Você está na página 1de 9

INSTITUTO SUPERIOR DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO

Pós-Graduação “Lato Sensu” em Cosmetologia e Estética – Pratica Avançada


Faculdade do Litoral Paranaense

ÁCIDO TRANEXAMICO E ASSOCIAÇÕES NO TRATAMENTO DO MELASMA

Passo Fundo, RS
2017
LETICIA FRANCISCO GUERRA DALASTRA

ÁCIDO TRANEXAMICO E ASSOCIAÇÕES NO TRATAMENTO DO MELASMA

Trabalho apresentado como requisito


parcial à obtenção do título de
Especialista no Curso de Pós Graduação
“Latu Sensu” em Cosmetologia e
Estética, pela Faculdade do Litoral
Paranaense- ISEPE Guaratuba.

Orientadora: Prof.ª Drª Regina Gema Santini Costenaro

Passo Fundo, RS
2017
Ácido Tranexâmico e associações no Tratamento do Melasma

Especializanda: Leticia Francisco Guerra Dalastra


Orientadora: Pro Drª Regina G. Santini Costenaro

RESUMO:
A cor da pele é um importante traço fenotípico do ser humano e as desordens de
pigmentação da pele influenciam a qualidade de vida das pessoas, gerando
insatisfação estética e a baixa autoestima dos indivíduos que tem a doença, criando
assim uma grande procura pelo tratamento. O melasma é uma hipermelanose comum
caracterizada por máculas acastanhadas em áreas foto expostas, cuja fisiopatogenia
não é totalmente elucidada. A exposição aos raios ultravioleta e predisposição
genética são apontados como os principais causadores do melasma. A busca pelo
tratamento é incessante, muitos estudos apontam agentes clareadores, peeling e
outros métodos para clareamento de manchas com o mínimo de reações adversas
possíveis. Mas com a falta de estudos que consigam esclarecer a fisiopatologia do
melasma, ainda há muitos tratamentos com poucos resultados e alta recidiva. O uso
do protetor solar de auto espectro é indicado em todos os casos, sendo assim a
prevenção o melhor caminho.
Palavras-chave: Pigmentação da pele; Raios Ultravioleta; Melasma.

ABSTRACT
Skin color is an important phenotypic trait of the human being and skin pigmentation
disorders influence the quality of life of people, generating aesthetic dissatisfaction and
low self-esteem of the individuals who have the disease, thus creating a great demand
for treatment . Melasma is a common hypermelanose characterized by brownish
macules in photoexposed areas, whose pathophysiology is not fully elucidated.
Exposure to ultraviolet rays and genetic predisposition are indicated as the main cause
of melasma. The search for treatment is incessant, many studies point to bleaching
agents, peeling and other methods for bleaching blemishes with the least possible
adverse reactions. But with the lack of studies that can clarify the pathophysiology of
melasma, there are still many treatments with few results and high relapse. The use of
the sunscreen of auto-spectrum is indicated in all cases, being thus the prevention the
best way.
Keywords: Skin pigmentation; Ultraviolet rays; Melasma.
1. INTRODUÇÃO

Atualmente, a busca pela beleza está cada vez mais concorrida entre os
indivíduos pois a preocupação em manter uma boa aparência física é considerado
quase que essencial no cotidiano das pessoas em geral. Este aspecto também auxilia
na auto estima passando a ser uma necessidade básica, mantendo equilíbrio físico e
mental. Este aspecto reflete na ideia de que o ser humano possui uma relação de
fidelidade absoluta com o espelho (LYON; SILVA, 2015).
Surge então, em meio a tantas desordens que podem interferir no processo da
beleza, a necessidade de encontrar um tratamento ao melasma, que é um dentre
outros fatores que interferem negativamente na auto estima das pessoas. Também
pode-se afirmar que a abordagem terapêutica do melasma constitui um grande
desafio (MOREIRA, 2014).
Influências do cotidiano, que passam desapercebidas pelos indivíduos ou até
mesmo desconhecidas em relação ao cuidado diário com a pele que possui esta
hiperlanose causam efeitos adversos muitas vezes irreparáveis. Autores afirmam que:
o melasma, é uma mancha de coloração marrom, que pode ocorrer nas laterais da
face, na região frontal, na região temporal, na região peribucal superior e têmporas
(GOMES; DAMAZIO, 2013).
O melasma se caracteriza por uma desordem de pigmentação na pele facial
(MOREIRA,2014). Esta desordem pode causar um descontentamento nas pessoas,
uma vez que interfere na aparência física e na sua própria funcionabilidade como um
órgão funcional (BORGES; SCORZA, 2016). O tratamento pode ser realizado por
meio de associações e formulações do ácido tranexâmico.
Borges e Scorza (2016) afirmam que o microagulhamento pode tratar a
hiperpigmentação de várias formas, surge então a idéia de utilizar o ácido tranexâmico
por via tópica, associado ao microagulhamento percutâneo. Ao analisarmos esta
afecção, tais danos acabam gradativamente impactando negativamente na auto
estima do indivíduo que a possua, já que as alterações pigmentares na face ficam
visíveis por outros indivíduos.
Objetiva-se neste estudo descrever o que a literatura tem publicado acerca do
tratamento do Melasma, com associações do ácido tranexâmico; Identificar na
literatura, qual o tratamento mais eficiente; Adquirir conhecimento teórico necessário
sobre o melasma, assim como sua fisiopatologia.
2. METODOLOGIA

O presente estudo trata-se de uma revisão bibliográfica de caráter interpretativo


e exploratório. As informações coletadas e descritas no artigo referenciam-se a uma
revisão de literatura sobre a ação do ácido tranexâmico e associações no tratamento
do melasma. A busca pelo tema se deu em livros e artigos pesquisados no google
acadêmico, periódicos científicos, teses e dissertações, base de dados LILACS,
Scielo.

3. REVISÃO DE LITERATURA

3.1 Melanócitos, Melanossomas e Melanina

Na pele, os melanócitos são encontrados na camada basal da epiderme onde


seus dendritos se comunicam com os queratinócitos, dando origem a unidade
epidermo-melânica. Os melanócitos sintetizam a melanina no seu interior em
organelas chamadas de melanossomas, onde são transferidos para os queratinócitos
pelos seus dendritos, e é composta, em humanos, por um melanócitos a cada trinta e
seis queratinócitos (TSATMALI; ANCANS; THODY, 2001).
Os melanócitos não são fixos na epiderme, projetando-se, levemente, em
direção a derme. A quantidade de melanócitos diminui com o passar dos anos nas
áreas não foto expostas, de 6 a 8% por década, sendo que as diferenças na
pigmentação de pele não se dão pelo número de melanócitos, mas sim pela síntese
de melanina e melanossomas, pela proporção de feomelanina e eumelanina e pela
exposição solar, uma vez que estimulam diretamente a síntese de melanina. A
melanina que é produzida dentro do melanócito é armazenada em estruturas
chamada melanossomas (MIOT et al., 2009).
Os melanossomas são altamente especializados, onde ocorre a síntese e
deposição de melanina e armazenamento da tirosinase, é onde ocorre os fenômenos
bioquímicos que determinam a melanina. Desenvolvem-se em estágios
morfologicamente determinados, de estruturas sem pigmento (estagio I) até organelas
cheias de melanina. A qualidade desses melanossomas é o que diferencia os
fenótipos entre as raças mais e menos pigmentadas (MIOT et al., 2009).
A melanogênese é o processo bioquímico que forma a melanina, partindo do
aminoácido tirosina, que se converte em diidroxifenilalanina (Dopa) e em seguida em
Dopaquinona, por meio de uma reação oxidativa estimulada pela radiação ultravioleta
e pela enzima tirosinase. Esse processo resulta na formação de Feomelanina
(melanina amarela, vermelha) e da Eumelanina (marrom). Quando a síntese é
concluída, o melanossoma está cheio de melanina e a enzima tirosinase perde sua
atividade (BAILLO; LIMA, 2012).
A eumelanina é um polímero marrom, alcalino e insolúvel, predominante em
pessoas de cabelos e olhos escuros, sendo mais eficaz na proteção contra a radiação
solar. A feomelanina é um pigmento alcalino, solúvel e amarelo-esverdeado,
predominante em indivíduos de cabelos vermelhos e fototipos I e II (VIDEIRA;
MOURA; MAGINA, 2013).
A cor final da pele é resultante de uma combinação de pequenas partes de
feomelanina e eumelanina e de sua proporção (MIOT, 2008). A melanina além de ser
o pigmento responsável pela cor da pele protege a mesma contra a radiação
ultravioleta (TSATMALI; ANCANS; THODY, 2001).

3.2 Discrômias

As discrômias são definidas como alterações na cor da pele, devido ao


aumento ou diminuição da atividade melânica. Os melanócitos e os melanossomas
são as principais estruturas envolvidas nas alterações de cor da pele. As alterações
caracterizadas pela diminuição da atividade dos melanócitos são denominadas
hipocromias, enquanto que, as caracterizadas pelo aumento da atividade são
designadas melanodermias, manchas hipercrômicas, hipercromias melanogênicas ou
hiperpigmentação (RUSENHACK, GHESSA,2015).

3.3 Melasma

É uma hipermelanose adquirida caracterizada pela presença de máculas


irregulares, em geral bilaterais e simétricas, de cor acastanhada, que ocorrem em
áreas de pele expostas à radiação ultravioleta (LYON, SILVA, 2015).
Alguns fatores podem desencadear as discromias. Dentre eles, podemos citar
o envelhecimento, devido à excessiva exposição solar ao longo do tempo, a gravidez
(fator hormonal), os distúrbios endócrinos, o excesso de exposição solar e o
tratamento com hormônios sexuais (RUSENHACK, GHESSA,2015).
A exposição ao Sol confere benefícios aos seres humanos, porém, a exposição
frequente e intensa causa danos ao organismo (CAÇÃO, M.; FERNANDES, F. B.;
CHORILLI, M.).

3.3 Etiopatogenia

Investigação dos receptores de estrogênio, na epiderme e nos melanócitos das


peles sã e lesada, seria esclarecedora quanto ao papel de hormônios esteroides
sexuais, no processo da hiperpigmentação localizada da doença (MIOT, L. D. B. et
al).

3.4 Tratamento e prevenção

O tratamento é amplamente indicado porque o melasma compromete a


qualidade de vida das pessoas. Deve ser realizado por etapas e consiste em: (LYON,
SILVA, 2015).

 Produtos despigmentantes potentes.


 Produtos clareadores de manutenção, para evitar recorrência.
 Uso de foto protetores de amplo espectro com proteção UVA, UVB e luz visível.
 Medidas complementares, como o uso de chapéus, vestimentas adquiridas e
tecidos que diminuam a passagem da RUV.
 Mudanças de estilo e hábitos de vida, evitando a prática de esportes ao ar livre.

3.4.1 Abordagem Terapêutica Alternativa

a- Ácido tranexâmico: injeção intradermica de ácido tranexâmico, 4mg/dl, 0,1ml


por ponto espaçado a cada 0,5cm de área tratada, com intervalo de 30 dias para cada
aplicação, necessitando de, no mínimo, 10 sessões. É necessário o uso tópico e ácido
tranexâmico em gel a 3%, para manutenção.

b- Peelings químicos com agentes despigmentantes, como , por exemplo, ácido


retinóico a 8% e ácido mandélico a 50%, sendo necessário o uso de substâncias
clareadoras entre uma sessão de peeling e outra para evitar recorrências.

c-. Laser para melasma de difícil manejo mas com resultados contraditórios.
(LYON, SILVA, 2015).

O ácido tranexâmico (AT), que é uma droga hidrofílica inibidora da plasmina,


classicamente utilizada como agente antifibrinolítico, tem sido estudado como
alternativa para o tratamento do melasma. Estudos recentes revelaram que seu uso
tópico previne a pigmentação induzida por UV em cobaia, seu uso intradérmico
intralesional produz clareamento rápido (STEINER, D. et. al,2009).

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

As desordens de pigmentação da pele, influenciam negativamente os


indivíduos portadores desta afecção.

O melasma é caracterizado por hipermelanose na região da face, criando


insatisfação estética com alta prognostico psicológico de baixo estima a quem a
possua.

A exposição solar aos raios ultravioletas sem a devida proteção e a


predisposição genética são os principais influenciadores do surgimento do melasma.

Surgem tratamentos incessantes para a cura, porem até hoje, os tratamentos


são de caráter paliativos, pois ainda não houve esclarecimento concreto da
fisiopatologia do melasma.

Os agentes despigmentantes e clareadores são usados através do peeling


químicos, do microagulhamento, como tratamento para esta afecção.

Surge o ácido tranexâmico como tratamento promissor ao controle do


melasma, por uso tópico, oral e por uso intradérmico, como alternativa para o
clareamento rápido do mesmo.
REFERÊNCIAS

BORGES, F. S.;SCORZA, F. A.Terapêutica em Estética,conceitos e técnicas –


1.ed.-São Paulo :Phorte,2016.

KEDE, M. P. V.; SABATOVICH, O. Dermatologia Estética. São Paulo: Editora


Atheneu,2004.

LYON, S.; SILVA, R. C.; Dermatologia Estética: medicina e cirurgia estética. 1


ed. –Rio de Janeiro: Medbook,2015.

GOMES,K.R.; DAMAZIO,G.M. Cosmetologia: descomplicando os princípios


ativos. -4. Ed. – São Paulo: Livraria Médica Paulista Editora,2013.

STEINER, D. et. al. Estudo de avaliação da eficácia do ácido tranexâmico tópico e


injetável no tratamento do melasma. Surgical & Cosmetic Dermatology
2009;1(4):Disponivel:http://www.redalyc.org/html/2655/265521015005/.
Acesso:10/10/2017.

GHESSA, R.; RUSENHACK,C. Discromias. Disponível em:


http://www.proffabioborges.com.br/discromias/ Acesso em: 10/10/2017.

CAÇÃO, M.; FERNANDES, F. B.; CHORILLI, M. Desenvolvimento e avaliação da


estabilidade físico-química de formulações despigmentantes acrescidas de ácido
glicólico contendo pectina como espessante. Rev. Bras. Farm, Campinas, v. 3, n. 90,
p. 272- 280, 2009. Disponível em: <rbfarma.org.br/files/pag_272a280_estabilidade_
despigmentante>. Acesso em: 02 jul. 2017.

MIOT, L. D. B. et al. Fisiopatologia do melasma. An. Bras. Dermatol., v. 84, n. 6,


p.623 -635, 2009. Disponível em: <www.scielo.br/pdf/abd/v84n6/v84n06a08.pdf>.
Acesso em: 05 jun. 2016.