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RESENHA

DELGADO, Lucilia de Almeida Neves; FERREIRA, Jorge (Org). Brasil


Republicano: O tempo do nacional-estatismo- do inicio da década de 1930 ao
apogeu do Estado Novo. Livro 2.. 6ª edição. Rio de Janeiro. Civilização
Brasileira, 2013.

Cristiano Silva de Mello


Aluno graduando em Historia
Universidade Federal de Juiz de Fora
Disciplina Historia da Republica II
Professor Fernando Perlatto

A presente resenha tem o objetivo de descrever pontos relevantes do período


republicano compreendido entre 1930 ao período do Estado Novo. Este tema
será desenvolvido a partir de textos retirados do livro Brasil Republicano.
Organizado por Jorge Ferreira e Lucilia de Almeida Neves Delgado. Onde se
discute o nacional-estatismo, no traço cronológico citado, sobretudo seus
aspectos sociais e culturais, sem é claro buscar também as características
econômicas e políticas daquele momento.
Os textos que serão apresentados deste livro abordam os aspectos
culturais e ideológicos daquele período. Onde o Estado se apresenta como um
gerenciador de toda produção intelectual e cultural produzida. Doutrinando
todas suas formas de manifestações, sociais e culturais. Apresenta-se então a
questão das sociedades de massa em Sinais da Modernidade na Era
Vargas:Vida literária, cinema e radio, de Lúcia Lippi de Oliveira, onde a autora
faz uma discriminação deste momento.
Oliveira descreve as mudanças do inicio do século XX, e suas
manifestações político-sociais naquele momento, e inicio, ou melhor,
estruturação da Republica. De maneira breve comenta sobre a ideologia da
“teoria do branqueamento” da população brasileira. Que naquele momento e
com embasamentos científicos e sociológicos levantava forte argumentação
que a mestiçagem ou “raças” não brancas apresentariam uma inferioridade,
intelectual quanto sociocultural em comparação aos brancos, sobretudo de
origem européia. Isto muda nos anos de 1920-1930, com uma serie de
mudanças no mundo quanto no cenário nacional. A Europa perde muito com a
Primeira Grande Guerra, então os valores nacionais são exaltadas, a
mestiçagem de raças valorizada, e a nacionalidade começa ser construída.
Neste momento, a intelectualidade brasileira apresenta uma visão de povo
heterogenia, onde vários aspectos são valorizados, como a regionalidade e
cordialidade. Esses intelectuais são os principais construtores deste
nacionalismo e autoritarismo regido pelo Estado e Getulio Vargas. O texto
enfatiza a literatura, radio e o cinema como ferramenta essencial para essa
massificação popular e difusão de idéias. Através destas maquinas de
comunicação houve a construção de Vargas como o grande estadista e o
Estado Novo como um regime de controle de massa surpreendente. O que não
descarta a grande contribuição do crescimento e investimento social e cultural
que se deu. Apesar da ambigüidade da intencionalidade, que não vinha só do
Estado, mas daqueles que a ele se associavam.
Em Os intelectuais e a política cultural do Estado Novo, de Monica
Pimenta Velloso, pode se observar melhor, essa associação e construção
ideológica, feita pela intelectualidade e Estado, neste período. Os Intelectuais
se colocam como agentes do discurso e da consciência, uma estrutura
patriarcal e autoritária. As elites intelectuais, das mais diversas correntes de
pensamento, passam a identificar o Estado como cerne da nacionalidade.
Nesse sentido, ao longo do texto, temos a preocupação de enfocar os
intelectuais na qualidade de participantes de um projeto politico-pedagogico,
destinado a popularizar e difundir a ideologia do regime. Destaca-se ai o
ministério de Gustavo Capanema e o Departamento de imprensa e
Propaganda (DIP) de Lourival Fontes, sendo os gestores e arrebatadores desta
intelectualidade. No texto, apresenta também o Estado, sobretudo Vargas
criando associações entre os movimentos modernistas e também nas artes
literárias, com a Academia Brasileira de Letras, como construtores da
nacionalização brasileira. Onde se resgatara vários ícones e símbolos
históricos. Autores importantes como Carlos Drummond de Andrade, Mario de
Andrade, como Artistas plásticos como Candido Portinari por exemplo. Vargas
aqui daria uma idéia de simbiose entre intelectuais e políticos, relativizando
idéias e ações, sendo os políticos como responsáveis pelas ações, ou ele
próprio. O Estado se transformava no tutor, no pai da intelectualidade, ao se
identificar com as forças sociais. O DIP se torna ai o grande controlador,
manipulando ou gerenciando através dos meios de mídia da época: radio,
cinema e literatura e cultura popular o que será apresentado como grande
diferencial senão o mais brilhante (analise minha). Segundo a autora, nenhum
governo anterior teve tanto empenho em se legitimar nem recorreu a aparatos
de propaganda tão sofisticados conforme fez o Estado novo. O autoritarismo
deixa de ser visto como um recurso estratégico do poder para vir a concretizar
um anseio latente na própria sociedade. Este anseio estaria presente há algum
tempo na coletividade, manifestando-se em todos os domínios da vida social.
Por ultimo e não menos importante, em O povo na rua: manifestações
culturais como expressão de cidadania, Rachel Soheit apresenta um povo que
encontra na cultura e esporte, ou seja, no carnaval e futebol formas de
protestar seu lugar na sociedade e até mesmo na construção de identidade
nacional. No primeiro momento a autora apresenta o quanto foi difícil as
massas populares conseguirem ganha seu espaço e praticas, tanto no futebol
tanto no carnaval. Essa categoria teria a principio domínio pelas elites,
sobretudo de etnia branca na época, criando forte preconceito em relação a
mistura “racial”. O futebol segundo o texto apresenta um crescimento gradativo
atingindo primeiro a elite por ser um esporte importado e inglês. Que aos
poucos se organizou em grandes clubes do quais existem até os tempos
atuais, como o Fluminense e Botafogo que seriam um dos mais antigos, mas
voltados para elite. Com isso, as camadas populares que já integram o esporte
como meio de diversão e socialização também começa a organizar suas
gremiações. O preconceito, principalmente em relação ao jogador de cor é
forte, mas que vai se desfazendo com a forte característica, grande habilidade
com a bola diferenciada de muitos, e o apelo popular a favor, e apoio do
Estado que já observa potencial político e ideológico em apoiar o esporte. De
maneira análoga o carnaval se quase da mesma forma. Começa também com
caráter elitista que cria suas barreiras e criticas bastante racistas a participação
popular ao evento, mas que acaba cedendo a forte resistência e criatividade da
população de morro na elaboração do carnaval. O que o texto apresenta em
relação ao carnaval, é o quanto que este, além de criar uma participação
popular na cidadania, foi e é forte veiculo de transformação política e social na
sociedade de massa. Exemplo disso na organização das primeiras escolas de
samba e seus doutrinamentos locais. Criando uma disciplina diferenciada. Com
isso “civilizando e organizando” os populares naquele objetivo de momento.
Onde o carnaval passa ser forma de identidade do Brasil para o mundo e para
si próprio. Retratando, seu povo, historia e voz naquele momento que é
praticado. Formação das escolas de samba apresenta aqui uma característica
partidária de seus integrantes. Que a defendem por motivos ideológicos e
territoriais. Porem, as escolas de samba tornam-se para as massas populares
neste momento centro de idealizações políticas e sociais mas com controle
estatal onde a influencia burguesa a manipula de modo sutil. Apesar disso
tudo, a luta pelo espaço seja no esporte com o futebol ou na cultura com o
carnaval, demonstra uma grande resistência e revolução por parte das
camadas populares. Como que também uma readaptação das elites nesse
sentido quanto o aproveitamento da maquina estatal, o que não tira a
legitimidade das massas populares na apropriação e construção destes
movimentos como construção de identidade nacional.