanente do Serviço Civil do Poder Executivo.
ço; O cálculo do provento será feito com base no venci-
III – voluntariamente, aos trinta anos de serviço, se ho- mento ou remuneração do cargo efetivo de que o servidor
mem, e aos vinte e cinco, se mulher, com proventos in- policial civil seja titular.
tegrais. Integrará o cálculo o valor das vantagens permanentes
Ao funcionário policial ex-combatente da Segunda que o funcionário estiver percebendo ou o da função gra-
Guerra Mundial, que tenha participado efetivamente tificada se recebida por tempo superior a 12 (doze) meses,
em operações bélicas, é assegurado o direito à apo- devendo o cálculo ser promovido, nos casos de percepção
sentadoria voluntária aos 25 (vinte cinco) anos de ser- de função gratificada, com base na média nos últimos 12
viço efetivo. (doze) meses.

13
Quando o funcionário policial efetivo estiver investido Os benefícios e serviços a que se referem os incisos I e II
em cargo em comissão, ininterruptamente nos últimos 5 deste artigo serão prestados através do Instituto de Previ-
(cinco) anos anteriores à aposentadoria, fica-lhe facultado dência e Assistência Jerônimo Monteiro, ao qual é obriga-
requerer a fixação do provento com base no valor do ven- toriamente filiado o funcionário policial.
cimento deste cargo. A assistência judiciária prevista no inciso III deste artigo
O período de 5 (cinco) anos referido no parágrafo 2º será prestada pelo Estado ao funcionário policial, quando
deste artigo poderá ser integrado pelo exercício de cargo tenha este de responder a processo em juízo em razão do
em comissão, juntamente com cargos efetivos acrescidos exercício do cargo.
de funções gratificadas. A proteção à maternidade consistirá no aproveitamento
Perceberá as mesmas vantagens do parágrafo 2º deste da gestante, a partir do 5º (quinto) mês de gestação, em
artigo o servidor policial civil que haja integralizado um pe- função compatível com o seu estado e na não atribuição à
ríodo de 06 (seis) anos, consecutivos ou não, no exercício mesma de serviço de plantão noturno durante o período
de cargo em comissão ou função gratificada. de aleitação.
O provento do funcionário policial ocupante de cargo O tratamento do acidentado em serviço correrá às ex-
sujeito a carga horária variável será fixado com base na pensas dos cofres públicos.
média dos vencimentos ou remuneração dos últimos 12 Ao licenciado para tratamento de saúde que deva se
(doze) meses de serviço que antecedam à aposentadoria, deslocar do Estado para outro ponto do território nacional,
atualizando os respectivos valores. por exigência de laudo médico, será concedido transporte
As gratificações de função policial civil e de risco de por conta dos cofres estaduais, desde que, comprovada-
vida incorporam-se ao provento de aposentadoria, des- mente, não existirem condições locais para o atendimento
de que percebidas, sem interrupção, nos últimos 5 (cinco) da necessidade.
anos anteriores à inatividade.
As gratificações a que se refere este artigo poderão ain- Das Pensões Especiais
da ser incluídas no cálculo do provento, a razão de 1/35
(um trinta e cinco avos), por ano de efetivo exercício em Aos dependentes do funcionário policial cuja aposenta-
atividade estritamente policial, quando percebidas por pra- doria ou disponibilidade tenha sido cassada e que não dis-
zo inferior a 5 (cinco) anos consecutivos. ponha comprovadamente de economia própria, será con-
Em se tratando de funcionário do sexo feminino, o cál- cedida pensão, pelo Instituto de Previdência e Assistência
culo referido no parágrafo anterior será feito à razão de Jerônimo Monteiro, em condições idênticas às dos demais
1/30 (um trinta avos). pensionistas, enquanto o funcionário policial permanecer
nesta situação.
Da Disponibilidade Independente de benefício previsto neste artigo ficarão
resguardados os direitos previdenciários dos dependentes,
Extinto o cargo ou declarada pelo Poder Executivo a sua em caso de falecimento.
desnecessidade, o funcionário policial estável ficará em dis-
ponibilidade remunerada, com vencimentos proporcionais DO TEMPO DE SERVIÇO
ao tempo de serviço e com as vantagens permanentes que
estiver percebendo. A apuração do tempo de serviço será feita em dias.
Restabelecido o cargo, ainda que modificada a sua de- O número de dias será convertido em anos, consideran-
nominação, será obrigatoriamente nele aproveitado o fun- do o ano como de 365 (trezentos e sessenta e cinco) dias.
cionário policial posto em disponibilidade. No caso de apuração para fins de aposentadoria e dis-
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A disponibilidade será determinada por decreto do Po- ponibilidade, feita a conversão a que se refere o parágrafo
der Executivo. anterior, os dias restantes, se excederem a 182 (cento e oi-
tenta e dois), serão arredondados para 1 (um) ano.
DA ASSISTÊNCIA E PREVIDÊNCIA Considerando-se como de efetivo exercício, para todos
os efeitos, ressalvadas as exceções previstas neste Estatuto
Dos Benefícios e Serviços ou em outras leis e regulamentos, os dias em que o funcio-
nário se afastar do serviço em virtude de:
Art. 157 - O amparo assistencial e previdencial do Esta- I – férias;
do ao funcionário policial e sua família compreenderá: II – casamento, até 8 (oito) dias;
I – assistência médica ambulatorial, dentária, hospitalar III – falecimento do cônjuge, pais, filhos, irmãos, avós
e creche; e sogros, até 8 (oito) dias respeitando o disposto no
II – previdência e seguro social; art. 69;
III – assistência judiciária; IV – convocação para o serviço militar;
IV – frequência a cursos de aperfeiçoamento e especiali- V – júri e outros serviços obrigatórios por lei;
zação profissional; VI – exercício de cargo efetivo, em substituição;
V – proteção à maternidade; VII – exercício de cargo de governo ou administração
VI – pensões especiais. na esfera estadual;

14
VIII – férias-prêmio, licença-prêmio; X – serviço prestado a instituição em caráter privativo,
IX – licença por doenças especificadas em lei; que tiver sido transformada em estabelecimento ou
X – licença à funcionária gestante; órgão de serviço público estadual, provado por docu-
XI – licença ao funcionário acidentado em serviço; mento expedido pelo próprio estabelecimento;
XII – licença ao funcionário acometido de doença pro- XI – exercício de mandato eletivo em período anterior
fissional; à vigência da Constituição Federal de 1967.
XIII – estudo ou missão oficial no território nacional ou
no exterior, até 48 (quarenta e oito) meses; O tempo a que aludem os incisos I e II deste artigo,
XIV – convênio em que o Estado se comprometa a par- excetuando o relativo ao serviço prestado em unidade da
ticipar com pessoal; administração direta do Poder Executivo Estadual, será
XV – interregno entre a exoneração de um cargo, a dis- computado à vista de certidões passadas com base em
pensa ou a rescisão de contrato de trabalho com órgão folha de pagamento.
público estadual e o exercício em outro cargo público, Somente será admitida a contagem de tempo de ser-
quando o interregno se constitua de dias não úteis; viço apurado através de justificação judicial quando se
XVI – doença de notificação compulsória, na forma da verificar a inexistência de elementos comprobatórios do
legislação específica; exercício de frequência.
XVII – suspensão preventiva, se inocentado afinal, ou Será contado em dobro o tempo a que alude o inciso
quando do processo houver resultado tão somente VI deste artigo.
pena de advertência; É vedada a contagem, para quaisquer efeitos, de tem-
XVIII – trânsito para ter exercício em nova sede, na for- po de serviço prestado concorrente ou simultaneamente
ma do artigo 31; em 2 (dois) ou mais cargos ou empregos de regime de
XIX – frequência ao Curso de Formação Profissional, acumulação, salvo em relação a cada um dos cargos, iso-
exigido para a primeira investidura, quando se tratar ladamente.
de funcionário que seja ocupante de cargo efetivo an- O tempo de serviço certificado e o tempo justificado
teriormente; judicialmente serão registrados nos assentamentos do
XX – frequência aos cursos da Escola de Polícia Civil funcionário, ficando vinculados ao cargo no qual se aver-
posteriores ao ingresso no Quadro de Pessoal da Po- bou.
O tempo a que se refere este artigo não poderá ser
lícia Civil;
desmembrado para ser averbado em mais de um cargo.
XXI – prestação de provas ou exames, quando se tratar
de estudante em curso legalmente instruído, mediante;
DO DIREITO DE PETIÇÃO
XXII – prestação de provas em concurso público esta-
Da Formalização dos Expedientes
dual;
XXIII – exercício de cargo eletivo, federal, estadual e
É assegurado ao funcionário policial o direito de reque-
municipal, observado o disposto no artigo 54;
rer e o de representar.
XXIV – expressa determinação legal, em outros casos.
O requerimento será dirigido à autoridade competente
Art. 164 - Contar-se-á integralmente para efeito de
para decidir e encaminhado por intermédio daquela a que
aposentadoria e disponibilidade, o tempo relativo a: estiver imediatamente subordinado o requerente.
I – serviço federal, estadual, municipal, inclusive presta- O pedido de reconsideração será dirigido à autoridade
do em órgãos da administração indireta; que houver expedido o ato ou proferido a primeira de-
II – serviço ativo nas Forças Armadas e nas Auxiliares, cisão, não podendo ser renovado, a menos que não seja
computando-se pelo dobro o tempo prestado em ope-
ESTATUTO DA POLÍCIA CIVIL DO ESPÍRITO SANTO
examinado o mérito, quando apresentados novos argu-
rações de guerra; mentos.
III – serviço prestado sob qualquer forma de admissão, O requerimento e o pedido de reconsideração de que
desde que remunerado pelos cofres públicos estaduais; tratam os artigos precedentes deverão ser despachados
IV – frequência nos Cursos de Formação Profissional na no prazo de 8 (oito) dias e decididos dentro de 30 (trinta)
Escola de Polícia Civil exigidos para primeira investidura dias, improrrogáveis.
em cargo da atividade policial;
V – o período em que o funcionário esteve aposentado Art. 170 - Caberá recurso:
ou em disponibilidade; I – do indeferimento do pedido de reconsideração;
VI – períodos de férias não gozadas, desde que com- II – das decisões sobre recursos sucessivamente inter-
provada a necessidade de permanência do funcionário postos;
policial em serviço; III – da imposição de pena disciplinar.
VII – serviço gratuito prestado ao Estado anteriormente
à vigência da Lei nº 2.141, de 13 de outubro de 1965; O recurso será dirigido à autoridade ou colegiado ime-
VIII – licença para tratamento da própria saúde; diatamente superior ao que houver expedido o ato ou
IX – serviço militar e outros encargos da segurança na- proferido a decisão.
cional;

15
Da Prescrição Os Delegados de Polícia dar-se-ão por impedidos de
funcionar em procedimentos onde qualquer das partes seja
Art. 171 - O direito de pleitear na esfera administrativa seu parente consanguíneo ou afim até 3º grau, e, por sus-
e o evento punível prescreverão: peitos se forem amigos íntimos ou inimigos de qualquer das
I – em 2 (dois) anos: partes ou tiverem interesse direto ou indireto na causa.
a) quanto aos atos de demissão e cassação de aposenta-
doria e disponibilidade, e quando pela aplicação do art. Da Hierarquia Policial Civil
174, resultar prazo menor;
b) – quanto ao direito à readmissão e a revisão de pro- A função policial, pelas suas características e finalida-
cesso administrativo; des, fundamenta-se na hierarquia e na disciplina.
c) – quanto aos atos que impliquem em pagamento de A hierarquia policial civil é ordenação das autoridades,
em diferentes níveis; segundo a composição do organismo
vantagens pecuniárias devidas pela Fazenda Pública,
da Polícia Civil e a classificação dos cargos dentro da estru-
inclusive diferenças e restituições.
tura do Quadro de Pessoal da Polícia Civil.
II – em 1 (um) ano; A disciplina policial civil é a rigorosa observância e o
a) – quanto à falta de que trata o inciso VIII do artigo 204; acatamento das leis, regulamentos e normas de serviço.
b) quanto às faltas sujeitas às penas de advertência e A hierarquia da função prevalece sobre a hierarquia do
suspensão; cargo.
III – em 180 (cento e oitenta) dias, nos demais casos. A ordenação dos cargos se faz por escalonamento ver-
tical, de acordo com os padrões de vencimentos fixados em
O prazo da prescrição contar-se-á da data da publi- lei, entendendo-se que os funcionários policiais de padrão
cação oficial ao ato impugnado ou, quando esta for dis- mais elevado têm precedência hierárquica sobre os de pa-
pensada; da data da ciência do interessado, a qual deve drão inferior, quando exercerem funções no mesmo órgão
constar o processo respectivo. ou prestarem serviços em conjunto.
Para a readmissão, a prescrição contar-se-á da data da Na igualdade de padrões, prevalecerá a superioridade
publicação do ato de exoneração e, para a revisão do pro- do mais antigo.
cesso administrativo, da data em que forem conhecidos Fora do mesmo órgão, a hierarquia é apenas de ordem
os atos ou circunstâncias que derem motivo ao pedido de disciplinar.
revisão. A hierarquia da função tem por base a posição das uni-
Em se tratando de evento punível, o curso da prescri- dades administrativas na estrutura organizacional da Po-
lícia Civil e em relação ao titular da Secretaria de Estado
ção começa a fluir da data do referido evento e interrom-
da Segurança Pública, entendendo-se que os dirigentes de
pe-se pela abertura da sindicância ou do processo admi-
cada órgão se subordinam às chefias que lhes sejam su-
nistrativo disciplinar. periores e os funcionários policiais às autoridades sob as
O pedido de reconsideração e o recurso, quando cabí- quais servirem.
veis, interrompem a prescrição até (duas) vezes. Os funcionários policiais integrantes do Quadro de Pes-
A prescrição interrompida recomeça a correr pela me- soal da Polícia Civil e demais funcionários em exercício em
tade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do órgãos policiais civis, sediados no interior do Estado, ficam
termo do respectivo processo. subordinados à autoridade policial local.
A falta também prevista na lei penal como crime pres- Nos serviços em que intervier o trabalho de equipe, os
creverá juntamente com este. funcionários especializados, técnico-científicos e adminis-
O funcionário policial que recorrer ao Poder Judiciá- trativos ficam subordinados à autoridade policial que pre-
rio ficará obrigado a comunicar essa iniciativa a seu chefe sida ao procedimento formal.
ESTATUTO DA POLÍCIA CIVIL DO ESPÍRITO SANTO

imediato, dentro de 8 (oito) dias, juntando cópia da peti-


ção, sob pena de punição. DO REGIME DISCIPLINAR
São fatais e improrrogáveis os prazos estabelecidos
neste capítulo. Da Acumulação

DAS INCOMPATIBILIDADES E DA HIERARQUIA PO- Ao funcionário policial é vedado exercer outra ativida-