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Portugal na segunda metade do século XIX

Invasões francesas
GRAVE CRISE SOCIAL E
Guerra civil entre liberais e absolutistas
ECONÓMICA EM PORTUGAL
Independência do Brasil

Em comparação com o resto da Europa, Portugal encontrava-se muito atrasado a


nível industrial. As principais atividades económicas continuavam a ser a agricultura
e a criação de gado.

Por causa disto, Portugal tinha que importar (comprar a países estrangeiros) vários
produtos.
Em 1851, no reinado de D. Maria II, começou um processo de modernização – o

período da REGENERAÇÃO.

Para acontecer a modernização era necessária uma boa rede de transportes e de


comunicações. Com esse fim, em 1852, foi criado o Ministério das Obras Públicas,
dirigido por Fontes Pereira de Melo que mandou construir pontes, estradas,

comboios, portos. Esta política ficou conhecida por Fontismo.

Para essas obras serem feitas, o Governo subiu os impostos e pediu

empréstimos ao estrangeiro, o que aumentou a dívida pública portuguesa,


agravada pela crise nos anos de 1890-1892.
PRINCIPAIS MEDIDAS DE DESENVOLVIMENTO NO SÉCULO XIX

AGRICULTURA:
 Nova forma de organizar as terras:
o Acabaram os impostos para os camponeses;
o Abolição do direito de morgadio (o filho mais velho ficava com todas
as terras após a morte do pai);
o Entrega de terras aos burgueses e aos camponeses;
 Novas técnicas agrícolas:
o Uso de adubos químicos;
o Seleção de sementes;
o Alternância de culturas (ou seja, um
ano plantava-se um produto e no
ano seguinte outro diferente) para
que as terras não tivessem que ficar
em pousio (período em que a terra
não era cultivada para descansar);
 Passaram a ser utilizadas máquinas agrícolas (debulhadora, ceifeira);
 Introdução de novas culturas (batata, arroz);
 Aumento da produção de azeite, vinho e cortiça.

Aumento da produção agrícola

 Produzir mais quantidade;


INDÚSTRIA: CONSEQUÊNCIAS  Produzir mais rapidamente;
 Introdução da máquina a vapor  Fabricar produtos iguais
(produção em série);
 Tornar os produtos mais
baratos.
 A produção artesanal deu lugar à produção industrial.

PRODUÇÃO ARTESANAL PRODUÇÃO INDUSTRIAL

Artesãos Operários

Oficinas Fábricas

Ferramentas simples Máquinas

Produção lenta Produção rápida

Pouca produção Muita produção

Produtos únicos Produtos em série (iguais)

Produtos mais caros Produtos mais baratos

Menor lucro Maior lucro

 Surge o operariado (os operários eram os homens, mulheres e crianças que


trabalhavam nas fábricas em muitas más condições);
 As principais zonas industriais ficavam no litoral: Porto/Guimarães

(indústria têxtil e calçado) e Lisboa/Setúbal (indústria química e


metalúrgica).

CONSEQUÊNCIAS A circulação de pessoas e mercadorias era


REDES DE TRANSPORTE: mais rápida, segura e barata.
 Introdução da máquina a vapor nos transportes;
 Caminhos-de-ferro:
o Construíram-se várias pontes, túneis e estações;
o Em 1856 foi a primeira viagem de comboio, entre Lisboa e Carregado.
 Rede de estradas:
o Foram renovadas e construídas estradas em todo o país;
o Começou a circular na estrada Lisboa-Porto a mala-posta, uma
carruagem que transportava o correio e pessoas;
o No final do século XIX surgiram os primeiros automóveis.
 Portos marítimos e faróis:
o Para tornar mais segura a navegação construíram-se faróis e
melhoraram-se os portos marítimos.
o Surgiram nesta época os barcos movidos a vapor.

VIAS DE COMUNICAÇÃO:
 Os correios foram remodelados, surgindo o primeiro selo-adesivo,

o bilhete-postal e os primeiros marcos de correio – as casas passaram a


estar identificadas de forma a facilitar a entrega do correio;
 Surgiu também o telégrafo e mais tarde o telefone.

CONSEQUÊNCIAS

Maior e mais rápida comunicação de ideias e informações

ENSINO:
Era necessário que a população se tornasse mais instruída e competente e o

acabar com o analfabetismo. Tomaram-se então várias medidas no ensino:

 Criaram-se novas escola primárias, liceus e universidades;


Nem todas as crianças
 O ensino primário tornou-se obrigatório e grátis; CONTUDO
frequentavam a
 Fundaram-se escolas técnicas;
escola, principalmente
no campo

Direitos humanos
Os liberais defendiam a igualdade, a liberdade e a fraternidade. Dessa forma, foram
tomadas importantes medidas relacionadas com os Direitos Humanos:
 Abolição da pena de morte para crimes políticos e para crimes civis (1867);
 Substituição da roda dos enjeitados pelos hospícios (1867);
 Extinção da escravatura em todos os territórios portugueses (1869).
A POPULAÇÃO PORTUGUESA NO SÉCULO XIX

Aumento da população
Era necessário saber o número de habitantes do país. A primeira contagem rigorosa
realizou-se em 1864 – o primeiro recenseamento. Os habitantes tinham que
colocar o nome, o sexo, a idade, o estado civil e a profissão. A partir daí realizam-se
recenseamentos, ou censos, de 10 em 10 anos.

Crescimento demográfico: verificou-se o aumento da população. Isto


aconteceu por causa da melhoria das condições de vida da população que

causou a diminuição da mortalidade:

 Melhoria da alimentação (aumentou o consumo da batata e milho);

 Melhoria das condições de higiene (construção de esgotos, distribuição


de água através da canalização);
 Melhoria da medicina (aparecimento de novos medicamentos e vacinas e
construção de hospitais).

Distribuição da população
O crescimento da população não ocorreu de igual forma por todo o território. O
aumento da população foi maior no norte litoral, onde estavam os solos mais

férteis, uma maior quantidade de portos de pesca e fábricas.

Êxodo Rural:
A utilização de máquinas na agricultura originou despedimentos e as dificuldades no
meio rural aumentaram. Assim, muitas pessoas decidiram abandonar os campos

para ir para as cidades (principalmente Lisboa e Porto) à procura de melhores


condições de vida.
Emigração:
Por causa do aumento da população, não havia emprego para todos nas cidades.
Assim, muitas pessoas decidiram procurar melhores condições de vida no
estrangeiro, principalmente no Brasil, pois falavam mesma língua e havia
necessidade de mão-de-obra devido à extinção da escravatura.
A VIDA QUOTIDIANA NO CAMPO

As principais atividades económicas do meio rural continuavam a ser a agricultura,


a criação de gado e a pesca nas zonas do litoral.
O trabalho no campo era muito duro e os rendimentos eram poucos, por isso, os
camponeses viviam pobremente. Com a introdução da máquina na agricultura,
aumentou o desemprego por já não se precisar de tanta mão-de-obra.

Alimentação:
Os camponeses alimentavam-se sobretudo do que cultivavam. Comiam batata, pão
de centeio ou de milho, sopas de legumes e sardinhas. A carne, mais cara e de difícil
conservação, era apenas consumida em dias de festa.

Divertimentos:
Os divertimentos das pessoas do campo tinham a ver com a religião (romarias,

missas e festas religiosas) e às atividades do campo (vindimas e esfolhadas),


onde aproveitavam para conversar, cantar e dançar enquanto trabalhavam.
A VIDA QUOTIDIANA NAS GRANDES CIDADES

Atividades económicas
A modernização do país influenciou mais a vida quotidiana das pessoas que viviam
nas cidades.
O grupo social dominante era a burguesia, constituído
por comerciantes, banqueiros, industriais, médicos, advogados, professores, oficiai
s do exército e funcionários públicos.
No entanto, a maior parte da população pertencia a grupos de menores recursos. As
pessoas do povotrabalhavam sobretudo como vendedores
ambulantes, empregados de balcão ou criados nas casas de pessoas ricas.
Com o desenvolvimento da indústria, formou-se um novo grupo social:
o operariado. Os operários eram homens, mulheres e até crianças, que trabalhavam
duramente nas fábricas muitas horas a troco de pouco dinheiro. Em caso de
acidente, não tinham qualquer proteção. Eram despedidos sem qualquer
indemnização.

Alimentação
A burguesia e a nobreza tinham uma alimentação abundante e variada. Faziam
quatro refeições por dia: pequeno-almoço, almoço, jantar e ceia.
Comiam carne, peixe, legumes, cereais, frutas e doces. Surgiram neste período
vários restaurantes que trouxeram do estrangeiro novas receitas, como o pudim, a
omelete, o puré, o bife e o soufflé.
As pessoas das classes menos privilegiadas alimentavam-se sobretudo
de pão, legumes, toucinho e sardinhas.

Vestuário
As pessoas mais ricas das cidades vestiam-se de acordo com a moda francesa. As
mulheres vestiam saias até ao chão com roda, com uma armação de lâminas de aço
e batanas – a crinolina. Passou também a usar a tournoure, uma espécie de
almofada sobre os rins que levantava a saia atrás. Os homens vestiam calças, camisa,
colete, casaca e chapéu.
As pessoas mais pobres vestiam roupas bastante simples, adaptadas às tarefas que
desempenhavam.

Divertimentos
Os nobres e os burgueses frequentavam os grandes jardins onde passeavam,
conversavam e ouviam a música tocada nos coretos. Reuniam-se também nos cafés
e clubes, jantares, festas e bailes, iam à ópera, ao teatro e ao circo.
Os divertimentos dos populares era semelhante aos do campo: feiras, festas
religiosas e passeios ao campo domingo à tarde.