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TULIP

O que chamamos de cinco pontos do calvinismo é uma forma lógica e


didática de entendermos melhor a doutrina da salvação. Na história os 5 pontos
recebem geralmente dois apelidos: 1. Doutrinas da Graça – porque os cinco
pontos mostram que a salvação é algo realizado totalmente por Deus; 2. TULIP
– isso mesmo, tulipa, em português. É uma palavra de cinco letras usada como
acróstico ou abreviação dos cinco pontos, veja no gráfico abaixo:

T Total Depravity – Depravação Total


U Unconditional Election – Eleição Incondicional
L Limited Atonement – Expiação Limitada
I Irresistible Grace – Graça Irresistível
P Perseverance of the Saints – Perseverança dos Santos

Esses cinco pontos foram produzidos por teólogos reformados holandeses no


Sínodo de Dort nos anos 1618-1619. Vejamos então o significado de cada um
deles:

1. CORRUPÇÃO RADICAL: O ser humano está corrompido pelo pecado e é


incapaz de se salvar

Vontade Livre – O arminianismo diz que a vontade do homem é “livre”


para escolher, ou a Palavra de Deus, ou a palavra de Satanás. A salvação,
portanto, depende da obra de sua fé.

O primeiro ponto significa que todas as áreas da nossa vida foram


afetadas pelo pecado. Estamos socialmente corrompidos, culturalmente
corrompidos, mas pior que isso, espiritualmente mortos. A depravação total não
quer dizer que os homens são intensivamente maus (que somos tão maus
quanto poderíamos ser), mas sim que somos extensivamente maus (todo o
nosso ser, intelecto, emoções e vontade estão corrompidos pelo pecado). Isso
não quer dizer que os humanos são todos intensamente iguais em maldade, mas
que todos temos a mesma potencialidade para cometer os mesmos pecados.
Em algumas pessoas os sintomas afloram mais, em outros menos, porém, todos
foram igualmente infectados pelo “vírus” contaminador do pecado.
A grande consequência disso é que nós estamos totalmente incapazes de
salvar a nós mesmos. A depravação total também significa que o homem possui
uma inabilidade total para restaurar o relacionamento com seu Criador. Nosso
pai Adão era o representante de toda a raça humana, e ele caiu em pecado, por
isso, todos nós caímos com ele e fomos afetados pela mesma corrupção. Toda
a humanidade herdou a culpa do pecado de Adão e por isso todos somos
pecadores. Isso significa que o homem possui uma incapacidade total para
restaurar o relacionamento com seu Criador. A consequência disso é que não
temos disposição e desejo em nós mesmos para buscarmos a Deus. Estamos
espiritualmente mortos em nossos pecados. (Para o 1° ponto leia: Genesis 3;
Salmo 14, 51 e 53; Romanos 3.10-11; Efésios 2.3)

2. ELEIÇÃO SOBERANA: Deus soberanamente escolhe pecadores para serem


salvos

Eleição Condicional – O arminianismo diz que a “eleição é condicional, ou


seja, acredita-se que Deus elegeu àqueles a quem “pré-conheceu”, sabendo que
aceitariam a salvação, de modo que o pré-conhecimento [de Deus] estava
baseado na condição estabelecida pelo homem.

O segundo ponto significa que Deus escolheu certos indivíduos dentre


todos os membros decaídos da raça humana para serem salvos da sua
corrupção radical. Se fossem deixados à sua própria escolha, os homens jamais
buscariam a Deus, pois não temos mais o desejo de ter comunhão com Deus.
Assim, teria sido perfeitamente justo para Deus ter deixado todos os homens em
seus pecados e miséria e não ter demonstrado misericórdia a quem quer que
seja. É neste contexto que a Bíblia apresenta a eleição. A eleição incondicional
significa que Deus, antes da fundação do mundo, escolheu certos indivíduos
dentre todos os membros decaídos da raça humana e os predestinou para serem
o objeto de Seu imerecido amor e para trazê-los ao conhecimento de Si mesmo.
Esses, e somente esses, Deus propôs salvar da condenação eterna. Deus
escolhe pecadores por amor. É um amor sem explicação. Ela é soberana porque
é iniciativa do próprio Deus, o homem não pode fazer nada para ser eleito, Deus
é totalmente livre em escolher e salvar quem ele quiser.
Deus poderia ter escolhido salvar todos os homens – pois Ele tinha o
poder e a autoridade para fazer isso – ou Ele poderia ter escolhido não salvar
ninguém – pois Ele não tem a obrigação de mostrar misericórdia a quem quer
que seja –, porém não fez uma coisa nem outra. Ao invés disso, ele escolheu
salvar alguns e deixar os demais em seus próprios pecados. Não cabe à criatura
questionar a justiça do Criador por não escolher todos para a salvação. Se ele
não tivesse escolhido alguns, TODOS seriam definitivamente condenados. (Para
o 2° ponto leia: Ef 1; João 6.37-40, 45, 65, 15.16; Romanos 8.29-30; 9.11-12,22-
23).

3. EXPIAÇÃO DEFINITIVA: Jesus Cristo morreu para salvar exclusivamente


os pecadores eleitos

Expiação Universal – O arminianismo diz que Cristo morreu para


salvar não um em particular, porém somente àqueles que exercem sua vontade
livre e aceitam o oferecimento de vida eterna. Daí, a morte de Cristo foi um
fracasso parcial, uma vez que os que têm volição negativa, isto é, os que não
querem aceitar, irão para o inferno.

Embora Deus tivesse resolvido salvar da condenação um número definido


de pecadores, sua santidade e justiça exigiam que o pecado fosse punido. A
eleição sozinha não seria suficiente para a salvação deles. Os que foram
escolhidos por Deus Pai e dados ao Filho precisavam ser perdoados e terem sua
dívida cancelada para serem salvos. Em contra partida, alguém precisava pagar
por eles e os eleitos certamente não podem pagar por seus próprios pecados.
Só alguém totalmente justo e sem pecado poderia receber esta punição. Por
isso, Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, suportou o castigo merecido
pelos pecadores e obteve a salvação para os seus eleitos.
Os eleitos, então, são libertos da culpa, do domínio do pecado e da morte
eterna como resultado do que Cristo sofreu por eles na cruz. Cristo substituiu os
eleitos na cruz: seu direito de viver devido a sua santidade foi creditado a eles e
o dever dos eleitos de morrerem devido a seus pecados foi debitado no próprio
Cristo. Deus não deixou aos pecadores a decisão se a obra de Cristo será ou
não efetiva. Pelo contrário, todos aqueles por quem Cristo morreu serão
infalivelmente salvos. O sangue de Jesus não possibilita a salvação, ele realiza
a salvação. (Para o 3° ponto leia: Isaías 53.11-12; Mateus 1.21, 20.28; João
10.14-15; Romanos 5.15).

4. GRAÇA IRRESISTÍVEL: O Espírito Santo regenera e atrai


irresistivelmente os pecadores eleitos

A Graça pode ser Impedida – O arminianismo afirma que, ainda que o


Espírito Santo procure levar todos os homens a Cristo (uma vez que Deus ama
a toda a humanidade e deseja salvar a todos os homens), ainda assim, como a
vontade de Deus está amarrada à vontade do homem, o Espírito [de Deus] pode
ser resistido pelo homem, se o homem assim o quiser. Desde que só o homem
pode determinar se quer ou não ser salvo, é evidente que Deus, pelo menos,
“permite” ao homem obstruir sua santa vontade. Assim, Deus se mostra
impotente em face da vontade do homem, de modo que a criatura pode ser como
Deus, exatamente como Satanás prometeu a Eva, no jardim [do Éden].

Deus Pai é o responsável pela eleição daqueles que serão salvos. O Deus
Filho é responsável por comprar, resgatar e perdoar os eleitos dos seus pecados
na cruz. O Deus Espírito Santo é o responsável por regenerar os pecadores
eleitos para uma nova vida aqui e agora. O Espírito Santo nunca falha em trazer
à salvação aqueles que o Pai escolheu e por quem o Filho morreu. Isso significa
que apenas os eleitos conseguirão ouvir o evangelho e arrepender-se dos seus
pecados e crer em Cristo. O apelo do evangelho estende uma chamada à
salvação a todo que ouve a mensagem. Ele convida a todos os homens, sem
distinção, a beber da água da vida e viver. Ele promete salvação a todo que se
arrepender e crer. Mas essa chamada geral externa, estendida igualmente ao
eleito e ao não eleito, não trará pecadores a Cristo. Por que? Porque os homens
estão, por natureza, mortos em pecado e debaixo de seu poder. O não
regenerado não vai responder à chamada do evangelho para arrepender-se e
crer. Nenhuma quantidade de ameaças ou promessas externas fará um pecador
cego, surdo, morto e rebelde se curvar perante Cristo como Senhor e olhar
somente para Ele para a salvação. O “não-eleito, não-salvo e não-regenerado”
jamais responderá a chamada do evangelho para arrepender-se e crer.
Em outras palavras, o Espírito Santo antes, durante ou depois da
pregação do Evangelho opera um milagre interno e gracioso no coração do
pecador. O Deus Espírito oferece ao pecador eleito um “ouvido” para ouvir Deus
falar, “olhos” para o pecador se enxergar perdido e ao mesmo tempo enxergar a
maravilhosa graça de Deus, e uma disposição nova em seu coração para em
amor escolher o mesmo Deus, que em incomparável amor, primeiro, o escolheu.
(Para o 4° ponto leia: Ezequiel 11.19-20, 36.26-27; João 1.12-13, 5.21; Atos
16.14-15; Romanos 8.30).

5. PERSEVERANÇA DOS SANTOS: Deus não permite que os eleitos salvos se


percam

O Homem pode Cair da Graça – O arminianismo conclui, muito


logicamente, que o homem, sendo salvo por um ato de sua própria vontade
livremente exercida, aceitando a Cristo por sua própria decisão, pode também
perder-se depois de ter sido salvo, se resolver mudar de atitude para com Cristo,
rejeitando-o! (Alguns arminianos acrescentariam que o homem pode perder,
subseqüentemente, sua salvação, cometendo algum pecado, uma vez que a
teologia arminiana é uma “teologia de obras” – pelo menos no sentido e na
extensão em que o homem precisa exercer sua própria vontade para ser salvo).
Esta possibilidade de perder-se, depois de ter sido salvo, é chamada de “queda
(ou perda) da graça”, pelos seguidores de Arminius. Ainda, se depois de ter sido
salva, a pessoa pode perder-se, ela pode tornar-se livremente a Cristo outra vez
e, arrependendo-se de seus pecados, “pode ser salva de novo”. Tudo depende
de sua continua volição positiva até à morte!

Os eleitos não são apenas justificados por Cristo e regenerados pelo


Espírito; eles são mantidos na fé inabaláveis pelo infinito poder de Deus. Isso
não significa que aqueles que já foram regenerados não possam ter momentos
de fraqueza espiritual e até mesmo dúvidas pontuais de sua salvação. Significa
que todos os que são unidos espiritualmente a Cristo, através da regeneração,
estão eternamente seguros em Deus. Sua salvação não pode ser perdida. Nada,
nem ninguém os podem separar do eterno e imutável amor de Deus.
E aqueles crentes que professam Jesus Cristo com a sua boca e desistem
no meio do caminho? Esses não apenas dão provas que “desistiram da graça”,
mas que nunca estiveram na graça. Esta perseverança infalível está diretamente
ligada à santificação, que é o processo pelo qual o Espírito Santo torna os eleitos
cada vez mais semelhantes a Jesus Cristo em tudo o que fazem, pensam e
desejam. Por isso, é impossível que qualquer eleito se recuse a buscar a
santidade. Todos aqueles que foram eleitos, salvos em Cristo e regenerados
pelo Espírito amam a Deus e desejam conformar suas vidas com a vida de Jesus
Cristo. (Para o 5° ponto leia: Romanos 8.28-32,34-39; Filipenses 1.6; Hebreus
7.25, 10.14; 1Pedro 1.5).

Essas são as ricas doutrinas da graça que nossos irmãos holandeses nos
deixaram por herança. Que possamos entende-las e desfrutar do consolo que o
Salvador nos dá a partir de cada uma delas.
As doutrinas da graça ajudam a preservar tudo o que é reto e bom na vida
cristã: humildade, santidade e gratidão, com uma paixão pela oração e pela
evangelização. O verdadeiro calvinista deveria ser aquele que mais se destaca
entre os cristãos — não tacanho e cruel, mas fundamentado na graça de Deus
e, portanto, dono de uma alma generosa. Confira seis características de um
verdadeiro calvinista: Mente teocêntrica, Alma contrita, Um coração grato, Uma
vontade submissa, Uma vida de santidade, Um proposito glorioso.