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METODOLOGIAS DE PLANEJAMENTO AMBIENTAL

Por: Luis Sadeck

Os estudos ambientais sugiram, aproximadamente, nas três ultimas décadas, por


causa do aumento dramático da competição por terras, água, recursos energéticos e
biológicos, isso gerou a necessidade de organizar o uso da terra, de compatibilizar esse
uso com a proteção de ambientes ameaçados e de melhorar a qualidade de vida da
sociedade. Impôs-se como resposta adversa ao desenvolvimento tecnológico, puramente
materialista, buscando o desenvolvimento como um bem-estar humano, segundo as
orientações do desenvolvimento sustentável.
A grande parte das metodologias de Planejamento Ambiental são organizadas
dentro de uma estrutura que envolve pesquisa, análise e síntese. As pesquisas,
geralmente buscam reunir e organizar as informações prévias do ambiente, com seus
acertos e conflitos, que seriam os inventários tanto físicos quanto sociais, que são
engestados em bancos de dados constituindo a fase de análises, dando origem aos
diagnósticos e prognósticos chegando assim, a fase de síntese, que aplica os
conhecimentos alcançados para apontar caminhos sustentáveis para um destino mais
adequado e ambientalmente estável de um espaço.
O Planejamento Ambiental não possui definição muito precisa, ora se
confunde com o próprio Planejamento territorial, ora é uma extensão de
outros planejamentos setoriais mais conhecidos (urbanos, institucionais
e administrativos), que foram acrescidos da consideração “ambiental“
(...). Planejamento Ambiental consiste em um grupo de metodologias e
procedimentos para avaliar as conseqüências ambientais de uma ação
proposta e identificar possíveis alternativas a esta ação (linha de
demanda); ou um conjunto de metodologias e procedimentos que
avaliam as contraposições entre as aptidões e usos dos territórios a
serem planejados (linha de oferta). (ALMEIDA et al. 1993, p. 26)

Com o avanço das tecnologias da informação (Micro Computadores, GPS,


Satélites, Radar, Internet e outros) o processo informacional se tornou uma das
principais ferramentas utilizadas no planejamento ambiental-territorial, uma vez que
esses instrumentos permitem a integração de informações coletadas de diversas fontes,
podendo ser cruzadas, interpoladas para obtenção dos resultados (potencial agrícola,
risco ambiental, zoneamentos, etc.) facilitando a tomada de decisão.
É importante elucidar que todos esses modelos de ordenamento territorial
utilizam geotecnologias como instrumentos na gestão do território em micro e macro
escalas. Inicialmente é importante saber que as geotecnologias partem, segundo Rocha
(2002), principalmente da investigação – visualizações, de processos naturais em
campo, visando estabelecer relações dos processos naturais com processos e estruturas
sociais, tendo por objetivo diagnosticar e prognosticar riscos e potencialidades
ambientais em relação à sociedade.

Os Principais Métodos de Planejamento Ambiental

Método de Lewis

O método de Lewis surge com o objetivo de identificar, conservar, proteger e


realçar os valores intrínsecos mais enfáticos e conseguir que os fatores antrópicos se
desenvolvessem harmoniosamente com os recursos naturais. Para isso, esse estudo
deveria dar uma solução negativa, ou seja, teria que dizer onde não se deve fazer uso
para atividades, ao invés de localizar as áreas de potencial uso.
Essa metodologia foi criada em um estreito espaço de tempo para efetivação do
trabalho e, portanto para agilizá-lo, Lewis concluiu que era vantajoso diferenciar os
recursos mais importantes, ou seja, os maiores, como (superfície de água ou drenagem,
terras úmidas ou áreas alagáveis e topografia notável ou terras firmes) dos recursos
sujeito a mudanças, adaptações ou acréscimos humanos como, por exemplo, cidade
antiga, grutas e locais de banho.
No decorrer do projeto, Lewis visualizou nos mapas produzidos estruturas
contínuas que davam a idéia de um corredor ambiental, dando assim origem ao termo
que hoje é muito difundido nos estudos ambientais. Essa proposição, segundo Almeida
(1993), é de extrema importância pelas seguintes razoes:
- è uma estrutura geográfica facilmente compreensível pelo público, e isto é
básico, dado o objetivo protetor do trabalho de Lewis.
- o traçado dos recursos maiores determina a grande maioria dos recursos
ambientais da região em estudo, o que proporciona grande economia de verbas para a
análise do cenário geral.
- é no corredor onde se concentram as medidas de proteção e as atividades
ligadas ao passeio e lazer, enquanto as atividades humanas que suponham alterações
haveriam de situar-se fora do corredor.
- permite somar as forças dos diferentes grupos que possam estar interessados
em um ou em vários recursos que coexistem no corredor.
A implantação de um corredor ambiental necessita de um planejamento regional.
O primeiro passo para implementar um corredor se resume em identificar as áreas
prioritárias para a conservação. Com esse objetivo, são realizados workshops regionais,
eventos que reúnam vários especialistas nas regiões a serem conservadas. O segundo
passo é envolver no projeto de conservação diversos setores da sociedade e do governo,
como proprietários rurais, universidades, empresas privadas, comunidades tradicionais,
etc.

Método de Steinitz

Carl Steinitz foi pesquisador da universidade de Harvard onde junto com seus
colaboradores desenvolveu pesquisas sobre diferentes modelos matemáticos e técnicas
para automatizar as respostas aos problemas de incorporação dos dados do meio físico
ao planejamento territorial. Esse processo se dá mediante o auxílio de ordenadores, o
que permite uma grande capacidade e rapidez no tratamento dos dados.
Seu mais famoso trabalho, o programa Ingrid, foi o que proporcionou ao sistema
computacional uma dinâmica maior. Esse sistema se apóia no inventário do meio físico
e seu arquivo, previamente codificado e “georreferenciado” em um banco de dados,
legível por identificador (ID), sendo assim, é feito o estabelecimento das atividades
potenciais que têm em conta as possibilidades da área de estudo, as necessidades
existentes e a orientação do planejamento.
As análises desenvolvidas com este método tem como resultado a determinação
da capacidade e da vulnerabilidade do território para cada uma das unidades, sendo
apresentado em forma de mapas de capacidade e vulnerabilidade, esses dados são
implementados com dados sociais, político e econômico, dando origem à primeira
proposta a ser avaliada de forma automática. Como resultado dessa avaliação, os
resultados obtidos podem ser corrigidos, a fim de se aproximar mais dos objetivos
perseguidos, de aumentar a capacidade e diminuir o impacto.
O Ingrid permite que os mapas de capacidade possam ser alterados conforme
incorporação de novas informações ao banco de dados, pois este fica aberto a novas e
diversas informações.
Figura 01: Demonstração do processo de analise ambiental desenvolvido por Steinitz
Fonte: http://envs6108.blogspot.com/2005/11/carl-steinitz-framework-for-landscape.html Acessado em
18/08/2007

Método de Hillis

A metodologia empregada por A.G. Hills, para dar respostas ao departamento


florestal do Governo do Canadá, pode ser resumido em uma classificação do solo em
unidades homogêneas e uma avaliação do potencial das unidades para usos múltiplos,
alternativos ou combinados, sob vários níveis e condições de ordenação.
Esse método divide a área total de estudo consecutivamente, em unidades cada
vez menores, tendo como referencia para isso o gradiente escalar de fatores climáticos e
de formas externas do solo, após esse processo, é elaborado uma lista de usos para o
espaço em foco. Quando a área exige maior detalhe, dividem-se os usos em tipos
fisiográficos e em seguida determina-se o uso potencial, em termos de capacidade de
uso, adequação de uso e viabilidade de uso.
Durante este processo, agrupam-se os tipos fisiográficos que tem características
morfológicas similares, dando origem as unidades de paisagem. Para cada uma delas,
recomenda-se o uso principal ou co-principal, tendo por fim a representação dos
resultados em forma de mapas que representam os usos recomendados para cada
unidade de paisagem.
Método de Lynch

Kevin Lynch promoveu diversas contribuições ao campo urbanístico através de


pesquisas empíricas em como os indivíduos observam, percebem e transitam no espaço
urbano. Sua metodologia de planejamento fundamenta-se nos sistemas de interação
entre os organismos e o seu entorno. A inovação de Lynch está em levar em
consideração dados como equilíbrio ecológico, singularidade do local e qualidades
intangíveis, que não eram levados em consideração nos planejamentos territoriais.
O tipo de planejamento proposto por Lynch é mais voltado para áreas urbanas e
sendo assim, foca suas forças em dispor ou adaptar o meio ambiente físico externo para
acolher as atuações humanas.
Para tanto, os dados de saída que vão dar suporte à tomada de decisões sobre o
arranjo espacial da cidade são os mapas básicos superpostos com diversos temas,
utilizando procedimentos automáticos de classificação numérica ou de forma manual
com transparências, fazendo simultaneamente um levantamento sobre os usuários do
local, suas necessidades, valores de comportamento e outros.
O mais interessante desse método são os movimentos cíclicos das análises para
aperfeiçoar a definição dos objetivos, facilitando a resolução de conflitos espaço-
temporal podendo obter um bom design urbano.
Figura 02: Mapa elaborado por Lynch através de sua metodologia para identificação
dos problemas da cidade de Boston
Fonte: http://www.csiss.org/classics/content/62 Acessado em 18/08/2007

Método de Johns

A proposta metodológica de Johns faz uma releitura sintética das outras


metodologias já apresentadas, nesse modelo complexo inclui-se a capacidade intrínseca
do território e um estudo de impacto produzido pelos diferentes planos de atuação sobre
esse território.
O desenvolvimento dessa metodologia passa pelo levantamento de dados do
meio ambiente, ou seja, um inventário descritivo dos fatores naturais, culturais, sociais
ou econômicos, que são inseridos num banco de dados para posterior análise, como já
havia sido proposto por Steinitz.
Debruçados sobre o banco de dados do inventário analisavam a capacidade, a
viabilidade e a adequação de uso do território. De posse dos resultados podia-se gerar
distintas soluções que eram submetidas a uma análise de impacto. Tendo essa
informação e sabendo os objetivos a alcançar, fazia-se, das respostas encontradas
revisões e reciclagens até reduzir o impacto a um nível aceitável, de acordo com os
objetivos.
Método de Mcharg

Uma das metodologias mais brilhantes da década de 1960 e que até hoje pode
ser encontrada nas mais variadas aplicações é o método de Ian Mcharg, que era segundo
Almeida (1993), especialmente preocupado pelo modo como os processos biológicos
deveriam ser reconhecidos como critérios restritivos e orientadores no planejamento
regional.
O método em questão, parte de uma descrição ecológica, que é mais do que
somente um inventário de paisagens, pois trata dos processos de interação entre as
unidades, avaliando as possibilidades de ordenação e planificação e suas conseqüências
sobre o meio ambiente.
Segundo Cersósimo (2006) esse método é essencialmente baseado em análise
espacial com utilização de variáveis sócio-ambientais que são classificadas como
restrições ou fatores de aptidão, integradas numa única escala de valores, com pesos
diferenciados em função da relação do empreendimento com cada variável.
O desenvolvimento desse método utiliza sistemas gráficos de sobreposição de
mapas de recursos naturais e culturismo, mapas de capacidade intrínseca e mapas de
capacidade combinada. Para se chegar a esses resultados Mcharg cria três matrizes: a
primeira identifica todos os usos do solo pretendidos e cruza cada uso com todos os
outros para determinar compatibilidades ou incompatibilidades; a outra matriz faz
referencia aos recursos necessários para cada uso; e a ultima indica por uso do solo as
conseqüências de sua operacionalização.
Por fim, o método expõe um sistema de recomendações muito claro, permitindo
identificar para um mesmo espaço, a coexistência criteriosa de diferentes usos. Esse
método é bem argumentado e coerente, mas segundo Almeida (1993) não finaliza, de
todo, o processo de planejamento.
Quadro 01: Principais fatores considerados nos estudos de ordenamento territorial
realizados por McHarg (1979).
Fonte:http://www.igeo.pt/instituto/cegig/got/3_Docs/Files/mestrado_ass/cap1.pdf Acessado em 21/08/2007

Figura 03: Dinâmica cartográfica empregada na metodologia de planejamento de


McHarg. Fonte: http://www.csiss.org/classics/content/23 Acessado em 21/08/2007

Método de Tricart

Jean Léon François Tricart orientou estudos integrados do meio ambiente natural
e introduziu novos métodos com emprego em diversas regiões do mundo. Tricart (1977)
afirma que já não há ecossistema que não seja modificado pelo homem, sendo assim sua
metodologia assenta-se sobra o sistemismo ecológico, que permite estudar as relações
entre os diversos componentes do meio ambiente. A esse sistemismo ecológico, Tricart
dá o nome de dinâmica dos ecótopos ou ecodinâmica.
Os estudos feitos utilizando essa metodologia têm como principal objetivo a
avaliação do impacto da inserção da tecnologia humana no ecossistema, ou seja,
determinar a taxa aceitável de extração de recursos, sem degradação do ecossistema, ou
determinar quais as medidas que devem ser tomadas para permitir uma extração mais
elevada sem degradação.
Para tanto, estabeleceu uma escala de avaliação dividindo o ambiente em três
meios morfodinâmicos, a saber:
- Meios Estáveis, que tem lenta evolução, resultante da permanência no tempo
de combinações de fatores como cobertura vegetal densa, dissecação moderada do
relevo e ausência de manifestações vulcânicas. Geralmente, as relações complexas se
estabelecem entre essas diversas condições, compondo mecanismos de compensação e
auto-regulação.
- Meios Intergrades, que se caracterizam pela interferência permanente de
morfogênese e pedogênese apresentando-se de maneira concorrente sobre um mesmo
espaço, assegurando a passagem gradual entre os meios estáveis aos instáveis. São
meios delicados e suscetíveis a fenômenos de amplificação, transformando-se em meios
instáveis cuja explotação fica comprometida.
- Meios Instáveis, são aqueles onde impera a morfogênese, tendo como
desencadeador desse processo as condições bioclimáticas agressivas, com ocorrência de
variações fortes e irregulares de ventos e chuvas, relevo com vigorosa dissecação,
inexistência de cobertura vegetal densa o que acarreta inundação dos fundos de vales,
dando uma geodinâmica intensiva para o espaço.
Para esta metodologia os dados de entrada são os mapas de todas as unidades
territoriais básicas e localização, identificação e análise dos diferentes processos e
sistemas com uma interação dinâmica, tendo como resposta a subdivisão em unidades
hierarquizada e representada em forma de mapas que dão suporte ao uso apropriado
para o território.
Metodologias de Planejamento Ambiental com a utilização de Geotecnologias

Metodologia de Planejamento Ambiental do Instituto Nacional de Pesquisas


Espaciais (INPE)

Essa metodologia foi desenvolvida levando em consideração as discussões feitas


pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, algumas
considerações dadas por Institutos de Pesquisa e por Universidades, sendo definido que
para alcançar os objetivos do ZEE, seria necessária uma análise do meio físico e biótico,
que dariam suporte para criação de uma carta de vulnerabilidade à perda do solo.
(CREPANI et.al., 1996).
Essa parte da metodologia de ZEE com Geotecnologias foi criada pelo INPE e
está fundamentada na análise de Tricart (1977), a Ecodinâmica e nas potencialidades
para estudos integrados de imagens orbitais e SIG, tendo como objetivo principal o
recolhimento de um conjunto de dados e conhecimento científico para compreender a
dinâmica do meio natural e destacar as zonas ou fatores, estabelecendo uma relação com
a morfogênese e/ou pedogênese que podem limitar determinados usos do território
(ALMEIDA, 1993, 34p.),
Sendo assim, primeiramente é feito um levantamento e aquisição de material,
bibliográfico sobre a área de estudo como produções locais, produtos cartográficos que
na maioria das vezes são as cartas do projeto RADAM, com reinterpretação das
informações temáticas por meio do auxilio das imagens de satélite, criando os planos de
Informação georreferenciados (PI), esses dados posteriormente são cruzados para
geração do mapa de Unidades Territoriais Básicas (UTB) e em seguida associam-se os
bancos de dados contendo as classes dos PI temáticos e valores, relativos e empíricos,
de vulnerabilidade à erosão de cada uma dessas classes.
Esse procedimento dará origem à carta de vulnerabilidade natural à perda de
solo de cada UTB o que possibilita um bom ordenamento territorial. No entanto, essa
proposta deve ser associada aos dados sócio-econômicos para um diagnóstico mais
completo, que é desenvolvido pelo LAGET.
Figura 04: Resumo do procedimento de integração dos meios físico/biótico (baseado
em Rocha, 2000)

Metodologia de Planejamento Ambiental do Laboratório de Gestão do Território


(LAGET-UFRJ)

A proposta metodológica desenvolvida pelos pesquisadores do LAGET vem


complementar a metodologia do INPE, sendo também planejada durante as discussões
junto a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência de República, pois usa a carta
de vulnerabilidade já elaborada pelo INPE para cruzar com a carta de potencialidade
social que segundo Rocha (2000) é o complemento indispensável para se obter a
integração ecológica – econômica necessária ao zoneamento.
Essa carta de potencial social é gerada seguindo padrões internacionais
estabelecidos pela ONU, segundo esses critérios, o desenvolvimento humano é
resultante do desenvolvimento econômico sustentado, o que possibilita uma melhoria na
qualidade de vida, a partir de quatro indicadores: natural, humano, produtivo e
institucional, que serão algebricamente cruzados, considerando a relação entre os fatores
dinâmicos e restritivos, gerando assim, o potencial social de cada unidade territorial.
Por fim, é gerada a carta síntese de subsídio à gestão do território fundamentada
na sobreposição das duas cartas (vulnerabilidade e potencial) acima descritas e na
legislação existente. A análise do produto será feita conforme a figura 05 abaixo.
ÁREAS
Produtivas Críticas

+ consolidação recuperação

POTENCIALIDADE

- expansão conservação

- VULNERABILIDADE +

Figura 05: Modelo de Análise Socioambiental (Becker & Egler, 1997)

O resultado da fusão de unidades territoriais pode ter a seguinte classificação,


como sugerido no gráfico acima:

1 – Áreas produtivas:
1.1 – De consolidação ou fortalecimento do desenvolvimento humano, pois tem
baixa vulnerabilidade e alta potencialidade;
1.2 – Destinada à expansão do potencial, pois tem baixa vulnerabilidade e baixa
potencialidade;

2 – Áreas crítica:
2.1 – Recuperação, tendo em vista o alto potencial de desenvolvimento e, por
conseguinte alta vulnerabilidade.
2.2 – Conservação, pois é observado uma baixa potencialidade e uma alta
vulnerabilidade.
Além dessas considerações a metodologia ainda ressalta as áreas institucionais
de preservação permanente, como parques nacionais e estaduais; áreas de uso restrito e
controlado, como reservas indígenas e extrativistas; e áreas de interesse estratégico,
como as áreas de fronteiras.
Metodologia de Planejamento Ambiental do Laboratório de Geoprocessamento
(LAGEOP - UFRJ)

A proposta elaborada por Xavier (2001) é uma proposta diferenciada das outras
duas não sendo criada especificamente para o ZEE, mas também para uso próprio. Essa
metodologia permite identificar relações de contingência, conexão, proximidade e
funcionalidade entre partes componentes da situação ambiental levando em
consideração a visão sistêmica do ambiente. Para tanto essa metodologia baseia-se
essencialmente em técnicas de geoprocessamento e estrutura-se em dois eixos,
diagnósticos de situações existentes ou de possíveis ocorrências e prognósticos onde são
feitas previsões e zoneamentos, e, eventualmente, sugeridas provisões quanto aos
problemas ambientais em estudo.

a) Diagnóstico: Compreendem os tratamentos necessários à identificação, no tempo e


no espaço, de dados e problemas específicos relevantes para a análise da situação
ambiental, apoiando-se nos inventários e análise de situações existentes ou de possível
existência, como por exemplo: planimetrias, assinaturas, monitorias, riscos ambientais,
potenciais ambientais, incongruências de uso, potenciais conflitantes, áreas críticas e
impactos ambientais.

b) Prognósticos: Baseia-se em informações temporais dos registros das ocorrências dos


fenômenos do ambiente e dados levantados durante o período do diagnóstico, levando
em consideração também aspectos políticos.
O prognóstico permite a indicação de atitudes da gestão ambiental
(planejamento), tendo seu fundamento em questões estudadas anteriormente no
diagnóstico sendo prevista para uma determinada extensão territorial. Todos esses
processos de obtenção de informação são também ligados aos dados de sensores
espectrais e radiométricos que por definição extraem informações qualitativas e
quantitativas dos objetos sem contato físico direto com os mesmos.
O organograma abaixo tenta explicar o fluxo de trabalho com essa metodologia.
Figura 06: Esquema metodológico de análise ambiental (baseado em Silva, apud
Rocha, 2000)

Bibliografia:

ALMEIDA, J.R.De. (Coord.) Planejamento Ambiental: caminho para participação popular e gestão
ambiental para nosso futuro comum? Uma necessidade, um desafio. Rio de Janeiro: Thex Editora,
Biblioteca Universidade Estácio de Sá, 1993.

BECKER, B & EGLER, C. A. G. Detalhamento da metodologia para execução do zoneamento


ecológico-econômico pelos estados da Amazônia legal. Rio de Janeiro: SAE/MMA, 1996.

CREPANI, E. et. al.. Sensoriamento remoto e geoprocessamento aplicados ao zoneamento ecológico-


econômico e ao ordenamento territorial. São José dos Campos: INPE, 2001.

CERSÓSIMO, N.B.V. Identificação de áreas aptas à implantação de equipamentos urbanos causadores de


impacto ambiental. In. Anais – III Simpósio Regional de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto.
Aracajú, 2006

ROCHA, C. H. B. Geoprocessamento – Tecnologia Transdisciplinar. Juiz de Fora: Ed. do Autor, 2000.

SANTOS, R.F. dos. Planejamento Ambiental: teoria e prática. São Paulo: Oficina de Textos, 2004.

SILVA, J. X. (2001). Geoprocessamento para a análise ambiental. Rio de Janeiro, UFRJ. 228p.

SILVA, J. X; ZAIDAN, R. T. (2004). Geoprocessamento & análise ambiental: aplicação. Rio de Janeiro,
Bertrand Brasil, 368 p.

TRICART, J. (1977). Ecodinâmica. Rio de Janeiro: IBGE, 91 p. (Recursos Naturais e Meio Ambiente, 1).