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A PÁSCOA DA PALAVRA ETERNA DO PAI

O grande e alegre anúncio do mistério pascal é: JESUS RESSUSCITOU. As


Escrituras confirmam este acontecimento salvífico: Este é um dia consagrado ao
Senhor, vosso Deus! Pois este dia é santo para o nosso Senhor. Não fiqueis tristes,
porque a alegria do Senhor será a vossa força (Ne 8,9b-10b). Pelo Senhor é que foi
feito tudo isso: Que maravilhas ele fez aos nossos olhos! Este é o dia que o Senhor fez
para nós, alegremo-nos e nele exultemos! (Sl 118,23-24).
Neste grande mistério refulgente da Páscoa, Cristo, a Palavra do Pai encarnada,
crucificada e ressuscitada, é Senhor de todas as coisas; é o Vencedor, o Pantocrator
(Todo-poderoso, o que tudo pode), e assim todas as coisas ficam recapituladas n’Ele
para sempre (cf. Ef 1,10). Por isso, Cristo é a luz do mundo (Jo 8,12), aquela luz que
resplandece nas trevas (Jo 1,5). Aqui se compreende plenamente o significado quando
o salmista a designa lâmpada para os meus pés, e luz para o meu caminho (Sl 19, 105);
esta luz decisiva na nossa estrada é precisamente a Palavra ressuscitada. Os primeiros
cristãos tiveram consciência de que, em Cristo, a Palavra de Deus está presente como
Pessoa. A Palavra de Deus é a luz verdadeira, de que o ser humano (homem e mulher:
humanidade) tem necessidade. Sim, na ressurreição, o Filho de Deus surgiu como Luz
do mundo. Agora, vivendo com Ele e para Ele, podemos viver na luz.
Deste modo o Novo Testamento nos apresenta o Mistério Pascal de acordo com as
Sagradas Escrituras, como a sua íntima realização. São Paulo afirma bem claramente
que Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras (1Cor 15,3) e que
ressuscitou no terceiro dia segundo as Escrituras (1 Cor 15,4).
Para São Paulo, o acontecimento da morte e ressurreição do Senhor está
intimamente relacionado com a história da Antiga Aliança com o seu povo. Pois, no
Mistério Pascal, realizam-se as palavras da Escritura, isto é, esta morte realizada
segundo as Escrituras é um acontecimento que contém em si mesmo o grande mistério
do Pai: a morte de Cristo testemunha que a Palavra íntima do Pai se fez totalmente
carne, história humana. Também a ressurreição de Jesus acontece ao terceiro dia,
segundo as Escrituras, sublinhando que a vitória de Cristo sobre a morte se verifica
através da força criadora da Palavra de Deus. Esta força divina proporciona esperança e
alegria: tal é, em definitivo, a essência exuberante da verdade libertadora da revelação
pascal. Na Páscoa, Deus revela-se a Si mesmo juntamente com a força do Amor da
Trindade que aniquila as forças destruidoras do mal e da morte. Esta obra é a obra do
infinito Amor de Deus. Por isso o júbilo do salmista: Este é o dia que o Senhor fez para
nós, alegremo-nos e nele exultemos! (Sl 118,23-24).
Portanto, temos diante de nós os elementos essenciais da nossa fé, e por isso
somos convidados a contemplar a unidade profunda entre a criação e nova criação e de
toda a história da salvação em Cristo. O Filho do Homem une em Si mesmo a terra e o
céu, a criação e o Criador, a carne e o Espírito. Cristo, como a Palavra íntima e eterna
do Pai e nossa Páscoa é o centro do universo e da história, porque n’Ele se unem sem se
confundir o Autor e a sua obra.
Por fim, ao contemplar este grande mistério da Páscoa da Palavra criadora do Pai,
é que, podemos desejar efusivamente a cada um que está próximo de nós e a todos os
irmãos e irmãs uma sempre e muito abençoada Feliz Páscoa do Senhor, a este que
pertence o tempo e toda eternidade.
Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo 2011,
Pe. José Francisco Schmitt, scj.