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Polícia rodoviária federal

Direitos Humanos e Cidadania


Aspectos Gerais dos Direitos Humanos
FABRÍCIO MISSORINO

É especialista em Defesa da Concorrência pela


Fundação Getúlio Vargas (FGV-EDESP), possui
graduação em Ciências Sociais pela Universi-
dade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
(UNESP) e graduação em Direito pelo Centro
Universitário de Araraquara (UNIARA). Atua
na advocacia privada consultiva e contenciosa
com foco nas relações de consumo. Atua como
Consultor junto à Organização Pan-Americana
da Saúde (OPAS), prestando serviços à Câma-
ra de Regulação do Mercado de Medicamentos
(CMED), órgão responsável pela regulação do
mercado de medicamentos. Atua como Consul-
tor Associado junto à ATIVACIDADE - Diálogo e
implementação de políticas públicas, coletivo de
profissionais que tem por objetivo atuar na ges-
tão de políticas, programas e projetos junto ao
setor público. Tem experiência na área de edu-
cação à distância, educação superior em Direito
e capacitação de profissionais do Sistema Na-
cional de Defesa do Consumidor, com atuação
em iniciativas de formação de profissionais de
atendimento que atuam em Procons, Ministé-
rios Públicos, Defensorias Públicas e Entidades
Civis de Defesa do Consumidor, no ensino à dis-
tância de servidores públicos federais em par-
ceria com a Escola Nacional de Administração
Pública (ENAP) e Escola Superior do Ministério
Público da União (ESMPU), bem como no ensino
universitário e projetos de extensão nas disci-
plinas Direito do Consumidor, Direito Agrário e
Urbano, Direito Constitucional, Direitos Huma-
nos e Sociologia Jurídica.

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DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA
Aspectos Gerais dos Direitos Humanos
Prof. Fabrício Missorino

SUMÁRIO
1. Conceito, Terminologia, Estrutura Normativa, Fundamentação.......................8
2. Afirmação Histórica dos Direitos Humanos................................................. 17
3. Classificação e Características dos Direitos Humanos no Direito Internacional.22
4. As Vertentes da Proteção Internacional da Pessoa Humana: Direitos
Humanos, Direito Humanitário e Direito dos Refugiados.................................. 34
5. Direitos Humanos e a Responsabilidade do Estado...................................... 39
6. A Portaria Interministerial n. 4.226, de 31 de Dezembro de 2010 – Diretrizes
sobre o Uso da Força pelos Agentes de Segurança Pública............................... 47
7. Poderes de Captura, Detenção, uso da Força e de Armas de Fogo................. 52
8. Contextualização dos Direitos Humanos na Constituição Federal de 1988...... 61
9. Os Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil...................... 65
10. Os Direitos e Deveres Individuais e Coletivos na Constituição Federal.......... 78
11. Os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais na Constituição Federal............ 89
12. O Status Normativo dos Tratados e Convenções Internacionais de Direitos
Humanos.................................................................................................. 97
12.1. Controle de Convencionalidade.......................................................... 102
13. O Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH 3 (Decreto n. 7.037,
de 21 de Dezembro de 2009).................................................................... 104
Resumo.................................................................................................. 110
Questões de Concurso.............................................................................. 124
Gabarito................................................................................................. 154

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Aspectos Gerais dos Direitos Humanos
Prof. Fabrício Missorino

Informações sobre o Professor

Especialista em Defesa da Concorrência pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-E-

DESP), possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista

Júlio de Mesquita Filho (UNESP) e graduação em Direito pelo Centro Universitário

de Araraquara (UNIARA). Tem experiência na área de educação superior em Direito

e capacitação de profissionais de atendimento que atuam em Procons, Ministérios

Públicos, Defensorias Públicas e Entidades Civis de Defesa do Consumidor, no ensi-

no a distância de servidores públicos federais (ESMPU-MPU), bem como no ensino

universitário e projetos de extensão nas disciplinas Direito do Consumidor, Direito

Urbanístico, Direito Constitucional, Direitos Humanos, Direitos Difusos e Sociologia

Jurídica. Na área de concursos, participou da elaboração de provas junto ao Insti-

tuto IADES.

Apresentação do Professor, da Metodologia e Conteúdo a ser Abordado

Prezado(a) candidato(a), ou melhor, prezado(a) futuro(a) Policial Rodoviário Fe-

deral, estou aqui para auxiliá-lo(a) na caminhada para a aprovação no próximo

concurso público para provimento do cargo de Policial Rodoviário Federal junto

ao Departamento de Polícia Rodoviária Federal.

Meu objetivo é auxiliá-lo(a) a ganhar tempo nos estudos e focar nos pontos que

realmente importam nessa trajetória cheia de dificuldades, mas, ao mesmo tempo,

muito gratificante na medida que os obstáculos são vencidos e você avança para o

próximo nível dos estudos.

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Prof. Fabrício Missorino

Vou fazer uma breve apresentação, sem perder muito tempo. Meu nome é Fabrí-

cio Missorino Lázaro e sou advogado (inscrito na OAB/SP desde 2000) e consultor

nas áreas de Direito do Consumidor e Políticas Públicas. Tenho formação em Direito

e Ciências Sociais, com atuação na advocacia privada consultiva e contenciosa com

foco na orientação dos participantes da relação de consumo acerca de seus direitos

e deveres, assim como acerca dos conceitos e contextos que envolvem as relações

de consumo. Atuo também na análise e acompanhamento dos movimentos legisla-

tivos, com foco nos impactos positivos e negativos das normas regulamentares nos

setores produtivos e as consequências para o mercado de consumo. Outra frente a

que me dedico atualmente é a consultoria em gestão de processos administrativos

e de políticas públicas, auxiliando órgãos federais e municípios na busca por formas

alternativas de financiamento de projetos em diversas áreas de importância para o

órgão ou para o município. Bem, mais informações estão disponíveis nas platafor-

mas Lattes e Linkedin. Vamos ao que interessa!

Pois bem, considerando a publicação no Diário Oficial da União da Portaria n.

122, de 13 de agosto de 2018, expedida pelo Ministério da Segurança Pública, já

existe a autorização para realização do concurso, a ser realizado sob a responsa-

bilidade do Diretor-Geral do Departamento de Polícia Rodoviária Federal, estando

previstas 500 vagas para provimento do cargo de Policial Rodoviário Federal.

Dessa forma, podemos esperar uma disputa bastante acirrada entre os(as) candi-

datos(as), fazendo com que a nossa preparação seja muito bem planejada.

Pois bem, meu(minha) caro(a), você com certeza já deve ter ouvido de muitos

professores e palpiteiros de plantão dicas e mais dicas sobre o que “deve” ou “não

deve” fazer um concurseiro e coisa e tal. Não pretendo entrar nessa seara, porém,

não posso deixar de dividir com você um ensinamento que guardei com muito

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carinho e respeito de um antigo professor aqui de Brasília, um juiz de direito que

ministrava aulas em um cursinho preparatório para carreiras jurídicas. Logo no pri-

meiro dia de aula, ele chegou e já foi bem direto: “Se vocês querem ingressar em

alguma carreira jurídica, duas coisas são essenciais e imprescindíveis: RENÚNCIA e

DISCIPLINA”. Sem perder muito tempo, com base nesse breve relato, tenho a dizer

a você que a trajetória do candidato, para qualquer carreira, diga-se de passagem,

vai certamente exigir uma combinação quase que perfeita desses dois elementos

no dia a dia, por um lado abrindo mão de certas atividades ou programações do

cotidiano e, o mais importante, cravando a questão da rotina, da disciplina, do atin-

gimento das metas de estudo.

Esse vai ser o diferencial, pois, como você já deve saber, o maior concorrente do

candidato é ele mesmo, uma vez que o diferencial vai ser percebido no quanto ele

consegue prosseguir diante de todos os incentivos negativos que o circundam e, ao

mesmo tempo, o quanto ele consegue abstrair isso tudo e se fixar nos incentivos

positivos da carreira, do sonho a ser alcançado.

Dito isso, nossa conversa nesta aula será sobre DIREITOS HUMANOS, com foco

basicamente nos temas previstos na doutrina, na jurisprudência dos organismos

internacionais, bem como nos instrumentos e normas internacionais de direitos

humanos. Para tanto, farei uma apresentação teórica, com a utilização de pontos

de maior atenção oriundos de concursos anteriores a respeito do tema, em especial

na abordagem de questões aplicadas em concursos de várias carreiras atinentes à

matéria. Além disso, um resumo será disponibilizado no fim da aula com os princi-

pais tópicos abordados e mais algumas questões aplicadas.

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Por fim, tenho a dizer que o nosso estudo será sistematizado, seguindo uma

lógica de estruturação que permita abordar o percurso da efetivação dos direitos

humanos no Brasil e no mundo, bem como analisar os principais instrumentos e

normas de direitos humanos, com enfoque especial nas Convenções, Declarações e

demais institutos firmados a respeito do tema.

Vamos lá!!!

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Conteúdo com Destaques do Professor

1. Conceito, Terminologia, Estrutura Normativa, Fundamentação

Prezado(a) candidato(a), iniciamos nossa conversa sobre Direitos Humanos a

partir do pressuposto de que tais direitos pertencem à categoria de direitos es-

senciais à pessoa humana, que visam resguardar a solidariedade, a igualdade, a

fraternidade, a liberdade, a dignidade da pessoa humana.

Nos regimes democráticos, toda e qualquer pessoa deve ter a sua dignidade

respeitada, independentemente de sua origem, etnia, raça, convicção econômica,

orientação política, classe social, idade, identidade sexual, orientação ou credo

religioso. No Brasil, com vistas a garantir essa gama de direitos, o constituinte

materializou na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 um modelo

de ordenamento jurídico que tem como um de seus pilares a dignidade da pessoa

humana, ao lado da soberania, da cidadania, dos valores sociais do trabalho, da

livre iniciativa e do pluralismo político.

Dessa forma, podemos dizer que a proteção aos direitos do homem, quando

materializados em ordenamentos jurídicos, garantem o desenvolvimento da per-

sonalidade humana em total consonância com os conceitos de justiça, igualdade

e democracia. É o que se espera entre os membros de qualquer sociedade, bem

como entre os indivíduos e seu relacionamento com o Estado.

A partir dessas premissas, podemos dizer que cada Estado incorpora no seu or-

denamento jurídico os direitos humanos mais próximos aos seus próprios valores,

aos valores de sua sociedade, decidindo quais serão constitucionalizados (ou seja,

quais alçarão a categoria de “direitos fundamentais”), bem com quais pertencerão

ao nível infraconstitucional dentro do ordenamento.

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O Brasil, por exemplo, ao estabelecer os princípios fundamentais de sua Repú-

blica Federativa, preferiu deixar expresso na Constituição Federal como objetivos

fundamentais a construção de uma sociedade livre, justa e solidária (art. 3º, II); a

erradicação da pobreza e da marginalização, bem como a redução das desigualda-

des sociais e regionais (art. 3º, III); e, ainda, a promoção do bem de todos, sem

preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discri-

minação (art. 3º, IV); objetivos esses completamente alinhados com as doutrinas

nacionais e internacionais de proteção dos direitos humanos.

Quis o legislador constituinte, ainda, registrar na Carta Constitucional (art. 4º)

que a República Federativa do Brasil reger-se-ia nas suas relações internacionais

pelos princípios da independência nacional, da prevalência dos direitos humanos,

da autodeterminação dos povos, da não intervenção, da igualdade entre os Esta-

dos, da defesa da paz, da solução pacífica dos conflitos, do repúdio ao terrorismo e

ao racismo, da cooperação entre os povos para o progresso da humanidade, bem

como da concessão de asilo político; princípios esses também intrinsicamente ali-

nhados com a proteção dos direitos humanos.

Sendo assim, podemos afirmar que os direitos humanos representam um apa-

nhado de normas jurídicas internas e externas, que visam proteger a pessoa huma-

na, ou seja, um conjunto de direitos e garantias do ser humano que têm por fina-

lidade o respeito à sua dignidade, a capacidade de protegê-lo do arbítrio do poder

estatal, garantindo-lhe condições mínimas de sobrevivência e desenvolvimento de

sua personalidade.

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Quanto à sua conceituação, de uma forma bem didática, na lição de André Ra-

mos de Carvalho1, podemos dizer que os direitos humanos são todos aqueles direi-

tos considerados indispensáveis a uma vida em sociedade, pautada na liberdade,

na igualdade e na dignidade. Do ponto de vista formal, os direitos humanos seriam

aqueles positivados em instrumentos internacionais, a exemplo da Declaração Uni-

versal dos Direitos Humanos (DUDH).

Valério de Oliveira Mazzuoli, por sua vez, conceitua direitos humanos2 como, in

verbis:

Direitos protegidos pela ordem internacional (especialmente por meio de tratados mul-
tilaterais, globais ou regionais) contra as violações e arbitrariedades que um Estado
possa cometer às pessoas sujeitas à sua jurisdição. São direitos indispensáveis a uma
vida digna e que, por isso, estabelecem um nível protetivo (standard) mínimo que todos
os Estados devem respeitar, sob pena de responsabilidade internacional.

Diante disso, meu(minha) caro(a), podemos observar que o conceito de direitos

humanos gira em torno dos vetores da dignidade e das boas condições de vida em

sociedade.

Ainda a respeito da conceituação, observamos que, do ponto de vista do direito

internacional, os direitos humanos representam aqueles direitos essenciais para

que o ser humano seja tratado com dignidade, fazendo jus a eles todos aqueles da

espécie humana. Já sob a perspectiva constitucionalista, os direitos humanos se-

riam o conjunto de garantias do ser humano em face do poder estatal, com vistas à

proteção de sua dignidade e de sua liberdade, também chamados, nessa perspec-

tiva, de direitos humanos fundamentais.

1
RAMOS, André de Carvalho. Curso de direitos humanos. 4ª edição. São Paulo: Saraiva, 2017. p. 24.
2
MAZZUOLI, Valerio de Oliveira. Curso de direitos humanos. 4ª edição revista, atualizada e ampliada. São
Paulo: Método, 2017. p. 22.

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No tocante à terminologia, é importante destacar a diferença conceitual na re-

lação existente entre os direitos humanos, os “direitos do homem” e os “direitos

fundamentais”. Algumas literaturas abordam os direitos humanos como sinônimo

de direitos fundamentais, bem como tratam os direitos do homem como sinônimo

de direitos humanos.

Porém, para melhor compreensão, temos que a expressão “direitos do homem”

tem cunho jusnaturalista, relacionada aos direitos inerentes à condição humana,

mas vinculada à vontade divina. Trata-se, pois, nessa concepção, de um direito

que não necessita de positivação, uma vez que diz respeito ao “direito natural”.

Já a expressão “direitos fundamentais” diz respeito diretamente àqueles direi-

tos positivados na Constituição Federal ou na Carta Constitucional de determina-

do país.

Na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, podemos verificar a

existência das duas expressões: direitos humanos e direitos fundamentais. Entre-

tanto, nas passagens em que consta a expressão “direitos humanos”, verifica-se

que o legislador constituinte se refere a direitos previstos na ordem internacional

e, nas passagens em que consta a expressão “direitos fundamentais”, percebe-se

que o legislador se refere a direitos positivados na ordem interna, ou seja, direitos

fundamentais na ordem jurídica brasileira.

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Nesse sentido, vejamos o quadro a seguir:

Direitos Humanos → Previstos no ordenamento internacional.


Ausência expressa em textos normativos, seja na
Direitos do Homem→
ordem interna ou internacional.
Direitos Fundamentais→ Previstos em textos constitucionais.

Para memorizar melhor esse tema, vejamos como as bancas a seguir aborda-

ram essa temática.

(PROMOTOR DE JUSTIÇA-VESPERTINA/MPE-SC/MPE-SC/2016) Conceitualmente,

os direitos humanos são os direitos protegidos pela ordem internacional contra as

violações e arbitrariedades que um Estado possa cometer às pessoas sujeitas à sua

jurisdição. Por sua vez, os direitos fundamentais são afetos à proteção interna dos

direitos dos cidadãos, os quais encontram-se positivados nos textos constitucionais

contemporâneos.

Certo.

Pois bem, de acordo com a doutrina a respeito da matéria, a questão está correta,

considerando a diferença conceitual existente entre Direitos Humanos (que engloba

direitos previstos em instrumentos internacionais) e Direitos Fundamentais (que

engloba direitos previstos nas Constituições dos países), ou seja, a chave para a

diferenciação está na positivação).

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Dito isso, até o momento, podemos inferir que:

• a essência dos Direitos Humanos é a dignidade humana;

• a diferença de Direitos Humanos e Direitos Fundamentais está em sua posi-

tivação;

• direitos humanos são direitos reconhecidos na ordem internacional;

• direitos fundamentais são direitos positivados na ordem interna de cada Es-

tado, ou seja, em suas Constituições.

Quanto à estrutura normativa, o doutrinador André de Carvalho Ramos3 refere-se

aos direitos humanos como:

• Direito-pretensão – dever: consiste na exigibilidade de um bem ou de uma

conduta, gerando do outro lado da relação o dever de fornecer esse bem ou

adotar tal conduta. Ex.: direito à educação. Exige esse bem e do outro lado

surge o dever de fornecer esse bem.

• Direito-liberdade – ausência de direito: consiste na faculdade de agir, gerando

no outro polo a ausência de direitos. Ex.: liberdade de expressão que impõe

uma abstenção do outro lado, Estado ou particulares, em respeitar aquela

liberdade.

• Direito-poder – sujeição: Ex.: direito à assistência de advogado e da família

no momento da prisão. O sujeito passivo pode exigir que o sujeito ativo adote

uma medida de sujeição, de submissão a esse direito.

• Direito-imunidade – incompetência: afasta a atuação dos agentes públicos

em relação ao titular do direito, gerando a esses agentes públicos uma si-

tuação de impossibilidade de agir. Ex.: prisão somente em flagrante ou por

mandado judicial.
3
RAMOS, André de Carvalho. Curso de direitos humanos. 4ª edição. São Paulo: Saraiva, 2017. p. 38-41

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Por fim, quanto à fundamentação dos direitos humanos, a doutrina majoritá-

ria destaca as correntes Jusnaturalista, Positivista e Moralista. Para a primeira, os

direitos humanos seriam os direitos tidos como básicos e inalienáveis a todos os

homens, independentemente de positivação. Seriam aqueles direitos chamados

de naturais, concebidos pela inspiração divina ou pela razão humana. Seriam os

direitos inerentes ao homem, e não positivados em nenhum ordenamento jurídico.

Para os positivistas, os direitos humanos seriam aqueles direitos concebidos pelo

Estado aos seres humanos, de forma institucionalizada, positivados no ordenamen-

to jurídico. Em contraponto aos jusnaturalistas, os positivistas não acreditam na

existência de direitos preexistentes aos já positivados e reconhecidos pelo Estado.

Quanto aos moralistas, percebe-se a defesa da teoria de que os direitos são

direitos morais da coletividade humana, fundamentados não apenas de forma jurí-

dica, mas sim em valores da sociedade.

Caro(a) candidato(a), acerca da importância dos direitos naturais, cumpre ressaltar

o posicionamento do Supremo Tribunal Federal na ocasião do julgamento da Ação

Direta de Inconstitucionalidade n. 595/ES, de relatoria do Ministro Celso de Mello

(julgamento realizado no ano de 2002):4

(...) cabe ter presente que a construção do significado de  Constituição  permite, na
elaboração desse conceito, que sejam considerados não apenas os preceitos de índole
positiva, expressamente proclamados em documento formal (que consubstancia o texto
escrito da Constituição), mas, sobretudo, que sejam havidos, igualmente, por relevan-
tes, em face de sua transcendência mesma, os valores de caráter supra positivo, os
princípios cujas raízes mergulham no direito natural e o próprio espírito que informa e
dá sentido à Lei Fundamental do Estado.

4
Supremo Tribunal Federal STF – Ação direta de Inconstitucionalidade : ADI 595 ES. Disponível em: < https://
stf.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/14815695/acao-direta-de-inconstitucionalidade-adi-595-es-stf>.

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Diante disso, é importante compreender que todas essas teorias da fundamen-

tação dos direitos humanos foram importantes e ainda são reportadas como fun-

damentais para a base da nossa disciplina no direito contemporâneo. Assim, todas

as teorias não devem ser compreendidas isoladamente, ou seja, não se fala em

direitos humanos sem falar da contribuição jusnaturalista para a concretização do

direito contemporâneo.

Pois bem, vamos aproveitar essa pausa no conteúdo para exercitar um pouco

mais alguns conceitos basilares vistos acima.

(DEFENSOR PÚBLICO/DPE-PE/CESPE/2015) Julgue o item subsecutivo, a respeito

de aspectos gerais e históricos dos direitos humanos.

O principal fundamento dos direitos humanos no Brasil refere-se à dignidade da pes-

soa humana. Por essa razão, além de haver consenso acerca do conteúdo desse princí-

pio, ele é válido somente para os direitos humanos consagrados explicitamente na CF.

Errado.

Bom, esta questão exige a expertise do(a) candidato(a), pois não há um consenso

do fundamento dos direitos humanos no Brasil. A dignidade da pessoa humana é

um dos fundamentos, mas não é consolidada essa afirmação de que fundamen-

te apenas os direitos positivados. Com efeito, os direitos humanos versam sobre

direitos indispensáveis para uma vida digna, podendo ser a dignidade humana, a

liberdade e a igualdade. Também é importante que você saiba que a essência dos

direitos humanos se apresenta de forma explícita e implícita nas Constituições e

nos tratados internacionais.

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Como leciona André de Carvalho Ramos 5:

Os direitos humanos representam valores essenciais, que são explicitamente ou impli-


citamente retratados nas Constituições ou nos tratados internacionais. A fundamentali-
dade dos direitos humanos pode ser formal, por meio da inscrição desses direitos no rol
de direitos protegidos nas Constituições e tratados, ou pode ser material, sendo con-
siderado parte integrante dos direitos humanos aquele que – mesmo não expresso – é
indispensável para a promoção da dignidade humana.

Assim, concluímos que o fundamento formal diz respeito à incorporação dos direi-
tos essenciais à condição humana nas Constituições ou nos tratados; e o funda-
mento material diz respeito ao direito inato, inerente à condição humana para a
efetivação de uma vida digna.

(AGENTE DE SEGURANÇA/ITAIPU BINACIONAL/SENAI-PR/2016) Em relação aos


Direitos Humanos, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta: 
I – Direitos Humanos são os direitos básicos de todos os seres vivos.
II – Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos.
Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em
espírito de fraternidade.
III – Os direitos humanos são direitos inerentes a cada pessoa por ela simples-
mente ser um humano. 

a) Apenas II está correta.


b) Apenas III está correta.
c) Apenas II e III estão corretas.
d) Apenas I e II estão corretas.
e) I, II e III estão corretas.

5
RAMOS, André de Carvalho. Curso de direitos humanos. 4ª edição. São Paulo: Saraiva, 2017. p. 22.

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Letra c.

Ultimamente as provas estão vindo muito bem elaboradas e exigindo bastante con-

teúdo do(a) candidato(a). Entretanto, ainda é comum verificar algumas “cascas de

banana” nos concursos, ou seja, é frequente que apareçam questões consideradas

fáceis, mas que o(a) candidato(a) erra por descuido. Dessa forma, eu quis trazer

essa questão para mostrar que mesmo candidatos de alto nível podem cair nessas

ciladas. De início, observe o item I, notadamente em relação à expressão “seres

vivos”. Aí está o erro, pois se compreende como “seres vivos” tanto os humanos

como os animais. Portanto, as alternativas corretas seriam somente a II e III.

2. Afirmação Histórica dos Direitos Humanos

Bem, para melhor compreender o transcurso histórico dos direitos humanos,

uma das condições imprescindíveis é compreender o que vem a ser dignidade da

pessoa humana, notadamente levando em consideração todo o percurso da hu-

manidade no que se refere às violações físicas e aos sofrimentos morais, eis que o

surgimento de novas regras de convivência digna quase sempre foram precedidas

de períodos de violência, de massacres coletivos, torturas, dentre outros aconteci-

mentos que aviltavam a convivência digna entre as pessoas.

Sendo assim, a evolução dos direitos humanos se desenvolve a partir dos acon-

tecimentos históricos que registraram graves restrições de direitos, grandes bata-

lhas, surtos de violência coletiva etc. A cada registro de atrocidades, destacava-se

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a compreensão por parte da sociedade no tocante à necessidade de afirmação e

evolução dos direitos do ser humano. A lado disso, registra-se também a contri-

buição significativa das grandes descobertas científicas ou invenções técnicas no

avanço das garantias dos indivíduos que tal evolução acompanhou.

A explosão da consciência histórica dos direitos humanos somente aconteceu

após extenso trabalho preparatório, centralizado na limitação do poder político. O

reconhecimento de que as instituições governamentais devem estar a serviço dos

governados, e não para o benefício pessoal dos governantes, foi um primeiro pas-

so decisivo na aceitação de direitos que, intrínsecos à própria condição humana,

devem ser reconhecidos a todos e não podem ser tidos como mera concessão dos

que estão no poder.

A partir dessa relação direta entre acontecimentos brutais e avanços na prote-

ção dos indivíduos, como estabelecer o caráter de obrigatoriedade desses direitos

frente à sociedade? A resposta a essa indagação, contribuição da doutrina jurídica

alemã, diz respeito à positivação dos direitos do ser humano em normas internas

dos Estados (constituições, leis esparsas), bem como em normativos de alcance

internacional (tratados internacionais).

Atualmente, reconhece-se a validade dos direitos humanos, independentemen-

te de positivação em Constituições, leis e tratados internacionais, justamente pela

concretização de valores atinentes ao respeito à dignidade da pessoa humana, im-

postos a todos os poderes constituídos, oficiais ou não.

Vale aqui ressaltar, ainda, o percurso histórico dos direitos humanos ao longo da

evolução da humanidade, desde as primeiras instituições que passaram a limitar o

poder político na Idade Média, a estruturação das monarquias no século XI, as lutas

em face dos abusos verificados na reconstrução da unidade política, com destaque

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para as chamadas “rebeldias”, que deram ensejo à edição da Magna Carta, de 21

de junho de 1215, que elencou prerrogativas aos súditos da monarquia inglesa,

reconhecendo-lhes direitos e garantias específicas em caso de não observância dos

limites estabelecidos à realeza.

Nesse momento passa a despontar a garantia da judicialidade, um dos princí-

pios do Estado de Direito, que exigia o crivo de um juiz nos casos que envolvessem

a prisão de homens livres. Ainda na Magna Carta, destacou-se a previsão de outras

garantias fundamentais, como a liberdade de locomoção, a propriedade privada, a

graduação da pena estritamente relacionada à gravidade do delito praticado, den-

tre outras.

Sendo assim, podemos afirmar que a liberdade despontou como um dos direitos

humanos inicialmente positivados, notadamente aquelas liberdades específicas em

prol das classes superiores da sociedade da época, infelizmente ainda dotadas de

concessões mínimas em benefício do povo.

Após a Idade Média, em um período marcado pelo recrudescimento da concen-

tração dos poderes, a chamada era das monarquias absolutistas, merece registro

a tentativa do Parlamento Inglês de limitar o poder real, especialmente o poder de

prender os opositores políticos sem submetê-los a um processo criminal regular.

Nasceria, nesse contexto, a Lei de Habeas Corpus, em 1679, uma garantia judicial

criada para proteger a liberdade de locomoção tanto nos casos de prisão efetiva

como nos casos de simples constrangimento à liberdade individual de ir e vir, tor-

nando-se a matriz de outras liberdades fundamentais.

A promulgação dessa lei reforçou ainda mais o combate aos regimes monár-

quicos absolutistas, crescendo entre os ingleses a ideia de separação dos poderes

de forma permanente no Estado. Alguns anos depois, em 1689, foi promulgada a

Declaração de Direitos (Bill of Rights) pondo fim à monarquia absolutista.

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Prezado(a) candidato(a), muita atenção no que concerne à Declaração de Direitos

(Bill of Rights), tendo em vista que embora não seja uma declaração de direitos

humanos nos moldes das que viriam a ser aprovadas um século depois nos Estados

Unidos, essa Declaração de Direitos criou o instituto que se chamaria mais tarde

“garantia institucional”, ou seja, uma forma de organização do Estado cuja função

é a proteção dos direitos fundamentais da pessoa humana.

Vejamos como a banca a seguir abordou esse tema.

(PROCURADOR DO TRABALHO/MPT/MPT/2015) Sobre a evolução histórica dos di-

reitos humanos, assinale a alternativa CORRETA:

a) O Bill of Rights dos Estados Unidos da América consiste em um rol de direitos

fundamentais inserido na Declaração de Independência proclamada por Thomas

Jefferson em 1776, posteriormente incorporado aos Artigos da Confederação.

b) O Bill of Rights dos Estados Unidos da América constitui-se de normas originá-

rias constantes da Constituição aprovada na Convenção da Filadélfia em 1787.

c) O Bill of Rights dos Estados Unidos da América foi inserido somente em 1791 na

Constituição americana, sob a forma de emendas constitucionais.

d) O Bill of Rights formalmente não é uma norma federal nos Estados Unidos da

América, mas sim uma interpretação extensiva da Declaração de Direitos da Virgi-

nia promovida pela jurisprudência da Suprema Corte americana.

e) Não respondida.

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Letra c.

Essa questão está marcada pelo grande potencial de gerar confusão no(a) candida-

to(a), eis que o Bill Of Rights constitui uma declaração de direitos de liberdade (de ex-

pressão, política e de tolerância religiosa) promulgada no Reino Unido em 1689 e que

alcançou grande relevância na afirmação histórica dos direitos humanos. Contudo,

não é desse documento que trata a questão. Trata-se do Bill of Rights dos Estados

Unidos da América, nomenclatura dada às primeiras 10 (dez) emendas à Constitui-

ção dos EUA de 1787. Esse documento caracteriza-se por conter direitos básicos do

cidadão em face do Estado, porém não se confunde com o Bill os Rigths inglês.

De fato, o mencionado documento, ao estabelecer a separação dos poderes, decla-

rou que o Parlamento passaria a ser um órgão com o dever primeiro de defender

os súditos perante o Rei, não mais sendo submetidos aos seus arbítrios. O Bill of

Rights passa a fortalecer a instituição do júri, reafirmando os direitos fundamentais

dos cidadãos, expressos até hoje nas Constituições modernas, a exemplo da proi-

bição de penas cruéis, do direito de petição, dentre outros.

Merece registro, nessa linha, a Declaração da Virgínia, promulgada em 16 de ju-

nho de 1776, constituindo-se como um dos primeiros reconhecimentos formais de

que todos os homens, pela sua natureza, são igualmente livres e independentes, e

possuem certos direitos inatos nunca afastáveis mesmo fazendo parte de uma so-

ciedade, a exemplo da fruição da vida e da liberdade, da aquisição de propriedade,

da garantia de segurança e, ainda, da busca pela felicidade. Nessa esteira, a Decla-

ração de Independência dos Estados Unidos passa a ter destaque como o primeiro

documento político que reconhece a legitimidade da soberania popular, bem como

a existência de direitos intrínsecos a todo o ser humano, independentemente das

diferenças de sexo, raça, religião, cultura ou posição social.

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Todos esses movimentos históricos certamente influenciaram a promulgação da


Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, em 1789, reafirmando as ideias
de liberdade e igualdade dos seres humanos. Anos mais tarde, em 1948, com a
Declaração Universal dos Direitos Humanos, soma-se a tais conquistas, dentre ou-
tras, o reconhecimento da fraternidade, ou seja, a exigência de uma organização
solidária das pessoas na vida em comum.
Acerca da Declaração Universal dos Direitos Humanos, convido você a ler, mais à
frente, um item específico de nossa aula a esse respeito.
Sendo assim, no tocante à afirmação histórica dos direitos humanos, podemos in-
ferir que os grandes registros envolvendo restrições de direitos e violência contra
as pessoas foram determinantes nas tomadas de decisão por parte da sociedade no
tocante à necessidade de evolução dos direitos do ser humano.

3. Classificação e Características dos Direitos Humanos no Di-


reito Internacional

Inicialmente, vale registrar que algumas doutrinas mais clássicas mencionam a


“classificação” dos direitos humanos também sob a nomenclatura de “dimensões”
de direitos humanos ou “gerações” de direitos humanos, inspiradas nos ideais da
Revolução Francesa (liberté, igualité e fraternité), dividindo-se o conteúdo dos Di-
reitos Humanos em 3 (três) dimensões (ou gerações):
• PRIMEIRA DIMENSÃO: o VALOR tutelado é a LIBERDADE (direitos de
defesa). Tratam-se das liberdades públicas, consistentes nos direitos civis
(direito à vida, à liberdade, à propriedade privada etc.) e políticos (direito de
votar e ser votado). Aqui, é importante que você entenda que são direitos
subjetivos, pois são direitos tutelados por todos os indivíduos e infligem o
dever de não fazer do Estado, de cunho negativo.

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• SEGUNDA DIMENSÃO: o VALOR tutelado é a IGUALDADE (direitos

de prestação). Tratam-se dos direitos econômicos, sociais e culturais, tais

como direito à moradia, previdência social, educação etc. São direitos de

aplicabilidade progressiva e infligem o dever de fazer do Estado, de cunho

positivo.

• TERCEIRA DIMENSÃO: o VALOR tutelado é a SOLIDARIEDADE ou

FRATERNIDADE (direitos difusos e coletivos). Trata-se do direto à paz,

autodeterminação dos povos, direito ao desenvolvimento, ao meio am-

biente etc. Aqui os direitos tutelados destinam-se à proteção de grupos de

indivíduos, diferentemente das primeiras dimensões, que seu titular era o

indivíduo.

O quadro a seguir demonstra de maneira didática essa classificação, relacio-

nando os respectivos momentos históricos:

Direitos de Direitos de
Direitos de
Direitos Primeira Terceira
Segunda Geração
Humanos Geração (ou Geração
(ou dimensão)
dimensão) (ou dimensão)

Econômicos, Sociais
Direitos Civis e políticos Difusos
e Culturais

Valor Liberdade Igualdade Fraternidade

Homem-
Titular Homem-indivíduo Grupos humanos
indivíduo
Constituição do
Revoluções México (1917);
Momento Pós-Segunda
Liberais do Revolução Russa
Histórico Guerra Mundial.
Séc. XVIII (1918); Constituição
de Weimar (1919).

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Prezado(a) candidato(a), a doutrina clássica a respeito dos direitos humanos abor-

da a classificação até a assim chamada “terceira dimensão”, porém, é importante

compreender que o direito contemporâneo estendeu essa classificação para mais 3

(três) gerações/dimensões. Sendo assim, FIQUE ATENTO(A), pois, para a doutri-

na clássica, a classificação dos direitos humanos se ENCERRA na terceira

dimensão. Mas, para um estudo mais completo, é importante que você saiba das

outras três dimensões estabelecidas pelas doutrinas mais modernas:

• QUARTA DIMENSÃO: o VALOR tutelado é o POVO (direito dos povos).

Trata-se da proteção de interesses que têm como objetivo a preservação do

ser humano em virtude de direitos que podem colocar em risco a existência

do homem. Na visão de Norberto Bobbio, referem-se à biossegurança, ao bio-

direito, às pesquisas biológicas e à manipulação do patrimônio genético das

pessoas, à proteção em face de uma globalização que comprometa o direito

à democracia e à inclusão digital.

• QUINTA DIMENSÃO: o VALOR tutelado é a PAZ. Para Paulo Bonavides,

a paz advém do reconhecimento universal, como requisito da convivência

humana, da conservação da espécie, garantindo segurança aos direitos, uma

vez que somente se efetiva a dignidade da pessoa humana se a paz vier a ser

elevada a direito de quinta geração.

Alguns autores mencionam a possibilidade de uma sexta dimensão, cujo valor tu-

telado seria a DEMOCRACIA. Para Paulo Bonavides, seria o direito à democracia, à

informação e ao pluralismo, resultantes da globalização. A doutrina a esse respeito

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argumenta que a própria Declaração Universal dos Direitos do Homem prevê que

toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de seu país, quer de forma

direta, quer por meio de seus representantes livremente escolhidos. Dessa forma,

democracia e direitos fundamentais estão estritamente ligados, pois o objetivo

central do Estado Democrático de Direito reside na busca da proteção dos direitos

fundamentais, por meio da observância e preservação da dignidade da pessoa hu-

mana. Entretanto, a maioria gritante dos autores classifica os direitos humanos até

a 5ª dimensão.

Vale frisar que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal reconhece a classifi-

cação tradicional das gerações (ou dimensões) de direitos. O julgamento da Ação

Direta de Inconstitucionalidade (ADI) n. 1856/RJ, que abordou a inconstitucionali-

dade da Lei n. 2.895/1998 do RJ, que versa sobre prática de briga de galos, deci-

diu pela violação do direito de terceira geração (solidariedade)6. Já na ocasião do

julgamento da Medida Cautelar na ADI n. 3540/DF, o STF entendeu que o direito

ao meio ambiente ecologicamente equilibrado é um direito de terceira geração.7

Em resumo, assim se manifestam as doutrinas clássica e moderna a respeito

das dimensões/gerações dos direitos humanos:

1ª DIMENSÃO → Direitos Civis e Políticos


2ª DIMENSÃO → Direitos Sociais, Econômicos e Culturais
3ª DIMENSÃO → Direitos de Solidariedade ou Fraternidade
4º DIMENSÃO → Direitos dos Povos
5ª DIMENSÃO → Direito à Paz

6
STF, ADI 1856/RJ, Tribunal Pleno, Rel. Min. Celso de Mello, j. 26.5.2011, DJe 14.10.2011
7
STF, ADI 3540-MC/DF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Celso de Melo, j. 01.9.2005, DJ 03.2.2006.

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Dito isso, prezado(a) candidato(a), vejamos agora como a banca a seguir abor-

dou essa temática:

(ANALISTA DE PROMOTORIA/MPE-SP/VUNESP/2015) Assinale a alternativa que

corretamente disserta sobre aspectos conceituais dos direitos humanos em sua

evolução histórica.

a) Os direitos humanos da terceira dimensão marcam a passagem de um Estado

autoritário para um Estado de Direito e, nesse contexto, o respeito às liberdades

individuais, em uma perspectiva de absenteísmo estatal, fruto do pensamento libe-

ral-burguês do século XVIII.

b) Os direitos de quarta dimensão, ou direitos de liberdade, têm como titular o

indivíduo, são oponíveis ao Estado, traduzem-se como faculdades ou atributos da

pessoa e ostentam uma subjetividade que é seu traço mais característico, sendo,

assim, direitos de resistência ou oposição ao Estado.

c) Os direitos fundamentais da primeira dimensão são marcados pela alteração da

sociedade por profundas mudanças na comunidade internacional, identificando-se

consequentes alterações nas relações econômico-sociais, sobretudo na sociedade

de massa, fruto do desenvolvimento tecnológico e científico.

d) Os direitos da quinta dimensão são direitos transindividuais que transcendem

os interesses do indivíduo e passam a se preocupar com o gênero humano, com

altíssimo teor de humanismo e universalidade, inserindo-se o ser humano em uma

coletividade que passa a ter direitos de solidariedade ou de fraternidade.

e) A evidenciação de direitos sociais, culturais e econômicos, correspondendo aos

direitos de igualdade, sob o prisma substancial, real e material, e não meramente

formal, mostra-se marcante nos documentos pertencentes ao que se convencionou

classificar como segunda dimensão dos direitos humanos.

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Letra e.

Trata-se de uma questão relativamente fácil, ainda mais se o(a) candidato(a) ado-

tar a técnica da exclusão, ou seja, as alternativas “a” e “b” mencionam a dimensão

dos direitos de liberdade, porém, confundem o candidato(a) em relação à identifi-

cação das dimensões. A alternativa “c” diz respeito à segunda dimensão de direitos

humanos, porém, a banca procura confundir, identificando como primeira geração

de direitos; o mesmo ocorre com a alternativa “d”, com menção equivocada em

relação à geração de direitos de fraternidade. Sendo assim, por exclusão, temos a

alternativa “e” como a única que traz argumentação coerente com a identificação

da dimensão específica de direitos humanos.

Pois bem, vencida essa primeira fase de classificação dos direitos humanos, ve-

jamos agora, de maneira bem objetiva, as características próprias desses direitos,

uma vez que se trata de um tema bem recorrente em provas de concurso.

De início, duas características iniciais se destacam quando falamos sobre di-

reitos humanos. Trata-se da “Historicidade” e da “Universalidade”. Acerca da his-

toricidade, estamos nos referindo a todo o contexto histórico no qual se balizou a

construção e a evolução dos direitos humanos ao longo do tempo. Cumpre salientar

que, na esfera internacional, os Direitos Humanos começaram a se desenvolver

efetivamente em 1919, com o surgimento da Organização Internacional do Traba-

lho (OIT), tendo grandes avanços registrados após a Segunda Guerra Mundial, em

1945, com o surgimento da Organizações das Nações Unidas (ONU). Percebe-se,

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pois, a partir da nossa discussão sobre a afirmação histórica dos direitos humanos,

que sua evolução se dá a partir de um processo histórico gradual, representado

pelas transformações políticas, sociais e econômicas que atingem diretamente a

humanidade.

Quanto à característica de universalidade, podemos dizer que se refere ao fato

de que todas as pessoas humanas são titulares dos direitos humanos, tanto na

esfera nacional como na internacional, sem nenhuma distinção que se refira à sua

condição humana. Entretanto, é importante frisar que ser “universal” não significa

ser “absoluto”. A universalidade dos direitos humanos se faz presente nos artigos I

e II da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, vejamos:

Artigo I
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados
de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de frater-
nidade.
Artigo II
1 - Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabeleci-
dos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idio-
ma, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza,
nascimento, ou qualquer outra condição.

Prezado(a) candidato(a), algumas doutrinas apontam uma divergência entre re-

lativismo e universalidade dos direitos humanos, mas, por ora, é importante que

você tenha em mente que a Declaração de Viena de 1993 foi pronunciada com base

em uma forte universalidade dos direitos humanos, dando pouca margem para o

relativismo.

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Outras características dos direitos humanos são apontadas na doutrina e juris-

prudência dos organismos internacionais, como é o caso da “Irrenunciabilidade”,

da “Indisponibilidade”, da “Inalienabilidade”, da “Relatividade” e da “Imprescritibi-

lidade”.

De maneira bem sucinta, a característica da irrenunciabilidade denota a impor-

tância dos direitos humanos no sentido de sua não abdicação, da impossibilidade

de recusa, podendo ser nula de pleno direito qualquer manifestação que contrarie

esta característica. Nos dizeres de Mazzuoli, a irrenunciabilidade “se traduz na ideia

de que a autorização de seu titular não justifica ou convalida qualquer violação do

seu conteúdo”.8

Temos, portanto, uma relação lógica dessa característica com a dignidade da

pessoa humana, eis que, sendo humano, sua dignidade deve ser respeitada. Logo,

pela característica da irrenunciabilidade, entende-se que a pessoa não pode dispor

sobre a proteção à sua integridade, à sua dignidade, sendo que eventual renúncia

a qualquer direito humano é nula, não possuindo validade jurídica.

Quanto à indisponibilidade, essa característica se aproxima muito da irrenuncia-

bilidade, tendo em vista que os direitos humanos são indisponíveis de renúncia, e

mesmo que a doutrina considere como renunciáveis alguns direitos, como da priva-

cidade e intimidade, esses somente serão disponíveis por um determinado tempo,

desde que tal disposição não se contraponha à dignidade da pessoa humana.

No tocante à inalienabilidade, as doutrinas também relacionam tal característica

com a irrenunciabilidade. Trata-se da impossibilidade de que os direitos humanos

possam ser de alguma forma alienados, eis que representa afronta à dignidade da

pessoa humana. Em outras palavras, o titular do direito não poderá dispor de seus

8
MAZZUOLI, Valerio de Oliveira. Curso de direitos humanos. 4ª edição revista, atualizada e ampliada. São
Paulo: Método, 2017. p. 33.

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direitos humanos. Exemplo claro nesse sentido é a impossibilidade de retirada de

órgão humano vital para fins de lucro. Por conta disso, inclusive, prevê o art. 14

do Código Civil que somente é válida, para depois da morte, a disposição gratuita

do próprio corpo, no todo ou em parte, com objetivo científico ou altruístico. Nesse

sentido, veda-se a alienabilidade da dignidade para auferir lucro, garantindo-se que

a disposição do corpo após a morte somente ocorra de forma gratuita.

Quanto à característica da relatividade, a premissa utilizada pela doutrina é a de

que os direitos humanos podem sofrer limitações para adequá-los a outros valores

coexistentes na ordem jurídica. Dessa forma, entende-se que em caso de conflito

entre princípios que garantem a proteção aos direitos humanos, o aplicador do di-

reito terá o desafio de relativizar um princípio para que o outro se sobreponha. Um

dos exemplos mais claros diz respeito à possibilidade de relativização do princípio

da liberdade em algumas circunstâncias, como, por exemplo, no caso de conde-

nação criminal ou nas hipóteses em que é admitida a prisão privativa do acusado.

Dentre as diversas modalidades de crimes previstos no Código Penal Brasilei-

ro, percebe-se que uns violam bens e valores tão caros à sociedade que, quando

confrontados com o princípio da liberdade individual, permitem por certo período

de tempo a restrição à liberdade da pessoa, adequando-se a outros valores coexis-

tentes na ordem jurídica.

As doutrinas a respeito dos direitos fundamentais apontam a existência de direitos

humanos absolutos, sobre os quais não é possível em hipótese alguma aplicar qual-

quer relativização. São eles a vedação à tortura e a vedação à escravidão.

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No que se refere à imprescritibilidade dos direitos humanos, tal característica se

pauta na premissa de que as normas de Direitos Humanos não se esgotam, nem

se consomem com o passar do tempo. O instituto jurídico da prescrição (perda da

capacidade de exercer o direito ou de manifestar a pretensão, em determinado

lapso de tempo), dessa forma, não se aplica às questões que envolvam direitos

humanos, direitos fundamentais.

Outra característica de suma importância é a interdependência entre os direitos

humanos protegidos por diplomas constitucionais e internacionais. Em função da

natureza da matéria, é muito comum que um direito se vincule ao outro, de for-

ma complementar. Um exemplo muito típico dessa relação de interdependência se

verifica na análise do direito fundamental de liberdade de associação (garantia de

que as pessoas possam se associar a algum grupo com fins lícitos) em relação ao

reconhecimento do direito de associação profissional ou sindical (garantia de que

os trabalhadores possam se reunir em associações para a defesa de seus direitos).

Vejamos como a banca a seguir abordou esse tema.

(DEFENSOR PÚBLICO SUBSTITUTO/DPE-MA/FMP/2015) Sobre as características

dos direitos humanos, é CORRETO afirmar que:

a) o historicismo é característica inerente aos direitos humanos, o qual determina

a possibilidade de que tais direitos sejam reconhecidos e, posteriormente, suprimi-

dos, conforme a evolução do pensamento humano.

b) a defesa da característica da universalidade dos direitos humanos contempla a

proibição de tratamento diferenciado a determinados grupos sociais ou culturais,

em qualquer circunstância.

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c) a irrenunciabilidade reconhecida aos direitos humanos significa a impossibilida-

de de que o seu titular abra mão de direitos previstos em tratados internacionais,

os quais, entretanto, podem sofrer restrições por lei ordinária, conforme o ordena-

mento jurídico de cada país.

d) os direitos humanos são caracterizados pela indivisibilidade e complementarie-

dade, de forma que compõem um único conjunto de direitos, cuja observância deve

ser sistêmica e lastreada no princípio da dignidade da pessoa humana.

e) a imprescritibilidade dos direitos humanos determina a inexistência de prazo

para ajuizamento de ações em face do Estado a respeito de eventuais violações

desses direitos.

Letra d.

Trata-se de uma questão que aborda as características dos Direitos Humanos, em

especial a historicidade (no caso, a alternativa “a” equivocadamente afirma que a

historicidade pressupõe a supressão de direitos), a universalidade (a alternativa “b”

equivocadamente remete a uma relação direta entre a universalidade e a aplicação

igualitária dos direitos humanos), a irrenunciabilidade (a alternativa “c” aponta a

possibilidade de restrições de direitos humanos por via de lei ordinária), a impres-

critibilidade (que se manifesta sobre o direito humano em si e não sobre o ajuiza-

mento de ações judiciais), bem como a indivisibilidade dos direitos fundamentais,

lastreados no princípio da proteção da dignidade da pessoa humana, objeto de

análise na alternativa “d”.

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Por fim, vale mencionar uma característica de suma importância dos direitos

humanos, qual seja, o instituto que prevê a proibição do retrocesso em matéria

de direitos humanos. Por força da historicidade dos Direitos Humanos, enten-

de-se que a proteção à dignidade da pessoa humana é expansiva, ou seja, está

sempre em progresso, não sendo permitidos retrocessos em relação aos avan-

ços já conquistados pela humanidade.

Exemplo claro disso é a vedação à tortura, que se constitui em um direi-

to humano absoluto, decorrente dos graves acontecimentos registrados em

guerras mundiais e em movimentos ditatoriais. Em razão desses eventos, a

comunidade internacional voltou-se contra tal prática e, atualmente, defende

que a vedação à tortura é absoluta e universal. Assim, qualquer ato ou norma

de Estado que viole a dignidade da pessoa humana, consistente em provocar

sofrimento a alguém de forma deliberada, constitui violação aos Direitos Huma-

nos e não poderá ser permitido, sob pena de retrocesso de todas as conquistas

registradas até aqui.

Vejamos como a banca a seguir abordou esse tema.

(DEFENSOR PÚBLICO/DPE-PE/CESPE/2015) Julgue o item subsecutivo, a res-

peito de aspectos gerais e históricos dos direitos humanos.

Na luta pelos direitos humanos, há avanços e retrocessos, decorrendo disso a

necessidade de o Estado e a sociedade civil se engajarem para que se realizem

ações e políticas públicas que sejam efetivamente de Estado e não de governo.

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Certo.

Trata-se de questão tranquila, desde que a cabeça do candidato(a) também esteja

tranquila. De início, poderíamos nos fixar na palavra “retrocessos” e já cravar que

pelo princípio da proibição de retrocesso, a assertiva estaria incorreta. Entretanto,

analisando com mais calma, observamos que a assertiva é apresentada de forma

ampla, abordando a “luta pelos direitos”, justificando que o Estado, nessa luta, tem

que se engajar, com a adoção de ações e políticas efetivas de proteção dos direitos

humanos. Nesse sentido, percebemos que na “luta” pelo direitos humanos real-

mente presenciamos avanços e retrocessos, não se confundindo com o retrocesso

em relação aos direitos já positivados, incorporados em normativos internacionais.

4. As Vertentes da Proteção Internacional da Pessoa Humana:


Direitos Humanos, Direito Humanitário e Direito dos Refugiados

A disciplina do direito internacional humanitário costuma ser menos trabalhada

nos currículos jurídicos se comparada à disciplina do direito internacional dos direi-

tos humanos, persistindo ainda uma separação dos ramos ou vertentes de proteção

internacional da pessoa humana (direitos humanos, direito humanitário, direito dos

refugiados).

Alguns doutrinadores apontam a necessidade de superar essa visão compar-

timentalizada e, consequentemente, resgatar o objetivo comum de aplicação das

normas internacionais de direitos humanos, qual seja, a proteção efetiva do ser

humano.

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A Proteção Internacional da Pessoa Humana, classicamente, pautou-se na di-

visão da proteção em 3 (três) vertentes, excelente contribuição do doutrinador

Antonio Augusto Cançado Trindade9: Direito Internacional dos Direitos Humanos

(bastante explorado na presente aula), o Direito Humanitário e o Direito Interna-

cional dos Refugiados.

Tendo como propósito a salvaguarda dos direitos humanos, estabeleceu-se no

âmbito internacional a preocupação de abarcar vários contextos de proteção da

dignidade da pessoa humana, tanto em contextos envolvendo conflitos armados,

situações em que pessoas se veem obrigadas a deixar o seu país de origem por

razões de segurança ou perigo de vida, como em contextos ordinários em que os

direitos fundamentais da pessoa humana não sejam respeitados.

No que se refere ao direito humanitário, também abordado anteriormente de

forma sucinta na presente aula, podemos dizer que se trata de um conjunto de

normas aplicáveis aos conflitos internacionais ou não internacionais, que limitam,

por razões humanitárias, o direito das partes de escolher livremente os métodos e

os meios utilizados na guerra, evitando que sejam afetadas as pessoas e os bens

legalmente protegidos.

Vale registrar que nos últimos anos observa-se maior atenção à questão da na-

tureza jurídica e do alcance de determinadas obrigações próprias tanto do direito

internacional humanitário quanto da proteção internacional dos direitos humanos.

Destacam-se nesse contexto as obrigações dos Estados-membros de abarca-

rem incondicionalmente o dever de assegurar o cumprimento das disposições dos

tratados por todos os seus órgãos e agentes, assim como por todas as pessoas

sujeitas à sua jurisdição.

9
CANÇADO TRINDADE, Antonio Augusto. Tratado de Direito Internacional dos Direitos Humanos. Porto Alegre:
Sergio Antonio Fabris Editor, 2003.

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Tais deveres situam-se claramente no plano das obrigações incondicionais, exi-

gíveis por todo Estado, independentemente de sua participação em um determi-

nado conflito, e cujo integral cumprimento interessa à comunidade internacional

como um todo. A exemplo disso destacam-se os ditames da Convenção de Genebra

de 1949, ao estipular que nenhum acordo especial poderá prejudicar a situação das

pessoas protegidas, efetivando-se essa proteção pela ação conjunta ou individual

dos Estados-partes, em cooperação com as Nações Unidas.

Em virtude de um dever geral de respeito ao direito humanitário, configura-se

a existência de um interesse jurídico comum, em virtude do qual todos os Estados-

-partes nas Convenções de Genebra, e cada Estado em particular, tem interesse

jurídico e está capacitado a agir para assegurar o respeito do direito humanitário,

não somente contra um Estado autor de violações, mas também contra os demais

Estados-partes que não cumprem a obrigação (de conduta ou de comportamento)

de fazer respeitar o direito humanitário.

Exige-se, ainda, dos Estados-membros, com vistas a assegurar o respeito do

direito humanitário, a adoção de medidas em uma dimensão preventiva, tais como

a edição de normativos em conformidade com o direito humanitário, não apenas

em tempo de conflito, mas também preventivamente em tempo de paz.

É importante frisar que esse dever de prevenção se encontra consagrado na

normativa internacional e solidamente respaldado na jurisprudência dos órgãos

internacionais de supervisão dos direitos humanos, além de ser parte integrante

da estratégia do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR),

também conhecido como Agência da ONU para Refugiados, cuja função é dirigir e

coordenar a ação internacional para proteger e ajudar as pessoas deslocadas em

todo o mundo e encontrar soluções duradouras para elas, garantindo a proteção

dos direitos dos refugiados.

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Ainda sobre a vertente do Direito Internacional dos Refugiados, a Conven-

ção Relativa ao Estatuto dos Refugiados, conhecida como Convenção de 1951,

traz em seu corpo os mais importantes princípios do Direito Internacional dos

Refugiados, como o princípio do non-refoulement (não devolução), que deter-

mina que os indivíduos não possam ser mandados, contra a sua vontade, para

um território no qual possam ser expostos a perseguição, ou onde corram risco

de morte, ou ainda para um território do qual se sabe que serão enviados a um

terceiro território no qual possam sofrer perseguição ou tenham sua integridade

física ou vida ameaçadas.

Destacam-se ainda na Convenção de 1951 o princípio da não discriminação,

os preceitos acerca do estatuto pessoal do refugiado, a proibição da punição por

entrada ou permanência irregular no país onde se solicita refúgio, as normas

sobre trabalho dos refugiados, bem como sobre documentos de identificação e

viagem dos refugiados.

Em conjunto com o Protocolo de 1967, relativo ao Estatuto dos Refugiados de

1966, esses dois tratados constituem o arcabouço positivado principal no tocante

à internacionalização do Direito dos Refugiados, sendo conhecidos como o Esta-

tuto Internacional dos Refugiados.

Por fim, deve-se lembrar que sendo os Direitos Humanos compostos por di-

reitos universais, indivisíveis, interdependentes e relacionados, devem ser apli-

cados em diversas situações, em especial no campo dos refugiados, pessoas que

sofrem constantemente com a negação e exclusão de direitos básicos a uma

sobrevivência digna.

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Vejamos como a banca a seguir abordou esse tema.

(DEFENSOR PÚBLICO/DPR-GO/CS-UFG/2014) Acerca das três grandes vertentes

jurídicas da proteção internacional da pessoa humana – direitos humanos, direito

humanitário e direito dos refugiados – existem convergências e divergências. Nes-

se sentido,

a) a visão compartimentalizada dessas três grandes vertentes encontra-se defini-

tivamente implantada na atualidade.

b) a prática contemporânea deixa de admitir a aplicação simultânea de normas de

proteção do direito internacional dos direitos humanos, do direito internacional dos

refugiados e do direito internacional humanitário.

c) o processo de gradual distanciamento e divergência do direito humanitário, com

a proteção internacional dos direitos humanos, tem-se manifestado nos planos nor-

mativo, hermenêutico e operacional.

d) o Estado, na proteção internacional da pessoa humana em tempo de paz, está

isento em seus deveres jurídicos de tomar medidas positivas para prevenir, inves-

tigar e sancionar violações dos direitos humanos.

e) o reconhecimento, inclusive judicial, do alcance e da dimensão amplos das obri-

gações convencionais de proteção internacional da pessoa humana assegura a con-

tinuidade do processo de expansão do direito de proteção.

Letra e.

Trata-se de questão de média complexidade, exigindo do(a) candidato(a) boa per-

cepção acerca do alcance e dimensão das obrigações convencionais de proteção

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internacional da pessoa humana, bem como os pontos de convergência e divergên-

cia entre as três grandes vertentes jurídicas da proteção internacional da pessoa

humana (direitos humanos, direito humanitário e direito dos refugiados).

5. Direitos Humanos e a Responsabilidade do Estado

Prezado(a) candidato(a), tudo certo até aqui? Acredite, estamos nos preparan-

do para cercar todas as possíveis questões de Direitos Humanos da prova. Bom,

como dito anteriormente, a matéria de Direitos Humanos exige bom senso em seu

estudo. Tente sempre pensar de maneira abrangente na hora da prova, caso tenha

esquecido algum detalhe da matéria. Além disso, lembre-se de que esta matéria

visa à proteção da condição humana, inerente a todos nós, seja na educação, na

saúde, na segurança etc.

O presente tópico refere-se à responsabilidade do Estado em caso de violação

de direitos humanos, bem como a forma de repará-los. Por se tratar de um tema

bem amplo, vamos nos concentrar nos pontos importantes para a sua prova. Va-

mos lá!

Ao longo da história, o Estado, na maioria das vezes, figurou como o principal

responsável pela violação de direitos humanos, por ação ou omissão. Ocorre que,

atualmente, o Estado não ocupa mais com tanta frequência esse papel de princi-

pal responsável, tampouco aparece como o único que responde pelos atos ilícitos,

mesmo sendo muito acionado a se explicar ou reparar violações.

De uma forma geral, qualquer violação de direitos humanos que acarreta em

danos deve ser reparada. Contudo, quando se trata do Estado, essa responsabili-

dade é em dobro, pois este é, ao mesmo tempo, garantidor desses direitos e seu

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potencial violador. Entretanto, para nós, nesse momento, interessa compreender


que os Estados não podem ser responsabilizados por todos os atos, pois há parâ-
metros, ou seja, limitações que definem em quais condições o Estado assume a
responsabilidade no âmbito de direitos humanos.
Em tese, o Estado responde por todos os atos que violam os direitos humanos,
cometidos por representantes dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário),
e, também, por agentes estatais, independentemente da função que ocupam, em
todas as esferas (União, Estados, Distrito Federal e Municípios).

Para melhor compreensão, segue um exemplo: você, policial militar, durante o


exercício da função, abusou de sua competência em determinado fato. Nesse caso,
mesmo considerando o fato de você ter abusado de sua competência, cabe ao
Estado responder pelas violações de direitos humanos cometidas por você no exer-
cício da sua função. Em suma, o Estado não pode dispensar a obrigação da acusa-
ção e alegar que você agiu por conta própria.

Existem outros atores passíveis de responsabilização internacional por violação de


direitos humanos, mesmo sendo apenas o Estado o ente que figura como parte nos
tratados internacionais de direitos humanos. As pessoas privadas (corporações,
organizações internacionais, dentre outros grupos não governamentais) podem ser
responsabilizados com base nos costumes internacionais, caso a conduta não seja
imputada ao Estado.
É importante que você tenha em mente que o Direito Internacional dos Direitos
Humanos obriga o Estado a proteger os direitos inerentes à pessoa humana, sob
sua jurisdição, contra qualquer ato que viole os direitos humanos, inclusive atos
que decorram de pessoas privadas.

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Você percebeu que nossa matéria deve ser pensada sempre de uma forma am-

pla? Não esqueça disso na hora da prova!

Agora, e quais são as consequências jurídicas desses atos de violação dos direi-

tos humanos? Bom, acarretam em obrigações que o Estado deve cumprir, dentre

elas, a cessação da violação do direito, a omissão de futuras violações de direitos,

pagamento de indenizações, dentre outras.

Vale destacar que essa responsabilização é objetiva, ou seja, não precisa com-

provar a intenção em ter praticado o ato ilícito que gerou a violação de direitos

humanos.

Nesse sentido, figuram como elementos para a responsabilização do Estado:

• prática de um ato ilícito;

• imputabilidade da obrigação ao Estado;

• prejuízo causado;

• ação ou omissão contrária à norma internacional de direitos humanos;

• nexo de causalidade entre o ato ilícito e o agente causador responsável;

• dano ao direito humano da(s) vítima(s).

5.1. A Responsabilidade do Estado na Prevenção e Detecção


do Crime

Um dos princípios constitucionais do ato administrativo é a legalidade, e é a

partir desse princípio que a prevenção e a detecção adequada do crime devem

ser baseadas em táticas e práticas de aplicação de ações que sejam legais e não

arbitrárias.

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De modo geral, todas as medidas destinadas a contribuir para redução da

criminalidade e do sentimento de insegurança do cidadão estão inseridas no con-

texto de prevenção, e não estamos falando somente de políticas de prevenção

criminal, mas de um conjunto de ações públicas que podem ser consubstancia-

das como legislativas (leis), administrativas (polícias), judiciais (cumprimento das

leis) e ainda a participação da sociedade em colaboração.

A prevenção e detecção do crime estão dentre as áreas de interesse imediato

das organizações de aplicação da lei em todo o mundo e atribui ao responsável a

capacidade e a missão de evitar que no futuro se cometam delitos.

Daí nasce a importância do estudo das Teorias de Prevenção do Crime que se

subdividem em Teoria Preventiva Geral e Teoria Preventiva Especial. A duas se di-

ferenciam no sentido de que a primeira busca atingir a sociedade como um todo,

acreditando que a afirmação dos valores e a confiança no sistema penal farão

com que os sujeitos se abstenham da prática de delitos, já a segunda é voltada

apenas para a pessoa do indivíduo criminoso, com o objetivo de reeducar e evitar

a reincidência.

No modelo de Prevenção Especial Positiva, o Estado defere ações buscando a

ressocialização do delinquente por meio da sua correção. Esse formato de preven-

ção visa à recolocação do agente na sociedade após devida correção do Estado.

Já no modelo negativo, o Estado busca a neutralização do infrator por meio da

efetiva punição criminal.

Ainda dentro do contexto preventivo, a doutrina aborda a chamada preven-

ção direta, que, como o nome já diz, está intimamente ligada à força punitiva e

repressora do direito penal; e a indireta, que procura proporcionar programas

culturais e de lazer buscando qualidade de vida à sociedade.

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No Brasil a prevenção criminal é híbrida e ocorre de forma ampla, tanto para a

sociedade quanto para o criminoso, ou seja, busca-se a educação do encarcerado e

o respeito à coletividade, em que, no desempenho da função preventiva do crime,

o Estado atua em três frentes, a saber:

(i) Prevenção Primária: consiste nas ações preventivas de médio e longo

prazo, não decorrendo dessas ações efeitos positivos imediatos. Busca atin-

gir a sociedade como um todo e procura desestimular a prática criminal. São

medidas por meio das quais o Estado investe em lazer, moradia, direitos

sociais, segurança e emprego.

(ii) Prevenção Secundária: é a atuação geograficamente estratégica do Estado,

incide sobre grupos sociais e/ou locais onde exista certa propensão ao crime,

esse tipo de prevenção é baseada em estudos estatísticos e ocorre basica-

mente por meio de programas de prevenção policial, não sendo descartadas

outras formas de controle.

(iii) Prevenção Terciária: é a ressocialização. Destina-se exclusivamente à

população carcerária, no fito de evitar a reincidência.

A prevenção do crime vem a ser tarefa árdua aos órgãos de segurança no sen-

tido de que antever os acontecimentos conflituosos requer preparo de alto nível,

tanto em material tecnológico como na formação e consolidação profissional do

agente responsável pela aplicação da lei.

Em se tratando da detecção do crime, considera-se a necessidade da obtenção

bem-sucedida de provas em relação a uma atividade criminal, sendo imprescindível

o recolhimento de provas matérias e testemunhais, quando houver.

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Conforme já dito anteriormente, a responsabilidade pela prevenção e detecção

é, principalmente, das organizações de aplicação da lei, contudo, essa responsabi-

lidade vai além, tendo em vista que para que seja atingida a efetividade das ações

é importante que exista um vínculo de cooperação entre a organização de aplicação

da lei e a comunidade a que esta serve. Políticos, membros do judiciário, grupos

comunitários, corporações públicas e privadas, bem como indivíduos, necessitam

unir forças para que os resultados da prevenção e detecção do crime sejam me-

lhores que o resultado inevitavelmente insatisfatório da tentativa de meramente

aplicar-se a legislação criminal.

Nesse sentido, ressalta-se que as ações que buscam a prevenção e a detecção

do crime devem estar assistidas por altos padrões de moralidade e ética dos agen-

tes de segurança, buscando sempre preservar os direitos e liberdades individuais

do capturado ou o detido.

O responsável pela prevenção e detecção do crime deve ainda considerar as di-

versas questões limitativas às práticas de aplicação da lei consubstanciadas no Pac-

to Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, promulgado pelo Decreto n. 592,

de 6 de julho de 1992, que garante a proteção aos direitos humanos, como por

exemplo, a presunção de inocência (PIDCP, artigo 14.2), o direito a um julgamento

justo (PIDCP, artigo 14.1) e as garantias mínimas asseguradas pelo artigo 14.3 do

PIDCP, entre outros, de modo que, qualquer produção de provas, bem como inqui-

rição de testemunhas para fins de detecção criminal deve ocorrer em respeitos aos

preceitos constitucionais e em respeito aos direitos humanos acolhidos pela Repú-

blica Federativa do Brasil.

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5.2. A Responsabilidade do Estado na Manutenção da Ordem


Pública

A Segurança Pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é

exercida por meio dos seus órgãos policiais para preservação da ordem pública e

da incolumidade das pessoas e do patrimônio.

O conceito acima, extraído do artigo 144 da Constituição Federal de 1988, atribui

à atividade policial o desempenho de suas funções precípuas e ao mesmo tempo a

proteção aos direitos humanos, de forma que as ações dos agentes de segurança

devem ser orientadas pelos princípios legais, morais, éticos e ainda àqueles refe-

rentes à preconização dos Direitos Humanos no sentido de disciplinar as condutas

e ações tomadas pelos seus agentes, garantindo a integridade dos seres humanos

em situações de conflito.

O Estado, por meio dos órgão policiais, deve proporcionar a manutenção da

ordem pública diante de toda espécie de violação, assegurando a convivência dos

homens em sociedade, protegendo o cidadão de manifestações de violência e ga-

rantindo o exercício da cidadania nos limites da lei.

A manutenção da ordem está diretamente ligada à principal atividade exercida

pela Policia Militar, conforme preconizado pelo § 5º, do art. 144, da Carta Magna,

que versa, na primeira parte, sobre as ações de policiamento ostensivo e preser-

vação da ordem pública atribuídas às Polícias Militares dos Estados e do Distrito

Federal.

A Polícia Militar é um órgão que está não só comprometido com a manutenção

da ordem, como está necessariamente condicionado ao cumprimento dos precei-

tos constitucionais. São essas condicionantes que norteiam o agente estatal na

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execução de ações inerentes à atividade policial em dois vieses. Por um lado,

a relação de dever constitucionalmente atribuído pelo capítulo III, art. 144, da

CF/1988, acima explanado e pelo art. 5º, caput, do mesmo diploma, que trata

dos direitos individuais e coletivos, e, por outro lado, a observância dos precei-

tos constitucionais orienta o agente no controle de suas ações quanto ao uso

da força necessária investida ao poder de polícia, de modo a coibir abusos e/ou

arbitrariedades.

A partir desse contexto, extraímos que a preservação da ordem pública ga-

rante as condições essenciais à vida humana, de forma que o agente de segu-

rança tem como dever proteger a segurança do cidadão e de seu patrimônio,

bem como a salubridade e tranquilidade no convívio social.

Na medida em que se verificam ocorrências que comprometam direitos fun-

damentais garantidos constitucionalmente, devem os agentes estatais de se-

gurança repeli-las, resguardados os limites legais, morais, éticos e de direitos

humanos.

Bem, após nossa conversa sobre a responsabilização do Estado, vamos par-

tir agora para três pontos mais objetivos do edital. Tratam-se de mecanismos e

organismos de proteção dos direitos humanos de extrema relevância no cenário

nacional e internacional, no caso, a Declaração Universal de Direitos Humanos

(DUDH), a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de San José

da Costa Rica) e Portaria Interministerial n. 4.226, de 31 de dezembro de 2010,

que traça as Diretrizes sobre o Uso da Força pelos Agentes de Segurança Públi-

ca. Não desanime, é a nossa reta final.

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6. A Portaria Interministerial n. 4.226, de 31 de Dezembro de


2010 – Diretrizes sobre o Uso da Força pelos Agentes de Segu-
rança Pública

Trata-se de ato conjunto editado pelo então Ministério da Justiça (hoje denomi-

nado Ministério da Justiça e Segurança Pública) e pela então Secretaria de Direitos

Humanos da Presidência da República (hoje denominado Ministério dos Direitos

Humanos), que estabelece as diretrizes sobre o uso da força pelos agentes de se-

gurança pública, editado em 31 de dezembro de 2010.

Com base na premissa de que o direito à segurança pública com cidadania de-

manda a sedimentação de políticas públicas de segurança pautadas no respeito

aos direitos humanos, esse normativo representa um desdobramento do Progra-

ma Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), lançado em julho de

2007, destinado à prevenção, controle e repressão da criminalidade, atuando em

suas raízes socioculturais, além de articulação de ações de segurança pública com

políticas sociais por meio da integração entre União, estados e municípios.

Outra fonte da referida norma seriam as conclusões de um Grupo de Trabalho

criado para elaborar uma proposta com diretrizes sobre uso da força, composto por

representantes das Polícias Federais, Estaduais e Guardas Municipais; representan-

tes da sociedade civil; da então Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da

República e do então Ministério da Justiça.

Trata-se, ainda, de norma fundada na necessidade de orientação e padroniza-

ção dos procedimentos da atuação dos agentes de segurança pública aos princípios

internacionais sobre o uso da força, com o objetivo de reduzir paulatinamente os

índices de letalidade resultantes de ações envolvendo agentes de segurança pública.

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Vale ressaltar que as diretrizes em questão também se pautaram:

• no Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da

Lei, adotado pela Assembleia Geral das Nações Unidas na sua Resolução n.

34/169, de 17 de dezembro de 1979;

• nos Princípios Básicos sobre o Uso da Força e Armas de Fogo pelos Funcioná-

rios Responsáveis pela Aplicação da Lei, adotados pelo Oitavo Congresso das

Nações Unidas para a Prevenção do Crime e o Tratamento dos Delinquentes,

realizado em Havana, Cuba, de 27 de agosto a 7 de setembro de 1999;

• nos Princípios orientadores para a Aplicação Efetiva do Código de Conduta

para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, adotados pelo Con-

selho Econômico e Social das Nações Unidas na sua resolução n. 1989/61, de

24 de maio de 1989;

• na Convenção Contra a Tortura e outros Tratamentos ou penas Cruéis, Desu-

manos ou Degradantes, adotado pela Assembleia Geral das Nações Unidas,

em sua XL Sessão, realizada em Nova York em 10 de dezembro de 1984 e

promulgada pelo Decreto n. 40, de 15 de fevereiro de 1991.

Quanto aos agentes destinatários da norma, o artigo 2º da Portaria prevê que a ob-

servância das diretrizes passaria a ser obrigatória pelo Departamento de Polícia

Federal, pelo Departamento de Polícia Rodoviária Federal, pelo Departa-

mento Penitenciário Nacional e pela Força Nacional de Segurança Pública.

Ainda quanto à obrigatoriedade de observância das diretrizes, foram criados

prazos específicos para que os órgãos públicos citados no caput do art. 2º pudes-

sem adequar seus procedimentos às novas regras, vejamos:

• 90 dias para adequar seus procedimentos operacionais e seu processo de for-

mação e treinamento às diretrizes supramencionadas;

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• 60 dias para fixar a normatização mencionada na Diretriz n. 9, bem como

para criar a comissão mencionada na Diretriz n. 23;

• 60 dias para instituir Comissão responsável por avaliar sua situação interna

em relação às demais diretrizes, bem como para propor medidas para asse-

gurar as adequações necessárias.

Quanto ao objeto propriamente dito das diretrizes, o Anexo I da Portaria tratou

das Diretrizes sobre o Uso da Força e Armas de Fogo pelos Agentes de Segurança

Pública, destacando, inicialmente, a obediência de tais diretrizes aos princí-

pios da legalidade, necessidade, proporcionalidade, moderação e con-

veniência.

Em relação aos disparos de arma de fogo, em apertada síntese, as diretrizes

aos agentes de segurança pública foram as seguintes:

• não deverão disparar armas de fogo contra pessoas, exceto em casos de le-

gítima defesa própria ou de terceiro contra perigo iminente de morte ou lesão

grave;

• não é legítimo o uso de armas de fogo contra pessoa em fuga que esteja

desarmada ou que, mesmo na posse de algum tipo de arma, não represente

risco imediato de morte ou de lesão grave aos agentes de segurança pública

ou terceiros;

• não é legítimo o uso de armas de fogo contra veículo que desrespeite bloqueio

policial em via pública, a não ser que o ato represente um risco imediato de

morte ou lesão grave aos agentes de segurança pública ou terceiros;

• os chamados “disparos de advertência” não são considerados prática aceitá-

vel, por não atenderem aos princípios elencados na Diretriz n. 2 e em razão

da imprevisibilidade de seus efeitos;

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• o ato de apontar arma de fogo contra pessoas durante os procedimentos de

abordagem não deverá ser uma prática rotineira e indiscriminada;

• deverão ser elaborados procedimentos de habilitação para o uso de cada tipo

de arma de fogo e instrumento de menor potencial ofensivo que incluam ava-

liação técnica, psicológica, física e treinamento específico, com previsão de

revisão periódica mínima;

• nenhum agente de segurança pública deverá portar armas de fogo ou instru-

mento de menor potencial ofensivo para o qual não esteja devidamente habi-

litado e sempre que um novo tipo de arma ou instrumento de menor potencial

ofensivo for introduzido na instituição deverá ser estabelecido um módulo de

treinamento específico com vistas à habilitação do agente;

• a renovação da habilitação para uso de armas de fogo em serviço deve ser

feita com periodicidade mínima de 1 (um) ano;

• os agentes de segurança pública deverão preencher um relatório individual

todas as vezes que dispararem arma de fogo e/ou fizerem uso de instrumen-

tos de menor potencial ofensivo, ocasionando lesões ou mortes.

A respeito do uso da força, vale registrar o disposto na Diretriz n. 8, a qual esta-

belece que todo agente de segurança pública que, em razão da sua função, possa

vir a se envolver em situações de uso da força, deverá portar no mínimo 2 (dois)

instrumentos de menor potencial ofensivo e equipamentos de proteção necessários

à atuação específica, independentemente de portar ou não arma de fogo. Portanto,

fique atento(a) para as possíveis ciladas que a banca examinadora possa apresen-

tar em relação a esse tema.

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Quanto à responsabilidade dos órgãos de segurança pública, vale destacar

o disposto na Diretriz n. 9, a qual estabelece uma obrigação clara no sentido de

editar atos normativos disciplinando o uso da força por seus agentes, defi-

nindo objetivamente:

i. os tipos de instrumentos e técnicas autorizadas;

ii. as circunstâncias técnicas adequadas à sua utilização, ao ambiente/entorno

e ao risco potencial a terceiros não envolvidos no evento;

iii. o conteúdo e a carga horária mínima para habilitação e atualização perió-

dica ao uso de cada tipo de instrumento;

iv. a proibição de uso de armas de fogo e munições que provoquem lesões

desnecessárias e risco injustificado; e

v. o controle sobre a guarda e utilização de armas e munições pelo agente de

segurança pública.

Vale frisar que as diretrizes da mencionada portaria estabelecem procedimen-

tos a serem seguidos tanto pelos órgãos como pelos agentes de segurança pública

nas situações em que o uso da força causar lesão ou morte de pessoa(s),

conforme estabelecem as Diretrizes n. 10 e n. 11, com destaque, quanto aos

agentes, para a obrigação de facilitar a prestação de socorro ou assistência médica

aos feridos e, quanto aos órgãos públicos, para a obrigação de iniciar, por meio da

Corregedoria da instituição, ou órgão equivalente, investigação imediata dos fatos

e circunstâncias do emprego da força.

Verifica-se, pois, que a norma em questão tem sua raiz calcada na orientação e

na padronização dos procedimentos da atuação dos agentes de segurança pública

em situações de uso da força, com o claro objetivo de reduzir paulatinamente os ín-

dices de letalidade resultantes de ações envolvendo agentes de segurança pública.

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7. Poderes de Captura, Detenção, uso da Força e de Armas de


Fogo

A Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece além das garantias

uma reflexão acerca de alguns dos mais antigos direitos básicos de todas as pesso-

as: a liberdade, a vida, a segurança pessoal, bem como a igualdade em dignidade

e em direitos.

No combate ao crime e no intuito de manter a segurança e a ordem, a privação

de liberdade é o meio mais comum utilizado pelo Estado, considerando que não

temos em nosso ordenamento jurídico a pena de morte ou de castigo físico, salvo

rara exceção, de modo que a privação de liberdade ganha destaque em nosso or-

denamento penal.

O artigo 9.1 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos estabelece

que “Toda pessoa tem direito à liberdade e à segurança pessoais. Ninguém poderá

ser preso ou encarcerado arbitrariamente. Ninguém poderá ser privado de liberda-

de, salvo pelos motivos previstos em lei e em conformidade com os procedimentos

nela estabelecidos”.

Nota-se que o referido artigo não proíbe a privação de liberdade, desde que o

Estado defina em lei os casos de permissividade e os procedimentos necessário à

efetividade do instituto, afastando ações que operem com ilegalidades ou arbitra-

riedades.

O “Conjunto de Princípios para a Proteção de Todas as Pessoas sob Qualquer

Forma de Detenção ou Prisão”, aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas,

em 09 de dezembro de 1988, determina que os princípios ali consubstanciados

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devem ser aplicados para a proteção de todas as pessoas sujeitas a qualquer for-

ma de detenção ou prisão e conceitua as diversas formas de privação de liberdade

aceitas pelo ordenamento jurídico brasileiro, vejamos:

(i) Captura: ato de deter uma pessoa sob suspeita da prática de um delito, ou

pela ação de uma autoridade;

(ii) Pessoa detida: qualquer pessoa privada de sua liberdade, exceto no caso

de condenação por um delito;

(iii) Pessoa presa: qualquer pessoa privada de sua liberdade como resultado

da condenação por um delito;

(iv) Detenção: é a condição das pessoas detidas nos termos acima referidos;

(v) Prisão: é a condição das pessoas presas nos termos acima referidos;

(vi) Autoridade judicial ou outra autoridade: considerada a figura cujo status

e mandato assegurem as mais sólidas garantias de competência, imparciali-

dade e independência.

Não é sempre que a infração da lei ou a suspeita de prática de um delito acarre-

ta na captura dos seus responsáveis, sendo certo que diversos fatores influenciam

na decisão de realizar ou não a captura, como, por exemplo, a gravidade do delito

e o comportamento do suspeito. Cabe ao agente público a aplicação da lei conside-

rando essas diversas variáveis e ainda a observância do preceito estabelecido pelo

art. 9.1 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, notadamente quando

determina que “ninguém será submetido à captura ou detenção arbitrárias”.

Sendo assim, a conduta do agente é pautada, principalmente, no princípio cons-

titucional da legalidade do ato, devendo o mesmo se eximir da arbitrariedade e de

qualquer excesso em situações de captura, em consonância com o “Conjunto de

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Princípios” acima mencionado, que sustenta a captura, detenção ou prisão somente

se efetuados em estrita conformidade com os dispositivos legais e por encarrega-

dos competentes, ou pessoas autorizadas para aquele propósito.

Nessa linha, o capturado ou detido deverá ter seus direitos fundamentais res-

guardados tanto no ato da captura quanto imediatamente após esta, cabendo ao

Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e ao “Conjunto de Princípios” o

estabelecimento de diversos procedimentos a serem adotados naqueles dois mo-

mentos, dos quais podemos assinalar, exemplificadamente, o art. 9.3 do aludido

Pacto e os princípios 11 e 37 do “Conjunto de Princípios” que versam sobre a obri-

gatoriedade de condução imediata do capturado perante um juiz a fim de que seja

auferida a legalidade e a necessidade da captura (audiência de custódia), e ainda

o Princípio 13 do “Conjunto de Princípios” pelo qual se declara que as autoridades

responsáveis pela captura, detenção ou prisão de uma pessoa devem, respecti-

vamente, no momento da captura e no início da detenção ou da prisão, ou pouco

depois, prestar-lhe informação e explicação sobre os direitos e sobre o modo de os

exercer.

Enfim, meu(minha) caro(a), são diversos os direitos resguardados ao captura-

do ou detido pela legislação brasileira e também pelos Tratados Internacionais de

Direitos Humanos. Não seria interessante tornar o conteúdo exaustivo, abordan-

do todos nesse momento, contudo, existem aqueles que são imprescindíveis para

que o agente de segurança execute o ato em estrito cumprimento legal e moral,

observando sempre a presunção de inocência, a proibição à tortura, o direito de

informação à família, a assistência de um advogado, a distinção de tratamento e

espaço entre o detido e o condenado, o tratamento com respeito pela dignidade

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inerente à pessoa humana e a aplicação das Regras Mínimas para o Tratamento

de Presos no Brasil, editadas pela Resolução n. 14, de 11 de novembro de 1994,

pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), lembrando

que, dentre os direitos resguardados, existe ainda aquele em que o detido ou

capturado ilegalmente tem direito à indenização pelo Estado.

Além de todos os direitos ao capturado, é o agente responsável pela captura

que deve se atentar às obrigações necessárias para validade do ato, como:

a) dar informações prontamente no momento da captura sobre as razões

desta;

b) informar à pessoa capturada, prontamente, qualquer acusação contra

ela;

c) informar à pessoa capturada, prontamente, seus direitos e de como

exercê-los;

d) registrar devidamente, para cada pessoa capturada: as razões para a

captura; a hora da captura; a condução da pessoa para o local de custódia;

a primeira apresentação daquela pessoa perante a autoridade judicial ou

outra autoridade; a identidade dos encarregados da aplicação da lei envol-

vidos; informações precisas sobre o local de custódia;

e) comunicar este registro à pessoa capturada ou seu advogado na forma

prescrita por lei;

f) levar a pessoa capturada prontamente à presença de uma autoridade

judicial ou outra autoridade, que possa julgar a legalidade e a necessidade

da captura;

g) providenciar um advogado à pessoa capturada e permitir condições ade-

quadas de comunicação entre eles;

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h) reprimir a tortura ou outro tratamento ou pena cruel, desumano ou degra-

dante, durante ou após a captura;

i) assegurar à pessoa capturada seus direitos posteriores como detida; e

j) observar estritamente as regras para proteção da situação especial das

mulheres e das crianças e adolescentes.

Todas as ações de captura e detenção devem sofrer rígido controle do Governo,

bem como devem ser supervisionadas por aqueles policiais com responsabilidade

de comando, a fim de evitar excessos e danos irreparáveis.

No tocante ao uso da força e de armas de fogo, a legislação brasileira assegura

ao agente de segurança a legitimidade para o emprego da força em situações de

agressão a bens jurídicos, como a liberdade, o patrimônio e a vida, devendo, so-

bretudo, afastar-se do campo da arbitrariedade e do abuso de poder no exercício de

suas atribuições. O emprego da força deve se justificar na medida em que é aplica-

da com o objetivo de proteger o próprio agente ou um terceiro, ou como requisito

básico para cumprir sua função de aplicação da lei.

O Código de Conduta dos Encarregados de Aplicação da Lei, adotado pela As-

sembleia Geral das Nações Unidas, no dia 17 de Dezembro de 1979, por meio da

Resolução n. 34/169, é considerado como uma espécie de normativo norteador das

práticas de aplicação da lei, do uso da força e de armas de fogo, em consonância

com as liberdades e direitos humanos, considerando padrões comportamentais de

alta qualidade ética e legal dos agentes de segurança.

O uso da força e armas de fogo pelos agentes responsáveis na aplicação da lei é

também orientado por instrumento adotado pelas Nações Unidas intitulado Princí-

pios Básicos sobre o Uso da Força e Armas de Fogo (PBUFAF), que tem por objetivo

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proporcionar aos Estados-membros normas orientadoras para a criação e manu-

tenção de regulamentos sobre o uso da força e armas de fogo pelos responsáveis

na aplicação da lei. O instrumento aborda ainda questões de natureza ética e moral

associadas com o instituto em estudo.

O Código de Conduta dos Encarregados de Aplicação da Lei trata diretamente do

uso da força pela polícia em seu artigo 3º, quando preconiza que os responsáveis

pela aplicação da lei só podem empregar a força quando estritamente necessária

e na medida exigida para o cumprimento do seu dever. Esse dispositivo trata dos

princípios essenciais no uso da força e arma de fogo, a saber, os princípios da lega-

lidade, necessidade, proporcionalidade e conveniência.

Nesse sentido, a ação policial deve sempre buscar o amparo legal, e é neste

ponto que se faz estritamente necessário que o agente de segurança esteja prepa-

rado tecnicamente para ações atribuídas ao ofício e somente utilize da força ou da

arma de fogo quando todos os outros meios de atingir o objetivo tenham falhado.

Ainda assim, devem agir com moderação, proporcionalmente à injusta agressão,

estando sempre atentos se sua ação poderá gerar danos a terceiros.

Considerando que o uso da arma de fogo é uma medida extrema para o atingi-

mento do objetivo legítimo, os princípios da necessidade e proporcionalidade foram

minimamente detalhados nos itens 9, 10 e 11 do Código de Conduta dos Encarre-

gados de Aplicação da Lei, vejamos:

9. Os responsáveis pela aplicação da lei não usarão armas de fogo contra pessoas,
exceto em casos de legítima defesa própria ou de outrem contra ameaça iminente de
morte ou ferimento grave; para impedir a perpetração de crime particularmente grave
que envolva séria ameaça à vida; para efetuar a prisão de alguém que represente tal
risco e resista à autoridade; ou para impedir a fuga de tal indivíduo, e isso apenas nos
casos em que outros meios menos extremados revelem-se insuficientes para atingir tais
objetivos. Em qualquer caso, o uso letal intencional de armas de fogo só poderá ser feito
quando estritamente inevitável à proteção da vida.

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10. Nas circunstâncias previstas no Princípio 9, os responsáveis pela aplicação da lei


deverão identificar-se como tais e avisar prévia e claramente a respeito da sua intenção
de recorrer ao uso de armas de fogo, com tempo suficiente para que o aviso seja levado
em consideração, a não ser quando tal procedimento represente um risco indevido para
os responsáveis pela aplicação da lei ou acarrete para outrem um risco de morte ou
dano grave, ou seja claramente inadequado ou inútil dadas as circunstâncias do caso.
11. As normas e regulamentos sobre o uso de armas de fogo pelos responsáveis pela
aplicação da lei deverão incluir diretrizes que:
(a) Especifiquem as circunstâncias nas quais os responsáveis pela aplicação da lei estão
autorizados a trazer consigo armas de fogo e determinem os tipos de armas e munições
permitidas;
(b) Garantam que as armas de fogo sejam usadas apenas em circunstâncias apropria-
das e de modo a reduzir o risco de dano desnecessário;
(c) Proíbam o uso de armas de fogo e munições que causem ferimentos injustificáveis
ou representem riscos injustificáveis;
(d) Regulamentem o controle, o armazenamento e a distribuição de armas de fogo, o
que deverá incluir procedimentos para assegurar que os responsáveis pela aplicação da
lei sejam considerados responsáveis pelas armas de fogo e munições a eles confiadas;
(e) Providenciem avisos, quando apropriado, previamente ao disparo de armas de fogo;
(f) Prevejam um sistema de comunicação aos superiores sempre que os responsáveis
pela aplicação da lei fizerem uso de armas de fogo no desempenho das suas funções.

Nos casos em que se verifique o uso indevido, abusivo ou arbitrário da força e

ou de armas de fogo, os Governos deverão assegurar a punição do agente como

delito criminal de acordo com a legislação vigente, sendo certo que instabilidades

políticas internas ou emergências públicas não serão acolhidas como justificativa

para a não aplicação dos princípios básicos acima expostos.

Vejamos como as bancas a seguir abordaram essas temáticas.

(DELEGADO DE POLÍCIA SUBSTITUTO/PJC-MT/CESPE/2017) Considere as seguin-

tes disposições.

I – Todo indivíduo tem direito à liberdade e à segurança pessoais.

II – As finalidades essenciais das penas privativas da liberdade incluem a com-

pensação, a retribuição, a reforma e a readaptação social dos condenados.

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III – Todas as pessoas têm o direito de associar-se livremente com fins ideológi-

cos, religiosos, políticos, econômicos, trabalhistas, sociais, culturais e des-

portivos.

IV – É proibida a expulsão coletiva de estrangeiros.

Decorrem da Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José e

Decreto n. 678/1992) apenas as disposições contidas nos itens

a) I e II.

b) II e III.

c) III e IV.

d) I, II e IV.

e) I, III e IV.

Letra e.

Trata-se de questão de pouca complexidade, exigindo do(a) candidato(a) uma boa

percepção acerca do escopo de instrumentos de proteção dos direitos humanos que

garantem direitos básicos, como a liberdade, a vida, a integridade física e a segu-

rança pessoal, bem como a igualdade em dignidade e em direitos.

(INVESTIGADOR DE POLÍCIA/PC-MG/FUMARC/2014) Nos termos do inciso LXVII

do art. 5º da Constituição Federal de 1988, “não haverá prisão civil por dívida,

salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação

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alimentícia e a do depositário infiel”. À luz de decisão do Supremo Tribunal Federal,

considerando os termos do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, assim

como da Convenção Americana de Direitos Humanos, é CORRETO afirmar sobre a

previsão constitucional da prisão civil do depositário infiel que

a) é cláusula pétrea e, por tal razão, nenhum tratado internacional tem força sufi-

ciente para afastar a sua aplicabilidade sobre os casos concretos.

b) foi revogada.

c) não foi revogada e, exatamente por isso, continua sendo aplicável pelo poder

judiciário brasileiro.

d) não foi revogada, porém deixou de ter aplicabilidade diante do efeito paralisante

desses tratados.

Letra d.

Trata-se de questão de certa forma complexa, uma vez que exige do(a) candida-

to(a) conhecimento acerca dos efeitos das decisões do Supremo Tribunal Federal

na aplicabilidade tanto do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos como da

Convenção Americana de Direitos Humanos, notadamente sobre a prisão civil de

depositário infiel.

(DELEGADO DE POLÍCIA/PC-SP/VUNESP/2014) No direito brasileiro, considerando

os tratados internacionais de direitos humanos, bem como o entendimento atual do

Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar, a respeito da prisão civil, que:

a) são admitidas apenas duas possibilidades de prisão civil: a do depositário infiel

e a do devedor de pensão alimentícia.

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b) é ilícita a prisão do depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito.

c) foram abolidas todas e quaisquer hipóteses legais de prisão civil.

d) é ilícita a prisão do devedor de pensão alimentícia, sendo admitida apenas a

prisão do depositário infiel.

e) se admite, atualmente, no direito pátrio, a prisão civil somente em âmbito fede-

ral, desde que haja decisão judicial transitada em julgado.

Letra b.

Trata-se de questão de certa forma complexa, tendo em vista que mais uma vez

exige do(a) candidato(a) conhecimento acerca dos efeitos das decisões do Supre-

mo Tribunal Federal na aplicabilidade tanto do Pacto Internacional dos Direitos Ci-

vis e Políticos como da Convenção Americana de Direitos Humanos, notadamente

sobre a prisão civil de depositário infiel.

8. Contextualização dos Direitos Humanos na Constituição


Federal de 1988

Prezado(a) candidato(a), nesta aula iremos tratar a matéria de Direitos Huma-

nos no contexto constitucional do tema, considerando que a Constituição Federal

de 1988 (CF/1988) privilegia a temática dos Direitos Humanos desde os primeiros

capítulos dispostos no diploma, principalmente no que diz respeito aos direitos e

garantias fundamentais.

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A Carta Constitucional de 1988 foi a primeira constituição da história do Brasil

que estabeleceu objetivamente a prevalência dos Direitos Humanos como preceito

fundamental do Estado, no sentido de reger o país no que diz respeito às relações

internacionais.

A partir daí o Estado Brasileiro comprometeu-se a contribuir na promoção de

Direitos Humanos em caráter mundial, respeitando todos os povos e suas diferen-

ças e reconhecendo os direitos fundamentais previstos em tratados internacionais.

Vale lembrar que, ainda que as previsões constantes de tratados internacionais não

produzam direitos já assegurados pela Constituição Federal, o Brasil reconhece e

incorpora tais direitos em seu ordenamento jurídico, como veremos adiante no item

6 desta aula.

Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988 consagra um universo de prin-

cípios que fundamentam a República Federativa do Brasil (soberania, cidadania,

dignidade da pessoa humana, valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, e

pluralismo político), privilegiando, ainda, as bases que orientam o Brasil no cenário

internacional, nos termos do artigo 4º, que vem a ser um dispositivo orientador do

país para a prevalência dos direitos humanos, da autodeterminação dos povos, do

repúdio ao terrorismo e ao racismo e da cooperação entre os povos para o progres-

so da humanidade.

Desse modo, a CF/1988, esquematizada em títulos balizadores de princípios, de

garantias e direitos, de organização, de ordem social e econômica, entre outros, é

modelo de respeito, igualdade e liberdade, constituída na intenção de que fossem

abordadas questões inerentes à proteção da dignidade da pessoa humana, estabe-

lecendo, de forma ampla, a garantia de direitos fundamentais.

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Dito isso, partimos agora para um detalhamento desses princípios fundamentais

da nossa República, seguindo depois para uma abordagem dos nossos direitos e

deveres individuais e coletivos, direitos civis e políticos, bem como dos nossos di-

reitos econômicos, sociais e culturais; linhas norteadoras que a nossa Constituição

Federal traz para inspirar o ordenamento jurídico pátrio.

Vejamos como as bancas a seguir abordaram esse tema.

(AGENTE DE POLÍCIA/PC-SC/ACAFE/2014) A Constituição brasileira inicia com o

Título I dedicado aos “princípios fundamentais”, que são as regras informadoras de

todo um sistema de normas, as diretrizes básicas do ordenamento constitucional

brasileiro. São regras que contêm os mais importantes valores que informam a ela-

boração da Constituição da República Federativa do Brasil.

Diante dessa afirmação, analise as questões a seguir e assinale a alternativa

correta.

I – Nas relações internacionais, a República brasileira rege-se, entre outros, pe-

los seguintes princípios: autodeterminação dos povos, defesa da paz, igual-

dade entre os Estados, concessão de asilo político.

II – Os princípios não são dotados de normatividade, ou seja, possuem efeito

vinculante, mas constituem regras jurídicas efetivas.

III – Violar um princípio é muito mais grave que transgredir uma norma qualquer,

pois implica ofensa a todo o sistema de comandos.

IV – São princípios que norteiam a atividade econômica no Brasil: a soberania

nacional, a função social da propriedade, a livre concorrência, a defesa do

consumidor; a propriedade privada.

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V – A diferença de salários, de critério de admissão por motivo de sexo, idade,

cor ou estado civil a qualquer dos trabalhadores urbanos e rurais fere o prin-

cípio da igualdade do caput do art. 5º da Constituição Federai.

a) Apenas I, II, III estão corretas.

b) Apenas II e IV estão corretas.

c) Apenas III e V estão corretas.

d) Apenas I, III, IV e V estão corretas.

e) Todas as afirmações estão corretas.

Letra d.

Trata-se de questão relativamente fácil, eis que a redação dos itens I, III, IV e V se

coaduna com os ditames gerais da temática que envolve os princípios fundamentais

da República, entre eles, autodeterminação dos povos, defesa da paz, igualdade

entre os Estados, concessão de asilo político. Frisa-se, ainda, a confusão acerca da

redação do item II da questão, considerando que os princípios surtem efeitos dire-


tamente no ordenamento jurídico interno.

(DEFENSOR PÚBLICO/DPE-AM/FCC/2018) O dever ou obrigação dos Estados-Par-

tes de realização progressiva dos direitos humanos foi consagrado expressamente

nos seguintes tratados internacionais:

I – Convenção Americana sobre Direitos Humanos.

II – Protocolo de São Salvador.

III – Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.

IV – Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos.

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Está correto o que se afirma APENAS em

a) I, III e IV.

b) II e III.

c) I, II e III.

d) I e IV.

e) II, III e IV.

Letra c.

Trata-se de questão relativamente fácil, exigindo do(a) candidato(a) o conheci-

mento de que a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, o Protocolo de

São Salvador e o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Cultu-

rais consagram o dever ou obrigação dos Estados-Partes de realização progres-

siva dos direitos humanos.

9. Os Princípios Fundamentais da República Federativa do


Brasil

O Título I da Constituição da República Federativa do Brasil abarca os princí-

pios fundamentais imprescindíveis à configuração do Estado, de forma a deter-

minar a estrutura do Estado Democrático de Direito. Tais princípios são qualifi-

cados como fundamentais, tendo em vista que apresentam alicerce basilar do

enorme arcabouço constitucional, de forma a garantir a Unidade da Constituição

Brasileira; a orientação de ações dos Poderes e a preservação do Estado Demo-

crático de Direito.

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Os arts. 1º a 4º da Constituição Federal de 1988 preconizam os fundamentos da

República Federativa do Brasil como regras gerais do nosso ordenamento jurídico.

São esses princípios que estruturam todo o normativo constitucional, em harmonia

com a norma infraconstitucional vigente, funcionando basicamente como linhas

norteadoras fundamentadoras, interpretativas e supletivas (ou complementares),

assim delineadas:

• Função Fundamentadora: os princípios exercem a importante função de

fundamentar a ordem jurídica em que se inserem, fazendo com que todas as

relações jurídicas que adentram ao sistema busquem na principiologia cons-

titucional a base das estruturas e instituições jurídicas.

• Função Interpretativa: as normas devem ser interpretadas de acordo com

os princípios constitucionalmente apresentados; é a partir dos princípios que

as normas ganham sentido necessário ao alcance da finalidade almejada no

momento da sua aplicação.

• Função Supletiva ou Complementar: da função complementar extraímos

o princípio da derivação, que nada mais é que o princípio constitucional sendo

utilizado como fundamento de legitimidade para outras normas infracons-

titucionais. No mesmo viés, a função supletiva tem o encargo de compor

o ordenamento jurídico, preenchendo eventuais intervalos jurídicos que se

apresentem.

Nesse sentido, podemos afirmar que são princípios fundamentais que sustentam

o ordenamento jurídico brasileiro, revelando-se de extrema importância o estudo

desses institutos consubstanciados nos quatro primeiros artigos da Constituição

Federal.

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Antes de adentrarmos na seara relativa aos conceitos individuais principiológi-

cos, é importante que você entenda que os quatro primeiros artigos da Constituição

Federal são genericamente classificados como Princípios Fundamentais, contudo,

de forma específica e como a própria letra da CF/1988 apresenta, eles se classifi-

cam em: Fundamentos da República Federativa do Brasil, Tripartição dos Poderes,

Objetivos Fundamentais e Princípios que regem o Brasil em suas relações interna-

cionais. Vejamos alguns detalhes a respeito de cada grupo de “princípios funda-

mentais”.

a) Fundamentos da República Federativa do Brasil (artigo 1º da CF/1988)

Princípio Republicano: importante alicerce que garante a condução das ações

do Estado de acordo com os interesses do povo, caracterizado pelo trinômio eleti-

vidade (a eletividade dos chefes dos poderes Legislativo e Executivo garante que

o povo esteja sempre bem representado na elaboração das normas e administra-

ção do Estado), temporariedade (estabelece um prazo limite para a duração do

mandato, fazendo com que a rotatividade assegure a renovação dos ideais que

devem reger o Estado) e responsabilidade (caracteriza-se pela necessidade de

prestação de contas pela administração pública, fazendo com que a transparência

nos assuntos do governo se torne fundamental para que o povo fiscalize as ações

das autoridades por ele eleitas).

Princípio Federativo: Art. 1º (...) formada pela união indissolúvel dos Estados

e Municípios e do Distrito Federal (...) – É a forma de Estado. Como princípio funda-

mental, o federalismo é responsável pela indissolubilidade do vínculo entre União,

Estados, Distrito Federal e Municípios.

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Princípio do Estado Democrático de Direito: art. 1º (...) constitui-se em Es-

tado Democrático de Direito (...) – Por meio desse princípio, a República Federativa

do Brasil é reconhecida como de ordem estatal justa, mantenedora das liberdades

públicas e do regime democrático10.

Princípio da Soberania: (art.1º, I) – Traz como característica a independência

do país quanto à tomada de decisões, sem interferência externa. É denominado

como “poder máximo”, um atributo do Estado que confere a ele poder de decisão.

É uma das características estatais que é sempre acompanhada de dois requisitos

básicos: o povo e o território, sem os quais o Estado não conseguiria exercer sua

soberania.

Princípio da Cidadania: (art. 1º, II) – É o vínculo jurídico-político que o ci-

dadão possui com o Estado. É a possibilidade que o cidadão tem de exercer seus

direitos políticos.

Princípio da Dignidade da Pessoa Humana: (art. 1º, III) – Esse é um dos

princípios que mais se encaixa no contexto da defesa dos Direitos Humanos. Sig-

nifica que todos devem ser tratados de maneira digna, respeitosa e honrosa. Esse

princípio aplica-se a diversas questões, como proibição ao racismo, aplicação in-

discriminada dos direitos e garantias fundamentais, proibição de exploração do

homem pelo homem, proibição de ofensas e abusos, dentre outras.

Valores sociais do trabalho e a livre iniciativa: (art. 1º, IV) – ao inserir

esse princípio no artigo 1º, o constituinte buscou proteger o trabalhador das arbi-

trariedades, ao mesmo tempo em que buscou valorizar o trabalho do homem em

relação à economia de mercado, eis que a livre iniciativa é considerada como fun-

damento da ordem econômica e atribui à iniciativa privada o papel primordial na

10
(BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de direito constitucional. 6ª ed. rev. e atual. – São Paulo: Saraiva, 2011).

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produção ou circulação de bens ou serviços, constituindo-se como a base sobre a

qual se constrói a ordem econômica, cabendo ao Estado uma função supletiva, ou

seja, a exploração direta da atividade econômica quando necessária à segurança

nacional ou relevante interesse econômico11.

O Pluralismo Político: (art. 1º, V) – Significa que a sociedade tem participa-

ção plural na formação da vontade política nacional, consagrando a diversidade

de opinião e a formação de grupos representativos de diversos segmentos sociais

e ou ideológicos.

Princípio representativo: (art. 1º, § único) – Todo o poder emana do povo,

que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos des-

ta Constituição – É o vetor representativo, eis que o governo pertence ao povo,

para o povo, pelo povo e em benefício do povo, de forma que os escolhidos para

governar o Estado representam a vontade do povo, como se estivessem em seu

próprio lugar.

b) Tripartição dos Poderes (artigo 2º)

Princípio da separação dos Poderes: art. 2º – São Poderes da União, in-

dependentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. – O

dispositivo apresenta a independência e autonomia que cada um dos poderes

goza, considerando, entretanto, a administração compartilhada e a hegemonia

do interesse público, com decisões tomadas de maneira interligada e de forma

harmônica.

11
OLIVEIRA, Sônia dos Santos. O Princípio da Livre Iniciativa. Boletim Jurídico, Uberaba/MG, a. 4, no 147. Dis-
ponível em: <https://www.boletimjuridico.com.br/doutrina/artigo/851/o-principio-livre-iniciativa> Acesso
em: 10 mai. 2018.

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Prezado(a) candidato(a), é importante ressaltar que a independência entre os Po-

deres não é absoluta, tendo em vista que o equilíbrio das funções de cada poder

prescinde do sistema de freios e contrapesos (checks and balances) como mecanis-

mo de controle recíproco entre os poderes.

Ainda sobre a Tripartição dos Poderes é importante frisar que o Estado possui

a função primária exercida pelo Legislativo, que tem a competência para criar leis

que regem o Estado; a função subsidiária, que pertence ao Judiciário na aplicação

das leis elaboradas pelo Legislativo; e a função complementar, a qual cabe ao Poder

Executivo, que gera situações concretas para garantir a exequibilidade das leis.

c) Objetivos da República Federativa do Brasil (artigo 3º)

Os objetivos elencados no artigo 3º correspondem às metas a serem alcançadas

pelo Estado e que o Poder Constituinte entendeu como fundamentais para a Repú-

blica Federativa do Brasil.

Esses objetivos vêm sempre representados por verbos no infinitivo e são defi-

nidos da seguinte forma:

Construir uma sociedade livre, justa e solidária (art. 3º, I): É a meta prio-

ritária do Estado Democrático de Direito, buscando sempre os ideais de liberdade,

justiça e solidariedade.

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Acerca do Estado Democrático de Direito, vale frisar que se trata de um con-

ceito que designa qualquer Estado que preza por garantir o respeito às liberdades

civis, aos direitos humanos e às garantias fundamentais, por meio de um sistema

de proteção jurídica que proteja o exercício dos direitos individuais e coletivos, dos

direitos sociais e dos direitos políticos.

Em um Estado de Direito, as próprias autoridades políticas estão sujeitas ao

respeito das regras de direito, ou seja, os governantes devem respeito ao que é

previsto nas leis, fazendo com que decisões não sejam contrárias ao que dispõe a

lei, protegendo, dessa maneira, os direitos fundamentais dos cidadãos.

Outro ponto que merece destaque são as características do Estado Demo-

crático de Direito, a saber:

• soberania popular: de acordo com o § único do art. 1º da CF/1988, o con-

trole sobre o poder político é exercido pelo povo, que o exerce por meio de

representantes eleitos ou diretamente;

• importância da Constituição Federal: a Constituição é chamada de “Lei

Maior” porque é a lei que estabelece quais são os princípios fundamentais que

devem orientar o sistema jurídico e as decisões no país;

• a ação e as decisões dos governantes devem sempre levar em con-

sideração o que a lei estabelece: no Estado Democrático de Direito, a lei

coloca limites ao poder de decisão dos governantes, fazendo com que suas

ações dos governos sejam voltadas ao respeito e à satisfação dos direitos dos

cidadãos, garantindo a justiça social no país;

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• divisão entre os Três Poderes que fazem parte do Estado: o Estado De-

mocrático de Direito garante que os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciá-

rio sejam independentes, com funções específicas, de modo que o Legislativo

se torne responsável por aprovar leis que permitam ao Executivo a tomada

de decisões, garantindo ao Judiciário a independência para julgar de maneira

imparcial os conflitos sociais.

Prezado(a) candidato(a), embora existam semelhanças entre as definições de “Es-

tado de Direito” e “Estado Democrático de Direito”, é importante saber que esses

dois institutos não apresentam o mesmo conceito. A principal diferença entre os

conceitos é que no “Estado de Direito” não existe a preocupação com a garantia dos

direitos fundamentais e sociais dos cidadãos por parte do Estado, preocupação essa

muito presente no “Estado Democrático de Direito”, uma vez que além do poder de

decisão continuar a ser limitado pela lei, o Estado também deve levar em conside-

ração os valores sociais e os princípios fundamentais da Constituição.

Garantir o Desenvolvimento Nacional (art. 3º, II): deve ser entendido como

um processo de transformação da sociedade voltado para a realização da justiça

social, que alcança a nação brasileira em sua complexidade total, identidade co-

letiva e peculiaridades culturais. Trata-se de uma das premissas mais distantes a

serem atingidas no Brasil, considerando que o desenvolvimento social é medido por

índices que se encontram em patamares inferiores aos parâmetros estabelecidos

pela comunidade internacional, como, por exemplo, a mortalidade infantil, a gera-

ção de empregos, a alfabetização, dentre outros.

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Erradicar a Pobreza e a Marginalização e Reduzir as Desigualdades So-

ciais e Regionais (art. 3º, III): a fome e a pobreza no nosso país ainda deman-

dam muitos desafios para a República, de modo que uma das formas de desen-

volvimento social é a eliminação da pobreza generalizada no país. Ainda temos

um longo caminho pela frente. O mais importante é que esse objetivo permaneça

com status constitucional, influenciando cada vez mais não apenas o nosso orde-

namento jurídico, mas também as políticas públicas nas esferas federal, estadual,

municipal e distrital.

Promover o Bem de Todos, Sem Preconceitos de Origem, Raça, Sexo,

Cor, Idade e Quaisquer Outras Formas de Discriminação Regionais (art. 3º,

IV): objetivo intrínseco idealizador da igualdade formal, em que todos são iguais

em direitos e deveres.

Ao estipular essas metas, a Constituição Brasileira automaticamente reconhe-

ce que o país ainda possui muitos problemas, mas que ainda há tempo de mudar,

mandando uma mensagem muito clara aos representantes do povo de que esses

objetivos não devem ser perdidos de vista pelo país.

d) Princípios que Regem o Brasil em suas Relações Internacionais (artigo 4º)

Independência Nacional (art. 4º, I): ligado à ideia de Estado Soberano, ou

seja, a capacidade que um Estado tem de assumir relações, por sua própria vonta-

de, com outros países e Organismos Internacionais.

Prevalência dos Direitos Humanos (art. 4º, II): para a Constituição Federal

de 1988, os Direitos Humanos não podem ser afrontados por qualquer relação co-

mercial, tratado ou convenções assinadas.

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Autodeterminação dos povos (art. 4º, III): princípio também vinculado

à soberania, que confere aos povos o direito de autogoverno e de decidirem li-

vremente a sua situação política, bem como aos Estados o direito de defender

a sua existência e condição de independente. Os povos, principais destinatários

do princípio, são, do ponto de vista da Sociologia, conjuntos de pessoas unidas

por laços de sentimento de pertencerem a um mesmo grupo, laços esses motiva-

dos por fatores em comum, que podem ser objetivos (cultura, religião, história,

etnia, idioma, entre outros) e subjetivos (vontade de conviver juntos e a cons-

ciência de pertencerem ao mesmo grupo onde o Estado possui a liberdade e a

independência de estabelecer sua própria organização política).

Não intervenção (art. 4º, IV): garante que nenhum Estado poderá intervir

em assuntos de natureza interna do Brasil. O princípio da não intervenção tem

relação direta com o princípio da independência nacional, e é a regra de que cada

País se desenvolve da forma que lhe convier, sendo soberano, e não sujeito a

sofrer intervenção de qualquer outro país, seja ele qual for.

Igualdade entre os Estados (art. 4º, V): esse princípio foi trazido à Cons-

tituição Brasileira pelo posicionamento apresentado em 1972 pela Assembleia

Geral das Nações Unidas, por meio da Carta de Direitos e Deveres Econômicos

dos Estados (ONU – Resolução n. 3.281, de 12 de dezembro de 1974) a qual

afirma que “todo Estado tem direito soberano e inalienável de eleger seu sistema

econômico, assim como seus sistemas político, social e cultural, de acordo com

a vontade de seu povo, sem ingerência, coação e nem ameaças externas de ne-

nhuma classe”.

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Defesa da Paz (art. 4º, VI): é a forma de atuação do país com relação a con-
flitos externos, na qual o Estado explicitamente recorre à solução pacífica de confli-
tos. É um princípio universal e supremo entre os Estados, como se verifica em um
dos propósitos fundamentais das Nações Unidas:

Artigo 1. Os propósitos das Nações unidas são:


1. Manter a paz e a segurança internacionais e, para esse fim: tomar, coletivamente,
medidas efetivas para evitar ameaças à paz e reprimir os atos de agressão ou outra
qualquer ruptura da paz e chegar, por meios pacíficos e de conformidade com os prin-
cípios da justiça e do direito internacional, a um ajuste ou solução das controvérsias ou
situações que possam levar a uma perturbação da paz.

Solução Pacífica de Conflitos (art. 4º, VII): seguindo o mesmo fundamento


do princípio inerente à Defesa da Paz, o Brasil busca banir do seu ordenamento
medidas violentas ou coativas, a fim de assegurar a prevalência dos direitos huma-
nos e a paz entre os povos. Em regra, buscam-se soluções pacíficas a conflitos e
divergências, seja de ordem política, jurídica, diplomática ou jurisdicional. Porém,
se ocorrer uma situação internacional em que não seja possível a solução pacífica,
os meios coercitivos e de guerra serão admitidos pela própria Constituição.
Repúdio ao Terrorismo e ao Racismo (art. 4º, VIII): a CF/1988 busca as-
segurar o direito à liberdade pública, enfatizando ainda, em sua estrutura, que
todos são iguais etnicamente. Esse princípio tem como característica a eliminação
de qualquer tipo de discriminação nas relações internacionais, além do combate
e repúdio a essas ações discriminatórias, por se constituírem em desrespeito aos
direitos humanos e à dignidade da pessoa humana.
Cooperação Entre os Povos para o Progresso da Humanidade (art. 4º,
IX): o auxílio mútuo entre as nações e o dever de solidariedade são características
indispensáveis para aplicação de ações visando o progresso da humanidade. Um
dos reflexos desse princípio é a participação do Brasil em diferentes esforços inter-
nacionais no sentido de desenvolver novas tecnologias.

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Concessão de Asilo Político (art. 4º, X): nas relações internacionais, o asilo

político é ferramenta utilizada com base no princípio da solidariedade como meio de

proteção à pessoa humana, concedido a quem esteja sendo perseguido por motivos

políticos, religiosos ou de opinião.

Formação de uma Comunidade Latino-Americana de Nações (art. 4º, §

único): a República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política,

social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comu-

nidade latino-americana de nações. Por meio desse princípio é que o Brasil tem a

missão de se integrar econômica, política, social e culturalmente a outros países da

América Latina.

Pois bem, como já abordado anteriormente, os princípios fundamentais garan-

tem a aplicação das normas de forma a asseverar direitos que outrora poderiam

ser maculados por imposições estatais. É por meio da aplicação dos princípios que

é assegurada a observância dos direitos da pessoa humana em casos de violação

por terceiros.

Vejamos como as bancas a seguir abordaram esse tema.

(AGENTE DE POLÍCIA CIVIL/PC-SC/FEPESE/2017) Com base na Constituição Fede-

ral, a República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados

e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e

tem como fundamentos:

1. a autonomia.

2. a cidadania.

3. a dignidade da pessoa humana.

4. o pluralismo político.

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Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

a) São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 3.

b) São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 4.

c) São corretas apenas as afirmativas 1, 3 e 4.

d) São corretas apenas as afirmativas 2, 3 e 4.

e) São corretas as afirmativas 1, 2, 3 e 4.

Letra d.

Trata-se de questão fácil, exigindo do(a) candidato(a) conhecimento acerca do tex-

to expresso do art. 1º da CF/1988:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados
e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem
como fundamentos:
I – a soberania;
II – a cidadania;
III – a dignidade da pessoa humana;
IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V – o pluralismo político.

(AGENTE DE POLÍCIA CIVIL/PC-AC/IBADE/2017) Leia a seguir os seguintes artigos

enunciados pela CRFB/88 e, a partir dos respectivos conteúdos, responda.

1. Artigo 5º, XXXVII: “Inexiste juízo ou tribunal de exceção”.

2. Artigo 5º, LIII: “Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autori-

dade competente”.

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Qual princípio a seguir melhor sintetiza o conteúdo?

a) Razoabilidade.

b) Do juiz e do promotor natural.

c) Ampla Defesa.

d) Contraditório.

e) Duplo grau de jurisdição.

Letra b.

Trata-se de questão relativamente fácil, exigindo do(a) candidato(a) conhecimento

básico acerca dos princípios do juiz natural (prevê que qualquer pessoa possui a

garantia de ser julgado pelo Poder Judiciário, por um juiz competente, investido de

jurisdição e imparcial) e do promotor natural (prevê que ninguém será processado

senão pelo órgão do Ministério Público, dotado de amplas garantias pessoais e ins-

titucionais, de absoluta independência e liberdade de convicção e com atribuições

previamente fixadas e conhecidas).

10. Os Direitos e Deveres Individuais e Coletivos na Constitui-


ção Federal de 1988

O Título II da Constituição Federal de 1988, que trata dos Direitos e Garantias

Fundamentais, estabelece em seu Capítulo I os normativos garantidores dos Di-

reitos Individuas e Coletivos de que cada cidadão brasileiro ou residente no Brasil

dispõe.

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É bem sabido que a Constituição Federal se inspirou na Declaração Universal dos

Direitos Humanos para construir o caput do art. 5º, apresentando um texto com

enormes semelhanças àquele preconizado no art. 1º daquele documento, vejamos:

CRFB/1988
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantin-
do-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (...).

DUDH
Art. 1º Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas
de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de frater-
nidade.

Vejamos o entendimento de Silva12 a respeito dos direitos fundamentais, no

tocante ao seu conteúdo:

(i) direitos fundamentais do homem do homem-indivíduo (direitos

individuais) – art. 5º da CF/1988: liberdade, igualdade, segurança, pro-

priedade, dentre outros;

(ii) direitos fundamentais do homem-nacional – art. 12 da CF/1988:

nacionalidade e suas particularidades;

(iii) direitos fundamentais do homem-cidadão (direitos políticos) –

arts. 14 a 17 da CF/1988: participação política, por exemplo, votar e ser

votado;

(iv) direitos fundamentais do homem-social (direitos sociais) – art.

6º e arts. 193 a 230 da CF/1988: educação, saúde, alimentação, trabalho,

moradia, transporte, lazer, segurança, previdência social, proteção à materni-

dade e à infância, assistência aos desamparados, dentre outros;

12
SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional. 37ª ed. São Paulo: Malheiros, 2014. p. 186.

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(v) direitos fundamentais do homem-membro da coletividade (direi-

tos coletivos) – art. 5º da CF/1988: acesso à informação, locomoção,

liberdade de reunião pacífica, dentre outros;

(vi) direitos fundamentais do homem-solidário – arts. 3º e 225 da

CF/1988: direito à paz, ao desenvolvimento, ao meio ambiente ecologica-

mente equilibrado, dentre outros.

A respeito do art. 5º da CF/1988, podemos mencionar a preocupação do

Constituinte com 5 (cinco) “macrodireitos civis e políticos” elencados no caput

do dispositivo: vida, liberdade, igualdade, segurança e propriedade. Quan-

to ao direito à vida, podemos destacar uma dupla acepção (nascer e permanecer

vivo; e viver com dignidade), desdobrando-se nas garantias contra a pena de mor-

te, contra trabalho forçado, tortura, tratamento desumano ou degradante etc.

Quanto à liberdade, podemos destacar que o art. 5º prevê diversas modali-

dades desse direito, desdobrando-se em liberdade de locomoção; de consciência

e crença; do exercício de cultos religiosos; de expressão da atividade intelectual,

artística, científica e de comunicação; de exercício de qualquer trabalho, ofício ou

profissão; de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar; dentre

outras.

Quanto à igualdade na CF/1988, podemos destacar dois desdobramentos: a

igualdade formal e a igualdade material (ou substancial). A igualdade formal se

refere ao tratamento a todos de maneira igualitária, ou seja, diante de uma deter-

minada situação, não poderá haver distinção de tratamento, por exemplo, pessoas

que desempenham o mesmo labor com as mesmas condições devem receber o

mesmo salário. A igualdade substancial ou material consiste no tratamento de for-

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ma desigual aos desiguais, àqueles que merecem um tratamento diferenciado em

virtude de suas particularidades (hipossuficientes, crianças e adolescentes, mulhe-

res, idosos, pessoas com deficiência etc.), geralmente as pessoas para as quais são

direcionadas as ações afirmativas do Estado, com vistas a corrigir irregularidades

históricas e preservar direitos.

Quanto ao inciso I do art. 5º, vale frisar que somente a Constituição pode estabe-

lecer distinções entre homens e mulheres, não se permitindo que leis ordinárias

comprometam o direito constitucional à igualdade. Podem haver regulamentações

via lei ordinária (CLT, serviço militar, entre outras situações), contanto que a possi-

bilidade de regulamentação esteja prevista na Constituição, garantindo-se a eficá-

cia e a aplicabilidade da norma constitucional.

Quanto à segurança, podemos inicialmente destacar que, do ponto de vista

do art. 5º, o instituto mencionado é a segurança jurídica, e, do ponto de

vista do caput do art. 6º, o instituto mencionado é a segurança pública.

Acerca da segurança jurídica, um dos desdobramentos do art. 5º é a previsão de

que a lei não prejudicará o direito adquirido (aquele que já se incorporou ao seu

titular), o ato jurídico perfeito (há que se preservar a manifestação de vontade de

quem editou algum ato ou por meio dele baseou suas consequências, desde que ele

não atente contra a lei, a moral e os bons costumes) e a coisa julgada (a imutabili-

dade de uma decisão que impede que a mesma questão seja debatida novamente

pela via processual).

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Quanto ao macrodireito de propriedade, destacamos os incisos XXII (“é ga-

rantido o direito de propriedade”) e XXIII (“a propriedade atenderá a sua função

social”). A função social da propriedade se manifesta como um complemento do

direito de propriedade, eis que o uso da propriedade demanda a observância de

inúmeras circunstâncias (respeito ao meio ambiente, não utilização de trabalho

forçado, respeito às regras de edificação etc.). Outro desdobramento do direito de

propriedade é a garantia prevista no inciso XI do art. 5º, pela qual a casa é asilo

inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do mo-

rador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou,

durante o dia, por determinação judicial.

Além desses macrodireitos acima mencionados, também merecem destaque, à

luz da Constituição Federal de 1988, algumas garantias fundamentais previstas no

art. 5º da nossa Carta Constitucional, a saber:

a) Legalidade (art. 5º, II) – “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer

alguma coisa senão em virtude de lei”: trata-se de princípio com duplo vértice, di-

rigindo-se tanto ao Poder Público em sua atuação comissiva ou omissiva vinculada

à legalidade de suas ações, como ao particular, quanto à autonomia da vontade e

quanto à salvaguarda contra atos arbitrários do poder estatal.

b) Dignidade da pessoa humana (art. 5º, III e XLIII) – “III – ninguém será

submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; XLIII – a lei

considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da

tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos

como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os

que, podendo evitá-los, se omitirem;”: considerando o fato da tortura se apresen-

tar como uma prática atentatória à dignidade humana, a CF/1988 a considera como

um crime hediondo e inafiançável.

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c) Vida privada (art. 5º, X, XI e XII) – “X – são invioláveis a intimidade, a vida


privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo
dano material ou moral decorrente de sua violação; XI – a casa é asilo inviolável do
indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo
em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia,
por determinação judicial; XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das co-
municações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último
caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de
investigação criminal ou instrução processual penal;”: tratam-se de dispositivos de
proteção à vida privada, compreendendo a inviolabilidade da casa, o sigilo das cor-
respondências e até a proteção da privacidade e intimidade, cuja violação enseja a
responsabilização civil e penal do infrator, garantindo-se o direito à indenização nos
atentados contra a honra, a vida privada, a intimidade e à imagem das pessoas.
Outrossim, sempre que falamos em direitos e deveres individuais e coletivos,
o(a) candidato(a) deve ficar atento(a), uma vez que o rol do art. 5º é meramente
exemplificativo, tendo em vista que os direitos e deveres individuais e coletivos
garantidos pela ordem jurídico-constitucional brasileira não se resumem aos cons-
tantes somente do artigo 5º da Constituição, assim como vimos anteriormente.
Um exemplo que podemos levantar sobre as questões inerentes à preservação
dos direitos e garantias fundamentais, aplicadas em legislação infraconstitucionais,
é o caso da vedação ao aborto, que também vem a ser uma garantia de proteção à
inviolabilidade do direito à vida e está previsto pelo Código Penal Brasileiro.
Nesse sentido, ressalta-se que o mesmo artigo 5º aplica a extensão do rol dos
direitos e garantias individuais no texto do § 2º, onde preconiza que os direitos e
garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e
dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República
Federativa do Brasil seja parte.

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Merece destaque, no estudo do art. 5º da CF/1988, a previsão dos remédios

constitucionais para a defesa de direitos e garantias individuais e coletivas, em

apertada síntese, a saber:

(i) Habeas corpus (art. 5º, LXVIII): trata-se de instituto pertinente às

violações de liberdade de locomoção (ir, vir e permanecer), nos seguintes

termos: “conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se

achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de loco-

moção, por ilegalidade ou abuso de poder”.

(ii) Habeas data (art. 5º, LXXII): trata-se de instituto de proteção à

informação sobre a pessoa requerente e, em caso de informações incorre-

tas, a adequação de sua veracidade, nos seguintes termos: “conceder-se-á

habeas data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas

à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de

entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de

dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou

administrativo”.

(iii) Mandado de Segurança (art. 5º, LXIX): em linhas gerais, instituto

utilizado para amparar situações envolvendo direitos líquidos e certos não

alcançáveis via habeas corpus ou habeas data, nos seguintes termos:

“conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e

certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o respon-

sável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente

de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público”.

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(iv) Mandado de Injunção (art. 5º, LXXI): trata-se de instituto que garante

a observância do direito na ausência de regulamentação por parte do Poder

Público, nos seguintes termos: “conceder-se-á mandado de injunção sempre

que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos

e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à

soberania e à cidadania”.

(v) Ação Popular (art. 5º, LXXII): trata-se de instrumento direcionado às

lesões ao patrimônio público, à moralidade administrativa, ao meio ambiente

e ao patrimônio histórico e cultural, nos seguintes termos: “qualquer cida-

dão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao

patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade

administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando

o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da

sucumbência”.

Diante de todo o exposto, entende-se que garantir os deveres e direitos indi-

viduais e coletivos assegura ao cidadão a possibilidade de uma vida digna, livre

e igualitária, e ainda que não estejam explicitamente aplicadas na própria cons-

tituição brasileira, o Estado não retira o mérito de existência de outra garantias

fundamentais existentes, conforme estabelece o § 2º do art. 5º, como já citado

anteriormente.

Recomenda-se, assim como em relação aos instrumentos de proteção dos direitos

humanos, a leitura na íntegra do artigo 5º da CF/1988, justamente para se ter uma

completa noção dos direitos ali previstos, que vão desde a garantia de igualdade

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entre homens e mulheres até o direito de realização de reunião pacífica, passando

por direitos religiosos, políticos, sociais, culturais, econômicos, de liberdade, de

dignidade, de integridade física, dentre outros.

Vejamos como as bancas a seguir abordaram esse tema.

(AGENTE DE POLÍCIA CIVIL/PC-SC/FEPESE/2017) Assinale a alternativa correta a

respeito dos direitos e deveres individuais e coletivos previstos no texto constitu-

cional.

a) Não se admite ação privada nos crimes de ação pública, ainda que esta não seja

intentada no prazo legal.

b) São admissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos.

c) A prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena

de detenção, nos termos da lei.

d) A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu.

e) O preso não possui direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por

seu interrogatório policial.

Letra d.

Trata-se de questão fácil, exigindo do(a) candidato(a) conhecimento acerca do tex-

to expresso do inciso XL do art. 5º da CF/1988: “XL – a lei penal não retroagirá,

salvo para beneficiar o réu”.

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(AGENTE DE POLÍCIA CIVIL/PC-AP/FCC/2017) A Constituição Federal de 1988, ao

tratar dos direitos e deveres individuais e coletivos,

a) assegura-os aos brasileiros residentes no País, mas não aos estrangeiros em

trânsito pelo território nacional, cujos direitos são regidos pelas normas de direito

internacional.

b) prescreve que a natureza do delito praticado não pode ser critério para deter-

minar o estabelecimento em que a pena correspondente será cumprida pelo réu.

c) atribui ao júri a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a

vida, assegurando a plenitude de defesa, a publicidade das votações e a soberania

dos veredictos.

d) excepciona o princípio da irretroatividade da lei penal ao permitir que a lei seja

aplicada aos crimes cometidos anteriormente a sua entrada em vigência, quando

for mais benéfica ao réu, regra essa que incide, inclusive, quando se tratar de crime

hediondo.

e) determina que a prática de crime hediondo constitui crime inafiançável e im-

prescritível.

Letra d.

Trata-se de questão fácil, exigindo do(a) candidato(a) conhecimento acerca do tex-

to expresso do inciso XL do art. 5º da CF/1988: “XL – a lei penal não retroagirá,

salvo para beneficiar o réu”.

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(AGENTE DE POLÍCIA/PC-PE/CESPE/2016) À luz das disposições da CF, assinale a


opção correta acerca dos direitos e garantias individuais.
a) O Estado pode impor prestação alternativa fixada em lei ao indivíduo que, ale-
gando conflito com suas convicções políticas, se recusar a cumprir obrigação legal a
todos imposta, desde que a prestação seja compatível com suas crenças. Em caso
de recusa em cumpri-la, o indivíduo poderá ser privado de seus direitos.
b) Diante de indícios veementes da prática de ilícitos no interior de determinada
residência, o agente de polícia poderá realizar busca de provas no local sem o con-
sentimento do morador e sem mandado judicial, desde que o faça durante o dia.
c) O cidadão que, naturalizado brasileiro, cometer crime comum em viagem a seu
país de origem retornar ao Brasil poderá ser extraditado, bastando que haja solici-
tação do país da nacionalidade anterior.
d) Servidor público que cometer crime no exercício da função não poderá ser con-
denado, na esfera penal, a partir de prova obtida por meio ilícito; no entanto, essa
mesma prova, complementada por outras provas lícitas, poderá ser utilizada para
aplicar penalidade em eventual processo administrativo movido contra o servidor.
e) O profissional que, trabalhando com divulgação de informações, veicular, em
seu nome, notícia de fonte sigilosa não estará sujeito a responder por eventuais
prejuízos que essa divulgação causar a outrem.

Letra a.
Trata-se de questão fácil, exigindo do(a) candidato(a) conhecimento acerca do tex-
to expresso do inciso VIII do art. 5º da CF/1988: “VIII – ninguém será privado de
direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo
se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a

cumprir prestação alternativa, fixada em lei”.

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11. Os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais na Constituição


Federal de 1988

A Constituição Federal de 1988 conjuga os direitos civis e políticos com expres-

sões do tipo “direitos sociais”, “bem-estar” e “desenvolvimento”, associando-os à

busca por uma sociedade fraterna, justa, pluralista e sem preconceitos, valores

esses consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, evidenciando a

importância dos direitos econômicos, sociais e culturais.

Tanto é assim que o art. 1º da CF/1988 prevê que os “valores sociais do traba-

lho” se apresentam como fundamentos do Estado Democrático de Direito, assim

como o art. 3º menciona expressões do tipo “solidariedade”, “desenvolvimento

nacional”, “erradicação da pobreza e da marginalização”, redução de desigualda-

des sociais e regionais”, todas assumindo o patamar de objetivos fundamentais da

nossa República.

Nesse sentido também aparecem com destaque na CF/1988 os direitos sociais,

com especial ênfase aos direitos à educação, à saúde, à alimentação, ao trabalho, à

moradia, ao transporte, ao lazer, à segurança, à previdência social, à maternidade

e à infância e à assistência aos desamparados, nos termos do art. 6º da Consti-

tuição, direitos esses detalhados no Título X da CF/1988 (“Da Ordem Social”), nos

seguintes termos:

(i) Direito à educação: detalhado por meio dos artigos 205 a 214 da CF/1988,

trazendo proposições e compromissos do Estado e da sociedade brasileira, visando

o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e

sua qualificação para o trabalho, trazendo como princípios a igualdade de condições

para o acesso e permanência na escola; a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar

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e divulgar o pensamento, a arte e o saber; o pluralismo de ideias e de concepções

pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; a gratui-

dade do ensino público em estabelecimentos oficiais; a valorização dos profissio-

nais da educação escolar; a gestão democrática do ensino público, na forma da lei;

a garantia de padrão de qualidade; bem como o piso salarial profissional nacional

para os profissionais da educação escolar pública.

A CF/1988 alçou o ensino fundamental como obrigatório e gratuito, assim como

um direito público subjetivo, abrindo caminho para a universalização do ensino

médio, assim como, por meio de um plano nacional de educação, estabeleceu al-

guns objetivos a serem seguidos: a erradicação do analfabetismo; a universaliza-

ção do atendimento escolar; a melhoria da qualidade do ensino; a formação para

o trabalho; a promoção humanística, científica e tecnológica do País; assim como

o estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como

proporção do produto interno bruto (art. 214).

(ii) Direito à Seguridade Social: previsto nos artigos 194 a 204 da CF/1988,

compreendendo a tríade da saúde, da previdência social e da assistência social, em

observância aos seguintes objetivos: universalidade da cobertura e do atendimen-

to; uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e

rurais; seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços; irre-

dutibilidade do valor dos benefícios; equidade na forma de participação no custeio;

diversidade da base de financiamento; caráter democrático e descentralizado da

administração, mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores,

dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados.

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Nesse sentido, a saúde se apresenta como direito de todos e dever do Estado,

garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de

doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços

para sua promoção, proteção e recuperação (art. 196 da CF/1988), com destaque

constitucional para a instituição do Sistema Único de Saúde (SUS), com as seguin-

tes competências: controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de

interesse para a saúde e participar da produção de medicamentos, equipamentos,

imunobiológicos, hemoderivados e outros insumos; executar as ações de vigilân-

cia sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador; ordenar

a formação de recursos humanos na área de saúde; participar da formulação da

política e da execução das ações de saneamento básico; incrementar, em sua área

de atuação, o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação; fiscalizar e

inspecionar alimentos, compreendido o controle de seu teor nutricional, bem como

bebidas e águas para consumo humano; participar do controle e fiscalização da

produção, transporte, guarda e utilização de substâncias e produtos psicoativos,

tóxicos e radioativos; colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido

o do trabalho; dentre outros.

A previdência social, pelo viés constitucional, deve ser organizada sob a for-

ma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados

critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, atendendo, nos termos da

lei, a cobertura de doenças, morte e idade avançada; a proteção à maternidade,

especialmente à gestante; a proteção ao trabalhador em situação de desemprego

involuntário; o salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segura-

dos de baixa renda; pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge

ou companheiro e dependentes (art. 201 da CF/1988).

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Já a assistência social, de acordo com o texto constitucional, deve ser presta-

da a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social,

tendo por objetivos a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência

e à velhice; o amparo às crianças e adolescentes carentes; a promoção da integra-

ção ao mercado de trabalho; a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de

deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; bem como a garan-

tia de um salário-mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e

ao idoso que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção ou de

tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei (art. 203 da CF/1988).

(iii) Proteção à família: prevista com especial ênfase no art. 7º da CF/1988 na

esteira das garantias de trabalho do homem e da mulher (salário, salário-família,

licença maternidade e paternidade, assistência gratuita em creches e pré-escolas a

filhos e dependentes até cinco anos de idade, a proteção do mercado de trabalho

à mulher etc.), combinados a outros direitos previstos nos artigos 226 a 230 da

CF/1988, como as garantias do casamento civil, união estável, proteção da criança,

do adolescente e do idoso, dentre outros.

(iv) Proteção dos trabalhadores: previstos nos artigos 7º, 8º e 9º da CF/1988,

consubstanciando-se numa consolidação de direitos aos trabalhadores urbanos e

rurais, com destaque para a proteção da relação de emprego contra despedida ar-

bitrária ou sem justa causa; o seguro-desemprego em caso de desemprego invo-

luntário; o fundo de garantia do tempo de serviço; salário-mínimo nacionalmente

unificado; décimo terceiro salário; proibição de diferença de salários, de exercício

de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;

igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e

o trabalhador avulso; dentre outros.

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(v) Direitos culturais: previsto nos artigos 215 e 216 da CF/1988, o pleno

exercício dos direitos culturais deve ser garantido pelo Estado, bem como o acesso

às fontes da cultura nacional, mediante apoio e incentivo à valorização e à difusão

das manifestações culturais, com especial proteção às manifestações das culturas

populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do

processo civilizatório nacional.

Todos esses institutos previstos em nossa Constituição certamente sofreram

influência direta do Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Cul-

turais, adotado pela Resolução n. 2.200-A, na XXI Sessão da Assembleia Geral

das Nações Unidas, em 19 de dezembro de 1966, somente entrando em vigor

dez anos depois, em 1976, tendo sido aprovado no Brasil por meio do Decreto

Legislativo n. 226, de 12 de dezembro de 1991 e promulgado mediante do De-

creto n. 591, de 06 de julho de 1992.

Utilizando-se praticamente do mesmo conteúdo do Pacto Internacional sobre

Direitos Civis e Políticos, o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e

Culturais reforça a dignidade inerente a todos os “membros da família humana” e,

ainda, que seus direitos iguais e inalienáveis constituem o fundamento da liberda-

de, da justiça e da paz no mundo, reconhecendo ainda que o ideal do ser humano

livre deve ser realizado a partir da criação de condições que permitam a cada indi-

víduo gozar de seus direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais.

Quanto ao seu conteúdo, o pacto reconhece os direitos econômicos, sociais e

culturais dos indivíduos dos Estados-partes, devendo os mesmos assegurar e pro-

teger o exercício desses direitos a todos aqueles que se encontrarem em seu terri-

tório ou sob sua jurisdição.

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Um dos pontos de destaque para a consecução de tais direitos é a observância


da “cláusula de progressiva realização” ou “cláusula de progressividade”, consubs-
tanciada no compromisso do Estado-parte de realizar progressivamente a efetiva-
ção dos direitos econômicos, sociais e culturais, por esforço próprio ou por coope-
ração internacional, conforme preceitua o inciso 1 do art. 2º do pacto:

Artigo 2º
1. Cada um dos Estados-Partes no presente Pacto compromete-se a agir, quer com o
seu próprio esforço, quer com a assistência e cooperação internacionais, especialmente
nos planos econômico e técnico, no máximo dos seus recursos disponíveis, de modo a
assegurar progressivamente o pleno exercício dos direitos reconhecidos no presente
Pacto por todos os meios apropriados, incluindo em particular por meio de medidas
legislativas.

Sobre os aspectos da progressividade, vale frisar que a razão de sua existência


se dá pelo fato de que o reconhecimento de direitos de tamanha envergadura não
se dá em um curto espaço de tempo, demonstrando a necessidade de flexibilidade
na identificação das situações concretas e da efetivação dos direitos. Impõe-se, ao
mesmo tempo, uma ação flexível e ágil do Estado-parte na adoção de medidas para
a efetivação dos direitos econômicos, sociais e culturais dos indivíduos.
Assim como no Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, o exercício
dos direitos previstos no Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e
Culturais deve se dar sem discriminação de qualquer natureza.
Um dos destaques do pacto também é o direito à autodeterminação dos po-
vos, garantindo-se que as pessoas determinem livremente seu estatuto político,
assegurando seu livre desenvolvimento econômico, social e cultural, bem como
estabelecendo que os povos podem dispor livremente de suas riquezas e de seus
recursos naturais, sem prejuízo das obrigações decorrentes da cooperação econô-
mica internacional, não podendo, em nenhuma hipótese, os povos se privarem de
seus meios de subsistência.

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Recomenda-se, assim como em relação aos outros instrumentos de proteção dos

direitos humanos, a leitura na íntegra do Pacto Internacional sobre Direitos Econô-

micos, Sociais e Culturais, justamente para se ter uma completa noção dos direitos

ali reconhecidos, que vão desde a garantia de igualdade entre homens e mulheres

no gozo de todos os direitos econômicos, sociais e culturais; até o direito à educa-

ção, à gratuidade de educação primária; passando pelo direito de fundar sindicatos,

direito de greve, direito à previdência e seguro social, direito de proteção à família,

dentre outros.

O monitoramento do Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e

Culturais se dá por meio de um sistema de relatórios periódicos encaminhados ao

Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas contendo as medidas adotadas

bem como o progresso alcançado quanto à observância dos direitos reconhecidos

pelo pacto.

Quanto ao protocolo adicional, assim como no Pacto Internacional sobre Direitos

Civis e Políticos, o Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre Direitos Eco-

nômicos foi adotado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro

de 2008, estabelecendo a competência do Comitê de Direitos Econômicos, Sociais

e Culturais para receber e apreciar comunicações interestatais e individuais por

violações aos direitos previstos no referido pacto, em formato semelhante ao Pacto

Internacional sobre Direitos Civis e Políticos.

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Vejamos como a banca a seguir abordou esse tema.

(PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO/MPE-SP/MPE-SP/2017) Considere os se-

guintes conceitos:

• Consiste na transmissão de valores e experiências entre as gerações, permi-

tindo às mais novas alcançar perfeita interação social, propiciando-lhes meios

e instrumentos para que possam manter, aprimorar e, posteriormente, re-

transmitir a seus sucessores o arcabouço cultural, os valores e os comporta-

mentos adequados à vida em sociedade e indispensáveis para o processo de

evolução social rumo a um efetivo Estado Democrático de Direito, que deve

ter por premissa a consagração da Dignidade da Pessoa Humana.

• Desenvolve-se sistematicamente, segundo planos formais que incluem con-

teúdos e meios previamente traçados para atingir objetivos intencionalmente

determinados, sendo de regra ministrado em unidades educacionais da rede

pública ou privada.

• Constitui o traço identificativo de um povo, marco de sua união, de costumes

e desígnios comuns. É formado por valores atribuídos a bens materiais ou

imateriais pelos seres humanos, em virtude de seus predicamentos intrínse-

cos ou extrínsecos.

Tais conceitos referem-se, respectivamente, aos direitos

a) à cultura, à educação e ao ensino.

b) à educação, ao ensino e à cultura.

c) ao ensino, à educação e à cultura.

d) à cultura, ao ensino e à educação.

e) à educação, à cultura e ao ensino.

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Letra b.

Trata-se de questão relativamente fácil, exigindo do(a) candidato(a) conhecimento

acerca de conceitos bastante autoexplicativos dos direitos sociais à educação, en-

sino e cultura.

12. O Status Normativo dos Tratados e Convenções Internacio-


nais de Direitos Humanos

Inicialmente, trata-se de um tema muito recorrente em provas, dotado de certa

complexidade, mas, de forma geral, muito bem abordado pela doutrina e jurisprudên-

cia, deixando uma certa margem para entendimentos convergentes e dissonantes.

De maneira geral, os tratados e convenções internacionais se inserem no or-

denamento jurídico brasileiro em equivalência às leis ordinárias. Contudo, em se

tratando de diplomas internacionais que consagrem direitos humanos, pairam dis-

cussões quanto à sua posição na ordem normativa, considerando as interpretações

acerca de seu status constitucional ou infralegal.

Nos termos do § 2º do art. 5º da CF/1988, os direitos e garantias expressos

nessa Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por

ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Bra-

sil seja parte. A partir desse dispositivo, quatro correntes doutrinárias buscaram

abordar a hierarquia dos tratados e convenções de direitos humanos no ordena-

mento jurídico brasileiro, a saber:

a) a hierarquia supraconstitucional desses tratados;

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b) a hierarquia constitucional;

c) a hierarquia infraconstitucional, mas supralegal; e

d) a paridade hierárquica entre tratado e lei federal.

Destaca-se na doutrina a esse respeito o posicionamento de Flávia Piovesan13,

no sentido de que a Constituição Federal de 1988 inovou ao incluir, dentre os direi-

tos constitucionalmente protegidos, os direitos enunciados nos tratados internacio-

nais de direitos humanos nos quais o Brasil seja signatário, atribuindo a eles uma

hierarquia de norma constitucional.

Ocorre que nem sempre foi esse o entendimento majoritário. O Supremo Tri-

bunal Federal entendia que os tratados internacionais de direitos humanos eram

recepcionados no ordenamento interno com status de lei ordinária, entendimento

esse confirmado inclusive na vigência da atual Constituição Federal.

O cenário muda a partir da entrada em vigor da Emenda Constitucional n. 45/2004,

que incluiu o § 3º na redação do art. 5º da CF/1988, nos seguintes termos:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantin-
do-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação ime-
diata.
§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorren-
tes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que
a República Federativa do Brasil seja parte.
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que fo-
rem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três
quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas
constitucionais. (g.n.)

13
PIOVESAN, Flávia. Reforma do judiciário e direitos humanos. In TAVARES, Ramos. LENZA, Pedro. ALARCÓN,
Pietro de Jesús Lora (Coord.). Reforma do judiciário analisada e comentada. São Paulo: Método, 2005, p.
67-81.

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Nesse sentido, pode-se afirmar que o Poder Constituinte, a partir da inclu-

são desse dispositivo, atribuiu aos tratados e convenções internacionais de

proteção dos direitos humanos equivalência às emendas constitucionais, pas-

sando a alcançar status de norma formal e materialmente constitucional.

A partir desse entendimento, a primeira conclusão foi de que a respeito dos

demais tratados que não tratassem de direitos humanos, o Supremo Tribunal

Federal manteve o entendimento de que os mesmos seriam recepcionados na

ordem interna com status de leis ordinárias.

Firmou-se entendimento também de que os tratados internacionais de direi-

tos humanos seriam recepcionados na ordem interna com status supralegal, ou

seja, em uma hierarquia “kelseniana” entre a Constituição e as leis ordinárias.

Já quanto aos tratados internacionais de direitos humanos aprovados nos

termos do § 3º do art. 5º da CF/1988, ou seja, após a entrada em vigor da

Emenda Constitucional n. 45/2004, esses seriam recepcionados com status de

emendas constitucionais e, portanto, com hierarquia de norma constitucional,

desde que observado o procedimento de aprovação, em cada Casa do Con-

gresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos

membros.

A importância desse status se mostra ainda mais relevante no tocante à

impossibilidade de denúncia desses tratados internacionais, eis que adquirem

contorno formal e materialmente constitucional, passando a compor o texto

constitucional, não sendo permitido que um ato isolado (por exemplo, denún-

cia) do Poder Executivo subtraia esses direitos da sociedade em geral.

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Sendo assim, confirmando esse entendimento, o STF passou a adotar em

suas decisões a teoria do duplo status dos tratados e convenções internacio-

nais de direitos humanos, da seguinte forma:

(i) Status Constitucional para os tratados que se submetem ao rito do

§ 3º do art. 5º da CF/1988, a exemplo da Convenção sobre os Direitos

das Pessoas com Deficiência e de seu Protocolo Facultativo, assinados em

Nova Iorque, em 30 de março de 2007 e incorporados ao ordenamento via

Decreto Legislativo n. 186/2008; promulgada via Decreto n. 6.949, de 25

de agosto de 2009.

(ii) Status Supralegal para os tratados aprovados antes da Emenda

Constitucional n. 45/2004 e mesmo os posteriores que não observarem o

rito do § 3º do art. 5º da CF/1988, posicionando-se abaixo da Constituição

Federal, porém, acima da legislação ordinária interna.

A impossibilidade de denúncia acaba por atingir apenas os tratados e conven-

ções internacionais submetidos ao regime de aprovação previsto no § 3º do

art. 5º da CF/1988, restando aos tratados de direitos fundamentais que não se

submeteram ao mencionado regime a possibilidade de denúncia, por não alcan-

çarem status de norma constitucional, nem sob o aspecto formal, nem sob o

aspecto material, não havendo óbice, portanto, à denúncia desses instrumentos

internacionais.

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Pois bem, dito isso, vejamos como a banca a seguir abordou esse tema.

(DEFENSOR PÚBLICO/DPE-PE/CESPE/2018) Considerando o entendimento do Su-

premo Tribunal Federal (STF) acerca dos tratados internacionais de direitos huma-

nos, julgue os seguintes itens.

I – Os tratados e as convenções sobre direitos humanos aprovados em cada

Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos, são

equivalentes às emendas constitucionais e não podem ser ulteriormente de-

clarados inconstitucionais.

II – O STF entende que a subscrição, pelo Brasil, do Pacto de São José da Costa

Rica conduziu à inexistência de balizas a determinados comandos constitu-

cionais, tendo, por isso, indicado a derrogação das normas legais definidoras

da custódia de depositário infiel, tornando-se ilegal a sua prisão.

III – Tratados de direitos humanos firmados antes da Emenda Constitucional n.

45/2004 continuam a valer como normas infraconstitucionais e não poderão

passar por novo processo legislativo para alterar seu status no ordenamento

jurídico.

Assinale a opção correta.

a) Apenas o item I está certo.

b) Apenas o item II está certo.

c) Apenas o item III está certo.

d) Apenas os itens I e II estão certos.

e) Apenas os itens II e III estão certos.

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Letra b.

Trata-se de questão complexa, exigindo do(a) candidato(a) conhecimento acerca

de entendimento específico do Supremo Tribunal Federal acerca da subscrição do

Pacto de São José da Costa Rica, surtindo efeito na derrogação das normas legais

definidoras da custódia de depositário infiel, tornando-se ilegal a sua prisão.

12.1. Controle de Convencionalidade

Trata-se de instituto que permite a verificação de compatibilidade das leis in-

ternas com os tratados e convenções internacionais, no nosso caso, aqueles que

envolvem a proteção de direitos humanos.

Alguns doutrinadores, como Valério de Oliveira Mazzuoli14, André de Carvalho

Ramos15 e Sidney Guerra16, relacionam duas formas de exercício do controle de

convencionalidade:

(i) Controle de convencionalidade internacional: atribuído a órgãos

internacionais, a exemplo da Corte Interamericana de Direitos Humanos, da

Corte Europeia de Direitos Humanos e da Corte Africana de Direitos Huma-

nos: no sistema interamericano, o controle internacional permite que a Corte

Interamericana interprete e aplique o Pacto de São José da Costa Rica por

meio de um exame de confrontação com o direito interno (lei, ato adminis-

14
MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Teoria Geral do Controle de Convencionalidade no Direito Brasileiro. Magis-
tratura: Temas Aprofundados. Salvador: JusPodium, 2013.
15
RAMOS, André de Carvalho. Teoria Geral dos Direitos Humanos na Ordem Internacional. 3ª ed. São Paulo:
Saraiva, 2013. p 280-283.
16
GUERRA, Sidney. Curso de Direitos Humanos. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2014. p. 178.

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trativo, jurisprudência, práticas administrativas e judiciais, inclusive a própria

Constituição), permitindo-se que um Estado-parte seja condenado a revogar

leis incompatíveis com o Pacto, bem como a adaptar sua legislação por meio

de reformas constitucionais, garantindo-se a tutela dos direitos humanos no

ordenamento interno.

(ii) Controle de convencionalidade nacional: exercido pelo Poder Judi-

ciário no controle nacional de supralegalidade ou constitucionalidade,

considerando que o ordenamento brasileiro admite o duplo status dos trata-

dos e convenções internacionais de direitos humanos, a depender da forma

de sua internalização. Constitui-se na verificação pelo Poder Judiciário, dentro

de suas respectivas competências, da compatibilidade das leis internas com

as convenções e tratados internacionais de direitos humanos. Trata-se de um

controle de legalidade, supralegalidade ou constitucionalidade, a depender

da internacionalização do tratado ou da convenção internacional de direitos

humanos.

Para Valério Mazzuoli17,

deve a lei ser compatível com a Constituição e com os tratados internacionais (de direi-
tos humanos e comuns) ratificados pelo governo. Caso a norma esteja de acordo com
a Constituição, mas não com eventual tratado já ratificado e em vigor no plano interno,
poderá ela ser considerada vigente (pois, repita-se, está de acordo com o texto cons-
titucional e não poderia ser de outra forma) – e ainda continuará perambulando nos
compêndios legislativos publicados -, mas não poderá ser tida como válida, por não ter
passado imune a um dos limites verticais materiais agora existentes: os tratados inter-
nacionais em vigor no plano interno.

17
MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Teoria Geral do Controle de Convencionalidade no Direito Brasileiro. Magis-
tratura: Temas Aprofundados. Salvador: JusPodvim, 2013. p. 382.

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13. O Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH 3 (Decreto


n. 7.037, de 21 de Dezembro de 2009)

Prezado(a) candidato(a), muito embora alguns editais de concurso apresentem

conteúdo programático de Direitos Humanos com alusão ao Decreto n. 4.229, de

13 de maio de 2002, é importante frisar que o referido decreto foi revogado pelo

Decreto n. 7.037, de 21 de dezembro de 2009, que aprovou o Programa Nacional

de Direitos Humanos – PNDH 3, objeto do nosso estudo neste tópico.

Pois bem, o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3) está estruturado

em 6 (seis) Eixos Orientadores, a saber:

• Eixo Orientador I: Interação democrática entre Estado e sociedade civil;

• Eixo Orientador II: Desenvolvimento e Direitos Humanos;

• Eixo Orientador III: Universalizar direitos em um contexto de desigual-

dades;

• Eixo Orientador IV: Segurança Pública, Acesso à Justiça e Combate à

Violência;

• Eixo Orientador V: Educação e Cultura em Direitos Humanos;

• Eixo Orientador VI: Direito à Memória e à Verdade.

Cada Eixo Orientador, por sua vez, subdivide-se em Diretrizes, que se subdi-

videm em Objetivos Estratégicos, estes, porém, são subdivididos em Ações Pro-

gramáticas, nos termos do Anexo do aludido Decreto. Diante disso, assim como

informado em outros temas de nossa aula, recomenda-se uma leitura minuciosa da

íntegra do conteúdo do decreto e, principalmente, do seu anexo.

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Acerca da estruturação, vale destacar alguns pontos de cada Eixo Orientador, a


saber.
A estruturação do PNDH-3 com base no Eixo I (Interação democrática entre
Estado e sociedade civil) se justifica em virtude do avanço da democratização do
País, notadamente com o surgimento e institucionalização de vários movimentos
sociais, com cada vez mais expressão política na sociedade, a ponto de influenciar
diretamente a etapa de elaboração da Constituição Federal de 1988, transforman-
do-se em um dos pilares da nossa democracia.
Nos anos 1990, firmaram-se como sujeitos na formulação e monitoramento das
políticas públicas, desempenhando papel fundamental na resistência a todas as
orientações do neoliberalismo de flexibilização dos direitos sociais, privatizações,
dogmatismo do mercado e enfraquecimento do Estado. Com as eleições de 2002, a
sociedade civil organizada pautou reivindicações históricas acumuladas, passando
a influenciar diretamente a atuação do governo.
Uma das finalidades do PNDH-3 é dar continuidade à integração e ao aprimo-
ramento dos mecanismos de participação existentes, bem como criar novos meios
de construção e monitoramento das políticas públicas sobre Direitos Humanos no
Brasil. Frisa-se, também, a possibilidade de ampliação das conquistas na área dos
direitos e garantias fundamentais, eis que o Programa internaliza a diretriz segundo
a qual a primazia dos Direitos Humanos constitui princípio transversal a ser consi-
derado em todas as políticas públicas.
A estruturação do PNDH-3 com base no Eixo II (Desenvolvimento e Direitos
Humanos) se justifica em virtude do tema se mostrar multidisciplinar e bastante
debatido, pressupondo que engloba temáticas referentes à livre determinação dos
povos, ao reconhecimento de soberania sobre seus recursos e riquezas naturais,
ao respeito pleno à sua identidade cultural e à busca de equidade na distribuição
das riquezas.

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De acordo com o Anexo do Decreto em questão,

A teoria predominante de desenvolvimento econômico o define como um processo que


faz aumentar as possibilidades de acesso das pessoas a bens e serviços, propiciadas
pela expansão da capacidade e do âmbito das atividades econômicas. O desenvolvi-
mento seria a medida qualitativa do progresso da economia de um país, refletindo tran-
sições de estágios mais baixos para estágios mais altos, por meio da adoção de novas
tecnologias que permitem e favorecem essa transição. Cresce nos últimos anos a assi-
milação das ideias desenvolvidas por Amartya Sem, que abordam o desenvolvimento
como liberdade e seus resultados centrados no bem estar social e, por conseguinte, nos
direitos do ser humano.

Ainda de acordo com o Anexo, a ideia central é de que

No caso do Brasil, por muitos anos o crescimento econômico não levou à distribuição
justa de renda e riqueza, mantendo-se elevados índices de desigualdade. As ações de
Estado voltadas para a conquista da igualdade socioeconômica requerem ainda políticas
permanentes, de longa duração, para que se verifique a plena proteção e promoção dos
Direitos Humanos. É necessário que o modelo de desenvolvimento econômico tenha a
preocupação de aperfeiçoar os mecanismos de distribuição de renda e de oportunidades
para todos os brasileiros, bem como incorpore os valores de preservação ambiental.

A estruturação do PNDH-3 com base no Eixo III (Universalizar direitos em

um contexto de desigualdades) se justifica em virtude da Declaração Universal

dos Direitos Humanos afirmar, em seu preâmbulo, que o “reconhecimento da dig-

nidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e

inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo”.

Com base na justificativa para o Eixo III, o Programa assimila os grandes avan-

ços conquistados ao longo dos últimos anos tanto nas políticas de erradicação da

miséria e da fome, quanto na preocupação com a moradia e saúde, e aponta para

a continuidade e ampliação do acesso a tais políticas, fundamentais para garantir

o respeito à dignidade humana e preconizar a universalidade, a indivisibilidade e a

interdependência dos Direitos Humanos.

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A estruturação do PNDH-3 com base no Eixo IV (Segurança Pública, Aces-

so à Justiça e Combate à Violência) se justifica em virtude das tentativas de

reduzir o distanciamento entre a militância em direitos humanos e as políticas de

segurança pública. A intenção do Programa, nesse sentido, em apertada síntese, é

fomentar que as articulações da sociedade civil se aproximem cada vez mais dos

debates que envolvam segurança pública.

Em linhas gerais, o PNDH-3, na perspectiva do Eixo IV, aponta para a necessi-

dade de ampla reforma no modelo de polícia e propõe o aprofundamento do debate

sobre a implantação do ciclo completo de policiamento às corporações estaduais.

Prioriza transparência e participação popular, instando ao aperfeiçoamento das es-

tatísticas e à publicação de dados, assim como à reformulação do Conselho Nacio-

nal de Segurança Pública. Contempla a prevenção da violência e da criminalidade

como diretriz, ampliando o controle sobre armas de fogo e indicando a necessidade

de profissionalização da investigação criminal.

Nesse sentido, em relação ao Eixo IV, o PNDH-3 apresenta propostas para que

o Poder Público se aperfeiçoe no desenvolvimento de políticas públicas de preven-

ção ao crime e à violência, reforçando a noção de acesso universal à Justiça como

direito fundamental, e sustentando que a democracia, os processos de participação

e transparência, aliados ao uso de ferramentas científicas e à profissionalização das

instituições e trabalhadores da segurança, assinalam os roteiros mais promissores

para que o Brasil possa avançar no caminho da paz pública.

A estruturação do PNDH-3 com base no Eixo V (Educação e cultura em Di-

reitos Humanos) se justifica em virtude da necessidade de uma nova mentalida-

de coletiva para o exercício da solidariedade, do respeito às diversidades e da tole-

rância, em plena sintonia com o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos

(PNEDH).

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Acerca desse tema, vale frisar que a educação em direitos humanos articula,

entre outros elementos: a) a apreensão de conhecimentos historicamente cons-

truídos sobre Direitos Humanos e a sua relação com os contextos internacional,

regional, nacional e local; b) a afirmação de valores, atitudes e práticas sociais que

expressem a cultura dos Direitos Humanos em todos os espaços da sociedade; c)

a formação de consciência cidadã capaz de se fazer presente nos níveis cognitivo,

social, ético e político; d) o desenvolvimento de processos metodológicos partici-

pativos e de construção coletiva, utilizando linguagens e materiais didáticos con-

textualizados; e) o fortalecimento de políticas que gerem ações e instrumentos em

favor da promoção, da proteção e da defesa dos Direitos Humanos, bem como da

reparação das violações.

A estruturação do PNDH-3 com base no Eixo VI (Direito à Memória e à Ver-

dade) se justifica em virtude da importância de investigar o passado para uma

melhor construção da cidadania, resgatando a verdade e reforçando a memória

individual e coletiva.

Vale frisar que a compreensão do passado por intermédio da narrativa da he-

rança histórica e pelo reconhecimento oficial dos acontecimentos possibilita aos

cidadãos construírem os valores que indicarão sua atuação no presente. O acesso a

todos os arquivos e documentos produzidos durante o regime militar, por exemplo,

é fundamental no âmbito das políticas de proteção dos Direitos Humanos.

As ações programáticas deste eixo orientador têm como finalidade assegurar o

processamento democrático e republicano de todo um período da história brasilei-

ra, para que se viabilize o desejável sentimento de reconciliação nacional.

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No tocante à implementação do Programa, o Decreto instituiu o Comitê de

Acompanhamento e Monitoramento do PNDH-3, com a finalidade de promover a

articulação entre os órgãos e entidades envolvidos na implementação das suas

ações programáticas; elaborar os Planos de Ação dos Direitos Humanos; estabele-

cer indicadores para o acompanhamento, monitoramento e avaliação dos Planos de

Ação dos Direitos Humanos; acompanhar a implementação das ações e recomen-

dações; e elaborar e aprovar seu regimento interno.

Quanto à representatividade, vale frisar a previsão constante do Decreto acer-

ca da possibilidade de que o Comitê convide representantes dos demais Poderes,

da sociedade civil e dos entes federados para participarem de suas reuniões e

atividades.

Muito bem, finalizamos por aqui nossa abordagem aos principais pontos do

PNDH 3, com a reiteração da sugestão de que você leia com atenção todos os dis-

positivos, para uma visão mais completa desse normativo.

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RESUMO

Prezado(a), após nossa análise acerca do percurso da efetivação dos direitos

humanos no Brasil e no mundo, bem como dos principais instrumentos e normas

de direitos humanos com enfoque na proteção constitucional destes direitos, em

especial, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Pacto de San José da

Costa Rica e as “Regras de Mandela”, além da verificação de algumas abordagens

das bancas a respeito desses temas, chegou a hora de fazermos um compilado de

lembretes pra fixação da matéria que acabamos de estudar.

• Nos regimes democráticos, toda e qualquer pessoa deve ter a sua dignidade

respeitada, independentemente de sua origem, etnia, raça, convicção econô-

mica, orientação política, classe social, idade, identidade sexual, orientação

ou credo religioso.

• No Brasil, com vistas a garantir essa gama de direitos, o constituinte mate-

rializou na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 um modelo

de ordenamento jurídico que tem como um de seus pilares a dignidade da

pessoa humana, ao lado da soberania, da cidadania, dos valores sociais do

trabalho e da livre iniciativa e do pluralismo político.

• Cada Estado incorpora no seu ordenamento jurídico os direitos humanos mais

próximos aos seus próprios valores, aos valores de sua sociedade, decidindo

quais serão constitucionalizados (ou seja, quais alçarão a categoria de “direi-

tos fundamentais”), bem com quais pertencerão ao nível infraconstitucional

dentro do ordenamento.

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• Podemos afirmar que os direitos humanos representam um apanhado de nor-

mas jurídicas internas e externas que visam proteger a pessoa humana, ou

seja, um conjunto de direitos e garantias do ser humano que tem por finalida-

de o respeito à sua dignidade, capazes de protegê-lo do arbítrio do poder es-

tatal, garantindo-lhe condições mínimas de sobrevivência e desenvolvimento

de sua personalidade.

• No tocante à terminologia, temos que a expressão “direitos do homem” tem

cunho jusnaturalista, relacionada aos direitos inerentes à condição humana,

mas vinculada à vontade divina. Trata-se, pois, nessa concepção, de um di-

reito que não necessita de positivação, uma vez que diz respeito ao “direi-

to natural”. Já a expressão “direitos fundamentais” diz respeito diretamente

àqueles direitos positivados na Constituição Federal ou na Carta Constitucio-

nal de determinado país.

Direitos Humanos → Previstos no ordenamento internacional.


Ausência expressa em textos normativos, seja
Direitos do Homem →
na ordem interna ou internacional.
Direitos Fundamentais → Previstos em textos constitucionais.

• Quanto à fundamentação dos direitos humanos, para a doutrina Jusnatura-

lista os direitos humanos seriam os direitos tidos como básicos e inalienáveis

a todos os homens, independentemente de positivação. Seriam aqueles di-

reitos chamados de naturais, concebidos pela inspiração divina ou pela razão

humana. Seriam os direitos inerentes ao homem e não positivados em ne-

nhum ordenamento jurídico.

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• Para os positivistas, os direitos humanos seriam aqueles direitos concebidos

pelo Estado aos seres humanos, de forma institucionalizada, positivados no

ordenamento jurídico. Em contraponto aos jusnaturalistas, os positivistas

não acreditam na existência de direitos preexistentes aos já positivados e

reconhecidos pelo Estado.

• Para os moralistas, os direitos humanos são direitos morais da coletividade

humana, fundamentados não apenas de forma jurídica, mas sim em valores

da sociedade.

• Algumas doutrinas mais clássicas mencionam a “classificação” dos direitos

humanos também sob a nomenclatura de “dimensões” de direitos humanos

ou “gerações” de direitos humanos:

− PRIMEIRA DIMENSÃO: o VALOR tutelado é a LIBERDADE (direitos

de defesa). Tratam-se das liberdades públicas, consistentes nos direitos

civis (direito à vida, à liberdade, à propriedade privada etc.) e políticos

(direito de votar e ser votado).

− SEGUNDA DIMENSÃO: o VALOR tutelado é a IGUALDADE (direitos

de prestação). Tratam-se dos direitos econômicos, sociais e culturais, tais

como direito à moradia, previdência social, educação etc. São direitos de

aplicabilidade progressiva e infligem o dever de fazer do Estado, de cunho

positivo.

− TERCEIRA DIMENSÃO: o VALOR tutelado é a SOLIDARIEDADE ou

FRATERNIDADE (direitos difusos e coletivos). Trata-se do direto à paz,

autodeterminação dos povos, direito ao desenvolvimento, ao meio am-

biente etc.

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− QUARTA DIMENSÃO: o VALOR tutelado é o POVO (direito dos povos).


Trata-se da proteção de interesses que têm como objetivo a preservação do
ser humano em virtude de direitos que podem colocar em risco a existência
do homem (biossegurança, biodireito, patrimônio genético das pessoas etc).
− QUINTA DIMENSÃO: o VALOR tutelado é a PAZ. Para Paulo Bonavides,
a paz advém do reconhecimento universal como requisito da convivência
humana, da conservação da espécie, garantindo segurança aos direitos, eis
que somente se efetiva a dignidade da pessoa humana se a paz vier a ser
elevada a direito de quinta geração.

• Quanto à característica da historicidade, estamos nos referindo a todo o con-


texto histórico no qual se balizou a construção e a evolução dos direitos hu-
manos ao longo do tempo.
• Quanto à característica de universalidade, podemos dizer que se refere ao
fato de que todas as pessoas humanas são titulares dos direitos humanos,
tanto na esfera nacional como na internacional, sem nenhuma distinção que
se refira à sua condição humana.
• A característica da irrenunciabilidade denota a importância dos direitos hu-
manos no sentido de sua não abdicação, da impossibilidade de recusa, po-
dendo ser nula de pleno direito qualquer manifestação que contrarie esta
característica.
• Quanto à indisponibilidade, essa característica se aproxima muito da irre-
nunciabilidade, eis que os direitos humanos são indisponíveis de renúncia,
e, mesmo que a doutrina considere como renunciáveis alguns direitos, como
da privacidade e intimidade, esses somente serão disponíveis por um deter-
minado tempo, desde que tal disposição não se contraponha à dignidade da
pessoa humana.

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• No tocante à inalienabilidade, as doutrinas também relacionam tal caracterís-

tica com a irrenunciabilidade. Trata-se da impossibilidade de que os direitos

humanos possam ser de alguma forma alienados, um vez que representa

afronta à dignidade da pessoa humana.

• Quanto à característica da relatividade, a premissa utilizada pela doutrina é

a de que os direitos humanos podem sofrer limitações para adequá-los a ou-

tros valores coexistentes na ordem jurídica. Dessa forma, entende-se que em

caso de conflito entre princípios que garantem a proteção aos direitos huma-

nos, o aplicador do direito terá o desafio de relativizar um princípio para que

o outro se sobreponha.

• No que se refere à imprescritibilidade dos direitos humanos, tal característica

se pauta na premissa de que as normas de Direitos Humanos não se esgotam

nem se consomem com o passar do tempo.

• Outra característica de suma importância é a interdependência entre os di-

reitos humanos protegidos por diplomas constitucionais e internacionais. Em

função da natureza da matéria, é muito comum que um direito se vincule ao

outro, de forma complementar.

• Quanto à característica de não retrocesso em matéria de direitos humanos,

por força da historicidade dos Direitos Humanos, entende-se que a proteção à

dignidade da pessoa humana é expansiva, ou seja, está sempre em progres-

so, não sendo permitidos retrocessos em relação aos avanços já conquistados

pela humanidade.

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• A internacionalização dos direitos humanos passa efetivamente a ocorrer no

Século XX, destacando-se três principais marcos históricos:

− no plano histórico, o término da 2ª Guerra Mundial, em 1945;

− no plano político-institucional, a criação da Organização das Nações Unidas

(ONU), também em 1945;

− no plano jurídico, a promulgação da Declaração Universal dos Direitos Hu-

manos (DUDH), em1948.

• Também chamado de Direito dos Conflitos Armados, o Direito Internacional

Humanitário surgiu para proteger as pessoas envolvidas diretamente em si-

tuações de conflitos armados (vítimas, combatentes, população civil, captu-

rados etc.), identificado como um conjunto de normas aplicáveis aos conflitos

internacionais ou não internacionais, que limitam, por razões humanitárias,

o direito das partes de escolher livremente os métodos e os meios utilizados

na guerra, evitando que sejam afetadas as pessoas e os bens legalmente

protegidos.

• Criada em 1919 pelo Tratado de Versalhes, a Organização Internacional do

Trabalho aparece no cenário de proteção dos direitos humanos com o objetivo

de promover a universalização dos direitos sociais nas searas trabalhista e

previdenciária, visando à melhoria de vida do trabalhador em total equilíbrio

com o desenvolvimento econômico.

• A OIT desenvolve um sistema de normas internacionais que abrange todas

as matérias relacionadas com o trabalho, formalizadas por meio de conven-

ções e recomendações internacionais. As convenções da OIT se equiparam a

tratados internacionais sujeitos a ratificação pelos Estados Membros da Or-

ganização.

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ORGANIZAÇÃO
DIREITO LIGA DAS NAÇÕES
INTERNACIONAL DO
HUMANITÁRIO (ou SOCIEDADE DAS NAÇÕES)
TRABALHO
• Conjunto de normas • Organismo Internacional criado • Organismo criado
aplicáveis aos conflitos com o objetivo de promover a paz para promoção e pro-
armados internacionais social e evitar os conflitos arma- teção das atividades
ou não internacionais. dos. laborais em condições
• Comitê Internacional da • Antecedeu a Organização das justas e igualitárias.
Cruz Vermelha (CICV). Nações Unidas (ONU).

• Somente após a Segunda Grande Guerra, grande marco na história do Direi-

to Internacional, criou-se, na ocasião da Conferência de São Francisco, em

1945, a Organização das Nações Unidas (ONU), a fim de evitar novas guerras

e situações de conflitos, bem como criar condições para que a sociedade ca-

minhasse na orientação das diretrizes dos Direitos Humanos.

• A internacionalização dos Direitos Humanos é a disseminação, expansão, pro-

pagação dos Direitos Humanos, visto que sua proteção deixa de ser regional

e passa a ser preocupação de todos, internacionalmente e que sua aplicação

passa a ser questão de interesse internacional.

• Em tese, o Estado responde por todos os atos que violam os direitos huma-

nos, cometidos por representantes dos três poderes (Executivo, Legislativo

e Judiciário), e, também, por agentes estatais, independentemente da fun-

ção que ocupam, em todas as esferas (União, Estados, Distrito Federal e

Municípios).

• Figuram como elementos para a responsabilização do Estado:

− prática de um ato ilícito;

− imputabilidade da obrigação ao estado;

− prejuízo causado;

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− ação ou omissão contrária à norma internacional de direitos humanos;

− nexo de causalidade entre o ato ilícito e o agente causador responsável;

− dano ao direito humano da(s) vítima(s).

• Todas as medidas destinadas a contribuir para redução da criminalidade e

do sentimento de insegurança do cidadão estão inseridas no contexto de

prevenção, e não estamos falando somente de políticas de prevenção crimi-

nal, mas de um conjunto de ações públicas que podem ser consubstanciadas

como legislativas (leis), administrativas (polícias), judiciais (cumprimento

das leis) e ainda a participação da sociedade em colaboração.

• A responsabilidade pela prevenção e detecção de crimes é, principalmente,

das organizações de aplicação da lei, contudo, essa responsabilidade vai

além, tendo em vista que para que seja atingida a efetividade das ações

é importante que exista um vínculo de cooperação entre a organização de

aplicação da lei e a comunidade a que esta serve.

• As ações que buscam a prevenção e a detecção do crime devem estar as-

sistidas por altos padrões de moralidade e ética dos agentes de segurança,

buscando sempre preservar os direitos e liberdades individuais do capturado

ou o detido.

• As ações dos agentes de segurança devem ser orientadas pelos princípios

legais, morais, éticos e ainda aqueles referentes a preconização dos Direi-

tos Humanos, no sentido de disciplinar as condutas e ações tomadas pelos

seus agentes, garantindo a integridade dos seres humanos em situações de

conflito.

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• O Estado, por meio dos órgão policiais, deve proporcionar a manutenção da

ordem pública diante de toda espécie de violação, assegurando a convivência

dos homens em sociedade, protegendo o cidadão contra manifestações de

violência e garantindo o exercício da cidadania nos limites da lei.

• A manutenção da ordem está diretamente ligada à principal atividade exer-

cida pela Polícia Militar, conforme preconizado pelo § 5º do art. 144 da Carta

Magna, que versa, na primeira parte, sobre as ações de policiamento ostensi-

vo e preservação da ordem pública atribuídas às Polícias Militares dos Estados

e do Distrito Federal.

• A preservação da ordem pública garante as condições essenciais à vida hu-

mana, de forma que o agente de segurança tem como dever proteger a se-

gurança do cidadão e de seu patrimônio, bem como a salubridade e tranqui-

lidade no convívio social.

• A Constituição Federal de 1988 conjuga os direitos civis e políticos com expres-

sões do tipo “direitos sociais”, “bem-estar” e “desenvolvimento” associando-

-os à busca por uma sociedade fraterna, justa, pluralista e sem preconceitos,

valores esses consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos,

evidenciando a importância dos direitos econômicos, sociais e culturais.

• Nesse sentido também aparecem com destaque na CF/1988 os direitos so-

ciais, com especial ênfase aos direitos à educação, à saúde, à alimentação,

ao trabalho, à moradia, ao transporte, ao lazer, à segurança, à previdência

social, à maternidade e à infância e à assistência aos desamparados, nos

termos do art. 6º da Constituição, direitos esses detalhados no Título X da

CF/1988 (“Da Ordem Social”).

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• De maneira geral, os tratados e convenções internacionais se inserem no

ordenamento jurídico brasileiro em equivalência às leis ordinárias. Contudo,

em se tratando de diplomas internacionais que consagrem direitos humanos,

pairam discussões quanto à sua posição na ordem normativa, considerando

as interpretações acerca de seu status constitucional ou infralegal.

• A Constituição Federal de 1988 inovou ao incluir, dentre os direitos constitu-

cionalmente protegidos, os direitos enunciados nos tratados internacionais

de direitos humanos dos quais o Brasil seja signatário, atribuindo a eles uma

hierarquia de norma constitucional.

• O STF passou a adotar em suas decisões a teoria do duplo status dos tra-

tados e convenções internacionais de direitos humanos, da seguinte forma:

(i) Status Constitucional para os tratados que se submetem ao rito do § 3º

do art. 5º da CF/1988, a exemplo da Convenção sobre os Direitos das Pessoas

com Deficiência e de seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova Iorque, em

30 de março de 2007, e incorporados ao ordenamento via Decreto Legislativo

n. 186/2008; promulgada via Decreto n. 6.949, de 25 de agosto de 2009.

(ii) Status Supralegal para os tratados aprovados antes da Emenda Cons-

titucional n. 45/2004 e mesmo os posteriores que não observarem o rito do

§ 3º do art. 5º da CF/1988, posicionando-se abaixo da Constituição Federal,

porém, acima da legislação ordinária interna.

• A impossibilidade de denúncia acaba por atingir apenas os tratados e conven-

ções internacionais submetidos ao regime de aprovação previsto no § 3º do

art. 5º da CF/1988, restando aos tratados de direitos fundamentais que não

se submeteram ao mencionado regime a possibilidade de denúncia, por não

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alcançarem status de norma constitucional, nem sob o aspecto formal, nem

sob o aspecto material, não havendo óbice, portanto, à denúncia desses ins-

trumentos internacionais.

• O Controle de Convencionalidade permite a verificação de compatibilidade

das leis internas com os tratados e convenções internacionais, no nosso caso,

aqueles que envolvem a proteção de direitos humanos.

• Alguns doutrinadores, como Valério de Oliveira Mazzuoli, André de Carvalho

Ramos e Sidney Guerra, relacionam duas formas de exercício do controle de

convencionalidade:

(i) Controle de convencionalidade internacional: atribuído a órgãos

internacionais, a exemplo da Corte Interamericana de Direitos Humanos, da

Corte Europeia de Direitos Humanos e da Corte Africana de Direitos Huma-

nos: no sistema interamericano, o controle internacional permite que a Corte

Interamericana interprete e aplique o Pacto de São José da Costa Rica por

meio de um exame de confrontação com o direito interno (lei, ato adminis-

trativo, jurisprudência, práticas administrativas e judiciais, inclusive a própria

Constituição), permitindo-se que um Estado-parte seja condenado a revogar

leis incompatíveis com o Pacto, bem como a adaptar sua legislação por meio

de reformas constitucionais, garantindo-se a tutela dos direitos humanos no

ordenamento interno.

(ii) Controle de convencionalidade nacional: exercido pelo Poder Judi-

ciário no controle nacional de supralegalidade ou constitucionalidade,

considerando que o ordenamento brasileiro admite o duplo status dos trata-

dos e convenções internacionais de direitos humanos, a depender da forma

de sua internalização. Constitui-se na verificação pelo Poder Judiciário, dentro

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de suas respectivas competências, da compatibilidade das leis internas com

as convenções e tratados internacionais de direitos humanos. Trata-se de um

controle de legalidade, supralegalidade ou constitucionalidade, a depender

da internacionalização do tratado ou da convenção internacional de direitos

humanos.

• O Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3) está estruturado em 6

(seis) Eixos Orientadores, a saber:

− Eixo Orientador I: Interação democrática entre Estado e sociedade

civil;

− Eixo Orientador II: Desenvolvimento e Direitos Humanos;

− Eixo Orientador III: Universalizar direitos em um contexto de desi-

gualdades;

− Eixo Orientador IV: Segurança Pública, Acesso à Justiça e Combate

à Violência;

− Eixo Orientador V: Educação e Cultura em Direitos Humanos;

− Eixo Orientador VI: Direito à Memória e à Verdade.

• A estruturação do PNDH-3 com base no Eixo I (Interação democrática

entre Estado e sociedade civil) se justifica em virtude do avanço da demo-

cratização do País, notadamente com o surgimento e institucionalização de

vários movimentos sociais, com cada vez mais expressão política na socieda-

de, a ponto de influenciar diretamente a etapa de elaboração da Constituição

Federal de 1988, transformando-se em um dos pilares da nossa democracia.

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• A estruturação do PNDH-3 com base no Eixo II (Desenvolvimento e Direi-

tos Humanos) se justifica em virtude do tema se mostrar multidisciplinar e

bastante debatido, pressupondo que engloba temáticas referentes à livre de-

terminação dos povos, ao reconhecimento de soberania sobre seus recursos

e riquezas naturais, ao respeito pleno à sua identidade cultural e à busca de

equidade na distribuição das riquezas.

• A estruturação do PNDH-3 com base no Eixo III (Universalizar direitos

em um contexto de desigualdades) se justifica em virtude da Declaração

Universal dos Direitos Humanos afirmar, em seu preâmbulo, que o “reconhe-

cimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de

seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e

da paz no mundo”.

• A estruturação do PNDH-3 com base no Eixo IV (Segurança Pública, Aces-

so à Justiça e Combate à Violência) se justifica em virtude das tentativas

de reduzir o distanciamento entre a militância em direitos humanos e as polí-

ticas de segurança pública. A intenção do Programa, nesse sentido, em aper-

tada síntese, é fomentar que as articulações da sociedade civil se aproximem

cada vez mais dos debates que envolvam segurança pública.

• A estruturação do PNDH-3 com base no Eixo V (Educação e cultura em

Direitos Humanos) se justifica em virtude da necessidade de uma nova

mentalidade coletiva para o exercício da solidariedade, do respeito às diver-

sidades e da tolerância, em plena sintonia com o Plano Nacional de Educação

em Direitos Humanos (PNEDH).

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• A estruturação do PNDH-3 com base no Eixo VI (Direito à Memória e à

Verdade) se justifica em virtude da importância de investigar o passado para

uma melhor construção da cidadania, resgatando a verdade e reforçando a

memória individual e coletiva.

Pois bem, fixados esses pontos, seguidos de uma leitura detida dos textos ori-

ginais dos instrumentos de proteção dos direitos humanos aqui destacados e do

conteúdo da nossa aula, passamos agora para o nosso bloco de exercícios.

Boa sorte!!!

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QUESTÕES DE CONCURSO

1. (ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL/PC-SC/FEPESE/2017) É correto afirmar sobre di-

reitos humanos:

a) São direitos limitados a determinadas pessoas e grupos sociais.

b) Tratam-se de direitos divisíveis a parcela a sociedade, como forma de autopro-

teção social.

c) A sua natureza indivisível, inalienável e irrenunciável permite, a qualquer tem-

po, que o seu beneficiário o renuncie quando violado.

d) De alcance geral, devem ser aplicados de forma igual e sem discriminação.

e) Somente poderão ser invocados para tutelar direitos quando houver ameaça a

minorias étnicas.

2. (EDUCADOR SOCIAL/SEAS-CE/UECE-CEV/2017) Assinale a opção que corres-

ponde a uma característica dos direitos humanos.

a) Divisibilidade.

b) Prescritibilidade.

c) Primazia da norma mais favorável.

d) Disponibilidade.

3. (PSICÓLOGO/SEAS-CE/UECE-CEV/2017) No que concerne às características dos

direitos humanos, assinale a opção que completa corretamente a lacuna do seguinte

enunciado: “Os direitos humanos caracterizam-se também pela ______________,

ou seja, por pertencerem à pessoa independentemente de sua nacionalidade ou

mesmo do fato de serem apátridas”.

a) inerência

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b) indisponibilidade

c) transnacionalidade

d) imprescritibilidade

4. (PSICÓLOGO/SEAS-CE/UECE-CEV/2017) Considerando as características do Di-

reito Internacional dos Direitos Humanos, atente ao seguinte dispositivo legal: “O

Estado que não cumpre suas obrigações internacionais em matéria de direitos hu-

manos comete ato ilícito e pode ser responsabilizado internacionalmente, podendo

assim sofrer sanções e ser obrigado a reparar o dano eventualmente causado aos

indivíduos e terceiros Estados eventualmente prejudicados”.

A característica do Direito Internacional dos Direitos Humanos a que o dispositivo

acima remete é a

a) possibilidade de monitoramento internacional.

b) possibilidade de responsabilização internacional.

c) universalidade.

d) subsidiariedade do sistema de proteção internacional dos direitos humanos.

5. (DEFENSOR PÚBLICO/DPE-PR/FCC/2017) No plano da teoria geral, certos atri-

butos seriam inerentes aos direitos humanos. Acerca das características principais

dos direitos humanos, é correto afirmar:

a) A irrenunciabilidade dos direitos humanos deve ser harmonizada com a autono-

mia da vontade, donde se conclui que a pessoa civilmente capaz pode se despojar

da proteção de faceta de sua dignidade, a exemplo do famoso caso francês do “ar-

remesso de anões”.

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b) Admite-se a relatividade dos direitos humanos, pois estes colidem entre si e

podem sofrer restrições por ato estatal ou de seu próprio titular, a exemplo da

vedação de associação para fins paramilitares previsto pelo poder constituinte ori-

ginário.

c) Tendo em vista que as normas de proteção aos direitos humanos não integram

o chamado jus cogens, a universalidade dos direitos humanos é relativizada, pre-

valecendo uma forte ideia de respeito ao relativismo cultural, ainda que o Estado

seja parte formal da comunidade internacional.

d) A imprescritibilidade dos direitos humanos não alcança a pretensão à reparação

econômica decorrente de sua violação. Portanto, inexiste direito à indenização por

violação a direitos humanos ocorridos durante o regime militar.

e) Em razão do caráter histórico dos direitos humanos, existe consenso doutriná-

rio acerca de sua divisibilidade, estabelecendo-se independência entre os direitos

humanos e priorização de sua exigibilidade a partir do espaço geográfico em que

seu titular esteja inserido.

6. (AGENTE PENITENCIÁRIO-SUPERIOR/SEJUDH-MT/IBADE/2017) Com relação às

características fundamentais dos direitos humanos, assinale a alternativa que des-

creve corretamente uma delas.

a) Renunciabilidade

b) Soberania estatal

c) Alienabilidade

d) Prescritibilidade

e) Universalidade

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7. (AGENTE PENITENCIÁRIO-MÉDIO/SEGEP-MA/FUNCAB/2016) A característica

que consiste no reconhecimento de que todos os direitos humanos possuem a

mesma proteção jurídica, uma vez que são essenciais para uma vida digna corres-

ponde à:

a) indivisibilidade.

b) universalidade.

c) indisponibilidade.

d) inalienabilidade.

e) imprescritibilidade.

8. (PEDAGOGO/PREFEITURA DE NATAL-RN/IDECAN/2016) “A Youth for Human Ri-

ghts International afirma que as crianças que não conhecem os seus direitos são

vulneráveis e presas fáceis para os indivíduos mal-intencionados. Estatísticas de

perda da dignidade e da vida através do abuso infantil, violência de gangs, trabalho

infantil e crianças-soldados são incrivelmente altos.” (Disponível em: http://br.you-

thforhumanrights.org/voices-for-human-rights/human-rights-abuses.html.)

Os direitos humanos incluem o direito à vida e à liberdade, à liberdade de opinião

e de expressão, o direito ao trabalho e à educação, entre muitos outros. Todos me-

recem estes direitos, sem discriminação. Acerca dos direitos humanos, assinale a

afirmativa INCORRETA.

a) São universais, o que quer dizer que são aplicados de forma igual e sem discri-

minação a todas as pessoas.

b) Devem ser vistos como de igual importância, sendo igualmente essencial res-

peitar a dignidade e o valor de cada pessoa.

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c) São inalienáveis, e ninguém pode ser privado de seus direitos humanos. O que

implica em não poder ser limitados em determinadas situações.

d) São indivisíveis, inter-relacionados e interdependentes, já que é insuficiente

respeitar alguns direitos humanos e outros não. Na prática, a violação de um direito

vai afetar o respeito por muitos outros.

9. (TÉCNICO DE ADMINISTRAÇÃO/SECRETARIA DA CRIANÇA-DF/FUNIVERSA/

2015) De acordo com o que dispõe a Declaração Universal dos Direitos Humanos,

os direitos humanos são indivisíveis e englobam, exclusivamente, os direitos

a) civis, políticos, econômicos, sociais e culturais, não prevendo hierarquia entre

eles.

b) civis e políticos.

c) coletivos e individuais, estes últimos hierarquicamente superiores.

d) econômicos e sociais.

10. (DEFENSOR PÚBLICO/DPE-PA/FMP CONCURSOS/2015) Sobre as característi-

cas dos direitos humanos, é CORRETO afirmar que:

a) o historicismo é característica inerente aos direitos humanos, o qual determina

a possibilidade de que tais direitos sejam reconhecidos e, posteriormente, suprimi-

dos, conforme a evolução do pensamento humano.

b) a defesa da característica da universalidade dos direitos humanos contempla a

proibição de tratamento diferenciado a determinados grupos sociais ou culturais,

em qualquer circunstância.

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c) a irrenunciabilidade reconhecida aos direitos humanos significa a impossibilida-

de de que o seu titular abra mão de direitos previstos em tratados internacionais,

os quais, entretanto, podem sofrer restrições por lei ordinária, conforme o ordena-

mento jurídico de cada país.

d) os direitos humanos são caracterizados pela indivisibilidade e complementarie-

dade, de forma que compõem um único conjunto de direitos, cuja observância deve

ser sistêmica e lastreada no princípio da dignidade da pessoa humana.

e) a imprescritibilidade dos direitos humanos determina a inexistência de prazo

para ajuizamento de ações em face do Estado a respeito de eventuais violações

desses direitos.

11. (POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL/PRF/CESPE/2013) Julgue o próximo item,

relativo aos direitos humanos, à responsabilidade do Estado e à Política Nacional de

Direitos Humanos.

A aplicação das normas de direito internacional humanitário e de direito internacio-

nal dos refugiados impossibilita a aplicação das normas básicas do direito interna-

cional dos direitos humanos.

12. (DEFENSOR PÚBLICO FEDERAL/DPU/CESPE/2017) Acerca da proteção a gru-

pos vulneráveis, julgue o seguinte item.

A parcela da população que utiliza como moradia ruínas de edifícios abandonados

pelos proprietários está incluída na mesma proteção dedicada àqueles que estão

em situação de rua.

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13. (PSICÓLOGO/SEAS-CE/UECE-CEV/2017) Considerando as fontes dos direitos

humanos, assinale a afirmação verdadeira.

a) As fontes formais dos direitos humanos são os fatos sociais e ideias que formam

a convicção da necessidade de proteger um valor entendido como fundamental

para a promoção da dignidade humana.

b) As fontes materiais dos direitos humanos são as formas de expressão da norma

jurídica que consagra direitos inerentes à dignidade humana. Em regra, correspon-

dem às fontes do Direito em geral e às do Direito Internacional Público.

c) As fontes materiais são, mormente, os tratados e acordos internacionais.

d) As fontes formais dos direitos humanos são as formas de expressão da norma

jurídica que consagra direitos inerentes à dignidade humana. Em regra, correspon-

dem às fontes do Direito em geral e às do Direito Internacional Público.

14. (TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS/TJ-RJ/CETRO/2017) A

migração é constituinte do processo de formação da maior parte das comunidades

políticas que, hoje, chama-se Estado (MOULIN, 2011). Vários motivos incentivaram

a movimentação de pessoas, significando que as migrações estão submetidas às

transformações que os processos globais transacionais imprimem às relações so-

ciais, econômicas, políticas, na contemporaneidade. Do ponto de vista conceitual,

a migração internacional vincula-se inexoravelmente à ideia de Estados Nacionais,

materializando-se por meio de cruzamento de fronteiras políticas de tais Estados.

(CASTLES, 2009; SAYAD, 1999 apud BARALDI, 2014). Segundo a Convenção das

Nações Unidas e sobre o Estatuto dos Refugiados de 1951, são refugiados: “[...] as

pessoas que se encontram fora do seu país por causa de fundado temor de perse-

guição por motivos de raça, religião, nacionalidade, opinião política ou participação

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de grupos sociais, e que não possam (ou não queiram) voltar para casa [...].” (Cf.

ACNUR. Agência da ONU para refugiados. Perguntas e Respostas. Quem pode ser

considerado refugiado. Disponível em <http://www.acnur.org/portugues/informa-

cao-geral/perguntas-e-respostas/>. Acesso em 14 abr. 2017). Adaptado.

Diante do exposto, leia o caso abaixo.

J.N. vivia na província de Cabinda-Angola. O pai do solicitante fez parte da FLEC

(Frente de Libertação do Enclave de Cabinda) e, portanto, cresceu vendo o apoio

massivo a este movimento político pela independência de Cabinda durante o perío-

do colonial. Com a independência de Angola, Cabinda foi incorporada e o movimen-

to passou a reivindicar a independência de Cabinda. Em 1983, o movimento fun-

dou seu braço armado, a FAC (Forças Armadas de Cabinda) e passou a se chamar

FLEC-FAC. Com o falecimento de seu pai em 2000, de causas naturais, J.N. passa

a fazer parte do movimento. Reúne-se com membros da FLEC e exerce atividades

de propaganda. Ele distribuía propaganda e informava sobre a segurança, já que

havia muitos desaparecimentos forçados e detenções arbitrárias. O solicitante foi

perseguido por suas opiniões políticas. Chegou a ser baleado quando tentou fugir

da polícia, estando vários meses hospitalizado, até que conseguiu fugir para o Bra-

sil com um passaporte falso. Necessário ressaltar que o solicitante participava de

uma organização oposicionista, entretanto, nunca se envolveu em incidentes de

violência. O solicitante, estando detido no presídio Adriano Marrey, em Guarulhos,

devido ao uso de documento falso, teve seu pedido encaminhado por carta às Cá-

ritas de São Paulo e recebido pela Polícia Federal. O solicitante foi entrevistado no

próprio presídio.

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De acordo com as leis brasileiras para refugiados, marque V para verdadeiro ou F

para falso e, em seguida, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.

 (  ) O CONARE pode aplicar o disposto no artigo 8º da Lei nº 9.474/1997, que dis-

põe acerca do não impedimento de acesso ao procedimento de determinação

do Estatuto dos Refugiados devido ao ingresso irregular no País.

 (  ) A solicitação de reconhecimento de refugiado não foi deferida porque o solici-

tante entrou com documento falso e foi preso no presídio Adriano Marrey em

Guarulhos.

 (  ) Sendo indeferida a solicitação de refúgio, o solicitante poderá enviar recurso

ao Ministério de Estado da Justiça, no prazo de 15 (quinze) dias, contados a

partir do recebimento da solicitação. Entretanto, não fica garantido ao solici-

tante poder permanecer em solo nacional.

 (  ) J.N. participava de uma organização oposicionista, mas como nunca se envol-

veu em incidentes de violência, a sua participação não foi impeditiva para a

concessão de condição de refugiado.

 (  ) ) Sendo deferido o seu pedido, J.N. terá direito, nos termos da Convenção so-

bre o Estatuto dos Refugiados de 1951, à cédula de identidade comprobatória

de sua condição jurídica, à carteira de trabalho e ao documento de viagem.

a) F/ V/ F/ V/ V

b) V/ V/ V/ F/ F

c) V/ F/ F/ V/ V

d) F/ V/ V/ V/ F

e) V/ F/ V/ F/ V

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15. (AGENTE PENITENCIÁRIO-SUPERIOR/SEJUDH-MT/IBADE/2017) Com relação

à política brasileira para o acolhimento de refugiados, assinale a alternativa correta.

a) Mesmo os indivíduos considerados culpados de atos contrários aos fins e princí-

pios das Nações Unidas podem se beneficiar da condição de refugiado.

b) O Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) não integra o CONARE.

c) O Brasil não é parte da Convenção Internacional sobre o Estatuto dos Refugia-

dos de 1951.

d) O Comitê Nacional para os Refugiados (“CONARE”) é o órgão responsável por

declarar o reconhecimento da condição de refugiado.

e) Não compete ao CONARE determinar a perda da condição de refugiado.

16. (DEFENSOR PÚBLICO/DPE-BA/FCC/2016) O conceito de refugiado, dentro da

convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados (1951), respeita algumas premissas

e determinações, sendo correto afirmar que cessa a condição de refugiado e passa

a NÃO gozar de toda a sua proteção o agente contra quem houver sérias razões

para pensar que

a) pretendeu voltar ao seu país de origem sem que haja autorização expressa da

autoridade consular.

b) cometeu um crime contra a paz, um crime de guerra ou um crime contra a hu-

manidade, no sentido dos instrumentos internacionais elaborados para prever tais

crimes.

c) não abriu mão de sua nacionalidade no país que o acolher.

d) pleiteou, no que tange ao direito de associação, o tratamento mais favorável

concedido aos nacionais de um país estrangeiro.

e) adotou, no território do país que o acolher, religião diversa da oficial deste país.

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17. (DEFENSOR PÚBLICO/DPE-PE/CESPE/2015) Julgue o item subsecutivo, a res-

peito de aspectos gerais e históricos dos direitos humanos.

As três vertentes da proteção internacional da pessoa humana, a saber, os direitos

humanos, o direito humanitário e o direito dos refugiados, foram consagradas nas

conferências mundiais da última década de 90. Não obstante, a implementação

dessas vertentes deve atender às demandas de cada região, mesmo que não haja

sistemas regionais de proteção.

18. (PROCURADOR DA REPÚBLICA/PGR/PGR/2015) Assinale a alternativa correta:

a) O Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos não prevê, expressamente, a

proibição por lei de qualquer apologia do ódio nacional, racial ou religioso que cons-

titua incitamento a discriminação, a hostilidade ou a violência.

b) A Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência determina

que os Estados-Partes reconheçam o direito das pessoas com deficiência a educa-

ção. Para efetivar esse direito sem discriminação e com base na igualdade de opor-

tunidades, os Estados-Partes assegurarão sistema educacional inclusivo em todos

os níveis.

c) A Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança exige que somente maiores

de 18 anos possam participar de conflitos armados e desde que obedecidas as re-

gras do Direito Internacional Humanitário.

d) A Convenção da ONU contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis,

Desumanos ou Degradantes admite que, em casos excepcionais, a prova obtida

como resultado de tortura possa ser usada contra o individuo torturado.

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19. (SOCIOEDUCADOR/SEAS-CE/UECE-CEV/2017) Atente ao seguinte enunciado:

“[...] também guiada pelo ideário iluminista, veio a consagrar inúmeros direitos da

pessoa, em documentos como a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão,

de 1789, e as Constituições de 1791 e de 1793, que reconheceram expressamente

a liberdade e a igualdade inerentes ao ser humano, bem como a necessidade de

limitar os poderes estatais, de modo a que estes não interferissem na esfera de

liberdade dos indivíduos”.

No que diz respeito a direitos humanos, o enunciado acima faz referência ao legado

resultante da

a) Revolução Inglesa.

b) Revolução Francesa.

c) Revolução Industrial.

d) Primeira Guerra Mundial.

20. (PSICÓLOGO/SEAS-CE/UECE-CEV/2017) Atente ao seguinte excerto: “O marco

mais significativo da formação do Direito Internacional dos Direitos Humanos [...],

a partir do qual o tema entrou definitivamente na agenda internacional e se tornou

objeto de vasta regulamentação no Direito das Gentes e da atenção de vários fo-

ros internacionais e internos, bem como referência mínima, às quais deveriam se

conformar todas as ordens jurídicas nacionais, e marco jurídico com pretensão de

prevalência sobre valores tradicionais no Direito Internacional, como a soberania

nacional, a não intervenção em assuntos internos e a vontade estatal”.

O excerto acima se refere

a) à Segunda Guerra Mundial.

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b) à Revolução Francesa.

c) à Revolução Industrial.

d) ao Iluminismo.

21. (DEFENSOR PÚBLICO/DPE-BA/FCC/2016) O controle de convencionalidade na

sua vertente nacional quando comparado com a vertente internacional apresenta

inúmeras diferenças, destacando-se:

a) Para que o controle de convencionalidade seja exercido, no âmbito interno, é

necessário o prévio esgotamento das vias ordinárias e a matéria precisa ser objeto

de prequestionamento.

b) Na vertente internacional o parâmetro de controle é a norma internacional e

pouco importa a hierarquia da lei local, podendo, inclusive, ser oriunda do poder

constituinte originário.

c) No que diz respeito ao aspecto nacional apenas o Supremo Tribunal Federal tem

competência para exercê-lo e, por isso, é uma forma de se apresentar o controle

concentrado de constitucionalidade.

d) Na vertente internacional o parâmetro de controle é a norma internacional, po-

rém, é impossível exercer tal controle no que diz respeito às normas oriundas do

poder constituinte originário.

e) Em que pese ser objeto de estudo, o controle de convencionalidade se resume

à aplicação doutrinária.

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22. (DEFENSOR PÚBLICO/DPE-BA/FCC/2016) Com relação à origem histórica dos

direitos humanos, um grande número de documentos e veículos normativos po-

dem ser mencionados, dentre eles é correto afirmar que cada um dos documentos

abaixo mencionados está relacionado com um direito humano específico, com EX-

CEÇÃO de:

a) Declaração de Direitos do Estado da Virgínia, 1776, que disciplinou os direitos

trabalhistas e previdenciários como direitos sociais.

b) Declaração de Direitos (Bill of Rights), 1689, que previu a separação de poderes

e o direito de petição.

c) Convenção de Genebra, 1864, que teve relevante destaque no tratamento do

direito humanitário.

d) Constituição de Weimar, 1919, que trouxe a igualdade jurídica entre marido e

mulher, equiparou os filhos legítimos aos ilegítimos com relação à política social do

Estado.

e) Constituição Mexicana, 1917, que expandiu o sistema de educação pública, deu

base à reforma agrária e protegeu o trabalhador assalariado.

23. (DEFENSOR PÚBLICO/DPE-BA/FCC/2016) No que tange à responsabilização

internacional do Estado por violação de compromissos assumidos no âmbito inter-

nacional,

a) em respeito à soberania, o Estado não pode ser responsabilizado, internacio-

nalmente, a fazer ou deixar de fazer algo no âmbito interno e as condenações se

limitam a obrigações de dar.

b) prevalece que a responsabilidade é subjetiva, ou seja prescinde de dolo ou culpa

para que o Estado seja responsabilizado.

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c) prevalece que, em matéria de Direitos Humanos, a responsabilidade é objeti-

va, devendo haver a violação de uma obrigação internacional, acompanhada do

nexo de causalidade entre a mencionada violação e o dano sofrido.

d) o Estado não é responsabilizado se comprovar que investigou e puniu os seus

agentes internos.

e) não há que se falar em responsabilização internacional, na medida em que

não existe um órgão internacional de execução de sentenças condenatórias das

cortes internacionais.

24. (ANALISTA JUDICIÁRIO-SERVIÇO SOCIAL/TRT-3ª REGIÃO-MG/FCC/2015)

No âmbito dos Direitos Humanos observa-se que, historicamente, há um movi-

mento de dividir a sociedade de forma dicotômica caracterizando os seres hu-

manos em normais e anormais, iguais e diferentes entre outras nomenclaturas

estigmatizantes. Nessa lógica,

a) as diferenças sociais não podem ser caracterizadas como elementos estigma-

tizantes.

b) esta caracterização por oposto representa de forma natural as diferenças na

sociedade.

c) por se tratar de uma construção histórica, não há mecanismos que possam

mudá-la.

d) os estigmas são parte constitutivas das sociedades contemporâneas.

e) ao dividir a sociedade de forma dicotômica, reforça os processos de exclusão

e segregação social.

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25. (PROCURADOR DO TRABALHO/MPT/MPT/2015) Sobre a evolução histórica dos

direitos humanos, assinale a alternativa CORRETA:

a) O Bill of Rights dos Estados Unidos da América consiste em um rol de direitos

fundamentais inserido na Declaração de Independência proclamada por Thomas

Jefferson em 1776, posteriormente incorporado aos Artigos da Confederação.

b) O Bill of Rights dos Estados Unidos da América constitui-se de normas originá-

rias constantes da Constituição aprovada na Convenção da Filadélfia em 1787.

c) O Bill of Rights dos Estados Unidos da América foi inserido somente em 1791 na

Constituição americana, sob a forma de emendas constitucionais.

d) O Bill of Rights formalmente não é uma norma federal nos Estados Unidos da

América, mas sim uma interpretação extensiva da Declaração de Direitos da Virgi-

nia promovida pela jurisprudência da Suprema Corte americana.

e) Não respondida.

26. (PSICÓLOGO/SEAS-CE/UECE-CEV/2017) Atente ao seguinte enunciado: “Tra-

ta-se de uma teoria amplamente difundida na doutrina e na prática dos direitos

humanos, fundamenta tais direitos em uma ordem superior, universal, imutável e

inderrogável”.

A teoria descrita no enunciado acima é a Teoria

a) Positivista.

b) Jusnaturalista.

c) Moralista.

d) Moderna.

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27. (DELEGADO DE POLÍCIA/PC-PA/FUNCAB/2016) Sobre o aspecto internacional

dos direitos humanos e seus tratados, está correto afirmar que:

a) as sanções aplicadas pela Organização das Nações Unidas podem violar os di-

reitos humanos em caso de rompimento da paz.

b) é um direito de proteção que visa proteger os estados.

c) não contém aspecto ideológico e político acentuado.

d) os direitos humanos pertencem a jurisdição doméstica e ao domínio reservado

dos estados.

e) o direito internacional dos direitos humanos não está sujeito ao princípio da re-

ciprocidade que domina o direito internacional público.

28. (INDIGENISTA ESPECIALIZADO/FUNAI/ESAF/2016) Assinale a opção que defi-

ne corretamente o que é etnocentrismo.

a) Aquela visão de mundo característica de quem considera o seu grupo étnico,

nação ou nacionalidade socialmente mais insignificante do que os demais.

b) Um conceito cunhado pela antropologia para aludir à tendência presente em

todas as culturas humanas, que faz com que se entenda a realidade e as outras

culturas a partir dos próprios padrões culturais.

c) Um fenômeno natural que se prende ao fato de acharmos que a nossa própria

etnia e as nossas respectivas práticas culturais são equivalentes aos comportamen-

tos de outros grupos.

d) Uma noção correlata ao conceito de relativismo cultural, que se refere à tendên-

cia que temos de considerar as culturas dos demais povos como inferiores à nossa.

e) Uma noção correlata ao conceito de relativismo cultural, que se refere à tendên-

cia que temos de considerar as culturas dos demais povos a partir dos seus próprios

valores, categorias e padrões culturais.

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29. (PROMOTOR DE JUSTIÇA-VESPERTINA/MPE-SC/MPE-SC/2016) Conceitual-

mente, os direitos humanos são os direitos protegidos pela ordem internacional

contra as violações e arbitrariedades que um Estado possa cometer às pessoas su-

jeitas à sua jurisdição. Por sua vez, os direitos fundamentais são afetos à proteção

interna dos direitos dos cidadãos, os quais encontram-se positivados nos textos

constitucionais contemporâneos.

30. (AGENTE PENITENCIÁRIO-MÉDIO/SEGEP-MA/FUNCAB/2016) Acerca do con-

ceito e estrutura dos direitos humanos, assinale a assertiva correta.

a) Os direitos humanos têm estrutura variada, podendo ser: direito-pretensão,

direito-liberdade, direito-poder e, finalmente, direito-imunidade.

b) Os direitos humanos são os essenciais e dispensáveis à vida digna.

c) O direito-pretensão consiste na autorização dada por uma norma a uma deter-

minada pessoa, impedindo que outra interfira de qualquer modo.

d) O direito-liberdade implica uma relação de poder de uma pessoa de exigir de-

terminada sujeição do Estado ou de outra pessoa.

e) O direito-poder consiste na busca de algo, gerando a contrapartida de outrem

do dever de prestar.

31. (ATENDENTE LEGISLATIVO/CÂMARA MUNICIPAL DE MARIALVA-PR/FAUEL/2015)

“Cuidar para que as atrocidades cometidas em nome do povo não se cometam no-

vamente é um problema internacional e um desafio que cada vez mais os países

de todo o mundo têm tido de enfrentar”. (BEATY, David. A Essência do Estado de

Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2014, p. 2)

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O enfrentamento de tal problema perpassa pela defesa:

a) Dos Direitos Humanos.

b) Dos preceitos religiosos.

c) Das lideranças carismáticas.

d) Dos interesses nacionais.

32. (JUIZ DE DIREITO/TJM-SP/VUNESP/2016) Sobre os direitos do homem, assi-

nale a alternativa correta.

a) Os direitos de terceira dimensão são direitos transindividuais que extrapolam

os interesses do indivíduo, focados na proteção do gênero humano. Evidencia-se

nesse contexto a ideia de humanismo e universalidade.

b) Os direitos humanos de primeira dimensão buscam o respeito às liberdades

individuais e têm como base histórica a Magna Carta de 1215 e o Tratado de Ver-

salhes.

c) A doutrina é unânime em reconhecer que a expressão direitos humanos é si-

nônima da expressão direitos fundamentais, inexistindo distinção entre os termos.

d) Os direitos humanos de segunda dimensão colocam em perspectiva os direitos

sociais, culturais e econômicos, bem como os direitos coletivos, sendo a Constitui-

ção de Weimar a primeira carta política a reconhecê-los.

e) Alguns doutrinadores já reconhecem a existência da quarta e quinta dimensões

de direitos do homem. No primeiro caso, o foco seria o direito ao desenvolvimento

e à paz. No segundo caso, os direitos estariam relacionados à engenharia genética

e ao meio ambiente.

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33. (ANALISTA DE PROMOTORIA-ASSISTENTE JURÍDICO/MPE-SP/VUNESP/2015)

Assinale a alternativa que corretamente disserta sobre aspectos conceituais dos

direitos humanos em sua evolução histórica.

a) Os direitos humanos da terceira dimensão marcam a passagem de um Estado

autoritário para um Estado de Direito e, nesse contexto, o respeito às liberdades

individuais, em uma perspectiva de absenteísmo estatal, fruto do pensamento libe-

ral-burguês do século XVIII.

b) Os direitos de quarta dimensão, ou direitos de liberdade, têm como titular o

indivíduo, são oponíveis ao Estado, traduzem-se como faculdades ou atributos da

pessoa e ostentam uma subjetividade que é seu traço mais característico, sendo,

assim, direitos de resistência ou oposição ao Estado.

c) Os direitos fundamentais da primeira dimensão são marcados pela alteração da

sociedade por profundas mudanças na comunidade internacional, identificando-se

consequentes alterações nas relações econômico-sociais, sobretudo na sociedade

de massa, fruto do desenvolvimento tecnológico e científico.

d) Os direitos da quinta dimensão são direitos transindividuais que transcendem

os interesses do indivíduo e passam a se preocupar com o gênero humano, com

altíssimo teor de humanismo e universalidade, inserindo-se o ser humano em uma

coletividade que passa a ter direitos de solidariedade ou de fraternidade.

e) A evidenciação de direitos sociais, culturais e econômicos, correspondendo aos

direitos de igualdade, sob o prisma substancial, real e material, e não meramente

formal, mostra-se marcante nos documentos pertencentes ao que se convencionou

classificar como segunda dimensão dos direitos humanos.

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34. (TÉCNICO EM DEFESA SOCIAL/SEDS-TO/ 2014/ FUNCAB) Os direitos humanos

foram expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Ela surgiu

da preocupação em criar um código de conduta internacional que contemplasse os

direitos fundamentais da pessoa humana, os quais deveriam garantir a(o):

a) criação de uma lei nacional.

b) punição severa.

c) mínimo necessário para viver com dignidade.

d) máximo de obrigações do Estado.

35. (PROMOTOR DE JUSTIÇA/MPE-AC/CESPE/2014) No que se refere ao sistema

internacional de proteção dos direitos humanos, assinale a opção correta.

a) O Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais e o Pacto

Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, adotados pela ONU, têm natureza ju-

rídica de tratados internacionais, assim incorporados pelo Brasil.

b) A Corte Europeia de Direitos Humanos, que compõe o quadro institucional da

União Europeia, vincula apenas os países- membros desta.

c) O Brasil reconheceu a jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos

desde que ela foi instituída, tendo apoiado os processos que deram origem ao sis-

tema interamericano de direitos humanos.

d) A Declaração Universal dos Direitos Humanos tem estatuto de tratado interna-

cional e marca o início da chamada fase de universalização dos direitos do homem.

e) O Tribunal Penal Internacional, importante instrumento de afirmação interna-

cional dos direitos humanos, foi criado na década de sessenta do século passado.

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36. (DEFENSOR PÚBLICO/DPE-RS/FCC/2014) Na teoria geral dos direitos huma-

nos, um dos debates mais relevantes diz respeito ao dilema dos seus fundamentos

filosóficos. Duas correntes bem distintas lideram a discussão: o relativismo cultural

e o universalismo. Os adeptos da doutrina universalista defendem a visão de que

a) não há uma moral universal, pois a história do mundo é a história de uma plu-

ralidade de culturas.

b) na medida em que todas as culturas possuem concepções de dignidade huma-

na, deve-se aumentar a consciência das incompletudes culturais mútuas, como

pressuposto para um diálogo intercultural.

c) a noção de direitos está estritamente relacionada ao sistema político, cultural,

econômico, moral e social vigente em determinada sociedade.

d) os direitos humanos decorrem da dignidade humana, na qualidade de valor

intrínseco à condição humana, concebendo-se uma noção de direitos baseada em

um mínimo ético irredutível.

e) a cultura é a única fonte de validade de um direito ou regra moral.

37. (ESCRIVÃO DE POLÍCIA/PC-SP/VUNESP/2018) Assinale a alternativa que con-

templa afirmativa em consonância com a Convenção Americana de Direitos Hu-

manos.

a) Em nenhum caso pode a pena de morte ser aplicada por delitos políticos, nem

por delitos comuns cometidos por menores de 21 anos de idade.

b) Toda pessoa terá direito a obter indenização decorrente de prisão ilegal, salvo

por erro judiciário.

c) O preso tem direito de ser assistido por um defensor oferecido pelo Estado,

vedado ao acusado se defender ele próprio.

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d) O processo penal deve ser público, salvo no que for necessário para preservar

os interesses da justiça.

e) Se depois da perpetração do delito a lei dispuser a imposição de pena mais leve,

o delinquente não poderá ser por isso beneficiado.

38. (AGENTE DE TELECOMUNICAÇÕES POLICIAL/PC-SP/VUNESP/2018) Nos ter-

mos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, todo ser humano tem

a) assegurado o direito ao amplo acesso à informação, sendo vedado, em qualquer

hipótese, resguardar o sigilo da fonte.

b) deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua

personalidade é possível.

c) direito à prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de

internação coletiva.

d) direito a obter gratuitamente certidões em repartições públicas para o exercício

da ampla defesa.

e) assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização

por dano material, moral ou à imagem.

39. (ANALISTA LEGISLATIVO MUNICIPAL-ÁREA LEGISLATIVA/CÂMARA DE SALVA-

DOR-BA/FGV/2018) A República Federativa do Brasil, pelo órgão competente, assi-

nou determinada Convenção Internacional de Proteção aos Direitos Humanos. Ato

contínuo, a Convenção foi aprovada em cada Casa do Congresso Nacional em dois

turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros. Por fim, após o depó-

sito do instrumento de ratificação, foi promulgada na ordem interna pelo Presidente

da República.

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À luz da sistemática constitucional, a referida Convenção, na ordem jurídica inter-

na, tem natureza jurídica equivalente:

a) à emenda constitucional;

b) à lei ordinária;

c) à lei complementar;

d) à lei delegada;

e) ao decreto autônomo.

40. (DEFENSOR PÚBLICO/DPE-PR/FCC/2017) Segundo jurisprudência do Supremo

Tribunal Federal, os tratados de direitos humanos serão incorporados pela ordem

jurídica brasileira a partir da

a) ratificação e depósito do tratado pelo Presidente da República

b) publicação de decreto legislativo, de forma conjunta, pelo Presidente da Repú-

blica e pelo Presidente do Congresso Nacional.

c) promulgação, por um decreto executivo do Presidente da República.

d) assinatura do tratado pelo Presidente da República.

e) aprovação do Congresso Nacional, mediante decreto legislativo.

41. (AUXILIAR ADMINISTRATIVO/COFECI/QUADRIX/2017) O Estado garantirá a

todos o pleno exercício dos direitos culturais e o acesso às fontes da cultura nacio-

nal e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais. No

que se refere a esse assunto, julgue o item a seguir com base na CF.

É facultado aos estados e ao Distrito Federal vincular a fundo estadual de fomento

à cultura até cinco décimos porcento de sua receita tributária líquida para o finan-

ciamento de programas e projetos culturais, sendo vedada a aplicação desses re-

cursos para o pagamento de despesas com pessoal e encargos sociais.

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42. (TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/TRF-5ª REGIÃO/FCC/2017)

Considere as afirmações abaixo sobre o patrimônio cultural brasileiro.

I – Os modos de criar, fazer e viver, bem como as formas de expressão, por-

tadores de referência à identidade, ação e memória dos diferentes grupos

formadores da sociedade brasileira constituem patrimônio cultural brasileiro.

II – Ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscên-

cias históricas dos antigos quilombos.

III – É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a fundo estadual de fo-

mento à cultura até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida,

para o financiamento de programas e projetos culturais, vedada a aplicação

desses recursos no pagamento de despesas com pessoal e encargos sociais,

serviço da dívida e qualquer outra despesa corrente não vinculada direta-

mente aos investimentos ou ações apoiados.

IV – As edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-cultu-

rais não constituem patrimônio cultural brasileiro.

À luz da Constituição Federal, está correto o que se afirma APENAS em

a) I, III e IV.

b) I e III.

c) II e IV.

d) I, II e III.

e) II, III e IV.

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43. (AGENTE DE POLÍCIA/PC-SC/ACAFE/2014) Os remédios constitucionais são as

formas estabelecidas pela Constituição Federal para concretizar e proteger os di-

reitos fundamentais a fim de que sejam assegurados os valores essenciais e indis-

poníveis do ser humano.

Assim, é correto afirmar, exceto:

a) O habeas corpus pode ser formulado sem advogado, não tendo de obedecer a

qualquer formalidade processual, e o próprio cidadão prejudicado pode ser o autor.

b) O habeas corpus é utilizado sempre que al­guém sofrer ou se achar ameaçado

de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou

abuso de poder.

c) O autor da ação constitucional de habeas corpus recebe o nome de impetrante;

o indivíduo em favor do qual se impetra, paciente, podendo ser o mesmo impetran-

te, e a autoridade que pratica a ilegalidade, autoridade coatora.

d) Caberá habeas corpus em relação a punições disciplinares militares.

e) O habeas corpus será preventivo quando alguém se achar ameaçado de sofrer

violência, ou repressivo, quando for concreta a lesão.

44. (AGENTE DE POLÍCIA/PC-SC/ACAFE/2014) O devido processo legal estabeleci-

do como direito do cidadão na Constituição Federal configura dupla proteção ao indi-

víduo, pois atua no âmbito material de proteção ao direito de liberdade e no âmbito

formal, ao assegurar-lhe paridade de condições com o Estado para defender-se.

Com base na afirmação acima, analise as questões a seguir e assinale a alternativa

correta.

I – Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade com-

petente.

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II – A lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa

da intimidade ou o interesse social o exigirem.

III – São admissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos.

IV – Ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liber-

dade provisória, com ou sem fiança.

V – Não haverá prisão civil por dívida, nem mesmo a do depositário infiel.

a) Apenas I, II e IV estão corretas.

b) Apenas I, III e V estão corretas.

c) Apenas III e IV estão corretas.

d) Apenas IV e V estão corretas.

e) Todas as questões estão corretas.

45. (AGENTE DE POLÍCIA CIVIL/PC-SC/FEPESE/2017) Com base na Constituição

Federal de 1998, sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violên-

cia ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder,

conceder-se-á:

a) habeas data.

b) habeas corpus.

c) mandado de segurança.

d) ação popular.

e) reclamação.

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46. (AGENTE DE POLÍCIA/PC-SC/ACAFE/2014) A República Federativa do Brasil,

formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal,

constitui-se em Estado Democrático de Direito (art. 1º da CF).

Com base no enunciado acima é correto afirmar, exceto:

a) São objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil erradicar a pobre-

za e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais.

b) A soberania, a cidadania e o pluralismo político não são fundamentos da Repú-

blica Federativa do Brasil.

c) Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em vir-

tude de lei,

d) É livre a manifestação de pensamento, sendo vedado o anonimato.

e) Construir uma sociedade livre, justa e solidária é um dos objetivos fundamen-

tais da República Federativa do Brasil.

47. (ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL/PC-SP/VUNESP/2013) Considerando o que a

doutrina majoritária dispõe sobre o desenvolvimento e conquista dos direitos hu-

manos, pode-se afirmar que esse desenvolvimento histórico, classificado por gera-

ções de direitos, pode ser, cronologicamente, assim representado:

a) direitos individuais; direitos coletivos e direitos sociais.

b) direitos individuais, direitos coletivos e liberdades negativas.

c) liberdades positivas, liberdades negativas e direitos sociais.

d) direitos sociais; direitos de liberdade e direitos da fraternidade.

e) direitos de liberdade; direitos sociais e direitos difusos.

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48. (ASSISTENTE SOCIAL/PEDAGOGO-PSICÓLOGO/SEAS-CE/UECE-CEV/2017) Aten-

te ao seguinte enunciado:

“Trata-se de uma teoria amplamente difundida na doutrina e na prática dos direitos

humanos, fundamenta tais direitos em uma ordem superior, universal, imutável e

inderrogável”.

A teoria descrita no enunciado acima é a Teoria

a. Positivista

b. Jusnaturalista

c. Moralista

d. Moderna

49. (TÉCNICO EM DEFESA SOCIAL/SEDS-TO/FUNCAB/2014) Os direitos humanos

nascem do reconhecimento do valor e da dignidade da pessoa humana. Esse en-

tendimento pode ser expresso pela seguinte frase:

a) O valor do ser humano é sempre negociável.

b) O ser humano vale pelo fato de ser humano.

c) A ênfase está na caridade.

d) Somente os bons merecem respeito.

50. (ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLICIAL/PC-SP/VUNESP/2014) Assinale a al-

ternativa correta com relação ao conceito de direitos humanos.

a) Direitos humanos é uma forma sintética de se referir a direitos fundamentais

da pessoa humana, aqueles que são essenciais à pessoa humana, que precisa ser

respeitada pela dignidade que lhe é inerente.

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b) Direitos humanos são aqueles que estão previstos de forma expressa em uma

Constituição e que se referem somente a direitos das pessoas que respondem a um

inquérito ou a um processo penal.

c) Como os direitos humanos são inerentes à natureza humana, somente derivam

do espírito humano e não devem ser positivados nas leis.

d) No âmbito da filosofia, a expressão direitos humanos significa a independência

do ser humano, tratando exclusivamente do direito de liberdade.

e) Considerando o que prevê a Constituição de 1988, os direitos humanos se dão

por meio da propriedade, que se impõe como um valor incondicional e insubstituí-

vel, que não admite equivalente.

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GABARITO
1. d 26. b

2. c 27. e

3. c 28. b

4. b 29. C

5. b 30. a

6. e 31. a

7. a 32. a

8. c 33. e

9. a 34. c

10. d 35. a

11. E 36. d

12. C 37. d

13. d 38. b

14. c 39. a

15. d 40. c

16. b 41. C

17. C 42. d

18. b 43. d

19. b 44. a

20. a 45. b

21. b 46. b

22. a 47. e

23. c 48. b

24. e 49. b

25. c 50. a

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