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27/12/2018 Intencionalidade, comunicação e cognição

Crítica
11 de Novembro de 2004 ⋅ Filosofia da mente

Intencionalidade, comunicação e cognição (e


alguns pequenos problemas)
Luís Milman

I. Intencionalidade: caracterização mais geral possível


Pretendo abordar o tema da intencionalidade e algumas de suas implicações, tarefa que,
reconheço, não é das mais amenas em filosofia. Partirei assim da idéia-força de Franz
Brentano sobre a natureza dos estados psicológicos, idéia em evidência junto à escola
analítica desde a década de 60: em sua enunciação, a idéia não oferece dificuldade de
compreensão: tudo aquilo que se dirige, é sobre, faz alusão, menção ou referência a
alguma coisa possui a propriedade da intencionalidade.1

A idéia de intencionalidade tem importância e repercussão ampla para os estudo em


filosofia da mente e da linguagem, pois (a) propõe um critério para distinguirmos entre o
que é mental e o que não e (b) gera implicações lógicas para a compreensão dos
processos cognitivos e comunicativos.

Esta caracterização diz respeito ao que os estados mentais são, às suas condições de
individuação e reconhecimento, que os distingue dos fenômenos físicos. Não se pode
falar da grande maioria dos fenômenos mentais ou das representações, sejam lá de que
tipo forem, intransitivamente, ou seja, sem relacioná-los ao que se dirigem: se x
representa, x representa alguma coisa; se dissermos que um indivíduo pensa, estamos
dizendo implicitamente que pensa em algo; quando dizemos que alguém acredita, que
acredita em algo, e assim quando vê ou ouve. Uma crença é uma crença porque concerne
à propriedade de um objeto ou a uma relação entre objetos. Da mesma forma, um desejo,
uma intenção, um temor, uma expectativa, etc.…
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A intencionalidade parece ser uma propriedade — talvez a propriedade essencial — do
conjunto de todas as representações (proferimentos lingüísticos, gestos, sinalizações e
figuras). Daí se segue que (a) o problema teórico das representações é idêntico ao
problema teórico da intencionalidade e (b) que há uma conexão necessária entre teorias
Boa fenômenos
sobre a linguagem e representações públicas e teorias sobre ideia! mentais Não, obrigado.
intencionais.

Disse anteriormente que a propriedade da intencionalidade é ontológica. Vou usar um


exemplo simples para ilustrar esse ponto. A distinção entre Nicole Kidman e quaisquer de AddT

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suas representações possíveis é inequívoca. A fotografia de Nicole Kidman é sobre um


determinado indivíduo, mas Nicole Kidman não é sobre nada. Não ser sobre nada é a
propriedade conversa da intencionalidade.

Esta diferença entre aquilo que é representado e aquilo que representa não se dissipa
quando constatamos que uma representação pode ser sobre uma outra representação.
Existem relações intencionais entre representações, digamos, relações intencionais de
segunda ordem, nas quais uma representação (r) é sobre outra representação (r'). Nesse
caso, a representação representada passa a ser um objeto. Exemplos: Um desenho feito
sobre a fotografia do Papa e a nomeação (menção) de uma palavra. O primeiro caso se
compreende imediatamente; o segundo requer duas pequenas explicações, entre usar e
mencionar (uso e menção) e entre representações de estados intencionais: uso a palavra
cadeira para falar sobre uma cadeira, por exemplo e menciono a palavra cadeira para falar
sobre a palavra que uso ou posso usar para falar sobre uma cadeira. Por exemplo, estou
mencionando a palavra “cadeira” quando digo que cadeira é uma palavra da língua
portuguesa que designa um certo tipo de objeto normalmente usado como assento. Além
disso, uma crença pode ser sobre uma outra crença. Por exemplo, acredito que quando era
jovem, acreditava em mudar o mundo.Também aqui a crença na qual eu acreditava é o
objeto de minha representação atual.

Há que considerar, nesse ponto, uma outra abordagem do assunto que, podemos dizer,
agrega-se ao tema da intencionalidade. Frege dizia que quando falamos das coisas, o
fazemos por meio de signos que possuem sentido e referência. A referência é a própria
coisa designada e o sentido é um tipo de objeto abstrato, que ele chamava de modo de
apresentação da referência ou pensamento. De qualquer modo, para Frege, o sentido
determina a referência. Assim, símbolos, segundo fregianos, são coisas que se referem a
outras coisas porque possuem sentido em certos contextos de cognição e fala. Em
contextos especiais, como nos chamados contextos intencionais (enunciados nos quais
ocorrem verbos como acredita, deseja, etc.s) ou enunciados indiretos (disse, nega, refuta,
etc.…), símbolos não se referem às próprias coisas sob determinados aspectos, mas a
objetos abstratos e complexos chamados por Frege de “sentidos” ou “pensamentos”.

Pensamentos não são psicológicos, na acepção de Frege; são entidades objetivas que
existem do mesmo modo que a nota de um real que tenho em meu bolso. A diferença é
que pensamentos são entidades relacionadas à linguagem e apenas à linguagem. Essa não
é uma questão apenas ilustrativa aqui. Para o que importa entender, Frege dizia que não
podermos ter acesso diretamente às coisas, que nosso conhecimento delas é sempre
dependente de um pensamento, que as determinam, independentemente da existência ou
não dessas coisas. E por quê ele dizia isto? Posso dizer que os marcianos congelados em
meu quarto são gigantes e você pode dizer a mesma coisa. Logo, aquilo que dizemos
expressa um mesmo pensamento, não privativo de nenhum de nós, mas comum a ambos e
que pode ser verdadeiro ou falso.

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Pensamentos são definidos como entidades objetivas, que podem ser verdadeiras ou
falsas. Essa noção é problemática, porque Frege não deslindou suficientemente tal
conceito do ponto de vista metafísico. Ele apenas constatou que compartilhamos de
pensamentos idênticos e, por isso, essas entidades não são psicológicas. E também
constatou que podemos nos referir ao mesmo objeto deBoa modos diferentes. Por exemplo:
ideia! Não, obrigado.
Nicole Kidman e a ex-mulher de Tom Cruise são a mesma pessoa, mas pensar que Nicole
Kidman é a mais bela atriz de Holliwood não é o mesmo que pensar a ex-mulher de Tom
Cruise é a mais bela atriz de Holliwood. Afinal, posso saber quem é Nicole Kidman sem
saber que ela foi mulher de Tom Cruise.
AddT

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Wittgenstein, como Russell, chamava os pensamentos de proposições, (e na linha de


Frege) disse que essas são definidas pela idéia de funções de verdade. Um enunciado tem
sentido porque expressa algum tipo de proposição e essa possui uma mapa que mostra as
possibilidades em que pode ser verdadeira ou falsa. Ele chamava esse mapa de tabela de
verdade e pretendia que suas tabelas mostrassem precisamente todas as possibilidades em
que enunciados são falsos ou verdadeiros, sem dizer se eles são falsos ou verdadeiros,
porque a verdade (com exceção das proposições da própria lógica) são verdadeiras ou não
em vista de sua relação com o mundo. Por isto (também) Wittgenstein disse que as
proposições da lógica, por terem um mapa que mostra serem sempre verdadeiras, não
possuem sentido.

Muitos teóricos definem pensamentos/proposições de formas diferentes: uns o tomam


como sendo uma propriedade funcional de uma expressão (a expressão refere-se a algo
porque desempenha um determinado papel em inferências com as quais se relaciona).
Outros dizem que modos de apresentação não são sentidos, porque sentidos são o que
duas expressões sinônimas preservam e existe uma lei da lógica que diz que se
substituirmos uma expressão sinônima por outra, numa sentença, o valor de verdade da
sentença não se altera. Mas se Frege estava certo, se você não sabe que Nicole Kidman e
a ex-mulher de Tom Cruise são a mesma pessoa, então, para você, a sentença na qual
ocorre “Nicole Kidman” pode ser verdadeira e a sentença na qual ocorre “a ex-mulher de
Tom Cruise” pode ser falsa. Na perspectiva de Brentano, teríamos dois objetos
intencionais distintos. Na de Frege, dois pensamentos distintos sobre o mesmo objeto.

Do ponto de vista intencional, quando dizemos que as palavras “Nicole Kidman”


representam alguém determinado, estamos fazendo uso de uma noção intencional
primária, estamos nos referindo (por meio de um pensamento ou não) à pessoa mesmo e
somente a partir dessa noção de referência a algo é que a noção de intencionalidade de
segunda ordem pode ser compreendida. Ou seja, quando falamos em intencionalidade,
fazemos uma distinção entre coisas intrinsecamente intencionais (representações) e coisas
intrinsecamente não-intencionais (objetos) que, de algum modo, mantêm relações entre
si.

II. Cognição, comunicação e realidade


Muitos contestariam certas noções que empreguei, como a de propriedade intrínseca. Para
mim, existem propriedades intrínsecas e a intencionalidade é uma propriedade intrínseca
das representações primárias. Essa discussão envolve estados, eventos, situações, que
ocorrem em nível mental e suas relações (a) com os inúmeros tipos de atos comunicativos
que os exteriorizam e (b) com fatos, eventos, estados, situações que ocorrem ou podem
ocorrer no mundo extramental.

Não é sequer remotamente plausível compreender a intencionalidade de palavras,


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enunciados, atos comunicativos ou discursos, sem que venhamos a entender como eles se
relacionam com cognições (pensamentos, crenças e outros fenômenos que apresentam
características primariamente intencionais) e, de alguma forma, com coisas extramentais.
É verdade que a relação com coisas extramentais não ocorre sempre. Muitos acreditam
em discos voadores, em Ets, em percepção extra-sensorial,
Boaem anjos protetores Não,
ideia! e coisasobrigado.
deste tipo. Tais coisas não são reais como as pistas que levam Sherlock Holmes a
descobrir o assassino nos romances de Conan Doyle. São curiosidades mentais, vistas sob
uma ótica lúcida e devemos saber lidar com elas teoricamente. Talvez sejam constructos
de coisas reais, mas o que elas são de fato não é relevante. Relevante é detectar que a
AddT
intencionalidade pode envolver conteúdos extravagantes.
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A expressão “intencionalidade primária” marca a distinção entre o que é originariamente


intencional e primariamente intencional (ver abaixo). Sustento que as nossas experiências
comunicativas são ontologicamente dependentes das nossas experiências mentais e essas,
por sua vez, são responsáveis pela apreensão ( mesmo aquelas distorcidas) cognitiva que
temos do mundo sobre o qual falamos. E sustento que essas mesmas experiências nos
colocam cognitivamente em relação com o mundo que existe independentemente de nós
ou fora de nós, i.e., objetivamente nos dois sentidos.

Se os estados mentais são intencionais, admito, que haja capacidades mentais não-
intencionais ou pré-intencionais, como as chama Searle (Searle, 1995: 196-221). Searle
chama capacidades de estados, a partir de exemplos de como fazer coisas, de um know
how (como saber abrir portas, como saber andar na direção de algo, que amanhã sucede o
dia de hoje que o dia de ontem o precedeu, etc.… ). Tais capacidades, na verdade, são
uma mistura de condicionamentos biológicos e sociais que interagem para tornar possível
a intencionalidade, ainda segundo Searle. Considero tal ponto controverso, porque tais
capacidades são adquiridas em vista de fazermos parte de um meio social e em parte são
inatas e derivam de nossa constituição biológica. Sei jogar uma pedra no meu inimigo
porque sei que tenho mãos e que a pedra pode ser lançada. Por isto, posso ter a intenção
de lançar uma pedra sobre meu inimigo.

O problema aqui é definir esse know how como não-intencional ou delimitá-lo ao nível
de (a) certas capacidades biológicas (não estados) e (b) sociais que possuímos. Sei
caminhar, sei piscar os olhos, enfim, sei muitas coisas deste tipo porque simplesmente sou
capaz de fazê-las sem que as tenha apreendido. Mas esse saber não é um saber que, é um
saber como, porque não sei nada disso em virtude de me encontrar em tal ou qual estado
mental. Faço tais coisas simplesmente porque as faço, em vista de determinantes
contextuais biológicos e sociais (saber que hoje é diferente de amanhã) é um saber
condicionado socialmente. Assim, a distinção apropriada seria entre estados intencionais
e capacidades mentais, que seriam não- intencionais e estariam articuladas com os
primeiros. Searle prefere falar em estados mentais pré-intencionais que constituem um
background da intencionalidade. Penso que ele está errado em considerar capacidades de
background como estados. No mais, concordo que a mente possui capacidades não
intencionais.

III. Problemas ontológicos


Continuando: do compromisso metafísico com a atribuição de propriedades intencionais a
representações, decorre que tais propriedades são inerentes à cognição e as atribuímos
derivadamente, à comunicação. Temos aqui um lema:

Lema: Nossas línguas naturais não possuem semântica.

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Ilustração do lema (com a matriz de seu enunciado, que é uma afirmação de Jerry Fodor):

Finalmente, o Inglês herda sua semântica dos conteúdos das crenças, desejos,
intenções e de deste modo, ele é usado para expressá-los, como dizem Grice e seus
seguidores. Ou, se você preferir (como eu), o Inglês não possui semântica. Aprender
Inglês não é aprender uma teoria sobre o que as suas sentenças significam, é aprender
Boa ideia! Não, obrigado.
como associar suas sentenças com os pensamentos correspondentes. Saber Inglês é
saber, por exemplo, que a forma das palavras “existem gatos” é usada de modo
padrão para expressar o pensamento que existem gatos. (…) e assim
in(de)fini(d)tamente para muitos outros desses casos" (Fodor,1998a:9).
AddT

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Tais propriedades lingüísticas são expressões de propriedades intencionais nas quais


processamos a cognição. O Inglês é um meio expressivo, não um meio cognitivo, por
isto, sua semântica e sintaxe são derivadas do meio representacional cognitivo que
expressam.

Impõe-se imediatamente uma pergunta, nesse ponto. Derivadas de quê? De uma meio
representacional universal, cognitivo, inato em sua arquitetura sintático-semântica,
incrementado com a experiência (relações com o mundo) dos agentes que a possuem para
pensar. Um meio representacional no qual os conteúdos dos estados intencionais são
representações. Dessa forma, seus elementos constituintes são representações primárias
(conceitos) e são tais conceitos que as representações das línguas naturais expressam.

A noção de intencionalidade não é opaca a um enfoque analítico, muito menos é


impróprio tentar explicá-la em termos de noções acerca da natureza da mente, produzidas
em nível hipotético-científico. Deixá-la intocada é torná-la mitificada. Trata-se
justamente do oposto e posso alinhar alguns motivos para tanto: as questões concernentes
á intencionalidade estão inseridas num nicho de problemas filosóficos contíguos, como a
teoria do significado e seus vários temas (extensionalidade, intensionalidade, forma
lógica, uso, entre outros), as teorias sobre a dinâmica cerebral (plasticidade,
modularidade), bem como a metafísica (interacionismo, dualismo, monismo, anomalismo
causal, teoria da identidade) e a epistemologia (como sabemos o que ocorre na nossa
mente e o que ocorre na mente dos outros).

Processos mentais, sem deixarem de ser intencionais, são, hipoteticamente, processos


com características passíveis de descrição por algum marco teórico aceito em pesquisas
científicas. Sustento ainda que a idéia de que estados mentais não são físicos em tipo, mas
que são físicos quando instanciados no cérebro. Não tenho dúvidas de que eles são
processados neurofisiologicamente. Quando desejo, creio ou tenho alguma intenção, algo
ocorre no meu cérebro e isto que ocorre realiza meus estados mentais. Ou seja, penso que
podemos preservar a tese geral de Brentano, segundo a qual existem estados mentais e
que estes são intencionais, sem desfigurá-la, com base na conjuntura explanatória exposta
por Davidson e na idéia de causalidade formal (ver mais abaixo). E podemos fazer isto ao
tentarmos encontrar modelos explanatórios que deslindem a intencionalidade e
contribuam para a produção de conhecimento acerca de (a) como essa característica se
configura; (b) como a mente funciona; (c) como a fenomenologia mental pode ser
explicada sem que seja reduzida à física e (d) como a intencionalidade se articula com os
demais problemas teóricos e filosóficos, alguns elencados acima.

Mas esse modo de pensar não é adotado por muitos filósofos. Essa seção trata de
tentativas de expulsar a dimensão do mental do âmbito da ciência e, com ele, o âmbito
intencional. Tais posições são defendidas por anti-intencionalistas. Eles defendem a tese
de que a idéia de intencionalidade é tão somente um espectro metafísico produzido pela
linguagem. E essa defesa está ligada à idéia de que nossas capacidades ou habilidades
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epistêmicas são decisivas no enfrentamento de problemas semânticos.

Dito de outra forma, estamos diante de um dilema, que Fodor apresenta com precisão
(Fodor, 1998:2-5): nos preocupamos ou com (a) o que é um conteúdo mental ou com (b)
o que é possuir um conteúdo mental. Obviamente que os dois problemas são
Boa ideia! Não, obrigado.
entrelaçados, porque se sei o que um conceito é, possuo o conceito. Mas, as questões,
embora entrelaçadas, não são as mesmas do ponto de vista teórico, pois aqueles que
dizem que possuir um conceito define o que um conceito é, dizem, com isso, que um
conceito é justamente possuir certas habilidades que nos tornam aptos a usá-lo em
situações comunicativas. Logo (1), para estes (cito Quine, Dennet, Dummet, Ryle, AddT

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Strawson e Wittgenstein), um conceito não é um particular mental, mas uma certa


capacidade de agir comunicativamente, em situações reativas (quando falamos ou
entendemos o conceito). Logo (2), um conceito é o seu uso; uso são certas capacidades
lingüísticas que, nessa perspectiva, são indispensáveis para que expliquemos como a
comunicação é possível, porque as nossas capacidades lingüísticas são condicionadas por
uma exigência: a de que qualquer capacidade constitutiva de uma linguagem é uma
capacidade comportamental, disposicional ou manifesta. Isso fica claro na seguinte
afirmação de Dummet

(…) O objetivo de uma teoria do significado é dar uma resposta a como uma
linguagem funciona, em outras palavras, explicar o que, em geral, é efetuado por um
proferimento de uma sentença na presença de um ouvinte que conhece a linguagem
ao qual o proferimento pertence — um ato que é, mesmo no caso mais simples, de
longe o mais complicado de todos o que fazemos. Portanto, a noção mesma de
significado não necessita desempenhar qualquer papel importante numa teoria do
significado; se ela o faz. Isto se deve apenas devido à conexão que se estabelece entre
uma sentença e o seu emprego, ou seja, quando a proferimos e como nós reagimos
verbalmente e de outra forma qualquer, ao seu proferimento (Dummet, 1995:21).

Penso, ao contrário, que o problema do significado é metafísico, porque o assunto central


é a constituição do significado e não como nós o empregamos em processos
comunicativos. Dumme, sustenta que a questão é exclusivamente epistêmica e a
considera um problema de aquisição e emprego de conceitos, reduzindo, ao tema da
aquisição e do emprego de um signo, o tema de sua constituição.

Essa escola filosófica tem a tendência de reduzir a semântica dos estados intencionais à
semântica das linguagens naturais e depois, reduzir a semântica das linguagens naturais a
um conjunto indefinido de disposições e habilidades para agir e solucionar problemas
comunicativos (no caso, por meio de ações e reações verbais e não verbais). Dito de outra
forma, eles simplesmente invertem o lema de Fodor.

Os adversários da idéia segundo a qual há certos estados inerentemente intencionais


costumam dizer que só há intencionalidade sob uma determinada condição prévia, a
saber: quando usamos certas coisas com a intenção de que sejam sobre algo. Tal
concepção é ou ontologicamente materialista e semanticamente operacionalista ou
ontologicamente fenomenista e semanticamente operacionalista (não confundir com o
conceito epistemológico do qual o operacionalismo se despreende)2. Em essência, tanto o
fenomenismo (um cão é um constructo de sensações — os famosos sense data- produzido
em meu cérebro) como o materialismo (um cão é um objeto físico e só pode ser descrito
porque suas propriedades são físicas) procuram demonstrar que fenômenos intencionais
não são intrísecamente mentais.

O operacionalismo explica o que uma coisa é pelo modo como a conhecemos. Em


semântica, esse reducionismo epistemológico só reconhece seus próprios critérios. Pedras
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são pedras e estados mentais são estados sensoriais ou neurológicos ou comportamentais.
Em nenhum dos casos há sentido em se falar em estados mentais como configurando uma
zona ontológica de eficácia causal em vista de sua estrutura e propriedades próprias.

O problema aqui não é de preconceito cientificista, nem de reducionismo vulgar. Trata-se


Boa ideia! Não, obrigado.
de uma questão teórico-metodológica e envolve uma complexa perspectiva analítico-
conceitual sobre o que é e como pode ser descrito o mundo. Para os operacionalistas,
admitir que existem coisas mentais (idéias, representações, significados) seria o mesmo
que admitir que há entidades que intervêm em estados privados aos quais não se pode ter
acesso, a não ser introspectivamente. E a ciência não se ocupa de estados privados, AddT

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porque não é possível verificar a sua existência. A razão tem uma sólida base
witttgensteiniana, no argumento da linguagem privada (ALP) (Wittgenstein, 1987:.§§
243-315) mais especificamente à parte epistêmica do ALP: estados privados não são
passíveis de descrição, uma vez que descrições são entidades da linguagem que possuem
condições de verdade objetivas. A linguagem é pública e o mundo que ela descreve e
procura explicar é o mundo dos estados e processos que podem ser (a) causalmente
conectados e (b) física ou comportamentalmente descritos. Por isso, sustentam os
operacionalistas que o conceito de “intencionalidade” é ilusório do ponto de vista
científico e sua explicação, de algum modo, deve ser reduzida a explicações
comportamentais e/ou físicas.

Um operacionalista dirá que uma pedra, por exemplo, pode ser uma representação ou não.
Se ela for usada (a noção de uso aqui é operacional e não lógica) por um agente para
representar uma árvore, a pedra representa uma árvore, mas não se pode dizer que pedras
sejam intrinsecamente sobre árvores. A noção de uso, combinada com a noção de um
agente de uso, parece fazer todo o trabalho de exorcismo com respeito à tese de Brentano:
a distinção entre o que é uma representação (como no caso da pedra que é sobre a árvore)
ou um fenômeno mental dirigido e o que não é, não nos compele a entificar um domínio
de coisas que, em si mesmas, ou seja, independentemente do uso que fazemos delas,
sejam sobre outras coisas.

Na linha operacionalista, quando se diz que representações públicas ou certos fenômenos


mentais são essencialmente sobre algo, se obscurece a natureza relacional-operacional
das propriedades intencionais. E isto porque não seria correto explicar a relação
intencional sem que mencionássemos o agente que faz uso de uma representação. Uma
fotografia ou uma imagem mental poderiam, em certas circunstâncias, representar Nicole
Kidman para alguém que sabe quem é Nicole Kidman, mas a relação entre Nicole
Kidman e (sua) fotografia (ou sua imagem mental) não é evidência de que há uma
propriedade intrínseca, inerente à fotografia ou à imagem mental, que as faz ser sobre
Nicole Kidman. É a epistemologia e seu rebento semântico, a teoria do uso que decidem
se uma fotografia representa alguém, pois a mesma imagem pode não representar Nicole
Kidman numa circunstância distinta, inclusive para a mesma pessoa. Representações não
são intencionais simpliciter.

Três aparentes vantagens do operacionalismo quando referido ao problema da


intencionalidade, são claras: ele parece ser capaz de (a) explicar como qualquer coisa
pode representar qualquer outra coisa (o perfume preferido de Nicole Kidman representa
Nicole Kidman, uma pedra representa uma árvore, uma seqüência de sons pode
representar alguma coisa para alguns e nada representar para outros indivíduos); (b)
qualquer coisa pode representar qualquer outra coisa, numa situação comportamental e
(c) sabemos, ou ao menos podemos saber quando tal representação representa esse objeto,
com base em parâmetros públicos, intersubjetivos e evidenciais, ou seja, por meio da
observação do comportamento objetivo, aberto das representações em uso.
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Os operacionalistas acreditam que falar em estados intencionais nos compromete com a
existência de coisas perniciosas do ponto de vista científico, como representações ou
conteúdos mentais, e objetos abstratos, que fazem parte dessa classe de coisas, para eles,
opacas teoricamente. Para Quine, por exemplo, o eliminiativismo
Boa ideia!é uma decorrência
Não, obrigado.
natural da nossa atitude científica com relação aos estados intencionais: nem o discurso
sobre significados nem o discurso sobre crenças pode ser levado a sério quando nossos
interesses são teóricos. A maneira intencional de falar (a maneira dos significados e das
crenças) não possui estatuto científico, mesmo que configure um discurso essencial às
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nossas vidas práticas e (logo) façam parte do que ele chama de “nosso sistema conceitual
de grau B” (Quine, 1960).

IV. Crenças e ambigüidade


Quine, ao que se sabe,3 foi quem pela primeira vez aplicou a teoria das descrições
definidas de Russell ao caso das atribuições de atitudes proposicionais (estados
intencionais), para acentuar sua opacidade semântica e, ao final, ontológica. Ele observou
uma característica das expressões de tais estados: seus relatos são ambíguos: eles podem
ser interpretados ou de modo nocional (de dicto) ou relacional (de re). Em outros termos,
tais atribuições devem ser entendidas como sendo referidos a conceitos (ou, ainda, a
conteúdos nocionais e pensamentos) ou às coisas mesmas. Na sentença “Ortcutt acredita
que alguém é um espião” há duas interpretações possíveis: (a) de re e (b) de dicto; a
diferença entre ambas está no escopo do quantificador existencial: em (a) “alguém” se
aplica há um indivíduo específico e em (b) a nenhum indivíduo específico, mas a
qualquer indivíduo.

1. interpretação de re : Alguém é um espião e Ortcutt acredita que o espião é x. 2.


Interpretação de dicto: Ortcutt acredita que há espiões.

De tal modo, se Ortcutt acredita que alguém é um espião, Ortcut encontra-se num estado
mental (uma crença) confuso. Acentuo: trata-se de um estado confuso e não de uma
confusão mental provocada por estados mentais distintos. Trata-se de um e do mesmo
estado mental que é ambíguo: ele aceita duas interpretações ao menos. No argumento de
Quine, este é o ponto que interessa.

Se uma crença admite duas interpretações ao mínimo, não pode ser verdadeira para quem
possui a crença, muito menos para quem a atribui a um terceiro; logo não pode ser uma
crença, porque crenças, por definição, ou são verdadeiras ou são falsas e não posso crer
em algo que admite (para mim ou para outra pessoa) diversas interpretações. A
ambigüidade que Quine atribui à linguagem sobre as crenças transfere-se para as crenças
enquanto tais e seria uma calamidade conceitual para um intencionalista admitir a
ambigüidade dos estados mentais.

Para Quine, isto não é uma calamidade, porque ele não é intencionalista, ele não tem
problemas com a ambigüidade lingüística, muito menos mental: para ele, todos os relatos
sobre estados intencionais que possuem um valor de verdade são de dicto, porque devido
ao escopo do quantificador que se segue ao verbo intencional, tais enunciados possuem
um valor-verdade definido. Não há atribuição mentalista isenta de ambigüidade. Se há um
espião apenas, o enunciado sobre a crença de Ortcutt é verdadeiro. Já as chamadas
interpretações de re de atribuições de crenças, não podem ser verdadeiras porque
possuem uma variável no escopo do quantificador (x) que se segue ao verbo intencional e
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dizem respeito a um indivíduo ou objeto não identificado.4

Entretanto, é preciso destacar que aceitar o que Quine diz sobre relatos intencionais não
implica aceitar que crenças enquanto tais sejam ambíguas, como ele afirma; nem aceitar
qualquer forma de operacionalismo ou eliminativismo mental, que ele defende. Não
Boa ideia!
haveria dificuldades maiores em se aceitar o operacionalismo, Não, obrigado.
se este não apresentasse
um problema sério: seus atrativos teóricos são logicamente dependentes de duas noções
interconectadas: a noção de aquisição de um conceito e a noção de uso, que fazem com
que incorporaremos conceitualmente aquilo que, em medida razoável, sabemos sobre
nossas habilidades para fazer certas coisas, inclusive expressar o que pretendemos, àquilo AddT

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que, de um modo geral, caracteriza nossa arquitetura mental. Para esse fim, descrições
operacionais mostram-se deficientes, porque, da sua adoção, resultam dificuldades
conceituais acentuadas.

Vejamos alguns casos: é óbvio que aprendemos a usar linguagens públicas, sejam
estritamente lingüísticas ou, de forma ampla, sistemas representacionais figurativos ou
sonoros. Mas não podemos estender as noções de uso e aquisição conceitual, aplicáveis à
linguagem, ao campo das intenções, desejos, medos e crenças. Darei dois motivos: (a)
usar pressupõe, como dizia Wittgenstein, seguir uma regra, uma instrução. E seguir uma
regra é uma atividade pública por definição. Wittgenstein tinha razão quando dizia que
nenhum indivíduo pode seguir uma regra que só é válida para ele próprio. Mas os estados
mentais que citei acima são instanciados, ocorrem e não são dependentes de qualquer tipo
de regras. Temo o escuro; desejo, hoje, comer aquela maçã que deixei de comer ontem.
Nesses casos, não estou usando tais estados, nem seguindo regras. E se não estou segundo
regras nem “usando” estados mentais, a intencionalidade desses estados não deriva da
noção de uso ou de seguir uma regra. Tem sentido dizer que uma crença representa tal
situação, mas não tem sentido dizer “uso essa crença para crer (?!) em tal situação”, ou
“creio em tal e tal coisa porque aprendi a usar essa crença deste modo e não de outro”.

Essa é a linha de argumentação anti-operacionalista de Fred Dretske, Richard Heck Jr. e


Jerry Fodor.. É correto afirmar que elocuções, proferimentos, gestos ou a produção de
figuras são atividades comunicativas e que estas expressam estados cognitivos, segundo
certas regras que seguimos. Nesse sentido, é coerente afirmar que ações desse tipo
significam aquilo que pensamos. Mas dizer o contrário é claramente um absurdo, no qual
incorrem operacionalistas por razões anti-metafísisicas.

Se prestarmos atenção nesse ponto, há realmente assimetrias notáveis entre usar uma
linguagem e estar envolvido com algum estado cognitivo. “Uma coisa é supor que somos
capazes de possuir pensamentos que somos incapazes de expressar numa linguagem; mas
conversamente, que seríamos capazes de expressar um conteúdo sem que fossemos
também capazes de possuir pensamentos com o mesmo conteúdo é um absurdo” (Richard
Heck Jr, 1997:18). Jerry Fodor acentua que somente pensamentos são suscetíveis do que
ele chama de “avaliação semântica”:

Há, por exemplo, dois pensamentos que a expressão “todos amam alguém” pode ser
usada para pensar, e, por assim dizer, o pensamento é solicitado a escolher entre eles;
não é permitido ser indiferente a dois possíveis arranjos de escopos de
quantificadores. Isto porque sans desambiguação, “todos amam alguém” não
consegue especificar algo que é suscetível à avaliação semântica. E suscetibilidade à
avaliação semântica é uma propriedade que pensamentos possuem essencialmente.
Você não pode, para ser preciso, dizer em sua cabeça “todos amam alguém” e
permanecer completamente descompromissado com respeito a qual dos
quantificadores possui qual escopo. Isto apenas mostra que dizer coisas em sua
cabeça é uma coisa e pensar em coisas é bem outra. (Fodor, 1998b:64-5).
Receba a Crítica por emai
Richard Heck Jr. constata que falar sobre algo sem que possamos pensar sobre o que
falamos é conceitualmente insustentável. Fodor, numa linha distinta de raciocínio, vai
mais longe. Ele defende que nossas crenças, desejos e outros estados intencionais são
semanticamente unívocos, diferentemente das expressões lingüísticas. Mas, no exemplo
Boa ideia! Não, obrigado.
que nos oferece, o problema é a distinção entre a ambigüidade lingüística (que é real) e
uma alegada ambigüidade mental (que não existe). Tal problema, ao nível lingüístico, só
pode ser esclarecido com a aplicação de uma teoria sobre a forma lógica da generalidade
múltipla com relações. Quando dizemos “todos amam alguém” podemos estar dizendo ou
que (a) há um indivíduo que todos amam — o quantificador existencial está no escopo do AddT

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quantificador universal — ou que (b) para todos indivíduos, há pelo menos um indivíduo
que é amado. O significado de (a) é diferente do significado de (b). E não temos como
eliminar desta fórmula linüística a ambigüidade.

Fodor afirma que a expressão “todos amam alguém”, por sua forma, é inerentemente
ambígua. E algo que é inerentemente ambíguo não pode ser pensado.

Chego à moral de que “todos amam alguém” não é um possível veículo do


pensamento. O mais perto que você chega ao pensar em Inglês é pensar em alguma
regimentação ambiguamente livre do Inglês (…). Talvez, por exemplo, aquilo que
está em sua cabeça quando você pensa que “todos amam alguém”, na interpretação na
qual “todos” possui um escopo amplo, ou seja, “todo x, algum y, x ama y”. Esta é o
tipo certo de interpretação feita por qualquer pessoa, e se o for, não teríamos
necessitado de Frege para nos ensinar sobre variáveis ligadas. Talvez a intuição lhe
diga que você pense em seqüências de palavras, mas há uma boa razão para pensar
que isto está errado.

A boa razão é que, para Fodor, há expressões da linguagem natural para a qual contamos
com procedimentos lógicos para torná-las não ambíguas. Mas, em nível cognitivo, ao
nível de uma linguagem mental, não pode haver ambigüidade. Para ele simplesmente não
podemos pensar que “todos amam alguém”, embora possamos dizer isto em nossas
cabeças, em Inglês, por exemplo. Tal expressão não expressa pensamento algum. Posto
do modo não regimentado, ela pode ser interpretada de duas formas, dependendo, cada
uma delas, do escopo ao qual se aplica o quantificador. Pode ser que haja uma
interpretação regimentada correta para este caso, mas para chegar a ela precisamos de
uma sofisticada teoria sobre a forma lógica das proposições quantificidas com relações. E
quando pensamos, simplesmente pensamos de modo que os veículos do pensamento não
admitem ambigüidade. Conclusão: não podemos pensar numa língua natural porque essas
não prescindem de um teoria que as torne não-ambíguas. Não pensamos que “todos
amam alguém” em uma linguagem mental porque a expressão solicita uma interpretação,
que apenas uma teoria é capaz de fornecer. E, na linguagem mental, simplesmente
pensamos, sem teoria alguma sobre generalização múltipla.

A tese de Fodor, ilustrada por seu exemplo, é simples: enquanto podemos dizer muitas
coisas com uma e apenas uma expressão de uma linguagem natural e, neste plano,
permanecermos na dimensão da ambigüidade (enquanto tais linguagens são polissêmicas
ou inacessíveis á avaliação semântica) a linguagem da mente é inerentemente unissêmica.
Assim, dizer em Português, na minha cabeça, que todos amam alguém não é o mesmo
que pensar que todos amam alguém, porque “todos amam alguém” não é, como Fodor
afirma, suscetível de avaliação semântica. Fodor apenas está afirmando que, quanto ao
pensamento e sua relação com as linguagens naturais, como o Inglês e o Português, é
obviamente possível expressar conteúdos mentais nas linguagens naturais; mas, por outro
é obviamente impossível fazer dos veículos das linguagens naturais os veículos do
pensamento.
Receba a Crítica por emai
Torna-se notório o problema de se operacionalizar a cognição, fazendo-a dependente da
comunicação, como de fato o fazem todos que defendem a hipótese segundo a qual o
pensamento é idêntico à fala subvocalizada (pensar é igual a falar em silêncio consigo
mesmo, como disse Sócrates, em outro contexto e alguns filósofos atuais continuam
Boa ideia! Não, obrigado.
dizendo, na falta de uma teoria sobre a cognição).

Assim, o problema se oferece de tal modo que alguma caracterização intencional rigorosa
de estados mentais torna-se necessária para fundamentar uma teoria que seja capaz de
preservar nossas intuições sobre a intencionalidade pré-lingüística, intríseca ou AddT

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extrínseca. Eventos comunicativos são pragmáticos (na tradição dos estudos em


linguagem, a pragmática leva em conta os aspectos do uso da linguagem, uso que está
envolvido numa rede de circunstâncias interpessoais e condições de sociabilidade
condicionantes dos atos comunicação, além da intencionalidade — contexto, teorias de
background, indexicalidade, pressuposição, implicaturas e ênfase). Tais transações
articulam-se e produzem-se ao nível do comportamento aberto em que operam certos
padrões adquiridos que se conectam aos estados cognitivos5.

Não é necessário, por outro lado, estar envolvido em nenhuma situação comunicativa
para que alguém possua desejos e crenças. Organismos com capacidade cognitiva e
perceptiva podem possuir desejos, crenças, intenções, etc.… sem que, para isto,
participem de nenhuma situação comunicacional. Tais estados são intrísecos. Antes de
serem usadas socialmente, representações estão ativas naquilo que, segundo Dretske são
“processos cognitivos socialmente isolados”:

[o ponto de vista] faz a existência deste pensamento intralingüístico e socialmente


isolado não apenas possível, como ainda, se posso arriscar, uma conjectura empírica
amplamente espalhada. Esse pensamento existe em certos animais e em crianças pré-
lingüísticas. O ponto de vista do qual estou falando concebe o pensamento como
sendo uma espécie de representação e a representação como um fenômeno natural
que não mantém qualquer relação essencial com a linguagem (natural) e com o
contexto social. Alguns pensamentos podem possuir um caráter social, outros podem
depender da linguagem (natural), mas isto é porque eles são os pensamentos que são.
O pensamento em si é socialmente neutro (Dretske, 1993:190).

Isto equivale a ser capaz de identificar o conteúdo (o pensamento, a proposição) que a


representação pública expressa. Uma parte da história de ser capaz de conhecer o
significado é, como veremos, é ser capaz de dominar um sistema estruturado
sintaticamente. A outra parte: teorias representacionalistas devem produzir hipóteses
acerca dos vínculos representações-mundo. Há alguns termos técnicos usados
tradicionalmente (desde Frege e Russell) para designar os itens do mundo não-
representacional ao qual se vinculam as representações. “referência”, para os itens
designados pelos constituintes sintáticos das proposições que elas expressam — nomes de
particulares (ou próprios) e nomes de propriedades — e “valores de verdade”, “fatos”,
possíveis fatos, para os itens que correspondem às proposições. Por outro lado, o
conteúdo das proposições (seu sentido, como dizia Frege) corresponde às suas condições
de verdade, ou seja, àquilo que tornaria uma proposição verdadeira. Um exemplo: na
sentença (símbolo) “Os titãs eram filhos de Urano”, as condições de vedade
(conteúdo/proposição) são que os titãs são filhos de Urano, e o que torna a sentença
verdadeira, é que os titãos sejam efetivamente filhos de Urano.No caso, temos uma
representação pública (um símbolo sentencial), um conteúdo (a proposição que ele
expressa) e um valor-verdade, no caso o falso, porque não há titãs nem Urano, ou nenhum
fato que corresponde ao conteúdo que a sentença expressa.

Receba a Crítica por emai


Uma hipótese genérica sobre as representações tem implicações empíricas. E não há
questão mais premente para uma hipótese deste tipo do que enfrentar os problemas que
advêm da presença de representações em situações cognitivas ou comunicativas de fato.
Consideremos as expressões: “Sou destro” elicitada por dois falantes ( F e G) do
Boa ideia!
Português: na medida em que a expressão envolve um pronome Não, obrigado.
pessoal, sua condição de
verdade (o fato ou situação que ela enuncia) depende da referência de suas partes
constituintes.

Como a referência de “sou” é distinta nas duas ocorrências da expressão, o significado


AddT
das duas é distinto. Neste caso, dizemos que a condição de verdade de cada uma das
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ocorrências é distinta, embora tenhamos, ao nível lingüístico, a mesma representação


envolvida. Dizemos que, nestes casos, o significado não é apenas intrínseco à
representação: ele também é pragmaticamente dependente da circunstância indexical em
que a representação é usada. Daí a necessidade de explorar os fatores pragmáticos que
determinam o entendimento dos atos comunicativos. Isso fica evidente na caracterização
proposta por Stalnaker para as representações lingüísticas:

A sintaxe estuda sentenças, a semântica estuda as proposições. A pragmática é o


estudo dos atos lingüísticos e dos contextos nos quais são executados. Há dois
problemas principais a serem resolvidos no âmbito da pragmática: primeiro, definir os
tipos de atos de discurso e produtos de discurso; segundo, caracterizar os traços do
contexto de discurso que ajudam a determinar a proposição que está sendo expressa
por uma sentença dada. Especificar as regras que vinculam as sentenças de uma
linguagem natural com as proposições que elas expressam é um problema afeto à
semântica. Na maior parte dos casos, porém, tais regras não vincularão sentenças
diretamente a proposições, mas vincularão sentenças a proposições relativamente a
características do contexto no qual a sentença é usada. Tais características contextuais
são parte do objeto da pragmática. (Stalnaker, 1978: 383).

Em defesa da semântica intencional primária, cognitiva, — e da sua decorrência mais


óbvia, a de que o pensamento em si é socialmente neutro, pode-se resumidamente listar
os seguintes pontos: (a) representações são cognitivamente ativas em nossa fase pré-
verbal e em animais. Não é incorreto atribuir propriedades cognitivas a crianças em fase
pré-verbal ou em animais; (b) necessariamente aprendemos a usar uma linguagem
pública, mas não aprendemos a ter intenções, desejos, medos e crenças; (c) atos
lingüísticos expressam estados cognitivos, mas estados cognitivos não expressam nada.
Conteúdos proposicionais não possuem significado, eles são o significado (aquilo que é
expresso) de representações públicas. Estados mentais, enquanto tais, não significam
nada. O que o meu desejo de viajar a Paris expressa? Este desejo, como qualquer outro, é
algo que expressamos por meio de representações públicas, mas ele não é a expressão de
coisa alguma; ele simplesmente é o que é; (d) crenças, desejos e outros estados
intencionais são cognitivamente unívocas, diferentemente das expressões lingüísticas que
os expressam.

O significado da um ato expressivo decorre necessariamente de sua condição de ser uma


expressão, um dicto em sentido amplo, uma externalização de um estado mental cujo
traço característico, enquanto expressão comunicativa, é cumprir fins sociais; ou seja, que
decorre necessariamente de sua condição de veículo de uma representação originária.

Explicar a intencionalidade da mente pela intencionalidade das linguagens públicas seria


o mesmo que fazer os vagões de um trem puxarem sua locomotiva. Nesse caso, o que
impede que isso ocorra (em circunstâncias normais, obviamente) são as leis da física. No
caso da relação entre mentalidade e comunicação, são as leis da lógica e a ausência de
preconceitos metafísicos.
Receba a Crítica por emai
Quando um veículo x carrega informação sobre y, o conteúdo de x é a informação que x
carrega sobre y. Em transações comunicativas, temos a intenção de usar e usamos
veículos para transmitir informações. Devo possuir uma certa destreza no uso de veículos
(sinais, marcas, etc.…) físicos dos quais sou capaz de dispor de modo recorrente e
Boa ideia!
segundo certas regras e que eu saiba, ou pelo menos suponha, Não,
que meu destinatário obrigado.
possui
a mesma destreza de uso com relação a estes mesmos veículos. Na descrição de um ato
de comunicação, estão envolvidos necessariamente os seguintes conceitos: intenção,
veículo e informação.
AddT

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27/12/2018 Intencionalidade, comunicação e cognição

Atos comunicativos são intencionais porque são vinculados a estados não comunicativos,
como intenções (e crenças e desejos e outros eventos deste tipo). Intenções e crenças são
tipos de estados ligados causalmente a atos de comunicação e a cursos de ação que
elegemos como relevantes em vista de certos propósitos previamente definidos. Eles
mantêm relações de antecedência-conseqüência com ações. Mesmo que não sejam causas
no sentido físico de “causa”, há uma propriedade relacional que podemos chamar de
causal-com-restrições, que vincula estes eventos não comunicativos a ações
comunicativas, nas quais informações são dirigidas de um sujeito a outro.

Admitamos que a noção de causa natural corresponde a um esquema nomológico,


segundo o qual, em condições ideais, o enunciado “x causa y é uma lei natural”, equivale
por definição ao enunciado: “a ocorrência do evento x é uma condição necessária e
suficiente para a ocorrência do evento y”. O problema é que no domínio da psicologia,
entendida aqui como teoria sobre os vínculos entre estados mentais e o comportamento,
não contamos com um modelo assintótico para enunciados desse tipo, em que eventos
mentais sejam condições necessárias e suficientes para comportamentos e ações. Por
outro lado, não podemos negar, com base na imensa evidência disponível, que os últimos
estejam, de algum modo, conectados a eventos mentais, por relações de antecedência-
conseqüência.

Alguns partem dessa anomalia para defender a tese de que o âmbito do mental é ou
encapsulado numa ontologia especial, avessa à causalidade da natureza ou, no melhor dos
casos, suspeito de existir na condição em que pensamos que existe quando usamos a
nossa “linguagem de grau B”, ou seja, trata-se de uma mera projeção de nosso
comportamento ou disposições comportamentais.

Há, no entanto, saídas racionais deste impasse, que, se inevitável, ou teria o efeito lógico
de banir o âmbito do mental do horizonte científico ou de isolar, para este âmbito, uma
ciência correspondente, para a qual a noção de causa seria dispensável. Em qualquer das
alternativas, os resultados são inaceitáveis para fins teóricos.

Em “Mental Events”, Donald Davidson apresenta uma solução possível para o impasse.
Para ele, a idéia da inapreensibilidade dos fenômenos mentais por leis físicas é elusiva
com relação à própria noção de lei causal:

Causalidade e identidade são relações entre eventos individuais, não importando o


modo pelo qual são descritos. Mas leis são lingüísticas; e assim eventos podem
instanciar leis e, conseqüentemente, podem ser explicados ou preditos à luz de leis,
apenas na medida em que são descritos de um ou de outro modo. O princípio da
interação causal lida com eventos em extensão, sendo, portanto, cego para a
dicotomia fisíco-mental. O princípio do anomalismo do mental concerne a eventos
descritos como mentais, pois eventos são mentais apenas enquanto (eventos)
descritos. O princípio do caráter nomológico da causalidade deve ser lido com
cuidado: ele diz que quando eventos são relacionados como causa e efeito, eles
Receba a Crítica por emai
possuem descrições que instanciam uma lei. Ele não diz que cada enunciado singular
verdadeiro de causalidade instancia uma lei (Davidson, 1980:. 215).

Davidson afirma que descrições mentalistas não implicam que um evento mental x não
possa ter curso no mundo governado pela causalidade física. Decorre daí que o princípio
davidsoniano da interação causal anômala é receptivo àBoa ideia!
conexão Não, obrigado.
causal de eventos
mentais e eventos físicos. Ações, não esqueçamos, são eventos físicos e esta pode ser
uma saída para quem deseja evitar o mero reducionismo materialista ou o dualismo
cartesiano, dos quais decorrem indesejáveis dificuldades epistemológicas. Mas há outros,
como a noção e causalidade formal, ceteris paribus, que veremos mais adiante. AddT

https://criticanarede.com/men_intencio.html 13/21
27/12/2018 Intencionalidade, comunicação e cognição

Resumindo: uma crença x apresenta duas características importantes: (a) é um evento


psicológico que possui conteúdo representativo e (b) funciona como causa para um curso
de ação. É claro que a descrição desses estados intencionais, como de resto, de todos os
demais eventos psicológicos intencionais, requer a referência aos seus conteúdos e ao seu
papel causal. Não há intenções ou desejos intransitivos, mas intenções de fazer ou deixar
de fazer tal ou tal coisa. Não há ações descoladas causalmente de fenômenos mentais.

Esses conteúdos não são objetos. São configurações mentais de conceitos ou de relações
entre conceitos na mente de um organismo cognitivamente apto. Um objeto, em sentido
amplo, é extralingüístico e é aquilo que faz uma configuração destas, uma crença,
digamos, ou um enunciado declarativo, serem verdadeiros ou falsos. Objetos apresentam-
se ou podem se apresentar à cognição sob certa condição ou relação a alguém que pensa.

Se segue à conclusão de tudo isto que, diferentemente dos objetos, conteúdos


representativos não envolvem a ocorrência de objetos sob certas condições ou em
relações ocorrentes com outros objetos. Um conteúdo representativo envolve ou a mera
possibilidade de tais ocorrências entre objetos existentes ou a mera possibilidade lógica
de que ocorram entre objetos que se sabe não existem — objetos de dicto apenas, a
exemplo de entidades ou propriedades, como Pégaso, a paz mundial e o maior número
natural.

Dizemos que uma proposição possui propriedades sintáticas que as habilitam a ser usadas
em raciocínios e a transmitir informação sobre o mundo. Dizemos, por exemplo, que os
Andes são maiores que os Pirineus e isto que dizemos (a proposição que esse enunciado
veicula) tem uma determinada estrutura interna, que é expressa pela estrutura externa da
sentença. Se não tivesse a estrutura lógica que possui, a sentença “os Andes são maiores
que os Pirineus” não seria a expressão de uma proposição, mas uma seqüência sem
sentido de sons e uma mera seqüência de sons não nos comunica nada e não serve para
pensar em nada.

Desde Platão e Aristóteles, mas especialmente depois de Frege, no final do século XIX,
que introduziu as noções lógicas contemporâneas, tornou-se imprescindível pensar em
todos os sistemas representacionais como sendo estruturados internamente a partir de
propriedades composicionais de seus itens constituintes. Aplicada abrangentemente, o
chamado Princípio da Composicionalidade condiciona qualquer idéia de representação
que possamos formular coerentemente.

Do ponto de vista cognitivo, tais propriedades são indispensáveis para a compreensão de


como somos levados de certos pensamentos iniciais para outros pensamentos, em cadeias
inferenciais que configuram processos progressivamente complexos. As propriedades
formais das representações são causalmente responsáveis por tais processos que nos
levam a (i) a fazer inferências segundo determinadas leis e (ii) a agir em conformidade
com tais pensamentos. Assim, chamo um processo representacional de “progressivamente
Receba a Crítica por emai
complexo” na medida em que podemos rastrear as propriedades combinatórias dos itens
envolvidos na implementação das possíveis representações do mundo em nível cognitivo,
representações que são causalmente responsáveis pelos cursos de ação no mundo. Para
que tais processos possam ser teoricamente descritos, portanto, é necessário atribuir
propriedades sintáticas às representações que deles fazem parte na condição de itens
constituintes.
Boa ideia! Não, obrigado.

A responsabilidade causal, em jogo aqui como hipótese explanatória é uma função das
propriedades que tais itens da cognição possuem para encadear-se segundo leis lógicas.
Tal causalidade não é física, mas sintática ou formal e somente representações as AddT

https://criticanarede.com/men_intencio.html 14/21
27/12/2018 Intencionalidade, comunicação e cognição

possuem. A causalidade formal é codificada em instâncias de representações-tipo: “o


imput representacional A causa o output representacional B” é uma instrução
mecanizável do tipo exclusivamente sintático e pode ser executada por computadores
digitais simples (essa afirmação não se esgota no âmbito doxástico, mas têm aplicações
conhecidas desde Alan Turing e sua máquina). A sintaxe binária explica como tal
procedimento é possível dadas as propriedades combinatórias de A e de B. Nesse sentido
(amplamente aceito em computação aplicada e em teorias sobre a inteligência artificial)
dizer que A causa B é dizer que A é formalmente a causa de B.

Conclusão: a composicionalidade é inerente ao conteúdo de estados mentais, porque


todas as proposições devem ser computáveis. A teoria da representação deve distinguir
entre o plano da estruturação do conteúdo representacional (a proposição) e o plano da
estruturação das possíveis expressões do conteúdo representacional (lingüísticas e não-
lingüísticas). Tal hipótese traça uma distinção decisiva: ao localizar o conceito de
representação em dois níveis, a saber: (a) ao nível estruturado e sintático da proposição,
no qual se operam processos de inferências, expressos em interações comunicativas, por
distintos sistemas expressivos e (b) ao nível do conteúdo conceitual dos itens que
constituem as proposições. O problema da determinação do conteúdo dos itens que
constituem um sistema representacional de ordem derivada, comuncativo e público
portanto, é a questão de se saber o que faz de uma representação pública o veículo de um
conteúdo proposicional cognitivo.

Perguntas novas podem proliferar aqui. Mas é óbvio que propriedades estritamente
cognitivas são distintas de propriedades comunicativas e que é preciso estabelecer as
relações apropriadas entre as últimas e as primeiras. Esta é uma das tarefas, senão, a
tarefa, da semântica em sentido amplo.

Há muitas questões conceitualmente complexas envolvidas nesse ponto crucial do


problema e penso que a melhor teoria disponível é a teoria atomista e informacional do
significado, entre outros, defendida por Dretske, Fodor e Lepore. Muitos confundem essa
teoria com uma posição atomista acerca da psicologia e isso é um erro. O atomismo
semântico e informacional não é incompatível com o holismo epistemológico ou
psicológico. Tratei desse tema num texto exaustivo6 e aqui vou apenas lembrar de seu
eixo central.

Em suma, os atomistas dizem o seguinte: o problema está ligado à busca da determinação


e da invariância do componente semântico de uma expressão lingüística; a ocorrência de
uma palavra x é a expressão de seu conteúdo e o conteúdo de x é uma representação
mental: duas ocorrências da mesma palavra possuem o mesmo conteúdo,
independentemente de serem usados por falantes que não compartilham da mesma teoria
ou da mesma ideologia. Mesmo da incompatibilidade de dois sistemas de crenças (teorias
e ideologias) não se conclui que ambos sejam incomensuráveis cognitivamente, ou seja,
naquilo que concerne ao seu conteúdo semântico ou significado. Discordar sobre a
Receba a Crítica por emai
adequação de teoria neste ou naquele caso pressupõe que os sujeitos da discordância
possam convergir quanto ao conteúdo de suas divergências. E essa convergência, mesmo
em meio a muitas divergências, pressupõe a invariância e a constância do conteúdo
semântico das representações usadas pelos sujeitos discordantes. Concluímos daí que o
conteúdo de uma crença não é condicionado pela eventual Boarede de crenças com Não,
ideia! as quais a
obrigado.
primeira se relaciona. E concluímos mais: que há um distinção interna entre estados
intencionais: uma distinção entre seu modo psicológico (crenças, desejos, etc.…) e seu
conteúdo, que os integra e que os fazem dirigir-se a algo.
AddT

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Os atomistas dizem que, ao nível da constituição do conteúdo representacional, ou seja,


ao nível da elaboração de hipóteses nomológicas sobre a determinação do conteúdo
representacional, devemos levar em conta que dois falantes da mesma língua ou de
línguas e/ou idiomas intertradutíveis (como o Português e o Inca) por exemplo,
significam o mesmo fenômeno com a palavra “luz”( em Português) e “tapale” (em Inca),
mesmo que discordem acerca do que o fenômeno luz seja. Em outras palavras, mesmo
que possuam diferentes crenças sobre o que a luz é. Para um curandeiro inca da América
pré-colombiana, luz era uma manifestação da bondade do deus Tala, enquanto para um
cientista contemporâneo, luz é radiação eletromagnética. No entanto, ambos sabem que
“luz” e “tapale” significam luz. Há um núcleo semântico invariável que sustenta as
distintas possíveis interpretações da palavra luz em situações diversas por falantes
diversos. Tal núcleo garante que, apesar de discordarmos de tudo sobre a luz, sabemos o
que a palavra “luz” significa na sua origem: um determinado fenômeno que causa em nós
uma representação mental específica quando estamos diante dele.

É isto que distingue as posições dos atomistas das posições dos holistas com respeito à
determinação e à variação do significado. Para os últimos, o conteúdo é indeterminado e
variante porque é dependente de relações intrateóricas dos conceitos/conteúdos e ou
palavras/elocuções. Ou seja, os holistas acreditam que o conteúdo é condicionado pelo
modo psicológico do qual participa. Se minha crença x se relaciona com um conjunto
indefindo de crenças, tal relação condiciona o conteúdo de minha crença. Um atomista
diz o contrário. Que o sistema de crenças não intervêm na constituição do conteúdo de
uma crença específica. Por essa razão, um atomista por ser um holista com relação à
existêcia necesária de mais de uma crença e permanecer no atomismo de conteúdo.

Já os defensores da idéia segundo a qual a compreensão de unidades significativas é


inteiramente dependente de rede de representações que integra, aceitam, explícita ou
implicitamente, o Holismo Semântico (HS). Um holista dirá que símbolos significam em
função de relações que mantêm com outros símbolos. Ou seja, que para um indivíduo A,
“água1” significa água porque essa expressão é usada na inferência água mar. E para um
indivíduo B, “água” significa água porque é usada na inferência água chuva e mar. O
significado da palavra “água2” seria, obviamente indeterminado, por que dependeria do
tipo de inferência na qual está envolvida. O significado de um signo qualquer seria
oscilante, porque dependeria de oscilações inferenciais daqueles que usam signos.

Segundo os holistas, condicionamentos inferenciais, epistêmicos incidem sobre o


significado e impedem a determinação do conteúdo do que dizemos. Essa tese é
obviamente indesejável para quem defende uma idéia atomizada do conteúdo de um
signo: não poderíamos saber se quando dizemos agora algo para um interlocutor, este
entende o que queremos dizer ou se entende algo apenas parecido ou mesmo algo
inteiramente diverso.

O indeterminismo seria uma conseqüência teoricamente indesejável do holismo, mesmo


Receba a Crítica por emai
que muitas vezes e de fato desejemos dizer algo com algum signo e aquilo que queremos
dizer seja entendido de modo diverso. E não me refiro a situações nas quais estão
envolvidas ignorância de vocabulário ou o uso de jargões especializados. Refiro-me ao
nosso dia-a-dia, a casos como aqueles em que é comum ouvirmos “mas o que você quis
dizer mesmo com isso?”. Assim, o holismo parece ser uma
Boaresposta
ideia! a esta não Não, obrigado.
infreqüente discrepância entre dicção e compreensão.

Deste modo, para tornar a aceitação do holismo inevitável, seria necessário sustentar que
o seguinte argumento, ou Argumento Holista (AH) é conceitualmente impositivo:
AddT

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27/12/2018 Intencionalidade, comunicação e cognição

Argumento Holista

1. O conteúdo semântico de uma unidade significativa S (um símbolo, uma


representação mental) é determinado pelas relações (inferenciais/ epistêmicas) de S
com todas as unidades significativas que integram a linguagem L ou sistema de
representações a qual S pertence.

2. Para determinar o significado de S, é necessário determinar s relações de S com


todas as expressões da linguagem L da qual S é parte.

3. É impossível determinar as relações que S mantém com todas as demais expressões


de L, porque L é infinita.

4. Não podemos determinar o significado de S.

5. O significado de S é indeterminado.

O HS só é desastroso para um atomista, porque um atomista acredita que o significado de


um signo é fixo. O HS, além disso, não deve ser necessariamente entendido radicalmente,
ou levado a ser interpretado por suas últimas conseqüências, essas sim desastrosas
evidentemente, porque aí ninguém entenderia sequer a si próprio.

O que todo holista defende é um HS suave, no qual a indeterminação passaria a ser


tolerável e não apresentaria os efeitos nocivos do HS radical. Podemos desonerar a carga
da indeterminação e sustentar que a impossibilidade da determinação do conteúdo não
impede que haja conteúdo, não se seguindo assim a estrita impossibilidade da
compreensão do que pessoas dizem umas às outras ou de uma margem de constância do
conteúdo daquilo que dizemos em momentos distintos. O que se seguiria seria a
impossibilidade da semântica determinada, na qual signos possuem significados fixos.

Segundo essa versão suave do HS, a identidade de significado é aplicável como idéia
aproximativa de conteúdo e de similaridade ou semelhança de significado. Quando
profiro o enunciado p, você entenderia aproximadamente que p e não exatamente que p.
O p que você entende é semelhante em significado ao meu proferimento de p. A
semelhança é garantida por fatores lógicos, pragmáticos e epistemológicos, ou se preferir,
pelo tipo de jogo de linguagem no qual p é proferido e compreendido. Enfim, é a
semelhança do significado que sustenta a possibilidade da compreensão do que dizemos
uns aos outros, além de garantir aquelas características de estados cognitivos e atos de
comunicação que, no caso de uma leitura estrita do holismo, estariam interditadas. Aqui
se defende uma concepção ou aproximativa ou probabilística ou contextualista ou
interpretativista do significado.

Bem, até aqui parece que o HS é o conhecimento assentado sobre a semântica. Mas só
parece: um holismo atenuado pela noção de proximidade ou semelhança de significado
não é, por si só, impositivo. Primeiro porque cabe ao holista o ônus de provar o que torna
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duas emissões lingüísticas semelhantes em significado e, para começar, eles devem
explicar o que é ser semelhante neste caso. Ser semelhante é uma propriedade que,
qualquer coisa pode possuir quando relacionada a qualquer outra coisa, por estipulação.
Meu gato e minha prima são semelhantes porque, por estipulação, meu gato e minha
prima me fazem lembrar de minha infância.
Boa ideia! Não, obrigado.
Mas digamos que um holista possa construir um conceito mais firme de semelhança, para
propósitos explanatórios, que vença o caráter meramente estipulativo e, por isso, indevido
teoricamente. Talvez o conceito de semelhança seja fixado com base no conceito de uso:
duas expressões possuem significado semelhante se são usadas de modo semelhante. AddT

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Obviamente o problema se transfere para o deslinde teórico da idéia de uso e essa parece
ser uma tarefa para qual filósofos da linguagem tem uma especial predileção
wittgensteiniana, embora nada do que eles sustentam pode ser aceito como indisputado,
como acima já vimos.

Deste modo, as inconsistências holistas mais salientes são as seguintes: (a) a verdade do
holismo implica a sua própria falsidade e ninguém lúcido pode pretender defender uma
teoria que se auto-refuta, como demonstra o Argumento Holista (AH); (b) o holismo é
incapaz de explicar como alguém pode mudar de opinião acerca de algo que acredita ser
verdadeiro, sem mudar de opinião acerca de tudo o que acredita ser verdadeiro; (c) o
holismo impede que duas pessoas possuam pensamentos idênticos (façam referência às
mesmas coisas, possuam desejos idênticos, etc.…), porque a identidade de um
pensamento (de referência, de desejos) requer a identidade de todos e não há duas pessoas
capazes de coincidir em tudo aquilo que pensam (a que fazem referência ou desejam).

Não é necessário tecer mais comentários sobre a nocividade de (a); por sua vez, (b) colide
frontalmente com aquilo que a maior parte de nós faz habitualmente, a saber, conserva
algumas opiniões sobre certas coisas, enquanto muda de opinião sobre certas outras
coisas e (c) acarreta um solipsismo inviabiliza a comunicação e torna indecifrável tudo o
que os outros pensam. Portanto, a questão é saber se (e porquê) o holismo semântico
apresenta de fato tais características nada recomendáveis.

Um holista pode defender-se da acusação de insanidade. Stich, por exemplo, diz “que
ninguém jamais endossou explicitamente essa versão radical de Holismo. (…) o anti-
holismo de Fodor é dirigido contra um 'espantalho'” (Stich, 1991:.69). Em certa medida,
Stich tem razão, se considerarmos que o holismo criticado por Fodor e Lepore (o
espantalho), é uma construção radicalizada que raramente é defendida. Mas o ponto que o
espantalho de Fodor e Lepore suscitam é que tal construção subjaz aos enfoques
relativistas e cientificamente céticos em semântica. É este espantalho que pretende
justificar a tese de que não há solução teórica localista (atomista e muito menos
funcionalista) para a semântica. Os holistas podem não admitir explicitamente que a
ausência de soluções localistas em teoria do significado implica a ausência de qualquer
solução para a semântica. Mas isto não torna o HS menos destrutivo para uma agenda
teórica voltada para a solução de problemas semânticos.

Mas daí não se segue que as propriedades semânticas sejam determinadas porque (a)
localizadas em símbolos individuais e (b) o conteúdo de cada símbolo individual é
independente do conteúdo de qualquer outro símbolo. A falsidade do holismo não
acarreta, em princípio, a falsidade de uma semântica inferencial estrita, conhecida como
semântica do papel funcional (SPI). O problema do funcionalismo semântico é outro: sua
aceitação depende de que possamos defender ou uma idéia de analiticidade (inferência
necessária) — que depois de Quine, caiu em desuso,- ou uma idéia de contexto ideal de
inferência que, como veremos, é falsa.
Receba a Crítica por emai
Quine está certo quando afirma que de fato não há enunciados analíticos, como pensavam
os positivistas lógicos, ou seja, enunciados que são verdadeiros a priori ou logicamente
verdadeiros, porque basta saber qual é o significado dos seus termos para verificar sua
verdade. Um exemplo: todas as mulheres são do sexo feminino. Para Quine, este
Boa ideia!
enunciado é verdadeiro, mas não porque o significado de ser mulher é idêntico ao
Não, obrigado.
significado de ser do sexo feminino. Esse enunciado é verdadeiro em um contexto, mas
não em todos os contextos. A razão é fácil de compreender: não conhecemos nenhuma
mulher que não seja do sexo feminino, mas isto não faz que necessariamente mulheres
sejam do sexo feminino. Pode haver um mundo no qual algumas mulheres sejam em tudo AddT

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semelhantes às mulheres do nosso mundo e que pertençam, algumas ao sexo deminino


(que não existe em nosso mundo) e outras ao sexo feminino. Há diferenças entre os sexos
feminino e deminino (digamos que umas são férteis e outras inférteis por constituição
genética). Esse mundo que não conhecemos é um mundo possível e nele há essa divisão
entre tipos de mulheres. Logo, o enunciado todas as mulheres são do sexo feminino não é
verdadeiro a priori, mas, como qualquer outro enunciado, é verdadeiro em virtude da
experiência que temos, ou seja a posteriori.

Quine, nessa mesma linha defendia que a verificação de qualquer enunciado é


teoricamente dependente e o exemplo dado acima ilustra essa afirmação. Assim não há
inferências necessárias (se mulher então feminino). E se não há inferências necessárias, o
significado de um termo é correlato das inferências contingentes nos quais ele é usado.
Logo, não há persistência de significado e (logo) o significado não pode ser alvo de uma
teoria sobre sua constituição, porque sempre dependemos de uma situação intrateórica ou
intracontextual variável para captar o que um termo significa. Observe-se que Quine é um
filósofo lúcido: ele não diz que termos não possuem significado. Ele diz que não
podemos construir uma teoria sobre o significado.

Ao contrário do que possa parecer, o holismo de Quine não destrói a semântica


inferencialista, nem a atomística, embora seja correta a sua crítica à noção de
analiticidade epistêmica. E a noção-chave aqui, para compreender esse aspecto do
problema, é o que queremos dizer com constituição do significado. Adeptos de uma
semântica inferencial dizem que o que constitui o significado é a relação de um signo
com um ou mais signos, mas não são obrigados a dizer que tais relações são necessárias.
Se o fizessem, a crítica quineana tornaria tal concepção falsa. Adeptos da semântica
atomística afirmam que o significado é constituído por uma relação extrínseca com um e
apenas um não símbolo. E Quine, estritamente diz que não podemos falar em constituição
do significado porque nos deparamos com o problema de relações de signos com todos os
demais signos de uma linguagem ou de uma teoria.

Se falamos de constituição de significado e somos inferencialistas, a única saída é dizer


que em um determinado contexto, se p então s constitui o significado de p e se p então q
constitui o significado de p em outro contexto. E que numa situação ideal, o significado
de p é constituído por uma relação inferencial constante, o que implica admitir que nessa
situação ideal todos fazem as mesmas inferências. Mas o problema é definir qual é a
situação ideal. Em semântica, dadas as condições nas quais inferências são feitas, não
contamos com nenhum modelo ideal no qual sempre as mesmas inferências seriam feitas
por todos. Por isso, não são inferências que constituem o significado, porque não há, na
perspectiva oferecida pela SPI, um modelo ideal de inferência constitutiva do significado.

Resta-nos, assim, a constituição do significado em nível atomístico e, nesse nível


podemos afirmar que o significado de um termo é constituído por uma e apenas uma
relação nômico-causal com algo no mundo. E que um enunciado pode ser analítico a
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posteriori, por razões causais e não epistemológicas, quando a mesma coisa no mundo
causa duas representações morfologicamente distintas. Por exemplo: solteiro e não
casado são termos sinônimos, porque causados por pessoas que possuem a mesma
propriedade. Trata-se de um enunciado analítico por razões causais e não
epistemológicas. Boa ideia! Não, obrigado.
Conclusão: a semântica holística é autodestrutiva, a semântica molecularista é falsa e o
atomismo, até prova em contrário, é a única doutrina conhecida que pode nos acenar com
uma teoria sobre a constituição do conteúdo intencional de nossos estados mentais e da
identidade de significado de termos distintos. E o mais radical dos quineanos em matéria AddT

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de propriedades inferenciais, epistêmicas ou doxásticas pode, sem contradizer-se,


sustentar que as propriedades semânticas são atomísticas. Você pode dizer que se alguém
possui uma crença, então necessariamente possui pelo menos alguma outra com a qual ela
está relacionada inferencialmente. Mas não pode afirmar que os conteúdos de tais
crenças, estejam necessariamente relacionados a outros conteúdos. Crenças podem ser
holísticas, mas conteúdos são atomísticos.

Luís Milman

Notas
1. A obra de Brentano pode ser vista como divisor de águas para a filosofia da psicologia. Seus
textos foram publicados em 1874, sob o título de Psychologie von empirischen Stanpunkunt
(Psicologia de um ponto de vista empírico). A tradução inglesa adotada pelos comentadores
mais recentes é Psychology from an Empirical Standpoint, London, Routledge & Keagan
Paul, 1973. A obra foi concebida para conter 6 (seis) volumes, mas apenas os dois primeiros
foram publicados, sob os títulos (aqui referidos em inglês) de Psychology as a Science e
Mental Phenomena in General. Alguns de seus comentadores contemporâneos, para
referência de leitura são Roderick Chisolm, Realism and the Background to Phenomenology,
Glencoe, The Free Press, 1960, L.L. McAlister (ed), The Philosophy of Brentano, London,
Duckworth, 1976; David Carrr, em “Intentionalitiy”, in: E. Pivcecic (ed), Phenomenology
and Philosophical Understanding, London, Hutchinson, 1975 e David Bell, Husserl, The
Arguments of the Philosophers, Routledge, London and New York, 1990.
2. Estritamente, o operacionalismo decorre de uma idéia epistemológica, o (instrumenalismo) e
não semântica. No entanto, a semântica, pelo menos a semântica tal como muitos pensadores
a praticam, desde Dewey, Peirce, Wittgenstein, os neopositivistas e Quine, certamente e toda
a tradição behaviorista, é condicionada pela epistemologia e, sobretudo por uma modalidade
ou outra de instrumenalismo, que, em linhas gerais, é a tese segundo o qual teorias servem
para fazer predições e, a partir delas, para que possamos extrair enunciados singulares que
possuem eficácia prática.
3. Willard Quine, “Quantifiers and propositional attitudes”, in: Journal of Philosophy, 53, 1957.
4. Há outros autores — o mais conhecido é Tyler Burge — que se dedicaram à distinção entre
enunciados de re e de dicto, mas essa discussão ampliada não é relevante para meus
propósitos nesse ensaio. Tais discussões envolvem indexicais, nomes próprios e a
possibilidade de sermos cérebros numa cuba ou softwares programáveis, tema sobre o qual
há um estudo específico nessa coletânea. Para uma visão do problema e suas conexões com
as questões filosóficas que referi, recomendo o execelente estudo de Kenneth Taylor, “De re
and de dicto: against the conventional wisdom”, in: Philosophical Studies, 16, Language and
Mind, 2002.
5. A título de menção, cito as teorias (i) das implicaturas e relevância conversacionais de Grice,
Sperber Wilson e Gazdar, (ii) das pressuposições e dos mundos possíveis de Montague e
Stalnaker, (iii) dos contextos, de Hungerland e (iv) da indexicalidade, de Bar-Hillel, inter
alia.
6. Cf. Luís Milman, A Natureza dos Símbolos. Explorações Semântico-filosóficas, Porto
Alegre, Editora da Universidade, UFRGS, 1999. Receba a Crítica por emai
Referências
Boa ideia! Não, obrigado.
Brentano, Franz. Psychology from an Empirical Standpoint, London, Routledge & Keagan
Paul, 1973.
Davidson, Donald. Mental Events, in: Essays Actions & Events, Oxford, Clarendon Press,
1980.
Dretske, Fred. The nature of thought, in: Philosphical Studies, 70, 1993. AddT

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Dummett, Michael. The Logical Basis of Metaphisics, Duckworth, Chippenham, Wiltshire,


1995.
Fodor, Jerry and Lepore, Ernest. Holism, a shopers's guide. Cambridge, Basil Blackwell,
1992.
Fodor. Jerry. Concepts. Where Cogntive Science Went Wrong, Clarendon Press, Oxford,
1998a
—— In Critical Condition. Polemical Essays on Cogntive Science and the Philosophy of
Mind, A Bradford Book, The MIT Press, cambridge, Mass., 1998b.
Heck Jr, Richard. Use and Meaning, in: http://www.fas.harward.edu/~heck.
Milman, Luís. A Natureza dos Símbolos. Explorações Semântico-filosóficas, Porto Alegre,
Editora da Universidade, UFRGS, 1999.
Quine, Willard. V. O. Quantifiers and propositional attitudes, in: Journal of Philosophy, 53,
1956.
—— Word and Object, MIT Press, Cambridge, MA, 1960.
—— Ontological Relativity and other Essays, New York, Columbia University Press, 1969.
Stalnaker, Robert. Assertion, in: Syntax and Semantics: Pragmatics, vol . 9. P. Cole (ed)
Academic Press, 1978. p. 383.
Searle, John. Intencionalidade, São Paulo, Martins Fontes, 1995.
Stich, Stephen. “Narrow Content Meets Fat Syntax”, in: Leower, Barry and Rey, Georges,
Meaning in Mind: Fodor and His Critics, Oxford: Basil Books, 1991.
Wittgenstein, Investigações Filosóficas, Lisboa, Fundação Calouste Gulbekian, 1987.

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