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Eng° José Silva

Perito Judicial
MTE Nº 72/12345-0 – CREA SP Nº 1234567890
josé.silva@hotmail.com

LAUDO PERICIAL

Processo nº 001173-77.2017.5.15.0113
Origem: 5ª Vara do trabalho da Comarca de Ribeirão Preto
Autor: MOISES FRANCISCO NUNES
Réus: LATINA MANUTENCAO DE RODOVIAS LTDA
AUTOVIAS S/A
ARTERIS S.A
Sumário
1. IDENTIFICAÇÃO ...................................................................................................................... 3
2. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES ................................................................................... 3
3. DILIGÊNCIA .............................................................................................................................. 4
4. ATIVIDADE E LOCAL DE TRABALHO ................................................................................ 4
5. AGENTES INSALUBRES ....................................................................................................... 5
6. AGENTES PERICULOSOS.................................................................................................... 8
7. EPIs ............................................................................................................................................ 9
8. RESPOSTA AOS QUESITOS APRESENTADOS .............................................................. 9
9. CONCLUSÃO ......................................................................................................................... 14
1. IDENTIFICAÇÃO

Processo nº 001173-77.2017.5.15.0113
Origem: 5ª Vara do trabalho da Comarca de Ribeirão Preto
Objeto: Perícia Técnica (Insalubridade e/ou Periculosidade)
Autor: MOISES FRANCISCO NUNES
Réus: LATINA MANUTENCAO DE RODOVIAS LTDA
AUTOVIAS S/A
ARTERIS S.A
Assistentes técnicos do(s) reclamante(s): não indicado
Assistentes técnicos da(s) reclamada(s): José Ernesto da Costa Carvalho de Jesus
Everaldo Carlos de Campos
Antônio Luiz Gama Castro

2. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES
O objetivo deste laudo é transcrever as informações obtidas e as observações feitas
durante a perícia realizada em
LATINA MANUTENÇÃO DE RODOVIAS LTDA
Avenida Thomaz Alberto Whately, n. 5205, Jardim Jóquei Clube, Ribeirão Preto,
SP
Onde verificamos o local, atividades e condições de trabalho do reclamante avaliando
de acordo com o disposto na Lei no 6.514, de 22 de dezembro de 1977 e Normas
Regulamentadoras (NR) aprovadas pela Portaria no 3.214 do Ministério do Trabalho
de 08 de junho de 1978, se este faz jus aos adicionais de periculosidade e/ou
insalubridade requisitados no período em que exerceu suas atividades na reclamada.
Alega o reclamante que “(...)durante o período contratual, o reclamante manteve
contato permanente com agentes nocivos a sua saúde, sobretudo, por estar exposto
a agentes físicos e químicos acima do limite de tolerância existentes no ambiente de
trabalho.
Além do ruído excessivo, o reclamante sempre trabalhou em ambiente externo onde
havia enorme carga solar, além do limite permitido (...)”
Alega a reclamada que “(...)não procedem as alegações do Reclamante. Isso porque
o mesmo no exercício de suas funções sempre dispunha de Equipamentos de
Proteção Individual aptos a inibir qualquer risco à sua saúde(...)
3. DILIGÊNCIA
A perícia ocorreu conforme anunciada previamente às partes no dia 07/08/2018, a
partir das 13:00 na sede da reclamada, sito à Avenida Thomaz Alberto Whately, n.
5205, Jardim Jóquei Clube, Ribeirão Preto, SP.
Estiveram presentes e acompanharam a perícia:
O reclamante, Sr. Moises Francisco Nunes e seu defensor, Dr. Rodrigo Eugenio
Zanirato
Da parte da reclamada, os assistentes técnicos Sr. José Ernesto da Costa Carvalho
de Jesus, Engenheiro de Segurança e Higienista Ocupacional, Sr. Everaldo Carlos
de Campos, Engenheiro de Segurança do Trabalho e Sr. Antônio Luiz Gama Castro,
Engenheiro de Segurança do Trabalho, além do Sr. Nelson Freitas Souza, Gerente
de RH da primeira reclamada e o Dr. Ricardo De Arruda Soares Volpon, defensor da
reclamada.
O Sr. Luiz Sérgio Silva, Topógrafo da reclamada, paradigma.

A perícia iniciou-se dentro da unidade da reclamada, porém após alegação do


reclamante de que ali não seria possível medir os níveis de ruído e calor a que ele
era exposto, optou-se, sem posição contrária de nenhuma das partes e por sugestão
do próprio reclamante, por nos deslocarmos até o km 313,5 da rodovia Anhanguera,
localizado a cerca de 500 metros da sede da reclamada.

4. ATIVIDADE E LOCAL DE TRABALHO


Conforme apurado, o reclamante desempenhava as funções de auxiliar de topografia
e de nivelador, realizando marcação de níveis de terreno para recape e ampliação
rodoviária, utilizando-se de instrumentos topográficos e geotécnicos. A atividade é
realizada ao tempo, próximo às rodovias a serem mantidas/modificadas.

Foto 4.1 – Foto do paradigma realizando a atividade


Conforme apurado pelo perito com base nos relatos do reclamante e do paradigma,
a atividade consiste na marcação de diversos pontos ao longo da rodovia onde o
reclamante estende o tripé com o equipamento ao tempo, realiza a marcação e anota
os valores emitidos pelo equipamento em uma prancheta. Esta atividade dura cerca
de 30 minutos por ponto marcado, cuja quantidade varia conforme a extensão das
obras, podendo chegar a 10 pontos ao dia. O deslocamento entre os pontos é feito a
pé, caminhando e carregando os equipamentos. Durante este período o reclamante
fica exposto ao sol. Após as marcações feitas, o reclamante alega que se dirigia
também caminhando ao escritório provisório montado no trecho em obras onde
realizava os cálculos necessários e repassava os dados e resultados obtidos aos
engenheiros responsáveis pela execução da obra.

5. AGENTES INSALUBRES
A CLT considera em seu artigo 189 que ”Serão consideradas atividades ou operações
insalubres aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho,
exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância
fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição
aos seus efeitos” e em seu artigo 190 “O Ministério do Trabalho aprovará o quadro
das atividades e operações insalubres e adotará normas sobre os critérios de
caracterização da insalubridade, os limites de tolerância aos agentes agressivos,
meios de proteção e o tempo máximo de exposição do empregado a esses agentes.”
A NR-15 – “Atividades e Operações Insalubres” – aprovadas pela Portaria nº
3.214/78, destaca a metodologia a ser empregada nas avaliações de insalubridade.
Os agentes insalubres descritos nessa norma, que apresentam limites de tolerância
são os agentes físicos previstos nos anexos 1, 2, 3 e 5, e os agentes químicos nos
anexos 11 e 12, agentes que quando detectados, para o enquadramento da atividade
insalubre torna-se necessária avaliação quantitativa para verificação se estes
encontram-se acima dos limites de tolerância. Também temos os agentes físicos
previstos nos anexos 7, 8, 9 e 10, comprovados através de inspeção do local de
trabalho e das atividades mencionadas no anexo 6, além das atividades mencionadas
que exponham os trabalhadores a agentes químicos previstos no anexo 13 e a
agentes biológicos previstos no anexo 14, constatados através de avaliação
qualitativa.
5.1. AGENTES QUÍMICOS
Nas atividades do reclamante não constatamos exposição permanente a agentes
químicos previstos nos Anexos 11, 12 e 13 da NR-15 capazes de caracterizar
insalubridade em suas atividades.
5.2. AGENTES BIOLÓGICOS
Nas atividades do reclamante não constatamos exposição permanente a agentes
biológicos previstos nos Anexos 14 da NR-15 capazes de caracterizar insalubridade
em suas atividades.
5.3. AGENTES FÍSICOS
5.3.1. AVALIAÇÃO PARA RUÍDO CONTÍNUO OU INTERMITENTE (ANEXO
1 DA NR-15)
Realizamos a avaliação dos níveis de ruído com uso de dosímetro marca CRIFFER,
modelo Sonus-2, cuja última calibração havia sido realizada em 25/05/18 por
laboratório acreditado pelo INMETRO e cadastrado à RBC (Rede Brasileira de
Calibração). As medições foram efetuadas na altura da zona auditiva do trabalhador
exposto (paradigma). O critério adotado foi o dB(A), isto é, equipamento operando no
circuito de compensação “A” e circuito de resposta lenta (SLOW), para ruído contínuo
e intermitente, conforme prescreve o Anexo 1 da NR-15”.
O valor apurado foi de 80,40 dB.
Também foi avaliado o ruído a que o reclamante ficava exposto dentro do escritório
enquanto executa os cálculos e repassava os dados aos engenheiros da obra. O valor
apurado foi de 71,2dB.
Conforme o item 6 do anexo 1 da NR-15, “se durante a jornada de trabalho ocorrerem
dois ou mais períodos de exposição a ruído de diferentes níveis, devem ser
considerados os seus efeitos combinados, de forma que, se a soma das seguintes
frações:
𝐶1 𝐶2 𝐶3 𝐶𝑛
+ + +⋯
𝑇1 𝑇2 𝑇3 𝑇𝑛
exceder a unidade, a exposição estará acima do limite de tolerância.
Na equação acima, Cn indica o tempo total que o trabalhador fica exposto a um nível
de ruído específico, e Tn indica a máxima exposição diária permissível a este nível,
segundo o Quadro deste Anexo.”.
Como apurado em entrevista com o reclamante e o paradigma, eles chegam a
executar até 10 medições de aproximadamente 30 minutos, ou seja, 300 minutos que
correspondem a 6 horas. As duas horas restantes eles passam dentro do escritório
temporário montado ao lado da rodovia.
Portanto:
6 2
+ = 0,40625
16 64

Ainda de acordo com a NR-15 – Atividades e Operações Insalubres– Anexo no 1 –


Limites de Tolerância para ruído contínuo ou intermitente, em seu item 3 “os tempos
de exposição aos níveis de ruído não devem exceder os limites de tolerância fixados
no quadro deste Anexo”, levando-se em consideração as medidas de ordem geral
que conservem o ambiente dentro dos limites de tolerância ou a utilização de
equipamentos de proteção individual que neutralizem a insalubridade.
NÍVEL DE RUÍDO MÁXIMA EXPOSIÇÃO DIÁRIA
DB (A) PERMISSÍVEL
85 8 horas
86 7 horas
87 6 horas
Quadro 5.3.1.1 – Extrato do quadro dos limites de tolerância para ruído contínuo ou
intermitente do Anexo 1 da NR-15

Vale reforçar o disposto na NR-9:


9.3.6.1 Para os fins desta NR, considera-se nível de ação o valor acima do qual devem
ser iniciadas ações preventivas de forma a minimizar a probabilidade de que as
exposições a agentes ambientais ultrapassem os limites de exposição. As ações
devem incluir o monitoramento periódico da exposição, a informação aos
trabalhadores e o controle médico.
9.3.6.2 Deverão ser objeto de controle sistemático as situações que apresentem
exposição ocupacional acima dos níveis de ação, conforme indicado nas alíneas que
seguem:
a) para agentes químicos, a metade dos limites de exposição ocupacional
considerados de acordo com a alínea "c" do subitem 9.3.5.1;
b) para o ruído, a dose de 0,5 (dose superior a 50%), conforme critério estabelecido
na NR-15, Anexo I, item 6.
5.3.2. AVALIAÇÃO PARA EXPOSIÇÃO AO CALOR
O reclamante não trabalhava exposto a fontes artificiais de calor, as suas atividades
eram preponderantemente executadas a céu aberto, exposta a radiação solar.
Conforme o item 1 do Anexo 3 da NR-15, o método para avaliação da exposição ao
calor em ambientes externos sob carga solar a ser utilizado é o IBUTG (Índice de
Bulbo Úmido – Termômetro de Globo) através da equação abaixo:

𝐼𝐵𝑈𝑇𝐺 = 0,7𝑇𝐵𝑁 + 0,1𝑇𝐵𝑆 + 0,2𝑇𝐺

A avalição do agente calor, IBUTG, foi realizada com termômetro de globo digital,
marca CRIFFER, modelo Protemp-4, composto de termômetros de globo (TG), de
bulbo úmido natural (TBN) e de bulbo seco (TBS) e calibrado em 10/04/18 por
laboratório acreditado pelo INMETRO e cadastrado à RBC (Rede Brasileira de
Calibração).
No anexo 3 da NR-15 as avaliações devem considerar o período mais desfavorável
do ciclo de trabalho em 60 minutos corridos. O instrumento foi ligado às 14 horas para
estabilização das temperaturas e horário da avaliação foi as 14h:30min.
Local avaliado TBN TG TBS IBUTG
Campo adjacente à Rodovia Anhanguera 25,2 46,5 33,8 30,3
Quadro 5.3.2.1 – Valores medidos e resultado do cálculo de IBUTG
Conforme o quadro 1 do anexo 3 da NR15, o valor máximo de IBUTG para uma
atividade leve em regime contínuo é de 30,0, portanto o valor obtido está acima do
limite de tolerância.

REGIME DE TRABALHO
INTERMITENTE COM DESCANSO NO
LEVE MODERADA PESADA
PRÓPRIO LOCAL DE TRABALHO
(por hora)
Trabalho contínuo até 30,0 até 26,7 até 25,0
45 minutos trabalho
30,1 a 30,5 26,8 a 28,0 25,1 a 25,9
15 minutos descanso
30 minutos trabalho
30,7 a 31,4 28,1 a 29,4 26,0 a 27,9
30 minutos descanso
15 minutos trabalho
31,5 a 32,2 29,5 a 31,1 28,0 a 30,0
45 minutos descanso
Não é permitido o trabalho, sem a
acima de
adoção de acima de 32,2 acima de 31,1
30,0
medidas adequadas de controle
Quadro 5.3.2.2 – IBUTG máximo por regime de trabalho
5.3.3. OUTROS AGENTES INSALUBRES
O perito não encontrou evidências ou condições de exposição a ruído de impacto,
radiações ionizantes ou não ionizantes, condições hiperbáricas, vibração, frio,
umidade ou qualquer outro agente insalubre.

6. AGENTES PERICULOSOS
A periculosidade é definida no art. 193 da CLT: “São consideradas atividades e
operações perigosas, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do
trabalho, aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem o contato
permanente com:
I - Inflamáveis, explosivos ou energia elétrica;
II - Roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de
segurança pessoal ou patrimonial.”
Além destes pontos, a NR-16 destaca em seu artigo 1 que:
16.1 São consideradas atividades e operações perigosas as constantes dos Anexos
desta Norma Regulamentadora – NR
Até o fechamento deste laudo, os anexos constantes da NR-16 eram 6:
Anexo 1 – Atividades e Operações Perigosas com Explosivos;
Anexo 2 – Atividades e Operações Perigosas com Inflamáveis;
Anexo 3 – Atividades e Operações Perigosas com Exposição a Roubos ou Outras
Espécies de Violência Física (...);
Anexo 4 – Atividades e Operações Perigosas com Energia Elétrica;
Anexo 5 – Atividades Perigosas em Motocicleta e
Anexo (sem número) – Atividades e Operações Perigosas com radiações Ionizantes
ou Substâncias Radioativas.
Considera o perito, portanto, que o reclamante não esteve exposto a nenhuma
atividade periculosa.

7. EPIs
O item 6.6.1 da NR 06 declara que:
6.6.1 Cabe ao empregador quanto ao EPI:
a) adquirir o adequado ao risco de cada atividade;
b) exigir seu uso;
c) fornecer ao trabalhador somente o aprovado pelo órgão nacional competente
em matéria de segurança e saúde no trabalho;
d) orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e conservação;
e) substituir imediatamente, quando danificado ou extraviado;
f) responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica;
g) comunicar ao MTE qualquer irregularidade observada.
h) registrar o seu fornecimento ao trabalhador, podendo ser adotados livros,
fichas ou sistema eletrônico.
O perito observou que foram juntadas aos autos cópias das fichas de entrega de EPI
pela reclamada, porém também notou que dentre todas as fichas há um único registro
de entrega de protetor auricular, além de não ter sido encontrada evidência de
orientação de uso ou treinamentos obre o uso dos EPIs ao reclamante. Também não
foram identificados os números CA (Certificado de Aprovação) de alguns EPIs
entregues ao reclamante.

8. RESPOSTA AOS QUESITOS APRESENTADOS


8.1. QUESITOS APRESENTADOS PELO RECLAMANTE
1 – A reclamada fornecia EPIs ao autor? Em caso positivo, qual ou quais?
Resposta: Sim, a reclamada fornecia EPIs ao reclamante. Foram fornecidos:
bota/botina, luva, colete refletivo, óculos de proteção, protetor auricular tipo plug,
cinto de segurança, talabarte, além de protetor solar, capa de chuva, bonés,
chapéus, toucas, camisas, calças e blusas de frio (uniforme).
2 – A ré apresentou ficha de entregas de EPIs ao autor nos autos? Consta do
processo referido documento?
Resposta: Sim
3 – Caso tenham apresentado a ficha de entrega de EPIs, a ré apresentou
juntamente com a mesma as notas fiscais de compra dos EPIs?
Resposta: Não, não foram apresentadas as notas fiscais de compra.
4 – Foram observadas as datas de validade dos EPIs fornecidos? Foram
substituídos nos períodos corretos?
Resposta: Esta avaliação está prejudicada porque não foram apresentadas as
notas fiscais e alguns EPIs nas fichas não contem o CA.
5 – O autor estava exposto a agentes nocivos, como poeira, ruído, calor, etc.?
Favor discriminar os agentes nocivos aos quais o laborista estava exposto.
Resposta: Sim, o reclamante estava exposto a ruído e calor.
6 – Ele permanecia durante quanto tempo em ambiente externo diariamente? Nas
rodovias?
Resposta: Conforme levantado pelo perito junto ao reclamante e ao paradigma,
aproximadamente 6 horas diárias.
7 – No caso de exposição ao agente ruído, a quantos decibéis o autor estava
exposto?
Resposta: O Reclamante estava exposto a uma dose diária de aproximadamente
80,4 dB
8 – São locais de grande fluxo de veículos de menor porte e caminhões / ônibus?
Resposta: Sim, a rodovia citada pelo reclamante e onde foi realizada a perícia é
um dos principais acessos ao interior do estado, sento trafegada por um grande
fluxo de veículos de todos os portes.
9 – A aferição do ruído foi realizada durante o tráfego de veículos? Durante
quantos minutos?
Resposta: A medição da dose ocorreu durante o tráfego de veículos, por
aproximadamente 2 horas.
10 – Foi realizada avaliação do agente calor?
Resposta: Sim
11 – A avaliação do agente calor, IBTUG, foi realizada com qual aparelho?
Resposta: A avaliação foi realizada com termômetro de globo digital, marca
CRIFFER, modelo Protemp-4, composto de termômetros de globo (TG), de bulbo
úmido natural (TBN) e de bulbo seco (TBS), calibrado em 10/04/18 por laboratório
acreditado pelo INMETRO e cadastrado à RBC (Rede Brasileira de Calibração).
12 – Qual o horário ou horários de avaliação?
Resposta: A medição tomou início aproximadamente às 14:30.
13 – Qual o valor / índice de avaliação?
Resposta: O valor de IBUTG obtido foi de 30,3.
14 – Nos demais meses é possível especificar o valor obtido?
Resposta: Não é possível especificar o valor em outros períodos ao longo do ano
sem efetuar novas medições.

8.2. QUESITOS APRSENTADOS PELA RECLAMADA


1. Descreva o Senhor Perito, quais as funções, locais de trabalho e atividades
exercidas pelo Reclamante durante o período imprescrito em que laborou para
a 1ª Reclamada.
Resposta: Conforme apurado, o reclamante desempenhava as funções de
auxiliar de topografia e de nivelador, realizando marcação de níveis de terreno
para recape e ampliação rodoviária, utilizando-se de instrumentos topográficos e
geotécnicos. A atividade é realizada ao tempo, próximo às rodovias a serem
mantidas/modificadas.
Conforme apurado pelo perito com base nos relatos do reclamante e do
paradigma, a atividade consiste na marcação de diversos pontos ao longo da
rodovia onde o reclamante estende o tripé com o equipamento ao tempo, realiza
a marcação e anota os valores emitidos pelo equipamento em uma prancheta.
Esta atividade dura cerca de 30 minutos por ponto marcado, cuja quantidade varia
conforme a extensão das obras, podendo chegar a 10 pontos ao dia. O
deslocamento entre os pontos é feito a pé, caminhando e carregando os
equipamentos. Durante este período o reclamante fica exposto ao sol. Após as
marcações feitas, o reclamante alega que se dirigia também caminhando ao
escritório provisório montado no trecho em obras onde realizava os cálculos
necessários e repassava os dados e resultados obtidos aos engenheiros
responsáveis pela execução da obra.
2. Esclareça o Senhor Perito, se o Reclamante no desenvolvimento de suas
atividades, encontrava-se exposto a agentes nocivos à sua saúde, indicando
se for o caso, quais eram esses agentes.
Resposta: Conforme os anexos 1 e 3 da NR-15, o reclamante trabalhava exposto
ao ruído e ao calor.
3. No caso da exposição a agentes agressivos, informe detalhadamente o Senhor
Perito, de que forma e como se davam essas exposições.
Resposta: O reclamante ficava exposto ao ruído dos veículos que transitavam
pela rodovia durante a execução de suas atividades e ao calor da exposição ao
sol por trabalhar a céu aberto.
4. Ainda no caso da exposição a agentes agressivos, esclareça o Senhor Perito,
quais os resultados e critérios utilizados nas avaliações desses agentes.
Resposta: Para a avaliação de ruído foi seguido o disposto no anexo 1 da NR-15,
utilizando um dosímetro já descrito afixado à lapela do paradigma durante o
transcorrer da perícia (aproximadamente 2 horas em ambiente externo e 30
minutos em escritório) obtendo-se o valor de 80,4dB enquanto em área externa e
71,2dB enquanto no escritório. Para a avaliação de calor, foi seguida a orientação
do anexo 3 da NR-15 e utilizado um termômetro de globo digital, composto de
termômetros de globo, de bulbo úmido natural e de bulbo seco. O instrumento foi
ligado e aguardou-se cerca de 30 minutos até a completa estabilização de seus
valores para só então capturá-los, obtendo o valor de IBUTG de 30,3.
5. Diga o Senhor Perito, se os valores quantitativos registrados nas avaliações
de tais agentes estão acima ou abaixo dos limites de tolerância previstos nos
Anexos da NR15 da Portaria n º 3.214/78.
Resposta: Para a avaliação de ruído, os valores apresentam-se abaixo dos limites
de tolerância previstos no anexo 1 da NR-15, e para a avaliação de calor, o valor
encontra-se acima do limite de tolerância especificado no anexo 3 da NR-15.
6. Ainda no caso da exposição a agentes agressivos, informe o Senhor Perito,
por quanto tempo, durante as jornadas de trabalho, o Reclamante ficava
efetivamente exposto a esses agentes.
Resposta: O reclamante ficava exposto aos agentes insalubres por
aproximadamente 6 horas durante sua jornada.
7. Esclareça o Perito, se antes da entrada em vigor da Portaria n°3.214/78, a
Portaria MTPS n°491 de 10/09/65, determinava que a caracterização de
insalubridade por calor ficasse restrita aos ambientes com fontes artificiais de
calor.
Resposta: A Portaria MTPS 491 (10/09/65), anterior à portaria 3.214/78, que
instituiu as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho, determinava
que a caracterização da insalubridade por calor ficasse restrita aos ambientes com
fontes artificiais, não levando em consideração a radiação solar.
O Anexo 3 da NR-15 (Portaria 3.214/78), não especifica se a fonte de calor deve
ser artificial ou natural.
A O.J. 173 da SDI-1 do TST, publicada inicialmente em 08 de novembro de 2000,
tinha a seguinte redação:
"173. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. RAIOS SOLARES. INDEVIDO. Em face
da ausência de previsão legal, indevido o adicional de insalubridade ao
trabalhador em atividade a céu aberto (art. 195 CLT e NR 15 MTb Anexo 7)."
A nova redação da O.J. 173 da SDI-1 do TST, diz o seguinte:
"ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. ATIVIDADE A CÉU ABERTO. EXPOSIÇÃO
AO SOL E AO CALOR. (redação alterada na sessão do Tribunal Pleno realizada
em 14.09.2012 - Res. 186/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27/09/2012): I -
Ausente previsão legal, indevido adicional de insalubridade ao trabalhador em
atividade a céu aberto, por sujeição a radiação solar (art. 195 da CLT e Anexo 7
da NR- 15 da Portaria nº 3.214/78 do MTE. II - Tem direito ao adicional de
insalubridade o trabalhador que exerce atividade exposto ao calor acima dos
limites de tolerância, inclusive em ambiente externo com carga solar, nas
condições previstas no Anexo 3 da NR-15 da Portaria nº 3.214/78 do MTE.
Vale ressaltar que a portaria 491/65 foi revogada pelo artigo 3º da portaria
3214/78.
8. Informe o Perito, se a legislação previdenciária reconhece o direito da
aposentadoria especial, para os trabalhadores expostos ao calor proveniente
de fontes naturais (radiação solar).
Resposta: A legislação previdenciária não reconhece o direito à aposentadoria
especial.
9. Baseado nas respostas aos quesitos anteriores, considerando ainda toda a
variabilidade possível (dias frios, quentes, sol, sombra, áreas cobertas por
nuvens etc.) é possível afirmar que a exposição ao calor proveniente de fonte
natural, não tem embasamento técnico?
Resposta: Pelo contrário, a exposição ao calor proveniente de fonte natural tem
total embasamento técnico, amparada pelo anexo 3 da NR-15 da Portaria nº
3.214/78 do MTE através da avaliação quantitativa para ambientes externos com
carga solar e pela nova redação da O.J. 173 da SDI-1 do TST.
10. Informe o Senhor Perito, quais os equipamentos de proteção individual o
Reclamante utilizava para o desenvolvimento das suas atividades na 1ª
Reclamada.
Resposta: O reclamante utilizava bota/botina, luva, colete refletivo, óculos de
proteção, cinto de segurança, talabarte, além de protetor solar, capa de chuva,
boné, chapéu, touca, camisa, calça e blusa de frio (uniforme).
11. Informe o Senhor Perito, se foi realizada vistoria “in loco” e entrevistados
paradigmas? Em caso de resposta afirmativa: Quais os nomes, funções e
tempo de trabalho dos paradigmas entrevistados? Quais os Equipamentos de
Proteção Individual utilizados pelos paradigmas?
Resposta: Sim, foi realizada vistoria “in loco” com os presentes na ocasião da
perícia contando inclusive com um paradigma trazido pela reclamada. O
paradigma era o Sr. Luiz Sérgio Silva, topógrafo com 8 anos a trabalho na
reclamada e 22 anos de experiência na função. Na ocasião o paradigma utilizava
o uniforme da empresa, colete refletivo, bota de segurança e capacete.
12. Queira o Senhor Perito prestar os esclarecimentos que entenda necessário à
solução da contenda.
Resposta: Todos os esclarecimentos necessários já estão descritos no decorrer
do laudo.

9. CONCLUSÃO
Conforme a vistoria realizada pelo perito, foi constatado que o limite de tolerância
para exposição ao calor está sendo extrapolado, tornando a atividade do reclamante
insalubre em grau médio.
Quanto à exposição ao ruído, a perícia considera a atividade salubre, mas recomenda
que a reclamada forneça protetores auriculares para os trabalhadores atendendo ao
disposto nos itens 9.3.6.1 e 9.3.6.2 da NR-9.
Não foi constatada exposição a quaisquer outros agentes insalubres ou periculosos.
O perito põe-se à disposição das partes para esclarecimentos e quesitos
suplementares.

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