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FRATELO

Fraternidade Espiritualista Luz de


Oxalá

22 anos

Belo Horizonte
2016
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 2
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 3

Sumário
Agradecimentos _________________________________ 6
Prefácio ________________________________________ 7
Introdução ______________________________________ 8
Capítulo 1 _______________________________________ 9
Antes do início ____________________________________ 9
O início _________________________________________ 15
Capítulo 3 ______________________________________ 22
O crescimento ____________________________________ 22
Os trabalhos externos______________________________ 29
Capítulo 4 ______________________________________ 36
Projeto Camará ___________________________________ 36
Capítulo 5 ______________________________________ 42
Fratelo – Belo Horizonte ____________________________ 42
Capítulo 6 ______________________________________ 46
Depoimentos_____________________________________ 46
Patrícia C. Fernandez Librelon (Inaê) __________________ 46
Cinthya Andrade Pimenta Dimas (Oloxum) _____________ 49
Eiddy Milenne Cristine Frois Costa ____________________ 53
Fábio Alves Pereira ________________________________ 54
Flávio Peçanha ___________________________________ 58
Iara Janaína Fernandez Librelon (Yemoja) ______________ 59
Kelly Cristina Sá (Kitula) ____________________________ 60
Kelly Luciane Lobenwein (Kianda) ____________________ 62
Maria Helena Lobenwein Morais (Odara) ______________ 63
Natália de Moraes Rezende _________________________ 65
Patrícia de Moura Domingues _______________________ 67
Raíssa Marinelle Belchior e Lima _____________________ 69
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 4

Rodrigo Martins da Silva ___________________________ 70


Sarah Karoline de Almeida Macedo ___________________ 71
Vedra Lobenwein Morais (Marbô) ____________________ 72
Vera L. Pereira (Samba Boquê Boquê) _________________ 73
Viviane Leal ______________________________________ 74
Testemunhos de consulentes ________________________ 76
Sr. Edgardo. ______________________________________ 76
Eva da Conceição Ramos ___________________________ 77
Gersi Diniz _______________________________________ 77
Joana D'arc Gonçalves Silva _________________________ 77
Marcela Diniz do Santo Silva ________________________ 78
Márcia __________________________________________ 78
Maria de Fátima Fernandes Cândido __________________ 78
Maria Florentina da Conceição_______________________ 79
Maria Helena Gonçalves ____________________________ 79
Raquel Ribeiro Santiago ____________________________ 79
Ricardo Augusto Silva ______________________________ 79
Capítulo 7 ______________________________________ 81
Causos e estórias _________________________________ 81
Vedra Lobenwein _________________________________ 81
Patrícia Librelon __________________________________ 82
Patrícia Librelon __________________________________ 83
Wagner Librelon __________________________________ 84
Capítulo 8 ______________________________________ 85
Álbum de fotos ___________________________________ 85
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 5

“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressureição e a vida. Aquele que


crê em mim ainda que morto viverá. E todo aquele que vive e crê em
mim, jamais morrerá.”

(João 11:25-26)
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 6

Agradecimentos
“Fia, cuide dessa “casica” como suncê cuida da sua casa!”
Vó Maria Costureira

Há 22 anos nasceu a Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá


– Fratelo. Não é fácil contar do nascimento de um terreiro que não
acompanhamos desde o início, mais fácil seria contar como
renascemos neste Templo Sagrado.
Ouvir todas as histórias, depoimentos comoventes e casos
divertidos nos faz compreender que realmente havia um chamado
maior. Pudemos retomar um compromisso há muito estabelecido,
com a ajuda e o impulso de nossos queridos guias, que nos trouxeram
de mãos dadas à Fratelo.
Hoje relendo cada palavra aqui escrita, podemos renovar
nosso amor pela Umbanda, tal qual nos foi apresentada por esta casa,
tal qual praticamos com amor, fé, fraternidade e caridade.
À Fratelo, nossa gratidão por nos reapresentar nossa essência
e nos reconectar ao Divino. Aos 22 anos da Fratelo, damos parabéns
e agradecemos a oportunidade de reviver esta história e reforçar
nossos laços.

Curso de Neófitos Nível II – 2°/2015


Lavinnya Medeiros Fernandes de Araújo
Matheus Ventura
Patrícia de Moura Domingues
Rodrigo Martins da Silva
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 7

Prefácio

Através desse livro o leitor conhecerá a trajetória da Fratelo


desde o seu começo, em 1995, até os dias atuais. Foram contadas
aventuras e, percorrer esse caminho por si só uma aventura. Acredito
que o leitor irá se encantar com os fatos aqui narrados, cercados de
força de vontade, alegrias e dores, porém sempre com uma narrativa
suave e de leitura prazerosa. Esse trabalho foi desenvolvido como
monografia de um grupo de discípulos do Curso nível II, 2° semestre
de 2015, ministrado na Fratelo. Tenho a acrescentar que o trabalho
está excelente e o leitor irá se deleitar com a narrativa apresentada por
esses membros da entidade e que tão bem souberam contar “a saga da
nossa Casa, Fratelo”.
Belo Horizonte, agosto de 2016
Mãe Dulce
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 8

Introdução
“Nunca desista. Se o problema é grande, Deus que nos criou é
maior.” Vó Conceição
A Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá é formada por
praticantes da religião de Umbanda, que se colocam a disposição para
o acolhimento e atendimento fraternal de todos que buscam conforto
e iluminação através das palavras dos guias espirituais.
A Umbanda é uma religião brasileira! Sua descendência
remota aos cultos africanos que no Brasil encontrou com o
sincretismo católico e espírita, um berço fértil para prosperar. A
religião de Umbanda baseia-se nos princípios da fraternidade,
caridade e amor ao próximo.
A religião admite o Deus único e supremo criador de tudo e
de todos, nominado por Zambi na língua africana bantu. Os Orixás
são os ancestrais africanos enaltecidos e cultuados que correspondem
a pontos de força da Natureza que se manifestam na Terra. A
exemplo, Ogum, ou São Jorge, Orixá regente desta casa, é o guerreiro
que ensinou aos homens a trabalhar com os metais, é defensor dos
desamparados e indefesos. Ele é o desbravador dos caminhos em
busca da evolução. Ou seja, ao pedir que se acenda uma vela para São
Jorge, ou Ogum, o guia te solicita a vibrar seus pensamentos para que
a energia da Natureza abra seus caminhos e interceda por você no
plano espiritual. Assim, cada Orixá rege uma energia e força divina
para se manifestar na Terra a vontade de Zambi, de acordo com o
merecimento de cada um.
A Umbanda permite que cada um se conecte com a
benevolência divina e auxilie no processo de entendimento e
transmutação do ‘eu’ interior. Quanto mais você praticar a caridade,
exercer o amor ao próximo e evoluir seu coração e mente, fará com
que todos os orixás possam interceder através de seus méritos e assim
possa alcançar a paz e a graça divina.
Rodrigo Martins da Silva. Contagem, 30/10/2014
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 9

Capítulo 1
“Toma posse do seu sonho fio, pra ele concretizar.” Pai Antônio

Antes do início
O início de tudo é de suma importância e vital para que tudo
evolua com base e estrutura. Antes de uma casa há o projeto, antes do
projeto existe a vontade e antes da vontade tem a inspiração.
Inspiração, que por definição é iluminar o espírito, é trazer o
sopro mental do plano da consciência, ao estado físico e se alimentar
desta energia para nutrir a determinação de se alcançar o desejado.
Seguir esta faísca irradiada e concretizar as aspirações e vontades é o
que transforma uma ideia em uma casa.
Antes da Fratelo, um grupo se reunia para estudar sobre a
Umbanda. Um pequeno cômodo de quatro metros quadrados, onde
se reuniam para escutar as entidades e aprenderem com os Guias a
trabalhar nos preceitos da Umbanda. Não havia lugares fixos, os
encontros se realizavam onde era possível, havia até um quarto, na casa
da “tia Dimar”, já separado e destinado as reuniões.
Porém, os Guias já movimentavam no astral para a orientação
e formação de uma casa própria, onde não só os estudos
aconteceriam, mas também a prática maior da caridade em seu
atendimento fraterno. Wagner Librelon relata que conheceu seu
padrinho e mentor da Fratelo, Pai Anacleto, em um pequeno quarto
na casa de Mãe Dulce e ele fornecia orientações precisas para o
surgimento da casa. E foi uma série de locações e buscas de lugares.
Vera Lúcia Pereira (Boquê Boquê) relata que estava sempre
presente nestes lugares e que juntamente com Patrícia Librelon,
“mocinha ainda”, começaram a cambonar a Mãe Maria, cantar pontos
e realizar outras tarefas. Após revezarem entre a casa da Mãe Dulce e
“tia Edmar”, o terreiro foi para o lado da casa dela, no bairro Florença,
em Ribeirão das Neves. Este local era em um depósito, no alto do
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 10

morro, onde havia um cachorro enorme de guarda do local, e Wagner


Librelon iniciou o contato com o atabaque.
Mas a providência trazia cada vez mais pessoas, que se ligavam
por estes laços que nunca é por acaso. Vedra Lobenwein mostra em
seu relato como “limpar um carro” muda o rumo de nossas vidas:
Em 1994, fui acompanhar meu irmão
Vinicius em uma limpeza que ele deveria fazer em
seu carro. Foi no bairro Florença, na casa da Vera
Lúcia Pereira, que hoje é a Samba Boquê. Lá fui eu!!
Num misto de curiosidade e medo do desconhecido.
Fiquei dentro da casa, de ‘butuca” lá fora, e vi
a Mãe Dulce, que ainda era a Néia, com as expressões
mudadas e batendo no carro com umas ervas, falando
e rindo. Não entendi nada! Mas fiquei sabendo que
ela estava incorporada e que ali estava a entidade
Pombagira Miranda.
Depois disso, foram todos lá para dentro da
casa e então fui convidada a ir conhecer um preto
velho, Pai Anacleto. Nossa! Eu tremia muito, estava
com medo... Só tinha visto incorporação em centro
kardecista e em nada se parecia com o que estava
vendo. Tomei coragem, afinal ia ficar feio eu sair
correndo...(risos) e fui até ele.
Ajoelhei-me aos pés de Pai Anacleto e tive
uma sensação indescritível, de alegria, acolhimento,
de amor; parecia que ele já me conhecia (agora
entendo que ele já me conhecia mesmo!). Não
consegui falar nada e ele me disse que estava feliz em
me ver e que eu era a Iemanjazinha dele.
Esse foi o meu primeiro contato com uma
entidade de Umbanda. Não me lembro quais foram
suas outras palavras, mas com certeza foram
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 11

determinantes para que meu coração quisesse ser da


Umbanda. Vedra Lobenwein (Marbô)
Patrícia Librelon lembra que era um centro modesto, com
uma pequena estrutura formada, um pequeno “peji” e as reuniões
eram basicamente estudos e orações, pois não havia estrutura para
atendimento ao público. Isso trazia um sentimento de “vazio”, pois a
prática dos estudos e o exercício da mediunidade é um fundamento
da religião.
Helena Lobenwein nos conta que o desenvolvimento era
“puxado” e o pessoal já não cabia no espaço. Algumas deixaram o
grupo, outras chegaram, e a Mãe Dulce, que na época não era Mãe,
era sempre a “cabeça” e “puxava” todos para o caminho.
Assim o trabalho se desenvolvia, com dificuldades e estudos,
até que o Mentor da Casa, Pai José, determinou um prazo para que
montassem um terreiro próprio. Ele assumiu um compromisso de ser
o responsável no astral pela Casa e pediu para que todos se
comprometessem, individualmente e juntamente com ele para que o
intuito fosse bem-sucedido.
Vera L. Pereira, disse que foi um período de muito estudo de
locais astrais e procura por um terreno ideal. Até que, Vedra
Lobenwein e seu irmão Vinícius Lobenwein doaram um terreno no
bairro Veneza para começar os trabalhos.
Muitos relataram um encontro inusitado sobre esta
localização. Mãe Dulce, pouco tempo depois do local ser definido,
recebeu a visita de um Pai de Santo da região que desejava comprar
este mesmo terreno há tempos. Sempre esbarrava na negativa de
venda dos donos. E não conseguia arrecadar o valor necessário para
um lance atrativo. Ao perguntar o motivo de querer comprar ali,
naquele local, havendo muitos outros locais disponíveis, o Pai de
Santo revelou saber que neste terreno seria um templo espírita e que
ele desejava que fosse o dele, “mas não era para ser meu!”.
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O astral trabalhou para que as energias fossem corretamente


colocadas em seu devido local e agora era hora dos membros
trabalharem para alicerçar a Casa.
Vera L. Pereira se recorda que a primeira arrecadação foi
através da rifa de uma televisão doada por uma filha da casa, Celeste
Mateus. Patrícia Librelon disse que ninguém tinha condição para
investir na construção, buscaram um arquiteto que não cobrasse pelo
projeto e as pessoas conseguiam os recursos da maneira que podiam,
um doou a fiação, outro conseguiu cimento e assim caminhava a
construção. A resistência dos pedreiros ao saberem que estavam
erguendo um Templo de Umbanda e até a resistência de membros,
que não queriam a construção, foram as dificuldades encontradas no
início. Mãe Dulce teve que acompanhar de perto a obra, os pedreiros
e a entrega, e a data determinada pela espiritualidade se aproximando
fez com que ela e outros colocassem a mão na massa e trabalhassem
para que tudo ficasse pronto no dia exato.
Há um antigo ditado chinês muito apreciado até hoje:
Antes da hora, ainda não é hora.
Depois da hora, já não é mais hora.
Só é hora na hora!
Não há como se valer da “regra de Gerson”, ou o famoso
“jeitinho”, ao se trabalhar com forças espirituais. As datas se definem
por luas corretas, posições astrais exatas, energias em consonância e
todos os elementos prontos para a concepção. As entidades estão
prontas e preparadas, elas sabem as necessidades e o que devemos
superar. Elas nos orientam, colocando desafios para seguir
irrestritamente o caminho da evolução. A arte de acontecer, o que
deve ocorrer, com os elementos preparados, as energias fluindo na
ocasião exata em que a lua crescente cruza o céu é toda nossa! Se não
nos preparamos, se duvidamos da nossa capacidade ou se deixamos
outro realizar, esta magia perde seu encanto e se torna um momento
como qualquer outro.
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 13

E no dia 21 de abril de 1995 a Fraternidade Espiritualista Luz


de Oxalá – FRATELO estava com sua Casa pronta e finalizada para a
recepção das energias divinas com os assentamentos das entidades,
sendo no dia 23 de abril de 1995 a Yakekerê (Mãe Pequena) Dulcinéia
foi feita Yalorixá Mãe Dulce de Ogum.

Relação dos fundadores da Fratelo:

 Dulcinea Fernandez
 Ednah Dutra Villafort
 Maria Helena Lobenwein Morais
 Divina Pereira
 Vera Lúcia Lobenwein Moraes
 Vera Lúcia Pereira
 Maria Luiza Villafort
 Celeste A. Mateus
 Patrícia C. Fernandez Librelon
 Rita de Cássia
 Valdete Pereira das Mercês
 Kelly Luciane Lobenwein
 Vedra Lobenwein Moraes
 Vinícius Lobenwein Moraes
 Wagner Milton Librelon
Figura 1 – Duas páginas de anotações da Mãe Dulce no dia de sua feitura em Yalorixá

Figura 2 – Foto ao final da construção da sede da Fratelo


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Capítulo 2
“O verdadeiro filho de pemba demonstra sua fé com o suor do
trambuco”. Mãe Maria

O início

Figura 2 – Foto do final da construção da Fratelo Veneza


Tudo se inicia com a denominação, e a escolha geral era
Fraternidade Espírita Filhos de Pai Anacleto, pois Pai Anacleto é o
mentor espiritual da casa. Em uma reunião o nome foi apresentado
ao Pai Anacleto e ele se manifestou e disse ter um nome bem melhor:
Fraternidade Espírita Luz de Oxalá. E a sugestão de Pai Anacleto foi
aceita por todos, pois ele sempre se despedia dos filhos dizendo “que
a luz de Oxalá esteja com vós fio”. E com o passar do tempo os
consulentes chegavam perguntando, “aqui é a Fratelo?” E então que
perceberam que as iniciais da FRATernidade Espiritualista Luz de
Oxalá formavam a sigla FRATELO, e passou a ser adotada por todos
da casa.
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 16

A inauguração da Fratelo Veneza foi uma realização,


conquistada através de batalhas e muito esforço. Conta-se que no dia
da inauguração os céus banhavam toda casa com suas águas.

Figura 3 – Foto da inauguração da Fratelo Veneza


Lá dentro tudo preparado e todos começam a cantar para a
entrada dos Santos para assentarem todos no peji. Cada filho dos
Orixás entraria com a imagem cantando o ponto de cada um. Do lado
de fora chovia e Patrícia Librelon, a responsável por levar São Miguel
Arcanjo para a casa, aguardava o momento para cruzar o “barro” que
se formara do lado de fora para ter acesso a casa. Iniciaram a canção
e ela não aparecia com a imagem. Iniciaram a música novamente e
nenhum movimento. Eis que repentinamente surge Patrícia Librelon,
com a saia marrom de barro, mas com São Miguel imaculado em suas
mãos! Ela caíra na terra úmida sem deixar a imagem balançar. E
quando todos viram o estado dela, entrando com cara “de que nada
aconteceu”, cumprindo o ritual, não sabiam se a acudiam ou tentavam
conter os risos! Logo atrás estavam os demais todos com os pés sujos
de barro em procissão.
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Patrícia Librelon recorda do Sr. Oscar Lobenwein e sua esposa


Giorgina (Joca), ele chamado carinhosamente de “Paizinho” era o pai
da Helena Loberwein. Apesar de não ser umbandista, ele deu muita
força e ajudou muito na construção, mesmo em estado debilitado por
causa de uma doença respiratória. Na inauguração, “Paizinho” e sua
esposa foram homenageados por toda ajuda dada na fundação da
Fratelo.
D. Wanda, e sua sobrinha, eram as consulentes presentes na
inauguração.
“O centro foi inaugurado e ele era um pedacinho,
ele ia até a mureta de divisão que possui uma marca até
hoje e o resto do terreiro, era terra. Então, era um pedaço
bem pequeno, mas que a gente já achava “nosso”, porque
diante do que tínhamos anteriormente, já era um luxo, já
era grande! ”Patrícia Librelon
A partir daí iniciaram as reuniões públicas da Fratelo Veneza.
Nas primeiras reuniões o vazio da assistência era notado, porém o
tempo da reunião era respeitado. Mesmo não havendo consulentes,
todo o tempo era tomado para a assistência do plano espiritual.
Patrícia Librelon relata que mesmo com a casa vazia, podia sentir ela
cheia, que havia trabalho sendo realizado ali, mesmo que não
estivessem vendo era possível sentir. Helena Lobenwein cita que
muitas foram as vezes que ela realizou preleções para ninguém, ou
pelo menos para ninguém que ela pudesse ver!
As reuniões se mantinham quinzenais, muitas das vezes a
acolhida vazia. Os mentores espirituais aproveitavam para passar
instruções e ensinamentos da Lei de Umbanda a todos os médiuns
presentes.
“Durante este período inicial da casa, a Mãe Dulce
costumava falar: “Quando as pessoas vivas enchem muito
o local, as almas não gostam de ficar no auxílio.” Isto se
dá devido a mistura de energia que não combina muito.
As almas elas têm uma energia muito “Ying”(ou densa, de
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absorção) e não é compatível com a energia da vida, então


do mesmo jeito que a gente fica incomodado, as almas
também ficam. Então, tínhamos a nítida sensação do
ambiente que ficava pesado, mais denso, então foi um
tempo que nós atendemos os desencarnados.
Se houvesse tempo, o nosso mentor vinha e
conversava com a gente, o tempo era usado para algum
treinamento, para entidade chefe falar algo. Mas a maioria
das vezes era respeitado rigorosamente o horário da
reunião. E a gente ficava ali, todos tomavam passe, todos
consultavam, e como eram poucos, sabíamos que algo
estava acontecendo, mesmo que não houvesse “ninguém
em tese”, mas era evidente que as almas estavam sendo
doutrinadas. Assim, a impressão que nos deu, foi que eles
acabaram trazendo os outros também, os vivos, o pessoal
começava a vir, e aparecia um caso ou outro lá.” Patrícia
Librelon
Conclui-se que a casa passou por um tempo de formação de
sua egrégora, ou sua afirmação de propósito. Este tempo de reuniões
“vazias”, mas cheias de almas, firmavam cada vez o propósito de
auxílio da Casa. Os mentores já trabalhavam há tempos naquele local
para o surgimento da Fratelo e, com o plano físico concluído, uma
nova etapa de doutrinação dos desencarnados que buscavam
iluminação naquele farol de esperança passou a ser desempenhado.
Os médiuns que se propuseram a auxiliar na formação da casa
passaram a alimentar esta ação no astral e fortificar cada vez mais a
firmeza e energia do local para que a prática do bem pudesse ser
levada a todos que ali buscassem.
Wagner Librelon nos relata como era a localidade naqueles
primeiros meses de funcionamento:
“A instalação de uma Casa de Umbanda naquela
região não era “bem vinda” pelas pessoas. A rua de frente
era um córrego, era uma mão só e não tinha contorno.
Você entrava com carro de ponta e fazia o retorno com a
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traseira do carro já para entrar no córrego. E aconteciam


muitas enchentes. Ali moravam pessoas que tinham uma
tragédia programada todo ano! Todo ano perdiam roupas,
eletrodomésticos e tal.
No início a recepção não foi das melhores, as
pessoas rejeitavam, faziam cara torta, tinha um senhor que
ficava rezando do outro lado da rua... Mas quando
acontecia essas tragédias, a Fratelo iniciou a dar suporte
para essas famílias, conseguia um fogão, roupas,
alimentos... E foi quando conhecemos os vizinhos de
frente, os do lado e criamos uma estabilidade, uma
sinergia com eles.
Com estas ações tudo ficou mais tranquilo e esse
lado que é importante em toda religião, é com o lado
caritativo que você consegue conhecer, mesmo que a
pessoa seja de outra religião, ela tem que entender que a
ajuda ali não tem religião, a ajuda é uma ajuda
humanitária, de pessoa para pessoa, não é uma ajuda de
uma entidade para uma pessoa... E acho que o pessoal
entendeu bem.” Wagner Librelon
Com o passar do tempo, as pessoas começaram a frequentar
as reuniões, em um número reduzido e com muita desconfiança.
Em dezembro de 1995, a Fratelo realizou o seu primeiro bazar
para auxiliar as pessoas da região com roupas a um preço simbólico.
Conta Mãe Dulce, que neste primeiro bazar até a calça da Danielle
Porto, foi passada para frente! Porém, pequenos furtos começaram a
acontecer nos bazares seguintes e Mãe Dulce achou por bem finalizar
o bazar.
Mas com o tempo os pedidos de ajuda batiam a porta da
Fratelo. Os membros ajudavam com o que podiam, pois não tinham
muita condição de auxiliar a muitos. Era meio quilo de feijão, um
pacote de arroz, um óleo ou um fubá, ajudas esporádicas e os pedidos
aumentavam cada vez mais.
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E começaram a aparecer pessoas dizendo que estavam com


muita fome na porta da Fratelo. Então, começaram a fazer pedidos de
auxílio a sacolões e amigos para preparo de um sopão. A ajuda sempre
vinha e a ideia do sopão começou a prevalecer. Mas a notícia se
espalhava vertiginosamente e, quando perceberam, estavam
entregando 1000 pratos de sopa, com um pequeno grupo de no
máximo 15 pessoas servindo! O trabalho era praticamente inviável e
algo deveria ser feito para aplacar a fome, não pontualmente, mas com
algo que desse uma subsistência a comunidade.
Foi daí que surgiu a ideia de doarem cestas básicas. Neste
primeiro momento as cestas eram entregues nas casas das pessoas.
Eram poucas, iniciaram com cerca de 15 cestas, no ano de 1996, para
as pessoas mais carentes que apareciam na Fratelo. Era um trabalho
difícil, os médiuns levavam as cestas até a casa das pessoas
necessitadas, até mesmo para verificarem as condições da solicitante.
Wagner Librelon nos relatou um destes momentos:
“Fazíamos as entregas sem um cadastramento num
primeiro momento, saia procurando mesmo onde tinha
gente que precisava. Lembro que perto da casa da D.
Terezinha tinha uma estrada, ela morava para lado
esquerdo e no lado direito tinha uma erosão no terreno e
muitas famílias moravam dentro dessa erosão e a gente
ficou chocado mesmo de ver essas crianças lá, uma tenda
com lona e as crianças lá e não tinha nada dentro da casa.
Só as roupinhas, dentro de mala, de lona, um negócio sem
sustentação, sem nada de estrutura nem nada, mesmo
para os adultos não tinha. E era nesses lugares que a gente
ia distribuir cestas...” Wagner Librelon.
Em 1997, o número de cestas foi 26, porém a entrega
continuava a ser feita em domicílio. Ribeirão das Neves sempre foi um
local de alta periculosidade e difícil acesso. Wagner Librelon, relatou
que em uma destas entregas, os meliantes do bairro o abordaram e
disseram que o trabalho é “bacana”, mas que ele poderia ser
confundido e acabar em tragédia!
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 21

Com isso, um membro que se chamava Emerson, se propôs a


realizar um cadastro dos moradores que recebiam as cestas. O
Objetivo era verificar as condições das pessoas assistidas e elas fariam
a busca dos alimentos na sede da Fratelo. Realizaram o cadastro das
pessoas para entrega e perceberam que todas famílias que a Fratelo
assistia necessitavam da cesta.
Com o início da entrega das cestas, as crianças começaram a
ficar nas dependências da Fratelo até o momento das reuniões e Mãe
Dulce, em respeito às crianças, jamais propôs que entrassem para
religião, mas percebeu que algo deveria ser feito para com elas. Assim
a Fratelo começou a cuidar das crianças no período da tarde, através
de atividades educativas, evitando que as mães as deixassem no Centro
sem horário para buscar.
A Fratelo passou a fornecer alimentos para as crianças que
eram assistidas e cadastradas pelo projeto inicial que se denominava
Projeto Camará.
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 22

Capítulo 3
“Suncê tá muitos problemas zifio? Que bom! Pelo menos você não
vai ficar sem o que fazer aqui embaixo né.” Vó Menininha

O crescimento
Paralelamente às atribuições de caridade, a Fratelo se
preparava para crescimento de seu corpo mediúnico.
No início, as reuniões não tinham hora para acabar, pois
dependiam das demandas que chegavam na gira. O carro chefe da
Fratelo são os Pretos Velhos. Eles eram os primeiros a serem
desenvolvidos, pois não havia consulta com outras entidades, como
caboclos ou exus, por exemplo. Vinham de acordo com a necessidade.
Vera Pereira em seu relato comentou que nos primeiros anos
não havia tempo para ficar sentado no canto do desenvolvente, ou em
cursos e palestras... Se aprendia Umbanda na pressão, em contato
direto e instantâneo com a entidade! Tudo era dinâmico e necessitava
de muita atenção e dedicação. O calendário era bem diferente dos dias
de hoje. As reuniões fechadas de desenvolvimento e de contra
demandas eram constantes e trabalhosas. Estas reuniões fechadas
geravam após os trabalhos a necessidade de despachos em campos de
força das entidades. A casa não possuía aporte e firmezas para manter
ali os trabalhos. Havia apenas na Fratelo Veneza uma Casa pequenina
de Exu, um pequeno Cruzeiro das almas e as Sete linhas firmadas no
Peji.
Wagner Librelon, e Vinícius Lobenwein contaram que neste
tempo eles tinham um mapa das “encruzas” de Belo Horizonte! Se
precisasse de uma encruza de qualquer tipo estavam todos lá
mapeadas, e acabada a gira 2h da manhã rodavam Belo Horizonte
para despachar os materiais. Vinicius Lobenwein contou que certa vez
sua irmã, Vedra Lobenwein e sua prima Kelly Lobenwein
necessitavam de buscar no campo de forças de Exu energia necessária
para finalizar uma magia. Era tarde da noite, rua deserta, elas
começaram os preparativos, estenderam o pano, colocaram as
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 23

oferendas, e quando iniciariam as rezas ouvem uma voz: “Que bonito,


hein! Duas moças bonitas fazendo uma coisa dessas!” Elas se viraram
e o vigia da empresa ao lado estava observando as duas. Elas, mais que
depressa, pegaram tudo correndo, colocaram dentro do carro e
partiram sem falar nada! Pegaram o mapa de encruzas e foram para a
próxima, pois para quem tem fé, energia dada ao universo é energia
recebida em graças! Nos dias de hoje isso não é necessário, a energia
necessária pode ser retirada da Casa de Exu para enviar ao astral. Não
temos mais o mapa de encruzas!
Figura 4 – Foto do “Peji” da Fratelo Veneza
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 24

Figura 5 – Foto do, Wagner Librelon tocando atabaque na Fratelo Veneza


Um outro trabalho desenvolvido era o de conhecer outros
centros, até para entender a formação, como era a estrutura, e em Belo
Horizonte conheceram muitos terreiros. Eram formados grupos de
9/10 pessoas para visita. Wagner Librelon , nos conta o que observava
nestas visitas:
“Era interessante, eu tinha uma visão muito focada
na minha área, da musicalização, do acompanhamento, eu
ficava muito nesse enfoque. Acho que cada um ia com
esse enfoque direcionado, mas lógico que a gente percebia
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 25

como tudo funcionava. Eu passei por todas essas áreas, eu


era cambono e eu batia o tambor. O tambor não tinha
uma sequência como tem a reunião hoje. Parava o
tambor, descia, cambonava, conversava, ia passar pólvora.
Hoje tem quem passe pólvora, quem faz a roda, tem uma
situação mais organizada. Mas a gente fazia de tudo, ‘vão
limpar o trabalho’ e limpava o trabalho... e foi um trabalho
interessante que não se perdeu com o tempo. Após vários
anos fomos em São Paulo para conhecer uma estrutura de
primeira, o Templo Guaracy, do Pai de santo Carlos
Buby. Foi aí que tivemos outras mudanças, inclusive a
roupa que acho que foi de lá também.” Wagner Librelon
E de fato, o desenvolvimento mediúnico modificou com a
chegada de membros para a corrente.
“A estrutura de desenvolvimento se modificou
para atender as demandas da corrente e para que
pudessem desenvolver as outras entidades. As reuniões
fechadas eram com maior frequência, não havia tantos
compromissos, festas e eventos fora das reuniões. Não
aconteciam as festas de Orixás, uma oferenda era ofertada,
realizavam o agradecimento e pronto. Mas tinham muito
mais reuniões fechadas, que eu acho que faz uma falta
danada, reunião de desenvolvimento, reunião de limpeza,
reunião para desfazer trabalho, isso eu sinto falta, acho
que deveria ter mais.” Patrícia Librelon
Essa mudança se refletiu nos cursos de estudos com Mãe
Dulce. Bem no começo se ensinava a história da África, as regiões
geográficas das nações e toda evolução espiritualista do Brasil para se
conseguir contextualizar o surgimento da Umbanda. E a partir de
então iniciou-se o estudo básico dos orixás.
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 26

Figura 6 – Foto da Coroação de Nossa Senhora pelas crianças na Fratelo Veneza


Patrícia Librelon lembra que, neste momento, todos eram
muito jovens e então eles criaram a “Mocidade”. A responsabilidade
era da Vedra Lobenwein que organizava todos os cursos que eram
feitos. Se dividiram em “Mocidade 1”, “Mocidade 2”, “Mocidade 3”,
pois muitos jovens compareciam a Fratelo, e somente os adultos
estudavam com a Mãe Dulce. A Mocidade criava teatros para as
crianças encenarem, como por exemplo da formiguinha:
“ Nós chamávamos os pequenos, que eram filhos
de quem participava das reuniões, e ensaiávamos eles.
Uma vez fizeram um teatrinho sobre reencarnação, então
tinha uma formiguinha, que era a Iara, e que era
preguiçosa que depois ela morre, reencarnou como uma
borboleta, mas com uma perninha meio torta, ou seja,
queríamos dizer que as vezes ficam traços de vida anterior
na outra encarnação.
E sempre fazíamos com os meninos
pequenininhos, até os jovens, para falar sobre o
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 27

Kardecismo. Esta seria uma ideia ótima para trazer para


Fratelo BH hoje – falar sobre o estudo do espiritismo um
pouco para que se possa ter uma noção do que é o
espírito, e naquele tempo usávamos teatro, jogos, coisas
pra adolescente, e era muito agitado, muito legal. Haviam
palestras interessantes, a Cynthia Pimenta apresentou uma
linda sobra suicídio. Montávamos cursos com apostilas
para todos, como de passe magnético por exemplo.
Sempre havia uma palestra ou um curso. Agora está muito
agitado, e fica difícil até de trazer alguém para uma
palestra, ou apresentar algo em dia de semana. No sábado
na Fratelo não há tempo de fazer nada! É tanta coisa! E no
domingo sempre tem uma programação, não consigo nem
estruturar uma reunião fechada como eu gostaria de fazer.
Mas isso foi antes de trazer as crianças para o
Instituto, porque quando se decidiu realizar um trabalho
social com as crianças, elas juntaram com as crianças da
comunidade e definiu-se que não mais haveria aulas de
religião para as crianças. E com todo o cuidado com o
projeto social com as crianças, o tempo para a Mocidade
foi se reduzindo até não haver mais tempo. Menos tempo
para as nossas crianças, menos tempo pra Mocidade...”
Patrícia Librelon.
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 28

Figura 7 – Foto da Festa a Iansã encenado pelas crianças algumas de suas lendas
Em 1997, toda a Fratelo se uniu para formar uma Mestre em
Reiki. Patrícia Librelon necessitava ir ao Rio de Janeiro realizar as
iniciações nos níveis do Reiki, e assim todos contribuíram pagando
antecipadamente suas iniciações nesta maravilhosa prática terapêutica
permitindo que a Patrícia se fizesse Mestre em Reiki através da
linhagem de Sandra Trópia e Gandhi Trópia. Introduzindo esta
terapia gratuitamente na Fratelo como um suporte energético de
auxílio a espiritualidade.
E com o curso de Reiki e palestras, uma nova estruturação com
níveis e apostilas ajudou bastante, Mateus Miranda relata este
sentimento:
“Mãe Dulce estruturou os cursos de um jeito
muito bom, fez apostilas, antes não tinha assim, era
diferente. Só vejo pontos positivos nisso, ficou mais
interessante, a entrada também, ficou mais emocionante,
marca mais, marca na memória, como ritos de passagem,
você lembra que as pessoas entraram. Os recolhimentos
também, não tinha um procedimento, hoje tem. E os
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 29

cursos e estudos dão mais segurança para todos nós.”


Mateus Miranda
Com essas mudanças, foi necessário que a Casa se estruturasse
para fortalecer o aporte. E como foi dito pelo Wagner Librelon, a
visita ao Templo Guaracy, em São Paulo e estar com o Pai Buby que
os recebera com toda cordialidade, fez com que Mãe Dulce
repensasse e alterasse toda estrutura física da Fratelo Veneza.
A Casa de Forças foi a primeira mudança. Mãe Dulce queria
que ela fosse montada na parte principal, no chamado “peji”, onde
hoje se encontra a imagem de Jesus Cristo, o Redentor. E na visita em
São Paulo observou que apenas o Caboclo Guaracy era apresentado
no “congá” e todas as outras linhas estavam assentadas em uma Casa
de Forças. E ao retornar construiu a Casa de Forças na entrada da
Fratelo com todas as forças e energias utilizadas pela casa. Juntamente,
ergueu-se uma maior casa para a força dos Exus, o assentamento de
Nanã e a cozinha dos santos. Formando todo o complexo de forças
da Fratelo Veneza.

Os trabalhos externos
Uma das premissas do Umbandista é visitar o mar, as matas e
a cachoeira pelo menos uma vez e a Fratelo proporciona este encontro
há mais de 16 anos consecutivos.
No berço da Umbanda, na cidade de Niterói, a Fratelo realiza
anualmente uma reunião na praia. Com a energia da virada do ano os
trabalhos são realizados em agradecimento aos orixás e a nossa mãe
Yemanjá. É nesta reunião que levamos todos os pedidos realizados ao
longo do ano ao mar para nossa Mãe Yemanjá.
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 30

Figura 8 – Foto da estrela e barcos de oferendas à Iemanjá no ano de 2000

Figura 9 – Foto do envio dos barcos ao mar, à esq. Wagner (Odé), Patrícia (Inaê), Vedra
(Marbô), Kelly (Kianda) e Ricardo. Ano de 2000.
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 31

Figura 10 – Foto da estrela e barcos de oferendas a Iemanjá no ano de 2015

Figura 11 – Foto da estrela sendo acesa, ano de 2015


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Figura 12 – Foto da formação da gira, ano de 2015


A Macaia, como é conhecida, é uma gira que acontece entre
as folhas, na mata. É uma das obrigações dos umbandistas reunir com
seus irmãos nos pontos de força mais poderosos da natureza.
A Fratelo unifica a reunião da macaia com a visita à cachoeira,
a terceira obrigação. A cachoeira é o local que se realizam os batizados
e as renovações de energias.
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 33

Figura 13 – Foto da macaia pela Fratelo, onde Mãe Dulce reenergiza suas guias

Figura 14 – Foto na cachoeira Mãe Dulce, Daniele (Araô) e D. Vera (Samba Bouquê).
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Figura 15 – Foto da preparação da Macaia, 2015

Figura 16 – Foto da Macaia, banho de cachoeira, Fratelo 2015


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Figura 17 – Foto da Macaia, batismo na Umbanda, Fratelo 2015


Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 36

Capítulo 4
“A caridade deve ser prestada de tal forma, que aquele que a recebe
se sinta fortalecido e aquele que a pratica não tenha obrigação
definitiva.” Pai André

Projeto Camará
Nascendo da necessidade de direcionar as crianças da
comunidade que passavam as tardes e noite na Fratelo, o Projeto
Camará iniciou singelo, em 1998, com pequenas aulas, ministradas
pela Vedra Lobenwein em turma única com o objetivo de instruir as
crianças e mostrar novas perspectivas do ambiente que estavam
inseridas. Patrícia Librelon nos relatou como se formou a ideia inicial
de cuidar das crianças do Veneza:
“Começou com a entrega das cestas, as famílias
passaram a vir à Fratelo para receber as cestas. Então
pensamos em uma campanha do agasalho, já pré-
selecionado, entregando duas peças por pessoa. E as
crianças passaram a vir com as famílias para receberem
roupas, foi então que percebemos que haviam crianças
arredias, muitas abaixo do peso, outras crianças com
semblante sofrido... E assim pensamos em fazer um
trabalho com essas crianças, para proporcionar algumas
horas que possam receber algo de bom, ou cuidar um
pouco melhor do peso, para repassarmos a farinha
enriquecida a elas, ofertar um lanche e ver a saúde bucal
delas.
Assim nasceu esse projeto. Que era bem modesto,
porque tínhamos o salão principal e uma sala somente.
Iniciamos com a Olívia dando aulas de origami, a Suelen
Miranda e uma voluntária, e trabalhávamos com eles o
artesanato. Às vezes aproveitavam-se as datas para
trabalhar valores: dia das mães, dia do amigo, falávamos
sobre amizade, respeito, e aprender a compartilhar;
sempre com dinâmicas, brincadeiras, e começamos a
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 37

ensinar pra eles o canto. Sempre no sábado à tarde.”


Patrícia Librelon
Neste início, em meados do ano 2000, o projeto ganhou um
auxílio através do Padre Carlos, da Paróquia São Joaquim, em Belo
Horizonte que, na época, passou a enviar sacos de feijão de 60kg para
distribuir às famílias.
O Padre Carlos, vendo a precariedade da situação e a
seriedade do projeto, enviou senhoras da sua paróquia para o Veneza,
a fim de ensinar aos membros da Fratelo a fazerem uma farinha
enriquecida para o combate à desnutrição das crianças. O sucesso da
farinha foi tão grande que os médicos do posto da saúde do Veneza
passaram a indicar as pessoas a pedirem a farinha enriquecida no
Projeto Camará. Até hoje a Fratelo mantém a produção de farinha
enriquecida, sendo doada no Veneza e em Belo Horizonte também.
Com isso o Projeto começou a ficar conhecido e ganhou maior
respeito maior pela comunidade. E então foi necessário realizar o
cadastramento das famílias para entrega das cestas mensais.
“Começaram a vir pessoas que moravam na região
e a chamar outros. Isso aconteceu devido a um detalhe,
por exemplo: a Igreja possui restrição para dar cesta, se o
marido ou a mulher bebe, não costumam doá-la. Haviam
lugares que só davam cesta se participassem do culto e os
moradores sempre contavam. Mãe Dulce dizia: - Aqui não
vamos exigir nada de vocês, queremos ter oportunidade
de cuidar dos meninos, porque desde o princípio doamos
a cesta pensando nas crianças se alimentarem melhor.
Como complemento às cestas, as senhoras idosas
que moravam sozinhas, ganhavam um fubá extra. A Mãe
Dulce sempre teve esse cuidado de um olhar
diferenciado: Aquele precisa mais disso, aquele outro é
interessante mandar aquilo.
Tinha uma senhora que bebia muito, ela possuía
muitos filhos e não recebia cestas nos outros locais. Mãe
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 38

Dulce começou a doar cesta para ela: Eu vou te ajudar


independentemente da sua situação, porque nós
entendemos que sofrimento é sofrimento, como vou
julgar aquela pessoa que bebe e não consegue ficar sóbria,
ela deve ter um motivo pra isso, e precisa de ajuda não de
julgamentos.
Então começou a acontecer esse diferencial. E o
pessoal começou a espalhar que naquele lugar da cesta,
não somos descriminados. E isso foi bom e ruim, porque
veio quem realmente precisava e também aquele que já
recebia em outro lugar, na Igreja por exemplo, e também
vinha receber aqui e vendiam uma. Tanto que começamos
a fazer uma triagem e a criar algumas regras. E as pessoas
sabiam o que outra estava fazendo e delatava para que
uma outra família pudesse receber a cesta.” Patrícia
Librelon.
E para acomodar as crianças a Fratelo construiu em 2001 o
andar superior com uma sala para ensinar informática, com uma sala
de estudos e uma pequena biblioteca tendo como patrono o Sr.
Edgard Villafort:
“Edgard ou Edí, como chamavam os mais íntimos,
era membro do Partido Comunista Brasileiro e um
comunista histórico de Belo Horizonte. Nasceu em 1927
e era um exemplo para os demais militantes comunistas,
por ser crítico, ter disciplina, sensibilidade humana e um
fiel compromisso com os ideais revolucionários.
Era um ativista, lutou, foi torturado e sobreviveu a
duas ditaduras militares. Foi reconhecido com a Comenda
Imprescindível em 2005. Sua intensa militância o obrigava
a mudar constantemente de atividade, porém nunca teve
problemas em encontrar trabalho. Tinha muitas aptidões,
como datilógrafo, artesão e até artista circense. Ávido por
conhecimento, buscava nos livros compreensão de seus
vários questionamentos e reflexões e, para dar vazão a essa
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 39

inquietude, escreveu e publicou um livro Memórias de um


Ativista, que retoma sua trajetória de militante comunista
e reflete a capacidade da classe trabalhadora de lutar pelo
poder.
Edgard lutou pelas pessoas independente do
partido, classe social, religião, pois buscava
incessantemente encontrar no outro o melhor que ele
poderia ser. Era um contador de histórias nato, por isso as
pessoas costumavam se reunir a sua volta para ouvir seus
casos da vida, que ele contava com muita clareza,
despretensão e irreverência.

Figura 19 – Sessão de autógrafos do Sr. Edgard Villafort, patrono da biblioteca do Instituto


Camará
Que isso companheiro! E agora, ele nos deu seus
livros, seus discos, mais acima de tudo um legado de lutar,
amor ao próximo, coragem, disciplina e sensibilidade
poética! A ironia de ser imortalizado através dos fatos e
feitos vividos, registrados e contados faz com que, por
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 40

mais que o exército do tempo avance, a camarada


memória sempre resistirá!
E por tudo isso e pelo envolvimento com nossas
crianças, Edgard Villafort é e sempre será nosso Amigo
Camará!" Homenagem prestada no ano de 2015 a família
do Sr. Edgard Villafort.
Mateus Miranda (Inlê) conta que no início deu aulas de
informática para os adolescentes. Ele conta que recebeu uma visita na
Fratelo há pouco tempo:
“Outro dia foi um rapaz lá na Fratelo que fez
informática com a gente. Ele foi lá falar o que já conseguiu
e foi muito legal. Ele fez o curso de informática e
conseguiu emprego por ter uma noção de informática. Ele
disse isso e foi muito legal! Dá uma certeza do caminho
que queremos para todos nós!” Mateus Miranda (Inlê).

Em meados de 2009, Mãe Dulce realizou uma obra de


expansão do Camará. Ampliou o segundo andar dando mais espaço
para a sala de informática e para a biblioteca.
Em 2014, Patrícia Librelon (Inaê) participou de um evento em
seu local de trabalho sobre ONG’s e voluntariado. Após dois dias no
evento, ela ganhou um livro de um procurador especializado em
ONG’s e OSCIP informando os passos para criar uma organização
deste tipo. Após vários tentarem buscar a forma de realizar a
transformação do Projeto em um instituto, Rodrigo Rezende que
estava realizando um trabalho parecido para a maçonaria, ajudou a
montar todo o processo para a transformação do Projeto Camará em
uma OSCIP, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público.
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 41

Em 03/11/2014, por
meio do processo MJ nº:
08071.024248/2014-48, foi
reconhecido e concedido ao
Instituto Camará o título de
Organização de Sociedade
Civil de Interesse Público
(OSCIP), pelo Ministério da
Justiça.
No dia 26/12/2015,
por meio de lei municipal N°
3728/2015 o Instituto Camará
foi declarado como Utilidade
Pública Municipal de
Ribeirão das Neves.

Figura 19 – Foto da declaração de Utilidade Pública Municipal


Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 42

Capítulo 5
“Não diga que você tem um problema que não possa ser resolvido.
Só ter fé que dias melhores virão” Pai Joaquim (Iara)

Fratelo – Belo Horizonte


Após a reforma e expansão que a Fratelo foi submetida, as
forças astrais já preparavam um novo terreno a ser desbravado. Mãe
Dulce recebeu a missão de abrir uma segunda casa em Belo
Horizonte.
Uma primeira tentativa aconteceu por volta de 2009, onde
uma casa foi alugada no bairro Caiçara, com um quintal espaçoso e
uma figueira frondosa. As reuniões em Belo Horizonte aconteceriam
uma vez no mês, tendo os Pretos Velhos e a reunião exotérica com o
objetivo de fortalecer os desígnios da casa. Era uma casa antiga com o
piso de madeira e um sótão escuro. As tábuas rangiam e haviam
pequenos cômodos. Porém, os membros da casa não responderam
com energia suficiente a egrégora. Muitos duvidavam e não se
comprometiam com a abertura da nova casa. Em uma das reuniões,
Mãe Maria ao ver as instalações fez um comentário em relação ao
porão da casa: “Fia, vossuncê tá voltando os negos pra senzala?”. E
então todos entenderam que não era o momento e o local de se
estabelecer em Belo Horizonte. Patrícia Librelon (Inaê) nos contou
que muitos deixaram a Fratelo após esta tentativa.
Gostaríamos de abrir um parêntese na história para
comentarmos um fato importante sobre a egrégora. Egrégora é uma
união de pensamentos para um fim comum, uma formação astral de
energias afins para manter e permitir a execução do caminho comum,
que une todas aquelas pessoas que ali estão pelo mesmo propósito.
Esta egrégora ou energia afim não é criada do nada. Ela necessita de
energia para se manter, ela precisa ser alimentada. A partir do
momento que uma pessoa passa a não alimentar a egrégora, ou seja,
para de doar energia, trabalho e fé, ela se desconecta desta egrégora.
E esse elo fraco se rompe e assim a pessoa passa a não receber mais
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 43

desta energia. Portanto, deixamos claro que as energias são uma via de
mão dupla, devemos oferecer a egrégora a energia através de nossas
vontades, trabalho, pensamentos, doação de amor, a caridade e
recursos para que a energia seja forte e devolva do astral a todos que a
alimenta os cuidados e necessidades.
Passaram-se alguns anos e a Fratelo Veneza, que recebia
muitas pessoas de Belo Horizonte, abriu um novo dia de gira, segunda
feira, em Ribeirão das Neves. Com novas pessoas e a dificuldade em
ir na segunda feira para o Veneza, após o trabalho, enfrentando os
perigos da estrada, surgiu então de uma nova tentativa de ir para Belo
Horizonte. Começaram a buscar alguns locais próximo ao bairro
Caiçara, galpões e casas, porém as opções estavam muito onerosas.
Então, Daniele Porto (Araô) comentou a respeito de uma casa
no Padre Eustáquio que não era alugada há muito tempo. Ao chegar
no local, Mãe Dulce viu e já gostou da casa. Desejou alugar uma parte
da casa, porém o dono só alugava as casas em conjunto. Negociaram
e chegaram a um valor que viabilizava o negócio. Mãe Dulce fez um
empréstimo para iniciar a reforma. O mato ultrapassava os dois metros
de alturaO Mateus Miranda (Inlé) fez um relato deste momento da
vinda para Belo Horizonte:
“Mãe Dulce sempre falava que abriria em BH e
chamaria a quisesse nos acompanhar. E a gente pensava
“tem de ir, então vamos, tem de crescer, então vamos”.
Nunca questionei não. Na vinda para BH ajudei muito,
trabalhando aqui mesmo, preparando a estrutura. Todos
os dias até ficar pronto eu trabalhei aqui. Eu estava
desempregado no período e Mãe Dulce me chamou para
trabalhar. Limpeza do lote, ajudar os pedreiros a concretar
o chão, subir colunas, colocar telhado, tudo. Todos os dias
eu estava aqui, chegava cedo e não tinha hora para sair
não. Tudo que pudesse fazer no dia, fazia. Tinha de ficar
pronto em tempo. Tanto a parte de estrutura física, quanto
energética também. Ajudei no que Mãe Dulce precisou,
de erva que precisava ter, trouxe do Veneza para cá, fazer
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 44

assentamento, assentamento do Peji, tudo que precisava


eu estava presente ajudando.” Mateus Miranda (Inlê)
As obras começaram em março e, em dois meses, tudo estava
pronto para abertura. No dia 31 de maio de 2012 a Fratelo BH foi
inaugurada no Bairro Padre Eustáquio
Wagner Librelon (Odé) comentou sobre a viabilidade para
montar a Fratelo Belo Horizonte:
“A casa em Belo Horizonte é um projeto que é
viável, mostrou-se viável e tem uma receptividade muito
legal, apesar de ritualisticamente ter mudado um pouco.
Nós mudamos até a forma de pensar a questão musical,
mudou-se algumas coisas para não assustar as pessoas e
não gerar o preconceito. O intuito é trazer as pessoas para
conhecer a Umbanda. Pois a Umbanda tem essa coisa,
que eu acho sensacional, que é a facilidade de aceitar o
que tem de bom das outras religiões, e por isso ela é única!
Ela tem essa questão de ser sempre uma religião
transformadora e que se transforma também, vai
mudando em função do ambiente. Acho muito legal.
E aqui em Belo Horizonte, as pessoas por terem
uma condição financeira melhor, participam mais dos
projetos e do trabalho. Lá, no Veneza, a gente planta, o
Instituto está lá, lá é o local da plantação, de tudo que
precisamos trabalhar. E aqui é um local de divulgação, de
promoção do que estamos fazendo. Claro que estamos
trabalhando, tem o atendimento das entidades, mas o
marketing e a divulgação têm que ser maior, para as
pessoas se afinizarem com a ideia de que pode ser maior,
pode ser mais bacana! E estamos dando oportunidade do
pessoal participar e eles estão participando disso! Não
necessariamente dentro de um contexto de mediunidade,
membro da casa, mas de consulente participativo,
divulgando, falando ‘a festa é isso, a festa é aquilo, tem
uma arrecadação de leite paras crianças e eu estou
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 45

participando’ E isso conseguimos ver aqui em Belo


Horizonte, em que as pessoas são mais participativas.”
Wagner Librelon (Odé)
Hoje a Fratelo Belo Horizonte funciona com dois dias de
atendimento ao público: as terças e quintas feiras. Acontecem duas
giras no dia. A primeira com atendimento pelos Pretos Velhos, que
acolhem e conversam com o consulente por um tempo determinado.
A segunda é uma gira com as entidades de vibração da semana. Estas
realizam passes coletivos para dar suporte aos rituais finais. As 22h a
sessão é encerrada.
Este trabalho está apenas no começo. É o início de nossos
sonhos! Mãe Dulce já manifestou a respeito da construção de um
Templo de Umbanda, onde teremos as firmezas necessárias para
realizar nossos trabalhos com todas as entidades. Onde poderemos
realizar em Belo Horizonte nossas festas aos nossos Orixás. Um local
para palestras, cursos e um curso superior em Teologia com ênfase
nas religiões afro-brasileiras.
Ainda há muito campo para a Fratelo crescer e faremos isso
com a ajuda de todos e a dedicação de nossos membros!
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 46

Capítulo 6
“Um dia estava muito angustiado, mas não quis compartilhar com
ninguém este sentimento e aos olhos de todos eu mantive uma
postura como se não tivesse nada. Durante a reunião mantive minha
postura como em qualquer outra. Foi quando Pai João me chamou e
disse: “Não se preocupe, que negô estará sempre com xunxe.” Com
a surpresa das palavras não pude conter as lágrimas. ” Marco Flávio
Alves Farnezi, 2010

Depoimentos
Os membros e frequentadores foram convidados a falarem um
pouco sobre a Fratelo e sobre o que a Umbanda representa em suas
vidas. Estas próximas páginas são os sentimentos de todos que
contribuíram para a formação e o crescimento da Fratelo.

Patrícia C. Fernandez Librelon (Inaê)


A Umbanda traz a pessoa amada de volta.
Há uma frase dita desde os remotos tempos que tenta explicar
o porquê de buscarmos um terreiro: “vem pelo amor ou pela dor”, às
vezes me lembro dela e penso que não me encaixo nessa premissa.
Estou na Umbanda desde que me entendo por gente, não digo que
“nasci na Umbanda”, outra frase comumente usada, pois entendi o
significado desta frase quando vi meu bebê de poucos dias de vida em
um berço moisés, durante a reunião. Então, posso afirmar que meus
filhos sim, foram gerados e nasceram na Umbanda. Não passei por
dilemas e tantos outros dramas que as pessoas passam quando entram
para o terreiro, pois a Umbanda sempre foi a minha casa, meu lugar
comum, minha terra firme, talvez também por esse motivo não
compreendo como alguns membros, inclusive os que batem no peito
e bradam “Sou um Guerreiro da Umbanda “ abandonam com tanta
facilidade a casa e a religião, assim quase como um “tchauzinho!”,
desrespeitando a Mãe do seu Santo, negligenciando os guias que
trabalham junto com ele e toda egrégora que o sustenta.
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 47

Desde muito pequena frequentava o terreiro de Pai Pedro


Palhares, toda reunião para mim era como um momento único de
descoberta e aprendizado, era emocionante! Lembro-me da sequência
do ritual, das preces, dos cheiros, da estrutura física, das cores, das
imagens, dos lugares secretos que eu discretamente descobria e,
principalmente, das curimbas que, na maioria das vezes, eram
entoadas pela voz de um anjo chamado Lena. Quando acabava a
reunião normalmente adormecia no banco da assistência ao som do
burburinho do povo que ia se retirando, diziam que eu dormia porque
estava desenvolvendo, achei ótima a justificativa, assim podia tirar uma
soneca em paz, afinal, era muita informação para processar! Trouxe
comigo tudo isso na memória e nossa casa absorveu grande parte do
que aprendi. Cresci tendo literalmente uma visão diferente da vida,
tive o privilégio de assistir cada passo da preparação de minha mãe
desde jovem, quando ainda era muito impulsiva, impetuosa e
incrivelmente leal (tanto a uma causa, quanto aos amigos, e essa
lealdade era sua marca registrada). Lembro-me de sua tristeza quando
fora demitida após uma reunião de representantes da empresa que
trabalhava, eles estavam fazendo justas reivindicações, porém na hora
de manter a postura e a palavra muitos se acovardaram, mas ela
manteve a palavra, a postura e a lealdade, mesmo assim perdeu o
emprego. Ficou decepcionada com o gosto da traição, só que ela
nunca desiste! Como ela mesma dizia “Eu tenho a estrada a minha
frente para seguir”! Penso que esse é seu principal dom e por isso ela
foi escolhida. Quando os médicos disseram que eu não seria ninguém
por causa da restrição visual e danos causados pela toxoplasmose, ela
não desistiu de mim, ao contrário, moveu céus e terra, buscou
alternativas e me impôs um treinamento quase militar de disciplina e
adaptação ao meio, mesmo sendo cruelmente criticada pelos que
achavam que ela deveria deixar a “pobre menina ceguinha” em paz.
Mesmo quando, de maneira literal, jogaram pedras em nós, ela não
desistiu da religião, e quando esteve muito doente, sentindo dores
lancinantes, não desistiu da vida. Enfrentou todo tipo de problema e,
na grande maioria das vezes, estava sorrindo, sempre foi bem
humorada, amiga e enérgica! Participou de todo meu crescimento, me
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 48

ensinado de forma inusitada desde a tabuada, até alta magia. Por tudo
isso ganhou a alcunha de “Tereza Batista cansada de guerra”. Tenho
certeza que tudo isso tornou minha mãe tão forte que a fez erguer e
chefiar duas casas, tão frágil que consegue tocar a alma e entender o
desespero do outro e tão equilibrada que faz tudo isso com uma
naturalidade e simplicidade peculiares. Junto com ela, encontrei na
Umbanda pais, mães, irmãozinhos, vovós e vovôs, tias e tios, amigos
conselheiros e verdadeiros, minha mestra e todo suporte preciso para
chegar até aqui. Bom, agora que esclareci de onde eu vim e quem me
criou quero lançar um olhar sobre uma frase que se tornou um clichê
e comumente é atribuída à Umbanda. Após 40 anos de vivência efetiva
nessa religião, posso afirmar que a Umbanda traz a pessoa amada de
volta, porém não com essa precisão três ou sete dias. A espiritualidade
sempre faz o melhor para seu crescimento, os caboclos com sua
retidão e disciplina trazem a pessoa amada, os pretos velhos com seus
sábios conselhos, seu carinho e imparcialidade trazem a pessoa amada,
os exus apontam a direção para trazer a pessoa amada, as crianças
resgatam a pessoa amada, boiadeiro traz no laço! Baianos no gingado!
A marujada ancora a pessoa amada com você para sempre! E a
malandragem, tem como resistir? Então queridos irmãos, a nossa Mãe
Umbanda com seu acolhimento, seus preceitos, sua ritualística, com a
poderosa atuação dos Orixás, Santos e toda corrente de espíritos
trabalhadores quando atuam em sintonia com a sua vontade e devoção
trazem a pessoa amada de volta, VOCÊ MESMA! Pode levar um
minuto ou alguns anos, pois “devagarinho”, como diz a curimba, você
se equilibra, descobre seus dons, resgata a autoestima trazendo a tona
o melhor de si, e assim entende que Umbanda traz acima de tudo
autoconhecimento e aprende que somente se AMANDO você é
capaz de AMAR o próximo com a propriedade que essa palavra
carrega, compreendendo que qualquer coisa diferente disso perpassa
o sentimento de obsessão e posse.
2016
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 49

Cinthya Andrade Pimenta Dimas (Oloxum)


Tenho muitas coisas para contar, são quase 12 anos na
FRATELO! 12 anos nessa casa que me recebeu com tanto carinho,
que vivi muitas alegrias, algumas tristezas, mas com toda a certeza do
mundo, momentos que jamais esquecerei em toda a minha vida.
Tudo começou em uma festa de Oxóssi, a primeira reunião
do ano... fiquei encantada, maravilhada, anestesiada com tudo aquilo
que estava vendo, sentindo, ouvindo! Naquele dia mesmo, tive a
certeza que era aquilo que queria para minha vida, que tinha
encontrado algo que me fazia arrepiar e sentir uma emoção
inacreditável com o som dos atabaques, que me fez sentir um carinho
e receber um amor tão grande como o dos pretos velhos, aquela
alegria e simpatia de todos aqueles que faziam parte daquele lugar!
Algo dentro de mim revirou e borbulhou, senti como se estivessem
em meu estomago muitas borboletas! Queria aquilo para mim! Queria
sentir isso de novo!
Meus pais, eu e minha irmã começamos a frequentar a
FRATELO. Passei um ano na assistência e depois disso entrei para a
corrente... Nossa, mais que emoção, quase indescritível! Aqueles que
se dispõe a entrar e fazer parte de algo muito maior sabe do que estou
falando! Os anos foram passando, fui crescendo, amadurecendo e
deixando de ser aquela adolescente imatura, às vezes irresponsável.
Fui orientada pelo que vou chamar aqui “Trio Maravilha” - minha
Mãe, a amada Mãe Dulce, que me apoiou, aconselhou, amparou e
guiou, pela minha madrinha Patrícia (Inaê) que amo muito, que me
acolheu, me ajudou, me orientou e me deu uns bons puxões de
orelhas (todos merecidos) que precisava para me tornar uma pessoa
melhor, sempre muito sincera e honesta em suas opiniões e minha
irmã mais velha Kelly (Kianda) sempre ao meu lado me emprestando
suas orelhas para me escutar e disposta a me ajudar. Meus irmãos
todos, cada um a seu modo sempre estiveram ao meu lado.
Com a minha família FRATELO conquistei minha liberdade,
voei e ganhei mundos. Foi com eles também que dividi a felicidade de
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 50

encontrar o amor da minha vida - Samuel, o companheiro que escolhi


para trilhar a vida ao meu lado. Foi ao lado da minha família
FRATELO também que ganhei de Oxalá o maior presente e dádiva
da minha vida o meu filhotinho Miguel.
E foi no dia 10 de
março de 2012, que nós
perdemos minha amada
irmã Priscilla Pimenta
(foto). Ela foi recebida do
outro lado pela Mãe
Maria que cuidou dela
até o momento de seguir
seu caminho no plano
espiritual.
Não tenho como
agradecer à FRATELO, às entidades e aos meus irmãos pelo apoio
incondicional naquele momento tão difícil, complicado, sofrido! Foi
também na FRATELO que realizei meu sonho e tive um casamento
maravilhoso, emocionante, repleto de felicidade...
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 51

Figura 20 – Foto do casamento de Cinthya Pimenta (Oloxum) e Samuel Dimas (Oguyã)


Não poderia deixar de falar das amadas, lindas entidades,
sempre tão carinhosas, com uma palavra de consolo, de cuidado,
passando tanto amor! Tenho todos em meu coração, com muito
carinho e amor! Agradeço ao Pai Anacleto, Mãe Maria, Pai Antonio,
Pai João, Maria Batalha, Mãe Maria Costureira, pois foram
fundamentais e marcaram minha vida!
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 52

Como falei, entrei adolescente, mas fui amadurecendo e


adquirindo responsabilidade dentro da casa, fiz amassi, depois
coroação e há dois anos a feitura. Aprendizado sem igual! A
FRATELO é uma escola para a vida e como a Mãe Dulce costuma
dizer, se você se sai bem lá dentro, com certeza se sairá bem lá fora!
É um aprendizado constante e eterno. A vida espiritual anda junto
com todo o resto!

Figura 21 – Foto do casamento de Cinthia Pimenta (Oloxum) e Samuel Dimas (Oguiã)


Tenho muita coisa para aprender ainda, muitas coisas para
conquistar, uma vida inteira ainda a ser vivida. Vida esta que viverei
junto com a FRATELO, até quando chegar a minha hora e for para o
outro lado. Neste momento sonho em encontrar essas entidades
maravilhosas que me apoiaram durante toda a minha vida e ser
recebida por Ogum e Iemanjá.
14/03/16
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 53

Eiddy Milenne Cristine Frois Costa


No dia 03 de maio de 2014 foi o primeiro dia em que fui a
Fratelo e é com muita emoção e gratidão que gostaria de compartilhar
com todos os meus agradecimentos.
Há um ano fui recebida aqui, como se fosse uma filha que
voltava pra casa depois querer sair sozinha pra conhecer o mundo,
cheguei com o coração estraçalhado, uma dor que não sabia de onde
vinha e porquê. Não sabia mais quem eu era e o que queria da minha
vida, estava me sentindo sozinha e desamparada.
Todo o ambiente me acalmava, o abraço de Mãe Dulce foi um
conforto, o sorriso, as palavras e o olhar da Kianda era de quem já me
conhecia e estava feliz com meu retorno, as curimbas saiam do meu
coração e já estavam na minha cabeça, fui amparada pelos Pretos
Velhos, abraçada, acalmada, consolada. Mais uma vez a sensação de
ter voltado de onde nunca deveria ter saído.
Palavras nunca faltarão pra expressar o que foi esse dia e o que
está sendo SER FRATELO, aqui sei quem sou e o que quero. Sinto-
me segura, amada, amparada e respeitada.
A Umbanda é amor, aqui aprendemos que amar é natural, é
simples, é sincero, é respeitar e aceitar tudo e todos como bênçãos do
Criador e que os ensinamentos da Umbanda nos tornarão pessoas
melhores a cada dia;
A Umbanda é caridade, aqui vimos que a prática da caridade
pura transcende o cansaço e a fadiga. Que uma festa como a feijoada
dos Filhos de Jorge, feita para a pura prática da caridade e todos
trabalhando com um único propósito de ajudar! Que a caridade é se
doar por inteiro, é doar o que você tem a oferecer, o que você tem de
melhor, um abraço, um sorriso, um olhar. Que está além do material,
que a caridade é o sentir de verdade, é amar.
A Umbanda é Fé, aqui senti que não estou sozinha, tanto no
plano físico e cósmico, se que tenho com quem contar. Que mesmo
não vendo, ou às vezes vendo, sinto a presença, o toque, o cheiro, a
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 54

energia avassaladora, que me acalma, me fortalece, me direciona. A


minha Fé me segura, porque eu acredito nela e sei que posso contar.
A Umbanda é Fraternidade, porque a Fratelo é isso pra mim,
uma casa, uma família, um aconchego, um porto seguro, onde eu sei
que tenho com quem contar, sei que me receberá sempre com um
sorriso, um abraço sincero, uma palavra amiga.
À minha Mãe de Santo, todo meu amor, meu carinho, minha
dedicação e respeito. À minha irmã Kianda, meu amor e gratidão, por
todos os olhares, abraços, amparo e presença. A todos os meus
irmãos, minha gratidão, respeito e dedicação. Contem comigo
sempre.
A espiritualidade, a todos os Orixás, as entidades, aos meus
amados Pretos Velhos que aqui estão, que nos ensinam tanto, que nos
acolhem todos os dias, não posso falar o nome de nenhum, porque
todos estão conosco, cada um deles nos ensina e nos ajudarão a
encontrar uma razão e direcionamento da caridade. E nos devolveu a
união, fortaleceu nosso amor e confiança, de que juntos, nós somos
fortes e vamos conseguir guiar a nossa família, os nossos filhos na
prática do amor, da caridade, da fé e da fraternidade. Porque estamos
aprendendo que isso marca e mostra que a Umbanda é trabalho. É
servir aos outros e engrandecer nós mesmos.
01/05/15

Fábio Alves Pereira


Meu nome é Fábio Alves Pereira. Vou contar como eu conheci
a Fratelo. Tudo começou com um sonho onde minha cunhada me
apresentava um folheto de uma instituição religiosa que ficava perto
da minha casa. Ela teria se lembrado de mim porque a casa tinha uma
relação com a música. Ela disse que lá eu aprenderia a tocar violão e
guitarra. O folheto chamou minha atenção e eu fui conferir o local
após o trabalho. Chegando lá, era uma Pirâmide Escalonada com uma
Cornucópia em seu topo. Parecia um gramofone, um toca-discos
daqueles de antigamente. A Pirâmide era toda feita em granito
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 55

vermelho/alaranjado, polido, e brotava água com flores descendo por


cascatas em suas extremidades. Parecia estar vazio, mas minha
curiosidade foi mais forte. Subi a pirâmide até sua metade, vi uma
passarela que ligava a outra construção. Avistei uma porta e me
aproximei. De repente a porta se abriu e saiu uma pessoa. Do lado de
dentro, era tudo pintado de vermelho, muito parecido com uma Casa
de Exu, que até então eu não conhecia. De repente, outras pessoas
saíram de diversos lugares. Estavam todas vestidas de branco. Seus
rostos ficaram marcados em minha memória, porém, não me lembro
o que aconteceu daí em diante.
Duas semanas depois, aproveitando o feriado do dia do
Trabalhador, resolvi fazer dois dos quatro cursos de Hermetismo
ministrados em BH por Marcelo Del Debbio:
 01/05 - Kabbalah - Belo Horizonte
 02/05 - Astrologia Hermética - Belo Horizonte
 03/05 - Qlipoth, a Árvore da Morte - Belo Horizonte
 04/05 - Magia Prática - Belo Horizonte
No dia 03/05, ao iniciar o curso, Del Debbio, disse que em
São Paulo, ele levava todos os alunos ao terreiro que ele frequentava
para fazerem uma sessão de descarrego e que desta vez em BH não
seria diferente, pois todos os alunos estavam convidados pela Mãe
Dulce a conhecer a Fratelo, que havia feito os cursos de Kabbalah e
Astrologia Hermética.
Dito e feito, após a aula fomos em caravana para a Fratelo do
bairro Veneza. Um grupo de umas 20 pessoas, formados por
membros da casa que também estavam presentes no curso, e demais
alunos.
Ao chegar no Veneza, fomos recepcionados pela Mãe Dulce
que gentilmente nos apresentou todas as instalações do Terreiro e do
Instituto Camará. Conhecemos o projeto social e a realidade da
comunidade que é atendida por ele. Terminado o tour, fomos
encaminhados ao salão, para o início da reunião, onde fomos
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 56

recepcionados pela encantadora Equipe de Acolhida da Fratelo. A


abertura da reunião foi linda, atabaques e vozes, tudo muito energético
e vibrante. E pasmem, reconheci quatro pessoas que havia sonhado
na Pirâmide (Paula, Michel, até que chamaram meu nome...)
Quando sentei diante do preto velho Pai André, falei que
queria apenas fazer um descarrego. A primeira coisa que ele me falou
foi sobre um problema que eu tinha no estômago. Eu já tinha
trabalhado durante seis anos uma casa Kardecista, e já havia visitado
outros dois terreiros de Umbanda. Definitivamente, não estava com
medo. Porém, aquelas palavras bateram forte. Todas as vezes que eu
fui atendido por entidades elas relataram um determinado problema
no estômago. Eu já havia feito dezenas de tratamentos espirituais, mas
não adiantava. Era só sentar diante de uma entidade que elas
enxergavam o bendito problema. Ao relatar este histórico, o preto
velho me encaminhou para o Reiki, para a pessoa que viria a ser minha
madrinha no Terreiro, a Fabiana. Ela fez um rastreamento e percebeu
que realmente havia algo. Fui encaminhado no mesmo dia para
atendimento com o Pai Antônio, que me recebeu com todo carinho e
atenção. Segundo ele, eu tinha uma mancha no corpo astral associada
ao estômago, que poderia evoluir para um caso de câncer caso eu não
fosse tratado. Isso para mim soou como o fim, porque eu havia
perdido minha mãe a pouco mais de um ano com câncer de estômago.
Ele receitou uma limpeza na casa de Exu, reiki, banhos, remédios
naturais e pediu que eu retornasse ao terreiro durante “quatro luas”
(reuniões). Também disse que eu deveria procurar os “homens de
branco” (médicos) após o tratamento.
Dito e feito, na semana seguinte eu estava lá, e todos já sabiam
meu nome. Não imaginava como era possível a acolhida se lembrar
de mim tendo em vista o grande número de consulentes que a casa
recebe semanalmente. Gostei tanto que acabei levando minha irmã,
irmãos, amigos, tia. Terminado o tratamento, fui ao médico conforme
havia sugerido o Pai Antônio. Ele detectou uma gastrite muito leve,
sem maiores preocupações, marcando retorno para daí a dois anos.
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 57

Resultado: fiz o curso de neófitos e acabei entrando para o


terreiro. De fato, acho que encontrei o meu lugar. Na Fratelo eu me
sinto em casa, como se eu fosse uma criança embalada num manto e
no colo da mamãe, ou em casa após um dia exaustivo de trabalho,
depois de ter tomado um banho e vestido com roupas confortáveis. É
um alívio, um bálsamo, um estado de paz e graça.
Ainda tenho que agradecer a Fratelo pela maior conquista da
minha vida. Minha esposa sempre quis ser mãe, mas eu tinha medo.
Achava que não tinha condições financeiras para ter um filho, que o
país estava passando por uma crise, etc... aos poucos os pretos velhos
foram trabalhando o meu emocional. Assim que minha esposa
engravidou, coloquei o nome dela no livro de orações da casa e fomos
amparados do início ao fim da gravidez. Minha esposa não sentiu um
enjoo sequer nem dores no parto. Ela ainda sofreu um acidente
automobilístico nos últimos 15 dias de gravidez que poderia ter
interrompido este sonho. Mas graça a proteção Divina, Heitor, meu
filho, nasceu em 05/02/2016 com 2590gr e 49 cm.
Também gostaria de abrir um capítulo especial para os irmãos.
A Fratelo é uma família. Meus irmãos são amorosos, alegres,
inteligente, bem-humorados, engraçados, energéticos, prestativos,
interessados, etc. Adoro estar com eles em todos os eventos. As festas
são simplesmente imperdíveis. Aí vai uma dica... Aconteça o que
acontecer, não percam as festas da Fratelo. Elas são diversão garantida,
com música, comida e gente animada pra ninguém botar defeito. E as
reuniões fechadas, a Macaia, a Festa de final de ano no mar são
maravilhosas, experiências únicas.
Eu serei eternamente grato a Mãe Dulce, a todos os meus
irmãos de terreiro, a todas as entidades que nos auxiliam e a todos os
irmãos de fé que buscam na Fratelo o amparo do Pai Maior. Que ele
continue nos auxiliando e nos guiando nesta jornada.
01/03/16
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 58

Flávio Peçanha
Meu encontro com a Fratelo foi de maneira muito inusitada,
pois estava na casa de um amigo num churrasco e lá chegou uma prima
de sua ex esposa, quem não me recordo do nome, e em uma música
de Ogum que Zeca Pagodinho canta, surgiu o assunto de Umbanda.
E durante este assunto essa amiga me disse que havia um terreiro de
Umbanda no bairro Veneza com o nome de Fratelo, conversamos
sobre a possibilidade dela me apresentar o local e assim fizemos.
No próximo final de semana fomos ao terreiro, quando entrei
já foi notável a total diferença e harmonia que a casa transmitia, com a
recepção das pessoas, com a organização da casa. Quando começou a
reunião com a explicação da Mãe Dulce, meu coração se encheu de
paz e harmonia, quando as entidades começaram a incorporar aí eu
fiquei surpreso, a disciplina dos médiuns foi tão grande que fiquei de
queixo caído. No decorrer da reunião fui atendido pelo Pai João de
Angola, que carinhosamente meu ouviu, me aconselhou e depois
conversamos. Neste dia em diante decidi que ali seria meu lugar de
alguma forma.
As entidades já me ajudaram com todos os meus familiares
minha mãe Elizete, a minha irmã Elizete e meu irmão Douglas e
amigos que tiveram contato com a Fratelo, e mesmo da minha esposa
não sendo umbandista, ela apoia e respeita minha religião, e as
entidades nos ajudaram. Por isso sou muito grato a Sabrina, minha
esposa, por me apoiar nesta jornada que não é fácil.
Mas a ajuda mais grandiosa que eu tive com a minha esposa
foi sua gravidez, desde o momento em que comuniquei com Mãe
Maria tivemos total apoio espiritual da casa. Seremos eternamente
gratos pela gestação que tivemos sem contratempo algum.
Para mim foi e está sendo uma casa onde fui recebido de
braços abertos, com acolhimento inigualável, com simplicidade,
ternura, respeito e dignidade.
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 59

E para finalizar o momento marcante para mim foi quando


consegui ser um membro da Fratelo. No dia da minha entrada da casa
como neófito eu nem consegui expressar meus sentimentos em
palavras, saíram somente lágrimas de emoção de meu ser, de tamanha
emoção que tive, naquele momento, que era único de uma conquista
única e realmente alcançada por mim. Neste dia preparei para dizer
algumas palavras, mas não consegui e a emoção tomou conta de mim,
meu coração se encheu de alegria por estar ali e de fazer parte deste
trabalho tão bonito, árduo, respeitoso e digno.
Vejo a Fratelo como um novo horizonte para muito mais
pessoas, irmãos como nós, que tentam se encontrar no mundo e de
alguma forma se encontram aqui, realizando um trabalho de
crescimento espiritual.
01/03/16

Iara Janaína Fernandez Librelon (Yemoja)


Posso dizer que conheço a Fratelo desde pequena, e conheci
a religião Umbandista ao longo de minha caminhada. Meus pais e avó
sempre me orientaram nesse aspecto, me apresentaram outras
religiões, tive a oportunidade de fazer catecismo, mas decidi seguir
meu caminho na Umbanda. Toda vez que ajoelho ao pé de um preto
velho, sinto o amor e o carinho que senti na religião desde o primeiro
contato. Minha recordação mais antiga é quando, ao final das giras de
caboclo, o chão do terreiro repleto de ervas e folhas, eu ficava
passeando entre as enormes árvores que imaginava, condensando no
meu pensamento todo aquela energia de vitalidade inerente ao
Caboclo.
A Umbanda significa muito pra mim e muito do que
sou, aprendi a ser exercendo minha religião. O lema da Umbanda é
“Amor, fé, caridade e fraternidade”, aspectos que se tornam palpáveis
quando você pisa no Terreiro e sente o que transborda dos irmãos e
de nossa Mãe de Santo, uma corrente de luz que ilumina minha vida
há 19 anos.
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 60

Durante minha adolescência escutei muitos


comentários, respondi vários questionamentos, as pessoas realmente
não compreendiam o porquê de seguir uma religião que me “priva de
festas aos sábados”. Mas foi o que sempre disse, não tentarei explicar
para as pessoas que tanto me perguntam como é tão melhor estar lá,
sentir o que sinto quando estou em um Terreiro, simplesmente por
ser um sentimento que foge ao entendimento dessas pessoas.
Simplesmente digo que prefiro estar lá a estar em qualquer outro
lugar. E até estas mesmas pessoas questionadoras, que faziam parte do
meu círculo de amizade, não estão mais ao meu lado, na verdade
porque nunca estiveram. Mas o que dizer de todo apoio que recebi
dos Guias, entidades, orixás, da minha Mãe de Santo e dos meus
irmãos quando mais precisei? Isso vale à pena, isso não tem preço. O
restante é pequeno e supérfluo demais para ser posto em questão.
Finalmente, uma memória recente e muito importante
pra mim foi minha Feitura. Quando mergulhamos e abraçamos essa
oportunidade de deixar emergir um ser de Luz, uma essência, uma
força bem maior que nós, nascemos novamente. E no momento exato
que renasci, pude vislumbrar o que diz a seguinte frase em latim “amor
est vitae essentia” (o amor é a essência da vida). A vida nova, que por
amor eu tive, nas amorosas mãos de minha Mãe de Santo, logo atrás
a Mãe Pequena, em sequência meu padrinho terreno e meu irmão de
sangue e religião correspondendo coincidentemente ou não, a minha
avó, mãe e pai. Foi um momento sublime, senti todos que me
iluminam e orientam ainda mais perto. Assegurei ainda mais o motivo
real de estar aqui, nessa religião que amo e abraço todos os dias.
23/08/16

Kelly Cristina Sá (Kitula)


Eu conheci a Fratelo em um momento de muita dificuldade.
Eu conheci uma pessoa que precisava de ajuda e ele começou
a procurar outras casas, e eu sempre fui uma pessoa muito desconfiada
e não concordava com o que as outras casas pregavam. Eu conheci a
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 61

Kelly (Kianda), estudávamos juntas, e ela comentou que algumas


pessoas estavam montando uma casa, e eu estava passando
dificuldades com o meu pai que faleceu em 1994, pois eu não estava
deixando ele seguir o caminho dele, e a casa me ajudou, tanto que hoje
não tenho lembranças ruins, quando lembro são coisas boas.
E vi a casa crescer de uma forma estrondosa. Quando eu
comecei era uma casa pequena, eram só dois 2 bancos, com 4 ,6
pessoas. Tínhamos reuniões quinzenais abertas e fechadas.
Eu vi várias pessoas entrarem e saírem, mas a casa continua a
mesma, tudo que a Mãe Dulce fala, desde quando eu entrei e até hoje,
tem coerência. Mas ela tem uma grande capacidade de adaptação, de
criatividade, ela é aberta a novas ideias, desde que não interfira na
rotina da casa.
A casa tem crescido muito, graças as mãos da Mãe Dulce, da
Patrícia (Inaê), da Kelly (Kianda), da Danielle (Araô), da “Samba”.
Uma vez uma Preta Velha, Maria Lavadeira, me falou que eu
estava passando novamente por dificuldades, e ela me mostrou um
caminho, que eu tinha começado a seguir. Por eu ter encontrado uma
montanha eu estava desistindo, e ela me disse que era para eu
contornar essa montanha e continuar meu caminho, que não era para
eu desistir. Ela hoje não trabalha mais na casa, mas ela está sempre em
meu coração, eu não vou me esquecer das palavras dela.
Tenho um carinho enorme por todas as pessoas que trabalham
no centro, muita gratidão.
Outro dia uma dessas pessoas que já saíram da casa, mas que
ainda mora no meu coração, se assustou com a grandeza da casa, com
a logística, com a quantidade de pessoas. Ela não imaginava que a casa
fosse crescer tanto de uma hora para outra. E as necessidades fizeram
com que a casa criasse uma logística de atendimento as pessoas, e ela
ficou maravilhada, surpresa. E como não ter que criar isso tudo diante
de tantas pessoas que vão lá em busca de ajuda?
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 62

Do que eu já vi, de quando começou… uma porta


pequenininha, e hoje já tem duas casas de atendimento e eu tenho
certeza que “já já” ela vai conseguir a sua sede própria, sempre com os
pés no chão, isso é muito importante, é isso que fez a casa crescer
desse jeito, os pés no chão.
12/08/16

Kelly Luciane Lobenwein (Kianda)


Foram várias coisas que me trouxeram à casa. Eu tinha 17 para
18 anos quando conheci a Mãe Dulce. Quando fiz 19 anos, estreitei
os laços porque meu primo, Wagner Librelon (Odé), casado com a
Patrícia (Inaê) faziam parte da casa.
E aí começou a minha vida com Mãe Dulce. Na verdade, a
primeira coisa que me fez estar aqui e ficar foi que Mãe Dulce foi a
primeira pessoa a me ouvir, a pessoa que me enxergou como gente.
Sempre tive gênio forte e naquela época estava no auge da
adolescência. Ela me deu toda atenção e desde o início ela foi uma das
grandes razões para que eu estivesse aqui. E ela me ensinou muita
coisa. Ela me ensinou a fé, ela me ensinou a prosperar, ela me ensinou
a ser mulher. Ela me ensinou a ser gente. Então eu acho que começou
dela. Sabe quando você olha uma pessoa e diz 'isso aqui que eu vou
querer ser quando eu for grande'. Então, ela é minha primeira razão.
Até nos erros que ela acha que cometeu, ela era justa. Ela falava 'eu
cometi esse erro'. Ela tem esta nobreza de errar e de acertar. Isso me
chamou atenção.
Depois, vejo a riqueza que vem com ela (ou ela vinha com eles,
não sei), que foram os guias. Primeiro os dela, depois os outros que
venho conhecendo e vejo eles crescendo. Esta coisa bonita, esta
nobreza.
Conheci a Umbanda através dela. Não tinha nem noção do
que era Orixá, do que era guia, misturava Orixá com guia.
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 63

Eu sei que até hoje é ela que me inspira. A Umbanda me


inspira, mas Mãe Dulce me inspira mais. Ela ainda me faz acreditar
que pode melhorar tudo.
Farão 23 anos... nestes anos todos tiveram tantas coisas. Eu,
como pessoa, mudei tanto. Acho que nos momentos difíceis da vida
que encontramos alguma coisa que vai te fazer enxergar que uma hora
vai melhorar. Quando você está bem, todo mundo é legal, é bacana,
você não amola ninguém. Mas quando você está precisando, ali no
momento, não é legal. Uma coisa que eu acho interessante é que
nestes caminhos, as pessoas esquecem que quando elas não estavam
bem, alguém fez alguma coisa por elas. Eu tive momentos muito
difíceis. Quando descobri que na verdade nós somos responsáveis
pelas nossas mazelas (culpado não, responsável mesmo), vem aquela
cena "eu não sei o que quero ser, mas eu sei o que eu não quero mais".
E em todas as fases da minha vida, ela estava. Toda vez que tive que
cortar, morrer e renascer, ela estava.
Eu era uma pessoa muito infeliz e aí conheci um cara, que foi
o Cacá (Exu Caveira). Eu acho que tudo que um homem pode ser
para uma pessoa, ele foi. Ele me resgatou. Ele resgatou alguma coisa
dentro de mim. Se não fosse ele, eu não estaria assim, estaria passando
por dificuldades. Primeiro Mãe Dulce, aí veio Mãe Maria e o Cacá
(Exu Caveira). E isso é ser umbandista. Não é que você não vai ter
dificuldade mais. É que você vai se estruturar para elas. A gente se
prepara para melhorar alguma coisa.
O mais legal nisso tudo é se reencontrar com alguma coisa que
você esqueceu um dia. Você não sabe com o que reencontra mas
reencontra, sabe?
16/03/16

Maria Helena Lobenwein Morais (Odara)


Existia um grupo, dos quais os integrantes eram a Mãe Dulce,
Tia Edmar, Leleca, Vera Branca, Celeste, “Samba”, primas das Mãe
Dulce, e outras pessoas. E esse grupo se reunia na casa da Tia Edmar,
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 64

na casa da Mãe Dulce, na casa da “Samba”, lá em casa. E estava


ficando muito difícil, então alugamos uma casa no Veneza, perto da
casa da Samba, mas não deu certo, e era muito difícil reunir, mas
fazíamos reuniões bonitas.
Essa dificuldade de reunir, o pessoal desenvolvendo, o espaço
já não cabia mais, e em uma dessas reuniões a Kelly recebeu e bateu
a cabeça, aí não teve jeito, tivemos que mudar, e tinha esse lote do lado
da casa da irmã da Samba, então viemos para cá.
A “cabeça” sempre foi a Mãe Dulce, que na época não era
mãe… Sempre com muitas batalhas, porque dinheiro mesmo o
pessoal não tinha. O centro era um cômodo, que era o lugar do Peji,
a parte onde fica a corrente era o centro todo.
Durante a construção o Milton ajudou muito, mas era assim, a
Mãe Dulce pedia a ele para fazer alguma coisa, se ela não tinha
dinheiro ele vinha do mesmo jeito, e ela pagava do jeito que dava, ele
ia no depósito de construção e comprava fiado, e depois a Mãe Dulce
pagava, e o pessoal do centro; Patrícia, Kelly, Mãe Dulce colocavam a
mão na massa para poder ajudar.
O Meu pai também, foi ele quem fez toda a parte elétrica.
As dificuldades foram muitas, primeiro a família, porque você
não vai mais festas, reuniões em família, devido aos compromissos do
centro e eles ficam de mal. No sábado vocês não contem comigo,
porque o sábado eu dediquei a casa, e ninguém me obrigou, eu venho
porque eu quero.
Eu lembro que no começo eu fazia palestras e não tinha
ninguém, ninguém que eu pudesse ver!
E outra dificuldade era o preconceito, todos achavam que
Umbanda era macumba. A dificuldade de sair de Belo Horizonte e
vir para cá, na época a estrada era complicada, eram poucas pessoas
com carro, dificuldade financeira, precisava pagar as contas de água,
luz
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 65

Às vezes me perguntam se penso em desistir. Olha, de vez em


quando a gente pensa sim, mas se tem 10 motivos para desistir tem
muito mais motivos que te seguram! Eu não estou na Casa por causa
de ninguém, por causa de “ciclano”, “beutrano”, estou aqui,
primeiramente porque eu gosto daqui, aqui é o meu lugar, e eu vim
atrás da Mãe Maria e do Pai José. Uma vez o Pai José disse: “- Eu
estou indo, quem quiser...”. E estou atrás dele até hoje.
Uma vez quando eu pensei em sair Mãe Maria me disse: “-
Fica quieta minha filha, porque aqui que é o seu lugar”.
12/08/16

Natália de Moraes Rezende


“Foi uma longa caminhada em busca do terreiro que me
fizesse sentir realmente em casa. Um aqui, outro ali, conversas do
gênero com alguns... até que a Fratelo apareceu em meu caminho,
trazendo um “mix” de emoções que até hoje não sei explicar direito.
Cheguei com a expectativa de encontrar a paz e sabedoria para
lidar com meus problemas. Mas, quando você é filho de pemba não
tem jeito, já sabe, né? É difícil encontrar a paz em meio a tanta
vibração.
E foi aí que eu vi uma senhora, que estava passando em minha
direção. Neste momento, nossos olhares se intercalaram e eu, feliz,
levantei para cumprimentá-la sorridente. Só tinha um detalhe que,
diga-se de passagem, era importantíssimo! No meio desse processo eu
percebi que não a conhecia e nem ao menos sabia qual seu nome.
Quando me dei conta disso, disfarcei a situação, me sentei sem
cumprimentá-la e fiquei lá, com cara de distraída para disfarçar o
constrangimento. Minha vontade era cavar um buraco para me
esconder!
Fiquei me perguntando mil vezes de onde eu a conhecia, e por
que MEU DEUS AMADO eu esqueci o nome dela? Sabe aquela
sensação quando você vê alguém conhecido e não consegue lembrar
o nome de jeito nenhum? Pois é, foi isso mesmo que senti, só que eu
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 66

tinha certeza que nunca tinha a visto antes, como podia então eu me
sentir assim, tão próxima dela?
Pensei comigo, vou embora agora desse lugar, eu não tenho
jeito mesmo, nem lembrar das pessoas mais eu estou lembrando...
E aí os atabaques começaram a rufar e não contive minha
emoção com as músicas, os movimentos, o cheiro e a imensa gratidão
que me envolveu apenas por eu estar ali, me permitindo e observando
tanta beleza.
Mas, mesmo assim pensei, na próxima música vou embora! Eu
já estava mesmo desiludida com essa situação toda.
Só que aí a vida me deu mais um leve e lindo tapa de luvas.
Quando eu olho lá pro meio do terreiro, aquela senhora
sorridente estava lá, sentada em sua cadeira, ocupando o lugar de
autoridade máxima no terreiro, com sua vestimenta sagrada. Nessa
hora meu coração pulou. Estava ali, diante dos meus olhos a certeza
de que eu realmente não a conhecia.
Nessa altura do campeonato eu já tinha certeza da minha
loucura, até que fui interrompida para conversar com um preto velho.
Foi lindo, eu até tinha me esquecido de tudo e já estava me sentindo
uma pessoa normal.
Só que aquela senhora, sabe? Que já tinha me traumatizado o
bastante, me chama pelo nome meigamente:
- Ei Misinfia Natália!
E dá um dos sorrisos mais belos que eu já vi e que nunca vou
me esquecer.
Ah, nessa hora eu fui em Aruanda e voltei!
Eu, em minha simples ignorância não percebi, no momento,
que aquela Preta Velha era a Mãe do Terreiro, mais conhecida por
nós como Mãe Maria. E pensei, de início, que era a Mãe Dulce.
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 67

Não sei se foi pior ou não descobrir isso depois. Já estava bom
de susto para o dia, mas fazer o que, né?
Até hoje eu não sei de onde conheço a Mãe Dulce, mas, cá
entre nós, eu nem quero saber mais e, da última vez que conversamos
sobre isso, ela me deu a melhor certeza que eu poderia ter. Ela disse:
- É simples, você é minha filha.
O mistério e a certeza de que o plano espiritual nos
proporciona é, sem sombra de dúvidas, realizador. Aqui meus pés
estão no chão, meu canto se refina e meu coração se resplandece em
busca do desenvolvimento que me leva cada vez mais ao encontro da
paz. Um terreiro de luz, de axé, que cuida e me prepara a viver os mais
lindos sonhos que sempre desejei!”
17/08/15

Patrícia de Moura Domingues


Depois de tanto caminhar em busca de algo que eu não sabia
bem o que era, fui convidada a ir conhecer a Fratelo. Já eram 12 anos
como reikiana, já havia passado por alguns centros espíritas
Kardecistas, conhecido alguns terreiros, tinha ido contra meu
compromisso da mediunidade depois retomei o contato e por fim
estava trabalhando numa casa espiritualista.
Este irmão espiritual que apresentou a Fratelo tinha se tornado
membro pouco tempo antes e percebia que minha energia estava
confusa. Cheguei na Fratelo, mais curiosa que tudo, pensando um
pouco na ideia de receber uma ajuda fora da casa espiritualista onde
trabalhava (estranho pensar que muitas vezes os lugares em que
médiuns trabalham, não conseguem ajudar os próprios médiuns,
né?!). Mas na Fratelo eu senti meu coração bater diferente e a primeira
fala do Preto Velho que hoje se tornou meu padrinho espiritual foi “
A fia sentia falta disso sem saber o que era”. De início não entendi o
que ele queria dizer, fiquei esperando ele continuar a fala. E ele disse
“ do som do tambor, da fumaça de erva, das cantigas e da saia rodada”.
Ele leu meu coração!
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 68

Quis voltar, mais uma vez, e mais outra vez. Ouvi sobre o
Curso de Neófitos e pensei que era uma oportunidade de eu entender
melhor aquele universo da Umbanda e conhecer algumas entidades
com as quais eu me afinizava tanto. Até aí, ainda achava que o curso e
os trabalhos da casa me deixariam mais estruturada pra continuar o
trabalho onde eu já estava. Mas neste meio tempo, continuava indo
nas reuniões e me aproximei de mim mesma, percebi como o trabalho
mediúnico mal orientado e sem o aporte necessário da outra casa,
estava exaurindo minha energia. Percebi como ali meu coração ficava
quentinho. A ressonância do amor que já se fazia forte dentro de mim
e a segurança que eu precisava para trilhar como umbandista foram
despertadas pela Fratelo.
Decidi, então, mudar de rumo e encarar de vez o
compromisso e a mediunidade, desta vez numa egrégora forte, linda e
segura. A disciplina da religião veio se tornando o suporte para meu
caminhar. Dessa forma e com a gratidão que eu sentia por este
presente em minha vida, passei pela primeira fase do Amasi.
Formalizei diante do Peji meu compromisso, dei as mãos a mim
mesma, me permitindo uma conexão maior para ajustar minhas falhas
e dificuldades, para pagar alguns carmas, para me tornar mais um
tijolinho desta construção conjunta pela expansão do templo
umbandista frateliano, me abrindo para crescer e desenvolver num
mundo novo dentro da perspectiva de uma religião que nunca
imaginei que seria a minha.
Me entreguei para as bênçãos da espiritualidade maior, para
possibilitar a ampliação das ferramentas de cura, para a medicina
natural dos Orixás, para que pudesse desenvolver a mediunidade de
forma mais equilibrada e assistida, expandindo o amor.
Para minha surpresa, as entidades foram se aproximando mais,
a sensibilidade foi se tornando mais compreendida. E em março de
2015 me disseram “você não vai cambonar hoje e nem vai pro Reiki,
vai sentar no toco e ...” E eu já não ouvia mais nada, morrendo de
medo daquela responsabilidade, só ouvia meu coração disparado. Mas
aí, ouvi bem pertinho de mim a voz do Pai Joaquim dizendo “Calma
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 69

fia, nego tá aqui”... E hoje já temos pouco mais de um ano de mais e


mais expansão de amor, Graças a Umbanda, Graças ao acolhimento
da Fratelo, que encantou meu coração com seus atabaques e fumaças
de ervas!

Raíssa Marinelle Belchior e Lima


Após ter sido permitido aos membros da casa relatarem
momentos, fatos e darem o seu depoimento no livro, fiquei me
perguntando o que eu poderia escrever em tão pouco espaço, um
amor tão grande por uma casa, pois são milhares de experiências
diárias e convivência com pessoas incríveis.
Fiz um pedido à espiritualidade, pedi que me mostrassem uma
boa casa de Umbanda, para que eu pudesse trabalhar e assim a Fratelo
apareceu em minha vida, e esse encontro foi amor à primeira vista,
pensei: aqui é o meu lugar! E assim foi, a cada reunião, minhas
descobertas, uma vivência única. A Fratelo me ensina todos os dias e
posso dizer que não tem um único dia que saio da casa sem no mínimo
um aprendizado. Ali pude me descobrir, me encontrei e vivo
intensamente todas essas experiências maravilhosas, com os meus
orixás, entidades, irmãos e minha Mãe de Santo. Pois ali somos uma
família e não tenho nem como agradecer o amor e carinho de todos
eles.
Tive dois momentos que são muito especiais pra mim e que
ficarão guardados com muito amor, pois foram quando assumi meu
compromisso com a Umbanda e reafirmei meus votos, meu batismo
e minha coroação. Vivi uma emoção muito grande, e em cada um,
pude ter a certeza de que estou na religião que amo e que me faz tão
bem.
Agradeço muito à Fratelo também por me permitir participar
de um trabalho tão lindo como o Instituto Camará, ali eu aprendo com
as crianças, a leveza e a doçura. E busco a cada dia ensinar, que existe
esperança de um mundo melhor, onde cada uma delas pode fazer a
sua parte, seguindo um bom caminho, honesto e buscando ser a cada
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 70

dia, um bom cidadão. Muita gratidão por poder doar e receber o amor
dessas crianças, plantando sementes de esperança no coração de cada
uma.
Para finalizar, digo duas palavras para resumir minha relação
com a Fratelo, meus irmãos, as entidades, Orixás e minha Mãe de
Santo: Gratidão e Amor.
13/03/16

Rodrigo Martins da Silva


Belo Horizonte, 24 de julho de 2015
Conheci a Fratelo pelo ocaso. Estava em uma palestra de
Astrologia do Marcelo Del Debbio no dia 01 de maio de 2014, não
conhecia ninguém. Em poucos minutos já se fizeram reconhecer os
maçons, e o Alex tomando a frente me apresentou a Sra. Dulcinéia, e
como ele disse “minha Mãe de Santo”. E iniciamos nossos estudos.
Durante o almoço, sentei-me à frente de Mãe Dulce. Poucas palavras,
uma conversa aqui outra lá. Voltamos a estudar.
No outro dia, estudo de Kaballah, e novamente nos
encontramos no almoço, sentados frente à frente e mais
descontraídos, Mãe Dulce em um momento ocasional me diz: Você
reparou que estamos sempre ou um do lado do outro, ou à frente um
do outro? Estamos ligados por algo que não sei te dizer.... Sorri e
guardei este momento sagrado em minha memória. Também senti
que o ocaso preparava uma das suas...
Sábado, dia 03 de maio fui a Fratelo Veneza. Confesso que
nunca havia entrado em um terreiro de Umbanda antes. E nas
primeiras batidas do tambor todas as minhas células vibraram e
naquele instante talvez uma memória ancestral, ou uma vontade
maior, fez eclodir sentimentos e perguntas, e naquele instante decidi
procurar o que era isso: o que era a Umbanda.
E desde então iniciei minhas leituras, buscas e estudos desta
religião que me tocou tão profundamente. Estudei, estudei e fiz das
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 71

minhas quartas dias sagrados de compromisso com a Fratelo. As


entidades me acolheram, os irmãos me abraçaram e eu me propus a
trabalhar. Passei pelo curso de neófitos, decidi que aquele não era
momento, havia muita coisa a organizar e sabia que aquele era o
momento de Eiddy brilhar. Nunca tinha visto minha esposa com tanto
amor e dedicação em sua entrada. Tudo ao seu momento e sua hora.
Havia muito em mim a lapidar antes de me permitir entrar para tão
Sagrado culto.
E neste pouco mais de um ano, vi que tudo isso são
sincronicidades que as energias divinas nos propõem a trilhar. Todos
estes encontros onde crescemos cada vez mais e nos permitimos a
manifestação do amor e da caridade é uma oportunidade de
crescimento. Acredito que a iniciação do ser parte do seu íntimo e da
livre vontade de escolha. As preparações intelectuais, espirituais e
materiais devem estar sólidas para que no momento em que as portas
são abertas cada um esteja consciente dos novos caminhos lhe serão
colocados à frente.
E me permiti bater na porta desta casa e pedir que me abrigue,
para que juntos possamos evoluir. Creio que a iniciação é individual,
mas minhas ações são coletivas. Que o meu crescimento será o
crescimento desta casa, que minhas vitórias serão nossas vitórias e que
a minha evolução será a evolução de todos. Desejo ser mais um filho
pecador que labuta pelo bem da humanidade.
Que Ogum me receba em sua casa e Oxalá ilumine esta
decisão.
2015

Sarah Karoline de Almeida Macedo


Uma certa vez eu fui me consultar com a Vó Menininha e
derramei toda minha dor, e ela com toda sua sabedoria me perguntou
se eu sabia a oração do Pai Nosso. Apressei-me para responder que
“sim” e disse a oração ligeiramente. E no final ela me perguntou: “ Fia,
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 72

você acha que o pai nosso que estas no céu teve tempo de ouvir sua
oração?”.
Apenas com esta pergunta eu refleti e ela pegou minhas mãos
e disse que era para nós orarmos juntas com fé, com calma... E assim,
a partir daquele dia, as minhas orações ao Pai Nosso nunca mais foram
iguais. Eu sinto que toda vez que falo com ele, sou realmente ouvida.
Ela me ensinou a orar de verdade. Gratidão, Vó Menininha.
2010

Vedra Lobenwein Morais (Marbô)


Meu primeiro contato com a Umbanda.
Em 1994, fui acompanhar meu irmão Vinicius em uma
limpeza que ele deveria fazer em seu carro. Foi no bairro Florença, na
casa da Vera Preta, que hoje é a Samba Boquê. Lá fui eu ! Num misto
de curiosidade e medo do desconhecido.
Fiquei dentro da casa de “butuca” lá fora, e vi a Mãe Dulce,
que ainda era a “Néia”, com as expressões mudadas e batendo no
carro com umas ervas, falando e rindo. Não entendi nada! Mas fiquei
sabendo que ela estava incorporada e que ali estava a entidade
Pombagira Miranda.
Depois disso, foram todos lá para dentro da casa e então fui
convidada a ir conhecer um preto velho, Pai Anacleto. Nossa! Eu
tremia muito, estava com medo... Só tinha visto incorporação em
centro kardecista e em nada se parecia com o que estava vendo. Tomei
coragem, afinal ia ficar feio eu sair correndo...rsss e fui até ele.
Ajoelhei-me aos pés de Pai Anacleto e tive uma sensação
indescritível, de alegria, acolhimento, de amor; parecia que ele já me
conhecia (agora entendo que ele já me conhecia mesmo!). Não
consegui falar nada e ele me disse que estava feliz em me ver e que eu
era a Iemanjazinha dele.
Esse foi o meu primeiro contato com uma entidade de
Umbanda. Não me lembro quais foram suas outras palavras, mas com
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 73

certeza foram determinantes para que meu coração quisesse ser da


Umbanda.
01/10/15

Vera L. Pereira (Samba Boquê Boquê)


Meu nome é Vera conhecida como Samba no terreiro e minha
iniciação na Fratelo foi em meados de 1985/86 quando procurei Mãe
Dulce.
Naquela época éramos um pequeno grupo com reuniões uma
vez ao mês, porém cada reunião em um lugar diferente, pois ainda
não estávamos alojados.
Depois de um certo tempo, junto com a Patrícia mocinha
ainda, comecei a cambonar a Mãe Maria e com elas fui aprendendo
muito sobre cambonagem e outras tarefas. Passando a ajudar nos
cantos dos pontos, na limpeza do lugar onde íamos trabalhar, que hora
era na casa na Mãe Dulce, hora na casa da tia Edmar, enfim onde
íamos montar nosso centro, estávamos todos lá ajudando. Depois de
alguns anos iniciamos nosso centro em minha casa, mas não me
lembro bem a data ao certo e já éramos mais pessoas e depois esse
número aumentou.
Alugamos um cantinho mesmo com as nossas dificuldades, e
tudo era muito precário, então graças a Deus veio nosso mentor e nos
deu um prazo para termos nosso próprio terreiro. Foi um período que
ficamos procurando, então a Vedra Lobenwein e o seu irmão Vinícius
Lobenwein doaram um terreno no bairro Veneza para começarmos
os nossos trabalhos. Começamos a construir o centro com o dinheiro
da rifa de uma televisão doada por uma filha da casa, a Celeste A.
Mateus.
Em 21 de abril de 1995 iniciamos nossos trabalhos e eu
sempre fui muito versátil, hora na labuta, na capina, na contabilidade,
hora cozinheira, lavadeira, pintora, sempre ao lado da Mãe Dulce, que
nunca se abalou por qualquer coisa. No mesmo instante que
começávamos nossos trabalhos para lá e para cá, fazíamos tudo o que
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 74

estava em nossa frente, a nossa luta desde o início foi e é muito grande
até hoje, apesar de tudo sempre executamos trabalhos lindos e a Mãe
Dulce sempre soube coordenar o nosso crescimento tanto pessoal
quanto espiritual através de seus ensinamentos e muitos donos de
terreiros vinham em busca de aprendizado e assim iam divulgando e
indicando outras pessoas para nosso terreiro.
Posso afirmar que não tivemos tempo e nem a chance dos que
estão chegando agora, pois tempo para estudar, fazer curso, sentar no
canto M.D. (médium desenvolvente), desenvolver com calma, não
passamos por isso, conosco foi o contrário tivemos que aprender tudo
muito rápido, com muita “pressão”, mas para mim foi e é muito bom.
Me fez amadurecer mais rápido e não tenho tempo para melindres,
nem quimeras como disse nosso mentor.
Hoje todos os que entram podem escolher o que querem, o
que gostam de fazer. Isso é bom. Sinal que a casa cresceu e não temos
que carregar o peso todo. Assim a Mãe Dulce pode pelo menos dividir
com mais pessoas algumas tarefas.
Com isso, contamos com pessoas novas para o maior
desenvolvimento de nossa casa. Meu envolvimento com a casa foi na
minha iniciação e hoje sou graduada.
23/08/15

Viviane Leal
Tive o prazer e a oportunidade grandiosa de conhecer a
FRATELO em julho de 2013, por indicação de uma amiga que já
conhecia a casa e me incentivou a ir . E então procurei na internet o
endereço, telefone, liguei, procurei saber que dia acontecia as
reuniões.
Na época que fui as reuniões aconteciam as quartas feiras. Sai
do trabalho naquele dia determinada a ir. A ansiedade me tomava
conta, receio, duvidas também. Eis que então eu chego na porta na
casa. Um lugar calmo, harmonioso, discreto. Cheguei mais cedo que
o horário de início da reunião. E logo na entrada fui muito bem
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 75

recebida por uma moça sorridente, que acolheu, perguntando meu


nome, se era a primeira vez que eu estava indo em uma casa de
Umbanda, e eu disse que sim, daquela forma sim. E logo ela se sentou
comigo e foi me explicar como era o proceder da casa, da reunião, e
eu mal podia esperar pra poder ver aquilo tudo acontecer. Esclareci
algumas dúvidas com ela sobre Umbanda, e logo foi chegando gente,
me assentei num lugar mais atrás e fiquei observando as pessoas
iniciando suas atribuições ali, como acender velas, incensos, outras no
terreiro já rezando...
Aquilo me impressionava, como a Umbanda poderia ser tudo
aquilo, era tudo lindo, as flores colocadas nas imagens, o cheiro era
tão bom. Era um lugar tranquilo de paz. E então começou, o tambor
soou e meu corpo arrepiou, foi lindo, depois a entrada da Mãe de
Santo, simpática e amorosa com todos que ali estavam, os membros
envolvidos numa mesma sintonia. Pronto! Ali estava eu apaixonada
pelo que vi, senti, e já quis logo saber se na próxima semana teria de
novo, e voltei, voltei de novo, e cada dia, cada reunião me adentrando
mais naquele universo da Umbanda, passado de uma maneira pura e
tão respeitosa.
Decidi fazer o Curso de Neófitos, que é a base primordial para
iniciação na casa e na religião, que foi ótimo. Tive dificuldades, mas
que somente contribuíram para meu conhecimento e
amadurecimento. Depois do curso me ancorei, me encontrei, entrei
pro terreiro em janeiro de 2016.
E posso afirmar, a FRATELO me fez e me faz um ser humano
melhor pra mim mesma e pros outros, me faz ver o mundo e as
pessoas de uma maneira que jamais eu havia visto. A FRATELO me
faz mais feliz, quando é dia de ir às reuniões e dia de alegria, satisfação,
dia de doação. A FRATELO resgata valores em mim e no próximo,
o respeito, compromisso, a caridade, e o amor para mim e a definição
dessa fraternidade linda, que me orgulho em pertencer hoje.
Sou e serei grata a FRATELO, por quem me tornei e espero
me tornar ainda mais, UM SER HUMANO MELHOR. Capaz de me
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 76

doar, de perdoar, de amar e ser útil ao meu semelhante. GRATIDÃO


MÃE DULCE, E FRATELO.
16/02/16

Testemunhos de consulentes

Sr. Edgardo.
Meu nome é Edgardo, sou médico aposentado, formei pela
UFMG, sempre tive uma boa saúde, venho de uma família de poucos
recursos, atualmente somos 8 irmãos. Meus pais já falecidos (minha
mãe há 18 anos e meu pai há 3 anos). Do meu primeiro casamento
tenho dois filhos fantásticos e amorosos, do segundo casamento tenho
um filho de 6 anos, é um anjo que me acompanha no caminho da
existência.
Há mais ou menos 10 anos comecei a manifestar um tremor
discreto nas extremidades do lado esquerdo do corpo, evoluindo com
agravamento progressivo, apesar dos medicamentos em uso contínuo,
com acompanhamento especializado, o quadro clínico tendia a se
agravar. Passei a usar outros medicamentos sem obter alívio
satisfatório, algum bem-estar era evidente, mas o tremor não reduzia,
pelo contrário durante as crises ficava incapacitado na força muscular,
equilíbrio e coordenação motora. Com o propósito de encontrar
meios auxiliares de apoio, desde o início passei a fazer o tratamento
medicamentoso somado a fisioterapia, massagens, acupuntura e
homeopatia... os especialistas foram unânimes: “Não existe cura”, no
máximo algum controle. Sem suspender a medicação passei a dar mais
atenção ao lado espiritual/emocional, que me auxiliei com
profissionais da mente... com pouco alívio, apesar da descrença e falta
de fé na minha recuperação, a convite de uma pessoa amiga passei a
frequentar reuniões de cunho espiritualista umbandista e passei a
notar que com rituais que eu não compreendia passei a me sentir
melhor. Hoje posso dizer que antes eu estava nas mãos da doença e
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 77

hoje a doença está nas minhas mãos. Apesar de inexistir cura, estou
bem melhor.
10/12/2015.

Eva da Conceição Ramos


Eu tive um problema com meu filho e conversei com Pai João.
Falei com ele que meu coração estava apertado. Ai, ele me falou que
é para eu não me preocupar, me deu um abraço e disse que é para eu
continuar tendo fé que assim eu sempre vencerei.
2014

Gersi Diniz
No último dia de ritual de cura de São Cosme e Damião eu
pedi para o meu irmão que tinha tido um AVC. Ele ficou em coma,
fez cirurgia na cabeça e estava totalmente desenganado pelos médicos.
Teve que fazer uma nova cirurgia e teve 3 paradas cardíacas.
Conversando com ela após a cirurgia, ele narra o que viu durante a
mesma. Ele disse que os médicos Cosme e Damião fizeram a cirurgia
dele e disseram que ele vai ficar bem. Ele fala de vários médicos e cita
nomes que não existem no hospital!
Agradeço ao trabalho de fé, de amor realizado pela Fratelo!
Obrigada a esses trabalhadores de Jesus tão incansáveis no trabalho do
bem!
20/10/15

Joana D'arc Gonçalves Silva


Eu gosto muito quando o Pai João fala que vai puxar minhas
orelhas se eu não fizer o que ele me manda fazer. Gratidão!
2014
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 78

Marcela Diniz do Santo Silva


Sempre tenho palavras de incentivo, carinho e também
'puxões de orelha'. Sempre ouço que sou uma pessoa iluminada, com
o poder de ajudar as pessoas através da caridade, ações e palavras.
Através dos trabalhos desenvolvidos alcancei a aprovação em
concurso público. Grata Vó Catarina!
2014

Márcia
Por que venho à Fratelo?
Por que saio da minha casa mesmo com chuva, deixo outros
compromissos e venho encontrar Pai Benedito de Ganga? Já busquei
em muitos lugares o colo que necessito e de que todos necessitam.
Aqui, reencontrei luz brilhando na face da Mãe Maria; o calor
percorrendo meu corpo ao agradecer o atendimento... Pai Benedito
canta enquanto atende... me recebe sorrindo e faz o que não só eu
mas todos precisamos. Coloca à minha frente um espelho que reflete
quem sou naquele momento. Minha grandeza é pequena e fica ali
escancarada. Tudo o que me recuso a enxergar me é mostrado com
carinho e amor. É esta a sabedoria dos Pretos-Velhos, fazer refletir
nossos erros e acertos e nos mostrar que está em nós a saúde, a paz e
a prosperidade...
Nos indica um banho, para ficar mais leve, uma limpeza para
melhorar o ambiente, um chá para aquecer a nossa alma e lembrarmos
que fazemos parte da natureza. Tudo está como deve estar!
Que Deus abençoe a casa Fratelo! Que Deus abençoe os
Pretos-Velhos! Gratidão!
17/12/2015.

Maria de Fátima Fernandes Cândido


Pai Pedro me disse. “Filha, você tem muita força e vai vencer.”
Amo o Pai Pedro. Obrigado por tudo e pelo carinho e atenção.
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 79

Vó Catarina, sempre me ouve com carinho e me dá coragem


e força, fala que eu sou uma guerreira. Amo Vó Catarina desde o
primeiro dia que estive aqui. Obrigado por tudo!
2014

Maria Florentina da Conceição


Vem por meio deste, testemunhar que através das palavras
fortes e de fé, eu sempre tenho um motivo para sonhar, há sempre um
preto velho para minhas lagrimas enxugar. Gratidão, Mãe Maria
Lavadeira

Maria Helena Gonçalves


Pai Benedito me esclareceu duvidas que estavam me afligindo
muito, me livrando de grande depressão e também a saúde que
melhorou 100%.
Mãe Maria Lavadeira tem me ajudado muito em relação ao
alcoolismo do meu filho e aos vícios do meu genro e no meu trabalho.
Gratidão Pai Benedito e Mãe Maria Lavadeira!
2014

Raquel Ribeiro Santiago


“Eu te acho um sol que brilha todo o instante.” Com essas
palavras que recebi só confirmou o que eu acho e agora tenho certeza.
“Em todos os lugares que for. A onde estiver e chegar, sempre com
este sorriso lindo que você tem, conquistará todos ao seu redor”.
Obrigada Pai Pedro.
2014

Ricardo Augusto Silva


Sempre ouço que sou uma pessoa de muita fé. Que tenho o
coração bom. Isto me faz cada dia que possa melhorar um pouco (pelo
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 80

menos tentar). Também consegui a minha tão sonhada promoção no


concurso público. Mãe Maria Lavadeira
2010
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 81

Capítulo 7
Causos e estórias
Abrimos o capítulo de contos e casos que os membros não se
esquecem!

Vedra Lobenwein
A primeira vez a gente nunca esquece
Fui escalada, junto com a Kianda, que na época ainda
era somente Kelly, minha prima, irmã, amiga e companheira de
muitas aventuras, a fazer um despacho para a pomba gira numa
encruza fêmea. “Ah! Fácil! Perto de casa tem! “
Chegamos na encruzilhada, olhamos prum lado, pro
outro... Perfeito! Não tem ninguém... e começamos a arrear.
Colocamos forrinho, flor, champanhe e tal, fomos arreando. Então
quando íamos acender a vela... eis que surgiu em cima do muro o vigia
do lote que falou: “Duas meninas tão bonitas... fazendo isso?”
Coração disparado... E agora? O que fazer? Colocar a viola no saco,
ou melhor, o despacho na sacola, e ir embora? Ele pediu para tirarmos
aquilo de lá e eu já ia começar a bater boca com ele dizendo que a
calçada não era dele, que ele não tinha nada com isso e... já estava
pronta pra falar poucas e boas. Mas a Kelly, que virou Kianda não por
acaso (rsrs), disse a ele: “Tudo bem! A gente tira, mas a
responsabilidade do que acontecer é sua!” E começamos a tirar tudo.
O vigia pensou bem e com cara de assustado recuou e gaguejando
falou que “não, não era para tirar de lá que podíamos deixar lá”. Mas
retiramos tudo e fomos para a outra esquina e, dessa vez, fizemos o
despacho direitinho com direito a vela, farofa e tudo mais.
Passada a tensão do primeiro despacho.... kkkkk rimos
bastante de mais uma aventura juntas.
No outro dia, ao contarmos para a Mãe Dulce que o vigia
atrapalhou, que tivemos que arrumar outra encruzilhada e tal... ela nos
disse que onde iríamos fazer, na verdade não era encruzilhada fêmea,
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 82

pois ela tinha um acesso ao viaduto da rua Progresso, o que a


descaracterizava e a esquina para onde fomos e fizemos o despacho é
que era a correta. Que alívio! Deu tudo certo! E aprendemos que se
estiver difícil demais, se algo inesperado acontecer, é bom que
tenhamos sempre um plano B e também que saibamos perceber se
realmente aquilo deve ver ser feito naquela hora, naquele local e
daquele jeito. Ou se tanta dificuldade não é um sinal da espiritualidade
amiga?

Patrícia Librelon
Caso do senhor: Uma triste, mas emocionante história de devoção
Esse caso é sobre um senhor, não lembro o nome, se não me
engano era Luís, esse senhor tinha graves problemas com bebidas, não
tinha muito cuidado com a saúde, mas era muito querido no bairro,
um cara legal, que era conhecido. Ele começou a frequentar a Fratelo,
chegava tonto as vezes, mas gostava de estar lá, ouvia as entidades,
passou a ser frequente mesmo.
Mas teve um dia, que não tivemos reunião, era algum recesso
e avisávamos sempre numa reunião anterior, mas acho que ele não
sabia ou esqueceu. Nesse dia ele passou mal, pediu socorro e várias
pessoas tentaram ajudar e ele começou a falar “vou morrer, vou
morrer”, nesse instante pediu um amigo que o colocasse num carrinho
de pedreiro e o levasse a Fratelo...
Em vez de pedir que o levasse a um hospital, ele pediu que o
levassem a Fratelo. E como não levar, o amigo fez a vontade dele, o
colocou no carrinho e foram pra Fratelo.
Mas nesse dia não tinha ninguém lá, quando chegaram na
porta ele morreu. Ele falou que era devoto de São Jorge e que foi
morrer nos braços de Jorge!
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 83

Patrícia Librelon
Outro caso: Um Maleme para Omulu
Estávamos no começo ainda, aprendendo, todos novos, não
sabíamos como sincretizar ao certo os Orixás, existiam muitas dúvidas,
várias análises de datas para que não houvessem incompatibilidades
nelas.
Por exemplo, Oxum sincretiza com várias Nossas Senhoras,
com Nossa Senhora do Carmo, mas também com Nossa Senhora da
Conceição, ai a gente via a melhor data em função de não ter muita
festa naquele mês, ou em função de ser o melhor sincretismo e Oxum
não tem jeito, Conceição é Concepção, de conceber, então não tem
outra melhor data, é dia 8 de dezembro.
Mas acontece que com Omulu e Obaluaê nós não dividimos,
para não fazer festa separada e parecida, mas o Orixá não tem essa
preocupação. Estávamos fazendo uma reunião normal e ao cantar
uma música de Omulu, sentimos algo diferente, uma vibração muito
forte, uma sensação horrível, aí mudamos de música, mas
continuamos cantando, nesse momento Mãe Maria falou “Minha filha
do céu, Omolu quis vir aqui e ser homenageado e vocês não
trouxeram nada para ele, vocês não atenderam ele”. E falei “Pelo amor
de Deus minha Mãe, não fala uma coisa dessas”. E Mãe Maria: “Não
minha filha, não pode fazer uma coisa dessas”. E a gente não podia
imaginar. Aí foi aquele desespero, meu Deus, tinha que ser justo
Omolu, Nossa Senhora!
Foi um desespero geral, não ficamos nada tranquilos, ainda
mais sabendo da mítica dele umas histórias dessas. E a Mãe falava “Eu
não sei o que vai ser desse terreiro”. E falei “Pode deixar, nós vamos
fazer alguma coisa”. Aí vai todo mundo da corrente para o cemitério,
à noite, fazer oferenda, tudo bonitinho para Omolu. Todos os
principais membros da corrente no Cemitério da Paz, no Cruzeiro,
batendo cabeça, no pé do Cruzeiro pra Omolu, pedindo maleme, para
perdoar a gente.
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 84

Menina! Mas foi uma confusão, porque o coveiro do cemitério


via de longe aquele abaixa e levanta lá no cruzeiro, um tanto de gente,
eles partiram pra cima da gente. Ainda bem que na hora que eles
vieram, a gente já tinha terminado o ritual de maleme. Aí saiu todo
mundo de lá e entrou, na época tínhamos um fusquinha, couberam 8
pessoas no fusquinha! (Não sei como...rs) Saímos correndo e o cara
dando pipoco na gente, dando tiro na gente de longe. Achou que era
assaltante, não sei não. Mas nós tomamos pipoco neste dia e a Helena
“Que que é isso?” os meninos “É tiro Dona Helena!!!”.
Na próxima reunião, a Mãe Maria disse que Omolu aceitou as
desculpas da gente. Graças a Deus! Depois desse episódio, Mãe Maria
me ensinou a estar sempre atenta e preparada para coisas assim,
porque antes ter alguma coisa e ofertar do que acontecer isso, mas a
gente não sabia, era todo mundo novo demais, não tinha a noção de
que aquilo significava aquilo. Essa foi uma situação muito importante
para entendermos a necessidade de estramos concentrados durante as
reuniões para perceber estas energias.

Wagner Librelon
Uma lição de Pai Anacleto
Um caso de antes da Fratelo, lá no Florença, ainda na casa da
Samba: era um quartinho pequeno e numa dessas reuniões o Pai José
veio dando diretrizes, falando, sempre austero, sério, fechado. Ele foi
falando, falando e ele testa a gente o tempo todo. E eu tenho um
reflexo muito bom, sempre tive.... Neste dia, ele estava falando de
estrutura, não me lembro bem, falando também da Kelly
desenvolvendo igual um pião, era difícil de controlar, era perigoso.
Mas aí falando de disciplina e em determinado momento, ele lançou
a bengala em cima da minha cara e na maior velocidade e eu peguei a
bengala no ar! E ele disse “Muito bom, eu quero que tenham essa
dinâmica, percebam o que está acontecendo ao redor...” então ele
provava as coisas de um jeito complicado, imagina se eu não pego a
bengala?? (risos)
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 85

Capítulo 8
“Filha, todo problema da vida passa, tudo é resolvido. Tenha muita
fé que tudo vai dar certo” Pai Pedro

Álbum de fotos

Figura 22 – Foto da inauguração da Fratelo no bairro Veneza em Ribeirão das Neves


Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 86

Figura 23 – Foto da inauguração da Fratelo no bairro Veneza em Ribeirão das Neves, em


23/04/1995

Figura 24 – Patrícia Librelon entrando com São Miguel na inauguração da Fratelo.


Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 87

Figura 25 – Kelly e Vinícius Lobenwein entram com São Jorge na inauguração da Fratelo

Figura 26 – Padrinhos da Fratelo Georgina Pereira e Oscar Lobenwein na inauguração da


Fratelo em 23/04/1995.
Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 88

Figura 27 – Apresentação de teatro da evangelização infantil sobre Consciência Negra.

Figura 28 – Primeiro casamento celebrado na Fratelo (Valdete e Sidnei,1996).


Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 89

Figura 29 – Batizado da Iara Janaína (Yemoja) celebrado na Fratelo em abril de 97.


Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 90

Figura 30 – Entrega de cestas na Fratelo.


Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 91

Figura 31 – Mãe Dulce lavando suas guias e o leque de Oxum na cachoeira.

Figura 32 – Oxum na cachoeira com os filhos da casa.


Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 92

Figura 33 – Graduação na cachoeira da Inaê (Patrícia Librelon) como Mãe Pequena.


Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 93

Figura 35 – Batizado na cachoeira da Kelly (Kianda) com sua madrinha Daniele (Araô).

Figura 36 –Reunião da Fratelo na cachoeira.


Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 94

Figura 37 – Primeira reunião na praia dia 31/12/1995.

Figura 38 – Entregas de cestas básicas de natal na Fratelo Veneza.


Fraternidade Espiritualista Luz de Oxalá - Fratelo – 22 anos 95

Figura 39 – Mãe Dulce ministrando aula de história em um módulo do nível I..

Figura 40 – Turma de evangelização mocidade de estudos espirita umbandista.