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T É C N I C O

Biossegurança
T É C N I C O

SUMÁRIO

• 1 - PRINCIPAIS CONCEITOS DE SEGURANÇA DO TRABALHO E


BIOSSEGURANÇA

• 2 - TIPOS DE RISCOS

2.1 - Classes de risco biológico

2.2 - Tipos de riscos ocupacionais da enfermagem

• 3 - NORMAS REGULAMENTADORAS DE SAÚDE E SEGURANÇA DO


TRABALHO

• 4 - FORMAS DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES DO TRABALHO

4.1 - Boas práticas de laboratório

4.2 - Equipamentos de segurança

4.3 - Lavagem das mãos

4.4 - Imunização

• 5 - NORMAS TÉCNICAS DE DESCONTAMINAÇÃO, LIMPEZA, PREPARO,


DESINFECÇÃO, ESTERILIZAÇÃO, MANUSEIO E ESTOCAGEM DE MATERIAIS

5.1 - Artigos

5.2 - Superfícies

• 6 - EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL - ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO

6.1 - Profissionais de saúde e tipos de exposições

6.2 - Riscos de transmissão

6.3 - Prevenção da exposição a materiais biológicos

6.4 - Procedimentos recomendados nos casos de exposição aos materiais biológicos

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• 7. - Gerenciamento do descarte de resíduos, fluídos, agentes biológicos, físicos,


químicos e radioativos

7.1 - Resíduos Sólidos

7.2 - Resíduos do serviço de saúde

• 8 - REFERÊNCIAS

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1 - PRINCIPAIS CONCEITOS DE SEGURANÇA


DO TRABALHO E BIOSSEGURANÇA

A biossegurança compreende um conjunto de ações destinadas a prevenir, controlar,


mitigar ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam interferir ou comprometer
a qualidade de vida, a saúde humana e o meio ambiente. Desta forma, a biossegurança
caracteriza-se como estratégica e essencial para a pesquisa e o desenvolvimento sustentável
sendo de fundamental importância para avaliar e prevenir os possíveis efeitos adversos de
novas tecnologias à saúde (MS, 2010).

“Biossegurança é o conjunto de ações voltadas para a prevenção, minimização ou


eliminação de riscos inerentes às atividades de pesquisa, produção, ensino, desenvolvimento
tecnológico e prestação de serviços, visando à saúde do homem, dos animais, a preservação
do meio ambiente ou a qualidade dos trabalhos desenvolvidos” (AMATO,1995), ou seja, é
um somatório de conhecimentos, hábitos, comportamentos e sentimentos, que devem ser
incorporados ao homem para que esse desenvolva, de forma segura, sua atividade.

O fundamento da biossegurança é a prevenção de riscos à vida e à saúde, como já


dissemos. Isso inclui as mais diversas formas de prevenção. Existem anúncios que informam
sobre os riscos do hábito de fumar, esses anúncios são exemplos simples de biossegurança.
Costa (1996) define biossegurança como um “conjunto de medidas técnicas, administrativas,
educacionais, médicas e psicológicas, empregadas para prevenir acidentes em ambientes
biotecnológicos”.

As ações de biossegurança em saúde são primordiais para a promoção e manutenção


do bem-estar e proteção à vida. A evolução cada vez mais rápida do conhecimento científico
e tecnológico propicia condições favoráveis que possibilitam ações que colocam o Brasil
em patamares preconizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em relação à
biossegurança em saúde. No Brasil, a biossegurança começou a ser institucionalizada a partir
da década de 80 quando o Brasil tomou parte do Programa de Treinamento Internacional
em Biossegurança ministrado pela OMS que teve como objetivo estabelecer pontos focais na
América Latina para o desenvolvimento do tema (BINSFELD, 2004).

A partir daí, deu-se início a uma série de cursos, debates e implantação de medidas
para acompanhar os avanços tecnológicos em biossegurança. Em 1985, a FIOCRUZ promoveu
o primeiro curso de biossegurança no setor de saúde e passou a implementar medidas de
segurança como parte do processo de Boas Práticas em Laboratórios, que desencadeou
uma série de cursos sobre o tema. No mesmo ano, o Ministério da Saúde deu início ao
Projeto de Capacitação Científica e Tecnológica para Doenças Emergentes e Reemergentes
visando capacitar as instituições de saúde em biossegurança. Foi também em 1995 que
houve a publicação da primeira Lei de Biossegurança, a Lei no 8.974, de 5 de janeiro de
1995, posteriormente revogada pela Lei no 11.105, de 24 de março de 2005. A discussão da
biossegurança trouxe resultados e avanços ao tema.

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Promover debates sobre biossegurança em saúde nos dias atuais não apenas contribui
para a solidificação das ações e o exercício das competências na área de biossegurança, mas,
principalmente, reforça o propósito de qualidade de vida e saúde do Sistema Único de Saúde,
bem como qualifica as demandas e contribui para o fortalecimento do Complexo Industrial
da Saúde.

O objetivo principal da biossegurança é criar um ambiente de trabalho onde se


promova a contenção do risco de exposição a agentes potencialmente nocivos ao trabalhador,
pacientes e meio ambiente, de modo que este risco seja minimizado ou eliminado.

O termo “contenção” é usado para descrever os métodos de segurança utilizados


na manipulação de materiais infecciosos ou causadores de riscos em meio laboratorial,
onde estão sendo manejados ou mantidos. O objetivo da contenção é reduzir ou eliminar
a exposição da equipe de um laboratório, de outras pessoas e do meio ambiente em geral
aos agentes potencialmente perigosos. As contenções de riscos representam-se como a base
da biossegurança e são ditas primárias ou secundárias. A contenção primária, ou seja, a
proteção do trabalhador e do ambiente de trabalho contra a exposição a agentes infecciosos,
é obtida através das práticas microbiológicas seguras e pelo uso adequado dos equipamentos
de segurança. A contenção secundária compreende a proteção do ambiente externo contra a
contaminação proveniente do laboratório e/ou setores que manipulam agentes nocivos. Esta
forma de contenção é alcançada tanto pela adequada estrutura física do local como também
pelas rotinas de trabalho, tais como descarte de resíduos sólidos, limpeza e desinfecção de
artigos e áreas, etc.

Na enfermagem a subnotificação dos acidentes de trabalho ocorre na maioria das


vezes devido à falta de esclarecimento dos profissionais em relação a importância do registro
do acidente para garantia de seus direitos, bem como de sua utilização como estratégia para
reivindicação de melhores condições de segurança no trabalho.

Assim, gostaríamos de alertar os profissionais de enfermagem acerca da importância


da adoção de práticas educativas referente a manipulação e descarte de materiais perfuro
cortantes, cobertura vacinal dos profissionais referente a Hepatite B e a necessidade de
notificação dos acidentes.

Acreditamos que a adoção de medidas educativas e preventivas efetivas pelas


instituições empregadoras agregadas às políticas públicas que priorizem ações de promoção
a saúde dos trabalhadores e prevenção de doenças possam minimizar a ocorrência de
acidentes e doenças entre os trabalhadores de enfermagem.

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2 - TIPOS DE RISCOS

As normas de biossegurança englobam medidas que visam evitar riscos físicos,


químicos, biológicos e ergonômicos.

RISCOS FÍSICOS

Consideram-se agentes de riscos físicos as diversas formas de energia, originadas


dos equipamentos e são dependentes dos equipamentos, do manuseio do operador ou do
ambiente em que se encontra no laboratório. Pode-se citar alguns exemplos: ruídos, vibrações,
pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes,
ultrassom, etc. Estufas, muflas, banhos de água, bicos de gás, lâmpadas infravermelhas,
mantas aquecedoras, agitadores magnéticos com aquecimento, incubadoras elétricas,
fornos de microondas e autoclaves são os principais equipamentos geradores de calor. Suas
instalações devem ser feitas em local ventilado e longe de materiais inflamáveis, voláteis e
de equipamentos termos sensíveis.

RISCOS BIOLÓGICOS

Os materiais biológicos abrangem amostras provenientes de seres vivos como


plantas, bactérias, fungos, parasitas, animais e seres humanos (sangue, urina, escarro, peças
cirúrgicas, biópsias, entre outras).

RISCOS DE ACIDENTES

Considera-se riscos de acidentes qualquer fator que coloque o trabalhador ou aluno


em situação de perigo e possa afetar sua integridade e bem estar físico. São exemplos de
riscos de acidentes: equipamentos sem proteção, probabilidade de incêndio e explosão,
arranjo físico e armazenamento inadequados, etc.

RISCOS QUÍMICOS

Consideram-se agentes de riscos químicos os produtos que possam penetrar no


organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou
vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvido

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pelo organismo através da pele ou por ingestão. A classificação das substâncias químicas,
gases, líquidos ou sólidos devem ser conhecidas por seus manipuladores. Nesse aspecto,
tem-se solventes orgânicos, explosivos, irritantes, voláteis, cáusticos, corrosivos e tóxicos.
Eles devem ser manipulados de forma adequada em locais que permitam ao operador a
segurança pessoal e do meio ambiente, além dos cuidados com o descarte dessas substâncias.

RISCOS ERGONÔMICOS

Considera-se riscos ergonômicos qualquer fator que possa interferir nas características
psicofisiológicas do trabalhador causando desconforto ou afetando sua saúde. Tais riscos
referem-se as condições dos projetos dos laboratórios como a distância em relação à altura
dos balcões, cadeiras, prateleiras, gaveteiros, capelas, circulação e obstrução de áreas
de trabalho. Os espaços devem ser adequados para a execução de trabalhos, limpeza e
manutenção, garantindo o menor risco possível de choques acidentais.

Segue a tabela de classificação dos principais riscos ocupacionais em grupos, de


acordo com a sua natureza e a padronização das cores correspondentes:

Fonte da Tabela: “Dicas de Prevenção de Acidentes e Doenças do Trabalho” (Sesi- Sebrae)

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O Mapa de Riscos é uma das modalidades mais simples de avaliação qualitativa dos
riscos existentes nos locais de trabalho. É a representação gráfica dos riscos por meio de
círculos de diferentes cores e tamanhos, permitindo fácil elaboração e visualização.

É um instrumento participativo, elaborado pelos próprios trabalhadores e de


conformidade com as suas sensibilidades. O Mapa de Riscos está baseado no conceito
filosófico de que quem faz o trabalho é quem conhece o trabalho. Ninguém conhece melhor
a máquina do que o seu operador.

2.1 - Classes de risco biológico

Classe de Risco I:

Escasso risco individual e comunitário: o micro-organismo tem pouca probabilidade


de provocar enfermidades humanas ou enfermidades de importância veterinária.

Classe de Risco II:

Risco individual moderado, risco comunitário limitado: a exposição ao agente


patogênico pode provocar infecção, porém, se dispõe de medidas eficazes de tratamento e
prevenção, sendo o risco de propagação limitado.

Classe de Risco III:

Risco individual elevado, baixo risco comunitário: o agente patogênico pode provocar
enfermidades humanas graves, podendo propagar-se de uma pessoa infectada para outra,
entretanto, existe profilaxia e/ou tratamento.

Classe de Risco IV:

Elevado risco individual e comunitário: os agentes patogênicos representam grande


ameaça para as pessoas e animais, com fácil propagação de um indivíduo ao outro, direta ou
indiretamente, não existindo profilaxia nem tratamento.

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2.2 - Tipos de riscos ocupacionais da enfermagem

• Os profissionais de saúde em seu ambiente de trabalho estão expostos a inúmeros riscos.

• O ambiente hospitalar é um local tipicamente insalubre, pois propicia a exposição


a riscos inerentes ao desenvolvimento de suas atividades. • Os trabalhadores de
enfermagem estão expostos a inúmeros riscos que podem causar agravos à sua saúde,
acidentes de trabalho e/ou doenças, principalmente durante a assistência ao cliente.

• Essa exposição pode trazer consequências para a saúde do trabalhador em vários


aspectos: físico, psíquico, emocional e social.

• É obrigatório que as instituições implantem uma Comissão Interna de Prevenção


de Acidentes (CIPA), assim como a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar
(CCIH) e os programas PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) e
PPRO (Programa de Prevenção de Riscos Ocupacionais) nas unidades que atuarão
juntamente com a participação dos profissionais.

• As instituições também devem garantir treinamentos e capacitações periódicas para os


profissionais, preparando-os para o cumprimento das normas estabelecidas.

• A Norma Regulamentadora NR-32 tem como finalidade estabelecer as diretrizes básicas


para a implantação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores
dos serviços de saúde, bem como daqueles que exercem atividades de promoção e
assistência à saúde em geral.

• A identificação precoce dos riscos ocupacionais a que a equipe de enfermagem está


exposta ajuda na prevenção e no controle dos riscos e acidentes de trabalho, reduzindo
os danos à saúde do trabalhador.

• Durante a assistência ao paciente, os trabalhadores de enfermagem estão expostos


à inúmeros riscos ocupacionais, causados por fatores químicos, físicos, mecânicos,
biológicos, ergonômicos, que podem ocasionar doenças ocupacionais e acidentes de
trabalho.

• A enfermagem é uma profissão de risco devido à exposição à qual o profissional se


submete diariamente.

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3 - NORMAS REGULAMENTADORAS DE SAÚDE


E SEGURANÇA DO TRABALHO

A sociedade é regida por algumas regras de comportamento, ou seja, por leis que são
fundamentais no ordenamento social. Entre outros “bens” protegidos pela legislação, está a
vida. E para garantir a nossa segurança e sobrevivência, existem regras específicas.

A Norma Regulamentadora (NR) 32 aborda alguns pontos básicos para implementação


de medidas de proteção à segurança e à saúde de todos àqueles que trabalham nos serviços
de saúde ou que exercem atividades de promoção e assistência à saúde. Em sua composição
explicita o Programa de Prevenção dos Riscos Ambientais (PPRA) e o Programa de Controle
Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). O PPRA objetiva a conservação da saúde, bem
como manter a integridade do trabalhador, já o PCMSO visa promover e preservar a saúde
dos trabalhadores. A NR 32 estabelece como devem funcionar e quando são utilizados
medidas de proteção, como os Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s). Dessa maneira,
objetiva-se refletir a relação da NR 32 com a Enfermagem, a partir da disciplina “Enfermagem
no cuidado à saúde do trabalhador”, ministrada no Curso de Enfermagem, na tentativa de
reconhecer o papel do enfermeiro na Saúde do Trabalhador por meio das NR’s e mediante
o entendimento do conceito de trabalho e de suas dimensões na vida humana. Com isso,
através das discussões em aula, verificou-se que as NR 32 apresenta extrema relevância
para os profissionais da área da saúde, particularmente para os enfermeiros. Identificou-se
que na NR 32 é declarado que os trabalhadores devem ser capacitados para adotar mecânica
corporal correta na movimentação de pacientes, fato nem sempre vivenciado, visto o quesito
sexo feminino na sua relação com o levantamento do peso excedendo a capacidade corporal
das mulheres enfermeiras. Além disso, os postos de trabalho, de acordo com a NR 32, devem
ser organizados de forma a evitar deslocamentos e esforços adicionais aos trabalhadores, no
entanto, percebe-se que isto não é um fator que esteja no planejamento organizacional da
estrutura física dos serviços de saúde. Um ponto a ser levantado trata da manutenção dos
equipamentos, dificilmente visualizado nas vivências práticas, bem como a avaliação diária
dos EPI’s, conforme determinado na NR 32. Ainda sobre os EPIs vale referir que os mesmos
nem sempre se encontram na quantidade suficiente e em todos os locais de trabalho. Nesse
aspecto, o enfermeiro é respaldado pela Resolução do COFEN nº 311/2007 a recusar-se a
desenvolver atividades profissionais na falta de material ou EPI’s, fato que se fosse levado
em seu sentido pleno impossibilitaria o desenvolvimento do cuidado e da atenção integral.
Enfim, a NR 32 permite identificar muitos pontos irregulares nos serviços de saúde. Desse
modo, é possível considerar que a norma auxiliará o enfermeiro a exigir da instituição de
saúde que trabalha condições adequadas de trabalho, se o mesmo conhecer e compreender
esta NR. Além disso, é fundamental que o enfermeiro, assim como os outros profissionais
da equipe, conheçam esta norma regulamentadora a fim de que possam cumprir com os
seus deveres, reafirmar seus diretos, assim como também possam promover a segurança no
trabalho e prevenir acidentes e doenças ocupacionais.

Considerando-se a inter-relação existente entre as normas regulamentadoras, o

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propósito é o de indicar efetivamente essa ocorrência, demonstrando, na prática prevencionista,


que muito pouco adianta atender a uma sem levar em consideração o que na maioria dos
casos dispõe a outra.

As normas regulamentadoras poderão ser obtidas, na íntegra, no endereço (internet)


www.mte.gov.br.

4 - FORMAS DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES DO TRABALHO

Sob todos os aspectos em que possam ser analisados, os acidentes e doenças


decorrentes do trabalho apresentam fatores extremamente negativos para a empresa, para o
trabalhador acidentado e para a sociedade. Anualmente, as altas taxas de acidentes e doenças
registradas pelas estatísticas oficiais expõem. Os elevados custos e prejuízos humanos, sociais
e econômicos que custam muito para o País, considerando apenas os dados do trabalho
forma.

É importante ressaltar que, apesar de todos os cálculos, o valor da vida humana não
pode ser matematizado, sendo o mais importante no estudo o conjunto de benefícios que a
micro ou pequena empresa consegue com a adoção de boas práticas de Saúde e Segurança
no Trabalho, pois, além de prevenir acidentes e doenças, está vacinada contra os imprevistos
acidentários, reduz os custos, otimiza conceito e imagem junto à clientela e potencializa a
sua competitividade.

4.1. - Boas práticas de laboratório

Todo pessoal de laboratório deve:

• Conhecer os riscos biológicos, químicos, radioativos, tóxicos e ergonômicos com os


quais se tem contato no laboratório;

• Ser treinado e aprender as precauções e procedimentos de biossegurança;

• Seguir as regras de biossegurança;

• Evitar trabalhar sozinho com material infeccioso. Uma segunda pessoa deve estar
acessível para auxiliar em caso de acidente;

• Ser protegido por imunização apropriada quando disponível;

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• Manter o laboratório limpo e arrumado, devendo evitar o armazenamento de materiais


não pertinentes ao trabalho do laboratório; os espaços físicos dos laboratórios necessitam
ser mantidos devidamente organizados e higienizados. Para que a biossegurança seja
cumprida, a higienização dos ambientes deve ser realizada com

• Hipoclorito de sódio a 2% e álcool a 70%.

• Limitar o acesso aos laboratórios. Não permitir crianças no laboratório. Esclarecer


mulheres grávidas ou indivíduos imunocomprometidos que trabalham ou entram no
laboratório quanto aos riscos biológicos;

• Manter a porta do laboratório fechada;

• Usar roupas protetoras de laboratório (uniformes, aventais, jalecos, máscaras), que


devem estar disponíveis e serem usadas inclusive por visitantes;

• Usar luvas sempre que manusear material biológico. As luvas devem ser usadas em
todos os procedimentos que envolverem o contato direto da pele com toxinas, sangue,
materiais infecciosos ou animais infectados. Anéis ou outros adereços de mão que
interferem o uso da luva devem ser retirados. As luvas devem ser removidas com
cuidado para evitar a formação de aerossóis e descontaminadas antes de serem
descartadas. Trocar de luvas ao trocar de material. Não tocar o rosto com as luvas de
trabalho. Não tocar com as luvas de trabalho em nada que possa ser manipulado sem
proteção, tais como maçanetas, interruptores, etc. Não descartar luvas em lixeiras de
áreas administrativas, banheiros, etc.;

• Retirar o jaleco ou avental antes de sair do laboratório. Aventais devem ter seu uso
restrito ao laboratório. Não devem ser usados em áreas não laboratoriais tais como
áreas administrativas, biblioteca, cantina, etc.;

• Não usar sapatos abertos;

• Usar óculos de segurança, visores ou outros equipamentos de proteção facial sempre


que houver risco de espirrar material infectante ou de contusão com algum objeto;

• Não aplicar cosméticos;

• Não retirar canetas ou qualquer outro instrumento do laboratório sem descontaminar


antes; colocar todo o material com contaminação biológica em recipientes com tampa
e a prova de vazamento, antes de removê-los de uma seção para outra do laboratório;

• Descontaminar por autoclavação ou por desinfecção química, todo o material com


contaminação biológica;

• Descontaminar todo equipamento antes de qualquer serviço de manutenção;

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• Saber a localização do mais próximo lava olhos, chuveiro de segurança e extintor de


incêndio. Saber como usá-los;

• Manter preso em local seguro todos os cilindros de gás, fora da área do laboratório e
longe do fogo;

• Ao sair do laboratório, verificar se tudo está em ordem. Caso for o último ao sair, desligar
os equipamentos e as luzes, exceto quando indicado pelas normas do Laboratório.

• Estabelecer normas de PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRAO (POP), para


todas as seções. Este POP tem por finalidade estabelecer regras para a melhoria da
qualidade de trabalho dentro de um laboratório. Trata-se de um protocolo que descreve
cada atividade realizada dentro do laboratório, desde a utilização dos materiais até
normas de biossegurança. Faz-se necessário ressaltar que dentro das responsabilidades
do POP estão também descritos os resíduos gerados e qual a procedência de seu descarte

• Todo novo funcionário ou estagiário deve ter treinamento e orientação específica sobre
boas práticas laboratoriais e princípios de biossegurança aplicados ao trabalho que irá
desenvolver.

Principais símbolos internacionais associados aos riscos em laboratórios:

Fonte: Google

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4.2 - Equipamentos de segurança

Para prevenir os acidentes e as doenças decorrentes do trabalho, a ciência e as


tecnologias colocam à nossa disposição uma série de medidas e equipamentos de proteção
coletiva e individual. As medidas e os equipamentos de proteção coletiva visam, além
proteger muitos trabalhadores ao mesmo tempo, à otimização dos ambientes de trabalho,
destacando-se por serem mais rentáveis e duráveis para a empresa.

Equipamento de Proteção Coletiva – EPC

Considera-se EPC toda medida ou dispositivo, sinal, imagem, som, instrumento ou


equipamento destinado à proteção de uma ou mais pessoas.

Fonte: Google

Equipamento de Proteção Individual – EPI

Considera-se EPI todo dispositivo de uso individual, destinado a proteger a saúde


e a integridade física do trabalhador, não sendo adequado o uso coletivo por questões de
segurança e higiene. Sua função é prevenir ou limitar o contato entre o operador e o material
infectante. A maioria dos EPIs, se usados adequadamente promovem também uma contenção
da dispersão de agentes infecciosos no ambiente, facilitando a preservação da limpeza do
laboratório. A utilização dos EPIs encontra-se regulamentada pelo MTE através da NR-6,
em que estão definidas as obrigações do empregador e do empregado.

A escolha do EPI deve ser feita por pessoal especializado, conhecedor não só do
equipamento, como também das condições em que o trabalho é executado. É preciso conhecer
também o tipo de risco, a parte do corpo atingida, as características e qualidades técnicas

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Biossegurança

do EPI, se possui Certificado de Aprovação - CA do Ministério do Trabalho e Emprego e,


principalmente, o grau de proteção que o equipamento deverá proporcionar.

Fonte: Google

LUVAS:

Devem ser usadas em todos os procedimentos com exposição a sangue, hemoderivados


e fluidos orgânicos. Luvas apropriadas para manipulação de objetos em temperaturas altas ou
baixas devem estar disponíveis nos locais onde tais procedimentos são realizados. Em casos
de acidente, luvas grossas de borracha devem ser usadas nos procedimentos de limpeza e na
retirada de fragmentos cortantes do chão ou de equipamentos, com auxílio de pá e escova.
Luvas de material adequado devem ser utilizadas na manipulação de substâncias químicas
perigosas NÃO usar luvas fora da área de trabalho.

Lembretes Técnicos:

1. Retire as luvas imediatamente após o término do procedimento;

2. Não toque na parte externa das luvas ao removê-las;

3. As luvas não protegem de perfurações de agulhas, mas está comprovado que elas
podem diminuir a penetração de sangue em até 50% de seu volume;

O uso de luvas não substitui a necessidade da LAVAGEM DAS MÃOS porque elas
podem ter pequenos orifícios ou danificar-se durante o uso, podendo contaminar as mãos
quando removidas.

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AVENTAL OU JALECO

Seu uso deve ser obrigatório e restrito aos laboratórios. Os aventais de tecido devem
ser SEMPRE de mangas compridas, comprimento pelo menos até a altura dos joelhos e
devem ser usados abotoados. Deve ser dada preferência às fibras naturais (100% algodão)
uma vez que as fibras sintéticas se inflamam com facilidade. Quando retirado do laboratório
para ser lavado, o avental deverá ser acondicionado em saco plástico. Os aventais descartáveis
também devem ter as mangas compridas com punhos e serem fechados dorsalmente. O jaleco
deve ter colarinho alto e mangas longas, podendo ser de algodão ou de material sintético.
Deve ser transportado em sacos impermeáveis e lavado separadamente das roupas de uso
pessoal.

MÁSCARAS

EPI indicado para a proteção das vias respiratórias e mucosa oral durante a realização
de procedimentos com produtos químicos e em que haja possibilidade de respingos ou
aspiração de agentes patógenos eventualmente presentes no sangue e outros fluidos
corpóreos. A máscara deve ser escolhida de modo a permitir proteção adequada. Portanto,
use apenas máscara de tripla proteção e quando do atendimento de pacientes com infecção
ativa, particularmente tuberculose, devem ser usadas máscaras especiais, tipo N95 (refere-se
à capacidade para filtrar partículas maiores que 0,3µm com uma eficiência de 95%), N99 ou N100.

IMPORTANTE:

4. Nunca deixar a máscara pendurada no pescoço ou ouvido;

5. Descartar em recipiente apropriado, após o uso e sempre que estiver visivelmente


contaminada ou úmida;

6. Não guardar em bolsos ou gavetas;

7. Evitar tocá-la após a sua colocação.

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OUTROS EQUIPAMENTOS:

• Visores ou óculos de proteção e protetor facial (protegem contra salpicos, borrifos,


gotas e impacto);

• Respiradores (tecido, fibra sintética descartável, filtros para gases, pó, etc., dependendo
da necessidade);

• Dispositivos de pipetagem (peras, pipetadores automáticos, etc.);

• Gorros;

• Coletor de papelão rígido para desprezo de perfuro cortantes;

• Sapatos fechados e pró pé.

Fonte: Google

4.3 - Lavagem das Mãos

A lavagem das mãos é a medida individual mais simples e menos dispendiosa para
prevenir a propagação das infecções relacionadas à assistência à saúde. Recentemente, o
termo “lavagem das mãos” foi substituído por “higienização das mãos” devido à maior
abrangência deste procedimento. O termo engloba a higienização simples, a higienização
antisséptica, a fricção antisséptica e a antissepsia cirúrgica das mãos, que serão abordadas
mais adiante.

As mãos constituem a principal via de transmissão de microrganismos durante a


assistência prestada aos pacientes, pois a pele é um possível reservatório de diversos
microrganismos, que podem se transferir de uma superfície para outra, por meio de contato
direto (pele com pele), ou indireto, através do contato com objetos e superfícies contaminados.

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A higienização das mãos apresenta as seguintes finalidades:

• Remoção de sujidade, suor, oleosidade, pelos, células descamativas e da microbiota da


pele, interrompendo a transmissão de infecções veiculadas ao contato;

• Prevenção e redução das infecções causadas pelas transmissões cruzadas.

• Devem higienizar as mãos todos os profissionais que trabalham em serviços de saúde,


que mantém contato direto ou indireto com os pacientes, que atuam na manipulação
de medicamentos, alimentos e material estéril ou contaminado.

• As mãos dos profissionais que atuam em serviços de saúde podem ser higienizadas
utilizando-se: água e sabão, preparação alcoólica e antisséptico.

• As técnicas de higienização das mãos podem variar, dependendo do objetivo ao qual


se destinam. Podem ser divididas em:

• Higienização simples das mãos.

• Higienização antisséptica das mãos.

• Fricção de antisséptico nas mãos.

• Antissepsia cirúrgica ou preparo pré-operatório das mãos.

A eficácia da higienização das mãos depende da duração e da técnica empregada.

IMPORTANTE: Antes de iniciar qualquer uma dessas técnicas, é necessário retirar


joias (anéis, pulseiras, relógio), pois sob tais objetos podem acumular-se microrganismos.

HIGIENIZAÇÃO SIMPLES DAS MÃOS

Finalidade:

Remover os microrganismos que colonizam as camadas superficiais da pele, assim


como o suor, a oleosidade e as células mortas, retirando a sujidade propícia à permanência e
à proliferação de microrganismos.

Duração do procedimento: 40 a 60 segundos.

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Fonte: Anvisa

FRICÇÃO ANTISSÉPTICA DAS MÃOS (COM PREPARAÇÕES ALCOÓLICAS)

Finalidade:

Reduzir a carga microbiana das mãos (não há remoção de sujidades). A utilização de


gel alcoólico a 70% ou de solução alcoólica a 70% com 1-3% de glicerina pode substituir a
higienização com água e sabão quando as mãos não estiverem visivelmente sujas.

Duração do Procedimento: 20 a 30 segundos.

Fonte: Anvisa

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ANTISSÉPSIA CIRÚRGICA OU PREPARO PRÉ-OPERATÓRIO DAS MÃOS

Finalidade

Eliminar a microbiota transitória da pele e reduzir a microbiota residente, além de


proporcionar efeito residual na pele do profissional.

As escovas utilizadas no preparo cirúrgico das mãos devem ser de cerdas macias e
descartáveis, impregnadas ou não com antisséptico e de uso exclusivo em leito ungueal e subungueal.

Para este procedimento, recomenda-se: Antissepsia cirúrgica das mãos e antebraços


com antisséptico degermante.

Duração do Procedimento: de 3 a 5 minutos para a primeira cirurgia e de 2 a 3


minutos para as cirurgias subsequentes (sempre seguir o tempo de duração recomendado
pelo fabricante).

Fonte: Anvisa

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4.4 - Imunização

As imunizações reduzem o risco de infecção e, por conseguinte, protegem, não


apenas a saúde dos componentes da equipe, mas também a de seus clientes e familiares.

Os profissionais de saúde ficam expostos a diversas doenças infectocontagiosas,


sendo necessário um esquema vacinal ampliado em relação à população em geral. Ao exame
médico admissional, no processo de recrutamento e seleção que vem ser um conjunto de
procedimentos que visam escolher um indivíduo potencialmente qualificado a desenvolver
determinada atividade, o candidato deve estar com seu esquema vacinal adequado a
profissão respeitando suas peculiaridades. A vacinação para os profissionais de enfermagem
fundamenta-se a protegê-los de diversas doenças infecciosas que possam cursar com
gravidade no adulto, além de prevenir que esses profissionais contaminem os seus pacientes

Todos os profissionais de saúde devem ser vacinados com:

• 2 doses da vacina Tríplice Viral a não ser que apresente evidência de imunidade contra
o sarampo, caxumba e rubéola.

• Vacinação anual de Influenza.

• 1 dose de dTpa (difteria, tétano, coqueluche acelular), principalmente para imunizar


contra o Pertussis causador da coqueluche.

• 3 doses de Hepatite B, principalmente para aqueles que possam estar expostos a sangue
ou outros fluidos do corpo.

• 2 doses de vacina de Varicela, a não ser que haja evidência de imunidade de varicela.

De acordo com a nota técnica de agosto de 2005 do Projeto de Vigilância


Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde, está contraindicado o uso da vacina BCG
para profissionais de saúde.

Todos os alunos de graduação e pós-graduação deverão iniciar o esquema de


vacinação o mais precocemente possível, uma vez que é obrigatória a apresentação do cartão
de vacinação com o esquema vacinal completo antes do primeiro dia de atividade clínica ou
de ingresso no campo de estágio.

129
Biossegurança

5 - NORMAS TÉCNICAS DE DESCONTAMINAÇÃO,


LIMPEZA, PREPARO, DESINFECÇÃO, ESTERILIZAÇÃO,
MANUSEIO E ESTOCAGEM DE MATERIAIS

Historicamente, no Brasil, o Controle das Infecções Hospitalares teve seu marco


referencial com a Portaria MS nº 196, de 24 de junho de 1993, que instituiu a implantação
de Comissões de Controle de Infecções Hospitalares em todos os hospitais do país,
independentemente de sua natureza jurídica.

Atualmente, as diretrizes gerais para o Controle das Infecções em Serviços de Saúde


são delineadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), na Gerência
Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde, através da Unidade de Controle de Infecções
em Serviços de Saúde (UCISA), e novo impulso tem sido dado no sentido de enfrentar a
problemática das infecções relacionadas à assistência.

Sem dúvida alguma, as infecções hospitalares constituem um grave problema de


saúde pública, tanto pela sua abrangência como pelos elevados custos sociais e econômicos. O
conhecimento e a conscientização dos vários riscos de transmissão de infecções, das limitações
dos processos de desinfecção e de esterilização e das dificuldades de processamento inerentes à
natureza de cada artigo são imprescindíveis para que se possa tomar as devidas precauções.

5.1 - Artigos

Os artigos compreendem instrumentos, objetos de natureza diversa, utensílios


(comadres, papagaios, etc.), acessórios de equipamentos e outros.

Críticos: são os artigos destinados à penetração através da pele e mucosas adjacentes,


nos tecidos subepiteliais e no sistema vascular, bem como todos os que estejam diretamente
conectados com este sistema. Estes requerem esterilização para satisfazer os objetivos a que
se propõem.

Semicríticos: são os artigos destinados ao contato com a pele não-íntegra ou com


mucosas íntegras e requerem desinfecção de médio ou de alto nível, ou esterilização para
ter garantida a qualidade do múltiplo uso destes. Se forem termo resistentes, poderão ser
submetidos à autoclavagem.

Não-críticos: são os artigos destinados ao contato com a pele íntegra do paciente e


requerem limpeza ou desinfecção de baixo ou médio nível.

O manuseio de artigos requer que cada procedimento seja acompanhado da indicação


do EPI específico, em relação à natureza do risco ao qual o profissional da saúde se expõe.
Os riscos são em relação ao material biológico, químico e térmico. Considerar que: - todo
artigo deverá ser considerado “contaminado”, sem levar em consideração o grau de sujidade
presente; - passos sequenciais: limpeza ou descontaminação --- desinfecção e/ou esterilização

130
T É C N I C O

ou estocagem, conforme o objetivo de uso do artigo; - classificar o artigo de acordo com o risco
potencial de infecção envolvido em seu uso e definir se desinfecção ou esterilização; - para que a
remoção da sujidade ou matéria orgânica não se constitua em risco a pessoa que os manuseia e ao
local onde está limpeza e desinfecção é realizada, é imprescindível o uso de EPI.

5.1.1 - Limpeza

A limpeza é o procedimento de remoção de sujidade e detritos para manter em estado


de asseio os artigos, reduzindo a população microbiana. Constitui o núcleo de todas as ações
referentes aos cuidados de higiene com os artigos hospitalares. A limpeza deve preceder os
procedimentos de desinfecção ou de esterilização, pois reduz a carga microbiana através
remoção da sujidade e da matéria orgânica presentes nos materiais. O excesso de matéria
orgânica aumenta não só a duração do processo de esterilização, como altera os parâmetros
para este processo. Assim, é lícito afirmar que a limpeza rigorosa é condição básica para
qualquer processo de desinfeção ou esterilização. “É possível limpar sem esterilizar, mas
não é possível garantir a esterilização sem limpar”.

A limpeza de artigos é feita por: fricção mecânica, utilizando água e sabão, auxiliada
por esponja, pano ou escova (padronizar pia ou recipiente paras este fim).

Os tipos de limpeza relacionados a seguir estão classificados de acordo com a sua


abrangência, frequência e os objetivos a serem atingidos.

a) Limpeza concorrente: É aquela realizada, de forma geral, diariamente, e inclui


a limpeza de pisos, instalações sanitárias, superfícies horizontais de equipamentos
e mobiliários, esvaziamento e troca de recipiente de lixo, de roupas e arrumação
em geral. Ainda a manutenção e reposição de materiais de consumo (papel toalha,
sabonete líquido, papel higiênico, etc.). Em condições especiais esse tipo de limpeza
pode e deve ser realizado mais de uma vez por dia e em áreas críticas, duas vezes ao
dia, ou mais.

b) Limpeza imediata ou descontaminação: Trata-se da limpeza quando é realizada


quando ocorre sujidade após a limpeza concorrente em áreas críticas e semicríticas,
em qualquer período do dia. Tal sujidade refere-se, principalmente àquelas de origem
orgânica, química ou radioativa, com riscos de disseminação de contaminação. Essa
limpeza limita-se a remoção imediata dessa sujidade do local onde ela ocorreu e sua
adequada dispensação. A técnica utilizada dependerá do tipo de sujidade e de seu
risco de contaminação.

c) Limpeza de manutenção: É constituída de alguns requisitos da limpeza


concorrente. Limitam-se mais ao piso, banheiros e esvaziamento de lixo, em locais
de grande fluxo de pessoal e de procedimentos, sendo realizada nos 3 períodos do
dia (manhã, tarde e noite) conforme a necessidade, através de rotina e de vistoria
contínua. Exemplo de onde esse tipo de limpeza ocorre com frequência é o pronto
socorro ou ambulatório, devido à alta rotatividade de atendimento.

131
Biossegurança

d) Limpeza terminal: Trata-se de uma limpeza e ou desinfecção mais completa,


abrangendo horizontalmente e verticalmente pisos, paredes, equipamentos,
mobiliários, inclusive camas, macas e colchões, janelas, vidros, portas, peitoris,
varandas, grades do ar condicionado, luminárias, teto, etc., em todas as suas
superfícies externas e internas. A periodicidade de limpeza de todos esses itens
dependerá da área onde os mesmos se encontram e de sua frequência de sujidade.
Como exemplos, a limpeza terminal da unidade de um paciente internado deverá
ser realizada a qualquer momento após sua alta, transferência ou óbito. Já a limpeza
terminal do centro cirúrgico é realizada diariamente após a realização de cirurgias
eletivas do dia.

5.1.2 - Descontaminação

É o processo de eliminação total ou parcial da carga microbiana de artigos e


superfícies, tornando-os aptos para o manuseio seguro. A descontaminação de artigos é feita
por: fricção auxiliada por pano e álcool à 70%.

A descontaminação tem por finalidade reduzir o número de microrganismos presentes


nos artigos sujos, de forma a torná-los seguros para manuseá-los, isto é, ofereçam menor
risco ocupacional. O uso de agentes químicos desinfetantes como glutaraldeído, formaldeído,
hipoclorito de sódio e outros no processo de descontaminação, prática largamente utilizada,
não tem fundamentação. O agente químico é impedido de penetrar nos microrganismos pois
há tendência das soluções químicas ligarem-se com as moléculas de proteínas presentes na
matéria orgânica, não ficando livres para ligarem-se aos microrganismos nas proporções
necessárias dando uma “falsa segurança” no manuseio do material como descontaminado.
Além disso o uso desses agentes na prática da descontaminação causa uma aderência de
precipitado de matéria orgânica no artigo, prejudicando sobremaneira a posterior limpeza.

5.1.3 - Desinfecção

O termo desinfecção deverá ser entendido como um processo de eliminação ou


destruição de todos os microrganismos na forma vegetativa, independentemente de serem
patogênicos ou não, presentes nos artigos e objetos inanimados. A destruição de algumas
bactérias na forma esporulada também pode acorrer, mas não se tem o controle e a garantia
desse resultado. No seu espectro de ação, a desinfecção de alto nível deve incluir a eliminação
de alguns esporos, o bacilo da tuberculose, todas as bactérias vegetativas, fungos e todos os
vírus.

A desinfecção de alto nível é indicada para itens semicríticos como 12 lâminas de


laringoscópios, equipamento de terapia respiratória, anestesia e endoscópio de fibra ótica
flexível. O agente mais comumente utilizado para desinfecção de alto nível é o glutaraldeído.
Na desinfecção de nível intermediário não é esperada ação sobre os esporos bacterianos
e ação média sobre vírus não lipídicos, mas que seja tuberculicida, elimine a maioria dos
fungos e atue sobre todas as células vegetativas bacterianas. Cloro, iodóforos, fenólicos e

132
T É C N I C O

álcoois pertencem a este grupo. Os desinfetantes desta classificação, juntamente com os de


baixo nível, são tipicamente usados para artigos que entrarão em contato somente com a pele
íntegra ou para desinfecção de superfícies. Na desinfecção de baixo nível não há ação sobre
os esporos ou bacilo da tuberculose, podendo ter ou não ação sobre vírus não lipídicos e com
atividade relativa sobre fungos, mas capaz de eliminar a maioria das bactérias em forma
vegetativa. Compostos com quaternário de amônia são exemplos de desinfetantes de baixo
nível. Quando se fala em processo de desinfecção, subentende-se o uso de agentes químicos,
cujos princípios ativos permitidos pelo Ministério da Saúde, através da Portaria número 15
de 1988 são: os aldeídos, fenólicos, quaternário de amônia, compostos orgânicos liberados
de cloro ativo, iodo e derivados, álcoois e glicóis, biguanidas e outros, desde que atendam à
legislação específica.

Deve ser feita da seguinte forma: com uso de luvas, depois da limpeza com água e sabão,
aplicar o produto desinfetante e deixar o tempo necessário, como alguns exemplos abaixo:

LIMPEZA DO ESFIGMOMANÔMETRO (SOMENTE O MANGUITO)

• Lavar com água, sabão neutro e esfregar com escova; - Deixar secar naturalmente ou
em secadora com ar frio. Advertências:

• Usar EPI para limpeza de materiais e viatura (luvas, avental impermeável e óculos
de proteção).

• Utilizar roupa apropriada e toca para trabalhar na sala de esterilização.

LIMPEZA E DESINFECÇÃO DO COLAR CERVICAL

• Limpeza: - Imergir em um balde com tampa contendo solução de detergente Enzimático


(endozime) e deixar por 10 min; - Esfregar com escova se necessário; - Enxaguar com
água corrente;

• Desinfecção: - Imergir em um balde escuro com tampa contendo solução de


Hipoclorito diluído a 0,5% ou glutaraldeido e deixar por 30min; - Enxaguar com
água corrente; - Deixar secar naturalmente ou em secadora com ar quente; - Embalar
em saco plástico e selar.

LIMPEZA E DESINFECÇÃO DO ESTETOSCÓPIO

• Limpeza: - Lavar com água, sabão neutro e esfregar com pano limpo;

133
Biossegurança

• Desinfecção: - Friccionar com pano umedecido com álcool 70%, apenas nas partes metálicas

• Deixar secar naturalmente;

• Repetir o processo por 3 (três) vezes;

LIMPEZA, DESINFECÇÃO DA PRANCHA LONGA

• Descontaminação prévia: - Remover o excesso de resíduos com papel toalha ou pano


velho se necessário; - Passar hipoclorito a 1% nos locais onde existir sangue ou outros
fluídos corpóreos, e deixar por 10min;

• Limpeza: - Lavar com água, sabão neutro e esfregar com escova ou pano; - Secar com
pano limpo; - Friccionar com pano umedecido em álcool etílico a 70% e deixar secar
repetindo este procedimento por 3 (três) vezes.

5.1.4 - Enxágue

Para o enxágue após a limpeza e/ou desinfecção, a água deve ser potável e corrente.

5.1.5 - Secagem

A secagem objetiva evitar a interferência da umidade nos processos e produtos


posteriores e poderá ser feita por uma das seguintes alternativas: - pano limpo ou seco; ou -
O² (restante no cilindro de Oxigênio)

5.1.6 - Quando o artigo vai para a Esterilização

Por meio físico: Acondicionar os artigos em invólucros de grau cirúrgico (papel


crepado), adequados ao tipo de processamento. Deve conter: data de embalagem e
identificação do profissional que embalou, assim como identificação visual dos pacotes com
fita termossensível para assegurar que o pacote passou pelo calor.

Autoclaves: será realizado em estabelecimentos de saúde que dispõem do


equipamento. São equipamentos que se utilizam de vapor saturado para realizarem o
processo de esterilização. O vapor saturado, ou seja, de temperatura equivalente ao ponto
de ebulição da água, na pressão considerada, é o meio de esterilização mais econômico para
materiais termo resistentes. Indicadores de uso: todos os artigos críticos termo resistentes; e
alguns artigos semicríticos, termo resistentes, por facilidade operacional e de tempo, podem
ser submetidos à autoclavagem.

134
T É C N I C O

5.1.7 - Estocagem

Após submeter os artigos ao processamento mais adequado, estocá-los em área


separada, limpa, livre de poeiras, em armários fechados, preferencialmente.

5.2 - Superfícies

As superfícies fixas (pisos, paredes, tetos, portas, mobiliários, equipamentos e demais


instalações) não representam risco significativo de transmissão de infecção. É desnecessária
a desinfecção de paredes, pisos, tetos, janelas, portas, a menos que haja respingo ou
deposição de matéria orgânica, quando é recomendada a desinfecção localizada. Quando
não há, será realizada somente limpeza com água e sabão. Existem locais e mobiliários que
podem constituir risco de contaminação para pacientes e profissionais, pela presença de
descarga de excreta, secreção ou exsudação de material orgânico. Estes locais necessitam
de descontaminação antes ou concomitante à limpeza. As superfícies que estiverem com
presença de matéria orgânica em áreas críticas, semicríticas e não-críticas deverão sofrer
processo de desinfecção ou descontaminação localizada e, posteriormente, deve-se realizar
a limpeza com água e sabão em toda a superfície, sempre utilizando os EPI necessários.

Desinfecção:

a) Com uso de luvas, retirar o excesso de carga contaminante em papel ou panos


velhos.

b) Desprezar o papel ou pano em saco plástico de lixo. c) Aplicar sobre a área atingida,
hipoclorito (piso) ou álcool etílico a 70% (em outras superfícies) por 10 minutos,
repetindo 3 vezes.

6 - EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL - ACIDENTES


COM MATERIAL BIOLÓGICO

6.1 - Profissionais de saúde e tipos de exposições

Neste capítulo serão considerados todos os profissionais e trabalhadores do setor saúde


que atuam, direta ou indiretamente, em atividades onde há risco de exposição ao sangue e a
outros materiais biológicos, incluindo aqueles profissionais que prestam assistência domiciliar,

135
Biossegurança

atendimento pré-hospitalar e ações de resgate feitas por bombeiros ou outros profissionais.

As exposições que podem trazer riscos de transmissão ocupacional do HIV e dos


vírus das hepatites B (HBV) e C (HCV) são definidas como:

• Exposições percutâneas – lesões provocadas por instrumentos perfurantes e cortantes


(p.ex. agulhas, bisturi, vidrarias);

• Exposições em mucosas – p.ex. quando há respingos na face envolvendo olho, nariz,


boca ou genitália;

• Exposições cutâneas (pele não-íntegra) – p.ex. contato com pele com dermatite ou
feridas abertas;

• Mordeduras humanas – consideradas como exposição de risco quando envolverem a


presença de sangue, devendo ser avaliadas tanto para o indivíduo que provocou a lesão
quanto àquele que tenha sido exposto.

6.1.1 - Cuidados com Material Perfuro cortante e Material Biológico

AO MANUSEAR PERFURO CORTANTES: agulhas, escalpes, vidrarias, lâminas de


bisturi e outros:

• Ter máxima atenção durante a realização de procedimentos invasivos.

• Jamais utilizar os dedos como anteparo durante a realização de procedimento que


envolva material perfuro cortante.

• Nunca reencapar, entortar, quebrar ou desconectar a agulha da seringa.

• Não utilizar agulhas para fixar papéis.

• Desprezar agulhas, escalpes, lâminas de bisturi e vidrarias, mesmo que estéreis, em


recipiente próprio.

• Não descartar material perfuro cortante em saco de lixo comum, mesmo que seja
branco.

• Usar sapatos fechados (não de tecido) para proteção dos pés em locais úmidos,
com presença de material biológico ou onde haja risco de acidente percutâneo (Ex.:
consultório odontológico, sala de coleta de exames, centro cirúrgico, centro obstétrico,
centro de material e esterilização, pronto-socorro e outros).

136
T É C N I C O

Momentos de risco biológico – Procedimentos onde são indicados dispositivos


de segurança. TODOS OS OBJETOS PERFURO CORTANTES DEVEM SER
DESCARTADOS EM RECIPIENTE DE PAREDE RÍGIDA, IMPERMEÁVEL E
CONTER TAMPA.

RECIPIENTE PARA MATERIAL PERFURO CORTANTE

• Deve conter paredes rígidas e impermeáveis e tampa.

• Não deve ser preenchido acima do limite de 2/3 de sua capacidade total.

• Não deve ser deixado no chão, devendo estar sempre em local seguro.

• Deve ser colocado em ponto estratégico, no suporte próprio, nunca sobre pias.

• Deve-se vedá-lo com fita adesiva e colocá-lo em saco branco leitoso, dar um nó e
encaminhá-lo para o destino final.

CUIDADOS COM O TRANSPORTE DE MATERIAL BIOLÓGICO

• Etiquetar os frascos coletores antes da coleta do material.

• Acondicionar as amostras em saco plástico transparente.

• Colocar o saco com as amostras em caixa térmica para transporte que contenha gelo
reciclável.

• O transporte é de responsabilidade do laboratório executor.

• Adaptado de Técnicas para coleta de sangue/Coordenação Nacional de DST e Aids. 2ª


edição, Brasília: Ministério da Saúde, 1997, Revisão- 2011.

6.2 - Riscos de transmissão

6.2.1 - Risco de transmissão do vírus da imunodeficiência humana

Vários fatores podem interferir no risco de transmissão do HIV. Estudos realizados


estimam, em média, que o risco de transmissão do HIV é de 0,3% (IC 95% = 0.2 – 0.5%) em
acidentes percutâneos e de 0,09 % (IC 95% = 0.006 – 0.5%) após exposições em mucosas.
O risco após exposições envolvendo pele não-íntegra não é precisamente quantificado,

137
Biossegurança

estimando-se que ele seja inferior ao risco das exposições em mucosas.

MATERIAIS BIOLÓGICOS E RISCO DE TRANSMISSÃO DO HIV:

• Sangue, outros materiais contendo sangue, sêmen e secreções vaginais são considerados
materiais biológicos envolvidos na transmissão do HIV. Apesar do sêmen e das
secreções vaginais estarem frequentemente relacionados à transmissão sexual desses
vírus, esses materiais não estarão envolvidos habitualmente nas situações de risco
ocupacional para profissionais de saúde.

• Líquidos de serosas (peritoneal, pleural, pericárdico), líquido amniótico, líquor e


líquido articular são fluidos e secreções corporais potencialmente infectantes. Não
existem, no entanto, estudos epidemiológicos que permitam quantificar os riscos
associados a estes materiais biológicos. Estas exposições devem ser avaliadas de forma
individual, já que, em geral, estes materiais são considerados como de baixo risco para
transmissão viral ocupacional.

• Suor, lágrima, fezes, urina, vômitos, secreções nasais e saliva (exceto em ambientes
odontológicos) são líquidos biológicos sem risco de transmissão ocupacional. Nestes
casos, as profilaxias e o acompanhamento clínico-laboratorial não são necessários. A
presença de sangue nestes líquidos torna-os materiais infectantes.

• Qualquer contato sem barreira de proteção com material concentrado de vírus


(laboratórios de pesquisa, com cultura de vírus e vírus em grandes quantidades) deve
ser considerado uma exposição ocupacional que requer avaliação e acompanhamento.
As estimativas baseiam-se em situações de exposição a sangue; o risco de infecção
associado a outros materiais biológicos é provavelmente inferior. Casos de contaminação
ocupacional pelo HIV podem ser caracterizados como comprovados ou prováveis.
De maneira geral, casos comprovados de contaminação por acidente de trabalho são
definidos como aqueles em que há evidência documentada de soro conversão e sua
demonstração temporal associada a exposição ao vírus.

No momento do acidente, os profissionais apresentam sorologia não reativa, e durante


o acompanhamento se evidencia sorologia reativa. Alguns casos em que a exposição é
inferida (mas não documentada) também podem ser considerados como casos comprovados
de contaminação quando há evidência de homologia da análise sequencial do DNA viral
do paciente-fonte e do profissional de saúde. Casos prováveis de contaminação são aqueles
em que a relação causal entre a exposição e a infecção não pode ser estabelecida porque a
sorologia do profissional acidentado não foi obtida no momento do acidente. Os profissionais
de saúde apresentam infecção e não possuem nenhum risco identificado para infecção
diferente da exposição ocupacional, mas não foi possível a documentação temporal da soro
conversão.

Desde o início da epidemia da aids (1981) até o momento atual, 103 casos comprovados
e 219 casos prováveis de profissionais de saúde contaminados pelo HIV por acidente de
trabalho foram publicados em todo o mundo. Em um estudo caso-controle multicêntrico

138
T É C N I C O

retrospectivo, envolvendo acidentes percutâneos, um risco maior de transmissão esteve


associado às exposições com grande quantidade de sangue do paciente-fonte, cujos
marcadores foram:

a) Dispositivo visivelmente contaminado pelo sangue do paciente;

b) Procedimentos com agulha diretamente inserida em acesso arterial ou venoso; e

c) Lesão profunda. Ficou demonstrado ainda que o uso profilático do AZT


(zidovudina) esteve associado à redução de 81% do risco de soro conversão após
exposição ocupacional (Cardo, D M, 1997).

Este mesmo estudo evidenciou que um risco aumentado de transmissão também


esteve relacionado com exposições envolvendo pacientes com aids em fase terminal, podendo
refletir uma quantidade elevada de vírus ou a presença de outros fatores como, por exemplo,
cepas virais indutoras de sincício.

6.2.2 - Risco de transmissão do vírus da hepatite b

O risco de contaminação pelo vírus da Hepatite B (HBV) está relacionado,


principalmente, ao grau de exposição ao sangue no ambiente de trabalho e também à presença
ou não do antígeno HBeAg no paciente-fonte. Em exposições percutâneas envolvendo
sangue sabidamente infectado pelo HBV e com a presença de HBeAg (o que reflete uma alta
taxa de replicação viral e, portanto, uma maior quantidade de vírus circulante), o risco de
hepatite clínica varia entre 22 a 31% e o da evidência sorológica de infecção de 37 a 62%.
Quando o paciente-fonte apresenta somente a presença de HBsAg (HBeAg negativo), o risco
de hepatite clínica varia de 1 a 6% e o de soro conversão 23 a 37%.

Apesar das exposições percutâneas serem um dos mais eficientes modos de transmissão
do HBV, elas são responsáveis por uma minoria dos casos ocupacionais de hepatite B entre
profissionais de saúde. Em investigações de surtos nosocomiais, a maioria dos profissionais
infectados não relata exposições percutâneas. Mas, em alguns desses estudos, quase 1/3 dos
profissionais se lembram de terem atendido pacientes HBsAg positivo.

Já foi demonstrado que, em temperatura ambiente, o HBV pode sobreviver em


superfícies por períodos de até 1 semana. Portanto, infecções pelo HBV em profissionais
de saúde, sem história de exposição não ocupacional ou acidente percutâneo ocupacional,
podem ser resultado de contato, direto ou indireto, com sangue ou outros materiais biológicos
em áreas de pele não-íntegra, queimaduras ou em mucosas. A possibilidade de transmissão
do HBV a partir do contato com superfícies contaminadas também já foi demonstrada
em investigações de surtos de hepatite B, entre pacientes e profissionais de unidades de
hemodiálise.

O sangue é o material biológico que tem os maiores títulos de HBV e é o principal


responsável pela transmissão do vírus nos serviços de saúde. O HBV também é encontrado

139
Biossegurança

em vários outros materiais biológicos, incluindo leite materno, líquido biliar, líquor, fezes,
secreções nasofaringes, saliva, suor e líquido articular. A maior parte desses materiais biológicos
não é um bom veículo para a transmissão do HBV. As concentrações de partículas infectantes do
HBV são 100 a 1.000 vezes menor do que a concentração de HBsAg nestes fluidos.

6.2.3 - Risco de transmissão do vírus da hepatite c

O vírus da hepatite C (HCV) só é transmitido de forma eficiente através do sangue.


A incidência média de soro conversão, após exposição percutânea com sangue sabidamente
infectado pelo HCV é de 1.8% (variando de 0 a 7%). Um estudo demonstrou que os casos de
contaminações só ocorreram em acidentes envolvendo agulhas com lúmen.

O risco de transmissão em exposições a outros materiais biológicos que não o sangue


não é quantificado, mas considera-se que seja muito baixo. A transmissão do HCV a partir
de exposições em mucosas é extremamente rara. Nenhum caso de contaminação envolvendo
pele não-íntegra foi publicado na literatura. Nos casos de exposição não ocupacional, estima-
se que 30-40% dos casos não têm forma de infecção identificada.

Ao contrário do HBV, dados epidemiológicos sugerem que o risco de transmissão


do HCV, a partir de superfícies contaminadas não é significativo, exceto em serviços de
hemodiálise, onde já foram descritos casos nos quais houve contaminação ambiental e níveis
precários de práticas de controle de infecção.

6.3 - Prevenção da exposição a materiais biológicos

A prevenção da exposição ao sangue ou a outros materiais biológicos é a principal


medida para que não ocorra contaminação por patógenos de transmissão sanguínea nos
serviços de saúde. Precauções básicas ou precauções padrão são normatizações que visam
reduzir a exposição aos materiais biológicos. Essas medidas devem ser utilizadas na
manipulação de artigos médico-hospitalares e na assistência a todos os pacientes, independente
do diagnóstico definido ou presumido de doença infecciosa (HIV/aids, hepatites B e C).

Recomenda-se o uso rotineiro de barreiras de proteção (luvas, capotes, óculos


de proteção ou protetores faciais) quando o contato muco cutâneo com sangue ou outros
materiais biológicos puder ser previsto. Incluem-se ainda as precauções necessárias na
manipulação de agulhas ou outros materiais cortantes, para prevenir exposições percutâneas;
e os cuidados necessários de desinfecção e esterilização na reutilização de instrumentos
usados em procedimentos invasivos.

CUIDADOS COM MATERIAL PERFURO CORTANTE E MATERIAL BIOLÓGICO

AO MANUSEAR PERFURO CORTANTES: agulhas, escalpes, vidrarias, lâminas de


bisturi e outros

140
T É C N I C O

• Ter máxima atenção durante a realização de procedimentos invasivos.

• Jamais utilizar os dedos como anteparo durante a realização de procedimento que


envolva material perfuro cortante.

• Nunca reencapar, entortar, quebrar ou desconectar a agulha da seringa.

• Não utilizar agulhas para fixar papéis.

• Desprezar agulhas, escalpes, lâminas de bisturi e vidrarias, mesmo que estéreis, em


recipiente próprio.

• Não descartar material perfuro cortante em saco de lixo comum, mesmo que seja
branco.

• Usar sapatos fechados (não de tecido) para proteção dos pés em locais úmidos,
com presença de material biológico ou onde haja risco de acidente percutâneo (Ex.:
consultório odontológico, sala de coleta de exames, centro cirúrgico, centro obstétrico,
centro de material e esterilização, pronto-socorro e outros).

Momentos de risco biológico – Procedimentos onde são indicados dispositivos


de segurança. TODOS OS OBJETOS PERFURO CORTANTES DEVEM SER
DESCARTADOS EM RECIPIENTE DE PAREDE RÍGIDA, IMPERMEÁVEL E
CONTER TAMPA.

RECIPIENTE PARA MATERIAL PERFURO CORTANTE

• Deve conter paredes rígidas e impermeáveis e tampa.

• Não deve ser preenchido acima do limite de 2/3 de sua capacidade total.

• Não deve ser deixado no chão, devendo estar sempre em local seguro.

• Deve ser colocado em ponto estratégico, no suporte próprio, nunca sobre pias.

• Deve-se vedá-lo com fita adesiva e colocá-lo em saco branco leitoso, dar um nó e
encaminhá-lo para o destino final.

• Cuidados com o Transporte de Material Biológico

• Etiquetar os frascos coletores antes da coleta do material.

• Acondicionar as amostras em saco plástico transparente.

• Colocar o saco com as amostras em caixa térmica para transporte que contenha
gelo reciclável.

141
Biossegurança

• O transporte é de responsabilidade do laboratório executor.

• Adaptado de Técnicas para coleta de sangue/Coordenação Nacional de DST e Aids. 2ª


edição, Brasília: Ministério da Saúde, 1997, Revisão- 2011.

6.4 - Procedimentos recomendados nos casos de exposição aos materiais biológicos

6.4.1 - Cuidados imediatos com a área de exposição

Recomenda-se como primeira conduta, após a exposição a material biológico, os


cuidados imediatos com a área atingida. Essas medidas incluem a lavagem exaustiva do local
exposto com água e sabão nos casos de exposições percutâneas ou cutâneas. Apesar de não
haver nenhum estudo que demonstre o benefício adicional ao uso do sabão neutro nesses
casos, a utilização de soluções antissépticas degermantes é uma opção. Não há nenhum
estudo que justifique a realização de expressão do local exposto como forma de facilitar o
sangramento espontâneo. Nas exposições de mucosas, deve-se lavar exaustivamente com
água ou com solução salina fisiológica. Procedimentos que aumentam a área exposta (cortes,
injeções locais) e a utilização de soluções irritantes como éter, hipoclorito ou glutaraldeído
são contraindicados.

6.4.2 - Quimioprofilaxia para o HIV

As principais evidências da quimioprofilaxia pós-exposição ocupacional (PEP) dos


medicamentos antirretrovirais na redução da transmissão do HIV estão baseadas em:

• Estudo caso-controle, multicêntrico, envolvendo profissionais de saúde que tiveram


exposições percutâneas com sangue sabidamente infectado pelo HIV (Tabela 1), no
qual o uso do AZT foi associado a um efeito protetor de 81% (IC95% = 43 - 94%);

• Evidências com os protocolos de uso de antirretrovirais para prevenção da transmissão


vertical do HIV sugerindo um efeito protetor com o uso dos medicamentos pós-
exposição;

• Dados de experimentos em animais, principalmente, após as recentes melhorias na


metodologia de inoculação viral.

A quimioprofilaxia pós-exposição ao HIV é complexa, por englobar tanto a falta de


dados mais precisos sobre o risco relativo de diferentes tipos de exposição (p.ex. risco de
lesões superficiais x profundas, agulhas com lúmen x agulhas de sutura, exposição a sangue
x outro material biológico), quanto o risco de toxicidade dos medicamentos antirretrovirais.

142
T É C N I C O

O PROFISSIONAL DE SAÚDE ACIDENTADO DEVERÁ SER INFORMADO QUE:

• O conhecimento sobre a eficácia da PEP é limitado;

• Somente a zidovudina (AZT) demonstrou benefício em estudos humanos;

• Não há evidência de efeito benéfico adicional com a utilização da combinação de


antirretrovirais, mas a sua recomendação baseia-se na possibilidade de maior potência
antirretroviral e cobertura contra vírus resistentes;

• A eficácia da profilaxia não é de 100%. Existem casos documentados de transmissão


mesmo com uso adequado da profilaxia e pacientes-fonte sabidamente infectados pelo
HIV com carga viral indetectável.

• O conhecimento sobre a ocorrência de toxicidade de antirretrovirais em pessoas não


infectadas pelo HIV ainda é limitado; os efeitos adversos são mais conhecidos para
o AZT comparando-se aos outros inibidores da transcriptase reversa análogos de
nucleosídeos (ITRN); e

• É direito do profissional se recusar a realizar a quimioprofilaxia ou outros procedimentos


necessários pós-exposição (como p.ex. coleta de exames sorológicos e laboratoriais).
Nestes casos, porém, deverá assinar um documento (por ex.: prontuário) onde esteja
claramente explicitado que todas as informações foram fornecidas no seu atendimento
sobre os riscos da exposição e os riscos e benefícios da conduta indicada.

• A indicação ou não de PEP (Fluxograma 1) requer a avaliação do risco da exposição,


o que inclui: • A definição do tipo de material biológico envolvido;

• A gravidade e o tipo da exposição;

• A identificação ou não do paciente-fonte e de sua condição sorológica antiHIV;

• As condições clínicas, imunológicas e laboratoriais do paciente-fonte identificado


como infectado pelo HIV/aids.

• Os critérios de gravidade na avaliação do risco do acidente são dependentes do volume


de sangue e da quantidade de vírus presente. Os acidentes mais graves são aqueles que
envolvem:

• Maior volume de sangue, cujos marcadores são: lesões profundas provocadas por
material perfuro cortante, presença de sangue visível no instrumento, acidentes com
agulhas previamente utilizadas na veia ou artéria do paciente-fonte e acidentes com
agulhas de grosso calibre;

• Maior inoculo viral representado por pacientes-fonte com infecção pelo HIV/aids
em estágios avançados da doença ou com infecção aguda pelo HIV, situações que

143
Biossegurança

apresentam viremias elevadas. Estes são exemplos de marcadores para estimar os títulos
virais no paciente-fonte para fins de quimioprofilaxia antirretroviral e não refletem
todas as situações clínicas que podem ser observadas. Apesar de um alto título de HIV
no paciente-fonte ser associado a um maior risco de transmissão, a possibilidade de
transmissão de um paciente com baixa carga viral deve ser considerada, nas exposições
de alto risco.

A quimioprofilaxia deve ser recomendada aos profissionais de saúde que sofreram


exposições com risco significativo de contaminação pelo HIV. Para exposições com menor
risco, a quimioprofilaxia deve ser considerada na presença de altos títulos virais no paciente-
fonte. Observamos que a quimioprofilaxia pode não ser justificada naquelas situações com
risco insignificante de contaminação, nas quais o risco de efeitos tóxicos dos medicamentos
ultrapassa o risco de transmissão do HIV.

Quando indicada, a PEP deverá ser iniciada o mais rápido possível, idealmente, nas
primeiras horas após o acidente. Estudos em animais sugerem que a quimioprofilaxia não é
eficaz, quando iniciada 24 a 48 horas após a exposição. Recomenda-se que o prazo máximo,
para início de PEP, seja de até 72h após o acidente. A duração da quimioprofilaxia é de 28
dias.

Os esquemas preferenciais estabelecidos pelo MS são:

- 2 ITRN -> AZT + 3TC – preferencialmente combinados em um mesmo comprimido

- 2 ITRN + 1 IP Æ AZT + 3TC + NFV ou AZT + 3TC + IDV/r

** ATENÇÃO: A nevirapina é contraindicada como profilaxia antirretroviral


por haver relatos de hepatotoxicidade grave (inclusive com casos de falência hepática
necessitando de transplante) e Síndrome de Stevens-Johnson. O efavirenz deve ser
usado somente em situações excepcionais (exposição grave a paciente-fonte HIV+ com
resistência potencial aos IP) após avaliação de especialistas no tratamento de infecção
pelo HIV/aids. Existe risco de teratogenicidade com EFV; portanto, quando prescrito
para mulheres férteis, deve-se descartar a possibilidade de gravidez.

Doses habitualmente utilizadas na infecção pelo HIV/aids devem ser prescritas nos
esquemas de PEP.

O ESQUEMA PADRÃO DE AZT (ZIDOVUDINA) ASSOCIADO À 3TC


(LAMIVUDINA) ESTÁ INDICADO PARA A MAIORIA DAS EXPOSIÇÕES. O USO
HABITUAL DE AZT + 3TC ESTÁ RELACIONADO:

• Ao fato destes medicamentos existirem combinados em uma mesma cápsula e


permitirem melhor adesão pela facilidade do esquema posológico;

144
T É C N I C O

• Ao efeito profilático da zidovudina descrito no estudo caso-controle em profissionais


de saúde e no ACTG076 (prevenção da transmissão materno-fetal do HIV);

• A lamivudina ser um dos inibidores de transcriptase reversa análogo de nucleosídeo


(ITRN) com menor ocorrência de efeitos adversos. Esquemas expandidos com acréscimo
de um inibidor de protease (IP), preferencialmente o nelfinavir ou o indinavir/r, devem
ser cogitados em situações de alto risco e quando houver possibilidade de resistência
viral.

O objetivo da quimioprofilaxia com os atuais esquemas combinados de antirretrovirais


(2 ou 3 medicamentos) inclui não somente aspectos relacionados com a maior potência
antirretroviral, mas também a uma maior cobertura contra vírus resistentes, já que um
número cada vez maior de pacientes faz uso de antirretrovirais e a transmissão de vírus
resistentes já foi demonstrada em diferentes situações. Não existe, entretanto, nenhum
dado que demonstre que a combinação de drogas seja mais eficaz para profilaxia do que a
zidovudina (ou outros agentes) de forma isolada.

Para a escolha do esquema profilático em exposições envolvendo pacientes-fonte


infectados pelo HIV/aids, deve-se avaliar a história prévia e atual de uso dos antirretrovirais
e os parâmetros que possam sugerir a presença de vírus resistentes como o tratamento
antirretroviral prolongado e a ocorrência, durante o tratamento, de progressão clínica,
aumento de RNA viral, queda dos níveis de linfócitos CD4+ e falta de resposta na troca do
esquema medicamentoso.

Medicamentos antirretrovirais diferentes do esquema padrão podem estar indicados


quando há suspeita de exposição a cepas virais resistentes. Nestes casos, uma avaliação
criteriosa deve ser feita por médicos especialistas na área de infecção pelo HIV/aids (Quadro
1). Se a resistência provavelmente afeta toda uma classe de antirretrovirais, é prudente incluir
uma droga de uma outra classe. Ressalta-se que a falta de um especialista, no momento
imediato do atendimento pós-exposição, não é razão suficiente para retardar o início da
quimioprofilaxia. Nestes casos, recomenda-se o uso dos esquemas habituais (como AZT
+ 3TC + IP) até que o profissional acidentado seja reavaliado quanto à adequação da PEP,
iniciada dentro do prazo ideal de até 72h após a exposição.

O uso de testes de resistência no paciente-fonte, no momento do acidente, não é


factível já que os resultados não estariam disponíveis em tempo hábil (usualmente são 1
a 2 semanas) para auxiliar a escolha da PEP mais adequada. Além disso, nessas situações
não se sabe se a modificação do esquema é necessária ou ainda se irá influenciar o desfecho
da exposição ocupacional. Eventualmente, quando há um teste de resistência recente, esta
informação poderá ser utilizada para escolha da profilaxia a ser oferecida ao profissional
acidentado. A falha da PEP em prevenir a contaminação pelo HIV já foi descrita na literatura
em pelo menos 21 circunstâncias. Em 16 casos, o AZT havia sido usados isoladamente;
em 2 envolveu o uso de AZT com ddI e em 3 casos, mais de três antirretrovirais foram
utilizados. O uso de antirretrovirais pelo paciente-fonte antes da exposição foi descrito em 13
casos. Testes de resistência aos antirretrovirais foram realizados em 7 casos e em 4 o vírus
transmitido apresentava sensibilidade diminuída ao AZT e/ou outras drogas usadas na PEP.

145
Biossegurança

CONDUTA EM EXPOSIÇÕES ENVOLVENDO PACIENTES-FONTE COM


SOROLOGIA ANTIHIV DESCONHECIDA

• Realizar teste antiHIV do paciente-fonte após aconselhamento e autorização – utilizar


testes rápidos quando o resultado da sorologia convencional não puder ser obtido logo
após a exposição

• Avaliar o tipo de exposição

• Avaliar a probabilidade clínica e epidemiológica do paciente-fonte contrair infecção


pelo HIV/aids

• Se indicado, iniciar a PEP o mais precoce possível após a exposição

• Reavaliar o profissional acidentado dentro de 72 horas após a exposição, principalmente


se existe informação adicional sobre a exposição ou do paciente-fonte

– Manter a PEP por 4 semanas nos casos de evidência de infecção pelo HIV (teste
antiHIV positivo)

– Interromper a PEP se o resultado do teste antiHIV do paciente-fonte for negativo - a


possibilidade de soro conversão recente (“janela imunológica”) sem a presença de
sintomas de infecção aguda pelo HIV é extremamente rara. Excepcionalmente,
resultados falso-negativos devem ser considerados diante de dados clínicos e

146
T É C N I C O

epidemiológicos do paciente-fonte sugestivos de infecção pelo HIV/aids (CDC, 2001).

Na escolha da PEP, informações sobre condições subjacentes (como p.ex.


hepatopatias, nefropatias, gestação, amamentação) devem ser investigadas na anamnese do
profissional acidentado. A possibilidade de interações medicamentosas da profilaxia com
outras drogas, que o profissional faça uso regular, também deve ser sempre avaliada (p.ex.
anticonvulsivantes). Em profissionais de saúde do sexo feminino em idade fértil, o risco de
gravidez deve ser indagado, sendo recomendável a realização de testes de gravidez sempre
que houver dúvida. Nos casos excepcionais de uso do EFV, o uso de testes de gravidez é
obrigatório se houver possibilidade de gravidez. Para as profissionais que estão fazendo uso
de anticoncepcionais orais, é importante observar que existe a possibilidade de interação
desses com os inibidores de protease.

O início de PEP em profissionais de saúde grávidas deverá ser decidido em conjunto


com a profissional acidentada e com o médico assistente do pré-natal após avaliação dos
riscos, benefícios e informações sobre a segurança para o feto. A gravidez, entretanto, não
deve ser motivo isolado para deixar de se oferecer a melhor profilaxia relacionada à sua
exposição. Contudo, nos casos de gravidez algumas drogas devem ser evitadas, como o
efavirenz pela ocorrência de efeitos teratogênicos demonstrados em primatas. Casos recentes
de acidose láctica (inclusive fatais) foram relatados em mulheres grávidas tratadas durante
a gestação com d4T + ddI. Assim, estas drogas não devem ser utilizadas em mulheres
grávidas. Deve-se ter cautela com o uso do indinavir pela ocorrência frequente de intolerância
gastrintestinal, nefrolitíase e hiperbilirrubinemia. Profissionais que estiverem amamentando
deverão ser orientadas a suspender o aleitamento durante a quimioprofilaxia antirretroviral,
pela possibilidade de exposição da criança aos antirretrovirais (passagem pelo leite materno)
e também para evitar o risco de transmissão secundária do HIV.

6.4.3 - Quimioprofilaxia para o HBV

A vacinação pré-exposição contra a hepatite B é a principal medida de prevenção


de hepatite B ocupacional entre profissionais de saúde. Idealmente a vacinação deverá ser
feita antes da admissão do profissional (ou estudante, estagiário) nos serviços de saúde. Está
indicada para todos aqueles que podem estar expostos aos materiais biológicos durante suas
atividades, inclusive os que não trabalham diretamente na assistência ao paciente como, por
exemplo, as equipes de higienização e de apoio. Para todos estes profissionais, a vacina está
disponível nas unidades básicas de saúde.

Não é recomendada a sorologia pré-vacinal para definir a vacinação exclusiva de


profissionais não-imunes. Excepcionalmente, em algumas situações pode-se considerar
que a realização da sorologia pré-vacinal tem uma relação custo-efetividade aceitável.
Profissionais que relatam história prévia de hepatite, mas que não sabem informar qual o
tipo viral, devem ser vacinados contra hepatite B. Provavelmente, esses casos se referem à
hepatite A e, portanto, esses profissionais são susceptíveis à infecção por HBV.

A vacina contra hepatite B é extremamente eficaz (90 a 95% de resposta vacinal em

147
Biossegurança

adultos imunocompetentes) e segura. Os efeitos colaterais são raros e, usualmente, pouco


importantes, tais como: dor discreta no local da aplicação (3 a 29%), febre nas primeiras
48-72 horas após a vacinação (1 a 6 %); mais raramente, fenômenos alérgicos relacionados a
alguns componentes da vacina; e anafilaxia (estimativa de 1:600.000 doses). A gravidez e a
lactação não são contraindicações para a utilização da vacina.

O esquema vacinal é composto por uma série de três doses da vacina com intervalos
de zero, um e seis meses. Um a dois meses após a última dose (com intervalo máximo
de 6 meses), o teste sorológico antiHBs pode ser realizado para confirmação da resposta
vacinal (presença de anticorpos protetores com títulos acima de 10 mUI/ml). A imunidade é
prolongada não sendo recomendadas doses de reforço após o esquema vacinal completo em
profissionais imunocompetentes. Observamos ainda que outras vacinas podem ser aplicadas
simultaneamente sem o risco de interferência na produção de anticorpos para as outras
vacinas.

As vacinas contra a hepatite B são constituídas por produtos que contém o antígeno
de superfície HBsAg purificado, obtido por engenharia genética. As doses recomendadas
variam conforme o fabricante do produto utilizado (de 10 a 20mcg de HBsAg/ml para
adultos). Doses maiores são recomendadas para os profissionais de saúde que apresentem
imunodeficiência e para os que têm insuficiência renal e se encontram em programas de
diálise. A aplicação da vacina deverá ser realizada sempre por via intramuscular, em região
de músculo deltóide, isto porque a aplicação em glúteos, comprovadamente, tem menor
eficácia (menor frequência de detecção do antiHBs).

Quando o esquema vacinal for interrompido não há necessidade de recomeçá-lo.


Profissionais que tenham parado o esquema vacinal após a 1ª dose deverão realizar a 2ª dose
logo que possível e a 3ª dose está indicada com um intervalo de pelo menos 2 meses da dose
anterior. Profissionais de saúde, que tenham interrompido o esquema vacinal após a 2ª dose,
deverão realizar a 3ª dose da vacina tão logo seja possível. O aumento de intervalo entre a
2ª e a 3ª doses aumenta o título final de anticorpos. Nos esquemas incompletos de vacinação
recomenda-se a comprovação da resposta vacinal através da solicitação do antiHBs um a
dois meses após a última dose (com intervalo máximo de 6 meses).

Quando não há resposta vacinal adequada após a primeira série de vacinação, grande
parte dos profissionais (até 60%) responderá a uma série adicional de 3 doses. Caso persista
a falta de resposta, não é recomendada uma revacinação. Uma alternativa que deve ser
considerada antes do início da segunda série do esquema vacinal, ou depois da comprovação
de falta de soro conversão com 6 doses da vacina (não respondedor), é a solicitação de
HBsAg, para descartar a possibilidade desses profissionais terem infecção crônica pelo HBV
e que, portanto, não estariam apresentando “resposta vacinal”. O profissional de saúde não
respondedor (sem resposta vacinal a 2 séries com 3 doses cada) deve ser considerado como
susceptível à infecção pelo HBV.

Caso ocorra uma exposição a materiais biológicos com risco conhecido, ou provável,
de infecção pelo HBV, o não respondedor deve utilizar a imunoglobulina hiperimune contra
hepatite B.

148
T É C N I C O

A imunoglobulina hiperimune contra hepatite B (IGHAHB) também deve ser


aplicada por via IM. Ela fornece imunidade provisória por um período de 3 a 6 meses após
a administração. É constituída por mais de 100.000 UI de antiHBs; sendo produzida a partir
de plasma de indivíduos que desenvolvem altos títulos de antiHBs quando são submetidos à
imunização ativa contra a hepatite B. A gravidez e a lactação não são contraindicações para
a utilização da IGHAHB.

Existe maior eficácia na profilaxia pós-exposição quando a imunoglobulina é utilizada


dentro das primeiras 24 a 48 horas após o acidente. Não existe benefício comprovado após
uma semana da exposição.

Efeitos adversos da imunoglobulina são raros e incluem febre, dor no local da


aplicação e excepcionalmente reações alérgicas. A dose recomendada é de 0,06 ml / kg de
peso corporal. Se a dose a ser utilizada ultrapassar 5ml, deve-se dividir a aplicação em duas
áreas corporais diferentes. A vacina e a IGHAHB podem ser administradas simultaneamente,
sendo indicada a aplicação em locais diferentes.

6.4.4 - Medidas relacionadas ao HCV

Não existe nenhuma medida específica eficaz para redução do risco de transmissão
do vírus da hepatite C após exposição ocupacional. Os estudos não comprovaram benefício
profilático com o uso de imunoglobulinas. Dados atualmente disponíveis sugerem que o
interferon só atua efetivamente quando a infecção pelo HCV está estabelecida, parecendo
indicar que não atuariam como profilaxia pós-exposição.

6.4.5 - Considerações sobre o paciente-fonte

O paciente-fonte deverá ser avaliado quanto à infecção pelo HIV, hepatite B e


hepatite C, no momento da ocorrência do acidente. Informações disponíveis no prontuário
sobre resultados de exames laboratoriais, história clínica prévia e diagnóstico de admissão
somente serão considerados, se positivos para determinada infecção (HIV, HBV, HCV).

Se o paciente-fonte é conhecido, mas a informação sobre doença prévia ou situação


sorológica para HIV, HBV, HCV é desconhecida, é preciso orientá-lo sobre a importância da
realização dos exames sorológicos para o profissional de saúde acidentado. O aconselhamento
prévio para realização do exame é necessário. Os exames laboratoriais devem ser colhidos,
preferencialmente, logo após o acidente. Oportunidades perdidas de coleta de amostras podem
ocorrer caso o paciente seja transferido, tenha alta ou evolua para o óbito, por exemplo. Os
resultados dos exames sorológicos devem ser sempre comunicados aos pacientes. Na presença
de qualquer evidência de infecção o paciente deverá ser encaminhado para acompanhamento
clínico-laboratorial.

Se a fonte da exposição não é conhecida ou não pode ser testada, deve-se avaliar
a probabilidade clínica e epidemiológica da infecção pelo HIV, HBV ou HCV. Algumas

149
Biossegurança

situações e tipos de exposição podem sugerir um risco aumentado ou reduzido da transmissão.


Importantes itens a serem considerados são a prevalência da infecção naquela localização,
origem do material (áreas de alto risco como serviços de emergência, centro cirúrgico,
diálise, entre outros) e a gravidade do acidente.

6.4.6 - Acompanhamento clínico-laboratorial após exposição

O acompanhamento clínico-laboratorial deverá ser realizado para todos os profissionais


de saúde acidentados que tenham sido expostos a pacientes-fonte desconhecidos ou pacientes
fonte com infecção pelo HIV e/ou hepatites B e C, independente do uso de quimioprofilaxias
ou imunizações.

É essencial reconhecer, diagnosticar e orientar:

• O surgimento de sintomas e sinais clínicos relacionados a possíveis soro conversões


(síndrome de mononucleose, hepatite aguda) e as complicações relacionadas às
contaminações (p.ex. insuficiência hepática, alterações neurológicas na infecção aguda
pelo HIV);

• As toxicidades medicamentosas ou efeitos adversos associados às imunizações, que


podem exigir o uso de medicamentos sintomáticos com a finalidade de manter a
profilaxia durante a duração prevista;

• A adesão às profilaxias indicadas, adequando-se, sempre que possível, os medicamentos


aos horários compatíveis com as atividades diárias do profissional; a não-adesão pode
ser resultado da falta de compreensão da prescrição e/ou da falta de informação sobre
as consequências da interrupção das profilaxias;

• Os aspectos psicossociais relacionados ao acidente de trabalho, como a síndrome da


desordem pós-traumática com reações de medo, angústia, ansiedade, depressão, e
reações somáticas como fadiga, cefaleia, insônia, pesadelos, anorexia, náuseas;

• A prevenção secundária das infecções durante o período de acompanhamento através


do uso de preservativos durante as relações sexuais; do não compartilhamento de
seringas e agulhas nos casos de uso de drogas injetáveis; da contraindicação da doação
de sangue, órgãos ou esperma e a importância de se evitar a gravidez, bem como a
discussão sobre a necessidade ou não de interrupção da amamentação.

O acompanhamento laboratorial do profissional de saúde acidentado deverá avaliar


possíveis toxicidades medicamentosas e condições sorológicas através da realização de:

• Exames laboratoriais específicos às profilaxias iniciadas (p.ex. hemograma, testes de


função hepática e glicemia);

• Exames sorológicos que devem ser sempre colhidos em dois momentos: a) no

150
T É C N I C O

momento do acidente com a finalidade de descartar que o profissional acidentado


não apresentasse, previamente, infecção por quaisquer desses vírus; e b) durante
todo o acompanhamento após exposições envolvendo pacientes-fonte infectados pelo
HIV, pelos vírus das hepatites B e C ou acidentes envolvendo fontes desconhecidas.
Exposições que envolvem pacientes-fonte com sorologias negativas não necessitam
da testagem sorológica inicial e do acompanhamento clínico-laboratorial – a testagem
inicial pode ser realizada nos casos em que haja interesse do profissional em conhecer
sua condição sorológica para estas infecções;

• Teste de gravidez para profissionais de saúde em idade fértil que desconhecem ou


relatam a possibilidade de gravidez.

6.4.7 - Registro de ocorrência do acidente de trabalho

Os acidentes de trabalho deverão ter um protocolo de registro com informações sobre


avaliação, aconselhamento, tratamento e acompanhamento de exposições ocupacionais que
envolvam patógenos de transmissão sanguínea.

Condições do acidente

• Data e horário da ocorrência

• Avaliação do tipo de exposição e gravidade

• Área corporal do profissional atingida no acidente

• Tipo, quantidade de material biológico e tempo de contato envolvidos na exposição

• Utilização ou não de EPI pelo profissional de saúde no momento do acidente

• Causa e descrição do acidente

• Local do serviço de saúde de ocorrência do acidente

• Detalhe do procedimento realizado no momento da exposição, incluindo tipo e marca


do artigo médico-hospitalar utilizado

Dados do paciente-fonte

• História clínica e epidemiológica

• Resultados de exames sorológicos e/ou virológicos

151
Biossegurança

• Infecção pelo HIV/aids - estágio da infecção, histórico de tratamento antirretroviral,


carga viral, teste de resistência.

Dados do profissional de saúde

• Identificação

• Ocupação

• Idade

• Datas de coleta e os resultados dos exames laboratoriais

• Uso ou não de profilaxia antirretroviral o Reações adversas ocorridas com a utilização


de antirretrovirais

• Uso ou não de imunoglobulina hiperimune e vacina para hepatite B e possíveis efeitos


adversos

• Uso de medicação imunossupressora ou história de doença imunossupressora

• Histórico de imunizações – hepatite B, resposta vacinal

• A recusa do profissional acidentado para a realização de testes sorológicos ou para o


uso das quimioprofilaxias específicas deve ser registrada e atestada pelo profissional.
Condutas indicadas após o acidente, acompanhamento clínico-epidemiológico
planejado e o responsável pela condução do caso

• Aconselhamento, manejo pós-exposição

• O Formulário específico de comunicação de acidente de trabalho deve ser preenchido


para devido encaminhamento.

6.4.8 - Orientações legais quanto à legislação trabalhista

Apesar de serem regimes jurídicos diferenciados que regem a categoria dos


trabalhadores públicos e privados, em ambas as codificações, há necessidade de ser feita a
comunicação do acidente de trabalho, sendo que para a legislação privada essa comunicação
deverá ser feita em 24h, por meio de formulário denominado CAT – Comunicação de
Acidente de Trabalho. O Regime Jurídico Único (RJU) dos funcionários da União, Lei no
8.112/90, regula o acidente de trabalho nos artigos 211 a 214, sendo que o fato classificado
como acidente de trabalho deverá ser comunicado até 10 (dez) dias após o ocorrido. Os
funcionários dos Estados e dos Municípios devem observar Regimes Jurídicos Únicos que
lhes são específicos.

152
T É C N I C O

Os medicamentos para a quimioprofilaxia, a vacina para hepatite B e a imunoglobulina


hiperimune para hepatite B devem ser disponibilizados pelos locais de trabalho públicos ou
privados. Essa é uma exigência amparada pela Legislação Trabalhista Brasileira no âmbito 37
da iniciativa privada (Consolidação das Leis Trabalhistas e suas Normas Regulamentadoras),
assim como pelo artigo 213 da RJU da União. As unidades hospitalares do setor privado
deverão ter os medicamentos de PEP e a vacina para hepatite B adquiridos sob suas expensas.

6.4.9 - Tuberculose

Alguns estudos nacionais têm demonstrado que, além do risco de infecção, o risco
de adoecimento entre profissionais da área da saúde é superior ao da população em geral.
Portanto, é fundamental que medidas de prevenção sejam adotadas nas unidades de saúde
para minimizar o problema. Dessa forma, medidas de controle da transmissão da tuberculose
são propostas pela OMS para que sejam adotadas nas Unidades de Saúde cujo ambiente
proporcione elevado risco de infecção pelo bacilo da tuberculose, transmissão de paciente
para paciente ou de paciente para profissional (FUNASA, 2002).

RECOMENDAÇÕES PARA O ATENDIMENTO DE PACIENTES COM TB

Unidades Ambulatoriais

Medidas administrativas

• Implantação da busca ativa na unidade e organização do fluxo de atendimento interno


dos pacientes suspeitos e dos já confirmados;

• Recepção de casos já diagnosticados em outras unidades, agilização e organização do


fluxo de atendimento;

• Organização da coleta e do fluxo de exames e de resultados. Não esquecer de colher a


primeira amostra no próprio serviço, no momento em que se faz a suspeição;

• Educação em saúde dos clientes - uso de lenço de papel ou máscara cirúrgica;

• Escalonamento de horários ou dias de atendimento, agendamento de consultas,


diminuir espera e aglomeração;

• Agendamento de forma diferenciada dos pacientes sabidamente multirresistentes;

• Treinamento continuado de toda a equipe: (recepcionistas, vigias, pessoal da limpeza


e o corpo técnico).

153
Biossegurança

Medidas de Controle Ambiental

• Escolha de salas adequadas quanto à ventilação e iluminação para atendimento dos


pacientes suspeitos ou com tuberculose confirmada;

• Disposição dos móveis favorecendo a dispersão do ar contaminado para o meio exterior;

• Janelas abertas;

• É recomendada instalação de exaustores ou filtros HEPA, conforme a área física, o


número e tipo de atendimento. Por exemplo, em unidades de referência para pacientes
multirresistentes; Item

• Quando necessário, reforma ou construção.

Medidas de Proteção Respiratória

• Em serviços ambulatoriais recomenda-se o uso de máscara N95 por funcionários:


responsáveis por procedimentos indutores de tosse em pacientes suspeitos de
tuberculose ou tratamento com pentamidina inalatória; que atendem pacientes
sabidamente multirresistentes durante todo o período de permanência do profissional
no consultório.

• Em serviços com grande concentração de doentes novos bacilíferos discute-se o uso


da máscara nestes atendimentos. Porém, essa indicação não é consensual, visto que é
sabido que os doentes sem tratamento são a maior fonte, além do fato que, após a saída
do doente do consultório, os bacilos ali permanecem em suspensão. Discute-se ainda,
que a máscara possa ser um fator que estimule no paciente o sentimento de rejeição,
que poderia facilitar o abandono, piorando o controle da doença, com consequente
aumento de cepas multirresistentes.

Serviços de Emergência

Medidas Administrativas Relativas à Identificação do Doente Busca Ativa de


Tuberculose:

No ingresso do paciente, identificar se: a) o doente tem tuberculose pulmonar


comprovada; b) é fortemente suspeito; c) é fracamente suspeito; d) não apresenta tosse. Em
serviços de grande porte, sugere-se a proposta TSN, criada pelo Instituto de Infectologia
Emílio Ribas na qual, no pronto-socorro, o paciente é classificado como T (bacilífero), S+
(fortemente suspeito), S- (fracamente suspeito) e N (sem tuberculose).

• Isolar em salas separadas os doentes T, S+ e S- e cuidar para que não permaneçam


nos corredores;

• Disponibilizar baciloscopias de escarro em caráter de urgência (4 horas);

154
T É C N I C O

• Estabelecer fluxos e instrumentos de encaminhamento para garantir que o paciente


diagnosticado chegue a outros serviços de saúde encarregados do seu seguimento.
Manter a listagem dos pacientes, respectivos endereços, telefones e locais para onde
foram encaminhados;

• Notificar os casos de tuberculose à vigilância epidemiológica. Os casos suspeitos


devem ser encaminhados para elucidação, tendo-se o cuidado de registrar os dados
pessoais do paciente para posterior localização.

• Relativas aos Funcionários:

• Manter registro e estatística de profissionais de saúde que adoecerem de tuberculose e


dos seus contatos.

• Treinar os funcionários novos e oferecer treinamento continuado para todos os


funcionários.

• Realizar discussões periódicas de casos com a equipe encarregada e apresentar, de


forma periódica, vídeos e outros materiais educativos.

Medidas de Controle Ambiental

São basicamente as que se aplicam aos serviços ambulatoriais e dependem do tipo de


serviço, características e quantidade da demanda. Essas medidas são:

• Evitar a recirculação do ar;

• Manter a ventilação com um mínimo de 6 a 12 trocas de ar por hora;

• Em áreas (consultórios) com grande número de atendimentos de tuberculose e/ou


referências para tuberculose multirresistente, a ventilação deve acontecer de dentro
para fora da unidade (local onde não tenha fluxo de clientes/pacientes). Outra forma de
promover a ventilação é a instalação de sistemas de exaustão, filtros HEPA e construção
ou reformas dos setores de atendimento para cumprir os requisitos de biossegurança.

Medidas de Proteção Respiratória

Recomenda-se o uso de MÁSCARAS APROPRIADAS a cada situação

Profissionais de saúde devem usar máscaras N95:

• Ao efetuar procedimentos indutores de tosse em pacientes suspeitos de tuberculose


(como inalações, tratamento com pentamidina);

• Ao entrar em enfermarias onde haja pacientes com tuberculose em fase bacilífera;

155
Biossegurança

• No transporte de pacientes bacilíferos em ambulâncias ou demais veículos fechados;

• No atendimento de pacientes sabidamente multirresistentes. - Paciente com tuberculose


bacilífera:

• Deve usar máscara cirúrgica comum ao circular pelos setores do hospital

• Proteger a boca e o nariz com lenços de papel, ou papel toalha ao tossirem.

- Laboratórios devem cumprir o Manual de Normas para Laboratórios do


Ministério da Saúde.

• Procedimentos Geradores de Tosse ou com Risco de Produção de Gotículas contendo


o Bacilo de Koch Procedimentos como o uso da pentamidina inalatória, broncoscopia,
bronco aspiração e irrigação de abscesso tuberculoso são indutores de tosse.

As medidas de proteção recomendadas são:

• Os procedimentos geradores de tosse devem ter indicação precisa e serem restritos a


casos absolutamente necessários. Evitar o uso de pentamidina por via inalatória em
doentes HIV+;

• Manter na sala um paciente por vez quando da realização desses procedimentos;

• A sala deve ser bastante ventilada e, para uma nova utilização, deve-se esperar que a
ventilação remova 99% dos contaminantes do ar;

• Uso de máscara N95 pelos funcionários;

• Manter o paciente na sala após a realização do procedimento enquanto estiver com


tosse. Instruí-lo a cobrir a boca e o nariz com um lenço de papel.

Rotina para Proteção de Profissionais de Saúde

O risco de infecção tuberculosa em profissionais de saúde depende do setor de


trabalho e do tempo de exposição. Salas de inalação para utilização de pentamidina e
outros procedimentos indutores de tosse oferecem maior risco do que áreas essencialmente
administrativas. Para a proteção, devem ser incluídas todas as categorias profissionais da
área.

O adoecimento dependerá da capacidade imunológica da pessoa. Portanto,


funcionários soropositivos para o vírus HIV ou portadores de outras imunodeficiências
estarão sujeitos a um risco maior. O tratamento efetivo tem uma alta eficácia, exceto em
casos multirresistentes.

Recomenda-se que, na admissão, o profissional de saúde seja informado e

156
T É C N I C O

periodicamente treinado sobre a tuberculose, principalmente aqueles que habitualmente


atendem os pacientes com TB. Todos os profissionais de saúde devem ser submetidos a
exame médico admissional, prova tuberculínica (PT) e pesquisa de sintomas respiratórios.
Posteriormente, prosseguir com a avaliação periódica dos sintomáticos respiratórios (SR).

7 - GERENCIAMENTO DO DESCARTE DE RESÍDUOS, FLUÍDOS,


AGENTES BIOLÓGICOS, FÍSICOS, QUÍMICOS E RADIOATIVOS

7.1 - Resíduos Sólidos

Resíduos sólidos e lixo são termos utilizados indistintamente por autores de


publicações, mas na linguagem cotidiana o termo resíduo é muito pouco utilizado. Na
linguagem corrente, o termo lixo é usualmente utilizado para designar tudo aquilo que
não tem mais utilidade, enquanto resíduo é mais utilizado para designar sobra (refugo) do
beneficiamento de produtos industrializados.

A Resolução CONAMA no 005/1993 define resíduos sólidos como: resíduos nos


estados sólido e semissólido que resultam de atividades de origem industrial, doméstica,
hospitalar, comercial, agrícola e de serviços de varrição. Ficam incluídos nesta definição os
lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e
instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades
tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para
isso soluções técnica e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível.

Classificação:

De acordo com IPT/Cempre (2000), os resíduos sólidos podem ser classificados de


várias formas:

1) por sua natureza física: seco ou molhado;

2) por sua composição química: matéria orgânica e matéria inorgânica;

3) pelos riscos potenciais ao meio ambiente; e

4) quanto à origem.

No entanto, as normas e resoluções existentes classificam os resíduos sólidos em


função dos riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde, como também, em função da
natureza e origem. Com relação aos riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública a

157
Biossegurança

NBR 10.004/2004 classifica os resíduos sólidos em duas classes: classe I e classe II.

Os resíduos classe I, denominados como perigosos, são aqueles que, em função de


suas propriedades físicas, químicas ou biológicas, podem apresentar riscos à saúde e ao
meio ambiente. São caracterizados por possuírem uma ou mais das seguintes propriedades:
inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenecidade.

Os resíduos classe II denominados não perigosos são subdivididos em duas classes:


classe II-A e classe II-B. Os resíduos classe II-A - não inertes podem ter as seguintes
propriedades: biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água. Os resíduos
classe II-B - inertes não apresentam nenhum de seus constituintes solubilizados a
concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, com exceção dos aspectos
cor, turbidez, dureza e sabor.

Com relação a origem e natureza, os resíduos sólidos são classificados em: domiciliar,
comercial, varrição e feiras livres, serviços de saúde, portos, aeroportos e terminais
rodoviários e ferroviários, industriais, agrícolas e resíduos de construção civil. Com relação
à responsabilidade pelo gerenciamento dos resíduos sólidos pode-se agrupá-los em dois
grandes grupos.

O primeiro grupo refere-se aos resíduos sólidos urbanos, compreendido pelos:

• Resíduos domésticos ou residenciais;

• Resíduos comerciais;

• Resíduos públicos.

• O segundo grupo, dos resíduos de fontes especiais, abrange:

• Resíduos industriais;

• Resíduos da construção civil;

• Rejeitos radioativos;

• Resíduos de portos, aeroportos e terminais rodoferroviários;

• Resíduos agrícolas;

• Resíduos de serviços de saúde.

O sistema de limpeza urbana dos municípios é composto pelos serviços de coleta,


tratamento e disposição final dos resíduos sólidos urbanos. Incluem os serviços de varrição e
capina das ruas, desobstrução de bueiros, poda de árvores, lavagem de ruas após feiras livres e
demais atividades necessárias à manutenção da cidade, sob o aspecto de limpeza e organização.

158
T É C N I C O

No Brasil, as formas de disposição final são usualmente designadas como lixão ou


vazadouro a céu aberto, aterros controlados e aterros sanitários.

7.2 - Resíduos do serviço de saúde

Os resíduos de serviços de saúde são aqueles gerados em hospitais, clínicas,


ambulatórios, UBS(s) e similares. Apresentam como principal característica o potencial de
estarem contaminados com agentes patogênicos

A maioria dos trabalhos realizados em unidades de saúde (assistência aos pacientes)


gera resíduos com potencial de contaminação, quando seu destino for inadequado ocorre o
risco da contaminação do solo e dos lençóis freáticos (lixões e aterros ilegais), prejudicando
o meio ambiente.

Os profissionais envolvidos nos serviços de saúde estão expostos a maior risco do que
a população em geral, pois suas atividades rotineiras envolvem a manipulação dos RSS. A
consequência desta manipulação inadequada expõe estes profissionais a riscos ocupacionais
desde a equipe de limpeza, coletores de lixos, a aqueles que trabalham em aterros sanitários
não controlados.

O manejo dos resíduos infectantes gera um potencial de risco em dois níveis: na


saúde ocupacional e no meio ambiente, pois expõe a situações de risco o gerador destes
resíduos, os manipuladores e a saúde pública em geral.

A enfermagem, hoje, com seu campo de atividade ampliado, atende a assistência


individual, familiar e comunitária, que apresenta estreitas relações com a saúde ambiental.
Pode, dentre outras ações, identificar populações submetidas a riscos ambientais, atuar
na educação ambiental da comunidade, contribuir no aperfeiçoamento do conhecimento
científico do tema e transformá-lo em políticas públicas.

No campo da infecção hospitalar nas duas últimas décadas e, considerando aumento


do volume de Resíduo Sólidos de Serviços de Saúde, tornou-se necessário a realização de
legislações envolvendo os Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente.

7.2.1 - Classificação

De acordo com a RDC ANVISA no 306/04 e Resolução CONAMA no 358/05, os


RSS são classificados em cinco grupos: A, B, C, D e E.

Grupo A - engloba os componentes com possível presença de agentes biológicos que,


por suas características de maior virulência ou concentração, podem apresentar risco
de infecção. Exemplos: placas e lâminas de laboratório, carcaças, peças anatômicas
(membros), tecidos, bolsas transfusionais contendo sangue, dentre outras.

159
Biossegurança

Grupo B - contém substâncias químicas que podem apresentar risco à saúde pública
ou ao meio ambiente, dependendo de suas características de inflamabilidade,
corrosividade, reatividade e toxicidade. Exemplo: medicamentos apreendidos,
reagentes de laboratório, resíduos contendo metais pesados, dentre outros.

Grupo C - quaisquer materiais resultantes de atividades humanas que contenham


radionuclídeos em quantidades superiores aos limites de eliminação especificados
nas normas da Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN, como, por exemplo,
serviços de medicina nuclear e radioterapia etc.

Grupo D - não apresentam risco biológico, químico ou radiológico à saúde ou ao


meio ambiente, podendo ser equiparados aos resíduos domiciliares. Ex: sobras de
alimentos e do preparo de alimentos, resíduos das áreas administrativas etc.

Grupo E - materiais perfuro cortantes ou escarificantes, tais como lâminas de


barbear, agulhas, ampolas de vidro, pontas diamantadas, lâminas de bisturi, lancetas,
espátulas e outros similares.

Fonte: Google

160
T É C N I C O

7.2.2 - Riscos potenciais

Os resíduos do serviço de saúde ocupam um lugar de destaque pois merecem atenção


especial em todas as suas fases de manejo (segregação, condicionamento, armazenamento,
coleta, transporte, tratamento e disposição final) em decorrência dos imediatos e graves riscos
que podem oferecer, por apresentarem componentes químicos, biológicos e radioativos.

Para a comunidade científica e entre os órgãos federais responsáveis pela definição


das políticas públicas pelos resíduos de serviços saúde (ANVISA e CONAMA) esses
resíduos representam um potencial de risco em duas situações: a) para a saúde ocupacional
de quem manipula esse tipo de resíduo, seja o pessoal ligado à assistência médica ou médico-
veterinária, seja o pessoal ligado ao setor de limpeza e manutenção; b) para o meio ambiente,
como decorrência da destinação inadequada de qualquer tipo de resíduo, alterando as
características do meio.

7.2.3 - Legislação referentes aos Resíduos dos Serviços de Saúde

Embora a responsabilidade direta pelos RSS seja dos estabelecimentos de serviços


de saúde, por serem os geradores, pelo princípio da responsabilidade compartilhada, ela se
estende a outros atores: ao poder público e às empresas de coleta, tratamento e disposição
final. A Constituição Federal, em seu artigo 30, estabelece como competência dos municípios
“organizar e prestar, diretamente ou sob o regime de concessão ou permissão, os serviços
públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo que tem caráter essencial”.

No que concerne aos aspectos de biossegurança e prevenção de acidentes - preservando


a saúde e o meio ambiente - compete à ANVISA, ao Ministério do Meio Ambiente, ao
SISNAMA, com apoio das Vigilâncias Sanitárias dos estados, dos municípios e do Distrito
Federal, bem como aos órgãos de meio ambiente regionais, de limpeza urbana e da Comissão
Nacional de Energia Nuclear - CNEN: regulamentar o correto gerenciamento dos RSS,
orientar e fiscalizar o cumprimento desta regulamentação.

7.2.4 - Procedimentos recomendados para o acondicionamento RSS

Acondicionamento de RSS do grupo A

Os sacos para acondicionamento dos resíduos do grupo A devem estar contidos em


recipientes de material lavável, resistente à punctura, ruptura e vazamento, impermeável,
com tampa provida de Sistema de abertura sem contato manual, com cantos arredondados.
Devem ser resistentes a tombamento e respeitados os limites de peso de cada invólucro.
Os sacos devem estar identificados com simbologia da substância infectante. É proibido o
esvaziamento dos sacos ou seu reaproveitamento.

Os resíduos do grupo A que necessitam de tratamento, devem ser inicialmente


acondicionados de maneira compatível com o processo de tratamento a ser utilizado. Os

161
Biossegurança

resíduos dos grupos A1, A2 e A5 devem ser acondicionados após o tratamento, da seguinte
forma: Havendo descaracterização física das estruturas, podem ser acondicionados como
resíduos do grupo D; Se não houver descaracterização física das estruturas, devem ser
acondicionados em saco branco leitoso.

7.2.5 - Acondicionamento de RSS do grupo B

Substâncias perigosas (corrosivas, reativas, tóxicas, explosivas e inflamáveis). Devem


ser acondicionados com base nas recomendações específicas do fabricante para acondicioná-
los e descartá-los. Elas se encontram nas etiquetas de cada produto. Resíduos sólidos –
Devem ser acondicionados em recipientes de material rígido, adequados para cada tipo de
substância química, respeitadas as suas características físico-químicas e seu estado físico,
devendo ser identificados de acordo com suas especificações.

Acondicionamento de RSS do grupo D Resíduos com características semelhantes


aos domiciliares – devem ser acondicionados em sacos impermeáveis, de acordo com as
orientações dos serviços locais de limpeza urbana. Os cadáveres de animais devem ter
acondicionamento e transporte diferenciados, de acordo com o porte do animal, desde que
submetidos à aprovação pelo órgão de limpeza urbana, responsável direto ou coordenador
das etapas de coleta, transporte e disposição final.

Acondicionamento de RSS do grupo E Para os resíduos cortantes ou perfurantes, o


pré-acondicionamento deve ser em recipiente rígido, estanque, resistente à punctura, ruptura
e vazamento, impermeável, com tampa, contendo a simbologia da substância. Os materiais
perfuro cortantes (PC) devem ser acondicionados separadamente, no local de sua geração,
imediatamente após o uso. É expressamente proibido o esvaziamento desses recipientes para
o seu reaproveitamento. É proibido reencapar ou proceder a retirada manual das agulhas
descartáveis.

Os recipientes que acondicionam os PC devem ser descartados quando o preenchimento


atingir 2/3 de sua capacidade ou o nível de preenchimento ficar a 5 cm de distância da boca
do recipiente, sendo proibido o seu esvaziamento e reaproveitamento. Quando o gerador de
RSS produzir material perfuro cortante dos grupos A e B, poderá ser utilizado um único
recipiente de acondicionamento na unidade geradora, sendo que, para o descarte, deverá
ser considerado o resíduo de maior risco. Os resíduos do grupo E, gerados pelos serviços
de assistência domiciliar, devem ser acondicionados e recolhidos pelos próprios agentes de
atendimento, ou por pessoa treinada para a atividade, recolhidos pelo serviço de assistência
domiciliar, responsável pelo gerenciamento desses resíduos

162
T É C N I C O

Fonte: Anvisa

163
Biossegurança

7.2.6 - Destinação dos RSS

A partir a geração dos resíduos, são segregados, acondicionados e identificados em


sacos plásticos dispostos em lixeiras.

A coleta interna é representada pela retirada dos resíduos das lixeiras, momento em
que os sacos contendo os resíduos são lacrados e encaminhados até o abrigo temporário
ou sala de resíduos; há que se destacar que estabelecimentos de saúde que não são grandes
geradores, como as unidades básicas de saúde, não necessitam de armazenamento interno,
devido a menor quantidade de resíduos gerados.

Em seguida, os resíduos serão transportados até o abrigo externo. Os resíduos


permanecem no armazenamento externo até a coleta externa, que é realizada por caminhões
que transportam os resíduos para o tratamento e destinação final (Brasil, 2002b).

Coleta externa: consiste na remoção dos RSS do abrigo de resíduos (armazenamento


externo) até a unidade de tratamento ou disposição final, pela utilização de técnicas que
garantam a preservação das condições de acondicionamento e a integridade dos trabalhadores,
da população e do meio ambiente. Deve estar de acordo com as regulamentações dos órgãos
de limpeza urbana.

8 - REFERÊNCIAS

● ASSOCIATION FOR PRO FESSIONA LS IN INFECTION CONTROL AND EPIDE


MILOGY. APIC position paper: prevention of device mediated blood born infections to
health care workers. Am. J. Infect. Control., [S.l.], v. 26, n. 6, p. 578-580, 1998.

● BELTRAMI, E. M. et al. Risk and management of blood-born infections in health


care workers. Clin. Microbiol. Rev., [S.l.], v. 13, n. 3, p. 385-407, 2000.

● BINSFELD, P. C. Biossegurança em biotecnologia. Rio de Janeiro: Interciência,


2004. 367 p.

● BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA-ANVISA.


Higienização das mãos em serviços de saúde/ Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
– Brasília : Anvisa, 2007.

● BRASIL. Portaria nº 3.214 de 08 de junho de 1978 Aprova a Norma

164
T É C N I C O

● Regulamentadora NR - 6. Equipamento de Proteção Individual - EPI.

● Atualizada pela Portaria SIT n.º 194, de 07 de dezembro de 2010. Ministério

● do trabalho e Emprego.Brasília,2010.

● BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Biossegurança em saúde : prioridades e


estratégias de ação / Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde. –
Brasília : Ministério da Saúde, 2010.

● BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Agência Nacional de Vigilância Sanitária.


Manual de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde / Ministério da Saúde, Agência
Nacional de Vigilância Sanitária. – Brasília : Ministério da Saúde, 2006.

● BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Recomendações para atendimento e


acompanhamento de exposição ocupacional a material biológico: HIV e Hepatites
B e C. Programa Nacional DST/Aids– Secretaria de Vigilância em Saúde e Programa
Nacional para a Prevenção e o Controle das Hepatites virais- Departamento de Vigilância
Epidemiológica -Secretaria de Vigilância em Saúde. Brasília, 2004.

● BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE - FUNASA. Controle da tuberculose: uma


proposta de integração ensino-serviço. 5ª. ed. Rio de Janeiro: 2000.

● CARDO DM, CULVER DH, CIESIELSKI CA, et al. A case–control study of HIV
seroconversion in health care workers after percutaneous exposure. N Engl J Med 1997;
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● MONTEIRO, A. L. C.; RUIZ, E. A. C.; PAZ, R. B. Recomendações e condutas após


exposição ocupacional de profissionais de saúde. Boletim Epidemiológico – CRT/ AIDS
– CVE, São Paulo, ano XVII, n. 1, jul. 1999.

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